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1 Leitura e releitura’ Analice Dutra Pillar —_ 1 Ete ei fo esbovada pan conerénaiadeabortra dW EnconttodaRede ‘Ane a Excola wealzado no Palo Moscu Laser Segal na Faculdade Senta Marotta (SP), no da 20/1096, Uma ses do texto fot pubeada no Boltin ‘Aste scoa, 15,Dez/96.p.45 ‘A educagdo do olhar no ensino das artes, A pattir dos anos 80, no Brasil, o ensino de arte comega a ser repensado em novas bases conceltuais e revisado quanto a sua Telagao com as pesquisas contemporaneas em arte. Os professo- tes passaram a tabalhar nao 36 a produgao da crianga e do adoles- Cente, mas também a letra da imagem ¢ a contextualizag3o hist®- ‘ica. Surgiram, também, as releturas, enquanto produyées realiza- fdas com base em obras de arte. No ensino de arte, leitura e roleitura tm sido uma prética amplamente difundida, sem que muilas vezes se compreenda © {que esta implicado nessas dimensdes do conhecimento da arte. ‘Assim, problematizar a leltura e a relestura no ensino de arte pode ra auillar @ entender suns simlaridades e diferengas no contexto da sala de aula Leitura [Nos ikimos anos, venho estudando ¢ pesquisando acerca da lettura da imager, em geral, ¢ da leitura da obra de arte, em parti- cular. E & um mundo, Poderiamos comecar considerando 0 que se teniendle por lelture? O que é ler? O que esta implicado no ato de Ter uma imagem, em especial uma obra de arte? Ha muitos estos acerca da leltura ¢ muitas definigdes. Maria, Helena Martins (1994:31-32) diz que as iniimeras concepcdes vigentes sobre leilura podem ser sinterizadas em duas caracter: ayes: fa) leitura como decodificacio mecdnica; (b eitura como lum processo de compreensdo. .Essas duas caracter\zacbes $80 complementares, pois ao lermos precisamos necessariamente de fambas. Para compreender precisamos decodificar e se apenas ‘ecodlficamos sem compreender, a leitura nio acontece As implicacées do ato de ler Em geral, todas as definigSes de ler implicam a existéncia de um letor, de um cédigo (objeto/inguagem) ¢ de um autor. Gadotti no texto O que é ler? (1982:16-7), diz que por melo do cig ingen, autor eommunicase em ual emp apoyo, com oleker: Este ciigo& normalmentereprescrido pelo elo’ Por bso, para saber 0 ue & lar, tnko que saber. aes de rT “Analice Dutra Pillar (Ore) ‘mais pad, o ave € umn exo 0 gue & compar um texto, Texto ‘ar do latin, tentur, qu sanfies “tecso, tama, eneadeamento de rm naryto, eee teats, tcer Un into @ portant ago oc Vdo, cna cia tecia, um conpowo harmonios, Poderiamos dizer, enti, que aleitura de uma imagem seria a leitura de um texto, de uma trama, de algo tecido com formas, cores, texturas, volumes. ‘Maria Helena Martins (1994; 30) considera que a leitura é um processo de compreensao de expressdes formats e simbdlicas, hao Importando por melo de que linguagem. Onde ler, Contemporaneamente, & atnibulr significado seja a uma imagem, seja a um texto. [Nelson Goodman, {i6sofo norte-americano e fundador do Pro- jeto Zero de Harvard, diz que 0 modo como se “Ie” um rabisco epende do contexto em que ele se encontra, do marco grafico {Que o rodela e do “contexto mental” do observador. (Goodman Spud Gardner, 1987:76-7) Assim, um rabisco num desenho de Grange tem um significado, num mapa tem outro, num texto tem Sutro. O sentide vat ser dado pelo contexto grafico e pelas infor ages que o leitor tem. ‘Ao ler, estamos entrelacando informacSes do objeto, suas ca acteristics formals, crométicas, topologicas; e informacdes do Teitor, sou conhecimento acerca do objeto, suas inferéncies, sua Imaginacdo. Assim, a leitura depende do que esta em frente e atras dos nossos olhos. ‘A respeito do que abservamos, Piaget (1976: 46) diz que uma constaiagdo munca @ independent dos nstrumentos de resto lin qu opoe seta que eres naramentos no so puramente Biiotaniesdos a percepebe ata e podendo modficar x dados Besta vem vendo ce de preci auplementn