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Os benefícios da prática budista

DEZEMBRO DE 2004 — EDIÇÃO Nº 436

Quando uma pessoa recita o Nam-myoho-rengue-kyo, sua vida é conduzida para o


caminho mais seguro e, dessa forma, é capaz de conquistar a verdadeira felicidade.
Mesmo que, num primeiro instante, as orações pareçam não serem respondidas, sem
dúvida alguma elas estão sendo conduzidas para melhorar algo na vida dessa pessoa,
num processo muitas vezes imperceptível, como a revolução humana, e, no momento
certo, produzirá uma grande boa sorte perceptível tanto para si como para os demais
ao redor. O importante é jamais desistir, perseverar e sempre que se encontrar em
grandes dificuldades,
retornar ao ponto
primordial.

Conquistar a
felicidade — sem
dúvida alguma, este
é o ideal de todas as
pessoas. E por
associar a felicidade
à realização de
sonhos é que as
pessoas lançam
diversos objetivos no
início do ano. Porém,
em meio ao corre-
corre dos 365 dias,
acabam perdendo de vista o que objetivaram. O Budismo de Nitiren Daishonin
expõe o princípio de consistência do início ao fim. Ou seja, não viver apenas de
decisão, mas concretizar os objetivos efetivamente, mantendo a fé até o fim
com base em uma firme e resoluta oração, com a certeza de que a vida está
sendo conduzida para o melhor caminho.

Sinteticamente, Nam-myoho-rengue-kyo é a essência do Universo. Nam


significa devotar. Myoho, Lei (ho) Mística (myo). Rengue é a lei de causa e
efeito que se manifesta em todos os fenômenos do Universo. E kyo significa a
função e a influência da vida, como também a transformação do destino,
simbolizando a continuidade da vida por meio do passado presente e futuro.
Por essas razões, a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo é o caminho da
verdadeira felicidade. Mas qual a ação dele na vida? Quais os benefícios da
prática budista?

Todas as pessoas, indistintamente, possuem o estado de Buda inerente, uma


condição pura e elevada que as possibilitam desfrutar uma vida de plena
realização, que nada pode abalar. Apesar disso, muitas desconhecem esse
fato. Dessa forma, acabam se deixando levar pelas influências negativas do
dia-a-dia.

Além desse supremo estado de Buda, todas possuem também os outros nove:
Inferno, Fome, Animalidade, Ira, Tranqüilidade, Alegria, Erudição, Absorção e
Bodhisattva. O ambiente de uma pessoa é reflexo do estado de vida em que
ela se encontra, e esse estado as conduz para a felicidade ou infelicidade, pois
é com base nele que ela pensa, fala e age.

O Nam-myoho-rengue-kyo é a energia positiva máxima do Universo que


possibilita às pessoas retornarem ao ponto essencial da pureza de sua vida —
o estado de Buda.

Quando uma pessoa recita Nam-myoho-rengue-kyo, essa energia se manifesta


e o estado de Buda é ativado. Além disso, com essa prática, a vida se funde
com o estado de vida do Buda e pode-se extrair uma força impressionante para
realizar a revolução humana e ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo.
Dessa forma, cria-se a causa para uma felicidade suprema, livre das amarras
do sofrimento. Portanto, o Nam-myoho-rengue-kyo age na transformação da
causa negativa. “Praticar simplesmente os sete caracteres do Nam-myoho-
rengue-kyo pode parecer limitado, mas como esta Lei é a mestra de todos os
budas do passado, presente e futuro, a mestra de todos os budas e
bodhisattvas do Universo, e o guia que possibilita a todos atingirem o estado de
Buda, sua prática é imensuravelmente profunda”,1 escreveu Nitiren Daishonin.
Dessa forma, a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo age no nível mais
profundo, fazendo cada pessoa mudar a essência real de sua vida, e não
apenas as questões superficiais.

Quando se transforma a causa do sofrimento existente na própria vida,


conquista-se o que se deseja. Ou seja, concretizar um objetivo significa haver
mudado a causa negativa que provoca o sofrimento. Por isso, é sempre
enfocada a necessidade de orar até conquistar o objetivo.

