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Cultura e Desenvolvimento

Aula 03

Cultura e Desenvolvimento

Objetivos Específicos

• Entender a relação entre cultura e desenvolvimento, sendo a cultura base indispensável para o desenvolvimento sustentável

Temas

Introdução

1 Cultura e desenvolvimento humano

2 As culturas e o desenvolvimento humano nas cidades

Referências

Professora

Ana Laura Gamboggi Taddei

Cultura e Desenvolvimento

Introdução

Nesta aula, vamos tratar de cultura e desenvolvimento humano. O desenvolvimento humano é tema de algumas das principais mesas de debates e encontros da atualidade, em campos diversos como a psicologia, a antropologia e as ciências econômicas. Está presente nos informes das Nações Unidas.

Está presente nos informes das Nações Unidas. Para saber mais sobre esse tema, leia o capítulo

Para saber mais sobre esse tema, leia o capítulo Cultura, diversidade e os desafios do desenvolvimento humano, in BARROS, J. M. (org). Diversidade cultural: da proteção à promoção. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. p. 18-22.

à promoção. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. p. 18-22. 1 Cultura e desenvolvimento humano A relação entre

1 Cultura e desenvolvimento humano

A relação entre cultura e desenvolvimento tem lugar de destaque na agenda

contemporânea. Entende-se aqui cultura como a dimensão simbólica da existência social de cada povo, como eixo construtor de identidades, como o lugar da realização e expressão da cidadania e, portanto, de inclusão social e também como fato econômico.

A Conferência Mundial do México, ocorrida em 1982, propôs que os conceitos de cultura

e de desenvolvimento estão intimamente ligados. O conceito de cultura é definido como:

“Cultura como o conjunto de características espirituais e materiais, intelectuais e

emocionais que definem um grupo social. ( engloba modos de vida, os direitos

fundamentais da pessoa, sistemas de valores, tradições e crenças” (Unesco, 1982).

)

E o de desenvolvimento como:

“Desenvolvimento como um processo complexo, holístico e multidimensional, que vai

além do crescimento econômico e integra todas as energias da comunidade ( deve estar fundado no desejo de cada sociedade de expressar sua profunda identidade [É] energia criadora e desejo de expressar identidade” (Unesco, 1982).

)

As definições são tão similares em seu conteúdo que poderiam ser até intercambiadas.

Não podemos falar de cultura sem desenvolvimento e, menos ainda, de desenvolvimento sem cultura. Assim, falar em cultura e desenvolvimento é considerar os processos expressivos e criativos, sem se esquecer das manifestações das pessoas, criando, construindo e apresentando uma expressão cultural a um público.

construindo e apresentando uma expressão cultural a um público. Senac São Paulo - Todos os Direitos

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Em 2000, o Informe de Desenvolvimento Humano (Unesco, 2000) mostrou que o desenvolvimento e os direitos humanos requeriam oportunidades sociais e econômicas justas, além do exercício pleno da democracia. Segundo a ONU, a meta do desenvolvimento humano, é criar um ambiente adequado em que as pessoas possam manifestar suas opiniões, consigam viver livremente e desenvolver seu potencial. O desenvolvimento humano se baseia em que as pessoas sejam livres para serem aquilo que desejarem.

A liberdade cultural é parte da equação do desenvolvimento, o que significa que as pessoas têm o direito de praticar sua religião abertamente, são livres para falar seu idioma e para praticar seus costumes, sem que por isso sejam ridicularizadas, castigadas ou tenham suas oportunidades reduzidas. Dessa forma, indica Martinell (2003, p. 93), as pessoas têm direito à vida cultural, em suas variadas dimensões e práticas. Isso incide diretamente em um sem-número de atividades que concedem valor a fatores culturais e permite o desenvolvimento de setores, como a indústria turística, por exemplo – estamos nos referindo não apenas ao turismo local, mas à conversão de diferentes valores patrimoniais de uma cultura (arquitetura, festas, meio ambiente, restos arqueológicos) em destino turísticos, como é o caso da Festa do Peão de Barretos, a Festa do Boi, no Maranhão, a Oktoberfest, no Sul do Brasil, ou o Espaço Cultural Inhotim, um museu a céu aberto em Minas Gerais, ou, ainda, as dunas de Genipabu, em Natal.