soja de derma. Na teoria de Piaget, o que é observavel depende das coorte: ages do sujeito, Entendendo-se por observaveis aquilo que a ‘experiénela permite constatar por uma leitura imediata dos fa tos, (1976-47) Dito de outra forma, as observiveis referemse 908 darios Visiveis no objeto. Ja as coordenacées dizem respeito s Inferencias, Implicitas ou explicitas, que o sujelto considera ou 12 ‘Acedueogdo do olhar no ensine dat artes sr nti hc jlo fa a art dos geal tem sempre 0 marca do conch winsome dm en es Re a Sem ens eee, nn Pluralidades de leituras ‘Cassirer (1960: 247) observa ave, va mein i es Soest ewe seater rateat cota ees Face nei ti oa on esse sentido, o que é representaclo nfo # 0 objeto, mas a sua intennctacho a iterpretaco que o artista he atrious, num deter ate momento. Nelson Goodman (1978:25-6) afirma que ‘echo aleclona organi, simi, esc, claaica, aia, one SaaS etext mh argo can, reli 9 a Sb, No rete a coro dadon sa tuto a a eo ent, gees, mig, eels amas ode ee apne Os ills do lb nocens © do do ‘lit eb camps larve. ‘Assim, hi uma construgio de conhecimentos visuals. © olhar de cola umn esta impregnado com experigncias anteriores, associ, casas embrengas fantaia, interpretagdes etc O que se v8 N30 aces Mo real, mas aquilo que se consegue caplar e inlerprelay aaa, ato, 0 que nos & significatho, Desse modo, podemos 13, Anatice Dutra Pillar (Org) langar diferentes olhares e fazer uma pluralidade de leituras do mundo, A leitura critica do mundo Paulo Freire (1995:8} considera que aprender a ler, a escre ver aljabetizarse 6, antes de mais nada, aprender a ler o mun. do, compreender 0 seu contexto, ndo numa maniptilagdo mec nica de palavras mas numa relagao dindmica que vincula lin ‘guagem e realidade. ‘O autor aie que a letra do mundo precede ltrs do psa, da que poste ~ Tetra desta nto pots prescnd de conus da stra dag. Lingingem evebde Se prendam dinamicamande- A compresneso do eno wer aeaneada por sa laura eile tp «para ‘lager entre toto e conte, (p12) Parafraseando Paulo Freire, Luls Camargo di que a letra da imagem precede a leitura da palavra. Nesse sentido, © primeira ‘mundo que buscamos compreender @ o da familia, 2 casa onde ‘moramos, © quintal onde brincamos, a pracinha, o balrro onde vivemos, a cidade, o estado, o pais. Tudo islo marcado fortemente ‘por nosso lugar social, nossa origem social. E, a0 buscar compre fender, estamos fazendo laituras dese mundo. Leitura critica, prazerosa, envolvente, significativa, desafiadora. Leitura, que Inserida num contexto social eeconmico, & de natureza edacativa @ polite, pois nossa maneira de ver o mundo € modelada por questées de poder, por questses ideologicas. Ler é apreender as signficagbas de um objeto. Conforme Freire (1982: 45) Jer &adentrat nos textos, comproendendoos n si elagto dali {om os sus contetos eo noun comtent.O content do exci" © 9 ‘Ettecto do lor. Ao er eu precio estar nfrmando-me do comexo ‘Sul. pate, sdaloscn,Ritrica do autor Eu tenho de shar 0 [ifr lm dermanado tmp. Quando le wr autor rece ‘© me intearitodo corexto do em qe aque texto Seco Iu. Mas agora ou preciso tambo dem out eslere. de como Telaconar o texto om 0 neu contesto 0 yeu centeno Nalco, ‘ral police no bc Uo wioe O que precio & ter clare eta rela ‘rte conteto do aor eo cntento dol 14 ‘A educacio do olhar no ensino das artes A leitura da obra de arte Venho abordando até aqui a letura da imagem, mas a leltura da obra de arte € de natureze diferente. Sequndo Aumont (1995:259), a cbra tem uma inventividade nitidamente superior 4 de qualquer outra imager. ‘Ler uma obra seria, ent3o, perceber, compreender, interpretar ‘a trama de cores, texturas, volumes, formas, linhas que constituern lima imagem. Perceber objetivamente os elementos presentes na Imagem, sua temtica, sia estrutura, No entanto, tal imagem fol produzila por um sujeto num determinado contexto, numa deter- ‘minada epoca, segundo sua visd0 de