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UNIVERSIDADE PAULISTA

ELISABETH DE LIMA DUARTE

TRATAMENTO DA ANSIEDADE PELA ABORDAGEM DA TERAPIA COGNITIVA COMPORTAMENTAL

SÃO PAULO

2017

ELISABETH DE LIMA DUARTE

TRATAMENTO DA ANSIEDADE PELA ABORDAGEM DA TERAPIA

COGNITIVA COMPORTAMENTAL

Trabalho de conclusão de curso para obtenção do título de especialista em terapia cognitivo-comportamental para atuação em múltiplas necessidades terapêuticas apresentado à Universidade Paulista - UNIP.

Orientadores:

Prof a . Ana Carolina S. de Oliveira

Prof. Hewdy L. Ribeiro

SÃO PAULO

2017

ELISABETH DE LIMA DUARTE

TRATAMENTO DA ANSIEDADE PELA ABORDAGEM DA TERAPIA

COGNITIVA COMPORTAMENTAL

Aprovado em:

Trabalho de conclusão de curso para obtenção do título de especialista em terapia cognitivo-comportamental para atuação em múltiplas necessidades terapêuticas apresentado à Universidade Paulista - UNIP.

Orientadores:

Prof a . Ana Carolina S. de Oliveira

Prof. Hewdy L. Ribeiro

BANCA EXAMINADORA

/ /

Prof. Hewdy Lobo Ribeiro

Universidade Paulista – UNIP

/ /

Profa. Ana Carolina S. Oliveira

Universidade Paulista – UNIP

DEDICATÓRIA

Dedico esse trabalho ao meu marido, a minha filha, a minha família e aos meus amigos, que sempre estiveram ao meu lado em todos os momentos da minha vida, principalmente nos mais difíceis, sem eles nada disso seria possível.

AGRADECIMENTOS

Agradeço aos meus colegas de curso e aos mestres que me acompanharam e que muito contribuíram para abranger o meu conhecimento no decorrer de todo o ano.

Agradeço também a minha família, que são especiais na minha vida e eu os amo muito.

"Determinação, coragem e autoconfiança são fatores decisivos para o sucesso. Se estamos possuídos por uma inabalável determinação, conseguiremos superá-los. Independentemente das circunstâncias, devemos ser sempre humildes, recatados e despidos de orgulho."

(Dalai Lama)

RESUMO

O transtorno de ansiedade, caracterizado por ansiedade e medo frente a situações sociais, causa grande impacto negativo na vida dos indivíduos. Pesquisas vêm demonstrando eficácia no tratamento através de técnicas da terapia cognitivo-comportamental (TCC), portanto, o objetivo desde estudo é investigar quais são os métodos utilizados por esta abordagem. Concluiu-se que as técnicas cognitivas e comportamentais como reestruturação cognitiva em relação ao trauma, estratégias de manejo da ansiedade que trabalha com relaxamento muscular, parada de pensamento e controle da respiração, exposição controlada a pistas traumáticas que nada mais é do que a exposição gradual ao trauma, psicoeducação entre outras têm alcançado resultados significativos para redução do transtorno, levando a modificação de crenças e desenvolvimento de habilidades.

Palavras-chave:

Tratamento.

Ansiedade,

Terapia

Cognitivo-Comportamental,

ABSTRACT

Anxiety disorder, characterized by anxiety and fear of social situations, have negative impact on people’s lives. Research has demonstrated efficacy of the treatment through cognitive-behavioral therapy (CBT) techniques, so the aim of this study is to investigate which methods are used by this approach. It was concluded that cognitive and behavioral techniques such as cognitive restructuring in relation to trauma, anxiety management structure by muscle relaxation, stop thinking and breathing control, controlled exposure to traumatic cues that is nothing more than to be gradually exposed to the trauma, psychoeducation, among others, have achieved significant results for reduction of the disorder, leading to a modification of beliefs and development of abilities.

Key words: Anxiety, Cognitive-Behavioral Therapy, Treatment.

