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Ko Mam eae OOS OTS Um estudo biblico e histérico da celebracao do corpo de Cristo Rascsistt te te Beat apne fe Syne ce Dea ‘goes is am ray vent nee Rv Cag co 4c — Serie endinent a Cet 800°7017379 Sumario Capitulo 1 —A Celebragao do Compo 1.0 Pho e 0 Vinho na Comunidade Judaica 2.0 Pesach Judaico 3.0 Rito Capitulo 2— Enratzados em Deus Capitulo 3 — Pedro, ore Rsqueceu? Capitulo 4 —Judas ¢ 0 Bocado Mothado "Judas Iscariores Pardcipou da Cela? "2,0 Bocado Mothado Capitulo 5 —stistérto da Pledade: Deus conosco 1. eArmou Tenda entre NOs Capitulo 6 — Cota, Sacramento om Ordenenea? 1, Santa Geia: Goncepcoes 35 45 46 51 53 Capitulo 7 —A Colebracao na Igreja Primtttua 5° Capitule 8 —A Cala na Idade Média 6 Capitulo 9 —Coléquio em Marburgo 6 Eptlogo 8 Ribliografia ae A Celebracao do Corpo A. stata scams dn er AA. Ssessvccet asin casa No prnetts sea ton Seatac tere quand te scondo tom naa ods se fet omar oe comicrs pase (te 14.13), Jous on ee ea Sag to Gane scPeiceomse don des ducpuice couenioe Fen GST Dye naten Cinz6) Osilode lms a ee oats ton oo siao oportana para o enteegar aos principals ¢ sacerdotes (Mt 26.1516; Me 15.10-11; Le 22.3-6) €, obviamente, case feasse sabendo do local da euniso, armaria uma emboscada, evitan- do a celebracio ¢ instituicao da Santa Ceia_O sigilo ert neces ‘tio, ".. logo que voces entrarem em Jerusalem, verdo um flomem que wal andande © carregande um pate dgua. Sigamn ‘esse homem até 4 porta em que ele entrar Edigam ao dono da casa: O nosso Mestre pediu que nos mostre a sala para hospe- ides onde ele poder comer 4 refeigae da Péscoa com ow seus iseipulos. Ele levard voces ao andar superior, a um aposento fespagose todo preparado para nds. Aquele € 0 lugar Preparer fa releicio alt” (Le 22-10-12, Linguagem Viva). “Aqucla cra a uitima releicao de Jesus, a Gltima Pascoa celebrada em companhia dos discipulds, pols, “... desta hora fom diante, nao beheret deste fruto da videiea até aquele dia fom que 0 hel de beber, nove, convonco no reino de mes Pai (Me 26.29, ARA).A propria cela apontava para sea ato reden- tor ¢ falava de sua entrega voluntaria (Jo 10.17.18); %.. to- mou Jesus um pio, ©, abengoando-o, 0 partiu... dizendo: Tomai, comet isto € 6-meu corpo. A segul, tomou um eal ce. dizendo: Bebet dele todos; porque isto €o meu sangue, erramado em favor de muttos..” (Mt 26.26-28). Os elemen: tox da cela acriam sacralizados, transformados em saccamen- to, dogma da lgreja, " fazet isto em meméria de mim” (ICO. 11.24), © daquele dia em diante repetido pela igreja "ae ve ele vena” (v.26). ‘O ambiente onde a Shima Pascos e a primeira Santa Gea foram reallraclas era especial," um espacoso cendeulo mobi lindo © pronto.” (Me 14.13). © termo grego para "cenculo”, ‘anagaton, diz que era “uma sala no andar superior” da esa, ‘onde costumeisamente se realizavam as refelgoes. © cendeulo fer2 coberto de tapetes ¢ talvez mobiliade com divas — uma SSpiécie de soft sem encosto, feito de tapetes, conforme ex: reset a palayra “mobiliado”, no grego extroménon. ‘A celebragio da cela part os discipulos naguele cengeulo Ss completamente diferente das ceias anteriores, pois seu Micsire seria o proprio elementa a ser celebradlo: "Isto € 0 ‘meu compo, que € dado por 6s.” (Co 11.24). Os elementos {ipificavam sta vida © morte em favor dos homens. iA essencia da Santa Cela € a comunhio, Comumunido atte 08 discipulos. ".. somente um corpo © um 6 Espirito. ‘Gm s6 Senor, uma s6 fe, um s6 batismo, um 6 Deus € Pal de todos, o qual € sobre todos, age por meio de todos € esté em. todon” (BI 4-4-6). Cela é isto, € comunho, € partitharmos a mesma espe ranga de retorno, "até que ele venha” (1 Co 11.26): €esforco. iligente na preservacao da unidade no Espirito por aquilo que hos ane —— 0 amor de Deus, 0 vineulo da paz (BE4.3). Nao se pode separar comunhao e amor na celebragio da Santa Cela. O moe nos fez um. nos juntou: nos fez um 6 corpo em Deus * por inteemeédio da cruz.” (BF 2.16). O amor nos fez Igrejay hbéstr, “drados de dentro” do lamacal do pecado, da incon: Sisténeia do mundo, nos alicercanclo em Deus (BE3.17).F isto. ue celebramos 20 partcipar do pao e do vinho na celebragao. da Santa Cola O Pao e 0 Vinho na Comunidade Judaic Nas terras do antigo Oriente 0 pao € 0 vinbo, assim como determinados produtos, eram as formas mais comuns de all- mentacao. O pio, feberm, que aparece cerea de duzentas © ob tonta vezct no Antigo Testamento, em termos gerais significa Splimento”, "sustento”, indicando sua presenca indispensavel para o sustento do povo hebrew. © pio era principal alimenta. A expresso “comer pio", lem hebraico, signifeava "fazer uma refeigio"" Noventa © elneo [por cento dos habjtantes do mind antigo tiveram como base Alimentar os derivados do trigo, além de agua e vegetain. Escre Ye LD. Lucitio: “natural da regio do mediterranco oriental Imédio, o tiga comecou a ser culivado em 8500 a.C. © se tor ‘now uma das principals fontes de alimenta do mundo anti (gue nao vivia sem pao”? Sirs spresscurae em prepara? pO para os viajantes (Gn 181-6); os que trabalharam no campo se alimentaram de pao (Rt 2.13)- durante as guerras 9 pao era uusado come alimento basieo para os soldados (1 5m 16.20);10 episodio da multiplieacio, pes © poses foram usados por Jee Sto ale Liet3-21; Me 30-1, ‘0 pao devia ser tataca com respeito,” sendo prosbico Jogar fors até ax migalhas. Talver os judleus uulizassem eles ‘domésticos para esta fungio — comer ~.. das migalhas que ‘cacm da mesa dos scus donos” (Me 15.27). 'O pito mais comurh no mundo antigo era flto de cevada, aliments des pobres, por ser sais barato © pao de tigo era um juno. O prio era moido par vulheres ou ccrivos entre duas mgs cua farina Rina era asada para eozcr bolos © também para fins Iinirgicos.Trés cram os métodos de eozimento: 1.0 Lannaur (lor fo), tubo cOnico onde a massa era cazida sobre peels quences; 2: Randejasredonlas de imetal colocadas sobre tres pecs, onde ‘era aces0 0 fog 3-A massa, clocada sobre cnzas quests, ‘Os jaceus empregavam © pao para fins religiosos, seado ‘ato uima especie de gratidio pelos cuidados providenciais de Deus quanda simbolicamente entregavam, nos atos MEGFRICOS, parte do que fo! provid por He ‘Alem dos animals sacos nos stenficios weterotestamentrion, ‘os elementos do pao apareciam em ase todos os atos sacra, ‘ma clase de “ofertas de cheiro suave", que nao watavam do Pec do, mas falavam ce gratkldo, comminhto © consagracio. O po est sido em olertas paciieas (Le7-12) ofertas can pecias (Non 15.17.20). Naruralmente, Ba parte das cevimOnias da Piscoa, penteriormente na celcbragio da Santa Ceia cist , vomandlo um pio, tendo dado gracas. 0 path.” (Le 122.19) 0 pito sii podia ser cored, mas partido. Esse gesto ert ‘comm cht as familias judaieas, onde o pa, a0 tniciar uma re- feigdo, tomava um pao e, ape dar gragas 90 Senor, parti em peiagos ¢ dstribuitos entre os membros de soa fail. ‘A origem do vinho € antiga. Sua produeio no Oriente Medio dats da pre-historia, © texto sageado indica que Noe © Sillzou (Gn 9.20e0). Havia no mundo antigo diversos tips de bbeblcos, entre clas 0 co de roma cle timaras, lite © secbar hima especie de cervefa feita de cevada e painco. Entretan- to, iio se comparavam 30 viaho ‘O vinho fabricado ma Palestina era geralmente tinto, con- forme incica a expressio “sangue da wea" (Ga 49-11; Dt32.11), (6 lagar local one se fazia 0 vinho, em geral feava ia propria Minha, As eseavacives arqucoldgicas realizadas na antiga cidade de Gabaon revelam que o Lagat, segundo Johns MeKensie,” era ‘omposta de dots tanqes, alhados na pedra a diversos nels, {com tim pequeno canal que lewava do nivel superior ao infer for A primeiea compressao se fazia expremendo a uva Com os pes (Ne 13-13); era um cabalho festive, acompanhado de get fos (Jr 25.50; 48.33) ¢ de instrumentos musiais. Ein seguld, ‘Ge eachos ram eapremidos por melo de uma haste com uma pedea pesada, ow por meio de paus que serviam de alavanea part on pesos! O sco da wa depois era colocado em Finas OM recipicates de couro para a fermentagio. ‘© vinho é uin dom e uma beneao do proprio Deus (Dt 7.13; Pv3 10, Os 2.10), cevidentemente, 2semelhanca do pao, fas parte nas aches lisisgieas do powo jew. Fim sentido ge. ral, todas as refeigdes tém para o juew sentido sagrado.® O aliments ea bebida sio dons de Deus, dadivas que os fudeus Indo esquecem em sua oragocs Sobre o pao: “Bendit sejas, 6 eterno, nosso Deus, Ret do universo, que dda terra tris © po.” Sobre o vinho: “Bendito sejas, eterno, nosso Deus, Ret do universo, que eviases o fruto da vinka.” Sobre o alimentos “endltosejas, 6 eterno, nosso Deus, Ret do universo, que crlastestantas formas de iguarias." Sobre as fratas das vores “endo sejar, 6 eterno, nosso Deus, Ret do univers, que ceviastes os fruvos da terra.” Sobre os produtos do solo: “Tendito scjas, eterno, nosso Dews, Rei do universo, aus ceriastes os frutos do solo.” Depots das refetgoes “riendito sejas, eterno, nosso Deus, Rei do universe, que alimentais todas a8 crianaeas.” O Pesach Judaico © relato da insttuigao desse rto se encontra em Bxodo 12, Deus ordena a Israel que 0 observe (vv. 1,2)-A observancta Bo rto, além dos stos lisérsivos preseritos no relsto, exige & isposicio um cordeiro ou tm cabrio, macho de uit a0, Sem feito (v. 5), pies Azimos e ervss amarga (6. 8), Estas reco. ‘mendacoes dirigem-se 20 circulo familar (. 3), podendo es tenderee A vizinhanca (v4). ‘© cordciro devia ser assado intro, e aquilo que nio ert co" Feisdo no bancpocte deve oor qocamedo wns do dia agints (7 10). Os comensas ceviam coméo em pe c devidamentetrajado para uma Tonga vagem (11). Nos tempos de Jesus, conforme Indica Raphael Mardis,” a cerimOnia pascal haviarecebido anlar fnca dos grexos e dos romanos que celebravam seus dgapes, nao Somiam reeostacos em divi prowiios de alma ‘© Pesach significa na lingua hebealea "passae por cl “passar por sobre", Na lingua portuguesa fot raduzidla por "Fis: ‘ena, © Pesach surgiu emt face da tradicio de que o-anjo des. leuidor, ou anjo da morte, “passou por sobre” as casas C3}0 stangue do cordeiro imolado assinalara. "Porque, nagucls nO! fe, passarel pela terra do Hgitoe ferret na terta do Egito todos (8 primogénitos, desde os homens até 40s animais..O sangue os ser por sinai nas casas em que estiverdes; quando cu vir 0 Sangue, passaret por vos.” (Ex 12.12.13) “A passagem do anjo da morte eonseitats a sims peat sobre o ito, forgande 0 Farad alibertaro pore hebrew, post ‘Yelmente entre os anos de 1400-1200 4.6. O Pesach, na descr fo de MeKensie, mostra numerosas vaiantes que apontam para lima origem c desenvolvimento complexos. O Pesach, segun= doa grande maioria dos estudiosos, ers anerior 3 instieuiga0, RO capitulo 12 de Exodo. A festa original era pantoril aos ses Drimordios, onde os pastores celebravam o nascimento de ove: ‘has na primavera: e esse termo também faz alusto a forma como as ovelias costumam “salt por cma" dos obsticulos. Sei como Jot, por mcio da histortzacko, a Piacoa se vornou a grande festa Inacional de laniel, que celebrava naa consttuicio como Povo ‘naquela noite, comerto a carne assada no foro; com pcs asmos c ervas amargas a comerio” (v. 8) Azimos, 00 Rebraico maccor, significa "paes sem fermentor. A festa dos ‘pas sem fermenta” esti repiatrada em Exodo 23.15, a0 lado de outeas diss, No momento da instituicio do Pesach ela apa: rece ein correlagio com a mesma, como fescahistorica que ce Iebra a libertagao de Isract ca opressio epipcia O carater da cerimOnia indica que se tatava de wma festa agricola de ar dccimento pelo incio da colheita. No Novo Testamento € set [pre mencionada em conexio com 0 Pesach (ME 26.17; Me 14.12) [bm meméria dos sofrimentos dos Rebreus no Exitos €- smidas creas amangas:chieGria, csearols, agrito, salsa, rabanete, dincndoa, tary, igo. pases Estes ingredientes eram mista ‘dos com vinagre, formanido uma espéeie de molho, cor de tijolo Gharoset, cm hebeaieo), lembeande seu sntigo offelo NO FW O Rito (© Pesach era wena refelgio rtualatica. Bra realizada noite Segund Danie-Rops, 4 grande maloria do Povo 6 fia das refelgoer por dia; a primeira muito cedo, antes de sale para © trabalho, € outta quando terminava, a9 anoitecer 20 melodia facia apenas um simples lanche e depo dormiam a sesta ‘usando como referencia a Mishra, que € a primeira parte lo Talmude que consiste em tradigoes orais © comentieios Sobre o Peneateuco, 0 Pesaeb possuia momentos distinios 1.0 Pesach iniciaya com morte dos eordeiros, 4 nottinha de 14 de Nish. Enguanto os comers agpiclavam que o anho pascal fess asad, degustavam 0 primeiro calice de sinh © a baroset ‘Cada partcipante promunciava a omcio ritual “Benditosejas, Se- thor nose Deus, que eastco frato da vide", juntamente com wma ‘oragio expecifica em agradecimento por agucte dia que find:wa, 2) No segunda momento, quando o cordeiro fl esta 0- bre a mesa, o chefe da celebracio faz um leve esclarecimento sobre 0 sisiificado lirgico, uma especie de arualizacao e in- ferpretagao ca historia da ibcrtacao do Egito, conforme teste fiunha livia de Exodo." Em seguida, todos comiam um naco decame do cordcivo pascal, Cantaviese enti peqjueno Halll (Clouvor), que se compunha dos Salmos 112.6 113. Este se fuindo momento era encerrado com a degustagto da semund faga de vinho ¢ uesa segunda