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INFORMAÇÕES HISTÓRICAS SOBRE O TERRITÓRIO DOS KAYABI

1. Introdução

Ainda há poucas décadas atrás, os Kayabi compunham-se de duas a três dezenas de grupos locais, que ocupavam um território bastante extenso “entre o Rio Arinos e Tatuí, e o

médio Teles Pires” (Dornstauder, 1984). Recordam os Kayabi que: “A área habitada pelos antigos era todo o Rio dos Peixes, entre o Juruena e o Arinos e subia este até a altura das cabeceiras do Rio dos Peixes e o de lá emendava com o Teles Pires, cujas margens e córregos habitavam descendo até pouco acima do Rio Peixoto de Azevedo, e de lá se comunicava com o Rio dos Peixes subindo o córrego Iawari, e deste passavam às cabeceiras do Córrego do Coatá, afluente do Tatu’y ou Ita’nami (Rio dos Peixes ou Rio São Francisco)” (Missão Anchieta & CIMI, 1985: 5). Naquele tempo, então, eram seus vizinhos (e inimigos) tradicionais os Apiaká e Munduruku, ao norte; os Rikbaktsa, no baixo Arinos, a oeste; os Tapayuna ou Beiço-de-Pau (Suyá), no Arinos, a sudoeste; os Bakairi, ao sul, nas cabeceiras do Paranatinga; os Kreen- akore ou Panara, a noroeste (Dornstauder, 1993; Steinen, 1940; Villas Bôas, 1994). Considerados até o início do século como “bravios e indômitos” (Ferreira, 1905: 87), os Kayabi opuseram uma ferrenha resistência à ocupação de suas terras pelas empresas seringalistas que expandiam suas atividades no alto Arinos, no alto Paranatinga e no rio Verde. Houve conflitos com seringueiros em 1899 nas matas do alto Paranatinga e Verde; e as expedições financiadas pelos seringalistas, nos primeiros anos do século XX, tentaram sem sucesso a pacificação dos Kayabi do rio Verde (Grünberg, s/d: 34-36).

A partir da década de 50, porém, quase toda a região seria retalhada em glebas e

alienada pelo governo de Mato Grosso, para fins de colonização. Conjugados à ação das agências indigenista e missionária e à atração que os utensílios da civilização exerciam sobre os Kayabi, todos estes fatores provocaram profundas alterações no seu modo de vida e na composição e localização de sua população. Procuro resumir abaixo os principais eventos que determinaram o deslocamento da maior parte da população Kayabi, para fora de seu habitat, e o confinamento dos restantes em uma ínfima parte de seu território original. Merece maior atenção, em todo caso, a situação dos Kayabi do rio dos Peixes (os chamados “Tatuê”), objeto primeiro deste relatório.

2. A Comissão Rondon

A Comissão Rondon realizou vários levantamentos na região dos formadores do

Tapajós, dentre os quais destacamos a exploração do rio Paranatinga (Teles Pires ou São Manuel), pelo tenente Antonio Pyrineus de Sousa, em 1915, durante o qual aconteceram encontros com grupos Kayabi que permitiram recolher os primeiros dados etnográficos confiáveis sobre estes índios. As primeiras aldeias dos Kayabi, no Teles Pires, estavam então nas proximidades da foz do rio Verde (Sousa, 1916: 73). Grupos de cem e até duzentos pessoas visitavam o acampamento da expedição para trocar presentes; infelizmente as ferramentas logo acabaram e os expedicionários, por isto, foram hostilizados por um dos grupos (Sousa, 1916: 85-88). Ao todo, Pyrineus de Sousa enumera oito aldeias ao longo do rio Teles Pires, além de vários acampamentos de caça e pesca.