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

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1.1 O que é Terapia Cognitivo-Comportamental

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1.2 Definição de ansiedade e suas consequências físicas e psicológicas 11

2 OBJETIVOS

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3 METODOLOGIA

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4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

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4.1 Ansiedade na infância e adolescência

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4.2 Ansiedade em adultos e na terceira idade

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4.3 Terapia cognitiva comportamental e transtornos de ansiedade

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5 CONCLUSÕES

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REFERÊNCIAS

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INTRODUÇÃO

1.1 O que é Terapia Cognitivo-Comportamental

Aaron Beck fez uma psicoterapia chamada terapia cognitiva na década de 1960, que é a mesma chamada hoje de terapia cognitiva comportamental. A terapia cognitiva comportamental é uma terapia que trabalha com o problema atual do paciente e é uma terapia breve e focada. O tratamento é baseado na formulação cognitiva, nas crenças, nas estratégias comportamentais e na compreensão de cada paciente, pois cada um tem suas crenças e um tipo de comportamento. O terapeuta trabalha com pensamentos, emoções e comportamentos, ensinando seu paciente a identificar e avaliar cada um deles e depois modificá-los com técnicas e treinos (BECK, 2013). Segundo Wright et al (2008), a terapia cognitiva comportamental tem dois princípios centrais, o primeiro é que as cognições controlam nossas emoções/comportamentos e o segundo é sobre o jeito que agimos e nos comportamos e, então, como acabam por influenciar em nossas emoções e comportamentos. A terapia cognitiva comportamental tem eficácia no tratamento para transtornos mentais e comportamentais como transtorno de ansiedade, fobias, pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, estresse pós-traumático, hipocondria, abuso de álcool e drogas, transtornos alimentares, despersonalização, depressão, esquizofrenia, bipolaridade, entre outras. Aplica-se em crianças, adolescentes, adulto, grupos, casais e famílias (SERRA, 2013). Serra (2013) afirma que existem três níveis de consciência, o consciente, a pré-consciente e o inconsciente (nomeada também de memória implícita). Nossos processos cognitivos principais estão no nosso inconsciente, como nossos esquemas e crenças, incluindo aprendizado, percepção, interpretação, atenção, raciocínio, etc. Já os pensamentos automáticos estão no pré-consciente, que é o lugar onde se dá o significado à realidade interna e externa. São esses pensamentos automáticos e a cognição que determina o que sentimos, como a tristeza ou alegria, ou seja, todo o nosso comportamento. A terapia cognitiva comportamental trabalha com esses esquemas, crenças e pensamentos automáticos, sabendo que, a partir do

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momento em que mudamos nossas cognições, mudamos também as emoções e comportamentos que nos incomodam. A terapia cognitiva comportamental mostra que não percebemos a realidade da forma que ela é, mas sim através dos olhos de nossas experiências anteriores, e com isso, essa realidade determina como nos sentimos e nos comportamos. Em resumo a terapia cognitiva comportamental trabalha em cima dos padrões de processamento cognitivo do paciente, ou seja, em cima de suas interpretações e representações de um acontecimento. A terapia acontece uma vez por semana, com duração de 50 minutos - cada sessão - e dependendo do caso dura em média de 12 a 24 sessões (SERRA,

2013).

1.2 Definição de ansiedade e suas consequências físicas e psicológicas

Os seres humanos sempre estiveram preparados para situações de perigo para se defender, nessas situações são enviadas mensagens ao seu cérebro que imediatamente respondem com sensações físicas e mentais como aumento de transpiração, o batimento cardíaco acelerado, estado de alerta da atenção, entre outros. Todas essas sensações têm um propósito como, por exemplo, o batimento cardíaco acelerado que serve para levar o sangue mais rápido para os músculos grandes que são coxas e braços, facilitando assim a luta e/ou fuga. Ao mesmo tempo diminui o fluxo de sangue nas extremidades do corpo, como a pele provocando palidez, mãos frias e formigamento, pois caso a pessoa seja atingida, tem menos chance de sofrer hemorragia. Além de sensações fisiológicas, existem os mecanismos cognitivos, motivacionais, emocionais e comportamentais. Todas essas modificações corporais e emocionais da ansiedade são diferentes entre pessoas, culturas, idades ou sexo, umas prevalecem os sintomas físicos e em outras, o cognitivo – como exemplo a preocupação, medo, etc. (ASSIS et al., 2007). Segundo Castillo et al (2000), a ansiedade é uma sensação desagradável de medo por antecipação de perigo ou medo do desconhecido, muitas vezes inexistente. Normalmente esse medo é muito exagerado em relação à ameaça real, conforme sua faixa etária e seu estilo de vida. Existe a ansiedade considerada normal e a ansiedade patológica, sendo que o que

