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. Geotecnia, 12 (34) mar/82, pp 3-43., Lisbon 5 “OFERECE ac ‘ VICTOR F. B. DE MELLO > COMPORTAMENTO DE MATERIAIS COMPACTADOS A LUZ DE EXPERIEN- CIA EM GRANDES BARRAGENS* Behaviour of Compacted Materials in the Light of Data From Some Big Dams por Prof. Dr. VICTOR F. B. de MELLO** RESUMO — Dentro da necessidade de fechar 0 ciclo de previses de comportamento, baseadas em ensaios-indice e ensaios-convencionais de laboratério, analisam-se os comportamentos médios, em compressibilidade, de aterros argilosos compactados, ¢ de enrocamentos sos compactados. Justifica- -se reconhecer a compacta¢o como a incorporacao de uma press de pré-adensamento. Extraem-se regressOes estatisticas de ensaios edométricos sobre blocos indeformados de solos argilosos insatura- dos compactados: as obras, porém, indicam compressibilidade bem menor. Enrocamentos sos angu- lares compactados também evidenciam pressdes nominais de pré-adensamento: todavia apresentam médulos menores do que seriam intuitivamente previstos. SYNOPSIS — Under the necessity of closing the experience cycle of predictions, from index tests and conventional laboratory tests, to performance, the compressibility of some compacted earth and rock fills are analysed, Compaction’s benefits interpred in the form of a nominal preconsolidation pressure ‘are quantified through statistical regressions on oedometer test results from undisturbed block sam- ples. The monitored behaviour of the dams evidences much higher moduli. Compacted sound angular rockfill also evidences nominal precompression pressures: moduli are, however, lower than would be predicted intuitively. . Considerando o emprego cada vez mais difundido, necessario e exigente, de aterros argilosos compactados em obras de terra, e a necessidade de se antever os comportamentos previsiveis em funcio da qualidade do material de empréstimo (tipo de solo) e das condigdes de compactagio a exigir nas especificacdes constru- tivas (condigdes do solo, definidas em funcao dos parametros de compactac’io) “Trabalho recebido em Abril de 1981. A sua discussdo esti aberta por um periodo de trés meses, ‘**Professor da Universidade de Sdo Paulo. Presidente da Sociedade Internacional de Mecanica dos Solos ¢ Engenharia de Fundagdes. GEOTECNIA.34 3 tesolvemos apoiar os estudos ¢ as decisées no assunto procedendo a um estudo eritico das condigdes que historicamente serviam de base para as indicagdes de Projecto ¢ de construgéo de obras de aterros compactados, incluindo principal- mente as barragens de terra-enrocamento ¢ os grandes volumes de terraplenos compactados para industrias. O resultado de tal andlise € sintese, ora apresentado para convidar comple- mentagéo por dados estatisticos adicionais que melhorem ou eventualmente retifi- quem as regressées propostas, tem de imediato a utilidade directa de fornecer pa- rametros para cAlculos convencionais, a favor da seguranga, em projectos na fase de primeiro grau de aproximacdo. 1 — CICLO DE EXPERIENCIA. NECESSIDADE DE RECICLAGENS Na Fig. 1 anexa apresentamos esquematicamente nossa visualizagéo das se- quéncias légicas de decisdo (em fungao de “‘receitas” ou “‘prescrigdes’’) em dife- rentes etapas de avango do grau de conhecimento dos dados de determinado pro- blema geotécnico, e enfatizamos a necessidade de uma progressio ldgica de etapa em etapa, e de uma reciclagem em determinados passos. Neste ciclo um dos pas- sos importantes compreende as tentativas de correlagdes (estatisticas, preferivel- mente sempre apoiadas em teorizaco) entre uma etapa e a proxima (item 1 para 1.1 ow 1.1 para 2), de uma sequéncia logica de investigaces. Por exemplo a ten- tativa de correlagéo de compressibilidade (indice de compressfio C.) com o ensaio-indice extremamente rudimentar, Limite de Liquidez LL%. Também, en- quanto prevalecia a impressao de que a resisténcia de ponta Ry do Ensaio de Pe- netragdo Estatica EPE media uma resisténcia (capacidade da carga de ponta modelo-protétipo para estaca), a tentativa de correlagdo directa SPT = f(Rp). Também as tentativas de extraccdo de médulos de elasticidade E tanto em fun- ¢4o de ensaios triaxiais sobre amostras ditas ‘“tindeformadas”’ como a partir de Provas de carga directas sobre placas, e as tentativas de correlages entre estes médulos. E assim por diante. Os principais passos de ajuste s4o dois. O primeiro é o que chamariamos de ajuste de cAlculos-decisdes nominais de projecto dentro de um modelo mental andlise-sintese (nominal) temporariamente aceito como Corrente ¢ aceitavel. Por exemplo, se cdlculos de recalque por determinado procedimento (nominal, por- tanto rigorosamente cumprido, pois quanto mais nominal, maior tem de ser o ri- 4 LENSAIOS INDICE D. REVER CORRELACOES Bi LI PARAMETROS 4 OBSERVACAO "FUNDAMENTAIS™ RESISTENCIA, COMPRES ~ SIBILIDADE, DEFORWAB! ADE, PERMEABILDKOE bo PROTOTIPO CORRELAGOES A. "RECEITAS" 2. ENSAWS ESPECIATS 3.1 CALCULOS MODELO MENTAL ANALISE-SINTESE (ERIN SITU, COMPLEMENTA- nes, MODELO-PRO- TOTIPO. Al"RECEITAS” ¢.DEcisAo A2 “RECEITAS" ACEITH OUW__,\]3. PROJETO REJEITA E REVEY) isto €, visuavizacio bo MoveLo Fisico. Fig. 1 — Sequéncias logicas de decisto perante problema geotécnico. Ciclo de experiéncia. gor de cumprimento das regras arbitrarias convencionadas) levam a um recalque maior do que 30 cm e diferencial especifico maior do que 1:200, e € convenciona- do que tais limites no devem ser excedidos, 0 projecto ¢ os calculos seriam re- vistos, pelos mesmos procedimentos portm com dimensionamento reajustado, para verificar se outra condi¢do alcangaria valores dentro dos permissiveis. Tal reciclagem ocorre em todo e qualquer procedimento de cdlculo associado a deter- minado modelo fisico de projecto concebido. Se um talude indicasse coeficiente de seguranga nominal (por determinado conjunto de procedimentos) inferior a 1,3, € houvesse experiéncia indicando nao ser ‘boa pratica”” aceitar tais coefi- cientes nominais inferiores a 1,3, 0 talude poderia ser meramente abrandado para uma repetico do céleulo. Observe-se que sempre em todos estes cilculos ¢ muito melhor o grau de conhecimento da variagao introduzida, por exemplo, a mudan- ca de FS, AFS, em funcao da mudanga de talude, todo o resto mantido constan- te. Tal reciclagem corresponde aos passos 3 # 3.1 (Fig. 1). © segundo e principal passo de ajuste, porém, & 0 do ciclo completo 4 ~ 1 (Fig. 1), apés observagdes de comportamentos de estruturas. E este 0 ponto ao qual nos dirigimos no presente trabalho. Demonstra-se facilmente que os mode- los mentais da MecAnica dos Solos convencional ndo atendem a problemas de nossos macigos terrosos compactados. As duas grandes escolas da mecdnica de solos aplicada a barragens foram as dos Americanos (U.S. Bureau of Reclama- tion e Corps of Engineers) e dos Ingleses (escolas de Londres): podemos com re- lativa facilidade expor os motivos tanto geogrifico-geoldgicos, como histéricos, como ainda técnico-econémicos, pelos quais tais escolas incorporaram praticas ¢ conceitos hojé demonstraveis como insuficientemente certos, e, em particular, sem qualquer aplicabilidade as nossas condigSes mais correntes, em solos resi- duais insaturados. 