3. Os postos do SPI

Os freqüentes conflitos com seringueiros levaram o SPI a fundar, em 1922, o posto Pedro Dantas, no rio Verde, destinado à pacificação dos Kayabi. Dois anos depois o posto foi destruído por um ataque desses índios. Em meados de 1925, o posto foi reerguido mais ao sul, na margem esquerda do Teles Pires, a 180 quilômetros acima da boca do rio Verde, onde, em 1926, chegou a primeira turma de Kayabi. Em 1927 o etnólogo Max Schmidt visitou o posto Pedro Dantas, por cerca de dois meses; seus estudos não chegaram a resultados satisfatórios, em parte devido à atitude agressiva dos índios. Ainda em 1927 uma tropa do posto do SPI foi surpreendida e aniquilada pelos Kayabi (Schmidt, 1942: 47). O posto foi então suprimido, mas restaurado em 1929 num lugar mais favorável, dez quilômetros ao sul, denominando-se agora posto José Bezerra. Ao longo da década de 30, sem recursos e sem prestígio junto ao governo de Getúlio Vargas, as ações do SPI não prosperavam. Com isto, alguns grupos Kayabi desceram o Teles Pires e passaram a atacar as feitorias de seringueiros. Em 1941 seria daí fundado, para sua pacificação, um outro posto do SPI, o posto Teles Pires (depois denominado posto Caiabí), no baixo curso do Teles Pires (Simões, 1963: 81). Seja diretamente ou através do posto do SPI, os Kayabi foram ali estimulados a se integrarem ao sistema de seringal (Grünberg, s/d: 49). Na área de influência do posto José Bezerra (alto Teles Pires), a situação parecia semelhante. O pe. João Dornstauder visitou o posto em 1954 e ali encontrou 54 Kayabi; as demais malocas estariam rio abaixo. Depois de 1965, quando se desativou o posto José Bezerra, uns poucos Kayabi que ali ainda permaneciam foram transferidos para o posto Simões Lopes (Bakairi), no alto Teles Pires; outros se ligaram ao posto Fraternidade Indígena, perto de Barra dos Bugres; alguns se extraviaram (Grünberg, s/d: 50; Dornstauder, 1983: 1).

4. A Expedição Roncador - Xingu

Em 1943 foi criada a Fundação Brasil Central (FBC), cujo objetivo seria a colonização dos cursos superiores do Araguaia, Xingu e Tapajós, dentro das diretrizes da política de interiorização preconizada pelo ditador Getúlio Vargas, a tão falada “marcha para o oeste”. Uma das suas principais iniciativas foi consolidada pela “Expedição Roncador - Xingu”, através da abertura de campos de pouso que serviram de base para a ocupação dessas regiões. Comandada pelos irmãos Villas Bôas, a Expedição Roncador - Xingu operou de 1949 a 1951 na região do Teles Pires, dando ensejo ao contato estreito com os Kayabi, os quais passaram a colaborar nas atividades da Expedição (Villas Bôas, 1994: 486- 490, 492, 516). É evidente que a posterior emigração desses Kayabi para o Parque do Xingu teve, como ponto de partida, o seu engajamento nos trabalhos da FBC (Villas Bôas, 1994: 516) Sobre isto, diz o antropólogo George Grünberg (s/d: 52) que “Alguns Kayabi do Teles Pires, entre eles Ipepuri, encontraram, por parte dos irmãos Villas-Boas, uma compreensão inesperada para sua situação opressiva e aceitaram a ajuda oferecida e, em parte, também o convite para mudar para o Xingu” Em todo caso, o auxílio dos Kayabi parecia indispensável para que a Expedição atingisse seus objetivos: “Não foi fácil a atração dos rebeldes caiabis, mas é forçoso confessar que foi altamente compesadora a sua conquista, principalmente num momento em que estava se tornando cada vez mais difícil o ajuste de trabalhadores caboclos. Corajosos, valentes e incansáveis, sem ambição e sem troco, os caiabis desde o início foram se mostrando insuperáveis. O campo do Telles Pires foi começado com sertanejos, mas concluído pelos caiabis, com algazarra, riso e disposição. No correr de 1949 contatamos e conquistamos todos os caiabis. Curiosos, animados e cientes de que além da grande mata dentro da qual viviam existiam muitos outros índios falando a sua própria língua e, ainda, outras que eles desconheciam, não tiveram dúvida - começaram a emigrar, não todos num só momento, mas no correr do tempo. A partir da notícia de que os caiabis, tatuês e apiacás estavam em paz

