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Direito Civil para SEFAZ に PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04 AULA

Direito Civil para SEFAZ PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04

AULA 04: Teoria Geral das obrigações. Direito das obrigações. Modalidades das obrigações. As formas de extinção das obrigações. A inexecução das obrigações. Transmissão das Obrigações. Fontes das obrigações.

Olá! Como vão os estudos?

Esperamos que você esteja conseguindo estudar de forma adequada. Lembre-se que o sacrifício é momentâneo e quando você visualizar seu nome no diário oficial terá a certeza de que todo este esforço valeu a pena.

Os temas da aula de hoje não são difíceis, mas, assim como ocorreu na aula passada, há uma grande carga teórica e o seu estudo pode ser um pouco cansativo principalmente devido à grande quantidade de informações que você terá pela frente, por isto vá com calma, sem afobações e entre em contato conosco em caso de dúvidas.

O

direito

patrimonial

é

dividido

em

direito

das

coisas

(relacionado aos direitos reais que será assunto de nossa aula 07) e

direito das obrigações.

Na

aula

de

hoje

veremos, então, o direito das obrigações,

explanaremos a seguir sobre o tema e, novamente, nos colocamos à sua

disposição, para ajudá-lo(a) em caso de dúvidas, por meio dos nossos e-mails ou do fórum.

Sumário Direito Civil para SEFAZ に PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04

Sumário

Direito Civil para SEFAZ PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04

-Teoria Geral das

 

3

 

-Fontes das

3

  • - Modalidades das obrigações (arts. 233 a

 

6

 

Das obrigações de dar (obligationes

6

Das Obrigações de Fazer (obligationes

11

Das Obrigações de Não

12

  • - Modalidades de obrigações quanto aos seus

 

13

 

-Obrigações

13

-

Obrigações alternativas (arts. 252 a

14

Das Obrigações Divisíveis e Indivisíveis

15

Das Obrigações Solidárias (arts. 264 a

 

18

-

Da Solidariedade Ativa (concorrência de credores)

.......................................................................

19

-

Da Solidariedade Passiva (concorrência de devedores)

20

-

Obrigações quanto ao tempo do adimplemento (do

22

  • - Transmissão das obrigações (arts. 286 a

 

23

  • - Adimplemento e extinção das obrigações:

33

-

33

  • - Do Lugar do Pagamento (arts. 327 a

 

40

  • - Do Tempo do Pagamento (arts. 331 a

41

 

Pagamento

44

Do Pagamento em Consignação

44

Do Pagamento com Sub-Rogação

46

Da Imputação do Pagamento

47

Da

Dação em Pagamento ..................................................................................................................

48

Da Novação

49

Da Compensação

50

Da Confusão

52

Da

Remissão das Dívidas

52

  • - A inexecução das

 

53

  • - Do Inadimplemento das Obrigações (arts. 389 a

53

-

Da Mora (arts. 394 a 401)

...............................................................................................................

55

-

Das Perdas e Danos (arts. 402 a 405)

58

-

Dos Juros Legais (arts. 406 e 407)

59

-

Da Cláusula Penal (arts. 408 a

60

-

Das Arras ou Sinal (arts.417 a

62

QUESTÕES E SEUS RESPECTIVOS COMENTÁRIOS

 

64

LISTA DAS QUESTÕES E

98

Direito Civil para SEFAZ に PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04 -Teoria

Direito Civil para SEFAZ PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04

-Teoria Geral das Obrigações.

Não cabe, em um curso preparatório para um concurso público, ficar divagando muito sobre a teoria geral das obrigações. O assunto é extenso e permite uma ampla discussão doutrinária. Deste modo, falaremos o básico, aquilo que julgamos necessário para uma boa compreensão da matéria, focando o estudo nas obrigações jurídicas encontradas no código civil.

A obrigação, objeto do nosso estudo, é, então, a obrigação jurídica, aquela que encontra respaldo em uma lei, mas que estará também relacionada a um negócio jurídico, como, por exemplo, um contrato.

Por ter respaldo legal, esta obrigação está protegida pelo direito e tem garantia do Estado, por isto, se não for cumprida (em caso de inexecução), haverá consequências de cunho jurídico, trata-se da chamada responsabilidade contratual (assunto de outra aula).

