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Dilma Tavares Luciano

TELEMÁTICA: TRANSVERSALIDADE NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR

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Introdução

Neste curso sobre a telemática, você discutirá sobre esse tema, buscando conhecer os termos dessa área frequentes nos espaços educacionais e na vida cotidiana.

Essa é uma disciplina em que devemos desestabilizar nossas certezas sobre “as técnicas com as quais nossa existência está imbricada”, como nos lembra o filósofo da atualidade Pierre Lévy, a fim de nos assegurarmos que nossas escolhas dos usos que faremos da telemática no exercício da docência sejam conscientes e focados em objetivos claramente estabelecidos.

“As técnicas e as instalações materiais com as quais nossa existência está imbricada estruturam nossa experiência prática. As configurações dos campos de ação de um índio da Amazônia e de um banqueiro de São Paulo não são de forma nenhuma as mesmas. No entanto, esse índio e esse banqueiro têm mais ou menos o mesmo corpo e o mesmo cérebro. O que diferencia suas experiências, nesse caso, não são absolutamente características “pessoais”, mas conjuntos técnicos coletivos, resultantes dos esforços de inúmeros humanos vivos e mortos sendo que, nesses conjuntos, seus corpos e seus espíritos atualizam suas potencialidades de ação e de percepção. Mas, mesmo aí, não nos contentamos em herdar. As escolhas dos usos que fazemos, individual e coletivamente, aprofundam os

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atratores evolutivos do tecnocosmos no qual vivemos e que vive em nós.”

Pierre Lévy (2001, p.164)

Assim, oferecemos uma reflexão crítica sobre a convivência com as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICS) bem como sobre o objetivo dessa disciplina em um curso de Licenciatura em Letras, qual seja o de compreender o desenvolvimento da tecnologia comunicacional no século XXI e seu papel na formação do professor.

De modo específico, na modalidade de ensino a distância, a telemática é um exemplo do que é possível fazer pela educação em todos os níveis, especialmente em um cenário de política pública que compreende o seu papel no processo de desenvolvimento do país.

1. Sociedade da Informação e da Comunicação

Uma observação mais atenta do nosso cotidiano permite-nos percebê- lo povoado de satélites, computadores, telefones, terminais informatizados, fibras óticas, sistemas de rede, hardware, software, se não visíveis ou compreensíveis a todos, certamente, enquanto termos são familiares aos nossos ouvidos, circunscritos ao domínio do que o senso comum compreende como tecnologia.

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De fato, em toda parte a presença dessas que representam o que se pode chamar tecnologia da informação e da comunicação (TIC) estimula uma proliferação ainda mais abrangente de um discurso sobre as técnicas de comunicação e de seus efeitos em nossa sociedade. A publicidade, a televisão, o jornalismo, a indústria da comunicação de modo geral promovem esse discurso, destacando a relevância da telemática para a qualidade de vida de qualquer indivíduo.

No âmbito educacional, ele, o discurso, vem imbuído de crença na “apropriação das tecnologias” por razões salvacionistas, numa batalha contra o fracasso escolar também visível, apesar da multiplicidade e diversidade de fatores que configuram o cenário educacional.

Mas, afinal, como alcançar o equilíbrio nos discursos e na presença mesma da TIC na vida cotidiana?

Para responder a essa pergunta, é preciso, antes, conhecer conceitos como telemática, educação a distância, teleducação, letramento digital, os quais são termos frequentes nos espaços educacionais desde o final do século XX, mais especificamente da década de 90 do século passado, aos dias atuais.

No entanto, a questão a ser colocada ao propormos essas reflexões em um curso de formação de professor é sabermos em que medida e por que nos cabe conhecer tal desenvolvimento tecnológico, uma vez que somos profissionais das Letras.

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De um lado, esse questionamento advém da preocupação em encontrarmos caminhos metodológicos que auxiliem professores de ensino médio e fundamental a integrarem à sua prática pedagógica algo que já está inserido nas práticas sociais dos diversos grupos da sociedade, seja na frequência às lan houses (LAN Local Área Network) para o uso de jogos na rede interna ou externa do estabelecimento comercial visitado, seja na relação dos clientes com os serviços bancários, seja na aquisição de jogos em CD-Rom para uso em computadores domésticos; ou ainda, seja na própria escola, naqueles horários em que o laboratório de informática é liberado para o aluno, sem haver uma proposta pedagógica definida para o uso da tecnologia ali disponível.

“Em Roma, “o cuidado com o elo social era tamanho que todo homem que desejasse se fazer respeitar tinha o dever de conhecer pelo nome cada um dos cidadãos com que pudesse encontrar na rua ao longo do dia. No final da República e sob o Império os cidadãos mais ricos eram acompanhados de um NOMENCLATOR, um escravo especializado que lhes soprava o nome das pessoas com quem encontravam”.”

(BRETON & PROULX, 2002, p. 30-31)

Nesse sentido, pensamos a pedagogia contemporânea como uma que deve acompanhar os rumos da sociedade da informação e da comunicação e basear-se na cosmo visão capaz de enfocar as forças convergentes dos processos históricos e sociais, abrindo-se a essa nova cultura do século XXI: a comunicação telemática.

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De outro lado, essa temática nos obriga a compreender mais apropriadamente os “processos de virtualização” na atualidade, pois esse fenômeno como apresentado em nossos dias pelo filósofo Pierre Lévy (1996), afeta a todos e todos os setores da sociedade.

Um movimento geral de virtualização afeta hoje não apenas a informação e a comunicação mas também os corpos, o funcionamento econômico, os quadros coletivos da

sensibilidade ou o exercício da inteligência. A virtualização atinge mesmo as modalidades do estar junto, a constituição do “nós”: comunidades virtuais, empresas virtuais, democracia

Embora a digitalização das mensagens e a extensão do

ciberespaço desempenhem um papel capital na mutação em curso, trata-se de uma onda de fundo que ultrapassa amplamente a informatização.

virtual

LÉVY, Pierre. O que é o virtual. São Paulo: Ed. 34,1996, p.11.

A postura assumida para as reflexões aqui propostas é, pois, a do reconhecimento da evolução cultural em andamento neste terceiro milênio como expressão da hominização que põe em jogo processos de criação de que depende o desenvolvimento da telemática, apesar dos aspectos inegavelmente sombrios que o acompanham. Estamos, portanto, propondo o estudo da telemática como tema transversal necessário à formação do professor hodiernamente, pois assim pretendemos capacitá-lo a uma visão mais ampla da realidade, uma vez que os meios de que dispomos para conhecê-la continua a incentivar a apropriação do conhecimento em dimensões isoladas, por consequência do tratamento disciplinar dos diversos campos do saber.

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Fazemos nossas as palavras do professor Marcos Clair Bovo, expressas a seguir:

Existem temas cujo estudo exige uma abordagem particularmente ampla e diversificada, que foram denominadas temas transversais que tratam de processos que estão sendo intensamente vividos pela sociedade, pelas comunidades, pelas famílias, pelos alunos e educadores em seu cotidiano. São discutidos em diferentes espaços sociais, em busca de soluções e de alternativas, confrontando posicionamentos diversos tanto em relação à intervenção no âmbito social mais amplo quanto à atuação pessoal. São questões urgentes que interrogam sobre a vida humana, sobre a realidade que está sendo construída e que demandam transformações macro-sociais e também atitudes pessoais, exigindo, portanto, ensino e aprendizagem de conteúdos relativos a essas duas dimensões. Estes temas envolvem um aprender sobre a realidade e da realidade, destinando-se, também, a um intervir para transformá-la. Na verdade, os temas transversais prestam-se de modo muito especial para levar à prática a concepção de formação integral da pessoa.

Em

<http://Www.Uem.Br/Urutagua/007bovo.htm>, acesso em 30 de abril de 2010.

Revista

Urutágua

Revista

Acadêmica

Multidisciplinar

Logo, com essa consciência e espírito crítico assumimos o movimento da ransdisciplinaridade em nossa caminhada pedagógica, na tentativa de desvelar sentidos, desestabilizar outros, antes provocar do que esclarecer, e convidamos você, leitor, a acompanhar nossa jornada enquanto “planetários”.

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MANIFESTO DOS PLANETÁRIOS

AUTO-RETRATO DOS PLANETÁRIOS

Pierre Lévy (2001, p.15-18)

Ei-nos aqui. Nós. Os planetários. Nós dirigimos os mesmos carros, nós pegamos os mesmos aviões, nós desembarcamos nos mesmos hotéis, nós temos as mesmas casas, as mesmas televisões, os mesmos telefones, os mesmos computadores, os mesmos cartões de crédito. Nós nos informamos na câmara de eco das mídias globalizadas. Nós navegamos na Internet. Nós

temos nosso site. Nós participamos da silenciosa explosão di hipercórtex infinitamente reticulado da World Wide Web. Nós escutamos músicas de todos os cantos do mundo: Raí, rap, reggae, samba, jazz, pop, sons da África e da Índia, do Brasil ou das Antilhas, música celta e música árabe, estúdios de Nashville

Nós dançamos como loucos ao ritmo tecno

ou de Bristol

mundial nas festas raves rajadas de repetitivos clarões estroboscópicos. Nös lemos nossos livros e nossos jornais na

grande biblioteca mundial unificada de Babel. Nós afluímos, turistas misturados, em museus cujas coleções cruzam as culturas. As grandes exposições de que gostamos giram em torno do planeta como se a arte fosse um novo satélite da Terra. Nós estamos todos interessados nas mesmas coisas:

todas as coisas. Nada do que é humano nos é estrangeiro.

Nós, os planetários, consumimos no mercado mundial. Nós comemos à mesa universal, baunilha e kiwi, coentro e

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chocolate, culinária chinesa e culinária indiana. Quando os rabugentos querem atrair nosso olhar para a distribuição de hambúrgueres de má qualidade ou bebidas gasosas açucaradas, preferimos apreciar o crescimento do leque de possibilidades:

será que podíamos degustar tantas frutas diferentes, tantos temperos, tantos vinhos e licores há cinquenta anos, há cem anos?

Nós frequentamos (e organizamos) colóquios internacionais, há apenas cinquenta anos uma instituição rara e reservada para alguns, mas que se torna hoje um esporte em massa. Acontece que nossa reputação ultrapassa as fronteiras do país em que nascemos. Nós somos traduzidos em diversas línguas, ou melhor, não temos mais necessidade de ser traduzidos porque trabalhamos com as artes visuais, a música, a moda, o esporte. Nosso talento é reconhecido por toda parte. E pouco importa que esse talento seja acolhido em um país ou outro. Nós queremos somente que ele desabroche.

Pouco a pouco, sem que tenhamos nos dado conta imediatamente, o mundo chegou às nossas mãos e fizemos dele nosso campo de ação. A envergadura de nossos atos aumentou até atingir a outra margem. Temos clientes, sócios ou amigos por toda parte. No mesmo movimento, aprendemos progressivamente a maneira de nos dirigira todo o mundo. Nossos compatriotas estão em toda a Terra. Nós começamos a constituir a sociedade civil mundial.

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Nós somos cada vez mais numerosos. Nós trabalhamos em uma empresa multinacional ou transnacional, na diplomacia, na tecnologia de ponta, na pesquisa científica, nas mídias, na publicidade. Somos artistas, escritores, cineastas, músicos, professores, funcionários internacionais, jogadores de futebol, alpinistas, navegadores solitários, comerciantes, comissários de bordo, consultores, investidores de capitais, militantes em associações internacionais… cotidianamente, para o melhor ou para o pior, para compreender ou para sobreviver, para os amores ou para os negócios, em número crescente todos os dias, devemos olhar, comunicar e talvez agir além das fronteiras. Somos a primeira geração de pessoas que existe numa escala global. Homens ou mulheres, políticos, drogados, modelos, executivos, prostituídos, terroristas, vítimas de catástrofes transmitidas pela TV, cozinheiros, consumidores, telespectadores, internautas, imigrantes, turistas: somos a primeira geração global.

