Luiz Beltrão

Iniciação
à Filosofia do
Jornalismo
(Ensaio)
“Prêmio Orlando Dantas – 1959”

Capa de Aberlardo Zaluar

1960
Livraria Agir Editora
Rio de Janeiro

A JEAN-MAURIGE RERMANN
Presidente da O.I.J. — Paris
Prof. RONALD IIILTON
da Universidade de Stanford — Califórnia
Dr. FRANCIS E. TOWNSEND
Adido Cultural dos EE.UU. — Washington
JAROSLAV KNonwdn
Secretário Geral da O.LJ. — Praga
Luís SuAREZ
do Sindicato Nacional de Redatores de Prensa
— México
Prof. P. P. SINGI-I
Diretor do Departamento de Jornalismo da
Universidade de Panjab — índia
CARLOS RIZZINT, TEISTÂ0 DE ATAÍDE G ANTÔNIO OLINTO
pioneiros dos altos estudos jornalísticos no Brasil e “ad inemoriam”
Prof. Luiz SILVEIRA
Diretor da Escola de Jornalismo Casper Líbero
— S. Paulo
Prof. MÁRIO MELO
Decano dos jornalistas pernambucanos

O AUTOR DEDICA

ÍNDICE

PREFÁCIO ..................................................................................................................................... 9
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 13
PRIMEIRA PARTE: AS MANIFESTAÇÕES DO JORNALISMO ..................................................21

ORIGEM E EVOLUÇÃO .............................................................................................................. 23
Pré-história do Jornalismo ............................................................................................................24
A fase histórica .............................................................................................................................26
Primórdios do Jornalismo brasileiro ............................................................................................. 28

O PAPEL E O JORNALISMO ESCRITO ......................................................................................32
Peliculas de celulóide ...................................................................................................................35
Micro-fotografia .............................................................................................................................35
Os jornais eletrônicos ...................................................................................................................36

O RÁDIO E O JORNALISMO ORAL ............................................................................................86
O telefone .....................................................................................................................................39
A fita magnéticaca ........................................................................................................................39

O DESENHO E O JORNALISMO PELA IMAGEM ...................................................................... 41
A ilustração e a caricatura ............................................................................................................42
A fotografia ...................................................................................................................................46
O cinema ......................................................................................................................................48
A televisão ....................................................................................................................................54

CONCEITO DE JORNALISMO .....................................................................................................60

SEGUNDA PARTE: OS CARACTERES DO JORNALISMO ........................................................63

DA ATUALIDADE .........................................................................................................................66

Jornalismo e História ....................................................................................................................66
Atualidade e Atualização ..............................................................................................................68
Atualidade e Permanência ............................................................................................................69
Manifestações da Atualidade ........................................................................................................71

DA VARIEDADE ...........................................................................................................................72
Variedade e Especialização ..........................................................................................................73
Jornalismo Geral e Especializado .................................................................................................75

DA INTERPRETAÇÃO .................................................................................................................77
Interpretação e Seleção ................................................................................................................78
Interpretação e Vocação ...............................................................................................................79
Extensividade e Intensividade ......................................................................................................81

DA PERIODICIDADE ....................................................................................................................82
Através da História ........................................................................................................................83

...............................................................................................................................................................98 Condições da Popularidade ................................................................................................................................132 O Estado.......................................................................................................................................................................................................................................................115 O PÚBLICO ....................................................................98 DA PROMOÇÃO ......................................................................................................................................................158 A Vocação do Jornalista ................................................................................................................................................................................................................................................................169 QUARTA PARTE: AS CONDIÇÕ&S DO JORNALISMO ........................................140 Fase da Manufatura ..................................................................................................................................................................100 As Campanhas Jornalísticas e o Bem Comum ..............................137 O TÉCNICO ...................................................................................................................................................................................................................166 Senso Estético ............................................................162 A Discrição ............................................................................104 Jornalismo e Opinião ..............................................................................................................178 Defesa da Liberdade de Opinião ................150 Jornalismo e Automatização ......................................................................128 O Estado-Editor ....................................................................................................................................118 Balanço do Trabalho do Público-Agente ................................159 A Curiosidade-Comunicativa .........................185 Jornalismo e Moral ......141 Fase da Mecanofatura ................................................................................117 O Público.......................................................................................................................164 A Objetividade .........190 ...........171 O PROBLEMA DA LIBERDADE ............185 O Jornalismo Sensacionalista .............................................................................................................................91 Popularidade e Liberdade ............................................................................................................................................143 O Problema da Automatização ...................................................................................................................................................................................161 Fecundidade Jornalística ...................100 Jornalismo e Sociedade ..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................151 O JORNALISTA ................................................................................................122 O EDITOR ..............................................................................................................................................184 O PROBLEMA DA RESPONSABILIDADE ......................................................................86 DA POPULARIDADE .................................................................................................................... Editor-Idealista ............110 TERCEIRA PARTE: OS AGENTES DO JORNALISMO ....................................................................124 O Editor-Idealista .........103 Jornalismo e Direito ..........................................................................................................................................Nos Tempos Modernos ............................................173 Poder Público e Liberdade de Opinião ..................................................................................................................123 O Editor-Financista ..................................................................................................... Agente Ativo ........................................................................................89 Extensão da Popularidade ............175 Educação para a Liberdade ..................................................................................................

................................................................................................................................................................................................................................................................200 Ação Catalizadora do Jornalismo ..........................................................................................216 Os Caminhos da Paz ..............................................A Ética no Jornalismo Brasileiro ....................................................................................................205 Os Reclamos do Presente ..........219 BIBLIOGRAFIA ...........................................202 O Jornalismo Brasileiro e o Nacionalismo .......223 ........................................................................................................................................................................................................................................209 Jornalismo e Paz Mundial .....193 Jornalismo e Nacionalismo ..........................................214 A ONU e a Paz ....................................................212 A “Batalha da Paz” ............................................................................................................................................................................................

à crônica internacional ou ao grave artigo doutrinário. com isso. Entretanto. Sua participação em numerosas reuniões da classe. o contato mais direto com o fato. de Luiz Beltrão. mestre de mais de uma geração. para quem a expressão “magistratura da imprensa” definia seu próprio conceito de jornalismo. pelo menos até bem pouco. aquele autêntico professor de ética que foi Caio Pereira. mais recentemente. a coerência da posição assumida em face de determinadas teses. quase sempre rica de calor humano. tais como as definiu Domenach. em seu heroísmo anônimo na luta pela sobrevivência. o mais adequado à experimentação simultânea do maior número das leis da propaganda. Ocupando duas cátedras em Cursos de Jornalismo. Manuel Caetano. simples aparência. e da interpretação desse fato.o jornal continua a manter o antigo prestígio. como esta Iniciação à Filosofia do Jornalismo. dentre aque les agentes. aliás. com ele identifica o veículo. no sentido de promover o bem comum”. Luiz Beltrão concilia em sua atividade profissional e didática a força da vocação com o gosto pela formação. mais todos eles. à arte de fazer jornal. Além disso. de um lado. propriamente. figuras da expressão profissional de Barbosa Lima Sobrinho. A modesta imprensa do interior. para “jornalismo” o conceito mais amplo. também o valorizam. Jornalista de província. as viagens a outros países. em todo o mundo. . pelo ânimo combativo. habituavam-nos de cedo a redigir desde o registro dos “faits divers”. sempre ágil e lúcido em sua extraordinária sensibilidade jornalística para o fato que vai ser notícia. em sua técnica e em seu espírito.PREFÁCIO A muitos surpreenderá venha de um jornalista de província — certo que de província com as tradições culturais de Pernambuco — uma contribuição de tantos e tão altos méritos paira o conhecimento do jornalismo. dos atuais. da informação sofre o fato corrente. porém. Assis Chateaubriand. qualquer que seja. verdadeiros mestres no ofício. davam aos bons jornalistas provincianos o domínio integral dos segredos de seu ofício. com olhos atentos de repórter empenhado em apreender as experiências alheias. na competência dos modernos instrumentos formadores da opinião. em termos de identificação mais profunda entre o jornal e os que o fazem e entre estes e o meio social. é o mais vivo exemplo dessa identificação. o caráter de participação integral. para unia atuação mais ampla no jornalismo brasileiro — se quisermos citar apenas valores dos nossos dias —. outra de Técnica. confere à posição daqueles jornalistas. Luiz Beltrão adota. em sua universalidade: o espírito que anima a tarefa jornalística. Dentre os que lá ficaram e morreram. os aspectos ligados. Aníbal Fernandes. “com o objetivo de difundir conhecimentos e orientar a opinião pública. sem as limitações de rígida especialização. em si. A prática do jornalismo de província adquire. Ou. e com as suas reações. pelo equilíbrio. aliás. até nos impulsos de suas paixões. Pela circunstância de ser. Osório Borba. no bom sentido. e. poder-se-iam referir nomes como Gonçalves Maia. Sabe-se que a imprensa está sofrendo. se o diferenciam. já com os nomes consagrados. até nisso revela seu ilimitado interesse pelos problemas da imprensa. se fazia jornal na província. os fundamentos morais da profissão. talvez. as condições em que. Aníbal Freire. pela vivacidade. Carlos de Lira Filho e. fiel à preocupação da justiça ao dever da verdade. De Pernambuco vieram. com suposta primazia do rádio e da TV. esse outro admirável artífice de jornal. em face de um e de outras. Esta posição de desvantagem é. uma de Ética. de outro. a séria concorrência de outros agentes de comunicação. tudo isso lhe atribui uma autoridade que o mérito deste ensaio consolida e amplia. peculiaridades que. diferentes no estilo e feitio.

do bem comum. em termos de liberdade política. Não falta quem indague. pelo esclarecimento honesto. étnicos e culturais que lhe formem o substrato mais profundo. terá de fusidar-se em deterininados valores morais. de ação direta ou indireta. para assegurar ao homem o direito dc manifestar sua opinião. elas é que geram ou manipulam. concorre. a opinião pública exprimirá sempre o seu grau de higidez pela resistência às injunções externas e pelo poder de discernimento e reação crítica. Variando de povo para povo. é verdade. a eleição consciente de uma atitude ou solução. particularmente nos países de menos . criaram tremenda responsabilidade moral. Será simples joguete de outros. quanto maior sua receptividade emocional e mais suscetível de ceder às injunções das técnicas de divulgação e propaganda. embora contribua. ou de um homem — no caso. A visão de conjunto dos problemas do jornalismo. para o domínio pacífico das vontades e inteligências. Além disso. realmente. em que é fácil identificar. livremente exercida. Nas democracias é que o jornalismo alcança lada a sua grandeza. ao arbítrio de ocultas intenções. para. Êsse é. O grau de eficiência alcançado pelos meios formadores da opinião. para os que manejam os instrumentos de informação e propaganda. até onde essa liberdade de opinião será. as forças misteriosas que. A pluralidade dos partidos e a liberdade de opinião têm igual importância como valores inerentes à concepção ocidental de democracia. contida neste ensaio. porque a missão que lhe cumpre. submetendo-as à influência deformadora dos agentes da propaganda. de um partido. Tanto mais fascinante é aquela análise quanto vivemos uma hora . expressas em vontades. o livre exame e o acesso fácil às fontes autênticas de informação. por exemplo. a fórça que detém. dentre várias atitudes e soluções? À medida que se aperfeiçoam os recursos técnicos de comunicação. pela frágil resistência aos ardis da coerção psicológica. Tanto mais imaturo poticamente um povo. a capacidade dêstes meios para impor-lhe os rumos e tendências que mais convenham a objetivos predeterminados. o mêdo instintivo da liberdade. o mais grave risco que enfrentam não só as instituições democráticas. demo nstra-nos quanto é fascinante a análise’ das modernas técnicas que interferem na formação da opinião. e o estilo dos países livres. no difícil mundo dos nossos dias. Désses ardis se têm valido. mas também de violência policial e de total supressão da liberdade de informar e opinar —. nos dias atuais. da justiça social. “o foro interior de uma nação”. mas a própria razão livre dos cidadãos. Se lhes faltam as bases ideológicas de uma consciência social. se está a imprensa. boas ou más. pelo menos teoricamente. o processo de formação da opinião. enorme distância entre os métodos adotados. tudo condicionado pelo res peito à dignidade humana. os regimes totalitários. com certo ar de alarmismo. Nestes. A pro paganda encadeia a sua vítima. pelos Estados totalitários — não só de coerção psicológica. tendências e aspirações. não estará nunca a serviço do progresso humano. a própria elaboração do pensamento.em que o progresso científico e tecnológico. nesse terreno. consciente ou inconscientemente. Mas. em função dos diferentes elementos históricos. em benefício de uma ideologia. ou as diretrizes de princípios éticos. no jôgo de tendências e contradições de que resulta o equilíbrio das democracias. “A opinião é tão livre” — anota Afonso Armas de Melo Franco — “quanto permitem as injunções da psicologia. o ditador. Há. mais se acentua o perigo de que processos artificiais elaborem as correntes de opinião. como também já foram chamadas. não pode sofrer outras limitações senão as que decorrem da consciência dos que o praticam. manobrado por interêsses ocultos ou por grupos de pressão. para tornar cada vez mais vulnerável a sutis influências. que mantenha ui3va atitude de permanente vigilância e fiscalização. livre? Até onde seu exercício traduzirá um esforço espontâneo de discernimento. dando à imposição da conduta a aparência de escolha voluntária”. muitas vêzes. em contrapartida. realmente. constituem i consciência de cada sociedade ou. tem de basear-se no dever da verdade e no esfôrço de persuasão. sobretudo no que incumba aos órgãos do govêrno.

a. como profissão —. nesse capítulo de linguagem de jornal. Não foi outra a experiência que nos ficou do Estado Novo. análises tão lúcidas como as de Alceu Amoroso Lima e Antônio Olinto. sofrendo-lhe. enquanto. O caso. O jornalista medíocre informa por informar. nêle implícito o dever da isenção. deram ao seu exame dois jornalistas da alta graduação intelectual de Costa Porto e Andrade Lima Filho. Sempre a experiência demonstrou que todos os abusos da liberdade. do “estilo jornalístico”. pela mistificação dirigida. ou que interessam aos que se preocupam com os rumos do jornalismo. pior sem ela. no Brasil. como fô rça elaboradora da opinião — que éle. apenas. de que nos falava Pio XII ao aludir às tentações a que está sujeito o jornalista. dispensa tratamento diferente aos fatos de sentido construtivo.. Acentua muito bem Alceu Amoroso Lima que “a grande finalidade moral e social do jornalista (. Mas. capazes de gerar atitudes de confiança e otimismo. por lhe reconhecerem as responsabilidades sociais. forma e reflete.. para acentuar suas peculiaridades. por parte da imprensa. em têrmos de gôsto estético: tem função determinada entre as fórmulas de conquista da opinião. mas também as possibilidades econômico-financeiras das emprêsas. quanto à aparência gráfica. nem deve ser encarado. porém. deve- se ter presente que a estatização da imprensa. inclusive as traduções. através de uma técnica monstruosa de deformação da verdade. também.maturidade política e cultural. ainda não seria mais oportuno o levantamento dos subsídios que oferece paira aquêle “Dicionário de la tontería”. Não fôsse o caráter quase didático da obra. de tema que já mereceu. Vem juntar-se aos melhores trabalhos do gênero até agora publicados no Brasil. êsse ideal de precisão e concisão que é. à altura de sua missão social. É preciso evitar que o mau uso da liberdade. nas democracias. com o aviltamento. só têm contribuído. de Fiaubert?. a um só tempo. o próprio dever e o direito de informar têm de ser entendidos dentro dos limites daquela finalidade social e moral. dos veículos de opinião e informação. ou seu contrôle pelo Estado.. defenderem a restrição dessa liberdade. e seria talvez desejável tivessem maior desenvolvimento certos aspectos particulares da arte de fazer jornal. É um ponto em que não interferem sàmente problemas de natureza técnica ou de especialização profissional. em muitos casos. via de regra. Trata-se. são apreciados nestas páginas com segurança e objetividade. em discursos de posse na Academia Pernambucana de Letras. Outro aspecto a ressaltar seria a renovação por que têm passado os jornais. influência — para converter-se num poderoso instrumento de perversão. O conceito de notícia. em confronto com os problemas específicos dos demais gêneros literários. Êste ensaio de Luis Beltrão vale por uma tomada de posição em face de temas sempre sugestivos e atuais. um dos segredos do entendimento entre o jornalista e o seu público de mil cabeças. se. para agravar e ampliar os piores vícios. cuja utilidade para os alunos das nossas Escolas de Jornalismo é evidente. a. também. prontas sempre a valorizar o sensacionalismo e o escândalo.. Ruim com ela. Todos os problemas que interferem no processo jornalístico — como técnica. da precisão e da objetividade. . não transigirá demasiado com o gôsto mórbido de algumas camadas do público. em tôda parte onde foram experimentados. foram menos nocivos ao bem comum do que a supressão da possibilidade de sua prática. Quem sabe. o autêntico jornalista informa para formar”. como entidades industriais. leve pessoas de boa fé. se. Transigência que se manifesta ainda no relêvo publicitário conferido aos aspectos patológicos ou negativos do dia-a-dia. sem falar tias contribuições não menos importantes que. o despojamento de linguagem. como indústria. por exemp lo. ou então o jornalismo deixa de ser um elemento positivo. aliás. Mesmo naqueles casos em que certas deficiências éticas desviam o jornalismo da consciência de sua missão social. que Ferrater Mora pensou contrapor à idéia do “Dicionário da Estupidez’.) vai além da finalidade puramente informativa. dentro de certai noções já sistematizadas. é uma aquisição comum na técnica jornalística moderna. pelo DJP.

no espírito e na forma. mas também a um vigilante exame de consciência quanto aos seus deveres e responsabilidades e à maneira por que vêm sendo atendidos. Agrada-me que. com a publicação de estudos sistemáticos sôbre problemas de jornalismo. nos reqimes democráticos. nos efeitos sôbre o espírito do público. realmente simbólico para a classe. em quaisquer circunstâncias. a ela incumbe “a dignidade inestimável de representar tôdas as outras”. através de currículos adequados. na síntese magnífica de Ruy. “Já alfabetizados 50% dos brasileiros”. É grato verificar que um jornal da categoria do Diário de Notícias escolheu o jornalismo como tema de concurso de seu Suple mento Literário. citado por Luiz Beltrão. pelo prevalecimento das normas éticas. Até mesmo quanto às restrições ao exercício da liberdade de imprensa. A doutrinação perde terreno como forma de convencimento. neste livro. à ampliação de nossa bibliografia especializada. de integração na consciência de seu papel. no jornalismo. Nos jornais de orientação mais conservadora ou tradicionalmente simpáticos aos governos. “last but not least”. Quase discordaria de Luiz Beltrão no reparo pessimista ao desapreço que lhe votam as elites. já não ocorrem com a mesma freqüência os atos de arbítrio das autoridades públicas. projete na aplicação das técnicas modernas a consciência social que. sob o patrocínio de um nome. sempre otimistas “et pour cause”. enquanto parecem aumentar os apelos às sanções da justiça. metade da população brasileira já se apresenta alfabetizada. nos da oposição. Vale referir. A liberdade de imprensa já se incorporou às aquisições de nossa cultura política. para esclarecer que. inclusive porque. não fôsse o sentido dêsse reparo. contribuir para a renovação dos quadros profissionais. às conclusões do texto. em maior número. entre o direito à liberdade e o dever da responsabilidade. e uns e outros títulos fiéis. subordina a prática do jornalismo aos interêsses do bem comum. muitas vêzes. Todos estamos de acôrdo. principalmente no sentido de influência mais ampla sôbre as massas. Está certo Jacques Kayser. Nesse esfôrço de aperfeiçoamento cabe função relevante às Escolas de Jornalismo já existentes e a outras que. Orlando Dantas. cabe função igual aos congressos da classe. de formar opinião. vale dizer. ao admitir que o bom título supera em eficácia um editorial. e. à estreita conexão. uma das transformações a assinalar na técnica de jornal é a capacidade. valorizava-se o aspecto positivo. em linguagem sóbria. desde que não apenas dedicados às reivindicações de direitos. no sentido da valorização efetiva da atividade jornalística. não com o raciocínio objetivo dos artigos-de-fundo. teve larga divulgação. quase técnica. Isto é um bom sintoma. como registro de uma omissão da chamada política de desenvolvimento nacional. ou ao exame de problemas que. professor de Ética. sem alterações no texto original. Aliás. mas. Luiz Beltrão dê ênfase. dentro dos critérios de comparabilidade inter- nacional. e de firme bravura na resistência aos poderes de coerção e coacção do Estado totalitário. pelo exemplo que deixou de uma nobre concepção do dever da imprensa. em seu empenho constante de aprimoramento eia técnica e de aperfeiçoamento ético. porém. Pelo seu interêsse informativo. é parte do patrimônio social. corno é o caso dêste excelente ensaio de Luiz Beltrão. o dever da responsabilidade tem de ser uma conquista ascendentc da classe. na exata medida em que possam. creio eu. Entretanto. Era um breve comunicado do IBGE. prevalecia o aspecto negativo: “Ainda 50 % de analfabetos na população brasileira”. no complexo das fôrças sociais. dentre muitas. desde a fase de restauração das franquias democráticas. continuava íntegra. uma experiência de ordem pessoal. há ainda um longo caminho a percorrer. que os modernos recursos desenvolveram. e cumpre-nos defendê-La a todo custo. A verdade. formação que não apenas llhes confira o seguro domínio do “métier”. como de boa norma. nos cumpre criar. mas com a sim pies notícia e a maneira de apresentá-la. . extrapolam as fronteiras do legítimo interêsse profissional. Só os títulos variavam. em que o jornalismo brasileiro vem progredindo e aperfeiçoando-se. sobretudo no ot cante à formação de novas gerações de profissionais.

se entendida dentro dêsse espírito. esclarecedor dos problemas de seu exercício. They taught me all I know. e contribui. Na verdade. interpretativa da verdadeira essência do jornalismo e. ajuda-nos a caminhar neste sentido. a missão de fazer jornal. superada a fase da supremacia da paixão sôbre a razão e valorizada a vocação pela formação. para que. Êste ensaio de Luiz Beltrão. será possível experimentar. adquirir cada vez mais as virtudes dos seis fiéis servidores de Kipling: I have six faithful serving men. nas suas vinculações entre o fato e a história. possa o jornal. ao mesmo tempo. Their names are What and Where and When. a conciliação sugerida por Mannheim entre o humanismo e a técnica. no Brasil. tão sugestiva é. o efêmero e o eterno. também. And How and Why and Who. WALDEMAR LOPES . o imanente e o transcendente. com efeitos decisivos sôbre a sociedade do futuro. que nela. como talvez em nenhuma outra.

por isso mesmo. como já _____________ (I) Confirmando o descaso do govêrno brasileiro pelo problema do papel e denunciando “o que se poderia chamar de meta do governo esquecida ou mal orientada”. Desapreço que nem o elevado índice de iletrados nem o baixo nível de vida da população podem explicar satisfatoriamente. ao que parece “sem uma experiência ou mesmo um estudo mais profundo”. que o inciso “a publicação de livros e jornais não dependerá de licença. já não dizemos no mundo mas em alguns quilômetros ao seu derredor. das idéias políticas. e o público ao qual nos dirigimos — sob a constante ameaça de leis restritivas da liberdade de informar e de opinar. (I) de películas de celulóide e outras matérias primas de que necessitam os veículos jornalísticos para cobrir com eficiência o vasto território nacional e atender aos reclamos de significativa percentagem da população QW ignora o que ocorre. ocupar a primeira linha na defesa intransigente do jornalismo. assim. considera condenável o programa de indústrias médias e. Curioso é que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico. ao contrário. são de iniciativa de governos.” O mesmo professor. 141. V da Constituição. freqüentemente. pela crescente industrialização do país. indeclinàvelmente. dos sistemas filosóficos. pela transcrição do art. transmissores e receptores de rádio e televisão. da Associação Comercial do Paraná. . e até de intelectuais e profissionais liberais aos quais competiria. antes. n. em estudo critico sôbre a situação do nosso jornalismo. pelos leitores. Não fôsse assim e não viveríamos — nós. muitas vêzes impiedosa. Percentagem significativa da população que. apreensão de edições e empastelamento de oficinas gráficas. apresentaram. da evolução científica. em setembro de 1958. artística e social em foco no nosso tempo. O desapreço das elites dirigentes brasileiras pelo jornalismo fica ainda mais patenteado se considerarmos que. etc. prisões e processos. pelas classes menos ilustradas. supressão de quotas de papel ou de freqüências e canais. na postergação do jornal ao livro. realizada no Recife.” revela “partipris” dos legisladores brasileiros contra a imprensa como instituição. não figura a montagem de fábricas de máquinas e peças prá ficas. urna tese em qne pleiteiam provando por A mais li as vantagens do processo — a implantação de indústrias médias na zona papeleira do pais. aumento da produção de papel de imprensa. nos planas e programas de desenvolvimento econômico. que constituem a grande massa da população. a impossibilitar a marcha do país para a conquista da posição de relêvo que lhe compete no concêrto universal. “Na ordem moderna da ilustração e da cultura populares — acrescentou — o jornal é a ante-saia do livro. O ilustre professor cubano Octavio de la Suarée. de autoridades policiais e militares arbitrárias. III Conferência Brasileira de Comércio Exterior. os srs. a sociedade brasileira se interessa por assegurar aos seus jornalistas um tratamento privilegiado. de cujo exercício livre e amplo depende. preferência que não tem justificação.INTRODUÇÃO Ocorre-nos. tanto para celulose como para papel d imprensa. produtores de cinema. Agostinho Ermelino de Lcâo Filho e Júlio f4aito Sobrinho.” Assinalou o curioso fato de que “no próprio texto constitucional não aparece a locução clássica “liberdade de imprensa” consignada em nenhum capitulo e demonstrou. a constatação desoladora do desapreço em que é tido o jornalismo na Brasil. a crítica jornalística. tendo-se em conta a extensão do analfabetismo do povo. que lhe faça a vida — e não a emissão do pensamento — mais fácil. é responsável pelo retardamento da nossa emancipação neste importante setor da eeonomia e da cultura nacionais. inclusive. quando não da ação de medidas ainda mais drásticas: censura prévia. a sua própria e ampla atividade. radiouvintes ou telespectadores. permanece e permanecerá à margem dos movimentos de construção e recuperação nacionais. os jornalistas. de parlamentares e políticos sôbre os quais recai. pois se traduz. Nenhum dêsses atentados é perpetrado pelo povo. como um pêso morto. uma vez que é justamente nas elites que o fenômeno melhor se comprova. observou que “mais do que a liberdade de imprensa como bem profissional indispensável.

infortunadamente. a sua opinião não merece fé. tem lutado bravamente. apenas. tais como isenção do impôsto de renda. Do jornalismo. chega à evidência de que “essa dupla falta — teórica e prática de liberdade de imprensa. O jornalista tem de estar a sôldo de alguém: do govêrno ou da oposição. ganhando prosélitos nas massas populares. exortando o público a que trabalhe para a imprensa.. intérprete dos sentimentos e reclamos coletivos. o seu esquema. na falsa concepção de direitos e deveres dos nossos órgãos de divulgação. Improvisam-se jornalistas e técnicos de jornal à base. que se manifesta na desorientação. como bagaço sem valia. colhe. meios de difusão do ____________ (II) “Socioperiodismo” — pág. o seu procedimento. Pela primeira.vivos. o único que anima e recompensa o intrusismo profissional. à sombra do poder. e logo tornado extensivo a todos os seus companheiros de ofício. nem lhes permitem possuir imóveis — nem por isso as observações referidas são menos reais: — o Estado faz-se paternalista. Estudos e seminários sôbre opinião pública. quanto à critica. de um período de treinamento nas redações ou na reportagem. como se quisesse buscar no próximo profano solidariedades protetoras. jamais altera a sua linha de conduta. confundida outras com licença. em campanhas memoráveis. assume uma terceira feição: a da humilhante indiferença... a sua informação é tendenciosa.. Esquece-se que o jornalista é humano e que a sua missão é tanto mais difícil no Brasil quanto lhe tem faltada duas condições essenciais ao seu aprimoramento: . férias. procura transmitir nos seus pronunciamentos. no baixo nível cultural e mesmo técnico do nosso jornalismo. inconformados ou ignorantes. 456 – TROCAR N. considera a grita da imprensa e do rádio como manobra de despeitados. Diante de uma campanha jornalística.” E4 citando o caso da instituição do reporter-amador. Com efeito. com vítimas e mártires. sem que haja correspondência entre o seu volume e o seu valor. às vêzes mal compreendida. quanto à orientação que o jornalista. entretanto.o fizera Luis R.. Quando a atitude dos quadros de liderança do país não se exprime por uma hostilidade frontal ou um suspeito paternalismo. enfrentando os arreganhos do poder e da fôrça. o “carioca- reporter” de “A Noite”. salário mínimo. pela reação nacional ou peki finança internacional. a informação — e a informação que satisfaça aos seus próprios objetivos. que passam a descrer da sinceridade e da honestidade dos profissionais. contanto que o “filho” obediente não viole o quarto mandamento. apenas. as deficiências da formação profissional dos jornalistas brasileiros. porque não pode deixar de fazê-lo. contanto que lhes escamoteie a liberdade. manuais e técnicos da imprensa. aposentadoria. concedendo-lhes benefícios. dessa casta de intelectuais para os quais o Estado destina tantos e tão largos benefícios. influiu notàvelmente na psicologia do jornalista brasileiro que é. imprimem ao seu espírito um complexo de inferioridade. Praprotnik conclui que. o mais é atirado fora. Qualquer êrro seu é apontado como exemplo de corrupção e logo generalizado a todo o seu trabalho profissional. etc. “na América Latina é o Brasil o pais que toma a iniciativa de tudo o que concerne à tutela legal das atividades dos trabalhadores intelectuais. Indiferença quanto aos julgamentos.a garantia do exercício da liberdade e a oportunidade de uma adequada formação profissional. dêsses seres privilegiados. O conceito que as elites fazem do jornalismo vai. talvez.” (II) Se é verdade que as benesses distribuídas pela lei não atingem a generalidade dos jornalistas. do impôsto de transmissão inter. Enquanto em todo o mundo procura-se educar o jornalista para o exercício da liberdade e da profissão. na maioria dos casos atraído pelo “prestígio” de que gozará e pelos teóricos privilégios que o Estado lhe confere. o indiferente. sustentado pelo Estada ou pelos trustes comerciais e industriais. julga-se senhor absoluto da verdade e do acêrto. DE PÁGINA . Qualquer semi-letrado se arvora em profissional. para a conquista da segunda. cujos reduzidos salários não os favorecem com renda normalmente gravável. numa época em que todos os ofícios exigem preparo e especialização. entre nós relega-se a plano secundário a sua formação científica e técnica. faltam-lhe recursos econômicos e apoiamento oficial. Os corpos redacionais aumentam.

manipulando e utilizando as notícias relativas ao estrangeiro com o propósito de cooperar pela concretização dos ideais de justiça. nenhum estudo sistemático dêsses problemas foi realizado em língua portuguêsa e as nossas livrarias e bibliotecas estão desprovidas de obras sôbre tão importantes temas. aspectos técnicos da profissão são exigidos. à efetivação dos nossos anseios de um mundo de povos livres e pacíficos. na fase aguda da campanha em que nos empenhamos para a completa emancipação nacional. Estamos certos de que essa. vigoroso e respeitado. antes de tudo. hoje. importância do jornal na sociedade. aos intelectuais. liberdade e paz mundial. de um generalizado desconhecimento do que seja o jornalismo. da sua influência na cultura. não chegando a repercutir nas elites culturais e políticas. mesmo provenientes de outros centros culturais. no progresso e na civilização dos povos. intercâmbio de informação internacional. Estas observações nos levaram a oferecer aos jornalistas. Alguns poucos e esparsos estudos publicados — à exceção de obras apologéticas. à solidificação das nossas reivindicações de progresso. naturais e sociais à solução dos problemas humanos e das questões internacionais. advertindo-as das graves responsabilidades com que arcam para a construção do futuro do nosso país.pensamento. desarmonia entre as elites e o jornalismo. Em conseqüência. aos estudantes e aos estudiosos dos fatos sociais brasileiros. Ao que nos conste. despertando-lhes o interêsse para questões vitais à corporificação dos nossos ideais filosóficos. pela defesa intransigente dos nossos foros de cultura e de civilização. ______________ . de modo especial às nossas elites. Esperamos firmemente que êste ensaio seja útil. da sua missão. as quais repousam. sociais e políticos do seu país e com a aplicação das ciências exatas. além de ficarmos à retaguarda dêsse movimento de valorização social e cultural do jornalismo. especialmente agora. história e legislação de imprensa. sem dúvida. o nosso contributo a uma melhor compreensão de tão relevante matéria. dele não extraímos os benefícios e vantagens de que necessitamos. do indeclinável dever que todos temos de assegurar a essa atividade humana essencial a mais essencial de tôdas as suas condições de desenvolvimento: — a liberdade. na existência ele um jornalismo livre. Visam levar o jornalista a familiarizar-se com os temas fundamentais. pela promoção do nosso desenvolvimento social e econômico e pela consolida ção das nossas instituições democráticas. ética. as incompreensões e os conflitos entre o poder e a opinião decorrem. históricas ou de memórias — o foram em jornais ou em páginas pouco manuseadas de “Anais” dos congressos da classe. econômicos. tanto nas democracias ocidentais como nas chamadas democracias populares. êsse descompasso entre os jornalistas e o público.

Reinaldo Câmara. Recife. em 1956. Neste trabalho. Andrade Lima Filho e Geraldo Campos de Oliveira. Romênia. O Autor deve agradecer. em 1955. e ainda apostilas para o exercício das cátedras de “Ética. pesquisas e estudos feitos por ocasião das nossas visitas aos Estados Unidos. não sòmente facilidade editorial como oportunidade a que os círculos intelectuais se voltassem para os problemas técnico-profissionais e sociais jornalísticos. Fernando Sigismundo. especialmente. durante a realização da 1 Conferência Mundial de Entidades de Imprensa. Zita An. e no LV Congresso da Organização Internacional de Jornalistas. em 1958 e em Belo Horizonte. foram aproveitadas e ampliadas teses elaboradas. proporciono u. Vamireh Chacon. em João Pessoa. da Universidade Católica do Recife. em 1951. det’atidas e aprovadas nos Congressos Nacionais de Jornalistas realizados no Recife. abril-junho de 1959. História e Legislação de Imprensa” e “Técnica de Jornal” dos cursos de jornalismo da Faculdade de Filosofia do Instituto Nossa Senhora de Lourdes. com a instituição do “Prêmio Orlando Dantas — 1959” para estudos sôbre jornalismo.drade Lima. a colaboração que recebeu por parte dos professôres e jornalistas Ruy Antunes. e às Repúblicas Populares da Tchecoslováquia e da China. em São Paulo. efetuado em Heisinque. e da Faculdade de Filosofia Manuel da Nóbrega. em 1954. que leram ou participaram dos debates sôbre os temas tratados no original. Estende os agradecimentos ao “Diário de Notícias” que. José da Costa Porto. Horton. em Curitiba. . no 1 Encontro Internacional de Jornalistas. a convite do Departamento de Estado. em Bucarest. Finlândia. em 1954. em 1958. oferecendo sugestões de relevante interêsse para a efetivação do ensaio. Paulo Cavalcanti. frei Romeu Perea. Rod W. a convite das respectivas Uniões de Jornalistas.

PRIMEIRA PARTE AS MANIFESTAÇÕES DO JORNALISMO Contém: ORIGEM E EVOLUÇÃO Prehistória do jornalismo A fase histórica Primórdios do jornalismo brasileiro O PAPEL E O JORNALISMO ESCRITO Películas de celulóide Micro-fotografia Os jornais eletrônicos O RÁDIO E O JORNALISMO ORAL O telefone A fita magnética O DESENHO E O JORNALISMO PELA IMAGEM A ilustração e a caricatura A fotografia O cinema A televisão CONCEITO DO JORNALISMO .

nos mais longínquos rincões do mundo. na comunidade em que vivemos. nenhuma responde tanto a uma necessidade do espírito e da vida social quanto o jornalismo. Nenhuma sociedade. o homem das cavernas ou o silvícola. o milenrio da Ga. na Lagoa Santa. no Século III AC. o que vale dizer que transmitia aos seus semelhantes. para obtê-la. ao contrário. os homens não dispensaram a informação. deixando inscritas nas páginas da história alguns dos seus mais belos episódios de construção. Entre os fragmentos arqueológicos ainda hoje indecifrados e que se julga conterem informações jornalísticas. entre os povos que nos rodeiam e. Prehistória do Jornalismo — Os mais antigos documentos conservados e decifrados dos tempos heróicos são a inscrição gravada por Yu. ainda mesmo superficial. Desde essa época remota. de Pequim (“King Pao”) que. os fatos correntes que interessavam à comunidade: — o resultado da caça ou da pesca. impulsionar os agrupa mentos humanos às decisões e realizações da vida social.zeta. visava assegurar o bem comum. de pontos de vista sobre assuntos relatados contribuem decisivamente para formar a Opinião Pública e. promo ver a vida em sociedade. . Semelhante fato ocorre com as coletividades: — a divulgação de informações e a exposição. país ou grupo humano prescindiu da informação e. figuram os sinais gravados nas rumas Maias. instintivamente feito nos primórdios da humanidade. Através dêsse conhe cimento dos fatos. sôbr o monte Heng-Chan. feitas oral. além da constante circulação de jornais satíricos. no mundo dos últimos trezentos anos. encarregados de escrever o resumo dos acontecimentos públicos e que teria sido utilizando êsse material que Bérose compôs. o homem como que alimenta o seu espírito e. sente-se apto à ação. e da pedra das vertentes do rio das Mortes. o relato das suas batalhas. sua História da Caldéia. êsse homem fazia jornalismo. em tambores ou arrancados às inúbias. reconhecia a soberania do chefe ou decidia como agir em relação aos inimigos vencedores ou vencidos. Entre tôdas as atividades humanas. ORIGEM E EVOLUÇÃO Lancemos um rápido olhar para o homem primitivo. no reinado de Toutmés II. De posse dessas informações. Minas Gerais. que apenas esboçava a vida em comum. o Grande. registrando o cataclisma do dilúvio. fortalecendo-se no exame das causas e conseqüências dos acontecimentos. um dos quais combatera acirradamente o faraó Amarsis. que não conhecia a escrita. interpretando-os. É próprio da nossa natureza informar-se e informar. e o chamado Mármore de Pwros. dos órgãos da imprensa e dos meio s de comunicação das massas. nas vizinhanças. a fundação de Atenas. a tribo poupava ou consumia maior cópia de alimento. a aproximação de animais ferozes e cataclismas. a escolha dos chefes. através do qual se pode acompanhar. conseqüentemente. com regularidade e freqüência.200 AC. nas pedras da Ilha de Pascôa e as misteriosas inscrições das covas de Altamira. se bem que sem comprovação absoluta. enco’ntrado no Século XVI e levado à Inglaterra pelo conde de Arundel.mente ou por sinais e sons convencionados. cêrca de 2. nos bravios sertões matogrossenses. mesmo. no ano 1750 AC. impresso em papiro. teria existido um diário oficial. e ainda hoje nas civilizações primárias. na China. em 1908 foi comemorado. buscava meios de defender-se das feras ou da inclemência da natureza. era escrita em madeira. Também no Egito. dia a dia. Tudo isso. Flavius Josephus afirma que os babilônios contavam com historiógrafos. Voltaire escreveu que a China possuia jornais desde tempos imemoriais e. reunir a maior soma de conhecimentos possível do que ocorre no nosso grupo familiar. transmiti-la uns aos outros e dela retirarem proveito empenharam-se a fundo. naquele país. segundo a tradição. Nada obstante. à sua tribo. estratificar normas de direito ou reformar práticas que as circunstâncias ditavam.

. traduzindo as vozes nas letras do alfabeto. exposta nos muros da sua casa para que os cidadãos tomassem conhecimento. “regrediu a informação à era heróica dos rapsodos. que não se confunde com a história. Sabemos. Até o Século XI.págs. a fogueira era (e ainda o é) um meio habitual de indicar perigo e convocar auxílio. Com a expansão io império e a multiplicação dos interêsses do Estado. na poesia e no canto dos troveiros e jograis. Aliás.. 7 .”2 Com a queda do Império Romano. nos seus Comentarii de Belo Gailica. entrariam. transmitindo as novidades de bôca em bôca. o Grande Pontífice recolhia os fatos de cada ano. por exemplo. a informação rudimentar de algum acontecimento contemporâneo. criando-se a Acta Diurna.. colocados sôbre o monte Tisé. o jonal e a tipografia no Brasil — Rio. fibra. conservado pelos simbolos. êsses jornais primitivos desaparecea Durante a Idade Média. Evidentemente. espécie de jornal oficial.. da narrativa da primeira guerra macedônia. OS gregos utilizavam a conjugação de sinais luminosos para se informarem de fatos ocorridos a uma distância de três ou quatro dias. 1949 pág. metal... persas e aztecas. fixando valores arbitrários supletivos da memória. A verdade. o que se passava em Genabo de madrugada era ouvido à tarde Pos Arvernos. Mais característico do puro jornalismo. as vinte curas milagrosas gravadas nas estelas do aráculo de Esculápio. fonéticos. lá encontramos — em pedra. sentiu_se a necessidade de ampliar essas informações e os Anais dos Pontifices foram transformados na Acta Pública. através de sinais luminosos. Durante vários séculos. enfim. à fôrça. nem a êsse nem a outros monumentos epigráficos ou paleográficoss cabe a qualificação de jornal. o estabelecimento de um espírito público convencido da “missão civlizadora” das águias imperiais. em Epidauro. barro. Em nenhum capítulo da história mas em qualquer coluna de jornal. entre elas a de um pobre diabo que engolira sanguessugas por artes da sogra e a de um taful a quem o deus fizera nascer cabelos. Coube a Cesar. esfregando-lhe a calva com certo ungüento. a generalidade dos documentos arqueológicos contém episódios avulsos e casos circunstanciais. a idade da palavra falada: — os poucos indivíduos que sabiam escrever não tinham como nem a quem fazê-lo. fôssem. é que “até onde chega a nossa petração na antiguidade.” A fase histórica — Os romanos. que circulavam dentro e fora dos muros de Roma. em tábuas que eram expostas no Forum e das quais não tardou fôssem tiradas cópias palticulares. a 160 milhas de distância. em cujo espírito interpretativo e crítico a narração por si nada exprime1. reproduzindo objetos e figurando idéias. quando construiram o Império. entretanto. isto é. êle próprio um excelente repórter come o demonstrou à posteridade pelas suas descrições circunstanciadas de guer de conquista da Gália. lo ngevjdades e fecundidades extraordinárias. A Acta Diurna inseria. 12-13. inscrevendo-os numa tábua branca. fôssem mnemônicos. assim. Cesar. o Album. pele e papel — o jornal. que as tropas de Felipe se orientavam por fanais. concha. não puderam dispensas a informação que lhes proporcionaria a vitória sôbre os seus opositores a manutenção do domínio. dar mais um passo no sentido de ampliar a informação. Entre as populações primitivas. banquetes. 1956 . Menos cabe a de história. A Idade Média foi. tais os hieroglifos e os sinais assírios. é a transmissão de notícias e avisos breves. 2 Emile Boivin — Histoire du Journalisnie — Paris. as notícias difundiam-se pelas cantílenas — 1 Carlos Rizzini — O livro. execuções. “os menores acontecimentos de interêsse mesmo efêmero: cerimônias fúnebres. incêndios. ainda no sentido da singela e ingênua informação. pau.. Com exceção de poucas resenhas ordenadas. a partir de quando começaram a movirnentar-se as suas cópias. como as cintas de conchas variegadas dos iroqueses e as cordas de nós coloridos dos peruanos fôssem pitográficos. ordenando que as atas do Senado e as ocorrências de interesse público fôssem diàriamente divulgadas.. registrou que qualquer acontecimento de vulto alastrava-se através da Gália “porque os Gauleses o gritavam uns aos outros através de campos e vilas.

veículos da informação dos fatos correntes. Enquanto que perseguiam os jorfialistas em geral. ao lado do lirismo das baladas e pastorelas. Locke e Chamberlain. Stephen Daye instala uma impressora. “repportisti” e “gazzettanti” — nomes que se davam aos repórteres e redatores das fôlhas manuscritas — se multiplicaram. “Era preciso reprimir e pôr côbro a essa liberdade do jogralismo que. figuram os avvisi venezianos. Essas informações também não tardaram a ser consideradas perigosas à civilização e à ordem dominantes. intervindo nas questões de interêsse coletivo e ameaçando a ordem estabelecida. bibliotecário do rei. O Século XVII vê surgir a imprensa por tôda a Europa civilizada e na Nova Inglaterra. passaram a tomar partido. na Fiança. divertimentos dos principais personagens da côrte.”5 O Século XV assiste à descoberta da tipografia e da imprensa e à revolução nos métodos de divulgação das informações. se bem que restritos a um público limitado. págs. violas e saltérios — cantavam e recitavam gostas. verdadeiras gazetas rimadas. que eram a história popular do tempo. os soberanos passaram a utilizar a imprensa como veículo de informações de seu interêsse e. em 1395. Rodolfo II. Charles Gidel. ao Rei e aos nossos Senhores de França. “poeta de epigramas licenciosos e de odes eróticas. desencadeou-se. exeõutados como “caluniadores” e “pestiferi homini”. abade de Reclus. cit. imperador. há memória de notáveis noticiaristas. re. o jornalismo se consubstancia nas folhas escritas à mão. bem como crimes.. proibindo. inspirados em discórdias e agitações. enternecedoras e cáusticas narrativas de sucessos” e foram crescendo em audácia. após tidos como réus pelos tribunais da Inquisição. a princípio os jograis. 3 Carlos Rizzini — Obra cit. e contos facetos e satíricos. que atacavam por vêzes impiedosamente. Mellin de Saint Galiais. . os antigos “menanti”. Foi no reinado de Francisco I que surgiu o primeiro censor. onde.gistrava a chuva e o bom tempo. Mass. como Roland White. inseria notícias de nascimentos. concede a Theophraste Renaudot o privilégio de publicaf um hebdomadário — La Gazette — que. por Rizzini – pag. que se advertiram do bom negócio que representava a emissão de fôlhas com relatos de fatos da atualidade. como ocorrera ao tempo de Henrique IV. e Luis XIII. 5 Conf. matrimônios. Dos longínquos tempos de Elisabeth 1. nas suas canções. É também nesse século. processos. 21. “novellanti”. 17-I8. reune os editôres mais capazes para elaborar um mensário com notícias do Santo Império Romano -Germânico. de louvaminhas. em 1638. em 1597. Contra a fôrça tremenda que os impressos passaram a representar para a difusão dos conhecimentos e orientação da opinião pública. além de informações políticas inteiramente favoráveis ao govêrno real e do texto das ordenanças oficiais. de 1409 a 1499. sob pena de serem postos em prisão “dois meses a pão e água aquêles que. incentivados em seu mistér pelos poderes públicos. Assim. que constituiram.”4 Com o Renascimento. Na França. catástrofes e execuções. em Cambridge. entoadas ao som de sanfonas. os jograis. Pory. meio líricas meio narrativas — cujo fundo seria largamente aproveitado na composição de gastas e canções. rotas. fizessem menção ao Papa. geralmente de interêsse para comerciantes e navegadores. agora unidos aos impressores. Nada obstante. as news ietters inglêsas do século XIII e os Ordinari Zeitungen dos mercadores alemães. dos lais e cantigas de amor e de amigo. festas. o Journal d’un bourgeois de Paris noticiava escândalos. narrava anedotas. 4 Cit. 22. por fim. a mais cruel repressão de que há história.”3 As suas canções “não eram senão novidades rimadas.estrofes breves e atuais. Entre essas publicações. Muitos dos seus autores foram punidos. duraite os dois séculos seguintes. — pág. inclusive Niccoló Franco e Annibale Capelio. naturalmente. Peregrinando por vilas e castelos. se assemelhava um pouco à nossa liberdade de imprensa” e foi o que fêz Carlos VI. antes do surgimento da arte de imprimir. por Rizzini — Obra cit. mandando compor um romance para celebrar a entrada do Condestável Miguel Lucas em Granada.

doutras em verso. seguiam bandeiras e tropas e. Nas cartas e relatórios redigidos por um português antipernambucano. informo-me nestes lugares. denunciava irregularidades. dos tropeiros e mascates — como na Idade Média pela voz dos jograis. para o pasquim e a fôlha volante. Nos tempos mais remotos da colonização.” O mesmo espião luso assinala que “as lojas de fazenda. . as notícias corriam pela bôca dos capitães do mato. espião a serviço do govêrno. e o texto do seu sermão foi: “Nunca tempus tabile die salutis”. e as boticas são os lugares onde ordinàriamente se falam de tôdas as novidades. Biblioteca Nacional. que afirmava ter Deus pés e mãos.ta. promovia invectivas e. delatando feitos fatos da Revolução de 1817 e descrevendo a situação em ernambuco no ano sêguinte. ou o nativo. os portos e os armazéns. apelou para a informação e a sátira verbal. em memorável sermão no convento do Carmo. rastros dessa forma jornalística primitiva: Z. que Milton publica a sua Aeropagítica. que respeitamos e adoramos. em Ilhéus. nos seus registros. estre de Retórica e orador insigne. Ouço nestes lugares. E dom 6Ministério da Educação e Cultura – Documentos Históriocos – Revolução de 1817 – Vol. tendo sido mesmo denunciado à Santa Inquisição pelo jesuíta Antônio da Rocha. de povoação a povoação. às vêzes em prosa. na primeira ominga da aresma de 1817. era dos púlpitos das igrejas que se utilizavam os letrados oradores sacros para transmitir notícias e conselhos à comunidada Foi assim que frei Antônio Rosado. subiu ao púlpito na igreja do Corpo Santo. de engenho a engenho. na Bahia. utilizando ora o púlpito. o Portador.já em 1587. e nula contemplação para com os soberanos da uma vez que não se comportassem em conformidade igreja e Justiça dos vassalos. consta6 que “o padre Miguel. Para o interior. anunciou. pôsto por debaixo das portas ou circulando de mão em mão às escondidas. e culpas inexpiáveis com o céu. Primórdios do jornalismo brasileiro — No Brasil. atuava junto à opinião pública como os editoriais da imprensa dos nossos dias. na igreja de Nossa Senhora da Ajuda. A história guarda. nunca foi mais danoso à religião nem suas práticas mais nocivas ao Estado. ouço dos de fora. ora justo ora injusto. triz do Recife. com a mudança apenas de uma letra. de nome Jorge Martins. As notícias oficiais eram transmitidas por bandos.” Centros de divulgação de notícias eram as feiras. em cujo discurso mostrou o quanto era dos homens a liberdade por êles mesmos acabrunhada ão houve subterfúgios nem rodeio ardiloso de que êle se valesse a fim de derramar no ânimo dos ouvintes a deI1e. e que o padre Vieira tantas e tantas vêzes fêz jornalismo. com acompanhamento de alguns soldados e tambores. tempos e renitências de agravo. informo-me dos de fora.1955 – págs. deixou de praticar o jornalismo. nelas eu compareço a certas horas do dia ou da noite. o mais excelso dêsse santo culto. os Senados das Câmaras. um almoxarife. O clero.Rio. “pelo bom suc esso das armas de Portugal contra as da Holanda”. e tudo igualmente submeto às minhas reflexões. a formação de poderosa esquadra que poderia transformar Olinda em Olanda. Ele e seus colegas a profanam e suas pérfidas línguas só ousavam caluniar o Soberano. nem por isso o colono português integrado na nossa vida. ora as cátedras dos coléos dos jesuitas.exatamente em 1644. escreveu um papel contra a Companhia de Jesus e os padres do lugar porque não lhe queriam dar a absolvição sem que se re tratasse da heresia. cujas tropas ameaçavam a cidade do Salvador pela segunda vez. CVII – Ed. 243-44. e que os soberanos presente aplicavam o tempo devido a jejum e cilícios. O pasquim — escrito em linguagem viperina e afixado nos muros. tais como abandono do povo e da religião. um ano antes da invasão flamenga. Dizia que David por um o fizera penitência tôda sua vida. enfim. dos qais eram incumbidos comandantes e capitães-mores. que é a primeira defesa sistemática da liberdade de imprimir. A exemplo de outros povos. como em 1640. apesar de não termos tido imprensa senão às vésperas do Ipiranga.

em 1798. enquanto um caixeiro português.” A maior figura panfletária da colônia foi. concluindo ser isso fazer sentir “a êste tratante. e não sei que brasileiro. de certo. a justiça bastarda e vendida. mas nem por isso oferecem interêsse político. a sociedade da época. porém. que ia ao Brasil “não só traficar com os nossos gêneros mas também arrebatar-nos nossas propriedades”. Gregório de Matos. pois o seu autor. de autoria de Tomás Antônio Gonzaga. Também na Bahia. capitão-mor em São Paulo. escrevera uns avisos atacando as a ridad es e exigindo postulados da Revolução Francesa – tais como a abertura dos portos. “entusiasmado pegou na pena e u dita réplica. exatamente ao tempo da Inconfidência. dirigindo-se a um negociante chamado Alexandre Firmin. foi grassante o mal no coração da canalha. “picado. de nome Azevedo. onde estão registrados os escândalos miúdos e grandes da época. e levado do mais feroz agastamento”. cujos papéis a favor e contra dizia-se que eram feitos por Bernardo Luís Ferreira Portugal e o Tenente Coronel Ajudante de Ordens do govêrno Alexandre Tomás de Aquino. sendo presos e executados vinte e três dos implicados porque um tal Luís Gonzaga das Virgens. São doze cartas. . porém tão pedantesca como atrevidamente. quando um tremendo requisitório contra a sua administração. nos quais papéis apareceram muitas indignidades que mais e mais exacerbavam os dois partidos. em mais 7 Ministério da Educação e Cultura – Documentos Históricos cit. desclausura dos conventos e extinção dos mopólios — fazendo-os afixar às esquinas e adros da cidade. que requereu a osse para a suú constituinte. e os oradores da sua parte também não poupavam panegíricos figurados pelos quais lhe representassem cara a idéia da liberdade e de um patriotismo mal entendido. quando uma escrava descontente da sua senho ra resolveu fugir e procurar senhor que a comprasse. o clero de vida irregular. 201-201. antecipando a atitude de submissão que tomaria quando descoberta a conjura na qual se envolvera. Portugal denunciava “certa classe de europeus” que julga que “a América é escrava e que tem direito ao vexame dos americanos”. Êste ofereceu elevada importância pela escrava mas a sua dona reusou. Narra êle7 que “apareceu a célebre questão de uma prêta. em verso. Assim. redigiu uma réplica da qual foram tiradas mil pias distribuidas na cidade. e foi então desde esta época que ficou de todo semeada a divisão e discórdia. A questão foi à Justiça e o advogado da senhora foi Bernardo Luís Ferreira Portugal. de sorte que as duas classes se agitaram pasmosamente. os adultérios e até as procissões. não sem antes ter sido exposto no adro da igreja de Santa Teresa. que Ronald de Carvalho considera a sua obra como “o nosso primeiro jornal. em decassílabo5. que retratam Vila Rica e reporteiam aspetos. os aniversários e os nascimentos. De tal modo estão as sátiras de Gregório de Matos cheias de atualidade e notícias.” Essa questão surgira em agôsto de 1816. a •vida pública e privada dos baianos e reinóis. em noite de novena. Da defesa apresentada por José Carlos Mairink da Silva Ferrão. que temos leis que respeitam a propriedade. Luís da Cunha Menezes. Foram redigidas entre 1788 e 1789. secretário do Govêrno da Capitania de Pernambuco. os roubos. O juiz. as ações dos poderosos. o “Bôca do Inferno”. em que figuravam um negociante europeu Firmin. que os rebeldes contavam para o golpe decisivo da sua emprêsa. durante e após a Revolução de 1817 — o que o torna urna espécie de Talleyrand brasileiro — consta a decisiva influência de um “papel” na eclosão do movimento. a chamada “Inconfidência Baiana” ou “Conspiração dos AIfaiates” abortou. 241-243 . foi misteriosamente colocado em sua mesa de trabalho.” A população tomou o partido de Bernardo. episódios e usos do tempo. despachou em favor de Firmin e Portugal. antes. Neste “papel”. . exigindo a devolução da “pessoa que êle ilegitimamente tinha em seu poder”. e aquilo que se faz nulamente e com dolo não produz impedimento. de uma lfuente graça literária. sentira na própria carne o aguilhão do pasquim. apesar de ignorante. soldado desertor. os crimes.Luís Antônio de Sousa.” - Outro grande documento do jornalismo satírico colonial manuscrito são as Cartas Chilenas. que se ocupam dos desmandos e da rapinagem do capitão general das Minas. cujas composições poéticas visavam criticar ferinamente os costumes. Págs.

de uma ocasião ressalta a excelência das instituições civis e religiosas monárquicas, embora
acuse Cunha Menezes e seu “entourage” de deturpá-las e prejudicá-las.

