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ELIS REGINA CARVALHO COSTA.

Nascimento: Março 17, 1945 ás 15:10 em Porto Alegre, Brasil.


Morte: Janeiro 19, 1982 ás 11:45 em Sao Paulo, Brasil.

1945

17 de março: Nascimento em Porto Alegre, RS, no Hospital da Beneficência


Portuguesa, às 15:10 h.

1952/1956

Curso primário no Grupo Escolar Gonçalves Dias, Porto Alegre.

1956

Setembro: Canta pela primeira vez no rádio, no programa Clube do Guri,


animado por Ary Rego, na Rádio Farroupilha de Porto Alegre. Passa a integrar o
elenco fixo do programa, ganhando um pequeno cachê e presentes dos
patrocinadores. Tempos depois torna-se secretária do programa: além de cantar, lê
recados, nomes de aniversariantes e apresenta os candidatos.

1957/1960

Ginásio no Instituto de Educaçao Flores da Cunha, em Porto Alegre.

1959

O primeiro contrato profissional, com a Rádio Gaúcha de Porto Alegre, para


se apresentar no Programa Maurício Sobrinho de Maurício Sirotsky Sobrinho.

1960

Grava para a Continental um compacto simples com as músicas Dá sorte e


Sonhando.

1961

Cursa seis meses de classico no Colégio Estadual Júlio de Castilhos e


transfere-se para o curso normal da Escola Diogo de Souza. Grava o primeiro LP para
a Continental: "Viva a Brotolandia", produçao de Nazareno de Brito. 6 de dezembro:
Com uma grande festa, Elis é coroada "Rainha do Disco Clube", em Porto Alegre.

1962

Grava o segundo LP para a Continental: "Poema". 31 de dezembro: Recebe


no Salão de Atos da PUC, em Porto Alegre, o prêmio de melhor cantora do ano.
1963

Grava, para a CBS, O LP "0 Bem do Amor", produzido por Evandro Ribeiro.
Abandona o curso normal ao terminar o segundo ano.

1964

Março: Elis transfere-se para o Rio de Janeiro. Assina contrato com a TV


Rio, onde participa do programa Noites de Gala, ao lado de Marly Tavares, Trio Iraquiti,
Jorge Ben e Wilson Simonal. Da tevê é levada por Dom Um Romão para apresentar-se
no Beco das Garrafas. Lá, no Little Club, faz o show Bossa três, com o Copa Trio de
Dom Um Romio e Ins Lettieri, e, na boate Bottle's, o show Sósifor, com Marly Tavares e
Gaguinho, sob a direçio de Luiz Carlos Mieli e Ronaldo Bôscoli.

31 de agosto: Primeiro show de Elis em Sio Paulo: Boa bossa, show


beneficente para a Associaçio de Moças da Colônia Sírio-Libanesa, dirigido por Walter
Silva. Do show participam Agostinho dos Santos, Sílvio César, Lennie Dale, Peri
Ribeiro e o Zimbo Trio. Logo em seguida Elis estréia um show na boate Djalma, ao lado
de Sílvio César. Segundo Walter Silva, o show foi um fracasso total de público.

Outubro: E contratada por Armando Pittigliani, da Companhia Brasileira de


Discos, selo Philips. Participa, junto com o Zimbo Trio, do programa Primeira Audiçao,
apresentado no Colégio Rio Branco, SP, e gravado em vídeo4eipe pela TV Record. 19
de outubro: Participa do show Bossa só, no Clube Hebraica, SP.

26 de outubro: Canta com Marcos Vaíle a música Terra de ninguém no show


O remédio é bossa, promovido pela Escola Paulista de Medicina e dirigido por Walter
Silva.

23 de novembro: Faz a segunda parte (que era considerada, na época, a


parte nobre dos sbows) do show 1.' Denti-Samba, promovido pela Faculdade de
Odontologia da Universidade de Sio Paulo e dirigido por Walter Silva. Elis canta
acompanhada pelo Copa Trio, que tocava com ela desde o Beco das Garrafas. Na
primeira parte do show, as participaç5es de Walter Santos, Peri Ribeiro, Geraldo
Vandré, Oscar Castro Neves, Paulinbo Nogueira, Alaíde Costa e Zimbo Trio.

1965

6 de abril: Recebe o prêmio Berimbau de Ouro por ter vencido o 1 Festival


de Música Popular Brasileira, realizado pela TV Excelsior, com a música Arrastão, de
Edu Lobo e Vinícius de Morais.

8 de abril: Estréia no Teatro Paramount, SP, o show Elis, Jair e Jongo Trio,
produzido por Walter Silva. O show apresenta~se ainda nos dias 9 e 12 e é gravado ao
vivo. O disco, "Dois na Bossa", faz um grande sucesso e Elis e Jair são contratados
pela TV Record para fazer um programa semanal de música brasileira. Frase de Elis na
época: "Você sabe lá, o que é, com vinte anos, sair pra rua e ser reconhecida? Você
fica louca, se achando Deus".
10 de abril: Recebe o prêmio Roquete Pinto como a melhor cantora de 1964,
na TV Record. 19 de maio: Estréia na TV Record o programa semanal O Fino da
Bossa, comandado por Elis, com a presença constante de Jair Rodrigues. Pelo
programa passam os maiores nomes da música brasileira, dos mais antigos aos mais
novos. O Fino da Bossa passa a ser gravado às segundas-feiras no Teatro Record, SP,
transmitido às quartas-feiras para São Paulo e nos outros dias da semana para o resto
do país. Direção: Manoel Carlos, Raul Duarte, Tuta Machado de Carvalho e Nilton
Travesso. É lançado o disco "Samba eu canto assim", primeiro LP individual de Elis
para a Companhia Brasileira de Discos, CBD, selo Philips.

22 de agosto: Estréia na TV Record o programa semanal Jovem Guarda,


sob o comando de Roberto Carlos, transmitido aos domingos.

1966

Janeiro: Elis vai para a Europa e fica até o início de março. Faz shows em
Lisboa e Luanda com Jair Rodrigues e o Zimbo Trio.

10, 11 e 12 de março: Apresenta~se com o Zimbo Trio no Jardim de Inverno


Fasano, SP. Lança o disco "Elis", o segundo pela CBD-Philips, onde grava Canção do
sal, de Milton Nascimento. E a primeira vez que uma música de Milton é gravada.

Setembro: Participa do II Festival de Música Popular Brasileira, promovido


pela TV Record, cantando Ensaio geral, Gil, e Jogo de roda, de Edu Lobo e Ruy Guerra
Só Ensaio geral chega à classificaçao final, ficando em quinto lugar, e Elis é muito
vaiada. Vencedores do festival: Chico Buarque com A banda, cantada por ele e Nara
Leio, Lido Vandré e Théo de Barros com Disparada, cantada por Jair Rodrigues.
Durante o festival é gravado o primeiro disco independente feito no Brasil "Viva o
Festival da Música Popular Brasileira" -, lançado pelo selo Artistas e fabricado pela
Rozenblit. Elis participa com Ensaiogeral e Jogo de roda.

Outubro: Canta Canto triste, de Edu Lobo e Vinícius de Morais, na fase


nacional do I Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo,
acompanhada por uma orquestra de cordas e por Edu Lobo ao violão. Vence Saveiros,
de Dori Caymmi e Nelson Motta, cantada por Nana Caymmi, música que Elis viria a
gravar no mesmo compacto Canto triste. Elis e Edu são vaiados quando a música é
classificada para a finalíssima da fase nacional.

Dezembro: Elis e Baden Powell fazem show na boate ZumZum, RJ.

1967

Junho: No dia 19, a TV Record resolve tirar o Fino do ar. Depois de perder
pontos no Ibope, o programa passa a ser dirigido por Mieli e Bôscoli: é o Fino 67.
Mesmo assim, o programa não se recupera, e a direçio da Record resolve engloba-lo
em uma série chamada Frente Única - Noite da MPB, gravada às segundas-feiras no
Teatro Paramount, SP, produzida por Solano Ribeiro. A cada segunda, apresentadores
diferentes: Geraldo Vandré, Chico e Nara, Gilberto Gil, Elis e Jair.
3 de julho: Estréia a série Frente Única - Noite da MPB. Primeiro programa:
Elis, sob a direção de Mieli e Bôscoli. A série dura nove programas, três deles
apresentados por Elis. Nessa ocasiío Elis participa, ao lado de Gilberto Gil e Edu Lobo,
de uma passeata em defesa das raízes da MPB, contra a invasão da música
estrangeira. A manifestação passa para a história, como a "passeata contra as
guitarras".

