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FICHAR

FICHAR CONTEXTUALIZANDO No ano passado vimos diferentes gêneros textuais: crônicas, textos dissertativos, fanzines,

CONTEXTUALIZANDO

No ano passado vimos diferentes gêneros textuais: crônicas, textos dissertativos, fanzines, perfis bibliográficos, entre outros. Todos, de grande relevância nos tempos atuais. Neste ano, vamos iniciar falando do fichamento. A leitura nos faz voar com a mente e com a alma. Ler um livro impresso ou uma plataforma digital nos ajuda a enxergar diferentes visões de mundo e de nós mesmos – além de descobrir nossos gostos e preferências ao nos identificarmos ou não com os personagens e enredos. Amplia nossa cultura e ao mesmo tempo exercita a memória, a capacidade de reflexão e visão crítica do mundo real que nos cerca.

(Fonte: FRAIMAN, Léo. Projeto de vida 100 dúvidas. Editora Metodologia OPEE, 2015.)

de vida 100 dúvidas. Editora Metodologia OPEE, 2015.) 9 FIQUE POR DENTRO Vamos fazer um cálculo?

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de vida 100 dúvidas. Editora Metodologia OPEE, 2015.) 9 FIQUE POR DENTRO Vamos fazer um cálculo?
de vida 100 dúvidas. Editora Metodologia OPEE, 2015.) 9 FIQUE POR DENTRO Vamos fazer um cálculo?

FIQUE POR DENTRO

Vamos fazer um cálculo? Se a leitura acontecer 15 minutos diariamente, será possível ler, em ritmo mediano, pelo menos 7 páginas de cada vez, certo? Isso significa 1 página em 2 minutos, o que não é tão dispendioso. Em um mês (30 dias), se terá lido cerca de 200 páginas. Assim, lendo meros 15 minutinhos, é possível acumular 12 livros em um ano, se quiser! Já pensou nisso?

PRODUÇÃO TEXTUAL EM FOCO Nesta unidade, você vai fazer uma ficha de leitura. Durante a

PRODUÇÃO TEXTUAL EM FOCO

Nesta unidade, você vai fazer uma ficha de leitura. Durante a leitura do texto abaixo, verifique alguns pontos:

a. o fichamento de leitura, entre outros tipos de técnica relacionadas, é o mais importante;

b. o fichamento adequado apresenta conteúdo e

reflexão a respeito de uma obra;

c. o fichamento é uma técnica importante de estudo e pesquisa;

d. o fichamento é um nome associado ao modo

artesanal de técnica de registro.

um nome associado ao modo artesanal de técnica de registro. O FICHAMENTO DA LEITURA “ Dentre

O FICHAMENTO DA LEITURA

“ Dentre os diversos tipos de fichas e fichamentos, o mais imprescindível deles é o de leitura. Na verdade,

todo estudante deveria manter suas fichas (ou documentação de leitura) em dia e atualizadas [

]”

José Arthur T. Gonçalves

O fichamento é uma técnica de estudo e ferramenta imprescindível de todo pesquisador.

Seu nome nos remete para o modo artesanal através do qual a técnica se desenvolveu: da

prática de registro de informações em fichas, objetivando a sistematização ou reflexão do

conhecimento.

Hoje, com o auxílio da informática, temos ao alcance programas de bancos de dados, que permitem este trabalho e praticamente eliminam o papel no processo de sua formulação. Todas as informações são registradas em fichas

digitais, mas, ainda assim, constituem-se fichas e

fichamentos.

Uma boa ficha de leitura (independentemente do suporte, digital ou analógico) serve para sistematizar o conteúdo essencial de uma obra, bem como articulá-lo com nossa reflexão pessoal.

(Disponível em: <www.passeidireto.com/arquivo/17911077/ metodologia-cientifica- 50-questoes-simulado-av1-e-av2>. Acesso em: 12 fev. 2017.)

Referência bibliográfica completa:

Citações literais de trechos significativos.

Informações sobre o autor.

Comentários pessoais.

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Com sua experiência de pesquisador e escritor, Umberto Eco (1983, p. 96-111) propõe que

uma ficha de leitura contenha alguns elementos [

].

Os componentes principais são:

Indicações bibliográficas da obra que está sendo fichada.

Informações sobre o autor (quando não o conhecemos e necessitamos deste suporte).

Citações literais de trechos mais importantes da obra (usando aspas nas transcrições).

Comentários pessoais (quando fizermos nossas observações, é importante deixar claro seu caráter pessoal, diferenciando-as por cores ou usando colchetes para tudo aquilo que for opinião nossa e não do autor).

Com a prática sistemática do fichamento certamente iremos fazer adaptações pessoais, incorporar outros elementos e nuances particulares ao trabalho. É o caminho natural da aplicação de uma orientação metodológica. Não podemos perder o foco de que as técnicas estão a nosso serviço, nunca o contrário.

(Disponível em: <http://metodologiadapesquisa.blogspot.com.br/2008/05/ofichamento- de-leitura.html> Acesso em: 12 fev. 2017.)

A FICHA DE LEITURA

A ficha de leitura ou fichamento é o registro de leitura em uma ficha (digital ou analógica) de informações mais relevantes a respeito de um texto ou obra lida. São obrigatórias algumas considerações: dados da obra e autor, glossário, resumo do enredo ou ideias contidas na obra, citações de trechos importantes, comentários críticos e conclusão. É necessário dizer que a ficha de leitura não segue um padrão rígido; pode ser adaptado de acordo com o gênero textual ou da obra lida e também segundo os objetivos do leitor.

FICHAMENTO

lida e também segundo os objetivos do leitor. FICHAMENTO Bibliográfico ou descritivo, ou simples, ou citações.

Bibliográfico ou descritivo, ou simples, ou citações.

Bibliográfico ou descritivo, ou simples, ou citações. PRODUÇÃO DE TEXTO ESTRATÉGIAS Sempre leve em

PRODUÇÃO DE TEXTO ESTRATÉGIAS

Sempre leve em consideração essa ideia antes de escrever qualquer texto. Hemingway, escritor de “O velho e o mar”, disse que “a cesta de papéis é o primeiro móvel na casa de um escritor”, portanto, revise seu texto sempre antes de finalizá-lo. Para mais dicas sobre a etapa da escrita, sugerimos a obra “Aula de português”, da autora Irandé Antunes.

De leitura, ou resumo, ou de conteúdo.

Todo texto pressupõe etapas distintas e intercomplementares na atividade da escrita:

Planejar

Escrever

Reescrever

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ELEMENTOS DE UM FICHAMENTO

É importante que seu fichamento contenha:

1. Indicação bibliográfica – mostrando a fonte da

leitura, feita de acordo com as normas da ABNT.

2. Resumo – sintetizando o conteúdo da obra.

Trabalho que se baseia em um esquema prévio ao texto lido.

3. Citações – apresentando as transcrições

significativas da obra.

MODELO DE FICHAMENTO

Indicação bibliográfica (conforme as normas da ABNT).

1ª parte: apresentação objetiva das ideias do autor.

1. Resumo (baseado no esquema).

2. Pequenas citações (entre aspas e páginas).

2ª parte: elaboração pessoal sobre a leitura.

1. Comentários (parecer e crítica).

2. Ideação (novas perspectivas).

No fichamento, portanto, esteja atento aos seguintes dados:

Identificação da fonte:

Quando é feito o registro dos dados bibliográficos da obra, segundo as normas da ABNT.

Detecção das ideias centrais do texto:

Quando, após a pré-leitura, busca-se na segunda leitura, mais concentrada e profunda, assinalar as unidades de pensamento das partes ou

4. Comentários – expressando a compreensão

crítica do texto, baseando-se ou não em outros autores e outras obras.

5. Ideação – colocando em destaque as novas

ideias que surgiram durante a leitura reflexiva

e que podem ser desenvolvidas por você em trabalhos futuros.

parágrafos do texto.

Coleta dos dados:

Quando se documenta, no fichamento, as partes essenciais da leitura, seja por meio de transcrições literais de trechos do texto (sempre

entre aspas), por meio do resumo feito pelo leitor ou por uma síntese esquemática do texto lido.

A opinião do leitor aborda a inteligibilidade do

texto, sua estrutura, articulação interna, grau de dificuldade (linguagem, estilo, neologismos, etc.)

e atualidade do tema e bibliografia. Nesta parte, o leitor demonstra o quanto conseguiu assimilar e interpretar do texto.

(Disponível em: <mec.gov.br>. Acesso em: 17 maio 2017.)

o quanto conseguiu assimilar e interpretar do texto. (Disponível em: <mec.gov.br>. Acesso em: 17 maio 2017.)

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Como se observa, não basta somente escrever. É essencial planejar e revisar. Cada etapa tem uma função de muita importância para que o nosso texto esteja adequado ao seu contexto de produção.

o nosso texto esteja adequado ao seu contexto de produção. COM A MÃO NA MASSA O

COM A MÃO NA MASSA

O que você vai escrever?

Você vai produzir uma ficha de leitura. Agora você vai elaborar o fichamento do conto “Pausa”, de Moacyr Scliar. Leia atentamente o texto. Sempre que necessário, volte e releia algum parágrafo ou trecho do conto que possa ter suscitado alguma dúvida. Em uma folha avulsa, anote as palavras que você não conhece. A seguir, consulte o dicionário e elabore um pequeno glossário.

Lembre-se de rascunhar antes de passar

o texto definitivamente a limpo.

Pausa

Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro, fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente

e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu,

bocejando:

- Vais sair de novo, Samuel?

Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.

- Todos os domingos tu sais cedo -

observou a mulher com azedume na voz.

- Temos muito trabalho no escritório - disse o marido, secamente.

Ela olhou os sanduíches:

- Por que não vens almoçar?

- Já te disse, muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.

A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse à carga, Samuel pegou o chapéu:

- Volto de noite.

As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem.

Samuel pegou o chapéu: - Volto de noite. As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel

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Guiava vagarosamente; ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas.

Estacionou o carro numa travessa quieta. Com o pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo. Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé:

- Ah! Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente

- Estou com pressa, seu Raul - atalhou

Samuel.

- Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre. - Estendeu a chave.

Samuel subiu quatro lançes de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:

- Aqui, meu bem! - uma gritou, e riu; um cacarejo curto.

Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta à chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho, no canto uma bacia cheia d’água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira.

Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata.

Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se e fechou os olhos. Dormiu.

Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a mover-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.

Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido. Samuel dormia, sonhava. Nu, corria

por uma planície imensa. Perseguido por um índio montado a cavalo. No quarto abafado ressoava

o galope. No planalto da testa, nas colinas do

ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados; o índio acabara de trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se em sangue, molhado de suor. Samuel tombou lentamente: ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio. Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, lavou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu. Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista:

- Já vai, seu Isidoro?

- Já! - disse Samuel, entregando a chave.

Pagou, conferiu o troco em silêncio.

- Até domingo que vem seu Isidoro - disse

o gerente.

- Não sei se virei - respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caía.

- O senhor diz isto, mas volta sempre -

observou o homem, rindo. Samuel saiu.

Ao longo do cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa.

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Moacyr Scliar

Após a leitura do texto, o cabeçalho da ficha de leitura deverá conter os seguintes dados:

Nome do aluno, escola, turma e data.

Título da obra, nome do autor, dados bibliográficos do autor (relevantes).

Resumo da obra: tema, palavras-chave; resumo do enredo (conflito, personagens, clímax, desfecho).

Classificação: tipo de conto (aventura, mistério, drama, etc.).

Tempo: histórico (época em que se passa), cronológico (duração das ações).

Espaço geográfico (rural, urbano).

Meio social: classes sociais a que pertencem as personagens – nobreza, burguesia, classe popular, trabalhadores, operários e origem (portugueses, brasileiros, etc.).

Foco narrativo (1ª ou 3ª pessoa).

Recursos: suspense, desfecho (feliz ou não), presença ou não de flashback ou flashforward.

Glossário.

Comentários: opiniões e reflexões a respeito do conto.

Dúvidas, se houver.

Linguagem formal ou informal, uso de gírias, palavrões.

Discurso direto e indireto.

Lembre-se de que no capítulo Ficha de Leitura, do Livro Texto, há um modelo de ficha de leitura que pode ser seguido.

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COM A MÃO NA MASSA Depois da leitura e fichamento do conto, temos mais uma

COM A MÃO NA MASSA

Depois da leitura e fichamento do conto, temos mais uma atividade para você. Nós vamos discutir um pouco sobre alguns pontos da vida moderna:

Você já teve um dia estressante? Em casa? Na escola? Como foi?

Em relação aos ruídos do dia a dia, como eles afetam você?

Faça um breve relato, abordando os questionamentos aqui citados.

aos ruídos do dia a dia, como eles afetam você? Faça um breve relato, abordando os
aos ruídos do dia a dia, como eles afetam você? Faça um breve relato, abordando os

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Agora realize a leitura de um fragmento do conto Circuito Fechado, de Ricardo Ramos, e também execute os mesmos procedimentos para fichar o texto.

CIRCUITO FECHADO

Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapo. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, bloco de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete,

bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro,
bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro,

cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetor de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras. Cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, chinelos. Vaso, descarga, pia, água, escova, creme dental, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.

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Após a leitura e o fichamento dos contos, quais as ideias dos textos? Discuta em sala de aula a partir da ficha de leitura produzida. Você irá fazer uma leitura comparada do conto “Pausa”, de Moacyr Scliar, “Circuito fechado”, de Ricardo Ramos, e o filme “Um dia de fúria”.

Ao assistir ao filme ou a um fragmento dele, faça também a ficha de leitura. No capítulo Ficha de Leitura, do Livro Texto, você vai encontrar um modelo para fazer o fichamento solicitado. Ao final do fichamento, analise as diferentes reações dos personagens diante do estresse do dia.

Para finalizar, acompanhe a letra e ouça a música “Tocando em frente”, de Almir Sater, e escreva uma reflexão de todos os textos apresentados:

Ando devagar

Porque já tive pressa

E levo esse sorriso

Porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte

Mais feliz, quem sabe

Só levo a certeza

De que muito pouco sei

feliz, quem sabe Só levo a certeza De que muito pouco sei Ou nada sei Seja

Ou nada sei

Seja simplesmente

(refrão)

Compreender a marcha

Conhecer as manhas

E ir tocando em frente

E

as manhãs

Como um velho boiadeiro

O

sabor das massas

Levando a boiada

E

das maçãs

Eu vou tocando os dias

É

preciso amor

Pela longa estrada, eu vou

Pra poder pulsar

Estrada eu sou

É preciso paz pra poder sorrir

(refrão)

É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia

Penso que cumprir a vida

Todo mundo chora

(refrão) É preciso a chuva para florir Todo mundo ama um dia Penso que cumprir a

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ANOTAÇÕES

ANOTAÇÕES

NOTICIAR

CONTEXTUALIZANDONOTICIAR No ano passado, já foi vista a diferença entre reportagem e notícia. Hoje, vamos aprofundar-

NOTICIAR CONTEXTUALIZANDO No ano passado, já foi vista a diferença entre reportagem e notícia. Hoje, vamos

No ano passado, já foi vista a diferença entre reportagem e notícia. Hoje, vamos aprofundar- nos na notícia. Todos nós sabemos que os meios de comunicação são responsáveis por nos informar e permitir que possamos conhecer e reconhecer uma parte da realidade. A partir da informação a que as mídias de comunicação têm acesso, emitem opinião a respeito dos fatos, escrevem editoriais, tomam decisões, agindo sobre essa realidade. Nesse sentido, observamos a importância de interagir com esses meios, exercitando o nosso pensamento crítico e agindo em prol da veracidade dos fatos.

