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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL - Prof. Fabio marques Este material foi

EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS

LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL

- Prof. Fabio marques

ESPECIAIS LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL - Prof. Fabio marques Este material foi elaborado com base em anotações

Este material foi elaborado com base em anotações de aula de cursinhos preparatórios das carreiras jurídicas policiais, bem como pesquisa em doutrinas, jurisprudência e questões de concursos. Todas as referências são mencionadas na bibliografia.

ESTATUTO DO DESARMAMENTO (Lei 10.826/03)

A primeira Lei a tratar especificamente de armas no Brasil foi a 9.437/97 (Lei de Arma de Fogo). Antes

dela, as condutas eram tidas como contravenções penais, regulamentadas pelos art. 18 e 19 da LCP.

Com a entrada em vigor da Lei de Arma de Fogo, passou-se a ter condutas criminosas (porte, posse, disparo e venda ilegal), todas tipificadas no art. 10, com as mesmas penas. A doutrina entende que disciplinar várias condutas / comportamentos com a mesma sanção viola os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e individualização da pena.

O Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03) atendeu ao princípio da individualização da pena e da

proporcionalidade. Foi mantido o SINARM (cadastro único de armas), cuja administração é realizada pela Polícia Federal.

O controle de armas no Brasil é competência da União. Em regra, os crimes do Estatuto são de

competência estadual (justiça estadual), pois violam a segurança pública (bem da coletividade e não bem

da União). Perceba que o fato de haver um controle nacional dos registros e portes de armas pelo SINARM, submetido ao Ministério da Justiça, não arrasta a competência para a justiça federal. Contudo,

há hipóteses que competirá à justiça federal. Ex.: (1) contrabando de armas; (2) conexão com crimes de

alçada federal.

Mesmo no caso de armas com numeração raspadas (esconder a numeração), por si só, não fixa a

competência para a justiça federal. Note que se trata de um crime vago (contra a coletividade). Lembre-

se que o porte ilegal de arma de fogo é crime de perigo abstrato (STF).

Há dois Decretos importantíssimos sobre armas: 3.665/00 (REGULAMENTO PARA A FISCALIZAÇÃO DE PRODUTOS CONTROLADOS) e 5.123/04 (REGULAMENTA A LEI 10.826/03). Além disso, existe também o R-105 (Regulamento do Exército que trata do conceito e tipos de armas). Por essa razão, o Estatuto trabalha com a chamada normas penais em branco.

Obs. 1: O Estado-membro não tem competência para legislar sobre uso de armas de fogo apreendidas. Ex.: é inconstitucional lei estadual que estabelece que as armas de fogo apreendidas serão utilizadas pelas polícias civil e militar (STF). Obs. 2: Configura crime de contrabando (art. 334-A do CP) a importação de colete à prova de balas sem prévia autorização do Comando do Exército [Inf. 577, STJ] Obs. 3: O Decreto 8.938/16 – trata da doação de armas apreendidas aos órgãos de segurança pública e às Forças Armadas: carabina, espingarda, fuzil e metralhadora (não inclui armas curtas). Obs. 4: O Decreto 8.935/16 – alterou o prazo de validade dos registros de três para cinco anos (a renovação da capacidade técnica passa a ser de duas renovações = 10 anos). Obs. 5: O conceito de arma de fogo e munição está no R-105.

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques De acordo com as normas que

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques De acordo com as normas que tratam

De acordo com as normas que tratam de armas no Brasil, há dois sistemas que permitem o respectivo registro:

(1) SINARM - Sistema Nacional de Armas (Polícia Federal) (2) SIGMA - Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Forças Armadas e Polícias Militares)

O Banco de dados, tanto do SINARM quanto do SIGMA, deverá registrar um histórico completo do “nascimento, vida e morte” da arma de fogo, identificando as características de toda arma de fogo produzida, importada e vendida em território brasileiro, bem como os dados de seu proprietário.

Veja os dispositivos pertinentes ao sistema trazido pelo Decreto 5.123/04:

Art. 1º - O Sistema Nacional de Armas [

]

§ 1o Serão cadastradas no SINARM:

I - as armas de fogo institucionais, constantes de registros próprios:

a) da Polícia Federal;

b) da Polícia Rodoviária Federal;

c) das Polícias Civis;

d) dos órgãos policiais da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, referidos nos arts. 51, inciso IV, e 52, inciso

XIII da Constituição;

e) dos integrantes do quadro efetivo dos agentes e guardas prisionais, dos integrantes das escoltas de presos e

das Guardas Portuárias;

f) das Guardas Municipais; e

g) dos órgãos públicos não mencionados nas alíneas anteriores, cujos servidores tenham autorização legal para

portar arma de fogo em serviço, em razão das atividades que desempenhem, nos termos do caput do art. 6o da

Lei no 10.826, de 2003 [as armas de fogo de uso restrito serão registradas no SINARM]

§ 2o Serão registradas na Polícia Federal e cadastradas no SINARM:

I - as armas de fogo adquiridas pelo cidadão com atendimento aos requisitos do art. 4º da Lei nº 10.826, de 2003; II - as armas de fogo das empresas de segurança privada e de transporte de valores; e III - as armas de fogo de uso permitido dos integrantes dos órgãos, instituições e corporações mencionados no inciso II do art. 6º da Lei no 10.826, de 2003 [integrantes da segurança pública, para uso particular].