oraeso perpetracia pelo presiden- fed mesa. "Bendito sejas, Senor nosso Deus, rel de todo 0 luniverso, que livaste os nosso pais do poder do Fgito™ '8) Apos a segunda omicao, davase incio a rereira parte do ro, tocloscleviam lava sas mos. Bm seguida, como continuo Xdo.cerimonial, oprrsidente tomava ui pa sem fermento e part fo: comia um peelago com envas amangis ¢ distshuta depois 208 presente. Terminadia a refecio pascal, tomavi-se a terceira tga de ‘Hho © entoavarse segunda parte do Hallel, Salmo 125128. “) Novitimo momento da festa, distribubese a quartacaga devinho.e, em sexida, cantavase solenemente o Grande Hale, Forma pele Salmon 120.4 138, 0 mesmo repistado em Mateus 26.40, ra imprescindivel que a verimonia terminasse antes da meisenoite eapitnlod Enraizados em Deus A ‘celebracio da Santa Geia nos fz festejar a unidade © nos diz que estamos crratsacios em Deus, arraigadon na Mindade: =" permancce\ cm sim, eeu permanccerel em vos." Uo 15) A Paestinn, com cores de 26 mil qullometos quad thas (menor que.o Estilo de Sergipo), € uma terra de vinhas © S propeis vidcira cts asociada 8 vida do powe de oral. Ate tnesmo nos portoes do Templo foram escuplaas vides, em Imencionar a época dos macabeus, quando as mocdas que Clnvam traiam ta vidos cunhada nas mesma, © Antigo Testamento apresenta Israel como uma videlea fou vinha sof 0 viailante cutdado de Deus (S180.8-13; 123.175, Je221, Ex 151-18; 19.10; Os 10.1). © Senhor Jesus, apss a Instiuigao da cela, declars: “Eu sou avideira verdad, € met ral € © appicultor” Jo 15-1) Jesus apliea a idéia de videira a mesmo © aponts os seus discipalos como ramos. CHsto € a VE eins verdadelea, orginal, eno Isa! ‘Acelchracio da ceia requer permangncia em Crlst0, como celebragto do corpo. Permanecer @ um mandamento, uma OF ‘dem. E certamente cela se torna sim ato despojado do seu Yverdadeiro significado quando seus celebrantes no permane ‘Sem em Cristo, nso fzem parte da videira, nao se alimentarn ‘de sua seiva, e, conseqientemente, ". seré langado fora 3 se Imelhanga do ramo, e seca, ¢0 spanham, langam no fog0 © 0 ‘Queimam” (Jo 15.6). Permanecer na videlra é uma questio de vida ou morte (0u permanceemos nile ou morreremos: ou somos parte de Jens ou nia somos, ou nes enraizamos em seu cable para ter ‘mos vida ow secaremos como ramos imprestaves, Cetad celebracio da vida. Vida para quem permanece na vidleira, vela para quem esti enrazado em Jesus: pari quem Tem a selva vial correndo em suas velae: "quem de mim se ‘limenta por mim vivers” Co 6.57) [Nao existe vida para quem nao é ramo enralzado. Nao hi celebrasio da vida para quem nao ests arraigaco na Videtra Yerdadeira, Nao ha celebragio para ramo seco, pois este a0 celeb Thlvez uma das rides para tanta motes espirtuais na gee de Corinto seja a celebragao da cela por parte de ramos Secs: ‘quem come e bebe sem discerniro corpo, come e bebe juizo paras. Eien rasio por que hi entre vos multos fracos © docntes ‘Cno poucos que doemem” (1 Co 11.29.30}, Overme sreRo pas a palavra “dormem” neste texto € kofmontat, “eair no S000, tnorter" Eo apestolo Paulo ainda afiema que 0 aGimero de pes. Soas nesta sitaezo era alarmante,".. ne poucos.", no Be EO Bibands, “uma grande quintidade, muttos”. Se R08 peo" findarmos um pouco mai na andlise desta passagom, deseo feos que 0 verbo agi ex na tempo presente, indicando Ou {ima aco em progresto ow uma aco repetida. OU sea, as pester Ss que participavam da cela de maneita indigna o faziam ‘Shtumeicamente, repetidas veres. Nanea pararam para ter uma Sale de i mesmo, nunca colocaram suas atitudes © agoes em ‘Stperimento; nurica prowvaram su eariter Seassim fzessem, COM, ‘Sores seria psa dle mer nS Se Daraclow ta Videie, © titorallenados da verdadeira celeDracao So corpo. "Taamine'se, pos, ohomem asi mesmo. (1011.28); SO esteimunhanderthes também a conscieneta e 09 Seas pens ‘mentos, muamente acusandorne ou defendenco-e” (Rem 2.15). ‘Gear € celebrar o corpo ¢festejar".. a unidade do Espirt to no vinculo da paz” (Ef4.3); € demonstrar que estamos firmes cm um 36 expisto, como uma s6 alma, lucando juntos pela é-evangelica’ (p 1.27). 86 lesteja 0 corpo quem perma eee em Cristo, enratvado nfile, alimentandorse da selva vital Evidentemente que pelo modo como Jesus fala em Joao 15.2: “Toda ramo que, estando em mim, no der fruto, cle 0 Govta..", concluimos que existem ramos na videlea que 980 producem festos. Ou sefa, estho ligados 4 videtea,fazem parte Adis, mas, no cotanto, sto estereis, nao produzem, nao htcriorizam em frutos o que reeebem th videira. Produit fF tos € 0 “trsteima’ para se saber quem permanece em Cristo © {quem nao permanece, quem verdadeiramente celebra 0 Corpo. quem nio cclchrs; quem esta vivo © quem esta morto. Produ Sire marca de quem celebra 0 corpo, de quem festeja a vidas faze isto. em meméria de mim” (1.GO 1125), A producto de fratos € uma nos € 0 que nos diz 0 tempo presente dos verbos gregos use dos pelo evangelista Joao ao transmiir as palavras dle Jesus BO ‘dceimo quinto capitulo de seu Evangelho, Tornamo-nos ramos, fenraizadon nile, mediante a fe, arrependimento © badlsma. Fomos imersos em Jesus: ".. todos quantor fostes batizados fem Cristo de Cristo vos revestistes” (G1.3.27); da mesma forma como as roupas nos vestem, nos envolvem, ¢ de eerta forma ‘dentifieam nossa posicio, somos vestidos de Criate e nos iden lUfcamos com Ele. Se de kuto permanecemos nile ¢ celebra. mos a vids, damos frutos, © se damos frtos € porque fomos tmersox em Crist, batizados nl, revestidos dE interessante notarmos que esta rowpagem qMe recebe- -mos quando mergulhamos em Jesus nos denuneia, aos entre. 2; grlta para o mundo que somos diferentes: ~.. é também tim deles, porque o teu mode de falar o demancis” (Mt 26.73) [Esta roupagem exala o hom perfume de Cristo (2 C0 2.15); no ‘hi como escontder, ext impregnado, embebido em nos. Na celehracio do corpo nao hé meio-termo, mela posite, em cima ido muro, ou somos ramos frutiferos ow ramos mortor; ou cele >bramos a vida conscientes de quem verdadelramente somos, ‘ou nos tornamos cristios lamleases, suicidas (1 Co 11.2931) ‘Avceia tem esse toque de decisio, de certera do que se Fer Conviegio do que se celebea. Na verdade, lgumas pessoas no tem cieneia deste axioma, participam de modo indigne quan doo far preahe de indecisio, Tranaformaen, para i mesmos, Os ‘elementos da ceia em elementos de Jutzo, TNao fostes vos que me eseolhestes a mim; pelo contrat, ‘eu vos escolhta vos outros eos designes para que Vades © dels fruta,. Jo 15-16) A idéia de fruniicagio, repetida diversas ve 2es por Jesus aps a celebragio da cela, devia encher os cor ‘Goes dos diseipulos de plona certera de sua fangio como ra ‘mos produtivos. Os diseipulos no fizeram como os rabinos da Epocs que excolhiam seu mestre- Jesus os escolheu:".. €4 YO (Sscothi.” Jo 15.16, Me 10.1, Me'3.14; Le 6.13) “Porque, assim como 0 corpo & um e tem mulcos mem: bros, ¢ todos os membros, sendo muitos, constituem um 86 corpo, assim tambem com Fespelto a Cristo, Pols, em um $6 Espirito, odos nds fomos batizados em um corpo, quer jadews, quer prewos, quer escravos, quer lites, Fa todos ads f01 dado Deher de um 26 Espirito, Porque também 6 corpo nao € um s6 fiembro, mas muitos. Se dawero pe Porque nie sou malo, M0 Sou do corpo: nem por isso deixa de ser do corpo. Seo ouvido Gisser: Porque nao Sou olbo, nao sou do corpo, nem por isso deta deo ser Se todo 0 corpo fosse olho, onde estaria 9 ou do? Se todo fosse ouvido, onde, 6 olfito? Mas Deus disp os membros, colocando cada um deles no corpo, como Ihe Sprexive. Se tocor, porem, fossem tm 56 membro, onde est fia o corpo? O certo € que hid muitos membros, mas wm 96 orpo. Nao podem os olhos dizer mao” Nao precisamos de ts ‘oem ainda a eabeca, 105 pes: Nao preciso de Vos. Pelo cont: fo, os membros do corpo que parccem set mals fracos S40 secessirios; c os que nos parecem menos dighos NO corpo, & fester damos multo maior honra; tamisém os que em Abs 840 Sio decorosos revestimos de especial honra, Mas os nossos ‘membros nobres nao tem necesidade disso. Contudo, Deus Gbordenou o corpo, concedendo multo mals honra aqullo que ‘menos unha, para que nao hajadivisto no corpo; pelo contr 0, cooperam os membros, com igual cuidado, em vor Uns los outros. De mancira que, se um membro softe, todos so fem com cie;e, se um deles & honrado, com ele todas te Seger Zijam. Ora, vos sols corpo de Cristo; , individualmente, mem bros desse compo. A une estabclecets Deus na tgrels, primeira: fiente, apdstolow: em segundo Ingar, profetas, em tereciro hie sar, mestses; depois, opersdores de milagres; depots, dons de ‘Stra socortos, governos, variedades de linguas. Porventura, Sto todos apéstolon? Our, toclos profetas? S30 todow mestres? Ou, operadores de milagres? Tem todos dons de curar? Fala todos em otras Iinguas? Intespretanenas todos! Entretanto, pProcural, com zelo, on melhores dons” (L Co 12.1231) ‘6 apostolo Paulo, 1 Corintios 12, relat a imporeancta da lunidade do compo: “Pore, aksim como © corpo € Um € tem ‘nnitos membros, c todos os membros, sendo muitos, const Cin um so corpo, assim também com rexpeto a Cristo" @ 12). 0. ApSstolo enfatiza aunidade. Ha € essenelal para que o corpo viva (re desenwolva, =. fa muitos membres, mas um $6 corpo. co ‘Sperum on membros, com igus culdado, cm favor uns dos Ou toe. De maneira que, se um mernbro soife, todos seem com Cesc, se um dees honzado, com cle todos #0 regoziiam” ( 20.25126), Analisando bein este capitulo observamos que 930 ‘Exiate ligar para o individualism, no ha vez para o tbalismo: Stina eurto por ques entre wie mutton. docates” (1G 1130) ‘Em su apologia pela unicade, aja vista que a igreja de Corinto vivia em constantes brigas © em elima de competigio, se Eu tou de Paulo. cu, de Apola..” (ICO 3.4), oapostolo da bina aula de anaromiia, pelo menos para sua epoca, enfatizar [A Importineia de todas as partes do corpo, inclusive aquelas mals [fracas|” (22) ‘Aciencla cvoluit. Hoje salemos que corpo nto & somen: ebragos, pernas, mios, ete, Aeredito que até Paulo nao se rete Sa somente a membros externas como partes 0 COfpo, 1850 & Sbvio! Embora nto conecende a fanatiea engenarta ene Cauuc Co corpo, sabia que todas as partes preeisam trabalhar ‘in unidade e desta forma existir como um todo. O bom anda- znento das funeties vite depende da unidade. Nao celebramos f diciva do Calvitio quando nio tenor comeiéncia de nossa, “Eangio como partes do corpo. Sou brag? So perna? Ouida? Sov urns simples cca? que de simples 26 poss o nome, Cuma fantistica maquina genetical De qualquer forma, | bbmgo, eélula oar apenas ma mitocdndrs, sou cone. } unidade como fator exsenelal da vida | sr fantasies analog paulina wornase ainda mais sur | pecendente quando 4 analisamos detalhadamente. 00:50 | Bitpo pow cerca de cinguenta bilhoes de celulnn laxo sem | GichciOnare incsiculivel nimera que existe em nossa media J Gescat todas agindo pars o bermestar do corpo, Diaramente tewrese erm nono corpo urn verdadeira ger {contra virus ¢ bacteras que infest ambien.) tna “quantas bacrenas podem etarescondidas na bord de ur Bebe Som dgua? Com cortcenmiltaree. imagines ae ach Mio nosso organismo ni aglasem em wnidade nesta coud pa lita microscopicat Certamente dcixartamon de existe Continuaalo com a anslogia do apéstolo Patio, somos Nensinados accres da fangio quc cada pate exerce. O que adi huis nidate scm juries sas no desempeniasem a dor O nosso orpuniema pom on feucdetton, também cha: [tuados de celvies Branca, sor de cena forma tem a fungao de Kater ceri “inacores’ € desta fora que funciona 0 nosso “Gatersa tmamotigico. Se 98 clulas nao desempenbassem sua Bischo,« Unidad sclas nao garandria 0 equiliio do corpo Miossicrins pens os membros ineriores © superioresestarem SGnidos ao corpo re mio funcionassern; pars que terra a3 ios, se nao puclessem apalpart Os ouwidon, se nao pudesse SGovirr Os olhen, se nto pustessem enxergar?F as permas, se 4 | Ecomocio nto exintate? Enecessrio que os membros doco Elccompontorn ove facto. Om extabcleceu Deus na igre, peimeieumente, posto Hos, em scqundo lugar profess em tree lugar, mestres Je pois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros. ‘novermos, variedades de linguas” (1 Co 12.28). Paulo Faz questo dde-ser claro a0 alirmar que exda cristo, independe de sta post ‘Glo, possul uma funcio especifica © defnida denteo do corp “Ora, vs sols compo de Cristo; €, #udiotdualimente, memes deste Corpo” (v.27, gifo meu). Wood ecu temos fangden e deve ‘mos excree-las na unidade do corpo, é ito que celehramos no partir do pio eno comparithar de vino; nao somos indepen. entes © nem melhores que ninguém. N&o existe membre ser mporineia. O que € uma eélula’ Aolho au, nada! Ao microsco- plo, contuido, fator essencial da vida e da existencia, ‘A consciéncia desta verdad deve estar presente na cele- bbracdo da cela. Nea é nos tornarmen dacntes: Quantos cen {es docntes Voce conhece? les extio por toda parte. Detar. se cavolver pelos marsnmos da vida perdderam a visio do ce ¢ {desi mesmos; nao salem mals quem 10; nao conseguem mals flscernir 0 corpo. Discernido € termos a visio do ces; € ener {garmos 4.n6s mesmos como partes vitals do corpo € depen ‘dentes uns dos outros (¥ 25) Dor veats tenho ouvido alguns crentes dizerem quc debs ‘sam de participar da ccia porque se aborreceram em