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Luiz Beltrão

Iniciação
à Filosofia do
Jornalismo
(Ensaio)
“Prêmio Orlando Dantas – 1959”

Capa de Aberlardo Zaluar

1960
Livraria Agir Editora
Rio de Janeiro

A JEAN-MAURIGE RERMANN
Presidente da O.I.J. — Paris
Prof. RONALD IIILTON
da Universidade de Stanford — Califórnia
Dr. FRANCIS E. TOWNSEND
Adido Cultural dos EE.UU. — Washington
JAROSLAV KNonwdn
Secretário Geral da O.LJ. — Praga
Luís SuAREZ
do Sindicato Nacional de Redatores de Prensa
— México
Prof. P. P. SINGI-I
Diretor do Departamento de Jornalismo da
Universidade de Panjab — índia
CARLOS RIZZINT, TEISTÂ0 DE ATAÍDE G ANTÔNIO OLINTO
pioneiros dos altos estudos jornalísticos no Brasil e “ad inemoriam”
Prof. Luiz SILVEIRA
Diretor da Escola de Jornalismo Casper Líbero
— S. Paulo
Prof. MÁRIO MELO
Decano dos jornalistas pernambucanos

O AUTOR DEDICA

ÍNDICE

PREFÁCIO ..................................................................................................................................... 9
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 13
PRIMEIRA PARTE: AS MANIFESTAÇÕES DO JORNALISMO ..................................................21

ORIGEM E EVOLUÇÃO .............................................................................................................. 23
Pré-história do Jornalismo ............................................................................................................24
A fase histórica .............................................................................................................................26
Primórdios do Jornalismo brasileiro ............................................................................................. 28

O PAPEL E O JORNALISMO ESCRITO ......................................................................................32
Peliculas de celulóide ...................................................................................................................35
Micro-fotografia .............................................................................................................................35
Os jornais eletrônicos ...................................................................................................................36

O RÁDIO E O JORNALISMO ORAL ............................................................................................86
O telefone .....................................................................................................................................39
A fita magnéticaca ........................................................................................................................39

O DESENHO E O JORNALISMO PELA IMAGEM ...................................................................... 41
A ilustração e a caricatura ............................................................................................................42
A fotografia ...................................................................................................................................46
O cinema ......................................................................................................................................48
A televisão ....................................................................................................................................54

CONCEITO DE JORNALISMO .....................................................................................................60

SEGUNDA PARTE: OS CARACTERES DO JORNALISMO ........................................................63

DA ATUALIDADE .........................................................................................................................66

Jornalismo e História ....................................................................................................................66
Atualidade e Atualização ..............................................................................................................68
Atualidade e Permanência ............................................................................................................69
Manifestações da Atualidade ........................................................................................................71

DA VARIEDADE ...........................................................................................................................72
Variedade e Especialização ..........................................................................................................73
Jornalismo Geral e Especializado .................................................................................................75

DA INTERPRETAÇÃO .................................................................................................................77
Interpretação e Seleção ................................................................................................................78
Interpretação e Vocação ...............................................................................................................79
Extensividade e Intensividade ......................................................................................................81

DA PERIODICIDADE ....................................................................................................................82
Através da História ........................................................................................................................83

.......................................................................................................................................................100 Jornalismo e Sociedade ....... Agente Ativo ................................................................................................................................103 Jornalismo e Direito .............................................................................128 O Estado-Editor ....................................................169 QUARTA PARTE: AS CONDIÇÕ&S DO JORNALISMO ........104 Jornalismo e Opinião ............................................................................................................................89 Extensão da Popularidade ........................124 O Editor-Idealista ...................................................................................175 Educação para a Liberdade ............................................................................................................................................................................................................................................................................................91 Popularidade e Liberdade .............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................162 A Discrição ...........................................................................................................................137 O TÉCNICO ...................................98 DA PROMOÇÃO ........................................................................................................................................140 Fase da Manufatura ......................................................161 Fecundidade Jornalística ..........................................................................................................................................................................................................................................110 TERCEIRA PARTE: OS AGENTES DO JORNALISMO ................98 Condições da Popularidade .........184 O PROBLEMA DA RESPONSABILIDADE .......................................................................115 O PÚBLICO ............................................................................................................151 O JORNALISTA ..................................................132 O Estado...................................................................................... Editor-Idealista ............................................171 O PROBLEMA DA LIBERDADE .............................................................178 Defesa da Liberdade de Opinião .........................................................123 O Editor-Financista ......................................................................159 A Curiosidade-Comunicativa .....................................................................................164 A Objetividade .................................................118 Balanço do Trabalho do Público-Agente ...........................................................................................158 A Vocação do Jornalista .........................................117 O Público.............................................................................................................................................150 Jornalismo e Automatização ........................................................................................143 O Problema da Automatização ..............141 Fase da Mecanofatura ................................122 O EDITOR ........................................................................................................................................................................................................................................................................173 Poder Público e Liberdade de Opinião ...............................................................................................................................................................................................................................................86 DA POPULARIDADE ......................190 ..........................................................................185 Jornalismo e Moral .................................................................................................Nos Tempos Modernos .....................................................................................................................................................................................................................................................................166 Senso Estético ...............................................................................................................................................................................185 O Jornalismo Sensacionalista ...100 As Campanhas Jornalísticas e o Bem Comum .........................................................

..................216 Os Caminhos da Paz .......................................................................................................214 A ONU e a Paz .......................................................................................193 Jornalismo e Nacionalismo ......................................................................................................................................................................................................223 ...........................................................................................200 Ação Catalizadora do Jornalismo ................................................................................................................................................................................209 Jornalismo e Paz Mundial .........................................202 O Jornalismo Brasileiro e o Nacionalismo ...........................................................................................................................219 BIBLIOGRAFIA .......................................................................205 Os Reclamos do Presente ...212 A “Batalha da Paz” .........................................................................................................................A Ética no Jornalismo Brasileiro .......................................

Assis Chateaubriand. Osório Borba. pela vivacidade. Ocupando duas cátedras em Cursos de Jornalismo. Sua participação em numerosas reuniões da classe. para “jornalismo” o conceito mais amplo. com suposta primazia do rádio e da TV. para quem a expressão “magistratura da imprensa” definia seu próprio conceito de jornalismo. quase sempre rica de calor humano. como esta Iniciação à Filosofia do Jornalismo. no bom sentido. em seu heroísmo anônimo na luta pela sobrevivência. e. de um lado. Entretanto. De Pernambuco vieram. . o contato mais direto com o fato. com olhos atentos de repórter empenhado em apreender as experiências alheias. e com as suas reações. de outro. no sentido de promover o bem comum”. Sabe-se que a imprensa está sofrendo. tais como as definiu Domenach. também o valorizam. em sua técnica e em seu espírito. em termos de identificação mais profunda entre o jornal e os que o fazem e entre estes e o meio social. pelo ânimo combativo. em face de um e de outras. mais todos eles. Ou. A modesta imprensa do interior. fiel à preocupação da justiça ao dever da verdade. dos atuais. talvez. pelo equilíbrio. em sua universalidade: o espírito que anima a tarefa jornalística. se fazia jornal na província. davam aos bons jornalistas provincianos o domínio integral dos segredos de seu ofício. as condições em que. confere à posição daqueles jornalistas. mestre de mais de uma geração. o caráter de participação integral. habituavam-nos de cedo a redigir desde o registro dos “faits divers”. da informação sofre o fato corrente. com isso. a séria concorrência de outros agentes de comunicação. os fundamentos morais da profissão. as viagens a outros países. Aníbal Fernandes. Pela circunstância de ser. esse outro admirável artífice de jornal. A prática do jornalismo de província adquire. tudo isso lhe atribui uma autoridade que o mérito deste ensaio consolida e amplia. Dentre os que lá ficaram e morreram. Esta posição de desvantagem é. propriamente. em si. peculiaridades que. sempre ágil e lúcido em sua extraordinária sensibilidade jornalística para o fato que vai ser notícia. se o diferenciam. aquele autêntico professor de ética que foi Caio Pereira. de Luiz Beltrão. outra de Técnica. e da interpretação desse fato. simples aparência. Jornalista de província. uma de Ética. diferentes no estilo e feitio. dentre aque les agentes. o mais adequado à experimentação simultânea do maior número das leis da propaganda.o jornal continua a manter o antigo prestígio. Além disso. à crônica internacional ou ao grave artigo doutrinário. Luiz Beltrão concilia em sua atividade profissional e didática a força da vocação com o gosto pela formação. Aníbal Freire. Luiz Beltrão adota. para unia atuação mais ampla no jornalismo brasileiro — se quisermos citar apenas valores dos nossos dias —. Carlos de Lira Filho e. aliás. à arte de fazer jornal. qualquer que seja. já com os nomes consagrados. verdadeiros mestres no ofício. os aspectos ligados. com ele identifica o veículo. aliás. porém. é o mais vivo exemplo dessa identificação. a coerência da posição assumida em face de determinadas teses. figuras da expressão profissional de Barbosa Lima Sobrinho. poder-se-iam referir nomes como Gonçalves Maia. Manuel Caetano.PREFÁCIO A muitos surpreenderá venha de um jornalista de província — certo que de província com as tradições culturais de Pernambuco — uma contribuição de tantos e tão altos méritos paira o conhecimento do jornalismo. até nos impulsos de suas paixões. “com o objetivo de difundir conhecimentos e orientar a opinião pública. pelo menos até bem pouco. sem as limitações de rígida especialização. na competência dos modernos instrumentos formadores da opinião. em todo o mundo. até nisso revela seu ilimitado interesse pelos problemas da imprensa. mais recentemente.

até onde essa liberdade de opinião será. a eleição consciente de uma atitude ou solução. pela frágil resistência aos ardis da coerção psicológica. étnicos e culturais que lhe formem o substrato mais profundo. demo nstra-nos quanto é fascinante a análise’ das modernas técnicas que interferem na formação da opinião. a fórça que detém. os regimes totalitários. consciente ou inconscientemente. Será simples joguete de outros. a opinião pública exprimirá sempre o seu grau de higidez pela resistência às injunções externas e pelo poder de discernimento e reação crítica. de ação direta ou indireta. Mas. é verdade. no difícil mundo dos nossos dias. e o estilo dos países livres. terá de fusidar-se em deterininados valores morais. livre? Até onde seu exercício traduzirá um esforço espontâneo de discernimento. Não falta quem indague. Nestes. expressas em vontades. realmente. em benefício de uma ideologia. tem de basear-se no dever da verdade e no esfôrço de persuasão. particularmente nos países de menos . dando à imposição da conduta a aparência de escolha voluntária”. Além disso. nos dias atuais. ao arbítrio de ocultas intenções. muitas vêzes. por exemplo. mas a própria razão livre dos cidadãos. Êsse é. constituem i consciência de cada sociedade ou. submetendo-as à influência deformadora dos agentes da propaganda. o ditador. da justiça social. não estará nunca a serviço do progresso humano. para. para tornar cada vez mais vulnerável a sutis influências. se está a imprensa. Variando de povo para povo. enorme distância entre os métodos adotados. mais se acentua o perigo de que processos artificiais elaborem as correntes de opinião. porque a missão que lhe cumpre. manobrado por interêsses ocultos ou por grupos de pressão. o livre exame e o acesso fácil às fontes autênticas de informação. o processo de formação da opinião. Se lhes faltam as bases ideológicas de uma consciência social. não pode sofrer outras limitações senão as que decorrem da consciência dos que o praticam. para assegurar ao homem o direito dc manifestar sua opinião. o mêdo instintivo da liberdade. O grau de eficiência alcançado pelos meios formadores da opinião. tudo condicionado pelo res peito à dignidade humana. quanto maior sua receptividade emocional e mais suscetível de ceder às injunções das técnicas de divulgação e propaganda. embora contribua.em que o progresso científico e tecnológico. que mantenha ui3va atitude de permanente vigilância e fiscalização. de um partido. sobretudo no que incumba aos órgãos do govêrno. a própria elaboração do pensamento. mas também de violência policial e de total supressão da liberdade de informar e opinar —. ou de um homem — no caso. dentre várias atitudes e soluções? À medida que se aperfeiçoam os recursos técnicos de comunicação. concorre. tendências e aspirações. Tanto mais imaturo poticamente um povo. as forças misteriosas que. pelo menos teoricamente. como também já foram chamadas. o mais grave risco que enfrentam não só as instituições democráticas. Tanto mais fascinante é aquela análise quanto vivemos uma hora . “o foro interior de uma nação”. em contrapartida. A pro paganda encadeia a sua vítima. Nas democracias é que o jornalismo alcança lada a sua grandeza. livremente exercida. em termos de liberdade política. A visão de conjunto dos problemas do jornalismo. nesse terreno. para o domínio pacífico das vontades e inteligências. Há. “A opinião é tão livre” — anota Afonso Armas de Melo Franco — “quanto permitem as injunções da psicologia. a capacidade dêstes meios para impor-lhe os rumos e tendências que mais convenham a objetivos predeterminados. com certo ar de alarmismo. em função dos diferentes elementos históricos. em que é fácil identificar. no jôgo de tendências e contradições de que resulta o equilíbrio das democracias. criaram tremenda responsabilidade moral. do bem comum. pelo esclarecimento honesto. boas ou más. Désses ardis se têm valido. contida neste ensaio. elas é que geram ou manipulam. pelos Estados totalitários — não só de coerção psicológica. realmente. ou as diretrizes de princípios éticos. A pluralidade dos partidos e a liberdade de opinião têm igual importância como valores inerentes à concepção ocidental de democracia. para os que manejam os instrumentos de informação e propaganda.

são apreciados nestas páginas com segurança e objetividade. em discursos de posse na Academia Pernambucana de Letras. a um só tempo. sofrendo-lhe. . análises tão lúcidas como as de Alceu Amoroso Lima e Antônio Olinto. É preciso evitar que o mau uso da liberdade. O conceito de notícia. nesse capítulo de linguagem de jornal. Acentua muito bem Alceu Amoroso Lima que “a grande finalidade moral e social do jornalista (.. É um ponto em que não interferem sàmente problemas de natureza técnica ou de especialização profissional. Êste ensaio de Luis Beltrão vale por uma tomada de posição em face de temas sempre sugestivos e atuais. através de uma técnica monstruosa de deformação da verdade. Vem juntar-se aos melhores trabalhos do gênero até agora publicados no Brasil. pior sem ela. se. O jornalista medíocre informa por informar. Quem sabe. também. se. forma e reflete. porém. para acentuar suas peculiaridades. defenderem a restrição dessa liberdade. Mesmo naqueles casos em que certas deficiências éticas desviam o jornalismo da consciência de sua missão social. ainda não seria mais oportuno o levantamento dos subsídios que oferece paira aquêle “Dicionário de la tontería”. para agravar e ampliar os piores vícios. sem falar tias contribuições não menos importantes que. inclusive as traduções. Mas. e seria talvez desejável tivessem maior desenvolvimento certos aspectos particulares da arte de fazer jornal. influência — para converter-se num poderoso instrumento de perversão. o próprio dever e o direito de informar têm de ser entendidos dentro dos limites daquela finalidade social e moral. foram menos nocivos ao bem comum do que a supressão da possibilidade de sua prática. no Brasil. não transigirá demasiado com o gôsto mórbido de algumas camadas do público. por exemp lo. quanto à aparência gráfica. pelo DJP. dentro de certai noções já sistematizadas. nem deve ser encarado. deram ao seu exame dois jornalistas da alta graduação intelectual de Costa Porto e Andrade Lima Filho. enquanto. o autêntico jornalista informa para formar”.maturidade política e cultural. Sempre a experiência demonstrou que todos os abusos da liberdade. de Fiaubert?. dos veículos de opinião e informação.) vai além da finalidade puramente informativa. um dos segredos do entendimento entre o jornalista e o seu público de mil cabeças. também. apenas. Ruim com ela. aliás. da precisão e da objetividade. O caso. ou seu contrôle pelo Estado. a. êsse ideal de precisão e concisão que é. leve pessoas de boa fé. dispensa tratamento diferente aos fatos de sentido construtivo. prontas sempre a valorizar o sensacionalismo e o escândalo. cuja utilidade para os alunos das nossas Escolas de Jornalismo é evidente. como indústria. Não fôsse o caráter quase didático da obra. Transigência que se manifesta ainda no relêvo publicitário conferido aos aspectos patológicos ou negativos do dia-a-dia. Não foi outra a experiência que nos ficou do Estado Novo. como fô rça elaboradora da opinião — que éle.. de tema que já mereceu. em muitos casos. à altura de sua missão social. capazes de gerar atitudes de confiança e otimismo. o despojamento de linguagem. ou que interessam aos que se preocupam com os rumos do jornalismo. nêle implícito o dever da isenção. deve- se ter presente que a estatização da imprensa. do “estilo jornalístico”. pela mistificação dirigida. que Ferrater Mora pensou contrapor à idéia do “Dicionário da Estupidez’. mas também as possibilidades econômico-financeiras das emprêsas. em têrmos de gôsto estético: tem função determinada entre as fórmulas de conquista da opinião. como profissão —. nas democracias. ou então o jornalismo deixa de ser um elemento positivo. em confronto com os problemas específicos dos demais gêneros literários. Outro aspecto a ressaltar seria a renovação por que têm passado os jornais. Todos os problemas que interferem no processo jornalístico — como técnica. em tôda parte onde foram experimentados. com o aviltamento. por lhe reconhecerem as responsabilidades sociais. como entidades industriais.. a.. só têm contribuído. é uma aquisição comum na técnica jornalística moderna. via de regra. por parte da imprensa. Trata-se. de que nos falava Pio XII ao aludir às tentações a que está sujeito o jornalista.

nos efeitos sôbre o espírito do público. “last but not least”. em seu empenho constante de aprimoramento eia técnica e de aperfeiçoamento ético. Orlando Dantas. Isto é um bom sintoma. nos da oposição. pelo exemplo que deixou de uma nobre concepção do dever da imprensa. uma experiência de ordem pessoal. na exata medida em que possam. à estreita conexão. como registro de uma omissão da chamada política de desenvolvimento nacional. e de firme bravura na resistência aos poderes de coerção e coacção do Estado totalitário. às conclusões do texto. A verdade. a ela incumbe “a dignidade inestimável de representar tôdas as outras”. É grato verificar que um jornal da categoria do Diário de Notícias escolheu o jornalismo como tema de concurso de seu Suple mento Literário. através de currículos adequados. professor de Ética. vale dizer. Está certo Jacques Kayser. valorizava-se o aspecto positivo. pelo prevalecimento das normas éticas. enquanto parecem aumentar os apelos às sanções da justiça. extrapolam as fronteiras do legítimo interêsse profissional. dentre muitas. muitas vêzes. Aliás. Nesse esfôrço de aperfeiçoamento cabe função relevante às Escolas de Jornalismo já existentes e a outras que. Entretanto. à ampliação de nossa bibliografia especializada. Nos jornais de orientação mais conservadora ou tradicionalmente simpáticos aos governos. Todos estamos de acôrdo. citado por Luiz Beltrão. Quase discordaria de Luiz Beltrão no reparo pessimista ao desapreço que lhe votam as elites. de formar opinião. sempre otimistas “et pour cause”. ou ao exame de problemas que. sobretudo no ot cante à formação de novas gerações de profissionais. há ainda um longo caminho a percorrer. Pelo seu interêsse informativo. já não ocorrem com a mesma freqüência os atos de arbítrio das autoridades públicas. subordina a prática do jornalismo aos interêsses do bem comum. corno é o caso dêste excelente ensaio de Luiz Beltrão. metade da população brasileira já se apresenta alfabetizada. neste livro. prevalecia o aspecto negativo: “Ainda 50 % de analfabetos na população brasileira”. . Luiz Beltrão dê ênfase. sob o patrocínio de um nome. mas com a sim pies notícia e a maneira de apresentá-la. inclusive porque. na síntese magnífica de Ruy. teve larga divulgação. quase técnica. no sentido da valorização efetiva da atividade jornalística. A doutrinação perde terreno como forma de convencimento. para esclarecer que. no complexo das fôrças sociais. e uns e outros títulos fiéis. Era um breve comunicado do IBGE. Vale referir. em maior número. contribuir para a renovação dos quadros profissionais. mas também a um vigilante exame de consciência quanto aos seus deveres e responsabilidades e à maneira por que vêm sendo atendidos. ao admitir que o bom título supera em eficácia um editorial. em quaisquer circunstâncias. continuava íntegra. realmente simbólico para a classe. Agrada-me que. no espírito e na forma. entre o direito à liberdade e o dever da responsabilidade. e cumpre-nos defendê-La a todo custo. em que o jornalismo brasileiro vem progredindo e aperfeiçoando-se. creio eu. Até mesmo quanto às restrições ao exercício da liberdade de imprensa. dentro dos critérios de comparabilidade inter- nacional. mas. cabe função igual aos congressos da classe. desde que não apenas dedicados às reivindicações de direitos. que os modernos recursos desenvolveram. “Já alfabetizados 50% dos brasileiros”. é parte do patrimônio social. A liberdade de imprensa já se incorporou às aquisições de nossa cultura política. desde a fase de restauração das franquias democráticas. formação que não apenas llhes confira o seguro domínio do “métier”. nos reqimes democráticos. porém. de integração na consciência de seu papel. o dever da responsabilidade tem de ser uma conquista ascendentc da classe. com a publicação de estudos sistemáticos sôbre problemas de jornalismo. Só os títulos variavam. e. em linguagem sóbria. não fôsse o sentido dêsse reparo. uma das transformações a assinalar na técnica de jornal é a capacidade. principalmente no sentido de influência mais ampla sôbre as massas. como de boa norma. no jornalismo. não com o raciocínio objetivo dos artigos-de-fundo. projete na aplicação das técnicas modernas a consciência social que. nos cumpre criar. sem alterações no texto original.

Na verdade. Their names are What and Where and When. ao mesmo tempo. a missão de fazer jornal. a conciliação sugerida por Mannheim entre o humanismo e a técnica. And How and Why and Who. que nela. interpretativa da verdadeira essência do jornalismo e. possa o jornal. superada a fase da supremacia da paixão sôbre a razão e valorizada a vocação pela formação. o imanente e o transcendente. como talvez em nenhuma outra. será possível experimentar. ajuda-nos a caminhar neste sentido. nas suas vinculações entre o fato e a história. para que. também. se entendida dentro dêsse espírito. They taught me all I know. no Brasil. WALDEMAR LOPES . esclarecedor dos problemas de seu exercício. o efêmero e o eterno. adquirir cada vez mais as virtudes dos seis fiéis servidores de Kipling: I have six faithful serving men. com efeitos decisivos sôbre a sociedade do futuro. Êste ensaio de Luiz Beltrão. e contribui. tão sugestiva é.

inclusive. artística e social em foco no nosso tempo. da evolução científica. permanece e permanecerá à margem dos movimentos de construção e recuperação nacionais. não figura a montagem de fábricas de máquinas e peças prá ficas. indeclinàvelmente. são de iniciativa de governos. por isso mesmo. prisões e processos. a impossibilitar a marcha do país para a conquista da posição de relêvo que lhe compete no concêrto universal. Curioso é que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico. dos sistemas filosóficos. e o público ao qual nos dirigimos — sob a constante ameaça de leis restritivas da liberdade de informar e de opinar. antes. que lhe faça a vida — e não a emissão do pensamento — mais fácil. ao que parece “sem uma experiência ou mesmo um estudo mais profundo”. pelos leitores.INTRODUÇÃO Ocorre-nos. Nenhum dêsses atentados é perpetrado pelo povo. pela transcrição do art. de parlamentares e políticos sôbre os quais recai. considera condenável o programa de indústrias médias e. pelas classes menos ilustradas. das idéias políticas. realizada no Recife. ao contrário. em estudo critico sôbre a situação do nosso jornalismo. O desapreço das elites dirigentes brasileiras pelo jornalismo fica ainda mais patenteado se considerarmos que. produtores de cinema. tanto para celulose como para papel d imprensa. apreensão de edições e empastelamento de oficinas gráficas. “Na ordem moderna da ilustração e da cultura populares — acrescentou — o jornal é a ante-saia do livro. na postergação do jornal ao livro. Desapreço que nem o elevado índice de iletrados nem o baixo nível de vida da população podem explicar satisfatoriamente. etc.” O mesmo professor. O ilustre professor cubano Octavio de la Suarée. III Conferência Brasileira de Comércio Exterior. já não dizemos no mundo mas em alguns quilômetros ao seu derredor. radiouvintes ou telespectadores. como já _____________ (I) Confirmando o descaso do govêrno brasileiro pelo problema do papel e denunciando “o que se poderia chamar de meta do governo esquecida ou mal orientada”. aumento da produção de papel de imprensa. transmissores e receptores de rádio e televisão.” Assinalou o curioso fato de que “no próprio texto constitucional não aparece a locução clássica “liberdade de imprensa” consignada em nenhum capitulo e demonstrou. os jornalistas. (I) de películas de celulóide e outras matérias primas de que necessitam os veículos jornalísticos para cobrir com eficiência o vasto território nacional e atender aos reclamos de significativa percentagem da população QW ignora o que ocorre. Agostinho Ermelino de Lcâo Filho e Júlio f4aito Sobrinho. Percentagem significativa da população que. uma vez que é justamente nas elites que o fenômeno melhor se comprova. assim. os srs. pois se traduz. observou que “mais do que a liberdade de imprensa como bem profissional indispensável. apresentaram. freqüentemente. tendo-se em conta a extensão do analfabetismo do povo. em setembro de 1958. da Associação Comercial do Paraná. 141. que constituem a grande massa da população. preferência que não tem justificação. .” revela “partipris” dos legisladores brasileiros contra a imprensa como instituição. supressão de quotas de papel ou de freqüências e canais. n. V da Constituição. que o inciso “a publicação de livros e jornais não dependerá de licença. a crítica jornalística. quando não da ação de medidas ainda mais drásticas: censura prévia. como um pêso morto. muitas vêzes impiedosa. pela crescente industrialização do país. urna tese em qne pleiteiam provando por A mais li as vantagens do processo — a implantação de indústrias médias na zona papeleira do pais. é responsável pelo retardamento da nossa emancipação neste importante setor da eeonomia e da cultura nacionais. de autoridades policiais e militares arbitrárias. a constatação desoladora do desapreço em que é tido o jornalismo na Brasil. de cujo exercício livre e amplo depende. a sua própria e ampla atividade. Não fôsse assim e não viveríamos — nós. ocupar a primeira linha na defesa intransigente do jornalismo. nos planas e programas de desenvolvimento econômico. e até de intelectuais e profissionais liberais aos quais competiria. a sociedade brasileira se interessa por assegurar aos seus jornalistas um tratamento privilegiado.

Do jornalismo. chega à evidência de que “essa dupla falta — teórica e prática de liberdade de imprensa. ganhando prosélitos nas massas populares. a informação — e a informação que satisfaça aos seus próprios objetivos. O conceito que as elites fazem do jornalismo vai. contanto que o “filho” obediente não viole o quarto mandamento. infortunadamente. na maioria dos casos atraído pelo “prestígio” de que gozará e pelos teóricos privilégios que o Estado lhe confere. a sua informação é tendenciosa. 456 – TROCAR N. inconformados ou ignorantes. julga-se senhor absoluto da verdade e do acêrto. meios de difusão do ____________ (II) “Socioperiodismo” — pág. dessa casta de intelectuais para os quais o Estado destina tantos e tão largos benefícios. exortando o público a que trabalhe para a imprensa..” E4 citando o caso da instituição do reporter-amador. Os corpos redacionais aumentam. o seu esquema. Estudos e seminários sôbre opinião pública. etc.. enfrentando os arreganhos do poder e da fôrça. O jornalista tem de estar a sôldo de alguém: do govêrno ou da oposição. férias. nem lhes permitem possuir imóveis — nem por isso as observações referidas são menos reais: — o Estado faz-se paternalista.o fizera Luis R. intérprete dos sentimentos e reclamos coletivos. cujos reduzidos salários não os favorecem com renda normalmente gravável. colhe. salário mínimo. assume uma terceira feição: a da humilhante indiferença. quanto à critica.vivos. com vítimas e mártires. imprimem ao seu espírito um complexo de inferioridade.” (II) Se é verdade que as benesses distribuídas pela lei não atingem a generalidade dos jornalistas. Enquanto em todo o mundo procura-se educar o jornalista para o exercício da liberdade e da profissão. influiu notàvelmente na psicologia do jornalista brasileiro que é. contanto que lhes escamoteie a liberdade. porque não pode deixar de fazê-lo. entretanto. confundida outras com licença. Praprotnik conclui que. na falsa concepção de direitos e deveres dos nossos órgãos de divulgação. Esquece-se que o jornalista é humano e que a sua missão é tanto mais difícil no Brasil quanto lhe tem faltada duas condições essenciais ao seu aprimoramento: . Quando a atitude dos quadros de liderança do país não se exprime por uma hostilidade frontal ou um suspeito paternalismo. no baixo nível cultural e mesmo técnico do nosso jornalismo. para a conquista da segunda. quanto à orientação que o jornalista. do impôsto de transmissão inter. às vêzes mal compreendida. como bagaço sem valia. apenas. o “carioca- reporter” de “A Noite”.. o indiferente. jamais altera a sua linha de conduta. o mais é atirado fora. Diante de uma campanha jornalística. manuais e técnicos da imprensa. talvez. de um período de treinamento nas redações ou na reportagem. sustentado pelo Estada ou pelos trustes comerciais e industriais.a garantia do exercício da liberdade e a oportunidade de uma adequada formação profissional. tem lutado bravamente. o seu procedimento. Com efeito. DE PÁGINA . pela reação nacional ou peki finança internacional. procura transmitir nos seus pronunciamentos. Qualquer semi-letrado se arvora em profissional. Indiferença quanto aos julgamentos. “na América Latina é o Brasil o pais que toma a iniciativa de tudo o que concerne à tutela legal das atividades dos trabalhadores intelectuais. e logo tornado extensivo a todos os seus companheiros de ofício. concedendo-lhes benefícios. a sua opinião não merece fé. apenas. que se manifesta na desorientação. faltam-lhe recursos econômicos e apoiamento oficial.. Pela primeira. sem que haja correspondência entre o seu volume e o seu valor. em campanhas memoráveis. o único que anima e recompensa o intrusismo profissional. como se quisesse buscar no próximo profano solidariedades protetoras. que passam a descrer da sinceridade e da honestidade dos profissionais. considera a grita da imprensa e do rádio como manobra de despeitados. as deficiências da formação profissional dos jornalistas brasileiros. à sombra do poder. numa época em que todos os ofícios exigem preparo e especialização.. tais como isenção do impôsto de renda. aposentadoria. entre nós relega-se a plano secundário a sua formação científica e técnica. Qualquer êrro seu é apontado como exemplo de corrupção e logo generalizado a todo o seu trabalho profissional. dêsses seres privilegiados. Improvisam-se jornalistas e técnicos de jornal à base.

desarmonia entre as elites e o jornalismo. Esperamos firmemente que êste ensaio seja útil. Ao que nos conste. especialmente agora. à solidificação das nossas reivindicações de progresso. o nosso contributo a uma melhor compreensão de tão relevante matéria. tanto nas democracias ocidentais como nas chamadas democracias populares.pensamento. intercâmbio de informação internacional. Estas observações nos levaram a oferecer aos jornalistas. Em conseqüência. Estamos certos de que essa. manipulando e utilizando as notícias relativas ao estrangeiro com o propósito de cooperar pela concretização dos ideais de justiça. advertindo-as das graves responsabilidades com que arcam para a construção do futuro do nosso país. de um generalizado desconhecimento do que seja o jornalismo. na fase aguda da campanha em que nos empenhamos para a completa emancipação nacional. hoje. ética. despertando-lhes o interêsse para questões vitais à corporificação dos nossos ideais filosóficos. aos estudantes e aos estudiosos dos fatos sociais brasileiros. da sua influência na cultura. história e legislação de imprensa. importância do jornal na sociedade. ______________ . pela promoção do nosso desenvolvimento social e econômico e pela consolida ção das nossas instituições democráticas. aspectos técnicos da profissão são exigidos. do indeclinável dever que todos temos de assegurar a essa atividade humana essencial a mais essencial de tôdas as suas condições de desenvolvimento: — a liberdade. econômicos. naturais e sociais à solução dos problemas humanos e das questões internacionais. pela defesa intransigente dos nossos foros de cultura e de civilização. as quais repousam. à efetivação dos nossos anseios de um mundo de povos livres e pacíficos. êsse descompasso entre os jornalistas e o público. Visam levar o jornalista a familiarizar-se com os temas fundamentais. históricas ou de memórias — o foram em jornais ou em páginas pouco manuseadas de “Anais” dos congressos da classe. de modo especial às nossas elites. as incompreensões e os conflitos entre o poder e a opinião decorrem. dele não extraímos os benefícios e vantagens de que necessitamos. antes de tudo. não chegando a repercutir nas elites culturais e políticas. mesmo provenientes de outros centros culturais. aos intelectuais. nenhum estudo sistemático dêsses problemas foi realizado em língua portuguêsa e as nossas livrarias e bibliotecas estão desprovidas de obras sôbre tão importantes temas. sociais e políticos do seu país e com a aplicação das ciências exatas. da sua missão. além de ficarmos à retaguarda dêsse movimento de valorização social e cultural do jornalismo. sem dúvida. vigoroso e respeitado. na existência ele um jornalismo livre. Alguns poucos e esparsos estudos publicados — à exceção de obras apologéticas. liberdade e paz mundial. no progresso e na civilização dos povos.

Estende os agradecimentos ao “Diário de Notícias” que. efetuado em Heisinque. a convite das respectivas Uniões de Jornalistas. foram aproveitadas e ampliadas teses elaboradas. e no LV Congresso da Organização Internacional de Jornalistas. Paulo Cavalcanti. a convite do Departamento de Estado. Zita An. frei Romeu Perea. especialmente. e às Repúblicas Populares da Tchecoslováquia e da China. e ainda apostilas para o exercício das cátedras de “Ética. em 1954. abril-junho de 1959. da Universidade Católica do Recife. oferecendo sugestões de relevante interêsse para a efetivação do ensaio.drade Lima. em 1954. Finlândia. Andrade Lima Filho e Geraldo Campos de Oliveira. em São Paulo. em Bucarest. proporciono u. em João Pessoa. Fernando Sigismundo. Horton. em Curitiba. em 1955. . em 1958 e em Belo Horizonte. em 1956. Rod W. e da Faculdade de Filosofia Manuel da Nóbrega. durante a realização da 1 Conferência Mundial de Entidades de Imprensa. Romênia. com a instituição do “Prêmio Orlando Dantas — 1959” para estudos sôbre jornalismo. det’atidas e aprovadas nos Congressos Nacionais de Jornalistas realizados no Recife. em 1951. José da Costa Porto. Vamireh Chacon. O Autor deve agradecer. não sòmente facilidade editorial como oportunidade a que os círculos intelectuais se voltassem para os problemas técnico-profissionais e sociais jornalísticos. Recife. que leram ou participaram dos debates sôbre os temas tratados no original. Reinaldo Câmara. pesquisas e estudos feitos por ocasião das nossas visitas aos Estados Unidos. a colaboração que recebeu por parte dos professôres e jornalistas Ruy Antunes. História e Legislação de Imprensa” e “Técnica de Jornal” dos cursos de jornalismo da Faculdade de Filosofia do Instituto Nossa Senhora de Lourdes. no 1 Encontro Internacional de Jornalistas. Neste trabalho. em 1958.

PRIMEIRA PARTE AS MANIFESTAÇÕES DO JORNALISMO Contém: ORIGEM E EVOLUÇÃO Prehistória do jornalismo A fase histórica Primórdios do jornalismo brasileiro O PAPEL E O JORNALISMO ESCRITO Películas de celulóide Micro-fotografia Os jornais eletrônicos O RÁDIO E O JORNALISMO ORAL O telefone A fita magnética O DESENHO E O JORNALISMO PELA IMAGEM A ilustração e a caricatura A fotografia O cinema A televisão CONCEITO DO JORNALISMO .

através do qual se pode acompanhar. o homem como que alimenta o seu espírito e. e da pedra das vertentes do rio das Mortes. impresso em papiro. no mundo dos últimos trezentos anos. enco’ntrado no Século XVI e levado à Inglaterra pelo conde de Arundel. interpretando-os. Entre tôdas as atividades humanas. na Lagoa Santa. Flavius Josephus afirma que os babilônios contavam com historiógrafos. entre os povos que nos rodeiam e. naquele país. Semelhante fato ocorre com as coletividades: — a divulgação de informações e a exposição. dia a dia. e ainda hoje nas civilizações primárias. Minas Gerais. nas pedras da Ilha de Pascôa e as misteriosas inscrições das covas de Altamira. feitas oral. Também no Egito. a aproximação de animais ferozes e cataclismas. os homens não dispensaram a informação. à sua tribo. sua História da Caldéia. sente-se apto à ação. figuram os sinais gravados nas rumas Maias. ao contrário. nas vizinhanças. visava assegurar o bem comum. buscava meios de defender-se das feras ou da inclemência da natureza. em 1908 foi comemorado. conseqüentemente. Nenhuma sociedade. que apenas esboçava a vida em comum. Nada obstante. deixando inscritas nas páginas da história alguns dos seus mais belos episódios de construção. nenhuma responde tanto a uma necessidade do espírito e da vida social quanto o jornalismo. promo ver a vida em sociedade. a escolha dos chefes. reunir a maior soma de conhecimentos possível do que ocorre no nosso grupo familiar. ORIGEM E EVOLUÇÃO Lancemos um rápido olhar para o homem primitivo. o que vale dizer que transmitia aos seus semelhantes. no Século III AC. se bem que sem comprovação absoluta. além da constante circulação de jornais satíricos. o homem das cavernas ou o silvícola.zeta. com regularidade e freqüência. o Grande. na comunidade em que vivemos. a tribo poupava ou consumia maior cópia de alimento. teria existido um diário oficial. um dos quais combatera acirradamente o faraó Amarsis. registrando o cataclisma do dilúvio. Voltaire escreveu que a China possuia jornais desde tempos imemoriais e. Prehistória do Jornalismo — Os mais antigos documentos conservados e decifrados dos tempos heróicos são a inscrição gravada por Yu. que não conhecia a escrita. no ano 1750 AC. instintivamente feito nos primórdios da humanidade. na China. estratificar normas de direito ou reformar práticas que as circunstâncias ditavam. transmiti-la uns aos outros e dela retirarem proveito empenharam-se a fundo. o milenrio da Ga. era escrita em madeira. a fundação de Atenas. em tambores ou arrancados às inúbias. segundo a tradição. encarregados de escrever o resumo dos acontecimentos públicos e que teria sido utilizando êsse material que Bérose compôs.200 AC. Tudo isso. Desde essa época remota. reconhecia a soberania do chefe ou decidia como agir em relação aos inimigos vencedores ou vencidos. o relato das suas batalhas. sôbr o monte Heng-Chan. cêrca de 2. mesmo. êsse homem fazia jornalismo. nos mais longínquos rincões do mundo. fortalecendo-se no exame das causas e conseqüências dos acontecimentos. impulsionar os agrupa mentos humanos às decisões e realizações da vida social. e o chamado Mármore de Pwros. ainda mesmo superficial. Entre os fragmentos arqueológicos ainda hoje indecifrados e que se julga conterem informações jornalísticas. É próprio da nossa natureza informar-se e informar.mente ou por sinais e sons convencionados. os fatos correntes que interessavam à comunidade: — o resultado da caça ou da pesca. para obtê-la. . país ou grupo humano prescindiu da informação e. De posse dessas informações. de Pequim (“King Pao”) que. Através dêsse conhe cimento dos fatos. de pontos de vista sobre assuntos relatados contribuem decisivamente para formar a Opinião Pública e. no reinado de Toutmés II. dos órgãos da imprensa e dos meio s de comunicação das massas. nos bravios sertões matogrossenses.

que não se confunde com a história. A Idade Média foi. ordenando que as atas do Senado e as ocorrências de interesse público fôssem diàriamente divulgadas. a idade da palavra falada: — os poucos indivíduos que sabiam escrever não tinham como nem a quem fazê-lo. “os menores acontecimentos de interêsse mesmo efêmero: cerimônias fúnebres. Cesar. OS gregos utilizavam a conjugação de sinais luminosos para se informarem de fatos ocorridos a uma distância de três ou quatro dias. a 160 milhas de distância. tais os hieroglifos e os sinais assírios. em Epidauro. A Acta Diurna inseria. fibra. pele e papel — o jornal. da narrativa da primeira guerra macedônia. transmitindo as novidades de bôca em bôca.. por exemplo. traduzindo as vozes nas letras do alfabeto. não puderam dispensas a informação que lhes proporcionaria a vitória sôbre os seus opositores a manutenção do domínio. lá encontramos — em pedra. persas e aztecas. entretanto. “regrediu a informação à era heróica dos rapsodos. nos seus Comentarii de Belo Gailica. sentiu_se a necessidade de ampliar essas informações e os Anais dos Pontifices foram transformados na Acta Pública. o Album. fôssem. assim. colocados sôbre o monte Tisé.. Aliás. fôssem mnemônicos. Menos cabe a de história. 1956 . é a transmissão de notícias e avisos breves. em cujo espírito interpretativo e crítico a narração por si nada exprime1. êle próprio um excelente repórter come o demonstrou à posteridade pelas suas descrições circunstanciadas de guer de conquista da Gália. Entre as populações primitivas. espécie de jornal oficial. 12-13.. Em nenhum capítulo da história mas em qualquer coluna de jornal. pau. Com exceção de poucas resenhas ordenadas. o estabelecimento de um espírito público convencido da “missão civlizadora” das águias imperiais. à fôrça. que circulavam dentro e fora dos muros de Roma. o que se passava em Genabo de madrugada era ouvido à tarde Pos Arvernos. Coube a Cesar. A verdade. barro. lo ngevjdades e fecundidades extraordinárias. nem a êsse nem a outros monumentos epigráficos ou paleográficoss cabe a qualificação de jornal... Sabemos. conservado pelos simbolos. Evidentemente. 7 . 1949 pág. a partir de quando começaram a movirnentar-se as suas cópias. Durante vários séculos. reproduzindo objetos e figurando idéias. dar mais um passo no sentido de ampliar a informação.. a generalidade dos documentos arqueológicos contém episódios avulsos e casos circunstanciais. concha. registrou que qualquer acontecimento de vulto alastrava-se através da Gália “porque os Gauleses o gritavam uns aos outros através de campos e vilas. quando construiram o Império.. esfregando-lhe a calva com certo ungüento. exposta nos muros da sua casa para que os cidadãos tomassem conhecimento. através de sinais luminosos. Até o Século XI. fixando valores arbitrários supletivos da memória. 2 Emile Boivin — Histoire du Journalisnie — Paris. fonéticos. as notícias difundiam-se pelas cantílenas — 1 Carlos Rizzini — O livro. Mais característico do puro jornalismo. a fogueira era (e ainda o é) um meio habitual de indicar perigo e convocar auxílio. banquetes. como as cintas de conchas variegadas dos iroqueses e as cordas de nós coloridos dos peruanos fôssem pitográficos. é que “até onde chega a nossa petração na antiguidade. entre elas a de um pobre diabo que engolira sanguessugas por artes da sogra e a de um taful a quem o deus fizera nascer cabelos. o Grande Pontífice recolhia os fatos de cada ano. ainda no sentido da singela e ingênua informação. enfim. isto é. na poesia e no canto dos troveiros e jograis. em tábuas que eram expostas no Forum e das quais não tardou fôssem tiradas cópias palticulares. criando-se a Acta Diurna. que as tropas de Felipe se orientavam por fanais. êsses jornais primitivos desaparecea Durante a Idade Média. Com a expansão io império e a multiplicação dos interêsses do Estado.”2 Com a queda do Império Romano.” A fase histórica — Os romanos. entrariam. execuções. incêndios.. o jonal e a tipografia no Brasil — Rio. a informação rudimentar de algum acontecimento contemporâneo.págs. inscrevendo-os numa tábua branca. metal. as vinte curas milagrosas gravadas nas estelas do aráculo de Esculápio.

os jograis. Entre essas publicações. exeõutados como “caluniadores” e “pestiferi homini”. antes do surgimento da arte de imprimir. narrava anedotas. fizessem menção ao Papa. e contos facetos e satíricos. .”4 Com o Renascimento. Rodolfo II. dos lais e cantigas de amor e de amigo. imperador. 17-I8. Pory. figuram os avvisi venezianos. catástrofes e execuções. onde. Stephen Daye instala uma impressora. que se advertiram do bom negócio que representava a emissão de fôlhas com relatos de fatos da atualidade. como Roland White. 5 Conf. geralmente de interêsse para comerciantes e navegadores. entoadas ao som de sanfonas. de louvaminhas.”3 As suas canções “não eram senão novidades rimadas. 3 Carlos Rizzini — Obra cit. — pág. sob pena de serem postos em prisão “dois meses a pão e água aquêles que. nas suas canções. divertimentos dos principais personagens da côrte. naturalmente. bibliotecário do rei. intervindo nas questões de interêsse coletivo e ameaçando a ordem estabelecida. Foi no reinado de Francisco I que surgiu o primeiro censor. o Journal d’un bourgeois de Paris noticiava escândalos. inspirados em discórdias e agitações. duraite os dois séculos seguintes. se bem que restritos a um público limitado. Peregrinando por vilas e castelos.. festas. inclusive Niccoló Franco e Annibale Capelio. matrimônios. na Fiança. a mais cruel repressão de que há história. Na França. há memória de notáveis noticiaristas. o jornalismo se consubstancia nas folhas escritas à mão. em Cambridge. ao lado do lirismo das baladas e pastorelas. Essas informações também não tardaram a ser consideradas perigosas à civilização e à ordem dominantes. rotas. em 1638. e Luis XIII. “repportisti” e “gazzettanti” — nomes que se davam aos repórteres e redatores das fôlhas manuscritas — se multiplicaram. por Rizzini – pag. meio líricas meio narrativas — cujo fundo seria largamente aproveitado na composição de gastas e canções. os antigos “menanti”. Dos longínquos tempos de Elisabeth 1. “poeta de epigramas licenciosos e de odes eróticas. inseria notícias de nascimentos. que atacavam por vêzes impiedosamente. Nada obstante. se assemelhava um pouco à nossa liberdade de imprensa” e foi o que fêz Carlos VI. mandando compor um romance para celebrar a entrada do Condestável Miguel Lucas em Granada. 22. proibindo. que constituiram. veículos da informação dos fatos correntes. 21. que eram a história popular do tempo. incentivados em seu mistér pelos poderes públicos. os soberanos passaram a utilizar a imprensa como veículo de informações de seu interêsse e. Mellin de Saint Galiais. reune os editôres mais capazes para elaborar um mensário com notícias do Santo Império Romano -Germânico. em 1395. por fim. abade de Reclus. concede a Theophraste Renaudot o privilégio de publicaf um hebdomadário — La Gazette — que. enternecedoras e cáusticas narrativas de sucessos” e foram crescendo em audácia. “novellanti”. Mass. bem como crimes. processos. O Século XVII vê surgir a imprensa por tôda a Europa civilizada e na Nova Inglaterra. págs.gistrava a chuva e o bom tempo. Locke e Chamberlain. após tidos como réus pelos tribunais da Inquisição. desencadeou-se. 4 Cit. Contra a fôrça tremenda que os impressos passaram a representar para a difusão dos conhecimentos e orientação da opinião pública.estrofes breves e atuais. agora unidos aos impressores. como ocorrera ao tempo de Henrique IV. re. por Rizzini — Obra cit. “Era preciso reprimir e pôr côbro a essa liberdade do jogralismo que. Enquanto que perseguiam os jorfialistas em geral. É também nesse século. Charles Gidel. ao Rei e aos nossos Senhores de França. além de informações políticas inteiramente favoráveis ao govêrno real e do texto das ordenanças oficiais. a princípio os jograis. verdadeiras gazetas rimadas.”5 O Século XV assiste à descoberta da tipografia e da imprensa e à revolução nos métodos de divulgação das informações. em 1597. cit. as news ietters inglêsas do século XIII e os Ordinari Zeitungen dos mercadores alemães. Assim. de 1409 a 1499. Muitos dos seus autores foram punidos. passaram a tomar partido. violas e saltérios — cantavam e recitavam gostas.

subiu ao púlpito na igreja do Corpo Santo. em cujo discurso mostrou o quanto era dos homens a liberdade por êles mesmos acabrunhada ão houve subterfúgios nem rodeio ardiloso de que êle se valesse a fim de derramar no ânimo dos ouvintes a deI1e. pôsto por debaixo das portas ou circulando de mão em mão às escondidas. os Senados das Câmaras. anunciou. escreveu um papel contra a Companhia de Jesus e os padres do lugar porque não lhe queriam dar a absolvição sem que se re tratasse da heresia. na igreja de Nossa Senhora da Ajuda. e o texto do seu sermão foi: “Nunca tempus tabile die salutis”. doutras em verso. ou o nativo. que é a primeira defesa sistemática da liberdade de imprimir. Dizia que David por um o fizera penitência tôda sua vida. Para o interior. informo-me nestes lugares.Rio. nelas eu compareço a certas horas do dia ou da noite. seguiam bandeiras e tropas e. ora as cátedras dos coléos dos jesuitas. triz do Recife. Nas cartas e relatórios redigidos por um português antipernambucano. Biblioteca Nacional. O pasquim — escrito em linguagem viperina e afixado nos muros. tendo sido mesmo denunciado à Santa Inquisição pelo jesuíta Antônio da Rocha. na Bahia.exatamente em 1644.” Centros de divulgação de notícias eram as feiras. que respeitamos e adoramos. às vêzes em prosa. que afirmava ter Deus pés e mãos. estre de Retórica e orador insigne. nos seus registros. de nome Jorge Martins. A história guarda. de engenho a engenho. 243-44. um ano antes da invasão flamenga. ouço dos de fora. e as boticas são os lugares onde ordinàriamente se falam de tôdas as novidades. era dos púlpitos das igrejas que se utilizavam os letrados oradores sacros para transmitir notícias e conselhos à comunidada Foi assim que frei Antônio Rosado. As notícias oficiais eram transmitidas por bandos. apelou para a informação e a sátira verbal. Nos tempos mais remotos da colonização. ora justo ora injusto. como em 1640. de povoação a povoação. informo-me dos de fora. O clero. que Milton publica a sua Aeropagítica. e nula contemplação para com os soberanos da uma vez que não se comportassem em conformidade igreja e Justiça dos vassalos. dos tropeiros e mascates — como na Idade Média pela voz dos jograis. nem por isso o colono português integrado na nossa vida. espião a serviço do govêrno.” O mesmo espião luso assinala que “as lojas de fazenda. Ouço nestes lugares. cujas tropas ameaçavam a cidade do Salvador pela segunda vez. deixou de praticar o jornalismo. enfim. apesar de não termos tido imprensa senão às vésperas do Ipiranga. . na primeira ominga da aresma de 1817. delatando feitos fatos da Revolução de 1817 e descrevendo a situação em ernambuco no ano sêguinte. “pelo bom suc esso das armas de Portugal contra as da Holanda”. dos qais eram incumbidos comandantes e capitães-mores. nunca foi mais danoso à religião nem suas práticas mais nocivas ao Estado. Ele e seus colegas a profanam e suas pérfidas línguas só ousavam caluniar o Soberano. denunciava irregularidades. rastros dessa forma jornalística primitiva: Z. Primórdios do jornalismo brasileiro — No Brasil. tempos e renitências de agravo. e tudo igualmente submeto às minhas reflexões. em memorável sermão no convento do Carmo. com acompanhamento de alguns soldados e tambores. promovia invectivas e.1955 – págs. A exemplo de outros povos.ta. em Ilhéus. a formação de poderosa esquadra que poderia transformar Olinda em Olanda. um almoxarife. tais como abandono do povo e da religião. e culpas inexpiáveis com o céu. com a mudança apenas de uma letra. o mais excelso dêsse santo culto. e que o padre Vieira tantas e tantas vêzes fêz jornalismo. o Portador. E dom 6Ministério da Educação e Cultura – Documentos Históriocos – Revolução de 1817 – Vol. utilizando ora o púlpito.já em 1587. os portos e os armazéns. consta6 que “o padre Miguel. e que os soberanos presente aplicavam o tempo devido a jejum e cilícios. para o pasquim e a fôlha volante. as notícias corriam pela bôca dos capitães do mato. CVII – Ed. atuava junto à opinião pública como os editoriais da imprensa dos nossos dias.

“picado. sentira na própria carne o aguilhão do pasquim. enquanto um caixeiro português. capitão-mor em São Paulo. a •vida pública e privada dos baianos e reinóis.” A maior figura panfletária da colônia foi. em noite de novena.Luís Antônio de Sousa. e aquilo que se faz nulamente e com dolo não produz impedimento. . os adultérios e até as procissões. quando uma escrava descontente da sua senho ra resolveu fugir e procurar senhor que a comprasse. 201-201. os roubos. os crimes. dirigindo-se a um negociante chamado Alexandre Firmin. e não sei que brasileiro. antes. em verso. cujas composições poéticas visavam criticar ferinamente os costumes. as ações dos poderosos. Assim. que se ocupam dos desmandos e da rapinagem do capitão general das Minas. a chamada “Inconfidência Baiana” ou “Conspiração dos AIfaiates” abortou. foi misteriosamente colocado em sua mesa de trabalho. o “Bôca do Inferno”. porém. que temos leis que respeitam a propriedade.” A população tomou o partido de Bernardo. Foram redigidas entre 1788 e 1789. soldado desertor. não sem antes ter sido exposto no adro da igreja de Santa Teresa. São doze cartas. desclausura dos conventos e extinção dos mopólios — fazendo-os afixar às esquinas e adros da cidade. durante e após a Revolução de 1817 — o que o torna urna espécie de Talleyrand brasileiro — consta a decisiva influência de um “papel” na eclosão do movimento. os aniversários e os nascimentos. de autoria de Tomás Antônio Gonzaga. e os oradores da sua parte também não poupavam panegíricos figurados pelos quais lhe representassem cara a idéia da liberdade e de um patriotismo mal entendido. quando um tremendo requisitório contra a sua administração. De tal modo estão as sátiras de Gregório de Matos cheias de atualidade e notícias. que ia ao Brasil “não só traficar com os nossos gêneros mas também arrebatar-nos nossas propriedades”. redigiu uma réplica da qual foram tiradas mil pias distribuidas na cidade. de nome Azevedo. Também na Bahia. de uma lfuente graça literária. em mais 7 Ministério da Educação e Cultura – Documentos Históricos cit. exigindo a devolução da “pessoa que êle ilegitimamente tinha em seu poder”. despachou em favor de Firmin e Portugal. escrevera uns avisos atacando as a ridad es e exigindo postulados da Revolução Francesa – tais como a abertura dos portos. Págs. Gregório de Matos.” Essa questão surgira em agôsto de 1816. episódios e usos do tempo. a sociedade da época. secretário do Govêrno da Capitania de Pernambuco. exatamente ao tempo da Inconfidência. antecipando a atitude de submissão que tomaria quando descoberta a conjura na qual se envolvera. cujos papéis a favor e contra dizia-se que eram feitos por Bernardo Luís Ferreira Portugal e o Tenente Coronel Ajudante de Ordens do govêrno Alexandre Tomás de Aquino. O juiz. onde estão registrados os escândalos miúdos e grandes da época. 241-243 .” - Outro grande documento do jornalismo satírico colonial manuscrito são as Cartas Chilenas. porém tão pedantesca como atrevidamente. . o clero de vida irregular. Portugal denunciava “certa classe de europeus” que julga que “a América é escrava e que tem direito ao vexame dos americanos”. apesar de ignorante. e levado do mais feroz agastamento”. Narra êle7 que “apareceu a célebre questão de uma prêta. em que figuravam um negociante europeu Firmin. e foi então desde esta época que ficou de todo semeada a divisão e discórdia. foi grassante o mal no coração da canalha. sendo presos e executados vinte e três dos implicados porque um tal Luís Gonzaga das Virgens. que retratam Vila Rica e reporteiam aspetos. Da defesa apresentada por José Carlos Mairink da Silva Ferrão. pois o seu autor. de sorte que as duas classes se agitaram pasmosamente. “entusiasmado pegou na pena e u dita réplica. nos quais papéis apareceram muitas indignidades que mais e mais exacerbavam os dois partidos. a justiça bastarda e vendida. concluindo ser isso fazer sentir “a êste tratante. A questão foi à Justiça e o advogado da senhora foi Bernardo Luís Ferreira Portugal. Neste “papel”. Êste ofereceu elevada importância pela escrava mas a sua dona reusou. mas nem por isso oferecem interêsse político. de certo. que requereu a osse para a suú constituinte. em 1798. em decassílabo5. Luís da Cunha Menezes. que os rebeldes contavam para o golpe decisivo da sua emprêsa. que Ronald de Carvalho considera a sua obra como “o nosso primeiro jornal.

de uma ocasião ressalta a excelência das instituições civis e religiosas monárquicas, embora
acuse Cunha Menezes e seu “entourage” de deturpá-las e prejudicá-las.

