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O Desenvolvimento Brasileiro

Um panorama dos períodos:


1945-1964
X
1964-1988
Universidade Federal Fluminense – UFF

Instituto de Ciências Humanas Filosofia – ICHF

Departamento de Ciência Política

Graduação em Relações Internacionais

Formação Econômica do Brasil

Profª.: Inês Patrício

Alunos: Paulo Henrique Guerra e Thiago Souza da Costa

Dezembro/2008

1. O que é Desenvolvimento

Em meio a um mundo diverso em sua conjuntura internacional e que apresenta muitas exceções, o que
dificulta a constituição de padrões necessários a um projeto de teorização, definir o conceito de
desenvolvimento torna-se uma tarefa tão difícil, quanto a viabilização do mesmo.

Ao longo da História Econômica da Humanidade, vários economistas de destaque buscaram produzir


uma definição satisfatória para o desenvolvimento. Antigamente a mais aceita era a de Kindleberger e
Herrick1, que o teorizavam como sendo apenas um aumento na produção acompanhado por
modificações institucionais. Atualmente a mais aceita é a de Stiglitz 2, considerado um pós-keynesiano3,
que defende o desenvolvimento como um processo de mudanças dos indicadores econômicos e sociais
sob uma ação organizada da complementariedade Estado-Mercado.

Para outros como Schumpeter4, [o desenvolvimento] é entendido como mudanças na vida econômica
que não lhe impostos de fora, por sua iniciativa, é uma mudança que surge de dentro para fora, uma
mudança descontínua do fluxo circular ou na tendência do equilíbrio. Já em A.Senn5, característico por
sua temática social, constitui o processo de criação de condições para a realização da personalidade
humana, considerando pobreza, desemprego, desigualdade e segurança alimentar. Seguindo a linha de
estudiosos que atrelam o desenvolvimento a melhoria das condições de vida da população em geral,
temos Hirschman6, o qual somente atribui a um país o status de desenvolvido, caso haja uma
diminuição dos níveis de pobreza e desigualdades, medidas a partir de indicadores econômicos como
PIB per capita7.

Após esta pequena coletânea observaremos neste ensaio como se deu o processo desenvolvimentista no
período 1945-1980, no qual predominava a política fiscal à monetária, com ênfase no Plano de Metas
de Juscelino Kubitschek, no Milagre Brasileiro (1968-1973) e no II PND (Plano Nacional de
Desenvolvimento), além de menções a outros planos adjacentes como efeito de contextualização e
construção do conhecimento.

Período de 1945-1964

2. Governo Dutra e o PLANO SALTE

Após a deposição de Vargas em 29 de outubro de 1945, que concluiu o longo período de autoritarismo
do Estado Novo8, ascendeu em 2 de dezembro de 1945, Eurico Gaspar Dutra, pelo Partido Social
Democrata9 com o apoio do ditador deposto. A partir deste momento, o Brasil viveu um período
democrático vigente até a subida dos militares ao poder com o início da ditadura em 1964.O General
Dutra, o incolor mas respeitável candidato dos “de dentro”10, parecia prometer uma continuação do
sistema de Vargas, sem as características totalitárias.

A história econômica da presidência de Dutra pode ser dividida em duas fases 1946-1947 e 1947-1950.
O primeiro período é caracterizado por um retorno aos princípios do liberalismo econômico, sendo
logo abalado pelo rápido esgotamento das reservas brasileiras de divisas e pelo déficit no balanço de
pagamentos em 1947. Já o segundo período é marcado pela reintrodução de controles cambiais, com o
aceleramento da industrialização não-intencional e uma inclinação para formas rudimentares de
planejamento geral dos gastos federais.

Durante o seu primeiro momento (1946-1947), a resposta do novo governo à inflação oriunda dos
racionamentos do período de guerra, foi abrir o país à importação de bens manufaturados no exterior,
combinada com a política de taxa de câmbio flutuante e de liberalização dos movimentos de capital.
Tais atitudes culminaram no esgotamento da divisas obtidas durante a Segunda Grande Guerra (1939-
1945). Para evitar maiores transtornos, o governo Dutra possuía apenas duas saídas: a desvalorização
ou o controle de câmbio.

Em junho de 1947, o governo então introduziu um conjunto de controles cambiais que estabeleceu um
drástico sistema de importação, ao mesmo tempo que mantinha a alta valorização da moeda brasileira.
A manutenção de um alto valor oficial do cruzeiro agia como desestímulo do setor de exportação,
desviando assim os investimentos para a produção destinada ao mercado interno. O surto resultante do
desenvolvimento econômico do Brasil, da mesma forma que a substituição de importações na década
de 30, foi chamado de fase da industrialização não-intencional.

