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AAI dos Aproveitamentos Hidrelétricos da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba CARACTERIZAÇÃO DA BACIA EPE-1-40-0001

AAI dos Aproveitamentos Hidrelétricos da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba

CARACTERIZAÇÃO DA BACIA

EPE-1-40-0001 RE R1

OUTUBRO

2006

Hidrelétricos da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba CARACTERIZAÇÃO DA BACIA EPE-1-40-0001 RE R1 OUTUBRO 2006

R1

Revisão geral solicitada pela EPE

 

26/10/06

       

 

Revisões

   

Data

Visto

Aprov.

 

Data

Aprov.

 

Sondotécnica

   

EPE

  EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA - EPE  
 

EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA - EPE

 
 

AVALIAÇÃO AMBIENTAL INTEGRADA (AAI) DOS APROVEITAMENTOS HIDROELÉTRICOS DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO PARANAÍBA

  CARACTERIZAÇÃO DA BACIA  
 

CARACTERIZAÇÃO DA BACIA

 

Nº:

Elab.:

TLC/SHP

Visto:

MS

Visto:

EPE-1-40-0001 RE

Conf.:

MS

Aprov.:

HMC

Aprov.:

Emissão:

   
 

R1

Data:

20/09/2006

 

Data:

 

Sondotécnica

   

EPE

ÍNDICE

ÍNDICE PÁG. 1. INTRODUÇÃO 4 2. ASPECTOS METODOLÓGICOS E PRELIMINARES 6 2.1 L EVANTAMENTO DE D

PÁG.

1. INTRODUÇÃO

4

2. ASPECTOS METODOLÓGICOS E PRELIMINARES

6

2.1 LEVANTAMENTO DE DADOS

6

2.2 ORGANIZAÇÃO DAS BASES OPERACIONAIS DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS – SIG

7

2.3 DEFINIÇÃO PRELIMINAR DA DIVISÃO DA BACIA HIDROGRÁFICA

9

2.3.1

Divisão das Subáreas

9

2.4 DESENVOLVIMENTO DOS ESTUDOS DE CARACTERIZAÇÃO

17

3. METODOLOGIA DOS ESTUDOS TEMÁTICOS

20

3.1 RECURSOS HÍDRICOS E ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS

20

3.2 MEIO FÍSICO E ECOSSISTEMAS TERRESTRES

22

3.2.1 Geologia e Geotecnia

22

3.2.2 Geomorfologia

24

3.2.3 Solos

25

3.2.4 Recursos Minerais

33

3.2.5 Ecossistemas Terrestres

34

3.3 MODOS DE VIDA

35

3.4 ORGANIZAÇÃO TERRITORIAL

36

3.5 BASE ECONÔMICA

36

3.6 NORMAS TÉCNICAS E LEGISLAÇÃO APLICÁVEL

36

4. TEMAS AMBIENTAIS

37

4.1 RECURSOS HÍDRICOS E ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS

37

4.1.1 Climatologia

37

4.1.2 Recursos Hídricos Superficiais

47

4.1.3 Águas Subterrâneas

72

4.1.4 Qualidade das Águas Superficiais

75

4.1.5 Usos dos Recursos Hídricos

106

4.1.6 Ecossistemas Aquáticos

119

4.2 MEIO FÍSICO E ECOSSISTEMAS TERRESTRES

133

4.2.1 Geologia e Geotecnia

133

4.2.2 Geomorfologia

145

4.2.3 Solos

148

4.2.4 Recursos Minerais

157

4.2.5 Ecossistemas Terrestres

162

4.3 MODOS DE VIDA

206

4.3.1 Ocupação do Território da Bacia

206

4.3.2 Dinâmica Populacional

218

4.3.3 Condições de Vida

226

4.3.4 Populações Indígenas

239

4.3.5 Populações Quilombolas

239

4.3.6 Organização Social

240

4.3.7 Estrutura Fundiária e Assentamentos Rurais

244

4.4 ORGANIZAÇÃO TERRITORIAL

269

4.4.1 Caracterização Geral

269

4.4.2 Infra-Estrutura Viária

277

4.4.3 Uso e Ocupação do Solo

278

2

4.4.1 Caracterização Geral 269 4.4.2 Infra-Estrutura Viária 277 4.4.3 Uso e Ocupação do Solo 278 2

4.5 BASE ECONÔMICA

4.5.1 Produto Interno Bruto – PIB

4.6 NORMAS TÉCNICAS E LEGISLAÇÃO APLICÁVEL

PIB 4.6 N ORMAS T ÉCNICAS E L EGISLAÇÃO A PLICÁVEL PÁG. 284 284 292 4.6.1

PÁG.

284

284

292

4.6.1 Preliminares

292

4.6.2 Aspectos Gerais do Licenciamento Ambiental

292

4.6.3 O Licenciamento Ambiental de Usinas Hidrelétricas e a Avaliação Ambiental Integrada – AAI

293

4.6.4 Termo de Referência para a AAI dos Aproveitamentos Hidrelétricos da Bacia do Rio Paranaíba

294

4.6.5 Aspectos Legais do Setor Elétrico

297

4.6.6 Outros Aspectos da Legislação Ambiental Pertinentes ao Empreendimento

298

4.6.7 Quadro Síntese da Legislação Aplicada

304

5.

RESUMO DOS ELEMENTOS DE CARACTERIZAÇÃO

318

5.1 RECURSOS HÍDRICOS E ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS

318

5.1.1 Clima

318

5.1.2 Recurso Hídricos

320

5.1.3 Recursos Hídricos Subterrâneos

327

5.1.4 Qualidade dos Recursos Hídricos Superficiais

328

5.1.5 Ecossistemas Aquáticos

333

5.2 MEIO FÍSICO E ECOSSISTEMAS TERRESTRES

337

5.2.1 Geologia/Geotecnia

337

5.2.2 Geomorfologia

341

5.2.3 Solos

342

5.2.4 Recursos Minerais

354

5.3 MODOS DE VIDA

361

5.3.1 Dinâmica Populacional

361

5.3.2 Condições de Vida

364

5.3.3 Estrutura Fundiária e Assentamentos Rurais

369

5.3.4 Populações Quilombolas

373

5.3.5 Organização Social

373

5.4 ORGANIZAÇÃO TERRITORIAL

375

5.4.1 Uso e Ocupação do Solo

375

5.4.2 Infra-Estrutura

378

5.5 BASE ECONÔMICA

379

6. BIBLIOGRAFIA

381

7. GLOSSÁRIO

386

8. EQUIPE TÉCNICA

391

ANEXO

CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL – LISTA DE ESPÉCIES

3

7. GLOSSÁRIO 386 8. EQUIPE TÉCNICA 391 ANEXO C ARACTERIZAÇÃO A MBIENTAL – L ISTA DE

1.

INTRODUÇÃO

1. INTRODUÇÃO O presente documento é o resultado do processo de caracterização ambiental da bacia do

O presente documento é o resultado do processo de caracterização ambiental da bacia do rio

Paranaíba e resume os esforços de levantamento de informações sobre os diversos temas

estudados, de modo a prover as fases seguintes da Avaliação Ambiental Integrada de uma base

de dados que permita o diagnóstico das condições ambientais da área em estudo.

Tendo como objetivo o desenvolvimento de um estudo das principais características socioambientais na bacia do rio Paranaíba, a caracterização ambiental apresenta a síntese dos elementos mais importantes de caracterização, organizados pelos temas ambientais de maior relevância para o planejamento e desenvolvimento do setor hidrelétrico na região.

As informações apresentadas neste estudo estão orientadas para a composição dos Indicadores Ambientais a serem analisadas ao longo da avaliação de cenários prospectivos de desenvolvimento associados aos processos e impactos decorrentes das intervenções provocadas pela implantação de empreendimentos hidrelétricos, incorporando seus efeitos cumulativos e

sinérgicos sobre o meio ambiente. Elas se destinam a subsidiar a definição de diretrizes e orientações para o planejamento e a implementação de ações para a região, no âmbito da política energética nacional. Assim concebido, o estudo deverá promover um conhecimento integrado das características socioambientais da bacia do rio Paranaíba, tendo como eixo o uso da água para a geração de energia hidráulica, seus conflitos com os demais usos existentes e as necessidades

de preservação ambiental.

Nesta fase buscou-se uma apresentação das principais características socioambientais da bacia, através da organização e sistematização das informações disponíveis sobre a região estudada. Assim, a caracterização apresentada neste documento servirá de fundamento para todos os estudos posteriores, buscando a complexidade da inter-relação de seus múltiplos fenômenos socioambientais e a identificação dos testemunhos dos impactos negativos e positivos da implantação pregressa de empreendimentos hidrelétricos na bacia e, em particular, da sinergia e cumulatividade desses impactos, que apresentam alta diversificação espacial e temporal. Trata- se, portanto, de uma abordagem que privilegia o conhecimento da realidade concreta, buscando causas históricas e ambientais que a expliquem. Esta é uma fase decisiva nos estudos, pois é ela que permitirá a construção do instrumental conceitual e metodológico e a base de informações das demais abordagens.

Ela não é, no entanto, uma fase que se encerra neste momento, na medida em que na continuidade dos estudos voltados para a Avaliação Ambiental Integrada da Bacia do rio Paranaíba, surgirão novas questões, que demandarão novas informações a serem incorporadas à caracterização.

A caracterização seguiu a metodologia indicada no “Termo de Referência para o Estudo:

Avaliação Ambiental Integrada dos Aproveitamentos Hidrelétricos na Bacia do Rio Paranaíba”, bem como nos documentos apresentados ao longo do processo de desenvolvimento dos estudos, tais como a Proposta Técnica para a Execução dos Serviços e o Plano de Trabalho.

4

de desenvolvimento dos estudos, tais como a Proposta Técnica para a Execução dos Serviços e o
A caracterização da bacia do rio Paranaíba, conforme já apontado, reveste-se de importância estratégica para

A caracterização da bacia do rio Paranaíba, conforme já apontado, reveste-se de importância estratégica para o estudo, pois deverá fornecer bases efetivas para o desenvolvimento das atividades subseqüentes e deverá ser capaz de absorver e incorporar novas bases que venham a se mostrar necessárias.

Foi priorizada a identificação das principais interfaces entre os empreendimentos hidrelétricos existentes e os diversos temas que compõem o panorama socioambiental da bacia, apresentando-as como as “questões relevantes” apreendidas através da análise, em especial no que diz respeito ao histórico da implantação de empreendimentos hidrelétricos na bacia, visando não só a compreensão da situação atual da região, mas também na busca da compreensão de suas potencialidades e da medida em que a presença do setor elétrico pode se integrar de forma harmônica às perspectivas de crescimento sustentável da região.

Os estudos buscaram pontos focais de análise que permitam identificar e explicar as características básicas da situação atual da bacia e que possuam uma relação direta com o planejamento do Setor Elétrico.

Dentre os principais pontos focais abordados na fase de caracterização se destacam os seguintes:

Os recursos hídricos e os ambientes aquáticos, no que diz respeito a sua qualidade, quantidade e disponibilidade;

A cobertura vegetal remanescente e a fauna associada;

A qualidade dos solos, sua aptidão agrícola, potencial erosivo e contaminação;

O potencial mineral existente na região;

O uso atual e as tendências de utilização da terra, incluindo a legislação ambiental incidente;

As características sociais da população;

A organização territorial;

E a base econômica .

A caracterização deverá dar origem a dois importantes instrumentos para a continuidade dos estudos, a serem elaborados na fase subseqüente:

O mapeamento de áreas de fragilidade ou sensibilidade ambiental na bacia, de particular relevância para a Avaliação Ambiental Distribuída, na medida em que indicará situações diferenciadas frente ao potencial de impactos ambientais a serem gerados por novos empreendimentos;

A definição de indicadores socioambientais adequados à realidade da bacia, que não só permitirá a integração de suas informações ao SIG e ao Sistema de Simulação de Cenários, como será uma base de importância fundamental para a determinação posterior de indicadores de impactos ambientais e para a formulação final dos Indicadores de Sustentabilidade.

Todos os desenhos citados no presente documento estão apresentados no Caderno de Mapas e Base de Dados.

5

Todos os desenhos citados no presente documento estão apresentados no Caderno de Mapas e Base de
2. ASPECTOS METODOLÓGICOS E PRELIMINARES Esta seção apresenta os principais aspectos metodológicos associados às

2. ASPECTOS METODOLÓGICOS E PRELIMINARES

Esta seção apresenta os principais aspectos metodológicos associados às atividades desenvolvidas nesta fase do estudo, especialmente no que diz respeito ao tratamento das informações e aos procedimentos adotados.

2.1 LEVANTAMENTO DE DADOS

A fase inicial dos estudos foi marcada pelo levantamento de informações e a formação do banco de dados da bacia do rio Paranaíba. As pesquisas foram realizadas entre os dias 05 e 30 de Junho, envolvendo levantamentos em fontes bibliográficas, bancos de dados digitais, fontes de dados disponíveis na Internet e em contatos com entidades, órgãos e instituições públicas estaduais e federais.