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difere uma da outra é a duração, a autolimitação e se ela está relacionada com o estímulo do momento ou não. Para Zamignanie & Banaco (2005), a definição de ansiedade é um estado de excitação biológica ou manifestações autonômicas e musculares como hiperventilação, taquicardia, sensação de sufocamento ou afogamento, dores, tremores e sudoreses, dificuldade de concentração, aumento de esquiva ou fuga e estados internos desagradáveis como angustia, insegurança, medo, entre outros. No senso comum costuma-se dizer que as sensações físicas da ansiedade são de nó na garganta, frio na barriga, coração apertado, etc. A ansiedade é como se fosse um aviso de frustrações, uma ameaça de insucesso e/ou separação de algo ou alguém, igualmente ao medo que nos envia um sinal de alerta de perigo, apesar de que o medo geralmente é uma ameaça de algo conhecido e no externo; já a ansiedade é de algo desconhecido e no interno. A ansiedade e o medo são emoções muito importantes, entretanto, existem casos e níveis que passa a ser considerada patológica. Existem ansiedades normais e ansiedades patológicas, uma ansiedade considerada normal é uma ansiedade que existe em razão para estar ansioso, como no dia de seu casamento ou uma prova importante. Uma ansiedade patológica é aquela que não se sabe ao certo o que levou aquele estado desproporcional a causa possível e é algo que pode levar meses ou anos, mesmo quando não existe mais a causa possível. É como se não houvesse controle a situação, pode apresentar dificuldade de concentração, taquicardia, sudorese, insônia, inquietação, irritabilidade, vergonha, retenção urinária, formigamento nos pés e mãos, sensações de desmaio, diarreia, tontura, tremores, entre outros. Existe também o transtorno de ansiedade generalizada conhecida como TAG, onde pacientes com esse transtorno relatam muita irritabilidade, muita tensão e inquietude, além dos sintomas acima. Esses pacientes afirmam que sempre se sentiram assim, oscilando sempre a intensidade dos sintomas. Existem dois aspectos importantes no transtorno de ansiedade a ser observados para uma intervenção terapêutica, sendo a hiperexcitabilidade e a preocupação excessiva que tem manifestações físicas de tensões. O paciente que tem transtornos de ansiedade acredita que existem altos níveis de perigo ou ameaça e isso está ligado a baixa percepção de como

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lidar com determinada situação. A preocupação excessiva é de reagir negativamente a situações incertas e o pensamento catastrófico, que é transformar uma situação menor em algo insuportável, e, consequentemente, acaba levando o paciente a ter a distorções cognitivas graves (KNAPP, 2004).

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OBJETIVOS

Este artigo tem como objetivo fornecer aos profissionais da área de Psicologia o conhecimento necessário para amparar pacientes que enfrentam o transtorno de ansiedade e que procuram tratamento psicológico para minimizar a sua angústia. O artigo também procura elucidar a estes profissionais sobre como fazer uso de técnicas que possam ser aplicadas durante as sessões de psicoterapia e que propiciem melhorias significativas aos pacientes.

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METODOLOGIA

O estudo foi feito através de extensa pesquisa de revisões bibliográficas em livros publicados que abordassem o tema do artigo. Também foi pesquisado no Google Acadêmico (https://scholar.google.com.br/ ), selecionando textos completos e registrados em bases com comprovação científica, como Pepsic

(http://pepsic.bvsalud.org/ ), Scielo (http://www.scielo.org/php/index.php ) e

foram:

Lilacs

“ansiedade” e “terapia cognitivo-comportamental”. Os critérios para a exclusão de artigos foram: estudos que não estivessem na abordagem da terapia cognitivo-comportamental. Todo o processo aconteceu na seguinte ordem:

leitura dos títulos, dos resumos e, por fim, leitura dos textos completos.

(http://lilacs.bvsalud.org/

).

Os

descritores

mais

utilizados

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4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 Ansiedade na infância e adolescência

Assis (2007) relata que a ansiedade é uma reação comum de defensiva frente a um perigo, é um grande mal-estar físico e psíquico. É comum sentir ansiedade e isso vai acontecer em algum momento da vida, mas esse sentimento pode virar um transtorno quando passa a atrapalhar a vida da criança na família e na escola. Os sintomas mais comuns em crianças e adolescentes são medo de ir à escola, medo de cachorro, medo de pensar ou fazer algo destrutivo, medo de lugares, ter mania de perfeição, ser nervoso, ser medroso, ser muito preocupado, falar de suicídio, achar que ninguém gosta dele, se sentir culpado e inferior aos demais, entre outros. Em uma pesquisa foi informado que 9,3% das crianças apresentam algum sintoma de ansiedade, e isso claramente merece mais atenção entre os pais, professores e principalmente profissionais da saúde, porque dar um diagnóstico – especialmente na infância – não é uma tarefa fácil, pois crianças costumam ser muito peculiares e os sintomas muitas vezes só são reconhecidos após as mudanças comportamentais e emocionais. Um único episódio traumático na vida da criança pode desencadear problemas de saúde mental, dependendo do quanto esse problema atingiu a estrutura emocional e a qualidade de vida da criança.

