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Semana 02

Metodologia da Pesquisa

1 Os níveis de conhecimento

02 Metodologia da Pesquisa 1 Os níveis de conhecimento Segundo a etimologia da palavra conhecimento, há

Segundo a etimologia da palavra conhecimento, há uma

instância que separa, necessariamente, sujeito de objeto. De acordo com esse ponto de vista, o sujeito é o conhecedor e

o objeto é o conhecido. O raciocínio, a partir desta premissa

apontaria, portanto, para uma suposta autonomia do sujeito com relação ao objeto: o sujeito é capaz de assimilá-lo e identificá-lo, de forma neutra e objetiva, como se estivesse “olhando de fora”.

Observe o que afirma o autor Ruiz (2013, p.90) sobre

a relação sujeito e objeto:

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Talking Head

Movie

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Todo conhecimento consiste numa relação sui generis entre o sujeito cognoscente e o objeto conhecido: relação de assimilação do objeto pelo sujeito, relação de produção do

objeto pelo sujeito, relação de coincidência

ou

identificação entre sujeito e objeto. [ ]

O

conhecimento apresenta-se como uma

relação entre dois elementos, que nela permanecem eternamente separados um do outro.

O autor supõe que a separação sujeito/objeto é definitiva. Entretanto, ao invés de enxergar esta relação como a de um sujeito que apenas “apreende” e de um objeto que apenas “é apreendido”, você aprenderá sobre conhecimento, considerando um paradigma de maior complexidade.

Reflita sobre a seguinte questão: considerando que você está na sociedade e o objeto também, é possível haver uma separação que não permita influência de um em relação ao outro? Adotaremos um posicionamento ideológico que responde negativamente a esta questão. Partimos do pressuposto de que a nossa visão não pode ser neutra, pois o nosso repertório de aprendizagens está continuamente se desenvolvendo com a nossa participação na sociedade, refletindo crenças e ideologias.

Você pode constatar que a nossa percepção sobre os processos, a nossa visão de mundo, ocorre em uma relação historicamente determinada.

mundo, ocorre em uma relação historicamente determinada. © DeVry Brasil/Fanor. Todos os direitos reservados.

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Em outras palavras, o conhecimento é construído na relação tempo-espaço, que compreende o período histórico

Em outras palavras, o conhecimento é construído na relação tempo-espaço, que compreende o período histórico e o contexto geográfico. Estes fatores, aparentemente externos à nossa relação com o objeto, nos farão conhecê-lo. Nesta direção, você pode concluir que está sendo adotado o referencial de que o sujeito não está absolutamente separado do objeto, questionando a possibilidade de uma apreensão neutra do conhecimento.

É importante pensar no conhecimento como uma

percepção do mundo, como uma tentativa de interpretação

e

de construção dos objetos e da realidade. Vale lembrar que

o

conhecimento é uma das atividades que diferencia nossas

ações das de outras espécies. Como afirma Severino (2007, p.27), “o conhecimento é a grande estratégia da espécie”, e se tornou um elemento imprescindível e irreversível na

construção do destino da humanidade.

Quando conhecemos, nós interpretamos e criamos a realidade. Nossa visão não será neutra, ela é
Quando conhecemos, nós interpretamos
e criamos a realidade. Nossa visão não
será neutra, ela é fruto de nossa vivência, de
nossas crenças e ideologias. O conhecimento é
uma percepção do mundo, uma interpretação e
construção dos objetos e da realidade.

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Você leu recentemente que o conhecimento é construído historicamente e no processo de interação social. Agora, você conhecerá uma divisão tradicional do conhecimento em níveis ou tipos, de forma a diferenciar o conhecimento científico dos outros tipos. Essa classificação aborda os seguintes níveis:

conhecimento empírico, conhecimento teológico, conhecimento filosófico e conhecimento científico. Contudo, da mesma forma que a própria divisão entre sujeito e objeto não é nítida, essa classificação também não o é.

Os chamados tipos de conhecimento, situados nesta classificação tradicional baseada em influências de ideais positivistas, configuram-se como os caminhos para que o ser humano explique a realidade. Esta afirmação ganha importância em nossa disciplina, pois é necessário que todo acadêmico entenda que cada tipo de conhecimento teve um contexto de surgimento e deve ser respeitado. A classificação do conhecimento em tipos não deve conter aspecto valorativo e que deprecie um conhecimento e detrimento do outro.