FIQUE POR DENTROcrítico e agindo em prol da veracidade dos fatos. Você sabia que veicular notícia falsa em

Você sabia que veicular notícia falsa em jornal dá indenização por dano moral? Pois é,

uma editora de Ponta Grossa foi condenada a pagar uma indenização por danos morais no valor de R$ 10.000,00 a dois advogados por noticiar

informação falsa em seu jornal: [

de informação deve estar atenta ao dever de veracidade, tendo em vista que a divulgação de notícia falsa, sem embasamento probatório, pode manipular em vez de formar a opinião pública.”

]

“liberdade

em vez de formar a opinião pública.” ] “liberdade PRODUÇÃO TEXTUAL EM FOCO Nesta unidade, você

PRODUÇÃO TEXTUAL EM FOCO

Nesta unidade, você vai exercitar a produção de uma notícia. Durante a leitura do texto abaixo, verifique alguns pontos:

a. a atualidade da notícia: data e hora de publicação;

b. pode apresentar imagem com legenda ou não;

publicação; b. pode apresentar imagem com legenda ou não; c. uso de verbos impessoais; d. uso

c. uso de verbos impessoais;

d. uso da terceira pessoa do discurso;

e. preferência pela ordem direta.

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MOBILIDADE

Justiça proíbe multas para motorista do Uber do Paraná

Liminar que proíbe multas a motorista de Uber do Paraná vale apenas para o autor da ação

de Uber do Paraná vale apenas para o autor da ação No início de dezembro, a

No início de dezembro, a juíza da 4ª Vara Recursal de Curitiba, Camila Henning Salmoria, concedeu liminar que proíbe multas para um motorista do Uber em todo o Paraná, tanto por parte de órgãos municipais de Curitiba e de algumas cidades vizinhas da região metropolitana, como por parte do DER, órgão de atuação estadual. A decisão vale apenas para o motorista que fez o pedido, mas promete inflamar as discussões sobre o aplicativo na capital paranaense já que, nas últimas semanas, pelo menos outros trinta motoristas contataram o advogado responsável pelo processo para entrar com pedidos similares.

Segundo o advogado Felipe Tonietto Reis, do escritório Rocha & Tonietto Reis Advogados, que representou o motorista, embora a juíza tenha atendido o pedido de liminar numa

primeira análise do recurso, os três juízes que compõem a 4.ª Turma Recursal ainda irão avaliar

o mérito do pedido em conjunto. O município de

Curitiba já recorreu, utilizando os argumentos

já conhecidos: de que o motorista do Uber atua

de forma clandestina, uma vez que o transporte remunerado de pessoas ou bens, quando não for licenciado para esse fim, é uma infração média passível de multa e retenção do veículo,

com base no artigo 231, inciso oitavo, do Código

Brasileiro de Trânsito [

].

Disponível em: <www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/ futuro-das-cidades/justica-proibe-multaspara- motorista-do- uber-do-parana-4fo8dqludrgvvtd23sw1j8mp3>. Acesso em: 17 maio 2017.)

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A NOTÍCIA

Você sabia que a notícia tem prazo de validade? Ela pode circular em vários meios de comunicação:

jornais, revistas, rádio, televisão e internet. Em cada suporte, o gênero ganha características próprias. Na impossibilidade de relatar o presente, a notícia busca tornar acessível o passado mais recente possível. O gênero declara sua data e logo se torna descartável.

“O jornal de hoje embrulha o peixe de amanhã”

Na internet, TV ou rádio as notícias podem ser atualizadas a qualquer tempo. No entanto, se esses meios de comunicação têm a vantagem da rapidez, também correm o risco de apresentar dados menos confiáveis e fazer análises menos profundas.

Como têm mais tempo para checar as informações e agregar dados e novas análises, os jornais e revistas de grande circulação podem engendrar uma imagem de confiabilidade, de ser o espaço em que se busca o real alcance dos fatos noticiados.

Portanto, a notícia é um gênero textual que relata fatos da atualidade. Com informações ditas relevantes, tem como objetivo agregar para a melhor compreensão do público sobre o mundo que o cerca.

Em uma notícia, o que determina a ordem de apresentação das informações é a sua

relevância, e não a ordem cronológica dos fatos. As informações principais aparecem

resumidas no primeiro parágrafo, chamado lide,

e sintetiza os traços peculiares condizentes

ao fato, procurando se ater aos traços básicos relacionados às seguintes indagações: Quem? Onde? O quê? Como? Quando? Por quê?

Nos parágrafos seguintes (corpo da notícia), aparecem as informações complementares e depoimentos de pessoas entrevistadas. Há o predomínio do caráter objetivo preconizado pelo discurso. Presença de verbos impessoais e terceira pessoa do discurso.

A linguagem da notícia evita adjetivos e juízos

de valor que sugiram uma opinião sobre o fato relatado. No entanto, o jornalista pode sim contar com recursos para conduzir a opinião do leitor em uma certa direção, com o uso de falas de especialistas, testemunhas, a seleção e ordenação de informações e a escolha do léxico.

A notícia dá voz às testemunhas envolvidas no

fato e estudiosos e instituições relacionadas ao assunto tratado, portanto, pode utilizar o discurso direto (citação, entre aspas) ou indireto (descrição da fala). Em ambos os casos, utilizam- se os verbos dicendi, verbos que indicam fala,

como garantir, dizer, expor, confessar, considerar

e informar.

Reveja, no livro texto, a unidade Notícia. Compare as informações que você leu sobre este gênero –

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sua estrutura (uso do lide, a organização do corpo do texto etc.), o tipo de escrita, a sua intenção – com a notícia abaixo:

tipo de escrita, a sua intenção – com a notícia abaixo: Fonte: ZH NOTÍCIAS, 29/05/2011. Disponível

Fonte: ZH NOTÍCIAS, 29/05/2011. Disponível em: <http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/ noticia/2011/05/ atuacao-de-ciclone-causa- ressaca-no-litoral-3329742.html>. Acesso em: 17 maio 2017.)

Acesso em: 17 maio 2017.) PRODUÇÃO DE TEXTO O que você vai escrever? Você vai

PRODUÇÃO DE TEXTO

O que você vai escrever?

Você vai produzir uma notícia de jornal a partir de uma charge, lembrando que você já fez algo similar no capítulo

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Todo texto pressupõe etapas distintas e intercomplementares na atividade da escrita:

• Planejar

• Escrever

• Reescrever

Notícia, do Livro-Texto. Mas o que é uma charge?

Leia:

Charge é um estilo de ilustração que tem por finalidade satirizar, por meio de uma caricatura, algum acontecimento atual com um ou mais personagens envolvidas. A palavra é de origem francesa e significa carga, ou seja, exagera traços do caráter de alguém ou de algo para torná-lo burlesco. Muito utilizadas em críticas políticas no Brasil.

Apesar de ser confundido com cartun (ou cartoon), que é uma palavra de origem inglesa, é considerado como algo totalmente diferente, pois ao contrário da charge, que sempre é uma crítica contundente, o cartum retrata situações mais corriqueiras do dia a dia da sociedade, de forma atemporal.

Mais do que um simples desenho, a charge é uma

atemporal. Mais do que um simples desenho, a charge é uma COM A MÃO NA MASSA

COM A MÃO NA MASSA

crítica político-social em que o artista expressa graficamente sua visão sobre determinadas situações cotidianas através do humor e da sátira. Para entender uma charge, não é preciso ser necessariamente uma pessoa culta, basta estar por dentro do que acontece ao seu redor. A charge tem um alcance maior do que um editorial, por exemplo, por isso a charge, como desenho crítico, é temida pelos poderosos. Não é à toa que, quando se estabelece censura em algum país, a charge é o primeiro alvo dos censores.

em algum país, a charge é o primeiro alvo dos censores. (Disponível em:

(Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Charge>. Acesso em:

12 fev. 2017.) 24

A partir disso, pressupõe-se que chargistas se valem da NOTÍCIA para compor sua arte. Faça o caminho inverso. Produza a notícia que poderia ter influenciado o chargista anterior no momento de sua criação. Texto deve ter de 15 a 20 linhas.

COM A MÃO NA MASSA Observe a imagem: Observe agora uma manchete do notíciario: Atividade

COM A MÃO NA MASSA

Observe a imagem:

COM A MÃO NA MASSA Observe a imagem: Observe agora uma manchete do notíciario: Atividade de

Observe agora uma manchete do notíciario:

Atividade de leitura oral:

A foto acima remete a um fato corriqueiro de uma partida de futebol. Dessa forma, responda às questões abaixo:

1. O que o homem de camisa vermelha está

fazendo? Qual é o signi cado do cartão vermelho no futebol? O que mais ele usa? Que outros cartões ou instrumentos os juízes e bandeirinhas usam em uma partida de futebol?

2. Quem seria o homem de camisa preta? O que ele

estaria falando para o homem de camisa vermelha?

3. E quem seria o jogador de camisa branca?

4. Qual poderia ser o título da notícia desta foto?

JOGADOR CHORA AO SER EXPULSO CONTRA A ALEMANHA

a. Vocês conseguem imaginar um motivo para a expulsão?

b. Vocês sabem que nome é dado ao título de uma notícia?

c. Por que o título de uma notícia é escrito com letras grandes?

d. Esta manchete chama a atenção do leitor para ler a notícia?

e. Que tempo verbal é usado na manchete e por que foi usado este tempo?

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Leia para discutirmos oralmente:

Notícia 1 JOGADOR CHORA AO SER EXPULSO CONTRA ALEMANHA

Expulso aos 11min do segundo tempo no duelo contra a Alemanha, quando sua seleção já perdia por 2 a 0, o australiano Tim Cahill foi às lágrimas enquanto deixava o gramado. Além de discordar da decisão do árbitro mexicano Marco Rodrigues, o meia teme que o “sonho de sua vida” chegue ao fim antes da hora. “Essa Copa do Mundo é o sonho da minha vida e alguém o levou para longe de mim com uma decisão. Não tenho palavras para descrever como estou chateado. É um dos momentos mais tristes da minha carreira”, disse o camisa 10. O alemão Schweinsteiger, vítima da falta que originou o cartão vermelho, saiu em defesa do rival e afirmou que o árbitro poderia ter sido menos rigoroso, fato que aumentou a irritação de Cahill. “Schweinsteiger saiu em minha defesa, disse que não era lance para cartão vermelho. Tirem suas conclusões”, reclamou o atleta, que está suspenso da partida contra Gana, no próximo sábado, às 11h, e deve ser substituído por Kewell. “Eu treinei muito para estar aqui, me mantive em forma e agora não poderei jogar. Já passei por muitas coisas difíceis no futebol, mas nada tão doloroso”, declarou o jogador, que completou: “Estou 100% comprometido com a causa de nossa seleção. Vou treinar e mostrar o meu valor para o último jogo”.

(Diponível em: <https://www.terra.com.br/esportes/futebol/copa-do-mundo/2010/ emocionado-cahill-critica-arbitro-apos- expulsao,cc8e1f60090fd310VgnC LD200000bbcceb0aRCRD.

html>. Acesso em: 17 maio 2017.)

Agora, responda no caderno às mesmas questões discutidas oralmente na questão anterior:

a. Por que aconteceu? (causas do fato)

b. Há depoimentos na notícia? De quem são? E por

que foram usadas as aspas nestes depoimentos?

Qual a importância desses depoimentos para a

notícia?

E por que foram usadas as aspas nestes depoimentos? Qual a importância desses dep oimentos p

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Notícia 2 BOTÂNICOS DESCOBREM 600 NOVAS PLANTAS NA AMAZÔNIA

Nem tudo são florestas e árvores gigantes, quando se fala na vegetação amazônica. Na Serra de Carajás, no sudeste do Pará, no topo de morros de 800 metros de altitude, se espalha uma vegetação rasteira que recobre os campos ferruginosos, também conhecidos como cangas. Uma pesquisa que

reúne 74 botânicos de 22 instituições do País

e do exterior propõe revelar parte dessas espécies, algumas em risco de extinção.

O grupo descreveu 600 espécies, entre

samambaias, musgos, flores. O estudo, parceria do Museu Paraense Emílio Goeldi e do Instituto Tecnológico Vale (ITV), será publicado em três volumes da Rodriguésia, prestigiada publicação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O primeiro, lançado neste mês, descreve 235 espécies.

“O bioma da floresta amazônica é o mais desconhecido do País. São 11 mil espécies descritas. A Mata Atlântica, uma tripa na parte leste do País, tem 15 mil espécies conhecidas, mais do que na floresta amazônica. Só tenho uma conclusão: falta conhecimento da flora amazônica”, afirma a botânica Ana Maria Giuliette, uma das coordenadoras do projeto, ao lado do botânico Pedro Viana.

coordenadoras do projeto, ao lado do botânico Pedro Viana. A dificuldade de acesso e o escasso

A dificuldade de acesso e o escasso financiamento para esse tipo de pesquisa estão entre as causas

para o pouco conhecimento da região. Para alcançar as áreas de cangas, muitas vezes só é possível chegar de helicóptero. “É muito difícil subir no ponto mais alto. Estradas são péssimas e há muitas árvores caídas. E é quando floresce que mais chove, o que dificulta ainda mais o trajeto”, diz ela.

A Floresta Nacional de Carajás tem 400 mil hectares. Entre 2% e 3% da região é de cangas.

O Museu Goeldi fez as primeiras pesquisas sobre as plantas locais nos anos de 1970, no início da mineração em Carajás. Nos afloramentos de minério de ferro, onde não crescem árvores, pesquisadores iniciaram a coleta de pequenas plantas que recobriam a região. Em 2015, botânicos

voltaram às áreas de canga para nova coleta sistemática.

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“É preciso ter ideia de como são as plantas hoje na natureza. Quando florescem? Quando produzem frutos? Tudo isso é importante quando a gente pensa em recuperação da área. A legislação diz que temos de usar sementes da mesma área para recuperar um trecho de mata. Qual é a época?

Certa de coletar sementes? Só saberemos fazendo esse acompanhamento”, afirma Ana Maria. “A União Internacional para Conservação da Natureza recomenda que esse monitoramento dure 10 anos. Estamos só começando”.

Catálogo

Entre as espécies estudadas está a flor de Carajás, espécie em perigo de extinção. A planta, uma trepadeira, pode atingir três metros. Os pesquisadores viajaram por dez dias na área da Serra Norte da Floresta Nacional de Carajás, único local em que a planta foi achada.

Após a coleta, exames de DNA revelam quais plantas são geneticamente próximas, ou “aparentadas”. A partir daí são identificadas família, gênero e espécie. Cada uma ganha ilustração a bico de pena e algumas têm fotografias de campo. Todas são georreferenciadas para permitir que pesquisadores as encontrem na natureza, no caso de nova coleta. E agora é armazenada no Museu Goeldi.

caso de nova coleta. E agora é armazenada no Museu Goeldi. “Com esse contingente de pesquisadores

“Com esse contingente de pesquisadores foi possível fazer a ora correta, autenticada, em pouco tempo como fazemos. Em nenhum lugar se produz flora em dois anos, como estamos fazendo com Carajás, com 600 espécies. Só pudemos fazer isso porque tivemos essa base coletada anteriormente pelo Museu Goeldi e porque contamos com todos os especialistas. Esse estudo permite que sejam recuperadas áreas afetadas pela mineração”, diz Ana Maria.As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/ ag-estado/ 2017/03/27/botanicos-descobrem-600- novas-plantas-na- amazonia.htm? cmpid=copiaecola>. Acesso em: 27 fev. 2017.)

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Agora, responda no caderno às mesmas questões discutidas oralmente na questão anterior:

a. Que fato aconteceu?

b. Quem são as pessoas envolvidas?

c. Quando aconteceu?

d. Onde aconteceu?

e. Como aconteceu o fato?

f. Por que aconteceu? (causas do fato)

g. Há depoimentos na notícia? De quem são? E por que foram usadas as aspas nestes depoimentos? Qual a importância desses depoimentos para a notícia?