O PAPEL E O JORNALISMO ESCRITO

O jornalismo escrito, utilizando como matérias primas o papel8, as películas de celulóide
e, mais recentemente, a eletrônica, se impôs como o principal meio de divulgação de fatos e
idéias. Em nossos dias, o papel constitui, ainda, a mais importante dessas matérias primas e
nêle são impressos jornais, revistas, magazines, boletins e avulsos. Descoberta dos chineses,
através de um funcionário palaciano Isai-Loun, que conseguiu encontrar a maneira de fabricá-lo
misturando trapos, fibras vegetais e linho de cânhamo, cêrca de cem anos depois. de Cristo,
sômente em 806, ao que se sabe, o Estado estabelecia a primeira fábrica. Um século e meio
mais tarde, tendo aprisionado alguns artesãos chineses, obrigando-os a produzir papel em
Bagdá, os árabes introduzem o produto na Europa, através do norte da África e da Espanha,
onde há memória de fábricas em Jatiba, Toledo e Valência, O documento mais antigo em papel,
que se conhece na Espanha, é o Repartimiento de Valencia, feito por Jaime 1, de Aragon, em
1237, conservado no Arquivo da Corôa de Aragon. As primeiras fábricas européias de papel
utilizavam como matéria prima o linho e só mais tarde o algodão. Os trapos eram amassados em
um gral e embranquecidos com cola animal e amido de trigo. Cêrca do ano de 1300, surgiram
em Ravensburg, Alemanha, os moinhos para a preparação da pasta, que se fazia passar por
peneiras de arame de latão para conseguir unia mescla mais homogênea. O costume de
mergulhar a pasta de papel, colocada sôbre uma teia metálica nas tinas, subsistiu até 1811,
quando, na França, foi iniciada a fabricação por meio de máquinas. Com o incremento do uso do
papel, a partir da metade do século XIX, buscaram-se outras matérias primas para a sua
fabricação e assim, graças a um invento do saxão Godofredo Keller, em 1845, pôde-se
empregar a fibra de madeira, submetida a certas reações químicas. Palha e bagaço de cana de
açúcar são, atualmente, utilizados para a fabricação do papel, assegurando-se aliás que êsses
materiais constituirão, em futuro próximo, a princip al fonte do produto, uma vez que as suas
safras são anuais, enquanto a madeira exige largos períodos para o crescimento das árvores de
que é extraída.
Para se ter uma idéia do angustiante problema do papel de imprensa no mundo, basta
citar que, em 1948, para uma produção global de 7.482.000 toneladas, das quais 4.635.000
originárias do Canadá, houve uma demanda de 7.569.000, das quais 85 por cento foram
utilizados pelos Estados Unidos, o maior consumidor do mundo (5.015.000 de toneladas).
Naquele ano, verificou-se, portanto, um “deficit” de 87.000 toneladas, o que significou uma séria
ameaça à existência dos 223 milhões 774 mil jornais quotidianos que eram oferecidos, então,
aos 2 bilhões 372 milhões e 463 seres humanos distribuídos pelos cinco continentes9. Em nosso
país, de acôrdo com as estatísticas do! Banco do Brasil, foram consumidas, em 1957, 222.526
tolenadas métricas de papel de imprensa, das quais apenas 49. 028 de produção nacional. A
importação das restantes 173.498 tolenadas custou-nos 35 milhões e 47 mil dólares, um
dispêndio pródigo para um país que tem todas as possibilidades não somente de tornar-se auto-
suficiente coma de transferir-se da posição de importador para a de exportador. O consumo de

8 O vocábulo originou-se de uma palavra egípcia traduzida para o grego “papyrus”- o papiro, produto extraído de um
arbusto que cresce naquele país e regiões pantanosas vizinhas. Conta a tradição que um rei egípcio, temendo que
a Biblioteca de Alexandria fosse superada pela de Pérgamo, proibiu a exportação do papito, com o que provocou o
desenvolvimento da fabricação do pergaminho na Ásia Menor. No entanto, até o ano 450 AC, vendia-se papiro em
Atenas e o seu uso, introduzido no Império Romano, perdurou por longo tempo entre os povos civilizados. O último
documento conhecido em papiro é uma bula do papa Victor II, datada de 1057.
9 Sôbre o assunto, v. Le Probleme du papier journal, edieção da UNESCO, Paris, 1949, pelo serviço de pesquisas
The Enconomist de Londres, e L’lnformation a travers le monde. UNESCO, Paris, 1951.

papel no Brasil — menos de três quilos por habitante/ano — nos coloca numa posição
humilhante em relação já não dizemos a países muito mais desenvolvidos, mas até aos nossos
vizinhos, pois a Argentina tem um consumo duplo do nosso. A solução do problema da produção
de celulose e papel de imprensa, qué urge dada a importância assinalada dessa matéria prima
na alfabetização do povo e difusão da cultura, estará em uma modificação substancial da
orientação do govêrno, cujos estabelecimentos de crédito recusam, sem maiores estudos,
financiamento para a implantação de indústrias do tipo médio (25 a 30 toneladas por dia),
distribuídas na região produtora de pinho, com o aproveitamento da madeira em lascas não
utilizada pelas serrarias e, o que é mais importante ainda, o emprêgo de desfibradoras e outras
máquinas, ora fabricadas em São Paulo. no Rio e no Paraná.
A escassez do papel, que não poderá atender à crescente demanda e à adoção e
popularização do sistema de imprimir em películas de celulóide, parece-nos indicar uni novo
caminho ao jornalismo escrito: a substituição, no futuro, do jornal na sua forma atual pelo jornal
em micro-filme para a leitura eu aparelhos reprodutores ou projetores, como já existem em bi
bibliotecas, arquivos, universidades, clubes e associações culturais. O micro-filme, se bem que
exija a posse de aparelho especiais de reprodução e projeção, tem sôbre o jornal impresso em
papel diversas vantagens, tais como: facilidade de transporte e arquivamento; melhor técnica
para o uso das côres; comodidade para o leitor, que não terá de conduzir grossos volumes de
fôlhas impressas, que não somente pesam como têm outros inconvenientes, como o
desprendimento de tinta e a rápida e fácil destrutibilidade redução das despesas em maquinaria
e mão de obra para as emprêsas e, finalmente mais vasto alcance pela sua utilização nas
emissoras de tele visão. O emprêgo do micro -filme se está generalizando nos países mais
adiantados cultural e èt cnicamente: nos Estados Unidos, tivemos oportunidade de visitar o
arquivo do Ne w York Times, onde as coleções volumosas e devoradoras de espaço das edições
daquele famoso órgão da imprensa mundial estão concentradas em poucos metros de caixas de
aço.
Para resolver o cruciante problema espacial, “inúmeras instituições adotaram o recurso
de construções especiais longe da sede; tal solução gerou o duplo inconveniente de aumentar as
despesas e criar outro problema: o do transporte dos da tos entre a sede e o depósito-arquivo. O
micro-filme, quer em bandas, é largamente utilizado para reduzir massa criada por tanto papel
impresso, manuscrito ou datilografado. Com o uso do micro-filme, obtem-se uma economia
espacial e de pêso que pode oscilar entre 80 e 90 por cento. Assim o conteúdo de cem armários
para arquivo pode ser reproduzido e disposto em um só classificador para micro filme, cujas
dimensões não ultrapassam as medidas de um armário comum. Basta pensar que um rôlo de
microfilme de 16mm, com imagens duplas de 8 mm, conterá, ao longo de trinta lineares, cerca
de 10.000 cartas. A bobina de 30 metros tem um diâmetro de 12 cm... Considere -se ainda, que
as modernas micro-fumadoras automáticas permitem a execução de duas imagens de 8 mm
lado a lado... Considere -se, também, que o processo de micro-filmagem, quer em 35 quer em 16
mm, é extraordinàriamente rápido, tendo-se em conta o fato de que 30.000 documentos podem
ser microfilmados em uma jornada de trabalho10.” Entre os grandes jornais brasileiros cujas
edições, para efeito de arquivamento, são micro-filmadas figuram O Globo, Diário de Notícias,
última Hora e Correio da Manhã, todos do Rio11.”
A fixação em películas de celulóide de notícias e “slogans” publicitários é ainda muito
utilizada para projeção em praça pública, em telas especiais ou nas-paredes dos grandes

10 C. Oscar Campiglia — .Emprêgo de microfilmagem em arquivos,in IDORT — Revista de Organização e
Produtividade — S. Paulo— ns. 307-308 — julho e agôsto de 1957 — págs. 19 e 20.
11 Informação de P.N. ed, de 20-3-57, que adianta ser possível inserir aproximadamente 1.200 páginas de jornal
num rôlo de apenas 20 metros de película, sendo que o preço do negativo e positivo é extremamente baixo, em face
do grande número de cópias que se fazem em pequenos pedaços de fita.

edifícios, substituindo os “placards” em que, antigamente, os jo rnais expunham informações
sôbre fatos de sensação ocorridos no intervalo entre as suas edições. Aliás, essa modalidade de
divulgação jornalística também se vê gradativamente abandonada pelo uso da eletrônica. São os
chamados “jornais elétricos” ou “luminosos”, existentes em todo os grandes centros urbanos do
mundo, tais como em Times Square, New York; em Picadilly, Londres; no Rio, em São Paulo e
no Recife12. Os jornais eletrônicos, de acôrdo com a sua técnica de instalação, podem funcionar
dia e noite, apresentando caracteres coloridos e desenhos ilustrativos das legendas e textos
divulgados.

O RÁDIO E O JORNALISMO ORAL

Por milênios, a palavra falada foi a única forma de expressão jornalística. Na nossa
época, o jornalismo oral não sômente subsiste, através do rádio, do telefone e da fita mago
ética, como assumiu tal importância que a sua técnica reclama estudos especiais.
O rádio foi pela primeira vez utilizado para a transmissão de notícias em 1922 por
Gabriel Germinet, lançando, através da estação parisiense de Radiola, um serviço quotidiano de
novidades sob o nome de “Paris Informations”13. Em outubro de 1925, uni grupo de jornalistas,
tendo à frente Maurice privat, arrendou a grande antena da Torre Eiffel e deu curso a uma idéia
que, nos fins do século passado, em 1883, Louis de Peyramont tentara efetivar nos Follies-
Marigny, reunindo um público, diàriamente, para ouvir a leitura não só de noticias como de
artigos — e até ilustrando as palavras com desenhos e caricaturas traçadas em um quadro
negro pelos próprios autores. Privat, cuja concepção de jornalismo falado era mais prática, pois
que levava a matéria aos interessados em diversos pontos da cidade, por meio de alto-falantes,
obteve êxito ao ampliar, com a introdução de tôdas as seções que compõem o jornal impresso,
inclusive a publicidade, o simples informativo até então rádio_difundido. Le Journal de la Tour
teve logo imitadores: na Bélgica, em 1926, surgia um jornal falado; em a administração das
comunicações sem fio, em Paris, ia o seu “Rádio Jornal da França”, transmitindo de um estúdio
nos Champs Elysées; em 1932, no México, a XEW lê as notícias mais destacadas publicadas
pelo diário PJxcelsior. Em todo o mundo, sob a natural reação das emprêsas editoras de jornais,
que viam no rádio um perigoso concorrente, o rádio - jornalismo firma o seu definitivo prestígio na
terceira década do século14. Coube aos editores norte_americanos, com o seu reconhecido
pragmatismo, oferecer uma solução para o conflito rádio versus imprensa: — o rádio deveria
associar-se aos jornais e agências de informações, o que aconteceu nos Estados Unidos e em
outras nações, onde, a cada jornal importante, se subordinava uma rádio_emissora. Essa
política foi referendada pela Conferência das Novas Formas de Imprensa, reunida em 1934, em
Bruxelas, segundo a qual “estas duas formas de jornalismo, que se completam com felicidade,
devem colaborar e ligar-se eventualmente por acordos para fornecer paralelamente ao público a
sua quota de informações.” 15
O primitivo sistema de difundir informações pelo rádio, com alto-falantes colocados em
diversos pontos da cidade de Paris (prestigiado pelo próprio Presidente Poincaré, diária- mente,
“quando o tempo estava bom” transmitia entre as 18,30 e as 19 horas da torre Eiffel,
constituindo-se “numa verdadeira pequena atração nos anos de 1924 e 1925... parecia uma

12 Na capital pernambucana, o jornal eletrônico, inaugurado “em agosto de 1957, está instalado em avenida central
sôbre um edifício de 12 pavimentos. Foi uma iniciativa do jornalista e radialista Ernani Séve.
13 Já em 1920, uma emissora instalada em Pittsburg, nos EstadosUnidos, a K.D.K.A., transmitira, no mês de
novembro, boletins com os resultados das eleições presidenciais então realizadas.
14 Pernambuco detém o pioneirismo dos jornais falados no Brasil, lançados pela emissora da PRA-8, do Recife, em

fins de 1926, sob a orientação dos jornalistas Mário Libânio e Carlos Rios.
15 Conf. Rená Sudre — Le Huitiéme Art — Paris, 1945 e J. Preveyer Carracedo — Radioperiodismo — La Habana,

1952.

a existência de um semanário. um 16 Segundo depoimento de Pierre Descaves. editado por P. outro veículo do jornalismo oral. em The WaIl Street Journal. em geral estreitamente ligados às emprêsas que exploram os serviços telefônicos. 17 No Recife. 216 de propriedade privada e 7 pertencentes ao Estado. pelas agências telegráficas e de publicidade. que nada obtante destinar-se especialmente à propaganda comercial fornece notícias sôbre acontecimentos desportivos. havia. redatores e comentaristas. é. São os chamados serviços de “difusoras” ou de alto-falantes. que possui cêrca de 10. por sua extraordinário universalidade — “as ondas não conhecem fronteiras nem contrôles aduaneiros” — o rádio exigiu. Por meio de um sistema de alarme. edição brasileira. os resultados dos pleitos eleitorais. horários. hoje. fundado na Áustria pelo eletricista Theodor Tuskas. 2. estava àriamente “no fio” das 8 às 23 horas. chamava a atenção dos subscritores quando ia anunciar um acontecimento extraordinário. existentes na maioria das cidades do nosso “hinterland”. para comunicações particulares ou transmissão de notícias aos corpos redacionais para posterior publicação nos jornais. sendo 211 de ondas médias e 12 de ondas curtas. entretenimentos. cabendo 51 para cada mil habitantes. apenas. companheiro de pioneirsmo de Maurice Privat. junho de 1957 – pg. 1949. não sòmente por se constituir num excelente instrumento de educação e propaganda como. por determinação estatutária da sociedade que o mantém.870 rádio-emissoras.000 receptores.85 . Contando com 20. ao contrário do jornal impresso. em 1893. apenas. que poderíamos chamar de “jornalismo em conserva”. colocados um defronte do outro. do qual traça um curioso perfil na sua conferência Le Journalisme parlé.espécie de lanterna mágica sonora e provocava mais curiosidade e espanto do que interêsse racional”). um grande corpo de repórteres. e o número de aparelhos receptores era de 181. segundo o Anuário da Imprensa.N. fenômenos meteorológicos. a partir da reserva das freqüências até a censura prévia dos programas informativos. sendo lhe vedado. O primeiro jornal essa espécie de que se tem notícia foi o Telefon Hirmonde. com a gravação de notícias e comentários pelo processo eletrônico. até bem pouco era utilizada apenas nos departamentos jornalísticos da imprensa e do rádio para entrevistas. de acordo os dados divulgados pela UNESCO. há “jornais telefônicos”. funciona um serviço informativo telefônico.000 subscritores. que não têm tempo de ler todos os periódicos da sua especialidade. Destinado aos médicos muito atarefados. Eis os números para o Brasil: 233 emissoras. e transmitindo tôdas as seções de um periódico impresso. inserida na coletânea Ploblémes et Techniques de Presse – Editions Domat Montchristeien – Paris. em todo o mundo. reportagens “in loco”. Em tôdas as grandes cidades. de New York18.500. 18 Conf. o número de estações de rádio no nosso país ascendia a 496. 16 é adotado ainda hoje na maioria das pequenas cidades brasileiras para a transmissão de matérias de interêsse local e retransmissão de noticiários das grandes estações dos centros urbanos com as quais entra em cadeia.000 assinantes em quinze países. Há cinco anos. Já em 1958. retransmissões de “matchs” desportivos e outros fins. Em 1949. Rádio Televisão. O telefone. Ganhando foros de veículo jornalístico da mais subida importância.000 quilômõtros de linhas.849.. em gravação de uma hora. Utilizava também recursos musicais ou para caracterizar seções ou para os intervalos entre os noticiários. e contrôle. fôsse no campo político. 4. econômico social. oferece. devidamente registradas. o Audio Digest.000. entretanto. êsse gênero de periodismo. vem sendo utilizado regularmente: — Gordon McKibben divulgou. 17 Quanto à fita magnética. uma legislação e um sistema de concessão especiais. através uns do monopólio sôbre as emissoras outros por meio de estatutos que adotam certas medidas restritivas. Seleções de Reader´s Digest. 1. Observação digna de regstro é a de que. da divulgação de noticiário ou propaganda pelas mesmas distribuidas às rádio-emissoras. a princípio empregado. etc. o SIG. quanto às informações políticas o SIG da. admitidos pràticamente por todos os Estados modernos. qualquer divulgação de caráter partidário. que não possuem estações de rádio próprias. As suas transmissões eram feitas com o auxílio de dois poderosos microfones. sobretudo.

com notícias. a imagem oferece mais possibilidades de fixação do que a própria testemunha direta do fato. pediatria e ginecologia. . O DESENHO E O JORNALISMO PELA IMAGEM Embora podendo adotar legendas escritas ou textos falados para melhor compreensão do público. questões sindicais e outros assuntos julgados de interêsse pelo serviço de relações públicas das companhias. uma reportagem auditiva dos últimos acontecimentos políticos que perturbaram a França metropolitana e ultramarina com todos os ruidos e gritos das arruaças. foi lançada uma revista — Sonorama. procura dar uma visão sintética completa do acontecimento. se bem que. outra com Brigitte Bardot e seu noivo.” Em 1958.000 exemplares a 500 francos (aproximadamente 170 cruzeiros) por exemplar. ainda. Por fim. embora o grosso das gravações seja ainda expedido a médicos comuns. alguns discursos em praça pública e a ruidosa participação da polícia. em geral. Informa McKitben que o Exército Norte-Americano. sendo editado pela Audio Diqest Foundation. considerando-se a insuficiência e o elevado custo do material composto em Braille. notícias e’ sugestões sôbre os negócios. Êsse e outros usos da fita magnética levaram Wolfgang Langewiesche a considerá-la mais do que um mero tipo de gravação fonográfica: — “um novo instrumento. apresentou. noticiário editoriais. hospitais. A imagem jornalística. Sonorama — informa José Ricardo na sua seção “Rosa dos Ventos”. Dirigida pelo publicitário Claude Maxe. o mais poderoso para a transmissão de idéias desde a invenção da prensa. comentários e ensaios vem sendo incrementado. divulgada pelos Diários Associados. o jornalismo pela imagem manifesta-se através do desenho. denominada gráfica. encadernada com fõlhas alternadas de pap el e de “material plásrtico”. duas vêzes por mês. que são vendidos a 72 dólares por ano. reportagens e ilustrações e as últimas “gravadas” com reportagens sonoras. em seu número de lançamento. em dezemb ro daquele ano — vendeu 50. nos últimos anos. medicina interna. bem como outros detalhes auditivos dos acontecimentos. faculdades de medicina e outras instituições são assinantes dêsse jornal eletrônico. na França. a designação seja ambígua. a gravação de uma entrevista com Jean Louis Barrault sôbre teatro. Na atualidade. O sistema de gravação de “revistas falantes”. Algumas empresas norte-americanas já estão empregando a fita magnética em substituição ao clássico ‘jo rnal da casa”. Do ponto de vista psicológico. enquanto atendem aos seus clientes. o jornalismo pela imagem19 tem no desenho. resumos extraordinários. notadamente pelos organismos de assistência aos cegos. as primeira impressas com artigos. sendo imediatamente compreendida pelo espectador sem apêlo à sua inteligência ou à sua imaginação e independente do grau de cultura que detenha idioma que fale.sumário de notícias colhidas em publicações e relatórios especiais das pesquisas médicas. nos campos da cirurgia. O leitor retira as páginas de plástico e as coloca na toca-disco para “ouvir” a revista. Essa publicação é mensal. etimológicamente. como meio auxiliar de educação dêstes últimos. na fotografia ou na apresentação direta dos acontecimentos os seus principais meios de expressão. 19Essa modalidade de jornalismo é. que pode ser incompleta quer quanto ao ângulo do observador quer pelas falhas da atenção em pessoa não experimentada. Diàriamente são gravados informes. Os assinantes pagam 143 dólares por ano pela fita semanal e o Audio Digest prepara. cantores e música orquestrada. da fotografia. do cinema e da televisão. que forcejam por acompanhar os progressos da ciência. entrevistas. de Hollywood. gravações de Gilbert Becaud e “The Platters”. anestesiologia.

sob Luís XIV.”20 A ilustração e a caricatura — Como outros jornalistas. satiriza-se o excesso. deduzindo-se que participou da mesma sorte de Sócrates. tendo-se o desenhista tornado um profissional de primeiro plano no jornalismo. magazines. Goya e Velazquez são . 5. Daumier. na França. o jornalismo através do desenho e da caricatura toma impulso com a revolução de 1789. arrebata a aposta. Juntamente com o New Yorker. desenhadas e fotografadas. da fauna e dos homens. corrigi-la. a ilustração conquista o seu lugar definitivo nas publicações periódicas. se supõe representar o faraó Ramsés III êste mesmo é. de Paris. que revelam “uma alma atormentada ante a injustiça. o Segundo Império. Aristófanes se refere ao grego Pauson “que tudo o que fazia era degradar e desfigurar tornando mais feia a pessoa do que o era. . a ilustração entra definitivamente na grande imprensa e. os pioneiros da caricatura e da sátira. Com o Excelsior. quotidianos. hoje.. graças à descoberta dos processos de fototipografia e fotogravura.. a primeira ilustração pelo processo de fotogravura. no Egito. foi. no caso. Com isso se quis expressar que as pobres gazelas indefesas não devem jogar com o leão poderoso que. um gato astuto. caricaturas ou artísticas representações da flora. tomou o seu nome da tradução inglêsa de Polichinelo. a maior parte dêles. Coube ao jornal Le Lithographe publicar. jornais e revistas para retratar a sociedade..000 anos antes do nosso século.. antes que a partida termine. Um dos desenhos mais conhecidos daquele período representa uma gazela que se entretém em um jôgo parecido ao xadrez com um leão.. a ignomínia e a hipocrisia”. traçando e projetando as páginas. revistas. em 1910. primeiro diário ilustrado.lhe a coroa. pelo que não devia ser mostrada a sua obra aos jovens” e assim narra o triste fim do mesmo artista: “o infame Pauson já não nos desfigurará mais”. então. 20 Bam-Bhu — El dibujo humoristico — Barcelona — pág. cêrca de 15. durante. em damas da alta sociedade. personagem mundialmente conhecido. de Munich e Krokodil de Moscou. Gavarni. a baixeza. O Desenho — Depois da palavra falada. em todos os tempos. fundado por Pierre Lafitte. Em tanto aprêço têm os inglêses o jornalismo humorístico que uma das suas mais famosas publicações — O Punch 21 — é. do primeiro. Willette e Leandre constituem o grupo de humoristas franceses que utilizaram. muitos caricaturistas são obrigados a emigrar e publicar as suas obras na Holanda A invenção da imprensa torna mais amplo o campo do desenho humorístico e crítico como forma jornalística: na Inglaterra. pois surge. Forain. Se alguns dos documentos arqueológicos apresentam desenhos humorísticos. Na França. L’Illustration conquista o seu público por meio de reportagens redigidas. talhado ou pintado nos muros das cavernas pré-históricas. as condições que os presbiterianos arrancam a Carlos II antes de oferecer. criticá-la. desenhistas satíricos. na França. tinha “um significado político bem perceptível ou eram simplesmente cenas críticas e joviais dos costumes do tempo. ou as guerras e a política de Napoleão. a obra mais impressionante é a contida nos Caprichos. Mais tarde. o repositório de mais de um século da vida social e política britânica. americano. na Espanha.. também os desenhistas e caricaturistas têm os seus mártires do ofício. mas é sòmente no século passado que. segundo Plínio. educá-la. criando “títulos” para as seções. a mais antiga expressão jornalística no mundo. o cinema e a TV usam largamente a gravura. originário da “Comedia della Arte” italiana. Le Canard Enchainé. Simplicissimus. em outro de desenho. hoje. 21 Fundada em 1841. de beber mais do que recomenda a prudência: umas pedem às suas escravas que as sustentem e outras são atendidas no momento extremo. por exemplo. em 1839. sem dúvida. Em outra composição talhada sôbre um dos monumentos de Tebas. êste. os caricaturistas satirizam o episcopado da Igreja Anglicana e a conduta licenciosa dos cavaleiros. periódicos. que conduz uni bando de patos inocentes. o vício. pertence ao reduzido grupo de publicações líderes do jornalismo humorístico internacional. também tiveram fim violento Supalus e Athenis.

Com efeito. e a Ilustração Brasileira ou Revista Ilustrada. 133. Pascal e La Rochefoucauld. .” Como de todos os jornalis5 exige. de Ângelo Agostini. 450. marcaram época. no registro de Alfredo de Carvalho.a imprensa amarela. Belmiro de Almeida e Bordalo Pinheiro. O tempo joga um importante papel na sua tarefa. elaborando historietas.. Entretanto. os primeiros ilustradores conhecidos foram Debret e Rugendas. Um esfôrço de síntese deve presidir ao seu labor. Sousa Pinto e Adolfo Germano dos Santos que. depressa é esquecida e “quando a repassamos em velhas coleções de jornais e revistas quase não compreendemos a intenção que encerra. Nelas colaboraram os espíritos satíricos dos artistas Flumen Junior. No Brasil. através de cuja obra se pode reconstituir as características marcantes da sociedade colonial. os “comics” em que se distingue a imprensa norte. pois depende dela o efeito que a sua obra produzirá. de educadores e críticos. 1953 págs. graças às novas técnicas impressão. nasce a caricatura em nosso país. que estando o humor intimamente ligado ao ambiente de uma época. Como já se observou22. surgido no Recife. no Rio. redigida por Anibal Falcão. Era escrito com extrema mordacidade. para os quais uma frase basta para explicar um caráter. Raríssimo24.introduzindo tipos e flagrantes humorísticos. cuja popularidade foi tão grande e marcou tão profundamente os espíritos nos Estados Unidos. jornalisticamente. se bem que sob a barragem das restrições mais acerbas. 23” Deve-se observar. em 1875. No Recife. Semana” e do “Moleque”. tendo sido lançados em 1884 pelo New York Daily News. a dos filósofos. que há cinqüenta anos atrás eram desconhecidos. “elevou a crítica de costumes a proporções nunca depois excedidas. criador das figuras do “Dr. utilizando ap enas as complementarmente os textos escritos: — são as revistas e jornais em quadrinhos que. o desenho.” A mais divulgada das modalidades do jo rnalismo desenhado é a dos “comics”. embora jnicialmente dirigidas a um público infantil e juvenil. A respeito dêsse periódico escreve Alfredo de Carvalho: “O n. 23 Frederico Galíndo — El humour en la prensa in El periodismo — Barcelona. o humor e a moda morrem todos os dias. 1953 — pág. a caricatura e a charge são geralmente adotados. por Frederico Galindo in El periodismo — Barcelona. que uma famosa série.° 3 a 17 de maio. “os desenhistas chegaram a ser escritores e os seus hábitos de observação os colocam na categoria dos espíritos críticos e sintéticos a que pertenciam La Bruyère. embora muitas vêzes uma piada em historieta ou caricatura valha mais do que um editorial. Outcault e lançado nos jornais sensacionalistas de Hearst — deu origem à expressão hoje mundialmente adotada para a imprensa dessa espécie . trazia grosseiras vinhetas caricatas abertas a canivete em entrecasca de cajazeiro. surgida em 1860.° 1 saiu a 25 de abril e o n. só em 1831. 1908 — pág. 33-43o. primeira tentativa de jornal ilustrado em Pernambuco. tanto na justeza e no chiste das observações 22 Louis Morin — Le dessin humoristique cit. 24 Alfredo de Carvalho — Anais da Imprensa Periódica Pernambucana — Recife. por parte especialmente. quando nos chegam os inventos que permitiram maior facilidade à sua reprodução. chiste da sua obra. criador de “Zé Caipora”. pois algumas vêzes há de adiantar-se aos acontecimentos e outras segui-los o sentido da atualidade não pode abandoná-lo.” Nos últimos anos do Império. de propriedade do ale mão Henrique Fleiuss. que fixaram com humor e criticaram com mordacidade todos os episódios da nossa vida política de então. mais difícil se torna ao desenhista de jornal conseguir a permanência para a produção do seu esfôrço intelectual e artístico.se do desenhista de jornal que Possua “um rapidíssimo golpe de vista e uma grande agilidade mental para que seu lápis não capte sômente traços pessoais mas de uma época. o desenho como principal matéria. conquistaram as massas. A Semana Ilustrada. também. com O Carcundão. Uma série enorme de publicações jornalísticas emprega. circulava O Diabo a Quatro.americana. para pintar uma situação. As campanhas abolicionista e republicana tiveram os seus caricaturistas. em resposta ao precedente (O Liberalão) . hoje. Nesse sentido. tanto ao desenhar como ao redigir o texto. F. a do “Yellow Kid” — tipo criado por R.

a primeira tentativa de fixar mecânicamente as imagens. Don Quixote. quando o famoso pintor — um dos gênios versáteis da humanidade — idealizou a primeira câmara escura. graças a um outro processo. comandaram uma autêntica revolução na caricatura. chegados e integrados no jornalismo do país. quando.o “humour”. São dessa escola Alvarus. cêrca de 1500. Nássara. utilizando ainda cilindros de pressão de borracha. Draper. depois que diversos investigadores haviam descoberto que a prata dissolvida em matérias orgânicas enegrecia-se pela ação dos ácidos. Seth e outros. esqueceu uma das provas ao colocar o papel entre os rolos de pressão e o “cliché”. — pág. Dez anos depois. graças ao desenvolvimento das técnicas do telégrafo e do rádio. a fim de obter cópias em papel sensibilizado. o desenho humorístico é indispensável aos órgãos da imprensa de largo público e alguns dos profissionais e artistas contemporâneos. o sistema de gravação em “offset”.”25 No princípio do século atual. F. As ilustrações correspondiam brilhantemente ao texto. notadamente através do lápis de Luís Sá. A fotografia — Deve-se a Leonardo da Vinci. todos os esforços foram desenvolvidos no sentido de aperfeiçoar o invento. criador de “O Amigo da Onça”. Três anos mais tarde. o prof. Hoje. Êstes. mexicano. o francês Edouard Belin (1921) inventa a transmissão de fotografias pelo rádio. o que se deveu a William H. foi sômente no comêço do século XIX. o outro pernambucano Augusto Rodrigues. beneficiou-se dos métodos de gravação. no Mercúrio. Rubel. de New Jersey. por meio de máquinas rotativas. Talbot. era repro duzida em uma prova. paraguaio. descoberto casualmente por W. os avanços da televisão já permitem a transmissão instantânea de imagens a longa distância e. na sua recepção. que José Niceforo Niépce e Luís Mandé Daguerre aplicaram êsses conhecimentos à câmara escura. Fritz. em 1904. Qual não foi a sua surprêsa ao dar-se conta de que a imagem que se havia transladado para a borracha. através de um aparelho que denominou “belinógrafo” ou “fototelégrafo”. um jornal 25 Alfredo de Carvalho — Obra cit. alcançam também os benefícios da reprodução fotográfica pelo sistema “offset”. Vão Gogo e Borjalo são nomes que já ultrapassaram fronteiras. aparecendo ali com perfeição insuspeitada! Hoje. descoberto por Frederick Scott Archer. Belmonte. . que tornaria possível a fotografia. ’Várias emprêsas americanas têm mesmo conseguido o “tour de force” de transmitir. é empregado especialmente para revistas. conseguiu a primeira fotografia de uma face humana — a de sua irmã — mediante uma exposição de cinco minutos. Não devemos esquecer que também o nosso incipiente cinema vem adotando o desenho e. que surgem com as suas “charges” nos principais jornais e revistas do país. Atualmente. imprimindo em diversas côres. as fotografias passam a ser transmitidas pelo rádio. como o desenho. em O Malho. Mais recentemente. com trabalhos reproduzidos nas principais publicações do mundo. entre os quais o pernambucano Péricles. através dos mares. Carlos. aperfeiçoado ao máximo. buscando um modo de obter provas perfeitas em papel de qualidade regular. êste o pioneiro da caricatura mundana. substituindo-se as placas metálicas por transparentes. ilustrador de jornais filmados. John W. ao criar o tipo da “Melindrosa” crítica ao “society” da época. as fotografias podem ser fixadas tanto sôbre papel fotográfico como sôbre filme.como na probidade de critério.. todos os sistemas anteriores foram abandonados pela impressão. Frou-Frou. Calixto Cordeiro e J. a fotogravura e a zincografia permitiram a sua reprodução nos impressos. Para Todos e A Careta — esta última podendo ser considerada como o nosso Punch — colaboraram Raul Pederneiras. Em 1840. e Figueirôa. Theo. Guevara. e mais Carlos Estevão. No entanto. por sua vez. Daí para diante.. da Universidade de New York. Fon-Fon. fundador das Escolinhas de Arte. acentuando a massa das figuras e tornando-as mais plásticas e atraentes. 373. pela televisão. A fotografia. inventando o sistema de gravar imagens em uma placa preparada com iôdo e prata mercurial.

todos os fotógrafos — e mesmo bons fotógrafos. disputando o título de campeão do mundo. de “jornais fotográficos”. Outros filmes produzidos na época ocuparam-se da “chegada do trem na gare de Ciotat” e de “uma viagem entre a Rue de Ia Republique e Lyon”. sômente nos fins do século passado é que a imprensa começou a utilizá-las. catástrofes e festas para as “actualités”. “noticieros” pelos espanhóis. os Pathé. uma seqüência de fotos constitui autêntica reportagem. Os diários. porque não dizem nada de novo. não despertam no leitor (diríamos melhor no espectador) aquêle princípio de ação que é próprio do jornalismo. a revista Berliner Illustriert Zeitung publicou uma reportagem fotográfica da catástrofe ferroviária de Bomberg. 1952. solenidades oficiais. e “wochenschau” pelos alemães — foram a primeira manifestação do cinema. Assim.pág. . transmissão e impressão de imagens fêz da fotografia não apenas mera ilustração na imprensa mas lhe deu também conteúdo jornalístico. 172. Foi êle o primeiro cine -repórter do mundo. em montras especialmente preparadas. Por isso. quando a primeira obteve exclusividade para apanhar os flagrantes do “match” de box entre Jeffries e Sharkey. no Conney Island Club.inteiramente Impresso aos assinantes que possuem um aparelho de sua fabricação. Sômente em 1901 — e ainda à base dos “fatos marcantes” — é que Georges Mêliés.plaisir”. aquêle instinto profissional. tornaram-se preferencialmente filmadoras das atualidades e é histórico da competência entre elas o fato ocorrido a 3 de novembro de 1899. que precisou de duzentos a trezentos anos para utilizar a máquina de imprimir e a letra de fôrma. conhecido na América sob o nome de “fac-similes”26. Assim. com legendas elucidativas. que leva homem de imprensa a olhar a vida e o mundo como campo colheita de notícias destinadas a informar e orientar a opinião pública. nas quais o texto escrito é quase inteiramente substituído por fotografias. doutras. o Daily Mirror sômente adota a fotografia como veículo de potícias em 1904. inoportunas.à tarde e os chamados “tabloides”. a simples publicação de uma fotografia vale uma notícia. e na Inglaterra. de cêrca de vinte metros. o criador do cinema como espetáculo. fixando aquêle acontecimento diário no celulóide. ambas explorando cenas da vida corrente. costumes pitorescos. em 1910. o desfile de 14 de julho e o Grande Prêmio de 1896. Muitas vêzes. o primeiro filme de que há notícia (1895). As duas primeiras emprêsas cinematográficas dos Estados Unidos. os irmãos Lumiêre contratavam Relix Mesguich para percorrer a Europa e o mundo. Todavia. Nos países europeus é muito comum a existência. na França. utilizando a “trucage”. o primeiro quotidiano incluindo fotografias fo i Excelsior. a “Biograph” e a “Vitagraph”. Um ano depois. outros famosos irmãos. como a alguns escritores famosos. expondo fotos de acontecimentos do dia ou da semana. notadamente a atualidade e a interpretação. para que se constituam no chamdo “jornalismo sem palavras” necessitam de atender a todos os caracteres dessa atividade. produzido por Lumiêre. nas principais ruas. mais tarde desenvolvida pelo cineasta norte-americano D. conforme a sua própria epígrafe o indicava. Nada obstante o êxito atual dos jornais e revistas ilustrdos com fotografias. à Lyon-Mont. a 13 de março 1892. uma vez que lhes falta. Outros produtores franceses não tardaram em seguir o exemplo dos irmãos pioneiros. enquanto que as revistas ilustradas. Griffith. colhendo flagrantes de cidades. “actualités” pelos franceses. especialmente aquêles publicados. produz a sua reconstituição da coroação de Eduardo VII. foi “La sortie des usines Lumière. O desenvolvimento dos métodos de captação. W. 26 Gilbert Henry Coston — L´ABC du journalisme — Paris. quer o desenho quer a fotografia. estão tendo um crescente e interessado público. O Cinema — Ao contrário do jornal.— o são a prática do jornalismo. os “jornais cinematográficos” – chamados “newsreels” pelos povos da língua inglêsa.. publicam páginas inteiras de fotografias. paradas ou mortas não são jornalismo. Fotos sem interêsse humano. Com efeito. e Leon Gaumont apresentaram a chegada do Tsar a Paris.

esportes. Na sua técnica. destinando-se a um público menos apressado do que o que deseja puramente informar-se das atualidades. troca-se a exploração ambulante pela fixa e introduz-se o sistema de alug uer. alguns “digests” filmados já são conhecidos mundialmente. diversos ‘digests” filmados são produzidos. nos Estados Unidos. os técnicos da “Vitagraph” irromperam no recinto. This Modern Age. Até então. Se bem que alguns pretendam que a TV fará desaparecer êsse gênero de jornalismo ou o absorverá. tanto que. Durante a l Guerra Mundial. com edições segundo os países produtores mensais. de ser considerado um simples entretenimento. Pathé Pictorial. havia. na França. cuja metragem varia entre 250 e 600 metros. uma mera novidade da técnica para afirmar se como uma poderosa Indústria. Naqueles anos decisivos. dos atuais jornais cinematográficos. os filmes de atualidades dramáticos ou cômicos tinham em média 20 metros e eram Produzidos e vendidos a proprietários de salas de projeção ou a exibidores ambulantes que os utilizavam até à imprestabilidade. b) cada uma das suas edições comporta vários assuntos justapostos sem ligação direta entre si. d) são geralmente de uma metragem “standard’ e) — sua apresentaço é direta. utilizando a iluminação artificial por meio de uma bateria de lâmpadas de arco ali colocada pelos concorrentes. na URSS. aos quais se ap resentavam os noticiários como parte integrante dos programas. é distribuído o Children’s Entertainment Films. Êstes e outros “magazines” filmados. dedicado às crianças. na Inglaterra. o que leva os produtores a ultrapassarem os vinte metros de celulóide. enquanto que a dos “magazines” filmados e “documentários” pròpriamente ditos têm um caráter interpretativo e didático. afinal. suplantando em quantidade e técnica ao europeu. modas e até reportagens especiais. em 1950.aparecem regularmente a intervalos relativamente curtos. o seu “Actualités Pathé”. Ambas emprêsas obtiveram com êsse filme um êxito estrondoso. dando início à longa metragem.1951. O “magazine” filmado permite. adotam novos métodos de apresentação. Viagens na União Soviética e Esportivos.444. tais como March of Time. que exigem certo espaço de tempo para a sua produção e distribuição. também os filmes de atualidades se assemelham aos jornais: são geralmente dividos em rubricas correspondente às seções dos órgãos da imprensa — O que vai pelo mundo. É em 1907 que Gharles Pathé cria. apresentados em detalhes e sob ângulos que escapam ao tele -repórter. outros prevêem a sua evolução para o gênero do “magazine filmado”. Peter Baechlin e Maurice Muller Strauss. produzido por J.. Convém assinalar que. Entre os anos de 1905 e 1907. bimensais. a televisão está ameaçando sèriamente os jornais cinematográficos. criado por Louis de Richemont. produzido pela Gaumont British Instrutional Ltda. no mundo 95. O cinema atingiu tal popularidade que.27 27 distinguem as seguintes características dos jornais cinematográficos que os diferenciam nitidamente de outros filmes de curta metragem. Arthur Rank. e protegidos por brigadas de choque “rodaram” um filme. em obra completa sôbre a matéria.Inconformados. o prestígio do jornalismo cinematográfico firma-se definitivamente e é nessa época que o filme americano conquista o primeiro lugar. a especialização.900 localidades com uma freqüência semanal de 215 milhões de espectadores.352 salas de projeção Com 42. nos 27 L apresse filmée dans lê monde – UNESCO – Paris. hebdomadárias e mesmo bi-hebdomadárias. editado pela ONU desde 1949. entre os quais Ciência e Técnica. na Grã-Bretanha. nos quais se dá maior ênfase à interpretação dos fatos. Como acontece com o rádio em relação ao jornal. na França e United Nations Screen Magazine. a) . também. com az característica pela variedade de assuntos filmados. sobretudo no que se refere ao som e à imagem. em 1934. c) cada um dos acontecimentos apresentados se refere em princípio à atualidade geral do momento da sua aparição. o cinema deixa. no momento da luta. Nesse estilo. com assuntos do seu interêsse. .

por serviços do Estado e. muitas vêzes.UU. constituem uma tribuna do govêrno. XX Century Fox News. também não fugimos a idêntica evolução cinema: — começamos a nossa produção cinematográfica fixação. Na segunda categoria. de cenas da vida corrente. a revista Cinema Tchecoslovaque. de “flagrantes” idênticos.— USA — e Lord Rothermere -GB). das quais o govêrno participa ou às quais subvenciona. desenhos e documentários para programas completos. o que provoca. Na primeira categoria. que geralmente também dispõem de filmes de longa metragem. produzidas por uma sociedade de economia mista. preparados por uma sociedade autônoma. inglêsas e francesas: Faramount News. como em diversos outros Estados ocidentais.. _______________________ 27-a Alex Viany — “Introdução ao cinema brasileiro” — Rio. 1959 . editada em Praga. viagens e documentários. Universal News. no celulóide. sendo rigorosamente nacionalizadas. e os No-Do (Noticiários e Documentários Espanhóis). fazer palpitar o espectador. O filme de informação tchecoslovaco é um dos numerosos instrumentos ideológicos que ajudam a edificar o Estado. subvencionada pelo govêrno espanhol. temos as Actualités Françaises. 28. A êsse respeito. British Movietone News (2Oth Century Fox -. Acordos internacionais e relações de comércio e cultura permitem a exibição em tôdas as partes do mundo de jornais filmados produzidos principalmente nos EE. finalmente. Em recente trabalho 27-a. é obrigatória nos programas dos espetáculos cinematográficos. os jornais cinematográficos são produzidos por serviços estatais. por émprêsas mistas. como qualquer outro veículo de informação e opinião.países socialistas. pelos organismos internacionais.” A exibição das “atualidades” nos países socialistas. a repetição. a maioria era de “simples registros de acontecimentos sociais e políticos. diretores e realizadores para futuros empreendimentos no campo do cinema espetáculo. estão os produzidos e distribuidos pelas grandes companhias norte-americanas. as atualidades. asiáticos e americanos como a Suíça. ou cenas apanhadas em locais pitorescos. A distribuição mundial das atualidades está assegurada por grandes companhias distribuidoras. escreve: “O filme de informação tem uma outra função e uma responsabilidade muito maior do que filme de atualidades dos produtores privados. Seu obje tivo não é provocar sensações. Grã-Bretanha e URSS havendo também convênios para a troca de tomadas de cena entre produtores. Ainda hoje. da qual o Govêrno Francês possui a maioria das ações. o mesmo ocorrendo em diversos outros Estados europeus. jornais de diferentes procedências. nas quais se exercitam operadores. os jornais cinematográficos são produzidos por emprêsas privadas — os de maior divulgação no mundo moderno —. a predominância no cinema brasileiro é desse gênero de produções. em 1949. abalhar-lhe os nervos e presenteá-lo com imagens que o distraiam ou desviem a sua atenção das tarefas atuais. Nos países socialistas. de ruas e lugares pitorescos. Turquia. . Índia e Chile. França. De um modo geral. No Brasil.pág. Já nos referimos anteriormente a filmes de informação produzidos pela ONU regularmente e distribuidos em todos os países membros. Alex Viany refere-se aos primórdios da cinematografia brasileira assinalando que dos “muitos filmes em um só rôlo” produzidos até 1910. Pathé Journai e Gaumont Actualités. News of the Day (Metro Goldwyn Mayer-Hearst). ou mesmo coisas tão inevitáveis como a tal do trem chegar”.

Em Pernambuco, na década 1920-30, um grupo de jovens entusiastas da sétima arte,
inspirados pelo exemplo dos italianos Falangola e Cambiére, que haviam chegado ao Recife
trazendo uma máquina cinematográfica e com ela tinham produzido filmes naturais da cidade, e
de propaganda comercial, organizou a “Aurora Filme”, rodando documentários e dramas. Outras
produtoras surgiram, animadas pelo sucesso inicial daquela: a “Planeta Filme”, a “Liberdade
Filme”, a “Veneza Filme”, a “Vera Cruz Filme”, a “Iate Filme”, e, na cidade interiorana de Goiana,
a “Goiana Filme”. A considerável produção de filmes, que jamais foi superada em quantidade, ao
tempo do cinema silencioso no Brasil, não teve infortunadamente continuidade, faltando-lhe o
apoio governamental que poderia ter transformado o Recife na Hollywood brasileira. São dessa
época atualidades e documentários, como “A chegada do Jahú ao Recife”, “Aniversário do
Govêrno Sergio Loreto”, “As obras de construção do Pôrto do Recife”, “Aspectos de Goiana”, que
foram exibidos trinta anos depois, no “Cinema Siri”, espécie de museu cinematográfico, criado
por Pedro Salgado e Jota Soares, pioneiros da cinematografia pernambucana. Também o
“Cinema Siri” extinguiu-se ao pêso da indiferença do poder público estadual. 28
Foi sômente no decorrer da II Guerra Mundial, com as atividades da Distribuidora de
Filmes Brasileiros (DFB), organizada pelos proprietários do maior circuito de salas de projeção
do País, a Cinegráfica São Luís, de Luís Severiano Ribeiro, e da Agência Nacional (AN), órgão
oficial ligado ao Ministério do Interior e Justiça, que a produção e exibição de atualidades
cinematográficas nacionais no país se tornaram freqüentes, provocando um decreto
governamental de 24 de janeiro de 1956, estipulando a obrigatoriedade de projeção de um filme
nacional (atualidades, documentários ou qualquer outro de menos de 180 metros) como
complemento de cada programação. Atualmente, diversas emprêsas cinematográficas produzem
e distribuem filmes de curta metragem de atualidades, destacando-se entre elas a veterana
Cinegráfica São Luís, a Vitória Filme (ligada ao circuito Sorrentino), a A. Botelho Filme, a
Produtora Herbert Ritcher, a Jean Manzon Filmes e a Cinédia, esta última mantendo um jornal
semanal dedicado exclusivamente aos esportes. Estamos, dessarte, bem colocados nas
estatísticas mundiais de produção de jornais filmados, com uma média de 260 por ano, quando
se sabe que, em 1949, segundo dados da UNESCO, os países líderes 4a indústria
cinematográfica produziam respectivamente: URSS, 1.100; USA, 728; Reino Unido, 520; França
e Itália, 260. Além dos jornais cinematográficos nacionais, os cinemas brasileiros exibem
atualidades de procedência norte-americana, francesa e inglêsa, com grande aceitação por parte
do público, calculado em 150 milhões de espectadores por ano, em 1.606 salas de projeção
com 1 milhão de localidades (1949).

A televisão — Nascida dos progressos da eletrônica, televisão é o mais recente dos
veículos jornalísticos. A primeira transmissão da imagem à distância, no mundo, foi feita 1927
pela Bell Telephone Company, quando, utilizando-se o telefone entre Washington e New York,
com um “relais” colo cado a título experimental em Whippany (N. J.), o então presidente Hoover,
na Casa Branca, foi apresentado ao público maravilhado da grande metrópole. Entretanto, desde
1890, sábios de diversos de diversos países vinham estudando o problema. A Edison, Jenquins,
Ester, Geitel, Marconi, Baird, Barthélemy, Farnsworth, Zworykin, Cahen e outros cientistas e
técnicos, em diferentes campos, deve a humanidade a concretização do velho sonho de “dar
olhos ao rádio”. Através de experiências cada dia mais positivas, já é possível, em 1935,
realizarem-se emissões experimentais de 10 kilowatts sôbre uma onda de 8 metros, por uma

28 Jota Soares fêz publicar, na revista Notícias de Pernambuco, edição de abril de 1953, um completo estudo sôbre
o cinema pernambucano,no qual rememora as figuras de Edson Chagas, Gentil Ruiz, Ary Severo, Pedro Salgado,
Antonio Campos, do exibidor Joaquim Matos, proprietário do Cinema Royal de Pedro Neves e do pintor e
caricaturista Fausto Silvério Monteiro (“Fininho”) , bem como fatos e outros subsídios preciosos à história do nosso
cinema considerado, então, um dos mais artísticos do mundo.

antena colocada no alto da Torre Eiffel. Três anos depois, a França possui a mais potente
emissora de TV do mundo (30 kilowatts), transmitindo a imagem em um raio teórico de 50
quilômetros, acompanhada de som. É também neste ano (1938) que a TV ultrapassa o estado
puramente mecânico (rotação de discos sôbre o emissor e o receptor e exploraçâo sôbre 30
linhas) para atingir o sistema de transmissão eletrônica, quando, em Moscou e Leningrado, são
instaladas estações que, mais tarde, viriam a cobrir um raio de 180 a 190 quilômetros. Nos
Estados Unidos, o funcionamento oficial da TV foi registrado em 30 de abril de 1939, data da
abertura da Feira Mundial de New York, embora desde o ano anterior a RCA estivesse
fabricando postos de televisão para venda ao comércio. Em 1945, no final da segunda guerra
mundial, mais um progresso decisivo é registrado: — empregando-se um aparelho descoberto
por Zworykin, o iconoscópio, e aperfeiçoado por Barthélemy, com lentes eletrônicas, consegue-
se a transmissão da imagem em pleno dia e mesmo sem sol. Ao engenheiro inglês J. L. Baird
são atribuidos os mais importantes estudos sôbre a transmissão da TV em côres, hoje uma
realidade.
A TV desenvolveu-se ràpidamente nos países mais industrializados com emissões
destinadas a grandes públicos. Dados estatísticos colhidos pela UNESCO, em 1° de janeiro de
1953, nos permitem avaliar da popularidade da TV, isto é, do seu alcance como veículo
periodístico, cultural e artístico: nos Estados Unidos, havia, então, 139 estações transmissoras,
22 milhões de receptores, equivalentes a um para cada 7,15 habitantess; no Reino Unido, 5
estações, 2.072.930 receptores, um para cada 24 habitantes; em Cuba, 7 estações, 100.000
receptores para cada 55 habitantes; no Canadá, 2 estações, 250.000 receptores, um para cada
56 habitantes; no México,6 estações, 50.00 receptores, um para cada 578 habitantes; na França,
2 estações, 60.000 re ceptores, um para cada 704 habitantes; no Brasil, 3 estações, 70.000
receptores, um para cada 751 habitantes; na República Dominicana, 1 estação, 1200 receptores,
um para cada 1.808 habitantes; na URSS, 3 estações, 80.000 receptores, um para cada 2.400
habitantes; na República Federal da Alemanha, 5 estações, 6.000 receptores, um para cada
8.000 habitantes e no Japão, 3 estações, 4.444 receptores, um para cada 21.000 habitantes.
Naquele ano, estavam sendo montadas e experimentadas estações de transmissão de TV na
Argentina, Dinamarca, Itália, Países Baixos, Polônia, Suíça, Tailândia, Turquia, Áustria, Bélgica,
Tchecoslováquia, Espanha, Suécia e Iugoslávia. Hoje, países menos desenvolvidos possuem ou
se propõem a organizar emissões de TV, enquanto o progresso técnico vai permitindo, ampliar o
raio de transmissão, me smo sem exigência de postos retransmissores.
Uma das mais debatidas questões no campo da TV e que interessa sobretudo ao nosso
estudo é a do número de horas consagradas diàriamente ou semanalmente às emissões e do
tempo nelas dedicado às informações jornalísticas. Tanto por motivos econômicos como por
técnicos e sociais, o número de horas de funcionamento das tele -emissora é reduzido: na
Inglaterra e na França, a duração média semanal é de 32 horas, enquanto nos Estados Unidos,
diàriamente, é de 15 horas. Neste último país, onde a TV é mais popular, a maior parte das
estações difundem um resumo de notícias pelo menos quatro vêzes por dia. Os métodos de
apresentação variam muito, mas em geral, vê-se sôbre o écran um narrador, que ilustra com
filmes e vistas fixas a sua descrição das últimas notícias. Os filmes utilizados são produzidos
especialmente, uma vez que uma convenção realizada proibiu a exibição das atualidades
cinematográficas na TV, criando-se, dêsse modo, uma nova indústria: — a tele-cinematográfica,
que produz, inclusive, filmes próprios de enrêdo, já que sòmente cinco anos depois de lançadas
é que as super-produções poderão ser retransmitidas no vídeo. Entre as produtoras norte-
americanas de tele -atualidades filmadas figuram a United Press-Movietone Television News,
fundada em 1951; a Telenews Production Incorporated, filial da INS, fornecendo um jornal diário
de oito minutos e dois semanários,um dos quais sòmente sobre fatos esportivos e os serviços
próprios da NBC e CBS, que favorecem diversas emissoras menores com cópias das suas
atualidades.