A obrigação estabelece um vínculo jurídico entre sujeitos (pessoas) e objeto. É, portanto, uma relação jurídica. Diz-se que esta relação tem caráter transitório, uma vez que já nasce com a finalidade de se extinguir (normalmente pelo seu cumprimento).

-Fontes das Obrigações.

Investigar as fontes das obrigações é investigar de onde elas surgem, quando e como se formam, ou seja, de onde vem o vínculo da obrigação. É saber, também, por que certa pessoa (o devedor) passa a ter o dever, ou a obrigação, de prestar determinada prestação para a outra (o credor).

No entanto, esta

investigação não é

tarefa fácil,

pois

não

concordância entre os doutrinadores e, neste sentido, são muitas as

construções doutrinárias e as soluções legislativas sobre o assunto.

Nas palavras de Silvio de Salvo Venosa 1 : “Quer-nos parecer, contudo, sem que ocorra total discrepância com o que já foi dito, que a lei será sempre fonte imediata de obrigações. Não pode existir obrigação sem que a lei, ou em síntese, o ordenamento jurídico a ampare. Todas as demais várias figuras que podem dar nascimento a uma obrigação são fontes

1 Sílvio de Salvo Venosa, Direito Civil II, ed. Atlas, 11 ed., pág. 50.

Direito Civil para SEFAZ に PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04 mediatas.

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mediatas. São, na realidade, fatos, atos e negócios jurídicos que dão margem ao surgimento de obrigações”. (grifos nossos)

Assim, temos a lei como a primeira fonte das obrigações, fonte imediata, sendo as demais classificadas como fontes mediatas. É importante destacarmos que o Código Civil de 1916 e o de 2002 não possuem um dispositivo específico a respeito das fontes das obrigações, porém são reconhecidos como fonte de obrigações: ¹o contrato, ²os atos ilícitos e o abuso de direito, ³os atos unilaterais, 4 os títulos de crédito.

O estudo dos atos unilaterais, as declarações unilaterais de vontade, como fonte de obrigações, é importante porque o seu inadimplemento (o não cumprimento) ocasionará o dever de indenizar, a responsabilidade civil.

Os atos unilaterais estão expressamente previstos no CC e são: a promessa de recompensa, a gestão de negócios, o pagamento indevido e o enriquecimento sem causa.

Promessa de recompensa (arts. 854 a 860): é aquela feita por anúncio público, neste momento (quando se torna público) a pessoa que promete se obriga a cumprir o que prometeu.

Art. 854. Aquele que, por anúncios públicos, se comprometer a recompensar, ou gratificar, a quem preencha certa condição, ou desempenhe certo serviço, contrai obrigação de cumprir o prometido.

Gestão de negócios (arts. 861 a 875): Ocorre quando uma pessoa (gestor de negócio) age presumindo o interesse, a vontade, de outra (o dono do negócio). Exemplo citado por Maria Helena Diniz é o da pessoa que, ao ver a casa do vizinho em risco de inundação, por terem sido arrebentados os encanamentos, interfere na situação, corrigindo tais problemas, mas efetuando para tanto os gastos indispensáveis ao conserto.

Pagamento indevido (arts. 876 a 883) e enriquecimento sem causa (arts. 884 a 886): Segundo Maria Helena Diniz 2 , O pagamento indevido constitui um caso típico de obrigação de restituir fundada no princípio do enriquecimento sem causa, segundo o qual ninguém pode enriquecer à custa alheia, sem causa que justifique.

Após vermos algumas fontes de

obrigações e citarmos os atos

unilaterais, vamos voltar agora ao assunto “obrigação” propriamente dito.

2 Maria Helena Diniz, Manual de direito Civil, Saraiva 2011, pág. 282.

Direito Civil para SEFAZ に PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04 nenhum

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nenhum outro, tais como chassi, motor e placa. Outro exemplo, seria um determinado quadro de um artista famoso.

Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo se o contrário resultar ¹do título ou ²das circunstâncias do caso.

Em regra a obrigação principal abrange os seus acessórios, mas poderá haver estipulação diferente em contrato ou, então, isto poderá ser determinado pelas circunstâncias do caso. Além disso, após assumir a obrigação (e até a entrega da coisa) o devedor (que ainda detém a coisa) deve ter o cuidado de conservá-la. Isto é o que observamos, por exemplo, com relação à compra e venda: Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do vendedor, e os do preço por conta do comprador”.

