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AS PERSPECTIVAS AMBIENTAIS DA GRÉCIA

NO CONTEXTO INTERNACIONAL

Strátos Doúkas 1

Constantino Comninos 2
___________________________________________________________________________

Sumário: 1. Resumo. 2. Explicações necessárias. 3. Introdução. 4. O contexto. 5.


Objetivos. 6. Instrumentos e política nacional. 7. Cooperação
Internacional. 8. Cooperação Regional. 9. Cooperações Bilaterais. 10.
Conclusão. 11. Referências.

1 RESUMO

O presente texto, trata de conceituar e fundamentar alguns parâmetros sobre a


temática ambiental quanto a alguns pontos teóricos e da aplicação de
mecanismos de política meio-ambientalista adotados pela Grécia nos últimos
anos. Apresentar as perspectivas de parceria estratégica e tática que a Grécia
vem mantendo com países fronteiriços e periféricos que se encontram envolvidos
pela problemática do habitat.

Palavras-chave: ambiental, política, cooperação, regional, bilateral,


internacional.

2 EXPLICAÇÕES NECESSÁRIAS

“The crisis in the world settlements persists and


increases. The speed of urbanization continues to accelerate. Within
man’s burgeoning settlements, the need for human dignity, for full
participation by the citizen in the community, for the recovery of
creation of neighborhood, for variety, for mobility has grown
steadily more apparent. …. The next two or three decades will be
critical in the race between increasing numbers and available
resources, between rising social tensions and the inventions of new
kinds of community.”

Declaration of Delos Ten, July 9-17, 1972


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1 Embaixador da Grécia no Brasil desde 2000. Advogado, formado pela Universidade de
Salônica, Grécia. Cônsul Geral da Grécia em Perth W.A., Cônsul no Rio de Janeiro,
Conselheiro na Embaixada grega na Alemanha, Ministro Conselheiro da Embaixada grega na
Iugoslávia, Embaixador Cônsul Geral em Nova Iorque, Embaixador no México, Diretor dos
Departamentos de Assuntos da África Subsahariana e da Justiça e Assuntos Internos da União
Européia no Ministério das Relações Exteriores da Grécia.

2 Cônsul Honorário da Grécia em Curitiba. Mestre em Educação – Gestão do Ensino Superior.


Professor Titular de Estudos Sociais e Ambientais, Economia Política e Política Internacional da
Pontifícia Universidade Católica do Paraná desde 1962. Professor Titular da Universidade
2

Federal do Paraná 1962-1992. Técnico em Planejamento Governamental nas questões sócio-


econômicas - ênfase ao Urbanismo.

Este artigo é fruto de duas palestras de mesmo teor, pronunciadas pelos


autores nas sessões de abertura do II Encontro Verde das Américas (Doúkas),
realizado em Belo Horizonte, MG em 21 de maio de 2002, sob o título “As
Perspectivas Ambientais da Grécia no Contexto Internacional”, e no Quarto
Congresso Internacional Sobre Planejamento e Gestão Ambiental Urbana –
ECO URBS 2002 (Comninos), sob a égide do Instituto Ambiental Bioesfera, em
9 de dezembro de 2002 em Florianópolis. Quando da construção deste artigo,
foram acrescentados alguns pontos que indicam uma outra face do papel da
Grécia no contexto internacional meio-ambientalista.

3 INTRODUÇÃO
“Quais são as soluções que necessitamos? Quais as
políticas que nós desejamos ver implantadas e porque?”

Constantinos Doxiadis,
in “The Great Urban Crimes – we permit by law.”

Nunca é demais repetir, a preocupação que grande parte do mundo vem


tendo com relação ao meio ambiente, pois, passou a ser um tema que atinge a
todos os seres vivos do planeta. Pode-se afirmar que é o tema da atualidade.

Tanto Platão como Aristóteles, dedicaram algumas páginas de suas


obras ao tema do habitat como elemento fundamental preservador da vida.
Mais de dois milênios se passaram, e no século XX, a presença grega
continua nos encontros meio-ambientalistas. A Grécia fez-se representar
desde o Encontro do Habitat em Vancouver (DOXIADIS, 1974,1976) em
finais dos anos mil novecentos e setenta (1976). Nessa ocasião, assim como no
decênio seguinte em Nairobi, a obra do urbanista grego Constantinos Doxiadis,
foi a viga mestra das discussões desses encontros, repetindo-se recentemente,
no final dos anos mil novecentos e noventa, na reunião do Habitat em
Istambul, a antiga Constantinopla .

