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CURSO TÉCNICO(A) DE INFORMAÇÃO E ANIMAÇÃO TURÍSTICA

TEXTOS DE APOIO

Módulo

UFCD 3480 Organização e Funcionamento do Setor do Turismo

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Formador(a)

-

Nuno Freitas

Índice

1.O Conceito e Noção de Turismo……………………………………………………………………

1.O Conceito e Noção de Turismo……………………………………………………………………

1.2.Classificação do Turismo segundo a duração e permanência……………… …… …

1.3.Tipos de Turismo……………………………………… …………………………………………

1.3.Tipos de Turismo……………………………………… …………………………………………

pág.3

pág.7

pág.16

2.Evolução Histórica do Turismo………………………………………………………………….…….pág.28

2.1. Idade Clássica………………………….………………………………………… ……………… pág.29

2.2.Idade Moderna………………………………………………………………………………….…….pág.32

2.3.Idade Contemporânea……………………………………………………………………………….pág.35

3.O Turismo em Portugal………………………………………………………………………….…… pág.36

4.O Turismo em Perspetiva Sistémica…………………………………………………………….…

pág.37

4.1.Fatores Sócioculturais e Políticos…………………………………………

pág.41

4.2.Caraterísiticas do Sistema Turístico…………………………………………

pág.46

4.3.Os Recursos Turísticos…………………………………………

pág.46

5.OTurista…………………………………………

pág.47

6.OTurismo e o Desenvolvimento…………………………………………

pág.59

7.Referências Bibliográficas…………………… ……………………………

pág.62

1.O Conceito do Turismo

Assente o conceito de turista importa precisar o que se entende por turismo que, de modo simplista, se poderia considerar como a atividade económica decorrente dos movimentos turísticos.

1.1.Noção de Turismo

A primeira definição de turismo foi estabelecida pelos Professores Hunziker e Krapf, em 1942, sendo posteriormente adotada pela Association Internationale des Experts cientifiques du Tourisme (AIEST). Segundo aqueles professores, o turismo «é o conjunto das relações e fenómenos originados pela deslocação e permanência de pessoas fora do seu local habitual de residência, desde que tais deslocações e permanências não sejam utilizadas para o exercício de uma atividade lucrativa principal, permanente ou temporária». Esta definição, que integra o conceito de visitante não fazendo a separação entre turistas e excursionistas, destaca vários elementos de interesse:

O turismo é um conjunto de relações e fenómenos;

Exige a deslocação da residência habitual;

Não pode ser utilizada para o exercício de uma atividade lucrativa principal.

Pelo facto de evidenciar a «atividade lucrativa principal» pode concluir-se que devem ser incluídas no turismo todas as deslocações mesmo que impliquem a obtenção de um rendimento desde que este não tenha caráter de principal. Por não ter em consideração os aspetos sociológicos, sobretudo quando se trata de turismo nacional, esta definição é considerada incompleta pelos sociólogos. Do ponto de vista destes, o turista é, antes de tudo, o homem que se desloca para satisfazer a sua curiosidade, o desejo de conhecer, para se cultivar e evadir, para repousar ou se divertir num meio diferente do que lhe é habitual.

São estes aspetos recreativos, educativos e culturais que levam a considerar o turismo não apenas como um fenómeno económico mas, antes de tudo, como um

fenómeno social não evidenciado na definição de Hunziker e Krapf.

Em 1991, a Organização Mundial de Turismo apresentou uma nova definição entendendo que: «o turismo compreende as atividades desenvolvidas por pessoas ao longo de viagens e estadas em locais situados fora do seu enquadramento habitual por um período consecutivo que não ultrapasse um ano, para fins recreativos, de negócios e outros».

A expressão «enquadramento habitual», em substituição da residência habitual, foi

introduzida para excluir do conceito de visitante as pessoas que todos os dias se

deslocam entre a sua casa e o local de trabalho ou de estudo bem como as deslocações efetuadas no seio da comunidade local com caráter rotineiro.

Na sua explicitação, a OMT considera que o conceito reveste duas dimensões:

a primeira é a frequência na medida em que os locais frequentemente visitados por

uma pessoa fazem parte do seu enquadramento habitual: a segunda dimensão é a distância, na medida em que os locais próximos da residência fazem também parte do enquadramento habitual mesmo se forem raramente visitados. Deste modo, o enquadramento habitual é uma certa zona em redor do local de residência bem como os locais visitados com uma certa frequência.

Embora adotada pela Comissão de Estatística da ONU, esta definição peca por imprecisão e por privilegiar o lado da procura. E imprecisa porque, ao introduzir o elemento «enquadramento habitual», tal como foi definido, elimina do conceito do turismo as deslocações efetuadas, com fins indiscutivelmente turísticos, no espaço geográfico que compreende aquele enquadramento e, privilegia o lado da procura, porque apenas inclui no turismo as atividades desenvolvidas pelos turistas com esquecimento de todo o complexo de atividades produtoras de bens e serviços criadas para servir direta e indiretamente os turistas e cuja existência permanece, mesmo quando as deslocações e estadas não se efetuam. Mais completa e correta nos parece a definição de Mathieson e Wall que consideram que «o turismo é o movimento temporário de pessoas para destinos fora

dos seus locais normais de trabalho e de residência, as atividades desenvolvidas durante a sua permanência nesses destinos e as facilidades criadas para satisfazer as suas necessidades». Esta definição enfatiza a complexidade da atividade turística e deixa perceber, implicitamente, as relações que ela envolve.

O Prof. Bernecker, considerando que no turismo se estabelecem dois grupos de contactos, a saber, o grupo de relações materiais, que consiste no recurso a serviços e bens de consumo por parte dos visitantes que para isso fazem uma despesa, e o grupo das relações imateriais, que consiste no contacto com o local visitado, a sua população, a sua cultura, as suas instituições, etc., apresentou a seguinte definição simplificada: «o turismo é a soma das relações e dos serviços que resultam de uma alteração de residência, temporária e voluntária, não motivada por razões de negócios ou profissionais».

No entanto, tal como se encontra formulada, esta definição exclui as deslocações provocadas pelos negócios, missões de caráter económico ou congressos.

Ora, a cada vez maior internacionalização das atividades económicas bem como as, também, cada vez maiores deslocações no interior de cada país motivadas por razões profissionais, esbatem as diferenças entre os movimentos turísticos e não turísticos a que acresce a impossibilidade prática de separar uns dos outros.

Daí que, do ponto de vista económico, consideremos que o turismo abrange todas as deslocações de pessoas, quaisquer que sejam as suas motivações, que obriguem ao pagamento de prestações e serviços durante a sua deslocação e permanência temporária fora da sua residência habitual superior ao rendimento que, eventualmente, aufiram nos locais visitados.

O turismo é, assim, uma transferência espacial de poder de compra originada pela deslocação de pessoas: os rendimentos obtidos nas áreas de residência são

transferidos pelas pessoas que se deslocam para outros locais aonde procedem à aquisição de bens ou serviços.

Nesta conceção, o turista é considerado como um puro consumidor cujos atos de consumo não têm relação com a obtenção de um rendimento.

Excluímos as deslocações do e para o local de trabalho exigidas pelo exercício de uma profissão fora da residência habitual, como resulta da própria definição, bem como as pessoas que se deslocam, habitualmente, da sua residência com o objetivo de adquirirem os produtos ou serviços de que necessitam para seu consumo corrente (caso das compras habituais em hipermercados situados fora da localidade de residência).

Tratando-se de uma deslocação de poder de compra compreende-se, então, que um

português residente em França, e ai exerça uma profissão remunerada ou aí obtenha os seus rendimentos, deva ser considerado como turista ou visitante francês quando se desloca a Portugal. Na sua deslocação operou uma transferência de poder de compra de França para Portugal e Portugal, por via disso, exportou serviços para França. É o que acontece, aliás, com a exportação de produtos portugueses para serem consumidos pelos emigrantes portugueses.

a uma exportação diferindo apenas o local de

consumo. Podemos, então, desde já, extrair uma conclusão: todas as atividades económicas, culturais e recreativas que, embora se possam inscrever na categoria das turísticas por prestarem o mesmo serviço, sejam predominantemente destinadas à utilização dos residentes ou das pessoas que se desloquem para o local onde se situam para aí exercerem uma profissão, não podem ser classificadas com turísticas. Assim, um restaurante de Lisboa, embora seja, em tudo, idêntico ao de um centro turístico, só poderá ser considerado como turístico desde que seja predominantemente frequentado por visitantes. Também não é turístico um campo de golfe reservado aos sócios de um clube local ou um campo de ténis que serve

um aglomerado residencial e é reservado aos utentes desse aglomerado.

Em ambos os casos há lugar

Trata-se de uma distinção importante para a política turística porque permite evidenciar as atividades predominantemente turísticas das que o não são.

1.2.Classificações do Turismo

Estabelecidos os conceitos de turista e turismo, várias classificações deste se podem fazer tomando como base as suas causas e influências e atendendo aos

fatores que intervêm nas deslocações de pessoas, tais como a sua origem, os meios de transporte utilizados, o grau de liberdade administrativa, a época da deslocação,

etc

Deste

modo, podem ter-se as seguintes classificações:

grau de liberdade administrativa, a época da deslocação, etc Deste modo, podem ter-se as seguintes classificações:

a) Segundo a origem dos visitantes

Atendendo ao facto de se atravessar ou não uma fronteira o turismo subdividir-se-á, de acordo com as classificações metodológicas adotadas pela OMT e pelo Eurostat, em:

Turismo doméstico ou interno que resulta das deslocações dos residentes de um país, quer tenham a nacionalidade ou não desse país, viajando apenas dentro do próprio país;

Turismo recetor (inbound tourism) que abrange as visitas a um país por não residentes;

Turismo emissor (outbound tourism) que resulta das visitas de residentes de um país a outro ou outros países.

Estas três formas básicas podem ser combinadas de vários modos, resultando dessas combinações as seguintes categorias de turismo:

Turismo interior que abrange o turismo realizado dentro das fronteiras de um país e compreende o turismo doméstico e o recetor;

Turismo nacional que se refere aos movimentos dos residentes de

um dado país e compreende o turismo doméstico e o turismo emissor;

Turismo internacional que, por abranger unicamente as deslocações

que obrigam a atravessar uma fronteira, consiste no turismo recetor adicionado do emissor. Embora as referências ao turismo evidenciem, normalmente, o turismo internacional e, quase sempre, seja este que vem à mente quando se fala em turismo, o facto é que os movimentos turísticos no interior de cada país são, regra geral, de dimensão superior aos fluxos internacionais.