Se a coisa ¹se perder ou ²se deteriorar deve ser avaliado se houve ou não culpa do devedor. Havendo culpa do devedor este responde também pelas perdas e danos 6 . (conforme você verá logo à frente)

“Professores, mas quando isto ocorrerá sem culpa do devedor?”

A ideia de ausência de culpa estará associada ao caso fortuito e a força maior. Estas situações são imprevisíveis, não cabendo responsabilização a pessoa se não lhe deu causa. Além disso, a questão da prova informará se houve ou não culpa.

Continuando!

Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, ¹sem culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes; ²se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos.

6 CC Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu (DANO EMERGENTE), o que razoavelmente deixou de lucrar (LUCRO CESSANTE).(As observações ao texto da lei são nossas).

Direito Civil para SEFAZ に PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04 ²

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²Com culpa do devedor o devedor responde pelo equivalente (em dinheiro) e mais perdas e danos.

Se a coisa se perder (se houver perecimento antes da tradição:

perda total da coisa)

¹Sem culpa do devedor resolvida a obrigação, sem perdas e danos. As partes voltam ao statu quo ante, voltam à situação original. Portanto, se o devedor já recebeu o preço pela coisa, este deve ser restituído à outra parte.

Art. 235. Deteriorada a coisa, ¹não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a obrigação, ou aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu.

Art. 236. ²Sendo culpado o devedor, poderá o credor exigir o equivalente, ou aceitar a coisa no estado em que se acha, com direito a reclamar, em um ou em outro caso, indenização das perdas e danos.

Se a coisa se deteriorar (veja que a coisa ainda existe, apenas perdeu em parte seu valor é a perda parcial da coisa)

¹Sem culpa do devedor se dá por resolvida a obrigação ou pode o credor aceitar a coisa, mas com abatimento do preço.

²Com culpa do devedor o devedor reponde pelo equivalente ou pode o credor aceitar a coisa, mas nas duas situações caberá indenização das perdas e danos.

Art. 237. Até a tradição

pertence

ao

devedor

a

coisa,

com

os seus

melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a obrigação.

Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os pendentes.

Enquanto a tradição, a transferência de domínio, não ocorrer o devedor é o dono da coisa, sendo assim, se forem feitos melhoramentos e acréscimos, este poderá exigir aumento do preço, podendo, inclusive, resolver a obrigação caso não haja anuência do credor. Pelo §único do art. 237 temos que os frutos percebidos (aqueles que já foram colhidos) são do devedor. Restando para o credor os frutos pendentes (aqueles que ainda não foram colhidos), justamente porque estes ainda integram a coisa e dela não estão separados.

Direito Civil para SEFAZ に PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04 Com

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Com relação ao art. 237, há um termo que a doutrina costuma utilizar

e que já foi cobrado em concursos públicos, trata-se da palavra “cômodos”. Cômodos são vantagens produzidas pela coisa, isto é, seus melhoramentos e acrescidos, pertencentes ao devedor, que poderá exigir por eles aumento no preço ou a resolução da obrigação, se o credor não concordar em pagar o quantum apurado.

A obrigação de restituir (é um tipo de obrigação de dar) ocorre quando existe uma coisa alheia que está em poder do devedor, sendo que esta coisa deverá ser restituída ao seu verdadeiro dono em momento oportuno. Isto é o que ocorre, por exemplo, no contrato de comodato. Se você possui TV por assinatura, está diante desta obrigação perante a prestadora de serviço. Ao final do contrato terá que devolver o aparelho receptor (a coisa está em seu poder por estipulação contratual, comodato, no entanto não é de sua propriedade). Nestes casos, se não houver culpa o prejudicado será o credor. Vamos às situações possíveis:

Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, ¹sem culpa do devedor, se perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda.

Art. 239. Se a coisa se perder ²por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos.

Se a coisa se perder (se houver perecimento perda total da coisa) antes da tradição:

¹Sem culpa do devedor o credor sofre a perda e a obrigação se resolve. A ressalva diz respeito a se já tiver começado a correr o período de mora do devedor,

²Com culpa do devedor o devedor responde pelo equivalente mais perdas e danos.

Art. 240. Se a coisa restituível se deteriorar ¹sem culpa do devedor, recebê- la-á o credor, tal qual se ache, sem direito a indenização; se ²por culpa do devedor, observar-se-á o disposto no art. 239.

