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Sistemas de Ventilação e Ar Condicionado ME 9520

Prof. Hugo Lagreca Filho

Ar seco: ar atmosférico isento de vapor de água e contaminantes. Possui a seguinte composição, em volume: Nitrogênio=78,084%; Oxigênio=20,9476%; Argônio=0,934%; CO 2 =0,0314%; Neônio=0,001818%; Hélio=0,000524%; Metano=0,0002%; SO 2 =0,001; Hidrogênio=0,00005%; Kriptônio, Xenônio,

Ozônio=0,0002%.

Ar úmido: ar seco + vapor de água (geralmente inferior a 4% em volume)

Ar normal: ar úmido + pequenas quantidades de materiais microscópicos chamados de impurezas permanentes, que tem origem em processos naturais, como erosão por ventos ou erupções vulcânicas.

Contaminantes ou Poluentes: qualquer elemento que não faça parte da composição do ar normal, ou elementos da composição do ar normal que estejam acima das concentrações aceitáveis, tornando-se prejudiciais à saúde, ao processo e/ou ao produto. Podem ser:

Sólidos:

o

Poeiras: projetadas ao ar por forças naturais, mecânicas ou químicas, com tamanho inferior a 100 μm.

o

Fumos: são resultantes da oxidação de vapores metálicos, podendo se aglomerar em flocos, com tamanhos inferiores a 1 μm.

o

Fumaça: é resultante da queima de carbono e possui partículas com tamanhos entre 0,1 μm e 0,3 μm.

Líquidos:

o

“Mist”: proveniente da atomização ou da pulverização

o

“Fog”: é a condensação de vapores, neblina, névoas.

Gases e Vapores: Vapores são gases que estão mais próximos das condições de condensação

Microrganismos vivos: como bactérias (0,4 a 5 μm), fungos (10 a 30 μm), pólem (20 a 40 μm), esporos de plantas (10 a 30 μm) e vírus (0,005 a 0,1 μm).

Unidades usuais: p.p.m. Partes de contaminantes por milhão de partes de ar; m.p.p.m.milhões de partículas por m³ de ar.

VENTILAÇÃO

Ventilação: tem a função de prover/garantir/controlar a distribuição do ar e sua pureza. Para realizar um projeto de ventilação é necessário conhecer tanto os contaminantes gerados no ambiente, quanto os existentes no ar de renovação (ar novo).

Controle da Pureza do Ar em um Ambiente: É realizado através da renovação e filtragem do ar, não sendo possível controlar rigorosamente a umidade e a temperatura (estes últimos apenas com o emprego de ar-condicionado). O controle da pureza do ar seco é feito através do controle de contaminantes (poluentes).

ATENÇÃO! Nos sistemas de ventilação, considerar sempre ar seco.

A concentração máxima de contaminantes (c máx ) deve ser conhecida para se

projetar corretamente um sistema de ventilação. Tais valores são função da natureza do

contaminante, bem como do tempo de exposição e podem ser encontrados no livro Industrial Ventilation.

Ventilação Geral Diluidora (VGD): utilizada para garantir que c local c máx . O ar novo é injetado no ambiente e/ou o ar “antigo” é extraído a fim de diluir os contaminantes. Possui as limitações de que os contaminantes devem ser gerados no ambiente de forma mais ou menos uniforme (não localizada), o contaminante não deve ser altamente nocivo e o mesmo deve se diluir em ar. Pode ser dos tipos:

Insulflamento e Exaustão Naturais: a admissão e a exaustão de ar do recinto é feita pelas frestas e aberturas (como portas e janelas) e ocorrem por diferença de pressão.

Insulflamento Forçado: onde o ar é injetado no ambiente por um ventilador e o escape (exaustão) ocorre de modo natural. Gera pressão positiva (p i > p e ), obtém-se boa distribuição do ar de renovação pelos dutos e bocas, todo o ar de renovação pode ser previamente tratado através de filtros, contudo a vizinhança recebe ar com contaminantes.

filtros, contudo a vizinhança recebe ar com contaminantes.  Exaustão Forçada: a entrada de ar de

Exaustão Forçada: a entrada de ar de renovação é natural (por diferença de pressão). Gera pressão negativa (p i < p e ), má distribuição do ar de renovação, o

ar de renovação não pode ser previamente tratado, entretanto, a vizinhança pode não receber ar com contaminantes se houver filtro no exaustor.