O presidente da SGI, Daisaku Ikeda, afirma: “A fé é uma esperança


indestrutível. É exatamente quando enfrentamos situações adversas que
precisamos orar. A chave é oferecer orações concretas e agir até que os
resultados apareçam. As orações embasadas na Lei Mística não são abstratas.
Nas profundezas da vida, elas manifestam-se concretamente. Oferecer
orações é o mesmo que conduzir um diálogo, um intercâmbio com o Universo.
Quando oramos, abraçamos o Universo com nossa vida, ou itinen
(determinação). A oração é uma luta para expandir nossa vida. A oração não é
um consolo ineficaz, é uma convicção inabalável e poderosa. E a oração
manifesta-se na ação. Ou seja, se nossas orações são sinceras, elas farão
surgir a ação. As orações manifestam-se na ação e a ação tem de ser
fundamental na oração. Aqueles que oram e empreendem ações em prol do
Kossen-rufu são os emissários do Buda. Eles não falham em conduzir uma
vida em que todos os desejos são realizados.”2

Ao recitar esta oração diariamente, todas as pessoas são capazes de adquirir


um estado de felicidade absoluta e indestrutível. Basta ter perseverança,
jamais desanimar, acreditar e agir para que se obtenha os verdadeiros
benefícios da prática. Sobre isso, o presidente Ikeda disse, por ocasião de sua
primeira visita ao Brasil: “Em se tratando de oração, existem pessoas que não
se esforçam e ficam apenas esperando que a resposta de seu pedido caia do
céu. Se uma religião permite esta conduta, estará então corrompendo o ser
humano. No Budismo de Nitiren Daishonin, a oração é originalmente um
juramento e sua essência é o Kossen-rufu. Em outras palavras, significa orar
resolutamente com a seguinte determinação: ‘Eu vou realizar o Kossen-rufu do
Brasil. Para isso, vou demonstrar brilhantes comprovações também em meu
trabalho. Por favor, faça com que eu possa evidenciar com o máximo de
minhas forças.’ Este deve ser o contexto básico de nossas orações. Com essa
disposição, devemos estabelecer objetivos claros a serem realizados
concretamente a cada dia, desafiando-os e orando pela concretização de cada
um deles. É dessa seriedade e forte determinação que emergem a sabedoria e
a criatividade, e é a partir disso que se abre o caminho para o sucesso.
Portanto, a vitória na vida surge da interação entre decisão e oração, esforço e
planejamento. É um erro querer ganhar uma grande fortuna apenas sonhando
ou ficando na expectativa do aparecimento de uma oportunidade de ganho fácil
e lucrativo.”3

Com base nesta perspicaz orientação do presidente Ikeda, pode-se concluir a


importância de, em primeiro lugar, buscar fazer causas positivas para obter
efeitos positivos e conquistar a vitória. E a causa está sempre na oração
convicta e na ação corajosa. Mesmo que, num primeiro instante, a oração
pareça não ser respondida, não ter efeito nenhum, com certeza está sendo
direcionada para melhorar algum aspecto da vida e transformar os desejos
mundanos em iluminação.

Transformação dos desejos mundanos em iluminação


DEZEMBRO DE 2004 — EDIÇÃO Nº 436

A vida é cheia de sofrimentos, dos quais ninguém está livre. A superação ou


não deles dependerá, única e exclusivamente, da forma como cada pessoa os
encara.

Geralmente as pessoas tendem a pensar que seus problemas são causados


por fatores externos. Porém, o budismo considera que a causa básica dos
sofrimentos encontra-se nos desejos mundanos e nos apegos inerentes à vida.
Estes, por sua vez, originam-se dos chamados três venenos: avareza, ira e
estupidez.

Sobre esse ponto, no escrito “Ouvindo pela primeira vez sobre o supremo
veículo” consta: “Quando se examina as causas dos sofrimentos físico e
espiritual, vemos que tais sofrimentos nascem dos três venenos da avareza, ira
e estupidez. Esses sentimentos mundanos e os sofrimentos que eles geram
estão ligados ao carma que prende as pessoas ao mundo dos sofrimentos.”4

A questão é: o que fazer com esses desejos que acompanham a vida das
pessoas desde que nascem?

O budismo elucida que esses mesmos desejos mundanos, movidos pela


avareza, ira e estupidez, que atuam como escuridão fundamental para impedir
as pessoas de compreenderem a verdade de que elas possuem inerente a
natureza de Buda em sua vida, podem ser iluminados e direcionados para o
bem ou para a construção.

Portanto, eles não precisam ser eliminados, uma vez que fazem parte da vida e
podem ser transformados.