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com a Expedição, o vale começou a ser ocupado. Povoações, vilas e cidades começaram a nascer no grande vale: Sinop, Renato, Peixoto de Azevedo, Matupá e inúmeras outras” (Villas Bôas, 1994: 516). Em 1951, a Expedição havia aberto um campo de pouso nas cabeceiras do Coatá, um afluente da margem direita do rio dos Peixes. Este campo seria utilizado em 1966 na “Operação Caiabí”, que visava a transferência do principal grupo de Kayabi do rio dos Peixes para o Parque do Xingu (Azevedo 1966b: 41). “Nas proximidades de um córrego que corria para o rio dos Peixes (onde se encontram as aldeias kayabi que visávamos na nossa excursão), abrimos um campo de pouso para aviões. Estes Kayabi do vale do Arinos são apelidados de Tatuê pelos seus parentes de leste. Tatuê é o nome com o qual designam o Rio dos Peixes” (Villas Bôas, 1979: 62). Deste campo nas cabeceiras do Coatá, comentaria o pe. João Dornstauder (1955: 13) que por lá passou em 1955: “Até aqui chegou a Expedição Roncador - Xingu. Construíram o campo de aviação com ajuda dos índios Caiabí. Chamaram também a turma do Tatuí. Vieram só os homens, mas logo chegaram também as mulheres para visitar os homens, e ganhar alguma cousa. Avidez por pano. Escassez de mantimentos. Depois houve gripes e morreram vários. Lembram este encontro com um misto de agrado e desgosto. A distância até o rio costumavam cobrir em 2 dias. Mas nós levamos mais” (para fazer cerca de 80 quilômetros até as margens do rio dos Peixes).

5. Seringais e colonizadoras

As hostilidades entre os Kayabi e a frente extrativista remontam aos primórdios do século XX, quando foram descobertos os seringais do rio Verde e alto Teles Pires, e os seringueiros começaram a penetrar no território indígena. Em 1927 Benedito Bruno Lemes Ferreira estabeleceu um seringal na Cachoeira do Pau, no alto Arinos; em 1951 o empreendimento abrangia a foz do rio dos Peixes. Em 1955 foram fundadas diversas feitorias no rio dos Peixes até o Salto; e no ano seguinte, um barracão foi instalado junto ao Salto (Santa Maria), “expandindo-se a exploração no curso superior do rio dos Peixes, sem contudo alcançar território dos Kayabi. Em novembro de 1957, quatro Kayabi já trabalhavam no seringal” (Grünberg, s/d: 37). Tendo falecido Lemes Ferreira, assumiu o seringal Marcelo Martins da Cruz, até seu abandono em 1966, em razão das dívidas acumuladas com o Banco da Borracha (Azevedo & Mamprin, 1966). Em fins de 1953 foi fundada uma feitoria no médio Teles Pires, a 373 quilômetros abaixo do posto José Bezerra, portanto no centro da região ocupada pelos Kayabi do Teles Pires (Grünberg, s/d: 39). De 1950 em diante, portanto, a extração de borracha se estenderia Teles Pires deste ponto até o Peixoto de Azevedo. Simultaneamente estava sendo promovido um conjunto de medidas para dar curso à colonização da região norte de Mato Grosso, resultando num escandaloso processo de especulação imobiliária com as terras públicas, que ameaçava diretamente a integridade dos grupos indígenas que ali viviam. O loteamento das terras indígenas, pelo governador Fernando Corrêa da Costa, foi inclusive, à época, denunciado pelo SPI à imprensa (Silva, 1955), particularmente por atentar contra o projeto de criação do Parque Indígena do Xingu (Correio da Manhã, 1955). Em relação ao território dos Kayabi, a Colonizadora Conomali, de Guilherme Mayer, começou em 1955 a colonização de Porto dos Gaúchos (Gleba Arinos). Já em abril de 1956 um primeiro grupo de Kayabi viria a pé, numa primeira visita à Gleba Arinos. Por sua vez, em 1957 uma das três turmas que então trabalhavam na medição de terras atravessou a área entre o Arinos e o rio dos Peixes, saindo nas cabeceiras do rio dos Peixes, em pleno território indígena: “Foi uma operação em pleno território Kayabi. E logo as terras foram loteadas e postas a venda pelo Estado de Mato Grosso” (Dornstauder, 1983). Assim

