Luiz Beltrão

Iniciação
à Filosofia do
Jornalismo
(Ensaio)
“Prêmio Orlando Dantas – 1959”

Capa de Aberlardo Zaluar

1960
Livraria Agir Editora
Rio de Janeiro

A JEAN-MAURIGE RERMANN
Presidente da O.I.J. — Paris
Prof. RONALD IIILTON
da Universidade de Stanford — Califórnia
Dr. FRANCIS E. TOWNSEND
Adido Cultural dos EE.UU. — Washington
JAROSLAV KNonwdn
Secretário Geral da O.LJ. — Praga
Luís SuAREZ
do Sindicato Nacional de Redatores de Prensa
— México
Prof. P. P. SINGI-I
Diretor do Departamento de Jornalismo da
Universidade de Panjab — índia
CARLOS RIZZINT, TEISTÂ0 DE ATAÍDE G ANTÔNIO OLINTO
pioneiros dos altos estudos jornalísticos no Brasil e “ad inemoriam”
Prof. Luiz SILVEIRA
Diretor da Escola de Jornalismo Casper Líbero
— S. Paulo
Prof. MÁRIO MELO
Decano dos jornalistas pernambucanos

O AUTOR DEDICA

ÍNDICE

PREFÁCIO ..................................................................................................................................... 9
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 13
PRIMEIRA PARTE: AS MANIFESTAÇÕES DO JORNALISMO ..................................................21

ORIGEM E EVOLUÇÃO .............................................................................................................. 23
Pré-história do Jornalismo ............................................................................................................24
A fase histórica .............................................................................................................................26
Primórdios do Jornalismo brasileiro ............................................................................................. 28

O PAPEL E O JORNALISMO ESCRITO ......................................................................................32
Peliculas de celulóide ...................................................................................................................35
Micro-fotografia .............................................................................................................................35
Os jornais eletrônicos ...................................................................................................................36

O RÁDIO E O JORNALISMO ORAL ............................................................................................86
O telefone .....................................................................................................................................39
A fita magnéticaca ........................................................................................................................39

O DESENHO E O JORNALISMO PELA IMAGEM ...................................................................... 41
A ilustração e a caricatura ............................................................................................................42
A fotografia ...................................................................................................................................46
O cinema ......................................................................................................................................48
A televisão ....................................................................................................................................54

CONCEITO DE JORNALISMO .....................................................................................................60

SEGUNDA PARTE: OS CARACTERES DO JORNALISMO ........................................................63

DA ATUALIDADE .........................................................................................................................66

Jornalismo e História ....................................................................................................................66
Atualidade e Atualização ..............................................................................................................68
Atualidade e Permanência ............................................................................................................69
Manifestações da Atualidade ........................................................................................................71

DA VARIEDADE ...........................................................................................................................72
Variedade e Especialização ..........................................................................................................73
Jornalismo Geral e Especializado .................................................................................................75

DA INTERPRETAÇÃO .................................................................................................................77
Interpretação e Seleção ................................................................................................................78
Interpretação e Vocação ...............................................................................................................79
Extensividade e Intensividade ......................................................................................................81

DA PERIODICIDADE ....................................................................................................................82
Através da História ........................................................................................................................83

..............158 A Vocação do Jornalista ..................................................................117 O Público................................................................................... Agente Ativo .............................................................................................. Editor-Idealista ..................................................................184 O PROBLEMA DA RESPONSABILIDADE ....................................................................................103 Jornalismo e Direito ...100 As Campanhas Jornalísticas e o Bem Comum .........................178 Defesa da Liberdade de Opinião ...........................................................................................................................................................................................................................................................................................................123 O Editor-Financista ............................................................................................................................................................................................................100 Jornalismo e Sociedade ............................................................................................................................................98 DA PROMOÇÃO ...................................................................................................................................159 A Curiosidade-Comunicativa .............................................................................................................................................................................................................................................................................141 Fase da Mecanofatura .....................................................140 Fase da Manufatura ..................................................................................162 A Discrição .............................................................................................................................................................185 O Jornalismo Sensacionalista .....................171 O PROBLEMA DA LIBERDADE ...............................................................................................91 Popularidade e Liberdade ..........................................................................................................Nos Tempos Modernos ...........................................................................................................................................................175 Educação para a Liberdade .................................151 O JORNALISTA ................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................161 Fecundidade Jornalística .......................................................................................................................................................................................................................118 Balanço do Trabalho do Público-Agente ................................................................164 A Objetividade ...................................................................................................................................................................................................................115 O PÚBLICO .........................................................................132 O Estado......................................................................143 O Problema da Automatização ..................166 Senso Estético ....................150 Jornalismo e Automatização .....................................................................................................89 Extensão da Popularidade ....................................173 Poder Público e Liberdade de Opinião ....98 Condições da Popularidade .........................................190 ..........185 Jornalismo e Moral ............................................137 O TÉCNICO ..................................................................................................................................................................104 Jornalismo e Opinião .............................169 QUARTA PARTE: AS CONDIÇÕ&S DO JORNALISMO ...............................................................................................................................................................................................................86 DA POPULARIDADE ....................................................................................................................................................................................122 O EDITOR .........................................................................124 O Editor-Idealista ............................................................110 TERCEIRA PARTE: OS AGENTES DO JORNALISMO ...........................128 O Estado-Editor .............

...........................200 Ação Catalizadora do Jornalismo ......................................................................................................................................................................................................................................................................................205 Os Reclamos do Presente ....................216 Os Caminhos da Paz .................................................................................................................223 ...............................................219 BIBLIOGRAFIA ...........202 O Jornalismo Brasileiro e o Nacionalismo ............................................................................212 A “Batalha da Paz” ................................................................................................................................................................................................................................209 Jornalismo e Paz Mundial ......................................................................................................................................................................................................................................................................193 Jornalismo e Nacionalismo .214 A ONU e a Paz ........A Ética no Jornalismo Brasileiro ....

A prática do jornalismo de província adquire. habituavam-nos de cedo a redigir desde o registro dos “faits divers”. com suposta primazia do rádio e da TV. davam aos bons jornalistas provincianos o domínio integral dos segredos de seu ofício. com olhos atentos de repórter empenhado em apreender as experiências alheias. mestre de mais de uma geração. porém. Luiz Beltrão concilia em sua atividade profissional e didática a força da vocação com o gosto pela formação. se o diferenciam. aliás. e com as suas reações. em sua técnica e em seu espírito. Jornalista de província. em sua universalidade: o espírito que anima a tarefa jornalística. os fundamentos morais da profissão. uma de Ética. Ou. fiel à preocupação da justiça ao dever da verdade. De Pernambuco vieram.PREFÁCIO A muitos surpreenderá venha de um jornalista de província — certo que de província com as tradições culturais de Pernambuco — uma contribuição de tantos e tão altos méritos paira o conhecimento do jornalismo. “com o objetivo de difundir conhecimentos e orientar a opinião pública. e. para unia atuação mais ampla no jornalismo brasileiro — se quisermos citar apenas valores dos nossos dias —. propriamente. pela vivacidade. as viagens a outros países. a séria concorrência de outros agentes de comunicação. em seu heroísmo anônimo na luta pela sobrevivência. pelo ânimo combativo.o jornal continua a manter o antigo prestígio. Assis Chateaubriand. quase sempre rica de calor humano. Osório Borba. de outro. em termos de identificação mais profunda entre o jornal e os que o fazem e entre estes e o meio social. como esta Iniciação à Filosofia do Jornalismo. . poder-se-iam referir nomes como Gonçalves Maia. tudo isso lhe atribui uma autoridade que o mérito deste ensaio consolida e amplia. da informação sofre o fato corrente. figuras da expressão profissional de Barbosa Lima Sobrinho. em face de um e de outras. até nos impulsos de suas paixões. Sabe-se que a imprensa está sofrendo. com isso. qualquer que seja. esse outro admirável artífice de jornal. Aníbal Freire. de um lado. o mais adequado à experimentação simultânea do maior número das leis da propaganda. o caráter de participação integral. simples aparência. A modesta imprensa do interior. para “jornalismo” o conceito mais amplo. Sua participação em numerosas reuniões da classe. o contato mais direto com o fato. Ocupando duas cátedras em Cursos de Jornalismo. de Luiz Beltrão. sempre ágil e lúcido em sua extraordinária sensibilidade jornalística para o fato que vai ser notícia. se fazia jornal na província. em si. dos atuais. com ele identifica o veículo. Carlos de Lira Filho e. talvez. já com os nomes consagrados. para quem a expressão “magistratura da imprensa” definia seu próprio conceito de jornalismo. aliás. Entretanto. a coerência da posição assumida em face de determinadas teses. as condições em que. confere à posição daqueles jornalistas. à arte de fazer jornal. tais como as definiu Domenach. Manuel Caetano. Aníbal Fernandes. à crônica internacional ou ao grave artigo doutrinário. peculiaridades que. Além disso. e da interpretação desse fato. dentre aque les agentes. diferentes no estilo e feitio. mais todos eles. Esta posição de desvantagem é. sem as limitações de rígida especialização. pelo equilíbrio. é o mais vivo exemplo dessa identificação. pelo menos até bem pouco. mais recentemente. até nisso revela seu ilimitado interesse pelos problemas da imprensa. aquele autêntico professor de ética que foi Caio Pereira. Dentre os que lá ficaram e morreram. em todo o mundo. outra de Técnica. verdadeiros mestres no ofício. também o valorizam. no bom sentido. os aspectos ligados. Luiz Beltrão adota. Pela circunstância de ser. na competência dos modernos instrumentos formadores da opinião. no sentido de promover o bem comum”.

e o estilo dos países livres. o mêdo instintivo da liberdade. Désses ardis se têm valido. em que é fácil identificar. a fórça que detém. dando à imposição da conduta a aparência de escolha voluntária”. os regimes totalitários. Será simples joguete de outros. não pode sofrer outras limitações senão as que decorrem da consciência dos que o praticam. em termos de liberdade política. dentre várias atitudes e soluções? À medida que se aperfeiçoam os recursos técnicos de comunicação. para tornar cada vez mais vulnerável a sutis influências. A visão de conjunto dos problemas do jornalismo. ao arbítrio de ocultas intenções. para assegurar ao homem o direito dc manifestar sua opinião. “A opinião é tão livre” — anota Afonso Armas de Melo Franco — “quanto permitem as injunções da psicologia. consciente ou inconscientemente. livre? Até onde seu exercício traduzirá um esforço espontâneo de discernimento. ou de um homem — no caso. para. da justiça social. nos dias atuais. realmente. enorme distância entre os métodos adotados. boas ou más. no jôgo de tendências e contradições de que resulta o equilíbrio das democracias. até onde essa liberdade de opinião será. tendências e aspirações. de um partido. particularmente nos países de menos . em benefício de uma ideologia. do bem comum. em contrapartida. submetendo-as à influência deformadora dos agentes da propaganda. nesse terreno. o mais grave risco que enfrentam não só as instituições democráticas. Mas. pelos Estados totalitários — não só de coerção psicológica. tem de basear-se no dever da verdade e no esfôrço de persuasão. A pluralidade dos partidos e a liberdade de opinião têm igual importância como valores inerentes à concepção ocidental de democracia. A pro paganda encadeia a sua vítima. para o domínio pacífico das vontades e inteligências. mas a própria razão livre dos cidadãos. embora contribua. as forças misteriosas que. como também já foram chamadas. por exemplo. mais se acentua o perigo de que processos artificiais elaborem as correntes de opinião. Nas democracias é que o jornalismo alcança lada a sua grandeza. pelo menos teoricamente. livremente exercida. de ação direta ou indireta. ou as diretrizes de princípios éticos. concorre. tudo condicionado pelo res peito à dignidade humana. expressas em vontades. Tanto mais fascinante é aquela análise quanto vivemos uma hora . realmente. mas também de violência policial e de total supressão da liberdade de informar e opinar —. constituem i consciência de cada sociedade ou. não estará nunca a serviço do progresso humano. Se lhes faltam as bases ideológicas de uma consciência social. Além disso. a capacidade dêstes meios para impor-lhe os rumos e tendências que mais convenham a objetivos predeterminados. demo nstra-nos quanto é fascinante a análise’ das modernas técnicas que interferem na formação da opinião. étnicos e culturais que lhe formem o substrato mais profundo. terá de fusidar-se em deterininados valores morais. a própria elaboração do pensamento. “o foro interior de uma nação”. criaram tremenda responsabilidade moral. pelo esclarecimento honesto. no difícil mundo dos nossos dias. porque a missão que lhe cumpre. O grau de eficiência alcançado pelos meios formadores da opinião. manobrado por interêsses ocultos ou por grupos de pressão. é verdade. para os que manejam os instrumentos de informação e propaganda. Há. a opinião pública exprimirá sempre o seu grau de higidez pela resistência às injunções externas e pelo poder de discernimento e reação crítica. o livre exame e o acesso fácil às fontes autênticas de informação. com certo ar de alarmismo. o processo de formação da opinião. que mantenha ui3va atitude de permanente vigilância e fiscalização. pela frágil resistência aos ardis da coerção psicológica. em função dos diferentes elementos históricos. o ditador. Variando de povo para povo. Êsse é. sobretudo no que incumba aos órgãos do govêrno. Não falta quem indague.em que o progresso científico e tecnológico. Tanto mais imaturo poticamente um povo. a eleição consciente de uma atitude ou solução. Nestes. quanto maior sua receptividade emocional e mais suscetível de ceder às injunções das técnicas de divulgação e propaganda. muitas vêzes. elas é que geram ou manipulam. se está a imprensa. contida neste ensaio.

) vai além da finalidade puramente informativa. em confronto com os problemas específicos dos demais gêneros literários. ou que interessam aos que se preocupam com os rumos do jornalismo. como entidades industriais. a. para agravar e ampliar os piores vícios. capazes de gerar atitudes de confiança e otimismo. influência — para converter-se num poderoso instrumento de perversão. pela mistificação dirigida. ou então o jornalismo deixa de ser um elemento positivo. Não foi outra a experiência que nos ficou do Estado Novo. porém. O conceito de notícia. O caso. por exemp lo. o despojamento de linguagem. também.. ou seu contrôle pelo Estado. também. Sempre a experiência demonstrou que todos os abusos da liberdade. nesse capítulo de linguagem de jornal. êsse ideal de precisão e concisão que é. da precisão e da objetividade. dentro de certai noções já sistematizadas. via de regra. a. deve- se ter presente que a estatização da imprensa. inclusive as traduções. Mesmo naqueles casos em que certas deficiências éticas desviam o jornalismo da consciência de sua missão social. em discursos de posse na Academia Pernambucana de Letras. do “estilo jornalístico”. mas também as possibilidades econômico-financeiras das emprêsas. apenas. É um ponto em que não interferem sàmente problemas de natureza técnica ou de especialização profissional.maturidade política e cultural. . ainda não seria mais oportuno o levantamento dos subsídios que oferece paira aquêle “Dicionário de la tontería”. análises tão lúcidas como as de Alceu Amoroso Lima e Antônio Olinto. à altura de sua missão social. e seria talvez desejável tivessem maior desenvolvimento certos aspectos particulares da arte de fazer jornal. só têm contribuído. a um só tempo. defenderem a restrição dessa liberdade.. por lhe reconhecerem as responsabilidades sociais. em têrmos de gôsto estético: tem função determinada entre as fórmulas de conquista da opinião. se. quanto à aparência gráfica. nem deve ser encarado. nêle implícito o dever da isenção. Transigência que se manifesta ainda no relêvo publicitário conferido aos aspectos patológicos ou negativos do dia-a-dia. com o aviltamento.. Todos os problemas que interferem no processo jornalístico — como técnica. sem falar tias contribuições não menos importantes que. leve pessoas de boa fé. se. nas democracias. enquanto. de tema que já mereceu. em tôda parte onde foram experimentados. Quem sabe. o próprio dever e o direito de informar têm de ser entendidos dentro dos limites daquela finalidade social e moral. O jornalista medíocre informa por informar. por parte da imprensa. aliás. como fô rça elaboradora da opinião — que éle. de que nos falava Pio XII ao aludir às tentações a que está sujeito o jornalista.. sofrendo-lhe. deram ao seu exame dois jornalistas da alta graduação intelectual de Costa Porto e Andrade Lima Filho. forma e reflete. como indústria. pior sem ela. Trata-se. são apreciados nestas páginas com segurança e objetividade. Outro aspecto a ressaltar seria a renovação por que têm passado os jornais. o autêntico jornalista informa para formar”. pelo DJP. em muitos casos. Não fôsse o caráter quase didático da obra. um dos segredos do entendimento entre o jornalista e o seu público de mil cabeças. Acentua muito bem Alceu Amoroso Lima que “a grande finalidade moral e social do jornalista (. que Ferrater Mora pensou contrapor à idéia do “Dicionário da Estupidez’. prontas sempre a valorizar o sensacionalismo e o escândalo. é uma aquisição comum na técnica jornalística moderna. Êste ensaio de Luis Beltrão vale por uma tomada de posição em face de temas sempre sugestivos e atuais. como profissão —. não transigirá demasiado com o gôsto mórbido de algumas camadas do público. de Fiaubert?. Mas. dispensa tratamento diferente aos fatos de sentido construtivo. cuja utilidade para os alunos das nossas Escolas de Jornalismo é evidente. Vem juntar-se aos melhores trabalhos do gênero até agora publicados no Brasil. dos veículos de opinião e informação. foram menos nocivos ao bem comum do que a supressão da possibilidade de sua prática. através de uma técnica monstruosa de deformação da verdade. para acentuar suas peculiaridades. no Brasil. É preciso evitar que o mau uso da liberdade. Ruim com ela.

Era um breve comunicado do IBGE. sempre otimistas “et pour cause”. porém. e de firme bravura na resistência aos poderes de coerção e coacção do Estado totalitário. na síntese magnífica de Ruy. a ela incumbe “a dignidade inestimável de representar tôdas as outras”. há ainda um longo caminho a percorrer. continuava íntegra. desde a fase de restauração das franquias democráticas. de formar opinião. Orlando Dantas. dentro dos critérios de comparabilidade inter- nacional. Aliás. em que o jornalismo brasileiro vem progredindo e aperfeiçoando-se. e cumpre-nos defendê-La a todo custo. “last but not least”. de integração na consciência de seu papel. em maior número. na exata medida em que possam. principalmente no sentido de influência mais ampla sôbre as massas. neste livro. extrapolam as fronteiras do legítimo interêsse profissional. como registro de uma omissão da chamada política de desenvolvimento nacional. no jornalismo. realmente simbólico para a classe. Está certo Jacques Kayser. muitas vêzes. como de boa norma. . Nesse esfôrço de aperfeiçoamento cabe função relevante às Escolas de Jornalismo já existentes e a outras que. através de currículos adequados. creio eu. o dever da responsabilidade tem de ser uma conquista ascendentc da classe. pelo exemplo que deixou de uma nobre concepção do dever da imprensa. vale dizer. Vale referir. e uns e outros títulos fiéis. que os modernos recursos desenvolveram. contribuir para a renovação dos quadros profissionais. mas também a um vigilante exame de consciência quanto aos seus deveres e responsabilidades e à maneira por que vêm sendo atendidos. Isto é um bom sintoma. cabe função igual aos congressos da classe. não fôsse o sentido dêsse reparo. Agrada-me que. mas. sem alterações no texto original. nos cumpre criar. mas com a sim pies notícia e a maneira de apresentá-la. à estreita conexão. à ampliação de nossa bibliografia especializada. Luiz Beltrão dê ênfase. no complexo das fôrças sociais. valorizava-se o aspecto positivo. já não ocorrem com a mesma freqüência os atos de arbítrio das autoridades públicas. A liberdade de imprensa já se incorporou às aquisições de nossa cultura política. citado por Luiz Beltrão. quase técnica. prevalecia o aspecto negativo: “Ainda 50 % de analfabetos na população brasileira”. Entretanto. teve larga divulgação. corno é o caso dêste excelente ensaio de Luiz Beltrão. Quase discordaria de Luiz Beltrão no reparo pessimista ao desapreço que lhe votam as elites. formação que não apenas llhes confira o seguro domínio do “métier”. A verdade. Só os títulos variavam. para esclarecer que. Todos estamos de acôrdo. uma experiência de ordem pessoal. dentre muitas. nos reqimes democráticos. ou ao exame de problemas que. uma das transformações a assinalar na técnica de jornal é a capacidade. subordina a prática do jornalismo aos interêsses do bem comum. com a publicação de estudos sistemáticos sôbre problemas de jornalismo. Nos jornais de orientação mais conservadora ou tradicionalmente simpáticos aos governos. e. no sentido da valorização efetiva da atividade jornalística. enquanto parecem aumentar os apelos às sanções da justiça. desde que não apenas dedicados às reivindicações de direitos. projete na aplicação das técnicas modernas a consciência social que. pelo prevalecimento das normas éticas. entre o direito à liberdade e o dever da responsabilidade. em quaisquer circunstâncias. no espírito e na forma. inclusive porque. É grato verificar que um jornal da categoria do Diário de Notícias escolheu o jornalismo como tema de concurso de seu Suple mento Literário. às conclusões do texto. “Já alfabetizados 50% dos brasileiros”. metade da população brasileira já se apresenta alfabetizada. A doutrinação perde terreno como forma de convencimento. não com o raciocínio objetivo dos artigos-de-fundo. Pelo seu interêsse informativo. é parte do patrimônio social. em linguagem sóbria. nos da oposição. nos efeitos sôbre o espírito do público. ao admitir que o bom título supera em eficácia um editorial. professor de Ética. Até mesmo quanto às restrições ao exercício da liberdade de imprensa. em seu empenho constante de aprimoramento eia técnica e de aperfeiçoamento ético. sobretudo no ot cante à formação de novas gerações de profissionais. sob o patrocínio de um nome.

WALDEMAR LOPES . no Brasil. com efeitos decisivos sôbre a sociedade do futuro. possa o jornal. nas suas vinculações entre o fato e a história. como talvez em nenhuma outra. para que. tão sugestiva é. Na verdade. e contribui. Êste ensaio de Luiz Beltrão. também. será possível experimentar. And How and Why and Who. o efêmero e o eterno. Their names are What and Where and When. a conciliação sugerida por Mannheim entre o humanismo e a técnica. ajuda-nos a caminhar neste sentido. que nela. o imanente e o transcendente. esclarecedor dos problemas de seu exercício. a missão de fazer jornal. se entendida dentro dêsse espírito. ao mesmo tempo. adquirir cada vez mais as virtudes dos seis fiéis servidores de Kipling: I have six faithful serving men. interpretativa da verdadeira essência do jornalismo e. superada a fase da supremacia da paixão sôbre a razão e valorizada a vocação pela formação. They taught me all I know.

como já _____________ (I) Confirmando o descaso do govêrno brasileiro pelo problema do papel e denunciando “o que se poderia chamar de meta do governo esquecida ou mal orientada”. tanto para celulose como para papel d imprensa. observou que “mais do que a liberdade de imprensa como bem profissional indispensável. é responsável pelo retardamento da nossa emancipação neste importante setor da eeonomia e da cultura nacionais. em setembro de 1958. . os jornalistas. pois se traduz. tendo-se em conta a extensão do analfabetismo do povo. da evolução científica. III Conferência Brasileira de Comércio Exterior. considera condenável o programa de indústrias médias e. em estudo critico sôbre a situação do nosso jornalismo. que lhe faça a vida — e não a emissão do pensamento — mais fácil. aumento da produção de papel de imprensa. Desapreço que nem o elevado índice de iletrados nem o baixo nível de vida da população podem explicar satisfatoriamente. O desapreço das elites dirigentes brasileiras pelo jornalismo fica ainda mais patenteado se considerarmos que. apreensão de edições e empastelamento de oficinas gráficas. nos planas e programas de desenvolvimento econômico. que o inciso “a publicação de livros e jornais não dependerá de licença. transmissores e receptores de rádio e televisão. são de iniciativa de governos. permanece e permanecerá à margem dos movimentos de construção e recuperação nacionais. como um pêso morto. apresentaram. a sua própria e ampla atividade. muitas vêzes impiedosa. a crítica jornalística. indeclinàvelmente. O ilustre professor cubano Octavio de la Suarée.INTRODUÇÃO Ocorre-nos. das idéias políticas. quando não da ação de medidas ainda mais drásticas: censura prévia. V da Constituição. não figura a montagem de fábricas de máquinas e peças prá ficas. assim. “Na ordem moderna da ilustração e da cultura populares — acrescentou — o jornal é a ante-saia do livro. freqüentemente. pelas classes menos ilustradas. e o público ao qual nos dirigimos — sob a constante ameaça de leis restritivas da liberdade de informar e de opinar.” revela “partipris” dos legisladores brasileiros contra a imprensa como instituição. pela crescente industrialização do país. urna tese em qne pleiteiam provando por A mais li as vantagens do processo — a implantação de indústrias médias na zona papeleira do pais. etc. realizada no Recife. a sociedade brasileira se interessa por assegurar aos seus jornalistas um tratamento privilegiado. prisões e processos. supressão de quotas de papel ou de freqüências e canais.” Assinalou o curioso fato de que “no próprio texto constitucional não aparece a locução clássica “liberdade de imprensa” consignada em nenhum capitulo e demonstrou. dos sistemas filosóficos. n. os srs. inclusive. Nenhum dêsses atentados é perpetrado pelo povo. ocupar a primeira linha na defesa intransigente do jornalismo. uma vez que é justamente nas elites que o fenômeno melhor se comprova. de parlamentares e políticos sôbre os quais recai. Curioso é que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico. de cujo exercício livre e amplo depende. antes. radiouvintes ou telespectadores. já não dizemos no mundo mas em alguns quilômetros ao seu derredor. que constituem a grande massa da população. 141.” O mesmo professor. da Associação Comercial do Paraná. na postergação do jornal ao livro. ao que parece “sem uma experiência ou mesmo um estudo mais profundo”. artística e social em foco no nosso tempo. pela transcrição do art. (I) de películas de celulóide e outras matérias primas de que necessitam os veículos jornalísticos para cobrir com eficiência o vasto território nacional e atender aos reclamos de significativa percentagem da população QW ignora o que ocorre. e até de intelectuais e profissionais liberais aos quais competiria. a constatação desoladora do desapreço em que é tido o jornalismo na Brasil. a impossibilitar a marcha do país para a conquista da posição de relêvo que lhe compete no concêrto universal. pelos leitores. Percentagem significativa da população que. produtores de cinema. de autoridades policiais e militares arbitrárias. Não fôsse assim e não viveríamos — nós. Agostinho Ermelino de Lcâo Filho e Júlio f4aito Sobrinho. ao contrário. preferência que não tem justificação. por isso mesmo.

Qualquer êrro seu é apontado como exemplo de corrupção e logo generalizado a todo o seu trabalho profissional. o indiferente. colhe. o seu esquema. Diante de uma campanha jornalística. tais como isenção do impôsto de renda. salário mínimo. o mais é atirado fora. inconformados ou ignorantes. etc. Quando a atitude dos quadros de liderança do país não se exprime por uma hostilidade frontal ou um suspeito paternalismo.. Praprotnik conclui que.. quanto à critica. apenas. cujos reduzidos salários não os favorecem com renda normalmente gravável. a sua informação é tendenciosa. jamais altera a sua linha de conduta. julga-se senhor absoluto da verdade e do acêrto. infortunadamente. aposentadoria. ganhando prosélitos nas massas populares. às vêzes mal compreendida. Enquanto em todo o mundo procura-se educar o jornalista para o exercício da liberdade e da profissão. na falsa concepção de direitos e deveres dos nossos órgãos de divulgação.a garantia do exercício da liberdade e a oportunidade de uma adequada formação profissional. como se quisesse buscar no próximo profano solidariedades protetoras. o único que anima e recompensa o intrusismo profissional. exortando o público a que trabalhe para a imprensa. enfrentando os arreganhos do poder e da fôrça. Indiferença quanto aos julgamentos. Improvisam-se jornalistas e técnicos de jornal à base. entretanto. as deficiências da formação profissional dos jornalistas brasileiros. na maioria dos casos atraído pelo “prestígio” de que gozará e pelos teóricos privilégios que o Estado lhe confere. procura transmitir nos seus pronunciamentos. O jornalista tem de estar a sôldo de alguém: do govêrno ou da oposição. do impôsto de transmissão inter. DE PÁGINA .” E4 citando o caso da instituição do reporter-amador. em campanhas memoráveis.o fizera Luis R. como bagaço sem valia. Do jornalismo. talvez. dessa casta de intelectuais para os quais o Estado destina tantos e tão largos benefícios. o seu procedimento. de um período de treinamento nas redações ou na reportagem. à sombra do poder. “na América Latina é o Brasil o pais que toma a iniciativa de tudo o que concerne à tutela legal das atividades dos trabalhadores intelectuais. Com efeito. e logo tornado extensivo a todos os seus companheiros de ofício. contanto que o “filho” obediente não viole o quarto mandamento. quanto à orientação que o jornalista. com vítimas e mártires.” (II) Se é verdade que as benesses distribuídas pela lei não atingem a generalidade dos jornalistas. faltam-lhe recursos econômicos e apoiamento oficial. influiu notàvelmente na psicologia do jornalista brasileiro que é. dêsses seres privilegiados. contanto que lhes escamoteie a liberdade.. o “carioca- reporter” de “A Noite”. que passam a descrer da sinceridade e da honestidade dos profissionais. Os corpos redacionais aumentam. Qualquer semi-letrado se arvora em profissional. manuais e técnicos da imprensa. confundida outras com licença. no baixo nível cultural e mesmo técnico do nosso jornalismo.. O conceito que as elites fazem do jornalismo vai. férias. sustentado pelo Estada ou pelos trustes comerciais e industriais. imprimem ao seu espírito um complexo de inferioridade. Pela primeira. entre nós relega-se a plano secundário a sua formação científica e técnica. que se manifesta na desorientação. apenas. Esquece-se que o jornalista é humano e que a sua missão é tanto mais difícil no Brasil quanto lhe tem faltada duas condições essenciais ao seu aprimoramento: . chega à evidência de que “essa dupla falta — teórica e prática de liberdade de imprensa. 456 – TROCAR N. assume uma terceira feição: a da humilhante indiferença. a sua opinião não merece fé.. para a conquista da segunda. tem lutado bravamente. sem que haja correspondência entre o seu volume e o seu valor. intérprete dos sentimentos e reclamos coletivos. considera a grita da imprensa e do rádio como manobra de despeitados. nem lhes permitem possuir imóveis — nem por isso as observações referidas são menos reais: — o Estado faz-se paternalista. pela reação nacional ou peki finança internacional. Estudos e seminários sôbre opinião pública.vivos. porque não pode deixar de fazê-lo. a informação — e a informação que satisfaça aos seus próprios objetivos. concedendo-lhes benefícios. meios de difusão do ____________ (II) “Socioperiodismo” — pág. numa época em que todos os ofícios exigem preparo e especialização.

tanto nas democracias ocidentais como nas chamadas democracias populares. vigoroso e respeitado. Visam levar o jornalista a familiarizar-se com os temas fundamentais. aos intelectuais. à efetivação dos nossos anseios de um mundo de povos livres e pacíficos. advertindo-as das graves responsabilidades com que arcam para a construção do futuro do nosso país. históricas ou de memórias — o foram em jornais ou em páginas pouco manuseadas de “Anais” dos congressos da classe. nenhum estudo sistemático dêsses problemas foi realizado em língua portuguêsa e as nossas livrarias e bibliotecas estão desprovidas de obras sôbre tão importantes temas. desarmonia entre as elites e o jornalismo. na existência ele um jornalismo livre. do indeclinável dever que todos temos de assegurar a essa atividade humana essencial a mais essencial de tôdas as suas condições de desenvolvimento: — a liberdade. sem dúvida. da sua influência na cultura. dele não extraímos os benefícios e vantagens de que necessitamos. ______________ . o nosso contributo a uma melhor compreensão de tão relevante matéria. Ao que nos conste. à solidificação das nossas reivindicações de progresso. sociais e políticos do seu país e com a aplicação das ciências exatas. importância do jornal na sociedade. aos estudantes e aos estudiosos dos fatos sociais brasileiros. liberdade e paz mundial. pela defesa intransigente dos nossos foros de cultura e de civilização. aspectos técnicos da profissão são exigidos. as quais repousam. manipulando e utilizando as notícias relativas ao estrangeiro com o propósito de cooperar pela concretização dos ideais de justiça. mesmo provenientes de outros centros culturais. não chegando a repercutir nas elites culturais e políticas. especialmente agora. na fase aguda da campanha em que nos empenhamos para a completa emancipação nacional. econômicos. ética. pela promoção do nosso desenvolvimento social e econômico e pela consolida ção das nossas instituições democráticas. de modo especial às nossas elites. naturais e sociais à solução dos problemas humanos e das questões internacionais. Alguns poucos e esparsos estudos publicados — à exceção de obras apologéticas. da sua missão. intercâmbio de informação internacional. de um generalizado desconhecimento do que seja o jornalismo. além de ficarmos à retaguarda dêsse movimento de valorização social e cultural do jornalismo. Estas observações nos levaram a oferecer aos jornalistas. Em conseqüência. hoje. no progresso e na civilização dos povos. história e legislação de imprensa. antes de tudo.pensamento. Esperamos firmemente que êste ensaio seja útil. Estamos certos de que essa. despertando-lhes o interêsse para questões vitais à corporificação dos nossos ideais filosóficos. as incompreensões e os conflitos entre o poder e a opinião decorrem. êsse descompasso entre os jornalistas e o público.

Reinaldo Câmara. a convite do Departamento de Estado. Horton. em 1958. em 1954. especialmente. Fernando Sigismundo. efetuado em Heisinque. e às Repúblicas Populares da Tchecoslováquia e da China. em 1956. em 1954. em São Paulo. Paulo Cavalcanti. José da Costa Porto. abril-junho de 1959. a convite das respectivas Uniões de Jornalistas. e no LV Congresso da Organização Internacional de Jornalistas. da Universidade Católica do Recife. Finlândia. durante a realização da 1 Conferência Mundial de Entidades de Imprensa. e ainda apostilas para o exercício das cátedras de “Ética. proporciono u. em João Pessoa. e da Faculdade de Filosofia Manuel da Nóbrega. a colaboração que recebeu por parte dos professôres e jornalistas Ruy Antunes. . Estende os agradecimentos ao “Diário de Notícias” que. pesquisas e estudos feitos por ocasião das nossas visitas aos Estados Unidos. em Bucarest. det’atidas e aprovadas nos Congressos Nacionais de Jornalistas realizados no Recife. Rod W. em Curitiba. em 1955. Andrade Lima Filho e Geraldo Campos de Oliveira. Zita An. oferecendo sugestões de relevante interêsse para a efetivação do ensaio. O Autor deve agradecer. no 1 Encontro Internacional de Jornalistas. frei Romeu Perea. que leram ou participaram dos debates sôbre os temas tratados no original. foram aproveitadas e ampliadas teses elaboradas. Romênia. Vamireh Chacon. não sòmente facilidade editorial como oportunidade a que os círculos intelectuais se voltassem para os problemas técnico-profissionais e sociais jornalísticos. em 1951. em 1958 e em Belo Horizonte. Neste trabalho. com a instituição do “Prêmio Orlando Dantas — 1959” para estudos sôbre jornalismo. Recife. História e Legislação de Imprensa” e “Técnica de Jornal” dos cursos de jornalismo da Faculdade de Filosofia do Instituto Nossa Senhora de Lourdes.drade Lima.

PRIMEIRA PARTE AS MANIFESTAÇÕES DO JORNALISMO Contém: ORIGEM E EVOLUÇÃO Prehistória do jornalismo A fase histórica Primórdios do jornalismo brasileiro O PAPEL E O JORNALISMO ESCRITO Películas de celulóide Micro-fotografia Os jornais eletrônicos O RÁDIO E O JORNALISMO ORAL O telefone A fita magnética O DESENHO E O JORNALISMO PELA IMAGEM A ilustração e a caricatura A fotografia O cinema A televisão CONCEITO DO JORNALISMO .

a tribo poupava ou consumia maior cópia de alimento. ORIGEM E EVOLUÇÃO Lancemos um rápido olhar para o homem primitivo. à sua tribo. de pontos de vista sobre assuntos relatados contribuem decisivamente para formar a Opinião Pública e. conseqüentemente. Semelhante fato ocorre com as coletividades: — a divulgação de informações e a exposição. em tambores ou arrancados às inúbias. . transmiti-la uns aos outros e dela retirarem proveito empenharam-se a fundo. É próprio da nossa natureza informar-se e informar. reunir a maior soma de conhecimentos possível do que ocorre no nosso grupo familiar. em 1908 foi comemorado. mesmo. figuram os sinais gravados nas rumas Maias. na Lagoa Santa. encarregados de escrever o resumo dos acontecimentos públicos e que teria sido utilizando êsse material que Bérose compôs. e o chamado Mármore de Pwros. interpretando-os. Através dêsse conhe cimento dos fatos. Tudo isso. e ainda hoje nas civilizações primárias. o homem das cavernas ou o silvícola. na comunidade em que vivemos. e da pedra das vertentes do rio das Mortes. um dos quais combatera acirradamente o faraó Amarsis. além da constante circulação de jornais satíricos. visava assegurar o bem comum. no ano 1750 AC. teria existido um diário oficial. registrando o cataclisma do dilúvio. estratificar normas de direito ou reformar práticas que as circunstâncias ditavam. os fatos correntes que interessavam à comunidade: — o resultado da caça ou da pesca. Prehistória do Jornalismo — Os mais antigos documentos conservados e decifrados dos tempos heróicos são a inscrição gravada por Yu. Flavius Josephus afirma que os babilônios contavam com historiógrafos. sua História da Caldéia. nenhuma responde tanto a uma necessidade do espírito e da vida social quanto o jornalismo. sôbr o monte Heng-Chan. impresso em papiro. buscava meios de defender-se das feras ou da inclemência da natureza. cêrca de 2. enco’ntrado no Século XVI e levado à Inglaterra pelo conde de Arundel. dia a dia. com regularidade e freqüência. nas vizinhanças. segundo a tradição. a escolha dos chefes. Minas Gerais. a fundação de Atenas. Também no Egito. Entre os fragmentos arqueológicos ainda hoje indecifrados e que se julga conterem informações jornalísticas. no mundo dos últimos trezentos anos. se bem que sem comprovação absoluta. nos bravios sertões matogrossenses.200 AC. ainda mesmo superficial. de Pequim (“King Pao”) que. que não conhecia a escrita. a aproximação de animais ferozes e cataclismas. que apenas esboçava a vida em comum. deixando inscritas nas páginas da história alguns dos seus mais belos episódios de construção. naquele país. Nada obstante. dos órgãos da imprensa e dos meio s de comunicação das massas. os homens não dispensaram a informação. era escrita em madeira. sente-se apto à ação. Desde essa época remota. na China.mente ou por sinais e sons convencionados. De posse dessas informações. o que vale dizer que transmitia aos seus semelhantes. promo ver a vida em sociedade. êsse homem fazia jornalismo. o relato das suas batalhas. Entre tôdas as atividades humanas. país ou grupo humano prescindiu da informação e. nos mais longínquos rincões do mundo. instintivamente feito nos primórdios da humanidade. nas pedras da Ilha de Pascôa e as misteriosas inscrições das covas de Altamira. entre os povos que nos rodeiam e. Nenhuma sociedade. para obtê-la.zeta. no Século III AC. no reinado de Toutmés II. o homem como que alimenta o seu espírito e. Voltaire escreveu que a China possuia jornais desde tempos imemoriais e. feitas oral. ao contrário. através do qual se pode acompanhar. fortalecendo-se no exame das causas e conseqüências dos acontecimentos. reconhecia a soberania do chefe ou decidia como agir em relação aos inimigos vencedores ou vencidos. o Grande. impulsionar os agrupa mentos humanos às decisões e realizações da vida social. o milenrio da Ga.

as notícias difundiam-se pelas cantílenas — 1 Carlos Rizzini — O livro. entrariam. assim. quando construiram o Império. fixando valores arbitrários supletivos da memória. exposta nos muros da sua casa para que os cidadãos tomassem conhecimento. que circulavam dentro e fora dos muros de Roma. êsses jornais primitivos desaparecea Durante a Idade Média. banquetes. em tábuas que eram expostas no Forum e das quais não tardou fôssem tiradas cópias palticulares. não puderam dispensas a informação que lhes proporcionaria a vitória sôbre os seus opositores a manutenção do domínio. 7 . entretanto. Coube a Cesar. Sabemos. reproduzindo objetos e figurando idéias. enfim. é a transmissão de notícias e avisos breves. o Album. sentiu_se a necessidade de ampliar essas informações e os Anais dos Pontifices foram transformados na Acta Pública. pele e papel — o jornal.”2 Com a queda do Império Romano. como as cintas de conchas variegadas dos iroqueses e as cordas de nós coloridos dos peruanos fôssem pitográficos. lá encontramos — em pedra. por exemplo. fôssem. em Epidauro. concha. a idade da palavra falada: — os poucos indivíduos que sabiam escrever não tinham como nem a quem fazê-lo. o jonal e a tipografia no Brasil — Rio. metal. 2 Emile Boivin — Histoire du Journalisnie — Paris. nem a êsse nem a outros monumentos epigráficos ou paleográficoss cabe a qualificação de jornal. persas e aztecas. que não se confunde com a história. barro... entre elas a de um pobre diabo que engolira sanguessugas por artes da sogra e a de um taful a quem o deus fizera nascer cabelos. em cujo espírito interpretativo e crítico a narração por si nada exprime1. tais os hieroglifos e os sinais assírios. conservado pelos simbolos. Mais característico do puro jornalismo. 1949 pág. Menos cabe a de história. esfregando-lhe a calva com certo ungüento. na poesia e no canto dos troveiros e jograis. incêndios. a informação rudimentar de algum acontecimento contemporâneo. que as tropas de Felipe se orientavam por fanais. fibra. colocados sôbre o monte Tisé. fonéticos. Durante vários séculos. êle próprio um excelente repórter come o demonstrou à posteridade pelas suas descrições circunstanciadas de guer de conquista da Gália. Entre as populações primitivas. A verdade. dar mais um passo no sentido de ampliar a informação. transmitindo as novidades de bôca em bôca. Até o Século XI. da narrativa da primeira guerra macedônia. “os menores acontecimentos de interêsse mesmo efêmero: cerimônias fúnebres. 12-13. OS gregos utilizavam a conjugação de sinais luminosos para se informarem de fatos ocorridos a uma distância de três ou quatro dias. nos seus Comentarii de Belo Gailica. Evidentemente. “regrediu a informação à era heróica dos rapsodos. a partir de quando começaram a movirnentar-se as suas cópias. o estabelecimento de um espírito público convencido da “missão civlizadora” das águias imperiais. Em nenhum capítulo da história mas em qualquer coluna de jornal. as vinte curas milagrosas gravadas nas estelas do aráculo de Esculápio.. é que “até onde chega a nossa petração na antiguidade. a fogueira era (e ainda o é) um meio habitual de indicar perigo e convocar auxílio. lo ngevjdades e fecundidades extraordinárias. inscrevendo-os numa tábua branca. criando-se a Acta Diurna. o Grande Pontífice recolhia os fatos de cada ano... pau.. Cesar. execuções. 1956 .. registrou que qualquer acontecimento de vulto alastrava-se através da Gália “porque os Gauleses o gritavam uns aos outros através de campos e vilas..” A fase histórica — Os romanos. espécie de jornal oficial. fôssem mnemônicos. o que se passava em Genabo de madrugada era ouvido à tarde Pos Arvernos. Com exceção de poucas resenhas ordenadas. ainda no sentido da singela e ingênua informação.págs. a generalidade dos documentos arqueológicos contém episódios avulsos e casos circunstanciais. Aliás. traduzindo as vozes nas letras do alfabeto. A Idade Média foi. a 160 milhas de distância. através de sinais luminosos. isto é. A Acta Diurna inseria. ordenando que as atas do Senado e as ocorrências de interesse público fôssem diàriamente divulgadas. à fôrça. Com a expansão io império e a multiplicação dos interêsses do Estado.

”5 O Século XV assiste à descoberta da tipografia e da imprensa e à revolução nos métodos de divulgação das informações. Mellin de Saint Galiais. 5 Conf. festas.”3 As suas canções “não eram senão novidades rimadas. antes do surgimento da arte de imprimir. bem como crimes. que atacavam por vêzes impiedosamente. o jornalismo se consubstancia nas folhas escritas à mão. se bem que restritos a um público limitado. em Cambridge. 4 Cit. nas suas canções. proibindo. . desencadeou-se. Foi no reinado de Francisco I que surgiu o primeiro censor. a princípio os jograis. narrava anedotas. O Século XVII vê surgir a imprensa por tôda a Europa civilizada e na Nova Inglaterra. Na França. “repportisti” e “gazzettanti” — nomes que se davam aos repórteres e redatores das fôlhas manuscritas — se multiplicaram. por Rizzini – pag. Enquanto que perseguiam os jorfialistas em geral. Muitos dos seus autores foram punidos. enternecedoras e cáusticas narrativas de sucessos” e foram crescendo em audácia. ao lado do lirismo das baladas e pastorelas. Assim. 22. Dos longínquos tempos de Elisabeth 1. abade de Reclus. por Rizzini — Obra cit. 3 Carlos Rizzini — Obra cit. os jograis. em 1395. violas e saltérios — cantavam e recitavam gostas. os soberanos passaram a utilizar a imprensa como veículo de informações de seu interêsse e. Rodolfo II. É também nesse século. incentivados em seu mistér pelos poderes públicos. págs. as news ietters inglêsas do século XIII e os Ordinari Zeitungen dos mercadores alemães. reune os editôres mais capazes para elaborar um mensário com notícias do Santo Império Romano -Germânico.. e contos facetos e satíricos.estrofes breves e atuais. inseria notícias de nascimentos. sob pena de serem postos em prisão “dois meses a pão e água aquêles que. há memória de notáveis noticiaristas. em 1597. inclusive Niccoló Franco e Annibale Capelio. 17-I8. Mass. Stephen Daye instala uma impressora. Pory. a mais cruel repressão de que há história. bibliotecário do rei. após tidos como réus pelos tribunais da Inquisição. meio líricas meio narrativas — cujo fundo seria largamente aproveitado na composição de gastas e canções. que constituiram. ao Rei e aos nossos Senhores de França. catástrofes e execuções. o Journal d’un bourgeois de Paris noticiava escândalos. intervindo nas questões de interêsse coletivo e ameaçando a ordem estabelecida. Charles Gidel. veículos da informação dos fatos correntes. Nada obstante. e Luis XIII. por fim. agora unidos aos impressores. além de informações políticas inteiramente favoráveis ao govêrno real e do texto das ordenanças oficiais. divertimentos dos principais personagens da côrte. “novellanti”. verdadeiras gazetas rimadas. Contra a fôrça tremenda que os impressos passaram a representar para a difusão dos conhecimentos e orientação da opinião pública. se assemelhava um pouco à nossa liberdade de imprensa” e foi o que fêz Carlos VI. de 1409 a 1499. Entre essas publicações. 21. como ocorrera ao tempo de Henrique IV. inspirados em discórdias e agitações. imperador. de louvaminhas. geralmente de interêsse para comerciantes e navegadores. — pág.gistrava a chuva e o bom tempo. mandando compor um romance para celebrar a entrada do Condestável Miguel Lucas em Granada. exeõutados como “caluniadores” e “pestiferi homini”. que se advertiram do bom negócio que representava a emissão de fôlhas com relatos de fatos da atualidade. onde. em 1638. passaram a tomar partido. como Roland White. concede a Theophraste Renaudot o privilégio de publicaf um hebdomadário — La Gazette — que. que eram a história popular do tempo. Locke e Chamberlain. cit. Peregrinando por vilas e castelos. “poeta de epigramas licenciosos e de odes eróticas. duraite os dois séculos seguintes. na Fiança. Essas informações também não tardaram a ser consideradas perigosas à civilização e à ordem dominantes. naturalmente. “Era preciso reprimir e pôr côbro a essa liberdade do jogralismo que. rotas. figuram os avvisi venezianos. dos lais e cantigas de amor e de amigo. processos. os antigos “menanti”. matrimônios. fizessem menção ao Papa.”4 Com o Renascimento. re. entoadas ao som de sanfonas.

Rio. as notícias corriam pela bôca dos capitães do mato. e que o padre Vieira tantas e tantas vêzes fêz jornalismo. estre de Retórica e orador insigne. E dom 6Ministério da Educação e Cultura – Documentos Históriocos – Revolução de 1817 – Vol. que é a primeira defesa sistemática da liberdade de imprimir.” Centros de divulgação de notícias eram as feiras. e que os soberanos presente aplicavam o tempo devido a jejum e cilícios. rastros dessa forma jornalística primitiva: Z. seguiam bandeiras e tropas e. triz do Recife. a formação de poderosa esquadra que poderia transformar Olinda em Olanda.exatamente em 1644. subiu ao púlpito na igreja do Corpo Santo. um almoxarife. CVII – Ed. cujas tropas ameaçavam a cidade do Salvador pela segunda vez. denunciava irregularidades. e nula contemplação para com os soberanos da uma vez que não se comportassem em conformidade igreja e Justiça dos vassalos. 243-44. deixou de praticar o jornalismo. o mais excelso dêsse santo culto. enfim. os Senados das Câmaras. era dos púlpitos das igrejas que se utilizavam os letrados oradores sacros para transmitir notícias e conselhos à comunidada Foi assim que frei Antônio Rosado.” O mesmo espião luso assinala que “as lojas de fazenda. dos tropeiros e mascates — como na Idade Média pela voz dos jograis. O pasquim — escrito em linguagem viperina e afixado nos muros. apesar de não termos tido imprensa senão às vésperas do Ipiranga. na primeira ominga da aresma de 1817. nem por isso o colono português integrado na nossa vida. em memorável sermão no convento do Carmo. na igreja de Nossa Senhora da Ajuda. doutras em verso. que afirmava ter Deus pés e mãos. de engenho a engenho. que respeitamos e adoramos. o Portador. e as boticas são os lugares onde ordinàriamente se falam de tôdas as novidades. e o texto do seu sermão foi: “Nunca tempus tabile die salutis”. espião a serviço do govêrno. Ele e seus colegas a profanam e suas pérfidas línguas só ousavam caluniar o Soberano.1955 – págs. que Milton publica a sua Aeropagítica. nunca foi mais danoso à religião nem suas práticas mais nocivas ao Estado. A exemplo de outros povos. e tudo igualmente submeto às minhas reflexões. utilizando ora o púlpito. Dizia que David por um o fizera penitência tôda sua vida. e culpas inexpiáveis com o céu. escreveu um papel contra a Companhia de Jesus e os padres do lugar porque não lhe queriam dar a absolvição sem que se re tratasse da heresia. em Ilhéus. tendo sido mesmo denunciado à Santa Inquisição pelo jesuíta Antônio da Rocha.já em 1587. ora justo ora injusto. apelou para a informação e a sátira verbal. consta6 que “o padre Miguel. Nos tempos mais remotos da colonização. para o pasquim e a fôlha volante. às vêzes em prosa. A história guarda. em cujo discurso mostrou o quanto era dos homens a liberdade por êles mesmos acabrunhada ão houve subterfúgios nem rodeio ardiloso de que êle se valesse a fim de derramar no ânimo dos ouvintes a deI1e. Ouço nestes lugares.ta. com a mudança apenas de uma letra. promovia invectivas e. de povoação a povoação. . com acompanhamento de alguns soldados e tambores. atuava junto à opinião pública como os editoriais da imprensa dos nossos dias. dos qais eram incumbidos comandantes e capitães-mores. de nome Jorge Martins. nos seus registros. ou o nativo. tempos e renitências de agravo. “pelo bom suc esso das armas de Portugal contra as da Holanda”. As notícias oficiais eram transmitidas por bandos. anunciou. informo-me nestes lugares. Biblioteca Nacional. O clero. Para o interior. informo-me dos de fora. os portos e os armazéns. nelas eu compareço a certas horas do dia ou da noite. na Bahia. tais como abandono do povo e da religião. ouço dos de fora. Nas cartas e relatórios redigidos por um português antipernambucano. ora as cátedras dos coléos dos jesuitas. Primórdios do jornalismo brasileiro — No Brasil. como em 1640. delatando feitos fatos da Revolução de 1817 e descrevendo a situação em ernambuco no ano sêguinte. pôsto por debaixo das portas ou circulando de mão em mão às escondidas. um ano antes da invasão flamenga.

não sem antes ter sido exposto no adro da igreja de Santa Teresa. exatamente ao tempo da Inconfidência. exigindo a devolução da “pessoa que êle ilegitimamente tinha em seu poder”. em noite de novena. enquanto um caixeiro português. a justiça bastarda e vendida. durante e após a Revolução de 1817 — o que o torna urna espécie de Talleyrand brasileiro — consta a decisiva influência de um “papel” na eclosão do movimento. antecipando a atitude de submissão que tomaria quando descoberta a conjura na qual se envolvera. e aquilo que se faz nulamente e com dolo não produz impedimento. O juiz. redigiu uma réplica da qual foram tiradas mil pias distribuidas na cidade. o clero de vida irregular. episódios e usos do tempo. Págs. a chamada “Inconfidência Baiana” ou “Conspiração dos AIfaiates” abortou. que requereu a osse para a suú constituinte. que se ocupam dos desmandos e da rapinagem do capitão general das Minas. sentira na própria carne o aguilhão do pasquim. em verso. que Ronald de Carvalho considera a sua obra como “o nosso primeiro jornal. São doze cartas. e não sei que brasileiro. . e levado do mais feroz agastamento”. 241-243 . foi misteriosamente colocado em sua mesa de trabalho. de uma lfuente graça literária. despachou em favor de Firmin e Portugal. e os oradores da sua parte também não poupavam panegíricos figurados pelos quais lhe representassem cara a idéia da liberdade e de um patriotismo mal entendido. que retratam Vila Rica e reporteiam aspetos. porém. o “Bôca do Inferno”. apesar de ignorante. de autoria de Tomás Antônio Gonzaga. pois o seu autor.” - Outro grande documento do jornalismo satírico colonial manuscrito são as Cartas Chilenas. as ações dos poderosos. A questão foi à Justiça e o advogado da senhora foi Bernardo Luís Ferreira Portugal. escrevera uns avisos atacando as a ridad es e exigindo postulados da Revolução Francesa – tais como a abertura dos portos. “picado.” A maior figura panfletária da colônia foi. que temos leis que respeitam a propriedade. mas nem por isso oferecem interêsse político. sendo presos e executados vinte e três dos implicados porque um tal Luís Gonzaga das Virgens. Assim. foi grassante o mal no coração da canalha. . nos quais papéis apareceram muitas indignidades que mais e mais exacerbavam os dois partidos. capitão-mor em São Paulo. Êste ofereceu elevada importância pela escrava mas a sua dona reusou. os roubos. os adultérios e até as procissões. quando uma escrava descontente da sua senho ra resolveu fugir e procurar senhor que a comprasse. a •vida pública e privada dos baianos e reinóis. Da defesa apresentada por José Carlos Mairink da Silva Ferrão. 201-201. que ia ao Brasil “não só traficar com os nossos gêneros mas também arrebatar-nos nossas propriedades”. cujos papéis a favor e contra dizia-se que eram feitos por Bernardo Luís Ferreira Portugal e o Tenente Coronel Ajudante de Ordens do govêrno Alexandre Tomás de Aquino. onde estão registrados os escândalos miúdos e grandes da época. em decassílabo5. os crimes. em 1798. concluindo ser isso fazer sentir “a êste tratante.Luís Antônio de Sousa. Foram redigidas entre 1788 e 1789. a sociedade da época. que os rebeldes contavam para o golpe decisivo da sua emprêsa. e foi então desde esta época que ficou de todo semeada a divisão e discórdia. os aniversários e os nascimentos. de certo. de sorte que as duas classes se agitaram pasmosamente. De tal modo estão as sátiras de Gregório de Matos cheias de atualidade e notícias. secretário do Govêrno da Capitania de Pernambuco. de nome Azevedo. desclausura dos conventos e extinção dos mopólios — fazendo-os afixar às esquinas e adros da cidade. cujas composições poéticas visavam criticar ferinamente os costumes. dirigindo-se a um negociante chamado Alexandre Firmin. quando um tremendo requisitório contra a sua administração. porém tão pedantesca como atrevidamente. em que figuravam um negociante europeu Firmin. em mais 7 Ministério da Educação e Cultura – Documentos Históricos cit. Também na Bahia.” Essa questão surgira em agôsto de 1816. Narra êle7 que “apareceu a célebre questão de uma prêta. antes. soldado desertor. Gregório de Matos. Neste “papel”. Portugal denunciava “certa classe de europeus” que julga que “a América é escrava e que tem direito ao vexame dos americanos”.” A população tomou o partido de Bernardo. “entusiasmado pegou na pena e u dita réplica. Luís da Cunha Menezes.

de uma ocasião ressalta a excelência das instituições civis e religiosas monárquicas, embora
acuse Cunha Menezes e seu “entourage” de deturpá-las e prejudicá-las.