Enquetes realizadas entre 1951 e 1952 em New York dão, apenas, 12,5 % e 13,4 % às
emissões de caráter informativo (noticiário geral, previsões meteorológicas, questões de
interêsse púb lico, religião) ; 6,3 % e 6,9 aos programas desportivos e 2,4% e 4,2% à
apresentação e entrevistas de personalidades.29 Os índices de popularidade dêsses programas,
em 1952,- eram os seguintes: informação e atualidades, 4,2; esportes, 11,2; e entrevistas, 5,0. A
média de uso domiciliar de receptores de televisão era, então, de 83 minutos por dia, enquanto o
público dedicava ao rádio 124 minutos, aos jornais 38 minutos e às revistas, 16 minutos.30
Na França, numa iniciativa da UNESCO e da Radiodifusão e Televisão Francesa, foram
realizadas, de janeiro a março de 1954, emissões experimentais visando analisar as
possibilidades culturais da TV e a sua influência sôbre a conduta dos telespectadores frente a
determinados temas. Treze programas sôbre a modernização do trabalho rural e suas condições
técnicas, econômicas, sociais e humanas — produzidos por Roger Louis, com uma equipe de
especialistas — foram transmitidos, juntamente com apresentações de “musie -hali”, circo,
documentários, teatro, leitura de livros, cinema, entrevistas, noticiário e reportagens diversas, O
campo de observação dos resultados foi a região do Aisne, onde foram selecionados quinze tele -
clubes31 com assistentes de diferentes graus de educação, profissões diversas, de ambos os
sexos e idades variadas. O número de indivíduos interrogados e cujas reações foram registradas
variou entre 225 e 231, segundo as questões formuladas. Essa experiência ofereceu os
seguintes resultados: salvo os programas de “music-hall” e circo, que obtiveram maior
percentagem de aprovação, 90 por cento do público acompanhou com interêsse e aplaudiu o
jornal televisado; 60 por cento as reportagens retrospectivas; 55 por cento os “magazines” de
exploradores e 45 por cento as reportagens atuais, focalizando fábricas, aeroportos, etc.
Como meio de informação primário, isto é, veículo de transmissão das primeiras notícias
sôbre um dado acontecimento, a TV leva vantagem sôbre o jo rnal e o rádio, bem como sôbre o
cinema de atualidades. Tanto realizando coberturas diretas como utilizando processos rápidos
de produção de filmes para apresentação num período mínimo de tempo, mediante dispositivo
especial que permite sejam os negativos projetados no écran dos receptores em positivo,, a TV
expressa, hoje, o mais rápido meio de difusão criado pelo engenho humano. Combinando os
métodos tradicionais da imprensa, do rádio e do cinema, utilizando o pessoal técnico e
profissional dêsses outros veículos (jornalistas, locutores, repórteres, fotógrafos e cinegrafistas),
a TV possui, entretanto, técnicas próprias. “As reportagens televisadas permitem ,ao público
seguir melhor do que por qualquer outro meio de informação os acontecimentos que lhe são
apresentados sob uma forma auditiva e visual ao mesmo tempo. A câmara eletrônica apresenta
certos caracteres — vantagens e inconveniêntes — que não existem na câmara cinematográfica
e que tornam necessária a especialização dos “cameramen” e realizadores.32 Essa técnica
exige, igualmente, jornalistas especializados, tele-repórteres e tele -comentaristas.33 Por outro
lado, dadas as suas limitações naturais de alcance, de tempo de emissão destinado às matérias
jornalísticas, de impossibilidade (atual) de gravação da imagem televisada34 e pela relativamente

29 UNESCO — La Télevision dans te monde — Paris, 1954 — pág. 79.
30 Conf. Anuário do Rádio — P.N. — Rio, 1954 — pág. 26.
31 Trata-se de associações para recepção coletiva das emissões de TV, organizadas freqüentemente por iniciativa

da escola em localidades do “hinterland”, mediante a aquisição de um televisor de 1 m. x 1 m. 20, por subscrição
pública, diante da qual se reunem os sócios para assistir os programas duas ou três noites por semana. Em 10
departamentos franceses, funcionavam regularmente, em 1954, cêrca de 180 tele-clubes. Previa-se que, em 1955,
17 milhões de franceses poderiam receber as emissões de TV, caso o desejassem. Sôbre o assunto, inclusive os
resultados completos da experiência referida, v. J. Dumazedier — Televisíón y Educación – UNESCO – Paris, 1956
32 UNESCO — Obra cit. — pág. 23.
33 Quando das primeiras emissões esportivas da TV no Rio, tivemos oportunidade de observar que os

telespectadores não se conformavam com as “descrições” dos locutores, preferindo ver a imagem no écran dos
receptores e escutar a reportagem transmitida pelas estações de rádio.
34 A propósito, publicou o Anuário do Rádio, editado por P. N., Rio, em 1954, o seguinte (pág. 26): TV EM

CONSERVA — O principio básico da televisão em fita magnética é o registro dos impulsos elétricos resultantes da

740 diários e. à semelhança da música gravada. com capacidade excedente de 10 milhões de cadeiras. peças teatrais e outras coisas de interêsse permanente.000 semanários. 1943 – págs. que corresponde a 60 tramas e 30 imagens por segundo. Recife.A. há concessão federal para a instalação de duas emissoras de TV. . exigências técnicas e providências legais foram estipuladas por decreto governamental em 21 de novembro de 1952. Pertence ao grupo brasileiro dos “Diários e Rádios Associados” e seus recursos financeiros provêm da publicidade. Assim. publicações de negócios. os espectadores. Imagino grandes bibliotecas de óperas. Através de 45. São Paulo. Com efeito. Os homens de hoje são leitores de jornais. como uma instituição social que. edição brasileira. Em Pernambuco. apenas. Também será de uso generalizado uma câmara de filmagem de TV para tirar filmes que possam ser exibidos no televisor de casa. os homens dos nossos dias “têm fome de conhecer o presente. Ambas estão tomando providências preliminares de construção dos seus estúdios e antenas. hàbilmente gravadas e difundidas. aos demais veículos jornalísticos. do rádio e do cinema. em convênio com a Comissão Federal de Telecomunicações dos Estados Unidos. catálogos e outras matérias impressas. teremos a televisão em conserva. a TV não faz desaparecer nem substitui com plena eficiência. freqüentam. tal e qual as do som. os telespectadores estejam aptos a gravar programas — figuras e som em prêto e branco e em côres — em uma fita magnética para tornarem a vê-los quando quiserem. assume posição da mais alta relevância.escassa quantidade de emissoras e receptores existentes no mundo.” E outra não foi a previsão do General David Sarnoff. situar o jornalismo como atividade essencial à vida das coletividades. procuram veículos muito mais especializados e diversificados do que os seus ancestrais. semanalmente. foram montadas posteriormente emissoras de TV no Rio e em Belo Horizonte. junho de 1957 — pág. compram quase 46 milhões de exemplares de cêrca de 1. sendo calculados em milhões. elevando-se a 9 o número de estações em funcionamento no país. Já experimentamos esta técnica e creio que e instrumento utilizado virá a ser aproximadamente do tamanho de um dos atuais televisores domésticos e não mais complicado. que possibilitarão a montagem de 290 estações em 186 pontos do território nacional. CONCEITO DO JORNALISMO Através dessas noções históricas. panfletos. 4 – 5. Rádio Roquete Pinto. anualmente. Vem provocando. não tardará muito. nos domingos. As estações nacionais têm alcance num raio de 180 quilômetros.) obtinham igualmente canais na Capital Federal e em São Paulo. presidente do Conselho de Diretores da RCA. poderem ser transformadas em variações de magnetismo na fita. etc. em dezembro de 1958. 27) : “Talvez dentro de cinco anos. as exibições cinematográficas. Diàriamente. uma que será explorada pelos “Diários e Rádios Associados” e outra pela “Emprêsa Jornal do Comércio S.500 publicações especializadas periódicas. Êsse artifício baseia-se no fato de as variações de luz. a várias centenas de milhões exemplares. quisemos.’ Para estar a par das idéias. no discurso com que celebrou o cinqüentenário dos seus estudos no campo da eletrônica (resumo em “Seleções do Reader’s Digest”.35 decomposição da imagem em corrente magnética. através mais de 57 milhões de receptores. ouvem mais de 800 estações de rádio. adquirem 12 milhões de exemplares de aproximadamente 10.”. O Brasil adotou a “definição” de 525 linhas.” 35 Conf. Os leitores norte-americanos “devoram” 6. em Sumaré.000 teatros. no mundo moderno. Wolseley & Campbell – Exploring Journalism – New York . enquanto que outras sociedades (Rádio Record S. em mais 17. que atingem. devendo entrar em funcionamento por todo o ano de 1960. no sentido de dar- lhes maior profundidade e maior conteúdo interpretativo. Pelo mesmo grupo. Rádio Televisão Paulista. quase 38 milhões. As normas de emissão e divisão de canais. inaugurada oficialmente a 18 de setembro de 1950. Emissoras Unidas. Semanalmente. uma salutar evolução na natureza e estilo da imprensa. Depois. é o mesmo aplicado à entrada dos receptores de televisão e a pessoa terá um programa completo de TV.A.000 ou mais agências dos Correios dos Estados Unidos (para exemplificar com um país apaixonadamente devoto das estatísticas) transita um número espantoso de cartas. isto sim. eventos e situações correntes. A primeira emissora de televisão brasileira instalada foi a TV Tupi.

utilizando todos os recursos da técnica disponíveis ao seu desenvolvimento. propor soluções. procuramos fixar um conceito simples. 195. a uma definição que nos permitirá desenvolver melhor os nossos estudos. enfim. que não pode ser substituído nem sequer momentâneamente por nenhum outro agente cultural nesta tarefa junto à sociedade. devidamente interpretados. com o objetivo de difundir conhecimentos e orientar a opinião pública. 1942. explicar. dirigir. e que. “é a história que passa”. no sentido de promover o bem comum. amadurecê-las. porquanto “informação. costumava repetir aos meus ouvidos de “foca” êsse mestre da imprensa brasileira que é Anibal Fernandes36. 1906 — pág 17. toca-lhe estabelecer e fundamentar ensinamentos. reformá-las. em 1941. Em outras palavras. 40 Coni.”39 Daí porque a obra jornalística se realiza dia a dia. submetê-las à censura. Informação. Da nossa parte. de fatos atuais. alguns positivos e outros puramente retóricos. primeiro. se pretende que o pais a respeite. como o consideraram com precisão os jornalistas cubanos reunidos. . Essa multiplicidade das manifestações do jornalismo nossos dias é que torna complexa a sua definição. 38 José Martini in Vida y Pensamiento de Marti – La Habana. correntes. 183. Chegamos. toca-lhe. Editorialista e comentarista emérito. jornalista e professor de Língua e Literatura Portuguesa no Colégio Estadual de Pernambuco. Toca à imprensa elogiar. têm de ser transmitidos periòdicamente não ao indivíduo isolado mas a um conjunto ou à totalidade dos homens que vivem em sociedade. Suarée — Obra cit. visando esclarecer a opinião pública para que sinta e aja com discernimento. 39 Octávio de La Saurée – Moraletica Del Periodismo – La Habana. como o assinala Rafael Mamar. dono de um estilo ágil e vibrante. não encaminhá-los com alarde de adesão talvez extemporâneo. os artigos e crônicas da sua lavra são acompanhados com o mais vivo interêsse pelo seu vasto circulo de leitores. a paz e a ordem da comunidade. ensinar. no exercício do cargo de diretor do “Diário de Pernambuco” — de cujo corpo redacional fêz por mais de 30 anos continua entretanto a escrever diàriamente jornais e estações rádio emissoras de Pernambuco. a proteja e honre. Todo êsse trabalho tem. toca-lhe examinar os conflitos e não agravá-los com um juízo apaixonado. porque os fatos. evidentemente. exerceu ativamente exerceu ativamente o jornalismo em quase todos os órgãos da imprensa recifense. guiar. a seguir: Jornalismo é a informação de fatos correntes. buscando o progresso. bem entendido. censurar e sancionar as ações públicas dos habitantes de uma região e divulgar a cultura entre a população de um país”. mas que inclui as características fundamentais do periodismo. 37 Rafael Minar — El arte dei periodista — Barcelona. que me reçam o interêsse público. torná-las fáceis. pelo estudo das origens e evolução e pela análise sumária dos elementos característicos e constitutivos do jornalismo. a finalidade do jornalismo é a promoção do bem comum. devidamente interpretados e transmitidos periôdicamente à sociedade. o jornalismo “tem por objeto informar e orientar a opinião. Jornalismo é antes de tudo informação. no seu Primeiro Congresso Nacional em Havana40. porque informar sôbre fatos passaS dos é fazer história e o jornalismo. Iniciando a sua vida profissional na segunda década do século. uns objetivos. 1946 – pag. — pág. outros literários. que fazer jornalismo é informar. então. Conhecemos numerosos conceitos de jornalismo. orientação e direção são atributos essenciais do periodismo. 37 Mas “não é função da imprensa” (compreendida como jornalismo) informar ligeira e frivolamente sôbre os fatos que acontecem ou censurá-los com maior soma de afeto ou adesão. Exercendo-se pela difusão de conhecimentos. Diremos. uma função educativa. Aposentado em 1955.”38 Assim. 36 Anibal (Gonçalves) Fernandes. conforme os seus serviços e merecimentos. os fatos correntes expostos pelo jornalismo têm de ser devidamente interpretados.

SEGUNDA PARTE OS CARACTERES DO JORNALISMO Contém: DA ATUALIDADE Jornalismo e História Atualidade e Atualização Atualidade e Permanência Manifestações da Atualidade DA VARIEDADE Variedade e Especialização Jornalismo Geral e Especializado DA INTERPRETAÇÃO Interpretação e Seleção Interpretação e Vocação Extensividade e Intensividad e DA PERIODICIDADE Através da História Nos Tempos Modernos DA POPULARIDADE Extensão da Popularidade Popularidade e Liberdade Condições da Popularidade DA PROMOÇÃO Jornalismo e Sociedade As Campanhas Jornalísticas eo Bem Comum Jornalismo e Direito Jornalismo e Opinião .

os acontecimentos lançam a cada momento. vive sôbre o momento. 1953 — pág. 21. . da atualidade em sentido filosôficamente errado (pois em sã filosofia o atual é o eterno e não o temporal. Com efeito. e em jornalismo ou na linguagem corrente. Ademais. numa espécie de fonte de energia. Finalmente. que as coisas. do efêmero. do presente. o jornalismo “recolhe e espalha os acontecimentos vivos e quentes”. a quem compete julgar da sua importância. Todavia. mesmo que essa perenidade valha. mas estèticamente certo por ser o sentido corrente e popular da expressão. a obra jornalística é constante. Não sendo uma fôrça executiva e nem sequer elaborando leis. apénas. frios e decantados”. estão configurados na definição a que chegamos. de passagem. atua sôbre a consciência do hoje. na opinião pública. da natureza e do espírito. Além disso. enriquecê-los ou censurá-los. 41 Tristão de Ataide — O jornalismo como gênero literário in Diario de Notícias. tendo em vista que o jornalismo não se dirige a um indivíduo isolado e sim à coletividade. que lhe é exigida pela comunidade a quese destina. inerente a tôdas as suas manifestações autênticas. de acontecimentos registrados em qualquer setor da vida social. Unicamente dêle. 1957. hora a hora. procurando nêle penetrar a dêle extrair o que há de básico. Rio — cd.. em qualquer domínio das ciências. essas manifestações se revestem de forma ou estilo simples. analisá-los ou sintetizá-los. realiza-se praticamente dia a dia. os fatos não são expostos sem um prévio exame por parte do agente do jornalismo. Há quem sustente que jornalismo e história se confundiram. o jornalismo se constitui. na proporção em que os fatos se sucedem. E aí está outro atributo do jornalismo: — interpretação. Mesmo quando. informando sõbre o presente e fixando-o para o futuro”42. O jornalismo capta.S.O. sob pena de não atingir os seus objetivos: a difusão sistemática de conhecimentos e a sistemática orientação da opinião pública. enquanto aquela “os escoima. E neste primeiro enunciado estão duas das características do jornalismo: — a atualidade e a variedade. dissemos que jornalismo era a informação de fatos correntes. a atualidade é o que passa. Essencial a tôdas as suas manifestações. o que sucede “atualmente” ou o que. O jornalismo vive do quotidiano. sob determinada modalidade. uma disposição para realizar o bem-estar social. o jornalismo amplia os prazos das suas manifestações. 42 Ismael Herraiz — El Periodismo — Teória y Práctica — Barcelona. através da divulgação de informações e da crítica dos fatos. fundamental e perene. aquêles atributos que o distinguem das demais manifestações da atividade e do engenho humano. das artes. o jornalismo pretende criar. havendo sucedido. faz o retrato instantâneo do minuto. entretanto.. de modo que cheguem ao leitor devidamente interpretados. que impele a sociedade à ação. que sejam capazes de despertar o interêsse dos homens reunidos em sociedade. Daí o caráter de promoção. O anterior pertence à História. dêles colher e divulgar ensinamentos. o momento presente. estas obedecem sempre a uma periodicidade regular. “A densidade dramática do jornalismo está precisamente em captar êsse S. A êsse elemento constitutivo da obra periodística se dá o nome de popularidade. DA ATUALIDADE A atualidade é a característica dominante do jornalismo. de 10 de nor. interpreta e concatena. essa despedida e fixa-a em instantâneos que por sua vez serão esquecidos. o que ocorre sôbre a marcha do tempo. por essência. Os caracteres fundamentais do jornalismo. Ao contrário da História.”41 Jornalismo e História — “A atualidade é o presente. por alguns dias ou por algumas horas. acessível à com preensão do maior número do todo. observamos que. os seres. desligado do passado e do futuro). não ao Jornalismo que. por exigência da técnica. em qualquer parte do universo.

virando cidades sem conta e tratando com duzentos príncipes “para transmitir e ouvir novidades” e até Marco Polo . dos seus habitantes. possuimos em regra um conhecimento difuso e superficial. Rio. autênticos repórteres. a respeito de Villehardouin. mais tarde. dos reis conquistadores. êle já terminou. no entanto. é um homem que diz as coisas que fêz e que viu. 44 Alceu Amoroso Lima — O espírito e o mundo. não podiam e não pretendiam fazer história. Eram. Dos acontecimentos de que fomos contemporâneos. constatamos que a atualidade abrange “não tanto o que ocorre no tempo presente. mas indelével nos seus contornos acentuados.“enquanto a informação não possuia meios adequados de projetar os fatos presentes. e com ela jamais se confundiu ou confunde. o escrivão da Armada de Cabral. que registram os acontecimentos para uma eventual consulta da posteridade. como as viu. Essa zona de nebulosidade. que não se compõe apenas “dos fatos que sucedem em um determinado lapso. vamos tomar conhecimento. com sabor de novidade. Atualidade e Atualização — Pelo que ficou exposto. mas também da consciência pública presente nesse tempo. semelhante ao que hoje tanto agrada ao público. como a oportunidade. a primeira e sensacional reportagem redigida em terras do Cruzeiro do Sul. fazia Villemain. da sua paisagem. melhor por vêzes do que seus contemporâneos. 32-33. êsses primitivos jornalistas recolhiam sucessos com o fim de transmiti-los incontinente ao público. eram desconhecidos da coletividade a que se destinavam. págs. pensar com Barbey d’Aurevilly. pode-se estender o conceito que. 31-32. autor das “Chroniques”. embora velhos de semanas e meses. nas páginas dos historiadores. nem tão próximos para os termos na retina. de todos os navegantes que haviam singrado ou pretendiam singrar o grande oceano desconhecido. Mas daqueles que ficam entre uns e outros. a preocupação dos seus autores era a de captar e divulgar.. págs. que o jornalismo é que prepara o lastro para a história. E ao falar dêles. feitos e fatos que. A carta de Caminha estava prenhe de atualidade. nem tão remotos para figurarem nos livros. 45 Com Carlos Rizzini — Obra cit. sem nenhuma dú- vida. quando registrava os detalhes da travessia. dos missionários do século XVI. das publicações manuscritas. limitando- se aos novos. embora ocorridos dias. conjuntura ou ocasião propícia ou favorável para fazer ou dizer alguma coisa”. ainda se mantinham irrevelados”. 1946 — pág. como as fêz. iria ser chamado a dividir entre Portugal e Espanha as terras de que Caminha e outros escrivães doutras Armadas deram conta à humanidade de então. não devemos esquecer Pero Vaz de Caminha. Preferimos.45”“ Ao contrário dos autores de diários e memórias. porque “quando ela começa. se desloca à medida que as gerações avançam44”. uma atualidade que permaneceria até que fôsse conhecida de dom Manuel. semana ou meses antes. Não basta que os periódicos contem 43 Conforme Carlos Rizzini— Obra cit. faz-se fonte principal da história. Na fase da informação epistolar. no século XII. da côrte portuguêsa. autor da notícia da tomada de Constantinopla pelos cruzados. cuja narrativa pitoresca e floreada considera como um jornalismo de aventura. na linguagem mais simples. cuja carta ao Rei Venturoso foi a primeira obra jornalística escrita no Brasil. “a história que conhecemos menos é geralmente aquela que precede de perto a nossa experiência pessoal. . notadamente pelo exemplo da carta de Caminha. 43” Com efeito. Sôbre êsses “jornalistas sem jornal”. isto é. das crônicas. tais como Villehardouin. trabalhando com êsses fatos. dos parentes e amigos dos marujos do Descobridor. no seu “Cours de Litterature Française”: “não é historiador. podemos guardar impressão mais ou menos exata.Quando o jornalismo se vai estratificando.. Daí serem antes jornalistas do que outra coisa”— assevera Carlos Rizzini e cita exemplos de cronistas famosos. Froissart. dos piratas e aventureiros. da descoberta da terra. Dos que já têm por si a perspectiva do tempo. Pairam entre duas águas. “Os redatores de escritos. do Santo Padre o Papa — autoridade máxima do mundo que. aos que. 95. aliás.. sem beneficiar-se das nossas impressões diretas nem dos estudos críticos.

realmente. as Provinciais de Pascal são artigos de polêmica que se publicaram em fôlhas sôltas e que já vão ao caminho de viver trezentos e tantos anos. sujeitos a um rápido fenecer. em que o atual e o eterno se confrontam. ainda que se nos oculte a sua lei. a obra periodística. o falecimento de uma personalidade. pág. “O jornalismo desperta o preconceito do quotidiano. 7. se combinam para construir o monumento que aí está. Por isso. 47 Antônio Olinto. também é notícia” 46. no dia seguinte. também é atualidade. que o efêmero da obra jornalística reside mais na forma do que no fundo. pois. lírico. Não é pelo fato de ter feitio material conservável e guardável que um livro pode aspirar a essa permanência. geralmente. que serve de veículo à notícia. A mais pura atualidade inspirou a Victor Hugo Les Châtiments e L’Année Terrible. o que de potência se converte em “ato”. também. O que acontece “hoje” — êsse “falemos de hoje” que impõe como tema de conversação jornalística a atualidade — tem raízes no que sucedeu “ontem” e é. O que acontece. Hipólito Taine a maior parte dos seus Ensaios de Crítica e História e Chateaubriand as suas concepções mais brilhantes”. O registro de uma data histórica. vemos o “velho” revestir-se de atualidade. Atualidade e Permanência — Exatamente êsse aspecto da atualidade jornalística. e dêem ao sentido das palavras a vida breve que caracteriza o jornal tomo papel que é rasgado e jogado fora47”. é que essa transitoriedade s limita à parte material. porém como têrmo ou etapa de um processo lógico. poderíamos citar como demonstrações insofismáveis da permanência do trabalho jornalístico a reportagem de Euclides da Cunha.. a descoberta ou julgamento de um criminoso “revive” o crime praticado e até outros análogos. que é substituido. a realização de um “clássico” desportivo põe em relêvo “matchs” anteriores de importância idêntica. porém. Entre nós. — Jornalismo e literatura — Rio. “É efêmera a forma. — EI periodismo — Valparaiso. correspondente em Canudos. Aquêle pedaço de papel com fôlhas sôltas. de sempre. é que assegura ao jornalismo um caráter de permanência. . o vazio da atualidade. Como que num paradoxo. pungente. padrão inconfundível do jornalismo oral.o que ocorre para servir à atualidade. algumas verdades particulares e permanentes da vida do homem. humano. “Atual” é rigorosamente o que “atua” em nós. àqueles que se deixam impressionar pelo fato de basear-se. do efêmero. nos fatos correntes. 6 48 Antônio Olinto — Obra cit. “O que está nas palavras independe do veículo que o divulg a e pode ser obra de permanência. provoca a informação retrospectiva da sua vida e das suas realizações. por sua vez. de dias. não apenas quando se faz doutrinário ou opinativo. se confundem. que concilia o presente com o passado e até com o futuro. por exemplo. Mas o jornalismo — como adverte Suarée — não é obra de um dia mas do dia. pág. Aí também temos de retroceder ao que a obra tenha de vivo. E. já que da atualidade foram as Felípicas e as Catilinárias e ainda desafiam os séculos. o que não ocorre. isto é. quando informa.48” Diríamos. Na mesa de uma redação escreveu Saint Victor os artigos de “Homens e Deuses”. que tem escapado. 23. jovem. 1949. É êsse um dos matizes da atualidade: a reapresentação de fatos relacionados com a situação presente. germe do que sobre . Mas o ato não se produz espontâneamente. No caso do jornal.virá “amanhã”. e Ismael Herraiz — Obra cit.10.. a 46 Horacio Hernandez A. o jo rnalismo está a cada instante valendo-se do passado. Lembra êle que os artigos “não são efêmeros por tratar de assuntos da atualidade. O jornal é exatamente uma contínua luta pela fixação da realidade. mas. sobrepondo-se à voragem do tempo. a Réplica e a maior parte do legado magnífico de Rui Barbosa. — pág. por outro pedaço de papel mais atualizado faz com que todos liguem o que está escrito à matéria que difunde. uma tentativa de captar nos acontecimentos quotidianos. “atualiza” acontecimento que a marcou. os Sermões do padre Vieira. 1955 — pág. Artigos de jornal foram as cartas de Junius e os célebres panfletos de Courrier. consubstanciada nas páginas da magistral obra literária e sociológica em que se constituem Os Sertões.. é preciso que a transitoriedade do corpo não atinja a desejada solidez do sentido.

que se lê apenas para verificar até que ponto chegam a venalidade. e que morre ao cabo de algumas horas de circulação. é um amontoado de falsidades. integrado na vida social. Mas a influência. que convence. 204. do quase perdido nos arcanos da memória.” Cada edição que se lança às ruas. de um agrupamento. o envoltório. quanto à atualidade. nas belas letras. — Obra cit. como criação do dia. capazes de impressionar. atingir instantâneamente a consciência coletiva. de uma única pessoa. com o tempo. O jornalismo está jungido à atualidade como Prometeu ao seu rochedo e os acontecimentos que se sucedem são outros tantos abutres a devorar as inextinguíveis entranhas daquele que transmite à humanidade o fogo vitalizante do conhecimento. a imprensa. a consciência dos povos49. de conceitos injuriosos. busca satisfazer a três necessidades do espírito humano. quando se ocupa de fatos correntes. na verdade. a todos os domínios da inteligência e da sensibilidade. de boatos alarmantes. quando concilia ou relaciona o presente com acontecimentos passados ou futuros. morreu e dissipou-se no dia seguinte. a TV e o cinema têm de manter uma perpétua vigilância sôbre a seqüência dos fatos. se fortalece. do imprevisto. previsíveis ou ainda vivas na memó ria das gentes. não são de exclusividade de um determinado setor. também substituem a cada momento as reproduções. A atualidade é assim. de uma classe ou de um país. debaixo de outras aparências. que apaixona. do original e. a sugestão que ficam dêsses esforços aparentemente perdidos e esquecidos constituem uma ação persistente e eficaz como nenhuma. Para uns. como veículo principal da moderna obra periodística. a saber: l°) — informar-se do novo. . despertam o interêsse humano ou a atenção das massas. isto é. A frase “o jornal disse” equivale ao “estava escrito” dos islamitas. corre o risco de tornar-se em uma estrutura histórica sem calor e sem ímpeto. 50 Horacio Hernandez A. são espelhos que não podem deixar de reproduzir aquilo que lhes passe frente à polida superfície. na arte. algumas das quais só se tornam possíveis graças à ação firme e incansável do jornalista. o rádio. a todos os seres. revestidos de gravidade e dogmatismo. “subsiste. o limite do jornalismo que. recordar-se do passado. do já sabido. Mas seja qual fôr a idéia que o leitor faça do jornal. — pág. na poesia. Daí a extensão do campo jornalístico a todos os quadrantes da atividade humana. a quase um dogma de fé. a página que se escreve um dia e que. adquire consistência e dá sinais de vida exuberante. o despudor e a mentira. 9. de opiniões intencionais. acaso de um modo vago e impalpável. por suas características ou pelo seu conteúdo. em qualquer das suas manifestações. Daí decorre que o jornalismo. que forma. 2°) — receber uma mensagem de advertência ou orientação. às coisas e à natureza. envelhece ao surgir outra edição e outro dia. 3°) — entreter-se. Os fatos em que se baseia a obra jornalística. recebendo sugestões análogas. para a ação. cujo número não se poderia precisar. atualizando-os ou prevendo-os. é imediato. como elemento que contribui para formar a Opinião Pública.” Tomemos o jornal. aquêles que. através dêle ou por causa dêle. e é mediato. que destrói. salvo algum caso singular. jamais repetindo exatamente as imagens ou estratificando-as como se fôssem placas sensibilizadas de negativos fotográficos. ora de uma maneira mais sensível. enxertado ora no modo de pensar coletivo. como obra literária. DA VARIEDADE O jornalismo. como esfôrço de uma equipe. E. Para outros. no seu espírito fica “um princípio de ação muito débil ou oculto no comêço que. 49 José Enrique Rodo — El Mirador de Prospero — Valência — 1919 — pág. porém. em uma palavra. 50” Manifestações da Atualidade — Como veículo jornalístico. se foge à pias ocorrências novas. descansar das preocupações no “humour”.exterioridade. alertar-se para o futuro. como os espelhos. que reedifica. aquilo que informa e aquilo que opina são a verdade e o mandamento. na ficção. nas realizações da vida social.

pois a participação nestes pertuba. por sua vez. ao contrário. Logo após a descoberta da imprensa e.. a busca da perfeição no 51 Tristão de Ataíde — O joalismo como gênero literário ia Diário de Notícias. o paginador e. Dava-se o mais estranho conúbio entre notícias. tinha assegura a exclusividade. a divisão do trabalho. acrescentava: “A história é o relato das coisas ocorridas. não raro. “A imprensa daquela época. bastante faz se consegue não mentir. Rio. nas oficinas de impressão. alguma vez por um emissário extraordinário. 1941 — pag. por Émile de Girardin. impressor. no século passado — prática que persiste na maior parte das no ssas comunas interioranas — o jornalista era o repórter. Exigia-se que entendesse de tudo. dando conta aos seus leitores de fatos chegados ao seu conhecimento por viajantes de diligências vindos de alguns pontos mais ou menos longínquos da França e do estrangeiro. surgem as seções por temas: “Mundo Militar”. assim. que nada tinham em comum. verdade.. a segunda. Se o poeta ou o romancista. 53 Horacio Hernandez A. 52” É que Renaudot estava sujeito a precários meios de informação. 10 — nov. uma exigência lânguida. estivesse informado de tudo. a facilidade de receber e transmitir informações. escrevendo: “Surpreender-me-ei muito se os mais severos censores não encontrarem digna de alguma excusa uma obra que tem de fazer-se nas quatro horas que a chegada dos correios me deixa tôdas as semanas para escrever. levantava como urna barreira para ser batida sòmente de longe em longe pelos viajantes. nas tarefas periodísticas. o grande antepassado dos atuais. o redator.. A técnica tinha avançado muito pouco no século XVI para fazer estas distinções.para transformar êstes fatos em notícias. Já no século XVII. de vez que tratava de atender aos seus compromissos oficiais com o poder. 44 e 42. mas a distância geográfica estava ali. em pleno fluxo vital. “É para isso que o jornalista tem de estar a par das coisas. É nadando que me lhor poderá informar sôbre as ondas51. pela natureza das circunstâncias. como as que podemos agora observar nas colunas dos diários. o desenvolvimento das comunicações. porém mais regularmente por cartas ou comunicações. Não era possível viver ao compasso dos sucessos. por George Weiil — El Diário — México. a essa multiplicidade de setores. E. 52 Cit. ao mesmo tempo. com a introdução do jornalismo de informação e da publicidade. é que se dá o nome variedade. figura e método que eram desconhecidos até épocas recentes. levava. em mensagens ou em entretenimento.53” Sòmente em 1836. a crescente fome de notícias das comunidades civilizadas. É para isso que êle tem de viver no meio dos acontecimentos. o tipógrafo. considerado o primeiro hebdomadário francês. não havia seções pròpriamente ditas. a “Gazeta” é unicamente o eco que corre sôbre elas. ed. noutra parte. introduzindo. o que fêz um dos seus redatores exclamar: “Que chefe! Deus criou o mundo em 6 dias. provàvelmente. mas retardado de semanas e postas se era. como êle mesmo o definiu. . de objetivos. no seu La Presse. no arredamento dos fatos. 1957. nos tempos modernos. o teatrólogo. 29. opinasse sôbre tudo e jamais cometesse erros. — Obra cit. sem perda de tempo. porque o jornalismo deve ser a mais completa síntese de tudo quanto interessa e reclama o organismo social. o “periódico dos reis e dos poderosos da terra”. A primeira está obrigada a dizer sempre a. “Mundo Teatral”. da crítica da informação apressada e incorreta. ajustar e imprimir estas linhas”. que iam parar. há que o jornalista colhê-los onde quer que se registrem. um ritmo lento. estar bem informado para poder informar. o biografista. informações. avisos ou comentários. só deve trabalhar dentro deles. — págs. No jornal primitivo.” A essa universalidade de aspectos. Variedade e Especialização — Foi êsse atributo do jornalismo que exigiu. podem ou mesmo devem trabalhar na solidão. a criação da figura do jornalista especializado. Mais poderoso do que êle. a sua visão mais profunda (e nesse período a impassibilidade e Leconte de l´Isle ou a imparticipação de Flaubert eram perfeitamente justificáveis) o jornalista. ainda. Theophraste Renaudot defendia o seu jornal. de temas. etc. o comentarista. Girardin criou os “mundos” em um só dia !“ Foram.

serão o contrário. recebe pelo menos. No dia 5.Obra cit. 28. com mais profundidade e repercussão no organismo social. político ou esportivo não são. em 1684.” Variedade e especialização. não são. Cada qual serve mais e aproveita melhor em um gênero ou em uma matéria determinada e o talento de quem dirige há de estar cabalmente nessa escolha56. Ora. artístico. E. em 1631. Ocorre. 230. desejariam encontrá-los em grandes caracteres”58. erros e omissões — que impuseram a especialização do jornalista. Porque a dificuldade. 1957 — págs. na medida do possível. 22-23 . porém. em quem tenha de dirigir o trabalho jornalístico. 56 George Weill — Obra cít. há quem considere que as publicações e divulgações de caráter profissional. uma das seis grandes agências mundiais de informação. Menos ainda o é. de propulsão e reação. encarregar de tudo a todos. evitando-se. um filme-documentário das solenidades no Vaticano. de um “faz tudo” que se possa encontrar na profissão. – págs. talvez. de estar em dia com os fatos não reside em que as notícias sejam escassas..jornalismo. um trabalho de seleção55. Jornalismo Geral e Especializado — Considerando que o jornalismo deve ser a mais completa síntese de tudo quanto interessa ou reclama o organismo social. 57 Jacques Raiser — Presse et Opinion in L’Opinion Publique — Paris. data da coroação do Papa João XXIII. literário. em todos os continentes. pág. as litigantes ordens de prisão em casos semelhantes aos seus.” Reconheceu-se. 158. As agências de informação telegráfica enviam cada dia os jornais um considerável número de palavras. numerosos são os jornais que recebem simultâneamente o serviço de duas ou agências. atende. atendendo dêsse modo à demanda total do público. ig ualmente.00 palavras por dia. que se ocupa de temas. retirando-lhe a obrigatoriedade de ser enciclopédico. na verdade. graças ao progressos de técnica. “Hoje. isto é. ela distribui aos seus clientes de Paris um serviço de aproximadamente 70. facilitando e aperfeiçoando a execução das tarefas e. Êsse conflito de opiniões sôbre o maior ou menor conteúdo do jornalismo geral e do especializado vem de longe: já o Dicionário da Academia Francesa. A agência France Presse. atributos contraditórios: antes. haverá milhares e milhares que. O verdadeiro jornalismo seria exclusivamente o que abrangesse os mais diversos e amplos setores. desde que se dirige a uma elite ou a um determinado grupo com maior capacidade de apreensão e aplicação dos conhecimentos adquiridos pelas informações e pela crítica nêle contidos. abrangendo. do qual já dizia Renaudot. 58 Clemente Santamarina . que “não é prudente em cada jornalista a presunção de saber tudo e entender de tudo. por isso. a informação é universal e instantânea. simultâneamente com as reportagens fotográficas dos jornais. todos os setores da vida e do universo. Impõe-se.000 palavras por dia. 54 No dia 4 de novembro de 1958. rodado pela “United Presse Movietone”. àquela demanda do público já observada pelo criador do jornalismo francês. “problemas e fatos de interêsse de um círculo mais limitado de pessoas. Há um teletipo que pode transmitir 600 palavras por minuto. os que nada sabem dos mistérios da côrte. finalmente. então. do exterior. 100. as pessoas devotas buscam os nomes dos pregadores e dos confessores de fama. num desabafo contra as exigências dos leitores: “Os capitães querem encontrar todos os dias batalhas. definindo-o. Em outras palavras: o jornalismo geral. senão. — nota à pág. a informação of tográfica tende a vir a sê-lo54. que o jornalismo especializado. a divisão do trabalho nas redações. completam-se para atender às finalidades a que se propõe o jornalismo. transportado por um quadrimotor da BOAC. os cinemas das principais cidades do mundo. 229. mas em que o seu volume é tão grande que se torna impossível ao homem assimilá-las. já apresentavam reportagens filmadas do acontecimento. o surgimento de publicações especializadas e de seleções com o intuito de manter o homem bem informado. mais de uma palavra por segundo. portanto. levantamento de sítios ou cidades tomadas. 55 Rafael Mainar — Obra cit. nas manifestações e na obra jornalística. Para um caso de homem-orquestra. portanto. As noticias chegam de tôda parte sem interrupção. científico. “fragmentos do jornalismo 57”. hoje. foi levado de Londres e na mesma noite apresentado aos tele-espectadores norte- americanos.

o jornalista terá de examinar a sua importância e caráter. as repercussões da sua divulgação e. sua essência que o artista (jornalista) identifica. o interêsse que despertará. quando. Rafael Mamar. do mesmo modo que (através de La Gazette) se dirigia à vida política do país 59”. hoje. Quantos leitores estão capacitados para êsse trabalho valorizador? Ler por ler notícias. um julgamento dos fatos por parte do jornalista. portanto. necessário uma escolha de notícias. do aspecto de uma exposição interpretada. destinado a dirigir a vida intelectual. Ao nosso ver. com tôdas as sombras e falsidades da fotografia. – nota á pág. . o que vale dizer uma interpretação. importa a Adão e Eva saber para onde vai o mundo. para fixar. para a leitura é mais ou menos o mesmo de antigamente. O suceder tem sua acentuação tônica. se o jornalismo abrange o que ocorreu e o que poderá ocorrer. afirmou para um jornalista português um dos diretores do Milwaukee Journal — Lindsey Hoben. depois. em vertiginoso movimento. Referia-se à imprensa literária. “A mera informação. em palavras 62”. apenas. O elemento julgamento e. – pág. diz que nêle se narra “o que sucedeu. resulta. Mais do que saber o que se passa.60” Ora. seleciona. 62 Antonio Olinto – Obra cit. da análise é que entra em jogo. mas também o que entendemos que não deve deixar de ler”. pela objetiva. Bartolomé Mostaza in El Periodismo – Barcelona. Torna-se. seu ponto alto. faria do jornalismo uma algaravia sem ordem nem consêrto e deixaria ao leitor a pesada carga de buscar os “porquês” e “para quês” do que acontece. por exemplo. sob os auspícios de Colbert. o que se pensou e o que se poderá pensar. sômente o responde. é a impressão fotográfica da vida. igualmente. In Diário de Notícias. assim. Rio – ed. o que poderá suceder e até o que não sucedeu. A primeira “a relação do que passa dia por dia no Parlamento ou em uma circunstância dada”. por outro lado. a interpretação. Mas responder a essa interrogação. num conceito extensivo a qualquer veículo periodístico. Dêsse modo. o agente tem de ser conciso e superficial. porque o homem não consegue acompanhar o ritmo acelerado do mecanismo da transmissão de notícias e o tempo que lhe sobra. “O que domina no jornalismo é o juízo a formar sôbre a pessoa ou a obra alheias. tudo passa em rapidíssimo. que consiste no ato de submeter os dados recolhidos a uma seleção crítica. o comentário escrito por profissional experiente e acostumado a calcular o rumo provável. 59 George Weill – Obra cit. e que contém extrato dos livros novos que se imprimem e o que ocorre de mais memorável na república das letras”. se informa sôbre êle. dia a dia. com a fixação científica dos caracteres do jornalismo.. cada quinze dias ou cada mês. varia de intensidade para cada veículo.63” Diante do fato ocorrido. defensor da razão contra os magistrados que ainda queimavam feiticeiros. nem sempre constitui um relato puro e simples. amigo das ciências. que por si mesmas nada dizem a quem ignora suas causas e conseqüências. a segunda: “chama-se Journal des Savants a um escrito que se publica toda semana. exercício da inteligencia. no jornal precisa de desenvolver e pôr a trabalhar o seu senso crítico. os que são realmente significativos. o que se pensou e o que não se pensou. numa aborrecida tarefa. 17 61 Conf. transmitindo ao público. sem um juízo que a valorize e a interprete. De 27-10-57.. 31. Cit. que surgira em 1665. decidiu a publicação de um compêndio regular. Se na televisão. sôbre ser característica do jornalismo. que acabamos de estudar. mas se reveste.1953. do discernimento. Ésse requisito do jornalismo decorre da variedade de temas.distinguia na palavra “jornal” duas acepções. o simples fato de destacá-lo e publicá-lo expressa o resultado de uma interpretação. servindo.61” Porque a verdade está em que “um fato particular pode em si conter a fôrça de uma série de acontecimentos. 63 Tristão de Ataíde – Ar t. “Não damos ao público apenas o que êle quer. 28 60 Rafael Mainar – Obra cit. – pág. apenas como tema de elocubrações e pesquisas de estudiosos. o qual “amante dos livros e dos objetos de arte. referindo-se ao jornal. êsse conflito perdeu o seu significado.

jornalista e escritor de pura estirpe. mediante a prática. requerendo não sòmente bom senso. ao positivo. objetiva concorrer para a sua repressão e se descreve um acidente busca despertar o interêsse público para medidas que assegurem a sua não repetição. quer como repórter quer como redator. através de 19 agências nacionais e estrangeiras. do Recife. de um juízo jornalístico que se resume em submeter o interêsse particular e transitório para obter a universalidade e considerar.000 palavras. “exigindo o desenvolvimento de um critério especial. diagnostica o mal do paciente às vêzes pelo simples olhar e. a luz que as ilumina. Essa aptidão de “tirar o essencial do acidental. ja se comparou à do caricaturista que logra a síntese com uns poucos traços que têm a virtude de refletir um rosto — se bem que exija um lastro cultural e ético. ao atual. comentá-las. Selecioná-las. É à imprensa que compete a tarefa de interpretar os acontecimentos. 23. — que. o espírito que as vivifica. Interpretação e Vocação — A interpretação jornalística difere substancialmente da histórica ou da filosófica porque está jungida ao presente. da parte do agente.. com cinco edições diárias destinadas às várias regiões do país e ao estrangeiro. mediante um exame sumário. riograndense do norte. quando menos. sob o título. honestidade e imparcialidade. de Boston. para interessar ao leitor. A própria imagem. situá-los no conjunto dos problemas e prever--lhes as conseqüências possíveis65. nos fatos. Em acertar na interpretação do tema consiste o toque principal do jornalismo. ainda universitário. nada menos de um milhão de palavras de informações. Assim. visa sempre apontar-lhe o significado para prevenir as conseqüências. foi-lhe determinado pelo secretário da redação que escrevesse um comentário sôbre as deficiências da pavimentação do Recife.” A consagração do princípio da interpretação como básico do jornalismo está no lema de um dos mais autorizados e completos jornais do mundo: o New York Times que. diàriamente. professor da Universidade do Recife. E. temos em mãos um montão de ocorrências que se poderão transformar em matéria jornalística. Nilo Pereira66 conta que. o seu valor permanente64. na cobertura do nosso setor de trabalho. Tal como acontece com o clínico que. os fatos em si quase nunca são diretamente inteligíveis para o grande público. — pág. crítica. — pág. assinando dois artigos diários. 22. não pode esclarecer complicadas situações ou pôr em evidência o alcance de importantes medidas. membro da Academia Pernambucana de Letras. . faz figurar a epígrafe: “All the news that’s fit to print”. 65 Clemente Santamarina — Obra cit. reclama sobretudo vocação para o ofício. na maioria dos casos. como uma excepcional aptidão para apreender o centro de interêsse. no cumprimento dêsse lema. e se vai desenvolvendo pela experiência. lançá-las ao público com maior ou menor relêvo — são “funções básicas e gerais para tôdas as múltiplas variedades do trabalho jornalístico e constituem a condição imprescindível de tôdas elas. recebe. Também nos Estados Unidos circula um jornal diário. o ponto nevrálgico. talvez nem um décimo seja diàriamente transmitido ao leitor. o permanente do corrente”. em lugar de um relato puro e simples dos acontecimentos do dia. Pois bem. dêsse vultoso acervo de notícias. quando se ocupa de um crime. servindo o restante tão sômente para manter os jornalistas bem informados e habilitados à interpretação dos acontecimentos. vindas de todos os pontos do globo. 66 Nilo Pereira. pois a média do texto quotidiano é de 145. sociologia e discursos parlamentares. Mass. permaneceu de caneta em 64 Clemente Santamarina — Obra cit. Durante longos minutos. Tem publicado diversos estudos de história. que é um dos de mais pêso na formação da opinião pública nacional — o Christian Science Monitor. (Tôdas as notícias próprias para publicar). com todo o seu inegável poder informativo. que se especializou na interpretação das notícias e. É redator-chefe da “Folha da Manha” e redator principal do “Jornal do Comércio”. Ë que “na crescente complexidade da vida moderna. ao ingressar na redação do “Jornal do Comércio”. Interpretação e Seleção — Diàriamente. cêrca de 100 correspondentes e de sucursais em todos os Estados norte- americanos. o núcleo do fato ou da matéria que se há de utilizar no trabalho. o fogo que lhes empresta calor para excitar ou.

um velho repórter de polícia enchia laudas e laudas. E particularmente da Opinião Pública. Para mim. Sem afastar-se dos 67 Citações de Horácio Hernandez A. cit. os artigos escritos por um correspondente que fizera mais ou menos os mesmos giros que eu e. embora os achasse superficiais e por vêzes inexatos. 68 W. Embaraçam-me os fatos que tenho entre as mãos e pre ciso de tempo para refletir e pô- los em ordem. 10-11-57. exatamente. O jornalista comenta-a. Seu engenho não enquadrava no regime. É a grande finalidade moral e social do jornalista. de certo modo. 70 Antonio Olinto — Obra cit. — Diário de Notícias. defronte da sua mesa. da televisão. declara: “não tenho o dom do jornalista para fornecer matéria às linotipos logo após adquirir os elementos de uma reportagem. mas. O autêntico jornalista informa para formar.. — pág. não pude deixar de admirar a habilidade com que êle apanhara os pontos mais salientes. 99. por vêzes. desempenhando. leva a notícia acrescida da sua apreciação. como nos ensina Tristão de Ataíde. “se desdobra em informação. — Obra cit. não pôde acomodar-se ao trabalho jornalístico Rubem Dano — disse um contemporâneo seu — levava na imprensa uma vida difícil. produzido sob os efeitos do “choque”. ao referir-se a esta aventura. mordendo o lápis. num jornal inglês. os cultores dêsse tipo de literatura lançam palavras sôbre o papel com a preocupação do tempo que passa e do espaço que é limitado. Havia lido. O outro prossegue na finalidade informativa. “Pressão do tempo e pressão do espaço. 67“Somerset Maugham teve a seu cargo. O jornalista medíocre informa por informar. . mais tarde. Em todo o mundo.1959 — pág. aquêle confrade não poderia jamais com êle competir. O pequeno jornalista ou noticiarista leva a notícia ao próximo. poder voar livremente. Somerset Maugham — “Assunto pessoal” — Pôrto Alegre. na última guerra.68” Essa dificuldade dos escritores. quando há predominância da informação. algumas informações jornalísticas. a sensibilizar-lhe o espírito. produzindo uma coluna incisiva e de leitura agradável. tarefas de correspondente. Era triste dar-lhe uma ordem: Rubem faça você esta nota. dos poetas. visto que. O grande jornalista informa e forma. durante a sua permanência no Chile. uma arte social por excelência. Rio — Ed. Rubem Dano. E nisso representa um papel na coletividade e faz do jornalismo. o que lhe causava a mais profunda admiração. Um pára na finalidade informativa. No seu livro “Assunto Pessoal”. Enquanto isso.. 20. a ponto de descrer consigo mesmo da sua capacidade para a profissão em que. o jornalismo pode ser extensivo. O jornalismo extensivo é. a cada instante. 69” Extensividade e Intensividade — Do ponto de vista da interpretação. a instruí-lo sôbre determinado ramo da ciência ou da doutrina. riscando. em formação do público. mais ainda do que em suas raízes. retificadas e analisadas. A nota não saia. com extraordinária desenvoltura. redigindo a nota com a maior das dificuldades. 69 Tristão de Ataíde — Art. o pensamento é obrigado a trabalhar depressa. sob o impacto dos acontecimentos e. Ali se encontrava um homem amarrado. atingido e influenciado pelas emoções do momento. — pág. rascunhando. iria lograr tantos e tão merecidos louros. as informações devem ser o mais possível completas. Necessitava liberdade. do rádio. que vai além da finalidade puramente informativa. sem preocupação de análise. aquêle já é chamado “literatura sob pressão”. 70” É o jornalismo do jornal. As frases ajustam-se a um tamanho. dos cientistas em praticar o jornalismo decorre. essa espécie de literatura é mais difícil do que a ficção. substituindo uma palavra aqui e outra ali. Cria e orienta a opinião pública. à base apenas do senso divinatório do profissional e. 3. da circunstância de que a informação. Quanto a mim. por isso mesmo. Já o jornalismo intensivo é exercido à base da reflexão: os seus assuntos e as suas matérias são escolhidas. “como tradução intensiva do acontecimento para comunicação ao outro” não se destina puramente a dar-lhe notícias.punho. da notícia. intelectualmente. êsses artiguinhos triviais me faziam suar sangue. essencialmente. feito com o ôlho no relógio e o pensamento nas dimensões de que se dispõe. Incompreensíveis dificuldades! Um deus da pena se mostrava incapaz de redigir o suelto mais simples. isto é.

são levados ao conhecimento público.1904 – Págs. com pequenas diferenças. a mais formal. Ao abrir os comícios. Muitos eram os seus pontos de contato com o nosso aguazil: chamava à justiça o demandante. devidamente interpretados. exigindo que os pregoeiros — repórteres das primeiras fases do jornalismo oral — estivessem a postos. nem por isso se devem considerar menos importantes. no capítulo XVI do Livro das “Saturnais”. Antigamente. nos jogos olímpicos. também. “Nas idades findas. cit. Se bem que a atividade jornalística seja eminentemente interpretativa. decorrente mesmo das funções ou dos setores explorados. como atributo jornalístico exprime a constância com que os fatos correntes. todos os atos importantes. Vemos o primeiro. para o exercício das suas funções. convocando as assembléias e nos locais de venda anunciando os preços e as condições. das revistas. o comércio indispensável de idéias e interêsses estabelecia- se com monótona uniformidade por meio do pregoeiro.fatos correntes. pois diz respeito aos intervalos em que se registram as suas manifestações. a modalidade de jornalismo das publicações especializadas. No jornalismo intensivo. a breves intervalos. Já Macróbio refere. O praeco dos romanos tinha um caráter mais exclusivo de funcionário judicial. entre Os exércitos. anunciava os nomes das partes em litígio e proclamava as sentenças. fotógrafos e cinegrafistas de atualidades. o que se procura estabelecer é o problema criado pelo fato. praticado pelos editorialistas. Mas não foi isso julgado suficiente e necessitou-se do auxílio do pregoeiro. convocava as centúrias com os seus pregões e. Em alguns autores encontramos que o preogeiro indicava também os objetos perdidos ou achados. 42-44. tôdas as deliberações coletivas não se verificavam em locais fechados. mas. tempos depois. mais do que pelos repórteres e correspondentes. sem êsse divulgar sistemático. O céryse entre os gregos e o praeco entre os romanos tinham. a palavra periodicidade (do latim “periodicus” e do grego “periodikos”) significa o ato de guardar períodos. é que caracteriza a extensividade ou intensividade do jornalismo exercido. A isto devia-se limitar. o papel do pregoeiro. o elemento de estrutura do acontecimento. 72 Alfredo Bessa – O jornalismo – Lisboa. proclamava os nomes dos eleitos. a informação não atingiria as suas finalidades sociais. Sem essa constância. Servia. Etimològicamente. Mounier in Problèmes et techniques de la Presse. que não poderiam ser adiadas indeterminadamente. nas ruas das cidades. de auxiliar importante nos atos políticos. por não serem tão fàcilmente registráveis. pelos críticos. nêles busca aspectos que. as mesmas funções. . Essa. Através da História — Os mais antigos documentos ou notícias da evolução do jornalismo são concordes em assinalar a freqüência mais ou menos regular das suas manifestações. o maior ou menor grau de profundeza dessa apreciação dos fatos. pois se o 71 E. proclamando os nomes dos vencedores. todos êsses atos. embora de ordem subalterna. Também o pregoeiro intervinha nos enterros dizendo de quem eram e onde se realizavam para conhecimento das pessoas que quisessem ou devessem assisti-los. sendo a praça pública o lugar destinado a tais atos e sendo aí que os cidadãos congregados tinham conhecimento direto de tôdas as questões de maior transcendência.72” Ora. dos “digests” cinematográficos. Numa palavra — tornava público tudo o que ao público era preciso e conveniente fazer. verificada uma eleição. estendeu-se a outros objetos. DA PERIODICIDADE Dentre as características do jornalismo. ao princípio. cerimônias e ocorrências verificavam-se periôdicamente. 315. pelos comentaristas. o que s busca é aquilo que E. — pág. servindo de arauto. a periodicidade é a menos subjetiva. pelos observadores. que era o pregoeiro o encarregado de anunciar as festividades do culto para evitar que os cidadãos romanos deixassem de cumprir os preceitos determinados pelo ritual de Numa Pompílio. Mounier chamou de “atualidade em profundidade71”.

– pág. corrosivo e sutil. em dois trechos. 73” Gui Patin — registremos de passagem — é um exemplo completo do repórter epistolar. quando a organização da posta. o mesmo autor. No século XVI. ainda que bastante distanciadas. dos Césares. passaram naturalmente as cartas a constituir a crônica da semana. 47. constatou-se a sua seqüência hebdomadária. e não a tipografia. depois. a meu ver indesculpável se não tiverdes fortes razões. quase simultânea em diversas partes da Europa.” E frisa concludentemente: “o que a informação precisava para atingir o seu fim não era ser escrita desta ou daquela maneira. assim deparasse no prelo a multiplicação que o transformaria de amável entretenimento mundano. a cólera da Rainha. às suas finalidades sociais. em plena Fronda — não me tiraram o repouso como o tem feito a ausência as vossas cartas. Villegagnon não deixava de corresponder-se da Hungria com o cardeal de Lorraine “pour ne pas feillir à ma coutume de vous ecryre toutes les septmaines”. Guy Patin.. 47. quando as notícias eram afixadas em táboas. apenas. conseqüentemente. os epistológrafos — repórteres incomparáveis do jornalismo manuscrito — passaram a fazer da periodicidade uma indeclinável obrigação. mas é preciso que sejam muito fortes e mesmo mais fortes do que o exército que Mazarino destina a tomar Bellegarde e do que o canhão que M. explicável pela clandestinidade a que a perseguição dos governos condenou os primórdios do jornalismo e pelo elevado preço dos trabalhos tipográficos. – pág. o tempo se impôs primeiro com os “Anais” dos pontífices e. Aparente absurdo. – pág. com a “Acta Diurna”. não apenas o desenrolar das novidades mas a mesma periodicidade que. em tremenda fôrça renovadora a serviço do erguimento dos povos. 74 Carlos Rizzini – Obra Cit. Na Biblioteca Universitária de Heidelberg. permitiu a introdução da regularidade nas comunicações entre os homens. como podemos observar desta curta citação.. não tolerava a impontualidade dos amigos (e a um dêles escrevia) : “jamais a tirania de Mazarino. XVII e XVIII possuiam maior conteúdo jornalístico. mais adiante. na Roma dos Senadores e. Conquanto das muitas epístolas escritas em vinte anos por Saint Simon ao cardeal Gualtério apenas quatorze hajam sido identificadas. mas ser regularmente transmitida do redator ao leitor. 76 Cit. 75 Carlos Rizzini – Obra Cit. 76” Os correspondentes epistolares exigiam entre si.74” Observa. Embora sem assunto. Da comparação das datas verifica-se terem sido os Correios. no sentido informativo. . depois. a guerra do príncipe de Condé. de Vendôme ali instala. quando. correspondente a um ano 73 Carlos Rizzini – Obra Cit. “Eis a renda semanal que vos devo ’— escrevia Chapelain ao marquês de Montausier. – pág. numerando-as e distribuindo-as em datas determinadas. que do primeiro livro — a “Bíblia de 42 linhas” (1456) — à primeira gazeta impressa — o Nieuwe Tijdinghen (1605) — transcorreram 150 anos e que “ia já o mundo pelo século XVII — e o jornalismo. 48. Tanto êsse elemento era compreendido como essencial que. guarda-se a coleção completa. do que a maioria das fôlhas de hoje e deixam a perder de vista as primeiras gazetas impressas sob a égide dos governos e por isso votadas ao noticiário deformado e gratulatório. aprisionado nas cartas particulares. transmitia tantas e tão oportunas informações. ao tempo do que poderemos chamar “jornalismo estático”. os impressores de Estrasburgo e Basiléia tinham procurado introduzir nas suas folhas volantes. com muita propriedade. e até o mêdo de morrer de fome durante o cêrco — exagerava o implacável inimigo de Ranaudot.75” André Ravry também salienta que a organização dos correios “implicou numa regularidade que ainda mais assemelha as cartas às gazetas: partindo malas em geral cada oito dias. desde a segunda metade do século XVI. não atinara com a tipografia e nem suspeitava se desmedisse o seu destino. detalhista e solícito nas suas epístolas. 47 e 42. a determinante do periodismo.fôssem perderiam a atualidade e não atenderiam. O que levou Carlos Rizzini a assinalar que “as cartas particulares dos séculos XVI. o assédio de Paris e as ameaças dos partidaristas. Por Rizzini – Obra Cit.