Lady Jackson, mais conhecida nos meios acadêmicos por Bárbara


Ward, admiradora da obra de Doxiadis, sintetizou o Habitat de Vancouver em
livro, ao referir-se ao “planejamento urbano, a vida e a movimentação do
homem nas cidades modernas” dando à obra um título, a época, alertador: A
Casa do Homem (WARD, 1976).

Doxiadis via os aglomerados urbanos com critérios fundamentados no


humanismo e em conceitos “quase” rígidos, exigência esta, própria da
metodologia que permite a compreensão da vida diversificada que prevalece
nos sistemas urbanos. Para tanto, estabeleceu em sua teoria dos
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assentamentos humanos (human settlements), denominada EKISTICS, cinco


áreas: homem, natureza, sociedade, abrigo, infra-estrutura.

Para a melhor compreensão destes cinco pontos, utilizou ciências


auxiliares, como síntese da Ekística, quais sejam, as componentes social,
política, cultural, educacional, administrativa, ambiental e tecnológica.

A Etimologia do termo EKISTICS, está explicado com propriedade na


contra-capa da Revista EKISTICS - ΟΙΚΙΣΤΙΚΗ – the problems and
science of HUMAN SETTLEMENTS, editada pelo Athens Center of
Ekistics of the Athens Technological Organization há mais de 40 anos
como segue:
“EKISTICS (modern Greek: ΟΙΚΙΣΤΙΚΗ) is derived from the ancient
Greek adjective οικιστικός, more particularly from the neutral plural
οικιστικά (as “physics” is derived from φυσικά, Aristotle). The
ancient Greek adjectives οικιστικός meant: “concerning the
foundation of a house, a habitation, a city or a colony: contributing to
the settling.” This may be regarded as deriving inbdirectly from
another anciente Greek noun οικιστής, meaning “building,”
“housing,” “habitation,”and especially “establishment of a colony, a
settlement or a town” (alredy in Plato), or “filling it with aanew
settlers”; “setting,” ”being settled.” All these words grew from the verb
οικίζω, “to settle,” and were ultimately derived from the noun οίκος,
“house,” “home,” or “habitat.”
The Shorter Oxford English Dictionary contains a reference to an
oecist, oekist or oikist, defining him as: “the founder of an anciente
Greek … colony.” The English equivalent of οικιστική is ekistics (a
noun). In addition, the adjectives ekistic or ekistical, the adverb
ekistically, and the noun ekistician are now also in current use. The
French equivalent os ékistique, the German ökistik, the Italian
echistica (all feminine).

A Declaração de Delos 10 (Delos, 7 a 17 de julho de 1972) sob os


auspícios da World Society of Ekistics, fundada por Doxiadis, em
funcionamento até hoje e que conta com membros associados em uma centena
de países, declaração essa firmada por mais de setenta intelectuais
consagrados do mundo, é peça de leitura obrigatória para todos aqueles que se
preocupam com o habitat, haja vista, ter antecipado em 1972, toda a
problemática meio ambientalista que a humanidade está a se deparar neste
milênio que se inicia.

A experiência de trabalhos em equipes multidisciplinares, permite


observar as realidades em outras óticas e em escalas diversas. Os problemas
ambientais que assolam os sistemas urbanos, na perspectiva de urbanistas e
profissionais de outras áreas planejando regiões urbanas,
interdisciplinarmente, infere a importância de soluções rápidas quanto as
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questões de caráter social, econômico e político, quando se referem ao tema do


meio-ambiente.

Por outra face, a visão do educador, faz com que, “os saberes” ensinados
só podem garantir a preservação do meio-ambiente via uma política educativa
intensificada na práxis da pedagogia do habitat.

