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D1111Ul t RnBlnom

Clínica da Pul\ão - a\ impul\õe\

TRADUÇÃO

André Luis de Oliveira Lopes

facebook.com/lacanempdf D1111Ul t RnBlnom Clínica da Pul\ão - a\ impul\õe\ TRADUÇÃO André Luis de Oliveira Lopes

EDITOR

José Nazar

facebook.com/lacanempdf D1111Ul t RnBlnom Clínica da Pul\ão - a\ impul\õe\ TRADUÇÃO André Luis de Oliveira Lopes
Copyright O Edidon<J Mmanli,,/ Trruw ORJGrNAL Una Clinica d, !.a pubidn: la, inpubion<J, 1989 Direitos de
Copyright O Edidon<J Mmanli,,/
Trruw ORJGrNAL
Una Clinica d, !.a pubidn: la, inpubion<J, 1989
Direitos de edição cm língua portuguesa adquiridos pela
EorroRA CAMPO MATEMrco
Proibida a reprodução coral ou parcial
EorroRAçAo ELETRONICA
FA - Editoração Ektrônica
TRADUÇÃO
Andrl Luís d, Oliveira Lop"
REvrsAo
Darlenr V. G. Gaudio

EorroR REsroNSAVEL

Jo,INazar CONSELl-10 EDITORIAL Bruno Pa'4zzo Nazar Jo,INazar Josl Mdrio Simíl Conkíro Maria Emília Lobato Luândo Ttresa
Jo,INazar
CONSELl-10 EDITORIAL
Bruno Pa'4zzo Nazar
Jo,INazar
Josl Mdrio Simíl Conkíro
Maria Emília Lobato Luândo
Ttresa Pa/.azzo Nazar
Ruth Ferreira Basto!

Rio de Janeiro, 2004

FICHA CATALOGRÁFICA

Rll6c

Rabinovich, Diana 5.

Clínica da Pulsão - as impulsões / Diana 5. Rabinovich ; tradução: André Luis de Oliveira Lopes ;

editor:José Nazar. - Rio de Janeiro: Companhia de Freud,

2004.

103 p.; 23 cm Inclui bibliografia ISBN 85-85717-72-6

1. Psicanálise. I. Nazar, José. II. Titulo

CDD-150.195

• d I t o r a
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I
t
o
r
a

ENDEREÇO PARA CORRESPOND�NCIA

Rua da Candel.1.ria, 86 - 6" andar Tel.: (21) 2263-3960 • (21) 2263-3891 Centro - Rlo de Janeiro e-mail: c1addrrud®ism.com.br

Índice

Apresentação

7

Primeira conferência

9

S egun da

conferência

35

Terceira conferência

49

Quarta conferência

Quarta conferência 67

67

Quinca conferência

Quinca conferência

83

 

99

R ecroacivameme, iornou-se claro para mim que escas conferências, dedicadas espc,ialmcmc à funçáo do mais-de-gozar em

R ecroacivameme,

iornou-se

claro

para

mim

que escas

conferências,

dedicadas espc,ialmcmc à funçáo do mais-de-gozar em sua relação com

a pulsão e o desejo, cinham rnmu eixo, além Jo inccrcsse próprio desces con­ ceicos, um problenu dinico frcq(kmc para aqueles que pracicam a psicanáli­

R ecroacivameme, iornou-se claro para mim que escas conferências, dedicadas espc,ialmcmc à funçáo do mais-de-gozar em
R ecroacivameme, iornou-se claro para mim que escas conferências, dedicadas espc,ialmcmc à funçáo do mais-de-gozar em

se, inclusive par.1 coJos .1qudcs que Jcvcm cnfrencar a demanda de um sujei­ co rujo sofrimcnco se aprescnca de forma vaga, imprecisa e que se cende a não

sustencar por csti mesma

R ecroacivameme, iornou-se claro para mim que escas conferências, dedicadas espc,ialmcmc à funçáo do mais-de-gozar em

raz.ão.

Duas descrições clinicas "clássicas" são aqui

crabalhadas em sua arriculação: as caracceropacias e as impulsões. Umas pare­

cem assimomáricas;

oucras, como por exemplo a bulimia,

são fáceis de defi­

nir a

parrir de

um cricério

excerno,

em

obesidade por exemplo, elidindo,

jogo. Acreditamos clínico a p res-cou p última conferência
jogo.
Acreditamos
clínico
a p
res-cou p
última
conferência

com aqueles

poder formular,

inibe o desdobramento

desse

nesse

modo, a
modo,
a

demanda subjetiva

percurso, como ambas nos indicam a presença de uma cena sarisfação pulsional

que obsraculiza

e

dessa forma,

freia o

que

se apresencam

do desejo e da

trabalho

precisamente enquanto

nir a parrir de um cricério excerno, em obesidade por exemplo, elidindo, jogo. Acreditamos clínico a

podemos,

cransferência. Por esca razão

. designar as impulsões e,

parcialmence, as caracteropacias como algumas das formas em que a pulsão se

nir a parrir de um cricério excerno, em obesidade por exemplo, elidindo, jogo. Acreditamos clínico a

faz presente na clinica, formas cuja

Excluímos

desce

volume a

invescigação escá aqui esboçada.

dedicada ao

conceico
conceico

de caráter em Freud, cuja primeira parte apareceu na

revista Escansión, Nueva

&rie,

N•

1, escando prevista a publicação da sua segunda e última parte no

segundo número da

próxima edição.

Queria

agradecer a colaboração que

me ofereceu

Diana

Chorne

no

�lccimcmo

do

texto

da,a,

conferencias a

partir

das

cranscriçõcs, as

qua11 quiça

ccriam,

dA: ourro modo,

pc

rm1nccido como

tais.

que direi de modo esquemático, pod

eríam os

Se não considerarem o

o problema do gozo já esteja presente no Seminário

VII,

desejo (ainda que

A importância da articulação do objeto

teorização da Coisa).

com

a

com a

bwlógic o,

fundando-se seu caráter necessário

i

ade l óg ca

e

cm uma necessid

não biológica.

/O

ÜIANA 5.

RABINOV!CH

dizer que,

durante

certo tempo,

Lacan enfatizou

o objeto como

causa

do

esquemático, pod eríam Se não considerarem o o problema esteja presente no Seminário VII, desejo

oscilará

entre

duas

dimensão do

mais­

0

mais-de-gozar

está

em que

o objeto

a,

como

real,

dimensões: a dimensão da causa, da causa do desejo e a

de-gozar.

A primeira, como diz explicitamente seu nome, remete ao desejo

tanto em Lacan como em Freud. A segunda, por outro lado, é uma forma

particular de daboração de Lacan do conceito de objeto pulsional,

inseparável da definição do gozo como satisfação de uma pulsão.

Uma vez que temos presente esta definição do gozo como satisfação

de uma pulsão que, enquanto tal. envolve necessariamente o corpo (escla­

esquemático, pod eríam Se não considerarem o o problema esteja presente no Seminário VII, desejo

reço, o corpo comprometido pela ação do significante, não o organismo

biológico), esta definiç:io estabelece a diferença entre a necessidade biológi­

ca e a pulsão. Esce corpo inseparável do gozo, tardará baseante em ser

articulado com o objeto da pulsão na obra de Lacan.

