Você está na página 1de 124

Luiz Beltrão

Iniciação
à Filosofia do
Jornalismo
(Ensaio)
“Prêmio Orlando Dantas – 1959”

Capa de Aberlardo Zaluar

1960
Livraria Agir Editora
Rio de Janeiro

A JEAN-MAURIGE RERMANN
Presidente da O.I.J. — Paris
Prof. RONALD IIILTON
da Universidade de Stanford — Califórnia
Dr. FRANCIS E. TOWNSEND
Adido Cultural dos EE.UU. — Washington
JAROSLAV KNonwdn
Secretário Geral da O.LJ. — Praga
Luís SuAREZ
do Sindicato Nacional de Redatores de Prensa
— México
Prof. P. P. SINGI-I
Diretor do Departamento de Jornalismo da
Universidade de Panjab — índia
CARLOS RIZZINT, TEISTÂ0 DE ATAÍDE G ANTÔNIO OLINTO
pioneiros dos altos estudos jornalísticos no Brasil e “ad inemoriam”
Prof. Luiz SILVEIRA
Diretor da Escola de Jornalismo Casper Líbero
— S. Paulo
Prof. MÁRIO MELO
Decano dos jornalistas pernambucanos

O AUTOR DEDICA

ÍNDICE

PREFÁCIO ..................................................................................................................................... 9
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 13
PRIMEIRA PARTE: AS MANIFESTAÇÕES DO JORNALISMO ..................................................21

ORIGEM E EVOLUÇÃO .............................................................................................................. 23
Pré-história do Jornalismo ............................................................................................................24
A fase histórica .............................................................................................................................26
Primórdios do Jornalismo brasileiro ............................................................................................. 28

O PAPEL E O JORNALISMO ESCRITO ......................................................................................32
Peliculas de celulóide ...................................................................................................................35
Micro-fotografia .............................................................................................................................35
Os jornais eletrônicos ...................................................................................................................36

O RÁDIO E O JORNALISMO ORAL ............................................................................................86
O telefone .....................................................................................................................................39
A fita magnéticaca ........................................................................................................................39

O DESENHO E O JORNALISMO PELA IMAGEM ...................................................................... 41
A ilustração e a caricatura ............................................................................................................42
A fotografia ...................................................................................................................................46
O cinema ......................................................................................................................................48
A televisão ....................................................................................................................................54

CONCEITO DE JORNALISMO .....................................................................................................60

SEGUNDA PARTE: OS CARACTERES DO JORNALISMO ........................................................63

DA ATUALIDADE .........................................................................................................................66

Jornalismo e História ....................................................................................................................66
Atualidade e Atualização ..............................................................................................................68
Atualidade e Permanência ............................................................................................................69
Manifestações da Atualidade ........................................................................................................71

DA VARIEDADE ...........................................................................................................................72
Variedade e Especialização ..........................................................................................................73
Jornalismo Geral e Especializado .................................................................................................75

DA INTERPRETAÇÃO .................................................................................................................77
Interpretação e Seleção ................................................................................................................78
Interpretação e Vocação ...............................................................................................................79
Extensividade e Intensividade ......................................................................................................81

DA PERIODICIDADE ....................................................................................................................82
Através da História ........................................................................................................................83

.........................158 A Vocação do Jornalista ...................................................................................173 Poder Público e Liberdade de Opinião ...........................................................................................................128 O Estado-Editor ....................................143 O Problema da Automatização .............................................................................................................................................................................................................91 Popularidade e Liberdade .................................................................................169 QUARTA PARTE: AS CONDIÇÕ&S DO JORNALISMO ........................................164 A Objetividade ......110 TERCEIRA PARTE: OS AGENTES DO JORNALISMO ..............................................................................................................................................................................................................................141 Fase da Mecanofatura .166 Senso Estético ..... Editor-Idealista ..........................................185 Jornalismo e Moral .......................................................................................................................................................................150 Jornalismo e Automatização .......................................................................................................................................................................................................................................................................184 O PROBLEMA DA RESPONSABILIDADE ..................................................................................................................................162 A Discrição .............................................................................................................................................................................118 Balanço do Trabalho do Público-Agente .................................................................................................89 Extensão da Popularidade .........104 Jornalismo e Opinião ......................................................................................................151 O JORNALISTA .....................100 Jornalismo e Sociedade ...............................................................103 Jornalismo e Direito ..................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................98 DA PROMOÇÃO ........................................................................................................................................117 O Público....................86 DA POPULARIDADE ...................................................................................123 O Editor-Financista ..................................................................................................................................................178 Defesa da Liberdade de Opinião ..................................... Agente Ativo .......175 Educação para a Liberdade ......................................................185 O Jornalismo Sensacionalista ...................................................171 O PROBLEMA DA LIBERDADE .......................................................................................................124 O Editor-Idealista ..........................................................................................................................................137 O TÉCNICO ...........................................................................................................115 O PÚBLICO ........................................................132 O Estado................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................159 A Curiosidade-Comunicativa ...................................Nos Tempos Modernos ...................................................................98 Condições da Popularidade ...........122 O EDITOR ....................................................................................................161 Fecundidade Jornalística .........100 As Campanhas Jornalísticas e o Bem Comum ....................................................................................................................140 Fase da Manufatura ..................................................................................................................................................................190 ........................................................................................................................................

..........................................214 A ONU e a Paz ......................................................................................................................................................202 O Jornalismo Brasileiro e o Nacionalismo ....................................................................................................................................................................................A Ética no Jornalismo Brasileiro ............................................216 Os Caminhos da Paz ..................................200 Ação Catalizadora do Jornalismo ................223 ...........................................................205 Os Reclamos do Presente ......................................................................................................................................................................................................................................193 Jornalismo e Nacionalismo ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................212 A “Batalha da Paz” ..209 Jornalismo e Paz Mundial .............219 BIBLIOGRAFIA .....

é o mais vivo exemplo dessa identificação. à arte de fazer jornal. tais como as definiu Domenach. qualquer que seja. aliás. verdadeiros mestres no ofício. Esta posição de desvantagem é. Pela circunstância de ser. Carlos de Lira Filho e. os fundamentos morais da profissão. o mais adequado à experimentação simultânea do maior número das leis da propaganda. pelo menos até bem pouco. porém. se o diferenciam. com olhos atentos de repórter empenhado em apreender as experiências alheias. Além disso. na competência dos modernos instrumentos formadores da opinião. e com as suas reações. e da interpretação desse fato. no bom sentido. mais recentemente. De Pernambuco vieram. . Osório Borba. A prática do jornalismo de província adquire. “com o objetivo de difundir conhecimentos e orientar a opinião pública. simples aparência. de Luiz Beltrão. pelo ânimo combativo. sem as limitações de rígida especialização. confere à posição daqueles jornalistas. para unia atuação mais ampla no jornalismo brasileiro — se quisermos citar apenas valores dos nossos dias —. em sua universalidade: o espírito que anima a tarefa jornalística. em todo o mundo. Sabe-se que a imprensa está sofrendo. fiel à preocupação da justiça ao dever da verdade. também o valorizam. Entretanto. quase sempre rica de calor humano. uma de Ética. esse outro admirável artífice de jornal. de um lado.o jornal continua a manter o antigo prestígio. Luiz Beltrão adota. em face de um e de outras. e. em sua técnica e em seu espírito. dos atuais. aquele autêntico professor de ética que foi Caio Pereira. a coerência da posição assumida em face de determinadas teses. pelo equilíbrio. sempre ágil e lúcido em sua extraordinária sensibilidade jornalística para o fato que vai ser notícia. a séria concorrência de outros agentes de comunicação. para “jornalismo” o conceito mais amplo. para quem a expressão “magistratura da imprensa” definia seu próprio conceito de jornalismo. Ou. aliás. figuras da expressão profissional de Barbosa Lima Sobrinho. Ocupando duas cátedras em Cursos de Jornalismo. Luiz Beltrão concilia em sua atividade profissional e didática a força da vocação com o gosto pela formação. mestre de mais de uma geração. diferentes no estilo e feitio. Aníbal Fernandes. em termos de identificação mais profunda entre o jornal e os que o fazem e entre estes e o meio social. talvez. até nisso revela seu ilimitado interesse pelos problemas da imprensa. Aníbal Freire. Jornalista de província. no sentido de promover o bem comum”. o contato mais direto com o fato. com suposta primazia do rádio e da TV. Dentre os que lá ficaram e morreram. mais todos eles. Assis Chateaubriand.PREFÁCIO A muitos surpreenderá venha de um jornalista de província — certo que de província com as tradições culturais de Pernambuco — uma contribuição de tantos e tão altos méritos paira o conhecimento do jornalismo. tudo isso lhe atribui uma autoridade que o mérito deste ensaio consolida e amplia. os aspectos ligados. peculiaridades que. da informação sofre o fato corrente. à crônica internacional ou ao grave artigo doutrinário. como esta Iniciação à Filosofia do Jornalismo. em si. já com os nomes consagrados. davam aos bons jornalistas provincianos o domínio integral dos segredos de seu ofício. Sua participação em numerosas reuniões da classe. habituavam-nos de cedo a redigir desde o registro dos “faits divers”. em seu heroísmo anônimo na luta pela sobrevivência. propriamente. com ele identifica o veículo. A modesta imprensa do interior. poder-se-iam referir nomes como Gonçalves Maia. de outro. Manuel Caetano. dentre aque les agentes. o caráter de participação integral. pela vivacidade. outra de Técnica. até nos impulsos de suas paixões. com isso. se fazia jornal na província. as viagens a outros países. as condições em que.

elas é que geram ou manipulam. até onde essa liberdade de opinião será. ou as diretrizes de princípios éticos. contida neste ensaio. para tornar cada vez mais vulnerável a sutis influências. realmente. os regimes totalitários. pelo menos teoricamente. pela frágil resistência aos ardis da coerção psicológica. em termos de liberdade política. Além disso. a capacidade dêstes meios para impor-lhe os rumos e tendências que mais convenham a objetivos predeterminados. pelos Estados totalitários — não só de coerção psicológica. o mais grave risco que enfrentam não só as instituições democráticas. em contrapartida. a opinião pública exprimirá sempre o seu grau de higidez pela resistência às injunções externas e pelo poder de discernimento e reação crítica. não pode sofrer outras limitações senão as que decorrem da consciência dos que o praticam. pelo esclarecimento honesto. como também já foram chamadas. livre? Até onde seu exercício traduzirá um esforço espontâneo de discernimento. por exemplo. a fórça que detém. constituem i consciência de cada sociedade ou. de um partido. dentre várias atitudes e soluções? À medida que se aperfeiçoam os recursos técnicos de comunicação. nos dias atuais. dando à imposição da conduta a aparência de escolha voluntária”. particularmente nos países de menos . Tanto mais imaturo poticamente um povo. O grau de eficiência alcançado pelos meios formadores da opinião. em que é fácil identificar. Êsse é. Se lhes faltam as bases ideológicas de uma consciência social. as forças misteriosas que. mas também de violência policial e de total supressão da liberdade de informar e opinar —. o ditador. em função dos diferentes elementos históricos. Nas democracias é que o jornalismo alcança lada a sua grandeza. Há. sobretudo no que incumba aos órgãos do govêrno. no jôgo de tendências e contradições de que resulta o equilíbrio das democracias. e o estilo dos países livres. da justiça social. consciente ou inconscientemente. embora contribua. a eleição consciente de uma atitude ou solução. terá de fusidar-se em deterininados valores morais. para assegurar ao homem o direito dc manifestar sua opinião. “A opinião é tão livre” — anota Afonso Armas de Melo Franco — “quanto permitem as injunções da psicologia. Désses ardis se têm valido. Variando de povo para povo. quanto maior sua receptividade emocional e mais suscetível de ceder às injunções das técnicas de divulgação e propaganda. tendências e aspirações. Mas. que mantenha ui3va atitude de permanente vigilância e fiscalização. A pro paganda encadeia a sua vítima. se está a imprensa. com certo ar de alarmismo. no difícil mundo dos nossos dias. enorme distância entre os métodos adotados. mais se acentua o perigo de que processos artificiais elaborem as correntes de opinião. para os que manejam os instrumentos de informação e propaganda. A visão de conjunto dos problemas do jornalismo. tudo condicionado pelo res peito à dignidade humana. de ação direta ou indireta. ou de um homem — no caso. em benefício de uma ideologia. é verdade. Será simples joguete de outros. o processo de formação da opinião. ao arbítrio de ocultas intenções. “o foro interior de uma nação”. A pluralidade dos partidos e a liberdade de opinião têm igual importância como valores inerentes à concepção ocidental de democracia. nesse terreno. Nestes. Não falta quem indague. boas ou más. criaram tremenda responsabilidade moral. muitas vêzes. submetendo-as à influência deformadora dos agentes da propaganda. o mêdo instintivo da liberdade. concorre. tem de basear-se no dever da verdade e no esfôrço de persuasão. realmente. do bem comum. não estará nunca a serviço do progresso humano.em que o progresso científico e tecnológico. demo nstra-nos quanto é fascinante a análise’ das modernas técnicas que interferem na formação da opinião. expressas em vontades. para o domínio pacífico das vontades e inteligências. mas a própria razão livre dos cidadãos. Tanto mais fascinante é aquela análise quanto vivemos uma hora . a própria elaboração do pensamento. étnicos e culturais que lhe formem o substrato mais profundo. porque a missão que lhe cumpre. livremente exercida. manobrado por interêsses ocultos ou por grupos de pressão. para. o livre exame e o acesso fácil às fontes autênticas de informação.

se. o despojamento de linguagem. em muitos casos. sofrendo-lhe. defenderem a restrição dessa liberdade. análises tão lúcidas como as de Alceu Amoroso Lima e Antônio Olinto. através de uma técnica monstruosa de deformação da verdade. ou que interessam aos que se preocupam com os rumos do jornalismo. em têrmos de gôsto estético: tem função determinada entre as fórmulas de conquista da opinião. O conceito de notícia. Mesmo naqueles casos em que certas deficiências éticas desviam o jornalismo da consciência de sua missão social. de tema que já mereceu. são apreciados nestas páginas com segurança e objetividade. a. dispensa tratamento diferente aos fatos de sentido construtivo. forma e reflete. Ruim com ela. O caso.. . ou seu contrôle pelo Estado. É um ponto em que não interferem sàmente problemas de natureza técnica ou de especialização profissional. em confronto com os problemas específicos dos demais gêneros literários. da precisão e da objetividade. capazes de gerar atitudes de confiança e otimismo.. nêle implícito o dever da isenção. por lhe reconhecerem as responsabilidades sociais. para acentuar suas peculiaridades. em tôda parte onde foram experimentados. dos veículos de opinião e informação. à altura de sua missão social. inclusive as traduções. como profissão —. pior sem ela. de Fiaubert?. não transigirá demasiado com o gôsto mórbido de algumas camadas do público. Não fôsse o caráter quase didático da obra. Sempre a experiência demonstrou que todos os abusos da liberdade. dentro de certai noções já sistematizadas. êsse ideal de precisão e concisão que é. nas democracias. Quem sabe. cuja utilidade para os alunos das nossas Escolas de Jornalismo é evidente. pela mistificação dirigida. ou então o jornalismo deixa de ser um elemento positivo. O jornalista medíocre informa por informar. apenas. que Ferrater Mora pensou contrapor à idéia do “Dicionário da Estupidez’. quanto à aparência gráfica. para agravar e ampliar os piores vícios. em discursos de posse na Academia Pernambucana de Letras. foram menos nocivos ao bem comum do que a supressão da possibilidade de sua prática.. Todos os problemas que interferem no processo jornalístico — como técnica. por parte da imprensa. enquanto. pelo DJP.. porém. Transigência que se manifesta ainda no relêvo publicitário conferido aos aspectos patológicos ou negativos do dia-a-dia. a um só tempo. no Brasil.) vai além da finalidade puramente informativa. do “estilo jornalístico”. também. ainda não seria mais oportuno o levantamento dos subsídios que oferece paira aquêle “Dicionário de la tontería”. o próprio dever e o direito de informar têm de ser entendidos dentro dos limites daquela finalidade social e moral. também. só têm contribuído. como fô rça elaboradora da opinião — que éle. influência — para converter-se num poderoso instrumento de perversão. Outro aspecto a ressaltar seria a renovação por que têm passado os jornais. via de regra. prontas sempre a valorizar o sensacionalismo e o escândalo. com o aviltamento. É preciso evitar que o mau uso da liberdade. deram ao seu exame dois jornalistas da alta graduação intelectual de Costa Porto e Andrade Lima Filho. Acentua muito bem Alceu Amoroso Lima que “a grande finalidade moral e social do jornalista (. Vem juntar-se aos melhores trabalhos do gênero até agora publicados no Brasil. é uma aquisição comum na técnica jornalística moderna. como entidades industriais. como indústria. por exemp lo. nem deve ser encarado. leve pessoas de boa fé. Não foi outra a experiência que nos ficou do Estado Novo. e seria talvez desejável tivessem maior desenvolvimento certos aspectos particulares da arte de fazer jornal.maturidade política e cultural. Trata-se. nesse capítulo de linguagem de jornal. Êste ensaio de Luis Beltrão vale por uma tomada de posição em face de temas sempre sugestivos e atuais. sem falar tias contribuições não menos importantes que. mas também as possibilidades econômico-financeiras das emprêsas. deve- se ter presente que a estatização da imprensa. o autêntico jornalista informa para formar”. a. aliás. de que nos falava Pio XII ao aludir às tentações a que está sujeito o jornalista. se. um dos segredos do entendimento entre o jornalista e o seu público de mil cabeças. Mas.

“Já alfabetizados 50% dos brasileiros”. É grato verificar que um jornal da categoria do Diário de Notícias escolheu o jornalismo como tema de concurso de seu Suple mento Literário. “last but not least”. Todos estamos de acôrdo. nos cumpre criar. Era um breve comunicado do IBGE. dentro dos critérios de comparabilidade inter- nacional. ao admitir que o bom título supera em eficácia um editorial. mas. Está certo Jacques Kayser. principalmente no sentido de influência mais ampla sôbre as massas. nos efeitos sôbre o espírito do público. Luiz Beltrão dê ênfase. valorizava-se o aspecto positivo. Nesse esfôrço de aperfeiçoamento cabe função relevante às Escolas de Jornalismo já existentes e a outras que. na exata medida em que possam. pelo prevalecimento das normas éticas. Orlando Dantas. realmente simbólico para a classe. há ainda um longo caminho a percorrer. de integração na consciência de seu papel. não com o raciocínio objetivo dos artigos-de-fundo. neste livro. inclusive porque. corno é o caso dêste excelente ensaio de Luiz Beltrão. desde a fase de restauração das franquias democráticas. no jornalismo. pelo exemplo que deixou de uma nobre concepção do dever da imprensa. professor de Ética. à estreita conexão. formação que não apenas llhes confira o seguro domínio do “métier”. desde que não apenas dedicados às reivindicações de direitos. Até mesmo quanto às restrições ao exercício da liberdade de imprensa. A doutrinação perde terreno como forma de convencimento. já não ocorrem com a mesma freqüência os atos de arbítrio das autoridades públicas. com a publicação de estudos sistemáticos sôbre problemas de jornalismo. Isto é um bom sintoma. sempre otimistas “et pour cause”. sob o patrocínio de um nome. enquanto parecem aumentar os apelos às sanções da justiça. e. no complexo das fôrças sociais. teve larga divulgação. . prevalecia o aspecto negativo: “Ainda 50 % de analfabetos na população brasileira”. metade da população brasileira já se apresenta alfabetizada. de formar opinião. vale dizer. A liberdade de imprensa já se incorporou às aquisições de nossa cultura política. creio eu. Vale referir. ou ao exame de problemas que. sem alterações no texto original. porém. Aliás. contribuir para a renovação dos quadros profissionais. projete na aplicação das técnicas modernas a consciência social que. citado por Luiz Beltrão. mas também a um vigilante exame de consciência quanto aos seus deveres e responsabilidades e à maneira por que vêm sendo atendidos. continuava íntegra. extrapolam as fronteiras do legítimo interêsse profissional. muitas vêzes. em linguagem sóbria. e cumpre-nos defendê-La a todo custo. através de currículos adequados. nos da oposição. para esclarecer que. e de firme bravura na resistência aos poderes de coerção e coacção do Estado totalitário. o dever da responsabilidade tem de ser uma conquista ascendentc da classe. Só os títulos variavam. mas com a sim pies notícia e a maneira de apresentá-la. a ela incumbe “a dignidade inestimável de representar tôdas as outras”. Nos jornais de orientação mais conservadora ou tradicionalmente simpáticos aos governos. que os modernos recursos desenvolveram. Entretanto. como registro de uma omissão da chamada política de desenvolvimento nacional. às conclusões do texto. é parte do patrimônio social. A verdade. não fôsse o sentido dêsse reparo. nos reqimes democráticos. dentre muitas. cabe função igual aos congressos da classe. Pelo seu interêsse informativo. uma experiência de ordem pessoal. sobretudo no ot cante à formação de novas gerações de profissionais. no espírito e na forma. em maior número. como de boa norma. em quaisquer circunstâncias. à ampliação de nossa bibliografia especializada. e uns e outros títulos fiéis. Quase discordaria de Luiz Beltrão no reparo pessimista ao desapreço que lhe votam as elites. em seu empenho constante de aprimoramento eia técnica e de aperfeiçoamento ético. quase técnica. subordina a prática do jornalismo aos interêsses do bem comum. em que o jornalismo brasileiro vem progredindo e aperfeiçoando-se. Agrada-me que. entre o direito à liberdade e o dever da responsabilidade. na síntese magnífica de Ruy. uma das transformações a assinalar na técnica de jornal é a capacidade. no sentido da valorização efetiva da atividade jornalística.

adquirir cada vez mais as virtudes dos seis fiéis servidores de Kipling: I have six faithful serving men. ao mesmo tempo. o efêmero e o eterno. para que. ajuda-nos a caminhar neste sentido. o imanente e o transcendente. nas suas vinculações entre o fato e a história. Na verdade. interpretativa da verdadeira essência do jornalismo e. também. tão sugestiva é. They taught me all I know. será possível experimentar. a missão de fazer jornal. a conciliação sugerida por Mannheim entre o humanismo e a técnica. WALDEMAR LOPES . e contribui. que nela. se entendida dentro dêsse espírito. Their names are What and Where and When. And How and Why and Who. possa o jornal. Êste ensaio de Luiz Beltrão. como talvez em nenhuma outra. com efeitos decisivos sôbre a sociedade do futuro. no Brasil. superada a fase da supremacia da paixão sôbre a razão e valorizada a vocação pela formação. esclarecedor dos problemas de seu exercício.

III Conferência Brasileira de Comércio Exterior. como um pêso morto. permanece e permanecerá à margem dos movimentos de construção e recuperação nacionais. 141. ao que parece “sem uma experiência ou mesmo um estudo mais profundo”. (I) de películas de celulóide e outras matérias primas de que necessitam os veículos jornalísticos para cobrir com eficiência o vasto território nacional e atender aos reclamos de significativa percentagem da população QW ignora o que ocorre. uma vez que é justamente nas elites que o fenômeno melhor se comprova. tendo-se em conta a extensão do analfabetismo do povo.” O mesmo professor. a sua própria e ampla atividade. os jornalistas. radiouvintes ou telespectadores. V da Constituição. apresentaram. assim. “Na ordem moderna da ilustração e da cultura populares — acrescentou — o jornal é a ante-saia do livro. e até de intelectuais e profissionais liberais aos quais competiria. preferência que não tem justificação. é responsável pelo retardamento da nossa emancipação neste importante setor da eeonomia e da cultura nacionais. Nenhum dêsses atentados é perpetrado pelo povo. os srs. de cujo exercício livre e amplo depende. como já _____________ (I) Confirmando o descaso do govêrno brasileiro pelo problema do papel e denunciando “o que se poderia chamar de meta do governo esquecida ou mal orientada”. ao contrário. pela transcrição do art. são de iniciativa de governos. prisões e processos. a impossibilitar a marcha do país para a conquista da posição de relêvo que lhe compete no concêrto universal. observou que “mais do que a liberdade de imprensa como bem profissional indispensável. aumento da produção de papel de imprensa. a constatação desoladora do desapreço em que é tido o jornalismo na Brasil. de autoridades policiais e militares arbitrárias. a sociedade brasileira se interessa por assegurar aos seus jornalistas um tratamento privilegiado. tanto para celulose como para papel d imprensa. dos sistemas filosóficos. produtores de cinema. Percentagem significativa da população que. transmissores e receptores de rádio e televisão. ocupar a primeira linha na defesa intransigente do jornalismo. de parlamentares e políticos sôbre os quais recai. muitas vêzes impiedosa. Desapreço que nem o elevado índice de iletrados nem o baixo nível de vida da população podem explicar satisfatoriamente. quando não da ação de medidas ainda mais drásticas: censura prévia. urna tese em qne pleiteiam provando por A mais li as vantagens do processo — a implantação de indústrias médias na zona papeleira do pais. antes. na postergação do jornal ao livro.INTRODUÇÃO Ocorre-nos. já não dizemos no mundo mas em alguns quilômetros ao seu derredor. da Associação Comercial do Paraná. . etc. que constituem a grande massa da população. que o inciso “a publicação de livros e jornais não dependerá de licença. da evolução científica. indeclinàvelmente. O desapreço das elites dirigentes brasileiras pelo jornalismo fica ainda mais patenteado se considerarmos que. em setembro de 1958. nos planas e programas de desenvolvimento econômico. apreensão de edições e empastelamento de oficinas gráficas. realizada no Recife. pelos leitores. freqüentemente. Curioso é que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico. artística e social em foco no nosso tempo. inclusive. n. e o público ao qual nos dirigimos — sob a constante ameaça de leis restritivas da liberdade de informar e de opinar. O ilustre professor cubano Octavio de la Suarée. considera condenável o programa de indústrias médias e. Agostinho Ermelino de Lcâo Filho e Júlio f4aito Sobrinho. pelas classes menos ilustradas. não figura a montagem de fábricas de máquinas e peças prá ficas. supressão de quotas de papel ou de freqüências e canais. que lhe faça a vida — e não a emissão do pensamento — mais fácil. em estudo critico sôbre a situação do nosso jornalismo. pela crescente industrialização do país. pois se traduz. a crítica jornalística. das idéias políticas.” revela “partipris” dos legisladores brasileiros contra a imprensa como instituição. por isso mesmo. Não fôsse assim e não viveríamos — nós.” Assinalou o curioso fato de que “no próprio texto constitucional não aparece a locução clássica “liberdade de imprensa” consignada em nenhum capitulo e demonstrou.

vivos. a informação — e a informação que satisfaça aos seus próprios objetivos. como bagaço sem valia. ganhando prosélitos nas massas populares. aposentadoria. o indiferente. etc. exortando o público a que trabalhe para a imprensa. Improvisam-se jornalistas e técnicos de jornal à base. entretanto. e logo tornado extensivo a todos os seus companheiros de ofício. contanto que lhes escamoteie a liberdade. confundida outras com licença. contanto que o “filho” obediente não viole o quarto mandamento.” E4 citando o caso da instituição do reporter-amador. entre nós relega-se a plano secundário a sua formação científica e técnica. cujos reduzidos salários não os favorecem com renda normalmente gravável. meios de difusão do ____________ (II) “Socioperiodismo” — pág. O jornalista tem de estar a sôldo de alguém: do govêrno ou da oposição.o fizera Luis R. concedendo-lhes benefícios. faltam-lhe recursos econômicos e apoiamento oficial. pela reação nacional ou peki finança internacional. sem que haja correspondência entre o seu volume e o seu valor. quanto à critica. férias. influiu notàvelmente na psicologia do jornalista brasileiro que é. porque não pode deixar de fazê-lo. o “carioca- reporter” de “A Noite”. o seu procedimento. sustentado pelo Estada ou pelos trustes comerciais e industriais. que se manifesta na desorientação. dessa casta de intelectuais para os quais o Estado destina tantos e tão largos benefícios.. na falsa concepção de direitos e deveres dos nossos órgãos de divulgação. Do jornalismo. apenas.. para a conquista da segunda. às vêzes mal compreendida. na maioria dos casos atraído pelo “prestígio” de que gozará e pelos teóricos privilégios que o Estado lhe confere. O conceito que as elites fazem do jornalismo vai. a sua informação é tendenciosa. Qualquer êrro seu é apontado como exemplo de corrupção e logo generalizado a todo o seu trabalho profissional. Diante de uma campanha jornalística. o mais é atirado fora. enfrentando os arreganhos do poder e da fôrça. assume uma terceira feição: a da humilhante indiferença.. considera a grita da imprensa e do rádio como manobra de despeitados. numa época em que todos os ofícios exigem preparo e especialização. Os corpos redacionais aumentam.. como se quisesse buscar no próximo profano solidariedades protetoras. inconformados ou ignorantes. “na América Latina é o Brasil o pais que toma a iniciativa de tudo o que concerne à tutela legal das atividades dos trabalhadores intelectuais. DE PÁGINA . em campanhas memoráveis. do impôsto de transmissão inter. a sua opinião não merece fé.. à sombra do poder. quanto à orientação que o jornalista. que passam a descrer da sinceridade e da honestidade dos profissionais. tais como isenção do impôsto de renda. talvez. o seu esquema. procura transmitir nos seus pronunciamentos. Pela primeira. manuais e técnicos da imprensa.” (II) Se é verdade que as benesses distribuídas pela lei não atingem a generalidade dos jornalistas. Praprotnik conclui que. chega à evidência de que “essa dupla falta — teórica e prática de liberdade de imprensa. no baixo nível cultural e mesmo técnico do nosso jornalismo. apenas. Quando a atitude dos quadros de liderança do país não se exprime por uma hostilidade frontal ou um suspeito paternalismo. julga-se senhor absoluto da verdade e do acêrto. tem lutado bravamente. Qualquer semi-letrado se arvora em profissional. jamais altera a sua linha de conduta. com vítimas e mártires. salário mínimo.a garantia do exercício da liberdade e a oportunidade de uma adequada formação profissional. Estudos e seminários sôbre opinião pública. nem lhes permitem possuir imóveis — nem por isso as observações referidas são menos reais: — o Estado faz-se paternalista. as deficiências da formação profissional dos jornalistas brasileiros. de um período de treinamento nas redações ou na reportagem. Esquece-se que o jornalista é humano e que a sua missão é tanto mais difícil no Brasil quanto lhe tem faltada duas condições essenciais ao seu aprimoramento: . 456 – TROCAR N. Indiferença quanto aos julgamentos. colhe. Enquanto em todo o mundo procura-se educar o jornalista para o exercício da liberdade e da profissão. Com efeito. infortunadamente. imprimem ao seu espírito um complexo de inferioridade. o único que anima e recompensa o intrusismo profissional. dêsses seres privilegiados. intérprete dos sentimentos e reclamos coletivos.

pela promoção do nosso desenvolvimento social e econômico e pela consolida ção das nossas instituições democráticas. o nosso contributo a uma melhor compreensão de tão relevante matéria. nenhum estudo sistemático dêsses problemas foi realizado em língua portuguêsa e as nossas livrarias e bibliotecas estão desprovidas de obras sôbre tão importantes temas. mesmo provenientes de outros centros culturais. manipulando e utilizando as notícias relativas ao estrangeiro com o propósito de cooperar pela concretização dos ideais de justiça. hoje. históricas ou de memórias — o foram em jornais ou em páginas pouco manuseadas de “Anais” dos congressos da classe. sociais e políticos do seu país e com a aplicação das ciências exatas. ______________ . as quais repousam.pensamento. Ao que nos conste. da sua missão. naturais e sociais à solução dos problemas humanos e das questões internacionais. aos estudantes e aos estudiosos dos fatos sociais brasileiros. êsse descompasso entre os jornalistas e o público. importância do jornal na sociedade. especialmente agora. desarmonia entre as elites e o jornalismo. além de ficarmos à retaguarda dêsse movimento de valorização social e cultural do jornalismo. dele não extraímos os benefícios e vantagens de que necessitamos. vigoroso e respeitado. liberdade e paz mundial. intercâmbio de informação internacional. aspectos técnicos da profissão são exigidos. Em conseqüência. econômicos. despertando-lhes o interêsse para questões vitais à corporificação dos nossos ideais filosóficos. advertindo-as das graves responsabilidades com que arcam para a construção do futuro do nosso país. na existência ele um jornalismo livre. Estas observações nos levaram a oferecer aos jornalistas. antes de tudo. pela defesa intransigente dos nossos foros de cultura e de civilização. do indeclinável dever que todos temos de assegurar a essa atividade humana essencial a mais essencial de tôdas as suas condições de desenvolvimento: — a liberdade. na fase aguda da campanha em que nos empenhamos para a completa emancipação nacional. Esperamos firmemente que êste ensaio seja útil. as incompreensões e os conflitos entre o poder e a opinião decorrem. Estamos certos de que essa. tanto nas democracias ocidentais como nas chamadas democracias populares. ética. não chegando a repercutir nas elites culturais e políticas. história e legislação de imprensa. no progresso e na civilização dos povos. da sua influência na cultura. aos intelectuais. de modo especial às nossas elites. Alguns poucos e esparsos estudos publicados — à exceção de obras apologéticas. à efetivação dos nossos anseios de um mundo de povos livres e pacíficos. à solidificação das nossas reivindicações de progresso. sem dúvida. Visam levar o jornalista a familiarizar-se com os temas fundamentais. de um generalizado desconhecimento do que seja o jornalismo.

Paulo Cavalcanti. da Universidade Católica do Recife. em Bucarest. proporciono u. em 1951. Estende os agradecimentos ao “Diário de Notícias” que. Fernando Sigismundo. Reinaldo Câmara. Finlândia. em 1954. com a instituição do “Prêmio Orlando Dantas — 1959” para estudos sôbre jornalismo. em 1956. e ainda apostilas para o exercício das cátedras de “Ética. em 1958 e em Belo Horizonte. Romênia. não sòmente facilidade editorial como oportunidade a que os círculos intelectuais se voltassem para os problemas técnico-profissionais e sociais jornalísticos. em São Paulo. especialmente. Horton. em 1958. a colaboração que recebeu por parte dos professôres e jornalistas Ruy Antunes. a convite das respectivas Uniões de Jornalistas. Andrade Lima Filho e Geraldo Campos de Oliveira. O Autor deve agradecer. abril-junho de 1959. e às Repúblicas Populares da Tchecoslováquia e da China. e da Faculdade de Filosofia Manuel da Nóbrega. pesquisas e estudos feitos por ocasião das nossas visitas aos Estados Unidos.drade Lima. em 1954. no 1 Encontro Internacional de Jornalistas. foram aproveitadas e ampliadas teses elaboradas. Recife. oferecendo sugestões de relevante interêsse para a efetivação do ensaio. História e Legislação de Imprensa” e “Técnica de Jornal” dos cursos de jornalismo da Faculdade de Filosofia do Instituto Nossa Senhora de Lourdes. que leram ou participaram dos debates sôbre os temas tratados no original. em 1955. a convite do Departamento de Estado. José da Costa Porto. em João Pessoa. Zita An. efetuado em Heisinque. em Curitiba. e no LV Congresso da Organização Internacional de Jornalistas. . frei Romeu Perea. durante a realização da 1 Conferência Mundial de Entidades de Imprensa. det’atidas e aprovadas nos Congressos Nacionais de Jornalistas realizados no Recife. Rod W. Vamireh Chacon. Neste trabalho.

PRIMEIRA PARTE AS MANIFESTAÇÕES DO JORNALISMO Contém: ORIGEM E EVOLUÇÃO Prehistória do jornalismo A fase histórica Primórdios do jornalismo brasileiro O PAPEL E O JORNALISMO ESCRITO Películas de celulóide Micro-fotografia Os jornais eletrônicos O RÁDIO E O JORNALISMO ORAL O telefone A fita magnética O DESENHO E O JORNALISMO PELA IMAGEM A ilustração e a caricatura A fotografia O cinema A televisão CONCEITO DO JORNALISMO .

na Lagoa Santa. sua História da Caldéia. figuram os sinais gravados nas rumas Maias. nenhuma responde tanto a uma necessidade do espírito e da vida social quanto o jornalismo. sente-se apto à ação. o relato das suas batalhas. que apenas esboçava a vida em comum. fortalecendo-se no exame das causas e conseqüências dos acontecimentos. transmiti-la uns aos outros e dela retirarem proveito empenharam-se a fundo.mente ou por sinais e sons convencionados. se bem que sem comprovação absoluta. instintivamente feito nos primórdios da humanidade. o homem como que alimenta o seu espírito e. e o chamado Mármore de Pwros. o que vale dizer que transmitia aos seus semelhantes. Desde essa época remota. naquele país. enco’ntrado no Século XVI e levado à Inglaterra pelo conde de Arundel. Através dêsse conhe cimento dos fatos. ORIGEM E EVOLUÇÃO Lancemos um rápido olhar para o homem primitivo. Entre os fragmentos arqueológicos ainda hoje indecifrados e que se julga conterem informações jornalísticas. através do qual se pode acompanhar. para obtê-la. dia a dia. De posse dessas informações. em tambores ou arrancados às inúbias. impulsionar os agrupa mentos humanos às decisões e realizações da vida social. Tudo isso. deixando inscritas nas páginas da história alguns dos seus mais belos episódios de construção. Nada obstante. que não conhecia a escrita. a tribo poupava ou consumia maior cópia de alimento. dos órgãos da imprensa e dos meio s de comunicação das massas. de pontos de vista sobre assuntos relatados contribuem decisivamente para formar a Opinião Pública e. no reinado de Toutmés II. . reconhecia a soberania do chefe ou decidia como agir em relação aos inimigos vencedores ou vencidos. o homem das cavernas ou o silvícola. no Século III AC. Voltaire escreveu que a China possuia jornais desde tempos imemoriais e. a fundação de Atenas. os homens não dispensaram a informação. nos bravios sertões matogrossenses. promo ver a vida em sociedade. Nenhuma sociedade. era escrita em madeira. mesmo. É próprio da nossa natureza informar-se e informar. buscava meios de defender-se das feras ou da inclemência da natureza. visava assegurar o bem comum. no mundo dos últimos trezentos anos. Semelhante fato ocorre com as coletividades: — a divulgação de informações e a exposição. na comunidade em que vivemos. êsse homem fazia jornalismo. o Grande. entre os povos que nos rodeiam e. à sua tribo. sôbr o monte Heng-Chan.zeta. o milenrio da Ga. estratificar normas de direito ou reformar práticas que as circunstâncias ditavam. impresso em papiro. cêrca de 2. segundo a tradição. Flavius Josephus afirma que os babilônios contavam com historiógrafos. um dos quais combatera acirradamente o faraó Amarsis. em 1908 foi comemorado. nos mais longínquos rincões do mundo. e ainda hoje nas civilizações primárias. ao contrário. registrando o cataclisma do dilúvio. e da pedra das vertentes do rio das Mortes. país ou grupo humano prescindiu da informação e. com regularidade e freqüência. interpretando-os. a aproximação de animais ferozes e cataclismas. Também no Egito. teria existido um diário oficial. ainda mesmo superficial. a escolha dos chefes. os fatos correntes que interessavam à comunidade: — o resultado da caça ou da pesca. de Pequim (“King Pao”) que. na China. feitas oral. nas pedras da Ilha de Pascôa e as misteriosas inscrições das covas de Altamira. além da constante circulação de jornais satíricos. Minas Gerais. conseqüentemente. encarregados de escrever o resumo dos acontecimentos públicos e que teria sido utilizando êsse material que Bérose compôs. no ano 1750 AC. nas vizinhanças. Prehistória do Jornalismo — Os mais antigos documentos conservados e decifrados dos tempos heróicos são a inscrição gravada por Yu.200 AC. reunir a maior soma de conhecimentos possível do que ocorre no nosso grupo familiar. Entre tôdas as atividades humanas.

isto é. a informação rudimentar de algum acontecimento contemporâneo. a 160 milhas de distância. lo ngevjdades e fecundidades extraordinárias. em Epidauro. Aliás. da narrativa da primeira guerra macedônia. conservado pelos simbolos. a partir de quando começaram a movirnentar-se as suas cópias. êle próprio um excelente repórter come o demonstrou à posteridade pelas suas descrições circunstanciadas de guer de conquista da Gália. tais os hieroglifos e os sinais assírios.. Evidentemente. o Grande Pontífice recolhia os fatos de cada ano. espécie de jornal oficial. entre elas a de um pobre diabo que engolira sanguessugas por artes da sogra e a de um taful a quem o deus fizera nascer cabelos. pau. Com a expansão io império e a multiplicação dos interêsses do Estado. fôssem mnemônicos. exposta nos muros da sua casa para que os cidadãos tomassem conhecimento. por exemplo. entrariam. fixando valores arbitrários supletivos da memória. nos seus Comentarii de Belo Gailica. “os menores acontecimentos de interêsse mesmo efêmero: cerimônias fúnebres.”2 Com a queda do Império Romano. A Acta Diurna inseria. o estabelecimento de um espírito público convencido da “missão civlizadora” das águias imperiais. incêndios. nem a êsse nem a outros monumentos epigráficos ou paleográficoss cabe a qualificação de jornal. é a transmissão de notícias e avisos breves. Entre as populações primitivas. através de sinais luminosos. criando-se a Acta Diurna.. o Album. Menos cabe a de história. que circulavam dentro e fora dos muros de Roma. execuções. em cujo espírito interpretativo e crítico a narração por si nada exprime1. A verdade. transmitindo as novidades de bôca em bôca. é que “até onde chega a nossa petração na antiguidade. barro.págs. Até o Século XI. fôssem. “regrediu a informação à era heróica dos rapsodos..” A fase histórica — Os romanos. a fogueira era (e ainda o é) um meio habitual de indicar perigo e convocar auxílio. quando construiram o Império. dar mais um passo no sentido de ampliar a informação. pele e papel — o jornal. registrou que qualquer acontecimento de vulto alastrava-se através da Gália “porque os Gauleses o gritavam uns aos outros através de campos e vilas. Com exceção de poucas resenhas ordenadas. a idade da palavra falada: — os poucos indivíduos que sabiam escrever não tinham como nem a quem fazê-lo. inscrevendo-os numa tábua branca. esfregando-lhe a calva com certo ungüento. 12-13. metal. a generalidade dos documentos arqueológicos contém episódios avulsos e casos circunstanciais. que não se confunde com a história. reproduzindo objetos e figurando idéias. traduzindo as vozes nas letras do alfabeto. colocados sôbre o monte Tisé. ordenando que as atas do Senado e as ocorrências de interesse público fôssem diàriamente divulgadas. banquetes. 2 Emile Boivin — Histoire du Journalisnie — Paris. o jonal e a tipografia no Brasil — Rio. fibra. em tábuas que eram expostas no Forum e das quais não tardou fôssem tiradas cópias palticulares. à fôrça. fonéticos. não puderam dispensas a informação que lhes proporcionaria a vitória sôbre os seus opositores a manutenção do domínio.. 1956 . Em nenhum capítulo da história mas em qualquer coluna de jornal. como as cintas de conchas variegadas dos iroqueses e as cordas de nós coloridos dos peruanos fôssem pitográficos. ainda no sentido da singela e ingênua informação.. Durante vários séculos. 7 . Mais característico do puro jornalismo. entretanto.. na poesia e no canto dos troveiros e jograis. as vinte curas milagrosas gravadas nas estelas do aráculo de Esculápio. concha. persas e aztecas. êsses jornais primitivos desaparecea Durante a Idade Média. o que se passava em Genabo de madrugada era ouvido à tarde Pos Arvernos. enfim. que as tropas de Felipe se orientavam por fanais. lá encontramos — em pedra. assim. sentiu_se a necessidade de ampliar essas informações e os Anais dos Pontifices foram transformados na Acta Pública. Cesar. 1949 pág. Sabemos.. as notícias difundiam-se pelas cantílenas — 1 Carlos Rizzini — O livro. A Idade Média foi.. OS gregos utilizavam a conjugação de sinais luminosos para se informarem de fatos ocorridos a uma distância de três ou quatro dias. Coube a Cesar.

divertimentos dos principais personagens da côrte. cit.estrofes breves e atuais. Rodolfo II. ao Rei e aos nossos Senhores de França. onde. reune os editôres mais capazes para elaborar um mensário com notícias do Santo Império Romano -Germânico.”5 O Século XV assiste à descoberta da tipografia e da imprensa e à revolução nos métodos de divulgação das informações. duraite os dois séculos seguintes. processos. Mass. O Século XVII vê surgir a imprensa por tôda a Europa civilizada e na Nova Inglaterra. incentivados em seu mistér pelos poderes públicos. Assim. “novellanti”. enternecedoras e cáusticas narrativas de sucessos” e foram crescendo em audácia. ao lado do lirismo das baladas e pastorelas. Peregrinando por vilas e castelos. Contra a fôrça tremenda que os impressos passaram a representar para a difusão dos conhecimentos e orientação da opinião pública. . em 1597. 3 Carlos Rizzini — Obra cit. dos lais e cantigas de amor e de amigo. bibliotecário do rei. o jornalismo se consubstancia nas folhas escritas à mão. Na França. em Cambridge.. as news ietters inglêsas do século XIII e os Ordinari Zeitungen dos mercadores alemães. naturalmente. proibindo. É também nesse século. o Journal d’un bourgeois de Paris noticiava escândalos. se bem que restritos a um público limitado. que eram a história popular do tempo. por Rizzini – pag. como ocorrera ao tempo de Henrique IV. além de informações políticas inteiramente favoráveis ao govêrno real e do texto das ordenanças oficiais. sob pena de serem postos em prisão “dois meses a pão e água aquêles que. os jograis. que constituiram. 22. como Roland White. em 1395. que atacavam por vêzes impiedosamente. intervindo nas questões de interêsse coletivo e ameaçando a ordem estabelecida. págs. após tidos como réus pelos tribunais da Inquisição. exeõutados como “caluniadores” e “pestiferi homini”. concede a Theophraste Renaudot o privilégio de publicaf um hebdomadário — La Gazette — que. entoadas ao som de sanfonas. nas suas canções.”3 As suas canções “não eram senão novidades rimadas. inclusive Niccoló Franco e Annibale Capelio. passaram a tomar partido. e contos facetos e satíricos. há memória de notáveis noticiaristas. 21. Enquanto que perseguiam os jorfialistas em geral. violas e saltérios — cantavam e recitavam gostas. e Luis XIII. desencadeou-se. a princípio os jograis. 17-I8. na Fiança. re. inseria notícias de nascimentos. fizessem menção ao Papa. matrimônios. 4 Cit. “poeta de epigramas licenciosos e de odes eróticas. bem como crimes. — pág. que se advertiram do bom negócio que representava a emissão de fôlhas com relatos de fatos da atualidade. catástrofes e execuções. por Rizzini — Obra cit. meio líricas meio narrativas — cujo fundo seria largamente aproveitado na composição de gastas e canções. festas. verdadeiras gazetas rimadas. Nada obstante. narrava anedotas. Locke e Chamberlain.gistrava a chuva e o bom tempo. veículos da informação dos fatos correntes. os soberanos passaram a utilizar a imprensa como veículo de informações de seu interêsse e. “repportisti” e “gazzettanti” — nomes que se davam aos repórteres e redatores das fôlhas manuscritas — se multiplicaram. de louvaminhas. Stephen Daye instala uma impressora. 5 Conf. “Era preciso reprimir e pôr côbro a essa liberdade do jogralismo que. rotas. os antigos “menanti”. imperador. por fim. Foi no reinado de Francisco I que surgiu o primeiro censor. antes do surgimento da arte de imprimir. de 1409 a 1499. Essas informações também não tardaram a ser consideradas perigosas à civilização e à ordem dominantes. Muitos dos seus autores foram punidos. a mais cruel repressão de que há história. geralmente de interêsse para comerciantes e navegadores. em 1638. figuram os avvisi venezianos. mandando compor um romance para celebrar a entrada do Condestável Miguel Lucas em Granada. Charles Gidel. abade de Reclus. inspirados em discórdias e agitações. se assemelhava um pouco à nossa liberdade de imprensa” e foi o que fêz Carlos VI. Pory. Entre essas publicações. Mellin de Saint Galiais. agora unidos aos impressores.”4 Com o Renascimento. Dos longínquos tempos de Elisabeth 1.

Ele e seus colegas a profanam e suas pérfidas línguas só ousavam caluniar o Soberano. doutras em verso. rastros dessa forma jornalística primitiva: Z. e que o padre Vieira tantas e tantas vêzes fêz jornalismo. As notícias oficiais eram transmitidas por bandos. promovia invectivas e. em cujo discurso mostrou o quanto era dos homens a liberdade por êles mesmos acabrunhada ão houve subterfúgios nem rodeio ardiloso de que êle se valesse a fim de derramar no ânimo dos ouvintes a deI1e. O clero. O pasquim — escrito em linguagem viperina e afixado nos muros. tempos e renitências de agravo. nunca foi mais danoso à religião nem suas práticas mais nocivas ao Estado. apesar de não termos tido imprensa senão às vésperas do Ipiranga. anunciou. um almoxarife. e tudo igualmente submeto às minhas reflexões. nem por isso o colono português integrado na nossa vida. que afirmava ter Deus pés e mãos. subiu ao púlpito na igreja do Corpo Santo. o Portador.Rio. em Ilhéus. que Milton publica a sua Aeropagítica. com a mudança apenas de uma letra. delatando feitos fatos da Revolução de 1817 e descrevendo a situação em ernambuco no ano sêguinte. espião a serviço do govêrno. dos tropeiros e mascates — como na Idade Média pela voz dos jograis. estre de Retórica e orador insigne. o mais excelso dêsse santo culto.ta. Dizia que David por um o fizera penitência tôda sua vida.” Centros de divulgação de notícias eram as feiras. em memorável sermão no convento do Carmo. Nas cartas e relatórios redigidos por um português antipernambucano. CVII – Ed. era dos púlpitos das igrejas que se utilizavam os letrados oradores sacros para transmitir notícias e conselhos à comunidada Foi assim que frei Antônio Rosado. às vêzes em prosa. ouço dos de fora. . como em 1640. utilizando ora o púlpito. A história guarda. informo-me dos de fora. triz do Recife. ora justo ora injusto. seguiam bandeiras e tropas e. na primeira ominga da aresma de 1817. A exemplo de outros povos. ora as cátedras dos coléos dos jesuitas.já em 1587. e culpas inexpiáveis com o céu. um ano antes da invasão flamenga. os portos e os armazéns. 243-44. Para o interior. e nula contemplação para com os soberanos da uma vez que não se comportassem em conformidade igreja e Justiça dos vassalos. ou o nativo. que respeitamos e adoramos. tais como abandono do povo e da religião. Nos tempos mais remotos da colonização. informo-me nestes lugares. pôsto por debaixo das portas ou circulando de mão em mão às escondidas. E dom 6Ministério da Educação e Cultura – Documentos Históriocos – Revolução de 1817 – Vol.” O mesmo espião luso assinala que “as lojas de fazenda. e que os soberanos presente aplicavam o tempo devido a jejum e cilícios. para o pasquim e a fôlha volante. os Senados das Câmaras. consta6 que “o padre Miguel. que é a primeira defesa sistemática da liberdade de imprimir. Biblioteca Nacional. e as boticas são os lugares onde ordinàriamente se falam de tôdas as novidades. cujas tropas ameaçavam a cidade do Salvador pela segunda vez. as notícias corriam pela bôca dos capitães do mato. deixou de praticar o jornalismo. dos qais eram incumbidos comandantes e capitães-mores. Ouço nestes lugares. de povoação a povoação. de nome Jorge Martins. na igreja de Nossa Senhora da Ajuda. enfim. e o texto do seu sermão foi: “Nunca tempus tabile die salutis”. de engenho a engenho. tendo sido mesmo denunciado à Santa Inquisição pelo jesuíta Antônio da Rocha. apelou para a informação e a sátira verbal.1955 – págs. com acompanhamento de alguns soldados e tambores. na Bahia. a formação de poderosa esquadra que poderia transformar Olinda em Olanda. nelas eu compareço a certas horas do dia ou da noite. “pelo bom suc esso das armas de Portugal contra as da Holanda”.exatamente em 1644. atuava junto à opinião pública como os editoriais da imprensa dos nossos dias. nos seus registros. escreveu um papel contra a Companhia de Jesus e os padres do lugar porque não lhe queriam dar a absolvição sem que se re tratasse da heresia. denunciava irregularidades. Primórdios do jornalismo brasileiro — No Brasil.

porém. Portugal denunciava “certa classe de europeus” que julga que “a América é escrava e que tem direito ao vexame dos americanos”. porém tão pedantesca como atrevidamente. nos quais papéis apareceram muitas indignidades que mais e mais exacerbavam os dois partidos. desclausura dos conventos e extinção dos mopólios — fazendo-os afixar às esquinas e adros da cidade. redigiu uma réplica da qual foram tiradas mil pias distribuidas na cidade. enquanto um caixeiro português. a sociedade da época. São doze cartas. capitão-mor em São Paulo. o “Bôca do Inferno”. episódios e usos do tempo. a chamada “Inconfidência Baiana” ou “Conspiração dos AIfaiates” abortou. Págs.Luís Antônio de Sousa. cujas composições poéticas visavam criticar ferinamente os costumes. mas nem por isso oferecem interêsse político. apesar de ignorante. escrevera uns avisos atacando as a ridad es e exigindo postulados da Revolução Francesa – tais como a abertura dos portos. dirigindo-se a um negociante chamado Alexandre Firmin. que ia ao Brasil “não só traficar com os nossos gêneros mas também arrebatar-nos nossas propriedades”.” - Outro grande documento do jornalismo satírico colonial manuscrito são as Cartas Chilenas. que se ocupam dos desmandos e da rapinagem do capitão general das Minas. foi grassante o mal no coração da canalha. e não sei que brasileiro. sentira na própria carne o aguilhão do pasquim. Também na Bahia.” Essa questão surgira em agôsto de 1816. A questão foi à Justiça e o advogado da senhora foi Bernardo Luís Ferreira Portugal. secretário do Govêrno da Capitania de Pernambuco. a •vida pública e privada dos baianos e reinóis. O juiz. Assim. que temos leis que respeitam a propriedade. “entusiasmado pegou na pena e u dita réplica. antecipando a atitude de submissão que tomaria quando descoberta a conjura na qual se envolvera. os adultérios e até as procissões. e levado do mais feroz agastamento”. despachou em favor de Firmin e Portugal. em que figuravam um negociante europeu Firmin. 241-243 . os roubos. não sem antes ter sido exposto no adro da igreja de Santa Teresa. as ações dos poderosos. foi misteriosamente colocado em sua mesa de trabalho. quando um tremendo requisitório contra a sua administração. concluindo ser isso fazer sentir “a êste tratante. durante e após a Revolução de 1817 — o que o torna urna espécie de Talleyrand brasileiro — consta a decisiva influência de um “papel” na eclosão do movimento. antes. de autoria de Tomás Antônio Gonzaga. em noite de novena.” A maior figura panfletária da colônia foi. o clero de vida irregular. Gregório de Matos. e foi então desde esta época que ficou de todo semeada a divisão e discórdia. em verso. e os oradores da sua parte também não poupavam panegíricos figurados pelos quais lhe representassem cara a idéia da liberdade e de um patriotismo mal entendido. onde estão registrados os escândalos miúdos e grandes da época. de certo. e aquilo que se faz nulamente e com dolo não produz impedimento. Luís da Cunha Menezes. cujos papéis a favor e contra dizia-se que eram feitos por Bernardo Luís Ferreira Portugal e o Tenente Coronel Ajudante de Ordens do govêrno Alexandre Tomás de Aquino. que retratam Vila Rica e reporteiam aspetos. pois o seu autor. “picado. em mais 7 Ministério da Educação e Cultura – Documentos Históricos cit. soldado desertor. . em decassílabo5. sendo presos e executados vinte e três dos implicados porque um tal Luís Gonzaga das Virgens. em 1798. os aniversários e os nascimentos. 201-201. que os rebeldes contavam para o golpe decisivo da sua emprêsa. Da defesa apresentada por José Carlos Mairink da Silva Ferrão. que requereu a osse para a suú constituinte. Narra êle7 que “apareceu a célebre questão de uma prêta. que Ronald de Carvalho considera a sua obra como “o nosso primeiro jornal.” A população tomou o partido de Bernardo. Neste “papel”. a justiça bastarda e vendida. de nome Azevedo. Foram redigidas entre 1788 e 1789. exatamente ao tempo da Inconfidência. os crimes. exigindo a devolução da “pessoa que êle ilegitimamente tinha em seu poder”. de sorte que as duas classes se agitaram pasmosamente. de uma lfuente graça literária. Êste ofereceu elevada importância pela escrava mas a sua dona reusou. De tal modo estão as sátiras de Gregório de Matos cheias de atualidade e notícias. . quando uma escrava descontente da sua senho ra resolveu fugir e procurar senhor que a comprasse.

de uma ocasião ressalta a excelência das instituições civis e religiosas monárquicas, embora
acuse Cunha Menezes e seu “entourage” de deturpá-las e prejudicá-las.