Sobre este assunto, vamos voltar no tempo e pensar na seguinte situação: o ser humano que viveu nas primeiras civilizações e se deparou com fenômenos da natureza, para ele até então misteriosos, construiu uma versão de resposta para explicar um dado fenômeno. Quando homens e mulheres olhavam para o céu e viam raios, atribuir às causas do raio a uma ação de uma divindade era uma maneira de encontrar sentido naquela experiência. Mito foi o nome dado posteriormente a esta versão da realidade.

foi o nome dado posteriormente a esta versão da realidade. © DeVry Brasil/Fanor. Todos os direitos

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Esta breve definição cumpre o papel de esclarecer o lugar social deste tipo de conhecimento

Esta breve definição cumpre o papel de esclarecer o lugar social deste tipo de conhecimento até o presente momento:

explicações míticas são dadas em comunidades tribais e fazem parte de culturas orais, de forma muito significativa. Mitos também são contados para crianças de culturas ocidentais, que por sua vez convivem também com explicações científicas. Assim, você pode considerar que os mitos são mais que histórias. Segundo áreas do conhecimento como a Antropologia e a Psicologia, por exemplo, explicações míticas ou fantásticas podem cumprir a função de “acomodar” uma determinada angústia humana.

Outro importante ponto a ser considerado diz respeito aos tipos de conhecimento que foram eleitos como sendo os principais para a análise da nossa disciplina. Eles não são os únicos e a separação entre eles não é definitiva. A existência de um tipo de conhecimento não invalida ou substitui outro, necessariamente. Vamos tomar como referência a situação hipotética abaixo, envolvendo dois tipos de conhecimento:

Os trabalhadores do campo, em áreas muito distantes do acesso à ciência e à tecnologia, sabem, por experiência transmitida de geração em geração, o tipo de solo adequado a determinadas plantações, o momento certo do plantio e da colheita, como defender a plantação das pragas, dentre outras informações relevantes para o plantio e a colheita.

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Esses procedimentos já requerem, necessariamente, uma espécie de “teorização”, ou seja, uma reflexão sobre a prática, de forma a se tomar essa ou aquela decisão quanto ao momento da colheita, por exemplo.

O que a ciência, entendida aqui como a união dos conhecimentos das áreas da Agronomia e da Meteorologia, irá fazer neste caso é, por exemplo, descrever por que esses fenômenos ocorrem, questionando por que o plantio é melhor em determinada época, e explicar como eles ocorrem, buscando entender qual é a composição do solo. E por meio das técnicas – que você estudará em outros segmentos –, oferecer equipamentos e maquinário para facilitar o processo agrícola. Podemos afirmar que o saber da experiência não exclui o saber científico e vice-versa, havendo a coexistência de ambos em uma mesma experiência humana.

Para encerrar esta reflexão, faz-se necessário pontuar que você pode encontrar muitas vezes em sua vida acadêmica a palavra ciência, mas, ela deve se compreendida como uma perspectiva de apreensão da realidade que se ramifica. A palavra Ciência pode ser entendida em diferentes contextos, como por exemplo: nas áreas das Humanidades, através dos conhecimentos da natureza e dos conhecimentos considerados exatos. Portanto, você ouvirá falar sobre Ciências Humanas e Ciências Naturais, pois há especificidades que caracterizam e distinguem estas grandes áreas do conhecimento.

e distinguem estas grandes áreas do conhecimento. © DeVry Brasil/Fanor. Todos os direitos reservados.

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Este entendimento de que há ciências, e não apenas uma ciência, ajudará você a compreender que se o objeto de estudo de cada área é distinto, por consequência, as metodologias podem ser diferentes. A metodologia usada nas Ciências Biológicas, para pesquisar um vírus, tende a não se aplicar na Psicologia, quando se busca entender as causas de um determinado comportamento humano. No decorrer deste material você encontrará novas informações sobre esta questão tão importante.

Na classificação tradicional, o conhecimento é dividido em níveis, de forma a diferenciar o conhecimento
Na classificação tradicional, o conhecimento
é dividido em níveis, de forma a diferenciar
o conhecimento científico dos outros tipos:
conhecimento empírico, conhecimento teológico
e conhecimento filosófico.

