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Sumário

 

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RESGATE HISTÓRICO DO JOVENS LIDERANÇAS RESUMOS DOS TRABALHOS SELECIONADOS

........................................................ DECLARAÇÃO POLÍTICA DA FORÇA TAREFA JOVENS LIDERANÇAS

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RESGATE HISTÓRICO DO JOVENS LIDERANÇAS

Nos dias 05 e 06 de Agosto de 2014 realizou-se em

Brasília uma oficina com a Coordenação de Prevenção e Articulação Social – CPAS, do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais - DDAHV* com o objetivo de definir estratégias de prevenção, testagem e adesão ao tratamento no contexto da epidemia concentrada para jovens gays, HSH e travestis. A Oficina foi coordenada pelo consultor Beto de Jesus e teve como demanda final apresentada, diversos itens entre os quais:

  • 1. Criar uma força tarefa permanente, intersetorial a partir daquele encontro para monitorar a implementação das estratégias ali discutidas.

  • 2. Criar um fórum jovem de discussão que servisse como participativo e espaço de expressão e diálogo para os jovens alvos.

  • 3. Criar um espaço de formação de lideranças que contasse com elaboração de conteúdo com tutores selecionados, especialistas e pessoas que vivenciassem a experiência gay e travesti/transexual;

De acordo com o resultado apontado pelo consultor, os temas a serem abordados deveriam ser:

Histórico do Movimento LGBT

História natural e social da Aids

Habilidades de comunicação oral e escrita e utilização

das novas tecnologias Direitos Humanos e legislações, etc.

Para realização desta atividade, de acordo com o documento final desse encontro, seria necessário considerar- se algumas ações:

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Fazer estudo e análise de perfil (estereótipos, estigmas, preconceito) dentro da própria comunidade LGBT para entender e atingir os principais problemas que atingem os jovens LGBT e orientar os líderes deste campo.

Incluir as travestis na população de jovens (15-24 anos) no sentido de captar líderes para atuar no combate ao

HIV-Aids.

Incluir pastorais da juventude dentre os grupos organizados que devem ser identificados para atuar na estratégia de ampliação e formação de novas lideranças.

Um mês após as deliberações deste seminário, o UNAIDS - Brasil convidou jovens para a criação de uma força tarefa que abraçasse essas demandas além de construírem outras. O grupo que se iniciou com três lideranças do Rio de Janeiro e cresceu gradativamente. O Força Tarefa Jovem foi fundamental para iniciação do processo de construção coletiva do Curso de Formação de Jovens Lideranças para o Controle Social do SUS no âmbito do HIV-AIDS. O Curso foi uma

iniciativa do UNAIDS em conjunto com Ministério da Saúde, UNESCO, UNICEF e UNFPA e cujo objetivo foi o de capacitar jovens para a resposta ao HIV e à AIDS. Ao total, 1080 jovens de todo o Brasil se inscreveram para participar do curso, dentre esses 140 foram selecionados após duas semanas de avaliação. A maioria faz parte de populações-chave na resposta ao HIV/AIDS: gays, homens que fazem sexo com homens (HSH), travestis, transexuais e profissionais do sexo. Algumas destas jovens lideranças também trabalham com pessoas que usam drogas e com redução e danos; outras, ainda, integram duas populações também consideradas vulneráveis ao HIV, como negros e indígenas, e também agregou ativistas feministas, artistas, comunicadores e profissionais de saúde com formação concluída ou incompleta. Paralelo aos cursos, realizou-se ainda um processo de mobilização e empoderamento de jovens líderes e fortalecimento de organizações juvenis a fim de trazer as questões relacionadas ao HIV a sociedade como um todo. Em pouco tempo o grupo agregou centenas de jovens através de ações presenciais e/ ou virtuais.

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A Formação de Jovens Lideranças para o Controle Social do SUS no âmbito do HIV/Aids já

A Formação de Jovens Lideranças para o Controle Social do SUS no âmbito do HIV/Aids já inspirou outras versões similares cuja iniciativa partiu de membros de redes de jovens vivendo com HIV/Aids além de outros ativistas da área. Alguns lugares onde essas versões ocorreram foram em São Paulo, na tríplice fronteira da Amazônia e em breve no RJ.

Lideranças das Populações-Chave no âmbito do HIV/AIDS para controle social do SUS, na cidade de Luziânia-GO no período de 13 a 16 de outubro de 2016.

O I Seminário Nacional de Jovens Lideranças para o Controle Social do SUS no âmbito do HIV/Aids reuniu cerca de 100 Jovens Lideranças das cinco regiões do país como também contou com a parceria de facilitadores de áreas

As

duas

primeiras

edições

afins visando a contribuição das ações

presenciais do curso foram realizadas em Maio e Setembro de 2015 e a terceira em Fevereiro de 2016.

Ao final das três edições do Curso de Formação de Jovens Lideranças, os jovens se se uniram a ONG Elos - Grupo em Defesa dos Direitos e Cidadania de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) do Distrito Federal e Entorno (Elos – LGBT/DF) e submeteram um projeto ao DDAHV para a realização do I Seminário de Jovens Lideranças com o objetivo de apresentar as ações

desses jovens, bem como a garantia de uma maior instrumentalização destas, com foco no combate à epidemia do HIV/Aids e o Controle Social do SUS. Por meio de apresentações das ações territoriais realizadas pelos Jovens em seus municípios de residência, as Jovens Lideranças que estiveram enriquecendo este encontro mostraram ações relacionadas ao ativismo no movimento social HIV/Aids, Direitos Humanos entre outras questões relacionadas que contribuíram para êxito deste evento.

realizadas pós-cursos e facilitar a troca

 

Entre

os

itens

que

estiveram

de experiências entre os jovens. O

presentes

nas

temáticas

centrais

do

projeto foi aprovado, e assim surgiu o I

evento,

destacam-se

alguns

temas

Seminário Nacional de Ações de Jovens

como:

Juventude

e

Sexualidade,

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Aconselhamento para as DST/HIV/AIDS, Prevenção Combinada, Tratamento, Vulnerabilidades, Populações-Chaves, Controle Social e temas relacionados. Estes por

Aconselhamento para as DST/HIV/AIDS, Prevenção Combinada, Tratamento, Vulnerabilidades, Populações-Chaves, Controle Social e temas relacionados. Estes por sua vez foram expostos em forma de apresentação de trabalhos, rodas de conversa, pôsteres, palestras e apresentações culturais.

O Seminário, foi um importante momento de troca de saberes entre o Força Tarefa e os egressos do Curso de Formação de Jovens Lideranças. A união dos grupos foi marcada pela produção de um documento com princípios norteadores contra todo tipo de discriminação e preconceitos. O Seminário também foi um marco de emancipação em relação a UNAIDS e Departamento de DST\AIDS para a maior autonomia deste coletivo seja em ações individuais ou coletivas. A nova Força Tarefa Jovens Lideranças, é um grupo de pessoas de todo o país, vivendo ou não com HIV, que se reúnem através de Mídias Sociais para debater, planejar, acolher e lutar contra as opressões, discriminações e preconceitos.

* O Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais passou a usar a nomenclatura “IST” (infecções sexualmente transmissíveis) no lugar de “DST” (doenças sexualmente transmissíveis) entre uma das atualizações da estrutura regimental do Ministério da Saúde por meio do pelo Decreto nº 8.901/2016 publicado no Diário Oficial da União em 11/11/2016, Seção I, páginas 03 a 17.

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RESUMOS DOS TRABALHOS SELECIONADOS

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ABORDAGENS PARA REDUÇÃO DE IST, HIV E HEPATITES VIRAIS, A ADESÃO AO TRATAMENTO VIA ATENDIMENTOS PSICOLÓGICOS EM MOMENTOS DE CRISE E GRUPOS DE PESSOAS VIVENDO E CONVIVENDO COM HIV, PRIORITARIAMENTE COM PESSOAS LGBT DE 14 A 29 ANOS NO ESTADO DE GOIÁS

INTRODUÇÃO

Artur Oliveira Mota

Desde a descoberta do HIV até o atual cenário, a construção do conceito Aids passou por diversas transformações. Dentre as modificações, vale ressaltar a tendência do aumento significativo da taxa de detecção de HIV entre o público jovem. Frente a tal panorama o presente trabalho descreve sobre abordagens para redução de IST, HIV e Hepatites Virais, bem como o auxílio à adesão ao tratamento de pessoas soropositivas via redes de apoio, atendimentos psicológicos em momentos de urgência, chamados de plantão psicológico e grupos psicossociais de pessoas vivendo e convivendo com HIV.

O plantão psicológico possui finalidades terapêuticas, contudo a sua configuração é construída de forma diferente da psicoterapia, visto que suas intervenções são breves, uma média de uma a seis sessões. O atendimento no momento de urgência realiza acolhimento e propõe alternativas de ajuda, com fins de facilitar que a pessoa atendida se posicione diante de seu sofrimento (REBOUÇAS; DUTRA, 2010).

Já o trabalho de intervenção em grupos psicossociais possui relevante papel no âmbito das intervenções em saúde, visto que algumas pessoas soropositivas necessitam de atenção para além do diagnóstico e cuidados de seus sintomas. A convivência em grupo pode favorecer apoio no caminho de reconstrução de suas vidas a partir da experiência compartilhada por outras pessoas (PERUCCHI et al.,

2012).

METODOLOGIA

O trabalho foi realizado em duas ONGs com sede na cidade de Goiânia. No Grupo Pela Vidda de Goiânia (GPV) foram realizados atendimentos psicológicos a pessoas vivendo e convivendo com HIV em duas modalidades, uma chamada plantão psicológico, e outra intervenção psicossocial em grupos. Já o Grupo Eles por Eles de

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Goiás (GEE) trabalhou com a realização de testes rápidos para detecção de anticorpos do HIV, além de orientações em direitos humanos, sexualidade e saúde através de oficinas e rodas de conversas.

Em relação aos atendimentos realizados no GPV foram fixados cartazes informativos do serviço de plantão psicológico na sede da ONG, também solicitado ao grupo que se reunia uma vez por semana no local autorização para realização de intervenções psicossociais de 15 em 15 dias.

Já o GEE realizou quatro saídas de campo semanais em locais de sociabilidade do público LGBT, universidades e espaços públicos. Nesses ambientes foram realizadas oficinas e rodas de conversas com objetivo de atrair o público jovem, especialmente LGBT entre 14 e 29 anos e posteriormente realizado o convite para realização do teste de HIV do projeto Viva Melhor Sabendo.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os atendimentos psicológicos realizados em demanda de urgência no GPV possuíram diversas características, como ideações suicidas, luto, violência doméstica, uso abusivo de álcool e/ou drogas, além de realização de pré e pós-teste de HIV. Já as intervenções psicossociais realizadas em grupos trabalharam com identificação de vulnerabilidades, promoção de direitos humanos e, principalmente, a subjetividade dos participantes do grupo.

Tais intervenções colaboraram com a produção de novos sentidos para a pessoa atendida pelo serviço de psicologia no GPV, inserindo em um processo coletivo de engajamento em uma sociedade permeada de dificuldades de acesso aos direitos e exercício da cidadania (PERUCCHI et al., 2012, p.76).

