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re F ‘que é uma em verdadeira? A questio levanta f ; da fotografia. Mas a fotografia eee uma whe ae : era garantida por meio de uma técnica objectiva, £ deveras si aa | tico que aspiremos a uma imagem veridica, se ja so ‘mag aa ; ‘devem mostrar a verdade. Depressa nos dispomos a censunade seen et «mentem» ~ 0 que no lhes perdoamos, De facto, ibaa a provas para o que desejamos ver com os préprios sik Bae _niio& possivel, ansiamos por imagens para fazermos uma ideia de algo, n seguida, corremos & pressa para uma imagem verdadeira que ¢tio- s imagens utilizam-se como janelas para a realidade, Mas, visto ) nosso conceito de realidade se altera constantemente, também ssa teivindicacao de imagens se modifica. Semelhante exigéncia que desejamos crer nas imagens, embora tenhamos ainda de sligido, na‘qual esta expectacdo de imagens tinha, outrora,a sua vital» [Sitz im Leben]. Ela representava uma espécie de reali- a, por detras da fachada das coisas. Visto que esta reali- disponivel de um modo empirico e sensivel, os guat- ou a tornavam perceptivel por meio de imagens, sobre as um controlo, ou decretavam uma proibicao das ima- entanto, nao anula de todo as imagens, antes as subtrai a fim de as transferir para a representagao interior. Nos con- gem sobrevivem conceitos de fé, e as praticas icénicas ¢ outrora como praticas de fé. Embora ainda s6 saibamos da sua histéria, a religiao crista, mesmo apés a seculari- lua presente na mentalidade ocidental. Ela, por seu lado, f __ Averdadeira imagem e a questio dos metos o HANS BELTING nao foi nenhum preambulo ingénuo da complexidade moderna, mas emancipou-se das outras religides num processo dramitico. Os con- ceitos dos meios, sobre 0s quais hoje se discute nos debates especia- Jizados, continuam a estar ainda lastrados com 0 peso da fé crista,na qual eles, outrora, mutuamente se guerrearam. Raramente estiveram ao mesmo tempo em accao. Quase sempre testemunham uns contra os outros, a palavra na Escritura e também os signos contra as ima- gens.E esta incompatibilidade reciproca,irmanada com a pretensao a autoridade absoluta, pos em andamento infindas tentativas de defini- cao, cuja historia jnteriorizamos, sem dela sabermos grande coisa. Os meios foram, outrora, instrumentos da religiao e continuam ainda a ser temas polémicos de uma fé obstinada, que se arvora onde sempre descobrimos novos meios, mas nunca com eles nos entendemos. ‘A fé na verdadeira imagem trai-se també a si mesma, ja que ilmente pode ser abalada. Depois, vemos nas imagens apenas uma ilusao e afastamo-nos delas.Ou as imagens em geral nos desiludiram ou nos sentimos engodados por algumas delas. Se, por vezes, a féne- las vacila, voltamo-nos para 0 signo e,em especial, para a palavra.Os signos baseiam-se na convengao e pressupoem o nosso assentimento. Nao cremos nos signos como nas imagens, mas temos de os decifrar pre por um lado, um inventor ou ke mxTRoDUgio: decifra a linguagem de tal modo que podemos Ié-la em vez de ouvi- -la.0 acordo consiste na convencao anotada segundo a qual as varias culturas praticam a escrita. Mas também a palavra escrita exige a sua credibilidade mediante um acordo - o que se esquece na maiotia das teorias dos meios. Esta em jogo a fé, quando «dames a palavra» a al- guém ou quando alguém nos «dé a sua palavra».A fé é exigida e, 20 mesmo tempo, também sancionada pela escrita. Esta retém a pala- vra, 20 fazer-nos crer que ela a pode configurar. A escrita, tal como a voz, é um meio da linguagem. A palavra pode ser «