2—MODELO MENTAL DE SOLO COMPACTADO COMPARADO COM SOLO NAO-COMPACTADO. Uma anilise bibliografica, extensa, revela que historicamente sempre se con- siderou 0 solo compactado como um material homogéneo de propriedades me- lhoradas, essencialmente em analogia A comparagdo qe areias densas vs. areias fofas (Fig. 2a). Tal modelo mental ainda perdura na grande maioria das situa- gGes quer de projecto, quer de pesquisas laboratoriais, quer de interpretagdes de observagées de campo. Assim, por exemplo, os principais parametros geotécnicos num solo compactado sao pesquisados e definidos (ex. c, c’, ¢, ’, B, E) para 6 todos os estados de tensio dos elementos de solo como se referindo ao mesmo material, homogéneo, seja denso (compactado) seja mais fofo (menores graus de compactacao). Actualmente podemos afirmar que um modelo mental mais realistico, ¢ tini- co aceitavel no grau de preciséo aprimorado a que chegamos ¢ as obras actuais exigem, é bem diferente, Um solo compactado é um solo pré-comprimido, pré- adensado até uma certa pressio (dependendo do rolo, da energia de compacta- 40, do grau de compactasio, etc.) e portanto incorpora alguns aspectos funda- mentais: \ a) uma pressdo de pré-adensamento, e compressibilidades (e resistencias) reconhecidamente diferenciadas nos universos estatisticos “‘abaixo da pressdo de pré-adensamento”’, e no trecho de compressdo virgem, isto ¢, acima da pressio de pré-adensamento; b) a diferenciagéo de tais comportamentos, pré-adensado e acima do pré- adensamento, depende obviamente da capacidade do solo de reter parte da ener- gia aplicada de compactagdo (em fungdo da histerese compressdo- -descompressao); c) um elemento de solo num macic¢o compactado nao so tem um registro da presséo mAxima do pré-adensamento sofrido, mas também retem uma certa pro- Porcdo desta, na forma de tensdes residuais internas: isto é, 0 comportamento de um elemento de solo no macigo comega com um estado de tensdes residuais ine- xoravelmente de pressdo horizontal maior do que a vertical, ¢ ndo como um cor- po de prova triaxial corrente, com tensdes desviatdrias partindo da condi¢o iso- tropica inicial; d) admitindo uma mesma energia de compactaco, diferentes solos sao rela- tivamente homogeneizados, em comparacdo uns com os outros, até a pressio pré-adensamento, dependendo da histerese e do comportamento na recompres- sfo. Acima.da pressdo de pré-adensamento, porém, prevalecem comportamentos mais diferenciados, de acordo com cada tipo de solo. O processo de compacta- go € obviamente um processo homegeneizador. 3 — PARAMETROS-INDICE, E ENSAIOS-[NDICE DE CLASSIFICACAO DOS SOLOS QUANTO A COMPACTACAO 3.1 — Tipo de solo Os ensaios convencionais de classificacdo dos solos (granulometria deflocula- da ao mAximo, e limites de plasticidade do solo plastificado ao m4ximo) teriam 7 duas bases de justificativa. Primeiro, em grande parte seriam aplicdveis como realisticos nos casos de solos sedimentares saturados recentes, nos quais cada Particula unitaria erodida, transportada em suspensfo, e sedimentada, teria tido condi¢&o razoavel de desenvolver a contento sua prépria liosfera, etc. Segundo, a engenharia civil tem muita razAo em frequentemente adoptar um procedimento de pesquisa da condigdo-limite, investigando nfo sé a provavel condic4o muito desintegrada e individualizada das particulas, mas também a condig4o de maxima desagragacdo, defloculacdo, e disperstio a que alcancaria. Cabe ressaltar, porém, que sob circunstancia nenhuma se pode ainda admitir as praticas intrinsecamente erradas de preparo de amostras para ensaio empre- gando o secamento ao ar ¢ destorroamento-peneiramento. Desde os primordios de Mec&nica dos Solos (década dos 30) s46 enfaticos e reiterados os trabalhos Publicados mostrando a histerese de comportamento provocada por secamento- destorroamento na maioria dos solos (salvo nos totalmente inertes, tais como areias de silica). Assim, como a intengdo é sempre ensaiar 0 solo o tao proximo quanto possivel as suas condicdes naturais, nunca se admite provocar no prepa- rado das amostras alteragées de humidade além do necessdrio para as proprias moldagens desejadas: quaisquer separacées de fragmentos grosseiros s40 obriga- toriamente realizadas em condig&o hamida, usando os dedos para uma separacdo de passagem delicada pela peneira em questdo. Muitas ‘‘Normas” de ensaio es- tdo liminarmente erradas e inaceitaveis no tocante a pormenor tao simples ¢ ob- vio. De qualquer forma, embora existam pequenas inconsisténcias* internas, his- téricas, nos parmetros-indice convencionais de classificagdo (granulometrias e li- mites), como é inevitavel em toda a tecnologia que avanca rapidamente em fun- gao de significativo empirismo, inegavelmente tais ensaios e parametros atende- ram-e atendem a problemas de solos sedimentares recentes. * Um exemplo de tais inconsisténcias estaria configurado no indice de Actividade Coloidal das argilas. Os Limites ¢ Liquidez e de Plasticidade sto réalizados sobre o solo com a sua agua intersticial natural (adulterada por proporgOes de gua destilada misturada) e nfio reflectem uma condi¢ao coloi- dal de maximizagaio de dispersto embora incorporem um maximo de amassamento-amolgamento fisi- 60: enquanto isso, a fraccdo argila (* 0,002 mm) é definida no ensaio de sedimentagtio com o melhor defloculante possivel, no solo disperso ao maximo. Evidentemente a compararo de Indice de Plasti- cidade como fracsio argila incorpora, portanto, uma comparac&o associada a dois universos estatisti- cos, frequentemente diferentes um do outro. Enquanto tais lapsos hist6ricos se compreendem, 0 que n&o se pode justificar & a pretensa cria- slo de novos indices, grosseiros sem qualquer raciocinio logico, filolégico ou tecnolégico. Na Fig. 3 exemplificamos as criticas que recaem sobre um indice sugerido hé poucos anos em nivel desnecessa- riamente leviano, o indice de Disperstio de solos argilosos. 