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Sistematização

Sumário

Parte 1: formação de arte/educadores: uma demanda real?-------------12

Parte 2: a plataforma ead|duo e as possibilidades de compartilhamento e


produção de conhecimentos sobre ensino de arte---------------------------21

Parte 3: ensino de arte na contemporaneidade: Desafio para a cultura e a


educação - a proposta e a realização do curso---------------------------46

Parte 4: Resultados observados-----------------------------------------------75

Expediente------------------------------------------------------------89

Anexos---------------------------------------------------------------92
Ficha de inscrição--------------------------------------------------93
Ficha de seleção----------------------------------------------------94
Declaração-------------------------------------------------------95
Folder Impresso-----------------------------------------------------96
Folder versão on-line-----------------------------------------------97
Adesivo da caixa-biblioteca----------------------------------------98
Certificado---------------------------------------------------------99
Instrumento de avaliação 1--------------------------------------100
Instrumento de avaliação 2--------------------------------------102
Início de conversa
Começamos a conceber o curso a distância Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafios para a
cultura e a educação em meados de 2007. Acreditávamos na existência de uma grande demanda de
formação entre os arte/educadores e decidimos apostar na educação a distância como forma de
viabilizar uma experiência significativa da formação de arte/educadores de todo o país. Essa apos-
ta pode ser observada, a seguir, no relato produzido pela aluna do curso Katiúscia Sosnowski:

Penso que, neste princípio do século 21, é necessário mais do que nunca ressignificar a
formação de professores. No campo do ensino de artes este aspecto é totalmente rele-
vante. A educação a distância, por sua vez, ganha um novo impulso com a chegada das
novas tecnologias de comunicação e informação.

O Ensino de arte, numa visão contemporânea, exige novos papéis para o professor. Os
conteúdos e práticas pedagógicas necessitam ser revisitados, e, assim, acredito que a
educação a distancia muito vem a contribuir para essas mudanças de paradigmas que o
ensino de arte na contemporaneidade está propondo.

Estava em busca de algo que pudesse agregar mais conhecimentos à minha prática de
sete anos em sala de aula, lecionando a disciplina de artes. Percebia a necessidade de
uma reciclagem. Fiquei sabendo do curso por meio de divulgação em uma lista de dis-
cussão na internet.

O curso Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafios para a cultura e para a edu-


cação, chegou num momento crítico para muitos dos participantes. Notava-se a sede por
formação para uma nova visão do ensino de arte, muito comentada no meio acadêmico,
mais pouco vivida na sala de aula. Já havia participado de outros cursos a distancia,
mas estar em contato com mais de 150 profissionais de diferentes localidades do país,
após uma difícil seleção com a participação de 1400 inscritos, foi uma rica experiência e
uma grande oportunidade de trocas entre realidades diferentes.

Nosso ponto de partida era a experiência de trabalho nos campos da gestão cultural e do ensino a
distância da DUO Informação e Cultura e a experiência da ONG Humbiumbi – Arte, Cultura e Educa-
ção no campo da arte/educação junto a crianças e jovens de Belo Horizonte e outras localidades do
país. O desejo de atuação conjunta entre DUO e Humbiumbi foi se concretizando na concepção do
curso. Após algumas conversas, com a participação de diversos profissionais das duas instituições,
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construímos a proposta: um curso a distância sobre o ensino de arte na contemporaneidade, de caráter
teórico e prático, para 160 arte/educadores de todos os estados brasileiros, com 4 meses de duração.

Decidimos convidar outras instituições para compartilhar essa proposta. A UNESCO, parceira da
DUO em cursos a distância no campo da gestão cultural, se interessou em fazer parte deste projeto.
O Instituto Ayrton Senna, parceiro da Humbiumbi em diversos projetos, também se tornou parcei-
ro, disponibilizando a solução educacional para o Desenvolvimento Humano pela Arte, para que
fosse uma referência importante do curso.

A proposta do curso a distância foi submetida e aprovada pelo Programa Petrobras Cultural e pela
Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, possibilitando o início de uma importante parceria entre
todas essas instituições: DUO, Humbiumbi, Instituto Ayrton Senna, Petrobras e UNESCO.

No momento de planejar a realização das atividades, muitas foram as questões problematizadas


pela equipe de coordenação, entre elas: “como garantir a participação de arte/educadores de todo
o país?”; “como contribuir para a qualificação do trabalho dos arte/educadores junto aos seus edu-
candos?; ”como realizar um curso teórico e prático, se ele vai ocorrer totalmente a distância, com
o uso de uma plataforma virtual?”; “como possibilitar, de fato, a ampliação dos conhecimentos dos
arte/educadores sobre o ensino de arte?”. Essas e outras diversas questões nortearam o desenvol-
vimento do curso: na medida em que nos víamos diante de tantos desafios, buscamos, na relação
com os alunos e parceiros, superá-los.

Sistematizar a experiência do curso à distância nos parece, ao mesmo tempo, uma tarefa “con-
fortável” e desafiadora. O “conforto” está no fato de o curso já ter sido finalizado e que, por isso,
conhecemos suas questões, riquezas, fragilidades e alguns de seus resultados. O desafio, por sua
vez, está em sistematizar uma experiência tão complexa, vivenciada por tantas pessoas, com sua
diversidade de contextos, pontos de vista, conhecimentos, experiências...

Temos consciência das limitações inerentes ao trabalho de sistematizar uma experiência com tan-
tas questões como esse curso a distância. Muitas seriam as possibilidades de focos da sistema-
tização. Por isso, reconhecemos que a experiência do curso poderia ser fonte de muitas outras
sistematizações!

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O presente documento foi estruturado em quatro partes, a saber:

Parte 1: Formação de arte/educadores: uma demanda real?


Nessa parte da sistematização, é feita uma reflexão sobre a demanda dos arte/educadores por for-
mação, no Brasil, e uma descrição e análise do processo de seleção dos 160 arte|educadores que
participaram do curso a distância.

Parte 2: A plataforma EAD|DUO e as possibilidades de compartilhamento e produção


de conhecimentos sobre ensino de arte
Nessa parte da sistematização, é feita uma descrição das funcionalidades da plataforma virtual
EAD|DUO, utilizada no curso, e das outras maneiras de interação propostas pelos arte/educadores
participantes.

Parte 3: Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafio para a cultura e a educação - A


proposta e a realização do curso
Nessa parte da sistematização, é feita uma descrição da proposta e da realização do curso, conside-
rando as referências conceituais, as disciplinas, os professores, os métodos de trabalho, a partici-
pação dos alunos e a proposta de avaliação.

Parte 4: Resultados observados


Nessa parte da sistematização, é feita uma descrição e análise de resultados já observados pelos
participantes do curso.

Ao longo deste documento de sistematização, incluímos relatos de alunos1 e professores do curso


a distância. Assim, compartilhamos com eles o desafio de descrever e analisar as experiências vi-
venciadas nos quatro meses de realização do curso. Agradecemos às professoras Lúcia Pimentel e
Simone André e às alunas Beloní Cacique, Heloísa Davino, Katyúscia Sosnowsky e Marília Schmidt
por terem se disponibilizado em contribuir com seus pontos de vista sobre o curso. No primeiro re-
lato que apresentamos, logo após essa nossa conversa inicial, a profa. Lúcia Pimentel nos apresenta
questões importantes sobre a formação dos arte/educadores na atualidade e faz considerações
sobre a experiência deste curso a distância.

1 Neste documento, quando citamos os “professores”, estamos dizendo dos professores do curso. Quando citarmos os “alunos”, esta-
mos dizendo dos 160 arte/educadores que participaram do curso a distância.
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Esperamos que este documento de sistematização contribua para o trabalho de arte/educadores e
instituições que atuam com o ensino de arte e, quem sabe, inspire novas iniciativas de formação
de arte/educadores.

Um forte abraço,

Maria Lívia de Castro e Paulo Emílio de Castro Andrade


Humbiumbi – Arte, Cultura e Educação

Maria Helena Cunha e Marcela de Queiroz Bertelli


DUO Informação e Cultura

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Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafio para a cultura e a educação
no âmbito da formação do arte/educador.
Lucia Gouvêa Pimentel

O êxito da aprendizagem dos alunos deriva de diferentes e complexos fatores. Contudo


é importante destacar, dentre tais fatores, o adequado preparo dos professores. Pode-se
dizer que, de modo geral, sua formação manteve predominantemente um formato tradi-
cional que não contempla muitas das características consideradas, na atualidade, como
inerentes à atividade docente. Repensar as ações no ensino de Arte e continuar a estudar
as questões a ele inerentes são tarefas a serem incentivadas.

Estudos orientados e encomendados pela UNESCO destacam a necessidade de se desenhar


políticas para o enfrentamento dos desafios que a questão docente levanta como estraté-
gia para a melhoria da qualidade da educação. Ela abrange três dimensões, a saber:

* ações destinadas a melhorar o perfil dos aspirantes ao exercício da profissão docente;

* estratégias destinadas a elevar a qualidade da formação inicial dos mestres e profes-


sores e a garantir formação contínua e permanente em serviço;

* estabelecimento de pautas da carreira docente, que permitam a ascensão na catego-


ria, sem o abandono da sala de aula.
As tendências contemporâneas consideram a boa formação no nível de graduação como
sendo uma etapa inicial da formação continuada, e não sua finalização. Assim sendo, é
importante que sejam oferecidas possibilidades ao profissional de continuar sua forma-
ção ao longo de sua vida. Portanto, um curso, quer seja de extensão ou de pós-gradua-
ção, deve trazer, em primeiro lugar, a oportunidade de aprofundar os conhecimentos já
construídos na área; depois, deve oportunizar ao aluno ampliar seu campo de conheci-
mento, de forma a poder contribuir para a formação de outras pessoas.

Sabe-se que, atualmente, mais da metade dos professores que ministram a disciplina
Arte na educação básica não têm qualificação para tal, ou seja, fizeram outros cursos de
formação de professores que não Licenciatura em uma das áreas artísticas: Artes Visu-
ais, Dança, Música ou Teatro. E quase cem por cento dos orientadores educacionais não
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estudaram Arte durante o tempo de sua formação inicial, embora tenham como tarefa,
muitas vezes, organizar e orientar professores nessa área de conhecimento.

Mesmo se considerarmos os que possuem habilitação específica, nem sempre têm a opor-
tunidade de dialogar com outros colegas especialistas ou que atuam na área, pelas dis-
tâncias que são enormes ou pelas dificuldades de deslocamento.

Nesse contexto, é de fundamental importância a qualificação específica de profissionais


que já atuam como docentes na educação básica, mesmo que sem habilitação ou com
habilitação defasada, bem como a atualização dos que possuem qualificação específi-
ca e desejam discutir suas práticas, aprendizagens e compartilhar suas experiências. A
realização de estudos e pesquisas, juntamente com a implementação, por estados e mu-
nicípios, de políticas educacionais orientadas pelo debate social e acadêmico visando,
à melhoria da educação básica e à preparação de professores mais qualificados são os
desafios que têm motivado a mobilização da sociedade civil.

O Curso “Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafio para a cultura e a educação”


apresentou-se como oportunidade privilegiada para congregar profissionais dos mais
diferentes recantos do País em estudos e discussões sobre sua prática docente ou de
orientação. Por ter organização configurada como Curso Livre, houve possibilidade de
fazer, durante o percurso, os desvios necessários ao perfil da turma, bastante heterogê-
neo. Essa heterogeneidade foi, em alguns momentos, motivo de estranheza por parte de
alguns alunos, mas mostrou-se bastante rica em outros momentos nos quais o foco era
compartilhar experiências.

Notou-se que a adaptação à configuração do Curso foi mais fácil para alguns que para
outros, que resistiam às tarefas em que tinham que se expor mais pessoalmente, prefe-
rindo as que demandavam leituras e respostas mais de acordo com o que é tradicional-
mente feito nos cursos formais.

Percebeu-se, ainda, que, no início, a “conversa” era sempre dirigida ao professor, mas,
com o decorrer dos estudos e o incentivo dos professores, as discussões passaram a ser
feitas cada vez mais com os colegas. Embora alguns alunos se posicionassem quase que
somente na escuta, cumprindo as tarefas de entrada no fórum sem muito entusiasmo,
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supõe-se que eles leram as respostas de considerações dos colegas e dos professores, apren-
deram e tiveram momentos de reflexão sobre sua prática e sobre seus conhecimentos.

O Curso “Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafio para a cultura e a educação”,


oferecido na modalidade a distância, é, também, uma oportunidade para as atividades
de pesquisa, uma vez que ainda sabemos pouco acerca dos processos de educação en-
volvidos e das possibilidades de intervenção na formação contínua de professores nesses
contextos, e para o desenvolvimento do ensino e da pesquisa em ensino de arte utili-
zando as ferramentas tecnológicas à nossa disposição na atualidade. Dessa iniciativa
poderão resultar novas ferramentas tecnológicas apropriadas à formação contínua de
professores, a distância ou não, e o desenvolvimento de novas práticas pedagógicas rela-
cionadas a essa forma de mediação. Poderão ser construídos, ainda, novos conhecimen-
tos no campo da pesquisa em ensino de arte e da própria educação a distância.

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Parte 1: formação de
arte/educadores:
uma demanda real?
Parte 1: formação de arte/educadores: uma demanda real?

Esta parte da sistematização pretende tocar em duas questões principais: a primeira refere-se à re-
flexão sobre a existência de uma demanda dos arte/educadores por formação. A segunda questão
refere-se ao perfil dos arte/educadores que participaram do curso a distância.

Quem participa de seminários, congressos e outros eventos no campo da arte/educação já ouviu fa-
lar sobre a necessidade de investimentos na formação dos profissionais que atuam na área. Muitos
cursos e eventos desenvolvidos nos diversos cantos do país, de alguma forma, apontam para essa
questão. A existência de grupos de discussão na Internet, com a participação de centenas de arte/
educadores brasileiros, poderia ser entendida como uma pista do interesse em compartilhar idéias,
conhecimentos e pontos de vista sobre este campo do conhecimento. Mas seria possível afirmar que
os arte/educadores brasileiros estão, de fato, interessados em ampliar a sua formação?

Obviamente, nossa crença inicial era que muitos profissionais estariam interessados em participar
do curso a distância, caso contrário não o teríamos proposto! Mas não tínhamos parâmetros para
medir a dimensão dessa demanda. Sendo assim, decidimos divulgar o curso amplamente, entre os
profissionais e instituições que atuam com arte/educação. Produzimos um folder eletrônico2, que
foi encaminhado para uma ampla lista de endereços eletrônicos organizada pelas instituições par-
ceiras do curso. Um folder em papel foi produzido e enviado a instituições de ensino de todo o país.
Além disso, foi enviado à imprensa um release sobre o curso.

Para participar da seleção, os arte/educadores interessados deveriam preencher uma ficha de ins-
crição, disponibilizada no site da DUO. Além disso, deveriam enviar uma declaração de apoio da
instituição em que trabalham, já que tínhamos o interesse na participação dos arte/educadores no
curso fosse reconhecida e apoiada pelas suas respectivas instituições.

Aos poucos, as fichas de inscrição foram chegando. No último dia do período de inscrições, recebe-
mos uma quantidade enorme de fichas, que totalizou 1.400 arte/educadores inscritos. A “deman-
da anunciada” se transformara em uma demanda real. Estava claro, para nós, o grande interesse
dos profissionais em participar do curso.

Mas, afinal, onde vivem os 1.400 arte/educadores que se candidataram ao curso? A maior parte de-
les reside nas regiões sudeste, nordeste e sul, respectivamente, conforme mostra o gráfico abaixo:

2 Ver materiais de comunicação no Anexo .


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Inscrições por região

81

674
94

262

289

Entre os candidatos, houve participação significativa de arte/educadores que residem e atuam em


cidades do interior dos estados brasileiros. Assim, em estados como Minas Gerais, Paraná e Mato
Grosso do Sul, foram selecionados mais arte/educadores do interior do que das capitais. Acredita-
mos que esta adesão dos profissionais do interior do país foi facilitada pelo fato deste curso ter sido
ser realizado a distância.

Os números de inscrições e as informações fornecidas pelos arte/educadores e pelas instituições


em que atuam (escolas, museus, ONGs, universidades, centros culturais, etc) nos colocaram algu-
mas questões, para além do grande interesse de arte/educadores brasileiros em acessar espaços de
formação, compartilhamento de experiências e acesso e produção de conhecimento. Observamos
a diversidade de experiências, formação, interesses e expectativas dos candidatos em relação ao
curso, o que se apresentava como um potencial de troca e produção coletiva de conhecimento.
Outra questão refere-se à predominância de inscrições de arte/educadores que atuam em escolas,
especialmente as públicas. Por meio das informações das fichas de inscrição, observamos uma forte
demanda de ampliação da formação expressa por profissionais dessas instituições.

Para participar do curso, os arte/educadores interessados deveriam ser vinculados a instituições


que têm o ensino de arte entre suas práticas (tais como escolas, ONGs e universidades) e ter dis-
ponibilidade mínima de 1 hora diária para dedicar-se às atividades, no período de 1º de agosto a
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29 de novembro de 2008, devendo assinar um termo de compromisso em participar das atividades
propostas. Além disso, as instituições em que os arte/educadores eram vinculados deveriam estar
cientes e formalizar o interesse de sua participação. Uma mesma instituição poderia ter até 3 arte/
educadores participantes do curso, desde que fossem selecionados.

A equipe do curso responsável pela seleção dos arte/educadores buscou compor a “turma” com
alunos mais e menos experientes (em termos de tempo de atuação em ensino de arte e de diferentes
experiências como arte/educadores). Esta equipe buscou garantir a participação de arte/educado-
res que atuam em diferentes tipos de instituição de ensino de arte, ou seja, escolas públicas e parti-
culares, ONGs, órgãos públicos, universidades, museus e centros culturais. Além disso, foi feito um
trabalho para equilibrar as vagas entre os estados do país. A decisão da equipe era a de garantir o
número mínimo de cinco vagas, desde que tivessem arte|educadores que atendessem aos critérios
de seleção. A maior parte dos estados brasileiros teve o número mínimo de cinco arte/educadores
selecionados, exceto Roraima, Tocantins, Amazonas e Acre.

Quem são os arte/educadores que participaram do curso a distância?

Após o processo seletivo, produzimos um “perfil” dos selecionados, como se fosse um “retrato” de
algumas características do grupo dos 160 profissionais que seriam os nossos alunos. Esse retrato do
grupo foi importante para que pudéssemos adequar os métodos que seriam utilizados no curso e a
identificar demandas iniciais dos alunos.

Abaixo, apresentamos algumas informações sobre os alunos que participaram do curso. No primeiro
gráfico, apresentamos a maneira pela qual os arte|educadores ficaram sabendo do curso a distância. A
maior parte deles recebeu a informação por colegas de trabalho e pelas instituições em que trabalham:

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No próximo gráfico, observamos a função que os arte/educadores exercem nas suas instituições,
sendo que a maioria dos participantes do curso atua como arte/educadores, desenvolvendo ati-
vidades junto aos educandos. Importante notar que 14% dos alunos do curso atuam em outras
funções em suas instituições.

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Essa diferença de função dos arte/educadores nas suas respectivas instituições refletiu na maneira
com que os alunos se apropriaram das atividades propostas. Muitos deles tinham como foco as
ações cotidianas que realizavam junto aos educandos. Outros, traziam interessantes contribuições
tendo em vista o papel que exerciam na concepção e gestão de ações no nível institucional.

Outro aspecto importante do perfil dos alunos do curso refere-se à formação dos arte/educadores
selecionados. A maior parte deles (61%) tinha graduação universitária. Um número significativo
dos alunos (38%) tinha, também, pós-graduação, seja em cursos de especialização latu-sensu ou
mestrado. Dos 160 selecionados, dois possuíam apenas o ensino médio, apesar de atuarem como
arte/educadores.