O PAPEL E O JORNALISMO ESCRITO

O jornalismo escrito, utilizando como matérias primas o papel8, as películas de celulóide
e, mais recentemente, a eletrônica, se impôs como o principal meio de divulgação de fatos e
idéias. Em nossos dias, o papel constitui, ainda, a mais importante dessas matérias primas e
nêle são impressos jornais, revistas, magazines, boletins e avulsos. Descoberta dos chineses,
através de um funcionário palaciano Isai-Loun, que conseguiu encontrar a maneira de fabricá-lo
misturando trapos, fibras vegetais e linho de cânhamo, cêrca de cem anos depois. de Cristo,
sômente em 806, ao que se sabe, o Estado estabelecia a primeira fábrica. Um século e meio
mais tarde, tendo aprisionado alguns artesãos chineses, obrigando-os a produzir papel em
Bagdá, os árabes introduzem o produto na Europa, através do norte da África e da Espanha,
onde há memória de fábricas em Jatiba, Toledo e Valência, O documento mais antigo em papel,
que se conhece na Espanha, é o Repartimiento de Valencia, feito por Jaime 1, de Aragon, em
1237, conservado no Arquivo da Corôa de Aragon. As primeiras fábricas européias de papel
utilizavam como matéria prima o linho e só mais tarde o algodão. Os trapos eram amassados em
um gral e embranquecidos com cola animal e amido de trigo. Cêrca do ano de 1300, surgiram
em Ravensburg, Alemanha, os moinhos para a preparação da pasta, que se fazia passar por
peneiras de arame de latão para conseguir unia mescla mais homogênea. O costume de
mergulhar a pasta de papel, colocada sôbre uma teia metálica nas tinas, subsistiu até 1811,
quando, na França, foi iniciada a fabricação por meio de máquinas. Com o incremento do uso do
papel, a partir da metade do século XIX, buscaram-se outras matérias primas para a sua
fabricação e assim, graças a um invento do saxão Godofredo Keller, em 1845, pôde-se
empregar a fibra de madeira, submetida a certas reações químicas. Palha e bagaço de cana de
açúcar são, atualmente, utilizados para a fabricação do papel, assegurando-se aliás que êsses
materiais constituirão, em futuro próximo, a princip al fonte do produto, uma vez que as suas
safras são anuais, enquanto a madeira exige largos períodos para o crescimento das árvores de
que é extraída.
Para se ter uma idéia do angustiante problema do papel de imprensa no mundo, basta
citar que, em 1948, para uma produção global de 7.482.000 toneladas, das quais 4.635.000
originárias do Canadá, houve uma demanda de 7.569.000, das quais 85 por cento foram
utilizados pelos Estados Unidos, o maior consumidor do mundo (5.015.000 de toneladas).
Naquele ano, verificou-se, portanto, um “deficit” de 87.000 toneladas, o que significou uma séria
ameaça à existência dos 223 milhões 774 mil jornais quotidianos que eram oferecidos, então,
aos 2 bilhões 372 milhões e 463 seres humanos distribuídos pelos cinco continentes9. Em nosso
país, de acôrdo com as estatísticas do! Banco do Brasil, foram consumidas, em 1957, 222.526
tolenadas métricas de papel de imprensa, das quais apenas 49. 028 de produção nacional. A
importação das restantes 173.498 tolenadas custou-nos 35 milhões e 47 mil dólares, um
dispêndio pródigo para um país que tem todas as possibilidades não somente de tornar-se auto-
suficiente coma de transferir-se da posição de importador para a de exportador. O consumo de

8 O vocábulo originou-se de uma palavra egípcia traduzida para o grego “papyrus”- o papiro, produto extraído de um
arbusto que cresce naquele país e regiões pantanosas vizinhas. Conta a tradição que um rei egípcio, temendo que
a Biblioteca de Alexandria fosse superada pela de Pérgamo, proibiu a exportação do papito, com o que provocou o
desenvolvimento da fabricação do pergaminho na Ásia Menor. No entanto, até o ano 450 AC, vendia-se papiro em
Atenas e o seu uso, introduzido no Império Romano, perdurou por longo tempo entre os povos civilizados. O último
documento conhecido em papiro é uma bula do papa Victor II, datada de 1057.
9 Sôbre o assunto, v. Le Probleme du papier journal, edieção da UNESCO, Paris, 1949, pelo serviço de pesquisas
The Enconomist de Londres, e L’lnformation a travers le monde. UNESCO, Paris, 1951.

papel no Brasil — menos de três quilos por habitante/ano — nos coloca numa posição
humilhante em relação já não dizemos a países muito mais desenvolvidos, mas até aos nossos
vizinhos, pois a Argentina tem um consumo duplo do nosso. A solução do problema da produção
de celulose e papel de imprensa, qué urge dada a importância assinalada dessa matéria prima
na alfabetização do povo e difusão da cultura, estará em uma modificação substancial da
orientação do govêrno, cujos estabelecimentos de crédito recusam, sem maiores estudos,
financiamento para a implantação de indústrias do tipo médio (25 a 30 toneladas por dia),
distribuídas na região produtora de pinho, com o aproveitamento da madeira em lascas não
utilizada pelas serrarias e, o que é mais importante ainda, o emprêgo de desfibradoras e outras
máquinas, ora fabricadas em São Paulo. no Rio e no Paraná.
A escassez do papel, que não poderá atender à crescente demanda e à adoção e
popularização do sistema de imprimir em películas de celulóide, parece-nos indicar uni novo
caminho ao jornalismo escrito: a substituição, no futuro, do jornal na sua forma atual pelo jornal
em micro-filme para a leitura eu aparelhos reprodutores ou projetores, como já existem em bi
bibliotecas, arquivos, universidades, clubes e associações culturais. O micro-filme, se bem que
exija a posse de aparelho especiais de reprodução e projeção, tem sôbre o jornal impresso em
papel diversas vantagens, tais como: facilidade de transporte e arquivamento; melhor técnica
para o uso das côres; comodidade para o leitor, que não terá de conduzir grossos volumes de
fôlhas impressas, que não somente pesam como têm outros inconvenientes, como o
desprendimento de tinta e a rápida e fácil destrutibilidade redução das despesas em maquinaria
e mão de obra para as emprêsas e, finalmente mais vasto alcance pela sua utilização nas
emissoras de tele visão. O emprêgo do micro -filme se está generalizando nos países mais
adiantados cultural e èt cnicamente: nos Estados Unidos, tivemos oportunidade de visitar o
arquivo do Ne w York Times, onde as coleções volumosas e devoradoras de espaço das edições
daquele famoso órgão da imprensa mundial estão concentradas em poucos metros de caixas de
aço.
Para resolver o cruciante problema espacial, “inúmeras instituições adotaram o recurso
de construções especiais longe da sede; tal solução gerou o duplo inconveniente de aumentar as
despesas e criar outro problema: o do transporte dos da tos entre a sede e o depósito-arquivo. O
micro-filme, quer em bandas, é largamente utilizado para reduzir massa criada por tanto papel
impresso, manuscrito ou datilografado. Com o uso do micro-filme, obtem-se uma economia
espacial e de pêso que pode oscilar entre 80 e 90 por cento. Assim o conteúdo de cem armários
para arquivo pode ser reproduzido e disposto em um só classificador para micro filme, cujas
dimensões não ultrapassam as medidas de um armário comum. Basta pensar que um rôlo de
microfilme de 16mm, com imagens duplas de 8 mm, conterá, ao longo de trinta lineares, cerca
de 10.000 cartas. A bobina de 30 metros tem um diâmetro de 12 cm... Considere -se ainda, que
as modernas micro-fumadoras automáticas permitem a execução de duas imagens de 8 mm
lado a lado... Considere -se, também, que o processo de micro-filmagem, quer em 35 quer em 16
mm, é extraordinàriamente rápido, tendo-se em conta o fato de que 30.000 documentos podem
ser microfilmados em uma jornada de trabalho10.” Entre os grandes jornais brasileiros cujas
edições, para efeito de arquivamento, são micro-filmadas figuram O Globo, Diário de Notícias,
última Hora e Correio da Manhã, todos do Rio11.”
A fixação em películas de celulóide de notícias e “slogans” publicitários é ainda muito
utilizada para projeção em praça pública, em telas especiais ou nas-paredes dos grandes

10 C. Oscar Campiglia — .Emprêgo de microfilmagem em arquivos,in IDORT — Revista de Organização e
Produtividade — S. Paulo— ns. 307-308 — julho e agôsto de 1957 — págs. 19 e 20.
11 Informação de P.N. ed, de 20-3-57, que adianta ser possível inserir aproximadamente 1.200 páginas de jornal
num rôlo de apenas 20 metros de película, sendo que o preço do negativo e positivo é extremamente baixo, em face
do grande número de cópias que se fazem em pequenos pedaços de fita.

edifícios, substituindo os “placards” em que, antigamente, os jo rnais expunham informações
sôbre fatos de sensação ocorridos no intervalo entre as suas edições. Aliás, essa modalidade de
divulgação jornalística também se vê gradativamente abandonada pelo uso da eletrônica. São os
chamados “jornais elétricos” ou “luminosos”, existentes em todo os grandes centros urbanos do
mundo, tais como em Times Square, New York; em Picadilly, Londres; no Rio, em São Paulo e
no Recife12. Os jornais eletrônicos, de acôrdo com a sua técnica de instalação, podem funcionar
dia e noite, apresentando caracteres coloridos e desenhos ilustrativos das legendas e textos
divulgados.

O RÁDIO E O JORNALISMO ORAL

Por milênios, a palavra falada foi a única forma de expressão jornalística. Na nossa
época, o jornalismo oral não sômente subsiste, através do rádio, do telefone e da fita mago
ética, como assumiu tal importância que a sua técnica reclama estudos especiais.
O rádio foi pela primeira vez utilizado para a transmissão de notícias em 1922 por
Gabriel Germinet, lançando, através da estação parisiense de Radiola, um serviço quotidiano de
novidades sob o nome de “Paris Informations”13. Em outubro de 1925, uni grupo de jornalistas,
tendo à frente Maurice privat, arrendou a grande antena da Torre Eiffel e deu curso a uma idéia
que, nos fins do século passado, em 1883, Louis de Peyramont tentara efetivar nos Follies-
Marigny, reunindo um público, diàriamente, para ouvir a leitura não só de noticias como de
artigos — e até ilustrando as palavras com desenhos e caricaturas traçadas em um quadro
negro pelos próprios autores. Privat, cuja concepção de jornalismo falado era mais prática, pois
que levava a matéria aos interessados em diversos pontos da cidade, por meio de alto-falantes,
obteve êxito ao ampliar, com a introdução de tôdas as seções que compõem o jornal impresso,
inclusive a publicidade, o simples informativo até então rádio_difundido. Le Journal de la Tour
teve logo imitadores: na Bélgica, em 1926, surgia um jornal falado; em a administração das
comunicações sem fio, em Paris, ia o seu “Rádio Jornal da França”, transmitindo de um estúdio
nos Champs Elysées; em 1932, no México, a XEW lê as notícias mais destacadas publicadas
pelo diário PJxcelsior. Em todo o mundo, sob a natural reação das emprêsas editoras de jornais,
que viam no rádio um perigoso concorrente, o rádio - jornalismo firma o seu definitivo prestígio na
terceira década do século14. Coube aos editores norte_americanos, com o seu reconhecido
pragmatismo, oferecer uma solução para o conflito rádio versus imprensa: — o rádio deveria
associar-se aos jornais e agências de informações, o que aconteceu nos Estados Unidos e em
outras nações, onde, a cada jornal importante, se subordinava uma rádio_emissora. Essa
política foi referendada pela Conferência das Novas Formas de Imprensa, reunida em 1934, em
Bruxelas, segundo a qual “estas duas formas de jornalismo, que se completam com felicidade,
devem colaborar e ligar-se eventualmente por acordos para fornecer paralelamente ao público a
sua quota de informações.” 15
O primitivo sistema de difundir informações pelo rádio, com alto-falantes colocados em
diversos pontos da cidade de Paris (prestigiado pelo próprio Presidente Poincaré, diária- mente,
“quando o tempo estava bom” transmitia entre as 18,30 e as 19 horas da torre Eiffel,
constituindo-se “numa verdadeira pequena atração nos anos de 1924 e 1925... parecia uma

12 Na capital pernambucana, o jornal eletrônico, inaugurado “em agosto de 1957, está instalado em avenida central
sôbre um edifício de 12 pavimentos. Foi uma iniciativa do jornalista e radialista Ernani Séve.
13 Já em 1920, uma emissora instalada em Pittsburg, nos EstadosUnidos, a K.D.K.A., transmitira, no mês de
novembro, boletins com os resultados das eleições presidenciais então realizadas.
14 Pernambuco detém o pioneirismo dos jornais falados no Brasil, lançados pela emissora da PRA-8, do Recife, em

fins de 1926, sob a orientação dos jornalistas Mário Libânio e Carlos Rios.
15 Conf. Rená Sudre — Le Huitiéme Art — Paris, 1945 e J. Preveyer Carracedo — Radioperiodismo — La Habana,

1952.

existentes na maioria das cidades do nosso “hinterland”. o SIG. em todo o mundo. Em tôdas as grandes cidades. 1949. Contando com 20. estava àriamente “no fio” das 8 às 23 horas. do qual traça um curioso perfil na sua conferência Le Journalisme parlé. que nada obtante destinar-se especialmente à propaganda comercial fornece notícias sôbre acontecimentos desportivos. admitidos pràticamente por todos os Estados modernos. qualquer divulgação de caráter partidário. o Audio Digest. a existência de um semanário. O primeiro jornal essa espécie de que se tem notícia foi o Telefon Hirmonde. entretanto. etc. através uns do monopólio sôbre as emissoras outros por meio de estatutos que adotam certas medidas restritivas. pelas agências telegráficas e de publicidade. ao contrário do jornal impresso. companheiro de pioneirsmo de Maurice Privat. Utilizava também recursos musicais ou para caracterizar seções ou para os intervalos entre os noticiários. com a gravação de notícias e comentários pelo processo eletrônico. Ganhando foros de veículo jornalístico da mais subida importância. os resultados dos pleitos eleitorais. em gravação de uma hora. para comunicações particulares ou transmissão de notícias aos corpos redacionais para posterior publicação nos jornais. 16 é adotado ainda hoje na maioria das pequenas cidades brasileiras para a transmissão de matérias de interêsse local e retransmissão de noticiários das grandes estações dos centros urbanos com as quais entra em cadeia. econômico social. é. junho de 1957 – pg. Rádio Televisão. devidamente registradas.. oferece. da divulgação de noticiário ou propaganda pelas mesmas distribuidas às rádio-emissoras.000 assinantes em quinze países. Há cinco anos. Em 1949. de New York18. havia. 18 Conf. que não possuem estações de rádio próprias. e o número de aparelhos receptores era de 181.espécie de lanterna mágica sonora e provocava mais curiosidade e espanto do que interêsse racional”).85 . retransmissões de “matchs” desportivos e outros fins. vem sendo utilizado regularmente: — Gordon McKibben divulgou. em The WaIl Street Journal. um 16 Segundo depoimento de Pierre Descaves. horários. colocados um defronte do outro. sendo lhe vedado. em geral estreitamente ligados às emprêsas que exploram os serviços telefônicos. por sua extraordinário universalidade — “as ondas não conhecem fronteiras nem contrôles aduaneiros” — o rádio exigiu. reportagens “in loco”. segundo o Anuário da Imprensa. inserida na coletânea Ploblémes et Techniques de Presse – Editions Domat Montchristeien – Paris. a partir da reserva das freqüências até a censura prévia dos programas informativos. que poderíamos chamar de “jornalismo em conserva”. 4. e transmitindo tôdas as seções de um periódico impresso.849. fundado na Áustria pelo eletricista Theodor Tuskas.000 subscritores. há “jornais telefônicos”. quanto às informações políticas o SIG da. Já em 1958. edição brasileira. cabendo 51 para cada mil habitantes. hoje. 17 No Recife. que possui cêrca de 10. até bem pouco era utilizada apenas nos departamentos jornalísticos da imprensa e do rádio para entrevistas. O telefone. editado por P.N. êsse gênero de periodismo. funciona um serviço informativo telefônico. por determinação estatutária da sociedade que o mantém. o número de estações de rádio no nosso país ascendia a 496. apenas. não sòmente por se constituir num excelente instrumento de educação e propaganda como. Eis os números para o Brasil: 233 emissoras.000 receptores.000 quilômõtros de linhas. apenas. em 1893. fôsse no campo político. São os chamados serviços de “difusoras” ou de alto-falantes. Destinado aos médicos muito atarefados. que não têm tempo de ler todos os periódicos da sua especialidade. fenômenos meteorológicos. 2. chamava a atenção dos subscritores quando ia anunciar um acontecimento extraordinário.870 rádio-emissoras. entretenimentos. Seleções de Reader´s Digest. a princípio empregado. sobretudo. 17 Quanto à fita magnética. redatores e comentaristas. Por meio de um sistema de alarme. outro veículo do jornalismo oral.500. As suas transmissões eram feitas com o auxílio de dois poderosos microfones. Observação digna de regstro é a de que. um grande corpo de repórteres. 1. uma legislação e um sistema de concessão especiais. 216 de propriedade privada e 7 pertencentes ao Estado. sendo 211 de ondas médias e 12 de ondas curtas.000. e contrôle. de acordo os dados divulgados pela UNESCO.

a designação seja ambígua.” Em 1958. do cinema e da televisão. sendo editado pela Audio Diqest Foundation. hospitais. foi lançada uma revista — Sonorama. em geral. faculdades de medicina e outras instituições são assinantes dêsse jornal eletrônico. embora o grosso das gravações seja ainda expedido a médicos comuns. Na atualidade. resumos extraordinários. O DESENHO E O JORNALISMO PELA IMAGEM Embora podendo adotar legendas escritas ou textos falados para melhor compreensão do público. como meio auxiliar de educação dêstes últimos. reportagens e ilustrações e as últimas “gravadas” com reportagens sonoras. bem como outros detalhes auditivos dos acontecimentos. Sonorama — informa José Ricardo na sua seção “Rosa dos Ventos”. denominada gráfica. na França. da fotografia. duas vêzes por mês. Os assinantes pagam 143 dólares por ano pela fita semanal e o Audio Digest prepara. outra com Brigitte Bardot e seu noivo. procura dar uma visão sintética completa do acontecimento. Diàriamente são gravados informes. uma reportagem auditiva dos últimos acontecimentos políticos que perturbaram a França metropolitana e ultramarina com todos os ruidos e gritos das arruaças. nos últimos anos. gravações de Gilbert Becaud e “The Platters”. Êsse e outros usos da fita magnética levaram Wolfgang Langewiesche a considerá-la mais do que um mero tipo de gravação fonográfica: — “um novo instrumento. O leitor retira as páginas de plástico e as coloca na toca-disco para “ouvir” a revista. Algumas empresas norte-americanas já estão empregando a fita magnética em substituição ao clássico ‘jo rnal da casa”.sumário de notícias colhidas em publicações e relatórios especiais das pesquisas médicas. encadernada com fõlhas alternadas de pap el e de “material plásrtico”. o jornalismo pela imagem19 tem no desenho. na fotografia ou na apresentação direta dos acontecimentos os seus principais meios de expressão. cantores e música orquestrada. sendo imediatamente compreendida pelo espectador sem apêlo à sua inteligência ou à sua imaginação e independente do grau de cultura que detenha idioma que fale. medicina interna. A imagem jornalística. em dezemb ro daquele ano — vendeu 50. que são vendidos a 72 dólares por ano. divulgada pelos Diários Associados. as primeira impressas com artigos. . em seu número de lançamento. O sistema de gravação de “revistas falantes”. pediatria e ginecologia. etimológicamente. enquanto atendem aos seus clientes.000 exemplares a 500 francos (aproximadamente 170 cruzeiros) por exemplar. que pode ser incompleta quer quanto ao ângulo do observador quer pelas falhas da atenção em pessoa não experimentada. noticiário editoriais. Por fim. Dirigida pelo publicitário Claude Maxe. que forcejam por acompanhar os progressos da ciência. a gravação de uma entrevista com Jean Louis Barrault sôbre teatro. Essa publicação é mensal. notícias e’ sugestões sôbre os negócios. 19Essa modalidade de jornalismo é. apresentou. notadamente pelos organismos de assistência aos cegos. o jornalismo pela imagem manifesta-se através do desenho. comentários e ensaios vem sendo incrementado. alguns discursos em praça pública e a ruidosa participação da polícia. o mais poderoso para a transmissão de idéias desde a invenção da prensa. considerando-se a insuficiência e o elevado custo do material composto em Braille. Do ponto de vista psicológico. anestesiologia. entrevistas. nos campos da cirurgia. Informa McKitben que o Exército Norte-Americano. com notícias. questões sindicais e outros assuntos julgados de interêsse pelo serviço de relações públicas das companhias. a imagem oferece mais possibilidades de fixação do que a própria testemunha direta do fato. de Hollywood. ainda. se bem que.

o cinema e a TV usam largamente a gravura. tendo-se o desenhista tornado um profissional de primeiro plano no jornalismo. arrebata a aposta. mas é sòmente no século passado que. Se alguns dos documentos arqueológicos apresentam desenhos humorísticos.. na Espanha. 5.. a obra mais impressionante é a contida nos Caprichos. em 1910. Na França. em outro de desenho. a ilustração conquista o seu lugar definitivo nas publicações periódicas. o repositório de mais de um século da vida social e política britânica. cêrca de 15. também os desenhistas e caricaturistas têm os seus mártires do ofício. O Desenho — Depois da palavra falada. educá-la. do primeiro. de beber mais do que recomenda a prudência: umas pedem às suas escravas que as sustentem e outras são atendidas no momento extremo. periódicos. êste. se supõe representar o faraó Ramsés III êste mesmo é. pertence ao reduzido grupo de publicações líderes do jornalismo humorístico internacional. criando “títulos” para as seções. de Munich e Krokodil de Moscou. Em tanto aprêço têm os inglêses o jornalismo humorístico que uma das suas mais famosas publicações — O Punch 21 — é. 21 Fundada em 1841. Aristófanes se refere ao grego Pauson “que tudo o que fazia era degradar e desfigurar tornando mais feia a pessoa do que o era. na França. deduzindo-se que participou da mesma sorte de Sócrates. por exemplo. Willette e Leandre constituem o grupo de humoristas franceses que utilizaram. L’Illustration conquista o seu público por meio de reportagens redigidas. antes que a partida termine. tomou o seu nome da tradução inglêsa de Polichinelo. ou as guerras e a política de Napoleão. em todos os tempos.. graças à descoberta dos processos de fototipografia e fotogravura. na França. o vício. os pioneiros da caricatura e da sátira. magazines. pelo que não devia ser mostrada a sua obra aos jovens” e assim narra o triste fim do mesmo artista: “o infame Pauson já não nos desfigurará mais”. a primeira ilustração pelo processo de fotogravura. Em outra composição talhada sôbre um dos monumentos de Tebas. a ignomínia e a hipocrisia”. que revelam “uma alma atormentada ante a injustiça. que conduz uni bando de patos inocentes. durante. . da fauna e dos homens. Um dos desenhos mais conhecidos daquele período representa uma gazela que se entretém em um jôgo parecido ao xadrez com um leão.. segundo Plínio. de Paris. o jornalismo através do desenho e da caricatura toma impulso com a revolução de 1789. desenhistas satíricos. sob Luís XIV. Goya e Velazquez são . o Segundo Império. revistas. 20 Bam-Bhu — El dibujo humoristico — Barcelona — pág. Le Canard Enchainé. desenhadas e fotografadas. sem dúvida. no caso. em 1839. americano. primeiro diário ilustrado. originário da “Comedia della Arte” italiana. caricaturas ou artísticas representações da flora. talhado ou pintado nos muros das cavernas pré-históricas. satiriza-se o excesso. Forain. a baixeza. corrigi-la. Com isso se quis expressar que as pobres gazelas indefesas não devem jogar com o leão poderoso que. Coube ao jornal Le Lithographe publicar. Mais tarde. jornais e revistas para retratar a sociedade. personagem mundialmente conhecido. hoje. criticá-la. então. a maior parte dêles. a mais antiga expressão jornalística no mundo.”20 A ilustração e a caricatura — Como outros jornalistas. Com o Excelsior. em damas da alta sociedade. foi. traçando e projetando as páginas. Juntamente com o New Yorker. Daumier.. Gavarni.lhe a coroa.000 anos antes do nosso século. os caricaturistas satirizam o episcopado da Igreja Anglicana e a conduta licenciosa dos cavaleiros. também tiveram fim violento Supalus e Athenis. tinha “um significado político bem perceptível ou eram simplesmente cenas críticas e joviais dos costumes do tempo. quotidianos.. hoje. pois surge. no Egito. a ilustração entra definitivamente na grande imprensa e. Simplicissimus. as condições que os presbiterianos arrancam a Carlos II antes de oferecer. fundado por Pierre Lafitte. muitos caricaturistas são obrigados a emigrar e publicar as suas obras na Holanda A invenção da imprensa torna mais amplo o campo do desenho humorístico e crítico como forma jornalística: na Inglaterra. um gato astuto.

133. os “comics” em que se distingue a imprensa norte. trazia grosseiras vinhetas caricatas abertas a canivete em entrecasca de cajazeiro. que uma famosa série. nasce a caricatura em nosso país. mais difícil se torna ao desenhista de jornal conseguir a permanência para a produção do seu esfôrço intelectual e artístico.se do desenhista de jornal que Possua “um rapidíssimo golpe de vista e uma grande agilidade mental para que seu lápis não capte sômente traços pessoais mas de uma época. hoje. que há cinqüenta anos atrás eram desconhecidos. No Brasil. Como já se observou22. 450. jornalisticamente. 24 Alfredo de Carvalho — Anais da Imprensa Periódica Pernambucana — Recife. embora jnicialmente dirigidas a um público infantil e juvenil. O tempo joga um importante papel na sua tarefa. embora muitas vêzes uma piada em historieta ou caricatura valha mais do que um editorial. a do “Yellow Kid” — tipo criado por R. 1908 — pág. Um esfôrço de síntese deve presidir ao seu labor. surgido no Recife.americana. cuja popularidade foi tão grande e marcou tão profundamente os espíritos nos Estados Unidos. A respeito dêsse periódico escreve Alfredo de Carvalho: “O n. elaborando historietas. criador de “Zé Caipora”. por parte especialmente. “elevou a crítica de costumes a proporções nunca depois excedidas. de propriedade do ale mão Henrique Fleiuss. tanto na justeza e no chiste das observações 22 Louis Morin — Le dessin humoristique cit. em resposta ao precedente (O Liberalão) . Sousa Pinto e Adolfo Germano dos Santos que. em 1875. Belmiro de Almeida e Bordalo Pinheiro. . o humor e a moda morrem todos os dias. por Frederico Galindo in El periodismo — Barcelona. pois depende dela o efeito que a sua obra produzirá. 1953 págs. surgida em 1860. circulava O Diabo a Quatro. no Rio. a dos filósofos. a caricatura e a charge são geralmente adotados. os primeiros ilustradores conhecidos foram Debret e Rugendas. para pintar uma situação. 33-43o. As campanhas abolicionista e republicana tiveram os seus caricaturistas. criador das figuras do “Dr. Outcault e lançado nos jornais sensacionalistas de Hearst — deu origem à expressão hoje mundialmente adotada para a imprensa dessa espécie . e a Ilustração Brasileira ou Revista Ilustrada. pois algumas vêzes há de adiantar-se aos acontecimentos e outras segui-los o sentido da atualidade não pode abandoná-lo. utilizando ap enas as complementarmente os textos escritos: — são as revistas e jornais em quadrinhos que. graças às novas técnicas impressão. primeira tentativa de jornal ilustrado em Pernambuco. Nesse sentido. Semana” e do “Moleque”.° 3 a 17 de maio. redigida por Anibal Falcão. 1953 — pág. quando nos chegam os inventos que permitiram maior facilidade à sua reprodução. Raríssimo24. Entretanto.introduzindo tipos e flagrantes humorísticos. chiste da sua obra. o desenho como principal matéria. que estando o humor intimamente ligado ao ambiente de uma época. de educadores e críticos. também.. com O Carcundão. Pascal e La Rochefoucauld.” Como de todos os jornalis5 exige. 23 Frederico Galíndo — El humour en la prensa in El periodismo — Barcelona. A Semana Ilustrada. se bem que sob a barragem das restrições mais acerbas. de Ângelo Agostini.” A mais divulgada das modalidades do jo rnalismo desenhado é a dos “comics”. “os desenhistas chegaram a ser escritores e os seus hábitos de observação os colocam na categoria dos espíritos críticos e sintéticos a que pertenciam La Bruyère. que fixaram com humor e criticaram com mordacidade todos os episódios da nossa vida política de então. Era escrito com extrema mordacidade. tendo sido lançados em 1884 pelo New York Daily News. Nelas colaboraram os espíritos satíricos dos artistas Flumen Junior. 23” Deve-se observar. no registro de Alfredo de Carvalho. tanto ao desenhar como ao redigir o texto. o desenho. depressa é esquecida e “quando a repassamos em velhas coleções de jornais e revistas quase não compreendemos a intenção que encerra.a imprensa amarela. só em 1831.° 1 saiu a 25 de abril e o n. F. Uma série enorme de publicações jornalísticas emprega. conquistaram as massas.” Nos últimos anos do Império. No Recife. Com efeito. marcaram época. através de cuja obra se pode reconstituir as características marcantes da sociedade colonial. para os quais uma frase basta para explicar um caráter.

acentuando a massa das figuras e tornando-as mais plásticas e atraentes.como na probidade de critério. A fotografia. Theo. notadamente através do lápis de Luís Sá. todos os esforços foram desenvolvidos no sentido de aperfeiçoar o invento. o desenho humorístico é indispensável aos órgãos da imprensa de largo público e alguns dos profissionais e artistas contemporâneos. Belmonte. quando. Carlos. conseguiu a primeira fotografia de uma face humana — a de sua irmã — mediante uma exposição de cinco minutos. São dessa escola Alvarus. Hoje. Não devemos esquecer que também o nosso incipiente cinema vem adotando o desenho e. aperfeiçoado ao máximo. imprimindo em diversas côres. Don Quixote. Mais recentemente. Três anos mais tarde. a fim de obter cópias em papel sensibilizado. era repro duzida em uma prova. 373. Seth e outros. F. beneficiou-se dos métodos de gravação. Êstes. inventando o sistema de gravar imagens em uma placa preparada com iôdo e prata mercurial. que José Niceforo Niépce e Luís Mandé Daguerre aplicaram êsses conhecimentos à câmara escura. mexicano. chegados e integrados no jornalismo do país. na sua recepção. No entanto. através dos mares. Daí para diante. de New Jersey. Para Todos e A Careta — esta última podendo ser considerada como o nosso Punch — colaboraram Raul Pederneiras. Rubel. alcançam também os benefícios da reprodução fotográfica pelo sistema “offset”. depois que diversos investigadores haviam descoberto que a prata dissolvida em matérias orgânicas enegrecia-se pela ação dos ácidos. as fotografias podem ser fixadas tanto sôbre papel fotográfico como sôbre filme. buscando um modo de obter provas perfeitas em papel de qualidade regular. em 1904. aparecendo ali com perfeição insuspeitada! Hoje. Qual não foi a sua surprêsa ao dar-se conta de que a imagem que se havia transladado para a borracha. que tornaria possível a fotografia. cêrca de 1500. o prof. fundador das Escolinhas de Arte. John W. no Mercúrio. quando o famoso pintor — um dos gênios versáteis da humanidade — idealizou a primeira câmara escura.o “humour”. o francês Edouard Belin (1921) inventa a transmissão de fotografias pelo rádio. em O Malho. um jornal 25 Alfredo de Carvalho — Obra cit. ’Várias emprêsas americanas têm mesmo conseguido o “tour de force” de transmitir. criador de “O Amigo da Onça”. esqueceu uma das provas ao colocar o papel entre os rolos de pressão e o “cliché”. foi sômente no comêço do século XIX. com trabalhos reproduzidos nas principais publicações do mundo. ilustrador de jornais filmados. por meio de máquinas rotativas. Dez anos depois. A fotografia — Deve-se a Leonardo da Vinci. os avanços da televisão já permitem a transmissão instantânea de imagens a longa distância e. por sua vez. Talbot. pela televisão. descoberto por Frederick Scott Archer. o outro pernambucano Augusto Rodrigues. todos os sistemas anteriores foram abandonados pela impressão. através de um aparelho que denominou “belinógrafo” ou “fototelégrafo”. graças a um outro processo. e Figueirôa. a fotogravura e a zincografia permitiram a sua reprodução nos impressos. Em 1840. — pág. Fritz. utilizando ainda cilindros de pressão de borracha. êste o pioneiro da caricatura mundana. Guevara.”25 No princípio do século atual. as fotografias passam a ser transmitidas pelo rádio. e mais Carlos Estevão. . Nássara. Draper. a primeira tentativa de fixar mecânicamente as imagens. entre os quais o pernambucano Péricles. As ilustrações correspondiam brilhantemente ao texto.. como o desenho. ao criar o tipo da “Melindrosa” crítica ao “society” da época. descoberto casualmente por W. Atualmente. graças ao desenvolvimento das técnicas do telégrafo e do rádio. substituindo-se as placas metálicas por transparentes. Calixto Cordeiro e J. Fon-Fon. paraguaio. é empregado especialmente para revistas. que surgem com as suas “charges” nos principais jornais e revistas do país.. Frou-Frou. comandaram uma autêntica revolução na caricatura. o sistema de gravação em “offset”. da Universidade de New York. o que se deveu a William H. Vão Gogo e Borjalo são nomes que já ultrapassaram fronteiras.

disputando o título de campeão do mundo. quer o desenho quer a fotografia. os irmãos Lumiêre contratavam Relix Mesguich para percorrer a Europa e o mundo.— o são a prática do jornalismo. os “jornais cinematográficos” – chamados “newsreels” pelos povos da língua inglêsa. Um ano depois. “actualités” pelos franceses. e “wochenschau” pelos alemães — foram a primeira manifestação do cinema.plaisir”. colhendo flagrantes de cidades. especialmente aquêles publicados. conhecido na América sob o nome de “fac-similes”26. estão tendo um crescente e interessado público. uma vez que lhes falta. paradas ou mortas não são jornalismo. nas principais ruas. a simples publicação de uma fotografia vale uma notícia. o desfile de 14 de julho e o Grande Prêmio de 1896. o primeiro quotidiano incluindo fotografias fo i Excelsior. à Lyon-Mont. notadamente a atualidade e a interpretação. para que se constituam no chamdo “jornalismo sem palavras” necessitam de atender a todos os caracteres dessa atividade. como a alguns escritores famosos. O Cinema — Ao contrário do jornal. em 1910. sômente nos fins do século passado é que a imprensa começou a utilizá-las. a “Biograph” e a “Vitagraph”. Fotos sem interêsse humano. O desenvolvimento dos métodos de captação. 26 Gilbert Henry Coston — L´ABC du journalisme — Paris.à tarde e os chamados “tabloides”. todos os fotógrafos — e mesmo bons fotógrafos. Sômente em 1901 — e ainda à base dos “fatos marcantes” — é que Georges Mêliés. uma seqüência de fotos constitui autêntica reportagem. 1952. aquêle instinto profissional. tornaram-se preferencialmente filmadoras das atualidades e é histórico da competência entre elas o fato ocorrido a 3 de novembro de 1899. W. a revista Berliner Illustriert Zeitung publicou uma reportagem fotográfica da catástrofe ferroviária de Bomberg. o primeiro filme de que há notícia (1895). porque não dizem nada de novo. 172. Assim. Assim. solenidades oficiais. de cêrca de vinte metros. quando a primeira obteve exclusividade para apanhar os flagrantes do “match” de box entre Jeffries e Sharkey. e na Inglaterra. “noticieros” pelos espanhóis. ambas explorando cenas da vida corrente. nas quais o texto escrito é quase inteiramente substituído por fotografias. Os diários. Griffith. Foi êle o primeiro cine -repórter do mundo. utilizando a “trucage”. produz a sua reconstituição da coroação de Eduardo VII. a 13 de março 1892. Nada obstante o êxito atual dos jornais e revistas ilustrdos com fotografias. e Leon Gaumont apresentaram a chegada do Tsar a Paris. Outros filmes produzidos na época ocuparam-se da “chegada do trem na gare de Ciotat” e de “uma viagem entre a Rue de Ia Republique e Lyon”. Todavia. produzido por Lumiêre. Por isso. foi “La sortie des usines Lumière. Nos países europeus é muito comum a existência. expondo fotos de acontecimentos do dia ou da semana. . catástrofes e festas para as “actualités”. fixando aquêle acontecimento diário no celulóide. publicam páginas inteiras de fotografias. no Conney Island Club. outros famosos irmãos. costumes pitorescos. na França. Outros produtores franceses não tardaram em seguir o exemplo dos irmãos pioneiros. que leva homem de imprensa a olhar a vida e o mundo como campo colheita de notícias destinadas a informar e orientar a opinião pública. em montras especialmente preparadas.inteiramente Impresso aos assinantes que possuem um aparelho de sua fabricação. o criador do cinema como espetáculo. mais tarde desenvolvida pelo cineasta norte-americano D. Muitas vêzes. conforme a sua própria epígrafe o indicava.pág. As duas primeiras emprêsas cinematográficas dos Estados Unidos.. de “jornais fotográficos”. o Daily Mirror sômente adota a fotografia como veículo de potícias em 1904. enquanto que as revistas ilustradas. doutras. os Pathé. com legendas elucidativas. não despertam no leitor (diríamos melhor no espectador) aquêle princípio de ação que é próprio do jornalismo. Com efeito. inoportunas. que precisou de duzentos a trezentos anos para utilizar a máquina de imprimir e a letra de fôrma. transmissão e impressão de imagens fêz da fotografia não apenas mera ilustração na imprensa mas lhe deu também conteúdo jornalístico.

Arthur Rank. hebdomadárias e mesmo bi-hebdomadárias. Viagens na União Soviética e Esportivos. Se bem que alguns pretendam que a TV fará desaparecer êsse gênero de jornalismo ou o absorverá. c) cada um dos acontecimentos apresentados se refere em princípio à atualidade geral do momento da sua aparição. suplantando em quantidade e técnica ao europeu. Durante a l Guerra Mundial. cuja metragem varia entre 250 e 600 metros. troca-se a exploração ambulante pela fixa e introduz-se o sistema de alug uer. em 1934. nos 27 L apresse filmée dans lê monde – UNESCO – Paris. com edições segundo os países produtores mensais. É em 1907 que Gharles Pathé cria. com assuntos do seu interêsse. em 1950. é distribuído o Children’s Entertainment Films. bimensais. no mundo 95. na França e United Nations Screen Magazine. b) cada uma das suas edições comporta vários assuntos justapostos sem ligação direta entre si. modas e até reportagens especiais.900 localidades com uma freqüência semanal de 215 milhões de espectadores. Peter Baechlin e Maurice Muller Strauss. produzido pela Gaumont British Instrutional Ltda. . criado por Louis de Richemont. que exigem certo espaço de tempo para a sua produção e distribuição. tanto que. outros prevêem a sua evolução para o gênero do “magazine filmado”. uma mera novidade da técnica para afirmar se como uma poderosa Indústria. esportes.444.352 salas de projeção Com 42. apresentados em detalhes e sob ângulos que escapam ao tele -repórter. destinando-se a um público menos apressado do que o que deseja puramente informar-se das atualidades. nos quais se dá maior ênfase à interpretação dos fatos. a especialização. d) são geralmente de uma metragem “standard’ e) — sua apresentaço é direta. aos quais se ap resentavam os noticiários como parte integrante dos programas.. dando início à longa metragem. a) . o prestígio do jornalismo cinematográfico firma-se definitivamente e é nessa época que o filme americano conquista o primeiro lugar. em obra completa sôbre a matéria. dos atuais jornais cinematográficos. adotam novos métodos de apresentação. na URSS. nos Estados Unidos. Convém assinalar que. também os filmes de atualidades se assemelham aos jornais: são geralmente dividos em rubricas correspondente às seções dos órgãos da imprensa — O que vai pelo mundo. utilizando a iluminação artificial por meio de uma bateria de lâmpadas de arco ali colocada pelos concorrentes. o cinema deixa.27 27 distinguem as seguintes características dos jornais cinematográficos que os diferenciam nitidamente de outros filmes de curta metragem. alguns “digests” filmados já são conhecidos mundialmente. Ambas emprêsas obtiveram com êsse filme um êxito estrondoso. também.Inconformados. afinal. os filmes de atualidades dramáticos ou cômicos tinham em média 20 metros e eram Produzidos e vendidos a proprietários de salas de projeção ou a exibidores ambulantes que os utilizavam até à imprestabilidade. havia. na Grã-Bretanha. com az característica pela variedade de assuntos filmados.1951. Naqueles anos decisivos. entre os quais Ciência e Técnica. os técnicos da “Vitagraph” irromperam no recinto. sobretudo no que se refere ao som e à imagem. Entre os anos de 1905 e 1907. e protegidos por brigadas de choque “rodaram” um filme. na Inglaterra. O cinema atingiu tal popularidade que. o seu “Actualités Pathé”. na França. enquanto que a dos “magazines” filmados e “documentários” pròpriamente ditos têm um caráter interpretativo e didático. de ser considerado um simples entretenimento. O “magazine” filmado permite. Nesse estilo. Êstes e outros “magazines” filmados. no momento da luta.aparecem regularmente a intervalos relativamente curtos. tais como March of Time. o que leva os produtores a ultrapassarem os vinte metros de celulóide. dedicado às crianças. Na sua técnica. Até então. editado pela ONU desde 1949. produzido por J. Como acontece com o rádio em relação ao jornal. This Modern Age. diversos ‘digests” filmados são produzidos. Pathé Pictorial. a televisão está ameaçando sèriamente os jornais cinematográficos.

De um modo geral. finalmente. XX Century Fox News. Alex Viany refere-se aos primórdios da cinematografia brasileira assinalando que dos “muitos filmes em um só rôlo” produzidos até 1910. asiáticos e americanos como a Suíça. News of the Day (Metro Goldwyn Mayer-Hearst). . pelos organismos internacionais. muitas vêzes. a revista Cinema Tchecoslovaque. escreve: “O filme de informação tem uma outra função e uma responsabilidade muito maior do que filme de atualidades dos produtores privados. a predominância no cinema brasileiro é desse gênero de produções. _______________________ 27-a Alex Viany — “Introdução ao cinema brasileiro” — Rio. editada em Praga. das quais o govêrno participa ou às quais subvenciona. A êsse respeito. abalhar-lhe os nervos e presenteá-lo com imagens que o distraiam ou desviem a sua atenção das tarefas atuais. em 1949. subvencionada pelo govêrno espanhol.pág. Acordos internacionais e relações de comércio e cultura permitem a exibição em tôdas as partes do mundo de jornais filmados produzidos principalmente nos EE. desenhos e documentários para programas completos. produzidas por uma sociedade de economia mista. o que provoca. 28. como em diversos outros Estados ocidentais. temos as Actualités Françaises. Seu obje tivo não é provocar sensações. é obrigatória nos programas dos espetáculos cinematográficos. A distribuição mundial das atualidades está assegurada por grandes companhias distribuidoras. as atualidades. no celulóide.” A exibição das “atualidades” nos países socialistas. estão os produzidos e distribuidos pelas grandes companhias norte-americanas. preparados por uma sociedade autônoma. Na primeira categoria. e os No-Do (Noticiários e Documentários Espanhóis). O filme de informação tchecoslovaco é um dos numerosos instrumentos ideológicos que ajudam a edificar o Estado. por serviços do Estado e. sendo rigorosamente nacionalizadas. fazer palpitar o espectador. Já nos referimos anteriormente a filmes de informação produzidos pela ONU regularmente e distribuidos em todos os países membros. Nos países socialistas. a maioria era de “simples registros de acontecimentos sociais e políticos. de “flagrantes” idênticos.— USA — e Lord Rothermere -GB). ou mesmo coisas tão inevitáveis como a tal do trem chegar”.. os jornais cinematográficos são produzidos por emprêsas privadas — os de maior divulgação no mundo moderno —.UU. British Movietone News (2Oth Century Fox -.países socialistas. Turquia. os jornais cinematográficos são produzidos por serviços estatais. que geralmente também dispõem de filmes de longa metragem. Pathé Journai e Gaumont Actualités. constituem uma tribuna do govêrno. Índia e Chile. 1959 . França. de ruas e lugares pitorescos. diretores e realizadores para futuros empreendimentos no campo do cinema espetáculo. o mesmo ocorrendo em diversos outros Estados europeus. viagens e documentários. No Brasil. da qual o Govêrno Francês possui a maioria das ações. Universal News. Em recente trabalho 27-a. de cenas da vida corrente. Ainda hoje. por émprêsas mistas. Grã-Bretanha e URSS havendo também convênios para a troca de tomadas de cena entre produtores. como qualquer outro veículo de informação e opinião. a repetição. nas quais se exercitam operadores. inglêsas e francesas: Faramount News. ou cenas apanhadas em locais pitorescos. Na segunda categoria. também não fugimos a idêntica evolução cinema: — começamos a nossa produção cinematográfica fixação. jornais de diferentes procedências.

Em Pernambuco, na década 1920-30, um grupo de jovens entusiastas da sétima arte,
inspirados pelo exemplo dos italianos Falangola e Cambiére, que haviam chegado ao Recife
trazendo uma máquina cinematográfica e com ela tinham produzido filmes naturais da cidade, e
de propaganda comercial, organizou a “Aurora Filme”, rodando documentários e dramas. Outras
produtoras surgiram, animadas pelo sucesso inicial daquela: a “Planeta Filme”, a “Liberdade
Filme”, a “Veneza Filme”, a “Vera Cruz Filme”, a “Iate Filme”, e, na cidade interiorana de Goiana,
a “Goiana Filme”. A considerável produção de filmes, que jamais foi superada em quantidade, ao
tempo do cinema silencioso no Brasil, não teve infortunadamente continuidade, faltando-lhe o
apoio governamental que poderia ter transformado o Recife na Hollywood brasileira. São dessa
época atualidades e documentários, como “A chegada do Jahú ao Recife”, “Aniversário do
Govêrno Sergio Loreto”, “As obras de construção do Pôrto do Recife”, “Aspectos de Goiana”, que
foram exibidos trinta anos depois, no “Cinema Siri”, espécie de museu cinematográfico, criado
por Pedro Salgado e Jota Soares, pioneiros da cinematografia pernambucana. Também o
“Cinema Siri” extinguiu-se ao pêso da indiferença do poder público estadual. 28
Foi sômente no decorrer da II Guerra Mundial, com as atividades da Distribuidora de
Filmes Brasileiros (DFB), organizada pelos proprietários do maior circuito de salas de projeção
do País, a Cinegráfica São Luís, de Luís Severiano Ribeiro, e da Agência Nacional (AN), órgão
oficial ligado ao Ministério do Interior e Justiça, que a produção e exibição de atualidades
cinematográficas nacionais no país se tornaram freqüentes, provocando um decreto
governamental de 24 de janeiro de 1956, estipulando a obrigatoriedade de projeção de um filme
nacional (atualidades, documentários ou qualquer outro de menos de 180 metros) como
complemento de cada programação. Atualmente, diversas emprêsas cinematográficas produzem
e distribuem filmes de curta metragem de atualidades, destacando-se entre elas a veterana
Cinegráfica São Luís, a Vitória Filme (ligada ao circuito Sorrentino), a A. Botelho Filme, a
Produtora Herbert Ritcher, a Jean Manzon Filmes e a Cinédia, esta última mantendo um jornal
semanal dedicado exclusivamente aos esportes. Estamos, dessarte, bem colocados nas
estatísticas mundiais de produção de jornais filmados, com uma média de 260 por ano, quando
se sabe que, em 1949, segundo dados da UNESCO, os países líderes 4a indústria
cinematográfica produziam respectivamente: URSS, 1.100; USA, 728; Reino Unido, 520; França
e Itália, 260. Além dos jornais cinematográficos nacionais, os cinemas brasileiros exibem
atualidades de procedência norte-americana, francesa e inglêsa, com grande aceitação por parte
do público, calculado em 150 milhões de espectadores por ano, em 1.606 salas de projeção
com 1 milhão de localidades (1949).

A televisão — Nascida dos progressos da eletrônica, televisão é o mais recente dos
veículos jornalísticos. A primeira transmissão da imagem à distância, no mundo, foi feita 1927
pela Bell Telephone Company, quando, utilizando-se o telefone entre Washington e New York,
com um “relais” colo cado a título experimental em Whippany (N. J.), o então presidente Hoover,
na Casa Branca, foi apresentado ao público maravilhado da grande metrópole. Entretanto, desde
1890, sábios de diversos de diversos países vinham estudando o problema. A Edison, Jenquins,
Ester, Geitel, Marconi, Baird, Barthélemy, Farnsworth, Zworykin, Cahen e outros cientistas e
técnicos, em diferentes campos, deve a humanidade a concretização do velho sonho de “dar
olhos ao rádio”. Através de experiências cada dia mais positivas, já é possível, em 1935,
realizarem-se emissões experimentais de 10 kilowatts sôbre uma onda de 8 metros, por uma

28 Jota Soares fêz publicar, na revista Notícias de Pernambuco, edição de abril de 1953, um completo estudo sôbre
o cinema pernambucano,no qual rememora as figuras de Edson Chagas, Gentil Ruiz, Ary Severo, Pedro Salgado,
Antonio Campos, do exibidor Joaquim Matos, proprietário do Cinema Royal de Pedro Neves e do pintor e
caricaturista Fausto Silvério Monteiro (“Fininho”) , bem como fatos e outros subsídios preciosos à história do nosso
cinema considerado, então, um dos mais artísticos do mundo.

antena colocada no alto da Torre Eiffel. Três anos depois, a França possui a mais potente
emissora de TV do mundo (30 kilowatts), transmitindo a imagem em um raio teórico de 50
quilômetros, acompanhada de som. É também neste ano (1938) que a TV ultrapassa o estado
puramente mecânico (rotação de discos sôbre o emissor e o receptor e exploraçâo sôbre 30
linhas) para atingir o sistema de transmissão eletrônica, quando, em Moscou e Leningrado, são
instaladas estações que, mais tarde, viriam a cobrir um raio de 180 a 190 quilômetros. Nos
Estados Unidos, o funcionamento oficial da TV foi registrado em 30 de abril de 1939, data da
abertura da Feira Mundial de New York, embora desde o ano anterior a RCA estivesse
fabricando postos de televisão para venda ao comércio. Em 1945, no final da segunda guerra
mundial, mais um progresso decisivo é registrado: — empregando-se um aparelho descoberto
por Zworykin, o iconoscópio, e aperfeiçoado por Barthélemy, com lentes eletrônicas, consegue-
se a transmissão da imagem em pleno dia e mesmo sem sol. Ao engenheiro inglês J. L. Baird
são atribuidos os mais importantes estudos sôbre a transmissão da TV em côres, hoje uma
realidade.
A TV desenvolveu-se ràpidamente nos países mais industrializados com emissões
destinadas a grandes públicos. Dados estatísticos colhidos pela UNESCO, em 1° de janeiro de
1953, nos permitem avaliar da popularidade da TV, isto é, do seu alcance como veículo
periodístico, cultural e artístico: nos Estados Unidos, havia, então, 139 estações transmissoras,
22 milhões de receptores, equivalentes a um para cada 7,15 habitantess; no Reino Unido, 5
estações, 2.072.930 receptores, um para cada 24 habitantes; em Cuba, 7 estações, 100.000
receptores para cada 55 habitantes; no Canadá, 2 estações, 250.000 receptores, um para cada
56 habitantes; no México,6 estações, 50.00 receptores, um para cada 578 habitantes; na França,
2 estações, 60.000 re ceptores, um para cada 704 habitantes; no Brasil, 3 estações, 70.000
receptores, um para cada 751 habitantes; na República Dominicana, 1 estação, 1200 receptores,
um para cada 1.808 habitantes; na URSS, 3 estações, 80.000 receptores, um para cada 2.400
habitantes; na República Federal da Alemanha, 5 estações, 6.000 receptores, um para cada
8.000 habitantes e no Japão, 3 estações, 4.444 receptores, um para cada 21.000 habitantes.
Naquele ano, estavam sendo montadas e experimentadas estações de transmissão de TV na
Argentina, Dinamarca, Itália, Países Baixos, Polônia, Suíça, Tailândia, Turquia, Áustria, Bélgica,
Tchecoslováquia, Espanha, Suécia e Iugoslávia. Hoje, países menos desenvolvidos possuem ou
se propõem a organizar emissões de TV, enquanto o progresso técnico vai permitindo, ampliar o
raio de transmissão, me smo sem exigência de postos retransmissores.
Uma das mais debatidas questões no campo da TV e que interessa sobretudo ao nosso
estudo é a do número de horas consagradas diàriamente ou semanalmente às emissões e do
tempo nelas dedicado às informações jornalísticas. Tanto por motivos econômicos como por
técnicos e sociais, o número de horas de funcionamento das tele -emissora é reduzido: na
Inglaterra e na França, a duração média semanal é de 32 horas, enquanto nos Estados Unidos,
diàriamente, é de 15 horas. Neste último país, onde a TV é mais popular, a maior parte das
estações difundem um resumo de notícias pelo menos quatro vêzes por dia. Os métodos de
apresentação variam muito, mas em geral, vê-se sôbre o écran um narrador, que ilustra com
filmes e vistas fixas a sua descrição das últimas notícias. Os filmes utilizados são produzidos
especialmente, uma vez que uma convenção realizada proibiu a exibição das atualidades
cinematográficas na TV, criando-se, dêsse modo, uma nova indústria: — a tele-cinematográfica,
que produz, inclusive, filmes próprios de enrêdo, já que sòmente cinco anos depois de lançadas
é que as super-produções poderão ser retransmitidas no vídeo. Entre as produtoras norte-
americanas de tele -atualidades filmadas figuram a United Press-Movietone Television News,
fundada em 1951; a Telenews Production Incorporated, filial da INS, fornecendo um jornal diário
de oito minutos e dois semanários,um dos quais sòmente sobre fatos esportivos e os serviços
próprios da NBC e CBS, que favorecem diversas emissoras menores com cópias das suas
atualidades.