O PAPEL E O JORNALISMO ESCRITO

O jornalismo escrito, utilizando como matérias primas o papel8, as películas de celulóide
e, mais recentemente, a eletrônica, se impôs como o principal meio de divulgação de fatos e
idéias. Em nossos dias, o papel constitui, ainda, a mais importante dessas matérias primas e
nêle são impressos jornais, revistas, magazines, boletins e avulsos. Descoberta dos chineses,
através de um funcionário palaciano Isai-Loun, que conseguiu encontrar a maneira de fabricá-lo
misturando trapos, fibras vegetais e linho de cânhamo, cêrca de cem anos depois. de Cristo,
sômente em 806, ao que se sabe, o Estado estabelecia a primeira fábrica. Um século e meio
mais tarde, tendo aprisionado alguns artesãos chineses, obrigando-os a produzir papel em
Bagdá, os árabes introduzem o produto na Europa, através do norte da África e da Espanha,
onde há memória de fábricas em Jatiba, Toledo e Valência, O documento mais antigo em papel,
que se conhece na Espanha, é o Repartimiento de Valencia, feito por Jaime 1, de Aragon, em
1237, conservado no Arquivo da Corôa de Aragon. As primeiras fábricas européias de papel
utilizavam como matéria prima o linho e só mais tarde o algodão. Os trapos eram amassados em
um gral e embranquecidos com cola animal e amido de trigo. Cêrca do ano de 1300, surgiram
em Ravensburg, Alemanha, os moinhos para a preparação da pasta, que se fazia passar por
peneiras de arame de latão para conseguir unia mescla mais homogênea. O costume de
mergulhar a pasta de papel, colocada sôbre uma teia metálica nas tinas, subsistiu até 1811,
quando, na França, foi iniciada a fabricação por meio de máquinas. Com o incremento do uso do
papel, a partir da metade do século XIX, buscaram-se outras matérias primas para a sua
fabricação e assim, graças a um invento do saxão Godofredo Keller, em 1845, pôde-se
empregar a fibra de madeira, submetida a certas reações químicas. Palha e bagaço de cana de
açúcar são, atualmente, utilizados para a fabricação do papel, assegurando-se aliás que êsses
materiais constituirão, em futuro próximo, a princip al fonte do produto, uma vez que as suas
safras são anuais, enquanto a madeira exige largos períodos para o crescimento das árvores de
que é extraída.
Para se ter uma idéia do angustiante problema do papel de imprensa no mundo, basta
citar que, em 1948, para uma produção global de 7.482.000 toneladas, das quais 4.635.000
originárias do Canadá, houve uma demanda de 7.569.000, das quais 85 por cento foram
utilizados pelos Estados Unidos, o maior consumidor do mundo (5.015.000 de toneladas).
Naquele ano, verificou-se, portanto, um “deficit” de 87.000 toneladas, o que significou uma séria
ameaça à existência dos 223 milhões 774 mil jornais quotidianos que eram oferecidos, então,
aos 2 bilhões 372 milhões e 463 seres humanos distribuídos pelos cinco continentes9. Em nosso
país, de acôrdo com as estatísticas do! Banco do Brasil, foram consumidas, em 1957, 222.526
tolenadas métricas de papel de imprensa, das quais apenas 49. 028 de produção nacional. A
importação das restantes 173.498 tolenadas custou-nos 35 milhões e 47 mil dólares, um
dispêndio pródigo para um país que tem todas as possibilidades não somente de tornar-se auto-
suficiente coma de transferir-se da posição de importador para a de exportador. O consumo de

8 O vocábulo originou-se de uma palavra egípcia traduzida para o grego “papyrus”- o papiro, produto extraído de um
arbusto que cresce naquele país e regiões pantanosas vizinhas. Conta a tradição que um rei egípcio, temendo que
a Biblioteca de Alexandria fosse superada pela de Pérgamo, proibiu a exportação do papito, com o que provocou o
desenvolvimento da fabricação do pergaminho na Ásia Menor. No entanto, até o ano 450 AC, vendia-se papiro em
Atenas e o seu uso, introduzido no Império Romano, perdurou por longo tempo entre os povos civilizados. O último
documento conhecido em papiro é uma bula do papa Victor II, datada de 1057.
9 Sôbre o assunto, v. Le Probleme du papier journal, edieção da UNESCO, Paris, 1949, pelo serviço de pesquisas
The Enconomist de Londres, e L’lnformation a travers le monde. UNESCO, Paris, 1951.

papel no Brasil — menos de três quilos por habitante/ano — nos coloca numa posição
humilhante em relação já não dizemos a países muito mais desenvolvidos, mas até aos nossos
vizinhos, pois a Argentina tem um consumo duplo do nosso. A solução do problema da produção
de celulose e papel de imprensa, qué urge dada a importância assinalada dessa matéria prima
na alfabetização do povo e difusão da cultura, estará em uma modificação substancial da
orientação do govêrno, cujos estabelecimentos de crédito recusam, sem maiores estudos,
financiamento para a implantação de indústrias do tipo médio (25 a 30 toneladas por dia),
distribuídas na região produtora de pinho, com o aproveitamento da madeira em lascas não
utilizada pelas serrarias e, o que é mais importante ainda, o emprêgo de desfibradoras e outras
máquinas, ora fabricadas em São Paulo. no Rio e no Paraná.
A escassez do papel, que não poderá atender à crescente demanda e à adoção e
popularização do sistema de imprimir em películas de celulóide, parece-nos indicar uni novo
caminho ao jornalismo escrito: a substituição, no futuro, do jornal na sua forma atual pelo jornal
em micro-filme para a leitura eu aparelhos reprodutores ou projetores, como já existem em bi
bibliotecas, arquivos, universidades, clubes e associações culturais. O micro-filme, se bem que
exija a posse de aparelho especiais de reprodução e projeção, tem sôbre o jornal impresso em
papel diversas vantagens, tais como: facilidade de transporte e arquivamento; melhor técnica
para o uso das côres; comodidade para o leitor, que não terá de conduzir grossos volumes de
fôlhas impressas, que não somente pesam como têm outros inconvenientes, como o
desprendimento de tinta e a rápida e fácil destrutibilidade redução das despesas em maquinaria
e mão de obra para as emprêsas e, finalmente mais vasto alcance pela sua utilização nas
emissoras de tele visão. O emprêgo do micro -filme se está generalizando nos países mais
adiantados cultural e èt cnicamente: nos Estados Unidos, tivemos oportunidade de visitar o
arquivo do Ne w York Times, onde as coleções volumosas e devoradoras de espaço das edições
daquele famoso órgão da imprensa mundial estão concentradas em poucos metros de caixas de
aço.
Para resolver o cruciante problema espacial, “inúmeras instituições adotaram o recurso
de construções especiais longe da sede; tal solução gerou o duplo inconveniente de aumentar as
despesas e criar outro problema: o do transporte dos da tos entre a sede e o depósito-arquivo. O
micro-filme, quer em bandas, é largamente utilizado para reduzir massa criada por tanto papel
impresso, manuscrito ou datilografado. Com o uso do micro-filme, obtem-se uma economia
espacial e de pêso que pode oscilar entre 80 e 90 por cento. Assim o conteúdo de cem armários
para arquivo pode ser reproduzido e disposto em um só classificador para micro filme, cujas
dimensões não ultrapassam as medidas de um armário comum. Basta pensar que um rôlo de
microfilme de 16mm, com imagens duplas de 8 mm, conterá, ao longo de trinta lineares, cerca
de 10.000 cartas. A bobina de 30 metros tem um diâmetro de 12 cm... Considere -se ainda, que
as modernas micro-fumadoras automáticas permitem a execução de duas imagens de 8 mm
lado a lado... Considere -se, também, que o processo de micro-filmagem, quer em 35 quer em 16
mm, é extraordinàriamente rápido, tendo-se em conta o fato de que 30.000 documentos podem
ser microfilmados em uma jornada de trabalho10.” Entre os grandes jornais brasileiros cujas
edições, para efeito de arquivamento, são micro-filmadas figuram O Globo, Diário de Notícias,
última Hora e Correio da Manhã, todos do Rio11.”
A fixação em películas de celulóide de notícias e “slogans” publicitários é ainda muito
utilizada para projeção em praça pública, em telas especiais ou nas-paredes dos grandes

10 C. Oscar Campiglia — .Emprêgo de microfilmagem em arquivos,in IDORT — Revista de Organização e
Produtividade — S. Paulo— ns. 307-308 — julho e agôsto de 1957 — págs. 19 e 20.
11 Informação de P.N. ed, de 20-3-57, que adianta ser possível inserir aproximadamente 1.200 páginas de jornal
num rôlo de apenas 20 metros de película, sendo que o preço do negativo e positivo é extremamente baixo, em face
do grande número de cópias que se fazem em pequenos pedaços de fita.

edifícios, substituindo os “placards” em que, antigamente, os jo rnais expunham informações
sôbre fatos de sensação ocorridos no intervalo entre as suas edições. Aliás, essa modalidade de
divulgação jornalística também se vê gradativamente abandonada pelo uso da eletrônica. São os
chamados “jornais elétricos” ou “luminosos”, existentes em todo os grandes centros urbanos do
mundo, tais como em Times Square, New York; em Picadilly, Londres; no Rio, em São Paulo e
no Recife12. Os jornais eletrônicos, de acôrdo com a sua técnica de instalação, podem funcionar
dia e noite, apresentando caracteres coloridos e desenhos ilustrativos das legendas e textos
divulgados.

O RÁDIO E O JORNALISMO ORAL

Por milênios, a palavra falada foi a única forma de expressão jornalística. Na nossa
época, o jornalismo oral não sômente subsiste, através do rádio, do telefone e da fita mago
ética, como assumiu tal importância que a sua técnica reclama estudos especiais.
O rádio foi pela primeira vez utilizado para a transmissão de notícias em 1922 por
Gabriel Germinet, lançando, através da estação parisiense de Radiola, um serviço quotidiano de
novidades sob o nome de “Paris Informations”13. Em outubro de 1925, uni grupo de jornalistas,
tendo à frente Maurice privat, arrendou a grande antena da Torre Eiffel e deu curso a uma idéia
que, nos fins do século passado, em 1883, Louis de Peyramont tentara efetivar nos Follies-
Marigny, reunindo um público, diàriamente, para ouvir a leitura não só de noticias como de
artigos — e até ilustrando as palavras com desenhos e caricaturas traçadas em um quadro
negro pelos próprios autores. Privat, cuja concepção de jornalismo falado era mais prática, pois
que levava a matéria aos interessados em diversos pontos da cidade, por meio de alto-falantes,
obteve êxito ao ampliar, com a introdução de tôdas as seções que compõem o jornal impresso,
inclusive a publicidade, o simples informativo até então rádio_difundido. Le Journal de la Tour
teve logo imitadores: na Bélgica, em 1926, surgia um jornal falado; em a administração das
comunicações sem fio, em Paris, ia o seu “Rádio Jornal da França”, transmitindo de um estúdio
nos Champs Elysées; em 1932, no México, a XEW lê as notícias mais destacadas publicadas
pelo diário PJxcelsior. Em todo o mundo, sob a natural reação das emprêsas editoras de jornais,
que viam no rádio um perigoso concorrente, o rádio - jornalismo firma o seu definitivo prestígio na
terceira década do século14. Coube aos editores norte_americanos, com o seu reconhecido
pragmatismo, oferecer uma solução para o conflito rádio versus imprensa: — o rádio deveria
associar-se aos jornais e agências de informações, o que aconteceu nos Estados Unidos e em
outras nações, onde, a cada jornal importante, se subordinava uma rádio_emissora. Essa
política foi referendada pela Conferência das Novas Formas de Imprensa, reunida em 1934, em
Bruxelas, segundo a qual “estas duas formas de jornalismo, que se completam com felicidade,
devem colaborar e ligar-se eventualmente por acordos para fornecer paralelamente ao público a
sua quota de informações.” 15
O primitivo sistema de difundir informações pelo rádio, com alto-falantes colocados em
diversos pontos da cidade de Paris (prestigiado pelo próprio Presidente Poincaré, diária- mente,
“quando o tempo estava bom” transmitia entre as 18,30 e as 19 horas da torre Eiffel,
constituindo-se “numa verdadeira pequena atração nos anos de 1924 e 1925... parecia uma

12 Na capital pernambucana, o jornal eletrônico, inaugurado “em agosto de 1957, está instalado em avenida central
sôbre um edifício de 12 pavimentos. Foi uma iniciativa do jornalista e radialista Ernani Séve.
13 Já em 1920, uma emissora instalada em Pittsburg, nos EstadosUnidos, a K.D.K.A., transmitira, no mês de
novembro, boletins com os resultados das eleições presidenciais então realizadas.
14 Pernambuco detém o pioneirismo dos jornais falados no Brasil, lançados pela emissora da PRA-8, do Recife, em

fins de 1926, sob a orientação dos jornalistas Mário Libânio e Carlos Rios.
15 Conf. Rená Sudre — Le Huitiéme Art — Paris, 1945 e J. Preveyer Carracedo — Radioperiodismo — La Habana,

1952.

horários. por sua extraordinário universalidade — “as ondas não conhecem fronteiras nem contrôles aduaneiros” — o rádio exigiu. êsse gênero de periodismo. os resultados dos pleitos eleitorais. havia. o número de estações de rádio no nosso país ascendia a 496. oferece. a existência de um semanário. que possui cêrca de 10.000 receptores. qualquer divulgação de caráter partidário. que não têm tempo de ler todos os periódicos da sua especialidade. uma legislação e um sistema de concessão especiais.870 rádio-emissoras. reportagens “in loco”. do qual traça um curioso perfil na sua conferência Le Journalisme parlé. Seleções de Reader´s Digest. 1. entretanto.000 assinantes em quinze países. Já em 1958. 1949. edição brasileira. quanto às informações políticas o SIG da. funciona um serviço informativo telefônico. que poderíamos chamar de “jornalismo em conserva”. fôsse no campo político. em 1893. em todo o mundo. Utilizava também recursos musicais ou para caracterizar seções ou para os intervalos entre os noticiários. segundo o Anuário da Imprensa. redatores e comentaristas. 18 Conf.000 quilômõtros de linhas. Destinado aos médicos muito atarefados. existentes na maioria das cidades do nosso “hinterland”. As suas transmissões eram feitas com o auxílio de dois poderosos microfones. Ganhando foros de veículo jornalístico da mais subida importância. editado por P. que nada obtante destinar-se especialmente à propaganda comercial fornece notícias sôbre acontecimentos desportivos. São os chamados serviços de “difusoras” ou de alto-falantes. através uns do monopólio sôbre as emissoras outros por meio de estatutos que adotam certas medidas restritivas. etc. inserida na coletânea Ploblémes et Techniques de Presse – Editions Domat Montchristeien – Paris. admitidos pràticamente por todos os Estados modernos. há “jornais telefônicos”. com a gravação de notícias e comentários pelo processo eletrônico. Observação digna de regstro é a de que. apenas. sendo 211 de ondas médias e 12 de ondas curtas. fenômenos meteorológicos. a partir da reserva das freqüências até a censura prévia dos programas informativos. retransmissões de “matchs” desportivos e outros fins. 4. por determinação estatutária da sociedade que o mantém. e transmitindo tôdas as seções de um periódico impresso. 216 de propriedade privada e 7 pertencentes ao Estado. que não possuem estações de rádio próprias. em gravação de uma hora. um grande corpo de repórteres.85 . 17 Quanto à fita magnética. O primeiro jornal essa espécie de que se tem notícia foi o Telefon Hirmonde.espécie de lanterna mágica sonora e provocava mais curiosidade e espanto do que interêsse racional”). a princípio empregado. um 16 Segundo depoimento de Pierre Descaves. Há cinco anos.000 subscritores. hoje. Rádio Televisão. da divulgação de noticiário ou propaganda pelas mesmas distribuidas às rádio-emissoras. Eis os números para o Brasil: 233 emissoras. o SIG.849. pelas agências telegráficas e de publicidade. apenas. estava àriamente “no fio” das 8 às 23 horas. sobretudo. junho de 1957 – pg. de New York18. Por meio de um sistema de alarme. 2. sendo lhe vedado. outro veículo do jornalismo oral.. até bem pouco era utilizada apenas nos departamentos jornalísticos da imprensa e do rádio para entrevistas. em geral estreitamente ligados às emprêsas que exploram os serviços telefônicos. Em 1949.N.000. não sòmente por se constituir num excelente instrumento de educação e propaganda como. Em tôdas as grandes cidades. companheiro de pioneirsmo de Maurice Privat. devidamente registradas.500. ao contrário do jornal impresso. 17 No Recife. colocados um defronte do outro. fundado na Áustria pelo eletricista Theodor Tuskas. de acordo os dados divulgados pela UNESCO. para comunicações particulares ou transmissão de notícias aos corpos redacionais para posterior publicação nos jornais. 16 é adotado ainda hoje na maioria das pequenas cidades brasileiras para a transmissão de matérias de interêsse local e retransmissão de noticiários das grandes estações dos centros urbanos com as quais entra em cadeia. chamava a atenção dos subscritores quando ia anunciar um acontecimento extraordinário. e o número de aparelhos receptores era de 181. entretenimentos. vem sendo utilizado regularmente: — Gordon McKibben divulgou. O telefone. em The WaIl Street Journal. o Audio Digest. econômico social. cabendo 51 para cada mil habitantes. e contrôle. Contando com 20. é.

Do ponto de vista psicológico. considerando-se a insuficiência e o elevado custo do material composto em Braille. embora o grosso das gravações seja ainda expedido a médicos comuns. O leitor retira as páginas de plástico e as coloca na toca-disco para “ouvir” a revista. Dirigida pelo publicitário Claude Maxe. em dezemb ro daquele ano — vendeu 50. O DESENHO E O JORNALISMO PELA IMAGEM Embora podendo adotar legendas escritas ou textos falados para melhor compreensão do público. Por fim. de Hollywood. do cinema e da televisão. Diàriamente são gravados informes. sendo imediatamente compreendida pelo espectador sem apêlo à sua inteligência ou à sua imaginação e independente do grau de cultura que detenha idioma que fale. com notícias. notícias e’ sugestões sôbre os negócios.” Em 1958. ainda. que pode ser incompleta quer quanto ao ângulo do observador quer pelas falhas da atenção em pessoa não experimentada. cantores e música orquestrada. entrevistas. na fotografia ou na apresentação direta dos acontecimentos os seus principais meios de expressão. Na atualidade. A imagem jornalística. anestesiologia. comentários e ensaios vem sendo incrementado. a designação seja ambígua. encadernada com fõlhas alternadas de pap el e de “material plásrtico”. outra com Brigitte Bardot e seu noivo. O sistema de gravação de “revistas falantes”. Informa McKitben que o Exército Norte-Americano. resumos extraordinários. a imagem oferece mais possibilidades de fixação do que a própria testemunha direta do fato. etimológicamente. as primeira impressas com artigos.sumário de notícias colhidas em publicações e relatórios especiais das pesquisas médicas. da fotografia. denominada gráfica. medicina interna. procura dar uma visão sintética completa do acontecimento. enquanto atendem aos seus clientes. Sonorama — informa José Ricardo na sua seção “Rosa dos Ventos”. nos últimos anos. apresentou. . 19Essa modalidade de jornalismo é. na França. uma reportagem auditiva dos últimos acontecimentos políticos que perturbaram a França metropolitana e ultramarina com todos os ruidos e gritos das arruaças. como meio auxiliar de educação dêstes últimos. em geral. a gravação de uma entrevista com Jean Louis Barrault sôbre teatro. o mais poderoso para a transmissão de idéias desde a invenção da prensa. duas vêzes por mês. reportagens e ilustrações e as últimas “gravadas” com reportagens sonoras. Êsse e outros usos da fita magnética levaram Wolfgang Langewiesche a considerá-la mais do que um mero tipo de gravação fonográfica: — “um novo instrumento. Os assinantes pagam 143 dólares por ano pela fita semanal e o Audio Digest prepara. questões sindicais e outros assuntos julgados de interêsse pelo serviço de relações públicas das companhias. Algumas empresas norte-americanas já estão empregando a fita magnética em substituição ao clássico ‘jo rnal da casa”. o jornalismo pela imagem19 tem no desenho. que forcejam por acompanhar os progressos da ciência.000 exemplares a 500 francos (aproximadamente 170 cruzeiros) por exemplar. alguns discursos em praça pública e a ruidosa participação da polícia. que são vendidos a 72 dólares por ano. se bem que. bem como outros detalhes auditivos dos acontecimentos. hospitais. foi lançada uma revista — Sonorama. o jornalismo pela imagem manifesta-se através do desenho. nos campos da cirurgia. noticiário editoriais. sendo editado pela Audio Diqest Foundation. gravações de Gilbert Becaud e “The Platters”. Essa publicação é mensal. faculdades de medicina e outras instituições são assinantes dêsse jornal eletrônico. notadamente pelos organismos de assistência aos cegos. pediatria e ginecologia. em seu número de lançamento. divulgada pelos Diários Associados.

primeiro diário ilustrado. tomou o seu nome da tradução inglêsa de Polichinelo... antes que a partida termine. Mais tarde. por exemplo. então. 5. muitos caricaturistas são obrigados a emigrar e publicar as suas obras na Holanda A invenção da imprensa torna mais amplo o campo do desenho humorístico e crítico como forma jornalística: na Inglaterra. durante.. cêrca de 15. Willette e Leandre constituem o grupo de humoristas franceses que utilizaram. a obra mais impressionante é a contida nos Caprichos. desenhistas satíricos. se supõe representar o faraó Ramsés III êste mesmo é. Gavarni. traçando e projetando as páginas. hoje. o repositório de mais de um século da vida social e política britânica. Coube ao jornal Le Lithographe publicar. jornais e revistas para retratar a sociedade. revistas. satiriza-se o excesso. Um dos desenhos mais conhecidos daquele período representa uma gazela que se entretém em um jôgo parecido ao xadrez com um leão. originário da “Comedia della Arte” italiana. . em 1839. pelo que não devia ser mostrada a sua obra aos jovens” e assim narra o triste fim do mesmo artista: “o infame Pauson já não nos desfigurará mais”. o jornalismo através do desenho e da caricatura toma impulso com a revolução de 1789. Simplicissimus. em damas da alta sociedade. corrigi-la. Na França. periódicos. a baixeza. a primeira ilustração pelo processo de fotogravura. em todos os tempos. quotidianos. tinha “um significado político bem perceptível ou eram simplesmente cenas críticas e joviais dos costumes do tempo. em 1910. Daumier. a ignomínia e a hipocrisia”. também tiveram fim violento Supalus e Athenis. Em outra composição talhada sôbre um dos monumentos de Tebas. Aristófanes se refere ao grego Pauson “que tudo o que fazia era degradar e desfigurar tornando mais feia a pessoa do que o era. talhado ou pintado nos muros das cavernas pré-históricas. da fauna e dos homens.”20 A ilustração e a caricatura — Como outros jornalistas. a maior parte dêles. de Paris. graças à descoberta dos processos de fototipografia e fotogravura. caricaturas ou artísticas representações da flora. as condições que os presbiterianos arrancam a Carlos II antes de oferecer. ou as guerras e a política de Napoleão.. êste. sob Luís XIV. na Espanha. os caricaturistas satirizam o episcopado da Igreja Anglicana e a conduta licenciosa dos cavaleiros. 21 Fundada em 1841. a ilustração entra definitivamente na grande imprensa e. criando “títulos” para as seções. Com isso se quis expressar que as pobres gazelas indefesas não devem jogar com o leão poderoso que. a ilustração conquista o seu lugar definitivo nas publicações periódicas. pertence ao reduzido grupo de publicações líderes do jornalismo humorístico internacional. tendo-se o desenhista tornado um profissional de primeiro plano no jornalismo. pois surge. no Egito. segundo Plínio. que conduz uni bando de patos inocentes. de Munich e Krokodil de Moscou. na França. arrebata a aposta. Goya e Velazquez são . deduzindo-se que participou da mesma sorte de Sócrates. que revelam “uma alma atormentada ante a injustiça. o Segundo Império. Forain.000 anos antes do nosso século. americano. um gato astuto.. 20 Bam-Bhu — El dibujo humoristico — Barcelona — pág. Juntamente com o New Yorker. o cinema e a TV usam largamente a gravura. também os desenhistas e caricaturistas têm os seus mártires do ofício.lhe a coroa. foi. educá-la. sem dúvida. Com o Excelsior. personagem mundialmente conhecido. no caso. Se alguns dos documentos arqueológicos apresentam desenhos humorísticos. os pioneiros da caricatura e da sátira. de beber mais do que recomenda a prudência: umas pedem às suas escravas que as sustentem e outras são atendidas no momento extremo. hoje. o vício. em outro de desenho. mas é sòmente no século passado que. magazines. desenhadas e fotografadas. Le Canard Enchainé. na França. fundado por Pierre Lafitte. Em tanto aprêço têm os inglêses o jornalismo humorístico que uma das suas mais famosas publicações — O Punch 21 — é. do primeiro. criticá-la. L’Illustration conquista o seu público por meio de reportagens redigidas. O Desenho — Depois da palavra falada.. a mais antiga expressão jornalística no mundo.

Belmiro de Almeida e Bordalo Pinheiro. por Frederico Galindo in El periodismo — Barcelona. também. 23” Deve-se observar. Sousa Pinto e Adolfo Germano dos Santos que. os “comics” em que se distingue a imprensa norte. chiste da sua obra. jornalisticamente. só em 1831. para os quais uma frase basta para explicar um caráter. Raríssimo24.” Como de todos os jornalis5 exige. elaborando historietas. a do “Yellow Kid” — tipo criado por R. Outcault e lançado nos jornais sensacionalistas de Hearst — deu origem à expressão hoje mundialmente adotada para a imprensa dessa espécie . 1953 págs. Com efeito. Um esfôrço de síntese deve presidir ao seu labor. Como já se observou22. F. quando nos chegam os inventos que permitiram maior facilidade à sua reprodução. depressa é esquecida e “quando a repassamos em velhas coleções de jornais e revistas quase não compreendemos a intenção que encerra. pois algumas vêzes há de adiantar-se aos acontecimentos e outras segui-los o sentido da atualidade não pode abandoná-lo. 1908 — pág. por parte especialmente. “os desenhistas chegaram a ser escritores e os seus hábitos de observação os colocam na categoria dos espíritos críticos e sintéticos a que pertenciam La Bruyère. Nelas colaboraram os espíritos satíricos dos artistas Flumen Junior. Era escrito com extrema mordacidade. no Rio. que uma famosa série. 24 Alfredo de Carvalho — Anais da Imprensa Periódica Pernambucana — Recife.° 1 saiu a 25 de abril e o n.° 3 a 17 de maio. trazia grosseiras vinhetas caricatas abertas a canivete em entrecasca de cajazeiro. nasce a caricatura em nosso país.” A mais divulgada das modalidades do jo rnalismo desenhado é a dos “comics”. se bem que sob a barragem das restrições mais acerbas. cuja popularidade foi tão grande e marcou tão profundamente os espíritos nos Estados Unidos. Semana” e do “Moleque”. 450. 1953 — pág.americana. para pintar uma situação. . a dos filósofos. conquistaram as massas. o desenho como principal matéria. em resposta ao precedente (O Liberalão) . tanto na justeza e no chiste das observações 22 Louis Morin — Le dessin humoristique cit..a imprensa amarela. No Brasil. a caricatura e a charge são geralmente adotados.introduzindo tipos e flagrantes humorísticos. graças às novas técnicas impressão. criador das figuras do “Dr. A respeito dêsse periódico escreve Alfredo de Carvalho: “O n. O tempo joga um importante papel na sua tarefa. com O Carcundão. no registro de Alfredo de Carvalho. e a Ilustração Brasileira ou Revista Ilustrada. de educadores e críticos. os primeiros ilustradores conhecidos foram Debret e Rugendas. tendo sido lançados em 1884 pelo New York Daily News. circulava O Diabo a Quatro. redigida por Anibal Falcão. embora muitas vêzes uma piada em historieta ou caricatura valha mais do que um editorial. criador de “Zé Caipora”. primeira tentativa de jornal ilustrado em Pernambuco. surgido no Recife. Pascal e La Rochefoucauld.” Nos últimos anos do Império. o desenho. através de cuja obra se pode reconstituir as características marcantes da sociedade colonial. pois depende dela o efeito que a sua obra produzirá. em 1875. Uma série enorme de publicações jornalísticas emprega. embora jnicialmente dirigidas a um público infantil e juvenil. utilizando ap enas as complementarmente os textos escritos: — são as revistas e jornais em quadrinhos que. de Ângelo Agostini. As campanhas abolicionista e republicana tiveram os seus caricaturistas. que há cinqüenta anos atrás eram desconhecidos. surgida em 1860. 33-43o. 133. o humor e a moda morrem todos os dias. mais difícil se torna ao desenhista de jornal conseguir a permanência para a produção do seu esfôrço intelectual e artístico. que fixaram com humor e criticaram com mordacidade todos os episódios da nossa vida política de então. de propriedade do ale mão Henrique Fleiuss. “elevou a crítica de costumes a proporções nunca depois excedidas. No Recife. 23 Frederico Galíndo — El humour en la prensa in El periodismo — Barcelona. Entretanto. hoje. que estando o humor intimamente ligado ao ambiente de uma época.se do desenhista de jornal que Possua “um rapidíssimo golpe de vista e uma grande agilidade mental para que seu lápis não capte sômente traços pessoais mas de uma época. A Semana Ilustrada. tanto ao desenhar como ao redigir o texto. Nesse sentido. marcaram época.

era repro duzida em uma prova. a fim de obter cópias em papel sensibilizado. Talbot. acentuando a massa das figuras e tornando-as mais plásticas e atraentes. Daí para diante. Draper. que José Niceforo Niépce e Luís Mandé Daguerre aplicaram êsses conhecimentos à câmara escura. aperfeiçoado ao máximo. e Figueirôa. o que se deveu a William H. no Mercúrio. ’Várias emprêsas americanas têm mesmo conseguido o “tour de force” de transmitir. descoberto casualmente por W. Nássara. os avanços da televisão já permitem a transmissão instantânea de imagens a longa distância e. todos os esforços foram desenvolvidos no sentido de aperfeiçoar o invento. chegados e integrados no jornalismo do país. quando o famoso pintor — um dos gênios versáteis da humanidade — idealizou a primeira câmara escura. as fotografias podem ser fixadas tanto sôbre papel fotográfico como sôbre filme. êste o pioneiro da caricatura mundana. o desenho humorístico é indispensável aos órgãos da imprensa de largo público e alguns dos profissionais e artistas contemporâneos. Theo. com trabalhos reproduzidos nas principais publicações do mundo.o “humour”. paraguaio. inventando o sistema de gravar imagens em uma placa preparada com iôdo e prata mercurial. ao criar o tipo da “Melindrosa” crítica ao “society” da época. Rubel. imprimindo em diversas côres. a primeira tentativa de fixar mecânicamente as imagens. Atualmente. em 1904. por meio de máquinas rotativas. Seth e outros. beneficiou-se dos métodos de gravação..como na probidade de critério. por sua vez. foi sômente no comêço do século XIX. cêrca de 1500. na sua recepção. todos os sistemas anteriores foram abandonados pela impressão. depois que diversos investigadores haviam descoberto que a prata dissolvida em matérias orgânicas enegrecia-se pela ação dos ácidos. 373. o sistema de gravação em “offset”. mexicano. as fotografias passam a ser transmitidas pelo rádio. esqueceu uma das provas ao colocar o papel entre os rolos de pressão e o “cliché”.”25 No princípio do século atual. Don Quixote. No entanto. é empregado especialmente para revistas. Qual não foi a sua surprêsa ao dar-se conta de que a imagem que se havia transladado para a borracha. entre os quais o pernambucano Péricles. através de um aparelho que denominou “belinógrafo” ou “fototelégrafo”. conseguiu a primeira fotografia de uma face humana — a de sua irmã — mediante uma exposição de cinco minutos. Dez anos depois. A fotografia — Deve-se a Leonardo da Vinci. o outro pernambucano Augusto Rodrigues. Frou-Frou. em O Malho. através dos mares. substituindo-se as placas metálicas por transparentes. comandaram uma autêntica revolução na caricatura. alcançam também os benefícios da reprodução fotográfica pelo sistema “offset”. Fritz. Fon-Fon. a fotogravura e a zincografia permitiram a sua reprodução nos impressos. criador de “O Amigo da Onça”. Vão Gogo e Borjalo são nomes que já ultrapassaram fronteiras. Carlos. da Universidade de New York. o francês Edouard Belin (1921) inventa a transmissão de fotografias pelo rádio. Mais recentemente. Três anos mais tarde. Guevara. o prof. A fotografia. descoberto por Frederick Scott Archer. que tornaria possível a fotografia. . aparecendo ali com perfeição insuspeitada! Hoje. notadamente através do lápis de Luís Sá. São dessa escola Alvarus. utilizando ainda cilindros de pressão de borracha. F. John W. Não devemos esquecer que também o nosso incipiente cinema vem adotando o desenho e. buscando um modo de obter provas perfeitas em papel de qualidade regular. de New Jersey. pela televisão. que surgem com as suas “charges” nos principais jornais e revistas do país. Calixto Cordeiro e J. Êstes. graças a um outro processo. e mais Carlos Estevão. Hoje. Belmonte. — pág. Em 1840. As ilustrações correspondiam brilhantemente ao texto. ilustrador de jornais filmados. como o desenho.. graças ao desenvolvimento das técnicas do telégrafo e do rádio. quando. um jornal 25 Alfredo de Carvalho — Obra cit. Para Todos e A Careta — esta última podendo ser considerada como o nosso Punch — colaboraram Raul Pederneiras. fundador das Escolinhas de Arte.

os irmãos Lumiêre contratavam Relix Mesguich para percorrer a Europa e o mundo. em 1910. quer o desenho quer a fotografia. que leva homem de imprensa a olhar a vida e o mundo como campo colheita de notícias destinadas a informar e orientar a opinião pública. os “jornais cinematográficos” – chamados “newsreels” pelos povos da língua inglêsa. inoportunas. e “wochenschau” pelos alemães — foram a primeira manifestação do cinema. na França. W. conforme a sua própria epígrafe o indicava. ambas explorando cenas da vida corrente. a revista Berliner Illustriert Zeitung publicou uma reportagem fotográfica da catástrofe ferroviária de Bomberg. paradas ou mortas não são jornalismo. expondo fotos de acontecimentos do dia ou da semana. O desenvolvimento dos métodos de captação. “noticieros” pelos espanhóis. o primeiro quotidiano incluindo fotografias fo i Excelsior.pág. Os diários. catástrofes e festas para as “actualités”.. Nos países europeus é muito comum a existência. “actualités” pelos franceses. de “jornais fotográficos”. a simples publicação de uma fotografia vale uma notícia. como a alguns escritores famosos. Muitas vêzes. fixando aquêle acontecimento diário no celulóide. não despertam no leitor (diríamos melhor no espectador) aquêle princípio de ação que é próprio do jornalismo. Sômente em 1901 — e ainda à base dos “fatos marcantes” — é que Georges Mêliés. Todavia. mais tarde desenvolvida pelo cineasta norte-americano D. estão tendo um crescente e interessado público. As duas primeiras emprêsas cinematográficas dos Estados Unidos. Por isso. enquanto que as revistas ilustradas. nas quais o texto escrito é quase inteiramente substituído por fotografias. O Cinema — Ao contrário do jornal.inteiramente Impresso aos assinantes que possuem um aparelho de sua fabricação. publicam páginas inteiras de fotografias. a 13 de março 1892. em montras especialmente preparadas. Um ano depois. produz a sua reconstituição da coroação de Eduardo VII. no Conney Island Club. disputando o título de campeão do mundo. Assim. uma seqüência de fotos constitui autêntica reportagem. Foi êle o primeiro cine -repórter do mundo. colhendo flagrantes de cidades. de cêrca de vinte metros. Assim. costumes pitorescos. Nada obstante o êxito atual dos jornais e revistas ilustrdos com fotografias. outros famosos irmãos. à Lyon-Mont.— o são a prática do jornalismo. a “Biograph” e a “Vitagraph”. notadamente a atualidade e a interpretação. o primeiro filme de que há notícia (1895). que precisou de duzentos a trezentos anos para utilizar a máquina de imprimir e a letra de fôrma. 172. Com efeito. produzido por Lumiêre. porque não dizem nada de novo. utilizando a “trucage”. foi “La sortie des usines Lumière. e Leon Gaumont apresentaram a chegada do Tsar a Paris. o criador do cinema como espetáculo. o Daily Mirror sômente adota a fotografia como veículo de potícias em 1904.plaisir”.à tarde e os chamados “tabloides”. o desfile de 14 de julho e o Grande Prêmio de 1896. conhecido na América sob o nome de “fac-similes”26. Griffith. sômente nos fins do século passado é que a imprensa começou a utilizá-las. uma vez que lhes falta. 1952. Outros filmes produzidos na época ocuparam-se da “chegada do trem na gare de Ciotat” e de “uma viagem entre a Rue de Ia Republique e Lyon”. Fotos sem interêsse humano. para que se constituam no chamdo “jornalismo sem palavras” necessitam de atender a todos os caracteres dessa atividade. Outros produtores franceses não tardaram em seguir o exemplo dos irmãos pioneiros. especialmente aquêles publicados. com legendas elucidativas. os Pathé. aquêle instinto profissional. todos os fotógrafos — e mesmo bons fotógrafos. quando a primeira obteve exclusividade para apanhar os flagrantes do “match” de box entre Jeffries e Sharkey. tornaram-se preferencialmente filmadoras das atualidades e é histórico da competência entre elas o fato ocorrido a 3 de novembro de 1899. solenidades oficiais. transmissão e impressão de imagens fêz da fotografia não apenas mera ilustração na imprensa mas lhe deu também conteúdo jornalístico. nas principais ruas. e na Inglaterra. 26 Gilbert Henry Coston — L´ABC du journalisme — Paris. . doutras.

na França e United Nations Screen Magazine. diversos ‘digests” filmados são produzidos. Viagens na União Soviética e Esportivos. O cinema atingiu tal popularidade que. Entre os anos de 1905 e 1907. nos 27 L apresse filmée dans lê monde – UNESCO – Paris. e protegidos por brigadas de choque “rodaram” um filme. Até então. uma mera novidade da técnica para afirmar se como uma poderosa Indústria. também os filmes de atualidades se assemelham aos jornais: são geralmente dividos em rubricas correspondente às seções dos órgãos da imprensa — O que vai pelo mundo. Êstes e outros “magazines” filmados. com az característica pela variedade de assuntos filmados. o cinema deixa. os técnicos da “Vitagraph” irromperam no recinto. dos atuais jornais cinematográficos.444.. em obra completa sôbre a matéria. a) . o que leva os produtores a ultrapassarem os vinte metros de celulóide. bimensais. O “magazine” filmado permite.1951. na França. com assuntos do seu interêsse. hebdomadárias e mesmo bi-hebdomadárias. Arthur Rank. c) cada um dos acontecimentos apresentados se refere em princípio à atualidade geral do momento da sua aparição. na Inglaterra. o prestígio do jornalismo cinematográfico firma-se definitivamente e é nessa época que o filme americano conquista o primeiro lugar. d) são geralmente de uma metragem “standard’ e) — sua apresentaço é direta.352 salas de projeção Com 42.Inconformados. sobretudo no que se refere ao som e à imagem. Nesse estilo.27 27 distinguem as seguintes características dos jornais cinematográficos que os diferenciam nitidamente de outros filmes de curta metragem. no mundo 95. dando início à longa metragem. a especialização. Se bem que alguns pretendam que a TV fará desaparecer êsse gênero de jornalismo ou o absorverá. b) cada uma das suas edições comporta vários assuntos justapostos sem ligação direta entre si. suplantando em quantidade e técnica ao europeu. dedicado às crianças. cuja metragem varia entre 250 e 600 metros. com edições segundo os países produtores mensais. entre os quais Ciência e Técnica. tais como March of Time. de ser considerado um simples entretenimento. modas e até reportagens especiais. na URSS. o seu “Actualités Pathé”. afinal. tanto que. Durante a l Guerra Mundial. This Modern Age. alguns “digests” filmados já são conhecidos mundialmente. Pathé Pictorial. Naqueles anos decisivos. nos Estados Unidos. a televisão está ameaçando sèriamente os jornais cinematográficos. no momento da luta. apresentados em detalhes e sob ângulos que escapam ao tele -repórter. outros prevêem a sua evolução para o gênero do “magazine filmado”. também. Convém assinalar que. na Grã-Bretanha. é distribuído o Children’s Entertainment Films. que exigem certo espaço de tempo para a sua produção e distribuição. esportes. nos quais se dá maior ênfase à interpretação dos fatos. . editado pela ONU desde 1949. produzido por J. criado por Louis de Richemont. os filmes de atualidades dramáticos ou cômicos tinham em média 20 metros e eram Produzidos e vendidos a proprietários de salas de projeção ou a exibidores ambulantes que os utilizavam até à imprestabilidade. em 1934. Na sua técnica. produzido pela Gaumont British Instrutional Ltda. havia. É em 1907 que Gharles Pathé cria. em 1950.aparecem regularmente a intervalos relativamente curtos. utilizando a iluminação artificial por meio de uma bateria de lâmpadas de arco ali colocada pelos concorrentes. Ambas emprêsas obtiveram com êsse filme um êxito estrondoso. Peter Baechlin e Maurice Muller Strauss. adotam novos métodos de apresentação. enquanto que a dos “magazines” filmados e “documentários” pròpriamente ditos têm um caráter interpretativo e didático. aos quais se ap resentavam os noticiários como parte integrante dos programas. destinando-se a um público menos apressado do que o que deseja puramente informar-se das atualidades.900 localidades com uma freqüência semanal de 215 milhões de espectadores. Como acontece com o rádio em relação ao jornal. troca-se a exploração ambulante pela fixa e introduz-se o sistema de alug uer.

pág. muitas vêzes. sendo rigorosamente nacionalizadas. jornais de diferentes procedências. França. subvencionada pelo govêrno espanhol.UU. as atualidades. a revista Cinema Tchecoslovaque. Alex Viany refere-se aos primórdios da cinematografia brasileira assinalando que dos “muitos filmes em um só rôlo” produzidos até 1910. Na segunda categoria. escreve: “O filme de informação tem uma outra função e uma responsabilidade muito maior do que filme de atualidades dos produtores privados. News of the Day (Metro Goldwyn Mayer-Hearst). Nos países socialistas. diretores e realizadores para futuros empreendimentos no campo do cinema espetáculo. o mesmo ocorrendo em diversos outros Estados europeus. em 1949. ou mesmo coisas tão inevitáveis como a tal do trem chegar”. preparados por uma sociedade autônoma. O filme de informação tchecoslovaco é um dos numerosos instrumentos ideológicos que ajudam a edificar o Estado. o que provoca. é obrigatória nos programas dos espetáculos cinematográficos.— USA — e Lord Rothermere -GB). . e os No-Do (Noticiários e Documentários Espanhóis). de ruas e lugares pitorescos. das quais o govêrno participa ou às quais subvenciona. viagens e documentários. a repetição. da qual o Govêrno Francês possui a maioria das ações. A êsse respeito. como em diversos outros Estados ocidentais. inglêsas e francesas: Faramount News. Na primeira categoria. desenhos e documentários para programas completos. de “flagrantes” idênticos. que geralmente também dispõem de filmes de longa metragem. estão os produzidos e distribuidos pelas grandes companhias norte-americanas. Já nos referimos anteriormente a filmes de informação produzidos pela ONU regularmente e distribuidos em todos os países membros. Universal News. Pathé Journai e Gaumont Actualités. No Brasil. como qualquer outro veículo de informação e opinião. asiáticos e americanos como a Suíça. finalmente. Grã-Bretanha e URSS havendo também convênios para a troca de tomadas de cena entre produtores. De um modo geral. a maioria era de “simples registros de acontecimentos sociais e políticos. constituem uma tribuna do govêrno. Índia e Chile. pelos organismos internacionais. por émprêsas mistas. 28. de cenas da vida corrente. Seu obje tivo não é provocar sensações. XX Century Fox News. produzidas por uma sociedade de economia mista. os jornais cinematográficos são produzidos por serviços estatais. Em recente trabalho 27-a. Turquia. British Movietone News (2Oth Century Fox -. Ainda hoje.países socialistas.” A exibição das “atualidades” nos países socialistas. editada em Praga. fazer palpitar o espectador. os jornais cinematográficos são produzidos por emprêsas privadas — os de maior divulgação no mundo moderno —. temos as Actualités Françaises.. _______________________ 27-a Alex Viany — “Introdução ao cinema brasileiro” — Rio. A distribuição mundial das atualidades está assegurada por grandes companhias distribuidoras. 1959 . a predominância no cinema brasileiro é desse gênero de produções. no celulóide. por serviços do Estado e. ou cenas apanhadas em locais pitorescos. abalhar-lhe os nervos e presenteá-lo com imagens que o distraiam ou desviem a sua atenção das tarefas atuais. nas quais se exercitam operadores. também não fugimos a idêntica evolução cinema: — começamos a nossa produção cinematográfica fixação. Acordos internacionais e relações de comércio e cultura permitem a exibição em tôdas as partes do mundo de jornais filmados produzidos principalmente nos EE.

Em Pernambuco, na década 1920-30, um grupo de jovens entusiastas da sétima arte,
inspirados pelo exemplo dos italianos Falangola e Cambiére, que haviam chegado ao Recife
trazendo uma máquina cinematográfica e com ela tinham produzido filmes naturais da cidade, e
de propaganda comercial, organizou a “Aurora Filme”, rodando documentários e dramas. Outras
produtoras surgiram, animadas pelo sucesso inicial daquela: a “Planeta Filme”, a “Liberdade
Filme”, a “Veneza Filme”, a “Vera Cruz Filme”, a “Iate Filme”, e, na cidade interiorana de Goiana,
a “Goiana Filme”. A considerável produção de filmes, que jamais foi superada em quantidade, ao
tempo do cinema silencioso no Brasil, não teve infortunadamente continuidade, faltando-lhe o
apoio governamental que poderia ter transformado o Recife na Hollywood brasileira. São dessa
época atualidades e documentários, como “A chegada do Jahú ao Recife”, “Aniversário do
Govêrno Sergio Loreto”, “As obras de construção do Pôrto do Recife”, “Aspectos de Goiana”, que
foram exibidos trinta anos depois, no “Cinema Siri”, espécie de museu cinematográfico, criado
por Pedro Salgado e Jota Soares, pioneiros da cinematografia pernambucana. Também o
“Cinema Siri” extinguiu-se ao pêso da indiferença do poder público estadual. 28
Foi sômente no decorrer da II Guerra Mundial, com as atividades da Distribuidora de
Filmes Brasileiros (DFB), organizada pelos proprietários do maior circuito de salas de projeção
do País, a Cinegráfica São Luís, de Luís Severiano Ribeiro, e da Agência Nacional (AN), órgão
oficial ligado ao Ministério do Interior e Justiça, que a produção e exibição de atualidades
cinematográficas nacionais no país se tornaram freqüentes, provocando um decreto
governamental de 24 de janeiro de 1956, estipulando a obrigatoriedade de projeção de um filme
nacional (atualidades, documentários ou qualquer outro de menos de 180 metros) como
complemento de cada programação. Atualmente, diversas emprêsas cinematográficas produzem
e distribuem filmes de curta metragem de atualidades, destacando-se entre elas a veterana
Cinegráfica São Luís, a Vitória Filme (ligada ao circuito Sorrentino), a A. Botelho Filme, a
Produtora Herbert Ritcher, a Jean Manzon Filmes e a Cinédia, esta última mantendo um jornal
semanal dedicado exclusivamente aos esportes. Estamos, dessarte, bem colocados nas
estatísticas mundiais de produção de jornais filmados, com uma média de 260 por ano, quando
se sabe que, em 1949, segundo dados da UNESCO, os países líderes 4a indústria
cinematográfica produziam respectivamente: URSS, 1.100; USA, 728; Reino Unido, 520; França
e Itália, 260. Além dos jornais cinematográficos nacionais, os cinemas brasileiros exibem
atualidades de procedência norte-americana, francesa e inglêsa, com grande aceitação por parte
do público, calculado em 150 milhões de espectadores por ano, em 1.606 salas de projeção
com 1 milhão de localidades (1949).

A televisão — Nascida dos progressos da eletrônica, televisão é o mais recente dos
veículos jornalísticos. A primeira transmissão da imagem à distância, no mundo, foi feita 1927
pela Bell Telephone Company, quando, utilizando-se o telefone entre Washington e New York,
com um “relais” colo cado a título experimental em Whippany (N. J.), o então presidente Hoover,
na Casa Branca, foi apresentado ao público maravilhado da grande metrópole. Entretanto, desde
1890, sábios de diversos de diversos países vinham estudando o problema. A Edison, Jenquins,
Ester, Geitel, Marconi, Baird, Barthélemy, Farnsworth, Zworykin, Cahen e outros cientistas e
técnicos, em diferentes campos, deve a humanidade a concretização do velho sonho de “dar
olhos ao rádio”. Através de experiências cada dia mais positivas, já é possível, em 1935,
realizarem-se emissões experimentais de 10 kilowatts sôbre uma onda de 8 metros, por uma

28 Jota Soares fêz publicar, na revista Notícias de Pernambuco, edição de abril de 1953, um completo estudo sôbre
o cinema pernambucano,no qual rememora as figuras de Edson Chagas, Gentil Ruiz, Ary Severo, Pedro Salgado,
Antonio Campos, do exibidor Joaquim Matos, proprietário do Cinema Royal de Pedro Neves e do pintor e
caricaturista Fausto Silvério Monteiro (“Fininho”) , bem como fatos e outros subsídios preciosos à história do nosso
cinema considerado, então, um dos mais artísticos do mundo.

antena colocada no alto da Torre Eiffel. Três anos depois, a França possui a mais potente
emissora de TV do mundo (30 kilowatts), transmitindo a imagem em um raio teórico de 50
quilômetros, acompanhada de som. É também neste ano (1938) que a TV ultrapassa o estado
puramente mecânico (rotação de discos sôbre o emissor e o receptor e exploraçâo sôbre 30
linhas) para atingir o sistema de transmissão eletrônica, quando, em Moscou e Leningrado, são
instaladas estações que, mais tarde, viriam a cobrir um raio de 180 a 190 quilômetros. Nos
Estados Unidos, o funcionamento oficial da TV foi registrado em 30 de abril de 1939, data da
abertura da Feira Mundial de New York, embora desde o ano anterior a RCA estivesse
fabricando postos de televisão para venda ao comércio. Em 1945, no final da segunda guerra
mundial, mais um progresso decisivo é registrado: — empregando-se um aparelho descoberto
por Zworykin, o iconoscópio, e aperfeiçoado por Barthélemy, com lentes eletrônicas, consegue-
se a transmissão da imagem em pleno dia e mesmo sem sol. Ao engenheiro inglês J. L. Baird
são atribuidos os mais importantes estudos sôbre a transmissão da TV em côres, hoje uma
realidade.
A TV desenvolveu-se ràpidamente nos países mais industrializados com emissões
destinadas a grandes públicos. Dados estatísticos colhidos pela UNESCO, em 1° de janeiro de
1953, nos permitem avaliar da popularidade da TV, isto é, do seu alcance como veículo
periodístico, cultural e artístico: nos Estados Unidos, havia, então, 139 estações transmissoras,
22 milhões de receptores, equivalentes a um para cada 7,15 habitantess; no Reino Unido, 5
estações, 2.072.930 receptores, um para cada 24 habitantes; em Cuba, 7 estações, 100.000
receptores para cada 55 habitantes; no Canadá, 2 estações, 250.000 receptores, um para cada
56 habitantes; no México,6 estações, 50.00 receptores, um para cada 578 habitantes; na França,
2 estações, 60.000 re ceptores, um para cada 704 habitantes; no Brasil, 3 estações, 70.000
receptores, um para cada 751 habitantes; na República Dominicana, 1 estação, 1200 receptores,
um para cada 1.808 habitantes; na URSS, 3 estações, 80.000 receptores, um para cada 2.400
habitantes; na República Federal da Alemanha, 5 estações, 6.000 receptores, um para cada
8.000 habitantes e no Japão, 3 estações, 4.444 receptores, um para cada 21.000 habitantes.
Naquele ano, estavam sendo montadas e experimentadas estações de transmissão de TV na
Argentina, Dinamarca, Itália, Países Baixos, Polônia, Suíça, Tailândia, Turquia, Áustria, Bélgica,
Tchecoslováquia, Espanha, Suécia e Iugoslávia. Hoje, países menos desenvolvidos possuem ou
se propõem a organizar emissões de TV, enquanto o progresso técnico vai permitindo, ampliar o
raio de transmissão, me smo sem exigência de postos retransmissores.
Uma das mais debatidas questões no campo da TV e que interessa sobretudo ao nosso
estudo é a do número de horas consagradas diàriamente ou semanalmente às emissões e do
tempo nelas dedicado às informações jornalísticas. Tanto por motivos econômicos como por
técnicos e sociais, o número de horas de funcionamento das tele -emissora é reduzido: na
Inglaterra e na França, a duração média semanal é de 32 horas, enquanto nos Estados Unidos,
diàriamente, é de 15 horas. Neste último país, onde a TV é mais popular, a maior parte das
estações difundem um resumo de notícias pelo menos quatro vêzes por dia. Os métodos de
apresentação variam muito, mas em geral, vê-se sôbre o écran um narrador, que ilustra com
filmes e vistas fixas a sua descrição das últimas notícias. Os filmes utilizados são produzidos
especialmente, uma vez que uma convenção realizada proibiu a exibição das atualidades
cinematográficas na TV, criando-se, dêsse modo, uma nova indústria: — a tele-cinematográfica,
que produz, inclusive, filmes próprios de enrêdo, já que sòmente cinco anos depois de lançadas
é que as super-produções poderão ser retransmitidas no vídeo. Entre as produtoras norte-
americanas de tele -atualidades filmadas figuram a United Press-Movietone Television News,
fundada em 1951; a Telenews Production Incorporated, filial da INS, fornecendo um jornal diário
de oito minutos e dois semanários,um dos quais sòmente sobre fatos esportivos e os serviços
próprios da NBC e CBS, que favorecem diversas emissoras menores com cópias das suas
atualidades.

Enquetes realizadas entre 1951 e 1952 em New York dão, apenas, 12,5 % e 13,4 % às
emissões de caráter informativo (noticiário geral, previsões meteorológicas, questões de
interêsse púb lico, religião) ; 6,3 % e 6,9 aos programas desportivos e 2,4% e 4,2% à
apresentação e entrevistas de personalidades.29 Os índices de popularidade dêsses programas,
em 1952,- eram os seguintes: informação e atualidades, 4,2; esportes, 11,2; e entrevistas, 5,0. A
média de uso domiciliar de receptores de televisão era, então, de 83 minutos por dia, enquanto o
público dedicava ao rádio 124 minutos, aos jornais 38 minutos e às revistas, 16 minutos.30
Na França, numa iniciativa da UNESCO e da Radiodifusão e Televisão Francesa, foram
realizadas, de janeiro a março de 1954, emissões experimentais visando analisar as
possibilidades culturais da TV e a sua influência sôbre a conduta dos telespectadores frente a
determinados temas. Treze programas sôbre a modernização do trabalho rural e suas condições
técnicas, econômicas, sociais e humanas — produzidos por Roger Louis, com uma equipe de
especialistas — foram transmitidos, juntamente com apresentações de “musie -hali”, circo,
documentários, teatro, leitura de livros, cinema, entrevistas, noticiário e reportagens diversas, O
campo de observação dos resultados foi a região do Aisne, onde foram selecionados quinze tele -
clubes31 com assistentes de diferentes graus de educação, profissões diversas, de ambos os
sexos e idades variadas. O número de indivíduos interrogados e cujas reações foram registradas
variou entre 225 e 231, segundo as questões formuladas. Essa experiência ofereceu os
seguintes resultados: salvo os programas de “music-hall” e circo, que obtiveram maior
percentagem de aprovação, 90 por cento do público acompanhou com interêsse e aplaudiu o
jornal televisado; 60 por cento as reportagens retrospectivas; 55 por cento os “magazines” de
exploradores e 45 por cento as reportagens atuais, focalizando fábricas, aeroportos, etc.
Como meio de informação primário, isto é, veículo de transmissão das primeiras notícias
sôbre um dado acontecimento, a TV leva vantagem sôbre o jo rnal e o rádio, bem como sôbre o
cinema de atualidades. Tanto realizando coberturas diretas como utilizando processos rápidos
de produção de filmes para apresentação num período mínimo de tempo, mediante dispositivo
especial que permite sejam os negativos projetados no écran dos receptores em positivo,, a TV
expressa, hoje, o mais rápido meio de difusão criado pelo engenho humano. Combinando os
métodos tradicionais da imprensa, do rádio e do cinema, utilizando o pessoal técnico e
profissional dêsses outros veículos (jornalistas, locutores, repórteres, fotógrafos e cinegrafistas),
a TV possui, entretanto, técnicas próprias. “As reportagens televisadas permitem ,ao público
seguir melhor do que por qualquer outro meio de informação os acontecimentos que lhe são
apresentados sob uma forma auditiva e visual ao mesmo tempo. A câmara eletrônica apresenta
certos caracteres — vantagens e inconveniêntes — que não existem na câmara cinematográfica
e que tornam necessária a especialização dos “cameramen” e realizadores.32 Essa técnica
exige, igualmente, jornalistas especializados, tele-repórteres e tele -comentaristas.33 Por outro
lado, dadas as suas limitações naturais de alcance, de tempo de emissão destinado às matérias
jornalísticas, de impossibilidade (atual) de gravação da imagem televisada34 e pela relativamente

29 UNESCO — La Télevision dans te monde — Paris, 1954 — pág. 79.
30 Conf. Anuário do Rádio — P.N. — Rio, 1954 — pág. 26.
31 Trata-se de associações para recepção coletiva das emissões de TV, organizadas freqüentemente por iniciativa

da escola em localidades do “hinterland”, mediante a aquisição de um televisor de 1 m. x 1 m. 20, por subscrição
pública, diante da qual se reunem os sócios para assistir os programas duas ou três noites por semana. Em 10
departamentos franceses, funcionavam regularmente, em 1954, cêrca de 180 tele-clubes. Previa-se que, em 1955,
17 milhões de franceses poderiam receber as emissões de TV, caso o desejassem. Sôbre o assunto, inclusive os
resultados completos da experiência referida, v. J. Dumazedier — Televisíón y Educación – UNESCO – Paris, 1956
32 UNESCO — Obra cit. — pág. 23.
33 Quando das primeiras emissões esportivas da TV no Rio, tivemos oportunidade de observar que os

telespectadores não se conformavam com as “descrições” dos locutores, preferindo ver a imagem no écran dos
receptores e escutar a reportagem transmitida pelas estações de rádio.
34 A propósito, publicou o Anuário do Rádio, editado por P. N., Rio, em 1954, o seguinte (pág. 26): TV EM

CONSERVA — O principio básico da televisão em fita magnética é o registro dos impulsos elétricos resultantes da

em Sumaré. Diàriamente. exigências técnicas e providências legais foram estipuladas por decreto governamental em 21 de novembro de 1952. procuram veículos muito mais especializados e diversificados do que os seus ancestrais. em mais 17. Wolseley & Campbell – Exploring Journalism – New York . nos domingos. Ambas estão tomando providências preliminares de construção dos seus estúdios e antenas. enquanto que outras sociedades (Rádio Record S. tal e qual as do som.000 ou mais agências dos Correios dos Estados Unidos (para exemplificar com um país apaixonadamente devoto das estatísticas) transita um número espantoso de cartas. etc. Através de 45. freqüentam. devendo entrar em funcionamento por todo o ano de 1960.A. há concessão federal para a instalação de duas emissoras de TV. as exibições cinematográficas. hàbilmente gravadas e difundidas. do rádio e do cinema. Pertence ao grupo brasileiro dos “Diários e Rádios Associados” e seus recursos financeiros provêm da publicidade. panfletos. Vem provocando. Os homens de hoje são leitores de jornais. adquirem 12 milhões de exemplares de aproximadamente 10. uma salutar evolução na natureza e estilo da imprensa. à semelhança da música gravada. que atingem. As normas de emissão e divisão de canais. edição brasileira. Emissoras Unidas. Os leitores norte-americanos “devoram” 6. quase 38 milhões. quisemos.) obtinham igualmente canais na Capital Federal e em São Paulo. através mais de 57 milhões de receptores. Já experimentamos esta técnica e creio que e instrumento utilizado virá a ser aproximadamente do tamanho de um dos atuais televisores domésticos e não mais complicado. . inaugurada oficialmente a 18 de setembro de 1950.35 decomposição da imagem em corrente magnética. compram quase 46 milhões de exemplares de cêrca de 1. eventos e situações correntes. 1943 – págs. situar o jornalismo como atividade essencial à vida das coletividades. os homens dos nossos dias “têm fome de conhecer o presente. peças teatrais e outras coisas de interêsse permanente. em dezembro de 1958. Em Pernambuco. Depois. junho de 1957 — pág.” 35 Conf. no discurso com que celebrou o cinqüentenário dos seus estudos no campo da eletrônica (resumo em “Seleções do Reader’s Digest”. a TV não faz desaparecer nem substitui com plena eficiência. os espectadores. O Brasil adotou a “definição” de 525 linhas. As estações nacionais têm alcance num raio de 180 quilômetros. não tardará muito. com capacidade excedente de 10 milhões de cadeiras. a várias centenas de milhões exemplares. São Paulo. Também será de uso generalizado uma câmara de filmagem de TV para tirar filmes que possam ser exibidos no televisor de casa. isto sim. em convênio com a Comissão Federal de Telecomunicações dos Estados Unidos. Com efeito. A primeira emissora de televisão brasileira instalada foi a TV Tupi. 27) : “Talvez dentro de cinco anos.000 teatros. Rádio Televisão Paulista.500 publicações especializadas periódicas. no sentido de dar- lhes maior profundidade e maior conteúdo interpretativo. sendo calculados em milhões. poderem ser transformadas em variações de magnetismo na fita. 4 – 5. aos demais veículos jornalísticos. os telespectadores estejam aptos a gravar programas — figuras e som em prêto e branco e em côres — em uma fita magnética para tornarem a vê-los quando quiserem. é o mesmo aplicado à entrada dos receptores de televisão e a pessoa terá um programa completo de TV. foram montadas posteriormente emissoras de TV no Rio e em Belo Horizonte. CONCEITO DO JORNALISMO Através dessas noções históricas. no mundo moderno. uma que será explorada pelos “Diários e Rádios Associados” e outra pela “Emprêsa Jornal do Comércio S. ouvem mais de 800 estações de rádio. como uma instituição social que. que possibilitarão a montagem de 290 estações em 186 pontos do território nacional. Rádio Roquete Pinto.escassa quantidade de emissoras e receptores existentes no mundo.’ Para estar a par das idéias. que corresponde a 60 tramas e 30 imagens por segundo. assume posição da mais alta relevância. Recife. apenas.000 semanários. Assim.740 diários e.” E outra não foi a previsão do General David Sarnoff. publicações de negócios. teremos a televisão em conserva. Pelo mesmo grupo. catálogos e outras matérias impressas. Semanalmente.A. Imagino grandes bibliotecas de óperas. elevando-se a 9 o número de estações em funcionamento no país.”. Êsse artifício baseia-se no fato de as variações de luz. presidente do Conselho de Diretores da RCA. semanalmente. anualmente.