8 3.2 — Condig@o do solo a compactar e compactado. 3.2.1 — Condigdes na caixa de empréstimo. As investigagdes de caixas de empréstimo limitava-se a determinagdes da hu- midade natural, para comparar com a humidade é6ptima de compactagdo. Um grande avanco foi introduzido pela execugdo de ensaios tipo Hilf que (com as devidas corregSes por evaporagées etc.) facultam a determina¢do directa do desvio de humidade relativo & humidade 6ptima, sem incorrer nos erros de uma subtrace&o de valores separadamente determinados: também gozam da van- tagem de serem os ensaios utilizados na fiscalizagao da construgdo. Ocorreu porém uma sequéncia légica muito relevante a enfatizar que o des- vio de humidade ¢ um indice demasiado indirecto, insatisfatorio para aferir a compactabilidade dos solos argilosos. O que se compacta é 0 ar dos poros (de- pendendo da pressdo neutra do ar, por sua vez funcao do diametro da bolha de ar): os gros e a agua intersticial sao ambos incompressiveis. Portanto o que mais interessa investigar directamente 6 0 Grau de Saturacdo S% in situ (no em- préstimo) ¢ a porosimetria respectiva. O facto que trouxe este problema a tona foi o grande aumento da poténcia das escavadoras. Enquanto que anteriormente com equipamentos mais leves a exploraga4o de empréstimos ficava restrita a solos de baixa consisténcia, fofos, porosos, modernamente é facil escavar um solo den- so, saturado, com humidade semelhante a do Proctor é6ptimo: em tal condicéo nao se estaria compactando, e sim amolgando. E o que acontece em muitos dos casos de argilas rijas com elevado horizonte de saturagao capilar, como parece corrente na Inglaterra. Ressalte-se mesmo nao ser incomum uma argila dura saturada encontrar-se no empréstimo com humidade in situ inferior 4 6ptima de Proctor. Em tal caso a pratica impensada corrente mendaré adicionar 4gua para a compactag4o: mas 0 solo nao deixara de continuar saturado, ¢ sera meramente amolgado, ¢ nao com- pactado, passando inexoravelmente a gerar elevadas sobrepressdes neutras cons- trutivas (escola Inglesa). 3.2.2 — Condigées na praca compactada No controle da compacta¢4o continuam a ser usados os indices da Percenta- gem de Compactac4o PC% e Desvio de Humidade Ah%, enquanto que realmen- te o parametro fundamental de interesse sera a Deformabilidade (Compressibili- dade). Podemos provar facilmente que tanto os equipamentos de terraplenagem (pesados, modernos) como os de compactagdo, excluem a necessidade de investi- gar a resisténcia ao cisalhamento (em carregamento rapido, construtivo) do solo. 9 3 sat DensiFicacho MODELO MENTAL HISTORICO DO EFEITO DE COMPACTAGAO EMBORCAGAO DAM © PARAITINGA DAM 60m — 105 a --- os pecas emer oe on Ke? wees ees ae Tug seme os Fig. 2— Compactagao implica em pressto de preadensamento, nao afectando perceptivelmente Cc (Indice de Compresstio). 10 tréfego impde uma condig&o de capacidade de carga de placa superficial que na maioria das situages modernas serve de pré-teste da adequa¢ao da resistencia do solo compactado. Interessa-nos, portanto, dedicar atenedo prioritaria aos problemas da com- pressibilidade dos solos compactados, em associag&o aos indices presumidos da PC% e Ah%. 4— MUI PEQUENA INFLUENCIA DE PARAMETROS DE COMPACTA- CAO SOBRE INDICE DE COMPRESSAO (COMPRESSIBILIDADE VIR- GEM). Na Fig. 2 (b) anexa reunimos a titulo de exemplo 10 ensaios edométricos es- peciais executados para investigar se na gama de variacéo corrente de pardmetros de compactago, ocorre uma influéncia significativa e consciente, sobre os para- metros de compressibilidade. Propositadamente selecionamos, de varias investiga- ‘des semelhantes disponiveis, as referentes a solos de maiores compressibilidades. Cinco ensaios so sobre argilas de Salto Osério, de limites de liquidez da ordem de 85%, humidade éptima da ordem de 40%; outros cinco ensaios representam um solo areno-argiloso médio muito corrente (ensaios referentes a barragem de Emborcagdo), também alguns da barragem de Paraitinga: todos eles dentro da li- mitada variacdo corrente na Obra. ‘A conclusdo inescapavel, de primeiro grau de aproximag&o, & que o indice de Compresstto C, de dado solo pode ser aceite como essencialmente constante para dado solo, independentemente de variagdes de pawimetros de compactacdo. 5 — PRESSAO NOMINAL DE PRE-ADENSAMENTO DA COMPACTACAO Admitida a premissa supra, procederam-se a regresses estatisticas diversas, empregando dados de 168 ensaios edométricos sobre corpos de prova talhados pertencentes a blocos indeformados macicos de barragens compactadas. As re- gressdes fornecem meios para se estimar para qualquer solo, definido em fungdo do valor de yq max, respectivo e da Percentagem de Compactagio PC% (deseja- da, especificada, ou registrada) qual seré a presto nominal de pré-adensamento da compactagio. O grafico da Fig. 4 (a) assinala melhor as tendéncias. E interes- sante notar que os solos mais pronunciadamente arenosos (yq max de 1,8 ¢ 1,9 i 2 DEFLOCULADA AO. (PapRoniza00) GRAMULOMETRIA “Ao NATURAL inDIce 0€ o1SPERSKO™ DErINIDO CoM A 0 It FALHA: NAO PADRONIZAR COMO DETERMINAR GRANULOMETRIA “ao NATURAL" 22FALHA: © QUE INTERESSARIA SERIA DISPERSIVIDADE € NAO DIsPERsio. DISPERSIVIDADE = POTENCIALIDADE DE SER DISPERSO: MAIS APROPRIADAMENTE B8/A OU B-A. (INDICE AUMENTA NA DIREGAO DA PROPRIEDADE RESPECTIVA), SEFALHA: DISTINGUIR TERMINOLOGIA ALTERACAT [—aaSdemoa agg [POTENCIALI DADE] IsPER SA TR LEAN ~~ DISPERSIViDADE ~ solo 42FALHA: DEFLOCULAGAD DEPENDE DO AGENTE DISPERSOR usaoo. Fig. 3 — Criticas que recaem sobre o indice de dispersto. ‘10 VReGnEssOes PARA cADA] i | a Pc | (ny [FAIA DE Pamax (17m?) T 100 [RSE E mor S40] + Toman. * 1.9 +15 > eS Ge Marent Dia Ge-898 007 C+ 2925 mae CORREL. CEE. HO, 8e43 @ toa Ge 025 +0022 FC - 107T dnoe 1953, Dog G+ 487 +0028 9C + 1,77 tan 12069, 0°61 @ tear 453 0.00089 PC = 2,12 16 men 12038, n929 @ loge 150 + 0p00S1PC - 048 F 4mos, 14029, a#50 Faacre sy aes] 2B tae eos Paster PARA fati70 mee LrOD0% Reanesades VALORES, en : ara da 2160 Temas 2498 3 4 8 16 "7 Fig. 4 — Bases para estimar pressto de preadensamento de solos compactados. 