Os anos que se seguiram a 1947 também viram o começo de uma mudança na atitude do governo Dutra
diante da necessidade de coordenar os seus gastos públicos, o que culminou no Plano SALTE, sigla que
identificava os objetivos do plano: saúde, alimentação, transporte e energia. Contudo, os mais
sacrificados na política de combate à inflação foram os trabalhadores, (o que, aliás, é um ponto
reincidente na história econômica brasileira) pois reduziu-se à metade o poder aquisitivo do salário
mínimo.

Funcionando durante um ano apenas, o plano SALTE entrou em dificuldades financeiras e acabou
sendo abandonado em 1951. O fracasso do programa SALTE, que abrangia apenas investimentos
públicos, foi o máximo que o governo Dutra conseguiu para se aproximar de um planejamento em
escala nacional. O planejamento em escala regional, contudo, estava no contexto da Constituição de
1946 e previa projetos para desenvolver os vales dos rios São Francisco e Amazonas e um outro para
combater a seca do Nordeste. A Comissão do Vale do São Francisco , ou CVSF, e a Superintendência
do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, ou SPVEA foram criadas em 1948. Nenhuma das
duas iria se mostrar um agente particularmente efetivo de desenvolvimento econômico, repetindo-se na
microescala o fracasso federal.

Em 1948, o Brasil e os Estados Unidos acordaram em instalar uma Comissão Técnica Mista, a Missão
Abbink, destinada à retomada da cooperação econômica estabelecida pela Missão Cooke, que o
Presidente Roosevelt havia enviado durante a Segunda Guerra Mundial. A comissão recebeu poderes
para analisar os fatores que poderiam estar dificultando ou retardando o desenvolvimento brasileiro. A
delegação americana era chefiada por John Abbink e a brasileira por Otávio Gouveia de Bulhões. O
relatório indicava, em meio a tendências ortodoxas e neoliberais, a necessidade de um desenvolvimento
equilibrado dos recursos brasileiros, através da iniciativa privada. A comissão via a necessidade de
medidas para reestruturar o mercado interno brasileiro, ao mesmo tempo em que sinalizava as
deficiências nas áreas do transporte e da energia, e reconhecia que estas áreas de estrangulamentos
requeriam vigorosa ação estatal.

3. II Governo Vargas

Vargas após misturar discrição, magnanimidade e tato político, gradualmente conseguiu ir mudando a
sua imagem de Vargas ditador para a de um Vargas democrata, conseguindo retornar ao poder em 1951
pela coligação PTB- PSP11. Neste período advogava uma aceleração na industrialização - uma política
do tipo que seria mais tarde rotulada como “desenvolvimentismo”. Ao mesmo tempo, reclamava para si
o mérito de haver iniciado o impulso de industrialização no Brasil. Mas não seria fácil assim. Um das
classes em decadência: comerciantes de exportação e importações eram contra a industrialização, uma
vez que essa prejudicava seus negócios como intermediários para as fontes externas de abastecimento.

Em seus esforços para acelerar o crescimento econômico, Vargas se defrontou com um problema
fundamental: qual estratégia adotar? O país apresentava necessidades que foram claramente apontadas
em um estudo publicado pela Comissão Econômica para América latina (CEPAL)12, apenas alguns
meses depois da posse de Vargas. Como sublinhava o referido relatório, a capacidade brasileira para
importar criava uma forte restrição e impunha a necessidade instaurar severas prioridades no
estabelecimento das diretrizes econômicas. As forças espontâneas eram inadequadas em si mesmas
para superar as barreiras institucionais e estruturais, que agora limitavam o crescimento da economia.
Faltava ao Brasil, uma classe empresarial dinâmica, que pudesse liderar um impulso destinado a
industrialização.

O fim da era Dutra e o início da era Vargas foi marcado pelo debate vigoroso entre três correntes que
divergiam quanto as estratégias para o desenvolvimento: os neoliberais, os desenvolvimentistas-
nacionalistas e os nacionalistas radicais. A fórmula neoliberal baseava-se na suposição de que o
mecanismo de preços deveria ser respeitado como a determinante principal da economia. As medidas
fiscais e monetárias, bem como o comércio exterior deveriam seguir os princípios ortodoxos
estabelecidos pelos teóricos e defensores da política de banco central dos países industrializados. Já os
desenvolvimentistas-nacionalistas visavam a uma economia mista. O setor privado receberia novos
incentivos, na proporção de um determinado número e prioridades de investimento. Ao mesmo tempo,
o Estado interviria mais diretamente buscando romper os pontos de estrangulamento e assegurar o
investimento nestas áreas. Os nacionalistas radicais defendiam a existência de uma conspiração entre o
setor privado sediado no Brasil e os países centrais a fim de manter o Brasil em um estágio de
subdesenvolvimento, perpetuando-o como um país agro-exportador. Vargas optou por adotar uma
postura desenvolvimentista-nacionalista, defendido pelo PSD, com alguns surtos de nacionalismo
radical.

