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O s diverso s

a

Janeiro ,

ção comu m

o s mecanismo s

nascid a

movimento s d e vanguard a

d

e

a Exposição

m

1959 ,

Neoconcret a

ocorridos n o Ri o d e preocupa - permanent e

parti r

participa m d e um a

d e maneir a

aciona r

d a experimentação. A produção

da s

várias

linguagen s

fi-

art e

agru -

rotuladas

pop ,

com o

nov a

art e cinética,

vei o

s e

art etc ,

e m vários

momento s

definidos

historica-

Objetividad e

d a utilização

correntes ,

art e

body

d e 195 9

art, vídeo

até hoje,

algun s

como ,

por

Tropicalismo .

experimentai s

guração , happening,

conceituai ,

pando ,

vanguardistas ,

mente ,

o u

já be m

exemplo ,

a Nov a

o

d e

algun s do s artistas qu e participara m ativament e dess e período, se m s e preocupa r co m a análise exaustiv a do s movimento s mai s representativos

É propósito dest a Coleção documenta r

a

obr a

n

e m

co m

a dissecação d e

cad a

um a

da s

lingua-

gen s experimentai s mencionadas , não s e

esque -

cend o d e qu e existe m proposições qu e esca -

p a m d e um a ótica estritament e visual . E com o

também existe m trabalho s que , por su a natureza,

tende m a o desapareciment o completo , é essen - cial ressaltar a importância d a documentação,

e m

através d a Cole -

ção,

a possibilidad e d e

livro, dest a

produção

específica.

Po

r

último, a FUNART E espera ,

abri r

a u m

públic o maio r

toma r

contat o

co m

a reflexão

e

co m

o

debat e

sobr e

a s tendências atuai s e futura s da s

arte s

visuai s

brasileiras.

 

EQUIP E EDITORIA L

Robert o Parreira, Jayme Frejat e Montenegro.

Projet o d a coleção: Afons o Henriques Neto,

Eudor o August o Macieir a e Ver a

Preparação de text o e legendas: Afons o Henriques Neto. Projet o gráfico: Sulamit a Danowsk i e Ver a Bernardes. Produção gráfica: Sérgio d e Garcia.

Magd a

Maciel

Bernardes.

ARTE BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

LYGI A CLARK

Textos de Ferreira Gullar Mário Pedrosa Lygia Clark

Edição FUNARTE—Ri o de Janeiro 1980

CLARK ,

Clark ,

Ferreir a Gullar e Mário Pedrosa. Ri o d e Janei -

Lygia. Lygia

Clark.

Texto s

d e Lygi a

ro, FUNARTE ,

1980. 6 0 p. il. (incl. color)

(Arte

brasileira

contemporânea)

1.

Artes plásticas — Brasil . I. Série.

 

C D U

7 (81)

Ficha catalográfica preparada n o Centr o d e Documentação da Fundação Nacional d e Arte

Me sinto sem categoria, onde meu lugar no mundo?

Tomo horror a ser cataliza- dora de minhas proposi- ções. Quero que as pes- soas as vivam e introjetem

o seu próprio mito indepen-

dente de mim. Sonho: Me vi nua, enorme. Eu era a paisagem, o conti- nente, o mundo. Em torno do meu púbis, pequenos homens construíram uma barragem. Barragem de contenção ou grande lago para todos nele mergulha- rem.

Sonho: Estou fazendo mi-

nhas experiências com os plásticos dentro do oceano.

A água era o elemento que

preenchia todo o vazio do

espaço.

Acordo

oceano. 0 que me falta para com- plementar todo esse vazio. Do avião: o solo todo revol- vido, a Terra se move num processo contínuo como o começo do mundo. Sinto um calor que vem de dentro do corpo como se tivesse engolido um tijolo quente. Sinto-me grávida. Num táxi, em direção à praia, tenho a percepção de um sonho an- tigo: e me vejo no cosmos, assentada na garupa de um diabo em cima de um pa- cote vermelho vendo a Terra embaixo. Perco o sentido do tempo e percebo a Terra que continua o mesmo pro- cesso, se fazendo e se des- fazendo continuamente. Passam-se horas que na realidade são segundos. Chego à praia. Passo a noite num estado alucinató- rio total, o tempo continua elástico, enorme, num mi- nuto tenho a percepção de séculos. Visão constante de uma forma que me parece ser a soma dos dois sexos, feminino e masculino. Den- tro de mim uma criança chora de pavor. Vou ao banheiro — vejo minha cara no espelho, de- formada, a pele está solta, os ossos por baixo estão

e

choro

todo

o

tortos, sou uma velha de 5.000 anos de idade. Com-

preendo Goya pela primeira vez. Da varanda vejo o mar

a terra o ar e tudo me pa-

rece mercúrio. Os sons me penetram de maneira aguda,

passam pelos meus nervos invadindo todo o meu corpo.