Diremos. 1946 – pag. de fatos atuais. Da nossa parte. como o assinala Rafael Mamar. e que. primeiro. 38 José Martini in Vida y Pensamiento de Marti – La Habana. se pretende que o pais a respeite. orientação e direção são atributos essenciais do periodismo. que não pode ser substituído nem sequer momentâneamente por nenhum outro agente cultural nesta tarefa junto à sociedade. Em outras palavras. porque os fatos. com o objetivo de difundir conhecimentos e orientar a opinião pública. jornalista e professor de Língua e Literatura Portuguesa no Colégio Estadual de Pernambuco. devidamente interpretados e transmitidos periôdicamente à sociedade. submetê-las à censura. amadurecê-las. a paz e a ordem da comunidade. 1942. 183. “é a história que passa”. no sentido de promover o bem comum. uma função educativa. bem entendido. explicar. evidentemente. 195. os artigos e crônicas da sua lavra são acompanhados com o mais vivo interêsse pelo seu vasto circulo de leitores. 37 Mas “não é função da imprensa” (compreendida como jornalismo) informar ligeira e frivolamente sôbre os fatos que acontecem ou censurá-los com maior soma de afeto ou adesão. censurar e sancionar as ações públicas dos habitantes de uma região e divulgar a cultura entre a população de um país”. — pág. os fatos correntes expostos pelo jornalismo têm de ser devidamente interpretados. Todo êsse trabalho tem. 37 Rafael Minar — El arte dei periodista — Barcelona. o jornalismo “tem por objeto informar e orientar a opinião. devidamente interpretados. utilizando todos os recursos da técnica disponíveis ao seu desenvolvimento. Chegamos. porquanto “informação. Informação. porque informar sôbre fatos passaS dos é fazer história e o jornalismo. conforme os seus serviços e merecimentos. mas que inclui as características fundamentais do periodismo. Conhecemos numerosos conceitos de jornalismo. correntes. exerceu ativamente exerceu ativamente o jornalismo em quase todos os órgãos da imprensa recifense. dirigir. no exercício do cargo de diretor do “Diário de Pernambuco” — de cujo corpo redacional fêz por mais de 30 anos continua entretanto a escrever diàriamente jornais e estações rádio emissoras de Pernambuco. toca-lhe estabelecer e fundamentar ensinamentos. buscando o progresso. procuramos fixar um conceito simples. costumava repetir aos meus ouvidos de “foca” êsse mestre da imprensa brasileira que é Anibal Fernandes36. a uma definição que nos permitirá desenvolver melhor os nossos estudos. em 1941. 40 Coni. 36 Anibal (Gonçalves) Fernandes. alguns positivos e outros puramente retóricos. a proteja e honre. dono de um estilo ágil e vibrante. não encaminhá-los com alarde de adesão talvez extemporâneo. torná-las fáceis. guiar. pelo estudo das origens e evolução e pela análise sumária dos elementos característicos e constitutivos do jornalismo. Toca à imprensa elogiar. enfim. toca-lhe examinar os conflitos e não agravá-los com um juízo apaixonado. Exercendo-se pela difusão de conhecimentos. a seguir: Jornalismo é a informação de fatos correntes. 1906 — pág 17. Aposentado em 1955. então. visando esclarecer a opinião pública para que sinta e aja com discernimento. Suarée — Obra cit. Essa multiplicidade das manifestações do jornalismo nossos dias é que torna complexa a sua definição.”38 Assim. reformá-las. no seu Primeiro Congresso Nacional em Havana40. têm de ser transmitidos periòdicamente não ao indivíduo isolado mas a um conjunto ou à totalidade dos homens que vivem em sociedade. Editorialista e comentarista emérito. toca-lhe. uns objetivos. a finalidade do jornalismo é a promoção do bem comum. propor soluções. Jornalismo é antes de tudo informação. ensinar.”39 Daí porque a obra jornalística se realiza dia a dia. como o consideraram com precisão os jornalistas cubanos reunidos. . que me reçam o interêsse público. que fazer jornalismo é informar. 39 Octávio de La Saurée – Moraletica Del Periodismo – La Habana. Iniciando a sua vida profissional na segunda década do século. outros literários.

SEGUNDA PARTE OS CARACTERES DO JORNALISMO Contém: DA ATUALIDADE Jornalismo e História Atualidade e Atualização Atualidade e Permanência Manifestações da Atualidade DA VARIEDADE Variedade e Especialização Jornalismo Geral e Especializado DA INTERPRETAÇÃO Interpretação e Seleção Interpretação e Vocação Extensividade e Intensividad e DA PERIODICIDADE Através da História Nos Tempos Modernos DA POPULARIDADE Extensão da Popularidade Popularidade e Liberdade Condições da Popularidade DA PROMOÇÃO Jornalismo e Sociedade As Campanhas Jornalísticas eo Bem Comum Jornalismo e Direito Jornalismo e Opinião .

desligado do passado e do futuro). atua sôbre a consciência do hoje. do efêmero. mesmo que essa perenidade valha. havendo sucedido. da natureza e do espírito. “A densidade dramática do jornalismo está precisamente em captar êsse S. numa espécie de fonte de energia. Ao contrário da História. e em jornalismo ou na linguagem corrente. os seres. O jornalismo capta. de acontecimentos registrados em qualquer setor da vida social. por exigência da técnica. em qualquer parte do universo. apénas. realiza-se praticamente dia a dia. O jornalismo vive do quotidiano. enriquecê-los ou censurá-los. 1957. por essência. hora a hora. entretanto. de modo que cheguem ao leitor devidamente interpretados. os fatos não são expostos sem um prévio exame por parte do agente do jornalismo.”41 Jornalismo e História — “A atualidade é o presente. informando sõbre o presente e fixando-o para o futuro”42. a obra jornalística é constante. o que ocorre sôbre a marcha do tempo. os acontecimentos lançam a cada momento. . que as coisas. analisá-los ou sintetizá-los. o que sucede “atualmente” ou o que. inerente a tôdas as suas manifestações autênticas. 1953 — pág. que sejam capazes de despertar o interêsse dos homens reunidos em sociedade. Ademais. DA ATUALIDADE A atualidade é a característica dominante do jornalismo. sob determinada modalidade. mas estèticamente certo por ser o sentido corrente e popular da expressão. 42 Ismael Herraiz — El Periodismo — Teória y Práctica — Barcelona. faz o retrato instantâneo do minuto. Além disso. Os caracteres fundamentais do jornalismo. procurando nêle penetrar a dêle extrair o que há de básico. a atualidade é o que passa. Todavia. não ao Jornalismo que. o momento presente. o jornalismo pretende criar. essa despedida e fixa-a em instantâneos que por sua vez serão esquecidos. Finalmente. a quem compete julgar da sua importância. dêles colher e divulgar ensinamentos. uma disposição para realizar o bem-estar social. em qualquer domínio das ciências.S. estão configurados na definição a que chegamos. A êsse elemento constitutivo da obra periodística se dá o nome de popularidade. frios e decantados”. de passagem. Unicamente dêle. tendo em vista que o jornalismo não se dirige a um indivíduo isolado e sim à coletividade. da atualidade em sentido filosôficamente errado (pois em sã filosofia o atual é o eterno e não o temporal. das artes. Mesmo quando. enquanto aquela “os escoima. E neste primeiro enunciado estão duas das características do jornalismo: — a atualidade e a variedade.. 41 Tristão de Ataide — O jornalismo como gênero literário in Diario de Notícias. através da divulgação de informações e da crítica dos fatos. sob pena de não atingir os seus objetivos: a difusão sistemática de conhecimentos e a sistemática orientação da opinião pública. Essencial a tôdas as suas manifestações. estas obedecem sempre a uma periodicidade regular. vive sôbre o momento. o jornalismo amplia os prazos das suas manifestações. 21. observamos que. essas manifestações se revestem de forma ou estilo simples.. o jornalismo se constitui. E aí está outro atributo do jornalismo: — interpretação. dissemos que jornalismo era a informação de fatos correntes.O. fundamental e perene. o jornalismo “recolhe e espalha os acontecimentos vivos e quentes”. interpreta e concatena. de 10 de nor. aquêles atributos que o distinguem das demais manifestações da atividade e do engenho humano. na proporção em que os fatos se sucedem. Com efeito. Daí o caráter de promoção. que lhe é exigida pela comunidade a quese destina. na opinião pública. do presente. O anterior pertence à História. por alguns dias ou por algumas horas. Rio — cd. Há quem sustente que jornalismo e história se confundiram. Não sendo uma fôrça executiva e nem sequer elaborando leis. acessível à com preensão do maior número do todo. que impele a sociedade à ação.

sem nenhuma dú- vida. com sabor de novidade. autênticos repórteres. no seu “Cours de Litterature Française”: “não é historiador. se desloca à medida que as gerações avançam44”. conjuntura ou ocasião propícia ou favorável para fazer ou dizer alguma coisa”. nem tão remotos para figurarem nos livros. na linguagem mais simples. aliás. nem tão próximos para os termos na retina. quando registrava os detalhes da travessia. iria ser chamado a dividir entre Portugal e Espanha as terras de que Caminha e outros escrivães doutras Armadas deram conta à humanidade de então. autor das “Chroniques”. possuimos em regra um conhecimento difuso e superficial. ainda se mantinham irrevelados”. limitando- se aos novos. do Santo Padre o Papa — autoridade máxima do mundo que. da côrte portuguêsa. de todos os navegantes que haviam singrado ou pretendiam singrar o grande oceano desconhecido. podemos guardar impressão mais ou menos exata. autor da notícia da tomada de Constantinopla pelos cruzados. é um homem que diz as coisas que fêz e que viu. não podiam e não pretendiam fazer história. vamos tomar conhecimento. págs. dos reis conquistadores. dos missionários do século XVI. feitos e fatos que. o escrivão da Armada de Cabral. Atualidade e Atualização — Pelo que ficou exposto. dos seus habitantes. págs. no entanto.Quando o jornalismo se vai estratificando. Preferimos. 45 Com Carlos Rizzini — Obra cit. virando cidades sem conta e tratando com duzentos príncipes “para transmitir e ouvir novidades” e até Marco Polo . das publicações manuscritas. A carta de Caminha estava prenhe de atualidade. aos que. cuja carta ao Rei Venturoso foi a primeira obra jornalística escrita no Brasil. que o jornalismo é que prepara o lastro para a história. fazia Villemain. Dos que já têm por si a perspectiva do tempo. semelhante ao que hoje tanto agrada ao público. Eram. nas páginas dos historiadores. mais tarde. não devemos esquecer Pero Vaz de Caminha. trabalhando com êsses fatos. “a história que conhecemos menos é geralmente aquela que precede de perto a nossa experiência pessoal. 43” Com efeito. Não basta que os periódicos contem 43 Conforme Carlos Rizzini— Obra cit. da descoberta da terra. 1946 — pág.. pensar com Barbey d’Aurevilly. mas indelével nos seus contornos acentuados. Mas daqueles que ficam entre uns e outros. dos parentes e amigos dos marujos do Descobridor. embora ocorridos dias. Na fase da informação epistolar. Rio. dos piratas e aventureiros. Daí serem antes jornalistas do que outra coisa”— assevera Carlos Rizzini e cita exemplos de cronistas famosos. como a oportunidade. isto é. Essa zona de nebulosidade. como as fêz. porque “quando ela começa. cuja narrativa pitoresca e floreada considera como um jornalismo de aventura. a preocupação dos seus autores era a de captar e divulgar. das crônicas. pode-se estender o conceito que. como as viu. que registram os acontecimentos para uma eventual consulta da posteridade. semana ou meses antes. notadamente pelo exemplo da carta de Caminha. melhor por vêzes do que seus contemporâneos. . E ao falar dêles. Pairam entre duas águas. no século XII. êsses primitivos jornalistas recolhiam sucessos com o fim de transmiti-los incontinente ao público. embora velhos de semanas e meses. 32-33. 31-32. que não se compõe apenas “dos fatos que sucedem em um determinado lapso.45”“ Ao contrário dos autores de diários e memórias. 44 Alceu Amoroso Lima — O espírito e o mundo.“enquanto a informação não possuia meios adequados de projetar os fatos presentes. eram desconhecidos da coletividade a que se destinavam. Froissart. a primeira e sensacional reportagem redigida em terras do Cruzeiro do Sul. faz-se fonte principal da história. mas também da consciência pública presente nesse tempo. 95. tais como Villehardouin. “Os redatores de escritos. constatamos que a atualidade abrange “não tanto o que ocorre no tempo presente. da sua paisagem. uma atualidade que permaneceria até que fôsse conhecida de dom Manuel. Dos acontecimentos de que fomos contemporâneos. Sôbre êsses “jornalistas sem jornal”. sem beneficiar-se das nossas impressões diretas nem dos estudos críticos. e com ela jamais se confundiu ou confunde. êle já terminou.. a respeito de Villehardouin..

o jo rnalismo está a cada instante valendo-se do passado. 7. porém como têrmo ou etapa de um processo lógico. sobrepondo-se à voragem do tempo. isto é. — EI periodismo — Valparaiso. já que da atualidade foram as Felípicas e as Catilinárias e ainda desafiam os séculos. 1955 — pág. 6 48 Antônio Olinto — Obra cit. pág. Aquêle pedaço de papel com fôlhas sôltas. por exemplo.. realmente. Mas o jornalismo — como adverte Suarée — não é obra de um dia mas do dia. germe do que sobre . não apenas quando se faz doutrinário ou opinativo. E. . sujeitos a um rápido fenecer. O registro de uma data histórica. padrão inconfundível do jornalismo oral. a obra periodística. Por isso. que é substituido. geralmente. o falecimento de uma personalidade. de dias. também é notícia” 46. algumas verdades particulares e permanentes da vida do homem. pág.. é que assegura ao jornalismo um caráter de permanência. porém. consubstanciada nas páginas da magistral obra literária e sociológica em que se constituem Os Sertões. A mais pura atualidade inspirou a Victor Hugo Les Châtiments e L’Année Terrible. em que o atual e o eterno se confrontam. mas. É êsse um dos matizes da atualidade: a reapresentação de fatos relacionados com a situação presente.. por outro pedaço de papel mais atualizado faz com que todos liguem o que está escrito à matéria que difunde. — pág. é preciso que a transitoriedade do corpo não atinja a desejada solidez do sentido. do efêmero. que o efêmero da obra jornalística reside mais na forma do que no fundo. no dia seguinte. provoca a informação retrospectiva da sua vida e das suas realizações. é que essa transitoriedade s limita à parte material. quando informa. Aí também temos de retroceder ao que a obra tenha de vivo. pois. àqueles que se deixam impressionar pelo fato de basear-se. Hipólito Taine a maior parte dos seus Ensaios de Crítica e História e Chateaubriand as suas concepções mais brilhantes”. de sempre. “É efêmera a forma. por sua vez. se combinam para construir o monumento que aí está. também. ainda que se nos oculte a sua lei. que tem escapado. nos fatos correntes. e dêem ao sentido das palavras a vida breve que caracteriza o jornal tomo papel que é rasgado e jogado fora47”. poderíamos citar como demonstrações insofismáveis da permanência do trabalho jornalístico a reportagem de Euclides da Cunha.10. o que de potência se converte em “ato”. No caso do jornal. lírico. Artigos de jornal foram as cartas de Junius e os célebres panfletos de Courrier. jovem. a realização de um “clássico” desportivo põe em relêvo “matchs” anteriores de importância idêntica. O que acontece “hoje” — êsse “falemos de hoje” que impõe como tema de conversação jornalística a atualidade — tem raízes no que sucedeu “ontem” e é. “O que está nas palavras independe do veículo que o divulg a e pode ser obra de permanência. que concilia o presente com o passado e até com o futuro. a 46 Horacio Hernandez A. O que acontece. pungente. — Jornalismo e literatura — Rio. a Réplica e a maior parte do legado magnífico de Rui Barbosa. Atualidade e Permanência — Exatamente êsse aspecto da atualidade jornalística. a descoberta ou julgamento de um criminoso “revive” o crime praticado e até outros análogos. o vazio da atualidade.o que ocorre para servir à atualidade. também é atualidade. Como que num paradoxo. “O jornalismo desperta o preconceito do quotidiano. correspondente em Canudos. que serve de veículo à notícia. humano. 23. 1949.48” Diríamos. Não é pelo fato de ter feitio material conservável e guardável que um livro pode aspirar a essa permanência. 47 Antônio Olinto. Lembra êle que os artigos “não são efêmeros por tratar de assuntos da atualidade. Entre nós. as Provinciais de Pascal são artigos de polêmica que se publicaram em fôlhas sôltas e que já vão ao caminho de viver trezentos e tantos anos. “Atual” é rigorosamente o que “atua” em nós. “atualiza” acontecimento que a marcou.virá “amanhã”. e Ismael Herraiz — Obra cit. O jornal é exatamente uma contínua luta pela fixação da realidade. o que não ocorre. vemos o “velho” revestir-se de atualidade. Na mesa de uma redação escreveu Saint Victor os artigos de “Homens e Deuses”. se confundem. os Sermões do padre Vieira. uma tentativa de captar nos acontecimentos quotidianos. Mas o ato não se produz espontâneamente.

Daí a extensão do campo jornalístico a todos os quadrantes da atividade humana. a todos os domínios da inteligência e da sensibilidade. para a ação. também substituem a cada momento as reproduções. não são de exclusividade de um determinado setor. debaixo de outras aparências. Para outros. . em qualquer das suas manifestações. do já sabido. às coisas e à natureza. corre o risco de tornar-se em uma estrutura histórica sem calor e sem ímpeto. salvo algum caso singular. acaso de um modo vago e impalpável. de uma classe ou de um país. a imprensa. recebendo sugestões análogas. 50 Horacio Hernandez A. “subsiste.” Tomemos o jornal. a saber: l°) — informar-se do novo. morreu e dissipou-se no dia seguinte. de um agrupamento. o rádio. 50” Manifestações da Atualidade — Como veículo jornalístico. busca satisfazer a três necessidades do espírito humano. na ficção. Mas seja qual fôr a idéia que o leitor faça do jornal. como esfôrço de uma equipe. e que morre ao cabo de algumas horas de circulação. como os espelhos. A frase “o jornal disse” equivale ao “estava escrito” dos islamitas. adquire consistência e dá sinais de vida exuberante. — pág. no seu espírito fica “um princípio de ação muito débil ou oculto no comêço que. o envoltório. é imediato. quando concilia ou relaciona o presente com acontecimentos passados ou futuros. DA VARIEDADE O jornalismo. alertar-se para o futuro. capazes de impressionar. por suas características ou pelo seu conteúdo. — Obra cit. cujo número não se poderia precisar. que convence. 204. 9. 2°) — receber uma mensagem de advertência ou orientação. aquêles que. se foge à pias ocorrências novas. o limite do jornalismo que. nas belas letras. Para uns. ora de uma maneira mais sensível. se fortalece.exterioridade. que apaixona. de opiniões intencionais. a consciência dos povos49. do quase perdido nos arcanos da memória. quanto à atualidade. despertam o interêsse humano ou a atenção das massas. do original e. que reedifica. como elemento que contribui para formar a Opinião Pública. E. como obra literária. em uma palavra. a TV e o cinema têm de manter uma perpétua vigilância sôbre a seqüência dos fatos. aquilo que informa e aquilo que opina são a verdade e o mandamento. nas realizações da vida social. a todos os seres.” Cada edição que se lança às ruas. previsíveis ou ainda vivas na memó ria das gentes. isto é. recordar-se do passado. O jornalismo está jungido à atualidade como Prometeu ao seu rochedo e os acontecimentos que se sucedem são outros tantos abutres a devorar as inextinguíveis entranhas daquele que transmite à humanidade o fogo vitalizante do conhecimento. do imprevisto. de conceitos injuriosos. através dêle ou por causa dêle. que destrói. A atualidade é assim. atingir instantâneamente a consciência coletiva. Os fatos em que se baseia a obra jornalística. na poesia. quando se ocupa de fatos correntes. na verdade. Mas a influência. como veículo principal da moderna obra periodística. e é mediato. algumas das quais só se tornam possíveis graças à ação firme e incansável do jornalista. a sugestão que ficam dêsses esforços aparentemente perdidos e esquecidos constituem uma ação persistente e eficaz como nenhuma. são espelhos que não podem deixar de reproduzir aquilo que lhes passe frente à polida superfície. é um amontoado de falsidades. com o tempo. 49 José Enrique Rodo — El Mirador de Prospero — Valência — 1919 — pág. enxertado ora no modo de pensar coletivo. descansar das preocupações no “humour”. o despudor e a mentira. de uma única pessoa. porém. a quase um dogma de fé. jamais repetindo exatamente as imagens ou estratificando-as como se fôssem placas sensibilizadas de negativos fotográficos. integrado na vida social. Daí decorre que o jornalismo. de boatos alarmantes. que se lê apenas para verificar até que ponto chegam a venalidade. como criação do dia. envelhece ao surgir outra edição e outro dia. a página que se escreve um dia e que. revestidos de gravidade e dogmatismo. que forma. 3°) — entreter-se. atualizando-os ou prevendo-os. na arte.

por George Weiil — El Diário — México. ao contrário. a “Gazeta” é unicamente o eco que corre sôbre elas. No jornal primitivo. porém mais regularmente por cartas ou comunicações. noutra parte. “A imprensa daquela época. mas a distância geográfica estava ali. tinha assegura a exclusividade. nos tempos modernos. em pleno fluxo vital. ed. . 52 Cit. pois a participação nestes pertuba. levantava como urna barreira para ser batida sòmente de longe em longe pelos viajantes.para transformar êstes fatos em notícias.. o que fêz um dos seus redatores exclamar: “Que chefe! Deus criou o mundo em 6 dias. o paginador e. uma exigência lânguida. É para isso que êle tem de viver no meio dos acontecimentos. a crescente fome de notícias das comunidades civilizadas. Se o poeta ou o romancista. É nadando que me lhor poderá informar sôbre as ondas51. Girardin criou os “mundos” em um só dia !“ Foram. no século passado — prática que persiste na maior parte das no ssas comunas interioranas — o jornalista era o repórter. Variedade e Especialização — Foi êsse atributo do jornalismo que exigiu. levava. acrescentava: “A história é o relato das coisas ocorridas. com a introdução do jornalismo de informação e da publicidade. “Mundo Teatral”. a criação da figura do jornalista especializado. por Émile de Girardin. 53 Horacio Hernandez A. no seu La Presse. dando conta aos seus leitores de fatos chegados ao seu conhecimento por viajantes de diligências vindos de alguns pontos mais ou menos longínquos da França e do estrangeiro. estivesse informado de tudo. E. a essa multiplicidade de setores. verdade. Rio. alguma vez por um emissário extraordinário. surgem as seções por temas: “Mundo Militar”. por sua vez. Já no século XVII. porque o jornalismo deve ser a mais completa síntese de tudo quanto interessa e reclama o organismo social. a busca da perfeição no 51 Tristão de Ataíde — O joalismo como gênero literário ia Diário de Notícias. 52” É que Renaudot estava sujeito a precários meios de informação. nas tarefas periodísticas. o comentarista. impressor. 44 e 42. que nada tinham em comum. ajustar e imprimir estas linhas”. Mais poderoso do que êle. A primeira está obrigada a dizer sempre a.. introduzindo. como as que podemos agora observar nas colunas dos diários. há que o jornalista colhê-los onde quer que se registrem. da crítica da informação apressada e incorreta. pela natureza das circunstâncias. que iam parar. opinasse sôbre tudo e jamais cometesse erros. 10 — nov. a sua visão mais profunda (e nesse período a impassibilidade e Leconte de l´Isle ou a imparticipação de Flaubert eram perfeitamente justificáveis) o jornalista. o teatrólogo. sem perda de tempo. figura e método que eram desconhecidos até épocas recentes. Exigia-se que entendesse de tudo. o biografista.” A essa universalidade de aspectos. um ritmo lento. etc. 29. — págs. avisos ou comentários. no arredamento dos fatos. — Obra cit. de objetivos. de vez que tratava de atender aos seus compromissos oficiais com o poder. Não era possível viver ao compasso dos sucessos. podem ou mesmo devem trabalhar na solidão. como êle mesmo o definiu. estar bem informado para poder informar. nas oficinas de impressão. em mensagens ou em entretenimento. a facilidade de receber e transmitir informações. informações.. A técnica tinha avançado muito pouco no século XVI para fazer estas distinções. é que se dá o nome variedade. de temas. considerado o primeiro hebdomadário francês. Logo após a descoberta da imprensa e. o redator. não raro. assim. só deve trabalhar dentro deles. Dava-se o mais estranho conúbio entre notícias. Theophraste Renaudot defendia o seu jornal. ao mesmo tempo. o desenvolvimento das comunicações. a segunda. bastante faz se consegue não mentir. 1957. a divisão do trabalho. ainda. não havia seções pròpriamente ditas. o tipógrafo. mas retardado de semanas e postas se era. o grande antepassado dos atuais.53” Sòmente em 1836. o “periódico dos reis e dos poderosos da terra”. 1941 — pag. escrevendo: “Surpreender-me-ei muito se os mais severos censores não encontrarem digna de alguma excusa uma obra que tem de fazer-se nas quatro horas que a chegada dos correios me deixa tôdas as semanas para escrever. “É para isso que o jornalista tem de estar a par das coisas. provàvelmente.

finalmente. científico. numerosos são os jornais que recebem simultâneamente o serviço de duas ou agências.jornalismo. a divisão do trabalho nas redações. isto é. que o jornalismo especializado. — nota à pág. um trabalho de seleção55. completam-se para atender às finalidades a que se propõe o jornalismo. em todos os continentes. encarregar de tudo a todos. desejariam encontrá-los em grandes caracteres”58. “Hoje. serão o contrário. As agências de informação telegráfica enviam cada dia os jornais um considerável número de palavras.. mas em que o seu volume é tão grande que se torna impossível ao homem assimilá-las. Jornalismo Geral e Especializado — Considerando que o jornalismo deve ser a mais completa síntese de tudo quanto interessa ou reclama o organismo social. de propulsão e reação. há quem considere que as publicações e divulgações de caráter profissional. artístico. Impõe-se. na verdade. não são. em 1631. 28. As noticias chegam de tôda parte sem interrupção. porém. portanto. E.000 palavras por dia. Ora. em quem tenha de dirigir o trabalho jornalístico. senão. as litigantes ordens de prisão em casos semelhantes aos seus. por isso. simultâneamente com as reportagens fotográficas dos jornais. 229. erros e omissões — que impuseram a especialização do jornalista. Em outras palavras: o jornalismo geral. o surgimento de publicações especializadas e de seleções com o intuito de manter o homem bem informado. 1957 — págs.” Reconheceu-se. portanto. num desabafo contra as exigências dos leitores: “Os capitães querem encontrar todos os dias batalhas. de um “faz tudo” que se possa encontrar na profissão. retirando-lhe a obrigatoriedade de ser enciclopédico. político ou esportivo não são. desde que se dirige a uma elite ou a um determinado grupo com maior capacidade de apreensão e aplicação dos conhecimentos adquiridos pelas informações e pela crítica nêle contidos. atende. “fragmentos do jornalismo 57”. 56 George Weill — Obra cít. literário. 158. Êsse conflito de opiniões sôbre o maior ou menor conteúdo do jornalismo geral e do especializado vem de longe: já o Dicionário da Academia Francesa. Ocorre. então. Porque a dificuldade. 58 Clemente Santamarina .00 palavras por dia. transportado por um quadrimotor da BOAC. haverá milhares e milhares que. 54 No dia 4 de novembro de 1958. talvez. 100. a informação é universal e instantânea. do exterior.Obra cit. de estar em dia com os fatos não reside em que as notícias sejam escassas. que se ocupa de temas. com mais profundidade e repercussão no organismo social. os que nada sabem dos mistérios da côrte. 55 Rafael Mainar — Obra cit. recebe pelo menos. já apresentavam reportagens filmadas do acontecimento. data da coroação do Papa João XXIII. No dia 5. nas manifestações e na obra jornalística. todos os setores da vida e do universo. atributos contraditórios: antes. evitando-se. levantamento de sítios ou cidades tomadas. A agência France Presse.” Variedade e especialização. pág. ig ualmente. Cada qual serve mais e aproveita melhor em um gênero ou em uma matéria determinada e o talento de quem dirige há de estar cabalmente nessa escolha56. graças ao progressos de técnica. 230. àquela demanda do público já observada pelo criador do jornalismo francês. os cinemas das principais cidades do mundo. hoje. a informação of tográfica tende a vir a sê-lo54. facilitando e aperfeiçoando a execução das tarefas e. O verdadeiro jornalismo seria exclusivamente o que abrangesse os mais diversos e amplos setores. rodado pela “United Presse Movietone”. abrangendo. Para um caso de homem-orquestra. uma das seis grandes agências mundiais de informação. 22-23 . ela distribui aos seus clientes de Paris um serviço de aproximadamente 70. em 1684. 57 Jacques Raiser — Presse et Opinion in L’Opinion Publique — Paris. foi levado de Londres e na mesma noite apresentado aos tele-espectadores norte- americanos. definindo-o. as pessoas devotas buscam os nomes dos pregadores e dos confessores de fama. do qual já dizia Renaudot. mais de uma palavra por segundo. que “não é prudente em cada jornalista a presunção de saber tudo e entender de tudo. “problemas e fatos de interêsse de um círculo mais limitado de pessoas. Menos ainda o é. Há um teletipo que pode transmitir 600 palavras por minuto. na medida do possível. – págs. um filme-documentário das solenidades no Vaticano. atendendo dêsse modo à demanda total do público.

A primeira “a relação do que passa dia por dia no Parlamento ou em uma circunstância dada”. necessário uma escolha de notícias. por outro lado. servindo. sômente o responde. Cit. cada quinze dias ou cada mês. os que são realmente significativos. decidiu a publicação de um compêndio regular. do mesmo modo que (através de La Gazette) se dirigia à vida política do país 59”. o agente tem de ser conciso e superficial. e que contém extrato dos livros novos que se imprimem e o que ocorre de mais memorável na república das letras”. diz que nêle se narra “o que sucedeu. 59 George Weill – Obra cit. – nota á pág. que por si mesmas nada dizem a quem ignora suas causas e conseqüências. amigo das ciências. resulta. varia de intensidade para cada veículo. Dêsse modo. exercício da inteligencia. do aspecto de uma exposição interpretada. num conceito extensivo a qualquer veículo periodístico. em vertiginoso movimento. as repercussões da sua divulgação e. Mais do que saber o que se passa. apenas como tema de elocubrações e pesquisas de estudiosos. portanto. Mas responder a essa interrogação. In Diário de Notícias. 17 61 Conf. “O que domina no jornalismo é o juízo a formar sôbre a pessoa ou a obra alheias. o que se pensou e o que não se pensou. do discernimento.61” Porque a verdade está em que “um fato particular pode em si conter a fôrça de uma série de acontecimentos. 31. em palavras 62”. defensor da razão contra os magistrados que ainda queimavam feiticeiros. êsse conflito perdeu o seu significado. igualmente. o que poderá suceder e até o que não sucedeu.. sob os auspícios de Colbert. com a fixação científica dos caracteres do jornalismo. numa aborrecida tarefa. para fixar. depois. mas também o que entendemos que não deve deixar de ler”. porque o homem não consegue acompanhar o ritmo acelerado do mecanismo da transmissão de notícias e o tempo que lhe sobra. Bartolomé Mostaza in El Periodismo – Barcelona. Rafael Mamar. 28 60 Rafael Mainar – Obra cit. O suceder tem sua acentuação tônica. nem sempre constitui um relato puro e simples. o interêsse que despertará.63” Diante do fato ocorrido. De 27-10-57. o que vale dizer uma interpretação. o jornalista terá de examinar a sua importância e caráter. no jornal precisa de desenvolver e pôr a trabalhar o seu senso crítico. hoje. Rio – ed. Torna-se. – pág. Quantos leitores estão capacitados para êsse trabalho valorizador? Ler por ler notícias. referindo-se ao jornal. assim. o comentário escrito por profissional experiente e acostumado a calcular o rumo provável. com tôdas as sombras e falsidades da fotografia. tudo passa em rapidíssimo.distinguia na palavra “jornal” duas acepções. o qual “amante dos livros e dos objetos de arte. a segunda: “chama-se Journal des Savants a um escrito que se publica toda semana. Ao nosso ver. transmitindo ao público. . pela objetiva. Referia-se à imprensa literária. afirmou para um jornalista português um dos diretores do Milwaukee Journal — Lindsey Hoben. – pág. mas se reveste. é a impressão fotográfica da vida. apenas. dia a dia. 63 Tristão de Ataíde – Ar t. Ésse requisito do jornalismo decorre da variedade de temas. para a leitura é mais ou menos o mesmo de antigamente. Se na televisão.. 62 Antonio Olinto – Obra cit. seleciona. sem um juízo que a valorize e a interprete. por exemplo.60” Ora. “A mera informação. seu ponto alto. quando. da análise é que entra em jogo. o que se pensou e o que se poderá pensar. importa a Adão e Eva saber para onde vai o mundo. a interpretação.1953. sua essência que o artista (jornalista) identifica. que consiste no ato de submeter os dados recolhidos a uma seleção crítica. o simples fato de destacá-lo e publicá-lo expressa o resultado de uma interpretação. sôbre ser característica do jornalismo. faria do jornalismo uma algaravia sem ordem nem consêrto e deixaria ao leitor a pesada carga de buscar os “porquês” e “para quês” do que acontece. destinado a dirigir a vida intelectual. se informa sôbre êle. se o jornalismo abrange o que ocorreu e o que poderá ocorrer. “Não damos ao público apenas o que êle quer. que acabamos de estudar. O elemento julgamento e. um julgamento dos fatos por parte do jornalista. que surgira em 1665.

Nilo Pereira66 conta que. Interpretação e Vocação — A interpretação jornalística difere substancialmente da histórica ou da filosófica porque está jungida ao presente. vindas de todos os pontos do globo. na maioria dos casos. assinando dois artigos diários. sociologia e discursos parlamentares. com cinco edições diárias destinadas às várias regiões do país e ao estrangeiro. riograndense do norte. de um juízo jornalístico que se resume em submeter o interêsse particular e transitório para obter a universalidade e considerar. o ponto nevrálgico. objetiva concorrer para a sua repressão e se descreve um acidente busca despertar o interêsse público para medidas que assegurem a sua não repetição. reclama sobretudo vocação para o ofício.. recebe. que é um dos de mais pêso na formação da opinião pública nacional — o Christian Science Monitor. honestidade e imparcialidade. visa sempre apontar-lhe o significado para prevenir as conseqüências. que se especializou na interpretação das notícias e. Tem publicado diversos estudos de história. nada menos de um milhão de palavras de informações. cêrca de 100 correspondentes e de sucursais em todos os Estados norte- americanos. É redator-chefe da “Folha da Manha” e redator principal do “Jornal do Comércio”. diàriamente. permaneceu de caneta em 64 Clemente Santamarina — Obra cit. mediante um exame sumário. a luz que as ilumina. E. diagnostica o mal do paciente às vêzes pelo simples olhar e. requerendo não sòmente bom senso. Tal como acontece com o clínico que. A própria imagem. mediante a prática. no cumprimento dêsse lema. — que. lançá-las ao público com maior ou menor relêvo — são “funções básicas e gerais para tôdas as múltiplas variedades do trabalho jornalístico e constituem a condição imprescindível de tôdas elas. jornalista e escritor de pura estirpe. na cobertura do nosso setor de trabalho. temos em mãos um montão de ocorrências que se poderão transformar em matéria jornalística. 22. o seu valor permanente64. Essa aptidão de “tirar o essencial do acidental. — pág. sob o título. É à imprensa que compete a tarefa de interpretar os acontecimentos. talvez nem um décimo seja diàriamente transmitido ao leitor. 23. 65 Clemente Santamarina — Obra cit. do Recife. o permanente do corrente”. ao atual. através de 19 agências nacionais e estrangeiras. professor da Universidade do Recife. Durante longos minutos. ja se comparou à do caricaturista que logra a síntese com uns poucos traços que têm a virtude de refletir um rosto — se bem que exija um lastro cultural e ético. Mass. dêsse vultoso acervo de notícias. faz figurar a epígrafe: “All the news that’s fit to print”. não pode esclarecer complicadas situações ou pôr em evidência o alcance de importantes medidas. quer como repórter quer como redator. nos fatos. Interpretação e Seleção — Diàriamente. comentá-las. Em acertar na interpretação do tema consiste o toque principal do jornalismo. com todo o seu inegável poder informativo. Assim. para interessar ao leitor. Pois bem. crítica. — pág. 66 Nilo Pereira. quando se ocupa de um crime. como uma excepcional aptidão para apreender o centro de interêsse. da parte do agente. o espírito que as vivifica. os fatos em si quase nunca são diretamente inteligíveis para o grande público. foi-lhe determinado pelo secretário da redação que escrevesse um comentário sôbre as deficiências da pavimentação do Recife. e se vai desenvolvendo pela experiência. membro da Academia Pernambucana de Letras. em lugar de um relato puro e simples dos acontecimentos do dia. (Tôdas as notícias próprias para publicar). ao ingressar na redação do “Jornal do Comércio”. Também nos Estados Unidos circula um jornal diário.000 palavras. pois a média do texto quotidiano é de 145. “exigindo o desenvolvimento de um critério especial. Ë que “na crescente complexidade da vida moderna. quando menos. de Boston.” A consagração do princípio da interpretação como básico do jornalismo está no lema de um dos mais autorizados e completos jornais do mundo: o New York Times que. ainda universitário. servindo o restante tão sômente para manter os jornalistas bem informados e habilitados à interpretação dos acontecimentos. Selecioná-las. . o fogo que lhes empresta calor para excitar ou. ao positivo. situá-los no conjunto dos problemas e prever--lhes as conseqüências possíveis65. o núcleo do fato ou da matéria que se há de utilizar no trabalho.

Para mim. aquêle já é chamado “literatura sob pressão”. que vai além da finalidade puramente informativa. O jornalista medíocre informa por informar. embora os achasse superficiais e por vêzes inexatos. — pág. algumas informações jornalísticas. a ponto de descrer consigo mesmo da sua capacidade para a profissão em que. 10-11-57. essencialmente. mais ainda do que em suas raízes. 3. 69 Tristão de Ataíde — Art. Seu engenho não enquadrava no regime. Rio — Ed. Cria e orienta a opinião pública. “se desdobra em informação. Incompreensíveis dificuldades! Um deus da pena se mostrava incapaz de redigir o suelto mais simples. O autêntico jornalista informa para formar. com extraordinária desenvoltura. Sem afastar-se dos 67 Citações de Horácio Hernandez A. 20. a sensibilizar-lhe o espírito.. O grande jornalista informa e forma. retificadas e analisadas.. dos cientistas em praticar o jornalismo decorre. essa espécie de literatura é mais difícil do que a ficção. mas. iria lograr tantos e tão merecidos louros. redigindo a nota com a maior das dificuldades. a cada instante. O jornalismo extensivo é. dos poetas. em formação do público. exatamente. sob o impacto dos acontecimentos e. aquêle confrade não poderia jamais com êle competir. quando há predominância da informação. Enquanto isso. mais tarde. declara: “não tenho o dom do jornalista para fornecer matéria às linotipos logo após adquirir os elementos de uma reportagem. na última guerra. . — Obra cit. No seu livro “Assunto Pessoal”. o jornalismo pode ser extensivo. mordendo o lápis. riscando. êsses artiguinhos triviais me faziam suar sangue. cit. da televisão. rascunhando. Necessitava liberdade. um velho repórter de polícia enchia laudas e laudas. a instruí-lo sôbre determinado ramo da ciência ou da doutrina. 70” É o jornalismo do jornal. da notícia. E nisso representa um papel na coletividade e faz do jornalismo. isto é. produzido sob os efeitos do “choque”. O pequeno jornalista ou noticiarista leva a notícia ao próximo. defronte da sua mesa. 69” Extensividade e Intensividade — Do ponto de vista da interpretação. Em todo o mundo. os cultores dêsse tipo de literatura lançam palavras sôbre o papel com a preocupação do tempo que passa e do espaço que é limitado. — pág. poder voar livremente. atingido e influenciado pelas emoções do momento. os artigos escritos por um correspondente que fizera mais ou menos os mesmos giros que eu e. ao referir-se a esta aventura. substituindo uma palavra aqui e outra ali. à base apenas do senso divinatório do profissional e. Rubem Dano. por vêzes.1959 — pág. — Diário de Notícias. por isso mesmo. intelectualmente. 70 Antonio Olinto — Obra cit. as informações devem ser o mais possível completas. É a grande finalidade moral e social do jornalista. leva a notícia acrescida da sua apreciação. 68 W. Já o jornalismo intensivo é exercido à base da reflexão: os seus assuntos e as suas matérias são escolhidas. “Pressão do tempo e pressão do espaço. “como tradução intensiva do acontecimento para comunicação ao outro” não se destina puramente a dar-lhe notícias. sem preocupação de análise. O jornalista comenta-a. uma arte social por excelência. A nota não saia. visto que. Somerset Maugham — “Assunto pessoal” — Pôrto Alegre. desempenhando. E particularmente da Opinião Pública. não pôde acomodar-se ao trabalho jornalístico Rubem Dano — disse um contemporâneo seu — levava na imprensa uma vida difícil. do rádio. Embaraçam-me os fatos que tenho entre as mãos e pre ciso de tempo para refletir e pô- los em ordem.punho. da circunstância de que a informação. o que lhe causava a mais profunda admiração. não pude deixar de admirar a habilidade com que êle apanhara os pontos mais salientes. As frases ajustam-se a um tamanho. Um pára na finalidade informativa. O outro prossegue na finalidade informativa. como nos ensina Tristão de Ataíde. tarefas de correspondente. 99.68” Essa dificuldade dos escritores. durante a sua permanência no Chile. num jornal inglês. Havia lido. de certo modo. feito com o ôlho no relógio e o pensamento nas dimensões de que se dispõe. Era triste dar-lhe uma ordem: Rubem faça você esta nota. Quanto a mim. o pensamento é obrigado a trabalhar depressa. produzindo uma coluna incisiva e de leitura agradável. Ali se encontrava um homem amarrado. 67“Somerset Maugham teve a seu cargo.

praticado pelos editorialistas. pelos observadores. nem por isso se devem considerar menos importantes. tempos depois. Mas não foi isso julgado suficiente e necessitou-se do auxílio do pregoeiro. também. decorrente mesmo das funções ou dos setores explorados. mas. a modalidade de jornalismo das publicações especializadas. Ao abrir os comícios. convocando as assembléias e nos locais de venda anunciando os preços e as condições. o comércio indispensável de idéias e interêsses estabelecia- se com monótona uniformidade por meio do pregoeiro. cerimônias e ocorrências verificavam-se periôdicamente. Também o pregoeiro intervinha nos enterros dizendo de quem eram e onde se realizavam para conhecimento das pessoas que quisessem ou devessem assisti-los. cit. a mais formal. Essa. todos êsses atos. Mounier in Problèmes et techniques de la Presse. a palavra periodicidade (do latim “periodicus” e do grego “periodikos”) significa o ato de guardar períodos. 315. proclamando os nomes dos vencedores. Numa palavra — tornava público tudo o que ao público era preciso e conveniente fazer. Etimològicamente. 72 Alfredo Bessa – O jornalismo – Lisboa. convocava as centúrias com os seus pregões e. é que caracteriza a extensividade ou intensividade do jornalismo exercido. Sem essa constância. devidamente interpretados. O céryse entre os gregos e o praeco entre os romanos tinham. o papel do pregoeiro. para o exercício das suas funções. 42-44. Se bem que a atividade jornalística seja eminentemente interpretativa. servindo de arauto. exigindo que os pregoeiros — repórteres das primeiras fases do jornalismo oral — estivessem a postos. a breves intervalos. o que se procura estabelecer é o problema criado pelo fato. anunciava os nomes das partes em litígio e proclamava as sentenças. sem êsse divulgar sistemático. como atributo jornalístico exprime a constância com que os fatos correntes. sendo a praça pública o lugar destinado a tais atos e sendo aí que os cidadãos congregados tinham conhecimento direto de tôdas as questões de maior transcendência. o maior ou menor grau de profundeza dessa apreciação dos fatos. A isto devia-se limitar. fotógrafos e cinegrafistas de atualidades. Já Macróbio refere. . proclamava os nomes dos eleitos. pois diz respeito aos intervalos em que se registram as suas manifestações. entre Os exércitos. mais do que pelos repórteres e correspondentes. Vemos o primeiro. Muitos eram os seus pontos de contato com o nosso aguazil: chamava à justiça o demandante. nêles busca aspectos que. com pequenas diferenças.1904 – Págs. Servia. das revistas. que era o pregoeiro o encarregado de anunciar as festividades do culto para evitar que os cidadãos romanos deixassem de cumprir os preceitos determinados pelo ritual de Numa Pompílio. pelos comentaristas. nas ruas das cidades. pelos críticos. Através da História — Os mais antigos documentos ou notícias da evolução do jornalismo são concordes em assinalar a freqüência mais ou menos regular das suas manifestações. todos os atos importantes. ao princípio. DA PERIODICIDADE Dentre as características do jornalismo. Mounier chamou de “atualidade em profundidade71”. nos jogos olímpicos. a informação não atingiria as suas finalidades sociais. que não poderiam ser adiadas indeterminadamente. o elemento de estrutura do acontecimento. embora de ordem subalterna. estendeu-se a outros objetos. O praeco dos romanos tinha um caráter mais exclusivo de funcionário judicial. No jornalismo intensivo. verificada uma eleição. dos “digests” cinematográficos.fatos correntes. Antigamente. são levados ao conhecimento público. — pág. por não serem tão fàcilmente registráveis. de auxiliar importante nos atos políticos. tôdas as deliberações coletivas não se verificavam em locais fechados. pois se o 71 E. Em alguns autores encontramos que o preogeiro indicava também os objetos perdidos ou achados. as mesmas funções. no capítulo XVI do Livro das “Saturnais”. o que s busca é aquilo que E. “Nas idades findas.72” Ora. a periodicidade é a menos subjetiva.

em plena Fronda — não me tiraram o repouso como o tem feito a ausência as vossas cartas. correspondente a um ano 73 Carlos Rizzini – Obra Cit. Villegagnon não deixava de corresponder-se da Hungria com o cardeal de Lorraine “pour ne pas feillir à ma coutume de vous ecryre toutes les septmaines”.fôssem perderiam a atualidade e não atenderiam. em tremenda fôrça renovadora a serviço do erguimento dos povos. assim deparasse no prelo a multiplicação que o transformaria de amável entretenimento mundano. 76” Os correspondentes epistolares exigiam entre si. permitiu a introdução da regularidade nas comunicações entre os homens. detalhista e solícito nas suas epístolas. mais adiante. não tolerava a impontualidade dos amigos (e a um dêles escrevia) : “jamais a tirania de Mazarino. no sentido informativo. a cólera da Rainha. desde a segunda metade do século XVI. Embora sem assunto. o tempo se impôs primeiro com os “Anais” dos pontífices e. transmitia tantas e tão oportunas informações. corrosivo e sutil. mas é preciso que sejam muito fortes e mesmo mais fortes do que o exército que Mazarino destina a tomar Bellegarde e do que o canhão que M. 47 e 42. quando as notícias eram afixadas em táboas. o assédio de Paris e as ameaças dos partidaristas. 74 Carlos Rizzini – Obra Cit. com a “Acta Diurna”. apenas. constatou-se a sua seqüência hebdomadária. Tanto êsse elemento era compreendido como essencial que. a guerra do príncipe de Condé. 47. e até o mêdo de morrer de fome durante o cêrco — exagerava o implacável inimigo de Ranaudot. 47. XVII e XVIII possuiam maior conteúdo jornalístico. com muita propriedade. “Eis a renda semanal que vos devo ’— escrevia Chapelain ao marquês de Montausier. o mesmo autor. na Roma dos Senadores e. – pág. quando.” E frisa concludentemente: “o que a informação precisava para atingir o seu fim não era ser escrita desta ou daquela maneira. guarda-se a coleção completa. Conquanto das muitas epístolas escritas em vinte anos por Saint Simon ao cardeal Gualtério apenas quatorze hajam sido identificadas. conseqüentemente. a meu ver indesculpável se não tiverdes fortes razões. Guy Patin. – pág. Na Biblioteca Universitária de Heidelberg. quase simultânea em diversas partes da Europa. . 48.. Aparente absurdo. passaram naturalmente as cartas a constituir a crônica da semana. que do primeiro livro — a “Bíblia de 42 linhas” (1456) — à primeira gazeta impressa — o Nieuwe Tijdinghen (1605) — transcorreram 150 anos e que “ia já o mundo pelo século XVII — e o jornalismo. não atinara com a tipografia e nem suspeitava se desmedisse o seu destino. os impressores de Estrasburgo e Basiléia tinham procurado introduzir nas suas folhas volantes. em dois trechos. de Vendôme ali instala. explicável pela clandestinidade a que a perseguição dos governos condenou os primórdios do jornalismo e pelo elevado preço dos trabalhos tipográficos. ao tempo do que poderemos chamar “jornalismo estático”. aprisionado nas cartas particulares. do que a maioria das fôlhas de hoje e deixam a perder de vista as primeiras gazetas impressas sob a égide dos governos e por isso votadas ao noticiário deformado e gratulatório. mas ser regularmente transmitida do redator ao leitor. ainda que bastante distanciadas. depois. não apenas o desenrolar das novidades mas a mesma periodicidade que. No século XVI.75” André Ravry também salienta que a organização dos correios “implicou numa regularidade que ainda mais assemelha as cartas às gazetas: partindo malas em geral cada oito dias. 76 Cit. depois. 73” Gui Patin — registremos de passagem — é um exemplo completo do repórter epistolar.. quando a organização da posta. – pág. como podemos observar desta curta citação. às suas finalidades sociais. O que levou Carlos Rizzini a assinalar que “as cartas particulares dos séculos XVI. Por Rizzini – Obra Cit.74” Observa. Da comparação das datas verifica-se terem sido os Correios. os epistológrafos — repórteres incomparáveis do jornalismo manuscrito — passaram a fazer da periodicidade uma indeclinável obrigação. e não a tipografia. numerando-as e distribuindo-as em datas determinadas. dos Césares. 75 Carlos Rizzini – Obra Cit. a determinante do periodismo. – pág.

lançados geralmente tôdas as semanas por diferentes produtoras. é sempre bem recebido.inteiro. E. — págs. Assim temos às centenas os diários da manhã. etc. é esperado com impaciência muitos dias. em conseqüência. as folhas da tarde. quando as suas câmaras pré- dispostas não focalizam diretamente o acontecimento. Vimos como ainda na época do jornalismo epistolar os correspondentes.. os expressos dos domingos e mais os “semanários”. . os “anais”. tornou-se “um amigo que entra diàriamente na casa do leitor. É. como expressão máxima do jornalismo. — pág. a frase muito expressiva na caracterização do labor do repórter: “Amanhã o leremos no jornal. pois.“ (É que) a investigação das notícias interessantes ocuparia.. cujos horários de audição são. ao rival. cheio de conteúdo. 207-208. Não foi sômente a consciência do jornalista que se sentiu afetada pela periodicidade. se bem que com maiores dificuldades.— nem o tele -jornalismo deixou à margem a periodicidade e os tele -espectadores já se acostumaram a ouvir e ver. sequiosos de informações. 78 lsmael Herraiz — Obra cit. O jornalismo industrial impôs a concorrência e desta nasceu a “tirania do relógio” e dos competidores. que permita a caça ou a excursão. os fatos que constituem notícias. provocadas por acontecimentos extemporâneos. e menos considerado cada vez que não chega ou se retarda. Todo periódico se faz sob a tensão do rendimento completo na hora exata. O repórter é precisamente a pessoa dedicada com exclusividade a êste mister. “A hora da edição é sagrada. têm de aplicar os seus sentidos a outros labores profissionais.78” O jornal.. faltar a ela equivale a entregar-se atado de pés e mãos ao concorrente. até o programa dos espetáculos. guardam rigorosamente os períodos das suas aparições. em Estrasburgo. Desde a hora da missa dominical. tanto pela multiplicação dos jornais como pelo surgimento e expansão dos demais veículos: o rádio. Nos Tempos Modernos — Todavia. os “mensários” — Os quais.. mas que. em nome e em benefício dos demais. reclamavam uns dos outros qualquer retardamento na troca de cartas. dado que a sua técnica é mais complexa. 33. como recurso final. surge.. “Quando a curiosidade das gentes por um sucesso encontra dificuldades. Igual observância de intervalos regulares têm os noticiários cinematográficos. a importância da periodicidade cresceu sobremodo nos últimos dois séculos. olhos e ouvidos daquelas pessoas que. atraente. tôda a atividade individual. que não cansa. em 1609. Os come ntários e notícias radiofônicos obedecem a horários pré-estabelecidos e aquelas audições.77” De tal sorte entrou a periodicidade na consciência jornalístico universal que passou a servir de epígrafe a numerosos órgão s de publicidade em todo o mundo.. não sômente no seu país de origem como em tôdas as partes do mundo.. Se êste amigo chega em tempo oportuno. são anunciadas como “extraordinárias”. tendo de socorrer-se do çinema e da fotografia. caso pudesse ser feita particularmente. Pobre do 77 Octávio de Ia Suarée — Obra cit. Para que: a) — o leitor seja servido no tempo convencionado. d) — não se converta o jornal em um artigo de aparição anárquica. contendo atualíssimo documentário das ocorrências mais notáveis. o que vem demonstrar que a periodicidade surgia como um atributo cada vez mais rigoroso desde que se aperfeiçoavam os métodos de produção e se tornavam mais rápidas as comunicações.” editado pelo impressor Juan Carolus. entre nós.. será o amigo gratíssimo que não entedia. tôdas as necessidades sérias ou alegres da vida humana sugerem uma pergunta diária ao diário visitante. máxima propaganda do diário. o cinema e a televisão. Exemplo frisante da rigorosa periodicidade no rádio-jornalismo é o internacionalmente divulgado “Reporter Esso”.. desde o seu título à menos importante das suas notícias. de todos conhecidos e cujas notícias breves e incisivas têm intensa repercussão em tôdas as camadas sociais. ao contrário.. do semanário “Relation aller Fürnemmen. normalmente. b) — não se perca o correio. e) — não se interrompa o costume do pregão dos vendedores. em determinadas oportunidades. o repórter “olhos e ouvidos do jornal” e. Êste afã de saber no momento exato generalizou-se profundamente na consciência coletiva.

no mínimo. Pa.A publicidade é vendida em uma base global. melhor redigidos. que não mais exprime apenas longos prazos entre as suas manifestações.. Seis jornais dêsse tipo foram registrados. durante séculos. O jornalismo diário será.H. dia a dia mais interessado pelo conhecimento das ocorrênci4s que se desenrolam não sômente no seu próprio “habitat” como nos mais longínquos rincões do mundo..em estudo publicado no Nieman Reports de Boston. oferece algumas características dêsse tipo de jornais: 1. nas revistas e magazines. o jornalismo diário. mais. aquêle ordinàriamente exercido a horas certas e em um dia: as edições normais dos matutinos ou vespertinos80. por seu turno. 1953 págs. 11.. focalizado o papel saliente que o epistolário ocupou. Há a considerar. os profundos vínculos existentes entre periodicidade e jornalismo. 4. sem nenhuma dúvida. DA POPULARIDADE Temos. 3. A despeito das suas múltiplas edições. na linguagem universal. pelo “Audit Bureau of Circulation”. dos mais vivos. de TWIN FalIs. mas que não as designam como matutinas ou vespertinas.visitante que decepciona habitualmente a todos. Assim. Ida. O “Times News” dá duas edições: pela manhã (1. cuja periodicidade ou é arbitrária. O jornalismo periódico será. de esperá-lo depois. vínculos tão íntimos e indissolúveis que tornaram sinônimos. nos telefônicos e. “Tribune Democrat”. um dos que possuía clientela mais fiel ?“ Essa constatação e essa indagação resumem. e logo lhe buscarão um substituto e discutirão com outros as vantagens de trocar de amigo79. entretanto. “News Herald”. um dos jornais políticos mais importantes no período entre as duas guerras. Basta citar o caso de “L’Action Française”. encurtaram. nos luminosos. como manifestação periodística. de Greensburg. 2.000 exemplares — em razão do retardamento registrado na sua saída. mudando apenas as “manchettes” e notícias de última hora. Cinco dêsses jornais aparecem em três edições diàriamente: a primeira cerca da meia noite. uma edição no horário da manha e uma à tarde. . freqüentemente. e o “Times News”. nos Estados Unidos.) Union Leader’. os assinantes recebem sòmente uma cópia: geralmente a edição impressa à tarde.46). dos mais bem feitos da imprensa política francesa. que as exigências do público. oferecido cada vinte e quatro horas. orientando-os. Em tôdas as edições são usados os mesmos estilo. diários que publicam edições tanto pela manhã como á tarde. de Owensboro. editoriais. por muitas decadas significou o máximo de presteza na divulgação de notícias.. materiais. surgiram os chamados jornais do “dia inteiro” (“all day”). de Hutchinson.. Publicam. a seguinte próximo ao meio dia e a última pelas dezoito horas. “Manchester (N. meses e anos. sobremodo. contendo geralmente todos ou alguns dos atributos do jornalismo — ocupando-se dos fatos correntes (atualidade). de natureza a mais diversa (variedade). os prazos em que os veículos jornalísticos devem surgir tom o seu rosário de informações e comentários. nos jornais cinematográficos. Victor J. que. Pouco a pouco deixarão de atendê-lo primeiro. Mass. calculada. no desenvolvimento das suas atividades — as cartas foram. E. uma forma jornalística perfeita para as épocas em que os meios de 79Francisco de Luis y Diaz in El Periodismo — Barcelona. janeiro de 1958 — pág. aquêle desenvolvido em edições e horários extraordinários. cedeu lugar ao jornalismo periódico. Ka. Danilov. ainda. de Johnstown. nos mensários e anuários. não era um dos. as emissões de rádio e televisão nos seus programas ordinários. etc.30) e à tarde (2. apreciados e comentados (interpretação) e regularmente enviadas (periodicidade) a amigos ou grupos de amigos com o objetivo de pô-los ao corrente das novidades. ao sabor dos acontecimentos. Ky. Pa. 80 Recentemente. mas períodos variáveis. no entanto.. desde aquêles de horas até os de semanas. de modo completo.”“Um jornal que não aparece à hora costumeira — escreve Gilbert Henry- Coston — perde os leitores e assinantes. portanto. o qual jamais ultrapassou uma tiragem relativamente modesta — 40. vocábulos etimològicamente tão divergentes como jornalismo e periodismo. então. ou é marcada por prazo superior ao das vinte e quatro horas que constituem o dia. sôbre o espaço da edição da manhã. a saber: “Tribune Rewiew”. As cartas. “Messenger and Inquirer”. 328-329.

