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Nº 354

DA PERMANÊNCIA DOS PRINCÍPIOS REGISTRAIS O REGISTRO DE IMÓVEIS NA PERSPECTIVA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
A USUCAPIÃO EXTRAJUDICIAL E O NOVO CPC SISTEMA DE REGISTRO ELETRÔNICO DE IMÓVEIS AS CONDIÇÕES SUSPENSIVAS
E O REGISTRO DE IMÓVEIS QUALIFICAÇÃO REGISTRAL IMOBILIÁRIA DA SUCESSÃO CAUSA MORTIS REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA
URBANA REGISTRO DE IMÓVEIS DESAPROPRIADOS PARA CONSTRUÇÃO DE LINHAS FÉRREAS GESTÃO DE DOCUMENTOS
NO REGISTRO DE IMÓVEIS A GESTÃO POR PROCESSOS COMO FERRAMENTA PARA A RACIONALIZAÇÃO DO REGISTRO IMOBILIÁRIO
Instituto de Registro Imobiliário do Brasil

EXPEDIENTE
Ilha da Sogra

ISSN 1677-437X

Boletim do IRIB em Revista
Edição 354
São Paulo
Março/016
Foto capa: César de Oliveira

DIRETORIA 
Presidente: João Pedro Lamana Paiva (RS)  Vice-Presidente: Francisco Ventura de Toledo (SP)  Secretário Geral: Frederico Jorge Vaz de Figueiredo Assad (SP) 

1ª Secretário: Eduardo Pacheco Ribeiro de Souza (RJ)  Tesoureira Geral: Vanda Maria de Oliveira Penna Antunes da Cruz (SP)  1º Tesoureiro: Sérgio Busso (SP) 

Diretor Social e de Eventos: Jordan Fabrício Martins (SC)  Diretor de Tecnologia e Informática: Flauzilino Araújo dos Santos (SP)  Diretor de Assuntos Agrários: Eduardo

Agostinho Arruda Augusto (SP)  Diretor do Meio Ambiente: Marcelo Augusto Santana de Melo (SP)  Diretor Legislativo: Luiz Egon Richter (RS)  Diretor de
Assistência aos Associados: Julio Cesar Weschenfelder (RS)  Diretor Especial de Implantação do Registro Eletrônico: João Carlos Kloster (PR).

CONSELHO DELIBERATIVO 
Presidente do Conselho Deliberativo: Mário Pazutti Mezzari (RS) 

Sérgio Toledo de Albuquerque (AL)  José Marcelo de Castro Lima (AM)  Marivanda Conceição de Souza (BA)  Expedito William de Araújo Assunção (CE)  Luiz Gus-

tavo Leão Ribeiro (DF)  Rubens Pimentel Filho (ES)  Kaison Neves de Freitas (GO)  Francisco José Rezende dos Santos (MG)  Alexandre Rezende Pellegrini (MS) 
José de Arimatéia Barbosa (MT)  Cleomar Carneiro de Moura (PA)  Fernando Meira Trigueiro (PB)  Valdecy José Gusmão da Silva Júnior (PE)  José Augusto Alves

Pinto (PR)  Eduardo Sócrates Castanheira Sarmento Filho (RJ)  Carlos Alberto da Silva Dantas (RN)  Décio José de Lima Bueno (RO)  Sérgio Pompilio Eckert (SC) 
Estelita Nunes de Oliveira (SE)  Maria do Carmo de Rezende Campos Couto (SP)  Marly Conceição Bolina Newton (TO).

MEMBROS NATOS DO CONSELHO DELIBERATIVO – EX-PRESIDENTES DO IRIB 
Jether Sottano (SP)  Ítalo Conti Júnior (PR)  Dimas Souto Pedrosa (PE)  Lincoln Bueno Alves (SP)  Sérgio Jacomino (SP)  Helvécio Duia Castello (ES)  Francisco
José Rezende dos Santo (MG)  Ricardo Basto da Costa Coelho (PR).

COORDENADORIA EDITORIAL
Leonardo Brandelli (SP)

CONSELHO EDITORIAL
Eduardo Pacheco Ribeiro de Souza (RJ)  Frederico Henrique Viegas de Lima (DF)  Luiz Egon Richter (RS)  Marcelo Guimarães Rodrigues (MG)  Maria do Carmo
Rezende Campos Couto (SP)  Mário Pazutti Mezzari (RS)  Ridalvo Machado de Arruda (PB)  Rodrigo Azevedo Toscano de Brito (PB).

CONSELHO FISCAL
Antonio Carlos Carvalhaes (SP)  Hélio Egon Ziebarth (SC)  Jorge Luis Moran (PR)  Leonardo Monçores Vieira (RJ)  Rosa Maria Veloso de Castro (MG).

SUPLENTES DO CONSELHO FISCAL 
Kenia Mara Felipetto Malta Valadares (ES)  Maria Aparecida Bianchin Pacheco (MT)  Paulo de Siqueira Campos (PE)  Roberto Dias de Andrade (MG) 
Tiago Machado Burtet (RS).

CONSELHO DE ÉTICA 
Gleci Palma Ribeiro Melo (SC)  Léa Emilia Braune Portugal (DF)  Nicolau Balbino Filho (MG).

SUPLENTES DO CONSELHO DE ÉTICA 
Ademar Fioranelli (SP)  Juan Pablo Correa Gossweiter (MT)  Oly Érico da Costa Fachin (RS).

COMISSÃO DE ASSUNTOS INTERNACIONAIS 
Francisco José Rezende dos Santos (MG)  João Pedro Lamana Paiva (RS)  Ricardo Basto da Costa Coelho (PR).

COMISSÃO DO PENSAMENTO REGISTRAL IMOBILIÁRIO 
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Santos (SP)  Fábio Ribeiro dos Santos (SP) Francisco José Rezende dos Santos (MG)  Francisco Ventura de Toledo (SP)  Helvécio Duia Castello (ES)  Henrique
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Bianchin Pacheco (MT)  Maria do Carmo de Rezende Campos Couto (SP)  Naila de Rezende Khuri (SP)  Priscila Corrêa Dias Mendes (SP)  Roberto Pereira (PE).

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Instituto de Registro Imobiliário do Brasil

ARTIGO

Sistema de Registro
Eletrônico de Imóveis
// Sérgio Jacomino

Quinto Oficial de Registro de Imóveis da cidade de São Paulo. Diretor de Relações
Internacionais da Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo (Arisp).
Professor da Escola Paulista da Magistratura (EPM), entidade oficial do Tribunal
de Justiça do Estado de São Paulo. Membro da Comissão Especial para Gestão
Documental do Foro Extrajudicial (Conarq). Doutor em Direito Civil pela
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho/Unesp (2005). Especialista
em Direito Registral Imobiliário pela Universidade de Córdoba, Espanha.

