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Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV)

Laboratório de Educação Profissional em Atenção à Saúde (Laborat)

RELATÓRIOS – SEMINÁRIO JUVENTUDE

06 de junho de 2010

Clarisse Barroso Acacio Silveira

Podemos definir como questão principal após a leitura dos textos de Regina
Novaes “Trajetórias juvenis:desigualdades sociais frente aos dilemas de uma
geração” e Pierre Bourdieu “A juventude é só uma palavra”, a procura por uma
delimitação das especificidades da juventude, que faz com que esse grupo se
constitua em segmento de importância na sociedade contemporânea tornado-
se protagonista de políticas publicas. Nessa nossa tentativa de traçar um
retrato da juventude brasileira há de se ter alguns conhecimentos prévios para
que não se incorra em erros que podem tornar ineficaz as futuras políticas.
Bourdieu vem nos lembrar que as linhas que definem a juventude são
manipuláveis, o que está em jogo é uma disputa de interesses ao se definir
como jovem ou definir alguém como jovem. O que permite essa manipulação é
o fato de ser a juventude ser uma construção social e cultural, assim ao discutir
juventude termos que ter em mente o tempo histórico e o tipo de sociedade a
que estamos nos referindo.
Segundo a antropóloga Cyntia Sarti a ausência em nossa sociedade de rituais
que simbolizem o período da juventude como significativo de mudanças pode
causar no jovem a sensação do não-lugar, entre a infância e a vida adulta.
Podemos pensar esse não lugar como a perda de um padrão de entrada na
juventude, devido às diversas formas de experiências de escolarização,
entrada no mercado de trabalho e iniciação da vida sexual.
Porém, é errônea a idéia da juventude apenas como fase de transição entre a
infância e a vida adulta. Podemos comprovar isso devido à pressão que os
grupos jovens têm exercido sobre a economia, no mercado de trabalho e no
mercado consumidor, na cultura, com a participação em grupos que demarcam
suas identidades e fazem sentir suas demandas por reconhecimento e através
das novas configurações de participação política.
O correto em se tratando de juventude é pensar em pluralidade de
características e das diversas formas como ela se constitui, sobretudo em um
país com o Brasil onde as desigualdades sociais e econômicas vêm se somar a
uma multiplicidade de grupos de afirmação identitária que definem a forma
como a juventude é vivida.
Há de se superar as generalizações que fazemos, associando os jovens a
padrões pré definidos de comportamentos, levando a uma esteriotipação.
Assim nos mostra Regina Novaes através de uma atualização dos mitos da
juventude construídos por Cecília Braslavsky nos anos 1980, em que identifica
três grupos em que os jovens normalmente são classificados: juventude
dourada e alienada focada apenas na diversão, geralmente acionada para
exemplificar os jovens de classe média que dispõem de tempo e recursos para
essa fruição; à juventude cinza que seria portadora dos males da sociedade
normalmente associada as classe baixas recorrendo a elas para explicar os
índices de violência entre os jovens e a juventude branca que teriam em suas
mãos os meios necessários para salvação da sociedade. A pesquisadora nos
atenta para o fato de que os mitos da juventude dourara, associada à classe
média e a juventude cinza definida como as das periferias são as que mais
recorrentemente são acionadas, inclusive pela mídia.
Como as políticas públicas são construídas objetivando atender a coletividade
é necessário, ao se montar uma proposta abordar questões corriqueiras entres
os jovens, as questões geracionais que a autora Regina Novaes define como
os medos de sobrar ao não conseguir se inserir no mercado de trabalho, de
morrer devido aos altos índices de mortalidade e violência nesse grupo e medo
da desconexão ligada a falta de garantias de um futuro em um mundo em
constante processo de mudança o que gera essa insegurança.
Porém não podemos ignorar a diversidade de constituição da juventude,
definidas pela classe social a que pertencem, ao local de moradia, a região do
país que habitam e aos grupos a que pertencem e de acordo com essas
identificações é que demandas são geradas.
Para concluir é necessário ao se pensar em um conjunto de medidas que se
atendam a essas demandas, desenvolver o debate intergeracional e
intrageracional ou seja com os jovens, para e pelos jovens é que essas
soluções devem ser construídas.

Valentin HeiglCom Eliane Ribeiro

Realizamos esse seminário com a intenção de delimitar com mais precisão o


objeto de nosso estágio-pesquisa. É necessário, portanto, que o tema
“juventudes” seja abarcado, para que possamos prosseguir em nosso trabalho.
Primeiramente, a abordagem da relação juventude-drogas é muito pertinente,
na medida em que esses dois “tópicos sociais”, por assim dizer, se articulam de
maneira automática, tanto no senso comum, quanto em documentos oficiais,
como o SINASE. Isso nos diz da impossibilidade de trazer o conceito de
“juventude” como algo único, separado, mas sim como um conceito
centralizador de outros tantos, como: rebeldia, transgressão, experimentação,
idealismo, e a lista segue.
Porém, como explicitado nos dois textos indicados para o seminário e na
exposição da palestrante, essas noções são passíveis de questionamento,
posto que a juventude não é só uma, mas múltiplas, em seus quesitos sociais,
econômicos, regionais, etc. Além disso, essa juventude que está em questão é
marcada fortemente por contornos burgueses (no caso brasileiro, por uma
romantização de uma juventude passada), uma vez que a pesquisa
empreendida pela palestrante demonstra que as 3 principais preocupações
são: família, trabalho e planeta.
Pensar na relatividade do conceito de juventude atende às demandas de um
saber universitário, mas a apropriação de uma identidade “juventude” pelos
assim chamados jovens pode ser um canal mais proveitoso na formulação da
intervenção em questão (pensando, em paralelo, o primeiro texto “Diagnóstico
ou acusação”).
Assim, se a gravidez é tida como precoce, ela é precoce para quem? Sou da
opinião que devemos pensar sobre esse quem e a quem ele de fato se remete.
Dessa forma, poderemos adentrar melhor na específica juventude que
pretendemos pesquisar, mas dentro de um intercâmbio de perspectivas.