. é esperado com impaciência muitos dias. Os come ntários e notícias radiofônicos obedecem a horários pré-estabelecidos e aquelas audições. — pág.. sequiosos de informações. Desde a hora da missa dominical. a frase muito expressiva na caracterização do labor do repórter: “Amanhã o leremos no jornal. 207-208. em determinadas oportunidades. caso pudesse ser feita particularmente. mas que.inteiro. contendo atualíssimo documentário das ocorrências mais notáveis. que não cansa. em Estrasburgo. quando as suas câmaras pré- dispostas não focalizam diretamente o acontecimento. dado que a sua técnica é mais complexa. Não foi sômente a consciência do jornalista que se sentiu afetada pela periodicidade. desde o seu título à menos importante das suas notícias. são anunciadas como “extraordinárias”.. . como recurso final. os fatos que constituem notícias. que permita a caça ou a excursão. têm de aplicar os seus sentidos a outros labores profissionais. Assim temos às centenas os diários da manhã. e) — não se interrompa o costume do pregão dos vendedores. entre nós. O jornalismo industrial impôs a concorrência e desta nasceu a “tirania do relógio” e dos competidores. Êste afã de saber no momento exato generalizou-se profundamente na consciência coletiva. lançados geralmente tôdas as semanas por diferentes produtoras.77” De tal sorte entrou a periodicidade na consciência jornalístico universal que passou a servir de epígrafe a numerosos órgão s de publicidade em todo o mundo. o repórter “olhos e ouvidos do jornal” e. tôda a atividade individual... provocadas por acontecimentos extemporâneos. a importância da periodicidade cresceu sobremodo nos últimos dois séculos. 33.” editado pelo impressor Juan Carolus. tôdas as necessidades sérias ou alegres da vida humana sugerem uma pergunta diária ao diário visitante. cujos horários de audição são. “A hora da edição é sagrada. É.. o que vem demonstrar que a periodicidade surgia como um atributo cada vez mais rigoroso desde que se aperfeiçoavam os métodos de produção e se tornavam mais rápidas as comunicações.. Exemplo frisante da rigorosa periodicidade no rádio-jornalismo é o internacionalmente divulgado “Reporter Esso”. etc. em nome e em benefício dos demais.. Para que: a) — o leitor seja servido no tempo convencionado. olhos e ouvidos daquelas pessoas que. não sômente no seu país de origem como em tôdas as partes do mundo. será o amigo gratíssimo que não entedia. as folhas da tarde. e menos considerado cada vez que não chega ou se retarda. pois. cheio de conteúdo. de todos conhecidos e cujas notícias breves e incisivas têm intensa repercussão em tôdas as camadas sociais. como expressão máxima do jornalismo. Todo periódico se faz sob a tensão do rendimento completo na hora exata. Se êste amigo chega em tempo oportuno. guardam rigorosamente os períodos das suas aparições. ao rival. se bem que com maiores dificuldades. ao contrário. E. do semanário “Relation aller Fürnemmen. “Quando a curiosidade das gentes por um sucesso encontra dificuldades. Nos Tempos Modernos — Todavia. em 1609. Vimos como ainda na época do jornalismo epistolar os correspondentes.— nem o tele -jornalismo deixou à margem a periodicidade e os tele -espectadores já se acostumaram a ouvir e ver. Igual observância de intervalos regulares têm os noticiários cinematográficos. Pobre do 77 Octávio de Ia Suarée — Obra cit.. faltar a ela equivale a entregar-se atado de pés e mãos ao concorrente. surge. os expressos dos domingos e mais os “semanários”. o cinema e a televisão. atraente. b) — não se perca o correio. tendo de socorrer-se do çinema e da fotografia. normalmente. máxima propaganda do diário. os “anais”. O repórter é precisamente a pessoa dedicada com exclusividade a êste mister. em conseqüência. reclamavam uns dos outros qualquer retardamento na troca de cartas. — págs.“ (É que) a investigação das notícias interessantes ocuparia. tanto pela multiplicação dos jornais como pelo surgimento e expansão dos demais veículos: o rádio. 78 lsmael Herraiz — Obra cit. os “mensários” — Os quais. d) — não se converta o jornal em um artigo de aparição anárquica..78” O jornal. tornou-se “um amigo que entra diàriamente na casa do leitor. até o programa dos espetáculos. é sempre bem recebido.

dos mais vivos. um dos jornais políticos mais importantes no período entre as duas guerras. 11. DA POPULARIDADE Temos. pelo “Audit Bureau of Circulation”. dos mais bem feitos da imprensa política francesa. nos Estados Unidos.. . mudando apenas as “manchettes” e notícias de última hora.A publicidade é vendida em uma base global. Victor J. freqüentemente. Cinco dêsses jornais aparecem em três edições diàriamente: a primeira cerca da meia noite. aquêle desenvolvido em edições e horários extraordinários. nos jornais cinematográficos. etc. Assim. por muitas decadas significou o máximo de presteza na divulgação de notícias. Há a considerar. por seu turno. orientando-os. cuja periodicidade ou é arbitrária. nos luminosos. como manifestação periodística. melhor redigidos. que. os profundos vínculos existentes entre periodicidade e jornalismo. “Tribune Democrat”. entretanto. aquêle ordinàriamente exercido a horas certas e em um dia: as edições normais dos matutinos ou vespertinos80. Ky.em estudo publicado no Nieman Reports de Boston. contendo geralmente todos ou alguns dos atributos do jornalismo — ocupando-se dos fatos correntes (atualidade). focalizado o papel saliente que o epistolário ocupou. de Hutchinson. o jornalismo diário. 1953 págs. e o “Times News”. sobremodo. que não mais exprime apenas longos prazos entre as suas manifestações.visitante que decepciona habitualmente a todos. no mínimo. diários que publicam edições tanto pela manhã como á tarde. o qual jamais ultrapassou uma tiragem relativamente modesta — 40. os assinantes recebem sòmente uma cópia: geralmente a edição impressa à tarde. na linguagem universal. ao sabor dos acontecimentos.. “Manchester (N. 4. Danilov.. oferecido cada vinte e quatro horas. de modo completo. A despeito das suas múltiplas edições. apreciados e comentados (interpretação) e regularmente enviadas (periodicidade) a amigos ou grupos de amigos com o objetivo de pô-los ao corrente das novidades. um dos que possuía clientela mais fiel ?“ Essa constatação e essa indagação resumem. Pa.) Union Leader’. surgiram os chamados jornais do “dia inteiro” (“all day”). ou é marcada por prazo superior ao das vinte e quatro horas que constituem o dia. as emissões de rádio e televisão nos seus programas ordinários. dia a dia mais interessado pelo conhecimento das ocorrênci4s que se desenrolam não sômente no seu próprio “habitat” como nos mais longínquos rincões do mundo. O jornalismo diário será. Seis jornais dêsse tipo foram registrados. no desenvolvimento das suas atividades — as cartas foram. a seguinte próximo ao meio dia e a última pelas dezoito horas. uma forma jornalística perfeita para as épocas em que os meios de 79Francisco de Luis y Diaz in El Periodismo — Barcelona. Pouco a pouco deixarão de atendê-lo primeiro. e logo lhe buscarão um substituto e discutirão com outros as vantagens de trocar de amigo79. Mass. cedeu lugar ao jornalismo periódico. mas que não as designam como matutinas ou vespertinas.30) e à tarde (2.H. As cartas. mais. oferece algumas características dêsse tipo de jornais: 1. materiais. Publicam. que as exigências do público. Ka. O jornalismo periódico será. de Johnstown. “News Herald”. 2. de Greensburg. E. a saber: “Tribune Rewiew”. nas revistas e magazines. mas períodos variáveis. no entanto. 3. Basta citar o caso de “L’Action Française”. nos telefônicos e.. janeiro de 1958 — pág. “Messenger and Inquirer”. vocábulos etimològicamente tão divergentes como jornalismo e periodismo. portanto. de Owensboro. O “Times News” dá duas edições: pela manhã (1. 80 Recentemente. de natureza a mais diversa (variedade). Ida. calculada.. Em tôdas as edições são usados os mesmos estilo. editoriais. nos mensários e anuários. vínculos tão íntimos e indissolúveis que tornaram sinônimos. encurtaram. durante séculos. de esperá-lo depois. de TWIN FalIs. Pa.46).. 328-329. sem nenhuma dúvida.”“Um jornal que não aparece à hora costumeira — escreve Gilbert Henry- Coston — perde os leitores e assinantes. sôbre o espaço da edição da manhã. desde aquêles de horas até os de semanas. então. não era um dos. meses e anos. uma edição no horário da manha e uma à tarde. ainda.000 exemplares — em razão do retardamento registrado na sua saída. os prazos em que os veículos jornalísticos devem surgir tom o seu rosário de informações e comentários.

a composta em letra de fôrma e já rebelde aos contrôles e à censura. 86. . aos avvisi venezianos. tenham sido traduzidas e reproduzidas pelos prelos em todos os países civilizados. com o Renascimento e a idade das grandes descobertas. compreendia quatro fôlhas em formato quarto e o exemplar a que nos referimos leva o nome de Copia der Newen Zeytung auss Presilg Landt (Brasil) e se conserva atualmente na Biblioteca de Munich.” 82 Nos dois séculos seguintes. não para impelí-la adiante. veículos. raro e morosamente. deixaram-se morrer alegremente. escapava a qualquer censura. Às gerações analfabetas e ignorantes da Idade Média. atravessou do “diletantismo ao profissionalismo para encarreirar-se no seu próprio e 81 O Weise — La Escritura y el libro — Barcelona. da informação e da orientação. os conceitos. Vale observar aqui que as volantes. resolvendo a triste alternativa de sumir-se ou adaptar-se. de comentá-lo extensamente. . únicas então engrenadas na vida pública. 82 Carlos Rizzini — Obra cit. como ficou dito. Ou recusar os méritos do trabalho do padre Antônio Vieira. 47. desde 1455. em Mogúncia. embora ronceiros e limitados. de indulgência do Papa Nicolau V. como a expressar não sômente a instituição que permitiu a distribuição de exemplares como também a forma epistolar a princípio adotada — iria impor paradoxalmente a morte do jornalismo manuscrito. com trabalhos dedicados ao território que acabava de descobrir-se.. Como ninguém recusará ao jornalismo manuscrito. dom Rodrigo de Menezes e Duarte Ribeiro de Macêdo.81 Extensão da Popularidade — A expansão dos serviços postais. a Roma a trato de negócios. mediante cuja leitura estaremos capacitados a ressuscitar uma das mais decisivas épocas da história da humanidade. a quem já nos referimos como jornalista-locutor nos seus “Sermões” e agora lembramos como jornalista-redator que.. graças à fartura de papel e à normalidade da posta. a imprensa alemã se apressou em divulgar o fato. Ninguém poderá negar o conteúdo jornalístico das epístolas de São Paulo. as novidades colhidas diretamente na Cidade Eterna ou ali chegadas através de gazetas e cartas particulares. 1935 — pág. mas para abismá-la. sendo a primeira fôlha volante que. influentes e letradas rodas. quando Gutenberg fêz publicar. em 1494. quando o saber se homisiara nos conventos e monastérios. prestigiada pelas rodas aristocráticas e palacianas em que se cruzava.transporte e comunicação entre os homens se faziam difícil. grupos de pessoas ou comunidades restritas a que eram dirigidas as cartas.pág. indo. Quando o português Cabral chegou às costas brasileiras e tomou posse solene daquêle território para o seu rei. às news letters inglêsas do século XIII ou aos Ordinari Zeitungen dos mercadores alemães terem sido. “A correspondência ainda satisfazia no seiscentismo a ânsia de contar novidades. entre os quais o marquês de Gouveia. ao mesmo tempo em que fixar a poderosa influência que a Boa Nova. “Não é pois de estranhar que as comunicações sôbre o descobrimento da América. entre risos e chusfas. a que se encarregou. nos excessos da fascinante perversão com que as sociedades de origem feudal. É que aquelas pessoas. advertindo a todos os cristãos dos perigos e ameaças que constituia o domínio turco sôbre Constantinopla e exortando-os a levantar-se para expulsá-lo da Europa — divulgavam notícias de interêsse geral. dirigidas por Colombo ao tesoureiro real da Espanha. as normas de vida nelas indicadas exerceram para o processamento da revolução social do Cristianismo. os limites dos círculos fechados de leitores foram rompidos: a gazeta manuscrita e. Além de fácil e pronta. a cujo estabelecimento tanto deveu o jornalismo para a sua evolução. a ponto de ainda hoje perdurar a denominação de “Correio” para numerosos órgãos da imprensa. se conheceu com a denominação de Zeitung. outras com instrução primária ou elementar. depois. uma carta. espalhava em cartas a alguns amigos. Este periódico foi impresso por Erhard Oeglin em Augsburgo. iam-se sucedendo. foram-se ampliando em número e graus de educação. sequiosas de informações. dirigidos a grupos e comunidades. antes e mesmo muito depois do surgimento da arte de imprimir. as doutrinas.

84 Horacio Hernandez A. 85 Octavio de la Suarée — Obra cit. Chegara o momento histórico em que a massa compreendeu que a Imprensa é uma mercadoria. lançou-se à conquista da rua. pelos clubes literários de Londres. pois.. refletia o espírito dos novos tempos.. e simultâneamente. é a sociedade humana inteira. Como as duas conquistas fundamentais se fizeram na luta contra a arbitrariedade e a tirania. isto é. beneditinos e franciscanos (nos quais se refugiavam os corpos de “nouvellistes”) que. ao passo que o leitor avulso tinha de ser abordado num lugar inatingível: a rua. como ambas são as vias de acesso que têm os povos para ser arquitetos do seu próprio destino. das massas. como dizia Renaudot. mas até o Rei se detém ante uma coluna de material impresso. não a um destinatário-amigo: a quantos destinários-assinantes se dispusessem a pagá-la. compreendam que é imperativo ganhar ao despotismo uma segunda batalha: a do sufrágio universal.. vendas avulsas e publicidade — adiantou-se a das assinaturas. que o emprêgo melhor do chumbo não está na fabricação da bala mas na da letra de impressão e que o cavalo de qualquer gendarme pode saltar uma barricada. o sufrágio universal e a liberdade de opinião. . . não por cortesia: por obrigação. caindo como uma pedra na superfície de um lago. o jornalismo.”85 83 Carlos Rizzini Obra cit. a que se dedica à preparação de panfletos revolucionários. Os três estágios do itinerário seguido pela sociedade para identificar-se com a imprensa foram. a facilidade do seu menêjo e o barateamento da sua confecção. . e muito importante por certo. A imprensa. Das três vias gradualmente rompidas pelo jornal — assinaturas. a instrução pública gratuita. das idéias que começavam a germinar e que seriam triunfantes na Revolução Francesa.. 55. É que o leitor-assinante poderia ser alcançado à sorrelfa. do povo. completando-se assim o quadro universal:já não são classes reacionárias ou liberais que se identificam com a Imprensa.” 84 Nesta recusa.se: não era mais dirigido “a uma elite.. segundo Mirabeau. ampliando em círculos excêntricos a sua penetração. é preciso que haja sempre no govêrno filhos do povo que velem pela sua aplicação prática. as massas. não sôbre assuntos escolhidos: sôbre todos. conduzem sôbre uma lança esta reivindicação: — instrução pública gratuita. mas à maioria. — Obra cit. única tateável nas trevas ela que longamente se foragiu a informação escrita. Por outro lado. — págs.. os povos ajudaram a Imprensa.. recusando-se a admitir o primitivo serviço real e plutocrático a que a destinaram os seus fundadores.. para que ela se democratizasse.”83 Foi pelos botequins e cafés de Paris. decidem que sem ela tão pouco poderão ser conservadas e a consagram assim como o mais completo de todos os seus direitos.. Mais de duzentos anos levou ela a grimpar a ladeira aparentemente suave que vai do leitor-assinante ao leitor-avulso. “Em aberta rivalidade com os dignitários e senhores.. acionada primeiro por debaixo — instrução pública gratuita — o será agora por cima — intervenção do povo na sua regulamentação oficial. e sôbre o vasto panorama da grande revolução francesa. sem a liberdade de imprensa as outras jamais poderão ser obtidas. Sucede algo mais. mais depressa e a mais gente. e as massas. pelos cláustros dos agostinhos. transgredindo-se as leis e enganando-se a polícia. pelo que a ilustração é indipensável para poder aproveitá-la. Recusa levar. 16. pág. uma nova imprensa. a um círculo de pessoas escolhidas. mas uma mercadoria para o entendimento. na Europa.sôfrego destino de informar mais. — pág. como a mais absoluta de tôdas as suas liberdades. As gentes aprendem assim. a toga do doutorado para pôr-se na vestimenta humilde do peregrino. firmando definitivamente o seu prestígio.. com risco da vida e da liberdade. 42-46. Para que a instrução pública gratuita não seja letra morta na Constituição. entretanto. ilustra com o exemplo a todos os cidadãos sõbre o terrifico poder dêsse novo instrumento de ação. O jornalismo popularizava . recordando que.. que quatro linhas de jornal são mais demolidoras contra um regime tirânico do que quarenta mil esfarrapados tumultuando as ruas.

Tanto é assim que. — pág. como ocorreu com a descoberta da penicilina. se a publicação não se destina a atender àquele fim ideal. da tirania do anunciante. abrir caminho embora à custa de inumeráveis sacrifícios. 49-50. — págs. tese defendida pelo prof. Quando uma publicação médica. e que.” 87 Mas não são apenas as garantias constitucionais que são recusadas ao jornalismo. deve ser pôsto debaixo da garantia constitucional. na Suíça. quando as suas manifestações não se destinam a atender aquêle fim ideal de promoção do bem comum. da mesma forma que os’ artigos ou informações que perseguem fins estritamente profissionais. dirigindo-se a uma expressiva parcela da mesma. do perigo da sujeição da redação à política preconizada pelos 86 Horacio Hernandez A. sôbre o jornal pesará o boicote do leitor. que muitas vêzes não é amigo da redação. o que êsse jornalismo especializado visa é um fim ideal: atingir as massas. cujo objeto. Se falta popularidade ao jornalismo. — Obra cit. as epístolas. na sua opinião. o jornalismo retirou-se dos antigos e superados veículos: os pregoeiros. desde que um aviso ou reclame se tenha publicado com a intenção de servir ao interêsse da comunidade e não com objetivo comercial. o Tribunal Federal. “o Tribunal Federal considera. era essencial- mente lucrativo: a venda de certos produtos.” 88 Essa circunstância é que liberta o jornal. a cuja ciência e arte está o encargo do diagnóstico dos casos e da aplicação do medicamento apresentado. 88 Rod W. Os anúncios. que sòmente o lê uma fração. caem sob o conjunto de regras de polícia profissional. alcançar em profundidade e extensão as maiorias a que se dirige. em linguagem e estílo apropriados. vulgarizando-os ou praticando-os. Horton. que refletem efetivamente o pensamento coletivo sôbre os limites da liberdade. mais do que propagar teorias debatidas. negou o benefício da liberdade de imprensa a um prospecto. reclames s outras publicações que não são reproduzidas senão com fins comerciais e egoístas. por exemplo. anúncios. ser postos sob o benefício da liberdade de imprensa. no sentido de que a objetiva prestar serviço a tôda a comunidade. insere estudos e dá conta de experimentações sobre determinado e novo processo terapêutico. 87 Jacques Bourquin — Obra cit. por um decreto de 1910. as gazetas manuscritas. beneficiá-las através dos médicos. é livre. Assim. e obter a consideração unânime. em regra geral. capaz de circular ràpidamente e. que não tinham mais capacidade de levar as informações e a orientação à comunidade inteira. 16. visando o interêsse coletivo antes que os da emprêsa. Rod W. não devem. e transmití-los. que. isto é. Disseminados os processos tipográficos.” 86 E mesmo quando se faz especializado. na prática. Horton — A liberdade de imprensa e o leitor livre — in Jornal do Comercio. a popularidade. que os prospectos. E mesmo quando sôbre o jornalista ou a emprêsa não recaem as penas da lei pela violação de códigos penais ou meramente éticos. suscetível de apreender com facilidade os informes e diretrizes nêle contídos. mas sim depen4endo da liberdade do comércio ou indústria. nos países liberais-democráticos. então as próprias garantias da liberdade de imprensa lhe são recusadas pela legislação vigente nas mais avançadas democracias do mundo. adotado o papel como matéria prima ideal para a reprodução dos textos. o leitor não admite distorções ou supressões propositadas ou um constante sacrifício da objetividade a propósitos personalísticos. os mensageiros. se o jornal não joga limpo. lucrativo ou egoísta. a respeito. o seu propósito formal é chegar realmente a todos os indivíduos. Recife — 15-12-57 . mas é que bem sabem que estão obrigados a respeitá-la pela própria circunstância de que o leitor. julgando que se tratava de um recurso de direito administrativo e não de direito público. argumenta: “Não é sòmente que os jornais respeitem a independência do leitor por responsabilidade ou senso de justiça. os arautos. Com efeito. Ao contrário. isto é. aos demais membros da sociedade. a atividade jornalística concentrou-se no jornal. — faltar-lhe-á o apoio do leitor. ainda ai estará presente a popularidade. Popularidade e Liberdade — Atingidas as condições ideais para o seu mais amplo exercício. É o princípio da liberdade de imprensa condicionado à liberdade de escôlha do leitor. vai perder muitos leitores para um concorrente de mais consciência. por conseqüência. “Se acontece. inclusive.

exatamente porque o cidadão-leitor. a quem haviam embrutecido com o ópio da mentira. 89 O coronel Knox estêve no Brasil durante a guerra. desinteressou-se pelos temas e problemas políticos. de um golpe. Em 1954. verdadeiros arautos das aspirações coletivas.. que impedem a escravidão do jornalismo norte-americano por fôrças econômicas gigantescas e quase irresistíveis. é mais formidável quando é uma novidade. pois o jornal decaiu no conceito público.89 O coronel não era político. o prestígio e a autoridade que inutilmente Perón tentara manter em seu proveito. Deve-se levar em conta. Assim. que teve o seu nome. forçado a ler os “seus” jornais e sòmente os “seus” jornais. perdendo os leitores.. como tôdas as liberdades. o povo poderá atirar-se a um caminho que submerja o país na anarquia e no cáos. e menos espetacularmente não têm sido poucos os oj rnais que vão definhando.” Palavras que são uma séria advertência aos governos que pensam poder restringir a liberdade em nome das suas concepções filosóficas. ao tempo da II Guerra Mundial.. quando visitamos êsse jornal — onde o fato nos foi narrado — a sua tiragem ainda não conseguira atingir os 200.. que jamais esqueceram a sua voz poderosa e livre. entre um povo não acostumado a ouvir discussões de assuntos políticos. que se iludem a si próprios. Aceita os truques da inclinação. tiveram a mais viva expressão na República Argentina. cujo maior acionista era o coronel Knox. a repercussão na popularidade do jornal da sua política editorial também tem causado o êxito ou fracasso de muitas emprêsas. na reconquista da sua amplitude. algumas vêzes aceitando o ponto de vista do jornal. reduzindo-se autênticos zumbis. Liberdade e popularidade são têrmos de uma mesma equação. provocando a sua retirada da emprêsa com aquêle prejuízo financeiro. Palavras que se confirmaram na Alemanha e na Itália. São êles (os leitores) que constituem a mais poderosa censura da imprensa. Assim mesmo. se bem que tenhamos uma imprensa apaixonadamente opinativa. que foi secretário da Marinha dos Estados Unidos. confiando na primeira tribuna que se apresenta. o seu jornal tinha tiragem média diária de 600. entretanto. melancolicamente editados por honra (ou desonra) da firma. que fogem aos rígidos limites do sistema dominante.000 exemplares.. “O leitor exige os fatos. mais de dez anos depois da desastrada “operação Knox”. La Prensa readquiriu. com a queda de Hitler e Mussolini e que. Então. os ‘episódios de jornais empastelados.grandes “trusts” comerciais e industriais. incendiados e destruidos pela fúria das multidões por se terem colocado contra os interêsses da maioria dos seus leitores pontilham a história do nosso periodismo. estará enfraquecido intelectualmente para discernir entre a demagogia irresponsável criada pela embriaguez da liberdade e a orientação responsável dos jornais..000 exemplares. restituída aos seus leitores. No Brasil. igualmente. não ocorrendo aqui o que se verifica nos Estados Unidos. que o público leitor é muito reduzido. Rod W. onde 98 por cento da população é alfabetizada e onde se vende diàriamente um jornal para cada três habitantes. na praia 4 Piedade (hoje Hospital da Aeronáutica). e exige também que êles sejam misturados com as opiniões da redação. Iniciou e desenvolveu a campanha: ganhou a Secretaria da Marinha. A liberdade de imprensa contida pelas fôrças dos governos ditatoriais pode. o qual confia na primeira tribuna que se apresente. No Recife. Como também o liberta da tirania dos grupos político- partidários ou dos interêsses exclusivistas e pessoais dos seus proprietários ou acionistas. . são êles os verdadeiros leitores livres que exigem e forçam a responsabilidade jornalística do país. tornar-se um perigo para a ordem na comunidade. Veio -lhe a tentação de utilizá-lo para conquistar posição de relêvo nos quadros políticos norte-americanos. na argumentação da sua tese. Conhece a política do jornal e separa os artifícios e as interpretações dos próprios acontecimentos. inaugurou um hospital do US Army. recentemente. as palavras de Tocqueville: “A liberdade de escrever. com oportunidade. mas perdeu onze milhões de dólares. O prof. Horton lembra. outras vêzes rejeitando-o para tirar as suas próprias conclusões. julgando que o povo. quando. porém com o privilégio de opinião particular. Foi o que ocorreu com um jornal de Detroit.

foi de opinião que melhor seria chamá-la comunicação das massas. e até o Zê Fulano — insistem em ficar livres. um estilo. o público moderno. mediante estudo mais completo. o jornal de maior tiragem do mundo 90 Rod W. por conseqüência necessitado de ler. com o surgimento de outros meios de difusão. muitas fotografias. como veículo. como leitor. do aperfeiçoamento dos processos adotados. ouvir. aquelas fôrças também têm que ser vencidas. os centros de educação e as igrejas. é que sôbre o jornalismo radiofônico. textos breves e editoriais resumidos. há pouco. Êstes modernos veículos. se processasse o trabalho jornalístico. da nossa era.daquilo que era. o George F. accessível. designada pelo Reitor da Universidade de Chicago. fácil. atendendo a êsse atributo do jornalismo que uma comissão de 13 membros. comentários. que permitem uma leitura rápida e que. jornais de pequeno formato. considerado supérfluo — não e nega que esteja em crescimento a influência dêsses veículos. que se torne mais e mais extensa e profunda a sua popularidade. – Nota à pág. o jornalismo visa tão sòmente opinar para debater. às mais amplas exigências da popularidade.. Babbit. Além disso. Recife – 15-12-58 91 Horácio Hernandez A. Não se nega. – Obra cit. . é verdade. enquanto o professorado e o apostolado religioso buscam convencer e converter. pela condensação das matérias e pelo aspecto gráfico com que são apresentadas. ouvinte ou assistente de um interminável desenrolar de notícias. igualmente. Mr. Uma enquête realizada nos Estados Unidos rnostrou que a metade dos leitores interrogados não dispunha senão de um quarto de hora para dedicar ao jornal. com o objetivo de analisar a imprensa moderna.” 90 Condições da Popularidade — Graças à circunstância de atender. que a cada dia. da elevação dos níveis de vida da sociedade. Outrossim. discutir opiniões. estações emissoras e receptoras. não sendo superado. porém. transmitem uma impressão forte e duradoura. 2. ao retórico. em razão do desenvolvimento da técnica. o cinema os livros. haveria de compreender. O Govêrno pode ser o mais benevolente e o mais liberal do mundo. 92 Daí o êxito dos “tablóides”. fugindo ao verboso. começa com o leitor e o leitor lutará na defesa dos seus direitos até a última bala. também. Foi. com a transformação em necessidade . Robert Hutchins. E porque exigem não sòmente estúdios apropriados. é que tiveram de demonstrar a eficiência dos seus meios mecânicos de reprodução e as suas possibilidades de divu1gção para que. O bom jornalista bem sabe que não se pode curvar ante essas fôrças sem perder o respeito e o apoio financeiro e moral do le itor livre. uma forma própria. com uma insinuação de que. de deter-se muito com o jornal. incluindo nela não sòmente os diários e “magazines” como o rádio.o professor ilustre. mas os leitores independentes . mas se existem fôrças arrogantes em outros quartéis além dos do govêrno. cinematográfico e televisado pairam restrições até a respeito das condições em que são beneficiários da garantia de liberdade de informação e opinião. das distorções de uma redação cativa e interessada. leve. sendo limitadas as suas possibilidades de atingir a tôda a coletividade. de Londres. é que o jornal se manteve no nosso século como principal manifestação periodística. sim. O Daily Mirror. Com efeito. a popularidade não reclama apenas um veiculo de fácil e geral penetração mas também uma linguagem. grandes títulos. ao gongórico. não tem tempo. chamado constantemente a definir-se e. 95. Citado – Jornal do Comercio. frente a um receptor de rádio ou televisão ou sôbre a poltrona de um cinema. talvez. 1946 – pág. pela própria dinâmica da época em que vivemos. 92 Clemente Cinmorra – Historia del periodismo – Buenos Aires.91 o que indubitàvelmente é ir longe demais considerando-se o atual estágio da nossa civilização. ao professoral. através dêles. amena. Horton – ART. se bem que ansioso por novidades.a liberdade de imprensa. como salas de projeção e aparelhos captadores e televisores.. ao enfadonho. opiniões e documentários. como o foram as cartas e gazetas manuscritas. para colocá-la de acôrdo com a nomenclatura. A redação tem que ficar livre de um govêrno tirânico.

de alcançar. o jornalismo. como ocorre com o universalmente famoso Seleções do Reader’s Digest — e as modernas revistas semanais do tipo de Manchette. ao oferecer à massa a sumária e. imagens. o grande aparelho de elaboração e depuração das sociedades modernas. intermediário da opinião pública. no caso dos periódicos ilustrados substituem pràticamente os detalhes literários da reportagem por fotografias e desenhos. impulsionando-o na sua trajetória. quer através de letras. para a consecução dos seus objetivos. jamais. freqüentemente. DA PROMOÇÃO Através da análise que fizemos de cada um dos caracteres do jornalismo. de Blanc et Noir. Os relatos e as idéias expressas pelos veículos jornalísticos têm o proj3ósito de permitir ao homem um pronunciamento. como Bowles. têm a preferência do público quando resumem. A técnica da síntese aplicada ao jornalismo atingiu igualmente as revistas e “magazines” que. na França.escapar à evolução. a defini-lo como um sacerdócio. tôda a agitação sistemàtica. a própria organização social.” A doutrina e a prática estão. ne nhuma pessoa.os noticiários e comentários radiofônicos. se se pensa no tempo que se lhe dedica. impelindo-o para o futuro através das vias do progresso técnico. Jornalismo e Sociedade — Êsse aspecto promocional do. Por seu turno. sem dúvida. o rádio.jornalismo foi que levou os retóricos. os programas informativos da televisão e os documentários de atualidades cinematográficos não excedem. a finalidade precípua dessa atividade que. uma decisão. O Cruzeiro do Nordeste entre nós. o cinema ou a televisão. até a amplitude dos meios de comunicação e circulação dos tempos modernos — continua a ser a mola que aciona o maquinismo jornalístico. palavras. Quer utilizando a imprensa. desenvolvida e ampliada à proporção que se desenvolviam e ampliavam os códigos éticos.(mais de quatro milhões e meio de exemplares) é um exemplo típico da imprensa popularizada moderna. e de Life nos Estados Unidos. como o indivíduo. pois onde existe uma imprensa livre não sobrará lugar. sem pretender traçar roteiros rígidos e exatos. e Jefferson — que durante o seu govêrno sofreu tremenda oposição jornalística — a proclamar: “Se me fôsse dado escolher entre a liberdade de govêrno e a liberdade de imprensa. classificando o jornal de “censor da terra.” Foi também essa capacidade de incitar as massas à ação que levou Lenine a pregar que “sem o jornal toda a propagação. de penetrar e repercutir em tôdas as camadas- sociais. de um período de tempo tolerável ao público. a cada passo mais objetivamente. se ot rnou numa instituição indispensável para a formação e orientação dos povos — a promoção dos meios tendentes a assegurar o bem comum. grande inimigo dos tiranos è braço direito da liberdade” ou como o nosso Ruy Barbosa. as técnicas e as indústrias. a comprovar o caráter promocional do jornalismo. por muito tempo. selecionam ou condensam textos ao máximo e. geralmente entre dez minutos e meia hora. terá de decidir. “A imprensa é. não pode. utilizando todos os sentidos — rádio e cinema não fizeram mais do que . sangue vital circulando através do espírito humano. para um govêrno injusto e desonesto. pode passar sem ela. atua como propulsor da ação individual e coletiva. nascida com. eu optaria por esta última. ficou evidenciado. o máximo de popularidade. de impulsioná-los à ação. desde as épocas dos limites e restrições dos primitivos veículos. desenhos ou outro qualquer processo de comunicação do pensamento que o engenho humano possa ainda inventar ou empregar — o jornalismo. por vêzes superficial análise dos acontecimentos. elemento determinante na vida individual como na vida coletiva. enfim. para quem o jornal era “o respiradouro geral das consciências. variada e fiel aos princípios é impossível”. nos nossos dias. A popularidade — que se constitui no elemento-combustível do jornalismo. A sociedade. nenhum núcleo social.

1925 — pág. provocam a vibração de um grande pensamento coletivo. cit. lhes temperam o espírito. pois. de agir simultâneamente? Gustavo Le Bon. mas também os conforma. no “elanvital”” (Bergson). diferentemente. pouco susceptíveis. ao contrário dos demais intelectuais. mas. 95 Tristão de Ataíde — Art. abstrata.in Diário de Noticias — Rio. Antigamente. 10-11-57 96 Jules Pigasse — Da journalisme — Paris. Hoje. destinado a dar à sociedade uma maior consistência pelo conhecimento de si mesma. do contrário. fazendo com que “as idéias circulem.” 98 Contudo. “é o homem mergulhado: “entwuyf”(Heidegger). dêsse comércio permanente e recíproco. — pág.” 96 Como se processa. assim. — Obra cit. Porque não é só o tempo direto que nos leva a imprensa a todos. no ânimo da multidão. em que cada leitor se sente solidário com o grupo ao qual pertence. como igualmente devemos anotar não sòmente a sua influência ativa sôbre nossas determinações como igualmente a passiva. lhes sugestionam idéias. graças à manifestação habitual do jornalismo.” 93 Com efeito.” 95 Daí. Êsse laço invisível que une a todos os homens por algo que reclama a sua atividade ou que serve de fundamento ao seu juízo. mediante o recurso tão socorrido da afirmação categórica e da repetição constante. 94 Horacio Hernandez A. não apenas reforma nossos costumes. agrupando-se em correntes de opinião sôbre fatos ou acontecimentos que. portanto. ordinàriamente de igual maneira e ao mesmo tempo. 98 Conf. há que considerar também o indireto. em virtude da lei da “unidade mental das multidões”. o jornalismo não pode ser tomado como uma atividade isolada. não pode viver isolado. independente dos indivíduos que integram o conglomerado humano. . como sendo o domínio do Acontecimento e da Ação. todavia. 97 Gustavo Le Bon — Psicologia das multidões. a cada hora. em tudo o que os filósofos exprimem. formando. “A simples leitura das notícias tem. 276. Manuel L. habilitando-a tomar decisões frente aos problemas que se sucedem. como já o acentuamos. que estudou profundamente o tema.vivam e se desenrolem. na “potência” (Aristóteles —Tomás). não apenas na fixação de conceitos. em tinta de impre ssão. 1955 — pág. uma alma coletiva. é que retira a matéria-prima para transformá-la no fermento jornalístico. por jornalistas portuguêses — Lisboa. é a primeira lei que favorece um estado psicológico do caráter coletivo. Rodrigues — Os Estados Unidos visto.97 assinalou que a imprensa provoca sôbre as multidões reações primárias. criará uma atmosfera de tolerância ou sectarismo. era até certo ponto forçoso para obter a ação coletiva que os indivíduos se reunissem. 47. porque a atualidade de um fato ou acontecimento qualquer atrai a atenção pública e a concentra em uma ordem de coisas. são postos diante das mesmas questões. o leitor ou ouvinte da notícia se 93 Octávio de la Suarée — Obra cit. no “devenir” dos filósofos evolucionistas do século passado. em vista da iminência dos fatos e das suas conseqüências possíveis. além disso. 134. por mais sedutor que seja. no “vir-a-Ser”. por sua influência quotidiana formará crentes ou céticos. cujas palavras inflamadas os fariam adotar idéias e sentimentos que jamais haveriam aceitado sem o influxo poderoso do grupo. Essa integração do jornalismo na sociedade arrancou a Jules Pigasse a correta observação de que “se se pode escapar da influência de um livro. esta promoção se o público do jornalismo é constituído por indivíduos dispersos e não apenas aglomerados num ponto. êsse laço sòmente se estabelece quando os fatos relatados ou comentados são atuais. A imprensa não sòmente se lê como se comenta. — pág. um efeito surpreendente. preparará a ordem ou a revolução. sem se conhecerem uns aos outros e nem àqueles que lhes transmitem impressões. sua existência está sempre ligada à vida social. 41. da qual recebe inspiração e sôbre a qual influi poderosamente. os indivíduos espalhados.” 94 O jornalista. é difícil ao leitor do jornal não ser impregnado quer por suas afirmações quer por seu ceticismos O jornal. no “fenômeno” (Kant).contribuir para acabar de fixar a sua penetração na existência humana — se chegará à conclusão de que a nossa civilização se desenrola e morrerá envôlta em papel de jornal. atraídos por qualquer fato do momento e guiados por um chefe. contemplativa. no “projet” (Sartre). o jornalístico.

apresenta sempre aspectos novos. Por isso é que. o princípio e aplicação da responsabilidade no jornalismo. irá perdendo definitivamente o seu feitio individualista. primeiro correspondente de guerra na Criméia. e que redundou na disseminação de hospitais. 99 Entre nós.sentirá sòzinho no mundo a cogitar sôbre o problema apresentado. Foi à ação do universalmente famoso e respeitado “Times” de Londres — que tantos governos tem derrubado na austera Inglaterra — que através da pena do legendário William Howard Russel. indispensável. no curso da II Guerra Mundial. daqueles sentimentos e idéias. em quase todos os Estados. não deixa que a imaginação popular se desinteresse ou que fiquem esquecidas as premissas. . os seus caprichosos rumos pessoais ou de grupo. Sob a pressão conjugada da imprensa e das Ligas. e a “Fundação da Casa Popular”. encetadas pelos “Diários Associados”. urgente. como reativo enérgico. do Recife. a cobertura em que se empenhou tôda a grande imprensa brasileira nos últimos dias de vida e missão do médico paraibano Napoleão Laureano. em virtude dela. por meio de unia campanha. as autoridades viram-se obrigadas a tomar medidas para pôr termo à jogatina. para não reconhecer os seus méritos. que nem sempre o jornalismo atinge à sua finalidade: a promoção do bem comum. sem que uma “corrente de solidariedade” a ligue a indivíduos estranhos que partilhariam. o mundo deveu a revolução nos hospitais de sangue. 145. todavia. aliás. Infortunadamente esta é a verdade. E esta tendência incoercível impõe. que teve repercussão em todo o país. fecham obstinadamente os olhos para não ver os seus serviços. qual a instituição humana que não está sujeita a erros e imperfeições? “O que não padece dúvida. entretanto. criando uma autêntica consciência contra a habitação miserável e levando o Estado a organizar departamentos especiais para enfrentar o problema. de âmbito nacional. algumas memoráveis campanhas de imprensa têm resultado em assinalados benefícios à coletividade. para ser. em Pernambuco. recebeu e canalizou para o fundo da Cruz Vermelha contribuições que atingiram formidáveis somas. vítima do câncer. o jornalismo insiste. levantou subscrição para a compra de radium destinado aos hospitais ingleses e. clínicas e serviços de assistência aos portadores dêsse mal. vamos lembrar algumas memoráveis campanhas que proporcionaram benefícios os mais assinalados à coletividade. repisa. — pág. a da luta contra o mocambo. empregando “todos os recursos de uma propaganda hàbilmente urdida para formar correntes de opinião e fazer com que soluções possíveis tenham a sanção majoritária do grupo”. encetada com métodos de higiene até então nunca vistos pela igualmente famosa e respeitada heroína Florence Nightingale. Nos Estados Unidos. promovida pela “Folha da Manhã”. autarquia federal. simultâneamente. tende fatìdicamente para um dêstes dois polos: para a degenerescência ou para o aperfeiçoamento. tais como o “Serviço Social Contra o Mocambo”. Jornalismo e Direito — Argüe-se. como de fato há de ser. muito deve a Grã-Bretanha ao “Times”: em 1929. . No setor da saúde pública. As Campanhas Jornalísticas e o Bem Comum — Deixando de parte os habituais exemplos de promoção jornalística nos setores da política e do comércio. como tôda atividade humana no convívio social. — Obra cit. em Pernambuco. pelos crimes que previne. Mas. a campanha movida por vários jornais norte-americanos contra as roletas mecânicas suscitou em diversos Estados um movimento de opinião que e traduziu na formação das “Ligas de Melhor Govêrno”. um “serviço público”. levando governos e instituições públicas e privadas à ação. o qual. Os que fàcilmente enxergam os seus erros. é que o periodismo. pergunta-se. pelas 99 Horácio Hernandez A. no desenvolvimento das suas campanhas. Como a da aviação civil e a dos postos de puericultura. os quais se hão de contar pelos males que evita..

Não estamos absolutamente empenhados em dar liberdade de imprensa a tôdas as classes. permitindo ao talento expressar-se com mais intensidade. é realizado simultânea ou imediatamente após a ocorrência dos fatos. em 5 de novembro de 1927.” 101 Dai. 100. Pertence a outros corpos desempenhar êsse papel. assegurar-se dêsse meio de esclarecimento e colocá-lo a seu serviço e no da Nação. na aparência sem nenhuma coesão entre si. já porque tôda a obra jornalística tem a sua base nos fatos correntes. em discurso pronunciado a 10 de outubro de 1928. Por outro lado. Êle deve. para os “mencheviscks” e para os socialistas. interessa-lhe menos assinalar motivos para convencer do que preparar um clima propício à ação. “Sendo o espêlho de todos os movimentos de opinião. no fundo. não se dirige tanto à inteligência como à vontade humana. face ao Estado Fascista. e a fôrça.Corrige. a obra periodística é vasada em linguagem ao alcance de tôdas as inteligências. à sua revelia. sòmente tomado como uma ênfase. permitindo à opinião pública como tal expressar-se. pela sua própria natureza. por sua própria natureza tão heterogêneo.. 125) e Stalin.. 1951 – pág. Já porque não se destina a executar o bem comum.pág.” A Constituição Soviética de 5 de dezembro de 1936 garante a liberdade de imprensa. 10.” 102 As tentativas que se têm feito para transformar a imprensa num “serviço público”- tomada essa expressão na sua verdadeira acepção jurídica. o que não oferece margem a uma perfeita inferência da uas repercussões. a imprensa é um elemento dêste regime e uma fôrça a serviço dêste regime. 10. 103 Hitler – Minha Luta 104 Michel Potulicki – Lê Regime de la Presse – Paris. porque. 143. de tôdas as concepções políticas e econômicas. portanto. uma vez que lhe faltam a autoridade. Por êsse fato. assim exprimiu a sua opinião sôbre a liberdade de imprensa: “Não temos liberdade de imprensa para a burguesia. 1929 – pág. sob o tema: “II giornalismo come missio ne”: “Em um regime totalitário. 1952 . a lei democrática do número. 102 Jacques Bouruin – La Liberdade de Prensa – Buenos Aires.” 103 “ O mesmo sucedeu com o fascismo: o próprio Mussolini definiu a posição do jornalismo. 101 Horacio Hernandez A. só serve às alheias. Assim ocorreu no Estado Hitlerista. seriam postergados. é que se poderá considerar a imprensa como um “quarto poder” do Estado.. “O jornal. porém “de conformidade com os interêsses dos trabalhadores e com o fim de fortificar o regime socialista” (art. para o qual o govêrno não se deveria perturbar “pelo. isto é. assim.. — pág. com decisão implacável.malversações que malogra. . tem-se imediatamente uma bússola de orientação para o que concerne à ação prática do jornalismo fascista: evita-se o que é prejudicial ao regime. baseada no reconhecimento pela lei..” 104 100 Altino Arantes — Imprensa Política — São Paulo. brilho da chamada liberdade de imprensa e deixar-se levar à falta do seu dever ficando a nação com os prejuízos. utilizando nesta emprêsa todos os recursos psicológicos da propaganda.. em discurso comemorativo do jubileu da Revolução Soviética. o que lhe confere um caráter mais de advertência do que de convencimento. a imprensa os reflete. pelos direitos e pelas regalias que. pelos interêsses que.” 100 Seria um contrassenso. seria abusivo dar-lhe o caráter de um órgão constitucional. Partindo desta indiscutível realidade. mas a advertir e orientar a opinião para que esta. não tem geralmente doutrina própria. modificando às vêzes as Proporções das fôrças em jôgo. esperar que o jornalismo se constituisse num corpo de doutrina ou num programa de ação isento de êrro. informada e consolidada. o promova. como aquêle que a administração pública presta diretamente ou por meio de concessão para a satisfação concreta de algumas necessidades coletivas — têm tôdas redundado em limitações e contrafações dos atributos essenciais do jornalismo. — Obra cit. já porque o seu campo abrange todos os setores da atividade humana e já porque se dirige a tôdas as classes e categorias sociais — o jornalismo. sem ela (a imprensa) seriam sacrificados. a capacidade de fazer cumprir as suas decisões. que constantemente se renovam e alteram. faz-se o que é útil ao regime.

nenhum jornal pode recusar-se a inserir os comunicados oficiais remetidos pelo Govêrno. no seu art. 22 estabelece também que o Govêrno defenderá a opinião pública contra todos os que procurem desviá-la da verdade. a Constituição salazarista de 1933 declara. como o organismo militar e o poder judiciário. e que essas leis preventistas e repressivas impedirão que a opinião pública possa ser pervertida. porta-voz do próprio Estado nas questões essenciais. . a serviço da nação. declaradamente ou não. 59. 109 Afonso Arinos de Meio Franco — Pela Liberdade de Imprensw — Rio. que instituiu a ditadura estadonovista. No art. 1954. não se admitirá que um órgão da imprensa totalitária se manifeste contràriamente a uma ação bélica do país ou tolere crítica à sua posição na política internacional. absorvida pela conveniência ou pela fôrça dos governos. reconhecendo a fôrça promocional do jornalismo. no Estado Democrático. Reciprocamente. Ë uma instituição. liberdade de oposição aos governos. pouco importa a sua forma). utilizam-no corno veículo de propaganda. 106 Rui da Costa Antunes – Direito Penal da Imprensa – Recife. Por outro lado. 15) . em 1956. em cada época colocadas 105 Fray Santos Quirós – Código del Periodismo – Cadiz.0: — “Aos jornais e quaisquer publicações periódicas cumpre contribuir.. ainda de conformidade com o mesmo artigo. precisamente porque lia se torna o veículo insubstituível das liberdades individuais e políticas. quando não o transformam em uma das enrenagens do Estado. Tendo em vista êsses objetivos. o que não se processa na inprensa dos países de regime liberal-democrático. § 2. por isso. por exemplo. criava o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). para êsse fim. em suma. comunista. 107 Vide nota 137. 122. nenhum jornal pode recusar a inserção de comunicados do govêrno nas dimensões taxadas em le i” (art. nós próprios o testemunhamos. 41.”109 O fim dramático ou melancólico das legislações restritivas ao pleno desenvolvimento da missão jornalística demonstra. Nestas poucas palavras condensa. que são a condição mesma da existência da democracia: liberdade de fiscalização e de crítica. Os regimes jurídicos e políticos totalitários. parlamentar. quando o jornal de fhalor circulação do mundo — o Daily Mirror — encetou violenta campanha contra a atuação do govêrno britânico na questão de Suez. Um dos exegetas do jornalismo espanhol dos nossos dias escreve: “A Imprensa é uma instituição a serviço da Pátria. 1. em Londres.” 105 “Em Portugal. seja êle monárquico ou republicano. tem o Estado o dever e a obrigação de intervir na criação e funcionamento da imprensa periódica. vigiando os seus passos para que não se converta em arma de destruição o que deve ser o baluarte da segurança nacional. militarista ou caudilhista. que “a imprensa exerce uma função de caráter público”.. destinado a controlar e censurar as publicações periódicas107. presidencial ou diretorial. 2. 8. boa administração e do bem comum. Em virtude dêste princípio. irretorquivelmente. que as sociedades. de 1937. 108 Exemplo dessa amplitude de crítica. chegando ao ponto de tenominsr a ação militar desenvolvida no Egito como “a guerra de Eden”. Nem mais nem menos.°. (seja fascista. por meio de artigos. a imprensa não pode deixar de ser serviço público. conto se nada ligasse os interêsses do povo britânico à decisão do Ministerio Anthony Eden.. em 1939. É que “para o Estado ditatorial. editoriais e tõda espécie de noticiário para a obra de esclarecimento da opinião popular em tôrno dos planos’ de reconstrução material e de reerguimento nacional” e. n. Assim. a nova Lei do Jornalismo (22 de abril de 1938) a idéia que se deve formar do jornal. também não fugiu ao diapasão doutrinário do totalitarismo ao declarar que “a imprensa exerce uma função de caráter público. da justiça... 1957 — pág.. 23. a ditadura salazarista instituiu a censura prévia em tôdas as publicações. 1942 – pág. comentários.pág. 99. porque a liberdade de opinião dos indivíduos ou das minorias políticas desaparece necessàriamente.049 dispunha em seu art.”106 A Carta Constitucional do Brasil. estabelecido que leis especiais regularão o exercício da liberdade de expressão do pensamento. onde a crítica é a mais ilimitada108.°. a imprensa não pode nunca ser serviço público. o art. Uma das tantas organizações ou braços de que pode e deve servir-se o Estado para o govêrno e engrandecimento da Pátria. o Decreto-lei n.

Essa missão se desenvolve visando as seguintes metas: lA —. à base dos sentimentos progressistas do povo. em abril de 1926. numa corrente política ou numa linha doutrinária. e ganha em estabilidade e segurança. . sempre inclui um juízo e. salvo quando exageradamente mercenários. do ponto de vista da sua característica promocional. possuimos Constituições tão impraticáveis como bem intencionadas e tão insustentáveis como insuficientes. olhado o assunto dêste ângulo. porém o modo como se recolhem. é que governam os povos. quando visa transformar o jornalismo numa instituição sua. E o fazemos porque “qualquer frase jornalística. Propomos. Salvador de Madariaga contou que o chefe de um grande serviço de imprensa americano. e a diferença entre êles seria de grau e jamais de natureza. por conseguinte.”111 Jornalismo e Opinião — Costuma-se classificar o jornalismo. 112 Horacio Hernandez A. como o observou Jules Pigasse. 1957 — págs. 1947 — pág. é que o jornalismo desempenha missão política e social de tão elevada importância.” Um outro confessou: “Eu não cuido de publicar editoriais. à sua função rectora. ao mesmo passo. que torna. lhe disse: “Não queremos artigos de pensamento. 59. as relações entre o Estado e o Jornalismo apresentam o seguinte paradoxo: o Estado perde o seu poder. respondendo a uma questão. — pag. os órgãos predominantemente opinativos. o jornalismo está exercendo uma função subsidiária vital do Direito. 114 Conforme Jacgues Kayser — Presse et Opinion in L’Opnuon Pubilque — Paris. em de opinião e de informação. 232-233. reunido em Washington.informar tão objetiva e verdicamente quanto possível ao público. conduzindo-os à ação. dos quais extraem as suas deduções doutrinárias. contraproducentes ou iníquas. porque da observação constante do jornalismo atual podemos concluir que os fatos. 113 Atas do Primeiro Congresso Panamericano de Jo’nahstas — Washington. Porque.”112 Aceitando essa premissa. a troca de normas jurídicas já consideradas antiquadas.”113 Não faz muito. defendemos ideais antiquados em que ninguém crê já e discutimos fórmulas que perderam o seu sentido. – pág. quando subordina a sua fôrça ao poder sem fôrça do jornalismo livre e veraz. possuimos um Direito que desconhece a política moderna e a estrutura das relações de poder. “sòmente pela verdade pode-se realizar o difícil equilíbrio entre a autoridade. quando exige o seu respeito mesme se a lei emudece ou quando reclama. diante do Instituto Internacional da Imprensa. E não foi outra a conclusão a que chegou um dos participantes do 1 Congresso Panamericano de Jornalistas. 1926 — pág. e porque nascem do contato com a realidade. que faz os governos fortes. 41. 137. não haveria senão órgãos de op\hião. têm de ser imparciais e exatos no relato dos fatos.diante de problemas e aspirações novas.”114 Os veículos jornalísticos “independentes e noticiosos” dos nossos dias não renunciam ao direito e ao dever de opinar. entretanto. — Obra cit. Cumprindo êsses itens. 57. por mais anódima que pareça. cedo ou mais tarde. porque os títulos são os meus editoriais.. escrevem e selecionam as notícias. enquadrados num sistema filosófico. e a liberdade. não podem dispensar e concurso da fôrça de promoção da imprensa livre. sob os auspícios da União Panamericana: “não é a página editorial que agora governa as idéias. porquanto. os povos felizes. o que levou Hans von Eckardt a escrever: “Na atualidade. 111 Jules Pigasse – obra cit. E talvez mais. subordinam as suas conclusões sôbre os fatos aos princípios adotados. conforme o axioma da profissão — a 110 Hans van Eckardt — Fundamento de la politica — Santiago. de poder de decisão. Assim. consideramos que os órgãos ditos de informação promoveriam a opinião pública tanto como aquêles que. se em que inspirados pela reflexão do homem.”110 Justamente porque as suas informações e conceitos são desprovidos de caráter imperativo. mais. 2A — contribuir para a elaboração da vontade popular.. uma outra nomenclatura como mais adequada ao espírito do jornalismo moderno: jornalismo eclético e ideológico. servir de meio de expressão à opinião pública.

tendo em vista obter uma clientela maior. bem como a uma estação de rádio adquirida pelos adeptos de um sistema filosófico recente. Essas modalidades do jornalismo indepen‘dem dos veículos de que se utilizam: tanto surgem na imprensa diária e periódica como no rádio.” . constitui exemplo frisante do jornalismo. cuja meta inicial foi efetivar o primeiro dos nove objetivos da Associação Brasileira de Cronistas ltadiofônic4s: “interpretar o pensamento. Hoje. que vai dia a dia derrubando as antigas barreiras da reação e consolidando uma inexpugnável posição nas esferas políticas e administrativas — o 115 Essas considerações de Jacques Kayser. com caráter monopolista. proclamando sua orientação pelo nome ou em sub -título que o acompanhava. camuflam a sua verdadeira tendência. em nenhum sectarismo religioso. politico ou social. num determinado momento histórico. inflexível. morais e sociais do catolicismo ou do cientificismo cristão de Mry Baker Eddy. Ocorre que o público olha como suspeito. No outro.”115 Diante dessas ponderações. visando um fim pré-estabelecido. 116 A Rádio Mundial do Rio.através da qual o Estado efetiva a exploração tio “ouro negro” em todo o territorio nacional. o que poderia deixá-los aparecer como comunistas. adquirida em 1955 pela Campanha da. os jornais desfraldavam sua bandeira. Boa Vontade.116 o jornalismo eclético é o mais praticado e o de maio penetração e influência na coletividade. na TV e no cinema. também podem ser feitas quanto à imprensa brasileira. e de uru jornalismo ideológico — aquêle que possui um complexo de idéias que visa difundir e sob cujo crivo faz passar todos os seus julgamentos e opiniões.. desde o Osservatore Romano. “diversos jornais. órgão republicano de informaçao. até o Christian Scienee Monitor.117 e do nacionalismo econômico. a expressão cultural e cívica do povo brasileiro”. hoje inteiramente dedicado à Campanha que criou. ao veículo jornalístico que se declara abertamente filiado a uma corrente ideológica ou a um partido político.nista de Bordeaux e o jornal conservador de Clermont Ferrand se apresentam. parece-nos mais preciso falar ‘de um jornalismo eclético — aquêle que não subordina os seus juízos a uma determinada doutrina. é o bem ou o mal que fazemos e que vai conosco para a Eternidade.. Mesmo a maior parte dos jornais comunistas quotidianos jexe]uem do seu título ou do seu sub-título. Típicas dessa orientação do jornalismo brasileiro são as posições tomadas diante das campanhas do monopólio estatal com referência exploração do.informação é sagrada e o comentário. o fato é colhido. variando de acôrd o com as tendências ou exigências do público. livre. notadamente à comunista. Os homens e as instituições que têm recursos estão sendo convocados a ajudar a Camparâ’ da Bõa Vontade por um Brasil Melhor. em 1954. Nosso. no texto citado na nota anterior. de Rádio. No Brasil. o seu movimento: “Confiei minha vida inteiramente a Deus para dedicá-la inteiramente a essa obra de solidariedade humana. . Antes da guerra de 1914. apaixonada e. cujos principais ‘Srgüos foram fechados pelo próprio partido na ilegalidade. salvo quanto à imprensa comunista e aos diários e periódicos religiosos. inação.” 117 Sigla da companhia estatal — “Petróleo Brasileiro 5. a predominância é da orientação clara. antes repudiada pela grande imprensa e abraçada e aceita pela mesma depois do fato consumado da fundação da Petrobrás. a tempo. os jornais indicam apenas: jornal de informação. como jornal republicano de infor-. utilizando e dignificando o rádio. certos gêneros de divulgação em que o ecletismo e ideologismo jornalístico se manifestam inequivocamente. escolhido e exposto com maior ou menor ênfase e o comentário foge a qualquer rigidez ideológica. A imprensa religiosa. em destaque. mesmo agressiva. nem mesmo o nosso corpo. sob o argumento de que estavam por demais identificados como comunistas. movimento filantrópico de fundo místico. por seu turno. . entretanto.. assim definiu para o Anuário. verdadeiramente nosso. petróleo. por vêzes. ideológico. A.. registrando os acontecimentos e como que nêles pondo as inferências acaso extraidas. as aspirações e os reclamos. O conhecido “magazine” norte-americano Seleções do Reader’s Digest é um órgão da imprensa tìpicamente eclético e a sua própria tendência atual anti-comunista nada mais reflete do que o estado de espírito do seu público diante do conflito oriente versus ocidente.. O jornal comu. No primeiro caso. e sujeitando tôda a sua política editorial aos princípios religiosos. Por isso. Há. um e outro. Que todos se lembrem. Alziro Zarur. parcial. de Boston. Na hora da morte é que se vê que ninguem é dono 4e coisa alguma nesta terra. de que no mundo nada é nosso. criado pelo ndialista Alziro Zarur. do Vaticano. direta.

até ontem alheio e restritivo. através não sàmente de um vasto noticiário como de reportagens. .que leva o nosso jornalismo eclético. crônicas. filmes documentários e programas de rádio e televisão. a adotá-lo e apregoá-lo. editoriais na Imprensa.