No Seminário VII, A ética cú, psicanálise, o gozo é definido como a

satisfação da pulsão. Este seminário marca um corte ao introduzir a di­

mensão da satisfação pulsional em seu caráter de real, diferenciando-a as­

sim da dimensão imaginária - na qual viu-se delimitada inicialmente a

pulsão, e na qual o termo gozo já se faz presente (por exemplo, no Discurso

de Roma) - e da dimensão simbólica que se esboça tanto no Seminário II

como no próprio conceito mesmo de demanda. Existe, pois, uma solidari­

edade entre os conceitos de gozo, corpo e pulsão em Lacan. Ao final do

esquemático, pod eríam Se não considerarem o o problema esteja presente no Seminário VII, desejo

percurso de Lacan o nó borromeano lhe permitirá articular estas crês di­

Mas este é um cerna que não teremos tempo de exami­

mensões do gozo.

nar.

Neste

momento, o gozo como satisfação da pulsão remete

a um

cor­

po

atravessado

significan

$

O

D.

enquanto

pelo

significante,

mais

escritamente

na fórmula

d

por essa

a pulsão

sede,

se pode

falar

prazer

de

viver

do

cad

eia

te que é a dema nda, que se plasma

Esse

corpo

é,

por

excelência, sua

gozo

do

corpo.

Não

no grafo,

de

gozo

org anism

o

se trata do

UMA CLINICA DA PULSÃO

Se a saàsfação de uma pulsão é o gozo, por mais contingente que seja, inicialmente, seu objeto no pensamento freudiano - mesmo que nele também se torne necessário depois, através do conceito de fixação -, o

UMA CLINICA DA PULSÃO Se a saàsfação de uma pulsão é o gozo, por mais contingente
UMA CLINICA DA PULSÃO Se a saàsfação de uma pulsão é o gozo, por mais contingente

gozo nos remete, sem vacilação, a esse objeto pulsional. Entre o objeto do desejo e o objeto da pulsão se delineia o lugar do objeto a de Lacan. No Seminário XI, em resposta a uma pergunta de J .-A. Miller, acerca da relação entre ambos, Lacan responde com uma afirmação que é a bússola adequada para situar este problema. O objeto a apresenta uma comunidade topológica no desejo e na pulsão. O objeto a é, pois, sempre solidário de uma topologia que, por estrutura, recusa a delimitação externo-interno, dentro-fora. Estabelece-se, pois, a especificidade da mes­ ma em relação ao desejo e a pulsão. A dificuldade que: enfrc:nramos se situa, portanto, no intervalo que vai intermediar o conceito de causa do desejo, em sua articulação com o desejo, e o conceito de mais-de-gozar que se inclina até a vertente da satis­ fação pulsional. Podemos examinar esta dificuldade em termos freudianos. Freud, sempre que falou de pulsão, enfatizou a palavra "satisfação" (&friedi gu ngem alemão), enquanto que, do lado do desejo, sempre enfaàzou a palavra "realização" ( Wunscherfollung em alemão) - esta é sua tradução tradicional para o castelhano - o "cumprimento" do desejo - tradução que se encontra na edição da Amorrortu. Evidentemente, cumprimento ou realização do desejo não é o mesmo que satisfação da pulsão. O problema de como se articulam estes dois termos está no centro das dificuldades freudianas a respeito das articulações entre o Isso e o in­ consciente. Isto determina que Lacan, à medida que sua teorização vai progredindo, ofereça distintas abordagens da relação Isso-inconsciente, que remetem, precisamente, à abordagem diferencial do desejo e da pulsão. Estou lhes dando um marco muito geral porque, de qualquer modo, o conceito de mais-de-gozar - ponto que queria sublinhar - não é equi­ valente ao conceito de objeto a. Lacan, no Seminário "De um Outro ao outro", ao introduzir o con­

UMA CLINICA DA PULSÃO Se a saàsfação de uma pulsão é o gozo, por mais contingente
UMA CLINICA DA PULSÃO Se a saàsfação de uma pulsão é o gozo, por mais contingente
UMA CLINICA DA PULSÃO Se a saàsfação de uma pulsão é o gozo, por mais contingente

ceito de mais-de-gozar diz: "[

... por sua estrutura para ser um lugar de captura de gozo". Mas, que gozo

] o objeto a está preparado especialmente

captura? Captura esse mais, esse excesso de gozo que é recuperação de uma perda, ck uma renuncia prévia ao gow. Isto é, o primeiro passo para esta-

  • s. RABINOVICH

DIANA

11

b c lecer O conceito renuncia ao gozo. ração; vimento acerca de uma
b
c
lecer
O
conceito
renuncia ao gozo.
ração;
vimento acerca de uma

de mais-de-gozar, sua condição prévia, é o conceito

de

cal, em boa lógica, an

terior a sua

recupe-

Não

é

A renuncia ao gozo é, como

codo ganho acarreta uma perda como sua condição mesma.

casual, portanto, que o mais-de-gozar

seja acompanhado de um desenvol­

s. RABINOVI CH DIANA 11 b c lecer O conceito renuncia ao gozo. ração; vimento acerca

das matemáti­

aposta, aposta que ocupa na história

cas e da filosofia um lugar eminente,

a aposta de Pascal. Vale a pena recor­

s. RABINOVI CH DIANA 11 b c lecer O conceito renuncia ao gozo. ração; vimento acerca

de

dar que, já no Seminário II e em "A carta

roubada", uma teoria do jogo

azar se fazia presente através da série dos ( +) e dos (-), teoria que nesta

altura

sofre uma nova discussão.

A renúncia ao gozo é ancerior,

em Lacan, ao

conceito

de mais-de­

gozar.

O

mais-de-gozar só

aparece

no Seminário

"De

um Outro ao ou­

tro", no

ano letivo

de 1968-1969.

Por oucro

lado, encontramos

o con­

ceito de renúncia ao gozo em semin;lrios anteriores. Encontra-se insinuado

no Seminário VII. A itictl

, e já muito desenvolvido

no Seminário X, "A

angústia". A renúncia ao gozo cem um amplo desenvolvimento no Seminário X. Ali, o objeto a como real, causa de desejo, apresenta uma articulação

peculiar, mas ainda não plena, com o gozo. Para que esta relação alcance seu pleno desenvolvimento, será necessária a introdução da função de recu­

peração. No

peculiar, mas ainda não plena, com o gozo. Para que esta relação alcance seu pleno desenvolvimento,

nível do simbólico assinala

Lacan:

"Só

se pode

peculiar, mas ainda não plena, com o gozo. Para que esta relação alcance seu pleno desenvolvimento,

falar de

um

objeto de gozo como mecáforà'.

Desta forma, em cal seminário,

o objeto

em sua vinculação com o gozo é um objeto metafórico, vale dizer, produto

da substituição

significante, aproximando-se do objeto

tal como se apre­

senta,

inicialmente,

nos circuitos do dom

materno.

Esta formulação não

deve

ser confundida,

não cem

exatamente o mesmo acento, ainda que te­

nha um íntimo parentesco, com

essa

metáfora jurídica do gozo - o go

zar

O mal-ertar na cultura e A ética da psir.andlise

com

não pode escapar

a ne­

nhum leitor de Freud e Lacan.

de um bem - que

O mal-ertar na cultura e A ética da psir.andlise com não pode escapar ne­ nhum leitor

Lacan introduz em Mtlis,

O mal-ertar na cultura e A ética da psir.andlise com não pode escapar ne­ nhum leitor

ainda, mecáfora cuja

O mal-ertar na cultura e A ética da psir.andlise com não pode escapar ne­ nhum leitor

relação

No seminário sobre a angústia esta problemática

se perfila, sobrec

· do lado da renuncia

ao gozo do corpo, dizendo

ali Lacan que

esta re ­

nuncia, neccssanamente, porta, em si, a divisão do sujeito.