Se a coisa se deteriorar (novamente destacamos, a coisa ainda existe, apenas perdeu em parte seu valor é perda parcial da coisa) ¹Sem culpa do devedor o credor recebe a coisa tal qual se ache. ²Com culpa do devedor o devedor responde pelo equivalente mais perdas e danos.

Direito Civil para SEFAZ に PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04 Parágrafo

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Parágrafo único. Em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou mandar desfazer, independentemente de autorização judicial, sem prejuízo do ressarcimento devido.

- Modalidades de obrigações quanto aos seus elementos.

Você acabou de ver os tipos de prestação (dar, fazer, não fazer). Observando o número de prestações teremos o seguinte: quando a prestação for única teremos uma obrigação simples, como, por exemplo, quando uma pessoa se obriga a entregar a outra um cavalo; em contrapartida, se houver mais de uma prestação, estaremos diante de uma obrigação denominada complexa ou composta.

Nas duas situações acima estamos analisando as obrigações quanto aos seus elementos. De acordo com esta classificação as obrigações poderão, então, ser: ¹simples ou ²compostas (sendo estas subdivididas em cumulativas, alternativas e solidárias).

Você pode perceber que obrigações compostas envolvem uma pluralidade, esta pluralidade poderá ser tanto de objetos quanto de sujeitos.

Pluralidade

de

objetos:

¹obrigações

cumulativas

e

²obrigações

alternativas. Pluralidade de sujeitos: ¹sem solidariedade e ²obrigações solidárias.

Quanto à pluralidade de objetos:

-Obrigações cumulativas.

Há, nas obrigações cumulativas, pluralidade de objetos. Por exemplo, entregar um carro e um apartamento. Neste tipo de obrigação o cumprimento deve ser num todo, ou seja, os dois objetos devem ser entregues. Se isto não ocorrer o inadimplemento (o descumprimento da obrigação) será tido como total. Motivo desta afirmação já utilizada por uma banca de concursos: A obrigação cumulativa é a obrigação consistente em um vínculo jurídico pelo qual o devedor se compromete a realizar diversas prestações, de tal modo que não se considerará cumprida a obrigação até a execução de todas as prestações prometidas, sem exclusão de uma só.

Direito Civil para SEFAZ に PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04 Haverá,

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Haverá, no entanto,

duas

exceções

com relação

à

prestação

demonstrada acima: ¹a indivisibilidade (que será vista a seguir, no art. 258) e ²a solidariedade (que é detalhada nos arts. 264 a 285)

Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, ¹por sua natureza, ²por motivo de ordem econômica, ou ³dada a razão determinante do negócio jurídico.

sempre considerada obrigação única (indivisível), independentemente do número de credores ou devedores
sempre considerada
obrigação única
(indivisível),
independentemente
do número de
credores ou
devedores

A Obrigação é indivisível, pois a ¹coisa ou o ²fato não são susceptíveis de divisão.

Exemplos de obrigações indivisíveis: a entrega de um carro, a entrega de um determinado animal.

IMPORTANTE: Se a obrigação, por algum motivo, for convertida em uma obrigação pecuniária, não se deve falar mais em obrigação indivisível, pois a prestação em dinheiro tem como característica a possibilidade de divisão.

Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela dívida toda.

Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados.

Na obrigação indivisível, como já falado, cada devedor é obrigado pela dívida toda. E ainda temos a situação do § único, exemplificada a seguir: Se João, Paulo e Vitor são devedores coobrigados da obrigação “X”, cada um responde pela dívida toda. Se João, por exemplo, pagar a dívida sub-roga-se no direito do credor com relação aos outros.

Da pluralidade de credores (Nos artigos seguintes não há solidariedade ativa, apenas a pluralidade de credores. A solidariedade será explicada mais à frente).

Art. 260. Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a dívida inteira; mas o devedor ou devedores se desobrigarão, pagando:

Direito Civil para SEFAZ に PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04 Art.

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Art. 283. O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos codevedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se o houver, presumindo-se iguais, no débito, as partes de todos os codevedores.

Art. 284. No caso de rateio entre os codevedores, contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo credor, pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente.

Art. 285. Se a dívida solidária interessar exclusivamente a um dos devedores, responderá este por toda ela para com aquele que pagar.

Importante você observar que tanto na solidariedade como na indivisibilidade, ante a pluralidade subjetiva, cada credor pode exigir a dívida inteira e cada devedor está obrigado pelo débito todo. O credor que receber responderá pela parte dos demais e o devedor que pagar terá direito de regresso contra os outros.