Editor Idealista O TÉCNICO Fase da Manufatura Fase da Mecanofatura O Problema da Automatização Jornalismo e Automatização O JORNALISTA A Vocação do Jornalista A Curiosidade Comunicativa A Fecundidade Jornalística A Objetividade A Discrição O Senso Estético . Agente Ativo Balanço do Trabalho do Público-Agente O EDITOR O Editor Financista O Editor Idealista O Estado Editor O Estado. TERCEIRA PARTE OS AGENTES DO JORNALISMO Contém: O PÚBLICO O Público.

O PÚBLICO De acôrdo com as manifestações jornalísticas. limitada ao aspecto econômico. Horton — Art. citado — Comercio. apenas. É êsse grupo que não se pode decepcionar. quer como assinante ou acionista para manutenção e desenvolvimento dos veículos jornalísticos. Vale observar que a passividade do público não é absoluta. que conhece todos os truques e sente tôdas as distorsões de preconce debate interessado. como o são o (ditar. Nenhum povo. 119 O leitor não é. O Público. ouvir ou anunciar nos demais. destruindo as máquinas que tornam possível a existência e funcionamento do veículo informativo.. é também agente ativo. Recife. Essa espécie de cooperação do público. O-12-57. empastelando. e o produtor que não atender a essas manifestações correrá o risco de ser forçado a suspender as suas atividades. os repórteres escrevem. não são completas. As manifestações de protesto e aplausos também podem ser fàcilmente constatadas nas salas de espetáculos. a emissora de rádio ou de televisão o decepciona. do público e para o público.118 E também. é também parte das implicações filosóficas e morais do têrmo. pois não encontrará exibidores dispostos a arriscar o seu patrimônio. Agente Ativo — O público. satisfazendo as exigências fiscais para o pagamento de taxas pela posse de receptores ou concorrendo. quando a sua contribuição é intelectual e direta. apenas. em certos casos chegando mesmo à violência. constatamos que o jornalismo tem a sua causa e o seu objeto no organismo social. O que equivale a dizer ue o público é um dos agentes do jornalismo. irritando o público. cooperando decisivamente na obra periodística. receber orientação e oferecer o seu contributo à realização periodística. As platéias aclamam ou pateiam vigorosamente. 20% da circulação. Comprando os periódicos. incendiando. exercida consciente ou inconscientemente. Em qualquer dessas atitudes. nós a chamaríamos de passiva. como o verificaremos a seguir. Horton — Art. a fornecer fotografias e desenhos sem nenhum intuito de ganho ou interêsse 118 “Uma nota de música existe. Através de tudo quanto ficou dito até aqui. O jornalismo é feito. Constituem uma censura moral porque são dos e são articulados e são capazes de escrever cartas corruscantes à redação injusta. o público está sufragando as despesas do jornalismo e. entrou a tentar informar-se e transmitir-lhe informações. o que ocorre com maior freqüência do que se pensa. — Rod W.la. rotativas rolam e as bancas se abarrotam com as fôlhas do dia. Fica anenas um som difundido sem receptor. depredando. o público pode ser leitor. pois. o público deseja ser informado. a vida social seria impossível e o próprio Robinson Crusoé. O caso do jornal é idêntico: as coisas acontecem. pagando os ingressos de cinema. no rádio e na televisão. nem sempre se limita a deixar de comprar o primeiro. o técnico e o jornalista. emocionar- se. a fim de que lhe fôsse possível viver em harmonia com êle. ouvinte ou espectador. há os leitores inteligentes e agudos que constam. Sem a informação e a orientação que o jornalismo trans. nenhuma coletividade dispensa o jornalismo. pois. Babbits.mite. distrair-se.119 É o caso dos repórteres amadores. . quando por qualquer motivo não lhe agrada o jornal. Escreve. mas efetivada com absoluta constância e sem exceção. a orquestra toca-as. lo go que se pôs em contacto com “Sexta-Feira”. quando há um público sensrve para escutá. contudo. porque além dos Georges E. especialmente na imprensa.. As notas podem ser impressas. durante as exibições cinematográficas de jornais de atualidades. quer como anunciante.” — Rod W. mas sem público para ouvi-las elas não vivem. Cit. ao editor ou comparece às redações e sedes das emissoras para fazer o seu protesto. E neste último enunciado está a atuação do público. pelo público. conseqüentemente. adquirindo aparelhos de rádio e televisão. muitas vêzes. daqueles que estão constantemente a informar às redações e emissoras fatos e ocorrências do seu conhecimento. Mas tudo será em vão se não houver leitores ávidos para ficar a par dêsses acontecimentos e saber as interpretações e opiniões dos redatores. um complemento econômico ao funcionamento da imprensa. em cere. segundo a minha estimativa.

carta que marcou o início da sua brilhante e atuante carreira intelectual. sôbre os temas e problemas em foco. Pois não se trata de simples utilização sociológica ou antropológica dos anúncios de jornal pelo que êles trazem de substancialmente valioso ao pesquisador do sacio do homem ou da realidade social do Brasil — ou de qualquer pala ou região — a procura simplesmente de fatos pelo que apresentam — além dessa riqueza de substância de formas de sentimento. 17-18). É também o caso do reclamante..profissional. de sedução do comprador pelo vendedor. etc. sapato. Através das reclamações. de 22 de dezembro de 1844.” Dois exemplos recolhidos nesta preciosa “plaquette” do historiador e professar pernambucano são suficientes para comprovar as conclusões de Gilberto Freyre. remetendo-a a “O Estado de São Paulo”. Sôbre a carestia de vida e desvalorização da nossa moeda: No “Diário Novo”. para as escolas. ultimamente adoptada pelo Exmo.120 se ocupou ao salientar a importância da sua colaboração. nas mesas-redondas do rádio e da TV. de apêlo do proprietário ao público. de Documentação e Cultura da Prefeitura Municipal de Recife.. nos concursos e certames. apelam. denunciam e opinam sôbre tudo quanto ocorre na sua rua. do produtor da “opinião do ouvinte”. que talvez marque uma das mais nítidas contribuições nacionais ara os modernos estudos de sociologia ou antropologia social de história sociológica..“—(pág. Dêstes agentes do jornalismo é que Gilberto Freyre. Preço em brochura — 2$560. ao redigir uma carta sôbre a devastação das matas pelas “queimadas”. a que Amaro Quintas ajunta o comentário: “Avaliamos o esfôrço intenso desenvolvido pelas crianças de então para conseguirem apreender a evolução do nosso passado em um livro que fugia inteiramente às normas pedagógicas exigidas por um manual de classe” (págs. cavalo. alguém brada: “Estando geralmente hoje todos os gêneros por um preço quase duplo. inclusive através dos pequenos anúncios. de venda. de aniversários.“Notícias e anúncios de jornal” — _ Recife. Sôbre “o critério didático usado no ensino da história no curso primário”. sendo a nossa moeda inteiramente fraca. Isto é. formas de linguagem. presidente da provincia como compendio de leitura e historia do Brasil nas escolas primarias. na sua cidade. em que a realidade social se reflete de modo mais puro que noutras linguagens. tendo-se augmentado os valores de quasi tôdas as mercadorias. apurar as reais condições de países e regiões submetidas é um regime de censura e restrições à liberdade de informações. em muitos caso. comentam. mesmo. no seu bairro. e em que se definem não só objetiva como subjetivamente mil e uma relações não apenas entre pessoas como entre pessoas e coisas e animais. funcionando como extras ou informantes gratuitos. Ou com o romancista Graciliano Ramos. de reclame de coisa ou de animal possuido — móvel. daquela linguagem de compra. preço encadernado — 3$200”. Por vêzes. e custando alguns mais ainda. Vende-se no pateo do collegio. dos correspondentes voluntários. carruagem. . ao elaborar um relatório sôbre a Prefeitura 120Amaro Quintas . o seguinte anúncio inserido no “Diário de Pernambuco” de 2 de setembro de 1851: “Vendas. Grandes escritores se têm revelado ao mundo intelectual escrevendo para as seções “solicitadas” ou de queixas da imprensa. casa. São êsses amadores que cooperam de boa vontade nas enquêtes. cuja “utilização sociológica alcançou já uma amplitude nos estudos brasileiros de ciência social sôbre base histórica. Por exemplo. papagaio. das cartas dos leitores ou rádio-ouvintes. tão sòmente para atender àquela ânsia de transmitir novidades ou a sua própria “visão” dos sucessos aos veículos jornalísticos. dos apelos e denúncias dêstes agentes em programas televisados é que se tem podido. — pelo possuidor. vestido. que noticiam. quando enche as colunas ou preenche o tempo de emissão radiofônica com notícias de óbitos. de acontecimentos de interêsse de um mais limitado círculo de indivíduos que constituem o público. do redator da “carta dos leitores”. de casamentos. êsse tipo de agente do jornalismo chega. em prefácio a uma “plaquette” de Amaro Quintas. de descrição exata do homem explorado pelo homem explorador. loja de livro azul a sinopsis do general Abreu e Lima. a pagar para a divulgação das suas informações. formas de expressão. Como ocorreu entre nós com Monteiro Lobato. 24). criticam.

nos quais se abordaram assuntos da atualidade. que pronunciam conferências distribuindo súmulas à imprensa ou falando diante de microfones e transmissores de TV ou dos aparelhos de filmagem de atualidades. que. — (3 x 15). horários e avisos diversos. êsses agentes do jornalismo eram. uma Edda Mussolini escrevendo as suas memórias. Associações. 1943 — Págs.legenda de uma homenagem prestada em New York um jornalista. conferências. rádio e TV) é de autoria e responsabilidade do próprio público. nasci mentos. as entidades associativas. Tomemos. sem perigo de êrro. Balanço do Trabalho do Público-Agente — Pode-se asseverar. os organismos estatais. que concedem entrevistas. Gazeta Forens Pela Instrução (excetuando-se nesta um . Ou. os caminhos que trilhou e que o levaram à cela da morte de San Quentin. 2a pagina — Secção Onibus — (um quarto de página). na verdade. freqüentemente) entraram a funcionar agências especializadas. fornecida pelo “public relations” a tôda a imprensa local — (2 x 20). um Caryl Chessman detalhando os seus crimes. e dos mais assíduos. ou. identificando as seguinte matérias jornalísticas não redigidas pelo corpo de jornalistas dêsse órgão da imprensa brasileira. porém. cotações da praça e dezenas de outras matérias que os veículos de publicidade divulgam sem permuta de dinheiro. por último. os artistas. redatores. 6ª página — Diversas notícias na secções “Registro” e “Assuntos Sociais” — aniversários. em alguns casos as agências designam. os partidos políticos. ainda. 4ª página — Dados estatísticos sôbre o açúcar brasileiro. Nesta modalidade de trabalho jornalístico estão incluídos os informes sôbre atos oficiais. um jornal de 24 páginas122 e sem muita dificuldade identificaremos quatro de 121 Porter & Luxon. ponto inicial dos estudos sociológicos que o tornariam conhecido e ilustre em todo o mundo. mas atendendo ao interêsse de outras camadas do público. que adquirem direitos sôbre essas colaborações e as vendem aos veículos jornalísticos. do êxito obtido pela publicação de tais relatos especiais (que também são radiofonizados. desinteressados de retribuição financeira. dada anteriormente pelo jornal — (um quarto 4 página) 12ª página — Carta de uni “turfman” sôbre o seu afastamento de cargo na diretoria do Jóquei Clube de Pernambuco — (2 x 15) 14ª página — Seções: Noticias da Marinha.de Palmeira dos Índios. fornecidos pelo IBGE — (1 x 25).5 x 36. que estão constantemente a divulgar comunicados. vencedor do Prêmio Esso de Reportagem de 1957. Pois.fantasmas para compôr o relato do “nome famoso” que só faz assiná-lo — Vide “Manual dei Periodista” — La Habana. do Recife. um sexto do trabalho jornalístico oferecido ao público pelos veículos de divulgação (imprensa. E. x 25) resenha de uma sessão da Associação di Fornecedores de Cana de Pernambuco. estatísticas e avisos. óbitos. os dentistas. nos quais expressam atitudes ou formulam manifestações para esclarecer certos pontos que. previsões meteorológicas. — descreem da sua repentina “vocaçao Literária” e lembram que. formato 63. desportistas. ou divulgam resenhas de reuniões e assembléias. que fazem parte do público e como público permanecem. boletins de câmbio. anteriormente. por exemplo. as emprêsas privadas através dos seus departamentos de relações públicas. oferecem dados sôbre as suas atividades relacionadas com o interêsse coletivo. os poetas. com Gilberto Freyre. 5ª página-Fotografia com texto. referindo-se a êsses autores — aviadores. os técnicos e “experts” em todos os ramos. “notas oficiais”. as igrejas. foram levados ao conhecimento público.121 Devemos incluir. retificando-os ou ratificando-os. um pequeno ensaio de que resultaria a obra “Casa Grande & Senzala”. os sindicatos de classe. edição de 22 de outubro de 1958. analisou o exemplar do “Jornal do Comercio”. A princípio. como agentes do jornalismo nesta categoria. ainda. etc. edição comemorativa do centenário de sua fundação. 361-362 122 O autor. de certo modo. que escrevem sôbre a sua especialidade. distribuida pelo Esso Standard do Brasil. — e uma correspondência de leito. 32ª página Nota oficial da “Escola de Engenharia de Pernambuco sôbre uma greve de alunos — (2 cole. em face. na sua totalidade. ao publicar no “Diário de Pernambuco”. artistas famosos do cinema. são os colaboradores não remunerados. desenvolvimento do serviço público. em média. publicando-o no Diário Oficial das Alagoas.0. os autores de relatos especiais sôbre feitos e realizações que os tornaram “nomes que fazem notícias”: um Príncipe Yussupov narrando como matou Rasputin. etc. ainda. ao escrever estas observações. levados ao écran da TV e às películas cinematográficas. retificando informação. outra classe de ag entes do jornalismo.

o trabalho do leitor agente apresentado na edição estudada ultrapassa a média calculada pelo autor. vez que a técnica periodística utilizada é mais complexa. seja o próprio Estado. sociais. emancipada dos demais agentes. do ponto de vista da realização material.em autênticos retratos do momento e das condições sociais e econômicas reinantes. muito raramente o editor é. atualmente. representa um grupo. a improvisação. seja político ou filosófico. um indivíduo. a figura do Estado Editor. na maioria dos casos como um monopólio estatal.000 exemplares. e 24ª página — Nota sôbre o uso moderado de m nas manobras militares próximas. exigindo especialização e treinamento. seja econômico.”124 Em face disso. o editor. atuando no plano econômico-financeiro da obra periodística. jornalismo negócio. ligando-os entre si apenas relações de interêsse. 23ª página — secção Repartições Públicas (3 x 25). que se constituem — como já foi salientado . senão os ligados à gerência industrial e comercial da emprêsa. que reclama um homem de negócios: em 1949 avaliava-se o preço de um “longa metragem” em 43 milhões aproximadamente. bem como criando sempre novos veículos. p da secção “Jornal da Praça” — Meia página. solicitadas e grande parte dos “pequenos anúncios”. como agente jornalístico. Quanto ao cinema. ao surgirem as primeiras tipografias — e ainda hoje em muitas localidades menos desenvolvidas ou mais apegadas às suas tradições — o editor era também jornalista e técnico. E entre as características da atuação do público. O EDITOR Sem editor (e nesta designação incluímos os proprietários e emprêsas proprietárias ou concessionárias de rádio. correspondência do leitor. na época do “praetor” e do “ceryse”. que chamaremos financista. o leitor verificará que as manifestações modernas do jornalismo oral continuam sob o controle dos governos. “Na França. um convite a candidatos ao CE Preparação dos Oficiais da Reserva (2 x 25). hoje. Quer na parte do rádio. Um quotidiano. a percentagem será talvez menor. fornecida pela 7ª Região Militar ainda fêz incluir na 22ª página. seguros observadores estimam que o capital necessário para a criação de um jornal quotidiano se situa entre 500 milhões e 2 bilhões de francos. como tipógrafo o e impressor. 1957 — pág. Quanto ao rádio e à televisão. tem avaliadas em 822 milhões de francos as suas despesas para o ano de 1953.. verificando como é expressiva a sua colaboração à obra jornalística. o elemento técnico se conjuga aqui com o elemento financeiro para reservar a emissão a um número de emprêsas estritamente limitado. ao mesmo tempo que reclamam do editor um quase desligamento de qualquer outro setor. salvo casos excepcionais.matéria extra-redacional. que tira 170. Efetivamente. Mesmo sem páginas de pequenos anúncios. na sua generalidade. os meios financeiros exigidos para a realização do jornalismo ultrapassam a capacidade individual. na atualidade. adiante. “São êles os que querem “fazer dinheiro” comentário do redator). mais tarde.123 ao tempo do jornalismo manuscrito. notas econômicas. quer na do telejornalismo — o ouvinte ou o telespectador interessado poderá igualmente apurar o tempo tomado pelo público. antes de mais nada. atingindo profundamente os processos de difusão e exigindo a inversão de grandes capitais para o seu estabelecimento e manutenção. 124 J. O Editor Financista — Para a primeira categoria de editôres. distribuida pelo Departamento de Relações Públicas do Banco do Nordeste do Brasil (um quarto de página). 123 Quando estudarmos. confundiam-se as figuras do editor e do jornalista. O financiamento de um filme é uma operação completa. distribuída pelas seguintes secções: informações diversas. a principal responsável pelo surgimento editor como uma figura com caracteres próprios.. estão a espontaneidade.. . obituário. enfim. televisão e cinema) não seria possível a existência e multiplicação dos veículos periodísticos. Foi a evolução da técnica. é o principal agente do jornalismo. o editor é uma personagem distinta dos demais agentes jornalísticos. Por isso mesmo. o editor era o Estado ou um dos seus Poderes — Executivo e Judiciário. Rivero — Techniques de formwtion de l’opinion ia VOpinion publique — Paris. Na primitiva fase do jornalismo oral. o menor esfôrço. 19ª página — Secção “Uma caridade por dia” e matéria sôbre artesanato no nordeste.

. E indaga: “Por que esta tendência ao divertimento e às “features”? Evidentemente — êle próprio responde — por que é aí que reside a vantagem e por aí entram os lucros. 1958. — Rio. Capítulo precedente sôbre jornalismo ideológico. Observaria cuidadosamente as páginas femininas. uma discussão circunstanciada do importante tema da sua influência na orientação filosófica do jornalismo nêles praticado. conferirá nobreza ao jornalismo praticado. não diria uma palavra desagradável a respeito de ninguém. Preocupar-me-ia principalmente com descobrir se o jornal dispunha ou não dos homens e mulheres que sabem comprar boas historietas em quadrinho e as melhores palavras cruzadas. Vimos128 que o faz. no momento. Rádio e Televisão . a hipótese de achar-se proprietário de um jornal americano típico e mostra como agiria: “Eu não prestaria a mínima atenção a princípio às colunas de noticiário das páginas 1. Sackett. Pode-se decerto citar casos — entretanto muito raros que mostram que anunciantes têm feito uma pressão direta sôbre jornais. escrito para situar a ação do editor na feitura dos veículos jornalísticos.. do que entorpece os sentidos fazendo-os escapar às difíceis conjunturas da vida. sôbre os contrôles do Estado. quando abandonou o contrôle daquele 125 J Rivero — Obra cit. Dizer-se que há pressão. havendo pequena percentagem de notícias sérias. editor de Time e Life e. “a questão se põe e saber se a publicidade tem uma influência direta sôbre a imprensa. Mas parece que êsses meios de pressão são cada dia menos utilizados.com o jornal. Também pode adotar um “código de ética” que. os jornais americanos tornaram-se quase todos êles sérias emprêsas de negócios. ao mundo dos grandes negócios é da mesma natureza que o interêsse dos proprietários de jornais. a seguir. ligados também êles ao “big business”.126 Dizia êle que o jornal americano típico contém apenas 15 a 20 por cento de notícias. Louis Post Dispatch. 128 V. É raro que o diretor de urna grande emprêsa privada reprove a tendência social de um grande jornal ao qual distribui a sua publicidade.”125 A sua ação é quase que limitada aos setores da publicidade. do pitoresco. porque o editor dêste jornal pensa como êle mesmo sôbre as relações com o mundo do trabalho. ou reduz ao mínimo. tendo a sua base na publicidade. excluindo-se as colunas pessoais e sociais. das relações públicas. Aqui. — pág. Em minha vida. é inexato. organização e administração de um jornal independente: “Eu semp re admirei e fui inspirado e auxiliado pelo credo de Joseph Pulitzer. E exclui. Wilson Velloso in Anuário da Imprensa. Mesmo porque êste jornalismo financial. as páginas culinárias.” Figura. como o aconselhou o norte-americano Sheldon F. em proveito dos fatos. 285.P.” Não cabe neste capítulo. um só objetivo — atingir o maior público para obter maiores dividendos. . em sua maioria. a menos que a polícia tivesse pôsto pelo menos um pé do cidadão na cadeia. 127 Jacques Kayser — Presse a Opinion — Obra cit. Como já se observou. falando sôbre a fundação. como o fariam com o petróleo ou os produtos químicos. notadamente quando o ponto de vista exposto já obteve a sanção da grande maioria da coletividade e do próprio Estado. 126 Conf. deixado para o St. uma coalisão permanente. sôbre os impostos. o ecletismo é o seu lema. o pensamento. E. e êstes em favor dos entretenimentos. 2 e 3. Há. agitam a opinião coletiva. O resto é “entretenimento”. procura antes de tudo agradar ao público para aumentar a clientela. naturalmente. de tudo quanto esteja à margem das preocupações quotidianas. da circulação. ela é inútil. uma razão pode ser dada: — o interêsse dos anunciantes que pertencem.”127 Isso não quer dizer que o editor- financista não permita sejam focalizados nos seus veículos assuntos na ordem do dia. Nesse sentido. Tentaria publicar com a maior freqüência possível o nome de todo mundo na cidade — e os retratos também. Além de outras. — pág. tomando posição em questões que. Quando achasse que tudo isto estava sendo bem feito. é precioso o depoimento de Henry Robinson Luce. o velho. pela extensão dos conceitos nêle inseridos. No tocante à linha editorial. as colunas de sociedade. o rádio ou o filme. então me permitiria o luxo de alterar o noticiário nacional e internacional. 119. falando a estudantes de jornalismo e membros da Associação dos Proprietários de Jornais de Oregon.N. sim. nenhuma ideologia.

no nosso país. A emprêsa tem um patrimônio estimado em 12 milhões de cruzeiro s. (“Country Editor” — P&B —17 mm. em 1907. em média. de 5-11-1957. exibidas com bôa acolhida no país e que sem dúvida constituíram excelentes meios de promoção para aqueles diários. onde passou a dirigir a seção de fotografia do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).130 “slogans” informativos nas rádio-emissoras e nos luminosos. Tenho a intenção de pedir ao filho dêle licença para usar no meu jornal essa afirmação de princípios. seja a plutocracia predatória ou a miséria predatória. sempre continuará dedicado ao bem público. será sempre ciosamente independente. Quer transcrevê-la? Aqui está: “Sei que a minha retirada não produzirá diferenças. ed. o editor não limita ao seu próprio veículo de publicidade o contributo na realização jornalística pois êle. no serviço cinematográfico da Marinha Francesa. ao tempo da ditadura estadonovista. Pode-se constatar a veracidade desta assertiva nos filmes produzidos por Jean Manzon. como o Ministério da Viação. Transferiu-se para o Brasil. custou-lhe cêrca de 1. quando filmou. entre outras de “atualidades” ou como documentário. locutores e jornalistas brasileiros figuram no seu pessoal para filmagem. nunca se satisfará com apenas publicar notícias. percebendo vultosos salários. Como agente. No Brasil. são apenas exibidas no país e os direitos de distribuição que lhe são pagos pela União Cinematográfica Brasileira (UC) são insuficientes para amortizar o investimento. legendas ou “slogans” próprios no cinema e na TV. que representou o cinema brasileiro no Festival de Cannes. quanto aos princípios cardiais. focalizando o funcionamento de um jornal independente em Littletown.). cartazes e outros meios de divulgação. que o jornal sempre lutará pelo progresso e a reforma. As produções de Jean Manzon. Além de películas exibidas nos cinemas e televisadas. Manzon iniciou a sua carreira no Paris Match e teve destacada atuação na 2ª Guerra Mundial. atraiu técnicos europeus para a sua “entourage”. o público encontrará esta “trade mark” no jornalismo do editor.000 cruzeiros. faixas sonoras especiais no rádio. ainda não recuperados. tendo a emprêsa de recorrer à publicidade: departamentos governamentais. o seu comércio. porém. excetuando-se a já citada. como edição especial das atualidades. No Catálogo de Filmes do USIS . Nem sempre. por sua vez utiliza outros veículos para a sua propaganda.para 1957. 600. nunca temerá atacar o mal. . A. nunca negará piedade aos pobres.emissoras em todo o mundo. leitura e redação dos “scripts”.jornal.500. inclusive. participou do “staff” de “O Cruzeiro” e terminou por fundar a Jean Manzon Films S. tendo êxito em todo o Inundo. Um filme documentário de 30 minutos de projeção custa. após criar o New York World. a Petrobrás. no rádio e na televisão como programa de interêsse coletivo. Col. o editor- financista cerca-se de uma equipe de “experts” que orieffta e executa a sua colaboração: — a informação e o comentário pagos por terceiros interessados e que a ética determina sejam assinalados por características. que freqüentemente surge camuflado: no çinema.” 129 AJim de que o seu jornalismo não fuja ao principal objetivo (econômico-financeiro). Em seguida. as companhias de aviação. a retirada de Dunquerque e foi condecorado por bravura no desempenho de suas missões. 130São numerosos os documentários sôbre grandes jornais e rádio. encontramos referência a dois documentários. Botelho Filme produziu uma curta. organizações de economia mista.A. que nunca se filiará a nenhum partido. sempre se oporá às classes privilegiadas e aos exploradores do público. o editor é um agente destacado da 129Publicidade & Negocios — Rio.000 cruzeiros (cálculo de outubro de 1958) e o próprio Manzon confessa que a sua mais famosa realização.metragem sôbre “O Estado de São Paulo” e Jean Manzon uma outra sôbre “O Globo”. A maioria dos “jornais cinematográficos” brasileiros está neste caso: uma instituição financia a realização da película para a inclusão de cintas focalizando o seu trabalho. “Samba Fantástico”. cujo número se eleva a mais de uma centena. que recebe do anunciante e dêle se faz porta-voz. Fotógrafo e cinegrafista francês. em 1955. cinegrafistas. o seu negócio. nos jornais e revistas como matéria redacional. que sempre combaterá os demagogos de todos os partidos. e Departamento de Obras contra as Sêcas. tais como números e asteriscos no jornal. (“Small Town Editor” — P&B 18 mm) e a labuta de um jornalista editor de um semanário no interior dos Estados Unidos. objetivando aumentar o seu próprio público. sociedades privadas.

dos seus correligio nários. Não fará propaganda de outro credo filosófico. imprimindo à materia divulgada orientação religiosa. dos seus clientes. o nível intelectual e os níveis econômicos dêsse grupo. que o editor-financista não tem escrúpulo em empregar. norte- americano. assassínios. do Estado que mais eficazmente proteja a sua atividade. diário de Boston. dos seus interêsses ou das suas pesquisas. por isso. será inflexível no exigir do seu pessoal a mais absoluta conformidade com os princípios religio sos e morais que o inspiram. o grau de educação. Entre êstes figuram Editor & Publisher.. promover concursos de beleza suspeitamente destinados a exaltar a graça e a eugenia. retratos e discursos de personalidades políticas devem ser recusados como matéria paga. por questão’ de princípios religiosos. 104. das elites que melhor entendam e prestigiem o seu trabalho. As “cartas do leitor” passam pelo crivo da redação antes de ser divulgadas. intenta fazer crescer o número dos seus prosélitos. A respeito dessas restrições e contingências a que se subordinam os veículos empregados e realizados pelo editor-idealista. as suas quatro edições diárias (city edition para Boston e Mass. um grupo representativo de uma corrente filosófica.). Assim. em inglês e noutro idioma. têm campo mais limitado. O editor idealista não se permitirá. 132 Órgão típico dessa orientação é o Christian Science Monitor. não usará de subterfúgio para condenar aquilo que julga errado na doutrina pregada pelos ministros de outros cultos. 133 Relio Hoeppner e Oswaldo Mariano — Seminário de Orientação de Jornal de Empresa SESI — São Paulo. revista semestral de estúdos jornalísticos e defesa do jornalista. dos seus associados.131 O Editor Idealista — Quando o agente editor é constituido por. Cuba. tanto no que se refere à publicidade como à popularidade. dar relêvo aos “fatos diversos” — suicídios. escândalos. por grupos intelectuais. 131 Embora não muito comuns no Brasil. Possui um dos corpos redacionais melhores e mais sérios da imprensa norte-americana e. onde atualmente se destacam apenas duas publicações no gênero: Indicador dos Profissionais da imprensa. notas elogiosas. pelo campo doutrinário e político do organismo a que se filia ou serve. sociedades e sodalícios científicos ou artísticos: por sua própria natureza. mensário editado para as Américas. da TV ou do cinema. Daí conferirmos a esta classe de editor a designação de idealista. do rádio. levando-se em conta a cultura. do seu programa. Na última página insere diàriamente um artigo de três colunas.132 Iguais restrições às fontes normais de receita e atração pesam sôbre os órgãos editados por sindicatos ou associações de classe.imprensa especializada em jornalismo e em “magazines” que possuem seções de notícias e comentários sôbre essa atividade. aceitar publicidade de “cabarets” onde se exibem espetáculos de nudismo. etc. ou política ou de uma atividade de produção (órgâos de publicidade religiosos. Não se ocupa de escândalos ou crimes. eis o que nos ensinam Helio Hoeppner e Oswaldo Mariano 133 referindo-se à propaganda para um jornal de emprêsa: “Deve-se aceitar uma publicidade consentânea com o grupo ao qual é dirigido o jornal. êsse tipo de editor não deseja tirar proveito financeiro da exploração do jornal. . em Havana. editado pela Empresa Jornalística P. e o Intercontinental Press Guide. por exemplo. televisar ou filmar mulheres semi-desnudas. 1967 — pág.N. sob o cientificismo cristão. no caso de o seu veículo de divulgação ser religioso.. Pacífico e região central do país e internacional) são tidas na mais alta conta pelo publico de nível cultural mais elevado. de sindicatos de classes. E se bem que a emprêsa reclame bases industriais e comerciais para a sua manutenção. Devem contar com prejuízos financeiros ou com o apêlo a contribuições extraordinárias do seu público para competir e. Diretamente. costa do Atlântico. Já no título não esconde a sua linha doutrinária. e o Anuário da imprensa. para manter-se. S/A. por vêzes. Propaganda política. Rádio e Televisão. pois nesse setor o jornal de emprêsa deve manter-se dentro da mais rígida imparcialidade. ambos no Rio — magazines especializados circulam em todo o mundo com a maior aceitação. o editor tem de conter o seu senso de negócio e as margens do lucro dentro dos limites estabelecidos pela linha ideológica. de organismos científicos. o jornalismo praticado objetiva criar no espírito público disposições favoráveis aotleno desenvolvimento das suas idéias. político-partidários. cuja redação visitamos em 1954. utilizar por conseqüência diversos dos expedientes para atrair o público. ou fotografar. deve ser recusada in limine. Fato curioso é que todos os’ jornalistas e gráficos dêsse órgão se abstêm de fumo e bebida.

tais como: estar em dia com os atos governamentais. surgindo en várias condições e prOduZindo_se nos mais variados domínios uma censura social. 135 J. o conhecido jornalista e editor. criada para informar e formar a opinião. para satisfazer concretamente a algumas necessidades coletivas. essa emprêsa pode auferir grandes vantagens econômicas na nova posição assumida. Nunca se destinou a isso. “entre os grupos de interêsse e os partidos. que se encontra em todas as esferas da ativi. descamba para um extremismo de princípios. nem o proselitismo ideológico. outro fator — continua a revista — que o sr. o Estado não visa o lucro financeiro. ou não deve ser pleiteada. diretor do vespertino Tribuna da Imprensa. Tal emprêsa puramente financeira. que deve ser prestado pela administração como qualquer outro. Disse êle que “é mais fácil e menos caro fazer um jornal panfletário do que um jornal baseado na notícia”. as sentenças e decisões da justiça. Crise que continua. coletivas e sociais. O editor-idealista exercita nas emprêsas sob sua orientação aquela auto-censura de que falavam Kimball Young e Paul Sollier. redatores correspond entes e outros profissionais.” Mas. Nem todos os anúncios podem ser aceitos em um jornal de emprê sa. a infiltração do panfleto no jornal resultou de uma fase de crise na da nacional. além dêste motivo. não há departamentos estanques entre a atividade do editor-financista e do editor-idealista. há entrelaçamentos mais ou menos admitidos. foi abordado pela reportagem da revista F. sem um definido propósito ideológico. a rigor. do Rio. os orçamentos. E. nem um jornal científico. 136 Publicidade & Negócios – Edição de 5-2-57.”135 Casos há em que uma emprêsa jornalística. ao contrário do que se pensa. então. mesmo materiais. Carlos Lacerda. matéria paga sôbre instrumentos cirúrgicos ou máquinas de contabilidade. As ideologias não são sempre puras e os interêsses são por vêzes sinceros no seu consenso a tal ideologia. há então tôda uma gama de matizes que não concorrem para clarificar o nosso problema. E. o planejamento e as realizações do poder público. nem em um magazine para crianças. havendo um público sequioso de jornalismo e que deseja ver neste jornalismo um intérprete da sua opinião e um manancial de informação. individuais. Por isso é que. cabe tão sòmente conhecer o seu metier para conquistar êsse público e atingir os objetivos a que se propõe ao dedicar-se a esta atividade. Naturalmente. então “caracterizada menos como noticioso.134 que não deriva de nenhuma fôrça externa própriamente. – pág. as normas e regulamentos. Utiliza os veículos de publicidade como um “serviço público”. dade humana. Rivero – Obra cit. .136 Êsse exemplo concreto e êsse depoimento autorizado permitem concluir que. que consulta sem dúvida nenhuma os seus interêsses.. o indivíduo ou 134 Kimball Young — Social Psychology New York. encontra-o pondo-se a serviço de tal ou qual grupo de interêsse. 1929. propaganda de luvas de box ou bastões de críquete. cabarés. que busca o proveito máximo.que também deve ser recusada sistemàticamente. estas ligações se operam por processos os mais diversos. por si sós.. sôbre a transformação operada naquele jornal. ainda..N.” Teve. pois não se faz jornal noticioso sem uma grande equipe de repórteres. a oportunidade de fazer as seguintes revelações: “A Tribuna da imprensa não se destina a ser um panfleto. 1935 e Paul Sollier — La répression mentale — Paris.Outra publicidade . A propósito. os projetos de leis. Carlos Lacerda aponta como justificativa do panfletarismo na Tribuna. ao editor. exigida pela necessidade de acomodação au grupo. que passa a caracterizá-la como sectária. as estatísticas. entregue ao dia-a-dia de maneira impessoal do que como um órgão de combate de sentido panfletário. com a finalidade de pôr a serviço da comunidade instituições que. 120. é a referente a clubes noturnos. que é um processo psicofisiológico Psicossociológico. clubes de jogos. O Estado Editor — Ao contrário das demais categorias de editores.” Nem um órgão literário se permitirá publicidade de sabão ou charque. para constituir-se num eficiente e vitorioso agente jornalístico.-cultural. o que comprova a necessidade de um exame rigorosa e de um alto critério para a inserção de matéria paga em um periódico dêsse tipo. mas do próprio temperamento e do prévio condicio namento sóeio..

em benefício da coletividade. a sua economia é protegida pelo Estado. as reduções de tarifas postais consideráveis que lhes são atribuidas. hoje. considerando que. — págs. o Estado não é sòmente. Na maioria dos casos. a éstes devoradores de dinheiro que são os jornais. 1957 — pág. Rivero — Techniques de formation de l’Opinion Publique in L’Opiniow. na França. êle pode fornecer. vai até à fixação do número de páginas dos jornais139. com a dependência que ela implica. está ela na dependência de duas emprêsas públicas: a Sociedade Nacional das Emprêsas de Imprensa. O rádio e a televisão que são monopólios. J. Nos Estados Unidos. Isto não é tudo: a Sociedade Profissional dos Papéis de Imprensa. ou seja: financiamento autoritário.grupo de indivíduos não poderia manter. desde que adquira o seu receptor. dispensa de impostos.. os serviços públicos industrializados são deficitários.”138 Mesmo nos países em que as emprêsas jornalísticas (seja da imprensa. se constituem em monopólios do Estado. do Estado subvenções anuais muito vultosas. Rivero — Obra cit. como nos Estados Unidos e no Brasil.015 estações de potência a mais diversa. ao contrário com o encarecimento do produto e a concorrência entre os jornais. tarifas postais reduzidas. mesmo aquêle de natureza industrial. tem o direito de tornar-se gratuitamente auditor ou espectador de não importa qual das emissoras do mundo. recebe. a Agence France- Presse recebeu. firmada pelo comentarista Joaquim Ferreira. na Itália e nos 137 “A emprêsa de emissões não pode contar com nenhuma espécie de receita direta. já pela necessidade de um contrôle exigido pelos acôrdos internacionais. havia. Isso ocorre. que é o agrupamento de compra pelo qual todos os jornais adquirem papel. elevando o número de páginas até então limitadas a dez. neste terreno. uma subvenção de 2 bilhões e 300 milhões (francos). no financiamento de um filme. quando diretamente explorado pelo Estado. Na França. da TV ou do cinema) são exploradas por particulares. de terem os seus jornais meios de desempenhar adequadamente as suas funções’ isto é.137 Ora. etc. o ideal será que os seus orçamentos tenham equilibradas as receitas e as despesas. o preço e o consumo do papel de jornal. o seu alimento quotidiano. Ajuntai a isso as isenções fiscais que beneficiam a imprensa. correspondente à diferença entre o custo real das informações e o preço pelo qual os jornais as utilizam graças ao Estado. como vimos acima. como negocio privado. em princípio. segundo correspondência de Londres para a imprensa brasileira. Daí porque o Estado-editor não pode. que monopoliza as informações das quais êles vivem. 118. na maio ria dos países. é também o grande redistribuidor da riqueza nacional. 138 Conforme J. também. em parte. contestaram que a liberação do mercado de papel garantisse tais meios. o “superavit” será reinvestido. Assim.. culculada em 45%. como é o caso do rádio e da TV que. que centralizavam a publicidade de que viviam as diferentes emissoras e que elaboravam elas mesmas os programas retransmitidos pelas estações:” — Conf. a fonte de concessão de subvenções diretas ou indiretas. ou o financiamento pela publicidade. constituir-se num concorrente do cidadão ou dos cidadãos editôres. seja direta seja indiretamente. 139 Em 1956. Publique — Paris. vivem inteiramente às suas custas. o financiamento da exploração não pode realizar-se senão por três processos.. Apenas The Tirnes defendeu o ponto de vista do que “o exercício da liderança política e moral que a Grã-Eretanha ainda possa oferecer às nações depende. que administra a quase totalidade das oficinas de impressão e as arrenda aos jornais por tarifas muito inferiores às tarifas normais. do rádio. o público do rádio ou da televisão. liderados pelo “Daily Mirror”. matéria prima da imprensa. tendo o governo extinguido o contrôle sôbre a importação de papel. em 1955. um dos raros países em que o rádio permanece. atualmente. e sômente êle. o rádio. mediante isenções alfandegárias.. com e pagamento de urna taxa devida por todo proprietário de receptores. terços destas estações estavam filiadas a quatro rêdes. se se trata da imprensa. os jornais ingleses travaram cerrada polêmica sôbre a medida. Em cumprimento dessa tarefa de proteção ao exercício do jornalismo é que o Estado tem controlado o provisionamento. ampliando-se o seu alcance e melhorando-se as suas instalações. concessão de freqüências e canais. dois. Para o cinema. o serviço público. avalia-se em 15 bilhões por ano a ajuda do Estado à imprensa. 121-122. não se destina a oferecer lucros. e se acaso os oferece. a Agence France-Presse. na Inglaterra. 3. sob pena de afetar a economia privada com perigosos reflexos no sistema econômico nacional. a parte do Estado na França. taxas cambiais especiais para aquisição de maquinaria e matéria prima. Ora. o financiamento voluntário pelos interessados constituidos em associações. já pelo astronômico montante das inversões. o cinema. em 1951. vários . o detentor da autoridade política. Os outros jornais. Além do mais.

69. começou a morrer La Prensa. por isto ou por aquilo. econômicamente acuada. ed. conseguiu mesmo a colaboração de muitos jornais e jornalistas enquanto permaneceu no posto. Exas. Não é que não houvesse jornais capazes de suportar o pagamento de direitos. como La Prensa e La Nacion. sob a alegação de que isento só estaria o espaço do com notícias e comentários de interêsse nacional o aquele que era ocup ado com anúncios. a intimidação e em outros o poder de sedução pessoal e a capacidade de resolver problemas que tem inegàvelmente o sr. Na Argentina. que representa. Êste ponto é importante. 143 Referia-se ao diretor Juan Peron e ao seu regime chamado justicialista. conjuntamente com os diretores de jornais e as fábricas de papel”. atualmente. 140 V. não vive um mês. as dos jornais que lhe eram adversos. Como VV.142 Em todo caso. o discípulo do Estado Novo143 aperfeiçoou o sistema.Países Baixos. permitimo-nos transcrever trecho em que a questão do papel é focalizada. No tempo do DIP. Em alguns casos entravam também o dinheiro. por pagá-los. sabem. examinou as transações do Banco do Brasil com emprêsas jornalísticas. como porta-vozes da opinião e veículos insubstituíveis de informação educação e cultura. Paris.144 desapareciam ou seriam amalgamados pela chamada “grande imprensa” em prejuízo para as comunidades a que serviam. bastava em tese. é claro. como começou a morrer a Argentina. medindo o espaço ocupado por anúncios nos grandes jornais independentes. o contrôle da matéria prima tem a sua razão de ser naquêle protecionismo que a própria sociedade exige para os jornais. morre aos poucos. Se a imprensa tiver de pagar êsses direitos. teria um custo de produção tão alto que não suportaria a concorrência com os demais. Fêz o monopólio estatal da importação de papel e passou então a distribuir as quotas de papel importado a cada jornal. em 1953.receita para o jornal — chamando desde logo à receita lucro para o jornal. 144 Tribuna da Imprensa. tenha exorbitado nesta função. começa a silenciar ou tergiversar”. e pela lei. não morre de uma vez. e até nos países exportadores. a fim de assegurar a exportação de uma parte da produção nacional para países de moeda mais forte”. Assim. Do depoimento prestado pelo jornalista Carlos Lacerda perante uma Comissão Parlamentar de Inquérito que. 141 Departamento de Imprensa e Propaganda. inclusive utilizando a censura prévia. tanto no seu aspecto positivo como no negativo: “No tempo do DIP 141 o grande truque para controlar a imprensa foi o papel. Porque não poderia entrar em concorrência normal com outros. mas é que. A liberdade de imprensa. 142 Foi diretor do DIP na sua primeira fase. Le problême dx papier journal — Unesco. com isenção de direitos alfandegários. A seguir torceu um pouco mais a rosca: fez pagar direitos alfandegários pela quantidade de papel consumida com anúncios. silencia. convém que tenhamos isto sempre em vista. quando principiou a morrer La Prensa. Diante da reação dos jornalistas e do povo. foi transformado em Departamento Nacional de Informações e. onde os jornais recebem o seu papel segundo um sistema de quotas. morre quando a imprensa diz uma coisa por outra. Com habilidade. . assim. chegando a tornar impossível a circulação de órgãos da imprensa oposicionista pela exagerada restrição de quotas ou total recusa de fornecer-lhes papel. “onde o racionamento é dirigido pela Comissão de Combustíveis. em 1945. chamando regime ao govêrno. chamando nação ao govêrno. É claro que os jornais tinham que se submeter a isso. o que se fêz foi um decreto-lei pelo qual a isenção de direitos para a importação de papel de imprensa ficava condicionada à maior ou menor colaboração do jornal com o regime então vigente. 1949 pág. 140 Se bem que o Estado. como na Suécia. estava liquidado. racionando. o papel para a imprensa é importado por lei federal. antes mesmo da sua ocupação militar. o govêrno “mantem sempre restrições penosas sôbre o consumo. morre quando a imprensa. morre quando a imprensa. algumas vêzes. 24. Lourival Fontes. além dos poderes que lhe eram conferidos. Por que? É uma pergunta que tem cabimento neste inquêrito. órgão criado durante a ditadura estado-novista no Brasil para controlar todos os veículos de divulgação. apenas controla a Agência Nacional encarregada da distribuição de notícias oficiais. chamando pátria ao govêrno e chamando govêrno ao chefe do govêrno e teria que pagar direitos pela importação de papel. de 8 de julho de 1953 — suplemento O preto no branco — pág. que o jornal se portasse mal com o regime.

transcreve um editorial mesmo Pravda. No primeiro caso. pelo Ministério da Cultura. acabam sabendo tudo. e é de imperiosa conveniência e eqüidade que tôdas as ideologias tenham acesso igualitário à radiodifusão porque. refletindo. então. através do qual se constata que a imprensa na URSS não é de informação “mas de combate. nos nossos dias. Editor Idealista — Se não é lícito ao Estado visar lucro quando se reveste da função do editor. Êste contrôle do Partido sôbre o seu órgão central é substituído. portanto. O Estado. Os assuntos dos editoriais são propostos ao Partido — a menos que sejam por êle sugeridos — e submetidos em última análise ao seu imprimatur. Cada distrito provincial. no que tange ao jornal do Exército. quando se comemora ali o “Dia da Imprensa” (data da fundação do Pravda por Lenine. pela sua natureza. 1947 — pág.. em nome da sociedade.” O Estado. no qual as ondas hertzianas — matéria prima como o papel para a imprensa — não são suscetíveis de apropriação privada.000 exemplares de tiragem — pelo contrôle do govêrno. com caráter necessàriamente precário. pois que se lhes ocorre que aos meninos. pertencem ao domínio público. oficialmente se comunicam notícias até seis meses depois de conhecê-las amplamente o púb lico. cita um comentário de Ricardo Saens Hayes. no que diz respeito ao Trud — diário dos trabalhadores sindicalizados — pela direção sindical. e o iornal depende das autoridades governamentais. de orientadora. em reportagem sôbre a imprensa soviética. o pensamento do Govêrno Comunista. O protecionismo do Estado ao exercício pleno do jornalismo deve estender-se. Esta contrafação se vem registrando. como é o caso da União Soviética onde o principal jornal — Pravda — com uma tiragem superior a três e meio milhões de exemplares. com absoluta fidelidade. de organizadora das massas. no segundo caso. restringiria ainda mais — quando não a extinguisse por completo — a ação do editor-idealista. única agremiação política do país. o Komsomolakaia Pravda. conforme diretrizes chegadas de Moscou. escreveram: “as informações mais importantes são alvo de longos debates (na redação) e em primeiro lugar apresentadas ao Partido. Estrêla Vermelha. em La Prensa de 26 de dezembro de 1945. etc.” Quanto ao caráter do jornalismo soviético. Os que se enganam são êles. quanto à Litteraturnaia Gazetta. porque os povos. tomou ao seu cargo tôdas as funções jornalísticas. Na Espanha ocorre algo que chama a atenção dos etrangeiros. — é o órgão central do Partido Comunista. tem o seu Pravda controlado pela seção local do Partido Comunista. haveria uma concorrência desleal com o editor- financista. pelo Ministério da Defesa Nacional. mais caracterizada contrafação do direito de editar se verifica quando emprega os veículos que controla para um proselitismo ideológico.. como os meninos. Ela deve auxiliar todos os trabalhadores a lhes 145 Eliel C. àqueles veículos que.145 E a respeito. como adverte Elier C.500. Em ambas as hipóteses. .. no que se refere ao Izvestia — 1. nos seguintes termos: “Dir-se-ia que os governos autoritários crêm na infância dos povos. “os governos carecem de meios próprios para impedir a difusão das noticias e opiniões que propalam estações transmissoras estabelecidas no exterior. nos quais o Estado-editor. nos países socialistas. noite após noite. Helene e Pierre Lazarett. é um dever enganá-los sôbre certas matérias escabrosas. como é o caso do rádio. 108. em 1912).” Lê-se no editorial: “Nossa imprensa. de 5 de maio de 1955. A pessoa mais modesta tem um aparelho com o qual escuta. igualmente. pelo das Juventudes Comunistas. Dessarte.. pois o faz como executor de um “serviço público”. Ballester. sempre cumpriu com honra o papel de propagandista coletiva. o escrupuloso serviço das rádio -emissoras inglêsa e norte-americana. trata-se do jornalismo mais controlável e menos controlado do mundo”. mesmo quando exercidas por organismos não estatais. confundindo-se com êste. monopolizando os meios de divulgação. “deve prevalecer o direito do povo de estar informado da verdade dos fatos da administração pública e de conhecer as opiniões livres dos cidadãos. Ali. cada república. estreitamente dependente do Estado e do Partido. BalIester — Derecho de Prensa — Buenos Aires. monopoliza o seu uso ou o concede a terceiros.

mas exprime uma autoridade incontestável do ponto de vista legal. mesmo quando opina. além das motivações acima referidas.— págs. A obrigação mais importante dos jornais e revistas consiste em serem a sentinela vigilante dos grandes princípios e da adesão ao partido. 148 146 “Raios X da Rússia de Malenkov” – reportagem in Jornal do Comercio – Recife.”147 Estas citações visam fixar a absorção pelo Estado. entretanto não por culpa dos jornais mas do que nêles se reflete. A paixão. da capacidade de defesa do Estado soviético. das características do editor-idealista. mesmo daqueles “that’is fit to print”. assim.. a celulóide. o prof.. a utilizarem os jornais com críticas sôbre todos os assuntos. mas simplesmente de um grande e único Editor-idealista. incita os cidadãos. A nossa legislação prevê. a vontade das massas de combater os abusos e as injustiças se exprimem no fato de que milhares de cartas dos leitores chegam quotidianamente aos nossos jornais. exercendo. de imprensa e de reunião pondo-se à disposição do povo e das suas oganizações oficinas de impressão. da ciência. com os modernos meios de comunicações. Isso ocorre. sanções para todos os atos tendentes a limitar a liberdade de crítica. 147 M. sem os quais a imprensa moderna não pode existir. A imprensa tornou-se a grande tribuna da opinião no nosso país. de divulgação da totalidade dos fatos. mesmo em teoria. O direito político e social à crítica está assegurado por leis em virtude das quais pessoas e instituições criticadas têm o dever de responder pùblicamente à crítica.aumentar a consciência da natureza dos objetivos fixados pelo Partido no desenvolvimento da economia nacional. limitado. igualmente. da imposição dos costumes e das leis. das leis e dos debates parlamentares. pelo racionamento da matéria prima. e. á fim de que tudo . também. isto é. a tenacidade. 148 “Em alguns paises. pela impossibilidade. E também.” E o Estado não priva.. reclamados pelos leitores ou pela linha redacional. da seleção que... tornando os jornais prolíxos. sòmente dando a público aquêles de maior ressonância. 1957 . em cultivarem no povo soviético a convicção inabalável da invencibilidade da nossa obra. em clamar seim descanso pelo contínuo refôrço do poderio da pátria. no que tange à imprensa. 10-7-53. o papel.”146 Na excelente conferência que proferiu no Centro de Ciências Políticas do Instituto de Estudos Jurídicos de Nice. M. ocupando colunas inteiras com matérias que interessam a pequenos grupos de pessoas. “a tendência de transformar tôda a população em funcionários. salientou que era justamente para garantir o direito constitucional dos cidadãos à liberdade de palavra. indeferimentos.. da literatura. estoques de papel e meios de transporte e comunicações que “êsses poderosos recursos materiais. fazem no noticiário dos atos oficiais. ao contrário. agem de encontro aos interêsses da maioria: estão em poder do Estado popular. Rayski — “Les principes de Ia Iiberté de Ia presse en Pologne” in L’Opinion Publique — Paris. das decisões e sentenças judiciárias — e nem poderíamos falar com justeza de um Estado-editor. dos projetos. Rayski. A democracia burguesa jamais. o tempo de emissão de rádio e TV. Não houvesse a parte informativa e normativa oficial nos órgãos editados pelo Estado. com a divulgação dos atos do Executivo. da Universidade de Jornalismo de Varsóvia falando sôbre os processos jornalísticos no seu país. O jornalismo do Estado surgiu. 380-2. em quase todo o mundo. Tal seleção foi provocada. uma “influência mais ou menos decisiva sôbre os negócios públicos. não o faz “contra”. como já aludimos. como no nosso. como se disse. A. que não se faz panfletário e. publicando os despachos dos diretores de repartições. em desfecharem uma luta implacável contra tôdas as manifestações da ideologia burguesa. afogados numa onda escura e morna de deferimentos. significação política. desertos de iniciativas. da arte. proporcionou possibilidades tão grandes ao povo para que possa exprimir sua opinião. sele e volte querendo. A. da necessidade dêsses objetivos e de sua enorme. nos países socialistas. que exigem a divulgação oficial de certos e determinados atos jurídicos para torná-los válidos. em desenvolverem nas massas de trabalhadores o sentido elevado do dever social. tanto os órgãos ecléticos como os ideológicos. não se encontram nas mãos de particulares ou de grupos financeiros que. Porque o jornalismo do Estado-editor é um jornalismo especializado. a imprensa pretende fazer uma concorrência absurda ao “Diário Oficial”. como o entendemos.

acessível. 150 “Uma bandeira branca significava: “rendei-vos agora e vos será feito graça”. como sinal de morte e destruição. se a resistência continuava. E se a “sociedade humana.” — Carlos Lacerda — A missão da Imprensa — Rio. na ordem social — é o técnico. Hooke (1635-1702) inventa o primeiro telégrafo. daquêles conquistadores. o técnico e a sua técnica. o técnico — o homem que descobre.pags. naquela ordem que os filósofos chamam do fazer. na ordem econômica. que aperfeiçoa. como Timours-Lenk. embora sem conhecer a significação de tais sinais. Fase da Manufatura — Por muitos séculos. consistente de um sistema de sinalização. Da simples manufatura. na ordem cultural e o público. o esforço animal. Mais tarde. mas tanto o Delfim como a sua “entourage” consideraram aquêle invento como um entretenimento. a que hoje se propõe seja denominado “comunicação das massas”. para o de mecanismos complexos. que recebiam as notícias e as transmitiam umas às outras. a princípio. que emprega. fazendo da nossa democracia o regime do Govêrno. mediante o uso de corpos sólidos opacos “que se elevam dependa melhor e mais completamente do Govêrno. o jornalismo não exigiu do técnico para manifestar-se senão o trabalho das suas mãos. êle próprio compondo e transmitindo verbalmente o seu noticiário em versos e cantares. Amontons conseguiu realizar duas demonstrações perante a côrte francesa. e a cada veículo utilizado reclamava o especialista. dos chineses com fanais situados em determinadas eminências da Grande Muralha. é aquêle intermediário entre a realização subjetiva de uma atividade e a sua realização objetiva. O técnico. que domina a máquina e a utiliza para tornar compreensível. com os desenhistas das antigas eras. que eram letras cujas chaves sòmente eram sabidas nos pontos de origem e destino. O TÉCNICO Agente do jornalismo — como o editor. Um dia depois. e assim com os epistológrafos. o homem que domina a natureza das coisas. com os copistas. que. fazia içar uma bandeira vermelha indicando a População que teria a vida salva se os chefes aceitassem entregar-se à morte. assim com o jogral. uma bandeira negra aparecia. 7-8. . foi aos poucos incorporando novos veículos. com o serviço informativo de sentinelas postadas de longe em longe. 1949 — págs. essa necessidade é mais sentida no domínio das comunicações. 149 Gustavo Corção — As fronteiras da técnica — Rio.150 O Século XVII assiste à introdução de outros métodos de telecomunicação: é o francês Guillaume Amontons (1663-1705). que ouvia instruções do seu chefe e as transmitia oralmente ao público. a fim de dar alarme à aproximação do inimigo ou instruir as guarnições e as populações protegidas ao longo da fronteira. pelo govêrno e para o govêrno. “do fazer circular o que é do homem para que as coisas assimiláveis por natureza se tornem socialmente e atualmente assimiláveis. No terceiro dia. depois. E então surge. na ordem mecânica. com os gravadores das táboas. pràticamente não exigiu o técnico. que usavam determinados processos para parlamentar com os habitantes das cidades assediadas pelos seus exércitos.”149 O jornalismo. nos quais pessoas munidas de lunetas recebiam certos sinais do pôsto precedente. com os pintores de letras e hieroglifos jo rnalísticos. material. atraente e útil à coletividade o produto do labor dos demais agentes periodísticos. 89-90.” — Jean Laffay — Les Tetecommunications — Paris. 1955 —. fazendo dispor postos em vários pontos consecutivos entre Paris e Roma. como agente do jornalismo.” Na Inglaterra. era ainda manual o trabalho do técnico que utilizava os sinais óticos para fazer circular notícias: daquêles gregos que empregam tochas de fogo e pavilhões de côres diferentes para representar convenções. Assim ocorreu com o arauto. 73-74. dos romanos e gauleses. pois êste se confundia com as figuras do jornalismo e do editor. como tôdas as atividades humanas. 1950 — págs. carece cada dia mais de intermediários”. evolui para o uso de processos e ferramentas simples e. “sem dúvida cheio de engenhosidade mas desprovido de qualquer utilidade para ser pôsto a serviço do Reino. transmitindo-os ao pôsto seguinte. o jornalista. na sua crescente complexidade. evolui para a mecanofatura.

anos e séculos se passaram entre o término da fase da manufatura e o início da mecanofatura. empregando o mesmo processo. o telégrafo de Chappe foi utilizado para a união telegráfica entre Paris e Lile. Em Lyon. número e outros sinais. onde a impressão com “cliché” aparece no ano de 858. então. As famosas bíblias. que depois estabeleceram uma impressora. As diversas posições relativas aos mesmos representavam distintas letras do alfabeto. 151 Segundo Laffay — Obra cit.sucessivamente ao alto de um marco elevado e que correspondiam às letras do alfabeto ou frases determinadas”. mas nas agências dos telégrafos. Até 1400. E a figura do técnico se impunha. Um século depois. 1957 — págs. resultando impossível transmissões em dias nublados ou nebulosos. construiu o primeiro telégrafo prático. na França. 99-100. Drewes — La Tecnica en la Historia de la Hunianidad — Buenos Aires. consistindo em um semáforo de braços. distinguindo-se da dos demais agentes. sistema que foi relegado ao olvido por não ser considerado prático. na Rússia. sob a proteção dos governos. Bergstrasser. que explica a fabricação de tipos de argila. de pedra ou metálicos. Praga (1464). O jornalismo aprendia a utilizar o invento de Gutenberg. com datas de 1448 e 1454. usavam-se blocos de madeira para estampar fazendas com desenhos e legendas (um dessa época foi encontrado em Dijon. Veneza e Milão (1069) e pouco mais tarde a tôdas as grandes cidades italianas. etc. Mas o funcionamento do telégrafo de Chappe (como dos demais inventados e postos então a serviço em diversos países) “dependia no maior grau da perícia do operador. se bem que haja presunção de que os jesuitas. a nova máquina impressora se propagou ràpidamente de Mogúncia a Bamberg e Estrasburgo (1461). e a de tipos soltos se atribui a Pi Scheng. era completamente inútil para efetuar comunicações mais ou menos precisas entre pontos algo distantes entre si ou em zonas comumente nebulosas. sem dúvida muito anteriores. Há fragmentos de impressos mais primitivos cuja origem se ignora mas foram encontrados nos Países Baixos. Rey Pastor e N. além do estado do tempo. Uma vez provada. Na Alemanha.”151 E. em 1791. que então pertenceu a Fust-Gutenberg. Kubilin construiu um modêlo de telégrafo. passava-se da fase da manufatura para a da mecanofatura. Não tomando em conta os costumeiros exageros da história da China. constitui-se numa corporação à parte. Em 1794. fazendo jornalismo ou contribuindo para que fôsse realizado o jornalismo. Fase da Mecanofatura — O desenvolvimento da técnica no jornalismo não se deu repentinamente. Portanto. como mais tarde nas estações rádio transmissoras e nos estúdios e laboratórios cinematográficos.152 No Brasil. Dois anos mais tarde de o haver submetido a provas. não mais satisfeitos com a morosidade das malas postais que. Drewes — Obra cit. por esta época. nas fábricas de papel. França). usual na antiguidade e que perdurou até a Idade Média. o modo de nivelá-los. sob a firma Fust-Schoffer. no Século XVI e os flamengos. 4 — os primeiros livros impressos com tipos soltos e grande perfeição aparecem em Mogúncia. admitindo-se o relato de um contemporâneo. consegue tornar mais simples os sinais. “baseando-se nos mesmos princípios de sinalização. não apenas nas oficinas gráficas. se supõe sejam da mesma imprensa. se vinham estabelecendo e desenvolvendo na Europa. — e J. porém mais simples. semelhante ao de Chappe. — págs. 174 e seguintes. Suíça (1460). Ray Pastor e N. 152 J. já a necessidade de comunicações mais rápidas e mais intensas se fazia exigência dos homens e dos povos. 2 — até 1370. o primeiro livro impresso apareceu em 1473. 3 — de 1440 em diante. Drewes distinguem os seguintes fatos relativos à origem da arte de imprimir: 1 — a reprodução de desenhos mediante selos de argila cozida. fazem-se livros com “clichés” de madeira e também com pranchas de cobre (há um de 1446) . Rey Pastor e N. durante o seu domínio em Pernambuco (Século XVII) tenham estabelecido tipografias. nas fundições de tipos. Roma (1465). . no século XI. faziam-se tais estampas sôbre papel (há fôlhas fechadas de 1418 em diante) com tinta aquosa. A Sorbone contratou em 1470 três operários suíços. Claude Chappe.