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XLII Encontro dos Oficiais de Registro de Imóveis do Brasil

Tendo recebido o material extraído diretamente das E o terceiro e último nome – e não tomo mais o tempo
gravações realizadas no transcurso do Encontro do dos senhores – é Gilberto Valente da Silva, um grande
IRIB, resolvi manter o tom coloquial da exposição, ten- mestre. Inspirou a todos nós. Gilberto foi um jurista
tando corrigir, aqui e acolá, a natural redundância, prático. Conduzia, como ninguém, o nosso tradicional
acrescentando algum elemento para tornar mais cla- Pinga-Fogo, com extraordinários resultados. Confesso
ras as ideias expostas. Rogo aos leitores compreensão que tive com ele uma relação difícil, tumultuada,
e boa vontade. porém muito rica para ambos, muito estimulante,
muito produtiva. Ele não está efetivamente entre nós,
É uma enorme satisfação voltar a esta casa, ao nosso que Deus o tenha. O grande Gilberto Valente da Silva
Instituto de Registro Imobiliário do Brasil, para com- foi, durante muito tempo, a alma do Instituto de Re-
partilhar algumas ideias e reatar o convívio tão esti- gistro Imobiliário do Brasil.
mulante com os colegas de todas as regiões do país. É
sempre enriquecedor esse contato e muito fecunda a O registro eletrônico é uma ponte para o
troca de ideias.
futuro
Hoje, pela manhã, estava sentado ali, observando a
condução dos trabalhos. Lembrei-me que à tarde es- Muito bem, senhores. Este é o tema: Sistema de Re-
taria à frente do plenário, provado pelos colegas de gistro Eletrônico de Imóveis. Eu preparei esta exposi-
todo o Brasil. Não posso deixar de confessar que sem- ção como uma escada de passagem para que o nosso
pre me apavoro diante dessa plateia de registradores presidente da Arisp, Flauzilino Araújo dos Santos,
tão preparados e atentos. possa, em seguida, desenvolver em maior profundi-
dade o tema, porque ele é o homem que hoje cuida do
Sobre os ombros de gigantes registro eletrônico em São Paulo. Flauzilino deu con-
creção à ponte que nos leva ao futuro.
Dizem que estamos assentados sobre os ombros de
Começo citando um autor que tem frequentado a
gigantes. E, de fato, ali, recostado, lembrei-me de três
figuras excepcionais que não estão presentes aqui, minha biblioteca já há alguns anos, Marshall McLuhan,
hoje. Por sorte, um deles compareceu a este evento, grande teórico da comunicação, que fez fama nas dé-
não está no plenário agora, mas é alguém de quem me cadas de 1960 e 1970, reconhecido, hoje, como um pro-
lembrei com muito carinho e admiração: João Batista feta da internet. Cunhou expressões que ficaram muito
Galhardo, nosso colega de Araraquara, referência para famosas, e uma delas é esta: “O meio é a mensagem”,
todos nós, especialmente para mim, de modo particu- e complementa: “cada forma de transporte não so-
lar, pelo que representou nos idos em que ainda estava mente carrega, mas traduz e transforma o emissor,
no interior de São Paulo, em nossa Franca do Impera- transforma o receptor e a própria mensagem”. Isso pa-
dor. Sempre o consultava a respeito dos temas do re- rece um pouco cifrado; vamos aprofundar e detalhar.
gistro eletrônico, e isto naquela altura, lá pelos idos de
1994/1995. Ele é um homem dotado de extraordinária O meio não apenas conduz, mas traduz e
sabedoria e bom senso. É um homem sábio. Dava-me transforma o transmissor, o receptor e a
sugestões preciosas – e isso sem dominar a terminolo-
gia técnica então de moda. Nem precisava. Ele falava
mensagem.
de discos rígidos dos computadores – “essas panelas...
é preciso cuidar das panelas” – referindo-se aos cui- Os meios pelos quais as informações são recebidas,
dados com backup e outras medidas de segurança. As transmitidas, processadas, atualizadas, transformam
“panelas”, dizia, “é preciso cuidar do seu conteúdo”, todo o ambiente no qual o conhecimento é produzido.
indicando que estávamos diante de uma nova reali- Deitemos um olhar sobre o que significou, por exem-
dade e que a gestão do acervo eletrônico, a cargo do plo, a criação de um meio de fixação de informação re-
registrador, impunha novos e inesperados desafios. gistral no século XIX. Percebamos como os meios
João Galhardo é um registrador modelar, caprichoso, transformam os conteúdos.
prudente, sempre tem uma boa palavra. Eu gostaria de
oferecer esse modesto trabalho a ele que é uma inspi- O primeiro grande exemplo desse fenômeno é o fato
ração pessoal e referência a toda classe. Um grande de se ter criado no Brasil, antes de tudo, um registro hi-
registrador, que temos a imensa sorte de ter sempre potecário – não um registro público de propriedade e
por perto. de direitos reais a ela relativos. Saltava aos olhos dos
economistas e juristas do século XIX que os problemas
A outra pessoa que eu gostaria de lembrar é de Lin- econômicos e sociais, relacionados com o crédito hi-
coln Bueno Alves. O presidente Lincoln, que não tem potecário, exigiam uma resposta “hipotecária”, calcada
vindo aos eventos do Instituto, é uma pessoa ímpar. na publicidade registral, com vistas à proteção ao cré-
Devo a ele não só o ingresso no IRIB - foi Lincoln que dito. Não se mirava a criação de um amplo sistema de
assinou a minha ficha de inscrição no Instituto, mas, registro de direitos dominiais. A propriedade não cau-
especialmente, foi ele que apoiou a minha candidatura sava grandes problemas, sua manifestação difusa, que
para a Presidência do IRIB. Ele deu decisivo apoio ao se dava pela posse efetiva e por títulos de proprie-
trabalho que se desenvolveu antes e depois da minha dade, não fomentava grandes litígios, nem magnificava
chegada ao IRIB. Gostaria de render a minha homena- a taxa de juros pelo simples fato do uso e gozo das fa-
gem a esse registrador ímpar, Lincoln Bueno Alves, culdades inerentes de domínio. Essa posse efetiva si-
que não está presente neste evento, mas que é um ser nalizava aos membros da sociedade, de modo
humano excepcional e um companheiro valoroso, que bastante eficaz, uma situação jurídica bem definida e
deve ser lembrado e homenageado por todos. estabelecida.

