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l INTRODUÇÃO

Neste trabalho, procurou-se abordar a questão do Brasil colônia, de uma


maneira mais crítica, fugindo um pouco do que sempre foi divulgado e
imposto, pela historiografia tradicional.
Através de consultas à várias fontes escritas, de autores variados, procuramos
abordar as questões da "descoberta", a colonização, a administração colonial,
o ciclo açucareiro, a resistência dos negros à escravidão, o domínio espanhol,
o surgimento da arte no Brasil, o bandeirismo, o ciclo do ouro, as revoltas e
movimentos nativistas, e o surgimento do estilo barroco.

2 AS NAVEGAÇOES

A formação de Portugal está ligada às lutas de reconquista da Península


Ibérica, tais lutas ocorreram dentro das características do feudalismo. A
dinastia de Avis que foi o auge de D. João no poder, representou a vitória de
um começo do nacionalismo, subiu ao trono para reinar dois séculos 1385-
1580.
O Grupo Mercantil, embora não tivesse força para mudar a sociedade
portuguesa na época de Avis, conseguiu, temporariamente competir com a
nobreza então titulada. Entre os fatores que possibilitaram tal competição,
destacam-se: a situação geográfica de Portugal. A guerra contra os mouros
obrigava o governo a contrair empréstimo, sendo posteriormente pagos
através de arrecadação de impostos.
Verificou-se que o país não contava com uma sólida estrutura capitalista
mercantil que permitisse enfrentar os novos concorrentes que tinham
aparecido: holandeses, franceses e ingleses.
Portugal é um país voltado para o mar, o sal e a pesca, já constituem riquezas
básicas. Isso também possibilitou as descobertas técnicas: bússola, astrolábio,
caravela.
Movidos pelo desejo de acabar com o monopólio italiano, os portugueses
começaram com a ocupação de - Ceuta, Cabo da Boa Esperança, e a tentativa
de descoberta do caminho para as Índias. A Espanha, incentivada pela
expulsão dos Mouros,
e com a descoberta de Colombo (América em 1492), aceitava o projeto (da
busca do caminho alternativo para as Índias).
O Tratado de Tordesilhas (1494), acabou determinando que o Brasil, ou pelo
menos boa parte dele, pertencesse a Portugal.
A "descoberta" oficial ocorreu em 1500. Porém segundo alguns historiadores,
na ocasião do Tratado de Tordesilhas, já existia uma razoável certeza quanto
a existência de terras a Ocidente.
Descoberta ou acidente? Rejeitando-se tais hipóteses, qual seria a intenção da
expedição de Cabral?
A colonização veio como conseqüência do descobrimento, não tendo sido esta
finalidade.
3 A FASE PRÉ- COLONIZADORA

Durante, três séculos, o brasil ficou na condição de colônia portuguesa. O


colonialismo beneficiava a Metrópole. Havia uma grande dependência da
colônia em relação à metrópole, pois aquela importava a cultura e os
comportamentos da Metrópole.
No Brasil daqueles anos não se pode falar em dominação. Inicialmente, o
Brasil foi um desafio, pois não havia riquezas para Portugal explorar, o
interesse era garantir o controle da rota Atlântica.
O direito de explorar as terras foi concedido a particulares mediante
obrigações, mas considerando o Monopólio da Coroa.
Nos primeiros tempos, os franceses mantinham bom relacionamento com os
índios, somente por volta de 1530, Portugal passou a se interessar mais pelo
Brasil.
O Brasil foi o berço da "democracia racial". Se uma raça preponderou ,
preponderam também seus costumes. Os negros e índios foram submetidos a
violência física e cultural, o Índio perdeu suas terras, o negro foi transferido
brutalmente de ambiente.

4 OS PRIMEIROS ESTAGIOS DA ADMINISTRAÇAO COLONIAL.

Para possibilitar uma melhor administração, Brasil foi dividido em Capitanias


Hereditárias. Estas capitanias, criadas por D. João III, enfrentaram vários
problemas. Em 1549, foi nomeado o primeiro governador geral do Brasil,
criado para coordenação das capitanias. Passaram a existir as capitanias reais.
O Governo Geral pode ser definido como primeiro esboço do poder público
no Brasil. O Marquês de Pombal, sabendo da carência de gente para
administrar a colônia, se valeu de brasileiros. O centralismo político já tinha
ultrapassado a fase de experiências para se tornar um projeto mais amplo. Os
primeiros Governadores Gerais foram encarregados de tarefas administrativas
e militares por um prazo de 3 anos. Os primeiros marcos da tarefa
colonizadora : Tomé de Souza, Duarte da Costa e Mem de Sá .
A distinção entre governadores e os vice-reis: O vice-rei, muito mais que um
governador geral, parecia a própria personificação do poder.