O transtorno de ansiedade é o mais comum entre outros transtornos na infância e pode se estender até a vida adulta, caso não seja tratado. Estima-se que quase metade das crianças que apresentam transtorno de ansiedade também apresenta outro transtorno associado. Os conflitos que existem entre pais e entre irmãos, crenças dos pais em relação ao filho, estratégia de educação, o relacionamento inseguro que a criança tem com os cuidadores é muito importante para compreensão dos sintomas da ansiedade. É baseado nesses relacionamentos que a criança cria seu modelo de mundo e como vai enfrentá-lo, conforme vai crescendo outras pessoas e situações vão se somando a forma como lida com a ansiedade. As preocupações de crianças com transtornos de ansiedade são muito mais difíceis de controlar do que

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numa criança não ansiosa, também são mais duradouras e acontecem mesmo quando não há uma ameaça real. Existem alguns transtornos de ansiedade na infância como o transtorno de ansiedade generalizada, ansiedade por separação, fobia especifica, transtorno de estresse pós-traumático em crianças, transtorno obsessivo-compulsivo, fobia social, transtorno do pânico e agorafobia (ASSIS, 2007).

A adversidade enfrentada por uma criança nem sempre é vivida como estresse ou traumática, quando um evento faz ocorrer mudanças internas na criança, altera o componente de afeto sobrecarregando seus recursos neuroquímicos, psicológicos e sociais. A partir do momento que o indivíduo percebe e elabora o que sofreu, nomeia a situação como estressante ou não. Para essa avaliação, é necessário bem mais do que a situação e seus recursos adaptativos, mais sim de sua história pregressa, de seus recursos e de seu desenvolvimento até o enfrentamento do problema (ASSIS, 2007).

De acordo com Assis (2007), a prevenção sempre é o melhor remédio, mas tanto para prevenção quanto para o atendimento dessa criança ou adolescente, é necessário o acolhimento e a escuta cuidadosa deste paciente e de sua família nos encontros. A relação de confiança com a criança, adolescente, sua família e o aprendizado do relaxamento da ansiedade é fundamental nessa trajetória. Auxiliar os pais a lidarem com seus filhos, sendo necessário, muitas vezes conversar sobre a impotência e sentimento de culpa que estes pais carregam em relação a ansiedade dos filhos. Apurar os fatos entre pais, filhos, irmãos também é muito importante, pois cada pessoa vivencia e dá significados específicos para uma mesma situação e só assim o profissional consegue dialogar e negociar possibilidades de superação. Algumas técnicas que a terapia cognitiva-comportamental trabalha com crianças são técnicas cognitivas e comportamentais que trabalham a reestruturação cognitiva em relação ao trauma, estratégias de manejo da ansiedade que trabalha com relaxamento muscular, parada de pensamento e controle da respiração, exposição controlada a pistas traumáticas que nada mais é do que a exposição gradual ao trauma. Também se trabalha com a psicoeducação, que é ensinar técnicas de como se proteger se o evento estressor voltar a acontecer.

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4.2 Ansiedade em adultos e na terceira idade

As reações de ansiedade são diversas e pode atrapalhar muito o desenvolvimento da vida adulta tanto profissional como social – por exemplo, falar em público, iniciar uma conversa, entrar numa sala onde já tenha pessoas sentadas, falar com estranhos, participar de reuniões sociais, interagir com o sexo oposto, manter contato visual com não familiares, entre outras várias situações. A grande maioria dos ansiosos apresenta suor, palpitação, rubor da fase, tremor na fala e nas mãos e urgência em evacuar, mas relatam apenas medo e autoconsciência. A ansiedade aumentada, pela perspectiva de entrar nas situações temidas, leva a pessoa ao não enfrentamento da situação ou ao enfrentamento juntamente com um grande mal-estar. A evitação das situações pode ser sutil, como desviar os olhos ou evitar o início de uma conversa com pessoas que não sejam da família. Estudos revelam que a grande maioria dos ansiosos não procura tratamento até que tenha prejuízos considerados na vida (RANGÉ, 2001).