Foram, portanto, realizadas pesquisas em três fases distintas. Na primeira foram relacionadas fontes bibliográficas e bases de dados disponíveis para a região em estudo. Os resultados desta fase são apresentados no capítulo de Bibliografia e as principais Bases de Dados utilizadas foram as seguintes:

HIDROWEB – Banco de Dados Hidrológicas, ANA – 2006;

HIDROGEO – Sistema de Informações Georreferenciadas de Energia e Hidrologia. ANEEL,

2000;

Banco de Informações de Transporte, 2000;

SNIS, Diagnóstico dos Serviços Água e Esgoto, Ministério dos Transportes, 1995-2001;

Série de Estudos e Informações Hidrológicas e Energéticas – ENERGIA. ANEEL, 2000;

Série de Estudos e Informações Hidrológicas e Energéticas – ÁGUA. ANEEL, 2000;

SNCR – Sistema Nacional de Cadastro Rural – INCRA, 2004;

Revisão das Séries de Vazões Naturais das principais bacias do SIN. ONS, 2005;

SIDRA – Sistema IBGE de Recuperação de Dados Estatísticos. IBGE;

SIEG – Sistema de Informações Estatísticas de Goiás, Governo de Goiás, 2006;

GEOMINAS – Sistema de Informações Geográficas de Minas Gerais, 1997;

DATAMINAS – Banco de Dados Estatísticos de Minas Gerais;

IPEADATA – Banco de Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada;

DATASUS – Banco de Dados do Sistema Único de Saúde;

Perfil dos Municípios Brasileiros;

FINBRA,

1998-2003;

Secretaria

do

Tesouro

Nacional, Informações

sobre

Finanças

Municipais

6

Municípios Brasileiros; FINBRA, 1998-2003; Secretaria do Tesouro Nacional, Informações sobre Finanças Municipais – 6
INMET, Instituto Nacional de Meteorologia. Informações sobre clima; DGI/INPE- Departamento de Geração de Imagens.
INMET, Instituto Nacional de Meteorologia. Informações sobre clima; DGI/INPE- Departamento de Geração de Imagens.
INMET, Instituto Nacional de Meteorologia. Informações sobre clima;
DGI/INPE- Departamento de Geração de Imagens. Imagens de Satélite CBERS;
SIGMINE – Banco de Dados de Recursos Minerais;
Atlas do Desenvolvimento Humano. PNUD/IBGE, 2000;
ESTATCART/IBGE – Sistema de Informações Estatísticas Georreferenciadas;
SBE – Sociedade Brasileira de Espeleologia, Cadastro de cavernas.
Na segunda fase foram realizadas visitas a órgãos federais, estaduais, instituições de pesquisa e
organizações sociais visando a complementação das informações recolhidas inicialmente. Essas
inspeções e as pesquisas nestas instituições foram realizadas nas principais cidades da região ou
nas capitais estaduais, especialmente Uberlândia, Goiânia, Belo Horizonte e o Distrito Federal.
Foram realizadas pesquisas em órgãos ambientais estaduais (MMA, INCRA, IBAMA, SNRH,
FUNAI, Fundação Cultural Palmares), secretarias de recursos hídricos, comitês e instituições
dedicadas à pesquisa ligadas à universidades e aos governos dos estados.
A terceira fase foi dedicada também a contatos com entidades, porém de maneira mais
direcionada, ou seja, foram realizados contatos com autoridades e empresas atuantes na região
com vistas a identificar e solicitar informações mais direcionadas, nas quais se destacaram as
seguintes:
Agência Nacional de Águas (ANA) , com vistas a obter informações sobre a gestão de águas
na bacia do Paranaíba, usos múltiplos, monitoramentos etc;
Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), com vista a obter as informações sobre os
estudos de inventário hidrelétrico dos diversos rios que compões a bacia;
FURNAS Centrais Elétricas, com vistas a obter informações sobre qualidade da água, biota
marinha e os empreendimentos administrados pela empresa;
Companhia Elétrica de Minas Gerais (CEMIG), com vistas a obter informações sobre
qualidade da água, biota marinha e os empreendimentos administrados pela empresa;

Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento Rural dos Sem Terra (MST) e Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) – Informações sobre ocupações, atuação dos movimentos sociais, regiões de conflito e expectativas em relação ao setor elétrico.

2.2 ORGANIZAÇÃO DAS BASES OPERACIONAIS DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS – SIG

O SIG da Avaliação Ambiental da Bacia do Paranaíba foi concebido como um dos principais elementos de organização das informações disponíveis sobre a bacia. Sua estrutura permitiu a agregação das informações dos diversos temas estudados em uma base de dados única.

A Figura 2.2.1 ilustra, através de um diagrama, a organização do SIG da bacia do Paranaíba.

7

base de dados única. A Figura 2.2.1 ilustra, através de um diagrama, a organização do SIG
SIG Base Planimétrica Imagens Modelos ∑ Solos ∑ Geomorfologia ∑ Hidrografia ∑ Declividade ∑ Linha
SIG Base Planimétrica Imagens Modelos ∑ Solos ∑ Geomorfologia ∑ Hidrografia ∑ Declividade ∑ Linha
SIG
Base Planimétrica
Imagens
Modelos
Solos
Geomorfologia
∑ Hidrografia
Declividade
∑ Linha de
Vegetação
Transmissão
Temas
Uso e Ocupação
∑ Sistema Viário
Ambientais
Geologia
∑ Perímetro Urbano
Hidrogeologia
∑ Cidades
Reservatórios
∑ Divisão
Geopolítica
Outros
Cartogramas
∑ AHEs
∑ Unidades de
Conservação;
∑ Áreas Prioritárias
Modos de Vida
∑ Estações
Dados Estatísticos
∑ Outros
Organização
Territorial
Base Econômica

Figura 2.2.1 Diagrama de Representação do SIG

Entre os principais procedimentos adotados para estruturação das bases do SIG, destacam-se os seguintes:

a) Levantamento de Informações Disponíveis

Quadro 2.2.1 Fontes de Informações Cartográficas

 

Escala de

 

Fonte

Mapeamento

Apresentação

Milionésimo digital

1:1.000.000

Digital (shapefile)

Censo 2000 – Cartogramas digitais

1:1.000.000

Digital (shapefile)

IBGE/DSG

1:250.000

Digital (dgn)/ impresso

Mapeamento Temático CPRM

1:1.000.000

Digital (shapefile)

PROBIO/MMA (Áreas Prioritárias para Unidades de Conservação)

1:250.000

Digital (shapefile)

EIBH

1:250.000

Digital (PDF)

DNPM / GEOMINE

1:250.000

Digital (shapefile)

SIEG-GO

1:250.000

Digital (shapefile)

MMA/SNRH– Servidor de Mapas

Variada

Digital (Mapserver)

WWF (Áreas Prioritárias para Unidades de Conservação)

1:1000.000

Digital (shapefile)

Modelo Digital de Terreno - SRTM (Suttle Radar Topografic Mission)

1:150.000

Digital (shapefile)

Revisão das Séries de Vazões – Mapas

1:205.000

Digital (cad)

SIGMINE

1:1000.000

Digital (shapefile)

GEOMINAS

1:1.000.000

Digital (shapefile)

HIDROWEB

1:2500.000

Digital (shapefile)

 

1:2500.000

 

HIDROGEO Imagens de Satélite Landsat 7 ETM – NASA, 2000

1:100.000

Digital (shapefile) Digital (Geotiff)

Imagens de Satélite CBERS - INPE, 2004, 2005 e 2006

1:100.000

Digital Geotiff

8

(shapefile) Digital (Geotiff) Imagens de Satélite CBERS - INPE, 2004, 2005 e 2006 1:100.000 Digital Geotiff

b) Mapeamentos e Ajustes Baseados em Imagens

b) Mapeamentos e Ajustes Baseados em Imagens Como a disponibilidade de mapeamentos atualizados de alguns temas

Como a disponibilidade de mapeamentos atualizados de alguns temas na escala apropriada ao trabalho se restringiu a algumas áreas, foi necessária a concentração de esforços no sentido de realizar novos mapeamentos temáticos, bem como complementações. Entre os principais temas que necessitam de ajustes e complementações se destacam os seguintes:

Solos, Aptidão Agrícola e Erodibilidade: Realização de ajustes à base planialtimétrica utilizada, com o uso de Imagem de Satélite CBERS, disponibilizadas pelo INPE para os anos de 2004/2005/2006;

Uso e Ocupação do Solo: Foram realizados mapeamentos baseados em imagens do satélite CBERS, disponibilizadas pela INPE para os anos de 2004/2005/2006;

Geomorfologia: Realização de ajustes á base planialtimétrica utilizada e aos mapeamentos temáticos disponíveis.

c) Integração de Informações Estatísticas à base de Mapas

As análises dos dados estatísticos tiveram o apoio da incorporação de informações ao Sistema de Informações Geográficas, realizado através da associação das bases de dados a elementos da base cartográfica.

d) Cruzamentos de Informações e Avaliações Integrada

A geração de informações a partir da integração de temas ambientais proporcionará o desenvolvimento dos mapeamentos de sensibilidade.

e) Delimitação dos reservatórios. Foram utilizados mapeamentos utilizando um Modelo Digital de Terreno - SRTM (Suttle Radar Topografic Mission) e delimitando automaticamente a partir da informação da cota máxima.

f) Mapa de Declividade. Foram realizados mapeamentos baseados no Modelo Digital de Terreno.

2.3

DEFINIÇÃO PRELIMINAR DA DIVISÃO DA BACIA HIDROGRÁFICA

2.3.1

Divisão das Subáreas

Para se proceder a uma subdivisão da bacia do rio Paranaíba que tenha efetivamente o caráter de um facilitador dos estudos, no que concerne a identificação dos impactos cumulativos e sinérgicos das UHEs, foi necessário adotar um conjunto de critérios que melhor representassem a regionalização interna dos territórios integrantes da bacia do rio Paranaíba.

Optou-se, preliminarmente, por uma divisão da Bacia do Paranaíba em cinco subáreas. Além de apresentar características hidrológicas e socioeconômicas distintas, a bacia do rio Paranaíba é formada por 178 municípios, divididos entre os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal, justificando assim a adoção de uma divisão da bacia em subáreas, de modo a melhor apresentar as informações temáticas trabalhadas neste estudo.

A identificação dos segmentos buscou gerar uma representação territorial das subáreas, agrupando características referentes aos aspectos ambientais baseados na compartimentação fisiográfica da bacia, nos aspectos socioeconômicos associados aos aspectos geopolíticos, ou seja, na divisão municipal e a inserção dos empreendimentos hidrelétricos existentes e planejados para a bacia.

9

ou seja, na divisão municipal e a inserção dos empreendimentos hidrelétricos existentes e planejados para a
Por subáreas entendem-se aqueles recortes territoriais contínuos (sendo o território político- administrativo do

Por subáreas entendem-se aqueles recortes territoriais contínuos (sendo o território político- administrativo do município a unidade base) que congregam características semelhantes e cujas relações intrínsecas a estas características podem distinguir estes recortes dos demais.

Assim, a divisão das subáreas que compõem a bacia é representada pelo conjunto de municípios inseridos nas divisões fisiográficas selecionadas previamente e que seguiram os critérios descritos a seguir.

2.3.1.1 Critérios

de

Contribuição

Divisão

Hidrológicos

e

Fisiográficos

Preliminares

-

Áreas

de

O critério de maior importância para a divisão das grandes sub-bacias do Paranaíba foi baseado

nos aspectos hidrológicos e fisiográficos, associados ao potencial de geração de energia hidrelétrica, envolvendo empreendimentos em operação e planejados. Segundo este critério, foi apresentada uma definição preliminar, baseada na delimitação das “Ottobacias”.

As “Ottobacias” são definidas pela Agência Nacional de Águas como uma das formas de divisão de sub-bacias hidrográficas, cujo critério definido pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos, através da Resolução Nº 30, de 11 de Dezembro de 2002, é recomendado na codificação das bacias hidrográficas em âmbito nacional. A metodologia foi proposta pelo engenheiro brasileiro Otto Pfafstetter, que desenvolveu um método de subdivisão e codificação de bacias hidrográficas, utilizando dez algarismos, diretamente relacionado com a área de drenagem dos cursos d'água (Classificação de Bacias Hidrográficas - Metodologia de Codificação. Rio de Janeiro, RJ: DNOS, 1989. p. 19.).

Este método tem por base critérios naturais que estabelecem uma hierarquia a partir da topografia da área drenada e da topologia da rede de drenagem. A divisão das “ottobacias”, como ficaram conhecidas, é apresentada em documentos da ANEEL, ANA e MMA, e foi incorporada aos estudos como uma primeira aproximação da divisão de subáreas.

A divisão em ottobacias identificou a existência de 12 áreas diferentes na bacia do rio Paranaíba,

conforme mostra a Figura 2.3.1.

2.3.1.2 Critérios de Divisão Hidrológica Simplificada

Com intuito de estabelecer uma subdivisão da bacia do rio Paranaíba que facilitasse os estudos de caracterização ambiental a serem desenvolvidos, foram escolhidos alguns critérios para definição preliminar de subáreas de estudo.

Buscou-se adotar critérios que, combinados ou não, melhor representassem os aspectos da regionalização interna dos territórios que compõem a bacia do rio Paranaíba.

Entre esses critérios, os aspectos relacionados com o tema recursos hídricos foram os limites das grandes sub-bacias hidrográficas do Paranaíba e o uso da água para geração de energia elétrica, envolvendo empreendimentos em operação e previstos.

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Paranaíba e o uso da água para geração de energia elétrica, envolvendo empreendimentos em operação e
Figura 2.3.1 Divisão das Ottobacias Durante a elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH),
Figura 2.3.1 Divisão das Ottobacias Durante a elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH),

Figura 2.3.1 Divisão das Ottobacias

Durante a elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), a Secretaria de Recursos Hídricos (SRH) do Ministério de Meio Ambiente (MMA) julgou necessário estabelecer unidades hidrográficas para serem usadas como referência. Em um primeiro nível, o território brasileiro foi dividido em doze regiões hidrográficas (bacias ou conjunto de bacias hidrográficas contíguas), nas quais o rio principal deságua no mar ou em território estrangeiro.

Através da Resolução n o 32, de 15 de outubro de 2003, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) oficializou a divisão do território brasileiro em 12 unidades de referência, representativas das maiores bacias hidrográficas do país que desembocam no mar ou em território estrangeiro. A bacia do rio Paranaíba, objeto do presente estudo, faz parte da Região Hidrográfica do Paraná, constituída pela bacia hidrográfica do rio Paraná, situada no território nacional.

Em um segundo nível, as regiões hidrográficas foram subdivididas em 83 unidades associadas aos principais rios do país. A Região Hidrográfica do Paraná foi subdividida, então, em seis unidades: Paraná; Paranaíba; Grande; Tietê; Paranapanema; e Iguaçu. Posteriormente, foram consideradas também as divisões já adotadas pelos sistemas estaduais de gerenciamento de recursos hídricos, compondo um terceiro nível de discretização, que resultou em 277 Unidades Hidrográficas de Referência (UHR), utilizadas para agregação das diferentes informações consideradas na elaboração do PNRH.

Na bacia do rio Paranaíba foram definidas sete UHRs: Araguari (174); dos Bois (175); Corumbá (176); Meia Ponte (177); Paranaíba 01 (178), que corresponde ao Alto Paranaíba; Paranaíba 02 (179), bacias dos rios Tijuco e Preto e do Médio Paranaíba; e Paranaíba 03 (180), bacias dos rios Claro, Corrente, Verde, Aporé e do Baixo Paranaíba.

O Desenho EPE-1-40-0501 – Mapa de Localização – Detalhe, apresenta as URHs, conforme definido no PNRH.

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O Desenho EPE-1-40-0501 – Mapa de Localização – Detalhe, apresenta as URHs, conforme definido no PNRH.
Na definição das UHRs, houve um enfoque na grande concentração populacional em algumas sub-bacias e

Na definição das UHRs, houve um enfoque na grande concentração populacional em algumas sub-bacias e nas regiões metropolitanas, por conseqüência, com interferências nos recursos hídricos locais, faz necessária uma reflexão, em paralelo, sobre estas áreas.