A Terra sempre no processo

do fazer-se a cada instante.

Passa uma manada de bodes pretos que me olham com olhos rasgados cor de mel. Magia negra, estou invadida pelo inconsciente.

Engatinhando desço o morro pego na água na areia na terra e aspiro o ar. Penso em arrolhar dentro de uma garrafa esses ele- mentos para num rótulo dar-lhes outra vez identi- dade. Como alguns calama- res: é como se engolisse a paisagem, é algo sensacio- nal. Três noites, três dias sem dormir. Na quarta co- meço a chorar e a bocejar até que, caindo na exaus- tão, dormi: ao acordar me vejo no espelho e redescu- bro a minha cara, o meu eu que me fora negado e dis- solvido por tanto tempo.

A recolocação do real em

termos de vida.

Pensamento mudo, o se ca- lar, a consciência de outras realidades, do meu egocen- trismo que de tão grande me fez dar tudo ao outro, até a autoria da obra. O si- lêncio, a interação no cole- tivo, a recomposição do meu eu, a procura de um profundo sentido de vida no grande sentido social, o meu lugar no mundo. A consciência de que o en- tregar-se no fazer amor não existe, mas sim uma apro- priação do pênis como parte integrante do meu corpo, o sentir-me através do outro como se copulasse co- migo própria. O outro passa a ser eu, o inverso do conceito expresso e vivido por tanto tempo como eu sendo o outro.

PENSAMENTO MUDO

pret o

pret o

pret o

 

t

branc o

pret o

 

branc o

t

pret o

)

t

branc o

pret o

 

branc o

branc o

branc o

LYGI A U m a

CLARK :

experiência radical

Ferreira Gullar,

1958

(1954-1958)

O s

quadro s

d

e

Lygi a

Clar k

não

s u a expressão a superfície geome -

têm moldur a d

e qualque r

espécie,

tricament e bidimensional . Afirma r

não

estão separados

d o espaço ,

ess a superfície e a o mesm o temp o

não

d

o

são

objeto s

espaço:

estão

fechado s

aberto s

dentr o

o

par a

ultrapassar-lh e a —

dad e

ei s

o s doi s

bidimensionali -

s

pólos

entr e o

espaço qu e

nele s

penetr a

e

nele s

quai s s e desenrol a a su a experiên-

se dá incessant e e recente :

pintur a

paço

espaço particip a dela, ,

tempo .

Est a

não

Pel o

"imita "

es-

o

penetra- a

o

exterior .

contrário,

cia.

Pinta r

par a

Lygi a um a m plano s

mai s

dividindo- a

resolve r

e

Clar k

área

e

não

dada ,

pintand o

é

vivamente ,

É

um a

pin -

esse s

planos ;

não é tampouc o

ins-

tur a

qu e

realmente . não s e pass a

nu m

espaço

creve r

um a

ideia

pictórica

nu m

metafórico, ma s

n o espaço

"real "

espaço

preexistente ,

limitad o

o u

mesmo ,

com o

u

m

aconteciment o

"ilimitado" .

Não

exist e

mai s

par a

dele.

Não é, certamente ,

a

mesm a

est a

artist a

qualque r

separação

cois a

qu e

um a

escultur a

d e Bil l o u

entr e

espaço

e obra,

entr e

 

o

es -

d

e

Weissman n

fato s

d o espaço

paço

materia l

a

tel a

e

o

es-

—,

porqu e

a

art e

d e Lygi a

Clark ,

paço virtual futur o — a

obra .

Por -

p

o r

mai s

afastad a

qu e

estej a

d o

q

u e

o "quadro "

( a tela)

não

pree-

conceit o

tradiciona l

d

e pintur a

xist e

a o

at o d e

pintar ,

porqu e

d a

qua l

difer e pel o

objetiv o e

pelo s

Lygi a

Clar k

constrói

simultanea -

meio s

—,

encontro u

com o

ele -

ment e

o

quadr o

com o

objet o

e

ment o

fundamenta l

e

primeir o

d e

com o

expressão, el a trabalh a

dire-

1

tament e

sobr e

o

espaço

real

e

o

transform a

sur

le

champ

e

m

pin -

tura.