Em período recente, dados os múltiplos cenários desta geometria


planetária em que o mundo se encontra, observa-se a necessidade de uma
nova práxis diplomática, que pode ser desempenhada como uma espécie de
diplomacia ambiental. Tudo leva a crer que em matéria de habitat, os
especialistas e, via de conseqüência, os responsáveis por esta área de trabalho,
qualquer que seja a especialidade exercida, mister se faz aplicar cada dia que
passa o saber das coisas como parte de sua função, haja vista que, segundo
os gregos antigos, fazer acontecer como critério ético – práxis - é função do
apreender a fazer - poiesis (poiética) - tarefa cotidiana de observação
sistemática e controle efetivo, no caso, dos procedimentos ambientais.

O escopo do texto que trata das perspectivas ambientais da Grécia, está


dividido no que segue: o contexto, objetivos, instrumentos, política nacional,
cooperação internacional, cooperação regional, cooperações bilaterais,
conclusão e bibliografia.

4 O CONTEXTO

“A cidade, enfim, é uma comunidade completa, formada a partir de


várias aldeias e que, por assim dizer, atinge o máximo de auto-
suficiência. Formada a princípio para preservar a vida, a cidade
subsiste para assegurar a vida boa.”

Aristóteles, in Política

A Grécia é um país pequeno com cerca de 135 mil quilômetros


quadrados, aproximadamente duas mil ilhas, e considerando o seu litoral
entrecortado, com 17000 km de fronteiras marítimas. Ao norte, encosta seu
território com o dos países balcânicos, sendo a área mais montanhosa,
marcando a presença de florestas e poucas planícies, estas, na região nordeste,
fronteira com a Turquia. A Grécia é um País vulcânico por natureza. As terras
agricultáveis não ultrapassam 25% do território. Mesmo assim, a agricultura
é um segmento importante de economia grega, haja vista, que em suas mais de
5000 vilas, todo grego é um agricultor, gosta de sê-lo e aprecia esta tarefa com
a simplicidade típica de homem do campo; vivendo perto do litoral, é agricultor
e se dedica também a pesca, como meio de vida e lazer.
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A Grécia vem se destacando em índices de desenvolvimento humano,


colocando-a, segundo o IDH das Nações Unidas, entre as 30 primeiras nações
do mundo. No último ano, a Grécia atingiu a vigésima quarta colocação com
uma Renda Nacional Per-Cápita de US$ 16.000 ano, um índice de escolaridade
invejável e uma esperança de vida ano nascer das mais altas do mundo.

A preservação das florestas é tarefa constante, uma vez, sendo a Grécia


um dos países mais propícios ao turismo ecológico, considerando os baixos
custos para o turista, todos os anos, os mochileiros invadem suas montanhas e
ilhas, causando danos, alguns irreparáveis, principalmente pela queima
criminosa das florestas e poluição das praias.

Este problema veio a afligir o país de tal forma, que o Governo da Grécia,
entendeu ser a preservação do habitat uma das principais prioridades, e, dadas
essas circunstâncias, foi criado o Ministério do Meio Ambiente, Planejamento
do Espaço Físico e Obras Públicas, integrando nesta ordem de coisas, as
questões ligadas ao habitat no território grego.

5 OBJETIVOS

“A experiência social pôde tornar-se entre os gregos o objeto


de uma reflexão positiva, porque se prestava, na cidade, a um
debate público de argumentos.”

Jean-Pierre Vernant
In As origens do pensamento grego.

Com medidas de caráter global, principalmente após a entrada na União


Européia em 1981, a Grécia consolida sua presença no cenário internacional
via iniciativas na área do meio ambiente. Seus objetivos se coadunam em nível
externo e em termos nacionais com o (1) gerenciamento dos recursos hídricos,
problema dos mais cruciais para um país onde o verão é causticante; (2)
redução dos poluentes no ar, sobretudo nas grandes cidades, que concentram
hoje, aproximadamente 80% da população do país e onde se nota uma grande
participação industrial; (3) proteção da natureza, pródiga desde os tempos
homéricos, um colírio para os olhos e um bálsamo para a saúde em todas as
suas nuances; (4) incentivo ao desenvolvimento sustentável, medida esta que
vem permitindo o equilíbrio do habitat.

