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ELETRÔNICA DE POTÊNCIA

CONVERSORES CCCC BIDIRECIONAIS

Prof. Ivo Barbi

Agosto de 2015

Este texto reúne os relatórios das atividades realizadas pelos pósgraduandos que cursaram a disciplina Conversores CCCC Bidirecionais, que ministrei em 2014, no Programa de PósGraduação em Engenharia Elétrica da UFSC.

Florianópolis, agosto de 2015.

Prof. Ivo Barbi

Universidade Federal de Santa Catarina

Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica

INEP - Instituto de Eletrônica de Potência

TRABALHO 01

Determinação da Função de Transferência do Conversor 01 com Filtro LC

Aluno: Davi Rabelo Joca e Jéssica Santos Guimarães

Disciplina: Conversores Estáticos CC-CC Bidirecionais

Prof.: Ivo Barbi

Fortaleza, 27 de março de 2014.

1.

Objetivos

Neste trabalho, é apresentado o desenvolvimento para se obter o ganho estático e da função de transferência (FT) do conversor CC-CC bidirecional 01 com filtro de entrada tipo LC.

2. Introdução

Na Fig. 1 é apresentado o conversor 01, discutido no primeiro capítulo da disciplina de conversores estáticos CC-CC bidirecionais. Esta topologia é composta por uma fonte de entrada de tensão contínua V 1 , um filtro de entrada composto pelo indutor filtro L F , resistência de amortecimento R F e capacitor filtro C F , dois interruptores S 1 e S 2 (com resistência intrínseca R S ), um indutor L e sua resistência série R L e uma fonte de saída de tensão contínua V 2 . O filtro de entrada serve para atenuar os efeitos do chaveamento que causam pulsos na corrente de entrada. Estes efeitos podem evoluir para sobrecorrentes nos interruptores, contribuindo para a redução de sua vida útil e, até mesmo, na sua destruição. Entretanto, sua utilização acarretará na mudança da função de transferência i L /d(s).

na mudança da função de transferência i L /d(s). Fig. 1 - Conversor CC-CC bidirecional 01.

Fig. 1 - Conversor CC-CC bidirecional 01.

2.1. Etapas de Operação

Devido à sua aplicação na bidirecionalidade do fluxo de potência, os conversores bidirecionais deverão sempre operar em modo de condução contínua. Nas Figs. 2 e 3 são apresentadas as duas etapas de operação do conversor CC-CC 01 (sem o filtro de entrada) e na Fig. 4, suas principais formas de onda.

01 (sem o filtro de entrada) e na Fig. 4, suas principais formas de onda. Fig.

Fig. 2 - Primeira etapa de operação (0, D.T).

Fig. 3 - Segunda etapa de operação (D.T, T). Fig. 4 - Principais formas de

Fig. 3 - Segunda etapa de operação (D.T, T).

Fig. 3 - Segunda etapa de operação (D.T, T). Fig. 4 - Principais formas de onda

Fig. 4 - Principais formas de onda do conversor CC-CC 01.

2.2. Cálculo do Ganho Estático

O ganho estático pode ser determinado de diversas formas, uma delas é através da tensão

média no indutor que deverá ser igual a zero. Abaixo está descrito o desenvolvimento.

2.3. Cálculo da Indutância

Δ V Lmédia = 0

V 1

V 2

DT V (1 D)T = 0

T

2

V 2 Ge = = D V 1
V
2
Ge =
= D
V
1

(para 0 < D < 1)

(1)

O valor da indutância pode ser determinado por meio do módulo da tensão no indutor em

um intervalo de tempo, como descrito abaixo.