Qual a importância desses depoimentos para a notícia? COM A MÃO NA MASSA Observe e leia

COM A MÃO NA MASSA

Observe e leia a tirinha abaixo:

COM A MÃO NA MASSA Observe e leia a tirinha abaixo: Você irá produzir uma notícia

Você irá produzir uma notícia a partir do gênero textual tirinha. Observe o tema da tirinha e a intenção com que foi escrita. Em seguida, crie uma manchete, um subtítulo e o lead.

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Observe as falas das gotinhas, as personagens dessa tirinha. Note que a fala está em discurso direto. Ao escrever a notícia, transponha o discurso direto para discurso indireto. Caso necessite, retorne às páginas anteriores, para fazer um material com qualidade.

1. Observe as falas dos personagens, crie uma manchete, um subtítulo e o

lead. Bom trabalho!

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1.

Pesquisa:qualarelevânciadasnotíciasquevemose/ououvimos?

a. Em grupos, preencha o quadro abaixo. Na coluna da esquerda, coloque os assuntos que vocês

acreditam que sejam importantes para uma sociedade como um todo – e, por isso, podem fazer parte de uma notícia. Na coluna da direita, coloquem os assuntos que vocês acreditam que não o sejam. Notícia não notícia

b.

Agora,comparemcomoqueosdemaiscolegasdaclasseescreveram.

b. Agora,comparemcomoqueosdemaiscolegasdaclasseescreveram. c. A palavra “relevante” quer dizer “importância”,
b. Agora,comparemcomoqueosdemaiscolegasdaclasseescreveram. c. A palavra “relevante” quer dizer “importância”,

c. A palavra “relevante” quer dizer “importância”, “valor”, “mérito”.Na opin ião dogrupo, o que é mais “relevante”: a “notícia” ou a “não notícia”? Por que concluíram assim?

d. Para determinarmos se algo é “relevante”, precisamos de critérios. Quais critérios o grupo usou

para determinar o que era ou não relevante?

e. De hoje até a próxima aula, assistam à TV, leiam jornais impressos, observe nas redes sociais e conversas entre familiares e amigos. Anote os assuntos das notícias vistas e/ ou ouvidas.

f. Quais das notícias (vistas e/ou ouvidas) se “encaixam” em “notícias”, segundo o quadro da questão 1a? E quais se encaixam em “não notícias”? Responda: neste período de observação, houve mais “notícias” ou “não notícias”?

g. Qual a hipótese do grupo: na atualidade, vimos e/ou ouvimos mais notícias relevantes ou não? Por

quê?

2. Notícia do bairro: de hoje até a próxima aula, observe seu bairro, converse com seus familiares

e vizinhos. Há algo que deva ser noticiado? As ruas, córregos, praças ou outros espaços públicos

estão limpos? Os aparelhos públicos (escolas, postos de saúde, centros comunitários, etc.) têm alguma campanha de conscientização nestes dias? Há algum problema que incomoda a população? Há algum evento previsto (saraus, festas populares, etc.)?

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Anote suas observações e reflita sobre elas. Escolha um assunto e escreva sua notícia.

Na classe, escolham as notícias que julgarem mais relevantes e exponham em mural. Decidam com o professor onde ficará o mural da classe: na classe mesmo; exposto no pátio da escola (para outros alunos); no portão ou outro local externo (para mais pessoas), etc.

mesmo; exposto no pátio da escola (para outros alunos); no portão ou outro local externo (para

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ENTREVISTAR

CONTEXTUALIZANDOENTREVISTAR Você já ouviu falar do gênero textual entrevista? Certamente, quando criança, já brincou de entrevistador

ENTREVISTAR CONTEXTUALIZANDO Você já ouviu falar do gênero textual entrevista? Certamente, quando criança, já brincou

Você já ouviu falar do gênero textual entrevista? Certamente, quando criança, já brincou de entrevistador e entrevistado. Esse gênero tem origem no diálogo entre duas ou mais pessoas. No caso, o entrevistador pergunta, direciona a conversa, propõe pautas a serem debatidas e dá voz ao entrevistado. O produto final da entrevista, (quando escrita, transcrita e divulgada em jornal, revista ou sites), é um relato entre entrevistador e entrevistado, que aconteceu em algum momento anterior ou também ao vivo. O gênero pode misturar tanto discurso direto como indireto.

FIQUE POR DENTROO gênero pode misturar tanto discurso direto como indireto. A entrevista é muito importante para o

A entrevista é muito importante para o trabalho de um jornalista. Ela está por trás da maioria das notícias e reportagens publicadas, já que é um meio para se adquirir informações. É essencial que o repórter tenha habilidade e empatia para se relacionar. É necessário que se tenha informações prévias e um roteiro de temas disponíveis, e a capacidade de obter informações e declarações de pessoas que não tinham a intenção de cedê-las.

de pessoas que não tinham a intenção de cedê-las. PRODUÇÃO TEXTUAL EM FOCO Nesta unidade, você

PRODUÇÃO TEXTUAL EM FOCO

Nesta unidade, você vai produzir uma entrevista. Durante a leitura dos textos, verifique alguns

pontos:

a. as informações oferecidas ao leitor;

b. os exemplos utilizados para conduzir temas pelo entrevistador;

c. os temas, memórias, pessoas importantes para o entrevistado;

d. o efeito pingue-pongue como recurso para criar veracidade aos fatos.

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ATIVIDADE

Para refletirmos sobre a escolha da linguagem – o quanto de formalidade ou informalidade devemos utilizar em nossas entrevistas, veja a questão abaixo, a partir da entrevista de um linguista, o professor Marcos Bagno:

(Enem 2012)

ENTREVISTA COM MARCOS BAGNO

Pode parecer inacreditável, mas muitas das prescrições da pedagogia tradicional da língua até hoje se baseiam nos usos que os escritores portugueses do século XIX faziam da língua. Se tantas pessoas condenam, por exemplo, o uso do verbo “ter” no lugar de “haver”, como em “hoje tem feijoada”, é simplesmente porque os portugueses, em dado momento da história de sua língua, deixaram de fazer esse uso existencial do verbo “ter”.

No entanto, temos registros escritos da época medieval em que aparecem centenas desses usos. Se nós, brasileiros, assim como os falantes africanos de português, usamos até hoje o verbo “ter” como existencial é porque recebemos esses usos dos nossos ex-colonizadores. Não faz sentido imaginar que brasileiros, angolanos e moçambicanos decidiram se juntar para “errar” na mesma coisa. E assim acontece com muitas outras coisas: regências verbais, colocação pronominal, concordâncias nominais e verbais etc. Temos uma língua própria, mas ainda somos obrigados a seguir uma gramática normativa de outra língua diferente. Às vésperas de comemorarmos nosso bicentenário de independência, não faz sentido continuar rejeitando o que é nosso para só aceitar o que vem de fora.

Não faz sentido rejeitar a língua de 190 milhões de brasileiros para só considerar certo o que é usado por menos de dez milhões de portugueses. Só na cidade de São Paulo temos mais falantes de português do que em toda a Europa! Informativo Parábola Editorial.

Na entrevista, o autor defende o uso de formas linguísticas coloquiais e faz uso da norma- padrão em toda a extensão do texto. Isso pode ser explicado pelo fato de que ele,

adapta o nível de linguagem à situação comunicativa, uma vez que o gênero entrevista requer o uso da norma-padrão.

apresenta argumentos carentes de comprovação científica e, por isso, defende um ponto de vista difícil de ser verificado na materialidade do texto.

propõe que o padrão normativo deve ser usado por falantes escolarizados como ele, enquanto a norma coloquial deve ser usada por falantes não escolarizados.

acredita que a língua genuinamente brasileira está em construção, o que o obriga a incorporar em seu cotidiano a gramática normativa do português europeu.

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defende que a quantidade de falantes do português brasileiro ainda é insu ciente para acabar com a hegemonia do antigo colonizador.

PARA SABER MAIS

O filme abaixo é um bom exemplo sobre o papel do Entrevistador.

Frost/Nixon

O longa conta a dramática entrevista do presidente americano com um apresentador britânico, depois do escândalo de Watergate. Cinema -122 min EUA/ING/FRA, 2008 Diretor: Ron Howard País de origem: EUA/ING/FRA Ano de produção: 2008

Uma grande e histórica série de entrevistas realizadas em 1977 é o tema do filme. Na década de 70, o presidente Richard Nixon protagonizou o maior escândalo político da história dos EUA, o caso Watergate. Na ocasião, foram descobertas provas de corrupção e de abuso de poder contra ele, o que quase o leva ao impeachment, se não fosse pelo fato de ele mesmo decidir renunciar ao cargo. O presidente seguinte, Gerald Ford, chocou a população ao perdoar Nixon, que se livrou do julgamento. Assim, naquele momento, o que os norte-americanos mais queriam era uma satisfação do ex- presidente.

Neste momento, o jornalista David Frost fazia sucesso na Inglaterra e na Austrália, com programas cômicos e populares. Apesar de ser mais um apresentador do que propriamente um jornalista, Frost teve a ideia de fazer o que nenhum americano tentou, enfrentar Nixon em uma entrevista exclusiva, que abordaria toda a carreira do político, inclusive o caso Watergate. Quando o ex- presidente aceita, ambos sabem que do embate Frost/Nixon só sairá um vencedor.

Sem contar com o apoio de nenhuma rede de televisão, David segue com seu plano de criar o programa televisivo de 90 minutos, com quatro temas diferentes sobre seu rival. Tendo de pagar do próprio bolso, ele sabe que qualquer fracasso neste seu ousado projeto pode representar o fim de sua carreira, assim com Nixon sabe que somente se ele se der bem em cima de Frost ele pode voltar para a política. Cada um dos lados, então, arma-se da maneira que pode para o duelo.

Dirigido por Ron Howard, de O Código Da Vinci, Frost/Nixon conta o caso real da histórica entrevista entre David Frost e Richard Nixon, em 1977. O filme recebeu cinco indicações ao Oscar, entre elas a de melhor filme, direção, roteiro adaptado e ator, para Frank Langella. O ator já havia interpretado Nixon no teatro. Pelo papel, ele recebeu o Prêmio Tony de melhor ator, em 2007.

Nesse filme é possível perceber como a capacidade e observação psicológica é um dos maiores trunfos de um grande entrevistador.

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A E N T R E V I S TA

Trata-se de um gênero textual em que o produtor do texto apresenta o relato de um diálogo que manteve com uma ou mais pessoas.

Muitas entrevistas nascem de um gancho, ou seja, algum fato ou pretexto que torna o depoimento do entrevistado importante para o público que assiste ou lê a entrevista. A abertura, que apresenta o entrevistado e a situação de produção da entrevista, costuma explicitar o gancho que a originou.

A entrevista sempre tem um tema

o gancho que a originou. A entrevista sempre tem um tema ou objetivo. Nesse caso, o

ou objetivo. Nesse caso, o jornalista formula perguntas diversas, no entanto, dirigidas pela finalidade que tem em mente: construir o perfil do entrevistado, adquirir informações privilegiadas sobre algum assunto, recolher a opinião de um estudioso ou argumentos sobre um ponto de vista.

de um estudioso ou argumentos sobre um ponto de vista. Você já ouviu falar no tipo

Você já ouviu falar no tipo de entrevista publicada em formato pingue- pongue? O objetivo é criar um efeito de veracidade. Ao reproduzir as falas do entrevistado em discurso

direto, ela dá ao leitor a sensação de acompanhar

a conversa como ela realmente aconteceu, ainda que se tratando de uma retextualização.

O roteiro de uma entrevista sempre ajuda o entrevistador a manter o foco nos objetivos da entrevista, em meio às idas e vindas, às vezes não planejadas, em um diálogo. Respostas do entrevistado podem motivar novas perguntas. Não há problemas em se desviar do assunto, no entanto, o entrevistador deve ficar preparado para declarações inesperadas. O modo como

o entrevistador deixa fluir ou retoma o foco da

entrevista é que determinará o seu conteúdo. As

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marcas de oralidade (bocejos, espirros, risadas) podem ou não serem transcritas na entrevista (entre parênteses ou em negrito).

Veja este exemplo de entrevista. Um fragmento da entrevista de Oscar Castro Neves concedida a José Vicente Pimentel.

ENTREVISTA COM OSCAR CASTRO NEVES

JVP – Oscar, conte, para começar, como você compôs “Chora tua tristeza”, seu primeiro.

Grande sucesso.

OCN – Fiz “Chora tua tristeza” dentro de um lotação, brincando com intervalos. Cheguei em casa correndo e peguei o violão, para poder tocar a harmonia que tinha no ouvido desde que sentei no lotação. Quem colocou a letra foi o Luvercy Fiorini, um arquiteto, bom amigo, meu parceiro também em “Menina feia”. Na mesma época, fiz outra música com Ronaldo Bôscoli, chamada “Não faz assim”, gravada pelos Garotos da Lua, aquele grupo de que o João Gilberto participou.

JVP – Era a segunda metade dos anos 50 e o Brasil vivia uma fase risonha, Juscelino Kubistchek, eleito presidente, prometia 50 anos de desenvolvimento em seus 5 anos de mandato. É nesse clima de otimismo que nasceu a bossa nova, da qual você é sócio fundador

OCN – Era um Brasil feliz, havia esperança no ar. Essa atmosfera gerava uma certa naiveté. A bossa

nova é naïve, com barquinho, sol e mar, toda aquela ilusão, “perdi a namorada mas vou ganhá-la de novo

amanhã”

qualidade da música, produzida por músicos maravilhosos, mas também pelo clima favorável do país e pela espontaneidade que existia. A gente fazia a música pela qual estava apaixonado. Aquela música, que eu chamo de samba urbano, era feita por uma turma de rapazes e moças de classe média que vivia na Zona Sul e tocava violão. Acabamos virando todos grandes amigos.

A bossa nova nasceu e ganhou o mundo em função de um conjunto de fatores. Primeiro pela

JVP – Que tipo de música você ouvia naquela época?

OCN – Ouvia de tudo. Com 14 anos descobri o jazz, a parte harmônica que enriquece o jazz. Ouvia Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Stan Getz, dos guitarristas, me lembro de Barney Kessel. Na minha casa, a gente ouvia também muito Bach, Stravinsky, os impressionistas Debussy e Ravel. Desenvolvi naturalmente um ouvido harmônico. Ao tocar com meus irmãos em casa, e estávamos sempre tocando, queríamos fazer com que a parte harmônica ficasse mais rica. De repente, descobrimos que havia mais gente querendo a mesma coisa, pessoas do nível de Jobim, Menescal.

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JVP – Nos anos 30, como contam João Máximo e Carlos Didier na sua excelente biografia de Noel Rosa (*), havia uma turma que se reunia em Vila Isabel e deu muito samba. No final dos 50, havia uma nova turma em Copacabana

OCN – Exato, era uma turma em que prevalecia uma união, uma camaradagem que talvez não haja

clima para reproduzir hoje em dia, porque a música virou business, virou indústria, cresceu tanto que as pessoas se isolaram em compartimentos estanques. Naquela época, não. Sabe como conheci o Tom? Eu e meus irmãos tínhamos um grupo, “Os irmãos Castro Neves”. Um belo dia, Mário, meu irmão mais velho, pegou o telefone e ligou para o Tom. “Tom, aqui é Mário Castro Neves”. “Ah, dos irmãos Castro Neves, conheço vocês. Tudo bem? O que você manda?”. “Nós temos aqui na garagem um pianinho, estamos fazendo umas músicas, você não quer vir tomar uma cerveja, bater um papo?”. Eu, do lado de cá, ouvi o Tom berrar para a mulher: “Teresa, tem alguma coisa hoje à noite? Tem não?”. E voltando

a falar com Mário: “Olha, eu vou pegar um táxi e daqui a pouco estarei aí”. Foi, tomou cerveja, ouviu,

tocou e assim começou uma amizade que durou para sempre. Eu tinha 16 e o Tom 30, a diferença era grande. Lembro que ia à casa do Tom e ficava completamente extasiado com a maneira dele fazer as coisas, aquela economia harmônica, aquela precisão. Sem exagero, quando voltava para casa e tirava a temperatura, eu estava com febre, de tão encantado, de tão excitado.

