Você está na página 1de 1

FORTALEZA, CEARÁ - SEGUNDA-FEIRA, 19 DE OUTUBRO DE 2009

ANO XXVIII

DRAMÁTICO AICONOCLASTIA SÓBRIA DE NEYMATOGROSSO VOLTA EM “BEIJO BANDIDO”. P. 6 D
DRAMÁTICO
AICONOCLASTIA SÓBRIA DE
NEYMATOGROSSO VOLTA
EM “BEIJO BANDIDO”. P. 6
D

CULTURA POP

Avidaantesdomito

“RenatoRusso: oEM “BEIJO BANDIDO”. P. 6 D CULTURA POP Avidaantesdomito filho da revolução”, mais extensa biografia dolíder

filho da revolução”, mais extensa biografia dolíder da Legião Urbana, reconstitui a transformação do adolescente talentoso emídolo dajuventude brasileira nos anos 80. Olivro do jornalista CarlosMarcelo será lançado amanhã, na Livraria Saraiva

DELLANORIOS

Repórter

O s historiadores da religião encontra- ram um padrão na vida dos santos que raramente é que-

brado. Após o momento da ilumi- nação, quando a santidade se descortina (e que costuma coinci- dir com a morte do indivíduo), aqueles que contam sua história passam a encontrar sinais daque-

le milagre em todos os episódios da vida do personagem. É certo que ele nem sempre foi santo, mas sua vida se organizou como uma seta, que sempre apontou naquela direção.

É assim que a vida de Renato

Russo (1960 - 1996) costuma ser contada. E é por isso que a biografia “Renato Russo: o fi- lho da revolução” se constitui com um perfil incomum, de ra- ro valor no conjunto de narrati- vas sobre a vida do cantor, líder da Legião Urbana, e principal guru da juventude dos anos 80 (dividindo o posto apenas com Cazuza). A grandeza do perso- nagem é usada como motor pa- ra a curiosidade do biógrafo. No entanto, apropriadamente, ele se desvia do discurso mistifi- cador. Não quer nem confirmá- lo, nem refutá-lo. É como se escrevesse de uma outra pes-

soa, essa sim, de carne e osso, cheia de talentos e dedicada a sua criação.

O livro, que se concentra nes-

se personagem ainda em forma- ção, do jovem Renato Russo, será lançado em Fortaleza ama- nhã. O autor, o jornalista parai- bano Carlos Marcelo, autografa a obra a partir das 19 horas, na Livraria Saraiva.

NotíciasdaCapital

O paraibano Carlos Marcelo

nasceu em 1970. Bem a tempo para a festa roqueira que foram os anos 80, pelo menos para os adolescentes. Aos 15 anos, che- gou com a família para morar em Brasília. “Bem no ano em que a Legião Urbana lançou seu primeiro disco”, precisa

ele. “Acompanhei de perto o desenvolvimento deles, até quando ficaram famosos e fo- ram morar no Rio. Eu estava no show mais polêmico que eles fizeram (talvez o mais polêmi- co do rock nacional), que inclu- sive uso pra abrir e fechar o livro. Minha aproximação do Renato Russo vem antes mes- mo do meu contato com o jorna- lismo. Eu era fã mesmo, de gos- tar dessa banda e de outras do rock de Brasília, como a Plebe Rude, Capital Inicial; e de ou- tras, como os Titãs e o Ira!”, se apresenta Carlos Marcelo.

A ideia da biografia surgiu

bem depois, em 1999. “Escrevi

BIOGRAFIA
BIOGRAFIA
AGIR 2009 416 PÁGINAS R$ 59,90 Renato Russo: o filho da revolução Carlos Marcelo Lançamento
AGIR
2009
416
PÁGINAS
R$ 59,90
Renato Russo:
o filho da revolução
Carlos Marcelo
Lançamento do livro - amanhã,
às 19h, com seção de
autógrafos, na Livraria Saraiva,
do Shopping Iguatemi (Av.
Washington Soares, 85).
Contato: (85) 3241.0710

uma série de reportagens sobre

a história do rock de Brasília,

que foram publicadas no come- ço de 2000, em três edições da extinta revista Bizz. Descobri que havia toda uma história de Renato que ainda podia ser con- tada. Todo aquele tempo que ele passou na Capital, antes da fama, de ir em definitivo para o Rio. Foram anos intensos, de muita produção e de muito tra- balho. Me interessava contar a história desse jovem Renato