5 AÇÚCAR: A TAREFA SECULAR

A base da colonização foi o açúcar, riqueza trazida de fora, onde, Portugal já


tinha experiência com plantio e a comercialização do produto nas Ilhas
Atlânticas.
Havia o predomínio do latifúndio, típico de economia açucareira. Gerava
altos lucros, ocorria a não-diversificação de atividades e a monocultura .
A mais significativa atividade propiciada pelo açúcar foi a criação de gado,
para a qual utilizava-se o braço indígena e seu descendente mestiço.
A cana-de-açúcar, exigiu muita mão-de-obra, a solução inicial foi a escravidão
indígena, porém, o índio se mostrou um "mau trabalhador".
Até os jesuítas acabaram se opondo escravidão dos indígenas. Portugal
precisou então, do braço africano.
Os negros vinham nos navios "negreiros", também chamados de "tumbeiros",
dada a quantidade de pessoas que morriam durante a travessia do atlântico,
devido às más condições de higiene, fome, sede, doenças, e superlotação dos
porões dos navios.
Já na colônia, submetidos a um duro trabalho, o negro quilombo (fujão), era o
mais sofrido, era submetido à novena ou trezena (nove, ou treze chibatadas).
Outros tipos de punições a que estavam sujeitos ainda, eram o tronco,
viramundo, cepo, bacalhau (relho de cinco pontas), o mais comum.
As classes de negros não eram iguais. Havia uma certa distinção entre
escravos domésticos, escravos de ganho, e os escravos de eito, estes,
submetidos a um trabalho mais árduo, nos canaviais. Os escravos não
formavam um todo homogêneo, os crioulos não gostavam dos recém-
chegados da África, os mulatos (em especial os que assumiam funções
remuneradas: feitores, mestres-de-açúcar, etc.), desprezavam os escravos em
geral, os escravos urbanos viam com certa superioridade os escravos agrários
e, as vezes até ajudavam na luta contra os quilombos. Os ladinos se julgavam
melhores que os boçais . Afora isso, haviam ainda as diferenças culturais, os
negros islamizados (fula, mandinga e haussá), por exemplo, eram rebeldes, e
não se misturavam aos companheiros de infortúnio, mantendo-se isolados.
"O negro foi a base do sistema colonial do Brasil. Mais do que pés e mãos do
engenho, foi pés e mãos do Brasil."
A condição servil não estimulava ninguém a produzir, o negro mostrou por
todos os meios o quanto aquela situação não lhe servia. Reagiu sempre que, e
como pôde, fugindo, assassinando e rebelando-se.

6 PALMARES

Foi em Alagoas, na serra da Barriga, que se formou Palmares, o quilombo


mais famoso, em fins do século XVI, início do século XVII, por volta de
1600. Palmares congregou várias aldeias, chegou a agrupar 20.000 pessoas,
em 27.000km2, incluindo índios, mulatos e até mulheres brancas (capturadas
em incursões), atraiu também muitos marginalizados. Sua capital, o mocambo
dos macacos, agrupou aproximadamente 5.000 pessoas, incluindo o Rei do
Quilombo, Zumbi dos Palmares. Nesta época, a busca pela liberdade, a fuga
pelas matas impenetráveis, e a não aceitação da condição servil, caracterizou o
primeiro passo para a formação dos quilombos. Sua estrutura política era de
"monarquia despótica" e centralizada de forma eletiva, visto o perigo da
diversidade cultural existente nos quilombos. Seus reis foram
respectivamente, Ganga Zumba, e Zumbi.
A formação de quilombos, foi uma atitude próspera que muito atraiu os que
não aceitavam o caráter antiprodutivo latifundiário. Devido à diversidade
cultural, quanto à língua, adotaram-se heranças lusitanas, os costumes
africanos tiveram a sua continuidade, naquilo que não influenciaria a
administração do quilombo. No aspecto econômico, Palmares evoluiu da
coleta e do ataque à fazenda e aldeias, para uma economia de base coletivista
e não-monetária.
A invasão holandesa a Pernambuco (1630-1654), acelerou as fugas de
escravos pelo "afrouxamento geral", no controle sobre estes.
A introdução holandesa de novas técnicas de tortura (muito desumanas),
gerou ainda mais revolta entre os negros. Os holandeses opuseram-se ao
quilombo, mas foram rechaçados ferozmente por duas vezes, expulsos os
holandeses, os portugueses retomaram a luta anti-Palmares. Os lusitanos viam
Palmares não só como "algo fora do comum", mas também como um "caso de
polícia", queriam reaver sua propriedade (os negros), e coloca-los novamente
nas lavouras. Os lusos depararam-se com uma eficaz tática de guerrilha, que,
de defensiva, passou a ofensiva. A primeira tentativa de tomar Palmares, por
parte de Fernão de Carrilho, fracassou. Além da busca de mão-de-obra, a terra
ali, era vista pelos portugueses como extremamente fértil para a agricultura
açucareira.
Em 1678, os luso-brasileiros, fizeram um acordo com os quilombolas, e
reconheceram o direito dos Palmares. Revoltados com o acordo, os
palmarinos mataram Ganga Zumba, e firmaram o famoso Zumbi, no comando
do quilombo.
Destruir Palmares, para os lusitanos, era "imperativo político e obrigação da
coroa", era impossível um quisto daqueles, visto um nordeste latifundiário e
aristocrático
Em 1687, Domingos Jorge Velho, assume a direção da campanha contra
Palmares. O quilombo passa de uma tática guerrilheira móvel, para uma
defesa fixa, o que apressou o seu fim. A distância entre negros e homens livres
(estes mesmo pobres e oprimidos), foi grande fator para a derrota. Os escravos
se viram compelidos a levar sozinhos uma luta, que, em caso de resultado
positivo, favoreceria também a outra classe dominada. Após prolongada luta,
em 06 de fevereiro de 1694, Palmares é destruída, o rei Zumbi escapa e
continua a existência de outros quilombos. Em 1695, Zumbi foi morto e teve
sua cabeça espetada num poste na praça do Recife para mostrar aos escravos
que ele não era imortal.

