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A Deconstrução

e o Nada que sobrou

Conteúdo

Páginas

Desconstrução

1

Construcionismo (filosofia)

3

Intuicionismo

6

Teoremas da incompletude de Gödel

7

Kurt Gödel

8

John Searle

12

Paul Ricœur

40

Différance

44

Quiasmo

46

Pós-estruturalismo

46

Logocentrismo

48

Arquitetura desconstrutivista

48

Construtivismo russo

57

Serguei Eisenstein

63

Vladimir Maiakovski

67

Nicolai Asseiev

69

Vsevolod Emilevitch Meyerhold

69

Futurismo russo

72

De Stijl

74

Bauhaus

76

Suprematismo

79

Referências

Fontes e Editores da Página

81

Fontes, Licenças e Editores da Imagem

82

Licenças das páginas

Licença

84

Desconstrução

Desconstrução

1

A desconstrução, conceito elaborado por Jacques Derrida, ou seja, uma crítica de pressupostos dos conceitos

A noção de desconstrução surge pela primeira vez na introdução à tradução de 1962 da "Origem da Geometria" de E.

Husserl. A desconstrução não significa destruição, mas sim desmontagem, decomposição dos elementos da escrita.

A desconstrução serve nomeadamente para descobrir partes do texto que estão dissimuladas e que interditam certas

condutas. Esta metodologia de análise centra-se apenas nos textos.

Falar de desconstrução dentro da teoria do conhecimento, é falar de Jacques Derrida. Nascido na Argélia em 1930 e falecido em Paris em 2004, está associado ao pós-estruturalismo, ainda que alguns discordem disso. A imagem abaixo que tem o mesmo nome desta doutrina, expressa uma divisão do corpo humano um tanto anacrônica, ou seja,

as partes cortadas não seguem um padrão formal, embora não se possa dizer que não houve divisão. Por ser judeu e

sofrer com o antisemitismo, Derrida cria que as formações culturais e intelectuais humanas deveriam sofrer uma reinterpretação como elemento fundante de um novo conhecimento: Não existem fatos, apenas interpretações. Para Derrida, a desconstrução não quer dizer a destruição, mas sim desmontagem, decomposição dos elementos da escrita conforme indica o texto abaixo: O 'método' da 'desconstrução' suscitou amigos e admiradores nos departamentos das Letras, mas revolta e polêmica no mundo da filosofia canônica, visto como uma ameaça à Metafísica clássica. A aplicação da Desconstrução a um texto filosófico ameaça a leitura verdadeira da verdade da filosofia, tornando-a uma das leituras possíveis, mas não a leitura correta. A famosa frase 'A linguagem se cria e cria mundos', aponta perigosamente para a contingência dogmática do 'Ser' e do 'Significado'. Isso quer dizer que os textos corrompem seus significados tradicionais, criam novos contextos e permitem novas leituras, em um processo contínuo e vertiginoso (WKP, 2008).

Os conceitos segundo Derrida estão sofrendo profundas transformações, e isso é tanto inevitável quanto necessário. Quando vemos heróis como Batman ou o Super-Homem, podemos dizer: não são ambos heróis. Embora a resposta correta seja sim, um tem super-poderes que nenhum humano tem como voar e emitir raios laser dos olhos, e o outro

é a antítese desse tipo de conceito de herói, ou seja, sua desconstrução; uma vez que Batmam tem como super

poderes, apenas alguns elementos tecnológicos, além de um desejo de evitar que o mal se instale em sua sociedade londrina (Gothan fica em USA; contudo aqui, Batman representa a velha e órfã Europa). Talvez por isso, Batman expresse uma europa que tem uma história sangrenta, mas que perdeu a chance econômica frente aos super-poderes americanos.

O próprio Derrida, acusado de ser obscuro escreve em 1983: A desconstrução não é um método e não pode ser

foi capaz de seduzir ou

desencaminhar [

transformada num método [

]

é verdade que em certos círculos a metáfora[

]

]

(apud Fearn, 2004, p. 174).

Para Derrida as palavras não têm a capacidade de expressar tudo o que se quer por elas exprimir, de modo que palavras e conceitos não comunicam o que prometem e é nesse ponto que Derrida entra na TC. Para ele as lacunas na escrita e na fala são inevitáveis; é a capacidade de serem modificados no pensamento, na expressão e na escrita que torna os conceitos incompletos. Assim, aquilo que dizemos e ouvimos só será de fato verdade, quando o vermos como algo incompleto e aceitarmos desconstruí-lo; e se não o fizermos, a evolução sócio-tecnológico-produtiva o fará por nós, como já o fez como os dogmáticos conceitos de família, território, afeto, direito e etc.

"O 'método' da 'desconstrução' suscitou amigos e admiradores nos departamentos das Letras, mas revolta e polêmica

no mundo da filosofia canônica, visto como uma ameaça à Metafísica clássica. A aplicação da Desconstrução a um

texto filosófico ameaça a leitura verdadeira da verdade da filosofia, tornando-a uma das leituras possíveis, mas não a leitura correta. A famosa frase 'A linguagem se cria e cria mundos', aponta perigosamente para a contingência dogmática do 'Ser' e do 'Significado'. Isso quer dizer que os textos corrompem seus significados tradicionais, criam

Desconstrução

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novos contextos e permitem novas leituras, em um processo contínuo e vertiginoso.

Em A Gramatologia, Derrida apresenta outra tese inovadora e provocante afirmando que a linguagem escrita precede

a linguagem oral no ser humano, alicerçada no princípio antiidealista que 'a existência precede a essência'. Para o

nosso filósofo o que está 'fora dos livros' é 'marginal', está à 'margem da tradição' e situa-se no 'limite do discurso'.

E o 'Mundo' intelectual da Literatura, da Lingüística, da Filosofia, do Direito e da Arquitetura vai lembrá-lo sempre

como o filósofo das Teorias Desconstrucionistas."

Ligações externas

• "Deconstruction: Some Assumptions" [1] por John Lye (em inglês)

• Ten ways of thinking about deconstruction [2] por Willy Maley (em inglês)

• Archive of the international conference "Deconstructing Mimesis - Philippe Lacoue-Labarthe" [3] about the work of Lacoue-Labarthe and his mimetic version of deconstruction, held at the Sorbonne em Janeiro de 2006 (em inglês)

• How To Deconstruct Almost Anything - My Postmodern Adventure [4] por Chip Morningstar; a cynical introduction to 'deconstruction' from the perspective of a software engineer. (em inglês)

• Jacques Derrida : The Perchance of a Coming of the Otherwoman. The Deconstruction of Phallogocentrism from Duel to Duo [5] por Carole Dely, English translation by Wilson Baldridge, at Sens Public (em inglês)

• A satirical look at deconstruction from The Onion. [6] (em inglês)

• Ellen Lupton on deconstruction in Graphic Design [7] (em inglês)

• Deconstruction of fashion; La moda en la posmodernidad [8] por Adolfo Vasquez Rocca PhD (em inglês)

Referências

Construcionismo (filosofia)

Construcionismo (filosofia)

3

Construcionismo (em alemão, Konstruktivismus), em sentido mais estreito e original, é uma série de inícios que tentaram vencer a crise de fundamentos mathematicae, causada, no princípio do século 20, por uma fundamentação nova da lógica, informática e matemática. Hoje o termo, contudo, é empregado essencialmente de maneira mais ampla; ele é empregado àquelas direções teórico-cognitivas e teórico-científicas que acentuam as prestações constituintes do observador no processo de conhecimento ou que, relacionado com isso, tomam por base um conceito de fundamentação construtivo. Em parte muito diferentes, as correntes construcionistas estão de acordo na crítica de concepções realistas, ontológicas, assim como teórico-corresponsais de verdade e saber. O construcionismo substitui a questão epistemológica tradicional sobre o que do conhecimento pela questão sobre o como do processo de conhecimento; assim, cada forma de cognição, percepção, e conhecimento é concebida como construção ativa autônoma de um observador e não como reprodução passiva. [1]

Principais Escolas do Construcionismo

Escola de Erlangen (Erlanger Schule)

Atualmente, fala-se de construcionismo sobretudo com referência à Escola de Erlangen (Erlanger Schule), assim como ao Construcionismo Radical. A partir da Escola de Erlangen é considerado um início novo de filosofar metódico e dialógico que, nos anos sessenta, foi desenvolvido por Wilhelm Kamlah e Paul Lorenzen e posteriormente, então, prosseguido, sobretudo por Friedrich Kambartel, Kuno Lorenz e Jürgen Mittelstraß. O interesse principal dos representantes da Escola de Erlangen (que em seus trabalhos, ao lado de temas da teoria da ciência e história da ciência, ocuparam-se com questões da lógica, filosofia do idioma e ética) é dirigido à formulação de uma teoria da fundamentação construtiva. [2]

Partindo de circunstâncias elementares, indiscutíveis do mundo da vida cotidiano, devem, de modo controlado metodicamente, ser reconstruídas formas mais complexas de atuar e falar humanos, especialmente a prática

científica, técnica e política, passo a passo, com auxílio da crítica construtiva do idioma, discussão-meio-finalidade,

e assim por diante. A concepção construcionista pede uma fundamentação sem lacuna e livre de argumento circular

(isso entendido no sentido falacioso, e não no sentido de círculo hermenêutico de Gadamer); assim, em cada passo da justificação se pode somente recorrer a tais meios auxiliares que, ou já antes foram construídos, ou que estão à disposição da prática do mundo da vida. Esse princípio metódico é complementado por um princípio dialógico, em virtude do qual todas as convenções iniciais e passos da argumentação podem ser postos em dúvida por um oponente possível. Uma fundamentação última como, por exemplo, foi imputado da parte do racionalismo crítico , contudo, não é aspirada; a filosofia não inicia, segundo a autoconsciência da Escola de Erlangen, nem sem pressuposto nem arbitrariamente. [2]

Construcionismo Radical

Um dos mais proeminentes proponentes do Construcionismo Radical é o alemão Ernst von Glasersfeld, que diz que

o conhecimento é o processo cognitivo auto-organizado do cérebro humano. Isto é, o processo de construção do

conhecimento regula a si próprio, e, considerando que o conhecimento é uma construção em vez de uma compilação de dados empíricos, é impossível saber em que extensão o conhecimento reflete uma realidade ontológica.

Construcionismo Matemático

Teoria desenvolvida pelo matemático holandês Luitzen Egbertus Jan Brouwer. Teoria conhecida também como Intuicionismo Matemático (por ser da família filosófica do intuicionismo), foi fundada por Brouwer como antagonista ao Formalismo Matemático de sua época. Suas ideias principais foram expostas em seu livro Beweis des Jordanschen Satzes für N Dimensionen ("Prova do Teorema de Jordan para N dimensões") (1912). Brouwer passou

Construcionismo (filosofia)

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muito tempo em busca da teoria intuicionista dos números reais, os quais chamou de espécies. Esse esforço poderia hoje ser considerado fora de propósito: não há uma única teoria.

Epistemologia Genética

Teoria desenvolvida por Jean Piaget. Ver Epistemologia genética.

Construcionismo Informático

Teoria desenvolvida por Seymour Papert. Ver Construcionismo.

Construcionismo Social

Teoria desenvolvida pelo psicólogo estadunidense Kenneth Gergen. Gergen esteve particularmente interessado em fomentar uma visão relacional, onde a "traditional emphasis on the individual mind is replaced by a concern with the relational processes from which rationality and morality emerge" (tradicional ênfase sobre a mente individual é substituída por uma preocupação com os processos relacionais dos quais a racionalidade e a moralidade emergem). Ele é também conhecido pela sua frase "I am linked therefore I am" (estou ligado, logo existo) como uma resposta à frase de Descartes penso, logo existo.

Construcionismo Crítico

Teoria desenvolvida por Alípio de Sousa Filho. Ver Construcionismo crítico.

[[11]] Metzler-Philosophie-Lexikon: Begriffe un Definitionen/Hrsg. Von Peter Prechtl und Franz-Peter-Burkard. 2. Aufl., Stuttgart; Weimar:

Metzler, 1999.

[2] Ibidem.

