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Rádios Comunitárias

A Voz da Comunidade

Novas Práticas Culturais


na Educação e Comunicação
Rádios Comunitárias
A Voz da Comunidade

RÁDIOS COMUNITÁRIAS: A VOZ DA COMUNIDADE

Caderno 1 da Série “Comunicação e Cultura Popular”


2ª Edição

Coordenação Geral: Ana Inês Souza


e Rosa Maria Dalla Costa

Texto: Larissa Limeira


Edição: Anderson Moreira
Arte: Lielson Zeni e Marcos Teixeira
Colaboração: Carla Cobalchini e Daniela Mussi
Produção: CEFURIA e NCEP/UFPR
Tiragem: 1000 exemplares

Curitiba, maio de 2006


2ª Edição

Novas Práticas Culturais


na Educação e Comunicação
SUMÁRIO APRESENTAÇÃO

A comunicação é uma característica humana. O homem


Apresentação.................................................3
existe e se reconhece como tal a partir da comunicação. Na
História.........................................................4 medida em que foi se desenvolvendo e aprimorando seu modo
A Rádio da Comunidade...........................................5 de produção, foi criando formas mais sofisticadas de se
A Entidade Oficial......................................................5 comunicar até chegar à comunicação de massa: jornal, rádio e
A Frequência............................................................6 televisão.
Daí em diante, a comunicação na sociedade passou a ter
Coloque a Rádio No Ar.......................................................6
um outro significado: o de garantia e ao mesmo tempo
Sustentação Financeira............................................7 esperança de transparência na construção de um estado
Como obter autorização?.............................................8 democrático. Todo homem e toda mulher, para exercer a
Esquema de uma rádio...............................................10 cidadania e o livre arbítrio, precisam da informação, ao mesmo
Equipamentos..........................................11 tempo em que devem exercer o direito de expressar suas
idéias e opiniões.
Rádio Comunitária X Rádio Comercial.....................12
Mas essa comunicação de massa, no decorrer da história,
Linguagem..............................................15 se tornou um grande negócio à mercê dos interesses políticos
Programação.........................................17 e econômicos de alguns grupos em detrimento dos direitos da
Sugestões de Estrutura de Programas..................18 maioria da população. Daí a importância dos movimentos
Música................................................19 populares pensarem em formas próprias de expressar suas
idéias e veicular informações sobre suas ações e atividades.
Jornalismo...................................................20
Esta é a segunda edição de uma cartilha que tem como
Serviço...................................................20 objetivo auxiliar os grupos interessados em criar uma rádio
Tipos de rádio........................................................21 comunitária. Nela procuramos mostrar a necessidade dos
Defenda-se.....................................................23 movimentos populares de pensar a comunicação como forma
Legislação........................................25 de garantir o direito à informação e à expressão em todas as
instâncias da ação organizada.
Lei nº 9.612...... ...................................................26
Resultado da parceria entre o o CEFURIA-NCEP/UFPR,
Lei n º 10.597........................................................35 este trabalho pretende orientar todas as lideranças e grupos
Decreto nº 2.615........................................................36 dispostos a criar e a manter em funcionamento rádios
Referências..........................................................50 comunitárias que divulguem em sua programação os interesses,
Sites para consulta.................................................50 os anseios, as notícias, a cultura e os sonhos da população
brasileira.

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COMO NASCE UMA RÁDIO COMUNITÁRIA A RÁDIO DA COMUNIDADE

HISTÓRIA Para formar uma rádio comunitária


é preciso, antes, reunir e debater o
No início da década de 20 assunto com a comunidade Se na sua
começam a surgir no Brasil as localidade ainda não tem uma emissora
primeiras emissoras de rádio. comunitária, chame a população para
Nessa época ainda não existia o debater como constituir uma. Convide
controle do governo sobre elas. os sindicatos, associações, federações,
Podemos dizer, então que foram organizações religiosas, todos devem
as primeiras rádios livres a ser convidados.
surgir. Mas isso durou pouco, pois Se na região tem uma rádio que é realmente comunitária,
na década de 30, através de um convide alguém que atua nela para relatar a experiência. É
decreto-lei, o governo importante conhecer as experiências dos outros.
regulamentou o serviço de radiodifusão. A rádio, antes ligada
às associações e sociedades civis, transformou-se em negócio A ENTIDADE OFICIAL
lucrativo, deixando em segundo plano seu caráter social. Nos
anos 50, com o advento do transistor (que substituiu a válvula), Por lei, a rádio comunitária é uma
a eletrônica ficou mais fácil e muitos ousaram montar suas entidade jurídica sem fins lucrativos.
emissoras clandestinas e enfrentar a repressão oficial. Com a É preciso criar esta entidade, que
ditadura militar, instaurada em 1964, operar transmissor sem pode ser uma associação ou uma
autorização se tornou atividade de terrorista e subversivo, fundação. A experiência tem
punida com prisão, tortura e “desaparecimento”. Em 1967 o mostrado que lidar com uma
Decreto 236 estabelece prisão para quem opera emissoras associação e mais fácil e prático do
clandestinamente. Durante a década de 80, centenas de que com uma fundação. Para
emissoras “piratas” surgem no Brasil e no mundo. Este oficializar o nascimento da entidade, a Ata e o Estatuto devem
movimento de rádios livres aumentou durante os anos 90, até ser registrados em cartório. As entidades deverão fazer
que em 1998 é criada a Lei 9.612/98, que passa a regulamentar constar em seus respectivos estatutos o objetivo "executar
as rádios comunitárias. Cabe ressaltar que esta lei é restritiva o Serviço de Radiodifusão Comunitária". Não esqueça: por lei,
e fere, sob vários aspectos, o artigo 5º da Constituição Federal. rádio comunitária não pode pertencer a partido político,
Sobre esta lei trataremos mais adiante. religião ou empresário. Ela é da comunidade.

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A FREQUÊNCIA SUSTENTAÇÃO FINANCEIRA

A Anatel (Agência Nacional de A rádio comunitária deve captar recursos para compra
Telecomunicações) é quem define a de equipamentos e de CDs, aluguel de sala, pagamento das
freqüência de cada município brasileiro. contas de água e luz... Enfim, se sustentar. O fato de ser
Na verdade, a lei 9.612/98 determina “sem fins lucrativos” não impede que ela capte recursos.
um único canal para todo o Brasil. No Cada comunidade decide como viabilizar a captação. A
seu rádio, a freqüência definida pela emissora não deve depender exclusivamente de doações e
Anatel se localiza em 87,9 FM (canal trabalho voluntário. Doação, aliás, às vezes é complicado. Tem
200). Mas como isto se mostrou inviável, o Governo foi obrigado gente que “doa” equipamentos, ou uma sala, mas cobra um
a designar outros canais alternativos. Portanto, se você vai programa ou um espaço para falar de si. Cuidado com essas
seguir esta lei, procure saber qual a freqüência indicada para “doações”!!
seu município. O transmissor que será utilizado em sua rádio Algumas sugestões de como obter recursos para a rádio:
deve ser homologado (autorizado) pela ANATEL.
Estude o melhor local para instalar a emissora. Leve em Publicidade: A lei fala em “apoio cultural” (mas não há lei
conta que a geografia da sua região influi no alcance. Como as que diga o que é isso). Faça propaganda e dê prioridade
ondas de rádio FM se propagam em linha reta, se houver cobrando pouco ou mesmo contribuições voluntárias aos
obstáculos no caminho (edifícios, torre de transmissão, pequenos negócios de sua comunidade (o sapateiro, a doceira,
montanhas) o sinal será interrompido. Por outro lado, se for a lanchonete, o vendedor de caldo-de-cana, o camelô da
um planalto, um transmissor de baixa potência vai alcançar esquina...). Fale dos negócios de sua comunidade. Os órgãos
longas distâncias. públicos do estado, do município ou Federal, podem destinar
parcela de seus recursos de publicidade para as emissoras
comunitárias. Cobre isso deles.
COLOQUE A RÁDIO NO AR Cotas mensais dos sócios: As pessoas da comunidade podem
pagar um valor simbólico por
A emissora não existe se estiver fora do mês: por exemplo, R$ 1,00. As
ar. Coloque a rádio no ar. Não esqueça que é um entidades jurídicas (sindicatos
direito de todo o cidadão brasileiro. Debata e outras associações) podem
com a comunidade a forma de mantê-la pagar um pouco mais.
operando diante das possíveis repressões da Promova festas, bingos,
Anatel. campanhas,... Use a criatividade.