Nunca uma geração viajou tanto quanto a nossa, tanto a trabalho quanto por prazer. O turismo se tornou a maior indústria mundial. Nunca imigramos tanto quanto hoje, sejamos “pobres” atraídos pelo trabalho ou sejamos “ricos” desejosos de melhores condições fiscais ou uma remuneração mais justa de nossa competência. Inversamente, nunca alimentamos, acolhemos, integramos, assimilamos tantos estrangeiros.

Nós não somos mais sedentários, somos móveis. Não nômades, pois os nômades não tinham nem terras nem cidades. Móveis:

passando de uma cidade a outra, de um bairro a outro da

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megalópole mundial. Vivemos nas cidades ou metrópoles, que se relacionam umas comas outras, que serão (que já sao) nossas verdadeiras unidades de vida, bem mais que os “países”. Ou, ainda, vivemos no campo, em casas que sao como navios em pleno mar, conectados com todas as redes.

Nós somos budistas americanos, programadores indianos, ecologistas árabes, pianistas japoneses, médicos sem fronteiras 1 . Estudantes, para aprender em outros lugares, circulamos cada vez mais em torno do globo. Vamos onde podemos nos tornar úteis. Graças à Internet, damos a conhecer, em escala planetária, o que temos a oferecer. Produtores de vinho ou de queijo, instalamos um sistema de venda por correspondência na Web. Nossa geração está inventando o mundo, o primeiro mundo verdadeiramente mundial.

Nós não nos apegamos mais a um trabalho do que a uma nação ou identidade qualquer. Mudamos de regime alimentar, de trabalho, de religião. Saltamos de uma existência a outra, inventamos continuamente nossa atividade e nossa vida. Somos instáveis tanto em nossa vida familiar como em nossa vida profissional. Nós nos casamos com pessoas de outras culturas e de outros cultos. Não somos infiéis, somos móveis.

Nossa identidade é cada vez mais problemática. Empregado? Patrão? Trabalhador autônomo? Pai? Filho? Amigo? Amante?

1 Médicins Sana Frontières é uma instituição humanitária formada por médicos que atuam em países carentes. [N. dos T.]

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Marido? Mulher? Homem? Nada é simples. tudo deve cada vez mais ser inventado. Não temos modelos. Somos os primeiros a entrar em um espaço completamente novo. Entramos no futuro que inventamos percorrendo a passos largos nosso planeta.

Durante nossa jornada, buscaremos não perder de vista a exata compreensão do papel das tecnologias comunicacionais para a manutenção do elo social ao longo de toda a história da humanidade.

As seções de desdobramento desse texto espera ilustrar os tópicos do conteúdo programático da disciplina denominada “Introdução à Telemática”, para alunos de Licenciatura em Letras especialmente, cuja focalização propõem que vejamos nas TICs aquilo que dela se favorecem os desejosos de colaborarem para uma efetiva sociedade da comunicação composta por “cidadãos do mundo”.

E nesse sentido, confessamos que célebres figuras do “velho mundo” aqui e acolá são nossas fontes inspiradoras, como a do Erasmo, filósofo renascentista e personagem central do HUMANISMO, que viajava constantemente pela Europa, mais especificamente por países como Itália, Holanda, França e Alemanha, com o objetivo de confrontar suas ideias com a de seus pares, fazendo-o reivindicar para si a condição de civis mundi (cidadão do mundo).

Na atualidade, os sociólogos da comunicação Breton e Proulx já mencionados atribuem a Erasmo o papel de primeiro “homem de comunicação”. Para eles, as cartas do ilustre humanista trocadas com outros filósofos de sua época adquiriram o espírito de um fenômeno

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social, que a nós nos faz lembrar as comunidades virtuais que têm objetivo semelhante, na atualidade, e que nos provoca a repensar nossas velhas formas de ensinar e de aprender.

Nas palavras dos referidos autores, temos:

fenômeno social, uma vez que com ou sem permissão,

foram regularmente publicadas sob a forma de volumes

impressos, que conheceram grande difusão. [

sucesso inicial, o pensamento humanista não conquistou imediatamente uma aprovação unânime. Ainda por muito tempo, o ensino se manteve de maneira opressiva nas mãos dos eclesiásticos, que recorreram aos temas dominantes da cultura medieval. Forçados a encontrar modos de expressão eficazes fora das instituições tradicionais, os humanistas colocaram eles próprios suas ideias em prática. Os livros e as bibliotecas, as conferências e os intercâmbios por ocasião das muitas viagens constituíram então uma verdadeira UNIVERSIDADE INFORMAL,

Apesar de seu

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não localizada, sem centro aparente, vivendo apenas da circulação efetiva das ideias e, com isso, de seu constante enriquecimento.

BRETON & PROULX (2002, p.50).

E é para repensar as decisões de conteúdos a serem ensinados aos aprendizes em todos os níveis da educação formal que a temática aqui tratada busca evidenciar os conflitos resultantes da carência de discussão formal acerca de conteúdos como esse, de que tratamos, a telemática, como tema transversal necessário à formação do professor.

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Não nos deixemos ser atropelados por uma consciência intocada ou deformada pelos postulados insipientes sobre a relação linguagem e tecnologia, a qual importa de forma incondicional ao profissional das Letras, goste ele ou não, da avalanche de novos objetos de leitura e de escrita que exigem que sejam postos em um ponto de equilíbrio do qual depende a reflexão sobre a sociedade da comunicação nesse novo século.

1.1 Desfazendo um mito

Há uma tendência em se pensar nas tecnologias da informação e da comunicação (TICs), por um lado, como um fenômeno promotor de desenvolvimento social, por outro, como predadoras das relações humanas saudáveis, pelas rupturas visíveis na tessitura social.

Preferimos pensar as TICs enquanto formas de construção de um mundo social, as quais possibilitam o desenvolvimento de competências comunicativas necessárias às exigências contemporâneas. Tempo em que eficácia e autonomia são palavras de ordem. Afinal de contas, as técnicas de comunicação sempre existiram e foram largamente utilizadas ao seu tempo. O que há de singular, no entanto, é o discurso valorativo acerca da comunicação no modo telemático nos dias de hoje, tempo fortemente marcado pelo determinismo técnico.

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Fala-se, então, em sociedade da comunicação em que “homens e máquinas trabalhariam em harmonia e, por que não, em pé de igualdade, graças às novas “inteligências artificiais”. Pensando desse modo, anda-se sob o risco da perda de valor do humano, situado no mesmo plano da máquina, reforçando o poder de “encantamento” durante a contemplação de invenções tecnológicas.

Entendemos, assim, que não podemos deixar que se confundam o papel da tecnologia da comunicação com o papel do homem na apropriação das técnicas que lhe sirvam ao fortalecimento da sua competência comunicativa, cujo pressuposto basilar é a noção de comunicação como ação humana essencialmente intencional.

Sobre o lastro de pesquisas históricas investigativas das diferentes técnicas de comunicação social desde a Antiguidade, é possível afirmar que a consciência propriamente dita do papel da informação na vida pública remonta à cultura romana, que concebia a produção da informação e organização da comunicação como meio eficaz de manutenção do elo social. A invenção do Acta Diurna 2 ilustra bem essa consciência.

2 Acta Diurna é o primeiro jornal de que se tem notícia. Eram “textos cravados em painéis, geralmente de pedra, e fixados pela cidade de Roma”. (Disponível em: <www.infopedia.pt/$acta-diurna>. Acesso em 27 de jul. de 2010). “Produzido pelo Imperador Romano César (59 a.C.), tinha o objetivo de prestar contas à sociedade dos trabalhos do Senado, das festas promovidas pelo império e de outros acontecimentos”. (Cf. Breton & Proulx, 1993:37). “A Acta Diurna era afixada nos espaços públicos e trazia também fatos diversos, notícias militares, obituários, crônicas esportivas entre outros assuntos”. (Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/imprensa>. Acesso em 27 de jul. de 2010).

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Antes desse período clássico, o desenvolvimento de técnicas de comunicação entre os seres humanos resultava da necessidade de ampliação da capacidade de relação intersubjetiva, fazendo-os criar instrumentos que reforçassem, ampliassem e prolongassem suas habilidades comportamentais.

Nas palavras de Bronckark (1999):

Para assegurar sua sobrevivência, os membros dos grupos humanos primitivos colaboravam concretamente, como os outros mamíferos superiores, em atividades gerais relacionadas à sobrevivência (as atividades de nutrição, por exemplo). Entretanto, sendo biologicamente dotados de capacidades comportamentais mais poderosas que as dos outros mamíferos, devido principalmente à liberação das mãos, os seres humanos produziram instrumentos que reforçavam e prolongavam suas capacidades comportamentais. A exploração desses instrumentos no quadro de atividades complexas requeria, inelutavelmente, um mecanismo sobre o próprio contexto de atividade e sobre a parte da atividade que devia caber aos indivíduos instrumentalizados. As produções sonoras originais

teriam sido motivadas por essa necessidade de acordo. [

que

conduzirá à transformação das designações em “representações compartilháveis, ou ainda comunicáveis”.”

]

BRONCKART, Jean-Paul. Atividade de linguagem, textos e discursos: por um interacionismo sociodiscursivo. Tradução Anna Rachel Machado, Péricles Cunha São Paulo: EDUC, 1999, p.32-33.

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Assim sendo, podemos afirmar que a necessidade de comunicação verbal aprimorada, capaz de superar a limitação espaço-temporal da modalidade oral da língua materna como única forma de ação comunicativa intencional, levou o homem à criação de ferramenta/instrumentos/tecnologia que lhe permitiram interagir com seus semelhantes de forma mais ampla e eficaz.

Desse modo, é possível afirmar que estão postos os ingredientes essenciais ao desenvolvimento de sistemas comunicacionais necessários à orientação da vida em sociedade: indivíduos conscientes do papel da linguagem para a produção de tecnologias revolucionárias nos modos de organização social; e a capacidade humana de criação de tecnologia para atender às necessidades de desenvolvimento da antroposfera 3 .

Outrossim, podemos afirmar que a comunicação social 4 nesse início de século caracteriza-se, de um lado, pela presença de tecnologias da informação responsáveis por mudanças irreversíveis nos modos de pensar e de agir da humanidade; de outro, pelas tecnologias da comunicação que promovem diferentes comportamentos comunicacionais, em função da ação comunicativa das diversas mídias (as editoras, a imprensa, as rádios, as emissoras de televisão), das telecomunicações e da informática; e na região concêntrica, pelo

3 É importante não permitir o encantamento natural e consequente ao se verificar o quanto a criação da antroposfera reafirma o “desencantamento” do mundo, com a certeza da manipulação da natureza aliada à crença no progresso (herança do século XVIII, com o movimento iluminista, não podemos deixar de lembrar).

4 Referimo-nos, aqui, à “comunicação midiatizada, que implica geralmente mensagens que circulam entre grupos de pessoas, ou entre uma pessoa e um grupo” (BRETON & PROULX, 1993: 12)

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impacto dessas invenções ligadas à linguagem através da história, permitindo desvelar o mito da telemática compreendido na noção de que a tecnologia é suficiente, por si só, para promover a aprendizagem, uma vez que faculta ao aprendiz condições técnicas e apoio didático ao compartilhamento profuso de informações.

Para desfazer esse mito da telemática como tecnologia salvacionista é preciso redimensionar o paradigma da modernidade, assentado na reflexão sobre a comunicação porque imbricado em tecnologias que se associam à ideia de movimento, de deslocamento de mercadoria, de pessoas, de informação, de ideias novas a cada minuto, mas também úteis e não apenas novas, de ampla expressão da “socialização do conhecimento”.

Linguagem da mídia, linguagem de hipermídia, linguaqem de informática, ambiente virtual, comunidades virtuais. São esses alguns dos termos sinalizadores de que há uma nova ordem social, a que Alfred Toffler (1980) denominou TERCEIRA ONDA, para definir a revolução provocada pelo desenvolvimento técnico-científico gerado pela telemática.

