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TERMODINÂMICA: A SEGUNDA E A TERCEIRA LEI

Introdução

A 1 a Lei da termodinâmica informa:

-quanta energia é transferida em uma reação.

-nada revela sobre as condições para que a reação ocorra, nem porque segue em uma direção em particular.

A mudança espontânea

O termo técnico para uma mudança natural é uma mudança espontânea,

que é uma mudança que tende a ocorrer sem a necessidade de ser

induzida por uma influência externa.

Ex.-Resfriamento de um bloco de metal; -Expansão de um gás no vácuo.

 
 
 

Figura

1

A

direção

da

mudança

Figura 2 A direção da mudança espontânea é no sentido de um gás preencher todo o recipiente.

espontânea é a do bloco quente resfriar-se à temperatura de suas vizinhanças.

2

Mudanças não espontâneas:

-Compressão de um gás.

-passagem de uma corrente elétrica através de um bloco de metálico para aquecê-lo a uma temperatura maior que suas vizinhanças.

Uma mudança espontânea não necessita ser rápida:

Hidrogênio + oxigênio água (reação espontânea, muito lenta)

Uma mudança espontânea é uma mudança que tem a tendência de ocorrer sem estar sendo induzida por uma influencia externa; mudanças espontâneas não necessitam ser rápidas.

A entropia e a desordem

Em uma mudança espontânea a energia e a matéria tendem a se tornar mais desordenados.

Em termodinâmica, a medida da desordem é a entropia, S.

A segunda lei da termodinâmica pode ser enunciada na seguinte forma:

A

uma

mudança espontânea.

entropia

de

um

sistema

isolado

aumenta

no

decorrer

de

Em termos quantitativos:

isolado aumenta no decorrer de Em termos quantitativos: onde: : é a energia transferida como calor;

onde:

aumenta no decorrer de Em termos quantitativos: onde: : é a energia transferida como calor; T:

: é a energia transferida como calor;

T: temperatura.

A entropia é uma medida da desordem; de acordo com a segunda lei da termodinâmica, a entropia de um sistema isolado aumenta em qualquer processo espontâneo; entropia é uma função de estado.

3

Calculando

a

variação

de

entropia

de

uma

transferência

de

calor

reversível

Exemplo 1 Um frasco grande de água foi colocado em contato com um aquecedor, e 100J de energia foram transferidos reversivelmente à água a 25 ° C. Qual é a variação na entropia da água?

100J

S = 298K = +0,336J. K 1

A entropia da água aumenta como resultado do fluxo de calor para ela.

As variações de entropia

A equação 1 é aplicável somente quando a temperatura permanece constante, enquanto se fornece calor ao sistema.

Para uma transferência infinitesimal dq à temperatura T, o aumento de entropia também é infinitesimal:

T, o aumento de entropia também é infinitesimal: Se a variação na temperatura é feita a

Se a variação na temperatura é feita a volume constante, usamos C v .

Então a variação de entropia num processo a volume constante será:

de entropia num processo a volume constante será: Quando a pressão é mantida constante , a

Quando a pressão é mantida constante, a variação de entropia que ocorre quando a temperatura de uma substância aumenta de T 1 a T 2 é dada pela expressão 4:

substância aumenta de T 1 a T 2 é dada pela expressão 4: Se T 2

Se T 2 T 1 , então S é positivo.

4

Exemplo 2: Suponha que se aumentássemos a temperatura de 100g de água a pressão constante de 273K a 373K. Qual será a variação de entropia para o processo? Utilize C p = 418 JK -1

de entropia para o processo? Utilize C p = 418 JK - 1 Calculando a variação

Calculando a variação de entropia devido a um aumento na temperatura

Exemplo 3 Uma amostra de gás nitrogênio de volume 20,0L a 5,00KPa tem sua temperatura aumentada de 20 ° C a 400 ° C. Qual é a variação de entropia do nitrogênio? C v = 20,81J.K -1 .mol -1

= .

A temperatura inicial do N 2 é 293K; então o número de mols de N 2 será:

=

=

5,00 20,0

1 293 = 0,041

8,3145. . 1 .

= 0,041 . 20,81 1 .

673

293

=

0,71 . 1

Cálculo da variação de entropia para uma expansão isotérmica de um gás ideal.

