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1. Defini¸c˜ao de grupo.

GRUPOS

2. Defini¸c˜ao de grupo abeliano.

3. Ordem de um grupo.

4. Unicidade do elemento neutro e dos inversos. Para a, b G valem (ab) 1 = b 1 a 1 . Mais

geralmente, (a 1 a 2

a n ) 1 = a

1

n

.

.

.

a

1 a 1

2

1

para a 1 , a 2 ,

, a n G.

5. Nota¸c˜oes multiplicativa e aditiva para grupos.

6. Leis do cancelamento `a direita e `a esquerda.

7. Produto de subconjuntos e S 1 para S G (nas duas nota¸c˜oes).

8. Comutadores e conjugados. Propriedades b´asicas:

a) [a, b] = a 1 a b

b) [ a, b ] = e

c) a b = a

e

ab = ba .

[a, b] 1 = [b, a].

⇐⇒ b a = b.

⇐⇒

⇐⇒

ab = ba

9. Potˆencias de elementos. Para g G e n Z definimos:

g n =

e

g

gg

n vezes

(g 1 ) |n|

Propriedades b´asicas:

10. Exemplos:

,

,

se n = 0 se n > 0

, se n < 0

ng =

(a n ) 1 = (a 1 ) n = a n ,

0 G g + g +

+ g

n vezes

|n|(g)

a n+m = a n a m

e

, se n = 0 , se n > 0

, se n < 0

(a n ) m = a nm .

a) Grupos num´ericos cl´assicos aditivos e multiplicativos.

b) C n = {z C | z n = 1}.

c) (Z n , ).

d) Grupo de Klein.

e) Produto direto.

f) Grupos de permuta¸c˜oes.

1

g) Grupos lineares.

h) DG = G × {−1, 1}, com G abeliano, (a, n) (b, m) = (ab n , nm).

i) Grupos multiplicativos de an´eis.

11. Ordem de elemento. Sejam G um grupo e a G. Dizemos que a possui ordem finita se existe n N tal que a n = e. Neste caso definimos a ordem de a, denotada por o(a) como sendo

o(a) = min{n N | a n = e}.

Se n˜ao existe n N tal que a n = e, dizemos que a tem ordem infinita e denotamos por o(a) = .

12. Observa¸c˜oes:

a) Para cada a G considere a fun¸c˜ao f a : Z −→ G definida por f a (n) = a n . Observe

que Im f a = {a n | n Z} e que o(a) ´e infinita se, e somente se, f a ´e injetora.

b)

Supondo a G um elemento de ordem finita, temos que:

 

a n = e

⇐⇒ o ( a ) divide n .

a n = a m ⇐⇒ n m

(mod o ( a )).

c)

Supondo a G, com o(a) = k, temos {a n | n Z} = {e, a, a 2 ,

, a k1 }.

d)

Para a G vale: o ( a ) = ∞ ⇐⇒ { a n | n Z} ´e infinito.

13. Grupos de tor¸c˜ao e grupos livres de tor¸c˜ao.

14. Todo grupo finito ´e de tor¸c˜ao. Se G possui elemento de ordem infinita, ent˜ao G ´e infinito. Todo grupo n˜ao trivial livre de tor¸c˜ao ´e infinito. Exemplo de grupo infinito de tor¸c˜ao.

2

SUBGRUPOS

Defini¸c˜ao 1 Seja G um grupo. Definimos um subgrupo de G como sendo um subconjunto H n˜ao vazio de G tal que:

i) xy H para quaisquer x, y H;

ii) x 1 H para

todo x H.

Nota¸c˜oes: H G.

Observa¸c˜ao 2 Sejam G um grupo e H um subgrupo de G. Valem:

1) e H. 2) (H, ·) ´e um grupo, onde “ · ” denota a opera¸c˜ao de G (restrita a H). Reciprocamente, se

S ´e um subconjunto n˜ao vazio de G, fechado em rela¸c˜ao `a opera¸c˜ao de G, tal que (S, ·) ´e um

grupo, ent˜ao S ´e um subgrupo de G. 3) Sendo S um subconjunto n˜ao vazio de G, tem-se que S ´e um subgrupo de G se, e somente se, xy 1 S para quaisquer x, y S.