Russo. Ele foi um cara que can- tou para os jovens, com temas que tocavam eles, e que, por isso, ainda hoje têm uma identi- ficação muito grande com a mú- sica da Legião Urbana. Então, era até obvio o interesse por esse aspecto da vida do Rena- to”, explica. Viver na mesma cidade que Renato Russo também contri- buiu para essa identificação, do interesse do biógrafo pelo bio- grafado. “Em Brasília, é possí- vel reconhecer lugares. A at- mosfera da época está impreg- nada em certos lugares. Claro, mudou muito, não é a cidade tediosa que a banda cantava”, conta Carlos Marcelo.

Ocronista

Renato Russo nasceu no Rio de Janeiro, mas passou parte da

infância, toda a adolescência e

o começo de sua vida adulta na

capital federal. Conforme a bio- grafia escrita por Carlos Marce- lo, era um menino dotado de uma inteligência acima da mé- dia. Talento natural que tinha como combustível às boas con-

dições da família de classe mé- dia, que possibilitava o acesso a leituras e bens culturais que terminaram por lhe dar um re- pertório que fez fama entre seus contemporâneos. Ainda no final dos anos 70, Renato Russo já estava ligado no movimento punk inglês (que poucos anos depois incen- diou a mente dos jovens da periferia paulista). Foi daí que surgiu a Aborto Elétrico, banda mítica do rock brasiliense que deu origem à Legião Urbana e ao Capital Inicial. “No processo de pesquisa pa-

ra o livro, encontrei letras inédi- tas dessa época, rascunhos de músicas que o Renato desenvol- veu mais tarde. Suas primeiras composições são decorrentes da estética punk, mas a temáti- ca da música do Aborto Elétrico era brasileira. Não era decalca- da do que ouvia lá fora. Ele

pegou um modelo estrangeiro

e adaptou à realidade brasilei-

pegou um modelo estrangeiro e adaptou à realidade brasilei- A RENATO RUSSO , em vestes punks,
A
A

RENATO RUSSO, em vestes punks, nocomeçodesua carreiramusical,na capital federal. Juventudedolíderda LegiãoUrbana é

esmiuçada emlivrodojornalistaCarlosMarcelo,que traz relatos rarossobreo cantor, além deletras e poemasinéditos

FRASE

“ O livro conta também uma parte da história damúsica de protesto feita no Brasil”
“

O livro conta também uma parte da história damúsica de protesto feita no Brasil”

CarlosMarcelo

Jornalista e biógrafo

ra. Ele retomou um papel da MPB consagrado no anos 60, com Caetano Veloso, Chico Buarque, e que o Ney Matogros- so representou, no início dos anos 70, com o Secos & Molha- dos. Não é só um livro sobre um roqueiro brasileiro, é tam- bém uma parte da história da música de protesto feita no Bra- sil”, define o autor.

Carlos Marcelo se diz impres- sionado com a falta de mais trabalhos sobre a música popu- lar e pop brasileira - algo bem diferente do mercado estrangei- ro, onde abundam biografias de ídolos pop. O livro de Carlos Marcelo faz parte de uma onda recente de livros, que tem por

tema personalidades da MPB, caso de “Vale Tudo” (sobre Tim Maia), de Nelson Motta, e “Maysa”, de Lira Neto. “É engra- çado porque nossa música é até mais rica que o pop anglo-sa- xão, por que é mais variada. Mas há livros interessantes, dois que me foram muito impor-

tantes são: ‘Dias de luta’, de Ricardo Alexandre, sobre o ro- ck brasileiro dos anos 80; e o perfil biográfico do Renato, fei- to pelo Arthur Dapieve. Ele con- ta mais a história do Renato Russo famoso. O meu, a pré-his- tória disso. É como se um livro complementasse o outro. o

do Renato Russo famoso. O meu, a pré-his- tória disso. É como se um livro complementasse

360944963

do Renato Russo famoso. O meu, a pré-his- tória disso. É como se um livro complementasse

Interesses relacionados