casa, D0 ‘trabalho, ou até mesmo a eaminhe da igre}a, achando-se indig znos do pao edo vinho. Acredito que muitas Yezes enchemos 4 Cela de tantos mistieismos a ponto de perdermos de vista set real significado, Preocupamo-nos tanto com © Cisco do olbo allio e nos scomodsmon com 3 viga que atrapalh 4 nossa Visto, que distorce a realidad to cee nos cega Para nds Mes sos, nos impedindo de ser corpo, de celebrar a unidade ‘Acredito que um dos malores exros—e minha classifica. ‘lo no € baseacla no exro em si, mas em suas conseqtiencias — ceperder a nacto de quem somos: quem come e bebe sem dliscernir 0 corpo, come e bebe juizo..” (% 29, fo Mea) “Estavam no Faden, Jardim de Deus: de todas as pedeas [pxsciosas te cobrias: 0 sardlo, otopizio,o diamante, oberilo, 0 Baix. © jaspe. a safira, 0 carbunculo ea esmeralda; ce Ouro se se fizeram os engastes cos omamentos, no dia em que foste Grado, foram cles preparads. Tu eras querubim da guarda SSngido, ¢ te estabelecl permanecias no monte santo de Deus, So britho das pedras andavas, Perfeito eras nos teus caminhom, “desde 0 dia cm que foste criado até que se achou inigiidade fem ti. Blevou'se 0 teu cornglo por causa da ta formosa, orrompeste 4 tua sabedoria por exusa do teu resplendoe.” (2 28.13-15,17) Fate 6, sem devia, um dos eplsodios mais Jesies que encontramos na Biblia acerca de alguém que esque eeu quem era, O querubim da guarda, tambem chamado em ‘aias 14.12 de "Pstrela a Mena”, "Filho da Alva", desejou ser ‘aguilo que nao poderia:.. Bu subiret ao e&u; aca das estre: GSde Deus exaltreio meu wono, eno monte da congremacho sme assentarei, nas extremidades do Norte, subiret acima das ‘ais altas nuvens c seretsemethante 40 Altfsiano” (ls 14.13.14) ‘Sea sentenca fol imediats: "Contudo, seris precipitade para 0 seino dos mortos, no mals profundo do abismno” (v.15). Bint sessante como o mesmo sentimento foi usado para que o ho. mem pecasse. “Eniio, a serpente disse & mulher eerto qe fio morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele -comerdes se vor abrirzo os olhos e, come Deus, seres cone ‘eedores do bem © do mal” (Gn 3-43) ‘Quem somos? Bsta €a indaga¢ao ontolégies dos Rlésofos. ‘Diz alguem que se a Igreja fosse arrebatada neste exato mo. fmento, levariaalgum tempo aré que o mund perechexse sera Guséncia, Acredito quc ado existe engana © nem hiperbole new Se afirmacio. Quem somos? Esta continca sendo a perganta definidors neste inicio de século. Temos sido tudo, ecm pou A Igreja é, acima de tudo, um organisme vivo. Diversos clementon vivos compoeat este corpo mistico, Como 0 corpo hhumano que possut diversos tipos dle eélulas — de gordurs, ccartlaginosas, musculares, wermelhas, ete. — todas sateraginde para que o corpo subsista, a Ipreja € viva, composta por pesso- |r com personalidades diversas © unicas em st Particularmen te, acretito quc se nao fone a fe que adquirimos 20 ousie © Crangeiho (itm 10.19), seria impossivel acteditar na unidade ‘da Igreja, € achariamos louea a peticio de Jesus "que eles ‘Sejam um, assim como nds" (Jo 17-11. Como pode um ons hnismo composto por uma gigantesca variedade aleangae 4 Un dace? Andar no mesmo passo, ter a mesma alinacio, possult © zmesmo sentiment, o mesmo perfume. Isto € 4 Igreja, "os chi fmados para fora” (gr eleblesia), © grupo dos “nso auto-escolh dos" [Bu no me escothi, Nao me auto-clest para ser santo. Nao ‘estou no corpo porque sou bonzinho. Estou no eorpe poraue Ble me escotheu (Jo 15.16), €0 seu eriterio de eseolfia € com pletamente diferente do nosso: "05 pobres, os aleados, o= Ecyos eos coxos" (Le 14.21), Bsses 80 0s tipos de pessoas com Widadas a0 banquete, chamadas a ceat No banguete que Jest Doferece mio hi Ingar para os perfeitos, para os nao-pecadores para os ndo-necessitatos da graca, para os ndocnecessitidos Us Ido que ampara, Quom romos? Parieipamos do corpo pordue somos die nos? Noses quslidades morsis motivaram a Jesus em sus esco Tha? Certamente que nan. ‘© que temos notado estes tkimos tempos & uma con pleta amnesia de quem somos. Fazse necessirio, © de mane Urgence, uma auto-andlise, uma autopsia do nosso carater, w= reavaliagio de notas atinides cristis para verificarmos se ve dadeiramente estamos exercendo nosso. papel come Igrcf ‘organismo vive, composte por clementos vives € conselentes de quem somor Acelebnigto da cela € um apelo urgente A auto-andlise, 20 | mlo-esquccinient. Na cea ¢ provbido esquecer: "azine ‘Em memoria de mim” (1 Co 11.23), oW scja, Nao exquegam de Guim, nao esquecam quem sow”. fa proibicio do exquecimen= “se estende ao homem, ao celebrinte: “Examines, pols, 0 “homem asi mesmo..." (v- 28), quer dizer, “Nao esqueca devoce _mesmo, nao esqueca quem 5" Pedro, Vocé Esqueceu? apéstolo Pedro é, sem duivida, wm dos personagens mais “controversos das Sagradas Escrituras. O seu fempersmen ‘he causou grandes problemas. Nao podemos nese s. E mencionado com mais frequencia e aparece em Hagar na lista dos doze (Me 10.2; Me 3.16; 1e6 14-16; lalem de ser deserito como um dos mais chegados a lado de Tiago € Joao (Mt 17.1.9; 26 37-49; Mes.37). Fol uma coluna nos primciros anos da lgreja Primitivs, agindo ‘com pulso firme durante aqucles dias eHtcos, ‘Chamo Pedro de controverso pelo kato de querer demons: ‘rar aquilo que nso era, Evidentemente, com este eureiculo apre Sentade acima. qualguce pessoa se sentiria previlegiada. Doren, Shur Ce problema, Quando achamos que somos privilegiados, ‘Os mais abencoados de toca 4 igreja, alo somos capazen cle ver hossas vullnerabilidades, feaquezas ¢ falhas, do comuns a qual- ‘Guer ser humano, Alguns chesam ao edmulo de acreditar que Deus possul ilhos peivilegiados, aqucles a quem Ble ara mals ‘em detrimento dos outros (AL 10.34: Rm 2:11; G12.6; EF 6.9. Cl 3125), Acredite que se tal pensamento fonte verdade Jens mio feria taorido no Calvario © nem passaria pelos escirnios que lantecederam sew artic, Tnfelizmente, vivemos dias cxiticos. Ha em nosso meio luma completa Inversio de valores. Nossas igrejas est20 fe: pletas de “cagadores-de-héngios”. Ser “abengoado” tornou ea divia, a marca distintva de quem estino centro da von | tade de Deus. confusdo, em certo sentido, esta na ma inter pretagio da palavra "bencio™ Im nossa atmosfera capitalist, a era powmoderna, bengao esta inirinsceamente ligada 3 Prosperidade material. Hoje, em algumas igrejas, ©-malor Imulagre no € a conversio de um homem, mas sim, sua 3° cennao econdmiea, Isto € bencio, o resto faz parte da “casts ‘dos pecadores” ‘Corea ocasiio, extava assstinds a um determinado pro- sgrama evangelico transmitido pela TV —um culto de testem ‘Shos mutto comem cm algumas 4ejas brasilciras —, alguns itmaos cestemunhavam acerea de hengios recebidas, Em deter Iminaclo momento, uo certo Irmo levantouse © comecou © seu testermunka dizendo que antes era amaldigoado pelo fat de ser um mero empregado em uma determinada empress paulista, mas agora havia sido verdadeiramente sbencoado porque nao era mais empregado, e sim, pateao, ace ji imaginou quantos pais de familia, seevos de Deus, sustentam sua prole sendo empregados nos mais varados ‘pos de emprego? Nesta confusdo de valores invertidon io Se Sahe mais distingwir bencdo © maldiedo, parece que noses Suvidos estio agravados a ponto de nao podermos distinguir a ‘07 co Sumo Pastor da voz tenchrosa do mercendeio (Jo. 10.14). ‘© mundo esti cheio desses pensimentos completamente Aanubiblicos acerca da atsaczo de Deus e até mesmo do proprio ‘Deus, do seu carater. Este tipo de teologia dever ser rejetada, fexpulsa de nossas igrejas, banidas de nossa lituegia. Teologias Darcacias pura c simplesmente em bengios¢ prosperilade mio servern put a edileacao © nem conduzem © homem a Deus. Precisamos de uma teologia puramente biblics, sem com fusao, sem marasmos, sem masearss.Precisamos de wma colo _gis que coloque ns coisas nos seus devidos hygares, Uma teole- iBit que coleque Deus como Senhor ¢ nés como servos; Deus ‘Como Pal e ads come fhos; Deus como Criador © nds como ‘enaturas; Deus como Oleiro © n68 como vas08; Deus como C3. beet e nos como membros. Devemos ter conscieneia de quem somos ¢ de quem Fle © Chega tesa teologia que illmentase de promessas de pros- Dperidadie © béngios materias a qualquer Gusto, que procura Subjuger a soberania de Deus A vontade humana, impondorthe ue’ 10s satisiiea todos os desejos e vontades, como se sse= fos cternos e Ele mortal; como se fossemos senhores © Fle JServo; como ae forsemon pals Hle fiho; como se fossemios Exadores e Ele ciarurs, como se fossemos olelros © Ele vaso, ‘como se fossemos eabeca e Fle membro. ‘O erente que destruta de verdadeiea maturidade espiriea- | ators nto para receber uma dadiva, mas para comune com Eg Deus. Ou soja, & medida que nos envolvemos com Deus, ama: ‘durecemos ¢, consealentemente, nossa maneira de Ofar val perdendo esse carter uulitarista, ce inverte os valores © cOn- Rinde os papéis, nos transformanda de coadjuvaaes 4 Pecudoprotagonistas. Na celebracio da cela, festejamos 4 co unhao, solenizimos 0 que Ele & ‘O caquecimente, que para o homem constitubse um de- feito e, potencialmente, um convite a0 pecado, na divindade revela-se uma demonstracio de graga e misericordia: "dos ossos pecados jamais me lembrarcl" Je 31.34; Hb 8.12). Este ‘mesmo Deus que nao tolera o pecado, cuja santidade o separa do pecado, por seu infinito amor, € capa de esquecerse de fodos os nossos pecados, se tio-somente Os conlessarmos € eles nos arrependertes. ‘Deus invade nosso mundo, toma nossa forma, veste NOS: ‘ss roupas, softe nossos sofrimencos, morre nossa morte — Emanuel, Deus conosco (Is 7-14; Mt 1.27). Humano, mals bu- mano que os homens. Acolhe, ampara, compreende, perdoa, esquece ‘0 Jesus que o evangelista Joao nos descreve na cela ¢ pu ramente humano, disposto a esquecer a trama da falei0, C0 ‘Tomou., pois, um pedaco de pao, endo-o molhado, dev-o & Judas." (Jo 13.26) Sim, arrependimento tem o seu momento ‘certo, As agéies humanaa devem se adequar 10 ealendario de Deus. “Tudo tem o seu tempo determinado, « hd tempo pars teda proptite debaixo do eéur hé tempo de nascer © tmp ide morrers tempo de plantar tempo ide arrancar o que se plantow; tempo de matar e tempo de curar; tempo de devrbar ‘tempo de edifear, tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear-e tempo de saltar de alegra; tempo de espalhar pe flras € tempo de ajuntar pedras; tempo de abragar ¢ tempo de afastarse de abracar; tempo de buscar e tempo de perder; tem po de guardarc tempo de deitar fora; tempo dc asgare tempo: de coser; tempo de estar ealado c tempo de flan, tempo de amare tempo de sborrecen tempo de guerra € tempo de paz" (e3.1-8) Jesus é divinamente humano. Emanuel, Deus na experi {Encia humana, que participa de nossa carne e sangue (W214), serviu-se de nossos trajes: "0 Verbo se fez carne, © habitons ‘Entre nés” (Jo 1-14). 0 Verbo velo para o cenario humaro, Confesso que a humanidade de Jesus me assusts, me faz ‘pensar que nio sou humano, Pra ser human, preciso ser como Jesus de Nazaré'e, alvez, soja esse 0 sentido do apelo de Paulo ‘90s crentes de Corinto: “Sede meus unitadores, come também ‘Sou de Cristo” (Co 11.1). Ser humano € ner como Jests de Saint os Judas e o Bocado Molhado “lina Piscoa que Jesus celebrou em companhia dos seus fiseipulos, na véspera de seu martirio, nao 101 um 30 ‘bolado, excepeional. Muito pelo contrario, nos revela sua fa. fillaidade comm a cultura vigente e insere-se na linha histories as reunioes ¢ cotas que Jesus comumente reaizo cor dif sentes pessoas, em momentos dntintos. Sepundo alguns ext iosos, Cristo Comeu com pecadores © pobres para simbolizar {gue eles eram os primeiros convidaclos no bangucte no Reino dos céus, Comen com publicanos e pecidores para expressar a feconcifiagto em volta de saa mesa, e ito excandalizava mutts pessoas (Le 151.2). Alimentou multidoes famintas, maliph Cando 0 pio, que distibulu a todos, para simbolizar que o Rei ‘no de Deus era abundancia, precisamente para aqueles ave hoje panna fome (Me 6.34); nao € por acaso que o evangelists Joao desereve o andncio da cela depois de uma multiplieacao de pies Uo 6) ‘© momento cla cela é especial, sublime. Revestese de um significado profundamente majentoso. Ni@ loi por acaso que t- ‘dos os eventos ocorridos naquela celcbracio aconeecersm. Cada [nesta cstava caregado de simboliamo e antncie protec. ‘Os primeirns dias caquela anguastiante semana, chamada ‘por alguns de "Semana da Pabxio", Loram marcadas por combar {es crucis. Os principals sicerdoces e os eseribas procuravar ‘tims oportunidade para condenarem Jesus a morte (Le 22.2). 7 Judas era uma pecichave para a sua trama, seado aquele que (Os lovaria ate Jenss, buscando ~~ uma opormunidade para tho Caarogar sem alvorogo" (. 