à base daquela que William Nicholsou patenteara em 1790 para imprimir “sôbre papel. The Times. auxiliado por dois frades e um marinheiro francês. o requerimento do negociante Ricardo Catanho. E assim foram destruídos “o esfôrço e aspiração do desconhecido proprietário cujo nome a história não soube guardar. aos italianos Chirio. do empastelamento e destruição de tipos e rudimentares tipografias. — págs. Em 13 de maio de 1808. cujo mister se limitava à impressão de letras de câmbio e breves orações devotas. que se sentiam ameaçados com os avanços da mecanofatura.154 Menos pelo afã do lucro do que pela sua paixão pela arte. primeiro empregou a máquina rotativa.”153 Apesar de tão severas ordenações. . tipógrafo talentoso. cujos nomes se perderam na poeira do tempo. do território metropolitano. E dá como primeiro técnico do jornalismo em Pernambuco ao inglês James Pinches. que os deixaria — assim o julgavam — ao desemprê go. linho. mais tarde. 19 a 42. permitindo uma perfeita cópia do original. algodão e outros artigos. a Ged. concedia licença a particulares para instalar oficinas gráficas em diversas províncias. em 1816. outro fato curioso se registrara: a primeira tipografia autorizada a funcionar pelo Rei. Mina e Giozza. Fato digno de menção e que demonstra cabalmente o perfeito 153Sanelva de Vasconcelos — Prelos & Jornais — Recife. 154 Ver Sanelva de Vasconcelos — Obra cit. circulava com impressão dupla (dos dois lados simultâneamente).” Uma ordem régia de 8 de julho de 1706 — que é a prova do seu funcionamento — determinou ao governador da capitania de Pernambuco Francisco de Castro Morais que “mandasse sequestrar as letras impressas e notificar os donos delas. graças a um invento do alemão Frederick Koenig. para a transcrição do documente em que o governador Caitano Pinto de Miranda Montenegro informa ao Marquês de Aguiar. embora sob a oposição dos seus colegas impressores. mediante a ajuda de prensas. A rotativa foi aperfeiçoada por Applegath e Cooper. Em 29 de novembro de 1814. os técnicos da tipografia e da impressão de jornais foram os propulsores do progresso mecânico. de Londres. E foi ainda The Times que realizou a aplicação da estereotipia à impressão e que. de Turim. e por Hoe. Em Pernambuco. nem papéis alguns avulsos”. continuou o nosso incipiente jornalismo a tentar utilizar a imprensa como veículo. nesta obra. e oficiais da tipografia. respondendo ao apêlo de popularidade crescente do jornalismo. Chamamos a atenção do leitor. Dom João VI. com o aproveitamento dos experimentos do seu engenheiro Mac Donald e do italiano Marinoni. conhecida pelo nome de “Preciso”. a Tillock e Foulis. com fôrmas. tipos e pranchas” que se aplicavam fortemente sôbre uma superfície cilíndrica “do mesmo modo que as letras correntes se aplicam sôbre uma superfície plana”. 17. de propriedade do negociante Ricardo Catanho. Ao holandês Van der Mey. Sanelva de Vasconcelos. de prisões e perseguições. Foi o francês Genaud que substituiu a pasta de gesso pela de papel branco. favoràvelmente. no qual foram relatados os acontecimentos desenrolados na citada revolução e cuja data é 28 de março de 1817. utilizando dois prelos e 28 caixotes de tipos e. por decreto criava a Impressão Régia. alega que a demora no funcionamento da tipografia de Catanho foi ocasionada pela falta de alguém que conhecesse a arte de imprimir. que não sòmente descobrira como aplicar a energia da máquina a vapor às impressoras da época como introduzira outros aperfeiçoamentos. na Inglaterra. 1939 — pág. que não imprimissem nem consentissem que imprimissem livros. sòmente iria imprimir no auge da revolução republicana de 1817. nos Estados Unidos. como o introdutor da arte tipográfica no Brasil. a Lord Stanhope e ao alemão Hoffman — da segunda metade do Século XVIII ao início do Século XIX devem-se as origens do sistema de fixação dos tipos (estereotipia) com diversas substâncias. de Glascow. de Edinburgo. O primeiro trabalho que dela saiu foi o manifesto do advogado José Luís de Mendonça. inclusive o gesso. com a sua côrte transferida para o Brasil em face da invasão napoleônica.històricamente só é possível situar o aparecimento do primeiro prelo “nos anos de 1703 a 1707. através do seu proprietário e diretor John Walter. Fernando Denis e Antônio Joaquim de Melo (êste último escrevente do Erário no govêrno revolucionário). citando Tolenare. para a facilidade da impressão. sob a direção do padre João Ribeiro.

1935 pág. pois permitiam uma tiragem de 17. Sôbre tipografia: Emile Leclere — Typographie — Sfelt. Em 1774. Alguns anos depois. o homem que maneja o teclado do Times em Westminster. Lessage. de Londres. vez que. fonte de corrente contínua. o telégrafo elétrico de Lessage fracassou em face das perdas de corrente que se produziam na linha. quando Morse introduz o seu telégrafo elétro-magnético. 1947. a “monotipo” e a “italtipo”. Hoje. com a descoberta da pilha. A cinta se introduz na linotipo e o teclado desta é acionado. estudou e realizou experimentos para substituir o velho sistema de composição manual. o telégrafo de Soemaring não conseguiu difundir-se. conseguindo. um relojoeiro alemão estabelecido nos Estados Unidos. no qual os eletroscópios de Lessage foram substituídos por recipientes contendo água acidulada. A cinta assim perfurada se introduz em um transmissor automático que converte as perfurações em impulsos elétricos. e perdura até 1833. Oersted (1819). . em 1876. e o da recepção. um receptor. se deve a descoberta da “telelinotipia” — a primeira ameaça séria ao técnico como agente do jornalismo. Um receptor na sala de linotipos do jornal transforma os impulsos que chegam em uma cinta perfurada idêntica à picada no transmissor dos Comuns. que iria compondo ao mesmo tempo em que redigia a sua reportagem ou informação. que compõe palavras. Virgil Vazquez — Arte de titular y confeccion in EI Periodismo — Teoria y Pratica — Barcelona. envia os seus impulsos a uma linotipo. aproveitando-se do descobrimento da interrelação entre a corrente elétrica e a agulha magnética.entrosamento entre o técnico. Apesar de apresentado à academia de Ciência da Bavária e eliminados todos os inconvenientes que se notaram no seu primeiro modêlo. Em 1801. a seleção e mudança dos tipos — tudo é realizado mecânicamente. utilizando uma série de 24 eletroscópios. enquanto se vão fundindo as linhas de composição. o editor e o jornalista na realização do jornalismo é que “as rotativas de Walter eram construidas nas próprias oficinas do Times e. através de um tele - impressor eletro-magnético sôbre uma fita de papel. Êsse sistema é aperfeiçoado por Ampére. Paris. à J. Ainda ao Times. com o qual solucionou o problema da transmissão. Como ocorreu com os demais inventos. pois permite que a sua figura volte aos tempos primitivos. destinadas à impressão do New York Times. é um linotipista especializado. Drewes — Obra cit. impulsos que selecionam os tipos e corpos de impressão necessários. concebeu o primeiro telégrafo elétrico. o alemão Soemmering projeta um telégrafo eletro- químico.”156 Simultâneamente com essas conquistas da técnica no campo do jornalismo impresso. professor de física em Genebra. desde que a eletricidade empregada então era estática. Rey Pastor e N. alinhando-as mecânicamente. Kelvin). confundindo-se com a do próprio jornalista. W. 155 156M. assim chamado porque eram os sucessivos desvios de uma agulha que representavam os sinais transmitidos. Entretanto. a “linotipo”. Eis como Manoel Virgil Vazquez descreve êsse invento. quando foram exposta em Filadélfia. Ottmar Mergenthaler. Bain. Etiene e outros aperfeiçoaram ou criaram novos sistemas. — págs. Além disso. Posteriormente. outros trabalhos de invenção e aperfeiçoamento iam surgindo no domínio das telecomunicações. O telégrafo de Morse e o seu alfabeto foram adotados em todo o mundo e ainda hoje estão em voga. inserido em derivação. 227. Thompson (Lord. outros surgiram na mesma linha. mediante um simples e prático manipulador. Hipp. 220-222. em 1820. por Volta. como a “intertipo”. lança o primeiro telégrafo “de agulha”. há uma máquina perfuradora com um teclado. finalmente. conseguiram um verdadeiro “record” de divulgação.000 exemplares por hora!” 155 Durante dez anos (1876-1886). A telelinotipia é uma máquina que torna possível escrever e compor de qualquer parte onde esteja instalada. exatamente como o faria um linotipista. Siemens. aliás já adotado em diversos dos grandes jornais do mundo: “Na cabine do Times (Câmara dos Comuns). vai proporcionando aos corretores das provas o que se está transmitindo e compondo da Câmara dos Comuns. Mas ninguém se deve assombrar se chegar o dia em que o fizesse um jornalista. A largura das colunas. de acôrdo com uma clave elétrica de seis unidades. inspirada no sistema elétrico dos teletipos. que representavam as letras do alfabeto.

em maio de 1952. a cinematografia. No campo da TV. suscetível de pôr-se em contato com a fonte emissora. a aplicação de côres e o emprêgo de sistemas sonoros estereofônicos — tôdas essas inovações reclamam especialistas e reformam significativamente os métodos de filmagem das atualidades ainda em uso. um sistema de transmissão do canal de Bristol. do seu laboratório em San Bartolomeu para o couraçado “San Martino”. os tipos segundo os impulsos das perfurações. conseguindo transmitir imagens fixas por meio de cabos elétricos. Albert HulI. porquanto poderá constituir-se no principal fator da transformação do jornal impresso em papel naquele outro microfotografado a que aludimos anteriormente: — a “mono-foto”. o austríaco Denoys von Mihaly. numa distância de cinco quilômetros aproximadamente. Hansell e Variam cooperam com sucessivos inventos para o estabelecimento da rádiotelefonia. passo a passo. com o seu inconoscópio — ponto de partida para a televisão pan-eletrônica —. destacaram-se. ao lado do cine-repórter. Zworykin. em 1892. Por seu turno. de que já nos ocupamos.mesma base. 232. Farnsworth. onde ainda continuam as experiências tendentes a aperfeiçoar as transmissões. acionada por uma fita perfurada. um condensador e um trajeto de chispa. Rosing. “Os mecanismos de moldar e fundir os tipos estão substituidos por uma espécie de câmara fotográfica. D. May — que descobriu as propriedades foto-elétricas do selênio — o francês Senlecq e o inglês Sutton. e de “noctovisão” (sistema de televisão noturna. exatamente colocadas como os do teclado de perfuração. na película ou no papel fotográfico. Alexanderson. Goldschmidt. constituído por um aro metálico. Ives. Neste setor. Armstrong. Podem-se compor doze mil sinais por hora. maior rapidez na transmissão e simultaneidade de envio de mensagens (duplex). os homens de ciência e inventores procuram aplicá-las ao telégrafo. institui as bases da telefotografia. uma outra descoberta deve ser aqui referida. foi exibida na XXXI Feira das Indústrias Britânicas em Londres. em lugar de produzir tipos e linhas. Tanto no transmissor como no receptor. Righi e outros fazem tentativas semelhantes noutros pontos da Europa. O físico inglês Bain. Kell e os numerosos técnicos e cientistas que. com engenho e tenacidade. da “estereotele visão” ou televisão tetra- dimensional. impressiona diretamente uma película em positivo ou negativo. que emprega um refletor de ráios infra-vermelhos e uma célula fotoelétrica sensível a esta gama do espetro). da Marinha italiana. visando. a 16 quilômetros de distância. o cinerama ou kinopanorama e outros processos. nas tele-emissoras de todo o mundo. reclamou o aparecimento do técnico (o cinegrafista. Elster e Geitel foram. eram colocadas antenas de 34 e 22 metros de altura. Graças às descobertas de Hertz no campo das ondas elétricas. Trata-se de uma máquina de composição que. vai impressionando. também. com suas experiências no qüinqüênio 1923-28. tornar o cinejornalismo na realidade dos nossos dias. com êxito. Don Leel. R. tendentes a criar a ilusão da terceira dimensão. O Século XX acelera a marcha progressiva das tele-comunicações: Marconi. — pág. preparando o terreno que levaria Baird. a equipe do laboratório) para. Pickard. notadamente nas grandes emprêsas norte-americanas (Radio Corporation of America — RCA — Color Television Inc — CTI — Colombia Broadcasting Sistem — CBS — e General Eletric Company — GEC) trabalham e investigam àrduamente com aquêle objetivo. de cujas origens e processos já nos ocupamos. entre Penarth e Fath Holm. Hazeltirene. visando retirar-lhe os fios: assim. H. uma placa de fundo negro com as letras e sinais transparentes. após experiências coroadas de sucesso realizadas em julho de 1897.”157 Novas técnicas surgem dia a dia: o cinemascope. Manuel Vigil Vazquez — Obra cit. Spezpnik. Hipkow. respectivamente. 157 Conf. E. a efetivar a televisão e preparar os caminhos da TV em côres. Braun. Esta máquina. Preece experimenta. . além disso. O sistema de Marconi compreendia um dispositivo oscilador e um aparelho receptor. Poulsen. Mas é a Marconi que se deve a efetivação da TSF. aliás.

O Problema da Automatização — No decorrer desta incursão ao mundo da técnica no
jornalismo e dos seus técnicos, chegamos à evidência de que, nos nossos dias, nenhuma das
manifestações periodísticas se pode processar sem essa personagem que, confundida com o
agente-jornalista na fase da manufatura, adquiriu direitos de cidadania no período da
mecanofatura. Vimos também que alguns dos recentes inventos ameaçam a existência do
técnico, ou melhor, irão exigir que o mesmo incorpore ao seu acêrvo de conhecimentos e
aptidões aquêles reclamados do jornalista, hoje muito mais vastos do que ao tempo do
periodismo dos jograis, das cartas e das fôlhas manuscritas.
A verdade é que estamos, em pleno curso de uma nova grande revolução industrial, em
que o ser humano vai sendo substituído por servos-mecanismos, que não estão sujeitos nela à
fadiga, nem ao êrro, nem às emoções, que alteram o metabolismo e desequilibram mesmo os
mais eficientes técnicos. Numerosos dispositivos mecânicos estão sendo usados em todos os
campos da atividade humana com os mais positivos resultados: as máquinas de calcular
acionadas elètricamente, a telefonia automática, o microscópio eletrônico, a fotografia infra-
vermelha. Êsses dispositivos são os servos-mecânicos “aparelhos capazes de restabelecer o
estado de equilíbrio em um sistema autônomo de maneira tal que as próprias fôrças originadas
pela perda de dito estado de equilíbrio engendrarn novas fôrças tendentes ao seu
restabelecimento. A realimentação negativa de uso comum em rádio -telefonia para anular a
distorção de freqüência e de fase é o exemplo mais caracterizado de um princípio capaz de
cumprir as exigências definição acima. É interessante destacar que os servos-mecanismos são
fundamentalmente dispositivos governados êrro, já que são fôrças assim originadas as que
provoca retôrno do sistema ao seu primitivo estado de equilíbrio. Coisa parecida sucede em
certos processos de aprendizagem, em que a discriminação entre os intentos frustrados e os
conduz à determinação do procedimento correto e fixado com conhecimento exato.” 158
A primeira revolução industrial, que teve a sua pré -história nos séculos XVII e XVIII e o
seu desenvolvimento máximo no século XIX e na primeira metade da atual centúria, se
caracterizou pela longa série de invenções e descobertas, visando mecanizar a produção, isto é,
substituir a fôrça muscular do homem e do animal pela máquina. O contrôle humano fôra, aí,
integralmente mantido. Os servos-mecânicos, contudo, passaram a “pensar” pelas máquinas. E
então evoluimos da simples mecanização para a automatização, quando o homem será expulso
do processo da produção prò priamente dito e ficará limitado às funçôes de concepção,
construção, instalação, sustento e inspeção da máquina. Porque “o domínio da automatização
compreende tôdas as tarefas de repetição e tôdas as decisões que podem ser tomadas em
função de critério pré-estabelecidos. Os limites próprios no domínio da automatização são
traçados pelo estado da técnica, pelo nível dos custos, pela amplitude das vendas e pelo número
de especialistas tentados a inventar, construir e dirigir os sistemas automáticos.”159
Inequivocamente, não se trata de um simples processo de desenvolvimento da mecanização,
mas de uma nova tecnologia, uma outra revolução industrial cujas conseqüências econômicas e
sociais ainda são imprevisíveis. Um aspecto, entretanto, é certo: “a primeira revolução, a dos
“dark satanic mills”, promoveu a depreciação dos braços do homem pela concorrência da
máquina... a revolução industrial moderna depreciará necessàriamente o cérebro do homem, ao
menos nas suas funções simples e rotineiras.”160 E é neste aspecto que a automatização irá
atingir, como já está começando a ocorrer, a atividade jornalística.

Jornalismo e Automatização — Relacionando os domínios em que a automatização já
encontrou campo de aplicação nos Estados Unidos, Pollock cita, referentes ao jornalismo, os

158 J. Rey Pastor e N. Drewes – Obras cit. – págs. 320-321.
159 Frederik Pollock — L’automation — Paris, 1957 — pág. 68. Pollock e outros estudiosos da meteria dão
preferência à designação “automação”, em lugar do termo mais vulgarizado que adotamos aqui.
160 Norbert Wiener – Cybernetics - New York, 1948 — pág. 17.

seguintes: televisão, impressão, tele -comunicações, traduções, estatística, cálculos científicos de
tôdas as espécies, previsões meteorológicas e contabilidade. Em todos êsses setores, a
máquina não sòmente realiza o trabalho “como funciona inteiramente sem a interferência
humana direta, sem o concurso nem da destreza, nem da inteligência, nem do contrôle do
homem.” A máquina já comanda totalmente o trabalho de outra ou outras máquinas. Assim, “a
automatização industrial é causa determinante do desemprêgo operário em escala crescente, se
bem que seja, ao mesmo tempo, criadora de novas fontes de trabalho, ainda que em muito
menor escala, para técnicos e pessoal especializado.”161
Ocorre, porém, que não sòmente o técnico mas os outros agentes do jornalismo se
vêem ameaçados pela crescente automatização industrial, e suas conseqüências sócio -
econômicas. As operações automáticas de contabilidade, por exemplo, reduzem muito o pessoal
dos corpos de editôres e os próprios editôres-financistas vão sendo absorvidos pelo Estado-
editor, como uma conseqüência do alto custo da maquinaria dos veículos jornalísticos e a
multiplicação dos encargos para a sua manutenção. Já hoje, o fenômeno da desaparição ou
absorção em cadeias de jornais — os veículos que ainda se conservam em maior volume como
propriedade privada — é um fato amplamente constatado em todo o mundo. “A imprensa
quotidiana tem manifestado uma tendência muito significativa à concentração e ao monopólio.
Enquêtes têm sido realizadas em 25 das maiores cidades dos Estados Unidos (e concluiram): —
o número dos jornais não cessou de reduzir-se enquanto o de exemp lares difundidos crescia... o
número de matutinos, que era de 69 em 1900, reduziu-se a 35 em 1950 e já se observa a
mesma diminuição no número de jornais da tarde: 84 em 1900, 51 em 1950, enquanto que a
tiragem passava de 6.000.000 exemplares para 12.000.000 quanto à imprensa quotidiana
matutina e de 8 a 14 milhões de exemplares, para a vespertina. Ao mesmo tempo, o número de
proprietários destes jornais não cessou de diminuir: era de 104 em 1920 e não passava de 72
em 1950.”162 Na sua já citada conferência — de imprensa e o leitor livre” — Rod W. Horton,
depois de aludir a uma estatística de Morris L. Ernest, segundo a qual em 1910 havia, nos USA,
2.600 diários lidos por mais de 24 milhões de pessoas e em 1940 havia, apenas, 1.988 diários,
com a circulação de 50 milhões, refere que, anos atrás, New York possuia, entre outros, jornais
chamados Commercial Advertiser, Globe, Sun (matutino e vespertino), World (matutino e
vespertino), Telegram e o Evening Mail, num total de oito, além de uma meia dúzia que não
figuram nesta história. Que aconteceu a êsses oito jornais? Parece uma passagem do ciclo da
vida selvagem. O Globe absorveu o Commercial Advertiser, o Sun suspendeu o seu matutino
para engolir o Globe, o Telegram comprou o Evening Mail e nos primeiros anos de depressão
anexou as duas edições do World também. Sobraram, então, apenas dois dos oito. O Sun-
Globe-Commercial Advertiser (com o nome abreviado de Sun) e o World-Telegram-Mail
(chamado World Telegram). Depois da segunda guerra mundial, o inevitável aconteceu: com um
grande golpe, o World Telegram tragou o Sun, formando o atual World Telegram and Sun, o
único resto das oito folhas valentes da minha mocidade. Circula com mais de 600.000
exemplares diários, mas dizem que está perdendo dinheiro.”163
Na França, segundo J. Kayser, a situação, embora diferente apresenta uma evolução da
mesma natureza. “Há diminuição constante do número de jornais. Havia em Paris, em 1914, 48
quotidianos não especializados; em 1939, havia 32; em 1955, não havia senão 11.” As grandes
despesas de manutenção dos jornais, além de provocar o desaparecimento ou absorção que
exemp lificamos, criam outro fenômeno, observado por F. Terrou, quando assinala, referindo-se
aos jornais parisienses: “As dificuldades de alguns jornais são evidentes. A sociedade do Petit
Parisien que distribuiu em 1930 um dividendo de 100 F., não distribuiu mais nada em 1938. A
ação valia 2.150 F. em 1931 e não valia senão 255, em 1938. O título do Figaro, em 1957, era

161 J. Rey Pastor e N. Drewes – Obra cit. – pág. 326.
162 Á. Mathiot— “L’Opinion Publique aux USA” in L’Opinion Publique – Paris, 1957 – pág. 359.
163 Jornal do Comercio – Recife – 8-12-57.

saldável com uma perda de mais de 4 milhões. Estas dificuldades se estendem a certos serviços
anexos: a agência de informações e o comércio do papel-jornal.164
Em novembro de 1958, o Sweedish Internacional Pressbureau divulgou o seguinte
comunicado de Estocolmo: “Revolucionária mudança na estrutura política da imprensa diária
operou-se nestes últimos anos. A notícia do fechamento de um periódico foi publicada
recentemente, quando se afirmou que o Morgen Tidiningen, anteriormente chamado Social
Demokraten (órgão oficial do Partido Social Democrata) e que existia há 73 anos, deixaria de ser
publicado dentro em breve. Recorda-se que a União Geral dos Trabalhadores da Suécia, há dois
anos, adquiriu os dois periódicos liberais Stockholm Tidiningen e Aftonbladet, que se crê
adotarão mais ou menos a orientação seguida pelo Morgen Tidininien. O Morgen-Blated, do
Partido Liberal, será reorganizado em breve, em forma de semanário, a exemplo do sindicalista
Arbetaron. Isto faz com que Estocolmo fique com apenas 4 diários matutinos, ao invés dos 7 de
há dois anos atrás: o conservador Svenska Dagbladet, o liberal Dagens Nyheter, o Stockholm
Tidiningen (da União Geral dos Trabalhadores) e o comunista Ny Dag. Além dêsses existem
mais os seguintes diários, que circulam à tarde: o liberal Expressen e o Aftonbladet, da União
Geral dos Trabalhadores.”
Nos países sub -desenvolvidos, se bem que o fenômeno seja constatado no s grandes
centros urbanos, há ainda possibilidade de sobrevivência de jornais que não disponham de
maquinaria e mecanismos modernos, pela necessidade que as populações têm de utilizar
mesmo os mais obsoletos veículos de publicidade. Entre nós, no Rio e em São Paulo, se vem
observando a redução do número de jornais, embora também o aumento das tiragens, com a
absorção dos mesmos pelas grandes emprêsas. Últimos exemplos: a compra de O Mundo pelo
Diário de Notícias e a integração do tradicional Jornal do Comercio na cadeia dos “D. A.”.
A concentração dos órgãos jornalísticos seja em “trusts” seja em poder do Estado
parece-nos uma das mais sérias demonstrações dos efeitos desta segunda revolução industrial,
caracterizada pela automatização. E sem dúvida cooperará para a automatização dos espíritos,
prevista pela “Margate Conference”, promovida pela “Institution of Prodution Engineers” em
Londres, em junho de 1955, ao concluir que “o pequeno número de engenheiros que controlam,
em última análise, as fábricas automáticas poderia pressionar a sociedade... e subordinar o
comportamento e os hábitos de vida dos homens aos interêsses das máquinas. A fábrica
automática abriria então a porta ao novo mundo de Huxley.”165 o que é êste ‘brave new world”,
todos o sabemos: uma sociedade tecnológica, dirigida por uma hierarquia autoritária composta
de verdadeiros mestres de máquinas e de homens, em posição de “abarcar o todo dos
fenômenos técnicos e econômicos e tomar todas as decisões que interessem à política
econômica” e, naturalmente, de dominar a massa humana “sem julgamento, fàcilmente
influenciada pela técnica moderna de propaganda e que se encontra mantida de bom humor,
pois participa do consumo de um número sempre crescente de bens.”166 É ainda de Pollock o
seguinte e expressivo trecho sôbre o mundo automatizado para o qual marchamos: “Sabemos
da importância do papel exercido nos Estados totalitários pelo rádio, cinema e imprensa postos a
serviço da técnica de opressão das massas. A televisão veio recentemente juntar-se a êstes
meios de opressão; e entretanto, teoria e técnica da automatização propõem um novo
instrumento para manietar as massas. Desde o fim de 1948, o Padre Dubarle, da Ordem dos
Dominicanos, numa carta endereçada ao jornal Le Monde evocou a possibilidade teórica de
construir-se uma “máquina de governar”: um calculador eletrônico que indica as medidas a tomar
no futuro, segundo tôda a verossimilhança, em condições dadas a tal ou qual fim político. Wiener
pensa que os dados psicológicos necessários ao funcionamento desta máquina não existem
ainda. Portanto, êle concorda em que já demos o primeiro passo para a “máquina de governar”,

164 J Kayser e F. Terrou — L’Opinion Publique — Paris, 1957, págs. 236 e 191.
165 Cit. por F. Pollock — Obra cit. — pág. 143.
166 F. Pollock — Obra cit. — págs. 188-189.

em processo de automatização. do êrro ou do sentimento. aparentemente. o locutor de rádio ou TV verá dispensado o seu trabalho pelo emprêgo das máquinas leitoras. . em breve. — págs. o princípio em que se baseia o conversor é muito simples. de Washington. A 4 de novembro. as exigências da produção e do consumo. fazer comentários. resolver problemas de xadrez e até realizar inferências lógica. Irão procurar em testes.168 os tradutores de mensagens telegráficas não terão mais razão de existir quando for comum a tradutora eletrônica. as gravações podem 5cr transmitidas sem necessidade de qualquer processo ulterior ou dublagem.167 De qualquer modo. aplicação elementares de sintaxe e de gramática. explicar aos tele -espectadores os acontecimentos que são apresentados no vídeo? Indubitàvelmente..169 o redator terá suas funções igualmente limitadas. o jornalista. numa mostra de computadores eletrônicos em Londres. no nosso mundo hodierno. a respeito.Obra cit. Gravações ulteriores foram enviadas também de avião a Paris. em colaboração com o Instituto de Linguística da Universidade de Georgetown. Como é a técnica. isenta do cansaço. 199. pode oferecer.. divulgada pela “Granada Teleyision”. invento da Eletronics Equipment Ltd. construido pela International Business Machine Company. os cérebros eletrônicos já são hoje uma realidade. repentino. Convertidas no ato as gravações. Y. A frase. a admiração do homem pelas maravilhas que a máquina pode obrar. vai tendo reduzido o seu campo de ação: os repórteres não precisarão andar à cata dos fatos. Segundo a própria “Granada Television”. A notícia. Drewes .. para quem o homem surge como “um ser indócil. a “Granada Television” começou a gravar às 7. a única coisa que não tem envergonhado o homem.35 da tarde. a sua progressiva escravização à máquina. e que traduzia do russo para o inglês. acontece o que era de esperar: os homens irão pedir à técnica uma receita de prudência e até de felicidade. que levantou vôo às 11 da manhã para chegar a New York às 4. por meio da telelinotipia do próprio local onde acaso esteja colhendo os dados da notícia. 169 “O operador dêste engenho deve limitar-se a escrever mente a frase a traduzir. Middlesex.30 a transmissão televisada para a Grã-Bretanha. o que promete uma grande versatilidade da mesma. — pág. Por que não serão. êle próprio. segundo comunicado do BNS. com dispositivos criados e experimentados.. 322-323. Porque. exposto em 28 de novembro de 1958. afiança que o dispositivo da sua invenção é unico no mundo e qte abre imensas e novas possibilidades no que respeita ao intercâmbio internacional de programas televisados. classificar e distribuir a matéria. “existe em nossa civilização uma fadiga moral e um enorme desejo de capitulação. em busca da perfeição do trabalho que a máquina. com o único fim de alargar a sua dominação sôbre os outros homens. composição da frase fonsequentes em seu ordenamento lógico-gramatical”. uma vez traduzida. 167 F. Ademais. utilizados para escrever editoriais. O perigo seria ver esta máquina empregada pelo homem ou por um grupo. a primeira série delas partiu do aeroporto de Londres em um Comet de passageiros. às 9. organogramas e ábacos algo que os liberte da angustiosa opressão da liberdade”. das cerimônias da coroação papal em Roma. passível de fazer surgir o servo-mecânico jornalista. a sua curiosidade intelectual e o seu gênio inventivo. e em seu socorro irão buscar ao técnico. como sejam. é mesma máquina tradutora sôbre o papel” J. A máquina se rege por um sistema de fichas perfuradas. de Hayes. o miraculoso alquimista que vive isolado na sua torre de marfim. Depois de rapidíssima operação. no seu “mundo fechado da coisa a ser feita”. de Londres: “A. pois êstes chegarão às redações pelas ondas hertzianas. em New York. Pollock — Obra cit..30 da noite. etc.aplicando a Theory of Games para a solução de problemas táticos e estratégicos com a ajuda de um calculador gigante. encarregando-se a máquina de tôdas operações necessárias para a sua tradução. através de ligação em cadeia com a Eurovisâo. de onde partiram seguida em um Boeing que levantou vôo às 6 da tarde para aterrissar N. as desilusões das comunidades ante o fracasso das tentativas políticas de construção social — poderão criar condições favoráveis a uma interpretação estereotipada dos fatos sociais. firma britânica “Granada Televjsion” descobriu uni sistema que permite a conversão imediata de gravações de imagens e sons — em uma fração de segundos — para enquadrá-las ao sistema de canais de televisão de qualquer país. de 1958. Rey Pastor e N. pelo rádio e pela TV. 168 Comunicado do Britisli News Service de 11 de Nov. capaz de verter frases de um idioma a outro em forma automática e com grande rapidez e cujo primeiro exemplar foi exibido em 1954. capazes de jogar damas. como o observou Gustavo Corção. desde que o repórter poderá diretamente compor.

Em vez do super-homem.. — págs. na sua luta incessante contra as fôrças da natureza. depois de haver experimentado em vão a felicidade da superação nietzscheana “em vez de se passar além do Bem e do Mal instalando-se o mundo do homem aquém da realidade moral. a tábua de logaritmos. E o técnico indagará de si mesmo “por que não são êles todos. que nos pro porcionará confôrto e facilidades mas que. é o fato de que o progresso técnico deve implicar sempre na liberação do espírito. 99 e 107. com a máquina.” E neste “brave new world” que o tecnicismo criará. quais as funções dignas do seu estado que lhe seriam propostas para o emprêgo dos óeios.”172 E se tem perguntado freqüentemente em que se ocupará o homem libertado. verídicos como um galvanômetro. K. 17-18. O que o jornalista vê. fatigado da sua própria condição. o jornalista que executa um trabalho criador e inovador. visando colocá-las ao seu serviço. e assim se conseguirá uma super-sociedade de sub-homens:”170 O derradeiro — e principal. numa transcendentalização que vem sendo o ideal perseguido pelo homem e pelas sociedades. 171 o jornalista — pela sua própria natureza e pela natureza do seu ofício — considerará sempre a máquina como “a doll. mostra aos povos a nova táboa da lei. enjoado de liberdade. que lhe proporciona maiores lucros. tornando-se. No estudo sôbre as conseqüências do aumento constante do tempo não empregado no processo da economia. faz estatística dos famintos. se o editor se curva ante a excepcional produção da máquina. 172 George Soule — Time for living New York. se deixa dominar. se o técnico. réplica moderna dos centauros do mito antigo”. como se quisesse tomar férias da sua própria humanidade”. “um único ser monstruoso. não admitirá jamais aquela sem dúvida maravilhosa capacidade de simplificação dos computadores eletrônicos como um satisfatório fim último. . anuncia-se o sub- homem. de um modo 170 Gustavo Corção – Obra cit.. dóceis como um cobre?” e avaliará a tragédia humana como “causada (quem sabe?) apenas por algum eixo com folga ou algum “Nesse momento. antes de tudo. no desenvolvimento da técnica é a sua libertação do tempo. George Soule afirma que o “leisure class” (ócio de classe) se transformará em “leisure mass” (ócio da massa) e que o grande perigo reside em que “a tecnologia importa na arte de economizar o tempo mas sem ensinar ainda como utilizá-lo inteligentemente. com que já Renaudot. 1955 — pág. Sobrevivência do jornalismo como informador e orientador do homem social. Um precioso brinquedo. Sobrevivência do espírito. O JORNALISTA Máquina humana pensante. daquela pressão e daquela opressão do tempo. 45. da criação. 1957 — pág. 171 Paulo Sá — A técnica e os técnicos — Recife. Se o público é passível de uma ilimitada admiração pelo progresso da técnica. com a sua insaciável curiosidade e a sua busca incessante da perfeição material. Chesterton. not an idol” — um brinquedo e não um ídolo — como o fêz G. complexo. desde as épocas mais remotas. como impulsionador do bem comum. inexato e dotado de uma absurda e lamuriosa vontade”. Mas traz a régua de cálculo como símbolo de congraçamento. o técnico desceu a escada-em-caracol de sua torre e veio misturar-se aos homens. Esta questão vem sendo debatida nos círculos filosóficos e sociológicos e. provocado pelo homem “cansado da realidade moral. nos oferecerá tempo para pensar. no século XVII. frente à objetividade que deveria informá-lo. na realidade — dos agentes do jornalismo é que oporá a decisiva reação a esta visão apocalíptica do mundo do futuro.improvisador. polimorfo e complexo.. sobretudo. cada dia mais longas pausas para meditação. da polivalência que caracteriza a sua natureza e o seu ofício. mesmo por uma questão de sobrevivência.. os Pedros e os Joãos nítidos como um triodo. traça organogramas da nova política que há de trazer a concórdia universal da sociedade bem ajustada e que há de devolver ao homem o paraíso perdido. justificava as claudicâncias do seu trabalho jornalístico. 17.

não em função aos seus próprios interêsses mas da sociedade de que se sente receptor e transmissor. a imprensa é o problema central da moderna democracia. para escrever. na maioria preponderantes. refletindo o meio em tôdas as suas manifestações e. divulgá-lo. 175 Gregorio Marañon — Vocação e ética — Salvador.” Todavia adverte. a fim de “aproveitar melhor a vida e ser melhor cidadão. classificá-lo pela sua maior ou menor importância e. Neste sentido é que o jornalista é aquêle “órgão constante e vivo de informação” Para êle. ajuntando-lhe dados novos e comentários. naquelas que emanam do sistema político em primeiro lugar. sôbre êle agindo. definir. dons inatos e magníficos da alma e da personalidade. que aquêles dons vêm à tona. e das outras limitações contingente. do que a aspiração de servir. Ensina Gregorio Marañon que a vocação é um “imperioso apêlo”. o intelectual e o cientista igualmente param. informa-se e segue o seu caminho. o médico. A vocação. antes de mais nada. se tal fato não lhe diz respeito imediato. destinada a satisfazer curiosidades e entreter os espíritos. fôsse ela meramente informativa.geral. A Curiosidade Comunicativa — O primeiro atributo do autêntico jornalista é a curiosidade comunicativa. cuja função de intérprete e orientador dos demais homens o coloca em posição de vanguardeiro na conquista dêste precioso “time for living”. influenciando-lhe os rumos. para isso. finalmente. mais verdadeiro o será para o jornalista. Ao contrário de outros profissionais que podem repousar após o cumprimento de uma etapa de trabalho — o advogado em seguida a uma causa julgada. pela sedimentação dos conhecimentos técnicos. não é mais. em seguida. 1958 — págs. impulsionar o homem e a sociedade à ação. nestes casos. 1944 pág. mas implica imediatamente em servir ao objeto da vocação. 11. uma aptidão ainda não revelada. que difere da curiosidade pura e simples porque se reveste de um insopitável desejo de passar adiante a informação obtida ou o fato testemunhado.”173 Ao que ajuntaríamos: e. Ba. dada a redução prevista do tempo de serviço.. Diante de uma ocorrência. o homem comum pára. comunicá-lo. para qualquer categoria profissional. a informação que colhe é mais completa e tem aplicação imediata porque êle lhe dá forma. para ensinar há que servir e. dêsse modo. comparar com outros. quando muito retirando dela algumas inferências particulares ligadas à sua ordem cultural. ao mesmo tempo. 173 Octávio de la Suarée — Psicologia aplicada al periodismo — La Habana. 174 Aristeu Achilles — Liberdades Democráticas — Liberdade de Imprensa — Rio. A sua parada é mais longa ou mais intensa. indiferente. admite-se que. . 32. competindo-nos consolidá-los e desenvolvê-los. julga-a. o fato tem um sentido que é preciso captar.” E se isso é verdade para o homem comum. Para descobrir. situar. uma “voz interior que nos atrai para a profissão e o exercício de determinada atividade. 16-17. “Na verdade. pesa-a. A Vocação do Jornalista — Já se definiu o jornalista como “o instrumento adequado de que se valem os fatos para converter-se em notícia. em último têrmo. aquêle que encontrou a sua vocação no servir de porta-voz e intérprete dos fatos sociais.. pela prática do ofício. 1957 — pág. são necessários. isto é. o jornalista age diferentemente. após o curso de uma assistência ao paciente — o jornalista está sempre em função. não se permite uma trégua. “pela miragem de certos episódios heróicos ou espetaculares”.”174 Para realizar êste trabalho de primeiro plano. que se originam do sistema econômico. exprimi-lo. Porque não se daria caráter essencial à sua atividade. informam-se e prosseguem. o homem deve elevar o seu nível cultural. as crescentes responsabilidades dos trabalhadores e as exigências das sociedades modernas.”175 É pela formação cultural. pela glória que perseguimos ou pelas vantagens materiais que colhemos — que se revela esta aptidão. que “a vocação autêntica nunca é platônica. É em conseqüência disso que (como o constatou Wiekham Steed). Mas tudo evidentemente enquadrado nas liberdades ao seu alcance. é convocado o jornalista.. o jornal (jornalismo) sintetiza e traduz a substância da vida social.

presumir a situação que a produz. — pág.”176 A Fecundidade Jornalística — Nesta operação espiritual de extrair a substância do fato e apresentá-lo ao público. informar-se incessantemente do que vai pelo mundo. procura colocar o leitor em posição visual de compreender o acontecimento. por exemplo.. mas que sua mentalidade represente “a média aritmética das mentalidades às quais se dirige. escrever. para ser jornalisticamente transmitida. A informação jornalística precisa de apresentar alguns. a paisagens que circundam os fatos e têm às vêzes com êles íntimas relações. deve-se considerar que essa realidade. elementos básicos que o leitor tem necessidade para a total compreensão da notícia. b) dada a situação. Há. sob a forma de notícia ou de orientação é que se revela outra característica do jornalista . mas “extraordinàriamente” corrente.”178 A fecundidade jornalística está em possuir o profissional um regular lastro cultural e uma agilidade mental que lhe permitam encontrar os conhecimentos necessários no momento preciso. “Tudo deriva daí: a informação do fato. como o observou Antônio Olinto. A Objetividade — Na gestação da obra jornalística. ao sucedido. em geral. que “o ato de fixar uma realidade já é jornalismo”. não deve o agente esquecer o fato. Suas alternativas são: a) conhecida a reação. no observador. a narrativa.. inclinado ante a sociedade em que vive. através de todos os veículos ao seu alcance. com as seguintes palavras: “(o jornalista) deve olhar. com um ôlho novo. na forma e no fundo. bem como a autoria e as conseqüências da ação a que se refere. Andres Siegfried... A fecundidade jornalística já foi definida por um escritor chileno. necessidade de serem reerguidas pedaço por pedaço. de tempo. tem- se a impressão de que examina o mundo. a capacidade de reconhecer o fato e mesmo de provocá-lo — quando.. o jornalista deve adquirir conhecimento não ser um jejuno em nenhum campo da atividade humana.”177 Por isso. no instante mesmo em que o seu instinto lhe indica haver concebido. 34. Não é imprescindível que seja um enciclopédico. os elementos que o irão transformar. tuas desdobra-a. o relato vai por isso dando os pormenores de lugar. que tenha uma excepcional bagagem cultural. como um feto se transforma num ser definido e completo que pode vir à luz sem causar horror ou pasmo. Que coisa aconteceu? Quem provocou a coisa acontecida? Onde foi? Por que? Para que? Estas perguntas têm de ser respondidas e a narrativa.desde que também os fatos se sucedem numa aglutinação dinâmica que provoca.a sua fecundidade. pois o jornalista não limita a sua missão a compor e apresentar os fatos mediante situações feitas. 29. 177 Antonio Olinto — Obra cit. talvez como não o é. . a atualidade 176 Octavio de la Suarée — Obra cit.. ao realismo. seu interêsse e sua lição. possuir cultura geral e. sempre.. a formação pelo fato. indivíduo por indivíduo. preocupado em construir ou reconstruir os interiores e exteriores em que as cenas se passam de um modo quase cinematográfico. entrevista alguém. é um memorialista mas é também um sociólogo. sobretudo. evocar. É um trabalho de verdadeiro arquiteto literário. perder de vista o objeto. como localizada em determinado espaço. com exatidão e rapidez. tem de submeter-se a um processo específico “o jornalista que descreve. “A conduta jornalística oscila como um pêndulo entre a reação e a situação. — pág. 178 Ismael Herráiz — Obra cit. mesmo que a tal seja tentado pela possibilidade de vitaminizá-lo graças à sua cultura ou à sua capacidade pessoal de raciocínio e inferência. entretanto. — pág. o apêgo à verdade. penetrando nos campos da filosofia da ocorrência. Porquanto outro traço marcante da sua personalidade é a objetividade. Se é verdade.. 37. nenhum daqueles leitores para os quais tem de adaptar sua mentalidade. predizer a reação que produzirá. acumulando observações curiosas que serão aproveitadas pelos filósofos para deduzir leis”. Não se trata (também) de que seja um homem vulgar. algum nome ou alguma entidade que se pode fazer notícia — e juntar-lhe. uma reação que culmina na criação da notícia. Esta última fórmula condensa todo ou quase todo o jornalismo.

como o pianista faz escalas.págs. tempo. mas está mais na linha da poesia. tentações da parte da opinião pública ou mais exatamente das opiniões do público. ou o mal informado.. n. o jornalista tem de lutar contra outra muitas vêzes mais grave. o conto — pode prescindir de alguns dêsses elementos (lugar. o fato. quando se considera que.”181 Tremenda advertência. mas não faz autêntico jornalismo”. e de fogo para as mentiras?”(Fables. a realidade para se prenderem apenas no modo de o retratarem ou nas suas segundas intenções mais ou menos ocultas. escreve um artigo de polêmica só para empregar dezenas de sinônimos de um termo injurioso para o adversário. que é a coincidência dos seus atos com o seu dever. aos jornalistas da Associação da Imprensa Estrangeira em Roma. da sátira. IX. Como pode ser difícil resistir-lhes e respeitar os limites que a veracidade proibe absolutamente de ultrapassar! Sem esquecer sequer que “a conspiração do silêncio” pode também ofender gravemente a verdade e a justiça. 1. pode ter feito um exercício de estilística. in Diário de Notícias . Pio XlI — um dos mais sábios pontífices entre os que já ocuparam o sólio papal - expunha as sérias dificuldades com que lutava o jornalista para manter-se fiel à objetividade.10 e 17-nov. como a verdade é a coincidência de sua apreciação com o acontecimento em si. escreve: “A ficção pode haurir seu material tanto de uma como de outra. A literária de ficção — o romance. Todos êles perdem de vista o objeto. ou o divag ante ou o vernaculista. 180 Antonio Olinto – obra cit. A fôrça do jornalista está na verdade e na honestidade. 179 Tristão de Ataíde — Art. O fato. Em seguida. após lembrar que “existe a realidade em ato e a realidade em potência”. não há “tempus veri”: tempo para a verdade. quando causam admiração e seduzem. Em discurso proferido. e um “tempus taciendi”: tempo para estar calado. 181 A Ordem — Rio — Vol. não.”180 A obra jornalística.. O mau jornalista é o sofisticado ou o fanático. Quando Rui Barbosa.179 E Antônio Olinto. o que pode ser feito pelo escritor tanto na história chamada de “enrêdo” como numa pesquisa psicológica. É por isso que um jornalista-polemista tem menos fôrça. além das dificuldades exteriores. É eminentemente objetiva. êle que precisamente deve adequá-las à verdade e ao direito e por conseguinte purificá-las e guiá-las. tem os limites da realidade. do que pròpriamente do jornalismo. numa apresentação de personagens em luta com os seus próprios demônios interiores. embora mais violência. o realismo é a sua grande fôrça. no entanto. 28 e 30. 6). a subjetividade prima a objetividade.” E o imortal pontífice fazia aos jornalistas a seguinte e incisiva advertência: “Mas se neste pobre mundo existe um “tempus belli”: tempo para a guerra. no campo da opinião pública. é mais de real possível do que de real atual. Comparação que contém mais do que uma parcela da verdade. realmente. 1 — julho de 1953. Sua configuração geral. sob o guante das mais diversas tentações. que o jornalista não pode seguir sem reservas. um “tempus loquendi”: tempo para falar. Sabeis — acrescentava — pela vossa própria experiência quotidiana como é muitas vêzes dificultoso garantir a pura verdade. forjando-se espontâneamente. A veracidade. que em outras oportunidades foi tão grande jornalista. da fidelidade ao fato.. precisamente porque. .. Jean dé la Fontaine não exprimiu uma observação parecida nos versos bem conhecidos: “o homem é de gêlo para as verdades.-1957. desfigura a realidade.do fato. o acontecimento. até mesmo só uma parte daquela consideração em que podem freqüentemente contar a mentira e as meias verdades. e “tempus falsi”: tempo para o êrro. que o jornalista sereno e objetivo.. é a medida do jornalista. L. em 1953. da atualidade.. e um “tempus pacis”: tempo para a paz. oriunda da sua própria fecundidade: — aquêle elemento imaginário ou dedutivo que gratuitamente vinculamos às circunstâncias que envolvem o fato e que. . nêle polemista. cit.. contrariando uma exigência natural do gênero. o estilo determinado pelo fato. Um polemista é um belo espetáculo. “Tentações que nascem dos interêsses de partido e talvez até da imprensa por cuja conta trabalhais. autoria e conseqüência da ação) porque seu plano (mais real possível do que real atual) é o de surpreender alguns dos mistérios do homem como ser. enquanto que o jornalismo se situa quase que exclusivamente no real atual..

por outro lado. na defesa do seu senso objetivo. Igualmente serve à objetividade aquela quase paradoxal discrição a que se refere Du Passage. serena. definindo os programas informativos de rádio.dando à notícia um caráter de boato. Em pesar as obrigações que tem para consigo e para com a sociedade em geral. das leis. a sua constante manipulação dos fatos. responsável. Pois “nem tôda a verdade é boa para ser dita. Discrição que evita pareceres e juízos precipitados. que a tais normas não se conforma. A Discrição — Deve-se. Allport e Postman.”184 O jornalista tem a obrigação profissional de divulgar qualquer notícia comprovada que lhe chegue ao conhecimento. As provas que recolhe podem ser relatos de segunda ou terceira mão (e ainda quando fôssem de testemunhas oculares seriam de duvidosa exatidão). verdade será dita sem prejuízo e os fatos divulgad os sem intenção maliciosa. a sua familiaridade com os assuntas. acentuação e assimilacão. no estilo periodístico o uso do modo condicional e das expressões “circula”. 1925 — págs. A notícia se terá convertido. de modo veraz. em poucas palavra. contudo. que põe sempre em guarda o jornalista a respeito de fatos que possam destruir reputações. P. onde se obteve a informação. Discrição jornalística que. Provayer Carracedo. Provayer Carracedo — Radioperiodismo — La Habana. advertirá o profissional verdadeiro do momento asado para transmitir uma informação ou dar uma orientação reclamada pela sociedade a que serve. sem paixões. “correm fundados rumores”. 183 R. rendendo homenagem à exatidão. o que não o priva — nem o redime. O repórter raramente é testemunha presencial do sucesso. em rumor e o que o repórter escreva e o redator redija corre o perigo de cair ainda mais na precária ladeira da nivelação. diz que “se destinam a manter o rádio-ouvinte bem informado. reserva que não atribui jamais ao zêlo da verdade os nossos procedimentos indiscretos e as nossas intransigências apaixonadas”. de tudo quanto condiciona o comportamento social — o que lhe oferece meios de separar na radiografia da ocorrência. ter em conta a soma de experiência do jornalista. 184 J. transmudando unia informação que. em balancear o dever profissional e o dever social. . A. 182 Gordon W. ao menos em tese.. chega ao sítio da cena depois de haver-se produzido um fato digno de publicação. um código para o jornalista que informa: “respeito à verdade. quer pela sua revelação nua e crua quer pela discriminação da fonte. du Passage — Du journalisme – Paris. a despeito dos Alceste de todos os tempos e dos tagarelas apressados em vender atualmente as suas novidades” O mesmo autor propõe. Allport e Leo Postman – Psicologia de rumor – Buenos Aires.. que estudaram detidamente a psicologia do boato. quando. em conduzir-se. “conforme fontes bem informadas” e outras. “informa-se”. é êste o princípio fundamental para facilitar ao rádio-ouvinte os elementos de juízo apropriado para que nenhum fato seja desfigurado alterando ou confundido. atenção leal e engenhosa para facilitar a obra de esclarecimento. 1953 – pág. com senso de oportunidade e responsabilidade — é que está o atributo da discrição jornalística. salientam que os jornalistas “apesar das suas melhores intenções nem sempre conseguem escapar ao curso da deformação típica do rumor. com absoluta imparcialidade ao reproduzir para divulgar no radiário as rádio-notícias exatamente como se produziram em nossa presença ou com uma investigação sã e alerta do ocorrido. Como chegaremos a obtê-lo? Simplesmente com uma atuação judiciosa. de quanto ocorre no mundo. então. o verídico do falso. 1952 — pág. e porque é freqüente.183 Outro não é o pensamento de J. dos costumes. 192. 57. o seu conhecimento das normas de ética.”182 Daí porque é tão rara a divulgação de versões idênticas sôbre o mesmo fato em diferentes veículos de Publicidade. em caso de conflito. 11-13. que podem deflagrar revoltas e iras e de cujas repercussões na opinião o jornalista se pode arrepender tardiamente. se acaso não obedece aos estilos — de prever as conseqüências sociais dessa divulgação. está sujeita a normas seguras de verificação. em um rumor. que a fidelidade do jornalista aos fatos é forçada a empregar.

o jornalista brasileiro Luís Camilo de Oliveira Neto obteve do sr. o últimos integrando a consolidação das leis penais. José Américo de Almeida. sua cidade natal. nos códigos criminais — os primeiros elaborados pelos jornalistas ou por organismos em que os jornalistas se acham representados. estando. jornalista e poeta. sobretudo. à luz dos costumes e das tradições das comunidades a que se destinam. como não o seria colocar em mãos de um menino de meses um fósforo aceso porque chora de medo à escuridão que o rodeia. sendo considerado insensato. conforme se a diga ou se a escreva. ameaçado em sua segurança pelo regime que combatera. para que já por si se constitua um elemento adequado à conveniência social. porém não o único se se tem em vista não o egoismo ou a vaidade profissional mas a conveniência social. Outro caso é o do correspondente norte-americano da United Press. a consciência profissional que adverte o jornalista da oportunidade e da justeza da apresentação ou do comentário de um fato qualquer. uma entrevista destinada a dar o golpe de morte no regime. ludibriado pelo ditador em 1937. 186 Octávio de La Suarée – Moraletica Del periodismo – pág. estava hospedado na Embaixada do Brasil. o repórter insistiu pela sua publicação. natural de Pernambuco. de Salvador. Que seja verdade uma notícia. irreprochàvelmente certa. e acordou um dia tendo como vizinho no quarto ao lado o General Delgado. passando a dirigir o associado – Diário de Notícias. William B. sem que lhe seja preciso consultar textos éticos ou legais. apenas em serviço de treinamento de pilotos de caça norte-americanos. a que se acham coercitivamente submetidos não sòmente os agentes do jornalismo como o povo inteiro. A verdade é mais ou menos verdade e até pode deixar de ser verdade. é ter já o jornalista à sua disposição o primeiro elemento para publicá-la. 186 As normas gerais da conveniência social estão expressas nos códigos de ética e. ingressou no Diário de Pernambuco e mais tarde fixou-se na Bahia. que guardou durante treze meses consecutivos um autêntico “furo” de reportagem: uma ação de Lindenberg contra caças Japoneses no Bornéo — porque a sua publicação daria margem a prejuízos à causa dos aliados.. Jouvenel dizia aos seus alunos de jornalismo: “Não se esqueçam de que o público sente horror diante de tôda verdade nova”. que fôra candidato oposicionista à presidência da República Portuguêsa e. quando se sentia no ar que o regime ditatorial estadonovista se aproximava do seu têrmo. conforme o relata a revista Visão — edição de 23 de janeiro de 1959 — o jornalista Odorico Tavares. Afinal. em face da rigorosa censura à imprensa ainda imperante. obteve a divulgação e o seu ato foi a libertação do jornalismo brasileiro das peias do DJP e o inicio da vitoriosa campanha de reconstitucionalização do país. Transferindo-se para o Recife. Ainda recentemente. devem ser reduzidas ao fundamento único que a complemente e concretize e faça-a assimilável pelas grandes maiorias. As “maneiras” da verdade. Êsse fundamento único é. 274. . visto como. em Lisboa. o famoso ás não poderia participar de vôos de combate. para o jornalista a conveniência social”. procurara asilo na sede da representação brasileira. para a diagnose e terapêutica de um mal. quando se apresentou ocasião inopinada de entrar em luta..185 dos Diários Associados. 185 Odorico Tavares. que uma notícia seja certa. A condição de hóspede do embaixador impediu Odorico Tavares de conseguir o que seria a entrevista mais fácil e sensacional da sua carreira. muitas vêzes. com efeito. O sol dá vida ao homem mas êste não pode mirá-lo diretamente. “Não basta. Êstes dois distintos aspectos da discrição no exercício do jornalismo estão caracterizados nos seguintes exemplos: em 1945. Mas é. que fôra o candidato à presidência da República. como o médico. nem sempre necessitará de ir ao Chernoviz. . iniciou a sua carreira na imprensa de Timbaúba. Talvez nenhuma outra essência filosófica esteja mais subordinada à forma do que ela e o fato de que se a entenda sempre de diversas maneiras dá uma idéia cabal dos requisitos morais que exige a sua apresentação. . Dickinson. sendo civil. Por muitos dias.

o médico examina-o e deve dizer-lhe o mal de que sofre. enrêdo e maledicência amável e inconseqüente. aquela outra condição indispensável ao seu exercício — a responsabilidade. que há de ser claro. se. unidade. e não raro desespêro. aos princípios de correção. Sòmente nestas condições. prossigamos no paralelo: chamado ao leito de um enfermo. sua extensão e a disciplina a que deve submeter-se para obtenção da cura. harmônico. entretanto. que condiciona o seu comportamento profissional. da quase irresponsabilidade. torna-se ininteligível. adotando um ritmo próprio de “linguagem”. fazendo-o obedecer. em contrapartida. os métodos de ação do facultativo serão de molde a fazer entender ao paciente o seu estado de saúde. aquela medida de equilíbrio de valores. de fixação de metas a serem ultrapassadas. fugindo ao simbólico e ao metafórico. precisão. o instante da boêmia. fatalmente transmite receios. A linguagem. clareza. um planejamento filosófico e sociológico que responde não só a reclamações primárias e meramente utilitárias mas a necessidades do espírito do homem. Em seguida. Se. Senso Estético — E já que utilizamos a comparação do exercício do jornalismo com o da medicina. então. corre o risco de incutir no enfermo uma idéia por demais lisonjeira da sua situação. finalmente. de molde a evitar dissonâncias e choques. Sòme nte há pouco mais de um século é que o jornalismo e o jornalista iniciaram a sua batalha de aperfeiçoamento. É o senso estético que dita o estilo jornalístico. a atitude. o jornalista realiza obra estética e neste afã é que jamais o poderá alcançar a máquina. Ocorre o mesmo com o jornalista. usa apenas a linguagem científica. Daí porque o jornalista — na fase de transição porque passamos. . de cultivar qualidades e dons que lhe são cada dia mais exigidos. a fim de conseguir a necessária aquiescência à terapia indicada. Aqui é oportuno lembrar que as primeiras manifestações jornalísticas foram puramente utilitárias. de reclamar o gôzo da condição primordial da sua atividade — a liberdade. Houve. no seu trato com o público — e o que o ajuda a acertar na ação é o senso estético. parece demasiado otimista. Mais tarde. que há de ser. ainda. que há de ser enérgico. jamais o poderá violentar qualquer regime social estritamente materialista. energia e harmonia. se se mostra surpreendido ou temeroso com os sintomas e a marcha da moléstia. em pleno florescer de uma segunda revolução industrial — precisa de estar consciente da sua missão. que há de ser correto. que ha de ser uno. ao seu cliente. fixando expressões ou detalhes essenciais. mediante a ordenação das idéias numa seqüência lógica. registrou-se a época da polêmica. respondendo a exigências primárias da vida social. dos fatos apresentados em conflito e usados para a defesa ou o ataque. com tempo para viver e para pensar. mantendo igual distância entre o preciosismo e vulgarismo. observou-se uma fase de alegre despreocupação: o jornalismo era. em qualquer que seja o veículo de que se utiliza. de superação do empirismo para um enquadramento ético e estético. por outro lado. jamais o poderá substituir o servo-mecânico. uma vez que se achará apto a assegurar por si próprio.

