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ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL DAS IGREJAS EVANGÉLICAS ASSEMBLÉIA DE DEUS NO ESTADO DO PARANÁ – AEADEPAR FACEL FACULDADES

Neir Moreira

Teologia Bíblica de Missões

DE DEUS NO ESTADO DO PARANÁ – AEADEPAR FACEL FACULDADES Neir Moreira Teologia Bíblica de Missões

Curitiba

2012

ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL DAS IGREJAS EVANGÉLICAS ASSEMBLÉIA DE DEUS NO ESTADO DO PARANÁ – AEADEPAR FACULDADE FACEL

Copyright © 2012 – Todos direitos reservados à Associação Educacional das Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus no Estado Do Paraná – AEADEPAR.

Proibida reprodução total ou parcial sem a expressa autorização. Pirataria é crime e pecado.

Diagramação: Jéssica Bueno Gemin Editor: Djoni Schallenberger Revisão: Berta Morales Figueroa Ficha Catalográfica: Jéssica Bueno Gemin

Moreira, Neir. Teologia Bíblica de Missões. / Neir Moreira; – Curitiba:

Unidade, 2012.

82 p.

1. Teologia – Teologia Bíblica de Missões. I. Faculdade de Administração Ciências, Educação e Letras – FACEL. II. Título.

CDD 220

APRESENTAÇÃO

O professor:

NEIR MOREIRA 1

Teologia Bíblica de Missões não deveria ser apenas mais uma disciplina compo-

nente da grade de cursos teológicos e correlatos. Ela precisa ocupar o seu devido lugar no pensamento cristão, quer acadêmico quer não. A afirmação acima se fundamenta na própria natureza da igreja cristã. Ou seja, da mesma forma que não haveria sentido estudar a igreja se ela não existisse, como ela viria a ser o que é, se não cumprisse o missio Dei. – termo que será aprofundado dentro da disciplina.

A igreja existe porque é projeto de Deus e porque ela cumpre a missão que re-

cebeu do próprio Deus. Portanto, estudar teologicamente os princípios bíblicos sobre essa magna missão assume contornos da mais alta importância.

A partir da fundamentação teórica e da aplicabilidade dos princípios missio-

lógicos, este livro se propõe não apenas a recuperar conceitos que historicamente as academias teológicas têm debatido, mas propor, uma releitura de igreja essencialmen- te evangelístico-missionária que esteja conectada ao pensamento contemporâneo, sem perder sua historicidade cristã e relevância teológica.

1 NEIR MOREIRA - É mestrando em Teologia pela PUC-PR, pós-graduado em Educação pela

Faculdade Teológica Batista do Paraná, possui graduação em Bacharel em Psicologia e Formação do Psicólogo pela UFPR, e, graduação em Bacharelado em Teologia pela Faculdade Teológica da Assem- bleia de Deus em Curitiba. Atualmente é psicólogo clínico e escritor.

OBJETIVO DAS UNIDADES

UNIDADE 1 – FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA E O PENSAMENTO MISSIOLÓGICO

Nesta primeira Unidade a prioridade será o embasamento teórico das ações que

implicam no envolvimento prático tanto da igreja quanto de seus agentes evangelís- tico-missionários. E, esse pensamento missiológico está permeado na fundamentação bíblica, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

A partir do pano de fundo teórico, tanto a universalidade missionária quanto a

própria teologia de missões em ambos os Testamentos foram gradativamente analisa- das. Além disso, a própria pessoa e ministério de Cristo e dos apóstolos serviram de

apoio para o entendimento teológico da missio Dei.

A teologia bíblica de missões, mais do que um livro, um tratado, ou coisa do

gênero, configura-se na vontade divina exposta nas Sagradas Escrituras, sobre a qual foram estabelecidas as ações que a igreja desenvolveu ao longo do tempo. Elementos, aspectos e dinâmica de missões fazem parte deste arcabouço teológico que serve de parâmetro para o entendimento de todos os que pretendem aprofundar-se na realida- de missionária contemporânea. A primeira Unidade finaliza a contextualização histórica da igreja e a histó- ria das missões (sem dicotomizar ambas as histórias – o que geralmente tem-se feito em teologia clássica). A partir de um resgate histórico, a tarefa missionária pode ser compreendida se a cosmovisão e a comunicação transcultural foram respeitadas. Com certeza.

UNIDADE 2 – A RESPONSABILIDADE DA IGREJA E OS DESAFIOS MISSIONÁRIOS

Enquanto a primeira Unidade priorizou a fundamentação bíblico-teológica do pensamento missiológico, esta Unidade dará sentido àquela, uma vez que seu foco será a responsabilidade eclesiástica e os desafios que as missões atuais exigem. Para tanto, diversos termos empregados neste contexto são detalhados e relacionados à prática vivencial que a igreja de Cristo experimenta a partir das ações missionárias. Além dos termos e definições, princípios missiológicos igualmente são estuda- dos, mesmo porque eles representam a viabilidade do fazer missionário em qualquer lugar, tempo e circunstância. Os princípios missiológicos também permitem a pro-

moção e manutenção missionária em qualquer igreja local, por menor que ela seja. Da mesma forma, eles permitem ao teólogo e teóloga uma compreensão clara sobre a importância das contribuições no contexto missiológico. A partir do modelo bíblico da igreja cristã em Antioquia, esta Unidade também se propôs entender as missões nas igrejas locais e nas experiências transculturais (den- tro e fora do país-referência). A relação entre as igrejas locais e as agências missioná- rias representa igualmente importante passo na compreensão e formulação das ações evangelístico-missionárias, tanto no aspecto urbano quando em outros contextos. E, isso, envolve também a exata noção do que significa os povos considerados não alcan- çados e a tão propalada Janela 10/40. A Unidade e o livro encerram destacando tanto a importância da chamada mis- sionária quanto o próprio fazer da igreja neste contexto. E, analisa o presente e o futuro sob a realidade atual e as perspectivas futuras.

SUMÁRIO

UNIDADE 1 – Fundamentação Bíblica e o Pensamento Missionário

SEÇÃO 1 – FUNDAMENTAÇÃO MISSIOLÓGICA NO ANTIGO TESTAMENTO 03 Pano de fundo 03

A universalidade missionária 04

A teologia missionária no Antigo Testamento 05

SEÇÃO 2 – FUNDAMENTAÇÃO MISSIOLÓGICA NO NOVO TESTAMENTO 10

A teologia missionária no Novo Testamento 10

A teologia missionária e Cristo 12

SEÇÃO 3 – TEOLOGIA E MISSÕES 15

Elementos da teologia de missão 15 Aspectos da missão bíblica 16

A dinâmica de missões 17

Missão enquanto resposta à humanidade 19 SEÇÃO 4 – HISTÓRIA E MISSÕES 21 Primeiros esforços missionários 21

Missões Católicas Romanas na Idade Média 22

A tarefa missionária 23

A cosmovisão e a comunicação transcultural 25

UNIDADE 2 – A Responsabilidade da Igreja e os Desafios Missionários SEÇÃO 1 – AS MISSÕES E A IGREJA 31 Missiologia e Outros Termos 31

A Grande Comissão 33

A Igreja e Suas missões 37

SEÇÃO 2 – PRINCÍPIOS MISSIOLÓGICOS 43 Princípios Sobre Contribuição Missionária 43

Como Uma Igreja Pequena Pode Fazer Missões 47

A Promoção Missionária 48

A Manutenção Missionária 49

SEÇÃO 3 – MISSÕES E TRANSCULTURA 51

Antioquia: Modelo de Igreja Missionária 51

A Igreja local e as Agências Missionárias 54

Missões Urbanas 56

57

Missões Transculturais

SEÇÃO 4 – MISSÕES: PRESENTE E FUTURO

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A

Chamada Missionária

63

A

Obra Missionária 65

O

Futuro das Missões

67

REFERÊNCIAS

73

Teologia Bíblica de

Missões

UNIDADE I Fundamentação Bíblica e o Pensamento Missiológico

Teologia Bíblica de Missões UNIDADE I Fundamentação Bíblica e o Pensamento Missiológico

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Teologia Biblica de Missões

PARA INÍCIO DE CONVERSA

O livro Teologia Bíblica de Missões dedica a primeira Seção da

Unidade inicial para tratar sobre os fundamentos bíblicos e teológicos do pensamento missionário. E, para essa realização dessa produção acadêmica, faz-se necessário o resgate da conceituação missiológico a partir do Antigo Testamento.

O contexto bíblico e teológico como pano de fundo é o ponto

de partida, passando pela análise da universalidade missionária bem como pela compreensão da teologia missionária do Antigo Concerto.

SEÇÃO 1 – FUNDAMENTAÇÃO MISSIOLÓGICA NO ANTIGO TES- TAMENTO

• Pano de Fundo

A história das missões nas páginas da Bíblia Sagrada está dire-

tamente ligada à história de Israel enquanto nação escolhida por Deus para representá-lo diante das demais nações e fazer conhecido o seu nome perante os povos. É evidente que o estudo da missiologia – es- tudo ou tratado de missões – exige um olhar detido não apenas para o povo hebreu, mas principalmente para o projeto que Deus estabeleceu tanto para os judeus quanto para as nações como um todo. Portanto, missiologia envolve outras ciências como história, geografia e a teologia como regra e padrão por excelência. Embora este tratado inclua tanto o Antigo quanto o Novo Tes- tamento, para Champlin (1995) é possível caracterizar o período do Antigo Testamento como um período denominado “missões pátrias”. Ou seja, para ele, os profetas, indubitavelmente, foram missionários no sentido considerado pleno – apesar de esta visão não ser normalmente explorada no contexto teológico. Entretanto, é verdade que somente após a época dos profetas e dos salmistas é que houve uma visão clara sobre a vida após túmulo, e a mensagem divina foi dada para preparar as pessoas para essa nova dimensão de vida. Conquanto que tenha havido convertidos entre os antigos he- breus, principalmente de estrangeiros que, por várias razões, tinham

fixado residência nos territórios ocupados por Israel (incluindo cativos de guerra e habitantes de territórios conquistados), dificilmente Israel foi considerada uma nação de ação conscientemente missionária. No

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Antigo Testamento, contudo, o livro de Jonas pode ser denominado como um livro surpreendentemente evangelístico, pois tal profeta tor- nou-se missionário no âmbito transcultural (quando se leva em conta a localização de Nínive em relação à sua cidade natal), embora de forma relutante. Ademais, em função de sua natureza, o livro de Jonas tem sido chamado com razão, de João 3.16 do Antigo Testamento. Portanto, o pano de fundo histórico e teológico do estudo da missão bíblica envolve a história e o legado de Israel bem como a exten- são do projeto divino o qual diz respeito ao novo Israel, ou seja, a igreja do Senhor Jesus Cristo.

• A Universalidade Missionária

Universalidade não pode ser confundida com missões, como se

admite atualmente. O termo missões significa literalmente “envio”; en- quanto universalidade, especialmente como é apresentada no Antigo testamento, não implica necessariamente envio. A rigor, em nenhuma parte do Antigo Testamento o povo de Israel foi “enviado” às nações.

O

texto sagrado não registra que essa nação tenha sido encarregada de

ir

às nações e proclamar a verdade reveladora concedida ao povo de

Deus. Diferentemente de missões, a “universalidade” é um princípio bíblico que expressa o propósito e a provisão divina em relação à raça humana.

A realização desse princípio e propósito é uma questão de

metodologia e tempo. Quanto à metodologia, as Escrituras prescrevem um caminho duplo, o centrífugo e o centrípe-

to. Deve ser reconhecido que o Antigo Testamento foi for- mado totalmente em função do último método, enquanto que o Novo testamento impõe e o primeiro método. [ ]

O princípio é ilustrado na chegada da rainha de Sabá a Je-

rusalém para ver e ouvir. O mesmo fez o eunuco da Etiópia

que foi a Jerusalém em busca da verdade (PETERS, 2000, p.

27).

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Teologia Biblica de Missões

˂˂˂ 5 Teologia Biblica de Missões Figura 1 | Missões na Bíblia (PETERS, 2000, p. 28).

Figura 1 | Missões na Bíblia (PETERS, 2000, p. 28).

É a partir da metodologia dessa universalidade, bem como em função do seu estreito nacionalismo, que Jonas visivelmente indisposto para pregar aos moradores de Nínive deve ser julgado. Além disso, com a continuidade da metodologia do Antigo Testamento, os discípulos acharam difícil compreender seu Mestre em sua comissão para percor- rer o mundo inteiro.

De acordo com o Antigo Testamento, o mundo deve ir a Jerusalém. Lá as nações devem aprender o caminho do Sen- hor e O louvar. È bom lembrar que os discípulos foram os últimos a deixar Jerusalém durante os primeiros anos de perseguição e ir adiante e pregar o Evangelho, segundo At 8.1 (PETERS, 2000 p. 27, 28,).

Sem dúvida, os discípulos de Jesus acharam fácil pregar no dia de Pentecostes para as pessoas que visitavam Jerusalém naquele perío- do. Mas o que eles não entendiam é por que eles deveriam partir de Je- rusalém? Logo, isso provocou uma mudança na metodologia mission- ária, mas não no princípio e propósito divinos para alcançar as pessoas e nações ao redor do mundo.

• A Teologia Missionária no Antigo Testamento

Como já salientado, a teologia missionária está exarada por todas

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as partes do texto sagrado. Considerando que a Bíblia é um livro div- inamente uniforme e que seus principais conceitos e fundamentos são solidamente constantes, pode-se afirmar que sua teologia, mensagem e propósito representam um esclarecimento glorioso e progressivo desde o livro dos começos – Gênesis – passa pelo seu florescimento total em Cristo e repercute nas epístolas que igualmente dão base à missiologia. Portanto, o Antigo Testamento se oferece como o portal de en- trada para o entendimento do plano divino e a expansão e difusão da glória a partir do povo de Israel e sua bela história. Senão veja: No ver- sículo 15 do terceiro capítulo de Gênesis consta a primeira promessa de um redentor para a humanidade. “E porei inimizade entre ti e a mul-

her, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. Evidentemente, essa promessa foi feita não apenas para os judeus, mas para toda a raça humana. Logo, essa referência, considerada como o proto-evangelismo, pode ser entendida como o fulgor da estrela da manhã em meio à escura noite da humanidade. Para Peters (2000, p. 104, 105), o texto de Gênesis 3.15 sustenta pelo menos seis fatos:

1) A salvação é operada por Deus; dessa forma, ela é certa

e cheia de graça. A salvação pertence a Deus. Ele é a única esperança da humanidade.

2) A salvação destruirá Satanás, o inimigo. Assim, o mal não

é um castigo permanente da humanidade neste mundo.

3) A salvação afetará a humanidade como um inteiro, ela é maior do que apenas o indivíduo ou uma nação. 4) A salvação virá através de um Mediador, que de uma ma- neira orgânica esta relacionado à humanidade. Ele foi um homem real, embora não tenha sido um simples homem. 5) A salvação está ligada ao sofrimento do Redentor. 6) A salvação será experimentada na história, assim como

a derrota é uma parte dela. A salvação, portanto, como sus- tentada no Antigo Testamento, inclui a humanidade em promessa, provisão, propósito e potencial.

Ressalte-se que, assim como Deus não chama seu ministro para o bem do referido ministro, ao contrário, para o bem das pessoas, da igreja, da humanidade e do mundo, igualmente Ele não chamou Abraão para o bem estar do “pai de uma grande nação”. A promessa e o desabrochar missionário na era patriarcal foram transferidos no devido tempo aos respectivos patriarcas, ou seja, a Isaque (Gn 26.4), a Jacó (Gn 28.14), e

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Teologia Biblica de Missões

deste a Judá (Gn 49.10). As pessoas eram o seu foco; a humanidade era o seu objetivo final. Aos patriarcas da Antiga Aliança, o desígnio e a intenção universal de Deus lhe são declarados explícita e enfaticamente. Segundo a passagem de Êxodo 19, o pacto abraâmico torna Israel

o povo de Deus, ao passo que o pacto mosaico faz de Israel uma nação

e serva de Deus. Além disso, esse pacto reposiciona Israel como uma nação única entre as nações do mundo, uma vez que através de Abraão adquiriram uma relação peculiar. Dando um salto na história do povo de Deus, Peters assegura que,

) (

muitas maneiras, tornando-a uma religião de redenção mil- agrosa, monoteísmo positivo, consagração devotada, éticas dinâmicas, fé responsável, amor e obediência, culto orga- nizado, lei em comum e uma grande esperança (PETERS,

2000, p. 135).

a fase mosaica enriqueceu a religião dos israelitas de

Ainda de acordo com PETERS (2000, p. 138, 139), Deus define fundamentalmente a tríplice relação de Israel, a saber:

- Sua relação com Jeová. Israel deve relacionar-se de forma única com o seu Senhor. Deve ser uma relação de entrega absoluta.

- Sua relação com as nações. Israel deve ser uma nação de

sacerdotes. Ela deve mediar as nações e Deus. Etimologica- mente, nenhum sacerdote existe por si só; ele apenas tem valor e significado como um mediador.

- Sua relação consigo mesma. Israel deve ser uma nação san-

ta, separada da corrupção, isolada do pecado, e dedicada a Deus com uma devoção fervorosa e um serviço jovial.

Já durante o reino davídico, houve um alto nível de adoração introduzido que torna Israel, exclusivamente uma comunidade de ado- radores.

É perceptível que a vida e o trabalho de Davi tiveram grande importância não apenas na transformação de Israel em um reino unido, mas em dar a ele de um centro político- religioso (Jerusalém) e uma liturgia de culto ordenada e bela (PETERS, 2000, p. 140).

Ademais, dois fatores importantes podem ser apontados no con-

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texto missionário da era do rei Davi: a mensagem dos salmos, e a oração dedicatória do templo de Salomão.

Os salmos são, provavelmente, a literatura mais rica do mundo. Eles, refletindo as experiências religiosas dos san-

tos, são existenciais quanto ao seu conteúdo, discurso e for- ma. Eles falam aos corações do povo, e bênçãos contínuas

fluem deles. [

na ordem externa do culto. Seu desígnio era unificar a na- ção e simbolizar a unidade e glória Jeová. Israel deveria ter apenas um templo e um lugar central de culto, assim como

O templo foi introduzido em uma nova era

]

adorar apenas a um Deus (PETERS, 2000, p. 140, 142).

O rei Salomão consegue resumir brilhantemente o desabrochar

missionário no período monárquico ao declarar o propósito divino para

a ação de expansão da glória e poder do Altíssimo quando expressou

“que todos os povos da terra conheçam teu Nome e te respeitem, como

o teu Nome foi invocado sobre este Templo que eu edifiquei” (1Rs 8.43).