7 O DOMÍNIO ESPANHOL

Em 1580, com o objetivo de unificar a Península Ibérica, Felipe II, rei da


Espanha, incorpora pacificamente o reino Português, tornando-se o mais
poderoso monarca europeu. Felipe II era um campeão do reacionarismo
católico-feudal. Era apoiado pelo clero português, que queria preservar seus
privilégios. O seu reinado era legítimo, e perfeitamente dentro dos conceitos.
A Europa aceitava dentro das teorias políticas feudais, a presença de outros
reis, formando (pelo grau de parentesco), uma "grande família".
O conceito de "domínio espanhol", é um tanto errado, pois apenas, o rei da
Espanha, passou a ser o mesmo de Portugal, as nações se mantiveram
separadas havendo apenas um vice-rei em Lisboa.
As principal conseqüência da união ibérica, para o Brasil, foi o incentivo à
penetração pelo interior, pois o Tratado de Tordesilhas, que dividia terras
entre Portugal e Espanha, foi suspenso, favorecendo a expansão da pecuária, e
as necessidades do bandeirismo. Gerou também novas e intensas incursões
européias, baseadas nos conflitos entre Espanha e o resto da Europa. A união
dinástica durou de 1580 a 1640, quando a aristocracia lusa rumou a uma
tirania, e com o apoio francês, independizou Portugal, com a implantação da
nova dinastia: a de Bragança, sustentada até a proclamação da República em
1910.
Interessados na colônia, os franceses, tentaram apoderar-se do Maranhão,
onde poderiam intervir no Caribe, por onde passavam navios espanhóis
carregados de metais preciosos. Chefiados por Daniel de La Touche,
fundaram a cidade de São Luís, e queriam fundar a França Equinocial. O
fracasso francês, deu início à colonização do Maranhão, e sua transformação
em colônia separada do Brasil. Era o estado do Maranhão, com seis
capitanias, sendo hoje as atuais áreas do Pará e Amazonas.
As invasões holandesas foram ocasionadas pelo conflito entre o capitalismo
comercial batavo em expansão, e a monarquia espanhola aristocrática e
monopolista. O nacionalismo holandês, tornou-se vitorioso contra a tirania
espanhola nos países baixos, aliada pelo catolicismo romano, vivendo o
Concílio de Trento, e a Inquisição. Contra isso, Felipe II rompeu ligações
luso-brasileiras com a Holanda. Assim criou-se a Companhia do Comércio
(holandesa), que invadiu a zona canavieira da colônia. Para o Brasil, tal
atitude foi em termos, um contato com o capitalismo e sua ocupação deu-se
para fins de política e economia.
Tendo fracassado a invasão à Bahia, os holandeses rumaram à Pernambuco, e
seu sucesso inicial, em termos, deve-se a Calabar (figura contestada, que teria
auxiliado os holandeses na terra desconhecida). Mas a invasão teve como
maior responsável, Maurício de Nassau, hábil político de financiamentos e
reconstrutor de engenhos, agradando aos latifundiários. Nassau, com seu
caráter inovador, criou uma sociedade européia, urbana, burguesa, e
calvinista.
O fim do governo Nassau, e as cobranças aos latifundiários, foi o sinal para a
ruptura. Os senhores, ameaçados de perderem as terras arrendadas,
expulsaram os holandeses, caracterizando a insurreição pernambucana, que
não passou de uma luta entre classes dominantes (latifundiários devedores X
comerciantes credores). Após a expulsão dos holandeses, o açúcar entra em
declínio, pela perda do monopólio. A segunda metade do século XVII, foi
tempo de crise. Passa-se a estimular o bandeirismo para a busca do ouro nas
Minas Gerais, que marcaria a segunda fase da colonização.
8 PRIMÓRDIOS DA ARTE NO BRASIL

A cultura brasileira não foi aquela erudita, das tradições e convicções


ocidentais, era a "cultura espúria", produzia coisas de valor.
As elites prestaram-se historicamente às exigências coloniais. Porém um país
sem matizes nacionais válidas, que apresentara uma condição submissa na
sua política e economia, também não condicionaria a produção de cultura. A
colônia dependia de outras estruturas econômicas, a elite funcionava como um
elo de ligação entre o colonizador, e o colonizado, sua cultura formou-se
basicamente, a partir dos princípios religiosos ocidentais.
No século XVI foram as construções de taipa de pilão, no século XVII, o
Barroco com suas voltagens religiosas, manifestou-se através de duas escolas,
a Benedita e a Franciscana. A "missão holandesa", deixou expressivas
desenvolturas culturais: como a pintura e a admiração às belezas e paisagens
litorâneas.