13 t/m3) embora as regressdes tenham dado um bom coeficiente de correlagio, no caso de 1,8 t/m3, a correlagdo entre PC% ¢ o, kg/cm? ndo indica uma variacdo perceptivel e consciente: o solo parece absorver uma certa presso constante do esforgo de compactacao, ¢ nao mais (pelo menos no tocante ao efeito registrado que remanesce no c.p. talhado de amostra indeformada). Talvez caiba aqui uma distincZo mais acentuada entre o comportamento do aterro in situ, € o que rema- nesce para registro em ensaios edométricos (as tens6es capilares sendo menores nestes solos, a amostragem e talhagem faria perder uma maior propor¢éo do efeito benéfico da compactago in situ). O grafico da Fig. 4 (b) permite mais faclilmente interpolar estimativas de o, em fungao de PC% e yg max. Merece assinalar-se que os dados de uma argila porosa residual de basalto (Salto Osdrio, Salto Santiago) saem um pouco da estatistica. Aparentemente em tais solos (¢ possivelmente em demais solos exageradamente argilosos, LL = 80a 90%) a anica condi¢éo de os compactar modernamente é quando sua granulome- tria é realmente a de nucleagdes milimétricas, ¢ nao a de argila plastica. Possivel- mente em tal situagdo a tensdo capilar de reteng&o da energia da compactacdo é comparativamente baixa, ndo permitindo manter 0 comportamento estatistico de- duzido dos solos areno-silto-argilosos. 6 — JUSTIFICATIVAS DA PRESSAO NOMINAL DE PRE-ADENSAMENTO Nas Figs. 5 ¢ 6 esto reunidos os principais dados que consegui extrair de bi- bliografia demonstrando claramente que o pré-adensamento provocado pela com- pactagfo € justificvel em fungfo de transmissdo de presses aplicadas a superfi- cie da camada. Sé existem dados referentes a pneuméticos; porém, cabe racioci- nar que outros rolos que provocam efeitos semelhantes (na densidade compacta- da) tem que ter aplicado tensdes equivalentes em média. Iguais efeitos, iguais causas. E importante observar que a medida que a camada em compactagao fica mais firme, as tensOes aplicadas por um pneu (com pressio interna constante) automaticamente aumentam (comparar “‘unyielding surface” contra “yielding surface”) Fig. 6. Um dos efeitos de aumento de nimero de passadas é indubita- velmente este, além do efeito cumulativo de compressao por ciclos carga-descarga sucessivos. Também € 6bvio que a transmissdio de tensdes é muito maior em profundi- dade, em solo mais himido, do que na compactag&o acentuadamente do lado se- co. Na compactacao do lado seco é indispensavel ter muito cuidado com relacao a gradientes de compactac&o (em barragens). 14 SOLOS ARGILOSOS 7 1a PROFUNDIDADE DA CELULA 3 ig WELDING SUPPORT SOLOS ARGILOSOS. (PUD FREITAG @ KNIGHT (1962) =I + PRESSAO 00 NEU A = 60 Pst PRESSAO MEDIDA PSI ra Pc Mop sas [ARGILA_MAGRA hots 14% [ane PROFUNDIDADE jOFUNDIDADE a [a6 nor ot 21,51 20} }SB hor as vane | | ae 1s Se as Ge Moo. AASHO 6. MOD, AASHO Fig. 5 — Distribuigdo de pressdes em profundidade devido a compactacdo pneu- matica. 15 presscks vericais 3000 1s (sne0_60 YiELoINe APUD FREITAG ET AL(W965) APUD FREITAG @ GREEN (1962) Fig. 6 — Pressdo transmitida em funcdo do aumento do grau de compactacdo. 16 — CONCEITUAGAO DO MECANISMO DA COMPACTAGAO Considerando a compactag4o conforme acima discutida compreende-se facil- mente a importancia que tem a histerese compressdo-expansdo na incorporagfo da pressiio de pré-adensamento. A Fig. 7 apresenta esquematicamente a compa- Tagéo do comportamento desde as argilas até os enrocamentos. Nas argilas é muito significativa a variagao da “‘estrutura’’ em fun¢ao das particulas lamelares. O ensaio edométrico parece ser bem indicativo, pois na expanso do elemento de solo na camada compactada logo depois da passada do rolo, podemos admitir a existéncia de um confinamento lateral que se aproxima da situag&o do edémetro. Ressalte-se, porém, que nas argilas a expansdo é também fortemente reprimida pela suc¢ao capilar (especialmente nos solos muito plasticos): assim resulta inte- ressante aquilatar a tensfo capilar pela comparag&o de curvas de expansio edo- métrica com e sem acesso a agua livre circundante (Fig. 7). Nos solos granulares esferoidais de dimensdes siltes-areias o principal efeito compactador 6 meramente de rearrumagao de gros, pois pelo grande niimero de Particulas ¢ de contactos, ¢ pela forma arredondada, as presses intergranulares (a distinguir da pressdo efectiva, nominal, calculada por definic&o) sAo médicas a baixas, nfo chegando a provocar esmagamentos. £ notavel em tal compreensio a comparagao de cascalho (arredondado, cerne remanescente ultra resistente) com britas e agregados (angulares, recém-fraturados): estes do compressibilidade por esmagamento de contacos, enquanto os cascalhos compactados s4o dos materiais mais incompressiveis conhecidos. Finalmente, nos grandes blocos angulares de enrocamentos a histerese é, de novo, quase tio acentuada quanto nas argilas compactaveis, pois sendo altissi- mas as tenses intergranulares nos poucos pontos de contacto, é grande o esma- gamento: s&o particularmente compressiveis os enrocamentos uniformes de gran- des blocos angulares. Também contribue o facto de ser essencialmente nula a ex- pans&o (médulo de elasticidade nominal na descarga essencialmente infinito). A Fig. 8 foi claborada para indicar como aumenta a absorgdo de energia de compactacéo de acordo-com o nimero de passadas de um rolo pneumatico. Empregaram-se dados disponiveis, as regressdes que associam PC% e a;, ¢ bem assim os conhecimentos intrinsecos de compressibilidade volumétrica (adensa- mento) ¢ de correspondente aumento do grau de saturagao S%, bem como o au- mento da pressdo neutra u de periodo construtivo; assim, através de conceitos basicos da resisténcia ao cisalhamento nao-drenada dos solos argilosos, chega-se a provaveis equagées de resistencia ao cisalhamento em fungdo de a; de pressdes totais. 