Enquetes realizadas entre 1951 e 1952 em New York dão, apenas, 12,5 % e 13,4 % às
emissões de caráter informativo (noticiário geral, previsões meteorológicas, questões de
interêsse púb lico, religião) ; 6,3 % e 6,9 aos programas desportivos e 2,4% e 4,2% à
apresentação e entrevistas de personalidades.29 Os índices de popularidade dêsses programas,
em 1952,- eram os seguintes: informação e atualidades, 4,2; esportes, 11,2; e entrevistas, 5,0. A
média de uso domiciliar de receptores de televisão era, então, de 83 minutos por dia, enquanto o
público dedicava ao rádio 124 minutos, aos jornais 38 minutos e às revistas, 16 minutos.30
Na França, numa iniciativa da UNESCO e da Radiodifusão e Televisão Francesa, foram
realizadas, de janeiro a março de 1954, emissões experimentais visando analisar as
possibilidades culturais da TV e a sua influência sôbre a conduta dos telespectadores frente a
determinados temas. Treze programas sôbre a modernização do trabalho rural e suas condições
técnicas, econômicas, sociais e humanas — produzidos por Roger Louis, com uma equipe de
especialistas — foram transmitidos, juntamente com apresentações de “musie -hali”, circo,
documentários, teatro, leitura de livros, cinema, entrevistas, noticiário e reportagens diversas, O
campo de observação dos resultados foi a região do Aisne, onde foram selecionados quinze tele -
clubes31 com assistentes de diferentes graus de educação, profissões diversas, de ambos os
sexos e idades variadas. O número de indivíduos interrogados e cujas reações foram registradas
variou entre 225 e 231, segundo as questões formuladas. Essa experiência ofereceu os
seguintes resultados: salvo os programas de “music-hall” e circo, que obtiveram maior
percentagem de aprovação, 90 por cento do público acompanhou com interêsse e aplaudiu o
jornal televisado; 60 por cento as reportagens retrospectivas; 55 por cento os “magazines” de
exploradores e 45 por cento as reportagens atuais, focalizando fábricas, aeroportos, etc.
Como meio de informação primário, isto é, veículo de transmissão das primeiras notícias
sôbre um dado acontecimento, a TV leva vantagem sôbre o jo rnal e o rádio, bem como sôbre o
cinema de atualidades. Tanto realizando coberturas diretas como utilizando processos rápidos
de produção de filmes para apresentação num período mínimo de tempo, mediante dispositivo
especial que permite sejam os negativos projetados no écran dos receptores em positivo,, a TV
expressa, hoje, o mais rápido meio de difusão criado pelo engenho humano. Combinando os
métodos tradicionais da imprensa, do rádio e do cinema, utilizando o pessoal técnico e
profissional dêsses outros veículos (jornalistas, locutores, repórteres, fotógrafos e cinegrafistas),
a TV possui, entretanto, técnicas próprias. “As reportagens televisadas permitem ,ao público
seguir melhor do que por qualquer outro meio de informação os acontecimentos que lhe são
apresentados sob uma forma auditiva e visual ao mesmo tempo. A câmara eletrônica apresenta
certos caracteres — vantagens e inconveniêntes — que não existem na câmara cinematográfica
e que tornam necessária a especialização dos “cameramen” e realizadores.32 Essa técnica
exige, igualmente, jornalistas especializados, tele-repórteres e tele -comentaristas.33 Por outro
lado, dadas as suas limitações naturais de alcance, de tempo de emissão destinado às matérias
jornalísticas, de impossibilidade (atual) de gravação da imagem televisada34 e pela relativamente

29 UNESCO — La Télevision dans te monde — Paris, 1954 — pág. 79.
30 Conf. Anuário do Rádio — P.N. — Rio, 1954 — pág. 26.
31 Trata-se de associações para recepção coletiva das emissões de TV, organizadas freqüentemente por iniciativa

da escola em localidades do “hinterland”, mediante a aquisição de um televisor de 1 m. x 1 m. 20, por subscrição
pública, diante da qual se reunem os sócios para assistir os programas duas ou três noites por semana. Em 10
departamentos franceses, funcionavam regularmente, em 1954, cêrca de 180 tele-clubes. Previa-se que, em 1955,
17 milhões de franceses poderiam receber as emissões de TV, caso o desejassem. Sôbre o assunto, inclusive os
resultados completos da experiência referida, v. J. Dumazedier — Televisíón y Educación – UNESCO – Paris, 1956
32 UNESCO — Obra cit. — pág. 23.
33 Quando das primeiras emissões esportivas da TV no Rio, tivemos oportunidade de observar que os

telespectadores não se conformavam com as “descrições” dos locutores, preferindo ver a imagem no écran dos
receptores e escutar a reportagem transmitida pelas estações de rádio.
34 A propósito, publicou o Anuário do Rádio, editado por P. N., Rio, em 1954, o seguinte (pág. 26): TV EM

CONSERVA — O principio básico da televisão em fita magnética é o registro dos impulsos elétricos resultantes da

Com efeito. publicações de negócios. 4 – 5. presidente do Conselho de Diretores da RCA. semanalmente. Êsse artifício baseia-se no fato de as variações de luz. como uma instituição social que. adquirem 12 milhões de exemplares de aproximadamente 10.) obtinham igualmente canais na Capital Federal e em São Paulo.740 diários e. os homens dos nossos dias “têm fome de conhecer o presente. Assim. compram quase 46 milhões de exemplares de cêrca de 1. há concessão federal para a instalação de duas emissoras de TV. As normas de emissão e divisão de canais. etc. quase 38 milhões. Também será de uso generalizado uma câmara de filmagem de TV para tirar filmes que possam ser exibidos no televisor de casa. em dezembro de 1958. . exigências técnicas e providências legais foram estipuladas por decreto governamental em 21 de novembro de 1952. devendo entrar em funcionamento por todo o ano de 1960. As estações nacionais têm alcance num raio de 180 quilômetros. Rádio Roquete Pinto. Pertence ao grupo brasileiro dos “Diários e Rádios Associados” e seus recursos financeiros provêm da publicidade. nos domingos. Os homens de hoje são leitores de jornais.000 ou mais agências dos Correios dos Estados Unidos (para exemplificar com um país apaixonadamente devoto das estatísticas) transita um número espantoso de cartas. ouvem mais de 800 estações de rádio. procuram veículos muito mais especializados e diversificados do que os seus ancestrais. em mais 17. as exibições cinematográficas. catálogos e outras matérias impressas. apenas. Pelo mesmo grupo. em Sumaré. os espectadores. 27) : “Talvez dentro de cinco anos. enquanto que outras sociedades (Rádio Record S. junho de 1957 — pág.” 35 Conf. Diàriamente. situar o jornalismo como atividade essencial à vida das coletividades. freqüentam. Já experimentamos esta técnica e creio que e instrumento utilizado virá a ser aproximadamente do tamanho de um dos atuais televisores domésticos e não mais complicado.”. Vem provocando. panfletos. a várias centenas de milhões exemplares. que possibilitarão a montagem de 290 estações em 186 pontos do território nacional. aos demais veículos jornalísticos. uma salutar evolução na natureza e estilo da imprensa. através mais de 57 milhões de receptores. no discurso com que celebrou o cinqüentenário dos seus estudos no campo da eletrônica (resumo em “Seleções do Reader’s Digest”. Emissoras Unidas. no sentido de dar- lhes maior profundidade e maior conteúdo interpretativo. peças teatrais e outras coisas de interêsse permanente. 1943 – págs.’ Para estar a par das idéias. edição brasileira. CONCEITO DO JORNALISMO Através dessas noções históricas.000 teatros. inaugurada oficialmente a 18 de setembro de 1950. sendo calculados em milhões. Semanalmente. A primeira emissora de televisão brasileira instalada foi a TV Tupi. São Paulo. é o mesmo aplicado à entrada dos receptores de televisão e a pessoa terá um programa completo de TV. isto sim. quisemos.escassa quantidade de emissoras e receptores existentes no mundo. Os leitores norte-americanos “devoram” 6. tal e qual as do som. não tardará muito. Imagino grandes bibliotecas de óperas. anualmente.A. elevando-se a 9 o número de estações em funcionamento no país. Depois. foram montadas posteriormente emissoras de TV no Rio e em Belo Horizonte. Através de 45. que corresponde a 60 tramas e 30 imagens por segundo. do rádio e do cinema. Recife. Rádio Televisão Paulista. que atingem. em convênio com a Comissão Federal de Telecomunicações dos Estados Unidos. poderem ser transformadas em variações de magnetismo na fita. Ambas estão tomando providências preliminares de construção dos seus estúdios e antenas. os telespectadores estejam aptos a gravar programas — figuras e som em prêto e branco e em côres — em uma fita magnética para tornarem a vê-los quando quiserem. O Brasil adotou a “definição” de 525 linhas. hàbilmente gravadas e difundidas.A.000 semanários. a TV não faz desaparecer nem substitui com plena eficiência. eventos e situações correntes. teremos a televisão em conserva. Wolseley & Campbell – Exploring Journalism – New York . assume posição da mais alta relevância. no mundo moderno.500 publicações especializadas periódicas.35 decomposição da imagem em corrente magnética. Em Pernambuco.” E outra não foi a previsão do General David Sarnoff. uma que será explorada pelos “Diários e Rádios Associados” e outra pela “Emprêsa Jornal do Comércio S. com capacidade excedente de 10 milhões de cadeiras. à semelhança da música gravada.

bem entendido. toca-lhe estabelecer e fundamentar ensinamentos. 183. que não pode ser substituído nem sequer momentâneamente por nenhum outro agente cultural nesta tarefa junto à sociedade. Editorialista e comentarista emérito. devidamente interpretados e transmitidos periôdicamente à sociedade. se pretende que o pais a respeite. 39 Octávio de La Saurée – Moraletica Del Periodismo – La Habana. toca-lhe examinar os conflitos e não agravá-los com um juízo apaixonado. utilizando todos os recursos da técnica disponíveis ao seu desenvolvimento. a seguir: Jornalismo é a informação de fatos correntes. costumava repetir aos meus ouvidos de “foca” êsse mestre da imprensa brasileira que é Anibal Fernandes36. ensinar. Em outras palavras. dirigir. que me reçam o interêsse público. amadurecê-las. Toca à imprensa elogiar. o jornalismo “tem por objeto informar e orientar a opinião. Informação. Da nossa parte. Essa multiplicidade das manifestações do jornalismo nossos dias é que torna complexa a sua definição. e que. que fazer jornalismo é informar. porque os fatos. porquanto “informação. devidamente interpretados. — pág. Exercendo-se pela difusão de conhecimentos. a paz e a ordem da comunidade. evidentemente.”38 Assim. a uma definição que nos permitirá desenvolver melhor os nossos estudos. Aposentado em 1955. Chegamos. 1946 – pag. conforme os seus serviços e merecimentos. mas que inclui as características fundamentais do periodismo. os artigos e crônicas da sua lavra são acompanhados com o mais vivo interêsse pelo seu vasto circulo de leitores. outros literários. 1906 — pág 17. com o objetivo de difundir conhecimentos e orientar a opinião pública. 1942. a proteja e honre. exerceu ativamente exerceu ativamente o jornalismo em quase todos os órgãos da imprensa recifense. primeiro. censurar e sancionar as ações públicas dos habitantes de uma região e divulgar a cultura entre a população de um país”. 195. buscando o progresso. a finalidade do jornalismo é a promoção do bem comum. pelo estudo das origens e evolução e pela análise sumária dos elementos característicos e constitutivos do jornalismo. procuramos fixar um conceito simples. uma função educativa. Todo êsse trabalho tem. têm de ser transmitidos periòdicamente não ao indivíduo isolado mas a um conjunto ou à totalidade dos homens que vivem em sociedade. 40 Coni. 37 Rafael Minar — El arte dei periodista — Barcelona. no seu Primeiro Congresso Nacional em Havana40. orientação e direção são atributos essenciais do periodismo.”39 Daí porque a obra jornalística se realiza dia a dia. toca-lhe. torná-las fáceis. no sentido de promover o bem comum. enfim. explicar. 36 Anibal (Gonçalves) Fernandes. jornalista e professor de Língua e Literatura Portuguesa no Colégio Estadual de Pernambuco. Diremos. porque informar sôbre fatos passaS dos é fazer história e o jornalismo. Jornalismo é antes de tudo informação. reformá-las. “é a história que passa”. dono de um estilo ágil e vibrante. então. Iniciando a sua vida profissional na segunda década do século. em 1941. correntes. . visando esclarecer a opinião pública para que sinta e aja com discernimento. Suarée — Obra cit. guiar. submetê-las à censura. 38 José Martini in Vida y Pensamiento de Marti – La Habana. no exercício do cargo de diretor do “Diário de Pernambuco” — de cujo corpo redacional fêz por mais de 30 anos continua entretanto a escrever diàriamente jornais e estações rádio emissoras de Pernambuco. 37 Mas “não é função da imprensa” (compreendida como jornalismo) informar ligeira e frivolamente sôbre os fatos que acontecem ou censurá-los com maior soma de afeto ou adesão. uns objetivos. propor soluções. de fatos atuais. não encaminhá-los com alarde de adesão talvez extemporâneo. alguns positivos e outros puramente retóricos. como o assinala Rafael Mamar. como o consideraram com precisão os jornalistas cubanos reunidos. os fatos correntes expostos pelo jornalismo têm de ser devidamente interpretados. Conhecemos numerosos conceitos de jornalismo.

SEGUNDA PARTE OS CARACTERES DO JORNALISMO Contém: DA ATUALIDADE Jornalismo e História Atualidade e Atualização Atualidade e Permanência Manifestações da Atualidade DA VARIEDADE Variedade e Especialização Jornalismo Geral e Especializado DA INTERPRETAÇÃO Interpretação e Seleção Interpretação e Vocação Extensividade e Intensividad e DA PERIODICIDADE Através da História Nos Tempos Modernos DA POPULARIDADE Extensão da Popularidade Popularidade e Liberdade Condições da Popularidade DA PROMOÇÃO Jornalismo e Sociedade As Campanhas Jornalísticas eo Bem Comum Jornalismo e Direito Jornalismo e Opinião .

através da divulgação de informações e da crítica dos fatos. dêles colher e divulgar ensinamentos. mas estèticamente certo por ser o sentido corrente e popular da expressão. Os caracteres fundamentais do jornalismo. E aí está outro atributo do jornalismo: — interpretação.O. enriquecê-los ou censurá-los. por essência. na opinião pública. sob determinada modalidade. realiza-se praticamente dia a dia. Há quem sustente que jornalismo e história se confundiram. sob pena de não atingir os seus objetivos: a difusão sistemática de conhecimentos e a sistemática orientação da opinião pública. O jornalismo capta. A êsse elemento constitutivo da obra periodística se dá o nome de popularidade. em qualquer parte do universo. . por alguns dias ou por algumas horas. de acontecimentos registrados em qualquer setor da vida social. interpreta e concatena. o jornalismo “recolhe e espalha os acontecimentos vivos e quentes”. a quem compete julgar da sua importância. O jornalismo vive do quotidiano. vive sôbre o momento. mesmo que essa perenidade valha. essa despedida e fixa-a em instantâneos que por sua vez serão esquecidos. Não sendo uma fôrça executiva e nem sequer elaborando leis. do presente. dissemos que jornalismo era a informação de fatos correntes. atua sôbre a consciência do hoje. de 10 de nor. uma disposição para realizar o bem-estar social. Essencial a tôdas as suas manifestações. aquêles atributos que o distinguem das demais manifestações da atividade e do engenho humano. numa espécie de fonte de energia. por exigência da técnica. o que sucede “atualmente” ou o que. que sejam capazes de despertar o interêsse dos homens reunidos em sociedade. inerente a tôdas as suas manifestações autênticas. em qualquer domínio das ciências. a atualidade é o que passa. Ao contrário da História. Todavia. de passagem. essas manifestações se revestem de forma ou estilo simples. o que ocorre sôbre a marcha do tempo. frios e decantados”. entretanto. Rio — cd. enquanto aquela “os escoima. das artes. desligado do passado e do futuro). DA ATUALIDADE A atualidade é a característica dominante do jornalismo. O anterior pertence à História.. os acontecimentos lançam a cada momento. “A densidade dramática do jornalismo está precisamente em captar êsse S. da atualidade em sentido filosôficamente errado (pois em sã filosofia o atual é o eterno e não o temporal. os fatos não são expostos sem um prévio exame por parte do agente do jornalismo. de modo que cheguem ao leitor devidamente interpretados. hora a hora. apénas. Finalmente. os seres. o jornalismo se constitui. Daí o caráter de promoção. 41 Tristão de Ataide — O jornalismo como gênero literário in Diario de Notícias. da natureza e do espírito. do efêmero.. que impele a sociedade à ação. que lhe é exigida pela comunidade a quese destina. 21.”41 Jornalismo e História — “A atualidade é o presente. estas obedecem sempre a uma periodicidade regular. faz o retrato instantâneo do minuto. o momento presente. o jornalismo pretende criar. 1957.S. tendo em vista que o jornalismo não se dirige a um indivíduo isolado e sim à coletividade. a obra jornalística é constante. acessível à com preensão do maior número do todo. estão configurados na definição a que chegamos. que as coisas. e em jornalismo ou na linguagem corrente. 1953 — pág. na proporção em que os fatos se sucedem. o jornalismo amplia os prazos das suas manifestações. observamos que. E neste primeiro enunciado estão duas das características do jornalismo: — a atualidade e a variedade. analisá-los ou sintetizá-los. fundamental e perene. Mesmo quando. informando sõbre o presente e fixando-o para o futuro”42. procurando nêle penetrar a dêle extrair o que há de básico. Além disso. Unicamente dêle. Ademais. não ao Jornalismo que. Com efeito. havendo sucedido. 42 Ismael Herraiz — El Periodismo — Teória y Práctica — Barcelona.

43” Com efeito. semelhante ao que hoje tanto agrada ao público. quando registrava os detalhes da travessia. no entanto. 45 Com Carlos Rizzini — Obra cit. Rio. nem tão remotos para figurarem nos livros. é um homem que diz as coisas que fêz e que viu. o escrivão da Armada de Cabral. notadamente pelo exemplo da carta de Caminha. conjuntura ou ocasião propícia ou favorável para fazer ou dizer alguma coisa”.. “a história que conhecemos menos é geralmente aquela que precede de perto a nossa experiência pessoal. no século XII. dos piratas e aventureiros. das publicações manuscritas. dos seus habitantes. dos parentes e amigos dos marujos do Descobridor. .45”“ Ao contrário dos autores de diários e memórias. como as viu. êsses primitivos jornalistas recolhiam sucessos com o fim de transmiti-los incontinente ao público. das crônicas. sem beneficiar-se das nossas impressões diretas nem dos estudos críticos. iria ser chamado a dividir entre Portugal e Espanha as terras de que Caminha e outros escrivães doutras Armadas deram conta à humanidade de então. constatamos que a atualidade abrange “não tanto o que ocorre no tempo presente. 95. que o jornalismo é que prepara o lastro para a história. 32-33. sem nenhuma dú- vida. Eram. faz-se fonte principal da história. de todos os navegantes que haviam singrado ou pretendiam singrar o grande oceano desconhecido. melhor por vêzes do que seus contemporâneos. mais tarde. tais como Villehardouin. embora ocorridos dias. se desloca à medida que as gerações avançam44”.“enquanto a informação não possuia meios adequados de projetar os fatos presentes. autênticos repórteres. aliás. Preferimos. Mas daqueles que ficam entre uns e outros. Dos que já têm por si a perspectiva do tempo. no seu “Cours de Litterature Française”: “não é historiador. feitos e fatos que. a preocupação dos seus autores era a de captar e divulgar. que não se compõe apenas “dos fatos que sucedem em um determinado lapso. Daí serem antes jornalistas do que outra coisa”— assevera Carlos Rizzini e cita exemplos de cronistas famosos. com sabor de novidade. autor das “Chroniques”. mas também da consciência pública presente nesse tempo. isto é. como a oportunidade. e com ela jamais se confundiu ou confunde. na linguagem mais simples. trabalhando com êsses fatos. como as fêz. Dos acontecimentos de que fomos contemporâneos. pensar com Barbey d’Aurevilly. 44 Alceu Amoroso Lima — O espírito e o mundo. não devemos esquecer Pero Vaz de Caminha. virando cidades sem conta e tratando com duzentos príncipes “para transmitir e ouvir novidades” e até Marco Polo . 1946 — pág. autor da notícia da tomada de Constantinopla pelos cruzados. dos reis conquistadores. ainda se mantinham irrevelados”.. êle já terminou. uma atualidade que permaneceria até que fôsse conhecida de dom Manuel. eram desconhecidos da coletividade a que se destinavam. Sôbre êsses “jornalistas sem jornal”. a primeira e sensacional reportagem redigida em terras do Cruzeiro do Sul. nas páginas dos historiadores. A carta de Caminha estava prenhe de atualidade. limitando- se aos novos. Pairam entre duas águas. fazia Villemain. podemos guardar impressão mais ou menos exata. págs. do Santo Padre o Papa — autoridade máxima do mundo que. não podiam e não pretendiam fazer história. possuimos em regra um conhecimento difuso e superficial.. 31-32. nem tão próximos para os termos na retina. porque “quando ela começa. Essa zona de nebulosidade. vamos tomar conhecimento. cuja carta ao Rei Venturoso foi a primeira obra jornalística escrita no Brasil. págs. dos missionários do século XVI. Não basta que os periódicos contem 43 Conforme Carlos Rizzini— Obra cit. E ao falar dêles. pode-se estender o conceito que. Atualidade e Atualização — Pelo que ficou exposto. da côrte portuguêsa. Na fase da informação epistolar. da sua paisagem. “Os redatores de escritos. Froissart. da descoberta da terra. aos que. a respeito de Villehardouin. cuja narrativa pitoresca e floreada considera como um jornalismo de aventura.Quando o jornalismo se vai estratificando. semana ou meses antes. mas indelével nos seus contornos acentuados. embora velhos de semanas e meses. que registram os acontecimentos para uma eventual consulta da posteridade.

lírico. sobrepondo-se à voragem do tempo. pungente.virá “amanhã”. o jo rnalismo está a cada instante valendo-se do passado. E. pág. o vazio da atualidade. o que não ocorre. por exemplo. 1949. e Ismael Herraiz — Obra cit. “O jornalismo desperta o preconceito do quotidiano. jovem. É êsse um dos matizes da atualidade: a reapresentação de fatos relacionados com a situação presente. 6 48 Antônio Olinto — Obra cit. Não é pelo fato de ter feitio material conservável e guardável que um livro pode aspirar a essa permanência. que tem escapado. nos fatos correntes. a realização de um “clássico” desportivo põe em relêvo “matchs” anteriores de importância idêntica.. Lembra êle que os artigos “não são efêmeros por tratar de assuntos da atualidade. — Jornalismo e literatura — Rio. Atualidade e Permanência — Exatamente êsse aspecto da atualidade jornalística. se combinam para construir o monumento que aí está. o falecimento de uma personalidade. a Réplica e a maior parte do legado magnífico de Rui Barbosa. humano. também é notícia” 46. O que acontece. O registro de uma data histórica. geralmente. vemos o “velho” revestir-se de atualidade. os Sermões do padre Vieira. é que essa transitoriedade s limita à parte material. germe do que sobre . padrão inconfundível do jornalismo oral.10. poderíamos citar como demonstrações insofismáveis da permanência do trabalho jornalístico a reportagem de Euclides da Cunha. a descoberta ou julgamento de um criminoso “revive” o crime praticado e até outros análogos. já que da atualidade foram as Felípicas e as Catilinárias e ainda desafiam os séculos. “O que está nas palavras independe do veículo que o divulg a e pode ser obra de permanência. Aquêle pedaço de papel com fôlhas sôltas. que o efêmero da obra jornalística reside mais na forma do que no fundo. por outro pedaço de papel mais atualizado faz com que todos liguem o que está escrito à matéria que difunde. realmente. 23. O que acontece “hoje” — êsse “falemos de hoje” que impõe como tema de conversação jornalística a atualidade — tem raízes no que sucedeu “ontem” e é. também. é que assegura ao jornalismo um caráter de permanência. O jornal é exatamente uma contínua luta pela fixação da realidade. àqueles que se deixam impressionar pelo fato de basear-se. no dia seguinte.o que ocorre para servir à atualidade. Na mesa de uma redação escreveu Saint Victor os artigos de “Homens e Deuses”.. “É efêmera a forma. Por isso. Artigos de jornal foram as cartas de Junius e os célebres panfletos de Courrier. o que de potência se converte em “ato”. que serve de veículo à notícia. e dêem ao sentido das palavras a vida breve que caracteriza o jornal tomo papel que é rasgado e jogado fora47”. Mas o jornalismo — como adverte Suarée — não é obra de um dia mas do dia. a obra periodística. as Provinciais de Pascal são artigos de polêmica que se publicaram em fôlhas sôltas e que já vão ao caminho de viver trezentos e tantos anos. “Atual” é rigorosamente o que “atua” em nós. por sua vez. Como que num paradoxo. de dias. pois. A mais pura atualidade inspirou a Victor Hugo Les Châtiments e L’Année Terrible. “atualiza” acontecimento que a marcou. é preciso que a transitoriedade do corpo não atinja a desejada solidez do sentido. quando informa. em que o atual e o eterno se confrontam. algumas verdades particulares e permanentes da vida do homem.48” Diríamos. sujeitos a um rápido fenecer. porém. uma tentativa de captar nos acontecimentos quotidianos. que é substituido. Entre nós. 1955 — pág. porém como têrmo ou etapa de um processo lógico. — EI periodismo — Valparaiso. também é atualidade. que concilia o presente com o passado e até com o futuro.. de sempre. não apenas quando se faz doutrinário ou opinativo. 47 Antônio Olinto. do efêmero. isto é. a 46 Horacio Hernandez A. provoca a informação retrospectiva da sua vida e das suas realizações. — pág. . mas. correspondente em Canudos. Mas o ato não se produz espontâneamente. se confundem. consubstanciada nas páginas da magistral obra literária e sociológica em que se constituem Os Sertões. Aí também temos de retroceder ao que a obra tenha de vivo. No caso do jornal. Hipólito Taine a maior parte dos seus Ensaios de Crítica e História e Chateaubriand as suas concepções mais brilhantes”. pág. ainda que se nos oculte a sua lei. 7.

a saber: l°) — informar-se do novo. como elemento que contribui para formar a Opinião Pública. Para uns. salvo algum caso singular. também substituem a cada momento as reproduções. cujo número não se poderia precisar. — pág. que reedifica. 49 José Enrique Rodo — El Mirador de Prospero — Valência — 1919 — pág. e que morre ao cabo de algumas horas de circulação. às coisas e à natureza. 204. algumas das quais só se tornam possíveis graças à ação firme e incansável do jornalista. o despudor e a mentira. quando concilia ou relaciona o presente com acontecimentos passados ou futuros. recebendo sugestões análogas. Mas seja qual fôr a idéia que o leitor faça do jornal. de conceitos injuriosos. como criação do dia. atualizando-os ou prevendo-os. A frase “o jornal disse” equivale ao “estava escrito” dos islamitas. como os espelhos. que forma. busca satisfazer a três necessidades do espírito humano. de uma única pessoa. capazes de impressionar. Daí decorre que o jornalismo. integrado na vida social. despertam o interêsse humano ou a atenção das massas. o limite do jornalismo que. se foge à pias ocorrências novas. aquilo que informa e aquilo que opina são a verdade e o mandamento. para a ação. nas belas letras. a imprensa. na poesia. a todos os domínios da inteligência e da sensibilidade. como esfôrço de uma equipe. e é mediato. no seu espírito fica “um princípio de ação muito débil ou oculto no comêço que. na arte. de uma classe ou de um país. na verdade. 3°) — entreter-se. Daí a extensão do campo jornalístico a todos os quadrantes da atividade humana. que convence. 9. E.” Tomemos o jornal. não são de exclusividade de um determinado setor. 50” Manifestações da Atualidade — Como veículo jornalístico. do quase perdido nos arcanos da memória. do original e. nas realizações da vida social. que se lê apenas para verificar até que ponto chegam a venalidade. é um amontoado de falsidades. atingir instantâneamente a consciência coletiva. a TV e o cinema têm de manter uma perpétua vigilância sôbre a seqüência dos fatos. alertar-se para o futuro. jamais repetindo exatamente as imagens ou estratificando-as como se fôssem placas sensibilizadas de negativos fotográficos. aquêles que. Os fatos em que se baseia a obra jornalística. como veículo principal da moderna obra periodística. o rádio. revestidos de gravidade e dogmatismo. que apaixona. descansar das preocupações no “humour”. enxertado ora no modo de pensar coletivo. se fortalece. quando se ocupa de fatos correntes. ora de uma maneira mais sensível. corre o risco de tornar-se em uma estrutura histórica sem calor e sem ímpeto. isto é. através dêle ou por causa dêle. como obra literária. porém. com o tempo. na ficção. a página que se escreve um dia e que. a todos os seres. — Obra cit. Mas a influência. de opiniões intencionais. envelhece ao surgir outra edição e outro dia. é imediato. acaso de um modo vago e impalpável. a sugestão que ficam dêsses esforços aparentemente perdidos e esquecidos constituem uma ação persistente e eficaz como nenhuma. em qualquer das suas manifestações. em uma palavra. previsíveis ou ainda vivas na memó ria das gentes. adquire consistência e dá sinais de vida exuberante. do imprevisto. do já sabido. 2°) — receber uma mensagem de advertência ou orientação. O jornalismo está jungido à atualidade como Prometeu ao seu rochedo e os acontecimentos que se sucedem são outros tantos abutres a devorar as inextinguíveis entranhas daquele que transmite à humanidade o fogo vitalizante do conhecimento. Para outros. “subsiste.” Cada edição que se lança às ruas. a quase um dogma de fé. o envoltório. a consciência dos povos49. morreu e dissipou-se no dia seguinte. quanto à atualidade. por suas características ou pelo seu conteúdo. debaixo de outras aparências. são espelhos que não podem deixar de reproduzir aquilo que lhes passe frente à polida superfície. . A atualidade é assim. DA VARIEDADE O jornalismo.exterioridade. recordar-se do passado. 50 Horacio Hernandez A. que destrói. de um agrupamento. de boatos alarmantes.

ao mesmo tempo. por Émile de Girardin. só deve trabalhar dentro deles. noutra parte. a busca da perfeição no 51 Tristão de Ataíde — O joalismo como gênero literário ia Diário de Notícias. 44 e 42. Dava-se o mais estranho conúbio entre notícias. 10 — nov. acrescentava: “A história é o relato das coisas ocorridas. “É para isso que o jornalista tem de estar a par das coisas. o comentarista. a facilidade de receber e transmitir informações. Rio.. é que se dá o nome variedade. podem ou mesmo devem trabalhar na solidão. ainda. 53 Horacio Hernandez A. nas tarefas periodísticas. mas a distância geográfica estava ali. informações. a segunda. no século passado — prática que persiste na maior parte das no ssas comunas interioranas — o jornalista era o repórter. bastante faz se consegue não mentir. o tipógrafo. que iam parar.. 1941 — pag. etc. Se o poeta ou o romancista. figura e método que eram desconhecidos até épocas recentes. em mensagens ou em entretenimento. nos tempos modernos. opinasse sôbre tudo e jamais cometesse erros. Logo após a descoberta da imprensa e. Variedade e Especialização — Foi êsse atributo do jornalismo que exigiu. a crescente fome de notícias das comunidades civilizadas. por George Weiil — El Diário — México. sem perda de tempo. pela natureza das circunstâncias. não havia seções pròpriamente ditas. o desenvolvimento das comunicações. — págs. “A imprensa daquela época. levava. o redator.53” Sòmente em 1836. Girardin criou os “mundos” em um só dia !“ Foram. a criação da figura do jornalista especializado. há que o jornalista colhê-los onde quer que se registrem. de temas. uma exigência lânguida. provàvelmente. dando conta aos seus leitores de fatos chegados ao seu conhecimento por viajantes de diligências vindos de alguns pontos mais ou menos longínquos da França e do estrangeiro. estivesse informado de tudo. pois a participação nestes pertuba. porém mais regularmente por cartas ou comunicações. no seu La Presse. o paginador e. o teatrólogo. um ritmo lento. Mais poderoso do que êle. nas oficinas de impressão. verdade. no arredamento dos fatos. porque o jornalismo deve ser a mais completa síntese de tudo quanto interessa e reclama o organismo social. É para isso que êle tem de viver no meio dos acontecimentos. 52” É que Renaudot estava sujeito a precários meios de informação. A técnica tinha avançado muito pouco no século XVI para fazer estas distinções. impressor. em pleno fluxo vital. estar bem informado para poder informar. mas retardado de semanas e postas se era. ed. a divisão do trabalho. de objetivos. a “Gazeta” é unicamente o eco que corre sôbre elas..para transformar êstes fatos em notícias. 29. E. 52 Cit. não raro. de vez que tratava de atender aos seus compromissos oficiais com o poder. com a introdução do jornalismo de informação e da publicidade. avisos ou comentários. tinha assegura a exclusividade. o que fêz um dos seus redatores exclamar: “Que chefe! Deus criou o mundo em 6 dias. — Obra cit. É nadando que me lhor poderá informar sôbre as ondas51. a essa multiplicidade de setores. surgem as seções por temas: “Mundo Militar”. Já no século XVII. por sua vez. ajustar e imprimir estas linhas”. o biografista. que nada tinham em comum. como êle mesmo o definiu. a sua visão mais profunda (e nesse período a impassibilidade e Leconte de l´Isle ou a imparticipação de Flaubert eram perfeitamente justificáveis) o jornalista.” A essa universalidade de aspectos. da crítica da informação apressada e incorreta. “Mundo Teatral”. Não era possível viver ao compasso dos sucessos. ao contrário. o grande antepassado dos atuais. Theophraste Renaudot defendia o seu jornal. No jornal primitivo. como as que podemos agora observar nas colunas dos diários. levantava como urna barreira para ser batida sòmente de longe em longe pelos viajantes. introduzindo. assim. escrevendo: “Surpreender-me-ei muito se os mais severos censores não encontrarem digna de alguma excusa uma obra que tem de fazer-se nas quatro horas que a chegada dos correios me deixa tôdas as semanas para escrever. Exigia-se que entendesse de tudo. . o “periódico dos reis e dos poderosos da terra”. A primeira está obrigada a dizer sempre a. considerado o primeiro hebdomadário francês. alguma vez por um emissário extraordinário. 1957.

haverá milhares e milhares que. então. de propulsão e reação. retirando-lhe a obrigatoriedade de ser enciclopédico. hoje. Menos ainda o é. Jornalismo Geral e Especializado — Considerando que o jornalismo deve ser a mais completa síntese de tudo quanto interessa ou reclama o organismo social. em 1684. um filme-documentário das solenidades no Vaticano. senão. isto é. as litigantes ordens de prisão em casos semelhantes aos seus. abrangendo.” Variedade e especialização. que o jornalismo especializado. 100. a divisão do trabalho nas redações. ela distribui aos seus clientes de Paris um serviço de aproximadamente 70. atende. por isso. atributos contraditórios: antes. do exterior. “fragmentos do jornalismo 57”. que “não é prudente em cada jornalista a presunção de saber tudo e entender de tudo. desejariam encontrá-los em grandes caracteres”58. definindo-o. político ou esportivo não são. evitando-se. mas em que o seu volume é tão grande que se torna impossível ao homem assimilá-las. já apresentavam reportagens filmadas do acontecimento. Para um caso de homem-orquestra. 230. a informação é universal e instantânea. No dia 5. O verdadeiro jornalismo seria exclusivamente o que abrangesse os mais diversos e amplos setores. que se ocupa de temas. Há um teletipo que pode transmitir 600 palavras por minuto.00 palavras por dia. num desabafo contra as exigências dos leitores: “Os capitães querem encontrar todos os dias batalhas. 28. literário. recebe pelo menos. rodado pela “United Presse Movietone”.000 palavras por dia. em todos os continentes. talvez. erros e omissões — que impuseram a especialização do jornalista. um trabalho de seleção55. porém. completam-se para atender às finalidades a que se propõe o jornalismo. todos os setores da vida e do universo. artístico. 1957 — págs.Obra cit. A agência France Presse. “problemas e fatos de interêsse de um círculo mais limitado de pessoas. ig ualmente. com mais profundidade e repercussão no organismo social. 55 Rafael Mainar — Obra cit. mais de uma palavra por segundo. 158. Porque a dificuldade. transportado por um quadrimotor da BOAC. numerosos são os jornais que recebem simultâneamente o serviço de duas ou agências. As noticias chegam de tôda parte sem interrupção. Ora. foi levado de Londres e na mesma noite apresentado aos tele-espectadores norte- americanos. àquela demanda do público já observada pelo criador do jornalismo francês. uma das seis grandes agências mundiais de informação. portanto. em 1631. levantamento de sítios ou cidades tomadas. data da coroação do Papa João XXIII. simultâneamente com as reportagens fotográficas dos jornais. E. a informação of tográfica tende a vir a sê-lo54. 22-23 . os que nada sabem dos mistérios da côrte. de estar em dia com os fatos não reside em que as notícias sejam escassas. há quem considere que as publicações e divulgações de caráter profissional. 58 Clemente Santamarina . atendendo dêsse modo à demanda total do público. de um “faz tudo” que se possa encontrar na profissão. 57 Jacques Raiser — Presse et Opinion in L’Opinion Publique — Paris.jornalismo. Ocorre. “Hoje. as pessoas devotas buscam os nomes dos pregadores e dos confessores de fama. nas manifestações e na obra jornalística. 54 No dia 4 de novembro de 1958. serão o contrário. desde que se dirige a uma elite ou a um determinado grupo com maior capacidade de apreensão e aplicação dos conhecimentos adquiridos pelas informações e pela crítica nêle contidos. Em outras palavras: o jornalismo geral. não são.” Reconheceu-se. — nota à pág. finalmente. facilitando e aperfeiçoando a execução das tarefas e. na medida do possível. em quem tenha de dirigir o trabalho jornalístico. As agências de informação telegráfica enviam cada dia os jornais um considerável número de palavras. encarregar de tudo a todos. 229. graças ao progressos de técnica. Impõe-se. pág.. – págs. na verdade. do qual já dizia Renaudot. científico. Êsse conflito de opiniões sôbre o maior ou menor conteúdo do jornalismo geral e do especializado vem de longe: já o Dicionário da Academia Francesa. Cada qual serve mais e aproveita melhor em um gênero ou em uma matéria determinada e o talento de quem dirige há de estar cabalmente nessa escolha56. 56 George Weill — Obra cít. o surgimento de publicações especializadas e de seleções com o intuito de manter o homem bem informado. portanto. os cinemas das principais cidades do mundo.

. sem um juízo que a valorize e a interprete. seleciona.. 63 Tristão de Ataíde – Ar t. para fixar. do discernimento. 31. em vertiginoso movimento.63” Diante do fato ocorrido. que surgira em 1665. afirmou para um jornalista português um dos diretores do Milwaukee Journal — Lindsey Hoben. varia de intensidade para cada veículo. O elemento julgamento e. sômente o responde. exercício da inteligencia. êsse conflito perdeu o seu significado. a segunda: “chama-se Journal des Savants a um escrito que se publica toda semana. apenas como tema de elocubrações e pesquisas de estudiosos. Dêsse modo. o que se pensou e o que se poderá pensar. destinado a dirigir a vida intelectual. faria do jornalismo uma algaravia sem ordem nem consêrto e deixaria ao leitor a pesada carga de buscar os “porquês” e “para quês” do que acontece. depois. Mais do que saber o que se passa.distinguia na palavra “jornal” duas acepções. com tôdas as sombras e falsidades da fotografia. que consiste no ato de submeter os dados recolhidos a uma seleção crítica. igualmente. o jornalista terá de examinar a sua importância e caráter. sua essência que o artista (jornalista) identifica. sob os auspícios de Colbert. seu ponto alto. da análise é que entra em jogo. portanto. Bartolomé Mostaza in El Periodismo – Barcelona. que por si mesmas nada dizem a quem ignora suas causas e conseqüências. por exemplo. resulta. . num conceito extensivo a qualquer veículo periodístico. amigo das ciências. nem sempre constitui um relato puro e simples. apenas. as repercussões da sua divulgação e. o comentário escrito por profissional experiente e acostumado a calcular o rumo provável. o qual “amante dos livros e dos objetos de arte. necessário uma escolha de notícias. sôbre ser característica do jornalismo. 17 61 Conf. A primeira “a relação do que passa dia por dia no Parlamento ou em uma circunstância dada”. 62 Antonio Olinto – Obra cit. com a fixação científica dos caracteres do jornalismo. mas também o que entendemos que não deve deixar de ler”. mas se reveste. Mas responder a essa interrogação. diz que nêle se narra “o que sucedeu. quando. Cit. tudo passa em rapidíssimo. pela objetiva. importa a Adão e Eva saber para onde vai o mundo.60” Ora. 59 George Weill – Obra cit. servindo. o simples fato de destacá-lo e publicá-lo expressa o resultado de uma interpretação. porque o homem não consegue acompanhar o ritmo acelerado do mecanismo da transmissão de notícias e o tempo que lhe sobra. referindo-se ao jornal. De 27-10-57.1953. Referia-se à imprensa literária. e que contém extrato dos livros novos que se imprimem e o que ocorre de mais memorável na república das letras”. Se na televisão. dia a dia. 28 60 Rafael Mainar – Obra cit. é a impressão fotográfica da vida. em palavras 62”. “Não damos ao público apenas o que êle quer. Rafael Mamar. o agente tem de ser conciso e superficial. Torna-se. assim. In Diário de Notícias. – nota á pág. o que poderá suceder e até o que não sucedeu. “O que domina no jornalismo é o juízo a formar sôbre a pessoa ou a obra alheias. decidiu a publicação de um compêndio regular. numa aborrecida tarefa. os que são realmente significativos. que acabamos de estudar. o que se pensou e o que não se pensou. Ésse requisito do jornalismo decorre da variedade de temas. por outro lado. – pág. Quantos leitores estão capacitados para êsse trabalho valorizador? Ler por ler notícias. Rio – ed. se o jornalismo abrange o que ocorreu e o que poderá ocorrer. o que vale dizer uma interpretação. transmitindo ao público. defensor da razão contra os magistrados que ainda queimavam feiticeiros. – pág. a interpretação. um julgamento dos fatos por parte do jornalista. Ao nosso ver. do mesmo modo que (através de La Gazette) se dirigia à vida política do país 59”. no jornal precisa de desenvolver e pôr a trabalhar o seu senso crítico. se informa sôbre êle. cada quinze dias ou cada mês. do aspecto de uma exposição interpretada. O suceder tem sua acentuação tônica. “A mera informação. o interêsse que despertará. para a leitura é mais ou menos o mesmo de antigamente.61” Porque a verdade está em que “um fato particular pode em si conter a fôrça de uma série de acontecimentos. hoje.

” A consagração do princípio da interpretação como básico do jornalismo está no lema de um dos mais autorizados e completos jornais do mundo: o New York Times que. . (Tôdas as notícias próprias para publicar). Assim. Pois bem. — que. — pág. na maioria dos casos. ja se comparou à do caricaturista que logra a síntese com uns poucos traços que têm a virtude de refletir um rosto — se bem que exija um lastro cultural e ético. “exigindo o desenvolvimento de um critério especial. Essa aptidão de “tirar o essencial do acidental. como uma excepcional aptidão para apreender o centro de interêsse.000 palavras. honestidade e imparcialidade. para interessar ao leitor. ainda universitário. reclama sobretudo vocação para o ofício. requerendo não sòmente bom senso. cêrca de 100 correspondentes e de sucursais em todos os Estados norte- americanos. Interpretação e Seleção — Diàriamente. Durante longos minutos. não pode esclarecer complicadas situações ou pôr em evidência o alcance de importantes medidas. — pág. sociologia e discursos parlamentares. quando se ocupa de um crime. professor da Universidade do Recife. no cumprimento dêsse lema. Tal como acontece com o clínico que. E. riograndense do norte. o ponto nevrálgico. permaneceu de caneta em 64 Clemente Santamarina — Obra cit. o núcleo do fato ou da matéria que se há de utilizar no trabalho. ao atual. dêsse vultoso acervo de notícias. do Recife. diagnostica o mal do paciente às vêzes pelo simples olhar e. situá-los no conjunto dos problemas e prever--lhes as conseqüências possíveis65. assinando dois artigos diários. recebe. de um juízo jornalístico que se resume em submeter o interêsse particular e transitório para obter a universalidade e considerar. ao ingressar na redação do “Jornal do Comércio”. vindas de todos os pontos do globo. visa sempre apontar-lhe o significado para prevenir as conseqüências. sob o título. Interpretação e Vocação — A interpretação jornalística difere substancialmente da histórica ou da filosófica porque está jungida ao presente. 22. quer como repórter quer como redator. os fatos em si quase nunca são diretamente inteligíveis para o grande público. que se especializou na interpretação das notícias e. jornalista e escritor de pura estirpe. Ë que “na crescente complexidade da vida moderna. o fogo que lhes empresta calor para excitar ou. o espírito que as vivifica. servindo o restante tão sômente para manter os jornalistas bem informados e habilitados à interpretação dos acontecimentos. crítica. em lugar de um relato puro e simples dos acontecimentos do dia. É redator-chefe da “Folha da Manha” e redator principal do “Jornal do Comércio”. É à imprensa que compete a tarefa de interpretar os acontecimentos. pois a média do texto quotidiano é de 145. Também nos Estados Unidos circula um jornal diário. nada menos de um milhão de palavras de informações. da parte do agente. 23. através de 19 agências nacionais e estrangeiras. Em acertar na interpretação do tema consiste o toque principal do jornalismo. Selecioná-las. o permanente do corrente”. membro da Academia Pernambucana de Letras. Mass. faz figurar a epígrafe: “All the news that’s fit to print”. temos em mãos um montão de ocorrências que se poderão transformar em matéria jornalística. A própria imagem. quando menos. ao positivo. Nilo Pereira66 conta que. Tem publicado diversos estudos de história. 66 Nilo Pereira. mediante a prática. 65 Clemente Santamarina — Obra cit. com todo o seu inegável poder informativo. a luz que as ilumina. e se vai desenvolvendo pela experiência. de Boston. com cinco edições diárias destinadas às várias regiões do país e ao estrangeiro. nos fatos.. objetiva concorrer para a sua repressão e se descreve um acidente busca despertar o interêsse público para medidas que assegurem a sua não repetição. mediante um exame sumário. talvez nem um décimo seja diàriamente transmitido ao leitor. que é um dos de mais pêso na formação da opinião pública nacional — o Christian Science Monitor. na cobertura do nosso setor de trabalho. comentá-las. foi-lhe determinado pelo secretário da redação que escrevesse um comentário sôbre as deficiências da pavimentação do Recife. diàriamente. lançá-las ao público com maior ou menor relêvo — são “funções básicas e gerais para tôdas as múltiplas variedades do trabalho jornalístico e constituem a condição imprescindível de tôdas elas. o seu valor permanente64.

a ponto de descrer consigo mesmo da sua capacidade para a profissão em que. Somerset Maugham — “Assunto pessoal” — Pôrto Alegre. sob o impacto dos acontecimentos e. não pude deixar de admirar a habilidade com que êle apanhara os pontos mais salientes. Para mim. Necessitava liberdade.. não pôde acomodar-se ao trabalho jornalístico Rubem Dano — disse um contemporâneo seu — levava na imprensa uma vida difícil. Em todo o mundo. O jornalista comenta-a. feito com o ôlho no relógio e o pensamento nas dimensões de que se dispõe. mais tarde. os artigos escritos por um correspondente que fizera mais ou menos os mesmos giros que eu e. riscando. Enquanto isso. Embaraçam-me os fatos que tenho entre as mãos e pre ciso de tempo para refletir e pô- los em ordem. 99. 70” É o jornalismo do jornal. Quanto a mim. O autêntico jornalista informa para formar. Já o jornalismo intensivo é exercido à base da reflexão: os seus assuntos e as suas matérias são escolhidas. como nos ensina Tristão de Ataíde. retificadas e analisadas. As frases ajustam-se a um tamanho. — Diário de Notícias. 3. essa espécie de literatura é mais difícil do que a ficção. mais ainda do que em suas raízes. mas. com extraordinária desenvoltura. O pequeno jornalista ou noticiarista leva a notícia ao próximo. Sem afastar-se dos 67 Citações de Horácio Hernandez A. mordendo o lápis. um velho repórter de polícia enchia laudas e laudas. os cultores dêsse tipo de literatura lançam palavras sôbre o papel com a preocupação do tempo que passa e do espaço que é limitado. da televisão. por isso mesmo. 69” Extensividade e Intensividade — Do ponto de vista da interpretação. A nota não saia. produzido sob os efeitos do “choque”. tarefas de correspondente. O outro prossegue na finalidade informativa. defronte da sua mesa. Era triste dar-lhe uma ordem: Rubem faça você esta nota. O jornalista medíocre informa por informar. leva a notícia acrescida da sua apreciação.1959 — pág. algumas informações jornalísticas.68” Essa dificuldade dos escritores. “se desdobra em informação. Incompreensíveis dificuldades! Um deus da pena se mostrava incapaz de redigir o suelto mais simples. dos cientistas em praticar o jornalismo decorre. por vêzes. à base apenas do senso divinatório do profissional e. quando há predominância da informação. No seu livro “Assunto Pessoal”. cit. Havia lido. O grande jornalista informa e forma. a cada instante. Seu engenho não enquadrava no regime. isto é. o pensamento é obrigado a trabalhar depressa. declara: “não tenho o dom do jornalista para fornecer matéria às linotipos logo após adquirir os elementos de uma reportagem. que vai além da finalidade puramente informativa. produzindo uma coluna incisiva e de leitura agradável. desempenhando. É a grande finalidade moral e social do jornalista. — Obra cit. da notícia. “Pressão do tempo e pressão do espaço.punho. Cria e orienta a opinião pública. uma arte social por excelência. 10-11-57. “como tradução intensiva do acontecimento para comunicação ao outro” não se destina puramente a dar-lhe notícias. o jornalismo pode ser extensivo. de certo modo. — pág. 69 Tristão de Ataíde — Art. E nisso representa um papel na coletividade e faz do jornalismo. Um pára na finalidade informativa. substituindo uma palavra aqui e outra ali. 68 W. E particularmente da Opinião Pública. a sensibilizar-lhe o espírito. 67“Somerset Maugham teve a seu cargo. . Rubem Dano. — pág. durante a sua permanência no Chile. o que lhe causava a mais profunda admiração. num jornal inglês. sem preocupação de análise. essencialmente. a instruí-lo sôbre determinado ramo da ciência ou da doutrina. exatamente. na última guerra. do rádio. 20. em formação do público. da circunstância de que a informação. as informações devem ser o mais possível completas. embora os achasse superficiais e por vêzes inexatos. Rio — Ed.. aquêle confrade não poderia jamais com êle competir. atingido e influenciado pelas emoções do momento. O jornalismo extensivo é. rascunhando. dos poetas. redigindo a nota com a maior das dificuldades. poder voar livremente. visto que. iria lograr tantos e tão merecidos louros. ao referir-se a esta aventura. Ali se encontrava um homem amarrado. êsses artiguinhos triviais me faziam suar sangue. intelectualmente. aquêle já é chamado “literatura sob pressão”. 70 Antonio Olinto — Obra cit.

a breves intervalos. DA PERIODICIDADE Dentre as características do jornalismo. “Nas idades findas. proclamava os nomes dos eleitos. a informação não atingiria as suas finalidades sociais. No jornalismo intensivo. 315. Através da História — Os mais antigos documentos ou notícias da evolução do jornalismo são concordes em assinalar a freqüência mais ou menos regular das suas manifestações. o que s busca é aquilo que E. nos jogos olímpicos. proclamando os nomes dos vencedores. pois diz respeito aos intervalos em que se registram as suas manifestações. das revistas. Etimològicamente. verificada uma eleição. anunciava os nomes das partes em litígio e proclamava as sentenças. — pág. pelos críticos. Já Macróbio refere. como atributo jornalístico exprime a constância com que os fatos correntes. pelos observadores. a periodicidade é a menos subjetiva. Vemos o primeiro. sem êsse divulgar sistemático. Ao abrir os comícios. 42-44. devidamente interpretados. convocando as assembléias e nos locais de venda anunciando os preços e as condições. também. Numa palavra — tornava público tudo o que ao público era preciso e conveniente fazer. o elemento de estrutura do acontecimento. nas ruas das cidades. as mesmas funções. nêles busca aspectos que. o papel do pregoeiro. todos os atos importantes. Antigamente. . decorrente mesmo das funções ou dos setores explorados. dos “digests” cinematográficos. fotógrafos e cinegrafistas de atualidades. são levados ao conhecimento público. todos êsses atos. a mais formal. a modalidade de jornalismo das publicações especializadas. Mounier in Problèmes et techniques de la Presse. tempos depois. ao princípio. Mounier chamou de “atualidade em profundidade71”. Essa. mais do que pelos repórteres e correspondentes. que não poderiam ser adiadas indeterminadamente. embora de ordem subalterna. pelos comentaristas. estendeu-se a outros objetos. tôdas as deliberações coletivas não se verificavam em locais fechados. Muitos eram os seus pontos de contato com o nosso aguazil: chamava à justiça o demandante. convocava as centúrias com os seus pregões e. Servia.1904 – Págs. no capítulo XVI do Livro das “Saturnais”. para o exercício das suas funções. Mas não foi isso julgado suficiente e necessitou-se do auxílio do pregoeiro. a palavra periodicidade (do latim “periodicus” e do grego “periodikos”) significa o ato de guardar períodos. praticado pelos editorialistas. Também o pregoeiro intervinha nos enterros dizendo de quem eram e onde se realizavam para conhecimento das pessoas que quisessem ou devessem assisti-los. Se bem que a atividade jornalística seja eminentemente interpretativa. pois se o 71 E. o maior ou menor grau de profundeza dessa apreciação dos fatos. mas.72” Ora. de auxiliar importante nos atos políticos. por não serem tão fàcilmente registráveis.fatos correntes. cerimônias e ocorrências verificavam-se periôdicamente. servindo de arauto. cit. que era o pregoeiro o encarregado de anunciar as festividades do culto para evitar que os cidadãos romanos deixassem de cumprir os preceitos determinados pelo ritual de Numa Pompílio. exigindo que os pregoeiros — repórteres das primeiras fases do jornalismo oral — estivessem a postos. O praeco dos romanos tinha um caráter mais exclusivo de funcionário judicial. A isto devia-se limitar. com pequenas diferenças. Sem essa constância. o que se procura estabelecer é o problema criado pelo fato. O céryse entre os gregos e o praeco entre os romanos tinham. é que caracteriza a extensividade ou intensividade do jornalismo exercido. Em alguns autores encontramos que o preogeiro indicava também os objetos perdidos ou achados. entre Os exércitos. sendo a praça pública o lugar destinado a tais atos e sendo aí que os cidadãos congregados tinham conhecimento direto de tôdas as questões de maior transcendência. 72 Alfredo Bessa – O jornalismo – Lisboa. o comércio indispensável de idéias e interêsses estabelecia- se com monótona uniformidade por meio do pregoeiro. nem por isso se devem considerar menos importantes.

Na Biblioteca Universitária de Heidelberg. 73” Gui Patin — registremos de passagem — é um exemplo completo do repórter epistolar. Conquanto das muitas epístolas escritas em vinte anos por Saint Simon ao cardeal Gualtério apenas quatorze hajam sido identificadas. a meu ver indesculpável se não tiverdes fortes razões. O que levou Carlos Rizzini a assinalar que “as cartas particulares dos séculos XVI.fôssem perderiam a atualidade e não atenderiam. 47 e 42. a determinante do periodismo. do que a maioria das fôlhas de hoje e deixam a perder de vista as primeiras gazetas impressas sob a égide dos governos e por isso votadas ao noticiário deformado e gratulatório. conseqüentemente.” E frisa concludentemente: “o que a informação precisava para atingir o seu fim não era ser escrita desta ou daquela maneira. em plena Fronda — não me tiraram o repouso como o tem feito a ausência as vossas cartas. Guy Patin. como podemos observar desta curta citação. – pág. os impressores de Estrasburgo e Basiléia tinham procurado introduzir nas suas folhas volantes. depois. – pág. ao tempo do que poderemos chamar “jornalismo estático”. detalhista e solícito nas suas epístolas. assim deparasse no prelo a multiplicação que o transformaria de amável entretenimento mundano.. os epistológrafos — repórteres incomparáveis do jornalismo manuscrito — passaram a fazer da periodicidade uma indeclinável obrigação. correspondente a um ano 73 Carlos Rizzini – Obra Cit. numerando-as e distribuindo-as em datas determinadas. permitiu a introdução da regularidade nas comunicações entre os homens. 47. Por Rizzini – Obra Cit. o assédio de Paris e as ameaças dos partidaristas. aprisionado nas cartas particulares. com a “Acta Diurna”. desde a segunda metade do século XVI. transmitia tantas e tão oportunas informações. corrosivo e sutil. quando. ainda que bastante distanciadas. a guerra do príncipe de Condé. No século XVI. guarda-se a coleção completa. depois. não apenas o desenrolar das novidades mas a mesma periodicidade que. no sentido informativo. Aparente absurdo.75” André Ravry também salienta que a organização dos correios “implicou numa regularidade que ainda mais assemelha as cartas às gazetas: partindo malas em geral cada oito dias.. de Vendôme ali instala. 76 Cit. em dois trechos. a cólera da Rainha. 47. passaram naturalmente as cartas a constituir a crônica da semana. Embora sem assunto. não atinara com a tipografia e nem suspeitava se desmedisse o seu destino. às suas finalidades sociais. o mesmo autor. mas ser regularmente transmitida do redator ao leitor. 75 Carlos Rizzini – Obra Cit. 48. não tolerava a impontualidade dos amigos (e a um dêles escrevia) : “jamais a tirania de Mazarino. com muita propriedade. na Roma dos Senadores e. constatou-se a sua seqüência hebdomadária. “Eis a renda semanal que vos devo ’— escrevia Chapelain ao marquês de Montausier. quando a organização da posta. e até o mêdo de morrer de fome durante o cêrco — exagerava o implacável inimigo de Ranaudot. quando as notícias eram afixadas em táboas. e não a tipografia. quase simultânea em diversas partes da Europa. 76” Os correspondentes epistolares exigiam entre si.74” Observa. dos Césares. – pág. Villegagnon não deixava de corresponder-se da Hungria com o cardeal de Lorraine “pour ne pas feillir à ma coutume de vous ecryre toutes les septmaines”. Tanto êsse elemento era compreendido como essencial que. Da comparação das datas verifica-se terem sido os Correios. apenas. . que do primeiro livro — a “Bíblia de 42 linhas” (1456) — à primeira gazeta impressa — o Nieuwe Tijdinghen (1605) — transcorreram 150 anos e que “ia já o mundo pelo século XVII — e o jornalismo. 74 Carlos Rizzini – Obra Cit. mais adiante. – pág. XVII e XVIII possuiam maior conteúdo jornalístico. o tempo se impôs primeiro com os “Anais” dos pontífices e. mas é preciso que sejam muito fortes e mesmo mais fortes do que o exército que Mazarino destina a tomar Bellegarde e do que o canhão que M. em tremenda fôrça renovadora a serviço do erguimento dos povos. explicável pela clandestinidade a que a perseguição dos governos condenou os primórdios do jornalismo e pelo elevado preço dos trabalhos tipográficos.