Daí porqu e

o s seu s

quadro s

são esse s objeto s vivos , ambíguos,

cons - espa - s e re-

cial

faz:

tant e

acionado s

d

e

pel o

um a

moviment o

metamorfos e

que ,

ne

m

absorve ,

be m

s e faz,

transforma

e

devolv e

o

espaço,

incessantemente .

o

element o

d a

su a

usad a

com o

presentações: L C s e detém n a su -

expressá-la

n a

imediata- r iss o qu pintur a s

e

e

s u a

d e realidade

mente

noss a

tens a

pressão visual , e m qu e a experiên-

realiz a

fundamenta l

Clark .

Entenda-s e

pintura ,

Dissemo s

qu e

a superfície

d e

e

Lygi a

que ,

não

e

é

o

m

u

é

primeir o

expressã o

po r ist o

a superfície

apoi o

par a

alusões

par a

po r s i

re -

perfície com o

. e m

s i

mesma ,

tal ,

purez a

percebida.

mesma ,

d e

Po

apreensão dest a

num a

faix a

ex -

ci

a

sensoria l

pura ,

à

falt a

d e

for -

blema

d a pintura ,

ética e

estetica-

pincel

— tornou-se , par a

o

pintor ,

m

a s

identificáveis qu e

 

a

decifrem,

mente :

à

aceitação

d o

quadr o

a

única

port a

po r ond e

podi a

el e

é

obrigad a

a retorna r

à

su a

font

e

com o

camp o

legítimo

par a

o

nas -

introduzi r

su a

atividad e

 

n o

uni -

e

recomeçar.

Trata-s e

d e

um a

ciment o

d a obra ,

prefer

e

limpá-lo

vers

o

significativ o

d a

arte .

Ma s

corajos a

tentativ a

pró-

d

a s

camada s

"culturais "

e

pôr

à

ess e

quadr o

não

exist e

se m

mol -

pri a

experiênci a

d e da r n a perceptiv a

a

mostr a

o cern e

ond e

a expressão e

dura

,

e

o

artista ,

a o pintá-lo,

transcendência dess a

experiência.

mei o

lh e parece m

nasce r

d e

um

a

cont a

co m

a função

amortecedor a

 

só fonte . D a integração d o quadr

o

dess a

faix a

d e madeir a

qu e

intro-

 

Tocamo s

aqu i

o

pont o

e

m

qu e

n

o

espaço

arquitetônico,

pass a

à

duzirá

su a

obr a

n o mundo :

 

porqu e

o

trabalh o

d e Lygi a

Clar k

s e

situ a

integraçã o

d o

quadr o

no

espaço

a

moldur a

não

é

ne m

a

obr a

(d o

com o

u m

do s

fato s

mai s

importan -

mesmo,

e m

pé d e igualdad e

co m

a

artista)

 

ne m

o

mund o

(ond e

ess a

t es

d a pintur a

brasileir a

contem -

arquitetura .

 

obr a

que r

s e inserir) . A moldur a

é

porânea.

Através

d e

um a

análise

 

precisament e

u

m

meio-termo ,

intuitiv a

— não

obstant e

objetiv a

e

Desd e

qu e a

pintur a

perde u

zon a

neutr a

qu

e nasc e

 

co m

a

profund a

 

d

o quadro ,

despo -

s

e u caráter imitativo-narrativ o

par a

obra ,

ond e

tod o

conflit o

entr e

o

jou- o

L C d e tud o

qu e

 

não

corres -

s

er

"essencialment e

um a

superfí-

espaço

virtua l

e

o

espaço

real ,

pondi a

à exigência d e su a

expres -

ci

e

plan a

cobert a

organi -

entr e

o

trabalh o

"gratuito "

é

o

são,

linguage m

par a

 

identifica r

o

pictórica co m

núcle o

o

d a

núcleo

zada s

Denis) ,

d e

o

d e core s modo " co m

cert o

quadro ,

(Mauric e

o s

todo s

mund o

O

prático-burguês, s e apaga .

plan a

quadr o

— ess a superfície

materia l

simples ,

irredutível, d o

elemento s

materiai s

qu e

entra m

cobert a

d e

core s

organizada s

d e

quadro :

 

a

superfície.