4) Se N H, ent˜ao N ´e subgrupo de H se, e somente se, N ´e subgrupo de G. 5) Se G ´e abeliano, ent˜ao H ´e abeliano.

Exemplo 3 Se G ´e um grupo, ent˜ao {e} e G s˜ao subgrupos de G. Para a G, consideremos o

subconjunto a= {a n | n Z} (a= {na | n Z}, na nota¸c˜ao aditiva) de G. Temos que a´e um subgrupo de G, chamado de subgrupo gerado por a. Observe que se o(a) ´e infinita, ent˜ao

, a k1 },

a´e infinito. Por outro lado, se o(a) ´e finita, digamos o(a) = k, ent˜ao a= {e, a, sendo estes elementos todos distintos. Assim, |⟨a⟩| = o(a).

Exemplo 4 Considerando os grupos aditivos Z, Q, IR e C, temos Z Q IR C. Para

k Z, consideremos kZ = {nk | n Z}. Observe que kZ ´e um subgrupo de Z, e que coincide

com kZ = k. N˜ao ´e dif´ıcil mostrar que todos os subgrupos do grupo aditivo Z s˜ao desta

forma.

Exemplo 5 Sejam n N e K um corpo. Temos que SL n (K) = {X M n (K) | det X = 1} ´e um subgrupo de GL n (K), chamado de grupo especial linear.

Exemplo 6 Se n N , ent˜ao C n = {z multiplicativo dos complexos.

C

|

z n

=

1} ´e um subgrupo de

C ,

o grupo

Exemplo 7 Se G e um grupo e (H i ) iI ´e uma fam´ılia de subgrupos de G, n˜ao ´e dif´ıcil ver que H = iI H i ´e um subgrupo de G. Observa-se que a uni˜ao de subgrupos n˜ao ´e, em geral um subgrupo.

3

Exemplo 8 Considere o conjunto G = {e, a, b, c} e a opera¸c˜ao “” em G definida pela seguinte

tabela:

e

a

b

c

 

e

e

a

b

c

a

a

e

c

b

.

b

b

c

e

a

c

c

b

a

e

Temos que (G, ) ´e um grupo, chamado de grupo de Klein. Observe que seus subgrupos s˜ao exatamente: {e}, G, {e, a}, {e, b} e {e, c}.

Exemplo 9 Sejam G um grupo, H um subgrupo de G e a G. Definimos o conjugado de H

por a, denotado por H a ou a 1 Ha, como sendo H a = {h a | h H} = {a 1 ha | h H}. N˜ao

´e dif´ıcil ver que H a ´e um subgrupo de G e que |H a | = |H|.

quaisquer x, y G. Definimos o normalizador de H em G, denotado por N G (H), como sendo N G (H) = {x G | H x = H}. Observe que N G (H) ´e um subgrupo de G e que H N G (H).

Exemplo 10 Sejam G um grupo, a G e S um subconjunto n˜ao vazio de G. Definimos o centralizador de a em G, denotado por C G (a), e o centralizador de S em G, denotado por C G (S), como sendo

Observe que (H x ) y = H xy para

C G (a) = {x G | xa = ax}

e

C G (S) = {x G | xs = sx,

Observe que estes conjuntos s˜ao subgrupos de G e que:

b C G ( a ) ⇐⇒ ab = ba ⇐⇒ a C G (b);

C G (S) = sS C G (s);

S 1 S 2 G =

C G (S 2 ) C G (S 1 ).

s S} .

O subgrupo C G (G) =

{x

G

|

xg

= gx,

g

G} ´e chamado de

centro de

G

e

´e

normalmente denotado por Z(G). Observe que Z(G) = G se, e somente se, G ´e abeliano.

Exemplo 11 Sejam G um grupo e H e N subgrupos de G. Definimos

HN = {hn | h H,

n N }.