JVP – Já naquele tempo, Tom era a grande figura, não é?

OCN – O Tom era grande. O Tom inteiro. Não só o Tom compositor, não só o Tom pianista, mas também o Tom carismático, o Tom contador de histórias, o Tom que sabia o nome de todos os pássaros, de todos os peixes, o Tom inteiro era um sujeito fascinante mesmo. Eram tempos de grande

solidariedade. Estávamos sempre tocando as músicas dos outros, não só as nossas próprias. “Olha aqui

a última do Menescal, Tom”, e Tom achava o máximo. Imagino em meus sonhos que talvez o movimento

impressionista tenha sido assim. Baudelaire era amigo de Debussy, que era amigo de Ravel, e assim éramos nós.

JVP – Havia também grandes personagens femininas. Nara Leão, por exemplo.

OCN – A Nara, antes de mais nada, era uma graça. Quando garota, namorava o Ronaldo Bôscoli. Os pais, Jairo e Tinoca, tinham um apartamento maravilhoso, com um salão enorme em frente à praia. A moda eram as festinhas para dançar. Nas nossas reuniões, ninguém dançava, pegávamos o violão e ficávamos cantando até o sol nascer. A casa da Nara era perfeita para isso, estavam sempre prontos para nos receber. Por isso, quando alguém perguntava: “Para onde vamos hoje?”, no mais das vezes a resposta era: “Vamos para a casa da Nara”.

JVP – O estilo dela era inconfundível e o repertório, primoroso.

OCN –Você pega qualquer disco da Nara, o repertório é maravilhoso. E ela era um doce de coco. Tive

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uma grande tristeza, anos atrás, quando fui tocar no Brasil, no Free Jazz. Tocar em casa é diferente, é um prazer e, ao mesmo tempo, é muito perigoso. Tocar no Carnegie Hall não tem problema, mas tocar no Brasil, tocar em casa, aí você quer fazer o melhor. Fui com uma banda ótima, de primeira linha, mas estava preocupado. Nara me mandou um telegrama, “Não posso ir, um carinho grande”. Liguei para ela, “Que pena que você não vem, eu gostaria tanto”, deixei um abraço e ficou por isso. Ela não me disse nada, mas já estava entrando no hospital; um mês depois, morreria. Se soubesse, teria feito um esforço maior para vê-la. Até hoje sinto tristeza, mas não sabia de nada, pensei comigo “Vejo a Nara depois”. E não vi.

JVP – Quando vocês se deram conta de que a bossa nova poderia vir a ser algo importante?

OCN – O Tom já era o Tom, mas nós estávamos ali basicamente para nos divertir. Nem se contava com

a hipótese de fazer sucesso. Havia um fotógrafo, o Francisco Pereira, que tinha um gravador muito bom.

Era um negócio fascinante ir à casa dele gravar. João Gilberto ia sempre. Na época, um bom gravador era uma novidade. Um dia, na casa do Chico, peguei o violão e cantei “Chora tua tristeza”. Alaíde Costa, que também estava lá, me pediu para cantar de novo, disse que estava fazendo um disco e, para minha surpresa, perguntou se poderia gravar a música. Nunca me ocorrera que alguém quisesse gravar aquilo.

Eu nem sabia escrever música

solfejo. Cantei a melodia, ela escreveu as notas, coloquei a harmonia e dei para Nelsinho do Trombone

emocionado à casa do Carlos Lyra, a mãe do Carlinhos era boa em

Corri

fazer o arranjo. Passados quinze dias, me chamaram do estúdio. Quando ouvi aquelas cordas todas, foi uma emoção. Ouvir a minha música orquestrada!

JVP – Quantos anos você tinha quando fez essa música?

OCN – Dezesseis, por aí. Pouco tempo depois de ter saído o disco, acordei uma manhã e ouvi o leiteiro, passando embaixo da minha janela, cantando a música. Corri para a rua, de pijama, gritei “Rapaz, esta ”

música é minha”. O cara olhou para mim como se eu estivesse louco, disse “Sei, sei

e saiu de ninho.

Em pouco tempo, “Chora tua tristeza” tinha 50 gravações diferentes. Agostinho dos Santos, Maysa, todo mundo gravou. Não vi um tostão, mas tudo bem.

JVP – Com “Desafinado” e “Chega de saudade”, João Gilberto causaria o impacto decisivo, não foi?

OCN – Ah, foi. Como se diz em inglês, João Gilberto single handedly inventou a batida da bossa nova. O samba é um composite, um amálgama de vários instrumentos de percussão. João pegou esse conjunto

e decantou, a expressão que gosto de usar é essa, decantou a essência do ritmo, fez um negócio

simples que se tornou mágico quando ele lhe acrescentou a voz. O primeiro ingrediente da receita

é o ritmo decantado, que ele inventou. O segundo, o equilíbrio entre a voz e o violão. O violão era um instrumento perfeito porque, mais delicado que o piano, podia integrar-se ao volume da voz do João.

A nota que ele emitia complementava o acorde. Ele canta uma nota e faz o balanço, o equilíbrio dessa

nota com o violão, de maneira que, quando muda a harmonia, o resultado é harmônico.

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Por exemplo, nesta nota (emite a nota vocalmente e acompanha ao violão) o equilíbrio é tão bom que você percebe todas as mudanças harmônicas. O João dominou isso. A primeira vez que ouvi João, tive a sensação de uma janela abrindo. Daí para diante a música nunca mais seria a mesma. João tinha o talento e a convicção pessoal, influenciou todo mundo. Eu tenho certeza de que a minha música não seria a mesma se não tivesse havido o João. Não só eu, mas também o Tom, Menescal, Carlinhos.

JVP – Que turma aquela: Tom, João Gilberto, você e ainda Roberto Menescal,

Carlos Lyra

Como você conheceu Menescal?

OCN –O Menescal conta uma história que me encabula, mas é ótima. Ele também foi parar na

garagem de minha casa por um convite do Mário. Eu trabalhava na Caixa Econômica, voltei e encontrei meu irmão tocando com um sujeito que nunca tinha aparecido por lá. Ainda de terno e gravata, louco

para tocar, tirei o violão da mão do Menescal, sem dar uma palavra

quando pergunto ao Menescal se z isso mesmo, ele afirma: “Fez!”. Foi assim que a gente se conheceu. Eu adoro o Menescal, é gente finíssima, além de ser um compositor imprescindível no cenário da bossa

nova. Carlinhos Lyra, também. O songbook do Carlinhos é de uma qualidade sem par.

JVP – A primeira e histórica gravação de bossa nova foi de Elizeth Cardoso,

Não

lembro de nada disso, mas

no LP “Canção do Amor Demais” [

]

(Disponível em: <www.dominiopublico.gov.br/>. Acesso em: 17 maio 2017.)

LP “Canção do Amor Demais” [ ] (Disponível em: <www.dominiopublico.gov.br/>. Acesso em: 17 maio 2017.) 45

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ENTREVISTA PINGUE-PONGUE COM LARISSA GRAU

Guyanne Araújo e Tatiana Lagôa

Oriente Médio. Uma região de cultura tão rica quanto complexa, berço de uma série de conflitos, ora de cunho religioso, ora político. Local em que diversas etnias buscam

a legitimação. Para isso, muitas delas utilizam a

força, o que faz com que o mundo olhe com olhos de desconfiança para a região Encantada por essa riqueza de histórias e religiões, a jornalista

e mestranda em comunicação da PUC Minas,

Larissa Grau, se dedicou ao estudo da região. Por meio de uma pesquisa sobre a simbologia religiosa do Oriente Médio, Larissa pôde notar que, embora às vezes utilizem instrumentos cruéis, não há uma batalha entre os grupos locais, ou seja, entre o certo e o errado, mas sim entre o certo e o certo.

Outra conclusão a que Larissa chegou foi a de que, ao contrário do que o senso comum leva a crer, os homens-bomba não são terroristas motivados pelo ódio. Pelo contrário, eles são pessoas que agem motivados pelo amor a Deus e pela comunidade. O fundamentalismo religioso os leva a crer nessa verdade. A busca por legitimização, e reconhecimento no grupo de que fazem parte, levam muitos homens a abrirem mão de suas vidas em prol da luta pelos direitos comunitários.

Larissa também explica sobre o surgimento do Hamas e o que essa organização significa para a região; no âmbito internacional, os pontos positivos, os negativos, o que eles

já conquistaram e sua organização. Quanto à

conclusão nal da pesquisa, Larissa a rma: “Minha

conclusão é de que o conflito na região é muito

conclusão é de que o conflito na região é muito mais complexo do que aparenta. Ele

mais complexo do que aparenta. Ele envolve sentimentos, sensorialidades e não somente

a razão”. Essas são algumas das questões que

a entrevista abaixo, feita com a pesquisadora Larissa, tenta trazer à tona.

P: O que a levou a pesquisar as especificidades do Oriente Médio?

R: Em primeiro lugar, o fascínio pela região tão rica em religiões e cultura. Em segundo, porque, ainda na graduação de jornalismo, sempre pensei em me especializar em jornalismo internacional. Descobri que, se eu quisesse compreender ao menos uma parte do que acontecia na região, era necessário conhecer a história não só política, mas cultural da região. Ao escolher o tema de minha monogra a, não hesitei em dar início aos meus estudos.

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P: Desde que começou a se dedicar ao tema, o que mudou em sua concepção?

R: Se há algo que a pesquisa e o estudo podem

fazer é ampliar os nossos instrumentos de

percepção frente às coisas do mundo. Nosso horizonte se torna maior e mais complexo. Ao se tornar mais complexo, passamos a compreender que nada é absoluto, que não existem verdades prontas e que em todo o conflito há, no mínimo, sempre dois lados que buscam justificar objetiva

e

subjetivamente as suas respectivas ações.

O

que temos que buscar é a compreensão das

ações empreendidas. Ao fazermos isso, podemos nos deparar com uma situação ainda mais consternada. Um conflito que, embora utilize instrumentos cruéis, não é uma batalha entre um certo e um errado, mas entre o certo e o certo.

P: A que conclusões você tem chegado com a pesquisa?

R: Minha pesquisa diz respeito à simbologia

religiosa. Ao falarmos sobre valores religiosos,

estamos falando de um complexo sistema de valores que organizam sociedades e culturas.

Minha conclusão é que urge – de ambos os lados –

a interpretação dos respectivos símbolos.

Para os militantes e simpatizantes do grupo Hamas, seus homens-bomba não são terroristas motivados pelo ódio e pela insanidade. Mas homens- santo, mártires, motivados pelo mais puro amor: o amor a Deus e pela sua comunidade. Você pode, pela conciliação política, dirimir questões ligadas ao ódio. Mas é mais difícil abrir mão do amor numa mesa de negociação. Minha conclusão é de que o conflito na região é muito mais complexo do que aparenta. Ele envolve sentimentos, sensorialidades e não somente a razão.

P: Hoje, quais os maiores problemas enfrentados no Oriente Médio?

R: Não há como generalizar. Assim como não há como generalizar os problemas da Europa ou da América Latina como uma só entidade. Ali, existem contextos especí cos. Para alguns países, o fundamentalismo religioso é um dos problemas. Um dos problemas. Mas não é único. Não podemos estabelecer um só determinado denominador comum para um só país, e quanto mais para toda uma rica e complexa região.

P: Se fôssemos fazer um “mapa” do Oriente Médio, que principais grupos étnicos e religiões seriam encontrados?

R: Predominantemente, a religião é islâmica, com minorias de outras religiões, dependendo do país. Já grupos étnicos são centenas.

P: Como não existe um conceito único de terrorismo, na sua concepção, como estudiosa do assunto, qual a definição mais próxima à realidade?

R: Difícil pergunta. Prefiro apontar o texto que a ONU tenta, em vão, aprovar desde o ano de 2003 e que tipifica o terrorismo como um crime: “Terrorismo é um método de produção de ansiedade graças à ação violenta repetida, empregada por indivíduo (semi) clandestino, grupos ou atores estatais por razões idiossincráticas, criminais ou políticas, e na qual as vítimas diretas da violência não são os alvos principais”.

“Essas vítimas humanas imediatas são escolhidas ao acaso (alvo de oportunidade)

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ou seletivamente (representantes de alvos simbólicos) de uma população-alvo, servindo como geradores de mensagens. Processos de comunicação baseados na ameaça e na violência entre a (organização) terrorista, a vítima (em perigo) e os principais alvos são utilizados para manipular o principal alvo (audiência), tornando-o alvo do terror, alvo de demandas, alvo de atenção, dependente do fato se a intimidação, a coerção ou propaganda são buscadas.”

P: Quais as maiores dificuldades para se definir terrorismo?

R: Muitos países, que suportam inclusive

financeiramente a prática, não consideram esses grupos como terroristas, mas como organizações legítimas de resistência. Se a prática for tipificada,

passa-se a existir um precedente para criminalizar inclusive esses países.

P: Além de terrorista, quais outros termos são próximos e podem induzir ao erro, por serem ações parecidas? (por exemplo, guerrilheiro). O que diferencia cada um desses termos?

R: Outra questão complexa. Grupos que já

foram considerados como terroristas hoje são percebidos e representados como guerrilheiros.

O oposto também acontece. As FARC, por

exemplo, há muito tempo deixaram de ser

somente vistas como um grupo de guerrilha,

já que utilizam métodos com características

terroristas. Não podemos esquecer que vemos

o passado pelas lentes do presente. E o presente muda, alterando com ele a representação do passado.

P: Na sua opinião, como jornalista, quais as maiores difculdades que os profissionais da imprensa encontram ao fazer matérias a respeito do terrorismo?

R: Uma tremenda desinformação e a reprodução de verdades pretensamente estabelecidas. Isso pode ser observado no confl ito israel- palestino. Fala-se muito do que não se tem a menor ideia e geralmente se toma um só partido, desconsiderando o outro lado que também sofre.

só partido, desconsiderando o outro lado que também sofre. P: Quais os maiores erros que já

P: Quais os maiores erros que já encontrou na mídia, em relação ao assunto?

R: Conforme eu já disse, a busca pelas motivações das ações empreendidas por ambos os lados. Enxergar a dor de cada um dos lados envolvidos.

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P: Já que não se pode dizer que todo tipo de terrorismo tem um fundamento religioso, qual a real relação entre terrorismo e religião?

R: O terrorismo religioso não é somente motivado por reivindicações políticas, mas por uma crença religiosa. Não é somente um atentado político, mas também uma forma de transcendência espiritual. É um sacrifício religioso por uma causa que é também política.

P: Quais os principais tipos de terrorismo existentes?

R: A divisão clássica do terrorismo nas décadas de 60 e 70 era terrorismo de esquerda e de direita. Hoje, talvez seja melhor substituir por terrorismo laico e político-religioso.

P: Comente a relação entre a queda do muro de Berlim com o surgimento dos suicidas religiosos.

R: Não sei se existe uma causa-consequência tão clara nesta questão. O que eu posso afirmar é que enquanto havia a bipolaridade no mundo, quase todos os conflitos eram interpretados como frutos da Guerra Fria. Com a queda do

interpretados como frutos da Guerra Fria. Com a queda do Muro e a expansão do fluxo
interpretados como frutos da Guerra Fria. Com a queda do Muro e a expansão do fluxo

Muro e a expansão do fluxo comunicacional que já não sofria mais barreiras, foi possível ouvir mais claramente outras vozes, outros apelos, outras formas de relatos que estavam sufocados pelo poderio das duas grandes potências. Entretanto, esses relatos ou já existiam ou já estavam em franco processo de formação.

(Disponível em: <www.fca.pucminas.br/omundo/entrevista-ping- pong-com-larissa- grau>. Acesso em: 15 mar. 2017.)