Após superpor outras informações relevantes da bacia em estudo, as subáreas foram definidas preliminarmente, conforme mostra o Quadro 2.3.1.

Quadro 2.3.1 Subáreas Hidrológicas

Subárea

Sub-bacias dos Rios

 

Critério de Agrupamento

 

UHRS

   

A

bacia de drenagem da

 

Aporé, Corrente, Verde, Claro

margem direita que contribui para

Sudoeste Goiano

o

rio Paranaíba entre a barragem

180 (margem direita)

de São Simão e o reservatório de

   

Ilha

Solteira (bacia do Paraná)

 
   

A bacia de drenagem mineira entre a confluência do rio Grande

 

Médio Paranaíba

Preto, dos Bois, Meia Ponte, Piedade, Tijuco

com

a Barragem de Itumbiara e a

180 (margem esquerda), 175, 177, 179

bacia de drenagem Goiana entre

   

o

reservatório de São Simão e a

 

Corumbá

 

barragem de Itumbiara. Bacia contribuinte do rio Araguari

176

 

Corumbá Alto Paranaíba e Represa de Itumbiara

Bacia

contribuinte

do

rio

 

Alto Paranaíba

Corumbá

 

178

   

Bacia contribuinte do reservatório

 

Araguari

Araguari

de

Itumbiara à montante das

174

contribuições dos rios Araguari e

   

Corumbá

   

A Figura 2.3.2 ilustra a divisão das cinco áreas baseadas nos critérios hidrológicos apresentados.

das cinco áreas baseadas nos critérios hidrológicos apresentados. Figura 2.3.2 Divisão Hidrográfica das Subáreas 12

Figura 2.3.2 Divisão Hidrográfica das Subáreas

12

das cinco áreas baseadas nos critérios hidrológicos apresentados. Figura 2.3.2 Divisão Hidrográfica das Subáreas 12
A subdivisão da bacia do rio Paranaíba combinou diferentes critérios, visando à determinação de subáreas

A subdivisão da bacia do rio Paranaíba combinou diferentes critérios, visando à determinação de subáreas de estudo. Estas subáreas representam os aspectos da regionalização interna dos territórios que compõem a bacia do rio Paranaíba, dividida em cinco áreas de estudo, da seguinte forma:

Subárea da Bacia de Contribuição do Araguari: compreende a bacia do rio Araguari, com uma área de aproximadamente 22.000 km². Próxima do Vale do Araguari, a paisagem apresenta um relevo fortemente ondulado, com altitude de 800 a 1000 m e declividades suaves, em torno de 30%. Além do abastecimento de água para os municípios, o rio Araguari apresenta um potencial energético que já está sendo explorado, com as Usinas Hidroelétricas de Nova Ponte e de Miranda distantes 80 e 20 km da cidade de Uberlândia, e as Usinas Hidrelétricas de Capim Branco I e II, distantes a 20 e 35 km da cidade de Uberlândia, respectivamente (Lemos et al., 2001). Subárea da Bacia de Contribuição do Corumbá: compreende a bacia do rio Corumbá, com área de drenagem de aproximadamente 34.000 km². O rio Corumbá é o segundo mais importante afluente do rio Paranaíba (Paiva, 1982). Suas partes mais altas encontram-se no Distrito Federal, estendendo-se por cerca de 580 km, até sua desembocadura no Estado de Goiás. Seus principais tributários são os rios São Bartolomeu (margem esquerda) e Piracanjuba, Pirapitinga e Peixe (margem direita). O rio Corumbá apresenta um potencial energético que já está sendo explorado com a Usina Corumbá I. Subárea do Sudoeste Goiano: compreende a área situada no Estado de Goiás, com 148.000 km². Seus principais afluentes são o rio Aporé, Claro, Corrente, Piracanjuba, São Marcos, Turvo, Verdão e Veríssimo. Na porção superior há UHE São Simão, com o rio protegido por mata de galeria exceto na faixa junto ao braço do lago de São Simão. O Sudoeste Goiano tem potencial energético aproveitado com a construção prevista na porção inferior do A.H. Ari Franco, Pontal, Caçu, Barra dos Coqueiros e Foz do Rio Claro. Ás margens do rio Claro está prevista a instalação da UHE Itaguaçu. A cerca de 3 km da foz, já na área de influência do remanso da UHE Ilha Solteira, ainda está prevista a instalação da UHE Foz do Rio Claro. No vale do rio Verde somente para o seu terço inferior há previsão de instalação das usinas hidrelétricas Tucano, Salto, Guariroba e Salto do Rio Verdinho. Na bacia do rio Corrente existe a UHE Itumirim e UHE Espora. Na sua seção média, observa-se os aproveitamentos Queixada e Olho D’água. Para jusante, o rio Corrente apresenta canal menos encaixado, onde há as UHEs Ranchinho, Água Limpa e Alvorada Baixo. Neste baixo curso situa-se o local previsto para implantação da UHE Foz do Rio Corrente. No rio da Prata, afluente pela margem esquerda do rio Aporé, estão previstas 4 PCHs, sendo que a PCH Retiro Velho já encontra-se com Licença de Instalação e as demais - Lageadinho, Pontal da Prata e Engano, apenas inventariadas (MV & Naturae Ltda, 2006); Subárea do Médio Paranaíba: compreende os rios Veríssimo, dos Bois, Meia Ponte, São Domingos, Arantes e Tijuco. A subárea do Médio Paranaíba possui potencial energético que já está sendo explorado pelas Usinas Itumbiara, Cachoeira Dourada e São Simão. O rio dos Bois nasce na cota 950 m, percorre uma extensão de 528 km, rumo sul, desaguando no reservatório da UHE São Simão, no rio Paranaíba, à cota 401m. Define uma ampla bacia, com superfície aproximada de 13.500 km² (GEOS, 2002); Subárea do Alto Paranaíba: compreende os rios Paranaíba, São Marcos e Verde. A região tem potencial energético já sendo aproveitado pela Usina Emborcação.

2.3.1.3 Incorporação dos Aspectos Socioeconômicos e Divisão Municipal aos Aspectos Hidrológicos

A divisão por critérios hidrográficos, embora representativa dos principais aspectos físicos, hidrológicos e muitas das vezes ecológicos, não representa, por outro lado, os aspectos socioeconômicos e geográficos da divisão regional. Desta maneira, buscando a representação

13

outro lado, os aspectos socioeconômicos e geográficos da divisão regional. Desta maneira, buscando a representação 13
das condições regionais, adotou-se ainda uma subdivisão com base nos limites municipais como forma de

das condições regionais, adotou-se ainda uma subdivisão com base nos limites municipais como forma de melhor agregar e definir territorialmente as subáreas da bacia.

Para tanto, inicialmente, foi necessário adotar alguns critérios de forma a melhor definir quais municípios estariam incorporados à bacia, já que a divisão municipal raramente coincide com os divisores de águas, e, posteriormente, quais os municípios inseridos em cada uma das subáreas. Os critérios adotados se basearam em dois aspectos, que são:

Presença de Empreendimentos Hidrelétricos no Município – que considerou a presença de usinas e reservatório nos territórios dos municípios como o principal definidor de sua inserção em uma determinada subárea. Localização da Área Urbana dos Municípios – que considerou a presença da área urbana do município, normalmente representativa da sua maior porção populacional e de suas principais unidades empresariais e de infra-estrutura no território delimitado pelos limites da área de drenagem da Bacia Hidrográfica. Os municípios que não abrigam ou abrigarão empreendimentos hidrelétricos ou seus reservatórios, que não possuem sua sede urbana na bacia e cujo território na bacia é inferior a 40% de sua área total foram excluídos dos limites da bacia.

Chegou-se, desta forma, a uma nova delimitação das sub-bacias, baseada no limite territorial dos municípios, representada na Figura 2.3.3.

territorial dos municípios, representada na Figura 2.3.3. Figura 2.3.3 Inserção dos Municípios na Bacia 2.3.1.4

Figura 2.3.3 Inserção dos Municípios na Bacia

2.3.1.4 Divisão Final das Subáreas e Incorporação dos Diversos Aspectos Levantados

Após a seleção dos municípios, foram aplicados os mesmos critérios para a divisão das subáreas pelos limites municipais, ou seja, a presença do município em uma subárea foi considerada levando-se em conta os aspectos referentes à presença de empreendimentos hidrelétricos, como primeiro critério, e a localização da área urbana do município, como segundo critério.

14

hidrelétricos, como primeiro critério, e a localização da área urbana do município, como segundo critério. 14

Totalmente Inseridos

Totalmente Inseridos A Figura 2.3.4 mostra a comparação entre a divisão das subáreas pela divisão de

A Figura 2.3.4 mostra a comparação entre a divisão das subáreas pela divisão de ottobacias e a

divisão pelos territórios municipais.

de ottobacias e a divisão pelos territórios municipais. Figura 2.3.4 Divisão Geopolítica das Subáreas A lista

Figura 2.3.4 Divisão Geopolítica das Subáreas

A lista completa dos municípios que compões cada uma das subáreas, de acordo com a Unidade

da Federação pertencente, é apresentada na seqüência, no Quadro 2.3.2.

Quadro 2.3.2 Relação dos Municípios por Inclusão, Subárea e Unidade da Federação

Situação

Subárea

UF

Situação Subárea UF Nome

Nome

Anhanguera Campo Alegre de Goiás Catalão

Cumari

Davinópolis

Goiandira

Nova Aurora

Ouvidor

Três Ranchos

GO

MG

Abadia dos Dourados Cascalho Rico Coromandel Cruzeiro da Fortaleza Douradoquara Estrela do Sul Grupiara Monte Carmelo Romaria

Araguari Araxá Guimarânia Ibiá Indianópolis Iraí de Minas Nova Ponte Patrocínio

Pedrinópolis Perdizes Santa Juliana Serra do Salitre Tapira Tupaciguara Uberlândia

Alto Paranaíba

Abadiânia Água Limpa Águas Lindas de Goiás Alexânia Caldas Novas Cidade Ocidental Corumbá de Goiás Corumbaíba Cristianópolis

Ipameri Luziânia Marzagão Novo Gama Orizona Palmelo Pires do Rio Rio Quente Santa Cruz de Goiás

Santo Antônio do Descoberto São Miguel do Passa Quatro Silvânia Uruta Valparaíso de Goiás Vianópolis

Corumbá

GO

15

Santo Antônio do Descoberto São Miguel do Passa Quatro Silvânia Uruta Valparaíso de Goiás Vianópolis Corumbá

Totalmente Inseridos

Totalmente Inseridos Quadro 2.3.2 (continuação) Relação dos Municípios por Inclusão, Subárea e Unidade da

Quadro 2.3.2 (continuação) Relação dos Municípios por Inclusão, Subárea e Unidade da Federação

Situação

Subárea

UF

Nome

Anhanguera Campo Alegre de Goiás Catalão

Cumari

Davinópolis

Goiandira

Nova Aurora

Ouvidor

Três Ranchos

GO

MG

Abadia dos Dourados Cascalho Rico Coromandel Cruzeiro da Fortaleza Douradoquara Estrela do Sul Grupiara Monte Carmelo Romaria

Araguari Araxá Guimarânia Ibiá Indianópolis Iraí de Minas Nova Ponte Patrocínio

Pedrinópolis Perdizes Santa Juliana Serra do Salitre Tapira Tupaciguara Uberlândia

Abadiânia Água Limpa Águas Lindas de Goiás Alexânia Caldas Novas Cidade Ocidental Corumbá de Goiás Corumbaíba Cristianópolis

Ipameri Luziânia Marzagão Novo Gama Orizona Palmelo Pires do Rio Rio Quente Santa Cruz de Goiás

Santo Antônio do Descoberto São Miguel do Passa Quatro Silvânia Uruta Valparaíso de Goiás Vianópolis

Alto Paranaíba

Corumbá

GO

A divisão das subáreas, em cinco segmentos distintos deverá ser usada ao longo deste estudo, permitindo a caracterização dos aspectos temáticos. As subáreas utilizadas no estudo de caracterização consideraram a divisão nos aspectos hidrológicos e fisiográficos para os Meios Físico e Biótico e a divisão geopolítica nos aspectos socioeconômicos, conforme ilustrado nas Figuras 2.3.5 e 2.3.6.

Divisão Geopolítica das Subáreas
Divisão Geopolítica das Subáreas

Figura 2.3.5 Divisão Subáreas pelos critérios Geopolíticos

16

2.3.5 e 2.3.6. Divisão Geopolítica das Subáreas Figura 2.3.5 Divisão Subáreas pelos critérios Geopolíticos 16
Figura 2.3.6 Divisão Subáreas pelos critérios Hidrográficos Os Desenhos EPE-1-40-0504 – Mapa de Subáreas
Figura 2.3.6 Divisão Subáreas pelos critérios Hidrográficos Os Desenhos EPE-1-40-0504 – Mapa de Subáreas

Figura 2.3.6 Divisão Subáreas pelos critérios Hidrográficos

Os Desenhos EPE-1-40-0504 – Mapa de Subáreas Hidrográficas e EPE-1-40-0503 – Mapa de Subáreas Geopolíticas, apresenta um mapa da bacia no qual são definidas as subáreas acima descritas.

2.4 DESENVOLVIMENTO DOS ESTUDOS DE CARACTERIZAÇÃO

O esquema apresentado na figura a seguir (Figura 2.4.1), apresenta as principais atividades e

conceitos usados ao longo da fase de caracterização ambiental da Bacia do rio Paranaíba.