8.1 A QUESTÃO DO BARROCO BRASILEIRO

Era um trabalho artístico, executado por gente da terra, mestiços, com


matéria-prima local. A arte sacra era o mercado de trabalho, e era sinônimo de
pompa e riqueza. O barroco era o estilo das formas dramáticas, grandiosas e
opulentas, voltadas à decoração. Exprimiu as incertezas de uma época que
oscilava entre velhos e novos valores. Era o
marketing da contra reforma, com toda grandeza artística extasiando e
arrebatando fiéis à Igreja Católica.
Seus artistas eram vistos como meros oficiais mecânicos especializados, pois
no século XVIII, especialmente em Minas Gerais, eram muitos.
Eram tarefas mais livres, frutificando o aumento de artistas como: arquitetos,
escultores, pintores e entalhadores.
Para a metrópole, não interessava uma valorização da arte, pois estas
poderiam minar as bases da dominação colonial.

9 O BANDEIRISMO

A questão do bandeirismo, evidencia as dificuldades das comunidades


afastadas do centro exportador dominante, o nordeste açucareiro. Os paulistas
viram-se compelidos a buscar meios de enriquecimento. Disto resultaram as
bandeiras - empresas móveis, misto de aventureirismo épico, e oportunismo
empresarial.
As bandeiras representaram um importante fator na configuração das
fronteiras, pois dirigiram-se rumo às áreas desabitadas do interior, pelas quais
os espanhóis não haviam se interessado, voltados como estavam para a
mineração andina.
Devido à carência de recursos da terra à qual não tinham por que se prender,
os paulistas dos primórdios acabaram por favorecer o surgimento de uma
ideologia que muito ajudaria a classe dominante regional do futuro, a
ideologia da iniciativa privada.
S. Paulo se colocou na vanguarda econômica e política da nação, essa
ideologia muito serviu à classe dominante regional como instrumento do
federalismo.
Devido ao aspecto do pioneirismo desbravador, o primitivo isolamento da
comunidade paulista, contribuiu para a formação de uma mentalidade
regionalista fortemente arraigada, cujo resultado último e extremo, veio a ser a
Rev. Const. De 1932.
Na primeira grande fase do bandeirismo, o objetivo era aprisionar índios para
vende-los como escravos em lugares que não usavam o negro por ser muito
caro, era o único bom negócio possível aos paulistas. Tal negócio foi
facilitado pois, devido à união Ibérica, o Tratado de Tordesilhas não estava em
vigor, isto foi uma das causas da destruição do primeiro ciclo missioneiro no
sul da colônia.
As bandeiras tiveram seu auge durante a ocupação de Angola pelos
holandeses, pois foi interrompido o tráfego negreiro, e a mão-de-obra escrava
escasseou ainda mais, gerando um aumento nos preços dos escravos. O seu
declínio foi por ocasião da expulsão dos holandeses da costa africana, ao
mesmo tempo em que os índios aldeados nas missões sulinas, começaram a
reagir aos ataques dos bandeirantes. Após dois contra-ataques bem sucedidos,
por parte dos índios, principalmente o "combate do M’bororé", os
bandeirantes interromperam seus assédios às missões.
Segundo alguns autores, a palavra bandeira, talvez derive de "bando"
(reunião de bandos). Possuía uma certa organização. Apesar de submetida a
uma autoridade absoluta, era muito heterogênea. Cassiano Ricardo à definiu
como "cidade que caminha", devido à sua diversificação social.
A alimentação dessas hordas, consistia principalmente de caça, pesca, coleta,
e eventuais roças de milho (bivaques). As expedições duravam anos, e
eventualmente havia quem as financiasse, o que reforça a idéia da combinação
do espírito aventureiro, com o espírito empresarial, impregnado do desejo de
lucro.
Quando o açúcar deixou de dar lucros, a Coroa resolveu encontrar metais
preciosos. Houve a contratação de técnicos espanhóis pelo governo português,
para ensinar aos os bandeirantes, as técnicas de mineração, e as bandeiras
passaram a se dedicar à busca de pedras e minerais preciosos, tornado-se uma
empresa quase estatal, ao final do século XVII.