V L

=

L

d

d

t

i

=

Δ i L

L

Δ

T

Como, V 2

=

D

V 1

Observa-se que:

V L

=

e

V

1

Δ T = DT

V 2

V

V

1

1

V

2

=

D V

1

V 1 (1 D)

Δ i L

L

Δ T

= L

=

L

Δ i L

DT

Δ i L

DT

ou

|

|

|

|

|

|

|

V L

e

=

V 2

Δ T = (1D

)T

V 2

=

Δ i L

L

Δ

T

D V

1

=

L

Δ i L

(1 D)T

V 1 (1 D)

=

Δ i L

L

DT

Por ambas as formas, é possível determinar o valor da indutância, dada por (2):

V 1 D(1  D) L = Δ i L f
V 1 D(1  D)
L =
Δ i L f

3. Obtenção do Circuito Equivalente

(2)

A partir da Fig. 1, observa-se que o conversor possui dois estados topológicos, com três variáveis cada, apresentados nas Figs. 5 e 6, respectivamente.

cada, apresentados nas Figs. 5 e 6, respectivamente. Fig. 5 - Estado topológico 1: intervalo (0,

Fig. 5 - Estado topológico 1: intervalo (0, D.T).

Fig. 5 - Estado topológico 1: intervalo (0, D.T). Fig. 6 - Estado topológico 2: intervalo

Fig. 6 - Estado topológico 2: intervalo (D.T, T).

Analisando as Figs. 5 e 6 e utilizando as leis de Kirchhoff, são levantadas as seguintes equações para o estado topológico 1:

V

V

C

1

=

L

F

d

d

t

i

1

R

F

C

= L

d

d t V C

d

d t i L

=

i

1

R

i L

S

i

1

R

V

C

L

i

L

V 2

E para o estado topológico 2:

V

0

C

1

=

L

F

=

L

d

d

t

d

d t V C

i

d

d

i

t

L

1

=

i 1

Considerando:

R

=

R

S

R L

R

R

S

F

i

1

R

L

V

C

i

L

V 2

(3)

(4)

(5)

(6)

(7)

(8)

Organizando as equações (3-8) para o modelo de espaço de estados:

Estado topológico 1

d

d t i 1

=

R

F

L

F

i

1

1

L

F

V

d

d t i L

d

d t V C

=

R

L

=

1

C

i

i

1

L

1

L

1

C

i

V

L

C

C

V

1

L

F

V 2

L

Estado topológico 2

d

d t i 1

=

R

F

L

F

i

 

1

d

d t i L

d

d t V C

=

R

L

=

1

C

i

i

1

L

1

L

F

V 2

L

V

C

V

1

L

F

(9)

(10)

(11)

(12)

(13)

(14)

Para se obter o circuito equivalente do conversor (modelo de valores médios quase instantâneos), multiplicam-se as equações do estados topológicos 1 e 2 por seus respectivos intervalos de operação, D e (1-D), e somando estas equações equivalentes. Por fim, aplicam-se as perturbações e diferenciais. A seguir é descrito este desenvolvimento.

Multiplicando-se (9) por D, (12) por (1-D) e somando-as:

+

D

d

d t i 1

=

D

R

F

L

F

i

1

D

L

F

V

C

(1 D)

d

d t i 1

 

=

(1 D)R F

L

F

i

1

d

d t i 1

 

R

F

i

1

V

V

1

=

L

F

1

L

F

C

L

F

D

V 1

L

F

(1 D)

L

F

V

C

(1 D)V 1

L

F

(15)

Multiplicando-se (10) por D, (13) por (1-D) e somando-as:

+

D

d

d t i L

=

DR

L

i

L

D

L

V

C

D

V

2

L

d

d t i L

=

(1 D)R

i

L

(1 D)

 

L

d

d t i L

 

R

i

D

V

V

2

=

L

L

L

C

L

(1 D)V 2

L

(16)

Multiplicando-se (11) por D, (14) por (1-D) e somando-as:

+

D

d d t V C

(1 D)

=

D

C

i

d

d t V C

1

D

C

i L

(1 D)

=

C

i 1

d d t V C 1 D =  i  1  i L
d
d t V C
1 D
=
 i
1 
i L
C
C

(17)

