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COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR DE ALIMENTOS: UMA PERSPECTIVA DA NOVA CARNE DE GALINHA CAIPIRA

Dario de Oliveira Lima Filho Renato Luiz Sproesser Fabrício Simplício Maia Loraine Aparecida de Guimarães Biscola

RESUMO: Este estudo abordou a aceitabilidade da nova carne de galinha caipira na percepção dos clientes frente às mudanças nos hábitos alimentares. Para tanto, foi utilizada pesquisa quantitativa/descritiva com amostra de 164 clientes de duas lojas de supermercados em Campo Grande - MS. A coleta de dados foi feita por meio de questionário estruturado não disfarçado abordando os clientes nos corredores dos estabelecimentos. As conclusões revelam que há uma busca por produtos naturais visando uma melhor qualidade de vida embora a maioria dos clientes ainda não associe o frango caipira como sendo um produto livre de componentes químicos. A aceitabilidade é representada por um percentual de 82,93%, mas quando combinada com o fator preço, o percentual diminui para 30,49%, ou seja, existe um nicho de mercado a ser explorado entre os entrevistados. São apresentadas limitação e sugestão para futuras pesquisas. Palavras-chave: comportamento do consumidor; hábitos alimentares; frango caipira.

1 – INTRODUÇÃO Os grandes avanços científicos e tecnológicos ocorridos nos últimos anos nos mais diversos setores das atividades ligadas ao agronegócio têm propiciado o surgimento de novos produtos (exemplo: produtos derivados da soja, do trigo) destinados a um público consumidor cada vez mais esclarecido e interessado em novidades que atendam às suas necessidades (CAMARDELLI, 2003). De acordo com Batalha (2001:28), “este enfoque é ressaltado da importância assumida pela tecnologia como agente indutor destas mudanças”. Especialmente na área de alimentos, há uma tendência crescente pela procura dos produtos chamados naturais, ou seja, aqueles obtidos a partir de criações ou de culturas nas quais se adotam técnicas de manejo livres ao máximo de artificialismo que possam alterar de alguma forma o produto final (NEVES, 2002). Em conseqüência da tendência mencionada, é bem conhecido em nosso país o apreço conferido por uma parcela significativa de consumidores ao denominado “Frango Caipira”. O “Frango Caipira” passou a ter um novo conceito de avicultura alternativa e naturalista, em que os resultados de criação e comercialização são melhores que os da avicultura industrial. O frango caipira já existe na França e alguns países da Europa há mais de 15 anos. Ocorre que a oferta do genuíno frango caipira é reduzida o que, em conseqüência, torna esse produto demasiado caro e, portanto, inacessível a grande parte da população (CAMARDELLI, 2003). E, é neste contexto, que se pretende analisar a atual conjuntura da nova carne de “galinha caipira”, buscando sinalizar se há ou não demanda latente para o produto. Possivelmente, este frango poderá atender à preferência de um consumidor de paladar mais refinado, disposto a pagar um pouco mais por produtos que proporcionem uma alimentação mais saborosa e, principalmente, mais saudável. O objetivo do trabalho é verificar, perante os clientes de duas lojas de supermercados de Campo Grande-MS, pertencentes a uma rede nacional e a uma rede regional respectivamente, se as pessoas têm conhecimento deste novo frango e seu diferencial

no modo de criação, se estão buscando uma alimentação mais saudável, e se estariam dispostas a modificar seus hábitos alimentares para passar a consumir esse produto, além de estabelecer o perfil do atual consumidor, avaliar o preço percebido, e identificar o porquê de as pessoas consumirem o frango caipira.