A realização de entrevistas constitui uma das técnicas de

coleta de dados mais frequentes na investigação naturalista,

e consiste em uma interação verbal, às vezes por telefone

ou videoconferência, o que possibilita ao entrevistador e ao entrevistado não estarem frente a frente.

Como vimos no Livro-Texto, em geral, distingue-se entre entrevistas estruturadas, não estruturadas e semiestruturadas, em função das características do dispositivo montado para registrar a informação fornecida pelo entrevistado.

Nas entrevistas estruturadas, cada entrevistado responde a uma série de perguntas preestabelecidas dentro de um conjunto limitado de categorias de respostas. As respostas são

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registradas de acordo com um esquema de codi cação também preestabelecido. O entrevistador controla o ritmo da entrevista utilizando o roteiro como um script teatral que deve ser seguido de forma padronizada e sem desvios.

Em geral, as entrevistas estruturadas utilizam desenhos de investigação nos quais se pretende obter informação quantificável de um número elevado de entrevistados, com o objetivo de estabelecer frequências que permitam um tratamento estatístico posterior. Assim, é indispensável garantir que o contexto da entrevista e o teor das questões se mantenham inalterados em relação a todos os entrevistados.

Nas entrevistas não estruturadas, a interação verbal entre entrevistador e entrevistado desenvolve-se à volta de temas ou grandes questões organizadoras do discurso, sem perguntas especí cas e respostas codi cadas.

discurso, sem perguntas especí cas e respostas codi cadas. P ode-se pretender que a informação a
discurso, sem perguntas especí cas e respostas codi cadas. P ode-se pretender que a informação a

P ode-se pretender que a informação a

recolher tenha um caráter extensivo, abrangendo um amplo leque de temas, em um registro exploratório, ou, pelo contrário, desenvolver-se em profundidade, explorando de modo exaustivo uma questão ou problema especí co.

Por outro lado, a entrevista não estruturada pode desenvolver-se em uma lógica descritiva em que se pretende recolher informações sobre os fatos, ou pode ser orientada em um sentido interpretativo, em que se recolhem opiniões e representações do entrevistado.

As entrevistas semiestruturadas obedecem a um formato intermediário entre os dois anteriores. O modelo global é o da entrevista não estruturada, mas os temas tendem a ser mais específicos.

Em geral, são conduzidas a partir de um roteiro que constitui o instrumento de gestão da entrevista semiestruturada. O roteiro deve ser construído a partir das questões de pesquisa e eixos de análise do projeto de investigação. A sua estrutura típica tem um caráter matricial, em que a substância da entrevista é organizada por objetivos, questões e itens ou tópicos.

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Cada objetivo corresponde a uma ou mais questões, e cada questão corresponde a vários itens ou tópicos que serão utilizados na gestão do discurso do entrevistado em relação a cada pergunta.

Em situações ou circunstâncias especí cas pode-se justificar a realização de entrevistas em grupo. É o caso da reunião de um grupo de interlocutores privilegiados em uma situação de trabalho de campo. Este tipo de entrevistas coletivas pode ser realizado no âmbito da técnica de focus group. Esta técnica implica a constituição de pequenos grupos de interlocutores privilegiados que se reúnem periodicamente para debater um tema em profundidade.

(Disponível em: <www3.uma.pt/bento/ppt/Entrevista.ppt>. Acesso em: 15 mar. 2017.)

Acesso em: 15 mar. 2017.) 51 REGRAS • Estabelecer e garantir uma boa relação de

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REGRAS

Estabelecer e garantir uma boa relação de confiança, empatia e segurança com o entrevistado.

Explicar claramente o objetivo da entrevista.

Explicar as regras do anonimato e da confidencialidade em relação à identidade, grupo ou organização e à informação recolhida.

Durante a entrevista, é necessário saber ouvir, isto é, não interromper a linha de pensamento do entrevistado, aceitar as pausas, e, em geral, aceitar tudo o que é dito em uma atitude de neutralidade atenta e simpática. Além disso, a estratégia de gestão da entrevista deve basear-se em perguntas abertas. As perguntas fechadas devem ser utilizadas apenas quando for necessário clarificar detalhes do discurso do entrevistado.

Para a expansão e clarificação de respostas, podem ser usadas diversas técnicas:

Repetir o que o entrevistado disse por outras palavras, para confirmar o sentido.

Pedir exemplos.

Solicitar que explicite interpretações, causas ou objetivos.

Pedir clarificação de contradições.

Pedir a elaboração de diagramas ou desenhos, se necessário (prever material de escrita para o efeito).

Focus groups são técnicas de investigação qualitativas que agrupam entre 7 a 10 pessoas (os grupos podem ser menores, entre 4 e 6 pessoas), recrutadas com base na semelhança demográfica, atitudinal, comportamental ou outra, que se envolvem em uma discussão sobre um tema específico, moderada por um moderador treinado, em um espaço de tempo de cerca de duas horas.

treinado, em um espaço de tempo de cerca de duas horas. COM A MÃO NA MASSA
treinado, em um espaço de tempo de cerca de duas horas. COM A MÃO NA MASSA

COM A MÃO NA MASSA

Junte-se com um colega e faça perguntas a ele.

Mais adiante haverá uma atividade similar à que você vai desenvolver neste momento. A entrevista que você fará agora servirá como modo comparativo para a que você fará nas páginas seguintes. No entanto, aqui será um texto mais livre, cujo tema vocês estabelecerão. Não se esqueça de passar de novo pelo capítulo Entrevista, do Livro-Texto, e rever as técnicas de entrevista. Vai ajudar bastante!

Pensem juntos no tema: a entrevista poderá girar em torno de expectativas quanto ao futuro, práticas esportivas, proteção do Meio Ambiente, serviço voluntário, opiniões quanto ao machismo, feminismo etc. Escolham um tema que seja interessante para vocês dois.

Usando todas as informações que leu até o momento, crie 10 perguntas para seu colega, e ele

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para você. Em seguida, um entrevistará o outro.

Não se esqueça de fazer o registro logo abaixo.

PRODUÇÃO DE TEXTOO que você vai escrever? Você vai produzir uma entrevista. Escolha um colega de Ensino

O que você vai escrever?

Você vai produzir uma entrevista. Escolha um colega de Ensino Médio para ser seu entrevistado. O objetivo será compor uma entrevista-perfil. Você, como entrevistador, deverá anotar dados e histórias sobre a vida e a personalidade do entrevistado, supondo que a entrevista será publicada em um jornal da escola.

Todo texto pressupõe etapas distintas e intercomplementares na atividade da escrita:

• Planejar

• Escrever

• Reescrever

COM A MÃO NA MASSAda escrita: • Planejar • Escrever • Reescrever Faça um roteiro. Realize a entrevista. A partir

Faça um roteiro. Realize a entrevista.

COM A MÃO NA MASSA Faça um roteiro. Realize a entrevista. A partir do texto original,

A partir do texto original, gravado e/ou registrado por meio de apontamentos, escreva o texto de sua entrevista no formato de “perguntas e respostas”. Você poderá utilizar os conhecimentos abordados nestaunidade. Aproveite todos os recursos interessantes de que você dispõe (como aparelho celular, por exemplo) e redija um texto com as declarações do entrevistado.

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DICAS

Escolha um (a) aluno(a) que, para você, tenha alguma qualidade especial. Pode ser alguém de destaque em algum esporte, em alguma banda, que tenha ganhado alguma medalha em concurso literário, que tenha atuado em publicidade, que seja um amigo em quem se pode confiar, etc.

Mesmo que o entrevistado seja próximo a você, tente descobrir histórias e fatos que você não conhecia sobre ele.

Busque uma entrevista “exclusiva”: procure escolher uma pessoa que não esteja sendo entrevistada por outro aluno. Pode-se realizar um sorteio em sala de aula para formar os pares.

Para construir o perfil do entrevistado, seria interessante realizar uma entrevista na casa dele, para que o ambiente também traga informações sobre sua vida pessoal. Essas características, identificadas pelo entrevistador, podem ser abordadas na entrevista. As marcas de oralidade da entrevista podem ser transpostas ou não.

Abaixo segue o rascunho para a sua entrevista. Você deverá entregar o texto final para o seu professor. Lembre-se de fazer uma breve apresentação sobre o entrevistado e o foco de sua entrevista. Bom trabalho!

COM A MÃO NA MASSA Você vai produzir uma entrevista em formato pingue-pongue sobre o

COM A MÃO NA MASSA

Você vai produzir uma entrevista em formato pingue-pongue sobre o hábito de leitura e deverá entrevistar um pro ssional de sua escola. Combine com o seu professor como será a escolha desse pro ssional. No texto nal, faça uma ilustração do tema da entrevista.

Sugerimos a visualização do programa “Provocações”, apresentado pela TV Cultura. Infelizmente o entrevistador, Antônio Abujamra, faleceu em 2015, deixando um vazio na televisão brasileira. Entretanto, você pode visualizar na internet várias entrevistas realizadas por Abujamra. No nal da entrevista, o apresentador sempre seguia o formato pingue-pongue. Aproveite.

Rascunho para a produção de sua entrevista:

o apresentador sempre seguia o formato pingue-pongue. Aproveite. Rascunho para a produção de sua entrevista: 57
COM A MÃO NA MASSA A partir da tirinha abaixo, escreva dez perguntas possíveis de

COM A MÃO NA MASSA

A partir da tirinha abaixo, escreva dez perguntas possíveis de serem respondidas aos personagens “Lucas & Enzo”. Lembre-se de direcionar as perguntas para um tema e escrever um breve

histórico sobre o personagem

& Enzo”. Lembre-se de direcionar as perguntas para um tema e escrever um breve histórico sobre
COM A MÃO NA MASSA Leia o texto abaixo: Enzo é um menino de 7

COM A MÃO NA MASSA

Leia o texto abaixo:

Enzo é um menino de 7 anos que na maior parte do seu tempo se dedica às suas brincadeiras, que geralmente envolvem o seu melhor amigo Lucas. Enzo é um menino que tem várias preocupações de pessoas adultas, porém as suas reações são as de uma criança, que é o que ele realmente é. As tirinhas das Aventuras de Lucas&Enzo apresentam a questão da predestinação, ou seja, uma determinação antecipada do que irá ocorrer no futuro. Como no caso da tirinha acima, pois já era a quarta vez que o vento carregava o boné de Enzo, era de se esperar que com um vento tão forte ele continuasse a ser levado pelos ares.

um vento tão forte ele continuasse a ser levado pelos ares. Já Lucas é o melhor

Já Lucas é o melhor amigo de Enzo que, na maior parte do tempo, procura de todas as formas, fazer com que seu amigo pare de ser “teimoso”. Ele tenta deixar claro para seu amigo Enzo, usando da paciência e do bom senso, que existem determinadas situações em nosso dia a dia que certamente irão ocorrer e que não podemos fazer nada para mudá-las, mas temos apenas que nos conformar, como por exemplo, a questão do boné que era carregado pelo vento forte, todas as vezes que Enzo o colocava na cabeça. Lucas também demonstra ser aquele amigo que possui uma sugestão para tudo, por mais que Enzo não concorde com algumas dessas sugestões.

mais que Enzo não concorde com algumas dessas sugestões. Os textos acima foram produzidos na página

Os textos acima foram produzidos na página de um blog. Agora você vai imaginar 10 perguntas a partir dos textos lidos e entrevistar o blogueiro. Então, deverá encaixar as respostas do texto nas suas perguntas. Segue espaço para a prática do exercício.

COM A MÃO NA MASSA Transcrevemos, a seguir, duas entrevistas com mulheres que cantam e

COM A MÃO NA MASSA

Transcrevemos, a seguir, duas entrevistas com mulheres que cantam e compõem rap publicadas na Revista MTV, n. 22 ( jan./fev. 2003), sob o título geral “Minas da rima”. Depois de lê- las, responda às questões de 1 a 5.

NEGRA LI

(Liliane de Carvalho, 23 anos)

Por que você começou a cantar rap?

Um amigo de escola me convidou pra participar de um grupo, uns shows com eles, e no último conheci o RZO. Quando me chamaram, achei que fosse uma participação, não imaginei que faria parte da família.

Qual é a mensagem de suas letras?

Falo do dia a dia das mulheres da periferia, de amor, decepções e do universo feminino.

Você vive de música?

Minha grana vem dos shows. As portas de emprego são fechadas por eu ser negra. Sempre foi difícil conseguir trabalhos que dependessem da aparência.

Você tem algum tipo de incentivo?

Minha família é o meu maior apoio, não me deixa desistir.

Sua vida mudou depois do rap?

Eu me tornei responsável depois que tive um reconhecimento e cresci em vários aspectos. O rap me deu

mais sede de estudar, de fazer uma faculdade.

O rap me deu mais sede de estudar, de fazer uma faculdade. As mulheres enfrentam dificuldades

As mulheres enfrentam dificuldades para cantar rap?

Mulher encontra dificuldade em tudo o que fizer porque sempre conseguiu tudo depois do homem.

Os rappers incentivam a participação feminina?

Os caras incentivam nem que seja pra ver um corpo bonito. O rap não seria o mesmo sem o vocal da mulher. Acho que a discriminação não é da maioria. O RZO me incentivou muito, mas eu tive que provar cantando. Tem que se inspirar naquilo que é bom, deixar de lado a separação entre homens e mulheres, ser guerreira, ensaiar sempre – a pé, se for necessário.

(Disponível em: <www.maiseducativo.com.br>. Acesso 17 mar.

2017.)

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DINÁ DEE

(Viviane Lopes, 27 anos)

Como começou no rap?

Aos 7 anos, cantava MPB em comícios e festivais. Acompanhava o grupo Sistema Negro e vi que o

rap

tinha a ver com a minha vida. Em um concurso

em

1996, só com homens, que em primeiro lugar.

Qual é a mensagem de suas letras?

As mulheres têm dificuldades no rap?

Enfrento di culdades por ser branca, sinto na pele a rejeição, mas não por ser mulher. Os rappers incentivam as “minas”?

O Helião, do RZO, me ajudou muito, disse que eu não poderia desistir. O Natanael Valencio, que apresentava o programa de rádio Movimento de Rua, os Racionais, o Milton Salles, ex-empresário deles, também. A mulher rouba a cena no palco, tem que ter autoconfiança.

A luta pra conseguir realizar meus sonhos. O universo feminino tem muita coisa pra ser dita. Só uma mulher pode compor sobre a mulher.

Você vive do rap?

Meu marido está preso e meu filho mora longe, não tenho condições financeiras de estar com ele. Não posso levar meu filho pra escola nem

fazer comidinha pra ele. Faço show toda semana com o RZO e com o Visão de Rua de vez em quando. Hoje tenho apoio da gravadora até meu

CD sair. Quando minha mãe morreu assassinada,

eu estava em uma gravadora que encostou meu disco. Mas hoje quero realizar o sonho de crescer na música.

1. Os textos conversacionais podem

apresentar diferentes características, resultado de diferentes formas em que se produz o diálogo. Quando os diálogos são transcritos, colocados no papel, também podemos ter diferentes atitudes: transcrever literalmente a fala, com suas rupturas, suspensões, etc., ou “fazer uma limpeza”, eliminando as marcas de oralidade e transformando o texto oral em texto escrito. Após reler atentamente as duas entrevistas, responda:

Pelas características apresentadas, você diria que as entrevistas reproduzidas constituemtextos “orais” ou “escritos”? Por

63
63

quê?

O estudioso Jean Michel Adam afirma que o texto conversacional se caracteriza por uma sequência de intercâmbios: pergunta + resposta + evolução. Você diria que essa sequência está presente nas entrevistas lidas?

De uma entrevista para outra, há ligeiras alterações no tipo de linguagem do entrevistador. Aponte um exemplo dessa mudança de tipo.

2.

Transforme a entrevista feita com Neymar de discurso direto para discurso indireto. Entrevista

com Neymar

“Quero um Porsche e uma Ferrari na garagem”

Neymar é a maior estrela do Santos e, aos 18 anos, com saúde e futebol para vender por milhões de euros, é também “um vulcão em erupção”, conforme define o pai.