 Insulflamento e Exaustão Forçados: pode trabalhar com pressões positivas ou negativas, dependendo das rotações

Insulflamento e Exaustão Forçados: pode trabalhar com pressões positivas ou negativas, dependendo das rotações dos dois ventiladores, logo, pode ser alterado de acordo com a necessidade. O tratamento do ar pode ser feito na entrada, na saída ou em ambos.

do ar pode ser feito na entrada, na saída ou em ambos. Algumas aplicações desses sistemas

Algumas aplicações desses sistemas são: salas no interior de fábricas (pressão positiva, para evitar que as partículas da produção entrem na sala), escadarias de prédios (pressão positiva, para em caso de incêndio, a fumaça não invadir a área de fuga), sanitários e vestiários (pressão negativa para não espalhar os contaminantes), túnel rodoviário (insulflamento e exaustão forçados).

Cálculo da Vazão de Ar Novo para VGD: qualquer que seja o modelo adotado, alguns critérios devem ser seguidos:

Em ambientes onde o homem é o principal poluidor, deve-se garantir o fornecimento de O 2 , a diluição do CO 2 e eventualmente a redução de temperatura.

Ambientes Normais: escritórios, resisdências, etc

1° Critério (obrigatório): a vazão é calculada para diluir o CO 2 e odores. Pena ANVISA, a vazão mínima por pessoa é de 27 m³/h.pessoa:

VVazão necessária; xnúmero de pessoas que permanecem habitualmente no recinto; V min vazão mínima por pessoa

2º Critério (opcional): deve-se manter a velocidade do ar ao nível das pessoas para melhorar a sensação de conforto térmico (1,80m zona ocupada):

VVazão necessária; AÁrea de passagem do ar na zona ocupada; vvelocidade do

ar

de passagem do ar na zona ocupada; v  velocidade do ar  Ambientes de Concentração

Ambientes de Concentração de Pessoas: auditórios, teatros, salas de aula, etc

1° Critério (obrigatório): a vazão é calculada para diluir o CO 2 e odores. Pena ANVISA, a vazão mínima por pessoa é de 27 m³/h.pessoa:

VVazão necessária; xnúmero de pessoas que permanecem habitualmente no recinto; V min vazão mínima por pessoa

2º Critério (opcional): a vazão deve ser calculada para retirar o calor gerado pelas pessoas, equipamentos, iluminação, etc. Pode-se tentar aproximar a temperatura do ambiente da temperatura do ar externo de renovação:

̇

̇

̇

(

)

̇ fluxo de massa; c p-ar calor

específico do ar; t s temperatura do ambiente; t e temperatura do ar externo; V esp

volume específico, pode ser tirado por psicrometria ou por

q s calor sensível gerado no ambiente [kcal/h];

Ambientes Confinados Úmidos: salas no subsolo, depósitos fechados e caixas forte são exemplos deste tipo de ambiente, onde a ventilação tem o papel de movimentação do ar, para aliviar a sensação de confinamento e inibir o crescimento de organismos vivos (como bolor) e retirar a umidade excessiva:

̇

(

)

̇ massa de água a retirar; Ddescarga de ar; g s umidade absoluta na saída;

g e umidade absoluta na entrada

Muitas vezes apenas a ventilação não é suficiente para retirar toda a umidade, sendo necessário o emprego de sistemas de aquecimento (como por resistências elétricas ou por bombas de calor).

Em ambientes industriais, o principal problema é a extração de calor sensível e a grande quantidade de contaminantes gerados no processo.

Ambiente com Grande Geração de Contaminantes: o cálculo da vazão necessária deve ser feito pela concentração de contaminante que se deseja ter no local

̇

̇ vazão da ventilação [m³/h]; qgeração de contaminantes; cconcentração de contaminante permitida (ou desejada)

Ambiente com Grande Geração de Calor Sensível: A ventilação deve retirar o calor sensível gerado (principalmente pelas máquinas e equipamentos) a fim de manter a temperatura ambiente a mais próxima possível da temperatura do ar de renovação.