O PAPEL E O JORNALISMO ESCRITO

O jornalismo escrito, utilizando como matérias primas o papel8, as películas de celulóide
e, mais recentemente, a eletrônica, se impôs como o principal meio de divulgação de fatos e
idéias. Em nossos dias, o papel constitui, ainda, a mais importante dessas matérias primas e
nêle são impressos jornais, revistas, magazines, boletins e avulsos. Descoberta dos chineses,
através de um funcionário palaciano Isai-Loun, que conseguiu encontrar a maneira de fabricá-lo
misturando trapos, fibras vegetais e linho de cânhamo, cêrca de cem anos depois. de Cristo,
sômente em 806, ao que se sabe, o Estado estabelecia a primeira fábrica. Um século e meio
mais tarde, tendo aprisionado alguns artesãos chineses, obrigando-os a produzir papel em
Bagdá, os árabes introduzem o produto na Europa, através do norte da África e da Espanha,
onde há memória de fábricas em Jatiba, Toledo e Valência, O documento mais antigo em papel,
que se conhece na Espanha, é o Repartimiento de Valencia, feito por Jaime 1, de Aragon, em
1237, conservado no Arquivo da Corôa de Aragon. As primeiras fábricas européias de papel
utilizavam como matéria prima o linho e só mais tarde o algodão. Os trapos eram amassados em
um gral e embranquecidos com cola animal e amido de trigo. Cêrca do ano de 1300, surgiram
em Ravensburg, Alemanha, os moinhos para a preparação da pasta, que se fazia passar por
peneiras de arame de latão para conseguir unia mescla mais homogênea. O costume de
mergulhar a pasta de papel, colocada sôbre uma teia metálica nas tinas, subsistiu até 1811,
quando, na França, foi iniciada a fabricação por meio de máquinas. Com o incremento do uso do
papel, a partir da metade do século XIX, buscaram-se outras matérias primas para a sua
fabricação e assim, graças a um invento do saxão Godofredo Keller, em 1845, pôde-se
empregar a fibra de madeira, submetida a certas reações químicas. Palha e bagaço de cana de
açúcar são, atualmente, utilizados para a fabricação do papel, assegurando-se aliás que êsses
materiais constituirão, em futuro próximo, a princip al fonte do produto, uma vez que as suas
safras são anuais, enquanto a madeira exige largos períodos para o crescimento das árvores de
que é extraída.
Para se ter uma idéia do angustiante problema do papel de imprensa no mundo, basta
citar que, em 1948, para uma produção global de 7.482.000 toneladas, das quais 4.635.000
originárias do Canadá, houve uma demanda de 7.569.000, das quais 85 por cento foram
utilizados pelos Estados Unidos, o maior consumidor do mundo (5.015.000 de toneladas).
Naquele ano, verificou-se, portanto, um “deficit” de 87.000 toneladas, o que significou uma séria
ameaça à existência dos 223 milhões 774 mil jornais quotidianos que eram oferecidos, então,
aos 2 bilhões 372 milhões e 463 seres humanos distribuídos pelos cinco continentes9. Em nosso
país, de acôrdo com as estatísticas do! Banco do Brasil, foram consumidas, em 1957, 222.526
tolenadas métricas de papel de imprensa, das quais apenas 49. 028 de produção nacional. A
importação das restantes 173.498 tolenadas custou-nos 35 milhões e 47 mil dólares, um
dispêndio pródigo para um país que tem todas as possibilidades não somente de tornar-se auto-
suficiente coma de transferir-se da posição de importador para a de exportador. O consumo de

8 O vocábulo originou-se de uma palavra egípcia traduzida para o grego “papyrus”- o papiro, produto extraído de um
arbusto que cresce naquele país e regiões pantanosas vizinhas. Conta a tradição que um rei egípcio, temendo que
a Biblioteca de Alexandria fosse superada pela de Pérgamo, proibiu a exportação do papito, com o que provocou o
desenvolvimento da fabricação do pergaminho na Ásia Menor. No entanto, até o ano 450 AC, vendia-se papiro em
Atenas e o seu uso, introduzido no Império Romano, perdurou por longo tempo entre os povos civilizados. O último
documento conhecido em papiro é uma bula do papa Victor II, datada de 1057.
9 Sôbre o assunto, v. Le Probleme du papier journal, edieção da UNESCO, Paris, 1949, pelo serviço de pesquisas
The Enconomist de Londres, e L’lnformation a travers le monde. UNESCO, Paris, 1951.

papel no Brasil — menos de três quilos por habitante/ano — nos coloca numa posição
humilhante em relação já não dizemos a países muito mais desenvolvidos, mas até aos nossos
vizinhos, pois a Argentina tem um consumo duplo do nosso. A solução do problema da produção
de celulose e papel de imprensa, qué urge dada a importância assinalada dessa matéria prima
na alfabetização do povo e difusão da cultura, estará em uma modificação substancial da
orientação do govêrno, cujos estabelecimentos de crédito recusam, sem maiores estudos,
financiamento para a implantação de indústrias do tipo médio (25 a 30 toneladas por dia),
distribuídas na região produtora de pinho, com o aproveitamento da madeira em lascas não
utilizada pelas serrarias e, o que é mais importante ainda, o emprêgo de desfibradoras e outras
máquinas, ora fabricadas em São Paulo. no Rio e no Paraná.
A escassez do papel, que não poderá atender à crescente demanda e à adoção e
popularização do sistema de imprimir em películas de celulóide, parece-nos indicar uni novo
caminho ao jornalismo escrito: a substituição, no futuro, do jornal na sua forma atual pelo jornal
em micro-filme para a leitura eu aparelhos reprodutores ou projetores, como já existem em bi
bibliotecas, arquivos, universidades, clubes e associações culturais. O micro-filme, se bem que
exija a posse de aparelho especiais de reprodução e projeção, tem sôbre o jornal impresso em
papel diversas vantagens, tais como: facilidade de transporte e arquivamento; melhor técnica
para o uso das côres; comodidade para o leitor, que não terá de conduzir grossos volumes de
fôlhas impressas, que não somente pesam como têm outros inconvenientes, como o
desprendimento de tinta e a rápida e fácil destrutibilidade redução das despesas em maquinaria
e mão de obra para as emprêsas e, finalmente mais vasto alcance pela sua utilização nas
emissoras de tele visão. O emprêgo do micro -filme se está generalizando nos países mais
adiantados cultural e èt cnicamente: nos Estados Unidos, tivemos oportunidade de visitar o
arquivo do Ne w York Times, onde as coleções volumosas e devoradoras de espaço das edições
daquele famoso órgão da imprensa mundial estão concentradas em poucos metros de caixas de
aço.
Para resolver o cruciante problema espacial, “inúmeras instituições adotaram o recurso
de construções especiais longe da sede; tal solução gerou o duplo inconveniente de aumentar as
despesas e criar outro problema: o do transporte dos da tos entre a sede e o depósito-arquivo. O
micro-filme, quer em bandas, é largamente utilizado para reduzir massa criada por tanto papel
impresso, manuscrito ou datilografado. Com o uso do micro-filme, obtem-se uma economia
espacial e de pêso que pode oscilar entre 80 e 90 por cento. Assim o conteúdo de cem armários
para arquivo pode ser reproduzido e disposto em um só classificador para micro filme, cujas
dimensões não ultrapassam as medidas de um armário comum. Basta pensar que um rôlo de
microfilme de 16mm, com imagens duplas de 8 mm, conterá, ao longo de trinta lineares, cerca
de 10.000 cartas. A bobina de 30 metros tem um diâmetro de 12 cm... Considere -se ainda, que
as modernas micro-fumadoras automáticas permitem a execução de duas imagens de 8 mm
lado a lado... Considere -se, também, que o processo de micro-filmagem, quer em 35 quer em 16
mm, é extraordinàriamente rápido, tendo-se em conta o fato de que 30.000 documentos podem
ser microfilmados em uma jornada de trabalho10.” Entre os grandes jornais brasileiros cujas
edições, para efeito de arquivamento, são micro-filmadas figuram O Globo, Diário de Notícias,
última Hora e Correio da Manhã, todos do Rio11.”
A fixação em películas de celulóide de notícias e “slogans” publicitários é ainda muito
utilizada para projeção em praça pública, em telas especiais ou nas-paredes dos grandes

10 C. Oscar Campiglia — .Emprêgo de microfilmagem em arquivos,in IDORT — Revista de Organização e
Produtividade — S. Paulo— ns. 307-308 — julho e agôsto de 1957 — págs. 19 e 20.
11 Informação de P.N. ed, de 20-3-57, que adianta ser possível inserir aproximadamente 1.200 páginas de jornal
num rôlo de apenas 20 metros de película, sendo que o preço do negativo e positivo é extremamente baixo, em face
do grande número de cópias que se fazem em pequenos pedaços de fita.

edifícios, substituindo os “placards” em que, antigamente, os jo rnais expunham informações
sôbre fatos de sensação ocorridos no intervalo entre as suas edições. Aliás, essa modalidade de
divulgação jornalística também se vê gradativamente abandonada pelo uso da eletrônica. São os
chamados “jornais elétricos” ou “luminosos”, existentes em todo os grandes centros urbanos do
mundo, tais como em Times Square, New York; em Picadilly, Londres; no Rio, em São Paulo e
no Recife12. Os jornais eletrônicos, de acôrdo com a sua técnica de instalação, podem funcionar
dia e noite, apresentando caracteres coloridos e desenhos ilustrativos das legendas e textos
divulgados.

O RÁDIO E O JORNALISMO ORAL

Por milênios, a palavra falada foi a única forma de expressão jornalística. Na nossa
época, o jornalismo oral não sômente subsiste, através do rádio, do telefone e da fita mago
ética, como assumiu tal importância que a sua técnica reclama estudos especiais.
O rádio foi pela primeira vez utilizado para a transmissão de notícias em 1922 por
Gabriel Germinet, lançando, através da estação parisiense de Radiola, um serviço quotidiano de
novidades sob o nome de “Paris Informations”13. Em outubro de 1925, uni grupo de jornalistas,
tendo à frente Maurice privat, arrendou a grande antena da Torre Eiffel e deu curso a uma idéia
que, nos fins do século passado, em 1883, Louis de Peyramont tentara efetivar nos Follies-
Marigny, reunindo um público, diàriamente, para ouvir a leitura não só de noticias como de
artigos — e até ilustrando as palavras com desenhos e caricaturas traçadas em um quadro
negro pelos próprios autores. Privat, cuja concepção de jornalismo falado era mais prática, pois
que levava a matéria aos interessados em diversos pontos da cidade, por meio de alto-falantes,
obteve êxito ao ampliar, com a introdução de tôdas as seções que compõem o jornal impresso,
inclusive a publicidade, o simples informativo até então rádio_difundido. Le Journal de la Tour
teve logo imitadores: na Bélgica, em 1926, surgia um jornal falado; em a administração das
comunicações sem fio, em Paris, ia o seu “Rádio Jornal da França”, transmitindo de um estúdio
nos Champs Elysées; em 1932, no México, a XEW lê as notícias mais destacadas publicadas
pelo diário PJxcelsior. Em todo o mundo, sob a natural reação das emprêsas editoras de jornais,
que viam no rádio um perigoso concorrente, o rádio - jornalismo firma o seu definitivo prestígio na
terceira década do século14. Coube aos editores norte_americanos, com o seu reconhecido
pragmatismo, oferecer uma solução para o conflito rádio versus imprensa: — o rádio deveria
associar-se aos jornais e agências de informações, o que aconteceu nos Estados Unidos e em
outras nações, onde, a cada jornal importante, se subordinava uma rádio_emissora. Essa
política foi referendada pela Conferência das Novas Formas de Imprensa, reunida em 1934, em
Bruxelas, segundo a qual “estas duas formas de jornalismo, que se completam com felicidade,
devem colaborar e ligar-se eventualmente por acordos para fornecer paralelamente ao público a
sua quota de informações.” 15
O primitivo sistema de difundir informações pelo rádio, com alto-falantes colocados em
diversos pontos da cidade de Paris (prestigiado pelo próprio Presidente Poincaré, diária- mente,
“quando o tempo estava bom” transmitia entre as 18,30 e as 19 horas da torre Eiffel,
constituindo-se “numa verdadeira pequena atração nos anos de 1924 e 1925... parecia uma

12 Na capital pernambucana, o jornal eletrônico, inaugurado “em agosto de 1957, está instalado em avenida central
sôbre um edifício de 12 pavimentos. Foi uma iniciativa do jornalista e radialista Ernani Séve.
13 Já em 1920, uma emissora instalada em Pittsburg, nos EstadosUnidos, a K.D.K.A., transmitira, no mês de
novembro, boletins com os resultados das eleições presidenciais então realizadas.
14 Pernambuco detém o pioneirismo dos jornais falados no Brasil, lançados pela emissora da PRA-8, do Recife, em

fins de 1926, sob a orientação dos jornalistas Mário Libânio e Carlos Rios.
15 Conf. Rená Sudre — Le Huitiéme Art — Paris, 1945 e J. Preveyer Carracedo — Radioperiodismo — La Habana,

1952.

horários. editado por P. há “jornais telefônicos”. São os chamados serviços de “difusoras” ou de alto-falantes. As suas transmissões eram feitas com o auxílio de dois poderosos microfones. apenas. admitidos pràticamente por todos os Estados modernos. retransmissões de “matchs” desportivos e outros fins. por determinação estatutária da sociedade que o mantém. que possui cêrca de 10. Observação digna de regstro é a de que.espécie de lanterna mágica sonora e provocava mais curiosidade e espanto do que interêsse racional”). uma legislação e um sistema de concessão especiais. sobretudo. vem sendo utilizado regularmente: — Gordon McKibben divulgou. o SIG. 16 é adotado ainda hoje na maioria das pequenas cidades brasileiras para a transmissão de matérias de interêsse local e retransmissão de noticiários das grandes estações dos centros urbanos com as quais entra em cadeia. etc. devidamente registradas. que poderíamos chamar de “jornalismo em conserva”. edição brasileira. 18 Conf. Rádio Televisão. hoje. em The WaIl Street Journal.000 assinantes em quinze países. Destinado aos médicos muito atarefados. Eis os números para o Brasil: 233 emissoras.500.000 receptores. econômico social. companheiro de pioneirsmo de Maurice Privat. junho de 1957 – pg. redatores e comentaristas. qualquer divulgação de caráter partidário. Por meio de um sistema de alarme. a princípio empregado. por sua extraordinário universalidade — “as ondas não conhecem fronteiras nem contrôles aduaneiros” — o rádio exigiu. 17 Quanto à fita magnética. outro veículo do jornalismo oral. Em tôdas as grandes cidades. Seleções de Reader´s Digest.000 subscritores. oferece. e transmitindo tôdas as seções de um periódico impresso. da divulgação de noticiário ou propaganda pelas mesmas distribuidas às rádio-emissoras. que não possuem estações de rádio próprias. 1949. fôsse no campo político. o número de estações de rádio no nosso país ascendia a 496. em todo o mundo. através uns do monopólio sôbre as emissoras outros por meio de estatutos que adotam certas medidas restritivas..85 . quanto às informações políticas o SIG da. até bem pouco era utilizada apenas nos departamentos jornalísticos da imprensa e do rádio para entrevistas. do qual traça um curioso perfil na sua conferência Le Journalisme parlé. fundado na Áustria pelo eletricista Theodor Tuskas. inserida na coletânea Ploblémes et Techniques de Presse – Editions Domat Montchristeien – Paris. que nada obtante destinar-se especialmente à propaganda comercial fornece notícias sôbre acontecimentos desportivos. O telefone. de New York18. êsse gênero de periodismo. ao contrário do jornal impresso. sendo lhe vedado. segundo o Anuário da Imprensa. um 16 Segundo depoimento de Pierre Descaves. e contrôle.N. pelas agências telegráficas e de publicidade. de acordo os dados divulgados pela UNESCO. um grande corpo de repórteres. 4. Há cinco anos.849. funciona um serviço informativo telefônico. entretenimentos. 2. existentes na maioria das cidades do nosso “hinterland”. o Audio Digest.000 quilômõtros de linhas. em 1893. Ganhando foros de veículo jornalístico da mais subida importância. Contando com 20. e o número de aparelhos receptores era de 181. a partir da reserva das freqüências até a censura prévia dos programas informativos. a existência de um semanário. com a gravação de notícias e comentários pelo processo eletrônico. que não têm tempo de ler todos os periódicos da sua especialidade. estava àriamente “no fio” das 8 às 23 horas. os resultados dos pleitos eleitorais. em gravação de uma hora. chamava a atenção dos subscritores quando ia anunciar um acontecimento extraordinário. sendo 211 de ondas médias e 12 de ondas curtas. apenas. Em 1949.000. entretanto. fenômenos meteorológicos. Já em 1958. havia. não sòmente por se constituir num excelente instrumento de educação e propaganda como. 17 No Recife. colocados um defronte do outro. reportagens “in loco”. 1. para comunicações particulares ou transmissão de notícias aos corpos redacionais para posterior publicação nos jornais. cabendo 51 para cada mil habitantes. O primeiro jornal essa espécie de que se tem notícia foi o Telefon Hirmonde. 216 de propriedade privada e 7 pertencentes ao Estado.870 rádio-emissoras. é. em geral estreitamente ligados às emprêsas que exploram os serviços telefônicos. Utilizava também recursos musicais ou para caracterizar seções ou para os intervalos entre os noticiários.

Do ponto de vista psicológico. reportagens e ilustrações e as últimas “gravadas” com reportagens sonoras. em geral. duas vêzes por mês. O leitor retira as páginas de plástico e as coloca na toca-disco para “ouvir” a revista. nos campos da cirurgia. A imagem jornalística. Por fim. considerando-se a insuficiência e o elevado custo do material composto em Braille. hospitais. em dezemb ro daquele ano — vendeu 50. da fotografia. com notícias. gravações de Gilbert Becaud e “The Platters”. Dirigida pelo publicitário Claude Maxe. O DESENHO E O JORNALISMO PELA IMAGEM Embora podendo adotar legendas escritas ou textos falados para melhor compreensão do público.sumário de notícias colhidas em publicações e relatórios especiais das pesquisas médicas. que pode ser incompleta quer quanto ao ângulo do observador quer pelas falhas da atenção em pessoa não experimentada. Sonorama — informa José Ricardo na sua seção “Rosa dos Ventos”. o mais poderoso para a transmissão de idéias desde a invenção da prensa. Na atualidade. comentários e ensaios vem sendo incrementado. o jornalismo pela imagem19 tem no desenho. notadamente pelos organismos de assistência aos cegos. foi lançada uma revista — Sonorama. faculdades de medicina e outras instituições são assinantes dêsse jornal eletrônico. 19Essa modalidade de jornalismo é. apresentou. de Hollywood. a imagem oferece mais possibilidades de fixação do que a própria testemunha direta do fato. Essa publicação é mensal. etimológicamente. como meio auxiliar de educação dêstes últimos. a gravação de uma entrevista com Jean Louis Barrault sôbre teatro. divulgada pelos Diários Associados. O sistema de gravação de “revistas falantes”. Informa McKitben que o Exército Norte-Americano. anestesiologia. que forcejam por acompanhar os progressos da ciência. do cinema e da televisão. Diàriamente são gravados informes. sendo editado pela Audio Diqest Foundation. noticiário editoriais. enquanto atendem aos seus clientes. que são vendidos a 72 dólares por ano. em seu número de lançamento. nos últimos anos. o jornalismo pela imagem manifesta-se através do desenho. na fotografia ou na apresentação direta dos acontecimentos os seus principais meios de expressão. medicina interna. a designação seja ambígua. cantores e música orquestrada. resumos extraordinários. embora o grosso das gravações seja ainda expedido a médicos comuns. notícias e’ sugestões sôbre os negócios. na França. procura dar uma visão sintética completa do acontecimento. Êsse e outros usos da fita magnética levaram Wolfgang Langewiesche a considerá-la mais do que um mero tipo de gravação fonográfica: — “um novo instrumento. . alguns discursos em praça pública e a ruidosa participação da polícia. questões sindicais e outros assuntos julgados de interêsse pelo serviço de relações públicas das companhias. Algumas empresas norte-americanas já estão empregando a fita magnética em substituição ao clássico ‘jo rnal da casa”. se bem que. denominada gráfica. Os assinantes pagam 143 dólares por ano pela fita semanal e o Audio Digest prepara. uma reportagem auditiva dos últimos acontecimentos políticos que perturbaram a França metropolitana e ultramarina com todos os ruidos e gritos das arruaças. ainda. pediatria e ginecologia. encadernada com fõlhas alternadas de pap el e de “material plásrtico”.” Em 1958. entrevistas. outra com Brigitte Bardot e seu noivo. sendo imediatamente compreendida pelo espectador sem apêlo à sua inteligência ou à sua imaginação e independente do grau de cultura que detenha idioma que fale. as primeira impressas com artigos.000 exemplares a 500 francos (aproximadamente 170 cruzeiros) por exemplar. bem como outros detalhes auditivos dos acontecimentos.

fundado por Pierre Lafitte. L’Illustration conquista o seu público por meio de reportagens redigidas. magazines. Com o Excelsior. primeiro diário ilustrado. em outro de desenho. do primeiro. personagem mundialmente conhecido. o cinema e a TV usam largamente a gravura. tinha “um significado político bem perceptível ou eram simplesmente cenas críticas e joviais dos costumes do tempo. o repositório de mais de um século da vida social e política britânica. Um dos desenhos mais conhecidos daquele período representa uma gazela que se entretém em um jôgo parecido ao xadrez com um leão. . as condições que os presbiterianos arrancam a Carlos II antes de oferecer. revistas. Com isso se quis expressar que as pobres gazelas indefesas não devem jogar com o leão poderoso que. Na França. a ilustração conquista o seu lugar definitivo nas publicações periódicas. cêrca de 15. que conduz uni bando de patos inocentes. Em outra composição talhada sôbre um dos monumentos de Tebas. pelo que não devia ser mostrada a sua obra aos jovens” e assim narra o triste fim do mesmo artista: “o infame Pauson já não nos desfigurará mais”. pertence ao reduzido grupo de publicações líderes do jornalismo humorístico internacional. no caso.. durante. o Segundo Império. a mais antiga expressão jornalística no mundo. a baixeza. desenhadas e fotografadas. se supõe representar o faraó Ramsés III êste mesmo é. Le Canard Enchainé. a obra mais impressionante é a contida nos Caprichos. jornais e revistas para retratar a sociedade. americano. desenhistas satíricos. Daumier. corrigi-la. educá-la. arrebata a aposta.. periódicos. Juntamente com o New Yorker. O Desenho — Depois da palavra falada. Se alguns dos documentos arqueológicos apresentam desenhos humorísticos. a primeira ilustração pelo processo de fotogravura. muitos caricaturistas são obrigados a emigrar e publicar as suas obras na Holanda A invenção da imprensa torna mais amplo o campo do desenho humorístico e crítico como forma jornalística: na Inglaterra. na Espanha. o jornalismo através do desenho e da caricatura toma impulso com a revolução de 1789. Goya e Velazquez são . tomou o seu nome da tradução inglêsa de Polichinelo. em 1839. a ignomínia e a hipocrisia”.. Gavarni. Aristófanes se refere ao grego Pauson “que tudo o que fazia era degradar e desfigurar tornando mais feia a pessoa do que o era. também os desenhistas e caricaturistas têm os seus mártires do ofício.. tendo-se o desenhista tornado um profissional de primeiro plano no jornalismo.000 anos antes do nosso século. sem dúvida. segundo Plínio. hoje. traçando e projetando as páginas.. em 1910. sob Luís XIV. pois surge. originário da “Comedia della Arte” italiana. que revelam “uma alma atormentada ante a injustiça. mas é sòmente no século passado que. antes que a partida termine. quotidianos.”20 A ilustração e a caricatura — Como outros jornalistas. satiriza-se o excesso. um gato astuto. por exemplo. de beber mais do que recomenda a prudência: umas pedem às suas escravas que as sustentem e outras são atendidas no momento extremo. o vício.lhe a coroa. no Egito. 21 Fundada em 1841. criando “títulos” para as seções. Forain.. os pioneiros da caricatura e da sátira. criticá-la. em todos os tempos. hoje. graças à descoberta dos processos de fototipografia e fotogravura. Mais tarde. 5. 20 Bam-Bhu — El dibujo humoristico — Barcelona — pág. Em tanto aprêço têm os inglêses o jornalismo humorístico que uma das suas mais famosas publicações — O Punch 21 — é. na França. êste. da fauna e dos homens. deduzindo-se que participou da mesma sorte de Sócrates. a maior parte dêles. Simplicissimus. Coube ao jornal Le Lithographe publicar. a ilustração entra definitivamente na grande imprensa e. também tiveram fim violento Supalus e Athenis. Willette e Leandre constituem o grupo de humoristas franceses que utilizaram. os caricaturistas satirizam o episcopado da Igreja Anglicana e a conduta licenciosa dos cavaleiros. de Paris. em damas da alta sociedade. na França. foi. caricaturas ou artísticas representações da flora. talhado ou pintado nos muros das cavernas pré-históricas. de Munich e Krokodil de Moscou. então. ou as guerras e a política de Napoleão.

surgido no Recife. a dos filósofos.. para os quais uma frase basta para explicar um caráter. Uma série enorme de publicações jornalísticas emprega.” A mais divulgada das modalidades do jo rnalismo desenhado é a dos “comics”. o humor e a moda morrem todos os dias. “elevou a crítica de costumes a proporções nunca depois excedidas. no registro de Alfredo de Carvalho. Sousa Pinto e Adolfo Germano dos Santos que. nasce a caricatura em nosso país. elaborando historietas. As campanhas abolicionista e republicana tiveram os seus caricaturistas. Nesse sentido. Entretanto.se do desenhista de jornal que Possua “um rapidíssimo golpe de vista e uma grande agilidade mental para que seu lápis não capte sômente traços pessoais mas de uma época. de Ângelo Agostini. através de cuja obra se pode reconstituir as características marcantes da sociedade colonial. a do “Yellow Kid” — tipo criado por R.° 3 a 17 de maio. chiste da sua obra. tendo sido lançados em 1884 pelo New York Daily News. que estando o humor intimamente ligado ao ambiente de uma época. hoje. 33-43o. de educadores e críticos. embora jnicialmente dirigidas a um público infantil e juvenil. por Frederico Galindo in El periodismo — Barcelona. 23 Frederico Galíndo — El humour en la prensa in El periodismo — Barcelona. em resposta ao precedente (O Liberalão) . o desenho como principal matéria. F. . e a Ilustração Brasileira ou Revista Ilustrada.” Como de todos os jornalis5 exige. Como já se observou22. que fixaram com humor e criticaram com mordacidade todos os episódios da nossa vida política de então. 1908 — pág. Semana” e do “Moleque”. A respeito dêsse periódico escreve Alfredo de Carvalho: “O n. Raríssimo24. primeira tentativa de jornal ilustrado em Pernambuco. mais difícil se torna ao desenhista de jornal conseguir a permanência para a produção do seu esfôrço intelectual e artístico. surgida em 1860. criador das figuras do “Dr. com O Carcundão. criador de “Zé Caipora”. graças às novas técnicas impressão. A Semana Ilustrada. trazia grosseiras vinhetas caricatas abertas a canivete em entrecasca de cajazeiro. quando nos chegam os inventos que permitiram maior facilidade à sua reprodução. embora muitas vêzes uma piada em historieta ou caricatura valha mais do que um editorial. 24 Alfredo de Carvalho — Anais da Imprensa Periódica Pernambucana — Recife. 450. Pascal e La Rochefoucauld. Um esfôrço de síntese deve presidir ao seu labor.” Nos últimos anos do Império.americana. pois depende dela o efeito que a sua obra produzirá. pois algumas vêzes há de adiantar-se aos acontecimentos e outras segui-los o sentido da atualidade não pode abandoná-lo. conquistaram as massas. marcaram época. também. Nelas colaboraram os espíritos satíricos dos artistas Flumen Junior.introduzindo tipos e flagrantes humorísticos. utilizando ap enas as complementarmente os textos escritos: — são as revistas e jornais em quadrinhos que. o desenho. que há cinqüenta anos atrás eram desconhecidos. de propriedade do ale mão Henrique Fleiuss. se bem que sob a barragem das restrições mais acerbas. tanto na justeza e no chiste das observações 22 Louis Morin — Le dessin humoristique cit. cuja popularidade foi tão grande e marcou tão profundamente os espíritos nos Estados Unidos. tanto ao desenhar como ao redigir o texto. 1953 págs. Com efeito. em 1875. Outcault e lançado nos jornais sensacionalistas de Hearst — deu origem à expressão hoje mundialmente adotada para a imprensa dessa espécie . depressa é esquecida e “quando a repassamos em velhas coleções de jornais e revistas quase não compreendemos a intenção que encerra. No Brasil. a caricatura e a charge são geralmente adotados. que uma famosa série. 23” Deve-se observar. 1953 — pág. por parte especialmente. Belmiro de Almeida e Bordalo Pinheiro. para pintar uma situação. só em 1831.° 1 saiu a 25 de abril e o n. os “comics” em que se distingue a imprensa norte. circulava O Diabo a Quatro. “os desenhistas chegaram a ser escritores e os seus hábitos de observação os colocam na categoria dos espíritos críticos e sintéticos a que pertenciam La Bruyère. 133. O tempo joga um importante papel na sua tarefa. Era escrito com extrema mordacidade. jornalisticamente. os primeiros ilustradores conhecidos foram Debret e Rugendas.a imprensa amarela. redigida por Anibal Falcão. no Rio. No Recife.

Belmonte. Não devemos esquecer que também o nosso incipiente cinema vem adotando o desenho e. por sua vez.como na probidade de critério. é empregado especialmente para revistas. e mais Carlos Estevão. Vão Gogo e Borjalo são nomes que já ultrapassaram fronteiras. a fim de obter cópias em papel sensibilizado. descoberto casualmente por W. o desenho humorístico é indispensável aos órgãos da imprensa de largo público e alguns dos profissionais e artistas contemporâneos. inventando o sistema de gravar imagens em uma placa preparada com iôdo e prata mercurial. buscando um modo de obter provas perfeitas em papel de qualidade regular. As ilustrações correspondiam brilhantemente ao texto. Don Quixote. conseguiu a primeira fotografia de uma face humana — a de sua irmã — mediante uma exposição de cinco minutos. o outro pernambucano Augusto Rodrigues. Theo. Rubel. chegados e integrados no jornalismo do país.. Hoje. aperfeiçoado ao máximo. quando. notadamente através do lápis de Luís Sá. o sistema de gravação em “offset”. quando o famoso pintor — um dos gênios versáteis da humanidade — idealizou a primeira câmara escura. Qual não foi a sua surprêsa ao dar-se conta de que a imagem que se havia transladado para a borracha. que José Niceforo Niépce e Luís Mandé Daguerre aplicaram êsses conhecimentos à câmara escura. São dessa escola Alvarus. no Mercúrio. criador de “O Amigo da Onça”. pela televisão. Mais recentemente. ilustrador de jornais filmados. em 1904. na sua recepção. graças ao desenvolvimento das técnicas do telégrafo e do rádio. 373. que surgem com as suas “charges” nos principais jornais e revistas do país. todos os sistemas anteriores foram abandonados pela impressão.o “humour”. comandaram uma autêntica revolução na caricatura. Êstes. Seth e outros. a primeira tentativa de fixar mecânicamente as imagens. Frou-Frou. de New Jersey. com trabalhos reproduzidos nas principais publicações do mundo. F. paraguaio. as fotografias podem ser fixadas tanto sôbre papel fotográfico como sôbre filme.. o francês Edouard Belin (1921) inventa a transmissão de fotografias pelo rádio. aparecendo ali com perfeição insuspeitada! Hoje. como o desenho. Carlos. depois que diversos investigadores haviam descoberto que a prata dissolvida em matérias orgânicas enegrecia-se pela ação dos ácidos. . a fotogravura e a zincografia permitiram a sua reprodução nos impressos. era repro duzida em uma prova. que tornaria possível a fotografia. e Figueirôa. descoberto por Frederick Scott Archer. beneficiou-se dos métodos de gravação. cêrca de 1500. A fotografia — Deve-se a Leonardo da Vinci. Calixto Cordeiro e J. Fritz. substituindo-se as placas metálicas por transparentes. Talbot. foi sômente no comêço do século XIX. por meio de máquinas rotativas. através dos mares. imprimindo em diversas côres. mexicano. ao criar o tipo da “Melindrosa” crítica ao “society” da época. utilizando ainda cilindros de pressão de borracha. através de um aparelho que denominou “belinógrafo” ou “fototelégrafo”. os avanços da televisão já permitem a transmissão instantânea de imagens a longa distância e. Atualmente. Fon-Fon. Guevara. Daí para diante. Para Todos e A Careta — esta última podendo ser considerada como o nosso Punch — colaboraram Raul Pederneiras. da Universidade de New York. — pág. Dez anos depois. fundador das Escolinhas de Arte. as fotografias passam a ser transmitidas pelo rádio. John W. Draper. em O Malho. esqueceu uma das provas ao colocar o papel entre os rolos de pressão e o “cliché”. Três anos mais tarde. êste o pioneiro da caricatura mundana. acentuando a massa das figuras e tornando-as mais plásticas e atraentes. alcançam também os benefícios da reprodução fotográfica pelo sistema “offset”. Nássara. graças a um outro processo. A fotografia. um jornal 25 Alfredo de Carvalho — Obra cit. No entanto.”25 No princípio do século atual. o prof. Em 1840. entre os quais o pernambucano Péricles. o que se deveu a William H. ’Várias emprêsas americanas têm mesmo conseguido o “tour de force” de transmitir. todos os esforços foram desenvolvidos no sentido de aperfeiçoar o invento.

de cêrca de vinte metros. “actualités” pelos franceses. “noticieros” pelos espanhóis. doutras. Assim. e Leon Gaumont apresentaram a chegada do Tsar a Paris.à tarde e os chamados “tabloides”. porque não dizem nada de novo.pág. foi “La sortie des usines Lumière. Nada obstante o êxito atual dos jornais e revistas ilustrdos com fotografias. disputando o título de campeão do mundo. quer o desenho quer a fotografia. enquanto que as revistas ilustradas. Outros produtores franceses não tardaram em seguir o exemplo dos irmãos pioneiros.. o Daily Mirror sômente adota a fotografia como veículo de potícias em 1904. com legendas elucidativas. produzido por Lumiêre. expondo fotos de acontecimentos do dia ou da semana. Assim. Outros filmes produzidos na época ocuparam-se da “chegada do trem na gare de Ciotat” e de “uma viagem entre a Rue de Ia Republique e Lyon”. conforme a sua própria epígrafe o indicava. notadamente a atualidade e a interpretação. As duas primeiras emprêsas cinematográficas dos Estados Unidos. de “jornais fotográficos”. Sômente em 1901 — e ainda à base dos “fatos marcantes” — é que Georges Mêliés. Um ano depois. Foi êle o primeiro cine -repórter do mundo. Os diários. costumes pitorescos. na França. a simples publicação de uma fotografia vale uma notícia. outros famosos irmãos. em montras especialmente preparadas. os Pathé. tornaram-se preferencialmente filmadoras das atualidades e é histórico da competência entre elas o fato ocorrido a 3 de novembro de 1899. 1952. 26 Gilbert Henry Coston — L´ABC du journalisme — Paris. e na Inglaterra. Nos países europeus é muito comum a existência. no Conney Island Club. sômente nos fins do século passado é que a imprensa começou a utilizá-las. utilizando a “trucage”. à Lyon-Mont. o desfile de 14 de julho e o Grande Prêmio de 1896. que leva homem de imprensa a olhar a vida e o mundo como campo colheita de notícias destinadas a informar e orientar a opinião pública. para que se constituam no chamdo “jornalismo sem palavras” necessitam de atender a todos os caracteres dessa atividade. todos os fotógrafos — e mesmo bons fotógrafos. O desenvolvimento dos métodos de captação. catástrofes e festas para as “actualités”. uma vez que lhes falta. produz a sua reconstituição da coroação de Eduardo VII. em 1910. Todavia.plaisir”. e “wochenschau” pelos alemães — foram a primeira manifestação do cinema. conhecido na América sob o nome de “fac-similes”26. a 13 de março 1892. estão tendo um crescente e interessado público. nas principais ruas. uma seqüência de fotos constitui autêntica reportagem.— o são a prática do jornalismo. aquêle instinto profissional. W. Por isso. ambas explorando cenas da vida corrente. que precisou de duzentos a trezentos anos para utilizar a máquina de imprimir e a letra de fôrma. o criador do cinema como espetáculo. transmissão e impressão de imagens fêz da fotografia não apenas mera ilustração na imprensa mas lhe deu também conteúdo jornalístico. a “Biograph” e a “Vitagraph”. Fotos sem interêsse humano. quando a primeira obteve exclusividade para apanhar os flagrantes do “match” de box entre Jeffries e Sharkey. nas quais o texto escrito é quase inteiramente substituído por fotografias. paradas ou mortas não são jornalismo. solenidades oficiais. colhendo flagrantes de cidades. o primeiro filme de que há notícia (1895). mais tarde desenvolvida pelo cineasta norte-americano D. inoportunas. não despertam no leitor (diríamos melhor no espectador) aquêle princípio de ação que é próprio do jornalismo. o primeiro quotidiano incluindo fotografias fo i Excelsior. 172. Griffith. especialmente aquêles publicados. Com efeito. como a alguns escritores famosos. publicam páginas inteiras de fotografias. Muitas vêzes. . a revista Berliner Illustriert Zeitung publicou uma reportagem fotográfica da catástrofe ferroviária de Bomberg.inteiramente Impresso aos assinantes que possuem um aparelho de sua fabricação. os “jornais cinematográficos” – chamados “newsreels” pelos povos da língua inglêsa. O Cinema — Ao contrário do jornal. os irmãos Lumiêre contratavam Relix Mesguich para percorrer a Europa e o mundo. fixando aquêle acontecimento diário no celulóide.

que exigem certo espaço de tempo para a sua produção e distribuição. cuja metragem varia entre 250 e 600 metros. com edições segundo os países produtores mensais. Ambas emprêsas obtiveram com êsse filme um êxito estrondoso. alguns “digests” filmados já são conhecidos mundialmente. Durante a l Guerra Mundial. É em 1907 que Gharles Pathé cria. Peter Baechlin e Maurice Muller Strauss. a especialização.352 salas de projeção Com 42. no mundo 95. esportes. a) . dando início à longa metragem. Convém assinalar que. também. modas e até reportagens especiais. nos quais se dá maior ênfase à interpretação dos fatos. na Grã-Bretanha. adotam novos métodos de apresentação. na França e United Nations Screen Magazine. outros prevêem a sua evolução para o gênero do “magazine filmado”. Viagens na União Soviética e Esportivos. tanto que. produzido por J. os filmes de atualidades dramáticos ou cômicos tinham em média 20 metros e eram Produzidos e vendidos a proprietários de salas de projeção ou a exibidores ambulantes que os utilizavam até à imprestabilidade. na Inglaterra. Até então. em 1950.900 localidades com uma freqüência semanal de 215 milhões de espectadores. o que leva os produtores a ultrapassarem os vinte metros de celulóide. d) são geralmente de uma metragem “standard’ e) — sua apresentaço é direta.. dos atuais jornais cinematográficos.Inconformados. apresentados em detalhes e sob ângulos que escapam ao tele -repórter. também os filmes de atualidades se assemelham aos jornais: são geralmente dividos em rubricas correspondente às seções dos órgãos da imprensa — O que vai pelo mundo. aos quais se ap resentavam os noticiários como parte integrante dos programas. hebdomadárias e mesmo bi-hebdomadárias. com assuntos do seu interêsse. na França.444. havia. editado pela ONU desde 1949. Na sua técnica.27 27 distinguem as seguintes características dos jornais cinematográficos que os diferenciam nitidamente de outros filmes de curta metragem. enquanto que a dos “magazines” filmados e “documentários” pròpriamente ditos têm um caráter interpretativo e didático. nos Estados Unidos. uma mera novidade da técnica para afirmar se como uma poderosa Indústria. o seu “Actualités Pathé”. o cinema deixa. This Modern Age. dedicado às crianças.1951. de ser considerado um simples entretenimento. os técnicos da “Vitagraph” irromperam no recinto. bimensais. b) cada uma das suas edições comporta vários assuntos justapostos sem ligação direta entre si. produzido pela Gaumont British Instrutional Ltda. na URSS. com az característica pela variedade de assuntos filmados. Naqueles anos decisivos. Pathé Pictorial. O cinema atingiu tal popularidade que. Entre os anos de 1905 e 1907. a televisão está ameaçando sèriamente os jornais cinematográficos. Como acontece com o rádio em relação ao jornal. em 1934. em obra completa sôbre a matéria. e protegidos por brigadas de choque “rodaram” um filme. troca-se a exploração ambulante pela fixa e introduz-se o sistema de alug uer. afinal. O “magazine” filmado permite. no momento da luta. Nesse estilo. sobretudo no que se refere ao som e à imagem. destinando-se a um público menos apressado do que o que deseja puramente informar-se das atualidades.aparecem regularmente a intervalos relativamente curtos. utilizando a iluminação artificial por meio de uma bateria de lâmpadas de arco ali colocada pelos concorrentes. criado por Louis de Richemont. nos 27 L apresse filmée dans lê monde – UNESCO – Paris. Arthur Rank. é distribuído o Children’s Entertainment Films. . tais como March of Time. c) cada um dos acontecimentos apresentados se refere em princípio à atualidade geral do momento da sua aparição. entre os quais Ciência e Técnica. suplantando em quantidade e técnica ao europeu. o prestígio do jornalismo cinematográfico firma-se definitivamente e é nessa época que o filme americano conquista o primeiro lugar. Se bem que alguns pretendam que a TV fará desaparecer êsse gênero de jornalismo ou o absorverá. diversos ‘digests” filmados são produzidos. Êstes e outros “magazines” filmados.

subvencionada pelo govêrno espanhol. editada em Praga. nas quais se exercitam operadores. temos as Actualités Françaises. British Movietone News (2Oth Century Fox -. que geralmente também dispõem de filmes de longa metragem. asiáticos e americanos como a Suíça. o mesmo ocorrendo em diversos outros Estados europeus. viagens e documentários. De um modo geral. Alex Viany refere-se aos primórdios da cinematografia brasileira assinalando que dos “muitos filmes em um só rôlo” produzidos até 1910. por émprêsas mistas.países socialistas. Já nos referimos anteriormente a filmes de informação produzidos pela ONU regularmente e distribuidos em todos os países membros. Acordos internacionais e relações de comércio e cultura permitem a exibição em tôdas as partes do mundo de jornais filmados produzidos principalmente nos EE. de ruas e lugares pitorescos. por serviços do Estado e. sendo rigorosamente nacionalizadas. produzidas por uma sociedade de economia mista. como qualquer outro veículo de informação e opinião. escreve: “O filme de informação tem uma outra função e uma responsabilidade muito maior do que filme de atualidades dos produtores privados. desenhos e documentários para programas completos. como em diversos outros Estados ocidentais. Nos países socialistas. Em recente trabalho 27-a. Pathé Journai e Gaumont Actualités. jornais de diferentes procedências. França.— USA — e Lord Rothermere -GB). as atualidades. Grã-Bretanha e URSS havendo também convênios para a troca de tomadas de cena entre produtores. Universal News. ou cenas apanhadas em locais pitorescos. 28. a maioria era de “simples registros de acontecimentos sociais e políticos. Na primeira categoria.” A exibição das “atualidades” nos países socialistas. 1959 . a repetição. de cenas da vida corrente. e os No-Do (Noticiários e Documentários Espanhóis). constituem uma tribuna do govêrno. estão os produzidos e distribuidos pelas grandes companhias norte-americanas. Na segunda categoria. muitas vêzes. inglêsas e francesas: Faramount News. Turquia. finalmente.. A distribuição mundial das atualidades está assegurada por grandes companhias distribuidoras. é obrigatória nos programas dos espetáculos cinematográficos. das quais o govêrno participa ou às quais subvenciona.UU. fazer palpitar o espectador. . no celulóide. No Brasil. preparados por uma sociedade autônoma. pelos organismos internacionais. abalhar-lhe os nervos e presenteá-lo com imagens que o distraiam ou desviem a sua atenção das tarefas atuais. o que provoca. também não fugimos a idêntica evolução cinema: — começamos a nossa produção cinematográfica fixação. A êsse respeito. de “flagrantes” idênticos.pág. os jornais cinematográficos são produzidos por serviços estatais. a revista Cinema Tchecoslovaque. Índia e Chile. O filme de informação tchecoslovaco é um dos numerosos instrumentos ideológicos que ajudam a edificar o Estado. News of the Day (Metro Goldwyn Mayer-Hearst). Seu obje tivo não é provocar sensações. os jornais cinematográficos são produzidos por emprêsas privadas — os de maior divulgação no mundo moderno —. da qual o Govêrno Francês possui a maioria das ações. diretores e realizadores para futuros empreendimentos no campo do cinema espetáculo. em 1949. Ainda hoje. XX Century Fox News. ou mesmo coisas tão inevitáveis como a tal do trem chegar”. a predominância no cinema brasileiro é desse gênero de produções. _______________________ 27-a Alex Viany — “Introdução ao cinema brasileiro” — Rio.

Em Pernambuco, na década 1920-30, um grupo de jovens entusiastas da sétima arte,
inspirados pelo exemplo dos italianos Falangola e Cambiére, que haviam chegado ao Recife
trazendo uma máquina cinematográfica e com ela tinham produzido filmes naturais da cidade, e
de propaganda comercial, organizou a “Aurora Filme”, rodando documentários e dramas. Outras
produtoras surgiram, animadas pelo sucesso inicial daquela: a “Planeta Filme”, a “Liberdade
Filme”, a “Veneza Filme”, a “Vera Cruz Filme”, a “Iate Filme”, e, na cidade interiorana de Goiana,
a “Goiana Filme”. A considerável produção de filmes, que jamais foi superada em quantidade, ao
tempo do cinema silencioso no Brasil, não teve infortunadamente continuidade, faltando-lhe o
apoio governamental que poderia ter transformado o Recife na Hollywood brasileira. São dessa
época atualidades e documentários, como “A chegada do Jahú ao Recife”, “Aniversário do
Govêrno Sergio Loreto”, “As obras de construção do Pôrto do Recife”, “Aspectos de Goiana”, que
foram exibidos trinta anos depois, no “Cinema Siri”, espécie de museu cinematográfico, criado
por Pedro Salgado e Jota Soares, pioneiros da cinematografia pernambucana. Também o
“Cinema Siri” extinguiu-se ao pêso da indiferença do poder público estadual. 28
Foi sômente no decorrer da II Guerra Mundial, com as atividades da Distribuidora de
Filmes Brasileiros (DFB), organizada pelos proprietários do maior circuito de salas de projeção
do País, a Cinegráfica São Luís, de Luís Severiano Ribeiro, e da Agência Nacional (AN), órgão
oficial ligado ao Ministério do Interior e Justiça, que a produção e exibição de atualidades
cinematográficas nacionais no país se tornaram freqüentes, provocando um decreto
governamental de 24 de janeiro de 1956, estipulando a obrigatoriedade de projeção de um filme
nacional (atualidades, documentários ou qualquer outro de menos de 180 metros) como
complemento de cada programação. Atualmente, diversas emprêsas cinematográficas produzem
e distribuem filmes de curta metragem de atualidades, destacando-se entre elas a veterana
Cinegráfica São Luís, a Vitória Filme (ligada ao circuito Sorrentino), a A. Botelho Filme, a
Produtora Herbert Ritcher, a Jean Manzon Filmes e a Cinédia, esta última mantendo um jornal
semanal dedicado exclusivamente aos esportes. Estamos, dessarte, bem colocados nas
estatísticas mundiais de produção de jornais filmados, com uma média de 260 por ano, quando
se sabe que, em 1949, segundo dados da UNESCO, os países líderes 4a indústria
cinematográfica produziam respectivamente: URSS, 1.100; USA, 728; Reino Unido, 520; França
e Itália, 260. Além dos jornais cinematográficos nacionais, os cinemas brasileiros exibem
atualidades de procedência norte-americana, francesa e inglêsa, com grande aceitação por parte
do público, calculado em 150 milhões de espectadores por ano, em 1.606 salas de projeção
com 1 milhão de localidades (1949).

A televisão — Nascida dos progressos da eletrônica, televisão é o mais recente dos
veículos jornalísticos. A primeira transmissão da imagem à distância, no mundo, foi feita 1927
pela Bell Telephone Company, quando, utilizando-se o telefone entre Washington e New York,
com um “relais” colo cado a título experimental em Whippany (N. J.), o então presidente Hoover,
na Casa Branca, foi apresentado ao público maravilhado da grande metrópole. Entretanto, desde
1890, sábios de diversos de diversos países vinham estudando o problema. A Edison, Jenquins,
Ester, Geitel, Marconi, Baird, Barthélemy, Farnsworth, Zworykin, Cahen e outros cientistas e
técnicos, em diferentes campos, deve a humanidade a concretização do velho sonho de “dar
olhos ao rádio”. Através de experiências cada dia mais positivas, já é possível, em 1935,
realizarem-se emissões experimentais de 10 kilowatts sôbre uma onda de 8 metros, por uma

28 Jota Soares fêz publicar, na revista Notícias de Pernambuco, edição de abril de 1953, um completo estudo sôbre
o cinema pernambucano,no qual rememora as figuras de Edson Chagas, Gentil Ruiz, Ary Severo, Pedro Salgado,
Antonio Campos, do exibidor Joaquim Matos, proprietário do Cinema Royal de Pedro Neves e do pintor e
caricaturista Fausto Silvério Monteiro (“Fininho”) , bem como fatos e outros subsídios preciosos à história do nosso
cinema considerado, então, um dos mais artísticos do mundo.

antena colocada no alto da Torre Eiffel. Três anos depois, a França possui a mais potente
emissora de TV do mundo (30 kilowatts), transmitindo a imagem em um raio teórico de 50
quilômetros, acompanhada de som. É também neste ano (1938) que a TV ultrapassa o estado
puramente mecânico (rotação de discos sôbre o emissor e o receptor e exploraçâo sôbre 30
linhas) para atingir o sistema de transmissão eletrônica, quando, em Moscou e Leningrado, são
instaladas estações que, mais tarde, viriam a cobrir um raio de 180 a 190 quilômetros. Nos
Estados Unidos, o funcionamento oficial da TV foi registrado em 30 de abril de 1939, data da
abertura da Feira Mundial de New York, embora desde o ano anterior a RCA estivesse
fabricando postos de televisão para venda ao comércio. Em 1945, no final da segunda guerra
mundial, mais um progresso decisivo é registrado: — empregando-se um aparelho descoberto
por Zworykin, o iconoscópio, e aperfeiçoado por Barthélemy, com lentes eletrônicas, consegue-
se a transmissão da imagem em pleno dia e mesmo sem sol. Ao engenheiro inglês J. L. Baird
são atribuidos os mais importantes estudos sôbre a transmissão da TV em côres, hoje uma
realidade.
A TV desenvolveu-se ràpidamente nos países mais industrializados com emissões
destinadas a grandes públicos. Dados estatísticos colhidos pela UNESCO, em 1° de janeiro de
1953, nos permitem avaliar da popularidade da TV, isto é, do seu alcance como veículo
periodístico, cultural e artístico: nos Estados Unidos, havia, então, 139 estações transmissoras,
22 milhões de receptores, equivalentes a um para cada 7,15 habitantess; no Reino Unido, 5
estações, 2.072.930 receptores, um para cada 24 habitantes; em Cuba, 7 estações, 100.000
receptores para cada 55 habitantes; no Canadá, 2 estações, 250.000 receptores, um para cada
56 habitantes; no México,6 estações, 50.00 receptores, um para cada 578 habitantes; na França,
2 estações, 60.000 re ceptores, um para cada 704 habitantes; no Brasil, 3 estações, 70.000
receptores, um para cada 751 habitantes; na República Dominicana, 1 estação, 1200 receptores,
um para cada 1.808 habitantes; na URSS, 3 estações, 80.000 receptores, um para cada 2.400
habitantes; na República Federal da Alemanha, 5 estações, 6.000 receptores, um para cada
8.000 habitantes e no Japão, 3 estações, 4.444 receptores, um para cada 21.000 habitantes.
Naquele ano, estavam sendo montadas e experimentadas estações de transmissão de TV na
Argentina, Dinamarca, Itália, Países Baixos, Polônia, Suíça, Tailândia, Turquia, Áustria, Bélgica,
Tchecoslováquia, Espanha, Suécia e Iugoslávia. Hoje, países menos desenvolvidos possuem ou
se propõem a organizar emissões de TV, enquanto o progresso técnico vai permitindo, ampliar o
raio de transmissão, me smo sem exigência de postos retransmissores.
Uma das mais debatidas questões no campo da TV e que interessa sobretudo ao nosso
estudo é a do número de horas consagradas diàriamente ou semanalmente às emissões e do
tempo nelas dedicado às informações jornalísticas. Tanto por motivos econômicos como por
técnicos e sociais, o número de horas de funcionamento das tele -emissora é reduzido: na
Inglaterra e na França, a duração média semanal é de 32 horas, enquanto nos Estados Unidos,
diàriamente, é de 15 horas. Neste último país, onde a TV é mais popular, a maior parte das
estações difundem um resumo de notícias pelo menos quatro vêzes por dia. Os métodos de
apresentação variam muito, mas em geral, vê-se sôbre o écran um narrador, que ilustra com
filmes e vistas fixas a sua descrição das últimas notícias. Os filmes utilizados são produzidos
especialmente, uma vez que uma convenção realizada proibiu a exibição das atualidades
cinematográficas na TV, criando-se, dêsse modo, uma nova indústria: — a tele-cinematográfica,
que produz, inclusive, filmes próprios de enrêdo, já que sòmente cinco anos depois de lançadas
é que as super-produções poderão ser retransmitidas no vídeo. Entre as produtoras norte-
americanas de tele -atualidades filmadas figuram a United Press-Movietone Television News,
fundada em 1951; a Telenews Production Incorporated, filial da INS, fornecendo um jornal diário
de oito minutos e dois semanários,um dos quais sòmente sobre fatos esportivos e os serviços
próprios da NBC e CBS, que favorecem diversas emissoras menores com cópias das suas
atualidades.