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registra Tolksdorf (1996: 8), em sua viagem ao rio dos Peixes naquele ano: “Na margem esquerda encontramos vestígios da equipe de medição, que medira terra aqui. Mas os marcos não estavam fincados se não ao longo da beira do rio.” A alienação das terras, a despeito de todas as irregularidades constatadas, correu célere e as colonizadoras (Ipiranga, Camargo Corrêa, Conomali etc) passaram a dominar a cena regional. De maneira que, no fim da década de 50 “quase não havia mais Kayabi no Teles Pires. Os Tatuê ficaram acantonados no Salto Kayabi, freqüentado por eles desde tempos imemoriais” (Dornstauder, 1984). Por fim, convém assinalar a fundação da cidade de Juara, em 1973, que logo se tornaria o polo dinâmico de ocupação da região por madeireiras e fazendas de gado.

6. A Prelazia de Diamantino

As atividades missionárias junto aos Kayabi foram conduzidas, até meados da década de 60, quase unicamente pelo pe. João Evangelista Dornstauder, da Prelazia de Diamantino. Em 1953, Dornstauder visitou os 23 Kayabi que residiam no posto José Bezerra. Em julho do ano seguinte, fez uma nova visita, quando soube por Purataí e pelo Capitão Sabino que “um grupo maior de Kayabi selvagem vivia no Rio dos Peixes (Tatuí). Decidiu localizá-los na estação seca seguinte, junto com Sabino” (Grünberg, s/d: 54) Em abril de 1955, Dornstauder partiu de Diamantino, encontrando no posto José Bezerra os Kayabi que iriam acompanhá-lo. Visitou daí as 5 aldeias dispostas ao longo do Teles Pires (Purutaí, Sabá, Cuiabano, Capitão Luiz França e Purucatu), somando um total de 103 pessoas (Dornstauder, 1955). Seguiu depois rumo ao rio dos Peixes, remando rio Jaguaru (ou Tapaiuna, um afluente da margem esquerda do Teles Pires) acima, acompanhado de Capitão Sabino, Möauá Chiquinho, Tauá Gaspar, Tauá Pirenêu e Yavaricatú Augusto. Tomando o mesmo caminho trilhado pela expedição da FBC, Dornstauder chegou ao campo de pouso construído anos antes, nas cabeceiras do Coatá (ou Kaio’u, segundo os Kayabi), um afluente da margem direita do rio dos Peixes. Margeando este curso d’água, seguiu então para as margens do rio dos Peixes (ou Tatuí, segundo os Kayabi), onde encontrou um grupo de Kayabi que seguia para a aldeia de Cuassiari, uma hora de caminhada acima da barra do Coatá (Dornstauder, 1955). No dia seguinte, subiu para a aldeia de Temeoni, o principal chefe dos Kayabi do rio dos Peixes (conhecidos por “Tatuê”, pelos demais Kayabi), situada na foz do córrego Giva’í. Aí permaneceu por quase um mês, quando realizou um censo demográfico e fez anotações etnográficas preciosas, tendo Sabino como principal intérprete. Segundo o mapa traçado por Dornstauder (em anexo), os Kayabi do rio dos Peixes, somando 108 pessoas, distribuíam-se então em 6 aldeias: cinco delas estavam à margem esquerda do rio dos Peixes, a saber, Temeoni (na barra do Giva’í), Cuassiari (pouco abaixo), Juronaí (abaixo da barra do Coatá, ou Kaio’u), Yurupaiye (a dois dias da barra do Batelão) e Möaô, a derradeira; e a sexta, de Ypofet, situada no córrego Yara’u (Uaro’u no mapa, ou rio Batelão), à margem esquerda. Em meados de julho, Dornstauder desceu o rio dos Peixes e percorreu as demais aldeias (da aldeia Temeoni, rio acima, à de Möaô, a última rio abaixo, haveria uma distância de 45 a 50 quilômetros, segundo os cálculos de Dornstauder). A volta à Diamantino foi realizada pelo rio Arinos, tendo o missionário deparado com os primeiros seringueiros pouco abaixo do Salto e, no Arinos, com o acampamento da Conomali (Dornstauder, 1955). A partir desta primeira visita ao rio dos Peixes, alguns Kayabi passaram a colaborar com Dornstauder nos trabalhos de pacificação dos belicosos Rikbaktsa (Meliá, 1993: 502), índios que inviabilizavam a exploração de borracha nos rios Arinos, Sangue e Juruena. Isto deu ensejo à convivência, no posto Santa Rosa, a 25 quilômetros da desembocadura do rio dos Peixes, entre os Kayabi e os Rikbaktsa. “Vendo-se que os contatos indiscriminados com a população de seringueiros [a partir do barracão Santa Cruz, instalado em 1956 acima do Salto