O objeto apare­

ce, neue contexto, como o resto desse sujeito atravessado pelo

significante,

que t o IU)Cico dividido,

$.

� · do lado da renuncia ao gozo do corpo, dizendo ali Lacan que esta re

UMA CLINICA DA PULSÃO

essa

O S

enquanto

tal,

não resume a identidade do sujeito, nem sequer

UMA CLINICA DA PULSÃO essa O S enquanto tal, não resume a identidade do sujeito, nem

identidade

de ser um em dois, porque é um em dois, isto é, um sujeito

dividido,

produzido pela concatenação de dois significantes,

UMA CLINICA DA PULSÃO essa O S enquanto tal, não resume a identidade do sujeito, nem

concatenação

que deixa,

por sua vez, um resto, esse resto que é o objeto

a.

Nesse mesmo

seminário

Lacan, de um modo admirável, trabalha a clínica desse objeto

como causa

do desejo. No referente ao gozo não aparece, ainda plenamen­

te esclarecida,

a

ar ticulação entre

este objeto

e

o

gozo, mas

o

gozo é

enfatizado,

antes de tudo, como gozo

fálico.

A referência ao gozo aparece

UMA CLINICA DA PULSÃO essa O S enquanto tal, não resume a identidade do sujeito, nem

através do auto-erotismo, com o que se relaciona o objeto causa de desejo.

Falta ainda precisar que esta operação de divisão do sujeito com esse resto

que é o objeto

a,

fará

do

objeto - e este é o ponto fundamental - um

lugar privilegiado de recuperação, de captura de gozo.

A idéia do a como mais-de-gozar, deixando de lado sua homologia com a mais-valia marxista que Lacan pontua - recordem que é um semi­ nário de 1 968, em uma época de plena efervescência, onde estes conceitos circulavam amplamente -, o conceito de mais-de-gozar deve ter então como contraponto necessário o conceito de perda de gozo. O que quer

dizer perda de gozo? Por que o trabalho psicanalítico levou Lacan, já desde

o Seminário A ética

...

, a enfatizar o

gozo como gozo do corpo?

Primeiro ponto: o gozo não é o prazer. Esta é uma diferenciação que se impõe como um pano de fundo essencial quando se fula de gozo. O prazer, dirá Lacan, é homeostácico, o gozo, por outro lado, será equiparado ao mais-além do princípio do prazer . Enquanto equiparado ao mais-além

do princípio do prazer Lacan pôde situar o gozo na dimensão da pulsão de morte, desi gn á-lo como subordinado ao Tânatos. Então, quando dizemos que o gozo está mais-além do princípio do prazer, a que homeostase estamos nos referindo? Insisto, produz-se a esse respeito uma mudança desde a épo­ ca do Seminário II - na qual enfatiza-se a presença da cadeia significante como mais-além do princípio do prazer - até a formulação do Seminário VII, onde o mais-além do princípio do prazer assume uma forma diference,

UMA CLINICA DA PULSÃO essa O S enquanto tal, não resume a identidade do sujeito, nem

a do gozo e do mal (cerna que Lacan desenvolverá depois em torno de Sade e a perversão, cuja sistematização encontra-se no escrito "Kant com Sade").

UMA CLINICA DA PULSÃO essa O S enquanto tal, não resume a identidade do sujeito, nem

C..onvém,

contudo, deter-se um instante em precisar em que mais se

apóia a diferença enrre go-w e prazer, a que se deve essa solidariedade entre o goro e O maia-além do prindpio do pra�r. quer di�r. por qu� o gozo fiu.

  • 14 ÜIANA S.

RAB INOVICH

limite com

a

homeostático do

dor.

ÜIANA S. RAB INOVICH limite com a homeostático do dor. antecipadamente, acerca com seu do

Lacan alertou,

antecipadamente,

acerca

com seu

do

caráter

prazer em seu contraponto essencial

mais-além .

Entre o Seminário II e a passagem do gozo ao primeiro plano da

cena, produzem-se redefinições, tanto do prazer como da homeostase, no

que é O campo próprio da psicanálise. No Seminário II, a insistência da

cadeia significante, inseparável do desejo, é ela mesma o mais-além do prin­

cípio do prazer. Em A ética

..

., por outro lado, o desejo fica colocado entre

gozo e prazer, situando-se o mais-além do princípio do prazer nessa dimen­

são pulsional que é o próprio gozo . Esia dimensão lhe permitirá articular a

pulsão de morre com o problema do mal, j:í diferenciada do problema da

agressividade imaginária l<leiniana e seu maniqueísmo. Se no Seminário II

o desejo aparece como um para além da necessidade biológica, da biologia

como real, exterior ao campo anal /1ico, em A ética

. . .

p roduz-se um desloca­

mento do conceito de homcos1ase, que, todavia, não altera o desejo. O

ÜIANA S. RAB INOVICH limite com a homeostático do dor. antecipadamente, acerca com seu do

novo conceito de homeos1ase, desse equilíbrio que reaparece no nível do

princípio do prazer, será claramente definido no Seminário XI quando o

narcisismo se apresentar como a forma de homeostase própria do n/vel

libidinal.

No Seminário XI Lacan faz uma delimitação que se pode não prestar

ÜIANA S. RAB INOVICH limite com a homeostático do dor. antecipadamente, acerca com seu do

atenção e que é, todavia, muito freudiana.

Lacan define ali o narcisismo como a forma da homeostase no n/vel

ÜIANA S. RAB INOVICH limite com a homeostático do dor. antecipadamente, acerca com seu do

libidinal . Pode-se dizer que o desejo sob a forma do automaton, quer dizer,

ÜIANA S. RAB INOVICH limite com a homeostático do dor. antecipadamente, acerca com seu do

a repetição da cadeia significante, é realmente algo anti-homeostáti co para

o organismo. O desejo contraria o sujeito no n/vel do que são seus meca­

nismos de auto-regulação biológica. Esta é a contradição que centra o Se­

minário II com o desenvolvimento da série dos (+) e dos (-) em " A carta

roubada".

Por outro lado, a homeoscase desse corpo, já atravessado pela lingua­

gem, se chamará narcisismo. Portanto, o narcisismo surge, agora, com

uma nova função: marca um ponto de homeostase, enquanto que na época

do estádio do espelho, o narcisismo surgia como relação com Tilnatos r

como anti- homeostático; mas essa é a diferença entre a perspectiva do or­ .

ÜIANA S. RAB INOVICH limite com a homeostático do dor. antecipadamente, acerca com seu do

gan ismo

h1ológico e o corpo atravessado pelo sistema significant e.

Nu

Semináno . li, o anri-homeosc;hico é o processo primário, enquanto que no

Seminário XI o anri-homeo01foco será a tyrhl em relação ao a111om11tt,tt,

UMA CLíNICA DA PULSÃO

solidário

do narcisismo.

ticular

é

coerente

com

é coerente com

coda

a sua

teoria sobre

problema

Que fique claro qu e esta é uma interpretação

par­

de Lacan do problema do narcisismo freudiano.

Esta interpr etação

que

e o

a declaração explícita, que faz Lacan, no sentido de

o

gozo

retoma

a

teoria energética freudiana

da quantidade e da energia em Freud.

Lacan o diz claramente; a questão não é (o que foi chamado classica­ mente na psicanálise freudiana) o problema econômico: Lacan o considera como um problema de economia política. Da( a possibilidade de compará­ lo com a mais-valia marxista . Mas acrescenta algo no que foi dito por Marx: que a economia política é uma economia pol!tica de discursos; quer dizer que o que distribui a economia e a política é como circula o gozo em

um sistema simbólico: pela estrumra do discurso. Esta idéia, de que há uma economia e uma pol!tica do discurso que f.u a distribuição do gozo e que o gozo é algo a captar, começa a propor um problema: se alguém o quer obter, pareceria um prazer; mas por que al­ guém iria querer acumular algo que é tão desprazeroso como em al gu ns

momentos Lacan

pinta o gozo (por exemplo, no Seminário A ética

...)?
...)?