A variação de entropia para a expansão isotérmica de um gás ideal é dado

pela expressão 5:

n= número de mols

R= 8,3145J.K -1 .mol -1

V 2 = volume final

V 1 = volume inicial

pela expressão 5: n= número de mols R= 8,3145J.K - 1 .mol - 1 V 2

5

Exemplo 4: Suponha que 1,00 mol de N 2 (g) se expanda isotermicamente de 22,0L a 44,0L. Qual é a variação de entropia nesta expansão?

a 44,0L. Qual é a variação de entropia nesta expansão? Se conhecermos a pressão final e

Se conhecermos a pressão final e a pressão inicial podemos usar a lei de Boyle, para expressar a razão de volume na equação 5 em termos da razão de pressões inicial e final. Como a pressão é inversamente proporcional ao volume (lei de Boyle) temos:

1

2

=

2

1

()

Então para uma transformação isotérmica, a expressão para o cálculo de entropia pode ser escrita na forma:

para o cálculo de entropia pode ser escrita na forma: As variações de entropia que acompanham

As variações de entropia que acompanham as mudanças de estado físico

Sólido líquido gás (aumento na entropia)

Sólido liquido gás (diminuição na entropia)

A entropia de vaporização S vap

A entropia de vaporização, S vap , é a variação na entropia molar quando uma substância se transforma de líquido a vapor. O calor necessário para vaporizar o líquido à pressão constante é a entalpia de vaporização H vap .

Fazendo q rev= H vap (Equação 1), a expressão para a entropia de vaporização na temperatura de ebulição é escrita na forma:

expressão para a entropia de vaporização na temperatura de ebulição é escrita na forma: = temperatura

= temperatura de ebulição

expressão para a entropia de vaporização na temperatura de ebulição é escrita na forma: = temperatura

6

Quando o líquido e o vapor estão em seus estados-padrão (ambos puros, ambos a 1bar), nos referirmos à entropia-padrão de vaporização e escreve-se .

à entropia-padrão de vaporização e escreve-se . Exemplo 5 : Calcular a entropia-padrão de vaporização da

Exemplo 5: Calcular a entropia-padrão de vaporização da acetona em seu ponto de ebulição a 329,4K. O H vap = 2,91x10 4 J.mol -1

a 329,4K. O  H v a p = 2,91x10 4 J.mol - 1 Entropias de

Entropias de vaporização de alguns líquidos são apresentados na Tabela 1:

Tabela 1 Entropia-padrão de vaporização de alguns líquidos

Líquido Ponto de Ebulição, K acetona 329,4 88,3 água 373,2 109 amônia 239,7 97,6 argônio
Líquido
Ponto de Ebulição, K
acetona
329,4
88,3
água
373,2
109
amônia
239,7
97,6
argônio
87,3
74
benzeno
353,2
87,2
etanol
351,5
124
hélio
4,22
20
mercúrio
629,7
94,2
metano
111,7
73
metanol
337,8
105

Muitos líquidos apresentam valores próximos de 85

105 Muitos líquidos apresentam valores próximos de 85 Esta observação é chamada de regra de Trouton

Esta observação é chamada de regra de Trouton e 85 de Trouton)

Explicação da regra: mesmo aumento na desordem ocorre quando qualquer líquido se converte em seu vapor.

Afastamento da regra: as moléculas tem arranjo mais ordenados nos líquidos que a maioria dos líquidos típicos, provocando maior aumento na desordem quando tais líquidos vaporizam.

(constante

na desordem quando tais líquidos vaporizam. (constante Regra de Trouton   H v a p

Regra de Trouton  H vap = 85J.K -1 .mol -1 . T ebulição

7

Entropia de fusão

Um aumento menor na entropia ocorre quando um sólido se funde porque um líquido é somente ligeiramente mais desordenado que um sólido. Aplicando-se o mesmo argumento usado para a vaporização para a entropia- padrão de fusão de uma substância e seu ponto de fusão (ou congelamento), pode-se escrever a variação da entropia de fusão na seguinte forma:

Onde:

a variação da entropia de fusão na seguinte forma: Onde: = entalpia de fusão ; =

= entalpia de fusão ;

de fusão na seguinte forma: Onde: = entalpia de fusão ; = temperatura de fusão Terceira
de fusão na seguinte forma: Onde: = entalpia de fusão ; = temperatura de fusão Terceira

= temperatura de fusão

Terceira lei da termodinâmica

A entropia é uma medida da desordem . É possível imaginar um estado perfeitamente ordenado da matéria sem desordem alguma, correspondendo uma entropia zero: um “ zero absoluto” da entropia. Essa idéia é resumida pela terceira lei da termodinâmica:

A entropia de todos os cristais perfeitos são as mesmas no zero absoluto de temperatura.

