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1 – INTRODUÇÃO

VELOCIDADE

A velocidade é um dos componentes mais importantes do desempenho

esportivo. No entanto, ela não deve ser vista como uma capacidade isolada. A velocidade deve ser considerada como um componente parcial das exigências complexas necessárias para o desempenho esportivo. Em combinação com um alto padrão de movimentos técnicos e de coordenação, com a especificidade do

esporte ou da disciplina, as diversas manifestações da capacidade física velocidade são de importância primordial para o sucesso em esportes individuais ou coletivos.

A importância da velocidade para o desempenho varia consideravelmente,

dependendo do esporte, da disciplina e do campo de aplicação. Por exemplo, ela é relativamente sem importância para atividades de condicionamento físico para á saúde, quando comparada a fatores como capacidade aeróbia, força e características do movimento. No entanto, o esporte de lazer, em geral, exige pelo menos certo nível básico de algumas formas de velocidade, como a velocidade de reação. A importância da velocidade para os esportes de elite não pode ser avaliada de forma geral, porque as exigências da velocidade são determinadas por requerimentos específicos do esporte ou disciplina em questão.

“A velocidade motora resulta, portanto, da capacidade psíquica, cognitiva, coordenativa e do condicionamento, sujeitas às influências genéticas, do aprendizado, do desenvolvimento sensorial e neuronal, bem como de tendões, músculos e capacidade de mobilização energética.” (Weineck, 1999: 379)

Quando se tem a necessidade de uma preparação física, verifica-se que a identificação das qualidades físicas do desporto em treinamento é o primeiro passo a ser feito, que pode ser considerado como ponto fundamental para o êxito desejado (TUBINO, 1984). Não esquecendo que esta verificação está intimamente ligada aos objetivos de treinamento.

2 – CONCEITO

FAUCONNIER (1978) citado por TUBINO (1984) diz que a velocidade é “a qualidade física, particular do músculo e das coordenações

neuromusculares que permite a execução de uma sucessão rápida de gestos que, em seu encadeamento, constituem uma só e mesma ação, de uma intensidade máxima e de uma duração breve ou muito breve”.

Segundo FREY (1977), citado por WEINECK (1991), velocidade é “a capacidade, com base na mobilidade dos processos do sistema nervo-músculo e da capacidade de desenvolvimento da força muscular, de completar ações motoras, sob determinadas condições, no mesmo tempo”.

3 – TIPOS DE VELOCIDADE

Os seguintes componentes ou formas de velocidade são mencionados por BAUERSFELD & VOSS (1992) em uma tentativa de classificação:

velocidade de reação

velocidade acíclica

velocidade cíclica

velocidade de deslocamento

velocidade dos membros

Velocidade de ação

3.1

– VELOCIDADE DE REAÇÃO

Também chamada de tempo de reação, a velocidade de reação pode ser definida como a “velocidade com a qual um atleta é capaz de responder a um estímulo”. (TUBINO, 1984). A velocidade de reação diz respeito a todas as formas de movimento já que ela é a capacidade de reagir a um estimulo no menor tempo possível. É uma qualidade física imprescindível para velocistas de um modo geral (Atletismo e Natação, goleiros, lutadores, jogadores de vôlei, etc.). Segundo WEINECK (1991) a reação se diferencia entre reações simples e reações complexas. Um exemplo de reação simples seria a largada de uma corrida de velocidade. Uma reação complexa seria representada por um jogo esportivo, onde é necessário reagir adequadamente às diversas situações de jogo.

3.2 – VELOCIDADE ACÍCLICA

A velocidade acíclica contém movimentos únicos motores (ex.:

arremesso). As ações começam de uma maneira e terminam de outra. A velocidade acíclica manifesta-se no esporte na forma de lançamento, de arremesso, de salto, de chute ou de batida.

3.3 – VELOCIDADE CÍCLICA

“A velocidade cíclica consiste numa seqüência de ações motoras, ritmicamente repetida, independentemente do fato de se tratar de movimentos das extremidades superiores ou inferiores, assim como do tronco”. (WEINECK, 1991). A freqüência de movimento, como forma de manifestação da velocidade cíclica, depende da velocidade de cada movimento único.