Quando você leu sobre a divisão tradicional do conhecimento, constatou que há uma classificação que o distribui em quatro tipos: conhecimento empírico, conhecimento teológico, conhecimento filosófico e conhecimento científico. No entanto, você pode estar se perguntando: estes são os únicos conhecimentos existentes? Para responder esta questão, apresentamos uma nova pergunta e recorremos a uma reflexão do autor Mattar (2008) para responder a ambas.

A arte, na condição de tipo de conhecimento, teria fundamentos para ser aceita como um importante tipo de conhecimento? Sobre o assunto, Mattar (2008, p.2) afirma:

“poderíamos até questionar o motivo da não inclusão, por exemplo, das artes como uma forma de conhecimento. Não seria o romance uma forma de mídia para a transmissão de certo tipo de conhecimento?”

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A arte é uma das mais importantes manifestações humanas e caminha junto com a história
A arte é uma das mais importantes manifestações humanas e caminha junto com a história
A
arte é uma das mais importantes manifestações humanas
e
caminha junto com a história da cultura e da civilização. Os
movimentos artísticos sempre externaram a visão de mundo e a
ideologia da época a que pertencem.

Ainda sobre este assunto, sabemos que no auge do racionalismo e do estabelecimento da ciência moderna, o Classicismo nas artes também representou o ideal da exatidão, das formas harmônicas regidas por leis matemáticas. Com o Romantismo, a arte representou a crítica que as ciências fizeram ao paradigma racionalista, com obras questionadoras e desprovidas de regras.

No século XX, a arte de estilos incompreensíveis

tem

uma

ligação

com

o

surgimento

de

uma

ciência

que

também

desnorteou

 

o

público

das

suas

noções

básicas

da

realidade.

O

Surrealismo,

por

exemplo,

surgiu

procurando

 

sonhar

 

e

agir,

superando

a

dicotomia

que

essas ações

representam.

uma

negação

da

consciência, um abandono do controle da razão sobre o ato criativo (REIS; GUERRA; BRAGA, 2006, p. 78).

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Estes autores sugerem que as proximidades entre os dois campos, arte e ciência, são bem maiores do que

se pensa; artistas e cientistas têm a mesma percepção do mundo, apenas o representam com linguagens diferentes.

A invenção da perspectiva e do claro-escuro foi crucial para

possibilitar as observações e registros que fundamentam a ciência moderna. Assim, na medida em que a arte desvenda aspectos da vida cotidiana, ela poderia ser considerada uma forma de conhecimento e a ciência, por sua vez, é um produto sociocultural.

As proximidades entre os dois campos, arte e ciência, são bem maiores do que se
As proximidades entre os dois campos, arte
e ciência, são bem maiores do que se pensa;
artistas e cientistas têm a mesma percepção
do
mundo, apenas o representam com linguagens
diferentes.

Conhecimento empírico

Neste segmento, você descobrirá os aspectos referentes

ao conhecimento empírico. O termo empirismo está relacionado

à ideia de que todo conhecimento é fruto, principalmente, da

experiência. O conhecimento empírico é adquirido, portanto, por meio de experiências pelas quais todos nós passamos no dia-a-dia. Ele é, portanto, acessível a qualquer pessoa.

O conhecimento empírico também é denominado senso comum. Pode ser também conhecido como conhecimento vulgar – esse termo não tem um sentido negativo, mas é empregado no sentido de “popular”, “comum”. Configura- se como um conjunto de crenças e opiniões e irá orientar os indivíduos em diversas situações, indicando possíveis decisões a serem tomadas.

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Neste tipo de conhecimento não há busca consciente de uma metodologia para se chegar a um resultado. Ao contrário, chega-se ao conhecimento por meio da tentativa e erro. De acordo com Ruiz:

Tratam-se de experiências causais,

ametódicas e assistemáticas, fragmentárias

e ingênuas, que atingem o fato [

análise, sem crítica e sem demonstração; que acolhem informações e assimilam tradições sem analisar as credenciais do testemunho e sem penetrar nos fundamentos das crenças tradicionais. (RUIZ, 2013, p.95).

sem

]

Neste sentido, este tipo de conhecimento gera verdades intuitivas, que não dependem de críticas e não necessitam de justificativas. Ou seja, justamente por seu caráter prático, o conhecimento empírico não necessita de demonstrações ou teorizações. O resultado da experiência, da tentativa e erro, é considerado verdadeiro por definição.