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COMO OBTER AUTORIZAÇÃO Estatuto da entidade, devidamente registrado;
Ata da constituição da entidade e eleição dos dirigentes,
1. Encaminhar o FORMULÁRIO devidamente registrada;
DE DEMONSTRAÇÃO DE Prova de que seus diretores são brasileiros natos ou
INTERESSE para a sede do naturalizados há mais de 10 anos;
Ministério das Comunicações, Comprovação da maioridade dos diretores;
em Brasília, no seguinte Declaração assinada de cada diretor, comprometendo-
endereço: se ao fiel cumprimento das normas estabelecidas para o
Serviço;
Manifestação em apoio à iniciativa, formulada por
Ministério das Comunicações entidades associativas e comunitárias, legalmente
Secretaria de Serviços de Comunicação Eletrônica constituídas e sediadas na área pretendida para a prestação
Departamento de Outorga de Serviços do Serviço, e firmada por pessoas naturais ou jurídicas que
tenham residência, domicílio ou sede nessa área.
Esplanada dos Ministérios, Bloco R, Anexo, Sala 300 - Oeste
CEP 80044-900 4. O Ministério das Comunicações analisa as propostas a partir
Brasília - DF dos documentos apresentados. Caso exista apenas uma
entidade com processo regular, o Ministério comunica ao
2. Se houver canal (freqüência) disponível para a localidade requerente para que este encaminhe o projeto técnico da
de interesse, o Ministério das Comunicações publicará, no estação. Já para as localidades com mais de uma interessada
Diário Oficial da União, AVISO de Inscrição de Habilitação, em situação regular, caso não exista a possibilidade técnica
onde se informa a freqüência (ou canal) destinada a cada um de coexistência dessas emissoras, a SSCE propõe a associação
deles e se solicita uma série de documentos aos pretendentes. entre as interessadas. Se não houver acordo, utiliza-se o
critério da representatividade, que consiste na escolha da
3. Qualquer entidade interessada em participar da Inscrição requerente que tiver mais manifestações de apoio da
de Habilitação para as localidades relacionadas em AVISO comunidade. Caso haja empate no caso da utilização desse
publicado no Diário Oficial da União deverá entregar, dentro último critério, é realizado um sorteio para escolher a entidade
do prazo estabelecido nesse Aviso, os documentos exigidos. vencedora e escolhe a entidade que irá receber a autorização.
Se a rádio estiver na lista, apresente os documentos dentro
do prazo estabelecido 30 dias a contar da publicação no DOU. 5. O Ministério das Comunicações publica no DOU a lista das

Os documentos são listados no art. 14 do Decreto 2.615/98, rádios comunitárias autorizadas a funcionar em caráter
e subitem 6.7 da Norma Complementar nº 02/98: provisório.

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6. O Congresso Nacional (Câmara e depois Senado) recebe o 1. O som é gerado no CD-player, tape-deck, toca-discos e
processo da rádio, analisa e dá um parecer. Se for favorável, microfones.
a emissora é autorizada a entrar no ar por Decreto Legislativo, 2. Daí ele vai para a mesa de som (ou mixer). A mesa serve
do Senado Federal. para separar os sons que são gerados, permitindo, por exemplo,
que você mantenha uma música de fundo enquanto fala.
HABILITAÇÃO: 3. O equalizador é opcional, serve para ajustar a qualidade do
Na prática, o Aviso de Habilitação funciona como se o som.
Governo abrisse uma licitação para o canal no município. 4. No gerador de estéreo o som adquire a característica de
Mesmo que somente uma entidade tenha encaminhado o
estéreo das rádios FM.
pedido para instalação de sua rádio, a publicação do Aviso
abre para todos os interessados no município. Isto é, 5. E segue para o transmissor, onde se transforma em ondas
independente de ter apresentado requerimento antes, de rádio FM, transmitindo numa freqüência determinada.
qualquer outra entidade local pode se habilitar a este canal. 6. Um outro equipamento opcional é a chave híbrida, que
permite fazer entrevistas e reportagens por telefone.
ESQUEMA DE UMA RÁDIO 7. As ondas são transmitidas pela antena para a região e
captadas por rádios FM.
Veja Como funciona um estúdio básico de uma rádio
EQUIPAMENTOS
comunitária:
Equipamentos básicos e custos médios:
Estúdio de rádio FM
Item Valor
Antena
Kit com transmissor de 25W, gerador de estéreo/
processador de áudio embutidos, antena PT 0 db e 30m R$3.099,00
de cabo
Computador 2.6 mhz 512mb memória HD 80 gb monitor
Transmissor de FM 17", gravador de CD e DVD, mouse óptico, teclado, placa R$1.700,00
de som(para edição de áudio)
Mixer (mesa de som) de 6 canais + potência R$700,00
Gerador de estéreo
CD Player R$280,00
Tape-deck/CD Player Mesa Tape Deck, duplo deck R$250,00
de Compressor de áudio Radio AM/FM (para retorno) R$80,00
Som Microfone Leson SM 58 R$120,00
Pedestal de mesa para microfone R$40,00
Outros Equalizador
equipamentos Chave híbrida com retorno para 1 linha telefônica R$170,00
TOTAL R$6439,00

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RÁDIO COMUNITÁRIA X RÁDIO COMERCIAL Rádio Comunitária Rádio comercial
Jornalismo Informa a comunida- Voltado para o inte-
As rádios comunitárias e as rádios comerciais servem a de e é voltado aos resse da elite. Não
interesses diferentes. Compare: interesses dela. A co- quer mudar a socie-
munidade, o povo, faz dade, reduzir a desi-
Rádio Comunitária Rádio comercial e é o jor-nalismo. gualdade social, a fo-
Ética Fundamenta-se num A ética é fundamenta- Provoca a integração me ou a miséria.
conjunto de valores, da no mercado. Os da comunidade.
que se manifesta co- valores são os valo- Programação Própria, gerada a par- Serve aos interesses
mo o respeito à vida, res de mercado. tir da interação dos financeiros da rádio e
ao ser humano, ao fatos locais. Reflete das gravadoras.
meio ambiente, aos fatos do cotidiano da
hábitos e costumes comunidade, identifi-
locais. ca problemas, sugere
Prioridade Promover a cultura, a Promove o lucro dos debates, promove e
arte, a educação, a proprietários. estimula a criação de
inteligência, o desen- soluções sem sensa-
volvimento da comu- cionalismo. Estimula a
nidade, a sólidarieda- inteligência, o deba-te,
de entre as pessoas. a integração da
Cultura Propaga, difunde e Difunde os produtos comunidade.
estimula os artistas que a indústria cultu-
Participação A comunidade, o po- Apresenta-se como
locais, os artesãos, os ral gera. Não há com-
popular vo, faz e é a rádio. A porta-voz da popula-
profissionais da co- promisso com a arte e
munidade. Valoriza a a cultura do povo, mas rádio não é apenas ção. Mas o povo é
história local e a cul- com o lucro ge-rado porta-voz do povo, ela discriminado.
tura nacional. pela venda de é o povo.
determinados produ- Cidadania Estimula no ouvinte As pessoas são trata-
tos (cantores, ban- sua participação na das como consumido-
das...). Difunde entre- comunidade como ci- ras. As pessoas va-
tenimento – que é o dadão. Destaca seus lem pelo que têm, pe-
lazer alienante, disfar- direitos e deveres na lo cargo que ocupam.
ça-do de cultura. comunidade e no país.