- Obrigações quanto ao tempo do adimplemento (do cumprimento).

De execução ¹instantânea, ²diferida e ³continuada.

Obrigação de execução instantânea (ou momentânea) é aquela que em um só ato já está consumada, se constitui a obrigação e no momento seguinte esta já é cumprida. Exemplo: A compra à vista com a entrega da coisa no instante seguinte.

Obrigação de execução diferida é aquela que ocorre, também, em um só ato, mas a obrigação não é cumprida no momento seguinte, mas sim em momento futuro. Exemplo: A compra à vista em que a entrega é feita em momento futuro.

Obrigação de duração continuada (periódica ou de trato sucessivo)

é aquela que não se cumpre em um só ato e que ocorre por meio de atos reiterados. Exemplos: A compra e venda a prazo (haverá prestações

periódicas), o fornecimento de determinada mercadoria em prestações periódicas.

Vamos começar agora outro ponto importante do edital: a transmissão das obrigações.

Direito Civil para SEFAZ に PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04 que

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que a própria lei prevê esta cessão. Judicial é a que decorre de sentença judicial, como por exemplo, nos casos de sucessão onde haverá a partilha dos bens. Como os créditos também são bens, estes vão ser transferidos para os herdeiros.

Pode ser ¹pro soluto, quando, com a transferência, o cedente deixa de ter responsabilidade pelo pagamento do crédito, pela solvência do devedor, mas continua responsável pela sua existência; ou ²pro solvendo, quando o cedente continua responsável pelo pagamento, caso o cedido ou devedor não o faça.

Já foi afirmação de prova: “Na cessão pro soluto do crédito, o cedente não responde pela solvência do devedor, mas apenas pela existência do crédito.

Embora a cessão de crédito seja um negócio jurídico não solene (ou consensual), pois não depende de forma determinada, convém que a cessão seja feita por escrito, pois assim terá validade contra terceiros 9 .

Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrar-se mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1o do art. 654.

(Art. 654, § 1º. O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos).

Art. 289. O cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer averbar a cessão no registro do imóvel.

Trata-se de garantia para o cessionário, pois com esta atitude de averbação na escritura do imóvel no registro de imóveis, o ato de cessão gera efeitos contra todos (erga omnes).

No art. 290 temos a informação quanto à necessidade de notificação do devedor.

Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita.

9 Esses “terceiros” citados no texto da lei devem ter interesse no patrimônio das partes. Não podendo ser qualquer pessoa.

Direito Civil para SEFAZ に PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04 Assim,

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Assim, a cessão de crédito não está condicionada a aceitação do devedor, mas ele deve ser notificado de quem é o credor da obrigação, para poder efetuar o pagamento. Esta notificação ao devedor pode ser feita tanto pelo cedente (aquele que está cedendo) como pelo cessionário (aquele que está adquirindo o direito).

Como dito anteriormente, a cessão prescinde (não precisa) de autorização do devedor, que dela, apenas, deve ter ciência. O devedor não faz parte diretamente do negócio jurídico que é a cessão de crédito.

Se a cessão foi desmembrada, e existirem vários credores, o devedor deve ser informado de tal situação e esta não deve lhe gerar maiores gastos, ou seja, sua situação não poderá ser agravada sem sua concordância.

Art. 291. Ocorrendo várias cessões do mesmo crédito, prevalece a que se completar com a tradição do título do crédito cedido.

Esta situação irá ocorrer, quando o crédito for vendido várias vezes, para diferentes pessoas. Nestes casos não está obrigado o devedor a procurar o último cessionário para fazer o pagamento. De acordo com o artigo, ele pagará ao cessionário que lhe apresentar o título do crédito cedido. Se isso vier a causar algum dano para os demais cessionários, será resolvido entre eles.

O art. 294 fala das exceções (das defesas que dispõe o devedor), e diz assim:

Art. 294 O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente.

Desse modo, se o devedor podia em sua defesa, por exemplo, alegar erro ou, então, dolo contra o cedente, também poderá fazê-lo contra o cessionário. Isso se dá, porque o crédito se transfere com as mesmas características que possuía originariamente.