Como exemplo inicial, vamos ver o argumento de Ruiz:

O especialista em lógica conhece lógica cientificamente; o psicólogo conhece psicologia cientificamente e o químico farmacólogo conhece os componentes e a forma de atuação dos medicamentos cientificamente. O homem comum pode conhecer tudo isso de outro modo, não cientificamente, mas de maneira vulgar e empírica. (RUIZ, 2013, p.96).

O conhecimento empírico também é denominado senso comum. Configura-se como um conjunto de crenças e
O conhecimento empírico também é
denominado senso comum. Configura-se
como um conjunto de crenças e opiniões e irá
orientar os indivíduos em diversas situações,
indicando possíveis decisões a serem tomadas.

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Agora que você já sabe a definição de conhecimento empírico, apresentaremos as principais características do

Agora que você já sabe a definição de conhecimento empírico, apresentaremos as principais características do conhecimento empírico. Tendo em vista que o conhecimento empírico se estrutura em um conjunto de intuições e de opiniões, uma das principais características desse tipo de conhecimento é ser falível e inexato, ou seja, não há a intenção de ser sistemático. Veja o que Lakatos e Marconi (2003, p.77) revelam sobre este assunto:

Ele é superficial, isto é, atinge apenas a aparência, aquilo que se pode comprovar simplesmente estando junto dos isto é, atinge apenas a aparência, aquilo que se pode comprovar simplesmente estando junto dos fatos. Assim, ele é expresso por enunciados do tipo “porque o vi”, “porque o senti”, “porque o disseram”, “porque todo mundo o diz”.

Ele é sensitivo, ou seja, está ligado às vivências, ao estado de ânimo e às emoções da , ou seja, está ligado às vivências, ao estado de ânimo e às emoções da vida diária.

Ser sensitivo também nos indica que ele é valorativo por excelência, já que os valores do sujeito impregnam o objeto conhecido, ele é valorativo por excelência, já que os valores do sujeito impregnam o objeto conhecido, desempenhando um papel importante na construção desse conhecimento.

Ele é subjetivo, porque é o próprio sujeito quem organiza suas experiências e conhecimentos, tanto aqueles que ele porque é o próprio sujeito quem organiza suas experiências e conhecimentos, tanto aqueles que ele adquire por vivência própria quanto

os que ele adquiriu “por ouvir falar”. Nesse sentido, é também falível e inexato.tanto aqueles que ele adquire por vivência própria quanto © DeVry Brasil/Fanor. Todos os direitos reservados.

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Ele é assistemático , porque essa “organização” das experiências particulares do dia-a-dia do sujeito não

Ele é assistemático, porque essa “organização” das experiências particulares do dia-a-dia do sujeito não tem como objetivo , porque essa “organização” das experiências particulares do dia-a-dia do sujeito não tem como objetivo uma sistematização das ideias, nem na tentativa de adquiri-las nem para torná-las válidas.

Apesar de ser assistemático, ele é reflexivo , mas, estando limitado pela familiaridade com o objeto, não pode ser ele é reflexivo, mas, estando limitado pela familiaridade com o objeto, não pode ser reduzido a uma formulação geral.

Ele é acrítico, já que, sendo verdadeiros ou não, nem sempre existe a pretensão crítica de que esses já que, sendo verdadeiros ou não, nem sempre existe a pretensão crítica de que esses conhecimentos o sejam.

É verificável, porque está limitado ao âmbito da vida diária e diz respeito àquilo que se pode porque está limitado ao âmbito da vida diária e diz respeito àquilo que se pode perceber no dia-a-dia.

O conhecimento empírico tem como principais características: ser superficial, sensitivo, valorativo, subjetivo,
O conhecimento empírico tem como
principais características: ser superficial,
sensitivo, valorativo, subjetivo, falível, inexato,
assistemático, reflexivo, acrítico e verificável.