1.2 O que significa telemática?

Para finalizarmos essa etapa de reflexão introdutória geral a respeito da sociedade dita da informação e comunicação, pensemos

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brevemente acerca da designação de telemática e também da noção de tecnologia, já que essa última serve de pressuposto àquela.

Iniciemos observando o elemento grego de composição lexical tele.

No senso comum, o sentido de “tele” é imediatamente associado à palavra televisão, não é mesmo? Mas, de fato, esse elemento originalmente exprime a ideia de “longe”, “ao longe”, aquilo que está “a distância”. A associação com televisão resulta de recorrentes usos pela mídia televisiva que reforçam esse sentido na atualidade, e que foram dicionarizados há poucas décadas, como nas definições de “telealuno” (“aluno que assiste aulas pela televisão”, por conseguinte, “teleaula”), “teleator”e “teleatriz” (“ator de representações teatrais transmitidas por estação de televisão”), “telecine”(“equipamento destinado a captar as imagens de um filme cinematográfico ou de um eslaide – para transmissão por tevê”), “telejornal” (“noticiário jornalístico transmitido pela televisão, geralmente acompanhado de cenas cinematográficas dos principais acontecimentos”) 5 .

Ainda que o significado grego original esteja preservado, por exemplo, em palavras como “telefone” (“aparelho destinado a transmitir à distância a voz ou qualquer outro som por meio eletromagnetismo”), “teleguiar” (“guiar a distância – aviões, engenhos, foguetes, projéteis etc.”), a palavra telemática pode remeter erroneamente à vinculação com televisão.

5 Exemplos retirados do MICHAELIS. Moderno dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia Melhoramentos, 1998.

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Observe as definições abaixo destacadas:

1. Significado de Telemática

s.f. Conjunto de serviços informáticos fornecidos através de uma rede de telecomunicações.

(Disponível em: <http://www.dicionariodoaurelio.com/Telematica>. Acesso em 19 de nov. 2010)

2. Telemática

Telemática é o conjunto de tecnologias da informação e da comunicação resultante da junção entre os recursos das telecomunicações (telefonia, satélite, cabo, fibras ópticas etc.) e da informática (computadores, periféricos, softwares e sistemas de redes), que possibilitou o processamento, a compressão, o armazenamento e a comunicação de grandes quantidades de dados (nos formatos texto, imagem e som), em curto prazo de tempo, entre usuários localizados em qualquer ponto do Planeta.

A telemática pode ser definida como a área do conhecimento humano que reúne um conjunto e o produto da adequada combinação das tecnologias associadas à eletrônica, informática e telecomunicações, aplicados aos sistemas de comunicação e sistemas embarcados e que se caracteriza pelo

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estudo das técnicas para geração, tratamento e transmissão da informação, na qual estão preservadas as características de ambas, porém apresentando novos produtos derivados destas.

A telemática deu um poder extraordinário à EAD.

(Disponível em: <http://www.dicionarioinformal.com.br/buscar.php? palavra=telem%E1tica>. Acesso em 19 de nov. de 2010)

3. Telemática

“A palabra telemática origina-se de TELE que significa comunicação e do sufixo MÁTICA que é uma seção da palavra informática. Assim, telemática trata da manipulação e utilização da informação através do uso combinado de computador e meios de telecomunicação.”

(Disponível em: <http://www.vdl.ufc.br/catedra/telematica/ telematica_ead.htm>. Acesso em 19 de nov. de 2010)

4. Telemática (francês télématique) s. f. 1. Conjunto de serviços informáticos fornecidos através de uma
4. Telemática (francês télématique)
s. f.
1. Conjunto de serviços informáticos fornecidos através de uma
rede de telecomunicação.
2.
Estudo
da
transmissão
à
distância
de
informação
computadorizada.

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Sinónimo Geral: teleinformática

(Disponível em: <http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados. aspx?pal=telem%E1tica>. Acesso em 19 de nov. de 2010)

5. Telemática

La Telemática es una disciplina científica y tecnológica que surge de la evolución y fusión de la telecomunicación y de la informática. Dicha fusión ha traído el desarrollo de tecnologías que permiten desde realizar una llamada telefónica en la cima del monte Elbrus a un abonado en la selva amazónica, enviar un vídeo en 3D por Internet, o hasta recibir imágenes de una sonda que orbita alrededor de un planeta distante.

(Disponível em: <http://es.wikipedia.org/wiki/Telem%C3%A1tica>. Acesso em 19 de nov. de 2010)

6. Telemática

sf. (tele(comunicação)+(infor)mática) Ciência que trata da manipulação e utilização de informação através do computador e da telecomunicação.

MICHAELIS: moderno diccionario da lengua portuguesa / Sao Paulo:

Companhia Melhoramentos, 1998 (Dicionários Michaelis)

Vemos que telemática designa uma área de conhecimento envolvido no desenvolvimento de tecnologia eletro/eletrônica que põe em relação dois outros campos: a telecomunicação e a informática. Logo, estamos

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diante de um fenômeno de convergência de três grandes áreas (ou “mundos”, se nos permitem dizer), encarregados da produção de TICs, quais sejam:

A computação ou informática: onde se encontram os

A

computação

ou

informática:

onde

se

encontram

os

“hardware”, “software” e seus sistemas complementares;

As telecomunicações: tipicamente responsáveis pelo desenvolvimento de tecnologia capaz de estabelecer a comunicação a

As telecomunicações: tipicamente responsáveis pelo desenvolvimento de tecnologia capaz de estabelecer a comunicação a distância, por meio de sinais elétricos ou eletromagnéticos; e

As mídias responsáveis pelos repositórios de informação do

As

mídias responsáveis pelos repositórios de informação do

paradigma da recepção convencional: a televisão, as atividades

editoriais e o cinema.

Esses três mundos têm em comum a dependência de um conjunto de processos peculiares do conhecimento teórico ou prático das ciências Mecânica, Elétrica ou Eletrônica.

Por outro lado, está também arraigado no senso comum a pregnância da noção de tecnologia à de telemática, o que gera no sentido do primeiro termo uma limitação de significado.

Essa limitação de sentido da palavra tecnologia diz respeito à relação exclusiva aos processos de produção industrial, desconsiderando, pois,

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a ideia expressa pelo elemento grego de composição lexical tecno (gr. tekné) de “arte” ou “ofício”, a partir da qual é possível compreender “tecnologia” como “conjunto dos processos especiais relativos a uma determinada arte”, ou mesmo “linguagem peculiar a um ramo determinado do conhecimento, teórico ou prático”. 6

O redimensionamento da noção de tecnologia é importante para a

compreensão da telemática no processo histórico de desenvolvimento

da capacidade humana de criação de instrumentos semióticos essenciais no processo de socialização.

Esse processo decorre também e fundamentalmente, por que não

dizer, do desenvolvimento propriamente dito de cada nova tecnologia,

já que a ampliação da capacidade do homem de agir sobre a Natureza

depende de sua especial faculdade de pensamento e linguagem.

Se o homem é, evidentemente, um organismo vivo e se, como tal, algumas de suas propriedades comportamentais são condicionadas pela configuração do potencial genético e pelas condições de sobrevivência da espécie, essas condutas revelam capacidades novas (em particular capacidades de pensamento e de consciência), que foram construídas no curso da evolução, graças à liberação progressiva das restrições biológicas e comportamentais, e que continuam a contribuir para a autonomização da espécie em relação às “leis da Natureza”.”

6 Em MICHAELIS, op. cit.

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(BRONCKART, Jean-Paul. Atividade de linguagem, textos e discursos:

por um interacionismo sociodiscursivo. Tradução Anna Rachel Machado, Péricles Cunha São Paulo: EDUC, 1999, p.21-22)

À medida que compreendemos as diversas formas de tecnologia comunicacional levando a sério a historicidade do ser humano, verificamos a crescente importância social da informação, pondo em evidência o desenvolvimento de técnicas de comunicação nos diferentes períodos da história da humanidade. Para adotarmos o NOVO não devemos, necessariamente, abandonar o VELHO.

Da invenção do alfabeto romano à linguagem de hipermídia é possível verificar a interferência de cada nova tecnologia da comunicação na que lhe segue, e no consequente estabelecimento de formas particulares de condutas humanas, portanto socialmente contextualizadas, que vão dando lugar a atividades de linguagem como produções sociais capazes de colaborar na construção do universo cultural da nossa espécie. E é nesse sentido que a cultura educacional, então trespassada pela telemática, testemunha a efervescência de novos recursos no processo de aprendizagem, favorecendo a aquiescência da educação a distância (EaD) ainda que sem a reflexão necessária à apropriação precisa dos novos modos de organização e distribuição da informação que lhe subjaz.

Em parte, é essa reflexão que desejamos promover aqui, a fim de que possamos tornar precisos os aspectos necessários ao desenvolvimento da competência comunicativa em premência para o cidadão do século

XXI.

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2. Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs)

No início de nossas reflexões, destacamos a necessidade de mantermos o equilíbrio para a apropriação das TICs no discurso e na vida acadêmicos, a fim de evitarmos contribuir para os desequilíbrios já inegavelmente instaurados com o desenvolvimento irrefletido da ciência e das técnicas. Para tanto, optamos por redimensionar o que se entende comumente por “desenvolvimento tecnológico”, relembrando a necessidade de mantermos uma visão mais ampla da realidade para compreendermos sem “encantamentos” descabidos a evolução cultural nesse terceiro milênio, fruto do desenvolvimento da telemática de modo especial.

Comecemos, então, voltando no tempo, em meados do século XIX, quando as pesquisas científicas foram intensificadas, resultando na celebração incontestável da face positiva do incremento de tecnologias as quais culminaram na atual revolução da microeletrônica, sem evitar, no entanto, o impacto perturbador que a não-reflexão foi capaz de gerar.

Bombas nucleares; narcotráfico informatizado; agentes políticos e econômicos beneficiados por práticas manipulativas otimizadas por redes telemáticas, capazes de ampliar o desequilíbrio instaurado pelo desenvolvimento irrefletido, de todos e em todos os lugares.

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Catástrofes, apenas? Não, é claro! Manter o equilíbrio não depende de gerarmos um tom dramático focalizando o impacto nefasto (não resta dúvida!) promovido com as invenções que caracterizam a revolução industrial, e que em verdade teve início há cerca de 300 anos. Precisamos, sim, entender as grandes invenções ou tecnologias que mudam a vida humana e que podem nos ajudar a compreender o mundo virtual nesse momento da história da humanidade, esse a que pertencemos de um modo ou de outro, envolvidos que estamos com a telemática.

As invenções tecnológicas acontecem em virtude de uma demanda real, de uma necessidade de novo ajuste social à realidade que constantemente nos desafia a sobreviver. Devemos, porém, evitar ver na técnica a causa da transformação social, pois as condições socioculturais e econômicas exercem um papel indiscutível para a mudança, não negligenciável no próprio processo de invenção 7 .

Apenas para efeito de apresentação, podemos observar as TICs em duas etapas distintas. Na primeira delas, identificamos diferentes formas de expressão material do pensamento como representativas da primeira geração de tecnologias disponíveis à construção da sociedade dita da comunicação. Nela está a expressão escrita. Na segunda, estão as diferentes formas de comunicação e informação, com as assim chamadas mídias comunicacionais. São elas predecessoras da mais nova geração de tecnologia para a comunicação a distância com a constituição do ciberespaço.

7 A história da xilografia, na China do século XI d. C., quando confrontada com a história da impressão tipográfica, no Ocidente, bem ilustra essa afirmação.