Art. 2º - O SIGMA [

]

§ 1o Serão cadastradas no SIGMA:

I - as armas de fogo institucionais, de porte e portáteis, constantes de registros próprios:

a) das Forças Armadas;

b) das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares;

c) da Agência Brasileira de Inteligência; e

d) do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República;

Nessa perspectiva, para registrar uma arma de fogo no Brasil é preciso possuir os seguintes requisitos (art. 4º da Lei):

Comprovação de idoneidade;

Ocupação lícita;

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques  Residência certa;  Capacidade técnica;

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques  Residência certa;  Capacidade técnica; 

Residência certa;

Capacidade técnica;

Aptidão psicológica;

Idade mínima – 25 anos [integrantes das forças armadas ou auxiliares excepcionam essa regra];

Declaração de efetiva necessidade;

Cópia autenticada do RG.

Condutas criminosas

A partir desse ponto serão estudados os tipos penais trazidos pelo Estatuto.

Posse ilegal de arma de fogo

Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de sua residência ou dependência desta, ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou empresa:

Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

Posse de arma de fogo de uso permitido. Tutela-se a incolumidade pública. Para Fernando Capez, poderá ser cometido por qualquer pessoa. Há quem entenda tratar-se de crime próprio (proprietário da residência ou do estabelecimento comercial). Veja que a conduta não é de menor potencial ofensivo, mas comporta suspensão condicional do processo.

Sujeito passivo – a coletividade (o crime é vago). Para Celso Delmanto, o sujeito passivo é o Estado.

Objeto material do crime: (1) arma de fogo; (2) acessórios da arma (objetos que acoplados melhoram o desempenho da arma). Não são acessórios: coldre, carregador reserva, cabo, cano, partes desmontadas, munições, entre outros. A posse lícita da arma ou acessórios será fato atípico.

Elemento espacial do crime: interior da residência do infrator ou do local de trabalho, desde que seja o responsável legal pelo estabelecimento, ainda que esteja na cintura.

POSSE

PORTE

Interior ou dependências da residência do infrator ou local de trabalho que ele seja o responsável legal (abrange o quintal)

Em qualquer lugar que não seja o da posse.

Ex.: um lojista tem uma arma de fogo na loja e seu funcionário também. Ambas as armas estão guardadas. Contudo, o lojista cometerá posse e o empregado porte.

Atenção! Arma em caminhão não configura posse, mas porte ilegal, uma vez que não poderá ser entendido como local de trabalho (STJ), salvo quando configurar casa. Nesse caso, o caminhão, o taxi, o uber são instrumentos de trabalho. Esse mesmo raciocínio se aplica às embarcações. Existe um precedente do STF em sentido contrário: o indivíduo dormia na boleia do caminhão em um posto de gasolina, sendo o caso alcançado pelo conceito de casa.

Imagine a seguinte situação: Policiais se deparam com um veículo conduzido por seu proprietário com vários passageiros. Na abordagem veicular é encontrada uma arma de fogo. Contudo, nenhum dos

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques passageiros, tampouco o motorista, assumem a

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques passageiros, tampouco o motorista, assumem a autoria

passageiros, tampouco o motorista, assumem a autoria da conduta, ou seja, do porte da arma em questão. Quem será o responsável? O caso incide no verbo “transportar ”, do art. 14, sendo o motorista responsabilizado pela conduta.

POSSE LEGAL

POSSE ILEGAL

Arma com registro expedido pela PF (fato atípico)

Arma sem registro expedido pela PF.

Para a arma de brinquedo (simulacro), aplica-se a abolitio criminis.

Arma enterrada no quintal de casa: O STJ entendeu se tratar de porte na modalidade ocultação de arma.

O elemento subjetivo é o dolo. Consuma-se no momento em que o infrator ingressa ilegalmente na posse

da arma. É crime de mera conduta, de perigo abstrato (STF e STJ) e permanente. A doutrina não admite

tentativa por ser crime permanente.

Exame pericial da arma: STF - para reconhecimento do crime de porte ou posse é necessária a comprovação de aptidão para causar dano. Para o STJ, isso não é necessário, já que a falta de exame poderá ser suprida por outros meios de prova. Assim, o exame pericial é dispensável.

O conceito de casa, para fins de aplicação da posse, abrange residência primária ou secundária. Ex.: casa

de praia. Entretanto, motéis e hotéis, em regra, não configuram casa, salvo quando o indivíduo residir nesses locais.

Omissão de cautela

Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade:

Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa.

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o fato.