A sabedoria para discernir a verdadeira natureza dos


apegos a desejos mundanos
DEZEMBRO DE 2004 — EDIÇÃO Nº 436

Nesse sentido, a sabedoria é algo que um


budista precisa desenvolver ao longo de
sua prática. Porém, não se trata do
simples acúmulo de conhecimento, mas
da capacidade de compreensão e
discernimento fortalecida pela fé na Lei
Mística, pela recitação do Nam-myoho-
rengue-kyo. O sincero Daimoku possibilita
às pessoas observarem profundamente
sua própria vida.

Na obra Preleção dos Capítulos Hoben e Juryo do Sutra de Lótus, Daisaku


Ikeda comenta: “A causa fundamental da infelicidade das pessoas reside em
sua tendência para desenvolver apegos de vários tipos. O apego é um grilhão
que prende o coração; indica os desejos mundanos, um desejo ardente e
coisas semelhantes.”5

Saber reconhecer que os apegos constituem um empecilho para o avanço e a


conquista de benefícios torna-se, portanto, uma premissa básica a ser seguida.

Pessoas que vivem em função de uma outra, que fazem dela o centro ou a
razão de sua existência, no momento em que, por algum motivo, não mais a
tem ao seu lado, vêem-se totalmente perdidas, incapacitadas e
desencorajadas. Outras que vivem presas a acontecimentos passados,
simplesmente não conseguem enxergar as oportunidades de avanço que se
apresentam no presente. Há aquelas que vivem presas a mágoas e
ressentimentos por uma outra pessoa devido, por exemplo, a algum comentário
que esta tenha feito sobre elas. Essas pessoas não conseguem seguir o
caminho do auto-aprimoramento ou desenvolver o seu “eu”, pois só vivem a
pensar no que a outra diz. Apego ao status, ou mais especificamente, à
posição que ocupa na organização é um outro grilhão na vida de uma pessoa.
Ao ver-se numa posição em que não mais exerce a liderança, tende a perder
totalmente o ânimo e o espírito de desafio. As que vivem apegadas aos bens
materiais, principalmente ao dinheiro, tendem a sofrer por isso, pois não
conseguem enxergar as maravilhas do mundo, como o calor de uma
verdadeira amizade. Estes e diversos outros tipos de apegos, todos originados
dos três venenos, necessitam ser redirecionados ao bem e elevados a
propósitos nobres. Torna-se fundamental, portanto, as pessoas se
perguntarem: por que e para quê desejo viver com fulano? Por que e para quê
encontro-me na liderança desta organização? Por que e para quê desejo este
emprego ou então ganhar mais dinheiro? Saber reconhecer e direcionar os
apegos é o que torna a vida significativa. O budismo ensina que o importante é
fazer pleno uso dos apegos em vez de se permitir ser controlado por eles.

Na mesma obra citada anteriomente, Daisaku Ikeda ressalta: “A essência do


Budismo Mahayana reside em desenvolver um estado de vida que nos permite
discernir claramente e utilizar totalmente nossos apegos, e em conduzir uma
vida significativa por meio do cultivo de fortes apegos.

“A fé implica que nós próprios devemos criar uma ‘montanha’, escalá-la e então
começar novamente. Nesse processo, evoluímos de um estado de vida em que
nos encontramos presos às nossas pequenas preocupações para uma
condição em que podemos desafiar progressivamente preocupações maiores
— pelo bem de um amigo, de muitas outras pessoas e de toda a humanidade.

“Para tanto, é importante considerarmos sempre o propósito de nossas ações.


Quando estabelecemos claramente nossos objetivos fundamentais da vida,
podemos utilizar nossos apegos de forma mais útil e plena. Podemos
transformá-los em ventos favoráveis que nos impulsionam rumo à felicidade.

“Este princípio nos oferece uma visão extremamente preciosa para vivermos na
sociedade moderna, em que as pessoas são constantemente dominadas pelas
necessidades mais variadas e pelos desejos mais intensos.”6

A chave, portanto, segundo Ikeda, está na evolução de um estado de vida em


que as pessoas se encontram presas às pequenas preocupações para uma
condição mais nobre, como é o caso do Kossen-rufu, que nada mais é que a
realização da revolução humana de cada indivíduo e a subseqüente
concretização da paz mundial.