Este periódico foi impresso por Erhard Oeglin em Augsburgo. ao mesmo tempo em que fixar a poderosa influência que a Boa Nova. “Não é pois de estranhar que as comunicações sôbre o descobrimento da América. não para impelí-la adiante. raro e morosamente. foram-se ampliando em número e graus de educação. sendo a primeira fôlha volante que. os limites dos círculos fechados de leitores foram rompidos: a gazeta manuscrita e. Ou recusar os méritos do trabalho do padre Antônio Vieira. a cujo estabelecimento tanto deveu o jornalismo para a sua evolução. os conceitos. a que se encarregou. como ficou dito. como a expressar não sômente a instituição que permitiu a distribuição de exemplares como também a forma epistolar a princípio adotada — iria impor paradoxalmente a morte do jornalismo manuscrito. compreendia quatro fôlhas em formato quarto e o exemplar a que nos referimos leva o nome de Copia der Newen Zeytung auss Presilg Landt (Brasil) e se conserva atualmente na Biblioteca de Munich. resolvendo a triste alternativa de sumir-se ou adaptar-se.. indo. as novidades colhidas diretamente na Cidade Eterna ou ali chegadas através de gazetas e cartas particulares.. iam-se sucedendo. . “A correspondência ainda satisfazia no seiscentismo a ânsia de contar novidades. mas para abismá-la. grupos de pessoas ou comunidades restritas a que eram dirigidas as cartas. entre os quais o marquês de Gouveia. quando Gutenberg fêz publicar. em 1494. dirigidas por Colombo ao tesoureiro real da Espanha. de indulgência do Papa Nicolau V. nos excessos da fascinante perversão com que as sociedades de origem feudal.” 82 Nos dois séculos seguintes.transporte e comunicação entre os homens se faziam difícil. a Roma a trato de negócios. . às news letters inglêsas do século XIII ou aos Ordinari Zeitungen dos mercadores alemães terem sido. de comentá-lo extensamente. a ponto de ainda hoje perdurar a denominação de “Correio” para numerosos órgãos da imprensa. Como ninguém recusará ao jornalismo manuscrito. prestigiada pelas rodas aristocráticas e palacianas em que se cruzava. Vale observar aqui que as volantes. escapava a qualquer censura. embora ronceiros e limitados.81 Extensão da Popularidade — A expansão dos serviços postais. Quando o português Cabral chegou às costas brasileiras e tomou posse solene daquêle território para o seu rei. as normas de vida nelas indicadas exerceram para o processamento da revolução social do Cristianismo.pág. da informação e da orientação. influentes e letradas rodas. a imprensa alemã se apressou em divulgar o fato. Ninguém poderá negar o conteúdo jornalístico das epístolas de São Paulo. antes e mesmo muito depois do surgimento da arte de imprimir. 86. em Mogúncia. Às gerações analfabetas e ignorantes da Idade Média. únicas então engrenadas na vida pública. atravessou do “diletantismo ao profissionalismo para encarreirar-se no seu próprio e 81 O Weise — La Escritura y el libro — Barcelona. veículos. 47. a composta em letra de fôrma e já rebelde aos contrôles e à censura. aos avvisi venezianos. mediante cuja leitura estaremos capacitados a ressuscitar uma das mais decisivas épocas da história da humanidade. graças à fartura de papel e à normalidade da posta. com trabalhos dedicados ao território que acabava de descobrir-se. advertindo a todos os cristãos dos perigos e ameaças que constituia o domínio turco sôbre Constantinopla e exortando-os a levantar-se para expulsá-lo da Europa — divulgavam notícias de interêsse geral. depois. dirigidos a grupos e comunidades. a quem já nos referimos como jornalista-locutor nos seus “Sermões” e agora lembramos como jornalista-redator que. 1935 — pág. É que aquelas pessoas. Além de fácil e pronta. quando o saber se homisiara nos conventos e monastérios. as doutrinas. outras com instrução primária ou elementar. deixaram-se morrer alegremente. desde 1455. dom Rodrigo de Menezes e Duarte Ribeiro de Macêdo. 82 Carlos Rizzini — Obra cit. entre risos e chusfas. espalhava em cartas a alguns amigos. tenham sido traduzidas e reproduzidas pelos prelos em todos os países civilizados. com o Renascimento e a idade das grandes descobertas. se conheceu com a denominação de Zeitung. sequiosas de informações. uma carta.

. recordando que.”85 83 Carlos Rizzini Obra cit. Mais de duzentos anos levou ela a grimpar a ladeira aparentemente suave que vai do leitor-assinante ao leitor-avulso.. A imprensa.sôfrego destino de informar mais. que o emprêgo melhor do chumbo não está na fabricação da bala mas na da letra de impressão e que o cavalo de qualquer gendarme pode saltar uma barricada..” 84 Nesta recusa. pelos clubes literários de Londres.. o jornalismo. transgredindo-se as leis e enganando-se a polícia. a toga do doutorado para pôr-se na vestimenta humilde do peregrino. Das três vias gradualmente rompidas pelo jornal — assinaturas. Recusa levar. como dizia Renaudot.”83 Foi pelos botequins e cafés de Paris. a que se dedica à preparação de panfletos revolucionários. decidem que sem ela tão pouco poderão ser conservadas e a consagram assim como o mais completo de todos os seus direitos. ao passo que o leitor avulso tinha de ser abordado num lugar inatingível: a rua. e simultâneamente. ampliando em círculos excêntricos a sua penetração. — Obra cit. 85 Octavio de la Suarée — Obra cit.. 16. isto é. os povos ajudaram a Imprensa. “Em aberta rivalidade com os dignitários e senhores.. as massas. não por cortesia: por obrigação.. Por outro lado. a facilidade do seu menêjo e o barateamento da sua confecção. . o sufrágio universal e a liberdade de opinião. para que ela se democratizasse. mas uma mercadoria para o entendimento. que quatro linhas de jornal são mais demolidoras contra um regime tirânico do que quarenta mil esfarrapados tumultuando as ruas. como a mais absoluta de tôdas as suas liberdades. ilustra com o exemplo a todos os cidadãos sõbre o terrifico poder dêsse novo instrumento de ação. e muito importante por certo. As gentes aprendem assim. lançou-se à conquista da rua. Para que a instrução pública gratuita não seja letra morta na Constituição. pelos cláustros dos agostinhos. e sôbre o vasto panorama da grande revolução francesa. Como as duas conquistas fundamentais se fizeram na luta contra a arbitrariedade e a tirania. conduzem sôbre uma lança esta reivindicação: — instrução pública gratuita. recusando-se a admitir o primitivo serviço real e plutocrático a que a destinaram os seus fundadores. mas até o Rei se detém ante uma coluna de material impresso. segundo Mirabeau. a instrução pública gratuita. não a um destinatário-amigo: a quantos destinários-assinantes se dispusessem a pagá-la.. caindo como uma pedra na superfície de um lago. beneditinos e franciscanos (nos quais se refugiavam os corpos de “nouvellistes”) que. é a sociedade humana inteira. 42-46. única tateável nas trevas ela que longamente se foragiu a informação escrita. entretanto. das idéias que começavam a germinar e que seriam triunfantes na Revolução Francesa.. é preciso que haja sempre no govêrno filhos do povo que velem pela sua aplicação prática. na Europa. sem a liberdade de imprensa as outras jamais poderão ser obtidas. pág. pelo que a ilustração é indipensável para poder aproveitá-la. Os três estágios do itinerário seguido pela sociedade para identificar-se com a imprensa foram. Sucede algo mais. como ambas são as vias de acesso que têm os povos para ser arquitetos do seu próprio destino. . acionada primeiro por debaixo — instrução pública gratuita — o será agora por cima — intervenção do povo na sua regulamentação oficial. do povo. .se: não era mais dirigido “a uma elite... refletia o espírito dos novos tempos. mais depressa e a mais gente. 84 Horacio Hernandez A. compreendam que é imperativo ganhar ao despotismo uma segunda batalha: a do sufrágio universal. mas à maioria. — pág. uma nova imprensa.. É que o leitor-assinante poderia ser alcançado à sorrelfa. e as massas. — págs. O jornalismo popularizava . a um círculo de pessoas escolhidas. não sôbre assuntos escolhidos: sôbre todos. com risco da vida e da liberdade. completando-se assim o quadro universal:já não são classes reacionárias ou liberais que se identificam com a Imprensa. vendas avulsas e publicidade — adiantou-se a das assinaturas. Chegara o momento histórico em que a massa compreendeu que a Imprensa é uma mercadoria. das massas. 55. pois. firmando definitivamente o seu prestígio.

nos países liberais-democráticos. o jornalismo retirou-se dos antigos e superados veículos: os pregoeiros. aos demais membros da sociedade. da mesma forma que os’ artigos ou informações que perseguem fins estritamente profissionais. se o jornal não joga limpo. ser postos sob o benefício da liberdade de imprensa. na Suíça. que os prospectos. mas sim depen4endo da liberdade do comércio ou indústria. o Tribunal Federal. Com efeito. inclusive. alcançar em profundidade e extensão as maiorias a que se dirige. os mensageiros. Os anúncios. 49-50. Se falta popularidade ao jornalismo. era essencial- mente lucrativo: a venda de certos produtos. que não tinham mais capacidade de levar as informações e a orientação à comunidade inteira. o seu propósito formal é chegar realmente a todos os indivíduos. que. — faltar-lhe-á o apoio do leitor. tese defendida pelo prof. se a publicação não se destina a atender àquele fim ideal. desde que um aviso ou reclame se tenha publicado com a intenção de servir ao interêsse da comunidade e não com objetivo comercial. vai perder muitos leitores para um concorrente de mais consciência. em linguagem e estílo apropriados. a respeito. ainda ai estará presente a popularidade. abrir caminho embora à custa de inumeráveis sacrifícios. dirigindo-se a uma expressiva parcela da mesma.” 87 Mas não são apenas as garantias constitucionais que são recusadas ao jornalismo. na sua opinião. que refletem efetivamente o pensamento coletivo sôbre os limites da liberdade. suscetível de apreender com facilidade os informes e diretrizes nêle contídos. anúncios. Horton.” 88 Essa circunstância é que liberta o jornal. adotado o papel como matéria prima ideal para a reprodução dos textos. no sentido de que a objetiva prestar serviço a tôda a comunidade. E mesmo quando sôbre o jornalista ou a emprêsa não recaem as penas da lei pela violação de códigos penais ou meramente éticos. por conseqüência. É o princípio da liberdade de imprensa condicionado à liberdade de escôlha do leitor. 87 Jacques Bourquin — Obra cit. quando as suas manifestações não se destinam a atender aquêle fim ideal de promoção do bem comum. Tanto é assim que. isto é. na prática. não devem. Rod W. — Obra cit.” 86 E mesmo quando se faz especializado. e transmití-los. Horton — A liberdade de imprensa e o leitor livre — in Jornal do Comercio. que sòmente o lê uma fração. insere estudos e dá conta de experimentações sobre determinado e novo processo terapêutico. Popularidade e Liberdade — Atingidas as condições ideais para o seu mais amplo exercício. por exemplo. a cuja ciência e arte está o encargo do diagnóstico dos casos e da aplicação do medicamento apresentado. “o Tribunal Federal considera. a popularidade. deve ser pôsto debaixo da garantia constitucional. argumenta: “Não é sòmente que os jornais respeitem a independência do leitor por responsabilidade ou senso de justiça. isto é. Recife — 15-12-57 . por um decreto de 1910. o que êsse jornalismo especializado visa é um fim ideal: atingir as massas. Quando uma publicação médica. — pág. mais do que propagar teorias debatidas. capaz de circular ràpidamente e. e que. reclames s outras publicações que não são reproduzidas senão com fins comerciais e egoístas. então as próprias garantias da liberdade de imprensa lhe são recusadas pela legislação vigente nas mais avançadas democracias do mundo. visando o interêsse coletivo antes que os da emprêsa. os arautos. que muitas vêzes não é amigo da redação. as epístolas. da tirania do anunciante. beneficiá-las através dos médicos. caem sob o conjunto de regras de polícia profissional. as gazetas manuscritas. sôbre o jornal pesará o boicote do leitor. lucrativo ou egoísta. 16. e obter a consideração unânime. como ocorreu com a descoberta da penicilina. é livre. julgando que se tratava de um recurso de direito administrativo e não de direito público. cujo objeto. Ao contrário. 88 Rod W. a atividade jornalística concentrou-se no jornal. o leitor não admite distorções ou supressões propositadas ou um constante sacrifício da objetividade a propósitos personalísticos. “Se acontece. em regra geral. do perigo da sujeição da redação à política preconizada pelos 86 Horacio Hernandez A. — págs. Disseminados os processos tipográficos. vulgarizando-os ou praticando-os. mas é que bem sabem que estão obrigados a respeitá-la pela própria circunstância de que o leitor. negou o benefício da liberdade de imprensa a um prospecto. Assim.

Liberdade e popularidade são têrmos de uma mesma equação. inaugurou um hospital do US Army.. pois o jornal decaiu no conceito público. Assim. quando visitamos êsse jornal — onde o fato nos foi narrado — a sua tiragem ainda não conseguira atingir os 200. com a queda de Hitler e Mussolini e que. as palavras de Tocqueville: “A liberdade de escrever. e menos espetacularmente não têm sido poucos os oj rnais que vão definhando.” Palavras que são uma séria advertência aos governos que pensam poder restringir a liberdade em nome das suas concepções filosóficas. julgando que o povo. são êles os verdadeiros leitores livres que exigem e forçam a responsabilidade jornalística do país. mas perdeu onze milhões de dólares. com oportunidade. tornar-se um perigo para a ordem na comunidade. o povo poderá atirar-se a um caminho que submerja o país na anarquia e no cáos. entre um povo não acostumado a ouvir discussões de assuntos políticos. forçado a ler os “seus” jornais e sòmente os “seus” jornais. que jamais esqueceram a sua voz poderosa e livre. mais de dez anos depois da desastrada “operação Knox”. exatamente porque o cidadão-leitor. recentemente. o qual confia na primeira tribuna que se apresente. Iniciou e desenvolveu a campanha: ganhou a Secretaria da Marinha. provocando a sua retirada da emprêsa com aquêle prejuízo financeiro. A liberdade de imprensa contida pelas fôrças dos governos ditatoriais pode.. o prestígio e a autoridade que inutilmente Perón tentara manter em seu proveito. Assim mesmo. Conhece a política do jornal e separa os artifícios e as interpretações dos próprios acontecimentos. outras vêzes rejeitando-o para tirar as suas próprias conclusões. na praia 4 Piedade (hoje Hospital da Aeronáutica). cujo maior acionista era o coronel Knox. que o público leitor é muito reduzido. . restituída aos seus leitores.. na reconquista da sua amplitude. No Brasil. Aceita os truques da inclinação. verdadeiros arautos das aspirações coletivas. na argumentação da sua tese. reduzindo-se autênticos zumbis. que teve o seu nome. a repercussão na popularidade do jornal da sua política editorial também tem causado o êxito ou fracasso de muitas emprêsas. confiando na primeira tribuna que se apresenta. que fogem aos rígidos limites do sistema dominante. Como também o liberta da tirania dos grupos político- partidários ou dos interêsses exclusivistas e pessoais dos seus proprietários ou acionistas. é mais formidável quando é uma novidade. a quem haviam embrutecido com o ópio da mentira. de um golpe. tiveram a mais viva expressão na República Argentina. estará enfraquecido intelectualmente para discernir entre a demagogia irresponsável criada pela embriaguez da liberdade e a orientação responsável dos jornais. igualmente. quando. se bem que tenhamos uma imprensa apaixonadamente opinativa. melancolicamente editados por honra (ou desonra) da firma. onde 98 por cento da população é alfabetizada e onde se vende diàriamente um jornal para cada três habitantes.89 O coronel não era político.. La Prensa readquiriu. entretanto. Foi o que ocorreu com um jornal de Detroit. O prof. “O leitor exige os fatos. 89 O coronel Knox estêve no Brasil durante a guerra.grandes “trusts” comerciais e industriais.. como tôdas as liberdades. Deve-se levar em conta. não ocorrendo aqui o que se verifica nos Estados Unidos. que impedem a escravidão do jornalismo norte-americano por fôrças econômicas gigantescas e quase irresistíveis.. Veio -lhe a tentação de utilizá-lo para conquistar posição de relêvo nos quadros políticos norte-americanos. No Recife. e exige também que êles sejam misturados com as opiniões da redação. Rod W. São êles (os leitores) que constituem a mais poderosa censura da imprensa. o seu jornal tinha tiragem média diária de 600. Horton lembra. Então. ao tempo da II Guerra Mundial.000 exemplares. Palavras que se confirmaram na Alemanha e na Itália. porém com o privilégio de opinião particular. perdendo os leitores. Em 1954. os ‘episódios de jornais empastelados. que foi secretário da Marinha dos Estados Unidos.000 exemplares. incendiados e destruidos pela fúria das multidões por se terem colocado contra os interêsses da maioria dos seus leitores pontilham a história do nosso periodismo. desinteressou-se pelos temas e problemas políticos. algumas vêzes aceitando o ponto de vista do jornal. que se iludem a si próprios.

fácil.o professor ilustre. talvez. 2. é que tiveram de demonstrar a eficiência dos seus meios mecânicos de reprodução e as suas possibilidades de divu1gção para que. incluindo nela não sòmente os diários e “magazines” como o rádio. uma forma própria. Com efeito. há pouco. se bem que ansioso por novidades. O Daily Mirror. – Nota à pág. se processasse o trabalho jornalístico. com o objetivo de analisar a imprensa moderna. que se torne mais e mais extensa e profunda a sua popularidade. é que o jornal se manteve no nosso século como principal manifestação periodística.. O bom jornalista bem sabe que não se pode curvar ante essas fôrças sem perder o respeito e o apoio financeiro e moral do le itor livre. que permitem uma leitura rápida e que. sendo limitadas as suas possibilidades de atingir a tôda a coletividade. muitas fotografias. ao professoral. frente a um receptor de rádio ou televisão ou sôbre a poltrona de um cinema.daquilo que era. por conseqüência necessitado de ler. começa com o leitor e o leitor lutará na defesa dos seus direitos até a última bala. e até o Zê Fulano — insistem em ficar livres. E porque exigem não sòmente estúdios apropriados. com uma insinuação de que. amena. um estilo. é verdade. mas os leitores independentes . leve. como o foram as cartas e gazetas manuscritas. mas se existem fôrças arrogantes em outros quartéis além dos do govêrno. de Londres. de deter-se muito com o jornal. 92 Clemente Cinmorra – Historia del periodismo – Buenos Aires. fugindo ao verboso. não sendo superado. designada pelo Reitor da Universidade de Chicago. como veículo. às mais amplas exigências da popularidade. o George F. 92 Daí o êxito dos “tablóides”. estações emissoras e receptoras. do aperfeiçoamento dos processos adotados. . Horton – ART. não tem tempo. transmitem uma impressão forte e duradoura. das distorções de uma redação cativa e interessada. jornais de pequeno formato. considerado supérfluo — não e nega que esteja em crescimento a influência dêsses veículos. pela própria dinâmica da época em que vivemos. em razão do desenvolvimento da técnica.. Citado – Jornal do Comercio. accessível. comentários. porém. chamado constantemente a definir-se e. para colocá-la de acôrdo com a nomenclatura. Êstes modernos veículos. 95. A redação tem que ficar livre de um govêrno tirânico. – Obra cit. Foi. Robert Hutchins. enquanto o professorado e o apostolado religioso buscam convencer e converter. haveria de compreender. o jornalismo visa tão sòmente opinar para debater. Babbit. ao gongórico. através dêles. que a cada dia. os centros de educação e as igrejas. como leitor. é que sôbre o jornalismo radiofônico. sim. discutir opiniões.” 90 Condições da Popularidade — Graças à circunstância de atender. ouvinte ou assistente de um interminável desenrolar de notícias. Não se nega. ouvir.a liberdade de imprensa. O Govêrno pode ser o mais benevolente e o mais liberal do mundo. aquelas fôrças também têm que ser vencidas. com o surgimento de outros meios de difusão. cinematográfico e televisado pairam restrições até a respeito das condições em que são beneficiários da garantia de liberdade de informação e opinião. pela condensação das matérias e pelo aspecto gráfico com que são apresentadas. Uma enquête realizada nos Estados Unidos rnostrou que a metade dos leitores interrogados não dispunha senão de um quarto de hora para dedicar ao jornal. Outrossim. Além disso. 1946 – pág. como salas de projeção e aparelhos captadores e televisores. da elevação dos níveis de vida da sociedade. Recife – 15-12-58 91 Horácio Hernandez A. o cinema os livros. foi de opinião que melhor seria chamá-la comunicação das massas. a popularidade não reclama apenas um veiculo de fácil e geral penetração mas também uma linguagem. opiniões e documentários. também. grandes títulos. o público moderno. igualmente. ao retórico.91 o que indubitàvelmente é ir longe demais considerando-se o atual estágio da nossa civilização. ao enfadonho. da nossa era. Mr. textos breves e editoriais resumidos. mediante estudo mais completo. atendendo a êsse atributo do jornalismo que uma comissão de 13 membros. o jornal de maior tiragem do mundo 90 Rod W. com a transformação em necessidade .

os noticiários e comentários radiofônicos. ne nhuma pessoa. elemento determinante na vida individual como na vida coletiva. para a consecução dos seus objetivos. pois onde existe uma imprensa livre não sobrará lugar. A técnica da síntese aplicada ao jornalismo atingiu igualmente as revistas e “magazines” que. a comprovar o caráter promocional do jornalismo. a cada passo mais objetivamente. sem pretender traçar roteiros rígidos e exatos. utilizando todos os sentidos — rádio e cinema não fizeram mais do que . não pode. selecionam ou condensam textos ao máximo e. tôda a agitação sistemàtica. têm a preferência do público quando resumem. por muito tempo. quer através de letras. a defini-lo como um sacerdócio. desenhos ou outro qualquer processo de comunicação do pensamento que o engenho humano possa ainda inventar ou empregar — o jornalismo. o jornalismo. ao oferecer à massa a sumária e. o máximo de popularidade. geralmente entre dez minutos e meia hora. como o indivíduo. para um govêrno injusto e desonesto. Quer utilizando a imprensa. o cinema ou a televisão. nenhum núcleo social.jornalismo foi que levou os retóricos.” Foi também essa capacidade de incitar as massas à ação que levou Lenine a pregar que “sem o jornal toda a propagação. desenvolvida e ampliada à proporção que se desenvolviam e ampliavam os códigos éticos. nascida com. como Bowles. desde as épocas dos limites e restrições dos primitivos veículos. os programas informativos da televisão e os documentários de atualidades cinematográficos não excedem. o grande aparelho de elaboração e depuração das sociedades modernas. enfim. “A imprensa é. no caso dos periódicos ilustrados substituem pràticamente os detalhes literários da reportagem por fotografias e desenhos.” A doutrina e a prática estão. eu optaria por esta última. jamais. DA PROMOÇÃO Através da análise que fizemos de cada um dos caracteres do jornalismo. Jornalismo e Sociedade — Êsse aspecto promocional do. a própria organização social. A sociedade.(mais de quatro milhões e meio de exemplares) é um exemplo típico da imprensa popularizada moderna. se se pensa no tempo que se lhe dedica. o rádio. a finalidade precípua dessa atividade que. como ocorre com o universalmente famoso Seleções do Reader’s Digest — e as modernas revistas semanais do tipo de Manchette. e Jefferson — que durante o seu govêrno sofreu tremenda oposição jornalística — a proclamar: “Se me fôsse dado escolher entre a liberdade de govêrno e a liberdade de imprensa. A popularidade — que se constitui no elemento-combustível do jornalismo. pode passar sem ela. impelindo-o para o futuro através das vias do progresso técnico. impulsionando-o na sua trajetória. atua como propulsor da ação individual e coletiva. para quem o jornal era “o respiradouro geral das consciências. se ot rnou numa instituição indispensável para a formação e orientação dos povos — a promoção dos meios tendentes a assegurar o bem comum. O Cruzeiro do Nordeste entre nós. e de Life nos Estados Unidos. as técnicas e as indústrias. de penetrar e repercutir em tôdas as camadas- sociais. classificando o jornal de “censor da terra.escapar à evolução. palavras. até a amplitude dos meios de comunicação e circulação dos tempos modernos — continua a ser a mola que aciona o maquinismo jornalístico. grande inimigo dos tiranos è braço direito da liberdade” ou como o nosso Ruy Barbosa. terá de decidir. ficou evidenciado. nos nossos dias. sangue vital circulando através do espírito humano. de alcançar. na França. variada e fiel aos princípios é impossível”. por vêzes superficial análise dos acontecimentos. de um período de tempo tolerável ao público. sem dúvida. uma decisão. freqüentemente. Por seu turno. imagens. de Blanc et Noir. Os relatos e as idéias expressas pelos veículos jornalísticos têm o proj3ósito de permitir ao homem um pronunciamento. intermediário da opinião pública. de impulsioná-los à ação.

contribuir para acabar de fixar a sua penetração na existência humana — se chegará à conclusão de que a nossa civilização se desenrola e morrerá envôlta em papel de jornal. criará uma atmosfera de tolerância ou sectarismo. é a primeira lei que favorece um estado psicológico do caráter coletivo. a cada hora. diferentemente. — Obra cit.in Diário de Noticias — Rio. — pág. pouco susceptíveis. o leitor ou ouvinte da notícia se 93 Octávio de la Suarée — Obra cit. cit. Porque não é só o tempo direto que nos leva a imprensa a todos. . do contrário. o jornalístico. porque a atualidade de um fato ou acontecimento qualquer atrai a atenção pública e a concentra em uma ordem de coisas. 97 Gustavo Le Bon — Psicologia das multidões. agrupando-se em correntes de opinião sôbre fatos ou acontecimentos que. ao contrário dos demais intelectuais. 276. no ânimo da multidão. não apenas reforma nossos costumes. em vista da iminência dos fatos e das suas conseqüências possíveis. cujas palavras inflamadas os fariam adotar idéias e sentimentos que jamais haveriam aceitado sem o influxo poderoso do grupo. há que considerar também o indireto. fazendo com que “as idéias circulem. esta promoção se o público do jornalismo é constituído por indivíduos dispersos e não apenas aglomerados num ponto. é que retira a matéria-prima para transformá-la no fermento jornalístico. uma alma coletiva. Antigamente. portanto. como igualmente devemos anotar não sòmente a sua influência ativa sôbre nossas determinações como igualmente a passiva. 98 Conf. êsse laço sòmente se estabelece quando os fatos relatados ou comentados são atuais. no “elanvital”” (Bergson). são postos diante das mesmas questões. mas também os conforma. Manuel L. “é o homem mergulhado: “entwuyf”(Heidegger). 95 Tristão de Ataíde — Art.” 93 Com efeito. Hoje. mediante o recurso tão socorrido da afirmação categórica e da repetição constante.” 96 Como se processa.97 assinalou que a imprensa provoca sôbre as multidões reações primárias. no “fenômeno” (Kant). dêsse comércio permanente e recíproco. de agir simultâneamente? Gustavo Le Bon. por mais sedutor que seja. não apenas na fixação de conceitos. graças à manifestação habitual do jornalismo. por jornalistas portuguêses — Lisboa. 134. ordinàriamente de igual maneira e ao mesmo tempo. Essa integração do jornalismo na sociedade arrancou a Jules Pigasse a correta observação de que “se se pode escapar da influência de um livro. os indivíduos espalhados. que estudou profundamente o tema. todavia. em que cada leitor se sente solidário com o grupo ao qual pertence. 94 Horacio Hernandez A. abstrata. destinado a dar à sociedade uma maior consistência pelo conhecimento de si mesma. mas. formando. na “potência” (Aristóteles —Tomás). era até certo ponto forçoso para obter a ação coletiva que os indivíduos se reunissem. assim. atraídos por qualquer fato do momento e guiados por um chefe. 1955 — pág. provocam a vibração de um grande pensamento coletivo. no “projet” (Sartre). o jornalismo não pode ser tomado como uma atividade isolada. em virtude da lei da “unidade mental das multidões”. pois. da qual recebe inspiração e sôbre a qual influi poderosamente. como sendo o domínio do Acontecimento e da Ação. 1925 — pág.” 94 O jornalista. Rodrigues — Os Estados Unidos visto. em tinta de impre ssão. 41. não pode viver isolado. no “vir-a-Ser”. sem se conhecerem uns aos outros e nem àqueles que lhes transmitem impressões. lhes temperam o espírito. Êsse laço invisível que une a todos os homens por algo que reclama a sua atividade ou que serve de fundamento ao seu juízo. 47. “A simples leitura das notícias tem.” 98 Contudo. é difícil ao leitor do jornal não ser impregnado quer por suas afirmações quer por seu ceticismos O jornal. 10-11-57 96 Jules Pigasse — Da journalisme — Paris. — pág. contemplativa. um efeito surpreendente. em tudo o que os filósofos exprimem. lhes sugestionam idéias.” 95 Daí. sua existência está sempre ligada à vida social. A imprensa não sòmente se lê como se comenta. habilitando-a tomar decisões frente aos problemas que se sucedem. como já o acentuamos.vivam e se desenrolem. além disso. independente dos indivíduos que integram o conglomerado humano. por sua influência quotidiana formará crentes ou céticos. preparará a ordem ou a revolução. no “devenir” dos filósofos evolucionistas do século passado.

e que redundou na disseminação de hospitais. Por isso é que. as autoridades viram-se obrigadas a tomar medidas para pôr termo à jogatina. No setor da saúde pública. como reativo enérgico. pelas 99 Horácio Hernandez A. um “serviço público”. empregando “todos os recursos de uma propaganda hàbilmente urdida para formar correntes de opinião e fazer com que soluções possíveis tenham a sanção majoritária do grupo”. vamos lembrar algumas memoráveis campanhas que proporcionaram benefícios os mais assinalados à coletividade. pergunta-se. Infortunadamente esta é a verdade. criando uma autêntica consciência contra a habitação miserável e levando o Estado a organizar departamentos especiais para enfrentar o problema. a da luta contra o mocambo. o qual. Sob a pressão conjugada da imprensa e das Ligas. o princípio e aplicação da responsabilidade no jornalismo. . a cobertura em que se empenhou tôda a grande imprensa brasileira nos últimos dias de vida e missão do médico paraibano Napoleão Laureano. muito deve a Grã-Bretanha ao “Times”: em 1929. promovida pela “Folha da Manhã”. os seus caprichosos rumos pessoais ou de grupo. primeiro correspondente de guerra na Criméia. como tôda atividade humana no convívio social. aliás. pelos crimes que previne. como de fato há de ser. no desenvolvimento das suas campanhas. do Recife. simultâneamente. — Obra cit. no curso da II Guerra Mundial. As Campanhas Jornalísticas e o Bem Comum — Deixando de parte os habituais exemplos de promoção jornalística nos setores da política e do comércio. o jornalismo insiste. Como a da aviação civil e a dos postos de puericultura. em Pernambuco. que teve repercussão em todo o país. entretanto. encetada com métodos de higiene até então nunca vistos pela igualmente famosa e respeitada heroína Florence Nightingale. fecham obstinadamente os olhos para não ver os seus serviços. urgente. a campanha movida por vários jornais norte-americanos contra as roletas mecânicas suscitou em diversos Estados um movimento de opinião que e traduziu na formação das “Ligas de Melhor Govêrno”. é que o periodismo. E esta tendência incoercível impõe. algumas memoráveis campanhas de imprensa têm resultado em assinalados benefícios à coletividade. Os que fàcilmente enxergam os seus erros. levantou subscrição para a compra de radium destinado aos hospitais ingleses e. Foi à ação do universalmente famoso e respeitado “Times” de Londres — que tantos governos tem derrubado na austera Inglaterra — que através da pena do legendário William Howard Russel. Jornalismo e Direito — Argüe-se. repisa. tende fatìdicamente para um dêstes dois polos: para a degenerescência ou para o aperfeiçoamento. clínicas e serviços de assistência aos portadores dêsse mal. vítima do câncer. o mundo deveu a revolução nos hospitais de sangue. Nos Estados Unidos. encetadas pelos “Diários Associados”. todavia. tais como o “Serviço Social Contra o Mocambo”. irá perdendo definitivamente o seu feitio individualista.. autarquia federal. recebeu e canalizou para o fundo da Cruz Vermelha contribuições que atingiram formidáveis somas. sem que uma “corrente de solidariedade” a ligue a indivíduos estranhos que partilhariam. em quase todos os Estados. para não reconhecer os seus méritos. para ser. por meio de unia campanha. em Pernambuco. apresenta sempre aspectos novos. e a “Fundação da Casa Popular”. 145. de âmbito nacional. em virtude dela. . daqueles sentimentos e idéias. — pág. não deixa que a imaginação popular se desinteresse ou que fiquem esquecidas as premissas. levando governos e instituições públicas e privadas à ação.sentirá sòzinho no mundo a cogitar sôbre o problema apresentado. que nem sempre o jornalismo atinge à sua finalidade: a promoção do bem comum. indispensável. Mas. 99 Entre nós. qual a instituição humana que não está sujeita a erros e imperfeições? “O que não padece dúvida. os quais se hão de contar pelos males que evita.

10. interessa-lhe menos assinalar motivos para convencer do que preparar um clima propício à ação. 1952 .malversações que malogra. assim exprimiu a sua opinião sôbre a liberdade de imprensa: “Não temos liberdade de imprensa para a burguesia. Não estamos absolutamente empenhados em dar liberdade de imprensa a tôdas as classes. em 5 de novembro de 1927. faz-se o que é útil ao regime. já porque o seu campo abrange todos os setores da atividade humana e já porque se dirige a tôdas as classes e categorias sociais — o jornalismo. que constantemente se renovam e alteram. “Sendo o espêlho de todos os movimentos de opinião.” A Constituição Soviética de 5 de dezembro de 1936 garante a liberdade de imprensa. 101 Horacio Hernandez A. 1951 – pág. como aquêle que a administração pública presta diretamente ou por meio de concessão para a satisfação concreta de algumas necessidades coletivas — têm tôdas redundado em limitações e contrafações dos atributos essenciais do jornalismo. é realizado simultânea ou imediatamente após a ocorrência dos fatos. porque. assim. Por outro lado. 100. o promova. modificando às vêzes as Proporções das fôrças em jôgo. a capacidade de fazer cumprir as suas decisões. permitindo à opinião pública como tal expressar-se. a imprensa os reflete. — Obra cit. por sua própria natureza tão heterogêneo. Já porque não se destina a executar o bem comum. 1929 – pág. à sua revelia. 103 Hitler – Minha Luta 104 Michel Potulicki – Lê Regime de la Presse – Paris. assegurar-se dêsse meio de esclarecimento e colocá-lo a seu serviço e no da Nação. não tem geralmente doutrina própria. baseada no reconhecimento pela lei. Por êsse fato. é que se poderá considerar a imprensa como um “quarto poder” do Estado. 143. face ao Estado Fascista. tem-se imediatamente uma bússola de orientação para o que concerne à ação prática do jornalismo fascista: evita-se o que é prejudicial ao regime. a lei democrática do número. e a fôrça. . 10. “O jornal. já porque tôda a obra jornalística tem a sua base nos fatos correntes. seriam postergados. para os “mencheviscks” e para os socialistas. isto é. sòmente tomado como uma ênfase. Êle deve. no fundo.” 104 100 Altino Arantes — Imprensa Política — São Paulo. mas a advertir e orientar a opinião para que esta.. 102 Jacques Bouruin – La Liberdade de Prensa – Buenos Aires.. não se dirige tanto à inteligência como à vontade humana. pela sua própria natureza. brilho da chamada liberdade de imprensa e deixar-se levar à falta do seu dever ficando a nação com os prejuízos. sem ela (a imprensa) seriam sacrificados. utilizando nesta emprêsa todos os recursos psicológicos da propaganda. Assim ocorreu no Estado Hitlerista. 125) e Stalin..” 100 Seria um contrassenso. na aparência sem nenhuma coesão entre si. em discurso comemorativo do jubileu da Revolução Soviética.. só serve às alheias. permitindo ao talento expressar-se com mais intensidade. pelos direitos e pelas regalias que. a imprensa é um elemento dêste regime e uma fôrça a serviço dêste regime.” 103 “ O mesmo sucedeu com o fascismo: o próprio Mussolini definiu a posição do jornalismo.. em discurso pronunciado a 10 de outubro de 1928. a obra periodística é vasada em linguagem ao alcance de tôdas as inteligências.” 101 Dai. para o qual o govêrno não se deveria perturbar “pelo.” 102 As tentativas que se têm feito para transformar a imprensa num “serviço público”- tomada essa expressão na sua verdadeira acepção jurídica. sob o tema: “II giornalismo come missio ne”: “Em um regime totalitário. com decisão implacável. de tôdas as concepções políticas e econômicas. Pertence a outros corpos desempenhar êsse papel. seria abusivo dar-lhe o caráter de um órgão constitucional.Corrige. — pág.. porém “de conformidade com os interêsses dos trabalhadores e com o fim de fortificar o regime socialista” (art. pelos interêsses que. portanto. informada e consolidada.pág. uma vez que lhe faltam a autoridade. esperar que o jornalismo se constituisse num corpo de doutrina ou num programa de ação isento de êrro. o que não oferece margem a uma perfeita inferência da uas repercussões. o que lhe confere um caráter mais de advertência do que de convencimento. Partindo desta indiscutível realidade.

editoriais e tõda espécie de noticiário para a obra de esclarecimento da opinião popular em tôrno dos planos’ de reconstrução material e de reerguimento nacional” e. vigiando os seus passos para que não se converta em arma de destruição o que deve ser o baluarte da segurança nacional.. quando o jornal de fhalor circulação do mundo — o Daily Mirror — encetou violenta campanha contra a atuação do govêrno britânico na questão de Suez.” 105 “Em Portugal.. parlamentar. precisamente porque lia se torna o veículo insubstituível das liberdades individuais e políticas. Tendo em vista êsses objetivos. 1954. nós próprios o testemunhamos. 108 Exemplo dessa amplitude de crítica. porta-voz do próprio Estado nas questões essenciais. o art. nenhum jornal pode recusar a inserção de comunicados do govêrno nas dimensões taxadas em le i” (art. que são a condição mesma da existência da democracia: liberdade de fiscalização e de crítica. Uma das tantas organizações ou braços de que pode e deve servir-se o Estado para o govêrno e engrandecimento da Pátria.. absorvida pela conveniência ou pela fôrça dos governos. de 1937. 1957 — pág. 1942 – pág. e que essas leis preventistas e repressivas impedirão que a opinião pública possa ser pervertida. a serviço da nação. pouco importa a sua forma). militarista ou caudilhista. 122. utilizam-no corno veículo de propaganda. É que “para o Estado ditatorial. comentários. 2. boa administração e do bem comum. 41. 107 Vide nota 137. a Constituição salazarista de 1933 declara. a imprensa não pode nunca ser serviço público. Ë uma instituição. destinado a controlar e censurar as publicações periódicas107. no seu art.049 dispunha em seu art. seja êle monárquico ou republicano. por exemplo. por meio de artigos. 99.°. 23. § 2. da justiça. tem o Estado o dever e a obrigação de intervir na criação e funcionamento da imprensa periódica. o que não se processa na inprensa dos países de regime liberal-democrático. em Londres. n. Os regimes jurídicos e políticos totalitários. No art. Em virtude dêste princípio. 1. Nem mais nem menos. no Estado Democrático. reconhecendo a fôrça promocional do jornalismo. comunista. como o organismo militar e o poder judiciário. (seja fascista. a imprensa não pode deixar de ser serviço público. conto se nada ligasse os interêsses do povo britânico à decisão do Ministerio Anthony Eden. em 1939. por isso. liberdade de oposição aos governos.pág.0: — “Aos jornais e quaisquer publicações periódicas cumpre contribuir. o Decreto-lei n. porque a liberdade de opinião dos indivíduos ou das minorias políticas desaparece necessàriamente. em 1956. Assim. irretorquivelmente. presidencial ou diretorial..”109 O fim dramático ou melancólico das legislações restritivas ao pleno desenvolvimento da missão jornalística demonstra. 8. 109 Afonso Arinos de Meio Franco — Pela Liberdade de Imprensw — Rio. Nestas poucas palavras condensa. 22 estabelece também que o Govêrno defenderá a opinião pública contra todos os que procurem desviá-la da verdade. Por outro lado. em cada época colocadas 105 Fray Santos Quirós – Código del Periodismo – Cadiz. a ditadura salazarista instituiu a censura prévia em tôdas as publicações.°. para êsse fim. . declaradamente ou não. 59. a nova Lei do Jornalismo (22 de abril de 1938) a idéia que se deve formar do jornal. que instituiu a ditadura estadonovista. em suma. ainda de conformidade com o mesmo artigo. onde a crítica é a mais ilimitada108. criava o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). estabelecido que leis especiais regularão o exercício da liberdade de expressão do pensamento. chegando ao ponto de tenominsr a ação militar desenvolvida no Egito como “a guerra de Eden”. Reciprocamente. que as sociedades. não se admitirá que um órgão da imprensa totalitária se manifeste contràriamente a uma ação bélica do país ou tolere crítica à sua posição na política internacional. Um dos exegetas do jornalismo espanhol dos nossos dias escreve: “A Imprensa é uma instituição a serviço da Pátria. 106 Rui da Costa Antunes – Direito Penal da Imprensa – Recife.. também não fugiu ao diapasão doutrinário do totalitarismo ao declarar que “a imprensa exerce uma função de caráter público. que “a imprensa exerce uma função de caráter público”. quando não o transformam em uma das enrenagens do Estado. 15) .”106 A Carta Constitucional do Brasil.. nenhum jornal pode recusar-se a inserir os comunicados oficiais remetidos pelo Govêrno.

cedo ou mais tarde. como o observou Jules Pigasse. Essa missão se desenvolve visando as seguintes metas: lA —. por mais anódima que pareça. porque os títulos são os meus editoriais.”113 Não faz muito. que torna. sempre inclui um juízo e. Salvador de Madariaga contou que o chefe de um grande serviço de imprensa americano. à base dos sentimentos progressistas do povo. os órgãos predominantemente opinativos. Porque. não podem dispensar e concurso da fôrça de promoção da imprensa livre. o que levou Hans von Eckardt a escrever: “Na atualidade. de poder de decisão. possuimos um Direito que desconhece a política moderna e a estrutura das relações de poder. e ganha em estabilidade e segurança. mais. por conseguinte. e porque nascem do contato com a realidade. Propomos. – pág. é que o jornalismo desempenha missão política e social de tão elevada importância.” Um outro confessou: “Eu não cuido de publicar editoriais. porque da observação constante do jornalismo atual podemos concluir que os fatos. a troca de normas jurídicas já consideradas antiquadas. . 59. — Obra cit. porquanto. não haveria senão órgãos de op\hião. E talvez mais. em de opinião e de informação. E não foi outra a conclusão a que chegou um dos participantes do 1 Congresso Panamericano de Jornalistas. dos quais extraem as suas deduções doutrinárias.”110 Justamente porque as suas informações e conceitos são desprovidos de caráter imperativo. é que governam os povos. 113 Atas do Primeiro Congresso Panamericano de Jo’nahstas — Washington. subordinam as suas conclusões sôbre os fatos aos princípios adotados. entretanto. quando subordina a sua fôrça ao poder sem fôrça do jornalismo livre e veraz. as relações entre o Estado e o Jornalismo apresentam o seguinte paradoxo: o Estado perde o seu poder. — pag.. à sua função rectora. porém o modo como se recolhem. defendemos ideais antiquados em que ninguém crê já e discutimos fórmulas que perderam o seu sentido. 111 Jules Pigasse – obra cit. o jornalismo está exercendo uma função subsidiária vital do Direito. E o fazemos porque “qualquer frase jornalística. salvo quando exageradamente mercenários.”114 Os veículos jornalísticos “independentes e noticiosos” dos nossos dias não renunciam ao direito e ao dever de opinar. quando exige o seu respeito mesme se a lei emudece ou quando reclama. 2A — contribuir para a elaboração da vontade popular. diante do Instituto Internacional da Imprensa. Cumprindo êsses itens. e a liberdade. e a diferença entre êles seria de grau e jamais de natureza.”112 Aceitando essa premissa. 232-233. possuimos Constituições tão impraticáveis como bem intencionadas e tão insustentáveis como insuficientes.informar tão objetiva e verdicamente quanto possível ao público. “sòmente pela verdade pode-se realizar o difícil equilíbrio entre a autoridade. 1947 — pág. têm de ser imparciais e exatos no relato dos fatos. escrevem e selecionam as notícias. contraproducentes ou iníquas. quando visa transformar o jornalismo numa instituição sua. Assim. 137. se em que inspirados pela reflexão do homem. 114 Conforme Jacgues Kayser — Presse et Opinion in L’Opnuon Pubilque — Paris. conforme o axioma da profissão — a 110 Hans van Eckardt — Fundamento de la politica — Santiago. que faz os governos fortes. servir de meio de expressão à opinião pública. enquadrados num sistema filosófico. respondendo a uma questão. em abril de 1926. 1957 — págs.. conduzindo-os à ação. 1926 — pág. consideramos que os órgãos ditos de informação promoveriam a opinião pública tanto como aquêles que.diante de problemas e aspirações novas. sob os auspícios da União Panamericana: “não é a página editorial que agora governa as idéias. reunido em Washington. do ponto de vista da sua característica promocional. os povos felizes. uma outra nomenclatura como mais adequada ao espírito do jornalismo moderno: jornalismo eclético e ideológico.”111 Jornalismo e Opinião — Costuma-se classificar o jornalismo. numa corrente política ou numa linha doutrinária. 57. ao mesmo passo. lhe disse: “Não queremos artigos de pensamento. 112 Horacio Hernandez A. olhado o assunto dêste ângulo. 41.

Hoje. Nosso. mesmo agressiva. também podem ser feitas quanto à imprensa brasileira. o que poderia deixá-los aparecer como comunistas. até o Christian Scienee Monitor. por seu turno. adquirida em 1955 pela Campanha da. Típicas dessa orientação do jornalismo brasileiro são as posições tomadas diante das campanhas do monopólio estatal com referência exploração do. Os homens e as instituições que têm recursos estão sendo convocados a ajudar a Camparâ’ da Bõa Vontade por um Brasil Melhor. 116 A Rádio Mundial do Rio. de Rádio. certos gêneros de divulgação em que o ecletismo e ideologismo jornalístico se manifestam inequivocamente. proclamando sua orientação pelo nome ou em sub -título que o acompanhava. variando de acôrd o com as tendências ou exigências do público. cujos principais ‘Srgüos foram fechados pelo próprio partido na ilegalidade. .. O conhecido “magazine” norte-americano Seleções do Reader’s Digest é um órgão da imprensa tìpicamente eclético e a sua própria tendência atual anti-comunista nada mais reflete do que o estado de espírito do seu público diante do conflito oriente versus ocidente. visando um fim pré-estabelecido. bem como a uma estação de rádio adquirida pelos adeptos de um sistema filosófico recente.. direta. constitui exemplo frisante do jornalismo. de que no mundo nada é nosso. No outro.” .117 e do nacionalismo econômico. inação. apaixonada e.informação é sagrada e o comentário.nista de Bordeaux e o jornal conservador de Clermont Ferrand se apresentam. Na hora da morte é que se vê que ninguem é dono 4e coisa alguma nesta terra. a tempo. um e outro. sob o argumento de que estavam por demais identificados como comunistas. verdadeiramente nosso. parcial. morais e sociais do catolicismo ou do cientificismo cristão de Mry Baker Eddy. movimento filantrópico de fundo místico. ao veículo jornalístico que se declara abertamente filiado a uma corrente ideológica ou a um partido político. desde o Osservatore Romano. tendo em vista obter uma clientela maior. Antes da guerra de 1914. . Alziro Zarur. escolhido e exposto com maior ou menor ênfase e o comentário foge a qualquer rigidez ideológica. inflexível. Por isso. A. em nenhum sectarismo religioso. e sujeitando tôda a sua política editorial aos princípios religiosos. o fato é colhido. criado pelo ndialista Alziro Zarur. notadamente à comunista. No primeiro caso. petróleo. A imprensa religiosa. num determinado momento histórico.através da qual o Estado efetiva a exploração tio “ouro negro” em todo o territorio nacional. registrando os acontecimentos e como que nêles pondo as inferências acaso extraidas. de Boston. a predominância é da orientação clara. entretanto. com caráter monopolista. Que todos se lembrem. nem mesmo o nosso corpo. hoje inteiramente dedicado à Campanha que criou.. na TV e no cinema. no texto citado na nota anterior. livre. ideológico. Boa Vontade. “diversos jornais. é o bem ou o mal que fazemos e que vai conosco para a Eternidade. Mesmo a maior parte dos jornais comunistas quotidianos jexe]uem do seu título ou do seu sub-título. O jornal comu. salvo quanto à imprensa comunista e aos diários e periódicos religiosos. politico ou social. cuja meta inicial foi efetivar o primeiro dos nove objetivos da Associação Brasileira de Cronistas ltadiofônic4s: “interpretar o pensamento. por vêzes. antes repudiada pela grande imprensa e abraçada e aceita pela mesma depois do fato consumado da fundação da Petrobrás. que vai dia a dia derrubando as antigas barreiras da reação e consolidando uma inexpugnável posição nas esferas políticas e administrativas — o 115 Essas considerações de Jacques Kayser. e de uru jornalismo ideológico — aquêle que possui um complexo de idéias que visa difundir e sob cujo crivo faz passar todos os seus julgamentos e opiniões.. a expressão cultural e cívica do povo brasileiro”. os jornais desfraldavam sua bandeira.” 117 Sigla da companhia estatal — “Petróleo Brasileiro 5.116 o jornalismo eclético é o mais praticado e o de maio penetração e influência na coletividade. Essas modalidades do jornalismo indepen‘dem dos veículos de que se utilizam: tanto surgem na imprensa diária e periódica como no rádio. utilizando e dignificando o rádio. em 1954. assim definiu para o Anuário. Ocorre que o público olha como suspeito. parece-nos mais preciso falar ‘de um jornalismo eclético — aquêle que não subordina os seus juízos a uma determinada doutrina.. os jornais indicam apenas: jornal de informação. órgão republicano de informaçao. o seu movimento: “Confiei minha vida inteiramente a Deus para dedicá-la inteiramente a essa obra de solidariedade humana.”115 Diante dessas ponderações. do Vaticano. Há. as aspirações e os reclamos. em destaque. como jornal republicano de infor-. No Brasil. camuflam a sua verdadeira tendência.

editoriais na Imprensa. até ontem alheio e restritivo. a adotá-lo e apregoá-lo.que leva o nosso jornalismo eclético. . através não sàmente de um vasto noticiário como de reportagens. filmes documentários e programas de rádio e televisão. crônicas.

Agente Ativo Balanço do Trabalho do Público-Agente O EDITOR O Editor Financista O Editor Idealista O Estado Editor O Estado. Editor Idealista O TÉCNICO Fase da Manufatura Fase da Mecanofatura O Problema da Automatização Jornalismo e Automatização O JORNALISTA A Vocação do Jornalista A Curiosidade Comunicativa A Fecundidade Jornalística A Objetividade A Discrição O Senso Estético . TERCEIRA PARTE OS AGENTES DO JORNALISMO Contém: O PÚBLICO O Público.

Mas tudo será em vão se não houver leitores ávidos para ficar a par dêsses acontecimentos e saber as interpretações e opiniões dos redatores. mas efetivada com absoluta constância e sem exceção. constatamos que o jornalismo tem a sua causa e o seu objeto no organismo social. ouvir ou anunciar nos demais. empastelando. O-12-57. As platéias aclamam ou pateiam vigorosamente. rotativas rolam e as bancas se abarrotam com as fôlhas do dia. é também agente ativo. pois. emocionar- se. exercida consciente ou inconscientemente.118 E também. ouvinte ou espectador. Horton — Art. os repórteres escrevem. 20% da circulação. Em qualquer dessas atitudes. ao editor ou comparece às redações e sedes das emissoras para fazer o seu protesto. pagando os ingressos de cinema. citado — Comercio. apenas. E neste último enunciado está a atuação do público. Nenhum povo. especialmente na imprensa. O que equivale a dizer ue o público é um dos agentes do jornalismo. nem sempre se limita a deixar de comprar o primeiro. O PÚBLICO De acôrdo com as manifestações jornalísticas. do público e para o público. conseqüentemente. o que ocorre com maior freqüência do que se pensa. pois. Através de tudo quanto ficou dito até aqui. mas sem público para ouvi-las elas não vivem. cooperando decisivamente na obra periodística. apenas. é também parte das implicações filosóficas e morais do têrmo. incendiando. quer como anunciante. Comprando os periódicos. Agente Ativo — O público. a fim de que lhe fôsse possível viver em harmonia com êle. o técnico e o jornalista.. contudo. Horton — Art. porque além dos Georges E. em cere. depredando. adquirindo aparelhos de rádio e televisão. Babbits. O jornalismo é feito. a vida social seria impossível e o próprio Robinson Crusoé. entrou a tentar informar-se e transmitir-lhe informações. Essa espécie de cooperação do público. há os leitores inteligentes e agudos que constam. nós a chamaríamos de passiva. distrair-se. — Rod W. O caso do jornal é idêntico: as coisas acontecem. durante as exibições cinematográficas de jornais de atualidades. receber orientação e oferecer o seu contributo à realização periodística. não são completas. a emissora de rádio ou de televisão o decepciona. que conhece todos os truques e sente tôdas as distorsões de preconce debate interessado.mite. como o são o (ditar. satisfazendo as exigências fiscais para o pagamento de taxas pela posse de receptores ou concorrendo. a orquestra toca-as. quando há um público sensrve para escutá. Constituem uma censura moral porque são dos e são articulados e são capazes de escrever cartas corruscantes à redação injusta. em certos casos chegando mesmo à violência. Fica anenas um som difundido sem receptor. o público está sufragando as despesas do jornalismo e. Escreve.la. As notas podem ser impressas. quando a sua contribuição é intelectual e direta. Sem a informação e a orientação que o jornalismo trans. daqueles que estão constantemente a informar às redações e emissoras fatos e ocorrências do seu conhecimento. o público pode ser leitor. como o verificaremos a seguir. lo go que se pôs em contacto com “Sexta-Feira”. a fornecer fotografias e desenhos sem nenhum intuito de ganho ou interêsse 118 “Uma nota de música existe. .” — Rod W.119 É o caso dos repórteres amadores. nenhuma coletividade dispensa o jornalismo. irritando o público. o público deseja ser informado. pelo público. quer como assinante ou acionista para manutenção e desenvolvimento dos veículos jornalísticos. e o produtor que não atender a essas manifestações correrá o risco de ser forçado a suspender as suas atividades. O Público. um complemento econômico ao funcionamento da imprensa. Recife.. As manifestações de protesto e aplausos também podem ser fàcilmente constatadas nas salas de espetáculos. 119 O leitor não é. É êsse grupo que não se pode decepcionar. destruindo as máquinas que tornam possível a existência e funcionamento do veículo informativo. quando por qualquer motivo não lhe agrada o jornal. no rádio e na televisão. limitada ao aspecto econômico. pois não encontrará exibidores dispostos a arriscar o seu patrimônio. segundo a minha estimativa. Vale observar que a passividade do público não é absoluta. muitas vêzes. Cit.

funcionando como extras ou informantes gratuitos. nos concursos e certames. remetendo-a a “O Estado de São Paulo”. preço encadernado — 3$200”. alguém brada: “Estando geralmente hoje todos os gêneros por um preço quase duplo. êsse tipo de agente do jornalismo chega. Sôbre a carestia de vida e desvalorização da nossa moeda: No “Diário Novo”. formas de linguagem.“—(pág. na sua cidade. de acontecimentos de interêsse de um mais limitado círculo de indivíduos que constituem o público. — pelo possuidor. que talvez marque uma das mais nítidas contribuições nacionais ara os modernos estudos de sociologia ou antropologia social de história sociológica. de sedução do comprador pelo vendedor.profissional. em que a realidade social se reflete de modo mais puro que noutras linguagens. de aniversários. ultimamente adoptada pelo Exmo.” Dois exemplos recolhidos nesta preciosa “plaquette” do historiador e professar pernambucano são suficientes para comprovar as conclusões de Gilberto Freyre. inclusive através dos pequenos anúncios. . quando enche as colunas ou preenche o tempo de emissão radiofônica com notícias de óbitos. papagaio. mesmo. tão sòmente para atender àquela ânsia de transmitir novidades ou a sua própria “visão” dos sucessos aos veículos jornalísticos. dos apelos e denúncias dêstes agentes em programas televisados é que se tem podido. Isto é. Vende-se no pateo do collegio. de venda. 24). apelam. São êsses amadores que cooperam de boa vontade nas enquêtes. formas de expressão. apurar as reais condições de países e regiões submetidas é um regime de censura e restrições à liberdade de informações. cuja “utilização sociológica alcançou já uma amplitude nos estudos brasileiros de ciência social sôbre base histórica. sendo a nossa moeda inteiramente fraca. nas mesas-redondas do rádio e da TV. sôbre os temas e problemas em foco. Através das reclamações. de casamentos. das cartas dos leitores ou rádio-ouvintes. casa. de descrição exata do homem explorado pelo homem explorador. sapato. que noticiam.“Notícias e anúncios de jornal” — _ Recife. vestido. Sôbre “o critério didático usado no ensino da história no curso primário”.120 se ocupou ao salientar a importância da sua colaboração.. carta que marcou o início da sua brilhante e atuante carreira intelectual. de reclame de coisa ou de animal possuido — móvel. o seguinte anúncio inserido no “Diário de Pernambuco” de 2 de setembro de 1851: “Vendas. a pagar para a divulgação das suas informações. carruagem. criticam. comentam. do produtor da “opinião do ouvinte”. a que Amaro Quintas ajunta o comentário: “Avaliamos o esfôrço intenso desenvolvido pelas crianças de então para conseguirem apreender a evolução do nosso passado em um livro que fugia inteiramente às normas pedagógicas exigidas por um manual de classe” (págs. de 22 de dezembro de 1844. tendo-se augmentado os valores de quasi tôdas as mercadorias. Dêstes agentes do jornalismo é que Gilberto Freyre. Preço em brochura — 2$560. Ou com o romancista Graciliano Ramos. dos correspondentes voluntários. e em que se definem não só objetiva como subjetivamente mil e uma relações não apenas entre pessoas como entre pessoas e coisas e animais. de Documentação e Cultura da Prefeitura Municipal de Recife. 17-18).. É também o caso do reclamante. em muitos caso. loja de livro azul a sinopsis do general Abreu e Lima.. para as escolas. Por vêzes. do redator da “carta dos leitores”. de apêlo do proprietário ao público. daquela linguagem de compra. ao elaborar um relatório sôbre a Prefeitura 120Amaro Quintas . em prefácio a uma “plaquette” de Amaro Quintas. presidente da provincia como compendio de leitura e historia do Brasil nas escolas primarias. etc. Pois não se trata de simples utilização sociológica ou antropológica dos anúncios de jornal pelo que êles trazem de substancialmente valioso ao pesquisador do sacio do homem ou da realidade social do Brasil — ou de qualquer pala ou região — a procura simplesmente de fatos pelo que apresentam — além dessa riqueza de substância de formas de sentimento. e custando alguns mais ainda. denunciam e opinam sôbre tudo quanto ocorre na sua rua. Por exemplo. Como ocorreu entre nós com Monteiro Lobato. Grandes escritores se têm revelado ao mundo intelectual escrevendo para as seções “solicitadas” ou de queixas da imprensa. ao redigir uma carta sôbre a devastação das matas pelas “queimadas”. cavalo. no seu bairro.