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Rádio Comunitária Rádio comercial LINGUAGEM
Audiência Audiência é secun- A audiência é funda-
dário. Mais importante mental, porque isto
A melhor linguagem a ser
é a integração da co- representa ganho co-
utilizada no rádio é aquela
Ba
rio... lan
munidade, a difusão mercial, e sem ganho primá ça
usada pela população ouvinte vit co
erá
da inteligência, da comercial não interes- O sup me
rci
cultura e da arte. sa ficar no ar. do programa. A linguagem da 1234
% al

Política Aberta a todos os par- Têm prioridade na rádio comunitária deve ser a ?
tidos e candidatos. No emissora os cândida- mais próxima do público
período das eleições a tos e partidos que ouvinte, com expressões
comunidade pode mantêm relações com
conhecer os candida- o dono da empresa populares, gírias, casos,
tos através dos deba- /emissora. Pertence histórias.
tes. A rádio não pode ou se subordina a po- Fazer rádio é uma arte. Devemos envolver os ouvintes,
pertencer a político. líticos/partidos. passar emoções, reações. Se quisermos que o público chore,
Religião Não pertence a ne- Algumas pertencem a devemos chorar primeiro; se quisermos que sorria, devemos
nhuma religião. Não religiões e, deste mo- sorrir primeiro; se quisermos que as pessoas se entusiasmem,
faz proselitismo (cate- do, discriminam ou-
quese) de nenhuma tras. Mesmo quando temos que nos entusiasmar primeiro. Se as pessoas não se
religião. Abre espaço não pertencem a de- emocionam, não estamos fazendo programa de rádio. Se não
para, quando chama- terminada religião, as conseguimos passar emoções, reações, o programa não serve.
das, opinarem sobre emissoras procuram Uma outra coisa que devemos prestar atenção, em relação
determinados temas. orientar a programa- à linguagem, é ao tratar sobre um determinado tema: devemos
Não discrimina religi- ção para a religião que partir das coisas que são mais próximas dos ouvintes para
ões. tiver mais poder.
poder expor assuntos mais complexos. Por exemplo: para
Movimentos Eles fazem parte da Desqualifica os movi-
populares rádio – no modo for- mentos populares. Os fazermos o ouvinte entender realmente os problemas da
mal ou informal. A rá- movimentos popula- economia nacional, precisamos partir das necessidades que o
dio comunitária pode res são tratados como trabalhador sofre em sua casa. Como está cada vez mais difícil
anunciar as reuniões inimigos da ordem e de comprar o arroz e o feijão. Depois disso ele poderá
dos movimentos po- da lei. São difundidos entender o que é inflação no Brasil.
pulares, divulgar ma- como formados por
A linguagem radiofônica é entusiasmada, calorosa,
nifestos, cobrir atos baderneiros, terroris-
(reuniões, manifesta- tas, subversivos, radi- acolhedora. No rádio estamos falando a nossos companheiros,
ções públicas, soleni- cais... por isso não devemos ser formais na nossa maneira de falar. É
dades etc. preciso fazer do ouvinte um amigo do apresentador.

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Cada classe social tem sua linguagem própria. Ao definir a É claro que, além de favorecer essa participação popular,
linguagem que utilizaremos em nosso programa, precisamos o radialista deve estar em contato permanente com a população
pensar na classe social das pessoas que o ouvirão. ouvinte para conhecer sua linguagem, suas expressões próprias,
A linguagem tem três níveis: suas lendas, mitos, seus problemas, seus anseios, sua visão de
como deve ser o rádio etc.
1 Dominantes: o povo não fala e nem entende; Conhecer bem os ouvintes é mais do que obrigação do
2 Popular passiva: O povo não fala, mas entende; radialista. É uma necessidade para se fazer um rádio popular.
3 Popular ativa: o povo fala e entende. Quem não faz avaliação se perde.
Levar o povo para falar diretamente no rádio é
Qual será a linguagem mais adequada para uma população verdadeiramente forma de se fazer um rádio popular. Um
ouvinte de lavradores, operários e demais camadas populares? termômetro do caráter popular de nosso rádio é quanto tempo
É claro que se nós falamos de um rádio em que o povo participa, o povo fala nele.
é ator, autor, produtor e receptor de conhecimento, a O melhor programa é aquele que gera bastante discussão
linguagem mais adequada é a popular ativa. Esta é a linguagem e permite a participação da comunidade.
do povo.
Quando estamos fazendo um comentário, dando uma PROGRAMAÇÃO
entrevista, não devemos fazer discursos, impondo nossas
idéias como se fossemos um político num palanque. A rádio A programação diária de uma rádio
comunitária é democrática também na maneira de se falar. comunitária deve conter informação, lazer,
Não se deve falar impondo os nossos pontos de vista aos manifestações culturais, artísticas,
ouvintes. Deixemos que eles tirem a sua própria opinião daquilo folclóricas e tudo aquilo que possa contribuir
que falamos. para o desenvolvimento da comunidade, sem
Há programas, ou parte de programas, que podem ser discriminação de raça, religião, sexo,
gravados com grupos: entrevistas, debates, etc. Essa é uma convicções político-partidárias e condições
boa maneira de se dar voz ao povo no rádio e de se dinamizar sociais. Deve respeitar sempre os valores éticos e sociais da
o programa. Esse programa, gravado com o grupo, vai ser levado pessoa e da família e dar oportunidade à manifestação das
pelo rádio a todos os ouvintes. diferentes opiniões sobre o mesmo assunto. A rádio
Uma outra forma de participação popular é fazer comunitária nasceu para ser diferente, para ser uma nova
avaliações dos programas para ver até onde estamos atingindo forma de comunicação. Por ser algo novo e que muda conforme
nossos ouvintes na forma e na intensidade que queremos. a região, não existe uma receita, um modelo que sirva para
todas.

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SUGESTÕES DE ESTRUTURA DE PROGRAMA PARA PROGRAMA DE 30 MINUTOS

Veja algumas sugestões de roteiro que você pode utilizar Conteúdo Duração
na elaboração do seu programa de rádio. Saudação e apresentação do tema do programa.
2 min.
Ex.: trabalho.
Apoio cultural 30 seg.
PARA PROGRAMA DE 15 MINUTOS Música (pode ser relacionada ao tema) 4 min.
Corpo do programa (narração, radionovela, entrevistas,
Conteúdo Duração etc.). 4 min.
Saudação e apresentação do tema do programa. Bloco musical (2 músicas) 8 min.
Ex.: saúde. 2 min.
Comentário (pode ser sobre o tema, matéria de jornal,
Corpo do programa (narração, radionovela, entrevistas, etc.) 3 min.
4 min.
etc.). Apoio cultural 30 seg.
Apoio cultural 30 seg. Música 4 min.
Música 3 min. Avisos, cartas, recados, comunicados etc. 2 min.
Comentário (pode ser sobre o tema, matéria de jornal, Encerramento 2 min.
etc.) 3 min.

Avisos, cartas, recados, comunicados etc. 1,30 min. MÚSICA


Encerramento 1 min.
Deve ser de boa
Um programa de 15 minutos não deve ter mais de duas ou qualidade. Uma emissora
três seções (blocos). Um bom programa depende do corpo do comunitária não pode se
programa. Então, é aí que devemos colocar todo o nosso prender a modismos, tocando
empenho e criatividade. o que as comerciais tocam. As culturas locais e nacionais devem
Não há necessidade de sequência lógica entre os ser privilegiadas por uma questão de princípio. Mas isto não
programas. O único programa de rádio que tem sequência é a significa fechar as portas ao mundo. Mostre o folclore, a
novela. O que temos que manter é a mesma estrutura, poque cultura regional, os artistas do povo e da região, a produção
isso de certa forma caracteriza o programa. independente. Não esqueça: uma emissora comunitária tem
Deve haver o máximo de harmonia entre os elementos da compromisso com a cultura da comunidade e não com
última parte do programa. Devemos fazê-lo como uma conversa gravadoras; ela é livre para tocar o que quiser. Ao tocar uma
com o ouvinte e não como se estivéssemos dando conselhos música, valorize não apenas quem a interpreta, mas também
frios. quem a compôs, dizendo ao ouvinte o nome do compositor.