Enquetes realizadas entre 1951 e 1952 em New York dão, apenas, 12,5 % e 13,4 % às
emissões de caráter informativo (noticiário geral, previsões meteorológicas, questões de
interêsse púb lico, religião) ; 6,3 % e 6,9 aos programas desportivos e 2,4% e 4,2% à
apresentação e entrevistas de personalidades.29 Os índices de popularidade dêsses programas,
em 1952,- eram os seguintes: informação e atualidades, 4,2; esportes, 11,2; e entrevistas, 5,0. A
média de uso domiciliar de receptores de televisão era, então, de 83 minutos por dia, enquanto o
público dedicava ao rádio 124 minutos, aos jornais 38 minutos e às revistas, 16 minutos.30
Na França, numa iniciativa da UNESCO e da Radiodifusão e Televisão Francesa, foram
realizadas, de janeiro a março de 1954, emissões experimentais visando analisar as
possibilidades culturais da TV e a sua influência sôbre a conduta dos telespectadores frente a
determinados temas. Treze programas sôbre a modernização do trabalho rural e suas condições
técnicas, econômicas, sociais e humanas — produzidos por Roger Louis, com uma equipe de
especialistas — foram transmitidos, juntamente com apresentações de “musie -hali”, circo,
documentários, teatro, leitura de livros, cinema, entrevistas, noticiário e reportagens diversas, O
campo de observação dos resultados foi a região do Aisne, onde foram selecionados quinze tele -
clubes31 com assistentes de diferentes graus de educação, profissões diversas, de ambos os
sexos e idades variadas. O número de indivíduos interrogados e cujas reações foram registradas
variou entre 225 e 231, segundo as questões formuladas. Essa experiência ofereceu os
seguintes resultados: salvo os programas de “music-hall” e circo, que obtiveram maior
percentagem de aprovação, 90 por cento do público acompanhou com interêsse e aplaudiu o
jornal televisado; 60 por cento as reportagens retrospectivas; 55 por cento os “magazines” de
exploradores e 45 por cento as reportagens atuais, focalizando fábricas, aeroportos, etc.
Como meio de informação primário, isto é, veículo de transmissão das primeiras notícias
sôbre um dado acontecimento, a TV leva vantagem sôbre o jo rnal e o rádio, bem como sôbre o
cinema de atualidades. Tanto realizando coberturas diretas como utilizando processos rápidos
de produção de filmes para apresentação num período mínimo de tempo, mediante dispositivo
especial que permite sejam os negativos projetados no écran dos receptores em positivo,, a TV
expressa, hoje, o mais rápido meio de difusão criado pelo engenho humano. Combinando os
métodos tradicionais da imprensa, do rádio e do cinema, utilizando o pessoal técnico e
profissional dêsses outros veículos (jornalistas, locutores, repórteres, fotógrafos e cinegrafistas),
a TV possui, entretanto, técnicas próprias. “As reportagens televisadas permitem ,ao público
seguir melhor do que por qualquer outro meio de informação os acontecimentos que lhe são
apresentados sob uma forma auditiva e visual ao mesmo tempo. A câmara eletrônica apresenta
certos caracteres — vantagens e inconveniêntes — que não existem na câmara cinematográfica
e que tornam necessária a especialização dos “cameramen” e realizadores.32 Essa técnica
exige, igualmente, jornalistas especializados, tele-repórteres e tele -comentaristas.33 Por outro
lado, dadas as suas limitações naturais de alcance, de tempo de emissão destinado às matérias
jornalísticas, de impossibilidade (atual) de gravação da imagem televisada34 e pela relativamente

29 UNESCO — La Télevision dans te monde — Paris, 1954 — pág. 79.
30 Conf. Anuário do Rádio — P.N. — Rio, 1954 — pág. 26.
31 Trata-se de associações para recepção coletiva das emissões de TV, organizadas freqüentemente por iniciativa

da escola em localidades do “hinterland”, mediante a aquisição de um televisor de 1 m. x 1 m. 20, por subscrição
pública, diante da qual se reunem os sócios para assistir os programas duas ou três noites por semana. Em 10
departamentos franceses, funcionavam regularmente, em 1954, cêrca de 180 tele-clubes. Previa-se que, em 1955,
17 milhões de franceses poderiam receber as emissões de TV, caso o desejassem. Sôbre o assunto, inclusive os
resultados completos da experiência referida, v. J. Dumazedier — Televisíón y Educación – UNESCO – Paris, 1956
32 UNESCO — Obra cit. — pág. 23.
33 Quando das primeiras emissões esportivas da TV no Rio, tivemos oportunidade de observar que os

telespectadores não se conformavam com as “descrições” dos locutores, preferindo ver a imagem no écran dos
receptores e escutar a reportagem transmitida pelas estações de rádio.
34 A propósito, publicou o Anuário do Rádio, editado por P. N., Rio, em 1954, o seguinte (pág. 26): TV EM

CONSERVA — O principio básico da televisão em fita magnética é o registro dos impulsos elétricos resultantes da

A. isto sim. 27) : “Talvez dentro de cinco anos. CONCEITO DO JORNALISMO Através dessas noções históricas. assume posição da mais alta relevância. Rádio Televisão Paulista. enquanto que outras sociedades (Rádio Record S. junho de 1957 — pág. Rádio Roquete Pinto. Ambas estão tomando providências preliminares de construção dos seus estúdios e antenas. Recife. Já experimentamos esta técnica e creio que e instrumento utilizado virá a ser aproximadamente do tamanho de um dos atuais televisores domésticos e não mais complicado. sendo calculados em milhões. os homens dos nossos dias “têm fome de conhecer o presente. Os leitores norte-americanos “devoram” 6. é o mesmo aplicado à entrada dos receptores de televisão e a pessoa terá um programa completo de TV. no discurso com que celebrou o cinqüentenário dos seus estudos no campo da eletrônica (resumo em “Seleções do Reader’s Digest”. semanalmente. devendo entrar em funcionamento por todo o ano de 1960. Wolseley & Campbell – Exploring Journalism – New York . que possibilitarão a montagem de 290 estações em 186 pontos do território nacional. freqüentam. 1943 – págs. etc. adquirem 12 milhões de exemplares de aproximadamente 10. em Sumaré. à semelhança da música gravada. As normas de emissão e divisão de canais. no mundo moderno. Êsse artifício baseia-se no fato de as variações de luz. anualmente. Através de 45. uma que será explorada pelos “Diários e Rádios Associados” e outra pela “Emprêsa Jornal do Comércio S.500 publicações especializadas periódicas. publicações de negócios. Assim. em mais 17. como uma instituição social que. elevando-se a 9 o número de estações em funcionamento no país. 4 – 5. exigências técnicas e providências legais foram estipuladas por decreto governamental em 21 de novembro de 1952. eventos e situações correntes. aos demais veículos jornalísticos. a várias centenas de milhões exemplares. situar o jornalismo como atividade essencial à vida das coletividades. catálogos e outras matérias impressas. não tardará muito. poderem ser transformadas em variações de magnetismo na fita. O Brasil adotou a “definição” de 525 linhas. Pelo mesmo grupo. Imagino grandes bibliotecas de óperas. ouvem mais de 800 estações de rádio. em convênio com a Comissão Federal de Telecomunicações dos Estados Unidos.) obtinham igualmente canais na Capital Federal e em São Paulo.A. Semanalmente.’ Para estar a par das idéias. Pertence ao grupo brasileiro dos “Diários e Rádios Associados” e seus recursos financeiros provêm da publicidade. nos domingos. através mais de 57 milhões de receptores. panfletos. edição brasileira.000 teatros. do rádio e do cinema. São Paulo. que atingem. presidente do Conselho de Diretores da RCA. com capacidade excedente de 10 milhões de cadeiras. quase 38 milhões. Os homens de hoje são leitores de jornais. As estações nacionais têm alcance num raio de 180 quilômetros.”.” 35 Conf. uma salutar evolução na natureza e estilo da imprensa. hàbilmente gravadas e difundidas. há concessão federal para a instalação de duas emissoras de TV.000 semanários.000 ou mais agências dos Correios dos Estados Unidos (para exemplificar com um país apaixonadamente devoto das estatísticas) transita um número espantoso de cartas. foram montadas posteriormente emissoras de TV no Rio e em Belo Horizonte. Depois. os espectadores. Também será de uso generalizado uma câmara de filmagem de TV para tirar filmes que possam ser exibidos no televisor de casa. procuram veículos muito mais especializados e diversificados do que os seus ancestrais. apenas.35 decomposição da imagem em corrente magnética. em dezembro de 1958. inaugurada oficialmente a 18 de setembro de 1950.escassa quantidade de emissoras e receptores existentes no mundo.” E outra não foi a previsão do General David Sarnoff. Emissoras Unidas. compram quase 46 milhões de exemplares de cêrca de 1. os telespectadores estejam aptos a gravar programas — figuras e som em prêto e branco e em côres — em uma fita magnética para tornarem a vê-los quando quiserem. a TV não faz desaparecer nem substitui com plena eficiência. quisemos. teremos a televisão em conserva.740 diários e. peças teatrais e outras coisas de interêsse permanente. Em Pernambuco. . que corresponde a 60 tramas e 30 imagens por segundo. Diàriamente. no sentido de dar- lhes maior profundidade e maior conteúdo interpretativo. tal e qual as do som. as exibições cinematográficas. Vem provocando. A primeira emissora de televisão brasileira instalada foi a TV Tupi. Com efeito.

a uma definição que nos permitirá desenvolver melhor os nossos estudos. Todo êsse trabalho tem. no seu Primeiro Congresso Nacional em Havana40. torná-las fáceis. 38 José Martini in Vida y Pensamiento de Marti – La Habana. no sentido de promover o bem comum. uns objetivos. pelo estudo das origens e evolução e pela análise sumária dos elementos característicos e constitutivos do jornalismo. em 1941. os fatos correntes expostos pelo jornalismo têm de ser devidamente interpretados.”38 Assim. devidamente interpretados. “é a história que passa”. porquanto “informação. como o assinala Rafael Mamar. Toca à imprensa elogiar. 37 Mas “não é função da imprensa” (compreendida como jornalismo) informar ligeira e frivolamente sôbre os fatos que acontecem ou censurá-los com maior soma de afeto ou adesão. dono de um estilo ágil e vibrante. 39 Octávio de La Saurée – Moraletica Del Periodismo – La Habana. — pág. ensinar. alguns positivos e outros puramente retóricos. Chegamos. visando esclarecer a opinião pública para que sinta e aja com discernimento. Conhecemos numerosos conceitos de jornalismo. 37 Rafael Minar — El arte dei periodista — Barcelona. dirigir. censurar e sancionar as ações públicas dos habitantes de uma região e divulgar a cultura entre a população de um país”. não encaminhá-los com alarde de adesão talvez extemporâneo. então. de fatos atuais. primeiro. evidentemente. Essa multiplicidade das manifestações do jornalismo nossos dias é que torna complexa a sua definição. Informação. amadurecê-las. 1946 – pag. a finalidade do jornalismo é a promoção do bem comum. utilizando todos os recursos da técnica disponíveis ao seu desenvolvimento. buscando o progresso. Editorialista e comentarista emérito. outros literários. procuramos fixar um conceito simples. Aposentado em 1955. reformá-las. bem entendido. que me reçam o interêsse público. se pretende que o pais a respeite. orientação e direção são atributos essenciais do periodismo. porque os fatos. Iniciando a sua vida profissional na segunda década do século. 195. explicar. Suarée — Obra cit. submetê-las à censura. Diremos. que não pode ser substituído nem sequer momentâneamente por nenhum outro agente cultural nesta tarefa junto à sociedade. como o consideraram com precisão os jornalistas cubanos reunidos. jornalista e professor de Língua e Literatura Portuguesa no Colégio Estadual de Pernambuco. a proteja e honre. Exercendo-se pela difusão de conhecimentos. enfim. 40 Coni. costumava repetir aos meus ouvidos de “foca” êsse mestre da imprensa brasileira que é Anibal Fernandes36. propor soluções.”39 Daí porque a obra jornalística se realiza dia a dia. toca-lhe estabelecer e fundamentar ensinamentos. uma função educativa. porque informar sôbre fatos passaS dos é fazer história e o jornalismo. 1942. que fazer jornalismo é informar. conforme os seus serviços e merecimentos. guiar. exerceu ativamente exerceu ativamente o jornalismo em quase todos os órgãos da imprensa recifense. . mas que inclui as características fundamentais do periodismo. toca-lhe examinar os conflitos e não agravá-los com um juízo apaixonado. 36 Anibal (Gonçalves) Fernandes. os artigos e crônicas da sua lavra são acompanhados com o mais vivo interêsse pelo seu vasto circulo de leitores. no exercício do cargo de diretor do “Diário de Pernambuco” — de cujo corpo redacional fêz por mais de 30 anos continua entretanto a escrever diàriamente jornais e estações rádio emissoras de Pernambuco. 1906 — pág 17. Em outras palavras. 183. com o objetivo de difundir conhecimentos e orientar a opinião pública. toca-lhe. Da nossa parte. a seguir: Jornalismo é a informação de fatos correntes. e que. o jornalismo “tem por objeto informar e orientar a opinião. correntes. têm de ser transmitidos periòdicamente não ao indivíduo isolado mas a um conjunto ou à totalidade dos homens que vivem em sociedade. a paz e a ordem da comunidade. devidamente interpretados e transmitidos periôdicamente à sociedade. Jornalismo é antes de tudo informação.

SEGUNDA PARTE OS CARACTERES DO JORNALISMO Contém: DA ATUALIDADE Jornalismo e História Atualidade e Atualização Atualidade e Permanência Manifestações da Atualidade DA VARIEDADE Variedade e Especialização Jornalismo Geral e Especializado DA INTERPRETAÇÃO Interpretação e Seleção Interpretação e Vocação Extensividade e Intensividad e DA PERIODICIDADE Através da História Nos Tempos Modernos DA POPULARIDADE Extensão da Popularidade Popularidade e Liberdade Condições da Popularidade DA PROMOÇÃO Jornalismo e Sociedade As Campanhas Jornalísticas eo Bem Comum Jornalismo e Direito Jornalismo e Opinião .

Não sendo uma fôrça executiva e nem sequer elaborando leis. que lhe é exigida pela comunidade a quese destina. os seres. Todavia. o jornalismo pretende criar. observamos que. inerente a tôdas as suas manifestações autênticas. dissemos que jornalismo era a informação de fatos correntes. . não ao Jornalismo que. os acontecimentos lançam a cada momento. dêles colher e divulgar ensinamentos. Rio — cd. que sejam capazes de despertar o interêsse dos homens reunidos em sociedade. essa despedida e fixa-a em instantâneos que por sua vez serão esquecidos. da atualidade em sentido filosôficamente errado (pois em sã filosofia o atual é o eterno e não o temporal. por alguns dias ou por algumas horas. na proporção em que os fatos se sucedem. de modo que cheguem ao leitor devidamente interpretados. que impele a sociedade à ação. tendo em vista que o jornalismo não se dirige a um indivíduo isolado e sim à coletividade. frios e decantados”. da natureza e do espírito. Ao contrário da História. de acontecimentos registrados em qualquer setor da vida social. procurando nêle penetrar a dêle extrair o que há de básico. de 10 de nor. havendo sucedido. das artes. DA ATUALIDADE A atualidade é a característica dominante do jornalismo. Os caracteres fundamentais do jornalismo. estas obedecem sempre a uma periodicidade regular. que as coisas. enquanto aquela “os escoima.. Além disso.O. realiza-se praticamente dia a dia. o que ocorre sôbre a marcha do tempo. Há quem sustente que jornalismo e história se confundiram. vive sôbre o momento. a atualidade é o que passa. 1957. Essencial a tôdas as suas manifestações. Com efeito. uma disposição para realizar o bem-estar social. Finalmente. faz o retrato instantâneo do minuto. o jornalismo amplia os prazos das suas manifestações. informando sõbre o presente e fixando-o para o futuro”42. entretanto. sob determinada modalidade. apénas. E aí está outro atributo do jornalismo: — interpretação. interpreta e concatena. atua sôbre a consciência do hoje. os fatos não são expostos sem um prévio exame por parte do agente do jornalismo. o jornalismo “recolhe e espalha os acontecimentos vivos e quentes”. sob pena de não atingir os seus objetivos: a difusão sistemática de conhecimentos e a sistemática orientação da opinião pública. a obra jornalística é constante. analisá-los ou sintetizá-los. de passagem. a quem compete julgar da sua importância. Ademais. 41 Tristão de Ataide — O jornalismo como gênero literário in Diario de Notícias. em qualquer domínio das ciências. por exigência da técnica. mas estèticamente certo por ser o sentido corrente e popular da expressão.”41 Jornalismo e História — “A atualidade é o presente. o momento presente. na opinião pública. estão configurados na definição a que chegamos. O jornalismo vive do quotidiano.S. O anterior pertence à História. e em jornalismo ou na linguagem corrente. por essência. 1953 — pág. do presente. O jornalismo capta. enriquecê-los ou censurá-los. aquêles atributos que o distinguem das demais manifestações da atividade e do engenho humano. fundamental e perene. E neste primeiro enunciado estão duas das características do jornalismo: — a atualidade e a variedade. mesmo que essa perenidade valha. numa espécie de fonte de energia.. Daí o caráter de promoção. Mesmo quando. o jornalismo se constitui. desligado do passado e do futuro). 21. em qualquer parte do universo. hora a hora. do efêmero. o que sucede “atualmente” ou o que. através da divulgação de informações e da crítica dos fatos. A êsse elemento constitutivo da obra periodística se dá o nome de popularidade. 42 Ismael Herraiz — El Periodismo — Teória y Práctica — Barcelona. essas manifestações se revestem de forma ou estilo simples. acessível à com preensão do maior número do todo. “A densidade dramática do jornalismo está precisamente em captar êsse S. Unicamente dêle.

trabalhando com êsses fatos. autor da notícia da tomada de Constantinopla pelos cruzados. 45 Com Carlos Rizzini — Obra cit. no seu “Cours de Litterature Française”: “não é historiador. conjuntura ou ocasião propícia ou favorável para fazer ou dizer alguma coisa”. a preocupação dos seus autores era a de captar e divulgar. melhor por vêzes do que seus contemporâneos. 32-33. êle já terminou. se desloca à medida que as gerações avançam44”. 44 Alceu Amoroso Lima — O espírito e o mundo. mas indelével nos seus contornos acentuados..45”“ Ao contrário dos autores de diários e memórias. é um homem que diz as coisas que fêz e que viu. Sôbre êsses “jornalistas sem jornal”. cuja narrativa pitoresca e floreada considera como um jornalismo de aventura. isto é. não devemos esquecer Pero Vaz de Caminha. do Santo Padre o Papa — autoridade máxima do mundo que. feitos e fatos que. virando cidades sem conta e tratando com duzentos príncipes “para transmitir e ouvir novidades” e até Marco Polo . 95. quando registrava os detalhes da travessia. como as fêz. como as viu. ainda se mantinham irrevelados”. págs. tais como Villehardouin. dos parentes e amigos dos marujos do Descobridor. da sua paisagem. nem tão próximos para os termos na retina. pode-se estender o conceito que. o escrivão da Armada de Cabral.. e com ela jamais se confundiu ou confunde. Atualidade e Atualização — Pelo que ficou exposto. Dos que já têm por si a perspectiva do tempo. da côrte portuguêsa.Quando o jornalismo se vai estratificando. 31-32. limitando- se aos novos. mas também da consciência pública presente nesse tempo. sem beneficiar-se das nossas impressões diretas nem dos estudos críticos. Não basta que os periódicos contem 43 Conforme Carlos Rizzini— Obra cit. Dos acontecimentos de que fomos contemporâneos. semelhante ao que hoje tanto agrada ao público. a respeito de Villehardouin. págs. faz-se fonte principal da história. pensar com Barbey d’Aurevilly. E ao falar dêles. de todos os navegantes que haviam singrado ou pretendiam singrar o grande oceano desconhecido. vamos tomar conhecimento. que registram os acontecimentos para uma eventual consulta da posteridade. êsses primitivos jornalistas recolhiam sucessos com o fim de transmiti-los incontinente ao público. possuimos em regra um conhecimento difuso e superficial. dos seus habitantes. Rio.. Preferimos. autor das “Chroniques”. mais tarde. autênticos repórteres. 43” Com efeito. semana ou meses antes. dos missionários do século XVI. embora ocorridos dias. uma atualidade que permaneceria até que fôsse conhecida de dom Manuel. aliás. Essa zona de nebulosidade. A carta de Caminha estava prenhe de atualidade. . sem nenhuma dú- vida. constatamos que a atualidade abrange “não tanto o que ocorre no tempo presente. a primeira e sensacional reportagem redigida em terras do Cruzeiro do Sul. Pairam entre duas águas. como a oportunidade. dos reis conquistadores. nas páginas dos historiadores.“enquanto a informação não possuia meios adequados de projetar os fatos presentes. no século XII. que não se compõe apenas “dos fatos que sucedem em um determinado lapso. Na fase da informação epistolar. na linguagem mais simples. Froissart. Daí serem antes jornalistas do que outra coisa”— assevera Carlos Rizzini e cita exemplos de cronistas famosos. fazia Villemain. eram desconhecidos da coletividade a que se destinavam. não podiam e não pretendiam fazer história. podemos guardar impressão mais ou menos exata. das crônicas. cuja carta ao Rei Venturoso foi a primeira obra jornalística escrita no Brasil. das publicações manuscritas. que o jornalismo é que prepara o lastro para a história. com sabor de novidade. embora velhos de semanas e meses. “Os redatores de escritos. no entanto. Mas daqueles que ficam entre uns e outros. da descoberta da terra. 1946 — pág. Eram. aos que. iria ser chamado a dividir entre Portugal e Espanha as terras de que Caminha e outros escrivães doutras Armadas deram conta à humanidade de então. dos piratas e aventureiros. notadamente pelo exemplo da carta de Caminha. “a história que conhecemos menos é geralmente aquela que precede de perto a nossa experiência pessoal. nem tão remotos para figurarem nos livros. porque “quando ela começa.

— Jornalismo e literatura — Rio. por sua vez. lírico. porém como têrmo ou etapa de um processo lógico. que é substituido. A mais pura atualidade inspirou a Victor Hugo Les Châtiments e L’Année Terrible. O que acontece. consubstanciada nas páginas da magistral obra literária e sociológica em que se constituem Os Sertões. Na mesa de uma redação escreveu Saint Victor os artigos de “Homens e Deuses”. porém.virá “amanhã”. “atualiza” acontecimento que a marcou. É êsse um dos matizes da atualidade: a reapresentação de fatos relacionados com a situação presente. que o efêmero da obra jornalística reside mais na forma do que no fundo. geralmente. Lembra êle que os artigos “não são efêmeros por tratar de assuntos da atualidade. 1949. o que não ocorre. de dias. Mas o jornalismo — como adverte Suarée — não é obra de um dia mas do dia. sobrepondo-se à voragem do tempo. pág. correspondente em Canudos. 6 48 Antônio Olinto — Obra cit. a obra periodística. Não é pelo fato de ter feitio material conservável e guardável que um livro pode aspirar a essa permanência.o que ocorre para servir à atualidade. “Atual” é rigorosamente o que “atua” em nós. e dêem ao sentido das palavras a vida breve que caracteriza o jornal tomo papel que é rasgado e jogado fora47”. Artigos de jornal foram as cartas de Junius e os célebres panfletos de Courrier. E. germe do que sobre . também é atualidade. poderíamos citar como demonstrações insofismáveis da permanência do trabalho jornalístico a reportagem de Euclides da Cunha. — pág. mas. Entre nós.. .48” Diríamos. e Ismael Herraiz — Obra cit. — EI periodismo — Valparaiso. No caso do jornal. 1955 — pág. O jornal é exatamente uma contínua luta pela fixação da realidade. a Réplica e a maior parte do legado magnífico de Rui Barbosa. é preciso que a transitoriedade do corpo não atinja a desejada solidez do sentido. Mas o ato não se produz espontâneamente. o que de potência se converte em “ato”. O registro de uma data histórica. é que essa transitoriedade s limita à parte material. a 46 Horacio Hernandez A. no dia seguinte. Hipólito Taine a maior parte dos seus Ensaios de Crítica e História e Chateaubriand as suas concepções mais brilhantes”. sujeitos a um rápido fenecer. “O jornalismo desperta o preconceito do quotidiano. que serve de veículo à notícia. humano. já que da atualidade foram as Felípicas e as Catilinárias e ainda desafiam os séculos. pág. pois. o falecimento de uma personalidade. provoca a informação retrospectiva da sua vida e das suas realizações. o vazio da atualidade. padrão inconfundível do jornalismo oral. por outro pedaço de papel mais atualizado faz com que todos liguem o que está escrito à matéria que difunde.. Atualidade e Permanência — Exatamente êsse aspecto da atualidade jornalística. a descoberta ou julgamento de um criminoso “revive” o crime praticado e até outros análogos. quando informa.10. Aí também temos de retroceder ao que a obra tenha de vivo. Por isso. pungente. 23. algumas verdades particulares e permanentes da vida do homem. “O que está nas palavras independe do veículo que o divulg a e pode ser obra de permanência. também é notícia” 46. realmente. “É efêmera a forma. do efêmero. Aquêle pedaço de papel com fôlhas sôltas. não apenas quando se faz doutrinário ou opinativo. ainda que se nos oculte a sua lei. jovem. isto é. que tem escapado. o jo rnalismo está a cada instante valendo-se do passado. se confundem. àqueles que se deixam impressionar pelo fato de basear-se. uma tentativa de captar nos acontecimentos quotidianos. em que o atual e o eterno se confrontam.. Como que num paradoxo. que concilia o presente com o passado e até com o futuro. nos fatos correntes. as Provinciais de Pascal são artigos de polêmica que se publicaram em fôlhas sôltas e que já vão ao caminho de viver trezentos e tantos anos. de sempre. por exemplo. também. 47 Antônio Olinto. se combinam para construir o monumento que aí está. é que assegura ao jornalismo um caráter de permanência. 7. os Sermões do padre Vieira. a realização de um “clássico” desportivo põe em relêvo “matchs” anteriores de importância idêntica. O que acontece “hoje” — êsse “falemos de hoje” que impõe como tema de conversação jornalística a atualidade — tem raízes no que sucedeu “ontem” e é. vemos o “velho” revestir-se de atualidade.

A frase “o jornal disse” equivale ao “estava escrito” dos islamitas. aquilo que informa e aquilo que opina são a verdade e o mandamento. do já sabido. acaso de um modo vago e impalpável. — Obra cit. de opiniões intencionais. enxertado ora no modo de pensar coletivo. se fortalece. de boatos alarmantes. para a ação. descansar das preocupações no “humour”. jamais repetindo exatamente as imagens ou estratificando-as como se fôssem placas sensibilizadas de negativos fotográficos. de uma classe ou de um país. de uma única pessoa. — pág. que destrói. . a saber: l°) — informar-se do novo. como obra literária. é um amontoado de falsidades. que convence. a todos os seres. do imprevisto. a todos os domínios da inteligência e da sensibilidade. recordar-se do passado. não são de exclusividade de um determinado setor. previsíveis ou ainda vivas na memó ria das gentes. o despudor e a mentira. nas realizações da vida social. busca satisfazer a três necessidades do espírito humano. em qualquer das suas manifestações. do quase perdido nos arcanos da memória. o envoltório. Mas a influência. “subsiste. a sugestão que ficam dêsses esforços aparentemente perdidos e esquecidos constituem uma ação persistente e eficaz como nenhuma. o rádio. capazes de impressionar.” Tomemos o jornal. 2°) — receber uma mensagem de advertência ou orientação. se foge à pias ocorrências novas. cujo número não se poderia precisar. aquêles que. Daí decorre que o jornalismo. a TV e o cinema têm de manter uma perpétua vigilância sôbre a seqüência dos fatos. Mas seja qual fôr a idéia que o leitor faça do jornal. alertar-se para o futuro. que reedifica. porém. 9. no seu espírito fica “um princípio de ação muito débil ou oculto no comêço que. DA VARIEDADE O jornalismo. de um agrupamento. E. com o tempo. algumas das quais só se tornam possíveis graças à ação firme e incansável do jornalista. o limite do jornalismo que. como veículo principal da moderna obra periodística. recebendo sugestões análogas. por suas características ou pelo seu conteúdo. revestidos de gravidade e dogmatismo.” Cada edição que se lança às ruas. é imediato. na poesia. como os espelhos. na arte. debaixo de outras aparências. a consciência dos povos49. nas belas letras. através dêle ou por causa dêle. às coisas e à natureza. a página que se escreve um dia e que. atualizando-os ou prevendo-os. quando concilia ou relaciona o presente com acontecimentos passados ou futuros. como elemento que contribui para formar a Opinião Pública. integrado na vida social. despertam o interêsse humano ou a atenção das massas. quanto à atualidade. na ficção. 3°) — entreter-se.exterioridade. 49 José Enrique Rodo — El Mirador de Prospero — Valência — 1919 — pág. adquire consistência e dá sinais de vida exuberante. em uma palavra. corre o risco de tornar-se em uma estrutura histórica sem calor e sem ímpeto. são espelhos que não podem deixar de reproduzir aquilo que lhes passe frente à polida superfície. Para uns. 50 Horacio Hernandez A. que se lê apenas para verificar até que ponto chegam a venalidade. a quase um dogma de fé. Os fatos em que se baseia a obra jornalística. envelhece ao surgir outra edição e outro dia. que forma. como esfôrço de uma equipe. ora de uma maneira mais sensível. na verdade. também substituem a cada momento as reproduções. a imprensa. quando se ocupa de fatos correntes. A atualidade é assim. salvo algum caso singular. atingir instantâneamente a consciência coletiva. de conceitos injuriosos. do original e. isto é. Daí a extensão do campo jornalístico a todos os quadrantes da atividade humana. que apaixona. e que morre ao cabo de algumas horas de circulação. O jornalismo está jungido à atualidade como Prometeu ao seu rochedo e os acontecimentos que se sucedem são outros tantos abutres a devorar as inextinguíveis entranhas daquele que transmite à humanidade o fogo vitalizante do conhecimento. 204. como criação do dia. 50” Manifestações da Atualidade — Como veículo jornalístico. e é mediato. Para outros. morreu e dissipou-se no dia seguinte.

por sua vez. Se o poeta ou o romancista. pois a participação nestes pertuba. Theophraste Renaudot defendia o seu jornal. surgem as seções por temas: “Mundo Militar”. é que se dá o nome variedade. porém mais regularmente por cartas ou comunicações. 52 Cit. o redator. É nadando que me lhor poderá informar sôbre as ondas51.53” Sòmente em 1836. nas oficinas de impressão. assim. Dava-se o mais estranho conúbio entre notícias. por Émile de Girardin. em pleno fluxo vital. por George Weiil — El Diário — México. há que o jornalista colhê-los onde quer que se registrem. considerado o primeiro hebdomadário francês. A primeira está obrigada a dizer sempre a. no arredamento dos fatos. só deve trabalhar dentro deles. acrescentava: “A história é o relato das coisas ocorridas. porque o jornalismo deve ser a mais completa síntese de tudo quanto interessa e reclama o organismo social. ainda. Já no século XVII. o comentarista. noutra parte. Mais poderoso do que êle. podem ou mesmo devem trabalhar na solidão. É para isso que êle tem de viver no meio dos acontecimentos. a segunda. 53 Horacio Hernandez A. alguma vez por um emissário extraordinário. um ritmo lento. dando conta aos seus leitores de fatos chegados ao seu conhecimento por viajantes de diligências vindos de alguns pontos mais ou menos longínquos da França e do estrangeiro. 44 e 42. ao contrário. o tipógrafo. o teatrólogo. estar bem informado para poder informar. estivesse informado de tudo. levantava como urna barreira para ser batida sòmente de longe em longe pelos viajantes. a divisão do trabalho. A técnica tinha avançado muito pouco no século XVI para fazer estas distinções. informações. ao mesmo tempo. 1957.” A essa universalidade de aspectos. escrevendo: “Surpreender-me-ei muito se os mais severos censores não encontrarem digna de alguma excusa uma obra que tem de fazer-se nas quatro horas que a chegada dos correios me deixa tôdas as semanas para escrever. como êle mesmo o definiu. a crescente fome de notícias das comunidades civilizadas. o paginador e. Logo após a descoberta da imprensa e. não raro. a sua visão mais profunda (e nesse período a impassibilidade e Leconte de l´Isle ou a imparticipação de Flaubert eram perfeitamente justificáveis) o jornalista. — págs.para transformar êstes fatos em notícias. o grande antepassado dos atuais. o desenvolvimento das comunicações. 1941 — pag. Rio. que nada tinham em comum. ajustar e imprimir estas linhas”.. de vez que tratava de atender aos seus compromissos oficiais com o poder. bastante faz se consegue não mentir. avisos ou comentários. de objetivos. provàvelmente. “Mundo Teatral”. a criação da figura do jornalista especializado. pela natureza das circunstâncias. em mensagens ou em entretenimento. introduzindo. não havia seções pròpriamente ditas. nos tempos modernos. Girardin criou os “mundos” em um só dia !“ Foram. etc. como as que podemos agora observar nas colunas dos diários. verdade. mas a distância geográfica estava ali. tinha assegura a exclusividade. . — Obra cit.. No jornal primitivo. 10 — nov. opinasse sôbre tudo e jamais cometesse erros. a busca da perfeição no 51 Tristão de Ataíde — O joalismo como gênero literário ia Diário de Notícias. a “Gazeta” é unicamente o eco que corre sôbre elas. figura e método que eram desconhecidos até épocas recentes. da crítica da informação apressada e incorreta.. 52” É que Renaudot estava sujeito a precários meios de informação. com a introdução do jornalismo de informação e da publicidade. o biografista. o “periódico dos reis e dos poderosos da terra”. “A imprensa daquela época. a essa multiplicidade de setores. que iam parar. E. de temas. levava. sem perda de tempo. 29. o que fêz um dos seus redatores exclamar: “Que chefe! Deus criou o mundo em 6 dias. mas retardado de semanas e postas se era. ed. nas tarefas periodísticas. Variedade e Especialização — Foi êsse atributo do jornalismo que exigiu. no seu La Presse. impressor. uma exigência lânguida. Exigia-se que entendesse de tudo. no século passado — prática que persiste na maior parte das no ssas comunas interioranas — o jornalista era o repórter. a facilidade de receber e transmitir informações. Não era possível viver ao compasso dos sucessos. “É para isso que o jornalista tem de estar a par das coisas.

atributos contraditórios: antes. No dia 5. àquela demanda do público já observada pelo criador do jornalismo francês. facilitando e aperfeiçoando a execução das tarefas e.” Variedade e especialização. Cada qual serve mais e aproveita melhor em um gênero ou em uma matéria determinada e o talento de quem dirige há de estar cabalmente nessa escolha56. – págs. que o jornalismo especializado. as litigantes ordens de prisão em casos semelhantes aos seus.00 palavras por dia.000 palavras por dia. na medida do possível. 58 Clemente Santamarina . E. A agência France Presse. político ou esportivo não são. 1957 — págs. definindo-o. retirando-lhe a obrigatoriedade de ser enciclopédico. 28.. atende. Impõe-se. recebe pelo menos. abrangendo. Êsse conflito de opiniões sôbre o maior ou menor conteúdo do jornalismo geral e do especializado vem de longe: já o Dicionário da Academia Francesa. erros e omissões — que impuseram a especialização do jornalista. que se ocupa de temas. portanto. 229. serão o contrário. as pessoas devotas buscam os nomes dos pregadores e dos confessores de fama. 100. na verdade.jornalismo. Ora. Menos ainda o é. em 1631. Porque a dificuldade. não são. ela distribui aos seus clientes de Paris um serviço de aproximadamente 70. desde que se dirige a uma elite ou a um determinado grupo com maior capacidade de apreensão e aplicação dos conhecimentos adquiridos pelas informações e pela crítica nêle contidos. O verdadeiro jornalismo seria exclusivamente o que abrangesse os mais diversos e amplos setores. literário. evitando-se. foi levado de Londres e na mesma noite apresentado aos tele-espectadores norte- americanos. “fragmentos do jornalismo 57”. a divisão do trabalho nas redações. 158. talvez. em 1684. já apresentavam reportagens filmadas do acontecimento. senão. — nota à pág. mais de uma palavra por segundo. então. há quem considere que as publicações e divulgações de caráter profissional. do exterior. numerosos são os jornais que recebem simultâneamente o serviço de duas ou agências. a informação é universal e instantânea. haverá milhares e milhares que. As noticias chegam de tôda parte sem interrupção. Para um caso de homem-orquestra. 56 George Weill — Obra cít. simultâneamente com as reportagens fotográficas dos jornais. Jornalismo Geral e Especializado — Considerando que o jornalismo deve ser a mais completa síntese de tudo quanto interessa ou reclama o organismo social. todos os setores da vida e do universo. Ocorre. um filme-documentário das solenidades no Vaticano. desejariam encontrá-los em grandes caracteres”58.” Reconheceu-se. levantamento de sítios ou cidades tomadas. 54 No dia 4 de novembro de 1958. 55 Rafael Mainar — Obra cit. 57 Jacques Raiser — Presse et Opinion in L’Opinion Publique — Paris. nas manifestações e na obra jornalística. transportado por um quadrimotor da BOAC. 22-23 . do qual já dizia Renaudot. “problemas e fatos de interêsse de um círculo mais limitado de pessoas. o surgimento de publicações especializadas e de seleções com o intuito de manter o homem bem informado. data da coroação do Papa João XXIII. finalmente. com mais profundidade e repercussão no organismo social. de um “faz tudo” que se possa encontrar na profissão. graças ao progressos de técnica. mas em que o seu volume é tão grande que se torna impossível ao homem assimilá-las. rodado pela “United Presse Movietone”.Obra cit. em quem tenha de dirigir o trabalho jornalístico. atendendo dêsse modo à demanda total do público. que “não é prudente em cada jornalista a presunção de saber tudo e entender de tudo. de propulsão e reação. 230. num desabafo contra as exigências dos leitores: “Os capitães querem encontrar todos os dias batalhas. portanto. por isso. hoje. a informação of tográfica tende a vir a sê-lo54. As agências de informação telegráfica enviam cada dia os jornais um considerável número de palavras. encarregar de tudo a todos. artístico. isto é. científico. de estar em dia com os fatos não reside em que as notícias sejam escassas. ig ualmente. Há um teletipo que pode transmitir 600 palavras por minuto. uma das seis grandes agências mundiais de informação. os que nada sabem dos mistérios da côrte. um trabalho de seleção55. em todos os continentes. os cinemas das principais cidades do mundo. “Hoje. porém. pág. completam-se para atender às finalidades a que se propõe o jornalismo. Em outras palavras: o jornalismo geral.

Mais do que saber o que se passa. A primeira “a relação do que passa dia por dia no Parlamento ou em uma circunstância dada”. por outro lado. pela objetiva. hoje. O suceder tem sua acentuação tônica. referindo-se ao jornal. “Não damos ao público apenas o que êle quer. para a leitura é mais ou menos o mesmo de antigamente. In Diário de Notícias. 63 Tristão de Ataíde – Ar t. – nota á pág. decidiu a publicação de um compêndio regular. . defensor da razão contra os magistrados que ainda queimavam feiticeiros. é a impressão fotográfica da vida. sôbre ser característica do jornalismo. se o jornalismo abrange o que ocorreu e o que poderá ocorrer. transmitindo ao público. o que vale dizer uma interpretação. 62 Antonio Olinto – Obra cit. portanto. o simples fato de destacá-lo e publicá-lo expressa o resultado de uma interpretação. Quantos leitores estão capacitados para êsse trabalho valorizador? Ler por ler notícias. apenas. varia de intensidade para cada veículo. nem sempre constitui um relato puro e simples. se informa sôbre êle. do discernimento. em palavras 62”. numa aborrecida tarefa. do aspecto de uma exposição interpretada. em vertiginoso movimento. resulta. o qual “amante dos livros e dos objetos de arte. Se na televisão. num conceito extensivo a qualquer veículo periodístico. Torna-se. o que se pensou e o que se poderá pensar. Mas responder a essa interrogação.1953. “A mera informação. os que são realmente significativos. para fixar. afirmou para um jornalista português um dos diretores do Milwaukee Journal — Lindsey Hoben. tudo passa em rapidíssimo. dia a dia. o agente tem de ser conciso e superficial.63” Diante do fato ocorrido. apenas como tema de elocubrações e pesquisas de estudiosos. “O que domina no jornalismo é o juízo a formar sôbre a pessoa ou a obra alheias. e que contém extrato dos livros novos que se imprimem e o que ocorre de mais memorável na república das letras”. depois. sem um juízo que a valorize e a interprete.60” Ora. seleciona. Ésse requisito do jornalismo decorre da variedade de temas. com a fixação científica dos caracteres do jornalismo.distinguia na palavra “jornal” duas acepções. 31. igualmente. a interpretação. sua essência que o artista (jornalista) identifica. sob os auspícios de Colbert. do mesmo modo que (através de La Gazette) se dirigia à vida política do país 59”. o que poderá suceder e até o que não sucedeu. o comentário escrito por profissional experiente e acostumado a calcular o rumo provável. amigo das ciências.61” Porque a verdade está em que “um fato particular pode em si conter a fôrça de uma série de acontecimentos. Rafael Mamar. De 27-10-57. o jornalista terá de examinar a sua importância e caráter. diz que nêle se narra “o que sucedeu. Ao nosso ver.. destinado a dirigir a vida intelectual. Dêsse modo. 28 60 Rafael Mainar – Obra cit. seu ponto alto. necessário uma escolha de notícias. a segunda: “chama-se Journal des Savants a um escrito que se publica toda semana. um julgamento dos fatos por parte do jornalista. sômente o responde. as repercussões da sua divulgação e. faria do jornalismo uma algaravia sem ordem nem consêrto e deixaria ao leitor a pesada carga de buscar os “porquês” e “para quês” do que acontece. 17 61 Conf. que surgira em 1665. servindo. – pág. quando. Bartolomé Mostaza in El Periodismo – Barcelona. Rio – ed. – pág. que consiste no ato de submeter os dados recolhidos a uma seleção crítica. O elemento julgamento e. no jornal precisa de desenvolver e pôr a trabalhar o seu senso crítico. da análise é que entra em jogo. o que se pensou e o que não se pensou. Cit. mas também o que entendemos que não deve deixar de ler”. com tôdas as sombras e falsidades da fotografia. Referia-se à imprensa literária. êsse conflito perdeu o seu significado. que por si mesmas nada dizem a quem ignora suas causas e conseqüências. por exemplo. cada quinze dias ou cada mês. que acabamos de estudar. o interêsse que despertará.. exercício da inteligencia. 59 George Weill – Obra cit. porque o homem não consegue acompanhar o ritmo acelerado do mecanismo da transmissão de notícias e o tempo que lhe sobra. mas se reveste. importa a Adão e Eva saber para onde vai o mundo. assim.

A própria imagem. o ponto nevrálgico. a luz que as ilumina. recebe. sob o título.. situá-los no conjunto dos problemas e prever--lhes as conseqüências possíveis65. permaneceu de caneta em 64 Clemente Santamarina — Obra cit.000 palavras. os fatos em si quase nunca são diretamente inteligíveis para o grande público. sociologia e discursos parlamentares. no cumprimento dêsse lema. objetiva concorrer para a sua repressão e se descreve um acidente busca despertar o interêsse público para medidas que assegurem a sua não repetição. diàriamente. através de 19 agências nacionais e estrangeiras. Interpretação e Seleção — Diàriamente. com cinco edições diárias destinadas às várias regiões do país e ao estrangeiro. jornalista e escritor de pura estirpe. quando menos. ao positivo. com todo o seu inegável poder informativo. Selecioná-las. na maioria dos casos. riograndense do norte. mediante a prática. dêsse vultoso acervo de notícias. lançá-las ao público com maior ou menor relêvo — são “funções básicas e gerais para tôdas as múltiplas variedades do trabalho jornalístico e constituem a condição imprescindível de tôdas elas. de Boston. quer como repórter quer como redator. Tal como acontece com o clínico que. requerendo não sòmente bom senso. É redator-chefe da “Folha da Manha” e redator principal do “Jornal do Comércio”.” A consagração do princípio da interpretação como básico do jornalismo está no lema de um dos mais autorizados e completos jornais do mundo: o New York Times que. ainda universitário. visa sempre apontar-lhe o significado para prevenir as conseqüências. Também nos Estados Unidos circula um jornal diário. que é um dos de mais pêso na formação da opinião pública nacional — o Christian Science Monitor. na cobertura do nosso setor de trabalho. o fogo que lhes empresta calor para excitar ou. 22. crítica. o núcleo do fato ou da matéria que se há de utilizar no trabalho. cêrca de 100 correspondentes e de sucursais em todos os Estados norte- americanos. o permanente do corrente”. E. ja se comparou à do caricaturista que logra a síntese com uns poucos traços que têm a virtude de refletir um rosto — se bem que exija um lastro cultural e ético. de um juízo jornalístico que se resume em submeter o interêsse particular e transitório para obter a universalidade e considerar. e se vai desenvolvendo pela experiência. da parte do agente. talvez nem um décimo seja diàriamente transmitido ao leitor. 23. como uma excepcional aptidão para apreender o centro de interêsse. (Tôdas as notícias próprias para publicar). — que. É à imprensa que compete a tarefa de interpretar os acontecimentos. comentá-las. diagnostica o mal do paciente às vêzes pelo simples olhar e. Nilo Pereira66 conta que. o espírito que as vivifica. . ao ingressar na redação do “Jornal do Comércio”. o seu valor permanente64. Durante longos minutos. professor da Universidade do Recife. membro da Academia Pernambucana de Letras. vindas de todos os pontos do globo. pois a média do texto quotidiano é de 145. 66 Nilo Pereira. foi-lhe determinado pelo secretário da redação que escrevesse um comentário sôbre as deficiências da pavimentação do Recife. ao atual. faz figurar a epígrafe: “All the news that’s fit to print”. quando se ocupa de um crime. temos em mãos um montão de ocorrências que se poderão transformar em matéria jornalística. 65 Clemente Santamarina — Obra cit. “exigindo o desenvolvimento de um critério especial. nos fatos. — pág. Assim. servindo o restante tão sômente para manter os jornalistas bem informados e habilitados à interpretação dos acontecimentos. que se especializou na interpretação das notícias e. reclama sobretudo vocação para o ofício. mediante um exame sumário. Tem publicado diversos estudos de história. honestidade e imparcialidade. Interpretação e Vocação — A interpretação jornalística difere substancialmente da histórica ou da filosófica porque está jungida ao presente. do Recife. em lugar de um relato puro e simples dos acontecimentos do dia. Mass. — pág. Essa aptidão de “tirar o essencial do acidental. assinando dois artigos diários. Ë que “na crescente complexidade da vida moderna. para interessar ao leitor. nada menos de um milhão de palavras de informações. Pois bem. Em acertar na interpretação do tema consiste o toque principal do jornalismo. não pode esclarecer complicadas situações ou pôr em evidência o alcance de importantes medidas.

num jornal inglês. de certo modo. sem preocupação de análise. dos cientistas em praticar o jornalismo decorre. Necessitava liberdade. aquêle confrade não poderia jamais com êle competir. Quanto a mim. do rádio. E particularmente da Opinião Pública. poder voar livremente. da notícia. Era triste dar-lhe uma ordem: Rubem faça você esta nota. produzido sob os efeitos do “choque”. Ali se encontrava um homem amarrado. O jornalista comenta-a. mas. por isso mesmo. tarefas de correspondente. 70 Antonio Olinto — Obra cit. mais ainda do que em suas raízes. embora os achasse superficiais e por vêzes inexatos. não pude deixar de admirar a habilidade com que êle apanhara os pontos mais salientes. defronte da sua mesa. 69” Extensividade e Intensividade — Do ponto de vista da interpretação. 99. quando há predominância da informação. ao referir-se a esta aventura. aquêle já é chamado “literatura sob pressão”. No seu livro “Assunto Pessoal”. cit. visto que. “Pressão do tempo e pressão do espaço. os cultores dêsse tipo de literatura lançam palavras sôbre o papel com a preocupação do tempo que passa e do espaço que é limitado. êsses artiguinhos triviais me faziam suar sangue. a ponto de descrer consigo mesmo da sua capacidade para a profissão em que. retificadas e analisadas. As frases ajustam-se a um tamanho. desempenhando. declara: “não tenho o dom do jornalista para fornecer matéria às linotipos logo após adquirir os elementos de uma reportagem. O outro prossegue na finalidade informativa. — Diário de Notícias. dos poetas. por vêzes. 69 Tristão de Ataíde — Art. Rubem Dano. redigindo a nota com a maior das dificuldades. . Enquanto isso. 20. rascunhando. substituindo uma palavra aqui e outra ali. O jornalismo extensivo é. — pág. o que lhe causava a mais profunda admiração. que vai além da finalidade puramente informativa. A nota não saia. essa espécie de literatura é mais difícil do que a ficção. a sensibilizar-lhe o espírito. intelectualmente. atingido e influenciado pelas emoções do momento. Seu engenho não enquadrava no regime. Já o jornalismo intensivo é exercido à base da reflexão: os seus assuntos e as suas matérias são escolhidas. exatamente. essencialmente. O grande jornalista informa e forma.1959 — pág. — pág. Havia lido. Incompreensíveis dificuldades! Um deus da pena se mostrava incapaz de redigir o suelto mais simples. o pensamento é obrigado a trabalhar depressa. Somerset Maugham — “Assunto pessoal” — Pôrto Alegre. um velho repórter de polícia enchia laudas e laudas. iria lograr tantos e tão merecidos louros. Um pára na finalidade informativa. com extraordinária desenvoltura. “como tradução intensiva do acontecimento para comunicação ao outro” não se destina puramente a dar-lhe notícias. a instruí-lo sôbre determinado ramo da ciência ou da doutrina. 3. feito com o ôlho no relógio e o pensamento nas dimensões de que se dispõe. Embaraçam-me os fatos que tenho entre as mãos e pre ciso de tempo para refletir e pô- los em ordem. como nos ensina Tristão de Ataíde. riscando. Sem afastar-se dos 67 Citações de Horácio Hernandez A. Em todo o mundo. sob o impacto dos acontecimentos e. 10-11-57. da circunstância de que a informação. É a grande finalidade moral e social do jornalista. os artigos escritos por um correspondente que fizera mais ou menos os mesmos giros que eu e. 68 W. da televisão. uma arte social por excelência. O autêntico jornalista informa para formar.. — Obra cit. durante a sua permanência no Chile. em formação do público. 67“Somerset Maugham teve a seu cargo. o jornalismo pode ser extensivo. Cria e orienta a opinião pública. Para mim. 70” É o jornalismo do jornal. à base apenas do senso divinatório do profissional e.68” Essa dificuldade dos escritores. O pequeno jornalista ou noticiarista leva a notícia ao próximo. as informações devem ser o mais possível completas. O jornalista medíocre informa por informar. Rio — Ed. algumas informações jornalísticas. leva a notícia acrescida da sua apreciação. mordendo o lápis.punho. produzindo uma coluna incisiva e de leitura agradável. na última guerra. isto é. “se desdobra em informação. mais tarde.. não pôde acomodar-se ao trabalho jornalístico Rubem Dano — disse um contemporâneo seu — levava na imprensa uma vida difícil. E nisso representa um papel na coletividade e faz do jornalismo. a cada instante.

todos os atos importantes. é que caracteriza a extensividade ou intensividade do jornalismo exercido. . as mesmas funções. 72 Alfredo Bessa – O jornalismo – Lisboa. que não poderiam ser adiadas indeterminadamente. das revistas. pelos observadores. proclamando os nomes dos vencedores. Também o pregoeiro intervinha nos enterros dizendo de quem eram e onde se realizavam para conhecimento das pessoas que quisessem ou devessem assisti-los. cerimônias e ocorrências verificavam-se periôdicamente. Se bem que a atividade jornalística seja eminentemente interpretativa. Vemos o primeiro. embora de ordem subalterna. o comércio indispensável de idéias e interêsses estabelecia- se com monótona uniformidade por meio do pregoeiro. “Nas idades findas. exigindo que os pregoeiros — repórteres das primeiras fases do jornalismo oral — estivessem a postos. nêles busca aspectos que. 42-44. a mais formal. o maior ou menor grau de profundeza dessa apreciação dos fatos. Mounier chamou de “atualidade em profundidade71”. a informação não atingiria as suas finalidades sociais. sendo a praça pública o lugar destinado a tais atos e sendo aí que os cidadãos congregados tinham conhecimento direto de tôdas as questões de maior transcendência. Em alguns autores encontramos que o preogeiro indicava também os objetos perdidos ou achados. ao princípio. para o exercício das suas funções. pois diz respeito aos intervalos em que se registram as suas manifestações. O praeco dos romanos tinha um caráter mais exclusivo de funcionário judicial. nem por isso se devem considerar menos importantes. Muitos eram os seus pontos de contato com o nosso aguazil: chamava à justiça o demandante. tôdas as deliberações coletivas não se verificavam em locais fechados. anunciava os nomes das partes em litígio e proclamava as sentenças. pois se o 71 E. devidamente interpretados. mas. a breves intervalos. Sem essa constância. praticado pelos editorialistas. decorrente mesmo das funções ou dos setores explorados. estendeu-se a outros objetos. nos jogos olímpicos. DA PERIODICIDADE Dentre as características do jornalismo.72” Ora. de auxiliar importante nos atos políticos. tempos depois. Servia. No jornalismo intensivo. como atributo jornalístico exprime a constância com que os fatos correntes. Mas não foi isso julgado suficiente e necessitou-se do auxílio do pregoeiro. no capítulo XVI do Livro das “Saturnais”. servindo de arauto. a periodicidade é a menos subjetiva. entre Os exércitos. nas ruas das cidades. O céryse entre os gregos e o praeco entre os romanos tinham. a modalidade de jornalismo das publicações especializadas. Já Macróbio refere. pelos comentaristas. o que se procura estabelecer é o problema criado pelo fato. também.1904 – Págs. Essa. Ao abrir os comícios. por não serem tão fàcilmente registráveis. pelos críticos. Numa palavra — tornava público tudo o que ao público era preciso e conveniente fazer. com pequenas diferenças. são levados ao conhecimento público. o papel do pregoeiro. o que s busca é aquilo que E.fatos correntes. que era o pregoeiro o encarregado de anunciar as festividades do culto para evitar que os cidadãos romanos deixassem de cumprir os preceitos determinados pelo ritual de Numa Pompílio. verificada uma eleição. Etimològicamente. a palavra periodicidade (do latim “periodicus” e do grego “periodikos”) significa o ato de guardar períodos. dos “digests” cinematográficos. o elemento de estrutura do acontecimento. mais do que pelos repórteres e correspondentes. cit. Através da História — Os mais antigos documentos ou notícias da evolução do jornalismo são concordes em assinalar a freqüência mais ou menos regular das suas manifestações. Mounier in Problèmes et techniques de la Presse. convocando as assembléias e nos locais de venda anunciando os preços e as condições. convocava as centúrias com os seus pregões e. 315. sem êsse divulgar sistemático. — pág. proclamava os nomes dos eleitos. A isto devia-se limitar. fotógrafos e cinegrafistas de atualidades. Antigamente. todos êsses atos.

a cólera da Rainha. Tanto êsse elemento era compreendido como essencial que. quando.. Por Rizzini – Obra Cit. depois. o mesmo autor. Aparente absurdo. 47. – pág. conseqüentemente. mais adiante. – pág. a meu ver indesculpável se não tiverdes fortes razões. quando as notícias eram afixadas em táboas. o assédio de Paris e as ameaças dos partidaristas. de Vendôme ali instala. corrosivo e sutil. e não a tipografia. não apenas o desenrolar das novidades mas a mesma periodicidade que. no sentido informativo. Na Biblioteca Universitária de Heidelberg. do que a maioria das fôlhas de hoje e deixam a perder de vista as primeiras gazetas impressas sob a égide dos governos e por isso votadas ao noticiário deformado e gratulatório. 47. mas é preciso que sejam muito fortes e mesmo mais fortes do que o exército que Mazarino destina a tomar Bellegarde e do que o canhão que M. 76 Cit. 74 Carlos Rizzini – Obra Cit. Embora sem assunto. em dois trechos. quando a organização da posta. dos Césares.75” André Ravry também salienta que a organização dos correios “implicou numa regularidade que ainda mais assemelha as cartas às gazetas: partindo malas em geral cada oito dias. 76” Os correspondentes epistolares exigiam entre si. assim deparasse no prelo a multiplicação que o transformaria de amável entretenimento mundano. com muita propriedade. em plena Fronda — não me tiraram o repouso como o tem feito a ausência as vossas cartas. 47 e 42. os impressores de Estrasburgo e Basiléia tinham procurado introduzir nas suas folhas volantes. desde a segunda metade do século XVI. os epistológrafos — repórteres incomparáveis do jornalismo manuscrito — passaram a fazer da periodicidade uma indeclinável obrigação. Da comparação das datas verifica-se terem sido os Correios. XVII e XVIII possuiam maior conteúdo jornalístico. o tempo se impôs primeiro com os “Anais” dos pontífices e. na Roma dos Senadores e. – pág. constatou-se a sua seqüência hebdomadária. ainda que bastante distanciadas. “Eis a renda semanal que vos devo ’— escrevia Chapelain ao marquês de Montausier. 48. No século XVI.74” Observa. e até o mêdo de morrer de fome durante o cêrco — exagerava o implacável inimigo de Ranaudot. explicável pela clandestinidade a que a perseguição dos governos condenou os primórdios do jornalismo e pelo elevado preço dos trabalhos tipográficos.” E frisa concludentemente: “o que a informação precisava para atingir o seu fim não era ser escrita desta ou daquela maneira. numerando-as e distribuindo-as em datas determinadas. O que levou Carlos Rizzini a assinalar que “as cartas particulares dos séculos XVI. – pág. apenas. quase simultânea em diversas partes da Europa. que do primeiro livro — a “Bíblia de 42 linhas” (1456) — à primeira gazeta impressa — o Nieuwe Tijdinghen (1605) — transcorreram 150 anos e que “ia já o mundo pelo século XVII — e o jornalismo. ao tempo do que poderemos chamar “jornalismo estático”. guarda-se a coleção completa.fôssem perderiam a atualidade e não atenderiam. detalhista e solícito nas suas epístolas. 73” Gui Patin — registremos de passagem — é um exemplo completo do repórter epistolar. correspondente a um ano 73 Carlos Rizzini – Obra Cit. não tolerava a impontualidade dos amigos (e a um dêles escrevia) : “jamais a tirania de Mazarino. com a “Acta Diurna”. Villegagnon não deixava de corresponder-se da Hungria com o cardeal de Lorraine “pour ne pas feillir à ma coutume de vous ecryre toutes les septmaines”. passaram naturalmente as cartas a constituir a crônica da semana. . mas ser regularmente transmitida do redator ao leitor. 75 Carlos Rizzini – Obra Cit. transmitia tantas e tão oportunas informações. às suas finalidades sociais. como podemos observar desta curta citação. depois. Guy Patin. permitiu a introdução da regularidade nas comunicações entre os homens. em tremenda fôrça renovadora a serviço do erguimento dos povos. não atinara com a tipografia e nem suspeitava se desmedisse o seu destino. Conquanto das muitas epístolas escritas em vinte anos por Saint Simon ao cardeal Gualtério apenas quatorze hajam sido identificadas.. a determinante do periodismo. a guerra do príncipe de Condé. aprisionado nas cartas particulares.

tendo de socorrer-se do çinema e da fotografia. são anunciadas como “extraordinárias”. atraente. a frase muito expressiva na caracterização do labor do repórter: “Amanhã o leremos no jornal. tanto pela multiplicação dos jornais como pelo surgimento e expansão dos demais veículos: o rádio. será o amigo gratíssimo que não entedia. caso pudesse ser feita particularmente.— nem o tele -jornalismo deixou à margem a periodicidade e os tele -espectadores já se acostumaram a ouvir e ver. entre nós. os “mensários” — Os quais. como expressão máxima do jornalismo.. etc. ao contrário. máxima propaganda do diário. . é esperado com impaciência muitos dias. 207-208. cheio de conteúdo. que não cansa.. tôda a atividade individual. cujos horários de audição são. em conseqüência. tornou-se “um amigo que entra diàriamente na casa do leitor.. não sômente no seu país de origem como em tôdas as partes do mundo.. se bem que com maiores dificuldades. em determinadas oportunidades. Os come ntários e notícias radiofônicos obedecem a horários pré-estabelecidos e aquelas audições. É. sequiosos de informações. dado que a sua técnica é mais complexa. o que vem demonstrar que a periodicidade surgia como um atributo cada vez mais rigoroso desde que se aperfeiçoavam os métodos de produção e se tornavam mais rápidas as comunicações. Êste afã de saber no momento exato generalizou-se profundamente na consciência coletiva. e menos considerado cada vez que não chega ou se retarda. reclamavam uns dos outros qualquer retardamento na troca de cartas. O repórter é precisamente a pessoa dedicada com exclusividade a êste mister. 33.. E. a importância da periodicidade cresceu sobremodo nos últimos dois séculos. que permita a caça ou a excursão. surge. os fatos que constituem notícias. em nome e em benefício dos demais. Se êste amigo chega em tempo oportuno.inteiro. Vimos como ainda na época do jornalismo epistolar os correspondentes. Para que: a) — o leitor seja servido no tempo convencionado. Todo periódico se faz sob a tensão do rendimento completo na hora exata. é sempre bem recebido. Pobre do 77 Octávio de Ia Suarée — Obra cit. Igual observância de intervalos regulares têm os noticiários cinematográficos.. Assim temos às centenas os diários da manhã. o cinema e a televisão. Desde a hora da missa dominical. provocadas por acontecimentos extemporâneos. — pág. normalmente. “A hora da edição é sagrada.. quando as suas câmaras pré- dispostas não focalizam diretamente o acontecimento. e) — não se interrompa o costume do pregão dos vendedores.” editado pelo impressor Juan Carolus. de todos conhecidos e cujas notícias breves e incisivas têm intensa repercussão em tôdas as camadas sociais. mas que. b) — não se perca o correio. — págs. tôdas as necessidades sérias ou alegres da vida humana sugerem uma pergunta diária ao diário visitante. faltar a ela equivale a entregar-se atado de pés e mãos ao concorrente. lançados geralmente tôdas as semanas por diferentes produtoras. o repórter “olhos e ouvidos do jornal” e.78” O jornal. olhos e ouvidos daquelas pessoas que. os “anais”. do semanário “Relation aller Fürnemmen. as folhas da tarde. Exemplo frisante da rigorosa periodicidade no rádio-jornalismo é o internacionalmente divulgado “Reporter Esso”. 78 lsmael Herraiz — Obra cit... como recurso final. Nos Tempos Modernos — Todavia. em Estrasburgo. os expressos dos domingos e mais os “semanários”. em 1609. pois. Não foi sômente a consciência do jornalista que se sentiu afetada pela periodicidade. “Quando a curiosidade das gentes por um sucesso encontra dificuldades. d) — não se converta o jornal em um artigo de aparição anárquica. desde o seu título à menos importante das suas notícias. guardam rigorosamente os períodos das suas aparições.77” De tal sorte entrou a periodicidade na consciência jornalístico universal que passou a servir de epígrafe a numerosos órgão s de publicidade em todo o mundo. têm de aplicar os seus sentidos a outros labores profissionais. até o programa dos espetáculos. O jornalismo industrial impôs a concorrência e desta nasceu a “tirania do relógio” e dos competidores. contendo atualíssimo documentário das ocorrências mais notáveis. ao rival.“ (É que) a investigação das notícias interessantes ocuparia..

etc. de Hutchinson. contendo geralmente todos ou alguns dos atributos do jornalismo — ocupando-se dos fatos correntes (atualidade). uma forma jornalística perfeita para as épocas em que os meios de 79Francisco de Luis y Diaz in El Periodismo — Barcelona. um dos jornais políticos mais importantes no período entre as duas guerras. sôbre o espaço da edição da manhã. “News Herald”. Seis jornais dêsse tipo foram registrados. Publicam. nos mensários e anuários. no entanto. nos telefônicos e. 4. Ka. nas revistas e magazines. vocábulos etimològicamente tão divergentes como jornalismo e periodismo. nos Estados Unidos. de Greensburg. sobremodo. ainda. desde aquêles de horas até os de semanas. o qual jamais ultrapassou uma tiragem relativamente modesta — 40. janeiro de 1958 — pág.. Assim. diários que publicam edições tanto pela manhã como á tarde.. na linguagem universal. cedeu lugar ao jornalismo periódico. Em tôdas as edições são usados os mesmos estilo. “Manchester (N. Ida. calculada. mas períodos variáveis. oferecido cada vinte e quatro horas.. dia a dia mais interessado pelo conhecimento das ocorrênci4s que se desenrolam não sômente no seu próprio “habitat” como nos mais longínquos rincões do mundo. então.. e logo lhe buscarão um substituto e discutirão com outros as vantagens de trocar de amigo79. 3. dos mais vivos. 2. ao sabor dos acontecimentos. sem nenhuma dúvida. mas que não as designam como matutinas ou vespertinas. nos jornais cinematográficos. uma edição no horário da manha e uma à tarde. “Tribune Democrat”. 328-329. Ky. Cinco dêsses jornais aparecem em três edições diàriamente: a primeira cerca da meia noite. de Owensboro. os prazos em que os veículos jornalísticos devem surgir tom o seu rosário de informações e comentários.visitante que decepciona habitualmente a todos. O jornalismo diário será. cuja periodicidade ou é arbitrária. nos luminosos.. a seguinte próximo ao meio dia e a última pelas dezoito horas.”“Um jornal que não aparece à hora costumeira — escreve Gilbert Henry- Coston — perde os leitores e assinantes. os assinantes recebem sòmente uma cópia: geralmente a edição impressa à tarde. a saber: “Tribune Rewiew”. Danilov. 80 Recentemente. e o “Times News”. como manifestação periodística. focalizado o papel saliente que o epistolário ocupou. o jornalismo diário. mais.30) e à tarde (2. portanto. que não mais exprime apenas longos prazos entre as suas manifestações. de Johnstown. de esperá-lo depois. por seu turno. oferece algumas características dêsse tipo de jornais: 1. que as exigências do público. Pa.) Union Leader’. aquêle ordinàriamente exercido a horas certas e em um dia: as edições normais dos matutinos ou vespertinos80. 1953 págs. mudando apenas as “manchettes” e notícias de última hora. entretanto. não era um dos. Há a considerar. meses e anos. um dos que possuía clientela mais fiel ?“ Essa constatação e essa indagação resumem. melhor redigidos. . orientando-os. editoriais. “Messenger and Inquirer”. pelo “Audit Bureau of Circulation”.A publicidade é vendida em uma base global. no mínimo. O “Times News” dá duas edições: pela manhã (1. Pouco a pouco deixarão de atendê-lo primeiro. ou é marcada por prazo superior ao das vinte e quatro horas que constituem o dia.H. apreciados e comentados (interpretação) e regularmente enviadas (periodicidade) a amigos ou grupos de amigos com o objetivo de pô-los ao corrente das novidades.46). vínculos tão íntimos e indissolúveis que tornaram sinônimos. DA POPULARIDADE Temos. E.000 exemplares — em razão do retardamento registrado na sua saída. Pa. A despeito das suas múltiplas edições. durante séculos. Victor J. dos mais bem feitos da imprensa política francesa. freqüentemente. no desenvolvimento das suas atividades — as cartas foram. de natureza a mais diversa (variedade). Mass. de modo completo. as emissões de rádio e televisão nos seus programas ordinários. que.. 11. de TWIN FalIs. surgiram os chamados jornais do “dia inteiro” (“all day”). materiais. por muitas decadas significou o máximo de presteza na divulgação de notícias. As cartas. Basta citar o caso de “L’Action Française”. O jornalismo periódico será.em estudo publicado no Nieman Reports de Boston. encurtaram. os profundos vínculos existentes entre periodicidade e jornalismo. aquêle desenvolvido em edições e horários extraordinários.