7 “opsundxe — opssaidwos asasassty Dp a sopi8 sop opSo12vduos ap vunjnuisa vp vorpwanbsa opSoduioy — 1 “84 smagea¥930 OAwamvevasa 20 o4vinos 20 eageenys — VANARNY SouvNOD 20 aM ‘evOIUBsER SYTODILuVE Pr 1 ——“ SSS US: ' 1 1 t ' I ' 1 4 ofsSor noo eye tp moe BOP Be wwe worns, amacann onvoevs vi 211s yuewy oiwan¥oound__avinony ouawvaouva 18 RETADOS DE PC “ — Inowiouare of ensaios @ 0) fs, \ $ \ e & 3“ Eos GORFOR WE 8 g | so. frets > © 90, 2" s7 = one : Som os s °C Liminapo BELA 210 Pot ‘ esumuano. pe | Ene Rarca, o aT SET Tg 3_, a Grau ve comPactacio MEUS MA JaP=21(PRESSAO’ 6B. tL te) @ Fig. 8 — Sequéncia de compactagao com incremento de passadas. Variagao esti- mada da envoltéria de resisténcia. 19 A seguir, na Fig. 9, usando os dados da Fig. 8d, e a formula classica de ca- pacidade de carga ory, de placa A superficie, sempre empregando os mesmos da- dos disponiveis demonstra-se directamente que no solo mais saturado a superficie comegaria a romper com aproximadamente 40 t/m2 (56 psi de pressio) enquanto que no mesmo solo, quando partindo de uma condigo menos saturada, se per- mitiria eficientemente continuar compactando até uma press&o de placa superfi- cial (anéloga a press’o do pneu) de 110 psi. £ bem sabido que em solos mais sujeitos a tal limitago de compactabilidade por limitagdo de ory; € indispensdvel reduzir a carga e a pressio de pneu dos compactadores. Também cabe impor limitagao na carga e presso de pneu dos equipamentos de transporte da terraplagem. Em separado podemos facilmente proceder a uma comparaglo de tipos de cargas, pressdes, ¢ formas de Penetragio-apoio em fung4o das formas das patas. SAo muitos os casos em que os equipamentos correntemente a venda so intrinsecamente contraindicados para a fungo da compactacdo desejada. 8—COMPRESSIBILIDADE ACIMA DA PRESSAO DE PRE- ADENSAMENTO Na Fig. 10 forneco as bases para se estimar as compressibilidades de mate- riais compactados, acima da presso de pré-adensamento respectiva, isto é, na gama de pressdes da compressto virgem. A correlagSo clssica de Terzaghi-Peck para solos sedimentares sugere de ini- cio a busca de uma correlacao do indice de Compresstio Cc em fungao do limite de liquidez LL% do solo. De facto, observa-se que hd uma boa regressdo linear de Cc em fung&o de LL, e, ademais, que as regressdes resultam praticamente idénticas englobando todos os dados (incluindo as curvas em que a “‘quebra”” na presstio de pré-adensamento nao estava bem definida), Cc = 0,00195 (LL + 63), € considerando apenas os ensaios com curvas de aparéncia muito boa, Ce = 0,00222 (LL + 64,7). £ muito importante salientar alguns factos claramente evidenciados pela es- tatfstica, e que pareceriam contrariar as impressées correntemente divulgadas, mas que sob o crivo de uma interpretag&o cuidadosa, vemos que coadunam per- feitamente com 0 comportamento fisico-geotécnico visualizdvel. Em primeiro lu- gar é notdvel a diferenca de inclinagso das regressdes, 0 que faz com os Ce sejam essencialmente iguais em solos modicamente argilosos (35 = LL 2 45%) en- quanto que para um valor LL = 70% o Cc do solo sedimentar é cerca de 70% 20 c Kotem?} ut os or os os on. os oz on Fig. 9 LIMITE DE TRAFICABILIDADE. Baa (Kent ° T 7 z 7 3 = Ctkenne piece = Prot (psi) of, PRESSAD PNEU. VEL TRAJETORIA W ComPacTAaga NOMINAL. FINAL. COMPACTABILIDADE AINDA DISFONIVEL Sew ALCANCAR rot PLACA DE LARGURA Bs200m (MERA. WIPGTESE be cALeULO). 1 Tenoencia Myorapressdo UimiTe Fennencia Uta TE-mUTURA De PLACA COMPACT AGAO DE Uiuonatonto nao AowiTe RUTURA — Efeito progressivo de compressdo-compactacdo até ruptura por capaci- dade de carga. Limite de traficabilidade. 21 , . TERZAGHI— PECK ‘= CORR. COEF Ge #0,007 (LL—10) 0,404—F{SNEDCOR) 36,63. 0,20 ons. aio} —— lbons DaDos* c, = 0.00222 ( LL + 64,7) TODOS DADOS C, = 0,00195 (LL +63) 230 ic o % Fo oe % VER Tie0s Of cuRVA NA FiO. LE@eNoa: TrAUBA MATERIAL DE EMrRESTINO . Conroe ve PROVA, WOLOADOS HBBB-sacro osdnio Ww LIDD- sairo osénio - SALTO. SANTIAGO 8LOcos INDEFORMADOS Fig. 10 — Regressdes Cc vs. LL a partir de amostras de blocos indeformados de aterros compactados. maior do que o do solo compactado. Em parte julgamos que o fenémeno confir- ma a observacdo que reiteradamente consignamos, de que os solos de emprésti- mos mais argilosos ndo se encontram in natura numa condi¢&o “totalmente plas- tificada”” (na qual ocorrem as argilas sedimentares); 0 solo de empréstimo, ¢ a seguir 0 mesmo solo na condi¢Zo compactada, no alcanga nem remotamente tal condig&o de desenvolvimento total das liosferas das particulas unitarias correcta- mente associada a sedimentos saturados e implicita nos ensaios de LL ¢ LP. Em parte cabe também ter em mente o facto de que a rotina de ensaio de LL fre- quentemente incorpora a separacdo da fracg4o arenosa (acima de determinada peneira), 0 que elevaria os valores de LL enquanto a compressibilidade Cc dimi- mi Em segundo lugar cabe reconhecer que a dispersio de resultados é grande: parece reconhecer-se intuitivamente que a dispersdo deva ser maior do que a de solos sedimentares para os quais Terzaghi-Peck indicaram uma faixa de dispersdo de + 30%. Como veremos adiante as obras apresentam recalques bem unifor- mes: configura-se portanto que a maior parte da dispersdo é de amostras e en- saios, e nfo do comportamento médio de aterro. Reconhecendo que a densidade aparente seca de Proctor é um excelente pa- rametro de classificacao do solo, com a vantagem de nao depender da plastifica- ¢4o total, nem de volumes totalmente dispares de amostra com alguma separagdo dé fraceao grosseira, resolvi procurar uma regressfio directa de Cc em fungiio de "Ya Max. As regressées em fun¢ao de yg max sfo muito melhores do que as referidas ao LL, (Fig. 11) a ponto de que, a nosso ver, perca interesse para o caso de clas- sificagdo de materiais de empréstimo, a execugdo de ensaios de LL%. Ambas as regressOes, usando apenas as curvas edométricas consideradas muito boas Cc = 0,2542 (2,688 - yq max) e usando todas as curvas disponiveis Cc = 0,2117 (2,70 = ya mAx) indicam uma dispersdo um tanto menor do que as regressdes em fun- go de LL, conforme se apresenta na Fig. 11. Compare-se também os coeficien- tes de correlac4o estatistica. Merecera interesse também 0 facto curioso de que as regress6es puramente estatisticas indicaram uma condi¢o fisicamente realistica de que com uma eventual densidade aparente seca maxima equivalente 4 densida- de dos gros (portanto no limite de porosidade tendendo a zero) o indice de com- Ppressdo se reduz a zero. 23 ‘sopoyznduioo so.sayo ap Soppuuofeput s0201q ap season ap anysod v Pip sa 29 sagssaiBay — 11 “By oma [tp f -,s'21¢2'0%% soava sNoa