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A geração virtual responde pela existência de um novo paradigma comunicacional, no qual os indivíduos não apenas “consomem” informação, como receptores passivos (dadas as condições de recepção que claramente estabelecem um “divisor de águas” entre as gerações), mas que agora são receptores/interlocutores, os quais passam a produzir ou reproduzir informações também como produtores. Além disso, essa geração passa a estabelecer novas relações não só de trabalho, como também interpessoais e de consumo, fruto do desenvolvimento da telemática.

Para entender sucintamente essas duas etapas como esclarecedoras da história da comunicação do ponto de vista social, partamos da distinção entre os termos “informação” e “comunicação”, ainda que em seus usos cotidianos por vezes se confundam.

Para a formação do professor de Português, que tem por objetivo do ensino o desenvolvimento da competência comunicativa do aprendiz, ter clareza dessa dimensão é essencial.

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2.1 A expressão escrita: as primeiras tecnologias da informação

Embora seja atribuída aos romanos da Era Clássica o surgimento da noção de informação, concordamos com os historiadores que consideram a pintura rupestre, datadas de até 30.000 a. C., mais do que uma forma de expressão puramente artística, pois ao constituírem um registro da realidade (retratando as pessoas, objetos e animais em situações de convivência social de sua época) são claramente a primeira forma consciente de produção de informação acerca da sociedade de seu tempo. Como nos faz lembrar os sociólogos da comunicação Breton e Proulx (2002, p.34), a própria palavra latina informatio” traz em sua origem o sentido de “ação material de moldar, de dar uma forma”, logo, que remete à construção material propriamente dita do que se deseja expressar simbolicamente.

Ao lado desse sentido, a “informatio” do mundo romano significa “de acordo com o contexto, ensino e instrução, ou idéia, noção, representação” (op.cit. p.35). a produção de informação depende, assim, da condição material de registro do que se deseja dizer ou informar -, e da possibilidade de partilha da ideia que se espera ser capaz de representar. Em outras palavras, a forma de expressão da informação pretendida deve ser de tal modo que seja capaz de estabelecer comunicação.

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Para o aprimoramento de sua capacidade de comunicação, o homem desenvolveu diferentes formas de expressão a que se pode chamar “escrita”, as quais se estabelecem como tecnologias da informação e comunicação em diferentes épocas. Da escrita cuneiforme (registros com varetas em placas de argila) da Mesopotâmia de 4000 a.C., passando pelos hieróglifos egípcios, datados de 3306 a.C., até a invenção do alfabeto fenício, que surge por volta de 2000 a.C no Oriente Médio, ao alfabeto latino, diversas são as formas de tecnologia de escrita que figuram como linguagens usadas para expressão do pensamento e servem a diferentes necessidades comunicativas, cada uma delas marcada pela possibilidade de dissociar espaço- temporalmente o produtor da informação de seu receptor-interactante.

Desde o século IV a.C., o alfabeto jônico substituíra progressivamente os alfabetos locais. Sua enorme difusão pelo mundo mediterrâneo, e além dele, acontecerá por intermédio dos romanos.

No século I a.C., do tempo de Cícero, o alfabeto se estabilizara e faltava-lhe uma única letra para chegar a sua forma atual. Esse alfabeto latino servirá de base comum à escrita em todo o Ocidente. Paralelamente aos escritos latinos que a Idade Média copiou e que o Renascimento deveria descobrir, os grandes ensinamentos da retórica, por meio de Aristóteles, Cícero e Quintiliano, atravessaram os séculos, graças a sua integração ao catolicismo. Ao atravessar a Antiguidade, o discurso judiciário permaneceu intacto, o discurso deliberativo, no final da República, transportara-se para as cortes imperiais e as embaixadas, e o discurso epidíctico conheceria um novo vigor

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com a pregação cristã.

O logos grego tornara-se, na tradução romana, ratio, a “palavra”tornara-se “cálculo”. A cultura romana, completamente imbuída da ideia de organizar a comunicação com o intuito de manter vivo e elo social, inventara a informação, ou seja, “a palavra para o outro”.”

BRETON & PROULX, 2002, p.38.

Podemos dizer que a escrita alfabética representa a maior tecnologia da informação e comunicação inventada, pois o impacto que promoveu sobre o futuro marca um ponto de transição da cultura oral para a cultura escrita dos tratados filosóficos e científicos.

As técnicas de escrita são responsáveis, assim, por verdadeiras revoluções intelectuais, cuja culminância de desenvolvimento dessa tecnologia acontece no século XV, com a invenção da imprensa de Gutenberg, em um contexto favorável porque alia a técnica ao espírito mercantil, fazendo do “livro” um objeto de mercado.

Observe mais uma vez o que dizem Breton e Proulx (2002, p.42):

A imprensa nasceu efetivamente em uma pequena cidade que não era um centro intelectual, e seu inventor sonhava, primeiramente, em descobrir um processo mais eficaz para a fabricação dos livros.

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Era preciso conceder, nesse domínio como em outros, uma autonomia à invenção técnica, que deve, para ser possível, esperar certos progressos na fabricação dos elementos materiais que o compõem. A imprensa nasceu em um ambiente de ourives e moedeiros, que se beneficiava dos progressos ocorridos no século XV na metalurgia. Mas era preciso provavelmente substituir o pergaminho pelo papel (entre 1350 e 1450) para que o processo de impressão pudesse pertencer a um sistema técnico completo. A fabricação dos caracteres fazia parte dos processos conhecidos, mas era inconcebível materialmente imprimir sobre pergaminho, material que simplesmente não era suficientemente liso para aguentar os novos processos de tintagem e impressão.

BRETON & PROULX (2002, p.42)

Há que se destacar, contudo, que o desenvolvimento de uma tecnologia depende, além do processo técnico propriamente dito, de condições sociais, culturais e econômicas para sua participação no desenvolvimento social, o que no caso das TICs se deu a partir da progressiva transformação da ideia de informação com valor de mercado, tendo a produção do livro como técnica de comunicação. Destarte, estão criadas as condições precípuas para o desenvolvimento das TICs a serviço de uma sociedade da informação e comunicação.

Para os sociólogos Breton e Proulx, o embrião do projeto contemporâneo de “sociedade da comunicação” nasce a partir do início dos grandes debates sociais ocorridos no período compreendido entre os conflitos religiosos e a Revolução Francesa, colocando em destaque diferentes técnicas de comunicação que, no final do século XIX e início

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do século XX, despertam os indivíduos para a consciência do papel das TICs no desenvolvimento propriamente social.

Podemos concluir essa reflexão sobre o papel da informação e do desenvolvimento de tecnologias da escrita na consolidação de uma sociedade da comunicação, assumindo a criação do alfabeto como representante de uma tecnologia da informação que permitiu não só a expressão do pensamento tornando-o perene, mas de forma especial que gerou a possibilidade de intercâmbio de informação e consequente ampliação da capacidade de “memória”dos fatos concernentes ao próprio desenvolvimento da civilização.

Com a invenção da imprensa, estavam prontas as bases materiais para o desenvolvimento, sem precedentes, das técnicas em todos os âmbitos, tempos em que caminham a passos largos diversos e múltiplos processos de industrialização, dentre os quais estão invenções que dão existência material às mídias comunicacionais.

Destacamos que não estamos postulando, contudo, uma oposição entre cultura escrita e cultura oral, o que parece tentador concluir à primeira vista. Mas, sim, o aparecimento da escrita como responsável por um processo de “virtualização da memória” (cf. Lévy, 1996) que “assim fazendo, reorganiza a economia ou a ecologia intelectual em seu conjunto e modifica em troca função cognitiva que ela supostamente deveria apenas auxiliar ou reforçar. As relações entre a ESCRITA (tecnologia intelectual) e a MEMÓRIA (função cognitiva) estão aí para testemunhá-lo” (LÉVY, 1996, p.38).

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3. Licenciatura em Letras a distância: uma nova cultura educacional

3.1 Uma breve história

Em 13 de abril de 2006, a UFPE passa a integrar o conjunto das 36 universidades federais proponentes de cursos de graduação na modalidade de educação a distância (EAD), em resposta à iniciativa da Secretaria de Educação a distância do MEC (SEED/MEC) com a criação do Projeto Universidade Aberta do Brasil (UAB)*, através do Edital de Convocação nº. 1, lançado em 20 de dezembro de 2005.

Os dez anos de vida da SEED/MEC ficam, assim, marcados historicamente com a possibilidade de um modelo alternativo para oferta e gestão de educação superior, visando à ampliação do acesso à educação para redesenhar o cenário nacional de assimetrias educacionais. Para a UFPE, a oferta do Curso de Licenciatura em Letras a Distância (e-Letras) representa o nosso desejo de colaboração efetiva que garanta à sociedade o acesso ao conhecimento e a todos os níveis de educação, como assim determina a Constituição Federal: “o dever do Estado com a educação será efetivado mediante garantia de ( ) acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um”. (Art. 208, inciso V)

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Sem a pretensão de esgotar a riqueza e complexidade intrínsecas à temática em questão, e registrando a necessidade e disposição ao diálogo, este artigo tem o objetivo de apresentar o primeiro curso de graduação à distância da UFPE, o e-Letras, ao passo que discute a existência de uma nova cultura educacional.

Inúmeros desafios foram enfrentados especialmente no que concerne à parceria com os Pólos de Apoio Presencial, à clareza dos papéis e atribuições de cada partícipe, ao entendimento da figura de tutor, mormente quando nos víamos, de fato, diante de um novo paradigma educacional. Mas, o que isso significa?

Partamos, então, do conceito de cultura.

Em “MICHAELIS: moderno dicionário da língua portuguesa”, encontramos as seguintes definições sociológicas para o significado dessa palavra latina: (1) sistema de idéias, conhecimentos, técnicas e artefatos, de padrões comportamentais e atitudes que caracteriza uma sociedade; (2) organização dinâmica de indivíduos autoconscientes e que compartilham objetivos comuns e são, assim, capazes de ação conjugada. Afirmar a existência de uma cultura de EAD é reconhecer os objetivos comuns compartilhados por todos aqueles que propõem cursos a distância, conscientemente engajados em um modo de organização de conteúdos curriculares que têm materialização diferente do ensino presencial, porque dispostos em ambientes comunicacionais imbricados e dependentes de recursos tecnológicos de informação e comunicação. É, ainda, observar nas técnicas e artefatos da EAD a acuidade necessária às condições de exequibilidade do curso

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proposto nessa modalidade, que surgem para desafiar educadores e educandos a refletir sobre o instrucionismo no processo de ensino- aprendizagem, pondo em cheque o pressuposto da relação face a face de natureza física multi-sensorial entre professor e aluno como condição e garantia de sucesso na apropriação do conhecimento que se lhe é dado.

Dentre todos os desafios enfrentados, de um lado resistir à sofisticação e complexidade do estado-da-arte em matéria de tecnologia em prol da facilidade e usabilidade que garantem a adequação ao público alvo, este em processo de desenvolvimento do letramento digital ou mesmo de alfabetização digital, e de outro compreender a relação equilibrada entre o conhecimento disposto à aprendizagem - de autoria do professor - e o sistema de atividades propostas, o mais instigante continua sendo perceber a complexidade dos padrões comportamentais característicos e adequados a essa modalidade de ensino, o que nos permitiu verificar o aspecto de maior relevância em EAD: o sentido de autonomia.

Ao “criar e professorar” o e-Letras (parasitando na expressão do Marco Silva), a todo o momento vimo-nos diante do desafio de compreendermos a autonomia do professor, na proposição de seu conteúdo de curso a ser transposto para uma outra linguagem HTML (o que significa mesmo?), a autonomia da equipe de web designers, norteadores do papel de cada membro da equipe do e-Letras responsável pela produção de conteúdo e mesmo promovendo demandas as quais não se sabe ao certo a quem competem resolver, a autonomia do curso dentro da estrutura da universidade e na relação com a UAB-MEC, a autonomia do Pólo de Apoio Presencial, com

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implicações na execução das disciplinas e mesmo na imagem da instituição proponente, a autonomia do aluno, esta sim, ponto neurálgico na cultura de EAD.