2 – MUDANÇAS NO COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR O comportamento do consumidor é um dos campos mais complexos da teoria de marketing, pois há contribuições de várias áreas do conhecimento. De acordo com Rocha e Christensen (1999) as principais áreas que contribuíram para a sua formação são: psicologia, a sociologia e a antropologia social. A psicologia estuda as atividades do homem como indivíduo e suas relações com outros indivíduos. A sociologia estuda os homens e as instituições, não como indivíduos, mas como membros de um grupo. E por último, a antropologia social estuda como o comportamento de compra é afetado por variáveis culturais. Todas essas áreas exercem influencias sob o comportamento do consumidor. Engel (1990), reforça o que foi exposto acima e complementa dizendo que essas áreas conferem ao campo do comportamento do consumidor um rico quadro analítico, do qual sobressai-se uma gama de estudos que abordam diversas questões e problemas relacionados ao campo em questão. Conforme Kotler (1998:161), “a área do comportamento do consumidor estuda como indivíduos, grupos e organizações selecionam, compram, usam e dispõem de serviços, idéias ou experiências para satisfazer suas necessidades e desejos”. Portanto, conhecer o consumidor significa entender seu comportamento de tomada de decisão, o qual envolve o processo pelo qual as pessoas determinam o que, quando, como, e principalmente, onde e de quem comprar (BERMAN; EVANS, 1992). De acordo com Parente (2000), é muito importante entender o comportamento do consumidor, pois assim pode-se adequar as atividades (da empresa/do fornecedor) às necessidades ou desejos dos clientes. E mais, entendendo o comportamento do consumidor é possível prever as mudanças que ocorrem constantemente nos mesmos. Geralmente, essas mudanças acontecem em virtude do ambiente que se encontram os consumidores. Esses ambientes podem variar conforme a geografia, a demografia, a composição familiar, os aspectos econômicos, sociais, psicológicos e culturais (PARENTE, 2000). A mudança no comportamento do consumidor pode acontecer, de acordo com o ambiente geográfico, transferindo os seus hábitos de costume para o que aquela determinada região tende a consumir. Outro fator importante é a demografia. As diversas faixas etárias apresentam preferências diferentes, e, portanto, durante o ciclo evolutivo o consumidor muda o seu comportamento enumeras vezes. A composição familiar também influência as mudanças no comportamento, visto que, é na família que se adquire o hábito de comprar “tal produto”. O aspecto econômico pode direcionar e mudar o comportamento do consumidor na hora da compra. Apenas as classes mais privilegiadas economicamente tendem a se alimentar com produtos mais naturais ou saudáveis, pois os mesmos são, geralmente, mais caros. Uma família de classe baixa não pode se dar ao luxo de comer peixe, que é caro, duas vezes por semana, por exemplo. Os fatores sociais, psicológicos e culturais também têm o poder de modificar o comportamento do consumidor, embora de forma muito mais sutil. Essas tendências socioculturais e psicológicas estão relacionadas com um estilo de vida na maioria das vezes. Atualmente esse último fator de mudança tem agido com mais freqüência em virtude dos chamados movimentos naturalistas. A nova geração está tomando consciência da

importância de uma vida mais saudável o que acaba mudando em muito os hábitos dos consumidores.

2.1. Mudanças nos hábitos alimentares do consumidor Os hábitos da população têm mudado e o novo padrão de alimentação mundial segue as seguintes características: declínio das três refeições diárias; lanches periódicos em varias oportunidades durante o dia; maior ênfase no sabor; valorização de comida natural, saudável, balanceada e com baixas calorias; nutritiva; sem aditivos (diet e light); aumento e melhoria do fast food; pratos e refeições completas; porções individuais; maior variedade e comidas étnicas. O consumidor brasileiro também mudou seu hábito alimentar. Isso foi possível devido um aumento no nível cultural e nas informações adquiridas sobre alimentação e saúde (MEGIDO; XAVIER1998; NEVES, 2002). Em suma, os estudos apontam que as mudanças nos hábitos alimentares do consumidor estão relacionadas com uma alimentação mais saudável, uma classe intelectualmente mais desenvolvida e economicamente mais favorecida e uma alta confiança na qualidade do produto.