O GEE executou o projeto Viva Melhor Sabendo, realizando testagens de HIV através do fluído oral. Como estratégia a ONG ofertou oficinas e rodas de conversas sobre sexualidade, gênero e saúde, os temas abordados abarcavam a temática IST, HIV, Hepatites Virais, PEP, PrEP e redução de danos por meio de linguagem acessível e habitual do público jovem, incluindo termos LGBT quando eram realizadas intervenções em seus espaços de sociabilidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ambos os atendimentos deferidos pelo GPV e pelo GEE promoveram intervenções transformadoras, individuais e coletivas, contribuindo com o enfrentamento do cenário atual brasileiro da epidemia do HIV. Além do fortalecimento de ações de promoção dos direitos humanos e ativismo de jovens de 14 a 29 anos

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ampliando seus conhecimentos sobre as novas tecnologias de prevenção ao HIV, IST e Hepatites Virais estimulando o uso do preservativo, da testagem e do tratamento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PERUCCHI, J., RODRIGUES, F.

D.,

JARDIM, L.

N.

e

CALAIS, L.

B.

Psicologia e

Políticas Públicas em HIV/AIDS: algumas reflexões. Psicologia e Sociedade [online]

2011.

REBOUCAS, M. S. S. e DUTRA, E. Plantão psicológico: uma prática clínica da contemporaneidade. Revista abordagem Gestalt [online]. 2010, vol.16, n.1, pp. 19-28. ISSN 1809-6867.

ampliando seus conhecimentos sobre as novas tecnologias de prevenção ao HIV, IST e Hepatites Virais estimulando
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INTERLOCUÇÕES ENTRE SAÚDE MENTAL E HIV:

implicações da micropolítica do cuidado na construção de uma clínica de possibilidades

Luis Fernando de Souza Benício

Este relato de experiência tem como objetivo descrever atividades realizadas em um serviço de Atenção Psicossocial do Município de Fortaleza-CE, consolidadas a partir da participação do facilitador no curso de formação de novas lideranças das populações chaves, realizado pelo Ministério da Saúde em abril de 2015, em apoio aos ativismos que repercutem em respostas ao HIV/AIDS e às Hepatites virais.

Trata-se de atividades que tiveram como foco a promoção de novos processos de trabalhos com a equipe, pautando a construção de uma clínica do acolhimento para os usuários que vivem com HIV/AIDS, fortalecendo, por consequência, os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). Utilizou-se o aporte teórico da Política Nacional de Humanização (PNH) na construção de espaços dialógicos, visando à consolidação de vínculos, redes e co- responsabilização por uma clínica das possibilidades. Posteriormente, foi realizada uma imersão em um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas, na qual foi possível perceber fragilidades na atenção integral das pessoas que vivem com HIV/AIDS, descritas por profissionais como limitações no manejo e na pouca compreensão acerca da temática. Assim, foram realizados encontros no formato de rodas de conversa, amparadas pela metodologia de Paulo Freire, para debater tais questões no serviço. Foram utilizadas palavras disparadoras, como: acolhimento, cuidado, diferenças, promoção, dignidade, compromisso e corresponsabilidade.

Dos resultados, podemos destacar a potência dos encontros geradores de discussões pertinentes na gestão do cuidado, que catalisaram novas discussões na construção de processos de organização no trabalho em equipe, apoiados no compromisso com a dignidade humana, na partilha do cuidado e no reconhecimento da alteridade, além de contribuir para a ruptura de alguns saberes e práticas cristalizados, que não contribuíam para o fortalecimento de novas respostas implicadas ao HIV/AIDS no contexto da atenção psicossocial às pessoas que tem problemas com os usos de drogas.

Tal relato foi apresentado no I Seminário Nacional Jovens Lideranças, 13 à 16 de Outubro na Cidade de Luziânia – GO, na modalidade de aula. Na ocasião, realizou uma discussão aprofundada sobre as interlocuções entre os campos da saúde mental e do HIV, colocando em análise os desafios para as políticas de saúde. Discutiu-se, sobretudo, a organização dos serviços em atender a integralidade do cuidado a partir dos direitos humanos, pautando a relevância de uma clínica comprometida com a cidadania.

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A PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE SOBRE ADESÃO E NÃO ADESÃO AO TRATAMENTO ANTIRETROVIRAL COM PACIENTES PORTADORES DE HIV/AIDS.

Eduardo J. S. Honorato Tirza Almeida da Silva Maycom Grimm Reis Alison Thiago Rolim da Silva Thiago Gato de Souza

Para identificar A PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE SOBRE ADESÃO

E NÃO ADESÃO AO TRATAMENTO ANTIRETROVIRAL COM PACIENTES PORTADORES

DE HIV/AIDS, este trabalho teve como objetivos específicos: Identificar possíveis necessidades de intervenção com os profissionais para que as respostas deles melhorem a adesão do paciente ao tratamento e propor melhorias para melhor solução. Tratou-se de uma Pesquisa descritiva-exploratória, tendo como instrumento uma entrevista semiestruturadas. A amostragem se deu por meio da saturação de conteúdo, e os dados trabalhados pela Análise de Conteúdo de Bardin. Todos os profissionais entrevistados recebem treinamentos para atender as pessoas que vivem com HIV/Aids.

Entendendo que a adesão ao tratamento antirretroviral é um dos maiores desafios na atenção às pessoas vivendo com HIV/Aids - PVHA, que tem seus fatores intrínsecos e extrínsecos, não se pode deixar de oferecer uma abordagem multidisciplinar, propõe-se ainda a ampliação da rede de atenção psicossocial no atendimento a PVHA para que tenha um atendimento completo e integral dessas pessoas, tendo como finalidade determinante a melhoria da qualidade de vida.

Pode-se concluir que a percepção dos profissionais de saúde sobre adesão e não adesão é multifatorial, mas se mantém em constância independente de área de atuação, tempo de atuação na área e treinamento para desenvolver as atividades voltadas para pacientes que vivem com HIV/Aids, e que o processo de adesão/não adesão tem fatores extrínsecos e intrínsecos.

1. Doutor – Universidade do Estado do Amazonas. 2. Especialista – Universidade Paulista. 3. Graduando de Medicina - Universidade do Estado do Amazonas. 4. Graduando de Odontologia- Universidade do Estado do Amazonas. 5. Graduando de Enfermagem - Universidade do Estado do Amazonas.

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MOVIMENTO NACIONAL DE LUTA CONTRA A AIDS E ATIVISMO POLÍTICO: um ensaio sobre sua dinâmica e desafios contemporâneos.

Mayara Gouveia de Castro

O presente trabalho buscou construir reflexões acerca da dinâmica do Movimento Nacional de Luta contra a Aids bem como sobre os desafios contemporâneos enfrentados pelo mesmo, visando contribuir para futuras discussão sobre a relação Movimentos Sociais e HIV/Aids no Brasil. Além disso, buscou traçar elementos para pensar o arrefecimento gradativo das manifestações públicas deste movimento no pós- 1980 quando as principais conquistas a nível de tratamento da Aids são materializadas dando lugar a uma reorganização e ressignificação das ações do movimento. Para tal, utilizou-se de revisões essencialmente bibliográficas acerca do tema, recaindo o estudo sobre livros, dissertações e artigos científicos. Conclui-se que, mesmo com a reorganização de sua luta bem como com a ressignificação de suas ações no pós-1980 que vai caracterizar seu período de latência, o Movimento Nacional continua como um referencial na luta contra a Aids, sendo a principal rede de luta no âmbito do HIV/Aids no país. Palavras-Chave: Redes de Movimentos Sociais. Movimento Nacional de Luta contra Aids. Aids.

Palavras-Chave: Redes de Movimentos Sociais. Movimento Nacional de Luta contra Aids. Aids.

1- Bacharela em Serviço Social e Mestranda em Serviço Social pela Universidade Federal de 1 Pernambuco. email: mayaragouveia@hotmail.com

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ATENDIMENTO A GESTANTES E A VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL, INCLUSIVE POPULAÇÃO LGBT: experiências exitosas e iniquidades a serem vencidas

OBJETIVO

Sabrina Chapuis de Andrade

Relatar experiência no atendimento a gestantes em geral e a vítimas de violência sexual, inclusive população LGBT, num grande hospital público federal de Porto Alegre, RS. Objetivou-se, ainda, dividir com os demais jovens a experiência da realização da testagem rápida para o HIV, Sífilis e Hepatites Virais, bem como sobre a realização do aconselhamento pré e pós teste. Além disso, foi abordada a temática do PREEP, terapia antirretroviral, adesão medicamentosa, dentre outros.

Metodologia: atividades expositivo-dialogadas. Apresentação de conteúdo, realização de oficinas e de atividades práticas com a participação ativa das jovens lideranças a partir da problematização do conteúdo.

RESULTADOS

A instituição onde trabalho e a maneira como estamos atendendo as gestantes e as pessoas vítimas de violência são, atualmente, referências nesses atendimentos. Assim, acredito que temos que disseminar as boas práticas que estamos desenvolvendo, bem como nos empenhar em aprender com outros colegas e instituições a melhorar nosso processo de cuidado.

Conclusão: acredito que apresentar este relato de experiência no seminário nacional, onde não somente profissionais de saúde estavam presentes, mas também ativistas e, principalmente, pessoas que já vivem com HIV/AIDS e enfrentam diariamente esta questão colaborou muito para a disseminação do saber e, acima de tudo, fortaleceu nossas práticas em saúde e enriqueceu ainda mais o nosso saber como profissionais e como seres humanos. A partir disso, acredito que conseguiremos melhorar o processo de trabalho e oferecer um cuidado mais integral e humanizado a nossas usuárias e usuários.

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PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS NA IMPLEMENTAÇÃO DOS TESTES RÁPIDOS NAS UNIDADES BÁSICAS DA ZONA DA MATA PERNAMBUCANA

Cíntia Assis

Pernambuco é um estado que possui uma população de 1.537.704 habitantes de acordo com IBGE (2016), dividida entre litoral, agreste, sertão e zonas da mata norte e sul. De acordo com os princípios da territorialização preconizados pelo SUS, 10 municípios fazem parte da área entendida pela XII GERES (Gerência Regional do Estado em Saúde) localizado na zona da mata norte do estado, tendo este por sede a cidade de Goiana 62,7km distante da capital Recife.

Partindo da inovação implementada este ano pelo Ministério da Saúde de descentralizar os testes rápidos em gestantes para as unidades de saúde da família, como forma de facilitar o acesso dessas mulheres ao exame, bem como agilizar o processo de diagnóstico de DST/Aids nas mesmas, evitando a transmissão vertical para seus filhos e a garantia do tratamento da doença mais rapidamente. Foram realizadas capacitações pelo nível central de saúde para os profissionais das unidades básicas dos dez municípios, sendo estes: Enfermeiros, técnicos de enfermagem e coordenadores de atenção básica. As capacitações foram estruturadas de modo a explicar como se daria o acolhimento, aconselhamento, testagem e aconselhamento pós-teste dessas gestantes e seus companheiros em caso de reagente.