O vislumbre missionário da era profética em Israel destaca que

o fenômeno rabbi (profeta) não era peculiar à religião reveladora isra-

elita, uma vez que era muito difundido e encontrado por toda a Ásia. Não obstante essa constatação, Peters (2000, p. 146, 147) assegura que a mensagem do profeta de Deus tem pelo menos uma tríplice importân- cia: ela é histórica (fala dentro das circunstâncias imediatas), é existen- cial (fala dentro das circunstâncias contemporâneas), e é profética (fala dentro das circunstâncias messiânicas). Logo, a mensagem dos profetas quanto ao seu impulso missionário de propósito e salvação divina é clara e pronunciada. Ademais, a segunda divisão do livro do profeta Isaías é considerada como o segmento mais messiânico dos escritos do Antigo Testamento, além de conter a afirmação mais enfática acerca do monoteísmo absoluto, o pronunciamento mais rigoroso da insignificân- cia da idolatria, e apresentar o enfoque de serviço no Antigo Testamen- to.

A era profética de Israel também tinha uma missão: apresentar

uma mensagem destinada ao mundo; e três verdades envolviam esta

missão:

1. A missão de Israel é uma missão designada por Deus.

Deus é explícito ao enfatizar que Ele é a fonte dessa missão.

Israel é peculiarmente o povo de Deus para uma missão e um propósito, únicos e divinos.

2. A missão de Israel é uma missão centrada em Deus.

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Além de ser o originador da missão, Deus também é seu cen-

tro e sua essência para o seu povo. Tal missão fica evidente a partir da ênfase na divindade única de Deus: “Sou Primeiro e o Último. Fora de mim, não há Deus” (Is 44.6; ver também 44.8; 45.5,6 21).

3. A Missão de Israel é uma missão para com as nações. Isa-

ias, o profeta messiânico, apresenta alguns textos missionári- os considerados notáveis do Antigo Testamento (40.5; 42.1, 6, 7, 10; 45.22, 23; 49.6, 26; 51.4, 5; e, 52.10.15). Fundamental- mente, a nação de Israel vai encontrar o verdadeiro sentido e significado a partir de sua missão de caráter mundial.

SAIBA MAIS BOSCH, David. Missão Transformadora: Mudanças de Paradigma na Teologia da Missão. São Leopoldo: Sinodal, 2002.

 

CHAMPLIN, R. N. & BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo: Candeia, 1995.

PETERS, George W. Teologia Bíblica de Missões. Rio de Janeiro:

CPAD, 2000.

 

EXERCÍCIOS

1. Complete:

a)

A história das missões nas páginas da Bíblia Sagrada está diretamente

ligada à história de

b) O termo missões significa literalmente

Teologia Biblica de Missões

c) Para Peters (2000, p. 104, 105), o texto de Gênesis 3.15 sustenta pelo

menos seis fatos. Cite apenas dois:

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d) De acordo com PETERS (2000, p. 138, 139), Deus define fundamental-

,

mente a tríplice relação de Israel, a saber: sua relação com

sua relação com as

, e sua relação

SEÇÃO 2 – FUNDAMENTAÇÃO MISSIOLÓGICA NO NOVO TESTA- MENTO

• A Teologia Missionária no Novo Testamento

A teologia missionária do Novo Testamento é claramente com- preendida se for considerado o livro de Atos como o autêntico registro missionário dos apóstolos e da Igreja Primitiva e que todas as epístolas foram escritas para igrejas estabelecidas através de esforços mission- ários.

Se o cristianismo não fosse uma religião missionária e os apóstolos não tivessem sido missionários, não teríamos o livro de Atos e nenhuma epístola. Com exceção de Mateus, até mesmo os Evangelhos foram escritos para igrejas mis- sionárias. O Novo Testamento é um livro missionário em discurso, conteúdo, espírito e desígnio. Esse é um fato sim- ples, mas também um fato de real de profunda importância. O Novo Testamento é mais a teologia em ação do que teo- logia em razão e conceito. Ele é ‘teologia missionária’ (PE- TERS, 2000, p. 159, 160).

Há uma questão importante a ser abordada aqui. Já foi cogitado que os apóstolos não conferiram à evangelização e às missões mundiais o caráter prioritário que lhe são peculiares. E, isso, pelo fato de que eles parecem falar relativamente pouco sobre esses temas em seus escritos. Inicialmente pode parecer uma dedução lógica exceto pelo fato de que se baseia em uma leitura superficial dos textos do Novo Testamento além de uma má interpretação do pensamento apostólico. A propósito, missões não é um tema periférico no Novo Testamento. Vale ressal- tar que os apóstolos conheciam o valor da ação missionária em suas próprias experiências ministeriais. “Eles incluíram ativamente igrejas recém-formadas no empenho missionário, solicitando suas orações,

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Teologia Biblica de Missões

aceitando suas contribuições, atraindo seus co-trabalhadores quase que exclusivamente a partir delas” (PETERS, 2000, p. 162). Os Doze. A linha divisória nas vidas dos doze foi o Pentecostes,

a rigor, a linha divisória de missões de toda a história da revelação de Deus para a salvação dos perdidos. É exatamente aqui que as missões neotestamentárias iniciam um discurso progressivo em sua realização. Logo, a importância missionária desta festa judia supera a capacidade de compreensão humana quanto ao seu objetivo divino. Evidentemente,

a presença do Espírito Santo nas vidas dos apóstolos e de toda a igreja

cristã primitiva, fez toda a diferença, pois produziu a transformação em homens e mulheres de Deus. Portanto, à medida que se traça a teologia missionária dos apóstolos, seguramente se alcança a profundidade de sua motivação. A missão fundiu-se em suas vidas, tornando seu maior interesse, sua grande paixão espiritual.

Em conclusão, vamos observar o fato de que nenhum dos doze sentia estar em desequilíbrio com seu Mestre em sua expansão missionária; eles também não se sentiam em con- flito com o Antigo Testamento. De alguma maneira, todos sentiam-se colocando em prática o propósito imutável de Deus que confere unidade a toda a revelação (PETERS, 2000, p. 178).

Paulo. Dentre os apóstolos, Paulo destaca-se como a figura cen- tral na interpretação e difusão do Cristianismo. É impossível conceber o Cristianismo sem o seu ilustre teólogo, embora ele não seja cofundador ou um concorrente de Cristo. Na verdade, Cristo permanece como a fonte, base e essência de todo o Cristianismo. Certo da vontade do propósito de Deus, Paulo conduziu corajosamente suas cruzadas às cidades, províncias e aos estados, para os letrados, livres e escravos. A missão de caráter total e integral era o seu objetivo espiritual e ministerial. Para o “apóstolo dos gentios” todos devem ou- vir, devem ter uma oportunidade de conhecer o evangelho, além de que todos devem ter representação na igreja de Jesus Cristo, a qual deve ser reunida dentre as nações (Rm. 11.25; At 15.14).

Seu caminho como missionário do mundo o conduziu em suas várias jornadas missionárias por terra e mar, de cidade em cidade, e de um povo a outro povo. Nem perigos nem sofrimentos conseguiam detê-lo. De modo triunfante, ele conseguiu escrever após aproximadamente 25 anos de trab- alho árduo e próximo ao fim de uma vida produtiva: ‘Com- bati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde

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agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda’. (2Tm 4.7-8). Com isso, seus trabalhos e sua vida foram concluídos (PE- TERS, 2000, p. 184).

• A Teologia Missionária e Cristo

O Cristianismo não está apenas centralizado em Cristo. Na ver- dade, Cristo é a razão de ser do Cristianismo. E, diferentemente de muitos líderes religiosos, o perfil de Cristo não se resumia a um na- cionalista, particularista ou regionalista. Ele pode ser considerado um universalista! Ou seja, para Ele o plano divino incluía um horizonte universal sobre o qual podia se ver uma perspectiva maior do que a res- tauração do Judaísmo? A rigor, o evangelista Marcos apresenta Cristo como o profeta de Deus e o Servo de Jeová (comprove isso em 10.45). Para além da amplitude do caráter missionário de Deus, outro aspec- to a ser abordado é a urgência que o ministério de Cristo apresentou. Isso é comprovado enfaticamente nas palavras recorrente “e”, “ime- diatamente” e “diretamente”. A finalidade desta expressão se justifica através do mandado para anunciar o Evangelho para toda a criatura (Mc 16.15, 16). Ademais, Ele é o Profeta cuja mensagem deve ser propa- gada em todo mundo (Mc 13.10).

Mateus, principalmente, aceita o retrato de Marcos. Porém, procede no sentido de ampliá-lo e acrescentar a ele a nobre- za de Cristo. A realeza dominante de Cristo torna-se mais proeminente em Mateus. Ao combinar, de forma maravil- hosa, os vários aspectos da vida de Cristo, o escritor procura encaixar o retrato da nobreza e realeza de Cristo na moldu- ra da revelação do Antigo Testamento e lhe conceder a au- toridade total sobre a criação e a história. Ele aponta como Cristo é a realização das visões e profecias dos profetas do Antigo Testamento, a personificação de expectativas e aspi- rações da humanidade, e a realidade por trás de toda tipolo- gia do Antigo Testamento. A realidade espiritual em Cristo surgiu e as sombras devem desaparecer. Mateus, de uma forma linda, observa o Rei, a quem a autoridade universal foi conferida, proferindo um mandado para que todas as nações sejam discipuladas e unidas em um único corpo sob o domínio do Deus trino e uno (PETERS, 2000, p. 46).

Ressalte-se que, para o retrato que fora ampliado, o evangelista Lucas acrescenta o sacerdócio e a salvação em Cristo, os quais, embo- ra implícitos, não haviam sido explorados tão plenamente. Por fim, o

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Teologia Biblica de Missões

maior retrato é feito pelo quarto e último evangelista, João. E, de ma- neira alguma ele contradiz os demais evangelistas-autores, tampouco apaga ou altera os seus registros. Distintamente dos evangelhos sinóticos, João amplia a visão acerca do ministério do Senhor Jesus ao propor o descortinamento teo- lógico para que todos possam ver a posição de Cristo como o Filho de

Deus, igual e eterno com o Pai em suas relações espirituais. É por inter- médio do evangelho de João que Cristo é conhecido como o Logos, o Verbo encarnado, a vida, a luz que alumia todos os homens e mulheres de todas as raças, tribos línguas e nações. É o Evangelho joanino que registra as seguintes verdades mis- siológicas: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho ”

unigênito

(3. 16). “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não

para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por

ele” (3. 17). Além disso, ele assegura que Cristo é “o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (1. 29); é “o salvador do mundo” (4. 42);

o pão de Deus que “dá vida ao mundo” (6. 33); e “a luz do mundo” (8.

12; 9. 5; 12. 46). Ou seja, João estabelece convincentemente que Deus está em contato benevolente com o gênero humano propondo o resgate

a salvação para todos. E, em Cristo Jesus existe uma relação redentora entre céu e a criação divina.

Temos os retratos de Cristo como o profeta de Deus e o Ser- vo de Jeová em Marcos; como o Messias de Deus, Rei dos reis e Senhor dos senhores em Mateus; como o sacerdote de Deus e salvador da humanidade em Lucas; e o Filho de Deus em verdade e realidade que surge para trazer vida e imortalidade ao homem em João. Dessa forma em Cristo a plenitude de Deus existe completamente, uma plenitude adequada e disponível para todos os que acreditam (PE- TERS, 2000, p. 48).

Progressiva e seguramente, Cristo triunfará em todas as esferas de sua relação, afinal, não apenas é o Filho de Deus, mas também é realmente o Cristo missionário; o Cristo que oferece o recurso espiritual para a salvação de toda a humanidade e que igualmente é Senhor de todo o cosmos. Além disso, “o sentido do ímpeto missionário de Cristo torna-se claro quando consideramos seus conceitos teológicos e pres- suposições básicas. Todos eles estão repletos de conteúdo missionário

e carregados de dinâmica missionária” (PETERS, 2000, p. 48). Vale de-

stacar que tal conceito não é totalmente identificado no Antigo Testa- mento. A rigor, ele não aparece na Antiga Aliança, apenas as suas raízes

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estão lá, uma vez que o seu desenvolvimento completo é localizado apenas no Novo Testamento. Além disso, a amplitude do reino de Deus inclui todos os aspec- tos, ou seja, o reino divino é individual, racial e cósmico. É espiritual, moral e social. Ele é tanto terreno quanto atual. É eterno e encontra- se além da humanidade e da expressão verbal. Ele é ao mesmo tempo atual e eterno. Apesar de ser qualitativo ainda assim é espacial. Por fim, e não menos importante, em relação à sua qualidade, pode-se considerá-lo de três formas:

a) O domínio de Deus no coração do homem.

b) O domínio de Deus na igreja.

c) O domínio de Deus no mundo.

Portanto, fica evidente que o perfil do ministério de Cristo não é segregado, ou seja, exclusivo a um povo, ou uma nação, em um de- terminado tempo e época. Ao contrário, assim como Deus não se limita apenas aos judeus, mas inclui todas as demais nações da terra, igual- mente o reino de Deus não é apenas dos filhos de Israel, mas igual- mente para os filhos e filhas de todas as etnias de qualquer continente. Logo, “o conceito de reino de Deus é definitivamente universal em sua implicação e designação” (PETERS, 2000, p. 52).

SAIBA MAIS

BOSCH, David. Missão Transformadora: Mudanças de Paradigma na Teologia da Missão. São Leopoldo: Sinodal, 2002.

PETERS, George W. Teologia Bíblica de Missões. Rio de Janeiro:

CPAD, 2000.

John. Pacto de Lausanne. Viçosa, MG: ABU/Visão Mundial, 2003.

EXERCÍCIOS

1. Complete:

a) A linha divisória nas vidas dos doze foi o

˂˂˂

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Teologia Biblica de Missões

b) O

verdade,

não está apenas centralizado em Cristo. Na é a razão de ser do Cristianismo.

c) Em relação à qualidade do Reino de Deus, pode-se considerá-lo de

três formas. O domínio de Deus no coração do

de Deus na

, e o domínio de Deus no

, o domínio

SEÇÃO 3 – TEOLOGIA E MISSÕES

• Elementos da Teologia de Missão

Embora o plano diretor de missões que Deus estabeleceu para a humanidade faça parte do contexto do Antigo Testamento, como já mencionado, é sabido que o primeiro e principal dos missionários foi o Logos, chamado Cristo, durante a sua missão e ministério terrenos. A Grande Comissão, por sinal, foi a ultima comunicação terrena do Sen- hor Jesus não apenas para os seus discípulos e seguidores, mas conse- quentemente para a igreja de Deus na face da terra. Biblicamente missionário ou evangelista, dentro do contexto de expansão do Reino de Deus na terra, é alguém que permite ser identi- ficado como um cooperador de Deus. O apóstolo Paulo afirmou que “nós somos cooperadores de Deus” (1Co 3.9).

O alcance universal do evangelho não visa somente a alcan- çar a todos os povos e nações, falando em termos genéricos. Antes, cada indivíduo é um objeto autêntico do apelo evan- gelístico. Os trechos de I Tm 2.4 e I Jo 2.2 deixam isso bem

claro, para nada dizer sobre o ‘todo o que nele crê’ de João 3.16. Não devemos limitar isso com a doutrina da predes- tinação, a qual, apesar de ser uma verdade bíblica, enfoca uma questão totalmente diferente, não podendo ser usada como meio de anular a verdade do livre arbítrio humano, ou a verdade da responsabilidade do indivíduo, pois todos

podem e devem ser alcançados com o evangelho. Natu-

] [

ralmente, aí entramos no ministério de como a vontade do homem relaciona-se com a vontade determinadora de Deus (CHAMPLIN, 1995, p. 305).

Fica evidente que o fervor evangelístico e missionário do líder de uma igreja e das pessoas chamadas ao Evangelho é representado por todas as ações aplicadas para levar a cabo o projeto de Deus de salvação de cada pessoa. A universalidade da missão divina passa obrigatoria- mente pela individualidade de cada ser humano. E Cristo é o maior

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exemplo de missionário que fez uso de elementos missionários para alcançar cada pessoa diluída na multidão de pecadores.

• Aspectos da Missão Bíblica

Champlin (1995) oferece os principais aspectos que fundamen- tam a missão bíblica, os quais consistem nas seguintes ações.

a) Missões consistem em reação favorável, antes de tudo

sob a forma de obediência à ordem de Deus; e, em segundo

lugar, por parte do crente individual que acolheu a mensa- gem cristã.

b) Missões consistem em diálogo, uma vez que requer en-

contros pessoais. O missionário precisa ir exatamente onde as pessoas se encontram. É indispensável derrubar as bar-

reiras, mediante o processo de contato evangelístico (Ef 2.11-

16).

c) Missões consistem em translação; e, Cristo deu o exemplo

maior em sua encarnação, através da qual ele experimentou

um esvaziamento (no grego kénosis 2 ). Ou seja, ele transla- dou-se da condição divina para a humana. Evidentemente os missionários precisam passar pelo mesmo processo de translação, permitindo-se vivenciar os termos e condições daqueles que ouvem a mensagem cristã. Sem o esvaziamen- to de cada propagador do Evangelho de Jesus, o processo está fadado ao insucesso.

d) Missões consistem em serviço. Segundo os Evangelhos, o

Senhor Jesus veio ao mundo terreno não para ser servido, ao

contrário, para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mt 20.28). Biblicamente, serviço está diretamente relacio- nado ao amor, logo, o amor é a base do serviço e de todas as virtudes espirituais (Gl 5.22,23).

e) Missões consistem em presença. A maior segurança que

todos os envolvidos podem ter é a certeza da presença real

2 “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo

Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos ho- mens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.5-11).

˂˂˂

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Teologia Biblica de Missões

de Cristo em seu ministério. A rigor, Jesus prometeu estar presente tanto com os seus discípulos, quanto com todos os que o seguirem (Mt 28.1, 20). Portanto, se Cristo garantiu sua companhia, logo o missionário deve estar no lugar para aonde foi enviado. Somente assim o plano divinamente insti- tuído para a missão será cumprido. f) Por fim, missões consistem em cumprimento. O projeto de missões, segundo Deus, envolve todas as experiências que o cristão pode desfrutar, ou seja, salvação, reconciliação, e, união com Cristo. Sendo assim, as missões cristãs devem estar intimamente relacionadas ao propósito divino e uni- versal de Deus.

• A Dinâmica de Missões

Considerando que a obra missionária levada a efeito pela igreja

a todos os indivíduos que carecem do conhecimento de Deus, é evi-

dente que a dinâmica de missões está ligada diretamente ao mentor deste projeto, ou seja, o Espírito Santo. Mesmo porque é impossível fa- lar de missões sem incluir ou aludir direta e indiretamente àquele que é chamado de Consolador. Para além das conceituações teológicas que o termo exprime, o Pentecostes tem sido admitido como um evento único na história da hu-

manidade e sem paralelos na história e ciência da religião. Peters (2000, p. 363) afirma que “nenhuma outra religião cita uma cruz (redenção), uma sepultura vazia (triunfo sobre a morte) e Pentecostes (a invasão da dinâmica divina e pessoal no tempo e espaço)”. Em função disso, Pente- costes torna-se a linha divisória que demarca um novo estilo de missões no mundo. Assim como o Deus que se revela e se manifesta à humani- dade, o Espírito Santo altera o formato prático de missões centrípetas em missões centrifugas, as quais por si só se traduzem como dinâmicas

e urgentes (conforme Figura 1). Esse novo formato muda radicalmente a direção e objeto mission- ários. Ou seja, o “venha” é substituído por um “vá”, e a voz apelativa do pastor imóvel junto ao altar é trocada pelo mensageiro dinâmico que corre de um lugar a outro para chamar as pessoas a terem um encontro real e transformador com Deus. Enquanto missões centrípetas exibem templos estáveis e meticulosamente localizados para o bem estar dos expectadores, em missões centrífugas, o templo primordial reveste de pele humana a qual se torna num louvor a Deus em espírito e verdade,

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sem limitação de espaço ou acomodações físicas. Logo, a manifestação plena de Deus no contexto eclesiástico e missionário torna-se a evidên- cia da qualidade do Evangelho e da igreja de Cristo, a qual é em si mesma o templo do Espírito Santo.