et z a 03 woud 30 souu vant omusauana coves osws-[XQ ne WHI] ee utes. serous _ ows eugso oxnws- [TTI] seovnuozzon som svowaean 4 9— COMPRESSIBILIDADE RELATIVAS DE MATERIAIS DIVERSOS, E ABSOLUTA DESNECESSIDADE (E MESMO CONTRAINDICACAO) DE COMPACTACAO ELEVADA EM AREIAS. Na Fig. 12 reunimos de dois solos extremos empregados para niicleo de bar- ragem, o mais argiloso (ex. Salto Osériio, Salto Santiago, Itaiba) e o mais gra- nular (ex. Oroville). Observa-se primeiro que um solo granular muito bem gra- duado, tal como o de Oroville (coeficientes de ndo-uniformidade de 1000 a 2500) chega a coeficientes de permeabilidade praticamente tao baixos quanto os de um solo argiloso: também em tais materiais muito bem graduados uma pequena va- tiag&o do teor de finos provoca acentuada variag&o do coeficiente de permeabili- dade. Observe-se a seguir que a compactacao efectivamente homogeneiza a defor- mabilidade de todos os materiais (até valores da pressdo de pré-adensamento). As diferengas passam a ser grandes em barragens e aterros altos, e muito sérias em barragens muito altas, pois que segundo o modelo realistico de compressibilidade discutido, a vantagem da precompressio é total para aterros até cerca de 20 a 30 m de altura; ¢ a seguir, nula. Portanto onde o aterro exceda de 20 a 30 m, come- gam a se acentuar as diferencas em funcdo das qualidades dos materiais (ver Figs. 16 a 19). Finalmente € importante enfatizar que qualquer areia pura, devido ao gran- de numero de contactos grao a grao, resulta muito menos compressivel do que qualquer dos solos para niicleo. A diferenca nao é perceptivel na comparacdo de compressibilidades abaixo da press4o nominal de pré-adensamento da compacta- go: porém no caso de barragens altas e aterros muito espessos a diferenca & muito significativa. Compreende-se portanto que é absolutamente desnecessario (e mesmo desfavoravel) exigir a compactacao de filtros a elevadas compacidades relativas (ex. 65% CR que corresponde a aproximadamente 96% PC): 0 que se deseja ¢ apenas uma vibracdo prolongada e de leve, e rega para maximizar 0 ca- minhamento das particulas até seu arranjo mais estavel, evitando assim intersti- cios maiores ou estruturas ocas em arranjos de favos, afectaveis por 4gua. 10 — COMPRESSIBILIDADE DE CAMPO COMPARADA COM AS COM- PRESSIBILIDADES PREVISTAS. Nas Figs. 13 e 14 apresentamos as secgdes tipicas de quatro grandes barra- gens, trés de terra-enrocamento usando o solo argiloso mencionado, e a quarta 25 ‘sosiaaip srouajou ap svaifisadsa sapopinqissasduioo ap opSounduoy — 71 “Bq [ros asinm @ noguGe ony aTn0¥0 Ho Pomerety losvlunys. ou 1¥5| 187700 )D “o1asquoo ap aonf wos ojuaunso.ue ody waSn.ing ap void opcoag — y{ “B14 28 hy miza.0s opsuat a 2 20] ap jaauafeud osp) ‘opSoumofep — opsua} suasny — st “Bd SAMI OV Z4 30 08M 00 34MO23G SOAVONYLAH SsnOTYOSU 30 YaNOUND OlyOSO O11vS uorew) 29 de enrocamento com face de concreto, apenas para confirmar os comportamen- tos deduzidos do enrocamento de basalto denso sto compactado, jé observado nas trés primeiras. Aceitando a tese do pré-adensamento como fungdo primordial da compacta- so resulta indispensdvel analisar os comportamentos pressito-recalque de uma Forma que favoreca a determinacao das pressoes de pré-adensamento. & classico © reconhecimento da Mecanica dos Solos de que a determinagao da a, s6 se tor- na evidente quando é usado 0 grafico ¢ vs. log @, bem se reconhece ser dificil em qualquer grdfico detectar ligeiras inflexSes em curvas, enquanto que é facil deter- minar um ponto como intersec¢4o de retas ndo paralelas; este o sentido e mérito do uso convencional do grafico semilog. Na Fig. 15 (a) plotamos em primeiro asso os grdficos semilog de deformagées especificas (%) contra press4o nominal de aterro sobrejacente, empregando segundo rotina adotada em publicagées in- ternacionais, 0 valor z Yynat Sobre 0 ponto como equivalendo a presso. Este cél- culo porém é errado pois o acréscimo de aterro transmite pressdes Iz Ypat. Veia- se comparativamente as curvas em fungAo de Iz pay na mesma Fig. 15a. Na Fig. 15 (b) procede-se a uma plotagem andloga empregando como pressdes somente 08 valores mais provaveis Iz na: a partir de Abacos da teoria de elasticidade, uti- lizando dados de um ponto em que o aterro na vertical respectiva salienta melhor as diferengas. Uma das consequéncias € obviamente favorecer ainda mais a deter- minag&o de o, por tornar mais ingreme o “‘trecho virgem’”. A outra funcio, de relevancia pratica muito importante, é corrigir impres- ses crradas de que ocorrem acentuados incrementos de recalque mesmo apés cessada a sobrecarga (isto é, cessada a subida de aterro na vertical sobre 0 Ponto). Tal impresso levava a maiores preocupacdes quanto a “recalques secun- darios” (continuago por longo prazo, secular, de recalques, apés estacionado 0 carregamento). 10.1 — Compressibilidade observada comparada com a prevista por ensaios de laboratério. Argila porosa vermelha de basalto. Nas Fig. 16 a 19 reunimos todos os dados pertinentes referentes a um solo dos “‘mais compressiveis”, a argila porosa vermelha de basalto decomposto empregada para a construc&o das barragens de Salto Osério, Salto Santiago ¢ Itatiba. Incluem-se ensaios edométricos, ensaios de compressibilidade em amos- tras de 4” de diametro realizados em cdmara triaxial (com tensfo anisotrépica) € 0s ensaios Ko. Incluem-se amostras especialmente moldadas em laboratério, para 30 “o110sQ o1J0§-050} 1810 o}ynus jorsa}oul-oduins 2 o1s01010qM ‘apopIngrssesdwoo ap sopog — 9{ “BLE mn, . Twinoziwow=n ‘awotiuan om ty 7 [--——_~. } Traps OTs} | et — Pr oy loans: sepousmoput sanous voans vuvo - cavawsseo anmvoay | ,,., |_Maramme seine SALTO OSORIO c 10(KgenF f H \ Viera arr OCLED anenos0 (cameo) INDEFORMADOS. ewsAls enowérRicos CORPOS DE PROVE. MOLOADOS. 150, ‘60 eo) Fig. 17 — Dados de compressibilidade, laboratério e campo. 32 RECALQUES OBSERVADOS BLOCOS INDEFORMADOS CAIXA SUECA es, ater | a “2 va asl wn or co 1° 10 eine sent ACORPOS MOLDADOS- AREA EMPRESTIMO E a on gamro T+ eu 2 ensaios [en | Edomermicos vr _|eoneos HOLDA- bos . aoe oer ens Eoow! atoco: : Ioerormanos | °°" eee oa eal oe tvoutsnicosE os oe 1 TO Eima/emt DEFORMAGOES COMPARATIVA: 0+ TKa/en? Fig. 18 — Dados de compressibilidade, laboratorio e campo—Salto Santiago. 33 . Fig. 19 — Dados de compressibilidade, laboratério e campo—Salto Santiago. 