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A respeito da formação específica em arte, 79% dos selecionados são graduados e/ou pós-gradua-
dos em cursos relacionados a esse campo do conhecimento, conforme o gráfico abaixo:

O gráfico aponta que 21% dos selecionados, que atuam como arte/educadores em escolas públicas e
particulares, ONGs, universidades, museus, centros culturais e órgãos públicos, não possuem qual-
quer tipo de formação acadêmica em arte/educação. Se por um lado esse dado pode parecer preocu-
pante, ele aponta que esses profissionais não estão acomodados, à medida que buscam outros espaços
de acesso, troca e produção de conhecimentos, como este curso. Consideramos necessário explicitar
que, no Brasil, ainda há um significativo número de arte/educadores sem formação acadêmica.

Tendo em vista o perfil dos arte/educadores que participaram do curso a distância, segundo o grá-
fico a seguir, a maior parte deles é vinculada a escolas (públicas municipais e estaduais e particula-
res). Os dados mostram que uma porcentagem significativa dos alunos do curso é vinculada a ONGs
e universidades. Há, também, arte/educadores que atuam em instituições públicas, tais como se-
cretarias de educação e de cultura e em museus e centros culturais.

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Desse gráfico concluímos um forte movimento de arte/educadores de escolas em aprofundar seus
conhecimentos e estabelecer relações de troca com outros profissionais. Isso se faz importante,
entre vários motivos, por ser a escola a única instituição de ensino que atende quase a totalidade
de crianças, adolescentes e jovens brasileiros.

Outro dado importante de ser explicitado refere-se às principais expectativas dos alunos do curso.
A principal delas está relacionada ao aprimoramento profissional, o que significa preparar-se conti-
nuamente para realizar melhor as funções como arte/educador. Foi constatado, também, o interes-
se dos alunos do curso em conhecer novas metodologias de ensino de arte e em trocar experiências
e acessar novas informações.

Diante desse retrato do grupo de 160 arte/educadores selecionados para participar do curso, bus-
camos construir uma síntese das características e interesses da maioria deles: arte/educadores,
com formação universitária em artes, que atuam em escolas públicas e que se interessam em se
aprimorar profissionalmente e conhecer novas metodologias de ensino de arte. Essa síntese foi im-
portante para que pudéssemos focar, inicialmente, as discussões nas disciplinas. No entanto, à me-
dida que o curso foi se desenrolando, uma diversidade de demandas e de enfoques foram surgindo,
a partir da relação entre os alunos e os professores e das diferentes características, experiências,
expectativas e interesses do grupo.

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Finalizamos esta parte da sistematização compartilhando a nossa percepção sobre os alunos. A
maior parte dos arte/educadores demonstraram interesse em refletir e, de maneiras diversas, dia-
logar sobre as questões trabalhadas no curso. Além disso, muitos foram os que, gradativamente,
acessaram novos conhecimentos nos livros doados pelo curso na caixa-biblioteca3, que, segundo
eles, foi importante para sua atuação profissional junto aos educandos.

Na Parte 2 desta sistematização, a seguir, apresentamos a plataforma EAD|DUO e as possibilidades


de compartilhamento e produção de conhecimentos propostos pelo curso a distância.

3 A caixa-biblioteca é um kit de livros e um DVD, doada pelo curso às instituições às quais os alunos são vinculados. Faremos uma
descrição desta estratégia do curso na parte 3 desta sistematização.
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Parte 2: a plataforma
EAD|DUO e as
possibilidades de
compartilhamento e
produção de conhecimentos
sobre ensino de arte
Parte 2: a plataforma EAD|DUO e as possibilidades de compartilhamento e produção de
conhecimentos sobre ensino de arte4

A modalidade de ensino Educação A Distância – EAD – evoluiu enormemente nos últimos anos como
método qualificado de ensino a partir da expansão da Internet. A web, por meio da plataforma de
textos e hipertextos, e o correio eletrônico (e-mail), como ferramenta de comunicação, favoreceu
articulações entre conteúdo e acesso que convergiram para a criação de uma comunidade de pro-
fessores e alunos, atendidos em qualquer lugar do Brasil e do mundo.

Assim, a educação a distância permite o alcance à informação e ao conhecimento, garantindo o


acesso ao processo de formação permanente para aqueles que têm interesse e necessitam de aper-
feiçoamento em sua área específica de trabalho, mas não disponibilizam de tempo presencial ou
não dispõem de oportunidades no local onde vivem.

Diante da extensão territorial brasileira, a aprendizagem virtual tem sido uma oportunidade para
ampliar o acesso à educação formal e informal de vários profissionais, neste caso específico, de
arte/educadores. A plataforma de EAD torna-se um espaço produtivo de aprendizagem, local em
que alunos e professores de vários Estados brasileiros estabelecem um permanente debate sobre
temas relativos ao seu cotidiano profissional.

A metodologia de ensino a distância, entendida como processo de formação contínuo e de coope-


ração em redes, vem ao encontro da necessidade de lidar com a questão do mundo contemporâneo,
ou seja, a compreensão e o respeito à diversidade cultural. Os grandes desafios da modalidade de
curso a distância são, ao mesmo tempo, os seus diferenciais, ou seja, a capacidade de atuação/for-
mação, a amplitude de sua área de abrangência, e na diversidade de composição de perfis de alunos
e professores de várias partes do Brasil e exterior. Assim, recorremos às reflexões de Saraiva (1996,
p. 27), ao afirmar que

As tecnologias da informação aplicadas à EAD proporcionam maior flexibi-


lidade e acessibilidade à oferta educativa, fazendo-as avançar na direção
de redes de distribuição de conhecimentos e de métodos de aprendizagem

4 Este texto teve a colaboração de Maria Helena Cunha e Marcela de Queiroz Bertelli.
22
inovadoras, revolucionando conceitos tradicionais e contribuindo para a
criação dos sistemas educacionais do futuro.5

Atualmente, podemos considerar que existem alguns diferenciais na modalidade de educação a


distância, com base em escolhas tecnológicas, em métodos e conteúdos, que possibilitam dinâmi-
cas de estudo e compartilhamento de conhecimentos diferenciados.

Com base em nossa experiência, optamos pelo modelo pedagógico que os especialistas chamam de
Modelo 50/50 (“wrap around”), em que metade das atividades envolve auto-instrução (leitura de
textos e artigos de especialistas) e outra metade envolve aprendizagem colaborativa e a criação de
uma comunidade virtual (debates entre professores e alunos por meio de um fórum de discussão).

Assim, como forma de fortalecer tal diálogo e trazer as experiências individuais para os espaços de
debate, os professores trabalham com conteúdos de suas áreas de domínio, propondo o exercício
da exposição e análise coletivas das atividades cotidianas, buscando tornar visível, entre os alunos
e professores, as experiências de trabalhos que vivenciam.

Trata-se, portanto, da busca de formação por meio da aprendizagem colaborativa, ou seja, alunos,
professores e monitores interagem entre si, construindo, em parceria, um conhecimento comum a
todos. Destacamos um ponto fundamental: a necessidade, mesmo em cursos a distância, da par-
ticipação efetiva do professor como responsável pelo processo de reflexão e direcionamento das
diversas discussões. Os recursos tecnológicos aplicados à informação e à comunicação vêem para
facilitar e mediar o processo de aprendizagem, incentivando a participação ativa e a interação per-
manente como forma de ampliação do conhecimento.

O curso Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafio para a cultura e a educação foi assentado na
plataforma EAD|DUO, de formato fechado, na qual apenas os alunos matriculados, os professores,
a coordenação e a monitoria puderam participar das aulas e dos debates. O curso foi acompanhado
por seis “observadores”, sendo que alguns deles são representantes das instituições parceiras do
curso (Petrobrás, Instituto Ayrton Senna e UNESCO) e outros são especialistas em ensino de arte.

5 SARAIVA. Terezinha. Educação a distância no Brasil: lições da história.


IN: Em Aberto, Brasília, ano 16, n.70, abr/jun, 1996.

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O ambiente virtual, ou um “Sistema de Gerenciamento de Aprendizagem” (na linguagem dos ex-
perts), utilizado pelo curso foi construído pela DUO Informação e Cultura para possibilitar uma
relação mais amigável entre os alunos e professores envolvidos. Ela é um território que possibilita
a participação de todos e promove a proximidade afetiva, relacional e comunicacional, necessária à
aprendizagem efetiva. Trata-se de uma plataforma, ao mesmo tempo, robusta e simples de usar.

Quais são as características e funcionalidades da plataforma?

Tendo em vista os objetivos desta sistematização, consideramos importante compartilhar as carac-


terísticas e funcionalidades da plataforma EAD|DUO em relação às possibilidades de comunicação
entre os participantes do curso e de acesso, compartilhamento e produção de conhecimentos vin-
culados às disciplinas realizadas. A seguir, descrevemos os itens da plataforma que nos parecem
mais relevantes para serem comentados:

Identificação pessoal: na plataforma, cada aluno incluiu uma foto e os dados pessoais (nome,
instituição, cidade onde reside, etc). Os alunos puderam visualizar um índice gráfico que mede a
participação de cada um no curso, além de orientar e permitir o acompanhamento da sua partici-
pação nas atividades das disciplinas. Esse “termômetro” foi importante para que os alunos se orga-
nizassem para atingir a meta de 100% de participação nas atividades propostas pelos professores
de cada disciplina.

Os alunos da turma tinham acesso ao perfil dos colegas e dos professores, o que contribuiu para
que eles pudessem estabelecer uma relação direta. Era possível que os participantes deixassem
mensagens uns para os outros.

Notícias da coordenação: a plataforma disponibilizava o link “notícias”, que eram postadas pela
coordenação do curso. Essas notícias referiam-se, em geral, às informações sobre o início e o en-
cerramento de uma disciplina, à marcação de horários para chats e à realização de avaliações, entre
outras atividades.

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Scrapbook: outro canal importante de comunicação entre os participantes do curso, disponibi-
lizado pela plataforma, é o scrapbook, em que alunos e professores deixavam “bilhetes” para um
colega ou para toda a turma ao mesmo tempo. Essa área foi inspirada no scrapbook de comunidades
de relacionamento exatamente para proporcionar maior interação entre os seus membros.

Message Center: os alunos podiam, também, utilizar o message center para troca de correspon-
dência com a DUO e com os professores. Os professores, por sua vez, podiam enviar mensagens para
o e-mail de um aluno ou de toda a turma, por meio do message center.

Chat: ambiente disponibilizado para o debate simultâneo (em tempo real) entre os alunos, profes-
sores e monitores do curso, tendo em vista os desdo­bramentos dos temas propostos.

Aulas: Nessa parte da plataforma, os alunos encontravam os textos e as propostas de reflexão,


diálogo e atividades produzidas pelos professores em cada disciplina.

Midiateca: é uma área onde ficavam disponíveis arquivos de texto, audio e vídeo, além de links
para outros sites na Internet, como numa biblioteca multimídia. Tanto professores como alunos
incluíam materiais na midiateca. Os alunos do curso a distância tinham a possibilidade de acessar,
na midiateca, textos e outros materiais inseridos por professores de outros cursos, coordenadores
e parceiros, realizados pela DUO.

Fórum: é nele que o curso acontece de fato, pois é uma área destinada à discussão de temas e ques­
tionamentos, apresentados pelo professor e relacionados ao conteúdo da disciplina. Uma mesma
disciplina tinha mais de um fórum. Cada professor estabeleceu as questões que seriam refletidas
e discutidas junto aos arte/educadores, sendo que cada uma dessas questões era tratada em um
fórum diferente.

Cafezinho: esse era o espaço informal de comunicação entre alunos e professores. Nele, os partici-
pantes do curso postavam mensagens afetivas, marcavam “encontros virtuais“, davam notícias pesso-
ais (casamento, nascimento de filho, doenças, etc) e compartilhavam seus trabalhos artísticos.

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Como foi o acesso dos arte/educadores à plataforma?

Uma das questões da avaliação feita pelos alunos do curso referia-se à intensidade do acesso à pla-
taforma EAD|DUO. Queríamos saber, entre outras coisas, quantas vezes por semana e em que local
eles acessavam a plataforma. A maior parte dos alunos acessava a plataforma de suas casas ou do
trabalho, sendo que, em muitos casos, tinham à disposição Internet discada, que é caracterizada
pela “lentidão” no acesso à Internet. Isso dificultava, por exemplo, a visualização de vídeos e ou-
tros materiais sugeridos pelos professores e colegas.

Na proposta do curso, a coordenação sugeria que os arte/educadores participantes dedicassem


sete horas semanais, para que pudessem ler textos e livros, estudar, ler os materiais postados pelos
colegas e postar seus próprios materiais nos fóruns e outros espaços da plataforma. Na avaliação,
os alunos informaram sobre o tempo que se dedicavam às atividades propostas: 52% afirmou que
dedicava entre três e cinco horas semanais, sendo que 27% estiveram na plataforma por seis a
oito horas por semana e 18% por apenas uma a duas horas. Entre os alunos, 3% dedicou mais de
nove horas semanais, tempo superior ao mínimo sugerido pela coordenação do curso. Acreditamos
que, em um curso a distância, a disciplina e o hábito em acessar permanentemente a plataforma
e acompanhar a participação dos colegas influencia na maneira com que os participantes intera-
gem e potencializam o compartilhamento e produção de conhecimentos. Neste curso essa crença
se confirmou. Verificamos que os alunos que frequentavam a plataforma com mais assiduidade
acompanhavam as discussões mais de perto e se posicionavam diante das questões discutidas. Po-
rém, verificamos que alguns alunos frequentavam a plataforma poucas vezes por semana, mas, nos
momentos em que a acessavam, se preocupavam em dar suas contribuições e trazer dúvidas e pro-
blematizações significativas para o grupo. Verificamos que alguns alunos criavam estratégias para
acessar a plataforma nos momentos essenciais. Isso mostrava que estavam atentos à programação
do curso e às atividades realizadas, apesar da impossibilidade de acessarem a plataforma frequen-
temente, por diversos motivos.

Um fato importante a ser explicitado foi a queda de participações nos momentos em que os arte/
educadores estavam excessivamente atarefados nas escolas e ONGs em que trabalhavam. O mês de
novembro, quando o curso a distância estava na sua reta final, foi marcado pelo sensível decrésci-
mo de acessos à plataforma, que era comumente justificado pelos alunos no cafezinho. Quase a to-
talidade das justificativas tinha relação com a sobrecarga de trabalho nesse período do ano. Apesar

26
disso, avaliamos que a participação dos arte/educadores nas atividades do curso esteve em nível
bastante satisfatório. A participação mínima prevista pela coordenação do curso, inicialmente, era
de 75%. A participação dos alunos, em todas as disciplinas, superou este nível, sendo que em algu-
mas delas a participação chegou a quase 100%.

Nos gráficos abaixo, é possível observar o quantitativo de participação em cada disciplina do curso:

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29
30
A plataforma contribuiu para o compartilhamento e produção de conhecimentos por
alunos e professores do curso?

A análise que fizemos sobre a participação dos arte/educadores no curso, bem como sobre manei-
ras em que se estabeleceram os diálogos nas disciplinas, nos levou a acreditar que a plataforma foi
capaz de possibilitar o acesso, o compartilhamento e a produção de conhecimentos pelos alunos e
professores. Compreendemos que a metodologia do curso, que será descrita e analisada na parte 3
desta sistematização, contribuiu para que a plataforma cumprisse sua missão, qual seja, a de pos-
sibilitar esses espaços de troca e produção de conhecimentos entre os participantes.

No nosso ponto de vista, o espaço privilegiado para que os alunos e professores compartilhassem
idéias, experiências, conhecimentos e pontos de vista sobre o ensino de arte foi o fórum. Em cada
disciplina, três ou quatro questões eram lançadas pelos professores, norteando o diálogo entre os
160 arte/educadores. Muitas vezes, percebíamos dificuldade dos alunos em articular suas idéias
com as dos colegas, que já tinham se posicionando anteriormente no fórum. Nesses casos, os alu-
nos se restringiam a “responder” às questões lançadas pelos professores. Assim, uma das funções
dos professores era, justamente, a de articular os diversos posicionamentos dos participantes, ex-
plicitando concordâncias e discordâncias, apresentando novos olhares sobre as falas, sugerindo
novos caminhos na discussão. A possibilidade de rever os textos dos colegas a qualquer momento
era importante para que os fóruns possibilitassem o percurso coletivo de aprendizagem sobre os
temas tratados. Ao longo do curso, observamos a intensificação do interesse e do hábito dos alunos
em, de fato, estabelecer um diálogo com os demais, em vez de apenas postar uma idéia no fórum.
O número elevado de alunos dificultava, segundo eles mesmos, o acompanhamento das discussões
nos fóruns. No entanto, também de acordo com alguns alunos, o espaço do fórum possibilitava
esse “navegar” pelos conhecimentos e experiências de profissionais de todo o país, com uma vasta
diversidade de práticas e experiências em ensino de arte.

Outro espaço da plataforma que foi, gradativamente, sendo apropriado por alunos e professores é a
midiateca. No início, as postagens do material eram geralmente feitas pelos professores. À medida
que o curso foi acontecendo, diversos alunos solicitavam a inclusão de textos, planejamentos edu-
cativos e outros documentos de sua autoria, com a intenção de compartilhar com os demais.

31
O cafezinho, por sua vez, era um despretensioso convite ao diálogo, informal, que possibilitava mo-
mentos ricos e sensíveis de compartilhamento dos arte/educadores participantes do curso. Muitos
foram os que postaram textos, poesias, letras de música, novidades sobre seus trabalhos, entre
tantos outros materiais, que contribuíam fortemente para consolidar a noção coletiva do processo
educativo que estava acontecendo com a utilização da plataforma. Da mesma maneira, o scrap-
book, que em alguns momentos virava um “cafezinho 2”, estabeleceu-se como espaço importante
de diálogo entre os participantes.

A principal frustração do curso a distância, tendo em vista as possibilidades da plataforma, foi o


chat. A proposta era que fossem realizadas, em cada disciplina, duas conversas síncronas, por meio
do chat da plataforma. Essas conversas pelo chat tinham a função de estabelecer um diálogo “ao
vivo” entre alunos e professores e, principalmente, de apontar novas questões a partir das discus-
sões nos fóruns. Seriam os momentos, também, de esclarecer possíveis dúvidas dos participantes.
Os chats, portanto, teriam uma pauta “flutuante”, pois estariam abertos às questões que os alunos
e professores trariam.

Criou-se uma grande expectativa sobre os chats, por que seriam o momento em que todos teriam a
possibilidade de dialogar, ao mesmo tempo, sobre suas questões, tendo em vista os temas propos-
tos no curso. No entanto, uma falha da plataforma impossibilitou a participação de todos os alunos
e professores nas conversas do chat. A maior parte dos alunos e professores não conseguiam acessar
a plataforma nos horários marcados.

A frustração pela falha no chat da plataforma foi motivo de tristeza geral... o espaço do cafezinho
ficou repleto de manifestações dos alunos, que queriam muito estabelecer o tão esperado diálogo
ao vivo. Apesar de todos os esforços feitos, a empresa que prestava manutenção à plataforma não
conseguiu sanar os problemas, o que inviabilizou a realização dos chats.

Essa “perda” acabou se tornando um grande ganho para o curso. Espontaneamente, um grupo de
alunos decidiu criar o “chat genérico”, uma conversa com data e horário marcados, com o uso do
“MSN”6. Aos poucos, os alunos e professores tomaram conhecimento da idéia e foram se “adicionan-
do”. A arte/educadora Beloni Cacique Braga, aluna do curso, assumiu a função de mediadora do
“chat genérico”, que foi realizado semanalmente, com participação crescente de arte/educadores.
A seguir, apresentamos o relato em que Beloni conta sobre essa experiência.

6 O “MSN” é um programa de mensagens instantâneas da Microsoft, sem custo para os usuários. Nele é possível estabelecer diálogo
entre várias pessoas ao mesmo tempo.
32
Educação a Distância: uma rede de trocas e produção de conhecimentos so-
bre ensino de arte com o uso de tecnologia digitais”,

Beloní Cacique Braga


Cadê todo mundo?
Estou me sentindo abandonada.!!
Oi! Não vejo nada no chat.
Toc,toc... tem alguém aí?
Não estou visualizando as conversas.
Não estou conseguindo ver nada no chat isso é normal?
Tô escrevendo mas não aparece nada aqui.
Termina a partida!!! 2 para o Chat!!! Zero para Alunos e Professores!!!
Será que poderiam me dizer por que não consigo visualizar o chat???7

Afinal, quem fala para quem? De que falam? Ou melhor, de que não falam? Estas e mui-
tas outras questões podem permear a imaginação de um leitor desavisado. As frases que
compõem a abertura desse relato são verídicas e foram extraídas do texto do bate-papo
originado no primeiro “chat” do curso “Ensino de Arte na contemporaneidade”.