6 INSTRUMENTOS E POLÍTICA NACIONAL

O homem (homo sapiens) está habituado a seus limites pessoais


de percepção do mundo exterior.”

In Encyclopédie de L’Écologie – Larousse.


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Para atingir os objetivos acima citados, mister se fez criar instrumentos


capazes de enfrentar os problemas. Foi preciso aprovar leis que pudessem
promover a política ambiental do país como um todo, salientando-se: (1) a
atualização e o aprimoramento contínuos da legislação ambiental; (2) o
controle da aplicação da legislação vigente; (3) o aprimoramento e
descentralização da administração ambiental; (4) a recompensa aos bons
serviços prestados e punição aos maus usuários do meio ambiente; (5) o
fortalecimento da participação de ONGs nos processos de tomada de decisões a
respeito do meio ambiente; (6) a cooperação com o setor industrial para o maior
êxito possível na aplicação dos instrumentos de política ambiental; (7) a
circulação regular de publicações sobre as questões ambientais.

A implementação de uma política nacional voltada ao meio ambiente, é


ponto de honra para a Grécia, pois, o impulso à política social e à política para
o desenvolvimento uniforme do turismo, é um componente essencial do PIB
grego e tem um peso contributivo de alto significado na economia do país.

Notável é a incorporação à legislação nacional grega, o conteúdo das


resoluções e instruções normativas adotadas no seio da União Européia.
Destaca-se, a inclusão à Constituição Grega em vigência que data de 1975,
quando a Grécia postulava se associar à Comunidade Econômica Européia, o
Artigo 24 determinou a proteção do ambiente natural e cultural como obrigação
do Estado.

7 COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

“O que é verdadeiro na política das cidades, ainda o é mais


na política das nações.”

Karl Deutsch, in Política e Governo.

“O primeiro homem a medir o dióxido de carbono foi também o


primeiro a descobrir que o ar que respiramos não é uma única
substância, mas sim uma mistura de substâncias.”

Jonathan Weiner, in Os Próximos Cem Anos

A Grécia participa das atividades de todos os organismos internacionais


que se ocupam do meio ambiente, especialmente da Organização para a
Cooperação Econômica e Desenvolvimento, a Comissão Econômica para a
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Europa, o Comitê para o Desenvolvimento Sustentável e o Programa das


Nações Unidas para o Meio Ambiente.

A Grécia está atenta às necessidades prementes na tomada de decisões


para afastar o perigo das mudanças climáticas. Para tanto, criou um Comitê
Interministerial para tratar da temática da emissão de gases que provocam o
efeito estufa. De outro lado, a política ambiental nacional visa a diminuição
significativa da emissão de dióxido de carbono para atingir as metas e
resoluções estabelecidas pela União Européia, via instruções comunitárias
relacionadas ao Protocolo de Montreal para a proteção da Camada de Ozônio e
para preservar a biodiversidade.

A Grécia assinou e ratificou a maioria das convenções internacionais para


o meio ambiente, entre as quais: (1) o Tratado de Ramsar – 1971- para as terras
aquáticas; (2) a Convenção de Bonn – 1979 - para a conservação das espécies
migratórias e animais selvagens; (3) a Convenção de Viena – 1985 -, o
Protocolo de Montreal – 1987 – e as respectivas alterações – Copenhague em
1992 – para a proteção da camada de ozônio; (4) a Convenção e Basiléia – 1989
– para o controle de transporte entre fronteiras de resíduos perigosos e sua
disposição; (5) a Convenção de Londres – 1990 – para a prontidão, resposta e
cooperação em caso de poluição de petróleo; (6) a Convenção de Nova Yorque
– 1992 – para a mudança climática; (7) a Convenção do Rio de Janeiro – 1992 -
para a biodiversidade; (8) a Convenção de Paris – 1994 – para o combate à
disertificação; (9) a Convenção de Viena – 1994 – para a segurança nuclear.

O aprimoramento da cooperação ambiental nos Bálcãs e no


Mediterrâneo, cujo rico ambiente deve ser preservado, é uma das metas mais
perseguidas pelas autoridades ambientais do país. Daí a ativa participação da
Grécia em vários fóruns internacionais, vindo a oferecer considerável apoio
financeiro a um elevado número de iniciativas mundiais.