Como é geralmente aceito que o movimento térmico cessa em T= 0 K, é convencional tomar a entropia de todos os cristais perfeitos como 0 àquela temperatura.

O “cristal perfeito” do enunciado da terceira lei se refere a uma substância na qual todos os átomos estão em um arranjo perfeitamente ordenado.

Como a entropia absoluta pode ser determinada?

A equação 1 define entropia em termos de transferência de calor; isto pode ser usado

A equação 1 define entropia em termos de transferência de calor; isto pode ser usado somente para calcular as variações na entropia de uma substância

8

Em 1877 Ludwing Boltzmannpropôs uma definição alternativa que fornece seu valor absoluto mediante a expressão:

que fornece seu valor absoluto mediante a expressão: [9] = 1,3807 x10 - 2 3 J.K
que fornece seu valor absoluto mediante a expressão: [9] = 1,3807 x10 - 2 3 J.K

[9]

= 1,3807 x10 -23 J.K -1 (constante de Boltzmann)

= número de maneiras que os átomos ou moléculas em uma amostra podem ser arranjados.1,3807 x10 - 2 3 J.K - 1 (constante de Boltzmann) Cada arranjo permitido de moléculas

Cada arranjo permitido de moléculas em uma amostra é chamado de microestado; então : W= número de microestados

Para um cristal perfeito: S=K pois W=1 e ln 1=0

Entropia do terceiro princípio

Supondo a transformação:

Sólido (0K, p)

Sólido (T, p)

A variação de entropia para este processo é dada por:

p) A variação de entropia para este processo é dada por: Aplicando-se o terceiro princípio da
p) A variação de entropia para este processo é dada por: Aplicando-se o terceiro princípio da

Aplicando-se o terceiro princípio da termodinâmica à eq. 11, ela se reduz a:

o terceiro princípio da termodinâmica à eq. 11, ela se reduz a: Onde; = é chamada

Onde;

o terceiro princípio da termodinâmica à eq. 11, ela se reduz a: Onde; = é chamada

= é chamada de entropia do terceiro princípio.

9

Como uma variação de estado de agregação (fusão ou vaporização) envolve um aumento de entropia, essa contribuição deve ser incluída no cálculo da entropia de um líquido ou de um gás. Para a entropia padrão de um líquido acima do ponto de fusão da substância temos:

um líquido acima do ponto de fusão da substância temos: Semelhantemente, para um gás acima do

Semelhantemente, para um gás acima do ponto de ebulição da substância a equação anterior torna-se:

de ebulição da substância a equação anterior torna-se: As entropia-padrão molares Entropia-padrão molar , S m

As entropia-padrão molares

Entropia-padrão molar, S m ° , de uma substância corresponde a entropia molar da substância pura, a pressão de 1 bar e 298,15K.

A tabela 2 fornece valores selecionados da entropia-padrão molar para algumas substâncias.

Substâncias

S m ° , J.K -1 mol -1

 

Gases

 
 

NH 3

192,4

 

CO 2

213,7

 

H

2

130,7

 

N

2

191,6

 

O

2

205,1

Líquidos

 
 

C

6 H 6

173,30

C

2 H 5 OH

160,70

 

H

2 O

69,90

Sólidos

 
 

CaO

39,8

 

CaCO 3

92,9

C, diamante

2,4

C,grafite

5,7

 

Pb

64,8

Tabela 2 Alguns valores de entropias-padrões selecionados

10

Observações:

1- valores positivos substâncias estão mais desordenadas a 298,15K do que a 0K;

2- Diamante (2,4 J.K -1 mol -1 )ligações mais rígidas que no Pb

Pb (64,8 J.K -1 mol -1 )maior vibração dos átomos, á um átomo maior.

O Pb tem átomos muito maiores que o carbono, e mais elétrons.

3- (S m ° gases) (S m ° líquidos) (S m ° sólidos)

4-Quanto maior a complexidade molecular maior a entropia

(S m ° CaCO 3 92,9 J.K -1 mol -1 )

(S m ° CaO 39,8 J.K -1 mol -1 )

5-Líquidos tem entropias maiores que as dos sólidos maior movimento das moléculas;

Exemplo 6: Qual substância em cada par tem entropia molar maior: (a) 1mol de CO 2 a 25 ° C e 1 atm ou 1mol de CO 2 a 25 ° C e 3 atm? (b) 1 mol de He a 25 ° C em um recipiente de 20L ou 1mol de He a 100 ° C em um recipiente de 20L; (c) Br 2 (l) ou Br 2 (g)?