Através da observação e relatórios desenvolvidos pela residência em saúde coletiva a qual faço parte, juntamente com os profissionais da XII GERES, chegamos a capacitar 100% das cidades da regional, tendo mais de 150 profissionais preparados para a realização dos testes. Neste momento os municípios entraram em processo de implementação das testagens no cotidiano das Unidades básicas e iniciamos a supervisão de como está sendo o processo de execução das mesmas. Ainda não é possível consolidar o percentual diagnosticados com HIV e outras ISTs da regional, mas é visível o aumento expressivo dos indicadores bem como o acompanhamento desses novos notificados que cresceu acentuadamente. É importante relatar ainda que Goiana é considerado um dos municípios prioritários na incidência de sífilis no estado. Daí a importância para o avanço que foi a chegada desse novo instrumento na atenção básica.

Palavras-chave: Teste Rápido, DST/Aids, Gestantes, Experiência Unidades Básicas de Saúde, Pernambuco.

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ECONOMIA SOLIDÁRIA: Uma estratégia para organização de coletivos e geração de trabalho e renda.

Diego Castro

O presente trabalho tem o objetivo de apresentar a Economia Solidária como estratégia de organização para coletivos e como uma alternativa para a geração de trabalho e renda para as populações chaves. A Economia Solidária vem sendo na atualidade uma proposta de desenvolvimento antagônica ao modelo capitalista e que tem como princípios básicos a solidariedade, sustentabilidade, o trabalho coletivo, cooperação e a prática da autogestão, além disso, a mesma acredita em uma educação emancipatória, isto é, propõem uma mudança na forma de aprender, produzir, consumir, respeitar e ainda propõem novas formas nas relações sociais e de reinserção social. Diante disso, percebe-se nos princípios da Economia Solidária diversas preocupações com situações corriqueiras do dia a dia das populações chaves, ou seja, a luta contra a exclusão social, pela democracia, pelos direitos humanos, autonomia dos indivíduos e ainda ser uma economia antagônica aos princípios de exclusão/alienação do capitalismo.

Entende-se que a população Chave é um grupo que demanda de uma atenção diferenciada, pois suas necessidades se distinguem da maioria da população, em alguns aspectos, além disso, as populações chaves pautam-se por um diálogo diferenciado sobre a vida diária e suas respectivas vivências/dificuldades e facilidades. Logo a população-chave é compreendida e constituída por homossexuais, outros homens que fazem sexo com homens (HSH), travestis, transexuais e profissionais do sexo, além de pessoas que usam drogas, negros, indígenas e outros. Também se percebe que o capitalismo exclui e descarta essa população em diversos espaços, assim sendo, seus respectivos movimentos pautam diversas ações que contemplem todos e todas nos espaços públicos e privados, porém todos se convergem em busca de direitos, da autonomia, liberdade, na luta contra a discriminação, direitos humanos e outros. Diante disso, conclui-se que os movimentos das populações chaves e o de Economia Solidária se agrupam na busca de uma sociedade que seja inclusiva, humanizada, justa, solidária, que promova o protagonismo dos seres humanos e alternativa ao modo de produção vigente que exclui.

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CINE DEBATE: visibilidade do ser negro no enfrentamento do HIV/AIDS

Luiz Philipe Belarmino Reis

Diante da persistência das condições de vulnerabilidade e de exposição à epidemia do HIV/AIDS entre a população negra e o agravamento da incidência em populações chaves revela a necessidade de compreender a interseccionalidade das identidades e diversidades para o enfrentamento do HIV.

Compreender o contexto histórico-social da população afro-brasileira e suas vulnerabilidades e marginalização econômica, social, cultural desde a “abolição da escravatura” é fundamental para reconhecer a dimensão do racismo enquanto condicionante/determinante na assistência à Saúde Pública no Brasil.

Propõe-se uma roda de conversa, no formato de CINE DEBATE: VISIBILIDADES DO SER NEGRO NO ENFRENTAMENTO DO HIV/AIDS. Onde será exibido um filme curto e apresentado questões norteadoras para o debate. A necessidade de enfrentamento do racismo no âmbito da saúde apresenta desafios à organização política e a construção coletiva de ações antirracistas. Desta forma, evidencia-se como questão central: Quais sãos as estratégias tidas pelos movimentos sociais (negro, feministas, negras/os LGBT, LGBT) para o enfrentamento do racismo e suas interseccionalidades?

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SEDIVERGEM E INTERIORIZAÇÃO DO MOVIMENTO LGBT

Vinícius Zacarias

A Semana de Diversidade Sexual, Gênero e Combate a LGBT*fobia de Muritiba - SEDIVERGEM - propõe a continuidade na luta em prol da comunidade LGBT* e dos direitos humanos na região do Recôncavo da Bahia, fazendo de suas ações instrumentos de efetivação do papel sociopolítico cidadão, desenvolvendo o trabalho de conscientização e informação, contribuindo para o combate à todas as formas de opressões, estimulando e reconhecendo a produção artística e cultural das diversidades.

As duas primeiras edições do evento (2015/2016) estiveram ancoradas na promoção do conhecimento acerca da diversidade sexual e de gênero através de de atividades multimetodológicas. Tendo como objetivos conscientizar a comunidade sobre o respeito e tolerância a diversidade humana através de exibição dos documentários, oficinas didáticas, bate-papo e visibilizar a comunidade LGBT com a realização da 3ª Parada do Orgulho LGBT* de Muritiba.

Organizado pelo Coletivo Aquenda! de Diversidade Sexual, a SEDIVERGEM é um exemplo do crescimento de movimentos organizados sexo diversos nos interiores do país, como acontece em Muritiba, pequena cidade do interior da Bahia, à 120 km da capital Salvador e com aproximadamente 30 mil habitantes. A vivência e as formas de opressões para pessoas dissidentes sexuais e de gênero em cidades interioranas são específicas e essas organizações auxiliam na publicitação de suas demandas.

Paradas do Orgulho LGBT e/ou Diversidades acontecem há mais de 6 anos em cidades como Amargosa, Governador Mangabeira, São Felix, Cachoeira, Santo Antônio de Jesus, Conceição da Feira, Conceição do Almeida, São Felipe, Castro Alves, Sapeaçu, Mata de São João e Santo Estevão, sendo que tais ações são destaques em todo o estado e cumprem sua função de formação e articulação de base para o movimento.

Além do comprometimento em pautar discussões voltadas a saúde coletiva e prevenção sobre HIV/AIDS e outras, a SEDIVERGEM vem incorporando novos objetivos, como a adesão ampla da população nas atividades. Por isso, acredita na potencialidade da cultura e da arte como impulsionadoras de novos humanos empáticos, garantindo assim a realização do evento com altos teores políticos, artísticos e culturais.

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SITUAÇÕES DE VIOLÊNCIA CONTRA TRAVESTIS E TRANSEXUAIS EM UM MUNICÍPIO DO NORTE BRASILEIRO

INTRODUÇÃO

Glauber Weder dos Santos Silva

Entre a população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, as travestis e transexuais são as que mais sofrem com o preconceito e a discriminação no ambiente familiar e social, e por extensão, os serviços de saúde, entre outros, nos quais prepondera a dificuldade de aceitabilidade e empregabilidade no mundo do trabalho e ocupação.

OBJETIVO

Analisar a partir do perfil sociodemográfico as situações de violência contra travestis e transexuais.

MÉTODO

Pesquisa transversal, descritiva, composta por 16 travestis e transexuais, realizada em Cajazeiras (PB). A coleta de dados ocorreu em abril de 2014 e os mesmos foram analisados de forma descritiva.

RESULTADOS

A tipologia das violências que vitimaram travestis e transexuais foram: verbal (91,96%), psicológica (58,33%) e física (33,33%), com frequência entre 24 horas e seis meses anteriores à pesquisa. Quanto à espacialidade: a rua, a escola e os serviços de saúde configuraram os cenários das agressões. No que diz respeito ao agente agressor, os achados apontaram para vizinhos, membros da família e profissionais de saúde. Todas as formas indistintamente aconteceram entre os agentes e espaços da agressão.

CONCLUSÕES

Na violência efetuada nesta população, acentuou-se o silenciamento das agressões sofridas e sua invisibilidade no contexto social e institucional reflete a inibição dos direitos humanos e ocultamento da realidade.

PALAVRAS-CHAVE: Pessoas transgênero. Violência. Vulnerabilidade social.

Trabalho publicado na íntegra na Revista Gaúcha de Enfermagem. Link de acesso: http://www.scielo.br/pdf/rgenf/v37n2/0102-6933-

rgenf-1983-144720160256407.pdf

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PROFILAXIA PRÉ-EXPOSIÇÃO AO HIV E PRÁTICAS BAREBACK NO CONTEXTO DO PROCESSO DE INDIVIDUALIZAÇÃO E SAÚDE

Roberto Rubem da Silva-Brandão

Com a recrudescência de novos casos de HIV, sobretudo na população de jovens homossexuais, diversas estratégias de prevenção combinada para o HIV emergem, sobretudo as profilaxias medicamentosas. Em 2014 a Organização Mundial da Saúde recomendou a utilização da Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), que envolve a utilização diária do medicamento antirretroviral por pessoas não infectadas para reduzir o risco de aquisição do HIV através de relações sexuais. Concomitante com essas incorporações tecnológicas, a questão do sexo bareback (caracterizado pelo sexo anal intencionalmente desprotegido entre homens que fazem sexo com homens no contexto da epidemia de HIV/AIDS), entrelaçado com os novos arranjos da epidemia na sua terceira década, desafia o controle epidemiológico pelo risco. A proposta de discussão desse estudo é compreender as relações entre uso da PrEP e práticas bareback, verificando suas implicações para o campo da Saúde Pública. Trata- se de um estudo com abordagem sociológica situado nos marcos das sociedades contemporâneas, olhando precisamente às mudanças sociais pela lente do processo de individualização, que abre caminhos para novas formas de socialização, inclusive nas relações mais íntimas dos indivíduos. Esses processos produzem novos desafios políticos e institucionais à proteção à saúde, que são radicalmente diferentes daqueles estabelecidos em momentos prévios da modernidade. A supremacia da figura do indivíduo frente às crescentes demandas por medidas sanitárias mais medicalizadas, sob a égide de uma higiene absolutamente customizada para diversas identidades, revela partes desses processos na atualidade. Os desafios postos em questão se dão, sobretudo, em como lidar com “autoproduções” da saúde pública, como o caso da PrEP, e suas já emergentes consequências sociais: a radicalização do indivíduo, a medicalização e vida gerenciada pelo risco.

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AMPLIAÇÃO E DISCUSSÃO SOBRE REDUÇÃO DE DANOS NO MUNICÍPIO DE PIRACICABA - SP

Wallace Osti e Silva

Este trabalho é um relato da minha participação na construção da XVI Semana Municipal Sobre Álcool e Outras Drogas de Piracicaba/SP, organizado pelo Conselho Municipal Sobre Álcool e outras Drogas (Comad), em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes), a Câmara de Vereadores e a Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep)., onde a partir desta atuação foi possível inserir a discussão sobre a Política de Redução de Danos como uma das temáticas do Evento.

