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Semana 02

Metodologia da Pesquisa

3 Conhecimento científico

02 Metodologia da Pesquisa 3 Conhecimento científico V ocê já entrou em contato com vários aspectos

Você já entrou em contato com vários aspectos do conhecimento científico. Percorrerá um caminho para formalizar este conceito, para que você consiga entender o lugar deste tipo de conhecimento na sua vida acadêmica.

O conhecimento científico supõe delimitação de um objeto de estudo e responde dúvidas que se estabelecem sobre ele. Praticamente tudo pode ser objeto do conhecimento científico: os fenômenos naturais, as doenças, o corpo humano – mente, físico, psíquico –, o comportamento humano, o comportamento animal, a linguagem humana, a linguagem animal, os fenômenos sociais, as mudanças históricas, os sistemas econômicos, dentre outros inúmeros objetos que poderiam compor esta lista.

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O olhar científico para o objeto de pesquisa gerará um percurso que inclui a observação,

O olhar científico para o objeto de pesquisa gerará um percurso que inclui a observação, a elaboração de teorias que possam explicar essa observação e a aplicação dessas teorias, que estarão abertas ao aperfeiçoamento por outros estudos. A última etapa, nesse viés, é chegar às leis que possam ser demonstradas, que ocorram nas mesmas condições e que se apliquem a todos os objetos do mesmo grupo.

Esse conhecimento tem a pretensão de ser racional e sistemático, bem como revelar aspectos da realidade. O olhar científico, teórico, produtor do conhecimento é um olhar humano. Desta forma, mesmo o conhecimento científico está sujeito a essa visão de mundo, ou seja, a uma interpretação.

Portanto, nenhum conhecimento será definitivo e esgotado em si mesmo, sendo possível a sua reformulação e reinterpretação. A ciência é, então, um processo sempre em construção.

No conhecimento científico, delimita-se um objeto de estudo, que será analisado, visando responder dúvidas que
No conhecimento científico, delimita-se um
objeto de estudo, que será analisado, visando
responder dúvidas que se estabelecem sobre ele.
Além disso, ele tem a pretensão de ser racional e
sistemático e revelar aspectos da realidade.

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Você verá, neste momento, as principais características do conhecimento científico. Lembre-se que o conhecimento científico não diz respeito a uma ciência, mas trata de ciências, com suas respectivas especificidades e peculiaridades. Gil (2008, p.3) afirma que ele é um tipo de conhecimento objetivo, racional, sistemático, geral, verificável e falível e o justifica com os seguintes argumentos:

ELE É OBJETIVO porque busca descrever a realidade de forma neutra, ou seja, independentemente da subjetividade (esta concepção porque busca descrever a realidade de forma neutra, ou seja, independentemente da subjetividade (esta concepção de neutralidade será discutida mais adiante, bem como os seus respectivos limites frente a questões contemporâneas).

ELE É RACIONAL porque se vale, sobretudo, da razão, e não de intuições ou impressões, para chegar aos porque se vale, sobretudo, da razão, e não de intuições ou impressões, para chegar aos resultados.

É SISTEMÁTICO porque busca construir sistemas de ideias organizadas logicamente, e não conhecimentos dispersos e desconexos. Dessa porque busca construir sistemas de ideias organizadas logicamente, e não conhecimentos dispersos e desconexos. Dessa forma, é possível incluir os conhecimentos parciais em totalidades mais amplas.

ELE É GERAL porque seu interesse se dirige fundamentalmente à elaboração de leis ou normas gerais, que possam porque seu interesse se dirige fundamentalmente à elaboração de leis ou normas gerais, que possam explicar todos os fenômenos de determinado tipo.

ELE É VERIFICÁVEL porque procura demonstrar a veracidade das hipóteses. Assim, afirmações que não podem ser comprovadas não porque procura demonstrar a veracidade das hipóteses. Assim, afirmações que não podem ser comprovadas não pertencem ao âmbito da ciência.

ELE É FALÍVEL porque não é definitivo, absoluto ou final. Por isso, ao contrário de outros sistemas de porque não é definitivo, absoluto ou final. Por isso, ao contrário de outros sistemas de conhecimento elaborados pelo homem, reconhece sua própria capacidade de errar. Essa característica abre caminho para que novas proposições e o desenvolvimento de técnicas possam reformular o acervo de teoria existente.