Art. 13 - Omissão de cautela: Há 2 (dois) crimes nesse artigo (um no caput e outro no parágrafo único). Não depende da relação de parentesco (só tutela o menor e o doente mental, não abrangendo o deficiente físico). Não importa a incidência da maioridade civil (basta ser menor de 18 anos).

Trata-se da quebra do dever de cuidado objetivo (crime omissivo culposo). Assim, não se admite tentativa. Perceba que o mero apoderamento da arma pela omissão consuma o delito, não necessitando do resultado lesão ou morte. Se uma arma de fogo é esquecida sobre a mesa, mas inexiste menor ou deficiente que possa alcançá-la, será conduta atípica, uma vez que o crime é omissivo condicionado (Guilherme de Souza Nucci).

Questão:
Questão:

Qual é a natureza jurídica desse delito? R. 1ª corrente: Crime material caracterizado pelo

apoderamento (Fernando Capez); 2ª corrente: crime formal, pois o resultado naturalístico é a lesão ou morte da vítima, o que não precisa ocorrer para o crime estar consumado; 3ª corrente: crime de mera

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques conduta (Guilherme de Souza Nucci). Prevalece

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques conduta (Guilherme de Souza Nucci). Prevalece que

conduta (Guilherme de Souza Nucci).

Prevalece que o crime se consuma com o apoderamento pelo

incapaz, não bastando a negligência do autor.

 

Objeto jurídico imediato: incolumidade pública Objeto jurídico mediato: integridade física do menor e do deficiente (dupla objetividade jurídica).

Sujeito ativo: somente o proprietário ou o possuidor da arma. Trata-se de crime próprio. Sujeito passivo: primário – coletividade; secundário – menor ou o deficiente mental (não inclui dependentes químicos ou pessoas sob o efeito de drogas).

Para o caput, omitir cautela em relação a acessórios ou munição será fato atípico (o tipo penal só menciona a arma de fogo de uso permitido ou proibido). Agora, no parágrafo único, os acessórios também constituem fato típico.

Questão:
Questão:

É possível aplicar concurso de crimes nessa omissão? R. Se a posse da arma for ilegal e cair em

mãos de um menor, por exemplo, ocorrerá concurso de delitos, devendo o agente responder tanto pela posse ilegal quanto pela omissão de cautela.

Parágrafo único: crime autônomo. Somente para empresas de segurança e transporte de valores.

Por agentes, entende-se o proprietário ou diretor responsável. Os sujeitos passivos são a coletividade e

o Estado (a falta de comunicação prejudica o controle estatal de armas).

Tipo penal: deixar de registrar BO e comunicar à Polícia Federal, quando extraviada arma de fogo. Para a maioria da doutrina basta uma das condutas (dupla comunicação – se faltar uma, haverá o crime). Celso Delmanto, por outro lado, assevera que o registro do BO desnatura o crime. Todavia, para Guilherme de Souza Nucci, o BO, nesse caso, deverá ser registrado na PF, dispensando-se a comunicação.

O objeto é arma de fogo de uso permitido ou restrito, acessório e munição. Deve haver dolo (deixar de

comunicar dolosamente). Consuma-se após as 24h de ocorrido o fato (crime a prazo). Para a doutrina, o prazo deve-se iniciar após a ciência do fato. Por se tratar de crime de mera conduta, não se admite tentativa. Note que também é hipótese de crime omissivo puro ou próprio.

Obs. 1: esse crime e a posse irregular são os únicos do Estatuto em que a pena é de detenção, os demais delitos preveem reclusão. Obs. 2: caso a pessoa entregue a arma à criança ou adolescente, será hipótese tipificada no art. 16 do Estatuto, que revogou, nesse ponto, o ECA.

Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido

Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável [parágrafo declarado inconstitucional], salvo quando a arma de fogo estiver registrada em nome do agente [Vide Adin 3.112-1]

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques Art. 14 – Porte ilegal de

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques Art. 14 – Porte ilegal de arma.

Art. 14 – Porte ilegal de arma. São 13 (treze) condutas (tipo misto alternativo: portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda

e ocultar). Somente será punida a forma dolosa.

É possível a tentativa na modalidade adquirir.

Trata-se de crime vago (não há vítima determinada). Porte de mais de uma arma ilegal ou posse de várias armas configurará crime único. A diferença está na dosimetria da pena. Entretanto, o STJ, em recente julgado, entendeu que se uma das armas for permitida, haverá concurso formal de crimes (porte ilegal de arma proibida com porte ilegal de arma permitida). Agora, se as armas forem da mesma espécie, será crime único. Lembre-se que para o STJ a arma não precisa ser periciada.