O repórter é precisamente a pessoa dedicada com exclusividade a êste mister. Êste afã de saber no momento exato generalizou-se profundamente na consciência coletiva. como expressão máxima do jornalismo. faltar a ela equivale a entregar-se atado de pés e mãos ao concorrente. que não cansa. atraente. em conseqüência. em Estrasburgo. E. pois. Os come ntários e notícias radiofônicos obedecem a horários pré-estabelecidos e aquelas audições. Desde a hora da missa dominical. normalmente. “A hora da edição é sagrada.. quando as suas câmaras pré- dispostas não focalizam diretamente o acontecimento. cujos horários de audição são. tôda a atividade individual. Não foi sômente a consciência do jornalista que se sentiu afetada pela periodicidade. Para que: a) — o leitor seja servido no tempo convencionado. Igual observância de intervalos regulares têm os noticiários cinematográficos.. mas que. contendo atualíssimo documentário das ocorrências mais notáveis.. ao contrário. ao rival. surge. b) — não se perca o correio..78” O jornal. máxima propaganda do diário. d) — não se converta o jornal em um artigo de aparição anárquica. a importância da periodicidade cresceu sobremodo nos últimos dois séculos.— nem o tele -jornalismo deixou à margem a periodicidade e os tele -espectadores já se acostumaram a ouvir e ver. os expressos dos domingos e mais os “semanários”. até o programa dos espetáculos. o cinema e a televisão. têm de aplicar os seus sentidos a outros labores profissionais. provocadas por acontecimentos extemporâneos.inteiro. reclamavam uns dos outros qualquer retardamento na troca de cartas. olhos e ouvidos daquelas pessoas que. desde o seu título à menos importante das suas notícias.. Exemplo frisante da rigorosa periodicidade no rádio-jornalismo é o internacionalmente divulgado “Reporter Esso”. de todos conhecidos e cujas notícias breves e incisivas têm intensa repercussão em tôdas as camadas sociais. não sômente no seu país de origem como em tôdas as partes do mundo. Assim temos às centenas os diários da manhã. é sempre bem recebido.“ (É que) a investigação das notícias interessantes ocuparia. — pág. em determinadas oportunidades. as folhas da tarde. “Quando a curiosidade das gentes por um sucesso encontra dificuldades. tanto pela multiplicação dos jornais como pelo surgimento e expansão dos demais veículos: o rádio. dado que a sua técnica é mais complexa. como recurso final. 207-208. que permita a caça ou a excursão. em nome e em benefício dos demais. 33. O jornalismo industrial impôs a concorrência e desta nasceu a “tirania do relógio” e dos competidores. Pobre do 77 Octávio de Ia Suarée — Obra cit. sequiosos de informações... entre nós. é esperado com impaciência muitos dias. tôdas as necessidades sérias ou alegres da vida humana sugerem uma pergunta diária ao diário visitante. a frase muito expressiva na caracterização do labor do repórter: “Amanhã o leremos no jornal. tendo de socorrer-se do çinema e da fotografia. Se êste amigo chega em tempo oportuno. o que vem demonstrar que a periodicidade surgia como um atributo cada vez mais rigoroso desde que se aperfeiçoavam os métodos de produção e se tornavam mais rápidas as comunicações. em 1609. tornou-se “um amigo que entra diàriamente na casa do leitor. os fatos que constituem notícias. são anunciadas como “extraordinárias”. os “anais”.” editado pelo impressor Juan Carolus. Nos Tempos Modernos — Todavia.. se bem que com maiores dificuldades. lançados geralmente tôdas as semanas por diferentes produtoras. 78 lsmael Herraiz — Obra cit... etc. Todo periódico se faz sob a tensão do rendimento completo na hora exata. e menos considerado cada vez que não chega ou se retarda. do semanário “Relation aller Fürnemmen. caso pudesse ser feita particularmente. e) — não se interrompa o costume do pregão dos vendedores. guardam rigorosamente os períodos das suas aparições.77” De tal sorte entrou a periodicidade na consciência jornalístico universal que passou a servir de epígrafe a numerosos órgão s de publicidade em todo o mundo. os “mensários” — Os quais. Vimos como ainda na época do jornalismo epistolar os correspondentes. cheio de conteúdo. — págs. . será o amigo gratíssimo que não entedia. É. o repórter “olhos e ouvidos do jornal” e.

de natureza a mais diversa (variedade).. que não mais exprime apenas longos prazos entre as suas manifestações. A despeito das suas múltiplas edições. O jornalismo diário será. Publicam. nos Estados Unidos. contendo geralmente todos ou alguns dos atributos do jornalismo — ocupando-se dos fatos correntes (atualidade). sobremodo. que as exigências do público. mais. O jornalismo periódico será. dos mais vivos. Pa. mas períodos variáveis. orientando-os. 1953 págs. os profundos vínculos existentes entre periodicidade e jornalismo. aquêle ordinàriamente exercido a horas certas e em um dia: as edições normais dos matutinos ou vespertinos80. Ky. E. cedeu lugar ao jornalismo periódico. mas que não as designam como matutinas ou vespertinas. etc. Basta citar o caso de “L’Action Française”. Mass. por seu turno. Cinco dêsses jornais aparecem em três edições diàriamente: a primeira cerca da meia noite. de Greensburg. “Messenger and Inquirer”. os assinantes recebem sòmente uma cópia: geralmente a edição impressa à tarde. cuja periodicidade ou é arbitrária. um dos que possuía clientela mais fiel ?“ Essa constatação e essa indagação resumem. melhor redigidos. uma edição no horário da manha e uma à tarde. sem nenhuma dúvida. nas revistas e magazines. e o “Times News”... calculada.30) e à tarde (2. então. nos jornais cinematográficos. por muitas decadas significou o máximo de presteza na divulgação de notícias. de modo completo. Ka. encurtaram. o qual jamais ultrapassou uma tiragem relativamente modesta — 40. de esperá-lo depois. no entanto.) Union Leader’. nos telefônicos e. Há a considerar. Assim. de Johnstown. “News Herald”. no desenvolvimento das suas atividades — as cartas foram. oferece algumas características dêsse tipo de jornais: 1. “Manchester (N. O “Times News” dá duas edições: pela manhã (1. como manifestação periodística. Ida. ou é marcada por prazo superior ao das vinte e quatro horas que constituem o dia. dia a dia mais interessado pelo conhecimento das ocorrênci4s que se desenrolam não sômente no seu próprio “habitat” como nos mais longínquos rincões do mundo. nos luminosos. durante séculos. não era um dos. 2. 328-329. vocábulos etimològicamente tão divergentes como jornalismo e periodismo. portanto. materiais. oferecido cada vinte e quatro horas. a seguinte próximo ao meio dia e a última pelas dezoito horas. . Em tôdas as edições são usados os mesmos estilo. um dos jornais políticos mais importantes no período entre as duas guerras. de Hutchinson. a saber: “Tribune Rewiew”. Victor J. de TWIN FalIs.. desde aquêles de horas até os de semanas. surgiram os chamados jornais do “dia inteiro” (“all day”). As cartas.. os prazos em que os veículos jornalísticos devem surgir tom o seu rosário de informações e comentários. Pouco a pouco deixarão de atendê-lo primeiro. de Owensboro. freqüentemente. focalizado o papel saliente que o epistolário ocupou. aquêle desenvolvido em edições e horários extraordinários.visitante que decepciona habitualmente a todos. dos mais bem feitos da imprensa política francesa. 3. sôbre o espaço da edição da manhã. as emissões de rádio e televisão nos seus programas ordinários. vínculos tão íntimos e indissolúveis que tornaram sinônimos. o jornalismo diário. que. diários que publicam edições tanto pela manhã como á tarde.46). Pa. DA POPULARIDADE Temos. nos mensários e anuários.H.000 exemplares — em razão do retardamento registrado na sua saída. mudando apenas as “manchettes” e notícias de última hora. apreciados e comentados (interpretação) e regularmente enviadas (periodicidade) a amigos ou grupos de amigos com o objetivo de pô-los ao corrente das novidades. Seis jornais dêsse tipo foram registrados. uma forma jornalística perfeita para as épocas em que os meios de 79Francisco de Luis y Diaz in El Periodismo — Barcelona. 4. Danilov.em estudo publicado no Nieman Reports de Boston. pelo “Audit Bureau of Circulation”. janeiro de 1958 — pág. ao sabor dos acontecimentos. entretanto. editoriais.A publicidade é vendida em uma base global.”“Um jornal que não aparece à hora costumeira — escreve Gilbert Henry- Coston — perde os leitores e assinantes. ainda. no mínimo.. “Tribune Democrat”. meses e anos. 11. na linguagem universal. 80 Recentemente. e logo lhe buscarão um substituto e discutirão com outros as vantagens de trocar de amigo79.

com o Renascimento e a idade das grandes descobertas. “Não é pois de estranhar que as comunicações sôbre o descobrimento da América. a ponto de ainda hoje perdurar a denominação de “Correio” para numerosos órgãos da imprensa. foram-se ampliando em número e graus de educação. às news letters inglêsas do século XIII ou aos Ordinari Zeitungen dos mercadores alemães terem sido. as novidades colhidas diretamente na Cidade Eterna ou ali chegadas através de gazetas e cartas particulares. tenham sido traduzidas e reproduzidas pelos prelos em todos os países civilizados. uma carta. Quando o português Cabral chegou às costas brasileiras e tomou posse solene daquêle território para o seu rei. iam-se sucedendo. graças à fartura de papel e à normalidade da posta. depois. com trabalhos dedicados ao território que acabava de descobrir-se. deixaram-se morrer alegremente. em 1494. advertindo a todos os cristãos dos perigos e ameaças que constituia o domínio turco sôbre Constantinopla e exortando-os a levantar-se para expulsá-lo da Europa — divulgavam notícias de interêsse geral. . atravessou do “diletantismo ao profissionalismo para encarreirar-se no seu próprio e 81 O Weise — La Escritura y el libro — Barcelona. Como ninguém recusará ao jornalismo manuscrito. aos avvisi venezianos. a quem já nos referimos como jornalista-locutor nos seus “Sermões” e agora lembramos como jornalista-redator que. como a expressar não sômente a instituição que permitiu a distribuição de exemplares como também a forma epistolar a princípio adotada — iria impor paradoxalmente a morte do jornalismo manuscrito. veículos. espalhava em cartas a alguns amigos. Vale observar aqui que as volantes. nos excessos da fascinante perversão com que as sociedades de origem feudal.pág. sequiosas de informações. Além de fácil e pronta. desde 1455. . 82 Carlos Rizzini — Obra cit. a imprensa alemã se apressou em divulgar o fato. escapava a qualquer censura. dirigidas por Colombo ao tesoureiro real da Espanha.” 82 Nos dois séculos seguintes. ao mesmo tempo em que fixar a poderosa influência que a Boa Nova. mediante cuja leitura estaremos capacitados a ressuscitar uma das mais decisivas épocas da história da humanidade. a Roma a trato de negócios. resolvendo a triste alternativa de sumir-se ou adaptar-se. entre risos e chusfas. “A correspondência ainda satisfazia no seiscentismo a ânsia de contar novidades. Às gerações analfabetas e ignorantes da Idade Média.81 Extensão da Popularidade — A expansão dos serviços postais. antes e mesmo muito depois do surgimento da arte de imprimir. dom Rodrigo de Menezes e Duarte Ribeiro de Macêdo. entre os quais o marquês de Gouveia. os limites dos círculos fechados de leitores foram rompidos: a gazeta manuscrita e. Ninguém poderá negar o conteúdo jornalístico das epístolas de São Paulo. grupos de pessoas ou comunidades restritas a que eram dirigidas as cartas. outras com instrução primária ou elementar. raro e morosamente. como ficou dito. 86. de comentá-lo extensamente. a que se encarregou. as normas de vida nelas indicadas exerceram para o processamento da revolução social do Cristianismo. quando o saber se homisiara nos conventos e monastérios. a composta em letra de fôrma e já rebelde aos contrôles e à censura. dirigidos a grupos e comunidades.. da informação e da orientação. quando Gutenberg fêz publicar. Ou recusar os méritos do trabalho do padre Antônio Vieira. compreendia quatro fôlhas em formato quarto e o exemplar a que nos referimos leva o nome de Copia der Newen Zeytung auss Presilg Landt (Brasil) e se conserva atualmente na Biblioteca de Munich. prestigiada pelas rodas aristocráticas e palacianas em que se cruzava. Este periódico foi impresso por Erhard Oeglin em Augsburgo. 1935 — pág. É que aquelas pessoas. em Mogúncia. indo. influentes e letradas rodas. embora ronceiros e limitados.transporte e comunicação entre os homens se faziam difícil. as doutrinas. sendo a primeira fôlha volante que.. a cujo estabelecimento tanto deveu o jornalismo para a sua evolução. 47. se conheceu com a denominação de Zeitung. os conceitos. únicas então engrenadas na vida pública. não para impelí-la adiante. de indulgência do Papa Nicolau V. mas para abismá-la.

a que se dedica à preparação de panfletos revolucionários. — pág. Recusa levar. beneditinos e franciscanos (nos quais se refugiavam os corpos de “nouvellistes”) que. mas uma mercadoria para o entendimento. segundo Mirabeau. não sôbre assuntos escolhidos: sôbre todos.. ampliando em círculos excêntricos a sua penetração. a facilidade do seu menêjo e o barateamento da sua confecção. As gentes aprendem assim. completando-se assim o quadro universal:já não são classes reacionárias ou liberais que se identificam com a Imprensa. e simultâneamente. como a mais absoluta de tôdas as suas liberdades. para que ela se democratizasse. 84 Horacio Hernandez A.. mas à maioria. Mais de duzentos anos levou ela a grimpar a ladeira aparentemente suave que vai do leitor-assinante ao leitor-avulso. pelo que a ilustração é indipensável para poder aproveitá-la. 16. — págs. pois. Chegara o momento histórico em que a massa compreendeu que a Imprensa é uma mercadoria. . do povo. sem a liberdade de imprensa as outras jamais poderão ser obtidas. 55. e as massas.. acionada primeiro por debaixo — instrução pública gratuita — o será agora por cima — intervenção do povo na sua regulamentação oficial. 85 Octavio de la Suarée — Obra cit.. decidem que sem ela tão pouco poderão ser conservadas e a consagram assim como o mais completo de todos os seus direitos. que o emprêgo melhor do chumbo não está na fabricação da bala mas na da letra de impressão e que o cavalo de qualquer gendarme pode saltar uma barricada.. isto é. e muito importante por certo. é a sociedade humana inteira... transgredindo-se as leis e enganando-se a polícia. uma nova imprensa. única tateável nas trevas ela que longamente se foragiu a informação escrita.. Os três estágios do itinerário seguido pela sociedade para identificar-se com a imprensa foram. . O jornalismo popularizava . entretanto. a um círculo de pessoas escolhidas. vendas avulsas e publicidade — adiantou-se a das assinaturas. recordando que. compreendam que é imperativo ganhar ao despotismo uma segunda batalha: a do sufrágio universal.. e sôbre o vasto panorama da grande revolução francesa. caindo como uma pedra na superfície de um lago. .sôfrego destino de informar mais. das idéias que começavam a germinar e que seriam triunfantes na Revolução Francesa. ao passo que o leitor avulso tinha de ser abordado num lugar inatingível: a rua. lançou-se à conquista da rua.”83 Foi pelos botequins e cafés de Paris.. Das três vias gradualmente rompidas pelo jornal — assinaturas. que quatro linhas de jornal são mais demolidoras contra um regime tirânico do que quarenta mil esfarrapados tumultuando as ruas. mas até o Rei se detém ante uma coluna de material impresso. é preciso que haja sempre no govêrno filhos do povo que velem pela sua aplicação prática.. mais depressa e a mais gente. 42-46. não a um destinatário-amigo: a quantos destinários-assinantes se dispusessem a pagá-la. o sufrágio universal e a liberdade de opinião. refletia o espírito dos novos tempos. Sucede algo mais. Para que a instrução pública gratuita não seja letra morta na Constituição. os povos ajudaram a Imprensa. “Em aberta rivalidade com os dignitários e senhores. como ambas são as vias de acesso que têm os povos para ser arquitetos do seu próprio destino.. com risco da vida e da liberdade. não por cortesia: por obrigação. na Europa. o jornalismo. pág. a instrução pública gratuita. Por outro lado.”85 83 Carlos Rizzini Obra cit. as massas. como dizia Renaudot.” 84 Nesta recusa. É que o leitor-assinante poderia ser alcançado à sorrelfa. pelos cláustros dos agostinhos. A imprensa. — Obra cit. Como as duas conquistas fundamentais se fizeram na luta contra a arbitrariedade e a tirania. a toga do doutorado para pôr-se na vestimenta humilde do peregrino. ilustra com o exemplo a todos os cidadãos sõbre o terrifico poder dêsse novo instrumento de ação.se: não era mais dirigido “a uma elite. conduzem sôbre uma lança esta reivindicação: — instrução pública gratuita. pelos clubes literários de Londres. recusando-se a admitir o primitivo serviço real e plutocrático a que a destinaram os seus fundadores. firmando definitivamente o seu prestígio. das massas.

e que. o jornalismo retirou-se dos antigos e superados veículos: os pregoeiros. os mensageiros. isto é. Assim. como ocorreu com a descoberta da penicilina.” 87 Mas não são apenas as garantias constitucionais que são recusadas ao jornalismo. que muitas vêzes não é amigo da redação.” 86 E mesmo quando se faz especializado. caem sob o conjunto de regras de polícia profissional. a cuja ciência e arte está o encargo do diagnóstico dos casos e da aplicação do medicamento apresentado. Rod W. não devem. que os prospectos. 49-50. em linguagem e estílo apropriados. da tirania do anunciante. beneficiá-las através dos médicos. o que êsse jornalismo especializado visa é um fim ideal: atingir as massas. então as próprias garantias da liberdade de imprensa lhe são recusadas pela legislação vigente nas mais avançadas democracias do mundo. 88 Rod W. Se falta popularidade ao jornalismo. deve ser pôsto debaixo da garantia constitucional. tese defendida pelo prof. É o princípio da liberdade de imprensa condicionado à liberdade de escôlha do leitor. as gazetas manuscritas. da mesma forma que os’ artigos ou informações que perseguem fins estritamente profissionais. aos demais membros da sociedade. se a publicação não se destina a atender àquele fim ideal. 16. vai perder muitos leitores para um concorrente de mais consciência. alcançar em profundidade e extensão as maiorias a que se dirige. capaz de circular ràpidamente e. é livre. adotado o papel como matéria prima ideal para a reprodução dos textos. Os anúncios. era essencial- mente lucrativo: a venda de certos produtos. mas é que bem sabem que estão obrigados a respeitá-la pela própria circunstância de que o leitor. do perigo da sujeição da redação à política preconizada pelos 86 Horacio Hernandez A. reclames s outras publicações que não são reproduzidas senão com fins comerciais e egoístas. lucrativo ou egoísta. Popularidade e Liberdade — Atingidas as condições ideais para o seu mais amplo exercício. — faltar-lhe-á o apoio do leitor. Quando uma publicação médica. dirigindo-se a uma expressiva parcela da mesma.” 88 Essa circunstância é que liberta o jornal. ser postos sob o benefício da liberdade de imprensa. que refletem efetivamente o pensamento coletivo sôbre os limites da liberdade. Com efeito. 87 Jacques Bourquin — Obra cit. nos países liberais-democráticos. inclusive. E mesmo quando sôbre o jornalista ou a emprêsa não recaem as penas da lei pela violação de códigos penais ou meramente éticos. por conseqüência. cujo objeto. na prática. Recife — 15-12-57 . sôbre o jornal pesará o boicote do leitor. “o Tribunal Federal considera. a popularidade. o seu propósito formal é chegar realmente a todos os indivíduos. Disseminados os processos tipográficos. negou o benefício da liberdade de imprensa a um prospecto. por exemplo. insere estudos e dá conta de experimentações sobre determinado e novo processo terapêutico. a atividade jornalística concentrou-se no jornal. e obter a consideração unânime. se o jornal não joga limpo. o leitor não admite distorções ou supressões propositadas ou um constante sacrifício da objetividade a propósitos personalísticos. o Tribunal Federal. em regra geral. Ao contrário. que sòmente o lê uma fração. quando as suas manifestações não se destinam a atender aquêle fim ideal de promoção do bem comum. argumenta: “Não é sòmente que os jornais respeitem a independência do leitor por responsabilidade ou senso de justiça. — págs. que. por um decreto de 1910. suscetível de apreender com facilidade os informes e diretrizes nêle contídos. “Se acontece. a respeito. mais do que propagar teorias debatidas. ainda ai estará presente a popularidade. anúncios. os arautos. no sentido de que a objetiva prestar serviço a tôda a comunidade. Horton. que não tinham mais capacidade de levar as informações e a orientação à comunidade inteira. — Obra cit. Horton — A liberdade de imprensa e o leitor livre — in Jornal do Comercio. mas sim depen4endo da liberdade do comércio ou indústria. isto é. na Suíça. Tanto é assim que. julgando que se tratava de um recurso de direito administrativo e não de direito público. vulgarizando-os ou praticando-os. — pág. visando o interêsse coletivo antes que os da emprêsa. as epístolas. abrir caminho embora à custa de inumeráveis sacrifícios. na sua opinião. desde que um aviso ou reclame se tenha publicado com a intenção de servir ao interêsse da comunidade e não com objetivo comercial. e transmití-los.

os ‘episódios de jornais empastelados. o prestígio e a autoridade que inutilmente Perón tentara manter em seu proveito.000 exemplares. provocando a sua retirada da emprêsa com aquêle prejuízo financeiro. algumas vêzes aceitando o ponto de vista do jornal. tiveram a mais viva expressão na República Argentina. cujo maior acionista era o coronel Knox. na praia 4 Piedade (hoje Hospital da Aeronáutica). a repercussão na popularidade do jornal da sua política editorial também tem causado o êxito ou fracasso de muitas emprêsas. Assim mesmo.. onde 98 por cento da população é alfabetizada e onde se vende diàriamente um jornal para cada três habitantes. que foi secretário da Marinha dos Estados Unidos. Então. o seu jornal tinha tiragem média diária de 600. restituída aos seus leitores. 89 O coronel Knox estêve no Brasil durante a guerra. que se iludem a si próprios. tornar-se um perigo para a ordem na comunidade. se bem que tenhamos uma imprensa apaixonadamente opinativa. não ocorrendo aqui o que se verifica nos Estados Unidos.000 exemplares. confiando na primeira tribuna que se apresenta. Liberdade e popularidade são têrmos de uma mesma equação. o povo poderá atirar-se a um caminho que submerja o país na anarquia e no cáos. quando visitamos êsse jornal — onde o fato nos foi narrado — a sua tiragem ainda não conseguira atingir os 200. incendiados e destruidos pela fúria das multidões por se terem colocado contra os interêsses da maioria dos seus leitores pontilham a história do nosso periodismo. com oportunidade. Deve-se levar em conta. é mais formidável quando é uma novidade. reduzindo-se autênticos zumbis. recentemente.89 O coronel não era político. No Brasil. entre um povo não acostumado a ouvir discussões de assuntos políticos. julgando que o povo. que fogem aos rígidos limites do sistema dominante. . melancolicamente editados por honra (ou desonra) da firma. Como também o liberta da tirania dos grupos político- partidários ou dos interêsses exclusivistas e pessoais dos seus proprietários ou acionistas. a quem haviam embrutecido com o ópio da mentira. forçado a ler os “seus” jornais e sòmente os “seus” jornais. o qual confia na primeira tribuna que se apresente. Iniciou e desenvolveu a campanha: ganhou a Secretaria da Marinha. entretanto. as palavras de Tocqueville: “A liberdade de escrever. outras vêzes rejeitando-o para tirar as suas próprias conclusões. Conhece a política do jornal e separa os artifícios e as interpretações dos próprios acontecimentos.. Horton lembra. Palavras que se confirmaram na Alemanha e na Itália. igualmente. estará enfraquecido intelectualmente para discernir entre a demagogia irresponsável criada pela embriaguez da liberdade e a orientação responsável dos jornais. São êles (os leitores) que constituem a mais poderosa censura da imprensa. exatamente porque o cidadão-leitor.. mais de dez anos depois da desastrada “operação Knox”. que teve o seu nome. que jamais esqueceram a sua voz poderosa e livre. porém com o privilégio de opinião particular.” Palavras que são uma séria advertência aos governos que pensam poder restringir a liberdade em nome das suas concepções filosóficas. desinteressou-se pelos temas e problemas políticos.. Assim. A liberdade de imprensa contida pelas fôrças dos governos ditatoriais pode. são êles os verdadeiros leitores livres que exigem e forçam a responsabilidade jornalística do país. Rod W. Veio -lhe a tentação de utilizá-lo para conquistar posição de relêvo nos quadros políticos norte-americanos. que impedem a escravidão do jornalismo norte-americano por fôrças econômicas gigantescas e quase irresistíveis. que o público leitor é muito reduzido. O prof. como tôdas as liberdades. No Recife. pois o jornal decaiu no conceito público.grandes “trusts” comerciais e industriais. com a queda de Hitler e Mussolini e que. e exige também que êles sejam misturados com as opiniões da redação. La Prensa readquiriu. perdendo os leitores. Foi o que ocorreu com um jornal de Detroit.. quando. na reconquista da sua amplitude. verdadeiros arautos das aspirações coletivas. Aceita os truques da inclinação. “O leitor exige os fatos. mas perdeu onze milhões de dólares. na argumentação da sua tese. de um golpe. ao tempo da II Guerra Mundial. Em 1954. e menos espetacularmente não têm sido poucos os oj rnais que vão definhando.. inaugurou um hospital do US Army.

talvez. que se torne mais e mais extensa e profunda a sua popularidade. atendendo a êsse atributo do jornalismo que uma comissão de 13 membros. opiniões e documentários. uma forma própria. como salas de projeção e aparelhos captadores e televisores. ao professoral. começa com o leitor e o leitor lutará na defesa dos seus direitos até a última bala. 1946 – pág. pela condensação das matérias e pelo aspecto gráfico com que são apresentadas. muitas fotografias. E porque exigem não sòmente estúdios apropriados.daquilo que era. 92 Daí o êxito dos “tablóides”. por conseqüência necessitado de ler. comentários. porém. 92 Clemente Cinmorra – Historia del periodismo – Buenos Aires.91 o que indubitàvelmente é ir longe demais considerando-se o atual estágio da nossa civilização. também. com o surgimento de outros meios de difusão. às mais amplas exigências da popularidade. jornais de pequeno formato. cinematográfico e televisado pairam restrições até a respeito das condições em que são beneficiários da garantia de liberdade de informação e opinião.. um estilo. leve. através dêles. igualmente. há pouco. 2. Mr. sendo limitadas as suas possibilidades de atingir a tôda a coletividade. que permitem uma leitura rápida e que. A redação tem que ficar livre de um govêrno tirânico. mas os leitores independentes . ao retórico. ouvinte ou assistente de um interminável desenrolar de notícias. como veículo. é que o jornal se manteve no nosso século como principal manifestação periodística. – Obra cit. Recife – 15-12-58 91 Horácio Hernandez A. Horton – ART. da nossa era. mediante estudo mais completo.o professor ilustre.” 90 Condições da Popularidade — Graças à circunstância de atender. frente a um receptor de rádio ou televisão ou sôbre a poltrona de um cinema. enquanto o professorado e o apostolado religioso buscam convencer e converter. das distorções de uma redação cativa e interessada. que a cada dia. estações emissoras e receptoras. o jornal de maior tiragem do mundo 90 Rod W. . aquelas fôrças também têm que ser vencidas. foi de opinião que melhor seria chamá-la comunicação das massas. Com efeito. é que tiveram de demonstrar a eficiência dos seus meios mecânicos de reprodução e as suas possibilidades de divu1gção para que. como o foram as cartas e gazetas manuscritas. accessível. pela própria dinâmica da época em que vivemos. discutir opiniões. Citado – Jornal do Comercio. Além disso. mas se existem fôrças arrogantes em outros quartéis além dos do govêrno. o público moderno. transmitem uma impressão forte e duradoura.a liberdade de imprensa. sim. com o objetivo de analisar a imprensa moderna. da elevação dos níveis de vida da sociedade. para colocá-la de acôrdo com a nomenclatura. grandes títulos. considerado supérfluo — não e nega que esteja em crescimento a influência dêsses veículos. ao gongórico. Uma enquête realizada nos Estados Unidos rnostrou que a metade dos leitores interrogados não dispunha senão de um quarto de hora para dedicar ao jornal. se processasse o trabalho jornalístico. o George F. fácil. não tem tempo. O bom jornalista bem sabe que não se pode curvar ante essas fôrças sem perder o respeito e o apoio financeiro e moral do le itor livre. Babbit. a popularidade não reclama apenas um veiculo de fácil e geral penetração mas também uma linguagem. Não se nega. Êstes modernos veículos. em razão do desenvolvimento da técnica. haveria de compreender. os centros de educação e as igrejas. Foi. ao enfadonho. do aperfeiçoamento dos processos adotados. não sendo superado. 95. – Nota à pág. textos breves e editoriais resumidos. é verdade. amena. como leitor. Outrossim. chamado constantemente a definir-se e. de Londres. incluindo nela não sòmente os diários e “magazines” como o rádio. o cinema os livros. de deter-se muito com o jornal. ouvir. o jornalismo visa tão sòmente opinar para debater. e até o Zê Fulano — insistem em ficar livres. designada pelo Reitor da Universidade de Chicago. se bem que ansioso por novidades. fugindo ao verboso. O Govêrno pode ser o mais benevolente e o mais liberal do mundo. com a transformação em necessidade . é que sôbre o jornalismo radiofônico. Robert Hutchins. O Daily Mirror. com uma insinuação de que..

têm a preferência do público quando resumem. A popularidade — que se constitui no elemento-combustível do jornalismo. impulsionando-o na sua trajetória. ficou evidenciado.” Foi também essa capacidade de incitar as massas à ação que levou Lenine a pregar que “sem o jornal toda a propagação. sem dúvida. até a amplitude dos meios de comunicação e circulação dos tempos modernos — continua a ser a mola que aciona o maquinismo jornalístico. atua como propulsor da ação individual e coletiva. não pode. de alcançar. desde as épocas dos limites e restrições dos primitivos veículos. para quem o jornal era “o respiradouro geral das consciências. pode passar sem ela. se se pensa no tempo que se lhe dedica. intermediário da opinião pública. de penetrar e repercutir em tôdas as camadas- sociais. por vêzes superficial análise dos acontecimentos. palavras. utilizando todos os sentidos — rádio e cinema não fizeram mais do que . grande inimigo dos tiranos è braço direito da liberdade” ou como o nosso Ruy Barbosa. uma decisão. sem pretender traçar roteiros rígidos e exatos. no caso dos periódicos ilustrados substituem pràticamente os detalhes literários da reportagem por fotografias e desenhos. e de Life nos Estados Unidos. o máximo de popularidade. DA PROMOÇÃO Através da análise que fizemos de cada um dos caracteres do jornalismo. de Blanc et Noir. o cinema ou a televisão. nascida com. O Cruzeiro do Nordeste entre nós. de impulsioná-los à ação.os noticiários e comentários radiofônicos. classificando o jornal de “censor da terra. pois onde existe uma imprensa livre não sobrará lugar. Quer utilizando a imprensa. o grande aparelho de elaboração e depuração das sociedades modernas. jamais. tôda a agitação sistemàtica. sangue vital circulando através do espírito humano. freqüentemente. desenhos ou outro qualquer processo de comunicação do pensamento que o engenho humano possa ainda inventar ou empregar — o jornalismo. como Bowles. e Jefferson — que durante o seu govêrno sofreu tremenda oposição jornalística — a proclamar: “Se me fôsse dado escolher entre a liberdade de govêrno e a liberdade de imprensa. como ocorre com o universalmente famoso Seleções do Reader’s Digest — e as modernas revistas semanais do tipo de Manchette. elemento determinante na vida individual como na vida coletiva.” A doutrina e a prática estão. variada e fiel aos princípios é impossível”. a finalidade precípua dessa atividade que. eu optaria por esta última. por muito tempo. ao oferecer à massa a sumária e. para um govêrno injusto e desonesto. desenvolvida e ampliada à proporção que se desenvolviam e ampliavam os códigos éticos. Os relatos e as idéias expressas pelos veículos jornalísticos têm o proj3ósito de permitir ao homem um pronunciamento. na França. o rádio. terá de decidir. quer através de letras. os programas informativos da televisão e os documentários de atualidades cinematográficos não excedem. enfim. A sociedade. o jornalismo. a defini-lo como um sacerdócio. para a consecução dos seus objetivos. a cada passo mais objetivamente. se ot rnou numa instituição indispensável para a formação e orientação dos povos — a promoção dos meios tendentes a assegurar o bem comum. como o indivíduo. nenhum núcleo social. as técnicas e as indústrias. Jornalismo e Sociedade — Êsse aspecto promocional do.escapar à evolução. nos nossos dias. a própria organização social.(mais de quatro milhões e meio de exemplares) é um exemplo típico da imprensa popularizada moderna. imagens. A técnica da síntese aplicada ao jornalismo atingiu igualmente as revistas e “magazines” que. ne nhuma pessoa.jornalismo foi que levou os retóricos. geralmente entre dez minutos e meia hora. selecionam ou condensam textos ao máximo e. a comprovar o caráter promocional do jornalismo. “A imprensa é. impelindo-o para o futuro através das vias do progresso técnico. Por seu turno. de um período de tempo tolerável ao público.

94 Horacio Hernandez A. por sua influência quotidiana formará crentes ou céticos. por jornalistas portuguêses — Lisboa. Êsse laço invisível que une a todos os homens por algo que reclama a sua atividade ou que serve de fundamento ao seu juízo. “A simples leitura das notícias tem. destinado a dar à sociedade uma maior consistência pelo conhecimento de si mesma. habilitando-a tomar decisões frente aos problemas que se sucedem. lhes temperam o espírito.” 93 Com efeito. mas. além disso. — pág. uma alma coletiva. em tudo o que os filósofos exprimem. não apenas na fixação de conceitos. pois. são postos diante das mesmas questões. 41. Rodrigues — Os Estados Unidos visto. no “projet” (Sartre). como sendo o domínio do Acontecimento e da Ação. no “devenir” dos filósofos evolucionistas do século passado. A imprensa não sòmente se lê como se comenta.” 98 Contudo. é que retira a matéria-prima para transformá-la no fermento jornalístico. mas também os conforma. fazendo com que “as idéias circulem. graças à manifestação habitual do jornalismo. 97 Gustavo Le Bon — Psicologia das multidões.in Diário de Noticias — Rio. cujas palavras inflamadas os fariam adotar idéias e sentimentos que jamais haveriam aceitado sem o influxo poderoso do grupo. há que considerar também o indireto. ordinàriamente de igual maneira e ao mesmo tempo.97 assinalou que a imprensa provoca sôbre as multidões reações primárias. a cada hora. portanto. provocam a vibração de um grande pensamento coletivo. o jornalístico. 47. 1925 — pág. no “fenômeno” (Kant). assim. atraídos por qualquer fato do momento e guiados por um chefe. no “elanvital”” (Bergson). — pág. 10-11-57 96 Jules Pigasse — Da journalisme — Paris. do contrário. Hoje. . de agir simultâneamente? Gustavo Le Bon. era até certo ponto forçoso para obter a ação coletiva que os indivíduos se reunissem. não apenas reforma nossos costumes. sem se conhecerem uns aos outros e nem àqueles que lhes transmitem impressões. agrupando-se em correntes de opinião sôbre fatos ou acontecimentos que. 276. 1955 — pág. o leitor ou ouvinte da notícia se 93 Octávio de la Suarée — Obra cit. no “vir-a-Ser”.” 95 Daí. Manuel L. Antigamente. preparará a ordem ou a revolução. 98 Conf. na “potência” (Aristóteles —Tomás). não pode viver isolado. que estudou profundamente o tema. como igualmente devemos anotar não sòmente a sua influência ativa sôbre nossas determinações como igualmente a passiva. formando. independente dos indivíduos que integram o conglomerado humano. em vista da iminência dos fatos e das suas conseqüências possíveis. como já o acentuamos. diferentemente. em que cada leitor se sente solidário com o grupo ao qual pertence. o jornalismo não pode ser tomado como uma atividade isolada. os indivíduos espalhados. da qual recebe inspiração e sôbre a qual influi poderosamente. contemplativa. em virtude da lei da “unidade mental das multidões”. 134.” 96 Como se processa. sua existência está sempre ligada à vida social. 95 Tristão de Ataíde — Art. por mais sedutor que seja. lhes sugestionam idéias. um efeito surpreendente. é difícil ao leitor do jornal não ser impregnado quer por suas afirmações quer por seu ceticismos O jornal. pouco susceptíveis. esta promoção se o público do jornalismo é constituído por indivíduos dispersos e não apenas aglomerados num ponto.” 94 O jornalista.vivam e se desenrolem. ao contrário dos demais intelectuais. abstrata. dêsse comércio permanente e recíproco. “é o homem mergulhado: “entwuyf”(Heidegger). êsse laço sòmente se estabelece quando os fatos relatados ou comentados são atuais. é a primeira lei que favorece um estado psicológico do caráter coletivo. Essa integração do jornalismo na sociedade arrancou a Jules Pigasse a correta observação de que “se se pode escapar da influência de um livro. porque a atualidade de um fato ou acontecimento qualquer atrai a atenção pública e a concentra em uma ordem de coisas. mediante o recurso tão socorrido da afirmação categórica e da repetição constante. criará uma atmosfera de tolerância ou sectarismo.contribuir para acabar de fixar a sua penetração na existência humana — se chegará à conclusão de que a nossa civilização se desenrola e morrerá envôlta em papel de jornal. todavia. cit. em tinta de impre ssão. Porque não é só o tempo direto que nos leva a imprensa a todos. no ânimo da multidão. — Obra cit.

a cobertura em que se empenhou tôda a grande imprensa brasileira nos últimos dias de vida e missão do médico paraibano Napoleão Laureano. do Recife. empregando “todos os recursos de uma propaganda hàbilmente urdida para formar correntes de opinião e fazer com que soluções possíveis tenham a sanção majoritária do grupo”. por meio de unia campanha. em Pernambuco. algumas memoráveis campanhas de imprensa têm resultado em assinalados benefícios à coletividade. Infortunadamente esta é a verdade. que teve repercussão em todo o país. vamos lembrar algumas memoráveis campanhas que proporcionaram benefícios os mais assinalados à coletividade. clínicas e serviços de assistência aos portadores dêsse mal. em quase todos os Estados. no curso da II Guerra Mundial. entretanto. o qual. Mas. Foi à ação do universalmente famoso e respeitado “Times” de Londres — que tantos governos tem derrubado na austera Inglaterra — que através da pena do legendário William Howard Russel. muito deve a Grã-Bretanha ao “Times”: em 1929. encetadas pelos “Diários Associados”. repisa. . como reativo enérgico. — Obra cit. criando uma autêntica consciência contra a habitação miserável e levando o Estado a organizar departamentos especiais para enfrentar o problema. apresenta sempre aspectos novos. o mundo deveu a revolução nos hospitais de sangue.. indispensável. aliás. Como a da aviação civil e a dos postos de puericultura. vítima do câncer. Jornalismo e Direito — Argüe-se. urgente. e que redundou na disseminação de hospitais. um “serviço público”. tais como o “Serviço Social Contra o Mocambo”. simultâneamente. pelos crimes que previne. encetada com métodos de higiene até então nunca vistos pela igualmente famosa e respeitada heroína Florence Nightingale. no desenvolvimento das suas campanhas. pelas 99 Horácio Hernandez A.sentirá sòzinho no mundo a cogitar sôbre o problema apresentado. e a “Fundação da Casa Popular”. todavia. Sob a pressão conjugada da imprensa e das Ligas. qual a instituição humana que não está sujeita a erros e imperfeições? “O que não padece dúvida. daqueles sentimentos e idéias. em Pernambuco. o princípio e aplicação da responsabilidade no jornalismo. para ser. 145. recebeu e canalizou para o fundo da Cruz Vermelha contribuições que atingiram formidáveis somas. fecham obstinadamente os olhos para não ver os seus serviços. promovida pela “Folha da Manhã”. Por isso é que. os quais se hão de contar pelos males que evita. 99 Entre nós. a campanha movida por vários jornais norte-americanos contra as roletas mecânicas suscitou em diversos Estados um movimento de opinião que e traduziu na formação das “Ligas de Melhor Govêrno”. sem que uma “corrente de solidariedade” a ligue a indivíduos estranhos que partilhariam. Nos Estados Unidos. a da luta contra o mocambo. para não reconhecer os seus méritos. levando governos e instituições públicas e privadas à ação. levantou subscrição para a compra de radium destinado aos hospitais ingleses e. tende fatìdicamente para um dêstes dois polos: para a degenerescência ou para o aperfeiçoamento. de âmbito nacional. não deixa que a imaginação popular se desinteresse ou que fiquem esquecidas as premissas. autarquia federal. o jornalismo insiste. Os que fàcilmente enxergam os seus erros. . é que o periodismo. pergunta-se. irá perdendo definitivamente o seu feitio individualista. As Campanhas Jornalísticas e o Bem Comum — Deixando de parte os habituais exemplos de promoção jornalística nos setores da política e do comércio. No setor da saúde pública. que nem sempre o jornalismo atinge à sua finalidade: a promoção do bem comum. — pág. como de fato há de ser. em virtude dela. primeiro correspondente de guerra na Criméia. as autoridades viram-se obrigadas a tomar medidas para pôr termo à jogatina. como tôda atividade humana no convívio social. os seus caprichosos rumos pessoais ou de grupo. E esta tendência incoercível impõe.

modificando às vêzes as Proporções das fôrças em jôgo. . seriam postergados. 143. em discurso pronunciado a 10 de outubro de 1928. tem-se imediatamente uma bússola de orientação para o que concerne à ação prática do jornalismo fascista: evita-se o que é prejudicial ao regime. em discurso comemorativo do jubileu da Revolução Soviética. já porque tôda a obra jornalística tem a sua base nos fatos correntes. e a fôrça. seria abusivo dar-lhe o caráter de um órgão constitucional. só serve às alheias.. Assim ocorreu no Estado Hitlerista. o promova. assim exprimiu a sua opinião sôbre a liberdade de imprensa: “Não temos liberdade de imprensa para a burguesia. faz-se o que é útil ao regime.” 103 “ O mesmo sucedeu com o fascismo: o próprio Mussolini definiu a posição do jornalismo. utilizando nesta emprêsa todos os recursos psicológicos da propaganda. permitindo à opinião pública como tal expressar-se. de tôdas as concepções políticas e econômicas.” 100 Seria um contrassenso. a imprensa os reflete. Êle deve. por sua própria natureza tão heterogêneo. — Obra cit. esperar que o jornalismo se constituisse num corpo de doutrina ou num programa de ação isento de êrro. porém “de conformidade com os interêsses dos trabalhadores e com o fim de fortificar o regime socialista” (art. não se dirige tanto à inteligência como à vontade humana. sob o tema: “II giornalismo come missio ne”: “Em um regime totalitário. é realizado simultânea ou imediatamente após a ocorrência dos fatos. “O jornal. é que se poderá considerar a imprensa como um “quarto poder” do Estado. Partindo desta indiscutível realidade. “Sendo o espêlho de todos os movimentos de opinião. pelos direitos e pelas regalias que. a obra periodística é vasada em linguagem ao alcance de tôdas as inteligências. a lei democrática do número. para o qual o govêrno não se deveria perturbar “pelo. uma vez que lhe faltam a autoridade. 1929 – pág. 10.” 104 100 Altino Arantes — Imprensa Política — São Paulo. 10. à sua revelia. o que lhe confere um caráter mais de advertência do que de convencimento. a imprensa é um elemento dêste regime e uma fôrça a serviço dêste regime. 1952 .” A Constituição Soviética de 5 de dezembro de 1936 garante a liberdade de imprensa. Por outro lado.malversações que malogra.. interessa-lhe menos assinalar motivos para convencer do que preparar um clima propício à ação. mas a advertir e orientar a opinião para que esta. em 5 de novembro de 1927. no fundo. isto é. assim. 100. para os “mencheviscks” e para os socialistas. — pág.. portanto. o que não oferece margem a uma perfeita inferência da uas repercussões. Não estamos absolutamente empenhados em dar liberdade de imprensa a tôdas as classes.” 101 Dai. 103 Hitler – Minha Luta 104 Michel Potulicki – Lê Regime de la Presse – Paris. face ao Estado Fascista.. brilho da chamada liberdade de imprensa e deixar-se levar à falta do seu dever ficando a nação com os prejuízos. informada e consolidada. que constantemente se renovam e alteram. 1951 – pág.. como aquêle que a administração pública presta diretamente ou por meio de concessão para a satisfação concreta de algumas necessidades coletivas — têm tôdas redundado em limitações e contrafações dos atributos essenciais do jornalismo.. Já porque não se destina a executar o bem comum. Pertence a outros corpos desempenhar êsse papel. Por êsse fato. 102 Jacques Bouruin – La Liberdade de Prensa – Buenos Aires. permitindo ao talento expressar-se com mais intensidade.Corrige. não tem geralmente doutrina própria. sòmente tomado como uma ênfase. pelos interêsses que. já porque o seu campo abrange todos os setores da atividade humana e já porque se dirige a tôdas as classes e categorias sociais — o jornalismo. 101 Horacio Hernandez A. porque. com decisão implacável.” 102 As tentativas que se têm feito para transformar a imprensa num “serviço público”- tomada essa expressão na sua verdadeira acepção jurídica. na aparência sem nenhuma coesão entre si. baseada no reconhecimento pela lei. assegurar-se dêsse meio de esclarecimento e colocá-lo a seu serviço e no da Nação. 125) e Stalin. a capacidade de fazer cumprir as suas decisões. sem ela (a imprensa) seriam sacrificados. pela sua própria natureza.pág.

presidencial ou diretorial. seja êle monárquico ou republicano. ainda de conformidade com o mesmo artigo. onde a crítica é a mais ilimitada108. a serviço da nação. editoriais e tõda espécie de noticiário para a obra de esclarecimento da opinião popular em tôrno dos planos’ de reconstrução material e de reerguimento nacional” e. tem o Estado o dever e a obrigação de intervir na criação e funcionamento da imprensa periódica. Nem mais nem menos. a ditadura salazarista instituiu a censura prévia em tôdas as publicações. em cada época colocadas 105 Fray Santos Quirós – Código del Periodismo – Cadiz. quando o jornal de fhalor circulação do mundo — o Daily Mirror — encetou violenta campanha contra a atuação do govêrno britânico na questão de Suez. vigiando os seus passos para que não se converta em arma de destruição o que deve ser o baluarte da segurança nacional. o Decreto-lei n. em Londres. Assim. 2. § 2. comunista. Ë uma instituição. nenhum jornal pode recusar-se a inserir os comunicados oficiais remetidos pelo Govêrno. 99. 1942 – pág. Reciprocamente.pág.0: — “Aos jornais e quaisquer publicações periódicas cumpre contribuir. utilizam-no corno veículo de propaganda. da justiça. 107 Vide nota 137. .°.” 105 “Em Portugal. a imprensa não pode nunca ser serviço público.049 dispunha em seu art. n. que instituiu a ditadura estadonovista. 1954. em suma. boa administração e do bem comum.. 1957 — pág. por exemplo. comentários. como o organismo militar e o poder judiciário.”106 A Carta Constitucional do Brasil. reconhecendo a fôrça promocional do jornalismo. de 1937. por meio de artigos. 1. por isso. 15) . Nestas poucas palavras condensa. quando não o transformam em uma das enrenagens do Estado. 22 estabelece também que o Govêrno defenderá a opinião pública contra todos os que procurem desviá-la da verdade.”109 O fim dramático ou melancólico das legislações restritivas ao pleno desenvolvimento da missão jornalística demonstra. (seja fascista. o art. para êsse fim. pouco importa a sua forma). 8. estabelecido que leis especiais regularão o exercício da liberdade de expressão do pensamento. chegando ao ponto de tenominsr a ação militar desenvolvida no Egito como “a guerra de Eden”. não se admitirá que um órgão da imprensa totalitária se manifeste contràriamente a uma ação bélica do país ou tolere crítica à sua posição na política internacional. no seu art. 23.. precisamente porque lia se torna o veículo insubstituível das liberdades individuais e políticas. Um dos exegetas do jornalismo espanhol dos nossos dias escreve: “A Imprensa é uma instituição a serviço da Pátria. em 1956.. que as sociedades. absorvida pela conveniência ou pela fôrça dos governos.. também não fugiu ao diapasão doutrinário do totalitarismo ao declarar que “a imprensa exerce uma função de caráter público. 106 Rui da Costa Antunes – Direito Penal da Imprensa – Recife. 109 Afonso Arinos de Meio Franco — Pela Liberdade de Imprensw — Rio. 108 Exemplo dessa amplitude de crítica. a Constituição salazarista de 1933 declara. Uma das tantas organizações ou braços de que pode e deve servir-se o Estado para o govêrno e engrandecimento da Pátria. Tendo em vista êsses objetivos. liberdade de oposição aos governos. Em virtude dêste princípio. a imprensa não pode deixar de ser serviço público. o que não se processa na inprensa dos países de regime liberal-democrático. No art. conto se nada ligasse os interêsses do povo britânico à decisão do Ministerio Anthony Eden.°. 59. irretorquivelmente. porque a liberdade de opinião dos indivíduos ou das minorias políticas desaparece necessàriamente. Os regimes jurídicos e políticos totalitários. no Estado Democrático. porta-voz do próprio Estado nas questões essenciais. que “a imprensa exerce uma função de caráter público”. em 1939. e que essas leis preventistas e repressivas impedirão que a opinião pública possa ser pervertida. Por outro lado. 41. 122.. parlamentar. a nova Lei do Jornalismo (22 de abril de 1938) a idéia que se deve formar do jornal. militarista ou caudilhista. destinado a controlar e censurar as publicações periódicas107.. nós próprios o testemunhamos. declaradamente ou não. que são a condição mesma da existência da democracia: liberdade de fiscalização e de crítica. É que “para o Estado ditatorial. nenhum jornal pode recusar a inserção de comunicados do govêrno nas dimensões taxadas em le i” (art. criava o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).

Propomos. possuimos um Direito que desconhece a política moderna e a estrutura das relações de poder.”110 Justamente porque as suas informações e conceitos são desprovidos de caráter imperativo. quando visa transformar o jornalismo numa instituição sua. em de opinião e de informação. subordinam as suas conclusões sôbre os fatos aos princípios adotados. quando subordina a sua fôrça ao poder sem fôrça do jornalismo livre e veraz. e a liberdade. 1926 — pág. à base dos sentimentos progressistas do povo. 2A — contribuir para a elaboração da vontade popular. o jornalismo está exercendo uma função subsidiária vital do Direito. numa corrente política ou numa linha doutrinária. dos quais extraem as suas deduções doutrinárias. diante do Instituto Internacional da Imprensa. Essa missão se desenvolve visando as seguintes metas: lA —. 112 Horacio Hernandez A.. não haveria senão órgãos de op\hião. os órgãos predominantemente opinativos. 232-233. consideramos que os órgãos ditos de informação promoveriam a opinião pública tanto como aquêles que. entretanto. 114 Conforme Jacgues Kayser — Presse et Opinion in L’Opnuon Pubilque — Paris. – pág. 1947 — pág. E o fazemos porque “qualquer frase jornalística. uma outra nomenclatura como mais adequada ao espírito do jornalismo moderno: jornalismo eclético e ideológico. 41. as relações entre o Estado e o Jornalismo apresentam o seguinte paradoxo: o Estado perde o seu poder. escrevem e selecionam as notícias. em abril de 1926. 111 Jules Pigasse – obra cit. e a diferença entre êles seria de grau e jamais de natureza. Porque. contraproducentes ou iníquas. E não foi outra a conclusão a que chegou um dos participantes do 1 Congresso Panamericano de Jornalistas. porém o modo como se recolhem. têm de ser imparciais e exatos no relato dos fatos.”111 Jornalismo e Opinião — Costuma-se classificar o jornalismo. do ponto de vista da sua característica promocional. é que governam os povos. como o observou Jules Pigasse. salvo quando exageradamente mercenários. sempre inclui um juízo e. e porque nascem do contato com a realidade. Salvador de Madariaga contou que o chefe de um grande serviço de imprensa americano.. 1957 — págs. ao mesmo passo. olhado o assunto dêste ângulo. Assim. conforme o axioma da profissão — a 110 Hans van Eckardt — Fundamento de la politica — Santiago. por mais anódima que pareça. Cumprindo êsses itens. lhe disse: “Não queremos artigos de pensamento.”113 Não faz muito. possuimos Constituições tão impraticáveis como bem intencionadas e tão insustentáveis como insuficientes.” Um outro confessou: “Eu não cuido de publicar editoriais. e ganha em estabilidade e segurança. à sua função rectora. reunido em Washington. os povos felizes.diante de problemas e aspirações novas. defendemos ideais antiquados em que ninguém crê já e discutimos fórmulas que perderam o seu sentido. se em que inspirados pela reflexão do homem. porque os títulos são os meus editoriais. 57. 137. — pag. mais. .informar tão objetiva e verdicamente quanto possível ao público. enquadrados num sistema filosófico. não podem dispensar e concurso da fôrça de promoção da imprensa livre. — Obra cit. 59. quando exige o seu respeito mesme se a lei emudece ou quando reclama. sob os auspícios da União Panamericana: “não é a página editorial que agora governa as idéias. porque da observação constante do jornalismo atual podemos concluir que os fatos. de poder de decisão. conduzindo-os à ação. respondendo a uma questão. que faz os governos fortes. 113 Atas do Primeiro Congresso Panamericano de Jo’nahstas — Washington. a troca de normas jurídicas já consideradas antiquadas. servir de meio de expressão à opinião pública. por conseguinte. o que levou Hans von Eckardt a escrever: “Na atualidade. é que o jornalismo desempenha missão política e social de tão elevada importância. E talvez mais.”112 Aceitando essa premissa. que torna.”114 Os veículos jornalísticos “independentes e noticiosos” dos nossos dias não renunciam ao direito e ao dever de opinar. cedo ou mais tarde. porquanto. “sòmente pela verdade pode-se realizar o difícil equilíbrio entre a autoridade.

desde o Osservatore Romano. A. Essas modalidades do jornalismo indepen‘dem dos veículos de que se utilizam: tanto surgem na imprensa diária e periódica como no rádio. cuja meta inicial foi efetivar o primeiro dos nove objetivos da Associação Brasileira de Cronistas ltadiofônic4s: “interpretar o pensamento. um e outro. constitui exemplo frisante do jornalismo.através da qual o Estado efetiva a exploração tio “ouro negro” em todo o territorio nacional. do Vaticano. morais e sociais do catolicismo ou do cientificismo cristão de Mry Baker Eddy. nem mesmo o nosso corpo. Há. variando de acôrd o com as tendências ou exigências do público. livre. Boa Vontade. bem como a uma estação de rádio adquirida pelos adeptos de um sistema filosófico recente. salvo quanto à imprensa comunista e aos diários e periódicos religiosos. “diversos jornais. até o Christian Scienee Monitor. cujos principais ‘Srgüos foram fechados pelo próprio partido na ilegalidade. utilizando e dignificando o rádio. o seu movimento: “Confiei minha vida inteiramente a Deus para dedicá-la inteiramente a essa obra de solidariedade humana. Que todos se lembrem.nista de Bordeaux e o jornal conservador de Clermont Ferrand se apresentam. e de uru jornalismo ideológico — aquêle que possui um complexo de idéias que visa difundir e sob cujo crivo faz passar todos os seus julgamentos e opiniões. notadamente à comunista. tendo em vista obter uma clientela maior.117 e do nacionalismo econômico. o que poderia deixá-los aparecer como comunistas. No Brasil. registrando os acontecimentos e como que nêles pondo as inferências acaso extraidas. por vêzes. ideológico.. Por isso. . movimento filantrópico de fundo místico. Mesmo a maior parte dos jornais comunistas quotidianos jexe]uem do seu título ou do seu sub-título. hoje inteiramente dedicado à Campanha que criou. Típicas dessa orientação do jornalismo brasileiro são as posições tomadas diante das campanhas do monopólio estatal com referência exploração do. e sujeitando tôda a sua política editorial aos princípios religiosos. proclamando sua orientação pelo nome ou em sub -título que o acompanhava. sob o argumento de que estavam por demais identificados como comunistas. O jornal comu. inação. que vai dia a dia derrubando as antigas barreiras da reação e consolidando uma inexpugnável posição nas esferas políticas e administrativas — o 115 Essas considerações de Jacques Kayser. inflexível. como jornal republicano de infor-.” 117 Sigla da companhia estatal — “Petróleo Brasileiro 5. mesmo agressiva. na TV e no cinema. os jornais desfraldavam sua bandeira. com caráter monopolista.. em nenhum sectarismo religioso. Os homens e as instituições que têm recursos estão sendo convocados a ajudar a Camparâ’ da Bõa Vontade por um Brasil Melhor. é o bem ou o mal que fazemos e que vai conosco para a Eternidade. a tempo. também podem ser feitas quanto à imprensa brasileira. antes repudiada pela grande imprensa e abraçada e aceita pela mesma depois do fato consumado da fundação da Petrobrás. os jornais indicam apenas: jornal de informação. parece-nos mais preciso falar ‘de um jornalismo eclético — aquêle que não subordina os seus juízos a uma determinada doutrina. a predominância é da orientação clara. num determinado momento histórico. de Rádio. de que no mundo nada é nosso. adquirida em 1955 pela Campanha da.. direta. por seu turno. órgão republicano de informaçao.116 o jornalismo eclético é o mais praticado e o de maio penetração e influência na coletividade. assim definiu para o Anuário. escolhido e exposto com maior ou menor ênfase e o comentário foge a qualquer rigidez ideológica. camuflam a sua verdadeira tendência. Hoje. visando um fim pré-estabelecido. Nosso.”115 Diante dessas ponderações. a expressão cultural e cívica do povo brasileiro”. 116 A Rádio Mundial do Rio. parcial. criado pelo ndialista Alziro Zarur. Na hora da morte é que se vê que ninguem é dono 4e coisa alguma nesta terra..” . politico ou social. as aspirações e os reclamos. certos gêneros de divulgação em que o ecletismo e ideologismo jornalístico se manifestam inequivocamente. Alziro Zarur. petróleo. ao veículo jornalístico que se declara abertamente filiado a uma corrente ideológica ou a um partido político. em destaque. o fato é colhido. No outro.. Antes da guerra de 1914. Ocorre que o público olha como suspeito. A imprensa religiosa. de Boston. . apaixonada e. no texto citado na nota anterior.informação é sagrada e o comentário. entretanto. em 1954. No primeiro caso. O conhecido “magazine” norte-americano Seleções do Reader’s Digest é um órgão da imprensa tìpicamente eclético e a sua própria tendência atual anti-comunista nada mais reflete do que o estado de espírito do seu público diante do conflito oriente versus ocidente. verdadeiramente nosso.

editoriais na Imprensa. a adotá-lo e apregoá-lo. crônicas. filmes documentários e programas de rádio e televisão. até ontem alheio e restritivo. através não sàmente de um vasto noticiário como de reportagens.que leva o nosso jornalismo eclético. .