Temos que H e N s˜ao subconjuntos de HN . Mostremos agora que HN ´e subgrupo de G se,

e somente se, HN = NH. De fato, se HN ´e subgrupo de G, temos que HN = (HN ) 1 =

Por outro lado, suponhamos HN = NH e tomemos x,

Ent˜ao, xy = h 1 n 1 h 2 n 2

. Claramente, x 1 NH e assim x 1 HN . Ademais, n 1 h 2 NH e assim

e x 1 = n 1

y HN .

{n 1 h 1 | h H,

n N } = NH.

Temos x = h 1 n 1 e y = h 2 n 2 , com h 1 , h 2 H

1

h

1

1

e n 1 , n 2 N .

existem h 3 H e n 3

H 3 tais que n 1 h 2 = h 3 n 3 .

Logo, xy = h 1 h 3 n 3 n 2 HN.

Particularmente, se G ´e abeliano, ent˜ao HN ´e subgrupo de G.

4

Observa¸c˜ao 12 Supondo num grupo G dois elementos a e b, ambos de ordem 2, tais que ab ̸= ba, e tomando H = ae N = b, observa-se que HN ̸= NH e assim HN n˜ao ´e subgrupo de G. Sendo H e N subgrupos finitos de G, o subconjunto HN de G ´e tamb´em finito e, sendo ou n˜ao subgrupo, sua ordem ´e dada por

|HN|

= |H||N |

|H N| .

Defini¸c˜ao 13 Seja G um grupo. Dizemos que G ´e um grupo c´ıclico se existe a G tal que

G = a= {a n | n Z} (G = {na | n Z},

na nota¸c˜ao aditiva).

Sendo G um grupo c´ıclico, um elemento a G que satisfaz G = a ´e chamado de gerador de G . Observe que um grupo c´ıclico pode ter mais de um gerador, pois a = a 1 . Segue imediatamente desta defini¸c˜ao que se G ´e um grupo e g G, ent˜ao o subgrupo g´e c´ıclico. Os subgrupos de G desta forma s˜ao chamados de subgrupos c´ıclicos .

Exemplo 14 O grupo aditivo dos inteiros ´e c´ıclico.

Exemplo 15

Para todo n N , o grupo multiplicativo C n = {z C | z n = 1} ´e um grupo

c´ıclico.

Exemplo 16 O grupo aditivo dos racionais e o grupo de Klein n˜ao s˜ao c´ıclicos.

Observe que todo grupo c´ıclico ´e abeliano, mas nem todo grupo abeliano ´e c´ıclico. Sendo

G um grupo finito, temos que G ´e c´ıclico se, e somente se, existe a G tal que o ( a ) = | G | .

Teorema 17 Se G ´e um grupo c´ıclico e H ´e um subgrupo de G, ent˜ao H ´e c´ıclico.

Demonstra¸c˜ao. Se H = {e}, ´e imediato. Se H ̸= {e}, tomemos n 0 = min{n N | a n H}.

Temos que H = a n 0 .

Defini¸c˜ao 18 Seja G um grupo e S um subconjunto de G. Definimos o subgrupo de G gerado por S, denotado por S, como sendo a interse¸c˜ao de todos os subgrupos de G que contˆem S.

Observa¸c˜ao 19 Sendo G um grupo, tem-se:

1) = {e}.

2) Se S G, ent˜ao S ⊆ ⟨S.

3) Se S 1 S 2 G, ent˜ao S 1 ⟩ ⊆ ⟨S 2 .

4) Se H ´e subgrupo de G, ent˜ao H= H.

Ademais, se H ´e um subgrupo de G e S H, ent˜ao S⟩ ⊆ H.

5

Sejam G um grupo e H um subgrupo de G. Se H = S, dizemos que S gera H ou que S ´e um conjunto gerador de H. Particularmente, se S= G, dizemos que S gera G ou que S ´e um conjunto gerador de G.

Dizemos que H ´e finitamente gerado se H possui algum conjunto gerador finito, ou seja, se existe S finito tal que H = S . Observe que todo grupo c´ıclico ´e finitamente gerado. Veremos que nem todo grupo finitamente gerado ´e c´ıclico.

Sendo S = {x 1 , x 2 ,

, x n }, costuma-se denotar Ssimplesmente por x 1 , x 2 ,

, x n .