Na atualidade, estima-se que estes, pouco ultrapassam as mil milhões de chegadas de estrangeiros aos

Na atualidade, estima-se que estes, pouco ultrapassam as mil milhões de chegadas de estrangeiros aos países de todo o mundo enquanto os primeiros ultrapassam as 6.000 milhões de chegadas, ou seja, 6 vezes mais. No entanto, pelos diferentes efeitos económicos que provoca, é, geralmente, dada maior ênfase e importância ao turismo internacional e, inicialmente, a própria definição de turismo excluía, como vimos, os nacionais. Também os primeiros estudos dedicados ao turismo o entendiam como «atividade económica destinada a servir os visitantes

estrangeiros» (Stadner, em 1883) ou como «o total de operações, especialmente de natureza económica, diretamente relacionadas com a entrada, permanência e movimento de estrangeiros num certo país ou região» (Hermann von Schul-lard, 1910). Atualmente, porém, a expressão turismo abrange tanto o doméstico como o internacional.

b) Segundo as repercussões na balança de pagamentos

Dado que as entradas de visitantes estrangeiros contribuem para o ativo da balança de pagamentos de um país, na medida em que provocam a entrada de divisas, e que as saídas de residentes nesse país têm um efeito passivo sobre aquela balança por provocarem uma saída de divisas

c) Segundo a duração da permanência

Quanto ao tempo de duração da estada de um turista numa dada região ou num país pode distinguir- se entre turismo de passagem e turismo de permanência. O primeiro será efetuado apenas pelo período de tempo necessário para se alcançar uma outra localidade ou país objetivo da viagem, isto é, o destino final. Turismo de permanência será o realizado numa localidade ou num país, objetivo da viagem, por um período de tempo variável que, porém, exigirá, pelo menos, uma dormida.

Este período de tempo variará, naturalmente, com o objetivo da viagem, mas para aqueles que viajam, em particular, por motivo de férias, dependerá das condições existentes para reter ou não o turista, das características do local visitado e dos preços aí praticados, do país de onde proceda, da duração das suas férias e das suas motivações. Considerando um determinado turista, um país ou uma localidade terá capacidade ou não de retenção consoante dispuser de condições capazes de lhe proporcionar uma estada atraente e agradável o que é tanto mais importante quanto as receitas proporcionadas pelo turismo dependem mais da duração da estada do que do número de turistas.

1.2. Classificação do Turismo segundo a duração e permanência

do Turismo segundo a duração e permanência O Reino Unido, com três vezes menos visitantes do

O Reino Unido, com três vezes menos visitantes do que a Espanha, obtém uma receita proporcionalmente superior, o mesmo se verificando na comparação entre Portugal e a Irlanda. E óbvio, contudo, que não há uma relação de causa-efeito por, na formação das receitas, intervirem múltiplos fatores como, por exemplo, os preços, mas não resta dúvida que a permanência é um fator determinante das receitas. A capacidade de retenção de uma região depende de múltiplos fatores locais, uns ligados às condições naturais existentes (paisagem, praias, termas, neve), outros aos investimentos realizados (infraestruturas, alojamento, diversões, parques de atração) e outros, ainda, à capacidade criativa (manifestações culturais, informações sobre a região, organização de atividades para ocupação de tempos livres). Algumas regiões portuguesas, embora disponham de condições naturais suscetíveis de reterem os visitantes e apesar de serem atravessadas por

importantes correntes turísticas, continuam a ser meras zonas de passagem por não terem equipamentos adequados nem revelado capacidade para criarem condições mínimas de retenção.

Como se vê pelo Quadro, em que se comparam as entradas de estrangeiros pelas principais fronteiras terrestres do país com as dormidas registadas na hotelaria do respetivo distrito, é insignificante o número dos estrangeiros que permanece uma noite na área dos distritos considerados o que significa que não dispõem de condições de retenção e os turistas que atravessam os seus territórios procuram outros destinos. Trata-se de áreas com um turismo predominantemente de passagem o que evidencia o facto de a uma região, que pretenda desenvolver-se turisticamente, não bastar dispor de atrativos ou de facilidades na entrada de turistas: é, também, indispensável dispor de condições de retenção. d) Segundo a natureza dos meios utilizados

De acordo com as vias utilizadas, podemos distinguir turismo terrestre, náutico e aéreo e, de acordo com os meios utilizados, distinguiremos o turismo por caminho de ferro, por barco, por ar ou por automóvel. Com a perda da importância relativa dos dois primeiros meios de transporte, a maior parte dos turistas desloca-se, ou por via aérea, ou por automóvel, embora em relação aos países que possuem fronteiras terrestres importantes, como Portugal, e no turismo interno, continue a dominar o turismo automóvel.

Chegadas de Visitantes às Fronteiras Entradas por Vias de Acesso

de Visitantes às Fronteiras Entradas por Vias de Acesso Como é óbvio, se, em vez do

Como é óbvio, se, em vez do número de visitantes, se utilizasse como indicador o número de turistas evidenciar-se-ia uma importância relativa do transporte aéreo superior, mas, mesmo assim, o automóvel continuaria a ser o meio que só por si transporta mais turistas que o conjunto dos restantes. Esta conclusão realça a importância das vias rodoviárias para o desenvolvimento do turismo, quer sob o ponto de vista nacional, quer sob o ponto de vista regional. É comum dizer-se que sem transportes não há turismo mas tal afirmação será também válida para as vias rodoviárias, na medida em que estas constituem as mais importantes vias de acesso aos destinos turísticos.

e) Segundo o grau de liberdade administrativa

De conformidade com este critério resulta a diferenciação entre turismo dirigido e turismo livre, segundo as regulamentações existentes nos países, quer emissores, quer recetores, limitem a liberdade das deslocações de turistas ou lhes concedam inteira liberdade de movimentos.

Os países emissores, em situações de dificuldade das respetivas balanças de pagamentos ou por razões políticas, podem limitar as saídas dos seus nacionais por vários meios: limitações na aquisição de divisas; lançamento de impostos; obrigação de constituição, prévia à saída, do depósito de uma certa quantia de dinheiro; obrigação de vistos; restrições na concessão de passaportes.

Também os países recetores limitam, por vezes, sobretudo por razões políticas, as entradas de estrangeiros ou as suas deslocações no interior do país. A ex- União Soviética exigia visto de entrada com indicação precisa das cidades de permanência, há países que impedem as visitas a certas localidades e, outros, que condicionam a passagem de visto, ou mesmo das entradas, através de pesados procedimentos administrativos e, outras vezes, não permitem a entrada de nacionais de países com os quais não mantêm relações diplomáticas (caso de Portugal em relação aos indonésios por causa de Timor).

No entanto, pelo reconhecimento da importância do turismo para a economia de cada país e pelo facto de os turistas se revelarem extremamente sensíveis a todo o tipo de limitações, assiste-se, cada vez mais, a um abrandamento dos condicionamentos às deslocações turísticas.

f) Segundo a organização da viagem

O turismo, quer nacional, quer internacional, de acordo com a forma como é organizada a viagem, pode ser dividido em turismo individual e turismo coletivo ou de grupo.

Quando uma pessoa ou um grupo de pessoas parte para uma viagem cujo programa é por elas próprias fixado, podendo modificá-lo livremente, com ou sem intervenção de uma agência de viagens, estamos perante o turismo individual.

Estamos perante o turismo coletivo ou de grupo, package tour (também conhecido por organizado), quando um operador de viagens ou uma

agência oferece a qualquer pessoa, contra o pagamento de uma importância que cobre a totalidade do programa oferecido, a participação numa viagem para um determinado destino segundo um programa previamente fixado para todo o grupo. São elementos deste tipo de viagem:

• a organização prévia;

• oferta de um conjunto de prestações

• preço fixo.

As componentes da viagem são determinadas antes da sua oferta ao público integrando:

• um destino;

• meio de transporte;

• alojamento bem como o modo de acompanhamento.

viagem de ida e volta;

• transferências dos pontos de chegada para o respetivo meio de alojamento e vice-versa;

• alojamento;

• alimentação;

• distrações e ocupação dos tempos livres;

• seguros;

• outras prestações particulares.

Também, o preço é determinado previamente e, normalmente, pago antes do início da viagem, embora sejam frequentes as vendas a crédito.

Estas viagens podem também ser organizadas por associações sem fim lucrativo, clubes, organizações profissionais ou sindicais ou mesmo por empresas, mas unicamente para os seus membros.

O turismo começou por ser fundamentalmente individual mas, sobretudo a

partir da década de sessenta, com o aparecimento dos voos fretados (charter flights), o acesso às viagens pela generalidade das populações e a intervenção de organizações empresariais de grande dimensão, as viagens organizadas passaram a ganhar cada vez maior importância. A título de exemplo, refira-se que 40% dos britânicos que se deslocam ao estrangeiro, ou seja à volta de 15 milhões, fazem-no na modalidade de viagem de grupo.

1.3. Tipos de Turismo

A identificação dos tipos de turismo resulta das motivações e das intenções dos viajantes, podendo selecionar-se uma enorme variedade, dada a grande diversidade dos motivos que levam as pessoas a viajar. A diversidade de motivações turísticas traduz-se por uma diversidade de tipos de turismo. Como as regiões e os países de destino apresentam também uma grande diversidade de atrativos, a identificação dos vários tipos de turismo permite avaliar a adequação da oferta existente ou a desenvolver às motivações da procura.

Embora as razões que levam os homens a viajar sejam extremamente variadas

e, muitas vezes, se misturem na mesma pessoa, é possível distinguir certos

tipos de turismo e agrupando por afinidades os motivos de viagens, podem destacar-se os tipos a seguir enumerados que, porém, não esgotam todos os

que se podem identificar nem estabeleçam uma barreira entre eles.

Este novo produto resulta de:

homoterapia e outros medicamentos naturais;

menos tempo e
menos tempo e

a preço pouco elevado;

naturais; menos tempo e a preço pouco elevado; a) Turismo de recreio Este tipo de turismo
naturais; menos tempo e a preço pouco elevado; a) Turismo de recreio Este tipo de turismo

a) Turismo de recreio Este tipo de turismo é praticado pelas pessoas que viajam para «mudar de ares», por curiosidade, ver coisas novas, disfrutar de belas paisagens, das distrações que oferecem as grandes cidades ou os grandes centros turísticos. Algumas pessoas encontram prazer em viajar pelo simples prazer de mudar de lugar, outras por espírito de imitação e de se imporem socialmente. Este tipo de turismo é particularmente heterogéneo porque a simples noção de prazer muda conforme os gostos, o caráter, o temperamento ou o meio em que cada um vive.

b) Turismo de repouso

A deslocação dos viajantes incluídos neste grupo é originada pelo facto de pretenderem obter um relaxamento físico e mental, de obterem um benefício para a saúde ou de recuperarem fisicamente dos desgastes provocados pelo «stress», ou pelos desequilíbrios psicofisiológicos provocados pela agitação da vida moderna, ou pela intensidade do trabalho.