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Lakatos e Marconi (2003, p.78) acrescentam ainda duas características ao conhecimento científico, atestando que ele é real (factual) e contingente.

ELE É REAL (factual) porque lida com ocorrências ou fatos, isto é, com toda forma de existência que (factual) porque lida com ocorrências ou fatos, isto é, com toda forma de existência que se manifesta de algum modo.

ELE É CONTINGENTE, pois suas proposições ou hipóteses têm sua veracidade ou falsidade conhecida através da experiência e pois suas proposições ou hipóteses têm sua veracidade ou falsidade conhecida através da experiência e não apenas pela razão, como ocorre no conhecimento filosófico.

Vale ressaltar que os autores citados justificam a condição de determinados elementos que constituem o conhecimento científico, mas alguns destes não são frutos de um consenso nos espaços acadêmicos. A neutralidade em ciência é um importante exemplo desta questão, e os autores das Ciências Naturais julgam fundamental esta premissa. Por outro lado, os autores das Ciências Humanas questionam um ideal de uma neutralidade absoluta, onde seja garantida uma separação entre o pesquisador e objeto de estudo.

O conhecimento científico tem como principais características: ser objetivo, racional, sistemático, geral,
O conhecimento científico tem como
principais características: ser objetivo, racional,
sistemático, geral, verificável, falível, real
(factual) e contingente.

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aprendizagens,

destacando questões já discutidas em textos anteriores.

A ciência e o conhecimento podem ser traduzidos como um resultado de uma busca do ser humano iniciada na infância:

o anseio por encontrar explicações para as situações da vida, questionando e demandando por respostas e justificativas que correspondam encontro às expectativas, que nos convençam.

Esse espírito indagador se manifesta, de maneira geral, na infância, quando a criança formula perguntas sobre os elementos que acontecem à sua volta. Por vezes, não se contentam com as respostas dadas e as perguntas precisam ser formuladas em forma de frase infantil precedida com um “Por que”.

Você pode compreender esta curiosidade como um impulso inicial relacionado ao desejo de saber, de descobrir, para, por meio do conhecimento, compreender o mundo e seus fenômenos, prever acontecimentos que podem fazer diferença em nossas vidas, bem como se configurar como ponto de apoio para tomada de decisões.

Agora,

vamos

sistematizar

algumas

para tomada de decisões. Agora, vamos sistematizar algumas Assim, o conhecimento científico não apenas atinge os
para tomada de decisões. Agora, vamos sistematizar algumas Assim, o conhecimento científico não apenas atinge os

Assim, o conhecimento científico não apenas atinge os fenômenos na sua manifestação global, mas pretende analisá- los em suas causas, em sua constituição partícula, fazendo deste tipo de conhecimento um procedimento voltado para a análise de eventos passíveis de investigação.

para a análise de eventos passíveis de investigação. © DeVry Brasil/Fanor. Todos os direitos reservados.

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O conhecimento científico não apenas atinge os fenômenos em sua manifestação global, mas pretende analisá-los
O conhecimento científico não apenas
atinge os fenômenos em sua manifestação
global, mas pretende analisá-los em suas
causas, em sua constituição particular.

Divisão e classificação das ciências

Você aprendeu que não há uma única Ciência, mas Ciências. Mattar (2008, p.30) nos explica que a divisão das ciências em três grandes grupos, exatas, humanas e biológicas, foi uma perspectiva que teve repercussões decisivas na política educacional brasileira.

O autor questiona, entretanto, essa divisão. Declara que,

apesar da maioria das instituições de ensino no Brasil utilizar

o modelo até hoje para dividir os estudantes e planejar seus

currículos, esse processo demonstra claramente a fragilidade dos critérios de divisão que o modelo pressupõe.

O problema aparece, segundo Mattar, “quando questionamos, por exemplo, como deveriam ser classificadas

algumas ciências importantes na modernidade: a Antropologia

e a Psicologia deveriam ser consideradas ciências humanas

ou biológicas? A Oceanografia, a Química e a Ecologia seriam

ciências biológicas ou exatas?” (MATTAR, 2008, p.30). Contudo, ainda que haja questionamentos sobre os critérios, esta subdivisão prevalece.