̇

̇

̇

(

)

q s calor sensível gerado no ambiente [kcal/h]; ̇ fluxo de massa; c p-ar calor

específico do ar; t s temperatura do ambiente; t e temperatura do ar externo; V esp

volume específico, pode ser tirado por psicrometria ou por

Dimensionamento da Rede de Dutos: deve-se levar em consideração o nível de ruído ocasionado pelo deslocamento de ar, a perda de carga, perda ou ganho de calor, etc. Existem diversos métodos, sendo alguns deles:

Método da Igual Perda: o dimensionamento é feito por trechos, tendo por base a perda no duto tronco (duto que passa toda a vazão) por unidade de comprimento. Para isso, deve-se:

1. Determinar a vazão em cada trecho, de acordo com as necessidades de cada local

2. Adotar a velocidade do duto tronco, levando em consideração o ruído e as perdas (ATENÇÃO! Lembrar que as perdas crescem com o quadrado da velocidade)

3. Determinar as perdas do duto tronco e adotar o mesmo valor para todos os ramais. Isso pode ser feito pela fórmula abaixo ou pelo gráfico da Pg. 6.69 da apostila do prof. Lagreca

ffator de atrito, retirado do diagrama de Moody Rouse; Lcomprimento do trecho reto; ddiâmetro do duto; ρdensidade do fluido; vvelocidade de escoamento

ATENÇÃO! Para fazer a equivalência de um duto retangular para um cilíndrico, pode- se utilizar a fórmula da Pg. 6.71, no final da tabela, ou o gráfico da página 6.70.

Balanceamento da rede de distribuição: apenas o dimensionamento das linhas não garante que a vazão correta será entregue em cada boca, por conta disso, deve-se alterar os valores das perdas de carga, ou utilizando registros ajustáveis (válvulas) ou redimensionando o ramal (o menor diâmetro de duto deve ficar no ramal de menor comprimento, para que a perda seja elevada).

Bocas de Distribuição: podem ser do tipo grelha ou do tipo difusor. Para selecionar o tipo de boca correta, é necessário levar em conta a vazão, o alcance lateral e em profundidade, as perdas e os ruídos provocados pelo escoamento.

Palhetas: são utilizadas para direcionar o fluxo de ar ao deixar a boca de distribuição, podendo ser retas (gerando maior alcance em profundidade e menor alcance lateral, em torno de 20°) ou divergentes (gerando maior alcance lateral, em torno de 60º e menor em profundidade). A velocidade final de alcance de profundidade não deve ultrapassar 0,3 m/s.

Difusor: permite a distribuição radial do ar, mais indicados para instalações de ar condicionado.

Ventilação

contaminante na origem (sólidos, líquidos ou gasosos em suspensão no ar), junto à geração, não permitindo que se espalhe para o ambiente. Os componentes básicos desta instalação são: captor (boca de sucção), dutos, ventilador, separador de contaminantes (filtros, lavadores) e chaminé.

captando o

Local

Exaustora

(VLE):

utilizada para

garantir que c≈0,

Se o ventilador for instalado de modo que o ar passe antes pelo separador de contaminante, preserva-se o ventilador do ataque dos mesmos e não se faz necessário o emprego de ventiladores construídos com materiais especiais.

Para cada tipo de captor, tem-se uma relação entre V b e V ar-x , mas, sempre deve- se garantir que:

Para cada tipo de captor, tem-se uma relação entre V b e V a r -

V c velocidade de captura (depende do contaminante); V ar-x velocidade do ar na distância “x” da boca; V b velocidade na boca; V d velocidade no duto.

Para cada tipo de boca (circular plana, circular plana com flange, etc.) existe uma fórmula para o cálculo da vazão. Estas fórmulas são encontradas no livro Industrial Ventilation.

Projeto e Localização dos Captores:

1. Aproximar o captor da fonte. Se possível, envolver a fonte de contaminantes com uma “capela”, pois este envolvimento faz diminuir a vazão necessária para a exaustão.

2. Utilizar a menor abertura de boca (S b ) possível, para diminuir a vazão necessária

3. O Captor deve ser simples e de fácil limpeza

4. O Captor deve apresentar baixa perda de carga

5. O Captor não deve atrapalhar a operação ou o operário

6. O operador não deve ficar entre a fonte emissora de contaminantes e o captor

7. Quando o contaminante for gerado com alta velocidade (fagulhas de uma esmerilhadeira), se possível utilizar um captor receptor na direção de geração, reduzindo a vazão necessária.

8. Se existir correntes de ar, utilizar um anteparo para não dispersar o contaminante no ambiente (ou utilizar capela)

9. Colocar flange no captor para reduzir a vazão necessária

10. Utilizar materiais adequados, evitando corrosão, abrasão ou mesmo reações químicas entre o contaminante e o captor.

Velocidade de Transporte (V t ): velocidade mínima necessária para evitar o acúmulo ou a deposição do contaminante (sólidos, líquidos ou gordurosos) no interior dos dutos.