3.4 – VELOCIDADE DE DESLOCAMENTO

A velocidade de deslocamento representa uma forma especial da

velocidade cíclica e refere-se à capacidade locomotora das extremidades inferiores, ou seja, a capacidade máxima de um indivíduo deslocar-se de um ponto para outro. Também é chamada de velocidade de movimento.

A velocidade de deslocamento é uma valência física específica em

provas de velocidade de um modo geral (Atletismo, Natação, Ciclismo e Remo), e em desportos coletivos como Handebol, Futebol, Basquetebol, Pólo Aquático e

Voleibol.

A medição da velocidade de deslocamento geralmente é feita através

da cronometragem de um deslocamento curto.

3.5 – VELOCIDADE DOS MEMBROS

É a capacidade de mover os braços ou pernas tão rápido quanto

possíveis. É uma valência física essencial para os corredores e nadadores de velocidade, lutadores de Boxe, ciclistas, esgrimistas, voleibolistas e outras modalidades desportivas. Não se pode confundir essa qualidade física com a velocidade de deslocamento. Por exemplo: um corredor pode apresentar uma maior freqüência de passadas (maior velocidade dos membros) e no entanto, não possui uma boa velocidade de deslocamento.

3.6 – VELOCIDADE DE AÇÃO

A velocidade de ação diz respeito à orientação do emprego da

velocidade em determinados esportes ou em grupos de esportes, abstraindo-se do aspecto puramente motor, e enfatiza fortemente os fatores espaciais e temporais que regem as exigências subjetivas da ação. Nesse caso, um importante papel é assumido por fatores psicológicos, como a percepção, a tomada de decisões, emoções e motivações.

4 – TREINAMENTO DE VELOCIDADE

Um método universalmente válido para o treinamento da velocidade dificilmente poderá ser apresentado. Isso se deve ao fato de que o desempenho da velocidade em diferentes esportes é muito complexo ou tecnicamente muito específico. Esse problema também se reflete na bibliografia científica, em que, via

de regra, apresentam-se métodos de treinamento baseados em exemplos de alguns poucos esportes, geralmente as corridas de velocidade no atletismo. As seguintes observações serão, portanto, basicamente restritas a orientações metodológicas para o treinamento.

q

Aquecimento (25 minutos no mínimo);

q

Movimentos elementares (geralmente com jovens);

q

T. velocidade Reação: resposta aos sinais percebidos ( óptica, acústica e tátil);

q

T. velocidade Acíclica: o nível técnico da modalidade exerce forte influência;

q

T. da Freqüência das passadas: técnica do movimento;

q

T. da Capacidade de velocidade complexa: desenvolvimento específico para o esporte. Depende da técnica. Utiliza outras qualidades físicas;

q

T. da Velocidade de ação complexa: precisão ótima na maior velocidade possível (velocidade pura/ técnica – tática);

TESTES MOTORES PARA VELOCIDADE:

q

Tempo de reação ( aparelho poliaciografo);

q

Teste de Nelson de reação da mão e do pé;

q

Corrida de 50 metros;

q

Corrida de 5 metros lançados;

q

Corrida de 30 metros;

q

Corrida de 6 segundos;

q

Corrida de 4 segundos;

q

Shuttle run de velocidade;

TESTE PARA AVALIAÇÃO DO COMPONENTE ANAERÓBICO LÁTICO:

q

Teste de corrida 40 segundos;

q

Teste de corrida 400 e 600 metros;

q

Teste de lactacidemia;

TESTE PARA MEDIR A VELOCIDADE DE MEMBROS:

q

Teste de Nelson, velocidade dos membros superiores;

q

Teste de Toque de uma mão;

q

Teste de Toque de um pé;

ALGUNS TREINAMENTOS:

q

Corridas de aceleração: 5 metros em freqüência máxima;

q

Corridas lançadas: 10 - 30 m;

q

Saídas em pé 5m – 10m em várias direções;

q

Saídas a partir de várias posições 2m – 10m;

q

Corridas curtas em velocidade: morro acima ou com tração;

q

Saltos horizontais, saltos alternados, saltos com uma perna;

q

Pegar objetos;

q

Corridas em pêndulos;

q

Corridas de sombra com um companheiro;

q

Lançamento do Medicine Ball;

q

Imitação de golpes contra elevada resistência;

q

Golpes rápidos em situações específicas;

Ao preocupar com:

se

elaborar

um

treinamento

da

velocidade,

devemos

nos

1º) O sistema de transferência energética anaeróbio-alático, com procedimentos da preparação cardiopulmonar; 2º) amplitude do movimento; 3º) diminuição da resistência mecânica, utilizando para este fim exercícios de alongamento; 4º) força muscular, utilizando procedimentos da preparação neuromuscular.