3 – FRANGO CAIPIRA Até 1960, a avicultura no Brasil se caracterizava pela criação de galinhas em sistema extensivo (a campo) ou semi-intensivo (piquetes gramados). A maioria das galinhas criadas eram uma mistura de raças, sem controle de cruzamento, o que caracteriza até hoje as chamadas “galinhas caipiras” (KISHIBE, 1998). Após a década de 60, com a introdução da avicultura industrial, a produção e a comercialização dos ovos caipiras passaram a diminuir, por não competirem como o melhor desempenho das aves e pelo maior grau de técnicas adotado pelas empresas avícolas. Entretanto, o frango e os ovos caipiras não desapareceram da culinária brasileira. A criação caipira confere aos seus produtos características peculiares, como carne mais saborosa e ovos avermelhados (ARASHIRO, 2000). Nos últimos dez anos, o mercado começou a se interessar novamente por galinhas criadas no sistema caipira, e isso se deve à procura de alimentos mais naturais e aos movimentos ecológicos, que são contra a criação das aves exclusivamente em gaiolas, adotada no sistema industrial (CAMARDELLI, 2003). O sistema semi-intensivo ou caipira, que não é estressante como o industrial, fornece à galinha caipira, um ambiente natural e menos contaminado, portanto, com menor taxa de mortalidade. Essa atividade apresenta excelentes perspectivas, pois se trata de um mercado específico, onde o consumidor exige as características do produto caipira, não se importando em pagar um preço diferenciado. O principal consumidor dos produtos caipiras é o cidadão urbano. Como a oferta dos produtos avícolas tipo caipira é geralmente menor em relação ao seu consumo, os preços costumam ser maiores que os da avicultura industrial (KISHIBE,

1998). É importante ressaltar que a galinha caipira tradicional, aquela que não apresenta raça definida, é uma má produtora de carne e não põe mais do que 70 ovos por ano. Suas características produtivas não foram selecionadas e elas acabam sendo muito menos lucrativas do que as galinhas industriais. A caipira de hoje é na verdade uma complexa combinação genética de carijós legítimos, remanescentes dos primeiros plymouth rock introduzidos no país com outras raças rústicas, como a new hampshire e rhode island red (responsáveis pela transmissão da cor vermelha) e outras raças de frango de corte. Essas raças são excelentes para corte, pois chegam a pesar até 2,50 kg aos 60 dias de idade, e também tem boa produtividade de ovos, bota cerca de 200 ovos por ano (KISHIBE, 1998).

A carne da caipira melhorada está conquistando o gosto do consumidor por causa de

suas propriedades nutricionais. O sabor da carne, com baixo teor de gordura, apesar do requinte e das modernas técnicas introduzidas no modo da criação, continua com as mesmas

características das galinhas caipiras tradicionais (VITA, 2003).

4 – METODOLOGIA Foi conduzido um evento quantitativo/descritivo junto ao universo de clientes de duas lojas de supermercados da cidade de Campo Grande/MS.

A amostra da pesquisa foi constituída de 164 pessoas, com margem de erro de 7%

para mais ou para menos, dentro de um intervalo de confiança de 95%. Isso significa que se fossem feitas 100 entrevistas, em 95 os resultados encontrados estariam na margem de erro estabelecida. Optou-se por uma amostragem simples, que segundo Fonseca e Martins (1996) é o processo que atribui a cada elemento da amostra a mesma chance de ser sorteado em uma população. A coleta dos dados foi realizada dentro dos supermercados Comper 24h e Extra- Hipermercado de Campo Grande – MS, onde os entrevistados são procurados pessoalmente no momento de compra facilitando sua identificação, de forma direta e não disfarçada. Para coleta dos dados, utilizou-se o questionário estruturado não disfarçado (VERGARA, 2000) que possibilita sua aplicação a todos os segmentos da sociedade e por dar a possibilidade de se obter dados que não estão em fontes de dados secundários, composto por uma combinação de perguntas abertas e fechadas de múltipla escolha (MALHOTRA, 2001). O questionário foi aplicado na segunda quinzena do mês de agosto e na primeira quinzena do mês de setembro de 2003, durante dois dias alternados em cada supermercado, no horário das 16 às 19 horas. As entrevistas foram feitas pela autora abordando os clientes nos corredores dos estabelecimentos.