 

Co m

iss o

e

m

su a realização

pano ,

ma -

cert o

mod o

e protegida

por

uma

repõe

e

m termo s

 

novo s

o

pro -

deira ,

moldura ,

tinta-de-bisnaga ,

moldura

 

é,

pois ,

e

m su a

apa -

rent e

simplicidade ,

um a

som a

d e

Quand o

romp o

a moldura ,

destru o

par a

intenta r

su a

destruição. N a

compromisso s

a

qu e

o artist a

não

ess e

espaço

estanque ,

restabele-

verdade ,

ess a

convenção

estav a

pod e

fugi r

e

qu e

lh e

condicion a

a

cend o

a continuidad e

entr e

o

es-

d e

ta l mod o

enraizad a

n a

artist a

atividad e

criadora .

Quand o

Lygi a

paço

geral

d o mund o

e

me u

frag-

q u e

lh e permiti u

joga r

co m

o s

Clar k

tenta ,

e m 1954,

"incluir "

a

ment o

d e superfície. O espaço

pic-

elemento s

materiai s

d o quadr o

moldur a

n o

quadr o

(fig.

1) ,

el a

tórico

s e evapora ,

a superfície d o

tel

a

e moldur a

com o

s e o

qua -

começa a inverter tod a ess a

orde m

 

q u e

er a

"quadro "

cai

a o nível

da s

foss e

um a

entidad e

significa-

 

d

e

valore s

e compromissos ,

e re -

coisa s

comun s

e

tant o

 

fa z agor

a

d r o tiva

cuj a

"essência",

indissoluvel -

clam a

par a

o

artista ,

implicita- -

est a

superfície

com o

 

a

daquel

a

ment e

ligad a

a

esse s

elemento

s

mente ,

um a

nov a

situaçã o

n

o

port a

o u daquel a

parede .

N a

ver -

materiais , existi a independent e d a

 

mundo .

 

dade ,

libert o

o

espaço

 

pres o

n o

orde m

atua l

d e

sua s

relações.

A

 

quadro ,

libert o

 

minh a

visão

e ,

sucessão

d e relações

nova s qu e

 
     

com o

s e abriss e

a

garraf a qu e

Lygi a

Clar k

va i

estabelecend o

Todo s

esse s

compromisso s

implic a

d e

é possí-

entr e

q u e

estão

form a

vel

o quadr o

estabelece r

simboliz a

e

e , s e não

um a

al i presente s

e espaço

e m termo s

fronteir a

continh a

enche r

perfícies

pel

o Génio d a fábula,

o quarto , deslizar

mai s

vejo- o

su -

fugi r

edifícios

pelas

contraditórias,

além do s

a janel a

par a

entr e

é

u m

essencia l

tel a

e moldura ,

co r

a tateant e

a procur a

d o

quadr o

d o

e espaço,

decifração d e

suport e

núcleo

com o

enigma ,

     

e

da s montanha s

e

ocupa r

o

pur o

d a

pintura .

 

E

ess e

núcleo s

e

simbólico

o

afirmar ,

a

lizad a

po r

e

iss o

o

material ,

mesmo ,

pode-s e

tod a

rea-

res -

s e

qu e

experiência formal-espacia l

dentro

do

quadro

mundo .

paço.

É

a

redescobert a

d o

es -

vai

proporção

tóricos são eliminados :

pouc o

pouc o

a

qu e

revelando ,

o s elemento s

el e

é

a

a

pic-

su -

n

 

sent e

q u e

quadro .

quebra r

abri r

dess a

relação

a o at o

artista-mund o

u m

relação,

é

a s pos -

é inerent e

u

d e pinta r

ess a

Desfaze r

esse s m camp o

compromissos ,

nov o

par a

Lygi a

195 4

Clar k

r

e

ignorav a

a moldur a

isso

talvez a o

quadr o

des -

de-

espaço

e ,

tenta r

e m

truição d o espaço

inclui

n o

à

qu

a levari a pictórico d e u m

pois ,

à redescobert a

não

perfície.

gund o

Começa ,

período.

então,

o se -

N o

Clar k

primeir o

us a

madeir a

período ,

Lygi a

e

("moldura" )

sibilidades

n a

pintura .

d a form a

e

A o delimita r

d o espaço

ess e re -

q u e

mund o

mantém separad o d o

ma s que , a o contrário ,

s e

tel

a

("quadro" )

e

tinta-de-bisnag a

tângulo

ciono u

d e tel a chamar

   

confin a

diretament e

co m

ele, pe -

e

pincel ,

com o

qualque r

pintor . N

e

o

 

a

qu e

 

s e conven -

netra- o e se

deix a

po r

el

e

quadr o

inicial

(fig.