Um dos problemas era a necessidade de imaginar e executar uma estratégia de investimentos para
superar os pontos de estrangulamento estruturais, atrasos setoriais,desequilíbrios regionais e superar o
déficit no balanço de pagamentos, além da taxa de inflação que apresentara-se elevada no início e no
final de seu governo. Com tantos problemas Vargas viu a necessidade de estabilização antes de voltar-
se ao desenvolvimento propriamente dito. Por isso resolveu dedicar os dois primeiros anos de seu
governo à resolução de problemas mais imediatos, adotando uma política mista voltada a resolver o
problema com o balanço de pagamentos em âmbito internacional e a inflação, de modo a também
promover uma melhoria nas tensões sociais, assim como criar condições para um futuro
desenvolvimento em âmbito interno.

Proveniente de um acordo entre os dois países, a Comissão Brasil-Estados Unidos, instalada por aqui
em dezembro de 1950, estabeleceu os tais gargalos do crescimento nacional a serem trabalhados pelo
governo Vargas: transporte e energia. Com isso, foi criado o BNDE (Banco Nacional de
Desenvolvimento) voltado a fornecer recursos ao suprimento das deficiências infra-estruturais que
impediam o desenvolvimento econômico brasileiro. Em 1953, Vargas adotou uma nova medida que
levava a uma política cambial mais flexível (Instruções 48 e 70 da SUMOC13 de 1953). Essa
modificação que ajudou a restaurar as exportações brasileiras em nível competitivo no exterior serviu
como um instrumento para canalizar as importações para setores considerados essenciais para o
desenvolvimento econômico de base e demonstrar ao mundo que o Brasil estava preparado para manter
uma política de equilíbrio financeiro com o mundo exterior.

3. Juscelino Kubitschek

Depois de aplicar medidas como o aumento de 100% (cem porcento) nos salários mínimos e o limite de
10% (dez por cento) para as remessas de lucros ( a lei de Lucros Extraordinários), Getúlio suicidou-se,
como resultado das pressões feitas por uma oposição vencida após a criação da Petrobrás (1953) 14 ,
sendo substituído por seu vice, Café Filho em 1954, que governou com diretrizes mais conservadoras.
Mas como o objetivo deste trabalho é discutir o desenvolvimento no dado período apresentado na
introdução, o governo de Juscelino Kubitschek é mais relevante neste âmbito.

Após a sua ascensão a partir de uma coligação PTB-PSD, JK assumiu as rédeas do desenvolvimento no
Brasil, que para ele seria resultado da articulação entre setor internacional, o Estado e o capital privado
nacional, cada um deles desempenhando um papel no processo de desenvolvimento brasileiro, tendo o
Estado o maior entre eles. A inserção tardia do Brasil no processo de industrialização, além da não
existência de uma burguesia forte que investisse em novas áreas da indústria, e também do setor de
serviços, impossibilitaram o Estado de custear sozinho todo projeto de crescimento.

JK acompanhava o cenário político internacional ao mesmo tempo em que tentava conciliar as pressões
dos grupos tanto econômicos quanto políticos nacionais e internacionais, mas não negociava quanto à
construção de Brasília e nem quanto ao objetivo desenvolvimentista, suas prioridades.

As manobras do presidente foram possíveis na medida em que ele se utilizava da legitimidade, do uso
da ideologia desenvolvimentista, e era um bom articulador. Entretanto, os quadros técnicos e as
agências já existentes em meados dos anos 1950 não pareciam suficientes para o ritmo de trabalho e o
nível técnico pretendidos por JK. Em seu primeiro dia de governo, O Conselho de Desenvolvimento
lança o Plano de Metas (1° de janeiro de 1956), uma conjunto de políticas que visavam desenvolver os
setores de energia, transporte, alimentação, indústria de base, educação e também construir a nova
capital do país: Brasília. Porém, como já mencionado, o Estado sozinho não era capaz de custear tudo
isto. Seriam necessários então capital e investimentos externos.

No período de junho 1958 a 1961, mesmo com a inflação, o descontentamento evidenciado pelas
greves e do desequilíbrio das contas externas, JK manteve sua determinação de completar suas metas,
inclusive a transferência da capital do Rio de Janeiro para Brasília. Neste momento ficou evidente que
era impossível conciliar o crescimento e a estabilidade monetária. JK começou a centralizar as decisões
econômicas. Quando Brasília foi inaugurada, o Congresso foi transferido, mas a SUMOC, o BNDE
permaneceram no RJ, mostrando a separação entre o Congresso e as áreas de política cambial e de
planejamento.

