Você está na página 1de 302
oe ee WWWBIOCISTRON.BLOGSPOT.COM Biologia Celular e Molecular L. C. Junqueira Professor Emérito, Universidade de $30 Paulo, Research Associate in Biology (Honorary), Harvard College, Boston, Formerly Research Associate, Medical School, University of Chicago, José Carneiro Professor de Histologia e Embriologia, Instituto de Ciencias Biomédicas, Universidade de Sao Paulo. Formerly Research Associate, Department of Anatomy, MeGill University, Montreal, Canadé. Formerly Visiting Associate Professor, Department of Anatomy, Medical School, University of Virginia, Charlottesville, Virginia, Sexta edicao AIM WH Biologia celular e molecular 574.87 J94b 6.ed. cunnnnara M7 (COGAN JS CONTEUDO 1 Introducio: Uma Vista Panorimica Sobre a Estrutura, Fungdes ¢ Evolucao das Células, 1 2 Tecnologia da Biologia Celular Molecular: Alguns Exemplos, 18 3 Bases Macromoleculares da Constituigao Celular, 39 4 Transformacao € Armazenamento de Energia, 63 5 Membrana Plasmatica. Digestao Intracchalar, 77 6 Comunicagdes Celulares por Meio de Sinais Quimicos, 104 7 Bases Moleculares do Citoesqueleto ¢ dos Movimentos Celulares, 117 8 Armazenamento da Informagio Genética, 14 9 Acio Génica, 172 10. Sintese de Macromoléculas, 194 11 Divistio de Trabatho entre as Células, Diferenciacio, 215, 12 Biologia da Interacio Célula-Mattiz Extracelular, 227 13 A Célula Vegetal, 238 14 Células Procariontes, 250 15 Mecanismos de Regulacio das Atividades Celulares: Como se Originam Algumas Docngas, 262 16 Os Virus € Suas Relagdes com as Células, 268 Glossirio, 283 Indice Alfabético, 294 Introdugao: Uma Vista Panoramica sobre a Estrutura, Fungoes e Evolucao das Células 0s virus sao constituddos por um genoma de DNA ou dle RNA, protegide por mondmeros protéices, gue formam 0 capsimero. Os vinis 66.se multiplicam dentro das células: sao parasitas tntracelulares obrigatdrios. As bactérias do grupo das ricketsias e clamidias sao céhulas procariontes tncompletas, que $6 se mudiiplicam dentro das células eucariontes Sb exisiem dois tipos colulares bdsicos: as células procariontes e as eucariontes. As células procariontes silo as bactérles. Naw possuem niicleo, com 0 genoa sendo separado do citeplasma por um envoltirio. As células encariontes, de estrutera muito mais complexe, constituem todos os demais seres vivos. Clulas eucariontes so maiores, contém muito mais DNA, seus cromosomas sito complexos, contém istonas ¢ ficam separadas do citoplasma pelo envoltévio nuclear O citoplasma das células eucariontes é dividide por membranas em compartimentas contend moléculas distintas e que executam funcées espectatizadas em cada comparttmenio. As edlulas eucariontes das plantas tem geralmente um grande vactiolo citoplasmatico, apreseniam lasios, parede de celulose, armazenam amido como reserva energética e se comunicam por meio de plasmodesmas, Aspectas da evolucdo das células; cloroplasios ¢ mitocéndrias provavelmente se originaram de ‘simbiontes. Correlagao dos grandes gripes de seres vivos (moneras, protistas, plantas, fungos e animais) e os ‘pos celulares baisicos | 2 Biologia Colular e Molecular Neste capitulo serd aprescatada uma visao panormica, rest Iida, da estrutura, fungdes e evolugdo das células, que servird de base para o estuco da matériatratada com mais profundidade ‘nos capitulos sepuintes, A célulu é « unidade que constitui os seres vivos, podendo ocorrer isoladamente, nos seres unicelulares, ou formar artan. Js ordenados. os teidos, que constituem 0 corpo dos seres plti- Fieelulares. Em geral, os tecidos apresentam quantidades varia veis de material extracelular, produzido por suas células, Os virus sao parasitas intracetulares obrigat6rios Devido a suas relagies com as células ¢ a seus efeitos sobre estas, podendo causar doengas de gravidade varidvel, os vitus sero estudados neste livro, embora de modo resumido (Cap. 16) Um virus néo & capa de se multiplicar, exceto quando parasita uma célula de cujas enzimas se utiliza para a sintese das macro. moléeulas que vao formar novos virus, Os virus nao