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Instituto Brasileiro do Concreto

CAPÍTULO 47

BAMBU

Khosrow Ghavami (1) e Normando Perazzo Barbosa (2)

(1) Professor Titular, PhD, Departamento de Engenharia Civil Pontifícia Universidade Católica do-Rio de Janeiro, Rua Marques de São Vicente, 225, Gávea, 22453-900 Rio de Janeiro - RJ email: ghavami@dec.puc-rio.br

(2) Professor Titular, Doutor, Departamento de Tecnologia da Construção Civil Centro de Tecnologia da Universidade de Federal da Paraíba Cidade Universitária, 58059-900 João Pessoa – PB email: nperazzo@lsr.ct.ufpb.br

1 Introdução

Os materiais industrializados mobilizam vastos recursos financeiros, consomem uma enorme quantidade de energia e requerem um processo centralizado para sua obtenção, resultando em custo elevado para grande parte da população mundial. Dentre as conseqüências há os problemas de desemprego e de crise habitacional em áreas rurais e em pequenas cidades. Somem-se a isso os resíduos dos materiais não renováveis que são inaproveitados, causando permanente poluição. Nesse sentido, torna- se evidente que materiais ecológicos podem satisfazer a algumas exigências fundamentais dos dias de hoje, como minimização do consumo de energia, conservação dos recursos naturais, redução da poluição e manutenção de um ambiente saudável. Assim, são intensas as pesquisas em andamento sobre materiais não poluentes, como fibras vegetais, bambu, terra. Com base nos estudos sobre o seu comportamento e sua utilização, esses materiais vêm se apresentando como alternativos na construção. Por isso, poderiam ser muito mais aproveitados nos locais onde são encontrados em abundância.

O bambu, presente constantemente na paisagem brasileira e em toda zona tropical e parte da zona subtropical da terra, é uma resistente gramínea ainda não devidamente apresentada aos povos ocidentais. Contando com mais de 1200 aplicações no oriente, essa espécie vegetal tem um potencial latente à espera de uso.

Dentre as várias características favoráveis ao seu uso na arquitetura e na engenharia pode-se citar:

- baixa energia de produção se comparada a outros materiais como aço, concreto e madeira, o que pode resultar em baixo custo da construção;

- curto ciclo de crescimento com grande e constante produtividade por bambuzal;

- baixo peso específico, o que reduz o custo de seu manuseio e transporte;

- forma tubular acabada, estruturalmente estável para as mais diversas aplicações construtivas, inclusive como tubos hidráulicos;

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- resistência mecânica compatível com os esforços solicitantes a que estaria submetido o bambu em estruturas adequadamente dimensionadas;

- aproveitamento quase total, e os poucos resíduos gerados com seu emprego são biodegradáveis, reincorporando-se facilmente à natureza;

- possibilidade de se curvar o colmo (caule);

- superfície lisa e coloração atrativa;

- durabilidade dentro das expectativas normais de vida dos materiais convencionais, relativamente às condições ambientais onde é utilizado, seja ao ar livre ou envolvido por outros materiais.

Para o uso do bambu em grande escala como material de engenharia, economicamente viável e com possível industrialização, faz-se necessário um estudo científico sistemático sobre sua propagação, plantação, colheita, cura, tratamento e pós- tratamento, além de uma completa análise estatística das propriedades físicas e mecânicas do colmo do bambu inteiro. A partir desses estudos, será possível criar critérios confiáveis de dimensionamento e fazer-se o emprego de processos industriais, viabilizando economicamente o uso do bambu em grande escala.

No Brasil, os primeiros estudos científicos relativos ao bambu tiveram início em 1979, no Departamento de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), sob a direção do primeiro autor deste capítulo. Desde então, foram desenvolvidos vários programas de investigação do uso do bambu e das fibras naturais (sisal, coco, piaçava e polpa celulósica de bambu) como materiais de baixo impacto ambiental para serem empregados na construção.

Neste capítulo, pretende-se apresentar informações gerais sobre o bambu resultados dos estudos das características biológicas, físicas, mecânicas e da meso e micro-estrutura do bambu, com a finalidade de sua aplicação na obras de engenharia. São mostrados os métodos de ensaios de tração, compressão de elementos curtos, cisalhamento interlaminar e transversal, levando-se em consideração variáveis como espécie, idade, teor de umidade, origem e posição do colmo de onde a amostra foi extraída. Para se ter maior vida útil, precisa-se levar em conta fatores como idade do bambu, tempo do corte, período de cura e secagem, além de tratamentos contra fungos e insetos.

A utilização do bambu é bastante disseminada em todo mundo, principalmente nos países asiáticos. Japoneses, chineses e indianos utilizam essa extraordinária planta há milhares de anos. Em certas regiões, o bambu é considerado uma planta sagrada, tais são os benefícios que ela proporciona. Na América do Sul, a Colômbia destaca-se como o país que mais investe na utilização do bambu em construções. No Brasil, até agora o bambu não recebeu a atenção merecida, pois ainda existe uma ideologia de associar essa planta à pobreza, além de serem pouco divulgadas suas características agronômicas e tecnológicas. O bambu já é utilizado no meio rural como tutor para plantas, demarcação de curvas de nível, cercas, estrados, comedouros, esteiras, cestos, forros, proteção de terrenos, quebra-vento, controle de erosão, carvão, drenagem, condução de água, alimentação, vara de pescar.

Nas Figuras 1 a 4 podem-se ver algumas obras que mostram o grande potencial do material: casa de show construída inteiramente com bambu, incluindo a decoração interna, divisórias e telhas, apresentada em Itanhangá, no Rio de Rio de Janeiro, concluída em 1998 (Figura 1); catedral construída em bambu na Colômbia pelo arquiteto Simon Veles e pelo construtor Marcelo Vilegas (Figura 2); boate Cozumel construída no bairro da Lagoa Rodrigues Freitas, no Rio de janeiro nos anos noventa (Figura 3); pontes

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de pedestre de bambu construídas na Alemanha e na Colômbia (Figura 4). No Brasil, a Associação Brasileira de Materiais e Tecnologias não Convencionais, cujo endereço na internet é http/www.abmtenc.civ.puc-rio.br, vem incentivando a utilização do bambu na arquitetura e na engenharia através da realização de congressos, além da participação em projetos de engenharia e de casas populares, utilizando os dados de pesquisa sobre bambu do grupo de Materiais Não Convencionais da PUC-Rio.

bambu do grupo de Materiais Não Convencionais da PUC-Rio. Figura 1 - Casa de Bambu em
bambu do grupo de Materiais Não Convencionais da PUC-Rio. Figura 1 - Casa de Bambu em

Figura 1 - Casa de Bambu em Itanhangá, no Rio de Janeiro

Figura 1 - Casa de Bambu em Itanhangá, no Rio de Janeiro (a) Vista frontal durante

(a) Vista frontal durante o dia

no Rio de Janeiro (a) Vista frontal durante o dia (b) Interior da Catedral (c) Vista

(b) Interior da Catedral

(a) Vista frontal durante o dia (b) Interior da Catedral (c) Vista frontal durante a noite

(c) Vista frontal durante a noite

Figura 2 - Catedral construída em bambu na Colômbia.

noite Figura 2 - Catedral construída em bambu na Colômbia. a) Em fase de construção b)

a) Em fase de construção

em bambu na Colômbia. a) Em fase de construção b) Aplicação de solo argiloso c) Estrutura

b) Aplicação de solo argiloso

a) Em fase de construção b) Aplicação de solo argiloso c) Estrutura já concluída Figura 3

c) Estrutura já concluída

Figura 3 - Boate Cozumel na Lagoa, no Rio de Janeiro, construída em bambu em anos 90.