Esse

com quase apocalíptico que às vezes Lacan usa em relação ao gozo, retorna sempre com bastante insistência. Por isso o gozo é, em Lacan, o funda­ mento de uma ética. De uma ética que não é a do bem-estar, a do prazer, a do conforto. Precisamente, o paradoxo freudiano da pulsão de morre e do mais-além do princípio do prazer, é que o ser humano, ao estar atravessado pelo significante, tem como bem supremo algo que não é prazeroso. Por isso Lacan compara e diferencia, de salda, a ética que se infere de Freud da ética aristotélica. A ética aristotélica supõe um bem supremo cuja flor, diz Lacan retomando Ariscóteles, é a flor do prazer. A ética freudiana, a que se

UMA CLíNICA DA PULSÃO solidário do narcisismo. ticular é coerente com coda a sua teoria sobre
UMA CLíNICA DA PULSÃO solidário do narcisismo. ticular é coerente com coda a sua teoria sobre
UMA CLíNICA DA PULSÃO solidário do narcisismo. ticular é coerente com coda a sua teoria sobre

deduz não só do Mais-além do princi p io do prazer, como também de O mal­

estar na cultura, é, ao contrário, uma ética do mal fundamental para o qual tende o homem. Sua busca não é precisamente a de seu bem, mas a de seu gozo que está do lado de seu mal, na medida em que o bem supremo não existe.

UMA CLíNICA DA PULSÃO solidário do narcisismo. ticular é coerente com coda a sua teoria sobre

Esse problema do mal reaparecerá muitas vezes e todos sabemos que, quiçá, está presente nas primeiras consultas de quase todos os pacientes:

por que fa ço i•ro que eu sei que me faz mal ou que me fa, . sofrer? Ou, se scmprc quis evitar isso, por quê resulta que isso, que sempre quis evitar, é o

16

O gom í:ilico, que o constitui

medida comum para ambos

O!

como

onm, Já é uma •uplencia

dc11a

ausência estrutural que

há rclaçto­

é o "não

ropor çJo anual".

p

lraca-ac da inexisrencia

do Ourro sexo,

do sexo como

DIANA

S.

RABINOVICH

que corno

 

definição

um

cerco padecer

que

como O bem supremo

o
o

a encontrar contra a minha vontade?

lacaniana do real como o que

sujeito

mesmo

wive, � mesmo lu saber, e que gar , � apare co; ao \ dese- 1
wive,
mesmo lu
saber,
e
que
gar , �
apare co;
ao
\
dese- 1
:

Se tomarmos, incl

volta sempre ao

busca, sem

. qual também me referia antes.

Quando é bem supremo? Aqui vem o problema

Quando está inscrito no desejo como

jo do Outro. O conceito de gozo, o mais-de-gozar cm sua articulação com o dese­ jo como desejo do Outro, náo deve ser confundido com as formulações de Lacan acerca do Outro do go,.o, do Outro da verdade, do Outro do reco­

nhecimento; podemos men(ionar uma pluralidade de Outros com maiús­

cula em Lacan. Que o Outro srja

um

lugar varrido de goro - expressão

que Lacan usa expl icitamente

-

'"'º ,il:\nilica que confundamos

toda clí­

nica do gozo pcí''<'rsão.

  • c om o problcntJ Jo Ou,ro do gozo, tal como se apresenta na

so.

O Outro Jo gozo ,: um Outro cuja existência é central para o perver­

1:. cm

sua articulação mm

a perversão onde

16 O gom í:ilico, que o constitui medida comum para ambos O! como onm, J á

Lacan chega a articulá-lo.

Nas neuroses não se trata do Outro do goro; trata-se, em todo caso, desse

Outro que. de verdade, lamento que esteja tão desvalorizado, que é o Ou­ tro da demanda, porque esse Outro da demanda segue formando parte de

nossa clinica

mais cotidiana, e

não é por ser a mais cotidiana que não

tem

por que ser banal, ao contrário, diria que, às vezes, é aquela na qual temos

mais responsabilidades. Mesmo que careça da gravidade ou

que cercos Outros, como o do gozo,

mais responsabilidades. Mesmo que careça da gravidade ou que cercos Outros, como o do gozo, pode
mais responsabilidades. Mesmo que careça da gravidade ou que cercos Outros, como o do gozo, pode

pode produzir.

da fascinação

Por que faço

esse

esclarecimento?

Porque

o mais-de-gozar

não

é

correlativo ao Outro do goro, mas, pelo contrário,

à sua inexistência; jusca­

mence como diz Lacan em "Subversão

do sujeito

",

"essa fàlta do goro que

faria vão o universo";

frase

que circula e

foi

repetida muitas vezes -

essa

faria vão o universo" - veremos

Encre­

para quem e em

que casos.

"que
"que

canto, faz vão o universo para todos os seres falantes

único

ponto,

em um

 

que é O que às vcz.cs não precisa tudo o

que se deve precisar: na

medida

  • c m

que não há goro

sexual,

isto

é,

não há gozo de cada

sexo como tal,

que

o

gozo <cxual está perdido

para ambos os sexos.

UMA CLINICA DA PULSÃO

quer dizer, do universal da mulher. Esta inexistência pode cal, feminino, suprida, manejada, distorcida, negada, recalcada,
quer dizer, do
universal da mulher.
Esta
inexistência
pode
cal,
feminino,
suprida,
manejada, distorcida,
negada, recalcada,
podemos
supor-lhe
ser
de vicissitudes diferentes,
uma
quantidade
mas não substitui a fórmula:
0
 

desejo

é o desejo do Outro com

maiúscula.

No perverso Lacan definiu muito claramente uma fórmula e, a partir

No perverso Lacan definiu muito claramente

uma fórmula e, a partir

dela,

começaram

uma série de confusões

que convém esclarecer de saída.

A primeira

parte

da

fórmula do

desejo perverso:

o

desejo perverso,

em

articulação com o desejo do Oucro, assume a forma da vontade de sua Essa é a

articulação com o desejo do Oucro, assume a forma da vontade de

sua

Essa é a

forma

gozo

.

que assume o desejo do Oucro

para o perverso, que

lhe

permite

ser

um

verdadeiro

crente.

Lacan o

diz: os

perversos

são

os

úlcimos crentes que escão ficando sobre essa

cerra.

Crêem no gozo do Ou­

tro, nesse deus

do sacri fício de Pascal. não

no deus dos

filósofos de Descar­

tes, não no deus da racionalidade,

mas

nesse deus de Abraão, esse deus que

exige o sacrifício como cal. cu jo �ra ndt · creme é o perverso.