Reescrevendo (15) e (17), encontram-se (18) e (19) com as quais pode-se obter o primeiro ramo do circuito equivalente de valores médios quase instantâneos, visto pela fonte de entrada V 1 conforme mostram as Figs. 7 e 8:

d i 1 =

L

F

d

t

R

F

i

1

V

C

V

1

 

d

 

V

1

V

C

= R

F

i 1 L

F

d t i 1

C

d

d t

V

C

=

i

1

D

i L

 

(18)

(19)

Fig. 7 - Primeiro ramo do circuito equivalente visto pela fonte de entrada V 1

Fig. 7 - Primeiro ramo do circuito equivalente visto pela fonte de entrada V 1 .

circuito equivalente visto pela fonte de entrada V 1 . Fig. 8 - Segundo ramo do

Fig. 8 - Segundo ramo do circuito equivalente visto pela fonte de entrada V 1 .

Reescrevendo (16), obtém-se (20) que determina o segundo ramo do circuito:

L

d

i

L

R i

L

=

D V

C

V

2

d

t

 

L

d

R

 

V

2

 

D

d t i L

i

= V

D

L

C

D

L

d

D i

 

 

R

D i

 

= V

V 2

D 2

d

t

L

 

D 2

L

 

C

D

(20)

A Fig. 9 representa o circuito equivalente completo de valores médios quase instantâneos e a Fig. 10 representa o mesmo circuito em regime permanente.

a Fig. 10 representa o mesmo circuito em regime permanente. Fig. 9 - Circuito equivalente completo

Fig. 9 - Circuito equivalente completo visto pela fonte de entrada V 1 .

Fig. 10 - Circuito equivalente completo visto pela fonte de entrada V 1 em regime

Fig. 10 - Circuito equivalente completo visto pela fonte de entrada V 1 em regime permanente.

Uma outra manipulação matemática poderia ser feita de forma a ser obtido um outro circuito equivalente, visto da fonte de saída V 2 . Reescrevem-se (16) e (17) e obtêm-se (21) e (22) das quais já pode ser observado como é representado um primeiro ramo do circuito equivalente (Figs. 11 e 12):

D

V

C

V

2

=

R i

L

L

d

d t i L

D

i

L

=

i

1

C

d

d t V C

 

i L

=

i 1

C

d

D V

C

 
 

D

D 2

d t

 

(21)

(22)

     D D 2 d t   (21) (22) Fig. 11 - Primeiro ramo

Fig. 11 - Primeiro ramo do circuito equivalente visto pela fonte de entrada V 2 .

circuito equivalente visto pela fonte de entrada V 2 . Fig. 12 - Segundo ramo do

Fig. 12 - Segundo ramo do circuito equivalente visto pela fonte de entrada V 2 .

Reescrevendo a equação (15), tem-se:

V

1

V

C

=

L

F

d

d t

i

1

R

F

i 1

D V

1

D V

C

=

D L

F

d

d

t

i

1

D R

F

i 1

2 L

d  

i 1

 

2 R

 

i 1

 

D

V

1

D V

C = D

F

d t

D

D

F

D

(23)

A Fig. 13 representa o circuito completo do circuito equivalente de valores médios quase instantâneos e a Fig. 14 representa o mesmo circuito em regime permanente.

a Fig. 14 representa o mesmo circuito em regime permanente. Fig. 13 - Circuito equivalente completo

Fig. 13 - Circuito equivalente completo visto pela fonte de entrada V 2 .

equivalente completo visto pela fonte de entrada V 2 . Fig. 14 - Circuito equivalente completo

Fig. 14 - Circuito equivalente completo visto pela fonte de entrada V 2 em regime permanente.