em Minas Gerais, ou, ainda, as dunas de Genipabu, em Natal. Para saber mais sobre a

Para saber mais sobre a Oktoberfest, a festa alemã mais famosa do Brasil, que é realizada anualmente em Blumenau, e sobre o Museu Inovador, a céu aberto, de Inhotim, acesse os links disponíveis na midiateca.

de Inhotim, acesse os links disponíveis na midiateca. A cultura movimenta diretamente cerca de 7% do

A cultura movimenta diretamente cerca de 7% do produto interno bruto (PIB) anual do planeta (BARROS, 2008) e é o setor que mais cresce, emprega, exporta e paga melhor praticamente sem poluir ou exaurir os recursos naturais.

De acordo com Barros (2008), o desenvolvimento humano propõe as seguintes variáveis:

• processo de mudança social e econômica em termos de potencialidades e capacidades do ser humano;

• os graus de liberdades social, econômica e política presentes na sociedade e suas instituições;

• a universalidade das oportunidades de saúde, educação e criação disponíveis de forma indiscriminada;

• a possibilidade efetiva de se desfrutar o respeito pessoal e as garantias plenas dos direitos humanos.

o respeito pessoal e as garantias plenas dos direitos humanos. Senac São Paulo - Todos os

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O conceito básico de desenvolvimento humano é entendido aqui como direito a cultura,

condições básicas de saúde e democracia política, em que as pessoas possam influenciar as decisões que afetam direta e indiretamente as suas vidas, como apontam Benjamín González, ex-diretor da ONG Faro de Oriente, e o crítico de arte mexicano Cuauthémoc Medina.

Basicamente, podemos dizer que o paradigma do desenvolvimento humano tem, como aponta Barros (2008), quatro componentes essenciais: equidade (não apenas de renda, mas no sentido amplo do termo), sustentabilidade (sustentar todas as formas de capital, especialmente o humano e o ambiental), produtividade (não apenas econômica) e empoderamento (englobada a liberdade de escolhas).

Concordamos ainda com o mesmo autor ao mencionar que “a cultura é um direito básico do cidadão, tão importante quanto o direito ao voto, à moradia digna, à alimentação, à saúde e à educação. A cultura tem três dimensões vitais: ela é produção simbólica, é direito de todos os brasileiros e é economia” (BARROS, 2008, p. 23).

2 As culturas e o desenvolvimento humano nas cidades

A cidade é o lugar do encontro, da precipitação de culturas. A cidade, em suas diferentes

formas, em sua complexidade e texturas, é um espaço onde os diferentes atores sociais coexistem nos âmbitos social, econômico, politico, cultural e de cidadania, realizando suas propostas e atuações.

É nas cidades que vive 75% da população mundial; a maior parte, em zonas periféricas,

segundo a Unesco Informe de Desenvolvimento Humano (2007). É o lugar do desenvolvimento tanto econômico como humano. Por sua natureza, as cidades abrigam uma imensa diversidade cultural. Por isso mesmo, a cultura da cidade não pode ser homogênea; ela é pluricultural.

Em qualquer metrópole do planeta se falam muitas línguas (incluindo dialetos, gírias, regionalismos, adaptações linguísticas que misturam línguas locais) e seus habitantes são de diversos lugares e têm formas de ser e estar no mundo muito diversas. As cidades são cenários onde a vida cultural se dá ao vivo, na convivência num mesmo espaço. O lugar propício para se pensar o desenvolvimento humano. Quantas identidades culturais se configuram nas cidades? As elaborações identitárias e simbólicas diferem de acordo com os agentes que as formulam, negando a possível existência de uma cultura urbana homogênea e compartilhada de maneira igual por seus habitantes. Assim, a cidade é o espaço do encontro, da miscigenação, da criatividade transferível, da liberdade criativa. É nas cidades que o desenvolvimento precisa ser, mais do que econômico, humano, no sentindo de integrar, como mencionávamos anteriormernte, todas as energias das comunidades que convivem no espaço urbano, energias fundadas no desejo de cada grupo de expressar sua identidade.