Para eles, o turismo surge como um fator de recuperação física e mental e procuram, por via de regra, os locais calmos, o contacto com a natureza, as estâncias termais ou os locais onde tenham acesso à prestação de cuidados físicos como as modernas health farms, ou beauty/arms. Constituem um importante segmento de mercado, principalmente originário dos grandes centros urbanos, que não desdenha a animação, os desportos e a recreação.

c) Turismo cultural

As viagens das pessoas incluídas neste grupo são provocadas pelo desejo de ver coisas novas, de aumentar os conhecimentos, de conhecer as particularidades e os hábitos doutras populações, de conhecer civilizações e culturas diferentes, de participar em manifestações artísticas ou, ainda, por motivos religiosos.

Os centros culturais, os grandes museus, os locais onde se desenvolveram no passado

as grandes civilização do mundo, os monumentos, os grandes centros de peregrinação ou os fenómenos naturais ou geográficos constituem a preferência destes turistas. Incluem-se neste grupo as viagens de estudo, bem como as realizadas para aprender línguas.

d) Turismo desportivo

Hoje as motivações desportivas respeitam a camadas cada vez mais vastas das

populações de todas as idades e de todos os estratos sociais, quer se trate de assumir perante as atividades desportivas uma atitude passiva, quer ativa. No primeiro caso, o objetivo da viagem é o de assistir às manifestações desportivas como os jogos olímpicos, os campeonatos de futebol, os jogos de inverno; no segundo, o objetivo centra-se nas práticas de atividades desportivas como a caça, a pesca, os desportos náuticos, o alpinismo, o ski, o ténis, o golfe, etc.

As modernas tendências da procura, em que a preferência pelas férias ativas assume uma importância cada vez maior, obrigam a que o desenvolvimento de qualquer centro turístico deva ser equipado com os meios mais apropriados à prática dos desportos tendo em consideração as possibilidades de cada local.

e) Turismo de negócios As profissões e os negócios têm como consequência movimentos turísticos importantes e de grande significado económico, hoje extraordinariamente desenvolvido pelo crescente grau de internacionalização das economias e das empresas, pelo aumento das reuniões científicas e pela proliferação de manifestações de divulgação de produtos, como as feiras e as exposições.

Do mesmo modo, constituem frequentemente ocasiões para viajar as visitas aos grandes complexos industriais ou técnicos e às explorações agrícolas ou pecuárias bem como a participação em congressos. Incluem-se neste grupo as deslocações organizadas pelas empresas para os seus

colaboradores, quer como prémio, quer para participarem em reuniões de contacto com outros que trabalham em locais ou países diferentes: as chamadas «viagens de incentivo». Este tipo de turismo assume um elevado significado para os locais ou países visitados na medida em que, regra geral, as viagens são organizadas fora das épocas de férias e pagas pela empresa, ou pela instituição a que os viajantes

pertencem.

Implica, contudo, a existência de equipamentos e serviços adequados, tais

como salas de reuniões, centros de congressos, espaços para exposições e facilidades de contactos internacionais. Muitos teóricos e sociólogos consideram que uma viagem de negócios não pode ser considerada como uma verdadeira viagem turística porque dela está ausente a voluntariedade que caracteriza o turismo. Segundo eles, trata-se de viagens profissionais que não permitem ao viajante a escolha do destino nem o tempo da sua deslocação: a noção de liberdade do indivíduo, fundamental no turismo, é inexistente nestas viagens.

No entanto, não só a multiplicidade de situações que originam as viagens de

negócios e a ligação que frequentemente se estabelece entre estas e o aproveitamento do tempo disponível ou o seu alongamento para atividades

lúdicas, mas, também, a utilização, imposta pela viagem, de

equipamentos e serviços turísticos, levam a esbater as diferenças entre

o turismo de negócios e qualquer outro tipo. O Turismo de negócios

engloba, assim: Viagens de Negócios Individuais / Congressos e Convenções /

Feiras, Exposições e Salões Especializados / Seminários e Reuniões de Empresa / Conferências e Colóquios / Incentivos e Workshops.

Vantagens do Turismo de Negócios para o país de acolhimento:

do Turismo de Negócios para o país de acolhimento: – os seus participantes são geralmente membros

os seus participantes são geralmente membros de classes sociais mais favorecidas;

são geralmente membros de classes sociais mais favorecidas; – permite combater a sazonalidade, porque as

permite combater a sazonalidade, porque as deslocações ocorrem fora da época alta do turismo de lazer, permitindo manter ocupados os vários serviços turísticos, ao longo do ano.

ocupados os vários serviços turísticos, ao longo do ano. maneira geral do que o provocado por

maneira geral do que o provocado por outros tipos de deslocações. Os seus participantes, embora visitem a região, para fazer compras, para a conhecer ou

para se divertirem, passam a maior parte do tempo em salas de reuniões.

para se divertirem, passam a maior parte do tempo em salas de reuniões.

desejem captar este tipo de turistas, desejando que eles levem uma boa imagem do local visitado, dada a capacidade que têm de influenciar outros visitantes. Além disso muitos dos acontecimentos relacionados com o mundo dos negócios são objeto de cobertura mediática, o que promove, necessariamente, a zona recetora, muitas vezes em termos internacionais. As autoridades locais demonstram, por isso um empenhamento, por vezes muito grande na captação destes turistas, através de uma participação ativa no evento ou através de uma ação facilitadora da sua realização. Devido às vantagens para o destino de receber turistas com a possibilidade de dispenderem montantes mais elevados e que simultaneamente não perturbam muito a vida da comunidade local, a competição para captar este tipo de visitantes é muito intensa, sobretudo no setor das reuniões, feiras e incentivos, em que os seus organizadores podem escolher o local onde o querem realizar. Já o turismo de negócios propriamente dito, devido à rigidez das suas opções, não é captável através da promoção.

f) Turismo político A participação em acontecimentos ou reuniões políticas provocam uma

movimentação significativa de pessoas, quer se trate de ocasiões esporádicas, quer de reuniões ou acontecimentos regulares. São exemplos das primeiras as comemorações do duplo centenário da Revolução Francesa, em Paris, os funerais do Imperador do Japão, ou, mais distante, a coroação da Rainha de Inglaterra; são exemplos das segundas as reuniões originadas pelos trabalhos da União Europeia em Bruxelas, ou pelo Parlamento Europeu em Estrasburgo. São, porém, casos específicos que não traduzem a realidade dos movimentos das pessoas por razões políticas já que, diariamente, eles se verificam com maior ou menor intensidade, quer interna, quer internacionalmente.

Tem características e efeitos semelhantes ao turismo de negócios e exige ainda condições idênticas, necessariamente acrescidas de uma organização mais cuidada por razões diplomáticas e de segurança.

g) Turismo de Saúde

Termalismo

O termalismo é praticado desde, pelo menos, os tempos da ocupação romana.

As qualidades terapêuticas das águas foram desde então utilizadas, tendo

atingido, a nível europeu o seu maior desenvolvimento, nos séculos XVIII e

XIX.

A permanência, durante um certo período de tempo, nas termas, oferece a

imagem tranquilizadora de cuidados sérios com a saúde, fazendo, atualmente, as termas um esforço para se adaptarem às novas exigências científicas e tecnológicas da nossa época.

Paralelamente a este esforço de modernização assiste-se ao aparecimento de novos produtos designados “Fitness” ou “Manter a Forma”, que complementam os tradicionais produtos para clientes que buscam a cura de um determinado tipo de doença. Os clientes dos produtos “Fitness” desejam encontrar o equilíbrio mais

intensivo, uma vez que engloba aspetos físicos, psicológicos e sociológicos. Trata-se de um bem estar que se liga a sentimentos de reequilíbrio e de vitalidade, ou seja, manter a unidade do corpo e do espírito, para além das adversidades da vida. O conceito “manter em Forma” tem em conta:

de de prever os riscos da doença.
de de prever os riscos da doença.

h) Talassoterapia

Os centros de talassoterapia atraem cada vez mais clientes, quer por motivos

de saúde (curativos ou preventivos), quer para consumo de produtos “manter a forma”. Neste setor do Turismo de Saúde é uma espécie de porta estandarte. Quais as razões dos eu sucesso? A água do mar, acima de tudo, mas também a imagem de luxo, a tecnicidade das instalações, a duração e os conteúdos

dos produtos propostos, os cuidados, a necessidade de recuperar do stress do

dia a dia, sem esquecer os meios de comunicação social que lhe imprime um

caráter idílico, acentuando este aspeto do sonho. A talassoterapia, quer dizer a exploração, com fins terapêuticos das virtudes combinadas da água do mar, do clima, e da atmosfera marítimas, adaptam-se perfeitamente aos males do século, e no entanto, esta não é uma atividade recente. Ao longo dos tempos as águas do mar foram utilizadas para fins terapêuticos. Em 1899, o primeiro centro de talassoterapia foi criado em Roscoff. Os tratamentos incluíam, apenas, fins curativos. Em Portugal conhece-se a existência de barcaças inundáveis, junto às praias onde se podia usufruir de um banho com fins curativos. Assim acontecia, por exemplo, na costa de Lisboa. O próprio complexo de Santo António do Estoril, na sua fase inicial encara a água de uma perspetiva curativa. Como já foi dito, aquele incluía termas e a ideia era de que as pessoas pudessem tirar partido, igualmente, dos efeitos benéficos para a saúde, da água e do mar.