Entrevistador: Qual é a parte chata de fazer sucesso?

Neymar - Ah, não tem parte chata. Eu acho que é sempre legal.

Entrevistador: Já foi vítima de racismo?

é sempre legal. Entrevistador: Já foi vítima de racismo? Neymar - Nunca. Nem dentro e nem

Neymar - Nunca. Nem dentro e nem fora de campo. Até porque eu não sou preto, né?

Entrevistador: O que gostaria de poder comprar que ainda não tem?

Neymar - Queria um carrão.

Entrevistador: Mas você acabou de comprar um Volvo XC-60, por R$ 140 mil. Não é um carrão?

Neymar - Ah, é, mas queria uma Ferrari. Nunca andei.

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Entrevistador: Uma Ferrari ou um Porsche? Neymar - Não sei. Qual é melhor? Entrevistador: Não

Entrevistador: Uma Ferrari ou um Porsche?

Neymar - Não sei. Qual é melhor?

Entrevistador: Não sei, também.

Ah, então eu queria um Porsche amarelo e uma Ferrari vermelha na garagem.

(

)

Por Sonia Racy, Jornal O Estado de São Paulo.

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A R G U M E N TA R

A R G U M E N TA R CONTEXTUALIZANDO No Livro-Texto você viu, junto com

CONTEXTUALIZANDO

No Livro-Texto você viu, junto com seu

professor, que o gênero textual “artigo de divulgação científica” é um gênero discursivo que transpõe um discurso específico de uma esfera do campo científico para a comunidade em geral, ou seja,

é por meio do texto de divulgação científica que

a sociedade entra em contato com as pesquisas

que estão sendo realizadas, ou que estão em andamento, em linguagem acessível e didática. A popularização da ciência tem sido considerada também como um instrumento para tornar disponíveis conhecimentos e tecnologias que possam ajudar a melhorar a vida das pessoas e dar suporte a desenvolvimentos econômicos e sociais sustentáveis.

(Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/ chaTecnicaAula.html? aula=22624>. Acesso em 17 mar. 2017.)

aula=22624>. Acesso em 17 mar. 2017.) FIQUE POR DENTRO A ciência é um vasto campo de

FIQUE POR DENTRO

aula=22624>. Acesso em 17 mar. 2017.) FIQUE POR DENTRO A ciência é um vasto campo de
aula=22624>. Acesso em 17 mar. 2017.) FIQUE POR DENTRO A ciência é um vasto campo de

A ciência é um vasto campo de estudos cujo objetivo é buscar conhecimento sobre o Universo e tudo o que se encontra nele. As pessoas que trabalham com a ciência são chamadas de cientistas. A forma de trabalhar dos cientistas chama-se método científico.

(Disponível: <http://escola.britannica.com.br/article/482466/ciencia- e-metodo-cienti co>. Acesso em: 17 mar. 2017.)

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PRODUÇÃO TEXTUAL EM FOCO Nesta unidade, você vai produzir um artigo. Durante a leitura dos

PRODUÇÃO TEXTUAL EM FOCO

Nesta unidade, você vai produzir um artigo. Durante a leitura dos textos, verifique alguns pontos:

a. o título;

b. as imagens que compõem o artigo;

c. as explicações de termos técnicos;

d. os comentários e citações;

e. a pontuação ,uso de negrito ou itálico ou qualquer recurso de destaque;

f. a divisão em blocos de leitura.

recurso de destaque; f. a divisão em blocos de leitura. O ARTIGO CIENTÍFICO O artigo cientíico

O ARTIGO CIENTÍFICO

O artigo cientíico ou reportagem de divulgação científica é um gênero que divulga novos conhecimentos científicos ou atualiza informações a respeito de um determinado assunto de interesse público, sempre em linguagem acessível. Esse tipo de texto não costuma ser dirigido a especialistas, mas tem como alvo o público em geral ou leigo que possa se interessar sobre a questão.

Quais são as características de um texto de divulgação científica?

texto expositivo;

finalidade: transmitir conhecimentos de natureza científica a um público o mais amplo possível;

estrutura: ideia principal (afirmação, conceito) / desenvolvido por meio de provas (exemplos, comparações, relações de efeito e causa, resultados de experiências, dados estatísticos) / conclusão. Assim, como se trata de um texto de exposição de ideias, normalmente ele se constitui de uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão;

linguagem clara, objetiva e geralmente impessoal;

emprega a variedade padrão da língua com a presença de termos e conceitos científicos de uma ou mais áreas do conhecimento, verbos predominantemente no presente do indicativo.

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(Disponível: <https://atividadeslinguaportuguesamarcia.blogspot.com.br/2013/04/ texto-de-divulgacao-cienti ca.html>. Acesso em: 17 mar. 2017.)

Leia alguns exemplos de textos de divulgação científica:

Texto I

OBESIDADE INFANTIL PODE DOBRAR OS RISCOS DE MORTE ANTES DOS 55 ANOS, DIZ ESTUDO

A obesidade infantil mais do que dobra os riscos de morte antes dos 55 anos de idade, segundo estudo publicado no New England Journal of Medicine. Acompanhando, em longo prazo, quase 5 mil crianças nascidas entre 1945 e 1984, os pesquisadores notaram que um quarto dos voluntários que apresentava maior índice de massa corporal (IMC) tinha duas vezes maior taxa de morte por causas naturais antes dos 55 anos do que o grupo de menor IMC. Entre essas causas, os especialistas consideraram doença hepática alcoólica, doença cardiovascular, infecções, câncer, diabetes e overdose de drogas.

infecções, câncer, diabetes e overdose de drogas. “O ponto principal é que a obesidade em crianças

“O ponto principal é que a obesidade em crianças é um sério problema que precisa ser abordado seriamente”, ressaltou o pesquisador William C. Knowler, do Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais. “O que este estudo particular mostra é que a obesidade causará o excesso de morte prematura”, completou o especialista.

Além da influência direta da obesidade infantil nos riscos de morte prematura, a pesquisa indicou que a intolerância à glicose – fator de risco para o diabetes – e a pressão alta na infância também cumprem um papel neste sentido. As taxas de morte foram 73% maiores entre o grupo de maior intolerância à glicose e 1,5 vezes maior entre aqueles que apresentavam pressão alta.

Em nota para a imprensa, o pediatra Marc Jacobson, da Academia Americana de Pediatria, destaca que o novo estudo é oportuno e importante, visto que mais de um sexto das crianças americanas estão obesas. “Ele nos dá mais dados relevantes sobre os efeitos da obesidade adolescente em longo prazo”. E, seguindo as diretrizes da Academia, o especialista recomenda a medida do índice de massa corporal em todas as crianças, e uma abordagem no estilo de vida daquelas que se apresentam obesas.

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Para a prevenção, segundo ele, os pais podem usar o chamado 5210 – cinco porções diárias de frutas e vegetais, duas horas ou menos de TV por dia, uma hora de exercícios, e nenhuma ou pouquíssimas bebidas açucaradas

Texto II

.Texto extraído de “Clique Saúde”.

POR QUE SENTIMOS ÁGUA NA BOCA?

Entenda a importância da nossa saliva na hora de comer.

Por: Suzana Herculano-Houzel, Departamento de Anatomia, Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“Chiquinha, o almoço está pronto! Fiz a batata frita que você pediu!”

Só de ouvir essas palavras, sua boca se enche d’água – de saliva –, antecipando-se à comida que já vai entrar na boca e precisa ser digerida. De fato, a digestão começa na boca, onde os alimentos são picados, triturados e esmagados, tudo isso antes de serem conduzidos ao estômago. E pasme: se a boca não se enchesse de saliva, não seria possível nem engolir o alimento, nem saber o que você tem sobre a língua!

Todo mundo produz uma pequena quantidade de saliva o tempo todo, mas a produção aumenta quase dez vezes quando uma pessoa vê, cheira ou pensa em comida. A saliva que enche a boca nessas

horas é essencial por várias razões. Primeiro, somente quando dissolvidos na saliva é que pedaços microscópicos desprendidos dos alimentos

é que pedaços microscópicos desprendidos dos alimentos chegam até as papilas gustativas, que sinalizam ao cérebro

chegam até as papilas gustativas, que sinalizam ao cérebro o tipo de comida que você tem na

boca: água, sal, ácido, doce, proteína ou algo amargo e, portanto, potencialmente nocivo, nada bom de ser engolido. Assim, além de reconhecer

o alimento pelo gosto, o seu cérebro já vai

preparando o corpo para a digestão. Segundo,

a saliva contém enzimas que começam a partir

em pedaços menores os carboidratos, grandes

moléculas de açúcar, como o amido do pão.

Além disso, é a saliva que umedece e dá liga aos alimentos triturados e permite que eles sejam transformados em um grande “bolo” compacto

e lubrificado, que pode ser engolido sem risco

69

de engasgos. Se você não acredita que comida seca não desce sem saliva, experimente o famoso Teste da Bolacha: comer três biscoitos em menos de um minuto, sem apelar para um copo d’água.

É simplesmente impossível! A razão é que, mesmo trabalhando dez vezes mais rápido, as glândulas

parótidas e salivares não conseguem produzir saliva com a rapidez necessária para que os pedaços de biscoito passem em menos de um minuto de paçoca a uma massa umedecida que possa deslizar até o seu estômago.

A boa notícia é que a produção de saliva é automática, comandada pelo sistema nervoso autônomo sempre que o cérebro detecta a presença de comida na boca. O interessante é que, por associação, também funciona pensar em comida, sentir o cheiro bom do almoço no fogo e até ouvir que cou pronto aquele prato de que você gosta. O caso mais famoso de água na boca por associação, claro, é o já lendário cão do siologista russo Ivan Pavlov. De tanto ouvir um sino tocar antes de receber sua comida todos os dias, o animal passou a salivar em resposta ao tocar do sino, mesmo que o prato demorasse a chegar. E eu, de tanto escrever sobre comida, já quei com água na boca

Suzana Herculano-Houzel Departamento de Anatomia, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Revista CHC | Edição 199.

Federal do Rio de Janeiro. Revista CHC | Edição 199. PRODUÇÃO DE TEXTO - ESTRATÉGIAS O

PRODUÇÃO DE TEXTO - ESTRATÉGIAS O QUE VOCÊ VAI ESCREVER?

Agora que leu alguns exemplos, você vai produzir um artigo de divulgação cientí ca, mas, antes disso, resolva os exercícios propostos.

Leia o texto abaixo:

resolva os exercícios propostos. Leia o texto abaixo: CONTROLE DO APETITE Até a segunda metade do

CONTROLE DO APETITE

Até a segunda metade do século XX,

a desnutrição foi nosso principal problema de

saúde pública; hoje, é a obesidade. Cerca de 10% dos brasileiros adultos são obesos, e outros 30% estão acima do peso saudável. Portanto, cerca de 50 milhões de pessoas deveriam perder peso para evitar doenças como ataques cardíacos, derrames cerebrais, diabetes, reumatismos e alguns tipos de câncer.

Os sistemas biológicos que controlam

70

a ingestão de alimentos são complexos e mal conhecidos. Durante os 5 milhões de anos da existência humana, a fome representou ameaça permanente à sobrevivência da espécie. Entre nossos antepassados, sobreviveram apenas aqueles capazes de estabelecer um equilíbrio rígido entre o número de calorias ingeridas e as necessidades energéticas do organismo.

Na evolução de nossa espécie, foram selecionados indivíduos cujos cérebros eram capazes de engendrar mecanismos biológicos altamente eficazes para evitar a perda de peso. Através deles, assim que o cérebro detecta diminuição dos depósitos de gordura, a energia que o corpo gasta para funcionar em repouso com a finalidade de exercer suas funções básicas (metabolismo basal) cai dramaticamente, ao mesmo tempo em que são enviados sinais irresistíveis para procurar e consumir alimentos.

Infelizmente, quando ocorre aumento de peso, os sinais opostos são quase imperceptíveis:

não há grande aumento da energia gasta em repouso, a fome não diminui signi cativamente, nem surge estímulo para aumentar a atividade física; pelo contrário, tendemos a nos tornar mais

física; pelo contrário, tendemos a nos tornar mais sedentários. 71 Além disso, por razões mal compreendidas,

sedentários.

71

pelo contrário, tendemos a nos tornar mais sedentários. 71 Além disso, por razões mal compreendidas, o

Além disso, por razões mal compreendidas, o corpo tende a defender o peso mais alto que já atingiu. Para tristeza da mulher e do homem moderno, o organismo protege as reservas de gordura mesmo quando estocadas em níveis muito elevados. A mais insignificante tentativa de reduzi-las é interpretada pelo cérebro como ameaça à integridade física.

AÇÃO DA INSULINA E DA LEPTINA

Para controlar o peso a longo prazo, o organismo produz dois hormônios que permitem avaliar os níveis dos depósitos de gordura e ajustar o apetite e a energia que deve ser gasta em função deles: a insulina e a leptina.

O papel da ação cerebral da insulina no controle do peso foi descrito há quase 30 anos. Esse hormônio produzido pelo pâncreas age em uma área do cérebro rica em receptores dotados da propriedade de reconhecê-lo. Em ratos, quando esses receptores são inativados, os animais se tornam obesos, imediatamente. Em seres humanos, enquanto esses receptores estão ativos, o cérebro mantém sua sensibilidade aos efeitos da insulina, e o apetite diminui; quando os receptores se tornam resistentes à ação da insulina, o peso aumenta.

Em 1994, a equipe de Je rey Friedman, da

Universidade Rockfeller, trabalhando com ratos mutantes extremamente obesos, descobriu

a leptina, o hormônio que abriu campo para o

estudo dos mecanismos moleculares do controle de peso. Friedman descobriu que a leptina era uma proteína antiobesidade produzida pelo

tecido gorduroso, que, ao ser administrada a ratos com excesso de peso, provocava emagrecimento graças a dois mecanismos: redução do apetite

e aumento da energia gasta em repouso (metabolismo basal).

Apesar de terem sido descritos casos de obesidade humana por defeitos na produção de leptina – portanto, passíveis de serem tratados com esse hormônio –, por razões ainda pouco claras, a maioria das pessoas obesas apresentam níveis até mais altos de leptina, mas são resistentes às suas ações. Hoje, admite-se que a queda dos níveis de leptina provocada pela redução dos depósitos de gordura, ao ser detectada pelo cérebro, provoca aumento do apetite e retardo do metabolismo basal. Mas, quando os depósitos de gordura aumentam, levando à maior produção de leptina, o mecanismo oposto não é significativo: a partir de certos níveis de leptina na circulação, o cérebro se torna resistente a ela.

Ao lado desses hormônios que controlam o apetite e o metabolismo a longo prazo, o organismo produz outros hormônios

para controlar o apetite no dia a dia. O primeiro descrito foi a colecistoquinina, proteína que

o intestino libera na corrente sanguínea para

estimular o centro da saciedade existente no

cérebro e impedir a ingestão exagerada de calorias.

72

Há quatro anos, pesquisadores japoneses

descobriram a grelina, um potente estimulador do apetite na rotina diária. A grelina é o hormônio responsável pela fome que ataca quando chega

a hora do almoço. Pesquisas mostram que os

níveis de grelina na circulação aumentam uma a duas horas antes das principais refeições do dia

e que voluntários, ao receber injeções de grelina, experimentam aumento significativo do apetite.

de grelina, experimentam aumento significativo do apetite. Para contrabalançar as ações promotoras de apetite

Para contrabalançar as ações promotoras de apetite desencadeadas pela grelina produzida quando o estômago fica vazio, a chegada de alimentos ao intestino provoca a liberação de um hormônio chamado PYY. Injeções desse hormônio em camundongos e voluntários humanos causam diminuição do apetite.