18 19
JORNALISMO TIPOS DE RÁDIO
A comunidade é sempre notícia. Rádio Comunitária: É uma emissora administrada por um
r Em cada rua está acontecendo alguma
pula conselho da comunidade. Sem fins lucrativos; não pertence a
O Po
coisa. Faça matérias que mostrem a religião, partido ou empresa; seu objetivo maior é o
realidade, sob o ângulo da comunidade desenvolvimento da comunidade. Ela é plural e democrática.
o que interessa para ela. Não esqueça: Atua com base na legislação.
a rádio é porta-voz da comunidade.
Mostre o povo. Mostre os problemas Rádio Corneta: Em cidades do interior funcionam estas
e discuta soluções com o povo e as “emissoras” que propagam notícias, música e publicidade,
autoridades. Promova debates, discuta através de fios e cabos ligados a alto-falantes ou “cornetas”
as questões locais e nacionais. Relacione os temas de interesse espalhadas pelas ruas principalmente nas praças e feiras.
específico da sua comunidade com os assuntos gerais. Em Muitos desses sistemas de som se auto-intitulam “rádios
tempo de eleições, promova os debates, revele os oportunistas, comunitárias”. O sistema geralmente pertence a pessoas de
os desonestos; permita que a população conheça os honestos poucos recursos que tem paixão pelo rádio. Estas “emissoras”
representantes do povo, aqueles comprometidos com as prestam um grande serviço à comunidade. O principal
legítimas causas populares, com a comunidade, com o país. inconveniente é que o ouvinte não tem direito a “mudar de
estação” como numa rádio tradicional, porque os alto-falantes
SERVIÇO estão pregados nos postes tocando e falando para todo mundo,
quem quer e quem não quer ouvir.
Mantenha um sistema de serviço constante. Fale das
reivindicações da comunidade, da assembléia na fábrica. Rádio-livre: É aquela montada por uma pessoa ou grupo
Divulgue o emprego. Mande avisos, recados,... Coloque um com interesses próprios. Pode ser de esquerda, direita,
boletim sobre cuidados básicos com a saúde, sobre qualidade comercial, anarquista, católica. Não existe legislação para ela.
de vida, alimentação...
Não esqueça, a emissora comunitária Rádio de Baixa Potência: É toda aquela que tem a potência
existe para atender aos interesses do limitada em até 250 watts. Aí se incluem as comunitárias.
povo. Uma rádio a serviço da cidadania
deve sempre ter a intenção de incluir Rádio Pirata: O adjetivo foi indevidamente imposto às
socialmente cada vez mais pessoas no emissoras comunitárias não legalizadas. A expressão é
exercício dos seus direitos. pejorativa e os que lidam com rádio comunitária não aceitam.

20 21
Ela tem origem nos idos de 80, quando um grupo de estudantes, DEFENDA-SE!
para fugir da legislação da Grã-Bretanha que garantia à BBC o
monopólio de rádio e televisão, criaram uma estação de rádio Em algumas ocasiões, pode
em um barco. acontecer que a Polícia Federal e a
Anatel promovam uma repressão
Rádio Clandestina ou Ilegal: Aquela que opera às escondidas. violenta e muitas vezes ilegal contra
As emissoras comunitárias jamais são clandestinas, porque as rádios comunitárias. Uma rádio
não há como fazer clandestina uma comunidade, ou as pessoas comunitária só pode ser fechada ou
que ocupam seu microfone. lacrada com determinação
constitucional. De forma que, se
Rádio Comercial: São as rádios tradicionais que funcionam agentes da Anatel ou da Polícia Federal quiserem fechar sua
em AM ou FM. O processo de obtenção de concessão é similar rádio comunitária, não permita:
às comunitárias, mas seu objetivo principal é o negócio, o lucro.
Ela não tem compromisso com a comunidade. De acordo com a Primeiro: Chame a comunidade para defender a emissora
Constituição do Brasil, estas emissoras comerciais (rádio e e ser testemunha desse abuso. Use o microfone e o telefone.
TV) deveriam priorizar a educação e a cultura, e ainda as Monte uma rede de informações na comunidade. A comunidade
produções regionais. Não fazem nada disso. deve estar preparada para avisar a todos quando aparecerem
agentes da Anatel ou da PF no lugar.
Rádio Educativa: São emissoras que têm como função
principal promover a educação e a cultura. Pertencem a Segundo: Não deixe o agente entrar na sala ou residência
universidades, governo (federal/estadual) ou fundações da sem que a justiça tenha dado permissão para isso e que você
sociedade civil. Realiza transmissão sem fins comerciais, sendo tenha sido comunicado anteriormente. Só permita a entrada
vedada inserção de publicidade. A outorga não depende de dos agentes da Polícia Federal na rádio se apresentarem um
licitação. Mas atenção: nem toda rádio educativa é educativa mandado judicial. Só um juiz tem poder para determinar o
de fato. lacre da emissora, a apreensão de equipamentos ou a prisão
de alguém.

Terceiro: Existe uma decisão do Supremo Tribunal


Federal que diz que a Anatel não pode apreender ou lacrar
equipamentos. É ilegal. Fale para o agente que lhe visitar.

22 23
Quarto: Se insistirem na arbitrariedade, vá à Delegacia
de Polícia e denuncie esses agentes por abuso de autoridade, LEGISLAÇÃO
invasão de domicílio, danos morais, danos de patrimônio, furto
de equipamentos... Depois você entra com um processo contra
a Anatel. No momento, é a pessoa física do agente que deve
Conheça a legislação sobre Rádios Comunitárias. Na sequência
ser denunciada. Denuncie ao promotor local.
você irá ver:

Quinto: Documente tudo. Anote o nome dos agentes, * Lei 9.612 de 19/02/98
fotografe, grave em fita cassete, em vídeo. Deixe o microfone * Lei 10.597 de 11/12/2002
ligado, transmitindo para toda cidade. Lembre-se, porém, que * Decreto 2.615 de 03/06/98
eles estão numa atividade ilegal. Então farão de tudo para não
se identificar e, se preciso, usarão de violência para evitar
Estão em vigor também:
que a ação seja documentada.
* Decreto de 26 de novembro de 2004
Sexto: A comunidade deve ter um advogado instruído na * Norma Complementar 02/1998
matéria para defender a emissora e deixar bem claro aos * Norma Complementar 01/2004
agentes que eles estão cometendo um abuso de autoridade. E * Portaria 191 de 06/08/1998
que eles serão processados, e não a Anatel. * Portaria 83 de 19/07/1999
* Portaria 131 de 19/03/2001
* Portaria 244 de 08/05/2001
Sétimo: Para se prevenir da repressão, entre com mandado
* Portaria 92 de 02/04/2003
de segurança e habeas corpus preventivo. O mandado garante * Portaria 83 de 24/03/2003
o patrimônio físico da rádio, evitando que lacrem ou apreendam * Portaria 602 de 28/11/2003
equipamentos. O habeas corpus garante a integridade física; * Portaria 762 de 22/11/2003
é um salvo-conduto para os dirigentes da emissora, impedindo * Portaria 103 de 23/01/2004
que sejam presos pela PF. Caso tenha já havido a apreensão, * Portaria 76 de 10/02/2005
entre com o mandado de segurança solicitando a devolução e * Portaria 448 de 13/10/2005
* Medida Provisória nº 2143-32 de 02/05/2001
a volta da rádio ao ar. Muitos juízes têm acatado tais pedidos.
* Medida Provisória nº 2143-33 de 31/05/2001 (reedição)

Para conhecer esta legislação com as atualizações acesse o


site do Cefuria: www.cefuria.org.br.