Outubro: Elis se apresenta no III Festival de Música Popular Brasileira, TV


Record, conhecido como "o festival da virada". Nasce a Tropicália: Gilberto Gil e Os
Mutantes cantam Domingo no Parque, que ganha o segundo lugar, Caetano Veloso,
com o conjunto argentino Beat Boys, canta Alegria, alegria, e fica com a quarta
classificação. Elis defende O cantador, de Dori Caymmi e Nelson Motta. A música é
classificada para a finalíssima, mas só leva um prêmio: o de melhor intérprete, para
Elis. O festival é vencido por Ponteio, de Edu Lobo e Capinam. Chico Buarque fica em
terceiro lugar com Roda-viva. Lançamento de compacto. De um lado, Tristeza que
se /oi, de Adílson Godoy, e de outro, Upa, neguinho, de Edu Lobo e Gianfrancesco
Guarnieri, um dos maiores sucessos da carreira de Elis.

Outubro e novembro: II Festival Internacional da Canção, promovido pela Tv


Globo. Na parte nacional vence a música Margarida, de Guttemberg Guarabyra. O
segundo lugar vai para Milton Nascimento e sua Travessia, e o terceiro para Carolina,
de Chico Buarque. Elis não participa desse fesitval, mas lança um compacto com
Travessia de um lado e Manifesto, de Guto e Mariozinho Rocha, do outro.

Dezembro: dia 5: Elis Regina casa-se, no civil, com Ronaldo Bôscoli. Ela tem
vinte e dois anos, e ele, trinta e oito. dia 7: Cerimônia religiosa do casamento na
Capelinha Mairvnll:, Floresta da Tijuca, RJ, onde mal cabe o véu de dez metros da
noiva. Frase de Ronaldo na época: "Não sou rico, mas estou bem. Ela ganha quinze
milhões (velhos) por mês e eu, dois e meio. O trivial da casa será mantido por mim. O
luxo, por ela". O casal passa a morar na Avenida Niemeyer, São Conrado, RJ.

1968

Janeiro: Elis vai para a Europa representar o Brasil no II Mercado


Internacional do Disco e da Edição Musical (MIDEM), em Cannes, França. Canta no
show de abertura festival. Delirantemente aplaudida pela platéia de duas mil pessoas,
Elis volta ao palco para bisar Upa, neguinho. apresentações nas Tvs inglesa,
holandesa, belga, suíça e sueca.

Janeiro: Vai ao ar pela última vez o programa Jovem Guarda. 29 de janeiro:


Estréia, na TV Record, o programa mensal Especial, dirigido por Mieli e Bôscoli,
gravado no Teatro Paramount, SP.

6 de março: Elis estréia no Olympia de Paris. Canta oito números,


acompanhada pelo Bossa Jazz Trio. Entre as mú sicas Samba da bênção, de Baden
Powell e Vinicius de Morais cantada em francês, versão de Pierre Barouli. Volta ao
palco por seis vezes no final do show.
2 de abril: Elis volta ao Brasil.

7 de abril: A TV Record dedica o seu Show do Dia 7 a Elis. Três horas e


meia de programa, onde se conta a vida dela. É homenageada com as presenças dos
pais, da avó, do irmão Rogério, de Francis Hime, Chico Buarque e MPB-4, Marcos
Valle, Théo de Barros, Edu Lobo, Vinícius de Morais, Baden Powell, Isaura Garcia,
Sílvio César, Agnaldo Rayol, Ronald Golias, Chico Anísio, Wanderléa, Erasmo Carlos,
Ronnie Von, Nelson Motta, Dori Caymmi, Márcia, Hebe Camargo, Wilson Simonal, Mieli
e Ronaldo Bôscoli. Maio: Elis substitui, às pressas, Cynara e Cybele num show elas
faziam com Baden Powell. Elis canta sem ensaiar. Além disso, apresenta-se com Jair
Rodrigues e o Bossa Jazz no Teatro Ópera, em Buenos Aires.

11 de maio: Começa a I Bienal do Samba, promovida pela TV Record. Elis


participa e vence com Lapinha, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro.

30 de maio: Vai ao ar pela TV Record o segundo programa Elis Especial,


gravado no Teatro Paramount, SP, dirigido por Mieli e Bôscoli.

27 de junho: Terceiro programa Elis Especial, gravado no Teatro Paramount,


SP, dirigido por Mieli e Bôscoli.

Agosto: Elis faz uma temporada de um mês na boate Sucata, de Ricardo


Amaral, no Rio. Seiscentas pessoas assistem à estréia do show, dirigido por Mieli e
Bôscoli.

Outubro: Elis integra o júri internacional do III Festival Internacional da


Canção, promovido pela TV Globo. Vence Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque,
vaiada pela platéia, que prefere Caminhando ("Pra não dizer que não falei de flores"),
de Geraldo Vandré. Um festival muito acidentado na parte nacional: Gil e Caetano são
desclassificados na eliminatória realizada no Tuca, em São Paulo. Gil com Questão de
ordem e Caetano com É proibido proibir. Caetano faz no palco um inflamado e belo
discurso, perguntando à platéia que o vaiava sem parar: "Esta é a juventude que diz
que vai tomar o poder? (. . .) Se vocês forem em política como são em estética,
estamos feitos".

3 de outubro: Em entrevista ao Jornal da Tarde, Elis fuzila o Tropicalismo:


"Eu só digo uma coisa: vai bem quem faz coisa séria. Quem quer fazer galhofa, piada
com o público, que se cuide. Tropicália é um movimento profissional e promocional,
principalmente. De artístico mesmo não tem nada, nada, nada". É lançado O LP "Elis
Especial", pela CBD-Philips. Do repertório, Corrida de jangada, de Edu Lobo e
Capinam, faz sucesso. A TV Record promove o IV Festival de Música Popular
Brasileira. Elis não participa. O júri é dividido em dois: o erudito e o popular. Pelo júri
erudito vence São São Paulo, meu amor, de Tom Zé; pelo popular, Bem-vinda, de
Chico Buarque. Divino maravilhoso, de Caetano e Gil, cantada por Gal Costa, fica em
terceiro lugar no júri erudito e nao se classifica no popular. Memórias de Marta Saré, de
Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, é a única a conseguir um consenso entre os dois:
fica em segundo lugar.
23 de outubro: Elis inicia nova temporada no Olympia, em Paris. Para essa
apresentação, leva os músicos Erlon Chaves, Roberto Menescal e Antônio Adolfo. A
temporada estende-se até o dia 11 de novembro. A revista Fatos e Fotos de 14/11/68
registra: "É a primeira vez que um artista consegue se apresez~tar duas vezes no
mesmo ano no Olympia. Na estréia, Elis véste um Saint-Laurent preto, longo, e recebe
oito cortinas. Entre muitos telegramas, exibe um: 'Mil cortinas pra você. Beijos.
Ronaldo'". Na França, Elis grava um compacto duplo com a participação de Pierre
Barouh na música Noite dos mascarados, de Chico Buarque, cantada em francês.
Arranjos de Eumir Deodato. Apresenta-se, também, no Cassino Estoril, em Lisboa,
Portugal.

28 de novembro: A TV Record apresenta o especial Elis em Paris, gravado


durante a temporada no Olympia.

1969

Janeiro: Elis apresenta-se, mais uma vez, no Mercado Internacional do


Disco e da Edição Musical (MIDEM), em Cannes, França. Canta Corrida de jangada,
de Edu Lobo e Capinam, Memórias de Marta Saré, de Edu Lobo e Gianfrancesco
Guarnieri, e Casa-forte, de Edu, com a participação dele. Faz programas nas Tvs
francesa, inglesa, suíça, sueca, belga e holandesa.

20 de fevereiro: Elis volta ao Brasil.

18 de março: Estréia, na TV Record, a série de programas Elis Studio,


gravada sem a presença do público, dirigida por Mieli e Bôscoli. A cada programa, um
tema e um convidado especial. Um deles: Roberto Carlos.

5 de abril: Na quadra da Estação Primeira de Mangueira, a escola desfila


para Elis e lhe concede o título de "Cidadã da Mangueira".

Maio: Elis sai da TV Record. 4 de maio: Vai para Londres, onde, nos dias 6 e
8, grava um LP com o maestro inglês Peter Knight. Volta ao Brasil no dia 13.

Junho: Vai para a Suécia e grava um LP com o gaitista Toots Thielemans.


Os dois discos são lançados na Europa, e só anos mais tarde, no Brasil. Lança, no
Brasil, O LP "Elis, como e porquê". No repertório. O sonho, de Egberto Gismonti, e
Casa-forte, de Edu Lobo.

1 de julho: Estréia no Rio de Janeiro o show Elis com Mieli & Bôscoli, no
Teatro da Praia, que ela arrenda. Banda: Roberto Menescal (guitarra), Wilson das
Neves (bateria), José Roberto (contrabaixo), Hermes (percussão) e Jurandir (piano).
Agosto: Em entrevista a Clarice Lispector, Elis afirma: "O palco está tão ligado à minha
maneira de ser, à minha evolução, aos meus traumas, que eu acho que me separar do
palco é a mesma coisa que castrar um garanhão" Elis lança, com Pelé, um compacto
com duas composições dele: Vexamão e Perdão não tem.