1 )

m qu e

s e

 

"quadro" ,

a

mol -

penetrar .

manifest a

a

dur a

separ a

um a

 

porção

d e

es -

Pode-s e

dividir ,

par a

 

análise, a

relação

a tentativ a d convenciona l

e quebra r moldur a

 

paço dentr o d o espaço. Separa- a e

 

evolução d a pintur a d e Lygi a

Clar k

quadro ,

o

espaço

pictórico

 

aind a

qualifica-a ,

emprestando-lh e

a

e m

doi s

períodos distintos , qu e s e

s e

mantém

intacto ,

distinguindo -

significaçã o

especia l

d e

espaço

 

caracteriza m

pel o

tipo

d e relação

s e

clarament e

 

d a

"moldura" ,

pictórico,

 

e

d e

ta l

mod o

que ,

q u e

mantêm

co m

o espaço

pictó-

muit o

embor a

tenh a

est a

perdid o

mesm o

num a

obr

a

frustrada ,

sub -

ric

o

tradiciona l

e

co m

 

o espaço

quas e

toda s

característi-

 

,

sist e

sempr e

um a

relação

entr e

exterio r

o u

geral .

Inicialmente ,

a

cas ,

poi s

a

a s sua s moldura ,

send o

d a

 

aquel e m a u

espaço

quadr o

e a pintura:

ma s

é

u

m

m

quadro .

é u

pintor a

ção

s e apoi a

d o quadr o

n a conven -

(espaço pictórico)

aind a

mesm a

vadi r

d

e ser invadid a

co r

a tela, já começa a in -

"quadro" .

pel o

,

1 0

I

5

A

seguir ,

o espaço pictórico já

de-

saparec e

quas e totalmente , não

mai s

um a

"composição" dentr o d e

u m a

área fechada :

a superfície

s e

estend e

po r igual

d a

tel a

à

mol -

dura ,

qu e aind a

s e

distingue m

entr e

s i

espécie

d e

con -

venção

po r um a cromática:

a área

d e

ma -

deir a

("moldura" )

é

pret a

(cor

li -

mite,

não-cor) enquant o

a

área d a

tel a

("quadro" )

é

verd e

(fig.

2) .

É

com o

mantivesse , ness a relação cor -

relação quadro-moldu - qu e ess a transferência

intuitiva é u m nov o pass o par a a

a artist a

se, simbolicamente ,

náo-cor, a ra. Suced e

desarticulação d o quadro , pois , n o

trabalh o

seguint e

(fig.

3) ,

o

pret o

("moldura" )

pass a

par a

dentr o

d o

azu l

(qu e

simbolicament e

aqu i

equival e

a o verde ,

ist o

é,

a o

es -

paço d a tela:

"quadro" )

e co m

iss o

a relação s e invert e totalmente :

espaç o

o

fora

pictóric o

está

agor a

da

moldura,

libert o

dela .

Havia ,

não

obstante ,

u

m pont o

aind a

a

vencer :

aquel e

retângulo

pret o

dentr o

d a superfície,

qu e a

pux a

par a

si ,

qu e

s e fa z

o

se u

centro

de

referência,

imped e

qu e

a

superfí-

ci

e

confin e

d e fat o

co m

o

espaço

exterior ,

porqu e

tod a

a

su a

tensão

está

orientad a

par a

dentr o

del a

mesma ,

par a

o se u próprio

centro .

E

é soment e

quand o

Lygi a

Clar k

elimin a

ess e

centr o

(fig.

4 ) qu e

el a

restaur a

a superfície

esvaziando- a

integralment e

d o espaço

pictórico,

q u e

reencontr a

a

continuidad e

entr e

o espaço

e

m qu e

s e realiza

s

e u trabalh o

d e pintor a

e o

espaço

e

m

qu e

s e process a

o

trabalh o d e

quem ,

po r

exemplo

,

pint a

 

um a

pa-

rede.