O Estudo esteve orientado por alguns preceitos iniciais, que serviram de base metodológica para

o desenvolvimento dos trabalhos, entre os quais se destacam:

Discussões Preliminares sobre a Bacia e AHEs Existentes: Foram realizadas reuniões técnicas com a equipe no sentido de analisar as principais características da bacia, as potencialidades socioeconômicas, a disponibilidade de informações entre outros aspectos;

Seleção de Elementos de Caracterização: Com base em documentos produzidos anteriormente, tais como os “PROCEDIMENTOS PARA A AVALIAÇÃO DE IMPACTOS CUMULATIVOS E SINÉRGICOS” explicitados no relatório do projeto “Definição de Instrumentos Auxiliares de Gestão Ambiental para Bacias Hidrográficas”, elaborado pelo CEPEL em parceria com o MMA, foram definidos alguns elementos focais na caracterização ambiental de acordo com os aspectos mais destacados na bacia e a natureza dos empreendimentos estudados. Neste sentido pesou de maneira especial a seleção de elementos compatíveis com o objetivo do trabalho a ser realizado bem como a escala de trabalho a ser utilizado;

17

de elementos compatíveis com o objetivo do trabalho a ser realizado bem como a escala de
Fase de Caracterização Ambiental Informações sobre os Empreendimentos Hidrelétricos Pesquisa Bibliográfica

Fase de Caracterização Ambiental

Informações sobre os Empreendimentos Hidrelétricos Pesquisa Bibliográfica Pesquisa em Bancos de Dados Discussões
Informações sobre os
Empreendimentos Hidrelétricos
Pesquisa Bibliográfica
Pesquisa em Bancos de Dados
Discussões
Preliminares sobre a
Bacia e AHEs
Existentes
Levantamentos de Dados em Campo
Divisão Preliminar das
Subáreas
Seleção de Elementos
de Caracterização
Elaboração do Relatório de
Caracterização e SIG
∑ Caracterização Geral
Quadro Resumo dos
Temas/Elementos de
Caracterização
∑ Aspectos Relevantes
∑ Bancos de Dados, Mapeamentos
e Informações DIsponíveis
∑ Temas, Sub-Temas e Elementos de
Caracterização;
∑ Situação da Caracterização
∑ Incorporação ao GIS
∑ Aspectos Relevantes
Fase de Avaliação Ambiental Distribuída

Identificação dos Impactos Potenciais e Indicadores

Matriz de Avaliação de Impactos

Figura 2.4.1 Esquema de Desenvolvimento Metodológico dos Estudos de Caracterização

Divisão Preliminar das Subáreas: Embora a definição das subáreas da bacia esteja determinada para a fase seguinte do trabalho este estudo considerou que quanto mais as informações estivessem segmentadas pelas áreas de análise das subáreas, melhor seria o aproveitamento das informações disponíveis para a Avaliação Ambiental Distribuída.

A partir destes preceitos, as informações recolhidas sobre a bacia puderam ser trabalhadas e sistematizadas com a orientação de aproximar a caracterização ambiental de uma definição dos

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ser trabalhadas e sistematizadas com a orientação de aproximar a caracterização ambiental de uma definição dos
Indicadores Ambientais, que servirão de base para as avaliações nas fases seguintes de desenvolvimento dos

Indicadores Ambientais, que servirão de base para as avaliações nas fases seguintes de desenvolvimento dos trabalhos.

Cabe ressaltar que a definição dos Indicadores de Sensibilidade e dos Indicadores de Impactos Ambientais (ações, fatores e impactos), foram feitas inicialmente de forma a que se pudesse estabelecer os Elementos da Caracterização.

A opção pela definição inicial dos indicadores e dos Elementos de Caracterização tem, portanto, a missão de convergir a caracterização para os Indicadores Ambientais de Sensibilidade e para os Indicadores de Impacto, permitindo ganhos em termo de objetividade do trabalho realizado.

Entre os resultados obtidos nesta caracterização, figura a questão da identificação dos Aspectos Relevantes associados a cada um dos temas pesquisados. Esses aspectos deverão nortear a avaliação de impactos, bem como a definição dos indicadores ambientais que mais se adeqüem à avaliação dos efeitos sinérgicos e cumulativos e as questões ambientais da bacia do rio Paranaíba. Entre as questões mais relevantes apontadas nesta fase, destacam-se as seguintes:

As potencialidades da bacia – a base de recursos naturais presentes na região que possibilita o desenvolvimento regional;

As áreas mais preservadas, com vegetação original e as áreas frágeis – remanescentes de vegetação que sofrem pressão antrópica;

As

áreas

com

restrições

e

condicionantes

de

uso,

como

por

exemplo,

Unidades

de

Conservação,

áreas

consideradas

de

alta

relevância

biológica

e

remanescentes

de

Quilombos;

 

Os principais problemas socioambientais na região, como por exemplo, as áreas degradadas devido a desmatamento, erosão do solo, contaminação por agrotóxicos, efluentes domésticos ou industriais, os corpos d’água assoreados ou problemas como escassez hídrica, poluição atmosférica ou contaminação dos recursos hídricos por atividades ligadas à mineração e, inclusive, problemas decorrentes de projetos já implantados, como o remanejamento compulsório da população;

Os conflitos existentes pelo uso dos recursos naturais (conflitos por uso do solo, uso da água, pela posse de terra etc.). Esses conflitos devem ter sua relevância qualificada e os atores envolvidos identificados na próxima etapa de trabalho;

Processos macrorregionais relacionados com os processos regionais estudados;

Outras questões relacionadas ao desenvolvimento da região e à preservação dos seus ecossistemas, que se configurem tanto como incentivo, quanto como restrição.

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da região e à preservação dos seus ecossistemas, que se configurem tanto como incentivo, quanto como
3. METODOLOGIA DOS ESTUDOS TEMÁTICOS Esta seção apresenta os aspectos metodológicos usados no tratamento das

3. METODOLOGIA DOS ESTUDOS TEMÁTICOS

Esta seção apresenta os aspectos metodológicos usados no tratamento das informações apresentadas na Caracterização do temas ambientais, dispostos no capítulo 4 – Temas Ambientais, deste documento.

Nos subitens a seguir apresentamos a metodologia empregada na caracterização de cada avaliação temática.

3.1

RECURSOS HÍDRICOS E ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS

3.1.1

Clima

A caracterização climática foi elaborada a partir de uma coleta de dados regionais e de estudos de circulação atmosférica, e de registros observados das variáveis climáticas observadas na superfície nas estações da rede de medição , isto é, nos postos da rede da ANA e do INMET, de forma que se pudesse compreender a gênese das chuvas e o clima da região. O trabalho foi focado para atender as necessidades dos estudos no que tange a definição de variações nos eventos chuvosos intensos para avaliação do potencial erosivo dos solos e no balanço hídrico para definição dos déficits de água que possam gerar conflitos de uso.

Foi feita uma análise da distribuição espacial das estações, de seu histórico de dados e consistência. Após uma análise dos registros foram elaboradas tabelas dos valores médios, mínimos e máximos mensais dos diversos meteoros para que se pudesse realizar uma análise de sua sazonalidade, das chuvas intensas, do balanço hídrico, dos déficits e de sua distribuição espacial.

3.1.2 Recursos Hídricos Superficiais

A caracterização dos recursos hídricos foi elaborada a partir de uma coleta de dados hidrométricos e nos estudos hidrológicos regionais. Foram inventariados registros de séries de vazões diárias e mensais, de registros de transporte de sedimentos dos postos de controle hidrológico das sub-bacias, reservatórios e suas áreas de contribuição.

Foram revisados e analisados os estudos e análises feitas, além da análise dos registros dos bancos de dados da ANA e ONS, empresas do setor elétrico (Eletrobrás, Furnas e Cemig) entre outros.

Com base na cartografia disponível e nos dados obtidos foram feitos os estudos e análises de consistência dos registros e pontos de controle, para que se pudessem gerar os seguintes elementos de caracterização:

Séries de vazões médias mensais nos postos de controle selecionados e nos reservatórios;

Descargas de sedimentos ou potencial de produção de sedimentos;

20

postos de controle selecionados e nos reservatórios; Descargas de sedimentos ou potencial de produção de sedimentos;
Dados e caracterização fisiográfica com definição da densidade de drenagem, perfis dos rios nos trechos

Dados e caracterização fisiográfica com definição da densidade de drenagem, perfis dos rios nos trechos lóticos,e vazões específicas e topologia dos reservatórios, pontos de controle hídrico;

Curvas de permanência de vazões e de regularização natural

Tempos de residência e capacidade de regularização de vazões dos reservatórios;

Definição das disponibilidades hídricas superficiais nos pontos de controle e reservatórios.

3.1.3 Águas Subterrâneas

Com o objetivo de identificar e delimitar as questões mais relevantes ligadas aos recursos hídricos subsuperficiais na bacia do Paranaíba, e sua interface com empreendimentos do setor hidrelétrico, foram levantados e analisados os principais estudos já realizados sobre os aqüíferos da região. O levantamento bibliográfico incluiu a análise dos estudos mais recentes, que definem novas idéias sobre a compartimentação e a potencialidade do Sistema Aqüífero Guarani, o principal aqüífero da região.

Em especial, foram revisadas as conclusões do Estudo Integrado de Bacias Hidrográficas do Sudoeste Goiano – EIBH. No referido trabalho, foram realizadas estimativas do potencial hidrogeológico, mapeados os fluxos e determinada a dinâmica das águas subterrâneas na região sudoeste do Estado de Goiás.

Além das revisões bibliográficas, foram feitas consultas ao Sistema de Informação de Águas Subterrâneas (SIAGAS) da CPRM – Serviço Geológico do Brasil. Esse sistema tem como objetivo armazenar, sistematizar e disponibilizar todos os dados e informações georreferenciadas sobre poços, para dar suporte à elaboração de mapas hidrogeológicos inseridos no Programa Levantamentos Geológicos Básicos da CPRM e dar suporte ao cadastramento das fontes de abastecimento de águas subterrâneas no Brasil.

3.1.4 Biota Aquática

A caracterização da biota aquática na bacia do rio Paranaíba foi elaborada a partir do levantamento de dados secundários objetivando o conhecimento das comunidades fitoplanctônicas, perifíticas, zooplanctônicas, de macrófitas, zoobentos e da ictiofauna, abordados em cada uma das subáreas propostas quando disponível. As fontes de dados consultadas foram artigos da literatura científica e relatórios técnicos de estudos ambientais.

Relativamente às rotas migratórias potenciais, elaborou-se um mapeamento destas com base nos estudos feitos nas bacias, nos trechos de regime lótico e dados fisiográficos das bacias (densidade de drenagem, perfis do álveo com identificação das barreiras com cachoeiras).

3.1.5 Qualidade da Água

A caracterização da qualidade das águas superficiais na Bacia do rio Paranaíba foi elaborada com base em dados pretéritos disponíveis na literatura técnica existente para esta região. Notadamente, foram utilizados os seguintes documentos e bases de dados:

“Relatório de Qualidade das águas Superficiais do Estado de Minas Gerais em 1997 – Projeto: Sistema de Monitoramento da Qualidade das Águas Superficiais do estado de

21

Estado de Minas Gerais em 1997 – Projeto: Sistema de Monitoramento da Qualidade das Águas Superficiais
Minas Gerais – Águas de Minas”, por FEAM (Fundação Estadual do Meio Ambiente), Belo Horizonte,

Minas Gerais – Águas de Minas”, por FEAM (Fundação Estadual do Meio Ambiente), Belo Horizonte, 1998/2006;

“Resultados das Analises físico-químicas e bacteriológicas”, por IGAM, 2006; “Estudo Integrado de Bacias Hidrográficas do Sudoeste Goiano”, por MV Consultoria Ltda & Naturae Consultoria Ltda, 2006;

“Inventário do Potencial Hidrelétrico da Bacia Hidrográfica do rio dos Bois, Sudoeste de Goiás”, por GEOS, 2002; “Qualidade da água e limnologia do reservatório Corumbá IV – Fase pós-enchimento”, por Fundação Luiz Englert, 2005;

“Efeito das fontes pontuais de esgoto doméstico nas sub-bacias de captação do Reservatório São Simão”, por Castellanos-Sola & Pinto-Coelho, e “Avaliação do Efeito dos despejos Urbanos da cidade de Caldas Novas sobre o rio Pirapetinga e o Reservatório da UHE Corumbá (GO)”, por Filippo & Soares, 1999.

3.2

MEIO FÍSICO E ECOSSISTEMAS TERRESTRES

3.2.1

Geologia e Geotecnia

Com o objetivo de identificar e delimitar as principais unidades geológicas existentes na bacia hidrográfica do rio Paranaíba, foram revisados os principais mapeamentos e estudos geológicos já realizados na região, em diferentes escalas de trabalho. As principais fontes de consulta, de abrangência regional, foram as seguintes:

Projeto RADAMBRASIL – Folha SD. 23 Brasília: geologia, geomorfologia, pedologia, vegetação, uso potencial da terra,
Projeto RADAMBRASIL – Folha SD. 23 Brasília: geologia, geomorfologia, pedologia,
vegetação, uso potencial da terra, v. 29, escala 1:1.000.000 – IBGE, 1982;
Projeto RADAMBRASIL – Folha SE. 22 Goiânia: geologia, geomorfologia, pedologia,
vegetação, uso potencial da terra, v. 31, escala 1:1.000.000 – IBGE, 1983;
Mapa Geológico do Estado de Goiás – Ministério das Minas e Energia / Governo do Estado de
Goiás, escala 1:1.000.000, 1987;
Mapa Geológico Regional – Geologia e Recursos Minerais do Estado de Goiás e do Distrito
Federal, escala 1:500.000 – CPRM/METAGO/UnB – Goiânia, 2000;
Mapa Geológico do Estado de Goiás – Agência Goiana de Desenvolvimento Industrial e
Mineral – Diretoria de Mineração e Recursos Minerais, 2002;
Estudo Integrado de Bacias Hidrográficas para Avaliação de Aproveitamentos Hidrelétricos
(EIBH) da região do Sudoeste Goiano – Agência Ambiental de Goiás, escala 1:500.000, 2004;

Além das revisões bibliográficas, foram feitas diversas consultas ao SIG Online do Sistema Estadual de Estatística e de Informações Geográficas do Estado de Goiás. Esse sistema possui uma base de dados com as principais informações sobre o estado de Goiás.

A caracterização e a delimitação das unidades geológicas, associadas aos atributos de cada unidade, são importantes porque o comportamento do maciço depende – tanto ou mais do que do tipo de rocha – de fatores como suas características estruturais e o seu padrão de alteração, entre outros. Sendo assim, procurou-se reunir as informações mais relevantes em relação aos aspectos geológicos da bacia hidrográfica do rio Paranaíba, para uma análise abrangente dos principais elementos envolvidos na avaliação integrada de empreendimentos hidrelétricos, atuais e futuros, nos limites da bacia.

22

envolvidos na avaliação integrada de empreendimentos hidrelétricos, atuais e futuros, nos limites da bacia. 22
Com relação ao levantamento dos sítios geológicos e paleobiológicos existentes na área de estudo, a

Com relação ao levantamento dos sítios geológicos e paleobiológicos existentes na área de estudo, a metodologia aplicada consistiu de duas etapas.

Na primeira, foi realizada consulta (acesso em 25/7/2006) ao sítio da SIGEP – Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos.

Em seguida, foi efetuada pesquisa bibliográfica para o levantamento de informações mais recentes sobre novas descrições de sítios geológicos e paleobiológicos, discriminando aqueles com propostas apresentadas e já aprovadas, mas ainda não publicadas, daqueles ainda em fase

de estudo para aprovação.