Questão:
Questão:

Quem pode portar arma no Brasil? R. Os integrantes das Forças Armadas; das Forças Auxiliares

previstas no art. 144, CF/88; Guardas Municipais em cidades com mais de 500 mil habitantes(de 50 a 500 mil habitantes, somente em serviço); Agentes da ABIN e Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (devem provar capacidade técnica e aptidão psicológica); integrantes da Polícia do Senado ou da Câmara dos Deputados (devem provar capacidade técnica e aptidão psicológica); Guardas Prisionais ou Agentes de Escolta (devem provar capacidade técnica e aptidão psicológica); Guardas Portuários; Empresas de Segurança Privada; Entidades de Desporto (somente durante a competição); Auditores-Fiscais e Analistas da Receita Federal (devem provar capacidade técnica e aptidão psicológica); Tribunais do Poder Judiciário e Ministério Público;

Obs. 1: aos residentes em áreas rurais, maiores de 25 (vinte e cinco) anos que comprovem depender do emprego de arma de fogo para prover sua subsistência alimentar familiar será concedido pela Polícia Federal o porte de arma de fogo, na categoria caçador para subsistência, de uma arma de uso permitido, de tiro simples, com 1 (um) ou 2 (dois) canos, de alma lisa e de calibre igual ou inferior a 16 (dezesseis), desde que o interessado comprove a efetiva necessidade em requerimento. Obs. 2: existe uma Portaria do COLOG permitindo que o atirador carregue uma arma municiada para proteção de seu arsenal a ser transportado. Todavia, o STJ possui um precedente defendendo configurar porte ilegal de armas [Inf. 540, STJ].

A arma desmuniciada configura o delito? R. Para o STF e STJ, sim (isso já está pacificado). Haviadefendendo configurar porte ilegal de armas [Inf. 540, STJ]. entendimento da 2ª turma que se não

entendimento da 2ª turma que se não houvesse pronto municiamento, não incidiria em conduta criminosa. Há uma tese defendendo que a munição, por si só, não possui lesividade (Ministro César Peluso). Todavia, tanto para o STJ quanto para o STF, transportar uma única munição será crime de perigo abstrato, possuindo previsão legal no artigo 14. Ver inf. 844, STF.

Obs. 1: de acordo com Guilherme de Souza Nucci, arma desmontada dentro do porta-malas, em uma caixa devidamente lacrada, não configura o crime de porte. Obs. 2: perceba que a fabricação, venda, comercialização e importação de armas de brinquedo é, em regra, proibida, desde que possam ser confundidas com armas de verdade.

Questão:
Questão:

E o caso de arma quebrada? R. Depende: se for uma arma absolutamente ineficaz para

disparar, será crime impossível [absoluta ineficácia do meio]. Agora, se for uma arma relativamente inapta para o disparo, haverá crime. Para a corrente majoritária, dispensa-se o laudo pericial [Inf. 544, STJ].

Questão:
Questão:

O Ministério Público deve provar que a arma utilizada estava em perfeitas condições de uso?

R. NÃO. Cabe ao réu, se assim for do seu interesse, demonstrar que a arma é desprovida de potencial

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques lesivo, como na hipótese de utilização

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques lesivo, como na hipótese de utilização de

lesivo, como na hipótese de utilização de arma de brinquedo, arma defeituosa ou arma incapaz de produzir lesão (STJ EREsp 961.863/RS).

Concurso de crimes: Porte ilegal e homicídio – 1ª corrente: concurso material de crimes, pois tutelam bens jurídicos diferentes; 2ª corrente: se o porte foi cometido com o único objetivo de praticar o homicídio, aplica-se o princípio da consunção, pois a arma foi apenas o meio necessário para a execução. No entanto, se o indivíduo ordinariamente porta a arma de forma ilegal (independente e autônoma) e eventualmente a utiliza para o homicídio, haverá concurso material (STJ). Guilherme de Souza Nucci lembra que em caso de legítima defesa não haverá crime de porte ilegal de armas.

Obs. 1: armas de pressão: não se aplica o estatuto, mas o Dec. 3.665/00. Ver PORTARIA N º 02-COLOG, DE 26 DE FEVEREIRO DE 2010, que regulamenta o art. 26 da Lei nº 10.826/03 e o art. 50, IV, do Decreto nº 5.123/04, que tratam sobre réplicas e simulacros de arma de fogo e armas de pressão. Obs. 2: agente que carrega arma de fogo pensando ser arma de brinquedo comete erro de tipo. Obs. 3: a condição de policial militar reformado [ou policial civil aposentado] não autoriza o agente a portar arma de fogo, já que não está mais no exercício da atividade [Inf. 554, STJ]. Obs. 4: porte de arma de fogo por vigia após o horário de expediente não configura coação moral irresistível. Nessa direção, se o empregado for flagrado no percurso do trabalho para casa, portando arma de fogo, responderá pelo crime do art. 14 [Inf. 581, STJ]. Obs. 5: armas de fabricação caseira. Dependerá do poder de fogo e calibre da arma para enquadramento no porte ou posse de arma de uso permitido ou restrito. Note que esse tipo de arma não admite regularização, logo, em regra, configura porte ilegal de arma de fogo.