2 de novembro: O show Elis com Mieli & Bôscoli estréia em São Paulo, no
Teatro Maria Della Costa. Elis está grávida. No 5o. e último Festival de Música Popular
Brasileira, TV Record, é proibido o uso da guitarra elétrica. Elis não participa. Vence
Paulinho da Viola com Sinal fechado. Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque e
Edu Lobo saem do Brasil. Caetano e Gil para Londres, Chico para Roma, e Edu Lobo
para Los Angeles.

1970

2 de abril: Entrando no sétimo mês de gravidez, Elis estréia no Canecão, RJ,


um show dirigido por Mieli e Bôscoli. Acompanham Elis uma banda e uma orquestra.
Direção musical de Erlon Chaves. Elis canta uma música de Caetano Veloso (Não
tenha medo) e outra de Gilberto Gil (Fechado pra balanço), feitas especialmente para
ela e mandadas de Londres, e também As curvas da estrada de Santos, de Roberto e
Erasmo Carlos. Nesse show Elis revela Tim Maia, cantor e compositor que já havia
trabalhado com Roberto e Erasmo Carlos no início de suas carreiras e que voltava dos
Estados Unidos depois de morar lá por alguns anos. Nessa mesma ocasião, Elis lança
O LP ". . . Em Pleno Verão", pela CBD-Philip5. No repertório, Vou deitar e rolar
("Quaquaraquaquá"), de Baden Powell e Paulo César PInheiro, e, com a participação
de Tim Maia, These are the songs, do próprio Tim. Vou deitar e rolar faz sucesso. 17
de junho: Aos vinte e cinco anos, Elis dá à luz um menino, João Marcelo, na Casa de
Saúde São José, RJ. João Marcelo nasce forte, mas nos primeiros meses de vida tem
muitos problemas por ser alérgico a leite de vaca, chegando a ficar hospitalizado. Sem
leite para amamentá-lo, Elis vai à televisão e pede amas-de-leite para o filho. 20 de
novembro: Elis estréia, para uma curta temporada, na enorme casa de shows Di
Mônaco, SP. Nome do show: Com a cuca fundida. Lança um compacto duplo pela
CBD-Philips, cuja primeira música é de dois compositores novatos: Madalena, de Ivan
Lins e Ronaldo Monteiro de Souza. A gravação faz um grande sucesso. Nesse ano a
TV Globo promove o V Festival Internacional da Canção, do qual Elis não participa.
Vence a música BR-3, de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, cantada por Tony Tornado.
Ivan Lins fica em segundo lugar com a música O amor é meu pais, dele e de Ronaldo
Monteiro de Souza. Em terceiro lugar, Encouraçado, de Sueli Costa e Tite de Lemos, e
em quarto, Um abraço terno em você, viu mãe? de e com Gonzaguinha.

1971

Janeiro: Elis assina contrato com a TV Globo e passa a participar do


programa Som Livre Exportação, dividindo seu comando com Ivan Lins. No dia 6, o
programa é gravado em São Paulo, no Palácio de Exposições do Anhembi. Cinco
horas de show para uma platéia de quase cem mil pessoas. Abril: Lança, pela CBD-
Philips, o LP "Ela", onde, além de Madalena, já sucesso, grava Roberto e Erasmo
Carlos, Lennon e McCartney, Caetano, e Black is beautiful, de Marcos e Paulo Sérgio
Vaíle. Junho: Estréia, pela TV Globo, o programa mensal Elis Especial, dirigido por
Mieli e Bôscoli. Outubro: Elis aceita presidir o júri do VI Festival Internacional da
Canção, promovido pela TV Globo. Correm boatos de que artistas como Chico Buarque
(já de volta ao Brasil), Tom Jobim, Edu Lobo e Paulinbo da Viola aproveitariam a
transmissão ao vivo para protestar contra a censura. As autoridades tomam
providências e eles acabam se retirando do certame. Vence a música Kiriê, de
Edmundo Souto e Paulinho Tapajós. Sai o disco intitulado "Top Star Festival", gravado
por encomenda da ONU em solidariedade aos refugiados de todo o mundo. Elis é a
única convidada brasileira a participar, com Madalena.

1972

1o. de março: Estréia no Teatro da Praia, RJ, o show É Elis, direção de Mieli
e Bôscoli. Banda: César Camargo Mariano (piano), Luisão (contrabaixo), Luís Cláudio
(guitarra), Ronaldo (tumbadora) e Paulinho Braga (bateria). Nesse show Elis lança
algumas músicas de compositores novos: Sueli Costa, Vitor Martins, Fagner e João
Bosco e Aldir Blanc. 11 de maio: Depois de várias separações e reconciliações, Elis e
Ronaldo Bôscoli se desquitam. O juiz determina que Elis nada tem a receber de
Ronaldo. Este teria que dar uma pensão de três salários mínimos para João Marcelo,
que fica sob a guarda da mãe. Junho: Sai do ar o programa Elis Especial, depois de
quase um ano em cartaz. Elis rescinde seu contrato com a TV Globo, alegando falta de
condições para trabalhar com o ex-marido. Setembro: Elis canta nas Olimpíadas do
Exército, no ano do Sesquicentenário da Independência. Outubro: Elis estréia no
Mônaco Music Haíl, SP, com César Mariano e uma banda de onze músicos. LP "Elis",
pela CBD-Phonogram/Philips. Músicas marcantes: Águas de março> de Tom Jobim,
Atrás da porta> 1de Francis Hime e Chico Buarque, Nada será como antes e Cais,
ambas de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. Arranjos e teclados: César Camargo
Mariano. A música Diálogo, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, vence o Festival
Internacional da Canção, promovido pela TV Globo, já completamente esvaziado pela
ausência de outros grandes nomes da música brasileira. Em segundo lugar, Fio
Maravilha, de Jorge Ben. É o sétimo e último FIC.

1973

10, 11, 12 e 13 de maio: A Philips promove, no Palácio de convençóes do


Anhembi, SP, a Phono 73, uma série de shows com seus contratados. Entre eles, Elis,
Gal, Bethânia, Gil, Caetano, Chico, Fagner, Nata Leão. Os shows são gravados para
posterior lançamento em discos. Cada artista se apresenta sozinho e, antes de sair,
canta um número com artista seguinte. Elis é recebida com frieza pela platéia. Alguém
do público grita um gracejo pesado para ela. Caetano Veloso, na platéia, levanta-se e
grita: "Respeitem a maior cantora desta terra". Ela canta Cabaré, de João Bosco e Aldir
Blanc, É com esse que eu vou, de Pedro Caetano, Ladeira da preguiça, de e com
Gilberto Gil. A apresentação de Elis é no dia 11, sexta-feira, justamente o dia em são
desligados os microfones de Gilberto Gil e Chico Buarque, quando eles tentam cantar
Cálice, a primeira parceria dos dois, durante algum tempo proibida pela censura. Julho:
Lançamento do disco - outra vez "Elis" -, que estava sendo gravado desde março. O LP
vem com dez músicas: quatro de Gil, quatro de João Bosco e Aldir Blanc, Folhas
secas, de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, e É com esse que eu vou, de
Pedro Caetano. 10 de agosto: Em um ônibus Mercedes-Benz, Elis parte do Lord Hotel
de São Paulo para uma excursão de trinta e seis dias pelos Estados de São Paulo,
Santa Catarina e Paraná, pelo chamado "Circuito Universitário". Banda: César Mariano
(teclados), Paulinho Braga. (bateria), Luisão (baixo), Chico Batera (percussão), Olmir
Stocker (guitarra), Rogério Costa (som) e mais iluminador, bilheteira, administrador,
contra-regra, um representante de Marcos Lázaro e o motorista. "Esse circuito, de
universitário só tem o nome. Foram poucos os estudantes que vi. A gente, por saber
que vai ao encontro dos universitários, prepara um trabalho sério, consciente, de
acordo com a idéia do que é proposto. E, no fim, tem que enfrentar uma massa
descaracterizada, reunida em ginásios e cinemas, quando na verdade isso deveria ser
feito no próprio campus" (Elis, para a jornalista Pink Wainer). Depois dessa excursão,
Elis rompe com o empresário Marcos Lázaro.