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Instituto de Registro Imobiliário do Brasil

Mas, tão logo o Registro Hipotecá- dos meios, uma limitação tecnoló-
rio foi instituído, se perceberia que "O sistema gica, latamente considerada.
um mero registro da oneração da
propriedade não seria, por si só, su- se modifica A dispersão da informação nos li-
ficiente para garantir todo o ciclo pelas transformações vros manuscritos poderia colocar
do crédito imobiliário. Afinal, sem contínuas em risco direitos de terceiros. Era
que houvesse prévia aclaração e melhor, portanto, que se fixasse um
definição dos direitos dominiais não dos meios". termo de eficácia para a hipoteca,
seria possível assentar, sobre eles, muito embora o contrato subjacente
um direito acessório de garantia. O à inscrição, o título causal, pudesse
sistema era falho, logo se viu. ainda subsistir. A obrigação ficava simplesmente des-
falcada da garantia real.
Deixem-me conduzi-los pelos meandros de um pen-
samento inusual. Notem que foi a criação de um sis- Os “meios”, de alguma forma, condicionam o sistema,
tema de publicidade dos direitos de garantia, com a redundando em certas limitações ou abrindo outras
inscrição das hipotecas, que fez surgir a ideia de um possibilidades, potencialidades que decorrem justa-
registro dos direitos de domínio. Antes da publicidade mente dessas circunstâncias.
registral das hipotecas não se pensou, seriamente, em
um amplo registro de direitos. Terá sido, pois, a cria- Outra figura que nos pode ilustrar esse fato é a cha-
ção do regime da publicidade hipotecária que fez sur- mada reserva da prioridade. Foi o Brasil, salvo engano,
gir o impulso de criação de um registro de direitos. o primeiro país do mundo a adotar a figura contro-
versa, no Regulamento Hipotecário de 1846, muito
Vamos a outro exemplo. Recordemo-nos do fenômeno antes, portanto, da celebrada (ou muito criticada) fi-
da perempção da hipoteca. Todos nós sabemos que a gura do Direito argentino. Qual foi a razão pela qual a
hipoteca se torna perempta, transcorrido o prazo legal reserva de prioridade foi adotada entre nós? Ela foi
de sua constituição. Por qual razão se criou a figura da assim concebida porque, uma vez organizado o regis-
perempção da hipoteca? Vamos encontrar uma res- tro por circunscrições (comarcas), já que a hipoteca
posta, igualmente inusual, na doutrina francesa. Vamos poderia ser contratada em cada cidade, freguesia ou
dar voz a um comentarista do regime hipotecário bra- vila, a distância que mediava o registro hipotecário e a
sileiro do século XIX - Dídimo Agapito da Veiga, que comunidade era, às vezes, tão grande que era neces-
dizia no seu famoso “Direito Hipotecário: Comentário sário “trancar” o registro para a concorrência de direi-
ao Decreto 169/1890”: tos potencialmente contraditórios intercorrentes.

A perempção da inscrição foi inserida em Era, pois, fundamental que se criasse um protocolo
França, no art. 3, da Lei de 11 brumário preliminar provisório, que impedisse a inscrição de ou-
do ano 7º; as razões que serviram para tras hipotecas no período periclitante, fato que pode-
fundamentar a medida foram expostas ria prejudicar os interesses dos contratantes em
perante o Conselho dos Quinhentos, por negócio entabulado a muitas léguas de distância do
Crossous, e todas se reduzem a uma Registro Hipotecário. Esta regra pode ser vista nos
única, reproduzida sempre por aqueles arts. 6 e 7 do Decreto nº 48, de 1846.
que posteriormente, na própria França,
por ocasião de organizar-se o Código Uma vez mais, podemos vislumbrar como os meios de
Civil e de discutir-se a reforma hipotecá- suporte da informação determinam o próprio con-
ria proposta em 1850, ocuparam-se do as- teúdo.
sunto: a inscrição com duração igual à da
hipoteca traria, no fim de certo número
de anos, grande dificuldade para a verifi-
O registro é o que os seus meios condi-
cação das hipotecas que tivessem ou não cionam e determinam
força contra terceiros; a o fim de muitos
anos tal verificação tornar-se-ia tão difícil Revisitemos agora, com uma nova perspectiva, os nos-
que ofereceria pouca segurança à p es- sos conhecidos indicadores pessoal e real. Aqui, tam-
quisa que fizesse o oficial do registro para bém, veremos que a história da contínua mutação
a apuração d e um registro tão remoto “midiática” nos revela, claramente, como o impacto de
(Direito Hypothecario - Commentario ao novas tecnologias foram fundamentais para a trans-
Decreto nº 169 A, de 19 de janeiro de 1890. formação dos livros do registro.
Rio de Janeiro: Laemmert, p. 367).
É possível verificar as mutações sofridas no sistema,
A criação da perempção estava relacionada direta- desde os pesados livros indicadores (Livros 6 e 7 do
mente com a limitação dos meios de fixação da infor- antigo regulamento), passando pelas folhas pessoais
mação, vale dizer, dos velhos livros manuscritos do e reais de apoio – primeiramente, manuscritas, de-
século XIX. A incapacidade técnica de se recuperar a pois, mecanografadas –, pelas fichas organizadas ao
informação de forma rápida e segura levou o legislador modo Kardex, em uma espécie de sistema de inventá-
francês a criar uma regra de direito para regular o rio permanente das pessoas e das coisas, pelo micro-
prazo de eficácia das hipotecas. Não há uma razão filme, processamento de dados, microfichas geradas
“material” para a limitação temporal do direito real de por sistemas de computação (Sistemas COM - com-
garantia; há, tão somente, uma limitação de caráter puter output microfilm), até chegarmos aos conheci-
formal, instrumental ou, se preferirem, uma limitação dos bancos de dados.

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XLII Encontro dos Oficiais de Registro de Imóveis do Brasil