A responsabilidade do cedido é cumprir com a obrigação. Já a reponsabilidade do cedente, nas cessões a título oneroso, ainda que não se responsabilize pelo cumprimento da obrigação, está na existência do crédito ao tempo da cessão. Isto também é valido nas cessões a título gratuito, se o cedente agiu de má-fé. É o que diz o art. 295:

Direito Civil para SEFAZ に PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04 ¹

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¹João deve pra Otávio. Surge, na relação obrigacional, a figura de ³Paulo, um terceiro, que será o assuntor ou cessionário.

³Paulo assume a obrigação, que era de ¹João (devedor primitivo), perante ²Otávio (credor).

No código civil, o conceito para a assunção de dívida está no art. 299.

É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor,

com

o

consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava.

Parágrafo único. Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa.

Do que foi dito acima, podemos extrair os pressupostos da cessão de débito:

Existência e validade da obrigação transferida.

Substituição do devedor sem alteração na substância do vínculo obrigacional, salvo se o novo devedor, ao tempo da assunção da dívida, era insolvente e o credor ignorava.

Concordância expressa do credor.

Observância dos requisitos relacionados para os negócios jurídicos.

A assunção pode ¹liberar o devedor primitivo, ou ²mantê-lo ligado ainda à obrigação. Trata-se de uma opção das partes, uma escolha do credor.

Entretanto, o art. 300 nos diz:

Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor.

“O que isto expresso no art. 300 quer dizer?”

O fiador, por exemplo, não é obrigado a garantir um devedor que não conhece, que não confie. A ideia é no sentido de que as garantias ditas especiais não permanecerão com a assunção se não houver menção expressa a este respeito. No entanto, permanecem as garantias dadas pelo devedor primitivo ligadas a sua pessoa.

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Haverá concordância contemporânea ou simultânea quando uma das partes manda a proposta de cessão diretamente às outras duas.

Haverá concordância posterior se a concordância do cedido ocorrer após o acerto da cessão entre cedente e cessionário.

Haverá concordância prévia quando no contrato base já houver previsão e autorização para uma futura cessão.

A falta de consentimento do cedido impede o aperfeiçoamento da cessão e o relacionamento entre cedente e cessionário permanece no campo da responsabilidade pré-contratual.

O principal efeito da cessão de contrato é a substituição de uma das partes de contratobase, permanecendo este íntegro em suas disposições.

Todo complexo contratual, direitos e obrigações provenientes do contrato transferem-se ao cessionário.

Na cessão de posição contratual, o cedente é responsável pela existência do contrato, por sua validade e pela posição que está cedendo. Caso não ocorram tais circunstâncias, a solução será uma indenização por perdas e danos, com ressarcimento da quantia acordada para a transferência da posição contratual. Ainda que o negócio seja gratuito, poderá gerar direito à indenização. Em se tratando de cessão onerosa, a responsabilização independe de culpa. A culpa funcionará, talvez, como um reforço para o quantum indenizatório.

Na hipótese de inexistir o contrato cedido, ou de não existir de forma que permita a eficácia da cessão, há, na verdade, uma impossibilidade do negócio por inexistência de objeto.

O cedente não se responsabiliza pelo adimplemento 11 do contrato. Pode, no entanto, assumir perante o cessionário uma garantia, maior ou menor, dependendo das cláusulas do negócio, pelo adimplemento das obrigações contratuais do cedido. Porém, se não houver expressado menção do tipo de garantia, existirá uma caução fidejussória 12 , nada impedindo, no entanto, que as partes coloquem a responsabilidade solidária total ou parcial, restrita a determinado valor, ou mesmo restrita a uma só assunção de dívida do contrato base.

Na transferência de posição contratual, devem as partes identificar claramente o objeto do negócio, sempre que possível avisando o cedente ao cessionário de todas as cláusulas do contrato cedido. É muito importante, que no mesmo instrumento ou em instrumento à parte, em

  • 11 Pelo cumprimento do contrato.

  • 12 As garantias contratuais se dividem em reais e fidejussórias. Nas reais é oferecido um bem para assegurar o cumprimento da obrigação, através de hipoteca, penhor ou anticrese. Já nas garantias fidejussórias é uma pessoa quem vai assegurar o cumprimento da obrigação, através de aval ou fiança.

Direito Civil para SEFAZ に PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04 cópia

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cópia fiel, conste o contrato base. Deste modo, estará o cessionário plenamente ciente da situação contratual que está assumindo. Como também deve o cedente dar todas as informações necessárias ao cessionário, para que ele tenha condições de cumprir com seu novo acordo.