possuem enimas nem outros elementos estruturais necessétios a labrica. ‘$80 de virus semelhantes. So, portanto, parasitas intracelulares obrigatérios: Na verdade, os virus sdo parasitas ao nivel mole. cular, pois induzetn a maquinaria sintética das cshulas parasitadas a wabalhat para formar novos virus, em vez. de trabulhar para fonmar seus proprios componentes. Os virus que atacam as eélulas animais nfo atacam as vege- tnis, € vice-versa, Distinguem-se, pois, os virus animais eos virus vegetais. H, porém, alguns virus vegeta que, invadin. ddo-as, multiplicam.se nas células de insetos disseminadores des. tes virus de uma planta para outra, Os virus das bactérias sio ‘chamados bacteriéfagos, ou simplesmente fagos. (Cada virus é formado basicamente por duas partes: (18) uma oreo central que leva a informago genética, isto é, um tipo especial de écido nuclgico(ribomucieico ou desoxirribonucléico) ‘no qual esto contidas, em cédigo, todas as informagdes neves, ‘itis para a produgo de outros virus iguais,¢ (2) uma porcao Perilética, consttuida de proteins, que protege o decide huclét. £0, pessiilita ao virus identificar as células que ele pade parasi- {ar ¢, em certos virus, facilta a penetragio nas eélulas. Alguns Mirus contém dcido ribonuctéico (RNA), enquanto outros eon. {ém deido desoxirribonucléico (DNA). Os dois tipos de cide ‘ucléico jamais esto presentes no mesmo tipo de virus, (Certos virus maiores e mais complexos apresentam unt inv. £10 lipoprotéico.°A parte lipidiea deste invlucro se origina das ‘membrana celulares. Mas as proteinas (glicoproteinas) sao dena. tureza viral, isto 6, séo codificadas pelo écide nucléico do. Rickéttsias e clamidias sao células incompletas “As acti dos grupos das icktsas das clamidiassio mui te pequenas e constiuidas por céulas incompletas, que nao pos. sum a capacidade de autoduplicagao independiente da colaborn 40 de ouzas cellas. Como os virus, a ricketisiase clam(diss to Parasitas elulares obrigatrios, pois 85 proliferam no interior das élulas complet, Todavia, as célulasincomplets diferem don vinis em ts aspeetos fundamentais. Em primeiro lugar. os virus con. ‘21m apenas um tipo de decido mueléico, que pode ser o cide Pia ‘ihonuelsico (RNA) ou o desoximribonucléico (DNA), enquanto as elulas incompletas contéin a0 mesmo tempo DNA e RNA. Em Segundo lugar, os virus caregam, codificada no seu Acido nucle! 0, ainformasio genética para a formago de novos virus, mas nao Possuctn organelas e por isso se utilizam da maxjuinatia das eth ‘as para se multipficarem. As células incompletas, ao conto, tém parte da méquina de sintese para se reproduzirem, mas necessitam, dda suplementacao fomecida pelo meio intracelular. Km tereciry ugar, as élulasincompletas im uma membrana semipermedvel, através da qual ocorrem trocas com 0 meio, o que no acontece com ‘520 ou saida de moléculas, E provavel que as célalas células “degeneradas”, isto &, que, no corret dos anos, perderarn ‘parte do seu DNA, de suas enzimas e, portanto, sua autonomia, ‘tomando-se dependentes das oétulas que se conservaram c s tcompletas tenhuam tido origem em Existem apenas 2 tipos basicos de células: 4S procariontes e as eucariontes ‘A microscopia eletrinica demonstrou que existem furdamen- talmente duas classes de células: as procariontes (ro, primeiro, ¢ arto. nelee), ajo eromosomas nao esto separados do citoplas- ‘nw por membrana, € as eucariontes (eu, verdadeiro, © cario. mi. leo), com um micleo bem individualizado e delimitado pelo en ¥oltGtio nuclear. Como serd visto a seguir, cmbora a complexid. de nuclear seja uilizada para dar nome as duas classes de células, ‘nd outras diferenas importantes entre procariontes e eucariontes, As células procariontes sao pobres em membranas See aed As chil procariontescaracterizam-se pela pobreza de mem: brans, que, melas, quase sereduzem & membrana plasmatica, Ao rana plasmética. Cada cromosoma, constituido de DNA nivrasso- ‘iado a histonas, tem espessura de 2mm ecomprimentode 12 man, A Esehertchia col pode conter um ou mais cromosomas, port ‘odos, em