Todos sabem como surgiram os livros indicadores pes- Mastigando a própria cauda
soal e real. Era uma forma de facilitar o acesso à infor-
mação basal do sistema, representada pelas inscrições Atentem para este fenômeno curioso: é mais fácil mi-
hipotecárias e pelas transcrições das mutações jurí- grar as informações de um livro de registro do século
dico-reais. Esses indicadores surgiram como forma de XIX para o sistema de registro eletrônico, estruturado,
solucionar a limitação substancial dos livros de inscri- do que da própria matrícula.
ção. Constituíram-se em resposta tecnológica, à época
bastante adequada, voltada à facilitação do acesso à Apesar do avanço representado pela adoção do fólio
informação. real entre nós, em 1976, é fato, reconheçamos, que a
matrícula também representou, lamentavelmente, uma
O Registro de Imóveis se transformaria, paulatina-
espécie de concessão ao modelo anterior, já superado.
mente, com o surgimento de novos instrumentos de
Sob o aspecto estrutural podemos dizer que foi uma
manejo, acesso e suporte da informação. O Registro
reforma regressiva. Fizemos uma viagem de volta ao
Geral de Imóveis do Regulamento de 1865 já era fun-
passado, acolhendo, do ponto de vista da técnica de
damentalmente diferente do Registro Hipotecário de
inscrição, o modelo narrativo (vide o art. 31 da atual
1846.
Lei de Registros Públicos).
Ao analisarmos atentamente os livros de registro ado-
Ao adotarmos uma descrição meramente narrativa
tados em 1846, veremos que o modelo tendia a uma
dos atos e fatos jurídicos acolhidos e subsumidos na
espécie de protocolo notarial, com escrituração verbo
inscrição, essa técnica registral tornou muito mais di-
ad verbum da escritura de hipoteca. Não era propria-
fícil a pesquisa e a manipulação dos dados. Não é à toa
mente um sistema de mera transcrição do título, como
que o senso comum que se tem de um “registro ele-
já tive ocasião de demonstrar. Nas discussões que an-
trônico” é um singelo modelo especular da matrícula,
tecederam a edição do Decreto nº 48, de 14 de no-
materializado pela simples digitalização do fólio. Nisso
vembro de 1846, esse tema foi muito debatido e
há uma visão nostálgica de antecedentes notariais,
chegou-se à ideia, que se manteve ao longo dos tem-
contaminada pelos modelos ultrapassados. Mastiga-
pos, de se criar um sistema de “transcrição” da trans-
mos a própria cauda!
missão, que não era singelamente – nunca foi! – mera
transcrição do título.
Quero encerrar essa pequena retrospectiva dizendo,
simplesmente, que os meios tradicionais de acolhi-
Pois bem, o suporte material da inscrição era um mo-
mento, mutação, trânsito e irradiação das informações
desto livro manuscrito que logo seria modificado. A
tecnologia registral avançava e modificava substan- registrais moldaram uma característica peculiar do Re-
cialmente os processos de registração. E essa mu- gistro de Imóveis brasileiro.
dança era estrutural: saímos do modelo narrativo para
um sistema muito mais bem estruturado. Em 1866, O registro é o que os seus meios determinam.
com o Regulamento de 1865, entram em cena os livros
concebidos por José Thomaz Nabuco de Araújo que, Atomização, molecularização e
entre outras inovações, modelava a inscrição de forma centralização
tabular, como espécie de matriz.
Muitos conhecem as expressões que utilizo frequente-
Vocês já observaram os antigos livros de registro e mente para ilustrar os processos de transformação nos
viram como as informações eram organizadas em li- meios registrais – “atomização” e “molecularização”
nhas e colunas? Muitos têm esses livros ainda no car- dos registros públicos.
tório, não é mesmo? Abram um deles e olhem
atentamente: vão verificar que há, ali, uma inteli- Vivemos a fase da ultrapassagem do modelo de ato-
gente estruturação da informação, ao modo de uma mização registral para o de molecularização dos re-
planilha, com uma disposição tabular de dados. As gistros prediais.
informações estavam acomodadas em células. Há
uma coluna para acolher o número de ordem; outra Muita gente me pergunta: “mas, que diabos de mole-
para a data da inscrição. Outra ainda se destinava à cularização é essa? O que se quer dizer com isso”?
descrição do imóvel; outras para o nome e a identi-
ficação do proprietário, do transmitente, do título
em sentido material, que é a causa da aquisição do
direito; outra para o título formal etc. A única coluna
mais ou menos indistinta, terra incógnita, vamos
dizer assim, era a coluna de averbações. Ali calhava
tudo, ao modo narrativo, embora a narrativa formu-
lar fosse, já, por força da tradição, um modelo este-
reotipado. Deixemos esse assunto para outra
ocasião.

De modo geral, podemos enxergar o antigo Livro de
Registro como uma matriz, uma tabela complexa, or-
denada cronologicamente. Não tínhamos antes da ma-
trícula um fólio pessoal, como se pensa; tínhamos um
fólio cronológico.

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Instituto de Registro Imobiliário do Brasil

No passado, cada cartório representava uma ilha in- estabelece uma rede interna dentro das grandes ser-
formacional, integrando uma espécie de “arquipélago ventias. Agora, os dados eram armazenados em um
registral”: registros isolados e cercados de “ruídos” servidor local da própria serventia. Paulatinamente, as
por todos os lados. O intercâmbio com o exterior (pú- informações que se achavam espalhadas em livros au-
blico) e com as demais ilhas (outras serventias, judi- xiliares (indicadores, protocolo, listagens, anotações
ciário, administração pública etc.) se dava por meio pessoais de escreventes etc.) passaram a integrar um
de ofícios em papel ou de certidões materializadas núcleo do registro, um núcleo especular, constituído a
em papel, sem contar a tradicional (e hoje abando- latere dos livros tradicionais de papel e cartolina.
nada) “informação verbal”. Todo o nosso relaciona-
mento com os receptores e transmissores de Ainda estão lá os repositórios em papel; todos os
informações era feito por meio de um veículo que era dados que eram processados na serventia iam direta-
o papel ou verbal. Não tínhamos outro meio para pro- mente para o servidor de arquivos, mas também eram
nunciar a situação jurídica dos bens imóveis e direitos armazenados nos arquivos de fichas, como até hoje se
a eles relativos, a não ser por meio de certidões la- faz. À exceção dos indicadores pessoal e real, as fichas
vradas em papel ou enunciadas por informação ver- de matrículas se mantêm e mesmo após o advento da
bal. Além disso, todo o nosso acervo era constituído lei que criou o registro eletrônico, os livros tradicionais
de documentos em papel. ainda se mantêm.

Mas, houve avanços progressivos e, ainda que a lei não O Banco de Dados Light - BDL
os sancionasse, muitas mudanças ocorreram nos car-
tórios – e isso se deu simplesmente por conta do im- Uma primeira grande fissura no modelo atomizado se
pacto de novas tecnologias em nossas atividades. deu com a entrada em cena do Sistema Arisp/IRIB de
Banco de Dados Light, que tive a honra de ajudar a
Não só os fatos andam à frente da lei. Certos fatos construir1.
como que “ressemantizam” os conceitos enunciados
direta ou indiretamente pela lei. Uma palavra bem ta-
lhada se encontra, por exemplo, na Lei nº 6.015/1973,
no art. 5: “meios” – “... outros meios de reprodução
autorizados em lei”.

Em 1976 os meios eram bem conhecidos e definidos: li-
vros, classificadores, fichas, microfilmes. Hoje, a ex-
pressão “meios” pode se prestar à acolhida de novas
tecnologias, em constante renovação e transformação.
É possível, também, indicar expressões que se tornam
obsoletas – ou quase. Vejam, por exemplo, a expressão
“discos óticos”, prevista no art. 41 da Lei nº 8.935/1994.
Quem, hoje, usa discos óticos nas serventias? Eis o pe-
rigo de legislar sobre meios tecnológicos.