Agente Ativo Balanço do Trabalho do Público-Agente O EDITOR O Editor Financista O Editor Idealista O Estado Editor O Estado. TERCEIRA PARTE OS AGENTES DO JORNALISMO Contém: O PÚBLICO O Público. Editor Idealista O TÉCNICO Fase da Manufatura Fase da Mecanofatura O Problema da Automatização Jornalismo e Automatização O JORNALISTA A Vocação do Jornalista A Curiosidade Comunicativa A Fecundidade Jornalística A Objetividade A Discrição O Senso Estético .

do público e para o público. ouvir ou anunciar nos demais. e o produtor que não atender a essas manifestações correrá o risco de ser forçado a suspender as suas atividades. Agente Ativo — O público. a vida social seria impossível e o próprio Robinson Crusoé. é também agente ativo. Essa espécie de cooperação do público. a fornecer fotografias e desenhos sem nenhum intuito de ganho ou interêsse 118 “Uma nota de música existe. limitada ao aspecto econômico. constatamos que o jornalismo tem a sua causa e o seu objeto no organismo social. As notas podem ser impressas. não são completas. O-12-57. nenhuma coletividade dispensa o jornalismo. 20% da circulação. empastelando. Em qualquer dessas atitudes. É êsse grupo que não se pode decepcionar. cooperando decisivamente na obra periodística.. mas efetivada com absoluta constância e sem exceção. a orquestra toca-as. quando por qualquer motivo não lhe agrada o jornal. o técnico e o jornalista. depredando. o que ocorre com maior freqüência do que se pensa. pois não encontrará exibidores dispostos a arriscar o seu patrimônio. 119 O leitor não é. quer como anunciante. E neste último enunciado está a atuação do público. Escreve. o público pode ser leitor. um complemento econômico ao funcionamento da imprensa. Babbits. Comprando os periódicos. O jornalismo é feito. adquirindo aparelhos de rádio e televisão. Cit. pelo público. Através de tudo quanto ficou dito até aqui. As manifestações de protesto e aplausos também podem ser fàcilmente constatadas nas salas de espetáculos. quando a sua contribuição é intelectual e direta. As platéias aclamam ou pateiam vigorosamente.mite.119 É o caso dos repórteres amadores. especialmente na imprensa. como o verificaremos a seguir. o público está sufragando as despesas do jornalismo e. Horton — Art. ouvinte ou espectador. como o são o (ditar. Horton — Art. que conhece todos os truques e sente tôdas as distorsões de preconce debate interessado. em cere. quando há um público sensrve para escutá. satisfazendo as exigências fiscais para o pagamento de taxas pela posse de receptores ou concorrendo. Fica anenas um som difundido sem receptor. apenas.118 E também. segundo a minha estimativa. a fim de que lhe fôsse possível viver em harmonia com êle. o público deseja ser informado. O caso do jornal é idêntico: as coisas acontecem. pois. O PÚBLICO De acôrdo com as manifestações jornalísticas. no rádio e na televisão. O que equivale a dizer ue o público é um dos agentes do jornalismo. — Rod W. em certos casos chegando mesmo à violência. Recife. contudo. os repórteres escrevem. destruindo as máquinas que tornam possível a existência e funcionamento do veículo informativo.. pois.” — Rod W. apenas. muitas vêzes. citado — Comercio. rotativas rolam e as bancas se abarrotam com as fôlhas do dia. O Público. é também parte das implicações filosóficas e morais do têrmo. irritando o público. conseqüentemente. Vale observar que a passividade do público não é absoluta. a emissora de rádio ou de televisão o decepciona. Mas tudo será em vão se não houver leitores ávidos para ficar a par dêsses acontecimentos e saber as interpretações e opiniões dos redatores. daqueles que estão constantemente a informar às redações e emissoras fatos e ocorrências do seu conhecimento. . ao editor ou comparece às redações e sedes das emissoras para fazer o seu protesto. nem sempre se limita a deixar de comprar o primeiro. incendiando. entrou a tentar informar-se e transmitir-lhe informações. quer como assinante ou acionista para manutenção e desenvolvimento dos veículos jornalísticos. Sem a informação e a orientação que o jornalismo trans. receber orientação e oferecer o seu contributo à realização periodística. exercida consciente ou inconscientemente.la. distrair-se. durante as exibições cinematográficas de jornais de atualidades. nós a chamaríamos de passiva. emocionar- se. Nenhum povo. pagando os ingressos de cinema. mas sem público para ouvi-las elas não vivem. porque além dos Georges E. lo go que se pôs em contacto com “Sexta-Feira”. Constituem uma censura moral porque são dos e são articulados e são capazes de escrever cartas corruscantes à redação injusta. há os leitores inteligentes e agudos que constam.

Por vêzes. dos apelos e denúncias dêstes agentes em programas televisados é que se tem podido. cavalo. das cartas dos leitores ou rádio-ouvintes. do produtor da “opinião do ouvinte”. criticam. êsse tipo de agente do jornalismo chega. em muitos caso. tendo-se augmentado os valores de quasi tôdas as mercadorias. de apêlo do proprietário ao público. de Documentação e Cultura da Prefeitura Municipal de Recife. Por exemplo. alguém brada: “Estando geralmente hoje todos os gêneros por um preço quase duplo. inclusive através dos pequenos anúncios. Através das reclamações. Preço em brochura — 2$560. — pelo possuidor. no seu bairro. apelam. sôbre os temas e problemas em foco. e em que se definem não só objetiva como subjetivamente mil e uma relações não apenas entre pessoas como entre pessoas e coisas e animais. de venda. São êsses amadores que cooperam de boa vontade nas enquêtes. ultimamente adoptada pelo Exmo. denunciam e opinam sôbre tudo quanto ocorre na sua rua.“Notícias e anúncios de jornal” — _ Recife. ao elaborar um relatório sôbre a Prefeitura 120Amaro Quintas . Isto é. de casamentos. funcionando como extras ou informantes gratuitos. formas de linguagem. em prefácio a uma “plaquette” de Amaro Quintas. etc. apurar as reais condições de países e regiões submetidas é um regime de censura e restrições à liberdade de informações. mesmo.profissional.. e custando alguns mais ainda.” Dois exemplos recolhidos nesta preciosa “plaquette” do historiador e professar pernambucano são suficientes para comprovar as conclusões de Gilberto Freyre. dos correspondentes voluntários. de reclame de coisa ou de animal possuido — móvel.“—(pág.120 se ocupou ao salientar a importância da sua colaboração. a pagar para a divulgação das suas informações. Ou com o romancista Graciliano Ramos.. na sua cidade. carruagem. vestido. nos concursos e certames. a que Amaro Quintas ajunta o comentário: “Avaliamos o esfôrço intenso desenvolvido pelas crianças de então para conseguirem apreender a evolução do nosso passado em um livro que fugia inteiramente às normas pedagógicas exigidas por um manual de classe” (págs. papagaio. formas de expressão. casa. Sôbre “o critério didático usado no ensino da história no curso primário”. de descrição exata do homem explorado pelo homem explorador. para as escolas. do redator da “carta dos leitores”. tão sòmente para atender àquela ânsia de transmitir novidades ou a sua própria “visão” dos sucessos aos veículos jornalísticos. Vende-se no pateo do collegio. nas mesas-redondas do rádio e da TV. que noticiam. que talvez marque uma das mais nítidas contribuições nacionais ara os modernos estudos de sociologia ou antropologia social de história sociológica. ao redigir uma carta sôbre a devastação das matas pelas “queimadas”. comentam. de acontecimentos de interêsse de um mais limitado círculo de indivíduos que constituem o público. Grandes escritores se têm revelado ao mundo intelectual escrevendo para as seções “solicitadas” ou de queixas da imprensa. o seguinte anúncio inserido no “Diário de Pernambuco” de 2 de setembro de 1851: “Vendas. preço encadernado — 3$200”. sendo a nossa moeda inteiramente fraca. de 22 de dezembro de 1844. daquela linguagem de compra. remetendo-a a “O Estado de São Paulo”.. Sôbre a carestia de vida e desvalorização da nossa moeda: No “Diário Novo”. de aniversários. carta que marcou o início da sua brilhante e atuante carreira intelectual. Como ocorreu entre nós com Monteiro Lobato. É também o caso do reclamante. . presidente da provincia como compendio de leitura e historia do Brasil nas escolas primarias. quando enche as colunas ou preenche o tempo de emissão radiofônica com notícias de óbitos. cuja “utilização sociológica alcançou já uma amplitude nos estudos brasileiros de ciência social sôbre base histórica. loja de livro azul a sinopsis do general Abreu e Lima. Dêstes agentes do jornalismo é que Gilberto Freyre. Pois não se trata de simples utilização sociológica ou antropológica dos anúncios de jornal pelo que êles trazem de substancialmente valioso ao pesquisador do sacio do homem ou da realidade social do Brasil — ou de qualquer pala ou região — a procura simplesmente de fatos pelo que apresentam — além dessa riqueza de substância de formas de sentimento. sapato. em que a realidade social se reflete de modo mais puro que noutras linguagens. de sedução do comprador pelo vendedor. 24). 17-18).

os autores de relatos especiais sôbre feitos e realizações que os tornaram “nomes que fazem notícias”: um Príncipe Yussupov narrando como matou Rasputin. óbitos. de certo modo. Pois. analisou o exemplar do “Jornal do Comercio”. oferecem dados sôbre as suas atividades relacionadas com o interêsse coletivo. em média. A princípio. que concedem entrevistas. 1943 — Págs. como agentes do jornalismo nesta categoria. levados ao écran da TV e às películas cinematográficas. ponto inicial dos estudos sociológicos que o tornariam conhecido e ilustre em todo o mundo. etc. edição comemorativa do centenário de sua fundação. um pequeno ensaio de que resultaria a obra “Casa Grande & Senzala”. Associações. Ou. na sua totalidade. ainda. um jornal de 24 páginas122 e sem muita dificuldade identificaremos quatro de 121 Porter & Luxon. 4ª página — Dados estatísticos sôbre o açúcar brasileiro. publicando-o no Diário Oficial das Alagoas. estatísticas e avisos. os poetas. rádio e TV) é de autoria e responsabilidade do próprio público. os organismos estatais. as entidades associativas. que estão constantemente a divulgar comunicados. vencedor do Prêmio Esso de Reportagem de 1957. ainda. E. — e uma correspondência de leito. desinteressados de retribuição financeira. ou. que adquirem direitos sôbre essas colaborações e as vendem aos veículos jornalísticos. 361-362 122 O autor. ou divulgam resenhas de reuniões e assembléias. em alguns casos as agências designam. 2a pagina — Secção Onibus — (um quarto de página). os partidos políticos. 5ª página-Fotografia com texto. previsões meteorológicas. são os colaboradores não remunerados. nos quais se abordaram assuntos da atualidade.de Palmeira dos Índios. anteriormente. os artistas. formato 63. por último. redatores. um sexto do trabalho jornalístico oferecido ao público pelos veículos de divulgação (imprensa. do êxito obtido pela publicação de tais relatos especiais (que também são radiofonizados. fornecida pelo “public relations” a tôda a imprensa local — (2 x 20). ainda. ao escrever estas observações. que fazem parte do público e como público permanecem. sem perigo de êrro. referindo-se a êsses autores — aviadores. boletins de câmbio. os técnicos e “experts” em todos os ramos. Tomemos. — (3 x 15). do Recife. que pronunciam conferências distribuindo súmulas à imprensa ou falando diante de microfones e transmissores de TV ou dos aparelhos de filmagem de atualidades. e dos mais assíduos.121 Devemos incluir. foram levados ao conhecimento público. desportistas. x 25) resenha de uma sessão da Associação di Fornecedores de Cana de Pernambuco. êsses agentes do jornalismo eram. desenvolvimento do serviço público. artistas famosos do cinema. as emprêsas privadas através dos seus departamentos de relações públicas. distribuida pelo Esso Standard do Brasil. retificando informação. por exemplo. mas atendendo ao interêsse de outras camadas do público. 32ª página Nota oficial da “Escola de Engenharia de Pernambuco sôbre uma greve de alunos — (2 cole. os dentistas. horários e avisos diversos.fantasmas para compôr o relato do “nome famoso” que só faz assiná-lo — Vide “Manual dei Periodista” — La Habana. as igrejas. Gazeta Forens Pela Instrução (excetuando-se nesta um . fornecidos pelo IBGE — (1 x 25). que. nasci mentos. conferências. na verdade. um Caryl Chessman detalhando os seus crimes. edição de 22 de outubro de 1958.5 x 36. com Gilberto Freyre. — descreem da sua repentina “vocaçao Literária” e lembram que. em face. “notas oficiais”. os caminhos que trilhou e que o levaram à cela da morte de San Quentin. dada anteriormente pelo jornal — (um quarto 4 página) 12ª página — Carta de uni “turfman” sôbre o seu afastamento de cargo na diretoria do Jóquei Clube de Pernambuco — (2 x 15) 14ª página — Seções: Noticias da Marinha. uma Edda Mussolini escrevendo as suas memórias. que escrevem sôbre a sua especialidade. outra classe de ag entes do jornalismo. os sindicatos de classe. nos quais expressam atitudes ou formulam manifestações para esclarecer certos pontos que. cotações da praça e dezenas de outras matérias que os veículos de publicidade divulgam sem permuta de dinheiro.0. retificando-os ou ratificando-os. freqüentemente) entraram a funcionar agências especializadas. identificando as seguinte matérias jornalísticas não redigidas pelo corpo de jornalistas dêsse órgão da imprensa brasileira. etc. 6ª página — Diversas notícias na secções “Registro” e “Assuntos Sociais” — aniversários.legenda de uma homenagem prestada em New York um jornalista. porém. Balanço do Trabalho do Público-Agente — Pode-se asseverar. Nesta modalidade de trabalho jornalístico estão incluídos os informes sôbre atos oficiais. ao publicar no “Diário de Pernambuco”.

exigindo especialização e treinamento... televisão e cinema) não seria possível a existência e multiplicação dos veículos periodísticos. O financiamento de um filme é uma operação completa. atuando no plano econômico-financeiro da obra periodística. muito raramente o editor é. Mesmo sem páginas de pequenos anúncios. hoje. na sua generalidade. Quanto ao rádio e à televisão.matéria extra-redacional. Rivero — Techniques de formwtion de l’opinion ia VOpinion publique — Paris. jornalismo negócio. o editor era o Estado ou um dos seus Poderes — Executivo e Judiciário. como tipógrafo o e impressor. sociais.”124 Em face disso. Na primitiva fase do jornalismo oral. atingindo profundamente os processos de difusão e exigindo a inversão de grandes capitais para o seu estabelecimento e manutenção. fornecida pela 7ª Região Militar ainda fêz incluir na 22ª página. 124 J. a principal responsável pelo surgimento editor como uma figura com caracteres próprios. Quanto ao cinema. na época do “praetor” e do “ceryse”. “São êles os que querem “fazer dinheiro” comentário do redator). seja político ou filosófico. quer na do telejornalismo — o ouvinte ou o telespectador interessado poderá igualmente apurar o tempo tomado pelo público. que reclama um homem de negócios: em 1949 avaliava-se o preço de um “longa metragem” em 43 milhões aproximadamente. obituário. o trabalho do leitor agente apresentado na edição estudada ultrapassa a média calculada pelo autor. Foi a evolução da técnica. que se constituem — como já foi salientado . mais tarde. que tira 170. distribuida pelo Departamento de Relações Públicas do Banco do Nordeste do Brasil (um quarto de página). representa um grupo. enfim. na maioria dos casos como um monopólio estatal. solicitadas e grande parte dos “pequenos anúncios”. o editor é uma personagem distinta dos demais agentes jornalísticos. Um quotidiano. distribuída pelas seguintes secções: informações diversas. p da secção “Jornal da Praça” — Meia página. tem avaliadas em 822 milhões de francos as suas despesas para o ano de 1953. a improvisação. 1957 — pág. atualmente.. o elemento técnico se conjuga aqui com o elemento financeiro para reservar a emissão a um número de emprêsas estritamente limitado. 123 Quando estudarmos. 19ª página — Secção “Uma caridade por dia” e matéria sôbre artesanato no nordeste. o leitor verificará que as manifestações modernas do jornalismo oral continuam sob o controle dos governos. seguros observadores estimam que o capital necessário para a criação de um jornal quotidiano se situa entre 500 milhões e 2 bilhões de francos. correspondência do leitor.123 ao tempo do jornalismo manuscrito. notas econômicas. bem como criando sempre novos veículos. verificando como é expressiva a sua colaboração à obra jornalística. e 24ª página — Nota sôbre o uso moderado de m nas manobras militares próximas. estão a espontaneidade. ao mesmo tempo que reclamam do editor um quase desligamento de qualquer outro setor. antes de mais nada. Por isso mesmo. E entre as características da atuação do público. salvo casos excepcionais. O EDITOR Sem editor (e nesta designação incluímos os proprietários e emprêsas proprietárias ou concessionárias de rádio. seja econômico. vez que a técnica periodística utilizada é mais complexa. O Editor Financista — Para a primeira categoria de editôres. confundiam-se as figuras do editor e do jornalista. na atualidade. um convite a candidatos ao CE Preparação dos Oficiais da Reserva (2 x 25). é o principal agente do jornalismo. como agente jornalístico. que chamaremos financista. ligando-os entre si apenas relações de interêsse. adiante.em autênticos retratos do momento e das condições sociais e econômicas reinantes. . a figura do Estado Editor. senão os ligados à gerência industrial e comercial da emprêsa. do ponto de vista da realização material. ao surgirem as primeiras tipografias — e ainda hoje em muitas localidades menos desenvolvidas ou mais apegadas às suas tradições — o editor era também jornalista e técnico. a percentagem será talvez menor. um indivíduo.000 exemplares. o menor esfôrço. Efetivamente. Quer na parte do rádio. seja o próprio Estado. o editor. os meios financeiros exigidos para a realização do jornalismo ultrapassam a capacidade individual. emancipada dos demais agentes. 23ª página — secção Repartições Públicas (3 x 25). “Na França.

ela é inútil. como o fariam com o petróleo ou os produtos químicos. é inexato. as colunas de sociedade. agitam a opinião coletiva. organização e administração de um jornal independente: “Eu semp re admirei e fui inspirado e auxiliado pelo credo de Joseph Pulitzer. a seguir.”127 Isso não quer dizer que o editor- financista não permita sejam focalizados nos seus veículos assuntos na ordem do dia. da circulação. Preocupar-me-ia principalmente com descobrir se o jornal dispunha ou não dos homens e mulheres que sabem comprar boas historietas em quadrinho e as melhores palavras cruzadas. é precioso o depoimento de Henry Robinson Luce. 127 Jacques Kayser — Presse a Opinion — Obra cit. uma razão pode ser dada: — o interêsse dos anunciantes que pertencem. os jornais americanos tornaram-se quase todos êles sérias emprêsas de negócios. 126 Conf. naturalmente. Nesse sentido.” Figura. 285. sim. então me permitiria o luxo de alterar o noticiário nacional e internacional. Também pode adotar um “código de ética” que. Quando achasse que tudo isto estava sendo bem feito. nenhuma ideologia. O resto é “entretenimento”. Em minha vida. — pág. E exclui. — pág. Além de outras. como o aconselhou o norte-americano Sheldon F. Pode-se decerto citar casos — entretanto muito raros que mostram que anunciantes têm feito uma pressão direta sôbre jornais. uma coalisão permanente. a hipótese de achar-se proprietário de um jornal americano típico e mostra como agiria: “Eu não prestaria a mínima atenção a princípio às colunas de noticiário das páginas 1. Como já se observou. ou reduz ao mínimo.” Não cabe neste capítulo. Tentaria publicar com a maior freqüência possível o nome de todo mundo na cidade — e os retratos também.com o jornal. Sackett.P. Mesmo porque êste jornalismo financial. Há. o pensamento. deixado para o St. Mas parece que êsses meios de pressão são cada dia menos utilizados. uma discussão circunstanciada do importante tema da sua influência na orientação filosófica do jornalismo nêles praticado. 119.. em sua maioria.. o rádio ou o filme. tomando posição em questões que. “a questão se põe e saber se a publicidade tem uma influência direta sôbre a imprensa. . Aqui. excluindo-se as colunas pessoais e sociais. havendo pequena percentagem de notícias sérias. no momento. escrito para situar a ação do editor na feitura dos veículos jornalísticos. falando sôbre a fundação. Louis Post Dispatch. falando a estudantes de jornalismo e membros da Associação dos Proprietários de Jornais de Oregon. Capítulo precedente sôbre jornalismo ideológico. 1958. editor de Time e Life e. a menos que a polícia tivesse pôsto pelo menos um pé do cidadão na cadeia. o velho. as páginas culinárias. conferirá nobreza ao jornalismo praticado. Observaria cuidadosamente as páginas femininas.126 Dizia êle que o jornal americano típico contém apenas 15 a 20 por cento de notícias. ligados também êles ao “big business”. um só objetivo — atingir o maior público para obter maiores dividendos. porque o editor dêste jornal pensa como êle mesmo sôbre as relações com o mundo do trabalho. notadamente quando o ponto de vista exposto já obteve a sanção da grande maioria da coletividade e do próprio Estado. procura antes de tudo agradar ao público para aumentar a clientela. É raro que o diretor de urna grande emprêsa privada reprove a tendência social de um grande jornal ao qual distribui a sua publicidade. o ecletismo é o seu lema. Dizer-se que há pressão. E. — Rio. No tocante à linha editorial. 128 V. e êstes em favor dos entretenimentos. quando abandonou o contrôle daquele 125 J Rivero — Obra cit. de tudo quanto esteja à margem das preocupações quotidianas. Wilson Velloso in Anuário da Imprensa. tendo a sua base na publicidade.”125 A sua ação é quase que limitada aos setores da publicidade. pela extensão dos conceitos nêle inseridos. Rádio e Televisão . do pitoresco. ao mundo dos grandes negócios é da mesma natureza que o interêsse dos proprietários de jornais. do que entorpece os sentidos fazendo-os escapar às difíceis conjunturas da vida.N. sôbre os contrôles do Estado. 2 e 3. não diria uma palavra desagradável a respeito de ninguém. Vimos128 que o faz. das relações públicas. sôbre os impostos. em proveito dos fatos. E indaga: “Por que esta tendência ao divertimento e às “features”? Evidentemente — êle próprio responde — por que é aí que reside a vantagem e por aí entram os lucros.

tais como números e asteriscos no jornal. locutores e jornalistas brasileiros figuram no seu pessoal para filmagem. Tenho a intenção de pedir ao filho dêle licença para usar no meu jornal essa afirmação de princípios. nunca temerá atacar o mal. Fotógrafo e cinegrafista francês. o editor- financista cerca-se de uma equipe de “experts” que orieffta e executa a sua colaboração: — a informação e o comentário pagos por terceiros interessados e que a ética determina sejam assinalados por características. que representou o cinema brasileiro no Festival de Cannes. 600. seja a plutocracia predatória ou a miséria predatória. participou do “staff” de “O Cruzeiro” e terminou por fundar a Jean Manzon Films S. o seu negócio. as companhias de aviação. que o jornal sempre lutará pelo progresso e a reforma. tendo a emprêsa de recorrer à publicidade: departamentos governamentais. onde passou a dirigir a seção de fotografia do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). sempre se oporá às classes privilegiadas e aos exploradores do público. quanto aos princípios cardiais. ao tempo da ditadura estadonovista. percebendo vultosos salários. ed. o público encontrará esta “trade mark” no jornalismo do editor. cinegrafistas. exibidas com bôa acolhida no país e que sem dúvida constituíram excelentes meios de promoção para aqueles diários.).emissoras em todo o mundo. a retirada de Dunquerque e foi condecorado por bravura no desempenho de suas missões. organizações de economia mista.130 “slogans” informativos nas rádio-emissoras e nos luminosos. de 5-11-1957. que nunca se filiará a nenhum partido. entre outras de “atualidades” ou como documentário. e Departamento de Obras contra as Sêcas. cujo número se eleva a mais de uma centena. o editor é um agente destacado da 129Publicidade & Negocios — Rio. Botelho Filme produziu uma curta. Manzon iniciou a sua carreira no Paris Match e teve destacada atuação na 2ª Guerra Mundial. será sempre ciosamente independente. Quer transcrevê-la? Aqui está: “Sei que a minha retirada não produzirá diferenças. sociedades privadas. no rádio e na televisão como programa de interêsse coletivo. o seu comércio. em média. faixas sonoras especiais no rádio. leitura e redação dos “scripts”. no serviço cinematográfico da Marinha Francesa. Um filme documentário de 30 minutos de projeção custa. como o Ministério da Viação. tendo êxito em todo o Inundo. No Brasil.500. 130São numerosos os documentários sôbre grandes jornais e rádio. após criar o New York World. No Catálogo de Filmes do USIS . objetivando aumentar o seu próprio público.000 cruzeiros. em 1907. Em seguida.jornal. nunca se satisfará com apenas publicar notícias. que freqüentemente surge camuflado: no çinema. porém. legendas ou “slogans” próprios no cinema e na TV. (“Country Editor” — P&B —17 mm.A.” 129 AJim de que o seu jornalismo não fuja ao principal objetivo (econômico-financeiro). A. “Samba Fantástico”.metragem sôbre “O Estado de São Paulo” e Jean Manzon uma outra sôbre “O Globo”. a Petrobrás. nunca negará piedade aos pobres. custou-lhe cêrca de 1. Col. focalizando o funcionamento de um jornal independente em Littletown. cartazes e outros meios de divulgação. As produções de Jean Manzon. são apenas exibidas no país e os direitos de distribuição que lhe são pagos pela União Cinematográfica Brasileira (UC) são insuficientes para amortizar o investimento. . Além de películas exibidas nos cinemas e televisadas. nos jornais e revistas como matéria redacional. atraiu técnicos europeus para a sua “entourage”. A maioria dos “jornais cinematográficos” brasileiros está neste caso: uma instituição financia a realização da película para a inclusão de cintas focalizando o seu trabalho. A emprêsa tem um patrimônio estimado em 12 milhões de cruzeiro s. quando filmou. Pode-se constatar a veracidade desta assertiva nos filmes produzidos por Jean Manzon. Como agente. que sempre combaterá os demagogos de todos os partidos. o editor não limita ao seu próprio veículo de publicidade o contributo na realização jornalística pois êle. no nosso país. inclusive. por sua vez utiliza outros veículos para a sua propaganda.para 1957. que recebe do anunciante e dêle se faz porta-voz. excetuando-se a já citada. ainda não recuperados. em 1955. Nem sempre. como edição especial das atualidades. encontramos referência a dois documentários.000 cruzeiros (cálculo de outubro de 1958) e o próprio Manzon confessa que a sua mais famosa realização. sempre continuará dedicado ao bem público. Transferiu-se para o Brasil. (“Small Town Editor” — P&B 18 mm) e a labuta de um jornalista editor de um semanário no interior dos Estados Unidos.

um grupo representativo de uma corrente filosófica. do Estado que mais eficazmente proteja a sua atividade. têm campo mais limitado. êsse tipo de editor não deseja tirar proveito financeiro da exploração do jornal. Daí conferirmos a esta classe de editor a designação de idealista. para manter-se. em Havana. Assim. 132 Órgão típico dessa orientação é o Christian Science Monitor. aceitar publicidade de “cabarets” onde se exibem espetáculos de nudismo. Diretamente. Rádio e Televisão. o jornalismo praticado objetiva criar no espírito público disposições favoráveis aotleno desenvolvimento das suas idéias. onde atualmente se destacam apenas duas publicações no gênero: Indicador dos Profissionais da imprensa.131 O Editor Idealista — Quando o agente editor é constituido por. por questão’ de princípios religiosos. do seu programa. eis o que nos ensinam Helio Hoeppner e Oswaldo Mariano 133 referindo-se à propaganda para um jornal de emprêsa: “Deve-se aceitar uma publicidade consentânea com o grupo ao qual é dirigido o jornal. das elites que melhor entendam e prestigiem o seu trabalho. escândalos. costa do Atlântico. ambos no Rio — magazines especializados circulam em todo o mundo com a maior aceitação. Entre êstes figuram Editor & Publisher. da TV ou do cinema. ou política ou de uma atividade de produção (órgâos de publicidade religiosos. editado pela Empresa Jornalística P. E se bem que a emprêsa reclame bases industriais e comerciais para a sua manutenção.). as suas quatro edições diárias (city edition para Boston e Mass. Fato curioso é que todos os’ jornalistas e gráficos dêsse órgão se abstêm de fumo e bebida. dos seus interêsses ou das suas pesquisas. dos seus correligio nários. norte- americano. assassínios. o nível intelectual e os níveis econômicos dêsse grupo. pelo campo doutrinário e político do organismo a que se filia ou serve. O editor idealista não se permitirá. Cuba. 1967 — pág.. de organismos científicos. sociedades e sodalícios científicos ou artísticos: por sua própria natureza. retratos e discursos de personalidades políticas devem ser recusados como matéria paga.imprensa especializada em jornalismo e em “magazines” que possuem seções de notícias e comentários sôbre essa atividade. mensário editado para as Américas.132 Iguais restrições às fontes normais de receita e atração pesam sôbre os órgãos editados por sindicatos ou associações de classe. 133 Relio Hoeppner e Oswaldo Mariano — Seminário de Orientação de Jornal de Empresa SESI — São Paulo. S/A. utilizar por conseqüência diversos dos expedientes para atrair o público. por vêzes. e o Anuário da imprensa. . do rádio. televisar ou filmar mulheres semi-desnudas. imprimindo à materia divulgada orientação religiosa. por isso. Na última página insere diàriamente um artigo de três colunas. etc. político-partidários. As “cartas do leitor” passam pelo crivo da redação antes de ser divulgadas. levando-se em conta a cultura. de sindicatos de classes. 131 Embora não muito comuns no Brasil. o grau de educação. ou fotografar. pois nesse setor o jornal de emprêsa deve manter-se dentro da mais rígida imparcialidade. cuja redação visitamos em 1954. Já no título não esconde a sua linha doutrinária. deve ser recusada in limine. promover concursos de beleza suspeitamente destinados a exaltar a graça e a eugenia. Não fará propaganda de outro credo filosófico.N. Propaganda política. A respeito dessas restrições e contingências a que se subordinam os veículos empregados e realizados pelo editor-idealista. não usará de subterfúgio para condenar aquilo que julga errado na doutrina pregada pelos ministros de outros cultos.. revista semestral de estúdos jornalísticos e defesa do jornalista. Pacífico e região central do país e internacional) são tidas na mais alta conta pelo publico de nível cultural mais elevado. por grupos intelectuais. Possui um dos corpos redacionais melhores e mais sérios da imprensa norte-americana e. intenta fazer crescer o número dos seus prosélitos. dos seus associados. dos seus clientes. notas elogiosas. o editor tem de conter o seu senso de negócio e as margens do lucro dentro dos limites estabelecidos pela linha ideológica. que o editor-financista não tem escrúpulo em empregar. Não se ocupa de escândalos ou crimes. e o Intercontinental Press Guide. por exemplo. dar relêvo aos “fatos diversos” — suicídios. Devem contar com prejuízos financeiros ou com o apêlo a contribuições extraordinárias do seu público para competir e. diário de Boston. 104. tanto no que se refere à publicidade como à popularidade. em inglês e noutro idioma. sob o cientificismo cristão. será inflexível no exigir do seu pessoal a mais absoluta conformidade com os princípios religio sos e morais que o inspiram. no caso de o seu veículo de divulgação ser religioso.

exigida pela necessidade de acomodação au grupo. ainda. mas do próprio temperamento e do prévio condicio namento sóeio. para satisfazer concretamente a algumas necessidades coletivas. A propósito. o planejamento e as realizações do poder público. Carlos Lacerda.136 Êsse exemplo concreto e êsse depoimento autorizado permitem concluir que. há então tôda uma gama de matizes que não concorrem para clarificar o nosso problema. Rivero – Obra cit. 120.N. E. que passa a caracterizá-la como sectária.Outra publicidade . a oportunidade de fazer as seguintes revelações: “A Tribuna da imprensa não se destina a ser um panfleto.” Mas.-cultural. 136 Publicidade & Negócios – Edição de 5-2-57. então “caracterizada menos como noticioso. nem em um magazine para crianças. encontra-o pondo-se a serviço de tal ou qual grupo de interêsse. Tal emprêsa puramente financeira. Nunca se destinou a isso. o que comprova a necessidade de um exame rigorosa e de um alto critério para a inserção de matéria paga em um periódico dêsse tipo. com a finalidade de pôr a serviço da comunidade instituições que. a rigor.134 que não deriva de nenhuma fôrça externa própriamente. O editor-idealista exercita nas emprêsas sob sua orientação aquela auto-censura de que falavam Kimball Young e Paul Sollier. criada para informar e formar a opinião. 135 J. além dêste motivo. clubes de jogos. matéria paga sôbre instrumentos cirúrgicos ou máquinas de contabilidade. pois não se faz jornal noticioso sem uma grande equipe de repórteres.” Teve. para constituir-se num eficiente e vitorioso agente jornalístico. as sentenças e decisões da justiça. os orçamentos. 1935 e Paul Sollier — La répression mentale — Paris. por si sós.. há entrelaçamentos mais ou menos admitidos..que também deve ser recusada sistemàticamente. o indivíduo ou 134 Kimball Young — Social Psychology New York. surgindo en várias condições e prOduZindo_se nos mais variados domínios uma censura social. Disse êle que “é mais fácil e menos caro fazer um jornal panfletário do que um jornal baseado na notícia”. não há departamentos estanques entre a atividade do editor-financista e do editor-idealista. “entre os grupos de interêsse e os partidos. os projetos de leis. Nem todos os anúncios podem ser aceitos em um jornal de emprê sa. Carlos Lacerda aponta como justificativa do panfletarismo na Tribuna. As ideologias não são sempre puras e os interêsses são por vêzes sinceros no seu consenso a tal ideologia. descamba para um extremismo de princípios.”135 Casos há em que uma emprêsa jornalística. sôbre a transformação operada naquele jornal. E. havendo um público sequioso de jornalismo e que deseja ver neste jornalismo um intérprete da sua opinião e um manancial de informação. diretor do vespertino Tribuna da Imprensa. individuais. cabarés.. tais como: estar em dia com os atos governamentais. redatores correspond entes e outros profissionais. Naturalmente. as estatísticas. 1929. outro fator — continua a revista — que o sr. essa emprêsa pode auferir grandes vantagens econômicas na nova posição assumida. Crise que continua. que se encontra em todas as esferas da ativi. nem um jornal científico.” Nem um órgão literário se permitirá publicidade de sabão ou charque. – pág. . do Rio. propaganda de luvas de box ou bastões de críquete. entregue ao dia-a-dia de maneira impessoal do que como um órgão de combate de sentido panfletário. que consulta sem dúvida nenhuma os seus interêsses. as normas e regulamentos.. O Estado Editor — Ao contrário das demais categorias de editores. coletivas e sociais. o Estado não visa o lucro financeiro. dade humana. mesmo materiais. que busca o proveito máximo. Por isso é que. sem um definido propósito ideológico. cabe tão sòmente conhecer o seu metier para conquistar êsse público e atingir os objetivos a que se propõe ao dedicar-se a esta atividade. é a referente a clubes noturnos. que é um processo psicofisiológico Psicossociológico. o conhecido jornalista e editor. ao editor. então. ao contrário do que se pensa. que deve ser prestado pela administração como qualquer outro. ou não deve ser pleiteada. foi abordado pela reportagem da revista F. a infiltração do panfleto no jornal resultou de uma fase de crise na da nacional. Utiliza os veículos de publicidade como um “serviço público”. nem o proselitismo ideológico. estas ligações se operam por processos os mais diversos.

ou seja: financiamento autoritário. não se destina a oferecer lucros. seja direta seja indiretamente. taxas cambiais especiais para aquisição de maquinaria e matéria prima. a parte do Estado na França. o público do rádio ou da televisão. se se trata da imprensa. neste terreno.”138 Mesmo nos países em que as emprêsas jornalísticas (seja da imprensa. Na França. avalia-se em 15 bilhões por ano a ajuda do Estado à imprensa. contestaram que a liberação do mercado de papel garantisse tais meios. também. sob pena de afetar a economia privada com perigosos reflexos no sistema econômico nacional. é também o grande redistribuidor da riqueza nacional. culculada em 45%. o ideal será que os seus orçamentos tenham equilibradas as receitas e as despesas. já pelo astronômico montante das inversões. Apenas The Tirnes defendeu o ponto de vista do que “o exercício da liderança política e moral que a Grã-Eretanha ainda possa oferecer às nações depende. de terem os seus jornais meios de desempenhar adequadamente as suas funções’ isto é. a Agence France- Presse recebeu. na Itália e nos 137 “A emprêsa de emissões não pode contar com nenhuma espécie de receita direta. a sua economia é protegida pelo Estado. Daí porque o Estado-editor não pode. como nos Estados Unidos e no Brasil. havia. em 1955. do Estado subvenções anuais muito vultosas. Publique — Paris. em benefício da coletividade. a Agence France-Presse. do rádio. como vimos acima. e sômente êle. mesmo aquêle de natureza industrial. vivem inteiramente às suas custas. em 1951. recebe. Isto não é tudo: a Sociedade Profissional dos Papéis de Imprensa. as reduções de tarifas postais consideráveis que lhes são atribuidas. desde que adquira o seu receptor. ou o financiamento pela publicidade. — págs. na Inglaterra. em parte. Para o cinema.137 Ora. Rivero — Techniques de formation de l’Opinion Publique in L’Opiniow. O rádio e a televisão que são monopólios. da TV ou do cinema) são exploradas por particulares. dois. considerando que. a éstes devoradores de dinheiro que são os jornais. a fonte de concessão de subvenções diretas ou indiretas. o seu alimento quotidiano. firmada pelo comentarista Joaquim Ferreira. que administra a quase totalidade das oficinas de impressão e as arrenda aos jornais por tarifas muito inferiores às tarifas normais. segundo correspondência de Londres para a imprensa brasileira. está ela na dependência de duas emprêsas públicas: a Sociedade Nacional das Emprêsas de Imprensa. quando diretamente explorado pelo Estado. como é o caso do rádio e da TV que. tarifas postais reduzidas. que monopoliza as informações das quais êles vivem. 121-122. terços destas estações estavam filiadas a quatro rêdes. o serviço público. 118. um dos raros países em que o rádio permanece. em princípio. Na maioria dos casos. tendo o governo extinguido o contrôle sôbre a importação de papel. como negocio privado. Os outros jornais. que centralizavam a publicidade de que viviam as diferentes emissoras e que elaboravam elas mesmas os programas retransmitidos pelas estações:” — Conf. Assim. os serviços públicos industrializados são deficitários. mediante isenções alfandegárias. com a dependência que ela implica.. concessão de freqüências e canais. uma subvenção de 2 bilhões e 300 milhões (francos).grupo de indivíduos não poderia manter. o rádio. Nos Estados Unidos. no financiamento de um filme.015 estações de potência a mais diversa. atualmente. o cinema. hoje. matéria prima da imprensa. Rivero — Obra cit. na maio ria dos países. 1957 — pág. Ora. 139 Em 1956. 3. os jornais ingleses travaram cerrada polêmica sôbre a medida. já pela necessidade de um contrôle exigido pelos acôrdos internacionais. elevando o número de páginas até então limitadas a dez. o “superavit” será reinvestido. vai até à fixação do número de páginas dos jornais139. Além do mais. Isso ocorre. constituir-se num concorrente do cidadão ou dos cidadãos editôres. o financiamento da exploração não pode realizar-se senão por três processos. vários . na França. etc. se constituem em monopólios do Estado. correspondente à diferença entre o custo real das informações e o preço pelo qual os jornais as utilizam graças ao Estado. que é o agrupamento de compra pelo qual todos os jornais adquirem papel. o preço e o consumo do papel de jornal... ao contrário com o encarecimento do produto e a concorrência entre os jornais. 138 Conforme J.. o detentor da autoridade política. tem o direito de tornar-se gratuitamente auditor ou espectador de não importa qual das emissoras do mundo. J. com e pagamento de urna taxa devida por todo proprietário de receptores. Em cumprimento dessa tarefa de proteção ao exercício do jornalismo é que o Estado tem controlado o provisionamento. ampliando-se o seu alcance e melhorando-se as suas instalações. êle pode fornecer. liderados pelo “Daily Mirror”. e se acaso os oferece. Ajuntai a isso as isenções fiscais que beneficiam a imprensa. o Estado não é sòmente. dispensa de impostos. o financiamento voluntário pelos interessados constituidos em associações.

142 Foi diretor do DIP na sua primeira fase. onde os jornais recebem o seu papel segundo um sistema de quotas.receita para o jornal — chamando desde logo à receita lucro para o jornal. não vive um mês. Lourival Fontes. Do depoimento prestado pelo jornalista Carlos Lacerda perante uma Comissão Parlamentar de Inquérito que. Na Argentina. como na Suécia. medindo o espaço ocupado por anúncios nos grandes jornais independentes. algumas vêzes. Fêz o monopólio estatal da importação de papel e passou então a distribuir as quotas de papel importado a cada jornal. morre quando a imprensa. antes mesmo da sua ocupação militar. Êste ponto é importante. não morre de uma vez. A seguir torceu um pouco mais a rosca: fez pagar direitos alfandegários pela quantidade de papel consumida com anúncios. Le problême dx papier journal — Unesco. o govêrno “mantem sempre restrições penosas sôbre o consumo. chamando pátria ao govêrno e chamando govêrno ao chefe do govêrno e teria que pagar direitos pela importação de papel. começa a silenciar ou tergiversar”. órgão criado durante a ditadura estado-novista no Brasil para controlar todos os veículos de divulgação. foi transformado em Departamento Nacional de Informações e. chegando a tornar impossível a circulação de órgãos da imprensa oposicionista pela exagerada restrição de quotas ou total recusa de fornecer-lhes papel. o papel para a imprensa é importado por lei federal. por pagá-los. Por que? É uma pergunta que tem cabimento neste inquêrito. sabem. em 1945. como começou a morrer a Argentina. examinou as transações do Banco do Brasil com emprêsas jornalísticas. como La Prensa e La Nacion. Exas. 140 Se bem que o Estado. o contrôle da matéria prima tem a sua razão de ser naquêle protecionismo que a própria sociedade exige para os jornais. com isenção de direitos alfandegários. convém que tenhamos isto sempre em vista. atualmente. 141 Departamento de Imprensa e Propaganda. tenha exorbitado nesta função. que o jornal se portasse mal com o regime. silencia. teria um custo de produção tão alto que não suportaria a concorrência com os demais. inclusive utilizando a censura prévia. 69. mas é que.144 desapareciam ou seriam amalgamados pela chamada “grande imprensa” em prejuízo para as comunidades a que serviam. a intimidação e em outros o poder de sedução pessoal e a capacidade de resolver problemas que tem inegàvelmente o sr. Com habilidade. chamando nação ao govêrno. Em alguns casos entravam também o dinheiro. conjuntamente com os diretores de jornais e as fábricas de papel”. morre quando a imprensa. por isto ou por aquilo. econômicamente acuada. permitimo-nos transcrever trecho em que a questão do papel é focalizada. sob a alegação de que isento só estaria o espaço do com notícias e comentários de interêsse nacional o aquele que era ocup ado com anúncios. 144 Tribuna da Imprensa. morre quando a imprensa diz uma coisa por outra. racionando. assim. “onde o racionamento é dirigido pela Comissão de Combustíveis. como porta-vozes da opinião e veículos insubstituíveis de informação educação e cultura. Se a imprensa tiver de pagar êsses direitos. 143 Referia-se ao diretor Juan Peron e ao seu regime chamado justicialista. É claro que os jornais tinham que se submeter a isso. . o discípulo do Estado Novo143 aperfeiçoou o sistema.142 Em todo caso. 140 V. bastava em tese. Não é que não houvesse jornais capazes de suportar o pagamento de direitos. e até nos países exportadores. e pela lei. Porque não poderia entrar em concorrência normal com outros. o que se fêz foi um decreto-lei pelo qual a isenção de direitos para a importação de papel de imprensa ficava condicionada à maior ou menor colaboração do jornal com o regime então vigente. chamando regime ao govêrno. de 8 de julho de 1953 — suplemento O preto no branco — pág. ed. tanto no seu aspecto positivo como no negativo: “No tempo do DIP 141 o grande truque para controlar a imprensa foi o papel. A liberdade de imprensa. 24. começou a morrer La Prensa. Diante da reação dos jornalistas e do povo. as dos jornais que lhe eram adversos. quando principiou a morrer La Prensa. Assim. 1949 pág. Como VV. a fim de assegurar a exportação de uma parte da produção nacional para países de moeda mais forte”. No tempo do DIP.Países Baixos. além dos poderes que lhe eram conferidos. é claro. que representa. estava liquidado. em 1953. morre aos poucos. Paris. conseguiu mesmo a colaboração de muitos jornais e jornalistas enquanto permaneceu no posto. apenas controla a Agência Nacional encarregada da distribuição de notícias oficiais.

Editor Idealista — Se não é lícito ao Estado visar lucro quando se reveste da função do editor. oficialmente se comunicam notícias até seis meses depois de conhecê-las amplamente o púb lico. em 1912).000 exemplares de tiragem — pelo contrôle do govêrno.. como adverte Elier C. porque os povos. o pensamento do Govêrno Comunista. confundindo-se com êste. Esta contrafação se vem registrando. Êste contrôle do Partido sôbre o seu órgão central é substituído. acabam sabendo tudo. no segundo caso. de organizadora das massas. e o iornal depende das autoridades governamentais. de orientadora. A pessoa mais modesta tem um aparelho com o qual escuta. cada república. àqueles veículos que. “os governos carecem de meios próprios para impedir a difusão das noticias e opiniões que propalam estações transmissoras estabelecidas no exterior. portanto. “deve prevalecer o direito do povo de estar informado da verdade dos fatos da administração pública e de conhecer as opiniões livres dos cidadãos. pelo Ministério da Defesa Nacional. Ela deve auxiliar todos os trabalhadores a lhes 145 Eliel C. sempre cumpriu com honra o papel de propagandista coletiva. e é de imperiosa conveniência e eqüidade que tôdas as ideologias tenham acesso igualitário à radiodifusão porque. nos nossos dias. Ballester. em nome da sociedade. mais caracterizada contrafação do direito de editar se verifica quando emprega os veículos que controla para um proselitismo ideológico.” Quanto ao caráter do jornalismo soviético. .. mesmo quando exercidas por organismos não estatais. como é o caso da União Soviética onde o principal jornal — Pravda — com uma tiragem superior a três e meio milhões de exemplares. Ali. trata-se do jornalismo mais controlável e menos controlado do mundo”. Cada distrito provincial. Os que se enganam são êles. escreveram: “as informações mais importantes são alvo de longos debates (na redação) e em primeiro lugar apresentadas ao Partido. de 5 de maio de 1955. com absoluta fidelidade. pois que se lhes ocorre que aos meninos. Estrêla Vermelha. igualmente. nos países socialistas. no que tange ao jornal do Exército.” O Estado. — é o órgão central do Partido Comunista. O protecionismo do Estado ao exercício pleno do jornalismo deve estender-se. Os assuntos dos editoriais são propostos ao Partido — a menos que sejam por êle sugeridos — e submetidos em última análise ao seu imprimatur. Na Espanha ocorre algo que chama a atenção dos etrangeiros. pelo das Juventudes Comunistas. o escrupuloso serviço das rádio -emissoras inglêsa e norte-americana. como os meninos. restringiria ainda mais — quando não a extinguisse por completo — a ação do editor-idealista. estreitamente dependente do Estado e do Partido. noite após noite. é um dever enganá-los sôbre certas matérias escabrosas. no que diz respeito ao Trud — diário dos trabalhadores sindicalizados — pela direção sindical. com caráter necessàriamente precário. através do qual se constata que a imprensa na URSS não é de informação “mas de combate. BalIester — Derecho de Prensa — Buenos Aires.. pois o faz como executor de um “serviço público”. 1947 — pág. monopolizando os meios de divulgação.” Lê-se no editorial: “Nossa imprensa. única agremiação política do país. No primeiro caso. quando se comemora ali o “Dia da Imprensa” (data da fundação do Pravda por Lenine. cita um comentário de Ricardo Saens Hayes. em La Prensa de 26 de dezembro de 1945. conforme diretrizes chegadas de Moscou.500. refletindo. em reportagem sôbre a imprensa soviética. pela sua natureza. no qual as ondas hertzianas — matéria prima como o papel para a imprensa — não são suscetíveis de apropriação privada. o Komsomolakaia Pravda. etc.. nos quais o Estado-editor. 108.145 E a respeito. Dessarte. como é o caso do rádio. pertencem ao domínio público. Helene e Pierre Lazarett. O Estado. então. tomou ao seu cargo tôdas as funções jornalísticas. Em ambas as hipóteses. no que se refere ao Izvestia — 1. tem o seu Pravda controlado pela seção local do Partido Comunista. pelo Ministério da Cultura. transcreve um editorial mesmo Pravda. monopoliza o seu uso ou o concede a terceiros. quanto à Litteraturnaia Gazetta. nos seguintes termos: “Dir-se-ia que os governos autoritários crêm na infância dos povos. haveria uma concorrência desleal com o editor- financista.

. a utilizarem os jornais com críticas sôbre todos os assuntos. 380-2. a tenacidade. afogados numa onda escura e morna de deferimentos. da necessidade dêsses objetivos e de sua enorme. agem de encontro aos interêsses da maioria: estão em poder do Estado popular.aumentar a consciência da natureza dos objetivos fixados pelo Partido no desenvolvimento da economia nacional. também. O direito político e social à crítica está assegurado por leis em virtude das quais pessoas e instituições criticadas têm o dever de responder pùblicamente à crítica. sem os quais a imprensa moderna não pode existir. fazem no noticiário dos atos oficiais. o papel. uma “influência mais ou menos decisiva sôbre os negócios públicos. em desfecharem uma luta implacável contra tôdas as manifestações da ideologia burguesa. entretanto não por culpa dos jornais mas do que nêles se reflete. O jornalismo do Estado surgiu.”146 Na excelente conferência que proferiu no Centro de Ciências Políticas do Instituto de Estudos Jurídicos de Nice. da ciência. da arte. da literatura. de imprensa e de reunião pondo-se à disposição do povo e das suas oganizações oficinas de impressão. tornando os jornais prolíxos. sele e volte querendo. da seleção que. além das motivações acima referidas.” E o Estado não priva. proporcionou possibilidades tão grandes ao povo para que possa exprimir sua opinião. 148 “Em alguns paises. Tal seleção foi provocada. assim. em desenvolverem nas massas de trabalhadores o sentido elevado do dever social. da Universidade de Jornalismo de Varsóvia falando sôbre os processos jornalísticos no seu país. não o faz “contra”. isto é. á fim de que tudo . como o entendemos. Rayski — “Les principes de Ia Iiberté de Ia presse en Pologne” in L’Opinion Publique — Paris. publicando os despachos dos diretores de repartições. ocupando colunas inteiras com matérias que interessam a pequenos grupos de pessoas. dos projetos. exercendo. como no nosso. tanto os órgãos ecléticos como os ideológicos.— págs. como já aludimos. e. a vontade das massas de combater os abusos e as injustiças se exprimem no fato de que milhares de cartas dos leitores chegam quotidianamente aos nossos jornais. mas simplesmente de um grande e único Editor-idealista. de divulgação da totalidade dos fatos.. das leis e dos debates parlamentares... em quase todo o mundo. das decisões e sentenças judiciárias — e nem poderíamos falar com justeza de um Estado-editor. significação política.. igualmente.. M. 147 M. o prof. com os modernos meios de comunicações. 1957 . a celulóide. com a divulgação dos atos do Executivo. sòmente dando a público aquêles de maior ressonância. A paixão. da capacidade de defesa do Estado soviético. nos países socialistas. da imposição dos costumes e das leis. mas exprime uma autoridade incontestável do ponto de vista legal. estoques de papel e meios de transporte e comunicações que “êsses poderosos recursos materiais. Porque o jornalismo do Estado-editor é um jornalismo especializado. salientou que era justamente para garantir o direito constitucional dos cidadãos à liberdade de palavra. E também. que exigem a divulgação oficial de certos e determinados atos jurídicos para torná-los válidos. indeferimentos.”147 Estas citações visam fixar a absorção pelo Estado. A democracia burguesa jamais. mesmo quando opina. reclamados pelos leitores ou pela linha redacional. Isso ocorre. desertos de iniciativas. sanções para todos os atos tendentes a limitar a liberdade de crítica. pelo racionamento da matéria prima. não se encontram nas mãos de particulares ou de grupos financeiros que. mesmo daqueles “that’is fit to print”. pela impossibilidade. A. mesmo em teoria. “a tendência de transformar tôda a população em funcionários. Não houvesse a parte informativa e normativa oficial nos órgãos editados pelo Estado. A nossa legislação prevê. Rayski. incita os cidadãos. ao contrário. A obrigação mais importante dos jornais e revistas consiste em serem a sentinela vigilante dos grandes princípios e da adesão ao partido. no que tange à imprensa. em cultivarem no povo soviético a convicção inabalável da invencibilidade da nossa obra. 10-7-53. que não se faz panfletário e. das características do editor-idealista. limitado. o tempo de emissão de rádio e TV. A. 148 146 “Raios X da Rússia de Malenkov” – reportagem in Jornal do Comercio – Recife. em clamar seim descanso pelo contínuo refôrço do poderio da pátria. a imprensa pretende fazer uma concorrência absurda ao “Diário Oficial”. como se disse. A imprensa tornou-se a grande tribuna da opinião no nosso país.

como tôdas as atividades humanas. com os gravadores das táboas. como Timours-Lenk. depois. com o serviço informativo de sentinelas postadas de longe em longe.150 O Século XVII assiste à introdução de outros métodos de telecomunicação: é o francês Guillaume Amontons (1663-1705). e a cada veículo utilizado reclamava o especialista. Hooke (1635-1702) inventa o primeiro telégrafo.”149 O jornalismo. dos chineses com fanais situados em determinadas eminências da Grande Muralha. que eram letras cujas chaves sòmente eram sabidas nos pontos de origem e destino.” Na Inglaterra. que ouvia instruções do seu chefe e as transmitia oralmente ao público. Fase da Manufatura — Por muitos séculos. consistente de um sistema de sinalização. 1950 — págs.pags. na ordem social — é o técnico.” — Carlos Lacerda — A missão da Imprensa — Rio. pois êste se confundia com as figuras do jornalismo e do editor. mediante o uso de corpos sólidos opacos “que se elevam dependa melhor e mais completamente do Govêrno. essa necessidade é mais sentida no domínio das comunicações. 73-74. 149 Gustavo Corção — As fronteiras da técnica — Rio. foi aos poucos incorporando novos veículos. dos romanos e gauleses. naquela ordem que os filósofos chamam do fazer. o técnico — o homem que descobre. na sua crescente complexidade. No terceiro dia. para o de mecanismos complexos. O TÉCNICO Agente do jornalismo — como o editor. “do fazer circular o que é do homem para que as coisas assimiláveis por natureza se tornem socialmente e atualmente assimiláveis. o esforço animal. acessível. que. uma bandeira negra aparecia. fazia içar uma bandeira vermelha indicando a População que teria a vida salva se os chefes aceitassem entregar-se à morte. Amontons conseguiu realizar duas demonstrações perante a côrte francesa. pràticamente não exigiu o técnico. daquêles conquistadores. E então surge. evolui para a mecanofatura. .” — Jean Laffay — Les Tetecommunications — Paris. carece cada dia mais de intermediários”. 1955 —. na ordem cultural e o público. o jornalista. a que hoje se propõe seja denominado “comunicação das massas”. atraente e útil à coletividade o produto do labor dos demais agentes periodísticos. nos quais pessoas munidas de lunetas recebiam certos sinais do pôsto precedente. evolui para o uso de processos e ferramentas simples e. com os pintores de letras e hieroglifos jo rnalísticos. que emprega. êle próprio compondo e transmitindo verbalmente o seu noticiário em versos e cantares. material. embora sem conhecer a significação de tais sinais. assim com o jogral. Um dia depois. era ainda manual o trabalho do técnico que utilizava os sinais óticos para fazer circular notícias: daquêles gregos que empregam tochas de fogo e pavilhões de côres diferentes para representar convenções. o homem que domina a natureza das coisas. Mais tarde. Da simples manufatura. é aquêle intermediário entre a realização subjetiva de uma atividade e a sua realização objetiva. 7-8. fazendo dispor postos em vários pontos consecutivos entre Paris e Roma. pelo govêrno e para o govêrno. 89-90. mas tanto o Delfim como a sua “entourage” consideraram aquêle invento como um entretenimento. na ordem econômica. com os copistas. como sinal de morte e destruição. transmitindo-os ao pôsto seguinte. que domina a máquina e a utiliza para tornar compreensível. na ordem mecânica. que aperfeiçoa. “sem dúvida cheio de engenhosidade mas desprovido de qualquer utilidade para ser pôsto a serviço do Reino. fazendo da nossa democracia o regime do Govêrno. O técnico. como agente do jornalismo. 1949 — págs. se a resistência continuava. que usavam determinados processos para parlamentar com os habitantes das cidades assediadas pelos seus exércitos. a princípio. o jornalismo não exigiu do técnico para manifestar-se senão o trabalho das suas mãos. E se a “sociedade humana. e assim com os epistológrafos. 150 “Uma bandeira branca significava: “rendei-vos agora e vos será feito graça”. com os desenhistas das antigas eras. a fim de dar alarme à aproximação do inimigo ou instruir as guarnições e as populações protegidas ao longo da fronteira. que recebiam as notícias e as transmitiam umas às outras. o técnico e a sua técnica. Assim ocorreu com o arauto.