10 A MINERAÇÃO

O ciclo do ouro se constituiu um dos episódios básicos da história brasileira


do séc XVIII. Favoreceu o povoamento do interior, deslocou o eixo histórico
colonial do nordeste para o centro-sul. Surgiu um novo tipo de sociedade
(mais flexível que a do açúcar).
Também surgiram novas cidades como: Ouro Preto, Sabará, Mariana, São
João d’El Rey, etc., bem como a criação de novas capitanias (Minas Gerais,
Goiás, Mato Grosso).
O ouro era monopólio real, a exploração era feita através do arrendamento de
lotes ou "datas de minas", que eram sorteadas aos particulares. Seu tamanho
variava conforme o número de escravos do candidato contemplado. Este tinha
um prazo para iniciar a extração, não podia negociar a data recebida, exceto se
provasse ter perdido todos os seus escravos. Em caso de repetição da
alienação de uma data, o responsável ficava proibido de novamente
candidatar-se e receber outra.
Inicialmente a mineração era superficial, e restringia-se ao leito dos rios. A
mineração em profundidade teve início no séc. XIX, com a vinda para o Brasil
da St John d’El Rey Minning Co. (inglesa) Hanna Corp. (americana), esta
última, um conglomerado
norte-americano, dedicou-se à extração de minério de ferro no atual estado de
MG, já no séc XX.
A exploração do ouro no séc XVIII, se dava de duas maneiras: lavras
(organizada, empresarial), ou pelos faiscadores (iniciativa privada) e ex-
escravos que exerciam pequenos ofícios nas cidades.
O ciclo do ouro possibilitou surgimento de grupos intermediários entre a
classe rica, e a classe pobre (classe mercantil). Pois o ouro exigia menor
investimento do que o açúcar. Outra classe também surgiu, a dos funcionários
públicos para cobrar impostos, e coibir o contrabando
O contrabando foi a principal causa de Portugal desestimular a vinda de gado
do NE, pelo vale do S. Francisco, o que incentivou a atividade pecuária no
extremo sul, necessária para abastecer a região mineradora.
Entre outras conseqüências do ciclo do ouro, tivemos também a mudança da
capital de Salvador para o rio de Janeiro (1763). O incentivo à política
centralizadora, os Bragança (Reis D. João V e D. José I, tornaram-se
financeiramente independentes das cortes graças aos impostos cobrados no
Brasil na época faustosa (quinto) e mesmo na decadente (derrama) da
mineração.
No plano das relações internacionais, havia uma forte dependência de
Portugal em relação à Inglaterra (1703 - Tratado de Comércio e Amizade - de
Methuen - nome do diplomata inglês que o obteve). A Inglaterra se
encarregou da sustentação militar e diplomática da frágil nação lusa numa
Europa conflagrada pela guerra de sucessão da Espanha, em troca da abertura
dos portos lusitanos aos artigos manufaturados britânicos. Neste tratado, a
única vantagem para Portugal eram os privilégios alfandegários para o vinho
(até 1786).
Os resultados do Tratado de Methuen não foram positivos para os lusos. O
abastecimento de Portugal e do Brasil com produtos britânicos acarretou um
«déficit» crescente de Lisboa em relação à Londres. Portugal se tornou
colônia comercial da Inglaterra, e ainda perdeu em 1786, as vantagens que
possuía de colocação de seus vinhos no mercado britânico.
O ouro brasileiro que foi entregue aos cofres portugueses, lá ficou, isto é, não
foi utilizado para pagar os «déficits» lusitanos, serviu para estimular os gastos
suntuários da monarquia.

11 O NATIVISMO

O séc XVIII, além da mineração, também foi marcado pelos diversos


sintomas de descontentamento em relação à política metropolitana, os
"movimentos nativistas", não se deve no entanto levar este termo ao pé da
letra, visto que os primeiros movimentos visavam corrigir injustiças
exatamente apelando ao poder absoluto do rei.
· Revolta no Maranhão (Manuel Beckmann) - Contra a oposição jesuítica à
escravização indígena, e contra o monopólio extorsivo de uma Cia de
Comércio, (A Revolta de Beckmann)
· Guerra dos Emboabas (S. Paulo, início do séc XVIII (1707) - Paulistas x
forasteiros (baianos e portugueses), devido à concorrência na procura do ouro
· Guerra dos mascates (1710) - Latifundiários devedores de Olinda x credores
de Recife, de origem portuguesa.
· Revolta de Filipe dos Santos (Ouro Preto, ou vila Rica - 1720) - Organizado
pelos mineradores contra a instituição do quinto e das casas de fundição para
cobrá-lo, impedindo assim, a sonegação e o contrabando. Nenhuma teve
objetivos amplos, foram manifestações de cunho imediatista e regional, sem
projetos políticos consistentes. Manuel Beckmann lutou pelos interesses dos
colonos do Maranhão, acreditando que a solução só poderia vir de Sua
Majestade. A Guerra dos Emboabas não passou de disputa interesseira entre
paulistas bandeirantes, e forasteiros ávidos em lucrar com um negócio para
cuja descoberta não tinham concorrido. A Guerra dos Mascates foi um
conflito entre classes dominantes da região pernambucana, a agrária e a
mercantil. A rebelião de Filipe dos Santos, foi em prol de uma causa que não
pode encontrar defensores - a causa do contrabando e da sonegação em favor
de benefícios individuais.
Estas várias revoltas no período do Brasil colônia, apenas espelham as
diferenças entre as várias partes do Brasil e a regionalização social e cultural
subjacente à unidade política e administrativa imposta pela Coroa portuguesa.
Todavia, mostram, de um modo desordenado, a existência de contradições e
descontentamentos locais forjados no correr da existência colonial.