Mas essa crença

lhe permite escapar

da c1sc ra\·fo do A, assim, a vontade de gozo faz do A

barrado um Ourro sem ban Jr, sem barra. Por isso a fórmula do desejo perverso como

barrado um Ourro sem ban Jr, sem barra. Por isso a fórmula do desejo perverso como vontade de gozo é equivalente ao desejo impossível da

neurose obsessiva, ao

desejo insatisfeito da histeria e ao desejo prevenido

da fobia. Por que coloco-as em série? Porque são formas diferences (as três úl­ t imas em relação às neuroses e à demanda, a primeira em relação ao gozo) de não se dar por inteirado da castração. Isco é, são formas de não realizar o desejo como desejo do Outro, sob a forma da insatisfação, da impossibi­

lidade, da prevenção ou da vontade de gozo do Outro. São limitações subjetivas frente à realização do desejo como desejo do Outro. Nesse quadro, onde há castração há perda de gozo no sentido origi­ nal, tal como é encontrada no Discurso de Roma, formulada como passa­ gem do acoplamento à aliança, comando Lévi-Strauss. Perde-se o gozo natural, todo, do sexo para entrar nesse embrião humano que se chama, por algum motivo, sexualidade e não sexo. Quando falo de pulsão, desejo e mais-de-gozar, não estou pensando

pri mo rdialmente na perversão, mas em uma série passível de ser encontra­

da na clinica e que na França, por exemplo, foi incluída dentro do ca

po

da pcrvcrlio; enquanto que na Argentina, seguindo nesse ponto os delme­

UMA CLINICA DA PULSÃO quer dizer, do universal da mulher. Esta inexistência pode cal, feminino, suprida,

'"1Wnco1 d.a eicola inglesa, a 1,;onhcccmo1 melhor como o campo da

em função de sua estrutura clínica.

Por quê? Porque podemos

as

encontrar

impulsões

na perversão, como

tanto

na psicose,

como na neurose.

O

que é

que caracteriza casas

reve ria

1

pa1ologias?

Eu quase

me at

d1.1má-la1 patologia•

do aro, não

no semido

do

logrado c o mo o 1

ato

  • 18 DIANA $.

RAB I NOVICH

em função de sua estrutura clínica. Por quê? Porque podemos as encontrar impulsões na perversão, como

psicopatia. Refiro-me a um amplo campo de p . erturbações que apresenta

. dificuldades particulares no estabelecimento da relação ps1canaHnca, da

fcrência como tal, nas quais o paciente chega a análise em posição de obje

e onde se registram o que hoje podemos chamar, com uma expressão mui

geral que merece ser precisada, perturbações da demanda.

Havia algo de verdade nisso de psicopatia, de não admitir os limit

que se estabeleciam, de romper o setting; também era uma forma indirecai

de falar do problema com a demanda; especialmente com a demanda d e,

amor. Mas creio que, a panir de Lacan, é possível deduzir que se trata d e

psicoparologias. chamemo-las assim, que não sao, em si mesmas, estruturas

clínicas. Não obstante. temos uma gama lacaniana que nos permite descrevê­

las. Essa gama S<' rdt"re :i sc'ric: passa�<"m ao aw, aro, acting-out.

Trata-se de' sujt·itos qul' n,1n S<" aprcscn1am exatamente no que pode­

em função de sua estrutura clínica. Por quê? Porque podemos as encontrar impulsões na perversão, como

ríamos chamar umci posi.;:1n dl' ohjc10 <.:ausa, coisa que a histérica pode

simub.r muito bc"m. pnr .1l�u111.1 r.11.ão o objeto tem um lugar particu l ar em

seu discurso. nus. prerisamc111c. paricn1es nc ; quais esta posição de objeto

implica um ganho. um mais-de-gozar, que deve ser perdido ames que a

em função de sua estrutura clínica. Por quê? Porque podemos as encontrar impulsões na perversão, como

análise possa ser iniciada, em semido estriro.

Formalização: O que quer dizer "antes que a análise possa ser inicia­

da"' Quer dizer que esses pacientes nos exigem, às vezes, um longo trabalho

prés.�o. não importa se é cara a cara ou no divã, antes que passe a ocupar o

lugar, por excelência, do sujeira em análise, que é o lugar do sujeira dividi­

do, quer dizer, do sujeito da associação livre; diria que, em última instância,

o importance é a clareza que o analista tenha a respeiro.

Os

dois nomes

clássicos

com

que esses

transtornos

figuram

na

psicopatologia

foram, por um lado, as impulsóes (como o jogo de azar,

por

exemplo, ainda que não seja quando adquire cadter

de sintoma compulsi­

vocês quiç:I

do eu

em

vo), e, por outro, as caractcropatias nas quais (como alguns de

saberão) eu pensei especialmente

quando fiz o percurso da teoria

Lacan.

O que é importante aqui? Que

estes
estes

pacientes possam ser de

finidos

ÜMA

CLIN ICA

DA

PULSÃO

ção,

uma

até as drogas maiores. Essas patologias do

o tabagismo

ato propõem uma

que será um dos eixos

do que tentarei desenvolver nestas reuni­

pergunta

mas sobrecudo no

110 conceico marxisca de mais-valia,

dava, não somente

sentido falho, m nesse ou que dá Lacan quando � � r � diz que O
sentido
falho, m
nesse
ou
que
dá Lacan quando
� r �
diz que O ato, como
q
o SUJe1to aposte sem O utro. Quer dizer, que só há ato com
cal, impli
ca
ue
Ou tro
um
·
barrado, com um O utro - não digo ao acaso - inconsistente.
O que é q ue se pode observar nesses pacientes? Que há cerca satisfa­ às vezes
O que é
q ue se pode observar
nesses pacientes? Que há cerca satisfa­
às vezes
qualquer
direta, visível, à q ual não podem renunciar. Tomem
das formas
em q ue isso pode se apresentar, que
vão desde a bulimia ou

ões:

são idênticas à patologia do fantasma?,

sãc uma variante da mesma?

quer

Estas

pato logias aparecem basicamente vinculadas

ao ato em

qual­

de seus

macizes:

passagem ao ato, ato e acting-out, e, obviamente,

o

fantasma

desempenha nelas um papel fundamental.

Estão do lado do fan­

rasma e remecem ao auto-erorismo, não se situam do lado do sintoma.

Freud mesmo, em

uma carta a

Fliess anterio r a

1 900,

ass:.1ala que

roda adição ( rdere-se en1re ounas ao jogo, à bulim ia, etc.) é um substituto

ÜMA CLIN ICA DA PULSÃO çã o , uma até as drogas maio r es. Essas

do aura-erotismo. lese que re1oma quando exam ina Õ caso de Dostoievski.

Porém, tudo isso gira em

ÜMA CLIN ICA DA PULSÃO çã o , uma até as drogas maio r es. Essas

rorno desses "misteriosos" problemas freudianos,

que não se confundem com o rema da castração e seu rochedo; me refiro a

esse outro

problema que é o da adesividade da libido, a fixação ao objeco

pulsional, o problem a do quantum de fixação, quer dizer, o problema da

energética da fixação .

Recordem que Freud coloca-o como um dos obstá­

culos maiores à finalização de uma análise.

O conceito de mais-de-gozar tem seu antecedente, como lhes recor­

conceico freudiano de ganho de praze r (Lustgewin) . Em Freud, este ganho de prazer alude
conceico
freudiano de ganho de praze r (Lustgewin) .
Em Freud, este ganho
de prazer alude diretamente
um aumenco da sacisfação pulsional,
a
isco é,
à dimensão
da satisfação da pulsão.
Isco implica além disso, e esse é outro
ponto
q ue quero enfatizar,
que esse ganho de gozo,
que é a forma
como
prefiro
traduzir
ganho de prazer
em Freud, é, quiçá,
uma das cha � e
O
para
enrcnder
na mesma obra freudiana,
a função que Freud chamou
adcs1v1dade
da libido '
como fator constitucional
inato, coisa
que ninguém sabe
explicar
muico bem o q ue é.
outro lado, esta ene rgética
que Lacan propoe
em termos de eco-
Por
no
mia
pollcica, nos remete a outro pólo, que também cem a ver co
o aro
e
que: já escá
presente no Seminário
"A angústia".
Este p ólo é a m1b1çio.

com o objeto a, torna-se conceitualmente

mais abrangente que o

objeto

li

Propõe, precisamente, essa clínica que Lacan chamara clínica do

não-todo

cm relação com as fórmulas da

ao relê­

sexuação, no ano de 1 972 quando,

por exemplo,

nr-se,

à relação

de Kierkegaard, à

en1rc

correspondfoc

ia

Kierkcgaard e Regina, Lacan di1. que Regina é capaz de ver um be

  • m para·

altm do ob1e10 a Quer

d1'

zer, um

na pulslo par,1a1·

gozo que não se esgota

  • 5. RAB INOVIC H

DIANA

10

discursos,

a que vai do Seminário X aos quatro

,

que

essa cpoca,

N

,

e

LaOIJ

.