86. antes e mesmo muito depois do surgimento da arte de imprimir. prestigiada pelas rodas aristocráticas e palacianas em que se cruzava. . grupos de pessoas ou comunidades restritas a que eram dirigidas as cartas. aos avvisi venezianos. ao mesmo tempo em que fixar a poderosa influência que a Boa Nova. nos excessos da fascinante perversão com que as sociedades de origem feudal. tenham sido traduzidas e reproduzidas pelos prelos em todos os países civilizados.” 82 Nos dois séculos seguintes. graças à fartura de papel e à normalidade da posta.. outras com instrução primária ou elementar. como a expressar não sômente a instituição que permitiu a distribuição de exemplares como também a forma epistolar a princípio adotada — iria impor paradoxalmente a morte do jornalismo manuscrito. em 1494. entre risos e chusfas. “A correspondência ainda satisfazia no seiscentismo a ânsia de contar novidades. a composta em letra de fôrma e já rebelde aos contrôles e à censura. se conheceu com a denominação de Zeitung. as doutrinas. os limites dos círculos fechados de leitores foram rompidos: a gazeta manuscrita e. como ficou dito. influentes e letradas rodas. É que aquelas pessoas. veículos. compreendia quatro fôlhas em formato quarto e o exemplar a que nos referimos leva o nome de Copia der Newen Zeytung auss Presilg Landt (Brasil) e se conserva atualmente na Biblioteca de Munich. não para impelí-la adiante. dirigidos a grupos e comunidades. a que se encarregou. às news letters inglêsas do século XIII ou aos Ordinari Zeitungen dos mercadores alemães terem sido. foram-se ampliando em número e graus de educação. da informação e da orientação. Como ninguém recusará ao jornalismo manuscrito. a ponto de ainda hoje perdurar a denominação de “Correio” para numerosos órgãos da imprensa. a cujo estabelecimento tanto deveu o jornalismo para a sua evolução. com o Renascimento e a idade das grandes descobertas. Ninguém poderá negar o conteúdo jornalístico das epístolas de São Paulo. embora ronceiros e limitados. raro e morosamente.transporte e comunicação entre os homens se faziam difícil. espalhava em cartas a alguns amigos. indo. uma carta. Ou recusar os méritos do trabalho do padre Antônio Vieira. advertindo a todos os cristãos dos perigos e ameaças que constituia o domínio turco sôbre Constantinopla e exortando-os a levantar-se para expulsá-lo da Europa — divulgavam notícias de interêsse geral. 1935 — pág.. quando Gutenberg fêz publicar. iam-se sucedendo. as novidades colhidas diretamente na Cidade Eterna ou ali chegadas através de gazetas e cartas particulares. entre os quais o marquês de Gouveia. sequiosas de informações. desde 1455. resolvendo a triste alternativa de sumir-se ou adaptar-se. sendo a primeira fôlha volante que. quando o saber se homisiara nos conventos e monastérios. únicas então engrenadas na vida pública. atravessou do “diletantismo ao profissionalismo para encarreirar-se no seu próprio e 81 O Weise — La Escritura y el libro — Barcelona. 47. deixaram-se morrer alegremente. dirigidas por Colombo ao tesoureiro real da Espanha. Vale observar aqui que as volantes. “Não é pois de estranhar que as comunicações sôbre o descobrimento da América. 82 Carlos Rizzini — Obra cit. Quando o português Cabral chegou às costas brasileiras e tomou posse solene daquêle território para o seu rei. . de comentá-lo extensamente. Às gerações analfabetas e ignorantes da Idade Média. dom Rodrigo de Menezes e Duarte Ribeiro de Macêdo. a Roma a trato de negócios. com trabalhos dedicados ao território que acabava de descobrir-se. escapava a qualquer censura. a imprensa alemã se apressou em divulgar o fato. em Mogúncia. a quem já nos referimos como jornalista-locutor nos seus “Sermões” e agora lembramos como jornalista-redator que. depois. mas para abismá-la. Além de fácil e pronta.pág. de indulgência do Papa Nicolau V. as normas de vida nelas indicadas exerceram para o processamento da revolução social do Cristianismo. Este periódico foi impresso por Erhard Oeglin em Augsburgo. os conceitos.81 Extensão da Popularidade — A expansão dos serviços postais. mediante cuja leitura estaremos capacitados a ressuscitar uma das mais decisivas épocas da história da humanidade.

Recusa levar. como ambas são as vias de acesso que têm os povos para ser arquitetos do seu próprio destino. beneditinos e franciscanos (nos quais se refugiavam os corpos de “nouvellistes”) que. transgredindo-se as leis e enganando-se a polícia. não sôbre assuntos escolhidos: sôbre todos. as massas.sôfrego destino de informar mais.. A imprensa. ao passo que o leitor avulso tinha de ser abordado num lugar inatingível: a rua. Das três vias gradualmente rompidas pelo jornal — assinaturas. é preciso que haja sempre no govêrno filhos do povo que velem pela sua aplicação prática. 84 Horacio Hernandez A. Chegara o momento histórico em que a massa compreendeu que a Imprensa é uma mercadoria. é a sociedade humana inteira. Para que a instrução pública gratuita não seja letra morta na Constituição.. decidem que sem ela tão pouco poderão ser conservadas e a consagram assim como o mais completo de todos os seus direitos. e muito importante por certo.. a que se dedica à preparação de panfletos revolucionários. 16.. recusando-se a admitir o primitivo serviço real e plutocrático a que a destinaram os seus fundadores. 42-46. entretanto. o jornalismo. não por cortesia: por obrigação. Sucede algo mais. uma nova imprensa. e simultâneamente.. única tateável nas trevas ela que longamente se foragiu a informação escrita. sem a liberdade de imprensa as outras jamais poderão ser obtidas. — Obra cit. pelos cláustros dos agostinhos.. conduzem sôbre uma lança esta reivindicação: — instrução pública gratuita. a instrução pública gratuita. . recordando que. na Europa. mas à maioria. isto é. ampliando em círculos excêntricos a sua penetração. a um círculo de pessoas escolhidas. que quatro linhas de jornal são mais demolidoras contra um regime tirânico do que quarenta mil esfarrapados tumultuando as ruas. das massas. a facilidade do seu menêjo e o barateamento da sua confecção.. 85 Octavio de la Suarée — Obra cit.. com risco da vida e da liberdade... completando-se assim o quadro universal:já não são classes reacionárias ou liberais que se identificam com a Imprensa. O jornalismo popularizava . caindo como uma pedra na superfície de um lago. “Em aberta rivalidade com os dignitários e senhores. o sufrágio universal e a liberdade de opinião. Por outro lado. refletia o espírito dos novos tempos. como dizia Renaudot. firmando definitivamente o seu prestígio. Os três estágios do itinerário seguido pela sociedade para identificar-se com a imprensa foram. não a um destinatário-amigo: a quantos destinários-assinantes se dispusessem a pagá-la. segundo Mirabeau. que o emprêgo melhor do chumbo não está na fabricação da bala mas na da letra de impressão e que o cavalo de qualquer gendarme pode saltar uma barricada. pelo que a ilustração é indipensável para poder aproveitá-la. como a mais absoluta de tôdas as suas liberdades. e as massas. vendas avulsas e publicidade — adiantou-se a das assinaturas. acionada primeiro por debaixo — instrução pública gratuita — o será agora por cima — intervenção do povo na sua regulamentação oficial. pág. É que o leitor-assinante poderia ser alcançado à sorrelfa.” 84 Nesta recusa. As gentes aprendem assim. Mais de duzentos anos levou ela a grimpar a ladeira aparentemente suave que vai do leitor-assinante ao leitor-avulso. lançou-se à conquista da rua.se: não era mais dirigido “a uma elite. ilustra com o exemplo a todos os cidadãos sõbre o terrifico poder dêsse novo instrumento de ação. .”83 Foi pelos botequins e cafés de Paris. a toga do doutorado para pôr-se na vestimenta humilde do peregrino. pelos clubes literários de Londres. do povo. os povos ajudaram a Imprensa. — pág.”85 83 Carlos Rizzini Obra cit. mas uma mercadoria para o entendimento. e sôbre o vasto panorama da grande revolução francesa. mais depressa e a mais gente.. 55. . — págs. compreendam que é imperativo ganhar ao despotismo uma segunda batalha: a do sufrágio universal. pois. para que ela se democratizasse. mas até o Rei se detém ante uma coluna de material impresso. das idéias que começavam a germinar e que seriam triunfantes na Revolução Francesa. Como as duas conquistas fundamentais se fizeram na luta contra a arbitrariedade e a tirania..

que sòmente o lê uma fração. na Suíça. do perigo da sujeição da redação à política preconizada pelos 86 Horacio Hernandez A. alcançar em profundidade e extensão as maiorias a que se dirige. o que êsse jornalismo especializado visa é um fim ideal: atingir as massas. Tanto é assim que. Com efeito. por conseqüência. 87 Jacques Bourquin — Obra cit. 49-50. na sua opinião. “o Tribunal Federal considera. que não tinham mais capacidade de levar as informações e a orientação à comunidade inteira. e que. o Tribunal Federal. visando o interêsse coletivo antes que os da emprêsa. nos países liberais-democráticos. deve ser pôsto debaixo da garantia constitucional. ser postos sob o benefício da liberdade de imprensa. mas é que bem sabem que estão obrigados a respeitá-la pela própria circunstância de que o leitor. Popularidade e Liberdade — Atingidas as condições ideais para o seu mais amplo exercício. beneficiá-las através dos médicos. as gazetas manuscritas. adotado o papel como matéria prima ideal para a reprodução dos textos. Os anúncios. reclames s outras publicações que não são reproduzidas senão com fins comerciais e egoístas. e transmití-los. “Se acontece. que os prospectos. Rod W. o jornalismo retirou-se dos antigos e superados veículos: os pregoeiros. dirigindo-se a uma expressiva parcela da mesma. aos demais membros da sociedade. Disseminados os processos tipográficos. mas sim depen4endo da liberdade do comércio ou indústria. Se falta popularidade ao jornalismo. Horton. — pág. vai perder muitos leitores para um concorrente de mais consciência. que. então as próprias garantias da liberdade de imprensa lhe são recusadas pela legislação vigente nas mais avançadas democracias do mundo. anúncios. inclusive. e obter a consideração unânime.” 86 E mesmo quando se faz especializado. insere estudos e dá conta de experimentações sobre determinado e novo processo terapêutico. se a publicação não se destina a atender àquele fim ideal. da tirania do anunciante. negou o benefício da liberdade de imprensa a um prospecto. não devem. ainda ai estará presente a popularidade. é livre. 88 Rod W. 16. a popularidade. da mesma forma que os’ artigos ou informações que perseguem fins estritamente profissionais. a atividade jornalística concentrou-se no jornal. cujo objeto. a respeito. argumenta: “Não é sòmente que os jornais respeitem a independência do leitor por responsabilidade ou senso de justiça. por um decreto de 1910. abrir caminho embora à custa de inumeráveis sacrifícios. caem sob o conjunto de regras de polícia profissional. Quando uma publicação médica. que muitas vêzes não é amigo da redação. o leitor não admite distorções ou supressões propositadas ou um constante sacrifício da objetividade a propósitos personalísticos. É o princípio da liberdade de imprensa condicionado à liberdade de escôlha do leitor. os mensageiros. quando as suas manifestações não se destinam a atender aquêle fim ideal de promoção do bem comum. capaz de circular ràpidamente e. por exemplo. — faltar-lhe-á o apoio do leitor. — págs. suscetível de apreender com facilidade os informes e diretrizes nêle contídos. vulgarizando-os ou praticando-os. em linguagem e estílo apropriados. isto é. era essencial- mente lucrativo: a venda de certos produtos. Horton — A liberdade de imprensa e o leitor livre — in Jornal do Comercio. Ao contrário. o seu propósito formal é chegar realmente a todos os indivíduos. isto é. como ocorreu com a descoberta da penicilina. Assim. se o jornal não joga limpo. tese defendida pelo prof. as epístolas. em regra geral. — Obra cit. desde que um aviso ou reclame se tenha publicado com a intenção de servir ao interêsse da comunidade e não com objetivo comercial. lucrativo ou egoísta. na prática. Recife — 15-12-57 . mais do que propagar teorias debatidas.” 88 Essa circunstância é que liberta o jornal. a cuja ciência e arte está o encargo do diagnóstico dos casos e da aplicação do medicamento apresentado. E mesmo quando sôbre o jornalista ou a emprêsa não recaem as penas da lei pela violação de códigos penais ou meramente éticos. julgando que se tratava de um recurso de direito administrativo e não de direito público.” 87 Mas não são apenas as garantias constitucionais que são recusadas ao jornalismo. no sentido de que a objetiva prestar serviço a tôda a comunidade. sôbre o jornal pesará o boicote do leitor. os arautos. que refletem efetivamente o pensamento coletivo sôbre os limites da liberdade.

algumas vêzes aceitando o ponto de vista do jornal. que fogem aos rígidos limites do sistema dominante. o seu jornal tinha tiragem média diária de 600. na praia 4 Piedade (hoje Hospital da Aeronáutica). com a queda de Hitler e Mussolini e que. 89 O coronel Knox estêve no Brasil durante a guerra. Foi o que ocorreu com um jornal de Detroit. restituída aos seus leitores. ao tempo da II Guerra Mundial.” Palavras que são uma séria advertência aos governos que pensam poder restringir a liberdade em nome das suas concepções filosóficas. que o público leitor é muito reduzido.grandes “trusts” comerciais e industriais. forçado a ler os “seus” jornais e sòmente os “seus” jornais. o povo poderá atirar-se a um caminho que submerja o país na anarquia e no cáos. Horton lembra. é mais formidável quando é uma novidade. recentemente. se bem que tenhamos uma imprensa apaixonadamente opinativa. que jamais esqueceram a sua voz poderosa e livre. o prestígio e a autoridade que inutilmente Perón tentara manter em seu proveito. reduzindo-se autênticos zumbis. quando. de um golpe. exatamente porque o cidadão-leitor.. Como também o liberta da tirania dos grupos político- partidários ou dos interêsses exclusivistas e pessoais dos seus proprietários ou acionistas. melancolicamente editados por honra (ou desonra) da firma. a quem haviam embrutecido com o ópio da mentira. Veio -lhe a tentação de utilizá-lo para conquistar posição de relêvo nos quadros políticos norte-americanos. Em 1954. Então. provocando a sua retirada da emprêsa com aquêle prejuízo financeiro. quando visitamos êsse jornal — onde o fato nos foi narrado — a sua tiragem ainda não conseguira atingir os 200. Liberdade e popularidade são têrmos de uma mesma equação.. Conhece a política do jornal e separa os artifícios e as interpretações dos próprios acontecimentos. a repercussão na popularidade do jornal da sua política editorial também tem causado o êxito ou fracasso de muitas emprêsas. Assim mesmo. que se iludem a si próprios. mais de dez anos depois da desastrada “operação Knox”. e exige também que êles sejam misturados com as opiniões da redação.. entre um povo não acostumado a ouvir discussões de assuntos políticos. Rod W. que foi secretário da Marinha dos Estados Unidos. desinteressou-se pelos temas e problemas políticos. como tôdas as liberdades. confiando na primeira tribuna que se apresenta. Iniciou e desenvolveu a campanha: ganhou a Secretaria da Marinha.. os ‘episódios de jornais empastelados. São êles (os leitores) que constituem a mais poderosa censura da imprensa. inaugurou um hospital do US Army. “O leitor exige os fatos. . são êles os verdadeiros leitores livres que exigem e forçam a responsabilidade jornalística do país. porém com o privilégio de opinião particular. Deve-se levar em conta.. pois o jornal decaiu no conceito público.000 exemplares. No Brasil. No Recife. cujo maior acionista era o coronel Knox. Assim.. O prof. tornar-se um perigo para a ordem na comunidade. que teve o seu nome. entretanto. que impedem a escravidão do jornalismo norte-americano por fôrças econômicas gigantescas e quase irresistíveis. na argumentação da sua tese. não ocorrendo aqui o que se verifica nos Estados Unidos. mas perdeu onze milhões de dólares. com oportunidade. igualmente. onde 98 por cento da população é alfabetizada e onde se vende diàriamente um jornal para cada três habitantes. incendiados e destruidos pela fúria das multidões por se terem colocado contra os interêsses da maioria dos seus leitores pontilham a história do nosso periodismo. La Prensa readquiriu. na reconquista da sua amplitude.89 O coronel não era político. outras vêzes rejeitando-o para tirar as suas próprias conclusões. Palavras que se confirmaram na Alemanha e na Itália. o qual confia na primeira tribuna que se apresente. tiveram a mais viva expressão na República Argentina. perdendo os leitores. A liberdade de imprensa contida pelas fôrças dos governos ditatoriais pode. estará enfraquecido intelectualmente para discernir entre a demagogia irresponsável criada pela embriaguez da liberdade e a orientação responsável dos jornais. verdadeiros arautos das aspirações coletivas. e menos espetacularmente não têm sido poucos os oj rnais que vão definhando. Aceita os truques da inclinação. julgando que o povo.000 exemplares. as palavras de Tocqueville: “A liberdade de escrever.

sim. estações emissoras e receptoras.” 90 Condições da Popularidade — Graças à circunstância de atender. Babbit. Não se nega. textos breves e editoriais resumidos. de deter-se muito com o jornal. sendo limitadas as suas possibilidades de atingir a tôda a coletividade. grandes títulos. começa com o leitor e o leitor lutará na defesa dos seus direitos até a última bala. do aperfeiçoamento dos processos adotados. por conseqüência necessitado de ler. e até o Zê Fulano — insistem em ficar livres. com o surgimento de outros meios de difusão. não sendo superado.o professor ilustre. às mais amplas exigências da popularidade. chamado constantemente a definir-se e. frente a um receptor de rádio ou televisão ou sôbre a poltrona de um cinema. . 1946 – pág. Foi. a popularidade não reclama apenas um veiculo de fácil e geral penetração mas também uma linguagem. que a cada dia. muitas fotografias. amena. como leitor.91 o que indubitàvelmente é ir longe demais considerando-se o atual estágio da nossa civilização. O bom jornalista bem sabe que não se pode curvar ante essas fôrças sem perder o respeito e o apoio financeiro e moral do le itor livre. considerado supérfluo — não e nega que esteja em crescimento a influência dêsses veículos. das distorções de uma redação cativa e interessada. para colocá-la de acôrdo com a nomenclatura. pela própria dinâmica da época em que vivemos. da nossa era. A redação tem que ficar livre de um govêrno tirânico. haveria de compreender. fácil. foi de opinião que melhor seria chamá-la comunicação das massas. Mr. Além disso. um estilo. com o objetivo de analisar a imprensa moderna. como o foram as cartas e gazetas manuscritas. é que o jornal se manteve no nosso século como principal manifestação periodística. o público moderno. comentários. Com efeito. através dêles. leve. 2.a liberdade de imprensa. Recife – 15-12-58 91 Horácio Hernandez A. ouvir. não tem tempo. enquanto o professorado e o apostolado religioso buscam convencer e converter. atendendo a êsse atributo do jornalismo que uma comissão de 13 membros. accessível. em razão do desenvolvimento da técnica. que permitem uma leitura rápida e que. fugindo ao verboso. se processasse o trabalho jornalístico. ao enfadonho. aquelas fôrças também têm que ser vencidas. mediante estudo mais completo. E porque exigem não sòmente estúdios apropriados. mas se existem fôrças arrogantes em outros quartéis além dos do govêrno. cinematográfico e televisado pairam restrições até a respeito das condições em que são beneficiários da garantia de liberdade de informação e opinião. – Nota à pág. uma forma própria. igualmente. Citado – Jornal do Comercio. é que sôbre o jornalismo radiofônico. como veículo. o jornal de maior tiragem do mundo 90 Rod W. ao professoral.. porém. Êstes modernos veículos. talvez. O Govêrno pode ser o mais benevolente e o mais liberal do mundo. 92 Daí o êxito dos “tablóides”. ouvinte ou assistente de um interminável desenrolar de notícias. que se torne mais e mais extensa e profunda a sua popularidade. é verdade. – Obra cit. também. opiniões e documentários. ao retórico. discutir opiniões. da elevação dos níveis de vida da sociedade. transmitem uma impressão forte e duradoura. ao gongórico. designada pelo Reitor da Universidade de Chicago. 92 Clemente Cinmorra – Historia del periodismo – Buenos Aires.. Horton – ART.daquilo que era. pela condensação das matérias e pelo aspecto gráfico com que são apresentadas. o cinema os livros. O Daily Mirror. Outrossim. os centros de educação e as igrejas. se bem que ansioso por novidades. há pouco. mas os leitores independentes . o George F. o jornalismo visa tão sòmente opinar para debater. Robert Hutchins. Uma enquête realizada nos Estados Unidos rnostrou que a metade dos leitores interrogados não dispunha senão de um quarto de hora para dedicar ao jornal. incluindo nela não sòmente os diários e “magazines” como o rádio. como salas de projeção e aparelhos captadores e televisores. com a transformação em necessidade . de Londres. é que tiveram de demonstrar a eficiência dos seus meios mecânicos de reprodução e as suas possibilidades de divu1gção para que. com uma insinuação de que. jornais de pequeno formato. 95.

o cinema ou a televisão.” Foi também essa capacidade de incitar as massas à ação que levou Lenine a pregar que “sem o jornal toda a propagação. Os relatos e as idéias expressas pelos veículos jornalísticos têm o proj3ósito de permitir ao homem um pronunciamento. A sociedade. imagens. elemento determinante na vida individual como na vida coletiva. por vêzes superficial análise dos acontecimentos. impelindo-o para o futuro através das vias do progresso técnico. como o indivíduo. impulsionando-o na sua trajetória. terá de decidir. no caso dos periódicos ilustrados substituem pràticamente os detalhes literários da reportagem por fotografias e desenhos. jamais.os noticiários e comentários radiofônicos. O Cruzeiro do Nordeste entre nós. pois onde existe uma imprensa livre não sobrará lugar. desenhos ou outro qualquer processo de comunicação do pensamento que o engenho humano possa ainda inventar ou empregar — o jornalismo. e de Life nos Estados Unidos. geralmente entre dez minutos e meia hora. uma decisão. pode passar sem ela. para quem o jornal era “o respiradouro geral das consciências. a cada passo mais objetivamente. não pode. se se pensa no tempo que se lhe dedica. ao oferecer à massa a sumária e.” A doutrina e a prática estão. o rádio. eu optaria por esta última. como Bowles. A técnica da síntese aplicada ao jornalismo atingiu igualmente as revistas e “magazines” que. Jornalismo e Sociedade — Êsse aspecto promocional do. sem pretender traçar roteiros rígidos e exatos.jornalismo foi que levou os retóricos. nenhum núcleo social.(mais de quatro milhões e meio de exemplares) é um exemplo típico da imprensa popularizada moderna. DA PROMOÇÃO Através da análise que fizemos de cada um dos caracteres do jornalismo. utilizando todos os sentidos — rádio e cinema não fizeram mais do que . a defini-lo como um sacerdócio. ficou evidenciado. Quer utilizando a imprensa. se ot rnou numa instituição indispensável para a formação e orientação dos povos — a promoção dos meios tendentes a assegurar o bem comum. de Blanc et Noir. grande inimigo dos tiranos è braço direito da liberdade” ou como o nosso Ruy Barbosa. nascida com. o jornalismo. selecionam ou condensam textos ao máximo e. desde as épocas dos limites e restrições dos primitivos veículos. a própria organização social. quer através de letras. têm a preferência do público quando resumem. atua como propulsor da ação individual e coletiva. de penetrar e repercutir em tôdas as camadas- sociais. e Jefferson — que durante o seu govêrno sofreu tremenda oposição jornalística — a proclamar: “Se me fôsse dado escolher entre a liberdade de govêrno e a liberdade de imprensa. os programas informativos da televisão e os documentários de atualidades cinematográficos não excedem. palavras. classificando o jornal de “censor da terra. a finalidade precípua dessa atividade que. Por seu turno. “A imprensa é. de um período de tempo tolerável ao público. sem dúvida. por muito tempo. até a amplitude dos meios de comunicação e circulação dos tempos modernos — continua a ser a mola que aciona o maquinismo jornalístico.escapar à evolução. para um govêrno injusto e desonesto. A popularidade — que se constitui no elemento-combustível do jornalismo. a comprovar o caráter promocional do jornalismo. de impulsioná-los à ação. freqüentemente. de alcançar. o máximo de popularidade. ne nhuma pessoa. o grande aparelho de elaboração e depuração das sociedades modernas. sangue vital circulando através do espírito humano. intermediário da opinião pública. tôda a agitação sistemàtica. para a consecução dos seus objetivos. na França. as técnicas e as indústrias. nos nossos dias. variada e fiel aos princípios é impossível”. enfim. como ocorre com o universalmente famoso Seleções do Reader’s Digest — e as modernas revistas semanais do tipo de Manchette. desenvolvida e ampliada à proporção que se desenvolviam e ampliavam os códigos éticos.

Antigamente. uma alma coletiva. Êsse laço invisível que une a todos os homens por algo que reclama a sua atividade ou que serve de fundamento ao seu juízo. sem se conhecerem uns aos outros e nem àqueles que lhes transmitem impressões. por mais sedutor que seja. criará uma atmosfera de tolerância ou sectarismo. 1925 — pág. como igualmente devemos anotar não sòmente a sua influência ativa sôbre nossas determinações como igualmente a passiva. lhes sugestionam idéias. Rodrigues — Os Estados Unidos visto. — pág. habilitando-a tomar decisões frente aos problemas que se sucedem. 98 Conf. pois. em vista da iminência dos fatos e das suas conseqüências possíveis. a cada hora. lhes temperam o espírito. era até certo ponto forçoso para obter a ação coletiva que os indivíduos se reunissem. “A simples leitura das notícias tem. contemplativa. o jornalismo não pode ser tomado como uma atividade isolada. Porque não é só o tempo direto que nos leva a imprensa a todos. 94 Horacio Hernandez A. cujas palavras inflamadas os fariam adotar idéias e sentimentos que jamais haveriam aceitado sem o influxo poderoso do grupo. “é o homem mergulhado: “entwuyf”(Heidegger). do contrário. — Obra cit. todavia. não pode viver isolado. — pág. os indivíduos espalhados. destinado a dar à sociedade uma maior consistência pelo conhecimento de si mesma. ao contrário dos demais intelectuais. atraídos por qualquer fato do momento e guiados por um chefe. ordinàriamente de igual maneira e ao mesmo tempo. 95 Tristão de Ataíde — Art. 276. 41. é difícil ao leitor do jornal não ser impregnado quer por suas afirmações quer por seu ceticismos O jornal. no ânimo da multidão. como sendo o domínio do Acontecimento e da Ação. dêsse comércio permanente e recíproco. êsse laço sòmente se estabelece quando os fatos relatados ou comentados são atuais. Essa integração do jornalismo na sociedade arrancou a Jules Pigasse a correta observação de que “se se pode escapar da influência de um livro. em que cada leitor se sente solidário com o grupo ao qual pertence. . agrupando-se em correntes de opinião sôbre fatos ou acontecimentos que.contribuir para acabar de fixar a sua penetração na existência humana — se chegará à conclusão de que a nossa civilização se desenrola e morrerá envôlta em papel de jornal. no “elanvital”” (Bergson). não apenas reforma nossos costumes. no “devenir” dos filósofos evolucionistas do século passado.vivam e se desenrolem.97 assinalou que a imprensa provoca sôbre as multidões reações primárias. em tudo o que os filósofos exprimem. Manuel L. de agir simultâneamente? Gustavo Le Bon. da qual recebe inspiração e sôbre a qual influi poderosamente. portanto. em tinta de impre ssão. o jornalístico. 47. na “potência” (Aristóteles —Tomás).” 98 Contudo. mas também os conforma.” 95 Daí. pouco susceptíveis. em virtude da lei da “unidade mental das multidões”. 134. 97 Gustavo Le Bon — Psicologia das multidões. além disso. sua existência está sempre ligada à vida social. diferentemente. no “projet” (Sartre). independente dos indivíduos que integram o conglomerado humano. um efeito surpreendente. o leitor ou ouvinte da notícia se 93 Octávio de la Suarée — Obra cit. no “vir-a-Ser”. 1955 — pág. é a primeira lei que favorece um estado psicológico do caráter coletivo.in Diário de Noticias — Rio. cit. por jornalistas portuguêses — Lisboa. não apenas na fixação de conceitos. há que considerar também o indireto. 10-11-57 96 Jules Pigasse — Da journalisme — Paris. fazendo com que “as idéias circulem. são postos diante das mesmas questões. Hoje. abstrata. A imprensa não sòmente se lê como se comenta. que estudou profundamente o tema.” 96 Como se processa. graças à manifestação habitual do jornalismo. como já o acentuamos. mas. por sua influência quotidiana formará crentes ou céticos. mediante o recurso tão socorrido da afirmação categórica e da repetição constante. no “fenômeno” (Kant). porque a atualidade de um fato ou acontecimento qualquer atrai a atenção pública e a concentra em uma ordem de coisas. preparará a ordem ou a revolução. provocam a vibração de um grande pensamento coletivo. assim. formando.” 93 Com efeito. esta promoção se o público do jornalismo é constituído por indivíduos dispersos e não apenas aglomerados num ponto.” 94 O jornalista. é que retira a matéria-prima para transformá-la no fermento jornalístico.

como de fato há de ser. os seus caprichosos rumos pessoais ou de grupo. 99 Entre nós. tende fatìdicamente para um dêstes dois polos: para a degenerescência ou para o aperfeiçoamento. no desenvolvimento das suas campanhas. . Foi à ação do universalmente famoso e respeitado “Times” de Londres — que tantos governos tem derrubado na austera Inglaterra — que através da pena do legendário William Howard Russel. daqueles sentimentos e idéias. . simultâneamente. o mundo deveu a revolução nos hospitais de sangue. No setor da saúde pública. encetada com métodos de higiene até então nunca vistos pela igualmente famosa e respeitada heroína Florence Nightingale. os quais se hão de contar pelos males que evita. o jornalismo insiste. muito deve a Grã-Bretanha ao “Times”: em 1929. empregando “todos os recursos de uma propaganda hàbilmente urdida para formar correntes de opinião e fazer com que soluções possíveis tenham a sanção majoritária do grupo”. e a “Fundação da Casa Popular”. do Recife. repisa. as autoridades viram-se obrigadas a tomar medidas para pôr termo à jogatina. levantou subscrição para a compra de radium destinado aos hospitais ingleses e. Como a da aviação civil e a dos postos de puericultura. como reativo enérgico. fecham obstinadamente os olhos para não ver os seus serviços. pergunta-se. Mas.. não deixa que a imaginação popular se desinteresse ou que fiquem esquecidas as premissas. Os que fàcilmente enxergam os seus erros. por meio de unia campanha. promovida pela “Folha da Manhã”. em virtude dela. de âmbito nacional. — Obra cit. e que redundou na disseminação de hospitais. o qual. a da luta contra o mocambo. clínicas e serviços de assistência aos portadores dêsse mal. para ser. a cobertura em que se empenhou tôda a grande imprensa brasileira nos últimos dias de vida e missão do médico paraibano Napoleão Laureano. recebeu e canalizou para o fundo da Cruz Vermelha contribuições que atingiram formidáveis somas. criando uma autêntica consciência contra a habitação miserável e levando o Estado a organizar departamentos especiais para enfrentar o problema. no curso da II Guerra Mundial. a campanha movida por vários jornais norte-americanos contra as roletas mecânicas suscitou em diversos Estados um movimento de opinião que e traduziu na formação das “Ligas de Melhor Govêrno”. tais como o “Serviço Social Contra o Mocambo”. vamos lembrar algumas memoráveis campanhas que proporcionaram benefícios os mais assinalados à coletividade. algumas memoráveis campanhas de imprensa têm resultado em assinalados benefícios à coletividade. que nem sempre o jornalismo atinge à sua finalidade: a promoção do bem comum. é que o periodismo. vítima do câncer. levando governos e instituições públicas e privadas à ação. Jornalismo e Direito — Argüe-se. Sob a pressão conjugada da imprensa e das Ligas. apresenta sempre aspectos novos. em Pernambuco. 145. pelas 99 Horácio Hernandez A. urgente. Por isso é que. para não reconhecer os seus méritos. aliás. primeiro correspondente de guerra na Criméia. irá perdendo definitivamente o seu feitio individualista. todavia. que teve repercussão em todo o país. em Pernambuco.sentirá sòzinho no mundo a cogitar sôbre o problema apresentado. — pág. qual a instituição humana que não está sujeita a erros e imperfeições? “O que não padece dúvida. As Campanhas Jornalísticas e o Bem Comum — Deixando de parte os habituais exemplos de promoção jornalística nos setores da política e do comércio. em quase todos os Estados. encetadas pelos “Diários Associados”. E esta tendência incoercível impõe. como tôda atividade humana no convívio social. o princípio e aplicação da responsabilidade no jornalismo. um “serviço público”. autarquia federal. indispensável. pelos crimes que previne. sem que uma “corrente de solidariedade” a ligue a indivíduos estranhos que partilhariam. Infortunadamente esta é a verdade. Nos Estados Unidos. entretanto.

.. pelos interêsses que. Êle deve. Não estamos absolutamente empenhados em dar liberdade de imprensa a tôdas as classes. “Sendo o espêlho de todos os movimentos de opinião.” 102 As tentativas que se têm feito para transformar a imprensa num “serviço público”- tomada essa expressão na sua verdadeira acepção jurídica. pelos direitos e pelas regalias que. a obra periodística é vasada em linguagem ao alcance de tôdas as inteligências. 101 Horacio Hernandez A. face ao Estado Fascista. portanto. informada e consolidada. assegurar-se dêsse meio de esclarecimento e colocá-lo a seu serviço e no da Nação... e a fôrça. 10. isto é. assim exprimiu a sua opinião sôbre a liberdade de imprensa: “Não temos liberdade de imprensa para a burguesia. sob o tema: “II giornalismo come missio ne”: “Em um regime totalitário. uma vez que lhe faltam a autoridade. que constantemente se renovam e alteram. a imprensa os reflete. sem ela (a imprensa) seriam sacrificados.” 100 Seria um contrassenso. Assim ocorreu no Estado Hitlerista. é que se poderá considerar a imprensa como um “quarto poder” do Estado. “O jornal. o que lhe confere um caráter mais de advertência do que de convencimento. a capacidade de fazer cumprir as suas decisões. utilizando nesta emprêsa todos os recursos psicológicos da propaganda. para o qual o govêrno não se deveria perturbar “pelo. 100. 143. é realizado simultânea ou imediatamente após a ocorrência dos fatos.” A Constituição Soviética de 5 de dezembro de 1936 garante a liberdade de imprensa. faz-se o que é útil ao regime.pág. mas a advertir e orientar a opinião para que esta. esperar que o jornalismo se constituisse num corpo de doutrina ou num programa de ação isento de êrro. brilho da chamada liberdade de imprensa e deixar-se levar à falta do seu dever ficando a nação com os prejuízos. permitindo à opinião pública como tal expressar-se. 1952 . o que não oferece margem a uma perfeita inferência da uas repercussões. não tem geralmente doutrina própria. no fundo. Partindo desta indiscutível realidade. — Obra cit. assim. Pertence a outros corpos desempenhar êsse papel.. já porque o seu campo abrange todos os setores da atividade humana e já porque se dirige a tôdas as classes e categorias sociais — o jornalismo. por sua própria natureza tão heterogêneo. em discurso comemorativo do jubileu da Revolução Soviética.. Por êsse fato. pela sua própria natureza. porque.” 103 “ O mesmo sucedeu com o fascismo: o próprio Mussolini definiu a posição do jornalismo. só serve às alheias. 1951 – pág.. na aparência sem nenhuma coesão entre si. 10. 125) e Stalin. para os “mencheviscks” e para os socialistas. 102 Jacques Bouruin – La Liberdade de Prensa – Buenos Aires. de tôdas as concepções políticas e econômicas. Já porque não se destina a executar o bem comum. 1929 – pág. seria abusivo dar-lhe o caráter de um órgão constitucional. como aquêle que a administração pública presta diretamente ou por meio de concessão para a satisfação concreta de algumas necessidades coletivas — têm tôdas redundado em limitações e contrafações dos atributos essenciais do jornalismo.” 101 Dai. permitindo ao talento expressar-se com mais intensidade.” 104 100 Altino Arantes — Imprensa Política — São Paulo. a lei democrática do número. em discurso pronunciado a 10 de outubro de 1928. à sua revelia. Por outro lado. baseada no reconhecimento pela lei. modificando às vêzes as Proporções das fôrças em jôgo. interessa-lhe menos assinalar motivos para convencer do que preparar um clima propício à ação. já porque tôda a obra jornalística tem a sua base nos fatos correntes. — pág. a imprensa é um elemento dêste regime e uma fôrça a serviço dêste regime.Corrige. não se dirige tanto à inteligência como à vontade humana. com decisão implacável. porém “de conformidade com os interêsses dos trabalhadores e com o fim de fortificar o regime socialista” (art. o promova. 103 Hitler – Minha Luta 104 Michel Potulicki – Lê Regime de la Presse – Paris. seriam postergados. sòmente tomado como uma ênfase. em 5 de novembro de 1927. tem-se imediatamente uma bússola de orientação para o que concerne à ação prática do jornalismo fascista: evita-se o que é prejudicial ao regime.malversações que malogra.

Um dos exegetas do jornalismo espanhol dos nossos dias escreve: “A Imprensa é uma instituição a serviço da Pátria. 122. editoriais e tõda espécie de noticiário para a obra de esclarecimento da opinião popular em tôrno dos planos’ de reconstrução material e de reerguimento nacional” e.. também não fugiu ao diapasão doutrinário do totalitarismo ao declarar que “a imprensa exerce uma função de caráter público. 1942 – pág. 59. conto se nada ligasse os interêsses do povo britânico à decisão do Ministerio Anthony Eden. da justiça. militarista ou caudilhista. a nova Lei do Jornalismo (22 de abril de 1938) a idéia que se deve formar do jornal. Reciprocamente. Uma das tantas organizações ou braços de que pode e deve servir-se o Estado para o govêrno e engrandecimento da Pátria.0: — “Aos jornais e quaisquer publicações periódicas cumpre contribuir. o Decreto-lei n. declaradamente ou não. nenhum jornal pode recusar a inserção de comunicados do govêrno nas dimensões taxadas em le i” (art.. por meio de artigos. que instituiu a ditadura estadonovista. presidencial ou diretorial. 8... em cada época colocadas 105 Fray Santos Quirós – Código del Periodismo – Cadiz. comentários. a serviço da nação. 41. vigiando os seus passos para que não se converta em arma de destruição o que deve ser o baluarte da segurança nacional.°. irretorquivelmente. Em virtude dêste princípio. parlamentar. nenhum jornal pode recusar-se a inserir os comunicados oficiais remetidos pelo Govêrno. onde a crítica é a mais ilimitada108. criava o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). o art. de 1937. Ë uma instituição. § 2..°. e que essas leis preventistas e repressivas impedirão que a opinião pública possa ser pervertida. . destinado a controlar e censurar as publicações periódicas107. 109 Afonso Arinos de Meio Franco — Pela Liberdade de Imprensw — Rio. seja êle monárquico ou republicano. boa administração e do bem comum. em 1956. 107 Vide nota 137. comunista. 2. Assim. que são a condição mesma da existência da democracia: liberdade de fiscalização e de crítica.pág. 1954. o que não se processa na inprensa dos países de regime liberal-democrático.. em 1939. utilizam-no corno veículo de propaganda. no seu art.” 105 “Em Portugal. estabelecido que leis especiais regularão o exercício da liberdade de expressão do pensamento.”109 O fim dramático ou melancólico das legislações restritivas ao pleno desenvolvimento da missão jornalística demonstra. por isso. a ditadura salazarista instituiu a censura prévia em tôdas as publicações. porque a liberdade de opinião dos indivíduos ou das minorias políticas desaparece necessàriamente. Por outro lado. nós próprios o testemunhamos.049 dispunha em seu art. ainda de conformidade com o mesmo artigo. 22 estabelece também que o Govêrno defenderá a opinião pública contra todos os que procurem desviá-la da verdade. 23. 106 Rui da Costa Antunes – Direito Penal da Imprensa – Recife. Nestas poucas palavras condensa. pouco importa a sua forma). liberdade de oposição aos governos. Os regimes jurídicos e políticos totalitários. a imprensa não pode nunca ser serviço público. que “a imprensa exerce uma função de caráter público”. Tendo em vista êsses objetivos. 99. quando não o transformam em uma das enrenagens do Estado. a Constituição salazarista de 1933 declara. 1. que as sociedades. tem o Estado o dever e a obrigação de intervir na criação e funcionamento da imprensa periódica. em suma. absorvida pela conveniência ou pela fôrça dos governos. por exemplo. 108 Exemplo dessa amplitude de crítica. como o organismo militar e o poder judiciário. No art.”106 A Carta Constitucional do Brasil. para êsse fim. quando o jornal de fhalor circulação do mundo — o Daily Mirror — encetou violenta campanha contra a atuação do govêrno britânico na questão de Suez. precisamente porque lia se torna o veículo insubstituível das liberdades individuais e políticas. em Londres. 15) . porta-voz do próprio Estado nas questões essenciais. reconhecendo a fôrça promocional do jornalismo. no Estado Democrático. 1957 — pág. não se admitirá que um órgão da imprensa totalitária se manifeste contràriamente a uma ação bélica do país ou tolere crítica à sua posição na política internacional. Nem mais nem menos. n. chegando ao ponto de tenominsr a ação militar desenvolvida no Egito como “a guerra de Eden”. É que “para o Estado ditatorial. a imprensa não pode deixar de ser serviço público. (seja fascista.

possuimos Constituições tão impraticáveis como bem intencionadas e tão insustentáveis como insuficientes.”114 Os veículos jornalísticos “independentes e noticiosos” dos nossos dias não renunciam ao direito e ao dever de opinar. e ganha em estabilidade e segurança. – pág. enquadrados num sistema filosófico. contraproducentes ou iníquas. o jornalismo está exercendo uma função subsidiária vital do Direito. diante do Instituto Internacional da Imprensa.”110 Justamente porque as suas informações e conceitos são desprovidos de caráter imperativo. Essa missão se desenvolve visando as seguintes metas: lA —. de poder de decisão. porque da observação constante do jornalismo atual podemos concluir que os fatos. o que levou Hans von Eckardt a escrever: “Na atualidade. 1926 — pág. quando visa transformar o jornalismo numa instituição sua. 41. cedo ou mais tarde. porém o modo como se recolhem. respondendo a uma questão. Cumprindo êsses itens. e a liberdade.informar tão objetiva e verdicamente quanto possível ao público. servir de meio de expressão à opinião pública. Propomos. dos quais extraem as suas deduções doutrinárias. e porque nascem do contato com a realidade. mais. . as relações entre o Estado e o Jornalismo apresentam o seguinte paradoxo: o Estado perde o seu poder. e a diferença entre êles seria de grau e jamais de natureza. lhe disse: “Não queremos artigos de pensamento. 1957 — págs. à base dos sentimentos progressistas do povo. 114 Conforme Jacgues Kayser — Presse et Opinion in L’Opnuon Pubilque — Paris. defendemos ideais antiquados em que ninguém crê já e discutimos fórmulas que perderam o seu sentido. quando subordina a sua fôrça ao poder sem fôrça do jornalismo livre e veraz. possuimos um Direito que desconhece a política moderna e a estrutura das relações de poder.”112 Aceitando essa premissa. conforme o axioma da profissão — a 110 Hans van Eckardt — Fundamento de la politica — Santiago. quando exige o seu respeito mesme se a lei emudece ou quando reclama. sob os auspícios da União Panamericana: “não é a página editorial que agora governa as idéias. 113 Atas do Primeiro Congresso Panamericano de Jo’nahstas — Washington. do ponto de vista da sua característica promocional. sempre inclui um juízo e. E o fazemos porque “qualquer frase jornalística. se em que inspirados pela reflexão do homem. porquanto. por mais anódima que pareça. — Obra cit. em de opinião e de informação.”113 Não faz muito. consideramos que os órgãos ditos de informação promoveriam a opinião pública tanto como aquêles que. por conseguinte. têm de ser imparciais e exatos no relato dos fatos. conduzindo-os à ação. entretanto. não haveria senão órgãos de op\hião. que faz os governos fortes. reunido em Washington. salvo quando exageradamente mercenários. Assim. E talvez mais. 111 Jules Pigasse – obra cit. Salvador de Madariaga contou que o chefe de um grande serviço de imprensa americano. subordinam as suas conclusões sôbre os fatos aos princípios adotados. 1947 — pág. à sua função rectora.”111 Jornalismo e Opinião — Costuma-se classificar o jornalismo.. 57. a troca de normas jurídicas já consideradas antiquadas. os povos felizes. 232-233. numa corrente política ou numa linha doutrinária. os órgãos predominantemente opinativos. — pag. que torna.diante de problemas e aspirações novas. como o observou Jules Pigasse. Porque. é que governam os povos. uma outra nomenclatura como mais adequada ao espírito do jornalismo moderno: jornalismo eclético e ideológico. olhado o assunto dêste ângulo. “sòmente pela verdade pode-se realizar o difícil equilíbrio entre a autoridade. em abril de 1926. E não foi outra a conclusão a que chegou um dos participantes do 1 Congresso Panamericano de Jornalistas. 137. escrevem e selecionam as notícias. 59. não podem dispensar e concurso da fôrça de promoção da imprensa livre. porque os títulos são os meus editoriais.. é que o jornalismo desempenha missão política e social de tão elevada importância.” Um outro confessou: “Eu não cuido de publicar editoriais. ao mesmo passo. 112 Horacio Hernandez A. 2A — contribuir para a elaboração da vontade popular.

até o Christian Scienee Monitor. em 1954. e de uru jornalismo ideológico — aquêle que possui um complexo de idéias que visa difundir e sob cujo crivo faz passar todos os seus julgamentos e opiniões. adquirida em 1955 pela Campanha da. na TV e no cinema. registrando os acontecimentos e como que nêles pondo as inferências acaso extraidas. Mesmo a maior parte dos jornais comunistas quotidianos jexe]uem do seu título ou do seu sub-título. os jornais desfraldavam sua bandeira. também podem ser feitas quanto à imprensa brasileira.. Por isso. assim definiu para o Anuário. Típicas dessa orientação do jornalismo brasileiro são as posições tomadas diante das campanhas do monopólio estatal com referência exploração do. um e outro. as aspirações e os reclamos. variando de acôrd o com as tendências ou exigências do público.” . Antes da guerra de 1914. A. No outro. O conhecido “magazine” norte-americano Seleções do Reader’s Digest é um órgão da imprensa tìpicamente eclético e a sua própria tendência atual anti-comunista nada mais reflete do que o estado de espírito do seu público diante do conflito oriente versus ocidente. camuflam a sua verdadeira tendência.. Na hora da morte é que se vê que ninguem é dono 4e coisa alguma nesta terra. e sujeitando tôda a sua política editorial aos princípios religiosos. bem como a uma estação de rádio adquirida pelos adeptos de um sistema filosófico recente. tendo em vista obter uma clientela maior. proclamando sua orientação pelo nome ou em sub -título que o acompanhava.. de Rádio. no texto citado na nota anterior. . utilizando e dignificando o rádio. Essas modalidades do jornalismo indepen‘dem dos veículos de que se utilizam: tanto surgem na imprensa diária e periódica como no rádio. cujos principais ‘Srgüos foram fechados pelo próprio partido na ilegalidade. .116 o jornalismo eclético é o mais praticado e o de maio penetração e influência na coletividade. com caráter monopolista. inflexível. salvo quanto à imprensa comunista e aos diários e periódicos religiosos. antes repudiada pela grande imprensa e abraçada e aceita pela mesma depois do fato consumado da fundação da Petrobrás. politico ou social. visando um fim pré-estabelecido. os jornais indicam apenas: jornal de informação. a predominância é da orientação clara. Há. ideológico. hoje inteiramente dedicado à Campanha que criou. de Boston. Que todos se lembrem. que vai dia a dia derrubando as antigas barreiras da reação e consolidando uma inexpugnável posição nas esferas políticas e administrativas — o 115 Essas considerações de Jacques Kayser. a tempo. livre. entretanto. ao veículo jornalístico que se declara abertamente filiado a uma corrente ideológica ou a um partido político. do Vaticano. morais e sociais do catolicismo ou do cientificismo cristão de Mry Baker Eddy. criado pelo ndialista Alziro Zarur. nem mesmo o nosso corpo. No Brasil. em destaque. petróleo. “diversos jornais. inação. Hoje. o seu movimento: “Confiei minha vida inteiramente a Deus para dedicá-la inteiramente a essa obra de solidariedade humana. mesmo agressiva. Alziro Zarur. cuja meta inicial foi efetivar o primeiro dos nove objetivos da Associação Brasileira de Cronistas ltadiofônic4s: “interpretar o pensamento. o fato é colhido. por vêzes. Ocorre que o público olha como suspeito. certos gêneros de divulgação em que o ecletismo e ideologismo jornalístico se manifestam inequivocamente.” 117 Sigla da companhia estatal — “Petróleo Brasileiro 5.informação é sagrada e o comentário. Os homens e as instituições que têm recursos estão sendo convocados a ajudar a Camparâ’ da Bõa Vontade por um Brasil Melhor. A imprensa religiosa. a expressão cultural e cívica do povo brasileiro”. de que no mundo nada é nosso. Boa Vontade. apaixonada e.”115 Diante dessas ponderações. num determinado momento histórico. desde o Osservatore Romano. escolhido e exposto com maior ou menor ênfase e o comentário foge a qualquer rigidez ideológica. direta. constitui exemplo frisante do jornalismo. o que poderia deixá-los aparecer como comunistas. verdadeiramente nosso. por seu turno.através da qual o Estado efetiva a exploração tio “ouro negro” em todo o territorio nacional. como jornal republicano de infor-. movimento filantrópico de fundo místico.. órgão republicano de informaçao. em nenhum sectarismo religioso. sob o argumento de que estavam por demais identificados como comunistas.. é o bem ou o mal que fazemos e que vai conosco para a Eternidade.117 e do nacionalismo econômico. O jornal comu. notadamente à comunista. No primeiro caso. parece-nos mais preciso falar ‘de um jornalismo eclético — aquêle que não subordina os seus juízos a uma determinada doutrina. 116 A Rádio Mundial do Rio.nista de Bordeaux e o jornal conservador de Clermont Ferrand se apresentam. parcial. Nosso.

crônicas. .que leva o nosso jornalismo eclético. até ontem alheio e restritivo. a adotá-lo e apregoá-lo. filmes documentários e programas de rádio e televisão. através não sàmente de um vasto noticiário como de reportagens. editoriais na Imprensa.