4. PLANO DE METAS

O Plano de Metas constitui a mais sólida decisão consciente em prol da industrialização na história
econômica do país. O plano conferia prioridade absoluta à construção dos estágios superiores da
pirâmide industrial verticalmente integrada e do capital social básico de apoio a esta estrutura. Daria
continuidade ao processo de substituição de importações que se vinha desenrolando nos dois últimos
decênios. Por outro lado, não dedicava atenções à transformação estrutural do setor agropecuário. O
plano apenas marginalmente se referia ao setor, através de modesta meta de armazenagem, meta de
produção tritícola, cuja motivação residia no problema geral do setor externo, e meta de mecanização
agrícola, com participação apenas simbólica no conjunto de objetivos. Tampouco se preocupava com o
problema da má distribuição da renda.

Em termos mais sumários, o Plano postulava investimentos diretos do governo no setor de energia-
transporte e em algumas atividades industriais básicas, notadamente siderurgia e refino de petróleo –
para as quais o ânimo empresarial havia se revelado insuficiente – bem como favores e estímulos
ampliados à expansão e diversificação do setor secundário, produtor de equipamentos e insumos com
funções de produção de alta intensidade de capital.

A sua necessidade é proveniente da percepção de que a industrialização não poderia prosseguir em uma
nova etapa com a presença dos pontos de estrangulamentos já existente no quadro brasileiro e que
foram paralelos a outras fases de desenvolvimento. No período de adoção do Plano (em 1956), o Brasil
apresentava um quadro de desequilíbrios impressionante: o estancamento do setor externo, o novo ciclo
expansivo da produção interna de café e a presença de vultuosos desequilíbrios fiscais.
Uma curiosidade deste Plano é que ele não elaborou um projeto de financiamento anterior a sua
execução, procurando sua solução ao longo da execução do programa. Carlos Lessa15 considera este
ponto como sendo a causa do setor privado não ter rejeitado o projeto. Ele acredita que a simples
formulação de um esquema de financiamento poderia produzir resistências por parte desta área.

4.1 O plano mostrando resultados

Para a energia, foi dimensionada a meta de ampliação da capacidade instalada de energia elétrica e
correspondentes sistemas de distribuição, para 5 000 000 kw em 1960, bem como início das obras que
elevassem em mais de 60% a capacidade em 1965. Tais objetivos foram praticamente alcançados, não
se configurando oferta deficiente de energia ao longo do programa. No âmbito do setor de transportes,
procurava intensificar o processo de transformação da anterior estrutura de transporte, herdada da fase
primário-exportadora. Somente as metas ferroviárias não foram alcançadas devido a problemas com
financiamento. Contudo, a dieselização e a melhoria das condições de tráfego fizeram com que se
ampliasse de 21,7% o volume de carga transportada e de 19,0% o número de passageiros no período
1955/60 enquanto a extensão da rede crescia de apenas 3,2%. O setor rodoviário cresceu
vertiginosamente em extensão e qualidade, principalmente no que diz respeito às rodovias federais e
estaduais.

O segundo grupo de metas, relativo ao setor de bens intermediários, englobava tanto a expansão de
atividades já existentes no país como a instalação de novos e importantes segmentos para integração do
parque industrial. Em relação às primeiras cabe maior destaque à siderurgia e à indústria de cimento,
embora bem menos a esta que àquela. O objetivo não era propriamente a auto-suficiência, mas sim
garantir o suprimento necessário para fazer frente ao crescimento da economia, sem onerar o balanço
de pagamentos.

Os demais setores produtores de insumos, contemplados pelo Plano, foram os de metais não-ferrosos,
álcalis, celulose e papel de imprensa, borracha e fertilizantes. Já o conjunto de metas relativas à
produção de bens de capital abrangia as indústrias automobilísticas, de construção naval, mecânica e de
material elétrico pesado.

Quanto a construção de Brasília, a transferência da capital para o coração do Brasil, representou a


materialização de um desejo estratégico do Governo, assim um incentivo a maior urbanização da região
centro-oeste, apesar da grande magnitude dos recursos comprometidos e de seus aspectos de promoção
política.

Investimentos requeridos pelo Plano de Metas

1957/1961
Período de 1964-1984

5. Os militares e seu plano de ação imediata

Entre o fim do período Kubitschek e o golpe de Estado de 1964 o Brasil viveu um momento de
turbulência tanto econômica quanto política. A crise econômica estava relacionada ao recrudescimento
do potencial empregatício das pequenas e médias empresas, fato ocorrido também na agricultura e em
setores voltados para a exportação. Ademais, ela se calcava na espiral inflacionária que se manifestava
cada vez mais intensamente, lembrando-se ainda da influência da saída de capitais externos a partir de
1961. No campo político é válido mencionar a renúncia do conturbado presidente Jânio Quadros e a
difícil gestão do Goulart, o qual sofria extremos preconceitos ideológicos.