34 controle de parametros de compactacao, e também amostras talhadas de blocos indeformados extraidos do aterro compactado. As evidéncias so simples e confirmam as intuigdes ditadas pela experiéncia na Mecdnica dos Solos aplicada. Primeiramente, em todos os ensaios a disperséo de resultados de corpo de prova a corpo de prova & muito grande: assim, para fins prdticos reconhecendo a variabilidade do macico compactado a escala das dimensdes dos corpos de prova, ndo tem sentido realizar ensaios pretendendo detectar diferencas de compressibilidade em funcdo de condigdes de moldagem. Da mesma forma observa-se que a faixa de resultados é essencialmente a mesma para todos os tipos de ensaios: portanto, para fins praticos, bastaria realizar ensaios edométricos por serem os mais correntes ¢ praticos, Em ambas estas afir- magées cabe salientar que a dispersdo de resultados nao preocupa perante um problema de compressibilidade, porquanto o comportamento do macigo é deter- minado pela estatistica de médias: 0 que interessa é realizar um minimo de 10 a 12 ensaios, superpo-los todos num grafico, e determinar 0 comportamento médio. A seguir discuto a necessidade de ajuste, muito importante, do proprio ensaio endométrico a realidade. ‘A mais importante conclusdo resulta da comparaco da curva de compres- sdes registradas no campo. Estas curvas tem que ser tracadas em fungao de log a fim de assinalarem a pressdo nominal de pré-adensamento. Ao extrapolar os resultados de medidas, de presses baixas para press0es altas, ¢ indispensavel ter em conta a distingao entre os dois universos, o de pré-adensamento e 0 normal- mente adensado. Outra conclusfo extremamente importante € que a compressdo no campo é significativamente menor do que a deduzida a partir de ensaios de rotina: pelo menos nas pressdes baixas, até um pouco mais acima da press4o no- minal de pré-adensamento, este factor € muito significativo. Neste particular o comportamento nao difere muito do que se tem registrado no tocante a recalques de argilas pré-adensadas de fundagao, nas quais os recalques observados tem sido da ordem de 1/3 a 1/5 do que seria estimado directamente a partir do trecho ini- cial da curva edométrica (devido a efeitos inexoraveis de amostragem e talhagem etc.): autores diversos recomendam 0 emprego mais’apropriado de indicagbes da curva de recompressto aps um, dois, ou mais ciclos de carga-descarga no ensaio edomeétrico. Cabe salientar que em ensaios moldados em laboratério, ocorre a tendéncia de uma desintegracao e plastificagdo maior dos nicleos granulares do solo, em fung&io do que as moldagens dos c.p. ¢ compressibilidades resultam desfavoraveis em comparagao cori os blocos indeformados do campo. 35 ‘sop vianduioa sojuewnso.ua ap sjourwou segssaidusoo apopmigissesduoy — oz “34 lease "0 - vatvuansa v1 pay % ; 7 %6 SALTO OSORIO OBS: AS CURVAS APRESENTADAS CONFIGURAM 0 cOMPORTA- MENTO MEDIO Ko LONGO 00 PERioDO ConsTRUTIVo. T z 3 7 3 € 7 @ F(Kgrem® . SALTO SANTIAGO 709] 600) 200] 409] 30% 200] 7 2 3 4 5 5 7 8 Cixgfem?) Fig. 21 — Curvas E vs ¢ — miicleo argiloso e enrocamento, 37 Com relagdo & observaco da pressfio de pré-adensamento nos dados de com- pressio do campo, cabe notar a necessidade da escolha de uma escala conveniente. Finalmente salientamos que os recalques observados nas trés obras foram muito uniformes, confirmando a interveniéncia de um comportamento médio. Obviamente ao recomendar o recurso ao ensaio edométrico n&o se perde de vista os grandes Coeficientes de Ajuste que se tem que introduzir. Parece-me di- ficil ajustar uma técnica de moldagem de corpo de prova e de ensaio de laborat6- rio que tenha sentido: se o problema principal decorre da diferenga de grau de desintegrac&o-plastificagéo da compactacio de campo comparada com a moldagem-compactacio de laboratério, muito dependera das condigdes do em- préstimo in situ e de quais os equipamentos de terraplenagem que venham a ser empregados (todos satisfazendo as Especificagdes-Indice baseadas em PC% ¢ Ah‘). Se couber ainda alguma tentativa de pesquisa para um coeficiente de ajuste mais plausivel do que as proporgdes da ordem de 1:7, talvez caiba no mi- nimo adaptar 0 molde de compactag&o de laboratério de modo que o anel edo- métrico seja atarrachado dentro do proprio molde de compactagao, minimizando assim 08 alivios e perturbagdes do corpo de prova a apenas a talhagem do topo e base. Julgo porém, que para a fase de projecto o preferivel seré continuar apri- morando a coleta de dados sobre blocos indeformados extraldos de aterros com- pactados anteriores, para continuar ajustando as regressdes de Cc = f(yq max) e de a = {(PC%). Neste mister indispensivel, porém, reconhecer com indispen- sével em solos compactos, argilas rijas a duras, etc.. ajustar 0 préprio procedi- ‘mento do ensaio edométrico, para reduzir estes novos coeficientes de ajuste a proporgdes aceitaveis. Como exemplo cita-se 0 esforgo desenvolvido pela escola de Stuttgart para melhorar célculos de recalques de fundacSes directas de grandes edificios sobre as argilas pré-adensadas respectivas (cf. E. Schultze, publicagdes diversas): as amostras indeformadas em bloco passaram a ser rotineiramente en- saiadas em diversos ciclos carga-descarga, e 0 médulo de elasticidade aplicavel nos cdlculos de recalques mais realisticos determinou-se ser o do terceiro a quinto ciclo de recarga aproximadamente: nunca os do emprego directo do ensaio edo- métrico"convencional (desenvolvido para argilas moles indeformadas). 10.2 — Press6es neutras de perlodo construtivo observadas em obra. Nas Figs. 22 ¢ 23 resumo algumas indicagdes de rotina referentes ao proble- ma de pressOes neutras de periodo construtivo, que no caso de barragens de terra essencialmente homogéneas tem sido considerado um dos factores temidos como condicionante no tocante a limitagio de altos teores de humidade de compacta- gdo. 38 “ouojw10qny ap So}Dsua Wie Sypnasesqo SousnaU SaQsSad — TZ “BI wrens ® cy we} io e | ees] 3 Zz ° ra . ‘ ce [ee | ea] woo] + 2 me | [eee] vee |e ve oe [eve [ove | aon moeeoa = women m . Gos [rae] eav| ~5] WT ee oom 8 EDe She + em M488 1D: Ser + otom 902d he stom Meee 1 30 SvaIaaM WOD OLN3NYSN3OY 30 StvIxvINL SOIVSNS . 