Exemplo 20 Considere o grupo aditivo dos inteiros, (Q, +), e o subconjunto S = {1/2, 1/3} de Q. Temos que

S=

1

2 , 3 = { n

6

1

| n Z } =

1

6 .

Teorema 21 Se G ´e um grupo e S ´e um subconjunto n˜ao vazio de G, ent˜ao

S= {x 1 x 2

x n | n N,

x i S S 1 }.

Demonstra¸c˜ao. Primeiramente, tomemos H = {x 1 x 2

que H ´e subgrupo de G e que S H, conclu´ımos que S⟩ ⊆ H. Por outro lado, como S ⊆ ⟨S,

temos que S 1 ⊆ ⟨S. Logo, S S 1 ⊆ ⟨Se assim H ⊆ ⟨S. Temos ent˜ao o resultado. No caso particular de G ser abeliano, observa-se que

x n | n N, x i S S 1 }. Observando

S= {x k 1 x

1

k

2

2

.

.

.

x

k

n

n

| n N,

x i S,

k i Z}.

Exemplo 22 Considere o grupo aditivo Z dos inteiros e o produto direto Z × Z. Observe que

sendo α = (1, 0) e β = (0, 1), temos que α, β= {+

| n, m Z} = Z × Z, e assim Z × Z

´e um grupo finitamente gerado. Observe agora que Z × Z n˜ao ´e c´ıclico.

Exemplo 23 O grupo aditivo dos racionais n˜ao ´e finitamente gerado. De fato, tomando a 1 =

p 1 /q 1 , a 1 ,

q n , n˜ao ´e dif´ıcil ver que

,

a n = p n /q n Q (com q 1 ,

, q n positivos) e a = 1/q 1

, a n ⟩ ⊆ ⟨a. Por outro lado, temos claramente que

q 1

.

.

.

1 q n + 1 / a

donde conclu´ımos que Q ̸= a 1 ,

, a n .

Exemplo 24 Seja G um grupo e suponha a, b G elementos de ordem 2 tais que ab = ba. Ent˜ao a, b= {e, a, b, ab}.

6

CLASSES LATERAIS E O TEOREMA DE LAGRANGE

Defini¸c˜ao 25 Sejam G um grupo, H um subgrupo de G e g G. Definimos:

a) A classe lateral `a direita de H contendo g, denotada por Hg, como sendo Hg = {hg | h H}.

b) A classe lateral `a esquerda de H contendo g, denotada por gH, como sendo gH = {gh | h H}.

Observe que g gH

e g Hg.

Al´em disso, podemos ter gH ̸= Hg.

grupo abeliano a igualdade ´e obviamente v´alida.

Observe que num

Observa¸c˜ao 26 Sendo G um grupo e g G, temos:

1) Se H e N s˜ao subgrupos de G tais que gN = gH ou Ng = Hg, ent˜ao N = H. 2) Se H ´e um subgrupo de G, ent˜ao Hg = gH g e gH = H g 1 g. Segue da´ı que Hg = gH se, e somente se, H g = H (ou seja, g N G (H)). 3) Sendo H um subgrupo de G, observa-se facilmente que as aplica¸c˜oes

ψ 1 :

H

h

−→

−→

Hg ψ 1 (h) = hg

e

ψ 2 :

H

h

s˜ao bije¸c˜oes. Segue ent˜ao que |Hg| = |gH| = |H|.

4) Sendo a , b G , tem-se:

aH = bH

⇐⇒ Ha 1 = Hb 1 .

−→

−→

gH ψ 2 (h) = gh

Exemplo 27 Sejam G um grupo e g G. Observa-se facilmente que gG = G = Gg. Sendo N = {e}, tem-se gN = Ng = {g}. Sendo H um subgrupo de G, temos claramente He = eH = H. Mais geralmente, se x H, ent˜ao Hx = xH = H. Ademais, se g G e gH = H ou Hg = H, ent˜ao g H.

Exemplo 28 Considere o grupo S 3 e os elementos

α = (

1

2

2

1

3

3 )

e

β = ( 1

1

2

3

3

2

)

de S 3 . Sendo H = α= {Id, α}, temos = {β, αβ} ̸= {β, βα} = βH.