mundo. E esta leitura, esta parcepeio, esla compreensBo, esta atribuicao de signficados vai Ser leila por um sujelto que tem uma historia de vida, em que objetividade e subjetividade organizam sua forma de apreensao € {de apropriagzo do mundo. Considerando que ler é atribuir significado, como se atrbut significado a uma obra de arte? Como se da sentido? Como se compreende? Conforme Martins (1994: 17), ‘quand comecamos a orgonizar or conhecimentos aguas past Ase stuagces que a seldode epee e da rosa atac¥o ne: curd ‘omens esalecer relagoer ante br sxperencan © 8 omar fesse problems que se os apresenam = al ent eslaros prove oy es Desse modo, uma leitura se torna significativa quando estabe: lecemos relagdes entre o objeto de leitura e nossas experiéncias de letor. 'Nos anos 70, surge uma série de pesquisas acerca da litura de Imegens, desde trabalhos com criancas pequenas até com profs tonais @ estuciosos da area de artes. Ha os estudos de Feldman (1970), Housen (1983) ¢ Parsons (1992) sobre a compreensio ea lettura de obras de arte. Gardner (1987) tem um estudo interessar= te sobre Conceitos e erros das eriancas a respetto das artes, conde aborda algumas concepcoes de arte explleitadas por eriancas te adolescentes. No Brasi, a partir dos anos 80, comecam a apare= cer dissertacées e teses sobre a problematica da leitura de ima- ‘gens, sea da propria produgdo da erianca seja de obras de art. 15 « ‘Analice Dutra Pillar Org.) Ha uma diversidade de modos de produto de sentido, de ‘mods de se entrarsna obra como as abordagens biograica, estat 0, formal, ieonokdgica e semitica. Cada uma dessas leituras bus- 2, por caminhos diferentes, cificar signcados. Pode se, aia, rile- ar numa letra mais os aspects sensorais, emocionais ou racionals. © que se pode observar nas leituras, fitas por professores ‘com alunos do Ensino Fundamental e Médio, ¢ que, numna prime a instancia de apropriacio dessas diferentes leitura, ha umm corto encantamento por aulores ou artistas que abordam uma determi nada concepgao de leitura. Isto, em muitos momentos, faz com ue @ leitura aprsione a obra, erie significados fechados, torne-se uma atividade téeniea e nde prazerosa, E importante lembrar que a marca maior das obras de artes plésticas & querer dizer 0 indizivel, ou sela, no € um discurse verbal, & um didlogo entre formas, cores, espacos. Desse modo, ‘quando fazemos uma leitura, estamos explicitando verbalmente relagdes de outra natureza, da natureza do sensivel, “Todo educador que mexe com arte precisa, entio, encontrar luma meneira de trabalhar com os principios basicos dessa lingua- ‘gem, sem perder a comploxidade da arte, A este respeito, Faye Ostrower (1991:22) diz que é preciso ser claro.e simples.) sem simplificar demas. Dar uma ldéa de arte em sua complexidace eda multiplicidade de nfvels de significada sempre renovavets. ‘Ao tratar o problema da complexidade da atte, Ostrower(p 22. 23) diz que a prewdosimpitinde, nessa reduce simplsta dos problemas (0 Sela um donominador coc mle tao, fice ta» ie Doe ser tral catesda. O saber sored 9 Worms ocr in Ins E nao 26 fare de conta que se chegou a tao eoncenento se todas as resposas, coma também a= desea © procs ce ‘sprenclzagem sass de Indogacoes wipes, Erna seo ‘int e sense as pesca, Elimine-se a curioskdade, a poesia, a pesquisa © nosso olhar nio ¢ ingénuo, ele esta comprometido com rosso passado, com nossas experiéncias, com nossa época e k= gar, com nossos referenciais. Nao hé o dado absoluto e mio se Pode ter uma tniea visso, uma s6 letra, mas se deseja langar "miilipos olhares sobre um mesmo objeto, Poder transitay por abor 16 A educagao do othar no ensino das artes dagens diversas ou interrelacioner possibidades de leitura é algo ‘Complexo que exige algum tempo, muito estudo, muita sensibiide de ea coragem de crar hipéteses e de testis. Para Cassirer (1960:287), a profundidade da experiéncia humanal..) depende do fato