Esses hormônios controladores do

apetite e do metabolismo a curto ou longo prazo agem predominantemente em uma região do hipotálamo conhecida como núcleo arqueado,

o centro no qual reside o controle- mestre dos

sistemas regulatórios. Para o núcleo arqueado convergem dois tipos de neurônios que exercem ações opostas: estimulação e inibição do apetite.

A fome que sentimos resulta de um equilíbrio ajustado entre esses circuitos

antagônicos, construídos e selecionados por nossos antepassados remotos com a finalidade de resistir à falta permanente de alimentos, em uma época em que as refeições eram alternadas com longos períodos de jejum forçado. O que representou sabedoria do cérebro para enfrentar a penúria deu origem ao agelo da obesidade em tempos de fartura.

ATIVIDADES

Drausio Varella

1. O texto “Controle de apetite” aborda um tema de natureza cientí ca que certamente interessa a

um grande número de pessoas.

a.

Qual é o tema do texto?

b.

Que outros assuntos você supõe que costumam ser abordados em textos de divulgação cientí ca como esse?

2.

Textos como o que você leu são chamados de textos de divulgação cientí ca. Indique, entre os itens

que seguem, aquele que traduz melhor a nalidade desse tipo de texto:

a. Ensinar como se faz um relatório cientí co.

b. Convencer o interlocutor do ponto de vista defendido pelo autor.

c. Expor um conteúdo de natureza cientí ca.

d. Relatar experiências pessoais.

73

3.

A estrutura de um texto de divulgação cientí ca não é rígida, pois depende do assunto e de outros

fatores da situação de produção, como: quem produz o texto, para quem, com que nalidade, em que veículo, em que momento histórico, etc. Apesar disso, o autor geralmente apresenta no primeiro ou no segundo parágrafo a ideia principal (uma a rmação, um conceito), e desenvolve nos parágrafos seguintes, por meio de exemplos e comparações, resultados objetivos de experiência, dados estatísticos, relações de causa e efeito, etc. De acordo com o texto “Controle do apetite”, responda:

a.

Qual é a ideia principal que o autor desenvolve?

b.

Por que, segundo o autor, a obesidade constitui hoje, no Brasil, um problema de saúde pública?

4.

De acordo com o texto, as pesquisas relativas ao estudo dos sistemas biológicos de animais

mostram que, hoje, nosso organismo tem mecanismos e cientes de controle da obesidade? Justifique

sua resposta.

5.

É comum o texto de divulgação cientí ca fazer uso de uma linguagem que inclui termos e conceitos

cientí cos básicos.

a.

Identifique no texto “Controle de apetite” palavras ou expressões próprias da linguagem científica.

b.

A que área científica pertencem esses termos?

6.

O texto foi publicado em um jornal de grande circulação.

a.

Levante hipóteses: além do jornal, em que outros veículos o texto científico pode circular?

b.

Tomando como base o texto lido, conclua: qual é o per l do leitor desse tipo de texto? Trata-se de

um cientista especialista no assunto abordado ou trata-se de um leitor comum, leigo?

75

7.

Observe a linguagem do texto.

. a.

Que tempo e modo predominam entre as formas verbais utilizadaspelo autor?

. b.

Que variedade linguística foi empregada?

8.

Considerando-se o assunto desenvolvido e o veículo em que o texto foi publicado, pode-se afirmar

que esse nível de linguagem é adequado à situação? Por quê?

1. 9. Quando produzimos um texto, podemos nos colocar nele de modo pessoal ou impessoal. No texto lido, predomina uma linguagem pessoal ou uma linguagem impessoal? Por quê?

76

10.

a.

Observe a conclusão do texto.

Em que parágrafo ela se situa?

b. A conclusão é coerente com a ideia principal do texto? Por quê?

c. Reúna-se com seus colegas e, juntos, respondam: quais são as principais características do texto de divulgação cientí ca?

(Fonte: Cereja e Magalhães: Português: Linguagem. Disponível em: <http:// diogoprofessor. blogspot.com.br/2013/02/aula-sobre-artigo- de-divulgacao.html>. Acesso em: 17 maio 2017.)

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Aqui você irá compilar suas respostas e formular um texto, reunindo as informações que conseguiu.

NOVA SUPERBACTÉRIA PREOCUPA OS CIENTISTAS

Ela é resistente a antibióticos, afirmam os pesquisadores em estudo. As bactérias NDM- 1 são resistentes até ao carbapenem, um grupo de antibióticos utilizado como última tentativa em tratamentos de emergência contra bactérias resistentes a muitos remédios.

Turistas que viajaram ao sul da Ásia com o objetivo de fazer cirurgias estéticas levaram para a Grã-Bretanha um novo tipo de bactéria mutante, resistente a antibióticos. O alerta foi feito por cientistas que assinam um artigo publicado na revista Lancet nesta quarta-feira.

Muitas infecções hospitalares, que já eram combatidas com dificuldade, tornaram- se ainda mais resistentes aos medicamentos em consequência de uma enzima descoberta recentemente e que deixa a bactéria muito resistente. A enzima, conhecida como NDM-1, foi identificada pela primeira vez no ano passado por Timothy Walsh, da Universidade de Cardi , em dois tipos de bactérias – Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli (E.coli) - em um paciente sueco internado em um hospital da Índia.

As bactérias NDM-1 são resistentes até ao carbapenem, um grupo de antibióticos utilizado como última tentativa em tratamentos de emergência contra bactérias resistentes a muitos remédios. Os cientistas a rmaram que as bactérias foram levadas à Grã-Bretanha por pacientes que viajaram à Índia e ao Paquistão.

“Se essas infecções continuassem sem o tratamento apropriado, com certeza poderíamos esperar algum tipo de mortalidade”, declarou

Walsh, professor de microbiologia, à rádio

BBC. “Vai ser muito difícil tratar as infecções nos pacientes com esse tipo de bactéria”, acrescentou. No estudo, coordenado por Walsh

e pela Universidade Karthikeyan Kumarasamy

de Madras, os cientistas tentaram determinar

a presença da NDM-1 no sul da Ásia e no Reino Unido.

Examinando pacientes com sintomas suspeitos em hospitais, eles detectaram 44 casos - 1,5% dos pesquisados em Chennai, e 26 (8% dos pesquisados) em Haryana, cidades da Índia. Também encontraram a superbactéria em Bangladesh e no Paquistão, assim como 37 casos na Grã-Bretanha, alguns em pacientes que haviam retornado recentemente de cirurgias estéticas na Índia e Paquistão. “Como a Índia também é

na Índia e Paquistão. “Como a Índia também é responsável por cirurgias estéticas de outros cidadãos

responsável por cirurgias estéticas de outros cidadãos europeus e americanos, é provável que

a NDM-1 se espalhe pelo mundo”, alerta o estudo.

80

TIPOS DE TEXTOS

Exposição: apresenta um saber já construído e legitimado, ou um saber teórico. Apenas expõe ideias sobre um determinado assunto. A intenção é informar, esclarecer.

Narração: modalidade em que um narrador, participante ou não, conta um fato, real ou fictício, que ocorreu em um determinado tempo e lugar, envolvendo certos personagens. Refere-se a objetos do mundo real.

Argumentação: um texto dissertativo- argumentativo faz a defesa de ideias ou um ponto de vista do autor. O texto, além de explicar, também persuade o interlocutor, objetivando convencê-lo de algo.

Injunção: indica como realizar uma ação. Utiliza linguagem objetiva e simples. Os verbos são, na sua maioria, empregados no modo imperativo, porém, nota-se também o uso do infinitivo e o uso do futuro do presente do modo indicativo.

e o uso do futuro do presente do modo indicativo. • Descrição: um texto em que

Descrição: um texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. A classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, pela sua função caracterizadora.

(Disponível: <http://www.portuguesxconcursos.com.br/p/tipologia- textual-tipos- generos.html>. Acesso em: 17 mar. 2017.)

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ATIVIDADES 1. O texto que você acabou de ler é um artigo de divulgação científica

ATIVIDADES

1. O texto que você acabou de ler é

um artigo de divulgação científica em que

predominam:

a. Sequências expositivas, pois a intenção é informar de modo imparcial e objetivo.

b. Sequências narrativas, já que o autor

conta para o leitor sobre as novas descobertas da

ciência.

c.

Sequências argumentativas, pois o

jornalista apresenta a sua opinião sobre os dados

e

informações apresentados.

d.

Sequências injuntivas, porque ensina

quais são as novas descobertas do mundo da ciência.

e. Sequências descritivas, uma vez que

apresenta o que acontece no mundo em um determinado momento.

2. Com base no texto que você acabou

de ler e nas informações que você tem, explique

o que é um texto de divulgação cientí ca e qual o seu objetivo.

82

3. Utilizando o texto “Nova superbactéria

preocupa os cientistas”, assinale quais são as características dos textos de divulgação cientí ca:

a.

(

) Objetividade no tratamento do tema.

b.

) Apresentação da opinião do jornalista sobre o assunto.

(

c.

) Explicação de termos e dados para o leitor não especializado.

(

d.

(

) Presença de termos técnicos.

e.

) Linguagem técnica e compreensível somente para quem é da área.

(

f.

(

) Uso de linguagem clara e vocabulário

técnico, porém de fácil acesso. ) Parágrafos curtos, que sintetizam e concentram uma única ideia.

4.

Faça um resumo das informações principais

de cada um dos 6 parágrafos.

83

5. Um dos parágrafos do texto pode ser

suprimido sem prejuízo à sua compreensão do texto.

a. Qual é? Explique.

b. Pode-se dizer que este fato é um problema

da composição textual?

sua compreensão do texto. a. Qual é? Explique. b. Pode-se dizer que este fato é um

6. O artigo de divulgação cientí ca deve ser

objetivo e, por esse motivo, em momento algum o jornalista explicita o perigo que é a descoberta dessa nova bactéria superpotente. Porém, sugere essa ideia por diversos meios: escolha vocabulário, citações, etc. Retire três trechos do texto em que essa ideia pode ser inferida.

7. Qual é a importância da divulgação das

informações científicas apresentadas no artigo?

8. Reúna suas respostas e formate um texto,

apresentando como o texto da página anterior foi construído.

no artigo? 8. Reúna suas respostas e formate um texto, apresentando como o texto da página

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ATIVIDADES

Agora você vai escrever um artigo de divulgação científica: “O contexto histórico dos jogos para videogame e RPG”

“O contexto histórico dos jogos para videogame e RPG” Antes, vá até o capítulo Relato Jornalístico,

Antes, vá até o capítulo Relato Jornalístico, do Livro-Texto e veri fique as principais características deste gênero.

AGORA VOCÊ VAI ESCREVER UM ARTIGO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA:

“As preferências musicais do público adolescente”

“As preferências musicais do público adolescente” VOCÊ SABIA? Que de acordo com a LEI No 11.769,

VOCÊ SABIA?

Que de acordo com a LEI No 11.769, DE 18 DE AGOSTO DE 2008, a música deveria ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular?

A partir das imagens abaixo, escreva um artigo de divulgação científica sobre a produção de filmes de terror brasileiros e hollywoodianos. Lembre- se de levar em consideração em sua produção, as características que foram abordadas até aqui sobre o Artigo de Divulgação Científica.

em sua produção, as características que foram abordadas até aqui sobre o Artigo de Divulgação Científica.

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ANOTAÇÕES 89

ANOTAÇÕES

PARODIAR

PARODIAR CONTEXTUALIZANDO A paródia tem como elemento principal a recriação de uma obra e, em geral,
PARODIAR CONTEXTUALIZANDO A paródia tem como elemento principal a recriação de uma obra e, em geral,

CONTEXTUALIZANDO

A paródia tem como elemento principal a recriação de uma obra

e, em geral, tem função crítica e satírica. Pode ser feita a partir da

estrutura de um poema, música, fi lme, obras de arte ou qualquer

gênero que tenha um enredo que possa ser modificado. Mantém-se

o esqueleto, isto é, características que remetam à produção original, como por exemplo o ritmo – no caso de canções – mas modifica-se

o sentido. Com cunho, em muitos casos, cômico, provocativo e/ou

retratação de algum tema que esteja em alta no contexto abordado (Brasil, mundo, política, esporte, entre outros).

(Disponível: <http://www.infoescola.com/generos-literarios/parodia/>. Acesso em: 17 mar.

2017.)

Acesso em: 17 mar. 2017.) FIQUE POR DENTRO A paródia e a paráfrase representam dois

FIQUE POR DENTRO

A paródia e a paráfrase representam dois tipos de

intertextualidade, ou seja, são recursos que estabelecem diálogos

entre diferentes textos, criando um novo baseado em um texto- fonte (referência).

PARÓDIA

O termo “paródia” é derivado do grego (parodès), e signi

ca “canto ou poesia semelhante à outra”. Trata-se de uma releitura cômica, geralmente envolvida por um caráter humorístico e irônico,

a qual altera o sentido original, criando, assim, um novo.

PARÁFRASE

O termo “paráfrase” vem do grego (paraphrasis), e significa

a “reprodução de uma sentença”. Diferente da paródia, ela faz

referência a um ou mais textos sem que a ideia original seja alterada.

sentença”. Diferente da paródia, ela faz referência a um ou mais textos sem que a ideia
sentença”. Diferente da paródia, ela faz referência a um ou mais textos sem que a ideia

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(Disponível: <https://www.todamateria.com.br/ parodia-e-parafrase/>. Acesso em: 17 mar. 2017.)

parodia-e-parafrase/>. Acesso em: 17 mar. 2017.) PRODUÇÃO TEXTUAL EM FOCO Nesta unidade, você vai produzir

PRODUÇÃO TEXTUAL EM FOCO

Nesta unidade, você vai produzir uma paródia. Durante a leitura dos textos, verifique alguns

pontos:

a. a intertextualidade;

b. a criatividade;

c. a contemporaneidade;

d. o contexto histórico;

e. os elementos políticos, literários e sociais;

f. o pensamento crítico.

A PARÓDIA

O novo contexto empregado à estrutura do que já existia passa por um processo de intertextualização para o leitor, ouvinte e espectador. Para compreender a intenção da paródia, às vezes, é necessário um pré conhecimento do objeto inicial, por isso, em geral, se opta por parodiar obras que sejam conhecidas pelo público a ser atingido.

Utilizada também em propagandas, a paródia é um meio de familiarizar o produto em questão com o público-alvo. É o caso da lã de aço “Assolan”, que em seus comerciais televisivos faz paródia de músicas de alguns grupos e/ou cantores que estão na mídia, isto é, canções que, normalmente, a sociedade já ouviu e, com isso, mantendo o ritmo e mudando a letra, e os espectadores gravam consciente ou inconscientemente os trocadilhos e acabam adquirindo determinado item.

Retornando à marca “Assolan”, sua reformulação em cima de “Festa no apê – Latino” foi a seguinte:

Original

“Hoje é festa lá no meu apê, pode aparecer, vai rolar bundalelê

Chega

aí, pode entrar, quem tá aqui, tá em casa é festa lá no meu ”

apê, pode aparecer, vai rolar bundalelê

91

Chega aí, pode entrar, quem tá aqui, tá em casa é festa lá no meu ”

Paródia

“A família não para de crescer, usou, passou, limpou, é Assolan fenômeno Lã de aço, tem esponjas, panos multiuso, saponáceos Hoje é festa na casa e no apê, usou, passou, limpou, é Assolan fenômeno (bis)”

no apê, usou, passou, limpou, é Assolan fenômeno (bis)” Esse gênero textual até encontra um lugar

Esse gênero textual até encontra um lugar em meio às leis brasileiras, que diz o seguinte: “Segundo a lei brasileira sobre direitos autorais, Lei 9.610/98 Art. 47, são livres as paráfrases e paródias que não forem verdadeiras reproduções da obra originária nem lhe implicarem descrédito”. Essa permissão deve existir em função da paródia ter se tornado uma ferramenta usada em muitos meios e profissões com os mais variados fins.

Paródia sobre canção

CASA DE CABOCLO

Vancê conhece o palacete

Do catete

O mais rico do país?