Depressão Estática: queda de pressão gerada pelo ventilador para que haja escoamento

(

)

p e pressão externa (p e =p atm ); p i pressão no interior do duto; ffator de perdas (tabelado); p d pressão dinâmica

Coeficiente de Entrada (Ce): queda na vazão decorrente da redução da energia do ar

são

tabelados e variam de acordo com cada captor Pg. 41 Livro I da apostila do Prof. Lagreca

ATENÇÃO! Os valores de Fator de Perdas (f) e de Coeficiente de Entrada (Ce)

Medida de Vazão em Captor Existente:

̇

S d área do duto que segue o captor; hdesnível do manômetro de água [mmH 2 O]

Dimensionamento de Dutos na VLE: os dutos devem sempre ser circulares a fim de evitar que os contaminantes se alojem nas arestas dos dutos retangulares.

Sistema Simples com Captor: com a vazão ( ̇ ) definida pela natureza do contaminante, deve-se adotar uma velocidade, que deve ser a menor possível para reduzir as perdas. Deve-se utilizar a velocidade de transporte ( v transp ) como velocidade mínima para o cálculo da vazão.

̇

Sistema Complexo: as perdas nos ramais não podem ser diferentes, pois se isso ocorrer, o ponto de ramificação do duto tronco ficaria com dois valores diferentes de pressão, fazendo com que uma das vazões do ramal fosse alterada. Para sanar este problema, deve-se fazer o balanceamento das linhas, igualando as perdas nos ramais. Isso pode ser feito de duas maneiras:

o

Utilizar registros ajustáveis (apenas para gases, pois com contaminantes sólidos ou gordurosos podem entupir a passagem)

o

Alterar a vazão de projeto e/ou o diâmetro dos dutos.

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AR-CONDICIONADO P2

Ar-Condicionado: processo de tratamento do ar para o controle simultâneo da pureza (através de filtros), temperatura, distribuição (através de dutos e bocas), umidade e ruídos. Existem diversos tipos de ciclos de ar-condicionado, como os de compressão de vapor, de absorção, dentre outros. É utilizado para aumentar o conforto (melhorar a saúde, o bem estar e a produtividade), para processos industriais (melhorar a saúde dos operários, a produtividade, a produção e a qualidade dos produtos) e para fins especiais (como salas de cirurgias, por exemplo).

Componentes Básicos: em um sistema, tem-se o ambiente que receberá o ar “tratado” (gerador de calor sensível e latente), os dutos de retorno, insulflamento e de captação de ar externo, os registros para controle de vazão e os equipamentos, como evaporador, compressor, condicionador e válvula de expansão.

As cargas térmicas podem ser de caráter sensível, aumentando a temperatura do ambiente, ou de caráter latente, aumentando a umidade.

A vazão de ar externo captada deve ser a mesma que sai do ambiente, a fim de garantir que o mesmo não fique sobre pressão positiva excessiva. O ambiente possui uma zona ocupada (que gira em torno de 1,80m de altura), na qual o ar deve chegar em condições ideais. Por conta disso, as características do ar que deixa a boca de insulflamento (temperatura e umidade absoluta) não são as mesmas da encontrada na zona ocupada.

Condicionador: é composto basicamente por umidificador, aquecedor, resfriador e desumidificador, filtros e controles automáticos (como termostatos e umidistrator).

Diagrama Psicrométrico: para cada pressão existe um diagrama psicrométrico. Com duas propriedades do ar (geralmente temperatura de bulbo seco e temperatura de bulbo úmido) tira-se as demais propriedades.

Ar-Condicionado para Conforto: O dimensionamento correto deve levar em conta o calor gerado pela queima de nutrientes de cada pessoa (chamado de taxa metabólica, que é função da atividade que se está exercendo, idade e sexo), a convecção (calor sensível), a evaporação (por exemplo, de suor, calor latente), a radiação (calor sensível), a respiração (calor sensível e latente) e o trabalho. Neste caso, o objetivo do ar- condicionado é manter as condições ambientais para realizar o metabolismo sem dificuldades, gerando conforto.

MTaxa metabólica; CConvecção; RRadiação; E v Evaporação; RespRespiração; WTrabalho.

ATENÇÃO! Por conta do coeficiente de película (lembrar de Trans Cal Aplicada h), a convecção C e a evaporação E v dependem da velocidade do ar.

É possível ter algumas combinações de temperatura, umidade e velocidade do ar (<0,2 m/s na zona ocupada) que satisfaçam o conforto de, no mínimo, 80% da população local. Para processos industriais e casos especiais, estas combinações podem ser consultadas no livro Applications da ASHRAE.