Agente Ativo Balanço do Trabalho do Público-Agente O EDITOR O Editor Financista O Editor Idealista O Estado Editor O Estado. TERCEIRA PARTE OS AGENTES DO JORNALISMO Contém: O PÚBLICO O Público. Editor Idealista O TÉCNICO Fase da Manufatura Fase da Mecanofatura O Problema da Automatização Jornalismo e Automatização O JORNALISTA A Vocação do Jornalista A Curiosidade Comunicativa A Fecundidade Jornalística A Objetividade A Discrição O Senso Estético .

lo go que se pôs em contacto com “Sexta-Feira”. em cere.mite. constatamos que o jornalismo tem a sua causa e o seu objeto no organismo social. Recife. no rádio e na televisão. não são completas. Horton — Art. Cit. ouvinte ou espectador. 119 O leitor não é. o técnico e o jornalista.119 É o caso dos repórteres amadores. conseqüentemente. Comprando os periódicos. Nenhum povo. do público e para o público. Sem a informação e a orientação que o jornalismo trans. segundo a minha estimativa. ouvir ou anunciar nos demais. adquirindo aparelhos de rádio e televisão. receber orientação e oferecer o seu contributo à realização periodística. As notas podem ser impressas. nós a chamaríamos de passiva. pelo público. o que ocorre com maior freqüência do que se pensa. nem sempre se limita a deixar de comprar o primeiro. ao editor ou comparece às redações e sedes das emissoras para fazer o seu protesto. rotativas rolam e as bancas se abarrotam com as fôlhas do dia. nenhuma coletividade dispensa o jornalismo. As manifestações de protesto e aplausos também podem ser fàcilmente constatadas nas salas de espetáculos. pagando os ingressos de cinema. citado — Comercio. o público deseja ser informado. satisfazendo as exigências fiscais para o pagamento de taxas pela posse de receptores ou concorrendo. muitas vêzes. a orquestra toca-as. exercida consciente ou inconscientemente. As platéias aclamam ou pateiam vigorosamente. O PÚBLICO De acôrdo com as manifestações jornalísticas. Fica anenas um som difundido sem receptor. pois. apenas.la. depredando. e o produtor que não atender a essas manifestações correrá o risco de ser forçado a suspender as suas atividades. é também agente ativo. — Rod W. Essa espécie de cooperação do público. E neste último enunciado está a atuação do público. Através de tudo quanto ficou dito até aqui. pois não encontrará exibidores dispostos a arriscar o seu patrimônio. O que equivale a dizer ue o público é um dos agentes do jornalismo. a emissora de rádio ou de televisão o decepciona. incendiando. o público pode ser leitor. como o verificaremos a seguir. entrou a tentar informar-se e transmitir-lhe informações. É êsse grupo que não se pode decepcionar. a fornecer fotografias e desenhos sem nenhum intuito de ganho ou interêsse 118 “Uma nota de música existe. há os leitores inteligentes e agudos que constam. Constituem uma censura moral porque são dos e são articulados e são capazes de escrever cartas corruscantes à redação injusta. limitada ao aspecto econômico. durante as exibições cinematográficas de jornais de atualidades. quer como assinante ou acionista para manutenção e desenvolvimento dos veículos jornalísticos. é também parte das implicações filosóficas e morais do têrmo. Vale observar que a passividade do público não é absoluta. quando há um público sensrve para escutá. irritando o público.. 20% da circulação. O caso do jornal é idêntico: as coisas acontecem. daqueles que estão constantemente a informar às redações e emissoras fatos e ocorrências do seu conhecimento. Agente Ativo — O público. emocionar- se. O jornalismo é feito. O Público. porque além dos Georges E. a fim de que lhe fôsse possível viver em harmonia com êle. contudo. o público está sufragando as despesas do jornalismo e. apenas. O-12-57. um complemento econômico ao funcionamento da imprensa. mas efetivada com absoluta constância e sem exceção. empastelando. cooperando decisivamente na obra periodística. Escreve. especialmente na imprensa. quando por qualquer motivo não lhe agrada o jornal. Em qualquer dessas atitudes. os repórteres escrevem. que conhece todos os truques e sente tôdas as distorsões de preconce debate interessado. Mas tudo será em vão se não houver leitores ávidos para ficar a par dêsses acontecimentos e saber as interpretações e opiniões dos redatores. mas sem público para ouvi-las elas não vivem. Babbits. a vida social seria impossível e o próprio Robinson Crusoé. quando a sua contribuição é intelectual e direta. pois. distrair-se. quer como anunciante.118 E também. . destruindo as máquinas que tornam possível a existência e funcionamento do veículo informativo.” — Rod W. em certos casos chegando mesmo à violência. como o são o (ditar. Horton — Art..

apelam. daquela linguagem de compra. Por exemplo. etc. e custando alguns mais ainda.” Dois exemplos recolhidos nesta preciosa “plaquette” do historiador e professar pernambucano são suficientes para comprovar as conclusões de Gilberto Freyre.120 se ocupou ao salientar a importância da sua colaboração. papagaio. do redator da “carta dos leitores”. de apêlo do proprietário ao público. — pelo possuidor. Preço em brochura — 2$560. de descrição exata do homem explorado pelo homem explorador. dos apelos e denúncias dêstes agentes em programas televisados é que se tem podido. Dêstes agentes do jornalismo é que Gilberto Freyre. formas de expressão. Por vêzes. cuja “utilização sociológica alcançou já uma amplitude nos estudos brasileiros de ciência social sôbre base histórica. a pagar para a divulgação das suas informações.. cavalo. Através das reclamações. Grandes escritores se têm revelado ao mundo intelectual escrevendo para as seções “solicitadas” ou de queixas da imprensa. ultimamente adoptada pelo Exmo. a que Amaro Quintas ajunta o comentário: “Avaliamos o esfôrço intenso desenvolvido pelas crianças de então para conseguirem apreender a evolução do nosso passado em um livro que fugia inteiramente às normas pedagógicas exigidas por um manual de classe” (págs. no seu bairro. formas de linguagem. presidente da provincia como compendio de leitura e historia do Brasil nas escolas primarias. 17-18). dos correspondentes voluntários. para as escolas. que noticiam. nos concursos e certames. Isto é. de aniversários. ao redigir uma carta sôbre a devastação das matas pelas “queimadas”. 24). Ou com o romancista Graciliano Ramos. carta que marcou o início da sua brilhante e atuante carreira intelectual.profissional. loja de livro azul a sinopsis do general Abreu e Lima. inclusive através dos pequenos anúncios. de acontecimentos de interêsse de um mais limitado círculo de indivíduos que constituem o público. êsse tipo de agente do jornalismo chega. de 22 de dezembro de 1844... de Documentação e Cultura da Prefeitura Municipal de Recife. preço encadernado — 3$200”. de casamentos. ao elaborar um relatório sôbre a Prefeitura 120Amaro Quintas . alguém brada: “Estando geralmente hoje todos os gêneros por um preço quase duplo. Como ocorreu entre nós com Monteiro Lobato. quando enche as colunas ou preenche o tempo de emissão radiofônica com notícias de óbitos. e em que se definem não só objetiva como subjetivamente mil e uma relações não apenas entre pessoas como entre pessoas e coisas e animais. São êsses amadores que cooperam de boa vontade nas enquêtes. em que a realidade social se reflete de modo mais puro que noutras linguagens. sendo a nossa moeda inteiramente fraca. comentam. Pois não se trata de simples utilização sociológica ou antropológica dos anúncios de jornal pelo que êles trazem de substancialmente valioso ao pesquisador do sacio do homem ou da realidade social do Brasil — ou de qualquer pala ou região — a procura simplesmente de fatos pelo que apresentam — além dessa riqueza de substância de formas de sentimento. de sedução do comprador pelo vendedor. Sôbre a carestia de vida e desvalorização da nossa moeda: No “Diário Novo”. denunciam e opinam sôbre tudo quanto ocorre na sua rua. o seguinte anúncio inserido no “Diário de Pernambuco” de 2 de setembro de 1851: “Vendas. do produtor da “opinião do ouvinte”. funcionando como extras ou informantes gratuitos. sapato.“—(pág. vestido. apurar as reais condições de países e regiões submetidas é um regime de censura e restrições à liberdade de informações. que talvez marque uma das mais nítidas contribuições nacionais ara os modernos estudos de sociologia ou antropologia social de história sociológica. tendo-se augmentado os valores de quasi tôdas as mercadorias. de reclame de coisa ou de animal possuido — móvel. mesmo. tão sòmente para atender àquela ânsia de transmitir novidades ou a sua própria “visão” dos sucessos aos veículos jornalísticos.“Notícias e anúncios de jornal” — _ Recife. É também o caso do reclamante. em muitos caso. carruagem. . Vende-se no pateo do collegio. na sua cidade. criticam. nas mesas-redondas do rádio e da TV. das cartas dos leitores ou rádio-ouvintes. casa. em prefácio a uma “plaquette” de Amaro Quintas. sôbre os temas e problemas em foco. remetendo-a a “O Estado de São Paulo”. Sôbre “o critério didático usado no ensino da história no curso primário”. de venda.

conferências. 32ª página Nota oficial da “Escola de Engenharia de Pernambuco sôbre uma greve de alunos — (2 cole. Gazeta Forens Pela Instrução (excetuando-se nesta um . sem perigo de êrro.fantasmas para compôr o relato do “nome famoso” que só faz assiná-lo — Vide “Manual dei Periodista” — La Habana. — descreem da sua repentina “vocaçao Literária” e lembram que. em face. na verdade. retificando-os ou ratificando-os. que. Balanço do Trabalho do Público-Agente — Pode-se asseverar. boletins de câmbio. x 25) resenha de uma sessão da Associação di Fornecedores de Cana de Pernambuco. um jornal de 24 páginas122 e sem muita dificuldade identificaremos quatro de 121 Porter & Luxon. ponto inicial dos estudos sociológicos que o tornariam conhecido e ilustre em todo o mundo. que concedem entrevistas. edição de 22 de outubro de 1958. 5ª página-Fotografia com texto.121 Devemos incluir. os poetas. A princípio. êsses agentes do jornalismo eram.legenda de uma homenagem prestada em New York um jornalista. que fazem parte do público e como público permanecem. distribuida pelo Esso Standard do Brasil. desenvolvimento do serviço público. dada anteriormente pelo jornal — (um quarto 4 página) 12ª página — Carta de uni “turfman” sôbre o seu afastamento de cargo na diretoria do Jóquei Clube de Pernambuco — (2 x 15) 14ª página — Seções: Noticias da Marinha. as igrejas. fornecida pelo “public relations” a tôda a imprensa local — (2 x 20).5 x 36. nasci mentos. Associações. nos quais se abordaram assuntos da atualidade. Tomemos. — e uma correspondência de leito. etc. 1943 — Págs. analisou o exemplar do “Jornal do Comercio”. ainda. “notas oficiais”. foram levados ao conhecimento público. identificando as seguinte matérias jornalísticas não redigidas pelo corpo de jornalistas dêsse órgão da imprensa brasileira. ao escrever estas observações. retificando informação. publicando-o no Diário Oficial das Alagoas. anteriormente. rádio e TV) é de autoria e responsabilidade do próprio público. Ou. com Gilberto Freyre. um pequeno ensaio de que resultaria a obra “Casa Grande & Senzala”. edição comemorativa do centenário de sua fundação. uma Edda Mussolini escrevendo as suas memórias. fornecidos pelo IBGE — (1 x 25). os dentistas. referindo-se a êsses autores — aviadores. e dos mais assíduos. ao publicar no “Diário de Pernambuco”. Pois. como agentes do jornalismo nesta categoria. do Recife. por exemplo. etc.0. óbitos. 6ª página — Diversas notícias na secções “Registro” e “Assuntos Sociais” — aniversários. desinteressados de retribuição financeira. 4ª página — Dados estatísticos sôbre o açúcar brasileiro. nos quais expressam atitudes ou formulam manifestações para esclarecer certos pontos que. as entidades associativas. oferecem dados sôbre as suas atividades relacionadas com o interêsse coletivo. os caminhos que trilhou e que o levaram à cela da morte de San Quentin. ainda. outra classe de ag entes do jornalismo. que pronunciam conferências distribuindo súmulas à imprensa ou falando diante de microfones e transmissores de TV ou dos aparelhos de filmagem de atualidades. porém. as emprêsas privadas através dos seus departamentos de relações públicas. um sexto do trabalho jornalístico oferecido ao público pelos veículos de divulgação (imprensa. estatísticas e avisos.de Palmeira dos Índios. mas atendendo ao interêsse de outras camadas do público. previsões meteorológicas. horários e avisos diversos. os sindicatos de classe. em alguns casos as agências designam. que estão constantemente a divulgar comunicados. de certo modo. ainda. ou. os artistas. vencedor do Prêmio Esso de Reportagem de 1957. artistas famosos do cinema. são os colaboradores não remunerados. 361-362 122 O autor. — (3 x 15). do êxito obtido pela publicação de tais relatos especiais (que também são radiofonizados. formato 63. ou divulgam resenhas de reuniões e assembléias. na sua totalidade. cotações da praça e dezenas de outras matérias que os veículos de publicidade divulgam sem permuta de dinheiro. que adquirem direitos sôbre essas colaborações e as vendem aos veículos jornalísticos. um Caryl Chessman detalhando os seus crimes. os técnicos e “experts” em todos os ramos. os autores de relatos especiais sôbre feitos e realizações que os tornaram “nomes que fazem notícias”: um Príncipe Yussupov narrando como matou Rasputin. Nesta modalidade de trabalho jornalístico estão incluídos os informes sôbre atos oficiais. que escrevem sôbre a sua especialidade. os partidos políticos. E. por último. os organismos estatais. desportistas. redatores. em média. 2a pagina — Secção Onibus — (um quarto de página). freqüentemente) entraram a funcionar agências especializadas. levados ao écran da TV e às películas cinematográficas.

notas econômicas. distribuída pelas seguintes secções: informações diversas. O Editor Financista — Para a primeira categoria de editôres. 123 Quando estudarmos. emancipada dos demais agentes. atuando no plano econômico-financeiro da obra periodística. senão os ligados à gerência industrial e comercial da emprêsa. 1957 — pág. atingindo profundamente os processos de difusão e exigindo a inversão de grandes capitais para o seu estabelecimento e manutenção. o menor esfôrço. que reclama um homem de negócios: em 1949 avaliava-se o preço de um “longa metragem” em 43 milhões aproximadamente. um convite a candidatos ao CE Preparação dos Oficiais da Reserva (2 x 25). jornalismo negócio. correspondência do leitor.matéria extra-redacional.. televisão e cinema) não seria possível a existência e multiplicação dos veículos periodísticos. 23ª página — secção Repartições Públicas (3 x 25). e 24ª página — Nota sôbre o uso moderado de m nas manobras militares próximas. Na primitiva fase do jornalismo oral. na época do “praetor” e do “ceryse”. salvo casos excepcionais. Foi a evolução da técnica. os meios financeiros exigidos para a realização do jornalismo ultrapassam a capacidade individual. na atualidade. Um quotidiano. hoje. é o principal agente do jornalismo. o elemento técnico se conjuga aqui com o elemento financeiro para reservar a emissão a um número de emprêsas estritamente limitado.000 exemplares. o editor era o Estado ou um dos seus Poderes — Executivo e Judiciário. Quanto ao rádio e à televisão. atualmente. como tipógrafo o e impressor.. antes de mais nada. do ponto de vista da realização material. o editor é uma personagem distinta dos demais agentes jornalísticos. p da secção “Jornal da Praça” — Meia página. estão a espontaneidade. seja o próprio Estado. a improvisação. Quanto ao cinema. solicitadas e grande parte dos “pequenos anúncios”. o trabalho do leitor agente apresentado na edição estudada ultrapassa a média calculada pelo autor. verificando como é expressiva a sua colaboração à obra jornalística.123 ao tempo do jornalismo manuscrito. a principal responsável pelo surgimento editor como uma figura com caracteres próprios. 19ª página — Secção “Uma caridade por dia” e matéria sôbre artesanato no nordeste. obituário. ligando-os entre si apenas relações de interêsse. confundiam-se as figuras do editor e do jornalista. a percentagem será talvez menor. quer na do telejornalismo — o ouvinte ou o telespectador interessado poderá igualmente apurar o tempo tomado pelo público. Por isso mesmo. seja econômico. 124 J. ao surgirem as primeiras tipografias — e ainda hoje em muitas localidades menos desenvolvidas ou mais apegadas às suas tradições — o editor era também jornalista e técnico. na sua generalidade. como agente jornalístico. O financiamento de um filme é uma operação completa. adiante. seguros observadores estimam que o capital necessário para a criação de um jornal quotidiano se situa entre 500 milhões e 2 bilhões de francos.em autênticos retratos do momento e das condições sociais e econômicas reinantes. exigindo especialização e treinamento. E entre as características da atuação do público. bem como criando sempre novos veículos. sociais. Rivero — Techniques de formwtion de l’opinion ia VOpinion publique — Paris. fornecida pela 7ª Região Militar ainda fêz incluir na 22ª página. O EDITOR Sem editor (e nesta designação incluímos os proprietários e emprêsas proprietárias ou concessionárias de rádio. Quer na parte do rádio. “Na França. “São êles os que querem “fazer dinheiro” comentário do redator). que tira 170. o leitor verificará que as manifestações modernas do jornalismo oral continuam sob o controle dos governos. distribuida pelo Departamento de Relações Públicas do Banco do Nordeste do Brasil (um quarto de página). mais tarde. Efetivamente. que chamaremos financista. ao mesmo tempo que reclamam do editor um quase desligamento de qualquer outro setor. o editor. a figura do Estado Editor. vez que a técnica periodística utilizada é mais complexa. enfim. Mesmo sem páginas de pequenos anúncios.. representa um grupo. na maioria dos casos como um monopólio estatal. tem avaliadas em 822 milhões de francos as suas despesas para o ano de 1953. um indivíduo. . que se constituem — como já foi salientado .”124 Em face disso. muito raramente o editor é. seja político ou filosófico.

“a questão se põe e saber se a publicidade tem uma influência direta sôbre a imprensa. 127 Jacques Kayser — Presse a Opinion — Obra cit. notadamente quando o ponto de vista exposto já obteve a sanção da grande maioria da coletividade e do próprio Estado. deixado para o St. uma discussão circunstanciada do importante tema da sua influência na orientação filosófica do jornalismo nêles praticado. os jornais americanos tornaram-se quase todos êles sérias emprêsas de negócios. de tudo quanto esteja à margem das preocupações quotidianas. o velho. 285.P. escrito para situar a ação do editor na feitura dos veículos jornalísticos. ela é inútil. Rádio e Televisão . Há. Vimos128 que o faz. nenhuma ideologia. a hipótese de achar-se proprietário de um jornal americano típico e mostra como agiria: “Eu não prestaria a mínima atenção a princípio às colunas de noticiário das páginas 1. procura antes de tudo agradar ao público para aumentar a clientela.N.”125 A sua ação é quase que limitada aos setores da publicidade. tendo a sua base na publicidade. Wilson Velloso in Anuário da Imprensa. Aqui. editor de Time e Life e. não diria uma palavra desagradável a respeito de ninguém. ou reduz ao mínimo. do que entorpece os sentidos fazendo-os escapar às difíceis conjunturas da vida. Tentaria publicar com a maior freqüência possível o nome de todo mundo na cidade — e os retratos também. da circulação. do pitoresco. É raro que o diretor de urna grande emprêsa privada reprove a tendência social de um grande jornal ao qual distribui a sua publicidade. Louis Post Dispatch. Também pode adotar um “código de ética” que. — pág. E. Quando achasse que tudo isto estava sendo bem feito. Além de outras. o rádio ou o filme. é inexato.”127 Isso não quer dizer que o editor- financista não permita sejam focalizados nos seus veículos assuntos na ordem do dia. agitam a opinião coletiva. E exclui. excluindo-se as colunas pessoais e sociais.126 Dizia êle que o jornal americano típico contém apenas 15 a 20 por cento de notícias. Dizer-se que há pressão. uma razão pode ser dada: — o interêsse dos anunciantes que pertencem. . 2 e 3. a seguir. Observaria cuidadosamente as páginas femininas. o ecletismo é o seu lema. Pode-se decerto citar casos — entretanto muito raros que mostram que anunciantes têm feito uma pressão direta sôbre jornais. conferirá nobreza ao jornalismo praticado. organização e administração de um jornal independente: “Eu semp re admirei e fui inspirado e auxiliado pelo credo de Joseph Pulitzer. Sackett. sôbre os impostos. No tocante à linha editorial.. ao mundo dos grandes negócios é da mesma natureza que o interêsse dos proprietários de jornais. no momento. Mesmo porque êste jornalismo financial. porque o editor dêste jornal pensa como êle mesmo sôbre as relações com o mundo do trabalho. em sua maioria. o pensamento. tomando posição em questões que. ligados também êles ao “big business”. sôbre os contrôles do Estado. as páginas culinárias. a menos que a polícia tivesse pôsto pelo menos um pé do cidadão na cadeia. 126 Conf. — Rio.com o jornal. quando abandonou o contrôle daquele 125 J Rivero — Obra cit. Em minha vida. — pág.” Figura. Mas parece que êsses meios de pressão são cada dia menos utilizados.” Não cabe neste capítulo. sim. havendo pequena percentagem de notícias sérias. e êstes em favor dos entretenimentos. Como já se observou. 128 V. falando a estudantes de jornalismo e membros da Associação dos Proprietários de Jornais de Oregon. 119. como o fariam com o petróleo ou os produtos químicos. O resto é “entretenimento”. as colunas de sociedade. Capítulo precedente sôbre jornalismo ideológico. um só objetivo — atingir o maior público para obter maiores dividendos. uma coalisão permanente. das relações públicas. então me permitiria o luxo de alterar o noticiário nacional e internacional.. em proveito dos fatos. Preocupar-me-ia principalmente com descobrir se o jornal dispunha ou não dos homens e mulheres que sabem comprar boas historietas em quadrinho e as melhores palavras cruzadas. E indaga: “Por que esta tendência ao divertimento e às “features”? Evidentemente — êle próprio responde — por que é aí que reside a vantagem e por aí entram os lucros. 1958. pela extensão dos conceitos nêle inseridos. como o aconselhou o norte-americano Sheldon F. naturalmente. falando sôbre a fundação. é precioso o depoimento de Henry Robinson Luce. Nesse sentido.

seja a plutocracia predatória ou a miséria predatória. nunca negará piedade aos pobres. o público encontrará esta “trade mark” no jornalismo do editor. Como agente. (“Country Editor” — P&B —17 mm.jornal. Transferiu-se para o Brasil. A. participou do “staff” de “O Cruzeiro” e terminou por fundar a Jean Manzon Films S. quando filmou. Quer transcrevê-la? Aqui está: “Sei que a minha retirada não produzirá diferenças. tendo êxito em todo o Inundo.000 cruzeiros (cálculo de outubro de 1958) e o próprio Manzon confessa que a sua mais famosa realização. após criar o New York World. Tenho a intenção de pedir ao filho dêle licença para usar no meu jornal essa afirmação de princípios. As produções de Jean Manzon. o editor- financista cerca-se de uma equipe de “experts” que orieffta e executa a sua colaboração: — a informação e o comentário pagos por terceiros interessados e que a ética determina sejam assinalados por características.000 cruzeiros. inclusive. No Brasil. e Departamento de Obras contra as Sêcas. tendo a emprêsa de recorrer à publicidade: departamentos governamentais. no rádio e na televisão como programa de interêsse coletivo.500. no nosso país.130 “slogans” informativos nas rádio-emissoras e nos luminosos.metragem sôbre “O Estado de São Paulo” e Jean Manzon uma outra sôbre “O Globo”. por sua vez utiliza outros veículos para a sua propaganda. onde passou a dirigir a seção de fotografia do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).” 129 AJim de que o seu jornalismo não fuja ao principal objetivo (econômico-financeiro). Nem sempre. que o jornal sempre lutará pelo progresso e a reforma. cinegrafistas. o editor é um agente destacado da 129Publicidade & Negocios — Rio. em média. como o Ministério da Viação. sempre continuará dedicado ao bem público. o editor não limita ao seu próprio veículo de publicidade o contributo na realização jornalística pois êle. porém. leitura e redação dos “scripts”. a Petrobrás. Em seguida. o seu negócio.A. Manzon iniciou a sua carreira no Paris Match e teve destacada atuação na 2ª Guerra Mundial. Um filme documentário de 30 minutos de projeção custa. percebendo vultosos salários. exibidas com bôa acolhida no país e que sem dúvida constituíram excelentes meios de promoção para aqueles diários. No Catálogo de Filmes do USIS . A maioria dos “jornais cinematográficos” brasileiros está neste caso: uma instituição financia a realização da película para a inclusão de cintas focalizando o seu trabalho.). ed. o seu comércio. 130São numerosos os documentários sôbre grandes jornais e rádio. que sempre combaterá os demagogos de todos os partidos. a retirada de Dunquerque e foi condecorado por bravura no desempenho de suas missões. organizações de economia mista.para 1957. Pode-se constatar a veracidade desta assertiva nos filmes produzidos por Jean Manzon. ainda não recuperados. Fotógrafo e cinegrafista francês. sociedades privadas. custou-lhe cêrca de 1. será sempre ciosamente independente. encontramos referência a dois documentários. que nunca se filiará a nenhum partido. Col. atraiu técnicos europeus para a sua “entourage”. que representou o cinema brasileiro no Festival de Cannes. quanto aos princípios cardiais. de 5-11-1957. locutores e jornalistas brasileiros figuram no seu pessoal para filmagem. legendas ou “slogans” próprios no cinema e na TV. 600. cujo número se eleva a mais de uma centena. nunca se satisfará com apenas publicar notícias. objetivando aumentar o seu próprio público. A emprêsa tem um patrimônio estimado em 12 milhões de cruzeiro s. . Além de películas exibidas nos cinemas e televisadas. faixas sonoras especiais no rádio. sempre se oporá às classes privilegiadas e aos exploradores do público. nos jornais e revistas como matéria redacional. focalizando o funcionamento de um jornal independente em Littletown. cartazes e outros meios de divulgação. entre outras de “atualidades” ou como documentário. que recebe do anunciante e dêle se faz porta-voz. Botelho Filme produziu uma curta. ao tempo da ditadura estadonovista. nunca temerá atacar o mal. (“Small Town Editor” — P&B 18 mm) e a labuta de um jornalista editor de um semanário no interior dos Estados Unidos. as companhias de aviação. no serviço cinematográfico da Marinha Francesa. excetuando-se a já citada. “Samba Fantástico”. em 1955. que freqüentemente surge camuflado: no çinema. como edição especial das atualidades. são apenas exibidas no país e os direitos de distribuição que lhe são pagos pela União Cinematográfica Brasileira (UC) são insuficientes para amortizar o investimento.emissoras em todo o mundo. tais como números e asteriscos no jornal. em 1907.

Pacífico e região central do país e internacional) são tidas na mais alta conta pelo publico de nível cultural mais elevado. utilizar por conseqüência diversos dos expedientes para atrair o público. Daí conferirmos a esta classe de editor a designação de idealista. em inglês e noutro idioma. levando-se em conta a cultura. S/A. por vêzes. do seu programa. ambos no Rio — magazines especializados circulam em todo o mundo com a maior aceitação. As “cartas do leitor” passam pelo crivo da redação antes de ser divulgadas. ou fotografar. e o Intercontinental Press Guide. imprimindo à materia divulgada orientação religiosa. não usará de subterfúgio para condenar aquilo que julga errado na doutrina pregada pelos ministros de outros cultos.). por isso. Propaganda política. dos seus clientes.132 Iguais restrições às fontes normais de receita e atração pesam sôbre os órgãos editados por sindicatos ou associações de classe. da TV ou do cinema. dos seus correligio nários. dos seus associados. Não se ocupa de escândalos ou crimes. A respeito dessas restrições e contingências a que se subordinam os veículos empregados e realizados pelo editor-idealista. têm campo mais limitado. por questão’ de princípios religiosos. editado pela Empresa Jornalística P. e o Anuário da imprensa. o jornalismo praticado objetiva criar no espírito público disposições favoráveis aotleno desenvolvimento das suas idéias. do Estado que mais eficazmente proteja a sua atividade. eis o que nos ensinam Helio Hoeppner e Oswaldo Mariano 133 referindo-se à propaganda para um jornal de emprêsa: “Deve-se aceitar uma publicidade consentânea com o grupo ao qual é dirigido o jornal. do rádio. retratos e discursos de personalidades políticas devem ser recusados como matéria paga. pelo campo doutrinário e político do organismo a que se filia ou serve. etc. as suas quatro edições diárias (city edition para Boston e Mass. cuja redação visitamos em 1954. Na última página insere diàriamente um artigo de três colunas. tanto no que se refere à publicidade como à popularidade. deve ser recusada in limine. de organismos científicos.N. que o editor-financista não tem escrúpulo em empregar. onde atualmente se destacam apenas duas publicações no gênero: Indicador dos Profissionais da imprensa. norte- americano. 1967 — pág. O editor idealista não se permitirá.. 133 Relio Hoeppner e Oswaldo Mariano — Seminário de Orientação de Jornal de Empresa SESI — São Paulo. Diretamente. por grupos intelectuais. o grau de educação. Devem contar com prejuízos financeiros ou com o apêlo a contribuições extraordinárias do seu público para competir e. assassínios. de sindicatos de classes. 104. sob o cientificismo cristão. Possui um dos corpos redacionais melhores e mais sérios da imprensa norte-americana e. escândalos. E se bem que a emprêsa reclame bases industriais e comerciais para a sua manutenção. dar relêvo aos “fatos diversos” — suicídios. notas elogiosas. Rádio e Televisão.. 131 Embora não muito comuns no Brasil. Entre êstes figuram Editor & Publisher. em Havana. sociedades e sodalícios científicos ou artísticos: por sua própria natureza. para manter-se. ou política ou de uma atividade de produção (órgâos de publicidade religiosos. no caso de o seu veículo de divulgação ser religioso. aceitar publicidade de “cabarets” onde se exibem espetáculos de nudismo.131 O Editor Idealista — Quando o agente editor é constituido por. Cuba. um grupo representativo de uma corrente filosófica. costa do Atlântico. êsse tipo de editor não deseja tirar proveito financeiro da exploração do jornal. . revista semestral de estúdos jornalísticos e defesa do jornalista. por exemplo. diário de Boston. Assim. promover concursos de beleza suspeitamente destinados a exaltar a graça e a eugenia. Já no título não esconde a sua linha doutrinária. o nível intelectual e os níveis econômicos dêsse grupo. mensário editado para as Américas. dos seus interêsses ou das suas pesquisas. das elites que melhor entendam e prestigiem o seu trabalho. será inflexível no exigir do seu pessoal a mais absoluta conformidade com os princípios religio sos e morais que o inspiram. intenta fazer crescer o número dos seus prosélitos.imprensa especializada em jornalismo e em “magazines” que possuem seções de notícias e comentários sôbre essa atividade. 132 Órgão típico dessa orientação é o Christian Science Monitor. Não fará propaganda de outro credo filosófico. político-partidários. o editor tem de conter o seu senso de negócio e as margens do lucro dentro dos limites estabelecidos pela linha ideológica. televisar ou filmar mulheres semi-desnudas. Fato curioso é que todos os’ jornalistas e gráficos dêsse órgão se abstêm de fumo e bebida. pois nesse setor o jornal de emprêsa deve manter-se dentro da mais rígida imparcialidade.

redatores correspond entes e outros profissionais. 1935 e Paul Sollier — La répression mentale — Paris.-cultural. O Estado Editor — Ao contrário das demais categorias de editores.. sem um definido propósito ideológico. nem em um magazine para crianças. surgindo en várias condições e prOduZindo_se nos mais variados domínios uma censura social. o planejamento e as realizações do poder público. dade humana. clubes de jogos. para satisfazer concretamente a algumas necessidades coletivas..” Mas. mas do próprio temperamento e do prévio condicio namento sóeio.134 que não deriva de nenhuma fôrça externa própriamente. nem o proselitismo ideológico. diretor do vespertino Tribuna da Imprensa. Carlos Lacerda. ao contrário do que se pensa. as normas e regulamentos. “entre os grupos de interêsse e os partidos. não há departamentos estanques entre a atividade do editor-financista e do editor-idealista. E. 1929.N. 120. o que comprova a necessidade de um exame rigorosa e de um alto critério para a inserção de matéria paga em um periódico dêsse tipo. havendo um público sequioso de jornalismo e que deseja ver neste jornalismo um intérprete da sua opinião e um manancial de informação.” Nem um órgão literário se permitirá publicidade de sabão ou charque. Nem todos os anúncios podem ser aceitos em um jornal de emprê sa. que deve ser prestado pela administração como qualquer outro. que se encontra em todas as esferas da ativi. que busca o proveito máximo. Naturalmente. Crise que continua. Rivero – Obra cit. Nunca se destinou a isso. Carlos Lacerda aponta como justificativa do panfletarismo na Tribuna.. a infiltração do panfleto no jornal resultou de uma fase de crise na da nacional. os orçamentos. exigida pela necessidade de acomodação au grupo. matéria paga sôbre instrumentos cirúrgicos ou máquinas de contabilidade. para constituir-se num eficiente e vitorioso agente jornalístico.” Teve. pois não se faz jornal noticioso sem uma grande equipe de repórteres. nem um jornal científico. . a rigor. entregue ao dia-a-dia de maneira impessoal do que como um órgão de combate de sentido panfletário. E. que consulta sem dúvida nenhuma os seus interêsses. sôbre a transformação operada naquele jornal. cabarés. as estatísticas. criada para informar e formar a opinião.. ao editor. – pág. o Estado não visa o lucro financeiro. que é um processo psicofisiológico Psicossociológico. é a referente a clubes noturnos. propaganda de luvas de box ou bastões de críquete. o conhecido jornalista e editor. ou não deve ser pleiteada. outro fator — continua a revista — que o sr. individuais. encontra-o pondo-se a serviço de tal ou qual grupo de interêsse. Tal emprêsa puramente financeira. essa emprêsa pode auferir grandes vantagens econômicas na nova posição assumida. as sentenças e decisões da justiça. foi abordado pela reportagem da revista F. mesmo materiais. O editor-idealista exercita nas emprêsas sob sua orientação aquela auto-censura de que falavam Kimball Young e Paul Sollier. então “caracterizada menos como noticioso. com a finalidade de pôr a serviço da comunidade instituições que. Disse êle que “é mais fácil e menos caro fazer um jornal panfletário do que um jornal baseado na notícia”. além dêste motivo. As ideologias não são sempre puras e os interêsses são por vêzes sinceros no seu consenso a tal ideologia. a oportunidade de fazer as seguintes revelações: “A Tribuna da imprensa não se destina a ser um panfleto. há entrelaçamentos mais ou menos admitidos. que passa a caracterizá-la como sectária. então. Por isso é que. cabe tão sòmente conhecer o seu metier para conquistar êsse público e atingir os objetivos a que se propõe ao dedicar-se a esta atividade. o indivíduo ou 134 Kimball Young — Social Psychology New York. 135 J. há então tôda uma gama de matizes que não concorrem para clarificar o nosso problema. Utiliza os veículos de publicidade como um “serviço público”. A propósito. coletivas e sociais.que também deve ser recusada sistemàticamente.”135 Casos há em que uma emprêsa jornalística. tais como: estar em dia com os atos governamentais.Outra publicidade . ainda. do Rio.136 Êsse exemplo concreto e êsse depoimento autorizado permitem concluir que. 136 Publicidade & Negócios – Edição de 5-2-57. estas ligações se operam por processos os mais diversos. descamba para um extremismo de princípios. os projetos de leis. por si sós.

o rádio. 121-122. se se trata da imprensa. Isto não é tudo: a Sociedade Profissional dos Papéis de Imprensa. matéria prima da imprensa. já pelo astronômico montante das inversões. contestaram que a liberação do mercado de papel garantisse tais meios. elevando o número de páginas até então limitadas a dez. Na França. Apenas The Tirnes defendeu o ponto de vista do que “o exercício da liderança política e moral que a Grã-Eretanha ainda possa oferecer às nações depende. firmada pelo comentarista Joaquim Ferreira. Daí porque o Estado-editor não pode. Além do mais. Para o cinema. 139 Em 1956. Na maioria dos casos. em benefício da coletividade. e se acaso os oferece. Publique — Paris. a parte do Estado na França. Assim.grupo de indivíduos não poderia manter. vivem inteiramente às suas custas. neste terreno. considerando que. correspondente à diferença entre o custo real das informações e o preço pelo qual os jornais as utilizam graças ao Estado. no financiamento de um filme. na Itália e nos 137 “A emprêsa de emissões não pode contar com nenhuma espécie de receita direta. recebe. que é o agrupamento de compra pelo qual todos os jornais adquirem papel. as reduções de tarifas postais consideráveis que lhes são atribuidas. 118. a Agence France-Presse.. como é o caso do rádio e da TV que. Nos Estados Unidos. como negocio privado. em 1955. 1957 — pág. mediante isenções alfandegárias. que centralizavam a publicidade de que viviam as diferentes emissoras e que elaboravam elas mesmas os programas retransmitidos pelas estações:” — Conf. êle pode fornecer. como vimos acima. os serviços públicos industrializados são deficitários. Rivero — Techniques de formation de l’Opinion Publique in L’Opiniow. constituir-se num concorrente do cidadão ou dos cidadãos editôres. ou seja: financiamento autoritário. liderados pelo “Daily Mirror”. também. uma subvenção de 2 bilhões e 300 milhões (francos). o financiamento da exploração não pode realizar-se senão por três processos. um dos raros países em que o rádio permanece. que monopoliza as informações das quais êles vivem. culculada em 45%.015 estações de potência a mais diversa. concessão de freqüências e canais. o ideal será que os seus orçamentos tenham equilibradas as receitas e as despesas. Ora. já pela necessidade de um contrôle exigido pelos acôrdos internacionais. com e pagamento de urna taxa devida por todo proprietário de receptores. a Agence France- Presse recebeu. terços destas estações estavam filiadas a quatro rêdes. e sômente êle. sob pena de afetar a economia privada com perigosos reflexos no sistema econômico nacional. com a dependência que ela implica.. o “superavit” será reinvestido. dispensa de impostos. Isso ocorre. o Estado não é sòmente. vários . ampliando-se o seu alcance e melhorando-se as suas instalações. etc. a sua economia é protegida pelo Estado.. o financiamento voluntário pelos interessados constituidos em associações. tarifas postais reduzidas. Os outros jornais. ou o financiamento pela publicidade. em parte. está ela na dependência de duas emprêsas públicas: a Sociedade Nacional das Emprêsas de Imprensa. o preço e o consumo do papel de jornal. em princípio. atualmente. taxas cambiais especiais para aquisição de maquinaria e matéria prima. Ajuntai a isso as isenções fiscais que beneficiam a imprensa. na maio ria dos países. de terem os seus jornais meios de desempenhar adequadamente as suas funções’ isto é. como nos Estados Unidos e no Brasil. o seu alimento quotidiano. J.”138 Mesmo nos países em que as emprêsas jornalísticas (seja da imprensa. a fonte de concessão de subvenções diretas ou indiretas. Em cumprimento dessa tarefa de proteção ao exercício do jornalismo é que o Estado tem controlado o provisionamento. a éstes devoradores de dinheiro que são os jornais. dois. hoje. 3. avalia-se em 15 bilhões por ano a ajuda do Estado à imprensa. o serviço público. desde que adquira o seu receptor. o público do rádio ou da televisão. os jornais ingleses travaram cerrada polêmica sôbre a medida. do Estado subvenções anuais muito vultosas. 138 Conforme J. O rádio e a televisão que são monopólios. ao contrário com o encarecimento do produto e a concorrência entre os jornais. vai até à fixação do número de páginas dos jornais139. na Inglaterra. Rivero — Obra cit. da TV ou do cinema) são exploradas por particulares.. mesmo aquêle de natureza industrial. tendo o governo extinguido o contrôle sôbre a importação de papel.137 Ora. é também o grande redistribuidor da riqueza nacional. seja direta seja indiretamente. segundo correspondência de Londres para a imprensa brasileira. — págs. havia. o detentor da autoridade política. o cinema. em 1951. não se destina a oferecer lucros. que administra a quase totalidade das oficinas de impressão e as arrenda aos jornais por tarifas muito inferiores às tarifas normais. tem o direito de tornar-se gratuitamente auditor ou espectador de não importa qual das emissoras do mundo. do rádio. na França. se constituem em monopólios do Estado. quando diretamente explorado pelo Estado.

Lourival Fontes. e pela lei. morre quando a imprensa. além dos poderes que lhe eram conferidos. antes mesmo da sua ocupação militar.Países Baixos.142 Em todo caso. 69. Com habilidade.receita para o jornal — chamando desde logo à receita lucro para o jornal. onde os jornais recebem o seu papel segundo um sistema de quotas. Não é que não houvesse jornais capazes de suportar o pagamento de direitos. Fêz o monopólio estatal da importação de papel e passou então a distribuir as quotas de papel importado a cada jornal. Em alguns casos entravam também o dinheiro.144 desapareciam ou seriam amalgamados pela chamada “grande imprensa” em prejuízo para as comunidades a que serviam. morre aos poucos. É claro que os jornais tinham que se submeter a isso. 24. Êste ponto é importante. e até nos países exportadores. No tempo do DIP. começou a morrer La Prensa. Se a imprensa tiver de pagar êsses direitos. o govêrno “mantem sempre restrições penosas sôbre o consumo. a intimidação e em outros o poder de sedução pessoal e a capacidade de resolver problemas que tem inegàvelmente o sr. Exas. Le problême dx papier journal — Unesco. o papel para a imprensa é importado por lei federal. algumas vêzes. conjuntamente com os diretores de jornais e as fábricas de papel”. quando principiou a morrer La Prensa. 140 Se bem que o Estado. . Como VV. foi transformado em Departamento Nacional de Informações e. A liberdade de imprensa. com isenção de direitos alfandegários. morre quando a imprensa. chamando nação ao govêrno. examinou as transações do Banco do Brasil com emprêsas jornalísticas. a fim de assegurar a exportação de uma parte da produção nacional para países de moeda mais forte”. Paris. teria um custo de produção tão alto que não suportaria a concorrência com os demais. o contrôle da matéria prima tem a sua razão de ser naquêle protecionismo que a própria sociedade exige para os jornais. não morre de uma vez. tenha exorbitado nesta função. 140 V. Porque não poderia entrar em concorrência normal com outros. A seguir torceu um pouco mais a rosca: fez pagar direitos alfandegários pela quantidade de papel consumida com anúncios. mas é que. estava liquidado. medindo o espaço ocupado por anúncios nos grandes jornais independentes. que representa. atualmente. por isto ou por aquilo. começa a silenciar ou tergiversar”. 142 Foi diretor do DIP na sua primeira fase. que o jornal se portasse mal com o regime. como começou a morrer a Argentina. conseguiu mesmo a colaboração de muitos jornais e jornalistas enquanto permaneceu no posto. apenas controla a Agência Nacional encarregada da distribuição de notícias oficiais. bastava em tese. racionando. como na Suécia. as dos jornais que lhe eram adversos. convém que tenhamos isto sempre em vista. silencia. o discípulo do Estado Novo143 aperfeiçoou o sistema. ed. 141 Departamento de Imprensa e Propaganda. Por que? É uma pergunta que tem cabimento neste inquêrito. de 8 de julho de 1953 — suplemento O preto no branco — pág. “onde o racionamento é dirigido pela Comissão de Combustíveis. chegando a tornar impossível a circulação de órgãos da imprensa oposicionista pela exagerada restrição de quotas ou total recusa de fornecer-lhes papel. Do depoimento prestado pelo jornalista Carlos Lacerda perante uma Comissão Parlamentar de Inquérito que. 144 Tribuna da Imprensa. sabem. é claro. Diante da reação dos jornalistas e do povo. 143 Referia-se ao diretor Juan Peron e ao seu regime chamado justicialista. chamando pátria ao govêrno e chamando govêrno ao chefe do govêrno e teria que pagar direitos pela importação de papel. por pagá-los. órgão criado durante a ditadura estado-novista no Brasil para controlar todos os veículos de divulgação. o que se fêz foi um decreto-lei pelo qual a isenção de direitos para a importação de papel de imprensa ficava condicionada à maior ou menor colaboração do jornal com o regime então vigente. 1949 pág. inclusive utilizando a censura prévia. não vive um mês. morre quando a imprensa diz uma coisa por outra. como porta-vozes da opinião e veículos insubstituíveis de informação educação e cultura. chamando regime ao govêrno. sob a alegação de que isento só estaria o espaço do com notícias e comentários de interêsse nacional o aquele que era ocup ado com anúncios. permitimo-nos transcrever trecho em que a questão do papel é focalizada. Assim. Na Argentina. assim. em 1945. como La Prensa e La Nacion. econômicamente acuada. em 1953. tanto no seu aspecto positivo como no negativo: “No tempo do DIP 141 o grande truque para controlar a imprensa foi o papel.

108. no que tange ao jornal do Exército. e o iornal depende das autoridades governamentais. única agremiação política do país. e é de imperiosa conveniência e eqüidade que tôdas as ideologias tenham acesso igualitário à radiodifusão porque.” Lê-se no editorial: “Nossa imprensa. sempre cumpriu com honra o papel de propagandista coletiva. no que diz respeito ao Trud — diário dos trabalhadores sindicalizados — pela direção sindical. “deve prevalecer o direito do povo de estar informado da verdade dos fatos da administração pública e de conhecer as opiniões livres dos cidadãos. de orientadora. Em ambas as hipóteses. tem o seu Pravda controlado pela seção local do Partido Comunista. mesmo quando exercidas por organismos não estatais. àqueles veículos que. o escrupuloso serviço das rádio -emissoras inglêsa e norte-americana. como os meninos. cada república. no qual as ondas hertzianas — matéria prima como o papel para a imprensa — não são suscetíveis de apropriação privada. restringiria ainda mais — quando não a extinguisse por completo — a ação do editor-idealista. BalIester — Derecho de Prensa — Buenos Aires. nos quais o Estado-editor. transcreve um editorial mesmo Pravda. quando se comemora ali o “Dia da Imprensa” (data da fundação do Pravda por Lenine. nos nossos dias.. pelo Ministério da Defesa Nacional. portanto. pois que se lhes ocorre que aos meninos. trata-se do jornalismo mais controlável e menos controlado do mundo”. Dessarte. igualmente. Estrêla Vermelha. etc. o Komsomolakaia Pravda. oficialmente se comunicam notícias até seis meses depois de conhecê-las amplamente o púb lico. no que se refere ao Izvestia — 1. estreitamente dependente do Estado e do Partido. então. com absoluta fidelidade. noite após noite. monopoliza o seu uso ou o concede a terceiros.000 exemplares de tiragem — pelo contrôle do govêrno. O Estado. Êste contrôle do Partido sôbre o seu órgão central é substituído. Ali. No primeiro caso.” Quanto ao caráter do jornalismo soviético. é um dever enganá-los sôbre certas matérias escabrosas. quanto à Litteraturnaia Gazetta. acabam sabendo tudo. Na Espanha ocorre algo que chama a atenção dos etrangeiros. em La Prensa de 26 de dezembro de 1945. confundindo-se com êste. Os assuntos dos editoriais são propostos ao Partido — a menos que sejam por êle sugeridos — e submetidos em última análise ao seu imprimatur. porque os povos. conforme diretrizes chegadas de Moscou.” O Estado. em nome da sociedade. 1947 — pág. pertencem ao domínio público.145 E a respeito. pelo das Juventudes Comunistas. no segundo caso. pois o faz como executor de um “serviço público”. em reportagem sôbre a imprensa soviética. nos países socialistas.. . escreveram: “as informações mais importantes são alvo de longos debates (na redação) e em primeiro lugar apresentadas ao Partido. Ballester. “os governos carecem de meios próprios para impedir a difusão das noticias e opiniões que propalam estações transmissoras estabelecidas no exterior. Cada distrito provincial.. Ela deve auxiliar todos os trabalhadores a lhes 145 Eliel C. através do qual se constata que a imprensa na URSS não é de informação “mas de combate. O protecionismo do Estado ao exercício pleno do jornalismo deve estender-se. nos seguintes termos: “Dir-se-ia que os governos autoritários crêm na infância dos povos. — é o órgão central do Partido Comunista. como é o caso da União Soviética onde o principal jornal — Pravda — com uma tiragem superior a três e meio milhões de exemplares. pelo Ministério da Cultura. em 1912). Editor Idealista — Se não é lícito ao Estado visar lucro quando se reveste da função do editor. haveria uma concorrência desleal com o editor- financista. como adverte Elier C. Esta contrafação se vem registrando. Os que se enganam são êles. cita um comentário de Ricardo Saens Hayes. mais caracterizada contrafação do direito de editar se verifica quando emprega os veículos que controla para um proselitismo ideológico.500. com caráter necessàriamente precário. Helene e Pierre Lazarett. tomou ao seu cargo tôdas as funções jornalísticas.. monopolizando os meios de divulgação. A pessoa mais modesta tem um aparelho com o qual escuta. de 5 de maio de 1955. pela sua natureza. como é o caso do rádio. refletindo. o pensamento do Govêrno Comunista. de organizadora das massas.

entretanto não por culpa dos jornais mas do que nêles se reflete. com a divulgação dos atos do Executivo. a celulóide. uma “influência mais ou menos decisiva sôbre os negócios públicos. ocupando colunas inteiras com matérias que interessam a pequenos grupos de pessoas. 148 146 “Raios X da Rússia de Malenkov” – reportagem in Jornal do Comercio – Recife. como se disse.”147 Estas citações visam fixar a absorção pelo Estado. da ciência.. O jornalismo do Estado surgiu. além das motivações acima referidas. incita os cidadãos. não o faz “contra”. isto é. significação política. Isso ocorre. Tal seleção foi provocada... mesmo daqueles “that’is fit to print”.”146 Na excelente conferência que proferiu no Centro de Ciências Políticas do Instituto de Estudos Jurídicos de Nice. de imprensa e de reunião pondo-se à disposição do povo e das suas oganizações oficinas de impressão. tanto os órgãos ecléticos como os ideológicos. reclamados pelos leitores ou pela linha redacional..” E o Estado não priva. 1957 . em desenvolverem nas massas de trabalhadores o sentido elevado do dever social. estoques de papel e meios de transporte e comunicações que “êsses poderosos recursos materiais. que exigem a divulgação oficial de certos e determinados atos jurídicos para torná-los válidos. no que tange à imprensa. Não houvesse a parte informativa e normativa oficial nos órgãos editados pelo Estado. em cultivarem no povo soviético a convicção inabalável da invencibilidade da nossa obra. que não se faz panfletário e. M. assim. fazem no noticiário dos atos oficiais. das leis e dos debates parlamentares. “a tendência de transformar tôda a população em funcionários. desertos de iniciativas. A nossa legislação prevê. a vontade das massas de combater os abusos e as injustiças se exprimem no fato de que milhares de cartas dos leitores chegam quotidianamente aos nossos jornais. A. em desfecharem uma luta implacável contra tôdas as manifestações da ideologia burguesa. ao contrário. agem de encontro aos interêsses da maioria: estão em poder do Estado popular. proporcionou possibilidades tão grandes ao povo para que possa exprimir sua opinião.. da capacidade de defesa do Estado soviético. mesmo quando opina. indeferimentos. limitado. mesmo em teoria. A obrigação mais importante dos jornais e revistas consiste em serem a sentinela vigilante dos grandes princípios e da adesão ao partido. pelo racionamento da matéria prima. sem os quais a imprensa moderna não pode existir. como já aludimos.. A paixão. tornando os jornais prolíxos. igualmente. como o entendemos. também. da literatura. das características do editor-idealista. O direito político e social à crítica está assegurado por leis em virtude das quais pessoas e instituições criticadas têm o dever de responder pùblicamente à crítica. A. Rayski — “Les principes de Ia Iiberté de Ia presse en Pologne” in L’Opinion Publique — Paris. da seleção que. o tempo de emissão de rádio e TV. 380-2. em clamar seim descanso pelo contínuo refôrço do poderio da pátria. Rayski. mas exprime uma autoridade incontestável do ponto de vista legal. sele e volte querendo. e. o prof. 148 “Em alguns paises. sòmente dando a público aquêles de maior ressonância. afogados numa onda escura e morna de deferimentos. como no nosso. A imprensa tornou-se a grande tribuna da opinião no nosso país. nos países socialistas. E também. exercendo. 10-7-53. Porque o jornalismo do Estado-editor é um jornalismo especializado. mas simplesmente de um grande e único Editor-idealista. dos projetos. não se encontram nas mãos de particulares ou de grupos financeiros que. a tenacidade. a imprensa pretende fazer uma concorrência absurda ao “Diário Oficial”. da necessidade dêsses objetivos e de sua enorme. publicando os despachos dos diretores de repartições. á fim de que tudo . A democracia burguesa jamais. da Universidade de Jornalismo de Varsóvia falando sôbre os processos jornalísticos no seu país. da arte.aumentar a consciência da natureza dos objetivos fixados pelo Partido no desenvolvimento da economia nacional. 147 M.— págs. da imposição dos costumes e das leis. de divulgação da totalidade dos fatos. sanções para todos os atos tendentes a limitar a liberdade de crítica. com os modernos meios de comunicações. em quase todo o mundo. o papel. das decisões e sentenças judiciárias — e nem poderíamos falar com justeza de um Estado-editor. salientou que era justamente para garantir o direito constitucional dos cidadãos à liberdade de palavra. a utilizarem os jornais com críticas sôbre todos os assuntos. pela impossibilidade.

assim com o jogral. como Timours-Lenk. Assim ocorreu com o arauto. para o de mecanismos complexos.” — Jean Laffay — Les Tetecommunications — Paris. . na ordem cultural e o público. pelo govêrno e para o govêrno. na ordem mecânica. atraente e útil à coletividade o produto do labor dos demais agentes periodísticos. nos quais pessoas munidas de lunetas recebiam certos sinais do pôsto precedente. “sem dúvida cheio de engenhosidade mas desprovido de qualquer utilidade para ser pôsto a serviço do Reino. carece cada dia mais de intermediários”. evolui para a mecanofatura.150 O Século XVII assiste à introdução de outros métodos de telecomunicação: é o francês Guillaume Amontons (1663-1705). como tôdas as atividades humanas. com o serviço informativo de sentinelas postadas de longe em longe. acessível. na ordem social — é o técnico. a que hoje se propõe seja denominado “comunicação das massas”. mas tanto o Delfim como a sua “entourage” consideraram aquêle invento como um entretenimento. e a cada veículo utilizado reclamava o especialista. O TÉCNICO Agente do jornalismo — como o editor. 1950 — págs. que aperfeiçoa. daquêles conquistadores. depois. como agente do jornalismo. 89-90. que recebiam as notícias e as transmitiam umas às outras. E então surge. que ouvia instruções do seu chefe e as transmitia oralmente ao público. pois êste se confundia com as figuras do jornalismo e do editor. com os gravadores das táboas. “do fazer circular o que é do homem para que as coisas assimiláveis por natureza se tornem socialmente e atualmente assimiláveis. consistente de um sistema de sinalização. a princípio.” Na Inglaterra. é aquêle intermediário entre a realização subjetiva de uma atividade e a sua realização objetiva. evolui para o uso de processos e ferramentas simples e. Um dia depois. se a resistência continuava. o homem que domina a natureza das coisas. pràticamente não exigiu o técnico. o jornalista. 73-74. e assim com os epistológrafos. material. na sua crescente complexidade. como sinal de morte e destruição. fazia içar uma bandeira vermelha indicando a População que teria a vida salva se os chefes aceitassem entregar-se à morte. No terceiro dia. que usavam determinados processos para parlamentar com os habitantes das cidades assediadas pelos seus exércitos. que. o técnico e a sua técnica. o técnico — o homem que descobre. uma bandeira negra aparecia. 1955 —. mediante o uso de corpos sólidos opacos “que se elevam dependa melhor e mais completamente do Govêrno. O técnico. que domina a máquina e a utiliza para tornar compreensível. fazendo dispor postos em vários pontos consecutivos entre Paris e Roma. foi aos poucos incorporando novos veículos. com os desenhistas das antigas eras. naquela ordem que os filósofos chamam do fazer. que emprega. 150 “Uma bandeira branca significava: “rendei-vos agora e vos será feito graça”. Fase da Manufatura — Por muitos séculos. o esforço animal. Da simples manufatura. Mais tarde. Hooke (1635-1702) inventa o primeiro telégrafo. 149 Gustavo Corção — As fronteiras da técnica — Rio. Amontons conseguiu realizar duas demonstrações perante a côrte francesa. essa necessidade é mais sentida no domínio das comunicações. o jornalismo não exigiu do técnico para manifestar-se senão o trabalho das suas mãos. embora sem conhecer a significação de tais sinais.”149 O jornalismo. fazendo da nossa democracia o regime do Govêrno. dos chineses com fanais situados em determinadas eminências da Grande Muralha. a fim de dar alarme à aproximação do inimigo ou instruir as guarnições e as populações protegidas ao longo da fronteira. com os copistas. transmitindo-os ao pôsto seguinte. êle próprio compondo e transmitindo verbalmente o seu noticiário em versos e cantares. na ordem econômica.” — Carlos Lacerda — A missão da Imprensa — Rio. dos romanos e gauleses.pags. com os pintores de letras e hieroglifos jo rnalísticos. que eram letras cujas chaves sòmente eram sabidas nos pontos de origem e destino. 7-8. 1949 — págs. era ainda manual o trabalho do técnico que utilizava os sinais óticos para fazer circular notícias: daquêles gregos que empregam tochas de fogo e pavilhões de côres diferentes para representar convenções. E se a “sociedade humana.