Depois de participar do 3º Curso de Formação de Novas Lideranças no âmbito do HIV/AIDS, eu me senti mais seguro para poder participar e ocupar espaços de controle social. Me filiei a ABORDA (Associação Brasileira de Redução de Danos), entrei no COMAD como suplente da cadeira que a ABORDA ocupa neste conselho e fiz parte do grupo de trabalho designado para “encabeçar” a construção da Semana.

A informação é a melhor prevenção. Este foi o lema do evento que contou com a participação de aproximadamente 500 pessoas durante os 3 dias de atividades.  

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QUALIDADE DE VIDA EM PESSOAS VIVENDO COM HIV/AIDS:

um estudo de revisão bibliográfica

INTRODUÇÃO

Carlos Alexandre Spunchiado

O HIV é um retrovírus, causador AIDS. No Brasil, entre 1980 e junho de 2013, foram identificados 734.000 casos de HIV/Aids, segundo o Ministério da Saúde (2015).

Tem havido uma preocupação crescente com a qualidade de vida de pessoas vivendo com HIV devido ao aumento do tempo de vida proporcionado pelas medicações e busca pelo tratamento.

Este trabalho foi motivado por um estudo já existente na área sobre revisão bibliográfica no campo da qualidade de vida em HIV/Aids, onde analisou-se estudos de 1992 à 2002(CANINI et al, 2004) permitindo a atualização desse estudo.

OBJETIVOS

Analisar a produção científica sobre essa temática nos anos de 2003 à 2015 e, a partir dos resultados obtidos, analisar os dados quantitativamente, com o intuito de encontrar lacunas nas avaliações de qualidade de vida para potencializá-las, quebrar estigmas e motivar novos estudos na área.

MÉTODO

O estudo trata-se de uma revisão bibliográfica baseada no tema qualidade de vida de indivíduos com HIV/Aids. O objeto de estudo desta pesquisa foi a produção científica permeada no tema existente nos periódicos indexados no banco de dados Scielo, no período de 2004 à 2015, tendo como base para a produção deste um estudo anterior na área que analisou os resumos publicados nos anos de. Deu-se início a análise quantitativa dos dados, buscando os seguintes aspectos: tamanho da amostra, periodicidade, tipo de estudo, número e instrumentos utilizados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesse estudo, identificou-se que quase 50% dos artigos foram publicados entre 2012 e 2015. Os dados revelam que os estudos nessa área têm se constituído

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um importante alvo de pesquisas nos últimos anos. Acredita-se ter contribuído com a compilação de dados sobre qualidade de vida em indivíduos com HIV/ Aids, mesmo não podendo analisar a qualidade desses artigos.

É importante fortalecer as abordagens educativas e o apoio emocional no momento do diagnóstico para favorecer o enfrentamento da condição de soropositividade para o HIV (RENESTO et al, 2014). Portanto, espera-se que esse trabalho também colabore para novos estudos em busca de novos meios de conscientização da sociedade, pois entende-se que ser aceito enquanto agente ativo na sociedade apesar da condição sorológica, também faz parte do processo de qualidade de vida do sujeito vivendo com HIV.

um importante alvo de pesquisas nos últimos anos. Acredita-se ter contribuído com a compilação de dados
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FORMAÇÃO DE LIDERANÇAS E ATIVISTAS LGBT PARA O CONTROLE SOCIAL NO SUS

INTRODUÇÃO

Dra. Maria Elisabeth Kleba Lucas Guerra da Silva

Esse resumo é fruto da pesquisa “Fortalecimento de lideranças e ativistas LGBT para controle social no SUS”, realizada no programa de Mestrado em Políticas Sociais e Dinâmicas Regionais, da Unochapecó.

OBJETIVO

Fortalecer a capacidade das lideranças e ativistas LGBT da cidade de Chapecó - SC para o exercício do controle social no SUS, com vistas a efetivar as garantias em saúde propostas pela Política Nacional de Saúde Integral de LGBT.

METODOLOGIA

A metodologia utilizada para realização do estudo foi a pesquisa-ação, que é uma abordagem metodológica participativa, que proporcionou a construção coletiva das ações de pesquisa junto do Movimento LGBT de Chapecó. A pesquisa foi dividida em quatro etapas: aproximação e reconhecimento; planejamento; implementação e descrição; e avaliação.

RESULTADOS

Cada etapa gerou produtos decorrentes do processo da pesquisa. No reconhecimento pudemos traçar a história do Movimento LGBT de Chapecó, bem como do contexto de saúde LGBT no município. No planejamento construímos um plano de ação, para elaborar o Curso de Formação de Lideranças e Ativistas LGBT para Controle Social no SUS. Na implementação executamos o curso, que teve duração de 16 horas, e capacitou 56 lideranças. E na avaliação, pudemos retomar o primeiro cenário do contexto de saúde de Chapecó, e pudemos avaliar o impacto dessa pesquisa nessa realidade, e também no processo de mobilização da comunidade LGBT para o controle social no SUS. Conclusão: A partir da pesquisa foi possível mobilizar a comunidade LGBT de Chapecó para pensar seu contexto de saúde; as garantias a partir da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde LGBT; e também proporcionou a capacitação de lideranças para a participação em espaços de controle social.

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FILME DOCUDRAMA QUE CONTA HISTÓRIAS DE PESSOAS QUE VIVEM OU CONVIVEM COM HIV/AIDS

Bruno Freitas Cunha

Filme docudrama que conta histórias de pessoas que vivem ou convivem com HIV/AIDS, onde expressam os seus sentimentos, histórias vividas, qual a sua percepção inicial e qual a sua visão atual do status REAGENTE.

O filme “REAGENTE” é um trabalho de tese de conclusão de curso na Universidade Federal de Goiás que visa falar sobre o HIV e trazer a tona visões e experiências de diferentes pessoas com o mínimo de invenção possível. Apesar de todas as histórias serem reais, nem todos são atores sociais da própria história, o que por vezes confunde a curiosidade do espectador em querer saber quem é autor da sua história e quem é ator. A montagem do filme é pensada para que seja difícil, ou quase impossível, identificar o dono da história, mas garantimos que todas são histórias reais, temos no filme atores sociais e atores profissionais, mas não os deixaremos de forma explícita, ao menos não sem te deixar em dúvida.

FILME DOCUDRAMA QUE CONTA HISTÓRIAS DE PESSOAS QUE VIVEM OU CONVIVEM COM HIV/AIDS Bruno Freitas Cunha
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SÍFILIS ADQUIRIDA, SÍFILIS EM GESTANTE E SÍFILIS CONGÊNITA NA POPULAÇÃO INDÍGENA DO MATO GROSSO DO SUL: análise comparativa entre as notificações no SINAN e DSEI-MS.

Dr. Rivaldo Venâncio da Cunha Dr. Rui Arantes Mestre Zuleica Tiago

A Sífilis continua sendo um grave problema de saúde pública, atingindo cerca de 12 milhões de pessoas no mundo, anualmente (OMS, 2008). A subnotificação dos casos de sífilis é um problema recorrente em diversos países e constituem um dos principais fatores que contribuem para a persistência da sífilis como um problema de saúde pública na América Latina e Caribe. No Brasil, a atenção à saúde dos Povos indígenas é de responsabilidade da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), do Ministério da Saúde, que gerencia o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena do SUS (SASI-SUS) por meio de Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) em todo o território nacional. O estado do Mato Grosso do Sul, é o segundo maior estado do Brasil em número de indígenas, com 77.025 pessoas autodeclaradas indígenas, das quais 61.158 vivem em aldeias (79,4%). O Distrito Sanitário Especial Indígena do Mato Grosso do Sul (DSEI-MS) por sua vez, é o maior DSEI do Brasil, e responsável pela atenção básica em saúde em 75 aldeias e 26 acampamentos.

O presente estudo procurou descrever a incidência e a distribuição de Sífilis em Gestante, Congênita e Adquirida na população indígena que vive nas aldeias do Mato Grosso do Sul por meio da análise de duas fontes de dados secundários, uma oriunda do SINAN e outra dos registros da Área Técnica de Saúde Sexual e IST do DSEI- MS, no período de 2011 a 2014.Trata-se, portanto de um estudo descritivo de coorte retrospectivo. A comparação entre as duas fontes de dados permitiu identificar as subnotificações em cada uma delas e gerar uma planilha com o total de casos de Sífilis ocorridos entre 2011 e 2014, calcular as taxas de detecção e de incidência para cada tipo de sífilis, e avaliar a distribuição absoluta e relativa dos casos por Polo base e etnia. As taxas de incidência de Sífilis Congênita variaram de 6,0 casos/1.000 nascidos vivos para 10,7 casos/1.000 nascidos vivos. A taxa de incidência de Sífilis em Gestante mostrou-se elevada para todos os anos do estudo, o maior valor ocorreu em 2013 quando a incidência foi de 45,5/1.000 nascidos vivos. A análise da distribuição dos casos de Sífilis (adquirida, congênita e em gestantes) entre indígenas no Mato Grosso do Sul mostrou uma concentração significativa da doença na Região Sul do estado (91,3%), em especial, nos Polos Base de Amambaí e Iguatemi. Esses dois Polos Base juntos concentram 65,3% dos casos de Sífilis em Gestantes e 63,6% dos casos de Sífilis Congênita. Do total de 473 casos de todos os tipos de Sífilis registrados nas duas fontes de dados entre 2011 e 2014, as maiores taxas subnotificações ocorreram no

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SINAN quando comparado ao DSEI-MS. Para a Sífilis em gestantes as subnotificações foram de 45,9% no SINAN e 15,2%, no DSEI-MS. Em relação à Sífilis Adquirida, 42,2% e 35,9% e Sífilis Congênita 33,3%e 19,7%, respectivamente

O presente estudo demonstrou que a sífilis constitui um grave problema de saúde pública entre os povos indígenas do Mato Grosso do Sul, principalmente entre os Guarani Ñhandeva e Guarani Kaiwoá. As características epidemiológicas da doença na população, determinadas por fatores socioeconômicos e culturais específicos impõe desafios na organização e estruturação dos serviços de saúde para fortalecer a vigilância epidemiológica da sífilis e diminuir a incidência da doença entre indígenas no Mato Grosso do Sul.

Palavras-chave: Sistemas de Informação em Saúde. Sífilis. Populações Indígenas. 30
Palavras-chave:
Sistemas
de
Informação
em
Saúde.
Sífilis.
Populações
Indígenas.
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PROJETO: DEU POSITIVO, E AGORA?