de sermos capazes de variar nos sos modos de ver, de podermos allerar as nossas visoes da rea- Iidade. “Isso porque” 0 olhar artistico ndo @ um olhar possivo ‘que recebe e registra a Impressdo das coisas. E um olhar cons Desse moda, eampreender uma imagem implica olhar cons- Inutivamente aarticulagso de seus elementos, suas tonaidades, suas linhas e volimes. Enfim, apreciéla Ler uma imagem & sabored-la em seus diversos signifcados, cand distinias interpretagses. Ruber Alves (1922: 155-6) diz que fe ne ongene sabor« saber 380 ¢ mesin ean. O verb latino "pare" agnica, am tempo, tanto sabe quanto tr sab. Sober 6 ciperimetar © goto as casas coms 0 sablo 8 auc be co ‘Shtce niu 2 como alos, mms expaclmanta com 9 hoc. Quem ‘onhece sb om as abvs concede lone, pol do gne ds ‘Se mata de peo agente no nado: Guem cone cam a boce onhege de eno, pit = se pods sone 9 gosto dala que fos ‘lento do como. ‘Ao considerar o praver da leltura, Alves (p.157) comenta: euont visa tel o ride do me aro «ou anno de um {rte de letra dininic antares ini da veloc. Est iin ata que um exertor pode desejor. Pols 9 pasar eke termpo, Quam exh no prosr ns Bess que ele cheges 0 n= CS trot dpremn, por soir logo? O pas € preguoso. Arras BBemora Das para pra eomecar de novo. E depots de ermine, ‘spea pala reper, ‘Assim, a leitura de uma obra de arte & ume aventura em que ‘cognigo ¢ Sensibildade se interpenetram na busca de sigrilicados, ‘Juvenelo Barbosa (1992: 123) afiema que o leitura é por natureza, jlexivel, miltipla, versa, sem uma hierarquia prees- tobelecida-que defina uma leltura meihor do que as outras. Aprender @ ler é eprender a explorar um texto (uma imager), lenta ou rapidamente, dependendo da intencéo do leltor car compreendéla, 7 Analice Dutra Pillar (Org.) Releitura No ensino da arte, a leitura tem sido concebida como algo mais tebrico ea reletura, um fazer partirde uma obra, Reler¢ ler nnovamente, &reinterpretar, ¢eriar novos significados. Quando in, terpretamos, através da pintura, um objeto do melo ambiente na- tural ou construido, um objeto do nosso cotidiano, feito pelo ho- ‘mem, estamos fazendo reletura? E quando interpretamos, em pin tura, uma obra de arte, uma imagem produzida por um artisia & releltura? Doponde dos nossos propésitos. Se a iéia€ retiar 0 objeto, reconstrutlo num outro contexto com nova sendo, penso que si. ‘A.quesido da releitura ¢ bastante complexa, Procurare, entao, tecer algumas relagdes entre reletura e copia, releitura, cago & intertextualdade, Releitura e cépia Em nome da Proposta Triangular, muitos professores esto trabalhendo releitura como eépia. Celocam uma obra de arte para (08 alunos copiarem. O que se quer com Isto? Apreender as for. ‘mas, © modo como 6 artista organizou a composigso? Qual 0 nosso objetivo com esta atividade? Crilicam-se as folhes ‘mimeografadas para colori e dé-se a obra de arte para copiar. Ha uma grande distancia entre reletura c copia. A copia cz Fespeito ao aprimoramento técnico, sem trenslormacio, sem in lerpretagio, sem criagdo. J8 na veleitura ha transformagao, inter- ;pretacdo, criacdo com base num relerencial, num texto visual que ode estar explicito ou smplicita na obra final. Aqui o que se busca € a.ctiagSo e no a reproducao de urna fmogem, Muitas criticas so fetas & Proposta Triangular por considera rem que o fazer nessa proposia é releitura, entendendo reletura como cépia. Até onde conheco os pressupostos da Proposta, pos so alirmar que ela é uma concepeso contemporanea do ensino de arle que pode abarcar ou na a releitura como criagao. Releitura, citacao e intertextualidade ‘Varios artistas, tanto de outras épocas como contemporaine (0s, inchuem citagoes em seus trabalhos. As maneitas de citar € que 18 A educagdo do othar no ensino dat artes Yoder sor intressanes. As ctagdess80 jogos intertextuais que o Siva Yor para so amparar para ora’ paa lesitimar se. Os cen {slaw itr muito Para lpiimarse. © artista