Associações. 2a pagina — Secção Onibus — (um quarto de página). ou divulgam resenhas de reuniões e assembléias. conferências. dada anteriormente pelo jornal — (um quarto 4 página) 12ª página — Carta de uni “turfman” sôbre o seu afastamento de cargo na diretoria do Jóquei Clube de Pernambuco — (2 x 15) 14ª página — Seções: Noticias da Marinha. mas atendendo ao interêsse de outras camadas do público. que pronunciam conferências distribuindo súmulas à imprensa ou falando diante de microfones e transmissores de TV ou dos aparelhos de filmagem de atualidades. que adquirem direitos sôbre essas colaborações e as vendem aos veículos jornalísticos. desportistas. retificando informação. os artistas. as emprêsas privadas através dos seus departamentos de relações públicas. retificando-os ou ratificando-os. 4ª página — Dados estatísticos sôbre o açúcar brasileiro.fantasmas para compôr o relato do “nome famoso” que só faz assiná-lo — Vide “Manual dei Periodista” — La Habana. Gazeta Forens Pela Instrução (excetuando-se nesta um . um jornal de 24 páginas122 e sem muita dificuldade identificaremos quatro de 121 Porter & Luxon. sem perigo de êrro. identificando as seguinte matérias jornalísticas não redigidas pelo corpo de jornalistas dêsse órgão da imprensa brasileira. redatores. que escrevem sôbre a sua especialidade. cotações da praça e dezenas de outras matérias que os veículos de publicidade divulgam sem permuta de dinheiro. do êxito obtido pela publicação de tais relatos especiais (que também são radiofonizados.121 Devemos incluir. 1943 — Págs. na verdade. edição comemorativa do centenário de sua fundação. ao publicar no “Diário de Pernambuco”. desinteressados de retribuição financeira. “notas oficiais”. nos quais expressam atitudes ou formulam manifestações para esclarecer certos pontos que. em média. de certo modo. rádio e TV) é de autoria e responsabilidade do próprio público. publicando-o no Diário Oficial das Alagoas. estatísticas e avisos. ainda. um Caryl Chessman detalhando os seus crimes. E. outra classe de ag entes do jornalismo. freqüentemente) entraram a funcionar agências especializadas. nos quais se abordaram assuntos da atualidade. que fazem parte do público e como público permanecem. Ou. os dentistas. Balanço do Trabalho do Público-Agente — Pode-se asseverar. os poetas. do Recife. levados ao écran da TV e às películas cinematográficas. por exemplo. Tomemos. Pois. em face. as igrejas. artistas famosos do cinema. nasci mentos. óbitos. vencedor do Prêmio Esso de Reportagem de 1957. referindo-se a êsses autores — aviadores. como agentes do jornalismo nesta categoria. as entidades associativas. fornecida pelo “public relations” a tôda a imprensa local — (2 x 20). desenvolvimento do serviço público. porém. horários e avisos diversos. que estão constantemente a divulgar comunicados. um pequeno ensaio de que resultaria a obra “Casa Grande & Senzala”. fornecidos pelo IBGE — (1 x 25).5 x 36. anteriormente. etc.legenda de uma homenagem prestada em New York um jornalista. — e uma correspondência de leito. que. ao escrever estas observações. 32ª página Nota oficial da “Escola de Engenharia de Pernambuco sôbre uma greve de alunos — (2 cole. boletins de câmbio. formato 63. ainda. os caminhos que trilhou e que o levaram à cela da morte de San Quentin.0. em alguns casos as agências designam.de Palmeira dos Índios. um sexto do trabalho jornalístico oferecido ao público pelos veículos de divulgação (imprensa. ponto inicial dos estudos sociológicos que o tornariam conhecido e ilustre em todo o mundo. — descreem da sua repentina “vocaçao Literária” e lembram que. 361-362 122 O autor. com Gilberto Freyre. os partidos políticos. A princípio. que concedem entrevistas. ou. uma Edda Mussolini escrevendo as suas memórias. ainda. previsões meteorológicas. os técnicos e “experts” em todos os ramos. por último. os sindicatos de classe. distribuida pelo Esso Standard do Brasil. 6ª página — Diversas notícias na secções “Registro” e “Assuntos Sociais” — aniversários. os autores de relatos especiais sôbre feitos e realizações que os tornaram “nomes que fazem notícias”: um Príncipe Yussupov narrando como matou Rasputin. são os colaboradores não remunerados. oferecem dados sôbre as suas atividades relacionadas com o interêsse coletivo. Nesta modalidade de trabalho jornalístico estão incluídos os informes sôbre atos oficiais. x 25) resenha de uma sessão da Associação di Fornecedores de Cana de Pernambuco. e dos mais assíduos. analisou o exemplar do “Jornal do Comercio”. etc. os organismos estatais. 5ª página-Fotografia com texto. — (3 x 15). edição de 22 de outubro de 1958. foram levados ao conhecimento público. na sua totalidade. êsses agentes do jornalismo eram.

atuando no plano econômico-financeiro da obra periodística.matéria extra-redacional. seja econômico. O EDITOR Sem editor (e nesta designação incluímos os proprietários e emprêsas proprietárias ou concessionárias de rádio. fornecida pela 7ª Região Militar ainda fêz incluir na 22ª página. Quer na parte do rádio. do ponto de vista da realização material. “São êles os que querem “fazer dinheiro” comentário do redator). ao surgirem as primeiras tipografias — e ainda hoje em muitas localidades menos desenvolvidas ou mais apegadas às suas tradições — o editor era também jornalista e técnico.. e 24ª página — Nota sôbre o uso moderado de m nas manobras militares próximas. vez que a técnica periodística utilizada é mais complexa. antes de mais nada. Efetivamente. hoje. o trabalho do leitor agente apresentado na edição estudada ultrapassa a média calculada pelo autor. que tira 170. emancipada dos demais agentes. é o principal agente do jornalismo. televisão e cinema) não seria possível a existência e multiplicação dos veículos periodísticos. Rivero — Techniques de formwtion de l’opinion ia VOpinion publique — Paris.. Quanto ao rádio e à televisão. que chamaremos financista. . muito raramente o editor é. a principal responsável pelo surgimento editor como uma figura com caracteres próprios. p da secção “Jornal da Praça” — Meia página. correspondência do leitor. que reclama um homem de negócios: em 1949 avaliava-se o preço de um “longa metragem” em 43 milhões aproximadamente. seja o próprio Estado. salvo casos excepcionais. 23ª página — secção Repartições Públicas (3 x 25).. na sua generalidade. Foi a evolução da técnica. exigindo especialização e treinamento. o editor era o Estado ou um dos seus Poderes — Executivo e Judiciário. quer na do telejornalismo — o ouvinte ou o telespectador interessado poderá igualmente apurar o tempo tomado pelo público. enfim. O Editor Financista — Para a primeira categoria de editôres. tem avaliadas em 822 milhões de francos as suas despesas para o ano de 1953. Por isso mesmo. notas econômicas. 1957 — pág. o menor esfôrço. o editor. E entre as características da atuação do público. Um quotidiano. jornalismo negócio. os meios financeiros exigidos para a realização do jornalismo ultrapassam a capacidade individual. ligando-os entre si apenas relações de interêsse. mais tarde. o elemento técnico se conjuga aqui com o elemento financeiro para reservar a emissão a um número de emprêsas estritamente limitado. a percentagem será talvez menor. que se constituem — como já foi salientado . seguros observadores estimam que o capital necessário para a criação de um jornal quotidiano se situa entre 500 milhões e 2 bilhões de francos. verificando como é expressiva a sua colaboração à obra jornalística. um indivíduo. 19ª página — Secção “Uma caridade por dia” e matéria sôbre artesanato no nordeste. na época do “praetor” e do “ceryse”.”124 Em face disso. Na primitiva fase do jornalismo oral. como agente jornalístico. um convite a candidatos ao CE Preparação dos Oficiais da Reserva (2 x 25). 123 Quando estudarmos. como tipógrafo o e impressor.em autênticos retratos do momento e das condições sociais e econômicas reinantes. o editor é uma personagem distinta dos demais agentes jornalísticos. “Na França. O financiamento de um filme é uma operação completa. a improvisação. seja político ou filosófico. representa um grupo.123 ao tempo do jornalismo manuscrito. Mesmo sem páginas de pequenos anúncios. o leitor verificará que as manifestações modernas do jornalismo oral continuam sob o controle dos governos. distribuida pelo Departamento de Relações Públicas do Banco do Nordeste do Brasil (um quarto de página). distribuída pelas seguintes secções: informações diversas. Quanto ao cinema. na maioria dos casos como um monopólio estatal. senão os ligados à gerência industrial e comercial da emprêsa. estão a espontaneidade. adiante. 124 J. solicitadas e grande parte dos “pequenos anúncios”. atingindo profundamente os processos de difusão e exigindo a inversão de grandes capitais para o seu estabelecimento e manutenção. ao mesmo tempo que reclamam do editor um quase desligamento de qualquer outro setor. atualmente. obituário. a figura do Estado Editor. confundiam-se as figuras do editor e do jornalista.000 exemplares. sociais. na atualidade. bem como criando sempre novos veículos.

126 Dizia êle que o jornal americano típico contém apenas 15 a 20 por cento de notícias. agitam a opinião coletiva. Mesmo porque êste jornalismo financial. falando a estudantes de jornalismo e membros da Associação dos Proprietários de Jornais de Oregon.” Figura. Pode-se decerto citar casos — entretanto muito raros que mostram que anunciantes têm feito uma pressão direta sôbre jornais. e êstes em favor dos entretenimentos. “a questão se põe e saber se a publicidade tem uma influência direta sôbre a imprensa. em proveito dos fatos. é inexato. Quando achasse que tudo isto estava sendo bem feito. ligados também êles ao “big business”.. 128 V. o pensamento. organização e administração de um jornal independente: “Eu semp re admirei e fui inspirado e auxiliado pelo credo de Joseph Pulitzer. naturalmente. nenhuma ideologia. uma coalisão permanente. uma razão pode ser dada: — o interêsse dos anunciantes que pertencem.”127 Isso não quer dizer que o editor- financista não permita sejam focalizados nos seus veículos assuntos na ordem do dia. como o fariam com o petróleo ou os produtos químicos. a hipótese de achar-se proprietário de um jornal americano típico e mostra como agiria: “Eu não prestaria a mínima atenção a princípio às colunas de noticiário das páginas 1. um só objetivo — atingir o maior público para obter maiores dividendos. o velho. O resto é “entretenimento”. sôbre os contrôles do Estado. deixado para o St. Louis Post Dispatch. Em minha vida. E indaga: “Por que esta tendência ao divertimento e às “features”? Evidentemente — êle próprio responde — por que é aí que reside a vantagem e por aí entram os lucros. É raro que o diretor de urna grande emprêsa privada reprove a tendência social de um grande jornal ao qual distribui a sua publicidade. a seguir. as páginas culinárias. editor de Time e Life e. sôbre os impostos. o rádio ou o filme. Wilson Velloso in Anuário da Imprensa. de tudo quanto esteja à margem das preocupações quotidianas. Sackett. Rádio e Televisão . conferirá nobreza ao jornalismo praticado. da circulação. Também pode adotar um “código de ética” que. do pitoresco. como o aconselhou o norte-americano Sheldon F. E. Além de outras. 126 Conf. falando sôbre a fundação.N. das relações públicas.”125 A sua ação é quase que limitada aos setores da publicidade. No tocante à linha editorial.com o jornal. 285. . o ecletismo é o seu lema. não diria uma palavra desagradável a respeito de ninguém. do que entorpece os sentidos fazendo-os escapar às difíceis conjunturas da vida. notadamente quando o ponto de vista exposto já obteve a sanção da grande maioria da coletividade e do próprio Estado. porque o editor dêste jornal pensa como êle mesmo sôbre as relações com o mundo do trabalho. Como já se observou. Aqui. tendo a sua base na publicidade. tomando posição em questões que. 2 e 3. ela é inútil. Nesse sentido.. quando abandonou o contrôle daquele 125 J Rivero — Obra cit. as colunas de sociedade. Observaria cuidadosamente as páginas femininas. no momento.P. ou reduz ao mínimo. uma discussão circunstanciada do importante tema da sua influência na orientação filosófica do jornalismo nêles praticado. Dizer-se que há pressão. Mas parece que êsses meios de pressão são cada dia menos utilizados. Tentaria publicar com a maior freqüência possível o nome de todo mundo na cidade — e os retratos também. 127 Jacques Kayser — Presse a Opinion — Obra cit. E exclui. excluindo-se as colunas pessoais e sociais. a menos que a polícia tivesse pôsto pelo menos um pé do cidadão na cadeia. procura antes de tudo agradar ao público para aumentar a clientela. então me permitiria o luxo de alterar o noticiário nacional e internacional. escrito para situar a ação do editor na feitura dos veículos jornalísticos. pela extensão dos conceitos nêle inseridos. Vimos128 que o faz. — pág. 119. Capítulo precedente sôbre jornalismo ideológico. havendo pequena percentagem de notícias sérias. — Rio. ao mundo dos grandes negócios é da mesma natureza que o interêsse dos proprietários de jornais. Preocupar-me-ia principalmente com descobrir se o jornal dispunha ou não dos homens e mulheres que sabem comprar boas historietas em quadrinho e as melhores palavras cruzadas. Há. 1958.” Não cabe neste capítulo. os jornais americanos tornaram-se quase todos êles sérias emprêsas de negócios. — pág. em sua maioria. sim. é precioso o depoimento de Henry Robinson Luce.

participou do “staff” de “O Cruzeiro” e terminou por fundar a Jean Manzon Films S. nunca negará piedade aos pobres. Quer transcrevê-la? Aqui está: “Sei que a minha retirada não produzirá diferenças. tendo a emprêsa de recorrer à publicidade: departamentos governamentais. após criar o New York World. atraiu técnicos europeus para a sua “entourage”.000 cruzeiros. ed. que recebe do anunciante e dêle se faz porta-voz.500. focalizando o funcionamento de um jornal independente em Littletown. o editor não limita ao seu próprio veículo de publicidade o contributo na realização jornalística pois êle. Manzon iniciou a sua carreira no Paris Match e teve destacada atuação na 2ª Guerra Mundial.jornal. percebendo vultosos salários. entre outras de “atualidades” ou como documentário.). organizações de economia mista. . onde passou a dirigir a seção de fotografia do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). a retirada de Dunquerque e foi condecorado por bravura no desempenho de suas missões. ainda não recuperados. a Petrobrás. cartazes e outros meios de divulgação. custou-lhe cêrca de 1. A maioria dos “jornais cinematográficos” brasileiros está neste caso: uma instituição financia a realização da película para a inclusão de cintas focalizando o seu trabalho. As produções de Jean Manzon. no rádio e na televisão como programa de interêsse coletivo. Como agente. tais como números e asteriscos no jornal. No Catálogo de Filmes do USIS .130 “slogans” informativos nas rádio-emissoras e nos luminosos. A.A. o editor é um agente destacado da 129Publicidade & Negocios — Rio. 130São numerosos os documentários sôbre grandes jornais e rádio. cinegrafistas. encontramos referência a dois documentários. sempre se oporá às classes privilegiadas e aos exploradores do público. quanto aos princípios cardiais. (“Country Editor” — P&B —17 mm.metragem sôbre “O Estado de São Paulo” e Jean Manzon uma outra sôbre “O Globo”. de 5-11-1957. locutores e jornalistas brasileiros figuram no seu pessoal para filmagem. ao tempo da ditadura estadonovista. que sempre combaterá os demagogos de todos os partidos. e Departamento de Obras contra as Sêcas. no nosso país. excetuando-se a já citada. nunca se satisfará com apenas publicar notícias.emissoras em todo o mundo. nos jornais e revistas como matéria redacional. Em seguida. que nunca se filiará a nenhum partido. Fotógrafo e cinegrafista francês. quando filmou. como o Ministério da Viação. No Brasil. Pode-se constatar a veracidade desta assertiva nos filmes produzidos por Jean Manzon.000 cruzeiros (cálculo de outubro de 1958) e o próprio Manzon confessa que a sua mais famosa realização. Nem sempre. leitura e redação dos “scripts”. nunca temerá atacar o mal. sociedades privadas. objetivando aumentar o seu próprio público. Transferiu-se para o Brasil. legendas ou “slogans” próprios no cinema e na TV. “Samba Fantástico”. como edição especial das atualidades. tendo êxito em todo o Inundo. será sempre ciosamente independente. A emprêsa tem um patrimônio estimado em 12 milhões de cruzeiro s. o seu negócio. exibidas com bôa acolhida no país e que sem dúvida constituíram excelentes meios de promoção para aqueles diários. o público encontrará esta “trade mark” no jornalismo do editor. Além de películas exibidas nos cinemas e televisadas. Tenho a intenção de pedir ao filho dêle licença para usar no meu jornal essa afirmação de princípios. que freqüentemente surge camuflado: no çinema. (“Small Town Editor” — P&B 18 mm) e a labuta de um jornalista editor de um semanário no interior dos Estados Unidos. as companhias de aviação. porém. inclusive. Col. no serviço cinematográfico da Marinha Francesa.para 1957. em média. sempre continuará dedicado ao bem público. são apenas exibidas no país e os direitos de distribuição que lhe são pagos pela União Cinematográfica Brasileira (UC) são insuficientes para amortizar o investimento. faixas sonoras especiais no rádio. seja a plutocracia predatória ou a miséria predatória.” 129 AJim de que o seu jornalismo não fuja ao principal objetivo (econômico-financeiro). o editor- financista cerca-se de uma equipe de “experts” que orieffta e executa a sua colaboração: — a informação e o comentário pagos por terceiros interessados e que a ética determina sejam assinalados por características. em 1955. 600. por sua vez utiliza outros veículos para a sua propaganda. o seu comércio. Botelho Filme produziu uma curta. cujo número se eleva a mais de uma centena. que o jornal sempre lutará pelo progresso e a reforma. Um filme documentário de 30 minutos de projeção custa. que representou o cinema brasileiro no Festival de Cannes. em 1907.

). o jornalismo praticado objetiva criar no espírito público disposições favoráveis aotleno desenvolvimento das suas idéias. retratos e discursos de personalidades políticas devem ser recusados como matéria paga. costa do Atlântico. um grupo representativo de uma corrente filosófica. político-partidários. aceitar publicidade de “cabarets” onde se exibem espetáculos de nudismo. eis o que nos ensinam Helio Hoeppner e Oswaldo Mariano 133 referindo-se à propaganda para um jornal de emprêsa: “Deve-se aceitar uma publicidade consentânea com o grupo ao qual é dirigido o jornal. em Havana. pois nesse setor o jornal de emprêsa deve manter-se dentro da mais rígida imparcialidade. tanto no que se refere à publicidade como à popularidade. etc. Já no título não esconde a sua linha doutrinária. as suas quatro edições diárias (city edition para Boston e Mass.131 O Editor Idealista — Quando o agente editor é constituido por. levando-se em conta a cultura. Rádio e Televisão. o grau de educação. cuja redação visitamos em 1954. da TV ou do cinema. e o Anuário da imprensa. deve ser recusada in limine. diário de Boston. das elites que melhor entendam e prestigiem o seu trabalho. do rádio. por vêzes. intenta fazer crescer o número dos seus prosélitos. revista semestral de estúdos jornalísticos e defesa do jornalista. o nível intelectual e os níveis econômicos dêsse grupo. Possui um dos corpos redacionais melhores e mais sérios da imprensa norte-americana e. As “cartas do leitor” passam pelo crivo da redação antes de ser divulgadas.N. Entre êstes figuram Editor & Publisher.. Pacífico e região central do país e internacional) são tidas na mais alta conta pelo publico de nível cultural mais elevado. Não fará propaganda de outro credo filosófico. ambos no Rio — magazines especializados circulam em todo o mundo com a maior aceitação. dos seus correligio nários. por exemplo. assassínios. dos seus interêsses ou das suas pesquisas.132 Iguais restrições às fontes normais de receita e atração pesam sôbre os órgãos editados por sindicatos ou associações de classe. o editor tem de conter o seu senso de negócio e as margens do lucro dentro dos limites estabelecidos pela linha ideológica. por grupos intelectuais. em inglês e noutro idioma. utilizar por conseqüência diversos dos expedientes para atrair o público. Cuba. A respeito dessas restrições e contingências a que se subordinam os veículos empregados e realizados pelo editor-idealista. promover concursos de beleza suspeitamente destinados a exaltar a graça e a eugenia. dos seus clientes. S/A. Não se ocupa de escândalos ou crimes. editado pela Empresa Jornalística P. onde atualmente se destacam apenas duas publicações no gênero: Indicador dos Profissionais da imprensa. e o Intercontinental Press Guide. notas elogiosas. de organismos científicos. sociedades e sodalícios científicos ou artísticos: por sua própria natureza. têm campo mais limitado. Fato curioso é que todos os’ jornalistas e gráficos dêsse órgão se abstêm de fumo e bebida. E se bem que a emprêsa reclame bases industriais e comerciais para a sua manutenção. 1967 — pág. por questão’ de princípios religiosos. Diretamente.imprensa especializada em jornalismo e em “magazines” que possuem seções de notícias e comentários sôbre essa atividade. . êsse tipo de editor não deseja tirar proveito financeiro da exploração do jornal. no caso de o seu veículo de divulgação ser religioso. escândalos. de sindicatos de classes. 132 Órgão típico dessa orientação é o Christian Science Monitor. pelo campo doutrinário e político do organismo a que se filia ou serve. do seu programa. Daí conferirmos a esta classe de editor a designação de idealista. ou fotografar. 133 Relio Hoeppner e Oswaldo Mariano — Seminário de Orientação de Jornal de Empresa SESI — São Paulo. será inflexível no exigir do seu pessoal a mais absoluta conformidade com os princípios religio sos e morais que o inspiram. não usará de subterfúgio para condenar aquilo que julga errado na doutrina pregada pelos ministros de outros cultos. norte- americano. mensário editado para as Américas. 104. dar relêvo aos “fatos diversos” — suicídios.. televisar ou filmar mulheres semi-desnudas. Na última página insere diàriamente um artigo de três colunas. Devem contar com prejuízos financeiros ou com o apêlo a contribuições extraordinárias do seu público para competir e. imprimindo à materia divulgada orientação religiosa. sob o cientificismo cristão. do Estado que mais eficazmente proteja a sua atividade. Propaganda política. Assim. dos seus associados. para manter-se. O editor idealista não se permitirá. ou política ou de uma atividade de produção (órgâos de publicidade religiosos. que o editor-financista não tem escrúpulo em empregar. 131 Embora não muito comuns no Brasil. por isso.

sem um definido propósito ideológico. os projetos de leis. exigida pela necessidade de acomodação au grupo. propaganda de luvas de box ou bastões de críquete. 120. ao editor. pois não se faz jornal noticioso sem uma grande equipe de repórteres.134 que não deriva de nenhuma fôrça externa própriamente. diretor do vespertino Tribuna da Imprensa. que consulta sem dúvida nenhuma os seus interêsses.136 Êsse exemplo concreto e êsse depoimento autorizado permitem concluir que. é a referente a clubes noturnos. para satisfazer concretamente a algumas necessidades coletivas. o Estado não visa o lucro financeiro. então. O editor-idealista exercita nas emprêsas sob sua orientação aquela auto-censura de que falavam Kimball Young e Paul Sollier. que deve ser prestado pela administração como qualquer outro. Rivero – Obra cit. os orçamentos. para constituir-se num eficiente e vitorioso agente jornalístico. matéria paga sôbre instrumentos cirúrgicos ou máquinas de contabilidade. sôbre a transformação operada naquele jornal. As ideologias não são sempre puras e os interêsses são por vêzes sinceros no seu consenso a tal ideologia. com a finalidade de pôr a serviço da comunidade instituições que. “entre os grupos de interêsse e os partidos. descamba para um extremismo de princípios.N. cabe tão sòmente conhecer o seu metier para conquistar êsse público e atingir os objetivos a que se propõe ao dedicar-se a esta atividade. nem o proselitismo ideológico. criada para informar e formar a opinião.. encontra-o pondo-se a serviço de tal ou qual grupo de interêsse. a infiltração do panfleto no jornal resultou de uma fase de crise na da nacional. além dêste motivo. há então tôda uma gama de matizes que não concorrem para clarificar o nosso problema. tais como: estar em dia com os atos governamentais. 136 Publicidade & Negócios – Edição de 5-2-57. E. 1935 e Paul Sollier — La répression mentale — Paris. 1929. a rigor. outro fator — continua a revista — que o sr. então “caracterizada menos como noticioso. por si sós. mas do próprio temperamento e do prévio condicio namento sóeio.Outra publicidade . O Estado Editor — Ao contrário das demais categorias de editores. entregue ao dia-a-dia de maneira impessoal do que como um órgão de combate de sentido panfletário. coletivas e sociais. Utiliza os veículos de publicidade como um “serviço público”. mesmo materiais. que busca o proveito máximo. há entrelaçamentos mais ou menos admitidos. havendo um público sequioso de jornalismo e que deseja ver neste jornalismo um intérprete da sua opinião e um manancial de informação. Tal emprêsa puramente financeira. clubes de jogos.” Nem um órgão literário se permitirá publicidade de sabão ou charque. redatores correspond entes e outros profissionais. o que comprova a necessidade de um exame rigorosa e de um alto critério para a inserção de matéria paga em um periódico dêsse tipo. individuais. ao contrário do que se pensa. a oportunidade de fazer as seguintes revelações: “A Tribuna da imprensa não se destina a ser um panfleto. o planejamento e as realizações do poder público.” Mas. que se encontra em todas as esferas da ativi. Carlos Lacerda. Disse êle que “é mais fácil e menos caro fazer um jornal panfletário do que um jornal baseado na notícia”. Nem todos os anúncios podem ser aceitos em um jornal de emprê sa.que também deve ser recusada sistemàticamente.. estas ligações se operam por processos os mais diversos. dade humana. ainda. . Carlos Lacerda aponta como justificativa do panfletarismo na Tribuna. essa emprêsa pode auferir grandes vantagens econômicas na nova posição assumida. do Rio. as estatísticas. as normas e regulamentos. que é um processo psicofisiológico Psicossociológico.. Por isso é que. nem em um magazine para crianças. ou não deve ser pleiteada.. – pág. que passa a caracterizá-la como sectária. E. Naturalmente. surgindo en várias condições e prOduZindo_se nos mais variados domínios uma censura social. A propósito. Crise que continua. o indivíduo ou 134 Kimball Young — Social Psychology New York. o conhecido jornalista e editor. Nunca se destinou a isso.-cultural. nem um jornal científico. as sentenças e decisões da justiça. 135 J. não há departamentos estanques entre a atividade do editor-financista e do editor-idealista.”135 Casos há em que uma emprêsa jornalística. foi abordado pela reportagem da revista F.” Teve. cabarés.

a fonte de concessão de subvenções diretas ou indiretas. também. 118. sob pena de afetar a economia privada com perigosos reflexos no sistema econômico nacional. com e pagamento de urna taxa devida por todo proprietário de receptores.. o preço e o consumo do papel de jornal. Isso ocorre. se se trata da imprensa. é também o grande redistribuidor da riqueza nacional. o rádio. e sômente êle. em 1951. mesmo aquêle de natureza industrial. 139 Em 1956. terços destas estações estavam filiadas a quatro rêdes. seja direta seja indiretamente. dois. do rádio. o seu alimento quotidiano. elevando o número de páginas até então limitadas a dez. como vimos acima.grupo de indivíduos não poderia manter. firmada pelo comentarista Joaquim Ferreira. da TV ou do cinema) são exploradas por particulares. em 1955. Ajuntai a isso as isenções fiscais que beneficiam a imprensa. taxas cambiais especiais para aquisição de maquinaria e matéria prima. etc.”138 Mesmo nos países em que as emprêsas jornalísticas (seja da imprensa. os serviços públicos industrializados são deficitários. em parte. se constituem em monopólios do Estado. recebe. 1957 — pág. tarifas postais reduzidas. êle pode fornecer. ampliando-se o seu alcance e melhorando-se as suas instalações. considerando que. a Agence France- Presse recebeu. Apenas The Tirnes defendeu o ponto de vista do que “o exercício da liderança política e moral que a Grã-Eretanha ainda possa oferecer às nações depende. o cinema. o “superavit” será reinvestido. o financiamento voluntário pelos interessados constituidos em associações. a Agence France-Presse. ao contrário com o encarecimento do produto e a concorrência entre os jornais. que é o agrupamento de compra pelo qual todos os jornais adquirem papel. vai até à fixação do número de páginas dos jornais139. a sua economia é protegida pelo Estado.137 Ora. ou o financiamento pela publicidade. contestaram que a liberação do mercado de papel garantisse tais meios. Rivero — Techniques de formation de l’Opinion Publique in L’Opiniow. não se destina a oferecer lucros. Daí porque o Estado-editor não pode. Publique — Paris.. com a dependência que ela implica. está ela na dependência de duas emprêsas públicas: a Sociedade Nacional das Emprêsas de Imprensa. as reduções de tarifas postais consideráveis que lhes são atribuidas. na Itália e nos 137 “A emprêsa de emissões não pode contar com nenhuma espécie de receita direta. em benefício da coletividade. uma subvenção de 2 bilhões e 300 milhões (francos). quando diretamente explorado pelo Estado. havia. o detentor da autoridade política. J. 3. vários . Os outros jornais. a éstes devoradores de dinheiro que são os jornais. ou seja: financiamento autoritário. na maio ria dos países. 138 Conforme J. que administra a quase totalidade das oficinas de impressão e as arrenda aos jornais por tarifas muito inferiores às tarifas normais. tem o direito de tornar-se gratuitamente auditor ou espectador de não importa qual das emissoras do mundo. segundo correspondência de Londres para a imprensa brasileira.. um dos raros países em que o rádio permanece. mediante isenções alfandegárias. Ora. já pelo astronômico montante das inversões. Rivero — Obra cit. já pela necessidade de um contrôle exigido pelos acôrdos internacionais. a parte do Estado na França. culculada em 45%. o financiamento da exploração não pode realizar-se senão por três processos. o Estado não é sòmente. de terem os seus jornais meios de desempenhar adequadamente as suas funções’ isto é. na França. em princípio. como é o caso do rádio e da TV que. hoje. matéria prima da imprensa. — págs. Além do mais. que centralizavam a publicidade de que viviam as diferentes emissoras e que elaboravam elas mesmas os programas retransmitidos pelas estações:” — Conf. 121-122. correspondente à diferença entre o custo real das informações e o preço pelo qual os jornais as utilizam graças ao Estado. Em cumprimento dessa tarefa de proteção ao exercício do jornalismo é que o Estado tem controlado o provisionamento. do Estado subvenções anuais muito vultosas. Para o cinema. Nos Estados Unidos. desde que adquira o seu receptor. liderados pelo “Daily Mirror”.015 estações de potência a mais diversa. os jornais ingleses travaram cerrada polêmica sôbre a medida. o serviço público. atualmente. vivem inteiramente às suas custas. na Inglaterra. Assim.. dispensa de impostos. como nos Estados Unidos e no Brasil. avalia-se em 15 bilhões por ano a ajuda do Estado à imprensa. que monopoliza as informações das quais êles vivem. tendo o governo extinguido o contrôle sôbre a importação de papel. como negocio privado. concessão de freqüências e canais. Na maioria dos casos. neste terreno. Isto não é tudo: a Sociedade Profissional dos Papéis de Imprensa. e se acaso os oferece. O rádio e a televisão que são monopólios. o público do rádio ou da televisão. Na França. o ideal será que os seus orçamentos tenham equilibradas as receitas e as despesas. constituir-se num concorrente do cidadão ou dos cidadãos editôres. no financiamento de um filme.

convém que tenhamos isto sempre em vista. o que se fêz foi um decreto-lei pelo qual a isenção de direitos para a importação de papel de imprensa ficava condicionada à maior ou menor colaboração do jornal com o regime então vigente. algumas vêzes. assim. medindo o espaço ocupado por anúncios nos grandes jornais independentes. Por que? É uma pergunta que tem cabimento neste inquêrito. inclusive utilizando a censura prévia. permitimo-nos transcrever trecho em que a questão do papel é focalizada. por isto ou por aquilo. Porque não poderia entrar em concorrência normal com outros. teria um custo de produção tão alto que não suportaria a concorrência com os demais. Se a imprensa tiver de pagar êsses direitos. 144 Tribuna da Imprensa. A liberdade de imprensa. racionando. que representa. Le problême dx papier journal — Unesco. Do depoimento prestado pelo jornalista Carlos Lacerda perante uma Comissão Parlamentar de Inquérito que. 141 Departamento de Imprensa e Propaganda. e pela lei. começou a morrer La Prensa. de 8 de julho de 1953 — suplemento O preto no branco — pág. chamando pátria ao govêrno e chamando govêrno ao chefe do govêrno e teria que pagar direitos pela importação de papel. com isenção de direitos alfandegários. 140 Se bem que o Estado. sob a alegação de que isento só estaria o espaço do com notícias e comentários de interêsse nacional o aquele que era ocup ado com anúncios. No tempo do DIP. em 1945. por pagá-los. Em alguns casos entravam também o dinheiro. apenas controla a Agência Nacional encarregada da distribuição de notícias oficiais. Com habilidade. 143 Referia-se ao diretor Juan Peron e ao seu regime chamado justicialista. Como VV.142 Em todo caso. É claro que os jornais tinham que se submeter a isso. o govêrno “mantem sempre restrições penosas sôbre o consumo. morre quando a imprensa diz uma coisa por outra. Êste ponto é importante. silencia. morre quando a imprensa. que o jornal se portasse mal com o regime. morre aos poucos. Assim. mas é que. Fêz o monopólio estatal da importação de papel e passou então a distribuir as quotas de papel importado a cada jornal. antes mesmo da sua ocupação militar. é claro. 69. como começou a morrer a Argentina. morre quando a imprensa. órgão criado durante a ditadura estado-novista no Brasil para controlar todos os veículos de divulgação. começa a silenciar ou tergiversar”. as dos jornais que lhe eram adversos. a fim de assegurar a exportação de uma parte da produção nacional para países de moeda mais forte”. chegando a tornar impossível a circulação de órgãos da imprensa oposicionista pela exagerada restrição de quotas ou total recusa de fornecer-lhes papel. e até nos países exportadores. 140 V. foi transformado em Departamento Nacional de Informações e. “onde o racionamento é dirigido pela Comissão de Combustíveis. Não é que não houvesse jornais capazes de suportar o pagamento de direitos. não morre de uma vez. quando principiou a morrer La Prensa. a intimidação e em outros o poder de sedução pessoal e a capacidade de resolver problemas que tem inegàvelmente o sr. tenha exorbitado nesta função. além dos poderes que lhe eram conferidos. sabem. A seguir torceu um pouco mais a rosca: fez pagar direitos alfandegários pela quantidade de papel consumida com anúncios. bastava em tese. o contrôle da matéria prima tem a sua razão de ser naquêle protecionismo que a própria sociedade exige para os jornais. chamando regime ao govêrno. Lourival Fontes.Países Baixos. não vive um mês. como La Prensa e La Nacion. Diante da reação dos jornalistas e do povo.144 desapareciam ou seriam amalgamados pela chamada “grande imprensa” em prejuízo para as comunidades a que serviam. como na Suécia. 24. chamando nação ao govêrno. conseguiu mesmo a colaboração de muitos jornais e jornalistas enquanto permaneceu no posto. ed. conjuntamente com os diretores de jornais e as fábricas de papel”.receita para o jornal — chamando desde logo à receita lucro para o jornal. 142 Foi diretor do DIP na sua primeira fase. Exas. . examinou as transações do Banco do Brasil com emprêsas jornalísticas. Paris. 1949 pág. como porta-vozes da opinião e veículos insubstituíveis de informação educação e cultura. onde os jornais recebem o seu papel segundo um sistema de quotas. atualmente. tanto no seu aspecto positivo como no negativo: “No tempo do DIP 141 o grande truque para controlar a imprensa foi o papel. o papel para a imprensa é importado por lei federal. em 1953. estava liquidado. Na Argentina. econômicamente acuada. o discípulo do Estado Novo143 aperfeiçoou o sistema.

145 E a respeito. como é o caso da União Soviética onde o principal jornal — Pravda — com uma tiragem superior a três e meio milhões de exemplares. única agremiação política do país. no que se refere ao Izvestia — 1. A pessoa mais modesta tem um aparelho com o qual escuta. pelo Ministério da Defesa Nacional.” Lê-se no editorial: “Nossa imprensa. quanto à Litteraturnaia Gazetta. o pensamento do Govêrno Comunista.” O Estado. 1947 — pág. monopolizando os meios de divulgação. com caráter necessàriamente precário. de orientadora. cita um comentário de Ricardo Saens Hayes. pelo Ministério da Cultura. 108. conforme diretrizes chegadas de Moscou.. Helene e Pierre Lazarett. escreveram: “as informações mais importantes são alvo de longos debates (na redação) e em primeiro lugar apresentadas ao Partido. igualmente. Cada distrito provincial. “os governos carecem de meios próprios para impedir a difusão das noticias e opiniões que propalam estações transmissoras estabelecidas no exterior. em nome da sociedade. refletindo. nos seguintes termos: “Dir-se-ia que os governos autoritários crêm na infância dos povos. Estrêla Vermelha. no segundo caso.000 exemplares de tiragem — pelo contrôle do govêrno. BalIester — Derecho de Prensa — Buenos Aires. “deve prevalecer o direito do povo de estar informado da verdade dos fatos da administração pública e de conhecer as opiniões livres dos cidadãos. como adverte Elier C. etc. pertencem ao domínio público. nos nossos dias. noite após noite.. No primeiro caso. Em ambas as hipóteses. — é o órgão central do Partido Comunista. Ela deve auxiliar todos os trabalhadores a lhes 145 Eliel C. cada república. com absoluta fidelidade. portanto. nos quais o Estado-editor. como é o caso do rádio. O Estado. o Komsomolakaia Pravda. restringiria ainda mais — quando não a extinguisse por completo — a ação do editor-idealista. mais caracterizada contrafação do direito de editar se verifica quando emprega os veículos que controla para um proselitismo ideológico. de 5 de maio de 1955. Esta contrafação se vem registrando. e é de imperiosa conveniência e eqüidade que tôdas as ideologias tenham acesso igualitário à radiodifusão porque. mesmo quando exercidas por organismos não estatais. e o iornal depende das autoridades governamentais. pois o faz como executor de um “serviço público”. quando se comemora ali o “Dia da Imprensa” (data da fundação do Pravda por Lenine. nos países socialistas. confundindo-se com êste. porque os povos. Dessarte. então. oficialmente se comunicam notícias até seis meses depois de conhecê-las amplamente o púb lico. no que diz respeito ao Trud — diário dos trabalhadores sindicalizados — pela direção sindical. trata-se do jornalismo mais controlável e menos controlado do mundo”. em 1912). tem o seu Pravda controlado pela seção local do Partido Comunista. pela sua natureza. em La Prensa de 26 de dezembro de 1945. pelo das Juventudes Comunistas. sempre cumpriu com honra o papel de propagandista coletiva. O protecionismo do Estado ao exercício pleno do jornalismo deve estender-se. Os assuntos dos editoriais são propostos ao Partido — a menos que sejam por êle sugeridos — e submetidos em última análise ao seu imprimatur. Ballester. de organizadora das massas. como os meninos. Editor Idealista — Se não é lícito ao Estado visar lucro quando se reveste da função do editor. no que tange ao jornal do Exército. no qual as ondas hertzianas — matéria prima como o papel para a imprensa — não são suscetíveis de apropriação privada..500. estreitamente dependente do Estado e do Partido. através do qual se constata que a imprensa na URSS não é de informação “mas de combate. Na Espanha ocorre algo que chama a atenção dos etrangeiros. é um dever enganá-los sôbre certas matérias escabrosas. Ali. . em reportagem sôbre a imprensa soviética. acabam sabendo tudo. monopoliza o seu uso ou o concede a terceiros. Os que se enganam são êles.. pois que se lhes ocorre que aos meninos. Êste contrôle do Partido sôbre o seu órgão central é substituído. tomou ao seu cargo tôdas as funções jornalísticas. transcreve um editorial mesmo Pravda. o escrupuloso serviço das rádio -emissoras inglêsa e norte-americana. haveria uma concorrência desleal com o editor- financista.” Quanto ao caráter do jornalismo soviético. àqueles veículos que.

. “a tendência de transformar tôda a população em funcionários. 147 M. pelo racionamento da matéria prima. A. salientou que era justamente para garantir o direito constitucional dos cidadãos à liberdade de palavra. proporcionou possibilidades tão grandes ao povo para que possa exprimir sua opinião. de divulgação da totalidade dos fatos.”147 Estas citações visam fixar a absorção pelo Estado. a imprensa pretende fazer uma concorrência absurda ao “Diário Oficial”. limitado. mesmo daqueles “that’is fit to print”. a tenacidade. em desenvolverem nas massas de trabalhadores o sentido elevado do dever social... sele e volte querendo. que exigem a divulgação oficial de certos e determinados atos jurídicos para torná-los válidos.. da arte. publicando os despachos dos diretores de repartições. 148 146 “Raios X da Rússia de Malenkov” – reportagem in Jornal do Comercio – Recife. das características do editor-idealista. dos projetos. Não houvesse a parte informativa e normativa oficial nos órgãos editados pelo Estado. 10-7-53. entretanto não por culpa dos jornais mas do que nêles se reflete. como no nosso. tanto os órgãos ecléticos como os ideológicos. da literatura. da necessidade dêsses objetivos e de sua enorme. mesmo em teoria. 1957 . pela impossibilidade. fazem no noticiário dos atos oficiais. Rayski — “Les principes de Ia Iiberté de Ia presse en Pologne” in L’Opinion Publique — Paris. Isso ocorre. a utilizarem os jornais com críticas sôbre todos os assuntos.”146 Na excelente conferência que proferiu no Centro de Ciências Políticas do Instituto de Estudos Jurídicos de Nice. da ciência. e. o papel. mesmo quando opina. mas exprime uma autoridade incontestável do ponto de vista legal. em cultivarem no povo soviético a convicção inabalável da invencibilidade da nossa obra. A nossa legislação prevê. não se encontram nas mãos de particulares ou de grupos financeiros que. da imposição dos costumes e das leis. no que tange à imprensa. A imprensa tornou-se a grande tribuna da opinião no nosso país. o tempo de emissão de rádio e TV. além das motivações acima referidas. assim. A paixão. Rayski... das decisões e sentenças judiciárias — e nem poderíamos falar com justeza de um Estado-editor. 148 “Em alguns paises. Tal seleção foi provocada. da capacidade de defesa do Estado soviético. uma “influência mais ou menos decisiva sôbre os negócios públicos. Porque o jornalismo do Estado-editor é um jornalismo especializado. sòmente dando a público aquêles de maior ressonância. não o faz “contra”. da seleção que. mas simplesmente de um grande e único Editor-idealista. exercendo. que não se faz panfletário e. significação política. agem de encontro aos interêsses da maioria: estão em poder do Estado popular. á fim de que tudo . também. com a divulgação dos atos do Executivo.— págs. igualmente. indeferimentos. o prof. E também. incita os cidadãos. reclamados pelos leitores ou pela linha redacional.aumentar a consciência da natureza dos objetivos fixados pelo Partido no desenvolvimento da economia nacional. M. de imprensa e de reunião pondo-se à disposição do povo e das suas oganizações oficinas de impressão. sanções para todos os atos tendentes a limitar a liberdade de crítica. O direito político e social à crítica está assegurado por leis em virtude das quais pessoas e instituições criticadas têm o dever de responder pùblicamente à crítica. tornando os jornais prolíxos. sem os quais a imprensa moderna não pode existir. ao contrário. a vontade das massas de combater os abusos e as injustiças se exprimem no fato de que milhares de cartas dos leitores chegam quotidianamente aos nossos jornais. isto é. nos países socialistas. das leis e dos debates parlamentares. ocupando colunas inteiras com matérias que interessam a pequenos grupos de pessoas. da Universidade de Jornalismo de Varsóvia falando sôbre os processos jornalísticos no seu país. como já aludimos. em desfecharem uma luta implacável contra tôdas as manifestações da ideologia burguesa. a celulóide. estoques de papel e meios de transporte e comunicações que “êsses poderosos recursos materiais. A. 380-2. afogados numa onda escura e morna de deferimentos. A democracia burguesa jamais. O jornalismo do Estado surgiu. desertos de iniciativas. em clamar seim descanso pelo contínuo refôrço do poderio da pátria. como o entendemos. A obrigação mais importante dos jornais e revistas consiste em serem a sentinela vigilante dos grandes princípios e da adesão ao partido. como se disse. com os modernos meios de comunicações. em quase todo o mundo.” E o Estado não priva.

e assim com os epistológrafos. dos romanos e gauleses. era ainda manual o trabalho do técnico que utilizava os sinais óticos para fazer circular notícias: daquêles gregos que empregam tochas de fogo e pavilhões de côres diferentes para representar convenções. essa necessidade é mais sentida no domínio das comunicações. Amontons conseguiu realizar duas demonstrações perante a côrte francesa. com os desenhistas das antigas eras. evolui para o uso de processos e ferramentas simples e. embora sem conhecer a significação de tais sinais. a fim de dar alarme à aproximação do inimigo ou instruir as guarnições e as populações protegidas ao longo da fronteira.”149 O jornalismo. pràticamente não exigiu o técnico. Hooke (1635-1702) inventa o primeiro telégrafo. com os gravadores das táboas. dos chineses com fanais situados em determinadas eminências da Grande Muralha.” Na Inglaterra. na ordem cultural e o público.” — Jean Laffay — Les Tetecommunications — Paris. pois êste se confundia com as figuras do jornalismo e do editor. que aperfeiçoa. que eram letras cujas chaves sòmente eram sabidas nos pontos de origem e destino. “do fazer circular o que é do homem para que as coisas assimiláveis por natureza se tornem socialmente e atualmente assimiláveis. com o serviço informativo de sentinelas postadas de longe em longe. na ordem mecânica. consistente de um sistema de sinalização. a que hoje se propõe seja denominado “comunicação das massas”. 73-74. naquela ordem que os filósofos chamam do fazer. . nos quais pessoas munidas de lunetas recebiam certos sinais do pôsto precedente. 149 Gustavo Corção — As fronteiras da técnica — Rio. se a resistência continuava. fazendo dispor postos em vários pontos consecutivos entre Paris e Roma. na sua crescente complexidade. Mais tarde. 89-90. depois. que usavam determinados processos para parlamentar com os habitantes das cidades assediadas pelos seus exércitos.” — Carlos Lacerda — A missão da Imprensa — Rio. Da simples manufatura. que emprega.pags. que. O TÉCNICO Agente do jornalismo — como o editor. foi aos poucos incorporando novos veículos. que domina a máquina e a utiliza para tornar compreensível. na ordem social — é o técnico. mediante o uso de corpos sólidos opacos “que se elevam dependa melhor e mais completamente do Govêrno. E se a “sociedade humana. atraente e útil à coletividade o produto do labor dos demais agentes periodísticos. 7-8. carece cada dia mais de intermediários”. acessível. fazia içar uma bandeira vermelha indicando a População que teria a vida salva se os chefes aceitassem entregar-se à morte. como tôdas as atividades humanas. para o de mecanismos complexos. e a cada veículo utilizado reclamava o especialista. êle próprio compondo e transmitindo verbalmente o seu noticiário em versos e cantares. Fase da Manufatura — Por muitos séculos. mas tanto o Delfim como a sua “entourage” consideraram aquêle invento como um entretenimento. o esforço animal. uma bandeira negra aparecia. fazendo da nossa democracia o regime do Govêrno. pelo govêrno e para o govêrno. 1955 —. o técnico e a sua técnica. o jornalista. como sinal de morte e destruição. No terceiro dia. que recebiam as notícias e as transmitiam umas às outras. o jornalismo não exigiu do técnico para manifestar-se senão o trabalho das suas mãos. E então surge. a princípio. evolui para a mecanofatura. como Timours-Lenk. o homem que domina a natureza das coisas. Um dia depois. com os copistas. o técnico — o homem que descobre. é aquêle intermediário entre a realização subjetiva de uma atividade e a sua realização objetiva. 1950 — págs. como agente do jornalismo. transmitindo-os ao pôsto seguinte. 150 “Uma bandeira branca significava: “rendei-vos agora e vos será feito graça”. material. O técnico. que ouvia instruções do seu chefe e as transmitia oralmente ao público. 1949 — págs. “sem dúvida cheio de engenhosidade mas desprovido de qualquer utilidade para ser pôsto a serviço do Reino.150 O Século XVII assiste à introdução de outros métodos de telecomunicação: é o francês Guillaume Amontons (1663-1705). assim com o jogral. na ordem econômica. com os pintores de letras e hieroglifos jo rnalísticos. daquêles conquistadores. Assim ocorreu com o arauto.

Portanto. — págs. como mais tarde nas estações rádio transmissoras e nos estúdios e laboratórios cinematográficos. Uma vez provada. já a necessidade de comunicações mais rápidas e mais intensas se fazia exigência dos homens e dos povos. o modo de nivelá-los. Veneza e Milão (1069) e pouco mais tarde a tôdas as grandes cidades italianas. Um século depois. etc. se bem que haja presunção de que os jesuitas. nas fundições de tipos. passava-se da fase da manufatura para a da mecanofatura. Kubilin construiu um modêlo de telégrafo. “baseando-se nos mesmos princípios de sinalização. Rey Pastor e N. França). faziam-se tais estampas sôbre papel (há fôlhas fechadas de 1418 em diante) com tinta aquosa. por esta época. Fase da Mecanofatura — O desenvolvimento da técnica no jornalismo não se deu repentinamente. 2 — até 1370. sistema que foi relegado ao olvido por não ser considerado prático. Dois anos mais tarde de o haver submetido a provas. empregando o mesmo processo.”151 E.152 No Brasil. — e J. o primeiro livro impresso apareceu em 1473. o telégrafo de Chappe foi utilizado para a união telegráfica entre Paris e Lile. era completamente inútil para efetuar comunicações mais ou menos precisas entre pontos algo distantes entre si ou em zonas comumente nebulosas. que explica a fabricação de tipos de argila. fazendo jornalismo ou contribuindo para que fôsse realizado o jornalismo. se vinham estabelecendo e desenvolvendo na Europa. sem dúvida muito anteriores. que então pertenceu a Fust-Gutenberg. 174 e seguintes. anos e séculos se passaram entre o término da fase da manufatura e o início da mecanofatura. Suíça (1460). usavam-se blocos de madeira para estampar fazendas com desenhos e legendas (um dessa época foi encontrado em Dijon. O jornalismo aprendia a utilizar o invento de Gutenberg. consegue tornar mais simples os sinais. no século XI. número e outros sinais. com datas de 1448 e 1454. durante o seu domínio em Pernambuco (Século XVII) tenham estabelecido tipografias. Bergstrasser. Rey Pastor e N. distinguindo-se da dos demais agentes. usual na antiguidade e que perdurou até a Idade Média. semelhante ao de Chappe. resultando impossível transmissões em dias nublados ou nebulosos. porém mais simples. Mas o funcionamento do telégrafo de Chappe (como dos demais inventados e postos então a serviço em diversos países) “dependia no maior grau da perícia do operador. 1957 — págs. se supõe sejam da mesma imprensa. Não tomando em conta os costumeiros exageros da história da China. na França. 151 Segundo Laffay — Obra cit. E a figura do técnico se impunha. a nova máquina impressora se propagou ràpidamente de Mogúncia a Bamberg e Estrasburgo (1461). sob a proteção dos governos. na Rússia. Praga (1464). Há fragmentos de impressos mais primitivos cuja origem se ignora mas foram encontrados nos Países Baixos. Em Lyon. onde a impressão com “cliché” aparece no ano de 858. não mais satisfeitos com a morosidade das malas postais que. consistindo em um semáforo de braços. Drewes — La Tecnica en la Historia de la Hunianidad — Buenos Aires. Drewes distinguem os seguintes fatos relativos à origem da arte de imprimir: 1 — a reprodução de desenhos mediante selos de argila cozida. 4 — os primeiros livros impressos com tipos soltos e grande perfeição aparecem em Mogúncia. e a de tipos soltos se atribui a Pi Scheng. Na Alemanha. Roma (1465). então. em 1791. Drewes — Obra cit. 3 — de 1440 em diante. não apenas nas oficinas gráficas. Claude Chappe. Ray Pastor e N. As diversas posições relativas aos mesmos representavam distintas letras do alfabeto. admitindo-se o relato de um contemporâneo.sucessivamente ao alto de um marco elevado e que correspondiam às letras do alfabeto ou frases determinadas”. Em 1794. constitui-se numa corporação à parte. 99-100. A Sorbone contratou em 1470 três operários suíços. além do estado do tempo. de pedra ou metálicos. As famosas bíblias. fazem-se livros com “clichés” de madeira e também com pranchas de cobre (há um de 1446) . 152 J. no Século XVI e os flamengos. Até 1400. que depois estabeleceram uma impressora. . nas fábricas de papel. construiu o primeiro telégrafo prático. mas nas agências dos telégrafos. sob a firma Fust-Schoffer.

a Ged. que não sòmente descobrira como aplicar a energia da máquina a vapor às impressoras da época como introduzira outros aperfeiçoamentos. mais tarde. algodão e outros artigos. Foi o francês Genaud que substituiu a pasta de gesso pela de papel branco. permitindo uma perfeita cópia do original. sob a direção do padre João Ribeiro. tipos e pranchas” que se aplicavam fortemente sôbre uma superfície cilíndrica “do mesmo modo que as letras correntes se aplicam sôbre uma superfície plana”. no qual foram relatados os acontecimentos desenrolados na citada revolução e cuja data é 28 de março de 1817. graças a um invento do alemão Frederick Koenig. os técnicos da tipografia e da impressão de jornais foram os propulsores do progresso mecânico. aos italianos Chirio. que se sentiam ameaçados com os avanços da mecanofatura. auxiliado por dois frades e um marinheiro francês. utilizando dois prelos e 28 caixotes de tipos e. de Edinburgo. com a sua côrte transferida para o Brasil em face da invasão napoleônica. favoràvelmente. 17. Em 13 de maio de 1808. como o introdutor da arte tipográfica no Brasil. cujo mister se limitava à impressão de letras de câmbio e breves orações devotas. que não imprimissem nem consentissem que imprimissem livros. Ao holandês Van der Mey. de Londres.”153 Apesar de tão severas ordenações. Sanelva de Vasconcelos. para a facilidade da impressão. à base daquela que William Nicholsou patenteara em 1790 para imprimir “sôbre papel. do empastelamento e destruição de tipos e rudimentares tipografias. sòmente iria imprimir no auge da revolução republicana de 1817. 154 Ver Sanelva de Vasconcelos — Obra cit. com fôrmas. para a transcrição do documente em que o governador Caitano Pinto de Miranda Montenegro informa ao Marquês de Aguiar. E dá como primeiro técnico do jornalismo em Pernambuco ao inglês James Pinches. Dom João VI. nos Estados Unidos.” Uma ordem régia de 8 de julho de 1706 — que é a prova do seu funcionamento — determinou ao governador da capitania de Pernambuco Francisco de Castro Morais que “mandasse sequestrar as letras impressas e notificar os donos delas. Mina e Giozza. na Inglaterra. de propriedade do negociante Ricardo Catanho. Fato digno de menção e que demonstra cabalmente o perfeito 153Sanelva de Vasconcelos — Prelos & Jornais — Recife. Chamamos a atenção do leitor. O primeiro trabalho que dela saiu foi o manifesto do advogado José Luís de Mendonça. Em Pernambuco. inclusive o gesso. outro fato curioso se registrara: a primeira tipografia autorizada a funcionar pelo Rei. The Times. embora sob a oposição dos seus colegas impressores. cujos nomes se perderam na poeira do tempo. de Turim. nem papéis alguns avulsos”. do território metropolitano. linho. de Glascow. através do seu proprietário e diretor John Walter. em 1816. a Tillock e Foulis. tipógrafo talentoso. primeiro empregou a máquina rotativa. 19 a 42. e oficiais da tipografia. A rotativa foi aperfeiçoada por Applegath e Cooper. E assim foram destruídos “o esfôrço e aspiração do desconhecido proprietário cujo nome a história não soube guardar. Fernando Denis e Antônio Joaquim de Melo (êste último escrevente do Erário no govêrno revolucionário). de prisões e perseguições. continuou o nosso incipiente jornalismo a tentar utilizar a imprensa como veículo. E foi ainda The Times que realizou a aplicação da estereotipia à impressão e que.154 Menos pelo afã do lucro do que pela sua paixão pela arte. circulava com impressão dupla (dos dois lados simultâneamente). com o aproveitamento dos experimentos do seu engenheiro Mac Donald e do italiano Marinoni. por decreto criava a Impressão Régia. respondendo ao apêlo de popularidade crescente do jornalismo. Em 29 de novembro de 1814. alega que a demora no funcionamento da tipografia de Catanho foi ocasionada pela falta de alguém que conhecesse a arte de imprimir. conhecida pelo nome de “Preciso”. mediante a ajuda de prensas. — págs. citando Tolenare. a Lord Stanhope e ao alemão Hoffman — da segunda metade do Século XVIII ao início do Século XIX devem-se as origens do sistema de fixação dos tipos (estereotipia) com diversas substâncias.històricamente só é possível situar o aparecimento do primeiro prelo “nos anos de 1703 a 1707. e por Hoe. . que os deixaria — assim o julgavam — ao desemprê go. o requerimento do negociante Ricardo Catanho. nesta obra. concedia licença a particulares para instalar oficinas gráficas em diversas províncias. 1939 — pág.