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Instituto Brasileiro do Concreto (b) Vista do vão de 53m (a) Ponte de bambu em Pereira,
Instituto Brasileiro do Concreto (b) Vista do vão de 53m (a) Ponte de bambu em Pereira,

(b) Vista do vão de 53m

Instituto Brasileiro do Concreto (b) Vista do vão de 53m (a) Ponte de bambu em Pereira,

(a) Ponte de bambu em Pereira, na Colômbia

(c) Ponte de bambu em Stuttgart-Alemanha

Figura 4 - Pontes de bambu em Pereira, na Colômbia e em Stuttgart, na Alemanha.

2 Os Bambus

Os bambus são gramíneas gigantes, pertencentes à família Poaceae e à subfamília Bambusoide formando parte da ordem Graminales, da classe Monocotyledoneae que é uma divisão das Angiosprmeae. O bambu nativo pode ser encontrado em todos os continentes, à exceção da Europa e da Antártida, desenvolvendo-se em toda a zona tropical da terra e em parte da zona subtropical. De acordo com Lopéz (2003), das mais de 1600 espécies de bambu existentes no mundo, 440 delas são nativas da América, 1000 espécies são da Ásia e Oceania, e uma parcela pequena vem da África.

2.1 Morfologia

Morfologia é a parte da botânica que estuda a estrutura das plantas. A estrutura externa do bambu é formada por:

- rizomas e raízes

- colmos

- galhos

- folhas

- flores e frutos

2.1.1 Rizomas e raízes

O rizoma é o órgão vital na reprodução assexuada do bambu, que armazena e transporta nutrientes. O rizoma pode ser considerado como uma fábrica ecológica subterrânea, de onde a cada ano saem novos colmos que vão se multiplicando. Ele é um caule subterrâneo composto de nó, internó, broto e uma ou mais raízes. Possui três

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padrões de ramificação em geral: o primeiro, chamado simpodial, representa cada eixo sucessivo que se torna dominante e volta a se desenvolver; o segundo, chamado monopodial, consiste num eixo dominante e eixos secundários derivados dele; o terceiro, uma mistura dos outros dois, é conhecido como anfipodial.

O rizoma simpodial é também chamado de determinado, pois um número limitado de outros eixos é produzido a partir de um eixo matriz. Já o monopodial é considerado indeterminado, pois o eixo principal pode se desenvolver indefinidamente e continuar a produzir outros eixos adicionais. Simpodial e monopodial podem descrever o padrão de ramificação de qualquer parte da planta e não somente do sistema de rizomas. De acordo com a morfologia dos rizomas, existem três grandes tipos de bambu: leptomorfo, paquimorfo e metamorfo, que podem ser vistos na Figura 5.

a) Paquimorfo
a) Paquimorfo
metamorfo , que podem ser vistos na Figura 5. a) Paquimorfo b) Leptomorfo c) Metamorfo F

b) Leptomorfo

c) Metamorfo
c) Metamorfo

FIGURA 5 – Classificação do bambus segundo os rizomas.

Paquimorfo é também conhecido como tipo moita, conglomerado, entouceirante, simpodial e determinado. É típico da zona tropical das Américas, Ásia, África e Oceania. O rizoma paquimorfo (Figura 5a) é sólido, de forma curva, curto e grosso. Seus internós são mais largos e com uma espessura máxima em, alguns casos, maior do que a do colmo (Judziewicz, Clark e Lenoño,1999).

Leptomorfo é também conhecido pelo nome monopodial, alastrante ou indeterminado. O rizoma leptomorfo,conforme mostrado na Figura 5b, é longo, de forma cilíndrica, apresenta diâmetro menor do que o do colmo correspondente. A maioria dos brotos é temporária e aqueles que germinam geram colmos simples.

O termo Metamorfo é usado para esse tipo de bambu, porque ele não se adapta nem ao tipo leptomorfo e nem ao paquimorfo, sendo a transformação de um em outro, Figura 5c.

As raízes do bambu normalmente saem dos rizomas e ajudam a fixar a planta no solo, absorvendo água e nutrientes que são transportados para toda planta. As raízes podem até armazenar amido, embora essa função seja, na maioria das vezes, desempenhada pelo rizoma.

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2.1.2 Colmos

Os colmos formam a principal parte aérea da planta. São eles que são usados na Construção. O colmo nasce do ápice do rizoma e tem seu eixo segmentado, constituído de nó e internó. O comprimento dos colmos de bambu varia enormemente com a espécie. Há espécies com colmos de alguns centímetros de altura e outras nas quais eles podem superar os 30 metros. As Figuras 6a, 6b, 6c e 6d representam os estágios de crescimento do colmo da espécie Guadua angustifólia.

de crescimento do colmo da espécie Guadua angustifólia. a. algumas semanas b. 1-2 anos c. 2-3

a. algumas semanas

colmo da espécie Guadua angustifólia. a. algumas semanas b. 1-2 anos c. 2-3 anos d. 3-6

b. 1-2 anos

Guadua angustifólia. a. algumas semanas b. 1-2 anos c. 2-3 anos d. 3-6 anos Figura 6

c. 2-3 anos

d. 3-6 anos

Figura 6 - Estágios do colmo do bambu Guadua angustifólia (Londoño, Camayo e Riaño, 2002).

O crescimento do colmo ocorre muito rapidamente. Seu comprimento aumenta sendo de alguns centímetros por dia (de 15cm a 20 cm). A literatura reporta recordes de crescimento de mais de um metro em um único dia.

O nó é o local de onde de onde saem os galhos. Internamente, o nó é representado pelo prato sólido horizontal de feixes vasculares denominados diafragmas. De acordo com López (2003), as espécies do grupo paquimorfo e leptomorfo apresentam estruturas anatômicas semelhante na região nodal, e algumas espécies do grupo paquimorfo desenvolvem raízes densas ao redor da região nodal na parte mais baixa do colmo.

O internó é a parte do colmo entre os dois nós consecutivos. A parede do internó é variável, possuindo uma espessura desde muito fina (exemplo: espécie Rhipidocladum) a muito grossa (exemplo: espécie Guadua velutina). Nos bambus americanos, a superfície externa do internó é completamente lisa, mas pode apresentar aspereza com um maior ou menor grau de enrugamento. O diâmetro do interno decresce da base ao topo. As Figuras 7a, 7b e 7c representam, respectivamente, o internó do bambu, a seção transversal do bambu e o respectivo esquema.

a seção transversal do bambu e o respectivo esquema. Figura 7 - Perfil macroscópico do colmo
a seção transversal do bambu e o respectivo esquema. Figura 7 - Perfil macroscópico do colmo
a seção transversal do bambu e o respectivo esquema. Figura 7 - Perfil macroscópico do colmo

Figura 7 - Perfil macroscópico do colmo do bambu: Dendrocalamus giganteus (Fonte: Coletânea pessoal de Úrsula Ghavami).

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2.1.3 Galhos

Os galhos são originados de brotos que se alternam de um lado para outro, em nós sucessivos. Em algumas espécies, os galhos se desenvolvem na fase de crescimento; em outras, quando atingem o seu crescimento definitivo. Algumas espécies têm galhos relativamente grandes em relação ao colmo, como se mostra na Figura 8ª; outras os têm de dimensões muito menores. O número de ramificações em cada nó é importante na identificação dos diversos gêneros.