É então par a

 

a parede ,

a

su -

perfície da s

portas ,

 

par

a

o

espaço

arquitetônico enfim, qu e

a

pintur a

d

e

Lygi a

Clark ,

livr e

d o

quadro ,

que r

agor a

s e transferir .

É el a

pró-

pri a

que m

o

diz,

n a conferência

q u e

pronuncio u

n a Faculdad e

d e

Arquitetur a

d e Bel o

Horizont e e m

1956 :

"S e

a

art e

concret a

pres -

cind e

d o caráter

expressiona l

qu e

sempr e

foi

a característica d e um a

obr a

q u e

diferent e

vidua l

ver ,

d e

cret o

criand o

bient e

nal" .

Jornal

d e

e

individual ,

el a

d

m

então

d e

obr a

mesma .

d e art e

a

Daí,

d e u

o

artist a

dominica l

2 1

d e

arquitet o

mesm o

supo r

essencialment e

indi -

me u

m trabalh o

con -

realment e

am -

expressio -

d o

outubr o

m

u

é

s e situe

um a

e

s i

a necessidad e

equip e

e

co m

"po r

m qu e

s i

poderá s e realizar

o

(Suplement o

do

Brasil,

1956) .

É

curios o

observa r

que , Lygi a e su a

a oposição

d e Mondrian ,

d

tel a

redes -

Clar k

lingua -

cobert a

volt a a pintar

g e m

tical-horizonta l

primeir o

fície

trazê-la d e volt a a o plen o dia,

também,

primeir o

art e

dade ,

ção

zada)

po r coincidência,

a

a superfície,

e m

s e aliment

pinto r

d e so b

não

profet a

n a vid a

d o mund o

ver -

o

super -

a poeir a semântica e a

e

o

d a integração d a

ver -

representa -

estili -

quadr o

o

a exuma r

a

quotidiana .

a

deformad a

exterior ,

N a

o u

abandonand o

(mesm o

parec e

tornar-s e

u

m

camp o fe -

chad o

no s

limites

d o interess e

in-

dividua l

d o

artist a

o

quadr o

"perd e

o sentido" .

Qu e

propósito

teri a

par a

Mondria

n

pintar ,

sobr e

u

m a

tel a

comprad a

n o armazém

d

a esquina , formas , plano s

geomé-

trico s

qu

e a

nad a

s e

referia m

senão a s i mesmos

?

O trabalh o d

o

pintor ,

reduzid o

à

organização

pel a

organização

d e um a

superfí-

cie,

pareci a

desligad o

d o

mund o

cultural

e desci a

a

 

u

m nível

pura -

ment e

experimenta l

e

técnico.

O

quadr o

emergi a

d e so b

a s

cama -

d a s

d e significações

qu

e

o

sepul -

tava m

par a

aparece r

diant e do s

olho s

d o

artist a

limpo ,

livre,

ina-

bordável. Ess e isolamento

semân-

tico

é

qu e

m

e parec e

a

questã o

dad e

co m

a

d o arquiteto .

Real -

centra l

 

d

a pintur a

e

m

noss a

mente ,

o se u verdadeir o

problem a

época.

dua s

E

m fac e

atitude s

dele,

observamo s

part e

divergente s

d a

é

nov o

da r significação —

a

o espaço qu e

u m espaço

o

quadro , a

d

o s

pintores :

uma ,

qu e

tent a

rein-

superfície, a o s e isolar semântica e

tegra r

o

quadr o

semanticamente ,

materialmente ,

revelou .

ligando- o

a o vast o

context o do s

 

sinais,

d a escritur a

arcaica,

primi -

A s

pesquisa s

d e

Lygi a

Clar k

tiva

o u oriental ,

e

d e

qu e

o

pri -

reencontra m

se u

rum o

quand o

el a

meir o

representant e

é

Pau l

Klee ;

descobr e

a

identidad e

entr e

a

par a

o

s

pintore s

dest a

 

al a

n a

linh a

d e junção

co m

"mol -

qua l

s

e

inscrev e

a

nov a

geração

dura "

e

m seu s

d a tel a quadro s

(figs.

1

,

2

,

norte-american a

o

quadr o

3

e

a

linh a

qu e

fica

entr e

a

nunc a

s e esvazio u

totalment e

d o

4 ) e qu e

port a

s e fech a

e

o

caixilho ,

espaço qu e

entro u

e m

crise

co m

o

entr e dua s

tábuas n o soalho ,

entr e

Cubismo .