QUARTA PARTE AS CONDIÇÕES DO JORNALISMO Contém: O PROBLEMA DA LIBERDADE Poder Público e Liberdad e de Opinião Educação para a Liberdade Defesa da Liberdade de Opinião O PROBLEMA DA RESPONSABILIDADE Jornalismo e Moral O Jornalismo Sensacionalista A Ética no Jornalismo Brasileiro Jornalismo e Nacionalismo Ação catalizadora do Jornalismo O Jornalismo Brasileiro e o Nacionalismo Os Reclames do Presente Jornalismo e Paz Mundial A “Batalha da Paz” A ONU e a Paz Os Caminhos da Paz .

o de que a expansão da pessoa humana só se processa na concordância ou na discordância das vontades individual e social. diante da constante ação social. que é própria do agente. 33. assim. O fato capital é. nesta ordem social. que chamaremos de social. a permanecer inativo. Êsses fenômenos universais e constantes nos permitem definir a liberdade. nunca se define de modo preciso. . aguçaria conflitos. do Estado: — a liberdade. da ordem. pela comunidade e pelo Estado: — a responsabilidade. em lugar de encaminhar o homem. que não participará da elaboração política. E. Paulo Nogueira Filho. É o que ensina o prof. hábitos. Sem a primeira. com as regras jurídicas e morais. Socorrendo-nos. como ação ou inação voluntária concordante com a vontade coletiva. realizada na integração social. em qualquer ordem de pensamento. a defesa da liberdade constitui tarefa indeclinável pois “se neste domínio um indivíduo se vê obrigado a guardar silêncio. a liberdade deve ser compreendida pelo jornalista como inalienável “para exercer sem entraves a sua atividade intelectual. 189 Harold J. o seu sentido é uno cm quaisquer condições. outra. O PROBLEMA DA LIBERDADE Valor inerente e essencial ao desenvolvimento da personalidade humana e da vida social. e compará-la com a de seus pares. as íntimas e indissolúveis relações entre jornalismo e liberdade. 38-39 e 46. está habilitado a sentir o grau de liberdade de que desfruta e para êle.dores que integra. 67. usos. os indivíduos atuam coincidindo ou não. a consciência dessa concordância se identifica com o sentimento de liberdade. Sejam quais forem os ideais coletivos que animem um aglomerado formado de seres dotados de razão. diante do problema da ordenação coletiva. e opressão social como ação ou inação determinada por vontade cole tiva. tentaremos situar. sempre que um dos seus componentes verificar a sua posição no grupo.”187 Para ser livre. jornalismo e responsabilidade e os reflexos que quaisquer distorções neste terreno produzem no exercício dessa atividade e no seio da coletividade humana. A liberdade tida como ação individual. esmagador instrumento manejado pela tirania e pelo despotismo para subjugar os anseios dos espíritos e dos povos pelo seu constante aperfeiçoamento moral e material. aqui. em outras restrições senão as ditadas pelos poderes ordena. mais do que para outros profissionais nos diferentes campos de experiência humana. Sem a segunda.. se converterá num ser torpe e incoerente. discordante da pessoal. um homem carece de meios para proteger-se a si mesmo”. que avigora a personalidade. pois. concordando ou não. sem liberdade de pensamento e associação. a comunhão internacional pelos caminhos da educação e da cultura. 1951— págs. Laski — La libertad en el Estado moderno — Buenos Aires — 1946 — pág.188 que acentua: “Em todos os climas e latitudes do globo terrestre. 1951 – pág. como intelectual. essa fôrça motora da vida social geraria preconceitos e ódios. a discordância se identifica com o sentimento de opressão.189 Tão vital se apresenta 187 Jacques Bourquin – La Liberte de la Presse – Paris. 188 Paulo Nogueira Filho — Regime de liberdade social — Rio. o que significa que deve poder exprimir livremente as suas idéias. no segando. o exercício do poder opinativo não passaria de mais um instrumento — terrível. o indivíduo precisa de ter asseguradas condições em que possa expandir o seu ser e afirmar a sua personalidade. do progresso. que dêle parte e dêle é exigida pelo indivíduo.. a sociedade. Ao inverso. do pensamento filosófico moderno e da observação dos fatos sociais. provocaria o caos e a ruma. da paz e da colaboração. costumes ou ordenações sociais ainda que difusas. se a consideramos como a expansão individual possível. independente de limitação. quer seja pela palavra ou por escrito. A experiência confirma: no primeiro caso.” O jornalista. que atrofia a personalidade. Temos como fundamentais ao exercício do jornalismo duas condições: uma que parte de fora para dentro e cuja garantia é competência das sociedades e particularmente. levaria indivíduos e comunidades à desintegração. terá noção precisa do estado de liberdade ou de opressão em que vive.

durante uma campanha política. pode o Poder Público limitar a liberdade de cada um. a de garanti-la por todos os meios. “consiste em assegurar um equilíbrio harmônico entre a liberdade de que necessitamos e a autoridade que é essencial. Madrid. Para começar. nos grandes centros urbanos nos países democráticos. da liberdade-função social. o dever de favorecê-la e ajudá- la. é inexequível. e esta doutrina está consubstanciada em todos os movimentos filosóficos que levaram o homem a lutar pelo direito e pelo dever de ser livre. a de assegurá-la. Os que falam em liberdade de expressão do pensamento. que brota dos costumes e hábitos. “as clássicas declarações de direitos. às atividades que têm por objeto a depravação dos costumes. . 126 – 127. não deixaram de fazer referências à ordenação necessária quando preceituam que ninguém pode. mas sòmente na medida que seja necessária para proteger a liberdade de todos. Assim. como por exemplo na de culto. de fato. no sentido de faculdade irrestrita. porém. não têm em conta o que seria entre outras a falta de ordenação jurídica da matéria. nasce para êle uma série de obrigações. o de universalização das respectivas ordenações. especialmente a de desenvolver sua atividade física. ao proclamar como fundamentais quatro dentre as “liberdades humanas”. no conceito solidarista. há muitos meios melhores para tal” sem falar na pressão expontânea da consciência comum e da opinião pública. 191 Jacques Maritain – Los derechos Del Hombre y la Lei Natural – Biblioteca Nova – Buenos Ayres. com as menores restrições possíveis. é preciso dizer que tem o dever de exercê-la. ao menos em tempo de paz. não apenas no termo da lei mas real e efetivamente. só aludimos à carência de norma jurídica. na hipótese. não se pode dizer. Sem dúvida. com Leon Duguit. a fim de dotar o homem comum da perfeita convicção de que possui espaço suficiente para a contínua expressão de sua personalidade. se referiu à categoria de atividades que julgou deverem ser ordenadas. quando êstes se acham fortemente arraigados. o que. intelectual e moral e não fazer nada que perturbe o desenvolvimento da atividade dos demais. implicitamente reconhecem a necessidade de regulamentá-la. que o homem tem um direito ao exercício da sua atividade. ao enumerarem as liberdades tidas como fundamentais. cujo exercício declaram não poder ser impedido. 1924 — págs.”191 Conclui-se que a tarefa dos homens de govêrno e dos responsáveis pela orientação e pelos destinos dos povos. – págs. quanta à ocupação de espaços nos veículos de publicidade? A falta de ordenação no caso. “Desde o momento em que o homem faz parte da sociedade e. que ela não constitui um direito. 1946 – págs. 222-223. por isso.a liberdade para o exercício do jornalismo que somos levados a crer. fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei. mas um dever. “Para o filósofo católico. a quem pertenceria o centro cívico da cidade? E que seria. a idéia da liberdade-direito desaparece para dar lugar à idéia de liberdade-dever. tal como provàvelmente são estatuídas nas leis e nas tradições anglo-saxônicas. Assim. por conseguinte. pois varia de povo a povo o conceito da normativização necessária em cada uma das séries citadas pelo insigne democrata. nos dias que correm. às que têm por fim a destruição do Estado e dos fundamentos da vida comum” mas “a censura e as medidas de polícia são o pior meio. 192 Harold Laski – Obras cit. de assegurar essa repressão. E pondere -se que. em verdade. é um ser social. ocasionaria simplesmente conflitos cruentos ou o caos. que é dos mais típicos.”190 Poder Público e Liberdade de Opinião — Se o jornalista tem o dever de exercitar amplamente a sua liberdade para ser fiel à missão de favorecer e ajudar a atividade dos demais membros da sociedade. ao seu ver. assim. 190 Leon Duguit — Soberania y Libertad — Beltram. O presidente Roosevelt. O proble ma a resolver seria. que tem o dever de não dificultar a ação dos demais.”192 O poder público pode e deve limitar a liberdade individual para melhor garanti-la. ao Poder Público não cabe outra tarefa que a de proteger essa liberdade. 18. na realidade. Jacques Maritain escreve que à comunidade política “assiste naturalmente o direito de opor-se à propagação da mentira e da calúnia. na medida do possível. Ainda quando põem vigor na afirmação de uma liberdade.

194 de que não expressa a faculdade de contra ela nos erguermos. pelo diatribe e. adquiridas pela experiência e pela educação. . das ieivindicaçôes. o direito de publicar o que se quer. assimilar ou rejeitar as idéias que a impulsionam à ação. em última análise. todavia. pelo falso testemunho e pela irresponsabilidade.”193 A verdade é que os limites da liberdade não pertencem apenas à ordem jurídica. 1955 — pág. distinguir. nem a necessidade de fazer o que o ditador me imponha. travestir-se de jornalista. é que poderemos. de incitar à rebelião e propagar a guerrrcivil ou entre nações — então nenhuma educação. para acatá-los em nome da própria liberdade. filosóficas — de valor absoluto e indiscutível. 31. do Estado ou do indivíduo — ao pleno exercício da atividade dos que conosco vivem e atuam. nada entenderia. isto é. 195 Gustavo Corcão — As fronteiras da técnica — Rio. Fulton Sheen — Obra cit. de renunciar ao exercício amplo da nossa atividade. encobrir-se e proteger-se com o munus natural da profissão. e a liberdade tornar-se-á um absurdo. Não é fácil. o que não o privaria de ser um “expert”. instruçãu ou treinamento se faria mister para o exercício profissional. liberdade e obrigação mo ral são idéias correlatas”. portanto. a liberdade não é um fim — sòmente com essas convicções. quando impostos pela lei jurídica. de torcer a verdade ao sabor das próprias conveniências. a manifestação da opinião através dos veículos jornalísticos.”196 Educação para a Liberdade — Há. Qualquer indivíduo poderia — como infelizmente tem ocorrido — intrometer-se numa redação de jornal. o jornalista precisa — como arauto e pregoeiro das idéias. Essa “liberdade” não o privaria. Insistem em ser livres de alguma coisa mas esquecem de que estar livre de alguma coisa implica em estar livre para alguma coisa.34. de insultar e denegrir o próximo. de que “liberdade e lei. São também as que correspondem a responsabilidades éticas. Esqueça-se a finalidade.O valor da sua proclamação residiu no intento de influir junto a todos os governantes para que assegurassem. bem informar-se dos meios que deve utilizar para alcançá-los e de como empregá-los. que o jornalista identificar-se com os objetivos da sua missão. do pénsamento. Estar livre do reumatismo só é compreensível porque quero estar livre para andar. — pág. distinguindo-os. de suprimir informações. são também morais. As leis que regulam e limitam a liberdade.71. apenas. Rela injúria. 194 J. é o direito de fazer o que eu devo”. Batem-se pela liberdade mas não dizem porque querem ser livres. 196 J. filosóficos e religiosos. de pela violação das normas éticas que regem a profissão. a sociedade será chamada a responder às distintas direções do pensamento e a aplicar recursos próprios para analisar. enfim — o jornalista precisa de educação especial para a liberdade. de que liberdade não é “o direito de fazer o que me pareça. 195 e de que. utilizando o jornalismo do mesmo modo que o tirano o utilizaria para a satisfação dos seus interêsses. dos anseios da opinião pública. em atos de puro 193 Paulo Nogueira Filho — Obra cit. 1947 — pág. Fulton Sheen — O problema da liberdade — Rio. Sòmente uma convicção profunda de que liberdade e responsabilidade são coisas inseparáveis. aquêle instante em que temos de aceitar restrições ao nosso direito. investir-se na direção de um periódico ou de uma emissora radiofônica. de manobras astutas para obter riqueza e mundo. mas. no tumulto dos interêsses em choque. Dêsse modo. naqueles setores de atividade humana. Porque se a liberdade fôsse. Em outras palavras. com efeito. a paz social. Do jornalismo missão-social. de fazer sensacionalismo. nós próprios. não são apenas as regras codificadas. escolher os caminhos e traçar os limites da liberdade. de conhecer da técnica de jornal. Fulton Sheen assinala que “todos falam como se a liberdade neste mundo fôsse um fim e não um meio. o limite da liberdade. de que liberdade não significa indiferença ao bem geral e individual. — 44-45. morais. Já T. da administração e gerência de uma emprêsa jornalística. esquematizadas em textos oficiais. em respeito ao direito alheio — da sociedade. ao contrário. conseqüentemente.

A sua posição é de um ativo participante da elaboração do Direito. 1952 — pág. política da nação. a William Allen White e a outros jornalistas e professôres. mas. 45-46. levar a comunidade ao desespero. “as principais dificuldades não vêm do número insuficiente de candidatos. ainda. como outras profissões muito menos importantes têm logrado o interêsse público. Não é menos verdadeiro porém que aquêles que chegarão a ser jornalistas constituem uma importante fração dessa população estudantil nos Estados Unidos. mas “elevar idéias. em 1949. no âmbito da lei”. muitos terminarão “writers” de agências de publicidade. conformando a expressão do pensamento às normas do Direito. deveu-se a vitoriosa campanha que transformou os Estados Unidos no país líder do ensino jornalístico no mundo. limitando-se a expô-los ou criticá-los leviana ou inconseqüentemente. credora do respeito da comunidade. Robert W. acaso. que “não é pura teoria mas uma fôrça viva e real. conservar a contabilidade no seu próprio lugar e fazer da alma do jornalista. reconhecendo que “os profissionais da imprensa. correspondente a observações feitas em 19 países. sobretudo. correspondentes de uma casa comercial. a Walter William. mergulhar o país na ruma. Gilberto Henry Goston informa que “uma enquete revelou. ensinar-lhe tipografia ou métodos de gerenciar o negócio. e êle próprio o declarava: “Minha esperança é que êste colégio de jornalismo levante o nível da profissão. do rádio e do filme assumem responsabilidade frente ao público”. a Pulitzer. . Registrou. liberdade de expressar a opinião não é essa licença e sim “a possibilidade de exercitar o próprio e são direito. a Charles A. um trabalho incessante não sòmente do poder público mas do povo inteiro. que o número de jovens americanos que se destinam à carreira da imprensa e das letras se eleva a dois milhões. que “mesmo nas nações em que a situação econômica é relativamente estável. 7. do fato de que êsses candidatos não têm formação profissional satisfatória. a alma do jornal. Mas para isso é preciso marcar a distinção entre os verdadeiros jornalistas e os homens que fazem uma espécie de trabalho jornalístico que não requer nenhum conhecimento ou convicção. que deve ser proporcionada aos jornalistas uma formação profissional que lhes dê um bom lastro de cultura geral. desenvolva nêles o senso das responsabilidades que incumbem à imprensa sôbre o plano social e lhes forneça noções de base a respeito da técnica e dos métodos próprios desta profissão. 1947 — pág. Sem dúvida — acrescenta — entre êsses escritores em perspectiva.”199 A sub-comissão de imprensa da “Comission de Besoins Techniques” da UNESCO. de colaborador permanente na tarefa da paz e do entendimento entre todos os povos do mundo. na luta fratricida e no caos.gangsterismo. Mas.” Ao general Lee. de uma firma cinematográfica ou. E atendendo a que “os jornais não são os únicos a 197 Assante. no meio dêsses aspirantes a jornalistas. da luta pelo desenvolvimento constante das condições econômicas e sociais das comunidades a cujo serviço se encontra. na maior parte dos casos estudados. 198 Conf. não preparar o profissional para o trabalho material de fazer um diário ou um periódico. Era uma educação especial para a liberdade de opinar que movia Joseph Pulitzer. 199 GiIbert Henry Goston — L’ABC du journalisme — Paris. de contribuinte na obra de entrosamento dos cidadãos na vida. Eu desejo iniciar um movimento que possa erguer o jornalismo ao nível de uma profissão erudita. opinou que “esta organização pode fazer muito mais em favor da formação profissional do que sôbre não importa que outro ponto estudado” no relatório apresentado em 1949. Dana. o relatório.”198 Pulitzer estava convencido de que a principal função dos estudos especializados jornalísticos era. particularmente para ocupar os postos mais elevados” e que. mas um simples treino de negócio. 514.”197 Como expressiva parcela do povo o jornalista não deve permanecer passivo diante dos problemas. na sua iniciativa vitoriosa de criar a Escola de Jornalismo da Universidade de Colúmbia. Arturo — Il Giornale — Napoles. isto é.” Reconhece. falta pessoal qualificado. 1949 — págs. Jones — Journalism in the United States — New York.

talvez os correspondentes prefiram. consideram ser vital para o govêrno possuir a sua imprensa e dar-lhe direito de criticar e orientar a opinião pública. as idéias e normas norteadoras do exercício da liberdade. que a imprensa russa é livre de criticar. recomenda que “os programas das escolas de jornalismo sejam concebidos em função de todos os meios de informação das massas” e em plano universitário. 11-junho-1953 — N. 203 Essa preocupação dos governos socialistas e totalitários no preparo de equipes de jornalistas. dividido em três períodos intensivos. É raro que sugestões ou críticas. 200 UNESCO — Press. mas “é exato. tècnicamente competentes e politizados de acôrdo com as diretrizes práticas e filosóficas vigorantes. rádio — Paris. O govêrno espanhol faz ainda mais: mantém cursos especiais. instituições do mundo hispânico. quer às repartições quer aos funcionários locais. As autoridades soviéticas afirmam que na elaboração definitiva das leis têm em conta a opinião assim obtida. . 217. 111-117.200 Fato significativo.fornecer ao público a sua ração de notícias. 1948 — págs. destacando- se os cursos oferecidos pela Escola Oficial de Jornalismo da Universidade de Madrid. tais como problemas atuais da Hispano-América. saem das Universidades soviéticas. seis meses. A imprensa soviética. 204 Pierre Denoyer — Obra cit. Anualmente. Publica numerosas cartas de trabalhadores inserindo julgamentos por vêzes severos sôbre o funcionamento dos organismos governamentais. para alunos hispano-americanos. Talvez faça-se uma judiciosa censura das críticas.”202 O regime de Franco cuida da formação profissional dos jornalistas ibéricos. como é entendida entre aquêles povos. escreveu o seguinte: “A formação de um jornalista do Pravda é um trabalho de vários anos. particularmente das Escolas de Moscou e Leningrado. A diretiva stalinista — “Os quadros decidem tudo” — que norteia todos os setores da atividade soviética. — págs. Pierre Denoyer informa que. note-se bem. reunindo as idéias criadoras e a iniciativa dos trabalhadores. 202 A Voz Operaria — Rio.”201 E o repórter brasileiro João Batista de Lima e Silva. A maioria das comunicações dos leitores refere-se aos negócios do Estado. indica que tais governos também estão imbuidos da importância de imprimir. na URSS. história dos Descobrimentos. se bem que com menos extensão. encontra neste caso um exemplo magnífico. Seguem cursos de três meses. através de bolsas. no espírito daqueles que se dedicam à profissão jornalística. 24-37. voltar a lua atenção para as atividades referentes às autoridades locais. film. E dentro dessa compreensão. se refiram às atividades dos escalões superiores do Govêrno. nos quais se estudam teórica e pràticamente as mesmas matérias que no plano dos cursos para espanhóis. política exterior da Espanha. é considerada uma fôrça pelo govêrno porquanto estabelece um contacto direto e vivo “entre o povo e os homens de Estado. 117. e incluindo algumas matérias especificamente destinadas à melhor preparação profissional dos periodistas dos países sul-americanos. ao qual os dirigentes do jornal prestam a mais solícita atenção. estrutura econômica do mundo hispânico e. seguindo as diretrizes oficiais. 203 Manual de Estudos – Universidade de Madrid — Ano de 1952. segundo a formação que se lhes julga conveniente dar. que visitou a URSS.”204 A liberdade de opinião na URSS não obedece aos nossos modelos. comissários do povo ou órgãos dirigentes do Partido. um ou dois anos. contràriamente ao que se crê comumente. 1950 — pág. “aquêles jornalistas cujos méritos os assinalam aos dirigentes são enviados para uma das numerosas escolas de jornalismo. compreendendo um ano escolar de nove meses de duração. dezenas de jovens que completam o curso de jornalismo. quando se observa o desenvolvimento do ensino técnico-profissional de jornalismo no mundo é a importância que os governos socialistas ou totalitários dão à criação e manutenção das escolas e cursos superiores para o pessoal da sua imprensa. ditados em três anos. 201 Pierre Denoyer — La Presse dans le monde — Paris. por exemplo. as informações gerais e as diretrizes contidas nos artigos de fundo”.

Baltiiski revela conhecimento absoluto dos princípios da liberdade de imprensa na concepção ocidental. é criticada. Nessa longa missiva. é o espectador do cinema e da TV. sob a égide da UNESCO. nas escolas. cremos que a democrático-burguesa. não faz senão três meses que espero.” Os jornalistas soviéticos estão capacitados hoje a defender a sua própria concepção de liberdade de imprensa206 graças. nos demais países. nas associações. em Curitiba. é o ouvinte. sobretudo no nosso país. Há momentos em que a crítica da execução inclui a crítica da própria política. Nestes últimos. 175. legando-o. — págs. preservar êsse bem. menos na própria URSS. pela revista satfrica Krokodil. por isso naturalmente atribuimos um grande valor à mesma. Marx. tanto nos Estados democráticos como nos socialistas. 111-117. a substituição progressiva dos conceitos nazistas de liberdade e govêrno pelas idéias democráticas imperantes naquele país. em que aparecia o desenho da ante-câmara do presidente de um Soviet Municipal cheio de visitantes. enquanto periódicos e filmes expõem aspectos diversos do problema.”205 Pierre Denoyer dá-nos um exemplo da liberdade de crítica na União Soviética feita à burocracia florescente. poder básico do regime. periò dicamente. numa série de discursos proferidos na Câmara dos Deputados e reunidos no volume Pela Liberdade de Imprensa — Livraria José Olimpio Editora. na necessidade de uma “escola de leitores”. cujo dever fundamental é. Seminários de jornalismo. Por que? Porque não existe na Itália um sistema político nem social que torne possível a introdução da forma soviética de liberdade de imprensa. tal como a entendemos. 1957 — Afonso Arinos de Meio Franco sintetizou com muita precisão a matéria. entretanto. de uma educação especial. na qual se procurasse ensinar o homem a ler e aproveitar o jornal. Em troca. em diferentes países com o propósito de 205 Pierre Denoyer — Obra cit. em qualquer parte. e não a forma soviética de liberdade de imprensa. responde um dos visitantes. estuda-se e debate-se constantemente. Kent Cooper. em que concluia que a Rússia desejava uma imprensa livre em todo o mundo. o jornalista que necessita. Os críticos confundiram negar valor dialético ao conceito com negar existência ao próprio conceito. 206 O autor foi criticado (Diário de Pernambuco — ed. Rio. é a mais conveniente.Jamais a política do govêrno. é a carta aberta dirigida pelo jornalista russo N. É o próprio povo. que desejemos impor nossa forma soviética de liberdade de imprensa aos demais países. Essas aulas. que o torne apto à defesa da liberdade de opinião. simpósios e inquéritos são realizados. tivemos oportunidade de. em tese apresentada ao Congresso Nacional de Jornalistas de 1953. e êsses estudos e debates constituem pràticamente o fundamento de qualquer formação cultural. A certo trecho escreveu: “Porque nós outros da União Soviética conquistamos e pusemos em prática a mais ampla liberdade de imprensa. ali. Lenine e Plekhanov. em tribuna especial. 1946 — pág. ensinamento constante da ciência política. . Na República Federal da Alemanha. “Espera-se muito tempo para ser recebido?“ — pergunta um recém-chegado. do seu exercício nos países não socialistas e das suas diferenciações com a “forma soviética de liberdade”. Isto não significa. ao examinar “as doutrina anti-liberais da liberdade e suas consequências”. ampliado e firme aos seus pósteros. de grande tiragem. 207 Octavio de la Suarée — Moraletica Del Peridismo — La Rabana. são ministradas também nas Universidades.”207 Defesa da Liberdade de Opinião — Mas não é apenas. 17-set. o complexo teórico de Hegel. como o fizeram as gerações passadas. exatamente. a realização dessa política pode ser criticada e o é realmente. Baltiiski a um dos diretores da Associated Fress. ao preparo excepcional do seu pessoal. em resposta a uma palestra pelo mesmo proferida em outubro de 1944 na Associação Editorial de Chicago. assistir a uma aula. num sentido mais lato. ao “conceito socialista de liberdade”. que visam a desnazificação das massas. em visita ao Parlamento de Bonn. por exemplo. Já se falou. Para a Itália do presente. nas fábricas. O maior documento a respeito de que temos conhecimento. “Não sei.-53) por referir-se. sôbre o funcionamento do legislativo. cursos de extensão universitária. E outra não tem sido. mesmo. Posteriormente. sem dúvida.

Êstes três tópicos são fundamentais na fixação do conceito e das diretrizes de uma atividade jornalística livre e consciente das suas verdadeiras e legítimas finalidades. Êsses esforços objetivam inculcar nas massas o respeito pelo jornalismo. a fiscalização é sempre possível no regime de liberdade” — assegura com muita justeza Afonso Arinos de Meio Franco. onde a imprensa é vítima das mesmas deficiências morais e técnicas da nossa formação política imatura e ainda meio bárbara. enfim — se compenetrem do seu dever de pugnar por um jornalismo livre e responsável. 209 De Republica — IV. 10-12. a exigir a prática de um jornalismo responsável. e ministro da Agricultura do Brasil. entre outros. para o caluniador a pena consistia em se lhe infligir o mesmo castigo que pudera ter sido aplicado ao caluniado. de acôrdo com os códices de Thaut. o jornalismo se obriga à responsabilidade sob três aspectos: — para com o indivíduo e a coletividade (jornalismo e moral). “Em qualquer país. O que o ilustre escritor pernambucano não pode admitir é a impunidade do foliculário irresponsável. finalmente. os sindicatos. que mentiu e caluniou. “que impusera a poucos delitos a pena capital. as igrejas.esclarecer a opinião sôbre os benefícios e a importância da imprensa. o dano moral terá permanecido sem a justa reparação e a comunidade acostuma-se a permanecer indiferente aos libelos jornalísticos enquanto se cria um clima de insensibilidade. levando os veículos periodísticos a se colocarem à margem dos verdadeiros interêsses da coletividade. o seu estudo biográfico e crítico de Pinheiro Machado constituiu obra de grande repercussão nos meios culturais do país. Basta que os partidos políticos. da TV e do cinema na difusão das notícias e da cultura. Em ambos os casos. preparando-as para o exercício de uma vigilância sem a qual será fatalmente deturpado o sentido da liberdade de opinião. Jornalismo e Moral — Referindo-se ao problema da responsabilidade jornalística. as associações e clubes — todos os núcleos sociais. e mesmo no Brasil. no seu bom nome ou na sua justa fama tem sido exigida pelas mais remotas legislações. obtendo. foi deputado à Constituinte Federal em 1946. Dêsse modo. Ou a serviço do poder político ou a serviço do poder econômico. ou aquêle contra o qual. no conhecimento mútuo dos povos e. quando muito forçado a publicar retificações ou a retratar-se em outra edição do jornal. no govêrno Café Filho. por parte dos acusados. sob as quais vivem e desejam continuar a viver. A reparação do prejuízo ocasionado à pessoa humana ou à entidade de direito no seu patrimônio ideal. Escritor e pesquisador da historia. na sua opinião. o prêmio da Academia Pernambucana de Letras. . na manutenção das relações amistosas e da colaboração universal para a construção de um mundo de paz e progresso. para com a pátria (jornalismo e nacionalismo) e para com a comunidade internacional (jornalismo e paz mundial). ante as mais infamantes pechas que lhes são atiradas. Um povo apto à defesa da liberdade estará sempre vigilante. A idéia de Costa Porto sôbre as conseqüências da responsabilidade no exercício do jornalismo remonta aos tempos do antigo Egito onde. verídica e comprovadamente. O PROBLEMA DA RESPONSABILIDADE Para responder e corresponder à liberdade que lhe deve ser conferida. oferecendo aos inimigos da liberdade razões para suprimi-la. integrado na tarefa do desenvolvimento nacional e do constante aperfeiçoamento das instituições democráticas. pelo contrário considerara conveniente aplicá-la ao que recitasse pùblicamente ou 208 José da Costa Porto. exercitou a sua crítica. que nem sempre é conhecida dos mesmos leitores que foram postos a par da falsa acusação antes veiculada. Na época da publicação deste ensaio integra o corpo redacional do Diário de Pernambuco como comentarista político. nos crimes de imprensa alguém deveria pagar na prisão: ou o jornalista. Costa Porto208 costuma dizer que. as universidades. jornalista e professor pernambucano. Cícero209 acentua que já a lei das Doze Táboas. do rádio.

por interposta pessoa. onde os mais altos postos da vida social são disputados através de eleição. para proteger-lhe os direitos e orientá-lo para a prática do bem. o dano moral tomou tal amplitude que torna impossível a sua reparação. 211 Rui Antunes — Obra cit. Já salientamos como um falso juízo ou uma informação tendenciosa.210 dispunha a vítima da ação pretoriana. de vida pregressa pontilhada de infrações penais não desmacaradas. há dois séculos. bastando para isso que o processo seja devidamente instaurado pelo ofendido e que êste. como também se torna passível de penas e penitências proporciona das. apresentar-se ao eleitorado solicitando-lhe as preferências.” Durante a Idade Média. apreensão de exemplares de jornais. de acôrdo com o “jus vindictas”. o desagravo do difamado. A propósito. Dêsse modo. como na brasileira. a quem se propiciava os meios necessários.938 a dar a devida satisfação e a reparar os danos. Em tempos menos recuados.” E segundo a lição de Justiniano. 12.618 e 1. 1955 — pág. pecuniárias. cuja incolumidade fôra. compunha ou publicava um libelo ou livro infamante de versos. perante o tribunal. Quem ousar denunciar pela imprensa o criminoso.. com a expansão dos meios de comunicação. nos têrmos do art. se for o caso. perdurará para aquêle público que não teve oportunidade de tomar conhecimento da retratação. confisco e sequestro de máquinas e. 140. codificada e proclamada. diante de um grave problema: de um lado. Por outro lado. a situação criada pela nova Lei de Imprensa entre nós (Lei n. do outro. assim. que se lhe cosesse a bôca. “de igual modo injúria se causava a outrem quando contra êle se escrevia.083. mesmo retificada por determinação de sentença judicial ou admitido. sempre. o direito de resposta. por si ou.”211 Estamos. Essas reparações. o jornalismo desamparado diante de um indivíduo todo poderoso. consistia em reclamar fôsse arrancada a língua ao difamador. em muitas delas. finalmente. .. dolosamente. na velha Alemanha. letra b. entretanto. 2. nos teores dos cânones 1. em uma soma de dinheiro prudentemente arbitrada pelo juiz.compusesse versos injuriosos ou difamatórios.” Neste caso. Um jornalismo que “sentia gravitar a injustiça 210 Wilson Melo e Silva — O dano morai e sua reparação — Edição Revista Forense — Rio. exclamando: “Bôca. a “prova da verdade” é quase que totalmente excluída nos processos por calúnia e difamação e não é mesmo admitida siquer no caso de injúria. se tornaram pouco ou nada eficazes.355 da Igreja reza textualmente: “Se alguém. lhe extirpasse o nariz ou amputasse a mão. multas. — pág. contra o processo judiciário adotado nos chamados crimes de imprensa. batesse na sua própria bôca. o direito de resposta a quem for acusado ou alvo de injúria. não só se obriga. Ë que. reconhecida. espontâneamente. pesam alguns argumentos de apreciável conteúdo. de 12-11-53) conduz os jornais a ficar silenciosos quando um biltre da pior espécie. ou de qualquer outra forma injuria a um terceiro ou o prejudica em sua boa fama e reputação. todavia. tu mentiste !“ As modernas legislações prevêem penas de detenção. Qualquer notícia ou comentário publicado em um jornal de pêso na opinião pública poderá ser logo transmitida pelo rádio ou por qualquer agência telegráfica ao mundo inteiro. calúnia ou difamação. não com atos mas por meio de palavras ou escritos. a irreparabilidade do dano infligido ao indivíduo pelos órgãos jornalísticos que foram criados e se desenvolveram para serví- lo e engrandecê-lo. O cânone 2. que se denominava “injuriarum aestimatoria” e pela qual podia reclamar uma reparação consistente. tanto entre nós como em outros países. Rui Antunes comenta: “Florian lembra muito bem que a justificativa da verdade é tanto mais de ser acolhida nos regimes políticos democráticos. não permita a prova da verdade. inclusive se se trata de clérigo a quem. a reparação do dano moral sofrido impunha ao difamador que. correrá o risco de ser afinal condenado como caluniador. e se posteriormente o jornal vier a retificar o conceito. 28. se deve impor a suspensão ou privação de ofício e benefício. poderá ocorrer — e ocorre com freqüência — que nem aquela emissora de rádio nem aquela agência informativa se interessem por transmitir a retratação.

ponderação e discrição. deve ser escrupulosamente respeitada. 74-75. qualquer que seja o seu credo religioso ou a sua filiação política.. ainda que o tribunal competente julgue que não agiu de má fé. ajuntando essa outra incisiva máxima: “Uma palavra que não se pronuncia jamais causou prejuízo”. lançou as bases da ética jornalística. a reputação das pessoas. um decálogo do jornalista que. adotou o seguinte princípio: “tôda calúnia.. Uma prática correta exige que essa oportunidade seja dada em todos os casos de acusações graves fora dos procedimentos judiciais. em 1941. que sobrepõe aos interêsses do indivíduo os interêsses da coletividade. o respeito ao indivíduo. textualmente. a difamação e as acusações sem provas como as mais graves faltas profissionais. proteger a honra do indivíduo e a comunidade a que pertence. por seu turno.212 Outro não foi o pensamento da Associação Nacional dos Editores de Jornais dos Estados Unidos. credos.. em 1893. Um jornal não deve publicar acusações que não sejam oficiais que afetem a reputação ou a moral de alguem sem dar ao acusado a oportunidade de ser ouvido. 42 e 45. ideários e declarações que vêm sendo sistematizados desde pelo menos 1888. novamente se concentram os homens da imprensa da Europa. quando. menosprezado pelo jornalismo panfletário e polêmico da época: “Nunca ataque ao débil ou indefeso.. que deve publicar os esclarecimentos necessários em lugar de destaque. seja com argumentos. reuniu-se. — págs.” E o grande jornalista norte-americano Walter Williams. desde que se pensou em ética jornalística se equacionou o problema da não propag anda do vício e do crime. . Essas primeiras normas abrangiam diferentes aspectos do trabalho jornalístico.. fixassem a posição exata da sua atividade. O congresso mexicano a que antes aludimos 212 Octavio de Ia Suarée — Moraletica eit. salientando: “O direito de um jornal de captar e reter leitores está restringido sòmente por consideração do bem estar público. quando Charles Anderson Dana. em Londres. na expressão de Zola. um ano depois. purificar as condições de trabalho e “formar uma coletividade dentro da qual não tenha assento nenhum gênero de vileza e corrupção.” Com a presença de Emile Zola.” O Jornalismo Sensacionalista — Visando. no seu famoso “Credo do Jornalista” e resumiu a matéria na seguinte definição: “Creio que o jornalismo que melhor triunfa — e que mais merece o triunfo — teme a Deus e honra o homem. injúria ou difamação devem ser objeto de uma reparação pública e expressa por parte do jornal responsável. Êsses princípios estão consubstanciados nos códigos. considera a calúnia.” E uma declaração unânimemente aprovada na Cidade do México. Em ambos êsses conclaves. através de máximas adaptadas “para servir de guia aos homens que fazemos os jornais”. em Bruxelas. proclamava: “um jornalista digno dêsse nome. realizados em Havana. Que reduzisse ou mesmo eliminasse os conflitos com o cidadão. na Cidade do México e em Caracas. em 1923.sobre o seu destino e a responsabilidade sôbre a sua obra” teria de procurar estabelecer princípios e normas que. a ética profissional constituiu o primeiro e mais importante ponto do temário.. aprovaram. no Congresso Nacional e Panamericano de Imprensa.” Através desta norma-mater. no seu décimo mandamento.” Três congressos jornalísticos latino-americanos. o primeiro congresso jornalístico de que se tem notícia.. A Imprensa deve ser o mais fiel defensor da dignidade da pessoa humana e do respeito que merece. Dana reconhecia a função social do jornalismo. nenhum jornal deve prejulgar a culpabilidade ou a inocência de pessoas processadas nos tribunais. invectivas ou pelo ridículo. de logo.. nos anos de 1928.... falando perante a Associação Editorial de Wisconsin.. ultrapassando mesmo os limites da ética geral. ainda. mas recomendava. Um jornal não deve ferir os direitos ou sentimentos privados sem ter a segurança de que está servindo ao interêsse público que não deve confundir-se com a curiosidade pública. não abusa jamais da liberdade de imprensa e das suas fôrças com fins interesseiros. mas já recomendavam. O jornalismo procurava. a não ser que haja uma necessidade pública para fazê-lo. votou os postulados éticos dos seus membros.

Co lorado.. em nada prejudicial à feição moderna e atraente que apresentam. por isso. catástrofes. as tergiversações e os exageros de tôda classe devem ser eliminados.estabeleceu que “os jornais devem abater-se de fomentar os vícios. estimular o crime e despertar a morbidez das pessoas através das suas informações. Rayski — Obra cit. Abordando o problema na imprensa polonesa atual. 384-385. assassinatos. o último dos quais “tablóide”. não raro. a publicação de fotografia e desenhos imorais — tudo. senão maior. Constata-se que a procura de jornais aumenta durante as investigações de crimes ou a realização de processos penais e. deve adaptar-se a êste desejo. sob uma falsa concepção de liberdade o jornalismo lança mão para obter popularidade. Rayski213 comenta: “Numerosos colegas da imprensa francesa. .. consequentemente. como se sabe. Entre tais regras figuravam as seguintes: “nenhuma notícia editorial nem anúncio que não seja próprio para um menino ou menina de quinze anos deve ser publicada.” Sucessivos congressos jornalísticos e assembléias político-legislativas têm condenado. onde está o efeito? O interêsse demonstrado pelos leitores “ao sangue. o público tem demonstrado a sua repulsa á tais processos e expedientes de que. E mesmo se admitirmos que a natureza humana possui traços característicos duráveis. sob pena de não receber o seu apoiamento. um ponto de vista segundo o qual as boas notícias podem e devem despertar entre os leitoresres um interêsse igual. em “manchettes” e grandes títulos. que sobrevivem aos regimes. Nossas redações defendem um ponto de vista muito diferente. tendo elevadas astronômicamente as tiragens e. Há alguns anos. Está muito arraigada a convicção de que sòmente o jornal sensacionalista — sensacionalismo aqui empregado como o sistema de concessões à curiosidade mórbida das mais baixas categorias de leitores — obtém fácil aceitação. Uma questão se coloca então: onde está a causa. de Denver. jogos de azar. às catástrofes” é causa ou por ventura não será a conseqüência de uma certa linha seguida pela imprensa? Ao nosso ver. suicídios e outras formas de crime ou imoralidades devem ser suprimidas. do que as informações concernentes a crimes. se quiser manter a sua tiragem. que se orgulham da sua linha editorial austera. a feição do seu interêsse intelectual. etc. explicam-na pelo fato de que responde ao desejo do leitor e que o jornal. As informações imaginárias. infortunadamente.” Que as normas dessa Liga foram conscienciosamente observadas pelos órgãos da imprensa do Colorado. fez inserir nos jornais daquêle Estado norte-americano algumas normas de ética. suas noções morais e éticas. Estamos longe de convir que a “natureza do homem” lhe foi dada uma vez por tôdas. que lamentam sinceramente o abuso do sensacional. americana e britânica... a publicidade comercial indiscriminada de bebidas. o editor-financista defende o princípio de que a boa notícia não produz receita. — págs. não admitiremos jamais a teoria segundo a qual todos os traços negativos venham da imutabilidade da natureza humana — teoria. Por que as notícias sôbre o agravamento da situação internacional devem despertar mais interêsse do que aquelas que anunciam o melhoramento das relações entre os Estados e os povos? Por que é menos interessante saber como uma casa foi construída do que como foi derrubada? Por que uma estatística sôbre a melhoria do estado de saúde da população é menos interessante do que a notícia de uma epidemia? O gôsto do leitor. e estipulado sanções. para a divulgação sensacionalista dos fatos delituosos. cinematográficos que apresentem seqüências incompatíveis com a decência e a dignidade humana. oferecendo melhores lucros aos editôres. a apresentação de programas radiofônicos pornográficos ou de duplo sentido. que deveriam ser obedecidas pela imprensa. matutinos. As reportagens sôbre divórcio. que exalte os baixos instintos. a exibição de jornais ou documentário. Em diversas oportunidades. entorpecentes. muito propagada. a resposta é evidente: o leitor reclama assuntos dessa categoria porque se tem despertado o seu interêsse por tais matérias. o autor pôde observar pessoalmente ao visitar a redação do Denver Post e do The Rocky Mountain News. às mortes. não são fenômenos 213 A. A. a “Liga Protetora dos Cidadãos”. enfim. enquanto que a má notícia é muito mais vendida.

e o indivíduo como cidadão. nem La Prensa. vêem-se títulos sensacionais e as notícias se publicam com todos os seus detalhes.” A supressão total do noticiário policial. As grandes emprêsas jornalísticas ocidentais. reparações em dinheiro que variavam entre cem e vinte mil réis. — pág. adquiriu a imprensa não só a estima como a admiração e o aprêço das populações. Podem ser formados tão bem no senso positivo como no senso negativo. de Buenos Aires — para só citar alguns dos campeões da imprensa mundial. por crus e repelentes que sejam. que daria lugar a procedimento judicial contra dia. de segurança na orientação.°) — publicando Escriptos que ataquem diretamente a Moral Cristã recebida pela Igreja Universal. participante da comunidade social — é que. pràticamente no seu todo. divulgam notícias de suicídios ou fazem propaganda de vícios. promulgada por D. êxito dos bons empreendimentos — são. 20 determinava em qualquer caso de abuso da Liberdade a supressão e apreensão de todos os exemplares do impresso. os assassinatos são noticiados como mortes ocorridas em penosas e lamentáveis circunstâncias.°) — publicando Escriptos ou estampas obscenas. E. Por isso.. La Prensa é mais séria e circunspecta. nem o New York Times. a parcimônia no informar sôbre catástrofes e calamidades públicas. A mesma delicadeza se observa no departamento de publicidade. A Ética no Jornalismo Brasileiro — No Brasil. nem os suicídios se consignam em suas colunas. que merece todo o respeito. a lei portuguesa de 12 de julho de 1821. Nem os divórcios.°) — imputando-lhe vicias ou defeitos que a exporião ao ódio. artigos. As notícias nacionais não levam assinatura. as cinco ou oito páginas seguintes não contém senão anúncios curtos e classificados.” Os artigos 15 e 17 estabeleciam as penalidades. observa-se em todo o mundo civilizado um sensível declínio do número de queixas e processos judiciais por delitos de imprensa. no corpo de regulações e penalidades rezava: “Art. de Londres. por seu turno. com maior ou menor sucesso com a ajuda de métodos mais ou menos bons. Com exceção de alguns títulos que ap arecem em quadro na primeira página. que.. não sòmente na Polônia como na Tchecoslováquia. 371. União Soviética e República Popular da China. pela BBC de Londres. Art. técnicas aplicadas pelo jornalismo socialista moderno. 14 — Abusa-se da liberdade de Imprensa contra os bons costumes: 1. ou desprêzo público. pela série magnífica de documentários cinematográficos de Walt Disney e Fizgerald. palestras e filmes sôbre a melhoria do nível de vida. Nem o Times. excluiram totalmente o baixo sensacionalismo dos seus veículos..objetivos e imutáveis. 2. Romênia. 214 Dessa atitude de sobriedade na informação. 16 — Abusa-se da liberdade de Imprensa contra os Particulares: 1. pelo senso de responsabilidade do jornalismo para com o público — o indivíduo como ser isolado. observou George Kent: “Em outros periódicos de Buenos Aires. Vêm logo as colunas de notícias. Seus diretores vacilaram em aceitar um anúncio de goma de mascar por temor de introduzir êsse vício na Argentina. João VI.°) — imputando a alguma Pessoa ou Corporação qualquer fato criminoso. alevantamento dos costumes. de Boston.. reportagens. . se ocupam de crimes. logo após e proclamação da Independência. A imprensa polonesa se esforça. enquanto o 21 mandava transformar a pena pecuniária em 214 Octavio de Ia Suarée — Obra cit. como tivemos oportunidade de pessoalmente constatar. como na Inglaterra e na Suíça. 3°) — insultando-a com termos de desprêzo ou ignomínia. como o praticado por êsses jornais. segundo constatação de Suarée. Algumas vêzes. a divulgação de editoriais. para agir neste sentido. 2. com efeito. nem o Christian Science Monitor. em certos países. A propósito de La Prensa. vigorou. de moralidade na expressão do pensamento. O art. nas quais não há títulos de mais de 13 milímetros de altura. de bom gôsto e boa medida na apresentação técnica — é que se originam o prestígio e a autoridade do verdadeiro jornalismo.