Mas o funcionamento do telégrafo de Chappe (como dos demais inventados e postos então a serviço em diversos países) “dependia no maior grau da perícia do operador. 3 — de 1440 em diante. resultando impossível transmissões em dias nublados ou nebulosos. consegue tornar mais simples os sinais. que depois estabeleceram uma impressora. com datas de 1448 e 1454. E a figura do técnico se impunha. etc. — págs. em 1791. Em 1794. sistema que foi relegado ao olvido por não ser considerado prático. admitindo-se o relato de um contemporâneo. Um século depois. Drewes distinguem os seguintes fatos relativos à origem da arte de imprimir: 1 — a reprodução de desenhos mediante selos de argila cozida. não apenas nas oficinas gráficas.152 No Brasil. 174 e seguintes. nas fundições de tipos. . sob a proteção dos governos. Kubilin construiu um modêlo de telégrafo. então. Há fragmentos de impressos mais primitivos cuja origem se ignora mas foram encontrados nos Países Baixos. a nova máquina impressora se propagou ràpidamente de Mogúncia a Bamberg e Estrasburgo (1461). empregando o mesmo processo. usavam-se blocos de madeira para estampar fazendas com desenhos e legendas (um dessa época foi encontrado em Dijon.sucessivamente ao alto de um marco elevado e que correspondiam às letras do alfabeto ou frases determinadas”. As famosas bíblias. 2 — até 1370. número e outros sinais. consistindo em um semáforo de braços. não mais satisfeitos com a morosidade das malas postais que. era completamente inútil para efetuar comunicações mais ou menos precisas entre pontos algo distantes entre si ou em zonas comumente nebulosas. Roma (1465). O jornalismo aprendia a utilizar o invento de Gutenberg. construiu o primeiro telégrafo prático. 151 Segundo Laffay — Obra cit. Fase da Mecanofatura — O desenvolvimento da técnica no jornalismo não se deu repentinamente. “baseando-se nos mesmos princípios de sinalização. na França. Em Lyon. como mais tarde nas estações rádio transmissoras e nos estúdios e laboratórios cinematográficos. usual na antiguidade e que perdurou até a Idade Média. Claude Chappe. se bem que haja presunção de que os jesuitas. Não tomando em conta os costumeiros exageros da história da China. fazem-se livros com “clichés” de madeira e também com pranchas de cobre (há um de 1446) . Drewes — La Tecnica en la Historia de la Hunianidad — Buenos Aires. fazendo jornalismo ou contribuindo para que fôsse realizado o jornalismo. Rey Pastor e N. anos e séculos se passaram entre o término da fase da manufatura e o início da mecanofatura. no século XI. o modo de nivelá-los. se supõe sejam da mesma imprensa. Drewes — Obra cit. 4 — os primeiros livros impressos com tipos soltos e grande perfeição aparecem em Mogúncia. semelhante ao de Chappe. Ray Pastor e N. distinguindo-se da dos demais agentes. 99-100. — e J. onde a impressão com “cliché” aparece no ano de 858. que explica a fabricação de tipos de argila. nas fábricas de papel. porém mais simples. Na Alemanha. Dois anos mais tarde de o haver submetido a provas. já a necessidade de comunicações mais rápidas e mais intensas se fazia exigência dos homens e dos povos. e a de tipos soltos se atribui a Pi Scheng. por esta época. sob a firma Fust-Schoffer. mas nas agências dos telégrafos. Portanto. 1957 — págs. de pedra ou metálicos. passava-se da fase da manufatura para a da mecanofatura. no Século XVI e os flamengos. Bergstrasser. o primeiro livro impresso apareceu em 1473. sem dúvida muito anteriores. Até 1400. se vinham estabelecendo e desenvolvendo na Europa. A Sorbone contratou em 1470 três operários suíços. Uma vez provada. Suíça (1460). que então pertenceu a Fust-Gutenberg. o telégrafo de Chappe foi utilizado para a união telegráfica entre Paris e Lile. faziam-se tais estampas sôbre papel (há fôlhas fechadas de 1418 em diante) com tinta aquosa. constitui-se numa corporação à parte. durante o seu domínio em Pernambuco (Século XVII) tenham estabelecido tipografias. As diversas posições relativas aos mesmos representavam distintas letras do alfabeto.”151 E. Veneza e Milão (1069) e pouco mais tarde a tôdas as grandes cidades italianas. 152 J. França). Praga (1464). além do estado do tempo. na Rússia. Rey Pastor e N.

nesta obra. Sanelva de Vasconcelos. 17. Ao holandês Van der Mey. circulava com impressão dupla (dos dois lados simultâneamente). Fernando Denis e Antônio Joaquim de Melo (êste último escrevente do Erário no govêrno revolucionário). E assim foram destruídos “o esfôrço e aspiração do desconhecido proprietário cujo nome a história não soube guardar. com fôrmas. os técnicos da tipografia e da impressão de jornais foram os propulsores do progresso mecânico. inclusive o gesso. outro fato curioso se registrara: a primeira tipografia autorizada a funcionar pelo Rei. 1939 — pág. primeiro empregou a máquina rotativa. respondendo ao apêlo de popularidade crescente do jornalismo. a Lord Stanhope e ao alemão Hoffman — da segunda metade do Século XVIII ao início do Século XIX devem-se as origens do sistema de fixação dos tipos (estereotipia) com diversas substâncias. tipógrafo talentoso. linho. sob a direção do padre João Ribeiro. e oficiais da tipografia. Fato digno de menção e que demonstra cabalmente o perfeito 153Sanelva de Vasconcelos — Prelos & Jornais — Recife. permitindo uma perfeita cópia do original. de Turim. Chamamos a atenção do leitor. Mina e Giozza. concedia licença a particulares para instalar oficinas gráficas em diversas províncias. com a sua côrte transferida para o Brasil em face da invasão napoleônica. cujos nomes se perderam na poeira do tempo. favoràvelmente.”153 Apesar de tão severas ordenações.154 Menos pelo afã do lucro do que pela sua paixão pela arte. A rotativa foi aperfeiçoada por Applegath e Cooper. de Edinburgo. em 1816. a Ged. E dá como primeiro técnico do jornalismo em Pernambuco ao inglês James Pinches. auxiliado por dois frades e um marinheiro francês. por decreto criava a Impressão Régia. The Times. Em 13 de maio de 1808. do empastelamento e destruição de tipos e rudimentares tipografias. e por Hoe. alega que a demora no funcionamento da tipografia de Catanho foi ocasionada pela falta de alguém que conhecesse a arte de imprimir. embora sob a oposição dos seus colegas impressores. utilizando dois prelos e 28 caixotes de tipos e. através do seu proprietário e diretor John Walter. tipos e pranchas” que se aplicavam fortemente sôbre uma superfície cilíndrica “do mesmo modo que as letras correntes se aplicam sôbre uma superfície plana”. que não imprimissem nem consentissem que imprimissem livros. conhecida pelo nome de “Preciso”. de propriedade do negociante Ricardo Catanho. continuou o nosso incipiente jornalismo a tentar utilizar a imprensa como veículo. que se sentiam ameaçados com os avanços da mecanofatura. O primeiro trabalho que dela saiu foi o manifesto do advogado José Luís de Mendonça. mais tarde. Em Pernambuco. no qual foram relatados os acontecimentos desenrolados na citada revolução e cuja data é 28 de março de 1817.” Uma ordem régia de 8 de julho de 1706 — que é a prova do seu funcionamento — determinou ao governador da capitania de Pernambuco Francisco de Castro Morais que “mandasse sequestrar as letras impressas e notificar os donos delas. Em 29 de novembro de 1814. para a facilidade da impressão. que os deixaria — assim o julgavam — ao desemprê go. de Londres. de prisões e perseguições. Dom João VI. como o introdutor da arte tipográfica no Brasil. . o requerimento do negociante Ricardo Catanho. citando Tolenare. na Inglaterra. para a transcrição do documente em que o governador Caitano Pinto de Miranda Montenegro informa ao Marquês de Aguiar. sòmente iria imprimir no auge da revolução republicana de 1817. que não sòmente descobrira como aplicar a energia da máquina a vapor às impressoras da época como introduzira outros aperfeiçoamentos. do território metropolitano. cujo mister se limitava à impressão de letras de câmbio e breves orações devotas. 154 Ver Sanelva de Vasconcelos — Obra cit. aos italianos Chirio. nos Estados Unidos.històricamente só é possível situar o aparecimento do primeiro prelo “nos anos de 1703 a 1707. à base daquela que William Nicholsou patenteara em 1790 para imprimir “sôbre papel. algodão e outros artigos. com o aproveitamento dos experimentos do seu engenheiro Mac Donald e do italiano Marinoni. E foi ainda The Times que realizou a aplicação da estereotipia à impressão e que. graças a um invento do alemão Frederick Koenig. de Glascow. nem papéis alguns avulsos”. — págs. mediante a ajuda de prensas. Foi o francês Genaud que substituiu a pasta de gesso pela de papel branco. a Tillock e Foulis. 19 a 42.

conseguindo. estudou e realizou experimentos para substituir o velho sistema de composição manual. 220-222. O telégrafo de Morse e o seu alfabeto foram adotados em todo o mundo e ainda hoje estão em voga. envia os seus impulsos a uma linotipo. a “monotipo” e a “italtipo”. Drewes — Obra cit. o telégrafo elétrico de Lessage fracassou em face das perdas de corrente que se produziam na linha.entrosamento entre o técnico. em 1820. que iria compondo ao mesmo tempo em que redigia a sua reportagem ou informação. e o da recepção. confundindo-se com a do próprio jornalista. Rey Pastor e N. Ainda ao Times. impulsos que selecionam os tipos e corpos de impressão necessários. Etiene e outros aperfeiçoaram ou criaram novos sistemas. pois permite que a sua figura volte aos tempos primitivos. Mas ninguém se deve assombrar se chegar o dia em que o fizesse um jornalista. Bain. enquanto se vão fundindo as linhas de composição. finalmente. quando Morse introduz o seu telégrafo elétro-magnético. há uma máquina perfuradora com um teclado. o telégrafo de Soemaring não conseguiu difundir-se. A telelinotipia é uma máquina que torna possível escrever e compor de qualquer parte onde esteja instalada. alinhando-as mecânicamente. se deve a descoberta da “telelinotipia” — a primeira ameaça séria ao técnico como agente do jornalismo. Como ocorreu com os demais inventos. 1935 pág. de Londres. Ottmar Mergenthaler. A cinta assim perfurada se introduz em um transmissor automático que converte as perfurações em impulsos elétricos. 227. W. Entretanto. com o qual solucionou o problema da transmissão. Eis como Manoel Virgil Vazquez descreve êsse invento. um receptor.000 exemplares por hora!” 155 Durante dez anos (1876-1886). outros trabalhos de invenção e aperfeiçoamento iam surgindo no domínio das telecomunicações. Êsse sistema é aperfeiçoado por Ampére. o editor e o jornalista na realização do jornalismo é que “as rotativas de Walter eram construidas nas próprias oficinas do Times e. Alguns anos depois. Virgil Vazquez — Arte de titular y confeccion in EI Periodismo — Teoria y Pratica — Barcelona. Sôbre tipografia: Emile Leclere — Typographie — Sfelt. pois permitiam uma tiragem de 17. A cinta se introduz na linotipo e o teclado desta é acionado. 1947. destinadas à impressão do New York Times. . inspirada no sistema elétrico dos teletipos. desde que a eletricidade empregada então era estática. concebeu o primeiro telégrafo elétrico. Paris. outros surgiram na mesma linha. através de um tele - impressor eletro-magnético sôbre uma fita de papel. que representavam as letras do alfabeto. no qual os eletroscópios de Lessage foram substituídos por recipientes contendo água acidulada. lança o primeiro telégrafo “de agulha”. por Volta. que compõe palavras. à J. utilizando uma série de 24 eletroscópios. aliás já adotado em diversos dos grandes jornais do mundo: “Na cabine do Times (Câmara dos Comuns). Em 1801. de acôrdo com uma clave elétrica de seis unidades. em 1876. a “linotipo”. A largura das colunas. Kelvin). Lessage. fonte de corrente contínua. Hoje. é um linotipista especializado. vez que. quando foram exposta em Filadélfia. mediante um simples e prático manipulador. um relojoeiro alemão estabelecido nos Estados Unidos. exatamente como o faria um linotipista. como a “intertipo”. Hipp. 155 156M. conseguiram um verdadeiro “record” de divulgação. Thompson (Lord. vai proporcionando aos corretores das provas o que se está transmitindo e compondo da Câmara dos Comuns. Oersted (1819). Em 1774. Além disso. a seleção e mudança dos tipos — tudo é realizado mecânicamente. Apesar de apresentado à academia de Ciência da Bavária e eliminados todos os inconvenientes que se notaram no seu primeiro modêlo. assim chamado porque eram os sucessivos desvios de uma agulha que representavam os sinais transmitidos. com a descoberta da pilha. aproveitando-se do descobrimento da interrelação entre a corrente elétrica e a agulha magnética. o homem que maneja o teclado do Times em Westminster. — págs. Siemens.”156 Simultâneamente com essas conquistas da técnica no campo do jornalismo impresso. Um receptor na sala de linotipos do jornal transforma os impulsos que chegam em uma cinta perfurada idêntica à picada no transmissor dos Comuns. Posteriormente. o alemão Soemmering projeta um telégrafo eletro- químico. inserido em derivação. professor de física em Genebra. e perdura até 1833.

D. na película ou no papel fotográfico. Elster e Geitel foram. os tipos segundo os impulsos das perfurações. visando. em 1892. 232. Rosing. Farnsworth. ao lado do cine-repórter. foi exibida na XXXI Feira das Indústrias Britânicas em Londres. Esta máquina. eram colocadas antenas de 34 e 22 metros de altura. Don Leel. a cinematografia. numa distância de cinco quilômetros aproximadamente. do seu laboratório em San Bartolomeu para o couraçado “San Martino”. com suas experiências no qüinqüênio 1923-28. preparando o terreno que levaria Baird. com engenho e tenacidade. Manuel Vigil Vazquez — Obra cit. a efetivar a televisão e preparar os caminhos da TV em côres. passo a passo. a aplicação de côres e o emprêgo de sistemas sonoros estereofônicos — tôdas essas inovações reclamam especialistas e reformam significativamente os métodos de filmagem das atualidades ainda em uso. . Tanto no transmissor como no receptor. a 16 quilômetros de distância. institui as bases da telefotografia. porquanto poderá constituir-se no principal fator da transformação do jornal impresso em papel naquele outro microfotografado a que aludimos anteriormente: — a “mono-foto”. O Século XX acelera a marcha progressiva das tele-comunicações: Marconi. aliás. Mas é a Marconi que se deve a efetivação da TSF. o cinerama ou kinopanorama e outros processos. a equipe do laboratório) para. conseguindo transmitir imagens fixas por meio de cabos elétricos. Alexanderson. Hansell e Variam cooperam com sucessivos inventos para o estabelecimento da rádiotelefonia. Braun. visando retirar-lhe os fios: assim. tendentes a criar a ilusão da terceira dimensão. Graças às descobertas de Hertz no campo das ondas elétricas. impressiona diretamente uma película em positivo ou negativo. H. com o seu inconoscópio — ponto de partida para a televisão pan-eletrônica —. respectivamente. uma outra descoberta deve ser aqui referida. de cujas origens e processos já nos ocupamos. exatamente colocadas como os do teclado de perfuração.mesma base. que emprega um refletor de ráios infra-vermelhos e uma célula fotoelétrica sensível a esta gama do espetro). May — que descobriu as propriedades foto-elétricas do selênio — o francês Senlecq e o inglês Sutton. também. reclamou o aparecimento do técnico (o cinegrafista. e de “noctovisão” (sistema de televisão noturna. onde ainda continuam as experiências tendentes a aperfeiçoar as transmissões. em maio de 1952. vai impressionando. maior rapidez na transmissão e simultaneidade de envio de mensagens (duplex). uma placa de fundo negro com as letras e sinais transparentes. No campo da TV. o austríaco Denoys von Mihaly. destacaram-se. “Os mecanismos de moldar e fundir os tipos estão substituidos por uma espécie de câmara fotográfica. Trata-se de uma máquina de composição que. tornar o cinejornalismo na realidade dos nossos dias. da “estereotele visão” ou televisão tetra- dimensional. além disso. E. da Marinha italiana. Kell e os numerosos técnicos e cientistas que.”157 Novas técnicas surgem dia a dia: o cinemascope. Por seu turno. Poulsen. de que já nos ocupamos. Hipkow. um sistema de transmissão do canal de Bristol. em lugar de produzir tipos e linhas. Ives. — pág. acionada por uma fita perfurada. um condensador e um trajeto de chispa. com êxito. entre Penarth e Fath Holm. Podem-se compor doze mil sinais por hora. Pickard. os homens de ciência e inventores procuram aplicá-las ao telégrafo. R. O sistema de Marconi compreendia um dispositivo oscilador e um aparelho receptor. 157 Conf. Albert HulI. constituído por um aro metálico. O físico inglês Bain. Hazeltirene. Neste setor. Spezpnik. Zworykin. Goldschmidt. Righi e outros fazem tentativas semelhantes noutros pontos da Europa. notadamente nas grandes emprêsas norte-americanas (Radio Corporation of America — RCA — Color Television Inc — CTI — Colombia Broadcasting Sistem — CBS — e General Eletric Company — GEC) trabalham e investigam àrduamente com aquêle objetivo. suscetível de pôr-se em contato com a fonte emissora. Preece experimenta. Armstrong. após experiências coroadas de sucesso realizadas em julho de 1897. nas tele-emissoras de todo o mundo.

O Problema da Automatização — No decorrer desta incursão ao mundo da técnica no
jornalismo e dos seus técnicos, chegamos à evidência de que, nos nossos dias, nenhuma das
manifestações periodísticas se pode processar sem essa personagem que, confundida com o
agente-jornalista na fase da manufatura, adquiriu direitos de cidadania no período da
mecanofatura. Vimos também que alguns dos recentes inventos ameaçam a existência do
técnico, ou melhor, irão exigir que o mesmo incorpore ao seu acêrvo de conhecimentos e
aptidões aquêles reclamados do jornalista, hoje muito mais vastos do que ao tempo do
periodismo dos jograis, das cartas e das fôlhas manuscritas.
A verdade é que estamos, em pleno curso de uma nova grande revolução industrial, em
que o ser humano vai sendo substituído por servos-mecanismos, que não estão sujeitos nela à
fadiga, nem ao êrro, nem às emoções, que alteram o metabolismo e desequilibram mesmo os
mais eficientes técnicos. Numerosos dispositivos mecânicos estão sendo usados em todos os
campos da atividade humana com os mais positivos resultados: as máquinas de calcular
acionadas elètricamente, a telefonia automática, o microscópio eletrônico, a fotografia infra-
vermelha. Êsses dispositivos são os servos-mecânicos “aparelhos capazes de restabelecer o
estado de equilíbrio em um sistema autônomo de maneira tal que as próprias fôrças originadas
pela perda de dito estado de equilíbrio engendrarn novas fôrças tendentes ao seu
restabelecimento. A realimentação negativa de uso comum em rádio -telefonia para anular a
distorção de freqüência e de fase é o exemplo mais caracterizado de um princípio capaz de
cumprir as exigências definição acima. É interessante destacar que os servos-mecanismos são
fundamentalmente dispositivos governados êrro, já que são fôrças assim originadas as que
provoca retôrno do sistema ao seu primitivo estado de equilíbrio. Coisa parecida sucede em
certos processos de aprendizagem, em que a discriminação entre os intentos frustrados e os
conduz à determinação do procedimento correto e fixado com conhecimento exato.” 158
A primeira revolução industrial, que teve a sua pré -história nos séculos XVII e XVIII e o
seu desenvolvimento máximo no século XIX e na primeira metade da atual centúria, se
caracterizou pela longa série de invenções e descobertas, visando mecanizar a produção, isto é,
substituir a fôrça muscular do homem e do animal pela máquina. O contrôle humano fôra, aí,
integralmente mantido. Os servos-mecânicos, contudo, passaram a “pensar” pelas máquinas. E
então evoluimos da simples mecanização para a automatização, quando o homem será expulso
do processo da produção prò priamente dito e ficará limitado às funçôes de concepção,
construção, instalação, sustento e inspeção da máquina. Porque “o domínio da automatização
compreende tôdas as tarefas de repetição e tôdas as decisões que podem ser tomadas em
função de critério pré-estabelecidos. Os limites próprios no domínio da automatização são
traçados pelo estado da técnica, pelo nível dos custos, pela amplitude das vendas e pelo número
de especialistas tentados a inventar, construir e dirigir os sistemas automáticos.”159
Inequivocamente, não se trata de um simples processo de desenvolvimento da mecanização,
mas de uma nova tecnologia, uma outra revolução industrial cujas conseqüências econômicas e
sociais ainda são imprevisíveis. Um aspecto, entretanto, é certo: “a primeira revolução, a dos
“dark satanic mills”, promoveu a depreciação dos braços do homem pela concorrência da
máquina... a revolução industrial moderna depreciará necessàriamente o cérebro do homem, ao
menos nas suas funções simples e rotineiras.”160 E é neste aspecto que a automatização irá
atingir, como já está começando a ocorrer, a atividade jornalística.

Jornalismo e Automatização — Relacionando os domínios em que a automatização já
encontrou campo de aplicação nos Estados Unidos, Pollock cita, referentes ao jornalismo, os

158 J. Rey Pastor e N. Drewes – Obras cit. – págs. 320-321.
159 Frederik Pollock — L’automation — Paris, 1957 — pág. 68. Pollock e outros estudiosos da meteria dão
preferência à designação “automação”, em lugar do termo mais vulgarizado que adotamos aqui.
160 Norbert Wiener – Cybernetics - New York, 1948 — pág. 17.

seguintes: televisão, impressão, tele -comunicações, traduções, estatística, cálculos científicos de
tôdas as espécies, previsões meteorológicas e contabilidade. Em todos êsses setores, a
máquina não sòmente realiza o trabalho “como funciona inteiramente sem a interferência
humana direta, sem o concurso nem da destreza, nem da inteligência, nem do contrôle do
homem.” A máquina já comanda totalmente o trabalho de outra ou outras máquinas. Assim, “a
automatização industrial é causa determinante do desemprêgo operário em escala crescente, se
bem que seja, ao mesmo tempo, criadora de novas fontes de trabalho, ainda que em muito
menor escala, para técnicos e pessoal especializado.”161
Ocorre, porém, que não sòmente o técnico mas os outros agentes do jornalismo se
vêem ameaçados pela crescente automatização industrial, e suas conseqüências sócio -
econômicas. As operações automáticas de contabilidade, por exemplo, reduzem muito o pessoal
dos corpos de editôres e os próprios editôres-financistas vão sendo absorvidos pelo Estado-
editor, como uma conseqüência do alto custo da maquinaria dos veículos jornalísticos e a
multiplicação dos encargos para a sua manutenção. Já hoje, o fenômeno da desaparição ou
absorção em cadeias de jornais — os veículos que ainda se conservam em maior volume como
propriedade privada — é um fato amplamente constatado em todo o mundo. “A imprensa
quotidiana tem manifestado uma tendência muito significativa à concentração e ao monopólio.
Enquêtes têm sido realizadas em 25 das maiores cidades dos Estados Unidos (e concluiram): —
o número dos jornais não cessou de reduzir-se enquanto o de exemp lares difundidos crescia... o
número de matutinos, que era de 69 em 1900, reduziu-se a 35 em 1950 e já se observa a
mesma diminuição no número de jornais da tarde: 84 em 1900, 51 em 1950, enquanto que a
tiragem passava de 6.000.000 exemplares para 12.000.000 quanto à imprensa quotidiana
matutina e de 8 a 14 milhões de exemplares, para a vespertina. Ao mesmo tempo, o número de
proprietários destes jornais não cessou de diminuir: era de 104 em 1920 e não passava de 72
em 1950.”162 Na sua já citada conferência — de imprensa e o leitor livre” — Rod W. Horton,
depois de aludir a uma estatística de Morris L. Ernest, segundo a qual em 1910 havia, nos USA,
2.600 diários lidos por mais de 24 milhões de pessoas e em 1940 havia, apenas, 1.988 diários,
com a circulação de 50 milhões, refere que, anos atrás, New York possuia, entre outros, jornais
chamados Commercial Advertiser, Globe, Sun (matutino e vespertino), World (matutino e
vespertino), Telegram e o Evening Mail, num total de oito, além de uma meia dúzia que não
figuram nesta história. Que aconteceu a êsses oito jornais? Parece uma passagem do ciclo da
vida selvagem. O Globe absorveu o Commercial Advertiser, o Sun suspendeu o seu matutino
para engolir o Globe, o Telegram comprou o Evening Mail e nos primeiros anos de depressão
anexou as duas edições do World também. Sobraram, então, apenas dois dos oito. O Sun-
Globe-Commercial Advertiser (com o nome abreviado de Sun) e o World-Telegram-Mail
(chamado World Telegram). Depois da segunda guerra mundial, o inevitável aconteceu: com um
grande golpe, o World Telegram tragou o Sun, formando o atual World Telegram and Sun, o
único resto das oito folhas valentes da minha mocidade. Circula com mais de 600.000
exemplares diários, mas dizem que está perdendo dinheiro.”163
Na França, segundo J. Kayser, a situação, embora diferente apresenta uma evolução da
mesma natureza. “Há diminuição constante do número de jornais. Havia em Paris, em 1914, 48
quotidianos não especializados; em 1939, havia 32; em 1955, não havia senão 11.” As grandes
despesas de manutenção dos jornais, além de provocar o desaparecimento ou absorção que
exemp lificamos, criam outro fenômeno, observado por F. Terrou, quando assinala, referindo-se
aos jornais parisienses: “As dificuldades de alguns jornais são evidentes. A sociedade do Petit
Parisien que distribuiu em 1930 um dividendo de 100 F., não distribuiu mais nada em 1938. A
ação valia 2.150 F. em 1931 e não valia senão 255, em 1938. O título do Figaro, em 1957, era

161 J. Rey Pastor e N. Drewes – Obra cit. – pág. 326.
162 Á. Mathiot— “L’Opinion Publique aux USA” in L’Opinion Publique – Paris, 1957 – pág. 359.
163 Jornal do Comercio – Recife – 8-12-57.

saldável com uma perda de mais de 4 milhões. Estas dificuldades se estendem a certos serviços
anexos: a agência de informações e o comércio do papel-jornal.164
Em novembro de 1958, o Sweedish Internacional Pressbureau divulgou o seguinte
comunicado de Estocolmo: “Revolucionária mudança na estrutura política da imprensa diária
operou-se nestes últimos anos. A notícia do fechamento de um periódico foi publicada
recentemente, quando se afirmou que o Morgen Tidiningen, anteriormente chamado Social
Demokraten (órgão oficial do Partido Social Democrata) e que existia há 73 anos, deixaria de ser
publicado dentro em breve. Recorda-se que a União Geral dos Trabalhadores da Suécia, há dois
anos, adquiriu os dois periódicos liberais Stockholm Tidiningen e Aftonbladet, que se crê
adotarão mais ou menos a orientação seguida pelo Morgen Tidininien. O Morgen-Blated, do
Partido Liberal, será reorganizado em breve, em forma de semanário, a exemplo do sindicalista
Arbetaron. Isto faz com que Estocolmo fique com apenas 4 diários matutinos, ao invés dos 7 de
há dois anos atrás: o conservador Svenska Dagbladet, o liberal Dagens Nyheter, o Stockholm
Tidiningen (da União Geral dos Trabalhadores) e o comunista Ny Dag. Além dêsses existem
mais os seguintes diários, que circulam à tarde: o liberal Expressen e o Aftonbladet, da União
Geral dos Trabalhadores.”
Nos países sub -desenvolvidos, se bem que o fenômeno seja constatado no s grandes
centros urbanos, há ainda possibilidade de sobrevivência de jornais que não disponham de
maquinaria e mecanismos modernos, pela necessidade que as populações têm de utilizar
mesmo os mais obsoletos veículos de publicidade. Entre nós, no Rio e em São Paulo, se vem
observando a redução do número de jornais, embora também o aumento das tiragens, com a
absorção dos mesmos pelas grandes emprêsas. Últimos exemplos: a compra de O Mundo pelo
Diário de Notícias e a integração do tradicional Jornal do Comercio na cadeia dos “D. A.”.
A concentração dos órgãos jornalísticos seja em “trusts” seja em poder do Estado
parece-nos uma das mais sérias demonstrações dos efeitos desta segunda revolução industrial,
caracterizada pela automatização. E sem dúvida cooperará para a automatização dos espíritos,
prevista pela “Margate Conference”, promovida pela “Institution of Prodution Engineers” em
Londres, em junho de 1955, ao concluir que “o pequeno número de engenheiros que controlam,
em última análise, as fábricas automáticas poderia pressionar a sociedade... e subordinar o
comportamento e os hábitos de vida dos homens aos interêsses das máquinas. A fábrica
automática abriria então a porta ao novo mundo de Huxley.”165 o que é êste ‘brave new world”,
todos o sabemos: uma sociedade tecnológica, dirigida por uma hierarquia autoritária composta
de verdadeiros mestres de máquinas e de homens, em posição de “abarcar o todo dos
fenômenos técnicos e econômicos e tomar todas as decisões que interessem à política
econômica” e, naturalmente, de dominar a massa humana “sem julgamento, fàcilmente
influenciada pela técnica moderna de propaganda e que se encontra mantida de bom humor,
pois participa do consumo de um número sempre crescente de bens.”166 É ainda de Pollock o
seguinte e expressivo trecho sôbre o mundo automatizado para o qual marchamos: “Sabemos
da importância do papel exercido nos Estados totalitários pelo rádio, cinema e imprensa postos a
serviço da técnica de opressão das massas. A televisão veio recentemente juntar-se a êstes
meios de opressão; e entretanto, teoria e técnica da automatização propõem um novo
instrumento para manietar as massas. Desde o fim de 1948, o Padre Dubarle, da Ordem dos
Dominicanos, numa carta endereçada ao jornal Le Monde evocou a possibilidade teórica de
construir-se uma “máquina de governar”: um calculador eletrônico que indica as medidas a tomar
no futuro, segundo tôda a verossimilhança, em condições dadas a tal ou qual fim político. Wiener
pensa que os dados psicológicos necessários ao funcionamento desta máquina não existem
ainda. Portanto, êle concorda em que já demos o primeiro passo para a “máquina de governar”,

164 J Kayser e F. Terrou — L’Opinion Publique — Paris, 1957, págs. 236 e 191.
165 Cit. por F. Pollock — Obra cit. — pág. 143.
166 F. Pollock — Obra cit. — págs. 188-189.

organogramas e ábacos algo que os liberte da angustiosa opressão da liberdade”. desde que o repórter poderá diretamente compor. é mesma máquina tradutora sôbre o papel” J. Pollock — Obra cit. encarregando-se a máquina de tôdas operações necessárias para a sua tradução. classificar e distribuir a matéria. Como é a técnica. em New York. êle próprio. repentino. resolver problemas de xadrez e até realizar inferências lógica. 169 “O operador dêste engenho deve limitar-se a escrever mente a frase a traduzir. divulgada pela “Granada Teleyision”. as exigências da produção e do consumo. através de ligação em cadeia com a Eurovisâo.169 o redator terá suas funções igualmente limitadas. no seu “mundo fechado da coisa a ser feita”. a primeira série delas partiu do aeroporto de Londres em um Comet de passageiros.. a sua progressiva escravização à máquina. das cerimônias da coroação papal em Roma. 322-323.. segundo comunicado do BNS. como sejam. em breve. A frase. construido pela International Business Machine Company. de onde partiram seguida em um Boeing que levantou vôo às 6 da tarde para aterrissar N. e que traduzia do russo para o inglês. por meio da telelinotipia do próprio local onde acaso esteja colhendo os dados da notícia..30 a transmissão televisada para a Grã-Bretanha. a admiração do homem pelas maravilhas que a máquina pode obrar. . Gravações ulteriores foram enviadas também de avião a Paris. utilizados para escrever editoriais. no nosso mundo hodierno. de Hayes. invento da Eletronics Equipment Ltd. com dispositivos criados e experimentados.aplicando a Theory of Games para a solução de problemas táticos e estratégicos com a ajuda de um calculador gigante. a única coisa que não tem envergonhado o homem. exposto em 28 de novembro de 1958. Rey Pastor e N. os cérebros eletrônicos já são hoje uma realidade.. O perigo seria ver esta máquina empregada pelo homem ou por um grupo. composição da frase fonsequentes em seu ordenamento lógico-gramatical”. Convertidas no ato as gravações. uma vez traduzida. a sua curiosidade intelectual e o seu gênio inventivo. 167 F. Drewes . para quem o homem surge como “um ser indócil. vai tendo reduzido o seu campo de ação: os repórteres não precisarão andar à cata dos fatos. em busca da perfeição do trabalho que a máquina. fazer comentários. — págs. como o observou Gustavo Corção. pois êstes chegarão às redações pelas ondas hertzianas.168 os tradutores de mensagens telegráficas não terão mais razão de existir quando for comum a tradutora eletrônica. 168 Comunicado do Britisli News Service de 11 de Nov. às 9. Irão procurar em testes. de 1958. acontece o que era de esperar: os homens irão pedir à técnica uma receita de prudência e até de felicidade.35 da tarde. passível de fazer surgir o servo-mecânico jornalista. “existe em nossa civilização uma fadiga moral e um enorme desejo de capitulação. aparentemente. A máquina se rege por um sistema de fichas perfuradas. A 4 de novembro. A notícia. aplicação elementares de sintaxe e de gramática.167 De qualquer modo. pelo rádio e pela TV. numa mostra de computadores eletrônicos em Londres. a respeito. Y.Obra cit. etc. Ademais. com o único fim de alargar a sua dominação sôbre os outros homens. Middlesex. capaz de verter frases de um idioma a outro em forma automática e com grande rapidez e cujo primeiro exemplar foi exibido em 1954. explicar aos tele -espectadores os acontecimentos que são apresentados no vídeo? Indubitàvelmente. firma britânica “Granada Televjsion” descobriu uni sistema que permite a conversão imediata de gravações de imagens e sons — em uma fração de segundos — para enquadrá-las ao sistema de canais de televisão de qualquer país.. as gravações podem 5cr transmitidas sem necessidade de qualquer processo ulterior ou dublagem. que levantou vôo às 11 da manhã para chegar a New York às 4. Segundo a própria “Granada Television”. afiança que o dispositivo da sua invenção é unico no mundo e qte abre imensas e novas possibilidades no que respeita ao intercâmbio internacional de programas televisados. de Londres: “A. do êrro ou do sentimento. o miraculoso alquimista que vive isolado na sua torre de marfim. a “Granada Television” começou a gravar às 7. — pág. de Washington. o locutor de rádio ou TV verá dispensado o seu trabalho pelo emprêgo das máquinas leitoras. isenta do cansaço. Porque. e em seu socorro irão buscar ao técnico. as desilusões das comunidades ante o fracasso das tentativas políticas de construção social — poderão criar condições favoráveis a uma interpretação estereotipada dos fatos sociais. o jornalista. Depois de rapidíssima operação. em colaboração com o Instituto de Linguística da Universidade de Georgetown. pode oferecer.30 da noite. o princípio em que se baseia o conversor é muito simples. 199. o que promete uma grande versatilidade da mesma. em processo de automatização. capazes de jogar damas. Por que não serão.

o técnico desceu a escada-em-caracol de sua torre e veio misturar-se aos homens. Em vez do super-homem. daquela pressão e daquela opressão do tempo. Se o público é passível de uma ilimitada admiração pelo progresso da técnica. réplica moderna dos centauros do mito antigo”. da criação. os Pedros e os Joãos nítidos como um triodo. sobretudo. 45. quais as funções dignas do seu estado que lhe seriam propostas para o emprêgo dos óeios. a tábua de logaritmos. faz estatística dos famintos.. Um precioso brinquedo. 99 e 107. E o técnico indagará de si mesmo “por que não são êles todos. depois de haver experimentado em vão a felicidade da superação nietzscheana “em vez de se passar além do Bem e do Mal instalando-se o mundo do homem aquém da realidade moral. dóceis como um cobre?” e avaliará a tragédia humana como “causada (quem sabe?) apenas por algum eixo com folga ou algum “Nesse momento.”172 E se tem perguntado freqüentemente em que se ocupará o homem libertado. de um modo 170 Gustavo Corção – Obra cit. O que o jornalista vê. com a máquina. polimorfo e complexo. 171 Paulo Sá — A técnica e os técnicos — Recife. com que já Renaudot. não admitirá jamais aquela sem dúvida maravilhosa capacidade de simplificação dos computadores eletrônicos como um satisfatório fim último. 171 o jornalista — pela sua própria natureza e pela natureza do seu ofício — considerará sempre a máquina como “a doll.. . tornando-se. frente à objetividade que deveria informá-lo.improvisador.. na sua luta incessante contra as fôrças da natureza. no século XVII. anuncia-se o sub- homem. como impulsionador do bem comum. que nos pro porcionará confôrto e facilidades mas que. “um único ser monstruoso. que lhe proporciona maiores lucros. Mas traz a régua de cálculo como símbolo de congraçamento. antes de tudo. mesmo por uma questão de sobrevivência. cada dia mais longas pausas para meditação. o jornalista que executa um trabalho criador e inovador. Sobrevivência do jornalismo como informador e orientador do homem social. se o editor se curva ante a excepcional produção da máquina. 17-18. not an idol” — um brinquedo e não um ídolo — como o fêz G. K. fatigado da sua própria condição. e assim se conseguirá uma super-sociedade de sub-homens:”170 O derradeiro — e principal. da polivalência que caracteriza a sua natureza e o seu ofício. mostra aos povos a nova táboa da lei. com a sua insaciável curiosidade e a sua busca incessante da perfeição material. desde as épocas mais remotas. no desenvolvimento da técnica é a sua libertação do tempo. Esta questão vem sendo debatida nos círculos filosóficos e sociológicos e. se deixa dominar. Chesterton. é o fato de que o progresso técnico deve implicar sempre na liberação do espírito. O JORNALISTA Máquina humana pensante. enjoado de liberdade.” E neste “brave new world” que o tecnicismo criará. George Soule afirma que o “leisure class” (ócio de classe) se transformará em “leisure mass” (ócio da massa) e que o grande perigo reside em que “a tecnologia importa na arte de economizar o tempo mas sem ensinar ainda como utilizá-lo inteligentemente. visando colocá-las ao seu serviço. como se quisesse tomar férias da sua própria humanidade”. se o técnico. 1955 — pág. 17. na realidade — dos agentes do jornalismo é que oporá a decisiva reação a esta visão apocalíptica do mundo do futuro. justificava as claudicâncias do seu trabalho jornalístico. No estudo sôbre as conseqüências do aumento constante do tempo não empregado no processo da economia. complexo. numa transcendentalização que vem sendo o ideal perseguido pelo homem e pelas sociedades. inexato e dotado de uma absurda e lamuriosa vontade”. Sobrevivência do espírito. nos oferecerá tempo para pensar. provocado pelo homem “cansado da realidade moral.. — págs. verídicos como um galvanômetro. traça organogramas da nova política que há de trazer a concórdia universal da sociedade bem ajustada e que há de devolver ao homem o paraíso perdido. 1957 — pág. 172 George Soule — Time for living New York.

o médico. Neste sentido é que o jornalista é aquêle “órgão constante e vivo de informação” Para êle.” Todavia adverte.”175 É pela formação cultural. do que a aspiração de servir. quando muito retirando dela algumas inferências particulares ligadas à sua ordem cultural.”174 Para realizar êste trabalho de primeiro plano. pela glória que perseguimos ou pelas vantagens materiais que colhemos — que se revela esta aptidão. em último têrmo. em seguida. que difere da curiosidade pura e simples porque se reveste de um insopitável desejo de passar adiante a informação obtida ou o fato testemunhado. uma aptidão ainda não revelada. Mas tudo evidentemente enquadrado nas liberdades ao seu alcance. julga-a. que se originam do sistema econômico. dêsse modo. Porque não se daria caráter essencial à sua atividade. refletindo o meio em tôdas as suas manifestações e. a fim de “aproveitar melhor a vida e ser melhor cidadão. comparar com outros. 1944 pág. informa-se e segue o seu caminho.. admite-se que.”173 Ao que ajuntaríamos: e. influenciando-lhe os rumos. nestes casos. indiferente. A Vocação do Jornalista — Já se definiu o jornalista como “o instrumento adequado de que se valem os fatos para converter-se em notícia. destinada a satisfazer curiosidades e entreter os espíritos. o homem deve elevar o seu nível cultural. 1958 — págs. A vocação. as crescentes responsabilidades dos trabalhadores e as exigências das sociedades modernas. Ao contrário de outros profissionais que podem repousar após o cumprimento de uma etapa de trabalho — o advogado em seguida a uma causa julgada. o fato tem um sentido que é preciso captar. 174 Aristeu Achilles — Liberdades Democráticas — Liberdade de Imprensa — Rio. é convocado o jornalista. definir. . divulgá-lo. “Na verdade. ao mesmo tempo. pela prática do ofício. dada a redução prevista do tempo de serviço.” E se isso é verdade para o homem comum. o homem comum pára. sôbre êle agindo. que “a vocação autêntica nunca é platônica. mais verdadeiro o será para o jornalista. exprimi-lo. se tal fato não lhe diz respeito imediato.. 1957 — pág. para ensinar há que servir e. uma “voz interior que nos atrai para a profissão e o exercício de determinada atividade.. impulsionar o homem e a sociedade à ação. Diante de uma ocorrência. “pela miragem de certos episódios heróicos ou espetaculares”. competindo-nos consolidá-los e desenvolvê-los.geral. que aquêles dons vêm à tona. classificá-lo pela sua maior ou menor importância e. são necessários. naquelas que emanam do sistema político em primeiro lugar. A sua parada é mais longa ou mais intensa. antes de mais nada. 173 Octávio de la Suarée — Psicologia aplicada al periodismo — La Habana. para escrever. comunicá-lo. finalmente. e das outras limitações contingente. o jornalista age diferentemente. o jornal (jornalismo) sintetiza e traduz a substância da vida social. após o curso de uma assistência ao paciente — o jornalista está sempre em função. a imprensa é o problema central da moderna democracia. isto é. a informação que colhe é mais completa e tem aplicação imediata porque êle lhe dá forma. o intelectual e o cientista igualmente param. Ba. pesa-a. situar. A Curiosidade Comunicativa — O primeiro atributo do autêntico jornalista é a curiosidade comunicativa. ajuntando-lhe dados novos e comentários. Ensina Gregorio Marañon que a vocação é um “imperioso apêlo”. Para descobrir. aquêle que encontrou a sua vocação no servir de porta-voz e intérprete dos fatos sociais. para isso. pela sedimentação dos conhecimentos técnicos. não em função aos seus próprios interêsses mas da sociedade de que se sente receptor e transmissor. não é mais. 16-17. cuja função de intérprete e orientador dos demais homens o coloca em posição de vanguardeiro na conquista dêste precioso “time for living”. fôsse ela meramente informativa. na maioria preponderantes. não se permite uma trégua. mas implica imediatamente em servir ao objeto da vocação. É em conseqüência disso que (como o constatou Wiekham Steed). informam-se e prosseguem. 32. dons inatos e magníficos da alma e da personalidade. 11. para qualquer categoria profissional. 175 Gregorio Marañon — Vocação e ética — Salvador.

178 Ismael Herráiz — Obra cit. Há. mas “extraordinàriamente” corrente. Que coisa aconteceu? Quem provocou a coisa acontecida? Onde foi? Por que? Para que? Estas perguntas têm de ser respondidas e a narrativa. sob a forma de notícia ou de orientação é que se revela outra característica do jornalista . tuas desdobra-a. b) dada a situação. que “o ato de fixar uma realidade já é jornalismo”.”178 A fecundidade jornalística está em possuir o profissional um regular lastro cultural e uma agilidade mental que lhe permitam encontrar os conhecimentos necessários no momento preciso. A fecundidade jornalística já foi definida por um escritor chileno. mesmo que a tal seja tentado pela possibilidade de vitaminizá-lo graças à sua cultura ou à sua capacidade pessoal de raciocínio e inferência. o jornalista deve adquirir conhecimento não ser um jejuno em nenhum campo da atividade humana. “Tudo deriva daí: a informação do fato. sobretudo. a formação pelo fato. Não é imprescindível que seja um enciclopédico. seu interêsse e sua lição.desde que também os fatos se sucedem numa aglutinação dinâmica que provoca. A Objetividade — Na gestação da obra jornalística. preocupado em construir ou reconstruir os interiores e exteriores em que as cenas se passam de um modo quase cinematográfico. é um memorialista mas é também um sociólogo. com exatidão e rapidez.. deve-se considerar que essa realidade. evocar. como um feto se transforma num ser definido e completo que pode vir à luz sem causar horror ou pasmo. no observador. tem- se a impressão de que examina o mundo. — pág. algum nome ou alguma entidade que se pode fazer notícia — e juntar-lhe. não deve o agente esquecer o fato.”176 A Fecundidade Jornalística — Nesta operação espiritual de extrair a substância do fato e apresentá-lo ao público. com as seguintes palavras: “(o jornalista) deve olhar. — pág. A informação jornalística precisa de apresentar alguns. nenhum daqueles leitores para os quais tem de adaptar sua mentalidade. 29. — pág..”177 Por isso. que tenha uma excepcional bagagem cultural. 37. informar-se incessantemente do que vai pelo mundo. a paisagens que circundam os fatos e têm às vêzes com êles íntimas relações. a capacidade de reconhecer o fato e mesmo de provocá-lo — quando. para ser jornalisticamente transmitida. procura colocar o leitor em posição visual de compreender o acontecimento.. na forma e no fundo. predizer a reação que produzirá. inclinado ante a sociedade em que vive. uma reação que culmina na criação da notícia. escrever. com um ôlho novo. no instante mesmo em que o seu instinto lhe indica haver concebido. talvez como não o é.. por exemplo. 34. indivíduo por indivíduo. ao sucedido. penetrando nos campos da filosofia da ocorrência. “A conduta jornalística oscila como um pêndulo entre a reação e a situação. Porquanto outro traço marcante da sua personalidade é a objetividade. elementos básicos que o leitor tem necessidade para a total compreensão da notícia.. É um trabalho de verdadeiro arquiteto literário.. entretanto. entrevista alguém. o apêgo à verdade.a sua fecundidade. a atualidade 176 Octavio de la Suarée — Obra cit. através de todos os veículos ao seu alcance... perder de vista o objeto. bem como a autoria e as conseqüências da ação a que se refere. a narrativa. . tem de submeter-se a um processo específico “o jornalista que descreve. mas que sua mentalidade represente “a média aritmética das mentalidades às quais se dirige. Suas alternativas são: a) conhecida a reação. como o observou Antônio Olinto. necessidade de serem reerguidas pedaço por pedaço. Se é verdade. possuir cultura geral e. os elementos que o irão transformar. acumulando observações curiosas que serão aproveitadas pelos filósofos para deduzir leis”. Esta última fórmula condensa todo ou quase todo o jornalismo. Andres Siegfried. sempre. o relato vai por isso dando os pormenores de lugar. pois o jornalista não limita a sua missão a compor e apresentar os fatos mediante situações feitas. de tempo. ao realismo. em geral. Não se trata (também) de que seja um homem vulgar. presumir a situação que a produz. 177 Antonio Olinto — Obra cit. como localizada em determinado espaço.

10 e 17-nov. Comparação que contém mais do que uma parcela da verdade. tem os limites da realidade. não há “tempus veri”: tempo para a verdade. ou o divag ante ou o vernaculista.179 E Antônio Olinto. L. Pio XlI — um dos mais sábios pontífices entre os que já ocuparam o sólio papal - expunha as sérias dificuldades com que lutava o jornalista para manter-se fiel à objetividade. Todos êles perdem de vista o objeto. embora mais violência.. no campo da opinião pública. Em discurso proferido. que é a coincidência dos seus atos com o seu dever. A veracidade. um “tempus loquendi”: tempo para falar. Sua configuração geral. até mesmo só uma parte daquela consideração em que podem freqüentemente contar a mentira e as meias verdades. precisamente porque.” E o imortal pontífice fazia aos jornalistas a seguinte e incisiva advertência: “Mas se neste pobre mundo existe um “tempus belli”: tempo para a guerra. é mais de real possível do que de real atual. 181 A Ordem — Rio — Vol. in Diário de Notícias . que o jornalista não pode seguir sem reservas. em 1953. escreve um artigo de polêmica só para empregar dezenas de sinônimos de um termo injurioso para o adversário. Em seguida. da sátira.”180 A obra jornalística. e um “tempus taciendi”: tempo para estar calado. nêle polemista. Como pode ser difícil resistir-lhes e respeitar os limites que a veracidade proibe absolutamente de ultrapassar! Sem esquecer sequer que “a conspiração do silêncio” pode também ofender gravemente a verdade e a justiça. tentações da parte da opinião pública ou mais exatamente das opiniões do público. o estilo determinado pelo fato. O mau jornalista é o sofisticado ou o fanático. é a medida do jornalista. que o jornalista sereno e objetivo.. IX. que em outras oportunidades foi tão grande jornalista..”181 Tremenda advertência. 179 Tristão de Ataíde — Art. o realismo é a sua grande fôrça. não. a subjetividade prima a objetividade. além das dificuldades exteriores. e de fogo para as mentiras?”(Fables. a realidade para se prenderem apenas no modo de o retratarem ou nas suas segundas intenções mais ou menos ocultas.. autoria e conseqüência da ação) porque seu plano (mais real possível do que real atual) é o de surpreender alguns dos mistérios do homem como ser. da fidelidade ao fato. e “tempus falsi”: tempo para o êrro. forjando-se espontâneamente. enquanto que o jornalismo se situa quase que exclusivamente no real atual.. O fato. oriunda da sua própria fecundidade: — aquêle elemento imaginário ou dedutivo que gratuitamente vinculamos às circunstâncias que envolvem o fato e que. Sabeis — acrescentava — pela vossa própria experiência quotidiana como é muitas vêzes dificultoso garantir a pura verdade. após lembrar que “existe a realidade em ato e a realidade em potência”. mas não faz autêntico jornalismo”.do fato. tempo. êle que precisamente deve adequá-las à verdade e ao direito e por conseguinte purificá-las e guiá-las. o acontecimento. É eminentemente objetiva. 180 Antonio Olinto – obra cit. 1. Jean dé la Fontaine não exprimiu uma observação parecida nos versos bem conhecidos: “o homem é de gêlo para as verdades. contrariando uma exigência natural do gênero. 1 — julho de 1953. sob o guante das mais diversas tentações.-1957.. como o pianista faz escalas. desfigura a realidade. do que pròpriamente do jornalismo. ou o mal informado. aos jornalistas da Associação da Imprensa Estrangeira em Roma. n. Um polemista é um belo espetáculo..págs. escreve: “A ficção pode haurir seu material tanto de uma como de outra. no entanto. 28 e 30. o que pode ser feito pelo escritor tanto na história chamada de “enrêdo” como numa pesquisa psicológica. “Tentações que nascem dos interêsses de partido e talvez até da imprensa por cuja conta trabalhais. cit. realmente. numa apresentação de personagens em luta com os seus próprios demônios interiores. É por isso que um jornalista-polemista tem menos fôrça. pode ter feito um exercício de estilística. como a verdade é a coincidência de sua apreciação com o acontecimento em si. A fôrça do jornalista está na verdade e na honestidade. quando causam admiração e seduzem. mas está mais na linha da poesia.. da atualidade. quando se considera que. e um “tempus pacis”: tempo para a paz. o conto — pode prescindir de alguns dêsses elementos (lugar. . Quando Rui Barbosa. . o jornalista tem de lutar contra outra muitas vêzes mais grave. A literária de ficção — o romance. 6). o fato.

então. atenção leal e engenhosa para facilitar a obra de esclarecimento. diz que “se destinam a manter o rádio-ouvinte bem informado. salientam que os jornalistas “apesar das suas melhores intenções nem sempre conseguem escapar ao curso da deformação típica do rumor.”184 O jornalista tem a obrigação profissional de divulgar qualquer notícia comprovada que lhe chegue ao conhecimento. o seu conhecimento das normas de ética. por outro lado. Pois “nem tôda a verdade é boa para ser dita. 192.”182 Daí porque é tão rara a divulgação de versões idênticas sôbre o mesmo fato em diferentes veículos de Publicidade. serena. na defesa do seu senso objetivo. o verídico do falso. o que não o priva — nem o redime. é êste o princípio fundamental para facilitar ao rádio-ouvinte os elementos de juízo apropriado para que nenhum fato seja desfigurado alterando ou confundido. um código para o jornalista que informa: “respeito à verdade. está sujeita a normas seguras de verificação. verdade será dita sem prejuízo e os fatos divulgad os sem intenção maliciosa. que põe sempre em guarda o jornalista a respeito de fatos que possam destruir reputações.. Discrição que evita pareceres e juízos precipitados. Provayer Carracedo. a despeito dos Alceste de todos os tempos e dos tagarelas apressados em vender atualmente as suas novidades” O mesmo autor propõe. a sua familiaridade com os assuntas. Em pesar as obrigações que tem para consigo e para com a sociedade em geral. As provas que recolhe podem ser relatos de segunda ou terceira mão (e ainda quando fôssem de testemunhas oculares seriam de duvidosa exatidão). P.183 Outro não é o pensamento de J. onde se obteve a informação. que a tais normas não se conforma. Discrição jornalística que. Provayer Carracedo — Radioperiodismo — La Habana. transmudando unia informação que. com absoluta imparcialidade ao reproduzir para divulgar no radiário as rádio-notícias exatamente como se produziram em nossa presença ou com uma investigação sã e alerta do ocorrido. com senso de oportunidade e responsabilidade — é que está o atributo da discrição jornalística. se acaso não obedece aos estilos — de prever as conseqüências sociais dessa divulgação. a sua constante manipulação dos fatos.. Igualmente serve à objetividade aquela quase paradoxal discrição a que se refere Du Passage. 183 R. e porque é freqüente. O repórter raramente é testemunha presencial do sucesso. du Passage — Du journalisme – Paris. em conduzir-se. reserva que não atribui jamais ao zêlo da verdade os nossos procedimentos indiscretos e as nossas intransigências apaixonadas”. em rumor e o que o repórter escreva e o redator redija corre o perigo de cair ainda mais na precária ladeira da nivelação. de modo veraz. em poucas palavra. acentuação e assimilacão. advertirá o profissional verdadeiro do momento asado para transmitir uma informação ou dar uma orientação reclamada pela sociedade a que serve. ter em conta a soma de experiência do jornalista. 1925 — págs. 57. Allport e Leo Postman – Psicologia de rumor – Buenos Aires. 184 J. dos costumes. “informa-se”. A notícia se terá convertido. contudo. responsável. de tudo quanto condiciona o comportamento social — o que lhe oferece meios de separar na radiografia da ocorrência. que estudaram detidamente a psicologia do boato. . “conforme fontes bem informadas” e outras. chega ao sítio da cena depois de haver-se produzido um fato digno de publicação. que a fidelidade do jornalista aos fatos é forçada a empregar. 1952 — pág. em um rumor. quando. ao menos em tese. 1953 – pág. no estilo periodístico o uso do modo condicional e das expressões “circula”.dando à notícia um caráter de boato. que podem deflagrar revoltas e iras e de cujas repercussões na opinião o jornalista se pode arrepender tardiamente. definindo os programas informativos de rádio. Allport e Postman. sem paixões. A. “correm fundados rumores”. quer pela sua revelação nua e crua quer pela discriminação da fonte. em balancear o dever profissional e o dever social. Como chegaremos a obtê-lo? Simplesmente com uma atuação judiciosa. 182 Gordon W. rendendo homenagem à exatidão. das leis. de quanto ocorre no mundo. A Discrição — Deve-se. em caso de conflito. 11-13.

para a diagnose e terapêutica de um mal. iniciou a sua carreira na imprensa de Timbaúba. sobretudo. é ter já o jornalista à sua disposição o primeiro elemento para publicá-la. à luz dos costumes e das tradições das comunidades a que se destinam. que uma notícia seja certa. Transferindo-se para o Recife. quando se sentia no ar que o regime ditatorial estadonovista se aproximava do seu têrmo. obteve a divulgação e o seu ato foi a libertação do jornalismo brasileiro das peias do DJP e o inicio da vitoriosa campanha de reconstitucionalização do país. como o médico. devem ser reduzidas ao fundamento único que a complemente e concretize e faça-a assimilável pelas grandes maiorias. Êstes dois distintos aspectos da discrição no exercício do jornalismo estão caracterizados nos seguintes exemplos: em 1945. Jouvenel dizia aos seus alunos de jornalismo: “Não se esqueçam de que o público sente horror diante de tôda verdade nova”. que guardou durante treze meses consecutivos um autêntico “furo” de reportagem: uma ação de Lindenberg contra caças Japoneses no Bornéo — porque a sua publicação daria margem a prejuízos à causa dos aliados. Que seja verdade uma notícia. . e acordou um dia tendo como vizinho no quarto ao lado o General Delgado. A verdade é mais ou menos verdade e até pode deixar de ser verdade. o repórter insistiu pela sua publicação. .. José Américo de Almeida. As “maneiras” da verdade. 186 As normas gerais da conveniência social estão expressas nos códigos de ética e. irreprochàvelmente certa. Outro caso é o do correspondente norte-americano da United Press. de Salvador. a que se acham coercitivamente submetidos não sòmente os agentes do jornalismo como o povo inteiro. sem que lhe seja preciso consultar textos éticos ou legais. ingressou no Diário de Pernambuco e mais tarde fixou-se na Bahia. Êsse fundamento único é. sendo considerado insensato. sua cidade natal.185 dos Diários Associados. em face da rigorosa censura à imprensa ainda imperante. jornalista e poeta. em Lisboa. apenas em serviço de treinamento de pilotos de caça norte-americanos. “Não basta. William B. visto como. conforme o relata a revista Visão — edição de 23 de janeiro de 1959 — o jornalista Odorico Tavares. sendo civil. a consciência profissional que adverte o jornalista da oportunidade e da justeza da apresentação ou do comentário de um fato qualquer. conforme se a diga ou se a escreva. nem sempre necessitará de ir ao Chernoviz. com efeito. para o jornalista a conveniência social”. estando. ludibriado pelo ditador em 1937. Mas é. uma entrevista destinada a dar o golpe de morte no regime. procurara asilo na sede da representação brasileira. porém não o único se se tem em vista não o egoismo ou a vaidade profissional mas a conveniência social. Talvez nenhuma outra essência filosófica esteja mais subordinada à forma do que ela e o fato de que se a entenda sempre de diversas maneiras dá uma idéia cabal dos requisitos morais que exige a sua apresentação. quando se apresentou ocasião inopinada de entrar em luta. muitas vêzes. como não o seria colocar em mãos de um menino de meses um fósforo aceso porque chora de medo à escuridão que o rodeia. Por muitos dias. A condição de hóspede do embaixador impediu Odorico Tavares de conseguir o que seria a entrevista mais fácil e sensacional da sua carreira. natural de Pernambuco. 274. o últimos integrando a consolidação das leis penais. 185 Odorico Tavares. passando a dirigir o associado – Diário de Notícias. nos códigos criminais — os primeiros elaborados pelos jornalistas ou por organismos em que os jornalistas se acham representados. Dickinson. estava hospedado na Embaixada do Brasil. para que já por si se constitua um elemento adequado à conveniência social. o jornalista brasileiro Luís Camilo de Oliveira Neto obteve do sr.. . que fôra candidato oposicionista à presidência da República Portuguêsa e. o famoso ás não poderia participar de vôos de combate. Ainda recentemente. 186 Octávio de La Suarée – Moraletica Del periodismo – pág. O sol dá vida ao homem mas êste não pode mirá-lo diretamente. que fôra o candidato à presidência da República. Afinal. ameaçado em sua segurança pelo regime que combatera.