Principais Obras

Obras sobre a Escola de Erlangen (em Alemão)

Dietfried Gerhardus und Silke M. Kledzik (Hrsg.): Vom Finden und Erfinden in Kunst, Philosophie, Wissenschaft: k(l)eine Denkpause für Kuno Lorenz zum 50. Geburtstag. Universitätsdruck Saarbrücken 1985

Dirk Hartmann: Konstruktive Fragelogik. Vom Elementarsatz zur Logik von Frage und Antwort. Bibliographisches Institut, Mannheim u.a. 1990

Dirk Hartmann: Naturwissenschaftliche Theorien. Wissenschaftstheoretische Grundlagen am Beispiel der Psychologie. Bibliographisches Institut, Mannheim u.a. 1993

Friedrich Kambartel und Jürgen Mittelstraß (Hrsg.): Zum normativen Fundament der Wissenschaft. Athenäum,

••

Frankfurt (Wissenschaftliche Paperbacks Grundlagenforschung. hrsg. von Friedrich Kambartel, Kuno Lorenz, Jürgen Mittelstraß und Christian Thiel. Studien Bd. 1) Jürgen Mittelstraß (Hrsg.): Enzyklopädie Philosophie und Wissenschaftstheorie, Bd. 1-2 Bibliographisches Institut, Mannheim 1980 und 1984, Bd. 3-4 Metzler, Stuttgart 1995 und 1996; Komplett broschiert ebd. 2004

Kuno Lorenz: Einführung in die philosophische Anthropologie. WBG, Darmstadt 1990

Paul Lorenzen: Methodisches Denken. Suhrkamp, Frankfurt 1969 (Reihe Theorie)

Paul Lorenzen: Konstruktive Wissenschaftstheorie. Suhrkamp, Frankfurt 1974 (stw 93)

Paul Lorenzen: Lehrbuch der konstruktiven Wissenschaftstheorie. Bibliographisches Institut, Mannheim 1984; Metzler, Stuttgart ²2000 ISBN 3-476-01784-2

Paul Lorenzen: Grundbegriffe technischer und politischer Kultur. Zwölf Beiträge. Suhrkamp, Frankfurt 1985 (stw

494)

••

Paul Lorenzen/O. Schwemmer: Konstruktive Logik, Ethik und Wissenschaftstheorie. Mannheim 1977.

Construcionismo (filosofia)

5

• Peter Janich, Friedrich Kambartel und Jürgen Mittelstraß: Wissenschaftstheorie als Wissenschaftskritik. in:

aspekte. das deutsche studentenmagazin. September 1972-Mai 1973; überarb. und ergänzt: aspekte verlag, Frankfurt 1974 ISBN 3-921096-20-0

• Peter Janich: Entwicklungen der methodischen Philosophie. Suhrkamp, Frankfurt 1992 (stw 979)

• Peter Janich: Konstruktivismus und Naturerkenntnis. Auf dem Weg zum Kulturalismus. Suhrkamp, Frankfurt

1996 (stw 1244).

• Peter Janich: Logisch-pragmatische Popädeutik. Velbrück, Weilerswist 2001

• Peter Janich: Kultur und Methode. Philosophie in einer wissenschaftliche geprägten Welt. Suhrkamp, Frankfurt

2006 (stw 1773)

• Peter Janich und Dirk Hartmann (Hrsg.): Methodischer Kulturalismus. Zwischen Naturalismus und Postmoderne. Suhrkamp, Frankfurt 1996 (stw 1272).

• Peter Janich und Dirk Hartmann (Hrsg.): Die Kulturalistische Wende. Zur Orientierung des philosophischen Selbstverständnisses. Suhrkamp, Frankfurt 1998 (stw 1391)

• Peter Petersen: Der Terminus Gewalt. Versuch einer terminologischen Bestimmung auf Grundlage des methodischen Konstruktivismus. Erschienen als Heft 4 (http://www.uni-kiel.de/Paedagogik/Krope/ Monographien/PPF/ake4.doc) der von der Arbeitsgruppe Konstruktive Erziehungswissenschaft am Institut für Pädagogik Kiel herausgegebenen Reihe: Monographien zur Erziehungswissenschaft. Kiel 1997

• Wilhelm Kamlah: Philosophische Anthropologie. Sprachkritische Grundlegung und Ethik. Bibliographisches Institut, Mannheim 1972, (²)1973 als BI-HTB 238

• Wilhelm Kamlah und Paul Lorenzen: Logische Propädeutik. Vorschule des vernünftigen Redens. Bibliographisches Institut, Mannheim 1967, ²1973 (BI-HTB 227); Metzler, Stuttgart ³1996. ISBN 3-476-01371-5

• Outras referências no sítio (http://www.uni-kiel.de/Paedagogik/Krope/bib.html) da Universidade de Kiel.

Obras sobre a Escola de Erlangen (em Inglês)

• Diane Loring Souvaine, Paul Lorenzen and Constructive Mathematics.

• Paul Lorenzen, Frederick J. Crosson (Translator), Formal Logic, Springer, New York, July 1964.

• Paul Lorenzen, Normative Logic and Ethics, Mannheim/Zürich, 1969.

• Paul Lorenzen, John Bacon (Translator), Differential and Integral: A constructive introduction to classical analysis, The University of Texas Press, Austin, 1971.

• Paul Lorenzen, Lehrbuch der konstruktiven Wissenschaftstheorie, Mannheim/Zürich, 1984.

• Paul Lorenzen, Karl Richard Pavlovic (Trans.), Constructive Philosophy, The University of Massachusetts Press, Amherst, 1987.

• Wilhelm Kamlah, Paul Lorenzen: Logical Propaedeutic: Pre-School of Reasonable Discourse.

Ligações externas

• Walter Zitterbarth: Der Erlanger Konstruktivismus in seiner Beziehung zum Konstruktiven Realismus ( (http:// www.univie.ac.at/constructivism/papers/zitterbarth/zitterbarth91-erlangen.pdf)) - Gemeinsamkeiten zwischen Radikalem Konstruktivismus und Erlanger Konstruktivismus.

• H. R. Fischer & M. Peschl (1996): Art. Konstruktivismus (constructivism) (http://www.sgipt.org/wisms/

konstr0.htm), in: Strube, Gerhard u.a. (Hgg.): Wörterbuch der Kognitionswissenschaft, Klett-Cotta, Stuttgart

1996.

• Bochumer Arbeitsgruppe für sozialen Konstruktivismus und Wirklichkeitsprüfung (http://www.boag.de)

• Kersten Reich (Hrsg.): Interaktionistischer Konstruktivismus (http://www.uni-koeln.de/ew-fak/konstrukt/

Intuicionismo

Intuicionismo

6

Na filosofia da matemática, intuicionismo, ou neo-intuicionismo (em oposição ao pré-intuicionismo) é uma abordagem à matemática de acordo com a atividade mental construtiva dos humanos.

Qualquer objeto matemático é considerado um produto da construção de uma mente e, portanto, a existência de um objeto é equivalente à possibilidade de sua construção. Isto contrasta com a abordagem clássica, que afirma que a existência de uma entidade pode ser provada através da refutação da sua não-existência. Para os intuicionistas, isto é inválido; a refutação da não existência não significa que é possível achar uma prova construtiva da existência. Como tal, intuicionismo é uma variedade de construtivismo matemático, mas não a única.

O intuicionismo faz a validade de um enunciado matemático ser equivalente a ele ter sido provado. Que outros

critérios podem existir para a verdade (um intuicionista argumentaria) se os objetos matemáticos são meramente construções mentais?

Isto significa que um intuicionista pode não achar que um enunciado matemático tenha o mesmo significado que um matemático clássico atribuiria. Por exemplo, dizer A ou B, para um intuicionista, equivale a dizer que ou A ou B pode ser provado. Em particular, a lei do terceiro excluído, A ou não A, é rejeitada, pois não se pode assumir que é sempre possível provar ou o enunciado A ou sua negação. (Veja também lógica intuicionista).

O intuicionismo também rejeita a abstração de infinito real; isto é, ele não considera como objetos dados entidades

infinitas como o conjunto de todos os números naturais ou uma seqüência arbitrária de números racionais. Isto requer a reconstrução das fundações da teoria dos conjuntos e do cálculo, chamadas de teoria dos conjuntos construtivista e análise construtivista, respectivamente.

Contribuidores do intuicionismo

Ramos da matemática intuicionista

Teoremas da incompletude de Gödel

7

Teoremas da incompletude de Gödel

Os teoremas da incompletude de Gödel, às vezes também designados como teoremas da indecidibilidade, são dois resultados demonstrados por Kurt Gödel:

Teorema 1: "Qualquer teoria axiomática recursivamente enumerável e capaz de expressar algumas verdades básicas de aritmética não pode ser, ao mesmo tempo, completa e consistente. Ou seja, sempre há em uma teoria consistente proposições verdadeiras que não podem ser demonstradas nem negadas."

Teorema 2: "Uma teoria, recursivamente enumerável e capaz de expressar verdades básicas da aritmética e alguns enunciados da teoria da prova, pode provar sua própria consistência se, e somente se, for inconsistente."

O

primeiro teorema garante a existência das chamadas proposições indecidíveis, ou seja, que não podem ser

provadas verdadeiras ou falsas em um dado sistema axiomático (e.g. a Hipótese do Continuum é indecidível no

sistema ZFC). O segundo teorema impõe uma restrição a qualquer sistema axiomático: não é possível ser consistente

e provar sua própria consistência, o que não impede que essa consistência seja provada por outro sistema (e.g. a consistência dos Axiomas de Peano da Aritmética podem ser provados através dos axiomas ZFC).

Essas duas proposições, aparentemente simples, tiveram profunda repercussão no pensamento científico da época.

O resultado foi devastador para uma abordagem filosófica à matemática conhecida como Programa de Hilbert. David

Hilbert propôs que a consistência de sistemas mais complexos, como análise real, poderiam ser provados em termos

de sistemas mais simples. Assim, a consistência de toda a matemática seria reduzida à aritmética básica. O segundo

teorema da incompletude de Gödel mostra que a aritmética básica não pode ser usada para provar sua própria consistência, portanto a proposta de Hilbert de reduzir a Matématica a um conjunto finito de axiomas completo e consistente (segundo problema de Hilbert) não podia ser possível.

Contexto histórico

No fim do século XIX a filosofia do conhecimento era considerada um bloco monolítico e muitos intelectuais da

época consideravam que haveria pouca coisa fundamentalmente nova a ser descoberta. No Congresso Internacional

de Matemática de Paris, em 1900, o jovem e genial David Hilbert, imbuído das idéias correntes, apresentou um

surpreendente trabalho resumindo as 23 questões ainda "em aberto", as quais, após resolvidas, completariam todo o escopo da matemática.

Hilbert pretendia, como de fato foi parcialmente conseguido, desencadear um esforço geral da comunidade científica

a fim de completar a fundamentação lógica da matemática. Nos poucos anos que se seguiram a maior parte das questões por ele propostas foram adequadamente resolvidas.

Em 1931, quando ainda vigorava a proposta de Hilbert de obter a completa construção da teoria matemática através

da lógica formal, Gödel publicou o seu trabalho "Sobre as Proposições Indecidíveis", pondo fim a essa expectativa.

Na Universidade de Princeton, o prestigiado Neumann, que trabalhava com afinco na proposta de Hilbert, imediatamente mergulhou nos trabalhos de Gödel, dando-lhe grande apoio.

Paralelamente, na Física, estava em pleno andamento o desenvolvimento da teoria quântica e quatro anos antes (1927) Heisenberg já divulgara seu "principio da incerteza", colocando um limite físico na experimentação microscópica direta. Foi mais um golpe nas hipóteses determinísticas da ciência.

Posteriormente, Church e Turing demonstraram que não existe nenhum algoritmo capaz de provar se "uma proposição qualquer faz ou não parte de uma teoria".

Curiosamente, até 1963, nem Gödel nem qualquer outro matemático havia apresentado alguma proposição que ilustrasse os teoremas da indecidibilidade. Somente então o jovem Paul Cohen, de Stanford, desenvolveu uma técnica para teste de proposições indecidíveis. Cohen mostrou que a hipótese do continuum, justamente uma das questões fundamentais da matemática, era indecidível.

Kurt Gödel

Kurt Gödel

8

 

Kurt Gödel

 
 
 
 

Kurt Gödel, em 1925

Nacionalidade

Austríaco ,
Nacionalidade Austríaco , americano

Nascimento

28

 

Local

Brünn , Morávia , Áustria-Hungria (hoje pertencente à República Checa )

Falecimento

14

de janeiro de 1978 (71 anos)

Local

Princeton , Nova Jérsei , Estados Unidos
 

Actividade

Campo(s)

Instituições

Alma mater

 

Tese

1929: Über die Vollständigkeit des Logikkalküls

Orientador(es)

 

Conhecido(a) por

Prêmio(s)

 

Assinatura

 
 

Kurt Friedrich Gödel (em alemão, pronuncia-se AFI: [kʊʁt ˈɡøːdl̩]

, p ronuncia-se AFI : [k ʊʁ t ˈɡ ø ː dl ̩ ] ou ç

de

O

trabalho mais conhecido de Gödel é seu teorema da incompletude, no qual afirma que qualquer sistema

axiomático suficiente para incluir a aritmética dos números inteiros não pode ser simultaneamente completo e consistente. Isto significa que se o sistema é auto-consistente, então existirão proposições que não poderão ser nem comprovadas nem negadas por este sistema axiomático. E se o sistema for completo, então ele não poderá validar a si mesmo seria inconsistente.

Kurt Gödel

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Vida

Natural de Brünn, província austro-húngara da Morávia (hoje Brno, na República Tcheca), filho de um gerente de fábrica têxtil. Kurt era conhecido na família como Der Herr Warum (Sr. Por quê?), por conta do grande número de perguntas que fazia.

Segundo o seu irmão, Kurt teve uma infância feliz, mesmo sendo tímido e se aborrecendo facilmente. Foi batizado duas semanas após seu nascimento como protestante luterano, segundo a religião da mãe, tendo Friedrich Redlich como padrinho e inspiração para seu segundo nome.