uma mesma cétua, sao sempreidéticos. As celles pro, mee Immaucae: Uma Vista Panordmica sobne a Estratuma, Fungées€ Prolactin das Calas 3 Membrane tea Fig, 1.1 Célula pmcirionte dhactéria sscbericinu cul, A «clu 6 envolvida poe wins primed rigid pres. wenbrana. plasmaitica, Na face Jntema da snembrana, enconiram-se envimas relacionadas cor respitaglo e «ik: eS20 tepnescntadas, no descnho, por perches Tc tas. © citoplasina contem numerosos politbosomas, may N40 apresenta 9 sistema de membrana que existe nas eels eucariontes. O esenlio mostra dois cromesoms, ue sto idémicos ese prendem a membyana plastica, A regia ovtpuc pelo cromosoma chatra-se aucleside, ceariontes nfo se dividem por mitose,¢ seus filamentos de DNA nile soffem o processo de condensed que leva a formagéo de cromno- somas visiveis ao mictoscpio Optico, durante a divisso celular, O citoplasma des eélulas procariontes em geral ndo apresen- ta outra membrang alémn daquela que o separa do meio externo (membrana plasmatica). Em alguns casos podem existir invagi nayoes da membrana plasmatiea que ponctram ao citoplasma, ‘onde se enrolam, originando estruturas denominadas mesosomas, Alem disso, no eitoplasm das células procationtes que realizam aafotossintese, existem algumas menbranas, paralelas entre si,¢ aassociadas & clorofilas ou a outros pigmentos responsiiveis pela ‘captagio da energia luminosa. ‘Outradiferenga entre a eélula procarionte ea eucarionte éa fal- ta de um citoesqueleto nas eélulas procasiontes, Nas eucariontes, 0 citoesqueleto ¢ responsavel pelos movimentas & pela forma das ccélulas. que, muitas vezes, ¢ complexa. A forma simples das eélu- Jas procariontes, em geralesférics ou em bastonete,¢ mantida pela parede extracelular, sintetizada no citoplasma ¢ agregada a su- Perlicie externa da onembrana celular. Esta parode 6 rigida e tem também papel importante na protecaio da vélula bacteciana, diante «las vatiagGes do meio ambiente onde ela se encontra na nature. ‘Todavia, « diferenga mais mateante entre as eélulas procari- fontes eas eueariontes é a pobreza de membranas nas procation- fs, Ocitoplasma das células procariontes nfo se apresenta sub- dividido em compartimentos. ao contririo do que ecorre nas células cueuriontes, onde wm extenso sistema de membrana ctia no citoplasma microrregides (Fig. 1.2) que contém moléculas, Jiferentes e executam fungdes especializadas, As células eucariontes so compartimentadas Estas células apresentam duas partes mozfologicamente bem distinus— o citoplasma c o nacleo — entre as quais existe um {tnsito constante dle moléculas diversas, nos dots sontidos. O ei- toplasma€ envolto pela membrana plasmatica,¢ 0 niiclea, pole envoltério nuclear. Unia caracteristica importante das células eucariontes € sus riqueza em membranas, formando compartimentos que Separam ‘os diversos processos metabélicas gragss ao direcionamento das 'molgculas absorvidas ¢ as diferengas enzimticas entre as men- branas dos varios compartimentos. A céluls eucarionte é como uma fabrica organizada em segies de montagem, pintura, emba- Jagom ete. Além de aumentar a eficiéncia, a separagio das alivi- dads permite que as eélulas cueariontes atinjam maior tamanho, sem prejuizo de suas fangses. 0 citoplasma 6 constitutdo pela matrtz, organelas e depésitos diversos ‘Ocitoplasma das células cucariontes contém as organelas, como. ‘mitocOndrias, reticulo endoplasmitico, aparelho de Golgi, Hisoso- mas € peroxisomas, e pode apresentar depdsitos de substéncias diversas, come granules de glicogénio ¢ goticulaslipdicus. Procn- ‘chendo 0 espago entre essas cstruturas, encontra-se a matriz et plasmética, hialoplasma ou citosol. 