24 25
II - oferecer mecanismos à formação e integração da
LEI Nº 9.612 comunidade, estimulando o lazer, a cultura e o convívio social;
19 de fevereiro de 1998 III - prestar serviços de utilidade pública, integrando-se aos
Institui o Serviço de Radiodifusão Comunitária serviços de defesa civil, sempre que necessário;
IV - contribuir para o aperfeiçoamento profissional nas áreas de
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA atuação dos jornalistas e radialistas, de conformidade com a
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a legislação profissional vigente;
seguinte Lei: V - permitir a capacitação dos cidadãos no exercício do direito
de expressão da forma mais acessível possível.
Art. 1º Denomina-se Serviço de Radiodifusão Comunitária a
radiodifusão sonora, em freqüência modulada, operada em baixa Art 4º As emissoras do Serviço de Radiodifusão Comunitária
potência e cobertura restrita, outorgada a fundações e atenderão, em sua programação, aos seguintes princípios:
associações comunitárias, sem fins lucrativos, com sede na
localidade de prestação do serviço. I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e
informativas em benefício do desenvolvimento geral da
§ 1º Entende-se por baixa potência o serviço de radiodifusão comunidade;
prestado a comunidade, com potência limitada a um máximo de II - promoção das atividades artísticas e jornalísticas na
25 watts ERP e altura do sistema irradiante não superior a trinta comunidade e da integração dos membros da comunidade
metros. atendida;
§ 2º Entende-se por cobertura restrita aquela destinada ao III - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família,
atendimento de determinada comunidade de um bairro e/ou vila. favorecendo a integração dos membros da comunidade
atendida;
Art. 2º O Serviço de Radiodifusão Comunitária obedecerá aos IV - não discriminação de raça, religião, sexo, preferências
preceitos desta Lei e, no que couber, aos mandamentos da Lei sexuais, convicções político-ideológico-partidárias e condição
nº 4.117, de 27 de agosto de 1962, modificada pelo Decreto-Lei social nas relações comunitárias.
nº 236, de 28 de fevereiro de 1967, e demais disposições legais.
§ 1º É vedado o proselitismo de qualquer natureza na
Parágrafo único. O Serviço de Radiodifusão Comunitária programação das emissoras de radiodifusão comunitária.
obedecerá ao disposto no art. 223 da Constituição Federal. § 2º As programações opinativa e informativa observarão os
princípios da pluralidade de opinião e de versão simultâneas
Art. 3º O Serviço de Radiodifusão Comunitária tem por finalidade em matérias polêmicas, divulgando, sempre, as diferentes
o atendimento à comunidade beneficiada, com vistas a: interpretações relativas aos fatos noticiados.
§ 3º Qualquer cidadão da comunidade beneficiada terá direito
I - dar oportunidade à difusão de idéias, elementos de cultura, a emitir opiniões sobre quaisquer assuntos abordados na
tradições e hábitos sociais da comunidade; programação da emissora, bem como manifestar idéias,

26 27
propostas, sugestões, reclamações ou reivindicações, devendo Art. 8º A entidade autorizada a explorar o Serviço deverá instituir
observar apenas o momento adequado da programação para um Conselho Comunitário, composto por no mínimo cinco
fazê-lo, mediante pedido encaminhado à Direção responsável pessoas representantes de entidades da comunidade local, tais
pela Rádio Comunitária. como associações de classe, beneméritas, religiosas ou de
moradores, desde que legalmente instituídas, com o objetivo de
acompanhar a programação da emissora, com vista ao
atendimento do interesse exclusivo da comunidade e dos
Art. 5º O Poder Concedente designará, em nível nacional, para princípios estabelecidos no art. 4º desta Lei.
utilização do Serviço de Radiodifusão Comunitária, um único e
específico canal na faixa de freqüência do serviço de radiodifusão Art. 9º Para outorga da autorização para execução do Serviço
sonora em freqüência modulada. de Radiodifusão Comunitária, as entidades interessadas deverão
dirigir petição ao Poder Concedente, indicando a área onde
Parágrafo único. Em caso de manifesta impossibilidade técnica pretendem prestar o serviço.
quanto ao uso desse canal em determinada região, será indicado,
em substituição, canal alternativo, para utilização exclusiva nessa § 1º Analisada a pretensão quanto a sua viabilidade técnica, o
região. Poder Concedente publicará comunicado de habilitação e
promoverá sua mais ampla divulgação para que as entidades
Art. 6º Compete ao Poder Concedente outorgar à entidade interessadas se inscrevam.
interessada autorização para exploração do Serviço de § 2º As entidades deverão apresentar, no prazo fixado para
Radiodifusão Comunitária, observados os procedimentos habilitação, os seguintes documentos:
estabelecidos nesta Lei e normas reguladoras das condições
de exploração do Serviço. I - estatuto da entidade, devidamente registrado;
II - ata da constituição da entidade e eleição dos seus dirigentes,
Parágrafo único. A outorga terá validade de três anos, permitida devidamente registrada;
a renovação por igual período, se cumpridas as exigências desta III - prova de que seus diretores são brasileiros natos ou
Lei e demais disposições legais vigentes. naturalizados há mais de dez anos;
IV - comprovação de maioridade dos diretores;
Art. 7º São competentes para explorar o Serviço de Radiodifusão V - declaração assinada de cada diretor, comprometendo-se ao
Comunitária as fundações e associações comunitárias, sem fins fiel cumprimento das normas estabelecidas para o serviço;
lucrativos, desde que legalmente instituídas e devidamente VI - manifestação em apoio à iniciativa, formulada por entidades
registradas, sediadas na área da comunidade para a qual associativas e comunitárias, legalmente constituídas e sediadas
pretendem prestar o Serviço, e cujos dirigentes sejam brasileiros na área pretendida para a prestação do serviço, e firmada por
natos ou naturalizados há mais de 10 anos. pessoas naturais ou jurídicas que tenham residência, domicílio
ou sede nessa área.
Parágrafo único. Os dirigentes das fundações e sociedades civis
autorizadas a explorar o Serviço, além das exigências deste
artigo, deverão manter residência na área da comunidade
28 29
atendida.
§ 3º Se apenas uma entidade se habilitar para a prestação do Art. 12. É vedada a transferência, a qualquer título, das
Serviço e estando regular a documentação apresentada, o Poder autorizações para exploração do Serviço de Radiodifusão
Concedente outorgará a autorização à referida entidade. Comunitária.
§ 4º Havendo mais de uma entidade habilitada para a prestação
do Serviço, o Poder Concedente promoverá o entendimento Art. 13. A entidade detentora de autorização para exploração do
entre elas, objetivando que se associem. Serviço de Radiodifusão Comunitária pode realizar alterações
§ 5º Não alcançando êxito a iniciativa prevista no parágrafo em seus atos constitutivos e modificar a composição de sua
anterior, o Poder Concedente procederá à escolha da entidade diretoria, sem prévia anuência do Poder Concedente, desde que
levando em consideração o critério da representatividade, mantidos os termos e condições inicialmente exigidos para a
evidenciada por meio de manifestações de apoio encaminhadas outorga da autorização, devendo apresentar, para fins de registro
por membros da comunidade a ser atendida e/ou por e controle, os atos que caracterizam as alterações mencionadas,
associações que a representem. devidamente registrados ou averbados na repartição
§ 6º Havendo igual representatividade entre as entidades, competente, dentro do prazo de trinta dias contados de sua
proceder-se-á à escolha por sorteio. efetivação.

Art. 10. A cada entidade será outorgada apenas uma autorização Art. 14. Os equipamentos de transmissão utilizados no Serviço
para exploração do Serviço de Radiodifusão Comunitária. de Radiodifusão Comunitária serão pré-sintonizados na
freqüência de operação designada para o serviço e devem ser
Parágrafo único. É vedada a outorga de autorização para homologados ou certificados pelo Poder Concedente.
entidades prestadoras de qualquer outra modalidade de Serviço
de Radiodifusão ou de serviços de distribuição de sinais de Art. 15. As emissoras do Serviço de Radiodifusão Comunitária
televisão mediante assinatura, bem como à entidade que tenha assegurarão, em sua programação, espaço para divulgação de
como integrante de seus quadros de sócios e de administradores planos e realizações de entidades ligadas, por suas finalidades,
pessoas que, nestas condições, participem de outra entidade ao desenvolvimento da comunidade.
detentora de outorga para exploração de qualquer dos serviços
mencionados. Art. 16. É vedada a formação de redes na exploração do Serviço
de Radiodifusão Comunitária, excetuadas as situações de
Art. 11. A entidade detentora de autorização para execução do guerra, calamidade pública e epidemias, bem como as
Serviço de Radiodifusão Comunitária não poderá estabelecer transmissões obrigatórias dos Poderes Executivo, Judiciário e
ou manter vínculos que a subordinem ou a sujeitem à gerência, Legislativo, definidas em leis.
à administração, ao domínio, ao comando ou à orientação de
qualquer outra entidade, mediante compromissos ou relações Art. 17. As emissoras do Serviço de Radiodifusão Comunitária
financeiras, religiosas, familiares, político-partidárias ou cumprirão tempo mínimo de operação diária a ser fixado na
comerciais. regulamentação desta Lei.