O acordo preparatório entre

cedente e cessionário não produz

qualquer efeito quanto ao cedido sem sua anuência, ainda que posterior.

Com a transferência de sua posição contratual, ausenta-se o cedente da relação jurídica. Neste tipo de negócio, podem as partes estipular que há uma cessão de posição contratual, mas que o cedido pode agir contra o cedente em caso de inadimplemento do cessionário. Entretanto, as partes devem manifestar-se expressamente quanto a isso, caso não o façam haverá total liberação do cedente.

Quanto ao cessionário e o cedido, ambos passam a ser partes no contrato-base. O cessionário toma o lugar do cedente nos direitos e obrigações. O cedido só se libertará de suas obrigações contratuais com pagamento ao cessionário após tomar conhecimento e anuir na cessão. O contrato pode ser cedido em trânsito, isto é, parcialmente cumprido.

Lembrem-se: só se transferem as relações jurídicas ainda existentes.

Transfere-se a posição contratual no estado em que se encontra para o cedente. Todos os acessórios dos direitos conferidos pelo contrato também se transmite ao cessionário, inclusive sua posição subjetiva de parte processual. As garantias para o contrato, fiança, hipoteca, penhor, prestadas por terceiro, necessitam do consentimento deste para permanecerem íntegras.

Resumindo!

Efetivar-se-á a cessão de contrato somente se:

  • 1. O contrato transferido for bilateral.

  • 2. O contrato for suscetível de ser cedido de maneira global.

  • 3. Houver transferência ao cessionário não só dos direitos como também dos deveres do cedente.

  • 4. O cedido consentir, prévia ou posteriormente, uma vez que a cessão de contrato implica, concomitantemente, uma cessão de crédito e uma cessão de débito.

  • 5. Houver observância dos requisitos do negócio jurídico.

  • 6. A obrigação não for personalíssima, nem houver cláusula vedando a cessão.

A cessão de contrato produz as seguintes consequências jurídicas:

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O art.307 trata do pagamento que importe em transmissão de propriedade:

Art. 307. Só terá eficácia o pagamento que importar transmissão da propriedade, quando feito por quem possa alienar o objeto em que ele consistiu.

Parágrafo único. Se se der em pagamento coisa fungível, não se poderá mais reclamar do credor que, de boa-fé, a recebeu e consumiu, ainda que o solvente não tivesse o direito de aliená-la.

Para a transmissão do domínio deverão estar presentes todos os requisitos do negócio jurídico. Se porém tratar-se de coisa fungível 14 , já consumida pelo credor de boa-fé, não se pode mais reclamar a coisa. O assunto se resolverá por indenização.

Para que se configure a situação do art.307 §único são necessárias três condições: ¹que o pagamento seja de coisa fungível; ²que tenha havido boa-fé por parte do accipiens (termo jurídico para designar quem recebe); e ³que tenha sido consumida a coisa. Enquanto não consumida, haverá direito à repetição, no todo ou em parte da coisa.

A regra geral sobre quem recebe é a do art. 308.

O pagamento deve ser feito ¹ao credor ou ²a quem de direito o represente, sob pena de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito.

No entanto, podem ocorrer exceções. Tanto o credor poderá estar inibido de receber, como o devedor poderá, em certas situações especiais, pagar validamente a quem não seja credor. Como também podem os contraentes, no momento de fazer o contrato, estipular que o accipiens seja um terceiro, que não tenha nenhuma relação material com a dívida, mas está intitulado para recebê-la.

Atenção: Em regra, se o pagamento não for efetuado ao credor ou ao seu representante, será ineficaz. Entretanto, da leitura do art. 308, vimos que o pagamento pode ser feito a pessoa não intitulada e mesmo assim valer se houver ratificação do credor ou de seu representante.

No art. 311 temos outro caso de pagamento à pessoa que não o credor, trata-se do portador de recibo de quitação.

14 Art. 85. São fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade.

Direito Civil para SEFAZ に PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04 Considera-se

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Considera-se autorizado a receber o pagamento o portador da quitação, salvo se as circunstâncias contrariarem a presunção daí resultante.

A presunção é a de que quem se apresenta com um recibo firmado

por terceiro possui quitação.

mandato específico para receber, é

portador de

Já no art. 309 temos a figura do credor putativo, que é a pessoa que tenha a mera aparência de credor ou de pessoa autorizada a receber.