Itallon Lourenço da Silva

A página Eu e Ele foi criada em novembro de 2014 e, desde então, tem visado proporcionar informações acerca da epidemia de AIDS no Brasil. Atualmente é a maior página de ativismo de HIV no Facebook, com 60 mil likes e alcançando 500 mil pessoas mensalmente. Além disso, trás informações sobre epidemiologia, atualidades e vivências, tais como relacionamentos sorodiferentes, dificuldades de pessoas vivendo com HIV e o dia-a-dia da população infectada. O projeto “Deu Positivo, e agora?” é uma iniciativa da página Eu e Ele e tem como iniciativa informar e promover aporte social à população recém-diagnosticada com o vírus HIV. O projeto contará com distribuição nos SAEs/CTAs de folhetos explicativos contendo informações sobre os direitos das pessoas vivendo com HIV, sobre o dia-a-dia de quem está infectado, medicalização e sua importância, adesão ao tratamento, grupos, endereços e páginas de apoio, o uso de preservativo como prevenção de novas infecções e outras DST’s, os serviços regionais prestados, números de ONGs e ativistas da causa, etc. O intuito

do projeto é criar uma rede de cuidado bio, psico e social que tenha como intuito dar suporte emocional às pessoas recém diagnosticadas com HIV. O projeto atualmente está na fase de confecção dos folhetos. Com o projeto espera-se levantar discussão acerca da importância de debates sobre saúde mental da população vivendo com

HIV.

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VIVÊNCIAS DE MULHERES EM ENFRENTAMENTO DE HIV/AIDS EM BOA VISTA RORAIMA

Luana Rios

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida foi identificada há mais de 30 anos e ficou conhecida no Brasil como Aids. Ao longo desses anos a epidemia veio transformando o mundo significativamente. Nesse contexto, o número de mulheres diagnosticadas com o vírus HIV cresceu expressivamente a partir dos anos 90 e continua crescendo atualmente, acometendo mulheres principalmente em idade reprodutiva, configurando um problema amplo de saúde pública.

O objetivo desse estudo foi compreender as vivências psicossociais de mulheres diagnosticadas com o vírus HIV/Aids, participantes de um grupo de adesão, numa Organização Não-Governamental.

O método utilizado na pesquisa foi o método fenomenológico e a análise se fundamentou sob o referencial da fenomenologia antropológica, apresentando as principais contribuições que consistem em um modo de compreender o ser humano na sua totalidade, sendo esta, física, psíquica e espiritual. Participaram desta pesquisa oito mulheres diagnosticadas com o vírus HIV, foram realizadas entrevistas individuais, ancoradas no referencial fenomenológico, seguindo a questão norteadora: “Para você, como é viver com o vírus HIV? ”.

Os resultados indicam que as mulheres buscam o enfrentamento em diversos contextos, que foram analisados em quatro esferas tipológicas: corporeidade, afetividade, comunidade e busca de sentido. As colaboradoras buscam motivação para o enfrentamento do vírus nas suas relações interpessoais e mostram que percebem na relação com o outro, a abertura, o respeito e a solidariedade no contexto de suas comunidades, o que contribui efetivamente para o enfrentamento do HIV/Aids. Com isso, ao compreender como as mulheres vivendo com HIV/Aids experienciam sua condição sorológica, nos seus modos de viver, torna possível uma atuação mais efetiva por parte do profissional de saúde, pautado na ética, considerando aspectos singulares do indivíduo e empreendendo a busca por melhoria da qualidade de vida e valorização do ser humano.

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BARREIRAS NO ACESSO À SAÚDE PARA TRAVESTIS E TRANSEXUAIS:

um estudo de síntese

INTRODUÇÃO

André Melo

A vida dos sujeitos tidos como desviantes das normas pré-estabelecidas de sexo e gênero apresenta diversas limitações no que tange a sua liberdade individual e os direitos sociais, como educação e saúde. Especificamente nesse campo, é responsabilidade do Sistema Único de Saúde oportunizar, de forma universal e integral, assistência, prevenção e promoção em saúde a toda a população brasileira. Dessa forma, é fundamental questionar as barreiras que são impostas ao público trans no acesso aos serviços e ações em saúde, uma vez que as instituições desse setor reverberam estigmas e normas patologizantes, potencializando situações de vulnerabilidade.

OBJETIVO

Investigar e analisar as produções científicas sobre barreiras no acesso aos serviços de saúde por sujeitos travestis e transexuais.

MÉTODO

O trabalho está sendo desenvolvido através de revisão sistemática da literatura em bases de dados indexadas como PubMed, Scopus, Web of Science e BVS.

Conclusão: Espera-se que o trabalho possa contribuir para a produção científica que problematize o acesso aos serviços de saúde no Brasil, em especial sobre as barreiras vivenciadas pelos sujeitos trans nesse processo. Ademais, a revisão da literatura sobre esse tema poderá propor estratégias de minimizar, no âmbito dos sistemas de saúde, as diversas limitações que impelem no acesso dos sujeitos LGBT, em especial o público trans, aos serviços e ações em saúde.

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DIÁLOGOS SOBRE AS DIVERSAS OPRESSÕES E VIOLÊNCIAS VIVENCIADAS POR JOVENS ATIVISTAS

OBJETIVOS

Tamillys Lirio

A roda de conversas tem por objetivos expor e dialogar sobre as diversas opressões e violências, vivenciadas por jovens ativistas, tais como, machismo, racismo, LGBTfobia e outras discriminações diversas. As experiências vivenciadas num cotidiano opressor podem gerar agressões diretas e indiretas, e pouco tem sido conversado sobre o impacto na saúde mental dos que se propõem a lutar contra tais desigualdades e arbitrariedades. Consequências desse desgaste provavelmente estarão associadas às dores no corpo, indisposição, vergonha, baixa autoestima, depressão.

METODOLOGIA UTILIZADA

Roda de conversa com duração de 50 minutos, com a presença de um mediador e de um relator voluntário. Com o auxílio de uma folha e um lápis os jovens desenhariam seu corpo e as partes que acreditam ser mais vulneráveis às opressões que vivenciam, além disso o grupo responderia a algumas perguntas, tais quais;

De que formas podemos conciliar o ativismo social lidando com as violências e opressões, sem adoecermos completamente?

Como se dá o processo de absorção dessas muitas opressões diárias e quais sintomas são mais comuns observados por eles devido ao desgaste da militância, a curto, médio e longo prazo?

RESULTADOS ESPERADOS

Observação das queixas mais comuns trazidas pelos jovens ativistas, e a partir dessa conversa e observação, auxilia-los e direcioná-los para possíveis saídas que minimizem tais impactos, principalmente na saúde mental.

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PREVENÇÃO COMBINADA: Reflexões sobre novas abordagens de prevenção em uma matriz de direitos humanos.

Rafael Agostini

Fernanda Faria

Está gravado nos anais da história da epidemia de SIDA e nos corpos das quase 800 mil pessoas que vivem com VIH no Brasil – e os indicadores epidemiológicos retumbam – que o projeto de prevenção “camisinhocentrico”, sustentado exclusivamente no “fundamentalismo do látex”, tem sido insuficiente. Além disso, diversas pesquisas vêm evidenciando que parte considerável das pessoas não utilizam preservativo em todas relações sexuais – com parceiros fixos ou casuais – fazendo com que a epidemia avance sobretudo entre jovens e, por isso, sejamos convocados a (re) pensar as estratégias de abordagem da prevenção para que não excluamos de nossas ações quem não pode, não quer, ou não consegue aderir ao uso regular do preservativo.

Nesse cenário, a prevenção combinada aparece como forma eficaz de combinar estratégias comportamentais (sensibilização, educação e informação em saúde, coito interrompido, posicionamento estratégico, etc.), socioculturais (redução do estigma e discriminação, escuta afetiva e acolhimento, etc.), estruturais e biomédicas (camisinha, circuncisão masculina, a PEP e a PreP e o TASP). Levando em consideração itinerários de prevenção que possibilitem uma gestão de risco eminentemente orientada à gestão dos riscos, a redução de danos, ao reconhecimento das vulnerabilidades e ao aumento da autonomia para escolha de que estratégias combinadas, a partir do acesso pleno as informações acerca dos diversos métodos, bem como de seus respectivos graus de proteção contra o VIH.

Assim, o objetivo desta roda de conversa é refletir sobre novas abordagens de prevenção em uma matriz de direitos humanos. Esperamos, além de apresentar as estratégias que comprovadamente reduzem o risco de infecção pelo VIH, provocar os participantes a pensarem em como realizar a reorientação das práticas a partir de situações-problemas que considerem diferentes pertencimentos sociais, inserções comunitárias e trajetórias que influenciam diretamente em como os métodos de prevenção serão adotados ao longo do curso da vida.

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OFICINAS EDUCATIVAS PARA PREVENÇÃO DAS DST/AIDS EM DUAS ESCOLAS ESTADUAIS DE PIRACICABA.

Cristiano Gustavo Vitorino

Para a Saúde Pública a adolescência é um momento importante para ações de prevenção às DST/AIDS, por ser uma fase da vida que se apresenta como fator de vulnerabilidade, podendo se somar a diversos outros na vida do adolescente.

Os dados epidemiológicos mais recentes apontam para uma tendência de juvenilização da epidemia de Aids e aumento no número de infecções pelo HIV entre os jovens.

A ação consistiu em oficinas quinzenais desenvolvidas no 1° semestre de 2016 em 2 escolas da periferia de Piracicaba. Na E. E. Dom Aniger Francisco de Maria Melillo com uma sala da 8ª série do ensino fundamental e na E. E. Professor Benedicto Evangelista Costa com uma sala do 1º ano do ensino médio. A escolha das escolas ocorreu em conjunto com a Diretoria de Ensino de Piracicaba, a partir do diagnóstico de vulnerabilidade destas unidades.

O trabalho teve como pressupostos a educação entre pares, dando-se preferência para educadores jovens, e a educação não-formal, priorizando a utilização de dinâmicas disparadoras, exibição de vídeos, e apresentações em slides e álbuns seriados.

Foi possível observar uma grande lacuna entre o conhecimento dos estudantes e o conteúdo de ciências e biologia esperado para as séries, pois estavam aquém do que o necessário para o entendimento das discussões sobre prevenção. Apesar de já contarmos com certa defasagem, nos surpreendeu o tipo de dúvidas apresentadas. Assim, foi necessário revisitar alguns conteúdos antes de dar sequência aos temas programados. A defasagem no conteúdo técnico foi levada em conta nas demais oficinas, potencializando seu aproveitamento.

A realização desta ação em parceria com a Diretoria de Ensino foi fator decisivo, tanto para que chegássemos até as escolas, como para que a escolha das mesmas fosse feita com critérios mais apurados.

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A EDUCAÇÃO PERMANENTE NO COMBATE ÀS INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS EM ADOLESCENTES DO MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO DO CARU – MA.