A necessidade de dar respostas efetivas às novas de- No gráfico, se pode ver o canal de informações esta-
mandas econômicas e sociais impõe a releitura contí- belecido entre a serventia e a Administração Pública
nua do sistema legal. Mais do que isso. Não só as novas requisitante da informação (hoje prevista no art. 41 da
demandas nos chegam por meios eletrônicos, como o Lei nº 11.977/009). O Banco de Dados Light (BDL) foi
processamento desses dados reclamam a constante uma ideia excelente, já veremos o porquê.
renovação da infraestrutura material para acolhê-los.
Paulatinamente, o próprio sistema se modifica. E é A partir do estabelecimento do sistema, não só havia
esse o ponto que quero destacar: o sistema se modi- uma replicação interna dos dados, no servidor local do
fica pelas transformações contínuas dos meios. cartório, mas parte desses dados migraria para o BDL.

Historicamente, os antigos livros indicadores passa-
ram rapidamente das fichas para bancos de dados
Privacidade e proteção de dados de ca-
hospedados em mainframes. Ao final de certo pe- ráter pessoal
ríodo, os cartórios recebiam listagens em que os
dados eram classificados e disponibilizados em meios O primeiro desafio posto era integrar, paulatinamente,
cartáceos ou em fichas pelo sistema COM. Quem os cartórios nessa rede extraordinária. Era preciso
viveu esse período há de se lembrar dos formulários vencer a neofobia, mais do que a tecnofobia de alguns
“zebrados” de 13 colunas. poucos. Os colegas eram resistentes a certas mudan-
ças – especialmente aquelas que envolviam o compar-
Posteriormente, cada cartório começou a constelar-se tilhamento de dados que, tradicionalmente, se
de microcomputadores. Uma suave revolução tecnoló- mantinham bem guardados na própria serventia.
gica eletrônica estava em andamento. Não havia, ainda,
uma rede lógica interna interligando cada um dos mi- Por outro lado, e não menos importante, era impe-
cros que os escreventes tinham em suas mesas. Um rioso que se protegesse a privacidade e os dados de
pouco mais à frente – a partir da década de 1980 – se caráter pessoal, sem que se desse, com o sistema,

1
Uma cópia das informações pode ser vista aqui: https://goo.gl/4dapX0

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XLII Encontro dos Oficiais de Registro de Imóveis do Brasil

uma exposição indesejada e certamente indevida em Lei nº 11.977/009 não aboliu os livros tradicionais de
meios eletrônicos que, por definição, são inseguros e registro, já que não houve a derrogação dos artigos
devassáveis. da Lei nº 6.015/1973 que tratam desse aspecto formal
(art. 173). Os livros de registro ainda devem obedecer
A resposta a esses desafios foi, justamente, o BDL. A aos modelos pré-definidos (art. 3º). Eles devem ser
partir de certo momento, o sistema Arisp/IRIB passou mantidos. São eles que valem, não as informações que
a ser o canal de passagem obrigatório para processa- estão armazenadas no computador. Se alguém for
mento das requisições que vinham do exterior, geral- tirar uma certidão, vai extraí-la do livro oficial, muito
mente da Administração Pública, que demandava embora todos nós saibamos que as informações são
informações e requisitava certidões. Parte da informa- hauridas diretamente dos sistemas computacionais.
ção registral começou a migrar para além das frontei- Mas, do ponto de vista estritamente jurídico, de vali-
ras da serventia, e esse fenômeno vai ter repercussão dade legal, o que importa, realmente, é o que se acha
imensa posteriormente, como veremos. inscrito no livro.

O sistema de intercâmbio de informações se estabele- Os livros continuam sendo utilizados de modo tradi-
ceu de modo exitoso. No exato momento em que re- cional. Mas, todos nós sabemos que toda a operação é
viso este texto, o sistema do Ofício Eletrônico registra feita hoje com apoio em sistemas computacionais, e
o espantoso número de acessos e de transações ele- os livros passaram a se converter, pouco a pouco, em
trônicos: 504.504.968. uma espécie de backup do sistema informatizado.

Este número demonstra um fato incontestável: jamais Sejamos francos: já não é possível dar respostas efi-
os oficiais e seus escreventes e prepostos seriam ca- cientes a demandas que se apresentam como fenô-
pazes de realizar a tarefa hercúlea de pesquisar a ocor- meno escalar aos cartórios, compulsando, analisando,
rência de dados relevantes em mais de 500 milhões de qualificando, e mesmo lavrando atos diretamente nos
requisições. Esta tarefa somente pode ser realizada tradicionais livros de registro. Já desponta um pro-
por máquinas. E aqui, novamente, quero destacar que cesso intermediário entre a demanda de inscrição e a
os meios eletrônicos acabam por reconformar o pró- sua consagração final nos livros tradicionais de regis-
prio sistema registral. tro: Sistema do Registro de Imóveis Eletrônico.

O livro eletrônico – um deus sem nome Quero chamar a atenção dos senhores para um as-
pecto muito interessante. Existe, entre nós, um livro in-
Uma nova vaga tecnologia colhe o Registro de Imóveis cógnito, um repositório inteiramente eletrônico, criado
e transforma novamente a sintaxe registral. O que discretamente. Que sentidos se podem extrair do re-
aconteceu com o sistema atomizado? Ainda continua- ferido art. 40 da Lei nº 11.977/009?
mos atomizados, de certo modo, é verdade. Mas uma
tempestade se forma no horizonte. Dou-lhes um exemplo por si só bastante significativo:
o repositório eletrônico conhecido como Central Na-
cional de Indisponibilidade de Bens, criado em São
Paulo (Provimento nº 13, de 11/5/01) e logo em se-
guida regulamentado pelo Conselho Nacional de Jus-
tiça (Provimento CNJ nº 39, de 5/7/014).

Apesar da ideia (equivocada, a meu juízo) de se prever
a replicação redundante dos dados em cada serventia
– e aqui caberia um aprofundamento que deixo para
outra oportunidade – o fato é que estamos diante de
um fenômeno que expressa, avant la lettre, a criação
de um novo Sistema de Registro de Imóveis eletrônico:
repositórios inteiramente interdependentes e custo-
diados em redes, acessíveis por meios eletrônicos.

Cada uma das bolinhas na imagem acima representa Repositórios eletrônicos como
a estrutura de um cartório típico, com todo o seu
plexo de recursos informacionais: livros, papéis, servi- ferramentas auxiliares?
dores, dados etc. Mas, aqui, existe um fator novo, que
se deu com o advento da Lei nº 11.977/009. Aparece Vimos que os livros tradicionais do Registro de Imó-
a figura do “livro escriturado de forma eletrônica” (art. veis não foram abolidos. Vimos, igualmente, que al-
40 da dita lei). guns repositórios eletrônicos foram criados no âmbito
dos serviços extrajudiciais. Registro Civil, Notas, Pro-
Vamos recapitular um pouquinho. Todos leram aten- testos, RTD e até Serviços de Distribuição têm, já, seus
tamente a Lei nº 11.977/009 e chegaram à conclusão sistemas custodiados em meios eletrônicos.
de que, além do excesso de concisão, ela peca pela
falta de precisão. Nem sempre concisão é sinônimo A criação desses repositórios encontra fundamento
de exatidão. em alguns dispositivos legais. Sem a pretensão de
aprofundar o contexto e o significado de cada uma
Nós sabemos - e este parece ser o entendimento cor- dessas regras legais, vou simplesmente relacioná-las
rente entre todos os estudiosos da matéria – que a para aprofundamento dos estudos.

