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Aula 05 - Profs. Heber Carvalho e Jetro Coutinho

Discursivas p/ APO-MPOG - Planejamento e Orçamento (com 2 correções por aluno)

Professores: Décio Terror, Heber Carvalho, Herbert Almeida, Jetro Coutinho, Ricardo Vale, Rodrigo Barreto, Sérgio Mendes, Vinícius Nascimento

05685784732 - Waldyr de Oliveira Neto

Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira

Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira Prof. Heber Carvalho e Jetro Coutinho - Aula 05

AULA 05 – Finanças Públicas e Economia Brasileira

SUMÁRIO RESUMIDO

PÁGINA

SUMÁRIO RESUMIDO PÁGINA
SUMÁRIO RESUMIDO PÁGINA

Apresentação

01

Questões Discursivas Comentadas

01

Lista das Questões Apresentadas

27

Apresentação 01 Questões Discursivas Comentadas 01 Lista das Questões Apresentadas 27
Apresentação 01 Questões Discursivas Comentadas 01 Lista das Questões Apresentadas 27

Olá caros(as) amigos(as),

Nesta aula, vamos propor:

02 questões de Finanças Públicas (respostas entre 15 e 30 linhas) e

02 Dissertações de Economia Brasileira (respostas entre 45 e 60 linhas)

Questão 01 – Finanças Públicas (15 a 30 linhas)

CONSULTOR

Adaptada

LEGISLATIVO

CÂMARA

DOS

DEPUTADOS

A manutenção do equilíbrio orçamentário é importante porque déficits fiscais recorrentes diminuem a poupança nacional investimento, contribuindo, assim, para reduzir o crescimento de longo prazo da economia.

Considerando o texto acima, que tem caráter unicamente motivador, redija um discurso parlamentar, posicionando-se acerca do tema a seguir:

ADOÇÃO DE UMA POLÍTICA DE ORÇAMENTO EQUILIBRADO.

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Em seu discurso, devem ser contemplados, necessariamente, os seguintes aspectos:

a relação entre déficit e dívida pública;

a questão dos déficits gêmeos;

os limites da aplicação dessa política;

a questão da equivalência ricardiana.

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Comentários:

Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira Prof. Heber Carvalho e Jetro Coutinho - Aula 05 Em primeiro lugar, observe que temos bastante conteúdo para tratar em apenas 30 linhas. Em questões como essa, você deve se preocupar ao máximo em colocar tudo o que foi pedido dentro da sua redação.

em colocar tudo o que foi pedido dentro da sua redação. Se o examinador consultar o

Se o examinador consultar o barema de correção e não encontrar algo que foi solicitado no enunciado, você vai perder pontos preciosos. Neste tipo de situação, esqueça a forma tradicional de fazer seu texto (introdução, desenvolvimento, conclusão) e priorize a colocação de tudo o que foi pedido na questão.

Vamos comentar brevemente cada item pedido no enunciado:

-

Relação entre déficit e dívida pública:

O

déficit é puro e simplesmente a variação da dívida pública.

Esta é uma variável estoque, enquanto aquele é variável fluxo. E quanto mais o país tem déficit, mais a dívida pública cresce.

Outro fator importante é que não é só o déficit que faz a dívida crescer, mas o contrário também ocorre. Isto é: uma alta dívida estimula a existência de déficits.

Uma alta dívida gera a necessidade de pagamentos de juros cada vez maiores. Esses juros a pagar, obviamente, aumentam o déficit (que, por sua vez, aumenta a dívida).

- Déficits gêmeos:

A teoria Keynesiana nos permite estabelecer uma relação entre o déficit

orçamentário decorrente de uma política fiscal expansionista e o déficit no comércio exterior de bens e serviços (X – M).

Nós sabemos que:

Y

= C + I + G + (X – M)

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Se chamarmos (X – M) de exportações líquidas (NX), teremos:

Y

= C + I + G + NX

Se isolarmos NX, temos:

NX = Y – C – G – I

Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira Prof. Heber Carvalho e Jetro Coutinho - Aula 05 Sabemos que (C + G) é o consumo final (C FINAL ), e que a renda menos o consumo final é igual à poupança bruta do Brasil (ou poupança nacional; ou poupança interna), de tal forma que:

poupança nacional; ou poupança interna), de tal forma que: NX = (Y – C F I

NX = (Y – C FINAL ) – I S (poupança nacional) = (Y – C FINAL )

Então:

NX = S – I

Pela expressão, percebe-se que a redução da poupança nacional faz reduzir também o saldo do comércio exterior de bens e serviços. Assim, podemos entender que o excesso de gastos de governo, consubstanciado no déficit orçamentário (decorrente de políticas fiscais expansionistas), provoca também déficit comercial.

Desta forma, podemos entender que uma mudança na política fiscal que reduza a poupança nacional acarreta um déficit comercial. Ou seja, os déficits orçamentário e comercial andam juntos; daí, o termo “déficits gêmeos”.

Um bom exemplo da ocorrência destes déficits ocorreu com a economia brasileira na década de 70 e 80, onde o excesso de gastos do governo provocou também déficits externos. Isto culminou com a crise da dívida externa, no início da década de 80.

De forma oposta, também podemos entender que programas de redução do déficit governamental (e consequente aumento da poupança nacional) também provocam melhoras no saldo externo. Dessa forma, programas de ajuste fiscal (corte de gastos), ao reduzir o déficit público, contribuem sobremaneira para melhorar as contas externas do país, reduzindo, assim, o déficit comercial.

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- Limites de aplicação desta política:

A política de que trata o enunciado é a política de equilíbrio orçamentário,

onde, geralmente, temos o uso de políticas fiscais restritivas, com pouco

gasto público.

O limite de aplicação desta política está no nível de demanda agregada encontrado na economia. Às vezes, se o objetivo do governo é reduzir o desemprego e estimular a demanda agregada, será necessário aumentar

o déficit público.

Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira Prof. Heber Carvalho e Jetro Coutinho - Aula 05 Portanto, os limites de aplicação desta política encontram-se no nível de emprego da Economia e no atendimento das diversas demandas da sociedade em termos de efetivação de políticas públicas.

sociedade em termos de efetivação de políticas públicas. - Equivalência ricardiana : Segundo a teoria econômica

- Equivalência ricardiana:

Segundo a teoria econômica convencional, o aumento de gastos do governo teria como resultado o aumento da demanda agregada da economia e o aumento da renda de equilíbrio.

Essa tese, no entanto, não é unânime. Uma visão alternativa, chamada de equivalência ricardiana, nos mostra conclusões diferentes.

O consumidor toma suas decisões de consumo baseando-se não somente na renda corrente, mas também na renda futura. Isto é, o consumidor leva em conta o tempo futuro. Isto também será verdade quando ele analisa os efeitos decorrentes da política fiscal do governo.