6). ‘Guintateira, 14 de Nis," no “primetro dia dos pacs| asmos",! os discipulos chegaram Jesus e perguntarambe “Onde querer que te fagimon os preparatives para comers 3 ‘Piscoa?" E Jesus thes responedeu: “Ide a cidade ter com certo homem ¢ dizeihe: © Mestre manda dizer: O meu tempo ests [prdnimo; em tua casa celebrate! a Piscoa com os meus dscip0 Tow (Me 26-1719; Me 14.12.16; Le 22.7-13). Os evangelhos sinopticos narrim esse episodio com peopriedadle, endo Mar Soro mals rca em detalhes, A earefa en sigiloss. Lucas € 0 ‘nies excritor a revelar © nome dos disespulos imbuidos de tl tarefs. Pedro e Jofo (Le 22.8). Certamente a sigilosidade da ta ‘els tinha por objerivo privar Judas de saber, antecipadamente ( local exato da reuniao, Um cordeiro foi escolhico, macho, branco, de um ano, sem defeito algum, como exigia sles sacrificial O pao da "pres Sa", “tem tempo", feito ae carreiras, simbolo da saida do Heito Ervas amargas, simbolo da tise experiencia dos quatrocentos anos de juga cgipelo. Tudo precisava ser lembrado. Jesus © seus discipulos agiram como uma familia, a0 se _peepanarem part a celebragio pascal. Nos quatro Angulos do Templo, levees empunhando teomisetas forjadas em prata aguar- ddavam o momento exato para toci las, e desta forma dar iniclo. Besta pascal. A cidade inteira sguardava o inicio da solenida- de. O abate do anho, originalmente era feito pelo lider da fan fia, depois se tornou tetbalho dos sacerdotes ou levitas sue Bifcievem no Templo (Os cordeiros eram sterificados pelos vtimarios. O sangue de todos esses corderos era recolhido em sivas, fetas em ouco fu prata, e depots entornado em lugar praprio, junto a0 altar do Templo. Seguindo a matunga dos cordeiros no patio princi pal, cantavasse os salmos suais; os cordeiros eram cnti0 Erolvidos cm suas proprias peles © levadon aos lares hebrets, ‘Os dois diseipulos comiasionadon, Pedro € Joa0, J hav am preparado tado naquels quinta-feirs. Chegaram pla mac thi A casa do andnime hospedeiro, que alguns pesquisadores “conjeturam ser Nicodemos ou até mesmo 0 schador Jose de Avimatéia. Jesus © 05 demals diseipules foram 8 tarde. Justine Marr, em sua Apofogta,” aftema que mats nieggacm, além de Jesus ¢ 0s discipulos, se encontravam no interior do censcule. Eni una refeicto familie, partihada apenas entre Jesus © OF apostolos. O ex-padre e pastor batints, Raphael Martins, em sia bea Cota ow ats, nos diz que wma lenda muito antiga afi: fo. que Marta ¢ Maria suplicaram, porem em vio, licenea Para articipar da cela. O certo € que a cerimonia cra restita 408 Giscipuios, a partir daquele momento uma nova fase na histo ra cristd seria escrits © os discipulos seriam os principals Dropapadiores da mensagem mats sublime de toda 4 Historia. ‘Nao podemos determinar so certo a orem dos disespulos mesa durante aquela celebracio, De acordo como relat bibl ‘Co, contudo, entencemos que Joxo oeupava um lugar privile- Se) ae lade do Senor, podendo a¢ reclinar a cabega sobre ses ppelto (Jo 13.25), Segundo Henel Danie: Rops:"A procedencia ert igorosamente observada a mesa, ¢ cM varios lugares © evange- Tho mostra que of judeus cram meteulosos nesses assuntos: alucm ocupasse um lugar superior ao que merecia, © dono da Casa logo he peda que micasre parsoutro de menor importa Gu. A mesa thais importante fcava no centr, de frente para © ‘cspago virio reservado para os empregados. Hla munca era ocu- pala por mals de rex pessoas, co lagar de honra fewva ma parte [Supertor da mesa, Isto 6, & dircita do anfiteao, que se reclinava hho centro. 0 proprio dono da casa seria aos hespedes, ca ‘Um porsua vez excollienda as porydcs de acordo com a posicho dle cada vim" Sendo assis, podemos confeturar que os dois Igires mals especiais —a dircia ¢ 2 esquerda do anltriio ns ‘mest central — estavam ocupados por Judas ¢ Joao, este & es ‘Guerda¢ agjucke a dircita de Jems. Certamente, Pedro encontra: Vase cm uina dis exuemidades da men, a certa distinela dt Incsa central, pois, segundo.o peopeo Joao, ele acenem dizendo- the we penguntasse accres da identidade do traidor (Jo 13.24): ‘iste ne pode tomar o fo de que Pedro ena um dos responsi Seis pelos preparativos ca Psscos, ¢ prowavelmente Tol um Jos Ultimos 2 sentarse A mesa antes do inilo da celebracio. Judas Iseariotes Participou da Geia? A celebracio da Pascoa jd havia comegado, quando Jesus fex a bombsstiea declaracao: "Em verdade vos digo que um entre vos me traira" (Me 26.21). Neste exito momento todos fs diseipulos se entreolham, desconfiados, sentimentos con sos Afinal de contas, quem seria © taidor? al ato deveria ser Inconseqiiente; somente alguem fora de si o feria,” ‘porventura, sou eu, Senhor?” (#22), comecaram ainterrowi lo Sobre 1 cleniclade de quem o trina, © taldorestava ala mess Gate o meu amigo intimo, em quem eu confiava, que coma do ‘meu pio, levantou contra mim 0 ealeanhar” (3141.9), profetl- tava Davis respeito dacuele momento. Uma das periuntas que geralmente se fiz é: “Julas Iscariotes participou da Santa Cela?” Grande parte dos estuio- sos aftema que Judas partiepou da celebracao da Pascoa, des indo. ceniculo momentos antes da insttuigio da Santa Cela (Come memorial perpéruo da nova allanga (Hb 10.9). 0 cordel- qo pascal e todos os elementos que fizinm parte daquela cele- Bbracao, em primeira instineia, estavam inseridos no contexto historico da Hberxagdo da opressio epipcia (Bx 1224-28), ©, fom seguncla instincia, aludiam profeuicamente a obra redento- filo Messias, profetizada hi eerea de quatro mil anos antes de Grito (Gn 3.13).* No entanto, Cento instital uma nova cele Dpragio, no mals com or antigos elementos, mas com pao € Minho, simbolos do seu corpo e singue, memorial de sua obra cir. Estes elementos, ainda que fossem conhecidos por to- tos os hideus que celebravam a Pascoa, rariam um novo seats ido —estavam inseridos numa nova realidacle —e alwdisiam ‘una nova esperanga: ". anunclais a morte do Senbor, ate que le venha” C1 Co 11.26), ‘Segundo os textos de Mateus 26.20-25, Marcos 14.17-21.€ Joso 13.21.30, judas participa da celebracao da Pascoa, ausen- fando-te apée feceher 0 bocado molhado. Nesta mesma linha de pensamento, Paulo, em sus eélebre "Instrcio quanto 3 ce Icbragto. da Ceia do Senhor’, em sua Primelra Carta 208 lado.” (¥. 25, gro meu) A palavra "ecado”, no Brew deipresa, Significa “jana”, “tomar a refeicio principal”, indicando que {nto 6 pio quanto o vinho, que fariam parte da nova celebs (0, foram dade aoe diaciplos ape Preto principal da Paa- com — 0 cordeiro. Evidentemente, Cristo, como tim bor ‘deu, ao se omaitiria em parteipar de t20 especial celebracao pari o povo Sraeliaa Ademais, © apdstolo Paulo insere cele bbracao da ccia no momento em due # traigao de Judas stave fem andamento, .. na noite em que fol ratdo, tomou 6 peo. (23, grifo meu) Perddidoro, ou "tealdo”,€ 0 imperfeito pass ede paradidom, “entegat, tei, O nperfetio implica que Jesus insti a ceia como memorial de sua morte redentors ( evangelista Lucas € 0 Unico escritor neotestamentieio| [que insere a cena da indicacto do teaidor apés a instieaiea0 da Santa Cela (22.19.23), dando a entender que Judas participow tanto da Piscoa judaica, quanto da Santa Cela erista.No entan- 1, para lancar luz sobte essa questo, devemos evar em cont 6 lato de que Lucas utzon Evangeiho de Marcos, o primero ser eserito,* como esboco histérico bisico para seus escritos, Segundo Papias, tim low pals da Igreja antiga © diseipulo de Jodo, o propésita de Marcos era a inatrugia espirinual, © 080 lazer uma crOnica arvstca dos acontecimentos. Embora a oF ‘dem do material de Marcos pareca ser, em linhas gerals, er0n0- logiea (Le 1.3), ele ndo se ateve a isto. Desta forma, 2 intencl0 de Lucas era estabelocer'a inocéncia politica de Jenus sob ames Fomanas’ e mostrar que 0 evangelho € universal. Sendo assim, de acordo com Anthony Lee Ash, a0 escrever sobre a sequencia| dor clementor na Santa Ceia narrada por Lucas (2.1425), “pode ser que 2 ordem dos elementos nao fosse considera importante, mas fol importante que jens tvesse transformado. cesta refeigdo judaica devocional em um memorial perpénio do ‘gue Ele era ¢ estava farencdo” * Judas certamente nao estava presente na sublime celebra- io. 0 momento era resteto aos amigos dle Jesus, os que 0. amavam ¢ descjavam seguto por toda ® vida. A Biblia nos diz ue Judas amava o dinheiro (Jo 12.6) ea unica ver que se pro. fnunciow foi para censurar Marla, rma de Lizaro, que aeabava de prestar 0 mais alto servico de amor e humildade que 0 Se hor recebeu das maos de seus amigos (Jo 12.36). O Bocado Molhado Querlote localidade de Mealse (Je 48.26), « pouco mals de inte € dois quilometos ao sul de Hiebrom, ea inte e cinco cule fmettes a oeste do mar Mort, ert um cklade come outs al quer, nao fosse a referencia a um de seus hos — jaca aaa, bo hebraicoIsb-Queriotb, "Homem de Queriote™ Escolhide part © colégio apostslico, Judas tinha nas mos as mals inacrediiveis fepoctunidades; afinal de conta, Jesus o havia escahide para um ‘levado oficio:cuidar das Bnangas do grupo apostblice. Certamer fe possula caractenstcas que jusiicamer nt cacoll Seguindo as pegadas de Judas durante 0 ministio pie co de Jesus, podemon delinear o perfil deste, que seri lembrar do por toda a historia como o “taidoe”. Suan atituces ganancl- ‘onus revelam profundas feridas, wlan maleficas que 0 compa Juharam durante toda a vida. Judas era 0 tnieo dos diseipulos de Jesus que no provinha da Gallléa; era de Queriote,Judcia (Os hablantes da Judea despeezavam os nanurais da Galiléis como rudes colonizadores de onteiras. Essa atide pode ter licnado Judas Ineariozes do grupo apostélico,difleultanlo sa felagao com os demals dlstipulos. Ts fatoees sedimentariam, Jevando-o a um fim trigico (AC 1-18) Durante a consteugio da catedcal de Notre-Dame, em Pa- "ig, dloistalhaclores de pedras trabalbavam quando im passante [penguntathes o que estio lazendo. Um deles responde:"Estou ‘Guebrando pedras” Bo outro diz: “Estou consteuindo uma Catedral” 4 difercnga entre os dois talhadores dle pede © 4 ‘orientacto do coragia, Nao somos apenas talhadores de pe ‘dnis, algo grandioso esti em construgio. Palavras © atitudies ruvelam o que guardamos em nosso fimo, Se considerarmos (ser humano como uma casa, 0 porno seria o local onde se [muardariam todos os sentimentos ruins, pensamentos que se ‘Gher exquecer © porto €0 lugar dos objetos esquecidos. Cot ‘Sas que mio usamos com frequéncla c, ax venes, nunca wamos Guardamos no porio o¢ itensiliog de vm ente quando que Fi ‘nio estd entre ads, cuja lembranga nos remete aos momentos tristes da perda e, no entanto, nao temos coragem de nos des fazer dele®, fall que, na imaginacto fetl das erlang, cxcon dem-se os monstros c vildes mats terrivels. O porio os Mantel ‘confinaclos a escircao do esquecimento ‘Ooposta do porto 6a s6t0. Alas coisas so diferentes. Os monsiros imagindrios das historias infantis nao oeapam o S030. ‘inal de contas, all guardamos objetos que possuem utidades freqisentes, coisas que preci ser vistas, tocads, lemboradas; as {ow de eazamento, os bringueclos do hho que agora ereseet, as ccartas recebidan que merecem ser elidas, Iembrancas que nos ‘razei prazer O contraste €evidente, 0 s6ti0 6 em cli, 0 Po. ‘no, cmbaixo. Aquele guarda sentimentes bors que devcm set Temisrados, este, sentimentox ruins que ever ser esquceidos. ‘porto da alma € ma realidade que nao deve ser new da, Nele of sentimentos sio guardados, © quanton Judan 10 ‘acumutou! Sentimentos que adgecem, Corroem como cancer. Precisamos descer ao porto ¢ enlientar © problema de frente: Frcondé-lo, traneafis lo, nio resolverd a questio. Nao se cura fina feria ingindo sua inexisténeta, o aidsimo que se canse- ue ¢ proteiaro desiecho wagico. Tembrorme do expitula tr de Genesis, Adio « Fv hav am desobedecido a Deus, « experimentaram, pela primeira vez, ‘Oxgosto wmargo da erro, x iste sensacio de saber que ercaram @alvo (ipceado”, no grogo € bamartia, “errar 0 alvo"). Deus Eatio os procura, perguntindo: “Onde estas! (©. 9) A-onisce Encia de Deus cede lugar a confissao humana. Adao expoe seu fer, enfrents © problema: estava nu, live medo, € me c= fendi" (¢. 10). “Confessar”, no original greg, & bomologeo, Sconcordar com a deciaracio «le ontrem” Quando contes mos o nosso erro, concordamos que somos fracon, rigs € dependentes do Senhor. Nao podemios conviver com maqoas apodrecendo em nosso interior, Ndo se consegue viver Por fiuito tempo quando "cardos”€ “abrolhos" erescem e infestam ‘os pordes da alma. Hles nao permanecem Id por muito tempo: tem dia sobem as eseadas, forcam 4 ports, quebram as trancas € tnvadem todor os expacos da casa Era © aque judas Precise fazer. Abit 0 porto da alma, debear que a verdadelea haz, qe Indo seve, mas que nos permite ver, luminasse suas decisies, © S hiscéria seria outrs Jesus sabia Wa situacio de Judas, Bo momento decisive ‘era squele, antes da instituicio da cela, no parulhar do anho pascal. Apds a revelacto da presenca de ui traidor, € das insist fentes interrogagoes sobre sua Klentidade, um gesto inesperae do: o hocade molhade € dado a Judas (Jo 13.26). 