0 citosol contéem moléeulas de égua, ions civersos, auninodcidos, prevursores dos deides muck (60s, numerosas encima que participa da degrada e sintese de hiidratos de carbono, de vidos eraxos, de aminosicidos de outras ‘molsculas prewuzidas nas eélulas. Contém ainda monsmeras pro- \icos que se polimerizam para constitu diversas estruturas cela lares como 08 microtibulos¢ os flamentos de acta, que si0.com- Ponentes do citoesquelcto, O estudo estrutural da rari citoplas- Imatica¢tecnicamente dificil, poném cada ves parece mais claro que ¢la ¢ formada principalmente por components fibrilares ¢micto- {ubulares que se podem despotimerizar e polimerizar novamente, de modo reversivel, 0 que explica as modlficagies de sol para gel © vice-versa observadas no citoplasma, Membrana plasmdtica Ea pare mais extemsa do ctoplasmae, portanto, separa-o do anvio extracel. Tem cerca ce a 1Onmdeespesouae pare VF vy 4 Biologta Cetutare Molecular JASAS oteia ini ioobres cone —S 7 ogaelmriv arrest Fig. 1.2 Representicio tridimensional de célula eucationte animal vyelope nucleus, de dupla membrana, com poros. O coplasina das senvolvido e que, por razdes didsticas, $6 estd pari > et § me AS WOON (e4lula do figado), © niieleo 6 separde do eitoplasma pelo en: elu evcisiontes possui um sistema dle membranas muito de- Imente representado nesta figura, Observar, acima do niicleo, um dos dois centriolos da celula, de onde irradiam microuibulos, Atras dos ceatrolos esté a aparclho de Golgi. No centro do muicleo aparece 0 nucléolo. Gtepraduzido, com permissio, de Cameito, J: Bases Cel 64, 3" edicto, Guamaibara Koogan, 1984.) ‘cenaseletromicrografias como duas linhas escuras separadas por ‘uma linha central clara, Esta estrutura teilaminar € comum as ‘outeas membeanas encontradas nas células, sendo por isso cha- ‘mada unidade de membrana ou membrana unitéria. Mitocondrias ‘iio corpiiseulos esféricos ou, mais freqlientemente, alonga- dos (Fig. 1.2), Nas mictografias eletr6nicas aparecem const das por duis unidades de membrana, sendo a interna pregue: da, originando dobras em forma de prateleiras ou de nibulos (Fig, 13). A principal fungao das mitocondrias ¢liberar energia gradu- lente das moléculas de Scidos graxos glicose, provenientes dos alimentos, produzindo calor e, prineipalmente, moléculas de ATP (adenosina-trifosfato). A energia armazenada no ATP. 6 usada pelas células para realizar suas diversas alividadles, como movimentagdo, secreeo, multiplicaglo etc: As mitocdndrias participam também de outros processos metabélicos, muito va- raveis conforme o tipo celular, © que serao estudados oportu- pamente, ares par ‘opatologia. Ine Marcondes, M. etal. Cintca Médi- Reticulo endoplasmético No citoplasma das cétulas eucariontes existe uma rede de vesiculas achatadas, vesfeulas esféricas e tibulos que se inter- comunnicam. Estes elementos possuem uma parede formada por uma unidade de membrana que delimita cavidades, as eister- nas do reticulo endoplasmitico (Fig. 1.3). As cistemas cons- tituer um sistema de tneis, de forma muito varlivel-que-per- conte o citoplasma, Distinguem-se o reticulo endoplasmético rrugoso, ou granular, ¢ 0 liso (Fig. 1.2). ‘Oreifeulo endoplasmatico ragoso é assim chamado por eon- ter, na sua superficie, particulas muito densas aos elérons: os ribosomas,ricos em ribonucleoproteinas. Os ribosomas tem um diimetro de 15.2 20 nm. Cada um € formado por duas subuni- dades de tamanhos diferentes, somente visfveis nas microgra- fias eletrinicas de grande resolugdo. ‘Os ribosomas se associam a filamentos de RNA mensageiro ‘(@nRNA), formando polirribosomas que ficam dispersos no ci toplasma ou presos a superiicie externa do reticulo endoplas- _métieo rugoso. Os polirribosomas tm papel fundamental na sin- tese de proteinas, Intyodugdo: Una Vista Panonimica sobre a Estrunra, Fungées ¢ Boolucao das Cétulas 5 reticulo endoplasmatico liso apresenta-se principalmente ‘como tibulos que se anastomosam (Fig. 1.2). E muito desen- volvido em certos tipas de eélulas, como, por exemplo, nas que secretam horménios esterdides, nas eélulas hepaticas e no ms culo estriado, Aparello de Golgi Esta organela é também conhecida como zona ou complexe, de Golgi (O aparetho de Golgi é constitufdo por um nimero varidvel de vvesiculas circulares achatadase por vesiculas esféricas de diver- sos tamanhos, que parecem brotar das primeiras (Figs. 1-2 1.4). Em muitas céluas, 0 aparclho de Golgi localiza-se em posieao