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Rancho dos Ipês Letras

Por: Alexandre Fais, alehpaes@yahoo.com.br

1967

Álbum de Carreira Tião Carreiro & Pardinho

1967 Álbum de Carreira Tião Carreiro & Pardinho Obs: Clique na aba Bookmarks para facilitar a

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Rancho dos Ipês

Pagode - (Tião Carreiro e Lourival dos Santos)

Lá no Rancho dos Ipêum dia fui convidado Pra passar um fim de semana no interior do meu estado Quatro dias, quatro noites que até hoje são lembrados Eu parecia um rei do jeito que fui tratado Eu passei horas contete, Só havia ali presente gente boa do meu lado

Lá no Rancho dos Ipêonde fiquei hospedado

É um recanto de beleza, é um jardim encantado

Os ipês quando florescem, tudo ali fica dourado Parece um céu na terra que por Deus foi preparado Neste céu o que mais brilha,

São garrotes e novilha pelos campo esparramado

A bonita Echaporã fica logo ali pegado

É a terra dos Gonçalves que caiu no meu agrado

O Joãozinho e o Zezinho dois negociantes de gado

Seu Luis é o pai dos moço, um senhor considerado A família tem talento, Tem milhões em movimento, fora os capital parado

Para o Rancho dos Ipêum dia quero voltar Rever muita gente boa, a saudade eu vou matar

A minha esperança é verde, eu não deixo madurar Mais tarde ou mais cedo de novo vou visitar Amigo Gerardo’ Prado Vai meu abraço apertado bem antes deu ir por lá

Baiano no Coco

Pagode - (Moacyr dos Santos e Vaqueirinho)

Quando eu vim lá da Bahia Rumo á são Paulo eu meti os peito Baiano veio de pau-de-arara Ser pobre não é defeito Eu vim pra ganhar dinheiro Serviço eu não enjeito

Só que eu tô com uma vontade De comer côco que não tem jeito

No começo foi difícil Passei por caminho estreito Amizade com malandro É coisa que eu não aceito Comecei a trabalhar Hoje eu vivo satisfeito

Só que eu tô com uma vontade De comer côco que não tem jeito

Tudo que Deus Fez por mim Eu acho que foi bem feito Tudo o que eu pude fazer Procurei fazer direito Em São Paulo eu sou tratado Com carinho e com respeito

Só que eu tô com uma vontade De comer côco que não tem jeito

Quero rever a Bahia Porque tenho esse direito Nosso Senhor do Bonfim Trago dentro do meu peito Eu sonho com a Bahia Mas São Paulo é meu leito

Só que eu tô com uma vontade De comer côco que não tem jeito

Oswaldo Cintra

Moda de Viola - (Tião Carreiro e Lourival dos Santos)

Ai, eu sou mineiro da gema, de Minas vivo distante Estou morando em São Paulo, já sou quase um bandeirante Lá na linha noroeste

Onde eu passo todo instante, cidade de Araçatuba É meu berço de viajante Ai eu vou falar a verdade, lá tenho muita amizade De gente boa, importante, ai, ai

Ai, cidade de Araçatuba o seu progresso não mente É a capital do asfalto é uma verdade patente Dentro da sua razão

Lá existe homem valente, as mulheres são sinceras É as meninas são descente, ai, ai, juventude sadia, estudando noite e dia Prumfuturo sorridente ai, ai

Ai, o senhor Oswaldo Cintra fazendeiro da região Sua fazenda é um palácio, sincera comparação Homem que veio do nada

E ninguém lhe deu a mão, lutando honestamente Foi ganhando posição Ai, a sua fortuna cresce, Deus ajuda quem merece Por ele ser bom patrão, ai, ai

Ai, homem que veio da luta, muito tombo e muito chão Muito arreio e muito laço, muitos boi e muito peão Na grande escola da vida

Ele foi aluno bão’, sem férias e sem recreio Aprendeu a sua lição Ai, ele veio da pobreza transformando em riqueza Os seus tombos no sertão ai, ai

Ai, o senhor Oswaldo Cintra e o seu filhinho Marquinho E o doutor Ubiratan do seu Oswaldo é sobrinho Famílias de gente boa

É flor que não tem espinho, falo bem de quem merece Abraçado neste pinho Ai, eu me despeço cantando, adeus vou me retirando Pra chorar lá no caminho

Pai João

Milonga - (Tião Carreiro e Zé Carreiro)

Caminheiros quem passar naquela estrada Vê uma cruz abandonada como quem vai pro sertão Há muitos anos neste chão foi ‘sepurtadoUm preto ‘véioe erado por nome de Pai João

Pai João na Fazenda dos ‘CoqueiroFoi destemido carreiro querido do seu patrão Sua boiada: o Xibante e o Brioso Nos morro mais perigoso arrastava o carretão

Numa tarde, Pai João não esperava Que a morte lhe rondava lá na curva do areião E numa queda embaixo do carro caiu Do mundo se despediu preto ‘véio’ Pai João

Caminheiro, aquela cruz do caminho Já contei tudo certinho, a história de pai João Resta saudade daquele tempo que foi Do velho carro de boi no fundo do mangueirão