Observa¸c˜ao 29 Sendo G um grupo e H um subgrupo de G, denotamos por D G:H o conjunto de todas as classes laterais `a direita de H em G e por E G:H o conjunto de todas as classes laterais `a esquerda de H em G. Considerando agora a aplica¸c˜ao

f : E G:H −→ D G:H

xH

−→

f ( xH ) = Hx 1

observa-se que ela ´e bem definida e ´e uma bije¸c˜ao. Segue ent˜ao que os conjuntos E G:H e D G:H tˆem a mesma cardinalidade, a qual ´e chamada de ´ındice de H em G e denotada por |G : H |.

7

Sejam G um grupo e H um subgrupo de G. Consideremos a rela¸c˜ao “ H ” em G definida da seguinte forma:

x

H y ,

se xy 1 H.

Esta rela¸c˜ao, chamada de rela¸c˜ao de congruˆencia m´odulo H `a direita, ´e uma rela¸c˜ao de equi-

valˆencia. Ademais, denotando por g a classe e equivalˆencia do elemento g G com respeito a

esta rela¸c˜ao, n˜ao ´e dif´ıcil ver que g = Hg. Segue ent˜ao que:

G = Hg;

gG

Se x, y G e Hx ̸= Hy, ent˜ao Hx Hy = ;

Para x, y G, tem-se: Hx = Hy ⇐⇒ xy 1 H ⇐⇒ x Hy ⇐⇒ y Hx .

De modo an´alogo, definimos em G a rela¸c˜ao de congruˆencia m´odulo H `a esquerda, denotada por “ H ”, da seguinte forma:

x H y ,

se x 1 y H.

Esta rela¸c˜ao ´e tamb´em de equivalˆencia e, sendo g G, a classe de equivalˆencia de g com res- peito a ela ´e exatamente o conjunto gH. Logo,

G = gH;

gG

Se x, y G e xH ̸= yH, ent˜ao xH yH = ;

Para x, y G, tem-se: xH = yH ⇐⇒ x 1 y H ⇐⇒ x yH ⇐⇒ y xH .

Defini¸c˜ao 30 Sejam G um grupo e H um subgrupo de G.

normal de G (ou que H ´e normal em G), e denotamos por H G, se gH = Hg para todo g G.

Dizemos que H ´e um subgrupo

Observe que H G se, e somente se, E G:H = D G:H . Observa-se facilmente que se G ´e um grupo abeliano e H ´e um subgrupo qualquer de G, ent˜ao H G. No caso geral, observa-se que existem grupos que possuem subgrupos que n˜ao s˜ao normais (veja o Exemplo 28 acima). Sendo G um grupo qualquer, ´e f´acil ver que G e {e} s˜ao subgrupos normais de G. No caso

em que G e {e} s˜ao os unicos´

subgrupos normais de G, dizemos que G ´e um grupo simples.

Exemplo 31 Considere o elemento γ = (

1

2

2

3

3

1

) do grupo

S 3 .

Temos que N = γ S 3 .

Exemplo 32 Sejam G um grupo e suponha H um subgrupo de |G : H| = 2. Dado g G, temos que se g H, ent˜ao gH = H = Hg. Se g / H, ent˜ao E G:H = {H, gH} e D G:H = {H, Hg}. Logo, devemos ter gH = G H = Hg e assim conclu´ımos que H G.

8

Proposi¸c˜ao 33 Sejam G um grupo e H um subgrupo de G. S˜ao equivalentes:

i) H G.

ii) H g = H para todo g G (ou seja, N G (H) = G).

iii)

iv) Para x 1 , x 2 , y 1 , y 2 G vale: x 1 H y 1 e x 1 H y 1 =x 1 x 2 H y 1 y 2 .

v) As rela¸c˜oes de congruˆencia m´odulo H `a direita e `a esquerda coincidem.

H g H para todo

g G (ou seja, g 1 hg H para quaisquer

h H e g G).