Parákletos sempre significa alguém que é chamado por

Na Septuaginta, ger-

almente é dado o significado de ‘conforto’ e ‘apoio moral’ que mantêm um homem de pé e o salva de desabar sob o

Essa é uma palavra da

corte grega usada para convocar um advogado e um con- selho para a defesa de uma pessoa acusada, e que é usada

também para estimular homens a realizarem feitos nobres e

] A pa-

lavra latina ‘advogado’ é um equivalente próximo ao grego parákletos, e o sentido esclarece muito a obra do Espírito. Ambas as palavras significam ‘apelar a alguém em busca de ajuda’, especialmente contra um acusador ou juiz (BAR- CLAY, 1958 apud PETERS, 2000, p. 366, 367).

terem grandes ideais, encorajando-os na batalha. [

peso da pressão e das tensões. [

ajuda e para prestar um serviço. [

]

]

Evidentemente, é preciso ter em mente o propósito divino para o “Pentecostes”. Para a redefinição do paradigma de missões na Nova Aliança, nada melhor do que fazer o seu “lançamento” numa festa “ofi-

cial”. Afinal, é um marco histórico, uma nova realidade espiritual para

o contexto missionário. Segundo Peters (2000, p. 370), um novo templo

de pedras vivas fora construído; um novo sacerdócio fora consagrado; uma nova criação surgira; e uma nova geração de homens e mulheres nascera para servir como agentes do Espírito Santo na efetivação e propagação do plano divino de salvação para a era presente. Missões remetem ao Pentecostes, e o Espírito Santo dá um novo sentido ao Pentecostes. Se não é possível excluir a referência do Pen- tecostes na história das missões bíblicas, igualmente é impossível sub- trair a pessoa do Consolador na mentoria do maior projeto de seleção e

aprimoramento que a história da igreja já experimentou. E essa mara- vilhosa história tem sua gênese no livro neotestamentário de Atos dos Apóstolos 3 . A direção do Espírito Santo em missões fica evidente em

todos os capítulos do livro de Atos. A propósito, ele não era apenas um residente, um cooperador, um companheiro, na verdade ele presidia

a igreja recém-formada. Há diversas referências da atuação positiva e

decisiva do Espírito Santo sobre os apóstolos, líderes e liderados nos primórdios da era cristã, o que pode ser comprovado através da mo-

3 Título contestado por muitos teólogos, segundo os quais o referido livro de-

veria levar o nome “Atos do Espírito Santo” em virtude da importância e atuação divina na condução inicial da igreja cristã.

˂˂˂

19

Teologia Biblica de Missões

tivação poderosa, horizontal e externa no universo da evangelização da igreja considerada primitiva. Portanto, a partir dos relatos do livro

de Atos se identifica o Espírito Santo como o iniciante, motivador e su- perintendente de missões do mundo (tanto daquela época quanto até

o presente momento). Isso é evidente quando se estuda e se analisam

profundamente todas as etapas de expansão da igreja, as quais foram divinamente iniciadas e inspiradas. O Parákletos era o supremo estrat- egista.

Peters (2000, p. 398) deliberadamente, escolhe a palavra “emergência” em relação à proclamação do Evangelho, em vez da pala-

vra “urgência”, por ser este um termo relativo, enquanto que aquela im- plica problemas. Para esse autor, nenhuma emergência, contudo, pode ser comparada a emergência da proclamação do evangelho. Isto é, a igreja envolvida em missões enfrenta não apenas uma questão de vida ou morte de uma pessoa, mas de bem-estar espiritual e eterno ou sepa- ração eterna, destituição e morte de todo o gênero humano. A emergên- cia, portanto, se fundamenta em declarações do Senhor Jesus, contidas no texto sagrado. Senão veja a cruz não significa um espetáculo; ela é uma necessi- dade e uma exigência divina que surge da essência de Deus. Ele mesmo disse “convém que eu faça as obras daquele me enviou, enquanto é dia;

a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (Jo 9.4). Em outro con-

texto, Ele argumenta: “Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo: levantai os vossos olhos e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa” (Jo 4.35). Palavras similares são encontradas em outra parte dos Evangelhos as quais ecoam ainda hoje nos corações que ardem por missões: “A seara é realmente grande, mas pouco os ceifeiros. Rogai, pois ao Senhor da seara que mande ceif- eiros para a sua ceara” (Mt 9.37, 38).

• Missão Enquanto Resposta à Humanidade

Para Douglas Webster “existem hoje em dia dois tipos básicos de ansiedade: a busca pela segurança e a busca por sentido” (Webster, 1955 apud Peters, 2000, p. 402). Não se pode afirmar qual das ansiedades é mais penosa ao ser humano, o que se sabe é que ambas o tornam mais vulnerável diante das situações que a vida lhe propõe. Ter segurança e sentido na vida não representa a total felicidade, mas significa quali- dade de vida emocional e espiritual. E, nesse âmbito, a religião se apre- senta, muitas vezes, como um recurso às pessoas em conflito. Entretan-

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to, nenhuma situação pode ser aliviada oferecendo ao homem apenas religião, ou até muita “dose” de religião. Afinal, o mundo está repleto de religiões. E, dada à impotência da religião, não é possível salvar o homem de sua existência patética. Considere a gloriosa mensagem bra- dada há séculos antes de Cristo fazer seu convite: “Ó vós todos os que tendes sede, vinde ás águas, e vós que não tendes dinheiro, vinde, com- prai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite” (Is 55.1). Tal mensagem pode ser considerada uma “música” aos ouvidos dos pecadores e pecadoras em meio às obras contrastantes, dos méritos e recompensas das religiões. Enquanto a religião meramente instituída não oferece as respos- tas e alento que as pessoas buscam, por sua vez, a situação espiritual da humanidade gera uma emergência que exige a rápida proclamação do Evangelho entre todas as nações e para todas as pessoas. É exatamente aqui que se encontra o chamado, o comando, a razão, a autoridade e a urgência da ação missionária da igreja de Cristo Jesus. Se ação missionária pode ser entendida como a transmissão con- sciente e planejada das Boas Novas de Cristo para todas as pessoas, em todos os lugares, a todo tempo, e de todas as formas, espera-se, por- tanto, que os vocacionados e envolvidos nesse projeto divino estejam completamente envolvidos sob o poder do Espírito Santo, o qual man- tém sua posição na vanguarda das missões, desde quando esse projeto ainda residia apenas no coração de Deus. [Vale salientar que a próxima Unidade abordará mais precisamente este assunto].

SAIBA MAIS

BOSCH, David. Missão Transformadora: Mudanças de Paradigma na Teologia da Missão. São Leopoldo: Sinodal, 2002.

CHAMPLIN, R. N. & BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo: Candeia, 1995.

PETERS, George W. Teologia Bíblica de Missões. Rio de Janeiro:

CPAD, 2000.

˂˂˂

21

EXERCÍCIOS

 

1.

Responda: Champlin (1995) se nos oferece os principais aspectos que

 

fundamentam a missão bíblica, os quais consistem nas seguintes ações. Comente sobre apenas três (3) desses aspectos.

a)

b)

c)

 

2.

Complete:

a)

sempre significa alguém que é chamado por

ajuda e para prestar um serviço.

b) Para Douglas Webster “existem hoje em dia dois tipos básicos de

ansiedade:

e

 

(Webster, 1955 apud Peters, 2000, p. 402).

SEÇÃO 4 – HISTÓRIA E MISSÕES

 

Primeiros Esforços Missionários

O livro de Atos consiste, essencialmente, no relato sobre como os apóstolos, os discípulos e a igreja nos seus primórdios imediatos propa- garam o manifesto evangelístico-missionário de Cristo, a despeito das perseguições que se avolumaram nesse período da história da igreja. Vale ressaltar ainda que, nesse período, continuava forte e contínua a autoridade apostólica. De acordo com as tradições cristãs, cada após- tolo abriu e estabeleceu algum tipo de campo missionário em regiões consideradas estrangeiras. Depreende-se disso como sendo um mod- elo bíblico eficaz para a prática de missões transculturais. A rigor, esse modelo é considerado eficiente com base no texto de Cl 1.6 o qual re-

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˃˃˃

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lata que o mundo inteiro recebera a mensagem cristã. Pode-se supor, portanto, que os principais centros já haviam sido atingidos no mundo conhecido de então (CHAMPLIN, p. 304).

As primeiras missões cristãs enfrentaram a oposição dos perseguidores romanos e judeus; mas esses elementos não conseguiram restringir eficazmente a propagação da men- sagem de Cristo. De fato, o avanço missionário da igreja primitiva, e que teve continuidade nos primeiros poucos séculos, foi simplesmente dramático. O evangelho de Cris- to ultrapassou em muito as fronteiras do império romano (CHAMPLIN, 1995, p. 304).

Não obstante o seu contínuo progresso, o Cristianismo sofreu igualmente os efeitos da ação restringidora do Islamismo, embora sécu- los adiante. Ação essa que histórica e geograficamente tem-se mantido em regiões que até o momento concentram o maior número de fiéis à doutrina islâmica. [Esse tema será retomado mais adiante].

• Missões Católicas Romanas na Idade Média

Embora as igrejas protestantes – em suas diversas ramificações – sejam as que atualmente promovam o avanço missionário em diversas regiões ao redor da terra, é importante destacar que a igreja católica romana nunca perdeu sua visão missionária, segundo Champlin (1995). Países inteiros foram evangelizados por missionários pessoalmente enviados por vários papas. A história do Cristianismo na América do Sul, especialmente no Brasil atesta este fato. Seguramente, um dos fatos mais notáveis dos protestantes é a extensão e a eficácia de seus esfor- ços missionários; isso também é uma verdade inexorável, dado o cres- cimento vertiginoso desse ramo do Cristianismo na atual conjectura. Todavia, não se pode prescindir que a igreja católica romana, durante vários séculos, foi a igreja organizada de Cristo no mundo. Quanto ao movimento moderno missionário, pode-se afirmar

que,

O fervor evangelístico entre os protestantes e os evangélicos

até agora tem prosseguido, ainda que alguns se queixem

que esse fervor diminuiu um tanto, nos últimos vinte anos.

È verdade que o avanço missionário no século XIX repre-

sentou o maior movimento de avanço do evangelismo inter- nacional desde os dias dos apóstolos. As missões modernas surgiram na Alemanha, entre os luteranos, embora em breve se tenha estendido a outros grupos, formando um esforço

˂˂˂

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Teologia Biblica de Missões

internacional e interdenominacional. No século XX, o cen-

tro do movimento missionário transferiu-se da Europa para

a América do Norte. Esse foi um desenvolvimento históri-

co lógico. A America do Norte conta com a prosperidade econômica necessária para a promoção vigorosa de missões

no estrangeiro. Grandes sociedades missionárias, em quase todas as denominações, formaram-se, e a vida missionária passou a ser um grande desafio e aventura. Nem mesmo

o liberalismo conseguiu refrear o movimento, visto que os

grupos independentes, saídos das denominações maiores, sempre estiveram interessados, quase ao ponto de fana- tismo, no evangelismo. Os evangélicos fragmentam-se por motivos doutrinários sem importância; mas cada fragmento tem permanecido zeloso quanto ao empreendimento mis- sionário (CHAMPLIN, 1995, p. 305).

Evidentemente, isso representa um agudo corte na história da missão eclesiástica, mas não deixa de lado as principais razões dos es- forços missionários da igreja de Cristo nos últimos anos.

• A Tarefa Missionária

Peters (2000), em seu livro “Teologia Bíblica de Missões” apre-

senta com extrema clareza e fundamentação os quatro aspectos da na- tureza imutável da tarefa missionária:

A tarefa missionária é espiritual: a tarefa missionária está es-

sencialmente comprometida com o Espírito Santo. Assim como a salva- ção originou-se no eterno plano de Deus e foi obtida historicamente na pessoa e obra de Cristo, a administração e efetivação da salvação foram delegadas ao Espírito Santo. Portanto, apenas o Parákletos pode tornar

real a salvação obtida no sacrifício vicário do Calvário. Missões – essen- cialmente um ministério do Espírito Santo – é tanto um conforto quanto um desafio para a igreja de Cristo representada por todos os que creem em Jesus e vivem sob sua Palavra: significa um conforto no sentido de que podemos confiar plenamente n’Ele para realizar a obra missionária, e ao mesmo tempo significa um desafio segundo o qual apenas pessoas com recursos sancionados pelo Espírito e métodos aprovados por Ele, podem ser usados eficientemente em ministérios de missões.

A tarefa missionária é bíblica: para Peters (2000, p. 194, 195),

“um professor eficiente da Bíblia será também um professor de missões, pois missões está inclusa no ímpeto total da Palavra de Deus”. Ele apro- funda a questão ao dizer que uma missão não fundamentada numa in- terpreção bíblica precisa seguramente será esporádica e irregular. Logo, uma teologia bíblica de missões requer um conhecimento absoluto da

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mensagem como é encontrada na Bíblia, e uma familiarização íntima e pessoal com Cristo.

A tarefa missionária é feita por fé: do ponto de vista objetivo,

o Cristianismo é uma religião de revelação sobrenatural; entretanto, do

ponto de vista subjetivo, representa uma religião de fé. Mesmo porque, não há obra espiritual verdadeiramente cristã que não seja também uma obra essencialmente de fé. Sentimentalismo ou boa vontade humana é insuficiente para aliviar os fardos, frustrações e desapontamentos da tarefa missionária.

Ela desenvolve-se em uma certa atmosfera e deve ser cui- dadosamente cultivada. Isso requer tempo, disciplina, paciência, espera humilde na presença de Deus, permanên-

cia em Cristo, e um interesse absoluto na palavra de Pala-

Homens de fé não surgem em uma estufa

teológica ou uma organização eclesiástica, mas também não surgem no vacuo. Eles prosperam apenas na presença de Deus, em uma caminhada com Deus, e nas batalhas da vida. Os homens dessa espécie são raros; ainda assim eles são de- masiadamente necessários (PETERS, 2000, p. 198).

vra de Deus. [

]

A tarefa missionária é humana: apesar de sua reconhecida im-

portância, o humanismo e o liberalismo teológico, sem dúvida, enfa- tizaram demasiadamente esse fator gerando missões quase totalmente antropocêntricas e filantrópicas. Por outro lado, o Cristianismo evan- gélico subestimou grandemente esse fator vital. Ou seja, o homem e a mulher são seres essencialmente de interação social. Muito dos fracas- sos no trabalho de missão e nas igrejas de ação missionária, deve-se ao fato de que os agentes missionários não foram capazes ou não estavam dispostos a realizar tal adaptação cultural, integração social, penetração psicológica e identificação espiritual para tornar a comunhão espiritual profunda, duradoura, contagiante e vital. E isso teve um alto custo: re- sultados não condizentes com o potencial que a missão de Cristo per- mite.

Portanto, considerando que a tarefa missionária apresenta os di- versos aspectos supracitados, pode-se supor que a entrega de todos os que promoverão o fomento missionário redundará num maior cresci- mento igualmente espiritual, bíblico, e humano. Em outras palavras, se

a tarefa missionária é total, a entrega de seus agentes deve ser integral.

˂˂˂

25

Teologia Biblica de Missões

• A Cosmovisão e a Comunicação Transcultural

É inviável tratar de missões e não incluir a temática da cosmov-

isão. Mas, afinal de contas, o que isso significa? De acordo com os pes- quisadores, toda a forma pela qual as pessoas veem a realidade pode ser denominada cosmovisão; é a maneira pela qual as pessoas veem ou percebem o mundo, ou seja, a forma como o “conhecem”. Evidente- mente aquilo que as pessoas veem é em parte o que existe. E, esses el-

uma cosmovisão.

É claro que o conceito não se isenta de certo grau de indefinição e de ambiguidade. Michael Kearney escreve: “A cosmovisão de um povo é o modo pelo qual ele enxerga a realidade. Consiste em pressupostos e imagens básicos que proporcionam uma forma mais ou menos coesa de pensar sobre o mundo, embora não obrigatoriamente exata” (HESSEL- GRAVE, 1991, p. 220). Para esse pesquisador, discutir a problemática da cosmovisão e a comunicação transcultural pressupõe estabelecer um entendimento progressivo e sistemático dentro do pensamento da mis- siologia, senão veja:

a) As pessoas em grandes agrupamentos culturais tendem

a compartilhar de certas ideias comuns e fundamentais para

a definição da realidade que as cerca. Essas ideias comuns evidentemente fazem parte da cultura. Qualquer cultura é constituída dos hábitos de um povo, seus usos e costumes,

sua língua, suas realizações e de suas estruturas sociais. Tra- ta-se também da importância maior das pessoas e das coisas em relação com as quais esses aspectos da cultura ganham sentido. Pode-se comparar a cultura a uma peça de tapeçaria grande e complexa. Ela é constituída de incontáveis fios e linhas de variadas cores, de traços e sombreados distintos – e estes compõem o mosaico ou padrão geral, o qual, por sua vez, é útil na interpretação de qualquer parte. Cultura pode ser comparada a esse todo, e a essa realidade mais ampla.

b) Em segundo lugar, as pessoas nascem e são educadas den-

tro de uma determinada cultura. Emprestando o termo dos

antropólogos, as pessoas são enculturadas. Nesse processo,

a cultura torna-se um elemento singularmente delas, ou seja,

a realidade cultural torna-se a realidade delas durante um determinado tempo.

c) Em terceiro lugar, uma vez que as pessoas tendem a levar

muito a sério essas perspectivas culturalmente definidas da

ementos misturam-se para formar uma realidade

,

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realidade, o comunicador missionário também deve encará- la com a máxima seriedade possível. Se ignorar isso, poderá ficar incapacitado de se comunicar com eficiência, bem como de comunicar eficazmente o Evangelho de Cristo. Evidente- mente, isso não significa que todas as formas de ver a reali- dade sejam válidas. Todavia, o que se deve destacar aqui é a forma de ver a realidade predominantemente numa cultura receptora e válida para os membros daquela cultura. É essa validade que deve ser levada muito a sério pelo missionário desejoso de comunicar a Cristo na cultura receptora. Uma vez que os receptores decodificarão a mensagem dentro da estrutura da realidade fornecida pela própria cultura deles, o missionário precisa codificar sua mensagem tendo em mente essa “realidade”. É exatamente aí que inicia a verdadeira co- municação missionária. Embora a exposição anterior possa parecer confusa, na verdade ela pretende informar ao missionário que todos os argumentos antrop- ológicos e teológicos necessitam de uma roupagem cultural a fim de que o Evangelho de Cristo seja compartilhado e percebido tanto pelo missionário quanto pelos alcançados pela Palavra. Ou seja, o mission- ário aceita gentilmente o axioma de que sua tarefa é transmitir Cristo a todo o mundo. Isso parece bem simples, mas é de fato um tanto com- plexo. E, complexo por pelo menos três razões: primeira, geralmente há muitas opiniões sobre “Cristo”; segunda, há muitas formas de “co- municar” Cristo e seu Evangelho; e, terceira, há muitos “mundos” aos quais Cristo precisa ser comunicado. quando entender e responder essas questões, se sabe que o missionário captou o sentido da missão transcultural. Há outra questão séria a ser discutida na esfera da missiologia:

a ocidentalização do Evangelho. Por exemplo: se a teologia sistemática, do modo que se conhece, significa uma das grandes contribuições da igreja do Ocidente para as missões mundiais, ela também lhes causa um dos maiores problemas. Para Hesselgrave (1991, p. 226), com base na teologia sistemática, os missionários tendem a empregar uma es- trutura truncada e descontextualizada, aplicando-a à evangelização, além de negligenciarem a teologia bíblica. Quando se utilizam narra- tivas bíblicas ou se traduzem os evangelhos do Novo Testamento, eles raras vezes são integrados ao contexto da “história completa”, ou seja,

o Antigo Testamento tem recebido atenção bastante limitada, embora o

Novo dificilmente possa ser compreendido sem ele. Os missionários e

˂˂˂

27

missiólogos ocidentais têm apresentado “pequenos quadros”, sem for- necer o “quadro completo”, ao qual pertencem aqueles que constituem partes inconfundíveis, mas isoladas.