Luis Saulo Sousa Santos

No Brasil, a legislação define adolescentes aqueles que se encontram entre 12 e 18 anos e, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), são jovens os que se encontram entre 10 e 24 anos. Nesta faixa etária, as doenças sexualmente transmissíveis (DST) são comuns. Segundo a OMS, elas são a principal causa global de doença aguda, infertilidade, invalidez e morte e promovem graves consequências psicológicas para milhões de homens, mulheres e crianças. Essas enfermidades são subdiagnosticadas e constituem importante causa de morbimortalidade. As IST são mais prevalentes entre jovens de 14 a 29 anos, e os universitários constituem população altamente exposta a agentes destas doenças, muitas vezes portando-as de forma assintomática. Diante deste exposto decide realizar esta pesquisa com o objetivo de diminuir estas infecções em adolescentes com o intuito de fornecer conhecimento e sensibilizar estes jovens ao uso do preservativo como método de prevenção contra estas infecções. A pesquisa foi realizada no período de março a junho com adolescentes do ensino médio de escolas municipais. O instrumento de coleta de dados foi o questionário de perguntas fechadas. Responderam ao questionário 897 alunos. Não tinham tido atividade sexual 58% dos adolescentes. Dos alunos que já haviam tido, 24,5% não tinham parceira fixa e 30,2% mais de duas parceiras por ano. Destes 28,7% já tiveram alguma IST. O preservativo foi usado por 88% dos alunos, mas menos de 31% deles faziam uso adequado. Cerca de 80% não sabiam que o preservativo não protege fora da área de barreira; pretendiam ler mais sobre IST e aprenderam algo sobre o assunto. Quase a metade julgou que uma disciplina deveria ser oferecida a todos os alunos. A pesquisa mostrou que os alunos conheciam sobre as IST, mas, que não utilizavam deste conhecimento para sua proteção.

Palavras-Chave:

Adolescentes.

Infecções

Sexualmente

Transmissíveis;

Educação;

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COMPARTILHANDO EXPERIÊNCIAS FORA DO CONTEXTO BRASILEIRO DA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE AIDS EM DURBAN - ÁFRICA DO SUL

Talita Rodrigues

Gostaria de compartilhar um pouco do que foi essa última semana na conferência e o que ela significou para minha militância e para minha vida. A Conferência é um evento gigantesco e bastante complexo para quem está lá pela primeira vez. São muitas formas diferentes de fazer política e ciência no mesmo espaço. Muitos movimentos acontecendo paralelamente, fórum, reuniões, encontros, redes, apresentações, manifestações. Somos pessoas do mundo inteiro reunidos com o objetivo de luta contra a AIDS. Conheci pessoas antigas na luta que puderam compartilhar um pouco de suas histórias e seus caminhos no enfrentamento a epidemia e pessoas novas que assim como eu estavam tentando compreender tudo aquilo e transformar em ferramenta de ação nas nossas comunidades locais. Ouvi desabafos entristecidos de quem luta a trinta anos e que não imaginava que a epidemia duraria isso tudo, ouvi relatos de pessoas que perderam amigos e familiares, vi pessoas do mundo todo marcharem juntas lutando pelo acesso a tratamento, vi jovens com brilhos nos olhos se fortalecendo para protagonizar cada vez mais essa luta.

De todos os pontos que poderia focar, escolho falar sobre a juventude, que é o lugar de onde eu falo e o qual representei na conferência. Em reflexão conjunta com os/as jovens latinos/as percebemos a ausência da juventude em espaços de visibilidade/poder nas sessões, necessitamos de mais jovens falando a partir da perspectiva de juventude em espaços acadêmicos, interseccionando geração e raça, geração e gênero, geração e saúde, etc. Enquanto isso não acontecer, enquanto nós não nos empoderarmos e enquanto eventos como este não abrirem os seus espaços acadêmicos, de falas acadêmicas para nós, serão sempre os outros falando de/sobre nós e muitas vezes com uma perspectiva adultocêntrica e estigmatizante.

Na Global Village tínhamos reunidos jovens do mundo todo, com muito movimento, criatividade e trabalho duro, expusemos nossos trabalhos e foi magnífico ver nosso poder de mobilização. O fato do evento ser no continente africano, fez com que esses jovens estivessem presentes em número imensamente maior. Seguido pela juventude do norte global. A América Latina e Caribe estavam ali em número quase inexpressivo, digo quase, porque mesmo poucos conseguimos fazer barulho e muitas articulações.

Mas, aqui está meu incômodo, no evento inteiro éramos menos de 20 jovens levando a perspectiva da juventude latina e caribenha, desses tínhamos apenas

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3 mulheres cis e 1 mulher trans, pouquíssimos de nós éramos negros/as, o que definitivamente não representa a complexidade de demandas e lutas desta região. A juventude brasileira estava representada apenas por um homem e uma mulher, eu, Talita Rodrigues, que representei o Coletivo Mangueiras e Henrique Ávila da Rede Nacional de Jovens Vivendo e Convivendo com o HIV. Esse fato se dá em decorrência da barreira linguística do evento, que é um primeiro fator excludente, tendo em vista que não consegui encontrar nenhum jovem militante de outros países de língua portuguesa e muitos/as amigos/as da América Latina e Caribe que estavam no evento também não tinham domínio da língua da Conferência, o que diminui significativamente nossa possibilidade de incidência e ao formato institucionalizado do evento, que não acompanha as novas formas de organização da juventude da América Latina.

Em contrapartida, nós jovens, precisamos criar estratégias de mobilização da juventude brasileira, e da América Latina e Caribe de uma forma geral para ocuparmos espaços internacionais como este, que são espaços de disputa de significados e de poder, nos quais precisamos estar presente e levar nossas perspectivas regionais e locais.

Nós, enquanto mulheres jovens, feministas e militantes da saúde, dos direitos sexuais e direitos reprodutivos e de outras lutas, também precisamos refletir e nos fortalecer enquanto movimentos para que mais mulheres jovens, negras, de periferia e de vários lugares do país possam estar pautando suas questões e suas realidades fora do país.

Agradeço aos amigos do Coletivo Mangueiras que me deram todo apoio pra ir a conferência e me sintonizar sobre o que iria acontecer; aos amigos latinos e caribenhos que me receberam de corações abertos, me apoiaram e me ensinaram muito no momento de construção de atividades e pautas conjuntas; à professora Vera Paiva que me encontrou sozinha no aeroporto e me deu suporte em todas as burocracias de chegada em outro país; à Cleiton, do UNAIDS Brasil que me deu um mega apoio e motivação para conduzir minha atividade, aos amigos e amigas do DDAHV que me deram total suporte no que eu precisei pra potencializar a ação no estande; à equipe de bolsas da Conferência que me receberam muito bem e me deram a oportunidade de ir ao evento, à todas as pessoas que trabalharam na Conferência e participantes que se esforçaram para me compreender e conversar comigo mesmo com meu inglês precário durante todos os dias do evento, não me deixando em nenhum momento desamparada ou com medo. Militância se faz no coletivo, gratidão!

Que sigamos os trabalhos e estejamos mais organizados enquanto juventude para a Conferência de Amsterdã em 2018.

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A EDUCAÇÃO EM PARES NA ATUALIZAÇÃO EM HIV/AIDS E SUA INFLUÊNCIA NA EDUCAÇÃO MÉDICA

INTRODUÇÃO

Dyemison Pinheiro da Silva

Em mais de 30 anos, o HIV/AIDS passaram por diversas mudanças; desde a instituição de terapia eficaz para controle, até a forma como a sociedade vê as pessoas que vivem com o vírus. Segundo a ONU/UNAIDS, em 2011, mais de 890 mil jovens adquiriam o vírus no mundo, mostrando que há muito a ser feito.

DESCRIÇÃO

À luz do que foi repassado no Curso de Formação de Novas Lideranças, realizado em Brasília em 2015, foi criada uma palestra objetivando transmitir conceitos, novidades e desmistificação de subtemas relacionados ao HIV para estudantes de Medicina da Universidade Federal do Acre. A abordagem foi diferente daquela meramente biológica, comum nos cursos da área da saúde, dando ênfase aos problemas e determinantes sociais em saúde.

A metodologia utilizada foi a da educação em pares: alunos repassando informações entre si, criando um ambiente mais dinâmico, horizontal e sanando dúvidas facilmente. Deu-se ênfase aos diferentes riscos de transmissão, formas de prevenção, incluindo PEP e PrEP, definição e abordagem de populações-chave.

LIÇÕES APRENDIDAS

Como forma de avaliação, disponibilizou-se uma ficha com algumas perguntas gerais sobre a sessão aos participantes. As avaliações foram positivas e os objetivos esperados, alcançados. Observaram-se desinformações: as Profilaxias Pré e Pós Exposição, nomenclaturas em desuso - ‘infectados’ ou ‘aidéticos’ - e o conceito de populações-chave.

CONCLUSÃO

A ideia é expandir essa vivência aos demais estudantes, visto que o papel do médico é, muitas vezes, o de lidar com situações fragilizadoras. Espera-se dele seriedade, competência e informação para o êxito, o que muitas vezes não se ensina na sala de aula. Experiências como esta ajudam tanto na humanização da educação médica, quanto na formação pessoal do acadêmico e fornecem substratos essenciais para uma boa relação médico-paciente, ponto fundamental para a integração da pessoa vivendo com HIV no Sistema de Saúde

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O ACESSO AS INFORMAÇÕES E UTILIZAÇÃO DOS MEIOS DE PREVENÇÃO DO HIV/AIDS: uma experiência com jovens em cumprimento de medida socioeducativa no GAMA/DF

Victor Fonseca

Segundo o Boletim epidemiológico do Ministério da saúde, diferentemente dos outros países, houve um aumento do número de casos de HIV/AIDS entre os jovens brasileiros. Diante disso, aumentaram as pesquisas epidemiológicas e sociais para entender o motivo pelo qual a epidemia cresceu tanto entre a faixa etária dos 14 a 29 anos. Contudo, para além de políticas, sabemos que existem fatores sociais que tornaram-se fatores de risco para a epidemia e que podem estar associados diretamente com os jovens e adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa como, por exemplo, a escolaridade e o perfil socioeconômico.

Os jovens e adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa é um grupo extremamente marginalizado e criminalizado pela sociedade. E, em literatura, podemos inferir que esses são quesitos importantes para a avaliação do nível de conhecimento desses jovens sobre saúde. Devido a marginalização, os jovens e adolescentes não tem acesso mínimo a informações de direitos e políticas públicas. A criminalização e preconceito, em alguns casos, é produzido dentro do próprio estabelecimento de saúde, que tem como consequência o afastamento desses jovens da atenção primária – que é a porta de entrada do Sistema Único de Saúde.

Dessa forma, o presente estudo buscou quantificar a taxa de utilização dos meios de prevenção, o percentual de testagens de sorologia realizadas, a compreensão da necessidade de se prevenir contra o HIV/AIDS e os empecilhos no acesso aos serviços especializados e de distribuição de camisinhas pelos jovens e adolescentes.

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COMUNIDADE LGBTIAP: Estudo Comparativo Sobre Violência

Emerson Mendes

O objetivo do trabalho é observar, comparar e analisar 02 (dois) relatórios de violência homofóbica de 2011 e 2012. Os dados elencados são oriundos de dois relatórios produzidos Coordenação Geral de Promoção dos Direitos de LGBT, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Os caracteres avaliados foram homofobia, orientação sexual, violência e denúncias realizadas pelo disk 100 e diversas outras plataformas de denúncias.