Nunca.217 não foram poupados os indivíduos nem respeitada a vida privada dos humens públicos. eclodia a Revolução Liberal. Na sua generalidade. dos dispositivos do Código Criminal. convertendo-os naqueles “instrumentos ignóbeis de difamação”. garantindo. Que quem louva. Em parte por culpa dela própria que.”218 A nova lei não melhorou em nada a situação do ponto de vista moral. 189.”216 Porque era valendo-se principalmente do anonimato. segundo testemunho insuspeito. Nela. precedida e seguida da mais virulenta campanha política e pessoal jornalística já verificada no país. os jornais eram. É o que assinala Geminiano da Franca215 quando. a correspondente e efetiva responsabilidade. no ano de 1896. Não há uma cláusula restritiva. apresentado à nossa Câmara Alta em 19 de julho de 1922. Ésse projeto. Imperou o pasquim.°). escreve que a imprensa viveu “debaixo de um clima por vêzes asfixite. salvo digníssimas exceções. 1925 — págs. de 31 de dezembro de 1923.743. Medeiros e Albuquerque. uma peia. nem as reputações. no seu parecer observava: “O projeto não cerceia em nada a liberdade — pode-se mesmo dizer a licenciosidade — de que goza até hoje a nossa imprensa. “a ofensa ao Presidente da República no exercido das suas funções ou fora dêle” (art. porém. a experiência de mais de trinta anos mostrara serem ineficazes para a punição dos que se servissem da imprensa como instrumento de ódio e vingança. às verrinas do jornalismo. que então regulavam o assunto. apenas. veículos de que se serviam os seus proprietárias para obter vantajosas po 215 Cit. 3. degenerando a liberdade em licença. 91. caracterizado pelo tom polêmico e desaforado. tal necessidade se fizera sentir tão fortemente quanto na campanha política de 1921-1922. sòmente o Estado é que se pretendeu cercar de maiores garantias quando. dispositivos que vigoraram prâticamente até 1923. 218 Solidônio Leite Filho — Comentários à Lei de Imprensa — Rio. portarias e avisos e. O que se pede é únicamente a assinatura de tudo quanto produza cada escritor. uma of rmalidade qualquer exigida a mais para a manifestação do pensamento. a história o demonstra: em 1930. 4. de que falava o senador Adolfo Gordo. 217 Barbosa Lima Sobrinho — Problemas da Imprensa . “velha e terrível árvore daninha da imprensa do Império cuja extirpação tanto desejaram eminentes homens públicos” que os excessos de linguagem e as injúrias campeavam nos nossos jornais. condenava com pena de prisão celular de três a nove meses e multa de quatro a vinte contos de réis. por Marcelo de Ipanema — Síntese da História da Legislaçcío Luso-Brasileira de Imprensa — Rio. da sucessão de decretos. 31-32. . referindo-se ao período republicano de 1889 a 1923. 1949 — pág. trilhava caminho diferente daqêle a que se devia votar.” Apesar das penas previstas. estêve por quase um século entregue a si mesmo. o jornalismo brasileiro. Nada era sagrado: nem as leis.” “As disposições do Código Penal. das violências perpetradas contra jornalistas e autores de “Escriptos” altamente injuriosos. como quem ataca — louvando e alacando como lhe parecer melhor — cubra o seu trabalho com a respectiva assinatura.” Também o relator do projeto n. 216 Anais da Câmara dos Deputados — Ano de 1896. na justificação do seu projeto de uma lei de imprensa. O indivíduo continuou sujeito ao destempêro. a par da máxima liberdade de crítica. Que nem o procedimento legal nem as “razzias” contra jornais e jornalistas deram resultado.Rio — pág. 145 (regulando a liberdade de imprensa). É o cumprimento restrito da Constituição. na razão de mil réis por dia. depois transformado na lei n. originara-se de uma decisão do Partido Republicano de São Paulo “de batalhar por uma lei sôbre imprensa. finalmente. nem os lares.“tantos dias de prisão quantos corresponderem à quantia em que fôr multado. sancionado em de dezembro de 1830. por exemplo.

durante os sete anos da ditadura. partidárias e sociais viessem a exercer as suas maléficas influências. em 1951. combatendo o intrusismo e pugnando pela fundação de uma escola de jornalistas. Mesmo os mais responsáveis dos jornais e jornalistas do Brasil. N. em que atacava na sua probidade o ex-governador Carlos de Lima Cavalcanti. no Recife. transformava o jornalismo em um mero instrumento de propaganda dos fins do regime. Os critérios dêsse afastamento. ficou conhecida como a “polaca”). facilitando a difamação contra os adversários manietados e sem defesa. aquêles que recusavam adotar e aplaudir os métodos e processos corrompidos e corrutores do regime de imprensa vigorante. fermentavam os ódios e os recalques. de 14 de julho que vigorou até o advento do regime ditatorial estadonovista. de combate a qualquer ação tendente ao retôrno do país à vida democrática. nos seus II e III Congressos Nacionais. A polícia estadual impediu que os jornais e oficinas gráficas ou estações de rádio difundissem qualquer defesa do sr. em plena ditadura. A ausência de normas éticas no jornalismo brasileiro preocupou sèriamente os jornalistas reunidos. 220 O Primeiro Congresso Brasileiro de Jornalistas foi realizado em 1908. deposto pelo golpe estadonovista. defesa ou retificação”. sob as mais soezes injúrias e. a que compareceram delegações de quase todos os Estados do Brasil. segundo referências de Edgar Leuenroth. que fôra proprietário do Diário da Manhã e. do art.220 quando redigiram. Ao contrário. na Bahia. cuja atividade deverá orientar-se “sob princípios que elevem e dignifiquem o homem”. 219 Caso típico dêsse procedimento ocorreu em Pernambuco onde. já em 1939. retornava então à sua terra. e também se ocupou de ética jornalística. a natureza da ética deveriam no entanto emanar sempre dos próprios jornalistas. estabelecendo os deveres fundamentais do jornalismo. por sua vez. Evidentemente. censurando o cine- jornalismo nascente. 122 da “polaca”: “é assegurado a todo cidadão o direito de fazer inserir. primeiro em São Paulo e. gratuitamente. para impedir que através dêles as vinganças políticas. arrastados pela rua da amargura. Regulamento e Ternário do III Congresso Nacional de Jornalistas — Salvador. grande administrador e político e jornalista mediocre. conforme Austregésilo de Ataíde. Convém frisar que o dif amado dêsse tempo fora o difamador da fase pré e post. fez publicar um artigo intitulado “Molambo”.. das emprêsas jornalísticas e dos jornalistas profissionais. apresentada ao IV Congresso. discutiram e aprovaram um Código de ética. que mais tarde iriam eclodir no “rio de lama” cujas nascentes do Catete abasteceriam os leitos secos dos veículos de publicidade.222 “zelar pela ética da imprensa com poderes para afastar aquêles que se tenham incapacitado moralmente no seu exercício. em 1945. 219 o Estado Novo não contribuiu para o soerguimento ético do jornalismo brasileiro. 15.. para o qual não vigorava — inimigo do interventor e advesário do regime — a letra c. impingindo a falsidade. no Rio. sujeitando a imprensa. Agamenon Magalhães. sofreram a influência nefasta da coerção que o Estado impunha ao livre exercício profissional e. cuja Carta Constitucional outorgada. através do jornal da sua propriedade — Fôlha da Manhã — o então interventor federal no Estado. Decreto n.776. visando. E a situação não melhorou com o estatuto votado em 1934. do endeusamento dos seus líderes. 222 Os problemas do jornalismo no Brasil in Estudos Brasileiros — Ano 1. 4 — pág. controlando o rádio.revolucionária de 1930.” Observe-se que essa idéia surgira exatamente quando a imprensa vivia sob o guante do DIP. de 9 a 22 de setembro. O artigo era uma tremenda verrina e teve a mais funda e revoltante repercussão na opinião pública. amordaçando a crítica. quase sempre. tinha ocupado a atenção dos homens de imprensa.. do falseamento da verdade. Lima Cavalcanti. . em setembro. especialmente se possa ferir o pudor público ou a dig nidade e o decôro de alguém. resposta. na tese — “A organização dos jornalistas brasileiros”. a dignidade e o decôro de alguém” e julgava defeso ao jornalista “empregar têrmos cuja dubiedade possa produzir no ânimo do leitor impressão contrária àquela que normalmente deve surgir do fato noticiado ou comentado. 221 Conf. 25. nos jornais que o infamareni ou injuriarem. que se inspirava na Constituição fascista da Polônia (por isso.. em 1949. a campanha primou pelos excessos: os donos do Estado Novo foram. Considerava indeclinável dever das emprêsas “coibir a publicação de estampas e fotografias que possam ferir o pudor público.” 221 Neste mesmo conclave. as mais baixas e duras imputações caluniosas. do n. 1949. na fase da reconstitucionalização. mais tarde. sições políticas. foi apreciada a possibilidade da criação de uma Ordem dos Jornalistas que. 24.

com amplos e sugestivos documentários fotográficos. Como uma disciplina de vida. como se poderá sentir garantido na sua justa fama o simples cidadão. dos suicídios. aquela finalidade que deve ser o objeto do nosso querer e do nosso agir. . da nossa falta de ética jornalística. Belisário de Sousa testemunhava: “e com Ordem ou sem Ordem dos Jornalistas. da tradição e da experiência. a prostituição e dissolução da família? Como poderá o cidadão atender a sisudos editoriais em que se clama pelo cumprimento das leis. idem — pág. Mas existe latente e larvado e. que nos permita garantir a liberdade e descobrir. 38. Com efeito. vamos encontrar os casos mais típicos. — “inutilidade. idem — pâg. Evidentemente melhoramos na aparência neste setor.. desde o abuso do poder com o cerceamento da liberdade. com o fortalecimento e multiplicação das emprêsas. editam revistas e magazines do tipo “confidencial” e perniciosas histórias em quadrinhos. com o endeusamento da máquina — é para a velha ciência ética. o vício. rejeitando por unanimidade o projeto que. por calúnia. indiscutível e dolorosa é que os jornalistas estão ainda muito indisciplinados e inestruturados no que se refere à educação e à ética profissional. da “juventude transviada”.Assim mesmo. com o progresso industrial. a ciência dos valores morais. que nos permitirão 223 Idem. como pertencentes a um “sindicato de ladrões”? Como poderá o indivíduo confiar e respeitar um jornalismo que faz dos assassinatos. quando o presidente da República e as principais figuras do govêrno são impunemente apontados à execração pública por órgãos da imprensa. praticam tôda sorte de contravenções e delitos de imprensa e. alguns processos correntes na Justiça. visando propagar e exaltar o crime. aquêle algo valioso. E como uma disciplina para o exercício da nossa atividade profissional. as mazelas sociais. há dois ano. o fundo de personalismo agudo e agressivo se esbateu na industrialização. injúria ou difamação — o indivíduo e a sociedade brasileiras não se acham ainda assás protegidos contra a prática do jornalismo “amarelo”. pois a Justiça não melho rou absolutamente. a que respondem jornalistas enquadrados nos artigos da Lei de Imprensa. Nada obstante o Código de Ética.. nos debates que se seguiram à exposição de Austregésilo. um sem dúvida crescente profissionalismo da classe. botam a bõca no mundo. em coisa alguma. o funcionamento de algumas poucas escolas de jornalismo. dos roubos e desfalques. a abandonar a idéia. a verdade clara. na falta de conformação do seu exercício às normas da moral comum e da moral profissional. que nos devemos voltar. 224 Idem. na sua grande maioria. vez em quando. vinha sendo debatido e sèriame nte estudado pela classe.”223 A experiência da Ordem dos Advogados. Quando tantos perigos e seduções ameaçam os agentes do jornalismo. mediante o estudo constante e sistemático da nossa consciência moral. até a automatização dos espíritos. o fato de não ter o jornalista brasileiro uma profissão liberal mas. publicam o retrato e o nome do menor delinqüente. exatamente. na existência. a repulsa manifestada por diferentes setores da opinião aos métodos sensacionalistas e personalistas ainda adotados por um grande número de jornais e emissoras radiofônicas. os desquites e “casamentos no Uruguai”. cujo programa inclui noções de moral profissional. nos debates a que nos reportamos. 36. em 1951. o sr. cujos “heróis” são pistoleiros e tarados. dolorosos. do “café society” — os mais freqüentes e apetitosos “pratos”. — 224 o receio de que o govêrno lançasse mão do organismo para deturpar-lhe os fins e tornar ainda mais precário o exercício da profissão de forma livre e ampla. com a sua criação”. resguardando os seus excessos sob um elástico conceito de liberdade? Reportando-nos às nossas considerações iniciais neste ensaio. ser um assalariado — levaram os congressistas do Recife. e mais tristemente característicos da nossa deseducação profissional. porque. concluimos que um dos motivos do desapreço em que é tido o jornalismo no Brasil está. oferecidos ao público através de reportagens escritas e faladas. segundo o advogado e jornalista Joaquim Inojosa. se a própria imprensa e o rádio veiculam diàriamente o resultado do “jôgo do bicho”. sobretudo. à mais ligeira tentativa de repressão legal. e.

E se o jornalismo não pode servir a ideais alheios aos da comunidade. efetivamente. Essas premissas não devem ser compreendidas como uma subordinação do jornalismo a eventuais maiorias corrompidas. Jornalismo e Nacionalismo — O jornalismo serve. durante a última guerra mundial. ignorantes ou fanáticas. constituia-se uma Federação de Jornais Clandestinos. a indivíduos que pertencem a um mesmo clã. em abril de 1944. aos seus ideais. para que se organizasse a resistência e se acendessem. porém. jamais será. Jornalismo não é praticado para minorias. e bastou que surgisse a imprensa clandestina e que emissões de rádio lhe fôssem dirigidas de Argel e de Londres. denunciado como instrumento de corrupção. de modo especial. nos fins de 1943. acatado e respeitado pelo homem. para alimentar dissidências e desentendimentos dentro da sociedade em que. Quando uma sociedade descamba para essas contrafações. finalmente. no ânimo dos franceses metropolitanos. em modificar. o jornalismo deve ser absolutamente livre para a exposição e o debate: — se as idéias correspondem efetivamente a ideais da comunidade. . Conseqüentemente. sob o impacto emocional da destruição dos seus exércitos e das vitórias que o inimigo alcançava em tôdas as frentes. corresponda aos anelos de uma humanidade consciente dos seus caminhos e do seu destino temporal e eterno. para que e de que vive. no terreno das idéias. Responsabilidade para com o público da cidade. do município.225 As considerações e o exemplo que citamos ao acaso refletem o pêso da responsabilidade do jornalismo para com o povo. de contribuir para a realização das suas causas e solução dos seus problemas e conflitos. a sociedade para a qual especificamente se exercita. entretanto. não tardarão em popularizar-se. à comunidade em que se exerce. nem o fanatismo são ideais comunitários.apreciar com mais segurança o valor dos atos humanos. Se deixa de exprimir os ideais da comunidade. temido pela sua fôrça destrutiva. O jornalismo. pois. Um jornalismo divorciado da moral ou que menospreze os princípios éticos que informam o espírito humano e o nobilitam será. ao mesmo tempo. Em setembro daquêle ano. será riscado da estrutura social. quer como ser isolado quer como membro da comunidade. substituido por uma nova instituição que. Daí porque. é instituição social majoritária. o pensamento até então dominante e as diretrizes até então seguidas. Foi o que aconteceu na França. nem a ignorância. Dirige-se. não poderia exercer junto à massa aque la promoção do bem comum. elegendo aquêles que a razão sancionar como correspondentes ao ideal de Justiça e Bem Estar. que falam uma mesma linguagem. da região. que têm os mesmos sentimentos. a que aspiram o indivíduo e as coletividades. como a democracia. de adverti-la dos seus erros e de apontar-lhe os caminhos certos para o êxito dos seus empreendimentos — então falha completamente na sua missão e não se pode queixar do descrédito em que é tido e do desamor que lhe votam os cidadãos. Responsabilidade para com o 225Emile Boivin (Histoire du journalisme — Paris. Mesmo porque nem a corrução.000 exemplares mensais. em ser adotadas por um número cada vez mais expressivo de indivíduos. Tal não correspondia. a maioria do povo francês aceitava apàticamente a situação que lhe fôra imposta. do país para o qual propaga informações e divulga idéias. a Federação aglutinava 13 jornais clandestinos. necessidades e aspirações. está fugindo também às suas legítimas aspirações e justos fins. 1949) assinala que em 1942 a tiragem dos jornais clandestinos na França atingia algumas vêzes a 100. a nação. eombatendo-os estará exercendo conscienciosa e pro veitosamente a sua tarefa. eram lidos por um milhão e meio de franceses. quando os alemães e as autoridades colaboracionistas de Vichy controlavam todos os veículos jornalísticos: sem ouvir idéias que não fôssem as ditadas pelo “Propagandastaffel” e. as chamas do seu ardente patriotismo. E dia virá em que. passando subreptìciamente de mão em mão. antes de tudo. que atuava de acôrdo com o Conselho Nacional da Resistência. que é o seu objetivo supremo. Um jornalismo desta ordem fugiria às suas características e finalidades: — faltar-lhe-ia popularidade porquanto as suas interpretações dos fatos correntes seriam contrárias ao pensamento do maior número. talvez.

A posição do jornalismo dos Estados Unidos em relação à pátria — presente em todos os instantes da luta da libertação e da manutenção da independência — foi reafirmada. os seus revelados ou difusos anseios. Rodrigues in Os Estados Unidos vistos por jornalistas portugueses — Obra cit. Ted Delly foi o intérprete das aspirações dos seus concidadãos. ao divulgar as suas máximas orientadoras dos jovens jornalistas do seu país: “Defenda as Barras e as Estrêlas”. à Nação”. er montando à fundação das cidades. Outro não foi o pensamento dos que redigiram o código de ética da Associação da Imprensa do Estado de Washington. em 1923. Dallas tem realmente motivos para lhe estar grata. Ação catalizadora do Jornalismo — Nos tempos do primitivo jornalismo oral ou manuscrito. no prestígio do jornalismo. Faltando-lhe base nacional. o jornalismo colossal dos Estados Unidos tem o seu fundamento neste apêgo ao país. deixará de falar pelos seus iguais. Para isso. Rodrigues.” Devem os norte-americanos a Samuel Adams. naturalmente. 314. a segurança do seu futuro. por Charles A. my country” — o povo e o jornalismo norte-americanos dão ao mundo um vigoroso exemplo do seu senso de responsabilidade para com a Nação. ao Estado. se bem que o caráter de fatalidade tenha desaparecido. o de naturalidade persiste. — pág. . influenciando. mal surgiu aquela outra. pela própria incipiência dos veículos e isolacionismo das sociedades. A responsabilidade do jornalismo para com a nação foi muito bem situada pelo jornalista português Manuel L. Procurei saber quem era.“United Press International” e “Associated Press” — possuem sucursais. vendo a América antes de tudo e acompanhando o seu país. como atende às suas. aos seus ideais. quase fatal para o agente. essa responsabilidade surgia como fato natural. lançou a expressão “American Commonwealth” e defendeu. tècnicamente débil e pobre. com entusiasmo e tenacidade. a idéia da independência e da união das colônias inglesas num Estado livre. no Estado do Texas.seu patrimônio cultural. Após a descoberta da imprensa e a multiplicação dos meios de comunicação entre os povos. mas em harmonia com o espírito e o coração da comunidade a que se destinava. escritórios e agentes em todos os países civilizados. a primeira pregação libertária: foi êle que. Una militar? Um estadista? Um poeta? Apenas um homem que durante 72 anos dedicara a sua atividade ao Morning News. em 1888. Sòmente o New York Times conta com mais de 100 correspondentes próprios no exterior. por mais universalista que seja a sua linguagem. a consciência da massa para a revolução. quando solenemente afirmaram que o jornalista deve ser “leal à comunidade. A imprensa foi muitas vêzes o catalizador de novas comunidades. precisa de ser entendido primeiro pela sua própria gente. Como os franceses não puderam aceitar a imprensa colaboracionista de Vichy. desenvolvimento e progresso. graduado pela Universidade de Harvard com uma tese sôbre a liberdade. Profundamente nacionalista. Dana. as suas instituições. sobremodo. as suas tradições. distribai correspondentes em tôdas as partes do mundo. os rumos da sua grandeza. É uma situação que não tem equivalente na Europa e que se reflete. vi que um dos principais monumentos da cidade perpetuava a memória de Ted Delly. certo ou errado — como bem o demonstram os “slogans” freqüentes em tôda parte: “Ame rica first” e “Right or wrong. de 226 Manuel L. O jornalismo. testemunhas do progresso e prosperidade que coroaram os esforços de rudes e enérgicos pioneiros.226 Escreve êle que “na América. a sentinela vigilante dos seus interêsses e direitos. a cidad e e o jornal nasceram quase simultâneamente. Em DalIas. Êsses jornalistas colhem e divulgam as notícias. As duas grandes agências norte-americanas de notícias —. começando em praticante e acabando em diretor. fundador do Boston Gazette. em observações sôbre a imprensa estadunidense. à sua política. deu-lhes o primeiro esbôço duma consciência coletiva. que não o compreenderão e não o aceitarão. Há jornais que são crônicas vivas. sobretudo no Oeste. ao sistema filosófiso e político que julga deva atender às aspirações de tôdas as nações. Durante êsse longo prazo. Efetivamente.

Nesta mesma época e oportunidade. outros povos. a administração pública segue as regras da Civil Service Cornmission. Resulta da emancipação política. e se esmeram em copiar a imprensa de Tio Sam.”. o Brasil possui um “bureau” de imprensa. o secretário de imprensa. National Guardian. considerado o patrono dos 227 Nem siquer junto à ONU. desde o mais frívolo têrmo de gíria à última tôla canção. igualmente.. golpes de Estado — porque os seus clientes não se interessam muito pela América Latina. A França. e só. poderão subscrever em relação a outras grandes potências: “Os norte- americanos conseguiram obter aqui uma receptividade ideal para tudo que é seu.UU. Quando ali estivemos. do semanário “progressista”. Os adolescentes repetem incessantemente os ritmos musicais da Norte-América.. James. considerava necessária a intervenção na Guatemala para deposição do regime de Arbenz. diversos editôres de jornais opinaram que isso se devia principalmente a que “a grande maioria dos jornais dependia da A. Nossas emoções são reguladas pela sua cinematografia. George de la Huerta. ao mundo (pois que essas agências têm clientes em diferentes países) as informações e pontos de vista dos seus governos e seus povos.227 Também o cinema e a televisão são empregados por êsses países para a propaganda e infiltração das suas doutrinas políticas e sociais. catástrofes. que tomara medidas contrárias aos interêsses da “United Fruit Co. que o transforma num eficaz agente catalizador tanto no plano nacional como no vasto campo das relações exteriores. e da UPI para obter notícias do continente meridional e que essas agências sòmente transmitiam fatos sensacionais — tais como revoluções. da sua cultura. dos seus interêsses comerciais. nossos pensamentos decorrem da dieta filosófica de lá. com exceção. insistiu nas facilidades que seriam concedidas ao nosso país. que se faz através dos veículos de publicidade. as atitudes. as notícias do Brasil ficavam para depois: — agora (em 1954).acôrdo com os interêsses do seu público.. os jornais recebem o noticiário do exterior padronizado. desde que todos os seus vínculos culturais têm sido europeus e levantinos. em resposta a uma “enquette” sôbre a atitude de quase ignorância da imprensa norte-americana a respeito da América Latina. as suas agências internacionais de informações. da maioridade econômica. em Lake Sucess. proto-mártir da Independência.P. da Reuter ou da Tass — a oferecer aos seus concidadãos a sua própria visão e interpretação dos acontecimentos e a dar. O que Fernando Sigismundo228 assinala quanta à influência dos Estados Unidos entre nós. Por isso.” Essa penetração internacional. diretrizes dos povos e governos nacionais. tem indiscutivelmente a sua base nos sentimentos. Dewey. os cacoetes e as manias das atrizes hollywoodenses.” Nós próprios ouvimos de um jornalista de Chicago que sòmente poderia dar ao leitor aquilo que correspondia aos seus interêsses. do lastro cultural característico das nações que souberam cultivar no seu jornalismo um patriotismo vivo e atuante. 1952 — pág. descuidados também de tão importante setor da vida nacional. dos seus propósitos imperialistas. a imprensa do norte dos EE. observamos que o jornalismo norte-americano.. Não faz muito. apenas. por sua vez. segundo os moldes convenientes aos monopolistas ianques. As jovens copiam os penteados. mr. caso desejasse instalar na ONU uma sucursal da Agência Nacional ou da Asapress. . a fascinação dos educadores daqui. a exemplo das mantidas pelos demais Estados-Membros. tantas vêzes transformada em instrumento de imbecilização. aspirações. da sua arte. 118. 228 Fernando Sigismundo — Imprensa e Democracia — Rio. sendo por isso mesmo taxada de comunista. Considerável massa de leitores passa o tempo a folhear chochos “best-sellers”. a Inglaterra e a União Soviética possuem. “America first”.. acham-se habilitadas através da France-Presse. Monroe são ainda. O Jornalismo Brasileiro e o Nacionalismo — O jornalismo brasileiro foi nacionalista mesmo antes de existirem jornais. E a sua primeira grande figura foi a do alferes Joaquim José da Silva Xavier — o Tiradentes —. quer na apresentação dos textos. quer na disposição dos anúncios.. Dêsse modo. estava descobrindo o Canadá.

Que construirá armazens no porto para fomentar o comércio e guardar os produtos da terra. descrevendo e sugerindo. onde os fazendeiros lhes alugavam as pastagens para os animais. E de tal modo pesou a doutrinação do Tiradentes sôbre os conspiradores que o vigário Toledo. 237-238. unidos. narrando fatos e reclamando ação. o fumo e o ouro destinados aos portos. contundentes. dos mineradores. . conduzindo as mulas carregadas de mercadorias importadas. denunciadores e patrióticos. para os colégios dos jesuitas. dogmática e informativa” dos padres e frades. Era carrejão e mensageiro. Minas e Rio teriam mais gente e armas do que os americanos e inglêses. que modificou radicalmente o rumo das confabulações inconseqüentes. contra o “mascate”. ganhavam as vastidões das alterosas. Essa colheita de aspirações e de ódios. em Paris. condutor e estafeta: o homem que transportava as utilidades e as idéias. de revolta e de desespêro. em Belo Horizonte. quando vier a liberdade: à costureira 229 Pedro Calmon — Espírito da sociedade colonial — Rio. respondendo a objeções do padre Lopes de Oliveira. dos peões. enriquecido pela miséria a que a guerra flamenga votara os senhores dos engenhos de Olinda. nos pousos. enquanto recarregava as mulas com o açúcar e o algodão. os bens materiais e as notícias do mundo — privilegiado caipira que sentia. o couro e o café. em congresso nacional. os ranchos. fazendas e perfumes. o tropeiro. para as ruas. dos vaqueiros. comerciante do Recife. nos versos satíricos dos gregórios de matos. São Paulo. contra o “maroto-pé-de-chumbo”. do pessoal do eito e das senzalas. em 1955. da tagarelice inócua e vazia de sentido daquele círculo de poetas. lhe assegurava não duraria a guerra mais de três anos. à luz das fogueiras com que se esquentavam. 1935 — págs. Noticiário que iria ressoar “na palavra livre. os botequins e armazéns das vilas. traça um quadro de progresso e riqueza. prega que ainda haverá de fazer feliz a América. por seu turno. traficantes e espertos. argumentando “desejar o povo fazer-se desta terra uma república livre dos governos que vêm cá ensopar-se em riquezas de três em três anos”. Os depoimentos prestados pelos inconfidentes durante a devassa são concludentes da ação caracterìsticamente jornalística do Tiradentes — informando e opinando. Que poderá abastecer dágua a cidade de São Sebastião. de esperanças e ilusões — constituia o noticiário trazido pelos jornalistas incultos das tropas e bandeiras para os Senados das Câmaras. pois. sôbre a estranheza dos países onde estivera por não terem ainda os brasileiros seguido o exemplo da América inglêsa. eclesiásticos e letrados.”229 Dos fazendeiros. as hospedarias.jornalistas pela classe reunida. dos garimpeiros. transmitiam aos pioneiros do desbravamento as informações e os rumores correntes nos centros urbanos do litoral. que transformou aquela pacífica academia numa célula de conspiradores decididos. os quartéis. adquiridas na costa. de queixas e vindicações. para obter auxílio dos Estados Unidos. No Rio. ouvia as novidades. contra o “emboaba” cheio de prosápia. A vitória eram favas contadas — concluia. que então retornara ao Rio de uma viagem à Europa. Xavier pertencia àquela legião de bufarinheiros que. metido em seu largo calção e suas botas altas. da segurança de que o Rio de Janeiro se levantaria com êles e de que receberiam socorro da França e de outras potências. Foi essa colheita de fatos e de dôres que levou o Tiradentes a falar da liberdade de Minas ao coronel Aires Gomes. o “bicudo” e o “marinheiro”. vendiam bugingangas e quinquilharias. “A civilização que se poliu em Minas Gerais subiu as encostas da Mantiqueira e atravessou-lhe os córregos. Na Vila Rica. que comentavam com um entusiasmo platônico a rebelião da América Inglesa e a libertação das Treze Colônias. a informação do encontro do estudante Maia com Jefferson. e internava-a. recolhia o pensamento e os sentimentos nativistas contra os reinóis sequiosos de acumular riqueza fácil à custa do seu suor. periòdicamente. enquanto nos pátios e terraços dos casarões. enquanto se esperam os barcos. nos pasquins manuscritos. à beira mar a influência estrangeira. percorriam as veredas do grande sertão e. Foi de Xavier que receberam a palavra de Alvares Maciel. venciam as serras. Tropeiro e dentista ambulante. empacotada na bagagem do “tropeiro”.

o que o tornou visadíssimo. 231 Paulo Cajás — “O papel criador da imprensa” in Anais da VII Congresso Nacional de Jornalistas — Rio. convencer. abordar pessoas. demolindo reputações. do repúblico Antônio Borges da Fonseca. É a derradeira viagem do arauto da liberdade. indissoltavelmente ligada ao jornalismo. Como não teríamos. o chôcho e safado de “Marília”. antes que se complete o século da profecia.”231 Mesmo com feição de pasquim. no eito e nas senzalas. discutir. os “bicudos” são caçados nas ruas de Cuiabá. nos ranchos solitários e nas minas de ouro — por todo o caminho da serra ressoa a voz do jornalista Tiradentes. pode afirmar com orgulho — e o repetirá sereno e altivo perante os seus julgadores — que “armara uma meada tal que em dez... em 1831.. a independência do Brasil. a derrama que iria provocar nova sangria na já exaurida economia das Minas Gerais. do indoitiável e incorruptível Frei Caneca. a queda do realismo português. a noite das Garrafadas no Rio revive a meada tiradentina. ainda o acusa de “falador”. dando detalhes. do panfletário e agitador Cipriano Barata. de Gonçalves Lêdo e de Evaristo da Veiga. o santo e a senha. O idealismo moral dos que se achavam na vanguarda dos movimentos era superior às vicissitudes internas e externas criadas pelo espírito obscurantista. A sua missão está cumprida e. numa linguagem violenta e corruscante. 521. não nos teriamos libertado do jugo português. em 1834.. de uma vez por tôdas. então.. concorda com o cônego Luís Vieira de que “não se pode mover o ânimo dos povos senão com fatos do presente”. o lírico. atacando a torto e a direito. Ao jornalismo incipiente do Tiradentes. o Senhor Dom Pedro II recebe o bilhete azul com que os brasileiros agradecem os seus serviços e o embarcam para Portugal. palpitante de fé e ardor. “A Conjuração Mineira falhou — escreve Gondim da Fonseca — por não haver jornalistas no Brasil. O jornal e seus profissionais gozavam de invejável prestígio na sociedade. — a derrama é a oportunidade da rebelião. “O jornal na mão das personalidades mais expressivas da inteligência nativa ou semi-nativa tornou-se a arma perigosa utilizada contra a ação corrosiva e demolidora das influências alienígenas.. Consegue. na antevisão da pátria libertada. 1958 — II Vol. nas “vendas” e nos pousos. E o sujo Tomá Antônio Gonzaga.” O tempo e a história confirmaram a declaração final do editorialista de Vila Rica: em 1798. Pernambuco e o Nordeste proclamam a Independência e a República. sem jornal. o coração leve. Por tôdas as fazendas. que tantos pagaram com a própria vida. transmitindo a nova.Simplícia Moura assegura que todo brasileiro poderá melhorar as suas rendas e que êle próprio espera vir a ter mais de 50 mil cruzados. os escravos são libertados. os Alfaiates se erguem na Bahia. Gerado espontâneamente jornalista. Pois a história da independência política do Brasil está intrìnsecamente. acordando ódios e esperanças. sem a sua pregação denodada. Não voltará mais a falar enquanto a pátria não for soberana. como o fato do presente é a derrama. a última edição do pasquim oral que conclama o seu público à ação. a aguardar a justiça de Deus na voz da história. E ao jornalismo atuante de José Bonifácio. olhando para as tarefas executadas. rechaçado para o outro lado do Atlântico o anacrônico sistema monárquico. uma conseqüência de suas reiteradas posições em defesa do interêsse público atingido pelo arbítrio dos poderosos. clamando pelos princípios da Revolução Francesa. predizendo o império napoleônico. De sorte que à ação militante dos pioneiros da imprensa brasileira deve-se a consolidação das instituições nacionais e o correspondente aperfeiçoamento do sistema político dominante. que 230 Gondim da Fonseca — Senhor Deus dos desgraçados — Rio. vinte ou cem anos não se havia de desembaraçar. Tiradentes tinha de fazer a propaganda falada. pro pagar idéias senão falando?”230 O campeão do moderno nacionalismo brasileiro tem razão quando pluraliza a inexistência de jornalistas na Inconfidência e quando destaca a ação isolada e fecunda do Tiradentes. Como poderia êle. — pág. os “farrapos” cavalgam as coxilhas gaúchas. 1958 — pág. Sem o jornalistas. 273. E. . O certo é que o jornal tem sido até então o agente catalizador dos grandes movimentos nacionais. teimosa. em 1817 e 1824. que os conjurados fixem a data do “batizado” e parte para o Rio. Ninguém mais o acompanhava nesses contatos pessoais com o povo.

auscultando o povo. transformando a experiê ncia pioneira de Delmiro Gouveia. como igualmente de corrigir como elemento moderador as desigualdades sociais tão violentas que se observam neste país. primeiro através de panfletos e boletins. reconquistar o prestígio e a influência junto à massa dos concidadãos. Que continua. Quintino Bocaiuva. entre o século passado e êste século. José do Patrocínio.. na Pedra. é que o nosso jornalismo precisa de ultrapassar a fase ditirâmbica. intervencionista por sua própria natureza. convencer. é aos jornalistas — e não aos políticos e técnicos — que o povo confia os seus mais ardentes anseios: como a independência. É preciso que a imprensa crie uma forte corrente popular de opinião. sob a cobertura do fogo de barragem do jornal e do rádio. fustigar e denunciar.. Há todo um vasto programa de ação para o autêntico nacionalismo. Anibal Falcão. 398-399. nos problemas econômicos de uma terra dadivosa e boa. Foi pelo jornalismo que. como a abolição. . ganhar o respeito dos governantes e a admiração dos povos amigos. Campos Sales. não o está ainda no espírito do nosso jornalismo. Foi com o seu apoio. quer através do uso direto do poder do Estado Mo derno. afinal. Paulo Afonso. neste particular. se está enraizada na alma dos jornalistas individualmente. que o Nordeste recebeu. Medeiros e Albuquerque. que Getúlio realizou Volta Redonda e abriu perspectivas à grande indústria nacional. Rui Barbosa. para continuar a tecer a meada intrincada da grandeza brasileira.. como o civilismo. como a república. na realidade redentora da Companhia Hidro-Elétrica do São Francisco.não foi liquidado por Deodoro ou consolidado por Floriano. e “cada brasileiro possa vir a ter mais de 50 mil cruzados” — está recebendo do jornalista uma lúcida compreensão e dando-lhe fôrças para anunciar. Os Reclamos do Presente — Com efeito. apelar. mais ufanismo do que pròpriamente preocupação pelos nossos destinos econômicos. havia. no sentido não só de estimular a circulação por meio de processos de industrialização. O programa de emancipação econômica do país — para que se cumpra aquela antevisão bi-secular do Tiradentes. Esta compreensão dos reclamos da hora presente. Tavares Bastos. como o liberalismo de 30.232 a não dispor de mentalidade aprimorada para pensar. que não é um simples desejo Walfrido Morais — “O dever da imprensa em face dos problemas do desenvolvimento econômico nacional” in 232 Anais do VII Congresso Nacional de Jornalistas — Vol. que não é contemplativo. de um patriotismo limitado à exaltação das glórias passadas e das acrisoladas virtudes dos nossos maiores. cujo cadaver ensanguentado tingira de rubro idealismo as águas do rio da unidade nacional — foi pela imprensa que Monteiro Lobatoe tôda uma plêiade de jornalistas conscientes da sua responsabilidade lançaram a campanha do monopólio estatal do petróleo. em têrmos prioritários. capaz de levar os governos a criarem condições regionais e nacionais que se objetivem a êsse desenvolvimento. sentimental do ufanismo. autênticos promotores das revoluções que nos legaram um Brasil independente e republicano. depois com Diretrizes e o Jornal de Debates. Rangel Pestana e de tantos outros jornalistas. indo a Alagoas para investigar e gritar ao Brasil o trágico e sintomático episódio das primeiras pesquisas de petróleo e do covarde assassínio do engenheiro José Bach. como nos tempos passados em que os mesmos não eram tão acentuadamente gritantes como nos dias atuais. “Na história das nossas! mais belas e edificantes campanhas cívicas. mas dinâmico.. ostensivamente. quer através de investimentos de capitais. lírica.” Sob a inspiração do Tiradentes. de um nacionalismo que só sente ferver o sangue quando um estrangeiro desabusado nos cospe à cara injúrias ou. aplaudir e condenar todos os atos e fatos favoráveis ou contrários aos supremos interêsses da pátria. mas aos golpes de ariete da pena de Silva Jardim. através da siderurgia. II — págs. como bem o observou Walfrido Morais. Foi através da imprensa. nos faz dano. sentindo-lhe as palpitações da nobre alma. do clamor levantado pelos jornalistas.

não sobrevém sòmente da má vontade de um ou de alguns indivíduos. 1947 — pág. Assim. “A maioria dêles confundiu de boa fé “a paz” com a “sua paz”. um movimento amplo. Subjugados ou escravizados todos os possíveis inimigos. do contrabando. o homem conseguiu vencer a fôrça bruta pela inteligência e estabelecer a ordem pelo direito. Esta última. combate aos vícios (jôgo. de orientação. se logram sòmente no apogeu dos grandes impérios. definitiva conquista do oeste e recuperação das regiões norte e nordeste. artístico e técnico das massas. submetendo todos os adversários. então 233 P. e. estava lançando os alicerces de um estado de paz perpétua. Chaillet — La bataille de la paix — Paris. reconheciam autoridade — as nações buscavam precaver-se das guerras. uma marcha vigorosa e incontrolável do povo brasileiro para a promoção de um estágio de civilização em que “a uns não sobre o supérfluo e a outros não falte o necessário. pela melhoria das condições de vida das classes trabalhadoras urbanas e rurais. procurando submeter as suas divergências ao Papado. da desordem nas instituições. É. da desordem nos espíritos. na história da antiguidade. e êste seu desejo de paz — como o assinala Rafael de los Casares — lhes tem servido de justificação ante si mesmo para as suas lutas e conquistas. pela erradicação do analfabetismo. O jornalismo brasileiro precisa de tomar posição decisiva na luta pela manutenção das garantias constitucionais e das liberdades públicas. E como essa ordem era perturbada. porque é a conseqüência quase fatal da desordem. popularização da cultura. a humanidade tem aspirado à paz como bem sup remo neste mundo. segue -se. da desordem na economia. das especulações. de promoção e. — virtudes que o cristianismo resumiria na Caridade — e se pautassem a vida e os atos sociais por normás éticas e jurídicas. até mesmo. a paz do império se consegue. Mas também dura aquela sòmente enquanto êste existe. Daqui se deriva o conceito mais primitivo para conseguir a paz: impô-la. Quando. inclusive mesmo pela Igreja. Os filósofos da Igreja. elevação do nível científico. mas uma conseqüência da ordem neste mundo. tanto precisamos. da fraude. Ora. antes de tudo. na sua maioria. proporcionando-se trabalho condigno a todos os cidadãos. de construção do presente e do futuro. a tolerância e a ajuda mútua. necessàriamente. quando se empenharam nas suas campanhas guerreiras. como qualquer país jovem e potencialmente rico. em si. desde Santo Agostinho e São Tomás de Aquino a Vittoria e Suarez. 234 Rafael de los Casares — La Carta de las Naciones Unidas y la paz mundial — Madrid. o entendimento. finalmente.” Jornalismo e Paz Mundial — Em tôdas as épocas. A guerra é uma desordem porque é. 1948 — págs. recusa de uma colaboração sincera e fraternal. meretrício). do suborno e da dissolução dos costumes. a que. pela manutenção do monopólio estatal do petróleo e nacionalização das fontes de energia com a criação da Eletrobrás. das instituições.. no início dos séculos. mas um trabalho constante e tenaz de esclarecimento. é conseqüência da falta de ordem neste mundo. através de campanhas sanitárias e de uma efetiva e acessível assistência médico-dentária e hospitalar. Provém. 5. da cultura e da economia do país. em que reinassem a compreensão. de que. desenvolvimento do cooperativismo. se entrega às ações bélicas. a fim de equilibrar a economia nacional. posse absoluta dos nossos minerais atômicos.. um terrível período de guerras. mediante uma crescente industrialização. mesmo quando. “a guerra é sempre uma desordem. reforma agrária para a valorização da lavoura e da pecuária.”234 Durante a Idade Média. paradoxahnente. não tiveram outro objetivo. horror ao estrangeiro. À queda de um grande império. Os grandes conquistadores. pela extinção das endemias. senâo conquistar a paz.”233 Daí haver a humanidade sempre procurado conseguir a paz. graças à unidade da fé. vemos como os períodos de relativa paz. sempre insistiram em que a paz não era uma causa. . alcoolismo. inevitàvelmente. raras vêzes coincidiu com a do seu adversário ou vizinho. O nacionalismo econômico e social que está sendo exigido pelo Brasil nos dias atuais não é jacobinismo. pela extirpação da ganância. isto sim. até que surge outro. 12-13. infortunadamente praticadas com largueza.de aperfeiçoamento do povo. o triunfo da fôrça. um amplo programa de habitações populares. tanto no domínio público como no privado.

estabelecendo contatos. a Espanha — com a sua doutrina da soberania absoluta. É nos albores do século XIX que começa a ser feita uma mais afetiva propaganda da paz. visando extinguir nos mesmos referências desairosas ou ofensivas a outros povos. sôbre o emprêgo de projéteis explosivos. desde então. Quanto à organização estadunidense sòmente viria a sofrer colapso com a entrada do país na 1 Guerra Mundial. Hugo Grotius. firmada em Paris. a Declaração de São Petersburgo. o Herald of Peace. a Conferência de Paris e o Congresso de Berlim. O problema deixa de ser exclusivo dos tratados filosóficos. a convenção de Genebra de 1864 sôbre feridos de guerrá. mas. o início da revolução industrial — provocaram um retrocesso na “batalha da paz” que. graças a um sistema de citações. Stead fundara a Revista das Revistas. 1947 — pág. representado pelas embaixadas e pelos tratados da época. Em 1815. um pequeno industrial do país de Gales. a grande imprensa do tempo — como infortunadamenteainda hoje ocorre — não sòmente se punha à margem como até ridicularizava as campanhas pró -paz. encaminhando a solução de diversos problemas que sempre resultavam em divergências e conflitos e que. O surgimento dos Estados Nacionais — a França. Desde 1890. Rousseau. Beales — Les mouvement internationatistes au XIXe Siècle — Paris. a fim de dar — como o declarava expressamente — ao leitor inglês médio. de 1495 — não conseguiram alcançar o seu objetivo. criando a Cruz Vermelha. A “Batalha da Paz” — Apesar disso. o jornalista inglês W. Erasmo de Rotherdam. É neste congresso que. o Primeiro Congresso Mundial Pró -Paz. em 1856. entre outras moções. o século XIX vê adotados alguns princípios e declarações que são aceitos e acatados por tôdas as nações. em 1878. se estabelece a que pleiteou a reforma nos livros escolares de todos os países. Criam êles os seus órgãos de propaganda da paz. Utilizando a imprensa. 17. o Times perguntava como se podia esperar que princípios dristãos encontrasem éco entre os turcos muçulmanos. William Penn. os choques de interêsses econômicos que nem sempre a ação dos diplomatas conseguia amortecer. na América. criando ligas e sociedades pacifistas — êsses movimentos atuam durante meio século. e. Dodge.”235 A guerra da Criméia em 1854 provoca cisão nas hostes pacifistas dos adeptos de Price. as dissensões religiosas. a declaração sôbre a guerra marítima. nada obstante. ao contrário. a Inglaterra. o último considerado pelo Times de “primeiro exemplo de um verdadeiro parlamento das grandes potências”. sobretudo. o conflito entre as nações do oriente e do ocidente. congregando importantes vultos do pensamento mundial e parcelas cada vez mais significativas da opinião pública. ainda. Em 1843.. em 1917. de profissão comerciante. Com a participação ativa de jornalistas e homens de ação de tôdas as profissões. nos anos de 1867 e 1899. que o mecanismo da organização internacional de que elas se faziam advogados existia já. passa à imprensa. “A princípio. 235 A. T. em 1909. Bentham e Kant. zombava das “pombas da paz” e suas “utopias”.C. e o segundo pelo novaiorquino David L. Foi assim com a declaração sôbre o contrabando. e o Advocate of Peace. continuava a ser pregada por filósofos e pensadores como Thomas More. promovendo concursos. os projetos de paz e os próprios decretos papais a respeito — como o da Pacificação Eterna. honra insigne em verdade. as memoráveis campanhas em favor da arbitragem e do desarmamento.F. Price. passaram a constituir normas do direito internacional.. em Londres.empenhada em obter o poder temporal. já em 1851. com o eclodir da Reforma e. Fato mais significativo ainda. em 1868. realiza-se. os “fazedores da paz” eram caricaturados nas colunas do Punch. . surgem simultâneamente na Inglaterra e nos Estados Unidos dois movimentos em favor da paz: o primeiro dirigido por Joseph T. feita em Londres. na Inglaterra. o mesmo jornal assinalava. Trezentos delegados de todo o mundo procuram solução para problemas que ocasionam desentendimentos entre os povos.

da Organização das Nações Unidas. via-se a humanidade no apogeu de uma guerra. da Côrte de Justiça mundial e. . com a participação de delegações de empregadores e empregados para debate de problemas da legislação trabalhista. a de viver a coberto da miséria. reunida em Paris. de que iria resultar o estabelecimento. reafirmava a fé do povo norte- americano “em um mundo que se fundamente por serem essenciais sôbre as seguintes liberdades: a de palavra e expressão. que deveria.. atravessando crise e. e que foi o documento básico da constituição. e a Organização Internacional do Trabalho.19. firmada pelo presidente Roosevelt e pelo “premier” Winston Churchill. no entanto. seja para aquêles que a consideravam como uma grande aliança de Estados associados. assim redigido: “Todo ind ivíduo tem direito à liberdade de opinião e expressão. os Estados belicosos submetiam tôda a atividade jornalística aos seus fins guerreiros. pregando uma pretensa superiorida de racial.” Este documento. que proibia fôsse utilizada a liberdade de palavra e de imprensa “com fins de propaganda para o fascismo e a agressão ou a fim de suscitar o ódio entre os povos” foi rejeitada.informações suficientes sôbre os negócios públicos e as correntes de idéias com o objetivo de tornar ao menos possível uma opinião pública esclarecida. sob a proteção dos acordos internacionais necessários para garantir-lhe em tôdas as nações uma vida tranquila e sã. não poderia prescindir de um jornalismo consciente e livre. de receber e de difundir. na sua Declaração Universal dos Direitos do Homem. em Haya. a par das suas causas econômicas e políticas. seja para aquêles que pleiteavam transformá-la num super-Estado. em agôsto do mesmo ano. Foi essa revista que inspirou o Tzar Nicolau II. que teve a mais profunda ressonância em todo o universo já que partia do chefe de um Estado ainda não beligerante foi seguido. que o presidente Roosevelt em sua histórica mensagem ao Congresso. Desaparecida em 1945. em 1907. Foi sentindo que o mundo do futuro. assentara fortemente na propaganda desenvolvida pelos veículos jornalísticos notadamente pelo rádio. ser o mundo da paz. porquanto. Uma emenda da delegação soviética. então no início do seu reinado. em 1899. que faria cumprir as decisões da sua Assembléia e do seu Conselho. legou-nos. de grande importância para a conclusão do Pacto da Liga das Nações. quatro anos depois. criando discriminações e fomentando as divergências filosóficas entre as nações. em 1933. manteve para o mundo civilizado as esperanças de obtenção de um “statu” de paz permanente. não se enquadrava na enunciação de um princípio geral. as informações e as idéias por qualquer meio de expressão que seja”. da Carta do Atlântico. a liberdade de viver sem o temor constante da guerra. Se bem que essas providências não tivessem evitado o irrompimento do conflito mundial de 1914. O jornalismo pacifista e responsável fôra.. a Côrte Internacional de Justiça. a convocar a Primeira Conferência de Paz em Haya. Durante dezenove anos. Todavia. a de adorar ao seu Deus na forma que escolha. na conferência das Nações Unidas sôbre a liberdade de informação. sediada em Genebra. que pôs fim à Grande Guerra e criou o primeiro organismo interestatal encarregado de manter a paz. e. ressuscitando um estreito e deformado nacionalismo. julgava a maioria dos delegados. com um poder legislativo e um executivo e apoiado por um exército internacional. ali mesmo. a Assembléia Geral da ONU adotou. o que implica no direito de não ser perseguido pelas suas opiniões e de buscar. em 6 de janeiro daquele ano. Em 1948. que continuou funcionando no Palácio da Paz. por último. firmado pelas potências reunidas em Versalhes. acirrando velhos ódios. ora adotando medidas positivas ora fracassando nos seus propósitos. a construção do Palácio da Paz. sem consideração de fronteiras. sem dúvida. A ONU e a Paz — Em 1941. un artigo — que tomou o n. foram. com a criação da Organização das Nações Unidas. então. pràticamente extinto. a Sociedade das Nações. a mais terrível e destruidora a que jamais se entregaram os povos. Essa gue rra.

facilitar o acesso às fontes de informação. pois se completavam.Y. diários e periódicos. de censurar as suas correspondêncja ou retardá-las. Ford in Folha da Manhã — Recife — ed. do recurso de declará-los indesejáveis. de 20-1-53.236 Quanto à convenção sôbre o livre acesso às fontes de informação. o estatuto levava muito adiante os privilégios concedidos aos jornalistas do que os atualmente em vigor para os diplomatas. vários convênios foram firmados tendentes a favorecer a circulação internacional de livros. de Paul L. . o trabalho intenso da ONU. não parece que se tenham confirmado as espernças do delegado Aramburo. o que era digno de crédito. N. restou adotado que “o direito à liberdade de expressão inclui deveres e responsabilidades e pode. e decidiu-se fôssem consideradas num só documento como uma só convenção. Não sòmente êsse como outros recursos continuam a ser usados pelos Estados membros da ONU. para evitar erros. . mas sem que estabeleça qualquer meio de determinar se a matéria considerada ofensiva o é na realidade ou se a própria retificação representa uma exposição correta dos fatos. condições ou restrições claramente definidas por lei. técnicos e especialistas de rádio e televisão.” Acrescentava-se a possibilidade de cada Estado instituir. entendemos que esta convenção implica no reconhecimento de um direito ilimitado de iniciar retificações. Não se nega. através do fornecimento de meios para um melhor conhecimento entre os povos. do Peru. de fazer exigências especiais de declaração ideológica. em face de sérias objeções levantadas contra a convenção e que podem ser resumidas no voto do delegado norte-americano Charles Sprague: “Em primeiro lugar. redução de tarifas e facilidades nos correios e telecomunicações. pois os Estados não poderiam usar. suprimindo-se os obstáculos de ordem política. segundo modalidades razoáveis. formação profissional.realizada no mesmo ano em Genebra.. técnica ou de natureza tal que pudessem entravar a livre circulação das informações. de cercear os movimentos do profissio nail da imprensa no interior do país. Assim. sem dúvida publicará a retificação. . mas sòmente no que concerne a. que a retificação das notícias tenderia a aumentar e ao a diminuir a intervenção governamental nos meios de informação. com respeito aos correspondentes estrangeiros. . um direito de resposta ou um procedimento análogo de retificação e que seriam tomadas providências com vistas a desenvolver a liberdade de informação. Sòmente em 1952. que prejudiquem as relações amistosas entre os povos ou entre os Estados. com conhecimento de causa. bolsas de estudo para jornalistas. em conseqüência. h) — a difusão sistemática de notícias falsas ou deformadas. ser submetido a sanções. a convenção não determina o modo de fazer com que a publique. econômica. sob certos aspectos. Assim. no sentido de tornar mais ampla a colaboração internacional. mesmo que não concordasse com os seus termos. Se o autor da publicação é um órgão rêsponsável. enquêtes e providências sôbre o 236 Conf. e o direito internacional de retificação seria um corretivo indispensável para a liberdade no domínio da transmissão de notícias. por 25 votos contra 22 e 10 abstenções. entretanto. em Flushing Meadow. não foi posto em prática o princípio. fator muito importante para a liberdade dê imprensa. além do mais. entendemos que a convenção provàvelmente acarretará divergência entre as nações. através da UNESCO e da Sub- Comissão do Conselho Econômico e Social para liberdade de informação e de imprensa. de modo que os diretores dos jornais e os próprios leitores pudessem julgar. art. Essas duas últimas disposições foram debatidas em abril e maio de 1949. de que. Se optar por esta última hipótese poderá originar controvérsias com outro govêrno. ao comparar as notícias. contudo. o govêrno se veria obrigado a disseminar uma informação que considera falsa ou então a não cumprir a convenção. Até hoje. Seria muito mais útil. entre os quais os de negar visto de entrada a Jornalistas. a retificação foi afinal adotada pela ONU. se não o é.” Salientou- se. Obrigaria o país que recebesse a retificação a transmiti-la à imprensa. De outro lado.

Sr. É que essas transmissões e programas eram ouvidos. firmaram e defenderam com vigor e desassombro os postulados humanitários do “apêlo de Estocolmo”. o rádio representou elemento da maior importância no desenvolvime nto das operações militares. o rádio se tornou um ainda mais potente e universalizado veículo de propaganda. finalmente.problema do papel e. para fazer emudecer a potente emissora britânica. Danten Jobim. os diversos Estados e Nações. 237Apesar de no Conselho figurar um jornalista brasileiro. graças ao extraordinário desenvolvimento da técnica. A “guerra fria” teve no rádio a sua maior arma. por meio da coincidência de ondas e outros recursos técnicos. com troca de experiências e materiais entre os Estados e estímulo de contatos pessoais dos seus espe- cialistas. Essa instituição se destina a estudar cientificamente o desenvolvimento de todos os meios de informação. Se as fôlhas impressas conseguiram transpor fronteiras e levar de um povo a outro as idéias filosóficas e políticas correntes. não sòmente na via cerebral mas no sentimento. que estão dedicados a uma obra comum que não pode ter êxito senão por uma colaboração de todos os dias. a consciência de que os povos não são senão um. com a difusão do rádio — pondo em comunhão. em todos os países ocupados e despertavam o patriotismo e o instinto de libertação das populaçõs. Mas êsses caminhos devem ser trilhados com tenacidade e determinação: os jornalistas e os povos amantes da paz não podem esquecer a lição dos fazedores de guerra na sua tarefa em prol da paz: — durante a revolução franquista na Espanha. a criação da Associação Internacional de Estudos e Investigações da Informação. nenhuma providência foi tomada para tornar esse organismo conhecido no país e fazer com que os estudiosos dos problemas de imprensa. através das estações de rádio inimigas de Barcelona e Sevilha. notadamente da Resistência Francesa. dedicando especial ênfase à investigação e melhoramento da educação dos Jornalistas.237 Os Caminhos da Paz — “Formar na massa popular ou. e ao que saibamos. subrepticiamente. de preferência. travada com feracidade inaudita em terra. Terrou. na massa intelectual sadia uma opinião comum que a oriente para as exigências federalistas e faça prevalecer. em dezembro de 1957. que os problemas da vida social são hoje internacionais e que ninguém pode considerar sôbre o plano nacional senão problemas locais. pelo menos. nenhuma divulgação. sob a presidência de F. Programas de divulgação em diferentes idiomas mantinham a BBC no ar durante dia e noite — e todos os esforços foram feitos pelos nazistas. porquanto nenhum meio de comunicação do pensamento tem a amplitude e a capacidade de atingir mais fundo e mais permanentemente a tôdas as camadas sociais. . com a participação de 40 delegados de 15 Estados. durante o ano crítico da Batalha da Inglaterra. os quais mesmo devem ser estudados no plano das instituições internacionais — fazer prevalecer isto efetivamente é um dos primeiros problemas do nosso tempo. A sorte das organizações internacionais positivas depende desta evolução da opinião. televisão e cinema aufiram dos beneficios que às suas atividades e à sua cultura traria uma participação ativa na Associação. de instantâneo. transmitida de Argel e de Londres. se concentraram os esforços pacifistas dos que. da França.” Êstes conceitos de J. rádio. instalada em Paris. a propaganda inimiga. — o jornalismo vê abertos os caminhos de uma salutar política de colaboração internacional. sob a liderança de Frederico Juliot Curie. marchando a televisão para vir a sê-lo também. não o era menos no éter. mas foi também no rádio que. Leclercq aplicam-se rigorosamente ao jornalismo. a luta entre republicanos e rebeldes. na segunda guerra mundial. Por isso todos os esforços eram feitos no sentido de iriterceptar emissões radiofônicas: os engenheiros alemães eram extremamente hábeis em localizar e prejudicar. concentrando especialistas e institutos profissionais de cada país-membro. e poderem ser constituídos comités nacionais da organizaçao. No período do após-guerra.

Recife. também. Mas impõem. uma responsabilidade maior ao jornalista: — a atenção dedicada a algumas das mais agudas questões da atualidade. entendimento. a fim de eliminar da sua produção intelectual as distorções. da reunificação da Alemanha e de outros povos artificialmente mantidos em diferentes Estados — aí estão a desafiar a inteligência e a sensibilidade do jornalismo brasileiro. os princípios de uma paz duradoura. o estabelecimento de uma paz duradoura. sob a égide da justiça e da fraternidade universal. Problemas como o do uso pacífico da energia atômica. do reconhecimento e garantia às minorias étnicas. de integrar-se melhor na fraternidade jornalística mundial. Sem nenhum dos males de raiz que prejudicam um sadio internacional por parte de outras grande potências no mundo. da profunda desigualdade econômica entre as nações. em visitas mais freqüentes aos países estrangeiros. colaboração e amizade entre todos os povos. na integração por um batalhão expedicionário da fôrça internacional que assegura a paz ameaçada em Suez — impõem ao nosso jornalismo a continuação de uma tradição honrosa de luta pela construção de um mundo de paz. da discriminação racial. as conclusões precipitadas. . Que precisa. ainda há pouco. o pregresso conquistado dentro da ordem — o Brasil está em situação privilegiada para defender a propagar. que não raro exacerbam os espíritos e criam ambiente propício aos desentendimentos e conflitos internacionais. Que precisa de reclamar do Govêrno a criação de cargos de adido cultural e de imprensa junto às embaixadas e junto à ONU. fundamentada nos princípios da justiça e do direito internacional. uma visão mais profunda e uma observação crítica mais segura das experiências e do desenvolvimento das outras nações. na atuação de Rui Barbosa em Haya e de Osvaldo Aranha na ONU. do fortalecimento da ONU e da OEA. os falsos julgamentos. da interdição das armas nucleares. Que precisa de adquirir. sem instintos imperialistas e ímpetos expansionistas. as necessidades e as possibilidades do nosso país. na demarcação das nossas fronteiras por Rio Branco e confirmados na recusa à participação nos despojos e em justas reparações em duas guerras mundiais. repelindo insinuações alheias e interessadas. 1953-59. a fim de poder não sòmente colher informações seguras à base das quais se capacite a colaborar nas tarefas comuns da paz como também de propagar no exterior o pensamento. por um jornalismo livre. responsável e consciente. com uma arraigada convicção de igualdade racial e uma larga tolerância religiosa e política. as aspirações. do desarmamento progressivo. finalmente. — afirmados após a nossa vitória sôbre o Paraguai na guerra de López. desejando tão sòmente. nas posições assumidas todas as vêzes em que somos chamados a servir de mediadores nos conflitos entre Estados Americanos. da fome e das endemias que devastam as populações de imensas regiões subdesenvolvidas do mundo. Os sentimentos pacifistas do povo brasileiro. com o estabelecimento de agências e serviços informativos próprios nas principais capitais dos cinco continentes. de cuja solução depende. sem dúvida. e. da extinção do colonialismo. Que precisa de deixar de ver o mundo através de lentes alheias. colhendo para o Brasil os galardões que lhe cabem como um povo aberto à compreensão e à amizade com tôdas as nações pacíficas e livres. como reza o lema da sua bandeira.

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