óe uma certa oposição entre acting-out

e passagem ao ato,

assim

corn,

p

ro

p

São todas temáticas

sublimaça' o e inibição.

vin

posi'ça'o entre

·

existe certa o

Recordem a famosa definição da sublimação

culadas à satisfação

corn

.

satisfação da pulsão sem recalque, sem defesa.

Nesse contexto, não é casual que Lacan torne a trabalhar o

grafo d

um Outro ao outro",

onde introduz

Seminário "De

desejo

no mesmo

mais-de-gozar, e a referência que faz é a sua primeira introdução do graf

no

Seminário

"As formações

do

i nconsciente",

com o

exemplo

d

familionán·o para explicar o chistt', voltando a insistir, em

ma do chiste de modo qut' ct'mos uma rt'incerpretação

1 968, no problc

do grafo no ano e

 

1 968;

recordem qut'

os Escrito;

sat'm em

1 966.

Realiza,

então,

um

reincerpreta�-ão do g,Jfo pda persp,niva dt' sua articulação com o mais-de

gozar, através, prt'cisamenit', dn ga nho d, gozo próprio da sutileza descri1

por Freud em seu livro.

Quando se faz unu prinKirJ lei cura pergun ta-se por quê aparece aq1

Quando se faz unu prinKirJ lei cura pergun ta-se por quê aparece aq1

o grafo.

O grafo aparece,

precisamence, porque o que

Lacan chamou, n

época de "As formações do inconsciente", o objeto metonímico, agora é

objeto como lugar seletivo de captação da recuperação do mais-de-gozar.

Eu

lhes disse

que partirei de "De um

Outro ao outro",

mas queri

esclarecer que há aqui

esclarecer que há aqui um caminho que é a retroação que se pode faze partindo de

um caminho que é a retroação que se pode faze

partindo de "De um Outro ao outro", para trás na obra de Lacan, e podt

se,

assim,

encontrar a antecipação do

conceito de

mais-de-gozar.

Dest

modo,

nos seminários

mais tardios,

se produzirá

uma diversificação do

gozos, uma diversificação dos mais-de-gozar.

Todo gozo, o gozo da allngu

em

uma só palavra, o gozo do sintoma,

o gozo da

mulher barrada,

etc.

todos esse gozos são, na realidade, recuperaçõe� de gozo pela perda dess, gozo rodo, que seria
todos esse gozos são, na realidade,
recuperaçõe� de gozo pela perda dess,
gozo rodo, que seria
o gozo da complementaridade sexual, que não
existe
Então, o conceito de mais-de-gozar,
que está inicialmente arciculadc

·

com o objeto a, torna-se conceitualmente mais abrangente que o objeto li Propõe, precisamente, essa clínica

·-•

D IANA s.

RAB INOVICH

Lacan relaciona isto com o que será chamado a morte de Deus.

Mais

importante, nesse caso, que a conotação teológica (apesar de Lacan retom�­

la, porque urna parte desse seminário, que

rek­

não teremos tempo de

re-se à aposta de Pascal acerca

da existência de uma vida depois

da morte),

• prec,sa

ence, _ que este discurso

'.11

da renúncia ao gozo delimita

do

O lugar

" e permite, assim, algo que em

nosso século é evidente,

prolong,i·

esses

mencos da voz e do olh

ar que sao o grava

TV e

rodos os aparelhos

qur

or, a

prolongam cases dois objetos: voz e olhar.

22

sic análise é um sintoma, diz Lacan, dessa modificação

na

A p

modificação que é histórica e solidária, co

mo c

e O saber

entre o gozo

,

termo mercado, de um mercado do saber, onde o saber vale, onde

o saber jj

é um sintoma, diz Lacan, na A p modificação que é histórica e solidária, co
é um sintoma, diz Lacan, na A p modificação que é histórica e solidária, co

não é um luxo, porque o saber, graças à unificação do

r el ação a o l d
r el
ação
a
o
l
d

campo das

ciências,

Daí que comece a aparecer

começa a participar na produção.

um

ter

mo,

 

que já havia despontado em Lacan,

mas que se impõe

desse

seminário

e rn

diante, 0 de produção, que não é o mesmo que criação. A produção

rem

e te

à produção de objetos que são pontos

de captação de gozo,

nesse

sentid

o,

no sentido psicanalltico.

podem emão advir "bens"

Recordem

o que

lhes disse há

algum tempo:

a

ética

da

psicanálise

não é a ética do bem-esrar.

Os objetos de disputa,

nesse sentido, os objetos

de captação de gozo,

não

são objetos

que,

necessariamente, produzam

ou

signifiquem o

bem

do

sujeito a

par tir

do

ângulo das

morais ou

das éticas

cradicionais, mas, ames, produzem, por este ângulo, seu mal.

Justameme, o que assinala d Lacan é que a produção desses objetos (e

do saber e sua entrada como mercadoria em um mercado onde o saber

começa a valer) é solidária, não da renúncia ao gozo, porque renúncia ao

Lacan relaciona isto com o que será chamado a morte de Deus. Mais importante, nesse

gozo há desde sempre: na posição do amo hegeliano a renúncia ao gozo,

renúncia a seu corpo, está na vida para manter seu prestígio; o que é novo é

que haja, e nisso Lacan insiste, um discurso que promova a produção aua­

vés da renúncia ao gozo.

O que faz Lacan? Uma leitura psicanalltica da tese de Weber sobre a relação emre o
O que faz Lacan? Uma leitura psicanalltica
da tese de Weber sobre a
relação emre o protestamisrno e o
nascimento
do capitalismo?
Não, creio
que não. Lacan marca algo
fundamental porque prefere à tese de Weber, as
cicaç.ões
de
Lutero
(que podem ser encontradas
no Seminário
A ética
...
, e
que
algumas vezes
parecem
saldas
das
fantasmagorias
do kleinismo
mais
exagerado).

.

é

Lacan relaciona isto com o que será chamado a morte de Deus. Mais importante, nesse
Lacan relaciona isto com o que será chamado a morte de Deus. Mais importante, nesse

-

d
d
ver,
ver,
I .. - UMA CLINICA DA PULSÃO � ',.'f/l,ji,; .. , í 25 �!!:Utiltt.:A . -
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UMA CLINICA
DA PULSÃO
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1
·
P e rv ersão
é a possibilidade
de que "o termo
a do fantasm a possa ser ap 1ca-
·
.
.
.
.
.
,,
1
do sobre
o su1e1to d1v1d1do .
Isso é o que a perversão ensina, em
sentido
escrito, a Lacan.
Por ém, se o a forma o núcleo real do eu, lhe oferece sua coerência, coca
Por ém, se
o a forma o núcleo
real do eu, lhe oferece
sua coerência,
coca
r este a implica condenar o
sujeito a sua contrapartida:
0 gozo Lacan
diz como
perdido, quer dizer, o não-gozo,
o desamparo e a solidão.
Aqui é onde podemos
voltar as caracteropatias, nas quais a instalação do
mais-de-gozar
no i(a) do eu é predominante.
O transtorno do caráter não é
somente um
transtorno do ideal, não é algo que se explique tão somente do
lado do significante.
Explica-se também do lado da identificação
com esse
objeto mais-de-gozar que dá consistência e
coerência ao sujeito. Lacan diz que
o
a, a
fabricação do a como mais-de-gozar, está na base
do moi,
esta fabricação

lhe oferece consistência e essa consistência

é uma consistência lógica.