2.1.4 Folhas

Os bambus apresentam dois tipos de folhas: as que crescem nas extremidades dos galhos e as que nascem no colmo. As primeiras, conforme a Figura 8b, são as folhas propriamente ditas as quais efetuam a fotossíntese. As segundas são ditas folhas caulinares, brácteas ou bainhas (Figura 9). Nascem nos nós e protegem as gemas (partes da planta que originam os galhos) de danos mecânicos e insetos nocivos. A face interna da bainha é lisa e brilhante, mas, quando jovem, a parte externa é coberta com pelos irritantes que possuem coloração variada, como branca, cinza marrom ou preta. A forma e geometria das folhas caulinares variam com a espécie.

e geometria das folhas caulinares variam com a espécie. a b Figura 8 – (a) Galhos

a

e geometria das folhas caulinares variam com a espécie. a b Figura 8 – (a) Galhos

b

Figura 8 – (a) Galhos e (b) folhas de bambu

espécie. a b Figura 8 – (a) Galhos e (b) folhas de bambu Esquema da Bainha

Esquema da Bainha do bambu

(a) Galhos e (b) folhas de bambu Esquema da Bainha do bambu B a i n

Bainha do bambu

Figura 9 - Folha caulinar ou bainha do bambu Dendrocalamus giganteus (Fonte:

Coletânia pessoal de Úrsula Ghavami).

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2.1.5 Flores e frutos

Há espécies de bambu, como a Bambusa vulgaris, que nunca floresce. Em outras, o florescimento apresenta-se, em geral, em períodos mais ou menos regulares, que variam, segundo a espécie, de 3 a 160 anos e debilita a planta, determinando a morte dos colmos e ramos. De acordo com Salgado e Azzini (1994), se um novo colmo brota de um rizoma que teve o seu colmo florescido, este novo colmo produz flores em seu primeiro ano de crescimento e logo, geralmente, morre. Segundo os mesmos autores existem três tipos básicos de florescimento: o anual, o esporádico e o gregário. O florescimento anual ocorre nos bambus herbáceos, os quais apresentam pouca importância econômica e não são usados na engenharia. O florescimento esporádico e o gregário ocorrem nos bambus lenhosos. O florescimento esporádico apresenta-se em colmos isolados e numa mesma touceira. O florescimento gregário ocorre quando floresce a totalidade dos colmos de uma touceira ou mata, ocorrendo a morte do colmo e também do rizoma.

As flores do bambu se transformam em sementes. Na Figura 10, vêem-se sementes de bambu e a nova planta originária delas.

sementes de bambu e a nova planta originária delas. Figura 10 - Sementes de bambu e
sementes de bambu e a nova planta originária delas. Figura 10 - Sementes de bambu e

Figura 10 - Sementes de bambu e nova planta gerada a partir de uma delas.

2.2 Micro-estrutura

Microscopicamente o bambu pode ser considerado um material compósito formado por feixes de fibras fortemente aderidas a uma substância aglutinante, a lignina.

Devido à forma tubular, podem-se adotar como referência as direções longitudinal, radial e circunferencial, mostradas na Figura 11. As propriedades físicas e mecânicas do bambu são diferentes, segundo essas três direções.

A direção longitudinal é dita direção paralela às fibras. A direção radial é aquela ao longo da espessura da parede do colmo. A direção circunferencial é aquela circular, paralela ao perímetro da seção transversal do colmo.

As fibras têm uma direção preferencial, orientando-se longitudinalmente ao longo do colmo. Elas são praticamente paralelas e lineares ao longo do internó, porém, no nó, elas sofrem desvios.

No sentido radial, as fibras não se distribuem homogeneamente na matriz de lignina: há uma maior concentração delas nas proximidades da face externa, como se vê na Figura 12. As camadas externas do colmo são as mais solicitadas pela ação do vento no bambuzal. Como as fibras são responsáveis pela resistência à tração do bambu, sabiamente a Natureza as concentra nas zonas mais tracionadas.

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Já ao longo das direções circunferencial e longitudinal tem-se uma distribuição praticamente uniforme, embora nesta última haja redução na quantidade de fibras à medida que se afasta da base.

na quantidade de fibras à medida que se afasta da base. Figura 11 - Direções a
na quantidade de fibras à medida que se afasta da base. Figura 11 - Direções a

Figura 11 - Direções a serem consideradas nos colmos de bambu.

11 - Direções a serem consideradas nos colmos de bambu. Figura 12 - Distribuição das fibras

Figura 12 - Distribuição das fibras ao longo da espessura da parede do colmo (direção radial).

Os vasos ou veios têm como função o transporte de nutrientes da raiz às demais partes da planta. Como os colmos de bambu são bastante esbeltos, os vasos ou veios são reforçados por um tecido (esclerênquina) que lhes dá resistência (Figura 13).

3 Obtenção dos colmos

A obtenção dos colmos para uso na engenharia passa pelas seguintes etapas:

- seleção

- corte

- cura

- secagem

- tratamentos imunizantes

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Instituto Brasileiro do Concreto esclerênquima veios parênquima microestrutura com aumento de 50X . F IGURA 13

esclerênquima

veios parênquima
veios
parênquima

microestrutura com aumento de 50X.

FIGURA 13 - Conjuntos vasculares do bambu da espécie Dendrocalamus giganteus.

mesoestrutura com aumento de 6X

3.1 Seleção

A escolha dos colmos adequados é fundamental para se conseguirem construções

duráveis. O primeiro aspecto a observar é a idade do bambu: muito jovem, não desenvolveu ainda suas propriedades de resistência, tem mais seiva, será mais suscetível ao ataque de insetos e de fungos; muito maduro, pode já apresentar diminuição das

propriedades mecânicas!

Assim, a idade de colher os colmos é de três a sete anos, variando com a espécie. No caso de se ter exploração racional de plantações de bambu, como já ocorre em muitas partes de Colômbia, por exemplo, a idade do material é bem conhecida e colhe-se no tempo adequado. Já quando se tem de obter bambu sem conhecimento de sua idade, devem-se observar algumas diferenças entre os colmos verdes e os maduros.

Os colmos ainda verdes apresentam coloração mais intensa, podendo apresentar a superfície cerosa, e brácteas nos nós, nenhum ou poucos galhos, como se vê na Figura

14a.

Os colmos maduros têm cor menos brilhante, superfície dura, sem brácteas alguns galhos nos nós, como indicado na Figura 14b.

Não se devem colher colmos muito maduros que apresentem fissuras nas paredes, sinais de ataque de insetos ou de fungos, nem com sinais de apodrecimento.

3.2 Corte

O corte deve ser feito de forma a não prejudicar o bambuzal. É preferível o uso de

serra elétrica. Nos bambuzais entouceirantes que não foram manejados corretamente essa operação de corte é bastante trabalhosa, sobretudo se não se dispuser do equipamento citado. Os colmos maduros normalmente estão no interior da touceira, o que dificulta ainda mais o acesso ao corte. Na falta de serra elétrica, pode-se usar machado ou facão.

O corte deve ser feito à altura do segundo nó, logo sobre ele, evitando-se deixar

possibilidade de acúmulo de água dentro do pedaço do colmo que ficou no solo, para que

não apodreça a raiz.

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Instituto Brasileiro do Concreto b Figura 14 – Aspecto de colmos de bambu (a) jovem e
Instituto Brasileiro do Concreto b Figura 14 – Aspecto de colmos de bambu (a) jovem e
Instituto Brasileiro do Concreto b Figura 14 – Aspecto de colmos de bambu (a) jovem e
Instituto Brasileiro do Concreto b Figura 14 – Aspecto de colmos de bambu (a) jovem e

b Figura 14 – Aspecto de colmos de bambu (a) jovem e (b) maduro (Crouzet, Starosta e Brouzet,

1998).

a

3.3 Cura

Chama-se cura dos colmos de bambu ao processo para minimizar quantidade de seiva no seu interior. A seiva atrai insetos e, por isso, é preferível reduzir sua quantidade.

Quando de tempo se dispõe, pode-se usar a cura na própria touceira: cortar o colmo e deixá-lo apoiado sobre uma pedra para a seiva ir escorrendo. Esse processo é benéfico porque o bambu vai perdendo seiva e umidade no próprio ambiente do bambuzal, que não é muito seco e assim não ocorre secagem rápida, diminuindo o risco de rachaduras.