Variáveis da Psicrometria:

Temperatura de Bulbo Seco (t bs ): é a temperatura medida em um termômetro comum, cujo bulbo está exposto ao ar, efetuando troca de calor sensível. O termômetro não pode estar sujeito à radiação.

Temperatura de Bulbo Úmido (t bu ): é a temperatura medida em um termômetro que esteja envolvido por um tecido úmido, efetuando trocas de calor sensível e latente. O termômetro não pode estar sujeito à radiação. Esta temperatura só será igual à temperatura de bulbo seco quando o ar estiver saturado de umidade.

Umidade Absoluta (g): é a quantidade de vapor de água contida no ar [gramas de vapor/kg de ar seco]

Umidade Relativa (y): relação entre a pressão de vapor existente no ar pela pressão de vapor saturado

p v Pressão de vapor; p v-sat pressão de vapor de saturação (é a pressão para qual, na mesma temperatura, o ar estaria saturado)

Entalpia (h): é o calor total presente no ar, ou seja, a energia “armazenada” do fluido.

Volume Específico (v): Volume por unidade de massa da mistura ar mais umidade.

Processos no Diagrama Psicrométrico: São, no total, nove processos que podem ser combinados, conforme conveniência.

Processos no Diagrama Psicrométrico: São, no total, nove processos que podem ser combinados, conforme conveniência.

ATENÇÃO! A variação de temperatura de bulbo seco corresponde a transferência de calor sensível contido no ar. Já uma variação de umidade absoluta, corresponde a uma transformação de calor latente contido no ar.

1. Mistura de duas quantidades de ar em condições diferentes: ocorre em junções da tubulação. Deve-se fazer o balanço de massa e, em seguida, o balanço pelas entalpias:

̇

̇

̇

̇

̇

̇

Ou, pode-se fazer o graficamente, por equivalência (regra das alavancas, como em Ciência dos Materiais).

(regra das alavancas, como em Ciência dos Materiais). 2. Aquecimento sem alterar a umidade absoluta (g

2. Aquecimento sem alterar a umidade absoluta (g = cte): pode ser feito através de resistência elétrica ou por trocadores de calor

de resistência elétrica ou por trocadores de calor 3. Só Umidificação: pode ser feito através de

3. Só Umidificação: pode ser feito através de resistência de imersão (umidificador de bandeja) ou por pulverizadores.

Só Umidificação: pode ser feito através de resistência de imersão (umidificador de bandeja) ou por pulverizadores.

4.

com

umidificação, com qualquer combinação dos equipamentos de cada processo (resistência elétrica, trocador de calor, pulverizador e resistência de imersão).

Aquecimento

com

Umidificação:

combinação

do

aquecimento

Aquecimento com Umidificação: combinação do aquecimento Trabalhando com Calor Sensível (apenas aquecimento, com

Trabalhando com Calor Sensível (apenas aquecimento, com umidade constante):

Trabalhando com Calor Latente (devido à umidificação, vaporização do fluido):

Trabalhando com Calor Total (Aquecimento e umidificação):

5.

Resfriamento com desumidificação: Pode ser feito por expansão direta, com a troca de calor entre ar e fluido frigorífico (pequenas instalações) ou por expansão indireta através de Chiller (resfriador de água), com a troca de calor entre ar e água gelada (grandes instalações).

de calor entre ar e água gelada (grandes instalações). ATENÇÃO!  Condição de Resfriamento  t

ATENÇÃO!

Condição de Resfriamento t superfície dos tubos < t 2

Condição de Desumidificação t superfície dos tubos < t 01

Sempre adotaremos que, devido às características construtivas dos resfriadores, a condição de saída será y=90%

t 01 temperatura de orvalho do ar entrando: aquela que, no resfriamento, o ar começa a se condensar.

6. Resfriamento sem alterar a umidade absoluta (g = cte): pode ser feito utilizando trocadores de calor

(g = cte): pode ser feito utilizando trocadores de calor 7. Resfriamento com umidificação (resfriamento Pode

7. Resfriamento com umidificação (resfriamento

Pode ser feito

através de lavador de ar. O processo ocorre com entalpia constante (h=cte), pois a retirada de calor sensível para resfriar é transformada em calor latente para umidificação

evaporativo):

em calor latente para umidificação evaporativo): 8. Aquecimento com desumidificação: o processo ocorre

8. Aquecimento com desumidificação: o processo ocorre com entalpia constante (h=cte) e é feito por secador químico (sílica), pois desumidificação acaba por aquecer o ar.