Moreninha Cor de Jambo

Corta Jaca - (Tião Carreiro e Pardinho)

Moreninha cor de jambo da cintura fina, faces cor de rosa Encosta seu rosto no meu, quero um beijo do seu, não seja vergonhosa Venha matar meu desejo, meu bem, só um beijo não faz mar’ nenhum Todos que são namorado já foram beijado, isso é coisa comum

Já tive muitas garota, mas pra mim foi poucas que eu senti paixão Mas hoje tu pode crer que somente você manda em meu coração O teu pai é valentão e eu sou de opinião, comigo ele não pode Hoje vou no seu portão, quero ver o veião’ ‘retrocero bigode

Se você me quiser bem, eu te quero também por que sou amoroso No dia que eu não te vejo por que não te beijo então fico nervoso Você nasceu para mim, mas a felicidade foi para nóisdois Quando nós tiver casado nós fica enjoado de beijar depois

Novo Amor *

Corta Jaca - (Retrato e Retróis)

Nestes versos tão triste que eu canto Só você que pode compreender É dumsonho que eu trago guardado, do tempo passado eu não posso esquecer

Seu retrato em minha companhia Só ele que pode me valer, eu namoro com outra, mas contra a vontade Mas pra confessar a verdade, só vou te esquecer depois que morrer

Se deito na cama não durmo Tenho fome e não posso comer Se durmo eu sonho contigo, parece um castigo, minha vida é sofrer

Quando acordo me vejo sozinho Eu espero o dia amanhecer, passo a mão na viola e saio pro terreiro Todo dia eu canto primeiro esta valsa-canção que eu fiz pra você

Que desprezo você me dá Você não tem dó de quem quer te amar Não faz ‘mar’ Não faz ‘mar’ ‘Argumdia hei de te ver chorar

Certo dia passando na rua De repente uma voz me chamou Dei meu nome neste momento, pro seu casamento ela me convidou

Respondi com meu peito magoado Fiz de tudo, mas nada adiantou, vou levar minha vida cantando e bebendo Pouco a pouco eu vou morrendo e você vai vivendo com seu novo amor

* Existe na discografia de Tião Carreiro e Pardinho uma outra música com o nome de “Novo Amor” gravada no álbum “No Som da Viola” - 1983 - composta por Lorival dos Santos e Jesus Belmiro. Também trata de uma desilusão amorosa, mas com desfecho mais positivo

Ditado Sertanejo

Cururu - (Carreirinho e Guimarães de Faria)

No lugar que canta galo, de certo que mora gente Que é muito bonito é lindo, que muito feio é indecente A água parada é poço, riacho é água corrente Toda briga de muié, o que faz é língua quente

Onde tem moça bonita, de certo que tem namoro Onde tem mulher baixinha, tem relia e desaforo Mistura sogra com nora, pode ver que ali sai choro Na vila que tem polícia, banho de pau d'água é couro

Amor de muié’ rusguenta, catinga jaratataca Doença do rico é gripe, doença do pobre é ressaca Dança de rico é baile, dança do pobre é fuzarca O rico educa na escola e o pobre educa no tapa

O que agrada moça é carinho, o que agrada véio’ é café O homem que fala fino, não é homem nem muié’ A ‘muié’ que fala grosso, ninguém não sabe o que é O lar que não crer em Deus, quem domina é o Lúcifer

O que faz sapo pular, tem que ser necessidade Pessoas que fala muito, nem todos disse a verdade Com o tempo a flor perde a cor, e nóisperde a mocidade O janeiro traz velhice, e a velhice traz saudade

Saudade

Valsa - (Tião Carreiro e Zé Matão)

Saudades palavras rica Que martiriza e fica Dentro de um coração

Da felicidade morta Que a saudade conforta Trazida de uma paixão

Saudade eu tenho que alguém Uma saudade que vem De uma distância sem fim

Será que ela também Na falta de um outro alguém Sente saudades de mim?

Eu vivo sempre pensando Meus olhos vivem chorando Não tenho felicidade

Estou morrendo aos poucos O que me deixa mais louco É a maldita saudade

Pagode

Pagode - (Tião Carreiro e Carreirinho)

Morena bonita dos dente aberto Vai no pagode o barulho é certo Não me namore tão descoberto Que eu casado mais não sou certo

Modelo de agora é muito esquisito Essas mocinha mostrando os cambito Com as canelas lisa que nem parmitoAs moças de hoje eu não facilito

Eu com a minha muié’ ‘fizemocombinação Eu vou no pagode, ela não vai não No sábado passado fui ela ficou No sábado que vem ela fica eu vou

Canto moda dos amigo, pro meu gasto eu também faço Na viola eu tenho o desembaraço É coisa que eu acho feio o violeiro querer abater Mas não fazem moda mandam fazer

No batido do pagode ninguém faz o que eu faço Nós ta por cima, eles tão por baixo Tem uns violeiro em São Paulo, vive fazendo rotina Eles tão por baixo, ‘nóis’ tá pó cima

Jogador de Baralho

Cururu - (Quintino Elizeu e Sulino)