Recomendam-se duas a três semanas de cura na touceira. Porém, em certas espécies muito suscetíveis ao ataque de insetos, como é o caso do Bambusa Vulgaris, pode ser que esse tempo seja já o suficiente para o ataque. Assim, em se tratando da referida espécie, é mais prudente deixar os colmos apenas alguns dias na mata, ou mesmo transportá-los logo para secagem.

Outra maneira de proceder à extração da seiva dos colmos é por imersão. Colocados sob água, esta penetra no interior dos colmos, dissolvendo a seiva e transferindo-a para a água. O tempo requerido é de aproximadamente duas a quatro semanas, devendo-se ter o cuidado de trocar a água na metade dele: pode ser exalando um cheiro bastante desagradável. Nesse processo, também há a dificuldade de se manterem os colmos submersos. Por serem ocos e de densidade inferior à da água, a tendência é emergirem. Assim, tem de ser adotado um sistema que permita a imersão total.

Outro processo de cura é ao calor: parte da seiva é expulsa do colmo por exposição a temperaturas elevadas. Nesse caso, a cura e a secagem estão sendo feitas ao mesmo tempo. O processo é delicado e deve ser executado cuidadosamente sob pena da formação de trincas ao longo dos colmos.

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3.4 Secagem

Secagem é a operação para reduzir-se a umidade do colmo àquela de equilíbrio com a atmosfera. Após secagem, ela aproxima-se daquela das madeiras secas. Nas zonas com umidades relativas de 70% a 80%, após secagem os colmos ficam com umidade por volta de 14% a 16%. Nas zonas semi-áridas, esses valores podem ser de 12% a 14 %.

O processo de secagem é de muita importância para a qualidade dos colmos. Se ele for rápido, podem ocorrer fissuras longitudinais que prejudicam a estética e a durabilidade do material. Por isso, a secagem não deve ser feita ao sol, mas protegida da incidência dos fenômenos atmosféricos.

Outra forma de secagem é com fogo, utilizando-se uma fonte pontual de calor como um maçarico. Nesse processo, é importante utilizar-se fogo baixo, podendo-se obter uma superfície brilhante e bem resistente. Porém, é um método demorado e trabalhoso, por ser aplicado a cada colmo individualmente.

Estufas são um meio muito eficaz de secar o bambu. Há estufas que aproveitam o calor do sol. Elas devem coletar seus raios durante o dia, sem incidência direta sobre os colmos e sem causar calor excessivo, e manter seu interior quente durante a noite.

3.5 Tratamentos imunizantes

Apenas os processos de cura e de secagem não são suficientes para se extraírem todos os componentes dos colmos dos quais se alimentam os insetos. Assim, como no caso da madeira, é preciso que sejam aplicados tratamentos que evitem os predadores. Algumas espécies, como a Bambusa vulgaris, são muito mais suscetíveis a serem atacadas que outras, como a Dendrocalamus giganteus.

No Brasil, o principal inseto que ataca o bambu é o coleóptero Dinoderus minutos, conhecido popularmente como caruncho do bambu, visto na Figura 15. Trata-se de um inseto com 2 a 3 mm de comprimento que ataca apenas o bambu maduro. O mecanismo de ataque é o que segue: o inseto adulto perfura o colmo e põe os ovos no interior; ao eclodirem, as larvas começam a alimentar-se do vegetal, destruindo-o completamente, como se pode ver também na Figura 15. Uma vez atingida a idade adulta, os insetos voam para outro hospedeiro, recomeçando o processo.

insetos voam para outro hospedeiro, recomeçando o processo. Figura 15 - O inseto Dinoderus minutos e
insetos voam para outro hospedeiro, recomeçando o processo. Figura 15 - O inseto Dinoderus minutos e

Figura 15 - O inseto Dinoderus minutos e pedaço de colmo de bambu atacado.

Diversos são os tratamentos imunizantes que se podem adotar para preservação do bambu. Os métodos de imunização de madeira podem ser adotados. Há produtos naturais, como o extraído da planta Nin, que, embora consiga matar os insetos, tem efeito residual curto: após certo tempo, outros tornam a aparecer e atacar os colmos tratados.

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Na literatura, encontram-se indicados diversos produtos para serem usados nos tratamentos do bambu, normalmente por imersão em solução aquosa, como, por exemplo:

ácido bórico;

bórax (sal de boro);

sulfato de cobre;

ácido acético;

cloreto de zinco;

dicromato de sódio.

Testes feitos por Barbosa (1988) na Universidade Federal da Paraíba, em Campina Grande mostraram que um bom resultado foi conseguido com um tratamento dos colmos através de imersão em óleo diesel. Apenas pintura ou aspersão do produto não é suficiente para uma proteção definitiva.

Outro tipo de tratamento é o que consiste em defumar o bambu, introduzindo-o num compartimento com pouca saída de ar que tenha fogo e fumaça sob os colmos. Na Figura 16, vêem-se um forno rudimentar usado para a fumigação e também colmos submetidos a esse mesmo tratamento de forma industrial.

submetidos a esse mesmo tratamento de forma industrial. a b b a Figura 16 – (a)
a
a
b
b

b

a Figura 16 – (a) Forno rudimentar de fumigação e (b) colmos tratados industrialmente.

4 Propriedades físicas

As propriedades físicas do bambu, como comprimento do colmo, distância entre os nós, diâmetro, espessura da parede, peso específico, etc, dependem de muitos fatores tais como:

- espécie

- fatores locais como qualidade do solo, temperatura e umidade relativa do ambiente, insolação, altitude, espaçamento entre touceiras, regime de chuvas, etc

- manejo do bambuzal

- posição ao longo do colmo

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4.1 Distância internodal, diâmetro externo, espessura da parede

Na PUC-Rio, Ghavami e Marinho (2001) fizeram uma investigação sobre as

propriedades físicas de algumas espécies de bambu. Foram medidos o diâmetro externo,

o comprimento internodal e a espessura da parede. Para se obter esta última, foi desenvolvido o dispositivo indicado na Figura 17c.

Os internós foram numerados desde a base até o topo, definindo um sistema de

coordenadas (Figura 17) e os seus comprimentos foram medidos com trena de precisão.

O diâmetro externo de cada internó foi determinado com paquímetro.

A partir dos valores obtidos dos diâmetros externo (D), espessura da parede (t) e comprimento internodal (l) para os respectivos números de internós (n), pode-se obter a

lei que indica sua variação ao longo da altura do colmo.

a lei que indica sua variação ao longo da altura do colmo. vento Z M=0 n=5
vento Z M=0 n=5 l Z M r P n=4 L t φd internós φD
vento
Z M=0
n=5
l
Z
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L
t
φd
internós
φD
n=3
n=2
nós
n=1
z=0
M=M max

a

parede do bambu
parede do bambu
φD n=3 n=2 nós n=1 z=0 M=M max a parede do bambu Furos para medição da

Furos para medição

da espessura da

b

c

Figura 17 – (a) Sistema de coordenadas, (b) posições dos furos e (c) aparelho para medições da espessura da parede do colmo do bambu.

As curvas que representam a variação do comprimento dos internós do colmo inteiro do bambu das espécies Dendrocalamus giganteus, Phyllostachys heterocycla pubescens (Mosó), Phyllostachys bambusoides (Matake), Guadua angustifólia de São Paulo e do Rio de Janeiro, e Guadua tagoara são apresentadas na Figura 18. Observa-se um comportamento bem definido em todas as espécies estudadas: na parte basal, são menores; na parte central do colmo, atingem o valor máximo; na parte superior, decrescem.