0 pesto, se ipindo 0 cortume judaico, indicava que a pessoa que recebla © Fpocado malhado cea a mais especial da festa, depots do anf flo. Mats do que a indicagio de Judas come traldor, um sto ide misertcdrin ‘A palivra “bocado", no grego, psonsion, no aparece em Fhenhuma outea passagem no Novo iestamento, x aparcce aqul a momentos antes da cela. O ato de Jesus pode ser entendido ‘como sim apelo final para que Judas abandonasse seu intento ‘de tralgso e aglsse como verdadelro discipule. Gapttulos) Mistério da Piedade: Deus conosco FE ‘m tao simples e humilde gesto de partir 0 pio € compar. “thar 0 vinho, Deus se revela em toda a sua prandeza © F msenincencis, cujos atriburos de sua natureza diving, nto Sbstante a sua gloria © majestade, so tambséam manifestow em | Sua bondade graca: Desta forma’ 0 mistério da piedade, neste Simples gesto seu, nos coloca dlante da suprema realidade: -Semos como om espelho, obscuramente..” (1 Co 13.12, ARA) Nosso mode de ver € ouzo. A posicio determina a otica das “coisas. Mas, cntao, como nos diz 0 apostolo Paulo, wn cia "ves Esithatte ceoanstr mere Somn p emos face a face.” conheceret come também sou conbecid” Emanuel, Deus conosco. Divindade que se fez earne para ‘nos mostrar im eaminho mais excelente eos dizer que ofinal desta lormacao nossa, deste projeto inacabado chamado “ho- ‘mem, tem sus plenitude no outto lado do espelh. que nos cabe €2 “parte”, « nossa parte. © mistésio a piedade, dewelado na celebragto da Santa Cela, sponta park ‘im funure prime em que a “parte” debsark le exintire 0 todo seni a parte que nos eabe, "lunes maisa comerel ate que ela e-cumpra na reine de Deus” (Le 22.16). Plenamente, sem veu, Sem rellexo, face a face, ‘Do lado de c& do expelho s6 sabemos uma coisa: Deus.” Soman apenas imagens, Fotografias, plasieas da ivindade eterno apeendizes, + € Armou Tenda entre N6s' Jesus Cristo € definiivamente o lugar perene da presencs de Devs entre os homens e expresso perfeta da humanidade ‘que volta livremente para seu supremo Criador Hle € 0 apice do projeto decsivo de Deus: babitar entre as bomen. Th crlacio humana foi o inicio desse arsojado projeto dt no; um longa provesso qe Ago terminou nO Prlmelto SOpro de Deus nas narinas de Adio, A eriagia for imediata, ©. ho- ‘mem ¢ mulher os eriou” (Gn 1.27), mas € precise que continu femow a buscar a Deus, para que Ele nos “aperfeigoe em toda 2 boa obra (il 13.21), Anda ha mato que fazer no sentido de ‘crescermos mais canis no conhecimento do Senhor Tate processo de formagio € gradativo © requer de nds ‘constancia. ate que cheguemos 2 unidade da Fee do pleno ‘conhecimenta de Fitho de Deus, 4 perfeita varonilidade, 2 me: ‘cia da estarara da plenieude de Crisio™ (504.13) Habitar conosco. Fazer morada entre nds. Este projeto audacioso vem se reallzando em slitintas fises da Fevelagio biblica.Resguardo aqui a relagio estrita Revelacaousstérto, de Pal Tilich A palavra “revelacio”, que significa “remover 0 véu", se- ‘gundo Tilich, fo wadicionalmente usida para designar a max Bifestacio de algo excondliclo que nao pode ser aleangado ata ‘ver de formas ordinarias de se obter conheelmento. Em sti ‘bra clissca Teologia Siotemariea, ele esereve: SH um uso mais amplo da palavra na linguagem cote fa que € bastante vago: alguém revela um pensamento escon- Jide a um amigo, uma testemunha revela as creunstineias de Jum crime, um clentista revela um nove metodo que fol testa ppor longo tempo, um insight vem # alguém como "sevclaca0™ Srevelacao” € deriada de sew sentido proprio e mais exit, Uma revelagio é uma manifestagao especial © extraordinaria ‘que remove o veu de algo que esta escondlido de forma espect lc extraordinisia. Esse ocultamento frequentemene € cha ‘mado “mistério”. Algo que perdesia sua propria nauureza se Dperdewe seu cariter minteriono. "Mister, em sentido De: (pao, derivado de mucin, "fechar os ollos”, ow fechara boca” ‘Acompreenuia do objeto exige “abrir ow alos” «ari 2 boca” para um conhecimento comm. Porém, um genvine Imistério 56 € possivel pela postura inversa. "Os ethos st0 fe- thacos porque o penuino mistéria transcende o avo de ver, de conffontar objetos cujas estrururas revelagoes se apresentam um sujeito para seu conecimento™= ‘A manifestaqao da divindade, em carne © osto, constieai- sea grinde incognita da piedade. Espaco aberto aos dialoos com a diferentes possibllidades de se falar de Deus © le relagdo com os homens. Deus intervém, fle principio, na his- A6ria dos patrarcas Abraio, Teague © Jac6, dinigindo seus pa ‘Sos na preparagio de um espage onde seu propésito divino se ee sealizaria. A manifestagio de Deus é exporidica, le vem © se {etira Apts Exodo, a presenga de Dews sc Intensifica um pot Co mais, porém, ainda € passagelra ea favor de um Unico pove (8x29.35) ‘A Area da Alianca se constitu a presen de Deus entre os homens ducsnte um bom tempo. Hesra idcia de esporadicklade ‘esta virtalmente associa 4 propria area, Segundo} Briend, ‘quando Davi construit um palacio paras, a maneiea dos sobera. hos de seu tempo (2 Sm 5.11), manifestou-se a intencao de inst: The Deus em um templo, por meio da area, como os desc ‘cananeus.O profeta Nats intervem (2 Sm7) em nome de Deum, recuna aconstracio de urs templo em Jerusalém pore, su do a tradigao das trbos, 2 area nao se prende sun haga, 8s ‘conserva a liberdade dle movimentos, que € 0 propria Deus ‘Aiguns anos depots, ainda no seculo Xa, Salomso edifion 0 ‘Templo de Jerusalém, cumprindo a profecta de Nata (1 Rs 8.17. 25); porém, aquele Templo ers apcnas um outro antineio pre tico de uma realidad que ainda esta por vie (°¥. 12.13) O relato do apéstolo Joao & fascinante:"F 0 Verbo we fez came, habitou entre nbs.” Jo 1.14). O verbo grego estenoser Sinica". ez sua tends.” 0 Verbo se fez exene e armou ten Ga entre nds. A manifestagao de Deus nfo seria mals uma nt ‘yem gloriosa © exporddics sobre o Templo de Jerusalém, la ‘agora tomara forma em Criso. E com Ee 0 verdadeiro Temp! de Deus se fez presente entre nds, nde feito por mans de ho ‘mens (1021). O Senor definitvamente dese pars fear conosco (fp 2) c jamais abandonara a humanidade que ima ver seu (0 isterto da Piedade & vislumbrado quando paramos ‘de caminhar em direedo oposta ao caminhar de Deus. Enguan- to estivermos caminhando para Emad, como os diseipulos Ldesorientacos (Le 2413s), nada fers sentido, Enccessini, pa Pr Sentar A mesa com 0 misterioso Caminhante, olhar em scus thos e contemplar 6 parts do po. '\ habitacio do Verbo entre nés possibiitou de uma vez para sempre a verdade que os saenficis do Antigo Testament fencionavam: © movimento descendente de Dens er diregie: aohomem eo movemento ascendente do homem em diregae Deus, peus Movimento Deseendente JESUS CRISTO Movimento Ascendente HOMEM Alniciativa sempce € divina o primeico passo sempre € de Deus. Fol Ele quem nos amnou primeiro © nossas attudes 86 podem ser lidas corrctamente como resposta livre a esse amor ‘Todo o nosso universo esta centrado na fala, Somos acres ogocéntricos; tudo o quc falamos estd em conexdo diseta com ppalavras pronunciadas. ‘Deus ¢ Palavea. Verbo. A Palavra passa a fazer parte dos sentidos. Deus para de flere passa a scr visto, tocado, sentido ‘pelos homens, "Tende em vés'6 mesmo seatimento que houre {Eimsém em Gristo Jesus" (Fp 2.5); "em vos", no afew et, Sha vossa comunidade” de fé © amor, “na voasa vida comumn ‘A presenga de Cristo na cela deve sen antes da medanga do sentido que 0 pao eo vinho expressam naquele momento, “amudanga das pessoas que fazem parte da celebrngao. O mows ‘mento aseendente & expresso no “comer a came e beber © san- ‘Buc de Crise’ signified deisarse imbmir de ua causa, projets Cobjetivos e aceitie seu processo coniliive e seu destino. a —_eipiecin a . Sacramento ou Ordenanga? grande maioria das igrejas de tradigao pemtecostal concor- ‘dam entre si que Cristo legou a Tarela das observnciss: 0 Iatiemo em aguas © a Cola do Senor. Quanto est, Igseja ‘Gui6lica Romana, durante 0 Concilo de Trento, 90 século XVI, {eifirmou sua erenga nos ete sacramcntos’o batismo, a Ceia do Schhion a oragio, a confiemacio, 0 casamento, a peniténcia ea | Gxtremscungio, chamada desde o Conetio Vaticano I de "unio | dos enfermos” Estes dots to histGricos da ferista S20 natural Jnente charmados de “stcramentow” ou "ordenaincas” © termo “sacramento” nio aparece nas piginas das Fscok- ‘ura Sagraclas nem pore! equivalente na lingua grees ——idio- ‘ma em que fol escrito Novo Testamento, O termo aparece no latim, saeramentum, algo “santo”, “sageado”, “consagrado” Designava o juramento prestado pelo soldado 20 seu superion por ocasite do sewalistamento. O rformista Joao Calving (1509. 1364 dic.) diz que a igreia erista primitiva tomou cate temo para designaro ato pelo quial Jesus Cristo (0 comandante) ad. {mite cada nove crente (soldade) em sua Igeeja (exerci). ‘Osentido propriamente teologice do terme aparece, pel primeira vez, com Tertuliano (155-222 dC), 40 referinse 40 Staeramento ta fe", a0 "sacramento da sua © 40 “sacramento da eucarista”. Ternallano wsow a palaora para desiginar latos ‘grados, nals misteriosos ¢ salutares,atbs santos que server ‘de veiculo. A ulgata teaduco do grego para olatim, Feit por Jeronimo, pero do fim da séeulo 1V'dC, usa a palavra “sacramentem para tradvece mystérion,’ quc se refese ae cotsis relacionadas a0 mister da encaracio de Cristo. © termo, dle Acordo com a cltagio cle Michael L.-Dusing, velo a acrescentae ‘uma conotagio um tanto reticente, misterioss i colsas const eradas sagradas. (© terio “ordenanca” também tem suas raizes na lingua latina, ardo (ints), “ordem”, relativa a ordinare, “oedenae” Dessis ralzes € que nasce a palavea ordinan (antl), “ordenan- ‘ct Relacionado 2 ceia, a palavra sugere que exsa certmonta fo Institaida por manelamento, ou “ordem”, de Cristo (As igrcjas evangélicas preferem usar 0 fermo “ordenanga” para apontar os seus rtos, uma ver que no aceitam a ideia de ‘que ae cerimonias scjam canals da graga divina, conforme singe Feo termo “sacramento”. As ordenancas aludem 2 alguma re Ndade espietual, mas nao si0, de forma alguma, vekeulos gue reproduzam essa realidad. Fr Santa Geia: Concepcdes A.cela € fator de unite ao mesmo tempo, de rupeura. & fator de unido pelo fata de ser um rita estabclecide por Jews. -Evireualmente todos on ramos do cristianismo a praticam. PO: ‘em, no que se refere a interpretacio do rto, os vabios grupos divergem entre si Essa ruptura, em alguns casos, consutulse a Iendidade de detcrminados grupos "A lgreja CatGlies Romana defeade a posigio tomads no Concilio de Trento, Ou seja, (1) 3 Tramsubstanciacao € sata para explicar a mudanga metafisica dos clementos da ceia em Eorpo ¢ sanguic de Cristo. alguns estudiosos catolices dzem que no decreto sobre 0 sacramento da euearstia, nto fol dito fue o termo “iransubstanciacio” era parte necessiria da defini fio. Ao contririo, © conciio simplesmente disse que esse ert ‘om modo mais aceqado pars expressar 4 muidangs ques ‘ealiza nos elementos. De qualquer forma, mesmo 0s teologos EaiGlico-romanos reconhecem quo infeliz €aquela palavra, ue Bes geroso tanta malsentendicia no decorver da Hieévta. "@) Um outro principio que revela « eoncepgio exislica ‘omana sobre a ceia de que 6 mito abrange ure ato sacrificial Suse osacerdote, Independentemente do sacrficio de Crs to realizado no Calvitio, oferecia um novo sacrifc & Deus, apresentando 0 proprio sierificio de Cristo, {@) OSacerdotatismo umm outro prinetpio da concepsio ‘uislica romana sobre a cela seqund este principio; a presen ‘Gide um sacerdote ordenado € de capital imporsineia para a {ealizagio da celebracio. Sem cle, os elementos n40 si0 cons grow c, comecientemente, nio existe # transubseanciag30 ‘dos mesmos em verdadeiro corpo c sangue de Cristo, haa vist ‘gue somente 0 sacerdote podetiarepeur as palavras de Cristo, | Gestas, com base no postulade teoldgice do ex opere operae, | tornavam-te efetivas € realizavim os mesmos prodiglos ‘fetwados por aquelas que sairam dos proprio libios de Jesus ‘durante nett minister terreno. IAs ines de conflesio hiterans negam a tranaformacio smistica dos elementos, Martinho Lutero acreditava na compre: Seng: e coexisttncia do corpo e do sangue de Cristo sob 0 Pao ‘Coninhe durante a celebracio da Santa Cela Desde 2 publicagio de seus sermoes sobre os sacramen. tos da igreja catolica, em 1519, Martinho Latezo nao cessou de ddivulgar suas kléias sobre os sicrementon, especialmente so- bbre os que se relacionavam A celebracio da Santa Cela. Sendo assim, em 6 de ourubro de 1520, publica o eserito latino De Captivtate Babylonica bectestae Practudture (Do Cativetro Vabilonico da Igreja)” onde usa a analogia de uma barra de ferro aquecida no fone para expressar a interpretacio de Um subseancia noutra_O ferro e 6 fogo oeupam 0 mesmo espace. (© tesmo “consubstanciagie”, do latim com (com) © substantia (substdncia), no fot eriado por Lutero, cm, pelos Interanos ortodexos postertores. O reformadortambem nega ‘dela de ceia como sactificio e a ceneralizagio sacerdotal na ce lebracio, ‘Joio Calvino, tedlogo francés € lider eclestistico densminacional, critic a idea da presenga Fisica ou compéres de Cristo na celebracto da cela Para ele, a presenca de Cristo ‘ba celebracio ¢ espiritaal. Essa preseaca ou influencia, as pa Temas de Louis Berkhol, =. apesar de real, n20 € fisica, mas, sim, eapirtual e mistica, € medida pelo Espicito Sanco € esti Condicionada a0 ato de Fé pelo qual 6 comungante fecebe sm bolicamente 0 corpo co singue de Casto. ~ ‘Alem disso, segundo Millard |. Erickson, etando Berkhof, cembora os elementos dos sacramentos signifquiem oi presentem 0 corpo e 0 sangue de Cristo, fzem mals Ue Iso. ii ‘les também selam. A Ceia do Senhor sela 0 amor de Cristo pari os erentes, dandoshcs a certeza de que todas a8 promes- Sisda alana eas riquczas do cvangelho aio deles por doagio Givina. Em troca devum direito pessoal e dle uma verdadeira posse de toda cxsariciuera, os erentes expressam a fe em Cristo Samo Salvador e prestam obedigneiaa Fle como Senhore Rei" Eesu concepgao até hoje € mantida pelas igrejas de confissio calvinista (Reformada). Tirich Zavinglio, eeformador suigo, naseido em 1484 em \Wildhaus, Sao Gal, foro eeiadorda concepeio zwingliana sobre cei. Diferentemente de todos os outros pontos de vista Co rentados até'0 presente momento, Zwingllo ensinava que a Dresenca de Cristo na cela davarse através da comunidace pre Stntc na cclebragio, OW scja, a transubseanciagio ocorria no nos elementos (pao e vino}, mas na congreyag reunida:" pelo Espirito que age na pregacao do culto, acorre, aio simbo- Feamentc, mas verdadeiramente, uma transubstanciacio, uma tudanga da comunkdade.