É lá dentro soberano

Há três ano

Dotô Washingtão Luís

Tem salão e tem salinha Bonitinha

Um jardim cheio de ô

Nas recepução de gala Aquelas sala

Fica ansim de engrossadô

Frarta somente um ano e meio

Eu bem o sei-o Para o dono se mudá

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de gala Aquelas sala Fica ansim de engrossadô Frarta somente um ano e meio Eu bem

Qué pro ali fazê seu ninho

Seu Toninho

Que é de Minhas maiorá

Mas seu Julinho que é paulista

Tem as vista

Nessa mesma habitação

É amigo do barbado

Tá cotado

Pra vencê nas ileição

E o Tonico tem o queijo!

O seu desejo

Qué cumpri dê no que dé

Mas o tá de seu Julinho

de mansinho

vai pagando pro café

Um deles dois tem que ir-se embora

Dando o fora

Pra que tudo acabe em paz

Pru móde de que no palacete

Do Catete

Um é bom, dois é

demais!

Chiquinha Gonzaga

(Fontes: <www.infoescola.com/generos-literarios/parodia/>, <http://pt.wikipedia. org/ wiki/Paródia>, <www.youtube.com/ watch?v=oTgOchYHYDU>.)

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Observe algumas formas para desenvolver uma paródia:

Observe algumas formas para desenvolver uma paródia: (Disponível:

(Disponível: <http://ensinaportugues.blogspot.com.br/2015/02/genero- textual- parodia.html>. Acesso em: 17 mar. 2017.)

Paródia popular consiste em manter um intertexto superficial com o texto original, sem manter uma ligação com a temática. A função desse tipo de paródia muitas vezes é a mera diversão, sem um aprofundamento nos assuntos discutidos entre os textos em questão.

Paródia literária requer um requinte em sua produção, pois consiste em manter um intertexto temático com o texto original, de forma clara e objetiva. Nesse tipo de paródia há crítica e/ou oposição de ideias.

Paródia musical é uma versão diferente da música original, coloca-se humor na letra e/ou na coreografia apresentada. Os principais alvos dos compositores de paródias são as músicas que estão fazendo sucesso no momento.

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COM A MÃO NA MASSA Partindo das explicações que você leu sobre a paródia, forme

COM A MÃO NA MASSA

Partindo das explicações que você leu sobre a paródia, forme grupos de acordo com a orientação do professor e procure fazer uma paródia do texto abaixo. Vale qualquer forma de apresentação citada anteriormente. Criem um rascunho.

UM APÓLOGO DE MACHADO DE ASSIS

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:

- Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?

- Deixe-me, senhora.

- Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.

- Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.

- Mas você é orgulhosa.

- Decerto que sou.

- Mas por quê?

- É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?

- Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?

- Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados

- Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faço e mando

- Também os batedores vão adiante do imperador.

- Você é imperador?

- Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto

Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em

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casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, en ou a linha na agulha e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana - para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:

- Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima.

A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.

Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E quando compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:

- Ora agora, diga-me quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da

elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da

costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:

- Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí cas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, co.

Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:

- Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

Fonte: <www.dominiopublico.gov.br/>.

VEJAMOS UM EXEMPLO DE PARÓDIA LITERÁRIA E, EM SEGUIDA, DE PARÓDIA MUSICAL.

A “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias, é considerada a obra mais parodiada da literatura

brasileira. Abaixo, há o poema original e uma de suas “recriações”, de Eduardo Alves da Costa:

A Canção do Exílio

Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras

Onde canta o sabiá;

As aves que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o sabiá.

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras

Onde canta o sabiá.

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar - sozinho, à noite -

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o sabiá.

Outra Canção do Exílio

Eduardo Alves da Costa

Minha terra tem Palmeiras,

Corinthians e outros times

de copas exuberantes

que ocultam muitos crimes.

As aves que aqui revoam

são corvos do nunca mais,

a povoar nossa noite

com duros olhos de açoite

que os anos esquecem jamais.

Em cismar sozinho, ao relento,

sob um céu poluído, sem estrelas,

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nenhum prazer tenho eu cá;

porque me lembro do tempo

em que livre na campina

pulsava meu coração,

voava, como livre sabiá;

ciscando nas capoeiras,

cantando nos matagais,

onde hoje a morte tem mais flores,

nossa vida mais terrores,

noturnos, de mil suores fatais.

Minha terra tem primores,

requintes de boçalidade,

que fazem da mocidade

um delírio amordaçado:

acrobacia impossível

de saltimbanco esquizoide,

equilibrado no risível sonho

de grandeza que se esgarça e rompe,

roído pelo matreiro

cupim da safadeza.

Minha terra tem encantos

de recantos naturais,

praias de areias monazíticas,

subsolos minerais

que se vão e não voltam mais.

(Eduardo Alves da Costa. No caminho, com Maiakóvski. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.)

É interessante notar como nesse poema, a paródia é construída a partir da “Canção do Exílio”, e também de “Meus Oito Anos”, e Casimiro de Abreu (no verso original “Que os anos não trazem mais”).

.

PARÓDIA DO SHOW DAS PODEROSAS, DA CANTORA ANITTA

Luis Felipe Silva/Élida Borges.

Prepara que agora é hora

Da aula poderosa

A tecnologia inovando as escolas

Com aulas dinâmicas e vídeo a toda hora

Professor com coragem mudando a escola

Se não se sente à vontade

Chegou a sua vez

A era digital é nova eu sei

Libere e enfrente os seus medos

Quem tem coragem e a certeza de vencer

Aprender significa informar

A tecnologia está para ajudar

Com internet, DVD, celular

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Você pode conectar

Professores vão car babando

Com a turma toda avançando

Com essas tecnologias no seu cotidiano

Todo mundo vai car clicando

Todo mundo vai car compartilhando

Compartilhando numa boa

Numa boa, numa boa

(Disponível em: <http://aartedeeducarcomastecnologias.blogspot.

com.br/2013/09/

parodia-da-musica-show-das-poderosas_11.html>. Acesso em: 17 mar. 2017.)

OBSERVE OUTROS EXEMPLOS DE PARÓDIA.

TEXTO-BASE: NO MEIO DO CAMINHO

meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra.

NO MEIO DO CAMINHO TINHA UM FUQUINHA. PARÓDIA NO MEIO DO CAMINHO

No meio do caminho tinha um

fuquinha tinha

um fuquinha no meio do caminho

tinha um fuquinha

no meio do caminho tinha um fuquinha.

Nunca me esquecerei desse acontecimento na ida de minhas noitadas tão agitadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha um fuquinha tinha um fuquinha no meio do caminho

Deise Konhardt Ribeiro

(Disponível em: <http://pucrs.br/gpt/parodia.php>. Acesso em: 17 maio 2017.) Texto-base:

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca esquecerei desse

acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas

Nunca me esquecerei desse acontecimento

que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no

PRIMEIRO ATO

Sem professor. Sem aula. Sem provas. Sem notas

Sem computador. Sem dom. Sem queda. Sem inspiração. Sem estresse! Só tu.

Tu e tu. Tu e o texto. Tu e a folha em branco.

Que impassível espera ser preenchida, para entretecer contigo a teia de palavras que liga todas as dimensões de tua existência, nesta travessia de comunicação de ti para contigo, de ti para o outro.

100

Sem.

Só tu.

Com teu ritmo.

Com tua pulsação. Com paixão.

Na aventura do cotidiano. De resgatar a memória.

De fecundar o presente.

De gestar o futuro. Anunciando esperanças.

Denunciando injustiças. In(en)formando

o mundo com tua-vida-toda- linguagem.

Sem!

Levanta tua voz em meio às desfigurações da existência, da sociedade, tu tens a palavra.

A tua palavra. Tua voz. E tua vez.

Gilberto Scarton

PARÓDIA: PRIMEIRO FILHO

Sem telefone. Sem campainha. Sem cachorro.

Sem estresse. Sem vizinho. Sem tudo. Sem nada.

Sem roupa!

Só tu.

Eu e tu. Tu e o teu corpo. Tu e o clima romântico.

Eu impassível espero por ti, para entrelaçar

contigo uma teia de carinhos que liga toda a dimensão de nossos corpos, nesta travessia de vibrações de ti para comigo, de mim para contigo. Sem camisinha.

101

Só prazer.

Com nosso ritmo. Com minha pulsação. Com paixão.

Na aventura do cotidiano. De rasgar a tua roupa.

De fecundar o presente. De gestar o futuro. Anunciando um bebê. Informando ao mundo

o nascimento de uma vida.

Sem preparativos!

Levemos o fato para a sociedade.

Nós temos a felicidade.

O nosso filho. Daqui a nove meses. Será a tua vez.

Antonio Carlos Paim Terra

TEXTO-BASE: CADEIRA HEREDITÁRIA

Bom xi bom xi bombombom

!

Bom xi bom xi

bombombom

!

Bom xi bom xi bombombom

!

Analisando essa cadeira hereditária quero me livrar dessa situação precária (repete)

onde o rico cada vez fica mais rico

e o pobre cada vez fica ca mais pobre

e o motivo todo mundo já conhece é que o “de cima” sobe

e o “de baixo” desce

PARÓDIA: CARREIRA ESTAGIÁRIA

Bom xi bom xi bombombom

!

Bom xi bom xi

bombombom

!

Bom xi bom xi bombombom

!

Analisando minha carreira estagiária quero me

livrar dessa situação primária

Onde o efetivo

cada vez fica mais rico

e o estagiário cada vez é mais otário,

e o motivo todo mundo já conhece sobe, o estagiário desce.

O efetivo

Bom xi bom xi bombombom

!

Bom xi bom xi

bombombom

!

Bom xi bom xi bombombom

!

Mas eu só quero é comprar meus livros,

pagar a minha mensalidade com muita dignidade, eu quero viver bem, terminar de estudar,

mas a grana que eu ganho

não dá nem para contar

E o motivo todo mundo já conhece

Luciana da Silva Rocha 96

TEXTO BASE: SER MÃE

Ser mãe é desdobrar bra por bra

o coração! Ser mãe é ter no alheio

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lábio, que suga, o pedestal do seio,

onde a vida, onde o amor cantando vibra.

Ser mãe é ser um anjo que se libra sobre um berço dormindo! É ser anseio, é ser temeridade, é ser receio,

é ser força que os males equilibra!

Todo bem que a mãe goza é bem do filho, espelho em que se mira afortunada,

Luz que lhe põe nos olhos novo brilho! Ser mãe é andar chorando num sorriso! Ser mãe é ter um mundo e não ter nada! Ser mãe é padecer num paraíso.

Coelho Neto

PARÓDIA: SER MODERNA

Ser moderna é remontar fibra por brasil

o peitão! Ser moderna é não ter o receio

de car bonita, botando silicone no seio, onde a natureza, recriada, balançando vibra!

Ser moderna é ter um marmanjo que se libra sobre o busto rígido! É ser dois seios,

é não necessitar de outros meios,

é ter força, onde o vestido se equilibra!

Todo o bem que goza é bem da humanidade, espelho onde se mira, sem culpa,

ser menina, em qualquer idade!

Ser moderna é ser siliconada!

Ser moderna é ter prótese mamária!

Ser moderna é ser um colírio pra gurizada!

Marco Antonio F. Conde 97

PRODUÇÃO DE TEXTOé ser um colírio pra gurizada! Marco Antonio F. Conde 97 O que você vai escrever?

O que você vai escrever?

Você vai produzir uma paródia do poema “Aula de leitura”, de Ricardo Azevedo. No entanto, no lugar

“Aula de”

disciplinas que estuda e terminar o verso.

deverá completar com cada uma das

Lembre-se de que você fez algo similar no capítulo Artigo de Divulgação Científica.

COM A MÃO NA MASSAsimilar no capítulo Artigo de Divulgação Científica. Segue poema: A leitura é muito mais do que

Segue poema:

A leitura é muito mais

do que decifrar palavras.

Quem quiser parar pra ver pode até se

surpreender: vai ler nas folhas do chão,

se é outono ou se é verão; nas ondas

soltas do mar, se é hora de navegar;

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e no jeito da pessoa,

se trabalha ou se é à-toa; na cara do lutador,

quando está sentindo dor; vai ler na casa

de alguém o gosto que o dono tem;

e no pelo do cachorro,

se é melhor gritar socorro; e na cinza da fumaça,

o tamanho da desgraça;

e no tom que sopra o vento, se corre o barco

ou vai lento; também na cor da fruta,

e no cheiro da comida,

e no ronco do motor,

e nos dentes do cavalo,

e

na pele da pessoa,

e

no brilho do sorriso,

vai ler nas nuvens do céu,

vai ler na palma da mão,

vai ler até nas estrelas

e no som do coração.

Uma arte que dá medo

é a de ler um olhar,

pois os olhos têm segredos difíceis de decifrar.

Poema extraído do livro: AZEVEDO, Ricardo. Dezenove poemas desengonçados. São Paulo: Ática,1999.

AGORA É A SUA VEZ:

Construa uma paródia a partir da música abaixo. Escute a música em sala de aula:

PARA SONHAR

Quando te vi passar fiquei paralisado

Tremi até o chão como um terremoto no Japão

Um vento, um tufão

Uma batedeira sem botão

Foi assim viu

Me vi na sua mão

Perdi a hora de voltar para o trabalho

Voltei pra casa e disse adeus pra tudo que eu conquistei Mil coisas eu deixei

Só pra te falar

Largo tudo

Se a gente se casar domingo Na praia, no sol, no mar Ou num navio a navegar Num avião a decolar

Indo sem data pra voltar Toda de branco no altar Quem vai sorrir? Quem vai chorar?

Ave Maria, sei que há Uma história pra sonhar Pra

sonhar

O que era sonho se tornou realidade

De pouco em pouco a gente foi erguendo o nosso próprio trem, Nossa Jerusalém,

Nosso mundo, nosso carrossel

Vai e vem vai

E não para nunca mais

Pra sonhar

De tanto não parar a gente chegou lá

Do outro lado da montanha onde tudo começou

Quando sua voz falou:

Pra onde você quiser eu vou Largo tudo

Se a gente se casar domingo Na praia, no sol, no mar Ou num navio a navegar Num avião a decolar

Indo sem data pra voltar Toda de branco no altar Quem vai sorrir? Quem vai chorar?

Ave Maria, sei que há Uma história pra contar

Domingo

Na praia, no sol, no mar Ou num navio a navegar Num avião a decolar Indo sem data pra voltar Toda de branco no altar Quem vai sorrir? Quem vai chorar?

Ave Maria, sei que há Uma história pra contar Pra contar

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Marcelo Jeneci

Este espaço está reservado para a produção livre de sua paródia. Pode ser uma ilustração, fotogra a, poesia, literatura, HQ, letra de música, enredo de um jogo, etc. Bom trabalho!

Pode ser uma ilustração, fotogra a, poesia, literatura, HQ, letra de música, enredo de um jogo,

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REFERÊNCIAS ANTUNES, Irandé. Aula de português. São Paulo: Parábola Editorial, 2003 – (Série Aula; 1).

REFERÊNCIAS

ANTUNES, Irandé. Aula de português. São Paulo: Parábola Editorial, 2003 – (Série Aula; 1). AZEVEDO, Ricardo. Dezenove poemas desengonçados. São Paulo: Ática, 1999. BARTHES, Roland. Aula. São Paulo: Cultrix, 1978.

FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristóvão. O cina do texto. Petrópolis: Vozes, 2003. FRAIMAN, Léo. Projeto de vida. 100 dúvidas. Acesso:

20 dez. 2016.

GERALDI, João Wanderley. O texto na sala de aula. São Paulo: Ática, 1997.

MARCUSCHI, Luiz Antônio, XAVIER, Antonio Carlos. Hipertexto e gêneros digitais. Rio de

Janeiro: Lucerna, 2004.

SOARES, Magda. Linguagem e escola: uma perspectiva social. São Paulo: Ática, 1987.

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