Se observarem, aqui há uma redefinição

do imaginário, posto que,

voltando ao grafo, neste ponto precisamente, Lacan diz que a interrogação

sobre o desejo do O urro é o mecanismo fundamental da identificação ima­

ginária.

Com o

que

fica claro que a

identificação com o a como real é

inseparável do i minúsculo: não se pode fazer sem o imaginário.

Lacan o diz assim: "O modo como cada sujeito sofre em sua relação

com o gozo na medida em que só se insere na relação com o gozo através do

mais-de-gozar

é o sintoma".

E acrescenta, na medida em que (esclareço: ao

estab

elecer um mercado do saber) já não existe uma verdade social média,

uma verdade consensual, que possa ser compartilhada

por rodos os sujei­

tos,

isso faz com que as verdades particulares comecem a tomar a dianteira

e o

que Lacan sublinha nesse ponto que se articula com a nova formulação

do

grafo é

que

O

objeto

a,

enquanto

cal, ocupa

um

lugar

no cam po

do

Outro,

o lugar da verdade como furo. Lacan remete-o

à impossibilidade, à

universo do discurso, de chegar a

alcançar

fechamento no

um

Então reformula o

uma totalização universal do discurso.

do,

to

qual

já havia se referido muitas vezes em "A lógica do fantasma", de

univer s o alcança r fech a mento no um um a tot a lização univer

fazer ou

fazer um grafo de
fazer um
grafo
de

que só de dizer-lhes a primeira mudança creio que já se situaram.

modo

um

", no resumo de "Forma­

que em "Subversão do sujeito

Tod

recordam

os

piso do

do inconsciente" e em " O desejo e sua interpretação",

es o o

ções

", n o re s um o de "F o rma­ que d o s ujeit

da

o piso

o inferior,

vezes chamado piso da demanda,

enunciado,

outras

e O piso superior, o piso do desejo e da enunciação.

sugestão

grafo l, o S

surge em segund

1

f a definiç·

d

çao retroauva.

ame outro s1gmfican

S

te

O

luo é importante po

·

, o significam

d

cmm no

tng ou dcs

U<JUZ

o

a

'

ugn1 icanr.c, mcnoa o S

é

1

.

Ü IANA S.

RAB I N OVICH

grafo l, o S surge em segund 1 f a definiç· d çao retroauva. ame outro

A partir daqui Lacan define o piso inferior como piso da enunciação,

grafo l, o S surge em segund 1 f a definiç· d çao retroauva. ame outro

e O superior como piso da demanda. Com o que desorganiza tudo aquilo

e O superior como piso da demanda. Com o que desorganiza tudo aquilo

que se tinha ordenado na cabeça com bastante esforço. Por que faz esta

mudança? Precisamente, a mudança se baseia em que muda o sentido do

grafo l, o S surge em segund 1 f a definiç· d çao retroauva. ame outro

Outro do piso inferior.

Aqui vocês têm o piso inferior do grafo que, em si, não se modifica.

O que muda é que a linha que vai desde o significado do Outro ao Outro,

com maiúscula, passa a denominar-se agora enunciação e o significado do

Outro é equiparado por Lacan ao S,. O campo do Outro (não o lugar) é

equiparado ao S 1 , como conjun!O dos significantes. Quer dizer, substitui o

conceito de bateria dos significances.

s, s 1 Si gn ificante Voz / (AJ
s,
s 1
Si gn ificante
Voz
/ (AJ

Por que a linha que vai do s(A) ao A e volta é a linha da enunciação?

Se temos que do lado da

·

-

s1gnc

·r,

1caçao

d

o

O

urro, que sempre é retroativa,

está o S, que é O querer d"1zer

,

como antecipado (da primeira versão do

_

.

.

1 968

.

s

·

á ·

XI

Pr-�

.

·r,

f,. d.

'

o

ugar e permite o surgimento da significa-

·

.

ao

o SUJetto: o que um s1gn1ficante representa

.

.

.

.

que

e

, representa ante S,. f o que Lacan diz cm

S u, d .
S
u,
d
.

rquc O

ª

2 passa a s1gn1ficar aqui, como no

.

.

qur

rver riingung, do recalque primário

.

vanccimen to

d o sujeito.

S

é todo o cam

po dos

,• que

•que e 11gnificant c ante o qual todos os

UMA CLfNICA

DA

P U LSÃO

meira linha.

Significante

17

dem

ais virão

a representar.

Porém, o sujeito da enunciação

está colocado

no

primeiro

piso

do

grafo, coisa que não acontecia

antes quando

se ten­

dia

a

confun

dir

esta primeira linha,

significação

do Outro,

com

a

linha

infe

rio

r

m-i(a),

quer

dizer

o circuito

especular

que se

desprende

da pri­

Lacan explica claramente a fórmula da pulsão e sua articulação cen­

tral com a demanda, e por isso a demanda passa ao segundo piso (que

UMA CLfNICA DA P U LSÃO meira linha. Significante 17 dem ais virão a representar. Porém,

poderia estar abaixo, daria no mesmo, é uma simples convenção). Porque,

quando Lacan dizia que o piso da demanda era o piso inferior, estava traba­

lhando a demanda pelo ângulo do circuito idcafaame do ideal, como de­

manda de amor; agora se relé,rid à demanda em sua função pulsional e por

isso falará de demanda no piso superior.

O grafo i ntermeddrin entre estes dois é:

Voz l (A,/
Voz
l (A,/
mterro gaçao onto de . 1 . - do Che vuo,?, que, se recor- Onde cu
mterro gaçao
onto de
.
1
.
-
do
Che vuo,?,
que, se recor-
Onde cu mina O P
..
_
d o suJel
"Su bvers ao
.
fi
d
.
- 10
" termina
na fórmu a
darem,
l
no
terceiro
gra
O
e
se m antém em 1 968.
que
l
d
pu
1
s
3-0 '
a
a
·
1 UI ·
a
fórmu
do fanwma e não tnc
assi nala que o S, como
na
qu al
ló g1
. ca
_
Laan faz u ma longa de mo nstra �
o
cons cie nte, não é co nsiscen�
b
.
er in
uer
dize r sa
.
. r.
o
co n
i ·
d
unto
o1 11gnu1cantes, q
e a incons1st�ncta lógica
I
p orq
.
.
dam enca
u
.
.
d
é
� u n
Isco
da •
no ocncino ló g ico.
.
llo
• assumir o g iro da drman
a enunc1aç
inferior . o
.
b nga
·
um po do p iso
  • s. RAB I N OVICH

DIANA

relacionará com a significação

do Outro, s(A).

se

O efeito

sujeito

do

enunciação

- quer dizer, no

inferior

piso

na

grafo em sua exposição de 1 968 -, como efeito de significação,

instala-se

nesse materna s (A) ,

s minúsculo de A maiúsculo,

pois

indica

a

materna que

de uma s ignificação alienada, na medida em que chega

mergência

e

recroa-

.

nvamente significada do Outro , e que enquanto s1gn 1 1cação al iena

.