SAIBA MAIS

 

CHAMPLIN, R. N. & BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo: Candeia, 1995.

 

HESSELGRAVE, David J. A Comunicação Transcultural do Evangel- ho. São Paulo: Edições Vida Nova, 1991.

PETERS, George W. Teologia Bíblica de Missões. Rio de Janeiro:

CPAD, 2000.

EXERCÍCIOS

1. Responda:

a)

“A igreja católica romana nunca perdeu sua visão missionária”, se-

gundo Champlin (1995). Explique essa afirmação.

b) Explique o que vem a ser “cosmovisão”.

c) Peters (2000), em seu livro “Teologia Bíblica de Missões” apresenta

Teologia Biblica de Missões

com extrema clareza e fundamentação os quatro aspectos da natureza

imutável da tarefa missionária. Logo, a tarefa missionária é e

,

,

,

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˃˃˃

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RESUMO DA UNIDADE

Parabéns! Ao finalizar a primeira Unidade da disciplina Teolo- gia Bíblica de Missões, você atingiu aproximadamente 50% do conteú- do deste livro. E, isso foi necessário para uma melhor compreensão do que vem por aí. Pois bem, nesta primeira Unidade você teve condições de con- hecer ou relembrar os fundamentos teológicos do pensamento mis- siológico no Antigo Testamento, bem como a fundamentação teológica exarada nas páginas do Novo Testamento. Isso foi fundamental para reorganizar os assuntos que vieram na sequência desta Unidade e que estão por vir na próxima. Por fim, e não menos importante, a Unidade 1 enfatizou como se deu a relação entre a teologia e as missões na prática eclesiástica, além de destacar o papel das missões na história da igreja cristã em todo o seu potencial evangelístico-missionário. Portanto, caro aluno e aluna da Facel, com base no que foi es- tudado, vocês podem dar sequência ao aprofundamento das questões missiológicas as quais vão relacionar o papel das igrejas locais bem como os missionários. Bons estudos!

Teologia Bíblica de

Missões

UNIDADE II A Responsabilidade da Igreja e os Desafios Missionários

Teologia Bíblica de Missões UNIDADE II A Responsabilidade da Igreja e os Desafios Missionários

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Teologia Biblica de Missões

PARA INÍCIO DE CONVERSA

Após a conceituação dos fundamentos bíblicos e do pensamento teológico tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a Unidade se- gunda deste livro abordará sobre as questões que envolvem uma con- scientização mais realista do contexto missionário atual. As missões da igreja do Senhor Jesus precisam sair do plano teórico e se aventurar no campo prático das missões, quer sejam elas na- cionais, quer sejam elas em outros países. Seja bem-vindo a esta camin- hada espiritualmente fascinante!

SEÇÃO 1 – AS MISSÕES E A IGREJA

• Missiologia e Outros Termos

Parece importante destacar, inicialmente, a distinção de al- guns termos usualmente empregados no estudo da teologia bíblica de missões. Há termos que aparentemente são sinônimos, mas isso não passa de um equívoco. É fundamental aos estudantes em teologia ter noção do significado de cada um desses termos tanto para o seu conhe- cimento teológico quanto para o seu desempenho acadêmico e ministe- rial. Evidentemente há diversos estudos e tratados teológicos os quais propõem essa diferenciação nos termos considerados missiológicos. Este estudo faz a opção por González (2008) por considerá-lo um refer- encial no contexto do estudo da teologia da missão. Segundo González (2008, p. 23), “a missiologia é a disciplina que estuda, de forma sistemática e coerente, tudo o que for relacionado à

missão de Deus e à da comunidade da fé”. Para ele, a missiologia consti- tui-se numa disciplina bastante ampla a qual se desenvolve em constan-

te diálogo com outras ciências humanas, como por exemplo, a Antropo-

logia, a Economia, a História, (incluindo especificamente a História das Religiões), a Teologia Sistemática além de outras disciplinas correlatas. Por outro lado, o termo “missão” significa toda a atividade de Deus em relação ao mundo, mas especificamente em relação ao gênero humano. Teologicamente, Deus é o protagonista da missão. Missão esta cuja finalidade única consiste na ação divina no mundo através de sua

graça, para reconciliá-lo consigo mesmo. (Veja isso em 2Co 5.19). No

entanto, Deus compartilha com a sua igreja essa gloriosa missão. Logo,

o povo de Deus, surge dessa missão e dela é convidado a participar.

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Biblicamente, desde o início, Deus sempre quis compartilhar com sua criação os seus feitos; não por acaso, a comunhão é uma das experiên- cias mais profundas que a igreja pode usufruir diante de Deus, e, mel- hor, com Ele. Portanto, em termos de missão, a igreja nasce em função da missão de Deus, conserva-se nela, bem como se transforma através dela.

Finalmente, faz-se necessário enfatizar outro termo muito utiliza- do no tratado teológico de missões. Evidentemente, o termo “missões” está historicamente carregado de diversos significados e aplicações. Para além de sua contextualização eclesiástico-religiosa, segundo a qual, o termo pode assumir significativos específicos, pode-se afirmar que o termo “missões”, em geral, refere-se às diversas atividades do povo de Deus na comunicação do evangelho de Cristo Jesus a todas as pessoas.

O conceito de “missões” refere-se ao movimento do cris-

tianismo, ainda dentro de uma área geográfica com a pre- sença cristã. Como veremos nesta História, o cristianismo, em suas muitas variantes, tem maneiras de introduzir-se e reintroduzir-se em uma mesma região geográfica, gerando relações variadas e diversas. Portanto, as missões são as atividades dirigidas a estender a fé cristã, mesmo em lugar- es onde a fé já existe. As “missões” são o que a igreja tem feito – bem ou mal – na gestão de estender a fé fora e dentro das fronteiras onde ela mesma está arraigada (GONZÁLEZ, 2008, p. 23, 24) – grifo do autor.

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Finalmente, quando se estuda a missiologia em toda a sua man- ifestação divino-humana, deve-se propor uma releitura constante do fazer missões que foi determinado à igreja do Senhor Jesus. Por exem- plo, embora historicamente postas em lugares distantes, a história da igreja e a história das missões não deveriam ser estudadas e entendidas separadamente.

Infelizmente, a própria definição das disciplinas – História da Igreja e História das Missões – mostra uma dicotomia, uma estrutura bipolar que parece negar a unidade entre igreja e missão, insinuando que há certos capítulos na vida da igreja que são parte de sua verdadeira “história” e outros que somente são parte de sua “missão” (GONZÁLEZ, 2008, p. 25).

Evidentemente, não se propõe aqui o rompimento desta estru- tura teológica e historicamente bipolar das disciplinas supracitadas. Entretanto, se espera que esse fato leve os acadêmicos em teologia a

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uma profunda reflexão e uma nova postura frente a esta situação. Espe- ra-se, também, o dia no qual a academia teológica não aceite o estudo em separado de ambas as disciplinas, como se fossem independentes ou incomunicáveis entre si. A bem da verdade, ambas as disciplinas – história da igreja e história das missões – não podem prescindir-se uma da outra, sob o custo de dessa história não ser absolutamente imparcial. Ou seja, uma história depende da outra, ou ainda, uma história está diretamente inserida outra. Um segundo efeito colateral desta bipolaridade histórica con- siste numa interpretação exponencial do crescimento da fé cristã. E isso representa um equívoco, conforme constata González (2008):

Esta história movimento cristão afasta-se de tal visão do crescimento cristão, unindo-se às vozes crescentes e inova- doras de historiadores em todas as partes do mundo, para aliada a elas propor o seguinte: 1) O movimento do cristian- ismo é em série. A fé move-se do centro à periferia, trans- formando tanto a periferia quanto o centro e criando novos centros que retomam seus movimentos até a periferia (que muito bem pode ser um antigo centro). 2) Esse movimento afeta a tarefa teológica e a vida das comunidades da fé tanto no centro quanto na periferia. 3) A atividade missionária da periferia mostra grande vitalidade por causa de inserções da chamada atividade com culturas não-ocidentais, ricas em diversidade religiosa, étnica e teológica, como também por seu contexto de lutas de classes em prol da justiça de grupos oprimidos, tais como mulheres e crianças. 4) O cristianismo está adquirindo uma configuração mundial, transcultural e contextual que requer novas lentes para observar e novas penas para escrever a história da igreja (GONZÁLEZ, 2008, p. 27, 28) - grifo do autor.

• A Grande Comissão

Teologicamente, a Grande Comissão significa a ordem de Jesus concedida inicialmente aos seus discípulos, e, por conseguinte, à sua igreja a fim de fazer conhecido o seu Evangelho a todas as pessoas ao redor do mundo. Ela é concedida por cada um dos quatro evangelis- tas (Mt 28.18-20; Mc 16.15, 16; Lc 24.46-49; Jo 20.21, 22) e nos Atos dos Apóstolos (At.1.8). Também é reiterada por parte de Paulo como está registrado em Atos 26.13-18. Em relação à Grande Comissão, Peters (2000) aborda com pro- fundidade e clareza a partir dos seguintes elementos.

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• Integridade

A autenticidade e genuinidade da Grande Comissão, especial- mente como encontradas em Mateus e Marcos, têm sido criticadas por representantes do nacionalismo e da crítica erudita. Estudiosos, contu- do, tem defendido rigorosamente tanto a genuinidade quanto a auten- ticidade das passagens e têm mantido sua posição baseados em eviden- cias internas e externas.

• Interpretação

Tem-se discutido sobre o destinatário da Grande Comissão. Elas foram proferidas unicamente para os discípulos e apóstolos de Jesus Cristo? Ou elas foram dirigidas para os apóstolos enquanto repre- sentantes da igreja de Jesus Cristo? A ciência teológica tem procurado responder a essas questões, e acredita que a Grande Comissão é di- rigida à igreja e deve ser obedecida até o final dos tempos, devendo ser interpretada à luz de total revelação. É profundamente lamentável que a Grande Comissão tenha sido mais debatida do que obedecida na história da igreja.

• Relação com o Cristianismo

Importante destacar que a Grande Comissão não torna o Cris- tianismo uma religião missionária. O Cristianismo, na verdade, assim o é devido a sua fonte, natureza e desígnio absoluto. Os apóstolos tor- naram-se missionários não devido a uma comissão, mas essencialmente pela presença do Espírito Santo, o qual é um espírito que se comunica e testemunha.

• Importância

“Sua singularidade como uma ordem do Senhor ressuscitado torna-a única entre suas palavras e torna-a mais do que uma comissão entre muitas ordens aos discípulos” (PETERS, 2000, p. 211). A exposição da Grande Comissão através de cada um dos evangelistas testemunha sua tradição viva na igreja antiga. Por sua vez, o livro de Atos demon- stra sua dinâmica no movimento original do cristianismo.

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• Natureza Composta

A natureza intrínseca da Grande Comissão é compartilhada pelo

fato de ser relatada nos quatro Evangelhos bíblicos. A propósito, ne- nhum deles aborda sobre ela em sua plenitude, mas se complementam muito bem. Senão, veja:

- Mateus: a autoridade, o objetivo inclusivo e a extensão de tem- po da ação. - Marcos: a urgência, o método e a dimensão geográfica da ação.

- Lucas: a mensagem centrada em Cristo e a universalidade da

ação.

- João: o preparo espiritual e a natureza espiritual da ação.

• Dimensão e Padrão

Ao analisar a Grande Comissão descobrem-se dois imperativos que a orientam, e eles são encontrados nos Evangelhos de Mateus e Marcos nas expressões “fazei discípulos” e “pregai o evangelho”. Logo, ao considerar composta a Grande Comissão como registrada em todos os quatro Evangelhos, se percebe que o objetivo principal é “fazei dis- cípulos” de todas as nações.

Importância Teológica

Segundo Peters (2000), devido a sua amplitude teológica, a Grande Comissão estabelece os seguintes fatos:

A soberania do Senhor do Evangelho Cristão (Mt 28.18;

Fp.2.9-11; e, Ap 3.7).

O imperativo do Evangelho cristão (Mt 28.18-20; Mc 16.15-

16; e, Lc 24. 44-47).

A universalidade do Evangelho cristão (Mt 28.18-20; Mc

16.15-16; Lc 24.44-47; e, At 1-8).

A natureza do Evangelho Cristão (Lc 24.46-47; Jo 20.23; At

26.15-23; e, 1Co 15.1-3).

O auxílio humano na proclamação do Evangelho Cristão

(Mt 16.15-16; Lc 24.48; e, At 1.8; 26.16).

A necessidade de preparo espiritual para ministrar com

sucesso o Evangelho cristão (Lc 28.49; Jo 20.22; e, At 1.8).

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• Importância Psicológica

A importância psicológica da Grande Comissão é compreendida

pela percepção que é a Palavra que confere conceitos à mente, condicio- na os corações à obediência, e orienta objetivamente as vidas dos cris- tãos. Conforme o salmista já antecipara, a Palavra é uma lâmpada ao nosso alcance e uma luz em nosso caminho. Evidentemente, sem a Pa- lavra, o ministério do Espírito Santo permaneceria como uma dinâmica vaga e indefinida na vida dos seus servos.

Propósito

A natureza missionária da Grande Comissão flui de Deus, única fonte do Cristianismo. Entretanto, a principal importância histórica da Grande Comissão encontrava-se no fato de que ela fornece à igreja o

padrão e propósito de missões. Ou seja, ela define e estabelece a tarefa missionária. Temos na Grande Comissão um compasso, um mapa e um plano, os quais revelam verdades e princípios para guiar a igreja na evangelização do mundo e definir em termos específicos o aspecto mis- sionário do ministério da igreja. Conclusivamente, à medida que se revisam o mandato da Grande Comissão, pode-se resumir essa sublime tarefa da igreja de Cristo em afirmações que apresentam o padrão e o propósito de missões. Segun- do Peters (2000, p. 260, 261), a Grande Comissão consiste em:

- Apresentar Cristo de forma viva, clara, atrativa, eficaz e per-

suasiva ao mundo e às pessoas como o Salvador enviado por Deus, o Senhor soberano do universo e futuro juiz da humanidade.

- Guiar as pessoas a uma relação de fé em Jesus Cristo a fim de

que possam experimentar perdão dos pecados e renovação de suas vi- das.

- Separar e congregar os crentes em Jesus através da realização

do batismo em águas, estabelecendo-os em igrejas dinâmicas e atuantes.

- Firmar os cristãos na doutrina, nos princípios, na amizade e

serviço cristãos.

- Treinar os cristãos a viver de acordo com o padrão do Espírito

Santo, considerando que a vida cristã contém exigências e ideais espiri- tuais, e que somente deve ser explorada através de uma confiança plena

no Consolador prometido por Jesus à sua igreja.

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• A Igreja e Suas Missões

Missões não se constituem uma imposição feita à igreja, mesmo porque elas fazem parte de sua natureza e deveria ser tão natural quan- to as uvas são naturais para os galhos do vinhedo. Missões fluem da constituição, do caráter, chamado e desígnio da igreja.

O Novo Testamento usa a palavra ekklesia para transmitir o

conceito de igreja. A palavra em si é um composto formado a partir de kaleo, “chamar”, e ek, “de”. O verbo composto,

portanto, significa “chamar de”, e o substantivo significar-

ia “os chamados”. Porém, o uso no Novo Testamento tem

mais o significado de “convocar”. A palavra ekklesia, que sempre tem uma implicação positiva, refere-se mais a uma assembleia de pessoas que estão relacionadas a Deus e a Ele obedecem, do que a uma concepção negativa daqueles que foram chamados para fora do mundo (PETERS, 2000, p. 245).

A ênfase no Novo Testamento está concentrada na evangeliza- ção através da comunicação da mensagem de Deus – o Evangelho – que

é encarregada à igreja do Senhor Jesus. Segundo Peters (2000, p. 259)

mais de 140 vezes o Novo Testamento usa palavras tais como diagello, “anunciar”, kataggello, “contar totalmente”; euaggelizo, “espalhar boas novas”; ladeo, “conversar ou falar”; e kerusso, “anunciar”, ou “procla- mar”.

Tão importante quanto a definição dos diversos termos que os missiólogos empregam na ciência teológica é a clara definição da con- ceituação missiológica para a igreja o seu fazer missionário. Parece que um dos maiores desafios da igreja contemporânea é a conceituação mis-

sionária para o Corpo de Cristo. Afinal, quais as missões da igreja? Qual

a natureza destas ações missionárias? Saber e compreender as respos-

tas destas questões é imprescindível para a igreja saber o “por que”, o

“quê” e o “como” de seu envolvimento missionário. Do ensinamento do Novo Testamento percebe-se facilmente que

a igreja opera em três direções relacionais: para cima, em direção a Deus em glorificação; para dentro de si mesma em edificação, purificação, educação e disciplina; e para fora, em direção ao mundo e às pessoas, em ministérios de evangelização, missões e serviço. Para Piragine Junior (2006, p. 76), “como pode a igreja ser o que deve ser, e fazer o que deve fazer, se não tiver uma compreensão clara de sua missão”? Curiosa e didaticamente, ele mesmo sugere três novas

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questões para responder a esta pergunta: 1) Qual a missão da igreja em relação a Deus? 2) Qual é a missão da igreja em relação ao mundo? 3) Qual é a missão da igreja em relação à comunidade visível dos salvos?