O infeliz conúbio entre a drástica situação econômica e a instabilidade política acarretou no golpe
militar de 1964. O regime autocrático que se estabeleceu no poder, liderado por Castelo Branco,
rapidamente fez sua a opção capitalista para a contenção da crise econômica. Em outras palavras, os
militares aplicaram um programa antiinflacionário de fundo monetarista, com o sacrifício transitório do
nível de emprego, auxiliado, por sua vez, por reformas institucionais, sobretudo no que tange a
desordem tributária, as deficiências do mercado financeiro e as limitações ao comércio exterior. À
reunião dos programas e medidas reformistas postuladas após a ascensão dos militares ao poder deu-se
o nome de Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG).

Em relação às medidas de cunho antiinflacionário é preciso notar que elas foram argumentadas em
termos ortodoxos, ou seja, elas focalizaram suas preocupações no excesso da demanda. Então, a
inflação do início da década de 1960 estava diretamente vinculada, segundo o governo, à expansão
excessiva da base monetária do país.

Sendo assim, uma vez definindo a inflação como moeda em excesso algumas das soluções óbvias para
ela seriam políticas monetária e creditícia restritivas, de forma que enxugassem o excesso de moeda e,
conseqüentemente, de demanda.

No âmbito do Plano foi empreendida, então, uma política fiscal restritiva. A redução das despesas do
governo, evidenciada pela queda gradual do déficit estatal em relação ao PIB, teve repercussões em
vários setores industriais e comerciais, sendo que a construção civil foi afetada brutalmente devido à
não inversão estatal principalmente no que concerne o transporte: estradas, pontes e viadutos. Através
do corte das suas próprias despesas o governo cooperou para o corte da demanda interna agregada.

Além disso, outra modificação crucial para o controle inflacionário foi a relacionada às fontes dos
investimentos governamentais. O PAEG estabeleceu que esses tipos de inversões deveriam ser
financiados não mais pela emissão de moeda e, sim, pela ampliação da arrecadação de impostos, tanto
diretos quanto indiretos, e ainda pela venda de títulos da dívida pública. Um corolário dessa política foi
a reforma tributária e o surgimento de poupanças compulsórias aos assalariados, como o Fundo de
Garantia por Tempo de Serviço, o PIS e o PASEP.

A política monetária do Plano foi bem mais errática que a fiscal. A expansão dos meios de pagamentos
manteve-se estável em comparação aos anos anteriores da década, tendo ela acompanhado intimamente
a evolução geral dos preços até 1966, quando finalmente se inicia um maior arrocho na emissão de
moeda. Além disso, se bem que os juros tenham aumentado, a retração do crédito ao setor privado não
se materializou contundentemente devido à ação do Banco do Brasil, o qual expandiu seus
empréstimos à esse setor.

No entanto, o crédito disponível no interior do país para as pequenas e médias empresas não foi
suficiente para conter a falência delas frente às grandes empresas multinacionais e até mesmo as de
capital brasileiro, as quais obtiveram incentivos para a captação de recursos financeiros no exterior.
Sendo assim, a onda de falências e concordatas que acometeu as empresas menores foi uma
determinante do aumento do desemprego no período em questão.

Sem embargo, foi na folha de pagamentos que a retração da base monetária surtiu maior efeito. A partir
do segundo trimestre de 1965, quando entra em funcionamento a fórmula salarial do PAEG, o salário
mínimo real sofreu decréscimos consideráveis por cerca de uma década. Defrontados com a total
concentração do poder político no Executivo e ainda com o minguar das pequenas e médias empresas
nacionais, leia-se dos empregos, os trabalhadores são forçados a aceitar passivamente os brutais cortes
no salário real.

A contenção da desordem institucional, por sua vez, teve início exatamente no campo tributário com o
estabelecimento do mecanismo de correção monetária. Esse sistema viabilizou a reforma completa e
racionalização do sistema tributário e, em particular, do imposto de renda, além de proporcionar a
coordenação dos sistemas tributários da União, dos estados e dos municípios.

A reformulação institucional do sistema financeiro começou pela criação do Banco Central tendo sido
complementada pela criação de fundos parafiscais que funcionavam como agentes captadores de
poupanças privadas, como os supracitados FGTS, PIS e PASEP. Teve grande importância a lei 4.728
de 1965, a qual promoveu a reestruturação da arquitetura financeira nacional. O sistema financeiro
moderno então instalado, associado à correção monetária que passou a incidir sobre os contratos e
títulos financeiros, permitiu a captação de poupança privada voluntária e sua canalização para o
financiamento tanto do Tesouro quanto do investimento privado.