1974

Fevereiro.. Para comemorar seus dez anos de carreira, Elis vai para Los
Angeles gravar um disco com Tom Jobim. Com Elis vão César Mariano (teclados),
Hélio Delmiro (guitarra e violão), Luisão (baixo), Paulinho Braga (bateria). Lá, junta-se
ao conjunto o compositor, arranjador e violonista Oscar Castro Neves, além de uma
orquestra de cordas regida pelo maestro Bili Hitcbcock. Tom Jobim participa do disco
fazendo arranjos, tocando piano e violão e cantando em algumas faixas. César Mariano
também participa com arranjos e piano. O disco é gravado nos estúdios da MGM em
Los Angeles, entre os dias 22 de fevereiro e 9 de março. Antes de encontrar~se com
Tom, Elis declara: "Tom me assusta um pouco. Mas é importante demais conviver com
esse monstro sagrado da nossa música, e a responsabilidade de gravar a seu lado
balança um pouco qualquer pessoa". Depois de encontrar-se com ele: "Foi
maravilhoso, e Tom é divino. Nunca vi pessoa mais simples e encantadora" (Folha de
5. Paulo, 17/4/74). Elis e César Mariano mudam-se para São Paulo e passam a morar
na Rua Califórnia, no bairro do Brooklin. 2 de maio: Estréia no Teatro Maria DeIla
Costa, SP, o recital Elis, com direção musical de César Mariano. Banda: Luisão (baixo),
Hélio Delmiro (guitarra e violão), Paulinho Braga (bateria), Chico Batera (percussão),
além do próprio César (piano), mais a participação de cinco músicos do naipe de
cordas da Orquestra Sinfônica Jovem de São Paulo. No programa do show, Elis
escreve: "Já não é tão simples reunir a intenção pura ao ato de cantar. Já não é tão
fácil mostrar novas músicas, quando existem dificuldades para encontrá4as. A voz e o
modo mudam tudo". Julho: Elis participa do show de inauguração do Teatro
Bandeirantes, SP, ao lado de Chico Buarque, Maria Bethania, Tim Maia e Rita Lee.
Canta Conversando no bar, de Milton Nascimento e Fernando Brant, Travessia, de
Milton, O mestre-sala dos mares) de João Bosco e Aldir Blanc, Só tinha de ser com
você, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, Triste, de Tom Jobim, e Pois é de Jobim e
Chico Buarque, esta com a participação de Chico. Logo após o show Elis parte para
mais um Circuito Universitário. Desta vez o organizador é Roberto de Oliveira, e as
apresentações são em Porto Alegre, Caxias do Sul, Curitiba, interior do Paraná e
interior de São Paulo. É lançado o disco gravado com Tom Jobim em Los Angeles. 3 e
4 de outubro: Elis e Tom se apresentam no Teatro Bandeirantes, SP, em show dividido
em três partes: a primeira por conta de Elis, a segunda com Tom, e, na terceira,
cantam juntos. Acompanhamento do Quinteto de César Mariano e de orquestra dirigida
pelo maestro Leo Peracchi. Arranjos de César Mariano, Tom Jobim e do maestro
Perachi. Há nove anos Tom não se apresentava em São Paulo, desde o show O
remédio é bossa, produzido por Walter Silva no Teatro Paramount em 1965.
Novembro: Sai o disco anual pela CBD-Phonogram/Philips, "Elis". Destaques: Dois pra
lá, dois pra cá, de João Bosco e Aldir Blanc, e Conversando no bar, de Milton
Nascimento e Fernando Brant. 20 a 23 de novembro: Elis faz recitais no Teatro da
Universidade Católica, Tuca, SP. Banda: César Mariano (teclados), Natan Marques
(guitarra e violao), Luisão (baixo), Francisco José de Souza (percussão) e Antônio
Pinheiro Filho (bateria).

1975

No início do ano é criada a Trama, empresa de Elis e mais três sócios - entre
eles o mano Rogério e o marido César - que passaria a produzir espetáculos musicais.
O primeiro espetáculo produzido é Te pego pela palavra, com Marlene. 18 de abril:
Nasce Pedro, na maternidade do Hospital São Luís, SP Segundo filho de Elis, primeiro
com César Mariano. Elis: "Agora tenho dois primogênitos em casa". Setembro: Elis,
César, Natan (guitarra), Crispim (guitarra e teclados), Wilson (baixo) e Nenê (bateria)
começam a ensaiar o show Falso brilhante. Elis e os músicos querem fazer algo mais
do que cantar e tocar. Para isso, fazem aulas de expressão corporal com José Carlos
Viola, laboratórios com o psiquiatra Roberto Freire e exercícios de sensibilização teatral
com Minam Muniz, a diretora do espetáculo. Contam ainda com a participação de dois
atores: Lígia de Paula e Janjão. Cenários: Naum Alves de Souza. Figurinos: Lu Martin.
Direção musical: César Mariano. Produção: Trama. A um mês da estréia, o grupo
Passa a ensaiar num porão da prefeitura, ao lado de um banheiro público, debaixo do
Viaduto do Chá, em pleno centro de São Paulo. 17 de dezembro: Falso brilhante
estréia no Teatro Bandeirantes, SP. Um sucesso estrondoso do início ao fim da
temporada de catorze meses. Uma média de mil e quinhenta5 pessoas por dia. O
espetáculo nunca viajou.

1976

Fevereiro: Minam Muniz e Naum Alves de Souza, diretora e cenógrafo de


Falso brilhante, reclamam junto à Trama, produtora do espetáculo, o pagamento para
cada um de cinco por cento da renda bruta do show. A SBAT Sociedade Brasileira de
Autores Teatrais - consegue, então, o seqüestro de 16,66% da renda bruta do
espetáculo, que ficaria depositado na Caixa Econômica Estadual até que as partes
chegassem a um acordo. O caso é entregue à justiça. Elis, César, Raul Cortez e Ruth
Escobar vão a Brasília e conseguem a liberação da peça Mockinpott, de Peter Weiss,
cuja montagem - do Teatro de Arena de Porto Alegre - é proibida horas antes da
estréia. Elis doa a renda de uma noite do show Falso brilhante para ajudar o grupo a
pagar os prejuízos causados pelo adiamento da estréia. Sai o disco "Falso Brilhante"
com parte do repertório do show, gravado em estúdio. Destaques: duas músicas de
Belchior - Como nossos pais e Velha roupa colorida e Fascinação, grande sucesso de
Carlos Galhardo, em versão de Armando Louzada. 15 de março: Premiação dos
melhores do ano pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. Falso brilhante ganha o
prêmio de melhor show. 24 de março: A Trama, produtora de Falso brilhante, vence na
justiça a ação reclamatória de direitos autorais interposta por Minam Muniz e Naum
Alves de Souza. 21 de maio: Falso brilhante comemora, com uma grande festa, cem
apresentações no Teatro Bandeirantes, SP. Setembro: Elis financia o segundo número
do jornal Nós Mulheres, publicado pela Associação de Mulheres, SP. 20 de outubro:
Falso brilhante completa duzentas representações e bate um record no show business
brasileiro: desde a estréia, em 17/12/75, até esse dia, foi visto por 194.993 pessoas.
Ainda ficaria mais quatro meses em cartaz. 23 de outubro: A TV Bandeirantes leva ao
ar o programa Elis Especial, produzido pela Clack e dirigido por Roberto de Oliveira.
Dezembro: Elis, César e os dois filhos mudam-se do Brooklin para uma casa na serra
da Cantareira, SP. ". . . Fundamental mesmo foi eu ter me admitido como um ser rural.
Não só porque tenha sido uma vez rural. Não é isso. É rural porque o meu inconsciente
coletivo é do campo: minha avó era pastora de ovelhas, e meu avô, plantador de uvas.
Mamãe é a síntese disso, papai veio dos índios que foram enxotados da serra dos
Patos, e eu e meu irmão passamos a infãncia catando cocô de vaca para que eles
misturassem e fizessem plantações no quintal. Cidade não é mesmo comigo. Asfalto e
óleo diesel são com o César. Ele, sim, gosta da fumaça de um onibuzinho poluído. No
dia em que entendi que eu fugia de volta para o meu elemento principal, o campo,
resolvi assumir tudo. E tive chance, pois logo pintou um terreno na Cantareira, a
quarenta minutos de São Paulo. Fomos. No principio foi difícil, porque o César custou
mais a se adaptar. Afinal, ele é da Praça da Sé. Mas tudo bem. Hoje, ele de vez em
quando dá uma voltinha na cidade, toma fôlego na poluição geral e fica numa boa.
(. . .)" (para a revista Amiga de 28/5/80).