• A missão da igreja em relação a Deus

Teologicamente, a missão da igreja em relação a Deus está fun- damentada em diversas passagens bíblicas, entre elas, podem-se incluir

as seguintes: Ef 1.3-14, Is 43.7, e, Mc 12.29-31. O texto de João 4.23, 24 usualmente é compreendido como uma base clara para o entendimento desta missão: “No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em ver- dade. São estes os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”.

A partir destes textos, e de outros, a igreja precisa se conscien-

tizar que ela tem inicialmente uma missão ou propósito definido se- gundo o projeto de Deus. Ou seja, a obra realizada por Deus, e a que Ele ainda está realizando deve produzir uma reação natural característica de quem tem comunhão com ele através da fé em Jesus. E, com base na igreja relatada nas páginas do Novo Testamento, notadamente no livro de Atos, essa comunhão pode ser vivenciada através de três modos: por meio da adoração, oração e Palavra. Segundo Piragine Junior (2006), em primeiro lugar, a adoração era viva e contagiante; em segundo lugar, o privilégio da oração reunia o significado de que a porta da sala do trono estava aberta para a igreja (Hb 4.16); e, em terceiro lugar, através do contato diário com a Palavra, o conhecimento de Deus não se tornava objetivo, nem se perdia nos subjetivismos e nas heresias.

A missão da igreja em relação ao mundo

O

Evangelho de Mateus no capítulo 28 e versículos 18 a 20 cos-

tumeiramente é indicado para a fundamentação bíblica desta questão missiológica:

Então, Jesus aproximou-se deles e disse: Foi-me dada toda

a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam dis- cípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai

e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a

tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.

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De acordo com Piragine Junior (2006), a missão da igreja na di- mensão da sua responsabilidade para com o mundo pode ser definida igualmente em três aspectos: ação missionária simultânea na terra, ser- viço de amor ao mundo, e, voz profética de Deus na terra.

• Ação missionária simultânea na terra

O relato bíblico de Atos capítulo 2 revela o caráter de urgência e simultaneidade das missões da igreja nos seus primórdios, ou seja, a igreja fora designada a evangelizar as pessoas no âmbito da convivên- cia pessoal, e isso era um reflexo natural do ensino ministerial de Jesus. Ampliando o raio de ação missionária, no capítulo 3 do mesmo livro pode-se observar que toda a cidade de Jerusalém está em foco. Já no capítulo 8 de Atos, Samaria é a cidade da vez a ser alcançada pelo mover do Espírito por intermédio de Filipe. Quando o relato inclui o capítulo 10 deste livro, o cenário novamente se expande, uma vez que o Senhor inclui os “confins da terra” na agenda missionária da sua igreja. Essa é missão da igreja como um todo, tanto no aspecto universal quanto no sentido local. Vale ressaltar que essa “ampliação” do raio evangelístico-mis- sionário não significa que deva ser nessa ordem, tampouco que um en- volvimento exclua os demais. O caráter de simultaneidade das missões da igreja exige dela envolvimento inclusivo, não exclusivo. Por exem- plo: uma igreja local pode e deve atuar tanto em missões locais quanto em missões transculturais, ao mesmo tempo. A ordem pode, inclusive, ser invertida. O princípio missionário implica em obediência ao man- dado de Jesus, não numa prática ritualista ou literal do texto.

• Serviço de amor ao mundo

Os textos de Mc 12.31a e At 2.45 servem como fundamentos para esse aspecto missionário. Entretanto, em Mt 5.16 encontra-se a seguinte afirmação do Senhor Jesus: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos ho- mens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao pai de vocês, que está nos céus”. Para Piragine Junior (2006), “a missão da igreja não é apenas ser a boca de Jesus neste mundo: é ser suas duas mãos; é ser o reflexo do co- ração de Jesus para o povo; é servir com amor a fim de continuar a obra do nosso salvador” 4 . Os relatos constantes no livro de Atos revelam

4 Leia ainda Lc 4.18,19.

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que a igreja entendia muito bem que sua missão consiste em fazer dife- rença na vida das outras pessoas, mesmo que isso significasse desapego material e doação pessoal. A igreja denominada primitiva viveu o que a igreja contemporânea geralmente prega: as pessoas valem mais do que coisas!

• Voz profética de Deus na Terra

Não é preciso ser um teólogo ou missiólogo para perceber que a igreja de Cristo na face da terra tem perdido sua relevância no seio da sociedade, exatamente pelo fato de não ter atuado como uma voz pro- fética e atuante na atualidade. O conceito de Jesus com base no exem- plo do sal e da luz significa que os salvos deveriam fazer diferença no meio social em que vivem. Historicamente, o impacto dos avivamentos que inflamara a igreja em diversas ocasiões, não se restringiu ao as- pecto puramente bíblico e espiritual. A rigor, o avivamento de natureza espiritual somente será completo se esse ardor que atinge os corações dos salvos se manifestarem como uma transformação moral, espiritu- al, ética e de justiça social na sociedade; especialmente se o foco for o resgate do ser humano como uma totalidade a ser conquistada. Para Deus, para a igreja, para a família e para a sociedade. Uma sociedade decadente e corrupta é um campo fértil para a aplicação dos princípios bíblicos, teológicos e missiológicos com fins de promulgar a verdade divina entre todas as pessoas.

Nos tempos de Wesley, encontramos o povo em busca da santidade de Deus e lutando por questões fundamentais da sociedade, as quais permitiram mais justiça nas relações de trabalho. A atuação do missionário Willian Carey no par- lamento inglês permitiu que as viúvas dos indianos não mais fossem mortas. Movimentos evangélicos lutaram com firmeza contra a escravatura. A atitude nos negros evangé- licos norte-americanos que denunciavam a injustiça da ex- clusão social foi voz profética em meio à opressão de uma sociedade que, mesmo eivada de valores cristãos, não vivia a essência do cristianismo na sua conduta prática. Como pastores, somos desafiados pelo Espírito Santo a equipar os santos para que desenvolvam um ministério voltado para fora, para a sociedade e para o mundo (PIRAGINE JU- NIOR, 2006, p. 88).

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• A missão da igreja em relação à comunidade local

Atos é considerado o livro bíblico de caráter missionário por ex- celência. No seu segundo capítulo e versículos 41 a 47 encontra-se uma descrição da realidade cotidiana dessa que é considerada uma igreja modelo para a prática de missões até os dias de hoje:

De sorte que foram batizados os que de bom grado rece- beram a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas, e perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam

pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tin- ham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens,

e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E,

perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de

coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo.

E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se

haviam de salvar (ATOS 2.41-47).

Segundo Piragine Junior (2006) as missões da igreja contem- porânea, com base no modelo bíblico consistem em: edificação, comun- hão e mobilização na base dos dons espirituais.

■ Edificação

Ela representa a ajuda aos salvos a crescerem na fé para que sob o poder do Espírito Santo executem suas missões entre as pessoas nos seus respectivos contextos.

■ Comunhão

Significa que a unidade no espírito é experimentada no contexto da comunidade visível dos salvos, ou seja, a igreja local. Deve ser um propósito permanente da igreja que permite que ela faça diferença na comunidade na qual está inserida. Ressalte-se que, a igreja dos primór- dios confiava em um testemunho duplo como meio de alcançar o mun- do caótico no qual estava inserida; ela fez uso consciente do kerygma (proclamação) e da koinonia (comunhão). Para tornar poderoso e efici- ente o seu testemunho genuinamente cristão.

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■ Mobilização dos salvos na base dos dons espirituais

Missão combina com capacitação e mobilização! A igreja con- temporânea precisará ser constantemente capacitada e mobilizada a fim de realizar, com louvor, as missões que lhe cabem como agente di- vino entre as nações. E, essa capacitação e mobilização passam neces- sariamente pela dinâmica dos dons espirituais. Portanto, o desenvolvi- mento do ministério dos cristãos representa uma das principais funções da liderança espiritual que a igreja tem. Logo, os líderes da igreja atual precisam ajudar os salvos a descobrirem os seus dons espirituais e a se engajarem em ministérios nos quais esses dons possam ser utilizados para a promoção do Reino e, consequentemente, a glória de Deus.

SAIBA MAIS

GONZÁLEZ, Justo L. & ORLANDI, Carlos C. História do Movimento Missionário. São Paulo: Hagnos, 2008.

PETERS, George W. Teologia Bíblica de Missões. Rio de Janeiro:

CPAD, 2000.

PIRAGINE JR, Paschoal. Crescimento Integral da Igreja: Uma Visão Prática de Crescimento em Múltiplas Dimensões. São Paulo: Vida,

2006.

em Múltiplas Dimensões. São Paulo: Vida, 2006. EXERCÍCIOS 1. Distinga os termos abaixo: a) Segundo

EXERCÍCIOS

1. Distinga os termos abaixo:

a) Segundo González (2008, p. 23), “a missiologia

”. b) Já o termo “missão” significa

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”.

c)Porsuavez,otermo“missões”,emgeral,refere-se

d) Teologicamente, a Grande Comissão significa

SEÇÃO 2 – PRINCÍPIOS MISSIOLÓGICOS

• Princípios Sobre Contribuição Missionária

“Contribua conforme sua renda, para que Deus não torne sua renda conforme sua contribuição” – Peter Marshall. Esse é um slogan muito utilizado por líderes eclesiásticos com finalidades diversas. No en- tanto, para Smith (2002) essa declaração teve um impacto muito grande em seu ministério pastoral de ênfase missionária. O próprio pastor, com base no texto sagrado, resgatou a oferta denominada “promessa de fé”, a qual será detalhada mais à frente. Vale ressaltar que, considerado um dos assuntos mais contro- versos no contexto eclesiástico, as finanças merecem um capítulo à parte. Sendo assim, Queiroz (1991) e Smith (2002) estabelecem alguns princípios bíblicos sobre as finanças, tanto para os missionários quanto para a igreja.

■ Princípios Financeiros Para os Missionários

Os missionários precisam estar atentos quanto aos seus procedi- mentos na área de finanças, principalmente pelo fato que nos dias atuais praticamente tudo gira em torno do dinheiro e é extremamente perigo- so o missionário perder o foco de seu alvo, que é vivenciar a missão que recebeu de Cristo, e se comprometer com as coisas materiais, fixando seu coração prioritariamente no dinheiro. O apóstolo Paulo orienta o seu discípulo Timóteo sobre esses riscos em sua primeira carta a Timó- teo capítulo 6 e versículos 8 a 10.

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Aprofundando essa questão, Queiroz (1991) analisa o texto pau- lino de Fp 4.10-20, e destaca os quatro princípios de finanças para os missionários.

- Os missionários devem estar associados à igreja local (vv. 14,15). Missões não é um trabalho executado separadamente,

ao contrário, ele consiste num trabalho feito em conjunto e em parceria com as igrejas locais.

- O missionário deve se contentar em qualquer situação

(vv. 11, 12). Em sua Sabedoria, Deus sabe quais são as

experiências necessárias ao crescimento espiritual dos envia- dos à obra missionária; por isso, Ele permite algumas situa- ções consideradas difíceis, segundo as necessidades de cada missionário.

- O missionário deve confiar em Deus (v. 13). O apóstolo

Paulo afirma que os cristãos tudo pode em Cristo, porque, em meio às experiências, pode experimentar o poder de Deus suprindo suas necessidades. Da mesma forma os mis- sionários precisam confiar primeiramente em Deus.

- O missionário deve estar interessado nos resultados (v.

17). Evidentemente, há missionários que estão mais interes- sados no quanto vão receber financeiramente. Entretanto, segundo o texto bíblico, o interesse do apóstolo Paulo não estava no dinheiro, e sim nas bênçãos e nos resultados espiri- tuais de sua ação ministerial e missionária.

■ Princípios Financeiros Para a Igreja

Como já salientado, os princípios financeiros não se aplicam ape- nas aos missionários, mas às igrejas também. Senão veja:

- A igreja deve estar associada aos missionários (vv. 14, 15). De forma irresponsável, algumas igrejas entregam seus mis- sionários a uma junta ou agência de missões, e simplesmente se esquecem de seu compromisso espiritual, ministerial e fi- nanceiro em relação aos seus enviados, transferindo as re- sponsabilidades para estas organizações missionárias.

- A igreja deve suprir as necessidades dos seus mission-

ários (v.16). Neste versículo, Paulo está agradecendo o cui- dado recebido pela igreja de Filipos, pois ela teve sensibili-

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dade para cuidar dele enquanto ele desenvolvia sua obra de missões. A igreja contemporânea igualmente tem a respon- sabilidade de cuidar de todos os detalhes necessários para que o missionário encontre as facilidades para exercer seu ministério, sem se preocupar com os problemas materiais. A igreja missionária deve cuidar integralmente dos seus mis- sionários.

- A igreja deve entender o princípio financeiro de Deus (v.

19). Muitas vezes interpretado de maneira equivocada, esse

versículo trata de um tema envolvendo as questões financei- ras, relacionadas a uma igreja que cuida de missões e mis- sionários.

- A igreja deve saber que a oferta missionária agrada a

Deus (v. 18). Se a liderança ensinar os princípios financeiros contidos na Bíblia, a igreja missionária entenderá que Deus se agrada das ofertas com fins missionários, desde que sejam concedidas com um coração sincero e sem motivos escusos.

- A igreja deve saber que a oferta missionária glorifica a

Deus (v. 20). De acordo com a teologia bíblica das missões no Antigo Testamento, Deus espera que a sua glória seja compartilhada por todas as nações da terra (Sl 96.3), e tal tarefa cabe atualmente à igreja do Senhor Jesus. Evidente- mente, essa tarefa só é viável mediante contribuições finan- ceiras regulares. Queiroz (1991) em seu livro “A Igreja Local e Missões” traz um questionamento sensato sobre o modo como as pessoas cristãs se comportavam quando o assunto

era a contribuição missionária. Para ele, alguma coisa estava errada. Segundo ele, “Se missões é a tarefa básica da igreja, porque somente um domingo por mês é dedicado a missões?

] [

E ainda, se o salário do missionário é mensal, por que

vou levantar uma oferta anual?” (p. 88). Ele aproveita o ensejo para relatar sua experiência pastoral na condição de responsável por missões em sua igreja:

Naquela época, percebi o meu erro, pedi perdão a Deus e decidi levar a igreja a se dedicar a missões mundiais. Mu- damos o modo de agir. Todo dia, agora, é dia de missões mundiais, e iniciamos um tipo de oferta mensal, que chama- mos: “Minha Oferta Missionária de Fé”. Isso mudou a vida financeira da igreja. Veja como foi: no ano de 1980, levanta- mos pela primeira vez este tipo de oferta, e Deus nos deu Cr$ 25.000,00 mensais. No segundo ano, pedi a Deus Cr$

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50.000,00, o dobro; Deus deu Cr$ 75.000,00; no terceiro ano, pedi o dobro, Cr$ 150.000,00; Deus nos deu Cr$ 250.000,00; no quarto ano, pedi o dobro, Cr$ 500.000,00; Deus nos deu Cr$ 1.000.000,00. Quando chegamos ao quinto ano, eu pen- sei comigo mesmo: Todas as vezes que eu peço o dobro, Ele me dá mais; desta vez eu vou pedir mais. Pedi, então, Cr$ 3.000.000,00, e Deus nos deu Cr$ 4.000.000,00 mensais. No ano de 1986, levantamos mais de Cz$ 600.000,00 em promes- sas para a obra de missões mundiais. Não pense você que os membros de nossa igreja são ricos. A nossa igreja fica na cidade de Santo André, que está numa região industrial do Estado de São Paulo, e seus membros são na maioria met- alúrgicos, sendo que 60% da igreja são formados de jovens. Não é a igreja, mas o Deus da igreja que faz a diferença. Os crentes dão com amor e sacrifício para o sustento da obra de missões, porque conhecem os missionários, estão acompanhando em oração o trabalho deles e veem o fruto (QUEIROZ, 1991, p. 89).

Está claro que, os princípios financeiros para a obra missionária devem envolver tanto os enviados quanto quem envia – missionários e igreja – sob a liderança e estímulo de seu líder espiritual, o pastor!

■ Oferta de Promessa de Fé

Oswald Smith em seu livro “O Clamor do Mundo” assegura que

o apóstolo Paulo costumeiramente levava a igreja do Senhor Jesus a

prometer uma oferta anual, a qual devia ser cumprida dentro de doze meses. Segundo o relato bíblico, no fim do prazo estabelecido, o “após- tolo dos gentios” enviava Tito ou outro companheiro ministerial para lembrar a igreja envolvida da promessa feita, evitando que ele ficasse envergonhado quando de sua chegada à referida igreja. Como combi- nado, no fim do ano, Paulo recolhia a importância levantada para a ma-

nutenção do trabalho missionário dele e de outros apóstolos. “Portanto,

a Oferta da Promessa de Fé é um método bíblico de recolher ofertas”

(SMITH, 2002, p. 74). Era o método que Paulo usava, e que Deus aben- çoava (veja nos capítulos 8 e 9 da segunda carta aos Coríntios). Deve ser destacado que a Oferta da Promessa de Fé difere das demais ofertas, pois ela implica no ofertante solicitar a Deus o quan- to Ele quer que seja ofertado; em seguida, o ofertante deve confiar em Deus para que mensalmente seja cumprido o valor comprometido an- teriormente. Segundo Smith (2002), esse é o tipo de oferta que atrai bên-

çãos. Outra diferença fundamental entre a oferta comum e a oferta de promessa de fé consiste no fato que a oferta obrigatória estabelece um

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Teologia Biblica de Missões

vínculo entre o ofertante e sua igreja ou agência missionária, enquanto que a oferta de promessa de fé estabelece uma relação espiritual entre os crentes e Deus. Além disso, o referido autor enfatiza a questão do planejamento financeiro.

Como uma igreja poderá saber quantos missionários poderá sustentar? Usando o método da Oferta de Promessa de Fé, fica fácil elaborar um orçamento e definir quantos mission- ários poderão ser sustentados. Além disso, todos os mem- bros da igreja terão oportunidade de participar do programa missionário da igreja, através de suas ofertas financeiras (SMITH, 2002, p. 76).

Por fim, uma ilustração pode auxiliar na compreensão da distin- ção entre uma igreja evangélica e uma igreja evangelística, esta com po- tencial e envolvimento missionário, é claro. O Mar da Galiléia e o Mar Morto podem, seguramente, ilustrar estes dois tipos de igrejas. A igreja evangélica sem perfil missionário que apenas recolhe e conserva para si tudo o que arrecada pode ser comparada ao Mar Morto, o qual não tem vida e nem saídas. Por outro lado, a igreja genuinamente mission- ária pode ser comparada ao Mar da Galiléia, que, mesmo recolhendo, ao contrário da outra, ele distribui. “Por essa razão é viva e empreend- edora, e as bênçãos de Deus repousam sobre ela” (SMITH, 2002, p. 79).