O produto talassoterapia evoluiu do produto medicinal para produto

“manter a forma”. Esta mudança deve-se, por um lado, às características da nova procura e, por outro, às incertezas quanto à manutenção de subsídios da segurança social para este tipo de tratamentos. Não deixa, contudo, de ser

verdade que a melhor maneira de evitar a doença é precisamente manter a forma, prevenindo assim o seu aparecimento.

i) Turismo Religioso

De forma a simplificar podemos afirmar que existem duas grandes correntes

religiosas:

religiosa (católicos, muçulmanos e budistas). Estas religiões, em particular a católica, criaram organizações para

religiosa (católicos, muçulmanos e budistas). Estas religiões, em particular a católica, criaram organizações para encorajar e facilitar a sua prática. ra as quais a peregrinação não existe mas cujos crentes, praticam pelo menos uma forma de turismo ligada à religião os Judeus e os Protestantes visitam locais que guardam as marcas dos seus correlegionários:

lugares de memória que são em geral, lugares de peregrinação.

de memória que são em geral, lugares de peregrinação. O Turismo religioso tem normalmente três tipos

O Turismo religioso tem normalmente três tipos de abordagem:

Turismo religioso tem normalmente três tipos de abordagem: – o turismo é um meio do indivíduo

o turismo é um meio do indivíduo se aproximar de DEUS. O participante encara a peregrinação como parte integrante da sua prática religiosa. Aquele que realiza esta viagem pode, a qualquer instante, tocado pela emoção do lugar ou pelo espírito que o habita, converter-se a esta fé.

ou pelo espírito que o habita, converter-se a esta fé. – o turismo religioso é um

o turismo religioso é um meio para o crente conhecer melhor a história do grupo a que pertence. a visita a lugares de culto e a santuários é um modo do indivíduo, crente ou não, compreender as religiões, que influenciam as nossas sociedades, no plano histórico, sociológico e simbólico. O aumento da procura dos locais religiosos está ligado, à motivação cultural e aos projetos de valorização cultural e turística do património religioso.

cultural e turística do património religioso. Tipologia dos turistas em meio religioso: – para viver uma

Tipologia dos turistas em meio religioso:

–

para

viver uma experiência totalmente religiosa, mesmo transcendente; que é, em regra, um visitante que viaja em grupo, acompanhado pela família, com guia ou assistente espiritual;

tem

sua

que

se

situa

completamente

fora

do

turismo,

guia ou assistente espiritual; – tem sua que se situa completamente fora do turismo, que como
guia ou assistente espiritual; – tem sua que se situa completamente fora do turismo, que como

que

como

objetivo

estimular

a

espiritualidade, relembrar os mistérios da salvação e a procura da santidade; que encara a sua experiência apenas do

da santidade; – que encara a sua experiência apenas do ponto de vista das ciências sociais.

ponto de vista das ciências sociais.

experiência apenas do ponto de vista das ciências sociais. A Igreja Católica é muito estruturada, tendo

A Igreja Católica é muito estruturada, tendo por base uma organização

territorial: diocese com um conjunto do “Povo de Deus” sob a responsabilidade de um Bispo. Os serviços e os movimentos têm em conta diversos aspetos da vida humana

(do território da diocese). A Igreja emprega, muitas vezes, na sua ação, as denominadas Pastorais, como a do Turismo e dos Tempos Livres. A Pastoral

do Turismo e do Lazer é um organismo oficial ao serviço da igreja encarregada

do “Turismo e Lazer”. O acolhimento nas Igrejas é um dos seus principais objetivos.

Tem lugar também, uma reflexão teológica que procura responder a questões como as mudanças de mentalidade que o Turismo opera e os novos comportamentos que gera.

A Pastoral procura também, a formação e coesão dos cristãos implicados no

Mundo do Turismo e dos Tempos Livres criação de ligações que lhes permita partilhar experiências por setores (guias, agentes de viagens, hospedeiras,

jornalistas, postos de turismo,

A animação que se centra no acolhimento, especialmente nas visitas às

Igrejas, mas também a monumentos, etc, é outro dos seus objetivos. Desenvolvem igualmente iniciativas nas praias, nas montanhas e em estações

termais

No que concerne ao Património da Igreja, a Pastoral tenta também, resolver alguns problemas práticos:

).

tenta também, resolver alguns problemas práticos: ). -se, muitas vezes, fechadas por medo de roubos degradações

-se, muitas vezes, fechadas por medo de roubos

degradações é necessário organizar a sua abertura e vigilância; tenção do edifício, cuidar da limpeza e sobretudo dar imagem de comunidade de vida;

e

a sua abertura e vigilância; tenção do edifício, cuidar da limpeza e sobretudo dar imagem de
pelo local, espetáculos que aí possam ser organizados; cultura religiosa. O edifício nada diz. Há

pelo local, espetáculos que aí possam ser organizados; cultura religiosa. O edifício nada diz. Há pois que criar desdobráveis, quadros, visitas guiadas, para sua melhor compreensão.

quadros, visitas guiadas, para sua melhor compreensão. A peregrinação para os muçulmanos é o momento ideal
quadros, visitas guiadas, para sua melhor compreensão. A peregrinação para os muçulmanos é o momento ideal

A peregrinação para os muçulmanos é o momento ideal para demonstrar o

fervor dos seus fiéis para com o seu Deus.

A peregrinação a Meca é talvez a mais prestigiada do mundo islâmico deve,

se possível, ocorrer no Ramadão, relembrando a conquista pacífica que Maomé e sus discípulos levaram a cabo nos ano 630 da nossa era e que marca o início

do calendário muçulmano. A data do nascimento do profeta Maomé é outra das escolhidas para as peregrinações, a maior parte dos peregrinos fazem a viagem de avião, mas ainda existem muitos, que a fazem por estrada, em caravana, desejosos de conhecer as realidades dos países islâmicos percorridos, cumprindo o seu dever religioso.

islâmicos percorridos, cumprindo o seu dever religioso. A doutrina budista apoia-se num só conceito: reconhecer os

A doutrina budista apoia-se num só conceito: reconhecer os sofrimento e

libertar-se. Esta máxima leva a que a vida humana ganhe um valor especial:

permite que o Homem se liberte da sua condição insatisfatória e conheça a felicidade, a lucidez e a liberdade interior. Os principais lugares de peregrinação ligados à vida de Buda são: o lugar de seu nascimento no Nepal, o local do sermão da “Roda da Lei” no Parque das Gazelas em Sarnath e o local do Panirvana, a 175 kms de Patna.

em Sarnath e o local do Panirvana, a 175 kms de Patna. A religião judaica não

A religião judaica não considera o conceito de peregrinação. Não se pode falar

num turismo judaico propriamente dito, mas sim num turismo judeu, ligado à

identidade judia. As suas motivações são as seguintes:

deu podendo ser incluído neste grupo o muro das lamentações, que lembra o Templo de

deu podendo ser incluído neste grupo o muro das lamentações, que lembra o Templo de Herodes, destruído pelos romanos, a Fortaleza de Massada, último bastião judeu contra os romanos e os campos de concentração como Auschwitz. viagem que é efetuada por aqueles que não regressaram a Israel, após a fundação do Estado Judaico. Visitam os locais mais importantes, sob o ponto de vista cultural.

os locais mais importantes, sob o ponto de vista cultural. – é referência para 17 milhões
os locais mais importantes, sob o ponto de vista cultural. – é referência para 17 milhões

é referência para 17

milhões de judeus no mundo inteiro.

i) Turismo étnico e de caráter social Incluem-se neste grupo as viagens realizadas para visitar amigos, parentes e organizações, para participar na vida em comum com as populações locais, as viagens de núpcias ou por razões de prestígio social.

Uma parte significativa de pessoas que integra este grupo é formada por

conhecimentos ou,

integrarem em organizações ou manifestações

temporariamente,

jovens que pretendem aumentar

os

seus

se

juvenis.

Incluímos neste grupo as viagens realizadas ao país de origem, pelos nacionais de um país, seus descendentes e afins residentes no estrangeiros e que, em muitos casos, constitui um mercado de grande dimensão. Os portugueses e seus descendentes, residentes em França ou nos Estados Unidos da América, constituem vastos mercados potenciais para Portugal com uma disponibilidade para serem motivados, incomparavelmente superior à dos nacionais desses países.

Nas fronteiras portuguesas não se procede à recolha de informações relativas aos movimentos dos portugueses residentes no estrangeiro, não sendo, por isso, possível avaliar a importância que assumem para o turismo português. No entanto, em Espanha contam-se, em cada ano, à volta de 4 milhões de

entradas de espanhóis residentes no estrangeiro, ou seja, o quarto maior fornecedor de visitantes ao país; por sua vez, quase 5 milhões de britânicos deslocam-se anualmente ao estrangeiro para visitar amigos e parentes.

2. Evolução Histórica do Turismo

Cunha (1997) identifica três épocas históricas do turismo:

idade clássica;(1997) identifica três épocas históricas do turismo: idade moderna; idade contemporânea. a a a 2.1. Idade

idade moderna;três épocas históricas do turismo: idade clássica; idade contemporânea. a a a 2.1. Idade Clássica -Período

idade contemporânea.históricas do turismo: idade clássica; idade moderna; a a a 2.1. Idade Clássica -Período que vai

a

a

a

idade clássica; idade moderna; idade contemporânea. a a a 2.1. Idade Clássica -Período que vai desde

2.1. Idade Clássica

-Período que vai desde os primórdios das primeiras civilizações até à primeira metade do século XVIII. -A invenção da roda permitiu o desenvolvimento da carruagem puxada por animais e criou as primeiras condições que possibilitaram a realização das viagens, não só para efetuar transações comerciais, mas também para outros fins. -As estradas começaram a generalizar-se e a ser construídas com maiores cuidados. -Mas foram os romanos que, cerca de 150 anos A.C. criaram a maior rede de estradas até então construídas, das quais algumas ainda hoje são utilizadas,

subsistindo ainda várias pontes da época atravessadas pelos automóveis de hoje. -Também por via marítima, há mais de 5000 anos, eram organizadas viagens pelo rio Nilo, no Egito, para visitar os vários templos que existiam ao longo daquele rio.

-Os romanos e os gregos viajavam para visitar os templos e as sete maravilhas do mundo da área do Mediterrâneo, em particular as pirâmides e os monumentos do Egito que ainda hoje constituem uma das grandes atrações turísticas do mundo.

-A Grécia atraía grandes multidões por altura dos Jogos Olímpicos e ofereciam grande número de atrações como as produções teatrais, os banhos termais, competições atléticas e festivais.

-Entre 180 e 160 A.C., foi escrita em dez livros uma «Descrição da Grécia» que continham uma descrição pormenorizada dos mais importantes sítios e monumentos da Grécia - pode ser considerado como o primeiro guia turístico .

-É, no entanto, com o desenvolvimento das instalações termais, em 25 A.C, em Roma, que nascem os verdadeiros centros de turismo que se prolongam até aos nossos dias.

-Já os gregos, há cerca de 4000 anos, haviam aproveitado as fontes termais para realizarem curas, mas foram os romanos que as transformaram em centros de atração espalhados por todo o território imperial: em Itália, França, Espanha, Portugal, Inglaterra, Roménia, Norte de África e Ásia Menor.

-A grandeza e o luxo das instalações termais com piscinas, banheiras de água quente, salas de sudação e massagens, acompanhados de representações teatrais, jogos de circo, corridas de carros e outras distrações, a que hoje

chamamos animação, permitiram que o termalismo desempenhasse um importante papel no plano das viagens e da animação que ainda hoje se mantém.

-Grande parte das estâncias termais europeias em funcionamento, e que constituem importantes centros de atração turística moderna, iniciaram-se com os romanos e, em alguns casos, mantém o esplendor do passado. Tal é o caso de Ischia e Abano, em Itália, Vichy, Mont-Dore ou Évian, em França, Chaves, S. Pedro do Sul ou Luso, em Portugal, Bath, em Inglaterra, e muitas outras em vários outros países.