5 – RESULTADOS E DISCUSSÃO Dentre os clientes entrevistados, 20,12% eram do sexo masculino e 79,88% eram do sexo feminino; 24,39% com idade entre 21 e 30 anos; 29,27% idade entre 31 e 40 anos; 34,76% idade entre 41 e 50 anos; 8,54% idade entre 51 e 60 anos e 3,05% idade superior a 50 anos. Esse alto índice de sexo feminino se explica, provavelmente, pelo fato de, ainda hoje, nos supermercados terem mais mulheres do que homens fazendo compras para casa. Os resultados a seguir proporcionam uma visão a respeito se os clientes estão ou não buscando produtos livres de componentes artificiais e os motivos, o conceito de frango caipira, conhecimento e consumo desta carne, sugestões dos clientes para que a carne da nova galinha caipira seja mais conhecida, valor percebido do produto e o perfil do atual consumidor deste produto. Na tabela 1, entre as pessoas que responderam que mudariam seus hábitos alimentares em busca de produtos livres de artificialismo encontram-se 78,66% visando uma vida mais saudável e, conseqüentemente uma longevidade e 1,22% em virtude da própria qualidade dos produtos. Entre os clientes que responderam não mudar seus hábitos alimentares estão 15,85% que dizem ser mais cômodo os produtos não naturais, 2,44% os que não se preocupam com informações preventivas e 1,83% os que não mudariam por serem mais caros.

Tabela 1: Percentual de clientes entrevistados que responderam estar ou não mudando seus hábitos alimentares, e o motivo dessa mudança, em dois supermercados – 2003.

   

MOTIVOS

 

RESPOSTAS

 

Qualidade

 

Não se preocupa com informações

   

Saúde

Comodidade

Caro

TOTAL

 

dos Produtos

Sim

78,66

1,22

0,00

0,00

0,00

79,88

Não

0,00

0,00

15,85

2,44

1,83

20,12

TOTAL

78,66

1,22

15,85

2,44

1,83

100

FONTE: Dados da pesquisa

Como 79,88% das pessoas responderam que mudariam seus hábitos alimentares, pode-se confirmar a afirmação de Megido e Xavier (1998) a respeito das mudanças nos hábitos alimentares da população seguindo características como: ênfase no sabor e valorização de comida natural e saudável. No entanto, muitos dos clientes ainda não associam a carne do frango caipira como um produto natural. Na verdade, demonstraram ter uma visão ultrapassada de frango caipira, apenas 23% considera este frango como um produto sem componentes químicos que acelerem o seu crescimento, enquanto 77% ainda o conceituam como um frango que é criado na fazenda, sem qualquer valor agregado. Aqui está um dos maiores problemas encontrados com a pesquisa de mercado, pois a maioria dos clientes não tem a percepção correta das técnicas e manejo da criação da carne de galinha caipira, continuando com a visão antiga, em que o frango caipira era um frango doméstico criado “no fundo do quintal”. Este fato caracteriza a assimetria de informação entre produtos, distribuidor e consumidor final (ZYLBERSZTAJN, 2000). Para que essa “nova” carne seja vista como é atualmente, será necessário trabalhar o conceito já existente na cabeça dos clientes introduzindo as novas informações que serão responsáveis pela modificação da visão. No entanto, isso acaba dificultando o processo de introdução e aceitação do produto pelo fato de ser um trabalho longo e constante realizado para atingir o psíquico dos indivíduos. Talvez, técnicas como propagandas de persuasão poderiam ser utilizadas para um efeito de curto prazo, enquanto o reposicionamento não tivesse atingido a plenitude dos novos conceitos (SCHIFFMAN, 2000). Não obstante haja esse problema de conceituação, o produto se mostra de boa aceitação, visto que, mesmo recente no mercado 41% dos clientes já consumiram a carne da nova galinha caipira. Embora o percentual dos clientes que já consumiram seja representativo existe uma grande parcela, inclusive maior, a ser explorada. Dentro do percentual que ainda não consumiu, de 59%, podem existir consumidores potenciais que por falta de informação não experimentaram, ou não se interessaram pelo produto. Dos clientes entrevistados e que já consumiram ou consomem a carne da galinha caipira melhorada, apenas 15,85% tem consciência de ser este um frango criado solto, sem ingestão de produtos químicos durante a criação e certificado como do “tipo caipira”, enquanto 25,61%, embora já consuma a carne, não tem nenhuma informação mais estruturada sobre o produto. E existem pessoas que não consumiram e nem se quer conheciam tal produto. A falta de divulgação e esclarecimentos a respeito dessa nova carne também demonstrou ser um problema grave que inibe o consumo do produto. Conforme a pesquisa, 30% dos entrevistados não tem nenhum conhecimento que existe esse produto nos supermercados. Embora 70% tenha conhecimento do produto, apenas 41% já consumiu, ou seja, existe uma fatia de 29% que embora conheça nunca consumiu.