Apesar de apresentado à academia de Ciência da Bavária e eliminados todos os inconvenientes que se notaram no seu primeiro modêlo. finalmente. lança o primeiro telégrafo “de agulha”. com a descoberta da pilha. Como ocorreu com os demais inventos. Hoje. Ottmar Mergenthaler. Siemens. A cinta assim perfurada se introduz em um transmissor automático que converte as perfurações em impulsos elétricos. fonte de corrente contínua. concebeu o primeiro telégrafo elétrico. 227. Bain. aproveitando-se do descobrimento da interrelação entre a corrente elétrica e a agulha magnética. Um receptor na sala de linotipos do jornal transforma os impulsos que chegam em uma cinta perfurada idêntica à picada no transmissor dos Comuns. 220-222.entrosamento entre o técnico. A telelinotipia é uma máquina que torna possível escrever e compor de qualquer parte onde esteja instalada. a “linotipo”. de acôrdo com uma clave elétrica de seis unidades. Sôbre tipografia: Emile Leclere — Typographie — Sfelt. Eis como Manoel Virgil Vazquez descreve êsse invento. utilizando uma série de 24 eletroscópios. professor de física em Genebra. exatamente como o faria um linotipista. um relojoeiro alemão estabelecido nos Estados Unidos.”156 Simultâneamente com essas conquistas da técnica no campo do jornalismo impresso. Em 1801. Entretanto. o editor e o jornalista na realização do jornalismo é que “as rotativas de Walter eram construidas nas próprias oficinas do Times e. outros surgiram na mesma linha. vai proporcionando aos corretores das provas o que se está transmitindo e compondo da Câmara dos Comuns. em 1820. pois permitiam uma tiragem de 17. impulsos que selecionam os tipos e corpos de impressão necessários. a seleção e mudança dos tipos — tudo é realizado mecânicamente. enquanto se vão fundindo as linhas de composição. confundindo-se com a do próprio jornalista. A largura das colunas. Posteriormente. Hipp.000 exemplares por hora!” 155 Durante dez anos (1876-1886). aliás já adotado em diversos dos grandes jornais do mundo: “Na cabine do Times (Câmara dos Comuns). . A cinta se introduz na linotipo e o teclado desta é acionado. o telégrafo de Soemaring não conseguiu difundir-se. pois permite que a sua figura volte aos tempos primitivos. Oersted (1819). — págs. através de um tele - impressor eletro-magnético sôbre uma fita de papel. à J. Êsse sistema é aperfeiçoado por Ampére. Thompson (Lord. 1947. quando foram exposta em Filadélfia. Alguns anos depois. como a “intertipo”. o alemão Soemmering projeta um telégrafo eletro- químico. quando Morse introduz o seu telégrafo elétro-magnético. um receptor. Mas ninguém se deve assombrar se chegar o dia em que o fizesse um jornalista. Rey Pastor e N. de Londres. que compõe palavras. e o da recepção. mediante um simples e prático manipulador. inserido em derivação. que representavam as letras do alfabeto. Em 1774. W. o telégrafo elétrico de Lessage fracassou em face das perdas de corrente que se produziam na linha. estudou e realizou experimentos para substituir o velho sistema de composição manual. Além disso. Ainda ao Times. desde que a eletricidade empregada então era estática. Virgil Vazquez — Arte de titular y confeccion in EI Periodismo — Teoria y Pratica — Barcelona. outros trabalhos de invenção e aperfeiçoamento iam surgindo no domínio das telecomunicações. Kelvin). envia os seus impulsos a uma linotipo. Etiene e outros aperfeiçoaram ou criaram novos sistemas. conseguindo. Paris. e perdura até 1833. é um linotipista especializado. com o qual solucionou o problema da transmissão. em 1876. o homem que maneja o teclado do Times em Westminster. há uma máquina perfuradora com um teclado. vez que. inspirada no sistema elétrico dos teletipos. que iria compondo ao mesmo tempo em que redigia a sua reportagem ou informação. alinhando-as mecânicamente. a “monotipo” e a “italtipo”. por Volta. no qual os eletroscópios de Lessage foram substituídos por recipientes contendo água acidulada. Lessage. conseguiram um verdadeiro “record” de divulgação. se deve a descoberta da “telelinotipia” — a primeira ameaça séria ao técnico como agente do jornalismo. destinadas à impressão do New York Times. 1935 pág. 155 156M. O telégrafo de Morse e o seu alfabeto foram adotados em todo o mundo e ainda hoje estão em voga. assim chamado porque eram os sucessivos desvios de uma agulha que representavam os sinais transmitidos. Drewes — Obra cit.

Elster e Geitel foram. em 1892. Hipkow. Podem-se compor doze mil sinais por hora. Goldschmidt. institui as bases da telefotografia. com suas experiências no qüinqüênio 1923-28. acionada por uma fita perfurada. ao lado do cine-repórter. da “estereotele visão” ou televisão tetra- dimensional. e de “noctovisão” (sistema de televisão noturna. uma outra descoberta deve ser aqui referida. H. a efetivar a televisão e preparar os caminhos da TV em côres. Preece experimenta. tornar o cinejornalismo na realidade dos nossos dias.”157 Novas técnicas surgem dia a dia: o cinemascope. O físico inglês Bain. Neste setor. em lugar de produzir tipos e linhas. O sistema de Marconi compreendia um dispositivo oscilador e um aparelho receptor. passo a passo. nas tele-emissoras de todo o mundo. além disso. exatamente colocadas como os do teclado de perfuração. numa distância de cinco quilômetros aproximadamente. os homens de ciência e inventores procuram aplicá-las ao telégrafo. notadamente nas grandes emprêsas norte-americanas (Radio Corporation of America — RCA — Color Television Inc — CTI — Colombia Broadcasting Sistem — CBS — e General Eletric Company — GEC) trabalham e investigam àrduamente com aquêle objetivo. vai impressionando. visando retirar-lhe os fios: assim. . Manuel Vigil Vazquez — Obra cit. Tanto no transmissor como no receptor. preparando o terreno que levaria Baird. foi exibida na XXXI Feira das Indústrias Britânicas em Londres. suscetível de pôr-se em contato com a fonte emissora. da Marinha italiana. Por seu turno. conseguindo transmitir imagens fixas por meio de cabos elétricos. Armstrong. Don Leel. de que já nos ocupamos. com o seu inconoscópio — ponto de partida para a televisão pan-eletrônica —. maior rapidez na transmissão e simultaneidade de envio de mensagens (duplex). após experiências coroadas de sucesso realizadas em julho de 1897.mesma base. Farnsworth. a equipe do laboratório) para. Spezpnik. Kell e os numerosos técnicos e cientistas que. Ives. Rosing. reclamou o aparecimento do técnico (o cinegrafista. Zworykin. impressiona diretamente uma película em positivo ou negativo. na película ou no papel fotográfico. também. Hansell e Variam cooperam com sucessivos inventos para o estabelecimento da rádiotelefonia. do seu laboratório em San Bartolomeu para o couraçado “San Martino”. May — que descobriu as propriedades foto-elétricas do selênio — o francês Senlecq e o inglês Sutton. Albert HulI. Hazeltirene. entre Penarth e Fath Holm. 232. — pág. porquanto poderá constituir-se no principal fator da transformação do jornal impresso em papel naquele outro microfotografado a que aludimos anteriormente: — a “mono-foto”. No campo da TV. constituído por um aro metálico. um condensador e um trajeto de chispa. Braun. o cinerama ou kinopanorama e outros processos. a aplicação de côres e o emprêgo de sistemas sonoros estereofônicos — tôdas essas inovações reclamam especialistas e reformam significativamente os métodos de filmagem das atualidades ainda em uso. aliás. Graças às descobertas de Hertz no campo das ondas elétricas. de cujas origens e processos já nos ocupamos. em maio de 1952. eram colocadas antenas de 34 e 22 metros de altura. Pickard. O Século XX acelera a marcha progressiva das tele-comunicações: Marconi. respectivamente. os tipos segundo os impulsos das perfurações. a 16 quilômetros de distância. um sistema de transmissão do canal de Bristol. com êxito. R. com engenho e tenacidade. visando. o austríaco Denoys von Mihaly. tendentes a criar a ilusão da terceira dimensão. “Os mecanismos de moldar e fundir os tipos estão substituidos por uma espécie de câmara fotográfica. destacaram-se. 157 Conf. Mas é a Marconi que se deve a efetivação da TSF. Poulsen. que emprega um refletor de ráios infra-vermelhos e uma célula fotoelétrica sensível a esta gama do espetro). Righi e outros fazem tentativas semelhantes noutros pontos da Europa. uma placa de fundo negro com as letras e sinais transparentes. a cinematografia. Esta máquina. Alexanderson. Trata-se de uma máquina de composição que. E. D. onde ainda continuam as experiências tendentes a aperfeiçoar as transmissões.

O Problema da Automatização — No decorrer desta incursão ao mundo da técnica no
jornalismo e dos seus técnicos, chegamos à evidência de que, nos nossos dias, nenhuma das
manifestações periodísticas se pode processar sem essa personagem que, confundida com o
agente-jornalista na fase da manufatura, adquiriu direitos de cidadania no período da
mecanofatura. Vimos também que alguns dos recentes inventos ameaçam a existência do
técnico, ou melhor, irão exigir que o mesmo incorpore ao seu acêrvo de conhecimentos e
aptidões aquêles reclamados do jornalista, hoje muito mais vastos do que ao tempo do
periodismo dos jograis, das cartas e das fôlhas manuscritas.
A verdade é que estamos, em pleno curso de uma nova grande revolução industrial, em
que o ser humano vai sendo substituído por servos-mecanismos, que não estão sujeitos nela à
fadiga, nem ao êrro, nem às emoções, que alteram o metabolismo e desequilibram mesmo os
mais eficientes técnicos. Numerosos dispositivos mecânicos estão sendo usados em todos os
campos da atividade humana com os mais positivos resultados: as máquinas de calcular
acionadas elètricamente, a telefonia automática, o microscópio eletrônico, a fotografia infra-
vermelha. Êsses dispositivos são os servos-mecânicos “aparelhos capazes de restabelecer o
estado de equilíbrio em um sistema autônomo de maneira tal que as próprias fôrças originadas
pela perda de dito estado de equilíbrio engendrarn novas fôrças tendentes ao seu
restabelecimento. A realimentação negativa de uso comum em rádio -telefonia para anular a
distorção de freqüência e de fase é o exemplo mais caracterizado de um princípio capaz de
cumprir as exigências definição acima. É interessante destacar que os servos-mecanismos são
fundamentalmente dispositivos governados êrro, já que são fôrças assim originadas as que
provoca retôrno do sistema ao seu primitivo estado de equilíbrio. Coisa parecida sucede em
certos processos de aprendizagem, em que a discriminação entre os intentos frustrados e os
conduz à determinação do procedimento correto e fixado com conhecimento exato.” 158
A primeira revolução industrial, que teve a sua pré -história nos séculos XVII e XVIII e o
seu desenvolvimento máximo no século XIX e na primeira metade da atual centúria, se
caracterizou pela longa série de invenções e descobertas, visando mecanizar a produção, isto é,
substituir a fôrça muscular do homem e do animal pela máquina. O contrôle humano fôra, aí,
integralmente mantido. Os servos-mecânicos, contudo, passaram a “pensar” pelas máquinas. E
então evoluimos da simples mecanização para a automatização, quando o homem será expulso
do processo da produção prò priamente dito e ficará limitado às funçôes de concepção,
construção, instalação, sustento e inspeção da máquina. Porque “o domínio da automatização
compreende tôdas as tarefas de repetição e tôdas as decisões que podem ser tomadas em
função de critério pré-estabelecidos. Os limites próprios no domínio da automatização são
traçados pelo estado da técnica, pelo nível dos custos, pela amplitude das vendas e pelo número
de especialistas tentados a inventar, construir e dirigir os sistemas automáticos.”159
Inequivocamente, não se trata de um simples processo de desenvolvimento da mecanização,
mas de uma nova tecnologia, uma outra revolução industrial cujas conseqüências econômicas e
sociais ainda são imprevisíveis. Um aspecto, entretanto, é certo: “a primeira revolução, a dos
“dark satanic mills”, promoveu a depreciação dos braços do homem pela concorrência da
máquina... a revolução industrial moderna depreciará necessàriamente o cérebro do homem, ao
menos nas suas funções simples e rotineiras.”160 E é neste aspecto que a automatização irá
atingir, como já está começando a ocorrer, a atividade jornalística.

Jornalismo e Automatização — Relacionando os domínios em que a automatização já
encontrou campo de aplicação nos Estados Unidos, Pollock cita, referentes ao jornalismo, os

158 J. Rey Pastor e N. Drewes – Obras cit. – págs. 320-321.
159 Frederik Pollock — L’automation — Paris, 1957 — pág. 68. Pollock e outros estudiosos da meteria dão
preferência à designação “automação”, em lugar do termo mais vulgarizado que adotamos aqui.
160 Norbert Wiener – Cybernetics - New York, 1948 — pág. 17.

seguintes: televisão, impressão, tele -comunicações, traduções, estatística, cálculos científicos de
tôdas as espécies, previsões meteorológicas e contabilidade. Em todos êsses setores, a
máquina não sòmente realiza o trabalho “como funciona inteiramente sem a interferência
humana direta, sem o concurso nem da destreza, nem da inteligência, nem do contrôle do
homem.” A máquina já comanda totalmente o trabalho de outra ou outras máquinas. Assim, “a
automatização industrial é causa determinante do desemprêgo operário em escala crescente, se
bem que seja, ao mesmo tempo, criadora de novas fontes de trabalho, ainda que em muito
menor escala, para técnicos e pessoal especializado.”161
Ocorre, porém, que não sòmente o técnico mas os outros agentes do jornalismo se
vêem ameaçados pela crescente automatização industrial, e suas conseqüências sócio -
econômicas. As operações automáticas de contabilidade, por exemplo, reduzem muito o pessoal
dos corpos de editôres e os próprios editôres-financistas vão sendo absorvidos pelo Estado-
editor, como uma conseqüência do alto custo da maquinaria dos veículos jornalísticos e a
multiplicação dos encargos para a sua manutenção. Já hoje, o fenômeno da desaparição ou
absorção em cadeias de jornais — os veículos que ainda se conservam em maior volume como
propriedade privada — é um fato amplamente constatado em todo o mundo. “A imprensa
quotidiana tem manifestado uma tendência muito significativa à concentração e ao monopólio.
Enquêtes têm sido realizadas em 25 das maiores cidades dos Estados Unidos (e concluiram): —
o número dos jornais não cessou de reduzir-se enquanto o de exemp lares difundidos crescia... o
número de matutinos, que era de 69 em 1900, reduziu-se a 35 em 1950 e já se observa a
mesma diminuição no número de jornais da tarde: 84 em 1900, 51 em 1950, enquanto que a
tiragem passava de 6.000.000 exemplares para 12.000.000 quanto à imprensa quotidiana
matutina e de 8 a 14 milhões de exemplares, para a vespertina. Ao mesmo tempo, o número de
proprietários destes jornais não cessou de diminuir: era de 104 em 1920 e não passava de 72
em 1950.”162 Na sua já citada conferência — de imprensa e o leitor livre” — Rod W. Horton,
depois de aludir a uma estatística de Morris L. Ernest, segundo a qual em 1910 havia, nos USA,
2.600 diários lidos por mais de 24 milhões de pessoas e em 1940 havia, apenas, 1.988 diários,
com a circulação de 50 milhões, refere que, anos atrás, New York possuia, entre outros, jornais
chamados Commercial Advertiser, Globe, Sun (matutino e vespertino), World (matutino e
vespertino), Telegram e o Evening Mail, num total de oito, além de uma meia dúzia que não
figuram nesta história. Que aconteceu a êsses oito jornais? Parece uma passagem do ciclo da
vida selvagem. O Globe absorveu o Commercial Advertiser, o Sun suspendeu o seu matutino
para engolir o Globe, o Telegram comprou o Evening Mail e nos primeiros anos de depressão
anexou as duas edições do World também. Sobraram, então, apenas dois dos oito. O Sun-
Globe-Commercial Advertiser (com o nome abreviado de Sun) e o World-Telegram-Mail
(chamado World Telegram). Depois da segunda guerra mundial, o inevitável aconteceu: com um
grande golpe, o World Telegram tragou o Sun, formando o atual World Telegram and Sun, o
único resto das oito folhas valentes da minha mocidade. Circula com mais de 600.000
exemplares diários, mas dizem que está perdendo dinheiro.”163
Na França, segundo J. Kayser, a situação, embora diferente apresenta uma evolução da
mesma natureza. “Há diminuição constante do número de jornais. Havia em Paris, em 1914, 48
quotidianos não especializados; em 1939, havia 32; em 1955, não havia senão 11.” As grandes
despesas de manutenção dos jornais, além de provocar o desaparecimento ou absorção que
exemp lificamos, criam outro fenômeno, observado por F. Terrou, quando assinala, referindo-se
aos jornais parisienses: “As dificuldades de alguns jornais são evidentes. A sociedade do Petit
Parisien que distribuiu em 1930 um dividendo de 100 F., não distribuiu mais nada em 1938. A
ação valia 2.150 F. em 1931 e não valia senão 255, em 1938. O título do Figaro, em 1957, era

161 J. Rey Pastor e N. Drewes – Obra cit. – pág. 326.
162 Á. Mathiot— “L’Opinion Publique aux USA” in L’Opinion Publique – Paris, 1957 – pág. 359.
163 Jornal do Comercio – Recife – 8-12-57.

saldável com uma perda de mais de 4 milhões. Estas dificuldades se estendem a certos serviços
anexos: a agência de informações e o comércio do papel-jornal.164
Em novembro de 1958, o Sweedish Internacional Pressbureau divulgou o seguinte
comunicado de Estocolmo: “Revolucionária mudança na estrutura política da imprensa diária
operou-se nestes últimos anos. A notícia do fechamento de um periódico foi publicada
recentemente, quando se afirmou que o Morgen Tidiningen, anteriormente chamado Social
Demokraten (órgão oficial do Partido Social Democrata) e que existia há 73 anos, deixaria de ser
publicado dentro em breve. Recorda-se que a União Geral dos Trabalhadores da Suécia, há dois
anos, adquiriu os dois periódicos liberais Stockholm Tidiningen e Aftonbladet, que se crê
adotarão mais ou menos a orientação seguida pelo Morgen Tidininien. O Morgen-Blated, do
Partido Liberal, será reorganizado em breve, em forma de semanário, a exemplo do sindicalista
Arbetaron. Isto faz com que Estocolmo fique com apenas 4 diários matutinos, ao invés dos 7 de
há dois anos atrás: o conservador Svenska Dagbladet, o liberal Dagens Nyheter, o Stockholm
Tidiningen (da União Geral dos Trabalhadores) e o comunista Ny Dag. Além dêsses existem
mais os seguintes diários, que circulam à tarde: o liberal Expressen e o Aftonbladet, da União
Geral dos Trabalhadores.”
Nos países sub -desenvolvidos, se bem que o fenômeno seja constatado no s grandes
centros urbanos, há ainda possibilidade de sobrevivência de jornais que não disponham de
maquinaria e mecanismos modernos, pela necessidade que as populações têm de utilizar
mesmo os mais obsoletos veículos de publicidade. Entre nós, no Rio e em São Paulo, se vem
observando a redução do número de jornais, embora também o aumento das tiragens, com a
absorção dos mesmos pelas grandes emprêsas. Últimos exemplos: a compra de O Mundo pelo
Diário de Notícias e a integração do tradicional Jornal do Comercio na cadeia dos “D. A.”.
A concentração dos órgãos jornalísticos seja em “trusts” seja em poder do Estado
parece-nos uma das mais sérias demonstrações dos efeitos desta segunda revolução industrial,
caracterizada pela automatização. E sem dúvida cooperará para a automatização dos espíritos,
prevista pela “Margate Conference”, promovida pela “Institution of Prodution Engineers” em
Londres, em junho de 1955, ao concluir que “o pequeno número de engenheiros que controlam,
em última análise, as fábricas automáticas poderia pressionar a sociedade... e subordinar o
comportamento e os hábitos de vida dos homens aos interêsses das máquinas. A fábrica
automática abriria então a porta ao novo mundo de Huxley.”165 o que é êste ‘brave new world”,
todos o sabemos: uma sociedade tecnológica, dirigida por uma hierarquia autoritária composta
de verdadeiros mestres de máquinas e de homens, em posição de “abarcar o todo dos
fenômenos técnicos e econômicos e tomar todas as decisões que interessem à política
econômica” e, naturalmente, de dominar a massa humana “sem julgamento, fàcilmente
influenciada pela técnica moderna de propaganda e que se encontra mantida de bom humor,
pois participa do consumo de um número sempre crescente de bens.”166 É ainda de Pollock o
seguinte e expressivo trecho sôbre o mundo automatizado para o qual marchamos: “Sabemos
da importância do papel exercido nos Estados totalitários pelo rádio, cinema e imprensa postos a
serviço da técnica de opressão das massas. A televisão veio recentemente juntar-se a êstes
meios de opressão; e entretanto, teoria e técnica da automatização propõem um novo
instrumento para manietar as massas. Desde o fim de 1948, o Padre Dubarle, da Ordem dos
Dominicanos, numa carta endereçada ao jornal Le Monde evocou a possibilidade teórica de
construir-se uma “máquina de governar”: um calculador eletrônico que indica as medidas a tomar
no futuro, segundo tôda a verossimilhança, em condições dadas a tal ou qual fim político. Wiener
pensa que os dados psicológicos necessários ao funcionamento desta máquina não existem
ainda. Portanto, êle concorda em que já demos o primeiro passo para a “máquina de governar”,

164 J Kayser e F. Terrou — L’Opinion Publique — Paris, 1957, págs. 236 e 191.
165 Cit. por F. Pollock — Obra cit. — pág. 143.
166 F. Pollock — Obra cit. — págs. 188-189.

de Londres: “A. e em seu socorro irão buscar ao técnico. das cerimônias da coroação papal em Roma.aplicando a Theory of Games para a solução de problemas táticos e estratégicos com a ajuda de um calculador gigante. de 1958. Gravações ulteriores foram enviadas também de avião a Paris. a única coisa que não tem envergonhado o homem. construido pela International Business Machine Company.Obra cit. pode oferecer. repentino. em New York. é mesma máquina tradutora sôbre o papel” J. a admiração do homem pelas maravilhas que a máquina pode obrar. no seu “mundo fechado da coisa a ser feita”. através de ligação em cadeia com a Eurovisâo. Rey Pastor e N. como o observou Gustavo Corção. a sua curiosidade intelectual e o seu gênio inventivo. os cérebros eletrônicos já são hoje uma realidade. — pág. em processo de automatização. aplicação elementares de sintaxe e de gramática. segundo comunicado do BNS. composição da frase fonsequentes em seu ordenamento lógico-gramatical”. o que promete uma grande versatilidade da mesma. como sejam. A máquina se rege por um sistema de fichas perfuradas. invento da Eletronics Equipment Ltd. 167 F. com o único fim de alargar a sua dominação sôbre os outros homens. Como é a técnica. Irão procurar em testes.35 da tarde.. com dispositivos criados e experimentados. 168 Comunicado do Britisli News Service de 11 de Nov. 199. pelo rádio e pela TV. divulgada pela “Granada Teleyision”. passível de fazer surgir o servo-mecânico jornalista. para quem o homem surge como “um ser indócil. isenta do cansaço.. Y. utilizados para escrever editoriais. por meio da telelinotipia do próprio local onde acaso esteja colhendo os dados da notícia. Porque.. 169 “O operador dêste engenho deve limitar-se a escrever mente a frase a traduzir. afiança que o dispositivo da sua invenção é unico no mundo e qte abre imensas e novas possibilidades no que respeita ao intercâmbio internacional de programas televisados. a primeira série delas partiu do aeroporto de Londres em um Comet de passageiros. . o princípio em que se baseia o conversor é muito simples. a sua progressiva escravização à máquina. 322-323. de Washington. o jornalista.. a respeito. encarregando-se a máquina de tôdas operações necessárias para a sua tradução. o miraculoso alquimista que vive isolado na sua torre de marfim. em busca da perfeição do trabalho que a máquina.30 da noite.169 o redator terá suas funções igualmente limitadas. Pollock — Obra cit. as desilusões das comunidades ante o fracasso das tentativas políticas de construção social — poderão criar condições favoráveis a uma interpretação estereotipada dos fatos sociais. que levantou vôo às 11 da manhã para chegar a New York às 4. êle próprio. em colaboração com o Instituto de Linguística da Universidade de Georgetown.168 os tradutores de mensagens telegráficas não terão mais razão de existir quando for comum a tradutora eletrônica. capazes de jogar damas. no nosso mundo hodierno. resolver problemas de xadrez e até realizar inferências lógica. numa mostra de computadores eletrônicos em Londres. as exigências da produção e do consumo. Por que não serão. desde que o repórter poderá diretamente compor. — págs. de Hayes. pois êstes chegarão às redações pelas ondas hertzianas. Middlesex. exposto em 28 de novembro de 1958.30 a transmissão televisada para a Grã-Bretanha. Segundo a própria “Granada Television”. Drewes . A notícia. Depois de rapidíssima operação. O perigo seria ver esta máquina empregada pelo homem ou por um grupo. capaz de verter frases de um idioma a outro em forma automática e com grande rapidez e cujo primeiro exemplar foi exibido em 1954. às 9. acontece o que era de esperar: os homens irão pedir à técnica uma receita de prudência e até de felicidade. Ademais. do êrro ou do sentimento. e que traduzia do russo para o inglês. organogramas e ábacos algo que os liberte da angustiosa opressão da liberdade”. classificar e distribuir a matéria. A frase. as gravações podem 5cr transmitidas sem necessidade de qualquer processo ulterior ou dublagem.. uma vez traduzida. a “Granada Television” começou a gravar às 7. etc. Convertidas no ato as gravações. firma britânica “Granada Televjsion” descobriu uni sistema que permite a conversão imediata de gravações de imagens e sons — em uma fração de segundos — para enquadrá-las ao sistema de canais de televisão de qualquer país. vai tendo reduzido o seu campo de ação: os repórteres não precisarão andar à cata dos fatos. A 4 de novembro. o locutor de rádio ou TV verá dispensado o seu trabalho pelo emprêgo das máquinas leitoras.167 De qualquer modo. “existe em nossa civilização uma fadiga moral e um enorme desejo de capitulação. em breve. fazer comentários. explicar aos tele -espectadores os acontecimentos que são apresentados no vídeo? Indubitàvelmente. de onde partiram seguida em um Boeing que levantou vôo às 6 da tarde para aterrissar N. aparentemente.

verídicos como um galvanômetro.. . não admitirá jamais aquela sem dúvida maravilhosa capacidade de simplificação dos computadores eletrônicos como um satisfatório fim último. — págs. desde as épocas mais remotas. “um único ser monstruoso. Sobrevivência do jornalismo como informador e orientador do homem social. Sobrevivência do espírito. o técnico desceu a escada-em-caracol de sua torre e veio misturar-se aos homens. No estudo sôbre as conseqüências do aumento constante do tempo não empregado no processo da economia. K. 17-18. se deixa dominar.. 1955 — pág. Um precioso brinquedo. traça organogramas da nova política que há de trazer a concórdia universal da sociedade bem ajustada e que há de devolver ao homem o paraíso perdido. Mas traz a régua de cálculo como símbolo de congraçamento. 171 Paulo Sá — A técnica e os técnicos — Recife. quais as funções dignas do seu estado que lhe seriam propostas para o emprêgo dos óeios. os Pedros e os Joãos nítidos como um triodo. como impulsionador do bem comum. que nos pro porcionará confôrto e facilidades mas que. que lhe proporciona maiores lucros. faz estatística dos famintos. 17. not an idol” — um brinquedo e não um ídolo — como o fêz G. na realidade — dos agentes do jornalismo é que oporá a decisiva reação a esta visão apocalíptica do mundo do futuro. complexo. com a sua insaciável curiosidade e a sua busca incessante da perfeição material. provocado pelo homem “cansado da realidade moral. dóceis como um cobre?” e avaliará a tragédia humana como “causada (quem sabe?) apenas por algum eixo com folga ou algum “Nesse momento. a tábua de logaritmos. 171 o jornalista — pela sua própria natureza e pela natureza do seu ofício — considerará sempre a máquina como “a doll. é o fato de que o progresso técnico deve implicar sempre na liberação do espírito. George Soule afirma que o “leisure class” (ócio de classe) se transformará em “leisure mass” (ócio da massa) e que o grande perigo reside em que “a tecnologia importa na arte de economizar o tempo mas sem ensinar ainda como utilizá-lo inteligentemente. réplica moderna dos centauros do mito antigo”. frente à objetividade que deveria informá-lo. com a máquina. como se quisesse tomar férias da sua própria humanidade”. justificava as claudicâncias do seu trabalho jornalístico. sobretudo. fatigado da sua própria condição. E o técnico indagará de si mesmo “por que não são êles todos.. com que já Renaudot. se o editor se curva ante a excepcional produção da máquina. Esta questão vem sendo debatida nos círculos filosóficos e sociológicos e. 99 e 107. anuncia-se o sub- homem. Em vez do super-homem.”172 E se tem perguntado freqüentemente em que se ocupará o homem libertado.. mesmo por uma questão de sobrevivência. daquela pressão e daquela opressão do tempo. depois de haver experimentado em vão a felicidade da superação nietzscheana “em vez de se passar além do Bem e do Mal instalando-se o mundo do homem aquém da realidade moral.improvisador. mostra aos povos a nova táboa da lei. da polivalência que caracteriza a sua natureza e o seu ofício. polimorfo e complexo. na sua luta incessante contra as fôrças da natureza. tornando-se. e assim se conseguirá uma super-sociedade de sub-homens:”170 O derradeiro — e principal. antes de tudo. enjoado de liberdade. da criação. 1957 — pág. 172 George Soule — Time for living New York. O JORNALISTA Máquina humana pensante. visando colocá-las ao seu serviço. se o técnico. numa transcendentalização que vem sendo o ideal perseguido pelo homem e pelas sociedades.” E neste “brave new world” que o tecnicismo criará. O que o jornalista vê. nos oferecerá tempo para pensar. 45. no século XVII. no desenvolvimento da técnica é a sua libertação do tempo. cada dia mais longas pausas para meditação. Se o público é passível de uma ilimitada admiração pelo progresso da técnica. de um modo 170 Gustavo Corção – Obra cit. Chesterton. o jornalista que executa um trabalho criador e inovador. inexato e dotado de uma absurda e lamuriosa vontade”.

para escrever. Ensina Gregorio Marañon que a vocação é um “imperioso apêlo”. 16-17. A Curiosidade Comunicativa — O primeiro atributo do autêntico jornalista é a curiosidade comunicativa. julga-a. A Vocação do Jornalista — Já se definiu o jornalista como “o instrumento adequado de que se valem os fatos para converter-se em notícia. o jornalista age diferentemente. Mas tudo evidentemente enquadrado nas liberdades ao seu alcance. destinada a satisfazer curiosidades e entreter os espíritos. dêsse modo.” E se isso é verdade para o homem comum. classificá-lo pela sua maior ou menor importância e. . refletindo o meio em tôdas as suas manifestações e. do que a aspiração de servir. a informação que colhe é mais completa e tem aplicação imediata porque êle lhe dá forma. que se originam do sistema econômico. exprimi-lo. mais verdadeiro o será para o jornalista. cuja função de intérprete e orientador dos demais homens o coloca em posição de vanguardeiro na conquista dêste precioso “time for living”. 174 Aristeu Achilles — Liberdades Democráticas — Liberdade de Imprensa — Rio. Ba.. dons inatos e magníficos da alma e da personalidade. não é mais. na maioria preponderantes. Neste sentido é que o jornalista é aquêle “órgão constante e vivo de informação” Para êle. 175 Gregorio Marañon — Vocação e ética — Salvador. o médico. 1958 — págs. em último têrmo. as crescentes responsabilidades dos trabalhadores e as exigências das sociedades modernas.. não em função aos seus próprios interêsses mas da sociedade de que se sente receptor e transmissor. que “a vocação autêntica nunca é platônica. impulsionar o homem e a sociedade à ação. ao mesmo tempo. isto é.” Todavia adverte. É em conseqüência disso que (como o constatou Wiekham Steed).”173 Ao que ajuntaríamos: e. pela sedimentação dos conhecimentos técnicos. o jornal (jornalismo) sintetiza e traduz a substância da vida social. “Na verdade. ajuntando-lhe dados novos e comentários. influenciando-lhe os rumos. a imprensa é o problema central da moderna democracia. uma “voz interior que nos atrai para a profissão e o exercício de determinada atividade. o homem comum pára. a fim de “aproveitar melhor a vida e ser melhor cidadão.geral. o intelectual e o cientista igualmente param. dada a redução prevista do tempo de serviço. em seguida. após o curso de uma assistência ao paciente — o jornalista está sempre em função. sôbre êle agindo. quando muito retirando dela algumas inferências particulares ligadas à sua ordem cultural. nestes casos. Ao contrário de outros profissionais que podem repousar após o cumprimento de uma etapa de trabalho — o advogado em seguida a uma causa julgada. A vocação. finalmente. uma aptidão ainda não revelada. indiferente. para isso. antes de mais nada. Diante de uma ocorrência. situar. o fato tem um sentido que é preciso captar. definir. informam-se e prosseguem. pela glória que perseguimos ou pelas vantagens materiais que colhemos — que se revela esta aptidão. “pela miragem de certos episódios heróicos ou espetaculares”. é convocado o jornalista.”174 Para realizar êste trabalho de primeiro plano. A sua parada é mais longa ou mais intensa. naquelas que emanam do sistema político em primeiro lugar. que difere da curiosidade pura e simples porque se reveste de um insopitável desejo de passar adiante a informação obtida ou o fato testemunhado. pela prática do ofício.. admite-se que. 1957 — pág. comparar com outros. comunicá-lo. 173 Octávio de la Suarée — Psicologia aplicada al periodismo — La Habana. que aquêles dons vêm à tona. 32. aquêle que encontrou a sua vocação no servir de porta-voz e intérprete dos fatos sociais. pesa-a. o homem deve elevar o seu nível cultural. 1944 pág. competindo-nos consolidá-los e desenvolvê-los. se tal fato não lhe diz respeito imediato. e das outras limitações contingente. informa-se e segue o seu caminho. para qualquer categoria profissional. para ensinar há que servir e. Para descobrir. não se permite uma trégua. 11. divulgá-lo. fôsse ela meramente informativa. são necessários.”175 É pela formação cultural. Porque não se daria caráter essencial à sua atividade. mas implica imediatamente em servir ao objeto da vocação.

. sob a forma de notícia ou de orientação é que se revela outra característica do jornalista . predizer a reação que produzirá. tuas desdobra-a. ao realismo. evocar..”178 A fecundidade jornalística está em possuir o profissional um regular lastro cultural e uma agilidade mental que lhe permitam encontrar os conhecimentos necessários no momento preciso.. procura colocar o leitor em posição visual de compreender o acontecimento. elementos básicos que o leitor tem necessidade para a total compreensão da notícia.a sua fecundidade. Não é imprescindível que seja um enciclopédico. algum nome ou alguma entidade que se pode fazer notícia — e juntar-lhe. o relato vai por isso dando os pormenores de lugar. sobretudo. a paisagens que circundam os fatos e têm às vêzes com êles íntimas relações.. acumulando observações curiosas que serão aproveitadas pelos filósofos para deduzir leis”.. que tenha uma excepcional bagagem cultural.. sempre. — pág. presumir a situação que a produz. é um memorialista mas é também um sociólogo. escrever. Que coisa aconteceu? Quem provocou a coisa acontecida? Onde foi? Por que? Para que? Estas perguntas têm de ser respondidas e a narrativa. por exemplo. ao sucedido. uma reação que culmina na criação da notícia. inclinado ante a sociedade em que vive. seu interêsse e sua lição.”176 A Fecundidade Jornalística — Nesta operação espiritual de extrair a substância do fato e apresentá-lo ao público. tem- se a impressão de que examina o mundo. os elementos que o irão transformar. como um feto se transforma num ser definido e completo que pode vir à luz sem causar horror ou pasmo. possuir cultura geral e. com as seguintes palavras: “(o jornalista) deve olhar. “A conduta jornalística oscila como um pêndulo entre a reação e a situação. Há. com exatidão e rapidez. “Tudo deriva daí: a informação do fato. penetrando nos campos da filosofia da ocorrência. a formação pelo fato. tem de submeter-se a um processo específico “o jornalista que descreve. talvez como não o é. — pág. bem como a autoria e as conseqüências da ação a que se refere. para ser jornalisticamente transmitida.desde que também os fatos se sucedem numa aglutinação dinâmica que provoca. a atualidade 176 Octavio de la Suarée — Obra cit. o jornalista deve adquirir conhecimento não ser um jejuno em nenhum campo da atividade humana. entretanto. mesmo que a tal seja tentado pela possibilidade de vitaminizá-lo graças à sua cultura ou à sua capacidade pessoal de raciocínio e inferência. pois o jornalista não limita a sua missão a compor e apresentar os fatos mediante situações feitas. Não se trata (também) de que seja um homem vulgar. deve-se considerar que essa realidade. informar-se incessantemente do que vai pelo mundo. através de todos os veículos ao seu alcance. Suas alternativas são: a) conhecida a reação. 34. nenhum daqueles leitores para os quais tem de adaptar sua mentalidade. na forma e no fundo. A informação jornalística precisa de apresentar alguns. de tempo. em geral. que “o ato de fixar uma realidade já é jornalismo”. o apêgo à verdade. — pág.”177 Por isso. necessidade de serem reerguidas pedaço por pedaço. mas que sua mentalidade represente “a média aritmética das mentalidades às quais se dirige. indivíduo por indivíduo. b) dada a situação. . A Objetividade — Na gestação da obra jornalística. perder de vista o objeto. É um trabalho de verdadeiro arquiteto literário. a narrativa. 37. 177 Antonio Olinto — Obra cit. Se é verdade. 178 Ismael Herráiz — Obra cit. preocupado em construir ou reconstruir os interiores e exteriores em que as cenas se passam de um modo quase cinematográfico. no observador. no instante mesmo em que o seu instinto lhe indica haver concebido. Andres Siegfried.. Porquanto outro traço marcante da sua personalidade é a objetividade. mas “extraordinàriamente” corrente. como o observou Antônio Olinto.. com um ôlho novo. Esta última fórmula condensa todo ou quase todo o jornalismo. entrevista alguém. 29. a capacidade de reconhecer o fato e mesmo de provocá-lo — quando. A fecundidade jornalística já foi definida por um escritor chileno. não deve o agente esquecer o fato. como localizada em determinado espaço.

IX. o jornalista tem de lutar contra outra muitas vêzes mais grave. um “tempus loquendi”: tempo para falar. 28 e 30. e de fogo para as mentiras?”(Fables. é mais de real possível do que de real atual.. Pio XlI — um dos mais sábios pontífices entre os que já ocuparam o sólio papal - expunha as sérias dificuldades com que lutava o jornalista para manter-se fiel à objetividade. Quando Rui Barbosa. n.. 1. tem os limites da realidade. É por isso que um jornalista-polemista tem menos fôrça. mas está mais na linha da poesia. Em seguida. o acontecimento. Um polemista é um belo espetáculo. ou o mal informado. É eminentemente objetiva. o fato. escreve um artigo de polêmica só para empregar dezenas de sinônimos de um termo injurioso para o adversário. da fidelidade ao fato. A veracidade. cit. Comparação que contém mais do que uma parcela da verdade. o estilo determinado pelo fato. pode ter feito um exercício de estilística.. do que pròpriamente do jornalismo. forjando-se espontâneamente. Como pode ser difícil resistir-lhes e respeitar os limites que a veracidade proibe absolutamente de ultrapassar! Sem esquecer sequer que “a conspiração do silêncio” pode também ofender gravemente a verdade e a justiça. L.”180 A obra jornalística. contrariando uma exigência natural do gênero.. além das dificuldades exteriores. enquanto que o jornalismo se situa quase que exclusivamente no real atual.págs. o realismo é a sua grande fôrça.. no entanto. até mesmo só uma parte daquela consideração em que podem freqüentemente contar a mentira e as meias verdades. o conto — pode prescindir de alguns dêsses elementos (lugar. não. 6). . e um “tempus pacis”: tempo para a paz. e um “tempus taciendi”: tempo para estar calado. no campo da opinião pública. O fato. in Diário de Notícias . Todos êles perdem de vista o objeto. tempo.do fato.. 1 — julho de 1953.. que em outras oportunidades foi tão grande jornalista. numa apresentação de personagens em luta com os seus próprios demônios interiores. ou o divag ante ou o vernaculista. a subjetividade prima a objetividade.” E o imortal pontífice fazia aos jornalistas a seguinte e incisiva advertência: “Mas se neste pobre mundo existe um “tempus belli”: tempo para a guerra. Em discurso proferido. quando se considera que. 179 Tristão de Ataíde — Art.179 E Antônio Olinto. como o pianista faz escalas. precisamente porque.-1957. A fôrça do jornalista está na verdade e na honestidade. mas não faz autêntico jornalismo”. escreve: “A ficção pode haurir seu material tanto de uma como de outra. e “tempus falsi”: tempo para o êrro. desfigura a realidade. a realidade para se prenderem apenas no modo de o retratarem ou nas suas segundas intenções mais ou menos ocultas. que é a coincidência dos seus atos com o seu dever. oriunda da sua própria fecundidade: — aquêle elemento imaginário ou dedutivo que gratuitamente vinculamos às circunstâncias que envolvem o fato e que.”181 Tremenda advertência. autoria e conseqüência da ação) porque seu plano (mais real possível do que real atual) é o de surpreender alguns dos mistérios do homem como ser. “Tentações que nascem dos interêsses de partido e talvez até da imprensa por cuja conta trabalhais. em 1953. êle que precisamente deve adequá-las à verdade e ao direito e por conseguinte purificá-las e guiá-las. realmente. aos jornalistas da Associação da Imprensa Estrangeira em Roma. como a verdade é a coincidência de sua apreciação com o acontecimento em si. 181 A Ordem — Rio — Vol. 180 Antonio Olinto – obra cit. . o que pode ser feito pelo escritor tanto na história chamada de “enrêdo” como numa pesquisa psicológica. que o jornalista sereno e objetivo. que o jornalista não pode seguir sem reservas. da atualidade. não há “tempus veri”: tempo para a verdade.10 e 17-nov. é a medida do jornalista. O mau jornalista é o sofisticado ou o fanático. quando causam admiração e seduzem. A literária de ficção — o romance. Sabeis — acrescentava — pela vossa própria experiência quotidiana como é muitas vêzes dificultoso garantir a pura verdade. após lembrar que “existe a realidade em ato e a realidade em potência”. da sátira. sob o guante das mais diversas tentações. Sua configuração geral. Jean dé la Fontaine não exprimiu uma observação parecida nos versos bem conhecidos: “o homem é de gêlo para as verdades.. nêle polemista. embora mais violência. tentações da parte da opinião pública ou mais exatamente das opiniões do público.

Pois “nem tôda a verdade é boa para ser dita. A notícia se terá convertido. com absoluta imparcialidade ao reproduzir para divulgar no radiário as rádio-notícias exatamente como se produziram em nossa presença ou com uma investigação sã e alerta do ocorrido. por outro lado. Provayer Carracedo.dando à notícia um caráter de boato. o que não o priva — nem o redime. de modo veraz. 192. quando. Igualmente serve à objetividade aquela quase paradoxal discrição a que se refere Du Passage. então. “correm fundados rumores”. de quanto ocorre no mundo. em conduzir-se. Como chegaremos a obtê-lo? Simplesmente com uma atuação judiciosa. das leis. du Passage — Du journalisme – Paris. se acaso não obedece aos estilos — de prever as conseqüências sociais dessa divulgação. 1925 — págs. que podem deflagrar revoltas e iras e de cujas repercussões na opinião o jornalista se pode arrepender tardiamente. Discrição jornalística que. a despeito dos Alceste de todos os tempos e dos tagarelas apressados em vender atualmente as suas novidades” O mesmo autor propõe. um código para o jornalista que informa: “respeito à verdade. em um rumor. P.”182 Daí porque é tão rara a divulgação de versões idênticas sôbre o mesmo fato em diferentes veículos de Publicidade. no estilo periodístico o uso do modo condicional e das expressões “circula”. a sua constante manipulação dos fatos. que a fidelidade do jornalista aos fatos é forçada a empregar.. dos costumes. “informa-se”. onde se obteve a informação.”184 O jornalista tem a obrigação profissional de divulgar qualquer notícia comprovada que lhe chegue ao conhecimento. Allport e Leo Postman – Psicologia de rumor – Buenos Aires. a sua familiaridade com os assuntas. e porque é freqüente. 182 Gordon W. 1952 — pág. Provayer Carracedo — Radioperiodismo — La Habana. A Discrição — Deve-se. contudo. é êste o princípio fundamental para facilitar ao rádio-ouvinte os elementos de juízo apropriado para que nenhum fato seja desfigurado alterando ou confundido. responsável. As provas que recolhe podem ser relatos de segunda ou terceira mão (e ainda quando fôssem de testemunhas oculares seriam de duvidosa exatidão). A.183 Outro não é o pensamento de J. 1953 – pág. salientam que os jornalistas “apesar das suas melhores intenções nem sempre conseguem escapar ao curso da deformação típica do rumor. 11-13. ao menos em tese. Allport e Postman. quer pela sua revelação nua e crua quer pela discriminação da fonte. o verídico do falso. sem paixões. que põe sempre em guarda o jornalista a respeito de fatos que possam destruir reputações. ter em conta a soma de experiência do jornalista. de tudo quanto condiciona o comportamento social — o que lhe oferece meios de separar na radiografia da ocorrência. que a tais normas não se conforma. 184 J. na defesa do seu senso objetivo. . 57. que estudaram detidamente a psicologia do boato. está sujeita a normas seguras de verificação. Em pesar as obrigações que tem para consigo e para com a sociedade em geral. advertirá o profissional verdadeiro do momento asado para transmitir uma informação ou dar uma orientação reclamada pela sociedade a que serve. “conforme fontes bem informadas” e outras. em poucas palavra. transmudando unia informação que. o seu conhecimento das normas de ética. atenção leal e engenhosa para facilitar a obra de esclarecimento.. definindo os programas informativos de rádio. acentuação e assimilacão. reserva que não atribui jamais ao zêlo da verdade os nossos procedimentos indiscretos e as nossas intransigências apaixonadas”. chega ao sítio da cena depois de haver-se produzido um fato digno de publicação. diz que “se destinam a manter o rádio-ouvinte bem informado. verdade será dita sem prejuízo e os fatos divulgad os sem intenção maliciosa. com senso de oportunidade e responsabilidade — é que está o atributo da discrição jornalística. O repórter raramente é testemunha presencial do sucesso. serena. em balancear o dever profissional e o dever social. em rumor e o que o repórter escreva e o redator redija corre o perigo de cair ainda mais na precária ladeira da nivelação. Discrição que evita pareceres e juízos precipitados. em caso de conflito. 183 R. rendendo homenagem à exatidão.

. estava hospedado na Embaixada do Brasil. William B. 186 As normas gerais da conveniência social estão expressas nos códigos de ética e. Dickinson. estando. muitas vêzes. . o repórter insistiu pela sua publicação. conforme o relata a revista Visão — edição de 23 de janeiro de 1959 — o jornalista Odorico Tavares. . e acordou um dia tendo como vizinho no quarto ao lado o General Delgado. conforme se a diga ou se a escreva. o famoso ás não poderia participar de vôos de combate. porém não o único se se tem em vista não o egoismo ou a vaidade profissional mas a conveniência social. “Não basta. que uma notícia seja certa. a consciência profissional que adverte o jornalista da oportunidade e da justeza da apresentação ou do comentário de um fato qualquer. 274. sobretudo. ameaçado em sua segurança pelo regime que combatera. José Américo de Almeida.185 dos Diários Associados. com efeito. Por muitos dias. quando se sentia no ar que o regime ditatorial estadonovista se aproximava do seu têrmo. passando a dirigir o associado – Diário de Notícias. A verdade é mais ou menos verdade e até pode deixar de ser verdade. ludibriado pelo ditador em 1937. para que já por si se constitua um elemento adequado à conveniência social. Talvez nenhuma outra essência filosófica esteja mais subordinada à forma do que ela e o fato de que se a entenda sempre de diversas maneiras dá uma idéia cabal dos requisitos morais que exige a sua apresentação. visto como. Transferindo-se para o Recife. Êstes dois distintos aspectos da discrição no exercício do jornalismo estão caracterizados nos seguintes exemplos: em 1945. como não o seria colocar em mãos de um menino de meses um fósforo aceso porque chora de medo à escuridão que o rodeia. uma entrevista destinada a dar o golpe de morte no regime. Outro caso é o do correspondente norte-americano da United Press. 186 Octávio de La Suarée – Moraletica Del periodismo – pág. apenas em serviço de treinamento de pilotos de caça norte-americanos. O sol dá vida ao homem mas êste não pode mirá-lo diretamente. como o médico. sua cidade natal. em face da rigorosa censura à imprensa ainda imperante.. é ter já o jornalista à sua disposição o primeiro elemento para publicá-la. Jouvenel dizia aos seus alunos de jornalismo: “Não se esqueçam de que o público sente horror diante de tôda verdade nova”. a que se acham coercitivamente submetidos não sòmente os agentes do jornalismo como o povo inteiro. que fôra candidato oposicionista à presidência da República Portuguêsa e. irreprochàvelmente certa. As “maneiras” da verdade. nos códigos criminais — os primeiros elaborados pelos jornalistas ou por organismos em que os jornalistas se acham representados. à luz dos costumes e das tradições das comunidades a que se destinam. sendo civil. em Lisboa. quando se apresentou ocasião inopinada de entrar em luta. A condição de hóspede do embaixador impediu Odorico Tavares de conseguir o que seria a entrevista mais fácil e sensacional da sua carreira. o jornalista brasileiro Luís Camilo de Oliveira Neto obteve do sr. ingressou no Diário de Pernambuco e mais tarde fixou-se na Bahia. Mas é. para a diagnose e terapêutica de um mal. procurara asilo na sede da representação brasileira. Ainda recentemente. que fôra o candidato à presidência da República. para o jornalista a conveniência social”. Êsse fundamento único é. 185 Odorico Tavares. sendo considerado insensato.. natural de Pernambuco. jornalista e poeta. Afinal. que guardou durante treze meses consecutivos um autêntico “furo” de reportagem: uma ação de Lindenberg contra caças Japoneses no Bornéo — porque a sua publicação daria margem a prejuízos à causa dos aliados. sem que lhe seja preciso consultar textos éticos ou legais. Que seja verdade uma notícia. de Salvador. iniciou a sua carreira na imprensa de Timbaúba. nem sempre necessitará de ir ao Chernoviz. obteve a divulgação e o seu ato foi a libertação do jornalismo brasileiro das peias do DJP e o inicio da vitoriosa campanha de reconstitucionalização do país. devem ser reduzidas ao fundamento único que a complemente e concretize e faça-a assimilável pelas grandes maiorias. o últimos integrando a consolidação das leis penais.

registrou-se a época da polêmica. uma vez que se achará apto a assegurar por si próprio. fixando expressões ou detalhes essenciais. fugindo ao simbólico e ao metafórico. os métodos de ação do facultativo serão de molde a fazer entender ao paciente o seu estado de saúde. então. clareza. Houve. da quase irresponsabilidade. que ha de ser uno. harmônico. Senso Estético — E já que utilizamos a comparação do exercício do jornalismo com o da medicina. . Daí porque o jornalista — na fase de transição porque passamos. mediante a ordenação das idéias numa seqüência lógica. de reclamar o gôzo da condição primordial da sua atividade — a liberdade. se. É o senso estético que dita o estilo jornalístico. observou-se uma fase de alegre despreocupação: o jornalismo era. a fim de conseguir a necessária aquiescência à terapia indicada. de cultivar qualidades e dons que lhe são cada dia mais exigidos. fatalmente transmite receios. um planejamento filosófico e sociológico que responde não só a reclamações primárias e meramente utilitárias mas a necessidades do espírito do homem. torna-se ininteligível. o jornalista realiza obra estética e neste afã é que jamais o poderá alcançar a máquina. que há de ser correto. jamais o poderá violentar qualquer regime social estritamente materialista. adotando um ritmo próprio de “linguagem”. em qualquer que seja o veículo de que se utiliza. que há de ser enérgico. Ocorre o mesmo com o jornalista. que há de ser claro. em pleno florescer de uma segunda revolução industrial — precisa de estar consciente da sua missão. mantendo igual distância entre o preciosismo e vulgarismo. Sòmente nestas condições. parece demasiado otimista. dos fatos apresentados em conflito e usados para a defesa ou o ataque. por outro lado. Se. Aqui é oportuno lembrar que as primeiras manifestações jornalísticas foram puramente utilitárias. de fixação de metas a serem ultrapassadas. aquela outra condição indispensável ao seu exercício — a responsabilidade. de molde a evitar dissonâncias e choques. que condiciona o seu comportamento profissional. energia e harmonia. se se mostra surpreendido ou temeroso com os sintomas e a marcha da moléstia. corre o risco de incutir no enfermo uma idéia por demais lisonjeira da sua situação. em contrapartida. o médico examina-o e deve dizer-lhe o mal de que sofre. precisão. Em seguida. entretanto. ainda. no seu trato com o público — e o que o ajuda a acertar na ação é o senso estético. finalmente. com tempo para viver e para pensar. de superação do empirismo para um enquadramento ético e estético. Sòme nte há pouco mais de um século é que o jornalismo e o jornalista iniciaram a sua batalha de aperfeiçoamento. que há de ser. o instante da boêmia. usa apenas a linguagem científica. prossigamos no paralelo: chamado ao leito de um enfermo. enrêdo e maledicência amável e inconseqüente. e não raro desespêro. ao seu cliente. unidade. Mais tarde. A linguagem. fazendo-o obedecer. aos princípios de correção. aquela medida de equilíbrio de valores. jamais o poderá substituir o servo-mecânico. a atitude. sua extensão e a disciplina a que deve submeter-se para obtenção da cura. respondendo a exigências primárias da vida social.

QUARTA PARTE AS CONDIÇÕES DO JORNALISMO Contém: O PROBLEMA DA LIBERDADE Poder Público e Liberdad e de Opinião Educação para a Liberdade Defesa da Liberdade de Opinião O PROBLEMA DA RESPONSABILIDADE Jornalismo e Moral O Jornalismo Sensacionalista A Ética no Jornalismo Brasileiro Jornalismo e Nacionalismo Ação catalizadora do Jornalismo O Jornalismo Brasileiro e o Nacionalismo Os Reclames do Presente Jornalismo e Paz Mundial A “Batalha da Paz” A ONU e a Paz Os Caminhos da Paz .

usos. O PROBLEMA DA LIBERDADE Valor inerente e essencial ao desenvolvimento da personalidade humana e da vida social. 188 Paulo Nogueira Filho — Regime de liberdade social — Rio. Êsses fenômenos universais e constantes nos permitem definir a liberdade. outra. que atrofia a personalidade. A experiência confirma: no primeiro caso. essa fôrça motora da vida social geraria preconceitos e ódios.dores que integra.189 Tão vital se apresenta 187 Jacques Bourquin – La Liberte de la Presse – Paris. as íntimas e indissolúveis relações entre jornalismo e liberdade. 1951 – pág. se converterá num ser torpe e incoerente. que não participará da elaboração política. Sem a segunda. o que significa que deve poder exprimir livremente as suas idéias.. da ordem. concordando ou não. a liberdade deve ser compreendida pelo jornalista como inalienável “para exercer sem entraves a sua atividade intelectual. Sejam quais forem os ideais coletivos que animem um aglomerado formado de seres dotados de razão. nunca se define de modo preciso. quer seja pela palavra ou por escrito. e compará-la com a de seus pares.” O jornalista. com as regras jurídicas e morais. sem liberdade de pensamento e associação. tentaremos situar. 1951— págs. E. o indivíduo precisa de ter asseguradas condições em que possa expandir o seu ser e afirmar a sua personalidade. o exercício do poder opinativo não passaria de mais um instrumento — terrível. a sociedade. A liberdade tida como ação individual. no segando. como ação ou inação voluntária concordante com a vontade coletiva. a permanecer inativo. da paz e da colaboração. que dêle parte e dêle é exigida pelo indivíduo. em qualquer ordem de pensamento. do progresso. 38-39 e 46. e opressão social como ação ou inação determinada por vontade cole tiva. do pensamento filosófico moderno e da observação dos fatos sociais. terá noção precisa do estado de liberdade ou de opressão em que vive. em lugar de encaminhar o homem. a defesa da liberdade constitui tarefa indeclinável pois “se neste domínio um indivíduo se vê obrigado a guardar silêncio. . a comunhão internacional pelos caminhos da educação e da cultura. assim. está habilitado a sentir o grau de liberdade de que desfruta e para êle. hábitos. 33. O fato capital é. sempre que um dos seus componentes verificar a sua posição no grupo. mais do que para outros profissionais nos diferentes campos de experiência humana. a discordância se identifica com o sentimento de opressão. 67. esmagador instrumento manejado pela tirania e pelo despotismo para subjugar os anseios dos espíritos e dos povos pelo seu constante aperfeiçoamento moral e material. realizada na integração social. levaria indivíduos e comunidades à desintegração. o de que a expansão da pessoa humana só se processa na concordância ou na discordância das vontades individual e social. nesta ordem social. como intelectual. pois. 189 Harold J. que avigora a personalidade. um homem carece de meios para proteger-se a si mesmo”. o seu sentido é uno cm quaisquer condições. os indivíduos atuam coincidindo ou não. É o que ensina o prof. diante da constante ação social. jornalismo e responsabilidade e os reflexos que quaisquer distorções neste terreno produzem no exercício dessa atividade e no seio da coletividade humana. aguçaria conflitos. diante do problema da ordenação coletiva. discordante da pessoal. do Estado: — a liberdade. Temos como fundamentais ao exercício do jornalismo duas condições: uma que parte de fora para dentro e cuja garantia é competência das sociedades e particularmente. Socorrendo-nos. que é própria do agente. independente de limitação. costumes ou ordenações sociais ainda que difusas. Ao inverso. Paulo Nogueira Filho. Sem a primeira..”187 Para ser livre. pela comunidade e pelo Estado: — a responsabilidade. que chamaremos de social. se a consideramos como a expansão individual possível. aqui. Laski — La libertad en el Estado moderno — Buenos Aires — 1946 — pág. provocaria o caos e a ruma. a consciência dessa concordância se identifica com o sentimento de liberdade.188 que acentua: “Em todos os climas e latitudes do globo terrestre. em outras restrições senão as ditadas pelos poderes ordena.