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de Tatuí] e colonos [da gleba Arinos] se tornavam sumamente prejudiciais, saiu a proposta de levantar um posto de assistência, reservado aos caiabis, abaixo do Salto, em um lugar que eles mesmos indicaram” (Meliá, 1993: 503). Em 9 de setembro de 1960 foi fundado o posto Tatuí (ou Padre Reus) pelo pe. João Dornstauder, localizado estrategicamente abaixo do Salto para facilitar o seu atendimento através de barco a motor. Ali se reuniram aproximadamente 30 Kayabi, especialmente as famílias mais jovens, em torno de Yupari’up (Chico). No velho local, rio acima, pouco mais de vinte pessoas permaneciam morando na aldeia junto a Temeoni. Desde os primeiros anos do trabalho missionário no rio dos Peixes, várias crianças Kayabi foram levadas para estudar no Internato de Utiariti, a sede da missão jesuíta no rio Papagaio. E diversas enfermidades reduziram drasticamente a população indígena. Assim, um censo realizado em dezembro de 1961 revela as mudanças ocorridas: no posto Tatuí estavam 36 pessoas, 11 estavam ocasionalmente ausentes e 6 jovens haviam seguido para Utiariti; nas antigas malocas acima do Salto, ficavam umas 26 pessoas (Grünberg, s/d: 58). Em 1970 o Internato de Utiariti foi fechado, e muitos jovens e alguns casais retornaram na ocasião ao rio dos Peixes, indo morar no posto Tatuí.

7. A transferência para o Xingu

O processo de migração dos Kayabi para o Parque do Xingu teve início na década de 50, com seu envolvimento nos trabalhos da Expedição Roncador - Xingu. Assim, assinala Grünberg (s/d: 52) que, em 1950, já havia um Kayabi na expedição de pacificação dos Txukarramãe; em 1954 são registrados 15 Kayabi com sarampo no Xingu; e em 1955, chegaram ao Xingu mais 40 Kayabi do Teles Pires. “Em 1961/62 a maior parte dos índios [Kayabi] do alto e médio Teles Pires já se encontrava no alto Xingu, onde os Kayabi, graças aos conhecimentos de português e certa familiaridade com a civilização brasileira, se tornavam indispensáveis na administração do Parque Nacional do Xingu fundado em 1961” (Grünberg, s/d: 52). Anotou assim Dornstauder (1956), sobre os Kayabi que habitavam o Teles Pires:

“Outros desde 53 adiante (alguns já antes; há 2 ou 3 no Instituto Manguinhos no Rio) acompanharam os Villas-Boas e mudaram-se ao Xingu (perto dos Juruna, no Manitsauá, e no Posto Cap. Vasconcelos). As taperas de todos estes índios se encontram desde a aldeia do Purutaí. O motivo da mudança constitue a vizinhança de seringueiros, que não agradou [promiscuidade, abusos e desrespeito de mulheres], e a atração do Xingú.” Para o antropólogo George Grünberg (s/d: 53), os fatores que provocaram a mudança dos Kayabi para o leste, da área do alto Tapajós para o alto Xingu, teriam sido: a pressão dos seringueiros; a disposição cultural de mudar para uma nova área; a personalidade de Ipepuri (um Kayabi que trabalhava há vários anos com os Villas Bôas) “que uniu a tribo como chefe carismático”, e principalmente, a de Cláudio Villas Boas “que estabeleceu as bases organizatórias para a migração”. A Operação Caiabi, em 1966, organizada pela direção do Parque do Xingu, com o apoio da FAB e pára-quedistas do PARA-SAR, pretendia, desta maneira, dar sequência ao processo de transferência para o Xingu que se iniciara na década anterior, sob o argumento de que os Kayabi estavam sendo dizimados pelos seringueiros (Azevedo & Mamprin, 1966: 41). Contudo, apenas 31 índios do rio dos Peixes e 13 do baixo Teles Pires aceitaram o convite nesta ocasião. Entre aqueles, seguia parte do grupo chefiado por Temeoni, cuja aldeia se situava nas proximidades da foz do Batelão, um afluente da margem esquerda do rio dos Peixes (Silva & Mamprin, 1966). Os pára-quedistas saltaram e reabriram o campo das cabeceiras do Coatá, donde seguiram os sertanistas e os guias Kayabi às aldeias do rio dos Peixes. A expedição encontrou 20 pessoas morando na aldeia de Temeoni, e mais abaixo, no posto missionário do Tatuí,