4. Obtenção da Função de Transferência i L (s)/d(s)

São consideradas as seguintes variáveis de estados que sofrerão perturbação:

i

i

1

L

=

=

I

I

V

C

=

10

L0

V

C0

i 1

i L

v C

D

=

D

0

d

Aplicam-se as perturbações e Laplace em (15):

d

d

t

I

d t i 1

d

10

=

1

i

R

F

L

F

=

1

i

R

F

L

F

I

10

1

L

F

C

v

1

i

s

i 1 (s)

=

R

F

L

F

1

i

1

(s)

 

v C (s)

L

F

R F

 1


s

L F

i 1 (s)

=

L F

v C (s)

1

L

F

V

C0

C

v

V

1

L

F

(24)

Aplicam-se as perturbações e Laplace em (16):

d

d

t

I

L0

d t i L

d

=

L

i

=

R

L

L

i

R

L

D

0

I

L0

L

i

 

v

d

C

V C0

D

0

d

L

L

s

i L (s) R

L

=

i

L

(s)

D

0

 

v

d(s)

C

(s)

V C0

L

V

C0

C

v

V 2

L

 

 

 

R

i L (s)

 

D

0

v

C

(s)

d(s)

V C0

s

L

=

L

(25)

Aplicam-se as perturbações e Laplace em (17):

 

D

0

 

d

 

1

 

d

d

t

V

C0

v

C

=

C

I

10

i

1

C

 

d

 

1

 

D 0

I L0

d

 

d

t v C

=

C

i

1

C

i

L

C

 

 
 

1

D 0

 

I L0

d(s)

s

v

C

(s)

 

i

1

(s)

 

i

L

(s)

   

=

C

C

C

 

I

L0

L

i

(26)

Algumas manipulações matemáticas são realizadas para que se obtenha a função de transferência final i L (s)/d(s). Inicia-se reescrevendo (24):

(25):

 

   

v C (s)

 

i 1 (s)

=

 

R F

L

F s

 

 

(R Ls)i L (s)

V C0

d(s)

v

C

(s)

=

 
 

D 0

D 0

E também (26):

sC v

C

(s) = i

   

d(s)

1 (s)

D

0

i

L

(s)

I

L0

(27)

(28)

   

sC v  (s)  i 1 (s) =  D i (s)  I
sC v
(s)
i
1 (s)
= 
D
i
(s)
I
 d(s)
C
0 
L
L0
 
i 1 (s)
D
i
(s) 
I
d(s)
0
L
L0
v
C (s)
=
(27)
sC
Substituindo (25) e (26) em (27), tem-se:
 
(R
 Ls )i L (s)
 d(s)
V C0
D 0
D 0
 
D
i
(s) 
I
d(s)
0
L
L0
(R
 Ls )i L (s)
V
 d(s)
L
s
C0
R F
F
=
sC
D 0
D 0
Simplificando (24), obtem-se:
i
L (s)
V
D
I
R
C R
V
D
I
L
s
C L
V
 s 2
C0
0
L0
F
F
C0
0
L0
F
F
C0
=
2
2
2
d(s)
R
D
R
L
D
L
C R
R
s
CL R
C L
R s 
CL L
s 3
0
F
0
F
F
F
F
F

(28)

Considerando a condição de regime permanente, de (23) obtém-se que:

V

C0

=

V

1

D

0

R

F

I

L0

Substituindo (29) em (28):

(29)

i L (s)

V 1

2 D

0

I

L0

R

F

  C V

1

R

F

C D

0

I

L0

R

2

F

D

0

I

L0

L

F

s

C L

F

V

1

C D

0

I

L0

L

F

R

F

s 2

d(s)

=

 


2

R

D

R

0

F

L

D

0

2

L

F

C R

F

R

s

 

CL R

F

C L

F

2

R s

CL L

F

s 3

5. Exemplo de Projeto

5.1. Especificações de Projeto

V

1 

100

V

2 

50

V 2



1

I L0  10

D 0

V

f s  40000

Δ I



I

L0

15%

L 

D 0

1

D

0

V 1

f s Δ I

D 0 0.5

Δ I 1.5

L

416.667

10 6

R L  0.48

R



R

L

R S

R S  0.02

R  0.5
R  0.5

5.2. Cálculo do Filtro de Entrada

Δ V c  5

C



I L0

4

f s

Δ V c

 

s()f

 f s j2j    π 4 f

10 3

f 0



10

L

F



4 π

2

1

C

f 0

2

126.651

10 6

Q  5

1

Q

L F  C
L
F
C

R

F



0.637

C

12.5

10 6

5.3. Resposta em Frequência da Planta G 1 (s)

5.3.1. Considerações iniciais

j  1 s()f  j2  π f
j
 1
s()f
 j2  π f

f

 1 50  1000000

Por ser um conversor bidirecional, a corrente no indutor pode apresentar os dois sentidos e, portanto, analisando a função de transferência i L (s)/d(s), percebe-se a existência de duas possíveis equações para a análise do controle em malha fechada