Tabela 2: Percentual de clientes entrevistados que já consumiram o novo frango caipira e que tem consciência de ser este um produto sem componentes químicos, em dois supermercados –

2003.

CONSUMIRAM OU NÃO POR MOTIVO DE NÃO TER CONSUMIDO

FRANGO CAIPIRA CRIADO SEM

PRODUTOS

QUÍMICOS

CRIADO NA

FAZENDA

TOTAL

Sim Não Falta de oportunidade Não tem costume de comer frango Muito caro Prefere frango de granja Não considera um verdadeiro caipira, nem mais saudável TOTAL

25,61%

15,85%

41,46%

25,00%

4,88%

29,88%

16,46%

1,22%

17,68%

0,61%

0,61%

1,22%

2,44%

0,00%

2,44%

2,44%

0,61%

3,05%

4,27%

0,00%

4,27%

76,83%

23,17%

100,00%

FONTE: Dados da pesquisa

Tabela 3: Percentual de clientes entrevistados que conhecem o frango caipira, mas por algum motivo não o consumiu ainda, em dois supermercados – 2003*.

MOTIVO

PERCENTUAL

Falta de oportunidade, não chamou a atenção Não tem costume de comer frango Muito caro Prefere frango de granja Não considera um verdadeiro caipira, nem mais saudável

61,70

4,26

8,51

10,64

14,89

TOTAL

100

FONTE: Dados da pesquisa * Esse percentual é relativo aos 29% que conhecem o caipira, mas não o consumiu.

A tabela 3 especifica os motivos pelos quais os clientes entrevistados não consumiram o frango caipira embora tenham conhecimento do produto, e 61,7% afirmaram ser por falta de interesse, oportunidade visto que não lhes chamou a atenção. Os outros motivos se resumem em 14,89% não consideram o produto um verdadeiro caipira, nem mais saudável; 10,64% preferem o frango de granja; 8,51% por ser muito caro e 4,26% não tem costume de comer frango. Desses dados pode-se extrair que os 61,7% e os 14,89% tendem a experimentar o produto se forem bem articulados. Para isso será necessário criar maneiras para atrair os

clientes desinteressados e proporcionar credibilidades àqueles que tem receio da veracidade do produto intitulado como caipira (através de certificados e inspeções Municipais, Estaduais

e Federais). A tabela 4 expõe os motivos pelos quais os clientes mudariam ou não seus hábitos alimentares para passar a comer um frango mais saudável, sendo que 82,93% responderam que mudariam e os motivos foram: preocupação com a saúde – 69,51%, sabor da carne – 7,93% e credibilidade – 5,49%. Os clientes que não mudariam somam 17,07% sendo os

motivos: não gosta da carne de frango caipira – 9,15%, não considera mais saudáveis – 4,27%

Tabela 4: Percentual de clientes entrevistados que mudariam ou não seus hábitos alimentares, para passar a comer um frango mais saudável e o motivo, em dois supermercados – 2003.