Os altos índices de mortes decorrentes das diversas formas de violência praticadas contra a população LGBTIA, divulgadas em meios de comunicação, como mídia televisiva, redes sociais, rádios, fomenta a necessidade de observar esse fenômeno, bem como conhecer as estratégias de enfrentamento desenvolvidas pela população LGBTIAP na realidade brasileira. A violência se expressa não apenas de sua forma mais cabal, mas também nas relações cotidianas e a inexistência da tipificação de crimes contra a identidade de gênero e/ou orientação sexual, o que dificulta intervenções do Estado, na perspectiva de prevenção e punição.

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EDUCAÇÃO EM SAÚDE NO ÂMBITO DO HIV EM UMA POPULAÇÃO INDÍGENA NO ESTADO DO MARANHÃO

INTRODUÇÃO

Thamyris Mendes Gomes Machado

Ao se fazer uma análise sobre as práticas de educação em saúde para à prevenção contra a infecção com o vírus HIV com a população indígena, nota-se uma enorme dificuldade em se trabalhar a temática, isto pode estar relacionado a questões socioculturais envolvidas neste contexto.

OBJETIVO

O presente trabalho tem por objetivo relatar a experiência vivenciada por uma enfermeira da Força Estadual de Saúde do Maranhão (FESMA) no âmbito da educação em saúde e prevenção ao HIV/AIDS numa população indígena da etnia Guajajaras.

METODOLOGIA

Trata-se de um relato de experiência, a vivência ocorreu nos mutirões de saúde realizados pela secretaria municipal de saúde da localidade no qual levava serviços de saúde para as comunidades de difícil acesso. Foram realizadas duas ações no mês de junho e julho, na ocasião foram realizadas rodas de conversas e aconselhamento sobre o HIV e a importância da testagem e diagnóstico precoce.

RESULTADOS

Percebeu-se a pouca participação dos indígenas nas intervenções educativas emergindo a necessidade de realizar busca ativa nos domicílios onde se realizavam o aconselhamento e o teste rápido em si. Através da análise da experiência observou- se o difícil acesso às ações e serviços de saúde, inacessibilidade e/ou pouca adesão ao uso de preservativo, além de possuir conhecimento inadequado sobre as vias de transmissão do HIV. Há de se considerar uma delicada reflexão sobre costumes, mitos, linguagens, crenças, valores e convenções sociais, que podem em muitas situações favorecer as condições de vulnerabilidade do indivíduo ou de um grupo à infecção pelo HIV. CONCLUSÃO: é necessária uma maior aproximação da saúde indígena no âmbito da prevenção ao HIV, capacitação dos profissionais envolvidos, pois se acredita que através de um aconselhamento qualificado e direcionado à realidade sociocultural indígena possibilitaria uma maior adesão na realização do diagnóstico.

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FANPAGE “FLORESCER”

Aline Ferreira

Rafaela Queiroz

Um pouco sobre a criação: um grupo de WhatsApp criado por meninas para

manter “próximas” meninas vivendo e convivendo com o HIV surgiu durante uma conversa sobre o PL198 / 15 que propõe tornar crime hediondo a transmissão do HIV, o fato de muitas pessoas defenderem essa postura, mesmo sabendo que nosso sistema carcerário é só mais um sistema falido. Em vários momentos nos deparávamos com as “notícias” de fulanos transmitindo “intencionalmente” o HIV, pessoas sendo expostas às redes sociais com sua possível sorologia positiva, clube do carimbo

sendo fundado diariamente por um mídia manipuladora

Mas fomos entendendo

... que tudo isso é somado ao fato de que o movimento social de pessoas vivendo com

HIV ainda é protagonizado por homens (nem preciso falar que também é um espaço

predominantemente branco)

...

Foi diante desse quadro que nós criamos a Fanpage. E

Não para ser um espaço técnico, mas com uma linguagem poética e lúdica propomos

desconstruir o estigma às pessoas vivendo com HIV

...

principalmente das mulheres

negras vivendo com HIV, pois entendemos que avançamos muito no manejo do

vírus, evoluímos as medicações, melhoramos as tecnologias

...

mas não repensamos

o lugar, que historicamente o HIV foi colocado; viver com HIV ainda é ser forçada

à viver em silêncio, como se sigilo fosse obrigação

parte do cuidado, da prevenção, da humanização

...

Desconstruir preconceitos faz Etc.

...

A proposta é que as meninas de forma anônima escrevessem sua história de superação, luta contra o racismo, força, etc. Dois momentos são importantes na página, a partir de um relato sobre violência sexual a repercussão da página aumentou 75%, isso incentivou meninas do Brasil inteiro a enviar e compartilhar suas histórias, dúvidas (principalmente sobre prevenção na relação lésbica sorodiscordante), estávamos enfim criando uma rede virtual de sororidade. Mas o mais importante foi transcender à isso, atualmente a Fanpage recebe apoio de diversas frentes de movimentos sociais para desenvolver um projeto de arte urbana para discutir feminismo negro e prevenção ao hiv e DST em mulheres da periferia de São Paulo.

É importante pontuar também que a Fanpage e totalmente administrada por mulheres negras.

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TRANSGREDINDO

Valentim da Costa Félix

“Transgredindo” é uma série de audiodrama desenvolvida em três programas para a disciplina de Redação, Comentários e Narração em Áudio II, do curso de Comunicação Social - Radialismo, da Universidade Federal de Mato Grosso. Tem como tema central a transexualidade, por meio da série pretende-se dar voz aos transexuais, no audiodrama representado por um homem trans, para que seja possível travar um diálogo e reflexão sobre o tema. Os indivíduos trans apresentam demandas legítimas e muitas vezes desconhecidas das pessoas. O audiodrama “Transgredindo” coloca em evidência questões que passam despercebidas. O programa tem o objetivo de fazer um alerta à população.

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HISTÓRIAS E DESAFIOS DA MILITÂNCIA JUVENIL

Jean Vinicius Costa de Oliveira

Meu trabalho tem se dado pela rede de jovens e adolescentes que vivem e ou convivem com hiv/aids no estado do Rio de Janeiro que é um dos estados com maiores índices de infecção entre jovens do Brasil, passando pelo diagnóstico tardio, violação de direitos e consequentemente a morte juvenil em virtude da aids.

O objetivo e missão da RJR+ e minha tarefa enquanto coordenador da comunicação desse coletivo é o trabalho entre pares, visando empoderamento das

pvhas, populações como os jovens de periferia, negros, lgbts e a sociedade como um

todo.

Ao longo dessa jornada, as atividades desenvolvidas por mim na RJR+ foram muitas, uma delas foi um projeto chamado carta positiva, que em suma seria o envio de depoimentos dos membros da RJR+ (pvhas, convivendo, profissionais da saúde e militantes)para o e-mail da rede, nessas cartas as pessoas tiveram liberdade para expressar suas histórias, dores, questões e vivências quanto ao hiv/aids, a identidade logicamente que foi preservada e em uma das nossas reuniões mensais as cartas positivas foram distribuídas, proporcionando a todos fortalecimento a uma saúde que entendemos que excede as questões que afetam ao corpo, uma saúde bio psíquica social.

O outro projeto que posso destacar também foi uma campanha feita para dia das mães na data 08/05/2016, onde os membros mandaram fotos e vídeos com seus filhos, biológicos ou não e foram feitas montagens por parte da comunicação da rede, trabalhando as questões afetivas, sociais, conceitos de família, diversidade e adesão.

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AVALIAÇÃO DA IMPLEMENTAÇÃO DO TESTE RÁPIDO PARA DETECÇÃO DO HIV EM GESTANTES NA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM PORTO ALEGRE

Éthel de Almeida Ribas

Os índices de transmissão vertical do HIV e da Sífilis no Rio Grande do Sul estão dentre as maiores do país há alguns anos. Diante disso, em 2012, passou a ser implementada a descentralização da testagem para HIV, Sífilis e Hepatites Virais para a Atenção Primária e Saúde (APS) com a utilização de Testes Rápidos (TR) em gestantes no pré-natal e no momento do parto. O estudo objetivou investigar como o teste rápido está sendo utilizado no pré-natal de gestantes usuárias de unidades de atenção primária à saúde de Porto Alegre, RS. Tratou-se de um estudo qualitativo de inspiração etnográfica incluindo a perspectiva de gestores, profissionais e gestantes usuárias do pré-natal na APS. Foram realizadas observações das reuniões do Comitê de Transmissão Vertical de Porto Alegre em 2014 e uma Unidade de Atenção Primária à Saúde (APS) do município onde foram entrevistadas sete gestantes e cinco profissionais de saúde. A análise de discurso foi conduzida a partir das entrevistas transcritas e do diário de campo sob a ótica das relações de gênero. A análise resultou em duas categorias: Pré-natal e teste rápido: mais uma tecnologia? E Teste rápido e saúde sexual e reprodutiva na atenção básica: entre a centralidade na mulher e seu descrédito. Os achados apontaram que o TR é visto como mais uma tecnologia em saúde a ser reproduzida pelo/as profissionais nas suas rotinas de trabalho e no acompanhamento pré-natal sem contemplar a diversidade de contextos sociais das usuárias. A centralidade no cuidado e no controle da saúde da mulher, especialmente durante a gestação convivia com concepções de descrédito em relação as possibilidades de autocuidado das gestantes. Sugerem-se práticas de diálogo e educação em saúde mais abertas para os diferentes atores do processo e que fomentem a co-responsabilização, a humanização e a autonomia das mulheres e profissionais

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MONITORAMENTO DOS INDICADORES RELACIONADOS ÀS DST’S EM ESPECIAL HIV/AIDS, EM JOVENS ENTRE 14 E 24 ANOS, NO MUNICÍPIO DE VIAMÃO/RS E NA REGIÃO METROPOLITANA DE PORTO ALEGRE

William Alves

Atualmente, íntegro uma equipe de planejamento e monitoramento dos indicadores relacionados a DST’s, em especial HIV/Aids, em jovens entre 14 e 24 anos, no município de Viamão/RS e na região metropolitana de Porto Alegre/RS. Viamão está entre os 10 municípios com maior índice pessoas vivendo com HIV, proporcionalmente à população total de 251.049 (IBGE 2015). A partir destes dados e de outros dados ainda mais alarmantes, iniciamos a execução de um projeto inovador no RS, a tenda da Prevenção: #TôDentro, a qual tem por objetivo, uma exposição interativa, com 5 ambientes diferentes, os quais simulam acontecimentos do cotidiano e levam o conhecimento a diferentes grupos da população, sendo o público alvo, jovens entre 12 e 24 anos, que estão ou não em uma instituição de ensino.

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1º EXPOSIÇÃO TRANSARTE

Rafael Carmo

A convite do 1º Seminário Nacional de Jovens Lideranças a 1ª Exposição TransArtes foi realizada no período de 14 a 16 de outubro de 2016 em Luziânia. O nome “TransArtes” surgiu para dar realce de que os desenhos foram feitos por uma pessoa trans, nesse caso, um homem trans.