G 1 (f) 

G 2 (f) 

Para o sentido de corrente positivo (V 1 -> V 2 ):

V

1

2

D

0

I

L0

R

F

C V

1

R

F

C D

0

I

L0

R

2

F

D

0

I

L0

L

F

s(f) C L

F

V

1

C D

0

I

L0

L

F

R

F

s(f) 2

R

D

0

2

R

F

L

D

0

2

L

F

C R

F

R

  s(f) CL R   R s(f)

F

C L

F

2

CL L

F

s(f) 3

Para o sentido de corrente negativo (V 1 <- V 2 ):

V

1

2

D

0

I

L0

R

F

C V

1

R

F

C D

0

I

L0

R

2

F

D

0

I

L0

L

F

s(f) C L

F

V

1

C D

0

I

L0

L

F

R

F

s(f) 2

 

 

2

R

F

R

D

0

L

D

2

0

L F

C R

F R

  s(f) CL R   R s(f)

F

C L

F

2

CL L

F

s(f) 3

 

A partir destas equações, na Fig. 15 é mostrado o diagrama de Bode de ambas as funções.

20  log  20  log  0 Ganho (dB)
20
log
20
log
0
Ganho (dB)

G

G

1 (f)

2 (f)

arg G  (f)   1 arg G  (f)   2 Fase
arg G
(f)
1
arg G
(f)
2
Fase (º)

50

33.333

16.667

0

16.667

33.333

180

π

180

π

50

0

30

60

90

120

150

180

 50 0  30  60  90  120  150  180 3
3 4 5 6 1 10 100 1  10 1  10 1 
3
4
5
6
1
10
100
1
10
1
10
1
10
1
10
f
G1(s)
G2(s)
3
4
5
6
1
10
100
1
10
1
10
1
10
1
10
f

Fig. 15 - Diagrama de Bode de G 1 (s) e G 2 (s).

6. Controle

Para o funcionamento adequado do controle em malha fechada, mostrado na Fig. 16, alguns requisitos devem ser atendidos, tais como:

Fig. 16 - Esquemático do circuito com controle. 6.1. Definição da Frequência de Cruzamento A

Fig. 16 - Esquemático do circuito com controle.

6.1. Definição da Frequência de Cruzamento

A frequência de cruzamento é ponto em que o ganho (em dB) do conversor é igual a um. A escolha deve ser feita cautelosamente, pois esta frequência também está diretamente relacionada com o tempo de resposta ao degrau. Um dos detalhes mais importantes no projeto o controle de conversores estáticos, é que esta frequência deve ser, pelo menos, um quarto da frequência de chaveamento do conversor. Isto se deve às não linearidades ocorridas no funcionamento do conversor à medida que a frequência de cruzamente se aproxima da frequência de chaveamento, tornando praticamente impossível sua modelagem e controle.

fc 

f s

25

fc  1600
fc  1600

Utilizando o compensador PI (proporcional e integral), devem ser calculados os parâmetros

de (30):

C(s)

=

Kp

Ki

s

(30)

6.2. Cálculo do Ganho Kp

O cálculo de Kp (ganho) é feito a partir das formas de onda de portadora e da moduladora, como mostram a figura Fig. 17, uma vez que a moduladora é proporcional à variação de corrente no indutor.

Fig. 17 - Formas de onda da portadora e da moduladora. Considerando, Vp = 1

Fig. 17 - Formas de onda da portadora e da moduladora.