No início da prática, observa-se que as pessoas conseguem facilmente


concretizar seus objetivos, ou seja, obter benefícios. Isso se deve a sua
sinceridade e disposição de não medirem esforços para orar e vencer o grande
sofrimento que as levou a se converter ao budismo. É por essa razão que o
retorno ao ponto primordial da prática, ou seja, o resgate dessa sinceridade e
disposição, torna-se fundamental na vida de todos.

Sobre esse aspecto, Daisaku Ikeda comenta: “À medida que o foco de nossas
orações se expande, incluindo não apenas nossos próprios desejos como
também a felicidade de nossos amigos, de nossa família, de nossos colegas de
classe, da sociedade e de toda a humanidade, nossos horizontes também irão
se expandir, bem como nossa grandeza como seres humanos.”7

Quando pensamentos do tipo “Por que devo orar por outras pessoas? Por que
preciso incentivá-las se os meus problemas são maiores que os dela?” deixam
de ocupar a mente de uma pessoa é um sinal de que ela está evoluindo em
sua prática budista e está expandindo seu ser como um verdadeiro
bodhisattva, condição de vida embasada em uma grande benevolência.
Quando um praticante atinge essa condição, quando suas orações e ações
baseiam-se na benevolência por todos os seres, sua vida passa a ser regida
pelo mesmo ritmo da Lei do Universo, o Nam-myoho-rengue-kyo, e é
direcionada por ela para a construção, o bem, o avanço e, conseqüentemente,
para a consecução de grandes benefícios.

Benefícios imperceptíveis
TERCEIRA CIVILIZAÇÃO, EDIÇÃO Nº 436, PÁG. 15, DEZEMBRO DE 2004.

No Budismo de Nitiren Daishonin os benefícios advindos da prática são


classificados em perceptíveis e imperceptíveis ou conspícuos e inconspícuos.
Dos dois, o mais importante são os imperceptíveis, ou aqueles que no
momento presente não são visíveis, mas integram a vida das pessoas para se
manifestarem na forma de revolução humana e sublime iluminação, projetando
boa sorte para as gerações futuras.

Nitiren Daishonin afirma que “aqueles que obtiveram o benefício durante os


Primeiros e Médios Dias da Lei receberam benefícios

‘conspícuos’, pois a relação que estabeleceram com o Sutra de Lótus no


transcurso da existência do Buda, finalmente havia amadurecido. Por outro
lado, aqueles nascidos atualmente, nos Últimos Dias da Lei, receberam a
semente do estado de Buda pela primeira vez, e o benefício deles é, portanto,
inconspícuo.”8

Há casos em que as pessoas recitam o Daimoku com toda a seriedade e


sinceridade para transformar determinadas dificuldades no dia-a-dia ou mesmo
questões mais graves, e com isso obtêm um benefício claramente perceptível.
Mas esses benefícios perceptíveis podem ser alcançados como conseqüência
dos benefícios imperceptíveis. E esse, certamente, é o caso ideal, já que seria
a transformação da própria essência da pessoa, manifestando efeitos em todas
as dimensões da vida — passado, presente e futuro.

No artigo “A Essência da Revolução Humana”, o segundo presidente da Soka


Gakkai, Jossei Toda, afirma que todos os que praticam o budismo de
Daishonin poderão, naturalmente, transformar sua circunstância familiar e obter
a estabilidade financeira, mas que esse tipo de fé está “bem distante da
verdadeira revolução humana” e que isso “não é nada mais do que uma
pequena parte do grandioso benefício do Gohonzon”. Ele escreveu: “A minha
esperança é que, empreendendo uma incansável batalha contra os três
poderosos inimigos e derrotando os três obstáculos e as quatro maldades,
vocês compreendam a essência da revolução humana, que representa o
verdadeiro benefício da fé.”9

As boas circunstâncias, bens materiais, o sucesso profissional e muitos outros


fatores que buscamos constantemente como objetivos de vida são importantes,
mas não são os benefícios essenciais, são tão transitórios como uma ilusão.
Diferentemente, o estado de Buda é uma condição indestrutível que se reflete
por toda a eternidade. Conforme diz o presidente Ikeda, “à medida que
praticamos com sinceridade e seriedade do fundo do nosso ser, se tivermos
uma fé forte e pura, mesmo que no momento os resultados não sejam visíveis,
eles com certeza se manifestarão nas gerações de nossos filhos e netos.
Gostaria que todos vocês tivessem absoluta convicção nisso. Todos os meus
empreendimentos não são conduzidos com vistas a médio prazo. Eles visam o
distante futuro que se estende eternamente pelos Últimos Dias da Lei. E
acredito que Nitiren Daishonin, o Sr. Makiguti e o Sr. Toda sabem que esse é o
meu espírito.” 10