(sílica), pois desumidificação acaba por aquecer o ar. 9. Desumidificação: Este processo é resultante de uma

9. Desumidificação: Este processo é resultante de uma secagem (com h=cte) e posterior resfriamento (com g=cte), pois a secagem aquece o ar ou pelo processo de resfriamento com desumidificação e posteriormente um aquecimento com g=cte.

Modos de Operação de uma Instalação de Ar-Condicionado: Regime de Verão: normalmente, necessita-se de resfriamento

Modos de Operação de uma Instalação de Ar-Condicionado:

Regime de Verão: normalmente, necessita-se de resfriamento com desumidificação. Contudo, pode ser necessário o aquecimento para controlar a umidade relativa. O que caracteriza este regime é a extração de calor sensível (t I < t s ) e a extração de calor latente (g I < g s insuflando ar seco no ambiente).

Estação de Verão: é caracterizado por possuir temperatura externa maior que a do recinto (t E > t s ) e maior umidade absoluta externa do que a do ambiente (g E > g s )

1. Estação do Verão com Regime de Verão:

g s ) 1. Estação do Verão com Regime de Verão: I  S: Caminho do

IS: Caminho do ar na sala, ganhando calor sensível (q s ) e calor latente (q L ).

Estação e Regime de Inverno: a estação de inverno é caracterizada pela temperatura externa menor que a temperatura do ambiente (t E < t s ) e menor umidade absoluta externa do que a do ambiente (g E < g s ). Por conta dessa diferença de temperatura, há uma transmissão de calor sensível do ambiente para o meio externo (q s-perdido ) que, quando for maior que o calor sensível gerado (q s-perdido > q s-g ), a temperatura do ambiente tende a baixar, tornando-se necessário insuflar ar com t I > t s , para aquecer o ambiente.

Entretanto, o calor latente (q L ), continua sendo gerado e, para retirá-lo, é necessário que g I < g s .

Estação de Inverno com Regime de Verão: ocorre quando t E < t s e

Estação de Inverno com Regime de Verão: ocorre quando t E < t s e g E < g s , mas t I < t s e

g I < g s , pois o calor gerado no ambiente aquece o ar ao ponto de ser necessário o insulflamento de ar frio para retirar o calor gerado.

o insulflamento de ar frio para retirar o calor gerado. Carga Térmica de Verão: é a

Carga Térmica de Verão: é a quantidade de calor (Q L + Q s ) a ser retirada para manter as condições de temperatura e umidade desejadas no ambiente. Para calcular a carga térmica, deve-se levar em consideração oito efeitos:

ATENÇÃO! Perguntas teóricas podem ser feitas sobre carga térmica

1.

por

exemplo, parte do calor incidente (q I ) é refletido (q R ), parte é absorvida pela superfície (q A ) e parte é transferida ao ambiente em forma de Radiação (q r ) e Convecção (q c ).

Condução

e

Insolação

sobre superfícies

opacas:

em

tetos

e

paredes,

Q s Calor sensível; UCoeficiente global de troca de calor; SÁrea da superfície;

Δt equivalente considera a penetração de calor devido a t E > t s e o efeito da radiação solar,

é função do tipo de parede, da orientação (norte, sul), da latitude, do mês e da hora, pode ser encontrado nas tabelas da ASHRAE.

2. Condução em Superfícies Translúcidas: vidros e domos, por exemplo. ( ) Q s 

2. Condução em Superfícies Translúcidas: vidros e domos, por exemplo.

(

)

Q s Calor sensível; UCoeficiente global de troca de calor do vidro; SÁrea da superfície;

de troca de calor do vidro; S  Área da superfície; 3. Insolação: ocorre quando a

3. Insolação: ocorre quando a luz que entra no ambiente aquece o piso e/ou equipamentos, que absorvem este calor e, posteriormente (ação retardada) o liberam em forma de radiação e convecção.

Q s calor sensível; Sárea; C s Coeficiente de sombreamento (dificuldade da luz penetrar no ambiente, por exemplo, numa janela com persiana ou com insulfilm), IIntensidade da radiação; f t Fator de transferência.

numa janela com persiana ou com insulfilm), I  Intensidade da radiação; f t  Fator

4. Iluminação: Como a iluminação fornece calor, em sua maioria, em forma de radiação, ela é absorvida pelas paredes, pisos e objetos e posteriormente liberada (efeito retardado). Por conta disso, mesmo com a luz apagada, pode ocorrer geração de calor por conta da radiação por ela emitida anteriormente e isso deve ser levado em conta na hora de dimensionar a instalação.