Considerando,

Vp = 1

Percebe-se que para que não ocorram pulsos indesejados em um mesmo período de chaveamento, a derivada da moduladora deverá ser menor que a derivada da portadora. Assim:

Calculando:

Kp max



Kp max Δ I

Vp

Δ

t

T

Kp max Δ I

(1 D)T

Vp

T

Kp max

Vp(1 D)

Δ

I

11

D

0

Δ I

0.333

Kp  0.025

(31)

6.3. Cálculo da Constante de Integração Ki

O cálculo de Ki (constante de integração) é feita a partir da frequência do zero do compensador. Este deve ser alocado de acordo com o diagrama de Bode da planta, buscando-se sempre obter elevado ganho em baixas frequências, uma curvatura de de -20dB e margem de fase entre 45º e 90º, estes dois últimos na frequência de cruzamento. Assim, o Ki pode ser determinado por (32):

de cruzamento. Assim, o Ki pode ser determinado por (32): (32) Como o ganho considerado é

(32)

Como o ganho considerado é muito pequeno, adotou-se uma frequência do zero igual a frequência de cruzamento para acelerar a resposta do sistema. Normalmente, utilizam-se valores inferiores à frequência de cruzamento.

fz  fc

fz 1600

Ki  2π Kpfz

Ki  251
Ki  251

Desta forma, pode ser calculado o compensador, a margem de fase e obter os diagramas de Bode do conversor com corrente positiva no indutor, G 1 (s); conversor com corrente negativa no indutor, G 2 (s); compensador C 1 (s) e função de transferência de laço aberto FTLA(s), mostrados na Fig. 18.

C 1 (f )

20  log  G 1 (f)  20  log  G 2 (f)
20
log
G
1 (f)
20
log
G
2 (f)
20
 log
C
1 (f)
20
 log
FTLA(f)
Ganho (dB)

0

Ki

 Kp  FTLA()f  G (f)C  (f ) 1 1 s(f) 50 33.333

Kp
FTLA()f

G
(f)C
(f )
1
1
s(f)
50
33.333
16.667
0
16.667
33.333
50
3
4
5
1 10
100
1
10
1
10
1
10
1
10 6
f

0

180  30 arg G  (f)   1 π  60 180 arg
180
 30
arg G
(f)
1
π
 60
180
arg G
(f)
2
π
 90
180
arg C
1 (f) 
π
 120
180
arg(FTLA(f)) 
Fase (º)
(f)   π  120 180 arg(FTLA(f))  Fase (º) π  150  180

π

150

180

G1(s) G2(s) C(s) FTLA(s) 3 4 5 1 10 100 1  10 1 
G1(s)
G2(s)
C(s)
FTLA(s)
3
4
5
1 10
100
1
10
1
10
1
10
1
f

10 6

Fig. 18 - Diagrama de Bode de G 1 (s), G 2 (s), C 1 (s) e FTLA(s).

A margem de fase resultante é:

MF 3 

180

180

 arg(FTLA(1200))

π

MF 3 45.318

7. Simulação e Resultados

A simulação foi feita utilizando o software PSIM, conforme o esquemático mostrado na Fig. 16, com as especificações descritas no tópico 5. Os resultados são apresentados a seguir. Na Fig. 19 são mostradas as formas de onda da moduladora e portadura. Nela é possível visualizar que a derivada da portadora é menor que a derivada da moduladora, garantindo o funcionamento adequado do chaveamento do conversor.

Vmod Vpor 1 0.8 0.6 0.4 0.2 0 0.22455 0.2246 0.22465 0.2247
Vmod
Vpor
1
0.8
0.6
0.4
0.2
0
0.22455 0.2246
0.22465
0.2247

Time (s)

Fig. 19 - Formas de onda da moduladora e da portadora.

Nas Figs. 20 e 21 são mostradas, respectivamente, as formas de onda da corrente na entrada e tensão de saída do filtro. Percebe-se que a corrente na entrada possui um formato contínuo, garantindo que o filtro está corretamente dimensionado, diferentemente do que ocorreria com o conversor sem filtro de entrada, no qual apresentariam pulsos de corrente. Já a tensão no capacitor possui um valor médio 122 V e com uma variação de tensão de 4 V.