Em relação ao setor de exportação foram adotadas medidas simples, mas de grande impacto, tais como:
simplificação e unificação do sistema cambial; modernização das agências do setor público ligadas ao
comércio exterior e, por fim, a integração ainda maior do país com o sistema financeiro internacional
como fonte de acesso a crédito de médio e longo prazo.
O balanço final do Plano de Ação Econômica do Governo consiste na evolução da internalização das
condições básicas para a acumulação capitalista, com maior ênfase nessa etapa para o desenvolvimento
do potencial financeiro interno, fundamental ao crescimento econômico nacional calcado em capitais
também nacionais.

Enfim, segundo André Lara Resende, essas“bem estruturadas e modernizantes reformas fixaram as
bases do período de rápido crescimento econômico que se iniciou em 1968.”

6. O “milagre econômico” brasileiro

A escalada das taxas de crescimento anual verificadas no Brasil ao longo dos anos 1968 e 1973 foi de
tal ordem que “qualquer série de tempo que se examine [...] mostra que 1968 foi o ano em que se deu
a inflexão para cima.” 16 Com efeito, a partir desse ano a estabilidade de preços permitiu ao governo o
dispêndio maciço de esforços e recursos na aceleração do crescimento.

O governo antidemocrático dos militares estimulou a industrialização, sobretudo através da facilitação


do crédito, o que só foi possível pelas reformas promovidas pelo PAEG, notadamente no que tange os
fundos parafiscais de poupança compulsória, como o PIS e o PASEP. Com isso, vale ressaltar que a
construção civil já em 1967 recebeu abundantes créditos estatais através do Banco Nacional da
Habitação, o que surtiu efeito no ano seguinte, quando o produto desse setor se ampliou na faixa de
23% em relação ao momento predecessor.

Este foi o marco simbólico do início do boom, que logo depois envolveu a indústria automobilística e
outros ramos produtores de bens de consumo duráveis. No caso desses últimos bens, os elaborados
sistemas financeiros agora contemplados pela correção monetária eram responsáveis pela manutenção
das suas vendas.

A explosão da demanda vinculada ao incentivo estatal tanto ao consumo (evidente no caso da habitação
com a atuação do BNH em meio à classe média) quanto ao investimento não encontraram entretanto
resistência inflacionária imediata dada a ociosidade dos meios de produção herdada ao longo da década
de 1960.

Um ponto interessante do “milagre econômico” brasileiro tem a ver com a concentração de renda e
seus reflexos no dinamismo econômico. A contração do salário mínimo real ocasionada pela fórmula
de reajuste salarial anual introduzida no país em 1964 foi a causa primordial da transferência de renda
dos mais pobres para os mais ricos. Apesar de esses termos serem demasiadamente genéricos, a classe
média tinha os seus salários reajustados acima da inflação em detrimento da população das classes
sociais mais inferiores, as quais viam seus rendimentos reais minguarem não só pelo fato mesmo de
serem escassos, mas também pela enorme carga de impostos que incidia sobre eles. Logo, foi a
produção de bens de consumo duráveis a que mais se expandiu nesse período privilegiando as
necessidades de uma elite relativamente reduzida.

Em todo caso, a política econômica dos golpistas militares obteve sucesso em termos estatísticos: nesse
período que abrange cerca de metade de uma década o PIB brasileiro cresceu a uma taxa média acima
dos 10% ao ano, enquanto a inflação oscilou entre 15 e 20%.

No entanto, esse período que se seguiu à recessão econômica ocorrida entre 1962/67, apesar de ter sido
caracterizado por estruturas capitalistas mais rígidas e, sobretudo por um arcabouço financeiro mais
estável e, por conseguinte, mais confiável, não passou de uma etérea recuperação econômica. Por que,
afinal, numa conjuntura interna e externa tão confortável o Brasil foi incapaz de manter o seu
crescimento econômico rumo ao desenvolvimento propriamente dito?

Uma explicação reside no elemento econômico externo ao país. Se por um lado a aceleração da
inserção do país na economia internacional através do GATT foi vantajosa na medida em que
aumentou as exportações brasileiras de bens de consumo não duráveis – calçados, café, suco de laranja
-, por outro, ela ressuscitou a teoria das vantagens comparativas ricardianas, tão defasada
historicamente e que determinou a condenação e o congelamento do processo de substituição de
importações.

Em outras palavras, o que se pode chamar de a globalização do Brasil teve duas vertentes
fundamentais, sendo uma benéfica e outra nem tanto, a saber, respectivamente: ampliação das
exportações de bens de consumo não duráveis em relação ao aumento da produção dos mesmos, além
de grande influxo de capitais de multinacionais que buscavam no país mão-de-obra em grande volume
e com baixa qualificação; facilitação da importação de bens de produção, estagnando a substituição de
importações num ponto tão crucial e acarretando aumento da dependência tanto financeira quanto
tecnológica do exterior.