Vale a pena esclarecer que esses encontros urbanos, muitas vezes, são choques; choques culturais, capazes de transformar o espaço e seus habitantes. Desde o século XIX, psicólogos

o espaço e seus habitantes. Desde o século XIX, psicólogos Senac São Paulo - Todos os

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têm se dedicado a estudar o comportamento das pessoas quando estão fora de casa, quando

têm a sensação de estarem desprotegidas. Em inglês, o termo que se usa para essa sensação

é homesic (que significa literalmente: doente por não estar em casa). Trata-se da sensação

de insegurança que sentimos por estarmos longe do que nos é próprio, uma sensação de desconforto, por estar num ambiente desconhecido e culturalmente diferente. A insegurança pode produzir violência e angústia. Barbero (2000) chamou esse fato de angústia cultural:

ao não nos reconhecermos na cidade, qualquer fricção, desde uma batida de carros até o contato físico entre pessoas, pode desencadear atitudes violentas.

No documento da Organização das Nações Unidas (ONU) intitulado “Nossa diversidade criativa”, conceitua-se a liberdade cultural como uma liberdade coletiva, uma liberdade cultural. Segundo Martinell (2003), tal liberdade permite ao cidadão definir as próprias necessidades básicas, ter a liberdade de escolher suas próprias necessidades culturais básicas (espetáculos de teatro ou musicais, dança, televisão e até mesmo comprar ou baixar músicas e filmes). Os aparelhos culturais nas cidades permitem a cultura do contato, como afirmou Barbero (2000).

Recorrentemente se identifica uma cidade por meio de sua produção cultural. A cultura

é capaz de fornecer a uma cidade o que se pode chamar de city brand, ou seja, um emblema de visibilidade internacional, um emblema que situa uma cidade no mundo. É o caso de Barcelona, Paris, Nova York e Rio de Janeiro.

De acordo com Keith Dinnie, autora de “City branding: theory and cases”, definir uma estratégia de marca aplicada a uma cidade supõe, em primeiro lugar, articular uma identidade urbana, baseada em aspectos culturais da própria cidade e valores socioculturais e, em segundo lugar, passar essa identidade a uma imagem, mediante um ícone, um slogan, um símbolo, um logo. Essa criação deve refletir o pensamento dos habitantes e ser aceita por eles.

“A cidade cultural é um dos espaços mais vivos que hoje confirmam nossa paisagem coletiva. As mais-valias que se possam criar não têm comparação com as que incidem no preço de qualquer outro produto” (DELGADO, 1994 apud MARTINELL, 2003, p. 104) .

Referências

BARBERO, M. Las transformaciones del mapa cultural: una visión desde América Latina. 2000. In: Revista Latina de Comunicación Social, Âmbitos, v. 26, n. 2, p. 7-21, jan.-jun. 1999.

BARROS, J. M. (org). Cultura, diversidade e os desafios do desenvolvimento humano. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.

GONZALEZ, B. Políticas de la cultura en América Latina. Disponível em: <http://www.youtube. com/watch?v=RnbTFCFG7y0>. Acesso em: set. 2013.

INDICADORES INTERNACIONALES SOBRE DESARROLO HUMANO. Brasil: perfil de país indicadores de desarrollo humano. Disponível em: <http://hdrstats.undp.org/es/paises/perfiles/BRA.html>. Acesso em: set. 2013.

Acesso em: set. 2013. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5

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MARTINELL, A. Cultura e cidade: uma aliança para o desenvolvimento: a experiência da Espanha. Políticas culturais para o desenvolvimento: uma base de dados para a cultura. Brasília: Unesco Brasil, 2003. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001318/131873por.pdf >. Acesso em: set. 2013.

MEDINA, C. Políticas de la cultura en América Latina. Disponível em: <http://www.youtube. com/watch?v=RnbTFCFG7y0>. Acesso em: set. 2013.

UNFPA. Estado de la población mundial 2007. Disponível em: <http://www.unfpa.org/webdav/ site/global/shared/documents/publications/2007/swp2007_spa.pdf>. Acesso em: set. 2013.

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