A relação entre diâmetro externo com o número de internó do colmo está apresentada na Figura 19a. O diâmetro externo apresenta um comportamento quase linear, com os valores diminuindo da base para o topo, o que confere ao colmo um aspecto de tronco de cone.

Na Figura 19b pode-se ver que a espessura da parede do colmo de bambu também decresce à medida que se vai da base para o topo.

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14

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600 ◆ D.giganteus o G. tagoara ▲ M t 500 k ◊◊◊◊ G. angustifolia 400
600
◆ D.giganteus o G. tagoara ▲ M
t
500
k
◊◊◊◊ G. angustifolia
400
300
G. angustifolia (SP)
200
∗∗∗∗ Mosó
100
0
0
10
20
30
40
50
60
70
Comp. internodal (mm) .

Número de internó

Figura 18 – Variação da distância internodal ao longo do colmo.

30 25 20 15 10 5 0 1 11 21 31 41 51 61 Espessura:t
30
25
20
15
10
5
0
1
11
21
31
41
51
61
Espessura:t (mm)

Internó

G. angustif.(SP)15 10 5 0 1 11 21 31 41 51 61 Espessura:t (mm) Internó G. tagoara 15 10 5 0 1 11 21 31 41 51 61 Espessura:t (mm) Internó G. tagoara

G. tagoara

Matake0 1 11 21 31 41 51 61 Espessura:t (mm) Internó G. angustif.(SP) G. tagoara D.

D. giganteus10 5 0 1 11 21 31 41 51 61 Espessura:t (mm) Internó G. angustif.(SP) G.

Mosó0 1 11 21 31 41 51 61 Espessura:t (mm) Internó G. angustif.(SP) G. tagoara Matake

G. angustif. (JB)15 10 5 0 1 11 21 31 41 51 61 Espessura:t (mm) Internó G. angustif.(SP)

150 120 90 60 30 0 1 11 21 31 41 51 61 71 Diâmetro
150
120
90
60
30
0
1
11
21
31
41
51
61
71
Diâmetro Externo (mm)

Número de internó

Figura 19 - Variação da espessura da parede e do diâmetro externo ao longo do colmo.

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15

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Observa-se que ocorrem diferenças entre colmos da mesma espécie, porém desenvolvidos em locais diferentes. Exemplo disso é o Guadua angustifolia de São Paulo e o do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, os quais apresentam diferenças de valores no comprimento internodal, espessura da parede e diâmetro externo. Essa diferença pode ocorrer em função da diferença de clima, vegetação, relevo e solo em ambos os Estados onde essas espécies são cultivadas.

Baseados nos dados obtidos, foi feita uma análise de regressão do comportamento normal da distribuição da espessura da parede e do diâmetro externo, em função da distância z em relação à base do colmo, definindo-se uma equação matemática para determinar o diâmetro externo (D) e a espessura da parede (t) para cada espécie de bambu estudada. As equações estão apresentadas nos Quadros 1 e 2, e as curvas do diâmetro externo e da espessura em função do comprimento do colmo, com suas respectivas linhas de tendência, podem ser vistas nas Figuras 20 e 21.

Quadro 1 - Equações matemáticas que determinam a espessura da parede em função da distância z da base.

Espécie de Bambu

Equação da espessura t = f(z)

 

Phyllostachys heterocycla pubescens-Mosó

t

= −

0,0092z

3

+

0,297z

2

3,607z

+

22,75

Phyllostachys bambusoides-Matake

t

= −

0,0014z

3

+

0,056z

2

1,341z

+

17,44

Dendrocalamus giganteus

t

= 3

×

10

5

z

3

+

0,013z

2

0,872z

+

15,303

Guadua angustifólia (SP)

t

= −3,832 ln(z)+ 16,475

 

Guadua angustifólia (JB)

t

= 15,93z

0,2257

 

Guadua tagoara

t

= −

0,0002z

3

+

0,030z

2

1,348z

+

22,96

Quadro 2 - Equações matemáticas que determinam o diâmetro externo em função da distância z da base.

Espécie de Bambu

Equação do diâmetro D = f(z)

 

Phyllostachys heterocycla pubescens-Mosó

D

= 0,0475z

2

5,061z

+

118,95

Phyllostachys bambusoides-Matake

D

= 0,193z

2

1,072z

+

114,4

Dendrocalamus giganteus

D

= 0,019z

3

+

0,169z

2

3,176z

+

130,19

Guadua angustifólia (SP)

D

= 0,0004z

4

+

0,041z

3

1,308z

2

+

7,425z

+

87,63

Guadua angustifólia (RJ)

D

= 0,0654z

2

4,596z

142,62

Guadua tagoara

D

= 0,137z

2

1,944z

+

108,96

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16

Instituto Brasileiro do Concreto

30 25 20 15 10 5 0 0 2 4 6 8 10 12 14
30
25
20
15
10
5
0
0
2
4
6
8
10
12
14
16
18
Espessura da parede:t(mm) .
Espessura da parede:t(mm) .

z(m)

(a) - medidas

30

25

20

15

10

5

0

0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 zL(m)
0
2
4
6
8
10
12
14
16
18
20
zL(m)

(b) - Análise de regressão

Figura 20 - Espessura das paredes em função da distância z em relação à base.

150 120 90 60 30 0 0 2 4 6 8 10 12 14 16
150
120
90
60
30
0
0
2
4
6
8
10
12
14
16
18
20
22
Diâmetro Externo:D(mm)
Diâmetro Externo: D(mm) .

z (m)

(a) medidos

160

140

120

100

80

60

40

20

0

0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22
0
2
4
6
8
10
12
14
16
18
20
22

z(m)

(b) análise de regressão

Figura 21 - Diâmetros externos em função da distância z em relação à base.

O Quadro 3 indica os valores do comprimento do colmo, do comprimento internodal, do diâmetro externo e da espessura da parede dos bambus estudados. Os colmos foram divididos em três partes mais ou menos iguais: base, intermediária e topo. Está indicado o valor médio em cada parte e no colmo total. Nota-se uma variação significativa das propriedades físicas com a espécie.

Note-se que o bambu da espécie Dendrocalamus giganteus (Figura 22a) tem altura média do colmo de 22,3 m. No entanto, há exemplares em que ela chega até a suplantar os 30 m. Já o diâmetro, no terço inferior do colmo, é superior a 10 cm. Este é um valor médio, pois ele pode superar os 15 cm. A espessura da parede pode chegar 1,5 cm. Os colmos são bem lineares, tornando-os elementos construtivos tubulares de grande potencial.

Os bambus Guadua (Figura 22b) também apresentam colmos retos e propriedades muito boas para a construção. Já aqueles da espécie Vulgaris têm alguns inconvenientes, como a falta de linearidade dos colmos e alta suscetibilidade ao ataque dos insetos e mesmo menor resistência mecânica.