-Cerca

de

900

A.

C.

as

viagens

tinham

como

principal

razão as

peregrinações

sendo célebres

as

que

se

dirigiam

a

Santiago

de

Compostela, em Espanha, Canterbury, em Inglaterra, à Terra Santa, na Palestina, e a Meca, na Arábia. Para alguns autores, as peregrinações que já se efetuavam na Grécia, no Egito ou em Roma, são mesmo as primeiras viagens turísticas.

-No século XIV, existiam já guias de viagens que forneciam aos peregrinos indicações detalhadas sobre as regiões que tinham de atravessar e os tipos de alojamentos que poderiam utilizar.

-As grandes viagens iniciam-se com Marco Polo no século XIII, percorreu o Oriente até à China.

-Posteriormente, os portugueses preparam as suas grandes expedições por mar e Lisboa torna-se um centro de atrações.

-As primeiras descobertas dos portugueses, seguidas das grandes viagens dos espanhóis, ingleses, franceses e holandeses, transformaram o mundo e permitiram a universalização das viagens.

-Os portugueses - percorrem toda a costa de África e Mar Vermelho, chegam à Índia, Tailândia, China e Japão, estabelecem-se em Malaca e em Timor e descobrem o Brasil; -Os espanhóis chegam às Caraíbas, às Antilhas e América Central e Sul. -Os ingleses - descobrem a América do Norte.

A Idade Clássica do turismo, que se prolonga até ao século XVIII, caracteriza- se pelo facto das viagens serem individuais e se realizarem, predominantemente, por necessidades fundamentais como o comércio, as peregrinações religiosas, a saúde ou por razões políticas e de estudo.

2.2.Idade Moderna

-Durante todo o período histórico que abrange a Antiguidade e a Idade Média as formas e os motivos das viagens mantiveram as mesmas características e os mesmos traços não se distinguindo claramente as duas épocas. - A partir de meados do século XVIII produzem-se grandes mudanças do ponto de vista tecnológico, económico, social e cultural, que introduzem alterações significativas nas viagens. -É nesta época que se popularizam, entre as camadas sociais de maiores recursos, as viagens de recreio como forma de aumentar os conhecimentos, procurar novos encontros e experiências. -Em Inglaterra, o nascimento das ideias da livre-troca no comércio internacional e dos

primeiros passos da revolução industrial, com a invenção da máquina a vapor, incrementaram as relações internacionais. -Na segunda metade do século, a generalidade das pessoas cultas e mais ou menos célebres viajavam por quase toda a Europa e realizavam estadas de longa duração. -Os diplomatas, estudantes e os membros das famílias ricas inglesas que viviam na ociosidade faziam a Grand Tour viajando pela Europa,

passando a ser moda visitar Paris, Florença, Roma ou Veneza.

-Com a Grand Tour nasce o conceito de turismo e, pela primeira vez, começam

a designar- se as pessoas que viajam por turistas.

-Multiplica-se a publicação de guias turísticos. Em 1793 surge o Guide dês Voyageurs en Europe.

- No mesmo ano de 1793, foi também publicado Le Guide d'Espagne et

Portugal.

- O vasto movimento dos ingleses para o Continente europeu influenciou

extraordinariamente o desenvolvimento dos transportes, da hotelaria e da restauração. -No século XIX, o progresso da ciência, a revolução industrial, a multiplicação das trocas, o desenvolvimento dos transportes, em particular do comboio, e a transmissão de ideias com a generalização da publicação de jornais, dão um novo impulso às viagens.

-Por volta de 1830, surgem na Suíça os primeiros hotéis que começam a tomar

o lugar dos albergues e das hospedarias.

- São, sobretudo, as viagens dos ingleses que impulsionam a hotelaria e, por

isso, não é de estranhar que muitos deles passem a ter nomes ingleses: Hotel

d'Angleterre, Hotel Albion, Hotel de Londres, Hotel Windsor, Carlton, etc. -Surgem, nessa época, alguns dos grandes hoteleiros que, ainda hoje, dão o nome a cadeias famosas como Pullman e Ritz.

-Em 1822, Robert Smart, de Bristol, tornou-se o primeiro agente de viagens encarregando-se das reservas de lugares para os passageiros de barco entre a Inglaterra e a Irlanda. -Foi em 1841 que nasceu o turismo organizado com Thomas Cook. Este organiza a primeira Viagem Coletiva com duração de um dia e com 570 passageiros entre Loughborough e Leicester para assistirem a uma manifestação antialcoólica.

- Em 1855 dá-se a primeira viagem internacional Great Exhibition.

- Em 1864 Thomas Cook organizou a primeira excursão acompanhada no

regime “tudo incluído” para 500 turistas – destino Suíça. Seguindo-se um ano

depois uma viagem no mesmo regime de Londres para os E.U.A.

- Em 1867 a Agência de Viagens “Thomas Cook & Son” emite o Voucher.

-Thomas Cook abre escritórios por todo o mundo (Egito e Índia). As suas iniciativas marcam uma das mais importantes etapas na história do turismo e estão na origem do turismo dos nossos dias, continuando a agência por ele criada a ser uma das maiores organizações turísticas do mundo. - Henry Wells emite em 1891 os primeiros Traveller Cheque da American Express.

- Em Portugal nascem as primeiras organizações de viagens de que é exemplo

a criação da Agência Abreu, em 1840. -A primeira década do século XX caracterizou-se por inovações e transformações que alteraram profundamente os modos de vida: é a chamada Belle Epoque: a descoberta do telégrafo; a descoberta do telefone;o alargamento da rede de caminhos de ferro que ultrapassa o milhão de Km; a

extensão das redes de estradas, que só em França atingem os 700.000 Km;

- O grande desenvolvimento industrial, que transfere a força económica da Europa para os Estados Unidos;

- A racionalização do trabalho e as reivindicações sindicais, conduzem a uma maior democratização das sociedades e a novos conceitos de vida;

- O tempo de trabalho diminui e alcança-se o direito ao repouso semanal pelo que o conceito de lazer surge como uma nova noção;

- O turismo transforma-se num fenómeno da sociedade;

- O turismo influencia o comportamento das pessoas;

- O turismo começa a alcançar uma dimensão económica sem precedentes.

-O reconhecimento da importância do turismo leva a que quase todos os países da Europa criem instituições governamentais com o fim de promover e organizar, sendo a Áustria o primeiro país a fazê-lo, seguida da França com a criação Office National du Tourïsm, em 1910, e da Repartição de Turismo de Portugal, em 1911.

- A Organização Internacional de Trabalho (OIT) estabelece numa convenção o principio das férias pagas, posteriormente reconhecido pela Declaração

Universal dos Direitos do Homem, e, em 1936, uma lei de 20 de junho, institui em França as férias pagas, acontecimento que vai marcar profundamente o futuro do turismo.

2.3. Idade Contemporânea

O turismo passa a ser considerado como uma atividade económica relevante a

partir do inicio do século XX:

- O desenvolvimento dos transportes;

- O reconhecimento do direito às férias pagas;

- A criação de organizações nacionais e internacionais destinadas a promover o turismo.

-

Apesar dos acontecimentos que ensombraram o mundo como:

-

a I Guerra Mundial;

-

a Grande Crise de 1929;

-

a Guerra Civil de Espanha;

O

turismo alcançou dimensões significativas até ao inicio da II Guerra Mundial

para, a partir daí, entrar numa fase em que, praticamente, desapareceu.

-A partir dos anos cinquenta, os países europeus conheceram a fase de maior progresso económico e social que o mundo jamais havia conhecido o que impulsionou e consolidou o desenvolvimento do turismo.

É importante aprofundar a análise da época posterior a 1945 por forma a determinar os fatores que influenciaram o turismo:

- o tempo livre;

- o rendimento disponível;

- Férias pagas;

- Avanços tecnológicos viagens mais rápidas e destinos distantes;

- Mudança social igualdade / democracia;

- Televisão;

- as motivações das viagens interesse em conhecer outros locais;

3. O Turismo em Portugal

O Algarve, no sul de Portugal, é por excelência o ponto turístico de muitos

europeus. O clima e a temperatura da água são os principais fatores que contribuem para o grande crescimento do turismo nesta região.

Lisboa atrai muitos turistas pela história, e pelo recheio de monumentos (como

o Aqueduto das Águas Livres, a Sé Catedral, a Baixa Pombalina, a Torre

de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos. Pontos fortemente turísticos são os

museus de Arte Antiga, dos Coches, e do Azulejo, a fundação Calouste

Gulbenkian, o Centro Cultural de Belém e o teatro de ópera de São Carlos. De destacar também o mega- aquário Oceano Atlântico, a diversão noturna e toda

a

área envolvente ao recinto da expo 98.

O

Porto é uma cidade que vem conquistando um lugar de relevo no panorama

cultural do país e da Europa. Foi Capital Europeia da Cultura em 2001. A

Fundação de Serralves e a Casa da Música são de visita obrigatória, bem como

a Torre dos Clérigos (ex-líbris da cidade) e a Sé. De destacar ainda o Teatro Nacional S. João, os Jardins do Palácio de Cristal e toda a zona do centro histórico.

A Madeira é também um pólo turístico internacional todo o ano, tanto pelo seu clima ameno e paisagens exuberantes como pela sua excecional gastronomia. A Península de Setúbal tem das mais variadas características naturais e

culturais destacando-se a Serra da Arrábida, as Praias de Almada e Sesimbra,

a Baía Natural do Seixal, as salinas de Alcochete, os Moinhos de Maré, as

embarcações típicas do Tejo e Sado, as antigas vilas piscatórias e toda a fauna

e flora ribeirinha.

Na lista do Património Mundial encontram-se os centros históricos do Porto, Angra do Heroísmo, Guimarães, Évora e Sintra, bem como monumentos em

Lisboa, Alcobaça, Batalha, Tomar, as gravuras paleolíticas ao longo do Rio Coa,

a floresta laurissilva da Ilha da Madeira, e as paisagens vitivinícolas da Ilha do Pico e do Rio Douro.

Portugal é também um pais onde se pratica, além de muitos outros desportos, surf. Entre os melhores estão o Guincho, Peniche, Ericeira, Carcavelos, S.

Pedro e S. João do Estoril, Costa da Caparica e São Torpes. A ilha da Madeira e

o Algarve também são locais de eleição por turistas estrangeiros e nacionais para a prática de golf.

Outras atrações importantes turísticas são as cidades de Braga (Centro Histórico, Bom Jesus e Bracalândia), Bragança (Centro Histórico, Castelo e Teatro Municipal), Chaves (Centro Histórico e Termas), Coimbra (Universidade, Judiaria e Portugal dos Pequeninos)e Vila Real (Solar de Mateus

e Teatro Municipal).