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cerca de 50 pessoas. Ao descer o rio dos Peixes, os expedicionários verificaram que as feitorias do seringal estavam abandonadas, pois a empresa havia sucumbido às dividas bancárias e os seringueiros se rebelaram e fugiram (Silva & Mamprin, 1966: 53). Dos que moravam no Tatuí, apenas 3 índios aceitaram inicialmente o convite para viajar ao Xingu: Cuassiari (atraído pelo chamado de seu cunhado Ipepori), Puiacá e Moaian. Da aldeia de Temeoni, seguiram para o Xingu: a família de Tamacaí, a família de Temeoni, o viuvo Cupeap e seus filhos, a família de Tabá e o jovem Inavé. Tendo a expedição regressado ao campo de pouso no Coatá, chegaram, de última hora, o antropólogo Grünberg acompanhado de mais 18 pessoas do Tatuí, perfazendo um total de 31 Kayabi a serem transferidos para o Xingu (Silva & Mamprin, 1966: 54). Observa Grünberg (s/d: 62) que a transferência dos Kayabi para o Xingu (a ala de Temeoni e um terço dos Kayabi do posto Tatuí) fora realizada sem entendimentos prévios e contra a vontade da Missão Anchieta. E, por fim, mais uma parcela de Kayabi do Teles Pires, então morando no rio São Benedito, no Pará, foi levada em 1970 para juntar-se no Parque do Xingu aos seus patrícios (Ribeiro, 1979: 29, apud Agostinho, 1972: 365).

8. Dados populacionais

De acordo com Dornstauder (1983), no início da década de 50 haviam sido identificados dois grupos Kayabi, distinguidos tanto geograficamente como por ligeiras diferenças étnicas e lingüísticas: o grupo do Teles Pires (ou Paranatinga) e o grupo do rio do Peixes (afluente da margem direita do Arinos), denominado muitas vezes de Tatuê. Alguns Kayabi do Teles Pires e outros do rio dos Peixes foram, a partir de fins da década de 20, inicialmente atraídos ao sul, para o posto José Bezerra; com a desativação deste posto em 1965, dispersaram-se. Uma outra parcela dos do Teles Pires, constituída por migrantes que, depois de 1930, desceram o rio Teles Pires, ligaram-se ao posto Caiabí, criado em 1941 ao norte do seu território tradicional, já no Pará. Quanto aos Kayabi do rio dos Peixes, os Tatuê, estes originalmente ocupavam um território com os seguintes limites: no oeste, o rio Arinos, lado direito, desde a barra do rio dos Peixes até o córrego São Miguel; no sul, o mesmo córrego São Miguel; no norte, o baixo curso do rio dos Peixes; no leste, as cabeceiras mais orientais do rio dos Peixes (Dornstauder, 1983: 2). Em 1955 esta população estava assim distribuída:

Maloca de Temeoni Maloca de Cuassiari Maloca de Yuruna’i Maloca de Yurupanyé Maloca de Mya’o

 

33

31

19

14

11

 

Total

108

Havia, entretanto, uma intensa comunicação entre o grupo do Teles Pires e o do rio dos Peixes: subindo o rio dos Peixes até suas cabeceiras e varando para o rio Verde, afluente da margem esquerda do Teles Pires; ou pelo Jaguaru (também chamado de Tapaiuna) e daí, atravessando a serra, até às cabeceiras do Coatá, afluente da margem direita do rio dos Peixes. Em 1955, o missionário jesuíta computou a totalidade dos dados populacionais que havia obtido acerca dos Kayabi:

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Localização

Aldeia

População

Teles Pires

Purutaí Sabá Cuiabano Capitão Luiz França e Taraví (13+7) Purucatu, no rio Jaguaru

47

12

12

20

12

Posto José Bezerra Posto Caiabí (PA) Parque do Xingu Tatuí

 

45

45

aprox.