(a)

CO 2 a 1atm, porque a desordem aumenta com o volume.

(b)

He a 100 ° C, porque a desordem aumenta coma temperatura.

(c) Br 2 (g), porque o estado de vapor é mais desordenado que o estado líquido.

As entropias-padrão de reação

A entropia-padrão de reação, S r ° , é a diferença nas entropias-padrão molares de produtos e reagentes, levando em conta seus coeficientes estequiométricos:

levando em conta seus coeficientes estequiométricos: A entropia-padrão de reação é positiva (um aumento de

A entropia-padrão de reação é positiva (um aumento de entropia) se existe produção de gás na reação e é negativa (uma diminuição) se existe consumo de gás.

11

Exemplo 7: Calcular a entropia-padrão para a reação:

N 2 (g) + 3H 2 (g) 2NH 3 (g)

a reação: N 2 (g) + 3H 2 (g)  2NH 3 (g) O valor negativo
a reação: N 2 (g) + 3H 2 (g)  2NH 3 (g) O valor negativo
a reação: N 2 (g) + 3H 2 (g)  2NH 3 (g) O valor negativo

O valor negativo indica que existe uma diminuição na quantidade de gás. E o produto é menos desordenado que os reagentes, porque ocupa um volume menor.

As vizinhanças

O sistema em si e suas vizinhanças constituem o sistema isolado. A variação total de entropia entre o sistema e as vizinhanças pode ser encontrada através da equação 16:

= + [16]

onde:

variação de entropia das vizinhanças

variação de entropia do sistema.

variação de entropia das vizinhanças

A

tabela

3

fornece

temperaturas.

as

entropias-padrões

molar

da

água

em

várias

Fase

Temperatura, ° C

S m J.K -1 mol -1

sólido

-273 (0K)

3,4

 

0

43,2

Líquido

0

65,2

 

20

69,6

 

50

75,3

 

100

86,8

Vapor

100

196,9

 

200

204,1

12

A 0 ° C a entropia molar da água líquida é 22,0 J.K -1 mol -1 maior que a do gelo

à mesma temperatura.

Água líquida 0 ° C (65,2 J.K -1 mol -1 ) gelo a 0 ° C (43,2 J.K -1 mol -1 ).

Razão da diferença : as moléculas na água líquida estão mais desordenadas que no gelo. Segue então que, quando a água congela a 0 ° C sua entropia diminui de 22,0 J.K -1 mol -1 .

Podemos esperar que a entropia das vizinhanças aumente quando a água congela porque o congelamento é um processo exotérmico, e o calor liberado passa para as vizinhanças (Figura 3).

e o calor liberado passa para as vizinhanças (Figura 3). Figura 3 (a) Em um processo

Figura 3 (a) Em um processo exotérmico, o calor escapa para as vizinhanças

e aumenta a sua entropia. (b) Em um processo endotérmico, a entropia das vizinhanças diminui.

Para um processo que ocorre a temperatura e pressão constante a variação de entropia das vizinhanças é dada por:

∆ ∆ =

[17]

13

A Equação anterior (17) aplica-se quando quaisquer mudanças ocorrem á

temperatura e pressão constantes (Figura 4).

Figura 4 (a) Quando uma dada quantidade de calor flui para as vizinhanças quentes, produz
Figura 4 (a) Quando uma dada
quantidade de calor flui para as
vizinhanças quentes, produz muito
pouco caos adicional e o aumento
de entropia é muito pequeno. (b)
Quando as vizinhanças são frias, a
mesma quantidade de calor pode
fazer uma considerável diferença
para a desordem.

Estimando a variação de entropia das vizinhanças

Exemplo 8 :Calcular a variação de entropia das vizinhanças quando a água congela a

-10°C. Dado H cong = - H fus = - 6,0KJ.mol -1

=

6,010 3 . 1

263

= +23 1 1

O sinal + indica que o congelamento da água é espontâneo na temperatura

de -10°C.

14

A variação total de entropia

Para usar a entropia na avaliação sobre a direção da mudança espontânea devemos considerar as variações na entropia do sistema mais a variação de entropia das vizinhanças.