Aqui é oportuno lembrar que as primeiras manifestações jornalísticas foram puramente utilitárias. que há de ser claro. de molde a evitar dissonâncias e choques. jamais o poderá violentar qualquer regime social estritamente materialista. os métodos de ação do facultativo serão de molde a fazer entender ao paciente o seu estado de saúde. da quase irresponsabilidade. corre o risco de incutir no enfermo uma idéia por demais lisonjeira da sua situação. a fim de conseguir a necessária aquiescência à terapia indicada. Daí porque o jornalista — na fase de transição porque passamos. de superação do empirismo para um enquadramento ético e estético. Sòmente nestas condições. ainda. precisão. que há de ser correto. unidade. uma vez que se achará apto a assegurar por si próprio. torna-se ininteligível. energia e harmonia. em qualquer que seja o veículo de que se utiliza. de cultivar qualidades e dons que lhe são cada dia mais exigidos. enrêdo e maledicência amável e inconseqüente. . fatalmente transmite receios. observou-se uma fase de alegre despreocupação: o jornalismo era. o médico examina-o e deve dizer-lhe o mal de que sofre. Ocorre o mesmo com o jornalista. ao seu cliente. Se. de fixação de metas a serem ultrapassadas. Houve. em pleno florescer de uma segunda revolução industrial — precisa de estar consciente da sua missão. fugindo ao simbólico e ao metafórico. usa apenas a linguagem científica. parece demasiado otimista. clareza. por outro lado. prossigamos no paralelo: chamado ao leito de um enfermo. que ha de ser uno. finalmente. o jornalista realiza obra estética e neste afã é que jamais o poderá alcançar a máquina. aquela medida de equilíbrio de valores. mantendo igual distância entre o preciosismo e vulgarismo. entretanto. Senso Estético — E já que utilizamos a comparação do exercício do jornalismo com o da medicina. que condiciona o seu comportamento profissional. A linguagem. aos princípios de correção. se se mostra surpreendido ou temeroso com os sintomas e a marcha da moléstia. aquela outra condição indispensável ao seu exercício — a responsabilidade. que há de ser enérgico. que há de ser. Mais tarde. e não raro desespêro. respondendo a exigências primárias da vida social. se. então. dos fatos apresentados em conflito e usados para a defesa ou o ataque. É o senso estético que dita o estilo jornalístico. harmônico. sua extensão e a disciplina a que deve submeter-se para obtenção da cura. com tempo para viver e para pensar. registrou-se a época da polêmica. mediante a ordenação das idéias numa seqüência lógica. a atitude. Sòme nte há pouco mais de um século é que o jornalismo e o jornalista iniciaram a sua batalha de aperfeiçoamento. em contrapartida. adotando um ritmo próprio de “linguagem”. o instante da boêmia. jamais o poderá substituir o servo-mecânico. de reclamar o gôzo da condição primordial da sua atividade — a liberdade. Em seguida. fixando expressões ou detalhes essenciais. fazendo-o obedecer. no seu trato com o público — e o que o ajuda a acertar na ação é o senso estético. um planejamento filosófico e sociológico que responde não só a reclamações primárias e meramente utilitárias mas a necessidades do espírito do homem.

QUARTA PARTE AS CONDIÇÕES DO JORNALISMO Contém: O PROBLEMA DA LIBERDADE Poder Público e Liberdad e de Opinião Educação para a Liberdade Defesa da Liberdade de Opinião O PROBLEMA DA RESPONSABILIDADE Jornalismo e Moral O Jornalismo Sensacionalista A Ética no Jornalismo Brasileiro Jornalismo e Nacionalismo Ação catalizadora do Jornalismo O Jornalismo Brasileiro e o Nacionalismo Os Reclames do Presente Jornalismo e Paz Mundial A “Batalha da Paz” A ONU e a Paz Os Caminhos da Paz .

Socorrendo-nos. É o que ensina o prof. sem liberdade de pensamento e associação. A experiência confirma: no primeiro caso.. em lugar de encaminhar o homem. Paulo Nogueira Filho. em outras restrições senão as ditadas pelos poderes ordena. terá noção precisa do estado de liberdade ou de opressão em que vive. aguçaria conflitos.”187 Para ser livre. se a consideramos como a expansão individual possível. do Estado: — a liberdade. diante do problema da ordenação coletiva. 38-39 e 46. independente de limitação. como ação ou inação voluntária concordante com a vontade coletiva. mais do que para outros profissionais nos diferentes campos de experiência humana. que avigora a personalidade. o indivíduo precisa de ter asseguradas condições em que possa expandir o seu ser e afirmar a sua personalidade. que dêle parte e dêle é exigida pelo indivíduo. essa fôrça motora da vida social geraria preconceitos e ódios.189 Tão vital se apresenta 187 Jacques Bourquin – La Liberte de la Presse – Paris. o de que a expansão da pessoa humana só se processa na concordância ou na discordância das vontades individual e social. A liberdade tida como ação individual. que é própria do agente. a discordância se identifica com o sentimento de opressão. a consciência dessa concordância se identifica com o sentimento de liberdade. do pensamento filosófico moderno e da observação dos fatos sociais. que atrofia a personalidade. diante da constante ação social. que não participará da elaboração política. e compará-la com a de seus pares. levaria indivíduos e comunidades à desintegração. se converterá num ser torpe e incoerente. usos. Sejam quais forem os ideais coletivos que animem um aglomerado formado de seres dotados de razão. a liberdade deve ser compreendida pelo jornalista como inalienável “para exercer sem entraves a sua atividade intelectual.” O jornalista. nunca se define de modo preciso. nesta ordem social. no segando. Laski — La libertad en el Estado moderno — Buenos Aires — 1946 — pág. aqui. a defesa da liberdade constitui tarefa indeclinável pois “se neste domínio um indivíduo se vê obrigado a guardar silêncio. as íntimas e indissolúveis relações entre jornalismo e liberdade. a permanecer inativo. Temos como fundamentais ao exercício do jornalismo duas condições: uma que parte de fora para dentro e cuja garantia é competência das sociedades e particularmente. pela comunidade e pelo Estado: — a responsabilidade. E. como intelectual. o seu sentido é uno cm quaisquer condições. em qualquer ordem de pensamento. pois. discordante da pessoal. está habilitado a sentir o grau de liberdade de que desfruta e para êle. e opressão social como ação ou inação determinada por vontade cole tiva. Ao inverso. do progresso. da ordem. concordando ou não. Sem a primeira. que chamaremos de social. sempre que um dos seus componentes verificar a sua posição no grupo. Sem a segunda. da paz e da colaboração. 1951 – pág. o que significa que deve poder exprimir livremente as suas idéias. o exercício do poder opinativo não passaria de mais um instrumento — terrível. outra. a sociedade. Êsses fenômenos universais e constantes nos permitem definir a liberdade.. os indivíduos atuam coincidindo ou não. um homem carece de meios para proteger-se a si mesmo”. costumes ou ordenações sociais ainda que difusas. 1951— págs. realizada na integração social. esmagador instrumento manejado pela tirania e pelo despotismo para subjugar os anseios dos espíritos e dos povos pelo seu constante aperfeiçoamento moral e material. assim.188 que acentua: “Em todos os climas e latitudes do globo terrestre. jornalismo e responsabilidade e os reflexos que quaisquer distorções neste terreno produzem no exercício dessa atividade e no seio da coletividade humana. 189 Harold J. O fato capital é. tentaremos situar. hábitos. . quer seja pela palavra ou por escrito. a comunhão internacional pelos caminhos da educação e da cultura. com as regras jurídicas e morais. 67. O PROBLEMA DA LIBERDADE Valor inerente e essencial ao desenvolvimento da personalidade humana e da vida social. 33. provocaria o caos e a ruma.dores que integra. 188 Paulo Nogueira Filho — Regime de liberdade social — Rio.

ocasionaria simplesmente conflitos cruentos ou o caos. a idéia da liberdade-direito desaparece para dar lugar à idéia de liberdade-dever. Sem dúvida. a fim de dotar o homem comum da perfeita convicção de que possui espaço suficiente para a contínua expressão de sua personalidade. quando êstes se acham fortemente arraigados. é inexequível. implicitamente reconhecem a necessidade de regulamentá-la. durante uma campanha política. . que ela não constitui um direito. “as clássicas declarações de direitos. nos grandes centros urbanos nos países democráticos. no sentido de faculdade irrestrita. é um ser social.”190 Poder Público e Liberdade de Opinião — Se o jornalista tem o dever de exercitar amplamente a sua liberdade para ser fiel à missão de favorecer e ajudar a atividade dos demais membros da sociedade. especialmente a de desenvolver sua atividade física. por isso. fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei. na realidade. Assim. ao menos em tempo de paz. “Desde o momento em que o homem faz parte da sociedade e. 1924 — págs. Assim. pode o Poder Público limitar a liberdade de cada um.”191 Conclui-se que a tarefa dos homens de govêrno e dos responsáveis pela orientação e pelos destinos dos povos. ao Poder Público não cabe outra tarefa que a de proteger essa liberdade. não apenas no termo da lei mas real e efetivamente. ao proclamar como fundamentais quatro dentre as “liberdades humanas”. que brota dos costumes e hábitos. E pondere -se que. não têm em conta o que seria entre outras a falta de ordenação jurídica da matéria. assim. mas um dever. na hipótese. que o homem tem um direito ao exercício da sua atividade.a liberdade para o exercício do jornalismo que somos levados a crer. nos dias que correm. de fato. da liberdade-função social. pois varia de povo a povo o conceito da normativização necessária em cada uma das séries citadas pelo insigne democrata. o que. Madrid. é preciso dizer que tem o dever de exercê-la. se referiu à categoria de atividades que julgou deverem ser ordenadas. com Leon Duguit. ao enumerarem as liberdades tidas como fundamentais. porém. o de universalização das respectivas ordenações. que tem o dever de não dificultar a ação dos demais. o dever de favorecê-la e ajudá- la. às que têm por fim a destruição do Estado e dos fundamentos da vida comum” mas “a censura e as medidas de polícia são o pior meio. no conceito solidarista. “Para o filósofo católico. 18. mas sòmente na medida que seja necessária para proteger a liberdade de todos. a de garanti-la por todos os meios. 191 Jacques Maritain – Los derechos Del Hombre y la Lei Natural – Biblioteca Nova – Buenos Ayres. como por exemplo na de culto. na medida do possível. 126 – 127. Jacques Maritain escreve que à comunidade política “assiste naturalmente o direito de opor-se à propagação da mentira e da calúnia. 222-223. tal como provàvelmente são estatuídas nas leis e nas tradições anglo-saxônicas. não deixaram de fazer referências à ordenação necessária quando preceituam que ninguém pode. 1946 – págs. quanta à ocupação de espaços nos veículos de publicidade? A falta de ordenação no caso. Os que falam em liberdade de expressão do pensamento. só aludimos à carência de norma jurídica. com as menores restrições possíveis. não se pode dizer. O proble ma a resolver seria. Para começar. e esta doutrina está consubstanciada em todos os movimentos filosóficos que levaram o homem a lutar pelo direito e pelo dever de ser livre. em verdade. – págs. há muitos meios melhores para tal” sem falar na pressão expontânea da consciência comum e da opinião pública. a de assegurá-la. intelectual e moral e não fazer nada que perturbe o desenvolvimento da atividade dos demais. de assegurar essa repressão.”192 O poder público pode e deve limitar a liberdade individual para melhor garanti-la. Ainda quando põem vigor na afirmação de uma liberdade. cujo exercício declaram não poder ser impedido. “consiste em assegurar um equilíbrio harmônico entre a liberdade de que necessitamos e a autoridade que é essencial. 190 Leon Duguit — Soberania y Libertad — Beltram. por conseguinte. a quem pertenceria o centro cívico da cidade? E que seria. O presidente Roosevelt. ao seu ver. 192 Harold Laski – Obras cit. às atividades que têm por objeto a depravação dos costumes. que é dos mais típicos. nasce para êle uma série de obrigações.

Em outras palavras. é que poderemos. 1955 — pág. de incitar à rebelião e propagar a guerrrcivil ou entre nações — então nenhuma educação. Insistem em ser livres de alguma coisa mas esquecem de que estar livre de alguma coisa implica em estar livre para alguma coisa. Essa “liberdade” não o privaria. o direito de publicar o que se quer. com efeito. pelo diatribe e. Rela injúria. morais. aquêle instante em que temos de aceitar restrições ao nosso direito. é o direito de fazer o que eu devo”. de pela violação das normas éticas que regem a profissão. de insultar e denegrir o próximo. 196 J.194 de que não expressa a faculdade de contra ela nos erguermos. Do jornalismo missão-social. 195 Gustavo Corcão — As fronteiras da técnica — Rio. o jornalista precisa — como arauto e pregoeiro das idéias. Já T. instruçãu ou treinamento se faria mister para o exercício profissional. a paz social. Sòmente uma convicção profunda de que liberdade e responsabilidade são coisas inseparáveis. de conhecer da técnica de jornal. do Estado ou do indivíduo — ao pleno exercício da atividade dos que conosco vivem e atuam. 1947 — pág. bem informar-se dos meios que deve utilizar para alcançá-los e de como empregá-los. naqueles setores de atividade humana. de que liberdade não é “o direito de fazer o que me pareça. isto é. esquematizadas em textos oficiais. utilizando o jornalismo do mesmo modo que o tirano o utilizaria para a satisfação dos seus interêsses. a manifestação da opinião através dos veículos jornalísticos.34. Fulton Sheen assinala que “todos falam como se a liberdade neste mundo fôsse um fim e não um meio.”193 A verdade é que os limites da liberdade não pertencem apenas à ordem jurídica. — 44-45. adquiridas pela experiência e pela educação. de fazer sensacionalismo. distinguir. em atos de puro 193 Paulo Nogueira Filho — Obra cit. e a liberdade tornar-se-á um absurdo. de torcer a verdade ao sabor das próprias conveniências. portanto. . ao contrário. Dêsse modo. conseqüentemente. de que liberdade não significa indiferença ao bem geral e individual. de que “liberdade e lei. são também morais. das ieivindicaçôes. de suprimir informações. dos anseios da opinião pública.”196 Educação para a Liberdade — Há. apenas. a liberdade não é um fim — sòmente com essas convicções. todavia. de manobras astutas para obter riqueza e mundo. o limite da liberdade. nós próprios. que o jornalista identificar-se com os objetivos da sua missão. no tumulto dos interêsses em choque. Fulton Sheen — Obra cit. o que não o privaria de ser um “expert”. Estar livre do reumatismo só é compreensível porque quero estar livre para andar. a sociedade será chamada a responder às distintas direções do pensamento e a aplicar recursos próprios para analisar. filosóficas — de valor absoluto e indiscutível. liberdade e obrigação mo ral são idéias correlatas”.O valor da sua proclamação residiu no intento de influir junto a todos os governantes para que assegurassem.71. investir-se na direção de um periódico ou de uma emissora radiofônica. Fulton Sheen — O problema da liberdade — Rio. para acatá-los em nome da própria liberdade. São também as que correspondem a responsabilidades éticas. Qualquer indivíduo poderia — como infelizmente tem ocorrido — intrometer-se numa redação de jornal. filosóficos e religiosos. da administração e gerência de uma emprêsa jornalística. — pág. do pénsamento. Batem-se pela liberdade mas não dizem porque querem ser livres. nada entenderia. enfim — o jornalista precisa de educação especial para a liberdade. de renunciar ao exercício amplo da nossa atividade. nem a necessidade de fazer o que o ditador me imponha. assimilar ou rejeitar as idéias que a impulsionam à ação. quando impostos pela lei jurídica. 195 e de que. pelo falso testemunho e pela irresponsabilidade. encobrir-se e proteger-se com o munus natural da profissão. Esqueça-se a finalidade. 31. escolher os caminhos e traçar os limites da liberdade. 194 J. não são apenas as regras codificadas. em última análise. mas. travestir-se de jornalista. em respeito ao direito alheio — da sociedade. distinguindo-os. As leis que regulam e limitam a liberdade. Não é fácil. Porque se a liberdade fôsse.

na maior parte dos casos estudados. 199 GiIbert Henry Goston — L’ABC du journalisme — Paris. liberdade de expressar a opinião não é essa licença e sim “a possibilidade de exercitar o próprio e são direito. Dana. que deve ser proporcionada aos jornalistas uma formação profissional que lhes dê um bom lastro de cultura geral.”199 A sub-comissão de imprensa da “Comission de Besoins Techniques” da UNESCO. conformando a expressão do pensamento às normas do Direito. 1949 — págs. 1947 — pág. Gilberto Henry Goston informa que “uma enquete revelou. um trabalho incessante não sòmente do poder público mas do povo inteiro. do rádio e do filme assumem responsabilidade frente ao público”. Jones — Journalism in the United States — New York. não preparar o profissional para o trabalho material de fazer um diário ou um periódico. Robert W. a Pulitzer. Registrou.” Ao general Lee. falta pessoal qualificado. Mas.”198 Pulitzer estava convencido de que a principal função dos estudos especializados jornalísticos era. de colaborador permanente na tarefa da paz e do entendimento entre todos os povos do mundo. Arturo — Il Giornale — Napoles. acaso. ainda.gangsterismo. de uma firma cinematográfica ou. em 1949. E atendendo a que “os jornais não são os únicos a 197 Assante. Não é menos verdadeiro porém que aquêles que chegarão a ser jornalistas constituem uma importante fração dessa população estudantil nos Estados Unidos.” Reconhece. particularmente para ocupar os postos mais elevados” e que. no meio dêsses aspirantes a jornalistas. sobretudo. Sem dúvida — acrescenta — entre êsses escritores em perspectiva. correspondente a observações feitas em 19 países. e êle próprio o declarava: “Minha esperança é que êste colégio de jornalismo levante o nível da profissão. política da nação. correspondentes de uma casa comercial. 514. do fato de que êsses candidatos não têm formação profissional satisfatória. muitos terminarão “writers” de agências de publicidade. “as principais dificuldades não vêm do número insuficiente de candidatos. desenvolva nêles o senso das responsabilidades que incumbem à imprensa sôbre o plano social e lhes forneça noções de base a respeito da técnica e dos métodos próprios desta profissão. no âmbito da lei”. reconhecendo que “os profissionais da imprensa. 45-46. como outras profissões muito menos importantes têm logrado o interêsse público. isto é. mas. . mergulhar o país na ruma. Eu desejo iniciar um movimento que possa erguer o jornalismo ao nível de uma profissão erudita. a alma do jornal.”197 Como expressiva parcela do povo o jornalista não deve permanecer passivo diante dos problemas. opinou que “esta organização pode fazer muito mais em favor da formação profissional do que sôbre não importa que outro ponto estudado” no relatório apresentado em 1949. deveu-se a vitoriosa campanha que transformou os Estados Unidos no país líder do ensino jornalístico no mundo. a Walter William. Mas para isso é preciso marcar a distinção entre os verdadeiros jornalistas e os homens que fazem uma espécie de trabalho jornalístico que não requer nenhum conhecimento ou convicção. 1952 — pág. A sua posição é de um ativo participante da elaboração do Direito. a Charles A. mas um simples treino de negócio. credora do respeito da comunidade. levar a comunidade ao desespero. de contribuinte na obra de entrosamento dos cidadãos na vida. Era uma educação especial para a liberdade de opinar que movia Joseph Pulitzer. na luta fratricida e no caos. conservar a contabilidade no seu próprio lugar e fazer da alma do jornalista. limitando-se a expô-los ou criticá-los leviana ou inconseqüentemente. a William Allen White e a outros jornalistas e professôres. na sua iniciativa vitoriosa de criar a Escola de Jornalismo da Universidade de Colúmbia. 7. 198 Conf. da luta pelo desenvolvimento constante das condições econômicas e sociais das comunidades a cujo serviço se encontra. que o número de jovens americanos que se destinam à carreira da imprensa e das letras se eleva a dois milhões. que “não é pura teoria mas uma fôrça viva e real. o relatório. mas “elevar idéias. que “mesmo nas nações em que a situação econômica é relativamente estável. ensinar-lhe tipografia ou métodos de gerenciar o negócio.

Talvez faça-se uma judiciosa censura das críticas. Anualmente. Seguem cursos de três meses. contràriamente ao que se crê comumente. história dos Descobrimentos.”202 O regime de Franco cuida da formação profissional dos jornalistas ibéricos. através de bolsas. se refiram às atividades dos escalões superiores do Govêrno. para alunos hispano-americanos. dividido em três períodos intensivos. seguindo as diretrizes oficiais. recomenda que “os programas das escolas de jornalismo sejam concebidos em função de todos os meios de informação das massas” e em plano universitário. que a imprensa russa é livre de criticar. que visitou a URSS.200 Fato significativo. política exterior da Espanha. quando se observa o desenvolvimento do ensino técnico-profissional de jornalismo no mundo é a importância que os governos socialistas ou totalitários dão à criação e manutenção das escolas e cursos superiores para o pessoal da sua imprensa. 111-117. 1948 — págs.”201 E o repórter brasileiro João Batista de Lima e Silva. 203 Essa preocupação dos governos socialistas e totalitários no preparo de equipes de jornalistas. film. — págs. as idéias e normas norteadoras do exercício da liberdade. destacando- se os cursos oferecidos pela Escola Oficial de Jornalismo da Universidade de Madrid. indica que tais governos também estão imbuidos da importância de imprimir. compreendendo um ano escolar de nove meses de duração. como é entendida entre aquêles povos. A maioria das comunicações dos leitores refere-se aos negócios do Estado. 204 Pierre Denoyer — Obra cit. reunindo as idéias criadoras e a iniciativa dos trabalhadores. se bem que com menos extensão. instituições do mundo hispânico. As autoridades soviéticas afirmam que na elaboração definitiva das leis têm em conta a opinião assim obtida. Pierre Denoyer informa que. O govêrno espanhol faz ainda mais: mantém cursos especiais. E dentro dessa compreensão. 202 A Voz Operaria — Rio. talvez os correspondentes prefiram. A imprensa soviética. 217. dezenas de jovens que completam o curso de jornalismo. 200 UNESCO — Press. mas “é exato. nos quais se estudam teórica e pràticamente as mesmas matérias que no plano dos cursos para espanhóis. tècnicamente competentes e politizados de acôrdo com as diretrizes práticas e filosóficas vigorantes.”204 A liberdade de opinião na URSS não obedece aos nossos modelos. ao qual os dirigentes do jornal prestam a mais solícita atenção. voltar a lua atenção para as atividades referentes às autoridades locais.fornecer ao público a sua ração de notícias. rádio — Paris. . 11-junho-1953 — N. particularmente das Escolas de Moscou e Leningrado. um ou dois anos. “aquêles jornalistas cujos méritos os assinalam aos dirigentes são enviados para uma das numerosas escolas de jornalismo. 201 Pierre Denoyer — La Presse dans le monde — Paris. escreveu o seguinte: “A formação de um jornalista do Pravda é um trabalho de vários anos. por exemplo. quer às repartições quer aos funcionários locais. consideram ser vital para o govêrno possuir a sua imprensa e dar-lhe direito de criticar e orientar a opinião pública. 203 Manual de Estudos – Universidade de Madrid — Ano de 1952. A diretiva stalinista — “Os quadros decidem tudo” — que norteia todos os setores da atividade soviética. ditados em três anos. comissários do povo ou órgãos dirigentes do Partido. na URSS. Publica numerosas cartas de trabalhadores inserindo julgamentos por vêzes severos sôbre o funcionamento dos organismos governamentais. tais como problemas atuais da Hispano-América. e incluindo algumas matérias especificamente destinadas à melhor preparação profissional dos periodistas dos países sul-americanos. 24-37. segundo a formação que se lhes julga conveniente dar. é considerada uma fôrça pelo govêrno porquanto estabelece um contacto direto e vivo “entre o povo e os homens de Estado. seis meses. as informações gerais e as diretrizes contidas nos artigos de fundo”. 117. note-se bem. no espírito daqueles que se dedicam à profissão jornalística. saem das Universidades soviéticas. 1950 — pág. É raro que sugestões ou críticas. encontra neste caso um exemplo magnífico. estrutura econômica do mundo hispânico e.

Para a Itália do presente. Essas aulas. Há momentos em que a crítica da execução inclui a crítica da própria política. menos na própria URSS. nas fábricas. ensinamento constante da ciência política.”205 Pierre Denoyer dá-nos um exemplo da liberdade de crítica na União Soviética feita à burocracia florescente. em visita ao Parlamento de Bonn. o jornalista que necessita. são ministradas também nas Universidades. É o próprio povo. é o ouvinte. e não a forma soviética de liberdade de imprensa. E outra não tem sido. 207 Octavio de la Suarée — Moraletica Del Peridismo — La Rabana. nas associações. tal como a entendemos. Nessa longa missiva. em diferentes países com o propósito de 205 Pierre Denoyer — Obra cit. o complexo teórico de Hegel. estuda-se e debate-se constantemente. como o fizeram as gerações passadas. . em tribuna especial. é criticada. não faz senão três meses que espero. sob a égide da UNESCO. Em troca. por exemplo. em resposta a uma palestra pelo mesmo proferida em outubro de 1944 na Associação Editorial de Chicago. que visam a desnazificação das massas. 175. “Não sei. em qualquer parte. entretanto. sôbre o funcionamento do legislativo. em que aparecia o desenho da ante-câmara do presidente de um Soviet Municipal cheio de visitantes. Na República Federal da Alemanha. a substituição progressiva dos conceitos nazistas de liberdade e govêrno pelas idéias democráticas imperantes naquele país. sem dúvida. enquanto periódicos e filmes expõem aspectos diversos do problema. tivemos oportunidade de.-53) por referir-se. 17-set. periò dicamente. cujo dever fundamental é. pela revista satfrica Krokodil. tanto nos Estados democráticos como nos socialistas. ao preparo excepcional do seu pessoal.Jamais a política do govêrno. Seminários de jornalismo. por isso naturalmente atribuimos um grande valor à mesma. nas escolas. A certo trecho escreveu: “Porque nós outros da União Soviética conquistamos e pusemos em prática a mais ampla liberdade de imprensa. em Curitiba. Os críticos confundiram negar valor dialético ao conceito com negar existência ao próprio conceito. Marx. ampliado e firme aos seus pósteros. e êsses estudos e debates constituem pràticamente o fundamento de qualquer formação cultural.” Os jornalistas soviéticos estão capacitados hoje a defender a sua própria concepção de liberdade de imprensa206 graças. O maior documento a respeito de que temos conhecimento. é o espectador do cinema e da TV. numa série de discursos proferidos na Câmara dos Deputados e reunidos no volume Pela Liberdade de Imprensa — Livraria José Olimpio Editora. simpósios e inquéritos são realizados. preservar êsse bem. na necessidade de uma “escola de leitores”. Baltiiski a um dos diretores da Associated Fress. que desejemos impor nossa forma soviética de liberdade de imprensa aos demais países. Lenine e Plekhanov. nos demais países. Já se falou. de grande tiragem. cremos que a democrático-burguesa. do seu exercício nos países não socialistas e das suas diferenciações com a “forma soviética de liberdade”. Nestes últimos. 206 O autor foi criticado (Diário de Pernambuco — ed. 111-117. em tese apresentada ao Congresso Nacional de Jornalistas de 1953. Rio. na qual se procurasse ensinar o homem a ler e aproveitar o jornal. de uma educação especial. 1946 — pág. ao examinar “as doutrina anti-liberais da liberdade e suas consequências”. assistir a uma aula. é a carta aberta dirigida pelo jornalista russo N. 1957 — Afonso Arinos de Meio Franco sintetizou com muita precisão a matéria. poder básico do regime. mesmo. Baltiiski revela conhecimento absoluto dos princípios da liberdade de imprensa na concepção ocidental. ao “conceito socialista de liberdade”. “Espera-se muito tempo para ser recebido?“ — pergunta um recém-chegado. — págs. Kent Cooper. exatamente. é a mais conveniente. Isto não significa. Por que? Porque não existe na Itália um sistema político nem social que torne possível a introdução da forma soviética de liberdade de imprensa. cursos de extensão universitária.”207 Defesa da Liberdade de Opinião — Mas não é apenas. responde um dos visitantes. legando-o. a realização dessa política pode ser criticada e o é realmente. que o torne apto à defesa da liberdade de opinião. Posteriormente. sobretudo no nosso país. em que concluia que a Rússia desejava uma imprensa livre em todo o mundo. num sentido mais lato. ali.

integrado na tarefa do desenvolvimento nacional e do constante aperfeiçoamento das instituições democráticas. o jornalismo se obriga à responsabilidade sob três aspectos: — para com o indivíduo e a coletividade (jornalismo e moral). Jornalismo e Moral — Referindo-se ao problema da responsabilidade jornalística. na sua opinião. . para o caluniador a pena consistia em se lhe infligir o mesmo castigo que pudera ter sido aplicado ao caluniado. Êsses esforços objetivam inculcar nas massas o respeito pelo jornalismo. o prêmio da Academia Pernambucana de Letras. ou aquêle contra o qual. preparando-as para o exercício de uma vigilância sem a qual será fatalmente deturpado o sentido da liberdade de opinião. que mentiu e caluniou. Escritor e pesquisador da historia. jornalista e professor pernambucano. “Em qualquer país. o seu estudo biográfico e crítico de Pinheiro Machado constituiu obra de grande repercussão nos meios culturais do país. Um povo apto à defesa da liberdade estará sempre vigilante. a fiscalização é sempre possível no regime de liberdade” — assegura com muita justeza Afonso Arinos de Meio Franco. A reparação do prejuízo ocasionado à pessoa humana ou à entidade de direito no seu patrimônio ideal. foi deputado à Constituinte Federal em 1946. a exigir a prática de um jornalismo responsável. Basta que os partidos políticos. 10-12. exercitou a sua crítica. por parte dos acusados. enfim — se compenetrem do seu dever de pugnar por um jornalismo livre e responsável. nos crimes de imprensa alguém deveria pagar na prisão: ou o jornalista. as igrejas. o dano moral terá permanecido sem a justa reparação e a comunidade acostuma-se a permanecer indiferente aos libelos jornalísticos enquanto se cria um clima de insensibilidade. oferecendo aos inimigos da liberdade razões para suprimi-la. para com a pátria (jornalismo e nacionalismo) e para com a comunidade internacional (jornalismo e paz mundial). “que impusera a poucos delitos a pena capital. Êstes três tópicos são fundamentais na fixação do conceito e das diretrizes de uma atividade jornalística livre e consciente das suas verdadeiras e legítimas finalidades. finalmente. Ou a serviço do poder político ou a serviço do poder econômico. quando muito forçado a publicar retificações ou a retratar-se em outra edição do jornal. A idéia de Costa Porto sôbre as conseqüências da responsabilidade no exercício do jornalismo remonta aos tempos do antigo Egito onde. Cícero209 acentua que já a lei das Doze Táboas. obtendo. sob as quais vivem e desejam continuar a viver. no govêrno Café Filho.esclarecer a opinião sôbre os benefícios e a importância da imprensa. de acôrdo com os códices de Thaut. e mesmo no Brasil. Em ambos os casos. que nem sempre é conhecida dos mesmos leitores que foram postos a par da falsa acusação antes veiculada. do rádio. pelo contrário considerara conveniente aplicá-la ao que recitasse pùblicamente ou 208 José da Costa Porto. ante as mais infamantes pechas que lhes são atiradas. levando os veículos periodísticos a se colocarem à margem dos verdadeiros interêsses da coletividade. Na época da publicação deste ensaio integra o corpo redacional do Diário de Pernambuco como comentarista político. 209 De Republica — IV. O PROBLEMA DA RESPONSABILIDADE Para responder e corresponder à liberdade que lhe deve ser conferida. onde a imprensa é vítima das mesmas deficiências morais e técnicas da nossa formação política imatura e ainda meio bárbara. no conhecimento mútuo dos povos e. no seu bom nome ou na sua justa fama tem sido exigida pelas mais remotas legislações. as associações e clubes — todos os núcleos sociais. O que o ilustre escritor pernambucano não pode admitir é a impunidade do foliculário irresponsável. verídica e comprovadamente. entre outros. Dêsse modo. na manutenção das relações amistosas e da colaboração universal para a construção de um mundo de paz e progresso. e ministro da Agricultura do Brasil. Costa Porto208 costuma dizer que. da TV e do cinema na difusão das notícias e da cultura. as universidades. os sindicatos.

” E segundo a lição de Justiniano. não com atos mas por meio de palavras ou escritos. codificada e proclamada. mesmo retificada por determinação de sentença judicial ou admitido. o direito de resposta. dolosamente. para proteger-lhe os direitos e orientá-lo para a prática do bem. o desagravo do difamado. como também se torna passível de penas e penitências proporciona das.618 e 1. Quem ousar denunciar pela imprensa o criminoso. poderá ocorrer — e ocorre com freqüência — que nem aquela emissora de rádio nem aquela agência informativa se interessem por transmitir a retratação. Por outro lado. em muitas delas. tanto entre nós como em outros países. reconhecida. sempre. 28. do outro. multas. “de igual modo injúria se causava a outrem quando contra êle se escrevia. ou de qualquer outra forma injuria a um terceiro ou o prejudica em sua boa fama e reputação. 12. onde os mais altos postos da vida social são disputados através de eleição. nos têrmos do art. perante o tribunal. Qualquer notícia ou comentário publicado em um jornal de pêso na opinião pública poderá ser logo transmitida pelo rádio ou por qualquer agência telegráfica ao mundo inteiro. tu mentiste !“ As modernas legislações prevêem penas de detenção. como na brasileira. a irreparabilidade do dano infligido ao indivíduo pelos órgãos jornalísticos que foram criados e se desenvolveram para serví- lo e engrandecê-lo. a situação criada pela nova Lei de Imprensa entre nós (Lei n. finalmente. exclamando: “Bôca. Essas reparações. pesam alguns argumentos de apreciável conteúdo. o jornalismo desamparado diante de um indivíduo todo poderoso. contra o processo judiciário adotado nos chamados crimes de imprensa. o dano moral tomou tal amplitude que torna impossível a sua reparação.210 dispunha a vítima da ação pretoriana. o direito de resposta a quem for acusado ou alvo de injúria. se deve impor a suspensão ou privação de ofício e benefício. assim. com a expansão dos meios de comunicação. . em uma soma de dinheiro prudentemente arbitrada pelo juiz. todavia. Um jornalismo que “sentia gravitar a injustiça 210 Wilson Melo e Silva — O dano morai e sua reparação — Edição Revista Forense — Rio.355 da Igreja reza textualmente: “Se alguém.083. compunha ou publicava um libelo ou livro infamante de versos. apresentar-se ao eleitorado solicitando-lhe as preferências. Já salientamos como um falso juízo ou uma informação tendenciosa. por interposta pessoa. que se denominava “injuriarum aestimatoria” e pela qual podia reclamar uma reparação consistente. batesse na sua própria bôca. cuja incolumidade fôra. Rui Antunes comenta: “Florian lembra muito bem que a justificativa da verdade é tanto mais de ser acolhida nos regimes políticos democráticos. entretanto. por si ou.” Neste caso. Ë que.” Durante a Idade Média. espontâneamente. correrá o risco de ser afinal condenado como caluniador. na velha Alemanha. apreensão de exemplares de jornais. 211 Rui Antunes — Obra cit. inclusive se se trata de clérigo a quem. O cânone 2. que se lhe cosesse a bôca. e se posteriormente o jornal vier a retificar o conceito. calúnia ou difamação. lhe extirpasse o nariz ou amputasse a mão. de vida pregressa pontilhada de infrações penais não desmacaradas. Dêsse modo. — pág.. A propósito.938 a dar a devida satisfação e a reparar os danos. não só se obriga. não permita a prova da verdade.compusesse versos injuriosos ou difamatórios. a quem se propiciava os meios necessários. pecuniárias. diante de um grave problema: de um lado.”211 Estamos. se for o caso. letra b.. há dois séculos. de 12-11-53) conduz os jornais a ficar silenciosos quando um biltre da pior espécie. 1955 — pág. 140. 2. consistia em reclamar fôsse arrancada a língua ao difamador. bastando para isso que o processo seja devidamente instaurado pelo ofendido e que êste. a reparação do dano moral sofrido impunha ao difamador que. confisco e sequestro de máquinas e. se tornaram pouco ou nada eficazes. Em tempos menos recuados. a “prova da verdade” é quase que totalmente excluída nos processos por calúnia e difamação e não é mesmo admitida siquer no caso de injúria. nos teores dos cânones 1. de acôrdo com o “jus vindictas”. perdurará para aquêle público que não teve oportunidade de tomar conhecimento da retratação.

falando perante a Associação Editorial de Wisconsin. A Imprensa deve ser o mais fiel defensor da dignidade da pessoa humana e do respeito que merece. injúria ou difamação devem ser objeto de uma reparação pública e expressa por parte do jornal responsável.212 Outro não foi o pensamento da Associação Nacional dos Editores de Jornais dos Estados Unidos.. Uma prática correta exige que essa oportunidade seja dada em todos os casos de acusações graves fora dos procedimentos judiciais. quando Charles Anderson Dana.. Um jornal não deve publicar acusações que não sejam oficiais que afetem a reputação ou a moral de alguem sem dar ao acusado a oportunidade de ser ouvido. através de máximas adaptadas “para servir de guia aos homens que fazemos os jornais”. em Londres. no seu famoso “Credo do Jornalista” e resumiu a matéria na seguinte definição: “Creio que o jornalismo que melhor triunfa — e que mais merece o triunfo — teme a Deus e honra o homem. Êsses princípios estão consubstanciados nos códigos. um ano depois. proteger a honra do indivíduo e a comunidade a que pertence. fixassem a posição exata da sua atividade. nenhum jornal deve prejulgar a culpabilidade ou a inocência de pessoas processadas nos tribunais.. — págs. deve ser escrupulosamente respeitada. ponderação e discrição. mas já recomendavam.” Através desta norma-mater. seja com argumentos. na expressão de Zola. invectivas ou pelo ridículo. a reputação das pessoas. que sobrepõe aos interêsses do indivíduo os interêsses da coletividade. adotou o seguinte princípio: “tôda calúnia. a não ser que haja uma necessidade pública para fazê-lo. qualquer que seja o seu credo religioso ou a sua filiação política. proclamava: “um jornalista digno dêsse nome. realizados em Havana.. O congresso mexicano a que antes aludimos 212 Octavio de Ia Suarée — Moraletica eit. a ética profissional constituiu o primeiro e mais importante ponto do temário.” E o grande jornalista norte-americano Walter Williams. aprovaram. no Congresso Nacional e Panamericano de Imprensa.” O Jornalismo Sensacionalista — Visando. ainda que o tribunal competente julgue que não agiu de má fé. menosprezado pelo jornalismo panfletário e polêmico da época: “Nunca ataque ao débil ou indefeso... Dana reconhecia a função social do jornalismo. que deve publicar os esclarecimentos necessários em lugar de destaque. mas recomendava. 74-75.” Três congressos jornalísticos latino-americanos. em Bruxelas. reuniu-se. O jornalismo procurava. o respeito ao indivíduo. salientando: “O direito de um jornal de captar e reter leitores está restringido sòmente por consideração do bem estar público.. votou os postulados éticos dos seus membros. não abusa jamais da liberdade de imprensa e das suas fôrças com fins interesseiros. Um jornal não deve ferir os direitos ou sentimentos privados sem ter a segurança de que está servindo ao interêsse público que não deve confundir-se com a curiosidade pública. na Cidade do México e em Caracas. Que reduzisse ou mesmo eliminasse os conflitos com o cidadão. um decálogo do jornalista que. quando. ajuntando essa outra incisiva máxima: “Uma palavra que não se pronuncia jamais causou prejuízo”. a difamação e as acusações sem provas como as mais graves faltas profissionais... ideários e declarações que vêm sendo sistematizados desde pelo menos 1888. 42 e 45... Em ambos êsses conclaves. em 1941. no seu décimo mandamento. lançou as bases da ética jornalística.sobre o seu destino e a responsabilidade sôbre a sua obra” teria de procurar estabelecer princípios e normas que. o primeiro congresso jornalístico de que se tem notícia. ultrapassando mesmo os limites da ética geral. por seu turno. em 1893.” E uma declaração unânimemente aprovada na Cidade do México. novamente se concentram os homens da imprensa da Europa. nos anos de 1928. em 1923.” Com a presença de Emile Zola. textualmente. de logo.. purificar as condições de trabalho e “formar uma coletividade dentro da qual não tenha assento nenhum gênero de vileza e corrupção. ainda. desde que se pensou em ética jornalística se equacionou o problema da não propag anda do vício e do crime. credos. Essas primeiras normas abrangiam diferentes aspectos do trabalho jornalístico. considera a calúnia. .

Em diversas oportunidades. não são fenômenos 213 A. catástrofes. que sobrevivem aos regimes. o último dos quais “tablóide”. do que as informações concernentes a crimes. como se sabe. suicídios e outras formas de crime ou imoralidades devem ser suprimidas. etc. Nossas redações defendem um ponto de vista muito diferente. consequentemente. muito propagada. Está muito arraigada a convicção de que sòmente o jornal sensacionalista — sensacionalismo aqui empregado como o sistema de concessões à curiosidade mórbida das mais baixas categorias de leitores — obtém fácil aceitação. a publicação de fotografia e desenhos imorais — tudo. sob pena de não receber o seu apoiamento. não raro. que lamentam sinceramente o abuso do sensacional. a resposta é evidente: o leitor reclama assuntos dessa categoria porque se tem despertado o seu interêsse por tais matérias. as tergiversações e os exageros de tôda classe devem ser eliminados. Estamos longe de convir que a “natureza do homem” lhe foi dada uma vez por tôdas.” Que as normas dessa Liga foram conscienciosamente observadas pelos órgãos da imprensa do Colorado. às catástrofes” é causa ou por ventura não será a conseqüência de uma certa linha seguida pela imprensa? Ao nosso ver. a feição do seu interêsse intelectual. fez inserir nos jornais daquêle Estado norte-americano algumas normas de ética. tendo elevadas astronômicamente as tiragens e. Abordando o problema na imprensa polonesa atual. enfim. assassinatos. Entre tais regras figuravam as seguintes: “nenhuma notícia editorial nem anúncio que não seja próprio para um menino ou menina de quinze anos deve ser publicada. Uma questão se coloca então: onde está a causa. oferecendo melhores lucros aos editôres. se quiser manter a sua tiragem. a exibição de jornais ou documentário. e estipulado sanções.. As informações imaginárias. sob uma falsa concepção de liberdade o jornalismo lança mão para obter popularidade. As reportagens sôbre divórcio. deve adaptar-se a êste desejo. em “manchettes” e grandes títulos. que deveriam ser obedecidas pela imprensa. em nada prejudicial à feição moderna e atraente que apresentam. o editor-financista defende o princípio de que a boa notícia não produz receita. jogos de azar. que exalte os baixos instintos. senão maior. um ponto de vista segundo o qual as boas notícias podem e devem despertar entre os leitoresres um interêsse igual.. de Denver. não admitiremos jamais a teoria segundo a qual todos os traços negativos venham da imutabilidade da natureza humana — teoria. Co lorado. o público tem demonstrado a sua repulsa á tais processos e expedientes de que. Rayski — Obra cit. a publicidade comercial indiscriminada de bebidas. E mesmo se admitirmos que a natureza humana possui traços característicos duráveis. a apresentação de programas radiofônicos pornográficos ou de duplo sentido. Por que as notícias sôbre o agravamento da situação internacional devem despertar mais interêsse do que aquelas que anunciam o melhoramento das relações entre os Estados e os povos? Por que é menos interessante saber como uma casa foi construída do que como foi derrubada? Por que uma estatística sôbre a melhoria do estado de saúde da população é menos interessante do que a notícia de uma epidemia? O gôsto do leitor. . enquanto que a má notícia é muito mais vendida. às mortes. matutinos. Constata-se que a procura de jornais aumenta durante as investigações de crimes ou a realização de processos penais e. para a divulgação sensacionalista dos fatos delituosos. infortunadamente. onde está o efeito? O interêsse demonstrado pelos leitores “ao sangue. Há alguns anos. Rayski213 comenta: “Numerosos colegas da imprensa francesa. que se orgulham da sua linha editorial austera.” Sucessivos congressos jornalísticos e assembléias político-legislativas têm condenado. 384-385. o autor pôde observar pessoalmente ao visitar a redação do Denver Post e do The Rocky Mountain News. A.estabeleceu que “os jornais devem abater-se de fomentar os vícios. explicam-na pelo fato de que responde ao desejo do leitor e que o jornal.. entorpecentes. — págs.. estimular o crime e despertar a morbidez das pessoas através das suas informações. suas noções morais e éticas. por isso. a “Liga Protetora dos Cidadãos”. americana e britânica. cinematográficos que apresentem seqüências incompatíveis com a decência e a dignidade humana.

de moralidade na expressão do pensamento. que. reparações em dinheiro que variavam entre cem e vinte mil réis. Nem o Times.” Os artigos 15 e 17 estabeleciam as penalidades. por seu turno.. A mesma delicadeza se observa no departamento de publicidade. A Ética no Jornalismo Brasileiro — No Brasil. Algumas vêzes. La Prensa é mais séria e circunspecta. excluiram totalmente o baixo sensacionalismo dos seus veículos. União Soviética e República Popular da China. João VI. em certos países. que daria lugar a procedimento judicial contra dia. no corpo de regulações e penalidades rezava: “Art. a parcimônia no informar sôbre catástrofes e calamidades públicas.°) — publicando Escriptos que ataquem diretamente a Moral Cristã recebida pela Igreja Universal. técnicas aplicadas pelo jornalismo socialista moderno. as cinco ou oito páginas seguintes não contém senão anúncios curtos e classificados. de Boston. — pág. E. A propósito de La Prensa. artigos. As notícias nacionais não levam assinatura. 3°) — insultando-a com termos de desprêzo ou ignomínia. 14 — Abusa-se da liberdade de Imprensa contra os bons costumes: 1. nem os suicídios se consignam em suas colunas. que merece todo o respeito. como na Inglaterra e na Suíça. pràticamente no seu todo. Por isso. para agir neste sentido. êxito dos bons empreendimentos — são. pela BBC de Londres. enquanto o 21 mandava transformar a pena pecuniária em 214 Octavio de Ia Suarée — Obra cit. divulgam notícias de suicídios ou fazem propaganda de vícios. promulgada por D. nem La Prensa. 16 — Abusa-se da liberdade de Imprensa contra os Particulares: 1. logo após e proclamação da Independência. pela série magnífica de documentários cinematográficos de Walt Disney e Fizgerald. nem o New York Times.” A supressão total do noticiário policial. com efeito. observa-se em todo o mundo civilizado um sensível declínio do número de queixas e processos judiciais por delitos de imprensa. e o indivíduo como cidadão. adquiriu a imprensa não só a estima como a admiração e o aprêço das populações. Podem ser formados tão bem no senso positivo como no senso negativo. não sòmente na Polônia como na Tchecoslováquia. palestras e filmes sôbre a melhoria do nível de vida. Com exceção de alguns títulos que ap arecem em quadro na primeira página. de bom gôsto e boa medida na apresentação técnica — é que se originam o prestígio e a autoridade do verdadeiro jornalismo. ou desprêzo público. a lei portuguesa de 12 de julho de 1821. por crus e repelentes que sejam. a divulgação de editoriais. de Londres. participante da comunidade social — é que. alevantamento dos costumes. como o praticado por êsses jornais. As grandes emprêsas jornalísticas ocidentais. 20 determinava em qualquer caso de abuso da Liberdade a supressão e apreensão de todos os exemplares do impresso. nas quais não há títulos de mais de 13 milímetros de altura. 214 Dessa atitude de sobriedade na informação. nem o Christian Science Monitor. de Buenos Aires — para só citar alguns dos campeões da imprensa mundial. de segurança na orientação.objetivos e imutáveis. Vêm logo as colunas de notícias.. Romênia. observou George Kent: “Em outros periódicos de Buenos Aires.°) — publicando Escriptos ou estampas obscenas. Nem os divórcios.°) — imputando a alguma Pessoa ou Corporação qualquer fato criminoso. 2. 2. vigorou. O art. segundo constatação de Suarée. Art. 371.. se ocupam de crimes. com maior ou menor sucesso com a ajuda de métodos mais ou menos bons. reportagens. . os assassinatos são noticiados como mortes ocorridas em penosas e lamentáveis circunstâncias.. como tivemos oportunidade de pessoalmente constatar. Seus diretores vacilaram em aceitar um anúncio de goma de mascar por temor de introduzir êsse vício na Argentina. vêem-se títulos sensacionais e as notícias se publicam com todos os seus detalhes.°) — imputando-lhe vicias ou defeitos que a exporião ao ódio. pelo senso de responsabilidade do jornalismo para com o público — o indivíduo como ser isolado. A imprensa polonesa se esforça.

” Apesar das penas previstas. Ésse projeto. convertendo-os naqueles “instrumentos ignóbeis de difamação”. 217 Barbosa Lima Sobrinho — Problemas da Imprensa . no seu parecer observava: “O projeto não cerceia em nada a liberdade — pode-se mesmo dizer a licenciosidade — de que goza até hoje a nossa imprensa. garantindo. segundo testemunho insuspeito. dos dispositivos do Código Criminal. 189. como quem ataca — louvando e alacando como lhe parecer melhor — cubra o seu trabalho com a respectiva assinatura. precedida e seguida da mais virulenta campanha política e pessoal jornalística já verificada no país. escreve que a imprensa viveu “debaixo de um clima por vêzes asfixite. 91. Nela. salvo digníssimas exceções. por Marcelo de Ipanema — Síntese da História da Legislaçcío Luso-Brasileira de Imprensa — Rio. nem os lares. sancionado em de dezembro de 1830. uma of rmalidade qualquer exigida a mais para a manifestação do pensamento. 4.”218 A nova lei não melhorou em nada a situação do ponto de vista moral. originara-se de uma decisão do Partido Republicano de São Paulo “de batalhar por uma lei sôbre imprensa.°). uma peia. a história o demonstra: em 1930. 1949 — pág. Que nem o procedimento legal nem as “razzias” contra jornais e jornalistas deram resultado. 145 (regulando a liberdade de imprensa). porém. . de 31 de dezembro de 1923.” “As disposições do Código Penal. degenerando a liberdade em licença. Nunca. É o cumprimento restrito da Constituição. eclodia a Revolução Liberal. veículos de que se serviam os seus proprietárias para obter vantajosas po 215 Cit. a experiência de mais de trinta anos mostrara serem ineficazes para a punição dos que se servissem da imprensa como instrumento de ódio e vingança. sòmente o Estado é que se pretendeu cercar de maiores garantias quando. apenas. Que quem louva. “a ofensa ao Presidente da República no exercido das suas funções ou fora dêle” (art. às verrinas do jornalismo.“tantos dias de prisão quantos corresponderem à quantia em que fôr multado. 218 Solidônio Leite Filho — Comentários à Lei de Imprensa — Rio. o jornalismo brasileiro. “velha e terrível árvore daninha da imprensa do Império cuja extirpação tanto desejaram eminentes homens públicos” que os excessos de linguagem e as injúrias campeavam nos nossos jornais. O que se pede é únicamente a assinatura de tudo quanto produza cada escritor. 3. O indivíduo continuou sujeito ao destempêro.217 não foram poupados os indivíduos nem respeitada a vida privada dos humens públicos.” Também o relator do projeto n. caracterizado pelo tom polêmico e desaforado. os jornais eram. depois transformado na lei n.Rio — pág. portarias e avisos e. na justificação do seu projeto de uma lei de imprensa. de que falava o senador Adolfo Gordo. 31-32.”216 Porque era valendo-se principalmente do anonimato. nem as reputações. trilhava caminho diferente daqêle a que se devia votar. 1925 — págs. condenava com pena de prisão celular de três a nove meses e multa de quatro a vinte contos de réis. finalmente. na razão de mil réis por dia. É o que assinala Geminiano da Franca215 quando. Imperou o pasquim. que então regulavam o assunto. Nada era sagrado: nem as leis. das violências perpetradas contra jornalistas e autores de “Escriptos” altamente injuriosos. Não há uma cláusula restritiva. a correspondente e efetiva responsabilidade. referindo-se ao período republicano de 1889 a 1923. por exemplo. a par da máxima liberdade de crítica. dispositivos que vigoraram prâticamente até 1923. no ano de 1896. estêve por quase um século entregue a si mesmo. apresentado à nossa Câmara Alta em 19 de julho de 1922. Medeiros e Albuquerque. da sucessão de decretos. tal necessidade se fizera sentir tão fortemente quanto na campanha política de 1921-1922. Na sua generalidade. 216 Anais da Câmara dos Deputados — Ano de 1896.743. Em parte por culpa dela própria que.