Sobre esse assunto, Singer sucintamente afirma que “[é] claro que enquanto uma parcela
qualitativamente essencial das inversões depender de importações, o ritmo de crescimento da
economia será uma função das vicissitudes da economia internacional, cujas perspectivas [em 1977],
aliás, não [eram] das mais alvissareiras.” 17

Outra explicação para o fato de o “milagre” ser considerado como uma recuperação incapaz de manter
a níveis estáveis o crescimento econômico em longo prazo tem a ver com a taxa de investimento e suas
oscilações. Houve, sem dúvida, uma elevação da taxa de inversão do Brasil, partindo de 15% em 1967
para 17% em 1969 e chegando, por fim, a 22,8% em 1973. No entanto, esses dados oficiais
escamoteiam a taxa líquida de inversão, a qual mostrou-se insuficiente para sustentar um crescimento
médio anual de 10% ao ano.

Segundo Paul Singer, “[p]ara que a capacidade crescesse pelo menos o mesmo ritmo que a produção,
a taxa líquida de inversão teria que ter sido de 20% e a bruta de trinta por cento.” Torna-se patente,
então, que no futuro próximo a capacidade produtiva nacional estaria esgotada, o que de fato ocorreu a
partir de 1973.

Sendo assim, a partir do ano do primeiro choque do preço do petróleo no mercado internacional, o
desenvolvimento das forças produtivas começou a se chocar com uma série de barreiras “físicas”: o
sistema de transporte passou a não dar mais vazão a volumes acrescidos de mercadorias; numerosas
matérias-primas e insumos acabados passaram a escassear tanto no mercado interno quanto no externo;
outros serviços, como o dos telefones, começaram a vergar sob o peso de uma demanda excessiva.18
Iniciou-se, ademais, um processo de inflação, sendo ela causada pelo desequilíbrio entre o crescente
impulso para a acumulação e as limitadas disponibilidades reais para fazê-lo, ou seja, agora era a oferta
a causa principal da inflação.

Enfim, a manutenção das exorbitantes taxas de crescimento econômico brasileiro foi inviabilizada pela
conjunção entre a diminuta inversão agregada de capital no país e a dependência tecnológica externa.
Com isso, menos por potencial que por necessidade, o Brasil forçosamente abandonou o seu desejo
ufanista de se tornar uma potência.
II Programa Nacional de Desenvolvimento

Ao produzir-se o choque petroleiro de 1973, a economia brasileira se encontrava em posição


particularmente vulnerável. O sistema industrial operava a plena utilização de sua capacidade num
momento em que se passava de uma fase de persistente melhora dos termos do intercâmbio externo (+
20 por cento entre 1967 e 1973) para outro de brusca degradação. A pressão sobre a balança de
pagamentos seria então inevitável.

Além disso, ainda que o sistema financeiro nacional houvesse tido um aumento da sua atuação no
fomento ao desenvolvimento, o período do “milagre” foi de tão grande facilidade internacional –
prosperidade nos países industriais principais importadores do Brasil e possibilidade de endividamento
externo, facilitado juridicamente pelo Estado, em condições extremamente favoráveis – que não é
difícil imaginar a força que o capital internacional desempenhava no país no início da década de 1970.
Vale ressaltar como exemplo a dependência tecnológica brasileira citada anteriormente.

Logo, a crise internacional derivada da política adotada pela Organização dos Países Exportadores de
Petróleo teve uma significativa repercussão no cenário financeiro nacional. Houve repatriamento de
divisas e mesmo de capitais por parte de multinacionais, a deterioração dos termos de troca e a
elevação dos juros internacionais com supressão do crédito externo.

A conjuntura do fim do “milagre” era de atenuado contraste com a do início dele. Entre 1973 e 74 a
deterioração dos termos de troca foi da ordem de 21 por cento, o que equivalia a um retorno à situação
de 1967, enquanto nesse mesmo período, em resposta ao impulso expansionista governamental, as
importações ampliaram a 33,5% em volume físico, contrapondo-se, por sua vez, ao declínio de 1,5% do
volume de exportações. Ou seja, o endividamento externo era agora um imperativo e era considerado
por muitos como benéfico, uma vez que a crise foi considerada como efêmera.

No entanto, esse esforço para suprir a demanda interna por bens de capital de modo a evitar um colapso
inflacionário mostrou-se mal planejado e equivocado. A dívida externa elevou-se a galope (somente
entre 1974 e 1978 o serviço da dívida passou de 3,4 para 10 bilhões de dólares) e quando no horizonte
ficou evidente a infeliz situação econômica global fez-se necessário mais um plano de atuação do
governo.

Surgiu, então, em 1974 o II Plano Nacional de Desenvolvimento, o qual regeria a atuação estatal entre
1974 e 1979. Como o trabalho de reconstrução do sistema produtivo passava todo ele pela necessidade
de elevar a capacidade de autofinanciamento do projeto desenvolvimentista as estratégias desse plano
foram pautadas sobre este ponto, dentre as quais destacam-se: a) ampliar a base do sistema industrial e
b) aumentar o grau de inserção da economia no sistema de divisão internacional do trabalho.