A SIGEP – Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos – foi instituída em 1997,

no DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral), a partir de uma solicitação de cooperação e apoio do Grupo de Trabalho de Sítios Geológicos e Paleobiológicos do Patrimônio Mundial, que se configuraria com a apresentação de propostas pelo Brasil para a Lista Indicativa Global de Sítios Geológicos (Global Indicative List of Geological Sites - GILGES) e/ou para a Base de Dados Global de Sítios Geológicos – IUGS/GEOSITES.

Essa Lista Indicativa Global de Sítios Geológicos ou GILGES (Global Indicative List of Geological Sites), iniciada em 1989/90, é uma relação, em âmbito mundial, com a identificação dos sítios geológicos de excepcional valor universal. O depositário dessa lista é o Comitê do Patrimônio Mundial (World Heritage Committee - WHC), que detém a responsabilidade de promover o mecanismo de cooperação internacional.

Essa iniciativa teve início através da Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural

e Natural, adotada em 1972 pela Conferência Geral da UNESCO, em consonância com a

ICOMOS - International Council for Monuments and Sites, com o objetivo de preservar os

testemunhos irremovíveis de civilizações passadas e as paisagens naturais.

O objetivo fundamental dessa Convenção é o de reconhecer os sítios culturais e naturais em

âmbito mundial, de interesse excepcional e de tal valor universal, que sua proteção é considerada ser de responsabilidade de toda a humanidade. No entanto, a soberania de qualquer Sítio do Patrimônio Mundial é retida com o país onde esse sítio está localizado, e a inclusão como propriedade na Lista do Patrimônio Mundial é feita somente por solicitação do Estado concernente.

A metodologia aplicada na identificação e localização de cavernas e demais sítios do patrimônio

espeleológico, nos limites da bacia do Paranaíba, consistiu na consulta ao sítio do IBAMA/CECAV – Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas (disponível em <http://www.ibama.gov.br/cecav/>) e também ao Cadastro Nacional de Cavernas do Brasil – CNC, –

em

da

http://www.sbe.com.br/cavernas_maiores.asp).

Sociedade

Brasileira

de

Espeleologia

SBE

(disponível

O estado de Goiás possui 596 cavernas cadastradas na SBE. No entanto, nenhuma das

cinqüenta

http://www.sbe.com.br/cavernas_maiores.asp?txtestado=GO).

limites

de estudo (disponível em

maiores

está

situada

nos

da

área

O mapa de localização das cavernas na área do Corredor Ecológico do Cerrado Paraná-Pirineus,

produzido pelo IBAMA/CECAV, com dados da Sociedade Brasileira de Espeleologia – SBE, atualizado em abril de 2005, indica a existência de quatro cavernas no Distrito Federal, dentro dos limites da área de estudo. No entanto, esses dados, segundo nota na legenda, estão sujeitos à verificação em campo e, portanto, considerados como dados a validar (localização geoespacial).

23

estão sujeitos à verificação em campo e, portanto, considerados como dados a validar (localização geoespacial). 23
O estado de Minas Gerais, por outro lado, possui 1633 cavernas relatadas no cadastro da

O estado de Minas Gerais, por outro lado, possui 1633 cavernas relatadas no cadastro da SBE.

Dessas, apenas quatro, dentre as cinqüenta maiores, estão localizadas nos limites da área estudada, no município de Unaí. As cavernas são as seguintes: Gruta do Rio Areia; Buraco do

Xico Bento; Gruta Bart Cave; e Gruta Paulista (disponível em http://www.sbe.com.br/cavernas_maiores.asp?txtestado=MG).

3.2.2

Geomorfologia

Foram levantados e analisados dados secundários existentes, incluindo mapas temáticos, principalmente do Radambrasil, folha Goiânia – SE.22.

Foi realizada, em seguida, uma interpretação de imagens de satélite na escala 1:100.000 (Landsat 7 ETM+ em composição colorida - 3R 4G 5B) e eventualmente, de radar.

Foram utilizados os mesmos materiais e procedimentos metodológicos mostrados nos subitens 1.2.1 e 1.2.2 do capítulo de solos, referente ao material básico, aos procedimentos metodológicos para mapeamento e cartografia, usando-se as cartas geomorfológicas.

O presente trabalho foi desenvolvido a partir do levantamento de material bibliográfico e dos

dados cartográficos existentes. As fontes de consulta foram, principalmente, os relatórios “Geologia e Recursos Minerais do Estado de Goiás e do Distrito Federal”, na escala 1:500.000, 2 a edição, organizado por Lacerda Filho et al. (2000), do Projeto de Mapeamento Geológico/ Metalogenético Sistemático – Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil, executado pela CPRM/ METAGO/UnB, (http://www.cprm.gov.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=399&sid=26),

e o “Estudo Integrado de Bacias Hidrográficas do Sudoeste Goiano” (2000).

Preliminarmente, foram definidos os domínios morfoestruturais e morfoesculturais na região do planalto central goiano, em escala 1:250.000, e realizada a análise da drenagem e dos tipos de modelados. Em seguida, foram identificadas as unidades morfológicas correspondentes ao agrupamento de formas relativas aos modelados, que foram distinguidas pelas diferenças da rugosidade topográfica ou das intensidades de dissecação do relevo, por influência dos canais de drenagem temporários e perenes.

Delimitados os tipos de modelados, as informações obtidas se orientaram no sentido de agrupar aqueles que tivessem uma evolução geomorfológica comum, traçando-se, desse modo, as linhas preliminares das unidades morfológicas ou padrões de formas agradacionais (acumulação) e de formas denudacionais (erosão).

As unidades geomorfológicas correspondem à compartimentação ampla do relevo mapeado. São representadas como um conjunto de formas de relevo que apresentam certa similaridade ou relacionamento direto entre si e uma posição altimétrica individualizada. Essas duas características significam que os processos geomorfogenéticos que atuaram numa unidade são únicos e diferem daqueles que atuaram em outras unidades distintas. Significam, ainda, que alguns desses processos foram predominantes em decorrência de condições litológicas, estruturais ou climáticas. A cobertura vegetal e os tipos de solos são também elementos definidores de uma unidade geomorfológica.

Na Folha SE.22-Goiânia (Mamede et al, 1983), o Planalto Central Goiano, unidade

morfoescultural (denominado de unidade geomorfológica na referida folha), se caracteriza pela presença de quatro unidades morfológicas (denominadas de subunidades na referida folha):

Planalto do Distrito Federal; Planalto do Alto Tocantins-Paranaíba; Planalto Rebaixado de Goiânia;

e Depressões Intermontanas.

24

Distrito Federal; Planalto do Alto Tocantins-Paranaíba; Planalto Rebaixado de Goiânia; e Depressões Intermontanas. 24

3.2.3

Solos

3.2.3 Solos O presente item constitui os estudos pedológicos como parte integrante da caracterização da Bacia

O presente item constitui os estudos pedológicos como parte integrante da caracterização da

Bacia do rio Paranaíba e refere-se ao mapeamento de solos, avaliação da aptidão agrícola das terras e sua classificação quanto à erodibilidade no nível de reconhecimento em escala 1:250.000.

Alguns levantamentos já realizados em menor nível de detalhe constituíram elementos básicos

fundamentais na busca de um conhecimento maior dos solos que integram a área do Projeto. Com base nesses estudos, procurou-se, nesse mapeamento, aplicar as atualizações do novo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (Embrapa Solos, 2000), de acordo com as normas do Centro Nacional de Pesquisa de Solos da EMBRAPA, melhorias na delimitação das unidades

de mapeamento, com a utilização de imagens de satélite associados ao modelo digital do terreno

dos novos padrões identificados, além da compatibilização dos próprios estudos existentes. Foram determinadas as relações do solo com o relevo e o uso atual, relações essas bastante importantes para a determinação das restrições e potencialidades em relação à erodibilidade e à

aptidão agrícola.

A partir do mapa de solos, procedeu-se às avaliações de aptidão agrícola e da erodibilidade dos solos de acordo com as características físicas e químicas associadas às fases de relevo. As classes utilizadas para a classificação da erodibildiade compreendem: nula ou ligeira, moderada, forte, muito forte.

Nesta avaliação, foram consideradas características inerentes ao solo, tais como: textura, estrutura, profundidade efetiva, capacidade de permuta de cátions, saturação de bases, teor de matéria orgânica, pH e fatores ambientais referentes à temperatura, umidade, pluviosidade, luminosidade, topografia, cobertura vegetal e outros. Foram também considerados os fatores sócio-econômicos, culturais e técnicas de manejo tradicionais na região.

O principal objetivo desta análise é fornecer subsídios para os programas de minimização dos

impactos causados pela implantação dos diversos empreendimentos na Bacia do Paranaíba, para

os programas de exploração dos solos, assim como servir de instrumento para o planejamento do

uso das terras.

O novo mapeamento elaborado na escala 1:250.000 tem como finalidade fornecer elementos

básicos e essenciais para subsidiar, em conjunto com as informações geradas nos outros trabalhos dos meios físico e biótico e da socioeconomia, a avaliação dos impactos sobre o meio ambiente; prognósticos das condições emergentes; medidas preventivas ou, quando inevitáveis, mitigadoras e/ou compensatórias de efeitos eventualmente danosos que venham a ser desencadeados pela implantação de novos projetos. Além disso, os estudos de solos servirão para uma análise dos processos erosivos atuais e potenciais, além de auxiliar na indicação de diretrizes para os processos de intervenções previstas pelos novos projetos.

Nestes estudos, procurou-se direcionar o diagnóstico dos solos relacionados às unidades de relevo, para facilitar o processo de hierarquização dos problemas e a definição de prioridades, quando fosse o caso. Essa forma de organizar o diagnóstico facilitou a formulação de proposições das intervenções para a melhoria ambiental setorizada, pois, além dos aspectos puramente físicos, serão consideradas as questões de ordem econômica.

Seleção e incorporação de dados básicos e mapeamentos

Primeiramente, foram selecionados e pesquisados os principais estudos antecedentes da região e mais especificamente referentes à área da bacia do Paranaíba, incluindo solos e geomorfologia. Entre os trabalhos utilizados destacam-se os seguintes:

25

área da bacia do Paranaíba, incluindo solos e geomorfologia. Entre os trabalhos utilizados destacam-se os seguintes:
a) Projeto RADABRASIL – Levantamento de Recursos Naturais, especialmente de solos e geomorfologia na escala

a) Projeto RADABRASIL – Levantamento de Recursos Naturais, especialmente de solos e geomorfologia na escala de 1:1.000.000 correspondente às folhas SD.22 – GOIÁS, SD.23 – BRASILIA, SE. 22 – GOIÂNIA e SE. 23 – BELO HORIZONTE (Figura 3.2.1):

22 – GOIÂNIA e SE. 23 – BELO HORIZONTE (Figura 3.2.1): Figura 3.2.1 Folhas 1:1.000.000 do

Figura 3.2.1 Folhas 1:1.000.000 do Projeto RADAMBRASIL

b) Levantamento de Solos e Aptidão Agrícola das Terras publicados pelo Projeto SIG-Goiás em escala 1:250.000. Foram consultadas e incorporadas as folhas referentes ao Estado de Goiás, conforme ilustração na Figura 3.2.2.

ao Estado de Goiás, conforme ilustração na Figura 3.2.2. Figura 3.2.2 Mapas do Projeto SIG-Goiás –

Figura 3.2.2 Mapas do Projeto SIG-Goiás – 1:250.000

26

ao Estado de Goiás, conforme ilustração na Figura 3.2.2. Figura 3.2.2 Mapas do Projeto SIG-Goiás –
c) Foram consultados trabalhos inéditos que constam do acervo do PNUD, Projeto BRA 87/002 –
c) Foram consultados trabalhos inéditos que constam do acervo do PNUD, Projeto BRA 87/002 –
c)
Foram consultados trabalhos inéditos que constam do acervo do PNUD, Projeto BRA 87/002
– apoio Hidrológico e Agrometeorológico ao Programa Nacional de Irrigação, constando de
Folhas 1:250.000 interpretadas conforme delineamento de solos do Projeto Radambrasil. A
Figura 3.2.3 mostra a sua localização, cobrindo toda a bacia hidrográfica do rio Paranaíba.
Figura 3.2.3
Localização das Folhas 1:250.000 de Classificação de Terras para Irrigação
Procedimentos metodológicos para mapeamento e cartografia

Os dados obtidos foram digitalizados e georreferenciados para, posteriormente, serem ajustados sobre uma base que correspondem em parte às folhas do IBGE, em escala 1:250.000 e Geominas, na escala 1:100.000.

Para ajuste do levantamento de solos foram utilizadas as imagens Geocover que compreendem as imagens do Satélite Landsat7 ETM+, em escala 1:100.000. Também foram utilizados os modelos digitais do terreno do SRTM com convolução cúbica para pixel de 45m, antes 90m. Como forma de auxiliar a melhor identificação das feições nas imagens de satélite associado ao modelo digital do terreno foram realizadas imagens sombreadas. Esses ajustes somente foram possíveis com a utilização de um Sistema de Informações Georreferenciadas, ArcGis 9.1 com auxílio de outros softwares como o Global Mapper e Envi.

A Figura 3.2.4 mostra a observação da amplitude de relevo em imagem de satélite sobreposta ao modelo digital do terreno de parte da bacia de estudo.

de satélite sobreposta ao modelo digital do terreno de parte da bacia de estudo. 27 Figura

27

Figura 3.2.4 Amplitude de Relevo

de satélite sobreposta ao modelo digital do terreno de parte da bacia de estudo. 27 Figura
Figura 3.2.5 Imagem de Satélite e Modelo Digital de Terreno para Ajuste de Dados Secundários
Figura 3.2.5 Imagem de Satélite e Modelo Digital de Terreno para Ajuste de Dados Secundários

Figura 3.2.5 Imagem de Satélite e Modelo Digital de Terreno para Ajuste de Dados Secundários

Houve necessidade de um novo tratamento e interpretação dos dados secundários considerando os elementos do relevo apresentados através do modelo digital do terreno e as curvas de nível da base cartográfica.

O delineamento original das unidades de mapeamento de solos foi obtido a partir da interpretação sobre mosaicos semicontrolados de radar. Os polígonos, quando simplesmente transportados para bases georreferenciadas apresentam-se deslocados em relação ao relevo. Há necessidade, portanto, de ajustes para se conseguir a precisão cartográfica necessária.

A Figura 3.2.6 a seguir mostra com melhor clareza esses deslocamento. As linhas em vermelho representam os polígonos originados da recuperação dos dados secundários sem precisão cartográfica, enquanto as delineadas em azul, mostram as modificações que se fazem necessárias para este trabalho.

Essas modificações significam não somente atualização dos dados, como também melhor precisão e confiabilidade do mapeamento, visando sua utilização em programas futuros.