1977

6 de janeiro: Volta ao cartaz Falso brilhante, que tinha parado no dia 18 de


dezembro para um descanso da companhia. Como novidade, a inclusão de Marcha da
Quarta-Feira de Cinzas, de Carlos Lyra e Vinícius de Morais. 18 de fevereiro: Falso
brilhante encerra sua temporada depois de catorze meses em cartaz, duzentas e
cinqüenta e sete apresentações, e de ter sido visto por duzentas e oitenta mil pessoas,
que lhe renderam uma bilheteria total de oito bilhões de cruzeiros para um gasto inicial
de quinhentos e sessenta milhões (dados do jornal Última Hora, SP, 18/2/77). Elis está
grávida de seu terceiro filho. 10 de março: César Mariano e seu grupo estréiam no
Teatro Bandeirantes, SP, o show São Paulo-Brasil, com roteiro e direção de Oswaldo
Mendes e assistência de direçio de Elis. O show, composto de quatro movimentos
("Chegada e reconhecimento", "Construçao da cidade", "Peso da cidade" e "Cidade
assumida"), tem textos de Oswaldo Mendes. No grupo de César: Natan Marques
(guitarra e violão), Crispim del Cistia (guitarra e teclados), Wilson (contrabaixo) e Dudu
Portes (bateria). O repertório do show é lançado em disco pela RCA-Victor. Maio: A
Rádio Jovem Pan de São Paulo passa a promover uma série de shows intitulada O
Fino da Música, cuja preocupação é divulgar a música brasileira de bom nível. O
primeiro show é dedicado ao choro e reúne o Regional de Canhoto; o segundo
apresenta Elizeth Cardoso, Paulo Moura e Severino Araújo & Orquestra Tabajara. 25
de. julho: Grávida de sete meses, Elis apresenta-se no Fino da Música número 3, para
uma platéia de mais de três mil e quinhentas pessoas, no Palácio de Convenções do
Anhembi, SP. Banda: César Mariano & Grupo, mais Hélio Delmiro (guitarra) e Luisão
(baixo) como convidados especiais. Participam do show Renato Teixeira (Romaria é
lançada nesse dia), Ivan Lins e Cláudio Lucci, um compositor ainda desconhecido, de
quem Elis acabara de gravar Colagem e Vecchio novo. Agosto: Lançamento do LP
"Elis" pela Phonogram/Philips. O disco conta com as participações de Milton
Nascimento, Ivan Lins e Renato Teixeira. Destaques: Caxangá, de Milton e Fernando
Brant, e Romaria, de Renato Teixeira. 16 de agosto: Elis grava sua participação no
programa especial de Milton Nascimento, apresentado pela TV Bandeirantes no dia 21
de setembro. Direção de Roberto de Oliveira. Às vésperas de dar à luz, Elis canta com
Milton a música Caxangá, dele e de Fernando Brant. 9 de setembro: Nasce Maria Rita,
na maternidade do Hospital São Luís, SP Terceiro filho de Elis, segundo de seu
casamento com César Mariano. "… Eu tive uma alegria maior tendo uma filha, porque,
de uma certa forma, tinha muito homem no meu pedaço. Eu acho que a Maria Rita vai
ter uma vantagem, porque eu já fui pra vida. A minha mãe nunca saiu de dentro de
casa" (entrevista à TV Globo, 1979). 17 de novembro: Estréia nacional do show
Transversal do tempo, no Teatro Leopoldina, em Porto Alegre. Roteiro e direção de
Aldir Blanc e Maurício Tapajós. Direção musical de César Mariano. Banda: César
(teclados), Natan Marques (guitarra e violão), Crispim del Cistia (guitarra e teclados),
Fernando Cisão (baixo), Dudu Portes (bateria). O show fica em Porto Alegre até 6 de
dezembro.

1978

9 de janeiro: Reunião no Teatro Ruth Escobar, SP. Participam: Elis, Ivan


Lins, Manha Medalha, Paulinho Nogueira, Tomzé, maestro Benito Juarez, Marcus
Vinícius e mais trinta artistas. Em discussão uma proposta de estatuto para a criação
da seção paulista da Sombrás (Sociedade Musical Brasileira) e da Assim (Associação
de Intérpretes e Músicos). A Assim é criada na tentativa de reparar uma grave injustiça
praticada com os músicos: eles são obrigados a "ceder" seus direitos conexos de
interpretação no momento em que fazem algum acompanhamento em disco. Em tese,
cabe aos músicos que participam de uma gravação o pagamento de dezessete por
cento do que for arrecadado com o disco em vendagem e execução. Como os músicos
são obrigados a abrir mão desse percentual, ele é remetido para a Ordem dos Músicos,
que não tem o poder de distribuí-lo. O dinheiro fica guardado para a compra de cadeira
de rodas ou para pagar enterros. Elis passa a participar das diretorias das duas
entidades. 26 de janeiro: Elis, César Mariano, Martinho da Vila e Marcus Vinícius vão a
Brasília para expor ao então ministro da Educação Ney Braga as diretrizes da Assim.
20 de fevereiro: Elis apresenta Transversal do tempo no Teatro Sistina de Roma, e,
dias depois, no Teatro Lírico de Milão. Ela surpreende público e críticos italianos por
apresentar um repertório praticamente desconhecido por eles, sem se preocupar em
"puxar" os sucessos garantidos. Antes de começar o show, Elis fala ao público:
"Carmen Mitanda morreu nos anos 50. A Europa precisa entender que não somos um
povo só de carnaval. Temos a nossa tristeza. E não vim aqui para fazer concessões.
Vou cantar exatamente o que canto em meu país". 1.o de março: Transversal do tempo
faz uma apresentação no Club de Vanguardia, em Barcelona. 7 de março: Transversal
do tempo estréia no Teatro Ginástico, RJ, para uma temporada de três meses. Junho:
Sai O LP Transversal do tempo, gravado ao vivo, com trechos do show. Uma
particularidade envolve o lançamento do disco: a RCA-Victot, que mantém César
Mariano sob contrato, proibe que apareça o nome dele, como instrumentista, na capa
do disco. Seu nome só poderia aparecer no que se referia às partes técnicas do show e
do disco. 20 a 30 de julho: Transversal do tempo se apresenta no Teatro de Jcéia em
Salvador. Agosto: O show cumpre temporadas em Belo Horizonte e Curitiba. 25 de
outubro: Transversal do tempo estréia no Teatro Brigadeiro, SP Incluídas as músicas
Altos e baixos, de Sueli Costa e Aldir Blanc, e Meninas da cidade, de Fátima Guedes. 8
de outubro: A revista Veja diz que Elis se recusa a levar Transversal do tempo para
Buenos Aires, a convite do empresário Ronnie Scally: "Enquanto meu disco ('Falso
Brilhante') continuar proibido pela censura argentina, não me apresento lá". (A censura
havia interditado o disco por causa da música Gracias a la vida, de Violeta Parra.)