30 31
Art. 18. As prestadoras do Serviço de Radiodifusão Comunitária Art. 22. As emissoras do Serviço de Radiodifusão Comunitária
poderão admitir patrocínio, sob a forma de apoio cultural, para operarão sem direito a proteção contra eventuais interferências
os programas a serem transmitidos, desde que restritos aos causadas por emissoras de quaisquer Serviços de
estabelecimentos situados na área da comunidade atendida. Telecomunicações e Radiodifusão regularmente instaladas,
condições estas que constarão do seu certificado de licença de
Art. 19. É vedada a cessão ou arrendamento da emissora do funcionamento.
Serviço de Radiodifusão Comunitária ou de horários de sua
programação. Art. 23. Estando em funcionamento a emissora do Serviço de
Radiodifusão Comunitária, em conformidade com as prescrições
Art. 20. Compete ao Poder Concedente estimular o desta Lei, e constatando-se interferências indesejáveis nos
desenvolvimento de Serviço de Radiodifusão Comunitária em demais Serviços regulares de Telecomunicações e Radiodifusão,
todo o território nacional, podendo, para tanto, elaborar Manual o Poder Concedente determinará a correção da operação e, se
de Legislação, Conhecimentos e Ética para uso das rádios a interferência não for eliminada, no prazo estipulado,
comunitárias e organizar cursos de treinamento, destinados aos determinará a interrupção do serviço.
interessados na operação de emissoras comunitárias, visando
o seu aprimoramento e a melhoria na execução do serviço. Art. 24. A outorga de autorização para execução do Serviço de
Radiodifusão Comunitária fica sujeita a pagamento de taxa
Art. 21. Constituem infrações na operação das emissoras do simbólica, para efeito de cadastramento, cujo valor e condições
Serviço de Radiodifusão Comunitária: serão estabelecidos pelo Poder Concedente.

I - usar equipamentos fora das especificações autorizadas pelo Art. 25. O Poder Concedente baixará os atos complementares
Poder Concedente; necessários à regulamentação do Serviço de Radiodifusão
II - transferir a terceiros os direitos ou procedimentos de execução Comunitária, no prazo de cento e vinte dias, contados da
do serviço; publicação desta Lei.
III - permanecer fora de operação por mais de trinta dias sem
motivo justificável; Art. 26. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
IV - infringir qualquer dispositivo desta Lei ou da correspondente
regulamentação; Art. 27. Revogam-se as disposições em contrário.

Parágrafo único. As penalidades aplicáveis em decorrência das Brasília, 19 de fevereiro de 1998


infrações cometidas são:

I - advertência;
II - multa; e
III - na reincidência, revogação da autorização.

32 33
LEI Nº 10.597 DECRETO Nº 2.615
11 de dezembro de 2002 03 de junho de 1998
Altera parágrafo único do art. 6º da Lei nº 9.612 Aprova o Regulamento do Serviço de
Radiodifusão Comunitária
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que
seguinte Lei: lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista
o disposto na Lei nº 9.612, de 19 de fevereiro de 1998,
Art. 1º O parágrafo único do art. 6º da Lei n º 9.612, de 19 de
fevereiro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação : D E C R ETA:
Art.6º............................................................................................... Art. 1º Fica aprovado, na forma do Anexo a este Decreto, o
Regulamento do Serviço de Radiodifusão Comunitária, que com
Parágrafo único : A outorga terá validade de dez anos, permitida este baixa.
a renovação por igual períodos, se cumpridas as exigências desta
Lei e demais disposições legais vigentes." (NR) Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 03 de junho de 1998.
Brasília, 11 de dezembro de 2002
ANEXO

REGULAMENTO DO SERVIÇO DE RADIODIFUSÃO


COMUNITÁRIA

CAPÍTULO I
DAS GENERALIDADES

Art. 1º Este Regulamento dispõe sobre o Serviço de


Radiodifusão Comunitária - RadCom, instituído pela Lei nº 9.612,
de 19 de fevereiro de 1998, como um Serviço de Radiodifusão
Sonora, com baixa potência e com cobertura restrita, para ser
executado por fundações e associações comunitárias, sem fins
lucrativos, com sede na localidade de prestação do Serviço.

34 35
Art. 2º As condições para execução do RadCom subordinam- Freqüência Modulada, de Televisão em VHF e de Retransmissão
se ao disposto no art. 223 da Constituição Federal, à Lei nº de Televisão em VHF.
9.612, de 1998 e, no que couber, à Lei nº4.117, de 27 de agosto
de 1962, modificada pelo Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro Art. 5º A potência efetiva irradiada por emissora do RadCom
de 1967, e à regulamentação do Serviço de Radiodifusão será igual ou inferior a vinte e cinco watts.
Sonora, bem como a este Regulamento, às normas
complementares, aos tratados, aos acordos e aos atos Art. 6º A cobertura restrita de uma emissora do RadCom é a
internacionais. área limitada por um raio igual ou inferior a mil metros a partir da
antena transmissora, destinada ao atendimento de determinada
Art. 3º O RadCom tem por finalidade o atendimento de comunidade de um bairro, uma vila ou uma localidade de
determinada comunidade, com vistas a: pequeno porte.

I - dar oportunidade à difusão de idéias, elementos de cultura, Art. 7º O Ministério das Comunicações estabelecerá, no
tradições e hábitos sociais da comunidade; comunicado de habilitação de que trata o § lº do art. 9º da Lei nº
II - oferecer mecanismos à formação e integração da 9.612, de 1998, o valor da taxa relativa ao cadastramento da
comunidade, estimulando o lazer, a cultura e o convívio social; emissora, bem como as condições de seu pagamento.
III - prestar serviços de utilidade pública, integrando-se aos
serviços de defesa civil, sempre que necessário; CAPÍTULO II
IV - contribuir para o aperfeiçoamento profissional nas áreas de DAS DEFINIÇÕES
atuação dos jornalistas e radialistas, de conformidade com a
legislação profissional vigente; Art. 8º Para os efeitos deste Regulamento, são adotadas as
V - permitir a capacitação dos cidadãos no exercício do direito seguintes definições:
de expressão, da forma mais acessível possível.
I - Licença para Funcionamento de Estação: é o documento que
Art. 4º A Agência Nacional de Telecomunicações - ANATEL habilita a estação a funcionar em caráter definitivo, e que explicita
designará um único e específico canal na faixa de freqüências a condição de não possuir a emissora direito à proteção contra
do Serviço de Radiodifusão Sonora em Freqüência Modulada, interferências causadas por estações de telecomunicações e
para atender, em âmbito nacional, ao Serviço de que trata este de radiodifusão regularmente instaladas;
Regulamento. II - Localidade de pequeno porte: é toda cidade ou povoado
cuja área urbana possa estar contida nos limites de uma área
Parágrafo único. Em caso de manifesta impossibilidade técnica de cobertura restrita;
quanto ao uso desse canal em determinada região, a ANATEL III - Interferência indesejável: é a interferência que prejudica, de
indicará, em substituição, canal alternativo, para utilização modo levemente perceptível, o serviço prestado por uma estação
exclusiva naquela região, desde que haja algum que atenda aos de telecomunicações ou de radiodifusão regularmente instalada;
critérios de proteção dos canais previstos nos Planos Básicos IV - Interferência prejudicial: é a interferência que, repetida ou
de Distribuição de Canais de Radiodifusão Sonora em continuamente, prejudica ou interrompe o serviço prestado por
36 37
uma estação de telecomunicações ou de radiodifusão legalmente instituídas e devidamente registradas, sediadas na
regularmente instalada. área da comunidade para a qual pretendem prestar o Serviço, e
cujos dirigentes sejam brasileiros natos ou naturalizados há mais
CAPÍTULO III de dez anos.
DA COMPETÊNCIA
Parágrafo único. Os dirigentes das fundações e sociedades civis
Art. 9º Compete ao Ministério das Comunicações: autorizadas a executar o Serviço, além das exigências deste
artigo, deverão manter residência na área da comunidade
I - estabelecer as normas complementares do RadCom, atendida.
indicando os parâmetros técnicos de funcionamento das
estações, bem como detalhando os procedimentos para Art. 12. As entidades interessadas em executar o RadCom
expedição de autorização e licenciamento; deverão apresentar requerimento ao Ministério das
II - expedir ato de autorização para a execução do Serviço, Comunicações, demonstrando seu interesse, indicando a área
observados os procedimentos estabelecidos na Lei nº 9.612, onde pretendem prestar o Serviço e solicitando a designação
de 1998 e em norma complementar; de canal para a respectiva prestação.
III - fiscalizar a execução do RadCom, em todo o território
nacional, no que disser respeito ao conteúdo da programação, Parágrafo único. A ANATEL procederá a análise da viabilidade
nos termos da legislação pertinente; técnica para uso do canal nacionalmente designado para o
RadCom ou de canal alternativo, conforme disposto no art. 4° e
Art. 10. Compete à ANATEL: no inciso I do art. 10 deste Regulamento.