40

108

Total

341

Já em setembro de 1966 (portanto, pouco antes da transferência para o Parque do Xingu), o grupo do rio dos Peixes estava assim distribuído (Grünberg, s/d: 67):

Posto Tatuí Maloca de Maireru Maloca de Temeoni Utiariti Dispersos

 

25

7

19

22

11

 

Total

84

Após a transferência para o Parque do Xingu, o quadro demográfico dos Kayabi ficou assim configurado nos últimos meses de 1966 (Meliá, 1993: 493):

Teles Pires SPI (PA) Teles Pires (rio) posto José Bezerra destribalizados Tatuí Utiariti Parque do Xingu

 

30

2

24

20

32

21

179

 

Total

308

Por fim, no início da década de 80, os dados demográficos apontavam uma forte retomada do crescimento populacional (CEDI, 1991):

Área Apiaká-Kayabi (Tatuí e adjacências) Parque do Xingu Área Cayabi (Kayabi + Munduruku, no PA)

 

171

526

338

 

Total

1.035

9. O território dos Kayabi

Como vimos, tanto os Kayabi do Teles Pires quanto os do rio dos Peixes foram, a partir da década de 30, pouco a pouco, se distanciando do seu território tradicional. Elencamos, acima, alguns dos principais fatores que determinaram tais movimentos migratórios: a expansão dos empreendimentos extrativistas, a especulação imobiliária e a colonização da região, a atração dos postos do SPI (posto José Bezerra e posto Caiabi), a ação missionária (internamento das crianças em Utiariti e concentração no posto Tatuí) e a intervenção da FBC e SPI, para a transferência orientada para o Parque do Xingu.

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Em particular, no rio dos Peixes, sabe-se que ainda em 1955 “havia aldeias Kayabi não só na margem do rio dos Peixes mas também nas suas cabeceiras e córregos, indo os

índios pescar no Arinos” (Dornstauder, 1984). Este território está, inclusive, assinalado no mito kayabi de criação do mundo que, de acordo com a narrativa de Maireru Tafyt, tem como ponto de referência justamente o córrego Batelão (Wenzel, 1983):

“Desde o começo, nós mora aqui. Desde antigamente. Começou no campo, na lagoa grande do córrego do Batelão - nós ficamos muita gente e fomos espalhando, até o Paranatinga, até o Arinos. A Baiana foi flechada porque queria entrar na terra dos Kayabi. Todo civilizado que entrava na nossa terra nós matava.” Esta senhora conhecida por Baiana, havia se fixado com seus filhos, por volta de 1950; numa das cabeceiras do rio dos Peixes, não longe do córrego São Miguel, limite da área Kayabi, e por isso foi flechada pelos Kayabi. De acordo com Dornstauder (1984), devido aos trabalhos de medição de terras na região do rio dos Peixes, “o então chefe Kayabi Temeoni deu ordens ao seu pessoal do interior a juntar mais com os outros na beirada do rio porque, como dizia: ‘Civilizado está chegando! Vamos unir mais.’” A partir deste quadro, portanto, teve curso início o processo de deslocamento e confinamento que acometeu os Kayabi no rio dos Peixes.