Os mesmos métodos foram utilizados para traçar as unidades do mapa geomorfológico que, embora sejam mais abrangentes, também se encontram deslocadas quando da transferência das interpretações para as bases cartográficas.

As modificações do delineamento dos dados secundários implicam, também, em correção das linhas das unidades de mapeamento, adição de novos contornos identificando feições importantes antes não mapeadas e alteração na composição das unidades de mapeamento de solos.

Além dos trabalhos complementares citados, há necessidade de adequação e compatibilização de conceitos e reclassificação de solos, segundo normas do novo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (EMBRAPA/SOLOS, 2000).

28

de solos, segundo normas do novo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (EMBRAPA/SOLOS, 2000). 28
Pelas razões expostas, praticamente, está sendo elaborado um novo mapa de solos, utilizando-se as informações

Pelas razões expostas, praticamente, está sendo elaborado um novo mapa de solos, utilizando-se as informações existentes adequadas a uma nova base cartográfica e a uma nova classificação.

a uma nova base cartográfica e a uma nova classificação. Figura 3.2.6 Alterações das Linhas das

Figura 3.2.6 Alterações das Linhas das Unidades de Mapeamento Antigas (vermelho) para as Novas Manchas de Solos (azul)

Definições, Conceitos e Critérios para o Estabelecimento das Classes de Solos

As definições, conceitos e critérios usados para o estabelecimento das classes estão de acordo com as normas vigentes, adotadas pela Embrapa/Solos através do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (2000).

Avaliação da Aptidão Agrícola das Terras

Trata-se de um sistema de avaliação que se baseia nos resultados dos levantamentos de solos. Tem como cerne a avaliação das condições agrícolas das terras, sintetizadas em cinco qualidades básicas, visando à identificação do uso mais intensivo possível sob diferentes tipos de manejo. Com o objetivo de mostrar as alternativas de uso de uma determinada área, as terras são posicionadas em seis grupos, em função da viabilidade de melhoramento das cinco qualidades básicas (fertilidade natural, excesso de água, deficiência de água, susceptibilidade à erosão e impedimentos à mecanização) e da intensidade de limitação que persistir após a utilização de práticas agrícolas inerentes aos sistemas de manejo A (baixo nível tecnológico), B (médio nível tecnológico) e C (alto nível tecnológico).

A metodologia da interpretação objeto deste estudo, desenvolvida por RAMALHO FILHO & BEEK (1995), segue orientações contidas no “Soil Survey Manual” (Estados Unidos, 1951) e na metodologia da FAO (1976) que recomendam avaliação da aptidão agrícola das terras a partir de resultados de levantamentos sistemáticos, realizados com base nos vários atributos das terras - solo, clima, vegetação, geomorfologia, etc.

29

sistemáticos, realizados com base nos vários atributos das terras - solo, clima, vegetação, geomorfologia, etc. 29
Como a classificação da aptidão agrícola das terras é um processo interpretativo, seu caráter é

Como a classificação da aptidão agrícola das terras é um processo interpretativo, seu caráter é efêmero, podendo sofrer variações com a evolução tecnológica. Portanto, está em função da tecnologia vigente na época de sua realização.

Níveis de Manejo Considerados

São considerados três níveis de manejo, visando diagnosticar o comportamento das terras em diferentes níveis tecnológicos.

Nível de Manejo A

Baseado em práticas agrícolas que refletem um baixo nível tecnológico. Praticamente não há aplicação de capital para manejo, melhoramento e conservação das condições das terras e das lavouras. As práticas agrícolas dependem do trabalho braçal, podendo ser utilizada alguma tração animal, com implementos agrícolas simples.

Nível de Manejo B

Baseado em práticas agrícolas que refletem um nível tecnológico médio. Caracteriza-se pela modesta aplicação de capital e de resultados de pesquisas para manejo, melhoramento e conservação das condições das terras e das lavouras. As práticas agrícolas estão condicionadas principalmente à tração animal.

Nível de Manejo C

Baseado em práticas agrícolas que refletem um alto nível tecnológico. Caracteriza-se pela aplicação intensiva de capital e de resultados de pesquisa para manejo, melhoramento e conservação das condições das terras e das lavouras. A motomecanização está presente nas diversas fases da operação agrícola.

Quadro 3.2.1 Simbologia Correspondente às Classes de Aptidão Agrícola das Terras

 
   

Utilização

Classe

Lavoura

Pastagem Plantada

Silvicultura

Pastagem natural

Níveis de Manejo

Nível de Manejo B

Nível de Manejo B

Nível de Manejo A

Boa

 

A B C

P

S

N

Regular

 

a b

c

p

s

n

Restrita

(a) (b) (c)

(p)

(s)

(n)

Inapta

-

-

-

-

-

-

Fonte: RAMALHO FILHO & BEEK, 1995

Grupos de Aptidão Agrícola

A representação dos grupos é feita com algarismos de 1 a 6, em escala decrescente, segundo as possibilidades de utilização das terras. As limitações que afetam os diversos tipos de utilização aumentam do grupo 1 para o grupo 6, diminuindo, consequentemente, as alternativas de uso e a intensidade com que as terras podem ser utilizadas, conforme demonstra no Quadro 3.2.2.

30

as alternativas de uso e a intensidade com que as terras podem ser utilizadas, conforme demonstra
Quadro 3.2.2 Alternativas de Utilização das Terras de Acordo com os Grupos de Aptidão Agrícola
Quadro 3.2.2 Alternativas de Utilização das Terras de Acordo com os Grupos de Aptidão Agrícola
Quadro 3.2.2
Alternativas de Utilização das Terras de Acordo com os Grupos de Aptidão Agrícola
Aumento da Intensidade de Uso
Grupo de Aptidão
Agrícola
Silvicultura
Lavouras
Preservação de
Flora e Fauna
e/ou
Pastagem
Pastagem
Plantada
Aptidão
Aptidão
Aptidão
Natural
Restrita
Regular
Boa
1
2
3
4
5
6
Intensidade da
ilimitação.
Diminuição das
alternativas de uso

Fonte: RAMALHO FILHO & BEEK, 1995

Subgrupos de Aptidão Agrícola

o resultado conjunto da avaliação da classe de aptidão relacionada com o nível de manejo,

É

indicando o tipo de utilização das terras. No exemplo 1(a)bC, o algarismo 1, indicativo do grupo,

representa a melhor classe de aptidão das componentes do subgrupo, uma vez que as terras pertencem à classe de aptidão boa no nível de manejo C (grupo 1); classe de aptidão regular, no nível de manejo B (grupo 2); e classe de aptidão restrita, no nível de manejo A (grupo 3).

a) Classes de Aptidão Agrícola

São quatro as classes de aptidão agrícola dos solos:

Classe boa: Terras sem limitações significativas para a produção sustentada de um determinado tipo de
Classe boa: Terras sem limitações significativas para a produção sustentada de um
determinado tipo de utilização, observando-se as condições do manejo considerado.
Classe regular: Terras que apresentam limitações moderadas para a produção sustentada de
um determinado tipo de utilização, observando-se as condições do manejo considerado.
Classe restrita: Terras que apresentam limitações fortes para a produção sustentada de um
determinado tipo de utilização, observando-se as condições do manejo considerado.
Classe inapta: Terras não indicadas para produção sustentada de culturas de ciclo curto e
longo. Em geral, são indicadas para preservação da flora e da fauna.
Suscetibilidade à Erosão
A
erosão, entendida como um processo de degradação do solo devido à atuação dos fatores

naturais e antrópicos tem, cada vez mais, merecido a atenção dos pesquisadores, tanto no que diz respeito à manutenção da produtividade agrícola como no que se refere à preservação de uma

forma geral.

As atividades humanas constituem o principal agente deflagrador dos processos erosivos, quando

a erosão normal, causada pelos fatores naturais dá lugar á erosão acelerada, resultado da interferência antrópica.

31

erosão normal, causada pelos fatores naturais dá lugar á erosão acelerada, resultado da interferência antrópica. 31
A erosão hídrica laminar é definida como a remoção homogênea de uma capa de solos,

A erosão hídrica laminar é definida como a remoção homogênea de uma capa de solos, uma forma de erosão menos perceptível e por isso mesmo a mais perigosa, pois quando é notada a perda de solos já foi significativa.

A erodibilidade do solo é a propriedade que representa a sua susceptibilidade á erosão, podendo ser definida como a quantidade de material que é removido por unidade de área quando os demais fatores determinantes da erosão permanecem constantes (Freire et al.,1992).

De acordo com Bertoni e Lombardi Neto (1993) as diferenças do solo permitem que alguns solos sejam mais erodíveis que outros ainda que variáveis como chuva, declividade, cobertura vegetal e práticas de manejo sejam as mesmas. Ainda de acordo com esses autores as propriedades do solo que influenciam na erodibilidade são aqueles que afetam a infiltração, a permeabilidade, a capacidade total de armazenamento de água e aquelas que resistem às forças de dispersão, salpico, abrasão e transporte pelo escoamento. A erodibilidade do solo tem seu valor quantitativo determinado experimentalmente em parcelas e é expressa como a perda de solo por unidade de índice de erosão da chuva (EI) Bertoni e Lombardi Neto (1993).

No caso do estudo de uma bacia hidrográfica como a do Paranaíba, dada a sua dimensão e a natureza da informação que se pretende obter, optou-se por utilizar a técnica de avaliação recomendada para a determinação dos graus de suscetibilidade à erosão da aptidão agrícola das terras, acompanhada de estudos mais completos das características internas dos solos e do meio físico onde se encontram.

Como se poderá ver mais adiante, muitas outras variáveis são consideradas, principalmente quanto às condições mesológicas, mas, a observação de campo do técnico experiente é sempre fundamental.

Muito se tem escrito sobre modelos automáticos de previsão, porém, esses métodos valiosos restringem-se mais a pequenas bacias e áreas. Sua aplicabilidade torna-se restrita, quando se trata de grandes extensões mais complexas.

Por isso, uma classificação mais abrangente é melhor indicada, como a avaliação dos graus de suscetibilidade considerando como ponto de partida o mapa de solos, suas unidades de mapeamento, características de cada uma, sua posição na paisagem e, sobretudo, as observações de campo dos técnicos que geraram a informação cartográfica. Esses graus de limitação estão relacionados a seguir, no Quadro 3.2.3.

Quadro 3.2.3 Classes de Suscetibilidade à Erosão Segundo Modelo da Avaliação da Aptidão Agrícola das Terras

Classe de

 

Suscetibilidade

Conceito e Descrição

Nula

Terras não suscetíveis à erosão. Geralmente ocorrem em solos de relevo plano ou quase plano (0 a 3%

Ligeira

de declive), e com boa permeabilidade. Terras que apresentam pouca suscetibilidade à erosão. Geralmente os solos possuem boas propriedades

Moderada

físicas, variando os declives de 3 a 8%. Terras que apresentam moderada suscetibilidade à erosão. O relevo é normalmente ondulado, com declives entre 8 e 13%. Esses níveis de declive podem variar para mais de 13%, quando as condições físicas dos solos forem muito favoráveis, ou para menos de 8%, quando muito desfavoráveis, como é o

Forte

caso de solos com mudança textural abrupta. Terras que apresentam forte suscetibilidade à erosão. Ocorrem em relevo ondulado a forte ondulado, com declives normalmente de 13 a 20%. Na maioria dos casos a prevenção à erosão depende de práticas

Muito Forte

intensivas de controle. Terras com suscetibilidade maior que a do grau forte, tendo o seu uso agrícola muito restrito. Ocorrem em relevo forte ondulado, com declives entre 20 a 45%. Na maioria dos casos o controle à erosão é

Extremamente Forte

dispendioso, podendo ser antieconômico. Terras que apresentam severa suscetibilidade à erosão. Trata-se de terras com declives superiores a 45%, nas quais deve ser estabelecida uma cobertura vegetal para sua preservação.

32

de terras com declives superiores a 45%, nas quais deve ser estabelecida uma cobertura vegetal para
Em adição, seguindo recomendações técnicas, para a determinação dos graus de suscetibilidade de cada uma

Em adição, seguindo recomendações técnicas, para a determinação dos graus de suscetibilidade

de cada uma das áreas delimitadas no mapa de solos, considera-se um grande número de fatores

determinantes na velocidade e atuação dos processos erosivos:

a)

Volume d’água que atinge o terreno e sua distribuição no tempo e espaço;

b)

Sazonalidade das precipitações pluviométricas: sabe-se que o Centro-Oeste do Brasil tem, em linhas gerais, dois períodos com distinta precipitação – o primeiro, seco, que corresponde aos meses de inverno; o segundo, chuvoso que inicia em meados de setembro e termina em maio.

c)

Chuvas intensas: a análise das chuvas intensas é extremamente importante, pois, são elas as causadoras dos maiores efeitos erosivos sobre as terras;

d)

Cobertura vegetal: o tipo de cobertura vegetal determina a maior ou menor proteção contra o impacto e a remoção das partículas de solo pela água;

e)

Características de solos como: espessura do solum (compreende os horizontes A e B), transição entre horizontes (gradiente textural), tipo de argila, textura, estrutura, camadas orgânicas, camadas adensadas em subsuperfície, pedregosidade superficial e subsuperficial, presença de calhaus e matacões, drenagem interna, permeabilidade, entre as mais importantes;

f)

Lençol freático: a profundidade do lençol freático nos solos é fator decisivo para o desenvolvimento de voçorocas;

g)

Topografia: maiores declividades determinam maiores velocidades de escoamento das águas, aumentando sua capacidade erosiva. O comprimento da pendente é diretamente proporcional ao tempo de escoamento. Se os declives são acentuados, quanto maior a vertente, maior é a erosão;

h)

Uso e manejo do solo – a indução ou a redução da erosão depende do tipo de cultura e do manejo de solos adotado; a adoção de práticas conservacionistas como cultivos em curvas de nível, terraceamento, plantio direto, culturas em contorno e outras recomendadas para cada região, reduz consideravelmente os efeitos dos processos erosivos.

As

classes de susceptibilidade foram atribuídas às unidades de mapeamento, considerando-se o

componente principal da unidade. A avaliação foi realizada de maneira comparativa, em primeira

instância, seguindo-se a classificação pedológica, ordens, subordens, grande grupos, etc.

Considerando as principais classes de solos presentes na área de estudo, o potencial de erosividade de cada classe de solos, baseado na sua constituição morfológica e no relevo, pode sumarizado conforme mostra o Quadro 3.2.4.

3.2.4 Recursos Minerais

O levantamento das atividades minerais ou direitos minerários efetuado na área de estudo

abrange os limites da bacia hidrográfica do rio Paranaíba.