• Como Uma Igreja Pequena Pode Fazer Missões

Queiroz (1991) elenca seis passos para uma igreja fazer missões, especialmente as que são consideradas pequenas. Evidentemente, es- sas ações missionárias devem partir e ter completo apoio do pastor da igreja local:

Confie em Deus. O plano de Deus para a implantação do seu Reino, através da pregação do evangelho a todas as nações não especifica o tamanho da igreja (2Cr 20.12; Jr 33.3; e, Ef 3.20-21). O segredo está em desviar os olhos das circunstan- cias e pô-los em Deus, o grande Deus. É Ele quem transforma igrejas em verdadeiras bases missionárias. Inicie um movimento de oração. Os membros da igreja de- vem ser desafiados a orarem por missões quer sejam em suas casas, no trabalho, nos momentos de folga, na igreja. Através da oração, vidas serão movidas por Deus, portas serão aber- tas; missionários abençoados; e vidas salvas.

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Treine os liderados para a evangelização. A prática evan- gelístico-missionária tem provado que os crentes não evan- gelizam, porque geralmente não sabem como fazê-lo, embo- ra muitos aleguem que se trata de pouca consagração, falta de fé, ou desânimo. Desafie as pessoas para a obra de missões. É através da pregação, do ensino e da recomendação de livros e filmes, en- tre outros elementos que o pastor ou líder espiritual poderá desafiar pessoas a se entregarem para a obra de missões. É possível que em toda igreja local haja pessoas vocacionadas para o campo missionário. Desafie as pessoas a contribuírem financeiramente. De acordo com o texto de Lc 21.1-4, Deus não está interessado no volume da oferta missionária, mas sim na intenção da pessoa que oferta para as missões. Além disso, Deus é poder- oso para multiplicar qualquer oferta, como o fez na multi- plicação dos pães. Segundo Queiroz (1991, p. 63) “Deus faz milagres nas finanças da igreja, quando esta coloca missões em primeiro lugar”. Associe sua igreja a outra. Isso é fundamental numa igreja pequena que procura enviar missionários. Portanto, como enfatizado, uma igreja pequena pode, sim, enviar pessoas e ofertas para a obra de missões. Tudo, evidentemente, de- pende do desafio, da visão e da responsabilidade que a igreja precisa dividir entre os seus líderes e liderados.

• A Promoção Missionária

Promover a obra missionária em qualquer igreja consiste num desafio espiritual e ministerial para qualquer líder eclesiástico. As ex- periências são muitas e os desafios grandes, entretanto alguns princípios podem nortear o trabalho daqueles que pretendem investir sua vida e ministério na obra missionária. Portanto, a promoção missionária en- volve tanto pregação quanto motivação missionária.

■ A Pregação Missionária

Para Queiroz (1991), através da pregação, o líder alimenta, ori- enta, ajuda e dirige a sua igreja. Para tanto, é necessário preparar ser- mões missionários, ler livros com ênfase missionária, e, é claro, pregar

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Teologia Biblica de Missões

no poder do Espírito Santo! O autor ainda sugere que as pregações mis- sionárias podem constar dos seguintes apelos:

- Apelo para os pais dedicarem os filhos para a obra de missões.

- Apelo para os crentes serem missionários no trabalho, na es- cola, na vizinhança e em todos os lugares.

- Apelo àqueles que Deus irá chamar, de um modo especial, para a obra de missões mundiais.

- Apelo para os crentes iniciarem um movimento de oração por missões.

- Apelo para os crentes contribuírem financeiramente.

Por fim, são sugeridos alguns textos como base para a pregação missionária: Gn 12.1-3; Ex 3.1-22; Js 1.1-9; Sl 2.8-9; 67.1-7; Is 6.1-8; 49.6; Jr 1.1-12; Jn; Mt 9.35-38; 28.18-20; Mc 16.15; Lc 24.44-49; Jo 3.16; At 1.8; 13.1-4; Rm 10.13-15; Fp 1.21; e, 1Ts 1.1-10, entre outros, evidentemente.

■ A Motivação Missionária

Segundo Queiroz (1991), há diversas formas e maneiras de moti- var as pessoas para a obra missionária. Embora, a maioria pense que a pregação é suficiente, o referido autor acrescenta outros elementos im- portantes para a promoção missionária através de pequenos estímulos. Em primeiro lugar, uma igreja missionária precisa ter contatos com mapas. Lamentavelmente, muitos membros não têm nenhum con- tato com a geografia mundial, e, isso, naturalmente pode inibir o inter- esse por missões, especialmente as de amplitude mundial. Em segundo lugar, o líder eclesiástico pode recorrer às estatísticas missionárias, as quais podem ser facilmente encontradas nos diversos sites de agências missionárias na Internet, além de ser um forte estímulo para a oração e intercessão por missões. Em terceiro lugar, podem e devem ser utiliza- dos cartazes, fotos e frases de natureza missionária, os quais tendem a despertar a igreja para a realidade missionária atual. Enfim, todos os recursos devem ser empregados para o despertamento espiritual e mo- tivação missionária da igreja contemporânea.

• A Manutenção Missionária

Tão importante quanto despertar e motivar pessoas para a obra missionária deve ser a manutenção desse trabalho a curto, médio e lon- go prazo. E, nesse contexto surge a necessidade da organização de um

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conselho missionário na igreja local que pretende realizar um eficiente trabalho de missões, mas que não fique restrito a uma pessoa, um de- partamento, um ministério, ou ainda, a um pastor. Afinal, é a igreja como um todo que deve fazer missões; e missionar o tempo todo! Para Queiroz (1991) o conselho missionário deve ser um grupo

de irmãos e irmãs separados tanto pela liderança quanto pela igreja para tratarem e cuidarem exclusivamente dos assuntos referentes a missões. E, com base em Ex 18, o autor destaca as qualidades que os membros deste conselho missionário precisam ter; qualidades essas que são im- portantíssimas na vida das pessoas que trabalharão no conselho mis- sionário.

- Devem ser cheios do Espírito Santo: os escolhidos devem ser os

melhores, mesmo porque somente os melhores produzem mais resulta- dos.

- Devem ter visão missionária: afinal de contas, não faz sentido

tratar de missões mundiais com alguém míope espiritual e missiologi- camente.

- Devem ser treinados: somente o treinamento pode capacitá-los

a estarem atentos aos detalhes e a compreenderem a profundidade da obra missionária.

- Devem ter as atividades do conselho missionário como priori-

dade em suas vidas: sendo assim, eles precisam evitar o envolvimento com outras atividades burocrático-eclesiásticas.

SAIBA MAIS

QUEIROZ, Edison. A Igreja Local e Missões. São Paulo: Vida Nova,

1991.

SMITH, Oswald. O Clamor do Mundo. São Paulo: Vida, 2002.

STOTT, John. Pacto de Lausanne. Viçosa, MG: ABU/Visão Mundial,

2003.

Pacto de Lausanne. Viçosa, MG: ABU/Visão Mundial, 2003. EXERCÍCIOS 1. Complete: Queiroz (1991) e Smith (2002)

EXERCÍCIOS

1. Complete:

Queiroz (1991) e Smith (2002) estabelecem alguns princípios bíblicos

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Teologia Biblica de Missões

sobre as finanças, tanto para os

quanto para a

2. Responda:

O que difere a Oferta da Promessa de Fé das demais ofertas?

Queiroz (1991) elenca seis passos para uma igreja pequena fazer missões. Cite os.

SEÇÃO 3 – MISSÕES E TRANSCULTURA

• Antioquia: Modelo de Igreja Missionária

Não existe uma igreja visivelmente perfeita. Todas as igrejas

locais reúnem qualidades e imperfeições; tanto materiais quanto es- pirituais. No entanto, do ponto de vista missiológico, a Bíblia oferece

o modelo de uma igreja que cumpriu sua exigência evangelístico-mis-

sionária, a igreja em Antioquia, a qual serve como exemplo, pois ela foi

a base missionária do avanço da igreja nos primórdios da era cristã.

Inauguração

A igreja cristã em Antioquia iniciou-se como resultado de uma forte perseguição que sobreveio contra a igreja em Jerusalém (At 8.1; 11.9). Segundo o relato bíblico-histórico, a igreja em Jerusalém estava voltada apenas a si, e tinha se esquecido de outras regiões, as quais bib-

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licamente são representadas pela Judéia, Samaria e os confins da terra. Através da forte perseguição que Deus permitira à igreja a qual incluiu

a morte de Estevão, e resultou na dispersão de seus membros por toda

região, ficou claro que Deus usou a perseguição para reavivar a igreja e ajudar a reencontrar seu verdadeiro propósito. Como resultado dessa perseguição, um grupo de crentes reuniu- se na cidade de Antioquia (At 11.19-20), que era o ponto estratégico de uma rota comercial, por onde passavam pessoas de muitas nações. A igreja em Antioquia tinha visão de ganhar não somente judeus, mas outros povos e o mundo todo para Cristo.

■ Edificação

Para Queiroz (1991, p. 48) “quando a igreja tem visão mundial logo começa a crescer”. Ele eu descobriu que o melhor meio de fazer a

igreja crescer consiste no fato de o pastor ou líder da igreja em pregar a Palavra de Deus com autoridade e desafiar os cristãos a viverem em completa obediência, dando-lhes a visão e a razão de ser um seguidor de Cristo. A igreja em Antioquia cresceu porque viveu de acordo com

o projeto divino (At 11.21-26), e porque tinha, em função disso, visão missionária.

■ Expansão

E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e

doutores, a saber: Barnabé e Simeão chamado Níger, e Lú- cio, Cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tet-

rarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra

a que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram (At 13.1-3).

Com base no texto supracitado, Queiroz (1991) elenca os aspec- tos visíveis da igreja em Antioquia, segundo os quais as missões eram estabelecidas no cotidiano eclesiástico. Os aspectos seguem adiante:

■ Ministério colegiado

A igreja em Antioquia recebeu a Palavra de Deus e logo passou a ter visão missionária, como consequência. Além disso, esta igreja servia ao Senhor tanto na adoração quanto no serviço prático efetivo.

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Teologia Biblica de Missões

■ Ouvindo o Espírito Santo

Diferentemente de muitas igrejas na atualidade que têm limitado

a ação espiritual, a igreja em Antioquia era uma típica igreja que dava

ouvidos à voz do Espírito Santo. Infelizmente, segundo esse autor, mui- tos pastores não têm pregado e ensinado sobre a doutrina do Espírito Santo.

■ Deram o melhor para missões

Como responsável pelas missões da igreja, o Espírito Santo tem

a prerrogativa de separar, preparar, capacitar e impulsionar a igreja a

enviar obreiros para a obra missionária. A Bíblia atesta que o Espírito Santo separou os homens e mulheres mais experimentados e frutíferos para as missões. O mesmo padrão se espera hoje de igrejas que ainda investem em missão! Não é possível mais o envio ao campo missionário de pessoas desqualificadas e inexperientes. Tampouco o envio de pes-

soas que reservaram o “resto” de suas vidas, o “resto” de suas finanças. Isso é inconcebível. Deus deu o melhor para a salvação da humanidade,

e Ele espera que sua igreja faça o mesmo: dê o melhor.

■ Comprometeram-se com os missionários

O comprometimento missionário não é um recurso opcional para

a igreja missionária. Na verdade é imprescindível. “Então, jejuando e

orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram”. (v.3). Ressalte- se que, quando a igreja em Antioquia impôs as mãos sobre os mission- ários, ela estava assumindo um compromisso duplo: tanto com Deus quanto com os seus missionários. Missões significam uma sociedade espiritual a qual é estabelecida entre, pelo menos, duas partes: a igreja que envia e as pessoas enviadas.

■ Receberam relatório dos missionários

O comprometimento gera fidelidade! Barnabé e Saulo foram os missionários enviados pela igreja de Antioquia para o campo mission- ário, e, como estavam comprometidos com a igreja, e a igreja com eles, após um período de trabalho voltaram para apresentar o relatório do trabalho no campo. (At 14.26, 27). Através do relato bíblico, pode afir-

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mar que a alegria e a gratidão são os sentimentos experimentados por todos os envolvidos nesta parceria espiritual de ação missionária.

■ Foi motivada a fazer mais missões

Se a primeira lei de Newton afirma que um corpo em repouso tende a permanecer em repouso, a teologia sustenta que uma igreja em movimento tende a se manter neste estado. Em outras palavras, missões geram missões! Quando qualquer igreja tem sua primeira ex- periência de enviar missionários, ela entra num circuito espiritual que redunda, quase que invariavelmente, no envio de mais missionários (veja At 15.36; e, 18.22, 23) 5 . A partir do modelo bíblico de uma igreja com características missionárias, é possível estabelecer um parâmetro para a igreja local nos dias atuais, com base na igreja de Antioquia e do pensamento teo- lógico de missões. Em sua infinita sabedoria e soberania, Deus decidiu usar homens, mulheres e crianças para a execução dos seus planos. Isso pode ser comprovado nas páginas da Bíblia Sagrada e nos muitos livros que abordam sobre essa questão. A principal razão da existência da igreja na face da terra é a sua missão de fazer conhecido o Evangelho de Jesus a todas as pessoas. O apóstolo Paulo afirmou categoricamente sua posição sobre a respon- sabilidade que lhe cabia também: “ai de mim, se não anunciar o evan- gelho!” (1Co 9.16). A igreja recebeu a ordem de evangelizar o mundo. Logo, Deus não tem outro meio para espalhar a mensagem do evan- gelho e salvar vidas no mundo, a não ser a igreja.

A Igreja Local e as Agências Missionárias

Como já anteriormente foi estabelecido, biblicamente, a respon- sabilidade da promoção de missões e do possível envio de missionários é da igreja local. Entretanto, as igrejas têm-se mostrado ineficientes ou dependentes para a execução desta responsabilidade diante de Deus. Em função disso, elas necessitam do auxílio e apoio das organizações de caráter missionário, as quais não têm o perfil substitutivo para as igrejas, apenas colaborativo. Ou seja, as igrejas não podem delegar para as agências missionárias a sua vocação ministerial, apenas se permitem

5 Note que todas as três viagens missionárias de Paulo deram-se através do envio pela igreja em Antioquia. Que igreja! Que modelo!

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Teologia Biblica de Missões

assumir uma parceria de vínculo administrativo e burocrático – o que, em geral, as agências são especialistas. Queiroz (1991) faz a distinção entre os papéis que a igreja precisa assumir neste contexto, em contraposição aos papéis a serem assumi- dos pela agência missionária que se alia à igreja para a realização deste empreendimento missionário.

■ O Papel da Igreja

Em primeiro lugar, a igreja deve reconhecer a chamada dos seus vocacionados e selecionar os seus candidatos. É a igreja que deve con- statar e analisar os resultados de seus candidatos, afinal, se uma pessoa não produz resultados em sua cidade ou país, dificilmente o fará no campo missionário. Em segundo lugar, a igreja precisa treinar os seus candidatos. Ninguém melhor do que a igreja e o seu pastor para treinar e orientar todos os vocacionados à obra de missões. Em terceiro lugar, a igreja deve enviar seus missionários. Uma vez treinados e orientados, os vocacionados à obra missionária não de- vem ser utilizados em outras áreas da igreja local (por mais nobre que seja essa área). Sua chamada deve ser respeitada. E o seu tempo tam- bém. Como já sugerido, se a igreja não reunir condições para enviar seus missionários diretamente, poderá fazê-lo conjuntamente com out- ras igrejas coirmãs, ou em parceria com juntas ou agências missionárias. Em quarto lugar, a igreja tem a obrigação de cuidar dos seus mis- sionários. Queiroz (1991, p. 55) denuncia que, “qualquer problema do missionário no campo deve ser encarado como problema da igreja local. É importante que ela saiba das despesas financeiras do missionário, que são muitas, conheça as dificuldades linguísticas, enfermidades, adapta- ção cultural etc.” A igreja não pode esquecer que ela se comprometeu financeira, espiritual, moral e ministerialmente com seus missionários.

■ O Papel das Agências Missionárias

Longe de ser um empecilho ou concorrência no contexto mis- sionário, as agências missionárias são organizações que vieram a existir justamente pelo fracasso das igrejas em cumprir sua tarefa missionária. As agências devem ser entendidas como verdadeiros instrumentos que Deus estabeleceu para auxiliar a igreja local no seu fazer missionário. Para Queiroz (1991), três são os papéis das agências missionárias neste

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contexto de parceria com as igrejas:

Em primeiro lugar, prover treinamento específico para o mis- sionário. Normalmente, a igreja provê o treinamento mais geral, en- tretanto, tanto os missionários quanto suas famílias precisam de trein- amentos específicos, especialmente quando a chamada e o envio são para outros países. Em segundo lugar, orientar em relação às melhores oportuni- dades. Considerando o fato de estarem em contato com outras agências de fomento missionário e de fazerem estudos e pesquisas específicos, essas organizações missionárias tendem a conhecer as melhores opor- tunidades. Em terceiro lugar, executar o serviço burocrático.

Há inúmeras dificuldades para o envio de um missionário. Precisa haver contatos com outras agências missionárias, com autoridades governamentais, emissão de vistos de entrada e permanência, câmbio e envio de dinheiro, orien- tação quanto aos relacionamentos no campo com igrejas, governo e outras agências e avaliação in loco do andamen- to do trabalho. Todas estas tarefas são difíceis para a igreja. Daí a importância das juntas e organizações missionárias (QUEIROZ, 1991, p. 56).

Finalmente, é importante destacar que, nem sempre esse rela- cionamento envolvendo igrejas, missionários e agências missionárias ocorrem razoavelmente bem. Quando não há um relacionamento de in- terdependência entre esses três componentes, as dificuldades tendem a aparecer. As principais são: a igreja pode desconhecer os missionários vinculados à agência missionária; por não os conhecer, a igreja tende a não orar por eles; consequentemente as contribuições podem diminuir, pois a igreja pode estar desestimulada a contribuir financeiramente; e, finalmente, a igreja tenderá a ficar desanimada com missões. Triste quadro!

Missões Urbanas

Tanto no Brasil quanto em muitos outros países, cerca de 80% das pessoas vivem nas cidades e nos grandes centros urbanos 6 . Evi- dentemente, este é um dos macros desafios para as igrejas cristãs con- temporâneas. Faz-se necessário que os líderes eclesiásticos repensem sua ação evangelística e missionária a partir desta nova realidade a fim

6

http://www.abrasil.gov.br/nivel1/cidade.htm

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Teologia Biblica de Missões

de redefinir o plano de ação com base em estudos específicos, tanto do ponto de vista científico quanto da fundamentação bíblico-teológica. Sabe-se que as cidades têm graves problemas sociais, e, em grande par- te fruto do crescimento urbano desorganizado a que são submetidas, tais como: desigualdades sociais, problemas habitacionais, ocupação ir- regular, falta de saneamento, saúde precária, insegurança, desemprego, violência, e outros. Para além desse fato – conhecido da maioria – o que a igreja enquanto Corpo de Cristo está fazendo para reverter ou atenuar essa situação? A resposta, evidentemente, demonstrará o real compro- metimento da igreja. Em relação às missões consideradas urbanas, é preciso identifi- car claramente os seus aspectos favoráveis e desfavoráveis. Dentre os diversos aspectos favoráveis, podem-se citar os seguintes: em geral, ab- ertura das pessoas às mudanças, concentração de recursos humanos, físicos e financeiros, além da facilitação do contato relevante entre as comunidades em redor. Em contrapartida, os aspectos desfavoráveis também se listam, os quais seguem: populações concentradas geral- mente em edifícios fechados, um excesso visível de entretenimento fútil, confusão teológica face à diversidade de igrejas diversas e bibli- camente questionáveis, elevado grau de materialismo e consumismo, e, finalmente, uma gama de movimentos filosófico-religiosos. Os métodos evangelístico-missionários empregados em missões urbanas são diversos e incluem o tradicional evangelismo pessoal (con- siderado muito eficaz principalmente pelo fato de ser utilizado em di- versos espaços urbanos, desde os bairros mais periféricos até em aero- portos, bares, restaurantes, estações rodoviárias e ferroviárias, estádios; feiras livres, hospitais, penitenciarias, escolas). Além do evangelismo pessoal, as missões urbanas também utilizam o evangelismo denominado grupal, o qual envolve a evan- gelização de grupos de pessoas (alunos, professores, trabalhadores, desempregados, doentes internados, idosos, mendigos, menores aban- donados, homossexuais, prostitutas, e todo tipo de grupo social).

