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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ BOLSA DE INICIAÇÃO ACADÊMICA ENCONTROS UNIVERSITÁRIOS RECONHECIMENTO DE DÍVIDA E

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

BOLSA DE INICIAÇÃO ACADÊMICA

ENCONTROS UNIVERSITÁRIOS

RECONHECIMENTO DE DÍVIDA E APURAÇÃO DE RESPONSABILIDADE: UM ESTUDO DE CASO NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

Trabalho apresentado no I Encontro de Iniciação acadêmica,

Orientado por Fernando Henrique Monteiro Carvalho

(Assessor Especial do Reitor/UFC e Presidente da Comissão

Permanente de Processos Administrativos Disciplinares)

FORTALEZA

2017

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ BOLSA DE INICIAÇÃO ACADÊMICA ENCONTROS UNIVERSITÁRIOS DIANA DA SILVA DE SOUZA

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

BOLSA DE INICIAÇÃO ACADÊMICA

ENCONTROS UNIVERSITÁRIOS

DIANA DA SILVA DE SOUZA - ALUNA DO CURSO DE FINANÇAS DA UFC

MARIA VIVIANE CAVALCANTE PORTUGAL - ALUNA DO CURSO DE CIÊNCIAS CONTABÉIS DA UFC

VANUZIA FEITOSA DE ARAUJO CAMINHA - ESTUDANTE DE DIREITO E CONTADORA DA UFC

FORTALEZA

2017

SUMÁRIO

RESUMO

04

1. INTRODUÇÃO

05

2. DESENVOLVIMENTO

06

3. CONCLUSÃO

08

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

09

RESUMO

Este projeto irá demonstrar como a Universidade Federal do Ceará (UFC) realiza o reconhecimento de dívida, tendo como propósito fazer uma explanação sobre as consequências deste processo. A pesquisa foi construída em plano prático, através de análises dos processos administrativos, oriundos da Comissão Permanente de Processos Administrativos Disciplinares (CPPAD), tendo como base um estudo de caso focado em um desses processos. Os resultados da análise evidenciam a quantidade e o custo da abertura dos processos administrativos destinado à apuração de responsabilidade de quem deu causa ao reconhecimento de dívida. Conclui-se que o processo de reconhecimento de dívida é situação de exceção e se aplica em casos em que as notas fiscais se referem às seguintes despesas:

realizadas sem cobertura contratual; com contrato, mas sem saldo suficiente de empenho; ou ainda, com contrato com saldo, mas sem saldo suficiente de empenho. Em todos os casos, resultando em apuração de responsabilidade. Como consta no parecer redigido pela Comissão do caso analisado, recomenda-se que para evitar processos por apuração de responsabilidade decorrente do reconhecimento de dívida, o servidor ao desempenhar o papel de fiscal de contrato deve amparar-se de mecanismos propícios a sanear falhas operacionais, tais como: um maior embasamento teórico, através de cursos oferecidos pela própria Universidade - como o curso de Fiscalização e Gestão de contratos; pode também buscar informações no departamento de contratos e execução orçamentária da UFC e demais treinamentos. Além disso, o servidor deve por obrigação ter o compromisso e a responsabilidade ao lidar com as atividades requeridas ao seu cargo.

Palavras-Chaves: Reconhecimento de dívida; Responsabilidade; Processo.

1.

INTRODUÇÃO

Este projeto propõe um estudo de caso de Reconhecimento de Dívida e Apuração de Responsabilidade, na Universidade Federal do Ceará.

Observou-se uma demanda relevante de processos de reconhecimento de dívida com apuração de responsabilidade na Comissão de Processo Administrativo Disciplinar (CPPAD) referente aos períodos de 2014 a 2016. Em vista disso, decidiu- se desenvolver um projeto com este tema específico. Portanto, as fases desse trabalho evidenciam a despesa pública e específica de como se dá todo o trâmite legal para o processo de reconhecimento de dívida e apuração de responsabilidade na UFC, além de relatar sugestões com o propósito de auxiliar na redução desta demanda.