Desafios. Todos os desafios enfrentados um a um, subestimados em alguns momentos, superestimados em outros, talvez, com uma única certeza, a do possível quando sabemos perseverar com obstinação e espírito social.

Assim, o e-Letras é uma realidade na história da UFPE, a sala de aula virtual existe, é lá onde se encontram duzentos alunos distribuídos nos quatro pólos de apoio presencial parceiros desta instituição na construção dessa primeira experiência em nível de graduação Ipojuca, Limoeiro, Pesqueira e Trindade que caminha para o fechamento do primeiro período do curso.

A sala de aula: a plataforma de aprendizagem

Na cultura de EAD online as chamadas plataformas de aprendizagem constituem o espaço onde se dá o processo de ensino-aprendizagem. Todo o trabalho que antecede a apresentação da plataforma aos alunos representa o ponto de partida crucial para o desenvolvimento de um curso a distância de qualidade, com duas exigências básicas: (i) a construção da plataforma e a identidade do curso uma tessitura multidisciplinar e (ii) a apropriação da plataforma por quem vai ensinar/aprender a distância: uma questão de interfaces.

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Ancorado no moodle, a identidade visual do e-Letras se definiu quando compreendemos a significação do termo e-learning na literatura pertinente à área. Com a logomarca apresentada pela equipe de designers e os ícones necessários à interface do ambiente educacional, a sala de aula torna-se uma realidade pronta à atualização por seus usuários. Corpo docente, corpo discente, coordenação de pólos, tutores presenciais, todos participam do Módulo Introdutório do e-Letras, objetivando a familiarização com a plataforma. Durante trinta dias foi possível observar os alunos e professores navegando nas infovias do ciberespaço desenhado para o e-Letras.

As imagens a seguir ilustram onde tudo começou!

desenhado para o e-Letras. As imagens a seguir ilustram onde tudo começou! 1. Plataforma Moodle: CEAD

1. Plataforma Moodle: CEAD / UFPE

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Ao acessar a plataforma do CEAD (Coordenação de Educação a Distância da UFPE) vista acima (imagem 1), o aluno faz uso de uma senha de acesso aos cursos a distância da UFPE, para então acessar o e-Letras, participando das salas de aula virtual no Pólo de Apoio Presencial a que se vinculou desde a realização do vestibular.

Observe:

que se vinculou desde a realização do vestibular. Observe: 2. Acesso permitido aos cursos a distância

2. Acesso permitido aos cursos a distância da UFPE.

A sala de aula tradicional é, pois, substituída por “ambientes virtuais de aprendizagem” (AVA), onde encontramos os conteúdos específicos de cada disciplina, as orientações pedagógicas específicas para o tratamento de cada conteúdo, os professores e os tutores das disciplinas, os coordenadores de pólo, a coordenação do curso, enfim,

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o “Espaço Ágora” ponto de encontro virtual de alunos.

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Veja nas imagens 3 e 4, a seguir, duas telas ilustrativas da entrada para as disciplinas do primeiro período do e-Letras (havendo ainda duas disciplinas para serem ”liberadas” no ambiente).

ainda duas disciplinas para serem ”liberadas” no ambiente). 3. Disciplinas do primeiro período do e-Letras. »

3. Disciplinas do primeiro período do e-Letras.

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4. Sala de aula de Prática de Ensino e Pesquisa (elaborada pelos professores Dilma Luciano

4. Sala de aula de Prática de Ensino e Pesquisa (elaborada pelos professores Dilma Luciano e Guilherme Moura)

A sala de aula tradicional é, pois, substituída por “ambientes virtuais de aprendizagem” (AVA), onde encontramos os conteúdos específicos de cada disciplina, as orientações pedagógicas específicas para o tratamento de cada conteúdo, os professores e os tutores das disciplinas, os coordenadores de pólo, a coordenação do curso, enfim, o “Espaço Ágora” ponto de encontro virtual de um e de todos os alunos.

Observe na imagem 5, a seguir, um fórum de interação definido como espaço de interação entre o professor e os alunos, mediado pelo tutor a distância, e que integra o sistema de atividades apresentado para o

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aluno desde o primeiro dia de aula virtual (quando a disciplina é disponibilizada na plataforma), conforme apresentado no site do conteúdo, no link Atividades, (imagem 6).

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5. Fórum de interação da disciplina Teoria da Literatura I 52 «

5. Fórum de interação da disciplina Teoria da Literatura I

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6. Link “Atividades”, site do conteúdo da disciplina Introdução à Linguística » 53

6. Link “Atividades”, site do conteúdo da disciplina Introdução à Linguística

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O curso de Letras a Distância é, pois, uma modalidade de ensino que se apropria dos recursos de hipermídia e da cultura de comunicação on-line para promover a aprendizagem através da leitura no espaço virtual.

Na sala de aula tradicional, a voz audível do professor são as linhas traçadas de um texto fugaz por natureza. Na sala de aula virtual, a voz do professor se corporifica nos folhados textuais do hipertexto, que se propõem à mediação da aprendizagem.

Naquela modalidade de ensino (presencial), a segurança aparente da reconhecida solidez da tradição. Nesta, o desafio do novo em conteúdos dispostos na solidez do escrito (escrito mesmo!), visível aos olhos e tangível pela possibilidade de transformá-los, os conteúdos, em material impresso, como gosta a tradição.

Os Pólos de Apoio Presencial: o espaço tangível

Na modalidade de ensino a distância o que acontece é a interiorização do ensino, sem que haja uma extensão da universidade.

Como bem o diz o título, o município oferece apoio às universidades na viabilização do ensino a distância, atendendo e assistindo alunos e alunas que podem usufruir da infra-estrutura do pólo, o qual deve oferecer um espaço físico para a execução de funções didático- administrativas específicas dos cursos propostos, como os encontros presenciais que são planejados previamente.

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Pode ocorrer de um pólo de apoio presencial ancorar diferentes instituições de ensino, servindo ao município em função da demanda local e da circunvizinhança.

Um pólo de apoio presencial organiza-se com o apoio do governo federal MEC bem como dos governos municipais e estaduais e deve ser constituído com laboratório de ensino e pesquisa, laboratório de informática, biblioteca, recursos tecnológicos dentre outros, compatíveis com os cursos ofertados no pólo.

No primeiro curso de E-Letras, os municípios de Ipojuca, Limoeiro, Pesqueira e Trindade foram feitos os parceiros da UFPE para o apoio presencial aos nossos primeiros alunos de graduação a distância.

Os sujeitos dessa e nessa história

No ensino a distância surgem dois novos sujeitos no processo de ensino/aprendizagem: o tutor a distância e o tutor presencial. Há divergências conceituais quanto ao papel de tutor, decorrendo daí diferenças de atribuições para cada um.

Em princípio, a idéia de tutoria funda-se no que propõe o termo: ação tutelar, amparo. Com as diferentes iniciativas de implementação de EAD, no entanto, observam-se atribuições dos tutores a distância para além da tutela simplesmente. O tutor a distância é um professor auxiliar do professor titular da disciplina, acompanhando o andamento dos alunos e fomentando discussões de aprofundamento do conteúdo proposto. Em face da natureza da interação, o professor titular

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necessita de auxiliares que garantam o ritmo de trabalho dos alunos, o que deve ser um acompanhamento qualitativo.

Desse modo, os tutores a distância são mestres ou mestrandos em Letras ou em Educação, especialistas nas áreas a que se propõem tutelar: língua portuguesa/estrangeira, literatura, linguística, ensino a distância com a disciplina Introdução à Telemática (esta última aprovada também para a modalidade tradicional, a ter início em 2009). Cada tutor a distância, passa a ser professor assistente da disciplina “x”, acompanhando os alunos em dois pólos (perfazendo um total de cem alunos assistidos por cada tutor a distância).

O tutor presencial, este sim, exerce a tutela sobre o aluno, mediando seu contato com o professor ou tutor a distância, identificando sua dificuldade, para fazer o devido encaminhamento juntamente com o coordenador do pólo. Ele está presente no pólo, sempre pronto a auxiliar o aluno a encontrar seus professores lá onde estão, distantes e “presentes” na plataforma.

No E-Letras, os tutores a distância são mestres egressos da Pós- Graduação em Letras, portanto especialistas capazes de dar assistência de qualidade aos alunos do curso, auxiliando o docente na interatividade circunstanciada pela plataforma.

Os professores do curso de Letras a Distância são os mesmos docentes do quadro efetivo da universidade, atuantes nos cursos presenciais.

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Contamos, também, com a participação de professores de outras unidades, com experiência em EAD ou em outras especialidades possíveis de integrarem a grade curricular do e-Letras, com brilho impar.

3.2 Um alerta necessário

A língua portuguesa nos fóruns virtuais de aprendizagem: o de que cuidar

Inicialmente precisamos cuidar para não transformar nossos fóruns de comunicação virtual no ensino a distância num repositório de falas desconectadas do objetivo proposto para a discussão/reflexão/debate de cada fórum específico. Se há um fórum para “atividade do curso” é porque há um aspecto problemático a ser discutido, com vistas à aquisição de um novo conhecimento para os seus participantes. É necessário, portanto, que façamos a leitura de tudo o que cada um disser, para só após essa leitura global cuidadosa, darmos início à “postagem” (escrita, não é!) de nossas próprias reflexões. É necessário, ainda, que nos envolvamos com a própria escrita em cada fórum, organizando nosso pensamento adequadamente ao que intencionamos dizer, e “cuidando da linguagem” com que vamos fazê- lo.

Mas o que significa, precisamente, cuidar da linguagem?

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Para responder a essa questão, façamos uma breve reflexão sobre a condição de produção textual quando estamos diante da tela de um computador, com o teclado à nossa frente, aguardando para que “falemos” com os nossos interactantes, que estão lá longe, do outro lado que imagino ser o local de onde aguardam que eu, do lado de cá, FALE. Sim, mas essa fala apenas pode se dar quando eu teclar escrever - o que desejo dizer.

Nesse momento vem o conflito, vamos assim chamar, sobre a real sensação de que devo proceder a uma fala-escrita, sobre a qual intuímos que o outro, que está do lado de lá, está nos esperando, e aí, devemos teclar sem a preocupação com as regras da língua, pois, afinal, não estamos falando! Além de que desde crianças ouvimos dizer que “não podemos errar na escrita”, na fala tudo é possível. Esse é um equívoco sobre o qual há muito por conhecer, e que, no caso de um curso de Licenciatura em Letras, deve ser compreendido ampla e profundamente, ao longo de todo o curso.

Pensando superficialmente a esse respeito, podemos destacar que, se fala e escrita são as duas modalidades de uso da língua, com suas especificidades decorrentes da diferença nas condições de produção e de recepção de cada uma, a língua continua sendo uma só, em nosso caso, o Português, com regras próprias de seu sistema, as quais devem ser conhecidas e usadas com propriedade, especialmente por aqueles que têm acesso à educação formal e, como no caso de alunos de graduação, estão no nível superior de aprendizagem.

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Sendo assim, cuidar da linguagem nos fóruns de interação virtual significa não se esconder atrás do pensamento do senso comum sobre o (des)compromisso com o uso da língua padrão, e estar atento à escrita que se dá nesses ambientes, observando os fenômenos sintáticos da língua (regência, concordância e colocação) e a acuidade morfológica no momento de teclar as palavras que vão expressar o pensamento.

Dizendo dessa forma, é possível destacar, então, a necessidade de expressão dos sentimentos daquele que está à frente da tela, para “falar” com o outro, do lado de lá, o que nessa forma de fala-escrita à nossa disposição com tal tecnologia comunicacional parece ser possível, ao podermos usar (ou abusar) de sinais de pontuação (!!!!!!) de figuras expressivas que impregnam o texto escrito do desejo de expressar emoções, e de tantos outros recursos de formatação do texto produzido numa intenção de aproximá-lo da fala espontânea.