Rafael Carmo é um jovem artista que produziu as obras que ficaram expostas em Goiás. Ele é um homem transexual ativista pelo segmento TT de Belém do Pará. Usa a arte como expressão de sua própria vivência ou de outras pessoas, que assim como ele são transexuais ou travestis.

A necessidade de retratar corpos trans se faz a partir do momento em que não encontramos essa representatividade comumente nos espaços em que a arte se faz presente como, por exemplo, em exposições em museus, centros de artes, etc. Então, pensando na realidade dessa população e a falta de representação da mesma despertou o interesse em desenhá-los. Os traços são realistas feitos a partir da observação dos corpos de modelos trans.

Segundo Rafael, o objetivo da exposição artística que foi ao encontro do público foi o de mostrar por meio dos desenhos os corpos de pessoas trans em diversas situações. Homens trans fisicamente fora dos padrões cis normativos, por exemplo, que seriam aqueles que não são brancos, magros, cirurgiados e malhados, e sim, negros que ainda usam binder (faixa compressoras), outros acima do peso, um homem grávido, etc. Assim como, a beleza de mulheres trans e travestis nuas, seminuas e lésbicas. Enfim, a realidade que muitas pessoas desconhecem ou realmente nem imaginam que exista. Os rascunhos transmitem diversas expressões como prazer, dor, felicidade, tristeza, entre outros.

O jovem desenhista almeja que sua arte alcance cada vez mais espaço pelo Brasil e quem sabe o mundo. “Um dia espero ver minha população representada e lembrada em todos os espaços, não somente na arte”, diz Rafael.

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POESIAS- LADO POSITIVO

Pedro Cunha Serra

Falar do Seminário Jovens Lideranças vai muito mais do que as palavras escritas. Teve sensações, teve choros e sorrisos. Poder estar entre tantos trabalhos acadêmicos maravilhosos foi de grande aprendizado. Apresentar as minhas poesias neste evento foi de grande importância para mim. Pude mostrar o que eu sei fazer de melhor que é falar com os sentimentos. Não me esqueço das pessoas dizendo que se identificavam em cada poesia em cada palavra que estava ali sendo exposta por mim. Agradeço a Deus por ter sido escolhido, o aprendizado que teve ali foi único e maravilhoso. Lembro que quando cheguei no evento fiquei muito assustado, por ver tantos nomes do ativismo e militância em um só lugar, mas foi maravilhoso o jeito que me receberam e me acolheram. Acho que nunca vou me esquecer de todos os momentos de prazer que eu tive ali com pessoas que vão estar na minha vida para sempre mesmo estando em outros estados. O quero tenho a dizer é que muitas vezes os que estavam ali pensaram em desistir alguma vez na sua vida por problemas que acontecem no decorrer das nossas lutas, mas são em eventos como este que nossas forças se revigoram e voltamos com foco total no que sabemos fazer: lutar por um país melhor. “Consideramos justa toda forma de amor “

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DECLARAÇÃO POLÍTICA DA FORÇA TAREFA JOVENS LIDERANÇAS

Aprovada no I Seminário de Jovens Lideranças, realizado em outubro de 2016.

A FORÇA TAREFA JOVENS LIDERANÇAS é um movimento de jovens brasileiros que atuam no enfrentamento a todo e qualquer tipo de discriminação, estigma e preconceitos como racismo, machismo, LGBTfobia, HIV/AIDS, condição física, religião, etnia, misoginia, xenofobia, gordofobia, condição social, entre outros ...

Nos caracterizamos como movimento plural e diversificado, não confessional, não governamental e suprapartidário, que atua de forma descentralizada e não hierarquizada, com ações concretas para o alcance de seus objetivos.

Este movimento abrange todo território nacional, buscando a participação, mobilização no fortalecimento do empoderamento e integração de todos os jovens do Brasil.

Somos solidários a luta de jovens de todas as nacionalidades que professam os mesmos princípios norteadores que nós.

Acreditamos e propagamos o amor incondicional como estratégia de união entre as pessoas e superação das intempéries da vida humana, valorizando a SOLIDARIEDADE, a EQUIDADE, a LIBERDADE, a JUSTIÇA, o RESPEITO, a CORAGEM

e a PAZ.

Objetivos e princípios: Protagonismo juvenil com base na emancipação e empoderamento da juventude para que esta participe ativamente nos processos de construção de políticas públicas e enfrentamento as iniquidades na promoção da cidadania e suas múltiplas expressões de ser, com livre expressão de orientação sexual e identidade de gênero, defendendo a pluralidade étnico-cultural como base para uma nova Ordem Mundial e uma outra matriz civilizatória, que leve em conta não somente o universal e normativo, mas também o regional - livre de quaisquer padrões impostos por uma sociedade classista, machista, racista e conservadora.

Visamos o desenvolvimento de trabalhos em rede e em parceria, a partir da construção de espaços e relações solidárias e democráticas de convivência, com vistas a sustentabilidade e multiplicação de um ‘Engenho de Sonhos[a]’.

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Acreditamos ainda que o fomento e o envolvimento dos diversos autores/atores nos processos de decisão e nas estruturas de poder, fortalecendo o empoderamento e a participação comunitária que, neste contexto, é a forma mais efetiva, eficiente e eficaz de se alcançar uma sociedade realmente participativa.

No contexto em que esta carta é construída, avançam e se (re) organizam forças que julgávamos superadas - como a xenofobia e o protofascismo, por exemplo - mesmo nos países em que o Estado de Bem-Estar parecia consolidado. Na América Latina, e no Brasil, o cenário é de ascensão de uma agenda ultraliberal de encurtamento do papel do estado como garantidor de direitos e promotor da equidade, o que afeta diretamente as populações mais vulneráveis que têm nas políticas públicas a principal chance de superação de suas iniquidades. São acionadas, assim, a partir de uma flagrante ruptura democrática, medidas contra o Sistema Único de Saúde, o ensino público gratuito, as políticas de transferência de renda e demais políticas sociais.

Esses elementos fazem com que o trabalho da Força Tarefa Jovens Lideranças seja fundamental como estratégia de resistência pacífica e de enfrentamento ao desmonte do estado que só acentua toda sorte de discriminações e desigualdades/ iniquidades.

Inúmeros projetos, emendas, medidas e portarias que ameaçam os direitos sociais, estão sendo criados. Repudiamos veementemente essas ações de retrocesso que atentam contra a diversidade, as liberdades individuais, as conquistas sociais e aos Direitos Humanos.

Nós, da Força Tarefa Jovens Lideranças, temos como eixo norteador o Controle Social do SUS e das demais políticas públicas no âmbito do HIV/Aids no Brasil, visando o fortalecimento das principais populações afetadas, através do acolhimento humanitário, os avanços tecnológicos, a adesão, fortalecimento e protagonismo da pessoa vivendo com HIV/AIDS.

Entendemos que a quebra de patentes é fundamental para o avanço da sustentabilidade do tratamento. Entendemos que a mídia deve assumir seu papel de responsabilidade social, ajudando a dialogar sobre o tema e rechaçando modelos estereotipados e preconceituosos sobre as pessoas vivendo com HIV/AIDS, sua condição, ou mesmo a infecção em si, que aumentam ainda mais o estigma que essas pessoas já sofrem cotidianamente, ou que promovem disseminação de informações equivocadas referente às formas de transmissões, por exemplo.

Reivindicamos que o acesso universal ao tratamento seja uma realidade em todos os rincões do país e não apenas nos grandes centros.

Reivindicamos a autonomia e o direito à decisão de realizar ou não o tratamento

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oferecido. Considerando, que seja qual for essa escolha, o direito incondicional ao acolhimento e o respeito a essa decisão sejam garantidos nos serviços de saúde.

Reivindicamos o fomento a pesquisas relacionadas aos efeitos adversos de curto e longo prazo dos medicamentos antirretrovirais, como envelhecimento precoce, neurotoxicidade, desmineralização óssea e outros. Bem como, solicitamos a democratização destas informações essenciais para o desenvolvimento da autonomia do sujeito frente ao seu tratamento.

Exigimos que as pessoas vivendo com HIV/AIDS não sejam tratadas como vetores de doenças numa tentativa de impor a interrupção dos ciclos de transmissão.

Propugnamos a sustentabilidade do SUS, para que ele continue equânime, integral e universal.

Reivindicamos que o acesso ao tratamento e ao acolhimento para pessoas vivendo com HIV/AIDS privadas de liberdade ou em situação de rua. Nos posicionamos a favor das políticas de redução de danos em álcool e outras drogas como lógica de cuidado de promoção de qualidade de vida para pessoas que em situação de drogadição, seja como prevenção ou tratamento para o abuso das mesmas. Demonstramos profunda preocupação com a transferência dos métodos de tratamento e acompanhamento dessas pessoas para métodos empíricos, religiosos, não científicos, e por vezes moralistas como as comunidades terapêuticas. Nos posicionamos contrários a política de guerra às drogas, pois ela não se apresenta eficaz a esse problema, ao contrário, contribui para o encarceramento em massa e para genocídio da população jovem, em especial a negra e periférica. Entendemos que essa é uma questão de saúde pública e não de segurança.

Reivindicamos o fortalecimento, implantação e ampliação das equipes multiprofissionais em Saúde Mental para as Unidades de Atenção Básica, Unidades de Referência, Hospitais Dia, Centros de Referência e demais serviços de saúde que acompanham a saúde da Pessoa Vivendo com HIV/Aids.

Reivindicamos a criação, ampliação e efetivação das políticas públicas com promoção, prevenção e assistência universal e integral para pessoas vivendo com HIV/Aids em situação de vulnerabilidade psicossocial e/ou com sofrimento mental ou eminente risco psicossocial – crianças, adolescentes, população negra, população em situação de rua, mulheres, idosos, população carcerária, grupos indígenas, pessoa com deficiência, pessoas com abuso de álcool e outras drogas ou submetidas a medidas de segurança, profissionais do sexo entre outros, que facilitem a articulação de setores nos cuidados das pessoas e grupos em situação de vulnerabilidade social.

Reivindicamos

a

efetivação

da

implantação

da

Política

Nacional

de

Humanização em toda a Rede de Atenção Psicossocial, e, incluindo às redes de

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cuidado às pessoas vivendo com HIV/AIDS, entendendo que o enfrentamento desta condição pode causar prejuízos psíquicos e sociais na vida dos sujeitos supracitados, de modo que o acolhimento, avaliação e acompanhamento esteja presente na rotina de tratamento da pessoa vivendo com HIV/Aids.

Princípios filosóficos: Zero Discriminação é a nossa filosofia maior. Ela se expressa através do amor e respeito ao outro, deixando de lado as diferenças, olhando sempre com olhar humano, de quem oferece sem querer nada em troca, sem ver raça/cor, sem ver orientação sexual, sem ver religião ou status social… Olhar de quem ama, de quem cuida do outro. O princípio zero discriminação vai além dos muros, becos e vielas que marginalizam e oprime uma juventude que só quer ter o direito de viver, viver dignamente como preto, favelado, LGBT, vivendo ou convivendo com HIV, O Zero Discriminação é amor.

“Consideramos justa toda forma de amor”

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