A outr a atitude,

qu e

de-

o armário embutid o

etc.

riv a

d e Mondrian ,

decorr e

d a

Denomino u

ess a

e a pared e descobert a

d e

consciência d o isolament o semân-

"linh a

orgânica" e passo u

a

cons -

tico

d o quadro ,

d a consciência d o

trui r

maquete s

d e salas ,

quartos ,

quadr o

com o

espaço

vazio

de

es-

halls,

usand o

ess a

linh a

com

o

paço

pictórico;

par a

o s

pintore s

element o

orientado r

d a

decora -

q

u e

têm est a consciência é o

qua -

ção.

Abandon a

outr a

ve z a

tel a

d

r o

mesmo ,

com o

objet o

material ,

(dest a

vez

par a

sempre )

e pass a

a

q

u e

reclama

integração.

o

se u

trabalh o

Noutra s

compo r

seu s

quadro s

co m

 

peda -

palavras ,

é

qu e re -

ços

cortado s

d e madeira s

pla-

clama

sentido .

Po r

isso

qu e

é

fre-

c as

qu e

s e conjuga m

formand

o

quent e

entr e

esse s

artistas a

preo -

u

m a

superfície

sulcad a

d e

linhas -

cupação

d e integra r

a

su a

ativi -

de-encontr o

sobr e

a s quai s

irá

a

artist a

quand o

limit e

ferentes ,

porém ,

forma s

cion a

ment o

então seu s quadro s

com o

ção n a arquitetura.

trabalhar .

ess a e dua s

a s core s

Descobr e

coincid e

qu e

co m

di -

se,

dua s

fun -

ele-

Até

realizados

aplica-

o

linh a

d

forma s

a

d e core s absorvem; entr e

então

u

m

encontra-s e

d a mesm a visualment e

cor ,

com o

d a estrutur a d o quadro .

estudo s

par a

são

futur a

a s pesquisa s

pouc o

vai

imitativ a

própria determinant e

quadro .

q u e

bord a

n o s

participand o

igualdad e

tos, tornam-s e

Ma s

e

orgânica

merament e

a

estrutural d o

linhas ,

um a

pla-

ma s

m pé d e elemen -

o próprio veículo d a

s e

continua m

a

linh a

torna r

d e

e

m

a

pouc o

perdend o

a função

e alusiva, par a

E

corta m

a

m brev e

essa s

a superfície

dividindo- a

e

outr a

verticai s

co m

horizontai s

e

d o quadr o

o s demai s

n a s

junções

dentr o

d a superfície,

cepção

ating e

u

m limit e

d e

ambi -

s

e

manifestass e

independent e

guidad e

e precisão:

o

espaço

s e

dessa s

junções, entr

e

o quadr o

e

o

f

az

veículo d o temp o

e

o

temp o

o

espaço

exterior .

 

revela.

 
 

Ness a

altur a

entr a

e m

contact o

 

A

tendência

d e Lygi a

Clark ,

mai s

po -

c

o m

a s "constelações"

d e

Alber s

 

rém,

er a

torna r

cad a ve z

pre -

litografias

sobr e

fund o

pret o

o

u

cisa

 

e

meno s

óbvia

ess a

relação

branc o

na s

quai s

a

linh a ag e

d e

espaço e tempo .

Ao s

poucos ,

o

com o

element o

construtiv o

e a

o

moviment o

do s plano s

com o

ex -

mesm o

temp o

transformado r

d a

pressão

d o tempo

va i send o

ab -

estrutura .

É

co m

ess a

linh a

viva,

sorvid o

e integrad o

n o moviment

o

pur a

energi a

ótica, qu e

Lygi a

Clar k

interior ,

profundo ,

d a

inven -

identifica

a

su a

"linh a

orgânica",

ção (figs.

mai s 7 , 8) .

N a última fas e

(su-

linha-espaço,

e

part e

então

n

o

perfícies pretas — linhas

brancas) ,

sentid o

d o espaço ambivalent e d

e

o

tempo

qu e

sua s

obra s

exprime m

Jose f

Albers .

Ma s

Alber s

aind a

não

é

o

d e

u

m

moviment o

constrói

co m

a

linh a

uma-form a

criad o a posteriori

com o

efeit o

d e

privilegiada

sobr e

u

m fundo , en -

certa s

relações

éticas,

ma s

é

o