. na Rússia. usual na antiguidade e que perdurou até a Idade Média. não mais satisfeitos com a morosidade das malas postais que. além do estado do tempo.152 No Brasil. consistindo em um semáforo de braços. Rey Pastor e N. Kubilin construiu um modêlo de telégrafo. no século XI. a nova máquina impressora se propagou ràpidamente de Mogúncia a Bamberg e Estrasburgo (1461). Em 1794. admitindo-se o relato de um contemporâneo. era completamente inútil para efetuar comunicações mais ou menos precisas entre pontos algo distantes entre si ou em zonas comumente nebulosas. França). número e outros sinais. 4 — os primeiros livros impressos com tipos soltos e grande perfeição aparecem em Mogúncia. Drewes — La Tecnica en la Historia de la Hunianidad — Buenos Aires. sem dúvida muito anteriores. sob a proteção dos governos. como mais tarde nas estações rádio transmissoras e nos estúdios e laboratórios cinematográficos. Na Alemanha. de pedra ou metálicos. que depois estabeleceram uma impressora. já a necessidade de comunicações mais rápidas e mais intensas se fazia exigência dos homens e dos povos. passava-se da fase da manufatura para a da mecanofatura. “baseando-se nos mesmos princípios de sinalização. se vinham estabelecendo e desenvolvendo na Europa. As famosas bíblias. Dois anos mais tarde de o haver submetido a provas. Drewes distinguem os seguintes fatos relativos à origem da arte de imprimir: 1 — a reprodução de desenhos mediante selos de argila cozida. Rey Pastor e N. 174 e seguintes. E a figura do técnico se impunha. distinguindo-se da dos demais agentes. 2 — até 1370. 99-100. se supõe sejam da mesma imprensa.”151 E. Roma (1465). consegue tornar mais simples os sinais. o primeiro livro impresso apareceu em 1473. construiu o primeiro telégrafo prático. fazem-se livros com “clichés” de madeira e também com pranchas de cobre (há um de 1446) . 151 Segundo Laffay — Obra cit. anos e séculos se passaram entre o término da fase da manufatura e o início da mecanofatura. sistema que foi relegado ao olvido por não ser considerado prático. durante o seu domínio em Pernambuco (Século XVII) tenham estabelecido tipografias. Ray Pastor e N. o telégrafo de Chappe foi utilizado para a união telegráfica entre Paris e Lile. Suíça (1460). As diversas posições relativas aos mesmos representavam distintas letras do alfabeto. por esta época. o modo de nivelá-los. em 1791. A Sorbone contratou em 1470 três operários suíços. no Século XVI e os flamengos. então. Mas o funcionamento do telégrafo de Chappe (como dos demais inventados e postos então a serviço em diversos países) “dependia no maior grau da perícia do operador. nas fábricas de papel. Em Lyon. Drewes — Obra cit. e a de tipos soltos se atribui a Pi Scheng. que explica a fabricação de tipos de argila.sucessivamente ao alto de um marco elevado e que correspondiam às letras do alfabeto ou frases determinadas”. Até 1400. — págs. onde a impressão com “cliché” aparece no ano de 858. O jornalismo aprendia a utilizar o invento de Gutenberg. semelhante ao de Chappe. Bergstrasser. se bem que haja presunção de que os jesuitas. não apenas nas oficinas gráficas. Fase da Mecanofatura — O desenvolvimento da técnica no jornalismo não se deu repentinamente. 152 J. — e J. na França. constitui-se numa corporação à parte. porém mais simples. usavam-se blocos de madeira para estampar fazendas com desenhos e legendas (um dessa época foi encontrado em Dijon. que então pertenceu a Fust-Gutenberg. nas fundições de tipos. Não tomando em conta os costumeiros exageros da história da China. Claude Chappe. Portanto. com datas de 1448 e 1454. Praga (1464). mas nas agências dos telégrafos. Um século depois. sob a firma Fust-Schoffer. 1957 — págs. empregando o mesmo processo. 3 — de 1440 em diante. resultando impossível transmissões em dias nublados ou nebulosos. Veneza e Milão (1069) e pouco mais tarde a tôdas as grandes cidades italianas. Há fragmentos de impressos mais primitivos cuja origem se ignora mas foram encontrados nos Países Baixos. fazendo jornalismo ou contribuindo para que fôsse realizado o jornalismo. etc. Uma vez provada. faziam-se tais estampas sôbre papel (há fôlhas fechadas de 1418 em diante) com tinta aquosa.

e por Hoe.” Uma ordem régia de 8 de julho de 1706 — que é a prova do seu funcionamento — determinou ao governador da capitania de Pernambuco Francisco de Castro Morais que “mandasse sequestrar as letras impressas e notificar os donos delas. para a facilidade da impressão. . utilizando dois prelos e 28 caixotes de tipos e. primeiro empregou a máquina rotativa. embora sob a oposição dos seus colegas impressores. concedia licença a particulares para instalar oficinas gráficas em diversas províncias. 1939 — pág. — págs. à base daquela que William Nicholsou patenteara em 1790 para imprimir “sôbre papel. Fato digno de menção e que demonstra cabalmente o perfeito 153Sanelva de Vasconcelos — Prelos & Jornais — Recife. a Lord Stanhope e ao alemão Hoffman — da segunda metade do Século XVIII ao início do Século XIX devem-se as origens do sistema de fixação dos tipos (estereotipia) com diversas substâncias. o requerimento do negociante Ricardo Catanho. tipógrafo talentoso. alega que a demora no funcionamento da tipografia de Catanho foi ocasionada pela falta de alguém que conhecesse a arte de imprimir. favoràvelmente. Chamamos a atenção do leitor.154 Menos pelo afã do lucro do que pela sua paixão pela arte. no qual foram relatados os acontecimentos desenrolados na citada revolução e cuja data é 28 de março de 1817. outro fato curioso se registrara: a primeira tipografia autorizada a funcionar pelo Rei. permitindo uma perfeita cópia do original. por decreto criava a Impressão Régia. através do seu proprietário e diretor John Walter. com a sua côrte transferida para o Brasil em face da invasão napoleônica. algodão e outros artigos. que se sentiam ameaçados com os avanços da mecanofatura. de Londres. que não sòmente descobrira como aplicar a energia da máquina a vapor às impressoras da época como introduzira outros aperfeiçoamentos. e oficiais da tipografia. mediante a ajuda de prensas. de Edinburgo.”153 Apesar de tão severas ordenações. a Tillock e Foulis. conhecida pelo nome de “Preciso”. A rotativa foi aperfeiçoada por Applegath e Cooper. de prisões e perseguições. 154 Ver Sanelva de Vasconcelos — Obra cit. os técnicos da tipografia e da impressão de jornais foram os propulsores do progresso mecânico. Mina e Giozza. nos Estados Unidos. Em Pernambuco. com o aproveitamento dos experimentos do seu engenheiro Mac Donald e do italiano Marinoni. tipos e pranchas” que se aplicavam fortemente sôbre uma superfície cilíndrica “do mesmo modo que as letras correntes se aplicam sôbre uma superfície plana”. para a transcrição do documente em que o governador Caitano Pinto de Miranda Montenegro informa ao Marquês de Aguiar. em 1816. Dom João VI. citando Tolenare. na Inglaterra. sob a direção do padre João Ribeiro. de Turim. continuou o nosso incipiente jornalismo a tentar utilizar a imprensa como veículo. linho. nesta obra. do empastelamento e destruição de tipos e rudimentares tipografias. mais tarde. a Ged. do território metropolitano. Em 13 de maio de 1808. que não imprimissem nem consentissem que imprimissem livros. cujos nomes se perderam na poeira do tempo. circulava com impressão dupla (dos dois lados simultâneamente). inclusive o gesso. respondendo ao apêlo de popularidade crescente do jornalismo. Foi o francês Genaud que substituiu a pasta de gesso pela de papel branco. graças a um invento do alemão Frederick Koenig. Sanelva de Vasconcelos. de Glascow. com fôrmas. The Times. aos italianos Chirio. 17. E foi ainda The Times que realizou a aplicação da estereotipia à impressão e que. cujo mister se limitava à impressão de letras de câmbio e breves orações devotas. Ao holandês Van der Mey. Fernando Denis e Antônio Joaquim de Melo (êste último escrevente do Erário no govêrno revolucionário). E dá como primeiro técnico do jornalismo em Pernambuco ao inglês James Pinches. de propriedade do negociante Ricardo Catanho. como o introdutor da arte tipográfica no Brasil. sòmente iria imprimir no auge da revolução republicana de 1817.històricamente só é possível situar o aparecimento do primeiro prelo “nos anos de 1703 a 1707. Em 29 de novembro de 1814. que os deixaria — assim o julgavam — ao desemprê go. O primeiro trabalho que dela saiu foi o manifesto do advogado José Luís de Mendonça. E assim foram destruídos “o esfôrço e aspiração do desconhecido proprietário cujo nome a história não soube guardar. nem papéis alguns avulsos”. 19 a 42. auxiliado por dois frades e um marinheiro francês.

destinadas à impressão do New York Times. W. professor de física em Genebra. através de um tele - impressor eletro-magnético sôbre uma fita de papel. Além disso. Em 1774.entrosamento entre o técnico. com o qual solucionou o problema da transmissão. . concebeu o primeiro telégrafo elétrico. mediante um simples e prático manipulador. Paris. em 1820. 227. há uma máquina perfuradora com um teclado. Drewes — Obra cit. A largura das colunas. o telégrafo de Soemaring não conseguiu difundir-se. em 1876. — págs. pois permite que a sua figura volte aos tempos primitivos. Kelvin). 1935 pág. por Volta. A cinta se introduz na linotipo e o teclado desta é acionado. 1947. Eis como Manoel Virgil Vazquez descreve êsse invento. e o da recepção. utilizando uma série de 24 eletroscópios. o telégrafo elétrico de Lessage fracassou em face das perdas de corrente que se produziam na linha. se deve a descoberta da “telelinotipia” — a primeira ameaça séria ao técnico como agente do jornalismo. Entretanto. Oersted (1819). aliás já adotado em diversos dos grandes jornais do mundo: “Na cabine do Times (Câmara dos Comuns). que representavam as letras do alfabeto. finalmente. Lessage. inserido em derivação. que compõe palavras. à J. de acôrdo com uma clave elétrica de seis unidades. é um linotipista especializado. Rey Pastor e N. Bain. Em 1801. outros trabalhos de invenção e aperfeiçoamento iam surgindo no domínio das telecomunicações. alinhando-as mecânicamente. um receptor. Hoje. assim chamado porque eram os sucessivos desvios de uma agulha que representavam os sinais transmitidos. Sôbre tipografia: Emile Leclere — Typographie — Sfelt. inspirada no sistema elétrico dos teletipos. envia os seus impulsos a uma linotipo. O telégrafo de Morse e o seu alfabeto foram adotados em todo o mundo e ainda hoje estão em voga. Mas ninguém se deve assombrar se chegar o dia em que o fizesse um jornalista. a “monotipo” e a “italtipo”. vai proporcionando aos corretores das provas o que se está transmitindo e compondo da Câmara dos Comuns. vez que. a seleção e mudança dos tipos — tudo é realizado mecânicamente. desde que a eletricidade empregada então era estática. impulsos que selecionam os tipos e corpos de impressão necessários. pois permitiam uma tiragem de 17.000 exemplares por hora!” 155 Durante dez anos (1876-1886). conseguindo. confundindo-se com a do próprio jornalista. Alguns anos depois. lança o primeiro telégrafo “de agulha”. Como ocorreu com os demais inventos. A telelinotipia é uma máquina que torna possível escrever e compor de qualquer parte onde esteja instalada. Hipp. Ottmar Mergenthaler. um relojoeiro alemão estabelecido nos Estados Unidos. Ainda ao Times. exatamente como o faria um linotipista. e perdura até 1833. no qual os eletroscópios de Lessage foram substituídos por recipientes contendo água acidulada. 220-222. de Londres. aproveitando-se do descobrimento da interrelação entre a corrente elétrica e a agulha magnética.”156 Simultâneamente com essas conquistas da técnica no campo do jornalismo impresso. conseguiram um verdadeiro “record” de divulgação. que iria compondo ao mesmo tempo em que redigia a sua reportagem ou informação. Um receptor na sala de linotipos do jornal transforma os impulsos que chegam em uma cinta perfurada idêntica à picada no transmissor dos Comuns. Thompson (Lord. A cinta assim perfurada se introduz em um transmissor automático que converte as perfurações em impulsos elétricos. Siemens. outros surgiram na mesma linha. Posteriormente. Virgil Vazquez — Arte de titular y confeccion in EI Periodismo — Teoria y Pratica — Barcelona. estudou e realizou experimentos para substituir o velho sistema de composição manual. quando Morse introduz o seu telégrafo elétro-magnético. enquanto se vão fundindo as linhas de composição. Etiene e outros aperfeiçoaram ou criaram novos sistemas. o editor e o jornalista na realização do jornalismo é que “as rotativas de Walter eram construidas nas próprias oficinas do Times e. quando foram exposta em Filadélfia. como a “intertipo”. fonte de corrente contínua. a “linotipo”. 155 156M. Êsse sistema é aperfeiçoado por Ampére. o alemão Soemmering projeta um telégrafo eletro- químico. com a descoberta da pilha. Apesar de apresentado à academia de Ciência da Bavária e eliminados todos os inconvenientes que se notaram no seu primeiro modêlo. o homem que maneja o teclado do Times em Westminster.

Farnsworth. suscetível de pôr-se em contato com a fonte emissora. em 1892. do seu laboratório em San Bartolomeu para o couraçado “San Martino”. da Marinha italiana. uma outra descoberta deve ser aqui referida. da “estereotele visão” ou televisão tetra- dimensional. visando. Albert HulI. Hansell e Variam cooperam com sucessivos inventos para o estabelecimento da rádiotelefonia. a equipe do laboratório) para. também. numa distância de cinco quilômetros aproximadamente. Podem-se compor doze mil sinais por hora. que emprega um refletor de ráios infra-vermelhos e uma célula fotoelétrica sensível a esta gama do espetro). os homens de ciência e inventores procuram aplicá-las ao telégrafo. D. Braun. em maio de 1952. além disso. Trata-se de uma máquina de composição que. Preece experimenta. Armstrong. E. Elster e Geitel foram. um sistema de transmissão do canal de Bristol. 232. com o seu inconoscópio — ponto de partida para a televisão pan-eletrônica —. Kell e os numerosos técnicos e cientistas que. vai impressionando. Alexanderson. exatamente colocadas como os do teclado de perfuração. Rosing. conseguindo transmitir imagens fixas por meio de cabos elétricos. constituído por um aro metálico. . institui as bases da telefotografia. Hipkow. maior rapidez na transmissão e simultaneidade de envio de mensagens (duplex). com êxito. e de “noctovisão” (sistema de televisão noturna. Spezpnik. a cinematografia. preparando o terreno que levaria Baird. a 16 quilômetros de distância. um condensador e um trajeto de chispa. os tipos segundo os impulsos das perfurações. Neste setor. o austríaco Denoys von Mihaly. H. de cujas origens e processos já nos ocupamos. O sistema de Marconi compreendia um dispositivo oscilador e um aparelho receptor. Pickard. visando retirar-lhe os fios: assim. aliás. onde ainda continuam as experiências tendentes a aperfeiçoar as transmissões. impressiona diretamente uma película em positivo ou negativo. a aplicação de côres e o emprêgo de sistemas sonoros estereofônicos — tôdas essas inovações reclamam especialistas e reformam significativamente os métodos de filmagem das atualidades ainda em uso. na película ou no papel fotográfico. acionada por uma fita perfurada. porquanto poderá constituir-se no principal fator da transformação do jornal impresso em papel naquele outro microfotografado a que aludimos anteriormente: — a “mono-foto”. Esta máquina. — pág. “Os mecanismos de moldar e fundir os tipos estão substituidos por uma espécie de câmara fotográfica. Poulsen. tornar o cinejornalismo na realidade dos nossos dias. passo a passo. notadamente nas grandes emprêsas norte-americanas (Radio Corporation of America — RCA — Color Television Inc — CTI — Colombia Broadcasting Sistem — CBS — e General Eletric Company — GEC) trabalham e investigam àrduamente com aquêle objetivo. a efetivar a televisão e preparar os caminhos da TV em côres. Righi e outros fazem tentativas semelhantes noutros pontos da Europa. eram colocadas antenas de 34 e 22 metros de altura. Tanto no transmissor como no receptor. foi exibida na XXXI Feira das Indústrias Britânicas em Londres. reclamou o aparecimento do técnico (o cinegrafista. entre Penarth e Fath Holm. Hazeltirene. uma placa de fundo negro com as letras e sinais transparentes. em lugar de produzir tipos e linhas.mesma base. de que já nos ocupamos. o cinerama ou kinopanorama e outros processos. Don Leel.”157 Novas técnicas surgem dia a dia: o cinemascope. Zworykin. com suas experiências no qüinqüênio 1923-28. com engenho e tenacidade. Ives. Mas é a Marconi que se deve a efetivação da TSF. Por seu turno. respectivamente. tendentes a criar a ilusão da terceira dimensão. May — que descobriu as propriedades foto-elétricas do selênio — o francês Senlecq e o inglês Sutton. após experiências coroadas de sucesso realizadas em julho de 1897. Goldschmidt. O físico inglês Bain. destacaram-se. No campo da TV. R. ao lado do cine-repórter. Manuel Vigil Vazquez — Obra cit. 157 Conf. O Século XX acelera a marcha progressiva das tele-comunicações: Marconi. Graças às descobertas de Hertz no campo das ondas elétricas. nas tele-emissoras de todo o mundo.

O Problema da Automatização — No decorrer desta incursão ao mundo da técnica no
jornalismo e dos seus técnicos, chegamos à evidência de que, nos nossos dias, nenhuma das
manifestações periodísticas se pode processar sem essa personagem que, confundida com o
agente-jornalista na fase da manufatura, adquiriu direitos de cidadania no período da
mecanofatura. Vimos também que alguns dos recentes inventos ameaçam a existência do
técnico, ou melhor, irão exigir que o mesmo incorpore ao seu acêrvo de conhecimentos e
aptidões aquêles reclamados do jornalista, hoje muito mais vastos do que ao tempo do
periodismo dos jograis, das cartas e das fôlhas manuscritas.
A verdade é que estamos, em pleno curso de uma nova grande revolução industrial, em
que o ser humano vai sendo substituído por servos-mecanismos, que não estão sujeitos nela à
fadiga, nem ao êrro, nem às emoções, que alteram o metabolismo e desequilibram mesmo os
mais eficientes técnicos. Numerosos dispositivos mecânicos estão sendo usados em todos os
campos da atividade humana com os mais positivos resultados: as máquinas de calcular
acionadas elètricamente, a telefonia automática, o microscópio eletrônico, a fotografia infra-
vermelha. Êsses dispositivos são os servos-mecânicos “aparelhos capazes de restabelecer o
estado de equilíbrio em um sistema autônomo de maneira tal que as próprias fôrças originadas
pela perda de dito estado de equilíbrio engendrarn novas fôrças tendentes ao seu
restabelecimento. A realimentação negativa de uso comum em rádio -telefonia para anular a
distorção de freqüência e de fase é o exemplo mais caracterizado de um princípio capaz de
cumprir as exigências definição acima. É interessante destacar que os servos-mecanismos são
fundamentalmente dispositivos governados êrro, já que são fôrças assim originadas as que
provoca retôrno do sistema ao seu primitivo estado de equilíbrio. Coisa parecida sucede em
certos processos de aprendizagem, em que a discriminação entre os intentos frustrados e os
conduz à determinação do procedimento correto e fixado com conhecimento exato.” 158
A primeira revolução industrial, que teve a sua pré -história nos séculos XVII e XVIII e o
seu desenvolvimento máximo no século XIX e na primeira metade da atual centúria, se
caracterizou pela longa série de invenções e descobertas, visando mecanizar a produção, isto é,
substituir a fôrça muscular do homem e do animal pela máquina. O contrôle humano fôra, aí,
integralmente mantido. Os servos-mecânicos, contudo, passaram a “pensar” pelas máquinas. E
então evoluimos da simples mecanização para a automatização, quando o homem será expulso
do processo da produção prò priamente dito e ficará limitado às funçôes de concepção,
construção, instalação, sustento e inspeção da máquina. Porque “o domínio da automatização
compreende tôdas as tarefas de repetição e tôdas as decisões que podem ser tomadas em
função de critério pré-estabelecidos. Os limites próprios no domínio da automatização são
traçados pelo estado da técnica, pelo nível dos custos, pela amplitude das vendas e pelo número
de especialistas tentados a inventar, construir e dirigir os sistemas automáticos.”159
Inequivocamente, não se trata de um simples processo de desenvolvimento da mecanização,
mas de uma nova tecnologia, uma outra revolução industrial cujas conseqüências econômicas e
sociais ainda são imprevisíveis. Um aspecto, entretanto, é certo: “a primeira revolução, a dos
“dark satanic mills”, promoveu a depreciação dos braços do homem pela concorrência da
máquina... a revolução industrial moderna depreciará necessàriamente o cérebro do homem, ao
menos nas suas funções simples e rotineiras.”160 E é neste aspecto que a automatização irá
atingir, como já está começando a ocorrer, a atividade jornalística.

Jornalismo e Automatização — Relacionando os domínios em que a automatização já
encontrou campo de aplicação nos Estados Unidos, Pollock cita, referentes ao jornalismo, os

158 J. Rey Pastor e N. Drewes – Obras cit. – págs. 320-321.
159 Frederik Pollock — L’automation — Paris, 1957 — pág. 68. Pollock e outros estudiosos da meteria dão
preferência à designação “automação”, em lugar do termo mais vulgarizado que adotamos aqui.
160 Norbert Wiener – Cybernetics - New York, 1948 — pág. 17.

seguintes: televisão, impressão, tele -comunicações, traduções, estatística, cálculos científicos de
tôdas as espécies, previsões meteorológicas e contabilidade. Em todos êsses setores, a
máquina não sòmente realiza o trabalho “como funciona inteiramente sem a interferência
humana direta, sem o concurso nem da destreza, nem da inteligência, nem do contrôle do
homem.” A máquina já comanda totalmente o trabalho de outra ou outras máquinas. Assim, “a
automatização industrial é causa determinante do desemprêgo operário em escala crescente, se
bem que seja, ao mesmo tempo, criadora de novas fontes de trabalho, ainda que em muito
menor escala, para técnicos e pessoal especializado.”161
Ocorre, porém, que não sòmente o técnico mas os outros agentes do jornalismo se
vêem ameaçados pela crescente automatização industrial, e suas conseqüências sócio -
econômicas. As operações automáticas de contabilidade, por exemplo, reduzem muito o pessoal
dos corpos de editôres e os próprios editôres-financistas vão sendo absorvidos pelo Estado-
editor, como uma conseqüência do alto custo da maquinaria dos veículos jornalísticos e a
multiplicação dos encargos para a sua manutenção. Já hoje, o fenômeno da desaparição ou
absorção em cadeias de jornais — os veículos que ainda se conservam em maior volume como
propriedade privada — é um fato amplamente constatado em todo o mundo. “A imprensa
quotidiana tem manifestado uma tendência muito significativa à concentração e ao monopólio.
Enquêtes têm sido realizadas em 25 das maiores cidades dos Estados Unidos (e concluiram): —
o número dos jornais não cessou de reduzir-se enquanto o de exemp lares difundidos crescia... o
número de matutinos, que era de 69 em 1900, reduziu-se a 35 em 1950 e já se observa a
mesma diminuição no número de jornais da tarde: 84 em 1900, 51 em 1950, enquanto que a
tiragem passava de 6.000.000 exemplares para 12.000.000 quanto à imprensa quotidiana
matutina e de 8 a 14 milhões de exemplares, para a vespertina. Ao mesmo tempo, o número de
proprietários destes jornais não cessou de diminuir: era de 104 em 1920 e não passava de 72
em 1950.”162 Na sua já citada conferência — de imprensa e o leitor livre” — Rod W. Horton,
depois de aludir a uma estatística de Morris L. Ernest, segundo a qual em 1910 havia, nos USA,
2.600 diários lidos por mais de 24 milhões de pessoas e em 1940 havia, apenas, 1.988 diários,
com a circulação de 50 milhões, refere que, anos atrás, New York possuia, entre outros, jornais
chamados Commercial Advertiser, Globe, Sun (matutino e vespertino), World (matutino e
vespertino), Telegram e o Evening Mail, num total de oito, além de uma meia dúzia que não
figuram nesta história. Que aconteceu a êsses oito jornais? Parece uma passagem do ciclo da
vida selvagem. O Globe absorveu o Commercial Advertiser, o Sun suspendeu o seu matutino
para engolir o Globe, o Telegram comprou o Evening Mail e nos primeiros anos de depressão
anexou as duas edições do World também. Sobraram, então, apenas dois dos oito. O Sun-
Globe-Commercial Advertiser (com o nome abreviado de Sun) e o World-Telegram-Mail
(chamado World Telegram). Depois da segunda guerra mundial, o inevitável aconteceu: com um
grande golpe, o World Telegram tragou o Sun, formando o atual World Telegram and Sun, o
único resto das oito folhas valentes da minha mocidade. Circula com mais de 600.000
exemplares diários, mas dizem que está perdendo dinheiro.”163
Na França, segundo J. Kayser, a situação, embora diferente apresenta uma evolução da
mesma natureza. “Há diminuição constante do número de jornais. Havia em Paris, em 1914, 48
quotidianos não especializados; em 1939, havia 32; em 1955, não havia senão 11.” As grandes
despesas de manutenção dos jornais, além de provocar o desaparecimento ou absorção que
exemp lificamos, criam outro fenômeno, observado por F. Terrou, quando assinala, referindo-se
aos jornais parisienses: “As dificuldades de alguns jornais são evidentes. A sociedade do Petit
Parisien que distribuiu em 1930 um dividendo de 100 F., não distribuiu mais nada em 1938. A
ação valia 2.150 F. em 1931 e não valia senão 255, em 1938. O título do Figaro, em 1957, era

161 J. Rey Pastor e N. Drewes – Obra cit. – pág. 326.
162 Á. Mathiot— “L’Opinion Publique aux USA” in L’Opinion Publique – Paris, 1957 – pág. 359.
163 Jornal do Comercio – Recife – 8-12-57.

saldável com uma perda de mais de 4 milhões. Estas dificuldades se estendem a certos serviços
anexos: a agência de informações e o comércio do papel-jornal.164
Em novembro de 1958, o Sweedish Internacional Pressbureau divulgou o seguinte
comunicado de Estocolmo: “Revolucionária mudança na estrutura política da imprensa diária
operou-se nestes últimos anos. A notícia do fechamento de um periódico foi publicada
recentemente, quando se afirmou que o Morgen Tidiningen, anteriormente chamado Social
Demokraten (órgão oficial do Partido Social Democrata) e que existia há 73 anos, deixaria de ser
publicado dentro em breve. Recorda-se que a União Geral dos Trabalhadores da Suécia, há dois
anos, adquiriu os dois periódicos liberais Stockholm Tidiningen e Aftonbladet, que se crê
adotarão mais ou menos a orientação seguida pelo Morgen Tidininien. O Morgen-Blated, do
Partido Liberal, será reorganizado em breve, em forma de semanário, a exemplo do sindicalista
Arbetaron. Isto faz com que Estocolmo fique com apenas 4 diários matutinos, ao invés dos 7 de
há dois anos atrás: o conservador Svenska Dagbladet, o liberal Dagens Nyheter, o Stockholm
Tidiningen (da União Geral dos Trabalhadores) e o comunista Ny Dag. Além dêsses existem
mais os seguintes diários, que circulam à tarde: o liberal Expressen e o Aftonbladet, da União
Geral dos Trabalhadores.”
Nos países sub -desenvolvidos, se bem que o fenômeno seja constatado no s grandes
centros urbanos, há ainda possibilidade de sobrevivência de jornais que não disponham de
maquinaria e mecanismos modernos, pela necessidade que as populações têm de utilizar
mesmo os mais obsoletos veículos de publicidade. Entre nós, no Rio e em São Paulo, se vem
observando a redução do número de jornais, embora também o aumento das tiragens, com a
absorção dos mesmos pelas grandes emprêsas. Últimos exemplos: a compra de O Mundo pelo
Diário de Notícias e a integração do tradicional Jornal do Comercio na cadeia dos “D. A.”.
A concentração dos órgãos jornalísticos seja em “trusts” seja em poder do Estado
parece-nos uma das mais sérias demonstrações dos efeitos desta segunda revolução industrial,
caracterizada pela automatização. E sem dúvida cooperará para a automatização dos espíritos,
prevista pela “Margate Conference”, promovida pela “Institution of Prodution Engineers” em
Londres, em junho de 1955, ao concluir que “o pequeno número de engenheiros que controlam,
em última análise, as fábricas automáticas poderia pressionar a sociedade... e subordinar o
comportamento e os hábitos de vida dos homens aos interêsses das máquinas. A fábrica
automática abriria então a porta ao novo mundo de Huxley.”165 o que é êste ‘brave new world”,
todos o sabemos: uma sociedade tecnológica, dirigida por uma hierarquia autoritária composta
de verdadeiros mestres de máquinas e de homens, em posição de “abarcar o todo dos
fenômenos técnicos e econômicos e tomar todas as decisões que interessem à política
econômica” e, naturalmente, de dominar a massa humana “sem julgamento, fàcilmente
influenciada pela técnica moderna de propaganda e que se encontra mantida de bom humor,
pois participa do consumo de um número sempre crescente de bens.”166 É ainda de Pollock o
seguinte e expressivo trecho sôbre o mundo automatizado para o qual marchamos: “Sabemos
da importância do papel exercido nos Estados totalitários pelo rádio, cinema e imprensa postos a
serviço da técnica de opressão das massas. A televisão veio recentemente juntar-se a êstes
meios de opressão; e entretanto, teoria e técnica da automatização propõem um novo
instrumento para manietar as massas. Desde o fim de 1948, o Padre Dubarle, da Ordem dos
Dominicanos, numa carta endereçada ao jornal Le Monde evocou a possibilidade teórica de
construir-se uma “máquina de governar”: um calculador eletrônico que indica as medidas a tomar
no futuro, segundo tôda a verossimilhança, em condições dadas a tal ou qual fim político. Wiener
pensa que os dados psicológicos necessários ao funcionamento desta máquina não existem
ainda. Portanto, êle concorda em que já demos o primeiro passo para a “máquina de governar”,

164 J Kayser e F. Terrou — L’Opinion Publique — Paris, 1957, págs. 236 e 191.
165 Cit. por F. Pollock — Obra cit. — pág. 143.
166 F. Pollock — Obra cit. — págs. 188-189.

Por que não serão. aparentemente. A 4 de novembro. A máquina se rege por um sistema de fichas perfuradas. Ademais. Gravações ulteriores foram enviadas também de avião a Paris. 169 “O operador dêste engenho deve limitar-se a escrever mente a frase a traduzir. Convertidas no ato as gravações. explicar aos tele -espectadores os acontecimentos que são apresentados no vídeo? Indubitàvelmente. repentino.30 a transmissão televisada para a Grã-Bretanha. de Londres: “A. resolver problemas de xadrez e até realizar inferências lógica. vai tendo reduzido o seu campo de ação: os repórteres não precisarão andar à cata dos fatos. divulgada pela “Granada Teleyision”. do êrro ou do sentimento. — págs.Obra cit.. capazes de jogar damas. pode oferecer. numa mostra de computadores eletrônicos em Londres. em busca da perfeição do trabalho que a máquina.167 De qualquer modo. que levantou vôo às 11 da manhã para chegar a New York às 4. Drewes . é mesma máquina tradutora sôbre o papel” J. as gravações podem 5cr transmitidas sem necessidade de qualquer processo ulterior ou dublagem.35 da tarde. composição da frase fonsequentes em seu ordenamento lógico-gramatical”. o miraculoso alquimista que vive isolado na sua torre de marfim. invento da Eletronics Equipment Ltd. das cerimônias da coroação papal em Roma. afiança que o dispositivo da sua invenção é unico no mundo e qte abre imensas e novas possibilidades no que respeita ao intercâmbio internacional de programas televisados.. etc. pois êstes chegarão às redações pelas ondas hertzianas. Porque.168 os tradutores de mensagens telegráficas não terão mais razão de existir quando for comum a tradutora eletrônica. o princípio em que se baseia o conversor é muito simples. 167 F. em New York. A frase. segundo comunicado do BNS. Rey Pastor e N. êle próprio. a sua curiosidade intelectual e o seu gênio inventivo. fazer comentários. Y. a sua progressiva escravização à máquina. as desilusões das comunidades ante o fracasso das tentativas políticas de construção social — poderão criar condições favoráveis a uma interpretação estereotipada dos fatos sociais. para quem o homem surge como “um ser indócil. de Washington. classificar e distribuir a matéria. organogramas e ábacos algo que os liberte da angustiosa opressão da liberdade”. a “Granada Television” começou a gravar às 7. — pág. 322-323. pelo rádio e pela TV.aplicando a Theory of Games para a solução de problemas táticos e estratégicos com a ajuda de um calculador gigante. o locutor de rádio ou TV verá dispensado o seu trabalho pelo emprêgo das máquinas leitoras. as exigências da produção e do consumo. a respeito. com dispositivos criados e experimentados. firma britânica “Granada Televjsion” descobriu uni sistema que permite a conversão imediata de gravações de imagens e sons — em uma fração de segundos — para enquadrá-las ao sistema de canais de televisão de qualquer país. capaz de verter frases de um idioma a outro em forma automática e com grande rapidez e cujo primeiro exemplar foi exibido em 1954. acontece o que era de esperar: os homens irão pedir à técnica uma receita de prudência e até de felicidade. em breve. Middlesex. como o observou Gustavo Corção. a única coisa que não tem envergonhado o homem. de 1958.. com o único fim de alargar a sua dominação sôbre os outros homens. O perigo seria ver esta máquina empregada pelo homem ou por um grupo. o que promete uma grande versatilidade da mesma. 199. Pollock — Obra cit. através de ligação em cadeia com a Eurovisâo. exposto em 28 de novembro de 1958. utilizados para escrever editoriais. desde que o repórter poderá diretamente compor. construido pela International Business Machine Company. o jornalista. em colaboração com o Instituto de Linguística da Universidade de Georgetown. de Hayes. passível de fazer surgir o servo-mecânico jornalista. Depois de rapidíssima operação. . “existe em nossa civilização uma fadiga moral e um enorme desejo de capitulação.169 o redator terá suas funções igualmente limitadas. os cérebros eletrônicos já são hoje uma realidade.. encarregando-se a máquina de tôdas operações necessárias para a sua tradução. no nosso mundo hodierno. de onde partiram seguida em um Boeing que levantou vôo às 6 da tarde para aterrissar N. às 9.. em processo de automatização. 168 Comunicado do Britisli News Service de 11 de Nov. Como é a técnica. isenta do cansaço.30 da noite. Segundo a própria “Granada Television”. Irão procurar em testes. a admiração do homem pelas maravilhas que a máquina pode obrar. uma vez traduzida. a primeira série delas partiu do aeroporto de Londres em um Comet de passageiros. como sejam. aplicação elementares de sintaxe e de gramática. no seu “mundo fechado da coisa a ser feita”. e que traduzia do russo para o inglês. A notícia. por meio da telelinotipia do próprio local onde acaso esteja colhendo os dados da notícia. e em seu socorro irão buscar ao técnico.

da polivalência que caracteriza a sua natureza e o seu ofício.. complexo. provocado pelo homem “cansado da realidade moral. se o editor se curva ante a excepcional produção da máquina. Sobrevivência do espírito. O que o jornalista vê. 172 George Soule — Time for living New York. mostra aos povos a nova táboa da lei. dóceis como um cobre?” e avaliará a tragédia humana como “causada (quem sabe?) apenas por algum eixo com folga ou algum “Nesse momento. 1955 — pág. quais as funções dignas do seu estado que lhe seriam propostas para o emprêgo dos óeios. 171 o jornalista — pela sua própria natureza e pela natureza do seu ofício — considerará sempre a máquina como “a doll. Esta questão vem sendo debatida nos círculos filosóficos e sociológicos e. na sua luta incessante contra as fôrças da natureza. Um precioso brinquedo. Chesterton. no desenvolvimento da técnica é a sua libertação do tempo. numa transcendentalização que vem sendo o ideal perseguido pelo homem e pelas sociedades. 1957 — pág. 99 e 107. not an idol” — um brinquedo e não um ídolo — como o fêz G. da criação. antes de tudo. é o fato de que o progresso técnico deve implicar sempre na liberação do espírito. com a máquina. — págs. na realidade — dos agentes do jornalismo é que oporá a decisiva reação a esta visão apocalíptica do mundo do futuro. tornando-se. K. réplica moderna dos centauros do mito antigo”. não admitirá jamais aquela sem dúvida maravilhosa capacidade de simplificação dos computadores eletrônicos como um satisfatório fim último. fatigado da sua própria condição. o técnico desceu a escada-em-caracol de sua torre e veio misturar-se aos homens. 17-18. George Soule afirma que o “leisure class” (ócio de classe) se transformará em “leisure mass” (ócio da massa) e que o grande perigo reside em que “a tecnologia importa na arte de economizar o tempo mas sem ensinar ainda como utilizá-lo inteligentemente. se o técnico. “um único ser monstruoso. 45. os Pedros e os Joãos nítidos como um triodo. faz estatística dos famintos. O JORNALISTA Máquina humana pensante. Em vez do super-homem.improvisador.. cada dia mais longas pausas para meditação. daquela pressão e daquela opressão do tempo. depois de haver experimentado em vão a felicidade da superação nietzscheana “em vez de se passar além do Bem e do Mal instalando-se o mundo do homem aquém da realidade moral. nos oferecerá tempo para pensar. inexato e dotado de uma absurda e lamuriosa vontade”. desde as épocas mais remotas. 17. polimorfo e complexo. E o técnico indagará de si mesmo “por que não são êles todos. com que já Renaudot. traça organogramas da nova política que há de trazer a concórdia universal da sociedade bem ajustada e que há de devolver ao homem o paraíso perdido. e assim se conseguirá uma super-sociedade de sub-homens:”170 O derradeiro — e principal. que lhe proporciona maiores lucros. sobretudo. de um modo 170 Gustavo Corção – Obra cit. . como impulsionador do bem comum. frente à objetividade que deveria informá-lo.. anuncia-se o sub- homem. que nos pro porcionará confôrto e facilidades mas que. a tábua de logaritmos.”172 E se tem perguntado freqüentemente em que se ocupará o homem libertado. Mas traz a régua de cálculo como símbolo de congraçamento. Se o público é passível de uma ilimitada admiração pelo progresso da técnica. enjoado de liberdade. no século XVII. justificava as claudicâncias do seu trabalho jornalístico. como se quisesse tomar férias da sua própria humanidade”. No estudo sôbre as conseqüências do aumento constante do tempo não empregado no processo da economia. com a sua insaciável curiosidade e a sua busca incessante da perfeição material. verídicos como um galvanômetro. visando colocá-las ao seu serviço. se deixa dominar. o jornalista que executa um trabalho criador e inovador. mesmo por uma questão de sobrevivência..” E neste “brave new world” que o tecnicismo criará. Sobrevivência do jornalismo como informador e orientador do homem social. 171 Paulo Sá — A técnica e os técnicos — Recife.

. o homem deve elevar o seu nível cultural. exprimi-lo. a imprensa é o problema central da moderna democracia. comunicá-lo. antes de mais nada. para qualquer categoria profissional. pela glória que perseguimos ou pelas vantagens materiais que colhemos — que se revela esta aptidão. o homem comum pára. É em conseqüência disso que (como o constatou Wiekham Steed). 1958 — págs. A Curiosidade Comunicativa — O primeiro atributo do autêntico jornalista é a curiosidade comunicativa. é convocado o jornalista. quando muito retirando dela algumas inferências particulares ligadas à sua ordem cultural. . pela prática do ofício. pesa-a. 174 Aristeu Achilles — Liberdades Democráticas — Liberdade de Imprensa — Rio.geral. 1957 — pág. A vocação. uma aptidão ainda não revelada. 175 Gregorio Marañon — Vocação e ética — Salvador. A sua parada é mais longa ou mais intensa. na maioria preponderantes. mas implica imediatamente em servir ao objeto da vocação. em seguida. 1944 pág. Mas tudo evidentemente enquadrado nas liberdades ao seu alcance. impulsionar o homem e a sociedade à ação. se tal fato não lhe diz respeito imediato.” E se isso é verdade para o homem comum. nestes casos. para isso. julga-a. dêsse modo. 32. não se permite uma trégua. 173 Octávio de la Suarée — Psicologia aplicada al periodismo — La Habana. informam-se e prosseguem. classificá-lo pela sua maior ou menor importância e. Neste sentido é que o jornalista é aquêle “órgão constante e vivo de informação” Para êle. Porque não se daria caráter essencial à sua atividade. são necessários. o fato tem um sentido que é preciso captar. influenciando-lhe os rumos. A Vocação do Jornalista — Já se definiu o jornalista como “o instrumento adequado de que se valem os fatos para converter-se em notícia. que se originam do sistema econômico. para ensinar há que servir e. definir.” Todavia adverte. fôsse ela meramente informativa. pela sedimentação dos conhecimentos técnicos. isto é. que difere da curiosidade pura e simples porque se reveste de um insopitável desejo de passar adiante a informação obtida ou o fato testemunhado. “Na verdade.”174 Para realizar êste trabalho de primeiro plano. competindo-nos consolidá-los e desenvolvê-los. Ba. o jornalista age diferentemente.”175 É pela formação cultural. admite-se que. dada a redução prevista do tempo de serviço.. a fim de “aproveitar melhor a vida e ser melhor cidadão. e das outras limitações contingente. em último têrmo. Ao contrário de outros profissionais que podem repousar após o cumprimento de uma etapa de trabalho — o advogado em seguida a uma causa julgada. “pela miragem de certos episódios heróicos ou espetaculares”. finalmente. refletindo o meio em tôdas as suas manifestações e. o jornal (jornalismo) sintetiza e traduz a substância da vida social. informa-se e segue o seu caminho. sôbre êle agindo. uma “voz interior que nos atrai para a profissão e o exercício de determinada atividade. Diante de uma ocorrência. 11. o médico.. dons inatos e magníficos da alma e da personalidade. indiferente. que “a vocação autêntica nunca é platônica. mais verdadeiro o será para o jornalista. a informação que colhe é mais completa e tem aplicação imediata porque êle lhe dá forma. Ensina Gregorio Marañon que a vocação é um “imperioso apêlo”. não em função aos seus próprios interêsses mas da sociedade de que se sente receptor e transmissor. após o curso de uma assistência ao paciente — o jornalista está sempre em função. as crescentes responsabilidades dos trabalhadores e as exigências das sociedades modernas. destinada a satisfazer curiosidades e entreter os espíritos. não é mais. Para descobrir. do que a aspiração de servir. ajuntando-lhe dados novos e comentários. o intelectual e o cientista igualmente param. cuja função de intérprete e orientador dos demais homens o coloca em posição de vanguardeiro na conquista dêste precioso “time for living”. 16-17. situar. aquêle que encontrou a sua vocação no servir de porta-voz e intérprete dos fatos sociais.”173 Ao que ajuntaríamos: e. comparar com outros. divulgá-lo. que aquêles dons vêm à tona. ao mesmo tempo. para escrever. naquelas que emanam do sistema político em primeiro lugar.

A informação jornalística precisa de apresentar alguns. a atualidade 176 Octavio de la Suarée — Obra cit. algum nome ou alguma entidade que se pode fazer notícia — e juntar-lhe.desde que também os fatos se sucedem numa aglutinação dinâmica que provoca.. através de todos os veículos ao seu alcance. sobretudo. A fecundidade jornalística já foi definida por um escritor chileno. de tempo. em geral. a paisagens que circundam os fatos e têm às vêzes com êles íntimas relações. que tenha uma excepcional bagagem cultural. Andres Siegfried. 177 Antonio Olinto — Obra cit. não deve o agente esquecer o fato. inclinado ante a sociedade em que vive. o relato vai por isso dando os pormenores de lugar. 37. como localizada em determinado espaço. Que coisa aconteceu? Quem provocou a coisa acontecida? Onde foi? Por que? Para que? Estas perguntas têm de ser respondidas e a narrativa. 34. escrever. Se é verdade. “Tudo deriva daí: a informação do fato.”177 Por isso. indivíduo por indivíduo. uma reação que culmina na criação da notícia.”178 A fecundidade jornalística está em possuir o profissional um regular lastro cultural e uma agilidade mental que lhe permitam encontrar os conhecimentos necessários no momento preciso. presumir a situação que a produz.. como o observou Antônio Olinto. Não se trata (também) de que seja um homem vulgar. por exemplo. informar-se incessantemente do que vai pelo mundo.”176 A Fecundidade Jornalística — Nesta operação espiritual de extrair a substância do fato e apresentá-lo ao público. os elementos que o irão transformar. tuas desdobra-a. — pág. entretanto. evocar. procura colocar o leitor em posição visual de compreender o acontecimento. com um ôlho novo. Não é imprescindível que seja um enciclopédico. — pág. preocupado em construir ou reconstruir os interiores e exteriores em que as cenas se passam de um modo quase cinematográfico... A Objetividade — Na gestação da obra jornalística. bem como a autoria e as conseqüências da ação a que se refere. para ser jornalisticamente transmitida. pois o jornalista não limita a sua missão a compor e apresentar os fatos mediante situações feitas. elementos básicos que o leitor tem necessidade para a total compreensão da notícia. acumulando observações curiosas que serão aproveitadas pelos filósofos para deduzir leis”. a capacidade de reconhecer o fato e mesmo de provocá-lo — quando. a narrativa. a formação pelo fato. ao realismo. seu interêsse e sua lição. que “o ato de fixar uma realidade já é jornalismo”. no observador. sempre. mesmo que a tal seja tentado pela possibilidade de vitaminizá-lo graças à sua cultura ou à sua capacidade pessoal de raciocínio e inferência. com exatidão e rapidez. no instante mesmo em que o seu instinto lhe indica haver concebido.. na forma e no fundo. 178 Ismael Herráiz — Obra cit. o jornalista deve adquirir conhecimento não ser um jejuno em nenhum campo da atividade humana. Porquanto outro traço marcante da sua personalidade é a objetividade. — pág. talvez como não o é.a sua fecundidade. o apêgo à verdade. Esta última fórmula condensa todo ou quase todo o jornalismo. penetrando nos campos da filosofia da ocorrência.. “A conduta jornalística oscila como um pêndulo entre a reação e a situação. predizer a reação que produzirá. perder de vista o objeto. tem- se a impressão de que examina o mundo. É um trabalho de verdadeiro arquiteto literário. tem de submeter-se a um processo específico “o jornalista que descreve. mas “extraordinàriamente” corrente. com as seguintes palavras: “(o jornalista) deve olhar. é um memorialista mas é também um sociólogo. necessidade de serem reerguidas pedaço por pedaço. deve-se considerar que essa realidade. Há. 29. mas que sua mentalidade represente “a média aritmética das mentalidades às quais se dirige.. sob a forma de notícia ou de orientação é que se revela outra característica do jornalista . Suas alternativas são: a) conhecida a reação. nenhum daqueles leitores para os quais tem de adaptar sua mentalidade. . ao sucedido.. possuir cultura geral e. entrevista alguém. b) dada a situação. como um feto se transforma num ser definido e completo que pode vir à luz sem causar horror ou pasmo.

um “tempus loquendi”: tempo para falar. após lembrar que “existe a realidade em ato e a realidade em potência”. até mesmo só uma parte daquela consideração em que podem freqüentemente contar a mentira e as meias verdades. desfigura a realidade. . forjando-se espontâneamente. a subjetividade prima a objetividade. aos jornalistas da Associação da Imprensa Estrangeira em Roma. 181 A Ordem — Rio — Vol. precisamente porque. no entanto. IX. Quando Rui Barbosa. que é a coincidência dos seus atos com o seu dever. 1 — julho de 1953. sob o guante das mais diversas tentações.. como a verdade é a coincidência de sua apreciação com o acontecimento em si. não. 180 Antonio Olinto – obra cit.. cit. A veracidade.-1957. Um polemista é um belo espetáculo.. tentações da parte da opinião pública ou mais exatamente das opiniões do público.págs. Sabeis — acrescentava — pela vossa própria experiência quotidiana como é muitas vêzes dificultoso garantir a pura verdade. Sua configuração geral. além das dificuldades exteriores. L. A literária de ficção — o romance. quando causam admiração e seduzem. é mais de real possível do que de real atual. enquanto que o jornalismo se situa quase que exclusivamente no real atual.10 e 17-nov. e de fogo para as mentiras?”(Fables. realmente. É por isso que um jornalista-polemista tem menos fôrça. Jean dé la Fontaine não exprimiu uma observação parecida nos versos bem conhecidos: “o homem é de gêlo para as verdades. autoria e conseqüência da ação) porque seu plano (mais real possível do que real atual) é o de surpreender alguns dos mistérios do homem como ser.” E o imortal pontífice fazia aos jornalistas a seguinte e incisiva advertência: “Mas se neste pobre mundo existe um “tempus belli”: tempo para a guerra. O mau jornalista é o sofisticado ou o fanático. mas está mais na linha da poesia. Todos êles perdem de vista o objeto. 6). tem os limites da realidade. que em outras oportunidades foi tão grande jornalista. quando se considera que.. o realismo é a sua grande fôrça. a realidade para se prenderem apenas no modo de o retratarem ou nas suas segundas intenções mais ou menos ocultas.. “Tentações que nascem dos interêsses de partido e talvez até da imprensa por cuja conta trabalhais. 179 Tristão de Ataíde — Art. A fôrça do jornalista está na verdade e na honestidade. que o jornalista não pode seguir sem reservas. no campo da opinião pública. e “tempus falsi”: tempo para o êrro. é a medida do jornalista. Em discurso proferido. não há “tempus veri”: tempo para a verdade. como o pianista faz escalas.”181 Tremenda advertência. Como pode ser difícil resistir-lhes e respeitar os limites que a veracidade proibe absolutamente de ultrapassar! Sem esquecer sequer que “a conspiração do silêncio” pode também ofender gravemente a verdade e a justiça. o conto — pode prescindir de alguns dêsses elementos (lugar. .. in Diário de Notícias . numa apresentação de personagens em luta com os seus próprios demônios interiores. do que pròpriamente do jornalismo. o jornalista tem de lutar contra outra muitas vêzes mais grave. o estilo determinado pelo fato. Pio XlI — um dos mais sábios pontífices entre os que já ocuparam o sólio papal - expunha as sérias dificuldades com que lutava o jornalista para manter-se fiel à objetividade. É eminentemente objetiva. Comparação que contém mais do que uma parcela da verdade. 1. oriunda da sua própria fecundidade: — aquêle elemento imaginário ou dedutivo que gratuitamente vinculamos às circunstâncias que envolvem o fato e que. e um “tempus taciendi”: tempo para estar calado.”180 A obra jornalística. tempo. mas não faz autêntico jornalismo”. da atualidade.do fato. O fato. êle que precisamente deve adequá-las à verdade e ao direito e por conseguinte purificá-las e guiá-las. escreve: “A ficção pode haurir seu material tanto de uma como de outra.. Em seguida. nêle polemista. ou o mal informado.. em 1953. que o jornalista sereno e objetivo. pode ter feito um exercício de estilística. ou o divag ante ou o vernaculista. o que pode ser feito pelo escritor tanto na história chamada de “enrêdo” como numa pesquisa psicológica. 28 e 30. e um “tempus pacis”: tempo para a paz. contrariando uma exigência natural do gênero. da fidelidade ao fato. o fato. da sátira. o acontecimento. n.179 E Antônio Olinto. escreve um artigo de polêmica só para empregar dezenas de sinônimos de um termo injurioso para o adversário. embora mais violência.

com senso de oportunidade e responsabilidade — é que está o atributo da discrição jornalística. que põe sempre em guarda o jornalista a respeito de fatos que possam destruir reputações. definindo os programas informativos de rádio.”182 Daí porque é tão rara a divulgação de versões idênticas sôbre o mesmo fato em diferentes veículos de Publicidade. ter em conta a soma de experiência do jornalista. 184 J. dos costumes. verdade será dita sem prejuízo e os fatos divulgad os sem intenção maliciosa. salientam que os jornalistas “apesar das suas melhores intenções nem sempre conseguem escapar ao curso da deformação típica do rumor. reserva que não atribui jamais ao zêlo da verdade os nossos procedimentos indiscretos e as nossas intransigências apaixonadas”. na defesa do seu senso objetivo. um código para o jornalista que informa: “respeito à verdade. que a fidelidade do jornalista aos fatos é forçada a empregar. então. se acaso não obedece aos estilos — de prever as conseqüências sociais dessa divulgação. “correm fundados rumores”. em rumor e o que o repórter escreva e o redator redija corre o perigo de cair ainda mais na precária ladeira da nivelação. em conduzir-se.183 Outro não é o pensamento de J. 1953 – pág. A Discrição — Deve-se. Em pesar as obrigações que tem para consigo e para com a sociedade em geral. quer pela sua revelação nua e crua quer pela discriminação da fonte. que a tais normas não se conforma. o seu conhecimento das normas de ética. com absoluta imparcialidade ao reproduzir para divulgar no radiário as rádio-notícias exatamente como se produziram em nossa presença ou com uma investigação sã e alerta do ocorrido. o que não o priva — nem o redime. advertirá o profissional verdadeiro do momento asado para transmitir uma informação ou dar uma orientação reclamada pela sociedade a que serve. 183 R. acentuação e assimilacão. Allport e Leo Postman – Psicologia de rumor – Buenos Aires. “informa-se”. ao menos em tese. Provayer Carracedo. 57. que estudaram detidamente a psicologia do boato. sem paixões. quando. que podem deflagrar revoltas e iras e de cujas repercussões na opinião o jornalista se pode arrepender tardiamente. . em um rumor. em poucas palavra. a sua familiaridade com os assuntas. de quanto ocorre no mundo. Allport e Postman. du Passage — Du journalisme – Paris. 1952 — pág. está sujeita a normas seguras de verificação. no estilo periodístico o uso do modo condicional e das expressões “circula”. 11-13. A notícia se terá convertido. Discrição jornalística que. O repórter raramente é testemunha presencial do sucesso. e porque é freqüente. a despeito dos Alceste de todos os tempos e dos tagarelas apressados em vender atualmente as suas novidades” O mesmo autor propõe. 192. chega ao sítio da cena depois de haver-se produzido um fato digno de publicação.”184 O jornalista tem a obrigação profissional de divulgar qualquer notícia comprovada que lhe chegue ao conhecimento. 1925 — págs. o verídico do falso. responsável. P. em caso de conflito. a sua constante manipulação dos fatos. A. em balancear o dever profissional e o dever social. serena. Discrição que evita pareceres e juízos precipitados. diz que “se destinam a manter o rádio-ouvinte bem informado. transmudando unia informação que. onde se obteve a informação. As provas que recolhe podem ser relatos de segunda ou terceira mão (e ainda quando fôssem de testemunhas oculares seriam de duvidosa exatidão). de tudo quanto condiciona o comportamento social — o que lhe oferece meios de separar na radiografia da ocorrência. “conforme fontes bem informadas” e outras. de modo veraz. por outro lado. atenção leal e engenhosa para facilitar a obra de esclarecimento. é êste o princípio fundamental para facilitar ao rádio-ouvinte os elementos de juízo apropriado para que nenhum fato seja desfigurado alterando ou confundido. das leis. rendendo homenagem à exatidão. Pois “nem tôda a verdade é boa para ser dita. Igualmente serve à objetividade aquela quase paradoxal discrição a que se refere Du Passage. 182 Gordon W.. contudo.. Provayer Carracedo — Radioperiodismo — La Habana. Como chegaremos a obtê-lo? Simplesmente com uma atuação judiciosa.dando à notícia um caráter de boato.

conforme se a diga ou se a escreva. Ainda recentemente. . 185 Odorico Tavares. Êstes dois distintos aspectos da discrição no exercício do jornalismo estão caracterizados nos seguintes exemplos: em 1945. com efeito. sendo civil. para que já por si se constitua um elemento adequado à conveniência social. que fôra candidato oposicionista à presidência da República Portuguêsa e. William B. Transferindo-se para o Recife. porém não o único se se tem em vista não o egoismo ou a vaidade profissional mas a conveniência social.. 186 As normas gerais da conveniência social estão expressas nos códigos de ética e. ingressou no Diário de Pernambuco e mais tarde fixou-se na Bahia. Outro caso é o do correspondente norte-americano da United Press. iniciou a sua carreira na imprensa de Timbaúba. uma entrevista destinada a dar o golpe de morte no regime. passando a dirigir o associado – Diário de Notícias. em face da rigorosa censura à imprensa ainda imperante. Talvez nenhuma outra essência filosófica esteja mais subordinada à forma do que ela e o fato de que se a entenda sempre de diversas maneiras dá uma idéia cabal dos requisitos morais que exige a sua apresentação. Êsse fundamento único é. estando. nos códigos criminais — os primeiros elaborados pelos jornalistas ou por organismos em que os jornalistas se acham representados. sua cidade natal. apenas em serviço de treinamento de pilotos de caça norte-americanos. irreprochàvelmente certa. devem ser reduzidas ao fundamento único que a complemente e concretize e faça-a assimilável pelas grandes maiorias. à luz dos costumes e das tradições das comunidades a que se destinam. Dickinson. Jouvenel dizia aos seus alunos de jornalismo: “Não se esqueçam de que o público sente horror diante de tôda verdade nova”. o famoso ás não poderia participar de vôos de combate. obteve a divulgação e o seu ato foi a libertação do jornalismo brasileiro das peias do DJP e o inicio da vitoriosa campanha de reconstitucionalização do país. para a diagnose e terapêutica de um mal. natural de Pernambuco. A verdade é mais ou menos verdade e até pode deixar de ser verdade. e acordou um dia tendo como vizinho no quarto ao lado o General Delgado. quando se sentia no ar que o regime ditatorial estadonovista se aproximava do seu têrmo. O sol dá vida ao homem mas êste não pode mirá-lo diretamente. ameaçado em sua segurança pelo regime que combatera. como o médico. visto como. Mas é. As “maneiras” da verdade. que guardou durante treze meses consecutivos um autêntico “furo” de reportagem: uma ação de Lindenberg contra caças Japoneses no Bornéo — porque a sua publicação daria margem a prejuízos à causa dos aliados. como não o seria colocar em mãos de um menino de meses um fósforo aceso porque chora de medo à escuridão que o rodeia. para o jornalista a conveniência social”. a que se acham coercitivamente submetidos não sòmente os agentes do jornalismo como o povo inteiro. Que seja verdade uma notícia. “Não basta. jornalista e poeta. sendo considerado insensato. nem sempre necessitará de ir ao Chernoviz. é ter já o jornalista à sua disposição o primeiro elemento para publicá-la. de Salvador. A condição de hóspede do embaixador impediu Odorico Tavares de conseguir o que seria a entrevista mais fácil e sensacional da sua carreira. o repórter insistiu pela sua publicação. conforme o relata a revista Visão — edição de 23 de janeiro de 1959 — o jornalista Odorico Tavares. 186 Octávio de La Suarée – Moraletica Del periodismo – pág. o últimos integrando a consolidação das leis penais. Afinal. quando se apresentou ocasião inopinada de entrar em luta. Por muitos dias. muitas vêzes. José Américo de Almeida. estava hospedado na Embaixada do Brasil. ludibriado pelo ditador em 1937. que uma notícia seja certa. . que fôra o candidato à presidência da República. sobretudo. o jornalista brasileiro Luís Camilo de Oliveira Neto obteve do sr.. procurara asilo na sede da representação brasileira. a consciência profissional que adverte o jornalista da oportunidade e da justeza da apresentação ou do comentário de um fato qualquer. sem que lhe seja preciso consultar textos éticos ou legais. .185 dos Diários Associados. 274. em Lisboa.

e não raro desespêro. Sòmente nestas condições. fugindo ao simbólico e ao metafórico. clareza. fatalmente transmite receios. sua extensão e a disciplina a que deve submeter-se para obtenção da cura. então. uma vez que se achará apto a assegurar por si próprio. finalmente. um planejamento filosófico e sociológico que responde não só a reclamações primárias e meramente utilitárias mas a necessidades do espírito do homem. em pleno florescer de uma segunda revolução industrial — precisa de estar consciente da sua missão. os métodos de ação do facultativo serão de molde a fazer entender ao paciente o seu estado de saúde. o instante da boêmia. de cultivar qualidades e dons que lhe são cada dia mais exigidos. aquela medida de equilíbrio de valores. corre o risco de incutir no enfermo uma idéia por demais lisonjeira da sua situação. aos princípios de correção. se. mediante a ordenação das idéias numa seqüência lógica. o médico examina-o e deve dizer-lhe o mal de que sofre. registrou-se a época da polêmica. fixando expressões ou detalhes essenciais. Mais tarde. por outro lado. mantendo igual distância entre o preciosismo e vulgarismo. Sòme nte há pouco mais de um século é que o jornalismo e o jornalista iniciaram a sua batalha de aperfeiçoamento. fazendo-o obedecer. harmônico. unidade. respondendo a exigências primárias da vida social. entretanto. adotando um ritmo próprio de “linguagem”. Daí porque o jornalista — na fase de transição porque passamos. A linguagem. dos fatos apresentados em conflito e usados para a defesa ou o ataque. a fim de conseguir a necessária aquiescência à terapia indicada. de fixação de metas a serem ultrapassadas. Se. de reclamar o gôzo da condição primordial da sua atividade — a liberdade. observou-se uma fase de alegre despreocupação: o jornalismo era. em qualquer que seja o veículo de que se utiliza. jamais o poderá violentar qualquer regime social estritamente materialista. aquela outra condição indispensável ao seu exercício — a responsabilidade. torna-se ininteligível. da quase irresponsabilidade. de molde a evitar dissonâncias e choques. que há de ser enérgico. jamais o poderá substituir o servo-mecânico. enrêdo e maledicência amável e inconseqüente. a atitude. Em seguida. . Senso Estético — E já que utilizamos a comparação do exercício do jornalismo com o da medicina. energia e harmonia. que há de ser claro. Ocorre o mesmo com o jornalista. usa apenas a linguagem científica. precisão. que há de ser correto. no seu trato com o público — e o que o ajuda a acertar na ação é o senso estético. de superação do empirismo para um enquadramento ético e estético. com tempo para viver e para pensar. ainda. se se mostra surpreendido ou temeroso com os sintomas e a marcha da moléstia. prossigamos no paralelo: chamado ao leito de um enfermo. parece demasiado otimista. Houve. que ha de ser uno. em contrapartida. É o senso estético que dita o estilo jornalístico. Aqui é oportuno lembrar que as primeiras manifestações jornalísticas foram puramente utilitárias. que há de ser. que condiciona o seu comportamento profissional. ao seu cliente. o jornalista realiza obra estética e neste afã é que jamais o poderá alcançar a máquina.