A primeira guerra mundial não o atingiu diretamente, Brünn estava bem distante das zonas de batalha. Mas, em

1918, com o estabelecimento da Tchecoslováquia como nação, houve um isolamento da minoria que falava alemão

na cidade. Kurt renunciaria em 1929 à cidadania tcheca, tornando-se austríaco oficialmente.

Em 1923 concluiu, com louvor, o curso fundamental na escola alemã de Brünn e embora tivesse excelente talento para linguagens, ele se aprofundou em História e Matemática. Seu interesse pela Matemática aumentou em 1920, quando acompanhou Rudolf, seu irmão mais velho, que fora para Viena cursar a Escola de Medicina da Universidade de Viena. Em sua adolescência, estudou Goethe, o manual de Gabelsberger, a teoria das cores de Isaac Newton e as "Críticas" de Kant.

Estudo em Viena

Embora inicialmente pretendesse estudar Física Teórica, aos 18 anos, ele freqüentou cursos de Matemática e Filosofia, conseguindo logo o mestrado em Matemática. Nessa época ele adotou as idéias do realismo matemático. Leu a 'Metaphysische Anfangsgrunde Der Naturwissenschaft', de Kant e participou do Círculo de Viena juntamente com Moritz Schlick, Hans Hahn, e Rudolf Carnap.

Kurt estudava a teoria dos números quando participou de um seminário com Moritz Schlick sobre a "Introduction to Mathematical Philosophy", de Bertrand Russell, e interessou-se imediatamente pela lógica matemática.

Nessa época de grande atividade, conheceu sua futura esposa Adele Nimbursky (nascida Porkert), começou a publicar escritos sobre lógica e freqüentou aulas de David Hilbert, em Bolonha, sobre a completude e consistência de sistemas matemáticos.

Em 1929 Gödel tornou-se cidadão austríaco e completou sua dissertação para doutoramento sob a supervisão de Hans Hahn, onde estabeleceu a completude do cálculo de predicados de primeira ordem, também conhecido como Teorema da completude de Gödel.

Trabalho em Viena

Em 1930, graduou-se 'Doutor em Filosofia' e produziu uma versão combinada de seus escritos sobre a completude, a qual foi publicada pela Academia de Ciências de Viena. Em 1931 publicou seu famoso teorema da incompletude no 'Über formal unentscheidbare Sätze der Principia Mathematica und verwandter Systeme'. Neste escrito ele

demonstrou que qualquer sistema matemático axiomático, suficiente para incluir a aritmética dos números naturais,

necessariamente:

1. não pode ser simultaneamente completo e consistente. (Teorema da Incompletude)

2. se o sistema é consistente, sua consistência não pode ser provada internamente ao sistema.

Estes dois teoremas encerraram centenas de anos de tentativas de estabelecer um conjunto completo de axiomas que possibilitassem deduzir toda a Matemática como o "Principia Mathematica" ou no formalismo de Hilbert. Isso também implica que um computador jamais possa ser programado para responder todas as questões matemáticas.

Em 1932 foi diplomado pela Universidade de Viena e, em 1933, tornou-se "Privatdozent" (docente não remunerado).

A ascensão de Hitler ao poder não afetou diretamente a vida de Gödel em Viena, pois ele não tinha interesse em

política. Entretanto, após o assassinato de Schlick por um estudante nacional-socialista, Gödel ficou muito chocado e

Kurt Gödel

10

teve sua primeira crise depressiva.

Visita à América do Norte

Nesse mesmo ano de 1933, viajou para a América. Lá, encontrou Albert Einstein e inscreveu-se na conferência anual da American Mathematical Society. Durante este ano ele desenvolveu as idéias de computabilidade e das funções recursivas com o propósito de lecionar sobre as funções recursivas gerais e o conceito de verdade matemática. Este trabalho foi desenvolvido na área da teoria dos números usando a construção dos números de Gödel.

Em 1934 Gödel apresentou uma série de aulas no [Institute for Advanced Study] - (IAS) - de Princeton intituladas 'Sobre as proposições indecidíveis dos sistemas matemáticos formais'. Stephen Kleene, que justamente completava seu doutorado em Princeton, anotou essas aulas, as quais foram subseqüentemente publicadas.

Gödel visitou o IAS novamente no outono de 1935. A viagem foi difícil e exaustiva, resultando em uma recaída depressiva.

Voltou a lecionar em 1937 e durante esse ano trabalhou arduamente na prova da consistência da 'Hipótese do Continuum'.

Em 20 de setembro de 1938 casou-se com Adele. Logo após visitou novamente o IAS e, na primavera de 1939, a University of Notre Dame.

Em 1938 anunciou a demonstração da consistência relativa do Axioma da Escolha, a Hipótese Generalizada do Contínuo e outros enunciados, sob o suposto de que os axiomas da Teoria de Conjuntos (sem o Axioma da Escolha) são consistentes[2], mas a prova completa só será publicada em 1940[3]. Esse trabalho contribui para o esclarecimento do primeiro Problema de Hilbert.

Trabalho em Princeton

Após anexação da Áustria pela Alemanha, em 1938, o título de "Privatdozent" de Gödel foi extinto e ele foi convocado a se conscrever no Exercito Nazista.

Em Janeiro de 1940, ele e sua mulher saíram da Europa através da ferrovia trans-siberiana e viajaram pela Rússia e Japão, até chegarem à América do Norte em 4 de março de 1940. Estabeleceram-se em Princeton, quando Gödel recebeu grande apoio de Norbert Wiener e passou a integrar o IAS. Nessa época, voltou-se para a Filosofia e Física, estudando detalhadamente os trabalhos de Gottfried Leibniz, Kant e Edmund Husserl.

No final de 1940 demonstrou a existência da solução paradoxal das equações de campo da teoria geral da relatividade de Albert Einstein. Continuando seus trabalhos em lógica, no mesmo ano, publicou o estudo sobre a 'consistência do axioma da escolha e da hipótese do continuum generalizada com os axiomas da teoria dos conjuntos', o qual tornou-se um dos assuntos clássicos da Matemática Moderna.

Em 1946 Gödel tornou-se membro permanente do IAS e em 1948 naturalizou-se cidadão estadunidense. Passou a professor pleno do instituto em 1953 e professor emérito em 1976.

No início da década de 1970, Gödel distribuiu aos amigos um estudo da prova ontológica da existência de Deus elaborada por Gottfried Leibniz, o qual acabou sendo conhecido como "prova ontológica de Gödel".

Kurt Gödel recebeu muitos prêmios e honrarias durante sua vida e também o primeiro Prêmio Albert Einstein, em 1951. Em 1974 recebeu a Medalha Nacional de Ciência.

No final de sua vida, Gödel acreditava estar sendo envenenado e recusava-se a comer, falecendo em 14 de janeiro de 1978, em Princeton.

Kurt Gödel

11

Publicações destacadas

• Über formal unentscheidbare Sätze der Principia Mathematica und verwandter Systeme.- I. Monatshefte für Mathematik und Physik, vol. 38 (1931), pp 173198. (disponível em Inglês in "From Frege to Gödel", van Heijenoort, Harvard Univ. Press, 1971. - [4] )

• The Consistency of the Axiom of Choice and of the Generalized Continuum Hypothesis with the Axioms of Set Theory. Princeton University Press: Princeton, 1940. Reimpresso em Collected Works, volume II, pp. 33101.

• What is Cantor's continuum problem? The American Mathematical Monthly, 54, 1947, pp. 515525. Versão revisada em: Paul Benacerraf and Hilary Putnam (eds.). Philosophy of Mathematics: Selected Readings. Cambridge Univ. Press: Cambridge, 1964, pp. 470485.

• "My philosophical viewpoint" [5] , c. 1960, unpublished.

• "The modern development of the foundations of mathematics in the light of philosophy" [6] , 1961, unpublished.

• B. Rosser: Extensions of some theorems of Gödel and Church. Journal of Symbolic Logic, 1 (1936), N1, pp. 8791

Collected Works. Oxford University Press: New York. Editor-in-chief: Solomon Feferman.

Volume I: Publications 19291936 ISBN 978-0-19-503964-1 / Paperback:ISBN 978-0-19-514720-9, 1986,

Volume II: Publications 19381974 ISBN 978-0-19-503972-6 / Paperback:ISBN 978-0-19-514721-6, 1990.

••

Volume III: Unpublished Essays and Lectures ISBN 978-0-19-507255-6 / Paperback:ISBN

978-0-19-514722-3,

Volume IV: Correspondence, AG ISBN 978-0-19-850073-5,

Volume V: Correspondence, HZ ISBN 978-0-19-850075-9.

1. Hoje República Tcheca.

2. The consistency of the axiom of choice and of the generalized continuum hypothesis. Reimpresso em Collected Works, volume II, pp. 2627.

3. The consistency of the axiom of choice and of the generalized continuum hypothesis with the axioms of set theory. Reimpresso em Collected Works, volume II, pp. 33101.

Ligações externas

John Searle

John Searle

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John R. Searle

John Searle John Searle 1 2 John R. Searle Searle (México - 2005) Nascimento 31 de

Searle (México - 2005)

Nascimento

Nacionalidade

Estado-unidense

Ocupação

Professor, filósofo, escritor

Influências

Influenciados

Principais interesses

Assinatura

Filosofia Analítica , Filosofia da Linguagem Assinatura John Rogers Searle ( 31 de j ulho de

John Rogers Searle (31 de julho de 1932) é um professor da Universidade de Berkeley, na Califórnia, EUA. Searle, um filósofo norteamericano, começou sua educação universitária na Universidade de Wisconsin-Madison, e posteriormente, obteve um diploma de graduação e um doutorado em filosofia e ética na Universidade de Oxford. Ele começou a ensinar em Berkeley, em 1959, onde, entre suas muitas distinções, ele foi o primeiro professor titular a participar do movimento de Liberdade de expressão. Searle recebeu no ano 2000, o Prêmio Jean Nicod, que é um prêmio concedido anualmente em Paris, para um filósofo líder na área de Filosofia da Mente ou filosoficamente orientado a ciência cognitiva. Ela começa sua filosofia com o estudo do campo da linguagem em Atos da fala, o passo inicial em uma longa viagem e ainda inacabada abraçando não só a língua, mas também nos domínios da consciência e dos estados mentais, da realidade social e institucional, da racionalidade, da conexão do "eu" (self) com a intencionalidade individual e coletiva, da percepção e do realismo direto e, mais recentemente, na busca de uma explicação de uma estrutura racional como base para a existência de livre-arbítrio na filosofia da mente e na filosofia da sociedade.

John Searle

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Filosofia

Atos da Fala

O trabalho mais antigo de Searle, o qual deu-lhe uma estável reputação, foi sobre os atos da fala. Ele tentou sintetizar

ideias de muitos colegas, entre eles J.L. Austin (the term "illocutionary act"), Ludwig Wittgenstein, G.C.J. Midgley (a distinção entre regras constitutivas e regulativas), e sua própria tese, em 'Atos de Fala', dizendo que tais atos são constituídos por regras de linguagem. [1]

Ele também se inspirou na obra de P.F. Strawson, John Rawls, e H. Paul Grice (a análise do significado como uma tentativa de ser compreendido), Hare e Stenius (a distinção, sobre o significado, entre a força ilocucionária e conteúdo proposicional), e William P. Alston, que defendia que significado da sentença consiste em conjuntos de regras regulativas exigindo o orador para realizar o ato ilocucionário indicado

pela sentença, e que tais atos envolvem a emissão de uma sentença que (a) indica que um executa o ato, (b) significa o que se diz, e (c) endereça a uma audiência na vizinhança. O critério de demarcação entre ilocuções e perlocuções fica mais claramente estabelecido com Searle:

perlocuções fica mais claramente estabelecido com Searle: atos da fala " O conhecimento [por parte do

atos da fala

" O conhecimento [por parte do ouvinte] é simplesmente sua compreensão do que foi dito, não é "

nenhuma resposta ou efeito adicionais

resposta. Consiste simplesmente na compreensão. " " Speech Acts, página 54."

"O efeito sobre o ouvinte não é nem uma crença nem uma

Este passou a ser o critério de demarcação que temos chamado de ortodoxo para a teoria dos atos da fala. O ato ilocucionário só inclui a "resposta" cognitiva mínima do ouvinte: a compreensão. Qualquer outro efeito sobre o ouvinte que um ato de fala possa ter é um efeito perlocucionário, e ele não é levado em consideração ao nível da teoria do significado. [2] [3]

Em seu livro Os atos de fala: um ensaio de filosofia da linguagem (1969), Searle propõe a combinar todos esses elementos para dar conta dos chamados "atos ilocucionários", que J.L. Austin tinha introduzido em "Como Fazer Coisas com palavras" How To Do Things with Words Apesar de sua intenção anunciada (1969, 54) [4] para apresentar uma "análise completa do ato ilocucionário ", Searle, na verdade não dá uma análise. Em vez disso, ele fornece uma análise de, supostamente, um protótipo do ato ilocucionário de prometer, e oferece um conjunto de regras semânticas com a intenção de representar o significado linguístico de dispositivos indicando (supostamente) adicionais tipos de atos ilocucionários (1969, 57-71).

