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Breve visão sobre o microcrédito adaptado à realidade brasileira

Em muitos países em desenvolvimento verifica-se que os incentivos


governamentais voltados à “otimização” de economias em comunidades de
baixa renda são ineficientes ou inexistentes. Por este motivo, em muitas destas
pequenas comunidades utilizam-se sistemas de microcrédito como uma
espécie de alternativa frente à negligência estatal.

No Brasil, especificamente, programas de incentivo de crédito só começaram a


se popularizar na última década e, a partir de 2003, o Conselho Monetário
Nacional obteve competência para organizar tais iniciativas, incluindo
aplicações de bancos, cooperativas de crédito e empresas. Até mesmo o
SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa) tem
promovido programas de microcrédito, numa iniciativa que busca não somente
promover a implementação do sistema, como também conferir-lhe
credibilidade. [1]

Não foi fácil, porém, chegar a esse resultado. O Banco Central detém o
monopólio sobre a emissão de moeda no país, assim evitando o surgimento de
processos inflacionários decorrentes de superemissão de verbas no mercado.
Dessa forma, bancos populares foram processados, o que não evitou que a
decisão final fosse tomada: o Banco Central assinou parceria com o Ministério
do Trabalho e as moedas sociais finalmente passaram a ser legalizadas, desde
que utilizadas como moedas complementares, assim como bilhetes de
transporte coletivo e vale-alimentação, tenham lastro em Reais e sejam
conversíveis. [2]

Com a regularização, governos estaduais e municipais de todo o país


também passaram a apoiar e incentivar a utilização de programas de
microcrédito. As vantagens são notáveis em vários níveis: a população engaja-
se com o objetivo de aumentar a circulação de recursos dentro de sua própria
comunidade, obtém maior eficiência e disponibilidade de produtos e serviços e,
conseqüentemente, beneficia-se tanto por assim conseguir um melhor padrão
de vida quanto ao integrar-se à realidade econômica de sua região. Órgãos
públicos, por isso, “tomaram as rédeas” destes projetos de geração e ocupação
de renda. Como exemplos, podemos citar como iniciativas governamentais o
Banco do Povo Paulista, do Governo do Estado de São Paulo; Banco do Povo
Goiás, do Governo do Estado de Goiás; Banco do Povo de Juiz de Fora, da
Prefeitura de Juiz de Fora; e o Creditrabalho, do Governo no Distrito Federal.
[3]

Iniciativas não-governamentais são ainda mais numerosas: estima-se


que mais de 40 moedas circulem no Brasil através de bancos populares. [3]
Sampaios, emitidos pelo Banco Comunitário União Sampaio, há
aproximadamente um ano aumentam o poder de compra dos moradores da
periferia de São Paulo e incentivam a utilização do comércio local. Assim é
também em Maracanaú, no Ceará: descontos são dados a quem utilizar o
Maracanã. Já no Piauí, na cidade de São João do Arraial, muitos recebem
Cocais como parcela de seus salários, e em Dourados, cidadezinha do Mato
Grosso do Sul, os moradores podem fazer empréstimos de até 800 Pirapirês
sem juros – o equivalente a 800 Reais, já que há paridade.

Muhammad Yunus, do Grameen Bank, também iniciou atividades no


Brasil. Sua idéia é trabalhar com bolsões de pobreza no norte e no nordeste do
país, principalmente, captando fundos de iniciativas privadas com o objetivo de
alcançar um montante de 50 milhões de Reais convertidos em microcrédito até
2012. [4] Assim, inicia-se no Brasil um processo de multiplicação de projetos
sociais e econômicos baseados em princípios de economia solidária, assim
como o número de entusiastas da idéia. O Banco do Brasil, por exemplo,
empresta anualmente aproximadamente 3,5 milhões aos bancos comunitários
[5]. É a prova de que iniciativas locais, aparentemente pequenas, podem alterar
o rumo da conscientização econômica em grande escala em um país: começa-
se de baixo, porém de dentro das comunidades; alteram-se valores ao mesmo
tempo em que geram-se oportunidades.

Referências:

[1] TOMELIN, Mario. O Microcrédito no Brasil. In:


http://ceragro.iica.int/Documents/O_Microcredito_no_Brasil.pdf - P. 03

[2] e [5] FERREIRA, Gutt. 41 Moedas Circulam no Brasil. In:


http://www.fbes.org.br/index.php?
option=com_content&task=view&id=4554&Itemid=62

[3] TOMELIN, Mario. O Microcrédito no Brasil. In:


http://ceragro.iica.int/Documents/O_Microcredito_no_Brasil.pdf - P. 01

[4] LIMA, Aline. Indiano Grameen Bank inicia suas atividades no Brasil. In:
http://www.brasileconomico.com.br/noticias/indiano-grameen-bank-inicia-suas-
atividades-no-brasil_74603.html