Demonstra¸c˜ao. i) =ii) e ii) =iii) s˜ao imediatos.

iii) =iv)

donde x 1 x 2 = h 1 y 1 h 2 y 2 = h 1 y 1 h 2 y

Suponhamos (iii). Supondo x 1 H y 1 e x 2 H y 2 ,

1

1

y 1 y 2 . Como y 1 h 2 y

1

1

temos x 1 = h 1 y 1 e x 2 = h 2 y 2 ,

H, por hip´otese, temos h 1 y 1 h 2 y

1

1

H

e da´ı x 1 x 2 H y 1 y 2 .

iv)

=v) Supondo x H

y e observando que x 1 H

x 1 ,

temos e

=

x 1 x

H

x 1 y

e

da´ı x 1 y H. Logo, x H y. A rec´ıproca ´e an´aloga.

v) =i) Imediato, pois dado g G arbitr´ario, as classes de equivalˆencia de g com respeito `as

duas rela¸c˜oes devem coincidir.

Exemplo 34 Sendo n N e K um corpo qualquer, temos que SL n (K) ´e um subgrupo normal de GL n (K).

Exemplo 35 Sendo G um grupo e H e N subgrupos de G, com H N . Nestas condi¸c˜oes, sabemos que H ´e um subgrupo de N . Observa-se que se H N se, e somente se, N N G (H).

Assim, se H ´e normal em G, ent˜ao H ´e normal em N . No entanto, podemos ter a situa¸c˜ao de

H ser normal em N , mas n˜ao ser normal em G.

Consideremos os seguintes elementos do grupo S 4 :

α = (

1

2

2

1

3

4

4

3

)

e

β = (

1

3

2

4

3

1

4

2

)

.

Tomando agora H = αe N = α, β, temos que H N e N S 4 , mas H n˜ao ´e normal em S 4 .

Exemplo 36 Considere os subgrupos G = {X GL 2 (IR) | X ´e triangular superior},

N = {(

1

0

y

1

) y IR }

e

H = {(

1

0

n

1

) n Z }

de GL 2 (IR). Temos H N e N G, mas H n˜ao ´e normal em G.

9

Exemplo 37 Sendo G um grupo, observa-se facilmente que Z(G) ´e um subgrupo normal de G. Sendo H um subgrupo qualquer de G e g C G (H), temos claramente que Hg = gH e assim g N G (H). Logo, C G (H) N G (H) e, al´em disso, C G (H) N G (H). Considerando agora o subgrupo N de S 3 (veja o Exemplo 31), observa-se que S 3 = N S 3 (N) ̸= C S 3 (N) = N.

Exemplo 38 Sejam G um grupo e H e N s˜ao subgrupos de G, sendo pelo menos um deles normal em G, ent˜ao HN ´e subgrupo de G. Mais, geralmente, se N N G (H) ou H N G (N ), ent˜ao HN ´e subgrupo de G. De fato, se H N G (N ), tomemos x = hn HN . Temos que x = hnh 1 h NH, uma vez que hnh 1 N . Logo, HN NH e a inclus˜ao contr´aria se mostra de forma inteiramente an´aloga.

Teorema 39 (Lagrange) Sejam G um grupo finito e H um subgrupo de G. Ent˜ao |G| = |G : H||H| e consequentemente |H| divide |G|.

Demonstra¸c˜ao. Denotemos por n o ´ındice de H em G e considere Hx 1 , Hx 2 ,

distintas classes laterais `a direita de H em G. Como G = Hx 1 Hx 2 laterais s˜ao duas a duas disjuntas, temos

, Hx n as

.Hx n e estas classes

|G| =

n n

|Hx i | =

i=1

|H| = n|H| = |G : H||H|

i=1

e assim temos o resultado.

Consequˆencias do Teorema de Lagrange:

1. Se G ´e um grupo finito de ordem prima, ent˜ao os unicos´ consequentemente G ´e um grupo c´ıclico.

subgrupos de G s˜ao {e} e G, e

2. Se G ´e um grupo finito e g G, ent˜ao o(g) ´e um divisor de |G| e consequentemente g |G| = e.

3. Se

divisor de

mdc(|H |, |K|). Particularmente, se H e K tˆem ordens relativamente primas, ent˜ao

H K = {e}.