1979

1.o de janeiro: Vai ao ar, pela TV Bandeirantes, um programa especial que


Elis levara um mês gravando. Ela aparece passeando e cantando com Adoniran
Barbosa, visita Rita Lee em uma discoteca paulista, e com ela canta Doce pimenta,
música feita por Rita para Elis. Direção do p;ograma: Roberto de Oliveira e Sueli
Valente. Fim de janeiro: Elis tira Transversal do tempo de cartaz e viaja para
descansar. Em mais de um ano de temporada o show foi apresentado em Porto Alegre,
Roma, Milão, Paris, Barcelona, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo
Horizonte, Curitiba e São Paulo. Fevereiro: Elis assina contrato com a gravadora WEA,
mesmo já tendo assinado, antes, com a EMI-Odeon. Entre os projetos que envolvem o
novo contrato, uma apresentação no Festival de Jazz de Montreux, Suíça, em julho.
Dias depois do rompimento oficial de Elis com a Philips, a grava-dota lança, a toque de
caixa, um LP intitulado "Elis Especial", com músicas que ela havia cantado em ensaios
de estúdios - como guia para arranjos -, além de outras que haviam sido cortadas das
edições finais dos discos por não serem consideradas boas gravações. Motivo desse
lançamento: Elis devia dezesseis fonogramas à gravadora. Maio: Participa do Show de
maio, com renda revertida para o fundo de greve dos metalúrgicos de São Paulo, em
um enorme galpão do velho estúdio da ~ia. Vera Cruz de Cinema, em São Bernardo do
Campo, com cinco mil pessoas presentes. Além de Elis, participam do show: João
Bosco, Macalé, Gonzaguinha, Dominguinhos, Maria Martha, Fagner e Carimbos
Vergueiro. 15 de maio: É lançado o primeiro compacto simples de Elis pela WEA. De
um lado, a música O bêbado e a equilibrista~ de João Bosco e Aldir Blanc; do outro, As
aparências enganam, de dois compositores novos, Tunai (irmão de João Bosco) e
Sérgio Natureza. O bêbado e a equilibrista é imediatamente apelidado de "Hino da
Anistia", cuja campanha se intensificava no Brasil. Julho: A WEA lança O LP "Essa
Mulher", com O bêbado e a equilibrista e uma música inédita de Cartola, Basta de
clamares inocência, além de uma inédita de Baden Powell e da música título, de Joyce
e Ana Terra. 15 de julho: Elis apresenta~se no Grand Palace de Bruxelas, Bélgica,
numa festa musical que comemora os mil anos da cidade. Toots Thielemans, um dos
maiores jazzistas da gaita-de-boca e que já havia gravado um LP com Elis em 69, está
presente e acompanha Elis em Madalena, de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza,
e Maria, Maria, de Milton Nascimento e Fernando Brant. 19 de julho: Apresenta-se na
Noite Brasileira do 13.o Festival de Jazz de Montreux, Suíça. Banda: César Mariano
(teclados), Hélio Delmiro (guitarra), Luisão (baixo), Pauli. nho Braga (bateria) e Chico
Batera (percussão). No final da noite, Elis e Hermeto Paschoal fazem uma jam session.
25 de julho: Elis canta no Festival de Jazz de Tóquio, Japão. 30 de agosto: Começa
uma série de apresentações do novo sbow Elis, essa mulher. A temporada: 30/8 a 6/9 -
interior de São Paulo; 14 a 16/9 - São Paulo; 17/9 a 5/10 -interior de São Paulo; 6/10 -
Londrina; 9 a 21/10 -Porto Alegre; 25 a 28/10 - Curitiba; 31/10 a 18/11 -Belo Horizonte;
22 a 25/11 - Brasília; 28 a 31/11 -Belém; 1/12 - São Luís; 2/12 - Teresina; 5 a 9/12 -
Fortaleza; 11 a 16/12 - Recife; 18/12 - Aracaju; 19 a 23/12 - Salvador. A estréia
nacional do show é no Ginásio Municipal de Esportes de Sorocaba, interior de São
Paulo, para uma platéia de duas mil e quinhentas pessoas. Banda: César Mariano
(teclados), Crispim del Cistia (guitarra e teclados), Ricardo Silveira (guitarra, violão e
viola), Luís Moreno (bateria), Nenê (baixo), Chacal (percussão). Direção musical: César
Mariano. Som: Rogério Costa. Realização: Trama. Promoção: Poladian Produções. No
programa do show, Elis escreve: "Nessa hora e meia, a gente vai falando do jeito da
gente. Os tempos da ingenuidade. Da desatenção. Do não saber de nada. Do susto
que se tomou ao se conhecer quase nada. Dos tempos da quixotada. Dos restos de
amadorismo. Do amadurecimento. Da raiva. Essas coisas todas que foram
transformando a gente. Que hoje tem o mesmo riso, faz a mesma algazarra, gosta da
cachaça, etc... Mas que melhorou o jogo de cintura, aprimorou o físico, desenvolveu o
faro. Além de ter aprendido a prender a respiração quando o cheiro não é dos
melhores. O concerto é isso aí. Devagarinho vai se levando. Pra, no final, a esperança
ser posta na berlinda de novo. Esperança que pinta, mas já com a certeza de que a
gente tem que cavar. Tem que tomar. Na marra. Rindo. Se possível".

1980

Janeiro: Primeiros ensaios e seleção de elenco para o show Saudade do


Brasil no Teatro Procópio Ferreira, SP. 20 de março: Estréia no Canecão, RJ, o show
Saudade do Brasil, com um elenco de vinte e quatro pessoas - treze músicos e onze
bailarinos, a maioria novatos - dirigido por Ademar Guerra e coreografado por Márika
Gidali, com quem Elis faz aulas de dança. Há dez anos Elis não se apresenta no
Canecão. Direção musical: César Mariano. Figurinos: Kalma Murtinho. Cenário e
programação visual: Marcos Flaksman. "Não se trata de saudade de alguma coisa que
acabou ou pessoa que morreu. É saudade do que está aí vivo, solto, e nunca deixou de
existir. Se não temos acesso a isso, é por falta de uma batalha maior" (Elis, para o
jornal O Globo, 20/3/80). 9 de julho: Morre Vinícius de Morais. Elis cancela seu show e
participa das homenagens póstumas. Segundo a escritora Rita Ruschel, Elis passou
vários dias, depois do enterro de Vinicius, dormindo no chão. "Superada essa fase,
passou a dormir sobre a colcha, entre as almofadas de coração e borboleta. (. . .) Só
muitos dias depois conseguiu, com esforço, entrar definitivamente entre os lençóis e
dormir o sono dos justos" (em Meus tesouros da juventude- Editora Summus). É
lançado o álbum duplo "Saudade do Brasil", com a íntegra do show, mas gravado em
estúdio. Do álbum participam todos os músicos do show, além dos bailarinos, que no
show também fazem coro. O álbum duplo é lançado em edição limitada de vinte e cinco
mil exemplares, e, mais tarde, desmembrado em dois discos: "Saudade do Brasil" 1 e
2. Agosto: Depois de cinco meses de absoluto sucesso, Saudade do Brasil se despede
do Canecão e do Rio de Janeiro. 4 de setembro: O show estréia em São Paulo, no
Tuca Teatro da Universidade Católica. Fica um mês em cartaz. 3 de outubro: A TV
Globo leva ao ar o especial Elis Regina Carvalho Costa, programa da série Grandes
Nomes. Era praxe do programa que o artista focalizado levasse um convidado e
cantasse com ele um ou dois números. O convidado de Elis, para esse programa, é o
próprio César Mariano. Os dois, sozinhos, apresentam Rebento, de Gilberto Gil, e
Modinha, de Tom Jobim e Vinícius de Morais. Novembro: Depois de já ter lançado um
álbum duplo pela WEA em julho, Elis lança um novo LP. Dessa vez, a gravadora é a
EMI-Odeon, com a qual, na verdade, Elis havia assinado contrato antes de assinar com
a WEA. No disco, Elis recria O trem azul, de Lô Borges e Ronaldo Bastos, e Rebento,
de Gilberto Gil, além de apresentar dois compositores até então não gravados: Jean e
Paulo Garfunkel. É o primeiro disco de Elis na Odeon e o último que ela grava. É
dedicado a Rita Lee, "Meu ídolo, minha amiga e colega de internato".

1981

Janeiro: Elis vai a Los Angeles e começa os preparativos de um disco a ser


gravado com Wayne Shorter, compositor e saxofonista que já havia gravado com
Milton Nascimento. Esse disco nunca ficou pronto. 6 de março: Dentro da série
Grandes Nomes, a TV Globo apresenta o especial de Gal Costa. Convidada especial:
Elis. Ela vem de Los Angeles para atender ao convite de Gal. As duas cantam juntas
Amor até o fim, de Gilberto Gil, e Estrada do sol, de Tom Jobim e Dolores Duran,
música que ambas, separadamente, já haviam gravado. Elis em seu LP de 1971
("Ela"), e Gal no disco "Gal Tropical", de 1979. 9 de julho: Elis vai para o Chile participar
de um programa de televisão. Volta a São Paulo no dia 12, para continuar os ensaios
de seu novo show, cuja estréia está marcada para uma nova casa de espetáculos
paulista, o Canecão-Anhembi. 22 de julho: Estréia o sbow Trem azul no Canecão
paulista. Direção: Fernando Faro. Cenário: Elifas Andreato. Banda: Sérgio Henriques e
Paulo Esteves (teclados), Nai;an Marques (guitarra e violão), Luisão (baixo), Teo Lima
(bateria), Otávio Bangla (sax tenor e soprano), Nilton Rodrigues (trumpete e flugelhorn).
Arranjos: César Mariano e Natan Marques. César não participa do show: ele e Elis
estão definitivamente separados depois de nove anos de casamento. O show fica um
mês e meio em cartaz. 19 de setembro: Unica apresentação de Trem azul em Porto
Alegre, no ginásio de esportes Gigantinho. É a última vez que Elis canta em sua terra
natal. 22 a 25 de outubro: O show volta a São Paulo, no Palácio de Convenções do
Anhembi. 26 de outubro: Durante um coquetel no salão do Hotel Caesar Park, RJ, Elis
assina contrato com a gravadora Som Livre. "Eu estou absolutamente desesperançada
com todas as gravadoras. Todas são iguais. Mas a Som Livre, pelo menos, toca no
rádio, põe os discos nas lojas, tem trinta por cento da fatia de mercado, divulga na
televisão e tudo" (para o Coojornal de outubro de 1981). 28 de outubro: Trem azul
estréia no Teatro João Caetano, RJ, e fica cinco dias em cartaz. 11 de dezembro: O
show apresenta-se no Rio Palace, RJ. 31 de dezembro: Elis faz sua última
apresentação na televisão. É num especial de fim de ano da TV Record, onde canta
Me deixas louca, de Armando Manzanero em versão de Paulo Coelho, e O trem azul,
de Lô Borges e Ronaldo Bastos.