77
Instituto de Registro Imobiliário do Brasil

Em primeiro lugar, digamos que é tradicional, em sejam os órgãos dos serviços notariais e registrais “de
nosso sistema, a regulamentação estadual de certos que trata a Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, ob-
dispositivos da Lei de Registros Públicos. As Corre- servados os prazos e condições previstas em regula-
gedorias dos estados têm feito isso ao longo das dé- mento”, que “instituirão sistema de registro eletrônico”.
cadas, por meio de normas de serviço ou de código
de normas. Notem este aspecto extraordinariamente importante:
são os órgãos “prestadores de serviços notariais e de
A lei federal, por outro lado, aponta para essa regula- registro”, na dicção da norma constitucional, que têm
mentação estadualizada. Citem-se, por exemplo, o pa- a responsabilidade e o encargo de instituir o sistema
rágrafo 6º do art. 659 do velho CPC, o art. 185-A do de registro eletrônico. Não serão os órgãos da admi-
CTN, o art. 193 e seguintes do novo CPC etc. nistração pública direta. Não será o Executivo. Nem
mesmo o Judiciário – salvo na supervisão de todo o
As referências mais importantes, todavia, serão o processo de implantação do sistema.
art. 40 da Lei nº 11.977/009 e o art. 16 da
Lei nº 11.419/006. A primeira, nós a conhecemos Para os que se dedicam a estudar o tema da regulação
muito bem. Já a segunda, diz o seu art. 16: “Os livros da atividade registral, destaque-se: sem que se possa
cartorários e demais repositórios dos órgãos do Poder malferir a necessária e sempre oportuna fiscalização
Judiciário poderão ser gerados e armazenados em dos atos próprios dos registradores e notários, a teor
meio totalmente eletrônico”. E diz mais: “Os órgãos do do parágrafo 1º do art. 36 da Carta de 1988, é preciso,
Poder Judiciário regulamentarão esta lei no que cou- contudo, buscar colmatar este vácuo pela autorregula-
ber no âmbito de suas respectivas competências”. ção da atividade, igualmente necessária e oportuna.

Vejam que nós estamos abrindo espaço para a cria- Em suma: aos próprios registradores cabe a instituição
ção de livros inteiramente eletrônicos. Quem são os e o gerenciamento do sistema de registro eletrônico.
órgãos que compõem o Poder Judiciário e que terão
essa atribuição? Ainda padecemos de boa regulamentação corporativa.
Mas, é preciso reconhecer que, ao menos no Estado de
Dou-lhes uma pista interpretativa, quiçá uma chave São Paulo, a parceria estabelecida entre o Poder Judi-
para compreensão do contexto legislativo. Sabemos ciário e os registradores tem ensejado extraordinários
que os serviços notariais e de registro são órgãos avanços e conquistas.
do Poder Judiciário e que atuam “por delegação do
poder público ou oficializados” (é o que diz, literal- O SREI e o colapso plagular
mente, o art. 103-B da EC nº 45/004). Já o art. 16 da
Lei nº 11.419/006 reza que os “órgãos” do Poder Judi- Usei essa expressão para provocar. Plágula significa
ciário “regulamentarão esta lei no que couber”, entre originariamente, dentre outros sentidos, simples folha
outros, a instituição dos repositórios eletrônicos. Final- de papel. Nós estamos sofrendo o colapso das folhas
mente, o art. 36 da Lei nº 11.977/009 estabelece que de papel. As fichas de matrícula, nos dias que correm,

78
XLII Encontro dos Oficiais de Registro de Imóveis do Brasil

já são uma espécie de reminiscência de modelos ul- mente pode reintroduzir o antigo problema do tempo
trapassados, porque o registro acontece, efetivamente, periclitante que medeia a confecção do título e sua
no âmbito de sistemas eletrônicos. Mas, como vimos efetiva prenotação.
sustentando, o meio transforma o emissor e o receptor,
além da própria mensagem, segundo a lei de McLuhan. Tudo bem, vocês dirão, os fluxos de bits e bytes pelas
Estamos presenciando uma mudança progressiva no redes eletrônicas têm lá uma ordem de precedência,
meio ambiente registral, cujos efeitos e consequências rigorosamente auditada, mas quem é que verifica essa
ainda não são perfeitamente percebidos e inteira- ordem? Delegamos a verificação da prioridade a uma
mente compreendidos. máquina. A máquina tende a controlar a prioridade.