Havia um elevado grau de simbiose entre os objetivos do II PND, uma vez que a abertura do mercado
externo deveria apoiar-se principalmente na reconstrução do sistema industrial e esta deveria buscar a
linha das economias de escala mediante o acesso a mercados externos. Tinha-se em vista aumentar
consideravelmente a produção de minério de ferro, de bauxita, de aço, de alumínio, de celulose e papel,
da petroquímica, enfim, todas as atividades que apresentavam a dupla vocação de reforçar a base do
sistema industrial e de criar excedentes exportáveis.

Competia também a esse plano a missão de recuperar o atraso na produção de equipamentos, a qual
tinha também o duplo objetivo de fortalecer o potencial autotransformador da economia e de reduzir o
fluxo de importações.
Os resultados dessa política foram bem moderados. Por um lado, entre 1974 e 1979 houve uma
melhora nos termos de troca e uma ampliação significativa no quantum das exportações, o que
aumentou o poder de compra do país no exterior em cerca de 30%. Por outro, a dívida externa salta, de
1973 a 78, de 12,5 bilhões de dólares para 43,5 bilhões.

Ora, esses dados quando postos no quadro geral do período não são de todo contraditórios. A produção
industrial se ampliou, assim como foi ampliado o comércio internacional nesse período, tendo sido, no
entanto, fundamentada pelo endividamento externo, uma vez que não houve qualquer política oficial de
incentivo ao esforço de poupança.

Em suma, é de grande valor destacar que o exacerbado endividamento externo verificado na segunda
metade da década de 1970 foi subproduto de uma política antiinflacionária que pretendeu solucionar o
impasse estrutural causador do aumento geral dos preços. O impasse estrutural aqui destacado é a
dependência externa em relação aos bens de capital e de tecnologia em geral.

Outros dados interessantes desse período são: a redução da taxa de crescimento anual do PIB em cerca
de um terço ao longo desse período; estabilização da taxa de investimentos e, finalmente, a redução da
relação produto-capital.

7. Referências Bibliográficas

SKIDMORE, Thomas. Brasil: De Getúlio a Castelo. Rio de Janeiro. Paz e Terra.1982

LESSA, Carlos. 15 anos de Política Econômica. São Paulo. Editora Brasiliense. 1981

CASTRO GOMES, Angela de Castro. O Brasil de JK. Rio de Janeiro. Editora da FGV.

Texto: P. LEOPOLDI, Maria Antonieta. Crescendo em meio à incerteza: a política econômica do


governo JK (1956-60).

www.wikipedia.org – acessado em 18/12/2008.

1 Charles P. Kindleberger' (1910- 2003) foi um historiador econômico americano. Myron Timothy Herrick (1854 - 1929)
foi um político republicano estadunidense

2 Joseph E. Stiglitz (1943-) é um economista estadunidense.

3Segue a linha de raciocínio de Keynes, que aliava o desenvolvimento ao aumento na produção acompanhado das ações de
um estado organizado.

4 Joseph Alois Schumpeter (Triesch, 8 de Fevereiro de 1883 — Taconic, 8 de Janeiro de 1950) foi um dos mais importantes
economistas do século XX.

5Referências não encontradas.

6 Albert Hirschman é um dos gigantes da economia política.

7É o Produto Interno Bruto dividido pelo número de habitantes.


8Período Ditatorial presidido por Getúlio Vargas, que durou de 1937a 1945.

9 O Partido Social Democrático (PSD) foi um partido político brasileiro, fundado em 17 de julho de 1945

10 Definição de Thomas Skidmore. Representa a parcela da sociedade que apoiava a Getúlio Varga.
Eram estes: partidários do PSD e do PTB ( Partido do Trabalhadores)

11 Partido Social-Progressista de Ademar de Barros.

12 A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) foi criada em 1948 pelo Conselho Econômico e
Social das Nações Unidas com o objetivo de incentivar a cooperação econômica entre os seus membros

13 Superintendência da Moeda e do Crédito. Foi a autoridade monetária antes da criação do Banco


Central, juntamente com o Banco do Brasil (BB) e o Tesouro Nacional.

14 Empresa petrolífera de capital misto. No período de sua criação incitou discussão entre os adeptos
de Getúlio, que desejavam a nacionalização da exploração de petróleo e a oposição (chamada
entreguista), que defendia a entrega do processo à exploração de grupos internacionais. O nacionalistas
saíram vencedores desta luta.

15 Antônio Carlos Lessa é professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) desde 1997.

16 SINGER, Paul – A Crise do “Milagre”, p. 112.

17 SINGER, Paul – A Crise do “Milagre”, p. 119.

18 SINGER, Paul – A Crise do “Milagre”, p. 117.