Por exemplo, suponha que o governo decida reduzir os impostos no período atual, sem que essa redução de tributação seja acompanhada por redução de gastos públicos. O consumidor que se preocupa com o futuro sabe que o fato de o governo reduzir os impostos hoje sem reduzir os gastos (por meio do aumento da dívida pública) significa maiores impostos amanhã para pagar a dívida assumida. Assim, este consumidor não alterará suas decisões de consumo a partir da redução de tributos do governo. Como ele sabe que haverá aumento de impostos no futuro, ele decide poupar a renda adicional gerada pela redução de tributos no período atual para pagar o aumento destes tributos no período futuro.

Assim, a implicação da equivalência ricardiana é que uma redução de impostos financiada pelo endividamento e não pela redução de gastos do governo deixa o consumo inalterado. As famílias irão poupar a renda disponível adicional para pagar o aumento de impostos no futuro.

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Sendo um pouco mais técnico e menos intuitivo, podemos dizer que a equivalência ricardiana nos mostra que a redução de impostos sem a previsão de corte nos gastos públicos apenas faz com que, no período 1, haja redução da poupança pública em favor do aumento da poupança privada. No período 2, ocorre o contrário, o aumento de impostos aumentar a poupança pública e reduz a poupança privada. A poupança interna (poupança pública + poupança privada) permanece a mesma. Como os consumidores se preocupam com o futuro, a redução de impostos no período 1 não exerce qualquer efeito sobre o consumo das famílias.

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Ainda é possível considerar o argumento de Ricardo 1 de outra maneira. Suponha que o governo decida reduzir os impostos sem reduzir os gastos públicos. Para que o orçamento “feche”, o governo deverá se endividar, por exemplo, vendendo títulos públicos ao mercado. Esses títulos, por suas vezes, serão comprados pelos cidadãos. Em essência, veja que foi o cidadão que deu dinheiro ao governo (comprando o título público para financiar o endividamento) para que este operasse a redução de impostos. No futuro (período 2), quando o governo aumentar os tributos para pagar as dívidas, o cidadão resgatará o título público comprado no período 1 e receberá o dinheiro, que será usado para pagar

o aumento de tributos no período 2. Assim, a operação não muda em

nada a riqueza do consumidor, de tal forma que a redução de tributos sem redução de gastos públicos não altera o consumo.

sem redução de gastos públicos não altera o consumo. A ideia central da equivalência ricardiana, entretanto,

A ideia central da equivalência ricardiana, entretanto, não conclui que as mudanças na política fiscal (alteração de gastos públicos e tributação) são totalmente irrelevantes. Por exemplo, se o governo reduz os impostos no presente porque planeja reduzir seus gastos no futuro, aí sim, as famílias aumentarão o consumo. Neste caso, as famílias entendem que, como os gastos públicos serão reduzidos, a redução de tributos no período corrente não implicará o aumento dos mesmos no período 2. Assim, a redução de tributos realmente significará aumento de renda disponível e aumentará o consumo.

Observe, porém, que é a redução dos gastos públicos, e não a

redução dos impostos, que estimula o consumo. Se o governo não alterar

a tributação no presente, mas anunciar que os gastos públicos serão

reduzidos no futuro, isso faria o consumo corrente crescer, ainda que os

impostos no presente permanecessem inalterados. Neste caso, as famílias, que prestam atenção ao futuro, iriam entender que menos gastos públicos no futuro significam menos impostos no futuro, e mais renda disponível no futuro.

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Proposta de solução: Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e

Proposta de solução:

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O déficit e a dívida pública são intimamente relacionados. A dívida

pública representa as obrigações do governo frente a terceiros. Já o déficit público é a variação da dívida pública. Uma dívida pública vultosa gera despesas com juros que tendem a pressionar o déficit público. Ao mesmo tempo, é notório que, quanto maior o déficit, mais a dívida cresce. Os déficits gêmeos são a coexistência de: déficits públicos e comerciais. O excesso de gastos de governo, consubstanciado no déficit orçamentário, decorrente de uma política fiscal desequilibrada, provoca também déficit na balança comercial do país. Existem limites para aplicar uma política de orçamento equilibrado. Eles são refletidos na queda do nível de demanda agregada e na possível insatisfação de setores da sociedade, uma vez que menos gastos do governo significam menos serviços públicos disponíveis para uma determinada parte da população.

A equivalência ricardiana nos mostra que a alteração do gasto

público pode não alterar o comportamento da demanda agregada. Se o governo, por exemplo, reduzir os tributos, sem reduzir o gasto público, no intuito de estimular a demanda agregada, a população não alterará o nível de consumo. Ela só aumentará o consumo e, por consequência, a demanda agregada se, simultaneamente à redução de tributos, houver a redução do gasto público.

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Questão 02 – Finanças Públicas (15 a 30 linhas)

AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL 2009

O Imposto sobre Valor Agregado (IVA) é um instrumento para a modernização do Sistema Tributário. Comente sobre os argumentos que sustentam a nova proposta de adoção do IVA, na revisão tributária, abrangendo os seguintes aspectos:

a) aspectos políticos;

b) aspectos econômicos e sociais;

c) aspectos administrativos;

d) aspectos financeiros.

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Comentários:

Essa questão caiu no concurso da Receita Federal de 2009 (ESAF) e, na época, provocou desespero nos candidatos. Nenhuma bibliografia de concurso tinha abordado esses temas. É o tipo de coisa que provavelmente também vai acontecer na sua prova discursiva.

Será provável que apareça uma ou outra questão sobre um assunto que você nunca leu. Aí, é hora de ter calma e garantir o máximo de pontos possível. Foi o que os candidatos do concurso da Receita de 2009 fizeram quando encontraram a questão acima.

Lembre-se: nesta fase, os candidatos leram materiais de estudo bastante semelhantes. Se uma questão da sua prova discursiva lhe parecer bizarra, saiba que isto também está acontecendo para todos os outros candidatos.

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Bem, vamos falar sobre IVA, antes de apresentar nossa proposta de solução:

Teoricamente, um imposto sobre o valor adicionado na venda de bens de consumo seria equivalente a um imposto sobre vendas somente ao consumidor final, tendo em vista a igualdade contábil entre a soma dos valores adicionados e o valor do produto final. No exemplo que foi dado no início do tópico 4.1, os valores adicionados são R$ 1,00 e R$ 2,50; e o valor do bem vendido ao consumidor final é R$ 3,50. Um imposto em cascata seria inferior a ambas as alternativas (seria cobrado sobre os valores de R$ 1,00 e R$ 3,50), uma vez que discriminaria contra

Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira Prof. Heber Carvalho e Jetro Coutinho - Aula 05 produtos que apresentassem um número maior de etapas de produção e comercialização, incentivando a integração vertical das empresas e reduzindo o grau de concorrência.

vertical das empresas e reduzindo o grau de concorrência. No imposto cumulativo, conforme vimos no tópico

No imposto cumulativo, conforme vimos no tópico precedente, há incentivo para que várias empresas se integrem, de forma que todas as etapas de produção sejam tributadas somente uma vez. Explicando mais uma vez, desta vez por meio de outra situação:

Imagine a produção de pão. Caso tenhamos a tributação cumulativa, haverá tributação cheia em todas as etapas de produção (produção do trigo, da farinha de trigo e do pão). Assim, naturalmente, há um forte estímulo para que as empresas das diversas etapas de produção (fazenda produtora do trigo, indústria produtora da farinha de trigo, padaria produtora do pão) se integrem e formem uma só, de tal maneira que somente o pão, ao final, será tributado. Por outro lado, quando a tributação é não cumulativa, não há estímulo a essa integração vertical, pois a tributação ocorre somente sobre o valor adicionado, pois é possível utilizar como crédito fiscal o que foi pago na etapa anterior da produção.

