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TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO PARANÁ

REGISTRO DE CANDIDATURA Nº 1168-38.2010.6.16.0000


PROCEDÊNCIA : CURITIBA-PR
REQUERENTE(S) : Coligação UNIÃO PELO PARANÁ (PDT / PT / PMDB
/ PR / PC do B)
CANDIDATO : NEDSON LUIZ MICHELETI, CARGO DEPUTADO
ESTADUAL, NÚMERO 13456
Advogado : Mauro Shiguemitsu Yamamoto
Advogado : Marisa Cescatto Bobroff
Advogado : Gustavo Munhoz
Advogado : José Cunha Garcia
Advogado : Paloma Nunes Gimenez
Advogado : Lucas Zucoli Yamamoto
RELATOR : DR. AURACYR AZEVEDO DE MOURA CORDEIRO

EMENTA – Registro de candidatura. Legitimidade


ativa para notícia de inelegibilidade.
Constitucionalidade da Lei Complementar nº
135/2.010. Liminar judicial.
1. Qualquer cidadão no gozo de seus direitos políticos
poderá dar notícia de inelegibilidade de candidato à
Justiça Eleitoral.
2. A Lei Complementar nº 135/2.010 é constitucional,
pois está na primeira parte do parágrafo 9º, do artigo
14, da Constituição da República que “Lei
complementar estabelecerá outros casos de
inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de
proteger a probidade administrativa, a moralidade para
exercício de mandato considerada vida pregressa do
candidato” e é preciso extrair um efeito concreto dessa
determinação, até porque, como em sede doutrinária já
explicou a Ministra Carmem Lúcia, do Supremo
Tribunal Federal, “não tivesse eficácia plena a norma
constitucional e, com certeza, não seria norma, muito
menos constitucional, no sentido de fundamental, de
norma básica, superior e necessária do Direito.”
3. Liminar do Poder Judiciário que suspende ou anula
decisão de órgão competente afasta a inelegibilidade do
candidato e leva ao deferimento do pedido de registro.

ACÓRDÃO Nº 39.778

ACORDAM os Juízes do Tribunal Regional


Eleitoral do Paraná, por unanimidade de votos, em DEFERIR o
registro do candidato Nedson Luiz Micheleti, pela Coligação
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO PARANÁ

“União Pelo Paraná”, para concorrer ao cargo de Deputado


Estadual, com o número 13456 e a opção de nome Nedson, nos
termos do voto do Relator.

Curitiba, 10 de agosto de 2.010.

PRESIDENTE

RELATOR

PROCURADOR REGIONAL ELEITORAL

RCAND nº 1168-38.2010.6.16.0000
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RECURSO ELEITORAL Nº 1168-38.2010.6.16.0000

RELATÓRIO.

A Coligação “União Pelo Paraná” requereu o registro da


candidatura de Nedson Luiz Micheleti ao cargo de Deputado
Estadual.

Segundo informação prestada pela Secretaria deste Tribunal,


foram cumpridas as determinações legais. (Folhas 171 e 172)

O Ministério Público Eleitoral impugnou o pedido de registro de


candidatura de Nedson dizendo que “o requerido se encontra inelegível,
visto que foi condenado à suspensão dos seus direitos políticos, em decisão
colegiada, proferida em outubro de 2009, pela Quarta Câmara Cível do Egrégio
Tribunal de Justiça do Paraná, consoante acórdão nº 35801, prolatado no
julgamento de recurso de apelação cível nº 523923-6, interposto em face de
sentença do Juízo da 10ª Vara Cível de Londrina-PR, nos autos 1038/2006 de
ação civil pública”. Alegou ainda que o Tribunal de Justiça do

Paraná reconheceu a prática dolosa, pelo impugnado, do ato de


improbidade administrativa prevista nos artigos 10, 11, cabeça e
inciso I, da Lei nº 8429/1992. (Folhas 24 e 25)

Milton Ferreira noticiou a inelegibilidade do candidato dizendo


que Nedson foi condenado por improbidade administrativa
também nas apelações cíveis autuadas no Tribunal de Justiça
com os números 452492-9 e 452488-5, sendo, por isso,
inelegível. (Folhas 59 e 60)

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Nedson defendeu-se (1) levantando preliminar de ilegitimidade


ativa de noticiante, e dizendo que (2) a sua condenação na
apelação cível nº 452488-5 não o deixou inelegível, pois “as
condições legais de inelegibilidade são ... a condenação por ato doloso de
improbidade, a improbidade deve ser referente à lesão ao erário e
enriquecimento ilícito e, ainda, ter sido imposta ao agente a pena de suspensão
dos direitos políticos” e, no caso, foi-lhe imposta apenas a aplicação

de multa civil; (3) a condenação na apelação cível nº 523923-6


não pode gerar a sua inelegibilidade, pois (4) a Lei
Complementar nº 135/2010 é inconstitucional; (5) violou o artigo
16 ao não respeitar o princípio da anualidade; (6) ofendeu à
presunção de inocência; e (7) infringiu o princípio da
razoabilidade. Argumentou ainda que (8) no julgamento da
apelação cível nº 523923-9, a única prova da existência de dolo
foi “o termo de declarações prestadas pelo Sr. Dirceu Porfírio Alves junto ao
Ministério Público em procedimento preliminar de investigação, portanto,
produzida fora do contraditório”, sendo, portanto, indevida a sua

condenação. (Folhas 99 a 115)