cconstante, quase sempre ao lado do niicleo (Figs. 1.2 1.5); em ‘outras células, ele se encontra disperso pelo citoplasma, Lisosomas jo orgunelas de forma e tamanho muito variéveis, reqiien- temente medindo 0,5-3,0 um de didimetro (Figs. 1.2¢ 1.5) con~ tendo diversas enzimas hidroliticas, com atividade méxima em DH dicido, Bssas enzimas sdo sintetizadas no reticulo endoplas- ndtico rugoso, Desse modo, os lisosomas so apenas depdsitos RD een lds pet es poco gocitadas, ou, enti, suas priprias organelas. A destruiglo e re- novago de organclas € um processo fisioldgico que permite a ccélula manter seus componentes em bom estado funcional e em ‘quantidade adequada as suas necessidades do momento. Peroxisomas Os peroxisomas (microcorpos) so organelas caructerizadas, pela presenca de enzimas oxidativas que transferem étomos de hidrogenio de diversas substratos para 0 oxigénio, segundo a reagdio: RH, +0, +R +H,0, ‘Outra caracterSstiea Tuncional das peroxisomas € conterem a maior parte da catalase celular (Fig. 1.6), enzima que converte peréxido de hidrogénio (H,O,) em gua e oxigénio: catalase 2H,0, = 2H,0 +0; A atividade da catalase & importante porque o perbxido de hidrogénio (H,O;) que se forma nos peroxisomas € um oxidante ‘enérgico e prejudicaria a eélula se ndo fosse eliminade tapi Os peroxisomas apresentam, ao microseépio eletronico, uma rmatriz granulosa envolta por membrana, e seu tamanho em ge~ Fig. 13 Pletromicrografia de parte do citoplasina de uma eélula do tecdo conjunive (plasmeéeito). Os corpos mais escuros€ alongaces 0 mitocindias. Essa cdlula, especializada na sintese de proteinas, € multo rica em reticulo endoplasmitico nigoso (i As cater- has esldo diatadas por proteinas que serio seereradas no meio extracelulas. As proteinas aparece sola Forma cke um procipitade fino clazo, no interior das cisternas do reculoyendoplasmatico mygoso. Aumento: 60,000 X. ai teil teil 6 Biologia Celular a Moteculear Fig. 1.4 Fletromicrografia do apatetho de Golgi isolado de eélula do intestino. Essa organela ¢ constitusda de vesiculas achatadss CVA) Cteniculas esfcrica’ CVE) que parecem brotar daqueles, Notar, também, alguns fragmentos do reticulo endoplasmatico liso, um dex {quais esta assinalado (RE). Aumento: 25.000 rografia de célula do tecisdo conjuntivo Cmacr6fago), Em alguns pontos, @ superticie celular apzesentaitregularidades ‘0 (o nuckéola nio aparece no corte), 0 aparelho de Golai, 05 lisosomas (),o reticulo nto: 15.000 %. Fig. 1.5 Flerom sob a forma de prolongamentos. Observar o pc endoplasmatica liso (HEL) e o centriole. Aum Inirodugao: Uma Vista Panordmica sobre a Esinatura, Fungées e Bvotusao das Gttilas 7 Zz Fig. 1.6 A. Micrografia cletnica de olha de famo, mostrando um peroxisoma com sua membrana ¢ contendo uma matiig amor, em cao interior notsse uma inclusio eristalina (), Oserve ainda dois cloroplasios (C) ¢ uma mitocdndria {M), 51.000 . B, Microgrfiacletrnica Ge Folha de fumo aps reaizagio do uma técnica citoquimca para catalase, Observar a reacio pasitva pana ‘epésito eléren- ddenso) no peroxisoma. A catalase localiz-se na matriz amora do peroxisoma ¢ na inchusio crstaing nele contida 14.000 %. (Frederic, S.E-and EH. Newcomb. J. Coll Biol, 4313, 1969. Reproduzido com permissio.) _— | = 8 okegia Celular e Molecular ral varia de 0,3 4 1 um. Em muitos tipos celulares, os peroxiso- mas com estas dimensdes exibem um cristal6ide, elétron-denso ce consiitutdo de catalase. Bxistem peroxisomas menores, larga- ‘mente distibuidos em muitos tipos celulares, medindo apenas 100 a 260 nm, denominados microperoxisomas. No entanto, cembora sejam encontrados em menor niimero de tipos celula- 18s, 6¢ peroxisomas maiores so mis bem estucados, por se- rom miais ficeis de isolar pela tScnica de centrifugagio fracio- nada. Os peroxisomas em geral, incluindo os microperoxisomas, si identilicados com seguranga av microscdpie eletrdaico por darem reagho positiva para a enzima catalase, 0s glioxisomas sito peroxisomas espectalizados 0s glioxisomas silo peroxisormas encontrados em certos protistas (Euglena, Tetrahymena) e sementes oleaginosas de vvegetais superiores, Contém principalmente as enzimas do ci clo da aeido glioxilico, que participam da sintese de hidratos de ccarbono a pavtr de triglicerideos acumulados nas sementes, ov entio de acetato, no caso dos protistas, Basicamente, a fungdo do ciclo do decid glioxilico é produzir. a partir de acetato, omne~ tabstito succinato, uilizado pela céluls para sintese de hidra- tos de carhono, Estes hidratos de carbono s20 usados como fon- te de energia pela semente durante a germinagdo ¢ para as ne- ccessidades energéticas usuais dos protistas Os peroxisomas das fothas das plantas participam, junto com os cloroplastos, da folorrespiragao A fotorrespiraio & um process ce onidio de compostos re sultantes da atividade fotossintstica dos cloroplastos, formance principalment hidratos de carbono como prodito final Na fotor- respiracdo hi consumo de oxigenio e produeao de gs carbonico, Estes peroxisomas possuem, enireoutras enzims, catalase, cazimas dda Beoxidagan dos fcidos graxas Scido glicslico-oxidas. Peroxisomas animais io largamente distsibufdos, tendo sido bem estudados nas células do rim e do figado de mamiferos. Entee outras enzi- mass, contém catalase, enzimas da §-oxidagao dos acidos gra- xos, urato-oxiduse © D-aminosecids-oxidase. Participam da metabolizagio do Acido trico, resultante das bases péricas, formando alantofna. A presenga da enzima D-aminodeido- oxidase est provavelmente relacionads com a metaboliza ‘co dos D-aminodeidos da parede das bactérias que penetram ‘no organismo, pois nos manufferos existem apenas L-aminos- cidos. Os peroxisomas dos animais iém também um papel na desincoxicacao. Por exemplo, cerca da metade do ctanol con- sumido por uma pessoa & oxidado pelos peroxisomas, prin- cipalmente 0s hepiticos ¢ renais, Os peroxisomas participam, como as mitocdndrias, da B-oxidacio dos acidos graxos, as- sim chamada porque 0s ieidos graxos so rompidas no car- bono da posiviio dois ou beta. Os peroxisomas catalisam a dogradaciio dos deidos graxos, produzindo acctil-Coa, que pode penetrar nas mitocondrias, onde vai participar da sint se de ATP através do cielo do deido eftrico, ow emao ser uti- Jizado em outros compartimentos citoplasmaticns para a sin- reve de moléeulas diversas. Caleula-se que 30% das deidos sgraxos sejain oxidados em acetil-Co nos peroxisomay, Receptores da membrana dos peroxisomas captam proteinas sintetizadas no citosol e que conten wn sinal especifico (Os peroxisomas erescem pela incorporacdo de proteinas sin- tetizadlas nos poliribosomas livres no citosol. e que contém uma Seqiléncia especial de trés aminoscidos proximos & extremidade carboxila da molécula protéica, Esta seqiléncia é reconhecida por receprores da membrana © a proteina é ransportads para o inte rior dos peroxisomus, Assim, os peroxisomus crescem ¢, upés ‘alingirem certo tamanio, dividem-se por fissio (Fig, 1.7). O pro- cesso foi bem estudade tomando-se como modelo a catalase Cauda moiéculu da catalase ¢ vonstituida de quatro polipeptideos lénticos, cals um deles ligado a um grupo heme. A catalase & liberada pelos poliribosomas no citosol sob a forma de potipep- tideos, sem o grupo heme, denomninados apocatalase. As mols cules de apocatalase, que contén o sinal pata 0s peroxisoms, ‘io reconhecidas pela membrana dos peroxisomas e pene: nna organela, onde se unem para formar os tetrimeros que, seguida, recebera quatro grupos heme, ‘As mokéculas receptoras, que ficam presas nas membranes dos, Peroxisomas,fazendo saliéncia na face citoplasundtica, também ‘Sio sintetizadas nos polirribosomas livres e eaptadas — porém, no introduzidas — nos peroxisomes, Citoesqueleto ‘Muitas eélulas tém forma irregular, existindo algumas, como ‘05 neurdnios ou células nervesas, com prolongamentos muito ongos. Aléi disso, 0 nécleo, organelas, eramulos de secrecdo € ‘uitzas componentes celulares tém localizagio definida, quase sempre constante, conforme 0 tipo celular. Essas observacdes, leyaram os citologistas a admitira existéncis de um