Madrid. por isso. Os que falam em liberdade de expressão do pensamento. em verdade. ao menos em tempo de paz. “Desde o momento em que o homem faz parte da sociedade e. de fato. Ainda quando põem vigor na afirmação de uma liberdade. O proble ma a resolver seria. durante uma campanha política. E pondere -se que. o que. 1924 — págs. há muitos meios melhores para tal” sem falar na pressão expontânea da consciência comum e da opinião pública. a fim de dotar o homem comum da perfeita convicção de que possui espaço suficiente para a contínua expressão de sua personalidade. tal como provàvelmente são estatuídas nas leis e nas tradições anglo-saxônicas. “as clássicas declarações de direitos. a idéia da liberdade-direito desaparece para dar lugar à idéia de liberdade-dever. com as menores restrições possíveis. o dever de favorecê-la e ajudá- la. na hipótese. da liberdade-função social. que brota dos costumes e hábitos. 191 Jacques Maritain – Los derechos Del Hombre y la Lei Natural – Biblioteca Nova – Buenos Ayres. pois varia de povo a povo o conceito da normativização necessária em cada uma das séries citadas pelo insigne democrata. não deixaram de fazer referências à ordenação necessária quando preceituam que ninguém pode. 192 Harold Laski – Obras cit.”192 O poder público pode e deve limitar a liberdade individual para melhor garanti-la. a de assegurá-la. e esta doutrina está consubstanciada em todos os movimentos filosóficos que levaram o homem a lutar pelo direito e pelo dever de ser livre. é preciso dizer que tem o dever de exercê-la. no conceito solidarista. 126 – 127. nos dias que correm. intelectual e moral e não fazer nada que perturbe o desenvolvimento da atividade dos demais. implicitamente reconhecem a necessidade de regulamentá-la. que é dos mais típicos. não têm em conta o que seria entre outras a falta de ordenação jurídica da matéria. só aludimos à carência de norma jurídica. . ao seu ver. 18. às atividades que têm por objeto a depravação dos costumes. O presidente Roosevelt. de assegurar essa repressão. Assim. o de universalização das respectivas ordenações. assim. se referiu à categoria de atividades que julgou deverem ser ordenadas. Jacques Maritain escreve que à comunidade política “assiste naturalmente o direito de opor-se à propagação da mentira e da calúnia. especialmente a de desenvolver sua atividade física. “consiste em assegurar um equilíbrio harmônico entre a liberdade de que necessitamos e a autoridade que é essencial. quanta à ocupação de espaços nos veículos de publicidade? A falta de ordenação no caso. mas sòmente na medida que seja necessária para proteger a liberdade de todos. ocasionaria simplesmente conflitos cruentos ou o caos. na realidade. que o homem tem um direito ao exercício da sua atividade. no sentido de faculdade irrestrita. mas um dever. não apenas no termo da lei mas real e efetivamente. é inexequível. como por exemplo na de culto. quando êstes se acham fortemente arraigados. Para começar. que ela não constitui um direito. a quem pertenceria o centro cívico da cidade? E que seria. nasce para êle uma série de obrigações. pode o Poder Público limitar a liberdade de cada um. é um ser social. “Para o filósofo católico. por conseguinte. nos grandes centros urbanos nos países democráticos. fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei.”191 Conclui-se que a tarefa dos homens de govêrno e dos responsáveis pela orientação e pelos destinos dos povos. na medida do possível. que tem o dever de não dificultar a ação dos demais. Sem dúvida. com Leon Duguit. às que têm por fim a destruição do Estado e dos fundamentos da vida comum” mas “a censura e as medidas de polícia são o pior meio. não se pode dizer.a liberdade para o exercício do jornalismo que somos levados a crer.”190 Poder Público e Liberdade de Opinião — Se o jornalista tem o dever de exercitar amplamente a sua liberdade para ser fiel à missão de favorecer e ajudar a atividade dos demais membros da sociedade. ao Poder Público não cabe outra tarefa que a de proteger essa liberdade. 190 Leon Duguit — Soberania y Libertad — Beltram. cujo exercício declaram não poder ser impedido. ao proclamar como fundamentais quatro dentre as “liberdades humanas”. 222-223. porém. 1946 – págs. ao enumerarem as liberdades tidas como fundamentais. Assim. a de garanti-la por todos os meios. – págs.

196 J. Rela injúria. o limite da liberdade. São também as que correspondem a responsabilidades éticas. utilizando o jornalismo do mesmo modo que o tirano o utilizaria para a satisfação dos seus interêsses.71. nada entenderia. filosóficas — de valor absoluto e indiscutível. isto é. Não é fácil. encobrir-se e proteger-se com o munus natural da profissão. Sòmente uma convicção profunda de que liberdade e responsabilidade são coisas inseparáveis. de manobras astutas para obter riqueza e mundo. para acatá-los em nome da própria liberdade. em atos de puro 193 Paulo Nogueira Filho — Obra cit. Batem-se pela liberdade mas não dizem porque querem ser livres. filosóficos e religiosos. Qualquer indivíduo poderia — como infelizmente tem ocorrido — intrometer-se numa redação de jornal. Fulton Sheen assinala que “todos falam como se a liberdade neste mundo fôsse um fim e não um meio. apenas. com efeito. Fulton Sheen — O problema da liberdade — Rio. Esqueça-se a finalidade. Dêsse modo. de conhecer da técnica de jornal. . e a liberdade tornar-se-á um absurdo. de pela violação das normas éticas que regem a profissão. pelo falso testemunho e pela irresponsabilidade. Em outras palavras. a sociedade será chamada a responder às distintas direções do pensamento e a aplicar recursos próprios para analisar. portanto. morais. o que não o privaria de ser um “expert”. conseqüentemente. Porque se a liberdade fôsse. distinguindo-os. o jornalista precisa — como arauto e pregoeiro das idéias. de fazer sensacionalismo. Já T. em última análise. das ieivindicaçôes. de que “liberdade e lei. 1947 — pág. são também morais. aquêle instante em que temos de aceitar restrições ao nosso direito. As leis que regulam e limitam a liberdade. pelo diatribe e. de renunciar ao exercício amplo da nossa atividade. em respeito ao direito alheio — da sociedade. enfim — o jornalista precisa de educação especial para a liberdade. é o direito de fazer o que eu devo”. de que liberdade não significa indiferença ao bem geral e individual. 195 e de que. travestir-se de jornalista. quando impostos pela lei jurídica. 194 J. Do jornalismo missão-social. 1955 — pág. é que poderemos. de que liberdade não é “o direito de fazer o que me pareça. — 44-45. naqueles setores de atividade humana. a manifestação da opinião através dos veículos jornalísticos.”193 A verdade é que os limites da liberdade não pertencem apenas à ordem jurídica. instruçãu ou treinamento se faria mister para o exercício profissional. escolher os caminhos e traçar os limites da liberdade. do pénsamento. adquiridas pela experiência e pela educação. 31. no tumulto dos interêsses em choque. nem a necessidade de fazer o que o ditador me imponha. não são apenas as regras codificadas. de suprimir informações. esquematizadas em textos oficiais. 195 Gustavo Corcão — As fronteiras da técnica — Rio. Fulton Sheen — Obra cit.O valor da sua proclamação residiu no intento de influir junto a todos os governantes para que assegurassem. investir-se na direção de um periódico ou de uma emissora radiofônica. que o jornalista identificar-se com os objetivos da sua missão. todavia. de incitar à rebelião e propagar a guerrrcivil ou entre nações — então nenhuma educação. mas. Estar livre do reumatismo só é compreensível porque quero estar livre para andar. nós próprios.34. assimilar ou rejeitar as idéias que a impulsionam à ação. o direito de publicar o que se quer. liberdade e obrigação mo ral são idéias correlatas”.”196 Educação para a Liberdade — Há. Essa “liberdade” não o privaria. a liberdade não é um fim — sòmente com essas convicções. a paz social. de torcer a verdade ao sabor das próprias conveniências. ao contrário. do Estado ou do indivíduo — ao pleno exercício da atividade dos que conosco vivem e atuam. de insultar e denegrir o próximo. — pág. distinguir. bem informar-se dos meios que deve utilizar para alcançá-los e de como empregá-los.194 de que não expressa a faculdade de contra ela nos erguermos. da administração e gerência de uma emprêsa jornalística. Insistem em ser livres de alguma coisa mas esquecem de que estar livre de alguma coisa implica em estar livre para alguma coisa. dos anseios da opinião pública.

Arturo — Il Giornale — Napoles. levar a comunidade ao desespero. acaso. particularmente para ocupar os postos mais elevados” e que. que deve ser proporcionada aos jornalistas uma formação profissional que lhes dê um bom lastro de cultura geral. em 1949. Era uma educação especial para a liberdade de opinar que movia Joseph Pulitzer. não preparar o profissional para o trabalho material de fazer um diário ou um periódico. Eu desejo iniciar um movimento que possa erguer o jornalismo ao nível de uma profissão erudita. reconhecendo que “os profissionais da imprensa. que “não é pura teoria mas uma fôrça viva e real. conformando a expressão do pensamento às normas do Direito. do rádio e do filme assumem responsabilidade frente ao público”.” Ao general Lee. 7. e êle próprio o declarava: “Minha esperança é que êste colégio de jornalismo levante o nível da profissão. a William Allen White e a outros jornalistas e professôres. na maior parte dos casos estudados. Gilberto Henry Goston informa que “uma enquete revelou. isto é. Mas. que “mesmo nas nações em que a situação econômica é relativamente estável. de contribuinte na obra de entrosamento dos cidadãos na vida. falta pessoal qualificado. que o número de jovens americanos que se destinam à carreira da imprensa e das letras se eleva a dois milhões. a Walter William. ensinar-lhe tipografia ou métodos de gerenciar o negócio. Dana. no âmbito da lei”. como outras profissões muito menos importantes têm logrado o interêsse público. deveu-se a vitoriosa campanha que transformou os Estados Unidos no país líder do ensino jornalístico no mundo. sobretudo. liberdade de expressar a opinião não é essa licença e sim “a possibilidade de exercitar o próprio e são direito. E atendendo a que “os jornais não são os únicos a 197 Assante. o relatório. opinou que “esta organização pode fazer muito mais em favor da formação profissional do que sôbre não importa que outro ponto estudado” no relatório apresentado em 1949.” Reconhece. de colaborador permanente na tarefa da paz e do entendimento entre todos os povos do mundo. desenvolva nêles o senso das responsabilidades que incumbem à imprensa sôbre o plano social e lhes forneça noções de base a respeito da técnica e dos métodos próprios desta profissão. muitos terminarão “writers” de agências de publicidade. na sua iniciativa vitoriosa de criar a Escola de Jornalismo da Universidade de Colúmbia. Jones — Journalism in the United States — New York. política da nação. na luta fratricida e no caos. 514. Registrou. conservar a contabilidade no seu próprio lugar e fazer da alma do jornalista.gangsterismo. mergulhar o país na ruma. a Charles A. “as principais dificuldades não vêm do número insuficiente de candidatos.”197 Como expressiva parcela do povo o jornalista não deve permanecer passivo diante dos problemas. credora do respeito da comunidade. de uma firma cinematográfica ou. mas. da luta pelo desenvolvimento constante das condições econômicas e sociais das comunidades a cujo serviço se encontra. a Pulitzer. Não é menos verdadeiro porém que aquêles que chegarão a ser jornalistas constituem uma importante fração dessa população estudantil nos Estados Unidos. 45-46. um trabalho incessante não sòmente do poder público mas do povo inteiro. Sem dúvida — acrescenta — entre êsses escritores em perspectiva. 1952 — pág. correspondente a observações feitas em 19 países. ainda. do fato de que êsses candidatos não têm formação profissional satisfatória. 1949 — págs. correspondentes de uma casa comercial. a alma do jornal. 1947 — pág. mas “elevar idéias. A sua posição é de um ativo participante da elaboração do Direito. Robert W.”198 Pulitzer estava convencido de que a principal função dos estudos especializados jornalísticos era. . limitando-se a expô-los ou criticá-los leviana ou inconseqüentemente. Mas para isso é preciso marcar a distinção entre os verdadeiros jornalistas e os homens que fazem uma espécie de trabalho jornalístico que não requer nenhum conhecimento ou convicção. 198 Conf. 199 GiIbert Henry Goston — L’ABC du journalisme — Paris. no meio dêsses aspirantes a jornalistas. mas um simples treino de negócio.”199 A sub-comissão de imprensa da “Comission de Besoins Techniques” da UNESCO.

Seguem cursos de três meses. nos quais se estudam teórica e pràticamente as mesmas matérias que no plano dos cursos para espanhóis. ao qual os dirigentes do jornal prestam a mais solícita atenção. contràriamente ao que se crê comumente.”202 O regime de Franco cuida da formação profissional dos jornalistas ibéricos. encontra neste caso um exemplo magnífico. 11-junho-1953 — N. ditados em três anos. 111-117.”204 A liberdade de opinião na URSS não obedece aos nossos modelos. instituições do mundo hispânico. reunindo as idéias criadoras e a iniciativa dos trabalhadores. As autoridades soviéticas afirmam que na elaboração definitiva das leis têm em conta a opinião assim obtida. 24-37. 203 Essa preocupação dos governos socialistas e totalitários no preparo de equipes de jornalistas. Anualmente. como é entendida entre aquêles povos. tècnicamente competentes e politizados de acôrdo com as diretrizes práticas e filosóficas vigorantes. no espírito daqueles que se dedicam à profissão jornalística. que a imprensa russa é livre de criticar. film. — págs. note-se bem. 202 A Voz Operaria — Rio. história dos Descobrimentos. O govêrno espanhol faz ainda mais: mantém cursos especiais. dividido em três períodos intensivos. 217. rádio — Paris. dezenas de jovens que completam o curso de jornalismo. E dentro dessa compreensão. seguindo as diretrizes oficiais. que visitou a URSS. mas “é exato. um ou dois anos. saem das Universidades soviéticas. estrutura econômica do mundo hispânico e. as informações gerais e as diretrizes contidas nos artigos de fundo”. escreveu o seguinte: “A formação de um jornalista do Pravda é um trabalho de vários anos. segundo a formação que se lhes julga conveniente dar. “aquêles jornalistas cujos méritos os assinalam aos dirigentes são enviados para uma das numerosas escolas de jornalismo. talvez os correspondentes prefiram. compreendendo um ano escolar de nove meses de duração.”201 E o repórter brasileiro João Batista de Lima e Silva. se bem que com menos extensão. tais como problemas atuais da Hispano-América. indica que tais governos também estão imbuidos da importância de imprimir. 1950 — pág. 1948 — págs. política exterior da Espanha. na URSS. A imprensa soviética. É raro que sugestões ou críticas.200 Fato significativo. Talvez faça-se uma judiciosa censura das críticas. Publica numerosas cartas de trabalhadores inserindo julgamentos por vêzes severos sôbre o funcionamento dos organismos governamentais. particularmente das Escolas de Moscou e Leningrado. destacando- se os cursos oferecidos pela Escola Oficial de Jornalismo da Universidade de Madrid. 203 Manual de Estudos – Universidade de Madrid — Ano de 1952. quando se observa o desenvolvimento do ensino técnico-profissional de jornalismo no mundo é a importância que os governos socialistas ou totalitários dão à criação e manutenção das escolas e cursos superiores para o pessoal da sua imprensa. recomenda que “os programas das escolas de jornalismo sejam concebidos em função de todos os meios de informação das massas” e em plano universitário. 204 Pierre Denoyer — Obra cit. consideram ser vital para o govêrno possuir a sua imprensa e dar-lhe direito de criticar e orientar a opinião pública. 200 UNESCO — Press. A maioria das comunicações dos leitores refere-se aos negócios do Estado.fornecer ao público a sua ração de notícias. comissários do povo ou órgãos dirigentes do Partido. e incluindo algumas matérias especificamente destinadas à melhor preparação profissional dos periodistas dos países sul-americanos. através de bolsas. A diretiva stalinista — “Os quadros decidem tudo” — que norteia todos os setores da atividade soviética. voltar a lua atenção para as atividades referentes às autoridades locais. Pierre Denoyer informa que. se refiram às atividades dos escalões superiores do Govêrno. por exemplo. seis meses. é considerada uma fôrça pelo govêrno porquanto estabelece um contacto direto e vivo “entre o povo e os homens de Estado. 201 Pierre Denoyer — La Presse dans le monde — Paris. quer às repartições quer aos funcionários locais. as idéias e normas norteadoras do exercício da liberdade. . 117. para alunos hispano-americanos.

Para a Itália do presente. cujo dever fundamental é. em tese apresentada ao Congresso Nacional de Jornalistas de 1953. 1957 — Afonso Arinos de Meio Franco sintetizou com muita precisão a matéria. O maior documento a respeito de que temos conhecimento. que visam a desnazificação das massas. Kent Cooper. Baltiiski a um dos diretores da Associated Fress. entretanto. por exemplo. Por que? Porque não existe na Itália um sistema político nem social que torne possível a introdução da forma soviética de liberdade de imprensa. tal como a entendemos. o jornalista que necessita.”207 Defesa da Liberdade de Opinião — Mas não é apenas. enquanto periódicos e filmes expõem aspectos diversos do problema. 17-set. e êsses estudos e debates constituem pràticamente o fundamento de qualquer formação cultural. como o fizeram as gerações passadas. Posteriormente. A certo trecho escreveu: “Porque nós outros da União Soviética conquistamos e pusemos em prática a mais ampla liberdade de imprensa. em visita ao Parlamento de Bonn. de grande tiragem. Baltiiski revela conhecimento absoluto dos princípios da liberdade de imprensa na concepção ocidental. É o próprio povo. e não a forma soviética de liberdade de imprensa. Seminários de jornalismo. que o torne apto à defesa da liberdade de opinião. responde um dos visitantes. sob a égide da UNESCO. sobretudo no nosso país.”205 Pierre Denoyer dá-nos um exemplo da liberdade de crítica na União Soviética feita à burocracia florescente. em tribuna especial. por isso naturalmente atribuimos um grande valor à mesma. 111-117. ensinamento constante da ciência política. em que aparecia o desenho da ante-câmara do presidente de um Soviet Municipal cheio de visitantes. . do seu exercício nos países não socialistas e das suas diferenciações com a “forma soviética de liberdade”. periò dicamente. menos na própria URSS.Jamais a política do govêrno. 207 Octavio de la Suarée — Moraletica Del Peridismo — La Rabana. Lenine e Plekhanov.” Os jornalistas soviéticos estão capacitados hoje a defender a sua própria concepção de liberdade de imprensa206 graças. nos demais países. em Curitiba. 1946 — pág. Há momentos em que a crítica da execução inclui a crítica da própria política. a substituição progressiva dos conceitos nazistas de liberdade e govêrno pelas idéias democráticas imperantes naquele país. ampliado e firme aos seus pósteros. nas associações. de uma educação especial. estuda-se e debate-se constantemente. Rio. Marx. em diferentes países com o propósito de 205 Pierre Denoyer — Obra cit. em que concluia que a Rússia desejava uma imprensa livre em todo o mundo. é o espectador do cinema e da TV. simpósios e inquéritos são realizados. sem dúvida. Os críticos confundiram negar valor dialético ao conceito com negar existência ao próprio conceito. é o ouvinte. Em troca. assistir a uma aula. Nessa longa missiva. na qual se procurasse ensinar o homem a ler e aproveitar o jornal. nas escolas. é a carta aberta dirigida pelo jornalista russo N.-53) por referir-se. E outra não tem sido. na necessidade de uma “escola de leitores”. “Espera-se muito tempo para ser recebido?“ — pergunta um recém-chegado. numa série de discursos proferidos na Câmara dos Deputados e reunidos no volume Pela Liberdade de Imprensa — Livraria José Olimpio Editora. legando-o. em resposta a uma palestra pelo mesmo proferida em outubro de 1944 na Associação Editorial de Chicago. não faz senão três meses que espero. Na República Federal da Alemanha. poder básico do regime. 206 O autor foi criticado (Diário de Pernambuco — ed. cursos de extensão universitária. nas fábricas. é criticada. ali. ao “conceito socialista de liberdade”. são ministradas também nas Universidades. Isto não significa. é a mais conveniente. 175. pela revista satfrica Krokodil. mesmo. cremos que a democrático-burguesa. exatamente. ao preparo excepcional do seu pessoal. “Não sei. num sentido mais lato. tivemos oportunidade de. Essas aulas. preservar êsse bem. em qualquer parte. tanto nos Estados democráticos como nos socialistas. Já se falou. o complexo teórico de Hegel. que desejemos impor nossa forma soviética de liberdade de imprensa aos demais países. ao examinar “as doutrina anti-liberais da liberdade e suas consequências”. sôbre o funcionamento do legislativo. — págs. a realização dessa política pode ser criticada e o é realmente. Nestes últimos.

Êstes três tópicos são fundamentais na fixação do conceito e das diretrizes de uma atividade jornalística livre e consciente das suas verdadeiras e legítimas finalidades. na manutenção das relações amistosas e da colaboração universal para a construção de um mundo de paz e progresso. Ou a serviço do poder político ou a serviço do poder econômico. Um povo apto à defesa da liberdade estará sempre vigilante. preparando-as para o exercício de uma vigilância sem a qual será fatalmente deturpado o sentido da liberdade de opinião. por parte dos acusados.esclarecer a opinião sôbre os benefícios e a importância da imprensa. as universidades. e mesmo no Brasil. 209 De Republica — IV. o prêmio da Academia Pernambucana de Letras. sob as quais vivem e desejam continuar a viver. Jornalismo e Moral — Referindo-se ao problema da responsabilidade jornalística. integrado na tarefa do desenvolvimento nacional e do constante aperfeiçoamento das instituições democráticas. oferecendo aos inimigos da liberdade razões para suprimi-la. para o caluniador a pena consistia em se lhe infligir o mesmo castigo que pudera ter sido aplicado ao caluniado. foi deputado à Constituinte Federal em 1946. no govêrno Café Filho. O PROBLEMA DA RESPONSABILIDADE Para responder e corresponder à liberdade que lhe deve ser conferida. na sua opinião. do rádio. . quando muito forçado a publicar retificações ou a retratar-se em outra edição do jornal. Na época da publicação deste ensaio integra o corpo redacional do Diário de Pernambuco como comentarista político. o dano moral terá permanecido sem a justa reparação e a comunidade acostuma-se a permanecer indiferente aos libelos jornalísticos enquanto se cria um clima de insensibilidade. nos crimes de imprensa alguém deveria pagar na prisão: ou o jornalista. a fiscalização é sempre possível no regime de liberdade” — assegura com muita justeza Afonso Arinos de Meio Franco. levando os veículos periodísticos a se colocarem à margem dos verdadeiros interêsses da coletividade. Cícero209 acentua que já a lei das Doze Táboas. a exigir a prática de um jornalismo responsável. “que impusera a poucos delitos a pena capital. obtendo. o seu estudo biográfico e crítico de Pinheiro Machado constituiu obra de grande repercussão nos meios culturais do país. Dêsse modo. que mentiu e caluniou. e ministro da Agricultura do Brasil. as associações e clubes — todos os núcleos sociais. A reparação do prejuízo ocasionado à pessoa humana ou à entidade de direito no seu patrimônio ideal. as igrejas. finalmente. no seu bom nome ou na sua justa fama tem sido exigida pelas mais remotas legislações. onde a imprensa é vítima das mesmas deficiências morais e técnicas da nossa formação política imatura e ainda meio bárbara. Costa Porto208 costuma dizer que. Em ambos os casos. Escritor e pesquisador da historia. enfim — se compenetrem do seu dever de pugnar por um jornalismo livre e responsável. jornalista e professor pernambucano. 10-12. Êsses esforços objetivam inculcar nas massas o respeito pelo jornalismo. de acôrdo com os códices de Thaut. os sindicatos. Basta que os partidos políticos. “Em qualquer país. verídica e comprovadamente. A idéia de Costa Porto sôbre as conseqüências da responsabilidade no exercício do jornalismo remonta aos tempos do antigo Egito onde. ante as mais infamantes pechas que lhes são atiradas. pelo contrário considerara conveniente aplicá-la ao que recitasse pùblicamente ou 208 José da Costa Porto. que nem sempre é conhecida dos mesmos leitores que foram postos a par da falsa acusação antes veiculada. O que o ilustre escritor pernambucano não pode admitir é a impunidade do foliculário irresponsável. ou aquêle contra o qual. exercitou a sua crítica. da TV e do cinema na difusão das notícias e da cultura. no conhecimento mútuo dos povos e. o jornalismo se obriga à responsabilidade sob três aspectos: — para com o indivíduo e a coletividade (jornalismo e moral). entre outros. para com a pátria (jornalismo e nacionalismo) e para com a comunidade internacional (jornalismo e paz mundial).

o dano moral tomou tal amplitude que torna impossível a sua reparação. Qualquer notícia ou comentário publicado em um jornal de pêso na opinião pública poderá ser logo transmitida pelo rádio ou por qualquer agência telegráfica ao mundo inteiro. onde os mais altos postos da vida social são disputados através de eleição.compusesse versos injuriosos ou difamatórios. dolosamente. se for o caso. finalmente. 1955 — pág. de acôrdo com o “jus vindictas”. em muitas delas. o jornalismo desamparado diante de um indivíduo todo poderoso. se tornaram pouco ou nada eficazes. pesam alguns argumentos de apreciável conteúdo. Ë que. diante de um grave problema: de um lado. codificada e proclamada. a irreparabilidade do dano infligido ao indivíduo pelos órgãos jornalísticos que foram criados e se desenvolveram para serví- lo e engrandecê-lo. a reparação do dano moral sofrido impunha ao difamador que.” Durante a Idade Média. inclusive se se trata de clérigo a quem. entretanto. o direito de resposta.210 dispunha a vítima da ação pretoriana. “de igual modo injúria se causava a outrem quando contra êle se escrevia. batesse na sua própria bôca. compunha ou publicava um libelo ou livro infamante de versos. 12. Quem ousar denunciar pela imprensa o criminoso. perdurará para aquêle público que não teve oportunidade de tomar conhecimento da retratação. na velha Alemanha. — pág.938 a dar a devida satisfação e a reparar os danos. Por outro lado. multas.”211 Estamos. e se posteriormente o jornal vier a retificar o conceito. apreensão de exemplares de jornais.083.” E segundo a lição de Justiniano. O cânone 2. nos têrmos do art. . tu mentiste !“ As modernas legislações prevêem penas de detenção. apresentar-se ao eleitorado solicitando-lhe as preferências. o desagravo do difamado. com a expansão dos meios de comunicação. 28. A propósito. cuja incolumidade fôra. que se denominava “injuriarum aestimatoria” e pela qual podia reclamar uma reparação consistente.. de vida pregressa pontilhada de infrações penais não desmacaradas. Já salientamos como um falso juízo ou uma informação tendenciosa. para proteger-lhe os direitos e orientá-lo para a prática do bem. não permita a prova da verdade. não com atos mas por meio de palavras ou escritos. confisco e sequestro de máquinas e. o direito de resposta a quem for acusado ou alvo de injúria. como também se torna passível de penas e penitências proporciona das.. nos teores dos cânones 1. Dêsse modo. há dois séculos. reconhecida. Rui Antunes comenta: “Florian lembra muito bem que a justificativa da verdade é tanto mais de ser acolhida nos regimes políticos democráticos. por interposta pessoa. por si ou. consistia em reclamar fôsse arrancada a língua ao difamador. como na brasileira. de 12-11-53) conduz os jornais a ficar silenciosos quando um biltre da pior espécie. 2. se deve impor a suspensão ou privação de ofício e benefício.355 da Igreja reza textualmente: “Se alguém. poderá ocorrer — e ocorre com freqüência — que nem aquela emissora de rádio nem aquela agência informativa se interessem por transmitir a retratação. sempre.” Neste caso. do outro. calúnia ou difamação. espontâneamente. 140. Um jornalismo que “sentia gravitar a injustiça 210 Wilson Melo e Silva — O dano morai e sua reparação — Edição Revista Forense — Rio. exclamando: “Bôca. letra b. a “prova da verdade” é quase que totalmente excluída nos processos por calúnia e difamação e não é mesmo admitida siquer no caso de injúria. bastando para isso que o processo seja devidamente instaurado pelo ofendido e que êste. que se lhe cosesse a bôca. mesmo retificada por determinação de sentença judicial ou admitido. lhe extirpasse o nariz ou amputasse a mão. 211 Rui Antunes — Obra cit. tanto entre nós como em outros países. Em tempos menos recuados. correrá o risco de ser afinal condenado como caluniador. a situação criada pela nova Lei de Imprensa entre nós (Lei n. ou de qualquer outra forma injuria a um terceiro ou o prejudica em sua boa fama e reputação.618 e 1. Essas reparações. assim. perante o tribunal. não só se obriga. pecuniárias. contra o processo judiciário adotado nos chamados crimes de imprensa. a quem se propiciava os meios necessários. todavia. em uma soma de dinheiro prudentemente arbitrada pelo juiz.

Um jornal não deve ferir os direitos ou sentimentos privados sem ter a segurança de que está servindo ao interêsse público que não deve confundir-se com a curiosidade pública. no Congresso Nacional e Panamericano de Imprensa. Dana reconhecia a função social do jornalismo. O jornalismo procurava. fixassem a posição exata da sua atividade. A Imprensa deve ser o mais fiel defensor da dignidade da pessoa humana e do respeito que merece. Uma prática correta exige que essa oportunidade seja dada em todos os casos de acusações graves fora dos procedimentos judiciais. na Cidade do México e em Caracas. por seu turno. desde que se pensou em ética jornalística se equacionou o problema da não propag anda do vício e do crime. aprovaram. Em ambos êsses conclaves. o primeiro congresso jornalístico de que se tem notícia.” E uma declaração unânimemente aprovada na Cidade do México. injúria ou difamação devem ser objeto de uma reparação pública e expressa por parte do jornal responsável. credos.. em 1923. quando Charles Anderson Dana.” O Jornalismo Sensacionalista — Visando.212 Outro não foi o pensamento da Associação Nacional dos Editores de Jornais dos Estados Unidos. ponderação e discrição. reuniu-se. Essas primeiras normas abrangiam diferentes aspectos do trabalho jornalístico.. Um jornal não deve publicar acusações que não sejam oficiais que afetem a reputação ou a moral de alguem sem dar ao acusado a oportunidade de ser ouvido. no seu famoso “Credo do Jornalista” e resumiu a matéria na seguinte definição: “Creio que o jornalismo que melhor triunfa — e que mais merece o triunfo — teme a Deus e honra o homem. ideários e declarações que vêm sendo sistematizados desde pelo menos 1888. ultrapassando mesmo os limites da ética geral. em Bruxelas. considera a calúnia. falando perante a Associação Editorial de Wisconsin. menosprezado pelo jornalismo panfletário e polêmico da época: “Nunca ataque ao débil ou indefeso. purificar as condições de trabalho e “formar uma coletividade dentro da qual não tenha assento nenhum gênero de vileza e corrupção. proclamava: “um jornalista digno dêsse nome. Êsses princípios estão consubstanciados nos códigos. a reputação das pessoas. a não ser que haja uma necessidade pública para fazê-lo.sobre o seu destino e a responsabilidade sôbre a sua obra” teria de procurar estabelecer princípios e normas que.” Com a presença de Emile Zola. lançou as bases da ética jornalística. mas recomendava. não abusa jamais da liberdade de imprensa e das suas fôrças com fins interesseiros. seja com argumentos. que sobrepõe aos interêsses do indivíduo os interêsses da coletividade. na expressão de Zola. novamente se concentram os homens da imprensa da Europa.. salientando: “O direito de um jornal de captar e reter leitores está restringido sòmente por consideração do bem estar público. nos anos de 1928. um decálogo do jornalista que. nenhum jornal deve prejulgar a culpabilidade ou a inocência de pessoas processadas nos tribunais.... textualmente. realizados em Havana.. um ano depois. 42 e 45. ajuntando essa outra incisiva máxima: “Uma palavra que não se pronuncia jamais causou prejuízo”.” E o grande jornalista norte-americano Walter Williams. Que reduzisse ou mesmo eliminasse os conflitos com o cidadão. através de máximas adaptadas “para servir de guia aos homens que fazemos os jornais”. mas já recomendavam. no seu décimo mandamento.” Através desta norma-mater. ainda.. a ética profissional constituiu o primeiro e mais importante ponto do temário. 74-75. em Londres. quando... o respeito ao indivíduo. em 1941. de logo. qualquer que seja o seu credo religioso ou a sua filiação política. deve ser escrupulosamente respeitada.. O congresso mexicano a que antes aludimos 212 Octavio de Ia Suarée — Moraletica eit. ainda que o tribunal competente julgue que não agiu de má fé. invectivas ou pelo ridículo. em 1893.” Três congressos jornalísticos latino-americanos. — págs. proteger a honra do indivíduo e a comunidade a que pertence. adotou o seguinte princípio: “tôda calúnia.. . a difamação e as acusações sem provas como as mais graves faltas profissionais. que deve publicar os esclarecimentos necessários em lugar de destaque. votou os postulados éticos dos seus membros.

senão maior. Está muito arraigada a convicção de que sòmente o jornal sensacionalista — sensacionalismo aqui empregado como o sistema de concessões à curiosidade mórbida das mais baixas categorias de leitores — obtém fácil aceitação. tendo elevadas astronômicamente as tiragens e. — págs. o autor pôde observar pessoalmente ao visitar a redação do Denver Post e do The Rocky Mountain News. por isso. entorpecentes. a resposta é evidente: o leitor reclama assuntos dessa categoria porque se tem despertado o seu interêsse por tais matérias. muito propagada. deve adaptar-se a êste desejo. o último dos quais “tablóide”. como se sabe. de Denver. para a divulgação sensacionalista dos fatos delituosos. o público tem demonstrado a sua repulsa á tais processos e expedientes de que. suicídios e outras formas de crime ou imoralidades devem ser suprimidas. não são fenômenos 213 A.. jogos de azar. catástrofes. que lamentam sinceramente o abuso do sensacional. consequentemente. às catástrofes” é causa ou por ventura não será a conseqüência de uma certa linha seguida pela imprensa? Ao nosso ver..” Que as normas dessa Liga foram conscienciosamente observadas pelos órgãos da imprensa do Colorado. a feição do seu interêsse intelectual. não raro. que se orgulham da sua linha editorial austera. se quiser manter a sua tiragem. Há alguns anos. cinematográficos que apresentem seqüências incompatíveis com a decência e a dignidade humana. oferecendo melhores lucros aos editôres. suas noções morais e éticas. a exibição de jornais ou documentário. fez inserir nos jornais daquêle Estado norte-americano algumas normas de ética. estimular o crime e despertar a morbidez das pessoas através das suas informações. o editor-financista defende o princípio de que a boa notícia não produz receita. Constata-se que a procura de jornais aumenta durante as investigações de crimes ou a realização de processos penais e. Nossas redações defendem um ponto de vista muito diferente. não admitiremos jamais a teoria segundo a qual todos os traços negativos venham da imutabilidade da natureza humana — teoria. Co lorado. americana e britânica. onde está o efeito? O interêsse demonstrado pelos leitores “ao sangue. infortunadamente. que deveriam ser obedecidas pela imprensa. enfim. as tergiversações e os exageros de tôda classe devem ser eliminados. etc. que exalte os baixos instintos. As reportagens sôbre divórcio. E mesmo se admitirmos que a natureza humana possui traços característicos duráveis. Em diversas oportunidades.” Sucessivos congressos jornalísticos e assembléias político-legislativas têm condenado. a publicação de fotografia e desenhos imorais — tudo. Entre tais regras figuravam as seguintes: “nenhuma notícia editorial nem anúncio que não seja próprio para um menino ou menina de quinze anos deve ser publicada. assassinatos. Abordando o problema na imprensa polonesa atual. Estamos longe de convir que a “natureza do homem” lhe foi dada uma vez por tôdas. a publicidade comercial indiscriminada de bebidas. matutinos. do que as informações concernentes a crimes. às mortes.estabeleceu que “os jornais devem abater-se de fomentar os vícios. 384-385.. Rayski213 comenta: “Numerosos colegas da imprensa francesa. em “manchettes” e grandes títulos. A. sob pena de não receber o seu apoiamento. Uma questão se coloca então: onde está a causa. e estipulado sanções. em nada prejudicial à feição moderna e atraente que apresentam. que sobrevivem aos regimes. . explicam-na pelo fato de que responde ao desejo do leitor e que o jornal. As informações imaginárias. sob uma falsa concepção de liberdade o jornalismo lança mão para obter popularidade. Rayski — Obra cit. Por que as notícias sôbre o agravamento da situação internacional devem despertar mais interêsse do que aquelas que anunciam o melhoramento das relações entre os Estados e os povos? Por que é menos interessante saber como uma casa foi construída do que como foi derrubada? Por que uma estatística sôbre a melhoria do estado de saúde da população é menos interessante do que a notícia de uma epidemia? O gôsto do leitor. a “Liga Protetora dos Cidadãos”. enquanto que a má notícia é muito mais vendida. um ponto de vista segundo o qual as boas notícias podem e devem despertar entre os leitoresres um interêsse igual.. a apresentação de programas radiofônicos pornográficos ou de duplo sentido.

vigorou. ou desprêzo público. a parcimônia no informar sôbre catástrofes e calamidades públicas. União Soviética e República Popular da China. e o indivíduo como cidadão. como na Inglaterra e na Suíça. nem os suicídios se consignam em suas colunas. nem o New York Times. a divulgação de editoriais. as cinco ou oito páginas seguintes não contém senão anúncios curtos e classificados. participante da comunidade social — é que.. com efeito. 14 — Abusa-se da liberdade de Imprensa contra os bons costumes: 1. vêem-se títulos sensacionais e as notícias se publicam com todos os seus detalhes. como tivemos oportunidade de pessoalmente constatar. segundo constatação de Suarée. As grandes emprêsas jornalísticas ocidentais. de segurança na orientação. os assassinatos são noticiados como mortes ocorridas em penosas e lamentáveis circunstâncias. João VI. por seu turno. nem o Christian Science Monitor. Romênia. pelo senso de responsabilidade do jornalismo para com o público — o indivíduo como ser isolado. Seus diretores vacilaram em aceitar um anúncio de goma de mascar por temor de introduzir êsse vício na Argentina. logo após e proclamação da Independência. 2.°) — publicando Escriptos ou estampas obscenas. excluiram totalmente o baixo sensacionalismo dos seus veículos. palestras e filmes sôbre a melhoria do nível de vida. êxito dos bons empreendimentos — são. em certos países. no corpo de regulações e penalidades rezava: “Art. 16 — Abusa-se da liberdade de Imprensa contra os Particulares: 1.. Com exceção de alguns títulos que ap arecem em quadro na primeira página. La Prensa é mais séria e circunspecta. A imprensa polonesa se esforça. A Ética no Jornalismo Brasileiro — No Brasil. A mesma delicadeza se observa no departamento de publicidade.objetivos e imutáveis. reparações em dinheiro que variavam entre cem e vinte mil réis. A propósito de La Prensa.°) — imputando a alguma Pessoa ou Corporação qualquer fato criminoso.°) — imputando-lhe vicias ou defeitos que a exporião ao ódio... observou George Kent: “Em outros periódicos de Buenos Aires. que daria lugar a procedimento judicial contra dia. promulgada por D. Por isso. E.” A supressão total do noticiário policial. nas quais não há títulos de mais de 13 milímetros de altura. Vêm logo as colunas de notícias. As notícias nacionais não levam assinatura. de moralidade na expressão do pensamento. Nem os divórcios.” Os artigos 15 e 17 estabeleciam as penalidades. pela série magnífica de documentários cinematográficos de Walt Disney e Fizgerald. reportagens. como o praticado por êsses jornais. artigos. que merece todo o respeito. com maior ou menor sucesso com a ajuda de métodos mais ou menos bons. nem La Prensa. — pág. observa-se em todo o mundo civilizado um sensível declínio do número de queixas e processos judiciais por delitos de imprensa. 371.°) — publicando Escriptos que ataquem diretamente a Moral Cristã recebida pela Igreja Universal. que. 2. 20 determinava em qualquer caso de abuso da Liberdade a supressão e apreensão de todos os exemplares do impresso. pràticamente no seu todo. de Boston. técnicas aplicadas pelo jornalismo socialista moderno. adquiriu a imprensa não só a estima como a admiração e o aprêço das populações. para agir neste sentido. por crus e repelentes que sejam. de bom gôsto e boa medida na apresentação técnica — é que se originam o prestígio e a autoridade do verdadeiro jornalismo. se ocupam de crimes. O art. 214 Dessa atitude de sobriedade na informação. Podem ser formados tão bem no senso positivo como no senso negativo. 3°) — insultando-a com termos de desprêzo ou ignomínia. Nem o Times. Art. alevantamento dos costumes. Algumas vêzes. de Buenos Aires — para só citar alguns dos campeões da imprensa mundial. enquanto o 21 mandava transformar a pena pecuniária em 214 Octavio de Ia Suarée — Obra cit. . a lei portuguesa de 12 de julho de 1821. de Londres. não sòmente na Polônia como na Tchecoslováquia. pela BBC de Londres. divulgam notícias de suicídios ou fazem propaganda de vícios.

no seu parecer observava: “O projeto não cerceia em nada a liberdade — pode-se mesmo dizer a licenciosidade — de que goza até hoje a nossa imprensa.” Apesar das penas previstas. a correspondente e efetiva responsabilidade. uma of rmalidade qualquer exigida a mais para a manifestação do pensamento. 189. estêve por quase um século entregue a si mesmo. portarias e avisos e.” Também o relator do projeto n. dispositivos que vigoraram prâticamente até 1923. referindo-se ao período republicano de 1889 a 1923. uma peia. eclodia a Revolução Liberal.Rio — pág. na razão de mil réis por dia. finalmente. 31-32. Em parte por culpa dela própria que. O indivíduo continuou sujeito ao destempêro. a experiência de mais de trinta anos mostrara serem ineficazes para a punição dos que se servissem da imprensa como instrumento de ódio e vingança. dos dispositivos do Código Criminal. “a ofensa ao Presidente da República no exercido das suas funções ou fora dêle” (art. 218 Solidônio Leite Filho — Comentários à Lei de Imprensa — Rio. da sucessão de decretos. sancionado em de dezembro de 1830.°). precedida e seguida da mais virulenta campanha política e pessoal jornalística já verificada no país. Que nem o procedimento legal nem as “razzias” contra jornais e jornalistas deram resultado. nem os lares. salvo digníssimas exceções. Ésse projeto. 4. caracterizado pelo tom polêmico e desaforado. trilhava caminho diferente daqêle a que se devia votar. condenava com pena de prisão celular de três a nove meses e multa de quatro a vinte contos de réis. Medeiros e Albuquerque. Não há uma cláusula restritiva. “velha e terrível árvore daninha da imprensa do Império cuja extirpação tanto desejaram eminentes homens públicos” que os excessos de linguagem e as injúrias campeavam nos nossos jornais. de 31 de dezembro de 1923. no ano de 1896. Na sua generalidade. a história o demonstra: em 1930. 216 Anais da Câmara dos Deputados — Ano de 1896. convertendo-os naqueles “instrumentos ignóbeis de difamação”. degenerando a liberdade em licença. veículos de que se serviam os seus proprietárias para obter vantajosas po 215 Cit. o jornalismo brasileiro. É o que assinala Geminiano da Franca215 quando. 145 (regulando a liberdade de imprensa).“tantos dias de prisão quantos corresponderem à quantia em que fôr multado. 1949 — pág. Nela. a par da máxima liberdade de crítica. É o cumprimento restrito da Constituição. por Marcelo de Ipanema — Síntese da História da Legislaçcío Luso-Brasileira de Imprensa — Rio. depois transformado na lei n. sòmente o Estado é que se pretendeu cercar de maiores garantias quando. O que se pede é únicamente a assinatura de tudo quanto produza cada escritor. originara-se de uma decisão do Partido Republicano de São Paulo “de batalhar por uma lei sôbre imprensa. escreve que a imprensa viveu “debaixo de um clima por vêzes asfixite. nem as reputações. por exemplo. segundo testemunho insuspeito. apresentado à nossa Câmara Alta em 19 de julho de 1922. 91. 1925 — págs.”218 A nova lei não melhorou em nada a situação do ponto de vista moral. que então regulavam o assunto. Que quem louva.743. das violências perpetradas contra jornalistas e autores de “Escriptos” altamente injuriosos. . às verrinas do jornalismo. 217 Barbosa Lima Sobrinho — Problemas da Imprensa .”216 Porque era valendo-se principalmente do anonimato. 3. os jornais eram. apenas. como quem ataca — louvando e alacando como lhe parecer melhor — cubra o seu trabalho com a respectiva assinatura. tal necessidade se fizera sentir tão fortemente quanto na campanha política de 1921-1922. garantindo. Nunca. na justificação do seu projeto de uma lei de imprensa. de que falava o senador Adolfo Gordo.217 não foram poupados os indivíduos nem respeitada a vida privada dos humens públicos. Imperou o pasquim. Nada era sagrado: nem as leis.” “As disposições do Código Penal. porém.

24. a natureza da ética deveriam no entanto emanar sempre dos próprios jornalistas. sições políticas. 122 da “polaca”: “é assegurado a todo cidadão o direito de fazer inserir. conforme Austregésilo de Ataíde. 4 — pág. no Recife. combatendo o intrusismo e pugnando pela fundação de uma escola de jornalistas. as mais baixas e duras imputações caluniosas. de combate a qualquer ação tendente ao retôrno do país à vida democrática. apresentada ao IV Congresso. cuja Carta Constitucional outorgada. foi apreciada a possibilidade da criação de uma Ordem dos Jornalistas que. impingindo a falsidade. do art. censurando o cine- jornalismo nascente. Convém frisar que o dif amado dêsse tempo fora o difamador da fase pré e post. em plena ditadura.222 “zelar pela ética da imprensa com poderes para afastar aquêles que se tenham incapacitado moralmente no seu exercício. O artigo era uma tremenda verrina e teve a mais funda e revoltante repercussão na opinião pública. em 1945. Mesmo os mais responsáveis dos jornais e jornalistas do Brasil. primeiro em São Paulo e. grande administrador e político e jornalista mediocre. na Bahia.. cuja atividade deverá orientar-se “sob princípios que elevem e dignifiquem o homem”. quase sempre. tinha ocupado a atenção dos homens de imprensa. através do jornal da sua propriedade — Fôlha da Manhã — o então interventor federal no Estado. a que compareceram delegações de quase todos os Estados do Brasil. arrastados pela rua da amargura. 219 Caso típico dêsse procedimento ocorreu em Pernambuco onde. 1949. em que atacava na sua probidade o ex-governador Carlos de Lima Cavalcanti. sujeitando a imprensa.. que se inspirava na Constituição fascista da Polônia (por isso. transformava o jornalismo em um mero instrumento de propaganda dos fins do regime. segundo referências de Edgar Leuenroth. deposto pelo golpe estadonovista. das emprêsas jornalísticas e dos jornalistas profissionais. nos jornais que o infamareni ou injuriarem.776. fez publicar um artigo intitulado “Molambo”. retornava então à sua terra. A polícia estadual impediu que os jornais e oficinas gráficas ou estações de rádio difundissem qualquer defesa do sr. que mais tarde iriam eclodir no “rio de lama” cujas nascentes do Catete abasteceriam os leitos secos dos veículos de publicidade. Lima Cavalcanti. defesa ou retificação”. . a campanha primou pelos excessos: os donos do Estado Novo foram. especialmente se possa ferir o pudor público ou a dig nidade e o decôro de alguém. na fase da reconstitucionalização. Regulamento e Ternário do III Congresso Nacional de Jornalistas — Salvador. 222 Os problemas do jornalismo no Brasil in Estudos Brasileiros — Ano 1. nos seus II e III Congressos Nacionais. na tese — “A organização dos jornalistas brasileiros”. visando. N. 221 Conf. resposta. ficou conhecida como a “polaca”). discutiram e aprovaram um Código de ética. em setembro. sofreram a influência nefasta da coerção que o Estado impunha ao livre exercício profissional e. em 1949. e também se ocupou de ética jornalística. mais tarde. Ao contrário. gratuitamente. estabelecendo os deveres fundamentais do jornalismo. Considerava indeclinável dever das emprêsas “coibir a publicação de estampas e fotografias que possam ferir o pudor público.” 221 Neste mesmo conclave. do endeusamento dos seus líderes.. sob as mais soezes injúrias e. controlando o rádio. para impedir que através dêles as vinganças políticas. amordaçando a crítica. Decreto n. Evidentemente. de 9 a 22 de setembro. 15. Os critérios dêsse afastamento. a dignidade e o decôro de alguém” e julgava defeso ao jornalista “empregar têrmos cuja dubiedade possa produzir no ânimo do leitor impressão contrária àquela que normalmente deve surgir do fato noticiado ou comentado. por sua vez. durante os sete anos da ditadura.revolucionária de 1930.” Observe-se que essa idéia surgira exatamente quando a imprensa vivia sob o guante do DIP. do n. de 14 de julho que vigorou até o advento do regime ditatorial estadonovista. no Rio.. para o qual não vigorava — inimigo do interventor e advesário do regime — a letra c. Agamenon Magalhães. 25. fermentavam os ódios e os recalques. facilitando a difamação contra os adversários manietados e sem defesa. 220 O Primeiro Congresso Brasileiro de Jornalistas foi realizado em 1908. aquêles que recusavam adotar e aplaudir os métodos e processos corrompidos e corrutores do regime de imprensa vigorante.220 quando redigiram. já em 1939. E a situação não melhorou com o estatuto votado em 1934. que fôra proprietário do Diário da Manhã e. 219 o Estado Novo não contribuiu para o soerguimento ético do jornalismo brasileiro. do falseamento da verdade. partidárias e sociais viessem a exercer as suas maléficas influências. em 1951. A ausência de normas éticas no jornalismo brasileiro preocupou sèriamente os jornalistas reunidos.

há dois ano. os desquites e “casamentos no Uruguai”. que nos devemos voltar. à mais ligeira tentativa de repressão legal. aquela finalidade que deve ser o objeto do nosso querer e do nosso agir. cujo programa inclui noções de moral profissional. publicam o retrato e o nome do menor delinqüente. praticam tôda sorte de contravenções e delitos de imprensa e. resguardando os seus excessos sob um elástico conceito de liberdade? Reportando-nos às nossas considerações iniciais neste ensaio. 224 Idem. idem — pág. 38. botam a bõca no mundo. cujos “heróis” são pistoleiros e tarados. editam revistas e magazines do tipo “confidencial” e perniciosas histórias em quadrinhos. — “inutilidade. aquêle algo valioso. com amplos e sugestivos documentários fotográficos. indiscutível e dolorosa é que os jornalistas estão ainda muito indisciplinados e inestruturados no que se refere à educação e à ética profissional. da “juventude transviada”. da tradição e da experiência. a que respondem jornalistas enquadrados nos artigos da Lei de Imprensa.. a ciência dos valores morais. vamos encontrar os casos mais típicos. o vício. — 224 o receio de que o govêrno lançasse mão do organismo para deturpar-lhe os fins e tornar ainda mais precário o exercício da profissão de forma livre e ampla. o sr. por calúnia. vez em quando. . Como uma disciplina de vida. Mas existe latente e larvado e.. sobretudo. idem — pâg. com o progresso industrial. da nossa falta de ética jornalística. dos suicídios. como pertencentes a um “sindicato de ladrões”? Como poderá o indivíduo confiar e respeitar um jornalismo que faz dos assassinatos. que nos permitirão 223 Idem. com a sua criação”. dolorosos. quando o presidente da República e as principais figuras do govêrno são impunemente apontados à execração pública por órgãos da imprensa. vinha sendo debatido e sèriame nte estudado pela classe. na existência. E como uma disciplina para o exercício da nossa atividade profissional. concluimos que um dos motivos do desapreço em que é tido o jornalismo no Brasil está. exatamente. Nada obstante o Código de Ética. porque. a repulsa manifestada por diferentes setores da opinião aos métodos sensacionalistas e personalistas ainda adotados por um grande número de jornais e emissoras radiofônicas. o fundo de personalismo agudo e agressivo se esbateu na industrialização. 36. do “café society” — os mais freqüentes e apetitosos “pratos”. pois a Justiça não melho rou absolutamente. ser um assalariado — levaram os congressistas do Recife. a verdade clara. até a automatização dos espíritos. como se poderá sentir garantido na sua justa fama o simples cidadão. e mais tristemente característicos da nossa deseducação profissional. rejeitando por unanimidade o projeto que. na sua grande maioria. Belisário de Sousa testemunhava: “e com Ordem ou sem Ordem dos Jornalistas. e.”223 A experiência da Ordem dos Advogados. Quando tantos perigos e seduções ameaçam os agentes do jornalismo. desde o abuso do poder com o cerceamento da liberdade. nos debates a que nos reportamos. que nos permita garantir a liberdade e descobrir. se a própria imprensa e o rádio veiculam diàriamente o resultado do “jôgo do bicho”. injúria ou difamação — o indivíduo e a sociedade brasileiras não se acham ainda assás protegidos contra a prática do jornalismo “amarelo”. com o endeusamento da máquina — é para a velha ciência ética. Evidentemente melhoramos na aparência neste setor. Com efeito. mediante o estudo constante e sistemático da nossa consciência moral. nos debates que se seguiram à exposição de Austregésilo. em coisa alguma. com o fortalecimento e multiplicação das emprêsas.Assim mesmo. a prostituição e dissolução da família? Como poderá o cidadão atender a sisudos editoriais em que se clama pelo cumprimento das leis. um sem dúvida crescente profissionalismo da classe. segundo o advogado e jornalista Joaquim Inojosa. dos roubos e desfalques. a abandonar a idéia. as mazelas sociais. visando propagar e exaltar o crime. alguns processos correntes na Justiça. na falta de conformação do seu exercício às normas da moral comum e da moral profissional. oferecidos ao público através de reportagens escritas e faladas. o fato de não ter o jornalista brasileiro uma profissão liberal mas. em 1951. o funcionamento de algumas poucas escolas de jornalismo.

a sociedade para a qual especificamente se exercita. denunciado como instrumento de corrupção. será riscado da estrutura social. Quando uma sociedade descamba para essas contrafações. E dia virá em que. Dirige-se. Em setembro daquêle ano.225 As considerações e o exemplo que citamos ao acaso refletem o pêso da responsabilidade do jornalismo para com o povo. antes de tudo. nos fins de 1943. e bastou que surgisse a imprensa clandestina e que emissões de rádio lhe fôssem dirigidas de Argel e de Londres. durante a última guerra mundial. para alimentar dissidências e desentendimentos dentro da sociedade em que. que atuava de acôrdo com o Conselho Nacional da Resistência. a maioria do povo francês aceitava apàticamente a situação que lhe fôra imposta. a indivíduos que pertencem a um mesmo clã. não poderia exercer junto à massa aque la promoção do bem comum. aos seus ideais. pois. sob o impacto emocional da destruição dos seus exércitos e das vitórias que o inimigo alcançava em tôdas as frentes. necessidades e aspirações. a Federação aglutinava 13 jornais clandestinos. é instituição social majoritária. Daí porque. Responsabilidade para com o público da cidade. que falam uma mesma linguagem. a que aspiram o indivíduo e as coletividades. quando os alemães e as autoridades colaboracionistas de Vichy controlavam todos os veículos jornalísticos: sem ouvir idéias que não fôssem as ditadas pelo “Propagandastaffel” e. Um jornalismo divorciado da moral ou que menospreze os princípios éticos que informam o espírito humano e o nobilitam será. do país para o qual propaga informações e divulga idéias. 1949) assinala que em 1942 a tiragem dos jornais clandestinos na França atingia algumas vêzes a 100. em modificar. Um jornalismo desta ordem fugiria às suas características e finalidades: — faltar-lhe-ia popularidade porquanto as suas interpretações dos fatos correntes seriam contrárias ao pensamento do maior número. quer como ser isolado quer como membro da comunidade. o pensamento até então dominante e as diretrizes até então seguidas. nem o fanatismo são ideais comunitários. em ser adotadas por um número cada vez mais expressivo de indivíduos.apreciar com mais segurança o valor dos atos humanos. elegendo aquêles que a razão sancionar como correspondentes ao ideal de Justiça e Bem Estar. como a democracia. corresponda aos anelos de uma humanidade consciente dos seus caminhos e do seu destino temporal e eterno. Mesmo porque nem a corrução. efetivamente. finalmente. talvez. para que se organizasse a resistência e se acendessem. para que e de que vive. não tardarão em popularizar-se. ao mesmo tempo. do município. no terreno das idéias. de contribuir para a realização das suas causas e solução dos seus problemas e conflitos. substituido por uma nova instituição que. O jornalismo. passando subreptìciamente de mão em mão. o jornalismo deve ser absolutamente livre para a exposição e o debate: — se as idéias correspondem efetivamente a ideais da comunidade. está fugindo também às suas legítimas aspirações e justos fins. acatado e respeitado pelo homem. eram lidos por um milhão e meio de franceses. no ânimo dos franceses metropolitanos. constituia-se uma Federação de Jornais Clandestinos. Se deixa de exprimir os ideais da comunidade. temido pela sua fôrça destrutiva. Essas premissas não devem ser compreendidas como uma subordinação do jornalismo a eventuais maiorias corrompidas. . Responsabilidade para com o 225Emile Boivin (Histoire du journalisme — Paris. de adverti-la dos seus erros e de apontar-lhe os caminhos certos para o êxito dos seus empreendimentos — então falha completamente na sua missão e não se pode queixar do descrédito em que é tido e do desamor que lhe votam os cidadãos. entretanto. Jornalismo e Nacionalismo — O jornalismo serve. Jornalismo não é praticado para minorias. ignorantes ou fanáticas. Conseqüentemente. a nação.000 exemplares mensais. as chamas do seu ardente patriotismo. jamais será. E se o jornalismo não pode servir a ideais alheios aos da comunidade. em abril de 1944. à comunidade em que se exerce. eombatendo-os estará exercendo conscienciosa e pro veitosamente a sua tarefa. da região. que têm os mesmos sentimentos. nem a ignorância. Foi o que aconteceu na França. Tal não correspondia. que é o seu objetivo supremo. porém. de modo especial.