A consulta para obter os dados dos direitos minerários foi efetuada no banco de dados

denominado SIGMINE, do DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral), acessado, no dia 25/07/2006, através da página principal daquela Autarquia (http://sigmine.dnpm.gov.br). Efetuou-se, ainda, pesquisa bibliográfica para levantar as informações mais recentes sobre ocorrências ou ambientes geológicos com potencialidades mínero-metalogenéticas de significado econômico.

33

sobre ocorrências ou ambientes geológicos com potencialidades mínero-metalogenéticas de significado econômico. 33
Quadro 3.2.4 Suscetibilidade à Erosão Laminar e Concentrada por Classe de Solos      

Quadro 3.2.4 Suscetibilidade à Erosão Laminar e Concentrada por Classe de Solos

 
     

Suscetibilidade à

Classe de Solo

Relevo

Suscetibilidade à

Erosão Laminar

Erosão

Concentrada

Gleissolo

Plano

Nula a Ligeira

Nula

Neossolo Flúvico

Plano

Ligeira

Ligeira a moderada

Latossolo Vermelho-Amarelo

Suave ondulado

Ligeira

Ligeira

Latossolo Vermelho

Suave ondulado

Ligeira

Ligeira

 

Suave ondulado

Moderada

Moderada

Argissolo Vermelho-Amarelo

Ondulado

Moderada/Forte

Moderada/Forte

Forte ondulado

Forte

Forte

Nitossolo

Suave ondulado

Moderada

Moderada

Ondulado

Moderada/Forte

Moderada/Forte

Cambissolo Háplico

Suave ondulado

Moderada

Moderada

Ondulado

Forte

Forte

Neossolo Quartzarênico

Suave ondulado

Moderada

Forte a muito forte

Plintossolo

Suave ondulado

Moderada

Moderada

 

Ondulado

Forte a muito forte

Forte a muito forte

Neossolo Litólico

Forte ondulado/

Muito Forte

Muito Forte

montanhoso

Neossolo Litólico

Escarpado

Extremamente Forte

Extremamente Forte

Obs.:

Com base em resultados de experimentos com simuladores de chuva pelos técnicos da EMBRAPA, Centros de Pesquisa localizados no Centro-Oeste (CPAc) e observações de campo dos autores do mapeamento da Folha SE.23 GOIÂNIA.

Para o levantamento dos direitos minerários foram realizadas as seguintes atividades: primeiro, foi feita a relação de municípios existentes na região; depois foi obtida a relação dos processos ou registros existentes para cada município; e, em seguida, foram compiladas as informações relativas a cada processo, tais como ano e número do processo no DNPM, total da área solicitada, tipo e fase do regime de aproveitamento; titularidade, substância mineral requerida; data de exame do processo; e último evento. Esse levantamento gerou um total de 4165 registros entre processos ativos e inativos.

Através da superposição do mapa (e das poligonais) com a localização dos reservatórios, atuais e previstos, foram verificados os processos associados aos direitos minerários atingidos por cada reservatório e aqueles existentes em suas adjacências com possibilidade de sofrer interferências.

3.2.5 Ecossistemas Terrestres

Metodologia de Análise de Indicadores de Fauna Terrestre

A definição de áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade tem sido uma importante estratégia para a conservação dos biomas brasileiros (Costa et al., 1998; Drummond et al., 2005; MMA/SBF, 2002). A metodologia utilizada para o delineamento dessas áreas, baseia-se, em síntese, na definição de indicadores de diversidade biológica, hierarquização de níveis de importância biológica determinados pelos indicadores e classificação das áreas segundo esses níveis. Essa análise é feita independentemente para diversos grupos temáticos (componentes bióticos e abióticos) e, em seguida, as informações obtidas para cada grupo são cruzadas,

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temáticos (componentes bióticos e abióticos) e, em seguida, as informações obtidas para cada grupo são cruzadas,
resultando em uma análise geral. Determinados grupos zoológicos são utilizados como grupos temáticos e o

resultando em uma análise geral. Determinados grupos zoológicos são utilizados como grupos temáticos e o ponto mais frágil desse tipo de análise é, sem dúvida, a pequena quantidade de informações biológicas básicas sobre vários táxons em muitas áreas brasileiras. Isto pode fazer com que algumas áreas realmente importantes, porém pouco estudadas, deixem de ser mencionadas; mas aquelas áreas consideradas importantes seguramente o são.

A metodologia acima descrita foi aplicada para a bacia do Paranaíba, com algumas alterações,

objetivando-se a identificação de áreas que apresentam faunas mais sensíveis aos impactos ambientais negativos decorrentes das atividades de aproveitamento hidrelétrico. Para tanto, foram utilizadas aquelas informações primárias sobre fauna das análises já realizadas para o Estado de Minas Gerais e para o bioma Cerrado (Drummond et al., 2005; MMA/SBF, 2002). Foram considerados os seguintes grupos temáticos: Mamíferos, Aves, Répteis, Anfíbios, Invertebrados; foram selecionados dez indicadores de sensibilidade da fauna e as áreas foram classificadas em

cinco classes. Após a seleção das áreas com fauna mais sensível, foram confeccionados mapas das referidas áreas, para mamíferos (Desenho EPE-1-40-0803), aves (Desenho EPE-1-40-0804) e répteis e anfíbios (Desenho EPE-1-40-0805). Os resultados dessa análise são apresentados no item Base de Dados que se segue.

3.3 MODOS DE VIDA

A caracterização dos Modos de Vida foi realizada com base na análise dos dados disponibilizados

pelos principais órgãos de pesquisa socioeconômica oficiais do país, apoiados por levantamentos bibliográficos e pesquisa de campo. Entre as principais pesquisas utilizadas podem ser citadas o Censo Populacional e a Pesquisa sobre Saneamento, realizadas pelo IBGE, as pesquisas de

Renda realizadas pelo IPEA e as informações disponíveis no Atlas de Desenvolvimento Humano do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

Os estudos realizados buscaram caracterizar os principais aspectos sociais dos diversos municípios que compõem a área da bacia, analisando os aspectos demográficos, o acesso a serviços básicos, a existência de áreas legalmente protegidas ou diferenciadas. As informações foram organizadas de forma a proporcionar um entendimento da conjuntura social da bacia e das subáreas definidas para esta fase do estudo.

Além da divisão entre as subáreas, o estudo considerou para os diversos dados analisados um período histórico que permitisse a avaliação das tendências municipais e regionais. Tais informações foram ainda consolidadas por uma análise do processo de ocupação da região e o histórico do desenvolvimento na bacia.

Os estudos sobre a presença de Terras Indígenas foi baseado nas informações fornecidas pela FUNAI, que disponibilizou o mapeamento das Terras Indígenas demarcadas atualizadas do ano de 2006.

A identificação de Comunidades Negras Remanescentes de quilombos, foi realizada a partir das

informações fornecidas pela Fundação Palmares. Tais informações mostram o registro de todos

os processos de reconhecimento legal dessas comunidades de acordo com a situação em Junho de 2006.

Com base nestas informações foi produzido um cartograma, dispondo as informações sobre o número de Comunidades Negras Remanescentes de Quilombo por município da Bacia do Rio Paranaíba.

35

sobre o número de Comunidades Negras Remanescentes de Quilombo por município da Bacia do Rio Paranaíba.
Os estudos sobre a presença de assentamentos rurais e a estrutura fundiária da região, bem

Os estudos sobre a presença de assentamentos rurais e a estrutura fundiária da região, bem como a ocorrência de conflitos e a atuação dos movimentos sociais na bacia, foi baseada em entrevistas realizadas junto à CPT (Comissão Pastoral da Terra), INCRA, Institutos estaduais de terras, MST e outros movimentos sociais atuantes na bacia. Tais informações foram sistematizadas de modo a compor um quadro das situações de conflito existentes na bacia, mapeando suas ocorrências bem como traçando um perfil da situação fundiária.

3.4 ORGANIZAÇÃO TERRITORIAL

Os estudos sobre a organização territorial nas diversas subáreas da bacia foram baseados em duas linhas metodológicas. Foram realizadas análises baseadas nos dados produzidos pelo IBGE, através do censo agropecuário, Pesquisa Agrícola Municipal, Pesquisa Pecuária Municipal, organizadas de modo a traçar um perfil dos diversos municípios quanto ao uso das terras, a distribuição fundiária e outros aspectos.

Por outro lado foi realizado, para este estudo, um mapeamento com base em imagens de satélite atualizadas observando a ocupação territorial da bacia segundo o tipo de cobertura vegetal ou uso das terras.

O mapeamento das rodovias e ferrovias da bacia foi realizado com base nas informações

cartográficas disponíveis, ajustados a escala de apresentação do estudo através de imagens de satélite.

3.5 BASE ECONÔMICA

Os estudos sobre a base econômica dos municípios, das subáreas e da bacia do rio Paranaíba foram realizados tendo como base as informações disponíveis sobre o Produto Interno Bruto – PIB, definido como o total das riquezas produzidas pelos setores Agropecuário, Industrial e de Serviços. Como o índice é calculado pelo IBGE com a mesma metodologia para o país, estados e municípios brasileiros, se torna um importante indicador para comparar o desempenho setorial e total das diversas unidades federativas. O IPEA, por sua vez, ao deflacionar esses valores em R$ (2000), possibilitou a análise do crescimento total e dos setores do PIB nas unidades geográficas estudadas.

As informações disponíveis e indicadores econômicos foram então analisados de forma a compor

um quadro das condições econômicas regionais, analisando as condições de desenvolvimento apoiados por uma pesquisa sobre as empresas instaladas e as tendências e condições locais de

desenvolvimento econômico.

3.6 NORMAS TÉCNICAS E LEGISLAÇÃO APLICÁVEL

Foi realizada uma ampla pesquisa sobre as estrutura normativa sobre o setor elétrico e sobre as questões ambientais existentes na jurisprudência brasileira. A análise tem como finalidade preparar um referencial básico que ajude na compreensão da natureza e dos objetivos dessa AAI, bem como os aspectos jurídicos associados aos aspectos ambientais estudados.

36

da natureza e dos objetivos dessa AAI, bem como os aspectos jurídicos associados aos aspectos ambientais

4. TEMAS AMBIENTAIS

4. TEMAS AMBIENTAIS 4.1 RECURSOS HÍDRICOS E ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS 4.1.1 Climatologia Inicialmente, com base

4.1

RECURSOS HÍDRICOS E ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS

4.1.1

Climatologia

Inicialmente, com base em estudos e caracterizações feitas sobre a bacia, elaborou-se um resumo das análises sobre a circulação atmosférica e de gênese das chuvas. Em seguida é feita uma descrição e apresentação dos principais meteoros que definem o clima da região, sua variabilidade ao longo do ano e sua variação espacial.

O clima da bacia do rio Paranaíba é governado pela circulação atmosférica de larga escala,

recebendo influência das perturbações atmosféricas extratropicais e dos sistemas tropicais. As perturbações extratropicais que atingem a região são representadas, principalmente, pelas incursões de massas de ar frio (polares), provenientes do sul do continente americano. As perturbações tropicais são representadas pelos sistemas convectivos oriundos dos contrastes térmicos sobre o continente.

Estudos realizados para a região Centro-Oeste mostram que o fluxo de vapor que penetra nesta região, através da circulação atmosférica, em situações de chuvas intensas, é proveniente, predominantemente, de sudoeste e de noroeste. Isto é, a parcela de sudoeste é associada às penetrações de massa de ar frio do sul do continente e a de noroeste do interior do continente com origem na região amazônica.

Em determinadas condições atmosféricas, configura-se a formação de uma estreita zona de convergência, que às vezes se assemelha a uma frente fria de menores proporções. Esta estrutura recebe a denominação de linha de instabilidade (LT), que é responsável pela formação

de nebulosidade cumuliforme, acompanhada de chuvas e trovoadas, geralmente de curta duração

(máximo de 2 horas).

A convecção local constitui-se em outro mecanismo de formação de nuvens do tipo cumulus,

podendo provocar chuvas fortes localizadas (geralmente em áreas de 10 a 20 km²) e de curta

duração (30 minutos a 1 hora).

O caráter predominantemente tropical propiciado pela circulação atmosférica condiciona a existência de um ambiente climático marcado por grande incidência solar quase o ano todo. A pequena diferenciação climática na região ocorre pela alternância de sistemas de circulação de alta umidade, em contraste com a presença de sistemas menos úmidos.

O clima da região Central do Brasil, segundo alguns pesquisadores, é marcado pela presença da

"circulação perturbada de oeste", que carreia para a região a umidade necessária para manter o período chuvoso. Nesse raciocínio, a circulação perturbada de oeste (ventos de W e NW) ocorre, sobretudo no verão, acompanhada também de linhas de instabilidade, relacionadas a depressões barométricas. No interior das LTs, o ar em convergência acarreta chuvas e trovoadas, com possível gênese ligada ao movimento ondulatório da Frente Polar Atlântica. Tais perturbações são geralmente descritas (1998) como zonas de convergência controlada pela ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul), uma zona de alta pressão localizada no Atlântico Sul, e são responsáveis pela intensificação da frontogênese de verão e convergência do ar úmido para a região.

37

Sul, e são responsáveis pela intensificação da frontogênese de verão e convergência do ar úmido para
Sob a ação do ar continental úmido, entre outubro e março, são precipitadas quantidades de

Sob a ação do ar continental úmido, entre outubro e março, são precipitadas quantidades de chuvas correspondentes a aproximadamente 80%, em relação ao total médio anual (entre 1.200 mm a 1.300 mm), caracterizando uma estação pluvial relativamente intensa, variando entre seis (outubro a março) e sete meses (setembro a março ou outubro a abril) no ano.

Desta forma, o clima da bacia apresenta uma sazonalidade bem definida, com a ocorrência de um período seco, marcado por três meses, entre junho e agosto, e um período chuvoso, entre os meses de outubro a abril (total pluviométrico entre 85 a 95% do total anual), com índices mensais superiores a 100 mm, dando-se destaque para os meses de novembro a fevereiro, quando a precipitação é superior a 200 mm.

A partir do final do Outono até o início da Primavera, com destaque para o Inverno, ocorre a

expansão, sobre a porção central da América do Sul, do Anticiclone do Atlântico Sul, inflado pela forte atuação do Anticiclone Polar Atlântico. Segundo Nobre et al (1998), durante o inverno ocorre

o deslocamento para oeste, em direção ao continente, do Anticiclone do Atlântico Sul (SASH) e a migração para norte da Zona de Convergência Intertropical (ITCZ), registrando-se subsidência de larga escala típica sobre o Brasil Central e a Amazônia, fazendo com que a umidade e as nuvens sejam empurradas para áreas mais remotas, ao norte e noroeste da Amazônia. Esses fenômenos são responsáveis pela escassez de chuvas sobre o continente e pela definição da estação seca no Brasil Central.