12 A DECADÊNCIA ECONÔMICA DE PORTUGAL

A decadência do colonialismo foi acompanhada de um crescente


enrijecimento administrativo e político. Portugal desenvolveu ao máximo a
idéia de que a colônia só servia para enriquecer a metrópole. O Brasil só podia
vender para Portugal, e comprar de Portugal, a preços fixados por este, além
disso, não podia produzir nada que Portugal pudesse produzir e/ou vender
para o Brasil, como aguardente, sal, manufaturas. Em 1785, a Rainha D.
Maria I, assinou o famoso alvará que leva o seu nome, proibindo as
manufaturas no Brasil, afim de não desperdiçar os esforços que deveriam se
concentrar na agricultura
O fisco tornou-se opressivo ao extremo, foi criada uma contribuição
"voluntária" para reconstrução de Lisboa, após o terremoto de 1755, que
continuou sendo cobrada até muito depois da cidade ficar pronta de novo.
Não era mais Portugal quem abastecia o Brasil, e sim a Inglaterra via
Portugal, o qual se constituiu num intermediário encarecedor.
Terminar com o monopólio, tornou-se no séc XVIII, um ideal do capitalismo
liberal que veio ao encontro dos interesses de duas classes sociais bastante
distanciadas entre no espaço, o latifundiário do Brasil, e o burguês da
Inglaterra.
O colonialismo mercantilista e monopolista entrou em crise quando as
sociedades coloniais amadureceram, combateram impostos extorsivos e
desejaram liberdade para comprar e vender, e o capitalismo em expansão no
Velho Mundo reclamou a expansão dos mercados, opondo-se aos mercados
fechados vigentes em defesa de seus negócios.
O ciclo de rebeliões reiniciou 69 anos após o levante de Filipe dos Santos,
com a Inconfidência Mineira de 1789. Foi mal planejada, e nem teve chances
de ser posta em prática. Entretanto trouxe idéias relativamente avançadas
(República, capital no interior, industrialização, universidade, etc)
Estes últimos movimentos de rebelião, tiveram significado mais profundo que
os primeiros . Embora estritamente regionais, não há dúvidas no que tange às
intenções libertárias e republicanas então desenvolvidas. Isso se deveu à
influência da independência dos EUA, e da filosofia iluminista da França, cuja
vertente mais elitista e burguesa foi absorvida pelos inconfidentes mineiros, e
a mais democrática e popular foi seguida pelos inconfidentes baianos.
Estas revoltas integravam várias classes sociais diferentes, cada qual com
objetivos comuns em relação às outras, e específicos para si próprias. Ao
começar o séc XIX, a independência para o Brasil parecia, apesar das
manifestações já havidas, algo distante. Mas só parecia. As várias classes
sociais estavam descontentes, o monopólio comercial já não era aceito nem
pela classe dominante colonial nem pelo capitalismo internacional em
expansão.
Pombal não visava romper com a Inglaterra, pois precisava do seu apoio nas
disputas com a Espanha pela posse das fronteiras do sul, entretanto
procuravam dar uma margem de autonomia à Portugal. segundo alguns
historiadores, as medidas econômicas tomadas por Pombal, objetivaram
fortalecer a burguesia portuguesa, e também a colônia, cujas defesas contra
invasores políticos e
econômicos eram débeis. Sacrificava-se o arcaico monopólio em nome de
uma política de empreendimentos capaz de trazer o progresso a uma nação
estagnada.
Portugal tinha carência de quadros administrativos e burocráticos que
atuassem no Brasil, Pombal não hesitou em se valer de elementos da elite
colonial nas tarefas do poder. A plutocracia local começou a se habituar ao
exercício do mando (quando não havia conflito de interesses com a
metrópole). Pombal tratava o Brasil com cautela evitando conflitos com os
magnatas locais.
Por iniciativa de Pombal, a Real Fazenda afrouxou a vigilância sobre as
Juntas da Fazenda colonial e a derrama, imposto que era cobrado para
perfazer o mínimo de 100 arrobas estabelecido pelo quinto, foi suspensa, este
"afrouxamento", possibilitou fortunas individuais e negócios escusos.
O declínio da extração do ouro, favoreceu o progresso industrial da colônia,
reduzindo a possibilidade de financiar a importação de artigos ingleses, 80%
dos estabelecimentos industriais criados na era pombalina, o foram depois de
1770.
As colônias inglesas da América do Norte fizeram sua independência e, a
idéia de emancipação política foi adotada pela elite mineira como um meio de
manter privilégios e autoridade adquiridos, e impedir que seus negócios
fossem investigados. Aquilo que Portugal criara no Brasil, um grupo político
para o representar, se voltava agora contra seu criador.
Segundo alguns autores, não foi o idealismo que moveu os inconfidentes, mas
sim, o temor de que a Coroa investigasse negócios duvidosos. Silvério dos
Reis traiu a inconfidência visando conseguir a mesma coisa que o movera a
entrar nela: livrar-se das dívidas que tinha para com a Fazenda Real. A
denúncia da conspiração levou à suspensão da derrama, cuja cobrança seria a
bandeira de luta dos inconfidentes, e permitiria a eles ocultar seus interesses
de classe sob a capa de uma causa do interesse da maioria.
O movimento, mais imaginado nos resultados, do que efetivado na ação, nada
tinha de concreto, exceto o desenho da bandeira, e a idéia de usar o dia da
cobrança da derrama para desencadeá-la.
Numa evidência de quão frágeis eram os elos que ligavam os inconfidentes,
Cláudio Manoel da costa acabou denunciando Tomás Antônio Gonzaga.
Em Portugal, a influência pombalina retornava, embora Pombal já tivesse
morrido (1782), por isso a coroa resolveu usar um certo comedimento ao
julgar os implicados. Tiradentes não pertencia à plutocracia mineira, tratava-
se de um indivíduo que não conseguira subir na vida, tendo entrado na
Inconfidência com objetivos arrivistas. Executá-lo foi um meio de
ridicularizar, o movimento, como se procurasse chamar a atenção para o baixo
nível dos que tinham participado da conjura. Dada à pouca relevância social
de Tiradentes, que reação poderia causar a sua morte?