5

4

3

2

1

0

i1

0.22455 0.2246 0.22465 0.2247
0.22455 0.2246
0.22465
0.2247

Time (s)

Fig. 20 - Forma de onda da corrente na entrada.

110

105

100

95

90

85

80

Vc

0.2245 0.2246 0.2247
0.2245
0.2246
0.2247

Time (s)

Fig. 21 - Forma de onda da tensão de saída do filtro.

A Fig. 22 mostra a forma de onda da corrente no indutor e a referência de corrente da malha de controle, as quais apresentam valores médios iguais, garantindo seu funcionamento adequado.

8

6

4

2

0

iL Iref 0.22455 0.2246 0.22465 0.2247
iL
Iref
0.22455
0.2246
0.22465
0.2247

Time (s)

Fig. 22 - Formas de onda da corrente no indutor e referência de corrente.

Para testar a bidirecionalidade do conversor, uma forma de onda quadrada foi adicionada na referência de corrente, a qual condiciona a mudança do sentido da corrente no indutor. Na Fig. 23, nota-se a corrente de entrada com formato contínuo em regime permanente e seguindo a referência que é proporcionado pela referência de onda quadrada na corrente.

i1 4 2 0 -2 -4 0.1 0.2 0.3 0.4
i1
4
2
0
-2
-4
0.1
0.2
0.3
0.4

Time (s)

Fig. 23 - Forma de onda da corrente na entrada operando com bidirecionalidade.

A Fig. 24 mostra a tensão de saída do filtro e percebe-se a presença de picos (de até 112 V) na transição de mudança no sentido da corrente no indutor. Esta característica é considerada intríseca à utilização do filtro de entrada LC, sendo ela uma de suas principais desvantagens.

120

110

100

90

80

Vc

0.1 0.2 0.3 0.4
0.1
0.2
0.3
0.4

Time (s)

Fig. 24 - Forma de onda da tensão de saída do filtro com bidirecionalidade.

Na Fig. 25 são mostradas as formas de onda da corrente no indutor seguindo a referência de corrente quadrada, na qual percebe-se o seu adequado comportamento.

5

0

-5

iL Iref 0.1 0.2 0.3 0.4
iL
Iref
0.1
0.2
0.3
0.4

Time (s)

Fig. 25 - Formas de onda da corrente no indutor e referência de corrente com bidirecionalidade.

Por fim, nas Figs. 26, 27 e 28 são mostradas, respectivamente, as formas de onda da tensão de saída do filtro, corrente de entrada e corrente no indutor durante a inversão da referência de corrente no indutor de positiva para negativa. Da mesma forma,nas Figs. 29, 30 e 31, respectivamente, a inversão da referência de corrente no indutor de negativa para positiva.

Vc

115 110 105 100 95 90 0.245 0.25 0.255 0.26 0.265
115
110
105
100
95
90
0.245
0.25
0.255
0.26
0.265

Time (s)

Fig. 26 - Forma de onda da tensão de saída do filtro durante a transição da corrente no indutor de positiva -> negativa.

 

i1

 

5

5

0

-5

0.245

0.25

0.255

0.26

0.265

 

Time (s)

 

positiva ->

Fig. 27 - Forma de onda da corrente na entrada durante a transição da corrente no indutor de negativa.

 

iL

Iref

15

15

10

5

0

-5

-10

-15

 

0.25

0.255

0.26

0.265

Time (s)

positiva ->

Fig. 28 - Forma de onda da corrente no indutor durante a transição da corrente no indutor de negativa.

 

Vc

 

115

115

110

105

100

95

90

85

80

0.295

0.3

0.305

0.31

0.315

 

Time (s)

 

de negativa ->

Fig. 29 - Forma de onda da tensão na saída do filtro durante a transição da corrente no indutor positiva.

 

i1

5

5