I - designar, em nível nacional, para utilização do RadCom, um Art. 13. Havendo possibilidade técnica para o uso do canal
único e específico canal na faixa de freqüências do Serviço de específico ou de canal alternativo, o Ministério das Comunicações
Radiodifusão Sonora em Freqüência Modulada; publicará, no Diário Oficial da União, comunicado de habilitação
II - designar canal alternativo nas regiões onde houver para inscrição das entidades interessadas, estabelecendo prazo
impossibilidade técnica de uso do canal em nível nacional; para que o façam, bem como informando o valor e as condições
III - certificar os equipamentos de transmissão utilizados no de pagamento da taxa relativa às despesas de cadastramento.
RadCom;
IV - fiscalizar a execução do RadCom, em todo o território Art. 14. As entidades interessadas na execução do RadCom,
nacional, no que disser respeito ao uso do espectro radioelétrico. inclusive aquela cuja petição originou o comunicado de
habilitação, deverão apresentar ao Ministério das Comunicações,
CAPÍTULO IV no prazo fixado no comunicado de habilitação, os documentos
DA AUTORIZAÇÃO a seguir indicados, além de atender as disposições estabelecidas
em norma complementar:
Art. 11. São competentes para executar o RadCom fundações
e associações comunitárias, sem fins lucrativos, desde que I - estatuto da entidade, devidamente registrado;
38 39
II - ata da constituição da entidade e eleição dos seus dirigentes, Parágrafo único. É vedada a expedição de autorização para
devidamente registrada; entidades prestadoras de qualquer outra modalidade de serviço
III - prova de que seus diretores são brasileiros natos, ou de radiodifusão ou de serviços de distribuição de sinais de
naturalizados há mais de dez anos; televisão mediante assinatura, bem como a entidade que tenha
IV - comprovação de maioridade dos diretores; como integrante de seus quadros de sócios e de administradores
V - declaração assinada de cada diretor, comprometendo-se ao pessoas que, nestas condições, participem de outra entidade
fiel cumprimento das normas estabelecidas para o Serviço; detentora de outorga para execução de qualquer dos serviços
VI - manifestação em apoio à iniciativa, formulada por entidades mencionados.
associativas e comunitárias, legalmente constituídas e sediadas
na área pretendida para a prestação do Serviço, e firmada por CAPÍTULO V
pessoas naturais ou jurídicas que tenham residência, domicílio DA FORMALIZAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO
ou sede nessa área.
Art. 19. A autorização para execução do RadCom será
Art. 15. Se apenas uma entidade se habilitar para a prestação formalizada mediante ato do Ministério das Comunicações, que
do Serviço, estando regular a documentação apresentada, o deverá conter, pelo menos, a denominação da entidade, o objeto
Ministério das Comunicações expedirá autorização à referida e o prazo da autorização, a área de cobertura da emissora e o
entidade. prazo para início da execução do Serviço.

Art. 16. Havendo mais de uma entidade habilitada para a Art. 20. O Ministério das Comunicações providenciará a
prestação do Serviço, o Ministério das Comunicações promoverá publicação, no Diário Oficial da União, do resumo do ato de
o entendimento entre elas, objetivando que se associem. Não autorização, como condição indispensável para sua eficácia, nos
alcançando êxito, será procedida a escolha pelo critério de termos dos instrumentos aplicáveis.
representatividade, evidenciada por meio de manifestações de
apoio encaminhadas por membros ou por associações da CAPÍTULO VI
comunidade a ser atendida. DA INSTALAÇÃO DE EMISSORA DO SERVIÇO DE
RADIODIFUSÃO COMUNITÁRIA
Parágrafo único. Havendo igual representatividade entre as
entidades, proceder-se-á à escolha por sorteio. Art. 21. As condições necessárias à instalação da emissora,
bem como o prazo para o início efetivo da execução do RadCom,
Art. 17. A autorização terá validade de três anos, permitida a serão estabelecidos pelo Ministério das Comunicações em
renovação por igual período, se cumpridas as disposições legais norma complementar.
vigentes.
Parágrafo único. O prazo mencionado neste artigo será contado
Art. 18. A cada entidade será expedida apenas uma autorização a partir da data de publicação do ato de autorização.
para execução do RadCom.
Art. 22. Dentro do prazo que lhe é concedido para iniciar a
40 41
execução do Serviço, a entidade deverá requerer a emissão de Art. 29. É vedada a formação de redes na execução do RadCom,
Licença para Funcionamento de Estação, devendo instruir o excetuadas as situações de guerra, calamidade pública e
requerimento de acordo com o estabelecido em norma epidemias, bem como as transmissões obrigatórias dos Poderes
complementar. Executivo, Judiciário e Legislativo, definidas em lei.