Dentre os conceitos apresentados no livro 'Speech Acts', um deles é a distinção entre a "força ilocucionária" e "conteúdo proposicional" de uma declaração. Searle não define precisamente o primeiro, como tal, mas introduz várias forças ilocucionários possíveis apresentando exemplos. De acordo com Searle, as frases:

11

Sam fuma regularmente.

22

Sam fuma regularmente?

33

Sam, fume regularmente!

44

Que Sam fume regularmente!

Cada frase indica o mesmo conteúdo proposicional (Sam fuma regularmente), mas diferem na força ilocucionária indicada (uma declaração, uma pergunta, um comando, e uma expressão de desejo, respectivamente) (1969, 22). Searle propõe uma nova classificação dos Atos de Fala, a partir das regras que os enunciados cumprem, distinguindo

os

assertivos (as afirmações), os diretivos (as ordens), os comissivos (as promessas), os expressivos (as felicitações),

os

declarativos (declarar aberta ou encerrada a sesssão). [5]

A

teoria dos Atos de Fala foi enriquecida com o contributo dos processos de inferência por implicitação

(implicature) formulados nomeadamente por Paul Grice [6] De acordo com um relato posterior que Searle apresenta

John Searle

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em "Intentionality" (1983) e que difere em aspectos importantes daquele sugerido em 'Atos de Fala'; os atos ilocucionários são caracterizados pelas suas condições de satisfação (como a idéia adotada com base no trabalho de Strawson, "Significado e Verdade", [7] publicado em 1971 [8] ) e uma direção de ajuste. Por exemplo, na afirmação "João comprou duas barras de chocolate" é satisfeita se e somente se ela é verdade, ou seja, somente se João

comprou duas barras de chocolate. Por outro lado, o comando "João, compre duas barras de chocolate" é satisfeita se

e somente se, João executa a ação de comprar de duas barras de chocolate. Searle refere-se a primeira como tendo

uma direção de ajuste de "palavra-ao-mundo", uma vez que as palavras são supostamente ajustadas para representar fielmente o mundo, e no segundo caso como tendo o sentido de ajuste de "mundo-para-palavra", desde que o mundo

é que muda para se ajustar ao significado da palavra. (Há também o sentido "duplo de ajuste direcional", onde a

relação vai nos dois sentidos, e a também a direção "nula de ajuste" ou de "zero ajuste", em que o sentido vai em nenhuma direção, porque o conteúdo proposicional da palavra é pressuposto, como na frase "Me desculpe, eu comi

as duas barras de chocolate do João"). Em "Foundations of Illocutionary Logic" [9] de 1985, Searle usa proeminente

a noção do "ponto ilocucionário". (Embora Searle não menciona usos anteriores desse conceito, ele se origina a partir do artigo de Sesonske "Performatives"). [10] [11]

Segundo Searle, os atos ilocucionários com propósito declaratório têm esse duplo ajuste e atos ilocucionários têm direção de ajuste nula. Em síntese, Searle diz, que há quatro e tão-somente quatro direções de ajuste:

• direção de ajuste palavra-mundo a proposição tem de corresponder a um independente estado de coisas no mundo, são seus exemplos relatos, descrições, hipóteses, predições, promessas;

• direção de ajuste mundo-palavra o mundo é alterado para se ajustar ao conteúdo da proposição, sendo seus exemplos ordens, comandos, súplicas, pedidos;

• direção de ajuste dupla o mundo é alterado para se ajustar ao conteúdo proposicional que por sua vez representa o mundo como sendo alterado, são seu exemplo declarações;

• direção de ajuste nula não há intenção de realizar nenhum ajuste porque o propósito do ato é simplesmente expressar a atitude do falante em relação ao estado de coisas representado pela proposição ou suspender a relação entre linguagem e realidade, em comum acordo com o ouvinte. Exemplos dessa direção são as expressões de felicidade ou de raiva, ou as ficções. [12] [13]

Um exemplo constantemente citado por Searle foi escrito por Elizabeth Anscombe [14] :

Suponhamos que um homem vá ao supermercado com uma lista de compras feito por sua esposa, onde estão escritas as palavras feijão, manteiga, toucinho e pão. Suponhamos que, enquanto anda pelo supermercado com seu carrinho, selecionando esses itens, seja seguido por um detetive, que anota tudo que ele pega. Ao saírem da loja, comprador e detetive terão suas listas idênticas. No entanto, a função das duas listas será bem diferente. No caso do comprador, o propósito da lista é, por assim dizer, levar o mundo a corresponder às palavras; ele deve fazer com que a lista se ajuste às ações do comprador. Isso também pode ser demonstrado através da observação do papel do erronos dois casos. Se o detetive chegar em casa e de repente se der conta de que o homem comprou costeletas de porco em vez de comprar toicinho, poderá simplesmente apagar a palavra toicinhoe escrever costeletas de porco. Entretanto, se o comprador chegar em casa e a esposa lhe chamar a atenção para o fato de ter comprado costeletas de porco em vez de toucinho, ele não poderá corrigir o erro apagando toucinhoda lista e nela escrevendo costeletas de porco.

Nesse exemplo, Searle demonstra que ambas as listas são o conteúdo proposicional, porém, de diferentes atos

ilocucionários [15] . A forma pela qual esse conteúdo se relacionará com a realidade dependerá da força ilocucionária,

e a diferença é quanto à direção-de-ajuste.

A lista do detetive tem a direção-de-ajuste palavra-ao-mundo, e a lista do comprador tem a direção-de-ajuste

mundo-a-palavra. [16][17][18]

John Searle

15

Intencionalidade

John Searle aceita definição básica de Franz Brentano da intencionalidade como a propriedade lógica de um ser sobre um objeto, embora ele geralmente substitui estados de relações para os objetos. Searle toma emprestado da noção de Frege de Sinn, e defende que cada estado intencional tem um conteúdo intencional que determina as

condições de satisfação para o estado. É através do conteúdo intencional que o estado intencional está ligada ao seu objeto: Estados intencionais "representam" apenas no sentido de que na linguagem pode ser dito que "representa". Cada estado também possui um modo psicológico que determina a direção do ajuste: Da mente para o mundo ou o mundo à mente. Na crença, por exemplo, a validade (neste caso a verdade) é alcançada quando a mente corresponde

ao mundo, em um desejo (ou seja, bem sucedido) se válida quando o mundo vir a corresponder à representação do desejo na mente. [19]

As condições de satisfação para muitos estados Intencionais incluem uma cláusula auto-referencial, a percepção, por exemplo, tem como parte de seu significado que ela seja um estado causado pelo objeto representado por nela. Este aspecto do conteúdo intencional permanece mesmo em experiências alucinatórias em que as condições de satisfação não são cumpridas.

Searle define "Intencionalidade", como o poder da mente de representar, a cerca de, ou em se colocar diante de propriedades e estados das coisas no mundo. [20] A natureza da intencionalidade é uma parte muito importante das discussões de Searle sobre a "Filosofia da Mente". Searle enfatiza que o significado da palavra "intencionalidade, (A parte da mente direcionada para/de/sobre os objetos e as relações no mundo independente da mente) não deve ser confundida com o significado da palavra 'intensionalidade" (uma propriedade lógica de algumas frases que não passam no teste de "extensinalidade") [21] Tambem, Intencionalidade não é o mesmo que intenção. Uma intenção, assim como crenças e desejos, é um tipo de estado intencional.

e desejos, é um tipo de “ estado intencional ” . A percepção tem como parte

A percepção tem como parte que ela seja um estado causado pelo objeto representado por nela. Pato ou Coelho?

Segundo Searle, a mente humana [22] possui um funcionamento consciente e intencional, e estas são suas

características principais. A teoria de Searle está direcionada a explicar apenas a Intencionalidade humana em geral.

E apesar de o autor não fazer considerações sobre outros animais, isso não quer dizer que ele pense que tal

fenômeno, entendido como biológico e natural, se restringe apenas à espécie humana, que outros animais não tenham estados mentais e que alguns deles sejam intencionais. Searle mesmo considera que outros animais devam

possuir tais características, por exemplo, alguns animais superiores com estruturas cerebrais mais semelhantes entre

as do homem. Na teoria de Searle se distinguem quatro relações entre os estados intencionais e realidade: Línguagem

para objeto; estado intencional para o objeto; estado intencional à infra-estrutura psicológica, estados intencionais para a infra-estruturas neurológicas. Essa quarta relação apresenta sua base em um tipo especial de causalidade.

Linguagem se relaciona com a realidade, na abordagem de Searle, por oradores para relacioná-la em seus atos de fala. Os agentes da fala usam sentenças para representar o que significa aquilo que eles desejam expressar. A compreensão do significado lingüístico, portanto, depende da análise pessoal dos estados mentais intencionais, e assim a relação entre linguagem e realidade se reduz a um caso especial da relação da mente para o com mundo. Estados mentais intencionais, de acordo com Searle, não se relacionam com a realidade do mundo da mesma maneira que as palavras o fazem.

Nós não podemos usar uma crença, por exemplo, de uma forma em vez de outra, pelo seu conteúdo intencional determina as suas próprias condições de satisfação. Dizer o contrário nos obrigaria a inventar uma regressão infinita

de agentes misteriosos, os homúnculos, cada um usando os estados de representação do menor homúnculos abaixo

para significar algo. Os condições de satisfação da crença devem parar em algum lugar. Searle pára no primeiro estado intencional, sustentando que o conteúdo intencional da crença logicamente e intrinsecamente determina as

John Searle

16

suas próprias condições de satisfação. A crença de que a lua é vermelha não pode ser usada para significar a crença de que o gato é preto, apesar de a frase "a lua é vermelha" poderia ser usada para significar "gato é preto", se optamos por usá-la dessa maneira. Por outro lado, os estados intencionais, Searle afirma, são apenas empiricamente ligadas às experiências psicológicas que as incorporam. Percepção, por exemplo, envolve "experiências perceptivas", embora elas seja devem ser distinguidas dos objetos que causam as experiências. Na noção de Searle de um estado intencional "um objeto é referido em virtude de satisfazer um conteúdo intencional", implicando que não é em virtude da forma de percepção de um estado intencional que se refere a um objeto.

Searle apresenta duas relações diferentes. Há a relação entre o conteúdo intencional e realidade no sentido do objeto pretendido, e este vínculo da mente com a realidade é, de acordo com Searle, lógico. Há também a ligação do conteúdo à realidade no sentido de o estado psicológico em que é realizado, e isso, Searle afirma, é contingente. Searle pensa que a sua visão de Intencionalidade foi capaz de mostrar uma relação lógica e intencional entre o estado psicológico e objeto intencionado.

Críticas de Searle a Dennett

Pode-se dizer que tanto Searle como Daniel Dennett são ambos naturalistas. Ou seja, os dois admitem que a consciência é um fenômeno biológico do homem. Mas Searle discorda de Dennett quanto à existência ou não dos qualia.

Para Searle estes fenômenos existem e são provados pela experiência interna tanto minha como de outras pessoas. Ou seja, qualia são dados que fazem parte de nosso mundo e que precisam ser explicados por uma teoria da consciência. Ele argumenta que Dennett nega a existência dos qualia", considerando-os como uma aparência que temos de nossa experiência. Mas tudo pode ser explicado para Dennett levando-se em conta a relação dos "inputs" de estímulos que temos (como no caso do beliscão na pele) e nossas disposições para o comportamento (disposições reativas). Entre os "inputs" e as disposições de comportamento há processos discriminatóriosresponsáveis, na visão de Dennett, por respondermos de modos diferentes com relação às pressões do meio e para distinguirmos o vermelho do verde etc., entretanto, tal estado de coisas no homem não é diferente daquilo que poderia acontecer em outro meio físico capaz de realizar os mesmos processos discriminatórios:

" É tudo uma questão de fenômenos de terceira pessoa: inputs de estímulos, estados discriminativos e disposições reativas. Tudo isso pode andar em conjunto porque, na verdade, nossos cérebros são uma espécie de computador e a consciência é um certo tipo de "software", uma máquina virtualem nosso cérebro. " [23]

Nesta caracterização da teoria de Dennett por parte de Searle, a posição de Dennett é de um funcionalista. Há dentro dessa corrente a opinião de que existe uma analogia entre o funcionamento do cérebro humano e o funcionamento dos computadores. Searle caracteriza esta concepção mais forte de funcionalismo de Inteligência Artificial Forte. Na visão de Searle, quem defende esta teoria acredita que um número indefinido de tipos de computadores, se pudessem realizar as mesmas funções que desenvolve a inteligência humana, poderiam ser conceituados como tendo uma menteno mesmo sentido que o homem. Antes, qualquer sistema que seja capaz de manipular símbolos físicos de modo correto é capaz de inteligência no mesmo sentido literal que a inteligência humana dos seres humanos

John Searle

17

Searle se baseia nas experiências que nós temos em nosso senso comum sobre os nossos próprios estados mentais. Assim, entendemos sua defesa dos qualia e que tem como pressuposto que somos seres autoconscientes e intencionais. A rejeição disso, segundo Searle, implicaria que não poderíamos diferenciar um ser humano de um zumbi inconsciente. É essa a conseqüência que ele retira em relação à teoria de Dennett. Mas, ainda sim, Dennett acredita não está totalmente afetado pelas críticas de Searle. Afinal de contas, como poderemos realmente diferenciar um humano de um zumbi que se comportar como um humano? Isso só seria possível, diz Dennett, se soubéssemos

apriori o que são os qualia que caracterizam a atividade humana e soubéssemos quando um agente tem de fato qualia

e quando não. Mas é este pressuposto de que realmente sabemos o que é um quale e quando uma pessoa está sendo

experienciado que parece que Searle admite sem dar uma explicação a posteriori. [24] Searle deveria, segundo Dennett, defender sua teoria com bases argumentativas mais firmes do que o exemplo do beliscão e de recorrer a pressupostos sobre a realidade dos qualia que estão fundados simplesmente na tradição do pensamento humano. [25] São justamente estes pressupostos que precisam ser provados.

justamente estes pressupostos que precisam ser provados. Como poderíamos diferenciar um ser humano de um zumbi

Como poderíamos diferenciar um ser humano de um zumbi inconsciente?