Pelo fato de não estimular a mudança de comportamento dos agentes, e nem prejudicar a concorrência de mercado (já que não há estímulos à integração vertical), nós podemos entender que o IVA é um imposto mais eficiente economicamente do que o imposto em cascata. Assim, se o governo pretende tributar o consumo e se preocupa com questões de eficiência econômica, a solução do IVA é preferível à solução do imposto cumulativo. Por isso, em razão do IVA distorcer menos as decisões dos agentes (não estimular a integração vertical e incidir somente sobre o valor adicionado), ele é mais neutro que o imposto cumulativo.

Em relação à fiscalização dos impostos cumulativos e do IVA, neste último, ela torna-se mais transparente. Como é possível o abatimento do que foi pago nas etapas anteriores da produção por meio do crédito fiscal, fica exposta uma espécie de trilha de auditoria. Assim, a sonegação é desincentivada, pois ela só não será detectada se houver sonegação em todas as etapas da produção. Muitos tributaristas dizem até que o IVA (imposto não cumulativo) é um tributo autofiscalizador, devido a este rastro que ele deixa nas várias etapas da produção.

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Na análise do imposto sobre valor agregado, as questões importantes relativas ao esquema deste tributo incluem o estudo de suas variantes (IVA-Produto, IVA-Renda e IVA-Consumo). Os principais tipos de IVA são o IVA-P (IVA-Produto), e o IVA-C (IVA-Consumo), cujas bases são, respectivamente, a produção e o consumo.

IVA-PRODUTO Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia

IVA-PRODUTO

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O IVA-Produto, como o próprio nome sugere, tributa a produção de

um país. Logo, a base de cálculo do IVA-Produto será:

Base do IVA-Produto PIB do país (exceto gastos do governo com salários)

O gasto do governo com salários faz parte do PIB mas não representa produção. Tendo em vista tais gastos não representarem gasto com a aquisição da produção, eles devem subtraídos da base de cálculo do IVA-Produto.

IVA-CONSUMO

Na visão do IVA-Consumo, somente devem ser tributados os bens de consumo. Os bens de capital (que fazem aumentar o valor do agregado I, investimento) não devem fazer parte da base de cálculo, pois tais bens aumentam o estoque de capital da capital e contribuem para expandir a produção e fazer a economia crescer. Assim,

Base do IVA-Consumo Produção de bens de consumo

O IVA-Consumo é o que apresenta a menor base de cálculo e é o

mais neutro dos dois. Ele não tributa os bens de capital e, por isso, não desencoraja os investimentos no setor produtivo. Sua desvantagem é que sua menor base pode fazer com que o governo cobre alíquotas maiores como forma de compensação. Isto provocaria um peso morto mais elevado (gravame excessivo), caso adotasse um IVA de base maior e menores alíquotas.

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De forma inversa, o IVA-Produto tem a base mais ampla e implica custos econômicos, uma vez que este tipo de IVA desencoraja o investimento (pois ele tributa os bens de capital). Além de tributar os investimentos, o IVA-Produto, ao contrário do IVA-Consumo, também não deduz as despesas com depreciação.

Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira Prof. Heber Carvalho e Jetro Coutinho - Aula 05 Segue agora um pequeno resumo sobre o IVA sob diversos aspectos, analisados separadamente: aspecto político, econômico, social, administrativo e financeiro.

político, econômico, social, administrativo e financeiro. Aspecto político - IVA Segundo Fernando Rezende 2 , a

Aspecto político - IVA

Segundo Fernando Rezende 2 , a tributação do consumo pelo IVA estabelece um vínculo estreito entre o que é tributado (base imponível) pelos governos e o poder aquisitivo de sua população. A transferência de parte desse poder aquisitivo da população para o poder público deve estar fundamentada no reconhecimento de que este montante de tributo que é pago corresponde ao legítimo pagamento de bens e serviços de interesse coletivo, que são responsabilidade do Estado. Nesse ponto, o IVA, por ser um tributo mais eficiente e neutro, é peça importante e contribui para o fortalecimento dessa relação contribuinte X Estado.

Assim, um Estado da Federação, ao adotar um imposto do tipo IVA, e até mesmo a União, ao adotar o mesmo tipo de imposto, reforçam a autonomia federativa, em que cada ente federativo (União, Estados, DF e Municípios) tem a autonomia de instituir os impostos de sua competência previstos na Constituição Federal. Diante do exposto, sob o ângulo político, o IVA:

Reforça a autonomia federativa;

Estabelece um vínculo estreito entre a base imponível, que será tributada pelo ente federativo que impõe o IVA, e o poder aquisitivo de sua população.

Aspectos econômicos - IVA

O IVA permite que se tribute apenas o consumo (IVA-Consumo), desonerando a produção, os investimentos e a exportação. Essa possibilidade é apresentada como uma das vantagens do IVA, sob o aspecto econômico.

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Supondo a adoção de um IVA-Consumo que contenha a base tributária do ICMS, IPI e ISS, surgiria outra vantagem em relação ao aspecto econômico e ela diz respeito à (possível) solução da guerra fiscal entre os estados e municípios brasileiros. Essa guerra fiscal redunda em prejuízo e a sua solução seria um aspecto positivo sob o ângulo econômico.

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Aspectos sociais – IVA Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas

Aspectos sociais – IVA

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A adoção do IVA possibilita a técnica da seletividade, em que o

consumo de bens de luxo (consumidos apenas pelos mais ricos) e/ou inadequados (fumo, bebidas) seja tributado sob alíquotas maiores que aquelas verificadas no consumo de bens de primeira necessidade. Ademais, a adoção do IVA que tributa o consumo e desonera os investimentos (IVA-Consumo) estimula o crescimento, melhorando os níveis de emprego da economia.