Considerando a premissa que boas investigações surgem de situações-problemas signifi-


cativas, ouso dizer que a experiência vivida pelos alunos do curso no primeiro “chat” foi
espetacular. Problemas técnicos, normais, e que acontecem nas melhores famílias, digo,
plataformas, impediram que a interação síncrona entre a equipe do curso e os alunos
ocorresse efetivamente. Essa desconexão aparente resultou na busca por recursos e estra-
tégias eficientes. Assim, como aluna do curso que passava pela “incomunicação” fiz o con-
vite aos colegas para um bate papo em outro espaço virtual: o MSN

Que pena!!! Não conseguimos acompanhar a conversa de novo! Snifff


Gente estamos aguardando o andar da carruagem conversando no msn.

E no andar da carruagem virtual, desenvolvemos durante o curso encontros semanais
previamente agendados para conversarmos, trocarmos ideias, nos conhecermos e dis-
cutirmos assuntos relacionados ao curso e à nossa vida. A experiência veio de encon-

7 Falas individuais no espaço virtual no primeiro chat ocorrido na plataforma . As falas foram agrupadas neste relato sem descarac-
terizar o contexto e os nomes não foram mencionados no corpo do texto.
33
tro a uma preocupação pedagógica particular: a solidão virtual e a evasão em cursos a
distancia. Solidão narrada nos versos do colega de curso, Claúdio Vasconcelos, em uma
postagem na plataforma:

Todo mundo entra na sala


E ninguém vê ninguém
Todo mundo fala algo
Parece que tô surdo também
  
Não se consegue ver o que se diz
Nem ler o que se responde
No chat misterioso
A palavra  se esconde

Diante da palavra escondida me dei conta de que, mesmo ocupando o papel de aluna do
curso, não me desconectei da minha constituição docente e da consciência de que minhas
ações são inevitavelmente educativas, explicativas e desejosas de partilhar o aprendido.

Assim de imediato já estava envolvida com os colegas do curso e com encontros marca-
dos aos sábados para um encontro virtual. Divulguei meu e-mail no espaço conhecido
da turma, o “cafezinho”, e aos poucos os colegas foram se agregando, formando um
grupo de 40 inscritos no MSN, mas com a participação oscilante devido à dificuldade de
encontrar um tempo comum para que todos interagissem. Frequentes eram em torno de
10 dos 160 participantes do curso.

O “chat” tornou-se uma atividade do curso, pois na medida em que aconteciam as posta-
gens das aulas eu propunha que o tema fosse estudado por nós e que, como grupo, nos
organizássemos durante a semana para nosso encontro. Fui nomeada pelos colegas como
anfitriã e coordenadora das conversas. Interesse e bom humor não faltaram à turma e logo
o “chat” passou a ser denominado “genérico” pelo colega-poeta Claúdio que escreveu em
versos “Chat misterioso” relatando a trajetória e o nascimento do espaço virtual

34
Solucionando o problema
Pensando na integração
Já surgiu o Chat genérico
Por outro canal de comunicação
 
Enquanto a plataforma não fica pronta
O Chat genérico é a alternativa
O povo vai se comunicando como pode
Com sua maneira criativa

De genérico passou a oficial com a participação dos professores nos diversos momentos
do curso e validado como legítimo, pela coordenação atenta ao movimento do grupo,
como registrou em depoimento o prof. Paulo Emílio:

Quanta poesia, bom humor e afeto neste cafezinho, mesmo diante das dificul-
dades tecnológicas! Isso só é possível porque, aqui, temos artistas! Pessoas
sensíveis e capazes de compreender que, mesmo tendo sido feitos testes e mais
testes na plataforma, essas coisas acontecem! Também estamos ansiosos por
este contato em tempo real e esperamos que o problema do “chat” se resolva
logo. A boa notícia é que não estão sendo poupados esforços para que isso
aconteça. É incrível ver vocês encontrando outras formas de comunicação. Que
bom que Beloni, Heloisa, Cláudio, Rose Mary, Juliana e Adriana fizeram uma
reunião virtual pelo MSN... deve ter sido um encontro “saboroso”, como diria
a profa. Simone!

O sucesso do “chat” se deu por muitos fatores, mas é importante pontuar a coerência e
integração de um grupo menor que se manteve comprometido com o propósito de pro-
mover a discussão, a troca, o diálogo. Essa interação é respaldada pela pesquisadora
Maria Luiza Belloni (1999,p.48) ao afirmar que

O diálogo deve ser estimulado não apenas entre professores e estudantes, mas
entre os próprios estudantes (através de grupos, grupos tutoriais, redes de
auto-ajuda, etc) e entre eles e os contextos sociais onde vivem e trabalham.8

8 BELLONI, MARIA Luiza. Educação a distância. Campinas: Editora Autores Associados.1999


35
O “chat” foi entendido pelos colegas como espaço de interação aberto e reconhecido
como ação educativa caracterizada pela autonomia dos aprendentes, indispensável à
educação, principalmente na modalidade a distância, como afirma Kenski (2003,95)9

Autonomia, criticidade e domínio das novas linguagens tecnológicas são com-


petências necessárias e urgentes que devam ser exigidas dos educadores nessa
árdua tarefa de aproximação e distanciamento crítico das novas tecnologias
para a utilização consciente no ensino de todos os níveis.

Nesse relato, destacamos a importância do “chat genérico” como estratégia de intera-


ção no curso, no entanto é importante ressaltar que muitos contatos por “e-mails” e
pela plataforma eram feitos, nos quais colegas que não podiam participar no horário
mantinham conversas informais, não programadas, que também geravam mais inte-
ração. Isso sinaliza que são necessários muitos contatos entre os colegas para que haja
interação efetivamente.

A experiência como “mediadora” no “chat” e principalmente como aluna do curso me


possibilitou a construção de novos conhecimentos, de novos olhares para o ensino de
arte e apontou novos desafios para a minha constituição como professora-pessoa. Com-
partilho com Hernandez (2000,31)10 a importância da inovação.

Os indivíduos, ao modificarem suas condutas racional e emocionalmente,


através do conhecimento de que existe uma melhor forma de atuar, desenvol-
vem ao mesmo tempo suas próprias capacidades intelectuais e suas habilida-
des profissionais.

E nesse movimento de inovar, constituir-se, interagir reconheço a importância dos diálo-


gos e desafios do curso “Ensino de arte na contemporaneidade” estruturados pela DUO,
Humbiumbi e instituições parceiras.

9 KESNKI, Vani M. Novas tecnologias na educação presencial e a distância. IN: BARBOSA, Raquel Lazzari Leite Barbosa.(Org).Forma-
ção de educadores : Desafios e perspectivas. São Paulo: Editora UNESP, 2003, p.91-108

10 HERNÁNDEZ, Fernando, et al. Aprendendo com as inovações nas escolas. Porto Alegre: Artmed, 2000.
36
Oportunizar a formação continuada de arte-educadores utilizando o espaço virtual foi
uma iniciativa que colaborou com a formação dos educadores que atuam em segmentos
diferenciados. Interação que repercutiu em ações colaborativas durante o curso e que
ainda são mantidas por alguns participantes. Ações estruturadas durante as discussões
no MSN, nas conversas por “e-mails” e nas trocas que se efetivaram por meio da constru-
ção de planejamentos de ensino, elaboração de planos de aula, discussão sobre a estru-
tura curricular utilizada nas diversas regiões dos participantes, na construção coletiva
do mapa cultural sistematizada pelos coordenadores e na troca entre nós de material
didático-pedagógico para apoio.

As ações que surgiram em decorrência da interação, fator importante no sucesso do cur-


so são geradoras de movimento e que nos conduzem a refletir sobre uma nova forma
de atuar, citada por Hernandez, mas que trazem em si uma resignificação da docência.
Conhecendo a prática dos colegas no curso fomos enriquecidos pelas diversas e criativas
formas de atuar no ensino de Arte. Os participantes do curso registraram alguns planos
de aulas que foram lidos e comentados na plataforma e nos chats, fato que geralmente
não ocorre de maneira corriqueira na escola ou no ensino presencial.

A riqueza dos registros na plataforma me conduziu além da mediação no MSN para o iní-
cio de uma pesquisa sobre a constituição de professores11 em espaços virtuais, tendo os
dados postados como indicativos ou indícios de saberes docentes. Encaminhei um sim-
ples questionário aos colegas convidando-os para uma pesquisa e obtive o compromisso
de 30 participantes, que durante 2009, manterei contato para desenvolvermos novas
propostas de reflexão e formação. Analisando as falas/registros do curso e aliando a
pesquisa que já vinha desenvolvendo elaborei o projeto de doutorado sobre a Cultura
Visual e a formação docente, apresentado e aceito pela Universidade de Barcelona mas
que, devido à falta de subsídio financeiro, será redirecionado para um novo programa de
doutorado no Brasil.

A preocupação sobre a constituição e a formação continuada dos educadores se deve,


pelo relato constante dos docentes, à maneira insuficiente ou inadequada pela qual fo-
ram formados, pela necessidade de formação continuada e pela crescente demanda de
11 Linha de pesquisa na qual realizei a dissertação “Meus dias, nossos dias. O desvelar das linhas: constituição e saberes de professoras
de Arte.2005.104.Dissertação.(Mestrado em Educação) Universidade Federal de Uberlândia
37
reflexão e transformação do processo educativo. Pois as concepções históricas e episte-
mológicas acerca da educação, do currículo, da cultura visual, da arte e outras questões
indispensáveis ao processo educativo, tornam-se incipientes e exigem iniciativas que as
contemplem. Diante disso, vale ressaltar que o poder dos indivíduos para gerar práticas
aceitas pelos outros nas sociedades complexas é escasso, mas não é inútil, como destaca
Sacristan12 (1999, p.70).

Nada, no qual ninguém é inútil, tudo contribui para dar conteúdo à sociedade.
A ação deixa sinais, vestígios e marcas naqueles que a realizam e no contexto
interpessoal e social no qual ocorre: gera efeitos, experiência e história, porque,
como afirma Arendt, tem a condição de ser indelével. E este é o princípio que
nos leva a compreender a prática como algo a ser construído historicamente, já
que traz consigo a marca de outras ações prévias. Em circunstâncias favoráveis,
ações concretas podem dar origem a transformações importantes.

Finalizo assim esse relato, consciente dos sinais, vestígios e marcas geradas no espaço
virtual e mediadas pelas ações humanas, arteiras, impregnadas de pessoalidades que
geraram efeitos, experiência e história. Novas histórias de vidas foram constituídas a
partir da interação dos envolvidos nesse território chamado “plataforma EAD|DUO” que
poderíamos considerar como ambiente gerador de circunstâncias favoráveis à reflexão
sobre o Ensino de Arte na Contemporaneidade.

Outra iniciativa dos alunos para ampliar as possibilidades de compartilhamento entre eles e os
professores foi a criação do blog “Arte-Educa” (http://arteeduca.arteblog.com.br). Liderado pela
arte/educadora Marília Schmitt, o blog foi sendo construído com materiais postados por diversos
alunos do curso a distância, colocando-se como um importante espaço de ampliação das questões
propostas nas disciplinas e, mais que isso, como uma possibilidade de dialogar com o “mundo ex-
terior” ao curso, uma vez que o blog é aberto à visitação de todos os usuários da Internet. A seguir,
apresentamos o relato de Marília sobre a experiência de criação do blog e no qual problematiza
diversas questões sobre sua participação no curso a distância.

12 SACRISTÁN, J. Gimeno. Poderes instáveis em Educação. Porto Alegre: Artmed., 1999.


38
Eu, uma aluna virtual tecendo pensamentos em rede

Marilia Schmitt Fernandes

Aqui, entrei em contato com uma realidade muito diferente da qual estou habituada e
digo isso referindo–me ao espaço físico da sala de aula. Como situar uma sala de aula
no espaço virtual? E agora, como lidar com esta desterritorialização dos limites? Como
agir onde o ato de ensinar e aprender não cabe mais num tempo e num espaço delimita-
do por horas/aula? Como interagir e comunicar-me com professores e colegas com faces
cristalizadas em uma fotografia? Onde a comunicação entre nós depende do domínio
que temos do uso da palavra para nos expressarmos? Como pensar em Arte quando qua-
se não há espaço para as imagens, sons e movimentos? Estas foram algumas das inda-
gações que permearam meus pensamentos enquanto aluna virtual, tentando produzir
conhecimento sobre o ensino da Arte com o uso de tecnologias digitais.

Embora soubesse que tais indagações apontavam para novas perspectivas e que eu,
como arte/educadora, teria que encará-las de frente, porque o mundo hoje exige que os
educadores mudem seus paradigmas, que ampliem suas formas de pensar e agir. Aqui,
compreendi que para ensinar é preciso crer num jeito novo de aprender, que é através da
“aprendizagem colaborativa”, pois segundo Pierre Levy “... há cada vez mais pessoas
que se organizam por intermédio da Internet visando à cooperação intelectual.”

E nessa busca, cada um de nós é desafiado ao exercício pleno da autonomia, da sua capa-
cidade de organização e especialmente de seu poder de comunicação, sem os quais é quase
impossível levar adiante qualquer ação produtora de conhecimento no espaço virtual.

Mas, para tanto, também é preciso ambientar-se no cyberspace, fazendo uso das ferra-
mentas tecnológicas disponíveis, embora elas não garantam a conquista do conheci-
mento e aqui entra a mudança do perfil do educador.

Assim, logo no inicio das aulas, tratei de agir e interagir, sim porque adaptação exige mo-
vimento. No meu caso foi mais fácil porque reencontrei a arte/educadora Beloni Cacique
com a qual já tinha uma proximidade de idéias, e, como numa aula presencial, é bom

39
termos alguém que já conheçamos. Mas, conversa vai e conversa vem e, aos poucos, forma-
mos um grupo que interagia muito entre si, com os colegas e professores, ora no fórum, ora
no bate-papo informal no cafezinho ou até mesmo através dos scraps. Beloni, muito orga-
nizada, logo tratou de coletar e-mails e organizar um encontro no MSN, que foi apelidado
por um colega: de “chat genérico”, pois até os professores apareciam por lá para comparti-
lharem conosco seus saberes. Enquanto que nossa colega Julmara criou uma comunidade
no Orkut e, assim, fui impelida a usar também essa ferramenta virtual. Aos poucos, passei
a comportar-me como uma investigadora, uma exploradora de meios e interfaces que cada
vez mais me aproximavam mais das fontes de informação e de novas possibilidades, mas
muitas vezes foi preciso sair do meu lugar para ir de encontro ao outro, num processo ora
individual ora coletivo.

E, segundo Pierre Levy, em “A emergência do cyberspace”:

“O interessante nas possibilidades que se abrem com a emergência de uma


nova inteligência a partir disto é que se trata de uma inteligência coletiva, ou
seja, estamos na direção de uma potencialização da sensibilidade, da percep-
ção, do pensamento, da imaginação e isso tudo graças a essas novas formas
de cooperação e coordenação em tempo real. Trata-se de equipamentos que
podem ajudar o aprendizado e a aquisição de saberes.”

Quando o autor fala sobre “...a potencialização da sensibilidade, da percepção, do pen-


samento, da imaginação e isso tudo graças a essas novas formas de cooperação e coor-
denação em tempo real.”, sinto-me diretamente tocada como arte/educadora e artista
plástica e fico me perguntando: então todos ficarão mais expressivos, produziremos mais
sentidos, seremos mais criativos e criadores? Imaginem todo esse valor agregado aos
meios tradicionais de produção de Arte, onde vamos parar?

Neste exercício de “cooperação intelectual” e na busca de novos saberes também na


Arte, ampliou-se o conceito da autoria da produção e da publicação da informação, pois
os processos de criação tornaram-se híbridos ( verbal, visual, sonoro ) recebendo influ-
ências de diversos autores que dominam diferentes meios de produção e de exposição.
Eis uma nova questão: o que fazer com toda essa informação? É preciso estar atento às

40
responsabilidades que temos sobre ela e todo o conhecimento que produzimos e divulga-
mos. Para tanto, nesta comunicação valem todas as regras propostas pela “Netiqueta”.

E como professora/investigadora penso que o modo como usamos essa informação seja
o que vai nos diferenciar dos demais usuários da Internet. Porque, explorando este uni-
verso, estamos instigando outras redes de pensamento e de produção de conhecimento.
Rompemos assim com conceitos tradicionais, enquanto muitos usuários ainda utilizam-
se das tecnologias como mais um meio de comunicação, desperdiçando um sem-fim de
oportunidades de ampliação de seus contextos de vida. Ampliar contextos, esta é mais
uma questão que me instigou muito, pois a cada postagem no fórum eu percebia a ri-
queza de conteúdo que estava sendo gerado e esta riqueza estava diretamente relacio-
nada à diversidade cultural de idéias e de fazeres dos colegas sempre em busca de um
ensino de Arte qualificado. Foi aí que comecei a sentir-me comprimida, é verdade. E me
dei conta que estávamos encapsulados flutuando no cyberspace, pois nossa plataforma
de aprendizagem é fechada por dentro, ou seja, só o aluno inscrito tem acesso através da
senha de entrada previamente cadastrada.

Talvez, para alguns alunos/professores isso seja um alívio ou até uma proteção, pois
poupa-lhes da exposição nos momentos mais vulneráveis do ato de aprender, quando as
certezas ainda balançam entre dúvidas e conflitos. Mas isso passou a me incomodar...
Pois eu queria ver mais, saber mais e assim pensei em abrir uma “janela para o mun-
do”. Foi quando criei a ideia do blog considerando que: “Há muitas formas de organi-
zação e o desafio é inventarmos todos juntos formas de organização que não sejam nem
anárquicas – onde não haveria nenhuma forma de cooperação – nem demasiadamente
rígidas, mas sim as que permitam otimizar a capacidade de invenção das pessoas, suas
competências, suas experiências, suas memórias.” Pierre Levy

O blog http://arteeduca.arteblog.com.br tem a seguinte descrição: “Arte/educação –


Somos educadores e colegas no curso de Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafio
para a Cultura e a Educação. Este espaço foi criado para publicarmos nossas atividades
como arte/ed ucadores, aprendizes de Arte com o objetivo de mostrarmos a diversidade
artística e cultural do país. Formamos uma turma de 160 alunos dispostos a aprender
sempre mais.”

41
Como já sou usuária de um blog, logo vislumbrei essa possibilidade de “otimizar a capa-
cidade de invenção das pessoas...” na publicação do trabalho dos colegas e na criação
da rede de informação e de comunicação que poderíamos gerar entre nós e nossos alu-
nos. Pois cada um poderia autogerenciar suas publicações como artistas e ou arte/edu-
cadores, tendo à sua disposição ferramentas virtuais para produção de artigos através
de textos, imagens, sons e vídeos... Assim, disponibilizei a todos a senha de acesso atra-
vés de scraps e também um passo-a-passo de como fazer o login e dicas de como utilizar
as ferramentas disponíveis. Alguns colegas muitos animados, logo quiseram participar
e fizeram suas postagens, outros elogiaram a ideia, mas participaram apenas como vi-
sitantes do blog deixando comentários, alguns criaram o seu próprio blog e alguns...
Alguns não vi e não sei...

Dessa rede de conhecimentos tecida com tantas palavras entre 160 alunos e os professo-
res, hoje tiro uma conclusão: “Não importa se a aula é presencial ou à distância, somos
todos alunos com traços de personalidade individuais, que nem sempre estão dispostos
a interagir com o coletivo ou porque não gostam ou até porque não sabem. Isso justifica
os alunos ausentes, os silêncios; a timidez que faz deixar sempre para depois, quando
ninguém estiver olhando; o déficit de atenção que dificulta a concentração para ler e
escrever tanto...Mas o que importa aqui é que tecemos uma rede de novos saberes, de
saberes fortalecidos pela cumplicidade na busca constante do aprimoramento do nosso
fazer como arte/educadores. Termino com um desafio, num trecho de Pierre Levy:

“Cada um deve se perguntar o que pode fazer para propagar novas formas de fazer. E a
resposta é: dar o exemplo.”