Depois Nedson juntou a informação de que obtivera decisão


liminar no Superior Tribunal de Justiça, suspendo a eficácia de
decisão do Tribunal de Justiça. (Folhas 177 a 180)

A douta Procuradoria Regional Eleitoral manifestou-se pelo


deferimento do registro, na condição sub judice.

É o relatório.

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VOTO.

Começo pela alegada preliminar de ilegitimidade de noticiante.

O artigo 38 da Resolução TSE nº 23.221/2010 diz:


“Qualquer cidadão no gozo de seus direitos políticos poderá, no prazo de 5
dias contados da publicação do edital relativo ao pedido de registro, dar notícia
de inelegibilidade ao Juiz Eleitoral, mediante petição fundamentada,
apresentada em duas vias.”

Então Milton Ferreira podia noticiar a suposta inelegibilidade e,


por isso, rejeito a preliminar.

Vou ao mérito.

A constitucionalidade da Lei Complementar nº 135/2010 e as


demais questões levantadas pelo candidato relacionadas ao tema
já foram objeto de análise desta Corte. No Caso Erivan –
RCAND nº 599-37.2010.6.16.0000 – Munir, decidimos pela
constitucionalidade e aplicabilidade imediata da norma, e o
acórdão no particular, foi ementado assim:
“...CONSTITUCIONALIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 135/2010.
APLICAÇÃO PARA AS ELEIÇÕES 2010. PRECEDENTES DO COLENDO
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL.
A Lei Complementar nº 135/2010 encerra normas que não afetam o processo
eleitoral, estando imune portanto, ao princípio da anualidade, o que permite a
sua aplicação às eleições 2010, notadamente quanto à verificação de eventuais
causas de inelegibilidade. Precedentes do TSE.”

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Além disso, está na primeira parte do parágrafo 9º, do artigo 14,


da Constituição da República que “Lei complementar estabelecerá
outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a
probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada
vida pregressa do candidato” e é preciso extrair um efeito concreto

dessa determinação, até porque, como em sede doutrinária já


explicou a Ministra Carmem Lúcia, do Supremo Tribunal
Federal, “não tivesse eficácia plena a norma constitucional e, com certeza,
não seria norma, muito menos constitucional, no sentido de fundamental, de
norma básica, superior e necessária do Direito.” (ROCHA, Cármen Lúcia

Antunes. Constituição e constitucionalidade. Belo Horizonte:


Lê, 1991, p. 39)

Assim, afasto esta alegação.

Fala-se em três processos apontados como causadores da


inelegibilidade de Nedson: apelações cíveis autuadas no Tribunal
de Justiça do Paraná com os números 452488-5, 452492-9 e
523923-6.

O artigo 1º, I, “l”, da Lei Complementar nº 64/1.990, com nova


redação dada pela Lei Complementar nº 135/2.010, prevê que
serão inelegíveis “os que forem condenados à suspensão dos direitos
políticos, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial
colegiado, por ato doloso de improbidade administrativa que importe lesão ao
patrimônio público e enriquecimento ilícito, desde a condenação ou o trânsito
em julgado até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da
pena”.

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Mas nas duas primeiras apelações Nedson foi condenado tão


somente ao pagamento de multa civil, sem sanção de suspensão
dos direitos políticos, e então a imputação é equivocada.

Assim, resta a análise da apelação cível nº 52923-6.

No entanto a eficácia do acórdão proferido pela Quarta Câmara


Cível do Egrégio Tribunal de Justiça do Paraná nesse processo
foi suspensa por decisão do Ministro Carvalhido nestes termos:
“Defiro a cautela de urgência, para suspender os efeitos do acórdão que
decretou, além do ressarcimento aos cofres públicos, a suspensão dos direitos
políticos, o pagamento de multa civil e a proibição de contratar com o poder
público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, afastando
especialmente a inelegibilidade do ora requerente até o julgamento do recurso
especial interposto...”. (Folhas 177 a 180)

Então o registro de candidatura deve ser deferido, afastada, por


inoportuna, qualquer referência sobre a provisoriedade da
decisão do STJ.

Por tudo, defiro o registro do candidato Nedson Luiz Micheleti,


pela Coligação “União Pelo Paraná”, para concorrer ao cargo de
Deputado Estadual, com o número 13456 e a opção de nome
Nedson.

Curitiba, 10 de agosto de 2.010.

Auracyr Azevedo de Moura Cordeiro.


Relator.
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