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Você já conheceu o conceito de conhecimento empírico e acabou de ter contato com alguns

Você já conheceu o conceito de conhecimento empírico e acabou de ter contato com alguns aspectos que o constituem.

Porém, gostaríamos que você relembrasse algo que já foi dito:

o tipo de conhecimento mais validado em nossa sociedade

ocidental é o científico. Esta informação é importante para que você saiba que as características que dão o contorno aos tipos de conhecimento são estabelecidas numa relação de analogia com o conhecimento científico. Ou seja, o tipo de conhecimento não científico é mais ou menos exato em relação ao parâmetro do conhecimento científico.

Uma das principais diferenças do conhecimento empírico em relação ao conhecimento científico (em especial, o que

é relacionado às Ciências Naturais, definição a ser estudada

em breve), é que, no primeiro, não há a preocupação de se buscar uma lei geral que explique os fenômenos observados. Esta ação dificultaria a transmissão, de pessoa a pessoa, deste tipo de conhecimento. Além disso, o modo como se chega ao conhecimento empírico também se diferencia do científico.

Vamos refletir sobre o seguinte exemplo: se uma mulher já teve filhos, ela adquiriu, pela experiência, vários conhecimentos que pode transmitir às mães de primeira viagem: amamentação, cuidados com higiene, atitudes a serem tomadas em caso de alguma doença e, até mesmo, psicologia infantil, sem ter que, necessariamente, obter embasamento científico. O saber é baseado na experiência e é perpetuado pela oralidade.

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Ainda sobre o exemplo acima, podemos afirmar que um obstetra e um pediatra juntos, ainda que nunca tenham vivenciado a experiência de ter filhos, podem oferecer o mesmo repertório de conhecimentos que esta mãe possui (ainda que com mais aprofundamento). A matriz dos conhecimentos obtidos pelos médicos é científica e independe de experiência direta na condição de mãe ou pai de uma criança. A medicina, por exemplo, busca analisar se um conjunto de sintomas é a causa de alguma doença e possui métodos, um conjunto de procedimentos específicos que permite fazer esta análise.

Outro exemplo, apresentado por Lakatos e Marconi (2003, p.78) auxilia a fazer esta distinção, que define características do empirismo em relação ao conceito de ciência: “saber que determinada planta necessita de uma quantidade X de água e que, se não a receber de forma ‘natural’, deve ser irrigada, pode ser um conhecimento verdadeiro e comprovável, mas, nem por isso, é científico”. As autoras explicam que, para ser considerado científico, seria necessário ir mais além:

conhecer a natureza e a composição dos vegetais, seu ciclo de desenvolvimento, dentre outros elementos.

A maior parte dos conhecimentos de uma pessoa pertence à classe do conhecimento empírico; esse
A maior parte dos conhecimentos de uma
pessoa pertence à classe do conhecimento
empírico; esse tipo de conhecimento pode ser
verdadeiro e comprovável, mas, nem por isso,
precisa ser científico.
e comprovável, mas, nem por isso, precisa ser científico. © DeVry Brasil/Fanor. Todos os direitos reservados.

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Assim, você pode depreender que um mesmo objeto ou fenômeno – uma planta, um mineral, uma criança, as relações sociais etc. – “pode ser matéria de observação tanto para o cientista quanto para o homem comum; o que leva um ao conhecimento científico e outro ao vulgar ou popular é a forma de observação” (LAKATOS; MARCONI, 2003, p.78).

Por fim, sobre este assunto, Ruiz (2013, p.96) considera que a maior parte dos conhecimentos de uma pessoa pertence à classe do conhecimento vulgar: “ninguém precisa estudar lógica e aprofundar-se nas teorias sobre a validade científica da indução ou nas leis formais do raciocínio dedutivo para ser natural e vulgarmente lógico; ninguém precisa devotar-se aos estudos mais avançados da psicologia para integrar-se à família, ao trabalho, à sociedade”.

REFERÊNCIAS

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Atlas, 2003.

MATTAR, J. A. Metodologia científica na era da informática. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2008.

REIS, J. C.; GUERRA, A.; BRAGA, M. Ciência e arte: relações improváveis? História, Ciências, Saúde, Rio de Janeiro, v. 13, p. 71-87, out. 2006.

RUIZ, J. A. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.

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