Aspectos administrativos – IVA

A adoção de um IVA que substitua o ICMS/IPI/ISS simplificaria o

sistema tributário, reduzindo os custos administrativos para as empresas. Além disso, a autofiscalização embutida nos mecanismos de débito e crédito, utilizados na aplicação do IVA, é um fator de redução dos custos governamentais de controle e fiscalização do tributo.

Aspectos financeiros – IVA

A adoção de um IVA-Consumo (que incide somente sobre o consumo) reequilibraria a distribuição regional de receitas, vinculando-as à repartição do consumo, e não à da produção, como atualmente. Assim, regiões da Federação que possuem um mercado que consome bastante, consequentemente, também teriam arrecadação maior de impostos, o que é justo. Assim, a adoção do IVA-Consumo tornaria a base da tributação de cada ente federativo compatível com o tamanho e o dinamismo de sua economia, contribuindo para uma maior estabilidade da receita, e para uma correlação mais estreita entre o crescimento dos recursos orçamentários e o incremento de renda e do poder aquisitivo da população.

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Proposta de solução: Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e

Proposta de solução:

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Em relação ao aspecto político, a adoção de um Imposto Sobre Valor Adicionado (IVA) por um Estado da Federação reforça a autonomia federativa, em que cada ente federativo (União, Estados, DF e Municípios) tem a autonomia de instituir os impostos de sua competência previstos na Constituição Federal. Ao mesmo tempo, sua adoção estabelece um vínculo estreito entre a base tributária, que será tributada pelo ente federativo que impõe o IVA, e o poder aquisitivo de sua população. Em relação aos aspectos econômicos, a adoção do IVA permite que se tribute apenas o consumo, desonerando a produção, os investimentos e a exportação. Em relação aos aspectos sociais, a adoção do IVA possibilita a técnica da seletividade, em que o consumo de bens de luxo (consumidos apenas pelos mais ricos) e/ou inadequados (fumo, bebidas) seja tributado sob alíquotas maiores que aquelas verificadas no consumo de bens de primeira necessidade. Em relação aos aspectos administrativos, a adoção do IVA simplificaria o sistema tributário, reduzindo os custos administrativos para as empresas. Além disso, a autofiscalização embutida nos mecanismos de débito e crédito, utilizados na aplicação do IVA, é um fator de redução dos custos governamentais de controle e fiscalização do tributo. Por fim, em relação aos aspectos financeiros, o IVA reequilibraria a distribuição regional de receitas, vinculando-as à repartição do consumo. Assim, regiões da Federação que possuem um mercado que consome bastante, consequentemente, também teriam arrecadação maior de impostos. Assim, a adoção do IVA tornaria a base da tributação de cada ente federativo compatível com o tamanho e o dinamismo de sua economia, contribuindo para uma maior estabilidade da receita, e para uma correlação mais estreita entre o crescimento dos recursos orçamentários e o incremento de renda e do poder aquisitivo da população.

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Questão 03 – Economia Brasileira (45 a 60 linhas)

Um dos momentos mais delicados vividos durante o Plano Real foram os anos de 1998/1999, onde a crise russa provocou grande fuga de capitais do país. Nesse sentido, disserte, seguindo o roteiro abaixo, as medidas tomadas pelo governo a fim de enfrentar a crise:

aumento das taxas de juros e o pacote de ajuda com o FMI;

adoção de câmbio flutuante em janeiro de 1999;

sistema de metas de inflação; e

ajuste fiscal nos anos seguintes.

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Comentários:

Segue um resumo dos antecedentes desse período e do que aconteceu em 1998 e 1999 e imediatamente após.

Após o resumo, colocamos a proposta de solução.

Um dos impactos do Plano Real foi o aparecimento de déficits na balança comercial, tanto pelo aumento significativo das importações, como pelo fraco desempenho das exportações. Ao mesmo tempo, o capital estrangeiro ingressante no país (que possibilitou a formação de um alto nível de reservas internacionais) era altamente especulativo. Destinava-se a investimentos de portfólio (ações, fundos de aplicação financeira, etc). Assim, apesar do alto nível de reservas, o ambiente era de risco, pois qualquer situação em que os investidores se sentissem ameaçados, poderia haver grande fuga de capitais.

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A crise mexicana (início de 1995) foi a primeira prova do Plano Real. Os investidores internacionais se sentiram ameaçados (afinal, já tinham tomado o calote no México, por que não poderiam tomar aqui também?) e iniciou-se uma fuga de divisas, causando perdas de reservas internacionais. Tornou-se claro, pois, que não se poderia deteriorar ainda mais as contas externas. A dificuldade que se colocava era que a simples correção da taxa de câmbio (que traria novamente o equilíbrio das contas externas), apesar dos efeitos benéficos sobre as contas externas, poderia trazer de volta a inflação, uma vez que a economia estava aquecida, a memória inflacionária e o perigo da indexação ainda estavam muito presentes.

Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira Prof. Heber Carvalho e Jetro Coutinho - Aula 05 A saída adotada foi uma pequena desvalorização da taxa de câmbio, que passou a variar dentro de bandas cambiais (limites máximo e mínimo) além do aumento das taxas de juros com o fito de controlar a demanda interna e atrair o capital externo. Desta forma, se consolidava o uso da política monetária (taxas de juros) para manter o país atrativo ao capital externo. O governo obteve sucesso em abortar o ataque especulativo (fuga de capitais) e manter a taxa de câmbio, quando da crise mexicana em 1995 (efeito tequila). O BACEN perdeu em torno de US$ 12 bilhões de reservas, mas a elevação da taxa de juros fez com que rapidamente voltassem os recursos, com as reservas já superando os US$ 50 bilhões no final do ano.

reservas já superando os US$ 50 bilhões no final do ano. Cabe destacar também a crise

Cabe destacar também a crise financeira ocorrida no segundo trimestre de 1995. Como efeito da política econômica adotada e com a reversão das expectativas dos agentes, verificou-se uma grande retração na atividade econômica. Como grande parte da expansão anterior tinha- se dado com base no crédito, e a retração se deu antes que os investimentos anteriores tivessem maturado, verificou-se um grande aumento na taxa de inadimplência da economia, o que acabou provocando o princípio de uma crise financeira, com a quebra de dois grandes bancos privados. Essa crise não se espalhou devido à atuação do BACEN que rapidamente socorreu o sistema e iniciou um amplo processo de reestruturação financeira, por meio do PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional), visando aumentar a solidez do sistema. Paralelamente, iniciou-se um programa semelhante para a reestruturação dos bancos estaduais – o PROES (Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária).

O Plano Real foi colocado à prova mais duas vezes: crise dos tigres

asiáticos (1997) e crise russa (meados de 1998). Nas duas ocasiões, o governo teve que dobrar a taxa de juros para manter a atratividade do país ao capital externo. Essa dinâmica da taxa de juros, combinada com o volume de dívida pública, determinou elevados gastos com juros e pressões crescentes do lado fiscal. Para piorar a situação, houve grande aumento dos gastos previdenciários e assistenciais no período, decorrente de um forte aumento no número de beneficiários, mas, principalmente, pelo aumento dos valores reais dos benefícios. Assim, vemos claramente que a situação fiscal era perigosa. A deterioração fiscal fez com que a dívida pública, que era da ordem de 30% do PIB em 1994, atingisse 44%, em 1998.