42
Qual o olhar dos alunos do curso sobre a plataforma?

Nas avaliações preenchidas pelos arte/educadores durante o curso, problematizamos a própria


plataforma. A maior parte deles demonstrou uma perspectiva positiva sobre as possibilidades da
plataforma utilizada pelo curso. O gráfico abaixo mostra que 90% dos alunos consideram que a
plataforma atendeu às suas expectativas:

Apesar disso, muitos alunos apontaram limitações da plataforma e do seu uso, além de sugestões
para que ela atendesse, ainda mais, às suas necessidades. Consideramos importante, pelo caráter
deste documento, explicitar alguns olhares dos alunos sobre a plataforma. Decidimos não informar
os nomes dos arte/educadores que se posicionaram diante dessas questões, para conferir sigilo aos
seus posicionamentos.

43
As primeiras falas referem-se ao acúmulo de leitura gerado pela quantidade de posicionamentos
dos alunos do curso que, em alguns casos, impossibilitou que os alunos acompanhassem todas as
postagens nos fóruns. Interessante notar que houve alunos que, mesmo após o término do tempo-
de uma disciplina, continuaram os debates nos fóruns, já que eles permaneciam na plataformadu-
rante todo o tempo de duração do curso13:

“Pretendo retornar aos debates e ler todo o conteúdo postado pelos alunos, pois consi-
dero uma das partes mais importantes do curso. Entretanto não tive nenhuma possibili-
dade de ler todas as interações, embora tenha lido algumas a cada módulo. Acredito que
devido ao número de intervenções, que por um lado é bom, mas por outro dificulta uma
análise mais aprofundada dessas contribuições.”               

“Acho que, às vezes, poderia ter lido mais as respostas dos colegas, mas às vezes elas são
muito numerosas e é necessário um tempo maior para a reflexão. Apesar disso as leituras
contribuiram para refletir sobre minha atuação.”

“Os diálogos são riquíssimos, embora muitas vezes pequem pela extensão, o que torna-
os cansativos para a leitura. E muitos deles me reportam ao meu trabalho, outros me
mostram uma educação brasileira ainda impactante, mas não menos valiosa.”

“Neste caso, facilitaria a objetividade do curso uma ferramente que pudessemos marcar as
lidas ou deletar. O acúmulo de postagens dificulta a organizaçao dentro do ambiente.”

“Considero o fórum um espaço muito rico, mas tive dificuldade em ler todas as mensa-
gens postadas por serem propostas que exigiram dos alunos textos muito longos tornan-
do-se cansativa a leitura. Li a maioria e procurei interligar idéias.”

“Eu estou copiando muitas postagens de colegas e professores para poder ler com mais
calma e atenção. São muitos alunos.”

13 Os depoimentos, comentários e sugestões dos arte/educadores participantes do curso a distância foram retirados dos instrumentos
de avaliação dos alunos. Optamos por não comentar os trechos na tentativa de não criar um sentido diferente ao dado por seus autores.
Decidimos não explicitar os nomes dos autores, tendo em vista o acordo feito com eles durante as avaliações do curso.
44
Houve comentários em relação à forma como a plataforma destacava a participação dos professo-
res. Todas as vezes que um professor postava um comentário ou questão, o nome dele era destaca-
do com um símbolo gráfico, o que, na visão de uma aluna, foi insuficiente:

“Parabenizo a devolutiva dos professores nesse espaço, no entanto sugeriria que a pos-
tagem do professores fosse destacada ou visualizada à parte, pois sendo inserida no
corpo do fórum, mesmo acompanhando duas vezes por dia, algumas vezes passava des-
percebida a mediação, sendo necessário vários acessos para acompanhar melhor as dis-
cussões em andamento.”

Diversos alunos apresentaram sugestões para que a plataforma utilizada pelo curso atendesse me-
lhor aos seus interesses14:

“Como se trata de uma rede social, alguns pequenos recursos simples otimizam a nave-
gabilidade, como a possibilidade de enviar arquivos para algum aluno dentro da própria
plataforma, ou mesmo de selecionar vários scraps e poder deletá-los. Os chats não fun-
cionaram. Pequenos detalhes que podem tornar o ritmo das aulas mais dinâmico.”

“Senti falta de um espaço para postagem de imagens, sons... nós trabalhamos com idéias
que seriam mais interessantes se pudessem ser expostas com a veracidade do momento
em que aconteceu. Mas,também esta necessidade me estimulou a abrir o blog, para que
púdessemos abrir um pouco mais de nossas ações ao grupo presente aos debates e, tam-
bém, aos educadores que ficaram de fora do curso.

“A impossibilidade de acontecerem os chats por problemas técnicos foi um pouco frus-


trante. Embora tenha sido encontrada uma alternativa criativa, com as conversas no
msn, esse procedimento demandou redirecionamentos para fora da plataforma, o que,
às vezes, por conta de ser necessário buscar outras formas de engajamento, causa um
desestímulo, principalmente para aqueles que não têm muito traquejo com os recursos
comunicacionais/tecnológicos.”

“Se os colegas fossem mais objetivos, mandando mensagem somente para quem dese-
jam falar, sobraria mais tempo para lermos as interações no fórum.”

14 Os depoimentos, comentários e sugestões dos arte/educadores participantes do curso a distância foram retirados dos instrumen-
tos de avaliação dos alunos. Optamos por não comentar os trechos na tentativa de não criar um sentido diferente ao dado por seus
autores. Decidimos não explicitar os nomes dos autores, tendo em vista o acordo feito com eles durante as avaliações do curso.
45
Parte 3: ensino de arte na
contemporaneidade:
Desafio para a cultura e a
educação - a proposta e a
realização do curso
Parte 3: ensino de arte na contemporaneidade: Desafio para a cultura e a educação -
a proposta e a realização do curso.

O ensino de arte está atravessando um período de ebulição! Percebe-se um interesse crescente no


ensino da arte por parte de uma multiplicidade de escolas, organizações não-governamentais e
outras instituições que realizam atividades nesta área. Vivemos um período de ampliação de pes-
quisas sobre o ensino de arte, com várias experimentações e descobertas. Esse quadro inclui uma
demanda imensa por conhecimento – tanto de novos profissionais, que estão ingressando na área,
como de educadores experientes, que estão revendo suas práticas.

O curso a distância “Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafio para a cultura e a educação”


foi concebido e realizado com o intuito de possibilitar que 160 profissionais que atuam nos campos
da arte, da cultura e da educação, de várias partes do Brasil, pudessem acessar e produzir conhe-
cimentos sobre o ensino de arte. Além disso, o curso pretendia possibilitar diálogos e trocas de
experiências entre profissionais que atuam em realidades diversas e o contato direto desses profis-
sionais com professores especializados em ensino de arte. Outro objetivo do curso foi o de provocar
os arte/educadores a interagir permanentemente com a arte, por meio de visitas a museus, centros
culturais, bibliotecas, entre outros, instigando-os a desenvolver uma visão crítica e integrada da
realidade, a partir da compreensão e avaliação de diversos códigos culturais.

O curso “Ensino da arte na contemporaneidade: desafio para a cultura e a educação” foi realizado
por meio de uma articulação entre três instituições que atuam no campo da educação e da cultura:

- A DUO Informação e Cultura atua, desde 1999, em consultoria, planejamento e gestão para institui-
ções e iniciativas culturais, investindo na formação e na qualificação do profissional do setor cultural,
além de disponibilizar informações aplicadas à área. Possui larga experiência em desenvolvimento
de cursos de formação presencial e a distância, que são solicitados de diversas localidades e regiões
diferentes e distantes do País. A DUO atuou como empreendedora do projeto e na gestão das ações de
educação a distância do curso.

- A ONG Humbiumbi – Arte, Cultura e Educação, que desde 1996 realiza projetos de atendimento
direto a crianças e jovens nos campos da arte, comunicação e saúde; desenvolve a formação de
educadores de escolas e ONGs; e concebe materiais educativos para crianças, jovens e educadores.
Os projetos da Humbiumbi são realizados por meio de parcerias com instituições que atuam na
47
educação, entre as quais, o Instituto Ayrton Senna, o Ministério da Cultura, a Fundação Municipal
de Cultura de Belo Horizonte e o Citi. Desde 1999, a Humbiumbi atua como Agência Técnica do
Programa Educação pela Arte, do Instituto Ayrton Senna, participando da formulação da solução
educacional para o Desenvolvimento Humano pela Arte. A Humbiumbi foi responsável pela coorde-
nação conceitual do curso, pela formulação dos seus conteúdos, pela identificação dos professores,
pela avaliação dos resultados e impactos e pela sistematização da experiência.

- O Instituto Ayrton Senna (IAS), que acumula experiências conceituais e práticas significativas
nos diversos Programas que realiza, junto a crianças, adolescentes e jovens brasileiros. O IAS é
uma Cátedra Unesco em Educação e Desenvolvimento Humano, chancela concedida pelo trabalho
inédito de criação, implementação e disseminação de soluções educacionais em desenvolvimento
humano. O IAS foi um parceiro importante por ter disponibilizado a solução educacional para o
Desenvolvimento Humano pela Arte para ser utilizada como referência do curso.

Outras instituições somaram-se à DUO, Humbiumbi e Instituto Ayrton Senna para viabilizar e qua-
lificar o curso à distância. A UNESCO tornou-se parceira do curso, contribuindo com sua vasta ex-
periência no campo da educação e da cultura. Para viabilizar o curso financeiramente, foi encami-
nhado e aprovado projeto para a Lei Rouanet, do Ministério da Cultura. Na seqüência, o projeto do
curso foi selecionado pelo Programa Petrobras Cultural, obtendo patrocínio exclusivo desta empre-
sa. Dessa forma, o curso foi realizado sem custos para os 160 arte/educadores participantes e suas
respectivas instituições.

Qual foi a referência conceitual focada no curso?

No momento em que construímos a proposta do curso a distância, estabelecemos uma parceria com o
Instituto Ayrton Senna para utilizar a tecnologia social “Educação para o Desenvolvimento Humano
pela Arte” como referencial conceitual a ser focado no curso. O IAS realiza, desde 1999, o Programa
Educação pela Arte, que atua de forma complementar à escola, em parceria com 17 ONGs de 9 estados
brasileiros, atendendo cerca de 4.000 crianças, adolescentes e jovens e realizando a formação conti-
nuada de 418 gestores e arte/educadores de organizações não-governamentais parceiras.

A seguir, apresentamos um texto produzido pelo Instituto Ayrton Senna que sintetiza o referencial
conceitual da Educação para o Desenvolvimento Humano pela Arte, focado no curso a distância.

48
Educação para o desenvolvimento humano pela arte

A visão de mundo que orienta o conceito de educação do Programa Educação pela Arte é o
Paradigma do Desenvolvimento Humano. Trata-se da crença de que o desenvolvimento de
um país ou de uma comunidade depende fundamentalmente das oportunidades que ofe-
rece para que as pessoas desenvolvam seus potenciais humanos. Nessa perspectiva, uma
das maneiras de agir em favor das novas gerações é criar concepções e práticas educacio-
nais capazes de contribuir para que, por meio da arte, crianças e jovens transformem seus
potenciais humanos em competências pessoais, relacionais, cognitivas e produtivas.

As estratégias e ações do Programa estão centradas na crença de que o desenvolvimento


de competências pelos educandos se dá a partir de três aspectos principais: o primeiro
refere-se ao conhecimento sensível do ser humano e do mundo. O segundo refere-se ao
fato que o ensino de arte possibilita aos educandos oportunidades de vivenciar, iden-
tificar e incorporar valores. O terceiro aspecto, por sua vez, relaciona-se à visão multi-
culturalista da arte. Esses três aspectos influenciam os processos de fazer artístico e de
apreciar/interpretar obras de arte vivenciados pelos educandos.

O ensino de arte e o conhecimento sensível do ser humano e do mundo

Fazer arte e apreciar e interpretar obras de arte são oportunidades privilegiadas para
que o educando desenvolva seu potencial e adquira um conhecimento sensível de si mes-
mo e da realidade. O conhecimento sensível é um modo singular de conhecer, que não
pode ser proporcionado por outros modos de apreensão do real. O modo de ver, sentir,
pensar e agir proporcionado pela arte torna nossa interação com o mundo mais rica,
integrada, inventiva e humana.

Uma função importante do ensino de arte é ajudar os educandos a atribuir significados


ao mundo. Para atingir esse objetivo, é importante que os educandos desenvolvam três
tipos de habilidades: a sensibilidade, a percepção e a criatividade.

49
A sensibilidade

Quando falamos de sensibilidade, estamos tratando da capacidade que todas as pessoas


têm de conhecer e dar significados a si mesmas e ao mundo por meio dos seus sentidos.
De acordo com as oportunidades que cada pessoa encontra, este potencial tem mais ou
menos chances de se desenvolver. Uma sociedade estruturada em torno da massificação
e do consumo influencia a visão de mundo das pessoas. Nesse contexto, a Educação para
o Desenvolvimento Humano pela Arte propõe um valor renovado à sensibilidade, com-
preendendo que o ensino de arte contribui para que os educandos despertem o interesse
para aspectos essenciais da vida, seja por meio da criação ou da apreciação/interpreta-
ção de obras de arte.

É essencial, ao tratarmos do conceito de sensibilidade, fazermos referência a um equívo-


co que por muito tempo perdura no campo do ensino de arte. Trata-se da compreensão
de sensibilidade como sentimento, emoção. Ao tratar desta questão, Ana Mae Barbosa
(2005) afirma:

(...) Perguntadas sobre o que era “sensibilidade”, as professoras por mim pesquisadas
em 2000 responderam mais frequentemente que era: “ser capaz de se emocionar”,
além de outras como “ser capaz de respeitar os outros”, (...) “sofrer com o sentimento
dos outros”, “ser romântico”, “exercer a cidadania”. (BARBOSA, 2005, p. 99)

Esse entendimento equivocado do conceito de sensibilidade, tendo em vista a visão con-


temporânea do ensino de arte, tira o foco da possibilidade da arte contribuir para que os
educandos desenvolvam os sentidos. A sensibilidade entendida como “desenvolvimento
dos sentidos”, segundo Barbosa (2005) é “a única concepção de sensibilidade que inte-
ressa ao ensino de arte”.

A percepção

Por meio de nossos sentidos captamos alguns dados do mundo a nossa volta, sendo que
esses dados foram ativamente selecionados por um conjunto de interesses, conhecimen-
tos, valores. A percepção, por meio dos sentidos, forma a base dos nossos conhecimentos
e critérios de valor. À primeira vista, pode parecer que todas as pessoas percebem as
50
coisas do mesmo modo, e que a percepção é um processo passivo, no qual a pessoa “ab-
sorve” o mundo à sua volta, o que, no nosso ponto de vista, não é verdade. O observador
exerce um papel ativo na seleção dos estímulos que recebe. Mesmo porque, seria huma-
namente impossível captar toda a imensa quantidade de informações que o mundo nos
oferece. Dependendo dos conhecimentos, da experiência, das preferências, dos valores
e dos interesses imediatos, uma pessoa vai fixar sua atenção em determinados pontos e
ignorar outros. A habilidade pessoal e a cultura em que uma pessoa está inserida tam-
bém exercem influência nesse processo.

O ensino de arte, na perspectiva do desenvolvimento humano, deve promover o desenvolvi-


mento da percepção pelos educandos. Por meio de atividades de fazer e apreciar/interpre-
tar arte, os educandos estabelecem relações entre as informações do mundo a sua volta,
construindo um conhecimento sobre os fenômenos que experimentam. Num processo si-
multâneo, dão significado para suas experiências. O desenvolvimento da percepção, por-
tanto, está necessariamente ligado à habilidade dos educandos de captar e de organizar as
informações, conhecimentos e estímulos presentes no mundo que os cerca.

A criatividade

Longe de ser exclusivamente ligada às artes, a criatividade é vital para todos os cam-
pos da atividade humana. O prazer que advém do ato criativo está relacionado com a
transformação não só do mundo, mas do próprio ser, que alcança um novo estágio de
consciência neste processo. Por isso mesmo, todo ato criativo é um momento de total
envolvimento, que exige uma concentração profunda. No processo criativo, as pessoas
se entregam totalmente às suas atividades. É essa perda da noção do tempo, esse alhea-
mento do entorno, essa comunhão total entre o ser e o fazer que caracteriza a criação.

O ensino de arte representa um campo privilegiado para o desenvolvimento da criatividade, pois a


arte se caracteriza por uma procura ativa de respostas para as questões essenciais da vida.

Para reverter o processo de “dessensibilização” que a sociedade atravessa, precisamos


de pessoas mais sensíveis, mais perceptivas e mais criativas. Valores humanistas preci-
sam de pessoas inteiras, capazes de ver, pensar, sentir e agir com a cabeça, o coração, os
olhos, os ouvidos, o corpo.
51
A vivência, identificação e incorporação de valores

Tendo em vista a contemporaneidade, é possível afirmar que estamos em um momento


de crise de valores, o que dificulta os processos que vivemos cotidianamente de atribuir
sentido ao mundo. Isso é agravado pelo poder das indústrias de informação e entrete-
nimento, que pregam um estilo de vida voltado para o consumo. Por outro lado, temos
um leque de possibilidades de escolha que seria impensável alguns anos atrás. O contato
com diferentes culturas amplia nossas referências do mundo e influencia nossos valores.
A discussão sobre identidade ocupa um papel cada vez maior nesse contexto, por meio
da valorização das raízes e o questionamento da padronização promovida pelos meios
de comunicação.

Obras de arte dão corpo aos valores de uma determinada sociedade em um contexto
específico, e cumprem variados papéis - servir de objeto de culto, promover relações so-
ciais, documentar fatos, defender pontos de vista, etc. O aumento significativo de obras
de arte que propõem a discussão de questões éticas marca a arte contemporânea. O
mergulho das artes nas esferas política e social chegou a tal ponto que, muitas vezes, é
difícil separar obra de arte de manifestação política ou de atividade social.

Por mais difíceis ou provocativas que sejam, as obras de arte contemporânea nos colo-
cam face a face com as questões e os dilemas que são necessários serem enfrentados.
Seu caráter híbrido, seu engajamento político-social, suas experiências tecnológicas e
sua impermanência refletem a vida contemporânea.

O ensino da arte, portanto, deve incluir e problematizar as questões do nosso tempo sob
o ponto de vista ético, promovendo a vivência, a identificação e a incorporação de valo-
res. Essa proposta encontra grande correspondência com a concepção contemporânea
do ensino de arte e contribui para o desenvolvimento humano das novas gerações.

52
A visão multiculturalista

No mundo globalizado em que vivemos, o contato com outras culturas é uma realida-
de inescapável. Na geração dos nossos pais ou avós, as notícias e produtos de lugares
distantes tinham um peso pequeno no modo como as pessoas enxergavam o mundo e
viviam suas vidas. Hoje, o estrangeiro vive conosco: nas notícias que chegam pela televi-
são, nos produtos culturais que consumimos, nas comidas que comemos, nas roupas que
vestimos, na língua que falamos, nos ideais e valores que buscamos.

Mas o Outro não é só aquele que vem de longe. Os que estão bem perto, mas nunca fo-
ram olhados nem ouvidos, são também “estrangeiros”. Até recentemente, grupos sociais
que fugiam aos padrões estabelecidos pela sociedade não participavam na discussão e
condução do espaço público. As reivindicações e pontos de vista de mulheres, índios,
negros, pobres, homossexuais e vários outros grupos não eram sequer considerados.