Conheci um moço pobre Honrado e trabalhador Foi nascido e foi criado numa vila do interior Veio para capital Estudar pra ser doutor Levado por maus amigos Deu um grande jogador

Deixou o estudo e o trabalho com as cartas do baralho Ganhou riqueza e valor

Casou com uma moça rica Redobrou sua alegria Na sua rica mansão tinha tudo que queria Dominado pelo vício Toda noite ele saía No cassino onde jogava Só ganhava e não perdia

Enquanto o tempo passava sua riqueza aumentava Do jogo não desistia

Mas tudo que vem ao mundo Traz sua sina marcada Numa noite ele jogou sua última parada Se perdia uma partida A outra era dobrada Foi jogando e foi perdendo Chegou a ficar sem nada

Numa última defesa pos a aliança na mesa Jogou a mulher amada

Sua esposa quando soube O que tinha acontecido Pra não se entregar a outro que não era seu marido Foi embora pelo mundo Com o coração ferido Quem ganhou não levou ela Mas o lar foi destruído

O jogador em desespero sem mulher e sem dinheiro Transformou-se num perdido

Aquela rica mansão Era igual um céu aberto Hoje está tão solitária, só tem tristeza por perto O jogo dá, também tira È um ditado muito certo Aos amigos do baralho Nestes versos eu alerto Quem se julga invencível, por mais que parece incrível Encontra um mais esperto

Mariquinha

Corta Jaca - (Moacyr dos Santos e Quintino Elizeu)

Ô Mariquinha daqui você não sai

Ô Mariquinha no forró você não vai

Ô Mariquinha daqui você não sai

Ô Mariquinha no forró você não vai

No forró eu largo brasa, todo mundo balanceia Quando apaga o lampião é que a coisa fica feia Quem tem mulher no forró ta com a ‘purga’ atrás da orelha Aproveita a escuridão pra beliscar mulher alheia

Ô Mariquinha daqui você não sai

Ô Mariquinha no forró você não vai

Ô Mariquinha daqui você não sai

Ô Mariquinha no forró você não vai

Gosto muito de um forró, mas não levo a Mariquinha No meio da escuridão homem sério perde a linha No outro forró que eu fui belisquei minha vizinha Belisco mulher dos ‘otro’ por isso não levo a minha

Ô Mariquinha daqui você não sai

Ô Mariquinha no forró você não vai

Ô Mariquinha daqui você não sai

Ô Mariquinha no forró você não vai

A Mariquinha não indo ninguém mais me atrapalha To de olho nas mulher que nem onça de tocaia Eu vou pro forró sozinho, não levo rabo de saia Nunca fui burro de carga, não sei carregar ‘cangaia’

Fundanga

Batuque - (Moacyr dos Santos e Zé Claudino)

Bota fogo na fundanga, tira este mal de mim Fumaça benta que sobe traz o meu amor pra mim Bota fogo na fundanga, tira este mal de mim Fumaça benta que sobe traz o meu amor pra mim

Um dia desse eu briguei com a minha namorada Tem gente queimando vela pra roubar a minha amada Feiticeiro ‘trabaiô’ até alta madrugada Encontrei o seu lencinho jogado na encruzilhada

(Ô ô ô ô ôoooooo) Oi, na fundanga, na fundanga, na fundanga Oi, na fundanga (Ô ô ô ô ôoooooo),na fundanga, na fundanga Oi, na fundanga

Coitadinha sofre tanto, não me esquece um só momento Se eu perder os seus carinhos vai dobrar meu sofrimento Feiticeiros querem ver fim do nosso casamento Sofre eu e sofre ela, é grande o padecimento

(Ô ô ô ô ôoooooo) Oi, na fundanga, na fundanga, na fundanga Oi, na fundanga (Ô ô ô ô ôoooooo),na fundanga, na fundanga Oi, na fundanga

Bota fogo na fundanga, tira este mal de mim Fumaça benta que sobe traz o meu amor pra mim Bota fogo na fundanga, tira este mal de mim Fumaça benta que sobe traz o meu amor pra mim

Qualquer dia vou baixar naquela famosa aldeia Quero dar tanta pancada nos caboclos de norteia E o bando de feiticeiro, eu vou cortar de correia Depois quero que a polícia levem todos pra cadeia

(Ô ô ô ô ôoooooo) Oi, na fundanga, na fundanga, na fundanga Oi, na fundanga (Ô ô ô ô ôoooooo),na fundanga, na fundanga Oi, na fundanga

Essa luta eu não perco, vou com Deus no coração Tenho fé no meu São Jorge, Pai Canário e Pai João Vou tirar o meu amor desta grande confusão E colocar aliança no dedo da sua mão (Ô ô ô ô ôoooooo) Oi, na fundanga, na fundanga, na fundanga Oi, na fundanga (Ô ô ô ô ôoooooo),na fundanga, na fundanga Oi, na fundanga (Ô ô ô ô ôoooooo) Oi, na fundanga, na fundanga, na fundanga Oi, na fundanga (Ô ô ô ô ôoooooo),na fundanga, na fundanga Oi, na fundanga