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A deterioração fiscal e das contas externas atingiu o ápice por

ocasião da crise russa (1998). Nesta, apesar da elevação das taxas de juros, houve uma perda de reservas da ordem de US$ 30 bilhões. Foi

necessário um empréstimo junto ao FMI no valor de US$ 42 bilhões. A

Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira Prof. Heber Carvalho e Jetro Coutinho - Aula 05 contrapartida do empréstimo foi uma série de restrições impostas por aquele órgão que limitavam nossa autonomia no que tange ao uso das políticas fiscais e monetárias.

no que tange ao uso das políticas fiscais e monetárias. Naquele momento, muita gente já defendia

Naquele momento, muita gente já defendia a correção cambial (desvalorização do Real) como forma de readquirir o controle sobre as contas externas. Apesar da correção cambial já ser justificável em agosto ou setembro (1998), em outubro ocorreriam as eleições presidenciais, e o presidente ainda tinha a estabilização como grande conquista de seu primeiro mandato; assim, esta não poderia ser colocada em risco. Dessa forma, o primeiro mandato de FHC terminava em meio a um processo de crise cambial, em função de profundos desequilíbrios gerados nesse período com a deterioração das contas externas e da situação fiscal.

Outro impacto importante, apenas para finalizar esse período, foi a dinâmica do produto e do desemprego. A partir da crise mexicana, houve uma ruptura no crescimento econômico que se verificara logo após a implantação do Plano Real. A partir de então, observou-se um lento crescimento (por volta de 2,6% a.a.) com tendência de queda no período. O desemprego também iniciou uma trajetória de crescimento após a crise mexicana. Após a crise asiática, a taxa de desemprego atingiu patamar recorde de 8% em 1998. Temos, então, a retração do produto e o aumento do desemprego como seqüelas do ajustamento do Plano Real.

SEGUNDO MANDATO de FHC

Faltando poucos dias para as eleições presidenciais de 1998, o governo começou a negociar um acordo com o FMI que lhe permitisse enfrentar o quadro externo adverso, iniciado pela crise russa e agravado pelo temor de uma desvalorização vista como iminente. Este temor pela desvalorização cambial estimulava a troca de R$ por US$ antes que ocorresse a mudança cambial e/ou a adoção de algum tipo de controle de capitais.

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O acordo firmado com o FMI garantia ao Brasil US$ 42 bilhões de

ajuda externa, condicionados a um severo pacote de ajuste fiscal. Assim, foi imposto como condição para a concessão da ajuda, o ajuste fiscal brasileiro, com o superávit primário passando de 0% do PIB em 1998 para 2,6% do PIB em 1999, e 2,8% e 3,0% do PIB em 2000 e 2001. É importante registrar que o acordo não contemplava mudanças na política cambial, que seria mantida inalterada (o governo ainda queria manter o Real sobrevalorizado com vistas ao controle inflacionário).

O acordo, porém, enfrentou dois obstáculos que não puderam ser

superados. O primeiro deles foi o ceticismo com que o acordo foi recebido

pelo mercado, pouco disposto a considerar que o Brasil poderia escapar

Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira Prof. Heber Carvalho e Jetro Coutinho - Aula 05 de uma desvalorização cambial. Ao mesmo tempo, uma das mais importantes medidas do programa fiscal do governo foi rejeitada pelo Congresso: a cobrança da contribuição previdenciária dos servidores públicos inativos. Em tais circunstâncias, o pessimismo externo aumentou e a perda de divisas se acelerou.

externo aumentou e a perda de divisas se acelerou. Nesse cenário – e apesar da sua

Nesse cenário – e apesar da sua defesa do regime cambial nos anos anteriores -, o governo ficou sem opção, e a desvalorização cambial foi uma imposição das circunstancias. Em meados de janeiro de 1999, ela se tornara inevitável. Assim, o governo abandonou o sistema de bandas cambiais e adotou o câmbio flutuante, que passou de R$ 1,20 para R$ 2,00 em menos de 45 dias, no que se anunciava como a reedição do surto inflacionário vivido pelo México quatro anos antes.

A fim de impedir o aparecimento ou a volta da inflação, foi estabelecido em julho de 1999 o sistema de metas de inflação como regra para a política monetária. De acordo com ele, a função básica do BACEN e da política monetária é o cumprimento da meta de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional, e o instrumento utilizado para tal é essencialmente a taxa de juros, que, por meio de seus impactos sobre a demanda, influencia na inflação. Assim, quando a taxa de inflação está acima da meta, a taxa de juros é elevada, quando está abaixo, a taxa de juros é reduzida. A adoção do regime de metas de inflação parece ter ajudado para manter a confiança dos indivíduos de que o governo encontrava-se engajado com a estabilização, e para impedir que o choque cambial se transformasse em pressões inflacionárias (afinal, a desvalorização do Real havia provocado o fim da “âncora cambial”).

Por fim, a desvalorização do Real não teve os efeitos inflacionários que todos inicialmente temiam. Isto aconteceu por vários motivos:

A desvalorização em um momento de desaquecimento da economia,

Os quase cinco anos de estabilidade tinham mudado a mentalidade indexatória dos agentes econômicos,

A baixa inflação inicial, em janeiro e fevereiro de 1999, diminuiu o temor de uma grande propagação dos aumentos de preços,

Política monetária rígida,

Cumprimento “religioso” das metas fiscais acertadas com o FMI aumentou a confiança de que a economia seria mantida sob controle,

O aumento do salário mínimo em menos de 5% nominais conteve uma série de outros aumentos salariais na economia,

O sucesso da adoção do sistema de metas de inflação.

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A partir do começo de 1999, o país iniciou um processo de

retomada do crescimento que só viria a ser abortado pela combinação das

crises de 2001. Neste ano, houve:

pela combinação das crises de 2001. Neste ano, houve: i. Crise de energia : o programa

i. Crise de energia: o programa de privatização do governo havia sido programado com uma intenção de privatização completa das usinas hidrelétricas, o que acabou não ocorrendo. Prevendo que as empresas seriam privatizadas, o governo não ampliou os investimentos, esperando que o setor privado o fizesse. Porém, a venda das empresas não ocorreu e, portanto, não houve grandes inversões em novas obras no setor, nem em estatais, nem em privadas. Enquanto isso, o consumo de energia elétrica aumentava. Estes fatores, somado ao baixo índice pluviométrico de 2001, gerou uma crise na oferta de energia elétrica que desaqueceu a economia, interrompendo sua tendência de crescimento.

ii. Contágio argentino: a Argentina vivia no período sua maior crise em 100 anos. Os investidores estrangeiros, por sua vez, ao adotarem o mesmo comportamento para todos os países emergentes, provocaram uma fuga de capitais não só da Argentina, mas também

do Brasil.

iii. Atentados terroristas de 11 de setembro: os atentados abalaram fortemente os mercados mundiais, também provocando fuga de capitais do nosso país.