2. DESENVOLVIMENTO

A execução da Despesa orçamentária se apresenta em três fases como está previsto na Lei n° 4.320: empenho, liquidação e pagamento. O empenho consiste no ato que cria para o poder público a obrigação de pagamento por meio da emissão da Nota de Empenho. A liquidação da despesa consiste na verificação do direito adquirido pelo credor, tendo por base os títulos e documentos que comprovam o respectivo crédito. Já o pagamento, é o ato exarado pela autoridade competente determinando que a despesa seja paga. Como o estágio da liquidação consiste em comprovação do serviço - a quem vai ser pago e o valor de tal, é neste que ocorre o Reconhecimento de Dívida. Esta é uma situação de exceção e se aplica em casos que as notas fiscais se referem às seguintes despesas: realizadas sem cobertura contratual; com contrato, mas sem saldo suficiente de empenho; ou ainda com contrato e com saldo, mas sem saldo suficiente de empenho. Este último, é o objeto de estudo de caso deste artigo.

Em todos os casos - de acordo com o art.67, da Lei nº 8.666/93, a execução do contrato deve ser acompanhada e fiscalizada por um representante da administração, especialmente designado. O § 1º deste artigo, determina que esse representante – nomeado de “fiscal de contrato”, anote e acompanhe todas as ocorrências relacionadas com a execução do mesmo. Além disso, ele determinará as providências necessárias ao contratado para a regularização das faltas ou defeitos observados.

O Ministério do Planejamento criou em 2002 o Sistema de Administração de Serviços Gerais (SIASG), uma ferramenta que auxilia na gestão de serviços gerais, como: licitações, contratações, transportes, comunicações administrativas, documentação e administração de edifícios públicos e de imóveis funcionais.

Anteriormente o Reconhecimento de dívida na UFC era realizado pelo Departamento de Contabilidade e Finanças, devido à alta demanda de processos desta natureza principalmente no período de 2014 e 2015, foi necessário capacitar os servidores a exercer a função de fiscais. A partir de abril de 2016 foi realizado o primeiro curso de fiscalização e gestão de contrato com a implantação da ferramenta SIASG, em que foi disponibilizada para os fiscais com objetivo de torná-los aptos ao acompanhamento e fiscalização dos contratos, já que os mesmos tinham ao seu

dispor os elementos necessários, como notas fiscais, valor do empenho e o valor do contrato. O SIASG trouxe melhorias para a gestão dos contratos, à medida que facilitou a utilização dos elementos que os fiscais já tinham à sua disposição.

O estudo de caso escolhido foi um processo de apuração de responsabilidade no ano de 2015, resultante do reconhecimento de dívida no período de novembro a dezembro de 2014 de uma empresa que prestou serviços à UFC. Neste caso ocorreu um reajuste contratual, mas não foi informado tempestivamente ao Departamento de Contratos e Execução Orçamentária. Enquadra-se, portanto, no caso em que há cobertura contratual, mas não há empenho suficiente.

Quando ocorreu o processo de liquidação da despesa, o setor de liquidação observou a falha operacional e iniciou-se o processo de reconhecimento de dívida e consequentemente uma apuração de responsabilidade. Nesta fase a Pró-Reitoria de Administração da UFC enviou o referido processo para a Comissão de Admissibilidade, a qual compete analisar os pressupostos de admitir ou não a apuração de responsabilidade (sua estrutura está alocada na CPPAD).

Conforme o Art. 128, da Lei 8.112, na aplicação das penalidades será considerado: a natureza e a gravidade da infração cometida; os danos que dela provierem para o serviço público; as circunstâncias agravantes ou atenuantes; e os antecedentes funcionais. Portanto, como nesse caso foi evidenciado que o servidor não agiu de má-fé, não houve penalidades. Contudo, quando ocorre apuração de responsabilidade e evidenciam-se danos ao erário, sugere-se ao Reitor, por meio da emissão de parecer, a abertura de Sindicância ou de um processo administrativo disciplinar (PAD).