Segundo Knapp (2004), idosos também apresentam transtornos de ansiedade generalizada ou TAG, os maiores sintomas nos idosos são os sintomas somáticos do que na cognição. Uma pesquisa realizada informa que o idoso tem preocupações maiores na saúde do que no trabalho enquanto adultos de meia idade têm mais preocupações com a família e finanças.

Freitas et al (2016), relata que quanto mais envelhecemos, torna-se evidente algumas perdas no sistema nervoso, endócrino e imunológico, expondo assim nosso corpo a estressores internos e externos, como por exemplo, a diminuição no processamento de informação, afetando funções cognitivas como atenção, memória e fluência verbal. A diminuição da força muscular que acarreta na falta de disposição para atividades físicas, perdas sensoriais e energia. As perdas sensoriais – como visão e audição – que afetam na aprendizagem e na comunicação, perdas hormonais que interferem na sexualidade e na capacidade reprodutiva e na imunidade que dão início a doenças na vida adulta e na velhice. Trazendo, assim, interferência na vida

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física, cognitiva e sociocultural, criando condições de adoecimento, isolamento, ansiedade, depressão, incapacidade e também dependência.

Outros fatores que acabam influenciando são aqueles marcados pela história, como por exemplo, as mulheres que envelheceram em época que a reposição hormonal não era uma prática comum têm maiores índices de osteoporose, como também a aposentadoria e a perda de renda – as instituições sociais passam a determinara faixa etária para poder aposentá-las, quanto vão ganhar e de quais direitos e deveres sociais irão usufruir. Porém, mesmo sendo afetados por esses eventos, os idosos podem se recuperar e voltar ao seu funcionamento físico e cognitivo normal, tais efeitos são possíveis graças aos recursos biológicos, psicológicos latentes e a plasticidade – mas como a plasticidade significa a capacidade que cada um tem de aprender e de mudar, este fenômeno diminui na velhice, deixando a possibilidade de recuperação dependente da história de desenvolvimento de cada indivíduo. As técnicas mais usadas de terapia cognitiva-comportamental em idosos são as de relaxamento, controle da respiração, exposição gradual ao trauma, psicoeducação, jogos, entre outros (FREITAS et al, 2016).

4.3 Terapia Cognitivo-Comportamental e transtornos de ansiedade

Knapp (2004) descreve a terapia cognitiva comportamental excelente para os transtornos emocionais e comportamentais. A terapia cognitiva comportamental é uma ajuda psicológica onde se junta ciência com filosofia. Para uma relação terapêutica solida e efetiva é necessário, em primeiro lugar, empatia e assertividade do terapeuta. Em seguida, é necessário ter uma estruturação da terapia para ter um diagnóstico funcional e, assim, um planejamento terapêutico com implementação de um plano terapêutico e uma avaliação contínua dos resultados. Para o planejamento e as estratégias terapêuticas é necessário realizar uma entrevista bem elaborada com o paciente, para que possamos identificar os comportamentos problemáticos, possíveis causas dos acontecimentos, identificar e entender como o paciente vê suas as primeiras experiências e seu problema atual e também identificar as

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variáveis do meio para que possa auxiliar no tratamento. Geralmente, o tratamento para o transtorno de ansiedade consiste em: reestruturação cognitiva (cognição), prevenção do comportamento de preocupação, soluções de problemas e manejo de tempo (comportamento) e de treinamento de relaxamento muscular (reações fisiológicas). Antes de qualquer técnica é necessário ensinar o paciente a diferença entre pensamento automático, emoção e comportamento, e como os seus pensamentos estão ligados a sua ansiedade. Em seguida, juntamente com o paciente, identificar os gatilhos que disparam a sua ansiedade. Eles podem ser externos ou internos, por exemplo, o terapeuta pode pedir ao paciente para que descreva detalhadamente alguma situação em que tenha gerado a ansiedade e depois as imagens, as emoções e as sensações corporais percebidas. Assim começará a notar algumas pistas de onde o paciente possa ter um auto monitoramento para os gatilhos da sua ansiedade. Contudo, temos que avaliar se essas hipóteses são verdadeiras ou falsas. Os erros cognitivos mais comuns são pensamentos de tudo ou nada, personalização, super generalização, atenção seletiva, magnificação de riscos e minimização de recursos (KNAPP, 2004). Vale ressaltar que a terapia cognitiva-comportamental corrige tais distorções cognitivas, treinando a identificação dos pensamentos automáticos, testando a validade do passado e a do presente, e consequentemente desenvolvendo a solução de problemas. A contestação dos pensamentos não consiste em substituir pensamento negativo por pensamento positivo. Ela possibilita que pensamentos de ansiosos sejam desaprendidos e cognições mais reais sejam consideradas. A contestação de pensamentos consiste em considerar os pensamentos em hipóteses que podem ser verdadeiros ou não, basear-se em evidencias para a testagem da crença e análise da situação para gerar predições possíveis do evento. Existe também a técnica de exposição a preocupação que consiste em identificar e registrar suas maiores preocupações hierarquicamente, depois treinar a imaginação com cenas agradáveis e cenas que causam desconforto com o pior desfecho possível, mas somente quando estiver acontecendo as duas com nitidez, utilizar uma cena menos desconfortável do registro e praticar o treinamento de imaginação, sempre com o pior resultado possível. Após pedir para o paciente recordar