Nesse contexto, o desempenho médio da economia no segundo governo FHC foi comprometido por essas crises. O balanço do período de

1999 a 2002 é ambíguo. De um lado, o crescimento permaneceu baixo e

o país continuou amargando taxas de juros reais elevadas; de outro,

houve melhoria sistemática da balança comercial e do resultado em conta corrente e o país fez um ajuste fiscal que no início do processo até os mais otimistas julgavam que seria muito difícil de implementar: entre

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1998 e 2002, a melhora do resultado primário foi de quase 4% do PIB.

Segue no quadro abaixo, um resumo das reformas do período FHC:

Medidas governo FHC:

Privatizações: realizadas com ênfase nas áreas de telecomunicações e energia, tinham, entre outros, os seguintes objetivos: reduzir e reordenar a posição do Estado na economia, transferir à iniciativa privada atividades indevidas e insatisfatoriamente exploradas pelo setor público, contribuir para redução da dívida pública.

Fim dos monopólios estatais nos setores de petróleo e telecomunicações: permitiu que os setores de petróleo e telecomunicações deixassem de ser prerrogativa exclusiva de atuação do

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Estado, abrindo caminho para o estabelecimento de competição no setor de petróleo e para a privatização da Telebrás.

Mudança no tratamento do capital estrangeiro: os setores de mineração e energia puderam ser explorados por capital estrangeiro. O conceito de empresa nacional mudou, permitindo que firmas com sede no exterior passassem a dispor do mesmo tratamento que as empresas constituídas por brasileiros. Ambas contribuíram para a elevação dos investimentos estrangeiros a partir de 1995.

Saneamento do sistema financeiro: instituição do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (PROER); privatização da maioria dos bancos estaduais; facilitação à entrada de bancos estrangeiros, procurando ampliar a concorrência no setor; favorecimento ao processo de conglomeração, que deixou o mercado com menos instituições, porém relativamente mais

fortes; ampliação dos requisitos de capital para a constituição de bancos;

melhora substancial do acompanhamento e monitoramento do nível de risco do sistema por parte do BACEN.

e

Renegociação das dívidas estaduais: consistiu na federalização de

dívidas frente ao mercado, mediante comprometimento dos estados junto

à

União, com as dívidas sendo pagas em 30 anos, na forma de prestações

mensais. A contrapartida exigida, na forma de colateralização das receitas

futuras de transferências constitucionais, evitou que os estados conseguissem burlar a regra de pagamento, pois nesse caso a União poderia se apropriar das receitas de transferências dos Fundos de Participação e até do ICMS estadual.

Reforma parcial da previdência social: ampliou-se a necessidade de tempo de contribuição para quem já estava na ativa, além da desconstitucionalização da fórmula de cálculo das aposentadorias do INSS

e

uso do fator previdenciário que desestimula aposentadorias precoces.

Aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF): estabeleceu tetos para as despesas com pessoal em cada um dos poderes nas três esferas da Federação e, entre vários dispositivos de controle dos gastos públicos, proibiu novas renegociações de dívidas entre entes da Federação.

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Ajuste fiscal, a partir de 1999: vigência de restrição orçamentária efetiva, baseada em metas fiscais rígidas.

Criação de agências reguladoras dos serviços de utilidade pública:

com o intuito de defender os interesses do consumidor, assegurar o cumprimento dos contratos, estimular níveis adequados de investimento e zelar pela qualidade do serviço, nas áreas de telecomunicações (Anatel), petróleo (ANP) e energia elétrica (Aneel).

Sistema de metas de inflação: compromisso formal com a estabilidade de preços, por parte das autoridades, inédito na história do país.

Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira Prof. Heber Carvalho e Jetro Coutinho - Aula 05 Para finalizar o segundo mandato do governo FHC, nós tivemos a redução do desemprego, ao contrário do primeiro mandato, onde houve aumento do desemprego.

do primeiro mandato, onde houve aumento do desemprego. ********** Proposta de solução : Entre o final

**********

Proposta de solução:

Entre o final do ano de 1998 e início de 1999, o sucesso do Plano Real foi duramente colocado à prova. À época, a crise russa provocava grande fuga de capitais do país, agravando seriamente as contas

externas. Nesse contexto, foram adotadas importantes medidas que possibilitaram controlar a crise cambial e, ao mesmo tempo, garantir a estabilidade inicialmente alcançada pelo plano.

A primeira medida a fim de conter a perda de reservas

internacionais no período foi o aumento da taxa de juros, em um momento no qual o mercado já não sinalizava a esta política da mesma maneira que tinha feito anos antes. Assim, devido à desconfiança e à crença de que em breve a moeda nacional seria desvalorizada, a medida

não foi suficiente para conter a fuga do Real.

A venda de reais e a procura por moeda estrangeira eram

explicadas pelo fato do mercado não acreditar que o governo seria capaz

de manter a taxa de câmbio nos patamares em que se encontrava. Ou seja, havia a descrença na manutenção da política de valorização do Real. Por outro lado, o governo insistia na manutenção da taxa de câmbio, pois havia o temor da volta da inflação, como decorrência de uma possível desvalorização cambial. Como forma de mostrar ao mercado que estava disposto a manter o câmbio valorizado, o governo buscou um pacote de ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI) no valor de US$ 42 bilhões. O acordo previa um volume mínimo de reservas que o país poderia atingir: US$ 20 bilhões.

entanto, alguns meses após o empréstimo, mesmo com o aporte

de recursos vindos do FMI, o mercado não se acalmou e a fuga de capitais voltou a se acelerar, agravando a crise cambial. Inevitavelmente, logo após, em janeiro de 1999, o governo promoveu a flexibilização do câmbio como forma de evitar o colapso das contas externas. O impacto imediato foi a desvalorização da moeda nacional em mais de 50%. Com a adoção do sistema de câmbio flutuante e a perda da âncora cambial como fator limitador dos preços, a crise nas contas externas estava contornada, mas surgia outro problema: a possível volta da inflação. Para evitá-la, o Banco Central passou a adotar, a partir de julho de 1999, o sistema de Metas de Inflação como regra para a política monetária. O sistema utilizava a taxa de juros como elemento essencial no controle da inflação. Quando esta subia, a taxa de juros também era