A crítica de Searle a Dennett e a todo funcionalismo que rege a concepção da "IA Forte", é que a própria concepção

do que nós temos acerca do que seja um programa de computador o torna incompatível, conceitualmente falando, a

aplicá-lo aos seres humanos. Os programas de computadores, por definição, atuam de forma puramente sintática e formal, através de procedimentos adequados com símbolos como zeros e uns. Mas estes símbolos não tem significado para o computador. Mas não é assim o que acontece quando temos experiência mental de algo. Por exemplo, quando estou conscientemente pensando sobre minha próxima viagem ou se tenho desejo de comer algo, meus pensamentos possuem efetivamente um conteúdo, eles se referem a algo além deles e, portanto, tem um

significado:

"Se os meus pensamentos são acerca de alguma coisa, então as séries devem ter um significado, que faz que os pensamentos sejam a propósito dessas coisas. Numa palavra, a mente tem mais do que uma sintaxe, possui também uma semântica. A razão por que nenhum programa de computador pode alguma vez ser uma mente é simplesmente porque um programa de computador é apenas sintático, e as mentes são mais do que sintáticas. As mentes são semânticas, no sentido de que possuem mais do que uma estrutura formal, têm um conteúdo." [26]

O argumento que Searle utiliza para diferenciar as atividades sintáticas do computador e as atividades que envolvem

a semântica que caracterizam os processos mentais dos homens é o argumento do Quarto chinês.

John Searle

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Quarto Chinês

Searle se notabilizou ao propor o argumento hipotético do Quarto Chinês, no qual critica a visão da possibilidade de duplicação de estados mentais intencionais e consciência através da Inteligência Artificial Forte.

O argumento de Searle contra a Inteligência Artificial Forte é parte

de uma ampla posição em relação ao problema mente-corpo. A tese central do IA Forte é que os processos criados por um computador são idênticas aos feitos pelo cérebro, e, portanto, podemos deduzir que se o cérebro gera consciência, também o computador deve capaz ser consciente. Para refutar essa posição, Searle desenvolve o seguinte experimento mental.

Searle pede para imaginar mos um sistema onde uma pessoa que não entende o chinês é colocada em um quarto fechado com apenas uma fenda aberta para o exterior na China. O sistema: um ser humano, que compreende apenas o português, equipado com

um livro de regras escrito em português e diversas pilhas de papel, sendo algumas em branco e outras com inscrições indecifráveis (o ser humano é a CPU, o livro de regras o programa e o papel em branco e os com inscrições indecifráveis são o dispositivo de armazenamento e o banco de dados). Através de uma abertura são dados papéis com símbolos chineses para esse indivíduo nesse quarto. Em português, (ou qualquer que seja sua língua materna) é dito para ser posta para fora uma resposta (de acordo com as regras do manual que foi lhe entregue previamente) pela fenda. No manual só aparecem os símbolos chineses indecifráveis de entrada

e os correspondentes símbolos de saída. Assim, o indivíduo pode

localizar os símbolos que são entregues e pode devolver papéis com símbolos diferentes de acordo com as regras do manual. Eventualmente, as instruções farão com que os símbolos sejam transcritos em uma folha de papel pela pessoa que será repassada para o exterior do quarto.

pela pessoa que será repassada para o exterior do quarto. Se você pode seguir em frente

Se você pode seguir em frente com uma conversa inteligente usando pedaços de papeis que escorregam por debaixo de uma porta, isso implicaria que alguém ou algo do outro lado entende o que você está dizendo?

Do exterior, os chineses percebem que o "quarto chinês" (o sistema que está recebendo a entrada de dados na forma

de instruções em chinês e está gerando respostas corretas em chinês) da respostas que são, sem dúvida, inteligentes.

Os chineses que estão fora, concluem que o quarto sabe chinês. Como os chineses receberam respostas satisfatórias,

o quarto passa no Teste de Turing. Searle aponta que nem o livro de regras, nem a pessoa e ou papel entendem

chinês. Então, não está acontecendo nenhuma compreensão ou entendimento da língua chinesa. Por conseguinte, de acordo com Searle, a execução do programa corretamente não gera necessariamente compreensão.

Searle acredita que o mesmo acontece com um computador. Eles, o computador e/ou IA Forte, lidam com diferentes códigos de processamento de análise sintática que nada têm a ver com a compreensão semântica do conteúdo. Obviamente, o conceito de "Intencionalidade" está no fundo do argumento do quarto chinês contra a Inteligência Artificial Forte.

Cenário e Rede

Em Intencionalidade: Um Ensaio de Filosofia da Mente (1983), professor Searle estabelece a aplicação de certos elementos de sua compreensão dos "atos ilocucionários" para a investigação da Intencionalidade. Searle também introduz um termo técnico, o "Cenário" (segundo plano ou pano de fundo), [27] que, segundo ele, tem sido fonte de muita discussão filosófica ("embora eu venha defendendo essa tese há quase vinte anos", escreve Searle [28] , "muitos pessoas, cujas opiniões eu respeito, ainda discordam de mim sobre isso.") Ele define "Cenário" como um conjunto de habilidades, capacidades, tendências e disposições que os humanos têm e que não são nelas mesmas estados

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19

intencionais. Assim, quando alguém nos pede para "cortar o bolo" sabemos que devemos usar uma faca e quando alguém nos pede para "cortar a grama" sabemos que devemos usar um cortador de grama (e não o contrário), mesmo que o pedido em si não inclua este detalhe. Searle, as vezes, suplementa a sua referência ao cenário com o conceito de "Rede", que é o conjunto da rede de outras crenças, desejos e outros estados intencionais necessários para qualquer estado intencional em particular poder fazer sentido. Searle argumenta que o seu conceito de Cenário é semelhante aos conceitos fornecidos por vários outros pensadores, incluindo o argumento de linguagem privada em Investigações Filosóficas de Wittgenstein ("a obra da fase final de Wittgenstein é em grande parte, sobre o Cenário" [29] ) e em Habitus de Bourdieu.

os "

nossos estados mentais só funcionam do modo como funcionam, porque funcionam em frente a um

cenário de capacidades, competências, habilidades, hábitos, maneiras de fazer coisas e atitudes gerais perante o Mundo que, em si mesmas, não consistem em estados intencionais." [30]

Searle nos da um outro exemplo: Quando ele vai à universidade, é mais que mera opinião que haverá um chão para que ele possa andar ou para que o ônibus possa seguir sua trajetória até a universidade. Seria absurdo (ou não?) se todos os dias nós acordássemos e começássemos a nos questionar se haverá alguém com o qual possamos nos comunicar, ou, se haverá mesmo um chão para que possamos caminhar? [31] Em outras palavras, as posições-padrão são anteriores à teoria, às opiniões, às hipóteses de trabalho, por não precisarem ser justificadas. Muito pelo contrário, para fazermos um ataque as posições-padrão faz-se necessário um esforço consciente e um argumento convincente[32] Algumas das posições-padrão para Searle são:

••

Há um mundo real que existe independente de nós, independente de nossas experiências, pensamentos,

••

linguagem. Temos acesso perceptivo direto a esse mundo por meio de nossos sentidos, especialmente o tato e a visão.

••

As palavras de nossa linguagem, palavras como coelho ou árvore, têm em geral significados razoavelmente

••

claros. Por causa de seus significados, podem ser usadas para nos referirmos aos objetos reais do mundo e para falarmos sobre eles. Nossas afirmações são, em geral, verdadeiras ou falsas dependendo de corresponderem ao modo como as coisas são, ou seja, aos fatos do mundo.

A causalidade é uma relação real entre objetos e estados de coisas do mundo, uma relação pela qual um fenômeno, a causa, provoca o outro, o efeito [33] .

John Searle

20

Para Searle, esse conjunto de competências chamado de Cenário ou Pano de Fundo, mais tecnicamente "Background", o ' pano de fundo da intencionalidade', capacita ao agente de uma ação ter intenções, crenças, desejos, etc., mas não são intencionais. Por exemplo, Searle coloca que o agente só pode costurar se ele é capaz de costurar ou tem a crença de que pode aprender

(tornar-se capaz) a costurar. Ele tem intenção de ir ao museu de artes visuais se acredita que pode efetivamente ver, mas a capacidade de enxergar não é intencional, nem depende simplesmente dos seus olhos por causa de um acidente cerebral, ele pode ter olhos intactos, mas pode ficar cego. Ele não pode, também, querer sair da cadeira a qual esta sentado voando, pois ele não tem essa capacidade, apesar do agente poder imaginar que seria bom ter essa capacidade para que ele possa sair voando especialmente quando ele está cansado. As capacidades de Background do agente

da ação têm valor de sobrevivência. A pessoa que tenha

a verdadeira intenção de voar, pois se acha capaz de fazê-lo, provavelmente não viverá muito tempo: ela um dia estará no alto de um prédio e vai acreditar que é capaz de voar pela janela.

um prédio e vai acreditar que é capaz de voar pela janela. O que está no

O que está no cenário está implícito e não explícito. Ele tende a estar sempre atrás de outras coisas que tendem a, de alguma forma, esconder o que está lá.

"A rede inteira da intencionalidade só funciona sobre um fundo de capacidades humanas que em si mesmas não são estados mentais." [34]

A intencionalidade da consciência e as decisões racionais funcionam, para Searle, apenas dentro de uma Redede

intencionalidades que dá a elas suporte. Assim, se, por exemplo, você deseja muito ir para festa e, então, pega um taxi, isso significa que você escolheu algumas intencionalidades dentro de um número infinito de outras, que você acredita que o taxi é um tipo de meio de transporte que pode levá-lo(a) para a festa; significa também que você

acredita que existe uma festa e, além de saber onde ela fica, você se sente capaz de explicar o caminho ao motorista,

a assim por diante. A Rede, por sua vez funciona apenas com o suporte do Cenário ou "Background".

Searle defende a tese de que essas explicações de sentido comum da conduta humana não seriam ultrapassadas ou subtraídas por explicações supostamente científicas. Isso porque os princípios que delineamos não descrevem o fenômeno, mas constituem, em parte, o fenômeno. Searle continua mantendo suas convicções sobre a importância da consciência (da subjetividade imanente às questões mentais) e das explicações mentalísticas de sentido comum. [35]

Racionalidade

No livro Racionalidade em Ação [36] , Searle argumenta que as noções de padrão de racionalidade são gravemente falhas. John Searle estabelece seis reivindicações daquilo que ele chama o modelo clássico de racionalidade e mostra porque elas são falsas.

1.

Ações racionais nem sempre são causados por crenças e desejos.

22

Racionalidade não é primariamente uma questão de seguir as regras.

33

Não há nenhuma separada faculdade de racionalidade.

44

Fraqueza da vontade é uma conseqüência natural da lacuna no processo de executar uma ação que deve ser pressuposta.

55

Há razões independentes de desejo para se executar uma ação.

John Searle

21

De acordo com o que ele chama de Modelo Clássico, a racionalidade foi inspirada no pensamento de Hume que diz que "A razão é e deve ser uma escrava das paixões". "Esta é a maneira de Hume de dizer que não há razões independente de desejo para agir, uma reivindicação que está no coração do modelo clássico.

A teoria da decisão é vista como algo

como um trilho de trem: Você embarca em um ponto com suas crenças e

desejos e as regras da racionalidade lhe compelem o caminho todo até uma conclusão no outro ponto. Searle dúvida que esta imagem de racionalidade possui uma geralidade. Ele ressalta que os seus axiomas exige que alguém que valorizava 50 centavos

e valorizava sua vida poderia, em

algumas probabilidades, apostar a sua vida para 50 centavos. A teoria da decisão prega que "É sempre racional para maximizar a utilidade". Mas, afirma Searle, que não há chances de que poderiam nos inclinar a apostar a

vida de nossos filhos na possibilidade de ganhar qualquer prémio de loteria. [37] Searle insiste que ele nunca faria isso e acredita que isto é perfeitamente racional.

faria isso e acredita que isto é perfeitamente racional. Seria plausível ter desejos que não buscam

Seria plausível ter desejos que não buscam seu próprio bem-estar e não ser irracional agir contra o seu próprio bem-estar?

Ele aponta um outro fato estranho no modelo clássico da racionalidade humana, o fato de ser perfeitamente possível tomar uma decisão racional sobre algo que o indivíduo acredita possivel ser feito; e concluir que essa ação é realmente aquilo que ele deseja fazer, mas quando chega o momento de ser feita ação, o indivíduo não faz a ação que ele acredita e deseja fazer!