O sistema atmosférico derivado da circulação do Anticiclone do Atlântico Sul apresenta elevado

grau de estabilidade sobre o continente, embora podendo produzir instabilidade ao longo do litoral brasileiro ou sob a influência da orografia. Na região em estudo, o relevo apresenta-se pouco

expressivo, com ausência de rugosidade suficiente para perturbar o fluxo das correntes estáveis do Anticiclone do Atlântico Sul, que fluem na região através de ventos que sopram de Leste e Nordeste. Assim, sob a influência do sistema de circulação do Anticiclone do Atlântico Sul e do Anticiclone Polar, tem-se no inverno o tempo estável com tardes quentes e muito secas, em contraste com as madrugadas frescas ou mesmo frio. O período seco, nos meses de maio a outubro representa cerca de 8% da soma anual.

Resumindo-se pode-se concluir:

Que existe uma sazonalidade marcante na bacia com relação às condições de geração das precipitações, isto é, durante seis meses as condições de circulação atmosférica geram condições para a ocorrência de chuvas e nos seis meses restantes essas condições praticamente desaparecem, e nesse caso explicam a baixa incidência de chuvas nesse período; A maior parte das precipitações da bacia são geradas por fenômenos de circulação de macro escala, isto é, oriundas de fora da bacia; A bacia não possui barreiras orográficas que modifiquem ou intensifiquem as precipitações.

Dentre os principais parâmetros que influenciam direta ou indiretamente na organização das paisagens naturais e na vida da população e na economia da região em estudo destacam-se o calor sensível (temperatura do ar, insolação), a evaporação e a evapotranspiração, a umidade do ar, as chuvas, pressão e ventos, acrescentando-se o balanço hídrico do solo como síntese climatológica, que se apresenta a seguir.

38

e ventos, acrescentando-se o balanço hídrico do solo como síntese climatológica, que se apresenta a seguir.

4.1.1.1 Elementos de Caracterização

a) Insolação

4.1.1.1 Elementos de Caracterização a) Insolação Considerando os valores mensais de insolação observados em postos

Considerando os valores mensais de insolação observados em postos da bacia ou sua vizinhança pode-se constatar que:

A insolação representada pelos números de horas de sol é maior nos meses correspondentes ao período seco (Quadro 4.1.1), mesmo com um número de horas máximo possível mais curto nessa época, uma vez que a estabilidade do ar encontra-se associada a baixas taxas de nebulosidade; Os valores da radiação (aferidos pela insolação) variam ao longo do ano, sendo menores durante o período seco, dado a ausência de nebulosidade e a baixa umidade atmosférica, que atenuam o efeito estufa, acumulador de calor sensível, tornando mais frias as madrugadas; A menor quantidade de radiação disponível coincide com o período seco, quando é menor a disponibilidade de água no solo o que, de modo geral, provoca efeito benéfico na vegetação natural ou cultivada quando ainda existe disponibilidade de água no solo.

Quadro 4.1.1 Insolação Total (Horas e décimos) – 1961/90

 

Local

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Ano

Rio Verde

159,7

172,0

180,3

211,7

236,9

260,4

282,0

244,2

172,0

189,2

156,9

149,4

2.114,7

Jataí

173,0

172,0

178,0

233,0

184,0

233,0

240,0

271,0

192,0

196,0

127,0

116,0

2.315,0

Brasília

157,4

157,5

180,9

201,1

234,4

253,4

265,3

262,9

203,2

168,2

142,5

138,1

2.364,8

Catalão

174,4

171,1

200,0

222,4

246,6

247,5

265,1

262,0

196,0

193,0

181,4

154,3

2.514,1

Goiânia

176,1

156,4

203,6

230,8

253,9

270,2

283,1

269,2

214,9

184,6

173,3

172,0

2.588,1

Uberaba

193,4

186,9

218,2

231,6

252,6

254,5

256,2

270,6

230,1

230,4

217,1

171,6

2.713,2

B.Horizonte

189,8

195,5

215,1

228,9

237,1

240,1

256,6

255,6

210,1

190,5

181,7

165,1

2.566,0

Média

166,3

172,0

179,2

222,4

210,5

246,7

261,0

257,6

182,0

192,6

142,0

132,7

2.214,9

Fonte: DNM-INMET (1992) e SIMEGO

b) Temperaturas

A posição latitudinal e a homogeneidade topográfica regional, associada à dinâmica da radiação global e suas relações meteorológicas explicam a pequena amplitude térmica anual e pequena variabilidade espacial, como mostrado pelo mapa de isolinhas do Desenho EPE-1-40-0615 - Mapa de Temperaturas Médias Anuais. Verifica-se um predomínio de médias mensais superiores a 18ºC ao longo do ano, com variação anual da temperatura inferior a 5°C, caracterizada como isotermal na classificação de Köppen.

Os dados dos postos da região geralmente expressam baixa amplitude térmica sazonal, com variações entre 21,9ºC e 24,6ºC no mês mais quente, correspondente a outubro, e entre 18,1 O C e 20,8ºC no mês mais frio, representado pelo mês de julho. A amplitude térmica anual, portanto, não ultrapassa 4ºC (Quadro 4.1.2).

Quadro 4.1.2 Temperatura Média do Ar (O C) – 1961/90

 

Local

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Ano

Rio Verde

23,0

23,6

23,4

22,4

21,4

20,3

20,0

22,5

23,1

23,8

23,3

23,1

22,5

Brasília

21,6

21,8

22,0

21,4

20,2

19,1

19,1

21,2

22,5

22,1

21,7

21,5

21,2

Catalão

23,0

23,0

23,2

22,4

20,6

19,4

19,3

21,2

22,9

23,3

23,0

22,6

22,0

Goiânia

23,8

23,8

23,9

23,6

22,1

20,8

20,8

22,9

24,6

24,6

24,0

23,5

23,2

Uberaba

23,6

23,4

23,3

21,6

20,1

18,6

18,5

20,9

22,6

23,2

23,1

23,4

21,9

B.Horizonte

22,8

23,2

23,0

21,1

19,8

18,5

18,1

19,0

21,0

21,9

22,2

22,2

21,1

Média

                         

Fonte: DNM-INMET (1992) e SIMEGO

39

                        Fonte: DNM-INMET (1992) e
O mês mais quente, outubro, corresponde ao início da Primavera, quando ocorre a maior incidência

O mês mais quente, outubro, corresponde ao início da Primavera, quando ocorre a maior incidência solar na região, com alta disponibilidade de energia radiante. Considerando o grau de ressecamento da paisagem, com pouca umidade no solo para ser evaporada, a maior parte da radiação líquida é transformada em fluxo de calor sensível.

O mês mais frio é julho, embora ainda exista umidade no ambiente para consumir o excesso de

radiação líquida. Essa análise confirma o caráter tropical do clima regional, com elevada

disponibilidade energética para a realização dos processos naturais.

No Volume Caderno de Mapas e Base de Dados é apresentado o Desenho EPE-1-40-0615 - Mapa de Temperaturas Médias Anuais Para a Bacia.

c) Umidade Relativa do Ar e Capacidade de Evaporação

A umidade relativa do ar varia conforme o ritmo da circulação atmosférica: maior umidade quando

predomina o sistema de convergência do Atlântico Sul, destacada no período de novembro a abril, quando a umidade encontra-se acima dos 75%, e expansão do centro anticiclonal do Atlântico Sul no período de estiagem, gerando subsidência (dificuldade de formação de nuvens). Esse fato explica em parte a sazonalidade marcante da região, e o estado de estabilidade atmosférica, como nos meses de junho a setembro, com umidade geralmente abaixo dos 65%. Os maiores

índices de umidade relativa são registrados nos meses de dezembro e janeiro, com valores médios superiores a 80%. Os menores valores ocorrem no mês de agosto, com médias próximas aos 50% (Quadro 4.1.3).

Quadro 4.1.3 Totais médios de umidade relativa (%)

 

Local

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Ano

Jataí

76,0

79,0

77,0

68,0

77,0

65,0

61,0

49,0

60,0

69,0

80,0

83,0

70,3

Rio Verde

81,0

78,0

81,0

76,0

71,0

64,0

57,0

52,0

61,0

68,0

75,0

81,0

70,0

Brasília

76,0

77,0

76,0

75,0

68,0

61,0

56,0

49,0

53,0

66,0

75,0

79,0

67,0

Catalão

78,0

77,0

75,0

73,0

68,0

63,0

56,0

52,0

54,0

65,0

74,0

79,0

68,0

Goiânia

75,0

76,0

74,0

71,0

65,0

60,0

53,0

47,0

53,0

65,0

73,0

76,0

66,0

B.Horizonte

79,0

75,1

74,7

73,9

72,5

71,4

68,7

64,5

65,1

69,8

74,1

78,0

72,2

Uberaba

80,5

80,6

81,7

83,0

83,3

84,0

81,9

76,6

76,2

76,7

80,6

82,8

81,0

Média

78,9

80,6

81,1

75,3

70,6

60,9

56,1

49,3

63,4

63,6

78,4

82,2

69,5

Fonte: DNM-INMET (1992) e SIMEGO

A capacidade evaporativa do ar é normalmente aferida nas estações (atmômetro de Piché). A

análise das médias mensais da capacidade evaporativa do ar indicam uma forte correlação com a

variação da umidade relativa do ar (Quadro 4.1.4). O ar mais seco entre os meses de maio a agosto, associado aos ventos mais intensos do Anticiclone do Atlântico Sul, provocam maior demanda evaporativa da atmosfera junto ao solo. Essa aferição não expressa a evaporação na região, que é geralmente obtida por formulações (indiretamente).

Quadro 4.1.4 Capacidade Evaporativa do Ar (mm)

 

Local

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Ano

Rio Verde

76,6

78,9

77,2

94,1

106,6

130,0

165,4

198,2

181,1

145,7

93,7

82,8

1.430,3

Jataí

124,0

100,0

118,0

151,0

114,0

154,0

209,0

307,0

224,0

170,0

111,0

99,0

1.880,0

Brasília

105,5

102,8

108,6

107,4

128,6

149,2

182,1

236,6

227,7

153,7

107,7

96,8

1.692,3

Catalão

73,5

70,1

78,7

85,3

102,1

110,8

140,4

178,1

177,1

132,9

94,3

71,1

1.314,4

Goiânia

92,6

88,0

100,9

111,1

127,2

141,2

173,6

202,4

191,9

146,5

106,2

95,0

1.576,6

B.Horizonte

86,7

84,7

95,3

92,4

92,8

92,4

105,7

132,1

137,2

117,7

96,3

84,1

1.217,4

Uberaba

90,3

84,4

97,0

98,6

103,2

115,2

144,3

198,8

196,4

158,2

113,5

98,5

1.498,4

Fonte: DNM-INMET (1991) e SIMEGO

40

98,6 103,2 115,2 144,3 198,8 196,4 158,2 113,5 98,5 1.498,4 Fonte: DNM-INMET (1991) e SIMEGO 40

d) Chuvas

d) Chuvas Com base nas séries pluviométricas das estações existentes na área de estudo, pode-se comprovar

Com base nas séries pluviométricas das estações existentes na área de estudo, pode-se comprovar a sazonalidade explicitada nos demais parâmetros meteorológicos. Os registros revelam a existência de um ritmo pluviométrico marcado por sete meses (outubro a abril), com valores superiores a 100 mm mensais, correspondendo a aproximadamente 90% do total pluviométrico anual. Nesse contexto destacam-se os meses de novembro a fevereiro, com precipitação média mensal superior a 200 mm (período muito úmido). A distribuição pluviométrica anual, determinada pela circulação atmosférica secundária, caracteriza a existência de uma estação seca de três meses (de junho a agosto) em praticamente toda a região, com exceção da porção setentrional em que esta é individualizada por quatro meses (maio a agosto).

Espacializadas essas informações observa-se a existência de maiores índices pluviométricos na parte setentrional da bacia (nas cabeceiras dos rios: Verde, Corrente, Corumbá, dos Bois, Corumbá) e na porção sudeste (nas nascentes do Alto Parnaíba). Por outro lado, destacam-se as bacias a sudoeste e o vale próximo do Paranaíba como áreas de menores precipitações (em torno de 1.400 mm). Essa situação parece estar relacionada a certas particularidades topográficas, ou o segundo nível topográfico do Planalto Setentrional da Bacia do Paraná. O Quadro 4.1.5 mostra os valores médios dos totais dos postos pluviométricos da bacia. Pode-se notar que existe muito pouca variabilidade espacial relativamente aos totais anuais, o que pode ser explicado pela gênese das chuvas e pela geografia da bacia, sem barreiras orográficas importantes. O mapa de isoietas médias totais anuais mostrado no Desenho EPE-1-40-0611, atesta essa pequena variabilidade espacial.

Quadro 4.1.5 Valores Totais dos Postos Pluviométricos da Bacia

 

Nome

Média dos Totais Anuais (out/70 até set/00)

Rocinha

1.523,50

Pantano

1.660,50

Leal de Patos

1.397,74

Ponte Firme

1.453,10

Três Ranchos

1.521,00

Guimarania

1.420,90

Charqueada do Patrocínio

1.644,40

Tiros

1.576,90

Carmo do Paranaiba

1.399,60

São Gotardo

1.564,40

Salitre

1.486,94

Serra do Salitre

1.652,40

Taquaral

1.431,20

Barra do Funchal

1.515,80

Cascalho Rico

1.669,10

Santana de Patos

1.467,05

Fazenda São Felix

1.386,80

 

1.373,74

Major Porto São Gonçalo do Abaeté

1.458,90

Estrela do Sul

1.534,40

Araguari

1.512,60

Ponte São Marcos

1.389,10

Fazenda São Domingos

1.450,30

 

1.203,30

Porto da extrema (Fazenda) Fazenda Limeira

1.344,60

41

Fazenda São Domingos 1.450,30   1.203,30 Porto da extrema (Fazenda) Fazenda Limeira 1.344,60 41
Quadro 4.1.5 (continuação) Valores Totais dos Postos Pluviométricos da Bacia   Nome Média dos Totais

Quadro 4.1.5 (continuação) Valores Totais dos Postos Pluviométricos da Bacia

 

Nome

Média dos Totais Anuais (out/70 até set/00)

Vazante

1.393,80

Guarda-mor

1.557,20

Ponte São Bartolomeu

1.466,50

Pires do Rio (PCD)

1.559,10

Rio do Peixe

1.349,10

Campo Alegre de Goiás (PCD)

1.434,70

Vianópolis

1.822,90

 

1.392,30

Cabeceiras Estação Veríssimo

1.501,50