Melhorando-se os fatores coadjuvantes, daremos início ao treinamento da velocidade propriamente dito, consistindo na execução do movimento com o máximo de rapidez possível, com pausas que visem uma recuperação metabólica. O uso de estímulos externos, visando que o atleta “aprenda” a executar o gesto com mais velocidade. Ex.: um corredor a favor do vento, ou numa pista em ligeiro declive para ver se aumenta a freqüência de suas passadas; um ginasta recebendo um impulso extra de um trampolim para facilitar a execução de um movimento de solo. O movimento do engrama (imagem matriz) e seu reforçamento em nível de córtex cerebral, facilitarão a transmissão dos impulsos nervosos aos mesmos objetivos, buscando sempre a melhora da coordenação motora e uma automatização do gesto específico. O treino técnico, favorece o desenvolvimento da velocidade, devendo-se repetir ao máximo o gesto desportivo específico, buscando obter maior precisão e coordenação, com a utilização do menor tempo possível.

No desenvolvimento da velocidade, pode se utilizar o treinamento com colete lastrado que, sobrecarrega o atleta durante os treinamentos, que ao ser retirado permite uma melhora na performance. Caso venha interferir nas características técnicas, convém ser evitado seu uso, pois poderá se tornar contraproducente.

5 – FATORES INFLUENCIADORES NA VELOCIDADE

q Aptidão, fatores de desenvolvimento de aprendizagem (sexo, talento, constituição, idade, técnica esportiva, movimento e antecipação);

q Fatores sensório-cognitivos e psicológicos (concentração – atenção seletiva, aceitação de informação, processamento, controle e regulação, motivação e força de vontade); q Fatores neurais (taxa de recrutamento e codificação das unidades motoras – coordenação intramuscular, ciclos de excitação-inibição no SNC, potencial de ação, velocidade de propagação e inervação reflexa); q Fatores músculo-tendinosos (distribuição do tipo de fibra, seção transversal de cada fibra, velocidade de contração muscular, elasticidade dos músculos e tendões, viscosidade muscular, comprimento do músculo e relação tronco-extremidades, suprimento de energia e temperatura do músculo);

5.1 – SISTEMA NEUROMUSCULAR

A velocidade depende sempre da ação integrada entre músculos e

nervos, através da transmissão da excitação para o SNC.

5.2 – TIPO DE MUSCULATURA

Biópsias mostraram que a parcela de musculatura de contração rápida tem correlação positiva com a velocidade dos movimentos.

5.3 – FORÇA DA MUSCULATURA

Uma melhora da força vem sempre acompanhada de um aumento da velocidade de movimento, pois o aumento da secção transversal do músculo proporciona mais ligações de pontes para o deslizamento da actina e da miosina.

5.4 – TIPO DE OBTENÇÃO DE ENERGIA

A velocidade máxima do músculo depende muito do nível de fosfato

ricos em energia. Assim como sua velocidade de mobilização possível. Com o maior armazenamento de energia, ou seja, aumento das atividades enzimáticas, aumenta a velocidade de contração do músculo.

5.5 – CAPACIDADE COORDENATIVA

Uma alta freqüência de movimentos só pode ser alcançada com a alternância mais rápida entre estimulação e inibição, e respectivas regulações, do sistema nervo-músculo, aliados a um emprego ótico de força (HARRE, 1976; citado por MANSO; VALDIVIELSO, & CABALLERO, 1996).

5.6 – ELASTICIDADE E A CAPACIDADE DE ALONGAR E RELAXAR A MUSCULATURA

Quando essas características dos músculos são insuficientes, ocorre uma diminuição da amplitude de movimento e uma piora da coordenação, uma vez que a musculatura agonista precisa vencer uma maior resistência dos antagonistas, durante o movimento.