Missões Transculturais

Para Piragine (2006, p. 206), não era natural esperar que os jude- us abrissem uma congregação entre os samaritanos, ou implantassem uma igreja entre os gentios. Mesmo porque, como já foi visto, o mod- elo historicamente instituído era exatamente o contrário; eles tinham a missão de fazer propagar a glória de Deus a partir de sua nação. Assim

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como Israel e os cristãos primitivos, a igreja atual nem sempre reúne condições de sustentar e administrar a obra de todos os seus mission- ários, mas esse senso de responsabilidade irá levá-la a buscar parcerias com outras igrejas e agencias missionárias que a ajudem no propósito. E, tão importante quanto as missões nacionais são as missões transculturais, as quais envolvem o envio de missionários para conviver em outras culturas, etnias e costumes. Normalmente missões transcult- urais dizem respeito a outros países, mas não necessariamente. Por ex- emplo, uma igreja brasileira que investe em missões indígenas no Norte do país certamente está fazendo missões transculturais, a despeito de ser no mesmo território.

O biculturalismo é um objetivo mais realista e saudável que

a substituição da cultura adotada em lugar da cultura na-

tiva. O ideal é que o missionário (e a missionária) seja capaz de mover-se de uma cultura para outra sem esforço, sem nem ao menos percebê-lo. Todos os que trabalham num ambiente transcultural deveriam buscar uma identificação cultural e um estilo de vida não ofensivo. O maior indicador disso é provavelmente o nível de comunhão que se sente com relação àqueles de outra cultura. Essa comunhão, como

a confraternização (do grego koinonía) recomendada por

Paulo em Filipenses 2.1-4, é obtida da melhor forma ao se trabalhar em equipe, compartilhando uma mesma paixão por cumprir o missio Dei (YORK, 2002, p. 240, 241) – acrés- cimo do autor.

A convivência em outro contexto cultural certamente exige, dos missionários enviados, um esforço maior para a sua aclimatação. York (2002) destaca as principais atribuições necessárias aos missionários para se alcançar um nível considerado saudável de interação com outra cultura:

a) Ser bom ouvinte. “Todos adoram contar uma história,

mas poucos se prontificam a escutá-las” (York, 2002, p. 241).

b) Gastar tempo com os novos discípulos de Jesus, especial-

mente convivendo entre eles.

c) Aprender a reconhecer como o significado de expressão não verbal é estabelecido.

d) Ficar alerta ao fato de que a maioria das sociedades é ori-

entada por eventos e festivais.

e) Reconhecer a importância dos relacionamentos.

f) Nunca desperdiçar uma crise.

g) Orar para saber a diferença entre interrupções indese-

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Teologia Biblica de Missões

jadas e interrupções significativas. h) Tratar cada pessoa como única diante de Deus. Outro aspecto fundamental em missões transculturais diz res- peito ao aprendizado do idioma local. É comprovado que, a maioria das pessoas que aprendem uma segunda ou terceira língua o faz num con- texto informal ao viver diretamente com os falantes nativos. Os mission- ários transculturais precisam ter noção disso! Mesmo porque, o apren- dizado da língua nativa se constitui numa chave para compreender a visão global do sujeito que a fala. Por fim, e não menos importante, para os missionários transcult- urais, “o bom relacionamento entre o missionário e os membros imedia- tos da família é extremamente importante. Três componentes ajudarão a manter boa compreensão entre os membros da família que servem jun- tos no campo” (YORK, 2002, p. 246). O primeiro componente se refere ao respeito espiritual mútuo, o segundo componente é a comunicação, e o terceiro componente é o fervor espiritual. Isso deve ser entendido e aplicado pelos missionários que atuam no contexto transcultural.

• Povos Não Alcançados e Janela 10/40

Estudar sobre a realidade atual dos povos considerados não alca- nçados e a janela 10/40 é um desafio grande, no entanto, todo missiólo- go ou teólogo não pode se furtar a ele. Considerando que envolve um movimento evangelístico-missionário incessante, os dados estatísticos podem variar e comprometer qualquer projeção. Por essa razão, este es- tudo não pretende se aprofundar na temática, em função desta questão, mas espera uma profunda reflexão por parte de todos os que tiverem contato com ele. Mesmo porque, mais do que números estatísticos, essa realidade trata de pessoas, as quais necessitam de um encontro real com Jesus, e, na maioria das vezes, sequer conhecem o nome do Salvador. O desafio está lançado! A “Jovem Com Uma Missão” 7 (JOCUM) disponibiliza em seu site oficial uma conceituação clara sobre os povos não alcançados além da problemática de como categorizar esses povos. Considerados rele- vantes do ponto de vista missiológico, segue adiante os principais as- pectos envolvendo os povos não alcançados.

O termo “povos não alcançados” ou “povos não evange- lizados” surgiu para definir um grupo de indivíduos no

7 Jovens Com Uma Missão é uma missão internacional e interdenominacional,

empenhada na mobilização de jovens de todas as nações para a obra missionária.

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qual não há uma comunidade nativa de cristãos capazes de evangelizá-los. Muito destes grupos não tem conhecimento de quem é Deus. Não conhecem Jesus, seu filho, e desconhe- cem a necessidade de salvação. Há casos de grupos que não tem sequer uma estrutura de linguagem escrita formada, não leem nem escrevem em seus próprios idiomas. Já out- ros possuem uma bem dividida estrutura social, dominam

a escrita e possuem uma forte e milenar estrutura religiosa.

Para a evangelização destes povos não alcançados requer-se oração, iniciativa e treinamento adequado entre outras cois- as. Para cada um destes existem estratégias e oportunidades específicas a serem buscadas, antes que o alcance efetivo seja posto em ação. Estes grupos permanecem inalcançados ou ocultos porque são realmente difíceis de serem alcançados, caso contrário, a tarefa já teria sido terminada. Por outro lado uma intervenção maior por parte das igrejas se faz ne- cessária, investindo em iniciativas missionárias voltadas ao

alcance destes grupos. Parcerias entre agências e igrejas aca- bam surgindo como resposta a esta lacuna de influência que encontramos na história da igreja e das missões. Hoje o número exato dos grupos de povos não alcançados varia de acordo com as definições. Podem ser categorizados em mega ou mini povos, povos minoritários, povo etnolin- guístico, povo socioeconômico etc. O Movimento AD 2000 considerava como não alcançados, povos com uma popula- ção superior a 10.000 pessoas, o que colocaria dentro desta categoria no Brasil, apenas os ribeirinhos amazônicos. Out- ras populações, pelo menos, 130 diferentes tribos ficariam de fora, e cerca de 50 delas nunca tiveram contato ainda pelo homem considerado “branco”. Estima-se no mundo todo mais de 10.000 grupos. A lista de quem são os não alcançados é imensa, e passa por todos os continentes, grandes metrópoles, vilarejos, aldeias

e tribos. Eles não estão apenas em lugares de difícil acesso

como a maioria de nós imagina. Algumas vezes é possível encontrar grupos inteiros, isolados por barreiras idiomáti- cas ou culturais. Quem sabe, num lugar bem próximo a você que lê este texto agora (http://www.jocum.org.br/ arquivo/que-sao-povos-nao-alcancados).

Quanto à janela 10/40 é se constitui numa faixa da terra que se estende do Norte da África até o Leste da Ásia. O nome é uma referên- cia à localização geográfica, pois se encontra num retângulo acima da linha do equador, entre os paralelos 10 e 40. Nesse quadrilátero, que representa um terço da área total do planeta, vivem cerca de 3,2 bilhões de pessoas espalhadas por 62 países. Acham-se ali 90% dos povos alca- nçados e 80% dos pobres do mundo.

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Teologia Biblica de Missões

˂˂˂ 61 Teologia Biblica de Missões Figura 2 | Janela 10/40 (http://www.jmm.org.br/index.php?option=com_content&

Figura 2 | Janela 10/40 (http://www.jmm.org.br/index.php?option=com_content&

task=view&id=170&Itemid=164).

É na Janela 10/40 que se encontram algumas megalópoles da atualidade, ou seja, cidades com uma grande concentração urbana, tais como Tóquio (Japão), Calcutá (Índia), Bagdá (Iraque), Bancoc (Tailân- dia) entre outras. Além disso, nessa faixa se concentra a maioria dos adeptos das três maiores religiões não cristãs do mundo: o Islamismo, o Hinduísmo e Budismo. De acordo com o site da Junta de Missões Mundiais 8 ,

Na maioria dos países dessa região há falta de receptividade

aos cristãos e, em especial, aos missionários que ali atuam. A liberdade religiosa, quando existe, é frágil. Há necessidade de missionários, líderes, pastores e escolas de treinamento para os poucos cristãos existentes. Os crentes precisam ser despertados para uma vida de compromisso com Deus. Há poucos obreiros atuando nos países devido à política de re- strições quanto a entrada de missionários. A necessidade de tradução da Bíblia é grande. Os crentes sofrem perseguição

e correm risco de vida. A saúde e proteção dos missionários

é uma necessidade constante na região chamada de Janela

10/40.

Vale ressaltar que atualmente os países com maior população não cristã do mundo são: China, Índia, Indonésia, Japão, Bangladesh, Paquistão, Nigéria, Turquia e Irã, todos na janela 10/40.

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70&Itemid=164

http://www.jmm.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1

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SAIBA MAIS

Administração, Ciências, Educação e Letras SAIBA MAIS PIRAGINE JR, Paschoal. Crescimento Integral da Igreja: Uma

PIRAGINE JR, Paschoal. Crescimento Integral da Igreja: Uma Visão Prática de Crescimento em Múltiplas Dimensões. São Paulo: Vida,

2006.

QUEIROZ, Edison. A Igreja Local e Missões. São Paulo: Vida Nova,

1991.

YORK, John V. Missões na Era do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD,

2002.

http://www.jocum.org.br/arquivo/que-sao-povos-nao-alcancados http://www.jmm.org.br/index.php?option=com_content&task=view

&id=170&Itemid=164

http://www.abrasil.gov.br/nivel1/cidade.htm

EXERCÍCIOS

http://www.abrasil.gov.br/nivel1/cidade.htm EXERCÍCIOS 1. Responda: a) Queiroz (1991) elenca os seis aspectos

1. Responda: a) Queiroz (1991) elenca os seis aspectos visíveis da igreja em Antioquia, segundo os quais as missões eram estabelecidas no co- tidiano eclesiástico. Cite-os:

b) No que consistem os métodos evangelístico-missionários emprega- dos em missões urbanas?

c) O

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Teologia Biblica de Missões

˂˂˂ 63 Teologia Biblica de Missões d) Explique o que vem a ser Janela 10/40. SEÇÃO

d) Explique o que vem a ser Janela 10/40.

SEÇÃO 4 – MISSÕES: PRESENTE E FUTURO

• A Chamada Missionária

Historicamente, a chamada missionária constitui um tema bas- tante controverso. E falar dela, exige tanto respeito por parte dos mis- siólogos quanto paixão por parte dos missionários.

Missionários normalmente acreditam estarem cumprindo uma chamada divina. A decisão do seu envio, no entanto, depende da avaliação feita por uma junta de líderes da igreja quanto a concordância à vontade de Deus. Posterior- mente, seu apoio contínuo dependerá da demonstração do cumprimento dessa chamada. Ainda assim, em comum com doutrinas importantes como o da Trindade, quando se trata de dar uma descrição clara dessa chamada, a Bíblia parece estranhamente silenciosa. O que então é uma chamada mis- sionária? (YORK, 2002, p. 229).

Duas questões, evidentemente, devem ser consideradas sobre tão importante tema. Em primeiro lugar, a chamada missionária descansa sobre os alicerces do missio Dei 9 . Nesse nível, os missionários partilham sua chamada com todos os verdadeiros servos de Cristo. E, em segundo lugar, a chamada missionária é um assunto individual, e, nesse nível é importante que o missionário sinta a chamada. Ela é uma chamada para

9 A missão de Deus diz respeito à auto-revelação de Deus como aquele que

ama este mundo de modo inefável e absoluto. Descreve a ação de Deus através do povo de Deus e de sua presença no mundo. A missão não é, pois, primeiramente uma atividade da igreja, mas um atributo divino. A missão é primária; as missões são secundárias, derivadas da primeira. Sendo a missão de Deus atividade de Deus, ela abarca tanto a igreja quanto o mundo (http://pt.scribd.com/doc).

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o envolvimento pessoal, de investimento deliberado da vida de alguém no ministério transcultural. York (2002) enfatiza que o conceito chave para compreender a chamada missionária é que não existe um padrão único que estabeleça

todas as chamadas, no entanto, alguns exemplos bíblicos podem auxil- iar neste processo. O autor cita três exemplos:

- Quando Jeremias recebeu sua chamada, ele soube que ela fora estabelecida antes do seu nascimento (Jr 1.5).

- Isaías adorava o Senhor no templo quando recebeu uma poder- osa revelação da glória de Deus (Is 6.8).

- Saulo de Tarso foi chamado enquanto viajava para Damasco

com a finalidade de prender cristãos. Por fim, vale ressaltar que no início do seu ministério terreno, Jesus chamou os seus futuros discípulos enquanto cada um deles real- izava sua tarefa profissional. Os estudiosos entendem que a questão fundamental sobre como as chamadas funcionam é que elas são intimamente ligadas à realização do Reino de Cristo na terra, e que cada um dos elementos necessários

(dons) para realizar cada porção individual do missio Dei é provido por Deus (Ef. 4.7). No entanto, para York (2002), as seguintes sugestões são ofereci- das no sentido de auxiliar os missionários a serem bem-sucedidos em sua missão. - Determine manter uma sólida ética profissional.

- Planeje ser bem sucedido.

- Aprenda a retroceder.

- Considere missões como um ministério.

- Planeje um período de descanso.

- Desenvolva um senso apurado de discernimento e receba bem as instruções providas por Deus.

Evidentemente, o Deus soberano está chamando homens e mulheres para se dirigirem aos campos missionários do mundo, indo literalmente de todas as nações para todas as nações. Jesus está construindo sua Igreja nos lugares mais difíceis, e assim realizando o eterno propósito do Espírito Santo de dar testemunho sobre o Evangelho da graça de Je- sus Cristo (YORK, 2002, p. 234, 235).

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Teologia Biblica de Missões

• A Obra Missionária

É possível conhecer para onde a missão de Deus está voltada ao olhar para como ela terminará. O relato bíblico é emocionante e retrata fielmente o ápice da história do maior investimento celestial na reden- ção humana. Haverá “uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do tro- no, e perante o Cordeiro” (Ap 7.9). Vale ressaltar que, o fim escatológico só faz sentido se houver uma história eclesiástico-missionária. E ela está em curso! Através da participação ativa de cada missionário em diversos rincões da terra. Afinal, os meios para participar do missio Dei são absolutamente varia- dos, e, em muitos casos, os ministérios até se confundem. Entretanto, alguns dos ministérios são listados adiante, os quais representam parte do conjunto missiológico que a igreja expressa na atualidade a fim de fazer conhecido o Evangelho do Senhor Jesus a todas as pessoas em to- dos os lugares.

■ Fundação de igrejas

Parece coerente que o texto de Mt 16.18 10 permanece constante nas mentes dos missionários. Embora haja diversas ações paralelas, e igualmente importantes, a plantação de igrejas continua sendo a joia do investimento missionário em qualquer parte do mundo.

■ Treinamento ministerial

Segundo York (2002, p. 263) “as igrejas pentecostais em todo o mundo tipicamente enfatizam o treinamento de seus ministros”. E, esse treinamento inclui o ensino móvel, a educação avançada e missões no modelo avançado. O referido autor ainda destaca que uma significa- tiva contribuição para esse treinamento exige dos missionários um alto nível de experiência ministerial e formação especializada.

■ Ministério com Crianças

Este perfil ministerial envolve cruzadas evangelísticas infantis, escolas bíblicas para crianças e uma rede de ações especializada para

10 “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha

igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

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esta faixa etária.

Em partes da África, por exemplo, as igrejas com programa- ções infantis são frequentadas por centenas de crianças. [ ] Crianças que não tem lares ou são refugiadas também são alcançadas pelo Evangelho. O ministério assume a forma de programas de alimentação, de lares para crianças aban- donadas ou órfãs ou de ministérios para aqueles que são vítimas de um modo ou outro da AIDS (YORK, 2002, p.

266).

■ Ministério Junto a Grandes Religiões

Trabalhar com adeptos do Islamismo, Hinduísmo, Budismo e outras religiões, seguramente exige um ministério focado nesta popula- ção. E, algumas agências missionárias são totalmente dedicadas a min- istrar a elas, enquanto outras possuem departamentos especializados neste tipo específico de evangelização.

■ Literatura e Mídia

O avanço veloz da tecnologia provocou uma verdadeira rev- olução na mídia eletrônica, e desse modo há uma demanda crescente de agentes missionários com habilidades na produção de áudio e vídeo, além de especialista em marketing e treinamento nesses campos.

■ Compaixão e Necessidades Humanas

O que era manchete recentemente, hoje se tornou quase um diário de horror. As tragédias não causam mais surpresas, mesmo porque elas estampam os jornais quase que diariamente.

Tragicamente, uma constante no mundo são os desastres. Desastres naturais, guerras e grandes fomes levam um so- frimento indescritível a vastas porções do mundo, com uma certa regularidade. Junto a isso está o drama da AIDS. As maiores cidades do mundo têm problemas com o cresci- mento do número de desabrigados (YORK, 2002, p. 268).

Nesse contexto, organizações e agências missionárias têm prior- izado o ministério junto aos sofredores, não importa o tipo da catástro- fe. E, incrivelmente, as pessoas convocadas têm respondido de maneira positiva a este tipo de socorro humanitário e espiritual.

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Teologia Biblica de Missões

■ Construção

Essa é mais uma modalidade missionária que, apesar de pouco explorada, está em franco crescimento. Neste contexto, as pessoas vo- cacionadas recebem a tarefa de supervisionar projetos de construção tanto em áreas urbanas, como em zonas rurais. Esse tipo de ação mis- sionária pode durar meses até anos.