-n0 Yorum Corpus Christ? * Ele neg ft presenca corporal de Crista, mas aflemava a presenga espir ful raza para acela através da fe do celebeante” A Celebracao na Igreja Primitiva ‘alguns meios evangélicos a celebragio da eeta é reche- ada de priticas pomponas © vazias de signficacio. Porte. través da leitura iblica e extude das pritieas da Ire lth, que mai coisa se perdeu ao longo dos seculos que ‘0 momento da instculeao do rito ea nossa realidad tetdo © a forma como a Igreja Primitiva celebrava a Santa cra relativamente simples, talvez pelo fato da tise estar 10 dos poucos elementos (Pao ¢ vino) «na sim fe dos gestos, O oposto do que se observa hoje, onde & pluralidlace dos gestos, tals como: eabecas baivas, silencio, Contrigio, olhos fechados, restas tranzidas, lagrimas, nos lerm bbram ext, nao uma celebracio. "Na celebragao da cela peli Igreja Primitiva © que estava fem destacjuc nao era meramente 4 ltargia que envolvia 6 cul to, mas a fagia dos componentes semanticos que eram partes Ccentrais de toda eelebragao. O fundamental era a forma como liam o momento; a maneira como interpretavam Os £est0s, igelumente copiados da primeira celebracio realizada por Cel to momentos antes do suplicio, "fendo eantado um hin, si ram para 0 monte das Oliveiras” (Me 14.26). ‘Sempre cue devolamos lugir de destaque ao memorial fem si ont sels, aos atos ledrgicos da cela em detrimento da Scrnintica dos clementor, temos wen ato fumebre; basta obser armos 0 clima em quc se dou a inetitwigGo do ro: wisteza © Sprecnsio, Tale soja essa a pazion que levou Joo Crisstome (Gi-407 d.C) a pregar contra a poue freqiiéncla aos eultos de Sana Cota ‘Dulanteo primeiro século da er cxst2, Os eultos eram ree liradn no domingo (AE 20,7; 1 Co 16.2), 0 dia do Senor (Ap io). Neste dia reaizavam-se dots cultoe’ Um de manba, fazer do parte dia pia a leltura dos textos sagraddos, exoraga fet pelo presbitero,cinticos e oragbes (C1 3.16; BF5-19).F outro n= pare da noite, chamudo Agape ou “festa do amor”. Ne segundo momento deste culto reallaia-se a cela propriamente dita, com fs clementos que simbolizavam © corpo €0 sangue de Cristo Sid na parte final da primeioo secu, a fostar do amor j hhavis desapareclo e a ceta passou aser celebeada as prime! fas horas da man, conforme indica Pinto, © Moco, ct Uns ide suas cartas 20 imsperador Tajano. Plinio everevcu cerca de trezentas © sessenta carta (eplstutae) formanalo dea volumes, escrtos entre 97.¢ 105 6.c No livro %, cara 96, onde ac quiet de que os tempos pagios tentavam varios, pols multiddes estavam alsgande @ cristae: ‘mo, afirma que cxaminou erstios sab tortura forgando-os dizer tudo quanto descjava saber Desta mancira ficou sabendo ue os crstios se reuniam antes do amanhecer, partcipande. de uma refeicdo em comum. Seqndo a Primeira Apotogta de Justina Martir, 0 culto ‘comegava com a leitura das Memdriat das Apéstolos ou dos [scritos dos Profetas, segula entio a explanagio do texto No, Acomunidade ficava de pé para a omeio. Ov elementos da ceia feram dedicados por agio de gracas! e oracto, seguiade de “amem” proferido pelos presentes. A cela cra entao distabute pelos disconor. De acordo com 0 Didagué — manual de Ensinamentos dos primitivos erista0s, escrito provivelmente Antes de 150 d.C. —, somente os batizados podiam participa da celebragao da Santa Cela, contrarlamente aa que fzem ale {pumas comunidades evangélicas que dstribuem os elementos ‘in cla a todos quantos assim o descjam, sem nenhuim crierio ide comune ¢ compromise com o Corpo de Cristo: AOS & ‘cia, os presenies ae despediain com 0 deculo santo. Os cris ‘ios que nao podiam estar presentes 20 culto de cela ecebiamn A comunhao em casa, ‘Aldéia de Igreja, para a comunidade primitiva, era expres: su na celebracao © vivida na relacao comunitéria. Segundo Julio HL de Santana, ctando Philip Potter, a comunidade ¢ sian mo de repartiro que somos ¢ 0 que temos. A base de nossa fe Guim Deus que se reparuu ateaves de sua eriacio da humanics- dee da nacurcra (© Rein de Deus ¢ 2 realidade e a promessa desta comt- ‘nidade que f4 parilha do ser da Deidade, Quando Paulo ex 2 CCorintios 89 apela as faccdes rivals na igreja de Corinto para aque repartam seu hemestar coma igrejamae pobre de Jerusa Jém, empreya todos os termos-chave da fe: Graga © aco de aratas (Chdris), alegtin (chara), nmor (Gaebe), vervice {cliakonia),iguaidade (sotes), bencio (eulogia), generosidi- de de coracao aberto (baprores) e comunhto (Romnomay. Ble resume tudo isso dizendo. {ma prova desta ministracio,glonfcam a Des pela abe \idncia da vous conitanio quanto a0 Cranedno de Cite polaliberlidade com que contribuis para les par todos, Suan ram ccs avon von, co wan aoe ‘Gragte a deus pelo au dom wefivel! (1 Go9.1335, ARA) [Repartir nossos recursos, sejam quals forem, € uma con: fiss30 do evangelho de Cristo © uma oragio de obediéncls na qual glorificamos a Deus e contnbuimos para criar e mantet ma verdadeira comunidade. A igreja nao era uma estrutura de ferro conereto como, temos hoje, onde a arquitetura pomposa, que exbe luxo € He duera, faz contrante com a igroja de carne © Oms0 que pasts rnevessidade e jaz esquecid. ‘Sera que verdadeiramente estamos celebrando a auént- ca Santa Cala, festejando 0 corpo de Cristo na unidade do Esp to? Seri que os elementos da celebragao representam a 63 séncla do culto de Santa Cela ou sto apenas apendices de tal Segundo Oscar Cullman, a ceia nlo era apenas parte fr tagrante, mas a base e objeteo de ead rotniao realizada pelo cristion primitives. Radi Zimmer, ceanda Mario Rebfclé, diz {que na igreja antiga, a Santa Cea constieutu 0 ponto cutminan- edo cult cristio. E no momento de celebracio da cela que se reavalla a unidade © a comunhio erist. & por esta rardo que a Celebracto da cela sucedia a festa do amor durante os palmer ros anos da igreja. Realzava-se a ceia com 0 plo € 0 vinho uel Zarlos na fasta do amor. onde os membros partthavam o> alt Imentos due traziam numa verdadira festa Ge amor © comir tcrnizacto, celebrando a eonnmbao bortsonta prefetizad prot Joio. "se andarmos pa luz, como ele na luz esta, temos co- ‘munhio uns com os outros, co sangue de Jesus Cristo, set Fuho, nos purifica de todo pecado" (1Jo 1.7) ‘Sequndo alguns estud.osos, s6 podiam participar da cele- bbeacao da Santa Ceia os existe que participavam da festa do lamor. Ou seja, nao bastava somente ser batizado nas iguas, cra laccessirio derenvolver a comunhao cristh. Era necessirio par cipar dos sofrimentos e Iutas dos demas iemos na fe comme Serladeiro corpo de Cristo, ‘para que nia haja divisio no cor po, mas, antes, tenbam os membros gual cuaco wns dos Ot ‘fos, De maneira que, se um membro padece, todos o8 mem. ‘bros padecem com ele; ¢, se um membro é honrado, todos os sgiembros se regozijem com ele” (1 Co 12.25.26), ‘© spomtolo Paulo condenou enfaticamente 0 exovsin0 dos gue participavam da festa do amor sein a unanimidade [pro orcionads na comunhao horizontal. “Sede urdnimes entre os..” (im 12.16) Semundo 0 apistolo, alguns cristios parte ppavam do banqucte antes dos demais cheyarem paraacelebre- Go. “Porque, comendo, cada um toma antecipatlamente a sa [bropsia cea.” (1 Co 11.21) Hles pewavam 0 que haviam tras Go € ndo deizavam os outros — os pobres — comerem Je st ‘parte, dedcindo um saldo lamentavel.".e assim um tem fom, outro embriaga ve” (1 Co 11.21). ‘A celebragio da Santa Cela cxlgia que seus celebeantes| “desenvolvessem a comunhao fraterna, que vivessem 0 verda. ‘deiro sentido do cvangetho na pericicio da unidace criss (JO 17.28). Scqundo os primitives ction, verdadciea comuntibo om Deus, a comusthdo vertical, 3 seria possivel mediante & ‘comunhio com os demaisirmios da comunidade onde se vive Se Be algucm dix- Eu amo a Dens e aborrece a seu trmao, & ‘cnticoso. Pols quem nfo ama a su temao, a0 qual Vil, como pode anvara Deus, aquicm nao vis?” (10-420). Aliés, 0 perdao mediante 0 sangue de Cristo 6 se efetiva mediante a comu: ‘go (1 Jo 17). A Ceia na Idade Média lurante a Idade Média, que de acordo com a eronologia tradicional dos hisorladores siwa-se entre os séeulos Ve UXli, a celebracio da cela tomou rumo diferente. A teologia “escolistica €, sem dvi, a explicagio sintaieamentesistems- da liuurgia sacerdoral cotebrada nas catedrals, mostelros & as da idade Media, pelo menos no Ockcente. Mas ainda famos sem saber, e 650 Se constitui um quebra-cabeca, [No periodo medieval, a partcipacao na celebracto da ceia era restrifa ao sacerdote, 26 contin do ocatride nos primers ‘seulos onde havia a parteipacio daassembleia local Nests épo- ‘Gx encontramos autores como Lalo Magno ¢ 0 [4 meneionado Join Criséstome, que exoriavam © povo 2 comunhao regula Podemos dizer que o fator que legou o povo a penferia da lturgla {ota lingua. O lim ve tornara a linguagem do elero, da lturga © aeesso a celebracio da cela passou a acontecer através da de ‘yori das espécies consapradas, torpandorse a realidade dos cle- rmentos da cela primaria pars a popuilacio em geral. ‘Um outro fitor, ctado por alguns tedlogom, que poderia cexplicar essa mudanca da partiipacio da assembleta local dos Drimeicos seculos para a exelusividade sacerdotal da Idade Media, era 2 pecaminosidade significativa de multidoes de Datizados ainda nao iniciados que clamavam por propielacio, ‘os quais o lero ajudava a tomar plena conseiéncla de sua sit cio ¢ estado de pecado. Ao sacerdote eabia olerecer sacrilieo pelos pecados do penitente no nome e ma pessoa te Cristo. O Sacendote tornarase o centro da lturgia da cota medieval, que ia pessoa de Cristo consagrava ¢ ofereciasacrficion, tendo cle O poder para anularos pecados dos eis pela acko sacramental Segundo 0 tedlogo espanhol). Espeja, durante este perio do chegou'se a celebrar misas para comutar penitencias, ‘modo de tars, e muliplicaram-se as ordenagoes de presbiteros ‘para atender a demanda de miasas, Celebeavarse a Santa Cela para compensar penas do purgaério, aplacat a eer do Toddo~ Poderoso e atralr seus favores. Alguns sacerdotes chamadon aharistas ham por missio repetir vex ou outrao nt0 sari Saceia! Tim sua Summa Theologiae, Tomas de Aquino diz que a teologia da ceia durante 9 periodo cacolastico era teologia do sacendote ¢ para o sacerdote, nao teologla para os inicados. A devosio as especies, o pio eo vinho, exigit uma explica- {io sobre a presenga teal de Cristo © como tata presen at Se liza, H que tal presenca se efetvava através das palaveas do saver: \dote, que cram, na verdad, ax palavras do propria Cristo, User {do algumas categoria do pensimento arstotlicn para explicar ‘Aifercnea entre presenga em figura, ¢ levando.em eonsideracao que 6 pensamento simbolica — que poderis afta» figurado fn figura — estava em dedinio, a presenga dle Cristo na cela -passou a ser explicada como a mudanca substancll ‘© conctlio da igre eatolies, realimco em ente (1546- 41563), defini no deereto sobre 0 sacramento da eucaristi Dpresenca rel de Cristo e a transtormacto do pie edo vino no Yerdadeiro corpo e sangue de Jesus. Concernente 3 Sacrifieialdade da cela eatolica, assim rera a document Tnidentino: Iho} Um sacrifice ndo 36 de lowvor e de ago de graeas, hem simples lembranca do que se dew na cru. as am ‘bem propieiateris mio aprovelea 6 quem o eth, mas fee ser ofereido por vor e defuntan pelos pecaon Deas, ssfagbese owas necestdades = {1 Una 66 a meso & a via, © aquele que agora se ‘ieee pelo miniateno so sactdowes 0 mesmo ce Sno se ofercc a estas cues 0 Qve maria bo (0s reformadores contestaram, entre o1stras coisas, 4 com | entra nos ston sacraments da comagragio e acriil, bem ‘Gomo a vencragao dos elementos pelos fies. Repudiavam 4 SSociacao feita entre linguagem de saerificio ¢ linguagem de ‘peopicincio. Era inaceitivelaidcia de repeticio do secrifcio de | Gisto pelo sacerdote no ato da celebragao, Para cles, 0 sacl E clo perfeito « vciria era 0 de Cristo, cabendo a celebragio da cela tomnara misericdediae 0 perdae disponivels aos celebrantes 2 toniea da coin deveria giear em torno da acio de gragas © autodoacao. ’Av eivengeneias em rorno da cela hurante a Wade Média alcangacamn @ ipice aa pentitima parte desse periodo, ulmi nando na separacao etre igreja oriental e ocldental, tornan Gorse unm das divinces main serias nestes vinte séculos de his- tna da eristandlade. at if # Coléquio em Marburgo H istorieamente, ao longo dos séculos a controvérsia em tomo da Santa Cela tem se mantidlo, © os conflivos de sencadeades, em faz das multasdivergenelas, acabaram por Tevar a divisdes att mesmo entre os reformistas. No século XVI, os debates em tomo do tema romperam a unidade do protestantismo, © ainda que se tenlasse restabelecé-la, Isto jamais fo1 possivel. A cela sempre foie ainda conunuari a ser fator de eupeura Em Do Cativetro Babilico daa Iereja, conforme ja men clonamos, Martinho Latero desenvolve