5.7 – CONDIÇÃO DE AQUECIMENTO

Uma ótima condição de aquecimento aumenta a capacidade de estiramento e a elasticidade melhora a capacidade de reação neuromuscular. Todas as reações bioquímicas transcorrem mais rapidamente quando a temperatura é ótima. Segundo WILL (1956), citado por HOLLMANN. & HETTINGER (1983), um aumento de 2º C da temperatura corporal deve provocar um aumento de cerca de 20% da velocidade de contração.

5.8 – FADIGA

Com a fadiga muscular, ocorre uma acidose. Uma velocidade máxima não pode ser alcançada em condição de fadiga, pois os processos de controle do SNC estão prejudicados e a alta capacidade de coordenação, imprescindível para o desenvolvimento da velocidade, está com seu desempenho prejudicado.

5.9 – SEXO E IDADE

A velocidade básica de pessoas não treinadas do sexo feminino é,

em média, 10-15% menor do que das do sexo masculino.

A menor velocidade básica das mulheres deve-se principalmente à

menor força.

A velocidade básica sofre uma redução mais precoce e mais acentuada com o aumento da idade. Isto está relacionado a diminuição da força e da coordenação.

6 – TREINAMENTO DE VELOCIDADE EM CRIANÇAS E JOVENS

A velocidade máxima – no sentido de velocidade de corrida – alcança seu ponto máximo nas meninas e meninos não treinados aos 15-17 anos

e 20-22 anos, respectivamente. Entre o 5º e o 7º ano de vida ocorre um elevado aperfeiçoamento dos movimentos de corrida, portanto, recomenda-se nesta época uma maior oferta de exercícios de velocidade. Na primeira infância escolar a freqüência e a velocidade dos movimentos sofrem seu maior desenvolvimento. Também apresentam condições favoráveis da mobilidade de processos nervosos e alavanca. Existe, também, grande melhora de velocidade de reação. Não se deve treinar a resistência de velocidade, pois, cargas deste tipo, desencadeiam na criança, devido à sua reduzida capacidade anaeróbia láctica, reações “menos fisiológicas” no organismo. No final da puberdade, os tempos de latência e de reação atingem os valores adultos, e a freqüência de movimentos tem seu máximo entre os 13 e 15 anos. As altas taxas de crescimento da força máxima e rápida (aumento de testosterona nos meninos) e o aumento da capacidade anaeróbica, resultam nesta fase de altos ganhos de velocidade. Na adolescência é possível um treinamento ilimitado dos aspectos condicionados e coordenativos da velocidade. Os métodos de treino correspondem mais ou menos aos dos adultos, só apresentando diferenças do ponto de vista quantitativo.

7 – CONCLUSÃO

As possibilidades apresentadas para a estrutura de treinamento da velocidade devem ser consideradas como propostas. Elas não devem ser adotadas sem análise crítica anterior. Como o desempenho da velocidade sempre foi conectado a certas técnicas esportivas ou incrustado em seqüências de ações específicas, ele também deve ser treinado em conexão com situações e com a técnica específica do esporte. Cada esporte necessita, portanto, implementar seu próprio conceito para o planejamento e para o controle do treinamento da velocidade. Segundo Elliot & Mester (2000), o comentário final é de que, embora não possamos denominar a velocidade como característica universal, instruções

generalizadas aplicáveis ao treinamento da velocidade podem ser feitas. A ciência do esporte dita o caminho da prática para a análise das exigências e, então, para

a

prática novamente, demonstrando o que parece ser o meio mais promissor para

o

entendimento prático do que venha a ser treinamento efetivo da velocidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAUERSFELD & VOSS (1992) – procurar ELLIOTT, Bruce & MESTER, Joachim. Treinamento no esporte: aplicando ciência no treinamento. SP: Phorte Editora, 2000.

HOLLMANN,

Paulo:

W.

&

HETTINGER

Th.:

Medicina

de

esporte.

São

Manole,1983.

MANSO, J.; VALDIVIELSO, M. & CABALLERO, J.: Bases teóricas del entrenamiento deportivo. Madrid: Gymnos, 1996. TUBINO, Gomes. Metodologia Científica do Treinamento Desportivo. 8ª. Ed. São Paulo: Ibrasa, 1984. WEINECK, J. Biologia do Esporte. São Paulo: Manole, 1991. WEINECK, Jürgen. Treinamento ideal. 9ºed. São Paulo: Manole Ltda. 1999.