13 O EPÍLOGO DA FASE COLONIAL

O ouro terminara a cana sofria a concorrência do Caribe, o algodão do


Maranhão sofria a concorrência do sul dos EUA, afora o ouro das Gerais, a
cana do NE, e o algodão do MA, o Brasil tinha pouca coisa a oferecer.
A Bahia importava o escravo da Guiné, único meio de escoar a produção de
fumo, e importava o caríssimo e indomável escravo negro islamizado da
Guiné, capitania, pois era a única moeda usada para adquirir especificamente
aquele tipo de negro africano, sendo por isso, comprado pelos traficantes que
o comerciavam.
No mais, extraíam-se as drogas da Amazônia (cravo, canela, castanha-do-
pará, cacau, urucum, salsaparilha, sementes, etc.), criava-se gado no sertão
nordestino, e no extremo sul, e praticava-se uma débil agricultura de
subsistência junto aos latifúndios monocultores..
No aspecto social, a concentração de poder, riqueza, e o que existia de cultura,
concentrava-se no litoral. Em geral a sociedade era agrária, latifundiária,
patriarcal, católica e escravista. Só a mineração propiciou um certo
desenvolvimento urbano e o surgimento de estratos intermediários.
O Brasil rústico disperso, e primitivo que havia no interior, era ignorado pela
sociedade concentrada no litoral.