No

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Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira Prof. Heber Carvalho e Jetro Coutinho - Aula 05 elevada a fim de reduzir o consumo. Quando o ambiente inflacionário estava em níveis baixos e estáveis, a taxa de juros era reduzida e o consumo era estimulado. Em seguida, como forma de garantir finalmente a estabilização, o ajuste fiscal ocupou grande parte da agenda econômica do governo. A arrecadação tributária foi aumentada, em virtude do aumento de impostos. A Reforma da Previdência, em 1998, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), em 2000, a renegociação das dívidas estaduais e a reorganização do sistema bancário estadual foram algumas das medidas mais importantes. Elas possibilitaram ao governo a consecução de seguidos superávits primários a partir de então. Diante do que foi exposto, percebe-se que, apesar de todos os problemas advindos da crise russa, o governo, de certa forma, conseguiu manter a estabilização da economia. Para isso, além do pedido de socorro externo e da flexibilização e consequente desvalorização cambial, adotou medidas fiscais e monetárias restritivas.

cambial, adotou medidas fiscais e monetárias restritivas. 05685784732

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Questão 04 – Economia Brasileira (45 a 60 linhas)

Compare o perfil de desenvolvimento econômico do Plano de Metas com o do período denominado Milagre Econômico. Ainda em relação a este último, comente a importância do Plano de Ação Econômica do Governo – PAEG na consecução do vigoroso crescimento verificado no período do Milagre.

*********

Comentários:

Segue um resumo do Plano Metas e do PAEG.

Plano de Metas:

O Plano de Metas adotado no governo JK é considerado o apogeu do

período da industrialização brasileira que começou na década de 30 com Getúlio Vargas. A temática do processo de industrialização implantado por

Vargas foi o processo de substituição de importações.

O objetivo do Plano de Metas era ir além do processo de substituição de importações. Ele visava à montagem de uma estrutura industrial integrada e mais diversificada. Para tal, o novo foco da indústria deveria ser a produção de bens de consumo duráveis, entre estes, os automóveis.

À época, foi identificada 3 a existência de uma demanda reprimida

por parte da alta camada da sociedade que se beneficiou do modelo de industrialização concentrador de renda implantado nos anos anteriores. Este grupo de pessoas demandava produtos de consumo duráveis (televisores, aparelhos eletrodomésticos, automóveis, etc), que até então não eram produzidos internamente. Eram, portanto, importados.

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Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira Prof. Heber Carvalho e Jetro Coutinho - Aula 05 Segundo o pensamento da época, o crescimento da indústria de bens de consumo duráveis também teria o condão de causar o crescimento de outros setores da economia como, por exemplo, a indústria de bens intermediários 4 . A consequente geração de emprego também ocasionaria, por fim, o incremento da indústria de bens de consumo leves.

fim, o incremento da indústria de bens de consumo leves. O Plano de Metas se concentrava

O Plano de Metas se concentrava em quatro áreas principais, a saber:

Investimentos em infra-estrutura por parte do governo, com destaque para os setores de transporte e energia elétrica. Na parte dos transportes, cabe destacar o incremento da malha rodoviária em detrimento da malha ferroviária. Isto se deve ao estímulo que se queria dar à incipiente indústria automobilística.

Incentivos ao aumento da produção de bens intermediários, como o aço, carvão, cimento, zinco, etc.

Incentivos à introdução dos setores de consumo de bens duráveis e de capital 5 .

Incentivos à produção de alimentos.

O cumprimento destas metas, no que tange ao desenvolvimento da industrialização, foi bastante satisfatório, chegando a inclusive superar as expectativas em várias áreas. Apenas como ilustração do desempenho, observe as taxas de crescimento da produção industrial entre 1955-1962, para alguns setores:

Materiais de transporte: +711%

Materiais elétricos e de comunicações: +417%

Têxtil: +34%

Alimentos: +54%

Bebidas: +15%

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Veja que o crescimento da produção daqueles bens relacionados à produção de bens de consumo duráveis foi absurdamente maior que o crescimento de outros setores, indicando que realmente o foco foi na industrialização de bens duráveis.

O financiamento e o problema inflacionário

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O Plano de Metas foi um plano voltado para o incremento da

demanda agregada da economia e que utilizou para tal políticas fiscal e monetária expansionistas.

Os principais problemas do Plano de Metas estavam na questão de como os recursos seriam financiados. Como os vultosos investimentos públicos não foram acompanhados por uma reforma fiscal que se preocupasse com as metas e gastos estipulados, o governo recorreu ao financiamento dos gastos via emissão monetária 6 , o que causou aceleração inflacionária no período.

Outro diagnóstico das causas da aceleração inflacionária ocorrida no período está ligado à insuficiência de oferta para o mercado interno de massas.

Boa parte dos lucros e rendas obtidos aqui no Brasil era enviada ao exterior. Assim, havia uma parte do excedente econômico que não era reinvestido internamente na forma de novas indústrias e firmas, causando uma oferta de produção menor ou aquém da oferta potencial.

A rigidez na oferta de alimentos e matérias-primas também é

apontada como causa inflacionária no período. Veja os dados de crescimento na produção apresentados no item anterior e perceba por si próprio que o crescimento da produção de alimentos foi bem menor que o

crescimento da produção no restante da economia. Ou seja, a oferta de alimentos não acompanhou o crescimento da demanda, causando inflação.

No entanto, é apontado como causa principal da aceleração inflacionária o fato do governo financiar os excessivos gastos públicos através de emissões monetárias.

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Implementação do Plano de Metas

Os instrumentos através dos quais o governo implementou o Plano de Metas foram:

Investimentos das empresas estatais;

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Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira Prof. Heber Carvalho e Jetro Coutinho - Aula 05 Créditos com juros baixos (ou até mesmo negativos 7 ) e longos prazos por meio do sistema financeiro público (Banco do Brasil e BNDE);

do sistema financeiro público (Banco do Brasil e BNDE); Política de reserva de mercado que visava

Política de reserva de mercado que visava à proteção da indústria nacional através de instrumentos cambiais (o câmbio múltiplo instituído no governo de Getúlio Vargas, através da Instrução 70 da SUMOC, não foi abolido por JK). Este sistema de câmbio múltiplo tinha a finalidade principal de proteger a indústria nacional, ao mesmo tempo em que incentivava a importação de produtos considerados importantes para o desenvolvimento industrial. Entre estes produtos, estavam os bens de capital e os insumos utilizados na produção industrial;

Concessão de avais para a obtenção de empréstimos externos;

A instrução 113 da SUMOC, baixada em 1955, permitia o investimento direto 8 sem cobertura cambial por parte de empresas estrangeiras. Ou seja, elas podiam, desde que fosse investimento direto, aportar seu capital no Brasil a taxas cambiais mais favoráveis;

A fim de atrair o capital externo, foram utilizadas isenções fiscais e garantias de mercado 9 para as multinacionais que aqui aportassem seu capital.