nua compreensho aces ‘ea da Santa Cela, confrontancio as posigdcs tadicomais cla tates ‘Catéliea Romana. As Idelas de Lutero nao foram aceitas por t0- dos, principalmente as que versavasn sobre celebracao da cea Desde 1521 até o fim de sus vida, 0 reformacior alemao ‘cupouse com essa questio, defendencla sua posigaa da pre: Ssenga real de Cristo na cela cm oponigio aos adiepros da Con cepeao simbotics, que nha como principas delensores, lado de Ulrich Zwingllo, André Bodenstain (1480-1541), Joao. Ecolampadio (1482-1531), Gaspar Sehwenckfeld (1489-1561) ¢Joto Bugentiagen (1485-1558), os quals Lutero chamava, em aicmio, de Sebwarmgeister. Esta palavra, Schuarmgetster, ont Simplesmente Sebowrarmer — que significa "enxameat” — d Signa a saicla de um cnxame de sua colméla, procura ce outro fuga A idéla de desordem expressa pelo verbo, Na aplieagier {eta por Lutero designava pessoas com pensamentos tcolog fs desconexos « canfusos, send. pols, em conexio com abe- Ithas em alvorogo, nocivos para os demi crstaos. Naw € dic Iimaginar o conceito que Lutero fazia dos teSlogos que s© Opt inham a sua coneepcio de Santa Gets De todlos os debates ealorosos sobre a Santa Cela, pode- mos citar @ ocorride em Marburgo, em 1529, quando 0. “Awinglianismo comecou 2 caminhar separado do luteranismo ‘O debate entre Lutero e Zstinglio deorreu por oensi30 d= Diets de Espira. Felipe de Heaven, magoado por ouvir os papistas repeticem: “Vangloriatwos de vosso amor a pura Pala. ‘ra de Deus ¢, contudo, r0is divididos”, propuscen So titer _hos dos diferentes parties uma reunido em Marburg. sto {da Reforma Protestante dependia da uni de todos os discipt los da Palavra de Deus. Como resitir a0 Império © a Roma se fos protestantes estavam dividicos? A unificacio de opinides cra, antes de tudo, uma tasefa bastante diffe. Nas palaveas de J. H. D’aubigné: Na manha de Sibado (2 de ourubro), o landgrave ocupou 0 seu assento nO falta, codeada de sua Corte, mas-vestido com tanta semplicide- de que ninguém o teria tomado por principe, Dese}ava Fugit toda aparencia de estar desempenhando o papel de um Constantino nos negScios da jgreja. Diante dele achava-se ua mesa, da qual se aproximarim Lutero, Zwinglio, Melancton & Gecoiampadive Tiatero, apanhando um pedlaco de ghz curvancdo-se sobre a toalha aveludada que cobria a mesa, esereveu quatro pala ‘ras, com letras grandes. ‘bdos os olhares acompanhavarn © ‘movimento de sua mao, ¢ logo lors: Hoe est corpus meta Litero descjava ter constantemente diante de siesta declan io, para que ela the reforcasse a fé e consttuisse uma adver: fencia nos seus adversiriow ‘Auris desses quatro teélogos sentaram-se os seus amigos —Nedio, Sturm, Fund, Frey, Eberhard, Thane, Jonas, Cruciger ‘outros. Jonas langou am rapide olhar aos nukes dino" —“winglio tem certa rusticidade e arroganela:? se € bem versado nas leas, al se da sem levar em conta Minerva eas ‘musas. Em Occolampadius ha bondade natural e admirivel mansuctude. Hédio parece ter tanta tolerineia quanto delics era; no entanto, Bucer possul a mana de uma raposa, saben: do danse ares de sagacidade © prudéncia ‘Oshomens de indole moderada muitas vezes reccbem pior tratamento que os dos pontos extremos. Outros senumentos animavam os que acompanhavam dle longe esta reuniso. Om Brandes homens que haviam condusido o povo em seus pasos ‘as planicies la Sandia, nas margens do leno © nos majesto- 408 Vales da Sufea, Ia estavam frente a frente. Os cheles da cris: fandade, que se tinham separado de Roma, achavam-se seunt dos para averiguar se podesiam contiauat a ser um s6 corpo. Dor conseguinte, preces e olhares ansiosos de todas as partes Ga Alemanha volearamse para Marburg, “Tlustres principes Ga Palavia!® — braclava a igreja evan sélica, pela boca do posta Cordus “Fherspicaz Lutero, afivel Gccolampadius, magnénimo ‘Zwinglio, pledoso Snept, clogdente Melancton, inrepido Buc, Sincero Hiédio, preclaro Osiander lenodade rents, Bencvolo Jonas, vivo Craton, cuja alma € mls poderosa que 0 proprio corpo, grande Dionisio © vos, Micomo, todos vos a quem © Drincipe Felipe, esse nobre hensi, convocon, ws, ministras € bispos, a quiem as cicades erstas enviaram pura por fem a0 ci imac mostrarnos o caminho da verdade. 4 Igreja splice ct, fem pranto, aos vossos pes, imploranda-vos, pela entranhas de Jesus Cristo, duc leveis este aasunto a um feliz desfecho, para ‘que © mundo reconheca em wosea lecisao 0 trabalho do pro po Espirito Santor "Tendorthes lembrado o chancelee do landgrave, Jose Felgr. em nome do peincipe, que o objetivo da conferéneia era 0 restabelecimento da tniao, fafou Luero. = Declaro que, quanto a dowerina da Santa Geta, discord dos meus adversirios, ¢ sempre discordet deles, Disse Crist “isto é0 meu corpo". Que me provem que um corpo nso € um corpo. Recuso raciocinio, senso corvum, arguments mund- ‘hos e provas matematieas, Deus esta cima da matematiea. Te ‘ow a Palavra de Deus; devemos respettila e cumprtla “inao se pode negar — disse Oecolampadits — que bai Aguras de retoriea na Palavra de Deus, tis como, Jodo & Ellas, peda & Cristo, Fu sou a Viddetra, 8 expresso “Isto € 0 met Corpo” Guma figura do mesmo genero. Tiutero admit que havia hguras de retdrica na Biblia pporém contestou que esta ttima locuezo fosse de sentido fig ‘ado. Todas as demais partes de que se compoe a igreja crista Seem, no entante, uma figura de retorica neseas palzeras. De Tuto, os papistas afirmam que “Isto € 0 meu corpo” significa fio s0 "meu corpo”, mas também "meu sane”, "minha alma mesmo, “minha divindade”, “Cristo integralmente” Tals pa lavras, de acordo com Roma, sto, portanto, uuma sinédoque, fropo pelo qual uma parte € romada pelo todo. F, pelo que oes aor luteranos, a hguea de lingguagem & ainda mats eviden- fe. Scja sincdogue, metafors, o metonimna, hd ainda, uma f- furs. A fim de provar isso, Occolampadlius ompregou 6 seg {esilogismo: 6 uc Cristo rejeou no capitulo 6 de S. Joao no pode: sa admitinas palavras da eucaritia Or, Casto, dizendo a0 pov de Cafarnauin que “a care para nada aproveita, rejehtou, por Imeio daqqelas palavras, a manducacio bucal de seu corpo. LOR, Cristo nfo estaseleces exte ato a0 institu a Santa Celt litera: — Nego a menor (a sepunda dessas premise); Cristo nao rejitou toda manduesea0 Ducal, mas apenas uma Ccerta mandueacio material, como a da euene bovina ou sana Occolampadiis: — 114 porigo em atrbutr demasiado go simples assunto, Tntero, — Tudo quanto Deus ordena se transforma em ‘spiro vida. Se, por ardem do, Senhor, evantarmos uma pulls, executamos um trabalho espinal. Devemos presta ate ‘fo a0 homem que fala, e nao aquilo que ele diz. Deus fal “Homens, vermes, ouvil” Deus ordena: "Que 0 mundo obede- a1" Que todos nos, juntos, nos prosternemos e humildemente Tietemos a Palavra! ‘Occolampacds: — Mas, uma vez que temos o allmento cespirtual, qual €a necessidade do allmento material Ttera: — Nao pergunto que necessidade temos dele} veo: 4, porém, declarada’ "Comei, isto C0 meu corpo". Logo, deve- ‘mos eres € obedecer Devemos obedecer! Devemos obedeces! Se Deus me ordenaase comer eaterco, eu faria com a cortez de que seria salute ‘Aesta altura, Zwinglio intervelo na discussao, dizendo: —“Devernos explicar Bscriura por Eseritura. Nao pode ‘mos admit duas espécles de manducacae material, como se Jesus houvesse mencionado comer, e os habitances de Cafarnaum, fazer em pedagos, pois a mesma palavra € empre: fgada em ambos os casos. Diz Jesus que comer 4 sua came, ‘materialmente, para nada aproveita (J0.6 63); datresultaria que Fle nos dera, na Sania Cela, algo que nos seria intl, Alem slsso, existem certos vocabullos que me parecem pues. O es tereo, por exemplo. Os oriculos dos demonios eram obscaros assim niio s40 08 de Jesus Cristo, ‘utero: — Quando Cristo diz que a carne para nada apo velta, He nio se relore Aaa propria carne, mas 8 nossa “Zwingli. —Aalma sustenta-se com 0 Espirito, < nto comm [utero — B com a boca que comemos 6 corpo, mio 6 come a alina ‘Zwingllo: ~O corpo de Cristo 6, ent io espiritual Tratero: — Vis sols capciosos ‘Zwinglio: —Isso nor mas vos profes conuadicoes. lLuteco:— Se Deus me apresentasse macinnlvestres, eu a cometia eapiritualmente. Na cucarntia, a boes reccbe 0 corpo ‘de Celsto ca alma exé em sus palavrsy “Zwinglo citens, entao, mumeronay passages clas Sagradas scrituras, onde se desereve © simbolo pela propria coisa significad, dat inferindo que, considerando a deelaracao de Jesus no Evangelho de Joao que "a carne para nada aproveits”, “devemos explicar as palavras da eucaristia de maneira identies Muitos ouvintes ficaram perplexos com tals argumenton Entre os professores de Mauburgo, senuavs-se 0 frances Lambert Seu compo, alto « magro, agicouse intensamente. A prinelpio, fora da opinigo de Lutero, © agora vacilava entre 0s dois reformadores. Ao ir conferéncia, dissers: sw Derejo ser tuma folha de papel em branco, na qual 0 dedo de Deus possa eserever a sua verdade, {im breve, apds ouvie Zwingio e Oecolampadias,cxlamav Sim! O Espirito € 0 que wvifeal Quando se soube dessa conversio, os habitantes de \Witemberg, encolhendo os ombros, denominaram-na “volubl lidade gaulcss”.Respondewihes Lambers: ‘Troi. Paulo volivel, porque se converte do farsaisoo? ‘Fomos nds proprios voldvels, ao abandonarmos as corromp' das seieas do papismo? ‘inter, no entanta, no se abalou, absolutamente, isto €o meu corpo —repetiu, apontando com o dedo 1 palavras exeritas dlante de sl. — “Isto € 0 meu corpo”. O Priprio Diabo mio me movers desta declaragso. Tentar Compreendé-ia, € abjurar a fe, Mas, doutor ~ dissethe Zwinglio — S. Jodo expliea de ‘que maneina se come 0 corpo de Cristo, © serels forgados, por fim, « debsar de cantar sempre a mesma cantiga SlUsais de expresses descortenes—retorquitthe Lutero — 0% proprios habitantes de Witemberg clamavam de sua ne- Ihe cetntigaa 0 asrazoado de Zinio Tint sem se perturbar, contin wou —Penguntonvon, doutor se Cristo, no capitulo 6 do Evan- ‘gelho de Joao, nio quis respondera pergunta que Ihe fora apre- sentada lutcro: — Mestre Zwingllo, descjls fazerme calar com a presuncao de vossa lingua. ssa passagem no vem A este €2s0. Zwinglio (apressadamente): — Perdio, dowtor; esta pas Lutero:— Nao vos gabeis tanto! Estais em Suiga. Neste pais, nto degolamos pessoas Voltandovse, enlo, para seus amigos, Lutero queixou-se serimonionamente dle Zwingli, como se este, de flo, Wvesse desejada cortariie © pescoco. Tre cmprega linguagcm de acampamento € palavras sanguinseias —clsse lintero esquecia-se de que empregara idéntica expresso —Também na Suga ha fustica severs, mas no degolames ‘homem alum, sem fulgamento, Hssa expressio significa sim pBlesmente que a sua causa esta perdica, desesprada, ‘Grande alvoroge dominow @ Salta Nobre. A rispcez dos suigos ea pertindcia dos sax Onion havin cnteado em conic O tandgrave, eemendo ver o malogro do sen plano de comeilia: ‘Gio, aprovou 0 esclarccimento de Zwingllo, fazendo umn sinal ‘com a cabseg. “Doutor — disse Felipe a Lutero — no devels metin dranyos com essas expressdes corriqueiras Tim vio. O mar agitado nfo podia scalmarse de novo. Ror conseiulinte, © prineipe levantou-se, todos eles se drigiram 20 Salo de banguetes. Findo 0 Jantar, eeencetaram os wabalhos. Falou Lateror ‘ambem que esti na Santa Geia. Pouca me importa que Ito sofa contra a naturera, contanto que no seja contra af: Cento Esta, substancialmente, nesse sacramento, tal como nasceu da Viewer, ‘Occolampadis,refeindose a uma passagem, de 8. Paulo: —-Nio conhecemos Jonss Cristo semundo a eamne” (2 C9 5:16) ero: — “Segundo a eatne", nessa passagem, significa pando 0 nosso simon carnal ay ‘Oecolampadius: — Nao admitis que haja uma metifora nestaspalavess Isto € 0 meu corpo" contuda reconhicecls Una Bnedogue Tatero: —A metifora conscate aa existéncia dem senbo- to apenas: asain no we cd comm a sineioque. Se om homer diz tGuc descjabebcr uma garafa comprecndemon que cl we relere ‘Drcomeido da garais © corpo de Costa eatl no pl, como tina copads ra sinha, ou como o bepinto Santo na pom Prossegela a discinsio deste modo, quando Osiandes, pastor de Nuremberg intevdo Agricola, pastor de Ausbungo, © ‘Bremu, pastor de alle, na Susi ator da cele Spngremnna, tniracim no sto. Tamer cles haviam sido convidados pelo landgene, Enetant, Brent, a quem Laero escrevera peu do que re sbstvesee de comparccer por certo, devido tua indetisto, setardara & proprin parila, bem como a de scus timigos. Forumihes denignados lugares a0 lado de Luero © we esta atengio; € fala, se for necessérto — informa: Tio iaram sendo pouco proveito de tl consentimento Salvo biter, tofor ne fomos personages sidos dsse Metancron, - ‘A pots proseegula, Zing 20 ver que a exegese no basara luneto, arescemion acts talagia opmain, © com ‘longo ilowofia nates. Profere + Contsat-vor com exe artigo de none S: Ascend oot, Hes a obs Se Ct se tcha no con pei uc tape ta so ecu corpo, como pode estar no pot Ensina os a Para de Daan quc Hier, cm td, semelnange os mos il 2.17). Cre tno pode, porn, esa em varios gates smulancarmeme Lntero: — Bstivesse eu desejose de angumentar assim, © comprometcemesia a provar que Jesus Cristo teve uma expo, possuia olhos negros e viveu em nossa boa terra da Alemanhal Pouce me incomodo com a matematics, — Aqui no se trata de matematica — respondeu-the Zwinglio ~, mas de S. Paulo, que esereveu aos Filipense (© Jeu em grego) "... Mas envariow-se a si mesmo, tomando a fOr sma de servo, fazendo-se semelhante aos homens." (Fp 2.7)" Lutero (Inteerompendoro): — Lede-nos em lati, ot ale- ‘mio, nio em grexo. ‘Zoinglio (em latim): — Perdosime; durante os dhimos doze anos, servieme apenas do Testamento con grego- Bm seguida, continaando ler 4 passagci, dela inferia ‘que a natures humana de Cristo é de constituigss linia, cone Tiutero, indicando com o dedo as palavras excritas dlante ‘de sis— Carissimos senhores: uma ver que meu Salvador Jesus (Cristo diz: “Hoe est corpus mount", creo que sett Cone ext realmente al “Asta altura, a situacio animou-se, Zwinglio saltou da ea- deira, investia para Lutero © bradou, esimurrande a mesa dian te deste Sustentas, entio, doutor, que o corpe de Cristo, local- mente, esti na Eucaristia, pois dizets que o corpo de Cristo cath realmente aff, alt, ali repens — AU umn adverbio de haga corpo de Cristo 6, poreanto, de tal natuvera qe ett nuts lugar. Se Ble esta num lugar std no ee, donde se conclu ce fo est ne po. utero: — Repito que nada tenho a ver com provas mate- itis Assim que se pronunciam, sobre 0 pio, a palavris consagradas, 0 corpo ali se acha, por mais Inkquo que se}a 0 ‘ministro que as pronunciar ap a Zwinglios — Neste easo, esaisrestabelecendo 0 papismo. utero: nso ido re realiza plas virmides do ofielante, ‘mas por causa da ordenanca de Cristo. Quando 0 corpo de (Cristo esta em questao, no costumo ouvir lala sobre urn lugar especifico. Nao costumo, absolutamente “Zssinglio: — Entao, tudo tem de exatic exatamente como esejais? 