Contudo, é possível destacar alguns pontos para nossa O registro líquido e o bric-a-brac
reflexão. Os repositórios inteiramente eletrônicos tra-
zem dificuldades e apresentam desafios. Primeiro, a
registral
não-localidade ou extraterritorialidade. A tecnologia
coloca em xeque o Princípio de Territorialidade. A fi- O registro pode se tornar plástico e já, já não sabe-
gura de um registrador natural pode ser abalada. Pen- remos muito bem o que ele é, ainda mais se consi-
sem no oficial que recebia o título e o prenotava em derarmos que os registradores, muitas vezes,
seu livro protocolo, em cada comarca. Eis que, na pró- delegam atribuições fundamentais para terceiros. Ou
xima esquina tecnológica, os títulos poderão transitar para máquinas.
eletronicamente e ser postados de qualquer parte do
mundo. A rede não tem uma só porta de entrada e de Não se sabe como é que a gente lida com isso, porque
saída. Na verdade, as portas do registro se abriram antigamente nós sabíamos o que era o indicador real,
para um verdadeiro labirinto e é necessário que seja- o que era o indicador pessoal. Sabíamos o que era ma-
mos conduzidos por um fio de Ariadne, permitindo- trícula, imóvel, e que os fatos inscritíveis tendiam à ta-
nos reconhecer os novos territórios dessa acidentada xatividade. Agora o registro é pura informação. Ela
topografia digital. pode ser combinada de diferentes maneiras. Hoje é
possível saber, instantaneamente, quantos portugue-
Venho sustentando que devemos constituir um núcleo ses adquiriram imóveis na década de 1990 financiados
de inteligência estratégica para traçar a rota do cami- pela Caixa Econômica Federal. Por menos interessante
nho de desenvolvimento. que possa ser, essa é uma informação perfeitamente
acessível. Por quê? Porque é a forma de organização
da informação em banco de dados que permite uma
Hub registral e os nódulos informacionais resposta qualitativamente distinta daquela que os nos-
sos legisladores do século XIX pensavam ou preten-
O desafio que temos à frente é, basicamente, não nos diam obter dos seus livros de registro. Com isso,
afastarmos das necessidades da sociedade. Devemos naturalmente as requisições e as respostas tenderão a
nos acercar das necessidades de garantia e de segu- modificar-se.
rança jurídica dos cidadãos, tutelando o bem da vida.
O Registro de Imóveis deve ser o instrumento pelo Hoje o registro é líquido. Ele é plástico. Ele é dúctil. Ele
qual se efetiva o direito material. Corremos o risco de pode se conformar de acordo com os interesses do
nos afastarmos dessas necessidades, transformando o poder de turno. Basta pensar na tresdestinação do re-
registro predial em uma espécie de hub, mecanismo gistro para fins de controles tributário, fiscal, proces-
de passagem automatizada de informações juridica- sual, ambiental, urbanístico e, o que é pior, cadastral. A
mente relevantes, geradas, processadas e remetidas confusão medonha entre cadastro e registro se insta-
por outras instâncias. lou no seio da administração pública federal, e há im-
pulsos reiterados de assimilação dos bons e
Folgo em saber que o tema da usucapião extrajudicial, tradicionais registros públicos por modernosos siste-
tão debatido neste encontro, parece recolocar o regis- mas cadastrais multifinalitários.
trador no eixo fundamental do processo de reconheci-
mento dos fatos da posse, transubstanciando a São inúmeros os problemas que haveremos de enfren-
situação jurídica e declarando o domínio. A usucapião tar, inúmeras as respostas que deveremos proporcio-
aproxima o registrador das necessidades sociais. Se nar. Lanço alguns desafios, a seguir.
nos afastamos dessas demandas, corremos o risco de
nos transformarmos em “nós informacionais”.
Repositórios compartilhados -
A gestão do tempo registral migra do controle do re- responsabilidade fracionada?
gistrador e tende a se apoiar em certificados do
tempo. Recebemos pedidos de indisponibilidades de A ideia de responsabilidade pessoal e indelegável do
bens 4 horas por dia, sete dias por semana; ou seja, o registrador fica, de certo modo, abalada no contexto
serviço se mantém ativo ininterruptamente. O Fórum de repositórios eletrônicos compartilhados na nuvem.
trabalha até 19 horas, em São Paulo; alguns cartórios Quem administra o acervo? Será necessário constituir
encerram suas atividades às 17h. Penhoras são proto- um consórcio de registradores? Uma empresa com se-
coladas fora do horário de funcionamento do cartório, guro de responsabilidade? Como compatibilizar algu-
relativizando a regra do art. 9º da Lei nº 6.015/1973. mas regras legais com as práticas hoje correntes?
Vejam os preceitos relacionados com a responsabili-
Em relação aos dados que nos chegam por meios ele- dade dos registradores previstos nos arts. 9º, 1 e 8,
trônicos, como fica a prioridade? A concorrência de da Lei nº 6.015/1973, e arts.  e seguintes da
títulos prenotados no balcão e postados eletronica- Lei nº 8.935/1994. Como compatibilizar?

79
Instituto de Registro Imobiliário do Brasil

A Central de Indisponibilidades é um típico repositório Trata-se do módulo “Corregedoria on-line”, que tem
eletrônico, organizado segundo padrões de cloud com- por objetivo promover o ininterrupto acompanha-
puting. É acessado por meio de um endereço na inter- mento das atividades dos registradores (item 89 do
net (site), atualizado em tempo real pela inscrição feita Provimento nº 4, de 17/1/01, baixado pelo de-
por autoridades e registradores. Diz a lei que os “livros, sembargador José Renato Nalini, então corregedor-
fichas, documentos, papéis, microfilmes e sistemas de geral da Justiça de São Paulo).
computação deverão permanecer sempre sob a guarda
e responsabilidade do titular de serviço notarial ou de Como ocorre na distopia ficcional, temos uma hiper-
registro”, que zelará por sua ordem, segurança e con- realidade correcional, cujo resultado já não é fruto da
servação (art. 46 da Lei nº 8.935/1994). Esse acervo ação humana direta, mas resultado de algoritmos de
deve ser mantido na sede da serventia (arg. do pará- big data. Os resultados, dessa e de outras rotinas pre-
grafo único do mesmo art. 46). Como manter registros vistas no referido Provimento nº 4/01, não seriam
gerados e atualizados na nuvem e como repartir a res- de qualquer modo alcançáveis pela ação dos oficiais e
ponsabilidade civil e administrativa? Como individuali- de seus escreventes – a exemplo do já citado ofício
zar a responsabilidade criminal? (art. 4 da Lei eletrônico, que conta com centenas de milhões de in-
nº 8.935/1994). Como fica o conceito de culpa in vigi- puts e outputs, sem que haja uma intervenção humana
lando e culpa in eligendo em relação a máquinas? de permeio.

Eis alguns exemplos de rotinas que são executadas Quero encerrar lançando algumas perguntas: será pre-
por máquinas em concurso com registradores: indis- ciso destruir o tradicional edifício do registro público
ponibilidade de bens, protocolo remoto, penhora on- para reedificá-lo em um “admirável mundo novo”? O
line, ofício eletrônico, notificações do SFI, backup na registro, tal como o conhecemos, não será alterado
nuvem etc. substancialmente pela centralização cadastral pro-
posta (e apoiada ingenuamente) pela administração?
Big data e a pós-modernidade registral Qual é o modelo adequado de regulação para implan-
tação do registro eletrônico? Regulação plenária, tó-
Até mesmo a fiscalização dos serviços registrais se al- pica, entrópica ou utópica?
tera no contexto das media eletrônicas. Em São
Paulo, temos uma corregedoria “ultra” permanente e É um enorme desafio fazer a gestão dos registros de
uma fiscalização “maquínica”, pós-moderna: fiscali- imóveis eletrônicos. Ou bem os registradores tomam
zação permanente realizada por rotinas informatiza- para si, seriamente, essa árdua tarefa, ou se fará do re-
das, sem o concurso dos próprios magistrados. gistro aquilo que a administração quer do registro.