citoesque- peroxisoma protelnas no citoso +, # By rocoptor que auxila fe penetragio das proteinas com sinal para 0 peroxisomna, 4 ° Sir bE Big. 1.7 Os pesexisoms se muhiplicam por um processo ainda potico conhcido de divisio bindria, O desenho mostra que ara esba organela slo sintetzadas no citosol. Al nado perosisoma, porsm determinacls pro- ‘ém sinal peplidien para o intenor do peroxisoma, Essas molGcuhis proticas atravessam a membrana e via suumentar 0 lumanho da orginela, que, finalmente, se divide ra das \ Introducdo: Uma Vista Panordmica sobre a tssrutura, Pungdese Bvotugtio das Cetedas leto ue desempenharia apenas um papel meciinico, de suport, ‘nuendo a forma celular e a posigao de seus componentes. Es tudos posteriores, alm de confirmarem a existéncia do citoes- Gueleto, mostearam que seu papel funcional é muito mais am plo, Ele estabelece, modifica e mantém a forma das eétulas. F ‘esponsével também pelos movimentos eelulares como contri ‘0, formaglo de pscudpodose deslocamentos intraceTulares de organelas, cromosomas, vesiculas e grinulos diversos. Os prin- cipais elementos do citeesqueleto siio os microtiibulos, micro filamentos de aetina ¢ fllamentos intermediarios, Depésitos citoplasmaticos 0 citoplasma pode conter, conforme o tipo celular estudado ceseu estado funcional, acimulos de substincias diversas Sio freqientes os depositos do polissacarideo glicogénio, cexistente nas células sob a forma de grénulos com 30 nm, que podem aparecersoladamente ou agrupados. consttuindo "rose- tas" (Fig. 1.8) O glicogénio, um polimero da glicose,€ uma re- serva energética para as cella animais. Muitas célus comtéen oticalas lipfdicas (Fg. 1.9) de constituigao qutmica etamanho muito varigveis, Como exemplos de célulss com muitas goticu- las de fipfdios, podem ser citadas as células ca eamada cortical di plindula supra-renal, as células adiposas eas culasintersti- ciais do testicul. epeisios de pigmentos também nao sao raros. Um exem= plo a melanina, enconteada nos cromatéforos-e em outras = Fig. 1.8 Micrografia cletwinica mostranco grinules de glicagénio, a rmaloria dos quais aparece sob a forma de aglomerados denomina- os “roses” (seas), Célula do Figado de ato. Aumento 62.008 X, tulas. Outro exemplo que pode ser citado € a lipofuseina, pig- mento pardo que se acumula em algumas eéulas de vids longa, ‘como neurGnios e fibras musculares cardfacas, a medida queelas envelhecem. ‘Os depésitos contend pigmento so, em parte, esponsaveis pela cor dos seres vivos, com imphieagdes nos processos de ‘mimetismo, nas atividades sexuais e na protegio contra as radi- agdes ultravioleta. Nesta ttima fungio, 2 melanina tem papel relevante, pois, nos mamiferos, ela se dispoe como um capuz sobre o nlicleo das oélulas da epiderme, protegendo » DNA no- clear do efeito mutagénico dos raios ultravioleta do Sol. Este cefeito explica aalta incidéncia de cnceres da epiderme em pes- soas de pele muito clara, que contém pouca melanina, € nos a: boinos, que sio inteiramente desprovidos de melanina. O nticleo contém os cromosomas e é separado do citoplasma por membrana dupla, o envoltorio nuclear Uma das prineipais earacteristicas da célula eucarionte 6 presenga de um micleo de forma varidvel, porém bem individu- alizade ¢ separado do restante da célula por duas membranas. ‘Todavia, essa membrana dupla, chamada envoltério nuclear, possui poros que regulam as trocas de macromoléculas com 0 Fig. 1.9 Fletromicrografia mostrando inchusdes lipidicas em el. lus de revestimento do intestino delgado. Essas células apresen: tam, em sua superficie luxe, numeroses prolongaientos, 08 mi ‘crovilos ou microvilosidades, Noa mitocondrias (MD ¢ Hisosomas ). As gaticulas contend lipidias sao envollas por membrana do reticulo endaplasmético liso (seias). Aumento: 10.000 X, (€or testa de H. 1, Friedman 10 Biologia Celutare Molecutar citoplasma, A membrana externa do envoltério nuclear comém ribosomas e € continua com 0 retiewlo endoplasmatico rugoso Fi. 1.2). Cromatina A observagio mictoscSpica dos preparados fixados mostra que © cleo