Num total de 36 processos recebidos na CPPAD para análise da Comissão de Admissibilidade, 15 processos (datados entre 2014 a 2016) se referem a reconhecimento de dívida e apuração de responsabilidade. O custo financeiro de cada processo administrativo é em média R$ 25.023,33, de acordo com o presidente do centro Ibero-Americano de Administração e Direito. Fora este, ainda há outro custo, o qual é intangível por trazer danos aos envolvidos, como o desgaste emocional de ter seu nome incluído em um processo.

3. CONCLUSÃO

No parecer redigido pela Comissão de Admissibilidade do caso analisado, não há a necessidade de abertura de Sindicância ou de PAD, pois não houve dano ao erário e tão pouco o servidor atuou sem qualquer desmerecimento em seu exercício. Portanto, não há a necessidade de punições por eventuais falhas operacionais, pois entende-se que esta é a condição humana, que pode ser motivada por diversos fatores da vida administrativa. Recomenda-se que para evitar processos por apuração de responsabilidade decorrente do reconhecimento de dívida, o servidor ao desempenhar o papel de fiscal de contrato deve amparar-se de mecanismos propícios a sanear falhas operacionais.

A Universidade oferece o Curso de Fiscalização e Gestão de Contratos, que propicia um maior embasamento teórico. Além disso, o servidor pode também procurar o Departamento de Contratos e Execução Orçamentária para buscar maiores esclarecimentos. Posteriormente, sugere-se um curso específico da ferramenta SIASG com aulas, principalmente práticas, pois esta é a principal ferramenta utilizada pelo fiscal de contrato para executar sua função.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVES, Léo da Silva et al. QUANTO CUSTA UM PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR? 2015. Disponível em: <http://www.sedep.com.br/artigos/quanto- custa-um-processo-administrativo-disciplinar/>. Acesso em: 03 nov. 2016.

ANOTAÇÕES RETIRADAS DA APOSTILA DO CURSO DE FISCALIZAÇÃO E GESTÃO DE CONTRATOS DO ANO DE 2016 DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ.

BRASÍLIA. H. CASTELLO

LEI No 4.320. 1964. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4320.htm>. Acesso em: 01 nov. 2016.

LEI Nº 8.666. 1993. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8666cons.htm>. Acesso em: 01 nov.

2016.

BRASÍLIA. ITAMAR

LEI Nº 8.112. 1990. Disponível em:

<https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8112cons.htm>. Acesso em: 01 nov.

2016.

BRASÍLIA. MAURO

BRASÍLIA. MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO DESENVOLVIMENTO E GESTÃO. . SIASG ganha novos usuários. 2015. Disponível em:

<http://www.planejamento.gov.br/assuntos/logistica-e-tecnologia-da informacao/noticias/siasg-ganha-novos-usuarios>. Acesso em: 03 nov. 2016.

BRASÍLIA. MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO DESENVOLVIMENTO E GESTÃO.

Sistema Integrado de Serviços Gerais ganha multiplicadores. 2015. Disponível

em:<http://www.planejamento.gov.br/assuntos/logistica-e-tecnologia-da-

informacao/noticias/sistema-integrado-de-servicos-gerais-ganha>. Acesso em: 03

nov.2016.

CORREA, Profª. Denise Maria Moreira Chagas; CAVALCANTE, Profª. Sueli Maria de Araújo; PINTO, Prof. José Adriano. Manual de Fiscalização de Contratos. 2014. Disponível em: <http://www.pradm.ufc.br/manuais-de-procedimentos/334-manual-de- fiscalizacao-e-gestao-de-contratos>. Acesso em: 03 nov. 2016.

Manual de contabilidade aplicada ao setor público: aplicado à União e aos Estados, Distrito Federal e Municípios / Ministério da Fazenda, Secretaria do Tesouro Nacional. 5. ed. Brasília : Secretaria do Tesouro Nacional, Subsecretaria de Contabilidade Pública. Coordenação-Geral de Normas de Contabilidade Aplicadas à Federação, 2013.