1 Landgrave, percebendo que a discussio estava fleando perigosa, como o repasto os auuardava, suspendeu os debates, "A conferencla prosseguii no dia seguinte, domingo, 3 de outubro, devido, talvez, a uma epidemia que acabara de Itvomper em Marburgo, 2 qual nao dava lugar a que os debates te protongassem muito, Voluindo A discusaha da verpers, disse 0 corpo de Cristo ent no sacramento, mas all nfo se fencontra come um lugar ‘Zeinglio: — Logo, nao est all, absolutamente Ler: — Dizem os solistas que um corpo pode muito ‘bem estar cm virios lugives simultaneamente O universo € "um corpo; eontudo, nao podemos afirmar que estefa uum de= terminado lugar “Zwinglig: ~ ARI Menciontis os sofista, doutor! Realmen- te, estas, apesar de tudo, obrigad a voltar is cebolasc panclas do Feito? Quanto a0 que dzeis, que 0 universo nao se acha ‘hum determinado lugar, rogo a todos os homens ldeidos que ‘cxaminem culdadosamente tal prova, ‘Zwinglio, que, disscase Luvero 6 que dissesse, inka mais de uma seta em sua aljava, depois de estabelecer sua proposi- Gao pela excgese pela Glosofia, decid, entao, confirma la através do testemunho dos padres da igreja, proferindo: ‘= Prestat atencio 20 «ue Pulgénelo, bispo de Muspa. aa Numidia, disse, no século V, a Trasamondo, rel dos vandalos: “0 Fillo de Deus assum as caracteristicas da verdadeira nate rez humana e nl perdeu os strbsitos ca verdadeira divinda- de. Naseido no século, segundo sua mae, vive na eternidade, ‘consoante a natures divina que feccbe do Pal Vindo do ho- zriem, ¢ homem e, consequentemente, aum lugar: procedendo, do Pai, € Deus 6, portanto, presente em todos Oe lugares. De cords com 4 sua naturent humans, ausentou-se do eeu, eo ‘Quanto esteve ns terra, e defrow a ters, quando subse a0 cet Entretanto, de conformidade com a sva natureza diving, Fle ‘permancecu no céu, a0 descer de Is, ¢ nfo abandonou a terra 2o voltae pa Ia" Mat, ainda sani, respondewihe Lutero: ed enerto: "Isto € 0 meu corpo” ado isso € dispata inde. Un contestador obstinado ‘poderia também sisicntar exta cxpressdo de nosso Salvador 2 ‘Sua mae, aludindo aS. Joao: “Eis ao teu flho". Vao seria toda xplicacio, le eontinuaria a bradae: Nao! Nao! E Crista disse “cece fits tuts”, Eis ato tex filo! Eis af o teu fhe! Presta atencao a um outro testemunho, Bo do grande Agastinho, “NiO pentemos diz ele — que Crsio, segundo a sua natureza hue zmnana, esti presente em toda parte, em nosso exforgo para de: terminarine a natureza divina, aeautelemo-nos com o separae 2 sua realidade do seu corpo. Como Deus, Cristo esta, agora, fem toda parte; todavia, em razio de seu corpo feal, Hle esti ‘num determinada haga? doo". Thamtinho no ae vefere A eucaristia nesse trecho. © compo de Cristo nao std na cucaristia como se estivesse Aum, Toga ‘Occolampadius viu que poderia tear partido desta ase veragio da parte de Lutero, « esse the — 0 cospo de Cristo nfo ests localmente na cucaristta Jogo, nentuum corpo seal est al, pols todo saber que a subs- tincia de um corpo é sua existénela num lugar. Neste ponto, terminou a diseussio da manbi Depots se bem refletie, Oecolampadius convenceu-se de fque a asseveragio de Lutero poderia ser encarada como uma aprosimacio. Tembro-me— disse, apos 0 ntar—que, ests man, © “doutor admitin que o corpo de Cristo nao se achava no sacra. mento como num lugar: Indaguemor, catho, amigavelmente, ‘Gua! € a naturesa da presenca corporea de Cristo, “No me fareis dar umm passo a mais! — exclamou Luter, ‘vendo donde cles queriam arrastito. — Tendes Pulgéncio © [Agostinho do vosse lado, porém os demais padres estio do ‘Oecolampadius, que 20s de Witemberg parecet ser abor recidamente cerimonioso, profertu, cate Sndteal esses doutores. NOs nos encarregaremos de pro: var que eles estio conosco. “A von, nao 0s indicamos — disse-the Lutero, € acrescen- tou: — Fol em sua mocidade que Agostinho escreveu o que ‘Gtastes. Aléin disso, ele € um eseritor nada claro 1, eetrocedende ao terreno que jamal resolvera abando- tar, nao se contentando com apontar 0 dedo pars os dizeres Shoe est corpus moun”, destou a mio a toalha aveludada, onde se achavam redligidas estas palawras, arrancoua da mest, CF [Bucu-a dante de Zwinglio e Occolampadius ¢, pondora bem efronte dos olhos deste, disse thes: ‘a ere! Ved! Este €0 nosso lemal Aina no nos desviastes| ‘dele como tenes alardeado! E nao nos interestam outras provast Se lor este o caso, seria melhor abandonarmos 3 discus: so —aconselhiou Oecolampadius. —Antes, posem, desejo de= ‘lacar que, se citamos os padres, 6 apenas para eximir s nossa ‘doutrina da acusagio de novidade, eno para defender a nossa ‘causa com a sua autoridade "Nenhuma explicagio melhor pod ser dad sobre a legiti- ‘ma finalidade dos doutores da igre}, De fato, no havia rato para protongar a conleréneia. "Como Luter era de genio Obs. tinado e autoritisio” — dix, mesmo, seu grande spologista Scckentlorf—, “nao cessava de impor 20s suigos que se sibme- tessem simpleamente A tia propria Opinio” ‘Alarmado com esse término da conferéncia, o chanceler ‘exortow or tedlogos a que chegansem 4m aco", Nico conbego seaao um melo pana isto — disse Latero —, € esse €: que os nossos advernirios erclam em ns Nao podemos — respondetamhe os suicos. — fem, entio — eoncluitt 9 reformador saxdnio — deb 0-08 20 julgamento de Deus, ¢ rogo para que Ble vos lhumine —Faremos o mesmo — acrescentou Oecolampcius Enquanto trocavam estas palavras, Zwingllo sentou-se, lencioso, pasmado, profindamente comovido. A intensidade de suas emogoes, de que mais uma ve dera provas durinte 4 conferéncla, evidenciourse, entio, de mancita bem diferente tna prescnga de todos, rompeu em prnton. Corigoes comovidos, achavamnse 4 um passo da unit, ‘winglio, desfeito em lagrimas, na presenga do principe. dos cortesios © dos tedlogos, apronimeurse de Tatero, estcden ‘donne a mao. As duas familias da Heforma Protestante estavan a ponto de unirse, as longas disputas, prestes a screm sulocadss RO bergo. Mas Luiero eecusoe # mao que ihe era olerecia. “Tends espieito diverso do nosso — objetou Luter ante do gesto stngelo de Zwinglo, lLutero e Zwinglio — a Saxénia ea Suiea—encontravamse pela ditima vex. Daquela data em diante hureranisme © zvinglianismo tomaram rumos diferentes, ¢ suas concepsiies SObee a Santa Ceia ciaram escolas que perduram ae hore ‘Come bane para se refuter as elas equivocudas acerca da Santa Geia— tanto da tansubstanclacao do pio e do vinho: como a de um mero simbolisma — 0 Comentario Bibtico ‘ontecostal, edicado pela CPAD, apresenta wmna arguimentaga0 biblice para a questio. ‘A frase “Into € 0 mew compo” (como também “Este Go met sang’) se qualifies como uma das passagens mais vigororsancie Lebatdas das Eseriuras, que varlam desde a iaterpretagao dos ‘catolicos romanos de uma transubstanciagao, ale. a visto de Zwinglio de que a Cela ésimplesmente urna recordacio da mon te de Jesus. stas declaragoes devem ser entendidas metaforica- mente. O pio representa 0 compo de Jesus, € 0 cilce representa ‘seu sangue. Mores observa corretamente queo gene do pro- nome demonstrativ “isto”, no veo 24, € neutho, enguante & Palaera pao € masculina. Jesus, entao, nio poderta estar dizen- fo: "Hste pio € lteralmente o meu corpo”. Pode se referir 830 Ineirs, como 0 segundo (sto faz neste verso (158), de aeondo ‘coma frase fare Isto em menvtira de mies" ‘Ainda que a questao continue a fomentar discussoes © controversias, ainda dividindo opiniges, deve-se observan,aci- ‘na de toda e qualquer posigio tcoldgics, as Sagendas Escrit. ‘as, que sio muito claras a0 dar a palavra final sobre o assunto, © apostolo Paulo, eserevendo a Igreja em Corinto, lembeo thes as palavras de Jesus, em seus ditimos instantes com seus diseiputos, antes de see preso e crucifeado. "0 Senihor Jenin, ’ha noite cm que Toi aldo, tomou 0 pao, ¢, tendo dado praca, ‘© parce diase: Tomai, comet, inte & 9 meu corpo que € part. do por vos; fazct isto em meméria de min. Semelhantenmente também, depois de cear, tomo cilice dizendo. Este cilice & Novo Testamento no meu sangue,.” (1Go 11-25-25) ‘Comentando as palavras do apsetolo Paulo em 1 Corintios, ‘Mauew Henry eafiema 6 signifeado da Santa Cola como, mais ‘due um ato simbdlico da morte de Cristo, uma celebragao de aa ressurreigao © 0 cumprimento de suas palaveas:" cis que fe estou convosco todos 0s dias, até 3 consumacio dos secu tos" (te 28 20). 'O apéstolo descreve a ordenanca sagrada, da qual tinh ‘conhecimente por revelagao de Cristo, Quanto aos sinais vist ‘eis, eaten 30 0 pao © 0 vinho, O que se come chamarse po, ainda que ao mesmo tempo simbolize o corpo de Cristo, mos. {rando claramente que 0 apéstolo nao queria dizer que © pO foste transformaco em carne. Ax cowas signficadas por estes finals extemes #30 @ corpoe 0 sanypse de Grito, eu corpo par. "ido, seu sangue derramado, com todos os beneicios que fluc de sua morte © sserificio...[Pontm] mio € thesomente em me Iméria de Cristo, daqullo que Ele fez c safe, mas para celebear ‘Sua graca em nossa redengio. Declaramos que a mua morte € ‘nossa vida, a fonte de todos os nosios consolos c experangas” ‘No enianto, a mera participacio aa Cela do Senor, como: ‘observaneia da ordenanca divina, nao Go que representa etn st ‘2celebracio do partir do pio € a heber do vinho, come ai ‘Matthew Henry: (Or atos extemos nto slo 0 toda, nem a parte principal daquile que se deve fazer nesta santa ordenanca, Os que part tipam dela deve tomar a Cristo como seu Senhor e sua ids, rendesse a Ele viver para Fle Epilogo ‘Tarefa inacabada. A caminhada ni8o chegou so fim. HA muita coisa a ser dita. Por esta razio, no tenha como Anais ‘stas minhas consideragoes sobre a Cela do Senhior, sto ape nas un desalio urgente para que se repense © tema com serie ‘dade. A vets estd mtimamente ligada as Boas Novas encarnada fem Jesus Cristo, Por essa raza, fol em todos os tempos 0 alo Dredileto do Tnimigo. Apesar de ter sido falseada, smputade, ‘egligenciada, hipertrofada © mistiieada, ela resist, impon= dorse como mat das mais importantes eelebragoes da igeela 'A Santa Cela € um dos maiores legados que Cristo outor ‘g0u A Igrefa, uma demonstracio visivel do seu amor por aque- Ics por quem sofreu as atrozes toceuras do Calvacio. & n0 mo- siento da celia que precisamos refleus medie nossas atitudes poderia ter inventado. Celebrit ¢ obedeccr a tims ortem de Jesus. B celebrandoa que nos reafirmamos como clementos tas na comunidade de fé ¢ amor Seri que nossas celebragoes ce Santa Cela tm refletido 0 deseo de Cristo expresso no momento de sta instituigio? Ou ‘o sentido real de seu repetir se perdeu em algum momento de ‘poses hist6ria? Nadia minis precisa ser dite? Serd cue nosas Ce lebragdes da cols nfo apresentam mudancas? O que nos fz cerere garantie que nowsan celebracoex 40 reflexes das prsticas ‘da Igreja Primiiva? Precisamos refleur | | Bibliografia AMORESE, Rubem Martins, Colebragito do Feangelho: Compre- lendendo Culto e Liturgta. Nigosa, MG, Ultimado, 1997. ASH, Anthony Lee. Comentarto Biblica: Feangelbo Segundo uecs. Sao Paulo: Vida, 1980, ALVES, Rubem. Dogmatismo e Tolerancta, Sao Paulo: Paulinas, 1982, © Quarto do Mistérlo. Sto Paulo Papirus, 1982. Crete na Ressurreicao do Corpo. Si Palo: Pauls, 1984 BERGSTEN, Burico. hutrodusdo @ Teologla Sistemdtica. Rio de Janeiro: CPAD, 1999. BONHORFFER, Dietrich Atica, Sdo Leopoldo, RS, Sinodal, 1985, [BRIENID, }, Uma Lettura clo Pentateuco. So Paulo: Pauls, 1980, BOFF, Leonardo, Vide Segundo 0 Espirito. Pewépolis, RJ, Nom es, 1987, BERKHOF, Louis. Zeologla Ststemdrica. Campinas, para 0 Caninho 1992 CAIRNS, Farle I. Cristianisme através dos Séculos. Sto Paulo: Vida Nova, 1990. Gadernos: Estudos de Religido, vol 11. 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