QUARTA PARTE AS CONDIÇÕES DO JORNALISMO Contém: O PROBLEMA DA LIBERDADE Poder Público e Liberdad e de Opinião Educação para a Liberdade Defesa da Liberdade de Opinião O PROBLEMA DA RESPONSABILIDADE Jornalismo e Moral O Jornalismo Sensacionalista A Ética no Jornalismo Brasileiro Jornalismo e Nacionalismo Ação catalizadora do Jornalismo O Jornalismo Brasileiro e o Nacionalismo Os Reclames do Presente Jornalismo e Paz Mundial A “Batalha da Paz” A ONU e a Paz Os Caminhos da Paz .

38-39 e 46. se a consideramos como a expansão individual possível. realizada na integração social. Temos como fundamentais ao exercício do jornalismo duas condições: uma que parte de fora para dentro e cuja garantia é competência das sociedades e particularmente. sem liberdade de pensamento e associação. que avigora a personalidade. do Estado: — a liberdade. e opressão social como ação ou inação determinada por vontade cole tiva. 67. pois. que chamaremos de social. a comunhão internacional pelos caminhos da educação e da cultura. levaria indivíduos e comunidades à desintegração. pela comunidade e pelo Estado: — a responsabilidade. da ordem. o que significa que deve poder exprimir livremente as suas idéias. A experiência confirma: no primeiro caso. hábitos. O fato capital é. que dêle parte e dêle é exigida pelo indivíduo. a sociedade. o seu sentido é uno cm quaisquer condições. como intelectual. no segando. Êsses fenômenos universais e constantes nos permitem definir a liberdade. sempre que um dos seus componentes verificar a sua posição no grupo. independente de limitação. o exercício do poder opinativo não passaria de mais um instrumento — terrível. provocaria o caos e a ruma. discordante da pessoal. 1951 – pág. essa fôrça motora da vida social geraria preconceitos e ódios. que atrofia a personalidade. 33.. esmagador instrumento manejado pela tirania e pelo despotismo para subjugar os anseios dos espíritos e dos povos pelo seu constante aperfeiçoamento moral e material. Socorrendo-nos. se converterá num ser torpe e incoerente.188 que acentua: “Em todos os climas e latitudes do globo terrestre. aqui. 189 Harold J. . que não participará da elaboração política. Sejam quais forem os ideais coletivos que animem um aglomerado formado de seres dotados de razão. a permanecer inativo. o de que a expansão da pessoa humana só se processa na concordância ou na discordância das vontades individual e social.”187 Para ser livre. da paz e da colaboração. 1951— págs. É o que ensina o prof. terá noção precisa do estado de liberdade ou de opressão em que vive. assim. do pensamento filosófico moderno e da observação dos fatos sociais. em qualquer ordem de pensamento. o indivíduo precisa de ter asseguradas condições em que possa expandir o seu ser e afirmar a sua personalidade. que é própria do agente. nunca se define de modo preciso.189 Tão vital se apresenta 187 Jacques Bourquin – La Liberte de la Presse – Paris. a liberdade deve ser compreendida pelo jornalista como inalienável “para exercer sem entraves a sua atividade intelectual. Sem a primeira. E. diante do problema da ordenação coletiva. costumes ou ordenações sociais ainda que difusas. Laski — La libertad en el Estado moderno — Buenos Aires — 1946 — pág. e compará-la com a de seus pares.” O jornalista. nesta ordem social.dores que integra. Sem a segunda. a consciência dessa concordância se identifica com o sentimento de liberdade. Ao inverso. concordando ou não. usos. tentaremos situar. um homem carece de meios para proteger-se a si mesmo”. está habilitado a sentir o grau de liberdade de que desfruta e para êle. a defesa da liberdade constitui tarefa indeclinável pois “se neste domínio um indivíduo se vê obrigado a guardar silêncio. O PROBLEMA DA LIBERDADE Valor inerente e essencial ao desenvolvimento da personalidade humana e da vida social. mais do que para outros profissionais nos diferentes campos de experiência humana. como ação ou inação voluntária concordante com a vontade coletiva. os indivíduos atuam coincidindo ou não. com as regras jurídicas e morais. a discordância se identifica com o sentimento de opressão. do progresso. outra. aguçaria conflitos. 188 Paulo Nogueira Filho — Regime de liberdade social — Rio. quer seja pela palavra ou por escrito. A liberdade tida como ação individual. Paulo Nogueira Filho. em lugar de encaminhar o homem. as íntimas e indissolúveis relações entre jornalismo e liberdade. jornalismo e responsabilidade e os reflexos que quaisquer distorções neste terreno produzem no exercício dessa atividade e no seio da coletividade humana. diante da constante ação social. em outras restrições senão as ditadas pelos poderes ordena..

Para começar.a liberdade para o exercício do jornalismo que somos levados a crer. por isso. nos dias que correm. na hipótese. assim. 191 Jacques Maritain – Los derechos Del Hombre y la Lei Natural – Biblioteca Nova – Buenos Ayres. tal como provàvelmente são estatuídas nas leis e nas tradições anglo-saxônicas. nasce para êle uma série de obrigações. O presidente Roosevelt. é inexequível. com Leon Duguit. E pondere -se que. Assim. a idéia da liberdade-direito desaparece para dar lugar à idéia de liberdade-dever. “consiste em assegurar um equilíbrio harmônico entre a liberdade de que necessitamos e a autoridade que é essencial. a fim de dotar o homem comum da perfeita convicção de que possui espaço suficiente para a contínua expressão de sua personalidade. com as menores restrições possíveis. “as clássicas declarações de direitos. como por exemplo na de culto. há muitos meios melhores para tal” sem falar na pressão expontânea da consciência comum e da opinião pública. durante uma campanha política. que é dos mais típicos. O proble ma a resolver seria. ao enumerarem as liberdades tidas como fundamentais. não se pode dizer. quando êstes se acham fortemente arraigados. Sem dúvida. porém. em verdade. cujo exercício declaram não poder ser impedido. . a de garanti-la por todos os meios. quanta à ocupação de espaços nos veículos de publicidade? A falta de ordenação no caso. é preciso dizer que tem o dever de exercê-la.”191 Conclui-se que a tarefa dos homens de govêrno e dos responsáveis pela orientação e pelos destinos dos povos. que tem o dever de não dificultar a ação dos demais. Jacques Maritain escreve que à comunidade política “assiste naturalmente o direito de opor-se à propagação da mentira e da calúnia. 1924 — págs. fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei. 126 – 127. nos grandes centros urbanos nos países democráticos. se referiu à categoria de atividades que julgou deverem ser ordenadas. Assim. especialmente a de desenvolver sua atividade física. às atividades que têm por objeto a depravação dos costumes. e esta doutrina está consubstanciada em todos os movimentos filosóficos que levaram o homem a lutar pelo direito e pelo dever de ser livre. não têm em conta o que seria entre outras a falta de ordenação jurídica da matéria. que brota dos costumes e hábitos. de fato. na realidade. 222-223. só aludimos à carência de norma jurídica. “Para o filósofo católico. o dever de favorecê-la e ajudá- la. ao seu ver. “Desde o momento em que o homem faz parte da sociedade e. Os que falam em liberdade de expressão do pensamento. no sentido de faculdade irrestrita. ao Poder Público não cabe outra tarefa que a de proteger essa liberdade. a de assegurá-la. pois varia de povo a povo o conceito da normativização necessária em cada uma das séries citadas pelo insigne democrata. não deixaram de fazer referências à ordenação necessária quando preceituam que ninguém pode. não apenas no termo da lei mas real e efetivamente. de assegurar essa repressão. o de universalização das respectivas ordenações. da liberdade-função social. ao menos em tempo de paz. 190 Leon Duguit — Soberania y Libertad — Beltram. mas sòmente na medida que seja necessária para proteger a liberdade de todos. por conseguinte. que o homem tem um direito ao exercício da sua atividade. 192 Harold Laski – Obras cit. no conceito solidarista.”190 Poder Público e Liberdade de Opinião — Se o jornalista tem o dever de exercitar amplamente a sua liberdade para ser fiel à missão de favorecer e ajudar a atividade dos demais membros da sociedade. na medida do possível. a quem pertenceria o centro cívico da cidade? E que seria. 18. o que. que ela não constitui um direito. implicitamente reconhecem a necessidade de regulamentá-la. – págs. ao proclamar como fundamentais quatro dentre as “liberdades humanas”. é um ser social. intelectual e moral e não fazer nada que perturbe o desenvolvimento da atividade dos demais. 1946 – págs. ocasionaria simplesmente conflitos cruentos ou o caos. pode o Poder Público limitar a liberdade de cada um. mas um dever. Ainda quando põem vigor na afirmação de uma liberdade. às que têm por fim a destruição do Estado e dos fundamentos da vida comum” mas “a censura e as medidas de polícia são o pior meio. Madrid.”192 O poder público pode e deve limitar a liberdade individual para melhor garanti-la.

filosóficos e religiosos. utilizando o jornalismo do mesmo modo que o tirano o utilizaria para a satisfação dos seus interêsses. São também as que correspondem a responsabilidades éticas.194 de que não expressa a faculdade de contra ela nos erguermos. 31. escolher os caminhos e traçar os limites da liberdade. ao contrário. a sociedade será chamada a responder às distintas direções do pensamento e a aplicar recursos próprios para analisar. distinguindo-os. pelo diatribe e.”193 A verdade é que os limites da liberdade não pertencem apenas à ordem jurídica. com efeito. esquematizadas em textos oficiais.”196 Educação para a Liberdade — Há. instruçãu ou treinamento se faria mister para o exercício profissional. Essa “liberdade” não o privaria. Insistem em ser livres de alguma coisa mas esquecem de que estar livre de alguma coisa implica em estar livre para alguma coisa. Já T. em última análise. naqueles setores de atividade humana. dos anseios da opinião pública. portanto. são também morais. nós próprios. 195 e de que. e a liberdade tornar-se-á um absurdo. 196 J. Não é fácil.34. que o jornalista identificar-se com os objetivos da sua missão. investir-se na direção de um periódico ou de uma emissora radiofônica. para acatá-los em nome da própria liberdade. de que liberdade não significa indiferença ao bem geral e individual. apenas. nada entenderia. todavia. o limite da liberdade. do pénsamento. liberdade e obrigação mo ral são idéias correlatas”. 195 Gustavo Corcão — As fronteiras da técnica — Rio. nem a necessidade de fazer o que o ditador me imponha. de que liberdade não é “o direito de fazer o que me pareça. da administração e gerência de uma emprêsa jornalística. Do jornalismo missão-social. 1947 — pág. a liberdade não é um fim — sòmente com essas convicções. enfim — o jornalista precisa de educação especial para a liberdade. pelo falso testemunho e pela irresponsabilidade.O valor da sua proclamação residiu no intento de influir junto a todos os governantes para que assegurassem. — pág. em atos de puro 193 Paulo Nogueira Filho — Obra cit. bem informar-se dos meios que deve utilizar para alcançá-los e de como empregá-los. Fulton Sheen assinala que “todos falam como se a liberdade neste mundo fôsse um fim e não um meio. não são apenas as regras codificadas. mas. conseqüentemente. 194 J. em respeito ao direito alheio — da sociedade. o jornalista precisa — como arauto e pregoeiro das idéias. de renunciar ao exercício amplo da nossa atividade. de pela violação das normas éticas que regem a profissão. Esqueça-se a finalidade. Fulton Sheen — O problema da liberdade — Rio. de manobras astutas para obter riqueza e mundo. aquêle instante em que temos de aceitar restrições ao nosso direito. de torcer a verdade ao sabor das próprias conveniências. travestir-se de jornalista. Dêsse modo. Sòmente uma convicção profunda de que liberdade e responsabilidade são coisas inseparáveis. Estar livre do reumatismo só é compreensível porque quero estar livre para andar.71. isto é. do Estado ou do indivíduo — ao pleno exercício da atividade dos que conosco vivem e atuam. a manifestação da opinião através dos veículos jornalísticos. de que “liberdade e lei. morais. As leis que regulam e limitam a liberdade. assimilar ou rejeitar as idéias que a impulsionam à ação. o direito de publicar o que se quer. de incitar à rebelião e propagar a guerrrcivil ou entre nações — então nenhuma educação. encobrir-se e proteger-se com o munus natural da profissão. 1955 — pág. Qualquer indivíduo poderia — como infelizmente tem ocorrido — intrometer-se numa redação de jornal. Fulton Sheen — Obra cit. o que não o privaria de ser um “expert”. filosóficas — de valor absoluto e indiscutível. das ieivindicaçôes. é o direito de fazer o que eu devo”. a paz social. Batem-se pela liberdade mas não dizem porque querem ser livres. de suprimir informações. . Em outras palavras. — 44-45. é que poderemos. Rela injúria. distinguir. quando impostos pela lei jurídica. no tumulto dos interêsses em choque. de conhecer da técnica de jornal. de fazer sensacionalismo. Porque se a liberdade fôsse. adquiridas pela experiência e pela educação. de insultar e denegrir o próximo.

de colaborador permanente na tarefa da paz e do entendimento entre todos os povos do mundo. a William Allen White e a outros jornalistas e professôres. na sua iniciativa vitoriosa de criar a Escola de Jornalismo da Universidade de Colúmbia. um trabalho incessante não sòmente do poder público mas do povo inteiro. que “mesmo nas nações em que a situação econômica é relativamente estável. isto é. desenvolva nêles o senso das responsabilidades que incumbem à imprensa sôbre o plano social e lhes forneça noções de base a respeito da técnica e dos métodos próprios desta profissão. Não é menos verdadeiro porém que aquêles que chegarão a ser jornalistas constituem uma importante fração dessa população estudantil nos Estados Unidos.”199 A sub-comissão de imprensa da “Comission de Besoins Techniques” da UNESCO.” Ao general Lee. Arturo — Il Giornale — Napoles. em 1949.” Reconhece. mas “elevar idéias. levar a comunidade ao desespero. Eu desejo iniciar um movimento que possa erguer o jornalismo ao nível de uma profissão erudita. mas um simples treino de negócio. 198 Conf.gangsterismo. a Walter William. “as principais dificuldades não vêm do número insuficiente de candidatos. 199 GiIbert Henry Goston — L’ABC du journalisme — Paris. política da nação. credora do respeito da comunidade. do fato de que êsses candidatos não têm formação profissional satisfatória. limitando-se a expô-los ou criticá-los leviana ou inconseqüentemente. na luta fratricida e no caos. conformando a expressão do pensamento às normas do Direito. da luta pelo desenvolvimento constante das condições econômicas e sociais das comunidades a cujo serviço se encontra. mergulhar o país na ruma. não preparar o profissional para o trabalho material de fazer um diário ou um periódico. a alma do jornal. Sem dúvida — acrescenta — entre êsses escritores em perspectiva. que deve ser proporcionada aos jornalistas uma formação profissional que lhes dê um bom lastro de cultura geral. reconhecendo que “os profissionais da imprensa. conservar a contabilidade no seu próprio lugar e fazer da alma do jornalista. mas. ensinar-lhe tipografia ou métodos de gerenciar o negócio. deveu-se a vitoriosa campanha que transformou os Estados Unidos no país líder do ensino jornalístico no mundo. Jones — Journalism in the United States — New York. 1947 — pág. de contribuinte na obra de entrosamento dos cidadãos na vida. ainda. de uma firma cinematográfica ou. Robert W. Era uma educação especial para a liberdade de opinar que movia Joseph Pulitzer. falta pessoal qualificado. 45-46. . 1949 — págs. no meio dêsses aspirantes a jornalistas. no âmbito da lei”. muitos terminarão “writers” de agências de publicidade. correspondente a observações feitas em 19 países. na maior parte dos casos estudados. que “não é pura teoria mas uma fôrça viva e real. particularmente para ocupar os postos mais elevados” e que. Mas para isso é preciso marcar a distinção entre os verdadeiros jornalistas e os homens que fazem uma espécie de trabalho jornalístico que não requer nenhum conhecimento ou convicção. Registrou.”197 Como expressiva parcela do povo o jornalista não deve permanecer passivo diante dos problemas. 7.”198 Pulitzer estava convencido de que a principal função dos estudos especializados jornalísticos era. do rádio e do filme assumem responsabilidade frente ao público”. que o número de jovens americanos que se destinam à carreira da imprensa e das letras se eleva a dois milhões. liberdade de expressar a opinião não é essa licença e sim “a possibilidade de exercitar o próprio e são direito. 1952 — pág. Dana. A sua posição é de um ativo participante da elaboração do Direito. e êle próprio o declarava: “Minha esperança é que êste colégio de jornalismo levante o nível da profissão. a Charles A. a Pulitzer. como outras profissões muito menos importantes têm logrado o interêsse público. Gilberto Henry Goston informa que “uma enquete revelou. E atendendo a que “os jornais não são os únicos a 197 Assante. acaso. 514. Mas. correspondentes de uma casa comercial. o relatório. sobretudo. opinou que “esta organização pode fazer muito mais em favor da formação profissional do que sôbre não importa que outro ponto estudado” no relatório apresentado em 1949.

as informações gerais e as diretrizes contidas nos artigos de fundo”. 203 Essa preocupação dos governos socialistas e totalitários no preparo de equipes de jornalistas.”201 E o repórter brasileiro João Batista de Lima e Silva. dezenas de jovens que completam o curso de jornalismo. destacando- se os cursos oferecidos pela Escola Oficial de Jornalismo da Universidade de Madrid. 217. 1948 — págs. história dos Descobrimentos. — págs. Seguem cursos de três meses. 204 Pierre Denoyer — Obra cit. A imprensa soviética. é considerada uma fôrça pelo govêrno porquanto estabelece um contacto direto e vivo “entre o povo e os homens de Estado. A maioria das comunicações dos leitores refere-se aos negócios do Estado. O govêrno espanhol faz ainda mais: mantém cursos especiais.200 Fato significativo. quando se observa o desenvolvimento do ensino técnico-profissional de jornalismo no mundo é a importância que os governos socialistas ou totalitários dão à criação e manutenção das escolas e cursos superiores para o pessoal da sua imprensa. 203 Manual de Estudos – Universidade de Madrid — Ano de 1952. compreendendo um ano escolar de nove meses de duração. Anualmente. para alunos hispano-americanos. talvez os correspondentes prefiram. 1950 — pág. 201 Pierre Denoyer — La Presse dans le monde — Paris. É raro que sugestões ou críticas. 200 UNESCO — Press. no espírito daqueles que se dedicam à profissão jornalística. “aquêles jornalistas cujos méritos os assinalam aos dirigentes são enviados para uma das numerosas escolas de jornalismo. 202 A Voz Operaria — Rio. 11-junho-1953 — N. que a imprensa russa é livre de criticar. tècnicamente competentes e politizados de acôrdo com as diretrizes práticas e filosóficas vigorantes. dividido em três períodos intensivos. reunindo as idéias criadoras e a iniciativa dos trabalhadores.”204 A liberdade de opinião na URSS não obedece aos nossos modelos. seis meses. consideram ser vital para o govêrno possuir a sua imprensa e dar-lhe direito de criticar e orientar a opinião pública. ao qual os dirigentes do jornal prestam a mais solícita atenção. política exterior da Espanha. como é entendida entre aquêles povos. As autoridades soviéticas afirmam que na elaboração definitiva das leis têm em conta a opinião assim obtida. film. as idéias e normas norteadoras do exercício da liberdade. se bem que com menos extensão. tais como problemas atuais da Hispano-América. saem das Universidades soviéticas. por exemplo.”202 O regime de Franco cuida da formação profissional dos jornalistas ibéricos. contràriamente ao que se crê comumente. A diretiva stalinista — “Os quadros decidem tudo” — que norteia todos os setores da atividade soviética. através de bolsas. estrutura econômica do mundo hispânico e. nos quais se estudam teórica e pràticamente as mesmas matérias que no plano dos cursos para espanhóis. E dentro dessa compreensão.fornecer ao público a sua ração de notícias. recomenda que “os programas das escolas de jornalismo sejam concebidos em função de todos os meios de informação das massas” e em plano universitário. segundo a formação que se lhes julga conveniente dar. ditados em três anos. na URSS. rádio — Paris. Talvez faça-se uma judiciosa censura das críticas. e incluindo algumas matérias especificamente destinadas à melhor preparação profissional dos periodistas dos países sul-americanos. Publica numerosas cartas de trabalhadores inserindo julgamentos por vêzes severos sôbre o funcionamento dos organismos governamentais. encontra neste caso um exemplo magnífico. escreveu o seguinte: “A formação de um jornalista do Pravda é um trabalho de vários anos. 24-37. 117. comissários do povo ou órgãos dirigentes do Partido. mas “é exato. que visitou a URSS. 111-117. particularmente das Escolas de Moscou e Leningrado. um ou dois anos. Pierre Denoyer informa que. indica que tais governos também estão imbuidos da importância de imprimir. quer às repartições quer aos funcionários locais. note-se bem. instituições do mundo hispânico. se refiram às atividades dos escalões superiores do Govêrno. seguindo as diretrizes oficiais. voltar a lua atenção para as atividades referentes às autoridades locais. .

Há momentos em que a crítica da execução inclui a crítica da própria política. estuda-se e debate-se constantemente. em tese apresentada ao Congresso Nacional de Jornalistas de 1953. A certo trecho escreveu: “Porque nós outros da União Soviética conquistamos e pusemos em prática a mais ampla liberdade de imprensa. em diferentes países com o propósito de 205 Pierre Denoyer — Obra cit. Isto não significa.”207 Defesa da Liberdade de Opinião — Mas não é apenas. Essas aulas. “Não sei. 1946 — pág. e êsses estudos e debates constituem pràticamente o fundamento de qualquer formação cultural. é o ouvinte.”205 Pierre Denoyer dá-nos um exemplo da liberdade de crítica na União Soviética feita à burocracia florescente. de grande tiragem. enquanto periódicos e filmes expõem aspectos diversos do problema. — págs. na necessidade de uma “escola de leitores”. que visam a desnazificação das massas. de uma educação especial. em que aparecia o desenho da ante-câmara do presidente de um Soviet Municipal cheio de visitantes. sem dúvida. menos na própria URSS. 111-117. responde um dos visitantes. em tribuna especial. pela revista satfrica Krokodil. a realização dessa política pode ser criticada e o é realmente. não faz senão três meses que espero. que desejemos impor nossa forma soviética de liberdade de imprensa aos demais países. por isso naturalmente atribuimos um grande valor à mesma. é criticada. é o espectador do cinema e da TV. em resposta a uma palestra pelo mesmo proferida em outubro de 1944 na Associação Editorial de Chicago. em qualquer parte. Em troca. Nestes últimos. entretanto. sobretudo no nosso país. nos demais países. são ministradas também nas Universidades. 17-set. 175. o complexo teórico de Hegel. ao “conceito socialista de liberdade”. E outra não tem sido. Rio. simpósios e inquéritos são realizados. que o torne apto à defesa da liberdade de opinião.-53) por referir-se.Jamais a política do govêrno. assistir a uma aula. Para a Itália do presente. Nessa longa missiva. Posteriormente. cursos de extensão universitária. ao examinar “as doutrina anti-liberais da liberdade e suas consequências”. 1957 — Afonso Arinos de Meio Franco sintetizou com muita precisão a matéria. o jornalista que necessita. num sentido mais lato.” Os jornalistas soviéticos estão capacitados hoje a defender a sua própria concepção de liberdade de imprensa206 graças. Na República Federal da Alemanha. em Curitiba. numa série de discursos proferidos na Câmara dos Deputados e reunidos no volume Pela Liberdade de Imprensa — Livraria José Olimpio Editora. Kent Cooper. Marx. e não a forma soviética de liberdade de imprensa. cremos que a democrático-burguesa. . Baltiiski a um dos diretores da Associated Fress. sob a égide da UNESCO. Baltiiski revela conhecimento absoluto dos princípios da liberdade de imprensa na concepção ocidental. É o próprio povo. Seminários de jornalismo. poder básico do regime. preservar êsse bem. do seu exercício nos países não socialistas e das suas diferenciações com a “forma soviética de liberdade”. O maior documento a respeito de que temos conhecimento. “Espera-se muito tempo para ser recebido?“ — pergunta um recém-chegado. Os críticos confundiram negar valor dialético ao conceito com negar existência ao próprio conceito. por exemplo. é a mais conveniente. ampliado e firme aos seus pósteros. Por que? Porque não existe na Itália um sistema político nem social que torne possível a introdução da forma soviética de liberdade de imprensa. em visita ao Parlamento de Bonn. nas escolas. sôbre o funcionamento do legislativo. na qual se procurasse ensinar o homem a ler e aproveitar o jornal. ensinamento constante da ciência política. tivemos oportunidade de. periò dicamente. nas fábricas. ao preparo excepcional do seu pessoal. Lenine e Plekhanov. cujo dever fundamental é. tal como a entendemos. nas associações. exatamente. Já se falou. em que concluia que a Rússia desejava uma imprensa livre em todo o mundo. 207 Octavio de la Suarée — Moraletica Del Peridismo — La Rabana. mesmo. ali. tanto nos Estados democráticos como nos socialistas. 206 O autor foi criticado (Diário de Pernambuco — ed. a substituição progressiva dos conceitos nazistas de liberdade e govêrno pelas idéias democráticas imperantes naquele país. legando-o. como o fizeram as gerações passadas. é a carta aberta dirigida pelo jornalista russo N.

no seu bom nome ou na sua justa fama tem sido exigida pelas mais remotas legislações. de acôrdo com os códices de Thaut. A reparação do prejuízo ocasionado à pessoa humana ou à entidade de direito no seu patrimônio ideal. o dano moral terá permanecido sem a justa reparação e a comunidade acostuma-se a permanecer indiferente aos libelos jornalísticos enquanto se cria um clima de insensibilidade. . sob as quais vivem e desejam continuar a viver. as igrejas. no conhecimento mútuo dos povos e. Costa Porto208 costuma dizer que. “que impusera a poucos delitos a pena capital. A idéia de Costa Porto sôbre as conseqüências da responsabilidade no exercício do jornalismo remonta aos tempos do antigo Egito onde. ante as mais infamantes pechas que lhes são atiradas. o prêmio da Academia Pernambucana de Letras. a exigir a prática de um jornalismo responsável. na sua opinião. entre outros. “Em qualquer país. ou aquêle contra o qual. integrado na tarefa do desenvolvimento nacional e do constante aperfeiçoamento das instituições democráticas. que nem sempre é conhecida dos mesmos leitores que foram postos a par da falsa acusação antes veiculada. Êsses esforços objetivam inculcar nas massas o respeito pelo jornalismo. jornalista e professor pernambucano. Na época da publicação deste ensaio integra o corpo redacional do Diário de Pernambuco como comentarista político. levando os veículos periodísticos a se colocarem à margem dos verdadeiros interêsses da coletividade. e ministro da Agricultura do Brasil. 10-12. Ou a serviço do poder político ou a serviço do poder econômico. do rádio. por parte dos acusados. preparando-as para o exercício de uma vigilância sem a qual será fatalmente deturpado o sentido da liberdade de opinião. pelo contrário considerara conveniente aplicá-la ao que recitasse pùblicamente ou 208 José da Costa Porto. no govêrno Café Filho. Êstes três tópicos são fundamentais na fixação do conceito e das diretrizes de uma atividade jornalística livre e consciente das suas verdadeiras e legítimas finalidades. onde a imprensa é vítima das mesmas deficiências morais e técnicas da nossa formação política imatura e ainda meio bárbara. oferecendo aos inimigos da liberdade razões para suprimi-la. Em ambos os casos. Escritor e pesquisador da historia. para com a pátria (jornalismo e nacionalismo) e para com a comunidade internacional (jornalismo e paz mundial). obtendo. a fiscalização é sempre possível no regime de liberdade” — assegura com muita justeza Afonso Arinos de Meio Franco. O que o ilustre escritor pernambucano não pode admitir é a impunidade do foliculário irresponsável. Dêsse modo. o seu estudo biográfico e crítico de Pinheiro Machado constituiu obra de grande repercussão nos meios culturais do país. foi deputado à Constituinte Federal em 1946. da TV e do cinema na difusão das notícias e da cultura. que mentiu e caluniou. Jornalismo e Moral — Referindo-se ao problema da responsabilidade jornalística. O PROBLEMA DA RESPONSABILIDADE Para responder e corresponder à liberdade que lhe deve ser conferida. Cícero209 acentua que já a lei das Doze Táboas. 209 De Republica — IV. nos crimes de imprensa alguém deveria pagar na prisão: ou o jornalista. as universidades. os sindicatos. Basta que os partidos políticos. quando muito forçado a publicar retificações ou a retratar-se em outra edição do jornal. para o caluniador a pena consistia em se lhe infligir o mesmo castigo que pudera ter sido aplicado ao caluniado. Um povo apto à defesa da liberdade estará sempre vigilante. na manutenção das relações amistosas e da colaboração universal para a construção de um mundo de paz e progresso. exercitou a sua crítica. o jornalismo se obriga à responsabilidade sob três aspectos: — para com o indivíduo e a coletividade (jornalismo e moral).esclarecer a opinião sôbre os benefícios e a importância da imprensa. finalmente. e mesmo no Brasil. as associações e clubes — todos os núcleos sociais. enfim — se compenetrem do seu dever de pugnar por um jornalismo livre e responsável. verídica e comprovadamente.

apreensão de exemplares de jornais. o jornalismo desamparado diante de um indivíduo todo poderoso. se tornaram pouco ou nada eficazes.”211 Estamos. Quem ousar denunciar pela imprensa o criminoso. tu mentiste !“ As modernas legislações prevêem penas de detenção. 28. todavia. entretanto. Por outro lado. há dois séculos. a reparação do dano moral sofrido impunha ao difamador que. A propósito.” E segundo a lição de Justiniano. espontâneamente.” Neste caso. na velha Alemanha.355 da Igreja reza textualmente: “Se alguém. bastando para isso que o processo seja devidamente instaurado pelo ofendido e que êste. 211 Rui Antunes — Obra cit. 2. codificada e proclamada.618 e 1. 12. tanto entre nós como em outros países.” Durante a Idade Média. como também se torna passível de penas e penitências proporciona das. 1955 — pág. de vida pregressa pontilhada de infrações penais não desmacaradas. Rui Antunes comenta: “Florian lembra muito bem que a justificativa da verdade é tanto mais de ser acolhida nos regimes políticos democráticos.210 dispunha a vítima da ação pretoriana. que se denominava “injuriarum aestimatoria” e pela qual podia reclamar uma reparação consistente. 140. “de igual modo injúria se causava a outrem quando contra êle se escrevia. . não permita a prova da verdade. por si ou. do outro. reconhecida. por interposta pessoa. mesmo retificada por determinação de sentença judicial ou admitido. onde os mais altos postos da vida social são disputados através de eleição. a quem se propiciava os meios necessários.083. multas. não com atos mas por meio de palavras ou escritos. inclusive se se trata de clérigo a quem.938 a dar a devida satisfação e a reparar os danos. em uma soma de dinheiro prudentemente arbitrada pelo juiz. Em tempos menos recuados. o direito de resposta. letra b. cuja incolumidade fôra. confisco e sequestro de máquinas e.compusesse versos injuriosos ou difamatórios. a situação criada pela nova Lei de Imprensa entre nós (Lei n. em muitas delas. assim. se for o caso. consistia em reclamar fôsse arrancada a língua ao difamador. a irreparabilidade do dano infligido ao indivíduo pelos órgãos jornalísticos que foram criados e se desenvolveram para serví- lo e engrandecê-lo. calúnia ou difamação. Qualquer notícia ou comentário publicado em um jornal de pêso na opinião pública poderá ser logo transmitida pelo rádio ou por qualquer agência telegráfica ao mundo inteiro. o desagravo do difamado. Ë que. — pág. o direito de resposta a quem for acusado ou alvo de injúria.. perdurará para aquêle público que não teve oportunidade de tomar conhecimento da retratação. compunha ou publicava um libelo ou livro infamante de versos. dolosamente. Essas reparações. batesse na sua própria bôca. contra o processo judiciário adotado nos chamados crimes de imprensa. sempre. não só se obriga. diante de um grave problema: de um lado. pecuniárias. com a expansão dos meios de comunicação. lhe extirpasse o nariz ou amputasse a mão. que se lhe cosesse a bôca. de 12-11-53) conduz os jornais a ficar silenciosos quando um biltre da pior espécie. Dêsse modo. Um jornalismo que “sentia gravitar a injustiça 210 Wilson Melo e Silva — O dano morai e sua reparação — Edição Revista Forense — Rio. e se posteriormente o jornal vier a retificar o conceito. para proteger-lhe os direitos e orientá-lo para a prática do bem. nos têrmos do art. correrá o risco de ser afinal condenado como caluniador. apresentar-se ao eleitorado solicitando-lhe as preferências. Já salientamos como um falso juízo ou uma informação tendenciosa. nos teores dos cânones 1. pesam alguns argumentos de apreciável conteúdo. finalmente. como na brasileira. poderá ocorrer — e ocorre com freqüência — que nem aquela emissora de rádio nem aquela agência informativa se interessem por transmitir a retratação.. se deve impor a suspensão ou privação de ofício e benefício. perante o tribunal. exclamando: “Bôca. de acôrdo com o “jus vindictas”. a “prova da verdade” é quase que totalmente excluída nos processos por calúnia e difamação e não é mesmo admitida siquer no caso de injúria. O cânone 2. o dano moral tomou tal amplitude que torna impossível a sua reparação. ou de qualquer outra forma injuria a um terceiro ou o prejudica em sua boa fama e reputação.

em 1893. invectivas ou pelo ridículo.. através de máximas adaptadas “para servir de guia aos homens que fazemos os jornais”... realizados em Havana. O jornalismo procurava. o respeito ao indivíduo. A Imprensa deve ser o mais fiel defensor da dignidade da pessoa humana e do respeito que merece. Em ambos êsses conclaves. Êsses princípios estão consubstanciados nos códigos. quando Charles Anderson Dana. em 1923. na Cidade do México e em Caracas. ainda que o tribunal competente julgue que não agiu de má fé. votou os postulados éticos dos seus membros.” E uma declaração unânimemente aprovada na Cidade do México. aprovaram. a difamação e as acusações sem provas como as mais graves faltas profissionais. seja com argumentos. purificar as condições de trabalho e “formar uma coletividade dentro da qual não tenha assento nenhum gênero de vileza e corrupção.. a não ser que haja uma necessidade pública para fazê-lo. desde que se pensou em ética jornalística se equacionou o problema da não propag anda do vício e do crime. menosprezado pelo jornalismo panfletário e polêmico da época: “Nunca ataque ao débil ou indefeso. um ano depois... Essas primeiras normas abrangiam diferentes aspectos do trabalho jornalístico. em Bruxelas. não abusa jamais da liberdade de imprensa e das suas fôrças com fins interesseiros. a ética profissional constituiu o primeiro e mais importante ponto do temário. no seu famoso “Credo do Jornalista” e resumiu a matéria na seguinte definição: “Creio que o jornalismo que melhor triunfa — e que mais merece o triunfo — teme a Deus e honra o homem. textualmente. Uma prática correta exige que essa oportunidade seja dada em todos os casos de acusações graves fora dos procedimentos judiciais. ponderação e discrição. ainda. o primeiro congresso jornalístico de que se tem notícia. Um jornal não deve publicar acusações que não sejam oficiais que afetem a reputação ou a moral de alguem sem dar ao acusado a oportunidade de ser ouvido. a reputação das pessoas... nos anos de 1928. mas recomendava. fixassem a posição exata da sua atividade. ajuntando essa outra incisiva máxima: “Uma palavra que não se pronuncia jamais causou prejuízo”. por seu turno. credos. falando perante a Associação Editorial de Wisconsin. deve ser escrupulosamente respeitada. — págs.” Com a presença de Emile Zola. na expressão de Zola. no seu décimo mandamento. .” E o grande jornalista norte-americano Walter Williams..sobre o seu destino e a responsabilidade sôbre a sua obra” teria de procurar estabelecer princípios e normas que. 42 e 45. que sobrepõe aos interêsses do indivíduo os interêsses da coletividade.” Através desta norma-mater.” Três congressos jornalísticos latino-americanos.. 74-75. proteger a honra do indivíduo e a comunidade a que pertence.212 Outro não foi o pensamento da Associação Nacional dos Editores de Jornais dos Estados Unidos. reuniu-se. de logo. que deve publicar os esclarecimentos necessários em lugar de destaque. proclamava: “um jornalista digno dêsse nome. mas já recomendavam. um decálogo do jornalista que. qualquer que seja o seu credo religioso ou a sua filiação política. Dana reconhecia a função social do jornalismo. salientando: “O direito de um jornal de captar e reter leitores está restringido sòmente por consideração do bem estar público. em Londres. injúria ou difamação devem ser objeto de uma reparação pública e expressa por parte do jornal responsável. adotou o seguinte princípio: “tôda calúnia. Que reduzisse ou mesmo eliminasse os conflitos com o cidadão.. considera a calúnia. O congresso mexicano a que antes aludimos 212 Octavio de Ia Suarée — Moraletica eit. lançou as bases da ética jornalística. em 1941. nenhum jornal deve prejulgar a culpabilidade ou a inocência de pessoas processadas nos tribunais. ultrapassando mesmo os limites da ética geral.” O Jornalismo Sensacionalista — Visando. Um jornal não deve ferir os direitos ou sentimentos privados sem ter a segurança de que está servindo ao interêsse público que não deve confundir-se com a curiosidade pública. no Congresso Nacional e Panamericano de Imprensa.. novamente se concentram os homens da imprensa da Europa. quando. ideários e declarações que vêm sendo sistematizados desde pelo menos 1888.

às mortes. para a divulgação sensacionalista dos fatos delituosos. as tergiversações e os exageros de tôda classe devem ser eliminados. Rayski213 comenta: “Numerosos colegas da imprensa francesa. 384-385. estimular o crime e despertar a morbidez das pessoas através das suas informações. suicídios e outras formas de crime ou imoralidades devem ser suprimidas. Em diversas oportunidades. que sobrevivem aos regimes. do que as informações concernentes a crimes. se quiser manter a sua tiragem. matutinos. não raro.. a publicação de fotografia e desenhos imorais — tudo. o autor pôde observar pessoalmente ao visitar a redação do Denver Post e do The Rocky Mountain News. Abordando o problema na imprensa polonesa atual. Co lorado. sob uma falsa concepção de liberdade o jornalismo lança mão para obter popularidade. em “manchettes” e grandes títulos. não são fenômenos 213 A. catástrofes.. As informações imaginárias. consequentemente.” Que as normas dessa Liga foram conscienciosamente observadas pelos órgãos da imprensa do Colorado. oferecendo melhores lucros aos editôres. a “Liga Protetora dos Cidadãos”. onde está o efeito? O interêsse demonstrado pelos leitores “ao sangue. assassinatos. Uma questão se coloca então: onde está a causa. Entre tais regras figuravam as seguintes: “nenhuma notícia editorial nem anúncio que não seja próprio para um menino ou menina de quinze anos deve ser publicada. não admitiremos jamais a teoria segundo a qual todos os traços negativos venham da imutabilidade da natureza humana — teoria. que deveriam ser obedecidas pela imprensa. A. cinematográficos que apresentem seqüências incompatíveis com a decência e a dignidade humana. fez inserir nos jornais daquêle Estado norte-americano algumas normas de ética. deve adaptar-se a êste desejo. Por que as notícias sôbre o agravamento da situação internacional devem despertar mais interêsse do que aquelas que anunciam o melhoramento das relações entre os Estados e os povos? Por que é menos interessante saber como uma casa foi construída do que como foi derrubada? Por que uma estatística sôbre a melhoria do estado de saúde da população é menos interessante do que a notícia de uma epidemia? O gôsto do leitor.estabeleceu que “os jornais devem abater-se de fomentar os vícios. Estamos longe de convir que a “natureza do homem” lhe foi dada uma vez por tôdas. o editor-financista defende o princípio de que a boa notícia não produz receita. jogos de azar. explicam-na pelo fato de que responde ao desejo do leitor e que o jornal. suas noções morais e éticas. que exalte os baixos instintos. a resposta é evidente: o leitor reclama assuntos dessa categoria porque se tem despertado o seu interêsse por tais matérias. o último dos quais “tablóide”. que se orgulham da sua linha editorial austera. americana e britânica. Há alguns anos. Rayski — Obra cit. como se sabe. muito propagada. E mesmo se admitirmos que a natureza humana possui traços característicos duráveis. etc.” Sucessivos congressos jornalísticos e assembléias político-legislativas têm condenado. sob pena de não receber o seu apoiamento. entorpecentes. a feição do seu interêsse intelectual. a apresentação de programas radiofônicos pornográficos ou de duplo sentido. a publicidade comercial indiscriminada de bebidas. em nada prejudicial à feição moderna e atraente que apresentam. Constata-se que a procura de jornais aumenta durante as investigações de crimes ou a realização de processos penais e. infortunadamente... Está muito arraigada a convicção de que sòmente o jornal sensacionalista — sensacionalismo aqui empregado como o sistema de concessões à curiosidade mórbida das mais baixas categorias de leitores — obtém fácil aceitação. de Denver. e estipulado sanções. enfim. às catástrofes” é causa ou por ventura não será a conseqüência de uma certa linha seguida pela imprensa? Ao nosso ver. As reportagens sôbre divórcio. . enquanto que a má notícia é muito mais vendida. um ponto de vista segundo o qual as boas notícias podem e devem despertar entre os leitoresres um interêsse igual. o público tem demonstrado a sua repulsa á tais processos e expedientes de que. que lamentam sinceramente o abuso do sensacional. — págs. Nossas redações defendem um ponto de vista muito diferente. a exibição de jornais ou documentário. senão maior. tendo elevadas astronômicamente as tiragens e. por isso.

em certos países. — pág. de segurança na orientação. 14 — Abusa-se da liberdade de Imprensa contra os bons costumes: 1. que. de moralidade na expressão do pensamento.°) — imputando a alguma Pessoa ou Corporação qualquer fato criminoso. pela série magnífica de documentários cinematográficos de Walt Disney e Fizgerald. técnicas aplicadas pelo jornalismo socialista moderno. O art. Art. excluiram totalmente o baixo sensacionalismo dos seus veículos. com maior ou menor sucesso com a ajuda de métodos mais ou menos bons. 371. A propósito de La Prensa. Por isso. Com exceção de alguns títulos que ap arecem em quadro na primeira página. êxito dos bons empreendimentos — são. que daria lugar a procedimento judicial contra dia. As grandes emprêsas jornalísticas ocidentais.. observou George Kent: “Em outros periódicos de Buenos Aires. de Buenos Aires — para só citar alguns dos campeões da imprensa mundial. de Londres. as cinco ou oito páginas seguintes não contém senão anúncios curtos e classificados. pràticamente no seu todo. nem o New York Times. no corpo de regulações e penalidades rezava: “Art. nem o Christian Science Monitor. com efeito. La Prensa é mais séria e circunspecta. Podem ser formados tão bem no senso positivo como no senso negativo. Seus diretores vacilaram em aceitar um anúncio de goma de mascar por temor de introduzir êsse vício na Argentina.. por seu turno. não sòmente na Polônia como na Tchecoslováquia. a parcimônia no informar sôbre catástrofes e calamidades públicas. A imprensa polonesa se esforça. por crus e repelentes que sejam. A Ética no Jornalismo Brasileiro — No Brasil. de Boston. A mesma delicadeza se observa no departamento de publicidade. União Soviética e República Popular da China. os assassinatos são noticiados como mortes ocorridas em penosas e lamentáveis circunstâncias. 16 — Abusa-se da liberdade de Imprensa contra os Particulares: 1.°) — publicando Escriptos ou estampas obscenas. logo após e proclamação da Independência. pelo senso de responsabilidade do jornalismo para com o público — o indivíduo como ser isolado. Nem o Times. promulgada por D.°) — imputando-lhe vicias ou defeitos que a exporião ao ódio. a divulgação de editoriais. e o indivíduo como cidadão. divulgam notícias de suicídios ou fazem propaganda de vícios. segundo constatação de Suarée. de bom gôsto e boa medida na apresentação técnica — é que se originam o prestígio e a autoridade do verdadeiro jornalismo.objetivos e imutáveis. para agir neste sentido. como na Inglaterra e na Suíça. Romênia. Nem os divórcios. . nem os suicídios se consignam em suas colunas. 2. palestras e filmes sôbre a melhoria do nível de vida.” A supressão total do noticiário policial. a lei portuguesa de 12 de julho de 1821.°) — publicando Escriptos que ataquem diretamente a Moral Cristã recebida pela Igreja Universal. observa-se em todo o mundo civilizado um sensível declínio do número de queixas e processos judiciais por delitos de imprensa. como tivemos oportunidade de pessoalmente constatar. que merece todo o respeito. Algumas vêzes. reparações em dinheiro que variavam entre cem e vinte mil réis. 3°) — insultando-a com termos de desprêzo ou ignomínia. vêem-se títulos sensacionais e as notícias se publicam com todos os seus detalhes. nem La Prensa. As notícias nacionais não levam assinatura. ou desprêzo público. se ocupam de crimes. alevantamento dos costumes. reportagens.. 2.. adquiriu a imprensa não só a estima como a admiração e o aprêço das populações. E. 214 Dessa atitude de sobriedade na informação. vigorou. participante da comunidade social — é que. 20 determinava em qualquer caso de abuso da Liberdade a supressão e apreensão de todos os exemplares do impresso. pela BBC de Londres. Vêm logo as colunas de notícias. enquanto o 21 mandava transformar a pena pecuniária em 214 Octavio de Ia Suarée — Obra cit. como o praticado por êsses jornais. nas quais não há títulos de mais de 13 milímetros de altura. artigos.” Os artigos 15 e 17 estabeleciam as penalidades. João VI.