G grupo e

H

e

K

s˜ao subgrupos finitos de G,

ent˜ao

|H K|

´e

um

4. Sejam G grupo e a, b G elementos de ordens finitas tais que ab = ba. Se o(a) e o(b) s˜ao relativamente primas, ent˜ao o(ab) = o(a)o(b).

5. Se |G| = 2p, onde p ´e um n´umero primo ´ımpar, ent˜ao G possui algum elemento de ordem p . Ademais, se G ´e abeliano, ent˜ao G ´e c´ıclico.

10

´

Observa¸c˜ao 40

ou seja, existe grupo finito G e n divisor de |G| tais que G n˜ao possui subgrupo de ordem n. Um exemplo cl´assico desta situa¸c˜ao ´e o grupo A 4 , que ser´a definido mais adiante. O grupo A 4

´e um grupo de ordem 12 que n˜ao possui nenhum subgrupo de ordem 6.

E importante observar que a rec´ıproca do Teorema de Lagrange n˜ao ´e v´alida,

Defini¸c˜ao 41 Sejam G um grupo, H um subgrupo de G e T um subconjunto n˜ao vazio de G. Dizemos que T ´e:

a) Um transversal `a direita para H em G se Ht 1 ̸= Ht 2 , para quaisquer t 1 , t 2 T distintos, e

tT Ht = G.

b)

Um transversal `a esquerda para H em G se t 1 H ̸= t 2 H, para quaisquer t 1 , t 2 T distintos,

e

tT tH = G.

Observe ent˜ao que T ´e um transversal `a direita (resp. esquerda) para H em G se, e somente se, T Hg (resp. T gH) ´e unit´ario para todo g G. Observe tamb´em que se T ´e um tranversal `a direita (resp. `a esquerda) para H em G, ent˜ao existe uma correspondˆencia biun´ıvoca entre os elementos de T e as classes laterais `a direita (resp. `a esquerda) de H em G. Logo, |T | = |G : H|.

Exemplo 42 Consideremos o elemento

α = (

1 2 3 )

2

1

3

de S 3 e o subgrupo H = α(veja o Exemplo 28). Temos que |S 3 : H| = 3 e que

{ Id, ( 1

1

2

3

3

2

) , (

1

3

2

2

3

1

)}

´e um transversal `a direita, e tamb´em `a esquerda, para H em S 3 .

Exemplo 43 Consideremos o subgrupo K = {α S 4 | α(4) = 4} de S 4 . Temos |H| = 6 e asssim |S 4 : K| = 4. Observe que

{(

1

4

2

3

3

2

4

1

) , (

1

3

2

4

3

1

4

2

) , (

1

1

2

4

3

2

4

3

) , (

1

1

2

3

3

2

4 )}

4

´e um transversal `a esquerda, mas n˜ao `a direita, para K em S 4 .

Proposi¸c˜ao 44 Sejam G um grupo e H e N subgrupos de G, com N H.

j J}

´e um transversal para N em G. Particularmente, se |G : H| e |H : N | s˜ao finitos, ent˜ao |G : N |

´e

transversal para H em G e {s j | j J} ´e transversal para N em H, ent˜ao {t i s j | i I,

Se {t i | i I} ´e

finito e |G : N | = |G : H||H : N |.

11

GRUPOS QUOCIENTES

Sejam G um grupo e N G. Sabemos que gN = Ng para todo g G e assim podemos falar

simplesmente em classes laterais de N em G sem citar direita ou esquerda. Vamos denotar por

G/N o conjunto de todas as classes laterais de N em G, ou seja, G/N = {gN | g G}.

vezes, por simplicidade de nota¸c˜ao, denotamos gN por g. Definamos agora a seguinte opera¸c˜ao

As

`

·

:

G/N × G/N ( aN, bN )

−→

−→

G/N ( aN )( bN ) = abN

.

Primeiramente, observamos que esta opera¸c˜ao ´e bem definida. De fato, se a, b, a 1 , b 1 G s˜ao tais que aN =