Não é essa uma questão de purismo na língua, ou de liberdade de expressão própria de ambientes virtuais. Língua é língua, o que acontece com ela quando é usada é de responsabilidade dos usuários, o que em um curso de formação de profissionais que têm ela mesma, a língua, como objeto de trabalho, deve ser tratado com seriedade e compromisso, sem se deixar levar pela pressão à resposta sem zelo e respeito, pela língua e pelo outro, que irá receber o que temos a dizer com a devida disposição ao diálogo, única forma de acontecer aprendizagem de qualidade.

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Observe o que dizem Xavier e Santos (2005) a respeito dos fóruns virtuais, para destacar o que os autores chamam de “traços linguísticos do fórum eletrônico”:

Esse gênero, de acordo com a definição bakhtiniana (1999), também possui algumas características estritamente linguísticas que merecem comentários. Observamos neste gênero digital uma forte tendência à utilização de nível informal de linguagem. É possível que esta “descontração linguística”- revelada pelo uso coloquial das formas e estruturas sintáticas, pela falta de um tratamento mais cuidadoso e sofisticado do conteúdo e pela fragilidade dos argumentos esteja relacionada a dois fatores próprios deste gênero, quais sejam, a incensurabilidade da Internet e o anonimato:

A incensurabilidade da Internet, ou seja, a rede digital de informação seria essencialmente incensurável 8 , o que garantiria ao seu usuário a liberdade total para grafar as palavras e elaborar as expressões linguísticas e, sobretudo, permitir-lhe produzir e publicar suas ideias sem sanção de qualquer ordem ou sem os cortes de qualquer editor. Por conseguinte, o anonimato, i.e., a falta de obrigatoriedade da identificação exata do participante como condição necessária para expor

8 Nota do texto original (p.34): “Em 1996, o presidente dos EUA, Bill Clinton, sancionou a Lei de Decência nas Comunicações (Communications Decency Act), que proibia a circulação pelas vias digitais de qualquer material considerado obsceno ou indecente. A lei foi considerada uma forma de censura à Internet e sofreu um forte protesto das organizações da indústria de informática e da sociedade civil (internautas) que pediram a sua revogação. Foi tamanha a pressão, até que a Suprema Corte Americana suspendeu a lei.”

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suas opiniões possibilitaria que ele ficasse mais à vontade para escrever da maneira que quiser e abordar os temas que desejasse sem qualquer compromisso com o conceito do “linguística e politicamente correto”, uma vez que sua imagem não seria ameaçada.

XAVIER, Antônio Carlos, SANTOS, Carmi Ferraz. E-forum na Internet:

um Gênero Digital. In: Júlio César Araújo, Bernadete Biasi-Rodrigues (orgs.) Interação na Internet: novas formas de usar a linguagem. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005. (p.34-35)

Desejamos enfatizar com a ilustração acima a necessidade de não perdermos o foco do objetivo central dos fóruns virtuais de aprendizagem, pois sendo esses o espaço onde se deve dar o ensinar e o aprender, não pode estar travestido de condutas sociais que sabemos não serem coloborativas, ou se assim podemos dizer, educacionais. O professor a distância, seja ele de qual disciplina for, estará atento ao registro da língua com que todos, incluindo a si mesmo, se expressam.

Diante do exposto, propomos que a participação nos fóruns virtuais integrantes do Sistema de Atividades Online (STO) revele um cuidado especial com a linguagem verbal, sobre o que é possível destacar os seguintes aspectos:

a. escolhas lexicais, cuidar da forma de grafia das palavras e da posição onde estão no texto, bem como de assegurar-se que fez as escolhas mais adequadas ao que pretende comunicar;

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b. pontuação, cuidar para não desprezar o local adequado dos sinais

de pontuação, mesmo quando a intenção comunicativa for essencialmente expressiva de emoções, indicando, assim, maior

envolvimento do escritor/autor com o que tem a dizer;

c. frases truncadas, cuidar para que não apareçam, pois revela

descuido do escritor/autor, que em apenas alguns minutos deve reler seu texto para evitar esse fenômeno.

d. concordância nominal e verbal, cuidar para que esteja conforme

o padrão linguístico.

e. tamanho da fonte, cuidar para não ser de um tamanho cujo

sentido pode ser interpretado/recebido como de alguém que está em

um estado emocional alterado, semelhante ao que acontece quando alguém aumenta o volume de voz, nessas condições, numa interação face a face.

f. informatividade, cuidar para que haja informação relevante em

sua contribuição, o que depende diretamente da busca de conhecimento que empreender (leitura), revelando entendimento do sentido de autonomia necessária à qualquer forma de aprendizagem.

Bem, para finalizar esse primeiro apontamento, lembramos que todo escritor deve se por na posição de leitor, antes de “publicar” seu texto, assegurando-se, desse modo, que estará dizendo o que pretendia da melhor forma que lhe foi possível expressar suas ideias. Afinal, dizer é

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também uma tentativa de agir sobre o outro e, ao fazê-lo, mostrar-se ideológica e linguisticamente, cabendo cuidar das prescrições gramaticais da língua usada para expressão, bem como da condição de legibilidade do texto decorrente da atenção do autor à existência de um leitor que irá interpretá-lo.

4. Algumas últimas palavras

Destacamos que na cultura de EAD o padrão comportamental é o que mais acentuadamente distingue o ensino a distância do presencial, mais precisamente pela inserção do sistema de apoio aos alunos constituído pela tutoria, a qual exige do professor o estabelecimento de uma nova ordem interacional com o aluno, agora triádica porque acrescida da participação do tutor a distância, o qual virtualmente o auxilia no desenvolvimento do trabalho docente. E essa natureza interacional peculiar resulta do desenvolvimento da telemática de forma incontestável e irreversível, o que exige uma compreensão do fenômeno sem encantamentos ou fobias irracionais.

Metodologicamente o sistema de tarefas a distância é um dos pilares da cultura EAD, constituindo o processo de avaliação de forma definitiva ao lado da tradicional avaliação escrita presencial, para nós imprescindível no momento de construção dessa que é uma nova ordem na educação: a EAD online.

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Esse aspecto é ainda mais relevante especialmente porque fazemos parte de uma realidade deficitária no quadro geral de letramento da região Nordeste a que pertencemos. Quem somos, quem são nossos alunos de graduação a distância, qual a concepção de formação profissional em tempos de comunicação virtual, o que e como devemos “ser a distância” são questões que devem fazer parte de nossos questionamentos, doravante, de forma especial quando a interação for proporcionada por recursos telemáticos.

Finalizamos nossas reflexões afirmando ser um equívoco pensar no uso dos artefatos em EAD como propiciadores da “construção do conhecimento de um modo mais rápido e com objetivos mais amplos”, como defendem aqueles claramente “encantados” pela tecnologia.

O domínio das ferramentas tecnológicas que promovem a EAD online traz um componente interveniente na construção dos significados que não pode passar despercebido pelo professor, como um sinal de alerta para que não seja surpreendido pela geração ctrl+vc/crtl_v, a qual não consegue controlar o ímpeto de se apropriar do discurso alheio ao ser atropelado pela profusão de informações disponíveis no ciberespaço.

Referências

BRETON, Philippe & PROULX, Serge. Sociologia da comunicação. Tradução Ana Paula Castellani. São Paulo: Edições Loyola, 2002.

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BRONCKART, Jean-Paul. Atividade de linguagem, textos e discursos: por um interacionismo sociodiscursivo. Tradução Anna Rachel Machado, Péricles Cunha São Paulo: EDUC, 1999, p.32-33.

CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede A era da informação:

economia, sociedade e cultura. Vol 1. São Paulo: Paz e Terra, 2009.

LÉVY, Pierre. O que é o virtual. São Paulo: Ed. 34, 1996

-------------. A conexão planetária: o mercado, o ciberespaço, a consciência. Tradução de Maria Lúcia Homem e Ronaldo Entler. São Paulo: Ed. 34, 2001.

-------------. A inteligência coletiva Para uma antropologia do ciberespaço. Tradução Fátima Leal Gaspar e Carlos Gaspar. Lisboa: Ed. Instituto Piaget, 2004.

SILVA, Marco. Sala de aula interativa. Rio de Janeiro: Quarteto,

2000.

XAVIER, Antônio Carlos, SANTOS, Carmi Ferraz. E-forum na Internet:

um Gênero Digital. In: Júlio César Araújo, Bernadete Biasi-Rodrigues (orgs.) Interação na Internet: novas formas de usar a linguagem. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005. (p.34-35)

Revista Urutágua Revista Acadêmica Multidisciplinar Disponível em: <http://Www.Uem.Br/Urutagua/007bovo.htm>, acesso em 30 de abril de 2010>.

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Telemática: Transversalidade na Formação do Professor Dilma Tavares Luciano

ATIVIDADES

Atividade 1

Elabore cinco questões que sirvam de síntese do texto a seguir:

“Nossa época, nosso meio cultural e tudo o que organiza nossa experiência pensam em nós sem serem estritamente pessoais.

A maior parte das nossas ideias (com os afetos que elas

emanam como auréolas) são simples retomadas ou, no melhor

dos casos, recombinações de ideias que circulam em torno de nós. Quais teriam sido nossas ideias se tivéssemos nascido em um outro continente, há cinquenta, mil, três mil, dez mil anos? Estamos tão seguros de que elas nos pertencem, propriamente?

De fato, as ideias circulam em nós, somos seus veículos, mesmo

se temos a impressão de que “nós” as pensamos. Poderíamos dizer a mesma coisa da maior parte de nossas emoções. O riso descontrolado e o pânico são evidentemente casos extremos de contágio, mas há experiências comuns em que somos atravessados pelos climas emocionais das famílias, dos meios, das instituições, dos grupos humanos, dos partidos, dos regimes políticos, das civilizações, das quais participamos. É justamente pelo fato de estarmos em busca dessa partilha que desejamos participar de uma festa, de uma cerimônia religiosa, de um concerto, de um espetáculo, de uma manifestação

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política, de uma dança coletiva: a fim de nos imbuir de um clima mental eminentemente contagioso.

Reconhecemos a existência de uma grande natureza física onde obedecendo às mesmas leis interagem todas as massas e todas as energias. Da mesma forma, deveríamos reconhecer a existência de um vasto espírito impessoal ou de uma ecologia global dos espíritos, no interior da qual (queiramos ou não, saibamos ou não) partilhamos não somente informações e ideias, mas também maneiras de ser, campos de ação, mundos subjetivos, emoções, energias vitais, e até intenções transpessoais que viajam de um espírito a outro.

Nossas intenções, nossas emoções, nossos pensamentos se materializam de mil maneiras em nosso ambiente comum, produzindo esse ambiente de modo irreversível e afetando todos os outros espíritos. As instituições, as técnicas, os edifícios, as paisagens, as obras e as mensagens nos quais objetivamos nossos climas mentais individuais e coletivos repercutem, às vezes, durante um prazo bem longo (vejam que concretização de histórias há no menos objeto técnico, no menor texto!), no ambiente mental de nossos congêneres. Pois essas exteriorizações de qualidades, de intensidades, de complexidades de consciência estruturam suas experiências e se hospedam em sua subjetividade. Tudo o que nos habita acaba por se expressar na ecologia da experiência, por meio da qual evoluímos e, simetricamente, o mundo em que nos hospedamos acaba por nos habitar. O interior e o exterior

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trocam continuamente seus lugares na dialética da experiência pessoal e da consciência coletiva.