A perspectiva multiculturalista na educação surgiu a partir dessa nova consciência sobre


a diversidade cultural da humanidade. O multiculturalismo parte do pressuposto de que
o conhecimento é uma propriedade comum a todos os grupos humanos. Promover uma
educação multiculturalista significa reconhecer os saberes de diferentes grupos como
equivalentes, em uma rede horizontal de relações. Isso significa ajudar os educandos a
desenvolver uma visão crítica sobre os conhecimentos, os valores e as visões de mundo
das manifestações artísticas presentes nas comunidades; acessar e refletir criticamente
sobre os conhecimentos, os valores e as visões de mundo de manifestações artísticas de
outros grupos culturais; e adotar uma atitude de respeito e interesse por diversas formas
de expressão artística e por diferentes grupos culturais.

Um dos grandes desafios da visão multiculturalista no ensino de arte é promover uma


visão crítica da arte. Questionar a cultura branca, masculina, de origem européia e ame-
ricana como padrão único de referência e combater a massificação promovida pela in-
dústria cultural são pontos fundamentais dessa proposta. Precisamos levar nossos edu-
candos a pensar sobre as manifestações artísticas presentes em seu universo cultural,
ajudando-os a desenvolver seu senso estético e ético. Através da apreciação crítica de
exemplos da arte popular e da cultura de massa, podemos ajudar nossos educandos a
refletir sobre sua qualidade estética, sua função social, seus valores e a visão de mundo
que apresentam.
53
A visão de ensino de arte do Programa Educação pela Arte

Ao promover um programa educacional que tem a arte na centralidade de suas ações o


Instituto Ayrton Senna acredita que as ações educativas e sociais voltadas para a infân-
cia e juventude ganham um novo sentido, tendo como objetivo final realizar o ensino de
arte como uma oportunidade efetiva de desenvolvimento humano.

Sob o ponto de vista do Programa Educação pela Arte, o ensino de arte tem como propos-
ta o fazer arte e a apreciação e interpretação da obra de arte a partir de uma educação
rica e inovadora, que assegure a visão multiculturalista, o conhecimento sensível do ser
humano e do mundo, a vivência, a identificação e a incorporação de valores.

Assim, mais do que ser uma fonte de prazer ou meio para a construção da auto-estima,
fazer e apreciar arte contribuem para que crianças e jovens ampliem seu olhar sobre si mes-
mos e o mundo, transformando-se e realizando ações transformadoras no seu contexto.

Ao reconhecer a força transformadora da arte e seu importante papel para promover o


desenvolvimento humano, o Programa Educação pela Arte contribui para que crianças
e jovens possam:

- se conhecer melhor e fortalecer sua identidade, desenvolvendo, assim, suas competên-


cias pessoais;

- interagir e se comunicar em grupo, conviver com as diferenças, atuar com foco na cole-
tividade, no ambiente e na diversidade cultural, desenvolvendo, assim, suas competên-
cias relacionais;

- desenvolver habilidades de aprender, ensinar e conhecer, desenvolver a capacidade crí-


tica e construir significados, desenvolvendo, assim, suas competências cognitivas;

- dar soluções transformadoras e concretizar ações criativas, desenvolvendo, assim, suas


competências produtivas.

54
O fazer artístico como oportunidade de desenvolvimento humano

Na proposta de Educação para o Desenvolvimento Humano pela Arte o ensino de arte


tem um papel fundamental no desenvolvimento do potencial humano das novas gera-
ções. Não se trata de transformar todos os educandos em artistas profissionais, mas de
dar meios para que as crianças e jovens possam se expressar poeticamente.

O fazer artístico, no ponto de vista da Educação para o Desenvolvimento Humano pela


Arte, deve articular as características gerais do processo de criação dos artistas com o
conhecimento sensível do ser humano e do mundo, a vivência, identificação e incorpora-
ção de valores e a perspectiva multiculturalista. Dessa forma, é possível contribuir para
o desenvolvimento de competências pessoais, relacionais, cognitivas e produtivas pelos
educandos.

Em termos metodológicos, o fazer artístico no Programa Educação pela Arte se propõe a:

a) Criar oportunidades para que os educandos, ao fazer arte, tenham uma


atitude de iniciativa, dedicação, compromisso, liberdade e prazer;

b)Criar oportunidades para que os educandos, ao fazer arte, partam dos desa-
fios de sua existência, vivenciando, identificando e incorporando valores;

c) Criar oportunidades para que os educandos, ao fazer arte, utilizem como


referência as grandes questões de seu tempo, da arte e da história da arte;

d) Criar oportunidades para que os educandos, ao fazer arte, utilizem como


referência a visão multiculturalista;

e) Criar oportunidades para que os educandos, ao fazer arte, pesquisem,


construam conhecimentos e experimentem técnicas e materiais;

f) Criar oportunidades para que os educandos, ao fazer arte, realizem a sua


criação artística como um processo livre e dinâmico, transformando-se e trans-
formando seu meio.
55
A apreciação e interpretação da obra de arte como oportunidades de desenvolvi-
mento humano

Toda expressão artística está ligada a outros campos da vida humana (filosófico, cultu-
ral, político, econômico e outros) e aos interesses, desejos e a singularidade do artista.
Apreciar uma obra de arte é fazer uma leitura do mundo a partir da própria obra, do
contexto em que foi criada e dos valores, conhecimentos e habilidades do artista e os que
o observador traz consigo.

Uma experiência de apreciação artística não acontece por meio de um contato casual
com obras de arte. Atualmente, muitos estudiosos colocam a necessidade de formar pes-
soas capazes de estabelecer uma relação mais profunda com obras de arte como uma
meta importante da educação em arte.

O Programa Educação pela Arte acredita que, ao apreciar e interpretar a obra de arte, os edu-
candos têm a oportunidade de refletir sobre si mesmos, sobre o objeto de arte e seu tempo,
lugar e contexto histórico. Eles têm a possibilidade de se confrontar e valorizar as diversas
manifestações culturais, de refletir, comparar, diferenciar e interpretar a obra de arte.

Em termos metodológicos, a apreciação e interpretação da obra de arte no Programa


Educação pela Arte se propõe a:

a) Criar oportunidade para que os educandos, ao apreciar e interpretar a obra


de arte, tenham uma atitude de abertura e interesse diante do novo.

b) Criar oportunidade para que os educandos, ao apreciar e interpretar a obra


de arte, estabeleçam uma relação dinâmica com a obra de arte.

c) Criar oportunidade para que os educandos, ao apreciar e interpretar a obra


de arte, conheçam e reflitam sobre o contexto da obra de arte e o seu próprio
contexto.

d) Criar oportunidade para que os educandos, ao apreciar e interpretar a obra


de arte, reconheçam e valorizem as propriedades formais da obra de arte.
56
e) Criar oportunidade para que os educandos, ao apreciar e interpretar a obra
de arte, relacionem a obra de arte à história da arte.

F) Criar oportunidade para que os educandos, ao apreciar e interpretar a obra de


arte, tenham acesso e compreensão de diversas expressões artísticas e culturais.

Consideramos importante explicitar que a solução educacional para o Desenvolvimento Humano


pela Arte, desenvolvida pelo Instituto Ayrton Senna, foi utilizada como referência das disciplinas
“Educação para o Desenvolvimento Humano”; “O valor da arte na contemporaneidade e seus refle-
xos no Ensino de Arte”; O fazer artístico no ensino de arte” e “A apreciação e interpretação da obra
de arte no ensino de arte”. As demais disciplinas do curso, cujas ementas e professores são descri-
tos a seguir, utilizaram outras referências conceituais sobre arte, ensino de arte, juventude e EAD.

O curso a distância foi composto por quais disciplinas?

O curso ‘Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafio para a cultura e a educação’ foi realizado
em sete disciplinas. A seguir, apresentamos os focos das disciplinas, os nomes e currículos resumi-
dos dos professores que atuaram em cada uma delas.

Disciplina ‘adaptação e ambientação em EAD (Ensino a Distância)’

Prof: Luiz Fernandes de Assis


Carga Horária: 8 horas
Período: 1º a 08 de agosto de 2008

As aulas desta disciplina tiveram o objetivo de quebrar resistências a uma aprendizagem virtual e
possibilitar uma relação amigável com a tecnologia, analisar os vários pontos da plataforma utili-
zada pelo curso, otimizar a utilização de seus recursos e explicitar a metodologia de aprendizagem
adotada. Por fim, apresentar o curso, detalhar o conteúdo de cada aula, os nomes e currículos dos
profissionais envolvidos em sua concepção pedagógica e fazer um exercício prático no Fórum.

Luiz Fernandes de Assis, especialista em Gestão da Memória: Arquivos, Bibliotecas e Museus,


pela UEMG, bacharel e licenciado em História, pela UFMG. Analista Legislativo da Assembléia Le-

57
gislativa de Minas Gerais, foi coordenador de Extensão e Pesquisa da Escola do Legislativo, atual
coordenador-local da Rede InterLegis (Senado). Sócio-fundador da Comuna S.A. e sócio-diretor da
DUO Informação e Cultura (desde 1999). Coordenador do Curso de Formação Política da Escola do
Legislativo, (Ano I a Ano V), de 1994 a 1999. Ministrou diversos cursos de uso da internet para fins
acadêmicos e para profissionais da cultura, como nos cursos de Planejamento e Gestão Cultural pelo
Instituto de Educação Continuada da PUC Minas (1999) e Curso de Gestão Cultural da Fundação
Clóvis Salgado.

Disciplina ‘Educação para o Desenvolvimento Humano’

Profa: Simone Al Behy André


Carga Horária: 14 horas
Período: 09 a 22 de agosto de 2008

Esta disciplina promoveu o acesso, aos alunos do curso, às referências conceituais da Educação
para o Desenvolvimento Humano (EDH), que é uma solução educacional desenvolvida pelo Insti-
tuto Ayrton Senna (IAS), tendo recebido a chancela de Cátedra Unesco em Educação e Desenvolvi-
mento Humano. Este conceito de educação afirma o direito das novas gerações ao desenvolvimento
pleno de seus potenciais. Compreende-se que, mais do que gerar aprendizagens, a educação deve
possibilitar o desenvolvimento de competências pelos educandos. Assim, o ato de educar emerge
como aquele que viabiliza a transformação do potencial de uma pessoa em competências e habili-
dades que lhe permitam viver, conviver, produzir e ampliar cada vez mais seu conhecimento acerca
de si mesma e do mundo do qual é parte.

Simone André é psicóloga, educadora, atuou na área da infância e juventude como consultora de
organizações governamentais (prefeituras, órgãos estaduais), não-governamentais e internacionais
(Unicef, OIT). Atualmente, é Coordenadora da Área de Juventude do Instituto Ayrton Senna, membro
da Cátedra Unesco de Educação e Desenvolvimento Humano e autora de publicações neste campo.

58
Disciplina ‘O ensino de arte no Brasil e a concepção contemporânea de arte’

Profa.: Lúcia Gouvêa Pimentel


Carga Horária: 18 horas
Período: 23 de agosto a 09 de setembro de 2008

Esta disciplina enfocou o ensino de arte no Brasil do século XVI ao século XIX: os primórdios, o rompi-
mento e os modelos; as principais práticas no ensino de arte no Brasil no século XX: o Modernismo, as
Escolinhas de Arte e os modelos externos; as tendências para o ensino da arte neste início do século
XXI: arte como área de conhecimento e arte como construção cultural. Idéias pós-modernas e pesqui-
sas sobre imaginação e cognição; as concepções contemporâneas da arte em seus diversos campos; as
obras híbridas e as possibilidades de interação; e o uso de tecnologias na arte e em seu ensino.

Lucia Gouvêa Pimentel é doutora em Artes – Arte/Educação pela ECA/USP. Mestre em Educação
pela FAE/UFMG. Bacharel e Licenciada em Artes Visuais pela EBA/UFMG. Professora da Escola de
Belas Artes da UFMG. Secretária Geral do CLEA (Consejo Latinoamericano de la Educación por el
Arte), representante da América do Sul e Caribe no Conselho Mundial da InSEA (International So-
ciety for Education through Art), membro do Comitê de Especialistas do Programa Educación Artís-
tica, Cultura y Ciudadanía de la OEI (Organización de los Estados Iberoamericanos).

Disciplina ‘O Valor da Arte na Contemporaneidade e seus reflexos no Ensino de Arte’

Professores: Maria Lívia de Castro e Paulo Emílio de Castro Andrade


Carga Horária: 16 horas
Período: 10 a 25 de setembro de 2008

Esta disciplina promoveu uma reflexão e discussão sobre o valor da arte e as contribuições que ela
traz no campo da educação na contemporaneidade. Foram abordados os seguintes temas/concei-
tos: a arte e o desenvolvimento do conhecimento sensível (sensibilidade, percepção e criativida-
de); a arte e o compromisso com a cultura, numa visão multiculturalista; a arte e as possibilidades
de vivência, identificação e incorporação de valores; o papel do arte/educador no ensino de arte.

59
Maria Lívia de Castro é especialista em Pesquisa e Ensino no Campo das Artes Plásticas (UEMG).
Artista Plástica e Arte/Educadora (UEMG). Diretora do Centro Cultural Maria Lívia de Castro. Vice-
presidente da ONG Humbiumbi – Arte, Cultura e Educação. É consultora do Instituto Ayrton Senna,
atuando na construção e disseminação da solução educacional para o Desenvolvimento Humano
pela Arte e coordenando tecnicamente a Formação Continuada do Programa Educação pela Arte.
Foi responsável pelo trabalho de intercâmbio cultural entre as comunidades brasileira e angolana
em Angola, pela Construtora Norberto Odebrecht (1986 e 1992).

Paulo Emílio de Castro Andrade é mestre em Educação pela FAE/UFMG. Especialista em Educa-
ção, Comunicação e Tecnologia pela UEMG. Graduado em Comunicação Social, com habilitação em
Jornalismo pelo UNI-BH. Foi pesquisador do Observatório da Juventude da UFMG. Foi presidente
da ONG Humbiumbi – Arte, Cultura e Educação e diretor do Centro Cultural Maria Lívia de Castro.
Atuou como consultor técnico do Programa Educação pela Arte, desenvolvido pelo Instituto Ayrton
Senna. É diretor de projetos especiais da Associação Imagem Comunitária, atuando como coorde-
nador da Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia de Belo Horizonte.

Disciplina ‘Juventude e Culturas Juvenis’

Profa.: Carla Linhares Maia


Carga Horária: 14 horas
Período: 26 de setembro a 09 de outubro

Esta disciplina promoveu reflexões e debates sobre Juventudes e culturas juvenis na cena educa-
tiva contemporânea. Foram abordados os seguintes temas/conceitos: Juventude e adolescência:
aproximando-se dos conceitos; Condições Juvenis no Brasil Contemporâneo; Subjetividades Juve-
nis: jênero, sexualidade e etnia; Culturas Juvenis e Escolas; Culturas e saberes juvenis: ampliando o
diálogo com outros espaços educativos juvenis; Juventudes e formação do arte/educador.

Carla Linhares Maia é doutoranda em Educação (FAE – UFMG). Mestre em Educação e Especialis-
ta em História do Brasil (PUC-MINAS). Graduada em História (FAFICH – UFMG). Coordenadora do
Curso de Formação de Professores “Desafios da Escola em Tempos de Mudança” e pesquisadora do
Observatório da Juventude (FAE-UFMG). Professora da Rede Municipal de Educação de Belo Ho-

60
rizonte (1991-2004). Secretaria Executiva do Conselho Municipal de Educação de Belo Horizonte
(2004/2005). Coordenadora do Eixo Pedagógico do Programa Cidadania dos Trilhos / FCA - Ferro-
via Centro-Atlântica (pela COMPREENDER – Consultoria em Educação - 2004-2006).

Disciplina ‘O Fazer Artístico no Ensino de Arte’

Profs: Maria Lívia de Castro e Paulo Emílio de Castro Andrade15


Carga Horária: 25 horas
Período: 10 de outubro a 03 de novembro de 2008

Esta disciplina teve caráter teórico-prático, ou seja, os arte/educadores foram estimulados a refletir
e discutir os conceitos que permeiam o fazer artístico no ensino de arte contemporâneo, para, em se-
guida, realizar atividades de fazer artístico junto aos educandos das instituições a que são vinculados.
Os principais conceitos trabalhados nesta disciplina foram: o fazer artístico como processo de acesso e
produção de conhecimento; o fazer artístico na perspectiva multiculturalista; o fazer artístico e o domí-
nio da linguagem artística; o fazer artístico e as diversas questões contemporâneas; o fazer artístico e a
vivência, identificação e incorporação de valores; e o papel do arte/educador no fazer artístico.

Disciplina ‘A apreciação e interpretação da obra de arte no ensino de arte’

Professores: Maria Lívia de Castro e Paulo Emílio de Castro Andrade16


Carga Horária: 25 horas
Período: 04 a 28 de novembro de 2008

Esta disciplina teve caráter teórico-prático, ou seja, os arte/educadores foram estimulados a refle-
tir e discutir os conceitos que permeiam a apreciação e interpretação da obra de arte no ensino de
arte contemporâneo, para, em seguida, realizar atividades de apreciação e interpretação da obra de
arte junto aos educandos das instituições a que são vinculados. Os principais conceitos trabalha-
15 O currículo resumido dos professores foi citado anteriormente na disciplina O Valor da Arte na Contemporaneidade e seus reflexos
no Ensino de Arte.

16 O currículo resumido dos professores foi citado anteriormente na disciplina O Valor da Arte na Contemporaneidade e seus reflexos
no Ensino de Arte.
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dos nesta disciplina foram: a apreciação e interpretação da obra de arte e os contextos histórico,
social, político e cultural em que a obra foi produzida; a apreciação e interpretação da obra de arte
e os valores, experiências de vida e conhecimentos dos educandos; conhecimentos e habilidades
importantes para a apreciação e interpretação artísticas; a apreciação e interpretação da obra de
arte como possibilidades de desenvolver novas percepções e de transformar a si e ao mundo; a
apreciação e interpretação da obra de arte e a percepção das qualidades formais da obra; o papel do
arte/educador na apreciação e interpretação da obra de arte.

Qual foi o método de trabalho de professores e alunos do curso?

A participação dos alunos nas disciplinas do curso aconteceu por meio do seguinte percurso:
1 º - Leitura dos textos de referência da disciplina e de outros materiais indicados;

2 º - Reflexão a partir das questões propostas pelos professores;

3 º - Diálogo com colegas e professores sobre as questões de cada disciplina, nos fóruns da plataforma;

4 º - Ampliação do diálogo no chat, blog, cafezinho e scrapbook.

Tendo em vista esse percurso comum, os professores tinham autonomia para definir como dialogar
com os alunos sobre as questões centrais das disciplinas. Analisando os métodos adotados por cada
um deles, observamos duas “tendências”.

Na primeira delas, utilizada nas disciplinas mais conceituais, os professores dialogaram com os
alunos e responderam as questões nos fóruns aos poucos, à medida que os arte/educadores se
posicionaram. O diálogo ia se construindo à medida que os participantes se posicionavam, e, nesse
processo, os professores problematizavam as diversas falas, apresentavam seus pontos de vista,
articulavam as idéias que iam surgindo e “amarravam” conceitos com as experiências relatadas.
Aproveitamos para explicitar que os professores buscavam, sempre que possível, provocar os alu-
nos a relacionar os diversos conceitos com suas experiências em ensino de arte.

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A outra “tendência”, em termos de método de trabalho, foi adotada nas duas últimas disciplinas,
que tinham o caráter “teórico-prático”, realizadas no último mês do curso. Nelas, além de discutir
os aspectos conceituais sobre os temas, os alunos do curso eram convidados a realizar atividades
junto aos seus alunos nas instituições em que trabalham. Aos poucos, relatavam nos fóruns suas
experiências, com os desafios, avanços e questões observados. Diante de tanta diversidade de
propostas e de questões, os professores optaram por não intervir diariamente no diálogo entre os
alunos do curso. O estranhamento inicial foi sendo vencido e ampliou-se a troca de experiências
entre os alunos. Uns acompanhavam o trabalho dos demais, sugerindo, questionando, contribuin-
do. A cada semana (as duas últimas disciplinas tiveram 24 dias de duração cada) os professores
produziram um documento em que, a partir de trechos dos relatos dos alunos, teciam comentários,
relacionavam com os conceitos trabalhados pelos textos, problematizavam questões e articulavam
as diversas experiências dos alunos. Os documentos eram extensos, uma vez que muitos eram os
relatos inseridos pelos alunos do curso nos fóruns. Após a divulgação do primeiro destes documen-
tos, que eram incluídos na midiateca da plataforma, criou-se uma expectativa entre os alunos, que
queriam ver suas experiências cuidadosamente analisadas no documento da semana seguinte.