O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, ainda provado depois que não era credor.

A lei condiciona a validade do pagamento ao fato de o accipiens ter a aparência de credor e estar o solvens de boa-fé. Restará ao verdadeiro credor haver o pagamento do falso accipiens.

Há casos em que o devedor pode ver-se livre da obrigação, mesmo tendo pagado a terceiro não intitulado. Isso ocorrerá em três situações:

  • 1. Na hipótese que estudamos em que ocorre a ratificação, pelo credor, do pagamento recebido (art. 309).

  • 2. Na hipótese em que o pagamento reverterá em benefício do credor (art. 308, visto acima, a prova será do solvens).

  • 3. E, por fim, na hipótese do credor putativo.

O art. 310 refere-se ao pagamento feito à pessoa incapaz de quitar.

Não vale o pagamento cientemente feito ao credor incapaz de quitar, se o devedor não provar que em benefício dele efetivamente reverteu.

Outra situação que inibe o credor de receber é a do art. 312.

Se o devedor pagar ao credor, apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito, ou da impugnação a ele oposta por terceiros, o pagamento não valerá contra estes, que poderão constranger o devedor a pagar de novo, ficando-lhe ressalvado o regresso contra o credor.

Direito Civil para SEFAZ に PA. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi Aula - 04 Quanto

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Quanto ao pagamento, este deve compreender quanto ao seu objeto àquilo que foi acordado. Não sendo obrigado a receber nem mais, e nem menos que o acordado.

Quanto ao objeto do pagamento, começaremos com o art. 313.

O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa.

Como regra geral, só existirá solução da dívida, com a entrega do objeto. Se a prestação é complexa, constantes de vários itens, não se cumprirá a obrigação enquanto não atendidos todos.

Art. 315. As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal, salvo o disposto nos artigos subsequentes.

E o artigo 317 admite a intervenção judicial para a correção do valor no pagamento do preço quando “por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor real da prestação”. Neste caso temos a aplicação da Teoria da Imprevisão 15 , que traz exceção ao tema quanto ao objeto do pagamento, é a correção judicial do contrato.

E, neste mesmo tema, temos o art. 316, que diz que:

É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas.

Este artigo está relacionado aos índices de correção monetária, portanto cláusula móvel das prestações, algo que, sem dúvida, converte- se em terreno acidentado para o interessado.

O art. 318 traz uma proibição:

São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira, bem como para compensar a diferença entre o valor desta e o da moeda nacional, excetuados os casos previstos na legislação especial.

Assim, negócios em moeda estrangeira somente são permitidos, por exceção, nos contratos de importação e exportação; nos contratos de

compra e venda de câmbio e nos contratos celebrados com pessoa

residente e domiciliados no exterior. Trata também da proibição

da

15 Quando imprevistos alheios ao contrato e vontade das partes autorizam a revisão do contrato pelo juiz.

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chamada cláusula de ouro, que está mais relacionada à legislação especial de natureza financeira.

Os pagamentos contratados em medida ou peso devem obedecer aos costumes do lugar. Os termos arroba, braças, alqueires podem variar de acordo com as regiões em que as obrigações houverem de ser cumpridas.

Art. 326. Se o pagamento se houver de fazer por medida, ou peso, entender-se- á, no silêncio das partes, que aceitaram os do lugar da execução.

A prova do pagamento é a demonstração material, é manifestação externa de um acontecimento. Quem paga tem direito a prova desse pagamento, que é a quitação.

Vamos ver os artigos 319 e 320 conjuntamente:

Art. 319. O devedor que paga tem direito a quitação regular, e pode reter o pagamento, enquanto não lhe seja dada.

Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante.

Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida.

Aí estão os requisitos do recibo, instrumento da quitação. Trata-se de prova cabal de pagamento, porque em juízo não se aceitará prova exclusivamente testemunhal para provar o pagamento, se o valor exceder ao teto legal. Este é o conteúdo do art. 227:

Art. 227 Salvo os casos expressos, a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram celebrados.

Parágrafo único. Qualquer que seja o valor do negócio jurídico, a prova testemunhal é admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito.

A quitação, contendo os requisitos do art. 320, não necessita ter a mesma forma do contrato. É dever do credor dar a quitação, uma vez recebido o pagamento. Se o credor se recusar a conceder a quitação ou