1982

Janeiro: Elis começa a ouvir fitas para escolher o repertório de seu próximo
disco, o primeiro para a gravadora Som Livre. 5 de janeiro: Dá sua última entrevista. É
para o programa Jogo da Verdade, da Televisão Cultura de São Paulo -RTC.
Participam do programa, como entrevistadores, Salomão Esper, Zuza Homem de Melio
e Maurício Kubrusly. 19 de janeiro, terça-/eira: 11h45 - Morte, em São Paulo, por
intoxicação exógena aguda. O corpo de Elis é levado para o Teatro Bandeirantes, onde
é velado até o dia seguinte. Elis veste a camiseta que não pôde ser usada no show
Saudade do Brasil, dois anos antes: a bandeira brasileira, com seu nome no lugar de
"Ordem e Progresso". O Teatro Bandeirantes fica cheio durante a noite e a madrugada.
Vários artistas no velório: Rita Lee, Roberto de Carvalho, Raul Seixas, Jair Rodrigues,
Ronald Golias, Martinha, Lélia Abramo, Ronaldo Bôscoli, Luiz Carlos Mieli, César
Mariano, Henfil, Tônia Carrero, Hebe Camargo, Ángela Maria, Fafá de Belém. Gilberto
Gil, nos Estados Unidos, manda uma coroa de flores: "Sua voz será de todas as
canções, sua alma de todos os corações". A morte é manchete em jornais: "Perdemos
nossa melhor cantora" - Jornal da Tarde- SP - 20/1 "Suspeita de suicídio na morte de
Elis Regina" -O Estado - SC - 20/1 "Causa da morte de Elis só vai ser confirmada
amanhã" - Jornal do Brasil - RJ - 20/1 "Brasil chora morte de Elis" - A Notícia - Joinville
- SC - 20/1 "Coração mata Elis" - O Estado do Paraná - 20/1 "Elis" - Folha da Tarde -
RS - 20/1 "O Brasil sem Elis Regina" - Folha de S. Paulo - 20/1 Algumas agências de
propaganda fazem circular mensagens a respeito de Elis em todos os jornais: "Choram
Marias e Clarices. . . Chora a nossa pátria mãe gentil. Em busca de um sol maior, Elis
Regina embarcou num brilhante trem azul, deixando conosco a eternidade de seu
canto pelas coisas e pela gente de nossa terra. E uma imensa saudade." (Lage
Propaganda - SP) "A verdade não rima, a verdade não rima, a verdade não rima. . ."
(Visão Publicidade - PR - tirada da letra da música Onze fitas, de Fátima Guedes.)
"Nada será como antes. Elis Regina Carvalho Costa" (Signo Comunicação - RJ) 20 de
janeiro: O Departamento de Trânsito de São Paulo cria um esquema especial para o
cortejo, do Teatro Bandeirantes ao cemitério do Morumbi. A pé, de carro ou moto,
milhares de pessoas acompanham o carro do Corpo de Bombeiros que leva o caixão.
Elis é sepultada por volta de uma hora da tarde no túmulo 2199, quadra 7, setor 5 do
cemitério do Morumbi. 21 de janeiro: O delegado do 4.o Distrito Policial de São Paulo,
Geraldo Branco de Camargo, divulga os resultados da autópsia e dos exames
toxicológicos realizados em Elís. O laudo número 415/82 do Laboratório de Toxicologia
do Instituto Médico-Legal revela "resultado positivo para cocaína e álcool etílico, este
na quantidade de um grama e seiscentos miligramas de álcool etílico por litro de
sangue; a quantidade de álcool etílico encontrada em nível sanguíneo revelou estar a
vítima sob estado de embriaguez, e a presença de cocaína caracterizou o estado
tóxico, que em somatória pode responder pelo evento letal". 22 de janeiro: A TV Cultura
e a TV Globo apresentam especiais com Elis Regina. O da TV Cultura é a
reapresentação de um programa feito em 1972, onde Elis fala de sua carreira e canta
por duas horas. Direção de Fernando Faro. O da Globo é uma colagem das várias
fases da carreira de Elis. A Sudwestsunk, emissora de televisão alemã, com sede em
Baden Baden, apresenta um especial de quarenta e cinco minutos com teipes de Elis
gravados quando ela esteve na Alemanha. 26 de janeiro: Missas de sétimo dia são
rezadas em São Paulo, Rio de Janeiro e em várias cidades do Brasil. Em São Paulo, a
missa é às dezoito horas na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Na igreja,
mais de mil pessoas. entre elas Rita Lee, César Mariano, Samuel MacDowell, Walter
Silva, Teotônio Vilela, Audálio Dantas, Lula, Cauby Peixoto, Hebe Camargo, Henfil,
Renato Consorte, Lélia Abramo. Os textos litúrgicos são lidos por Rita Lee e Rogério,
irmão de Elis. No Rio a missa é celebrada na Igreja Nossa Senhora da Paz, em
Ipanema, com as presenças de Gal Costa, Nana Caymmi, Fafá de Belém, Zezé Motta,
Betty Faria, Herminio Belio de Carvalho, entre outros. 29 de janeiro: Divulgado o
resultado dos exames realizados pelo Laboratório de Toxicologia do Instituto Médico-
Legal, que determinam a quantidade de cocaína que teria sido ingerida por Elis antes
de morrer: "Exame complementar n.0 00415 - Exame toxicológico - Resultado: A
análise quantitativa de cocaína efetuada em fígado e urina forneceram os seguintes
resultados: Urina: 23 mg/100 ml (23 miligramas de cocaína por 100 mililitros de urina).
Fígado: 2,4 mg/l00 g de tecido (2,4 miligramas de cocaína por cem gramas de fígado).
Observações: As dosagens acima foram efetuadas em cromatografia liquidogás,
utilizando-se padrão de cocaína extrapura cristalizada de procedência alemã (Merck)".
O laudo é assinado por Maria E. M. da Costa Amaral, Vera Elisa Reihardt, Maria Isahel
Garcia e Evilin Mansur. 30 de janeiro: No show Festa do interior no Maracanázinho, RJ,
Gal Costa dedica a música Força estranha, de Caetano Veloso, a Elis, "uma estrela
que luz eternamente". Essa homenagem seria repetida durante toda a temporada do
show pelo país. 7 de fevereiro: Mais uma homenagem, e monumental. No estádio do
Morumbi, SP, cem mil pessoas assistem ao show Canta Brasil, As atrações: Simone,
Fagner, Toquinho, Chico Buarque, Milton Nascimento, Baby Consuelo, Pepeu Gomes,
Gonzaguinha, Elba Ramalho, Paulinho da Viola, Djavan, Nara Leão, Clara Nunes e
João Bosco. Sobe um enorme painel com o rosto de Elis, e todos - artistas, público,
cem mil vozes - cantam O bêbado e a equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc. 16 de
fevereiro: O promotor Pedro Franco de Campos, da 1.a Vara Auxiliar do Júri, requer o
arquivamento do inquérito sobre a morte de Elis ao juiz Antônio Filiardi Luiz, alegando
"não haver crime a punir. Não houve o delito de induzimento, instigação ou auxílio ao
suicídio, mesmo porque não se pode falar com segurança em suicídio". 23 de
fevereiro: O juiz Antônio Filiardi Luiz manda arquivar o inquérito instaurado para apurar
a morte de Elis. 4 de março: Tem início o "Mês Músical Elis Regina", promovido pela
Prefeitura do Município de São Paulo em seus teatros de bairro. Participam do evento:
Adoniran Barbosa, Zimbo Trio, Tetê Espindola, Grupo D'Alma, Tom Zé, Premeditando o
Breque, Marlui Miranda, Belchior, Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho, Marina,
Grupo Rumo, Renato Teixeira. A promoção vai até o dia 28. No fim de março a WEA
põe no mercado o disco "Elis Regina - 13th Montreux Jazz Festival", com a gravação
da apresentação de Elis em julho de 1979.0 disco não foi lançado na época porque
tanto Elis como a gravadora não aprovaram a quahdade técnica da gravaçao.
Destaque no LP: O encontro de Elis com Hermeto Paschoal. 1.o de maio: É registrada
oficialmente a Associação Brasileira Elis em Movimento (ABEM), com sede em Sao
Paulo, criada com o objetivo de preservar a arte e a memória de Elis. 8 de maio: O
prefeito Tito Costa, de São Bernardo do Campo, SP, inaugura o Teatro Elis Regina na
Avenida João Firmino, 900, no bairro de Assunção. A gravadora Continental relança os
dois primeiros discos de Elis, gravados em 1961 e 1962. "Viva a Brotolãndia" e
"Poema" são relançados em álbum duplo sob o nome de "Nasce uma Estrela". Nesta
mesma época a Polygram/ Philips, gravadora de Elis por quinze anos, lança uma caixa
com quatro LP5 que abrangem o período de 1965/1978 de sua carreira. Agosto: A
ABEM lança o número zero do jornal Elis em Movimento, no qual são divulgados os
objetivos da associação. Lançamento do álbum duplo "Trem Azul", pela Som Livre,
com a gravação da última apresentação do espetáculo em São Paulo, no Palácio de
Convenções do Anhembi A gravação original fora feita em uma fita cassete normal,
mono, pelo irmão e técnico de som de Elis, Rogério Costa. A fita passou por uma série
de processos de purificação. O som do disco não é perfeito, mas a gravação guarda o
calor do show e nos dá a oportunidade de ouvir Elis cantando Flora, de Gilberto Gil, e
Eurídice, de Vinícius de Morais, músicas nunca antes gravadas por ela.
1983