Semelhança entre o Plano de Metas e o processo de substituição de importações

O Plano de Metas, a exemplo do que ocorreu nas décadas de 30 e 40, visava atacar os pontos de estrangulamento existentes (áreas de demanda insatisfeita em função das características desequilibradas do desenvolvimento econômico, desenvolvimento feito por partes).

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A diferença, em relação à industrialização das décadas de 30, 40 e início de 50, ocorreu no fato de que o Plano de Metas visava não só atacar os pontos de estrangulamento, mas também impedir o aparecimento de

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Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira Prof. Heber Carvalho e Jetro Coutinho - Aula 05 novos, na oferta de infra-estrutura e de bens intermediários para os novos setores.

e de bens intermediários para os novos setores. Assim, ao mesmo tempo em que se incentivava,

Assim, ao mesmo tempo em que se incentivava, por exemplo, o desenvolvimento da indústria automobilística, a malha rodoviária também era desenvolvida. Ao mesmo tempo em que a indústria de eletrodomésticos era incentivada, a de materiais elétricos e de comunicações também era, e assim por diante.

Desta forma, concluímos que o Plano de Metas não tinha como objetivo promover as exportações, mas sim atacar os vários pontos de demanda interna insatisfeita (pontos de estrangulamento).

*********

Proposta de solução:

Dois dos períodos de maior crescimento econômico na história recente do Brasil são aqueles vividos durante o Plano de Metas, adotado

durante o governo Juscelino Kubitschek (JK), entre 1956 e 160, e durante

o Milagre Econômico, entre 1968 e 1973. As diferentes medidas adotadas

em cada um mostram as particularidades no perfil de desenvolvimento econômico nas duas fases. O primeiro impulso na industrialização brasileira, ocorrido até meados da década de 1950, já havia suprido a demanda por bens de consumo leve. Após isso, portanto, seria a hora de desenvolver a indústria de bens de consumo duráveis. Nesse sentido, o governo JK, durante o Plano de Metas, buscou a implantação de um parque industrial mais diversificado, mais integrado. Para criar um suporte adequado a este novo tipo de industrialização, o governo investiu em infraestrutura, principalmente nos setores de transporte e energia elétrica. Também deu incentivos ao setor por meio de política monetária expansiva – créditos a juros baixos e

prazos longos – e atração do capital estrangeiro. Nesses pontos, houve semelhanças entre o Plano de Metas e o Milagre Econômico, já que em ambos os períodos o governo atuou fortemente incentivando a indústria. Nos dois casos, o governo forneceu

infraestrutura e adotou uma política de reserva de mercado para proteger

a indústria nacional.

Quanto às diferenças, em primeiro lugar, podemos citar o aspecto inflacionário. Enquanto no governo JK houve pressões inflacionárias, fruto do uso de emissões monetárias como forma de financiamento estatal, no Milagre, a inflação esteve em níveis estáveis. Isto aconteceu porque o financiamento dos gastos públicos durante os governos militares aconteceu via endividamento.

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Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira Prof. Heber Carvalho e Jetro Coutinho - Aula 05 Outra substancial diferença entre os dois períodos repousa sobre o quadro institucional. O Milagre desfrutou de maiores taxas de crescimento em virtude das reformas realizadas no período imediatamente anterior, em que foi adotado o Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG). Este plano realizou importantes reformas, entre as quais, podemos citar a reforma tributária, em que se aperfeiçoou, por exemplo, a arrecadação fiscal, a reforma monetária, em que o sistema financeiro nacional foi regulamentado e desenvolvido, a reforma da política externa, que evitou maiores pressões nas contas externas e a reforma fiscal, que possibilitou o controle da inflação e a melhora das contas públicas. Assim, percebe-se que o PAEG teve grande influência ao preparar o país para o vigoroso crescimento vivido durante o Milagre. Este tipo de preparação no quadro institucional não aconteceu no Plano de Metas. Outra diferença entre os perfis de desenvolvimento está na diversidade produtiva. Enquanto no Plano de Metas a indústria de bens de consumo duráveis foi o grande chamariz, no Milagre, houve também grande crescimento em outros setores da economia, como a indústria civil, a indústria de bens de capital e de bens intermediários. Ademais, o setor exportador e a agricultura também tiveram destaque no Milagre, o que não aconteceu no governo JK. Pelo exposto, verifica-se que os dois períodos representaram, cada um à sua maneira, importantes marcos na industrialização brasileira. Assim, possibilitaram modernizar o modo de produção e tornar a indústria nacional mais competitiva e diversificada.

a indústria nacional mais competitiva e diversificada . 05685784732

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LISTA DAS QUESTÕES APRESENTADAS

Questão 01 – Finanças Públicas (15 a 30 linhas)

CONSULTOR

Adaptada

LEGISLATIVO

CÂMARA

DOS

DEPUTADOS

A manutenção do equilíbrio orçamentário é importante porque

déficits fiscais recorrentes diminuem a poupança nacional investimento, contribuindo, assim, para reduzir o crescimento de longo prazo da economia.

Considerando o texto acima, que tem caráter unicamente motivador, redija um discurso parlamentar, posicionando-se acerca do tema a seguir:

ADOÇÃO DE UMA POLÍTICA DE ORÇAMENTO EQUILIBRADO.

Em seu discurso, devem ser contemplados, necessariamente, os seguintes aspectos:

a relação entre déficit e dívida pública;

a questão dos déficits gêmeos;

os limites da aplicação dessa política;

a questão da equivalência ricardiana.

Questão 02 – Finanças Públicas (15 a 30 linhas)

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AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL 2009

O Imposto sobre Valor Agregado (IVA) é um instrumento para a

modernização do Sistema Tributário. Comente sobre os argumentos que sustentam a nova proposta de adoção do IVA, na

revisão tributária, abrangendo os seguintes aspectos:

a) aspectos políticos;

b) aspectos econômicos e sociais;

c) aspectos administrativos;

d) aspectos financeiros.

Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira

Discursivas com Correção Individual Analista de Planejamento e Orçamento Finanças Públicas e Economia Brasileira Prof. Heber Carvalho e Jetro Coutinho - Aula 05

Questão 03 – Economia Brasileira (45 a 60 linhas)

Um dos momentos mais delicados vividos durante o Plano Real foram os anos de 1998/1999, onde a crise russa provocou grande fuga de capitais do país. Nesse sentido, disserte, seguindo o roteiro abaixo, as medidas tomadas pelo governo a fim de enfrentar a crise:

aumento das taxas de juros e o pacote de ajuda com o FMI;

adoção de câmbio flutuante em janeiro de 1999;

sistema de metas de inflação; e

ajuste fiscal nos anos seguintes.

Questão 04 – Economia Brasileira (45 a 60 linhas)

Compare o perfil de desenvolvimento econômico do Plano de Metas com o do período denominado Milagre Econômico. Ainda em relação a este último, comente a importância do Plano de Ação Econômica do Governo – PAEG na consecução do vigoroso crescimento verificado no período do Milagre.

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