4. O Turismo numa Perspetiva Sistémica

As visões sobre o turismo são diversas, como por exemplo:

a) meio de evasão e ocupação de tempos livres, tempo de lazer;

b) fator de ocupação de espaço com implicações ambientais e sociais;

c) forma de gerar riqueza, aumentado oportunidades de emprego.

No entanto, e olhando para estas perspetivas, ambas respeitam apenas uma parcela da atividade turística; são visões fragmentadas. De uma forma simples, podemos dizer que a atividade turística é um fenómeno que começa na deslocação de pessoas, com consequências ambientais, sociais, culturais e económicas. Assim sendo, é necessário fazer-se uma abordagem a todas estas

componentes através de uma visão do turismo enquanto sistema.

- Noção de Sistema

Interessa antes de mais saber o que se entende pela palavra “sistema”. Estamos perante um termo que se aplica às mais diversas disciplinas (ex. sistema económico, sistema social, etc) ; podemos definir sistema como sendo um “conjunto de elementos inter-relacionados, coordenados de forma unificada e organizada, para alcançar determinados objetivos”. Existe num sistema uma forte relação entre os seus vários elementos, de forma que a modificação de um elemento trará implicações a nível geral.

Tendo então como referência a noção anterior, podemos fazer uma análise do turismo como sistema, pois é uma atividade formada por um conjunto de elementos que estabelecem conexões interdependentes entre si de caráter funcional e espacial de uma forma simples, temos as as zonas de proveniência dos visitantes (emissoras), as zonas de destino (recetoras), as rotas de trânsito e todas as atividades que produzem os bens e serviços turísticos (atividade turística). Este conjunto é também constituído por vários elementos que formam as estruturas internas do sistema (subsistemas).

Por exemplo, as zonas emissoras originam os fluxos turísticos, que são constituídos por indivíduos, famílias e grupos de pessoas que, nas suas deslocações, são influenciados por fatores de vária ordem: rendimentos, condições de vida, tempo livre, nível cultural, etc. Nestas zonas, os fluxos turísticos desenvolvem-se também em função de

uma variedade de instituições com o objetivo de influenciar e controlar a emissão turística: empresas de transporte, agências de viagens, organismos de promoção e informação e outros.

Entre

as

zonas

emissoras

e

as

zonas

recetoras,

os

fluxos

turísticos

estabelecem conexões, pela utilização de transportes, hotéis e restaurantes por parte dos turistas. Nas regiões que os recebem, os turistas provocam também impactos de natureza sociocultutal e económica estes impactos vão fazer as autoridades determinar politicas e ações.

Assim, a emissão e receção turísticas são o resultado das relações entre os elementos que constituem os sistemas emissores e recetores que formam subsistemas do turismo – “a relação turística é um sistema de sistemas”

(Lainé,1980).

Para melhor se figurar esta ideia, basta pensarmos num avião que, sendo apenas um meio de transporte, é por si só constituído por vários elementos e componentes subsistemas. Se um dos sistemas falar (por exemplo, a gasolina do avião não tiver sido reposta, ou não tiver sido controlado o sistema de pressão de ar.) o sistema irá falar. O mesmo acontece no turismo: se no sub-sistema de emissão (procura) houverem perturbações económicas ou politicas todo o sistema turístico é afetado.

A partir da identificação das componentes essenciais do turismo podemos considerar que o sistema funcional do turismo, ou seja, o conjunto dos elementos que determinam o funcionamento do turismo e determinam o seu desenvolvimento, assenta na oferta e na procura:

O Sistema Turístico (1) O Sistema Turístico (2)
O
Sistema Turístico (1)
O
Sistema Turístico (2)
O Sistema Turístico (1) O Sistema Turístico (2) 4.1. Fatores Sócioculturais e Políticos 39

4.1. Fatores Sócioculturais e Políticos

Pelas suas características o turismo é um fenómeno que estabelece relações não só com as atividades humanas mas também com o ambiente físico os turistas influenciam, de forma mais ou menos intensa as atividades económicas, sociais, políticas, sanitárias, culturais e ambientais. Igualmente, o turismo origina atividades que estabelecem relações diretas e indiretas com as existentes nos locais visitados; por outro lado, o turismo também depende da maioria dessas atividades e, muitas delas, também dependem totalmente ou parcialmente do turismo. Posto isto, esta interdependência leva a que o turismo seja definido como “a soma dos fenómenos e relações constantes da interação dos turistas, fornecedores de bens e serviços, serviços governamentais e comunidades anfitriãs no processo de atrair e receber os visitantes”. À medida que o turismo se desenvolve e abrange a generalidade das populações de todos os estratos sociais e de todos os grupos etários, mais intensas e estreitas são as relações eu estabelece. A diversidade de motivos que levam as pessoas a viajar, a inovação, a criatividade e o alargamento das condições da oferta intensificam as relações entre o turismo e todas as outras atividades. Interessa sobretudo analisar então quais aquelas que podemos considerar as relações fundamentais:

aquelas que podemos considerar as relações fundamentais: quais as atividades nas quais o turismo exerce maiores

quais as atividades nas quais o turismo exerce maiores influências e maior interdependência?

Na imagem podemos ver então os sistemas com os quais o turismo estabelece interações fundamentais:

Sistema Educativo e Cientifico

È importante pois é o sistema que fomenta o conhecimento do turismo e do seu fenómeno cada vez mais os conhecimentos são importantes para o desenvolvimento eficaz do turismo, mais do que os recursos naturais e culturais.

A falta de conhecimento poderá levar à tomada de políticas na atividade

impróprias, que podem até por em causa os recursos existentes.

Progresso Tecnológico

È um dos principais fatores de desenvolvimento do turismo, especialmente no que respeita ao transportes e tecnologias de informação. Contudo, as exigências do turismo também fomentam a tecnologia a desenvolver-se (por exemplo ao nível de cartões de crédito a nível internacional e o aparecimento de aviões de maior dimensão e velocidade).

Sistema Económico e Financeiro

Este sistema é influenciado pelo turismo na medida em que este cria riqueza e emprego e dinamiza as outras atividades económicas, ajudando os países no seu desenvolvimento económico.

O turismo produz bens e serviços especificamente turísticos (transportes,

alojamento, distrações, animação, organização de viagens), mas também impulsiona a produção de bens não especificamente turísticos (produção agrícola, artesanato, mobiliário, materiais de construção).

Sistema Social

È este sistema que determina as vocações, os desejos, as atitudes e os

comportamentos dos grupos sociais, que influenciam as tendências dos fluxos turísticos. Por seu lado, o turismo por si só provoca o intercâmbio de valores,

influenciando os comportamentos coletivos.

A forma como a sociedade encara o turismo influencia o turismo: a hospitalidade das populações é um importante fator de atração turística enquanto que, por outro lado, as reações negativas à chegada de estranhos constituem um entrave ao turismo.

Sistema Ambiental

O

meio ambiente e a ecologia são um importante fundamento da atividade

turística são um dos principais motivos de atração num destino (espaços naturais atraentes, preservados, o ir ao encontro da natureza por parte dos turistas que vêm dos meios urbanos). Contudo, o turismo influência o meio ambiente em 2 medidas:

1) de forma positiva: imposição de regras de proteção de atrações naturais ou constituição de fundos de preservação para o turismo

2) de forma negativa: o turismo pode destruir - demasiados turistas provocam muitas vezes destruição da vegetação, poluição e até construção massiva em espaços frágeis ao nível ambiental.

Sistemas Políticos

Têm uma grande influência no turismo e tem um papel decisivo no aumento ou diminuição das viagens, através de fatores como: o grau de liberdade individual, os sistemas políticos e as suas alterações de poder, a estabilidade políticas ordem pública, o controlo e os incentivos políticos ao turismo. A dimensão política do turismo resulta sobretudo do seu impacte económico e do respetivo reconhecimento como fator de desenvolvimento.

Sistema Jurídico e Constitucional

A existência ou não de leis regulamentares trás influencias para o turismo;

podem haver leis que defendam os interesses da atividade e que favoreçam iniciativas em turismo ou, também, leis demasiado controladoras que impeçam

a inovação e desenvolvimento do turismo.

Por exemplo, se o turista não sentir que tem proteção jurídica contra abusos (defesa do consumidor) não se sentirá incentivado a viajar.

Sistema Cultural

A cultura sempre foi importante para o turismo:

destinos com factos e espaços culturalmente ricos sempre foram uma parte importante das viagens. Por si só, a cultura pode dar origem a um destino

turístico.

O turismo afeta a cultura em 2 perspetivas:

1) de forma positiva: melhoria dos índices culturais e sociais das pessoas 2) de forma negativa: o turismo pode provocar aculturação e destruição de autenticidade dos destinos

Sistema Sanitário

As pessoas sentir-se-ão motivadas para viajar para um país com assistência médica ou, pelo contrário, não querer viajar para um pais onde existem situações de epidemias ou doenças epidémicas. O turismo ao por em contacto pessoas pode ser também um propagador de doenças e agravar as condições sanitárias.

4.2. Componentes de um Sistema Turístico

Procura Turística constitui o sujeito de todo o sistema, tem origem no subsistema constituído pelas zonas emissoras;

Oferta Turística constitui o objeto do qual fazem parte os centros recetores (os destinos), os meios de deslocação que ligam procura à oferta (transportes), as entidades que produzem bens e serviços (empresas), as entidades que garantem os mecanismos de funcionamento e administração (as organizações)

e os meios que orientam e influenciam a procura (a promoção);

Destinos constituídos pelas localidades turísticas que dispões de atrações suscetíveis de originarem a deslocação das pessoas;

Transportes são a componente do sistema que garante a ligação entre a residência e o local do destino; constitui um subsistema complexo que integra as vias e meios de transporte, instalações dos locais de partida e chegada e a organização dos mesmos.

Informação e Promoção: conjunto de atividades, iniciativas e ações influenciam as pessoas a tomar decisões sobre as viagens mas, também, lhes dão conhecimentos sobre as mesmas;

Empresas e Serviços Turísticos: correspondem à parte mais importante do sistema, pelo menos do ponto de vista económico: prestação de alojamento, alimentação, distribuição, diversões, animação e outros serviços.

Organizações: tem responsabilidade ao nível de garantir o funcionamento do sistema; são formadas pelos serviços do Estado, autarquias, organismos públicos locais e associações profissionais.

4.2. Caraterísticas do Sistema Turístico:

44
44

- humano, espacial e temporal;

- aberto,

económico e educacional)

que

recebe

influências

de

outros

sistemas

(ex.

sistemas

-

caracterizado por conflitos e cooperações internas e externas;

-

composto por vários subsistemas;

-

com

perda de

controlo e coordenação em vários dos seus elementos

constitutivos.