Searle mostra, por exemplo, que ao contrário da visão filosófica tradicional, fraqueza de vontade é muito comum. A "fraqueza da vontade" tem sido um enígma filosófico por que, diz Searle, as ações racionais humanas necessitam intencionalidade além das crenças e desejos que o indivíduo tem em sua mente. Ele aponta o absurdo da afirmação

de que a tomada de decisão racional começa sempre a partir de um conjunto consistente de desejos.

A tomada de uma decisão racional, argumenta ele, é muitas vezes sobre a escolha entre as razões conflitantes para a

ação. De fato, o ser humano se distingue pela sua capacidade de ser racionalmente motivado por razões independente de desejos para executar a ação. Searle apresenta uma teoria alternativa sobre o papel da racionalidade no pensamento e ação.

Um ponto central da teoria de Searle é que somente as ações irracionais são diretamente causados por crenças e desejos, por exemplo, as ações de uma pessoa sob o domínio de uma obsessão psicologica, um vício ou dependência

física. Na maioria dos casos de ação racional, existe uma "lacuna" entre o desejo motivador e tomada de decisão real.

O nome tradicional para essa lacuna é "liberdade de escolha". De acordo com Searle, toda atividade racional

pressupõe livre arbítrio. Para a racionalidade só é possível onde se tem uma noção de escolha entre várias opções racionais, bem como opções irracionais. [38]

Para esse teórico, não há nenhuma ação que não seja intencional. A intencionalidade prontifica e dá suporte à ação. Desse ponto de vista, todo estado mental tem uma forma primitiva de funcionar que envolve uma crença e um desejo.

John Searle

22

A crença consiste na idéia construída a partir da experiência; portanto, está relacionada ao já vivenciado. Já o desejo

é formado a partir da crença, pois é o fato de conhecer algo ou de ter consciência de sua existência que permite

desejá-lo. Searle discute a ação pela intencionalidade e pelo sentido.

Livre arbítrio

Searle diz que a questão primordial na Filosofia contemporânea é essa: "Como podemos enquadrar a concepção de nós mesmos como agentes conscientes, criadores de significados, livres, racionais, etc, com um universo que consiste inteiramente de não-pensantes, sem sentido, sem liberdade, não-racionais, partículas físicas? " [39]

Searle se propõe modificar o metodo tradicional de analise do problema do livre arbítrio recorrendo à análise conceptual, para remover algumas confusões filosóficas, de modo a que o que fique do problema seja essencialmente um problema de saber como funciona o cérebro humano.

Para Searle podemos tratar o problema do Livre arbítrio como, pelo menos em parte, um problema neurobiológico mediante a prossecução da seguinte pergunta: Como o nosso cérebro precisa trabalhar em ordem para que nós tenhamos livre arbítrio, e que substituições por "x" e "y" na seguinte declaração, S, tornaria S verdade? (S) Se meu cérebro está funcionando na forma x em um momento em que eu faço a ação A e y for verdade, então eu livremente fiz a ação A (ou exercitei o livre arbítrio em fazer A).

Deste tipo de abordagem criada por Searle seguem-se duas consequências filosoficamente relevantes. O compatibilismo deixa de ser uma solução. Para Searle:

"A tese do determinismo assevera que todas as ações são precedidas por condições causais suficientes que as determinam. A tese do livre arbítrio assevera que algumas ações não são precedidas por condições causais suficientes. Definido desta maneira, o livre-arbítrio é a negação do determinismo."

"’’A Filosofia e os Factos Básicos’’" (primeira parte do livro - "O Livre Arbítrio como Problema na Neurobiologia")

O espaço conceptual do compatibilismo é assim inexistente. Igualmente, o problema da responsabilidade moral não é

objeto da reflexão de Searle acerca do livre-arbítrio. Se o livre arbítrio é real tem de existir um determinado conjunto de características do cérebro que concretize neurobiologicamente tal livre arbítrio. Ou seja, a questão é de saber se o estado neurologico total do cérebro de uma pessoa antes da decisão ser feita é causalmente suficiente para determinar o estado neurologico total do seu cérebrodepois que a decisão foi tomada. Se sim, então não existe livre-arbítrio. Caso contrário, e dadas certas suposições acerca da consciência, existe livre-arbítrio.

Searle considera que a maior parte dos neurobiólogos defendem a hipótese a qual o livre arbítrio é algo que experienciamos, mas que efetivamente é uma ilusão. Deste modo, a nossa experiência da liberdade não desempenha nenhum papel explicativo ou causal no nosso comportamento. Essa hipótese representa assim o triunfo do determinismo.

Searle acredita que a hipótese de que existe livre arbítrio, substitui um mistério ( livre arbítrio) por três ( livre arbítrio, consciência e indeterminismo quântico).

Searle afirma que " (

irresistível pensar que a explicação da experiência consciente do livre arbítrio deve ser uma manifestação do indeterminismo quântico para o nível de tomada de decisão consciente e racional ", [40] . Searle aceita

relutantemente que a hipótese neurologica determinista é mais mais adequada à nossa visão global da biologia

e mais provável, dado ser mais simples ( simplex sigillum veri).

provável, dado ser mais simples ( simplex sigillum veri). Escolha livremente: Creme ou chocolate? ) é

Escolha livremente:

Creme ou chocolate?

)

é muito tentador e até

John Searle

23

Contudo, essa a hipótese nos dá um resultado incrível. Ele afirma que se os cientistas nos mostrassem que a tomada de decisão livre e racional não existe, seria impossivel se aceitar livre e racionalmente que livre arbítrio não existe. O carácter paradoxal da afirmacão é óbvio, e portanto, Searle conclue que o problema do livre arbítrio continua naturalmente em aberto. [41]

Naturalismo Biológico

"Naturalismo biológico" é o nome dado por Searle a sua abordagem ao que é tradicionalmente chamado o problema mente-corpo. Searle o apresenta como uma teoria da consciência, mas em geral, prefere afirmar que "O naturalismo biológico é uma teoria de estados mentais". Searle nega o dualismo cartesiano, a idéia de que a mente é uma forma

separada de substância do corpo, pois isso contraria toda a nossa compreensão da física, e ao contrário de Descartes, ele não traz Deus para o problema. Pode ser tentador ver a teoria de Searle como uma espécie de dualismo de propriedades, uma vez que, na opinião dele, as propriedades mentais de uma pessoa são categoricamente diferentes das suas micro-propriedades físicas. As micro-propriedades físicas têm "ontologia de terceira pessoa", enquanto as propriedades mentais "ontologia de primeira pessoa". A Micro-estrutura física é acessível objetivamente por qualquer número de pessoas, como quando diversos cirurgiões cerebrais inspecionam hemisférios cerebrais de um paciente. Mas a dor, o desejo ou crença são acessíveis subjetivamente pela pessoa que tem a dor, o desejo ou crença, e ninguém mais tem esse modo de acesso ao estado mental. Searle diz que o epifenomenalismo não pode responder como pode a consciência ser causalmente redutível aos estados neurobiológicos do cérebro e ainda assim ser ontologicamente irredutível a eles. Somente quando os epifenomenalistas entenderem que " A consciência é um fenômeno de primeira pessoa causado por "

defesa de seu argumento Searle afirma que o epifenomenalismo decorre de três erros:

que eles poderão entender que isso é mais que possível e é um fenômeno real. Em

processos físicos no cérebro

11

A pressuposição das categorias dualistas.

22

A pressuposição de que toda causalidade deve seguir o modelo de objetos físicos empurrando outros objetos físicos.

3.

A pressuposição de que, para qualquer nível de causalidade, se podemos fornecer um relato do funcionamento desse nível em termos das microestruturas mais básicas, então o nível inicial era causalmente irreal, epifenomênico ineficaz.

Searle argumenta contra o primeiro erro que, se observamos a nossa história biológica podemos ver que a consciência humana e animal se mostraram essenciais para evolução de nossos organismos.

John Searle

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Ela não se apresentou como um resíduo sem nenhuma causação, sem ela não teríamos conseguido chegar até onde chegamos. A pressuposição que o epifenomenalismo toma como base é a forma "Humeana" do ' modelo-padrão de causalidade ", o modelo de "bola de bilhar". Para Searle, esse modelo-padrão não leva-nos a uma boa compreensão de como a consciência pode causar efeitos em um mundo

físico. Ela apenas obscurece e confunde

a relação de causalidade entre a

consciência e o mundo. Essa relação se mostra ainda mais confusa se a adicionarmos ao dualismo, que

apresenta a mente como uma entidade ectoplasmica não-material. [42] O conceito de causalidade Newton precisou ser reformulado para poder acomodar as explicações de diversos eventos

físicos, como por ex., o efeito da gravidade sobre os corpos. Foi necessário incluir o conceito de relatividade do luz,

de campo de força e de malha de tempo/espaço. E com isso não mais se pensou na gravidade como uma questão de

fios invisíveis que prendiam os planetas uns aos outros. Da mesma forma, no segundo erro empírico, a noção de

causalidade não deve ficar presa somente à noção de transferencia de forças entre corpos (empurra-puxa). Assim ela

se amplia e nos ajuda a compreender melhor a eficácia causal da consciência, ao postular que não é necessário que haja um objeto físico ligando a mente e o cérebro.

que haja um objeto físico ligando a mente e o cérebro. A noção de causalidade deve

A noção de causalidade deve ficar presa somente à noção de transferencia de forças entre corpos?

A objeção de Searle ao terceiro erro é feita através do fato de que: poder fornecer um relato causal em nível inferior

não implica que os níveis superiores não sejam reais, apenas mostra descrições diferentes em níveis diferentes de um determinado sistema causal[43] . Ou seja:

Nossa aceitação provisória da eficácia causal da consciência não é ameaçada se assinalarmos que qualquer explicação no nível da consciência tem como base fenômenos físicos mais fundamentais, porque é verdade em relação a qualquer sistema físico que as explicações causais de níveis superiores têm como base explicações microfísicas mais fundamentais nos níveis inferiores (Searle, página 63,

2000)." " Mente, linguagem e sociedade: Filosofia no mundo real "

[44]

Searle não pretende provar que o epifenomenalismo é logicamente falso, mas apenas que é empiricamente falso. Ele tenta eliminar as razões para pensar que o epifenomenalismo tem de ser verdadeiro[45]

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Searle rejeita o epifenomenalismo, o dualismo de propriedades e qualquer tipo de dualismo, a alternativa tradicional para o monismo, alegando que a distinção é um erro. Ele rejeita as idéias de que porque a mente não é objetivamente visível, não cai sob a rubrica do fisicalismo. Searle argumenta que o problema mente-corpo tradicional tem uma "solução simples": os fenômenos mentais são causados por processos biológicos no cérebro e são neles mesmos características do cérebro. Mais precisamente, os estados mentais são macro-propriedades de neurônios (nível superior do cerebro) em muito, da mesma maneira que a solidez de um corpo é a macro-propriedade das moléculas (nível inferior da materia). No entanto, Searle também sustenta que o mental é "real e ontologicamente irredutível" ao físico, uma visão que decorre do seu entendimento da situação e da natureza da

consciência. Searle acredita que a consciência é essencial para a mente; subjetividade é essencial para a consciência, e não puramente objetiva. A descrição física da consciência nunca poderia captar ou explicar seu caráter essencialmente subjetivo. No entanto, Searle defende que irredutibilidade é um resultado "trivial" de nossas "práticas de definição" e é totalmente compatível com sua teoria. [46]

e é totalmente compatível com sua teoria. [ 4 6 ] Uma descrição física da consciência

Uma descrição física da consciência poderia explicar seu caráter essencialmente subjetivo?

Searle se qualifica como um racionalista biológico [47] , sendo sua obra sobre a relação entre a mente e o corpo, uma critica, a modularidade da mente e da linguagem do pensamento de Jerry Fodor, ao Eliminativismo, ao Externalismo apresentado nos trabalhos de Hilary Putnam e Tyler Burge, e a outras correntes da Filosofia da mente.

O exemplo filósofico do "quarto chinês" é uma forte crítica ao Funcionalismo, Comportamentalismo e

principalmente, à IA Forte. Pela teoria do Naturalismo Biológico, Searle costuma ser objeto de muitas críticas em

seu campo de atuação e reflexão, notadamente por pensadores como David Chalmers [48] e Daniel Dennett.

Problema mente-corpo

Para Searle confusão sobre objetividade e subjetividade é apenas a ponta do iceberg do problema mente-corpo tradicional. Embora, ele acredita, que o ideal seria que os cientistas estariam melhor se eles simplesmente ignoraram esse problema, pois em sua opinião, os cientistas são vítimas tanto das tradições filosóficas como qualquer outra pessoa, e muitos deles, como muitos filósofos, ainda estão sob o domínio das categorias tradicionais da mente e corpo, mental e físico, dualismo e materialismo, etc.