Então se:

= + + o processo é espontâneo

Se:

=

+ - o processo não espontâneo

Em uma reação exotérmica ou uma reação de combustão o calor liberado pela reação aumenta a desordem das vizinhanças. Em alguns casos, a entropia do sistema pode diminuir, como na combustão do magnésio, onde um gás é convertido a um sólido:

2Mg(s) + O 2 (g) 2MgO(s) S ° = -217 J.K -1 mol -1 , H ° = -1202 K J.mol -1 ,

Como a reação é altamente exotérmica, o aumento da desordem das vizinhanças é tão grande que a entropia total aumenta.

Avaliando a espontaneidade de uma reação usando a variação total de entropia

Exemplo 9 Usar a informação anterior para avaliar se a combustão do Mg é espontânea a 25 ° C.

Cálculo de

=

°

=

Cálculo de

1202 10 6

298

= +4,0310 3 . 1

S total = -217J.K -1 + (4,03x10 3 J.K -1 ) = +3,81 x10 3 J.K -1

Como S total é + a reação é espontânea.

15

Energia Livre

Um dos problemas com o uso da segunda lei é que a variação sobre a espontaneidade de uma reação necessita de três passos:

1-calcular

as

variações de entropia do sistema usando informações

tabeladas;

2-calcular a variação de entropia das vizinhanças usando dados de entalpia;

3-somar as duas variações e obter a variação total de entropia.

Este trabalho prolongado poderia ser muito mais fácil se uma única propriedade reunisse os cálculos de entropia para o sistema e vizinhanças.

Olhando o sistema

A variação de entropia total é dada por:

= + [18]

Para um processo que ocorre que ocorre à temperatura e pressão constante

a variação na entropia das vizinhanças será:

= ∆−

[19]

Introduzimos agora o conceito de energia de Gibbs, G, que é dado por:

=

20

Esta quantidade, que é comumente conhecida como energia livre, é definida somente em termos de função de estado, portanto G é uma função de estado. Então para uma variação finita a equação 20 torna-se:

= ∆ − ∆ [20]

A equação 20 resume os fatores que determinam a direção da mudança espontânea à temperatura e pressão constantes. A tabela 4 apresenta os fatores que favorecem a espontaneidade.

16

Variação de entalpia

Variação

de

Processo é Espontâneo?

entropia

exotérmico (H < 0)

Aumenta (S > 0)

Sim, G < 0

exotérmico (H < 0)

diminui (S < 0)

Sim, se |TS|<| H |, G < 0

endotérmico (H > 0)

Aumenta (S > 0)

Sim, se TS >H, G < 0

endotérmico (H > 0)

diminui (S < 0)

Não, G > 0

Tabela 4 Fatores que favorecem a espontaneidade.

A variação de energia livre é uma medida da variação na entropia total de um sistema e suas vizinhanças à temperatura e pressão constantes; os processos espontâneos à temperatura e pressão constantes são acompanhados por uma diminuição da energia livre.

Exemplo 10

Calcular a mudança na energia livre molar para o processo:

H 2 O(s) H 2 O(l)

a

espontânea. A entalpia de fusão é 6,01K.J.mol -1 e a entropia de fusão é +22,0J.K -1 .mol -1 .

(a)

(b) a 0 ° C, e decidir para cada temperatura se a fusão é

(a) 10 ° C,

e

G= 6,01K.J.mol -1 {(283K) x (22,0x10 -3 J.K -1 .mol -1 )

G= - 0,22 KJ.mol -1

(b)

G= 6,01K.J.mol -1 {(273K) x (22,0x10 -3 J.K -1 .mol -1 )

G= 0 KJ.mol -1

Conclusão:

A fusão é espontânea a 10 ° C, mas a 0 ° C água e gelo estão em equilíbrio.

17

A energia livre de reação

A função termodinâmica usada como critério de espontaneidade para uma

reação química é a energia livre de reação, G r . Esta quantidade é definida como a diferença entre energias livres molares de produtos e reagentes.

=

[21]

Onde n são os coeficientes estequiométricos na equação química.

Por exemplo: N 2 (g) + 3H 2 (g) 2NH 3 (g)

= 2 3 { 2 + 3 2

A energia livre padrão de reação, G r ° , é definida como a energia livre de reação mas em termos das energias livres padrão molares dos reagentes e

produtos:

° =

°

°

[22]

A energia livre padrão de formação, ° de uma substância é a energia

livre padrão de reação por mol para a formação de um composto a partir de seus elementos na sua forma mais estável.

A forma mais estável é o estado com mais baixa energia livre.