Segundo Daisaku Ikeda, “os benefícios nos Últimos Dias da Lei são
fundamentalmente imperceptíveis por natureza. Uma árvore nova cresce a
cada ano e, então, quando encontra certas condições, floresce — não um ou
dois ramos, mas totalmente. Similarmente, continuando a empenhar assíduos
esforços, seremos campeões de eternas vitórias cuja vida é repleta de
benefícios e boa sorte. É para esse fim que nos esforçamos em nossa prática
budista diária. Aqueles que empenham tenazes esforços avançam a passos
largos em sua revolução humana.” 11

Além disso, uma árvore, para se tornar frondosa, passa boa parte de sua
“juventude” fincando profundas raízes e fortificando as bases essenciais para a
sua sobrevivência. Sem dar os suculentos frutos, nem as belas flores, a
pequena planta suporta sol, chuva, vento e pragas, persistindo por longos anos
para, então, apresentar o aspecto do benefício. Assim, a chave para “construir”
os preciosos benefícios imperceptíveis é a persistência, os esforços contínuos,
empenhar-se até o fim.

Kossen-rufu é agir para revolucionar a vida


A verdadeira comprovação é obtida especialmente quando se dedica com toda
a sinceridade pela mais nobre causa, o Kossen-rufu. No Ongui Kuden (Registro
dos Ensinos Orais), Nitiren Daishonin correlaciona os cinco caracteres do
Myoho-rengue-kyo ao nosso corpo e declara: “Nossa cabeça é myo, nossa
garganta é ho, nosso peito é ren, nosso abdômen é gue, e nossas pernas são
kyo.”12 E o presidente Ikeda explica: “‘Nossas pernas’ correspondem à ação.
Somente quando agimos é que podemos realmente manifestar a Lei Mística
em nossa vida. Quando falo em ação, refiro-me às atividades diárias da SGI. É
por meio dessas atividades que adquirimos ‘centenas de benefícios’.”13

Nesse trecho, Ikeda relembra o conceito de “centenas de benefícios” citado no


sétimo capítulo do Sutra de Lótus: “Herói do mundo sem par, você, que se
adorna com uma centena de benefícios, atingiu a insuperável sabedoria.”14 Ele
afirma, ainda, que todos aqueles que se dedicam incansavelmente pela
felicidade da humanidade são “heróis do mundo” equivalentes ao Buda. Os
benefícios dessa dedicação podem ser imperceptíveis no início, mas se tornam
cada vez mais claros com o tempo e se manifestam no momento certo,
estendendo-se na forma de genuína boa sorte a todas as gerações da pessoa.
“Aqueles que se empenham incansavelmente para propagar o Kossen-rufu
resplandescerão no Universo com a maior das recompensas — uma
recompensa eterna”, afirma Ikeda.15 Em outra ocasião, ele disse: “As
reverberações da Lei Mística alcançam todos os seres falecidos por todo o
Universo e pelas três existências do passado, presente e futuro, comunicando-
lhes os benefícios.”16

São as pequenas ações no dia-a-dia que constroem a causa do maior


benefício, a revolução humana — uma mudança lenta e gradativa, muitas
vezes imperceptível aos olhos de uma pessoa em estados de vida inferiores.
Ao elevá-los, tudo se torna perceptível. Os benefícios inerentes nas
profundezas da vida são sentidos e inspiram uma forte convicção e a
verdadeira alegria da prática da fé.

Entretanto, da mesma forma que as boas causas se transformam em


benefícios que se estendem por todas as gerações, ações negativas também
se refletem na vida de nossos familiares. A lamentação e a descrença no
próprio potencial de transformar uma situação adversa em que se vive é uma
calúnia à força essencial inerente à vida de cada pessoa.

Portanto, ao fazer o balanço dos objetivos do ano que chega ao fim, não
lamente. Sinta os benefícios imperceptíveis que enriquecem sua vida e que,
em breve, no momento certo, manifestarão o aspecto perceptível desde que se
mantenha uma forte convicção e desempenhe contínuos esforços sem
nenhuma dúvida no coração. Encha-se de alegria pelo simples fato de estar
vivo e poder renovar a decisão, tendo mais um ano à frente, mais uma chance
para alcançar ou perceber vários benefícios.