A forma mais simples de se colocar o problema corpo-mente, diz Searle, é descobrir qual exatamente é a relação da consciência com o cérebro? Para ele há duas partes para este problema, a parte filosófica e uma parte científica. Ele acredita que teoria do Naturalismo Biológico da uma solução simples para a parte filosófica. Ele afirma que a solução é consistente com tudo o que sabemos sobre a biologia e sobre como o mundo funciona.

Consciência e outros tipos de fenômenos mentais são causados por processos neurobiológicos no cérebro, e eles são realizados na estrutura do cérebro. Na teoria do Naturalismo biológico, a mente consciente é causada por processos cerebrais e ela é em si mesma uma característica do nível superior do cérebro. [49]

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Searle nos pede pra observarmos duas características da solução filosófica.

••

duas características da solução filosófica. •• Qual exatamente é a relação da alma com o corpo?

Qual exatamente é a relação da alma com o corpo?

Primeiro, a relação dos mecanismos do cérebro para a consciência é uma das causas. Processos no cérebro causam as nossas experiências conscientes.

Searle propõe que a melhor maneira de mostrar como algo é possível é mostrar como efetivamente existe. As dores por exemplo, são concretamente causadas por processos neurofisiológicos que ocorrem no tálamo e no córtex sensorial. Durante muito tempo, inumeros biológicos e filósofos pensaram que era impossível explicar a existência da vida em bases puramente biológicas. Julgavam que além dos processos biológicos deveria ser necessário algum outro elemento, deve postular-se algum élan vital para emprestar a vida ao que, de outro modo, era matéria morta e inerte. Houve anteriormente uma disputa entre o vitalismo e o mecanicismo, porém hoje não é

levado a sério. Hoje conseguimos compreender melhor o caráter biológico dos processos que são características dos organismos vivos. Logo que compreendemos como as características típicas dos seres vivos têm uma explicação biológica, já não constitui para nós mistério algum que a matéria deva ser viva. Ainda não entendemos completamente os processos, mas compreendemos o seu caráter geral, e que há certas atividades eletro químicas específicas que ocorrem entre os neurônios ou módulos neuronais e talvez outras características do cérebro, esses processam a consciência e causam as nossas experiências conscientes.

As experiências conscientes são sobre algo ou alguma coisa. O dualistas questionam como podem os átomos no vazio ter intencionalidade? Como podem eles ser acerca de alguma coisa?

Sobre este problema Searle da o exemplo da sede, que certos tipos de sede são causados no hipotálamo por seqüências de explosão nervosas. A sede é causada por uma série de acontecimentos no sistema nervoso central. A sede é um estado intencional. As experiências visuais e auditivas, as sensações táteis, a fome, a sede, e o desejo sexual, são todos causados por processos cerebrais e realizam-se na estrutura do cérebro e são todos fenômenos intencionais.

Searle lida com o problema de como inserimos nós a subjetividade dos estados mentais no interior de uma concepção objetiva do mundo real falando que a existência da subjetividade é um fato que pode ser estudado da forma científica objetiva como qualquer outro fato. Assim a explicação da subjetividade dos estados mentais, visto que é justamente um fato óbvio que a evolução biológica produziu certos tipo de sistemas biológico, a saber, os cérebros humanos e de certos animais, que têm características subjetivas. O estado presente de consciência de uma pessoa é uma característica do cérebro dela, mas os seus aspectos conscientes são a ela acessíveis de um modo que não são acessíveis a uma outra pessoa. A existência da subjetividade é um fato objetivo da biologia. Searle comenta que é um erro definir ciênciaem termos de certas características existentes. Se o fato da subjetividade vai contra uma certa definição de ciência, então é a definição e não o fato que teremos de abandonar. [50]

Para o problema da causação mental: explicar como é que os eventos mentais podem causar eventos físicos. Como é que, por exemplo, algo imponderávele etéreo, como o pensamento pode suscitar uma ação? A resposta apresentada por Searle é que os pensamentos não são imponderáveis e etéreos. Quando temos um pensamento, está efetivamente a ocorrer à atividade cerebral. A atividade cerebral causa movimentos corporais mediante processos fisiológicos. Porque os estados mentais são característicos do cérebro, têm dois níveis de descrição um nível superior em termos mentais e um nível inferior em termos fisiológicos. Os mesmos poderes causais do sistema podem descrever-se em qualquer um dos dois níveis. Segundo a concepção para Searle, a mente e o corpo interagem,

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mas não são duas coisas diferentes, visto que os fenômenos mentais são justamente características do cérebro. Uma maneira de caracterizar esta posição é vê-la como uma asserção do fisicalismo e do mentalismo.

Suponhamos que nós definimos o fisicalismo ingênuocomo a concepção de que tudo o que existe no Mundo são partículas físicas com as suas propriedades e relações. O poder do modelo físico da realidade é tão grande que é difícil ver como podemos contestar seriamente o fisicalismo ingênuo. E definamos, o mentalismo ingênuocomo a concepção de que os fenômenos mentais existem realmente. Existem, de fato, estados mentais; alguns deles são conscientes; muitos têm intencionalidade; todos têm subjetividade; e muitos funcionam causalmente na determinação dos eventos físicos no Mundo. O mentalismo e o fisicalismo ingênuos são perfeitamente consistentes entre si. Na realidade, tanto quanto sabemos algo sobre o modo como o mundo funciona, eles não só são consistentes, mas são ambos verdadeiros.

••

Em segundo lugar, estes processos não nos força a qualquer tipo de dualismo, porque a forma da causação é de baixo para cima, e o efeito resultante é simplesmente uma característica do nível superior do cérebro em si, não uma substância separada. A consciência não é como algum fluído esguichado para fora pelo cérebro. Um estado de consciência é sim um estado de que o cérebro está dentro. Assim como a água pode estar no estado líquido ou sólido, sem que liquidez e solidez sejam substâncias separadas, do mesmo modo a consciência é um estado que o cérebro está, sem ser a consciência uma substância separada.

Searle oferece a solução filosófica sem usar nenhuma das categorias tradicionais de "dualismo", "monismo ", "fisicalismo" ou "materialismo", e todas as outras categorias. Ele acredita que essas categorias são obsoletas e afirma que se aceitarmos essas categorias, então temos o seguinte quadro: Temos uma escolha entre dualismo e do materialismo.

De acordo com o dualismo, a consciência e outros fenômenos mentais existem em um reino ontológico diferente de todo o ordinário mundo material da física, química e biologia. E de acordo com o materialismo a consciência não existe. Searle conclue que nem o materialismo ou o dualismo como tradicionalmente interpretados, nos permite obter uma resposta à pergunta: Qual exatamente é a relação da consciência com o cérebro?

Dualismo diz que existem dois tipos de fenômenos no mundo, o mental e o físico; materialismo diz que há apenas um, o material. Dualismo acaba com a possibilidade de uma bifurcação da realidade em duas categorias distintas e, portanto, torna impossível explicar a relação entre o mental e o físico. Mas o materialismo acaba por negando a existência de qualquer irredutível qualitativo estado mental subjetivo de sensibilidade ou consciência. Em suma, o dualismo torna o problema insolúvel; materialismo simplesmente nega a existência de qualquer fenômeno para ser estudado, e, portanto, nega qualquer problema.

para ser estudado, e, portanto, nega qualquer problema. Consciência é um fenômeno causado por processos físicos

Consciência é um fenômeno causado por processos físicos no cérebro?

Consciência

Até muito recentemente, Seale acredita que, a maioria dos neurobiólogos não consideravam a consciência como um tema adequado para a investigação científica. Ele diz que esta relutância foi baseada, principalmente no erro filosófico de supor que a subjetividade da consciência coloca este assunto além do alcance de uma ciência objetiva. Para Searle, uma vez que os neurobiólogos entenderem que a consciência é um fenômeno biológico como qualquer outro, então ele pode ser investigado neurobiologicamente. Ele diz, que a Consciência é totalmente causada por processos neurobiológicos, e é realizada nas estruturas cerebrais, e o traço essencial da consciência de que precisa ser explicado é a qualitativa unificada subjetividade.

Consciência, portanto, difere de outros fenômenos biológicos em que ele tem uma ontologia subjetiva ou primeira pessoa, mas esta ontologia subjetiva, aponta Searle, não nos impede de ter uma ciência epistemologicamente objetiva da Consciência.

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John Searle 2 8 Como é a experiência das minúsculas micro-consciências? Duas abordagens comuns à consciência

Como é a experiência das minúsculas micro-consciências?

Duas abordagens comuns à consciência são aqueles que (1) adotam o modelo de bloco de construçãodo tipo LEGO, segundo a qual qualquer campo consciente é feita de suas diversas partes, e do (2) modelo do campo unificado, segundo a qual devemos tentar explicar o caráter unificado de estados subjetivos de consciência. [51] Searle destas duas abordagens, da preferência para a teoria do campo unificado sobre a do modelo de bloco de construção.

A maioria dos teóricos que criticam Searle, tacitamente

adotam a teoria do modelo de bloco de construção da consciência.

A idéia que eles apresentam para contrapor a Searle, é

que qualquer campo consciente é feito de suas diversas

partes: a experiência visual de vermelho, o sabor do café, a sensação da brisa entrando pela janela. Para eles, parece que, se pudéssemos descobrir o que faz mesmo um bloco de construção consciente teríamos a chave para toda a estrutura. Se pudéssemos, por exemplo, descobrir os segredos da consciência visual, que nos daria a chave para todas as outras modalidades. Esta visão é defendida por Crick & Kock [52] [53] [54] , e é também apoiada por Bartels & Zek. [55] [56]

Crick e Koch, em 1998, investigaram apenas indivíduos que já estavam conscientes. Searle duvida dos resultados do modo que foi investigado por Crick e Koch perguntando: Como é possível para o agente ser consciente no todo? Ele coloca que dado que uma pessoa é consciente, sua consciência será modificada por ter uma experiência visual, mas não se segue que a consciência é composta de vários blocos de construção dos quais a experiência visual é apenas um desses blocos.

Searle propoem que existem, no minimo, duas hipóteses possíveis para resolver o enigma da Consciencia:

1. A teoria bloco de construção: O campo consciente é composto de pequenos componentes que se combinam para formar o campo. Desta forma, encontrar o correlato neural da consciência (CNC) [57] [58] de causalidade para qualquer componente é encontrar um elemento que é causalmente necessário e suficientepara que a experiência consciente. Assim, se for encontrado somente um bloco de construção, é um passo importante para quebrar o problema da consciência.

2. A ‘’teoria do campo unificado’’, onde as experiências conscientes vêm em campos unificada. Para se ter uma experiência visual, uma pessoa tem que antes de ter a experiência já estar consciente e esta experiência é uma modificação do campo. Nem os campos-cegos (cegueira neurocerebral - Blindsight[59] , nem a rivalidade binocular e nem mesmo a visão normal pode nos dar um CNC causal genuíno porque só a pessoa já consciente pode ter essas experiências.

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Searle sugere que há uma outra maneira de olhar para questões que implicam em uma outra abordagem de pesquisa. Imagine que você acorda de um sono sem sonhos em um quarto completamente escuro. Até agora você não tem nenhum fluxo coerente de pensamento e quase nenhum estímulo perceptual. Salvo a pressão de seu corpo na cama e sentido as cobertas em cima de seu corpo, você não está recebendo estímulo exterior sensorial algum. Apesar de tudo, deve haver uma diferença em seu cérebro entre o estado de vigília mínimo você está agora e se o estado de inconsciência que estavam antes. Essa diferença é o CNC que Seale acredita que deveríamos estar procurando. Este estado de vigília é a base da consciência ou cenário

intencional. Só um cérebro que já está acima do limite da consciência que já tem um campo consciente, pode ter uma experiência visual de vermelho, afirma Searle.

ter uma experiência visual de vermelho , afirma Searle. A visão normal não pode nos dar

A visão normal não pode nos dar um CNC causal genuíno porque só a pessoa já consciente pode ter experiências visuais conscientes.

Além disso na teoria de estágios múltiplos de Andreas Bartels e Semir Zeki, por que as micro consciências são todas capazes de ter uma existência separada e independente, Searle diz que não está claro que isso significa.