80
SEDE
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REPRESENTAÇÃO EM BRASÍLIA
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Sistema de Registro
Eletrônico de Imóveis
XLII ENCONTRO NACIONAL DOS OFICIAIS DE REGISTRO DE IMÓVEIS

Sérgio Jacomino
O meio é a mensagem (McLuhan)

“Each form of transport not only carries,
but translates and transforms, the
sender, the receiver, and the message.
The use of any kind of medium or
extension of man alters the patterns or
interdependence among people, as it
alters the ratios among our senses”
(McLuhan. M. Understanding media –
the extensions of Man. Cambridge: MIT,
1994, p. 90)”.
O futuro torna o passado imprevisível

 O meio não apenas conduz, mas traduz e transforma o
transmissor, o receptor e a mensagem (McLuhan).
 A perempção da inscrição hipotecária foi a expressão de
uma deficiência do sistema do registro hipotecário.
 A reserva de prioridade (1846) é outro exemplo das
limitações do Registro Hipotecário.
 Os indicadores pessoal e real – uma história de mutações
“mediáticas”.
 As mutações do fólio titular e real. Os antigos livros de
registro. Manuscrição > tabulação > recidiva descritiva >
mecanografia > impressão matricial > bancos de dados.
A “atomização” dos registro prediais - I

 Cada cartório é uma ilha
informacional.
 Intercâmbios com o exterior
por meio de ofício em papel.
 Replicação em cada ilha de
informações de eficácia
abrangente.
 Arquivamento em meio
cartáceo.
 Livros tradicionais mantidos
 Escrituração híbrida.
A “atomização” dos registro prediais - II

Sistema
ARISP-
IRIB

Administração
Pública

BD light
Cartórios
A “atomização” dos registro prediais - III
REQUISITOR
&
RECEPTOR

CSEC
INTERLÚDIO

A sedução do
Registro Eletrônico
pelo mercado
A SEDUÇÃO E CAPTURA DO REGISTRO ELETRÔNICO PELO MERCADO...

NA CENTRAL DE CUSTÓDIA JURÍDICA MUNDIAL, O REGISTRO ALTO! É PRECISO REGULAMENTAR.
ELETRÔNICO É BAJULADO E COTEJADO... NORMATIZAR. DISCIPLINAR.
ENQUANTO ASSINAR. ORDENAR, CARIMBAR...
ISSO, O
ACREDITE! O É IMPRESCINDÍVEL... ÚNICO... CHANCELER DÁ
MERCADO NECESSITA INSUBSTITUÍVEL! VENHA. O SEU
DO REGISTRO VEREDICTO:
VAMOS FAZER UM UPGRADE
ELETRÔNICO... NADA SE FAZ,
NO SEU SISTEMA...
NEM SE FARÁ
SEM
OBSERVÂNCIA
DE REQUISITOS
FORMAIS
OBRIGATÓRIOS

SOCORRO! ELE SE NEGA A
OS IMPULSOS DA ENTREGAR DADOS
SOCIEDADE E DO ESTADO PESSOAIS... AI! UI!
E SUAS DEMANDAS
VARIÁVEIS E
CONTRADITÓRIAS COM
PADRÕES ILÓGICOS
COLAPSARAM A CENTRAL
RACIONAL DO SREI...
O REGISTRO ELETRÔNICO SOFRE COM BUGS... ENTRA EM CRÉDITO IMOBILIÁRIO... CADASTRO
COLAPSO EM RAZÃO DE CONTRADIÇÕES LÓGICAS... MULTIFINALITÁRIO... PESQUISA
PATRIMONIAL... INDISPONIBILIDADE DE
BENS... TUTELA AMBIENTAL E
BzzzzZZZzz PRIVACIDADE...
URBANÍSTICA... GRAVAMES JUDICIAIS...
PUBLICIDADE... PRIVACIDADE... BZZZ! KRACZ! BZZ!
PUBLICIDADE... ACESSO
NEGADO! ACESSO PERMITIDO!
BzzzZZZ... CLICKT...

CHAMEM OS
TÉCNICOS DA
ARISP. O REGISTRO
PIROU DE VEZ!
AND NOW...

…FOR
SOMETHING
COMPLETELY
DIFFERENT!
LEI 11.977/2009
ART. 40. SERÃO DEFINIDOS EM
REGULAMENTO OS REQUISITOS QUANTO
A CÓPIAS DE SEGURANÇA DE
DOCUMENTOS E DE LIVROS
ESCRITURADOS DE FORMA ELETRÔNICA.

LEI 11.419/2006
ART. 16. OS LIVROS CARTORÁRIOS E
DEMAIS REPOSITÓRIOS DOS ÓRGÃOS DO
PODER JUDICIÁRIO PODERÃO SER
GERADOS E ARMAZENADOS EM MEIO
TOTALMENTE ELETRÔNICO.
ART. 18. OS ÓRGÃOS DO PODER
JUDICIÁRIO REGULAMENTARÃO ESTA LEI,
Livros eletrônicos NO QUE COUBER, NO ÂMBITO DE SUAS
RESPECTIVAS COMPETÊNCIAS.
REPOSITÓRIOS INTEIRAMENTE
ELETRÔNICOS
NÃO-LOCALIDADE E O PRINCÍPIO DA
TERRITORIALIDADE
A IDADE DOS BITS – A GESTÃO DO
TEMPO SUPRA-PRIORITÁRIO
O SREI e o O REGISTRO “LÍQUIDO” E O BRIC-A-
colapso plagular BRAC REGISTRAL
GESTÃO DE BITS E BYTES – OS
REPOSITÓRIOS (IN)CONFIÁVEIS
ORÁCULOS ELETRÔNICOS – MUITAS
RESPOSTAS EM BUSCA DE NOVAS
PERGUNTAS
Repositórios
compartilhados INDISPONIBILIDADE DE BENS
PROTOCOLO REMOTO
___________ PENHORA ONLINE
OFÍCIO ELETRÔNICO
INDICADORES – BDLIGHT
RESPONSABILIDADE GEORREFERENCIAMENTO

FRACIONADA? NOTIFICAÇÕES
CLASSIFICADORES (KOLLEMATA)
SREI WEBSERVICE
A “molecularização” dos registros e o
perigo do “super-registro”

 Novos livros – velhos problemas. A gestão de
documentos eletrônicos e a responsabilidade
profissional.
 Superação do registrador natural pela distribuição
aleatória dos pedidos de registro.
 “Vinho novo em odres velhos” – A tentação do big
brother pela aplicação da tecnologia da big data.
 Corregedoria ultra permanente e a fiscalização
maquínica.
 Culpa in elegendo de sistemas de gestão eletrônica.
SREI e o futuro
da matrícula
eletrônica
O futuro visto do passado é pavoroso ou hilário.
Por um olhar compreensivo da tradição!

É PRECISO DESTRUIR PARA EDIFICAR UM
ADMIRÁVEL MUNDO NOVO?

CENTRALIZAÇÃO X DESCENTRALIZAÇÃO?

REGULAÇÃO PLENÁRIA, TÓPICA, ENTRÓPICA
OU UTÓPICA?

DO REGISTRO DE IMÓVEIS CUIDAM OS
REGISTRADORES?

ASSIMETRIA REGULATÓRIA – O PADEIRO, SEU
FRUMENTO E EMOLUMENTO
REGISTRO ELETRÔNICO,

MUITO OBRIGADO,

“But I don't want comfort.

I want God, I want poetry, I want
real danger, I want freedom, I
want goodness”.

― Aldous Huxley, Brave New
World