14 de janeiro: É aberta, no Centro Cultural São Paulo, a "I Semana Elis


Regina", uma promoção da Rede Globo de Televisão em convênio com a Secretaria de
Cultura de São Paulo. Na programação da semana: shows com Renato Teixeira, Ivan
Lins, Lô Borges, Tetê Espíndola, Grupo Papa-vento, Grupo Medusa, Rosinha de
Valença, Guilherme Arantes, Belchior e Zé Rodrix; exposições de fotos e desenhos;
espetáculo de dança Elis - 4 estações - coreografado por Esmeralda Monteiro e
apresentado pelo Ballet Art; mímica de Denise Stoklos para a música Se eu quiser falar
com Deus, de Gilberto Gil, na interpretação de Elis; lançamento de cartões-postais e de
poster comemorativo de autoria de Elifas Andreato. Durante a promoção, a Rede Globo
inclui em sua programação vespertina e noturna pequenos flashes focalizando os
eventos da semana no Centro Cultural. 19 de janeiro: Missa de primeiro aniversário na
Catedral da Sé, - SP, com a presença de cinco mil pessoas. Milton Nascimento
participa cantando Essa voz, música dele e de Fernando Brant em homenagem a Elis,
e Canção da América, também dele e de Fernando Brant, acompanhado pela
Orquestra Sinfônica de Campinas regida pelo maestro Benito Juarez. A Rede
Bandeirantes de Televisão coloca em sua programação, entre oito e meia e meia-noite,
vinte breaks de três a cinco minutos cada um, com vinhetas homenageando Elis, além
de apresentar, às vinte horas, o especial Elis, com imagens de arquivo e depoimentos
de Gilberto Gil, Milton Nascimento, Djavan e Sueli Costa. A Escola de Samba Unidos
de Vila Isabel RJ, promove a "Noite dos Imortais", com um show em homenagem a
Elis. São inauguradas duas exposições em São Paulo: "Elis100% Nacional", com
guaches de Vicente Gil, na Galeria Paulo Figueiredo, e "Elis Paz", no Spazio
Pirandelio. A gravadora EMI-Odeon lança um disco intitulado "Vento de Maio", com
antigas gravações de Elis, como Tiro ao álvaro, de Adoniran Barbosa e Osvaldo Moiles,
junto com Adoniran, e O que foi feito devera (de Vera), de Milton Nascimento,
Fernando Brant e Márcio Borges, junto com Milton. 23 de fevereiro: A mímica Denise
Stoklos estréia no SESCI Fábrica da Pompéia, SP, um recital de mímica baseado em
quinze interpretações de Elis. 27 de fevereiro: É aberto o "II Mês Musical Elis Regina",
uma série de shows nos teatros da prefeitura de São Paulo, com Joyce, Paulinho Boca
de Cantor, Jards Macalé, Luli & Lucina. Abril: O álbum duplo "Trem Azul", com a integra
do show gravado por Rogério Costa, ganha o Disco de Ouro por ter vendido mais de
cento e vinte mil exemplares. Leva também o prêmio especial da Associação Paulista
dos Críticos de Arte pelo tratamento dado à gravação original. 10 de novembro: O
Ballet Art estréia no Teatro da Hebraica, SP, o espetáculo Elis - 4 estações, que revive
as fases de sua carreira com os movimentos "A Primavera dos Sonhos", "O Verão do
Amor", "A Maturidade do Outono" e "A Descrença do Inverno".

1984

16 de janeiro: É aberta, no Centro Cultural São Paulo, a "II Semana Elis


Regina", promovida com a colaboração da Rádio e TV Gazeta, com shows de Cida
Moreyra, Eduardo Gudin, Grupo Medusa, Tomzé, Rosa Maria, Regina Tatit, Célia e
Grupo Papavento. Lançado, pelo Opus Video e Fonográfica - selo Elenco -, o álbum
duplo "Elis Vive" - uma seleção de sucessos de Elis. 22 de janeiro: O prefeito Mário
Covas e o secretário de Cultura Gianfrancesco Guarnieri inauguram, em São Paulo, a
Praça Elis Regina, na altura do número 1670 da Avenida Corifeu de Azevedo Marques,
bairro do Butantã. Fevereiro: A Escola de Samba União de Vila Prudente, SP, sai às
ruas no carnaval com o samba-enredo Elis Regina, o som da festa eterna desta musa,
de autoria de Nelson Coelho, Roberto Lindolfo e Ditão. A letra do samba:
"Na terra do churrasco e chimarão
Eu me embalei na poesia onde brotou a revelação
Elis, a luz que irradia, minha vila vem mostrar
Pra que chorar, cai comigo na folia pra despertar
Vamos pular, são só três dias
Hoje tem arrastão
Eu vou
Upa neguinho na estrada
Ai que saudade nos dá
Foi a hélice de tantos valores atuais
No falso brilhante da vida, jamais foram esquecidas suas obras imortais
Era uma musa que surgia para sempre, quem diria, entre tantas marias
Trem azul, pimentinha ardida trazida do sul, Beco das Garrafas rádio circo e Tv
Elis, a festa é sua, desça e vem sambar na rua."
22 de fevereiro: Estréia no Teatro São Pedro, SP, o espetáculo Elis, com um
pássaro no ombro. Com dança, música, teatro, fotografia e literatura conta-se a história
do Brasil entre os anos 60 e 80, tendo Elis como fio condutor. Criado pelo grupo
Baleteatro de Minas, o espetáculo já havia sido apresentado em Belo Horizonte e no
Rio de Janeiro. Depois de São Paulo, o grupo apresenta-se em Brasília. Novembro:A
gravadora Som Livre lança o disco "Elis -Luz das Estrelas", feito a partir de um teipe da
Rede Bandeirantes de Televisão que foi ao ar em 1976. Usou-se só a voz de Elis.
Wagner Tiso, Dori Caymmi, Natan Marques; Lincoln Olivetti, Eduardo Souto e Guto
Graça MeIlo fizeram novos arranjos. A intenção declarada: mostrar Elis com um "som
atual". O disco tem dez faixas, seis das quais inéditas em gravações de Elis: Para
Lennon & McCartney, de LÔ Borges e Fernando Brant, No dia em que eu vim me
embora, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, Velho arvoredo, de Hélio Delmiro e Paulo
César Pinheiro, Corsário e Gol anulado, de João Bosco e Aldir Blanc. Novo LP de
montagem é lançado pela Polygram, selo Fontana Special: "Nada Será Como Antes -
Elis Interpreta Milton Nascimento", com dez faixas, gravadas entre 1966 e 1978. 27 de
dezembro: Morre, de câncer no pulmão, Romeu Costa, pai de Elis, aos sessenta e seis
anos.

1985

14 de janeiro: É aberta a "III Semana Elis Regina" no Centro Cultural São


Paulo, com shows de Tomzé, Cláudio Lucci (compositor lançado por Elis em 1977), Luli
& Lucina, Jean Garfunkel (lançado por Elis em 1980), Regina Tatit, Cida Moreyra,
Belchior, Filó. No centro de São Paulo um out-door homenageia Elis com versos do
poeta Ricardo Viveiros:
"A alma é um céu
O coração uma lua
Você é uma estrela
Nessa paisagem Noturna".
Lançado em Porto Alegre, pela TCHE/RBS, o livro Elis Regina, de autoria de
Zeca Kiechaloski, dentro da coleção "Esses Gaúchos". 14 de maio: Lançado em São
Paulo o livro de fotografias, AquarELiSta, pela Livraria Kosmos Editora. Fotografias:
Célia Mansa de Ávila. Textos: Salma Tannus Muchail. 29 de julho: A prefeitura de São
Paulo e a Paulistur inauguram no Parque Anhemhi o Auditório Elis, com mil e quinze
lugares, para shows, teatro, congressos, seminários e palestras Show de inauguração:
Destino aventureiro, de Ney Matogrosso. 28 de agosto: É inaugurada pela prefeitura de
São Paulo a Escola Municipal de Educação Infantil Elis Regina, para crianças entre três
e seis anos, no bairro Cidade de São Matheus, regional de Vila Prudente, SP.
[ Cronologia de Elis Regina, por Maria Luiza Kfouri publicada em: "Furacão Elis" p. 279 a 312, ed. Nórdica, 1985]

Biografia retirada da página de Marcelo C. C. dedicada a Elis Regina


URL: http://www.geocities.com/Nashville/Opry/6544/

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