área Apiaká-Kayabi havia sido originalmente criada pelo Decreto n o 63.368, de 8 de

outubro de 1968. Contudo, por sugestão dos próprios missionários da Missão Anchieta, esta foi alterada pelo Decreto n o 74.477, de 29 de agosto de 1975, que reduziu sua extensão na parte sul. Após intensas pressões dos índios e dos missionários nos primeiros anos da década de 80, que se opunham à construção de uma Usina Hidrelétrica no Salto Kayabi, a área indígena foi ligeiramente ampliada pelo Decreto n o 94.602, de 14 de julho de 1987, o qual, entretanto, excluiu da mesma uma “área de segurança da UHE de Salto do Rio dos Peixes, autorizada pelo Decreto n o 85.889, de 08 de abril de 1981, estimada em 300,81 ha.”. Por fim,

demarcação da área Apiaká-Kayabi foi homologada pelo Decreto n o 394, de 24 de dezembro de 1991. Em vários momentos, entretanto, os Kayabi têm manifestado seu descontentamento por esse afastamento das zonas que outrora habitavam no rio dos Peixes e no Teles Pires. Já em 1967 vários Kayabi, que estavam no Parque do Xingu há apenas um ano, confessaram ao antropólogo Eduardo Galvão (1996: 338-339) o seu desejo de retornar ao rio dos Peixes. Todavia, a doação de bens e as promessas (de Cláudio Villas Bôas) conservava-os ainda no Parque: “A maioria veio da missão do Padre João. Alegam que ele não dá nada, mas, é o

a

A

velho jogo. Na realidade, acho que, no Parque, sentem a falta do convívio, por pior que fosse, com o mundo de fora.” E acrescenta, adiante: “Os Kaiabi Tatwê continuam na fala de voltar para o rio do Peixe. Alguns dizem que aqui não tem nada e que o padre João dava mais coisa.

A reação é meio vigarice, no sentido de obter mais coisas do Posto, mas é, também, realística,

de desencanto com o paraíso prometido que é o Parque. Falta-lhes sobretudo contato com os brancos. Aqui têm apenas roça e um contato eventual com o Posto, que este ano andou meio seco e desfalcado.” Da mesma maneira, os Kayabi que moram hoje no posto Tatuí, os únicos que permanecem em uma pequena parte de seu habitat tradicional, reclamam por sua vez da grave redução de suas terras, a exemplo dos depoimentos abaixo (Wenzel, 1983):

- “Os nossos avós foram enterrados aqui no Tatuí, aí no Salto, até no Córrego do Batelão (esquerda do Rio dos Peixes)”;

- “Já os Villas Boas queriam nos levar, e nós não quisemos sair, quisemos ficar aqui e não ir para o Xingu”;

E, por fim, temos uma reivindicação crescente de retomada das terras nas imediações

do córrego Batelão, onde se encontravam as antigas aldeias que o pe. João Dornstauder conheceu em 1955. Explicou assim Maireru Tafyt a Eugênio Wenzel (1983): “Como os Villas

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Boas veio buscar o pessoal para cima do Batelão, eles [os Kayabi] têm direito de voltar aqui.

O que nós vamos fazer na terra de outro índio?”. Tendo-se separado desde 1966, os Kayabi do Xingu e os que permaneceram no rio dos

Peixes afinal retomaram os contatos em 1978, através de visitas constantes de um lado a outro

e a troca de fitas cassete gravadas (Travassos, 1984: 25). No Parque do Xingu, os Kayabi

originários do rio dos Peixes estão concentrados basicamente na aldeia Capivara, e tem como chefe Canísio (irmão de Gilberto, por sua vez chefe da aldeia Tatuí, no rio dos Peixes). Muitos deles exprimem seu desejo de retornar para o seu habitat original (Travassos, 1984:

25). Recentemente, os Kayabi do Xingu promoveram uma viagem para rever seus antigos territórios no Teles Pires e no rio dos Peixes, quando constataram o alto grau de depredação da floresta nativa, particularmente por madeireiras e agropecuárias. No momento, temos apenas a informação de que os mesmos estão solicitando da FUNAI um estudo antropológico para identificação e delimitação, para que então possam regressar ao solo pátrio.

10. Referências bibliográficas sobre os Kayabi

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11. Mapas anexos

a) A travessia do Teles Pires ao rio dos Peixes (Dornstauder, 1955);

b) Aldeias Kayabi no rio Teles Pires e rio Arinos(Dornstauder, 1955);

c) Aldeias Kayabi no rio dos Peixes (Dornstauder, 1955);

d) Região habitada pelos índios Kayabi-Tatuê em 1950 (MIA, 1983)

Cuiabá, dezembro de 1996

João Dal Poz Depto. Antropologia/UFMT

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