CAPÍTULO VII CAPÍTULO VIII


DA EXECUÇÃO DO SERVIÇO DA PROGRAMAÇÃO

Art. 23. O Ministério das Comunicações disporá, em norma Art. 30. As emissoras do RadCom atenderão, em sua
complementar, sobre as características de operação das programação, aos seguintes princípios:
emissoras do RadCom.
I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e
Art. 24. Os equipamentos utilizados no RadCom serão informativas, em benefício do desenvolvimento geral da
certificados pela ANATEL, devendo ser pré-sintonizados na comunidade;
freqüência de operação consignada à emissora. II - promoção das atividades artísticas e jornalísticas na
comunidade, e da integração dos membros da comunidade
Art. 25. A emissora do RadCom operará sem direito a proteção atendida;
contra eventuais interferências causadas por estações de III - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família,
Serviços de Telecomunicações e de Radiodifusão regularmente favorecendo a integração dos membros da comunidade
instaladas. atendida;
IV - não discriminação de raça, religião, sexo, preferências
Art. 26. Caso uma emissora do RadCom provoque interferência sexuais, convicções político-ideológico-partidárias e condição
indesejável nos demais Serviços regulares de Telecomunicações social nas relações comunitárias.
e de Radiodifusão, a ANATEL determinará a interrupção do
serviço da emissora de RadCom interferente, no prazo fixado § 1º É vedado o proselitismo de qualquer natureza na
em norma complementar, até a completa eliminação da causa programação das emissoras de radiodifusão comunitária.
da interferência. § 2º As programações opinativa e informativa observarão os
princípios da pluralidade de opinião e de versão simultânea em
Art. 27. Caso uma emissora do RadCom provoque interferência matérias polêmicas, divulgando sempre as diferentes
prejudicial nos demais Serviços regulares de Telecomunicações interpretações relativas aos fatos noticiados.
e de Radiodifusão, a ANATEL determinará a imediata interrupção § 3º Qualquer cidadão da comunidade beneficiada terá direito
do seu funcionamento, até a completa eliminação da causa da a emitir opiniões sobre quaisquer assuntos abordados na
interferência. programação da emissora, bem como manifestar idéias,
propostas, sugestões, reclamações ou reivindicações, devendo
Art. 28. As emissoras do RadCom cumprirão período de oito observar apenas o momento adequado da programação para
horas, contínuas ou não, como tempo mínimo de operação diária. fazê-lo, mediante pedido encaminhado à direção responsável
42 43
pela rádio comunitária. CAPÍTULO X
DA RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO
Art. 31. As emissoras do RadCom assegurarão, em sua
programação, espaço para divulgação de planos e realizações Art. 36. A autorização para execução do RadCom poderá ser
de entidades ligadas, por suas finalidades, ao desenvolvimento renovada por um outro período de três anos, desde que a
da comunidade. autorizada apresente solicitação neste sentido com antecedência
de três a um mês do seu termo final e que cumpra as exigências
Art. 32. As prestadoras do RadCom poderão admitir patrocínio, estabelecidas para tanto pelo Ministério das Comunicações.
sob a forma de apoio cultural, para os programas a serem
transmitidos, desde que restritos aos estabelecimentos situados Art. 37. A renovação da autorização para execução do RadCom
na área da comunidade atendida. implicará pagamento de valor relativo às despesas decorrentes
deste ato.
Art. 33. É vedada a cessão ou arrendamento da emissora do
RadCom ou de horários de sua programação. CAPÍTULO XI
DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES
CAPÍTULO IX
DA TRANSFERÊNCIA DA AUTORIZAÇÃO Art. 38. As penalidades aplicáveis em razão de infringência a
qualquer dispositivo da Lei nº 9.612, de 1998, deste Regulamento
Art. 34. É vedada a transferência da autorização para execução e das normas aplicáveis ao RadCom são:
do RadCom, a qualquer título, nos termos do art. 12 da Lei nº
9.612, de 1998. I - advertência;
II - multa; e
Art. 35. A entidade autorizada a executar o RadCom pode, sem III - na reincidência, revogação da autorização.
anuência do Ministério das Comunicações, realizar alterações
em seus atos constitutivos e modificar a composição de sua § 1º A pena de advertência poderá ser aplicada ao infrator
diretoria, desde que essas operações não impliquem alteração primário quando incorrer em infração considerada de menor
nos termos e condições inicialmente exigidos para a autorização, gravidade.
devendo apresentar ao Ministério das Comunicações os atos § 2º Os valores das multas a serem aplicadas obedecerão aos
que caracterizam as alterações mencionadas, devidamente critérios estabelecidos no art. 59 da Lei nº 4.117, de 1962, com
registrados ou averbados na repartição competente, para fins a redação que lhe deu o art. 3º do Decreto-Lei nº 236, de 1967.
de registro e controle, no prazo de trinta dias contado de sua
efetivação. Art. 39. Antes da aplicação de penalidades, a autorizada será
notificada para exercer seu direito de defesa, conforme o
estabelecido na Lei nº 4.117, de 1962, sem prejuízo da apreensão
cautelar de que trata o parágrafo único do seu art. 70, com a
redação que lhe deu o art. 3º do Decreto-Lei nº236, de 1967.
44 45
Art. 40. São puníveis com multa as seguintes infrações na XIII - cessão ou arrendamento da emissora ou de horários de
operação das emissoras do RadCom: sua programação;
XIV - transmissão de patrocínio em desacordo com as normas
I - transferência a terceiros dos direitos ou procedimentos de legais pertinentes;
execução do Serviço; XV - transmissão de propaganda ou publicidade comercial a
II - permanência fora de operação por mais de trinta dias sem qualquer título;
motivo justificável; XVI - desvirtuamento das finalidades do RadCom e dos princípios
III - uso de equipamentos não certificados ou homologados pela fundamentais da programação;
ANATEL; XVII - utilização de denominação de fantasia diversa da
IV - manutenção, pela autorizada, no seu quadro diretivo, de comunicada ao Ministério das Comunicações;
dirigente com residência fora da área da comunidade atendida; XVIII - imposição de dificuldades à fiscalização do Serviço;
V - não manutenção do Conselho Comunitário, nos termos da XIX - não manutenção em dia os registros da programação em
Lei; texto e fitas, nos termos da regulamentação;
VI - estabelecimento ou manutenção de vínculos que subordinem XX - uso de equipamentos fora das especificações constantes
a entidade ou a sujeitem à gerência, à administração, ao domínio, dos certificados emitidos pela ANATEL;
ao comando ou à orientação de qualquer outra entidade, XXI - não obediência ao tempo de funcionamento da estação
mediante compromissos ou relações financeiras, religiosas, comunicado ao Ministério das Comunicações;
familiares, político-partidárias ou comerciais; XXII - alteração das características constantes da Licença para
VII - não comunicação ao Ministério das Comunicações, no prazo Funcionamento de Estação, sem observância das formalidades
de trinta dias, das alterações efetivadas nos atos constitutivos estabelecidas;
ou da mudança de sua diretoria; XXIII - não solicitação, no prazo estabelecido, da expedição de
VII - não comunicação ao Ministério das Comunicações, no prazo Licença para Funcionamento de Estação;
de trinta dias, das alterações efetivadas nos atos constitutivos XXIV - não observância do prazo estabelecido para início da
ou da mudança de sua diretoria; execução do Serviço;
VIII - modificação dos termos e das condições inicialmente XXV - utilização de freqüência diversa da autorizada;
atendidos para a expedição do ato de autorização; XXVI - início da execução do Serviço pela autorizada sem estar
IX - não destinação de espaço na programação disponível à previamente licenciada;
divulgação de planos e realizações de entidades ligadas, por XXVII - início da operação em caráter experimental pela
suas finalidades, ao desenvolvimento da comunidade; autorizada, sem ter comunicado o fato no prazo estabelecido
X - formação de redes na exploração do RadCom; em norma complementar;
XI - não integração a redes quando convocadas em situações XXVIII - não comunicação de alteração do horário de
de guerra, calamidade pública e epidemias; funcionamento;
XI - não integração a redes quando convocadas em situações XXIX - não cumprimento pela autorizada, no tempo estipulado,
de guerra, calamidade pública e epidemias; de exigência que lhe tenha sido feita pelo Ministério das
XII - não integração a redes para as transmissões obrigatórias Comunicações ou pela ANATEL.
dos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo;
46 47
CAPÍTULO XII REFERÊNCIAS
DA INTERRUPÇÃO DO SERVIÇO
No ar... Uma Rádio Popular
Art. 41. A execução do RadCom será interrompida nos seguintes
CPT-Comissão Pastoral da Terra
casos:
Co-Edição CEMI - Centro de Comércio e Editora Popular São
I - de imediato, na ocorrência de interferências prejudiciais; Miguel
II - no prazo estipulado pela ANATEL, na constatação de
interferências indesejáveis, caso estas não tenham sido O Direito de Falar - Rádios Comunitárias
eliminadas; Deputado Federal Walter Pinheiro (PT-BA)
III - quando estiver configurada situação de perigo de vida.
Rádio Comunitária Não é Crime - Direito de Antena: o espectro
CAPÍTULO XIII
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS eletromagnético como um bem difuso
Armando Coelho Neto
Art. 42. As entidades autorizadas a executar o RadCom estão
sujeitas ao pagamento das taxas de fiscalização das Textos enviados por Benedito Ballio Prado
telecomunicações previstas em lei. ABRAÇO - Associação Brasileira de Rádios Comunitárias-BA

Art. 43. A entidade detentora de autorização para execução do


RadCom não poderá estabelecer ou manter vínculos que a
subordinem ou a sujeitem à gerência, à administração, ao SITES PARA CONSULTA
domínio, ao comando ou à orientação de qualquer outra entidade,
mediante compromissos ou relações financeiras, religiosas, Diário Oficial da União
familiares, político-partidárias ou comerciais. www.in.gov.br

Andamento dos processod das rádios na Câmara dos Deputados


www.camara.gov.br

Avisos e outras decisões do Ministério das Comunicações e


da Anatel
www.mc.gov.br
www.anatel.gov.br

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Fone: (41) 3313-2000 Fone: (41) 3324-0099

CEDOC MARA VALLAURI


Pesquisa dos Movimentos Sociais
cedocmaravallauri@cefuria.org.br

Fone: (41) 3322-8487 Fone: (41) 3313-2000


cefuria@cefuria.org.br
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Ziziar Poético

Somos o caldo da cana, o amargo da erva e o cheiro, o


vaga-lume o luzeiro, da história na madrugada. Somos
vento que anuncia a chegada do inverno, somos o abraço
fraterno dando à vida novo rumo, da sociedade o humo,
o sal que lhe dar sabor.

Somos a cacimba, a sombra, o raiar do novo dia, o sabiá


que anuncia cantando que Deus existe, o militante que
insiste, acreditando e seguindo.
Parteira e mulher parindo, a dor que encontra o sorriso,
o talento, o improviso, o pescador que navega, o
adolescente que cega, vivendo o primeiro amor.

Somos a água do coco, que ninguém sabe quem pôs, o


poeta que compôs na concha uma melodia, que faz
lembrar todo dia, a sinfonia do mar. Cigarras a ziziar
alegrando o universo, rumando pro multiverso de
nebulosas douradas, de vidas melhor cuidadas, de
corações complacentes, de bocas cheias de dentes,
barrigas alimentadas, de pas na terra e risadas, de
flores, não de canhões, onde as intensas paixões sejam
humanos sentimentos.

João Santiago