Profundamente nacionalista. à Nação”. com entusiasmo e tenacidade. como atende às suas. Como os franceses não puderam aceitar a imprensa colaboracionista de Vichy. Dana. A imprensa foi muitas vêzes o catalizador de novas comunidades. Rodrigues in Os Estados Unidos vistos por jornalistas portugueses — Obra cit. sobremodo. Êsses jornalistas colhem e divulgam as notícias.” Devem os norte-americanos a Samuel Adams. aos seus ideais. desenvolvimento e progresso. certo ou errado — como bem o demonstram os “slogans” freqüentes em tôda parte: “Ame rica first” e “Right or wrong. começando em praticante e acabando em diretor. fundador do Boston Gazette. influenciando. no prestígio do jornalismo. essa responsabilidade surgia como fato natural. ao Estado. no Estado do Texas. deixará de falar pelos seus iguais. a sentinela vigilante dos seus interêsses e direitos. Para isso. que não o compreenderão e não o aceitarão. os seus revelados ou difusos anseios. as suas instituições. de 226 Manuel L. a consciência da massa para a revolução. mas em harmonia com o espírito e o coração da comunidade a que se destinava. ao sistema filosófiso e político que julga deva atender às aspirações de tôdas as nações. Una militar? Um estadista? Um poeta? Apenas um homem que durante 72 anos dedicara a sua atividade ao Morning News. my country” — o povo e o jornalismo norte-americanos dão ao mundo um vigoroso exemplo do seu senso de responsabilidade para com a Nação. ao divulgar as suas máximas orientadoras dos jovens jornalistas do seu país: “Defenda as Barras e as Estrêlas”. Rodrigues. distribai correspondentes em tôdas as partes do mundo. lançou a expressão “American Commonwealth” e defendeu. escritórios e agentes em todos os países civilizados. mal surgiu aquela outra. Ted Delly foi o intérprete das aspirações dos seus concidadãos. A responsabilidade do jornalismo para com a nação foi muito bem situada pelo jornalista português Manuel L.seu patrimônio cultural. precisa de ser entendido primeiro pela sua própria gente. a idéia da independência e da união das colônias inglesas num Estado livre. Procurei saber quem era. deu-lhes o primeiro esbôço duma consciência coletiva. os rumos da sua grandeza. graduado pela Universidade de Harvard com uma tese sôbre a liberdade. quase fatal para o agente. a primeira pregação libertária: foi êle que. a cidad e e o jornal nasceram quase simultâneamente. er montando à fundação das cidades. à sua política. Sòmente o New York Times conta com mais de 100 correspondentes próprios no exterior. pela própria incipiência dos veículos e isolacionismo das sociedades. Em DalIas. Outro não foi o pensamento dos que redigiram o código de ética da Associação da Imprensa do Estado de Washington. testemunhas do progresso e prosperidade que coroaram os esforços de rudes e enérgicos pioneiros. as suas tradições. em observações sôbre a imprensa estadunidense. quando solenemente afirmaram que o jornalista deve ser “leal à comunidade.“United Press International” e “Associated Press” — possuem sucursais. Ação catalizadora do Jornalismo — Nos tempos do primitivo jornalismo oral ou manuscrito. Faltando-lhe base nacional. o jornalismo colossal dos Estados Unidos tem o seu fundamento neste apêgo ao país. em 1923. Há jornais que são crônicas vivas. tècnicamente débil e pobre. a segurança do seu futuro. As duas grandes agências norte-americanas de notícias —. — pág. É uma situação que não tem equivalente na Europa e que se reflete. o de naturalidade persiste.226 Escreve êle que “na América. Efetivamente. O jornalismo. Após a descoberta da imprensa e a multiplicação dos meios de comunicação entre os povos. sobretudo no Oeste. . por Charles A. A posição do jornalismo dos Estados Unidos em relação à pátria — presente em todos os instantes da luta da libertação e da manutenção da independência — foi reafirmada. 314. Durante êsse longo prazo. Dallas tem realmente motivos para lhe estar grata. por mais universalista que seja a sua linguagem. vi que um dos principais monumentos da cidade perpetuava a memória de Ted Delly. naturalmente. se bem que o caráter de fatalidade tenha desaparecido. vendo a América antes de tudo e acompanhando o seu país. em 1888.

”. nossos pensamentos decorrem da dieta filosófica de lá. poderão subscrever em relação a outras grandes potências: “Os norte- americanos conseguiram obter aqui uma receptividade ideal para tudo que é seu. descuidados também de tão importante setor da vida nacional. que tomara medidas contrárias aos interêsses da “United Fruit Co. o secretário de imprensa. as notícias do Brasil ficavam para depois: — agora (em 1954). tantas vêzes transformada em instrumento de imbecilização.” Essa penetração internacional. aspirações. a fascinação dos educadores daqui. e se esmeram em copiar a imprensa de Tio Sam. as atitudes. segundo os moldes convenientes aos monopolistas ianques. 228 Fernando Sigismundo — Imprensa e Democracia — Rio. da sua cultura. dos seus propósitos imperialistas. . catástrofes. Considerável massa de leitores passa o tempo a folhear chochos “best-sellers”. National Guardian. da Reuter ou da Tass — a oferecer aos seus concidadãos a sua própria visão e interpretação dos acontecimentos e a dar. ao mundo (pois que essas agências têm clientes em diferentes países) as informações e pontos de vista dos seus governos e seus povos. Os adolescentes repetem incessantemente os ritmos musicais da Norte-América. desde que todos os seus vínculos culturais têm sido europeus e levantinos. outros povos. em resposta a uma “enquette” sôbre a atitude de quase ignorância da imprensa norte-americana a respeito da América Latina. A França. da maioridade econômica. acham-se habilitadas através da France-Presse.. considerado o patrono dos 227 Nem siquer junto à ONU. E a sua primeira grande figura foi a do alferes Joaquim José da Silva Xavier — o Tiradentes —.. a imprensa do norte dos EE. proto-mártir da Independência. 118. o Brasil possui um “bureau” de imprensa. desde o mais frívolo têrmo de gíria à última tôla canção. a Inglaterra e a União Soviética possuem.” Nós próprios ouvimos de um jornalista de Chicago que sòmente poderia dar ao leitor aquilo que correspondia aos seus interêsses. e só. a exemplo das mantidas pelos demais Estados-Membros. quer na apresentação dos textos. O Jornalismo Brasileiro e o Nacionalismo — O jornalismo brasileiro foi nacionalista mesmo antes de existirem jornais. da sua arte.P..UU. igualmente.. James. por sua vez. golpes de Estado — porque os seus clientes não se interessam muito pela América Latina. insistiu nas facilidades que seriam concedidas ao nosso país. Não faz muito. diretrizes dos povos e governos nacionais. que se faz através dos veículos de publicidade. As jovens copiam os penteados. considerava necessária a intervenção na Guatemala para deposição do regime de Arbenz. apenas. Quando ali estivemos. caso desejasse instalar na ONU uma sucursal da Agência Nacional ou da Asapress. Dewey. diversos editôres de jornais opinaram que isso se devia principalmente a que “a grande maioria dos jornais dependia da A. “America first”.. com exceção. os cacoetes e as manias das atrizes hollywoodenses. os jornais recebem o noticiário do exterior padronizado.227 Também o cinema e a televisão são empregados por êsses países para a propaganda e infiltração das suas doutrinas políticas e sociais. 1952 — pág. a administração pública segue as regras da Civil Service Cornmission. em Lake Sucess. Por isso.acôrdo com os interêsses do seu público. dos seus interêsses comerciais. as suas agências internacionais de informações. tem indiscutivelmente a sua base nos sentimentos.. Resulta da emancipação política. George de la Huerta. sendo por isso mesmo taxada de comunista. Monroe são ainda. Nossas emoções são reguladas pela sua cinematografia. do lastro cultural característico das nações que souberam cultivar no seu jornalismo um patriotismo vivo e atuante. estava descobrindo o Canadá. Nesta mesma época e oportunidade. e da UPI para obter notícias do continente meridional e que essas agências sòmente transmitiam fatos sensacionais — tais como revoluções. mr. quer na disposição dos anúncios. do semanário “progressista”. Dêsse modo. O que Fernando Sigismundo228 assinala quanta à influência dos Estados Unidos entre nós. observamos que o jornalismo norte-americano. que o transforma num eficaz agente catalizador tanto no plano nacional como no vasto campo das relações exteriores.

Que construirá armazens no porto para fomentar o comércio e guardar os produtos da terra. o “bicudo” e o “marinheiro”. adquiridas na costa. Noticiário que iria ressoar “na palavra livre. recolhia o pensamento e os sentimentos nativistas contra os reinóis sequiosos de acumular riqueza fácil à custa do seu suor. nos pasquins manuscritos. em 1955. dos garimpeiros. A vitória eram favas contadas — concluia. à luz das fogueiras com que se esquentavam. traficantes e espertos. venciam as serras. contra o “emboaba” cheio de prosápia. 1935 — págs. em congresso nacional. Que poderá abastecer dágua a cidade de São Sebastião. de revolta e de desespêro. unidos. que transformou aquela pacífica academia numa célula de conspiradores decididos. No Rio. respondendo a objeções do padre Lopes de Oliveira. quando vier a liberdade: à costureira 229 Pedro Calmon — Espírito da sociedade colonial — Rio. em Paris. do pessoal do eito e das senzalas. dogmática e informativa” dos padres e frades. condutor e estafeta: o homem que transportava as utilidades e as idéias.jornalistas pela classe reunida. periòdicamente. . os ranchos. as hospedarias. Xavier pertencia àquela legião de bufarinheiros que. de esperanças e ilusões — constituia o noticiário trazido pelos jornalistas incultos das tropas e bandeiras para os Senados das Câmaras. à beira mar a influência estrangeira. contundentes. pois. descrevendo e sugerindo. para as ruas. por seu turno. enquanto se esperam os barcos. E de tal modo pesou a doutrinação do Tiradentes sôbre os conspiradores que o vigário Toledo. o couro e o café. enriquecido pela miséria a que a guerra flamenga votara os senhores dos engenhos de Olinda. nos versos satíricos dos gregórios de matos. que comentavam com um entusiasmo platônico a rebelião da América Inglesa e a libertação das Treze Colônias. 237-238. enquanto nos pátios e terraços dos casarões. narrando fatos e reclamando ação. dos mineradores. São Paulo. os botequins e armazéns das vilas. dos vaqueiros. Tropeiro e dentista ambulante. lhe assegurava não duraria a guerra mais de três anos. Foi essa colheita de fatos e de dôres que levou o Tiradentes a falar da liberdade de Minas ao coronel Aires Gomes. os quartéis. traça um quadro de progresso e riqueza. para obter auxílio dos Estados Unidos. percorriam as veredas do grande sertão e. eclesiásticos e letrados. sôbre a estranheza dos países onde estivera por não terem ainda os brasileiros seguido o exemplo da América inglêsa. Foi de Xavier que receberam a palavra de Alvares Maciel. Os depoimentos prestados pelos inconfidentes durante a devassa são concludentes da ação caracterìsticamente jornalística do Tiradentes — informando e opinando. denunciadores e patrióticos. ganhavam as vastidões das alterosas. a informação do encontro do estudante Maia com Jefferson. os bens materiais e as notícias do mundo — privilegiado caipira que sentia. empacotada na bagagem do “tropeiro”. da tagarelice inócua e vazia de sentido daquele círculo de poetas. o fumo e o ouro destinados aos portos. contra o “maroto-pé-de-chumbo”. em Belo Horizonte.”229 Dos fazendeiros. fazendas e perfumes. e internava-a. Era carrejão e mensageiro. argumentando “desejar o povo fazer-se desta terra uma república livre dos governos que vêm cá ensopar-se em riquezas de três em três anos”. Essa colheita de aspirações e de ódios. o tropeiro. onde os fazendeiros lhes alugavam as pastagens para os animais. “A civilização que se poliu em Minas Gerais subiu as encostas da Mantiqueira e atravessou-lhe os córregos. ouvia as novidades. comerciante do Recife. dos peões. que então retornara ao Rio de uma viagem à Europa. que modificou radicalmente o rumo das confabulações inconseqüentes. enquanto recarregava as mulas com o açúcar e o algodão. vendiam bugingangas e quinquilharias. conduzindo as mulas carregadas de mercadorias importadas. nos pousos. contra o “mascate”. prega que ainda haverá de fazer feliz a América. da segurança de que o Rio de Janeiro se levantaria com êles e de que receberiam socorro da França e de outras potências. Na Vila Rica. Minas e Rio teriam mais gente e armas do que os americanos e inglêses. metido em seu largo calção e suas botas altas. transmitiam aos pioneiros do desbravamento as informações e os rumores correntes nos centros urbanos do litoral. para os colégios dos jesuitas. de queixas e vindicações.

ainda o acusa de “falador”. Não voltará mais a falar enquanto a pátria não for soberana. O idealismo moral dos que se achavam na vanguarda dos movimentos era superior às vicissitudes internas e externas criadas pelo espírito obscurantista. atacando a torto e a direito. O jornal e seus profissionais gozavam de invejável prestígio na sociedade.Simplícia Moura assegura que todo brasileiro poderá melhorar as suas rendas e que êle próprio espera vir a ter mais de 50 mil cruzados. os Alfaiates se erguem na Bahia. clamando pelos princípios da Revolução Francesa. O certo é que o jornal tem sido até então o agente catalizador dos grandes movimentos nacionais. Por tôdas as fazendas. o chôcho e safado de “Marília”. De sorte que à ação militante dos pioneiros da imprensa brasileira deve-se a consolidação das instituições nacionais e o correspondente aperfeiçoamento do sistema político dominante. Consegue. antes que se complete o século da profecia. a queda do realismo português. — a derrama é a oportunidade da rebelião. “A Conjuração Mineira falhou — escreve Gondim da Fonseca — por não haver jornalistas no Brasil. olhando para as tarefas executadas. rechaçado para o outro lado do Atlântico o anacrônico sistema monárquico. uma conseqüência de suas reiteradas posições em defesa do interêsse público atingido pelo arbítrio dos poderosos. do indoitiável e incorruptível Frei Caneca. 1958 — II Vol.” O tempo e a história confirmaram a declaração final do editorialista de Vila Rica: em 1798.. nos ranchos solitários e nas minas de ouro — por todo o caminho da serra ressoa a voz do jornalista Tiradentes. a derrama que iria provocar nova sangria na já exaurida economia das Minas Gerais. os “bicudos” são caçados nas ruas de Cuiabá.. sem jornal. os “farrapos” cavalgam as coxilhas gaúchas. o coração leve.. Pois a história da independência política do Brasil está intrìnsecamente. em 1817 e 1824. 273. indissoltavelmente ligada ao jornalismo. de Gonçalves Lêdo e de Evaristo da Veiga. que os conjurados fixem a data do “batizado” e parte para o Rio. do panfletário e agitador Cipriano Barata. a aguardar a justiça de Deus na voz da história. pode afirmar com orgulho — e o repetirá sereno e altivo perante os seus julgadores — que “armara uma meada tal que em dez. demolindo reputações. . convencer. vinte ou cem anos não se havia de desembaraçar. 1958 — pág. Gerado espontâneamente jornalista.. discutir.. em 1834. transmitindo a nova. no eito e nas senzalas. 521. nas “vendas” e nos pousos. E. a noite das Garrafadas no Rio revive a meada tiradentina. a independência do Brasil. Como não teríamos. — pág. Tiradentes tinha de fazer a propaganda falada. teimosa. do repúblico Antônio Borges da Fonseca. a última edição do pasquim oral que conclama o seu público à ação. “O jornal na mão das personalidades mais expressivas da inteligência nativa ou semi-nativa tornou-se a arma perigosa utilizada contra a ação corrosiva e demolidora das influências alienígenas. abordar pessoas. Pernambuco e o Nordeste proclamam a Independência e a República. o que o tornou visadíssimo. o santo e a senha. Ninguém mais o acompanhava nesses contatos pessoais com o povo. Sem o jornalistas. como o fato do presente é a derrama. 231 Paulo Cajás — “O papel criador da imprensa” in Anais da VII Congresso Nacional de Jornalistas — Rio. Como poderia êle. dando detalhes. acordando ódios e esperanças. em 1831. o lírico. pro pagar idéias senão falando?”230 O campeão do moderno nacionalismo brasileiro tem razão quando pluraliza a inexistência de jornalistas na Inconfidência e quando destaca a ação isolada e fecunda do Tiradentes. na antevisão da pátria libertada. o Senhor Dom Pedro II recebe o bilhete azul com que os brasileiros agradecem os seus serviços e o embarcam para Portugal. É a derradeira viagem do arauto da liberdade. não nos teriamos libertado do jugo português. Ao jornalismo incipiente do Tiradentes. predizendo o império napoleônico. de uma vez por tôdas. E ao jornalismo atuante de José Bonifácio.. sem a sua pregação denodada. que tantos pagaram com a própria vida. concorda com o cônego Luís Vieira de que “não se pode mover o ânimo dos povos senão com fatos do presente”. que 230 Gondim da Fonseca — Senhor Deus dos desgraçados — Rio. A sua missão está cumprida e. numa linguagem violenta e corruscante. palpitante de fé e ardor.”231 Mesmo com feição de pasquim. E o sujo Tomá Antônio Gonzaga. então. os escravos são libertados.

quer através do uso direto do poder do Estado Mo derno. reconquistar o prestígio e a influência junto à massa dos concidadãos. Anibal Falcão. que não é um simples desejo Walfrido Morais — “O dever da imprensa em face dos problemas do desenvolvimento econômico nacional” in 232 Anais do VII Congresso Nacional de Jornalistas — Vol. como o liberalismo de 30. Medeiros e Albuquerque. Há todo um vasto programa de ação para o autêntico nacionalismo. mas dinâmico. Foi pelo jornalismo que. como o civilismo. que não é contemplativo. Quintino Bocaiuva. primeiro através de panfletos e boletins. “Na história das nossas! mais belas e edificantes campanhas cívicas. como a república.. como igualmente de corrigir como elemento moderador as desigualdades sociais tão violentas que se observam neste país. convencer. O programa de emancipação econômica do país — para que se cumpra aquela antevisão bi-secular do Tiradentes. ganhar o respeito dos governantes e a admiração dos povos amigos. indo a Alagoas para investigar e gritar ao Brasil o trágico e sintomático episódio das primeiras pesquisas de petróleo e do covarde assassínio do engenheiro José Bach. transformando a experiê ncia pioneira de Delmiro Gouveia..” Sob a inspiração do Tiradentes. que o Nordeste recebeu. afinal. através da siderurgia. havia. como bem o observou Walfrido Morais. de um nacionalismo que só sente ferver o sangue quando um estrangeiro desabusado nos cospe à cara injúrias ou. em têrmos prioritários. ostensivamente. Paulo Afonso. capaz de levar os governos a criarem condições regionais e nacionais que se objetivem a êsse desenvolvimento. sentindo-lhe as palpitações da nobre alma. aplaudir e condenar todos os atos e fatos favoráveis ou contrários aos supremos interêsses da pátria. .. mas aos golpes de ariete da pena de Silva Jardim.232 a não dispor de mentalidade aprimorada para pensar. do clamor levantado pelos jornalistas. neste particular. se está enraizada na alma dos jornalistas individualmente. mais ufanismo do que pròpriamente preocupação pelos nossos destinos econômicos. cujo cadaver ensanguentado tingira de rubro idealismo as águas do rio da unidade nacional — foi pela imprensa que Monteiro Lobatoe tôda uma plêiade de jornalistas conscientes da sua responsabilidade lançaram a campanha do monopólio estatal do petróleo. II — págs. intervencionista por sua própria natureza. na realidade redentora da Companhia Hidro-Elétrica do São Francisco. para continuar a tecer a meada intrincada da grandeza brasileira. Os Reclamos do Presente — Com efeito. quer através de investimentos de capitais. e “cada brasileiro possa vir a ter mais de 50 mil cruzados” — está recebendo do jornalista uma lúcida compreensão e dando-lhe fôrças para anunciar. Rangel Pestana e de tantos outros jornalistas. Que continua.. é aos jornalistas — e não aos políticos e técnicos — que o povo confia os seus mais ardentes anseios: como a independência. Esta compreensão dos reclamos da hora presente. lírica. depois com Diretrizes e o Jornal de Debates. é que o nosso jornalismo precisa de ultrapassar a fase ditirâmbica. apelar. entre o século passado e êste século. auscultando o povo. no sentido não só de estimular a circulação por meio de processos de industrialização. Foi através da imprensa. autênticos promotores das revoluções que nos legaram um Brasil independente e republicano. como nos tempos passados em que os mesmos não eram tão acentuadamente gritantes como nos dias atuais. Rui Barbosa. É preciso que a imprensa crie uma forte corrente popular de opinião. como a abolição. sob a cobertura do fogo de barragem do jornal e do rádio. sentimental do ufanismo. na Pedra. que Getúlio realizou Volta Redonda e abriu perspectivas à grande indústria nacional. 398-399. José do Patrocínio. Foi com o seu apoio. nos problemas econômicos de uma terra dadivosa e boa. Campos Sales. não o está ainda no espírito do nosso jornalismo. nos faz dano.não foi liquidado por Deodoro ou consolidado por Floriano. Tavares Bastos. de um patriotismo limitado à exaltação das glórias passadas e das acrisoladas virtudes dos nossos maiores. fustigar e denunciar.

pela extinção das endemias. paradoxahnente. 234 Rafael de los Casares — La Carta de las Naciones Unidas y la paz mundial — Madrid. na sua maioria. mediante uma crescente industrialização. Os filósofos da Igreja. das instituições. mas uma conseqüência da ordem neste mundo.”233 Daí haver a humanidade sempre procurado conseguir a paz. se entrega às ações bélicas. uma marcha vigorosa e incontrolável do povo brasileiro para a promoção de um estágio de civilização em que “a uns não sobre o supérfluo e a outros não falte o necessário. pela manutenção do monopólio estatal do petróleo e nacionalização das fontes de energia com a criação da Eletrobrás. senâo conquistar a paz. um terrível período de guerras. segue -se. de orientação. infortunadamente praticadas com largueza. procurando submeter as suas divergências ao Papado. até mesmo. a humanidade tem aspirado à paz como bem sup remo neste mundo. antes de tudo. 1948 — págs. artístico e técnico das massas. 1947 — pág. estava lançando os alicerces de um estado de paz perpétua.”234 Durante a Idade Média. proporcionando-se trabalho condigno a todos os cidadãos. a que. isto sim. O jornalismo brasileiro precisa de tomar posição decisiva na luta pela manutenção das garantias constitucionais e das liberdades públicas.. do suborno e da dissolução dos costumes. quando se empenharam nas suas campanhas guerreiras. “A maioria dêles confundiu de boa fé “a paz” com a “sua paz”. é conseqüência da falta de ordem neste mundo. Chaillet — La bataille de la paix — Paris. não tiveram outro objetivo. do contrabando. 12-13. Mas também dura aquela sòmente enquanto êste existe. em si. meretrício). É. horror ao estrangeiro. Quando. tanto precisamos. pela melhoria das condições de vida das classes trabalhadoras urbanas e rurais. elevação do nível científico. posse absoluta dos nossos minerais atômicos. popularização da cultura. se logram sòmente no apogeu dos grandes impérios. o triunfo da fôrça. raras vêzes coincidiu com a do seu adversário ou vizinho. da cultura e da economia do país. desde Santo Agostinho e São Tomás de Aquino a Vittoria e Suarez. alcoolismo. reforma agrária para a valorização da lavoura e da pecuária. sempre insistiram em que a paz não era uma causa. . e êste seu desejo de paz — como o assinala Rafael de los Casares — lhes tem servido de justificação ante si mesmo para as suas lutas e conquistas. Os grandes conquistadores. da desordem nas instituições. E como essa ordem era perturbada. através de campanhas sanitárias e de uma efetiva e acessível assistência médico-dentária e hospitalar. Esta última. inclusive mesmo pela Igreja. A guerra é uma desordem porque é. de promoção e. da desordem na economia. desenvolvimento do cooperativismo. reconheciam autoridade — as nações buscavam precaver-se das guerras. combate aos vícios (jôgo. o entendimento. na história da antiguidade. de que. a paz do império se consegue. — virtudes que o cristianismo resumiria na Caridade — e se pautassem a vida e os atos sociais por normás éticas e jurídicas. 5. necessàriamente. pela erradicação do analfabetismo. não sobrevém sòmente da má vontade de um ou de alguns indivíduos. a tolerância e a ajuda mútua. o homem conseguiu vencer a fôrça bruta pela inteligência e estabelecer a ordem pelo direito. como qualquer país jovem e potencialmente rico.” Jornalismo e Paz Mundial — Em tôdas as épocas. de construção do presente e do futuro.de aperfeiçoamento do povo. em que reinassem a compreensão. submetendo todos os adversários. um amplo programa de habitações populares. das especulações. Ora. inevitàvelmente. mesmo quando. graças à unidade da fé. mas um trabalho constante e tenaz de esclarecimento. recusa de uma colaboração sincera e fraternal. vemos como os períodos de relativa paz. porque é a conseqüência quase fatal da desordem. até que surge outro. a fim de equilibrar a economia nacional. Daqui se deriva o conceito mais primitivo para conseguir a paz: impô-la. Subjugados ou escravizados todos os possíveis inimigos. tanto no domínio público como no privado. então 233 P. da fraude. Provém.. finalmente. no início dos séculos. À queda de um grande império. da desordem nos espíritos. “a guerra é sempre uma desordem. e. definitiva conquista do oeste e recuperação das regiões norte e nordeste. um movimento amplo. Assim. O nacionalismo econômico e social que está sendo exigido pelo Brasil nos dias atuais não é jacobinismo. pela extirpação da ganância.

criando a Cruz Vermelha. Fato mais significativo ainda. Em 1815. nos anos de 1867 e 1899. continuava a ser pregada por filósofos e pensadores como Thomas More. Criam êles os seus órgãos de propaganda da paz. 1947 — pág. . visando extinguir nos mesmos referências desairosas ou ofensivas a outros povos. um pequeno industrial do país de Gales. estabelecendo contatos. congregando importantes vultos do pensamento mundial e parcelas cada vez mais significativas da opinião pública. passaram a constituir normas do direito internacional. as dissensões religiosas. em 1868. Hugo Grotius. e. Erasmo de Rotherdam. entre outras moções. passa à imprensa. a grande imprensa do tempo — como infortunadamenteainda hoje ocorre — não sòmente se punha à margem como até ridicularizava as campanhas pró -paz. os “fazedores da paz” eram caricaturados nas colunas do Punch. Quanto à organização estadunidense sòmente viria a sofrer colapso com a entrada do país na 1 Guerra Mundial. com o eclodir da Reforma e. honra insigne em verdade. em Londres. e o Advocate of Peace.. Com a participação ativa de jornalistas e homens de ação de tôdas as profissões. Stead fundara a Revista das Revistas. as memoráveis campanhas em favor da arbitragem e do desarmamento. a Declaração de São Petersburgo. Beales — Les mouvement internationatistes au XIXe Siècle — Paris. já em 1851. Trezentos delegados de todo o mundo procuram solução para problemas que ocasionam desentendimentos entre os povos. criando ligas e sociedades pacifistas — êsses movimentos atuam durante meio século. os choques de interêsses econômicos que nem sempre a ação dos diplomatas conseguia amortecer. 235 A. sobretudo. Em 1843. representado pelas embaixadas e pelos tratados da época. se estabelece a que pleiteou a reforma nos livros escolares de todos os países. os projetos de paz e os próprios decretos papais a respeito — como o da Pacificação Eterna. firmada em Paris. realiza-se. a declaração sôbre a guerra marítima..”235 A guerra da Criméia em 1854 provoca cisão nas hostes pacifistas dos adeptos de Price. de profissão comerciante. sôbre o emprêgo de projéteis explosivos. de 1495 — não conseguiram alcançar o seu objetivo. É nos albores do século XIX que começa a ser feita uma mais afetiva propaganda da paz. a Conferência de Paris e o Congresso de Berlim. promovendo concursos. o último considerado pelo Times de “primeiro exemplo de um verdadeiro parlamento das grandes potências”. O problema deixa de ser exclusivo dos tratados filosóficos. Dodge. graças a um sistema de citações. o jornalista inglês W. a convenção de Genebra de 1864 sôbre feridos de guerrá. o início da revolução industrial — provocaram um retrocesso na “batalha da paz” que. a Espanha — com a sua doutrina da soberania absoluta.F. mas. nada obstante. Desde 1890. William Penn. na Inglaterra. surgem simultâneamente na Inglaterra e nos Estados Unidos dois movimentos em favor da paz: o primeiro dirigido por Joseph T. em 1917. encaminhando a solução de diversos problemas que sempre resultavam em divergências e conflitos e que. Rousseau. o século XIX vê adotados alguns princípios e declarações que são aceitos e acatados por tôdas as nações. o mesmo jornal assinalava. o Times perguntava como se podia esperar que princípios dristãos encontrasem éco entre os turcos muçulmanos. ao contrário. zombava das “pombas da paz” e suas “utopias”. T. a fim de dar — como o declarava expressamente — ao leitor inglês médio. Foi assim com a declaração sôbre o contrabando. ainda. que o mecanismo da organização internacional de que elas se faziam advogados existia já. Bentham e Kant. a Inglaterra. feita em Londres.C. na América. em 1909. A “Batalha da Paz” — Apesar disso. O surgimento dos Estados Nacionais — a França. “A princípio.empenhada em obter o poder temporal. o conflito entre as nações do oriente e do ocidente. É neste congresso que. em 1856. o Herald of Peace. Utilizando a imprensa. 17. o Primeiro Congresso Mundial Pró -Paz. em 1878. e o segundo pelo novaiorquino David L. Price. desde então.

sob a proteção dos acordos internacionais necessários para garantir-lhe em tôdas as nações uma vida tranquila e sã. ali mesmo. a de viver a coberto da miséria. a construção do Palácio da Paz. em 1933. na sua Declaração Universal dos Direitos do Homem. pregando uma pretensa superiorida de racial. e. quatro anos depois. a Sociedade das Nações. ressuscitando um estreito e deformado nacionalismo. a Côrte Internacional de Justiça. A ONU e a Paz — Em 1941. Durante dezenove anos. Foi sentindo que o mundo do futuro. a de adorar ao seu Deus na forma que escolha.informações suficientes sôbre os negócios públicos e as correntes de idéias com o objetivo de tornar ao menos possível uma opinião pública esclarecida. a convocar a Primeira Conferência de Paz em Haya. com a participação de delegações de empregadores e empregados para debate de problemas da legislação trabalhista. reunida em Paris.” Este documento. Se bem que essas providências não tivessem evitado o irrompimento do conflito mundial de 1914. reafirmava a fé do povo norte- americano “em um mundo que se fundamente por serem essenciais sôbre as seguintes liberdades: a de palavra e expressão. na conferência das Nações Unidas sôbre a liberdade de informação. foram. legou-nos. porquanto. assentara fortemente na propaganda desenvolvida pelos veículos jornalísticos notadamente pelo rádio. julgava a maioria dos delegados. de receber e de difundir. da Carta do Atlântico. de que iria resultar o estabelecimento. Foi essa revista que inspirou o Tzar Nicolau II. que continuou funcionando no Palácio da Paz. com a criação da Organização das Nações Unidas. sem consideração de fronteiras. que pôs fim à Grande Guerra e criou o primeiro organismo interestatal encarregado de manter a paz. de grande importância para a conclusão do Pacto da Liga das Nações. acirrando velhos ódios. sem dúvida. Todavia. a liberdade de viver sem o temor constante da guerra. via-se a humanidade no apogeu de uma guerra. em Haya. então. seja para aquêles que pleiteavam transformá-la num super-Estado. Em 1948. com um poder legislativo e um executivo e apoiado por um exército internacional. O jornalismo pacifista e responsável fôra.. a mais terrível e destruidora a que jamais se entregaram os povos. pràticamente extinto. Uma emenda da delegação soviética. que teve a mais profunda ressonância em todo o universo já que partia do chefe de um Estado ainda não beligerante foi seguido. em agôsto do mesmo ano. então no início do seu reinado. criando discriminações e fomentando as divergências filosóficas entre as nações. em 1899. a par das suas causas econômicas e políticas. as informações e as idéias por qualquer meio de expressão que seja”. o que implica no direito de não ser perseguido pelas suas opiniões e de buscar. firmada pelo presidente Roosevelt e pelo “premier” Winston Churchill. firmado pelas potências reunidas em Versalhes. da Organização das Nações Unidas. e a Organização Internacional do Trabalho. manteve para o mundo civilizado as esperanças de obtenção de um “statu” de paz permanente. Essa gue rra. por último. ora adotando medidas positivas ora fracassando nos seus propósitos. da Côrte de Justiça mundial e. que deveria. Desaparecida em 1945. ser o mundo da paz. em 1907. sediada em Genebra. seja para aquêles que a consideravam como uma grande aliança de Estados associados. . no entanto. não poderia prescindir de um jornalismo consciente e livre. un artigo — que tomou o n.19. atravessando crise e. e que foi o documento básico da constituição. assim redigido: “Todo ind ivíduo tem direito à liberdade de opinião e expressão. em 6 de janeiro daquele ano.. que o presidente Roosevelt em sua histórica mensagem ao Congresso. a Assembléia Geral da ONU adotou. os Estados belicosos submetiam tôda a atividade jornalística aos seus fins guerreiros. que faria cumprir as decisões da sua Assembléia e do seu Conselho. que proibia fôsse utilizada a liberdade de palavra e de imprensa “com fins de propaganda para o fascismo e a agressão ou a fim de suscitar o ódio entre os povos” foi rejeitada. não se enquadrava na enunciação de um princípio geral.

além do mais. de Paul L. Essas duas últimas disposições foram debatidas em abril e maio de 1949. contudo.” Salientou- se. econômica. um direito de resposta ou um procedimento análogo de retificação e que seriam tomadas providências com vistas a desenvolver a liberdade de informação. que a retificação das notícias tenderia a aumentar e ao a diminuir a intervenção governamental nos meios de informação. enquêtes e providências sôbre o 236 Conf. Seria muito mais útil. se não o é. no sentido de tornar mais ampla a colaboração internacional. entretanto. o govêrno se veria obrigado a disseminar uma informação que considera falsa ou então a não cumprir a convenção. em Flushing Meadow. Não se nega. vários convênios foram firmados tendentes a favorecer a circulação internacional de livros. Ford in Folha da Manhã — Recife — ed. com respeito aos correspondentes estrangeiros. ao comparar as notícias. em face de sérias objeções levantadas contra a convenção e que podem ser resumidas no voto do delegado norte-americano Charles Sprague: “Em primeiro lugar.236 Quanto à convenção sôbre o livre acesso às fontes de informação.Y. . o que era digno de crédito. mesmo que não concordasse com os seus termos. para evitar erros. entre os quais os de negar visto de entrada a Jornalistas. técnicos e especialistas de rádio e televisão. Se optar por esta última hipótese poderá originar controvérsias com outro govêrno. De outro lado. ser submetido a sanções. Até hoje. condições ou restrições claramente definidas por lei. redução de tarifas e facilidades nos correios e telecomunicações.. art. a retificação foi afinal adotada pela ONU. a convenção não determina o modo de fazer com que a publique. não foi posto em prática o princípio. fator muito importante para a liberdade dê imprensa. e o direito internacional de retificação seria um corretivo indispensável para a liberdade no domínio da transmissão de notícias. através da UNESCO e da Sub- Comissão do Conselho Econômico e Social para liberdade de informação e de imprensa. de modo que os diretores dos jornais e os próprios leitores pudessem julgar. o trabalho intenso da ONU. o estatuto levava muito adiante os privilégios concedidos aos jornalistas do que os atualmente em vigor para os diplomatas. N. e decidiu-se fôssem consideradas num só documento como uma só convenção. h) — a difusão sistemática de notícias falsas ou deformadas. . através do fornecimento de meios para um melhor conhecimento entre os povos. por 25 votos contra 22 e 10 abstenções. pois se completavam. sem dúvida publicará a retificação. Se o autor da publicação é um órgão rêsponsável. que prejudiquem as relações amistosas entre os povos ou entre os Estados. Obrigaria o país que recebesse a retificação a transmiti-la à imprensa. Não sòmente êsse como outros recursos continuam a ser usados pelos Estados membros da ONU. do Peru. técnica ou de natureza tal que pudessem entravar a livre circulação das informações. de cercear os movimentos do profissio nail da imprensa no interior do país. de censurar as suas correspondêncja ou retardá-las. de que. entendemos que esta convenção implica no reconhecimento de um direito ilimitado de iniciar retificações. em conseqüência. diários e periódicos. de fazer exigências especiais de declaração ideológica. pois os Estados não poderiam usar. do recurso de declará-los indesejáveis. restou adotado que “o direito à liberdade de expressão inclui deveres e responsabilidades e pode.realizada no mesmo ano em Genebra. de 20-1-53. com conhecimento de causa. . Assim. . formação profissional.” Acrescentava-se a possibilidade de cada Estado instituir. Assim. suprimindo-se os obstáculos de ordem política. entendemos que a convenção provàvelmente acarretará divergência entre as nações. segundo modalidades razoáveis. sob certos aspectos. bolsas de estudo para jornalistas. mas sem que estabeleça qualquer meio de determinar se a matéria considerada ofensiva o é na realidade ou se a própria retificação representa uma exposição correta dos fatos. facilitar o acesso às fontes de informação. mas sòmente no que concerne a. não parece que se tenham confirmado as espernças do delegado Aramburo. Sòmente em 1952.

que os problemas da vida social são hoje internacionais e que ninguém pode considerar sôbre o plano nacional senão problemas locais. se concentraram os esforços pacifistas dos que. a criação da Associação Internacional de Estudos e Investigações da Informação. notadamente da Resistência Francesa. nenhuma providência foi tomada para tornar esse organismo conhecido no país e fazer com que os estudiosos dos problemas de imprensa. que estão dedicados a uma obra comum que não pode ter êxito senão por uma colaboração de todos os dias. em todos os países ocupados e despertavam o patriotismo e o instinto de libertação das populaçõs. subrepticiamente. sob a presidência de F. os diversos Estados e Nações. com a participação de 40 delegados de 15 Estados. marchando a televisão para vir a sê-lo também. a luta entre republicanos e rebeldes. durante o ano crítico da Batalha da Inglaterra. da França. A sorte das organizações internacionais positivas depende desta evolução da opinião. — o jornalismo vê abertos os caminhos de uma salutar política de colaboração internacional. firmaram e defenderam com vigor e desassombro os postulados humanitários do “apêlo de Estocolmo”. os quais mesmo devem ser estudados no plano das instituições internacionais — fazer prevalecer isto efetivamente é um dos primeiros problemas do nosso tempo. em dezembro de 1957. na massa intelectual sadia uma opinião comum que a oriente para as exigências federalistas e faça prevalecer. com troca de experiências e materiais entre os Estados e estímulo de contatos pessoais dos seus espe- cialistas.problema do papel e. o rádio representou elemento da maior importância no desenvolvime nto das operações militares. travada com feracidade inaudita em terra. de instantâneo. Sr. e ao que saibamos. instalada em Paris. Mas êsses caminhos devem ser trilhados com tenacidade e determinação: os jornalistas e os povos amantes da paz não podem esquecer a lição dos fazedores de guerra na sua tarefa em prol da paz: — durante a revolução franquista na Espanha. dedicando especial ênfase à investigação e melhoramento da educação dos Jornalistas. de preferência. não sòmente na via cerebral mas no sentimento. Leclercq aplicam-se rigorosamente ao jornalismo. . 237Apesar de no Conselho figurar um jornalista brasileiro. a propaganda inimiga.” Êstes conceitos de J. na segunda guerra mundial. transmitida de Argel e de Londres.237 Os Caminhos da Paz — “Formar na massa popular ou. É que essas transmissões e programas eram ouvidos. Essa instituição se destina a estudar cientificamente o desenvolvimento de todos os meios de informação. Danten Jobim. sob a liderança de Frederico Juliot Curie. pelo menos. com a difusão do rádio — pondo em comunhão. e poderem ser constituídos comités nacionais da organizaçao. para fazer emudecer a potente emissora britânica. a consciência de que os povos não são senão um. concentrando especialistas e institutos profissionais de cada país-membro. não o era menos no éter. graças ao extraordinário desenvolvimento da técnica. Programas de divulgação em diferentes idiomas mantinham a BBC no ar durante dia e noite — e todos os esforços foram feitos pelos nazistas. televisão e cinema aufiram dos beneficios que às suas atividades e à sua cultura traria uma participação ativa na Associação. mas foi também no rádio que. por meio da coincidência de ondas e outros recursos técnicos. o rádio se tornou um ainda mais potente e universalizado veículo de propaganda. Por isso todos os esforços eram feitos no sentido de iriterceptar emissões radiofônicas: os engenheiros alemães eram extremamente hábeis em localizar e prejudicar. No período do após-guerra. Terrou. porquanto nenhum meio de comunicação do pensamento tem a amplitude e a capacidade de atingir mais fundo e mais permanentemente a tôdas as camadas sociais. Se as fôlhas impressas conseguiram transpor fronteiras e levar de um povo a outro as idéias filosóficas e políticas correntes. rádio. A “guerra fria” teve no rádio a sua maior arma. nenhuma divulgação. finalmente. através das estações de rádio inimigas de Barcelona e Sevilha.

da interdição das armas nucleares. . nas posições assumidas todas as vêzes em que somos chamados a servir de mediadores nos conflitos entre Estados Americanos. da reunificação da Alemanha e de outros povos artificialmente mantidos em diferentes Estados — aí estão a desafiar a inteligência e a sensibilidade do jornalismo brasileiro. entendimento. Que precisa. Os sentimentos pacifistas do povo brasileiro. na demarcação das nossas fronteiras por Rio Branco e confirmados na recusa à participação nos despojos e em justas reparações em duas guerras mundiais. com o estabelecimento de agências e serviços informativos próprios nas principais capitais dos cinco continentes. em visitas mais freqüentes aos países estrangeiros. da profunda desigualdade econômica entre as nações. sem instintos imperialistas e ímpetos expansionistas. os princípios de uma paz duradoura. também. repelindo insinuações alheias e interessadas. e. com uma arraigada convicção de igualdade racial e uma larga tolerância religiosa e política. a fim de eliminar da sua produção intelectual as distorções. Que precisa de adquirir. as conclusões precipitadas. do desarmamento progressivo. Que precisa de deixar de ver o mundo através de lentes alheias. colhendo para o Brasil os galardões que lhe cabem como um povo aberto à compreensão e à amizade com tôdas as nações pacíficas e livres. na atuação de Rui Barbosa em Haya e de Osvaldo Aranha na ONU. da discriminação racial. sob a égide da justiça e da fraternidade universal. da fome e das endemias que devastam as populações de imensas regiões subdesenvolvidas do mundo. Problemas como o do uso pacífico da energia atômica. da extinção do colonialismo. o pregresso conquistado dentro da ordem — o Brasil está em situação privilegiada para defender a propagar. as necessidades e as possibilidades do nosso país. na integração por um batalhão expedicionário da fôrça internacional que assegura a paz ameaçada em Suez — impõem ao nosso jornalismo a continuação de uma tradição honrosa de luta pela construção de um mundo de paz. do fortalecimento da ONU e da OEA. Mas impõem. que não raro exacerbam os espíritos e criam ambiente propício aos desentendimentos e conflitos internacionais. finalmente. sem dúvida. por um jornalismo livre. do reconhecimento e garantia às minorias étnicas. Recife. os falsos julgamentos. o estabelecimento de uma paz duradoura. desejando tão sòmente. 1953-59. de integrar-se melhor na fraternidade jornalística mundial. a fim de poder não sòmente colher informações seguras à base das quais se capacite a colaborar nas tarefas comuns da paz como também de propagar no exterior o pensamento. uma responsabilidade maior ao jornalista: — a atenção dedicada a algumas das mais agudas questões da atualidade. ainda há pouco. colaboração e amizade entre todos os povos. de cuja solução depende. uma visão mais profunda e uma observação crítica mais segura das experiências e do desenvolvimento das outras nações. Sem nenhum dos males de raiz que prejudicam um sadio internacional por parte de outras grande potências no mundo. como reza o lema da sua bandeira. fundamentada nos princípios da justiça e do direito internacional. — afirmados após a nossa vitória sôbre o Paraguai na guerra de López. as aspirações. Que precisa de reclamar do Govêrno a criação de cargos de adido cultural e de imprensa junto às embaixadas e junto à ONU. responsável e consciente.

Unesco. BELTRÃO. El Dibuju Humorístico. CAJÁS. 1943. Rio de Janeiro. . Recife. 1949. “O Jornalismo como Gênero Literário” Diário de Notícias. 1949. 1904. “Os Problemas do Jornalismo no Brasil”. ASSANTE. Buenos Aires. Rio de Janeiro. 1953. in Anais do VII Congresso de Jornalistas. Anais do VII Congresso Nacional de Jornalistas. Direito Penal de Imprensa. C. Inc. 1926. São Paulo. BOURQUIN. Paulo. Estudos Brasileiros. Pedro. New York. Ano I.”. Paris. BAECHLIN.. 1949. Orgão do Centro Dom Vital. Fundação Casper Libero. 1948. História da Literatura Baiana. in Anais da II Conferência de Jornalistas. Alfredo de. Recife. 1954. Libreria El Ateneo Editorial. J. Recife. & POSTMAN. Edição P. “Emprego da Microfilmagem em Arquivos”. 1947. BIBLIOGRAFIA ACHILLES. Lisboa. La Libertad de Prensa. Coleção. Histoire du journalisme. CARVALHO. Luis. Paris. Psicologia Del Rumor. 1953. RádioPeriodismo. ANTUNES. New York.. Las Ediciones de Arte. Peter & STRAUSS. Buenos Aires. 1954. Emile. ANDERSON. 1958. Austregesilo de. Gordon W. Liberdade de Imprensa. Barcelona. A Ordem. IDORT. 1958. 1958. CAMPLIGLIA. ALLPORT. The Macmillan Company. Valparaíso. Morano Editore. 1952. Tipografia do Jornal do Recife. CASARES. 1949. Oscar. 1 v. 1952. Prevayer. ATAÍDE. Rio de Janeiro. in Bataille dela paix. Imprensa e Política. Atas do Primeiro Congresso Panamericano de Imprensa. OEA. Freedom of information. São Paulo. Anuário do Rádio. Liberdades Democráticas. Buenos Aires. Tristão de. Coleção ARANTES. Liberdade de Im prensa e Formação Profissional. C. Tese ao V Congresso Nacional de Jornalistas. Recife. Anais da II Conferência Nacional de Jornalistas. ATAÍDE. “Les Mouvements internacionalistes aux XIXe Siécle”. Rio de Janeiro. Paris. 1951. 1954. Horacio Hernandez.. Madrid. 1939. São Paulo. Leo. O Jornalismo. —. Napoli. Espiríto da Sociedade Colonial.N. Alfredo. Imprensa Victoria. 1953.. Rui da Costa. São Paulo. 1954. Arturo. BAM-BHU. BEALES. 1908. Aristeu. Prentice HaIl. La Carta de las Naciones Unidas. Edição P. 1958. Comunicados diversos. R E. “O Encontro Internacional de Helsinki e a Unidade Mundial da Classe”. Rio de Janeiro. —. Exploring Journalism. La Presse filmée dans le monde. Laurence R & WOLSELEY. 1957. A. Herbert. Rafael de los. —. Rio de Janeiro. F. A. Rio de Janeiro. São Paulo. Anais do IV Congresso Nacional de Jornalistas. CARRACENO. Anais de Jornalismo. 2 v. BESSA. A Voz Operária. British News Service. 1957. CALMON. 1957. La Habana. 1949. Anais da Imprensa Periódica Pernambucana. “O Ensino do Jornalismo nos EE. CAMPBELL. 1953. Rádio e Televisão. Derecho de Prensa. “O Papel Criador da Imprensa”. BRUCKER. Rio de Janeiro. 1947. Anuário da Imprensa. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Il Giornale. Eliel C. 1951. Jacques. Cia. BALLESTER. Editorial Claridad. Editora Nacional. 1951. El Periodismo. Maurice MulIer. Prefeitura Municipal do Salvador. Presses Universitaires de France. Altino. Livraria Editora Viuva Tavares Cardoso. Recife.UU.N. BOIVIN. —. in A nais do VII Congresso Nacional de Joinalistas. Washington.

História del Periodismo. 1943. Paris. Recife. FROMM. São Paulo. N. Editions Domat Montchristien. Comissão Organizadora. Recife. Erich. Filme Centre.CHAILLET. Editor & Publisher. Coleção Europa. “El Humor en la Prensa”. Coleção. Hans von. La Presse dans le monde. Paris. Órgão Oficial da OIJ. Gondim da. “Lo Journalisme paríé”. dez. “A Liberdade de Imprensa e o Leitor Livre”. Democracia e Direito. Coleção. Coleção. CORTESÃO. A Carta de Pêro Vaz de Caminha. The Bobbs Merril Company. Rey. Pierre. Praga. Madrid. Editorial Noguer. El Miedo a la Libertad. 1953. 1948. Editorial Fulgor. Recife. J. La Habana. GALINDO. La Bataille de la paix. 1947. DESCAVES. 1953. As Fronteiras da Técnica. P. Jornal do Comércio. 1949. 1957. Euclides da. Ercilla.Sermões. Santiago. SESI. Helio e MARIANO. CIMORRA. J. do DDC. 1950. Rio de Janejro. 1947. Zahar Editores. 1954. Rio de Janeiro. 1957. Correio do Povo. in El Periodismo. Publish and be Damned! London. 1957. Buenos Aires. DREWES. Coleção. Coleção. Gustavo. Coleção. Rio de Janeiro. Buenos Aires. Unesco. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Diário de Notícias. Vieira . CUNHA. 1956. Editorial Atlantida. 1958. ECKARDT. Senhor Deus dos Desgraçados! Rio de Janeiro. Recife. DAVIS. Seminário de Orientação de Jornal de Emprensa. Elmer. Buenos Aires. Paris. Andrew Dakers Limited. L’ABC Du journalisme. Osvaldo. Praga. lsmael. 1946. CORÇÃO. 1937. de Amaro Quintas. FRANCO. Clubinter Presse. Gilberto. “Reporterismo”. But we were Doar Free. CUDLIPP. Rod W. Os Sertões. Rio de Janeiro. Salvador. El Periodista Democrata. Marcelo de. New York. Diário de Pernambuco. 1949. Regimento e Ternário do III Congresso Nacional de Jornalistas. in Problèmes et techniques de presse. Livraria Agir Editora. HOEPPNER. Jayme. IPANEMA. Recife. Edições Livros de Portugal. Jerome. HALL. Frederico. Coleção. Barcelona. Ed. DUMAZEDIER. Coleção. Hugh. 1957. Indianápolis. Clemente. de 1957. HORTON. Indicador dos Profissionais da Imprensa. 1955. La Técnica em la História de la Humanidad. Livraria Francisco Alves. Allãntida. Ed. New York. Leon. FREYRE. São Paulo. DENOYER. Beltram. Fundamentos de la Política. Rio de Janeiro. Recife. Barcelona. Revista de Organização e Produtividade. HERRÁIZ. 1949. 1948. Pela Liberdade de Imprensa. . Afonso Arinos de MeIo. La Industria Cinematográfica en seis Países de Folha da Manhã. Eugênio. 1949. HENRY-COSTON. Editora Aurora. Paris. IDORT. Folha do Povo. Presses Universitaires de France. Pierre. Rio de Janeiro. Cinema Tchecoslovaque. 1946. Televisión y Educación. FONSECA. Rio de Janeiro. Recife. Paris. 1951. DUGUIT. in El Periodismo. Editorial Abril. GOMES. Coleção. Diário da Noite. Intercontinental Press Guide. Livraria Agir Editora. Soberania y Libertad. Livraria José Olimpio Editora. Prefácio a Notícias e Anúncios de Jornais. Gilbert. Coleção. Unesco. 1924. Paris. Legislação de Imprensa. Editorial Noguer. 1952. & PASTOR.

Presses Universitaires de France. 1959. Mass. Gustavo. Paris. 1957. Editora Guararapes. New York. in L’ Opinion Publique. Francisco de “Problemas de la Empresa”. Luís do. “O Dever da Imprensa em Face dos Problemas do Desenvolvimento Nacional”. LASKI. Rio de Janeiro. Solidônio. Jornal do Comércio. 1950. Paulo. Salvador. NASCIMENTO. 1956. Harold. “Presse et opinion”. Barcelo na. A. Rio de Janeiro. Antônio. 1925. Robert W. Emmanuel. 1957. v. Livraria Agir Editora. 1948. MARAÑÓN. KAYSER. LIMA. Paris. Comentário à Lei de Imprensa. Livraria Progresso Editora. Biblioteca Nova. MORAIS. Noticias de Pernambuco. Tese do IV Congresso Nacional de Jornalistas. LIPPMANN. A Missão da Imprensa. Coleções. Síntese da História da Legislação Luso-Brasileiro de Imprensa. Recife. Walter. Barcelona. Recife. Jacques e TERROU. in La Bataille de la paix. —. Paris. Boston. MELO E SILVA. de 1953. Editora Aurora. Typographie. 1958. 10 jul. A Organização dos Jornalistas Brasileiros. Enrico. O Espírito e o Mundo. O Homem e o Estado. in Problèmes et techniques de la Presse. Revista Forense. New York. Jules. JONES. 1925. MAUGHAM. Jacques. Milano. LEITE FILHO. . Les Telecommunication. Jacques. de Manuel Soler. Alceu Amoroso. LUÍS Y DIAZ. “L’opinion publique aus USA”. “Editoriales”. in L’Opinion publique. Imprensa Periódica Pitoresca de Pernambuco. Fratelli Bocc. MAINAR. in EI Periodismo. Editora Globo. 1947. Wilson. “Raios X da Rússia de Malenkov”. Editorial Noguer. Rio de Janeiro. A Liberdade. 1906. MARITAIN. Editions SPES. Salvador. Diritto Giornalistico. 1949. Minn. Editora Biblioteca Nacional. Livraria José Olimpio. Recife. 1949. Ministério da Educação e Cultura. Buenos Aires. Ed. JOVANE. Los Derechos deI Hombre y la Lei Natural. 1946. François. Emile. Journalism in the United States. Minneapolis. LECLERC. Serviço de Documentação do MEC. 1958. Jornal do Comércio. Paris. Jornalismo e Literatura. Recife. 1955. “De la Coopertion Intellectuel”. Journalism Quartely. NOBRE. 1955. Lei de Imprensa. Coleção. Walfrido. Rio de Janeiro. 1951. 1921. CVII. Buenos Aires. Carlos. 1954. LAZARETT. Livraria José Olimpio Editora. Presses Universitaires de France. LAFFAY. PIGASSE. MOSTAZA. Public Opinion. Rio de Janeiro. Paris. Rio de Janeiro. Freitas. MATHIOT. 1955. PERROUX. Harold. in El Periodismo. Paris. Pierre e Helene. Jean. LECLERC. Daniel Jorro. Assunto Pessoal. OLINTO. LACERDA. 1958. La Libertad en el Estado Moderno. Sfelt. LASKI. Niemen Reports. Vocação e Ética. 1951. Rio de Janeiro. La Coexistence. “La Revue”. Livraria Progresso Editora. 1950. Documentos Históricos.Coleção. Editorial Noguer. Rio de Janeiro. LEUENROTH. in Anais do VII Congresso Nacional de Jornalistas. Barcelona. Gregorio. Somerset. Rio de Janeiro. Recife. Edgar. 1952. 1948. Porto Alegre. Rio de Janeiro. 1958. Regime de Liberdade Social. 1946. MOUNIER. 1939. NOGUEIRA FILHO. O Dano Moral e sua Reparação. Bartolomé. Coleção. 1947. Du Journalisme. Livraria Agir Editora. EI Arte del Periodista. Madrid. LE BON. São Paulo. 1946. Paris. The Macmillian Company. Presses Universitaires de France. F.—. Rafael. Presses Universitaires de France. Paris. 1947. Psicologia de las Multitudes. Suc.

Michel. Hernán. Valência. Octavio de la. RIVERO. Barcelona. Paris. VASCONCELOS. 1953. Le Regime de la presse. Manuel I. RODRIGUES. . SIGISMUNDO. 1948. in L’opinion Publique. 1946. de 1953. 1939. QUINTAS. Tribuna da Imprensa. M. Estocolmo. Cervantes . Paris. Sanelva de. El Mirador de Prospero. Gordon W. Código deI Periodismo. Rio de Janeiro. Os Estados Unidos vistos por Jornalistas Portugueses. (PN). Cultural S. Paris. Editora do Instituto Nacional do Livro. Introdução ao Cinema Brasileiro. Livraria Betrand. RODRIGUES. Editora Nacional. L’Information travers le monde. o Jornal e a Tipografia no Brasil. Philip. SUDRE. RIZZINI. Publicidade & Negócios. 1929. jul. Editoral Psique. 1946. PORTER. Leo e ALLPORT. Psicologia Aplicada al Periodismo. Salvador. SUARÉE. Unesco. Paris. Coleção. W. J. Octavio de la. Lisboa. O Livro. SOULE. Departamento de Documentação e Cultura da Prefeitura Municipal do Recife. Socioperiodismo. Herbert. Livraria Kosmos Editora. La HuitiémeArt. 1955. 1943. Usis. Paris. Ed. Rádio. Cadiz. SPENCER. Adolpho. VAZQUEZ. George. Salvador. “Les Principes de la liberté dela presse en Pologne”. Manual de Periodismo. M. Psicologia y Cibernética. Prelos & Jornais. Time for Living. Buenos Aires. in L’Opinion Publique. SUARÉE. Filme. The Economist. Octavio de la. Coleção. 1929. RAYSKI. La Habana. Ediciones Siglo Veinte. Estado e Ciência Política. 1955. Paris. Imprensa e Democracia. Paris. Livraria Agir Editora. James H. Le probléme du papier journal. 1945. La Habana. Manual deI Periodista. A. Rio de Janeiro. L’Automation. Norwal N. 1953. Madrid. 1957. Edição Brasileira. VIANY. Torino. O Problema da Liberdade.. Presses Universitaires de France. Paul.. Presses Universitaires de France. Editorial Noguer. Fulton. Livraria Progresso Editora. . SOLLIER. Ingiuria e Diffamazione. Editorial Escelicer S. Presses Universitaires de France. Editorial Pan América. 1957. Rio de Janeiro. Notícias e Anúncios de Jornal. New York. Fernando. 1949. José Henrique . A. Rio de Janeiro. Moraletica del Periodismo. 1952. Recife. J. Rio de Janeiro. O Indivíduo e o Estado. Seleções do Riader’s Digest. Comunicados. POTULICKI. Coleção. in El Periodismo. 1942. Livraria Editora Casa do Estudante do Brasil. Buenos Aires. Paris. SUARÉE. Rio de Janeiro. RODO. Unesco. Colecció n Panorama. 1947. Paris. SHEEN. A. La Habana. Lisboa. 1953. 1959. 1957. Universidade de Madrid. A. 1944. Julliard Sequana. Cultural S. Sweedish International Pressbureau. QUIRÓS. 1919. POSTMAN. Paris. SAUVY. René. Paris. Alex. Psicologia deI Rumor. Catálago de Filmes. ROBINSON. 1951. Presse. Fray Santos. Rio de Janeiro.PIROMALO. Clemente. Suplemento “O Preto no Branco”. . Les Editions de Minuit. São Paulo. La Habana.1957. 1957. Buenos Aires. Livraria Progresso Editora. 1957. Virgil. SANTAMARINA. 1956. 1958. “Techniques de formation de l’opinion”. 1954. Ano de 1952. Introdução à Psicologia Social. Alfred. RAMOS. La Television dans le monde. Carlos. Amaro. Artur. Alfredo Jannit. POLLOCK Frederick. Mahul de Estudos. 1945. “Arte de Titular y Confección”. Unesco. A Formação da Mentalidade. 1947.. 1957. L. Unesco. Cultural S. POSADA. & LUXON. 1944. La Repression Mentale. L’Opinion publique.

Cybernetics. Social Psychology. Visão. New York. YOUNG. Rio de Janeiro. Magazine Semanal. WEISE. New York. Editorial Labor S. . WIENNER. George. El Diário. WEILL. Norbert. Imprensa Nacional. O. Hélio. Kimball. 1948. A. Fondo de Cultura Econômica. Coleção. 1945. México. Barcelona. São Paulo. 1935. La Escritura y e? Libro. Contribuição à História da Imprensa Brasileira. 1935.VIANA. The Technolo gy Press. 1941.