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Sobre as Ciências Exatas, é possível afirmar que são tão antigas quanto à necessidade dos

Sobre as Ciências Exatas, é possível afirmar que são tão antigas quanto à necessidade dos homens estruturarem e resolverem seus problemas de forma lógica. Desde os cálculos mais simples dos homens pré-históricos até as bases para a construção das pirâmides egípcias, dos monumentos arquitetônicos e das estimativas estatísticas, os procedimentos relativos à lógica e à estratégia, ligados às ciências exatas, estiveram presentes.

São chamadas de Ciências Exatas todas aquelas ciências que têm como pilar básico a Matemática. Além dela, a Química e a Física também podem ser elencadas como fundamentais para as outras disciplinas na área de exatas.

São chamadas de ciências exatas todas aquelas ciências que têm como pilar básico a Matemática.
São chamadas de ciências exatas todas
aquelas ciências que têm como pilar
básico a Matemática. Além dela, a Química e
a Física também podem ser elencadas como
fundamentais para essa área.

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Sobre as Ciências Humanas, podemos afirmar que estas têm como foco o ser humano e todos os aspectos sociais, culturais e ideológicos que o envolvem. As áreas do conhecimento das ciências humanas, geralmente definidas como ciências “não exatas”, demonstram um grau de subjetividade bem maior do que as ciências exatas e biológicas.

Esta área do conhecimento, por ter peculiaridades tão distintas em relação às Ciências Exatas e Ciências Biológicas, demandou metodologias próprias. A pesquisa nessas ciências envolve estratégias que precisam dar conta da complexidade dos seus objetos de estudo. Em se tratando da relação existente entre metodologia, pesquisa e Ciências Sociais, Cervo afirma:

Metodologia é disciplina instrumental para o cientista social. Alguns se dedicam a ela especificamente e fazem dela um campo próprio de pesquisa. Mas, apesar de instrumental, é condição necessária para a competência científica, porque poucas coisas cristalizam incompetência mais gritante do que a despreocupação metodológica. Perguntar-se sempre o que faz científica a ciência é preocupação que está na origem da capacidade produtiva. (CERVO, 1973 apud DEMO, 2007, p.59).

Sobre as Ciências Humanas, podemos afirmar que essas tem como foco o ser humano e
Sobre as Ciências Humanas,
podemos
afirmar que essas tem como foco o ser
humano e todos os aspectos sociais, culturais e
ideológicos que o envolvem.
aspectos sociais, culturais e ideológicos que o envolvem. © DeVry Brasil/Fanor. Todos os direitos reservados.

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Fungos em folha de limão. Por: Danny Ayala Hinojosa As ciências biológicas têm como principal

Fungos em folha de limão. Por: Danny Ayala Hinojosa

As ciências biológicas têm como principal objeto de estudo a natureza e o ser humano em seus aspectos biológicos. Nesse sentido, as ciências biológicas procuram classificar e estudar as manifestações da vida.

A vida, enquanto objeto de estudo, é abordada pelas ciências biológicas em todas as suas formas: sua origem, sua evolução, seus aspectos físicos e taxionômicos, sua estrutura. As ciências biológicas abordam, da mesma forma, as doenças que interferem no ciclo da vida ou modificam as formas de combatê-las.

As ciências biológicas têm como principal objeto de estudo a natureza e o ser humano
As ciências biológicas têm como principal
objeto de estudo a natureza e o ser
humano em seus aspectos biológicos. Nesse
sentido, elas procuram classificar e estudar as
manifestações da vida.

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O campo de atuação das carreiras relacionadas à Biologia é amplo, indo desde o estudo da genética que busca produzir

plantas e alimentos melhores até a área da saúde, envolvendo

a medicina e todas as suas ramificações e especializações, buscando melhorar a qualidade de vida no mundo.

Por fim, é importante comentar que, além dessa divisão tripartida em humanas, exatas e biológicas, existe, também, outro modelo que se destaca. Trata-se de uma proposta de classificação das ciências em duas grandes categorias:

ciências formais e ciências empíricas.

De acordo com Gil (2008, p.3), as ciências formais “tratam

de entidades ideais e de suas relações, sendo a matemática e

a Lógica Formal as mais importantes”. As ciências empíricas, por sua vez, tratam de fatos e de processos e “podem ser classificadas em naturais e sociais”.

REFERÊNCIAS

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002.

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Atlas, 2003.

MATTAR, J. A. Metodologia científica na era da informática. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2008.

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