Q s calor sensível; Wpotência da lâmpada [W] f u Fator de uso; f c Fator característico da luminária; f t Fator de transferência.

da luminária; f t  Fator de transferência. 5. Pessoas: Q s  calor sensível; n°

5. Pessoas:

Q s calor sensível; n° número de pessoas no ambiente; q s-p Calor gerado pelo Metabolismo (como já visto anteriormente); f t Fator de transferência.

Q L Calor Latente; n° número de pessoas no ambiente; q l-p calor determinado pela Norma Brasileira.

6. Motores:

o Motores no Fluxo de Ar:

Q s calor sensível; WPotência consumida pelo motor [W]; η m rendimento do motor; f t Fator de transferência; W e potência que entra no motor (da rede) [W]

o Motores fora do Fluxo de Ar:

7. Diversos: computadores, impressoras e outros equipamentos que geram calor sensível e latente.

ATENÇÃO! Do ítem 1 ao 7, trata-se de carga Térmica Interna

8.

Carga Térmica Externa: devida ao ar externo. Para dimensionar o evaporador, por exemplo, deve-se levar em conta o calor do ar externo que entra no sistema, pois ele vem quente e úmido do local de captação (Q s +Q L ).

̇

(

)

̇

(

)

LABORATÓRIO

Ventiladores: utilizados para movimentar ar ou gases contra pressões moderadas. Este ganho de pressão é necessário para vencer as perdas, tanto antes como depois do ventilador, portanto, para a correta seleção de um ventilador é necessário saber quais são as perdas envolvidas para determinar a diferença de pressão que o ventilador deverá fornecer. O mesmo ocorre com bombas de vácuo e compressores (este último, além de vencer as perdas deve possuir pressão para acionar o equipamento no qual o ar comprimido é empregado).

Geralmente, em ventiladores esta variação de pressão é desprezível até aproximadamente 1400 mmH 2 O (1 mmH 2 O = 1kgf/m²), ou seja, nesses casos a vazão ( ̇ ) antes e depois do equipamento são praticamente iguais. Já a vazão em compressores apresenta grande variação entre a entrada e a saída, principalmente devido ao volume específico (V esp ):

̇ vazão; ̇ massa específica;

̇

̇

volume específico; densidade

específica; ̇ ̇  volume específico;  densidade Os ventiladores podem ser classificados como: Axiais

Os ventiladores podem ser classificados como: Axiais (indicados para maiores vazões e menores pressões, o fluxo de ar ocorre predominantemente na direção do eixo), Centrífugos (indicado para menores vazões e maiores pressões, o fluxo de ar ocorre predominantemente na direção do raio) e Heliocentrífugos (misto dos anteriores).

Pressões desenvolvidas pelo Ventilador:

Pressão Total (p tv ): é a diferença entre as pressões totais na descarga e na aspiração, ou a soma das pressões estática e dinâmica.

Pressão Dinâmica (p d ): pressão correspondente à velocidade na boca de descarga do ventilador. Pode ser mensurada através de um Tubo de Pitot

ρdensidade do fluido; vvelocidade do fluido na boca de descarga do ventilador.

Pressão Estática (p e ): pressão que o fluido faz nas paredes do duto. Pode ser mensurada através de um manômetro

ATENÇÃO! O manômetro lê apenas a Pressão Estática.

ATENÇÃO! Em um duto de seção constante, ocorre redução da pressão total em virtude da queda da pressão estática por conta das perdas. Quando há aumento de seção (expansão), ocorre redução da pressão dinâmica (em virtude da queda de velocidade do fluido) e parte dela se transforma em pressão estática.

Tubo de Pitot: utilizado para realizar medidas de pressão quando a velocidade do fluido está entre 0,9 e 50 m/s

Tubo de Pitot: utilizado para realizar medidas de pressão quando a velocidade do fluido está entre

Curva Característica dos Ventiladores: para cada tipo (axial, centrífugo) e projeto (ângulo de pás, etc), há uma curva típica de pressão total por vazão

Centrífugo de Pás Voltadas para Frente

por vazão  Centrífugo de Pás Voltadas para Frente  Centrífugo de Pás Voltadas para Trás

Centrífugo de Pás Voltadas para Trás

para Frente  Centrífugo de Pás Voltadas para Trás Sistema Resistente: filtros, dutos, bocas, trocadores de