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esses pensamentos e imagens por 30 minutos, gerando alternativas para os resultados temidos. Lembrando que o paciente deve repetir esse processo para outros níveis de preocupação, segundo a hierarquia do registro, assim que a exposição atingir o nível mais leve de ansiedade deve-se passar para a outra preocupação. Somente após o terapeuta perceber que o paciente está reproduzindo de como correto, deve-se recomendar como tarefa de casa. Juntamente com essa técnica, pode ser utilizada a técnica do relaxamento muscular e reestruturação cognitiva (KNAPP, 2004).

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CONCLUSÕES

Este trabalho comprovou a eficácia da terapia cognitiva comportamental no tratamento da ansiedade em todas as faixas etárias, mostrando às pessoas que é comum sentir ansiedade em algum momento de nossas vidas que é uma defesa perante o perigo, trazendo um grande mal-estar psíquico e físico. Deixa claro também que, posteriormente, essa sensação poderá se transformar em um transtorno, caso não seja diagnosticado e tratado a tempo. A ansiedade é uma sensação desagradável de medo do desconhecido ou medo por antecipação de algum perigo que, muitas vezes, é inexistente. Normalmente, a ansiedade acontece devido a um medo – muito exagerado – em relação à ameaça real.

Esse estudo trouxe à luz a importância de procurar um auxílio psicológico ao perceber os primeiros sintomas da ansiedade, para que não interfira na vida social e profissional. A ansiedade pode trazer um grande prejuízo na vida do sujeito, podendo até chegar a grandes limitações e isolamento.

De acordo com Knapp (2004), pode-se dizer que a atuação do psicólogo especializado em terapia cognitivo-comportamental tem se mostrado imprescindível no tratamento da ansiedade, pois esta abordagem da Psicologia ensina seus pacientes e familiares como diminuir e lidar com este fenômeno e, consequentemente, ter uma melhor qualidade de vida.

Existem muitas técnicas na terapia cognitivo-comportamental para o tratamento da ansiedade e todas são muito eficazes, não só para a ansiedade como também para outros transtornos psicológicos.

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REFERÊNCIAS

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Janeiro:

FIOCRUZ/ENSP/CLAVES/CNPq, 2007.

ansiedade

e

violências

na

infância.

Rio

de

BECK, J. Terapia cognitivo-comportamental: Teoria e prática. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.

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Psiquiatria,2000.

COELHO, N. L.; TOURINHO, E. Z. O conceito de ansiedade na análise do comportamento. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 21, n. 2, p.171-178, 2008.

FREITAS, E. R. et al. Terapias cognitivo-comportamentais com idosos. Novo Hamburgo: Sinopsys, 2016.

KNAPP, P. Terapia cognitivo comportamental na pratica psiquiátrica. Porto Alegre: Artmed, 2008.

RANGÉ, B. Psicoterapias cognitivo-comportamentais: um diálogo com a psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, 2001.

SERRA, A. M. M. Terapia Cognitivo-Comportamental - um novo conceito em psicoterapia breve. I n s t i t u t o d e T e r a p i a C o g n i t i v a . São Paulo,

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WRIGHT, J. H. et al. Aprendendo a terapia cognitivo-comportamental. Porto Alegre: Artmed, 2008.

ZAMIGNANI, D. R.; BANACO, A. R. Um panorama analítico-comportamental sobre os transtornos de ansiedade. Revista Brasileira de Terapia Cognitiva comportamental, v. 6, n. 1, p. 77-92, 2005.