Rio — pág. depois transformado na lei n. Na sua generalidade. finalmente.217 não foram poupados os indivíduos nem respeitada a vida privada dos humens públicos. tal necessidade se fizera sentir tão fortemente quanto na campanha política de 1921-1922. às verrinas do jornalismo. nem os lares. 1949 — pág. segundo testemunho insuspeito. Nada era sagrado: nem as leis. 4. a experiência de mais de trinta anos mostrara serem ineficazes para a punição dos que se servissem da imprensa como instrumento de ódio e vingança. Que quem louva. porém. 3. uma peia. 91. Que nem o procedimento legal nem as “razzias” contra jornais e jornalistas deram resultado. Ésse projeto. dos dispositivos do Código Criminal.“tantos dias de prisão quantos corresponderem à quantia em que fôr multado. nem as reputações. das violências perpetradas contra jornalistas e autores de “Escriptos” altamente injuriosos. Em parte por culpa dela própria que. É o que assinala Geminiano da Franca215 quando. estêve por quase um século entregue a si mesmo. “a ofensa ao Presidente da República no exercido das suas funções ou fora dêle” (art.”218 A nova lei não melhorou em nada a situação do ponto de vista moral. da sucessão de decretos. de que falava o senador Adolfo Gordo. “velha e terrível árvore daninha da imprensa do Império cuja extirpação tanto desejaram eminentes homens públicos” que os excessos de linguagem e as injúrias campeavam nos nossos jornais. dispositivos que vigoraram prâticamente até 1923.” Apesar das penas previstas. caracterizado pelo tom polêmico e desaforado. 189. na razão de mil réis por dia. Medeiros e Albuquerque. apresentado à nossa Câmara Alta em 19 de julho de 1922. portarias e avisos e. no ano de 1896. degenerando a liberdade em licença. sòmente o Estado é que se pretendeu cercar de maiores garantias quando. O indivíduo continuou sujeito ao destempêro. por Marcelo de Ipanema — Síntese da História da Legislaçcío Luso-Brasileira de Imprensa — Rio. . uma of rmalidade qualquer exigida a mais para a manifestação do pensamento. apenas. originara-se de uma decisão do Partido Republicano de São Paulo “de batalhar por uma lei sôbre imprensa. Nunca. o jornalismo brasileiro. os jornais eram. trilhava caminho diferente daqêle a que se devia votar. eclodia a Revolução Liberal. referindo-se ao período republicano de 1889 a 1923. precedida e seguida da mais virulenta campanha política e pessoal jornalística já verificada no país. sancionado em de dezembro de 1830.°). garantindo. Imperou o pasquim. 218 Solidônio Leite Filho — Comentários à Lei de Imprensa — Rio. na justificação do seu projeto de uma lei de imprensa. veículos de que se serviam os seus proprietárias para obter vantajosas po 215 Cit. no seu parecer observava: “O projeto não cerceia em nada a liberdade — pode-se mesmo dizer a licenciosidade — de que goza até hoje a nossa imprensa. 145 (regulando a liberdade de imprensa). 1925 — págs. condenava com pena de prisão celular de três a nove meses e multa de quatro a vinte contos de réis. Nela. 31-32. a história o demonstra: em 1930. de 31 de dezembro de 1923.” “As disposições do Código Penal.” Também o relator do projeto n. 217 Barbosa Lima Sobrinho — Problemas da Imprensa . a correspondente e efetiva responsabilidade. que então regulavam o assunto. convertendo-os naqueles “instrumentos ignóbeis de difamação”. salvo digníssimas exceções.743. Não há uma cláusula restritiva. escreve que a imprensa viveu “debaixo de um clima por vêzes asfixite. O que se pede é únicamente a assinatura de tudo quanto produza cada escritor. a par da máxima liberdade de crítica.”216 Porque era valendo-se principalmente do anonimato. É o cumprimento restrito da Constituição. 216 Anais da Câmara dos Deputados — Ano de 1896. por exemplo. como quem ataca — louvando e alacando como lhe parecer melhor — cubra o seu trabalho com a respectiva assinatura.

estabelecendo os deveres fundamentais do jornalismo. a natureza da ética deveriam no entanto emanar sempre dos próprios jornalistas. nos jornais que o infamareni ou injuriarem. em 1949. amordaçando a crítica. cuja Carta Constitucional outorgada. visando. do endeusamento dos seus líderes. na tese — “A organização dos jornalistas brasileiros”. Decreto n. que fôra proprietário do Diário da Manhã e.. Evidentemente. facilitando a difamação contra os adversários manietados e sem defesa. cuja atividade deverá orientar-se “sob princípios que elevem e dignifiquem o homem”. a dignidade e o decôro de alguém” e julgava defeso ao jornalista “empregar têrmos cuja dubiedade possa produzir no ânimo do leitor impressão contrária àquela que normalmente deve surgir do fato noticiado ou comentado. defesa ou retificação”. segundo referências de Edgar Leuenroth. censurando o cine- jornalismo nascente. deposto pelo golpe estadonovista. Mesmo os mais responsáveis dos jornais e jornalistas do Brasil. fez publicar um artigo intitulado “Molambo”. apresentada ao IV Congresso. através do jornal da sua propriedade — Fôlha da Manhã — o então interventor federal no Estado. em plena ditadura. impingindo a falsidade. A ausência de normas éticas no jornalismo brasileiro preocupou sèriamente os jornalistas reunidos. do n.. em que atacava na sua probidade o ex-governador Carlos de Lima Cavalcanti.222 “zelar pela ética da imprensa com poderes para afastar aquêles que se tenham incapacitado moralmente no seu exercício. 219 Caso típico dêsse procedimento ocorreu em Pernambuco onde. Os critérios dêsse afastamento. de 14 de julho que vigorou até o advento do regime ditatorial estadonovista. sofreram a influência nefasta da coerção que o Estado impunha ao livre exercício profissional e. em setembro. O artigo era uma tremenda verrina e teve a mais funda e revoltante repercussão na opinião pública. já em 1939. primeiro em São Paulo e. Ao contrário. sob as mais soezes injúrias e. conforme Austregésilo de Ataíde. tinha ocupado a atenção dos homens de imprensa. a que compareceram delegações de quase todos os Estados do Brasil. 122 da “polaca”: “é assegurado a todo cidadão o direito de fazer inserir. na Bahia.220 quando redigiram. combatendo o intrusismo e pugnando pela fundação de uma escola de jornalistas. 221 Conf. controlando o rádio. A polícia estadual impediu que os jornais e oficinas gráficas ou estações de rádio difundissem qualquer defesa do sr. de 9 a 22 de setembro. retornava então à sua terra. 15. na fase da reconstitucionalização. discutiram e aprovaram um Código de ética. .revolucionária de 1930. arrastados pela rua da amargura. partidárias e sociais viessem a exercer as suas maléficas influências.” Observe-se que essa idéia surgira exatamente quando a imprensa vivia sob o guante do DIP. de combate a qualquer ação tendente ao retôrno do país à vida democrática. fermentavam os ódios e os recalques. 222 Os problemas do jornalismo no Brasil in Estudos Brasileiros — Ano 1..” 221 Neste mesmo conclave.. 24. durante os sete anos da ditadura. sições políticas. no Recife. gratuitamente. Considerava indeclinável dever das emprêsas “coibir a publicação de estampas e fotografias que possam ferir o pudor público. transformava o jornalismo em um mero instrumento de propaganda dos fins do regime. 25. 1949. aquêles que recusavam adotar e aplaudir os métodos e processos corrompidos e corrutores do regime de imprensa vigorante. ficou conhecida como a “polaca”). em 1945. a campanha primou pelos excessos: os donos do Estado Novo foram. das emprêsas jornalísticas e dos jornalistas profissionais. por sua vez. grande administrador e político e jornalista mediocre. sujeitando a imprensa. 4 — pág. foi apreciada a possibilidade da criação de uma Ordem dos Jornalistas que. quase sempre. Agamenon Magalhães. E a situação não melhorou com o estatuto votado em 1934. resposta. 219 o Estado Novo não contribuiu para o soerguimento ético do jornalismo brasileiro. para impedir que através dêles as vinganças políticas. nos seus II e III Congressos Nacionais. 220 O Primeiro Congresso Brasileiro de Jornalistas foi realizado em 1908. no Rio. mais tarde. Convém frisar que o dif amado dêsse tempo fora o difamador da fase pré e post. que se inspirava na Constituição fascista da Polônia (por isso. especialmente se possa ferir o pudor público ou a dig nidade e o decôro de alguém. em 1951. do art. do falseamento da verdade. Regulamento e Ternário do III Congresso Nacional de Jornalistas — Salvador. que mais tarde iriam eclodir no “rio de lama” cujas nascentes do Catete abasteceriam os leitos secos dos veículos de publicidade. e também se ocupou de ética jornalística. as mais baixas e duras imputações caluniosas.776. Lima Cavalcanti. para o qual não vigorava — inimigo do interventor e advesário do regime — a letra c. N.

a que respondem jornalistas enquadrados nos artigos da Lei de Imprensa. idem — pág. oferecidos ao público através de reportagens escritas e faladas. o vício.”223 A experiência da Ordem dos Advogados. quando o presidente da República e as principais figuras do govêrno são impunemente apontados à execração pública por órgãos da imprensa. idem — pâg. como pertencentes a um “sindicato de ladrões”? Como poderá o indivíduo confiar e respeitar um jornalismo que faz dos assassinatos. aquela finalidade que deve ser o objeto do nosso querer e do nosso agir. E como uma disciplina para o exercício da nossa atividade profissional. vamos encontrar os casos mais típicos. a abandonar a idéia. dolorosos. pois a Justiça não melho rou absolutamente. há dois ano. o sr. a repulsa manifestada por diferentes setores da opinião aos métodos sensacionalistas e personalistas ainda adotados por um grande número de jornais e emissoras radiofônicas. cujos “heróis” são pistoleiros e tarados. 224 Idem. Belisário de Sousa testemunhava: “e com Ordem ou sem Ordem dos Jornalistas. e. rejeitando por unanimidade o projeto que. a prostituição e dissolução da família? Como poderá o cidadão atender a sisudos editoriais em que se clama pelo cumprimento das leis. praticam tôda sorte de contravenções e delitos de imprensa e. o fundo de personalismo agudo e agressivo se esbateu na industrialização. em 1951. editam revistas e magazines do tipo “confidencial” e perniciosas histórias em quadrinhos. se a própria imprensa e o rádio veiculam diàriamente o resultado do “jôgo do bicho”. um sem dúvida crescente profissionalismo da classe. que nos permitirão 223 Idem.. a verdade clara. visando propagar e exaltar o crime. mediante o estudo constante e sistemático da nossa consciência moral. na existência. resguardando os seus excessos sob um elástico conceito de liberdade? Reportando-nos às nossas considerações iniciais neste ensaio. o fato de não ter o jornalista brasileiro uma profissão liberal mas. — 224 o receio de que o govêrno lançasse mão do organismo para deturpar-lhe os fins e tornar ainda mais precário o exercício da profissão de forma livre e ampla. até a automatização dos espíritos. à mais ligeira tentativa de repressão legal. em coisa alguma. publicam o retrato e o nome do menor delinqüente. como se poderá sentir garantido na sua justa fama o simples cidadão. a ciência dos valores morais. — “inutilidade. os desquites e “casamentos no Uruguai”. dos suicídios. injúria ou difamação — o indivíduo e a sociedade brasileiras não se acham ainda assás protegidos contra a prática do jornalismo “amarelo”. o funcionamento de algumas poucas escolas de jornalismo. sobretudo. indiscutível e dolorosa é que os jornalistas estão ainda muito indisciplinados e inestruturados no que se refere à educação e à ética profissional. Nada obstante o Código de Ética. Como uma disciplina de vida. na sua grande maioria.. nos debates a que nos reportamos. Com efeito. 36. cujo programa inclui noções de moral profissional. vinha sendo debatido e sèriame nte estudado pela classe. com o fortalecimento e multiplicação das emprêsas. as mazelas sociais. ser um assalariado — levaram os congressistas do Recife. desde o abuso do poder com o cerceamento da liberdade. concluimos que um dos motivos do desapreço em que é tido o jornalismo no Brasil está. da “juventude transviada”. aquêle algo valioso.Assim mesmo. que nos devemos voltar. que nos permita garantir a liberdade e descobrir. vez em quando. Evidentemente melhoramos na aparência neste setor. porque. exatamente. da tradição e da experiência. da nossa falta de ética jornalística. com o endeusamento da máquina — é para a velha ciência ética. 38. do “café society” — os mais freqüentes e apetitosos “pratos”. por calúnia. nos debates que se seguiram à exposição de Austregésilo. com o progresso industrial. segundo o advogado e jornalista Joaquim Inojosa. com amplos e sugestivos documentários fotográficos. alguns processos correntes na Justiça. . botam a bõca no mundo. Mas existe latente e larvado e. com a sua criação”. Quando tantos perigos e seduções ameaçam os agentes do jornalismo. dos roubos e desfalques. na falta de conformação do seu exercício às normas da moral comum e da moral profissional. e mais tristemente característicos da nossa deseducação profissional.

que é o seu objetivo supremo. porém. Jornalismo e Nacionalismo — O jornalismo serve. a sociedade para a qual especificamente se exercita. aos seus ideais. sob o impacto emocional da destruição dos seus exércitos e das vitórias que o inimigo alcançava em tôdas as frentes. para que se organizasse a resistência e se acendessem. nem a ignorância. Se deixa de exprimir os ideais da comunidade.225 As considerações e o exemplo que citamos ao acaso refletem o pêso da responsabilidade do jornalismo para com o povo. eram lidos por um milhão e meio de franceses. Dirige-se. o jornalismo deve ser absolutamente livre para a exposição e o debate: — se as idéias correspondem efetivamente a ideais da comunidade. e bastou que surgisse a imprensa clandestina e que emissões de rádio lhe fôssem dirigidas de Argel e de Londres. Quando uma sociedade descamba para essas contrafações. como a democracia. do país para o qual propaga informações e divulga idéias. necessidades e aspirações. entretanto.apreciar com mais segurança o valor dos atos humanos. da região. Um jornalismo divorciado da moral ou que menospreze os princípios éticos que informam o espírito humano e o nobilitam será. efetivamente. não tardarão em popularizar-se. em abril de 1944. Tal não correspondia.000 exemplares mensais. nos fins de 1943. Responsabilidade para com o público da cidade. eombatendo-os estará exercendo conscienciosa e pro veitosamente a sua tarefa. quando os alemães e as autoridades colaboracionistas de Vichy controlavam todos os veículos jornalísticos: sem ouvir idéias que não fôssem as ditadas pelo “Propagandastaffel” e. a Federação aglutinava 13 jornais clandestinos. pois. Em setembro daquêle ano. O jornalismo. o pensamento até então dominante e as diretrizes até então seguidas. . passando subreptìciamente de mão em mão. Daí porque. elegendo aquêles que a razão sancionar como correspondentes ao ideal de Justiça e Bem Estar. em modificar. ignorantes ou fanáticas. E se o jornalismo não pode servir a ideais alheios aos da comunidade. Responsabilidade para com o 225Emile Boivin (Histoire du journalisme — Paris. ao mesmo tempo. as chamas do seu ardente patriotismo. substituido por uma nova instituição que. jamais será. constituia-se uma Federação de Jornais Clandestinos. Um jornalismo desta ordem fugiria às suas características e finalidades: — faltar-lhe-ia popularidade porquanto as suas interpretações dos fatos correntes seriam contrárias ao pensamento do maior número. denunciado como instrumento de corrupção. quer como ser isolado quer como membro da comunidade. talvez. durante a última guerra mundial. Foi o que aconteceu na França. Jornalismo não é praticado para minorias. a que aspiram o indivíduo e as coletividades. que falam uma mesma linguagem. E dia virá em que. é instituição social majoritária. a indivíduos que pertencem a um mesmo clã. de adverti-la dos seus erros e de apontar-lhe os caminhos certos para o êxito dos seus empreendimentos — então falha completamente na sua missão e não se pode queixar do descrédito em que é tido e do desamor que lhe votam os cidadãos. nem o fanatismo são ideais comunitários. a maioria do povo francês aceitava apàticamente a situação que lhe fôra imposta. que têm os mesmos sentimentos. que atuava de acôrdo com o Conselho Nacional da Resistência. acatado e respeitado pelo homem. à comunidade em que se exerce. de modo especial. do município. está fugindo também às suas legítimas aspirações e justos fins. para alimentar dissidências e desentendimentos dentro da sociedade em que. não poderia exercer junto à massa aque la promoção do bem comum. Conseqüentemente. a nação. Essas premissas não devem ser compreendidas como uma subordinação do jornalismo a eventuais maiorias corrompidas. temido pela sua fôrça destrutiva. 1949) assinala que em 1942 a tiragem dos jornais clandestinos na França atingia algumas vêzes a 100. para que e de que vive. será riscado da estrutura social. Mesmo porque nem a corrução. em ser adotadas por um número cada vez mais expressivo de indivíduos. finalmente. antes de tudo. no terreno das idéias. corresponda aos anelos de uma humanidade consciente dos seus caminhos e do seu destino temporal e eterno. no ânimo dos franceses metropolitanos. de contribuir para a realização das suas causas e solução dos seus problemas e conflitos.

“United Press International” e “Associated Press” — possuem sucursais. sobretudo no Oeste. O jornalismo. — pág. Êsses jornalistas colhem e divulgam as notícias. os rumos da sua grandeza. deixará de falar pelos seus iguais. a idéia da independência e da união das colônias inglesas num Estado livre. Como os franceses não puderam aceitar a imprensa colaboracionista de Vichy. tècnicamente débil e pobre. à Nação”. quando solenemente afirmaram que o jornalista deve ser “leal à comunidade. ao sistema filosófiso e político que julga deva atender às aspirações de tôdas as nações. Sòmente o New York Times conta com mais de 100 correspondentes próprios no exterior. fundador do Boston Gazette. Dallas tem realmente motivos para lhe estar grata. em observações sôbre a imprensa estadunidense. de 226 Manuel L. o de naturalidade persiste. Rodrigues. as suas instituições. influenciando. em 1923. a sentinela vigilante dos seus interêsses e direitos. Rodrigues in Os Estados Unidos vistos por jornalistas portugueses — Obra cit. vi que um dos principais monumentos da cidade perpetuava a memória de Ted Delly. por Charles A. à sua política. É uma situação que não tem equivalente na Europa e que se reflete. Ted Delly foi o intérprete das aspirações dos seus concidadãos. Faltando-lhe base nacional. As duas grandes agências norte-americanas de notícias —. a consciência da massa para a revolução. Profundamente nacionalista. Dana. no prestígio do jornalismo. A posição do jornalismo dos Estados Unidos em relação à pátria — presente em todos os instantes da luta da libertação e da manutenção da independência — foi reafirmada. Há jornais que são crônicas vivas. no Estado do Texas. Una militar? Um estadista? Um poeta? Apenas um homem que durante 72 anos dedicara a sua atividade ao Morning News. sobremodo. vendo a América antes de tudo e acompanhando o seu país. Ação catalizadora do Jornalismo — Nos tempos do primitivo jornalismo oral ou manuscrito. deu-lhes o primeiro esbôço duma consciência coletiva. as suas tradições. em 1888. aos seus ideais. Durante êsse longo prazo. a segurança do seu futuro. começando em praticante e acabando em diretor. como atende às suas. Efetivamente. pela própria incipiência dos veículos e isolacionismo das sociedades. que não o compreenderão e não o aceitarão. naturalmente. Procurei saber quem era. essa responsabilidade surgia como fato natural. precisa de ser entendido primeiro pela sua própria gente. distribai correspondentes em tôdas as partes do mundo. com entusiasmo e tenacidade.226 Escreve êle que “na América. mas em harmonia com o espírito e o coração da comunidade a que se destinava. Em DalIas. a cidad e e o jornal nasceram quase simultâneamente. . mal surgiu aquela outra.seu patrimônio cultural. certo ou errado — como bem o demonstram os “slogans” freqüentes em tôda parte: “Ame rica first” e “Right or wrong. Após a descoberta da imprensa e a multiplicação dos meios de comunicação entre os povos. my country” — o povo e o jornalismo norte-americanos dão ao mundo um vigoroso exemplo do seu senso de responsabilidade para com a Nação. por mais universalista que seja a sua linguagem. A imprensa foi muitas vêzes o catalizador de novas comunidades. ao divulgar as suas máximas orientadoras dos jovens jornalistas do seu país: “Defenda as Barras e as Estrêlas”. quase fatal para o agente. lançou a expressão “American Commonwealth” e defendeu. a primeira pregação libertária: foi êle que. graduado pela Universidade de Harvard com uma tese sôbre a liberdade. ao Estado. 314. Para isso. er montando à fundação das cidades. o jornalismo colossal dos Estados Unidos tem o seu fundamento neste apêgo ao país. A responsabilidade do jornalismo para com a nação foi muito bem situada pelo jornalista português Manuel L. se bem que o caráter de fatalidade tenha desaparecido. Outro não foi o pensamento dos que redigiram o código de ética da Associação da Imprensa do Estado de Washington. testemunhas do progresso e prosperidade que coroaram os esforços de rudes e enérgicos pioneiros. desenvolvimento e progresso. escritórios e agentes em todos os países civilizados.” Devem os norte-americanos a Samuel Adams. os seus revelados ou difusos anseios.

Os adolescentes repetem incessantemente os ritmos musicais da Norte-América. 118. O Jornalismo Brasileiro e o Nacionalismo — O jornalismo brasileiro foi nacionalista mesmo antes de existirem jornais. da maioridade econômica. os jornais recebem o noticiário do exterior padronizado. considerava necessária a intervenção na Guatemala para deposição do regime de Arbenz. o Brasil possui um “bureau” de imprensa..”. descuidados também de tão importante setor da vida nacional. da Reuter ou da Tass — a oferecer aos seus concidadãos a sua própria visão e interpretação dos acontecimentos e a dar. desde o mais frívolo têrmo de gíria à última tôla canção. considerado o patrono dos 227 Nem siquer junto à ONU. caso desejasse instalar na ONU uma sucursal da Agência Nacional ou da Asapress. a administração pública segue as regras da Civil Service Cornmission. Nesta mesma época e oportunidade.227 Também o cinema e a televisão são empregados por êsses países para a propaganda e infiltração das suas doutrinas políticas e sociais. igualmente. As jovens copiam os penteados. Não faz muito. James.acôrdo com os interêsses do seu público. insistiu nas facilidades que seriam concedidas ao nosso país.UU. tem indiscutivelmente a sua base nos sentimentos. a imprensa do norte dos EE. catástrofes.. E a sua primeira grande figura foi a do alferes Joaquim José da Silva Xavier — o Tiradentes —. a exemplo das mantidas pelos demais Estados-Membros. Monroe são ainda. . quer na apresentação dos textos. Quando ali estivemos. quer na disposição dos anúncios.. desde que todos os seus vínculos culturais têm sido europeus e levantinos.P. tantas vêzes transformada em instrumento de imbecilização. a fascinação dos educadores daqui. outros povos.” Essa penetração internacional. O que Fernando Sigismundo228 assinala quanta à influência dos Estados Unidos entre nós. acham-se habilitadas através da France-Presse. do lastro cultural característico das nações que souberam cultivar no seu jornalismo um patriotismo vivo e atuante. dos seus propósitos imperialistas. Dêsse modo. estava descobrindo o Canadá. “America first”. poderão subscrever em relação a outras grandes potências: “Os norte- americanos conseguiram obter aqui uma receptividade ideal para tudo que é seu.” Nós próprios ouvimos de um jornalista de Chicago que sòmente poderia dar ao leitor aquilo que correspondia aos seus interêsses. diretrizes dos povos e governos nacionais. aspirações. e se esmeram em copiar a imprensa de Tio Sam. dos seus interêsses comerciais. observamos que o jornalismo norte-americano. da sua arte. golpes de Estado — porque os seus clientes não se interessam muito pela América Latina. A França. Considerável massa de leitores passa o tempo a folhear chochos “best-sellers”. ao mundo (pois que essas agências têm clientes em diferentes países) as informações e pontos de vista dos seus governos e seus povos. que tomara medidas contrárias aos interêsses da “United Fruit Co. a Inglaterra e a União Soviética possuem. segundo os moldes convenientes aos monopolistas ianques. George de la Huerta. as atitudes. mr. Dewey. com exceção. Resulta da emancipação política. em Lake Sucess. National Guardian. que o transforma num eficaz agente catalizador tanto no plano nacional como no vasto campo das relações exteriores. e da UPI para obter notícias do continente meridional e que essas agências sòmente transmitiam fatos sensacionais — tais como revoluções. os cacoetes e as manias das atrizes hollywoodenses. sendo por isso mesmo taxada de comunista. do semanário “progressista”. da sua cultura. diversos editôres de jornais opinaram que isso se devia principalmente a que “a grande maioria dos jornais dependia da A. 1952 — pág. Por isso. por sua vez. as notícias do Brasil ficavam para depois: — agora (em 1954). 228 Fernando Sigismundo — Imprensa e Democracia — Rio... o secretário de imprensa. apenas. as suas agências internacionais de informações. em resposta a uma “enquette” sôbre a atitude de quase ignorância da imprensa norte-americana a respeito da América Latina. e só. proto-mártir da Independência. que se faz através dos veículos de publicidade. Nossas emoções são reguladas pela sua cinematografia. nossos pensamentos decorrem da dieta filosófica de lá..

o couro e o café. os ranchos. contra o “maroto-pé-de-chumbo”. Minas e Rio teriam mais gente e armas do que os americanos e inglêses. à beira mar a influência estrangeira. Noticiário que iria ressoar “na palavra livre. empacotada na bagagem do “tropeiro”. enriquecido pela miséria a que a guerra flamenga votara os senhores dos engenhos de Olinda. recolhia o pensamento e os sentimentos nativistas contra os reinóis sequiosos de acumular riqueza fácil à custa do seu suor. e internava-a. onde os fazendeiros lhes alugavam as pastagens para os animais. Foi de Xavier que receberam a palavra de Alvares Maciel. narrando fatos e reclamando ação. vendiam bugingangas e quinquilharias. que comentavam com um entusiasmo platônico a rebelião da América Inglesa e a libertação das Treze Colônias. Na Vila Rica. Que poderá abastecer dágua a cidade de São Sebastião. enquanto nos pátios e terraços dos casarões. periòdicamente. denunciadores e patrióticos. em Paris. ganhavam as vastidões das alterosas. contra o “emboaba” cheio de prosápia. Tropeiro e dentista ambulante. que então retornara ao Rio de uma viagem à Europa. respondendo a objeções do padre Lopes de Oliveira. dos vaqueiros. Que construirá armazens no porto para fomentar o comércio e guardar os produtos da terra. venciam as serras. sôbre a estranheza dos países onde estivera por não terem ainda os brasileiros seguido o exemplo da América inglêsa. enquanto se esperam os barcos. Xavier pertencia àquela legião de bufarinheiros que. os quartéis. metido em seu largo calção e suas botas altas. . ouvia as novidades. descrevendo e sugerindo. conduzindo as mulas carregadas de mercadorias importadas. transmitiam aos pioneiros do desbravamento as informações e os rumores correntes nos centros urbanos do litoral. pois. No Rio. “A civilização que se poliu em Minas Gerais subiu as encostas da Mantiqueira e atravessou-lhe os córregos. contundentes. lhe assegurava não duraria a guerra mais de três anos. em Belo Horizonte. percorriam as veredas do grande sertão e. A vitória eram favas contadas — concluia. dogmática e informativa” dos padres e frades. à luz das fogueiras com que se esquentavam. os botequins e armazéns das vilas. nos pousos. as hospedarias. 1935 — págs. unidos. para obter auxílio dos Estados Unidos. para os colégios dos jesuitas. nos versos satíricos dos gregórios de matos. Foi essa colheita de fatos e de dôres que levou o Tiradentes a falar da liberdade de Minas ao coronel Aires Gomes. Essa colheita de aspirações e de ódios. Era carrejão e mensageiro. E de tal modo pesou a doutrinação do Tiradentes sôbre os conspiradores que o vigário Toledo. em congresso nacional. em 1955. que modificou radicalmente o rumo das confabulações inconseqüentes. de revolta e de desespêro. dos mineradores. o tropeiro. da segurança de que o Rio de Janeiro se levantaria com êles e de que receberiam socorro da França e de outras potências. fazendas e perfumes. argumentando “desejar o povo fazer-se desta terra uma república livre dos governos que vêm cá ensopar-se em riquezas de três em três anos”. enquanto recarregava as mulas com o açúcar e o algodão. traficantes e espertos. o “bicudo” e o “marinheiro”. traça um quadro de progresso e riqueza. dos garimpeiros. dos peões. a informação do encontro do estudante Maia com Jefferson. de esperanças e ilusões — constituia o noticiário trazido pelos jornalistas incultos das tropas e bandeiras para os Senados das Câmaras. o fumo e o ouro destinados aos portos.jornalistas pela classe reunida. por seu turno. condutor e estafeta: o homem que transportava as utilidades e as idéias. do pessoal do eito e das senzalas. adquiridas na costa. nos pasquins manuscritos. de queixas e vindicações. 237-238. os bens materiais e as notícias do mundo — privilegiado caipira que sentia. da tagarelice inócua e vazia de sentido daquele círculo de poetas. Os depoimentos prestados pelos inconfidentes durante a devassa são concludentes da ação caracterìsticamente jornalística do Tiradentes — informando e opinando. São Paulo. que transformou aquela pacífica academia numa célula de conspiradores decididos. comerciante do Recife. quando vier a liberdade: à costureira 229 Pedro Calmon — Espírito da sociedade colonial — Rio. contra o “mascate”. para as ruas. prega que ainda haverá de fazer feliz a América.”229 Dos fazendeiros. eclesiásticos e letrados.

vinte ou cem anos não se havia de desembaraçar. 1958 — pág. pro pagar idéias senão falando?”230 O campeão do moderno nacionalismo brasileiro tem razão quando pluraliza a inexistência de jornalistas na Inconfidência e quando destaca a ação isolada e fecunda do Tiradentes. do indoitiável e incorruptível Frei Caneca. Pernambuco e o Nordeste proclamam a Independência e a República. — pág. em 1834. O jornal e seus profissionais gozavam de invejável prestígio na sociedade.. 273. Como poderia êle. palpitante de fé e ardor. predizendo o império napoleônico. olhando para as tarefas executadas.Simplícia Moura assegura que todo brasileiro poderá melhorar as suas rendas e que êle próprio espera vir a ter mais de 50 mil cruzados. os escravos são libertados. Ao jornalismo incipiente do Tiradentes. a aguardar a justiça de Deus na voz da história. Não voltará mais a falar enquanto a pátria não for soberana. acordando ódios e esperanças. convencer. antes que se complete o século da profecia. E o sujo Tomá Antônio Gonzaga. demolindo reputações. O certo é que o jornal tem sido até então o agente catalizador dos grandes movimentos nacionais. do repúblico Antônio Borges da Fonseca. 231 Paulo Cajás — “O papel criador da imprensa” in Anais da VII Congresso Nacional de Jornalistas — Rio. O idealismo moral dos que se achavam na vanguarda dos movimentos era superior às vicissitudes internas e externas criadas pelo espírito obscurantista.. clamando pelos princípios da Revolução Francesa. a noite das Garrafadas no Rio revive a meada tiradentina. os “bicudos” são caçados nas ruas de Cuiabá.. A sua missão está cumprida e.” O tempo e a história confirmaram a declaração final do editorialista de Vila Rica: em 1798. a última edição do pasquim oral que conclama o seu público à ação. É a derradeira viagem do arauto da liberdade.. Gerado espontâneamente jornalista.”231 Mesmo com feição de pasquim. como o fato do presente é a derrama. nos ranchos solitários e nas minas de ouro — por todo o caminho da serra ressoa a voz do jornalista Tiradentes. no eito e nas senzalas. rechaçado para o outro lado do Atlântico o anacrônico sistema monárquico. Sem o jornalistas. sem a sua pregação denodada. atacando a torto e a direito.. que tantos pagaram com a própria vida. abordar pessoas. . sem jornal. Consegue. então. “A Conjuração Mineira falhou — escreve Gondim da Fonseca — por não haver jornalistas no Brasil. o Senhor Dom Pedro II recebe o bilhete azul com que os brasileiros agradecem os seus serviços e o embarcam para Portugal.. “O jornal na mão das personalidades mais expressivas da inteligência nativa ou semi-nativa tornou-se a arma perigosa utilizada contra a ação corrosiva e demolidora das influências alienígenas. indissoltavelmente ligada ao jornalismo. ainda o acusa de “falador”. o coração leve. concorda com o cônego Luís Vieira de que “não se pode mover o ânimo dos povos senão com fatos do presente”. de uma vez por tôdas. 1958 — II Vol. a derrama que iria provocar nova sangria na já exaurida economia das Minas Gerais. o santo e a senha. do panfletário e agitador Cipriano Barata. transmitindo a nova. de Gonçalves Lêdo e de Evaristo da Veiga. o chôcho e safado de “Marília”. 521. discutir. Pois a história da independência política do Brasil está intrìnsecamente. o lírico. a independência do Brasil. a queda do realismo português. dando detalhes. nas “vendas” e nos pousos. De sorte que à ação militante dos pioneiros da imprensa brasileira deve-se a consolidação das instituições nacionais e o correspondente aperfeiçoamento do sistema político dominante. — a derrama é a oportunidade da rebelião. não nos teriamos libertado do jugo português. que os conjurados fixem a data do “batizado” e parte para o Rio. que 230 Gondim da Fonseca — Senhor Deus dos desgraçados — Rio. Como não teríamos. Por tôdas as fazendas. Ninguém mais o acompanhava nesses contatos pessoais com o povo. o que o tornou visadíssimo. em 1817 e 1824. uma conseqüência de suas reiteradas posições em defesa do interêsse público atingido pelo arbítrio dos poderosos. pode afirmar com orgulho — e o repetirá sereno e altivo perante os seus julgadores — que “armara uma meada tal que em dez. teimosa. E ao jornalismo atuante de José Bonifácio. em 1831. os “farrapos” cavalgam as coxilhas gaúchas. E. numa linguagem violenta e corruscante. Tiradentes tinha de fazer a propaganda falada. na antevisão da pátria libertada. os Alfaiates se erguem na Bahia.

Há todo um vasto programa de ação para o autêntico nacionalismo. fustigar e denunciar. mas aos golpes de ariete da pena de Silva Jardim. convencer. aplaudir e condenar todos os atos e fatos favoráveis ou contrários aos supremos interêsses da pátria. apelar. autênticos promotores das revoluções que nos legaram um Brasil independente e republicano. mas dinâmico. afinal. se está enraizada na alma dos jornalistas individualmente.não foi liquidado por Deodoro ou consolidado por Floriano. Rangel Pestana e de tantos outros jornalistas. quer através de investimentos de capitais. Os Reclamos do Presente — Com efeito. como o civilismo. como nos tempos passados em que os mesmos não eram tão acentuadamente gritantes como nos dias atuais. do clamor levantado pelos jornalistas. reconquistar o prestígio e a influência junto à massa dos concidadãos. como bem o observou Walfrido Morais. auscultando o povo. José do Patrocínio. neste particular. em têrmos prioritários. quer através do uso direto do poder do Estado Mo derno. através da siderurgia. como a república. sentimental do ufanismo. II — págs. como a abolição. transformando a experiê ncia pioneira de Delmiro Gouveia. cujo cadaver ensanguentado tingira de rubro idealismo as águas do rio da unidade nacional — foi pela imprensa que Monteiro Lobatoe tôda uma plêiade de jornalistas conscientes da sua responsabilidade lançaram a campanha do monopólio estatal do petróleo. Quintino Bocaiuva. de um nacionalismo que só sente ferver o sangue quando um estrangeiro desabusado nos cospe à cara injúrias ou. no sentido não só de estimular a circulação por meio de processos de industrialização. que não é contemplativo. é aos jornalistas — e não aos políticos e técnicos — que o povo confia os seus mais ardentes anseios: como a independência. na Pedra.. Esta compreensão dos reclamos da hora presente. entre o século passado e êste século.. não o está ainda no espírito do nosso jornalismo. 398-399. Medeiros e Albuquerque. Tavares Bastos. como igualmente de corrigir como elemento moderador as desigualdades sociais tão violentas que se observam neste país.. ganhar o respeito dos governantes e a admiração dos povos amigos. Foi através da imprensa. nos faz dano. .232 a não dispor de mentalidade aprimorada para pensar. Foi com o seu apoio. de um patriotismo limitado à exaltação das glórias passadas e das acrisoladas virtudes dos nossos maiores. ostensivamente. O programa de emancipação econômica do país — para que se cumpra aquela antevisão bi-secular do Tiradentes. depois com Diretrizes e o Jornal de Debates. primeiro através de panfletos e boletins. Campos Sales. que não é um simples desejo Walfrido Morais — “O dever da imprensa em face dos problemas do desenvolvimento econômico nacional” in 232 Anais do VII Congresso Nacional de Jornalistas — Vol. nos problemas econômicos de uma terra dadivosa e boa. Rui Barbosa. sentindo-lhe as palpitações da nobre alma.” Sob a inspiração do Tiradentes. na realidade redentora da Companhia Hidro-Elétrica do São Francisco. “Na história das nossas! mais belas e edificantes campanhas cívicas. Paulo Afonso. capaz de levar os governos a criarem condições regionais e nacionais que se objetivem a êsse desenvolvimento. para continuar a tecer a meada intrincada da grandeza brasileira. Anibal Falcão. Que continua. É preciso que a imprensa crie uma forte corrente popular de opinião. mais ufanismo do que pròpriamente preocupação pelos nossos destinos econômicos. lírica. que o Nordeste recebeu. sob a cobertura do fogo de barragem do jornal e do rádio. intervencionista por sua própria natureza.. que Getúlio realizou Volta Redonda e abriu perspectivas à grande indústria nacional. como o liberalismo de 30. e “cada brasileiro possa vir a ter mais de 50 mil cruzados” — está recebendo do jornalista uma lúcida compreensão e dando-lhe fôrças para anunciar. Foi pelo jornalismo que. indo a Alagoas para investigar e gritar ao Brasil o trágico e sintomático episódio das primeiras pesquisas de petróleo e do covarde assassínio do engenheiro José Bach. é que o nosso jornalismo precisa de ultrapassar a fase ditirâmbica. havia.

definitiva conquista do oeste e recuperação das regiões norte e nordeste. se logram sòmente no apogeu dos grandes impérios. de construção do presente e do futuro. horror ao estrangeiro. antes de tudo. O nacionalismo econômico e social que está sendo exigido pelo Brasil nos dias atuais não é jacobinismo. A guerra é uma desordem porque é. Assim. recusa de uma colaboração sincera e fraternal. E como essa ordem era perturbada. quando se empenharam nas suas campanhas guerreiras. graças à unidade da fé. segue -se. Mas também dura aquela sòmente enquanto êste existe. 234 Rafael de los Casares — La Carta de las Naciones Unidas y la paz mundial — Madrid. vemos como os períodos de relativa paz. um movimento amplo.. raras vêzes coincidiu com a do seu adversário ou vizinho. pela erradicação do analfabetismo. a tolerância e a ajuda mútua. pela manutenção do monopólio estatal do petróleo e nacionalização das fontes de energia com a criação da Eletrobrás. o triunfo da fôrça. de que. inclusive mesmo pela Igreja. e. uma marcha vigorosa e incontrolável do povo brasileiro para a promoção de um estágio de civilização em que “a uns não sobre o supérfluo e a outros não falte o necessário. 1948 — págs. — virtudes que o cristianismo resumiria na Caridade — e se pautassem a vida e os atos sociais por normás éticas e jurídicas. 5. em que reinassem a compreensão. em si. como qualquer país jovem e potencialmente rico. até mesmo. isto sim. 12-13. paradoxahnente. tanto precisamos. senâo conquistar a paz.. Subjugados ou escravizados todos os possíveis inimigos. . necessàriamente. Os grandes conquistadores. É. pela extirpação da ganância. da desordem nas instituições. então 233 P. na sua maioria. “A maioria dêles confundiu de boa fé “a paz” com a “sua paz”. mas um trabalho constante e tenaz de esclarecimento. mas uma conseqüência da ordem neste mundo. inevitàvelmente. mediante uma crescente industrialização. de promoção e. a humanidade tem aspirado à paz como bem sup remo neste mundo.de aperfeiçoamento do povo. tanto no domínio público como no privado. infortunadamente praticadas com largueza. elevação do nível científico.”234 Durante a Idade Média.” Jornalismo e Paz Mundial — Em tôdas as épocas. Esta última. do contrabando. através de campanhas sanitárias e de uma efetiva e acessível assistência médico-dentária e hospitalar. combate aos vícios (jôgo. o entendimento. reforma agrária para a valorização da lavoura e da pecuária. das instituições. na história da antiguidade. Daqui se deriva o conceito mais primitivo para conseguir a paz: impô-la. “a guerra é sempre uma desordem. procurando submeter as suas divergências ao Papado. Chaillet — La bataille de la paix — Paris. porque é a conseqüência quase fatal da desordem. das especulações. a que. sempre insistiram em que a paz não era uma causa.”233 Daí haver a humanidade sempre procurado conseguir a paz. não sobrevém sòmente da má vontade de um ou de alguns indivíduos. o homem conseguiu vencer a fôrça bruta pela inteligência e estabelecer a ordem pelo direito. da fraude. até que surge outro. pela melhoria das condições de vida das classes trabalhadoras urbanas e rurais. 1947 — pág. meretrício). do suborno e da dissolução dos costumes. alcoolismo. um amplo programa de habitações populares. da desordem na economia. Os filósofos da Igreja. posse absoluta dos nossos minerais atômicos. proporcionando-se trabalho condigno a todos os cidadãos. da desordem nos espíritos. À queda de um grande império. popularização da cultura. pela extinção das endemias. desenvolvimento do cooperativismo. se entrega às ações bélicas. da cultura e da economia do país. mesmo quando. estava lançando os alicerces de um estado de paz perpétua. um terrível período de guerras. a fim de equilibrar a economia nacional. O jornalismo brasileiro precisa de tomar posição decisiva na luta pela manutenção das garantias constitucionais e das liberdades públicas. a paz do império se consegue. Provém. de orientação. Quando. Ora. no início dos séculos. finalmente. é conseqüência da falta de ordem neste mundo. e êste seu desejo de paz — como o assinala Rafael de los Casares — lhes tem servido de justificação ante si mesmo para as suas lutas e conquistas. reconheciam autoridade — as nações buscavam precaver-se das guerras. não tiveram outro objetivo. submetendo todos os adversários. artístico e técnico das massas. desde Santo Agostinho e São Tomás de Aquino a Vittoria e Suarez.

Bentham e Kant. ao contrário.. “A princípio. com o eclodir da Reforma e. os “fazedores da paz” eram caricaturados nas colunas do Punch.”235 A guerra da Criméia em 1854 provoca cisão nas hostes pacifistas dos adeptos de Price. o último considerado pelo Times de “primeiro exemplo de um verdadeiro parlamento das grandes potências”. Criam êles os seus órgãos de propaganda da paz. o Primeiro Congresso Mundial Pró -Paz. as memoráveis campanhas em favor da arbitragem e do desarmamento.C. em 1868. criando a Cruz Vermelha. que o mecanismo da organização internacional de que elas se faziam advogados existia já. sobretudo. sôbre o emprêgo de projéteis explosivos. 17.F. os choques de interêsses econômicos que nem sempre a ação dos diplomatas conseguia amortecer. firmada em Paris. na Inglaterra. Em 1815. Dodge. a Declaração de São Petersburgo. encaminhando a solução de diversos problemas que sempre resultavam em divergências e conflitos e que. Utilizando a imprensa. Desde 1890. Fato mais significativo ainda. o jornalista inglês W. Foi assim com a declaração sôbre o contrabando. Quanto à organização estadunidense sòmente viria a sofrer colapso com a entrada do país na 1 Guerra Mundial. na América. nos anos de 1867 e 1899. passa à imprensa. visando extinguir nos mesmos referências desairosas ou ofensivas a outros povos. em 1909. a declaração sôbre a guerra marítima. os projetos de paz e os próprios decretos papais a respeito — como o da Pacificação Eterna. um pequeno industrial do país de Gales. a Espanha — com a sua doutrina da soberania absoluta. passaram a constituir normas do direito internacional. entre outras moções. É neste congresso que. mas. O problema deixa de ser exclusivo dos tratados filosóficos. Price. representado pelas embaixadas e pelos tratados da época. Erasmo de Rotherdam. graças a um sistema de citações. continuava a ser pregada por filósofos e pensadores como Thomas More. e. É nos albores do século XIX que começa a ser feita uma mais afetiva propaganda da paz. O surgimento dos Estados Nacionais — a França. Beales — Les mouvement internationatistes au XIXe Siècle — Paris. feita em Londres.. o Herald of Peace. Em 1843. . criando ligas e sociedades pacifistas — êsses movimentos atuam durante meio século. as dissensões religiosas. a grande imprensa do tempo — como infortunadamenteainda hoje ocorre — não sòmente se punha à margem como até ridicularizava as campanhas pró -paz. realiza-se. em 1917. e o Advocate of Peace. T. já em 1851. zombava das “pombas da paz” e suas “utopias”. a Conferência de Paris e o Congresso de Berlim. a Inglaterra. A “Batalha da Paz” — Apesar disso.empenhada em obter o poder temporal. o Times perguntava como se podia esperar que princípios dristãos encontrasem éco entre os turcos muçulmanos. se estabelece a que pleiteou a reforma nos livros escolares de todos os países. 235 A. Rousseau. Trezentos delegados de todo o mundo procuram solução para problemas que ocasionam desentendimentos entre os povos. em 1878. de 1495 — não conseguiram alcançar o seu objetivo. o início da revolução industrial — provocaram um retrocesso na “batalha da paz” que. 1947 — pág. Hugo Grotius. desde então. o século XIX vê adotados alguns princípios e declarações que são aceitos e acatados por tôdas as nações. e o segundo pelo novaiorquino David L. em 1856. a fim de dar — como o declarava expressamente — ao leitor inglês médio. promovendo concursos. em Londres. surgem simultâneamente na Inglaterra e nos Estados Unidos dois movimentos em favor da paz: o primeiro dirigido por Joseph T. congregando importantes vultos do pensamento mundial e parcelas cada vez mais significativas da opinião pública. Stead fundara a Revista das Revistas. o conflito entre as nações do oriente e do ocidente. ainda. Com a participação ativa de jornalistas e homens de ação de tôdas as profissões. nada obstante. William Penn. de profissão comerciante. honra insigne em verdade. o mesmo jornal assinalava. a convenção de Genebra de 1864 sôbre feridos de guerrá. estabelecendo contatos.

Uma emenda da delegação soviética. assim redigido: “Todo ind ivíduo tem direito à liberdade de opinião e expressão. . de receber e de difundir. sem consideração de fronteiras. de que iria resultar o estabelecimento. o que implica no direito de não ser perseguido pelas suas opiniões e de buscar. Em 1948. firmado pelas potências reunidas em Versalhes. a Sociedade das Nações. por último. e que foi o documento básico da constituição. da Côrte de Justiça mundial e. a Assembléia Geral da ONU adotou. na sua Declaração Universal dos Direitos do Homem.informações suficientes sôbre os negócios públicos e as correntes de idéias com o objetivo de tornar ao menos possível uma opinião pública esclarecida. a par das suas causas econômicas e políticas. O jornalismo pacifista e responsável fôra. reunida em Paris.” Este documento. sediada em Genebra. Foi essa revista que inspirou o Tzar Nicolau II. Todavia. julgava a maioria dos delegados. atravessando crise e. a Côrte Internacional de Justiça.. pràticamente extinto. pregando uma pretensa superiorida de racial. de grande importância para a conclusão do Pacto da Liga das Nações. não poderia prescindir de um jornalismo consciente e livre. legou-nos. as informações e as idéias por qualquer meio de expressão que seja”. sob a proteção dos acordos internacionais necessários para garantir-lhe em tôdas as nações uma vida tranquila e sã. no entanto. seja para aquêles que a consideravam como uma grande aliança de Estados associados. que o presidente Roosevelt em sua histórica mensagem ao Congresso. via-se a humanidade no apogeu de uma guerra.. e a Organização Internacional do Trabalho. Desaparecida em 1945. com a criação da Organização das Nações Unidas. a mais terrível e destruidora a que jamais se entregaram os povos. criando discriminações e fomentando as divergências filosóficas entre as nações. sem dúvida. que deveria. a de adorar ao seu Deus na forma que escolha. os Estados belicosos submetiam tôda a atividade jornalística aos seus fins guerreiros. ser o mundo da paz. que proibia fôsse utilizada a liberdade de palavra e de imprensa “com fins de propaganda para o fascismo e a agressão ou a fim de suscitar o ódio entre os povos” foi rejeitada. que faria cumprir as decisões da sua Assembléia e do seu Conselho. que teve a mais profunda ressonância em todo o universo já que partia do chefe de um Estado ainda não beligerante foi seguido. foram. a liberdade de viver sem o temor constante da guerra.19. na conferência das Nações Unidas sôbre a liberdade de informação. em 1899. ressuscitando um estreito e deformado nacionalismo. com a participação de delegações de empregadores e empregados para debate de problemas da legislação trabalhista. em 6 de janeiro daquele ano. ali mesmo. A ONU e a Paz — Em 1941. não se enquadrava na enunciação de um princípio geral. assentara fortemente na propaganda desenvolvida pelos veículos jornalísticos notadamente pelo rádio. com um poder legislativo e um executivo e apoiado por um exército internacional. a de viver a coberto da miséria. em agôsto do mesmo ano. Se bem que essas providências não tivessem evitado o irrompimento do conflito mundial de 1914. Essa gue rra. seja para aquêles que pleiteavam transformá-la num super-Estado. então no início do seu reinado. reafirmava a fé do povo norte- americano “em um mundo que se fundamente por serem essenciais sôbre as seguintes liberdades: a de palavra e expressão. ora adotando medidas positivas ora fracassando nos seus propósitos. da Carta do Atlântico. acirrando velhos ódios. Foi sentindo que o mundo do futuro. e. em 1933. un artigo — que tomou o n. que continuou funcionando no Palácio da Paz. a construção do Palácio da Paz. a convocar a Primeira Conferência de Paz em Haya. em 1907. que pôs fim à Grande Guerra e criou o primeiro organismo interestatal encarregado de manter a paz. quatro anos depois. manteve para o mundo civilizado as esperanças de obtenção de um “statu” de paz permanente. firmada pelo presidente Roosevelt e pelo “premier” Winston Churchill. em Haya. então. Durante dezenove anos. porquanto. da Organização das Nações Unidas.

não parece que se tenham confirmado as espernças do delegado Aramburo. de modo que os diretores dos jornais e os próprios leitores pudessem julgar. suprimindo-se os obstáculos de ordem política. enquêtes e providências sôbre o 236 Conf. entendemos que a convenção provàvelmente acarretará divergência entre as nações. e o direito internacional de retificação seria um corretivo indispensável para a liberdade no domínio da transmissão de notícias. técnica ou de natureza tal que pudessem entravar a livre circulação das informações. Não sòmente êsse como outros recursos continuam a ser usados pelos Estados membros da ONU. Ford in Folha da Manhã — Recife — ed. Assim.236 Quanto à convenção sôbre o livre acesso às fontes de informação. Não se nega. vários convênios foram firmados tendentes a favorecer a circulação internacional de livros. . pois os Estados não poderiam usar. Assim. que prejudiquem as relações amistosas entre os povos ou entre os Estados. restou adotado que “o direito à liberdade de expressão inclui deveres e responsabilidades e pode. condições ou restrições claramente definidas por lei.” Salientou- se.” Acrescentava-se a possibilidade de cada Estado instituir. o govêrno se veria obrigado a disseminar uma informação que considera falsa ou então a não cumprir a convenção. por 25 votos contra 22 e 10 abstenções. em Flushing Meadow. o que era digno de crédito. . em face de sérias objeções levantadas contra a convenção e que podem ser resumidas no voto do delegado norte-americano Charles Sprague: “Em primeiro lugar. entretanto. Essas duas últimas disposições foram debatidas em abril e maio de 1949. econômica. art. . de que. mesmo que não concordasse com os seus termos. um direito de resposta ou um procedimento análogo de retificação e que seriam tomadas providências com vistas a desenvolver a liberdade de informação. sob certos aspectos. a retificação foi afinal adotada pela ONU. Obrigaria o país que recebesse a retificação a transmiti-la à imprensa. sem dúvida publicará a retificação. Seria muito mais útil. de cercear os movimentos do profissio nail da imprensa no interior do país. com respeito aos correspondentes estrangeiros. entre os quais os de negar visto de entrada a Jornalistas. . que a retificação das notícias tenderia a aumentar e ao a diminuir a intervenção governamental nos meios de informação. De outro lado. não foi posto em prática o princípio. e decidiu-se fôssem consideradas num só documento como uma só convenção. facilitar o acesso às fontes de informação. o trabalho intenso da ONU. h) — a difusão sistemática de notícias falsas ou deformadas. de Paul L. além do mais. bolsas de estudo para jornalistas. mas sòmente no que concerne a.realizada no mesmo ano em Genebra. ser submetido a sanções. em conseqüência. contudo. com conhecimento de causa. pois se completavam. Se optar por esta última hipótese poderá originar controvérsias com outro govêrno. através do fornecimento de meios para um melhor conhecimento entre os povos. de censurar as suas correspondêncja ou retardá-las. N. Até hoje. para evitar erros.Y. através da UNESCO e da Sub- Comissão do Conselho Econômico e Social para liberdade de informação e de imprensa. entendemos que esta convenção implica no reconhecimento de um direito ilimitado de iniciar retificações. formação profissional.. no sentido de tornar mais ampla a colaboração internacional. a convenção não determina o modo de fazer com que a publique. diários e periódicos. do Peru. técnicos e especialistas de rádio e televisão. redução de tarifas e facilidades nos correios e telecomunicações. Se o autor da publicação é um órgão rêsponsável. segundo modalidades razoáveis. de fazer exigências especiais de declaração ideológica. fator muito importante para a liberdade dê imprensa. o estatuto levava muito adiante os privilégios concedidos aos jornalistas do que os atualmente em vigor para os diplomatas. do recurso de declará-los indesejáveis. mas sem que estabeleça qualquer meio de determinar se a matéria considerada ofensiva o é na realidade ou se a própria retificação representa uma exposição correta dos fatos. ao comparar as notícias. Sòmente em 1952. se não o é. de 20-1-53.

a propaganda inimiga. — o jornalismo vê abertos os caminhos de uma salutar política de colaboração internacional. porquanto nenhum meio de comunicação do pensamento tem a amplitude e a capacidade de atingir mais fundo e mais permanentemente a tôdas as camadas sociais. transmitida de Argel e de Londres. Essa instituição se destina a estudar cientificamente o desenvolvimento de todos os meios de informação. que os problemas da vida social são hoje internacionais e que ninguém pode considerar sôbre o plano nacional senão problemas locais. mas foi também no rádio que. em dezembro de 1957. A sorte das organizações internacionais positivas depende desta evolução da opinião.problema do papel e. não sòmente na via cerebral mas no sentimento. e ao que saibamos. A “guerra fria” teve no rádio a sua maior arma. a criação da Associação Internacional de Estudos e Investigações da Informação. com troca de experiências e materiais entre os Estados e estímulo de contatos pessoais dos seus espe- cialistas. instalada em Paris. sob a presidência de F. pelo menos. o rádio representou elemento da maior importância no desenvolvime nto das operações militares. marchando a televisão para vir a sê-lo também. os quais mesmo devem ser estudados no plano das instituições internacionais — fazer prevalecer isto efetivamente é um dos primeiros problemas do nosso tempo. televisão e cinema aufiram dos beneficios que às suas atividades e à sua cultura traria uma participação ativa na Associação. Danten Jobim. através das estações de rádio inimigas de Barcelona e Sevilha. nenhuma divulgação. Se as fôlhas impressas conseguiram transpor fronteiras e levar de um povo a outro as idéias filosóficas e políticas correntes. de instantâneo. se concentraram os esforços pacifistas dos que. firmaram e defenderam com vigor e desassombro os postulados humanitários do “apêlo de Estocolmo”. nenhuma providência foi tomada para tornar esse organismo conhecido no país e fazer com que os estudiosos dos problemas de imprensa. na segunda guerra mundial. os diversos Estados e Nações. na massa intelectual sadia uma opinião comum que a oriente para as exigências federalistas e faça prevalecer. travada com feracidade inaudita em terra. Programas de divulgação em diferentes idiomas mantinham a BBC no ar durante dia e noite — e todos os esforços foram feitos pelos nazistas. sob a liderança de Frederico Juliot Curie. da França. . Por isso todos os esforços eram feitos no sentido de iriterceptar emissões radiofônicas: os engenheiros alemães eram extremamente hábeis em localizar e prejudicar. É que essas transmissões e programas eram ouvidos. subrepticiamente. que estão dedicados a uma obra comum que não pode ter êxito senão por uma colaboração de todos os dias. o rádio se tornou um ainda mais potente e universalizado veículo de propaganda. concentrando especialistas e institutos profissionais de cada país-membro. No período do após-guerra. 237Apesar de no Conselho figurar um jornalista brasileiro. Sr. com a participação de 40 delegados de 15 Estados. em todos os países ocupados e despertavam o patriotismo e o instinto de libertação das populaçõs.” Êstes conceitos de J. e poderem ser constituídos comités nacionais da organizaçao. finalmente. Mas êsses caminhos devem ser trilhados com tenacidade e determinação: os jornalistas e os povos amantes da paz não podem esquecer a lição dos fazedores de guerra na sua tarefa em prol da paz: — durante a revolução franquista na Espanha. dedicando especial ênfase à investigação e melhoramento da educação dos Jornalistas. durante o ano crítico da Batalha da Inglaterra. graças ao extraordinário desenvolvimento da técnica. a luta entre republicanos e rebeldes. por meio da coincidência de ondas e outros recursos técnicos. a consciência de que os povos não são senão um. Terrou. para fazer emudecer a potente emissora britânica. não o era menos no éter. rádio. com a difusão do rádio — pondo em comunhão.237 Os Caminhos da Paz — “Formar na massa popular ou. Leclercq aplicam-se rigorosamente ao jornalismo. notadamente da Resistência Francesa. de preferência.

uma responsabilidade maior ao jornalista: — a atenção dedicada a algumas das mais agudas questões da atualidade. da reunificação da Alemanha e de outros povos artificialmente mantidos em diferentes Estados — aí estão a desafiar a inteligência e a sensibilidade do jornalismo brasileiro. o estabelecimento de uma paz duradoura. e. do reconhecimento e garantia às minorias étnicas. colhendo para o Brasil os galardões que lhe cabem como um povo aberto à compreensão e à amizade com tôdas as nações pacíficas e livres. a fim de eliminar da sua produção intelectual as distorções. sem instintos imperialistas e ímpetos expansionistas. Que precisa de adquirir. entendimento. de cuja solução depende. na integração por um batalhão expedicionário da fôrça internacional que assegura a paz ameaçada em Suez — impõem ao nosso jornalismo a continuação de uma tradição honrosa de luta pela construção de um mundo de paz. em visitas mais freqüentes aos países estrangeiros. da fome e das endemias que devastam as populações de imensas regiões subdesenvolvidas do mundo. do desarmamento progressivo. Problemas como o do uso pacífico da energia atômica. Recife. com o estabelecimento de agências e serviços informativos próprios nas principais capitais dos cinco continentes. nas posições assumidas todas as vêzes em que somos chamados a servir de mediadores nos conflitos entre Estados Americanos. ainda há pouco. de integrar-se melhor na fraternidade jornalística mundial. na atuação de Rui Barbosa em Haya e de Osvaldo Aranha na ONU. a fim de poder não sòmente colher informações seguras à base das quais se capacite a colaborar nas tarefas comuns da paz como também de propagar no exterior o pensamento. sob a égide da justiça e da fraternidade universal. Que precisa de deixar de ver o mundo através de lentes alheias. as aspirações. com uma arraigada convicção de igualdade racial e uma larga tolerância religiosa e política. o pregresso conquistado dentro da ordem — o Brasil está em situação privilegiada para defender a propagar. 1953-59. Que precisa. do fortalecimento da ONU e da OEA. finalmente. como reza o lema da sua bandeira. Os sentimentos pacifistas do povo brasileiro. as conclusões precipitadas. responsável e consciente. repelindo insinuações alheias e interessadas. os falsos julgamentos. as necessidades e as possibilidades do nosso país. na demarcação das nossas fronteiras por Rio Branco e confirmados na recusa à participação nos despojos e em justas reparações em duas guerras mundiais. desejando tão sòmente. colaboração e amizade entre todos os povos. Mas impõem. da extinção do colonialismo. Que precisa de reclamar do Govêrno a criação de cargos de adido cultural e de imprensa junto às embaixadas e junto à ONU. os princípios de uma paz duradoura. — afirmados após a nossa vitória sôbre o Paraguai na guerra de López. uma visão mais profunda e uma observação crítica mais segura das experiências e do desenvolvimento das outras nações. também. Sem nenhum dos males de raiz que prejudicam um sadio internacional por parte de outras grande potências no mundo. por um jornalismo livre. da profunda desigualdade econômica entre as nações. da discriminação racial. . que não raro exacerbam os espíritos e criam ambiente propício aos desentendimentos e conflitos internacionais. fundamentada nos princípios da justiça e do direito internacional. da interdição das armas nucleares. sem dúvida.

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