Sistema Resistente: filtros, dutos, bocas, trocadores de calor, válvulas. Suas perdas podem ser determinadas da seguinte maneira, em regime turbulento

Logo, como as perdas são proporcionais à velocidade ao quadrado, elas são proporcionais à vazão ao quadrado. De modo análogo ao que se fazia na disciplina de Bombas, pode-se determinar o ponto de operação do sistema, onde a curva do sistema cruza com a curva do ventilador, para uma dada rotação constante:

Leis dos Ventiladores: para uma série de ventiladores semelhantes, nos pontos equivalentes, ou seja, onde

Leis

dos

Ventiladores:

para

uma

série

de

ventiladores

semelhantes,

nos

pontos

equivalentes, ou seja, onde o rendimento é constante, pode-se relacionar:

̇

̇ vazão; αproporcional à; nrotação; ddiâmetro; ppressão; Npotência; ρ densidade

Ou seja, utilizando as leis dos ventiladores, é possível determinar, a partir de um protótipo, o comportamento do ventilador real quando as grandezas acima forem alteradas, através de uma “regra de três”.

SISTEMAS DE AR CONDICIONADO P2

Sistema Central Todo Ar: a troca de calor (extração da carga térmica) é feita através do ar que é insuflado no ambiente. Requer dutos extremamente grandes (como os de supermercados), por conta da alta vazão com baixas velocidades (para evitar aquecimento).

Sistema Central Todo Água: é um sistema flexível, versátil, e de fácil adaptação em construções, pois utiliza dutos menores e seus componentes podem ser comprados facilmente (não há necessidade de equipamentos especiais). Requer um pouco mais de potência que o sistema Todo Ar para uma mesma instalação. A troca de calor é feita pela água gelada que resfria o ar que é insuflado no ambiente.

Aparelho tipo Janela: Não permite o controle rigoroso da temperatura, muito menos da umidade, apresenta nível de ruído intermediário e deve ser instalado, preferencialmente, junto ao teto. Fornece até 3 TR (toneladas de refrigeração) = 3600 BTU = 9072 kcal/h

3 TR (toneladas de refrigeração) = 3600 BTU = 9072 kcal/h Aparelhos Split: a unidade condensadora

Aparelhos Split: a unidade condensadora (condensador e compressor) não ficam no ambiente cujo ar será tratado. No ambiente ficam apenas o Evaporador e a Válvula de expansão. Essa configuração reduz o nível de ruído. Apresenta a vantagem de poder ser instalado a até 40m do ambiente, permitindo que a unidade condensadora seja instalada em local mais apropriado (com menor incidência solar e exposta a ventos).

Aparelho “Self-Contained”: Simplificadamente, o aparelho apresenta a configuração da imagem:

Entretanto, analisando seus componentes e seu ciclo, o sistema pode ser descrito como a imagem

Entretanto, analisando seus componentes e seu ciclo, o sistema pode ser descrito como a imagem abaixo:

seu ciclo, o sistema pode ser descrito como a imagem abaixo: Onde: PA, PB  Pressostatos

Onde:

PA, PB Pressostatos (elementos de segurança) de alta e baixa pressão; MA, MB Manômetros de alta e baixa pressão; SOSeparador de óleo: evita que o óleo do compressor vá para a instalação, o que reduziria o coeficiente de película do trocador de calor por conta do acumulo de óleo dos tubos; CDCondensador; RESReservatório: tem a função de manter o selo líquido, armazenar o fluido refrigerante para manutenção e para cargas parciais (quando há redução da carga térmica); Selo Líquido líquido que permanece no fundo do reservatório para garantir que só entre

líquido no evaporador (para garantir que as propriedades de mudança de fase sejam utilizadas); SECFiltro Secador: usado apenas no início de operação para secar eventuais vapores do fluido refrigerante; V.SOL Válvula Solenoide: fecha quando o compressor para de funcionar para não acumular líquido no evaporador, que iria para o compressor, danificando-o; VVisor: Se houver bolhas visíveis no fluido refrigerante é sinal que a instalação não está operando corretamente, provavelmente devido a uma obstrução anterior (tubos amassados, por exemplo); EVEvaporador: uma parte do equipamento (80%) evapora o líquido e o restante (20%) superaquece o vapor para evitar que entre líquido no compressor; VEVálvula de Expansão; 1,2,3,4 Registros de Manobra; RCRegistro de Carga; PO, MO Pressostato e Manômetro de óleo; CP Compressor; BVE Bulbo da válvula de expansão: identifica se há líquido indo para o compressor e, se houver, fecha a válvula de expansão.