O vasto céu acima de mim só é azul por uma experiência estruturada em milhões de anos de evolução biológica, uma evolução que lentamente fez emergir a visão, depois a cor. A vibração do motor do barco sob meus pés condensa toda a história da navegação, a das máquinas, a das redes de transporte e de tratamento das energias fósseis, toda uma cadeia de criação coletiva, de fabricação e de conservação. As pequenas casas dos pescadores em torno do porto, as ruas, as lojas pitorescas, o modo de organização da ilha onde vou ancorar cristalizam aspirações, penas, alegrias, relações humanas acumuladas, entretecidas há séculos. E é toda essa paisagem esculpida por milhões de anos de vida, por milhares de anos de história da Terra, com as gaivotas que acompanham o movimento do barco com seu voo gritante, com o vento que me leva acariciando-me o rosto, mensagem enviada por uma depressão atmosférica distante milhares de quilômetros, que por algum tempo percorre o planeta antes de dispersar seu turbilhão de nuvens, é toda essa paisagem que vive e ressoa em mim. Minha consciência, produto efêmero do grande todo é, nesse instante, o escrínio do mundo. E o mundo é essa joia viva que cintila e cresce em uma consciência que se amplia e se diversifica constantemente, desde a origem do mundo que a carrega.

Como nomear essa herança da vida, e depois da ação e da comunicação humana, impalpável ou pesadamente

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materializada, que converge e revive novamente no presente da nossa experiência? O que é esse conjunto organizado de vetores de subjetividade, esse clima coletivo no qual vivemos e que vive em nós?

Temos todos o mesmo conteúdo de consciência: o mundo. O mundo do pássaro, o mundo do tigre, o mundo do polvo, o mundo do xamã, do feiticeiro ou do banqueiro. É o próprio mundo que é o espírito (o que há, no espírito, além da vida do mundo?). Não somos, considerando todos, um a um, senão janelas diferentes abertas para o mesmo espírito, índices apontando a passagem das luzes, texturas, energias e formas. Pequenos espelhos da contínua e multiforme espontaneidade cósmica.

UMA SÓ CONSCIÊNCIA?

No entanto, é preciso reconhecer que temos uma impressão inquestionável de nossa própria interioridade, nossa subjetividade, nossa experiência “pessoal”. Do ponto de vista da experiência, efetivamente, a consciência não é um objeto do mundo, mas aquilo que tudo contém. Nós não temos contato com o que escapa à consciência a não ser quando se torna consciente. Mesmo quando evocamos “o inconsciente”, fazemos isso por meio de uma representação consciente. A consciência acolhe o conjunto da experiência, incluindo-se a experiência dos pensamentos e dos conceitos mais abstratos. Não podemos ser conscientes de outra coisa que não de nossa própria

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experiência de percepção e de pensamento. Do ponto de vista da experiência de percepção, a consciência é única e absolutamente solitária. Sabemos, e o experimentamos de mil maneiras diferentes, que existe uma quantidade indefinida de outras consciências, mas esse saber, essa experiência, nunca advém senão a uma só consciência. Mesmo que nossa experiência confirme que o outro é uma consciência, não podemos, por definição, ter a experiência da consciência de um outro. Mesmo que isso pudesse acontecer, pela telepatia, pela empatia, pelo amor ou qualquer outra maneira pela qual venhamos a contatar diretamente a vida consciente do outro, ainda assim, seria apenas nossa própria experiência consciente desse fenômeno de telepatia, de empatia ou outro qualquer. Certamente, nossa consciência pode se expandir e, principalmente, pode se expandir à consciência sensível da sensibilidade consciente de outrem. Mas essa consciência, por mais expandida que esteja, será sempre uma só e única consciência, por mais expandida que esteja, será sempre uma só e única consciência, aquela cuja natureza é a de conter, de ser, de manifestar o fluxo ininterrupto da experiência. Além da diversidade de seu conteúdo, o que une todas as consciências é precisamente seu caráter único, solitário, incompartilhável e infinitamente acolhedor. Todas as consciências têm exatamente a mesma natureza, a de não ser senão uma. E talvez não haja senão uma só consciência.

O conteúdo de meus pensamentos, minhas emoções e minhas percepções é diferente daquele dos meus cinco anos de idade. No entanto, a consciência, neutra, clara, indiferente, na qual desfilam essas imagens, palavras, sensações e emoções

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misturadas, é sempre a mesma. Eu sou “o mesmo” dos meus cinco anos?

LÉVY (2001, p. 165-168)

Atividade 2

Qual a ideia central proposta no texto a seguir?

“A reforma e, depois, a Contra-Reforma foram a ocasião de uma promoção sem precedentes de todos os suportes da comunicação social. Lutero situara as Escrituras, e, portanto o livro, no centro da renovação cristã. A invenção técnica de Gutenberg foi estimulada pela obrigação espiritual de cada cristão de ter uma relação direta com o texto sagrado. A alfabetização tornou-se assim um elemento indispensável à salvação individual. A Contra-Reforma não irá se opor a essa tendência, e a Igreja Católica concederá igual interesse à persuasão pela educação e pela propaganda religiosa quanto à repressão física dos hereges.

Nesse período de conflitos religiosos, o papel do livro será acompanhado de um desenvolvimento paralelo de pregações de todos os gêneros, único meio, de um lado, de atingir os analfabetos, ainda uma grande maioria mesmo nas cidades, e, de outro, de pregar por meio do exemplo e de convencer os fiéis diretamente. Por ocasião dos conflitos entre católicos e protestantes, assistiu-se a um fenômeno novo: a participação no debate social e intelectual dos que até então haviam sido

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excluídos. Cada grupo procurava convencer e converter o povo. Considerando a natureza necessariamente individual do sentimento religioso, todo crente, fosse ele o último dos miseráveis, era o destinatário potencial de uma argumentação. Era preciso, portanto, que ela fosse concebida para que o conteúdo e os meios utilizados atingissem todos os indivíduos.

A “propaganda” foi inventada nessa época, ou pelo menos a palavra, para designar a congregação criada em 1572 pelo papa Gregório XII, De Propaganda Fide, a fim de lutar contra a Reforma. A necessidade alardeada de uma “propagação” da doutrina cristã mostra bem a que ponto o debate se situou ao mesmo tempo no plano da técnica de difusão social de um conjunto de valores e no da fé como modalidade individual de uma relação com Deus.

A grande etapa histórica seguinte, a Revolução Francesa, devia seguir o mesmo caminho do ponto de vista das técnicas de comunicação. A afirmação da soberania do povo esteve no centro dos novos valores promovidos pelos revolucionários. Ela permitiu, de um lado, fazer da “nação” como bem comum o objeto de um novo culto e, de outro, situar a pessoa humana como entidade soberana responsável. Essa nova definição territorial da divisão entre espaço privado e espaço público tornou a comunicação social indispensável, único meio que permitia unir os espaços privados das pessoas. Essa profunda revolução dos valores, substituída tarde demais pelas doutrinas liberais que conquistarão o mundo anglo-saxônico, teve

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consequências incalculáveis quanto ao novo papel da comunicação e suas técnicas.

A comunicação social sendo doravante concebida como o ponto de união das pessoas privadas deveria ser dotada do mesmo coeficiente de liberdade do espaço privado. A abolição da censura sobre o escrito, a liberdade de imprensa e de opinião foram o sinal de que aquilo que unia os homens uns aos outros deveria, agora, como os próprios homens, ser livre de qualquer entrave. Aplicou-se à comunicação social a mesma regra que delimitava o espaço privado e resumia o célebre slogan dos revolucionários: “A liberdade de um indivíduo termina onde começa a liberdade dos outros”.

Isso porque a nova liberdade do indivíduo-cidadão supunha uma escolha, e essa escolha, a informação. O acesso à comunicação social tornou-se assim uma necessidade constitutiva da nova democracia. Informar-se não era mais simplesmente um direito pelo qual os povos haviam lutado, mas um dever revolucionário do qual, em certos períodos, não era bom esquivar-se. A ignorância política, sob o Terror, transformava assim rapidamente o indivíduo em aliado político objetivo da Reação.

O período revolucionário correspondeu a uma mobilização de todas as técnicas de comunicação, aliás sem que houvesse, desse ponto de vista, verdadeiras invenções técnicas. Conhecemos o papel que as brochuras, os livros e os jornais

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tiveram nesse processo revolucionário, mas é preciso insistir também na influência decisiva dos oradores e dos discursos destinados a mobilizar e a inflamar o povo. As constantes referências a Roma e a seus valores para a construção da mitologia republicana não foram, nesse contexto, fruto do acaso. As representações pictóricas da época, aliás, mostravam frequentemente os revolucionários tomando a palavra diante de uma multidão, e essas cenas eram igualmente símbolos permanentes da democracia no espírito popular.

Quase não houve inovação técnica em matéria de comunicação, mas os modos de expressão tradicionais transformaram-se em meios de comunicação a serviço do espírito republicano. Pellerin fundou em 1790 a estamparia de Épinal, cujos desenhos exaltam o anticlericalismo, a devoção à nação e todos os valores revolucionários. A imprensa, é evidente, mas também o teatro foram postos a serviço da causa revolucionária. Mesmo a roupa serviu de meio simples e direto para comunicar ao mesmo tempo a própria opinião e tentar partilhá-la por meio do exemplo: barrete frígio, cocar tricolor, uniforme de revolucionário e uso sistemático das três cores tornaram-se formas correntes de comunicação social.”

Breton & Proulx (2002, p. 51-53)

Atividade 3

Comecemos nosso exercício de fixação dos conteúdos por uma pesquisa, a qual deve ser realizada da seguinte forma:

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(1º) Entrevistar 6 (seis) pessoas, de preferência indivíduos de sua convivência mais próxima, sendo 3 (três) mulheres e 3 (três) homens, identificando a idade, o grau de escolarização e a ocupação profissional

de cada entrevistado. Deverá dizer-lhes que é uma tarefa informal, que

seus nomes não irão aparecer (logo, suas identidades são preservadas)

e que o objetivo é conhecer o que nós entendemos pelo termo

telemática. Não há resposta certa ou errada, pois o objetivo é conhecer a resposta das pessoas comuns (que não são

especialistas da área) sobre o tema.

(2º) Preencher o formulário abaixo, com o objetivo de dar visibilidade ao resultado global.

 

INFORMANTE

RESPOSTA

H: homem

Idade

Escolaridade

Preencher exatamente com a resposta do entrevistado

M: mulher

H1

     

H2

     

H3

     

M1

     

M2

     

M3

     
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(3º) Para a discussão dos resultados, você deve pensar no que representa um sentido geral corrente do termo telemática, nos dias atuais, diante do que foi coletado como respostas dos entrevistados. Em outras palavras, como você entrevistou 3 (três) homens e 3 (três) mulheres, o que pode significar o resultado obtido? Você mesmo, sem

fazer pesquisa alguma sobre o tema, qual a primeira ideia que lhe veio

à mente, quando viu o nome dessa disciplina? Responda a essa

questão sem a influência de nenhuma fonte de informação para

elucidar o sentido do termo.

Atividade 4

Agora, com base na leitura do conteúdo proposto nas seções 1 e 2, conceitue telemática e reinterprete os resultados obtidos na primeira questão.

Atividade 5

A sociedade hodierna encontra-se ajustada à presença da telemática

que nos provoca, enquanto professores de Português, a perceber em que medida nos cabe conhecer o desenvolvimento tecnológico de modo

a interferir/influir em nossa prática pedagógica. Usualmente, o

currículo escolar inclui a tecnologia como uma disciplina de informática paralela aos demais componentes curriculares, que objetiva alfabetizar

o aluno digitalmente, portanto, orientada por um professor de

computação e sem nenhuma relação com os demais componentes.

Considerando o que popõem os Parametros Curriculares Nacionais para

o ensino da língua portuguesa, escreva um texto dissertativo acerca

do tema ilustrado acima de modo a responder a seguinte questão:

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Como é possível compreender a presença da tecnologia na sociedade e em nossa atuação como profissional de Letras?