MUDARIA

MOTIVOS

PERCENTUAIS

 

Saudável Sabor Credibilidade Não gosta Não é mais saudável Não se preocupa com saudáveis

69,51

SIM

7,93

5,49

 

9,15

NÃO

4,27

3,65

 

TOTAL

100

FONTE: Dados da pesquisa

As pessoas estarem dispostas a mudar seus hábitos alimentares é uma grande etapa vencida, no entanto, como já se verificou anteriormente, somente 41% dos entrevistados já consumiram a carne da caipira melhorada. Na tabela 5 pode-se visualizar o que os entrevistados consideram ser relevante para que a carne da caipira melhora seja mais conhecida e consumida. O maior percentual foi divulgação com 56,71%; em segundo ficou a sugestão de campanhas informativas explicando como é a criação e em que difere do antigo frango caipira; depois foram verificados percentuais inferiores a 11%, sendo o mais relevante o preço similar – 10,37%. As outras sugestões somam 30,5% entre preço mais acessível, demonstração da qualidade, pontos de degustação, ter o produto em pedaços, receitas para torná-lo um prato do dia a dia, e para alguns, nada tem a ser feito visto que não consumirão de forma alguma o produto. Na opinião dos entrevistados a divulgação e as campanhas que dão credibilidade ao produto seriam o diferencial para atrair os consumidores potenciais. Embora o preço tenha atingido um percentual elevado, não é tão relevante para esta análise, visto que o frango caipira é um produto diferenciado o que eleva o preço naturalmente. E ainda, a divulgação teria que ser além de atrativa, buscando despertar o desejo das pessoas, informativa para que o conceito de “caipira” fosse sendo, aos poucos, reaprendido pelas pessoas, ou seja, seria um processo de transição suave, do antigo conceito de frango caipira para o atual. Esses são os pontos, na opinião dos clientes, a serem observados para que a carne do frango caipira se destaque nesse cenário de mudanças alimentares. Tabela 5: Percentual de clientes entrevistados por sugestão do que deve ser feito para que a carne do novo frango caipira seja consumida com sucesso, em dois supermercados – 2003.

SUGESTÃO

PERCENTUAL

Divulgação Preço Similar Preço Mais Acessível Demonstrar a Qualidade Degustação Campanha explicando criação Ter em pedaços Receitas Nada

56,71

10,37

7,93

8,54

8,54

44,51

2,44

1,83

1,22

FONTE: Dados da pesquisa

Conforme os dados da pesquisa algumas pessoas estariam dispostas a pagar um valor a mais por essa carne saudável comparado com o preço do frango de granja (R$ 2,90 kg) - Tabela 6.

O percentual ficou dividido da seguinte maneira: 26,83% pagariam no máximo 15%

a mais, 24,39% pagariam até 30% a mais, 11,59% pagariam 50% a mais, 18,9% pagariam de

acordo com o custo de se produzir tal carne e 18,29% não pagariam a mais para consumir essa

carne.

Atualmente esse produto é vendido nos supermercados com um valor que varia de 50% a 100% a mais do que o frango de granja. Dessa forma os consumidores potenciais somariam um percentual de 30,49% dos entrevistados, os quais estariam dispostos a consumi- la ainda que o preço fosse elevado.

Tabela 6: Percentual de clientes entrevistados por valor que pagariam a mais, para consumir a carne do novo frango caipira em relação a carne de frango de granja, em dois supermercados

– 2003.