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Instituto Brasileiro do Concreto b Figura 22 – Colmos de Dendrocalamus giganteus (Areia, PB) e de
Instituto Brasileiro do Concreto b Figura 22 – Colmos de Dendrocalamus giganteus (Areia, PB) e de

b Figura 22 – Colmos de Dendrocalamus giganteus (Areia, PB) e de Guadua (Colômbia).

a

Quadro 3 - Propriedades físicas de bambus estudados na PUC-Rio

Espécie

L (m)

Comp. Internodal (m)

Diâmetro externo (cm)

Espess. da parede (mm)

base

inter

topo

média

base

inter

topo

média

base

inter

topo

média

Bambusa multiplex (verde - RJ)

3,0

-

 

- 0,45

- 2,5

   

- 1,5

2,0

4,0

 

- 3,0

3,5

Bambusa

                         

multiplex

(verde

7,5

-

- 0,45

- 3,5

- 2,75

3,12

4,5

- 3,25

3,5

esmeralda-

RJ)

Bambusa

                         

tuldoide (RJ)

8,0

-

- 0,4

- 3,75

- 2,5

3,5

7,0

- 4,5

5,5

Guadua

                         

suberba (RJ)

9,0

-

- 0,4

- 11,0

- 7,15

9,0

9,5

- 6,5

7,5

Bambusa

                         

vulgaris

10,0

-

- 0,33

- 7,5

- 5,8

6,95

10,0

- 5,5

7,5

Bambusa

                         

vulgaris

13,0

-

- 0,34

- 8,0

- 6,0

7,33

9,66

- 8,33

8,83

Schard (RJ)

Dendrocalam

                         

us

giganteus

22,3

0,49

0,54

0,41

0,47

13,4

11,0

7,50

10,68

14,4

9,66

6,59

10,22

(RJ, PB)

Mosó (SP)

15,7

0,22

0,38

0,29

0,39

10,7

7,52

4,10

7,86

17,0

8,79

5,33

11,17

Matake (SP)

20,5

0,34

0,48

0,26

0,33

10,8

7,94

3,01

7,02

14,5

7,66

3,83

8,93

Guadua

                         

angustifolia

18,2

0,23

0,32

0,29

0,27

11,3

8,58

4,30

8,51

15,5

10,1

8,23

11,53

(méd.RJ,SP)

Guadua

                         

tagoara (SP)

15,2

0,32

0,42

0,34

0,34

10,3

8,57

6,19

8,37

19,3

14,7

9,87

14,74

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4.2 Absorção de água

Sendo um material vegetal, o bambu absorve água com facilidade se em contato com ela. Pode-se reduzir a absorção através de tratamentos superficiais. O Quadro 4, obtido na Universidade Federal da Paraíba, mostra os resultados da absorção de água de bambus de duas espécies, após os corpos-de-prova terem sido secos em estufa. Vê- se que, mesmo após três dias de imersão, o material continua a absorver água, e aos quatro dias a absorção chega a mais de 30%. Também se nota que a espécie Bambusa vulgaris absorve mais que a Dendrocalamus giganteus.

Para reduzir absorção, foram testados produtos à base de petróleo (asfalto, piche, impermeabilizantes industriais). Ainda, no Quadro 4, podem-se perceber as diferentes performances para os tratamentos. Consegue-se diminuir a absorção, mas dificilmente eliminá-la.

Quadro 4 – Absorção de água em porcentagem de duas espécies de bambu no estado natural e com tratamentos.

Espécie

Produto de

 

Tempo de imersão

 

tratamento

24 h

48 h

72 h

96 h

Dendrocalamus

         

giganteus

- 21,2

25,0

27,7

31,7

 

A 11,0

15,2

16,1

18,5

 

B 9,9

14,0

18,5

21,4

 

C 4,4

6,0

7,7

10,3

 

D 2,4

5,0

7,7

10,0

Bambusa

 

- 25,7

30,2

32,4

34,3

vulgaris

 

A 15,9

18,9

20,9

22,3

 

B 14,6

20,0

23,6

27,3

 

C 3,8

7,2

9,4

10,9

 

D 8,1

17,5

22,1

25,6

Uma das conseqüências da absorção de água é o fato de o bambu apresentar variações dimensionais: ao absorver água, aumenta suas dimensões; ao perdê-la, diminui. Essas variações dependem da direção em que se está medindo. No Quadro 5, vê-se que, na direção longitudinal, é mínima a variação de dimensão. Já na direção radial, o acréscimo é da ordem de 6%. Note-se que, apesar de absorver menos água, o bambu da espécie Dendrocalamus giganteus apresenta maiores variações dimensionais que o da espécie Bambusa vulgaris. Isso pode ser explicado pelo fato de o primeiro ter uma microestrutura mais compacta; assim, as tensões capilares são maiores, provocando maior expansão do material quando a água penetra.

4.3 Massa específica

A massa específica das paredes do colmo de bambu é inferior à da água, variando

3

e 0,95 kg/dm 3 nas espécies mais apropriadas para a construção.

entre 0,8 kg/dm

Quadro - 5 Variações dimensionais de corpos-de-prova de bambu após imersão em água.

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Espécie

Direção

 

Variações dimensionais (%)

 
 

24 h

48 h

72 h

96 h

168 h

Dendrocalamus

circunferencial

1,6

2,8

2,8

2,8

3,3

giganteus

longitudinal

0,0

0,3

0,3

0,3

0,5

radial

2,2

4,8

5,7

5,9

6,6

Bambusa

circunferencial

3,0

3,2

3,5

3,6

3,7

vulgaris

longitudinal

0,4

0,4

0,4

0,4

0,4

radial

3,8

4,2

4,7

5,3

5,6

5 Propriedades mecânicas

As propriedades mecânicas do bambu variam com os mesmos parâmetros que interferem nas suas propriedades físicas. Como a busca por materiais de menor impacto ambiental está se difundindo, necessário é que sejam criadas normas para seu uso seguro e também sua aceitação no meio técnico. Com base resultados obtidos em pesquisas sobre bambu desde as últimas três décadas em várias partes do mundo, incluindo no Brasil, foi possível criarem-se as primeiras normas para o uso de bambu nas obras de Engenharia.

O International Network for Bamboo and Rattan, INBAR, 2000, cujo primeiro autor foi um dos membros principais do Comitê de Normas de Bambu, elaborou propostas de normas que foram analisadas pelo International Conference of Building Officials (ICBO). Tais normas foram publicadas no relatório AC 162: Aceptance Criteria for Strucutral Bamboo (ICBO, 2000). Desta forma, já é permitida oficialmente a aplicação do bambu na construção nos Estados Unidos da América. Esta norma será traduzida para língua portuguesa pelo grupo de Materiais Não Convencionais da PUC-Rio, permitindo seu uso por engenheiros, arquitetos, técnicos e leigos de toda parte do país, que utilizam o bambu nas construções.

As propriedades mecânicas do bambu de maior interesse para a engenharia são:

resistência à tração paralela às fibras, resistência à compressão paralela às fibras e resistência ao cisalhamento paralelo às fibras. Pode também ser de interesse a resistência à flexão, mas, quase sempre, em peças fletidas, mais importantes são as deformações.

5.1 Resistência à tração paralela às fibras

A resistência à tração paralela às fibras do bambu é alta, podendo chegar ao redor de 300 MPa. Em INBAR,2000, sugere-se o corpo-de-prova com a geometria indicada na

Figura 23.

A espessura pode ser de 3 mm até praticamente a espessura da parede do

colmo.

Como o bambu é muito resistente, é conveniente colar, nas suas extremidades, placa de alumínio, de forma a evitar o esmagamento que as garras da máquina de ensaio pode causar naquelas regiões. Deve-se utilizar cola à base de epóxi.

A resistência é dada pelo valor da força máxima lida na máquina de ensaio dividida pela área da seção transversal do centro do corpo-de-prova.

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20

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Instrumentando-se o corpo-de-prova, pode-se obter o diagrama tensão-deformação e o módulo de elasticidade do bambu. Na Figura 24 têm-se curvas típicas relativas ao comportamento tensão-deformação. Note-se que o comportamento é próximo do linear até a ruptura. Quando o corpo-de-prova é elaborado incluindo a parte do nó no seu centro, a resistência e a inclinação da curva tensão-deformação diminuem.

e a inclinação da curva tensão-deformação diminuem. Figura 23 - Dimensões do corpo-de-prova indicado pelo INBAR
e a inclinação da curva tensão-deformação diminuem. Figura 23 - Dimensões do corpo-de-prova indicado pelo INBAR

Figura 23 - Dimensões do corpo-de-prova indicado pelo INBAR para ensaio de resistência à tração paralela às fibras de bambu e ensaio em realização.