219 Caso típico dêsse procedimento ocorreu em Pernambuco onde. no Rio. tinha ocupado a atenção dos homens de imprensa. das emprêsas jornalísticas e dos jornalistas profissionais.” Observe-se que essa idéia surgira exatamente quando a imprensa vivia sob o guante do DIP. em 1945. .220 quando redigiram.” 221 Neste mesmo conclave. grande administrador e político e jornalista mediocre. 4 — pág. 25. para impedir que através dêles as vinganças políticas. E a situação não melhorou com o estatuto votado em 1934. discutiram e aprovaram um Código de ética. primeiro em São Paulo e. 220 O Primeiro Congresso Brasileiro de Jornalistas foi realizado em 1908. A polícia estadual impediu que os jornais e oficinas gráficas ou estações de rádio difundissem qualquer defesa do sr. visando. já em 1939. fez publicar um artigo intitulado “Molambo”. sições políticas. 222 Os problemas do jornalismo no Brasil in Estudos Brasileiros — Ano 1. que mais tarde iriam eclodir no “rio de lama” cujas nascentes do Catete abasteceriam os leitos secos dos veículos de publicidade. sofreram a influência nefasta da coerção que o Estado impunha ao livre exercício profissional e. 15. em que atacava na sua probidade o ex-governador Carlos de Lima Cavalcanti. retornava então à sua terra. 219 o Estado Novo não contribuiu para o soerguimento ético do jornalismo brasileiro. estabelecendo os deveres fundamentais do jornalismo.revolucionária de 1930. em setembro. ficou conhecida como a “polaca”). Regulamento e Ternário do III Congresso Nacional de Jornalistas — Salvador. no Recife. do art. na tese — “A organização dos jornalistas brasileiros”. a natureza da ética deveriam no entanto emanar sempre dos próprios jornalistas. aquêles que recusavam adotar e aplaudir os métodos e processos corrompidos e corrutores do regime de imprensa vigorante. do endeusamento dos seus líderes. para o qual não vigorava — inimigo do interventor e advesário do regime — a letra c. a campanha primou pelos excessos: os donos do Estado Novo foram.. a que compareceram delegações de quase todos os Estados do Brasil. as mais baixas e duras imputações caluniosas. Considerava indeclinável dever das emprêsas “coibir a publicação de estampas e fotografias que possam ferir o pudor público. Evidentemente. 221 Conf. a dignidade e o decôro de alguém” e julgava defeso ao jornalista “empregar têrmos cuja dubiedade possa produzir no ânimo do leitor impressão contrária àquela que normalmente deve surgir do fato noticiado ou comentado. gratuitamente. em plena ditadura. combatendo o intrusismo e pugnando pela fundação de uma escola de jornalistas. cuja atividade deverá orientar-se “sob princípios que elevem e dignifiquem o homem”. e também se ocupou de ética jornalística. O artigo era uma tremenda verrina e teve a mais funda e revoltante repercussão na opinião pública. quase sempre. Decreto n. mais tarde. nos jornais que o infamareni ou injuriarem. Convém frisar que o dif amado dêsse tempo fora o difamador da fase pré e post. sob as mais soezes injúrias e. do falseamento da verdade. por sua vez. defesa ou retificação”.776. segundo referências de Edgar Leuenroth.. amordaçando a crítica. através do jornal da sua propriedade — Fôlha da Manhã — o então interventor federal no Estado. do n. deposto pelo golpe estadonovista. Lima Cavalcanti.222 “zelar pela ética da imprensa com poderes para afastar aquêles que se tenham incapacitado moralmente no seu exercício. de 14 de julho que vigorou até o advento do regime ditatorial estadonovista. conforme Austregésilo de Ataíde. de 9 a 22 de setembro. foi apreciada a possibilidade da criação de uma Ordem dos Jornalistas que. partidárias e sociais viessem a exercer as suas maléficas influências. Ao contrário. resposta. 122 da “polaca”: “é assegurado a todo cidadão o direito de fazer inserir. de combate a qualquer ação tendente ao retôrno do país à vida democrática. facilitando a difamação contra os adversários manietados e sem defesa. A ausência de normas éticas no jornalismo brasileiro preocupou sèriamente os jornalistas reunidos. impingindo a falsidade. que se inspirava na Constituição fascista da Polônia (por isso.. sujeitando a imprensa.. na fase da reconstitucionalização. transformava o jornalismo em um mero instrumento de propaganda dos fins do regime. controlando o rádio. censurando o cine- jornalismo nascente. 24. Mesmo os mais responsáveis dos jornais e jornalistas do Brasil. em 1949. que fôra proprietário do Diário da Manhã e. arrastados pela rua da amargura. durante os sete anos da ditadura. especialmente se possa ferir o pudor público ou a dig nidade e o decôro de alguém. nos seus II e III Congressos Nacionais. cuja Carta Constitucional outorgada. fermentavam os ódios e os recalques. apresentada ao IV Congresso. em 1951. 1949. na Bahia. Agamenon Magalhães. N. Os critérios dêsse afastamento.

a ciência dos valores morais. o sr. com a sua criação”. idem — pâg. o vício. como se poderá sentir garantido na sua justa fama o simples cidadão. e. dos roubos e desfalques. o fato de não ter o jornalista brasileiro uma profissão liberal mas. pois a Justiça não melho rou absolutamente. Como uma disciplina de vida. vamos encontrar os casos mais típicos. e mais tristemente característicos da nossa deseducação profissional. com amplos e sugestivos documentários fotográficos. se a própria imprensa e o rádio veiculam diàriamente o resultado do “jôgo do bicho”. a abandonar a idéia. 38. com o endeusamento da máquina — é para a velha ciência ética. que nos permitirão 223 Idem. idem — pág. com o fortalecimento e multiplicação das emprêsas. dolorosos. os desquites e “casamentos no Uruguai”. segundo o advogado e jornalista Joaquim Inojosa. rejeitando por unanimidade o projeto que. nos debates que se seguiram à exposição de Austregésilo. nos debates a que nos reportamos. vinha sendo debatido e sèriame nte estudado pela classe. E como uma disciplina para o exercício da nossa atividade profissional.. desde o abuso do poder com o cerceamento da liberdade. Belisário de Sousa testemunhava: “e com Ordem ou sem Ordem dos Jornalistas. o funcionamento de algumas poucas escolas de jornalismo. editam revistas e magazines do tipo “confidencial” e perniciosas histórias em quadrinhos.Assim mesmo. porque. Nada obstante o Código de Ética. que nos permita garantir a liberdade e descobrir. publicam o retrato e o nome do menor delinqüente. aquela finalidade que deve ser o objeto do nosso querer e do nosso agir. à mais ligeira tentativa de repressão legal. concluimos que um dos motivos do desapreço em que é tido o jornalismo no Brasil está. cujos “heróis” são pistoleiros e tarados. praticam tôda sorte de contravenções e delitos de imprensa e. 36. indiscutível e dolorosa é que os jornalistas estão ainda muito indisciplinados e inestruturados no que se refere à educação e à ética profissional. alguns processos correntes na Justiça. Mas existe latente e larvado e. aquêle algo valioso. Com efeito. Evidentemente melhoramos na aparência neste setor. do “café society” — os mais freqüentes e apetitosos “pratos”. . por calúnia. vez em quando. até a automatização dos espíritos. na existência. há dois ano. a verdade clara. resguardando os seus excessos sob um elástico conceito de liberdade? Reportando-nos às nossas considerações iniciais neste ensaio. na falta de conformação do seu exercício às normas da moral comum e da moral profissional. como pertencentes a um “sindicato de ladrões”? Como poderá o indivíduo confiar e respeitar um jornalismo que faz dos assassinatos. que nos devemos voltar. dos suicídios. ser um assalariado — levaram os congressistas do Recife. 224 Idem. da “juventude transviada”. as mazelas sociais. quando o presidente da República e as principais figuras do govêrno são impunemente apontados à execração pública por órgãos da imprensa. em coisa alguma. o fundo de personalismo agudo e agressivo se esbateu na industrialização. um sem dúvida crescente profissionalismo da classe. — “inutilidade. visando propagar e exaltar o crime. injúria ou difamação — o indivíduo e a sociedade brasileiras não se acham ainda assás protegidos contra a prática do jornalismo “amarelo”. sobretudo. mediante o estudo constante e sistemático da nossa consciência moral.. da nossa falta de ética jornalística. — 224 o receio de que o govêrno lançasse mão do organismo para deturpar-lhe os fins e tornar ainda mais precário o exercício da profissão de forma livre e ampla. da tradição e da experiência. em 1951. a que respondem jornalistas enquadrados nos artigos da Lei de Imprensa. botam a bõca no mundo. a prostituição e dissolução da família? Como poderá o cidadão atender a sisudos editoriais em que se clama pelo cumprimento das leis. na sua grande maioria.”223 A experiência da Ordem dos Advogados. Quando tantos perigos e seduções ameaçam os agentes do jornalismo. cujo programa inclui noções de moral profissional. com o progresso industrial. exatamente. oferecidos ao público através de reportagens escritas e faladas. a repulsa manifestada por diferentes setores da opinião aos métodos sensacionalistas e personalistas ainda adotados por um grande número de jornais e emissoras radiofônicas.

em modificar. está fugindo também às suas legítimas aspirações e justos fins. não tardarão em popularizar-se. quando os alemães e as autoridades colaboracionistas de Vichy controlavam todos os veículos jornalísticos: sem ouvir idéias que não fôssem as ditadas pelo “Propagandastaffel” e. efetivamente. Responsabilidade para com o público da cidade. passando subreptìciamente de mão em mão. Mesmo porque nem a corrução. pois. como a democracia. jamais será. no terreno das idéias. em ser adotadas por um número cada vez mais expressivo de indivíduos. de modo especial. de adverti-la dos seus erros e de apontar-lhe os caminhos certos para o êxito dos seus empreendimentos — então falha completamente na sua missão e não se pode queixar do descrédito em que é tido e do desamor que lhe votam os cidadãos. de contribuir para a realização das suas causas e solução dos seus problemas e conflitos. é instituição social majoritária. Um jornalismo desta ordem fugiria às suas características e finalidades: — faltar-lhe-ia popularidade porquanto as suas interpretações dos fatos correntes seriam contrárias ao pensamento do maior número. será riscado da estrutura social. E dia virá em que. ignorantes ou fanáticas. acatado e respeitado pelo homem. que têm os mesmos sentimentos. o pensamento até então dominante e as diretrizes até então seguidas. a sociedade para a qual especificamente se exercita. Se deixa de exprimir os ideais da comunidade. quer como ser isolado quer como membro da comunidade. no ânimo dos franceses metropolitanos. Um jornalismo divorciado da moral ou que menospreze os princípios éticos que informam o espírito humano e o nobilitam será. a que aspiram o indivíduo e as coletividades. eram lidos por um milhão e meio de franceses. nos fins de 1943. que falam uma mesma linguagem. a Federação aglutinava 13 jornais clandestinos. corresponda aos anelos de uma humanidade consciente dos seus caminhos e do seu destino temporal e eterno.apreciar com mais segurança o valor dos atos humanos. o jornalismo deve ser absolutamente livre para a exposição e o debate: — se as idéias correspondem efetivamente a ideais da comunidade. finalmente. ao mesmo tempo. para alimentar dissidências e desentendimentos dentro da sociedade em que. para que e de que vive.225 As considerações e o exemplo que citamos ao acaso refletem o pêso da responsabilidade do jornalismo para com o povo. Conseqüentemente. talvez. em abril de 1944. 1949) assinala que em 1942 a tiragem dos jornais clandestinos na França atingia algumas vêzes a 100. sob o impacto emocional da destruição dos seus exércitos e das vitórias que o inimigo alcançava em tôdas as frentes. para que se organizasse a resistência e se acendessem. que é o seu objetivo supremo. do país para o qual propaga informações e divulga idéias.000 exemplares mensais. aos seus ideais. Quando uma sociedade descamba para essas contrafações. Em setembro daquêle ano. Daí porque. eombatendo-os estará exercendo conscienciosa e pro veitosamente a sua tarefa. que atuava de acôrdo com o Conselho Nacional da Resistência. temido pela sua fôrça destrutiva. Dirige-se. as chamas do seu ardente patriotismo. e bastou que surgisse a imprensa clandestina e que emissões de rádio lhe fôssem dirigidas de Argel e de Londres. necessidades e aspirações. antes de tudo. denunciado como instrumento de corrupção. Tal não correspondia. não poderia exercer junto à massa aque la promoção do bem comum. Jornalismo e Nacionalismo — O jornalismo serve. durante a última guerra mundial. a maioria do povo francês aceitava apàticamente a situação que lhe fôra imposta. constituia-se uma Federação de Jornais Clandestinos. nem a ignorância. substituido por uma nova instituição que. da região. Jornalismo não é praticado para minorias. do município. E se o jornalismo não pode servir a ideais alheios aos da comunidade. Essas premissas não devem ser compreendidas como uma subordinação do jornalismo a eventuais maiorias corrompidas. . porém. a nação. O jornalismo. Foi o que aconteceu na França. elegendo aquêles que a razão sancionar como correspondentes ao ideal de Justiça e Bem Estar. a indivíduos que pertencem a um mesmo clã. entretanto. nem o fanatismo são ideais comunitários. Responsabilidade para com o 225Emile Boivin (Histoire du journalisme — Paris. à comunidade em que se exerce.

a idéia da independência e da união das colônias inglesas num Estado livre. ao divulgar as suas máximas orientadoras dos jovens jornalistas do seu país: “Defenda as Barras e as Estrêlas”. Como os franceses não puderam aceitar a imprensa colaboracionista de Vichy. graduado pela Universidade de Harvard com uma tese sôbre a liberdade. Procurei saber quem era. Rodrigues. Ação catalizadora do Jornalismo — Nos tempos do primitivo jornalismo oral ou manuscrito. . desenvolvimento e progresso. Ted Delly foi o intérprete das aspirações dos seus concidadãos. como atende às suas. os rumos da sua grandeza. por Charles A. testemunhas do progresso e prosperidade que coroaram os esforços de rudes e enérgicos pioneiros. Dallas tem realmente motivos para lhe estar grata. my country” — o povo e o jornalismo norte-americanos dão ao mundo um vigoroso exemplo do seu senso de responsabilidade para com a Nação. A posição do jornalismo dos Estados Unidos em relação à pátria — presente em todos os instantes da luta da libertação e da manutenção da independência — foi reafirmada. tècnicamente débil e pobre. Dana. as suas tradições.” Devem os norte-americanos a Samuel Adams. vi que um dos principais monumentos da cidade perpetuava a memória de Ted Delly. aos seus ideais. essa responsabilidade surgia como fato natural. o de naturalidade persiste. Faltando-lhe base nacional. ao Estado.“United Press International” e “Associated Press” — possuem sucursais. fundador do Boston Gazette. quando solenemente afirmaram que o jornalista deve ser “leal à comunidade. lançou a expressão “American Commonwealth” e defendeu. distribai correspondentes em tôdas as partes do mundo. no Estado do Texas. quase fatal para o agente. vendo a América antes de tudo e acompanhando o seu país. em 1923. começando em praticante e acabando em diretor. deu-lhes o primeiro esbôço duma consciência coletiva. As duas grandes agências norte-americanas de notícias —. certo ou errado — como bem o demonstram os “slogans” freqüentes em tôda parte: “Ame rica first” e “Right or wrong. O jornalismo. as suas instituições. mal surgiu aquela outra. pela própria incipiência dos veículos e isolacionismo das sociedades. ao sistema filosófiso e político que julga deva atender às aspirações de tôdas as nações. Una militar? Um estadista? Um poeta? Apenas um homem que durante 72 anos dedicara a sua atividade ao Morning News. Para isso. Em DalIas. Há jornais que são crônicas vivas. Sòmente o New York Times conta com mais de 100 correspondentes próprios no exterior. a sentinela vigilante dos seus interêsses e direitos. Rodrigues in Os Estados Unidos vistos por jornalistas portugueses — Obra cit. a cidad e e o jornal nasceram quase simultâneamente. precisa de ser entendido primeiro pela sua própria gente. sobremodo. se bem que o caráter de fatalidade tenha desaparecido. a segurança do seu futuro. com entusiasmo e tenacidade. A responsabilidade do jornalismo para com a nação foi muito bem situada pelo jornalista português Manuel L. influenciando. Após a descoberta da imprensa e a multiplicação dos meios de comunicação entre os povos. Êsses jornalistas colhem e divulgam as notícias. — pág. os seus revelados ou difusos anseios. o jornalismo colossal dos Estados Unidos tem o seu fundamento neste apêgo ao país. à Nação”. por mais universalista que seja a sua linguagem. naturalmente. no prestígio do jornalismo. escritórios e agentes em todos os países civilizados. à sua política. de 226 Manuel L. em observações sôbre a imprensa estadunidense. Profundamente nacionalista.seu patrimônio cultural. deixará de falar pelos seus iguais. mas em harmonia com o espírito e o coração da comunidade a que se destinava. sobretudo no Oeste. Durante êsse longo prazo. Efetivamente. a consciência da massa para a revolução. a primeira pregação libertária: foi êle que. em 1888. 314. É uma situação que não tem equivalente na Europa e que se reflete. Outro não foi o pensamento dos que redigiram o código de ética da Associação da Imprensa do Estado de Washington.226 Escreve êle que “na América. que não o compreenderão e não o aceitarão. A imprensa foi muitas vêzes o catalizador de novas comunidades. er montando à fundação das cidades.

as notícias do Brasil ficavam para depois: — agora (em 1954). que se faz através dos veículos de publicidade. nossos pensamentos decorrem da dieta filosófica de lá. estava descobrindo o Canadá. As jovens copiam os penteados. e se esmeram em copiar a imprensa de Tio Sam. considerado o patrono dos 227 Nem siquer junto à ONU. Monroe são ainda. a exemplo das mantidas pelos demais Estados-Membros. descuidados também de tão importante setor da vida nacional. que o transforma num eficaz agente catalizador tanto no plano nacional como no vasto campo das relações exteriores. tantas vêzes transformada em instrumento de imbecilização. Os adolescentes repetem incessantemente os ritmos musicais da Norte-América. apenas. dos seus interêsses comerciais.P.227 Também o cinema e a televisão são empregados por êsses países para a propaganda e infiltração das suas doutrinas políticas e sociais. por sua vez. O Jornalismo Brasileiro e o Nacionalismo — O jornalismo brasileiro foi nacionalista mesmo antes de existirem jornais. e da UPI para obter notícias do continente meridional e que essas agências sòmente transmitiam fatos sensacionais — tais como revoluções. E a sua primeira grande figura foi a do alferes Joaquim José da Silva Xavier — o Tiradentes —. diversos editôres de jornais opinaram que isso se devia principalmente a que “a grande maioria dos jornais dependia da A. segundo os moldes convenientes aos monopolistas ianques. James. Dêsse modo. 118. tem indiscutivelmente a sua base nos sentimentos. observamos que o jornalismo norte-americano. George de la Huerta. golpes de Estado — porque os seus clientes não se interessam muito pela América Latina. Não faz muito... a fascinação dos educadores daqui. poderão subscrever em relação a outras grandes potências: “Os norte- americanos conseguiram obter aqui uma receptividade ideal para tudo que é seu. Considerável massa de leitores passa o tempo a folhear chochos “best-sellers”. e só. as atitudes. a imprensa do norte dos EE. aspirações. da sua arte.. com exceção.acôrdo com os interêsses do seu público. catástrofes. do lastro cultural característico das nações que souberam cultivar no seu jornalismo um patriotismo vivo e atuante. Dewey. desde que todos os seus vínculos culturais têm sido europeus e levantinos. mr. Nossas emoções são reguladas pela sua cinematografia. em Lake Sucess.” Nós próprios ouvimos de um jornalista de Chicago que sòmente poderia dar ao leitor aquilo que correspondia aos seus interêsses. Resulta da emancipação política. outros povos. da sua cultura. O que Fernando Sigismundo228 assinala quanta à influência dos Estados Unidos entre nós. a administração pública segue as regras da Civil Service Cornmission.. dos seus propósitos imperialistas.” Essa penetração internacional. ao mundo (pois que essas agências têm clientes em diferentes países) as informações e pontos de vista dos seus governos e seus povos. 228 Fernando Sigismundo — Imprensa e Democracia — Rio. em resposta a uma “enquette” sôbre a atitude de quase ignorância da imprensa norte-americana a respeito da América Latina. National Guardian. do semanário “progressista”. caso desejasse instalar na ONU uma sucursal da Agência Nacional ou da Asapress. . proto-mártir da Independência. “America first”. igualmente. que tomara medidas contrárias aos interêsses da “United Fruit Co. Quando ali estivemos. acham-se habilitadas através da France-Presse. quer na disposição dos anúncios. da maioridade econômica.”. da Reuter ou da Tass — a oferecer aos seus concidadãos a sua própria visão e interpretação dos acontecimentos e a dar. os cacoetes e as manias das atrizes hollywoodenses. Nesta mesma época e oportunidade. o secretário de imprensa. sendo por isso mesmo taxada de comunista. a Inglaterra e a União Soviética possuem. desde o mais frívolo têrmo de gíria à última tôla canção. 1952 — pág. insistiu nas facilidades que seriam concedidas ao nosso país. quer na apresentação dos textos. A França. diretrizes dos povos e governos nacionais. Por isso. as suas agências internacionais de informações.. considerava necessária a intervenção na Guatemala para deposição do regime de Arbenz. o Brasil possui um “bureau” de imprensa..UU. os jornais recebem o noticiário do exterior padronizado.

contra o “mascate”. enquanto recarregava as mulas com o açúcar e o algodão. dogmática e informativa” dos padres e frades. à luz das fogueiras com que se esquentavam. enriquecido pela miséria a que a guerra flamenga votara os senhores dos engenhos de Olinda. “A civilização que se poliu em Minas Gerais subiu as encostas da Mantiqueira e atravessou-lhe os córregos. E de tal modo pesou a doutrinação do Tiradentes sôbre os conspiradores que o vigário Toledo. empacotada na bagagem do “tropeiro”. dos garimpeiros. Que poderá abastecer dágua a cidade de São Sebastião. o “bicudo” e o “marinheiro”. em Belo Horizonte. onde os fazendeiros lhes alugavam as pastagens para os animais. No Rio. Foi de Xavier que receberam a palavra de Alvares Maciel. Que construirá armazens no porto para fomentar o comércio e guardar os produtos da terra. metido em seu largo calção e suas botas altas. do pessoal do eito e das senzalas. de queixas e vindicações. A vitória eram favas contadas — concluia. a informação do encontro do estudante Maia com Jefferson. traça um quadro de progresso e riqueza. lhe assegurava não duraria a guerra mais de três anos. São Paulo. eclesiásticos e letrados. denunciadores e patrióticos. adquiridas na costa. em 1955. que comentavam com um entusiasmo platônico a rebelião da América Inglesa e a libertação das Treze Colônias. em Paris. o couro e o café.jornalistas pela classe reunida. que modificou radicalmente o rumo das confabulações inconseqüentes. comerciante do Recife. enquanto nos pátios e terraços dos casarões. pois. narrando fatos e reclamando ação. de revolta e de desespêro. e internava-a. as hospedarias. dos mineradores. os ranchos. em congresso nacional. respondendo a objeções do padre Lopes de Oliveira. percorriam as veredas do grande sertão e. por seu turno. o tropeiro. 237-238. vendiam bugingangas e quinquilharias. Foi essa colheita de fatos e de dôres que levou o Tiradentes a falar da liberdade de Minas ao coronel Aires Gomes. prega que ainda haverá de fazer feliz a América. para os colégios dos jesuitas. nos pasquins manuscritos. recolhia o pensamento e os sentimentos nativistas contra os reinóis sequiosos de acumular riqueza fácil à custa do seu suor. para obter auxílio dos Estados Unidos. conduzindo as mulas carregadas de mercadorias importadas. os quartéis. venciam as serras. à beira mar a influência estrangeira. contra o “emboaba” cheio de prosápia. enquanto se esperam os barcos. Noticiário que iria ressoar “na palavra livre. Tropeiro e dentista ambulante. dos vaqueiros. nos versos satíricos dos gregórios de matos. argumentando “desejar o povo fazer-se desta terra uma república livre dos governos que vêm cá ensopar-se em riquezas de três em três anos”. contundentes. da tagarelice inócua e vazia de sentido daquele círculo de poetas. condutor e estafeta: o homem que transportava as utilidades e as idéias. Era carrejão e mensageiro. para as ruas. Na Vila Rica. quando vier a liberdade: à costureira 229 Pedro Calmon — Espírito da sociedade colonial — Rio. ouvia as novidades. traficantes e espertos. o fumo e o ouro destinados aos portos. ganhavam as vastidões das alterosas. 1935 — págs. que transformou aquela pacífica academia numa célula de conspiradores decididos. contra o “maroto-pé-de-chumbo”. dos peões. os botequins e armazéns das vilas. sôbre a estranheza dos países onde estivera por não terem ainda os brasileiros seguido o exemplo da América inglêsa. periòdicamente. de esperanças e ilusões — constituia o noticiário trazido pelos jornalistas incultos das tropas e bandeiras para os Senados das Câmaras. transmitiam aos pioneiros do desbravamento as informações e os rumores correntes nos centros urbanos do litoral. da segurança de que o Rio de Janeiro se levantaria com êles e de que receberiam socorro da França e de outras potências. fazendas e perfumes.”229 Dos fazendeiros. Essa colheita de aspirações e de ódios. nos pousos. . descrevendo e sugerindo. os bens materiais e as notícias do mundo — privilegiado caipira que sentia. Os depoimentos prestados pelos inconfidentes durante a devassa são concludentes da ação caracterìsticamente jornalística do Tiradentes — informando e opinando. Xavier pertencia àquela legião de bufarinheiros que. que então retornara ao Rio de uma viagem à Europa. unidos. Minas e Rio teriam mais gente e armas do que os americanos e inglêses.

sem jornal. A sua missão está cumprida e. “A Conjuração Mineira falhou — escreve Gondim da Fonseca — por não haver jornalistas no Brasil. os Alfaiates se erguem na Bahia. teimosa. os escravos são libertados. o lírico. a derrama que iria provocar nova sangria na já exaurida economia das Minas Gerais.. O idealismo moral dos que se achavam na vanguarda dos movimentos era superior às vicissitudes internas e externas criadas pelo espírito obscurantista. Consegue. Pernambuco e o Nordeste proclamam a Independência e a República. Ao jornalismo incipiente do Tiradentes. em 1834. concorda com o cônego Luís Vieira de que “não se pode mover o ânimo dos povos senão com fatos do presente”. Ninguém mais o acompanhava nesses contatos pessoais com o povo. rechaçado para o outro lado do Atlântico o anacrônico sistema monárquico. E ao jornalismo atuante de José Bonifácio.”231 Mesmo com feição de pasquim. a queda do realismo português. numa linguagem violenta e corruscante. a independência do Brasil. vinte ou cem anos não se havia de desembaraçar.Simplícia Moura assegura que todo brasileiro poderá melhorar as suas rendas e que êle próprio espera vir a ter mais de 50 mil cruzados. Como não teríamos. demolindo reputações. Gerado espontâneamente jornalista. pro pagar idéias senão falando?”230 O campeão do moderno nacionalismo brasileiro tem razão quando pluraliza a inexistência de jornalistas na Inconfidência e quando destaca a ação isolada e fecunda do Tiradentes.. Sem o jornalistas. Como poderia êle. nos ranchos solitários e nas minas de ouro — por todo o caminho da serra ressoa a voz do jornalista Tiradentes.. o que o tornou visadíssimo. 1958 — II Vol. Pois a história da independência política do Brasil está intrìnsecamente. o coração leve. E. palpitante de fé e ardor. que 230 Gondim da Fonseca — Senhor Deus dos desgraçados — Rio. predizendo o império napoleônico. do repúblico Antônio Borges da Fonseca. a noite das Garrafadas no Rio revive a meada tiradentina. o Senhor Dom Pedro II recebe o bilhete azul com que os brasileiros agradecem os seus serviços e o embarcam para Portugal. acordando ódios e esperanças. a última edição do pasquim oral que conclama o seu público à ação. não nos teriamos libertado do jugo português. como o fato do presente é a derrama. E o sujo Tomá Antônio Gonzaga. transmitindo a nova. olhando para as tarefas executadas. em 1831. . abordar pessoas. no eito e nas senzalas. pode afirmar com orgulho — e o repetirá sereno e altivo perante os seus julgadores — que “armara uma meada tal que em dez. Tiradentes tinha de fazer a propaganda falada. Por tôdas as fazendas. atacando a torto e a direito.” O tempo e a história confirmaram a declaração final do editorialista de Vila Rica: em 1798. Não voltará mais a falar enquanto a pátria não for soberana. do panfletário e agitador Cipriano Barata.. 521. que tantos pagaram com a própria vida. em 1817 e 1824.. os “bicudos” são caçados nas ruas de Cuiabá. que os conjurados fixem a data do “batizado” e parte para o Rio. — pág. a aguardar a justiça de Deus na voz da história. dando detalhes. 273.. — a derrama é a oportunidade da rebelião. os “farrapos” cavalgam as coxilhas gaúchas. antes que se complete o século da profecia. na antevisão da pátria libertada. ainda o acusa de “falador”. uma conseqüência de suas reiteradas posições em defesa do interêsse público atingido pelo arbítrio dos poderosos. clamando pelos princípios da Revolução Francesa. discutir. “O jornal na mão das personalidades mais expressivas da inteligência nativa ou semi-nativa tornou-se a arma perigosa utilizada contra a ação corrosiva e demolidora das influências alienígenas. do indoitiável e incorruptível Frei Caneca. convencer. o chôcho e safado de “Marília”. sem a sua pregação denodada. indissoltavelmente ligada ao jornalismo. nas “vendas” e nos pousos. de Gonçalves Lêdo e de Evaristo da Veiga. O jornal e seus profissionais gozavam de invejável prestígio na sociedade. É a derradeira viagem do arauto da liberdade. De sorte que à ação militante dos pioneiros da imprensa brasileira deve-se a consolidação das instituições nacionais e o correspondente aperfeiçoamento do sistema político dominante. o santo e a senha. O certo é que o jornal tem sido até então o agente catalizador dos grandes movimentos nacionais. então. 231 Paulo Cajás — “O papel criador da imprensa” in Anais da VII Congresso Nacional de Jornalistas — Rio. 1958 — pág. de uma vez por tôdas.

e “cada brasileiro possa vir a ter mais de 50 mil cruzados” — está recebendo do jornalista uma lúcida compreensão e dando-lhe fôrças para anunciar. reconquistar o prestígio e a influência junto à massa dos concidadãos.. neste particular. no sentido não só de estimular a circulação por meio de processos de industrialização. de um patriotismo limitado à exaltação das glórias passadas e das acrisoladas virtudes dos nossos maiores. nos faz dano. Foi pelo jornalismo que. sob a cobertura do fogo de barragem do jornal e do rádio. O programa de emancipação econômica do país — para que se cumpra aquela antevisão bi-secular do Tiradentes. É preciso que a imprensa crie uma forte corrente popular de opinião. através da siderurgia. Esta compreensão dos reclamos da hora presente. sentindo-lhe as palpitações da nobre alma. é aos jornalistas — e não aos políticos e técnicos — que o povo confia os seus mais ardentes anseios: como a independência. quer através de investimentos de capitais. autênticos promotores das revoluções que nos legaram um Brasil independente e republicano. em têrmos prioritários. ganhar o respeito dos governantes e a admiração dos povos amigos. II — págs. intervencionista por sua própria natureza. como a república. mas aos golpes de ariete da pena de Silva Jardim. mas dinâmico. como bem o observou Walfrido Morais. se está enraizada na alma dos jornalistas individualmente. Quintino Bocaiuva. 398-399. depois com Diretrizes e o Jornal de Debates. do clamor levantado pelos jornalistas. nos problemas econômicos de uma terra dadivosa e boa.232 a não dispor de mentalidade aprimorada para pensar. Anibal Falcão. mais ufanismo do que pròpriamente preocupação pelos nossos destinos econômicos. como igualmente de corrigir como elemento moderador as desigualdades sociais tão violentas que se observam neste país. Rui Barbosa. . lírica. Foi com o seu apoio. fustigar e denunciar. auscultando o povo. sentimental do ufanismo. na Pedra. Foi através da imprensa. Há todo um vasto programa de ação para o autêntico nacionalismo..não foi liquidado por Deodoro ou consolidado por Floriano. transformando a experiê ncia pioneira de Delmiro Gouveia. que o Nordeste recebeu. convencer. Que continua. José do Patrocínio. capaz de levar os governos a criarem condições regionais e nacionais que se objetivem a êsse desenvolvimento. havia. aplaudir e condenar todos os atos e fatos favoráveis ou contrários aos supremos interêsses da pátria. que não é contemplativo. afinal. Os Reclamos do Presente — Com efeito.” Sob a inspiração do Tiradentes. Campos Sales. que não é um simples desejo Walfrido Morais — “O dever da imprensa em face dos problemas do desenvolvimento econômico nacional” in 232 Anais do VII Congresso Nacional de Jornalistas — Vol. na realidade redentora da Companhia Hidro-Elétrica do São Francisco.. não o está ainda no espírito do nosso jornalismo. quer através do uso direto do poder do Estado Mo derno.. como o civilismo. ostensivamente. Paulo Afonso. Tavares Bastos. Medeiros e Albuquerque. como o liberalismo de 30. como nos tempos passados em que os mesmos não eram tão acentuadamente gritantes como nos dias atuais. é que o nosso jornalismo precisa de ultrapassar a fase ditirâmbica. apelar. indo a Alagoas para investigar e gritar ao Brasil o trágico e sintomático episódio das primeiras pesquisas de petróleo e do covarde assassínio do engenheiro José Bach. cujo cadaver ensanguentado tingira de rubro idealismo as águas do rio da unidade nacional — foi pela imprensa que Monteiro Lobatoe tôda uma plêiade de jornalistas conscientes da sua responsabilidade lançaram a campanha do monopólio estatal do petróleo. como a abolição. de um nacionalismo que só sente ferver o sangue quando um estrangeiro desabusado nos cospe à cara injúrias ou. entre o século passado e êste século. “Na história das nossas! mais belas e edificantes campanhas cívicas. para continuar a tecer a meada intrincada da grandeza brasileira. Rangel Pestana e de tantos outros jornalistas. que Getúlio realizou Volta Redonda e abriu perspectivas à grande indústria nacional. primeiro através de panfletos e boletins.

Daqui se deriva o conceito mais primitivo para conseguir a paz: impô-la. 1947 — pág. Assim. popularização da cultura. necessàriamente. recusa de uma colaboração sincera e fraternal. pela extirpação da ganância. pela melhoria das condições de vida das classes trabalhadoras urbanas e rurais. raras vêzes coincidiu com a do seu adversário ou vizinho. é conseqüência da falta de ordem neste mundo. na história da antiguidade. a tolerância e a ajuda mútua. a que. do suborno e da dissolução dos costumes. a humanidade tem aspirado à paz como bem sup remo neste mundo. e êste seu desejo de paz — como o assinala Rafael de los Casares — lhes tem servido de justificação ante si mesmo para as suas lutas e conquistas.. antes de tudo. tanto no domínio público como no privado. isto sim. elevação do nível científico. 234 Rafael de los Casares — La Carta de las Naciones Unidas y la paz mundial — Madrid. definitiva conquista do oeste e recuperação das regiões norte e nordeste. Os grandes conquistadores. graças à unidade da fé. o homem conseguiu vencer a fôrça bruta pela inteligência e estabelecer a ordem pelo direito. quando se empenharam nas suas campanhas guerreiras. um movimento amplo. mas um trabalho constante e tenaz de esclarecimento. de construção do presente e do futuro. em que reinassem a compreensão. de que. a paz do império se consegue. desde Santo Agostinho e São Tomás de Aquino a Vittoria e Suarez. artístico e técnico das massas. pela extinção das endemias. É. procurando submeter as suas divergências ao Papado. a fim de equilibrar a economia nacional. de orientação. não sobrevém sòmente da má vontade de um ou de alguns indivíduos. horror ao estrangeiro. e. O jornalismo brasileiro precisa de tomar posição decisiva na luta pela manutenção das garantias constitucionais e das liberdades públicas. o entendimento. das especulações. até mesmo. posse absoluta dos nossos minerais atômicos. finalmente. Chaillet — La bataille de la paix — Paris. À queda de um grande império. inevitàvelmente. estava lançando os alicerces de um estado de paz perpétua. não tiveram outro objetivo. sempre insistiram em que a paz não era uma causa. então 233 P. Os filósofos da Igreja. Provém. “A maioria dêles confundiu de boa fé “a paz” com a “sua paz”. se entrega às ações bélicas. submetendo todos os adversários. meretrício). Ora. da desordem nos espíritos. reconheciam autoridade — as nações buscavam precaver-se das guerras. 1948 — págs. da desordem nas instituições. vemos como os períodos de relativa paz. combate aos vícios (jôgo. no início dos séculos. mas uma conseqüência da ordem neste mundo. como qualquer país jovem e potencialmente rico.de aperfeiçoamento do povo. do contrabando. reforma agrária para a valorização da lavoura e da pecuária. uma marcha vigorosa e incontrolável do povo brasileiro para a promoção de um estágio de civilização em que “a uns não sobre o supérfluo e a outros não falte o necessário. Quando. um terrível período de guerras. se logram sòmente no apogeu dos grandes impérios. tanto precisamos. Subjugados ou escravizados todos os possíveis inimigos. proporcionando-se trabalho condigno a todos os cidadãos. da fraude. o triunfo da fôrça. segue -se. pela erradicação do analfabetismo. Mas também dura aquela sòmente enquanto êste existe. porque é a conseqüência quase fatal da desordem. na sua maioria. mesmo quando. da desordem na economia. — virtudes que o cristianismo resumiria na Caridade — e se pautassem a vida e os atos sociais por normás éticas e jurídicas.” Jornalismo e Paz Mundial — Em tôdas as épocas. pela manutenção do monopólio estatal do petróleo e nacionalização das fontes de energia com a criação da Eletrobrás. até que surge outro. desenvolvimento do cooperativismo. E como essa ordem era perturbada. alcoolismo. “a guerra é sempre uma desordem. infortunadamente praticadas com largueza. da cultura e da economia do país.. senâo conquistar a paz. 12-13.”233 Daí haver a humanidade sempre procurado conseguir a paz.”234 Durante a Idade Média. inclusive mesmo pela Igreja. de promoção e. das instituições. . paradoxahnente. em si. Esta última. mediante uma crescente industrialização. um amplo programa de habitações populares. 5. O nacionalismo econômico e social que está sendo exigido pelo Brasil nos dias atuais não é jacobinismo. através de campanhas sanitárias e de uma efetiva e acessível assistência médico-dentária e hospitalar. A guerra é uma desordem porque é.

235 A. a convenção de Genebra de 1864 sôbre feridos de guerrá. Beales — Les mouvement internationatistes au XIXe Siècle — Paris. já em 1851. O problema deixa de ser exclusivo dos tratados filosóficos. graças a um sistema de citações. zombava das “pombas da paz” e suas “utopias”. Dodge. firmada em Paris. desde então. Erasmo de Rotherdam. Hugo Grotius. e. ao contrário. promovendo concursos. Foi assim com a declaração sôbre o contrabando. A “Batalha da Paz” — Apesar disso.. 1947 — pág. feita em Londres. criando ligas e sociedades pacifistas — êsses movimentos atuam durante meio século. continuava a ser pregada por filósofos e pensadores como Thomas More. o início da revolução industrial — provocaram um retrocesso na “batalha da paz” que. encaminhando a solução de diversos problemas que sempre resultavam em divergências e conflitos e que. em 1917. O surgimento dos Estados Nacionais — a França. os choques de interêsses econômicos que nem sempre a ação dos diplomatas conseguia amortecer. o Herald of Peace. Utilizando a imprensa. ainda.”235 A guerra da Criméia em 1854 provoca cisão nas hostes pacifistas dos adeptos de Price. o século XIX vê adotados alguns princípios e declarações que são aceitos e acatados por tôdas as nações. passaram a constituir normas do direito internacional. William Penn. sobretudo. Com a participação ativa de jornalistas e homens de ação de tôdas as profissões. os projetos de paz e os próprios decretos papais a respeito — como o da Pacificação Eterna. “A princípio. Quanto à organização estadunidense sòmente viria a sofrer colapso com a entrada do país na 1 Guerra Mundial. criando a Cruz Vermelha. na Inglaterra. entre outras moções. 17.C. mas. a Inglaterra. honra insigne em verdade. de profissão comerciante. T. representado pelas embaixadas e pelos tratados da época. a fim de dar — como o declarava expressamente — ao leitor inglês médio. e o segundo pelo novaiorquino David L. o último considerado pelo Times de “primeiro exemplo de um verdadeiro parlamento das grandes potências”. o Times perguntava como se podia esperar que princípios dristãos encontrasem éco entre os turcos muçulmanos. passa à imprensa. estabelecendo contatos. Em 1843. a declaração sôbre a guerra marítima. Rousseau. os “fazedores da paz” eram caricaturados nas colunas do Punch. o mesmo jornal assinalava. surgem simultâneamente na Inglaterra e nos Estados Unidos dois movimentos em favor da paz: o primeiro dirigido por Joseph T. o Primeiro Congresso Mundial Pró -Paz. em 1909. o conflito entre as nações do oriente e do ocidente. Bentham e Kant. . Stead fundara a Revista das Revistas. É nos albores do século XIX que começa a ser feita uma mais afetiva propaganda da paz. a Espanha — com a sua doutrina da soberania absoluta.empenhada em obter o poder temporal. que o mecanismo da organização internacional de que elas se faziam advogados existia já.. congregando importantes vultos do pensamento mundial e parcelas cada vez mais significativas da opinião pública. de 1495 — não conseguiram alcançar o seu objetivo. a Declaração de São Petersburgo. visando extinguir nos mesmos referências desairosas ou ofensivas a outros povos. em 1868. as dissensões religiosas. Desde 1890. a grande imprensa do tempo — como infortunadamenteainda hoje ocorre — não sòmente se punha à margem como até ridicularizava as campanhas pró -paz. em Londres. a Conferência de Paris e o Congresso de Berlim. em 1856. nos anos de 1867 e 1899. Fato mais significativo ainda. o jornalista inglês W. É neste congresso que. Criam êles os seus órgãos de propaganda da paz. nada obstante. sôbre o emprêgo de projéteis explosivos. com o eclodir da Reforma e. as memoráveis campanhas em favor da arbitragem e do desarmamento. Price. um pequeno industrial do país de Gales. Trezentos delegados de todo o mundo procuram solução para problemas que ocasionam desentendimentos entre os povos. na América.F. realiza-se. em 1878. e o Advocate of Peace. Em 1815. se estabelece a que pleiteou a reforma nos livros escolares de todos os países.

Foi sentindo que o mundo do futuro. em agôsto do mesmo ano. A ONU e a Paz — Em 1941. firmado pelas potências reunidas em Versalhes. então. ser o mundo da paz. e que foi o documento básico da constituição. atravessando crise e. e a Organização Internacional do Trabalho. acirrando velhos ódios. com a criação da Organização das Nações Unidas. seja para aquêles que a consideravam como uma grande aliança de Estados associados. a de viver a coberto da miséria. porquanto.. em 1907. em Haya. de que iria resultar o estabelecimento. ressuscitando um estreito e deformado nacionalismo. Desaparecida em 1945. Se bem que essas providências não tivessem evitado o irrompimento do conflito mundial de 1914. reunida em Paris. un artigo — que tomou o n. assim redigido: “Todo ind ivíduo tem direito à liberdade de opinião e expressão. reafirmava a fé do povo norte- americano “em um mundo que se fundamente por serem essenciais sôbre as seguintes liberdades: a de palavra e expressão. Todavia. pregando uma pretensa superiorida de racial. em 1899. sediada em Genebra. Uma emenda da delegação soviética. da Carta do Atlântico. que proibia fôsse utilizada a liberdade de palavra e de imprensa “com fins de propaganda para o fascismo e a agressão ou a fim de suscitar o ódio entre os povos” foi rejeitada. sem dúvida. julgava a maioria dos delegados. em 6 de janeiro daquele ano. que faria cumprir as decisões da sua Assembléia e do seu Conselho. foram. na sua Declaração Universal dos Direitos do Homem. o que implica no direito de não ser perseguido pelas suas opiniões e de buscar. via-se a humanidade no apogeu de uma guerra. que o presidente Roosevelt em sua histórica mensagem ao Congresso. O jornalismo pacifista e responsável fôra. a de adorar ao seu Deus na forma que escolha. da Côrte de Justiça mundial e. . as informações e as idéias por qualquer meio de expressão que seja”. os Estados belicosos submetiam tôda a atividade jornalística aos seus fins guerreiros. manteve para o mundo civilizado as esperanças de obtenção de um “statu” de paz permanente. pràticamente extinto.. de grande importância para a conclusão do Pacto da Liga das Nações.” Este documento. a Assembléia Geral da ONU adotou. em 1933. por último. sob a proteção dos acordos internacionais necessários para garantir-lhe em tôdas as nações uma vida tranquila e sã. criando discriminações e fomentando as divergências filosóficas entre as nações. a Côrte Internacional de Justiça. Foi essa revista que inspirou o Tzar Nicolau II. firmada pelo presidente Roosevelt e pelo “premier” Winston Churchill. Em 1948. com um poder legislativo e um executivo e apoiado por um exército internacional. então no início do seu reinado. legou-nos. e. a Sociedade das Nações. quatro anos depois.informações suficientes sôbre os negócios públicos e as correntes de idéias com o objetivo de tornar ao menos possível uma opinião pública esclarecida. a par das suas causas econômicas e políticas. não se enquadrava na enunciação de um princípio geral. que teve a mais profunda ressonância em todo o universo já que partia do chefe de um Estado ainda não beligerante foi seguido. na conferência das Nações Unidas sôbre a liberdade de informação. a liberdade de viver sem o temor constante da guerra. seja para aquêles que pleiteavam transformá-la num super-Estado. ali mesmo. com a participação de delegações de empregadores e empregados para debate de problemas da legislação trabalhista. que deveria. ora adotando medidas positivas ora fracassando nos seus propósitos. a mais terrível e destruidora a que jamais se entregaram os povos. que continuou funcionando no Palácio da Paz. no entanto. a convocar a Primeira Conferência de Paz em Haya. da Organização das Nações Unidas. Durante dezenove anos. a construção do Palácio da Paz. assentara fortemente na propaganda desenvolvida pelos veículos jornalísticos notadamente pelo rádio. Essa gue rra. não poderia prescindir de um jornalismo consciente e livre. que pôs fim à Grande Guerra e criou o primeiro organismo interestatal encarregado de manter a paz. sem consideração de fronteiras. de receber e de difundir.19.

realizada no mesmo ano em Genebra. no sentido de tornar mais ampla a colaboração internacional. formação profissional. condições ou restrições claramente definidas por lei. através da UNESCO e da Sub- Comissão do Conselho Econômico e Social para liberdade de informação e de imprensa. não parece que se tenham confirmado as espernças do delegado Aramburo. ao comparar as notícias. econômica. Se optar por esta última hipótese poderá originar controvérsias com outro govêrno. Essas duas últimas disposições foram debatidas em abril e maio de 1949.” Salientou- se. enquêtes e providências sôbre o 236 Conf. Assim. e decidiu-se fôssem consideradas num só documento como uma só convenção. de censurar as suas correspondêncja ou retardá-las. Assim. . sob certos aspectos. e o direito internacional de retificação seria um corretivo indispensável para a liberdade no domínio da transmissão de notícias. segundo modalidades razoáveis. que prejudiquem as relações amistosas entre os povos ou entre os Estados. entendemos que a convenção provàvelmente acarretará divergência entre as nações. . suprimindo-se os obstáculos de ordem política. um direito de resposta ou um procedimento análogo de retificação e que seriam tomadas providências com vistas a desenvolver a liberdade de informação. através do fornecimento de meios para um melhor conhecimento entre os povos. De outro lado. o que era digno de crédito. de fazer exigências especiais de declaração ideológica.236 Quanto à convenção sôbre o livre acesso às fontes de informação. . diários e periódicos. de modo que os diretores dos jornais e os próprios leitores pudessem julgar. Obrigaria o país que recebesse a retificação a transmiti-la à imprensa. art. mesmo que não concordasse com os seus termos. de cercear os movimentos do profissio nail da imprensa no interior do país.. com conhecimento de causa. para evitar erros. o estatuto levava muito adiante os privilégios concedidos aos jornalistas do que os atualmente em vigor para os diplomatas. técnicos e especialistas de rádio e televisão. Seria muito mais útil. restou adotado que “o direito à liberdade de expressão inclui deveres e responsabilidades e pode. em conseqüência. de 20-1-53. mas sòmente no que concerne a. pois os Estados não poderiam usar. por 25 votos contra 22 e 10 abstenções. fator muito importante para a liberdade dê imprensa. entre os quais os de negar visto de entrada a Jornalistas. . a retificação foi afinal adotada pela ONU. em face de sérias objeções levantadas contra a convenção e que podem ser resumidas no voto do delegado norte-americano Charles Sprague: “Em primeiro lugar. com respeito aos correspondentes estrangeiros. de que. Sòmente em 1952. de Paul L. pois se completavam. vários convênios foram firmados tendentes a favorecer a circulação internacional de livros. sem dúvida publicará a retificação.” Acrescentava-se a possibilidade de cada Estado instituir. entretanto.Y. mas sem que estabeleça qualquer meio de determinar se a matéria considerada ofensiva o é na realidade ou se a própria retificação representa uma exposição correta dos fatos. ser submetido a sanções. redução de tarifas e facilidades nos correios e telecomunicações. a convenção não determina o modo de fazer com que a publique. Ford in Folha da Manhã — Recife — ed. técnica ou de natureza tal que pudessem entravar a livre circulação das informações. não foi posto em prática o princípio. N. Até hoje. do recurso de declará-los indesejáveis. h) — a difusão sistemática de notícias falsas ou deformadas. o trabalho intenso da ONU. em Flushing Meadow. contudo. Se o autor da publicação é um órgão rêsponsável. o govêrno se veria obrigado a disseminar uma informação que considera falsa ou então a não cumprir a convenção. do Peru. facilitar o acesso às fontes de informação. se não o é. entendemos que esta convenção implica no reconhecimento de um direito ilimitado de iniciar retificações. que a retificação das notícias tenderia a aumentar e ao a diminuir a intervenção governamental nos meios de informação. além do mais. Não se nega. bolsas de estudo para jornalistas. Não sòmente êsse como outros recursos continuam a ser usados pelos Estados membros da ONU.

por meio da coincidência de ondas e outros recursos técnicos. não o era menos no éter.” Êstes conceitos de J. Programas de divulgação em diferentes idiomas mantinham a BBC no ar durante dia e noite — e todos os esforços foram feitos pelos nazistas. a luta entre republicanos e rebeldes. nenhuma providência foi tomada para tornar esse organismo conhecido no país e fazer com que os estudiosos dos problemas de imprensa. em dezembro de 1957. os diversos Estados e Nações. Sr. através das estações de rádio inimigas de Barcelona e Sevilha. a criação da Associação Internacional de Estudos e Investigações da Informação. dedicando especial ênfase à investigação e melhoramento da educação dos Jornalistas. com a participação de 40 delegados de 15 Estados. finalmente. a propaganda inimiga. em todos os países ocupados e despertavam o patriotismo e o instinto de libertação das populaçõs. sob a liderança de Frederico Juliot Curie. Terrou. concentrando especialistas e institutos profissionais de cada país-membro.problema do papel e. na massa intelectual sadia uma opinião comum que a oriente para as exigências federalistas e faça prevalecer. que os problemas da vida social são hoje internacionais e que ninguém pode considerar sôbre o plano nacional senão problemas locais. o rádio se tornou um ainda mais potente e universalizado veículo de propaganda. transmitida de Argel e de Londres. da França. na segunda guerra mundial. o rádio representou elemento da maior importância no desenvolvime nto das operações militares. de instantâneo. televisão e cinema aufiram dos beneficios que às suas atividades e à sua cultura traria uma participação ativa na Associação. rádio. Mas êsses caminhos devem ser trilhados com tenacidade e determinação: os jornalistas e os povos amantes da paz não podem esquecer a lição dos fazedores de guerra na sua tarefa em prol da paz: — durante a revolução franquista na Espanha. No período do após-guerra. os quais mesmo devem ser estudados no plano das instituições internacionais — fazer prevalecer isto efetivamente é um dos primeiros problemas do nosso tempo. Essa instituição se destina a estudar cientificamente o desenvolvimento de todos os meios de informação. Se as fôlhas impressas conseguiram transpor fronteiras e levar de um povo a outro as idéias filosóficas e políticas correntes. que estão dedicados a uma obra comum que não pode ter êxito senão por uma colaboração de todos os dias. A sorte das organizações internacionais positivas depende desta evolução da opinião. firmaram e defenderam com vigor e desassombro os postulados humanitários do “apêlo de Estocolmo”. mas foi também no rádio que. É que essas transmissões e programas eram ouvidos. de preferência. e poderem ser constituídos comités nacionais da organizaçao. — o jornalismo vê abertos os caminhos de uma salutar política de colaboração internacional. Leclercq aplicam-se rigorosamente ao jornalismo. pelo menos. graças ao extraordinário desenvolvimento da técnica. nenhuma divulgação. durante o ano crítico da Batalha da Inglaterra. não sòmente na via cerebral mas no sentimento. subrepticiamente.237 Os Caminhos da Paz — “Formar na massa popular ou. a consciência de que os povos não são senão um. e ao que saibamos. com troca de experiências e materiais entre os Estados e estímulo de contatos pessoais dos seus espe- cialistas. A “guerra fria” teve no rádio a sua maior arma. notadamente da Resistência Francesa. porquanto nenhum meio de comunicação do pensamento tem a amplitude e a capacidade de atingir mais fundo e mais permanentemente a tôdas as camadas sociais. se concentraram os esforços pacifistas dos que. instalada em Paris. 237Apesar de no Conselho figurar um jornalista brasileiro. Danten Jobim. Por isso todos os esforços eram feitos no sentido de iriterceptar emissões radiofônicas: os engenheiros alemães eram extremamente hábeis em localizar e prejudicar. marchando a televisão para vir a sê-lo também. com a difusão do rádio — pondo em comunhão. . travada com feracidade inaudita em terra. para fazer emudecer a potente emissora britânica. sob a presidência de F.

as aspirações. fundamentada nos princípios da justiça e do direito internacional. finalmente. a fim de eliminar da sua produção intelectual as distorções. nas posições assumidas todas as vêzes em que somos chamados a servir de mediadores nos conflitos entre Estados Americanos. Mas impõem. por um jornalismo livre. na integração por um batalhão expedicionário da fôrça internacional que assegura a paz ameaçada em Suez — impõem ao nosso jornalismo a continuação de uma tradição honrosa de luta pela construção de um mundo de paz. como reza o lema da sua bandeira. da interdição das armas nucleares. Que precisa. na atuação de Rui Barbosa em Haya e de Osvaldo Aranha na ONU. colhendo para o Brasil os galardões que lhe cabem como um povo aberto à compreensão e à amizade com tôdas as nações pacíficas e livres. o estabelecimento de uma paz duradoura. com uma arraigada convicção de igualdade racial e uma larga tolerância religiosa e política. repelindo insinuações alheias e interessadas. colaboração e amizade entre todos os povos. da reunificação da Alemanha e de outros povos artificialmente mantidos em diferentes Estados — aí estão a desafiar a inteligência e a sensibilidade do jornalismo brasileiro. Recife. de integrar-se melhor na fraternidade jornalística mundial. Problemas como o do uso pacífico da energia atômica. Que precisa de adquirir. uma responsabilidade maior ao jornalista: — a atenção dedicada a algumas das mais agudas questões da atualidade. na demarcação das nossas fronteiras por Rio Branco e confirmados na recusa à participação nos despojos e em justas reparações em duas guerras mundiais. as conclusões precipitadas. desejando tão sòmente. com o estabelecimento de agências e serviços informativos próprios nas principais capitais dos cinco continentes. em visitas mais freqüentes aos países estrangeiros. os falsos julgamentos. as necessidades e as possibilidades do nosso país. do fortalecimento da ONU e da OEA. entendimento. do desarmamento progressivo. e. de cuja solução depende. uma visão mais profunda e uma observação crítica mais segura das experiências e do desenvolvimento das outras nações. Que precisa de reclamar do Govêrno a criação de cargos de adido cultural e de imprensa junto às embaixadas e junto à ONU. sem instintos imperialistas e ímpetos expansionistas. responsável e consciente. o pregresso conquistado dentro da ordem — o Brasil está em situação privilegiada para defender a propagar. que não raro exacerbam os espíritos e criam ambiente propício aos desentendimentos e conflitos internacionais. da fome e das endemias que devastam as populações de imensas regiões subdesenvolvidas do mundo. da discriminação racial. Que precisa de deixar de ver o mundo através de lentes alheias. Sem nenhum dos males de raiz que prejudicam um sadio internacional por parte de outras grande potências no mundo. sem dúvida. — afirmados após a nossa vitória sôbre o Paraguai na guerra de López. . da profunda desigualdade econômica entre as nações. do reconhecimento e garantia às minorias étnicas. 1953-59. os princípios de uma paz duradoura. ainda há pouco. sob a égide da justiça e da fraternidade universal. também. Os sentimentos pacifistas do povo brasileiro. a fim de poder não sòmente colher informações seguras à base das quais se capacite a colaborar nas tarefas comuns da paz como também de propagar no exterior o pensamento. da extinção do colonialismo.

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