A nossa avaliação dos métodos de trabalho adotados no curso a distância é que foram suficientes
para que os alunos pudessem acessar, compartilhar e produzir conhecimentos ao longo dos qua-
tro meses de trabalho. Observamos que os alunos, aos poucos e com intensidade, criavam suas
maneiras de “usufruir” das possibilidades do curso. Isso porque, entre tantos fatores, os métodos
adotados possibilitavam que os alunos, a qualquer momento, pudessem se apropriar das diversas
atividades propostas.

Qual a avaliação dos arte/educadores em relação ao conteúdo do curso?

Uma das questões que compunham o instrumento de avaliação dos alunos refere-se ao conteúdo
trabalhado no curso. Era essencial, para nós, saber qual a visão dos arte/educadores participantes
sobre os conteúdos que escolhemos para compor o curso. Nossa preocupação central era compreen-
der se os conteúdos haviam, de alguma maneira, contribuído para qualificar a atuação profissional
dos nossos alunos. O gráfico abaixo demonstra que, para quase todos os alunos, o curso trouxe
contribuições importantes para a prática dos arte/educadores:

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Apresentamos, a seguir, alguns comentários dos arte/educadores sobre os conteúdos trabalhados
no curso à distância17:

“Agora dou aula e fico observando minha prática. Estou tentando entender mais por
exemplo sobre cognição imaginativa e me animo quando ouço falar em educação para
o desenvolvimento humano em arte. Pensar no contemporaneo, olhar minha pratica e a
de outros educadores tem sido um belo exercício.”

“Para mim foi mais que contribuição , vou participar de um concurso e o conteúdo do curso
é muito mais que o edital solicita. Só tenho a agradecer e meus educandos também.”

“Os conteúdos foram pra mim o que de melhor o curso me propiciou, até o momento, são
assuntos pertinentes ao ensino da arte e que, muitas vezes, dependendo da localização
geográfica, jamais seriam disseminados se não fosse essa oportunidade, através de um
curso a distância. Os conteúdos estão contribuindo muito para meu crescimento pessoal
e também para ampliar meus conceitos relacionados à arte/ educação.”

17 Os depoimentos, comentários e sugestões dos arte/educadores participantes do curso a distância foram retirados dos instrumen-
tos de avaliação dos alunos. Optamos por não comentar os trechos na tentativa de não criar um sentido diferente ao dado por seus
autores. Decidimos não explicitar os nomes dos autores, tendo em vista o acordo feito com eles durante as avaliações do curso.
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“Está sendo um momento muito bom para re-olhar minha prática, para avaliar minha
caminhada e também para reconhecer que as muitas conquistas que tive até aqui estão
diretamente relacionadas ao conteúdo das aulas e dos autores propostos pelos professores.
Muito obrigada por me oportunizarem este momento profissional tão significativo.”

“Os conteúdos foram sim, muito significativos e ao passar dos dias vou percebendo a
forma como influenciam em minhas ações junto aos alunos. Digo com o passar dos dias,
porque vou levar um tempo para depurar tanto conhecimento adquirido.”

“O conteúdo das aulas, tanto os textos postados pelos professores como as referências
aos textos que constavam dos livros da caixa-biblioteca, além das contribuições diversi-
ficadas dos colegas, foram bastante consistentes e ofereceram um ótimo suporte para as
reflexões e discussões. As intervenções dos professores, fazendo observações destacando
passagens dos textos dos alunos para articular os temas e reflexões que permeavam os
debates, também foram muito importantes para o desenvolvimento dos estudos.”

Qual a avaliação dos arte/educadores em relação aos professores do curso?

Outra questão do instrumento de avaliação dos alunos referia-se à participação dos professores
no curso a distância. Conforme o gráfico abaixo, quase a totalidade dos alunos consideram que os
professores atenderam ou superaram as suas expectativas:

A seguir, apresentamos comentários dos arte/educadores sobre os professores das disciplinas do curso18:

“Gostaria que houvesse mais interação dos professores, avaliando particularmente cada
aluno ou cada grupo de aluno em cada linguagem, módulo e aula.”
“Acho o nível intelectual dos docentes e o interesse que eles apresentam em comentar
nossas postagens muito bom, só falta de fato a fala frente a frente.”
“Eu não tinha idéia de que os professores fossem tão gabaritados!”

“Penso que a participação dos professores na relação individual professor-aluno em al-


guns casos ainda deveria ser maior. Observo comentários de alunos nos fóruns, as vezes
maravilhosos e as vezes deixando um pouco a desejar (não me excluo!), mas nem sempre
vejo um retorno do professor para cada caso. Sei que a quantidade de alunos é grande,
18 Os depoimentos, comentários e sugestões dos arte/educadores participantes do curso a distância foram retirados dos instrumen-
tos de avaliação dos alunos. Optamos por não comentar os trechos na tentativa de não criar um sentido diferente ao dado por seus
autores. Decidimos não explicitar os nomes dos autores, tendo em vista o acordo feito com eles durante as avaliações do curso.
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mas sinto falta, as vezes, dessa diretriz em relação ao caminho correto para nós alunos...
Acho que ficamos com a sensação as vezes, de que nossa resposta não foi lida, apesar de
saber que não é assim. Sei que todas são lidas e avaliadas, é só uma sensação.”

“Superaram minhas expectativas em termos de qualificação atualizada enquanto que, por


outro lado, alguns deixaram a desejar na falta de interação com a turma durante o fórum.”

“Agradeço a gentileza com que os Professores conduziram todo o trabalho e me propor-


cionaram grandes momentos de reflexão, de conhecimento e de crescimento humano
e intelectual. Pela sensibilidade, ética, compromisso e profissionalismo de cada um de
vocês, que souberam guardar para cada arte/educador citado, referenciado, as palavras
mais seguras e de orientação. Assim fazem os seres de luz!”

O que é e qual a importância da caixa biblioteca?

Uma das principais demandas dos arte/educadores brasileiros é o acesso a materiais qualificados
de referência sobre ensino de arte, arte, juventude e educação. O curso buscou contribuir nesse
sentido fazendo a doação de uma “caixa-biblioteca” às instituições nas quais os arte|educadores
participantes trabalham.

A “caixa-biblioteca” doada às instituições foi composta por 11 livros e um DVD relacionados ao ensino
de arte, à arte, à educação para o desenvolvimento humano e à cultura em geral. Assim, acreditamos
ter contribuído para que, por meio da pesquisa e investigação, os arte/educadores e seus colegas de
instituição compreendessem a arte, o ensino de arte e a cultura como áreas de conhecimento.

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Dois foram os principais desafios em relação à caixa-biblioteca. O primeiro deles refere-se à pes-
quisa e identificção dos títulos que iriam compor a caixa. Muitas eram as possibilidades iniciais.
Dialogamos com os professores e buscamos garantir a qualidade e atualidade dos títulos.

A caixa-biblioteca foi composta pelos seguintes títulos:

ANDRÉ, Simone; COSTA, Antônio Carlos da. Educação para o desenvolvimento humano. São Pau-
lo: Saraiva, 2004.

BARBOSA , Ana Mae (Org.). Arte/Educação contemporânea: consonâncias internacionais. 2. ed.


São Paulo: Cortez, 2008.

BARBOSA , Ana Mae (Org.). Inquietações e mudanças no ensino da arte. 4. ed. São Paulo: Cortez,2008.

BARBOSA , Ana Mae. John Dewey e o ensino da arte no Brasil. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2002.

CINTRÃO, Rejane; NASCIMENTO, Ana Paula. Grupo Ruptura. São Paulo: Cosac & Naif, 2002.

CUNHA, Maria Helena Melo da. Gestão Cultural: Profissão em formação. Belo Horizonte: Duo
Editorial, 2007.

DAYRELL , Juarez. A música entra em cena: o rap e o funk na socialização da juventude. Belo
Horizonte: Editora UFMG, 2005.

MANSON, Rachel. Por uma arte-educação multicultural. Tradução: Rosana Horio Monteiro. Cam-
pinas: Mercado de Letras, 2001.

PIMENTEL, Lucia Gouvêa. Limites em expansão: licenciatura em artes visuais. Belo Horizonte:
C/ Arte, 1999.

SALLES, Cecília Almeida. Gesto Inacabado - Processo de Criação Artística. 2. ed. São Paulo: An-
nablume, 2004.

O outro desafio encontrado, em relação à caixa-biblioteca, refere-se às dificuldades de entrega do


kit nas instituições às quais os 160 arte/educadores eram vinculados. Em um único dia, 160 caixas-
bibliotecas seguiram para todos os estados brasileiros, sendo levadas de carro, avião, ônibus e bar-
co. A previsão dos Correios era que os kits seriam entregues aos destinatários em até duas semanas,
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considerando as instituições localizadas em cidades do interior. No entanto, tendo em vista as difi-
culdades de acesso a alguns dos municípios em diversos pontos do país, alguns kits levaram até um
mês para serem recebidos. E, assim, uma grande expectativa se formou entre os arte/educadores,
que se comunicavam na plataforma acompanhando os “passos” da caixa-biblioteca, que, inclusive,
virou tema de poema do aluno Cláudio Rocha Vasconcelos:

A Caixa
                                                                  
Era uma caixa muito falada
Por muito tempo, ansiosamente
Desejada, esperada
Podia ser uma caixa como outra qualquer
Mas essa tinha algo de diferente,
De deixar os cabelos em pé.                                                

Primeiro de tanto esperar,                                                


Os minutos, as horas, os dias,
Uma eternidade para ela chegar.
Negócio de dar agonia

Depois de ouvir os comentários


De quem as recebia primeiro,
Coisa de deixar o cristão mordendo os lábios.
Quase engolindo os dedos

 Ai vem a necessidade de viajar,


 Trabalho distante, em terras cearenses
 E a danada caixa,
 Onde está, oxente?!

 Mas num final de tarde


 Eis que a boa nova chegou,
 Quando nem se lembrava mais
 A bendita desembarcou.                                                    
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 Aí então, como não podia deixar de ser,
 A agonia só fez aumentar
 Ela estava ali, tinindo, me esperando
 E eu, longe, no Ceará.

 Doido pra ver a bichinha,


 Contava horas, minuto e até dia
 Morrendo de vontade de voltar pra casa
 Já tava me dando uma agonia.
                                                                           
 Sem pensar duas vezes,
 Vim voando em avião, correndo pelo ar
 Querendo mais que ele fosse um raio
 Na maior agonia de chegar

 Quando já não me agüentava mais


 Eis que me deparo com ela
 Iluminada por um raio de sol
 Que passava pela janela
                                                                           
 A imagem mais parecia,
 Uma daquelas cenas de cinema
 Ela lá no seu canto, quietinha parada
 Sem causar nenhum problema.
 Do outro lado, eu aflito
 Coçando as mãos, mordendo os lábios
 Doido pra pular em cima dela,
 Para não parecer um doido, prendia o grito.
                                                                           
 Com demasiado esmero,
 Fui em sua direção lentamente
 Calculando cada passo
 Me postei à sua frente.
                                                                           
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 Com uns vinte dedos em cada mão,
 Cuidadosamente abri o pacote
 Prendia a respiração a cada instante
 Me controlava para não dar o bote
                                                                     
 Quando abri, a tal caixa
 O sorriso não pude conter
 E não é que dentro da danada
 Tinha até um DVD?
                                                                           
 Do jeitinho que o povo falou,
 Cheia de livro, que alegria!
 Eita que com essa caixa,
 Vou ter muito o que fazer, todo dia.
                                                                           
 É livro pra danar,
 História pra toda gente,
 Vai ser livro em baixo do braço
 que nem bíblia de crente.
                                                                           
 Vai ser muita história,
 muita descoberta
 Tudo dentro da bendita caixa
 Leitura degustada, sem muita pressa
 Agora me dê licença
 Pois tenho muito o que fazer
 Vou revirar a minha caixa,
 Me esbaldar de tanto ler

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Quais foram os comentários dos arte/educadores em relação à caixa-biblioteca doada
pelo curso às instituições?

Nas avaliações do curso, questionamos os arte/educadores participantes em relação à relevância


da caixa-biblioteca para suas instituições e solicitamos que eles fizessem comentários sobre os
aspectos relacionados a este kit de materiais.

Na avaliação dos arte/educadores que participaram do curso, a caixa-biblioteca contribuiu não


apenas para que pudessem utilizar os títulos nas disciplinas do curso, mas para ampliar seus co-
nhecimentos em outras direções que o próprio curso não focou. Conforme o gráfico abaixo aponta,
97% dos alunos do curso consideraram que os títulos que compõem a caixa-biblioteca são relevan-
tes para os profissionais que atuam com ensino de arte em suas instituições.

Os arte/educadores nos enviaram dezenas de comentários sobre os materiais que receberam na


caixa-biblioteca, entre eles19:

“Material disponibilizado na caixa é de primeira qualidade. Será muito útil em vários


projetos aqui em minha escola, e minha escola é de nível técnico.”

19 Os depoimentos, comentários e sugestões dos arte/educadores participantes do curso a distância foram retirados dos instrumen-
tos de avaliação dos alunos. Optamos por não comentar os trechos na tentativa de não criar um sentido diferente ao dado por seus
autores. Decidimos não explicitar os nomes dos autores, tendo em vista o acordo feito com eles durante as avaliações do curso.
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“Seria interessante a doação de dois exemplares de cada título para que seja possível
o empréstimo. Na biblioteca da instituição que atuo, por exemplo, os livros serão para
consulta na biblioteca pelo fato de ter somente um exemplar. Como sugestão, acho que
cada participante deveria ganhar uma caixa-biblioteca, e não só a unidade escolar.”

“Esse material foi de suma importância para minha escola, uma vez que nossa biblioteca
não tinha nenhum tipo de material como esse voltado para o ensino da arte.”

“A maior contribuição que trouxe à minha instituição foi que a partir da chegada da
´arca` eu consegui que os dirigentes da minha intituição viabilizassem um projeto para
uma biblioteca e a arca foi um incentivo e um primeiro passo..”

“Com certeza foi uma contribuição e tanto, pois a biblioteca da minha escola tem pou-
quíssimas obras. Obrigada!”

O fato de a caixa-biblioteca ter sido doada às instituições em que os arte/educadores atuam e não a
eles próprios gerou polêmica. As dezenas de reclamações que recebemos são muito legítimas, uma
vez que os próprios participantes do curso, em muitos casos, não podiam levar os livros para estudo
em casa, o que contrariou a orientação dada pela coordenação do curso aos gestores das escolas e
ONGs que receberam o kit de materiais.

Consideramos importante explicitar o que nos motivou a decidir que a doação fosse feita às insti-
tuições e não aos profissionais. A equipe de coordenação do curso considerou que seria um ganho
se esses títulos pudessem ser acessados por mais profissionais interessados, fossem das instituições
ou das comunidades onde elas estão inseridas. Nossa crença, então, era a de que ter os títulos nas
instituições poderia ser uma possibilidade de outros tantos arte/educadores acessarem os conheci-
mentos, problematizações, experiências e pontos de vista dos autores daqueles livros e DVD.

A seguir, apresentamos os pontos de vista dos arte/educadores em relação à essa escolha20:

20 Os depoimentos, comentários e sugestões dos arte/educadores participantes do curso a distância foram retirados dos instrumen-
tos de avaliação dos alunos. Optamos por não comentar os trechos na tentativa de não criar um sentido diferente ao dado por seus
autores. Decidimos não explicitar os nomes dos autores, tendo em vista o acordo feito com eles durante as avaliações do curso.
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“Atuo em uma instituição privada e quando sair de lá não terei mais acesso aos livros.
Sugiro que em uma outra oportunidade os livros sejam ofertados ao arte/educador.”

“São de extrema relevência, atuais e de excelente autoria. Não considero que serão mais
utilizados por serem enviados a biblioteca das instituições, cujo acesso é mais controla-
do. Como multiplicadores de saberes e construtores de novos saberes aposto na maior
utilização pelos professores, devendo ser deles a posse dos livros e não da escola.”
“Além do mais, está disponível para todos aqueles que estão interessados em Arte, inde-
pendente da área”.

“Os títulos são maravilhosos e super atuais, mas temo pela presença deles na escola.
Confesso que adoraria tê-los comigo, para poder saboreá-los com o tempo e a atenção
que merecem. E poder ter o prazer de ter o conhecimento ao alcance dos olhos e das
mãos quando as dúvidas pulsassem demais.”

“Acho importante permitir o acesso à caixa-biblioteca por parte de outros professores de


nossa instituição, porém, infelizmente, sinto que os títulos serão pouquíssimo utilizados
na instituição em que atuo. Os outros professores já foram avisados por mim dos títulos
mas não demonstraram interesse. São assuntos de estudo bastante específicos... A bi-
bliotecária catalogou-os e colocou-os em uma prateleira lá no fundo da biblioteca... Fi-
quei triste imaginando que, com o passar do tempo, é provável que os livros envelheçam
nas prateleiras. São livros que eu sempre desejei muito ter, porém durante a faculdade
(e até hoje, de certa forma) não tive condições financeiras para adquirí-los, ao contrário
de minha escola, que possui condições para adquirir os títulos que desejar. Para mim,
seriam muito úteis, pois poderia consultá-los a hora que fosse necessário... Sugiro que,
através de uma parceria, esses livros possam ser oferecidos a nós por um preço promo-
cional ao final do curso.”

Uma das questões incluídas no instrumento de avaliação dos alunos refere-se à utilização, por eles,
nas atividades do curso a distância. O gráfico abaixo mostra que a metade deles, após quatro meses
do curso, havia utilizado mais de 50% dos livros da caixa-biblioteca, porém, uma quantidade signi-
ficativa dos arte/educadores não havia utilizado nem a metade deles:

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Esses dados nos colocam uma questão importante: ter acesso aos livros é essencial, mas é neces-
sário que os profissionais se organizem para, de fato, acessar e problematizar os conhecimentos e
informações presentes nestes títulos. Caso contrário, eles servirão apenas para aumentar o acervo
das bibliotecas das escolas, ONGs, centros culturais e secretarias de educação e cultura.

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Parte 4: resultados
observados
Parte 4: Resultados observados

Para descrever e analisar os resultados do curso ‘Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafio


para a cultura e a educação’, consideramos necessário, inicialmente, retomar os seus objetivos.
Acessando a proposta do curso, aprovada junto ao Ministério da Cultura e ao Programa Petrobras
Cultural, os objetivos centrais eram:

- possibilitar que profissionais de arte, cultura e educação, de várias partes do Brasil, participem de
uma formação estruturada numa visão contemporânea de ensino de arte;

- possibilitar que os arte/educadores participantes estabeleçam diálogos e trocas de experiências


e tenham contato direto com professores especializados e outros arte/educadores, enriquecendo o
trabalho cotidiano que realizam em suas instituições;

- instigar os arte/educadores a interagir permanentemente com a arte, por meio de visitas a mu-
seus, centros culturais, bibliotecas, entre outros, instigando-os a desenvolver uma visão crítica e
integrada da realidade, a partir da compreensão e avaliação de diversos códigos culturais;

- ampliar o acesso dos arte/educadores e de suas instituições à bibliografia relacionada a arte/educação,


arte, educação, juventude e cultura, estimulando-os a pesquisar e investigar permanentemente, bus-
cando, relacionando e construindo novos conhecimentos por meio de uma vivência interdisciplinar;

A partir dos diversos procedimentos de avaliação adotados no curso, compreendemos que os ob-
jetivos previstos foram cumpridos. Queremos, então, dialogar sobre tais procedimentos e sobre al-
guns dos resultados observados.