Armas obsoletas admitem porte ou posse? R. O Decreto 3665/00, em seu art. 3º, XXI, afirmalogo, em regra, configura porte ilegal de arma de fogo. que arma obsoleta é aquela que

que arma obsoleta é aquela que não se presta mais ao uso normal, já que suas munições não são mais fabricadas ou a própria arma é muito antiga, devendo ser considerada verdadeira relíquia. Para que configure crime seu porte ou posse, imprescindível a realização de perícia para verificar a capacidade de efetuar disparos. Logo, se houver risco à integridade de alguém, será indispensável o respectivo registro, podendo configurar crime de posse ou porte ilegais.

O agente que porta arma branca comete crime de porte ilegal? R. Há uma polêmica sobre opodendo configurar crime de posse ou porte ilegais. tema. Existe previsão no Decreto 3.665/00 para espada

tema. Existe previsão no Decreto 3.665/00 para espada e espadim (controle do Exército). Todavia, os tribunais estão aplicando a regra do art. 19 da Lei de Contravenções Penais, dependendo do caso concreto. Ver HC 255.192/MG – STJ.

Art. 19. Trazer consigo arma fora de casa ou de dependência desta, sem licença da autoridade:

Pena – prisão simples, de quinze dias a seis meses, ou multa, de duzentos mil réis a três contos de réis, ou ambas cumulativamente.

§ 1º A pena é aumentada de um terço até metade, se o agente já foi condenado, em sentença irrecorrível, por violência contra pessoa.

§ 2º Incorre na pena de prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de duzentos mil réis a um conto de réis, quem, possuindo arma ou munição:

a) deixa de fazer comunicação ou entrega à autoridade, quando a lei o determina;

b) permite que alienado menor de 18 anos ou pessoa inexperiente no manejo de arma a tenha consigo;

c) omite as cautelas necessárias para impedir que dela se apodere facilmente alienado, menor de 18 anos ou

pessoa inexperiente em manejá-la.

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques Spray de Pimenta : o uso

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques Spray de Pimenta : o uso restrito

Spray de Pimenta: o uso restrito é vaticinado pelo art. 3º, LXXXI, do Decreto 3665/00:

A designação "de uso restrito" é dada aos produtos controlados pelo Exército que só podem ser utilizados pelas

Forças Armadas ou, autorizadas pelo Exército, algumas Instituições de Segurança, pessoas jurídicas habilitadas e

pessoas físicas habilitadas.

No art. 16, do citado Decreto, ainda é possível destacar que sobre o suplemento do uso restrito, como:

] [

armas e dispositivos que lancem agentes de guerra química ou gás agressivo e suas munições [

]

Anote-se, também, que o Exército entende que a atribuição para fiscalizar o porte ilegal cabe às polícias judiciárias.

A configuração penal em razão dos tipos existentes sobre o uso de spray de pimenta pode ser aplicada, em tese,

com uso das seguintes classificações penais:

Art. 19, do Decreto 3688/41 - LCP - Contravenção Penal Art. 252 do Código Penal (Uso de gás tóxico ou asfixiante) Art. 334-A do Código Penal (Contrabando) Importar ou exportar mercadoria proibida.

Caso um índio seja preso em flagrante portando arma de fogo, a quem competirá julgá-lo? R.(Contrabando) Importar ou exportar mercadoria proibida. Depende: se for praticando caça, competirá à justiça

Depende: se for praticando caça, competirá à justiça federal. Agora, caso seja em via pública, competirá à justiça estadual. Conferir súmula 140 do STJ.

Obs.: a Lei nº 12.993/2014 alterou o Estatuto do Desarmamento para permitir que agentes e guardas prisionais tenham porte de arma de fogo mesmo fora de serviço. Requisitos: (1) precisam ser efetivos (não pode ser funcionário terceirizado); (2) dedicação exclusiva (não poderão exercer outra profissão); (3) é obrigatória a formação funcional; (4) deverão estar subordinados a mecanismos de fiscalização e de controle interno (corregedorias). Perceba que a arma poderá ser particular ou da corporação.

Os Guardas Portuários gozam de porte de arma de fogo para uso fora do serviço? R. NÃO. Osque a arma poderá ser particular ou da corporação. Guardas Portuários possuem porte de arma de

Guardas Portuários possuem porte de arma de fogo, conforme art. 6º, VII, do Estatuto do Desarmamento. No entanto, não estão autorizados a portar a arma fora do serviço. A Lei nº 12.993/2014 previa essa possibilidade, que foi vetada pela Presidência da República sob o argumento de que não havia dados concretos que comprovassem a necessidade de sua autorização e que isso poderia resultar em aumento desnecessário de armas em circulação.

Porte para agentes policiais aposentados:

Dec. 5.123/04 Art. 37. Os integrantes das Forças Armadas e os servidores dos órgãos, instituições e corporações

mencionados nos incisos II, V, VI e VII do caput do art. 6º da Lei nº 10.826, de 2003, transferidos para a reserva remunerada ou aposentados, para conservarem a autorização de porte de arma de fogo de sua propriedade deverão submeter-se, a cada três anos [mudou para 5 anos], aos testes de avaliação da aptidão psicológica a que faz menção o inciso III do caput art. 4º da Lei nº 10.826, de 2003.