.

a - o

veremos --:- tem uma estreita relação

mais-de-gozar.

A função

mes-

com O

ma da s1gnaficaça· o é a de mascara

essa consequenc1a maior do disc urso

r

ue

q

é a exclusão do gozo.

Porém, o mais-de-gozar é

I '

'fora do signi

por exce encta,

,

.

1cante

,

·

orno relactoná-lo encão co m

a sign

i-

prec

,

1caçao e, para

sermos maIS

sos ainda, seguindo

Lacan

c

meios de produção do mais-de-g

o m

os

o ·

'

zar.

  • m um

desse s

momento

'1gni 1caçao

e maIS-de-goza

E

.

28

. · transforma a enunc1açao e - m demanda Notaram que enunciação e de . .
.
·
transforma a enunc1açao e
-
m demanda
Notaram
que enunciação
e de
.
.
man.
d'fi
elaça' o a alguns textos
dos Escritos-,
precisamente
da se mo
1 1caram em r
leio-lhes uma citação textual: " Enquanto
campo do Outro não
o
é
co nsis-
.
tente a enunc1açao a
-
dqu,·re O giro da
demanda, isso dá seu alcance
à fórmu.
O D,· e inclui a pergunta
l
d
"
que quer o Outro?
a
a pul sao
-
, .pd
o
Aqui encontramos um matiz, impossível com o
tal de ser
traduzido
para o caste
Ih
ano.
Quando a pergunta
se formula no nível do
Outro
- 0
que quer o
Outro) . -, a resposta é
D maiúsculo da demanda.
o
Em francês
.
essa resposta é formulada assim por Lacan: 1e me le demande, onde demande
vem a ser pergunta, sentido do qual o termo castelhano "demanda"
carece e
que, portanto, deve traduzir-se
por um "me o pergunto".
 

Este "eu me o pergunto" (je me le demande) aparece como a

Este "eu me o pergunto" (je me le demande) aparece com o a

articula­

ção

com essa via

do

D maiúsculo,

na qual

não há

mais

remédio

senão

avançar devido à ausência de consis tência lógica do Outro, que é questio­

nada por

um s ujeira já dividido pela ação do s ignificante no piso inferior.

O$ barrado , produto do Uroe r drdngung, do recalque primário na aliena­

ção significante, se pergunta acerca do desejo do Outro e se faz a pergunta

enquanto s ujeito dividido, em relação a uma demanda-pergunta, a um

"eu

me o pergunto" (je me le demande).

DIANA rela c i o nará co m a s ig n ificaçã o d

Es te é o ponto em que se pode apreciar

a novidade introduzida em

1 968 ,

na medida em que,

por intermédio

da

pergunta, a demanda se articula com o desejo, adquirindo uma

DIANA rela c i o nará co m a s ig n ificaçã o d

função que

DIANA rela c i o nará co m a s ig n ificaçã o d

e

.

.

,

E

·r,

.

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·

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,

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no

L

acan

praticamente

·r,

identl

,

c

a

1den t1ficação

é

a

que

assegu

ra a

D I ANA

S.

RAB INOVICH

0 eu (je) shifter não é equivalente ao sujeito do inconsciente. A pergunta

D I ANA S. RAB INOVICH shifter não é equivalente ao sujeito do inconsciente. A uma

que parte do (A) é, pois, uma pergunta-pedido que interroga acerca do e u

e do tu. A resposta à pergunta sobre o eu (je) determina o estatuto do tu, e

D I ANA S. RAB INOVICH shifter não é equivalente ao sujeito do inconsciente. A uma

frente à inconsistência do campo do (A) faz surgir um tu. " Tu" que, preci­

samente, instaura o sujeito suposto saber, pois, introduz um sujeito nesse

campo do (A) no qual, por estrutura, não há sujeito algum. A demanda­

pergunta da enunciação interroga, então, o eu e o tu; interroga a existência

de um sujeito que seja tal. tanto no campo do Outro como no inconscien­

te. O eu exige a existência do m para existir (esse tema ronda o ensino de

Lacan desde a época do desejo de reconhecimento, recebendo a esta altura

uma formulação lógica); isto funda, no nível da estrumra, o sujeito suposto

saber, coisa que J .-A. M iller assinalou claramente ao indicar o caráter

"transfenomênico" do S.s . S.

A outra pergunta parte desse Outro que, no piso superior, é repre­

sentado pela fórmula da puls:ío; ela se formula assim: "Eu me pergunto o

que é que m desejas" Ve me demande ce que tu désires) , sendo sua resposta

D I ANA S. RAB INOVICH shifter não é equivalente ao sujeito do inconsciente. A uma
D I ANA S. RAB INOVICH shifter não é equivalente ao sujeito do inconsciente. A uma

"Tu desejas o que te falta" (tu désire ce que te manque) .

Pode-se ver que a transferência supõe, pois, de maneira escrutural­

mence intrínseca para Lacan, esse lugar de convergência das perguntas que

é o desejo do Outro. Ou seja, que essa encruzilhada é o organizador mes­

mo da transferência. Para isso as duas vertentes que se cruzam não devem

ser consideradas em função de uma temporalidade cronológica, mas lógica.

A passagem, encão, da enunciação à demanda, em 1 968, do piso inferior ao

superior do grafo, é condição da suposição de um sujeiro ao saber. Essa

demanda, portanto, é solidária da não consistência do campo do Outro, de

sua não completude, que depende do fato de que não há, em tal campo,

ninguém que possa dizer eu (je) .

Se o saber pode ser suposto ao sujeiro, isso implica que o saber é um

valor, que circula em um mercado, quer dizer, que tem como pano de fun­

do um mercado do saber. Esse mercado do saber é correlativo ao discurso

da ciência, que situa o saber em posição de mercadoria, e, nesse dispositivo

peculiar, assim estabelecido, pode fazer sua aparição a psicanálise. Seria

impossível não se pensar que se poderia constituir o S.s.S. como fundante

de um "qualquer" analista que se declare analista. Na medida em que al­

guém se: declara anal ista se lhe supõe um saber, saber q ue 1ambém pode ser

 

D I ANA 5.

RAB I NOVICH

 

garante imaginário da

O

convergência,

que é o desejo do (A), é 0 eu (je) está encoberto pelos
que é
o desejo
do
(A),
é 0
eu (je)
está encoberto
pelos

a função do

O que Lacan denomina

fantasma.

O eu

objeto a.

não é

sujeito dividido

e o

fantasma, o

dois termos do

pólos divergentes da

nos dois

resp osta.

se divide

nem outro, e

situa

(A) ,

piso inferior

respostas diverge em direção ao

se

e

a enunciaçã

é

A

que vimos

do

nível

o

seja,

do Outro,

significado

no

.

ou

a demanda.

S(/1.), onde situamos

piso superior, para

o

dirige para

o

outra se

significante

em que o sistema

O S(/,.) marca o ponto de rechaço

en­

a consistência lóg

ica do

um significante

quanto tal carece de

que assegure

nem um Uma das
nem
um
Uma
das
a funçã o d o Lacan den o mina fantasma. o bjet o a. não e
a funçã o d o Lacan den o mina fantasma. o bjet o a. não e
a funçã o d o Lacan den o mina fantasma. o bjet o a. não e
(je) no s
(je)
no
s

discurso.

O

s(A)

marca

uma

resposta

que

é

uma

significação

alienante

articulada

com

o

gozo,

o significado

do Outro.

Este

eu (je)

que se

cinde

entre