No nosso ponto de vista, algumas características do curso transformaram a avaliação dos resulta-
dos em um enorme desafio. Entre essas características, destacamos:

- A quantidade e heterogeneidade dos alunos: o curso foi realizado com a participação de 160 arte/
educadores, que vivem e atuam profissionalmente em todos os estados brasileiros. Uma parte deles
possui formação em arte, sendo que, destes, há muitos que possuem cursos de graduação enquan-
to outros são mestres ou doutores em arte/educação. Outra parte dos alunos do curso atua como
arte/educador, sem, no entanto, ter formação em arte.
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- A duração: o curso foi de curta duração, num total de 120 horas distribuídas em quatro meses.
Compreendemos que este é um período suficiente para que os participantes problematizassem suas
práticas, trocassem e acessassem informações e conhecimentos e experimentassem novas manei-
ras de ensinar arte. No entanto, reconhecemos que este curso, isoladamente, não seria capaz de
formar o arte/educador (e nem era esse o objetivo do curso). Assim, o curso se colocou como mais
uma oportunidade de formação para os arte/educadores, entre as tantas que eles já tiveram e terão
em sua vida profissional.

Foram adotados procedimentos de avaliação, com a intenção de “levantar pistas” sobre os possíveis
resultados alcançados pelos participantes do curso. Entre os procedimentos adotados, destacamos
os seguintes:

- Acompanhamento semanal de participação dos alunos nos fóruns de discussão: o acompanha-


mento semanal gerou relatórios sobre o percentual de participação de todas as disciplinas, divulga-
das neste documento de sistematização, para que fosse possível estimulá-los a participar de todas
as discussões travadas no ambiente virtual;

- Instrumento de avaliação dos alunos: foram desenvolvidos dois instrumentos, sendo que o pri-
meiro foi submetido aos alunos após dois meses de aulas e o outro ao final do curso. Nesses ins-
trumentos de avaliação, os arte/educadores eram convidados a explicitar seus pontos de vista so-
bre diversos itens, entre eles: freqüência e formas de participação no curso, ritmo de realização
do curso, a qualidade das discussões dos fóruns, a qualidade das contribuições dos professores e
dos conteúdos das aulas, a qualidade da participação da coordenação e da monitoria do curso, a
qualidade da plataforma EAD|DUO, as contribuições da caixa-biblioteca, entre outros. Importante
explicitar que os depoimentos dos arte/educadores incluídos neste documento de sistematização
foram “colhidos” nesses instrumentos de avaliação dos alunos.

- Avaliação dos professores: os professores de cada disciplina, após a sua realização, avaliavam a
participação dos alunos e da qualidade dos debates nos fóruns e demais atividades propostas.

Sendo assim, os resultados do curso podem ser observados a partir dos pontos de vista e das histó-
rias contadas pelos seus participantes, sejam os alunos, professores, monitora e coordenadores. Os
diversos trechos de depoimentos e os relatos dos arte/educadores e professores do curso que apre-
sentamos até aqui já nos apontam alguns dos resultados.Mas, na busca por delinear os resultados
alcançados ao longo deste curso, destacamos, a seguir, algumas questões.

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Em um dos instrumentos de avaliação, perguntamos aos alunos se indicariam o curso para seus co-
legas de profissão e solicitamos que eles justificassem suas respostas. Acreditamos que, quando fa-
zemos uma indicação como essa para um colega, levamos em consideração a qualidade do trabalho
e as suas possíveis repercussões na formação e atuação profissional. Do total dos arte/educadores
participantes, 98% respondeu que indicaria o curso para os seus colegas. Apresentamos, a seguir,
as justificativas dos alunos, em que explicitam as contribuições percebidas após a participação nas
atividades do curso21:

“Pela qualidade dos conteúdos, dos professores e especialmente pela oportunidade de


estar em contato com profissionais de todo o país, trocando experiências e de alguma
forma contribuído para o fomento do ensino da arte na contemporaneidade e todos os
benefícios que essa ação desencadeia.”

“Por quê? É preciso que outros tenham a oportunidade de conhecerem cursos que pos-
sam reforçar a sua trajetória nas redes de ensino. Acho que até mesmo os diretores/
supervisores/pedagogas deveriam fazer este curso. Quem sabe assim a Arte seria respei-
tada como uma área de conhecimento?”

“O curso além de atualizar os profissionais no ensino da arte na contemporaneidade,


possibilita um intercâmbio com arte/educadores do país inteiro e, pela sua formatação,
faz com que reflitamos sobre a nossa prática. Isso é fundamental.”

“É um curso rico em trocas de experiências, com abordagens pertinentes à atuação do arte/edu-


cador, esclarece e incentiva o participante a buscar alternativas para a qualidade de suas aulas.
Qualquer profissional da área teria aproveitamento significativo participando do curso.”

“Ampliou a minha visão de arte e me trouxe conceitos e possibilidades de novas práticas


em sala de aula.”

“Acreditando na necessidade que todos os professores de arte tem em discutir e estudar


arte cotidianamente. Principalmente pelo fato de poder acompanhar outros pensamen-
tos, outras visões e experiências de professores do Brasil.”

21 Os depoimentos, comentários e sugestões dos arte/educadores participantes do curso à distância foram retirados dos instrumen-
tos de avaliação dos alunos. Optamos por não comentar os trechos na tentativa de não criar um sentido diferente ao dado pelos seus
autores. Decidimos não explicitar os nomes dos autores, tendo em vista o acordo feito com eles durante as avaliações do curso.

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“Já indiquei, inclusive. Pela qualidade do material bibliográfico, que reflete o compro-
metimento dos professores com o curso e, logicamente com os alunos; pela oportunidade
de conhecer minimamente outros profissionais da área e o trabalho desenvolvido por
eles e também poder dividir algumas angústias cotidianas.”

“Desenvolveu minha capacidade crítica, colocou-me em contato com as diversas reali-


dades dos lugares mais distantes e facilitou meu contato com pessoas da área de Artes.
Além disso, o conteúdo é espetacular, a forma EAD permite liberdade de horários e a
caixa-biblioteca é um verdadeiro tesouro para nós e para a instituição.”

“O curso é um instrumento importante para repensarmos nossa prática como professo-


res, justamente em uma época de tantas mudanças como a atual. Permite também que
possamos observar a prática de nossos colegas, a realidade de outros lugares do Brasil,
e pensarmos juntos novas soluções para velhos problemas. O contato e aprendizado com
professores experientes também possibilita uma troca muito rica.”

Provocamos os arte/educadores, também, sobre comentários e sugestões que teriam a fazer sobre
o curso a distância, logo após o encerramento das atividades. Recebemos dezenas de comentários,
sobre os diversos temas e questões que fizeram parte do curso. A seguir, apresentamos alguns que
consideramos importantes e que dizem de possíveis resultados do próprio curso22:

“Quando vi meu nome na lista dos classificados fiquei emocionada, dei pulos de ale-
gria... eu desejava muito fazer este curso. Já fui convidada por uma professora minha da
Universidade para palestrar sobre a aprendizagem que tive com este curso para acadêmi-
cos de Artes Visuais. Realmente aprendi muito, mesmo trabalhando 60 horas semanais
ainda consegui me organizar para estudar e fazer as atividades, e meu fazer pedagógico
só teve a ganhar com os estudos e reflexões que fui provocada/convidada a fazer.”

“Embora não tenha participado ativamente do curso durante os quatro meses (espe-
cialmente por estar envolvida em muitas atividades), percebo que a cada módulo recebi
estímulos bastante significativos para minha prática. Identifiquei algumas inquietações
presentes no cotidiano de tantos arte/educadores de várias regiões do Brasil, que trou-
xeram tantas contribuições, tantos conhecimentos, tantas trocas positivas.”
22 Os depoimentos, comentários e sugestões dos arte/educadores participantes do curso a distância foram retirados dos instrumen-
tos de avaliação dos alunos. Optamos por não comentar os trechos na tentativa de não criar um sentido diferente ao dado por seus
autores. Decidimos não explicitar os nomes dos autores, tendo em vista o acordo feito com eles durante as avaliações do curso.
79
“A única crítica que coloco é quanto ao número de participantes, que se por um lado
trouxe uma visão bastante abrangente sobre o ensino de arte em nosso país, por outro
gerou muita dificuldade, ao menos para mim, no acompanhamento de todas as posta-
gens nos debates. Por fim, gostaria de agradecer imensamente aos professores e a toda
equipe Humbiumbi – Arte, Cultura e Educação e DUO Informação e Cultura.”

“O estudo e o aperfeiçoamento devem ser uma constante na vida dos arte/educadores


que se preocupam com a qualidade do ensino que levam a seus educandos. Gostaria de
poder participar novamente dos cursos promovidos por vocês e que tenham a ver com o
universo da arte.”

“Agradeço infinitamente a oportunidade que a mim foi concedida em fazer parte deste
curso que não apenas contribuiu positivamente para minha formação docente como
também fortaleceu minha identidade como arte-educadora e minha visão sobre os con-
ceitos do ensino de arte na contemporaneidade.”

“A partir dos conteúdos aqui trabalhados sobre a Apreciação e Interpretação de obras de


arte, construí com o meu grupo de teatro uma proposta de pré-apreciação de nosso espe-
táculo que está circulando por algumas cidades satélites (periferia) do DF. Em cada cidade
escolhemos uma escola onde desenvolvemos atividades que procuram despertar o interes-
se dos estudantes pelo espetáculo e os motive a ir ao teatro e também oferecer ferramentas
para que possam ter uma experiência de interpretação do espetáculo mais aprofundada.”

“Afirmo que ficou uma forte reflexão propiciada através dos textos, livros da caixa-biblio-
teca, comentários dos colegas, sugestões de sites, livros etc. Aproveitei muito os livros
para o meu anteprojeto de mestrado que tentei esse ano e quero continuar a usá-lo.”

“Acredito que, somente com muito esforço poderemos vencer as barreiras que tanto nos
incomodam enquanto arte/educadores. Esforcei muito para não abandonar o barco.
Apareceram momentos de conflitos internos e externos. As inquietações foram muitas,
mas os desafios foram maiores. Me considero uma pessoa disciplinada, por isso fui até
o final, dentro dos meus limites, das minhas coragens, desafios, ousadias e até mesmo
correndo alguns riscos, mas me propondo sempre a fazer o que cobro dos meus alunos:
expor sempre, para arriscar mais, sem medo de errar. O erro será sempre fruto de avalia-
ção de um processo que nunca terá fim no ensino de arte.”

80
“O que posso afirmar é que esse curso modificou a minha visão de arte e me incentivou a
pesquisar mais. Sou professora de Teatro e todas as artes fazem parte do meu universo.
Não preciso ter conhecimentos profundos sobre tudo, mas posso transitar entre todas
elas com vontade, interesse e agora com um pouco mais de experiência.”

“Gostaria de comentar que é a primeira vez que participo de um curso totalmente a dis-
tância. Para mim foi uma grande oportunidade de crescimento. Um presente. O fato de
estudar e aprender sobre arte na contemporaneidade junto a outros arte/educadores do
nosso País me encantou. O alto nível de trocas entre professores do curso e arte/educa-
dores foi inesquecível e emocionante. A sensibilidade da ‘turma’ era contagiante.”

Para encerrar esta parte da sistematização do curso a distância Ensino de Arte na Contemporanei-
dade, apresentamos, a seguir, dois relatos. No primeiro deles, a professora Simone André explicita
os resultados que observou ao longo do curso e aponta questões importantes, quando se trata da
formação de arte/educadores.

Um curso a distância ou uma experiência de formação de educadores?

Simone André

Um curso a distância ou uma experiência de formação de educadores? A diferença pode pa-


recer sutil à primeira vista, mas é decisiva se considerarmos o sentido pleno que atribuímos à
formação de educadores como estratégia de pedagogia social no Instituto Ayrton Senna.

Com certeza, nosso objetivo maior como parceiros técnicos do Curso “Ensino de arte na
contemporaneidade: desafio para a cultura e a educação” foi situá-lo, ainda que par-
cialmente, no plano das estratégias capazes de desenvolver em larga escala as capaci-
dades e competências necessárias ao educador do século 21. Um educador capaz de, ao
mesmo tempo, dominar duas artes: conhecer e saber transmitir os conhecimentos, valo-
res, habilidades e atitudes próprias de seu campo específico; e, ainda, conhecer e saber
transmitir os conhecimentos, valores, habilidades e atitudes que façam de seus alunos
estudantes especialistas em aprender na escola e ao longo da vida.

81
Isso, que pode parecer uma expectativa alta demais para um curso a distância ou mesmo
para qualquer proposta de formação de educadores torna-se um horizonte ético neces-
sário quando consideramos o contexto atual dos desafios educacionais brasileiros.

Estamos num período de transição em que não podemos mais conviver com as dívidas
educacionais – ainda não resolvidas – do século passado, nem ignorar as novas exigên-
cias do século em que vivemos. Na maioria das redes de ensino brasileiras, conseguimos
que a maior parte das crianças e dos adolescentes tenha acesso ao menos ao ensino
fundamental, mas estamos longe de assegurar que esses alunos aprendam a coisa certa
no tempo certo. As capacidades básicas de leitura, escrita, cálculo e resolução de pro-
blemas, por exemplo, estão longe de ser dominadas por eles. Esse fracasso não é dos
alunos, já que todos têm um imenso potencial para aprender – independentemente de
suas condições familiares, sociais, econômicas, culturais.

Além disso, as exigências do século 21 já estão batendo na porta: para que as novas
gerações possam viver, conviver, estudar e trabalhar, precisam das competências básicas
citadas acima e, mais que isso, precisam desenvolver as competências, valores, conhe-
cimentos e habilidades para saber fazer escolhas (ser); aprender na escola e ao longo
da vida (conhecer); fazer a ponte com o novo mundo do trabalho (fazer); crescer com a
diversidade e participar (conviver).

Desse modo, a educação brasileira precisa lutar como um espadachim que domina, ao
mesmo tempo, duas espadas. Com uma, ele deve enfrentar os inimigos do século 20: os
baixos índices de aprendizagem e as distorções no fluxo escolar (os alunos não aprendem
a coisa certa no tempo certo). Com a outra, ele deve enfrentar as já presentes exigências
do século 21: aprender a ser, conviver, conhecer e fazer.

Desse modo, nós educadores que ensinamos arte para crianças, adolescentes e jovens
precisamos nos preparar para usar as duas espadas colaborando para que a educação
inclua e ultrapasse a escola, de modo a ajudá-la a ser:

1- Mais eficaz no que faz, ou seja, para ensinar os alunos a ler, escrever e calcular;

2- Inovadora e fazer o que ainda não faz, ou seja, ensinar a ser, conviver, conhecer e
fazer nos parâmetros do século 21.

82
É por conta disso que toda proposta de preparação de educadores pode e deve ter como
horizonte a formação desse nosso espadachim capaz de formar estudantes que, por sua
vez, sejam capazes de aprender a ser, conviver, conhecer e fazer em todos os espaços –
especialmente na escola – e ao longo de toda a vida.

Uma ressalva: não estamos falando de professores ou alunos que, como eternos apren-
dizes, vagueiam de curso em curso, aula em aula, site em site, livro em livro... Sem con-
seguir fazer dos mesmos encontros significativos com seus universos existenciais, com
seus projetos de vida, com a prática concreta de habilidades profissionais relevantes ao
novo mundo do trabalho, com a capacidade de fazer diferença no seu entorno social.
Tanto para professores quanto para alunos, esse excesso de informações ou formações
que caracteriza nosso tempo precisa ser acompanhada de uma alta capacidade de fazer
escolhas e de fazer uso do conhecimento de modo socialmente útil.

Partindo deste enquadre inicial, gostaria de elencar apenas três dos muitos diferenciais
do Curso ‘Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafio para a cultura e a educação’
que o situam do lado da educação necessária ao tempo e ao país em que vivemos.

Um curso voltado a arte/educadores. Seriam os arte/educadores profissionais estratégicos


para formar os estudantes que queremos para o século 21? Se pensarmos que para domi-
narem a espada que os levam a aprender na escola e ao longo da vida esses estudantes
precisam desenvolver habilidades cognitivas elevadas – como a inferência, a generalização
e a capacidade de resolver problemas – não seria melhor nos limitarmos à formação de
professores de língua portuguesa e de matemática? A resposta seria sim, se nosso desafio
histórico fosse somente pagar as dívidas educacionais do passado. No entanto, se aten-
tarmos aos desafios que seu tempo e sua existência impõem aos que hoje são estudantes,
lembraremos da segunda espada, aquela que os habilita a realizar encontros significativos
entre o que aprendem e o que são, entre o que fazem e o que escolhem para si e os que o
cercam. Haveria um caminho melhor do que o ensino de arte para conciliar interesses apa-
rentemente tão opostos quanto aprender habilidades metacognitivas e aprender a fazer
escolhas na vida? Não estamos afirmando ser este o único caminho, mas sem dúvidas é um
caminho indispensável para fazer de professores – sejam eles de matemática, português ou
arte – e de seus alunos aqueles tão desejados espadachins.

83
Um curso em que a maioria dos participantes são arte/educadores de escolas públicas.
Seria a escola pública o melhor espaço para formar os estudantes do século 21? Pensando
em todos os desafios do ensino público, na sua grande responsabilidade no fracasso da
aprendizagem de competências mínimas como ler com compreensão, calcular e resolver
problemas, e, nas poucas condições de trabalho do arte/educador nas escolas públicas,
então, não seria melhor investir em profissionais que ensinam arte em outros espaços
educacionais que não a escola? Todos aqueles, que como nós no Instituto Ayrton Senna,
nos dedicamos a pensar a educação no seu sentido pleno, que inclui e transcende a edu-
cação escolar, temos nos feito essa questão. E não podemos ser ingênuos de pensar que
a escola pública tal qual é hoje ou os arte/educadores escolares que temos hoje nas es-
colas públicas são idealmente capazes de vislumbrar o horizonte desejado da educação
necessária e perseverar para atingi-lo. No entanto, cremos ser indispensável que todo
conhecimento desenvolvido para capacitar arte/educadores seja destinado às escolas
públicas. É neste espaço público que realizamos a grande conquista de universalizar a
presença dos estudantes brasileiros, ao menos no ensino fundamental. Por isso, concor-
damos com o educador colombiano Bernardo Toro quando afirma que esses professores
e gestores são os melhores, pois são os que nós temos, ou melhor, são os que as gerações
jovens de nosso país têm. Mais que isso, nossa experiência acumulada de 10 anos de tra-
balho com o ensino de arte em ONGs de ponta e com educação complementar em redes
de ensino públicas em todo o país1 nos mostram que é possível reunir gestores educacio-
nais, professores e alunos em torno de um horizonte comum e somar forças para agregar
ao ensino público mais eficácia e inovação para melhorar a aprendizagem escolar e, ao
mesmo tempo, preparar os alunos para escolher seus caminhos na vida.

Na avaliação de desempenho escolar realizada junto aos educandos que frequentaram


as ONGs parceiras do Programa Educação pela Arte no ano de 2007, constatamos que o
itinerário formativo com base no ensino de arte trabalhado nessas organizações agregou
mais eficácia à escolarização dos educandos. Um exemplo disso é que quando analisa-
mos as médias de aprovação, reprovação e abandono escolar dos mesmos comparadas
às médias brasileiras, constatamos que:

No Ensino Fundamental:
* Aprovação 16,9% maior do que a média nacional;
* Reprovação 48,5% menor do que a média nacional;
* Abandono escolar 94,7% menor do que a média nacional.

84
No Ensino Médio:
* Aprovação 28,3% maior do que a média nacional;
* Reprovação 71,3% menor do que a média nacional;
* Abandono escolar 81,7% menor do que a média nacional.

Por isso, acreditamos que ao destinar suas vagas, preferencialmente, aos arte/educado-
res de escolas públicas, o Curso em questão dá um passo simples e decisivo na direção
necessária para fazer das escolas públicas – onde estão em massa as novas gerações de
brasileiros – o melhor espaço para enfrentarmos nossos desafios como nação.