§ 1º O cumprimento destes requisitos será atestado pelas instituições, órgãos e corporações de vinculação. § 2º Não se aplicam aos integrantes da reserva não remunerada das Forças Armadas e Auxiliares, as prerrogativas mencionadas no caput. [esse dispositivo não foi analisado pelo STJ. Assim, a arma de sua propriedade poderá permitir o porte.]

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques Suspensão do porte : não comunicação

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques Suspensão do porte : não comunicação de

Suspensão do porte: não comunicação de mudança de domicílio ou extravio de arma. Cassação do porte: estado de embriaguez, locais públicos ou portar a arma de forma ostensiva.

Colecionadores, atiradores, caçadores e representantes estrangeiros em competição, terão porte autorizados pelo comando do exército.

Disparo de Arma de Fogo

Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável [declarado inconstitucional]. Vide ADI 3.112-1.

Art. 15 - Disparo de arma de fogo. Pune-se duas condutas: disparar arma ou acionar munição sem disparo. Note que o local do disparo deverá ser habitado ou próximo (via pública ou em direção a ela). Se o agente possuir porte e efetuar disparo em lugar ermo, será fato atípico.

O disparo somente será crime se não tiver a finalidade de praticar outro crime, mais ou menos grave.

Para a doutrina, somente não será aplicado se o outro crime for mais grave (o mais grave absorverá o

disparo e não o contrário). Ocorrerá o crime sempre que a arma for acionada, ainda que não haja o disparo (falha da munição).

A quantidade de disparos na mesma ocasião fática configura crime único. A diferença se faz na dosimetria da pena. Em tese, é possível a tentativa: o agente é desarmado quando ia disparar ou acionar a munição. Lembre-se que se trata de crime de perigo abstrato. Assim, disparo em rua habitada de madrugada configurará o delito.

Questão:
Questão:

É possível o concurso entre o porte ilegal e o disparo? R. Depende: se for porte ilegal de arma

permitida, haverá um único crime, pois possuem a mesma pena e tutelam o mesmo bem jurídico. Agora,

se for porte de arma proibida, este prevalecerá sobre o disparo.

Obs.: se a intenção do agente era ferir, ainda que levemente, a vítima, o delito de lesão prevalece sobre o de perigo, embora este tenha pena abstrata mais grave que o outro.

Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito

Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:

I – suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo ou artefato; II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito ou juiz [não menciona o promotor de justiça];

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques III – possuir, detiver, fabricar ou

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques III – possuir, detiver, fabricar ou empregar

III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo

com determinação legal ou regulamentar;

IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou qualquer outro sinal

de identificação raspado, suprimido ou adulterado;

V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou explosivo a

criança ou adolescente; e

VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de qualquer forma, munição ou explosivo.

Art. 16 – Duas condutas em um tipo: posse ou porte [em casa, trabalho ou qualquer lugar] de arma de uso proibido / restrito (Dec. 3.665/00). Ex.: caneta revólver. O parágrafo único poderá ser aplicado para armas proibidas ou não. Ex.: raspar a marca “Taurus/Rossi” da arma. Note que modificar as características da arma para induzir em erro o juiz, perito ou autoridade policial não configura o art. 347 do CP (fraude processual), em razão do princípio da especialidade. Agora, se a intenção for induzir em erro o Ministério Público, será fato atípico, pois nem o estatuto e nem o CP possuem essa previsão.

Uso proibido: o porte não poderá ser concedido a ninguém (Ex.: canhão). Uso restrito: o porte é limitado a determinadas pessoas/instituições (9 mm ou PT 40).

Cuidado! O parágrafo único do art. 16 é um tipo penal autônomo , pois pune

Cuidado! O parágrafo único do art. 16 é um tipo penal autônomo, pois pune o porte ou posse de arma, acessório

autônomo , pois pune o porte ou posse de arma, acessório ou munição de uso proibido

ou munição de uso proibido ou restrito e também as de uso permitido (STJ e doutrina majoritária).

de arma, acessório ou munição de uso proibido ou restrito e também as de uso permitido
de arma, acessório ou munição de uso proibido ou restrito e também as de uso permitido
de arma, acessório ou munição de uso proibido ou restrito e também as de uso permitido
de arma, acessório ou munição de uso proibido ou restrito e também as de uso permitido

Obs.: conselheiro do Tribunal de Contas que possui sob sua guarda munição de uso restrito não comete o crime previsto no art. 16 da Lei de Armas [Inf. 572, STJ].

O inciso I pune quem faz a supressão ou alteração da arma. Quem portar, fornecer, transportar arma

adulterada também responderá pelo delito.

O inciso II pune a posse ou porte de artefato explosivo (granada, bomba, entre outros).

Para a doutrina:

Art. 16 parágrafo único, inciso V

 

Art. 242 do ECA

vender

bomba

/

explosivo

para

criança

ou

vender fogos de artifício ao menor será crime do ECA

adolescente

 

Entregar/vender arma de fogo à criança

 

Entregar/vender arma branca (soco inglês)

Obs.: caso o indivíduo seja flagrado com duas armas, sendo uma de uso permitido e outra de uso proibido/restrito, responderá por concurso formal, não sendo hipótese de crime único.