quanco it, 0 faz Nossa relagao com as imagens se organiza de diferentes ma- inom, Um dos modos de se reincionar com aimagem & intertex- Made Penucles quando fla de intertexttidde, ain de uo felacao coma imagem, de ua relagho de amor com a fmager ‘Apesar de contemporineo, a itertestvalcede nas hnguagens mistcas nio & novia, No Renascimentoe no inlelo do sécuo Sx" podem obmerva obras que remeter # otas obras. Etomos constantemente erfabelecend relagSes relaionan- do tenton, relaconando nosson conhecimentos, nossa inforrna- Gos, Pefaela fla de alguns mecanismos que despertam a elagSo ‘Ro tratar a intertextalidede, Peftcl se vale da teria sobre os esplos. © espelho plano, 0 convex, o cdneavo produzem agers quo criam uma flags intrtextual cor seu referente, O {Spalho & um texto que tne ita © mim mesmo como se eu Tose ‘utr fexto.Esn relagao intertentual ca uma apargnct. A me gem plana 6 mals servants a mim. O eapelyc concave cia una tmagem bom maior que a minha imager natural. © expelho coe oxo erin uma imagem bem menor do que meu rosto& Cada im ‘io espelhos deturpa de cerfa maneira a imagem que eu su A olagao Intrtextual € urn moro de ean um jogo de espe thos: His dine modaltdades de intertextuadade: (1) explicor que cio'a obra reterente; (2) implica: que exconde a obra referee Para istrarainertextuadade expicte poderiames mend nara obra Los meninas de Velazqer, onde hs no fun do qu tio, a representayio de um espetho, 6 qual se confunde com of otros quadros.Aobra tem omanho eproximodo do native e, 20 ‘os colocarmos em sua frente, da a sensoqao de estarmos sendo Dinlados. O espelho no ‘undo nso é rea, eta slguma pessoa que Extove lao gar que au estou. O espelho ita una porgdo eno ‘i imager. Picaao fez muitos reletras dessa obra, mos sempre {¢ aproprand da imagem « recrionde em se universo propre Pawan profendn no Seminrio Arie ne Escola, realndo em Porto Alegre (RS) am 1990. a9. Analice Dutra Pillar (Org.) Quanto & intertextualidade implicita, esta evidencia-se na obra ‘Nolte Estrelada de Van Gogh, a qual tem urna relagao formal com ' Grande Onda de Hokusai, pois se pode ver o mesma movimen- to da onda no eéu de Van Gogh, A intertextualidade rompe, dilata as fronteltas entre os textos. A intertextualidade em linguagens no-verbais mostra uma leitura ddas imagens de outros artistas sem dizer uma palavra, Picasso nao cescreveu sobre Velazquez, mas a relagso que ele fez de Velazquez & specifica, nio-verbal Na releira, um artista parte da obra de outro attista para criar 0 seu trabalho. Textos que se interrelacionam langarn uma, nova luz sobre a questao da reliture, Concluindo, poderiamos dizer que, 20 lermos uma obra de arte, estamos nos valendo de nossos conhecimentos, aristicos ot ro, para dar significados & obra, leitura s6 se processa no dis logo do leitor com a obra, 0 qual se di num tempo e num especo preciso. Nesse sentido, nao hé uma letura, mas litures. onde coda lum precisa encontrar modos miltiplos de melhor saborear a Ima gem. Jé na releitura, entendida como um dialogo entre textos vst a, intertextos, podemos nos valer ou nla de dados objetivos que 2 obra referente contém para criarmos. Considero, portanto, que leitura e releitura sio eriacSes, produgées de sentido onde busca: ‘mos explicitar relagées de um texto com © ro880 contexto, Referencias Bibliograficas [ALVES, Ruban. 0 retoro e terno, Campinas: Paps, 1992. [AUMONT, Jocuen. A imagem. Canypnns: Papin, 1995. BARBOSA, Jost stncn.Alfaberiengdoe letura. Sto Pal: Cotes, 1990. CCARIZAL, Eduardo Petsin, A metifora da intertexllade, I: BARBOSA, “Ana Mae; FERRARA, Luctcla fe VERNASCHI, Ela. O ening die ores has nicrtdodes Si Paulos EDUSP, 1993. CCASSIRER, Ernt. Ensaio sobre o homer. Lishos: Gaimares Eaores,s/ EISNER, Elio. Educoting artte vision. New York: Maclay Pablishinn Co ie 1972, FELDMAN, Edmund Burke, Becoming human though art. 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