A Grécia tem conhecimento da necessidade premente de tomada de


decisões para a proteção e afastamento do perigo das mudanças climáticas.
Para atender este ponto, pôs em prática um programa nacional, colocando em
funcionamento um eficiente mecanismo, por meio de um Comitê
Interministerial, em um período de desenvolvimento econômico do país, isto é,
quando do aumento das emissões de gases que provocam o fenômeno do efeito
estufa. De outro lado, a política nacional visa a diminuição significativa da
emissão de dióxido de carbono, com a finalidade de atingir as metas
estabelecidas pela União Européia, tais como, colocando em prática,
instruções comunitárias relacionadas com o Protocolo de Montreal para a
proteção da camada de ozônio, assim como, foram tomadas medidas especiais
para a preservação da biodiversidade.
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Destaca-se, que, no pouco tempo transcorrido desde que a Grécia se


tornou membro da Comissão para o Desenvolvimento – 1998 -, destina 0,2%
de seu PIB para assistência técnica na proteção de meio ambiente
contemplando os programas de cooperação para o desenvolvimento. Trata-se de
um subsídio que atende os países fronteiriços com a intenção de ampliar esta
atenção aos países destinatários.

8 COOPERAÇÃO REGIONAL

“Num período de internacionalização crescente, nenhum Estado pode


definir seu futuro sem a participação de parceiros políticos, concorrentes
comerciais e investidores estrangeiros.”

Antonio Celso Alves Pereira,


In Os impérios nucleares e seus reféns

Utilizando a massa crítica das universidades, institutos e ONGs do País,


e por meio de parcerias que vem se estendendo aos países dos Bálcãs, do
sudeste da Europa, do Mar Negro e do Mar Cáspio, via Programa de Cooperação
e Assistência na Área do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, desde
1999, com o objetivo de oferecer auxílio e cooperação aos países integrados a
este programa, a Grécia vem atendendo as seguintes temáticas: (1) gerência e
classificação qualitativa das reservas de água; (2) combate à poluição
industrial; (3) proteção das regiões turísticas do litoral; (4) formação de novas
tecnologias “limpas”; (5) economia de energia com o uso de fontes renováveis;
(6) planejamento e aplicação de medidas e intervenções na área industrial
urbana; (7) transporte e (8) mudança climática.

No tocante a cooperação regional mediterrânea, a Grécia se ateve a


atividades internacionais desde 1976, quando foi assinada a Convenção de
Barcelona, que constituiu a base legal do Plano de Ação do Mediterrâneo. Em
1980, Atenas foi a sede do Congresso quando foi firmado o Protocolo de Atenas
sobre a poluição por fontes terrestres. Em 1982, foi estabelecida em Atenas a
Unidade de Coordenação do Plano de Ação do Mediterrâneo e, em 1995, o
Ministério do Meio Ambiente, planejamento do Espaço Físico e Obras Públicas
delegou à Universidade de Atenas a responsabilidade de coordenar e fornecer
apoio científico ao programa Nacional de Monitoramento da Poluição –
MEDPROL – que vem sendo colocado em prática abrangendo os principais
golfos e regiões litorâneas da Grécia.

A Grécia é membro atuante da Iniciativa dos Países dos Mares Adriático e


Jônio, postulado na Declaração de Ancona, firmada em maio de 2000 pela
Albânia, Bósnia-Herzegóvina, Croácia, Eslovênia, Itália e igualmente pela
presidência da Comissão Européia. Esta iniciativa envolve turismo, economia,
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transportes marítimos, meio ambiente, preservação das rotas do Adriático e do


Jônio, colaboração com as universidades, cultura, segurança e combate ao
crime organizado.

Participante da Organização para a Cooperação Econômica dos Países do


Mar Negro, juntamente com a Albânia, Azerbaijão, Bulgária, Geórgia, Moldávia,
Romênia, Rússia, Turquia e Ucrânia. Este fórum impulsiona, com base nas
resoluções da Reunião Ministerial dos países-membros, realizada na cidade de
Salônica em 1999, a cooperação entre as partes nas áreas da economia, do
comércio, da energia, dos transportes, das telecomunicações, ampliando-se
pela proteção ambiental, controle da poluição, avaliação de riscos, gerência
integral das zonas costeiras, gestão ambiental das regiões turísticas, troca de
tecnologias e ênfase às atividades científicas setoriais.