QUANTO PAGARIA

PERCENTUAL

No máximo 15% a mais No máximo 30% a mais No máximo 50% a mais Depende do custo Não pagaria mais

26,83

24,39

11,59

18,90

18,29

TOTAL

100

FONTE: Dados da pesquisa

De acordo com a tabela 7, o perfil dos consumidores da nova carne de galinha caipira são mulheres (32,8%), com uma faixa etária entre 31 e 50 anos (26,83%) e que possui nível superior completo (25%). Tabela 7: Perfil dos clientes entrevistados que já consumiram a carne do novo frango caipira por faixa etária e escolaridade, em dois supermercados – 2003*.

Nº de entrevistados

Gênero

Faixa etária

Escolaridade

 

Feminino –

31 – 50 anos

 

164

32,8%

26,83%

Superior Completo 25%

FONTE: Dados da pesquisa * A porcentagem é sobre os 41% dos entrevistados que já consumiram o novo caipira.

6 – CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho abordou a aceitabilidade pelos clientes de uma nova carne de galinha caipira nas instituições varejistas. Para tanto, foi utilizada pesquisa quantitativa/descritiva com uma amostra de 164 clientes de dois supermercados de Campo Grande (MS). Quanto aos clientes, 78,66%, dos entrevistados, estão buscando produtos livres de elementos químicos em virtude da preocupação com a saúde no intuito de evitar doenças e conseqüentemente uma longevidade. Como o frango caipira é um produto de criação solta, sem aceleradores de crescimento, ele é muito mais saudável, o que o torna um atrativo para os consumidores mais exigentes. Os resultados revelam a existência de aceitabilidade da nova carne de galinha caipira, visto que 82,93% responderam que mudariam seus hábitos alimentares, deixando de comer o frango de granja, para passar a comer a carne da nova galinha caipira, sendo os motivos os mais diversos (preocupação com a saúde – 69,51%, sabor da carne – 7,93% e credibilidade – 5,49%). Embora haja outros fatores motivadores de compra, o percentual de 69,51% reafirma

o aumento da preocupação com a saúde e a conseqüente busca por produtos mais saudáveis ou mesmo, menos prejudiciais (MEGIDO; XAVIER, 1998).

No entanto, pouco mais de 40% dos clientes entrevistados já consumiram o produto, e desses, apenas 15,88% têm consciência de ser este livre de componentes químicos. Além disso, 30% dos entrevistados não têm nenhum conhecimento que existe esse produto nos supermercados. Embora 70% tenha conhecimento do produto, apenas 41% já consumiu, ou seja, existe uma fatia de 29% que embora conheça nunca consumiu. Quando analisada a aceitabilidade com o fator preço, ela tende a diminuir consideravelmente, o que se leva a crer que, na realidade, existe um nicho de mercado a ser explorado que somariam um percentual de 30,49% dos entrevistados os quais estariam dispostos a consumir a carne da nova galinha caipira ainda que o preço fosse elevado. Portanto, a pesquisa sinaliza um mercado promissor e exige estratégias de marketing especificas, baseadas nos seguintes princípios: a) trabalhar o conceito de frango caipira para não relacionar o caipira atual com o de antigamente; b) informar aos consumidores o que é o produto em si, e quais as diferenças e as vantagens da carne da caipira melhorada; c) dar credibilidade ao produto com selo de inspeções Municipais, Estaduais e Federais, e através de informações; e d) investir em campanhas e propagandas para dar conhecimento ao produto. Dada a importância do tema “mudança dos hábitos alimentares” e o número reduzido de trabalhos envolvendo a nova carne da galinha caipira nessa perspectiva, buscou- se com este artigo contribuir para o preenchimento desta lacuna, bem como fornecer um referencial para subsidiar políticas governamentais e empresariais e discussões acadêmicas sobre o tema em questão. 7 – BIBLIOGRAFIA

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