14 A ERA DO BARROCO

No séc XVIII, ocorreu a plena maturação do Barroco brasileiro,


especialmente no NE (BA e PE), e na zona decadente da cana (RJ e MG).
Havia uma diferença marcante entre o barroco do litoral, e o barroco de Minas
Gerais. No estilo adotado no litoral, havia um forte contraste entre a
simplicidade do exterior, e a opulência interna, bem como, as sacristias tinham
muita importância, e fazia-se um largo uso do azulejo. Já nas Minas Gerais,
ocorria o contrário, o exterior era mais decorado, e o interior tinha uma
ornamentação mais leve, havia menor importância da sacristia, e o azulejo não
era muito usado, em seu lugar adotava-se a técnica conhecida como
"fingimento", ou seja, fazia-se uma pintura imitando azulejos.
As Ordens conventuais foram proibidas de entrar em Minas. Esta proibição se
deu devido ao «poder corruptor do ouro». Os conventos poderiam usar sua
inviolabilidade para o contrabando de ouro, além do que, temia-se que os
monges estimulassem o não-pagamento dos impostos devidos. As igrejas
foram erguidas por encomenda do clero secular ou de Ordens Terceiras, de
feições menos rígidas e hieráticas. Os artistas discutiam com as irmandades
as plantas das igrejas que vinham de Portugal, e não raro as alteravam. Tinha-
se uma arte mais nacional, com menor influência européia.
No século XVIII, tivemos grandes artistas mulatos. Na pintura destacaram-se
o baiano José Joaquim da Rocha, bem como o mineiro Manoel da Costa
Ataíde (Mestre Ataíde), autor da pintura de Nossa Senhora, e anjos, com
traços mestiços.
Na escultura tivemos Valentim Fonseca e Silva (Mestre Valentim, RJ),
Francisco das Chagas («o Cabra»), e Antônio Francisco Lisboa («o
Aleijadinho», MG)
Arquiteto, escultor e decorador, Mestre Aleijadinho viveu de 1730 a 1814. Fez
seu aprendizado em Minas, nunca deixou o Brasil. Acometido de uma doença
que o deformou, a ela deveu o apelido. Segundo Mário de Andrade, a obra do
Aleijadinho divide-se em duas: a fase sã de Ouro Preto e S. João d’El Rey,
que se caracteriza pela serenidade equilibrada e pela clareza magistral, e a fase
de Congonhas, onde desaparece aquele sentimento renascente da fase sã e
surge um sentimento muito mais gótico e expressionista. A deformação na
fase sã é de caráter plástico. Na fase doente, é de caráter expressivo.
Na música igualmente preponderou a figura do mulato. Houve uma plêiade
de compositores talentosos em MG, entre os quais avultaram os nomes de
Marcos Coelho Neto, Ignácio Parreiras Neves, Francisco Gomes da Rocha e,
sobretudo, Lobo de Mesquita. Tal como nas artes plásticas, preponderou a
figura do mulato, a atividade artística era um meio de ascensão social daquela
gente marcada pelo estigma da cor.
Ao contrário do que pode-se pensar, apesar da maioria dos músicos serem
mulatos, não houve a adoção de ritmos negros na música. A preocupação foi
justamente evitar tudo que pudesse lembrar uma origem "desagradável" e, por
isso indesejável.
José Maurício Nunes Garcia (1767-1830). Homem de grande talento, carioca,
padre com seis filhos e uma imensa fé transfigurada na mais sublime das artes.
Por ser mulato, ficou padre, mais que a vocação, interessava a ele, certamente,
uma posição social que, na época, facilitava os que queriam estudar e
careciam de recursos. Ser padre tornava seu trabalho mais simples: segundo a
perspicaz observação de Bruno Kiefer, os pais entregavam-lhe as filhas para
estudarem música, sem maiores preocupações ...
José Maurício chegou a ser o compositor oficial da corte de D. João VI.
A partir do início do séc XIX houve uma mudança histórica na arte brasileira,
a arte sacra, cede lugar à arte profana. O Rio de Janeiro substitui. Minas
Gerais, que substituiu o NE, como centro da arte brasileira, a partir de 1816,
ocorre a implantação do estilo neoclássico pela Missão Artística Francesa
Este novo estilo partiu do princípio de que arte se aprende nas Academias, e
não pelos ditames do sentimento. O neoclassicismo repudiou a herança
colonial: era arte de autodidatas e, ainda por cima, mulatos... para o artista
neoclássico, arte era produto de uma elite esclarecida e intelectualmente
privilegiada.

15 CONCLUSÃO

A partir do exposto, conclui-se que a colonização do nosso país, foi


essencialmente uma colonização de exploração. À metrópole, só interessava
servir-se dos recursos, e riquezas existentes na colônia.
Num segundo momento, a classe dominante, já nascida no Brasil e, portanto,
brasileiros, também não interesses em mudar a situação. Eram favorecidos e
privilegiados pela coroa portuguesa, a ajudavam a manter a dominação sobre
seus irmãos brasileiros.
Em todos os momentos, todos os povos de diferentes nacionalidades que aqui
aportaram, tinham um único objetivo, a exploração, o saque, e o aviltamento
da cultura dos povos indígenas nativos desta terra.
Desde a nossa infância, sempre nos foi inculcada uma imagem heróica dos
nossos "bravos" bandeirantes, dos inconfidentes, dos navegadores
portugueses, que "descobriram" nossa terra, e esforçaram-se por trazer a
civilização, o progresso, e a fé cristã para os "selvagens, que andavam nus, e
adoravam os demônios das florestas".
É tempo de entendermos, que os nossos "heróis" do passado, tem muito a ver
com os nossos grandes personagens da classe dominante da atualidade, agem
sempre visando o interesse econômico pessoal, ou de classes dominantes, com
as quais estão comprometidos.
"Modificam-se os meios, permanecem os objetivos". Na fase colonial,
portugueses, franceses, holandeses, vinham com seus navios movidos à vela,
até a colônia, e daqui saíam carregados com ouro, pau-brasil, aguardente, sal,
etc; no presente, os "grandes conquistadores" do FMI, vem à periferia com
seus jatos, e daqui se retiram levando nossas reservas cambiais.
Durante o jugo da metrópole, vinham governadores gerais e vice-reis, para
gerenciar a colônia, na atualidade, somos "governados’ por brasileiros natos,
só que as determinações do que o governo tem de fazer ou deixar de fazer,
dentro do país, normalmente são ditadas pelo imperialismo capitalista
estrangeiro.
Não seria tempo de, ao invés de reverenciarmos os "heróis" da historiografia
tradicional, admirarmos sim, o povo, os índios que, embora tenham sido
vencidos, jamais aceitaram a dominação, e resistiram de todas as formas que
puderam? Os negros escravos que embora sob o jugo dos senhores e feitores,
jamais se renderam?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AZANHA, Gilberto; VALADÃO, Virgínia Marcos. SENHORES


DESTAS TERRAS. Os povos indígenas no Brasil: da colônia aos nossos
dias. Editora Atual,

LOPES, Luis Roberto. HISTÓRIA DO BRASIL COLONIAL. Porto Alegre:


Mercado Aberto,

MESGRAVIS, Laima. O Brasil nos primeiros séculos. São Paulo: Contexto,


1994.