400 350 Sem nó Bambu sem nó 300 250 200 150 100 50 0 0
400
350
Sem nó
Bambu sem nó
300
250
200
150
100
50
0
0
2
4
6
8
10
12
14
16
18
Tensão (MPa)

Deformação (‰)

400

350

300

250

200

150

100

50

0

Com nó

0 2 4 6 8
0
2
4
6
8

10

12

14

16

18

Deformação (‰)

Deformação (por mil)

Figura 24 – Curvas típicas tensão de tração-deformação do bambu sem e com nó, até carga máxima (Lima Jr.,Dalcanal, Willrich e Barbosa, 2000).

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21

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5.2 Resistência à compressão paralela às fibras

A resistência à compressão é, em geral, 30% menor que a resistência à tração, estando entre 20 MPa a 120 MPa, variando muito com a espécie.

O corpo-de-prova recomendado pelo INBAR é cilíndrico com altura igual ao diâmetro, conforme se vê na Figura 25.

A resistência é dada pela força máxima obtida no equipamento de teste e dividida pela área da seção transversal do corpo-de-prova cilíndrico, que pode ser determinada pela expressão:

A = π × t(Dt)

onde A é área da seção transversal; t a espessura da parede; D, o diâmetro externo

D h=D
D
h=D
t a espessura da parede; D, o diâmetro externo D h=D Figura 25 - Dimensões do
t a espessura da parede; D, o diâmetro externo D h=D Figura 25 - Dimensões do

Figura 25 - Dimensões do corpo-de-prova indicado pelo INBAR para ensaio de resistência à compressão paralela às fibras de bambu e ensaio em realização.

Na Figura 26, podem-se ver curvas tensão-deformação típicas até o valor de carga máxima, obtidas a partir do ensaio de compressão, em corpos-de-prova sem nó. No caso de o corpo-se-prova ter um nó no seu centro, o aspecto dos diagramas obtidos é muito semelhante. Também aqui se percebe um comportamento linear para o material até a tensão máxima.

100 90 80 Bambu sem nó 70 60 50 40 30 20 10 0 0.0
100
90
80
Bambu sem nó
70
60
50
40
30
20
10
0
0.0
0.5
1.0
1.5
2.0
2.5
3.0
3.5
4.0
4.5
5.0
Tensão (MPa)

Deformação (‰)

Figura 26 – Curvas típicas tensão de compressão-deformação do bambu com e sem nó até carga máxima (Lima Jr.,Dalcanal, Willrich e Barbosa, 2000).

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22

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5.3 Resistência ao cisalhamento paralelo às fibras

Nas conexões das construções de bambu podem ser usados pinos. Para se poder dimensionar corretamente as ligações é preciso se conhecer a resistência ao cisalhamento paralelo às fibras, ou seja, resistência ao cisalhamento na direção longitudinal do colmo. Pode ser usado o corpo de prova sugerido por Ghavami e Marinho, 2001, indicado na Figura 27. Nele são feitos dois entalhes de 5mm, afastados de 60 mm entre eles. Na extremidade do corpo de prova convém colar-se chapa de alumínio no trecho que vai ficar em contato com a garra da máquina de ensaios.

A resistência ao cisalhamento é calculada dividindo-se a carga máxima aplicada no corpo de prova pela área da superfície cisalhada. Como ordem de grandeza, pode-se dizer que ela está entre 2 MPa e 8 MPa, podendo mesmo chegar a 10 MPa.

está entre 2 MPa e 8 MPa, podendo mesmo chegar a 10 MPa. Figura 27 -
está entre 2 MPa e 8 MPa, podendo mesmo chegar a 10 MPa. Figura 27 -

Figura 27 - Dimensões do corpo de prova indicado para ensaio de resistência ao cisalhamento paralelo às fibras de bambu e corpo de prova após ensaio.

5.4 Resumo das propriedades mecânicas em tração e compressão paralela às fibras

O Quadro 6 apresenta as resistências à tração e à compressão e os respectivos módulos de elasticidade de algumas espécies de bambu estudadas na PUC-Rio. Foram usados corpos-de-prova extraídos de colmos maduros. Há variação nas propriedades conforme a espécie. Trabalhos de outros autores podem indicar valores diferentes, porque outros fatores relativos ao local e às condições ambientais podem interferir sensivelmente. Por isso, quando se deseja fazer uma construção com bambu devidamente projetada, a realização dos ensaios é importante.

Quadro 6 Propriedades Mecânicas de espécies de bambus estudados na PUC- Rio

   

Tração

   

Compressão

 
 

Espécie/local

Resist (MPa)

Módulo elast. E t (GPa)

Resist (MPa)

Módulo elast. E c (GPa)

 

c/nó

s/nó

c/nó

s/nó

c/nó

s/nó

c/nó

s/nó

 

Base

68,80

98,00

11,11

14,08

20,60

30,00

3,05

4,15

Bambusa

multiplex

Interm

-

-

-

-

-

-

-

-

Topo

79,8

108,4

11,95

14,92

20,00

26,50

3,54

4,27

Média

74,30

103,2

11,53

14,50

20,30

28,25

3,29

4,21

Bambusa

 

Base

112,0

140,5

9,99

12,66

30,20

37,80

2,97

3,24

tuldoide

Interm

-

-

-

-

-

-

-

-

Topo

95,80

98,00

8,55

11,19

30,00

38,3

2,83

2,78

Média

103,9

119,2

9,27

11,92

30,10

38,05

2,90

3,01

Livro Materiais de Construção Civil

 

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Instituto Brasileiro do Concreto

 

Base

108,8

142,6

8,33

10,48

36,40

50,60

2,46

3,12

Guadua

superba

Interm

-

-

-

-

-

-

-

-

Topo

115,8

151,0

9,42

11,83

35,00

45,00

2,83

3,55

Média

112,3

146,8

8,87

11,15

35,70

47,80

2,64

3,33

 

Base

131,6

176,4

8,46

10,02

37,50

53,00

2,59

2,86

Bambusa

vulgaris

Interm

106,1

153,5

8,50

10,22

39,50

46,00

2,36

3,19

Topo

145,6

182,0

9,45

12,67

42,00

59,00

2,80

3,67

Média

127,7

170,6

8,80

10,97

39,66

52,66

2,58

3,24

Dendrocallam

us giganteus

Base

106,8

147,0

12,98

19,11

58,66

56,61

12,07

15,29

Interm

143,6

188,1

16,73

15,70

53,96

63,77

15,15

11,26

Topo

114,0

157,6

13,44

10,71

54,04

72,87

9,79

10,41

Média

121,5

164,2

14,38

15,17

55,55

64,42

12,34

12,32

6 Perspectivas futuras

O bambu, uma planta inteligente, é sem dúvida um material do futuro num planeta

em busca de redução do consumo energético e da emissão de poluentes. O surgimento de plantações comerciais, a exemplo da Colômbia, de espécies de bambu próprias para a construção é questão de tempo, no Brasil. A durabilidade das construções com bambu pode ser assegurada pelo correto tratamento dos colmos e seu emprego adequado. Um projeto bem feito, assegurando a não exposição do material a incidência direta do sol ou de umidade, é fundamentais para uma longa vida útil das edificações que fazem uso do bambu.

O baixo peso dos colmos e sua elevada resistência são um bom indicativo para seu

uso em treliças espaciais, como a mostrada na Figura 28 (Ghavami e Moreira, 1993). É importante nessas aplicações o desenvolvimento das conexões adequadas.

aplicações o desenvolvimento das conexões adequadas. Figura 28 - Treliça espacial de bambu concebida na PUC-Rio.
aplicações o desenvolvimento das conexões adequadas. Figura 28 - Treliça espacial de bambu concebida na PUC-Rio.