9 COOPERAÇÕES BILATERAIS

“Devemos reconhecer a diversidade de nossas raças, de


nossas religiões, de nossas culturas, de nossas tradições históricas
de nossos tipos de organização econômica.”

Victor Gunewardena, in Um outro Desenvolvimento.

A Grécia vem reforçando a cooperação ambiental bilateral com países


próximos as suas fronteiras. O Ministério do Meio Ambiente, Planejamento do
Espaço Físico e Obras Públicas, vem empreendendo esforços dignos de menção
com vistas a formular, assinar, ratificar, colocar em vigor e fazer cumprir os
acordos bilaterais firmados com os países envolvidos. Em 1995, foi firmado um
acordo de cooperação bilateral com a República de Chipre para a proteção ao
meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, que funciona como ponte
entre a política ambiental de Chipre e a política ambiental da União Européia,
assimilada pela Grécia.

O mesmo vem se verificando com relação a Grécia e a Geórgia – 1997 –


via Memorando de Entendimento, de acordos firmados com a Turquia e a Ex-
República Iugoslava da Macedônia no ano 2000, ratificado e posto em vigor via
acordos correspondentes com a Albânia, Bósnia-Herzegóvina, Bulgária,
Croácia, Eslovênia, Iugoslávia, Romênia e Ucrânia.
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10 CONCLUSÃO

“A tomada de consciência ecológica pode levar a aceitar um


esforço comum.”

Raimundo Panikkar, in Um outro Desenvolvimento.

A política diplomática de externalidade que a Grécia vem empreendendo


com nações ex-beligerantes e grupos étnicos entre si, prova que o espírito
democrático, levado à mesa de negociações e frente a ações de interesses
comuns, pode transformar os ex-adversários em parcerias salutares de
convivência, paz, harmonia e sabedoria pública, onde, a ameaça ao habitat,
pode unir os homens na luta para a convivência do bem comum.

Esta é a atual façanha dos gregos da modernidade, que, mantendo uma


política pacifista e uma diplomacia ativa de bom entendimento, vem, via mais
de três mil empreendimentos empresariais e governamentais nos países
limítrofes e periféricos, procurando levar o seu conhecimento aqueles que
desejam usufruir, em um mundo de incertezas, a certeza das novas tendências
internacionais que envolvem os países da “mãe-terra” (TOYNBEE, 1978).

11 REFERÊNCIAS

PEREIRA, Antonio Celso Alves. Os Impérios Nucleares: relações


internacionais Contemporâneas. Rio de Janeiro, Graal, 1984.

ARISTÓTELES. Política. Edição Bilíngüe. Editora Vega, Lisboa, 1998.

BIROU, Alain e HENRY, Paul-Marc. Um outro desenvolvimento. São Paulo,


Edições Vértice, 1987.

DOXIADIS, Constantinos. Ekistics – an Introduction to the Science of


Human Settlements. New York, Oxford University Press, 1968.

____________ & PAPATOANNOU, J. G. Ecumenopolis – the Inevitable City of


the Future. Athens, Greece, Athens Center of Ekistics, 1974.

__________ et al. Anthropopolis – City for Human Development. Athens,


Greece, Athens Center Ekistics, 1974.

___________. Building Entopia. Athens, Greece, Athens Center of Ekistics,


1974.
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___________. ACTION for Human Settlements. Athens, Greece, Athens


Center of Ekistics, 1976.

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, PLANEJAMENTO DO ESPAÇO FÍSICO E


OBRAS PÚBLICAS – República Helênica. Documentos e Tratados
firmados pela República Helênica com Organismos Internacionais, países,
e outros de várias naturezas.

TOYNBEE, Arnold. A Humanidade e a Mãe-Terra – uma história narrativa


do Mundo. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1978.

WARD, Barbara. A Casa do Homem. Rio de Janeiro, Editora Artenova,


1976.

WEINER, Jonathan. Os Próximos Cem Anos. Lisboa, Gradiva, 1991.