Comércio ilegal de arma de fogo

Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques Parágrafo único. Equipara-se à atividade comercial ou

Parágrafo único. Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito deste artigo, qualquer forma de prestação de serviços, fabricação ou comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em residência.

Art. 17 – Comércio ilegal de armas de fogo (comerciante ou industrial legal ou ilegal). Comercializar um 38 ou uma metralhadora, configurará o mesmo crime. O peso estará na dosimetria da pena. Admite-se tentativa, salvo nas modalidades que constituam crime permanente.

Note que não se trata de crime habitual, bastando a venda de uma arma. A venda entre particulares (não comerciante de armas) incide na prática das condutas do art. 14 ou 16, pois o tipo do art. 17 é próprio (fim comercial). De acordo com Guilherme de Souza Nucci, para configurar o crime, a atividade de comércio deve ser habitual.

Caso a arma/acessório/munição seja de uso restrito/proibido, aumenta-se a pena da metade.

Obs.: a previsão do parágrafo único do art. 17 repete técnica aplicada no art. 180 do CP (receptação), caso dos desmanches de veículos.

Tráfico internacional de arma de fogo

Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território nacional, a qualquer título, de arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização da autoridade competente:

Pena – reclusão de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

Art. 18 Tráfico internacional de arma de fogo (antes era contrabando de armas). É crime comum praticado por qualquer pessoa. A autoridade competente para autorizar será o Comando do Exército. As condutas são: exportar ou importar (crimes materiais especiais). Facilitar entrada ou saída (crime formal, não precisando da entrada ou saída efetiva, não é aplicado o art. 318 do CP). Admite-se a tentativa.

Obs.: em confronto com a Lei de Segurança Nacional (Lei 7.170/83), esta deverá prevalecer.

O elemento subjetivo é o dolo. O objeto material é apenas arma de fogo de uso permitido ou não, acessório ou munição. Para a maioria, não se aplica o princípio da insignificância ao tráfico internacional de munições (STJ). Lembre-se que a competência será da justiça federal. Contudo, a 6ª turma do STJ decidiu de forma inédita pela aplicação do princípio da insignificância ao porte de munições. Perceba que esse crime prevalecerá sobre o de contrabando. Caso um policial federal facilite a entrada, responderá por esse crime e não por facilitação de contrabando (art. 318, CP).

Questão:
Questão:

A importação de arma de ar comprimido configura qual crime? É possível aplicar o princípio da

insignificância? R. 1ª corrente: DESCAMINHO. É a posição da 5ª Turma do STJ. É possível aplicar o princípio da insignificância, desde que o valor dos tributos seja inferior a 10 mil reais; 2ª corrente:

CONTRABANDO. É o entendimento da 6ª Turma do STJ. Logo, não é possível aplicar o princípio da insignificância, já que este postulado é incabível para contrabando [Inf. 551, STJ].

EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques Obs. 2: traficar um revólver ou

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques Obs. 2: traficar um revólver ou uma

Obs. 2: traficar um revólver ou uma metralhadora, incidirá na mesma pena. A diferença está na dosimetria, já que há caso de aumento de metade se a arma/acessório/munição seja de uso restrito/proibido. Vale lembrar que todos os crimes do estatuto permitem fiança e liberdade provisória, inclusive para o tráfico internacional.

Aumento de pena

Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada da metade se a arma de fogo, acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito.

O art. 20 também estabelece aumento de pena em metade quando alguns crimes do Estatuto forem cometidos por empresas que desenvolvem atividades de segurança privada ou transporte de valores. Os crimes são: a) Porte Ilegal de Arma de Fogo; b) Disparo de Arma de Fogo; c) Posse ou Porte Ilegal de Arma de Fogo de Uso Restrito; d) Comércio Ilegal de Arma de Fogo; e e) Tráfico Internacional de Arma de Fogo.

Questão:
Questão:

Pode uma Medida Provisória ampliar os prazos previstos na legislação federal (prazo penal)?

1ª corrente: sim, pois será hipótese de novatio in mellius, não violando o princípio da reserva legal. Não estará se criando penas (Fernando Capez, Flávio Monteiro de Barros e André Luiz Callegari 1 ); 2ª corrente:

não, pois Medida Provisória não poderá versar sobre matéria penal, mesmo em favor do acusado, por expressa vedação constitucional (Damásio Evangelista de Jesus e Bruno Correa Gangoni).

Para Flávio Monteiro de Barros e Luís Flávio Gomes, o período de anistia (art. 30 e 32), elidiu a tipicidade, devendo retroagir para os processos em curso. Lembre-se que a posse ilegal somente passou a configurar crime a partir de 01/01/10. Assim, até Dez de 2009, o registro estadual tinha validade. Para o STF, esse período de prorrogação constitui abolitio criminis temporária (vacatio legis indireta). Não retroage, pois as normas de prorrogação são irretroativas. Para a 6ª turma do STJ, a abolitio criminis temporária se aplica para armas proibidas [até 23/10/2005] ou permitidas [até 31/12/09]. Após essa data, não existe mais prazo para regularização.