Figura 28 - Treliça espacial de bambu concebida na PUC-Rio.

A versatilidade do material é inconteste, e o surgimento de tecnologias construtivas à base de bambu, como a desenvolvida por Cardoso Jr., Sartori e Silva (2004), hão de ocupar maiores espaços no âmbito da engenharia. Nesta última, o bambu é o reforço interno de painéis revestidos com uma argamassa leve à base de cimento, cal e resíduos (de borrachas, de EPS, pedaços triturados do próprio bambu) (Figura 29), permitindo pré- fabricação e velocidade de construção. Este tipo de tecnologia pode ser utilizado para geração de emprego e renda nas comunidades. Como o consumo de colmos de bambu para a construção de uma moradia é relativamente grande, há necessidade de plantações comerciais de espécies que tenham o diâmetro adequado para este tipo de aplicação.

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Instituto Brasileiro do Concreto Figura 29 – Sistema construtivo desenvolvido no Instituto do Bambu, Maceió, em
Instituto Brasileiro do Concreto Figura 29 – Sistema construtivo desenvolvido no Instituto do Bambu, Maceió, em
Instituto Brasileiro do Concreto Figura 29 – Sistema construtivo desenvolvido no Instituto do Bambu, Maceió, em
Instituto Brasileiro do Concreto Figura 29 – Sistema construtivo desenvolvido no Instituto do Bambu, Maceió, em

Figura 29 – Sistema construtivo desenvolvido no Instituto do Bambu, Maceió, em Alagoas

(Cardoso Jr., Sartori e Silva, 2004).

O bambu pode ser usado como reforço no concreto em vigas de pequeno porte (Ghavami, 2001). Varetas extraídas do colmo, com dois a três centímetros de largura, podem funcionar como armadura longitudinal. Por ter o bambu um módulo de elasticidade bem mais baixo que o do aço, as vigas armadas com ele se deformam mais. Na Figura 30 (Braga Filho, 2004) vê-se a preparação da armadura de vigas e uma outra ensaiada. Nesta última, percebe-se uma enorme capacidade de deformação.

última, percebe-se uma enorme capacidade de deformação. Figura 30 - Bambu como armadura longitudinal em viga,
última, percebe-se uma enorme capacidade de deformação. Figura 30 - Bambu como armadura longitudinal em viga,

Figura 30 - Bambu como armadura longitudinal em viga, e peça sendo ensaiada na Universidade do Oeste do Paraná,Cascavel, PR.

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Varas de bambu também podem ser usadas em pilares de concreto, funcionando como armadura longitudinal (Ghavami, 2005). Na Figura 31, vê-se um caso em que, para melhorar a aderência, um tratamento superficial (adesivo à base de epóxi) foi usado. O bambu consegue dar ductilidade ao conjunto, melhorando o comportamento estrutural do pilar.

ao conjunto, melhorando o comportamento estrutural do pilar. Figura 31 – Armadura longitudinal (esquerda) com

Figura 31 – Armadura longitudinal (esquerda) com tratamento (centro) e pilar sendo ensaiado na PUC-Rio (direita)

Um outro uso muito interessante do bambu é nas lajes em forma permanente. Os colmos cortados ao meio e postos paralelos uns aos outros, como na Figura 32 (Achá, 2002), podem receber uma camada de concreto, transformando-se em uma laje. O estrado de bambu serve de reforço de tração e, ao mesmo tempo, de fôrma. Desta forma,

o escoramento pode ser reduzido significativamente. Os nós fazem o papel de

conectores, permitindo a deformação conjunta dos dois materiais. Desejando-se melhorar

a interação entre o concreto e o bambu, pode-se aplicar uma pintura com adesivo à base

de epóxi. Lançando-se a camada de concreto com o adesivo ainda plástico, tem-se uma

ligação muito boa entre os dois materiais. Testes feitos na Universidade Federal da Paraíba em lajes de 3 m de vão livre e na PUC-Rio em peças de 3,5 m indicam que esse tipo de laje apresenta um excelente comportamento estrutural. Suporta com folga as cargas de serviço e apresenta uma notável ductilidade, deformando-se muito antes de romper. A face inferior das lajes, que serve de teto para o pavimento inferior, pode receber um tratamento com vernizes, obtendo-se um belo efeito. Para isto é necessário que os colmos sejam lineares e com aproximadamente o mesmo diâmetro.

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Instituto Brasileiro do Concreto Figura 32 – Laje em forma permanente de bambu A utilização de
Instituto Brasileiro do Concreto Figura 32 – Laje em forma permanente de bambu A utilização de
Instituto Brasileiro do Concreto Figura 32 – Laje em forma permanente de bambu A utilização de

Figura 32 – Laje em forma permanente de bambu

A utilização de polímeros em conjunção com o bambu permitirá o surgimento de materiais e concepções futuristas no campo da construção, como se vê na Figura 33, proposição do arquiteto Marko Brajovic.

vê na Figura 33, proposição do arquiteto Marko Brajovic. Figura 33 - Construções futuristas à base
vê na Figura 33, proposição do arquiteto Marko Brajovic. Figura 33 - Construções futuristas à base

Figura 33 - Construções futuristas à base de bambu.

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7 Agradecimentos

O primeiro autor agradece aos colegas que contribuíram para realização dos ensaios, especialmente Alabanise Marinho Rodrigues, Msc, Eduardo Acha Navarro, Msc, Sergio Luís Vanderley, Eng., Luis Eustáquio Moreira, Dr., Conrado de Souza Rodrigues, Dr., Sylvia Pecegueiro, Msc e outros alunos e assistentes de pesquisas além dos técnicos de que participaram ativamente dos testes laboratoriais. Agradece também à FAPERJ, à CAPES e ao CNPq, pelo apoio financeiro ao longo dos anos e à direção do Jardim Botânico- RJ, por permitir a coleta dos bambus do parque. Agradecimento especial é dado a Ursula Schuler Ghavami que sempre esteve colaborando efetivamente, de várias formas, nos trabalhos desenvolvidos.

8

Referências

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Engenharia Civil). Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,

2002.

BRAGA FILHO, A. C. Bambu: generalidades e seu emprego como reforço em vigas de concreto. Dissertação (Mestrado em Engenharia Agrícola). Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, 2004.

CARDOSO JUNIOR, R; SARTORI, E.M., SILVA, A. L. P. Sistema construtivo pré- moldado, utilizando bambu, em habitações de interesse social. In: Conferencia Brasileira de Materiais e Tecnologias Não Convencionais: Habitações e Infra-Estrutura de Interesse Social Brasil – NOCMAT, 2004, Anais. Pirassununga, SP, 2004.

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LOPES, O. H. Bamboo the gift of the gods. Bogotá, Colômbia: 2003. ISBN: 958-33-

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8 SUGESTÕES PARA ESTUDO COMPLEMENTAR

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GHAVAMI, K Concreto Reforçado com Bambu. Tecnologias e Materiais Alternativas de Construções, Editora da UNICAMP, Campinas, BraSil, ISBN: 85-268-0653-X, Chapter 10, pp. 301-330, 2003.

GHAVAMI, K.; MOREIRA, L.E., “The Influence of Initial Imperfections on the Buckling of Bamboo Columns”, Asian Journal of Civil Engineering, Vol.3 Nos.3&4, ISSN 1563- 0854, Iran, pp.01-16, 2002.

GHAVAMI, K.; ALLAMEH, S.M.;SANCHEZ M. L. C.; SOBOYEJO W.O. Multiscale study of bamboo Phyllostachys edulis. Inter American Conference on Non-Conventional Materials and Technologies in the Eco-Construction and Infrastructure, João Pessoa , Brasil, Anais. CD-ROM, ISBN 85-98073-02-4, 13-16, 2003.

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