4.3. Os Recursos Turísticos

Recursos turísticos - todos os bens e serviços que, por intermédio da atividade humana, tornam possível a atividade turística e satisfazem as necessidades da procura.

O património turístico constitui o elemento fundamental que o homem transforma em recursos turísticos utilizando meios técnicos, económicos e financeiros.turística e satisfazem as necessidades da procura. mediante uma intervenção do homem, se transformam em

utilizando meios técnicos, económicos e financeiros. mediante uma intervenção do homem, se transformam em

mediante uma intervenção do homem, se transformam em património utilizável.

do homem, se transformam em património utilizável. insuficientes para garantir a permanência dos viajantes

insuficientes para garantir a permanência dos viajantes cuja deslocação originam.

Torna-se necessária a construção de equipamentos que, por um lado, permitam a deslocação (transportes, organização de viagens) e, por outro, assegurem aquela permanência (alojamento, restaurantes).insuficientes para garantir a permanência dos viajantes cuja deslocação originam. existir deslocações. 45

O recurso turístico foi definido na Plano Nacional de Turismo de 1986 1989

como:

“todo o elemento natural, atividade humana ou seu produto, capaz de motivar a deslocação de pessoas ou de ocupar os seus tempos livres”.

Um recurso turístico deve constituir um fator essencial para a escolha de um destino, quanto aos seus atrativos de ordem natural, cultural ou de simples animação recreativa.

5. O Turista

- Definição de Turista

A expressão turista é relativamente recente. Começou a ser utilizada no início

do século XIX para designar aqueles que “viajavam por prazer”. Mas, atualmente, a expressão turista tem um sentido muito mais amplo. Na segunda metade do século XVIII, passou a ser normal para os jovens ingleses, das camadas sociais mais elevadas, complementarem a sua educação com uma viagem ao Continente que era designada, na Inglaterra, pela expressão “fazer a Grand Tour” ou, mais tarde, apenas a «Tour». As pessoas que faziam esta viagem - a Tour - eram designadas de «Touristes».

A palavra foi, posteriormente, introduzida em França por um escritor, passando a designar toda a pessoa que fazia uma viagem para o seu próprio prazer.

Muitas outras línguas adotaram as palavras francesas Touriste e Tourisme com

o sentido restrito de: viagem feita sem fim lucrativo, por distração, repouso,

satisfação da curiosidade de conhecer outros locais e outras pessoas; embora a

viagem não fosse considerada um mero capricho mas antes uma forma de

aprendizagem, um meio complementar de educação.

Esta conceção prevaleceu durante muitos anos e, ainda em 1932, um autor português (José Ataíde), escrevia o seguinte: o turismo consiste nas viagens por mero prazer, as que se fazem com o fim exclusivo de gozar os encantos dos países que se visitam. Face a esta consideração, surgem então as seguintes questões:

- Então o homem de negócios não é um turista?

- Um caixeiro viajante não é um turista?

- Um indivíduo que vai fazer uma cura numa estância termal não é um turista?

- Não são turistas as pessoas que o acompanham?

- Aqueles que passam uma temporada numa praia não são turistas?

- Os que fazem uma viagem de estudo não são turistas?

Todos eles, ao deslocarem-se para fora da sua residência habitual, seja no interior do país ou para o estrangeiro, comportam-se de modo idêntico àqueles que viajam por puro prazer e utilizam-se dos mesmos meios de transporte e dos mesmos estabelecimentos hoteleiros e de restauração, procedem a reservas pelas agências de viagens e fazem compras nos locais para onde se deslocam. Têm tudo em comum, exceto quanto à razão da sua deslocação ou da motivação que esteve na origem desta, e provocam idênticos efeitos económicos e sociais.

Para a economia das companhias aéreas, dos hotéis ou das agências de viagens é indiferente que o viajante utilize os seus serviços, quer se desloque por puro prazer ou para satisfazer uma necessidade profissional.

Deste modo, na aceção moderna, a expressão turista refere-se às pessoas que se deslocam para fora da sua residência habitual.

Convém, pois, desde já reter os dois elementos que integram o conceito de

Turista:

- a deslocação

- a residência.

Para alguém ser considerado como Turista é necessário que se desloque para um local diferente do da sua residência.

Mas todos os dias há pessoas que se deslocam para fora da sua residência e não podem ser considerados como turistas. É o caso dos que vivem nos arredores dos centros urbanos e que todos os dias se têm de deslocar para estes por razões profissionais ou quaisquer outras.

Falta, portanto, um terceiro elemento: o da duração da permanência. Para que uma pessoa possa ser considerado como turista é necessário que se desloque para um local diferente da sua residência habitual e aí tenha uma certa permanência, tendo-se convencionado que esta não deverá ser inferior a 24 horas. Há, contudo, milhares de pessoas que se deslocam para fora da sua residência por períodos inferiores ou superiores a 24 horas exclusivamente por razões ligadas ao exercício da sua profissão e com o objetivo de auferirem uma remuneração, não sendo correto englobá-las na mesma categoria daquelas que se deslocam por motivos considerados no conceito inicial de turista. Encontramos, então, um quarto elemento integrante do conceito de turista: a remuneração.

A definição de turista ou de turismo não tem sido tarefa fácil nem pacífica em virtude da dificuldade em enquadrar no mesmo conceito realidades, por vezes, muito distintas mas com pontos comuns inseparáveis e gerando fenómenos semelhantes mas nem sempre produzindo resultados iguais.

Mas uma viagem de uma pessoa nacional no interior do seu país tem muito de comum com a viagem de uma pessoa estrangeiro nesse mesmo país mas os

resultados que produzem são diferentes.

A primeira tentativa de definição de turista ocorreu em 1937, quando a Comissão Económica da Sociedade das Nações (SDN) se defrontou com a necessidade de «tornar mais comparáveis as estatísticas turísticas internacionais».

Em consonância com a tendência, na altura dominante, de apenas se considerar como turistas os viajantes estrangeiros, a SDN entendeu que o termo turista deve, em princípio, ser interpretado como significando toda a pessoa que viaja por uma duração de 24 horas, ou mais, para um país diferente do da sua residência.

Como esta definição era imprecisa e não considerava a remuneração, a Comissão fê-la seguir da enumeração das categorias de pessoas que deveriam ou não considerar-se como turistas.

Assim, considerou como turistas:

1. As pessoas que realizam uma viagem por prazer ou por razões familiares, de

saúde, etc.;

2. As pessoas que se deslocam para realizar reuniões ou missões de toda a espécie: científicas, administrativas, diplomáticas, religiosas, desportivas, etc.;

3. As pessoas em viagem de negócios;

4. Os visitantes em cruzeiros marítimos mesmo quando a duração da permanência seja inferior a 24 horas.

Não eram consideradas turistas:

1. As pessoas, com ou sem contrato de trabalho, que chegam a um país para

ocupar um emprego ou aí exercem uma atividade profissional;

2. As pessoas que vão fixar o seu domicílio no país;

3. Os estudantes e jovens vivendo em pensionatos ou internos em estabelecimentos escolares; 4. Os viajantes em trânsito sem paragem no país, mesmo se a travessia durar mais de 24 horas.

Esta primeira definição ampliou o conceito inicial passando a considerar como turistas as pessoas que se deslocavam para realizar reuniões ou missões ou em viagens de negócios e, levou, pela primeira vez, a incluir no turismo pessoas que viajavam independentemente do puro prazer.

Em 1950, a então União Internacional dos Organismos Oficiais de Turismo (UIOOT), que mais tarde daria lugar a Organização Mundial de Turismo (OMT), entendeu que não se justificava a exclusão dos estudantes da definição da SDN porque a manutenção dos jovens é, em geral, assegurada pelas respetivas famílias que residem no estrangeiro e passou a incluí-los na definição de turista.

For outro lado, a UIOOT preocupou-se com uma categoria especial de pessoas, cada vez mais numerosa, que se deslocam para um país estrangeiro por períodos inferiores a 24 horas e que não estavam incluídos na definição da SDN. Estas pessoas, chamadas excursionistas, passaram também a ser incluídas no conceito de turista.

Posteriormente, a Organização das Nações Unidas (ONU), que resultou da transformação da Sociedade das Nações, em conjunto com a Organização da Aviação Civil Internacional, modificaram a definição da SDN, com as alterações introduzidas pela UIOOT, E elaboraram a sua própria definição substituindo a designação de turista por “visitante temporário”.

A definição a que chegaram difere essencialmente da anterior pelo facto de abandonar o critério da duração mínima de estada de 24 horas, estabelecer,

em contrapartida, uma duração máxima de estada no país visitado de 3 meses e passando a incluir na categoria de «visitantes» as pessoas em trânsito.

Uma outra definição foi incluída na Convenção sobre as Facilidades Aduaneiras em favor do turismo, concluída em Nova York, em 1954, que considerou como turista toda a pessoa que entra em território de um Estado, diferente daquele em que a dita pessoa tem a sua residência habitual e nele permaneça pelo menos 24 horas e não mais de 6 meses, em qualquer período de 12 meses, com fins de turismo, recreio, desporto, saúde, assuntos familiares, estudo, peregrinações religiosas ou negócios, sem propósito de emigração.

0 facto de existirem várias definições de turismo internacional apresentava sérias dificuldades, sobretudo por razões de comparação e análise estatística, pelo que a UIOOT tomou a iniciativa de propor a adoção de uma definição uniforme e que integrasse os elementos caracterizadores do turismo atrás indicados.

A proposta foi apresentada e discutida em 1963, na Conferencia das Nações Unidas sobre o Turismo e as Viagens Internacionais, realizada em Roma, que adotou a seguinte definição de visitante para fins estatísticos: «o termo visitante designa toda a pessoa que se desloca a um país, diferente daquele onde tem a sua residência habitual, desde que aí não exerça uma profissão remunerada, compreendendo-se nesta definição:

a) Os turistas, isto é, os visitantes que permaneçam pelo menos 24 horas no

país visitado e cujos motivos de viagem podem ser agrupados em:

Lazer (férias, saúde, estudos, religião, desportos e prazer)

Negócios, razões familiares, missões, reuniões;

b)

Os excursionistas, isto é, os visitantes temporários que permaneçam menos

de 24 horas no país visitado (incluindo os viajantes em cruzeiros).

Esta definição abrange, portanto, os visitantes no número dos quais se incluem

todos os não residentes que chegam a um determinado país, com exceção dos que, juridicamente, não entram no território nacional (por exemplo, os viajantes que chegam a um aeroporto e nele permanecem até reembarcarem), subdividindo-se em turistas e excursionistas. Surge-nos aqui uma distinção importante. A distinção entre visitante e turista, que habitualmente se confundem, mas que têm uma diferença essencial.