Eu sei como é para mim a minha experiência atual campo consciente, mas o que experimenta todas as minúsculas micro-consciências? E o que seria como para cada uma delas existir separadamente? [60]

A idéia de que deve-se investigar a consciência como um campo unificado não é nova e remonta a pelo menos tanto como doutrina de Kant da unidade transcendental da apercepção. [61] Em neurobiologia, Searle diz não ter encontrado nenhum autor contemporâneo que aponta uma distinção clara entre o que ele chama a teoria bloco de construção e a teoria do campo unificado, mas, pelo menos, duas linhas de pesquisa contemporâneas são consistentes com a abordagem que Seale procura. [62]

Uma no trabalho de 1998 de Rodolfo R. Llinás e seus colegas [63] e a outra nos estudos de Gerald Edelman, Giulio Tononi e O. Sporns. [64]

Na visão de Llinas e seus colegas não devemos pensar na consciência como produzida por estímulos sensoriais, mas sim como um estado funcional de grandes partes do cérebro, principalmente do sistema tálamocortical, e devemos pensar em entradas sensoriais servindo para modular uma consciência pré-existente ao invés de criar a consciência novamente. Para Llinas a consciência é um estado "intrínseco" do cérebro, e não uma resposta a entradas de estímulo sensorial. Os sonhos são de especial interesse para ele, porque num sonho o cérebro está consciente, mas incapaz de perceber o mundo externo através de estímulos sensoriais. Ele acredita que o CNC é uma atividade oscilatória sincronizada no sistema tálamo-cortical. [65]

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Tononi e Edelman avançaram, em 1998, a que eles chamam de hipótese de núcleo dinâmico. Eles dão muito interesse ao fato de que a consciência tem duas propriedades notáveis, a unidade e a diferenciação extrema ou complexidade dentro de qualquer campo consciente. Isto sugere a eles que não devemos olhar para a consciência em um tipo específico de tipo neuronal, mas sim nas atividades de grandes populações neuronais. Eles buscam o CNC para a unidade da consciência na integração rápida que é conseguido através dos mecanismos de reentrada do sistema tálamo-cortical. Eles acham que o disparo em síncrona entre as regiões cortical entre o córtex cerebral e o tálamo é um indicador indireto deste agrupamento funcional. A combinação de agrupamento funcional, para Tononi e Edelman, juntamente com a diferenciação é o que eles apresentam como a hipótese do núcleo

dinâmico da consciência. Eles acreditam que um processo unificado de alta complexidade neural constitui um núcleo dinâmico. [66]

neural constitui um núcleo dinâmico. [ 6 6 ] Quando entendermos como o cérebro cria consciência,

Quando entendermos como o cérebro cria consciência, poderemos construir então artefatos conscientes?

Searle define a consciência como um fenômeno biológico como qualquer outro. Ela consiste em estados qualitativos

e subjetivos interiores de perceber, sentir e pensar. Sua característica essencial é a subjetividade qualitativa unificada. Estados conscientes são causados por processos neurobiológicos no cérebro, e eles são formados na estrutura do cérebro. A investigação de consciência tem sido dificultada por duas visões equivocadas: a primeira, de que a consciência é apenas um tipo especial de programa de computador, um "software" especial que roda no "hardware" do cérebro, e segunda que a consciência era apenas uma questão de processamento de informações. O tipo certo de processamento de informações suficiente para garantir a consciência.

Esses pontos de vista ditam que o cérebro não importa. Qualquer hardware que pode carregar o programa

"consciência" ou processar a informação faria tão bem quanto faz o cérebro. Searle acredita, ao contrário, que a compreensão da natureza da consciência crucialmente requer a compreensão de como os processos cerebrais causam

e criam a consciência. Searle prediz que " (

poderemos construir artefatos conscientes usando alguns materiais não-biológicos que duplicam, e não apenas simulam os poderes causais que têm cérebros. Mas primeiro precisamos entender como o cérebro fazer isto. [67] "

)

quando nós entendermos como o cérebro faz isto [criar consciência],

[68]

Realismo Externo

"Realismo" é um notoriamente um termo vago e ambíguo. [69][70] No entanto, Searle nos oferece uma breve e descrição razoavelmente clara de seu "realismo externo", que ele atenua como a visão de que "Há um mundo real que existe independentemente de nós ". O realismo externo Searleano apresentado em Mind, Language, and Society:

Philosophy in the Real World (Mente, linguagem e sociedade: Filosofia no mundo real) é a tese de que "existe um

mundo real que é totalmente independente dos seres humanos e do que eles pensam ou dizem sobre ele"[43, pag. 13] ou, alternativamente, que "há um caminho que as coisas são independentemente de nossas representações"[43, pag. 31]. Isto é, o mundo é independente das nossas representações, percepções, mentes, línguagem, ou qualquer esquemas conceituais. Dada essa caracterização de Realismo Externo (RE), é fácil ver porque Searle declara incompatível com o "idealismo", um termo "que serve para todos" que Searle usa para as visões, segundo a qual "a

.] Constituída por nossas perceões e outros tipos de representações "[43, pag.

realidade é, em última análise

16]. Consequentemente, Searle insiste em que George Berkeley, David Hume, Kant e Hegel são todos inimigos jurados do (RE), assim como tambêm uma série de filósofos recentes (Hilary Putnam, Nelson Goodman, Richard Rorty, Thomas Kuhn, Jacques Derrida, etc.) para quem o mundo não é encontrado como realmente é, pois o mundo é formado por linguagens, paradigmas, categorias ou esquemas conceituais.

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31

Quanto à realidade, Searle nomeia seu ponto de vista chamando-o realismo externo. Esse termo indica a concepção de que existe um mundo real, independente dos seres humanos (das mentes em geral, podendo ser de animais) e indica a diferenciação de outros realismos, como o realismo matemático, o realismo ético, etc.

Quanto ao conhecimento, Searle aceita a teoria da verdade como

correspondência, ou seja, se o que o agente afirma corresponde (ou

se ajusta) com o modo como as coisas são no mundo exterior, então,

é verdadeira, se não corresponde, é falsa. Assim, todos os elementos da tabela periódica são reais objetivamente, bem como as coisas naturais do mundo também o são, no sentido de que todos eles independem de nós, seres humanos para existir. Alguns exemplos: o

Há, porém, outros

ar, os planetas, as bactérias, as moléculas, etc

fenômenos (ontológicos) que dependem dos seres humanos, como:

os nomes das coisas que existem independente de nós, a bolsa de valores, a internet, os carros, o jogo de xadrez, etc., pois todos eles dependem da consciência humana. Intrinsecamente ligado ao realismo direto ao mundo externo é a teoria referencial do pensamento e da linguagem, e a teoria da verdade como

correspondência. Os anti-realistas, afirma Searle, raramente dizem abertamente que não existe um mundo absolutamente, objetivamente e totalmente independente de nós. Alguns o fazem dizendo que o chamado mundo real é uma interpretação social. [71]

real é uma “ interpretação social ” . [ 7 1 ] Seria a realidade constituída

Seria a realidade constituída por nossas percepções e outros tipos de representações?

Porém, Searle acredita que o comum é evitar a discussão e fazer um ataque às posições-padrão, de modo que o desafio justifique o posicionamento que eles defendem. [72] Para atacar as posições-padrão o anti-realista deverá, segundo Searle, enfrentar a seguinte estrutura lógica:

11

Suponhamos que o realismo externo seja verdade. Nesse caso, existe um mundo real, independente de nós e de nossos interesses.

22

Se existe um mundo real, então existe um modo como o mundo realmente é. Existe uma maneira objetiva como as coisas são no mundo.

33

Se existe uma maneira como as coisas realmente são, então deveríamos ser capazes de dizer como são.

44

Se podemos dizer como as coisas são, então aquilo que dizemos é objetivamente verdadeiro ou falso dependendo de nosso êxito ou fracasso em dizer como são.

Portanto, (C) Somos justificados em aceitar o realismo externo (RE). [73]

Porque o argumento principal é formalmente válido, a única questão é saber se suas premissas são verdadeiras. Searle salienta que se há um problema com relação à verdade como correspondência (proposta 4), então deve haver um problema com a proposição de que existe um mundo real (proposta 1). Mas é difícil, Searle aponta, que alguém negue efetivamente a proposta 1.

O que fundamenta essa premissa, (proposta 1), em última instância, é a convicção de que Searle de que o "realismo

externo não é uma teoria" [43, pag. 32], mas é preferivelmente uma posição-padrão, isto é, um pressuposto fundamental da investigação, o discurso que mantemos pré-reflexivamente e que se insere do chamado pano de fundo ("Background") do nosso pensamento e da linguagem [43, pag. 9]. Embora Searle admite que nem todas as

posições padrão são verdadeiras [43, pag. 11], ele afirma que há um pressuposto prima facie em prol delas, para que

"qualquer abandono delas

] um argumento convincente."[43, p. 11] [74] E uma vez que permitem que

aqueles que se opõem a uma posição-padrão deve assumir o ônus da prova, propoem Searle e aponta que estamos bem em nosso caminho para (proposta 1), desde que conceda (RE) é de fato uma posição-padrão.

John Searle

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Sobre (proposta 2), Searle esclarece que não está dizendo que a objeção epistemológica para (ER) é o único argumento contra ele. Pelo contrário: Searle discute uma série de argumentos de ações anti-realista, que ele rapidamente disseca e habilmente contra ataca. [75] [76] O que Searle sublinha, no entanto, é que as considerações epistemológicas há muito tempo levou filósofos a descartarem o realismo direto tanto assim, em verdade, que ele se refere a acusação de que o realismo torna incompreensível realidade como o principal argumento contra (RE) [43, pag. 26]. Isso diretamente implica no ponto que esta segunda observação parece justa: a acusação de que o realismo coloca o mundo de forma permanente além de nosso alcance foi feito por antiquadas propostas idealistas como Berkeley, Kant, Fichte e Schopenhauer, e a acusação foi revivida por Rorty, Putnam e Goodman. [77] À luz disto, (proposta 2) não é sem uma certa plausibilidade.

Para Searle, as motivações do anti-realismo têm origem histórica na tentativa de superação do ceticismo. As formas de idealismos afirmam que a realidade é constituída pelas nossas idéias, ela depende de nossas representações.

Para Searle, o que seduz no idealismo é a sua resposta ante o ceticismo, por exemplo: Como podemos saber, por

mais prova que tenhamos, se existe um mundo independente de nossos pensamentos? A resposta idealista é que todo

o mundo é criado pelas minhas representações, por isso, enquanto eu não estiver me contradizendo, permanece a

aparência de realidade fenomenal. Desse modo, a resposta do idealismo para a dúvida cética é que a distância entre

as minhas representações e o mundo exterior é eliminada. Se tudo é representação não há distância entre o sujeito e a realidade da qual possa encampar o ceticismo, assim, a realidade consiste em aparência sistemática. Apesar do ceticismo, Searle acredita que a principal motivação do anti-realismo é que ele satisfaz um desejo básico de poder(vontade de potência), pois aceitar que dependemos de uma realidade exterior a nós parece duro demais. Para Searle

é errado representar o realismo como um ponto de vista, pois negar que exista uma maneira como as coisas são no mundo, independentemente de nossas representações, já seria um fato sobre como o mundo é, e pressuporia, portanto, o realismo. [78]

Percepção

Eis uma questão antiga na filosofia da percepção: Aqui estou eu, olhando para a tela do meu computador. Presumivelmente, eu realmente estou vendo essa tela. Mesmo assim, eu poderia estar tendo uma experiência

alucinatória exatamente como a que eu estou tendo agora sem qualquer coisa estar na minha frente. Então como pode

a experiência que estou tendo realmente envolver consciência direta da tela? Parece que a presença da tela não é

essencial para a maneira como a experiência é. Tradicionalmente, esta questão foi utilizado para levantar preocupações céticas quanto a experiência perceptiva e motivar a tese de dados sensoriais, segundo a qual experiências perceptivas, mesmo as mais verídicas, estão diretamente ligadas a objetos mentais ou privados e apenas indiretamente conectados a seus objetos físicos.

Na filosofia da percepção, o que a Searle interessa é o que poderia ser chamado de "problema semântico" da experiência perceptiva. Trata-se do fato de que as experiências são dirigidas a objetos. Isto é o que Searle e outros filósofos chamam a intencionalidade da experiência.

John Searle

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O que faz com que seja o caso que é esta tela que você está experimentando visualmente que é o que aparece para você de tal e tal forma, tamanho e cor? O problema aqui é que não há nada na característica de sua experiência visual para distinguir esta tela de qualquer tela de outro computador que pareceria exatamente como ela. Se esta tela foi substituída instantaneamente por uma outra, você não iria e não podia dizer a diferença. Assim, a resposta de alguns filosofos para a questão de por que essa tela de computador é aquela que você está tendo a experiência é que ela é o que provoca (em uma maneira característica específica) a sua experiência. visual. Se

tivesse sido outra tela em seu lugar, a outra tela teria sido o que você está experimentando. Se esta tela fora substituída por uma outra instantaneamente, a outra tela teria imediatamente tornar-se o que você está experimentando.

John Searle considera esta uma resposta indesejável. Não é tanto que a resposta está incorreta como que é dada a partir do "ponto de vista da terceira pessoa." É o tipo de resposta que seria dada à questão, o que faria uma fotografia de uma tela de computador uma fotografia desta tela? Nesse caso, uma direta resposta causal é claramente o caminho certo. Para ser a tela "na" fotografia, esta tela teria que ter refletido a luz para a lente da câmera e para o filme ser exposto, etc, etc. Se uma tela diferente foi aquela que fez isso, teria sido esta outra tela na imagem. Apelando para o análogo fato causal no caso da experiência visual "falha", segundo Searle, "para responder à pergunta de como este fato entra no conteúdo intencional". Searle chama isso de "pergunta interna de primeira pessoa" [79] .

Searle reconhece que, na percepção (e tátil) visual, estamos cientes de coisas particulares do mundo. Estamos cientes dessa caneta, não apenas que existe uma coisa de um certo tipo. Quando ele vê um objeto, como sua caneta, ele diz que a experiência que ele tem "é diretamente do objeto". Ela não apenas "representa" o objeto, ela fornece acesso direto a ele. A experiência tem uma espécie de "imediatismo direto, e involuntário que não é compartilhada por uma crença que eu possa ter sobre o objeto em sua ausência