Um curso em que cada aula foi pensada para compor um itinerário formativo. Essa me-
dida simples de gestão – organizar um curso com base num plano que faça com que cada
unidade de ensino e cada aula seja estruturada e estruturante para que ao final os par-
ticipantes possam aplicar o que aprenderam com segurança junto a seus educandos – é,
certamente, um grande diferencial, pois sabemos que cursos ou aulas, ainda que muito
interessantes, quando não são organizados com objetivos claros e intencionalidade defi-
nida para melhorar a prática do profissional, podem desestruturar o que parte dos edu-
cadores já havia construído em suas trajetórias anteriores ou, ainda, serem inócuos do
ponto de vista da formação necessária para mudar o status da educação no nosso país,
formando os “eternos aprendizes” que não tornam capazes de dar aplicabilidade ao que
aprendem. Além disso, uma outra medida simples de gestão, que deveria ser adotada
por todo e qualquer professor ou gestor educacional, é monitorar o tipo e a qualidade
da participação dos inscritos, realizando as intervenções precisas para gerar o clima de
aprendizagem capaz de favorecer o aproveitamento máximo dos participantes. Não é de
surpreender então que, apesar de ser um Curso gratuito e a distância, a frequência de
participações não caiu abaixo de 71% em nenhuma das aulas e que a porcentagem de
conclusões chegou a 82%, índices muito acima da maioria dos cursos a distância dispo-
níveis no mercado.

Além disso, todos os arte/educadores concluintes do Curso, saíram desta experiência


formativa com planos de aula elaborados e estruturados para fazer de seus encontros
com seus alunos um encontro significativo com a arte e com a educação necessária para
que sejam cidadãos do século 21.

85
Após essa breve análise e voltando à nossa pergunta inicial – um curso ou uma experi-
ência? –, afirmaremos que se trata de uma verdadeira experiência, ou seja, aquilo que
nos coloca fora (ex) dos (perí)metros da rotina. É ainda essa característica tão única
– arriscar-se para além da rotina da formação de educadores – que faz deste Curso uma
experiência com Arte.

No relato abaixo, que escolhemos para encerrar a sistematização do curso a distância ‘Ensino de
Arte na Contemporaneidade: desafio para a cultura e a educação’, a aluna Heloísa Helena Davino
Alves conjuga a descrição daquilo que pareceu mais marcante nesta experiência com um olhar so-
bre as repercussões que sua participação no curso gerou na instituição em que atua.

Se sonhar é preciso, realizar é importante.


Heloísa Helena Davino Alves

Este curso chegou num momento importante da minha vida profissional: aquele em que
o tempo de trabalho e o acúmulo de experiências pesam sobre os ombros e, pouco a pou-
co, vai se perdendo a leveza necessária e o frescor que a tudo revigora.

Diante da inscrição do curso, pairou a incerteza da escolha, a desconfiança e um certo


descrédito da proposta. Afinal, como pode acontecer, de maneira efetiva, um curso a
distância e só via computador, sem ninguém por perto, sem o contato visual do outro
que me acompanha, sem mesas e cadeiras e quadro e toda a parafernália escolar tão co-
nhecida? Somado a tudo isso, minha sonora incompetência tecnológica para lidar com a
tal ferramenta chamada computador... Essas e tantas outras questões povoaram minha
cabeça até que iniciaram as atividades e a “rede” foi sendo construída: de esclarecimen-
tos, de conhecimentos, de questionamentos, de percepção do outro (de tantos outros!),
das amizades, das afinidades, das trocas e muito mais. De repente, a máquina se tornou
uma aliada nos conflitos, nos apelos, nos aconchegos, nos achados e perdidos... Pen-
sar nas contribuições para a minha qualificação profissional é pensar numa mudança
substancial interna e de percurso educacional acontecidas. A começar pelo retorno aos
estudos de maneira sistemática e intensa, quase que ritualística, comprometida com
novos aprendizados e descobertas. Trabalhar, estudar, pesquisar, escrever, ler, pensar e
86
pensar e pensar, trocar idéias, trazer outras tantas, tudo ao mesmo tempo aqui e agora,
numa corrida alucinada contra o tempo cronológico (ufa!) imprimiu um ritmo – poucas
vezes burlado – que mobilizou o meu interesse, o meu desejo de ir além do que eu jamais
pensei realizar, compatibilizados com a rotina de trabalhos, vida pessoal e com lingua-
gens tão diferentes.

A proposta apresentada na plataforma com sua multiplicidade de informações e cami-


nhos a serem percorridos e desvendados e controlados e experienciados e ampliados
chegou como um exercício que provocou rumores internos e exigiu atitude de humil-
dade, respeito e necessidade imediata de apresentá-la aos pares da instituição na qual
trabalho, como elemento para a reflexão da prática pedagógica diária que, muitas
vezes, está permeada de vícios, repetições e focadas em elementos que não contribuem
para avanços efetivos.

Outra importante contribuição foi a interação dos professores com os participantes do


curso, quase em tempo real, observando, dialogando, ampliando o aparato conceitual,
alinhavando e sintetizando idéias. Cheguei a pensar em como isso ocorre tão poucas
vezes em caráter presencial... E foi tão intenso e fundamental que, nem mesmo um pro-
blema de ordem técnica na plataforma, impediu os encontros. Nada que o MSN não nos
aproximasse em dia e hora marcados – sempre aos sábados, às 18 horas – e provocasse
discussões calorosas, divertidas e altamente produtivas.

Vale lembrar que, à medida que o curso avançava, foi-se observando nichos de possibili-
dades de trocas de informações entre os participantes. Se a plataforma não contemplava
determinados mecanismos de interatividade, fora dela pode acontecer. A criação do blog
http://arteeduca.arteblog.com.br abriu espaço de criação e experimentos no campo da
arte e suas múltiplas linguagens. Assim, ficava disponibilizado o espaço para dar visibi-
lidade aos trabalhos dos participantes, bem como, servir de objeto de estudo e análise
crítica. Esse foi também um exercício extremamente difícil mas, também, instigante.

Para a instituição na qual trabalho, a maior contribuição, até o momento, foi a mudan-
ça de paradigma do projeto de trabalho já estabelecido, isto é, trouxemos para nosso
foco o centro de nosso trabalho: o Desenvolvimento Humano. Adotamos como materiais
de estudos as referências dadas durante o curso, as contribuições dos colegas, elementos
da plataforma, enfim, tudo quanto possa iluminar nossas propostas e ações.

87
Ter a presença de alguns dos professores do curso em nossa instituição, durante o Semi-
nário Arte Hoje – janeiro|2009 – como componentes de mesa de debate sobre o ensino da
arte, personificou, trouxe para a realidade concreta os estudos feitos de maneira virtual.
Foi a oportunidade de conhecer, ver pessoalmente, conversar cara a cara, saber um pou-
co mais dos bastidores do curso e poder dizer da emoção, do encantamento, do assombro
de realizar uma atividade até então, absolutamente, distanciada dos meus padrões de
vivências educacionais. Assim, pudemos ampliar nossa rede de contatos e a dos partici-
pantes do evento.

Acredito que foi extremamente positivo ter participado desse curso: pelos conhecimentos
adquiridos, pelas amizades que se formaram, por todo afeto recebido e a oportunidade
de me fazer presente na vida de muitas pessoas; pela retomada aos estudos e pesquisas,
pela curiosidade atiçada para lidar e me beneficiar com a tecnologia disponibilizada e
pelas mudanças educacionais visíveis no trabalho que realizamos. Só tenho a agradecer
pela oportunidade de participar de um curso realizado com tanta competência, serie-
dade, clareza e sensibilidade. Foi um privilégio fazer parte desse grupo de profissionais
selecionados de todo o país.

88
Expediente
Curso a Distância
Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafio para a cultura e a educação

Realização
DUO Informação e Cultura
Humbiumbi – Arte, Cultura e Educação

Patrocínio Exclusivo
Petrobras - Projeto selecionado pelo Programa Petrobras Cultural/2006

Parceria Técnica
Instituto Ayrton Senna

Cooperação
UNESCO

Apoio
Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) | Ministério da Cultura

Coordenação do Curso a Distância


Marcela de Queiroz Bertelli
Maria Helena Cunha
Maria Lívia de Castro Andrade
Paulo Emílio de Castro Andrade

Professores
Carla Linhares Maia
Lúcia Pimentel
Luiz Fernandes Assis
Maria Lívia de Castro Andrade
Paulo Emílio de Castro Andrade
Simone André

Monitoria
Lorena Tavares
90
Sistematização do Curso a Distância

Concepção e Texto
Paulo Emílio de Castro Andrade

Consultoria
Maria Lívia de Castro Andrade

Revisão
Élida Murta

Assistência Editorial
Ariel Lucas Silva

Design Gráfico
Daniel Patrick

91
Anexos
Ficha de inscrição

93
Ficha de seleção

Ficha de Seleção
Nome
somente somente
Data de Nascimento / / RG
números
CPF
números

Endereço nº Complemento
Estado CEP somente
Bairro Cidade números
Telefone 1 Telefone 2 E-mail

Nome da instituição em que atua:

Função que exerce na instituição:

Desde quando atua na instituição: Quantos alunos você tem na instituição?

Quantos alunos a instituição tem?


Qual seu último grau de escolaridade?

Ensino Médio Incompleto


Em curso
Ensino Superior Curso
Interrompido
Pós-graduação Especialização Mestrado Doutorado Completo

Área

Liste, abaixo, as 3 principais experiências acadêmicas (títulos, pesquisas, participação em congressos, entre outros):

1.

2.

3.

Liste, abaixo, as 3 principais experiências profissionais, indicando o nome da instituição em que atua/atuou, o período de
atuação e as funções desenvolvidas:

1.

2.

3.

Quais as suas expectativas ao participar do curso à distância “Ensino de Arte na Contemporâneidade: desafios para a
cultura e a educação”?

Após preencher toda a ficha, vá no menu "Arquivo" (File) e clique em "Salvar como..." (Save as...). Digite o seu nome e
salve. Envie este arquivo para o endereço de e-mail: ensinodearte@duo.inf.br

94
Declaração

Nome da Instituição

Endereço nº Complemento
Estado CEP somente
Bairro Cidade números
Telefone 1 Telefone 2

CNPJ somente
E-mail números
Histórico

Declaração
Eu, , responsável pela entidade supracitada, declaro que o arte/educador

atua em nossa instituição.

Assim, apoiamos a sua participação no curso “Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafio para a cultura e educação”,
que será realizado de 1º de agosto a 28 de novembro de 2008. Declaro estar ciente, também, que caso o arte/educador seja
selecionado para participar do curso, a instituição a qual represento receberá gratuitamente uma “caixa-biblioteca”, composta
por cerca de 10 títulos, a ser disponibilizada para utilização da equipe desta instituição.

, / /
Local Data

Assinatura

Após preencher, imprimir, assinar e enviar o original, via Correios, para DUO Informação e Cultura. Rua Piauí, 1046. Bairro
Funcionários - Belo Horizonte - MG - CEP 30150-321. A data de postagem deve ser anterior ao dia 23 de junho de 2008.

95
Folder Impresso

96
Folder versão on-line

97
Adesivo da caixa-biblioteca

98
Certificado

modelo

modelo
99
Instrumento de avaliação 1

Caros Arte/Educadores,

Estamos apresentando a proposta de avaliação do curso Ensino de Arte na


Contemporaneidade: desafio para a cultura e a educação. O curso será avaliado tendo em
vista dois aspectos: os qualitativos e os quantitativos.

A avaliação quantitativa refere-se ao monitoramento do número de acessos de vocês na


plataforma e ao número de interações nos debates do fórum. Assim, queremos perceber os
diversos aspectos que influenciam na participação de vocês no curso, em termos quantitativos.
Os dados quantitativos, também, são importantes para a concessão dos certificados de
participação no curso. Como já foi comunicado, os arte/educadores que alcançarem 75% de
participação nos debates do fórum receberão o certificado.

Porém, para nós, o essencial é a avaliação qualitativa. Essa avaliação, que é um desafio por
tratar-se de um curso à distância, é importante para sabermos se os resultados obtidos no
curso estão coerentes com os objetivos propostos inicialmente. Ou seja, queremos
compreender se, de fato, tudo o que o curso possibilitou aos arte/educadores contribuiu para
qualificar suas práticas de ensino de arte junto aos educandos.

A avaliação qualitativa terá a participação de diversos “atores”: vocês, arte/educadores alunos


do curso; os professores; os coordenadores; e as instituições realizadoras. Cada um dos
envolvidos nesta avaliação vai apontar questões e pontos de vista que, no conjunto, serão
utilizados como fonte para as conclusões sobre a eficiência e eficácia deste curso.

Desenvolvemos instrumentos de avaliação adequados para a participação de cada um desses


“atores”. No caso de vocês, arte/educadores, estamos propondo o instrumento a seguir, que
deverá ser respondido e encaminhado, por e-mail, para o endereço lorena@duo.inf.br , até o
dia 30 de setembro. Explicitamos que os dados da avaliação serão divulgados tendo em vista o
grupo de 160 arte/educadores, ou seja, não serão divulgados dados individuais.

Agradecemos a contribuição de vocês neste processo de avaliação e estamos à disposição


para esclarecer todas as dúvidas que, possivelmente, tenham!

Um abraço forte,

Equipe de Coordenação
Curso Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafio para a cultura e a educação

100
ATENÇÃO: Confirme seus dados para a confecção e envio do Certificado! 5) Como você considera a qualidade da sua participação no Fórum de Debates?
Excelente.
Nome completo:
Boa.
Nome da instituição em que atua: Regular.
Rua: Nº: Ruim.
Complemento: Bairro:
6) Registre se curso está atendendo as suas expectativas em relação aos seguintes itens:
Cidade: Estado/UF: CEP:
a) Formato (7 módulos)
1) Como você ficou sabendo do Curso Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafio para Sim.
a cultura e a educação? Não, o curso está sendo muito longo.
Não, o curso está sendo muito curto.
Folder eletrônico enviado por e-mail. Sugestões e comentários:
Folder impresso.
Imprensa. b) Professores
Amigo/colega de trabalho. Superaram as minhas expectativas.
Instituição onde trabalha. Atenderam as minhas expectativas.
Site DUO. Atenderam as minhas expectativas, porém com restrições.
outros: Não atenderam as minhas expectativas.
Sugestões e comentários:
2) Com que freqüência você se dedicou ao curso até aqui? (inclua o tempo dedicado ao estudo
dos textos, reflexões e acesso à plataforma – inclusive o cafezinho!) c) Conteúdo das aulas
1 a 2 horas por semana. Trouxe contribuições e serão importantes para a minha prática.
3 a 5 horas por semana. Trouxe contribuições, mas não serão importantes para a minha prática.
6 a 8 horas por semana. Não trouxe contribuições.
mais de 9 horas por semana – quantas horas? Sugestões e comentários:

3) Como você divide o seu tempo de dedicação ao curso? d) Fórum de debates


Faço tudo em um único dia da semana. Li as interações dos alunos e professores e o diálogo nos debates contribuiu para que eu
divido meu tempo de dedicação em 2 ou 3 dias na semana. refletisse e qualificasse a minha prática.
divido meu tempo de dedicação em 4 ou 5 dias na semana. Li as interações dos alunos e professores e o diálogo nos debates NÃO contribuiu para que
divido meu tempo de dedicação em 6 ou 7 dias na semana. eu qualificasse a minha prática.
Não li as interações dos alunos na maior parte das vezes.
4) Quanto ao ritmo do calendário das aulas, você o considera: Não li as interações dos professores na maior parte das vezes.
Lento. Postei minhas interações nos debates após ter expirado o tempo das aulas.
Rápido. Sugestões e comentários:
Satisfatório.

101
Instrumento de avaliação 2

Caro Arte/Educador,

Estamos apresentando o 2º Instrumento de Avaliação dos Alunos, para ser respondido


pelos arte/educadores que participam do curso Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafio
para a cultura e a educação. Nesta etapa da avaliação, nossa intenção é avaliar aspectos dos
módulos 5, 6 e 7 do curso e questões relacionadas aos resultados do curso de maneira geral.

O instrumento deverá ser respondido e encaminhado, por e-mail, para o endereço


lorena@duo.inf.br , até o dia 1º de dezembro de 2008. Explicitamos que os dados da
avaliação serão divulgados tendo em vista o grupo de 160 arte/educadores, ou seja, não serão
divulgados os seus dados individuais.

Lembramos que você receberá o certificado caso tenha atingido participação mínima de 75%
nos debates realizados no curso. Para receber o certificado, preencha os campos do
quadro da página 2 deste documento, com o endereço onde deseja receber o seu
certificado.

Agradecemos a sua contribuição neste processo de avaliação e estamos à disposição para


esclarecer todas as dúvidas que, possivelmente, tenha!

Um abraço forte,

Equipe de Coordenação
Curso Ensino de Arte na Contemporaneidade:
desafio para a cultura e a educação

102
2) Quais são as contribuições que o curso proporcionou a você? (marque quantas
ATENÇÃO: Confirme seus dados para a confecção e envio do Certificado! alternativas quiser)
O curso promoveu reflexões e debates sobre conceitos importantes relacionados à visão
Nome completo:
contemporânea do ensino de arte.
Nome da instituição em que atua: O curso me ajudou a refletir sobre minha prática como arte/educador.
Endereço para onde você quer que o certificado seja enviado: O curso me proporcionou espaços de diálogo com outros arte/educadores sobre a minha
prática como arte/educador e sobre meus conhecimentos acerca da visão contemporânea do
Rua: Nº:
ensino de arte.
Complemento: Bairro: O curso me ajudou a modificar aspectos da minha prática em sala de aula.
Cidade: Estado/UF: CEP: O curso não trouxe contribuições.

1) Em relação às suas expectativas no Módulo 5 (juventudes e culturas juvenis), Módulo 3) Você considera que, de alguma maneira, o curso contribuiu para que a instituição
6 (o fazer artístico no ensino de arte) e Módulo 7 (a apreciação e interpretação da obra de onde você trabalha reconhecesse ou valorizasse mais o seu trabalho como
arte no ensino de arte) do curso, você considera que: arte/educador?
Sim.
a) Professores Não.
Superaram as minhas expectativas. Por quê?
Atenderam as minhas expectativas.
Atenderam as minhas expectativas, porém com restrições. 4) Entre os 6 módulos temáticos do curso, qual foi o que mais contribuiu para a sua
Não atenderam as minhas expectativas. prática como arte/educador?
Sugestões e comentários: Módulo 2: Educação para o Desenvolvimento Humano.
Módulo 3: O Ensino de Arte no Brasil e a Concepção Contemporânea de Arte.
b) Conteúdo das aulas Módulo 4: O Valor da Arte na Contemporaneidade e seus Reflexos no Ensino de Arte.
Trouxe contribuições e serão importantes para a minha prática. Módulo 5: Juventudes e Culturas Juvenis.
Trouxe contribuições, mas não serão importantes para a minha prática. Módulo 6: O Fazer Artístico no Ensino de Arte.
Não trouxe contribuições. Módulo 7: A Apreciação e Interpretação da Obra de Arte no Ensino de Arte.
Sugestões e comentários:
5) Após 4 meses de curso, você diria que:
c) Fórum de debates Já utilizei até 50% dos livros da caixa-biblioteca como referência nos estudos para as aulas
Li as interações dos alunos e professores e o diálogo nos debates contribuiu para que eu do curso.
refletisse e qualificasse a minha prática. Já utilizei mais de 50% dos livros da caixa-biblioteca como referência nos estudos para as
Li as interações dos alunos e professores e o diálogo nos debates NÃO contribuiu para que aulas do curso.
eu qualificasse a minha prática. Ainda não utilizei os livros da caixa-biblioteca nos meus estudos para as aulas do curso.
Não li as interações dos alunos na maior parte das vezes.
Não li as interações dos professores na maior parte das vezes. 6) Agora que você já tem a experiência de participar deste curso, se você fosse
Postei minhas interações nos debates após ter expirado o tempo das aulas. participar de um curso com o mesmo conteúdo, qual seria sua opção:
Sugestões e comentários: Participar de um curso totalmente à distância, com 4 meses de duração.
Participar de um curso totalmente à distância, com 2 meses de duração.

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Participar de um curso semi-presencial (uma parte à distância e outra parte
presencialmente) com 2 meses de duração.
Participar de um curso presencial, com 2 meses de duração.
Outra. Qual?

7) Você teria sugestões, observações e comentários a fazer, tendo em vista os diversos


aspectos relacionados à sua participação no curso Ensino de Arte na
Contemporaneidade: desafio para a cultura e a educação?

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