40) ToOvG ION aD oluosO O1IVS = (q) wists) 3 see] S io‘ 3 so0078 SOOVNNOS30NI SOD0Te ® oiagso ostvs . OOvian OLS (o} 39 Em separado aborda-se 0 assunto em trabalho documentado no qual se de- monstra que: a) historicamente todas as presses neutras observadas no campo por células tipo Bureau e Londres eram liminarmente erradas no sentido de exageradamente altas sob baixas sobrecargas de aterro, por motivo do encharcamento dagua que oorria na imediagao da célula, logo depois de instalada, no proprio procedimento de saturacdo das tubulacdes de transmissdo da pressdo; b) ainda hoje a quase totalidade de medidas tanto de campo como de rotinas de laboratorio é errada na fase inicial: automaticamente dissipam e no registram as inevitaveis sucgdes; ¢) de qualquer forma o assunto de sobrepressdes neutras construtivas exage- tadas s6 preocuparia no tocante a estabilidade de taludes de barragem de terra, € munca a nicleos de barragem de terra-enrocamento (nos quais s4o reconhecida- mente bem sucedidas as técnicas de execugdo em elevado teor de humidade, nas “‘puddled-core dam’’ dos Ingleses, e no ‘‘Swedish wet compaction method” dos Suecos); d) j mencionamos que mesmo perante preocupagées de instabilidade possi- vel, a condigéo critica com equipamentos modernos passou a ser a traficabilida- de, condi¢&o de solicitag4o cisalhante maior do que a de taludes correntes de bar- ragens de terra. Em resumo, portanto, o assunto de pressdes neutras de periodo construtivo nao preocupa. Porém, cabe ainda assim assinalar a que ponto as proprias pres- sOes neutras de ensaios laboratoriais e de observac&o de campo deixam de seguir as previsSes associadas ao material ‘‘fortemente argiloso”’, inclusive quando compactado ‘‘do lado himido’’. Na Fig. 22 apresentamos as curvas de u medidas em diversos tipos de en- saios triaxiais, desde o convencional até alguns mais sofisticados com anisotropia € condigdes especiais de carregamento. Observa-se directamente que no tocante a este pormenor ademais de ocorrerem variagdes apreciaveis em funcdo do tipo de ensaio, o erro liminar reside na prépria condigéo de “‘instalagdo” do corpo de prova fazendo com que ocorram pressdes neutras positivas desde o inicio do car- regamento. Em contraposi¢éo, na obra ocorre um significativo periodo de “‘leitu- tas erraticas’’ ao redor de zero ¢ essencialmente constantes independentemente da subida do aterro, até cerca de 4 kg/cm?. Quando ultrapassado um tal limiar as leituras passam a ser mais consistentes, subindo com o acréscimo de pressao. Todos os valores observados em obra s4o muito inferiores aos previstos por ensaios de laboratério. O realmente importante é, porém, reconhecer-se a pressdo 40 “ouosmogn}-oduiwo (urs) oorvs on ssevsasees A. S2uo1vA Bog xIY, o1upso ove -—-~ 1ANWE OLIVE ‘oovnwoszom sowvena som wed even. 5 OovinNys O17¥S Dajnau opssaid ap sasojoa asjua opSninduod — ¢z “BL orwpso o1ivs 41 neutra negativa inicial. O desenvolvimento Au/Ac pode ser estabelecido razoa- velmente no trecho consistentemente definido de pressdes positivas: para aquila- tar as magnitudes das pressdes neutras negativas o melhor procedimento é extra- polar para trés, reconhecendo a variacdo Ac/Aa, e, inclusive a diferenca de tal compressibilidade nos dois universos de comportamento, ¢ de recompressdo até a Pressio de pré-adensamento de compactacdo, ¢ o de compressdo virgem subse- quente. Na Fig. 23 reunem-se os dados das duas barragens cuidadosamente observa- das que empregaram materiais dos ‘‘mais argilosos’’ jamais empregados no mun- do, que se suporia deverem gerar altas pressdes neutras construtivas. O empre- g0 de coeficientes B (Bishop) para cAlculos de estabilidade é totalmente errado e extremamente desfavoravel (orenoso) para projectos de obras pequenas, tanto Por no incorporar um valor negativo inicial, como por linearizar um comporta- mento que é céncavo para cima. Comprova-se que nao obstante o grau de argilo- sidade do solo, se o grau de Saturacdo respectivo era suficientemente baixo para permitir a compactag&o sem problema de traficabilidade, os elementos de solo pré-testados (e pré-comprimidos) pela presséo dos rolos e dos equipamentos de terraplanagem (pesados modernos) nada tem com o problema historicamente muito enfatizado, de sobrepressdes neutras construtivas. . O limite de traficabilidade para scrapers de 15 a 25 m3 segundo pesquisa In- glesa (TRRL Laboratory Report 688) corresponderia a aproximadamente a gama de variagfo de humidades de (0,9 a 1,2) Wp, isto é, ao redor do limite de plasti- cidade. Sabemos bem que a humidade éptima de compactagfo situa-se ao redor do limite da plasticidade (Mello, ICOLD 1973, Madrid). Também comprovamos facilmente que as press6es de pré-adensamento correspondem aproximadamente gama de 3,5 a 7,0 kg/cm? para solos de limite de liquidez entre 40 a 70% (ver Fig. 13, Mello, ICASP, Sydney 1979). Conclue-se que todos os conhecimentos- indice dos solos se coadunam relativamente bem. Portanto, s6 cabe concluir que as grandes discrepAncias encontradas entre comportamentos de blocos indeforma- dos e as obras compactadas devem-se a defeitos de amostragem-ensaio, ¢ a elimi- nag4o das tensdes internas (tensdes efectivas residuais ¢ tens&o capilar) geradas na obra pela energia de compactac&o absorvida. 11 — RESUMO 11.1 — O ciclo de experiéncia mostra que perante solos compactados a clas- sificagdo convencional dos solos nao leva a qualquer previsdo valida. 4a 11.2 — Os comportamentos do solo argiloso na compactacéo dependem principalmente do grau de saturag&o do empréstimo in situ. Os indices conven- cionais PC% e Ah% podem levar a graves erros de previsio. 11.3 — Tanto argilas como enrocamentos s&os angulares apresentam nitida pressdo de pré-adensamento da energia de compactagao absorvida. 11.4 — Para estimar 0 comportamento de recalques de blocos indeformados de solos argilosos compactados oferecem-se regressées estatisticas tanto para 0 Cc como para 0 o¢. O melhor pardmetro-indice de referéncia € 0 yq max. 11.5 — No macigo compactado os recalques sio muito inferiores aos das previsdes pelas regressdes supra. 11.6 — Garantida a traficabilidade n&o h4 porque discutir problemas de pressdes neutras de periodo construtivo, nem estabilidade de taludes em fim de periodo construtivo. 11.7 — Configura-se no presente trabalho uma reviso radical de muitos dos mais importantes ditames da teorizac&o historica em aterros compactados e bar- ragens compactadas. — ~ 4B