Atividade 6

Ao refletirmos sobre as técnicas de comunicação na história, é possível assumirmos diferentes pontos de observação. Seja qual for a perspectiva adotada, acreditamos que o mais importante é que:

“Não nos deixemos ser atropelados por uma consciência intocada ou deformada pelos postulados insipientes sobre a relação linguagem e tecnologia, relação essa a qual importa de forma incondicional ao profissional das Letras, goste ele ou não, da avalanche de novos objetos de leitura e de escrita que exigem que sejam postos em um ponto de equilíbrio do qual depende a reflexão sobre a sociedade da comunicação nesse novo século.”

LUCIANO, Dilma Tavares. Introdução à telemática: transversalidade na formação do professor. Recife, Ed. Universitária UFPE, no prelo, p.09.

Marco Silva, em texto intitulado “Interatividade: mudança fundamental do esquema clássico da comunicação” parte da discussão sobre a mudança no perfil do receptor promovida com as tecnologias comunicacionais que redimensionam a noção de interatividade.

Com base na leitura do referido texto, faça um resumo das principais ideias do Marco Silva, e, ao mesmo tempo, destaque qual o ajuste à realidade social que os programas de ensino da língua portuguesa

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devem promover, a fim de garantir o equilíbrio no uso das tecnologias

da informação e comunicação (TICs) a par do tempo atual.

SILVA,

Marco.

Interatividade:

mudança

fundamental

do

esquema

clássico

da

comunicação.

Disponível

em:

<http://www.senac.br/BTS/263/boltec263c.htm>.

Atividade 7

Explique o que você compreende pela expressão “razões

salvacionistas”, no trecho a seguir:

“No âmbito educacional, ele, o discurso, vem imbuído de crença

na “apropriação das tecnologias” por razões salvacionistas,

numa batalha contra o fracasso escolar também visível, apesar

da multiplicidade e diversidade de fatores que configuram o

cenário educacional.”

LUCIANO, Dilma Tavares. Introdução à telemática: transversalidade na formação do professor. Recife, Ed. Universitária UFPE, no prelo, p.01.

Atividade 8

No tópico denominado Sociedade da Informação e Comunicação

observamos a tecnologia na vida cotidiana para pensarmos nos

condicionantes históricos que explicam não só a presença da tecnologia

na determinação das condutas comunicacionais da atualidade, mas

destacando os mitos de que resulta a falta de reflexão sobre o tema.

Propomos, agora, que a partir da explicação do significado e ou da

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origem dos termos LAN HOUSE e CIBER CAFÉ aliada a uma sucinta pesquisa de campo no bairro onde você reside sobre a existência desses estabelecimentos e do objetivo de seus frequentadores, você escreva um texto dissertativo sobre “A sociedade da informação e da comunicação no espaço urbano”.

Segue, abaixo, um quadro sugestivo para anotação dos dados da pesquisa de campo. Lembramos da necessidade de leituras adicionais para a produção do texto dissertativo, ao final.

 

LAN HOUSE

Bairro/

Nome do

Nº de

Preencher exatamente com a

Cidade

estabelecimento

compu-

resposta do entrevistado

tadores

Atividade 9

Comente o trecho a seguir:

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Um movimento geral de virtualização afeta hoje não apenas a informação e a comunicação mas também os corpos, o

funcionamento econômico, os quadros coletivos da sensibilidade ou o exercício da inteligência. A virtualização atinge mesmo as modalidades do estar junto, a constituição do “nós”: comunidades virtuais, empresas virtuais, democracia

Embora a digitalização das mensagens e a extensão do

virtual

ciberespaço desempenham um papel capital na mutação curso, trata-se de uma onda de fundo que ultrapassa amplamente a informatização.

LÉVY, Pierre. O que é o virtual. São Paulo: Ed. 34, 1996, p11.

Atividade 10

Observe:

A postura assumida para as reflexões aqui propostas é, pois, a do reconhecimento da evolução cultural em andamento neste terceiro milênio como expressão da hominização que põe em jogo processos de criação de que depende o desenvolvimento da telemática, apesar dos aspectos inegavelmente sombrios que o acompanham. Estamos, portanto, propondo o estudo da telemática como tema transversal necessário à formação do professor hodiernamente, pois assim pretendemos capacitá-lo a uma visão mais ampla da realidade, uma vez que os meios de que dispomos para conhecê-la continua a incentivar a apropriação do conhecimento em dimensões isoladas, por

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consequência do tratamento disciplinar dos diversos campos do saber.

LUCIANO, Dilma Tavares. Introdução à telemática: transversalidade na formação do professor. Recife, Ed. Universitária UFPE, no prelo, p.03.

Explique como é possível compreender a telemática enquanto tema transversal na formação do professor.

Atividade 11

À página 04 apresentamos o MANIFESTO DOS PLANETÁRIOS, de Pierre

Lévy (2001, p.15-16). Relacione o sentido de planetário ali proposto à

justificativa de necessária reformulação na forma de inserção de TICs nos currículos escolares.

Atividade 12

Faça um resumo do texto de Perre Lévy (2001) ilustrado às páginas 11

e 12 de nosso conteúdo, o qual foi extraído do capítulo do referido livro do filósofo da atualidade, intitulado “A expansão da consciência”, da seção interna ao capítulo denominada “A consciência e a ecologia mental”. Observe a preocupação do autor em destacar a relação entre usos de tecnologias e desenvolvimento cognitivo, e não apenas com o aspecto sociológico da questão.

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Atividade 13

Desenvolva o parágrafo a seguir com base na dicotomia tecnófilos versus tecnófobos, conforme Marimar Stahl e a que nos referimos por “salvacionistas” e “terroristas” em nosso conteúdo.

Dê um título ao seu texto.

“Há uma tendência em se pensar nas tecnologias da informação e da comunicação (TICs), por um lado, como um fenômeno promotor de desenvolvimento social, por outro, como predadoras das relações humanas saudáveis, pelas rupturas visíveis na tessitura social.”

(LUCIANO, 2010, p.10)

LEITURA SUGERIDA:

 

STAHL,

Marimar.

Ambientes

de

ensino-aprendizagem

computadorizados: da sala de aula convencional ao mundo da fantasia. Rio de Janeiro: COOPE-UFRJ, 1991. Disponível em:

<http://www.mvirtual.com.br/pedagogia/tecnologia/apr_prof

_nitcs.ppt>.

 

Atividade 14

 
Qual o “mito”sobre conscientizar? 82 «
Qual
o
“mito”sobre
conscientizar?
82
«

a

telemática

sobre

o

qual

devemos

nos

Atividade 15

Resuma o trecho a seguir em palavras-chave síntese da idéia que o autor expressa.

Para assegurar sua sobrevivência, os membros dos grupos humanos primitivos colaboravam concretamente, como os

outros mamíferos superiores, em atividades gerais relacionadas à sobrevivência (as atividades de nutrição, por exemplo). Entretanto, sendo biologicamente dotados de capacidades comportamentais mais poderosas que as dos outros mamíferos, devido principalmente à liberação das mãos, os seres humanos produziram instrumentos que reforçavam e prolongavam suas capacidades comportamentais. A exploração desses instrumentos no quadro das atividades complexas requeria, inelutavelmente, um mecanismo sobre o próprio contexto de atividade e sobre a parte da atividade que deveria caber aos indivíduos instrumentalizados. As produções sonoras originais

teriam sido motivadas por essa necessidade de acordo. [

que

conduzirá à transformação das designações em “representações compartilháveis, ou ainda, comunicáveis.”

]

BRONCKART (1999, P 32-33) apud LUCIANO, Dilma Tavares. Introdução à telemática: transversalidade na formação do professor. Recife, Ed. Universitária UFPE, no prelo, p.12.

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Atividade 16

O que você, agora, compreende por TICs? Houve mudança em seu pensamento/conhecimento, após a leitura do conteúdo aqui proposto e das leituras complementares? Discorra sobre isso.

Atividade 17

Defina os termos a seguir. Observe que ao lado de cada palavra há um espaço destinado à sua transcrição fonética. Assim, procure em um dicionário de inglês-português como pronunciar cada palavra, ou de português unicamente (quando for o caso de certificar-se da pronúncia da palavra), completando os espaços entre colchetes.

PALAVRAS

TRANSCRIÇÃO

FONÉTICA

DEFINIÇÃO

Hardware

Software

Ciberespaço

Pen drive

e-book

Download

Upload

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i-pad

Ciberespaço

Ciberprofessor

Ciberaluno

Comunidades

virtuais

Ambiente

virtual

Atividade 18

As seis definições de telemática destacadas nas páginas 29, 30 e 31 ora se restringem ao âmbito da tecnologia em si, ora pressupõe outros campos de atuação para os quais a tecnologia colabora. Identifique qual a perspectiva de cada uma.

Atividade 19

Qual a diferença que deve ser destacada entre os termos INFORMAÇÃO e COMUNICAÇÃO?

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Atividade 20

Observe o trecho a seguir, retirado da página 18 de nosso conteúdo:

Da invenção do alfabeto romano à linguagem de hipermídia é possível verificar a interferência de cada nova tecnologia da comunicação na que lhe segue, e no consequente estabelecimento de formas particulares de condutas humanas, portanto socialmente contextualizadas, que vão dando lugar a atividades de linguagem como produções sociais capazes de colaborar na construção do universo cultural da nossa espécie.

Sobre a “expressão escrita” como representativa da primeira geração de tecnologias disponíveis à construção da sociedade da comunicação, pesquise acerca do alfabeto e elabore um texto com ilustrações, o qual deve objetivar discutir a respeito de como a escrita compreende a primeira etapa de transformação social significativa na história.

Atividade 21

Na página 36 apresentamos a seguinte perspectiva de observação das TIC:

podemos observar as TICs em duas etapas distintas. Na

primeira delas, identificamos diferentes formas de expressão material do pensamento como representativas da primeira geração de tecnologias disponíveis à construção da sociedade dita da comunicação. Nela está a expressão escrita. Na

“(

)

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segunda, estão as diferentes formas de comunicação e informação, com as assim chamadas mídias comunicacionais. São elas predecessoras da mais nova geração de tecnologia para a comunicação a distância com a constituição do ciberespaço.

O que é importante destacar na reflexão sobre a formação do professor

diante desse cenário identificado acima?

Atividade 22

Após pesquisa na Internet sobre projetos educacionais e educação a distância, cujo exemplo aqui apresentado diz respeito ao E-Letras, responda o que se entende por “projetos educacionais que se inserem no âmbito da telemática”, identificando-os.

Atividade 23

Pensando como um professor formador, elabore um questionário para

o texto que compôs esse livro, supondo que o objetivo da tarefa é

levar o aluno de Licenciatura em Letras a refletir sobre as práticas de

leitura e de escrita no século XXI.

Atividade 24

Apresente o “E-Letras” em texto expositivo, buscando evidenciar a história do Sistema Universidade do Brasil (UAB).

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Para sua busca de informações sobre a implantação da UAB, acesse o site da CAPES no seguinte endereço eletrônico do portal da UAB:

Atividade 25

Para finalizar nossa sugestão de atividades, propomos o seguinte trabalho em equipe, seja você aluno de graduação a distância ou graduação presencial.

a. Cada equipe fará a leitura de estudo de um texto sobre telemática, disponibilizado na internet em formato PDF, lembrando de baixar o arquivo (fazer o download), a fim de que possa ser distribuído entre todos ainda que o link para o texto saia do ar;

b. Após a leitura, elaborar um painel para a apresentação do caso escolhido pela equipe, obedecendo às regras de composição do gênero painel;

c. Apresentação dos painéis: ficará a encargo do professor, em decisão partilhada com os alunos:

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1. Modalidade presencial:

Em dia e hora definidos, todos deverão expor coletivamente o seu painel.

2. Modalidade a distância:

Os painéis serão disponibilizados na sala-ambiente da disciplina, em fóruns abertos para os comentários;

2.1 Cada equipe

terá um tópico de Fórum destinado aos

comentários referentes ao seu painel;

2.2 Em um Fórum Global dos painéis, discute-se o tema e o resultado de cada trabalho, focalizando principais aspectos comuns e/ou diferentes entre todos os trabalhos.

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