Cuidado! Essa abolitio não se aplica aos crimes de porte, somente para a posse, tanto de arma de fogo permitido ou proibido. A numeração raspada não permite a aplicação da abolitio criminis temporária (STF). Para o STJ, poderá ser aplicada.

Veja os artigos que tratam da abolitio criminis temporária:

Art. 30. Os possuidores e proprietários de arma de fogo de uso permitido ainda não registrada deverão solicitar seu registro até o dia 31 de dezembro de 2008, mediante apresentação de documento de identificação pessoal e comprovante de residência fixa, acompanhados de nota fiscal de compra ou comprovação da origem lícita da posse, pelos meios de prova admitidos em direito, ou declaração firmada na qual constem as características da arma e a sua condição de proprietário, ficando este dispensado do pagamento de taxas e do cumprimento das demais exigências constantes dos incisos I a III do caput do art. 4º desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008) (Prorrogação de prazo)

Parágrafo único. Para fins do cumprimento do disposto no caput deste artigo, o proprietário de arma de fogo poderá obter, no Departamento de Polícia Federal, certificado de registro provisório, expedido na forma do § 4º do art. 5º desta Lei.

1 CALLEGARI, André Luís. Lavagem de Dinheiro: Aspectos Penais da Lei n. 9.613/98, 2ª ed., Porto Alegre, Livraria do Advogado, 2008.

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EXTRATO DE LEIS PENAIS ESPECIAIS - Prof. Fabio marques Art. 31. Os possuidores e proprietários de

Art. 31. Os possuidores e proprietários de armas de fogo adquiridas regularmente poderão, a qualquer tempo, entregá-las à Polícia Federal, mediante recibo e indenização, nos termos do regulamento desta Lei.

Art. 32. Os possuidores e proprietários de arma de fogo poderão entregá-la [para destruição], espontaneamente, mediante recibo, e, presumindo-se de boa-fé, serão indenizados, na forma do regulamento, ficando extinta a punibilidade de eventual posse irregular da referida arma. [deverá ser emitida uma guia de trânsito que constará o percurso que a pessoa irá fazer, sendo a arma transportada desmuniciada e acondicionada de maneira que não possa ser feito o seu pronto uso]

Atualmente, não há prazo estipulado para a entrega voluntária de armas. Foi instituído o “Sistema Desarma ”.

Obs. 1: para Guilherme de Souza Nucci, a abolitio criminis temporária é na verdade um direito paralelo ao tipo incriminador, que configura o exercício regular de direito (excludente de ilicitude). Obs. 2: há entendimento de que a abolitio não alcança a posse de armas de uso restrito. Obs. 3: o registro de armas de uso permitido deve ser feito na PF. Já o de armas de uso restrito, no Comando do Exército. Obs. 4: é atípica a conduta daquele que porta, na forma de pingente, munição desacompanhada de arma [Inf. 826, STF] Obs. 5: aquele que possui em sua residência arma com registro vencido não pratica posse ilegal de arma de fogo.

Em síntese:

De 23/12/2003 até 22/06/2005: houve sucessivas autorizações para que as pessoas regularizassem suas armas de fogo; De 23/06/2005 até 30/01/2008: não houve MP ou lei autorizando a regularização; Em 31/01/2008 (MP 417/2008, convertida na Lei n. 11.706/2008): o prazo para regularização foi reaberto.

Note que as medidas provisórias e leis prorrogavam o prazo para regularização das armas, mas no caso da Lei n. 11.706/2008 (MP 417/2008), esta não prorrogou, mas reabriu o prazo.

Sanção administrativa do Estatuto

Por fim, importante registrar que há previsão de sanção administrativa (multa), que varia de R$ 100.000,00 (cem mil reais) a R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), para empresas de transporte aéreo, rodoviário, ferroviário, marítimo, fluvial ou lacustre que deliberadamente, por qualquer meio, faça, promova, facilite ou permita o transporte de arma ou munição sem a devida autorização ou com inobservância das normas de segurança, bem como para empresas que realizarem publicidade para venda, estimulando o uso indiscriminado de armas de fogo, exceto nas publicações especializadas.

Igualmente, a Lei previu responsabilidade aos promotores de eventos (com mais de 1.000 pessoas) que não adotarem as providências necessárias com o fim de evitar o ingresso de pessoas armadas.

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NÃO DEIXE DE LER NA ÍNTEGRA OS ARTIGOS DA LEI. É UMA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA EM CONCURSOS PÚBLICOS.

É UMA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA EM CONCURSOS PÚBLICOS. (66) 99686-6168 fabiomarques2006 fabiomarquesb fabiomarquesb

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Sonhar não custa nada. Transformar esse sonho em realidade tem um preço. (anônimo)

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