Elemento

Forma mais estável a 25 ° C e 1 bar

H 2 , O 2 , Cl 2 , Xe

gás

Br 2 , Hg

líquido

C

grafite

Na, Fe, I 2

sólido

Tabela 4 Exemplos das formas mais estáveis dos elementos

Calculando a energia livre padrão de formação usando dados de entalpia e entropia

Exemplo 11 Calcular a energia livre de formação do Iodeto de hidrogênio, HI, a 25 ° C usando sua entropia-padrão e sua entalpia-padrão de formação.

Equação química ½ H 2 (g) + ½ I 2 (s)HI(g)

18

½ H 2 (g) + ½ I 2 (s)HI(g)

°

1

= , {

2

°

°

2 , +

1 2 , = 26,48. 1
2

°

° = , {

°

1

2

°

2 , +

1

2

°

2 , }

° = 206,6 -

1

2

130,7

+

1

2

116,1

= 83,210 3 . 1 . 1

° = ° −∆ ° obtém-se:

° = 26,48. 1 { 298 83,210 3 . 1 . 1

° = +1,69. 1

Como este valor é positivo, a formação do HI puro a partir de seus elementos é não-espontânea. O HI puro tem a tendência a decompor-se em seus elementos a 25 ° C.

A energia livre padrão de formação de um composto é uma medida de sua estabilidade em relação aos seus elementos.

Se

que seus elementos, e os elementos têm uma tendência espontânea para

< 0 a uma certa temperatura, o composto tem menor energia livre

°

formar o composto nessa temperatura. Se

energia livre maior que seus elementos e a reação inversa, a decomposição, é espontânea.

> 0, o composto tem uma

°

Figura 5 As energias livres padrão

Figura 5 As energias livres padrão

de

formação

dos

compostos

são

definidas

como

a

energia

livre

padrão

de

reação

para

a

sua

formação

a

partir

de

seus

elementos.

 

19

Por exemplo, a energia livre padrão de formação do benzeno é +124KJ.mol -1

a 25 ° C. Portanto a reação:

6C(s,grafite) + 3H 2 (g) C 6 H 6 (l)

(não é espontânea a 25 ° C)

C

6 H 6 (l) 6C(s,grafite) + 3H 2 (g) = -124KJ.mol -1 (espontânea a 25 ° C)

°

O benzeno é termodinamicamente instável com relação aos seus elementos sob condições-padrão (25 ° C e 1 bar).

Um composto termodinâmicamente estável energia livre padrão de formação é negativa (p. ex. água).

Um composto termodinâmicamente instável energia livre padrão de formação é positiva (p. ex. benzeno).

Substâncias que são termodinamicamente instáveis mas sobrevivem por longos períodos são chamadas de não-lábeis ou mesmo inertes.

Substâncias que se decompõem ou regem rapidamente são chamadas lábeis. A maioria dos radicais são lábeis.

Benzenotermodinamicamente instável mas não lábil.

Estável e instável são termos que se referem à tendência termodinâmica de uma substância em decompor-se.

Lábil, não-lábil e inerte são termos que se referem à velocidade na qual essa tendência é concretizada.

O EFEITO DA TEMPERATURA

Estimando a temperatura mínima na qual uma reação endotérmica pode ocorrer espontaneamente.

Exemplo 12 Estime a temperatura na qual é termodinamicamente possível para o carbono reduzir óxido de ferro (III) a ferro pela reação:

2Fe 2 O 3 (s) + 3 C(s) 4Fe(s) + 3CO 2 (g)

20

A reação torna-se espontânea quando a energia livre de reação ° = −∆ ° , torna-se negativa. Uma reação endotérmica torna-se portanto espontânea para temperaturas nas quais ° = 0, isto é 0 = −∆ ° . A energia livre muda de sinal em:

°

°

°

=

°

= 3 2 , 2

°

°

°

2 3,

= 3 393,5 2 824,4 . 1 = +467,9. 1

°

2Fe 2 O 3 (s) + 3 C(s) 4Fe(s) + 3CO 2 (g)

° = 4 , + 3 2 ,

°

°

° = 4 27,3 + 3 213,7

°

{2 2 3 ,

°

+ 3

, }

{2 87,4 + 3 5,7 }. 1

° = +558,4 1 . 1

°

=

°

=

467,910 3 . 1

1 = 838

558,4. 1 .

A temperatura mínima na qual a redução ocorre é portanto cerca de 565 ° C.