Gisele Lessa

Tal seminário foi realizado para que discutíssemos sobre juventudes: o que é
ser jovem? Em que contexto? social, econômico, cultural.... existe não uma
mas diversas formas de ser jovem. Bourdieu fala que juvetude é uma palavra,
mas na contemporaneidade encontramos várias maneiras de "conjugar o
verbo" ser jovem.
Vivencia a "era da globalização" onde tudo é rapido, intenso e obedece a um
fluxo de acontecimentos. Somos encurralados por propostas e modelos de
como viver, o que comer, com quem andar, etc. Tudo o que escapa desse
modelo, dessa classificação, desse padrão tido como exemplo, se torna
passível de julgamentos e pré conceitos. Dando caráter singular ao tema,
podemos pensar no que é ser jovem a partir do que cada um vive.
A proposta do estágio é buscar reduzir o estigma produzido por uma sociedade
que intensifica a todo momento a exitência de um modelo, um modo de vida,
algo que deve ser copiado, seguido. Sendo assim, como nos "livrar" do estigma
não só com o usuário de álcool e outras drogas mas como nos desprender do
estigma de ser um jovem da favela, negro, pobre, que por "não ter opçao" vai
ser bandido? É possível ser um jovem autêntico? Que autonomia se quer?

Regis Vinicius Silva da Gama Ferreira

A primeira coisa importante na questão da juventude é a delimitação sobre qual


a faixa etária corresponde a essa fase da vida. Isto é muito importante porque
nota-se uma variação no que diz respeito a isso, já que, a força do capitalismo
faz com o fator produtividade seja um parâmetro para se estabelecer esse
processo, assim como a escolaridade. Isso incide na necessidade de se
flexibilizar dependendo da região que estivermos, pois o Brasil é um país de
dimensões continentais.
A modernidade, diversidade e a diferente maneira singular de se encarar o
tempo e espaço. O que quero dizer, a juventude ser tomada como fase
transição fica mais complicado por não termos marcas tão fortes, pois tudo
acontece cada vez mais cedo como no caso da iniciação sexual. Um
adolescente começa sua vida sexual muito antes de entrar no mercado de
trabalho ou na universidade. Como a maior parte da população não faz
faculdade à juventude não pode ser tomada como divisor de águas, mas às
vezes funciona como tal. A entrada no mercado de trabalho parece como
resquício dessa marca, porém não podemos tomá-la de forma isolada.
Tomando a experiência da pesquisadora, podemos expandir mais o raio de
atenção e observamos alguns países da America do sul. Assim podemos
inserir mais variáveis ao jogo. Temos a questão cultural, o uso habitual nos
países andinos para suportar a altitude, por exemplo, (derivados da folha de
coca), a baixa escolaridade em países como na Bolívia ou regiões muito
isoladas e dessa forma criando uma diversidade de “juventudes” que ao
mesmo tempo em que complexifica a discussão faz com que fique mais rico um
assunto tão importante
Após essa delimitação vamos ter outras variáveis que vão fazer grande
diferença na maneira como a droga é vista, é encarada, é consumida... A
questão religiosa é bem importante nesse sentido, tanto no fato de ser religioso
quanto na opção pelo segmento religioso ou os que defendem a liberdade de
escolha desde que não esteja prejudicando ninguém e seja funcional. O mais
importante foi à reunião desses grupos todos juntos e assim ver os efeitos
desse encontro.
Dos assuntos que surgem seria fácil falar, mas aquilo que escapa é mais difícil.
É justamente disso que falamos o álcool e outras drogas sempre aparecem no
discurso dos adultos, mesmo quando usado para relacionar a juventude com a
droga. O importante é percebermos que essa associação não aparece no
discurso da juventude, isto é, álcool e outras drogas não se constituem como
questão no discurso deles. O que fazer se eles consomem algo que não
aparece como algo importante? Temos de falar sobre aquilo que eles têm
interesse, pois num certo momento quando houver um deslocamento o
discurso muda e a questão da droga pode vir à tona. Uma coisa importante é
não forçar colocar no discurso desse sujeito a droga, no máximo podemos
implicar ele com seu ato e assim responsabilizá-lo por aquilo que faz.
È muito engraçado pensar que esse assunto não entra no discurso, já que, das
três áreas citadas: a sexualidade citada através da prática sexual, a vocação
através da luta pela entrada no mercado de trabalho, mas a droga como
experiência de perda de consciência não aparece.