■ “Fabricantes de Tendas”

Estudiosos em missões advogam que “aqueles que poderiam alcançar os perdidos do mundo deveriam considerar-se dentro de seus trabalhos como ‘os novos enviados de Deus’, especialmente como funcionários de ONGs cristãs” (YORK, 2002, p. 269). A realidade atual tem mostrado a força que essas organizações não governamentais possuem, e podem canalizar recursos para o fomento de missões.

■ Ministérios de Auxílio

Muitas missões têm dependido fortemente de agências de auxílio especializadas, localizadas normalmente no país de origem. Dependendo da natureza da missão, esse grupo de apoio pode estar envolvido em publicações, produção de mídia, distribuição de literatura, levantamento de fundos, cuidados médicos e humanitários, ministérios de oração, construção, aquisição de livros ou na coordenação do trein- amento (YORK, 2002, p. 270).

Finalmente, de posse de informações e dados missiológicos, é preciso enfatizar que o propósito declarado do missio Dei é o de aben- çoar todas as nações da terra através do Evangelho de Jesus Cristo. E, a obra missionária contemporânea tem oferecido diversas modalidades de investimento humanitário e espiritual. Resta identificar onde estão os vocacionados.

• O Futuro das Missões

Qual o futuro das missões antes da chegada dos tempos do fim? Em outras palavras, como serão as missões evangélicas antes do ad- vento dos episódios narrados no Apocalipse? Quais as perspectivas teo- lógicas para esse momento final? Para responder esta pergunta, é necessário reler a história das missões, reposicionar a igreja no contexto atual e preparar os agentes

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missionários para missionar em direção ao futuro sem as amarras do passado que eventualmente incomoda o presente.

A história do movimento missionário é complexa. Precisa- mos notar que a transmissão da fé cristã não se limita a algu- mas nações que enviam e outras que recebem. Tampouco se limita a algumas igrejas que enviam e outras que recebem. Tais distinções eram comuns, nos círculos acadêmicos da missiologia, até bem avançado o séc. XX, e perduram, to- davia, na linguagem e no pensamento de muitos cristãos, mas essa interpretação dos fatos neutraliza os nativos e os projeta como receptores passivos, mansos e transformados pelo trabalho dos missionários estrangeiros (GONZÁLEZ, 2008, p. 523).

Como enfatizado, a história mostra que o movimento e a ativi- dade missionária têm várias direções, várias nacionalidades, várias etnias, são interculturais e inter-religiosos. Certamente, muitas das histórias das missões dão a impressão de que a missão é tarefa realizada prioritária e exclusivamente por missionários europeus e norte-ameri- canos. Na verdade, embora os países desenvolvidos economicamente tenham enviados a maior parte dos missionários ao redor do mundo, é imprescindível afirmar que, a maior parte do trabalho missionário cris- tão tem sido realizada pelos próprios nativos.

■ Lições Para o Futuro

Essa mudança de paradigma parece resultar um movimento livre, frágil, com êxitos e fracassos, com entusiasmo e frustrações, am- biguidades e incertezas. E, a partir deste posicionamento, é possível no- mear – segundo González (2008) – algumas das lições que se pode apre- nder com a história do movimento missionário. Movimento, a rigor, em plena ação. Em primeiro lugar, no processo evangelização e da missão, o Evangelho somente é transmitido de uma cultura a outra. Não há transmissão do evangelho se não for considerada a cultura, a língua, a religião, os símbolos, os sistemas de ritos e as práticas éticas dos grupos receptores. Em segundo lugar, no caso das missões interculturais, a grande maioria dos missionários precisa aprender a viver e conviver sob os termos e demandas das culturas nos países onde se faz a missão.

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Teologia Biblica de Missões

Em terceiro lugar, a tarefa missionária nutre-se de muitas mo- tivações. Essas são de natureza política e econômica, de natureza reli- giosa e cultural, e, de sobrevivência. Em quarto lugar, as missões podem gerar profundos sentimen- tos religiosos que polarizam ou unem os diferentes grupos envolvidos. Finalmente, as missões contribuem, de maneira significativa, para a consolidação da cristandade. Lembra-se que cristandade significa a fusão do Cristianismo com uma ordem política e territorial.

■ Projeções Missionárias

González (2008) resgata algumas estatísticas que comprovam o movimento do Cristianismo no século XX:

No começo deste século, havia por volta de 381 milhões

de cristãos na Europa, 79 milhões na América do Norte, 62 milhões na América latina, 10 milhões na África e 22 mil-

hões na Ásia. [

na América Latina, 360 milhões na África e 313 milhões na

Ásia. Dos 2 bilhões de cristãos no mundo, 820 milhões estão

na região da America do Norte. [

] Para o

ano 2050, projeta-se que 68% da população cristã estará no hemisfério sul. Além disso, dos 32% restantes, uma quarta parte será de imigrantes de países do sul onde o Cristianis- mo tem grande vitalidade e desenvolvimento (GONZÁLEZ,

2008, p. 526).

Mais claramente, 58%

dos cristãos do mundo estão no Terceiro Mundo. [

No ano 2000, havia 481 milhões de cristãos

]

]

A partir destes dados estatísticos, pode-se perceber claramente a rápida mudança do eixo missionário mundial. Além disso, “a nova ordem demográfica obriga, nas palavras do historiar africano Lamin Sanneh, a ‘não estudar como o Cristianismo descobre os povos nati- vos, mas a estudar como os povos nativos descobrem o Cristianismo’” (GONZÁLEZ, 2008, p. 527). Um fator missiológico fundamental para se entender missões na atualidade é que, nessas mudanças demográficas as mulheres pobres, não brancas e de culturas tradicionais são o agente transmissor e recep- tor do Cristianismo no século XXI. Não faz muito tempo, o protagonista do Cristianismo era o homem branco. Outra mudança demográfica comprova que o movimento mis- sionário que não é mais tarefa exclusiva do Ocidente em direção ao sul, mas que ele caminha tanto do sul a sul, quanto de sul ao norte. Ou seja, países fora do eixo Estados Unidos – Europa têm assumido posições

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honrosas no cenário das missões mundiais. Histórica e politicamente, a mudança demográfica também se dá em uma conjuntura global cheia de incertezas, guerras, mortes e desastres. O ministério de socorro humanitário tem uma demanda crescente neste cenário que se avizinha. Além disso, e principalmente por esta causa, da perspectiva das missões, isso implica que o espírito de voluntariado que tanto caracterizou o movimento cristão dos séculos XIX e XX con- tinuará crescendo.

Em resumo, as missões não acabaram. O Cristianismo vive um momento espetacular, mas cheio de tensões e paradox- os que demandam fé, amor e esperança. O Cristianismo já não é uma religião do Ocidente – nunca o foi, mesmo que tenhamos pensado o contrário. O Cristianismo chegou a to- das as nações; tem maior vitalidade e crescimento em umas que em outras, mas, sem dúvida, seu rosto é diverso. Mul- heres e homens, de todas as cores e culturas, e de todas as nações, vão a todas as nações para descobrir e proclamar a mensagem de salvação e esperança do Reino de Deus (GONZÁLEZ, 2008, p. 531).

e esperança do Reino de Deus (GONZÁLEZ, 2008, p. 531). SAIBA MAIS GONZÁLEZ, Justo L. &

SAIBA MAIS

GONZÁLEZ, Justo L. & ORLANDI, Carlos C. História do Movimento Missionário. São Paulo: Hagnos, 2008.

YORK, John V. Missões na Era do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD,

2002.

http://pt.scribd.com/doc

 

EXERCÍCIOS

1.

a) York (2002) cita três exemplos de chamada missionária. Escreva so- bre elas.

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Teologia Biblica de Missões

˂˂˂ 71 Teologia Biblica de Missões b) Cite alguns ministérios que compõem a obra missionária: RESUMO

b) Cite alguns ministérios que compõem a obra missionária:

RESUMO DA UNIDADE

Mais uma vez, parabéns! Você acaba de finalizar não apenas a segunda Unidade da disci- plina Teologia Bíblica de Missões, mas todo o conteúdo deste livro, evi- dentemente. Agora, você deve ter noção mais exata do que foi proposto inicialmente. E, essa visão global passou por temas altamente relevantes tanto para a teologia cristã quanto para o pensamento missiológico contem- porâneo. E esses temas foram dispostos numa ordem que pudesse per- mitir a cada aluno uma percepção clara do pensamento missiológico que perpassa as páginas sagradas e a própria história da igreja cristã. Portanto a responsabilidade da igreja de Cristo na face da terra e os desafios missionários incluem tanto as missões inerentes à igreja como agente de Deus na terra quanto os princípios norteadores sobre os quais os líderes eclesiásticos e os missionários nortearam e ainda funda- mentam suas ações de natureza evangelístico-missionária. Também foi permitido um olhar detalhado sobre a importância das missões urbanas e transculturais, além de uma reflexão do modo como a igreja se posiciona quanto aos povos considerados não alcança- dos.

Finalmente, as missões foram foco tanto de uma análise atual quanto de uma perspectiva futura. Sob as quais todo estudante de teolo- gia deve se posicionar. Afinal, as missões da igreja também são missões dos teólogos. Até o próximo livro!

REFERÊNCIAS

BOSCH, David. Missão Transformadora: Mudanças de Paradigma na Teologia da Missão. São Leopoldo: Sinodal, 2002.

CHAMPLIN, R. N. & BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo: Candeia, 1995.

GONZÁLEZ, Justo L. & ORLANDI, Carlos C. História do Movimento Missionário. São Paulo: Hagnos, 2008.

HESSELGRAVE, David J. A Comunicação Transcultural do Evangelho. São Paulo: Vida Nova, 1991.

PETERS, George W. Teologia Bíblica de Missões. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.

PIRAGINE JR, Paschoal. Crescimento Integral da Igreja: Uma Visão Prática de Crescimento em Múltiplas Dimensões. São Paulo: Vida, 2006.

QUEIROZ, Edison. A Igreja Local e Missões. São Paulo: Vida Nova, 1991.

SMITH, Oswald. O Clamor do Mundo. São Paulo: Vida, 2002.

STOTT, John. Pacto de Lausanne. Viçosa, MG: ABU/Visão Mundial, 2003.

YORK, John V. Missões na Era do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

APENDICE A – RESPOSTAS AOS EXERCÍCIOS

UNIDADE 1

SEÇÃO 1

1. Complete:

a) A história das missões nas páginas da Bíblia Sagrada está diretamente ligada

à história de Israel.

b) O termo missões significa literalmente “envio”.

c) Para Peters (2000, p. 104, 105), o texto de Gênesis 3.15 sustenta pelo menos seis

fatos. Cite apenas dois:

1. A salvação é operada por Deus; dessa forma, ela é certa e cheia de graça. A

salvação pertence a Deus. Ele é a única esperança da humanidade.

2. A salvação destruirá Satanás, o inimigo. Assim, o mal não é um castigo permanente da humanidade neste mundo.

3.

A salvação afetará a humanidade como um inteiro, ela é maior do que apenas

o

indivíduo ou uma nação.

4.

A salvação virá através de um Mediador, que de uma maneira orgânica esta

relacionado à humanidade. Ele foi um homem real, embora não tenha sido um simples homem.

5. A salvação está ligada ao sofrimento do Redentor.

6. A salvação será experimentada na história, assim como a derrota é uma parte

dela. A salvação, portanto, como sustentada no Antigo Testamento, inclui a humanidade em promessa, provisão, propósito e potencial.

d) De acordo com PETERS (2000, p. 138, 139), Deus define fundamentalmente

a tríplice relação de Israel, a saber: sua relação com Jeová, sua relação com as nações, e sua relação consigo mesma.

SEÇÃO 2

1. Complete:

a) A linha divisória nas vidas dos doze foi o Pentecostes.

b) O Cristianismo não está apenas centralizado em Cristo. Na verdade, Cristo é a

razão de ser do Cristianismo.

c) Em relação à qualidade do Reino de Deus, pode-se considerá-lo de três formas.

O domínio de Deus no coração do homem, o domínio de Deus na igreja, e o domínio de Deus no mundo.

SEÇÃO 3

1. Responda:

Champlin (1995) oferece os principais aspectos que fundamentam a missão bíblica, os quais consistem nas seguintes ações. Comente sobre apenas três (3) desses aspectos.

a) Missões consistem em reação favorável, antes de tudo sob a forma de obediência

à ordem de Deus; e, em segundo lugar, por parte do crente individual que acolheu

a mensagem cristã.

b) Missões consistem em diálogo, uma vez que requer encontros pessoais. O

missionário precisa ir exatamente onde as pessoas se encontram.

c) Missões consistem em translação; e, Cristo deu-nos o exemplo maior em sua

encarnação, através da qual ele experimentou um esvaziamento (no grego kénosis).

d) Missões consistem em serviço. Segundo os Evangelhos, o Senhor Jesus veio ao

mundo terreno não para ser servido, ao contrário, para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mt 20.28).

e) Missões consistem em presença. A maior segurança que todos os envolvidos

podem ter é a certeza da presença real de Cristo em seu ministério.

f) Por fim, missões consistem em cumprimento. O projeto de missões, segundo Deus, envolve todas as experiências que o cristão pode desfrutar, ou seja, salvação, reconciliação, e, união com Cristo.

2. Complete:

a) Parákletos sempre significa alguém que é chamado por ajuda e para prestar um serviço.

b) Para Douglas Webster “existem hoje em dia dois tipos básicos de ansiedade:

a busca pela segurança e a busca por sentido” (WEBSTER, 1955 apud PETERS,

2000, p. 402).

SEÇÃO 4

1. Responda:

a) “A igreja católica romana nunca perdeu sua visão missionária”, segundo

Champlin (1995). Explique essa afirmação.

É

missionária, segundo Champlin (1995). Países inteiros foram evangelizados por missionários pessoalmente enviados por vários papas. A história do Cristianismo na América do Sul, especialmente no Brasil atesta este fato. Seguramente, um dos fatos mais notáveis dos protestantes é a extensão e a eficácia de seus esforços missionários; isso também é uma verdade inexorável, dado o crescimento vertiginoso desse ramo do Cristianismo na atual conjectura. Todavia, não se pode prescindir que a igreja católica romana, durante vários séculos, foi a igreja organizada de Cristo no mundo.

importante destacar que a igreja católica romana nunca perdeu sua visão

b)

Explique o que vem a ser “cosmovisão”.

E

a maneira pela qual as pessoas veem ou percebem o mundo, ou seja, a forma

como o “conhecem”.

c) Peters (2000), em seu livro “Teologia Bíblica de Missões” apresenta com

extrema clareza e fundamentação os quatro aspectos da natureza imutável da tarefa missionária. Logo, a tarefa missionária é espiritual, bíblica, feita por fé, e humana.

UNIDADE 2

SEÇÃO 1

1. Distinga os termos abaixo:

a) Segundo González (2008, p. 23), “a missiologia é a disciplina que estuda, de

forma sistemática e coerente, tudo o que for relacionado à missão de Deus e à da comunidade da fé”.

b) Já o termo “missão” significa toda a atividade de Deus em relação ao mundo, mas especificamente em relação ao gênero humano.

c) Por sua vez, o termo “missões”, em geral, refere-se às diversas atividades do

povo de Deus na comunicação do evangelho de Cristo Jesus a todas as pessoas.

d) Teologicamente, a Grande Comissão significa a ordem de Jesus concedida inicialmente aos seus discípulos, e, por conseguinte, a sua igreja a fim de fazer conhecido o seu Evangelho a todas as pessoas ao redor do mundo.

SEÇÃO 2

1. Complete:

a) Queiroz (1991) e Smith (2002) estabelecem alguns princípios bíblicos sobre as

finanças, tanto para os missionários quanto para a igreja.

2.

Responda:

b)

O que difere a Oferta da Promessa de Fé das demais ofertas?

Ela implica no ofertante solicitar a Deus o quanto Ele quer que seja ofertado; em seguida, o ofertante deve confiar em Deus para que mensalmente seja cumprido o valor comprometido anteriormente. Segundo Smith (2002), esse é o tipo de oferta que atrai bênçãos. Outra diferença fundamental entre a oferta comum e a oferta de promessa de fé consiste no fato que a oferta obrigatória estabelece um vínculo

entre o ofertante e sua igreja ou agência missionária, enquanto que a oferta de promessa de fé estabelece uma relação espiritual entre os crentes e Deus.

c) Queiroz (1991) elenca seis passos para uma igreja pequena fazer missões. Cite

os.

- Confie em Deus.

- Inicie um movimento de oração.

- Treine os liderados para a evangelização.

- Desafie as pessoas para a obra de missões.

- Desafie as pessoas a contribuírem financeiramente.

- Associe sua igreja a outra.

SEÇÃO 3

1. Responda:

a) Queiroz (1991) elenca os seis aspectos visíveis da igreja em Antioquia, segundo

os quais as missões eram estabelecidas no cotidiano eclesiástico. Cite-os:

- Ministério colegiado

- Ouvindo o Espírito Santo

- Deram o melhor para missões

- Comprometeram-se com os missionários

- Receberam relatório dos missionários

- Foi motivada a fazer mais missões

b) No que consistem os métodos evangelístico-missionários empregados em missões urbanas?

Além do o tradicional evangelismo pessoal (considerado muito eficaz principalmente pelo fato de ser utilizado em diversos espaços urbanos, desde os bairros mais periféricos até em aeroportos, bares, restaurantes, estações rodoviárias

e ferroviárias, estádios; feiras livres, hospitais, penitenciarias, escolas).

c) O que significa o termo “povos não alcançados”?

O termo “povos não alcançados” ou “povos não evangelizados” surgiu para

definir um grupo de indivíduos no qual não há uma comunidade nativa de cristãos capazes de evangelizá-los. Muito destes grupos não tem conhecimento de quem é Deus. Não conhecem Jesus, seu filho, e desconhecem a necessidade de salvação.

d)

A janela 10/40 se constitui numa faixa da terra que se estende do Norte da África até o Leste da Ásia. O nome é uma referência à localização geográfica, pois se encontra num retângulo acima da linha do equador, entre os paralelos 10 e 40.

Nesse quadrilátero, que representa um terço da área total do planeta, vivem cerca

de 3,2 bilhões de pessoas espalhadas por 62 países. Acham-se ali 90% dos povos

alcançados e 80% dos pobres do mundo.

Explique o que vem a ser Janela 10/40.

SEÇÃO 4

1. Responda:

a) York (2002) cita três exemplos de chamada missionária. Escreva sobre elas.

- Quando Jeremias recebeu sua chamada, ele soube que ela fora estabelecida antes do seu nascimento (Jr 1.5).

- Isaías adorava o Senhor no templo quando recebeu uma poderosa revelação da glória de Deus (Is 6.8).

- Saulo de Tarso foi chamado enquanto viajava para Damasco com a finalidade

de

prender cristãos.

b)

Cite alguns ministérios que compõem a obra missionária:

- Fundação de igrejas

- Treinamento ministerial

- Ministério com Crianças

- Ministério Junto a Grandes Religiões

- Literatura e Mídia

- Compaixão e Necessidades Humanas

- Construção

- “Fabricantes de Tendas”

- Ministérios de Auxílio.

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