Os visitantes são todos os que chegam às fronteiras e, por isso, é habitual falar em «chegadas», mas só são turistas os que permanecem mais de 24 horas.

A diferença entre eles não é meramente estatística: os excursionistas, que adicionados aos turistas constituem o grupo de visitantes, não se utilizam dos alojamentos e limitam as suas visitas à proximidade das fronteiras. Para se avaliar a diferença entre uns e outros bastará referir que, em 1995, as entradas de visitantes em Portugal ultrapassaram largamente os 22 milhões mas os turistas entrados pouco ultrapassaram os 9,7 milhões. Tradicionalmente, o número de turistas não chega aos 45% do número total de visitantes embora, em Espanha, a proporção do número de turistas, relativamente ao número de visitantes, ronde os 70%.

Entradas de Visitantes Estrangeiros em Portugal Unid.: Milhares

Visitantes

1990

1992

1994

1995

l.Turistas

8.019

8.884

9.169

9.705

Excursionistas

10.179

11.634

12.377

12.925

Trânsito

222

222

211

2. Total

18.422

20.741

21.758

22.875

(1)/(2) %

43,5

42,8

42,1

42,4

Fonte: «O Turismo em 1994». Análise de Conjuntura. Boletim n° 18, Jan./Fev. 1996, DGT.

Em Portugal apura-se, estatisticamente, a diferença entre turistas e visitantes decompondo-se o número de visitantes pelos seus componentes mas em alguns países não é feita esta distinção como, por exemplo, no Reino Unido cujas estatísticas apenas fornecem o número de visitantes, pelo que não há possibilidade de efetuar comparações.

Pela definição das Nações Unidas, que é a normalmente seguida internacionalmente, verifica-se facilmente que ela comporta os seguintes elementos na definição de turista:

a) A deslocação de uma pessoa de um país para outro diferente daquele em

que tem a residência habitual;

b) Um motivo ou uma razão de viagem que não implique o exercício de uma

profissão remunerada;

c) Uma permanência no país visitado superior a 24 horas;

d) A adoção do conceito de residência por contraposição ao da nacionalidade.

De acordo com o último dos elementos integrantes da definição de turista conclui-se que um português que resida habitualmente em França deve ser considerado como turista francês quando visita Portugal e um residente

estrangeiro em Portugal quando passa férias no interior do país deve ser considerado como turista português. No entanto, as estatísticas portuguesas não incluem os portugueses não residentes no número de visitantes estrangeiros que chegam às nossas fronteiras, contrariamente ao que se verifica em Espanha, por exemplo, e aqui encontramos mais um fator que dificulta ou impede mesmo as comparações internacionais.

Esta definição das Nações Unidas é, porém, incompleta. Apenas se refere ao turismo internacional excluindo, portanto, os movimentos turísticos no interior de cada país provocados pelas pessoas que neles residem e não limita o tempo de permanência no local visitado, condicionando apenas, esta, a que, no mínimo, seja de 24 horas, quando em anterior definição se considerava também um tempo de permanência máxima de 3 meses e a Convenção sobre as Facilidades Aduaneiras a limitar a 6 meses.

Por isso, em 1983, a Organização Mundial de Turismo, elaborou uma definição de turismo nacional pela qual: o termo «visitante nacional» designa toda a pessoa, qualquer que seja a sua nacionalidade, que reside num país e que se desloca a um lugar situado nesse país e cujo motivo principal da visita é diferente do de aí exercer uma atividade remunerada. Esta definição compreende:

a) Os turistas nacionais, isto é, os visitantes com uma permanência no local visitado, pelo menos, de 24 horas mas não superior a um ano, e cujos motivos de viagem podem ser agrupados em:

• Prazer, férias, desportos;

• Negócios, visita a parentes e amigos, missão, reunião, conferência, saúde, estudos, religião; b) Os excursionistas nacionais, isto é, os visitantes que permanecem no local visitado menos de 24 horas (incluindo os passageiros em cruzeiro)».

Chegados a este ponto é possível assentar nos seguintes conceitos de acordo com a definição da ONU:

• Visitante, é toda a pessoa que se desloca temporariamente para fora da sua

residência habitual, quer seja no seu próprio país ou no estrangeiro, por uma razão que não seja a de aí exercer uma profissão remunerada;

• Turista, é todo o visitante temporário que permanece no local visitado mais

de 24 horas; • Excursionista, é todo o visitante temporário que permanece menos de 24 horas fora da sua residência habitual. Por estas definições, essencialmente de caráter estatístico, não se faz qualquer destrinça entre os que viajam por motivos de lazer, repouso, desporto, negócios, cultura, saúde ou religião e, assim, englobamos na categoria de turistas, por exemplo, os componentes de uma equipa de futebol, de uma peregrinação religiosa ou de um congresso que se deslocam no interior do país ou para o estrangeiro desde que, no local para que se deslocaram, não exerçam qualquer profissão remunerada e aí permaneçam entre 24 horas e um ano. A Organização Mundial de Turismo designa os consumidores do produto turístico por visitantes. O termo "visitante" ficou definido para fins estatísticos, como designando toda a pessoa que se dirige para outro destino, diferente daquele em que fixou residência habitual, movida por razões que as de não exercer uma profissão remunerada no destino visitado.

fixou residência habitual, movida por razões que as de não exercer uma profissão remunerada no destino

Fonte: Organização Mundial do Turismo

Fonte: Organização Mundial do Turismo 1. Visitantes que passam pelo menos uma noite no país visitado;

1. Visitantes que passam pelo menos uma noite no país visitado;

2. Tripulantes dos navios ou aviões estrangeiros em reparação ou fazendo escala no país e que utilizam os meios de alojamento do país;

3. Visitantes que não passam a noite no país visitado dado que podem visitá-lo

durante um ou vários dias e dormir no barco ou no comboio;

4. Incluídos normalmente nos excursionistas. Uma classificação separada destes visitantes é todavia recomendada;

5. Visitantes que chegam e partem no mesmo dia;

6. Tripulantes que não são residentes do país visitado e que aí permanecem

durante o dia; 7. Quando se deslocam do país de origem para o país onde estão colocados e inversamente (inclui as domésticas e as pessoas a cargo que os acompanham); 8. Que permanecem na área de trânsito do aeroporto ou do porto. Em certos países o trânsito pode comportar uma estadia de um ou vários dias. Neste caso, é necessário incluí-los nas estatísticas dos visitantes.

6. Turismo e Desenvolvimento

Os estudos de planeamento e desenvolvimento turístico têm como objetivo fundamental a definição de estratégias orientadoras para a estruturação da atividade turística num determinado território (concelho, região, país).

Desenvolvimento e Sustentabilidade As diretrizes para o desenvolvimento sustentável do turismo e as práticas de gestão sustentável são aplicáveis a todas as formas de turismo em todos os tipos de destinos, incluindo o turismo de massas e os diversos segmentos turísticos. Os princípios da sustentabilidade referem-se aos aspetos ambientais, económicos e socioculturais do desenvolvimento turístico, devendo estabelecer-se um equilíbrio adequado entre essas três dimensões para garantir a sua sustentabilidade a longo prazo. Assim, o desenvolvimento turístico assente nos princípios da sustentabilidade deverá:

• dar um uso ótimo aos recursos ambientais,

• respeitar a autenticidade sociocultural das comunidades anfitriãs e

• assegurar uma atividade económica viável a longo prazo, oferecendo benefícios socioeconómicos a todos os agentes.

Exige ainda a participação informada de todos os agentes relevantes, sendo um processo contínuo que requer a constante monitorização dos impactos, devendo igualmente manter um elevado nível de satisfação dos turistas.

A política de acolhimento no contexto da atividade turística

O acolhimento é um fator nuclear na atividade turística já que é uma prática

feita por e para pessoas. O acolhimento pode ser considerado como uma mais valia para uma determinada região, se for praticado com satisfação e agrado por parte dos recetores turísticos. Neste contexto, é fundamental definir uma política de acolhimento eficaz e funcional, que coadune com a estratégia turística da região e enriqueça a forma de receber e transmita ao visitante o prazer em acolher.

Noção e dimensões das políticas de acolhimento em turismo

O êxito de qualquer política de acolhimento a nível nacional mede-se através

do grau de satisfação do visitante no respetivo destino turístico, sendo certo que a estabilidade e a coesão das nossas sociedades beneficiam com a penetração das correntes turísticas vindas de países mais desenvolvidos, devido à partilha de riqueza que estes fluxos promovem. Contudo, e apesar das políticas com maior impacto no acolhimento serem definidas primordialmente ao nível nacional, é no plano local que a receção se processa e onde mais decisivamente se avalia o seu sucesso, sendo para tal imprescindível o envolvimento do poder local (Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia), bem como de todos os agentes económicos beneficiários do

turismo.

A Receção é o aspeto principal de qualquer região que deseje apostar no

turismo e que veja nesta atividade o meio sustentável para o desenvolvimento económico do país. Saber receber e saber acolher são virtudes e não se restringem apenas aos dirigentes políticos, muito pelo contrário, deve começar ao nível operacional onde se realiza o contacto direto entre o recetor e o visitante.

Recursos humanos, técnicos e financeiros ao serviço do acolhimento

A melhor forma de abordar este assunto seria afirmar que não se “fazem omeletas sem ovos”, pelo que se revela imprescindível existirem condições estruturais que garantam recursos humanos, técnicos e financeiros ao serviço de acolhimento. Porém, quanto a nós, consideramos que já é possível fazer “omeletas sem ovos” neste campo, visto que o acolhimento é algo que ultrapassa os aspetos técnicos e financeiros e se refletem em maior escala na atitude e no comportamento de quem o pratica. Naturalmente que para acolher de forma eficaz e completa é necessário um conjunto de recursos humanos, técnicos, tecnológicos e financeiros que garantam o bom acolhimento. Mas, seguramente, não é este conjunto suficiente para satisfazer e agradar o visitante. Lançamos aqui o desafio ao leitor de viajar até Budapeste, na Hungria, por exemplo, e depois visitar a Guiné-Bissau. Este caso é um exemplo daquilo que prova o que aqui afirmamos. Budapeste reúne talvez os recursos humanos, técnicos, tecnológicos e financeiros necessários para prestar um ótimo acolhimento ao turista. E presta no que a alojamento, entretenimento e património diz respeito, mas fica longe naquilo que realmente sustenta o turismo que é as relações humanas entre o visitante e a comunidade residente e profissional do turismo. Por seu turno, Bissau não tem recursos humanos, não tem recursos técnicos, não tem recursos tecnológicos e não tem recursos financeiros para receber turistas, no entanto é dos locais onde o acolhimento humano é mais caloroso e onde se regista o prazer pelos residentes em receber o visitante.

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