ceiular contém gras de tamano variavel e forma ir- regular, que se eoram intensamente por coranteshésicos, O mate rl que constitu estes grinaos foi chamado de eromatina, mma Spoca em que nada se conhecia sobee sua constituigao quimica, Hj se sabe que a eromatina € constitu por éeido desoxinibo- inclgico (DNA) associado a proteins. Asulaseucariontescon- iGm uma quanfidade muito maior de DNA, que apresenta grande ccomplexidad, estando associa aproteinas especiis, as histonas. Estas protenas tém important pape na organizagao da DNA, tanto no nicleointerfisico, isto que nao ester mitse, como ddensagao dos cromosomas durante a divisso celular Nuctéolo ‘0s nucigolos so compasevios em geralestérivos, facilmente identificdveis, embora sua morfologiae estratura interna sejam vardveis de acordo com o tipo celular. Eles so facilmente vist veis emestulas vivas, examinadas 0 microse6pio sem qualquer coloragio. ‘Os nucléolos contém quantidades variéveis de dcido ribonu- lgico (RNA) ¢ de proteinas basicas. Geralmente ox nucléolos ‘io baséfilos devido ao RNA, que se cora por corantes basicos. Contudo, 0s que apresentam elevado teor de protefnas basicas, due tém afnidade pelos corantesacidos, so aidafilos (o signifi da acidofilia seréexplicado no Cap. 2) ico (nicleo que nio esti em mitose), pois desaparece na profase,s6 reaparecendo na telofase Caracteristicas que distinguem as células eucariontes vegetais das animais Ascélulas dos vegetais superiores (plantas) so eucariontes.e assemelham-se, em sua estrutura bésica, as eslulas animais. AS principais diferencas serio citadas a seg talhes, deve ser consultado 0 Cap, 12. para maiores de- 1, Presenga de paredes.Além da membrana plasmatica, as ‘dlulas das plantas contém uma ou mais paredes igidas que thes ‘conferem forma constant ¢ protegem o ctoplasms contra agres- ses mecfinicus, aco de parasias etc 2. Presenea de plastos. Una das principals caracteriticas das <élulas das plantas é a presenca dos plastos, que sdo organelas maiores do que as mitocondras e, com eas, delimitadas por das, unidades de membrana. Quando estas orpanelas nfo contém pig- mentos, so chamadasleneoplastos. As que contém pigmentos sao ‘0 eromoplasts, cos quis os mais reqientes so os cloroplas- tus, ricos em clorofila, principal pigmento fotossimtético, 3. Vactilos eitoplasmiiticas. As células das plantas contém, com frequéncia, vaciolos citoplasmaticos muito maiores do gue ‘05 que existem no citoplasma das eélulas animais. Os vactolos das células yegetais poem ocupar a maior parte do volume ce- lular, reduzindo-se 0 citoplasma funcional a uma delgadafaixa na perferia da cella. 4, Presenga de amido. Ao contrario das células eucariontes que utilizam o polissacarideo glicagenio como reserva ica, nas elulas das plantas 0 polissacarideo de reserva é amido, 5. Presenga de plasmodesmos. As eélulas vegetais possi «em fubos com 20-40 nm de diimetro ligando eélulas vizinhas. Estas conexdes slo chamadas plasmodesmos ¢ estabelecem ceanais pars o trnsito de moléculas. As células animais nao apre- sentam plasmodesmos. Apenas eFlulas de certos tecidos se co- ‘municam pelas jungies comunicantes(v. Cap. 5). Origem e evoluedo das células Admite-se que o processo evolutivo que originou as primei- ras e¢lulas comegou na Terra a aproximadamente 4 bilhoes de anos (Fig. 1.10). Naquela época, a atmosfera provavelmente continha vapor W’ggua, amdnia, metano, hidrogénio, sulfeto de hidrogénio ¢ gals carbOnico, O oxigénio livre s6 apareceu muito depois, gragas i atividade fotossintstica das oslulas antotebficas. Ha bilhdes de anos, a superficie da Terra estaria coberta por terande quantidade de agua, disposta em grandes “oceanos” & Fomagso tera Metazosnos oecgeno Loma ‘a atmostera warieros Peto de evouete — crandes umes Periods dos mirrganismas =a Bie de anos FFig. 110 Cronologia da origem da vida na Terra, mosteando as prowsvels epocas do aparecimenta das primeiras mos), precedido pelo periedo de evolu 10 quimica, quando houve sintese pré-bictica de moléculas contenda carbono, Obsery las (mnicrorganis- bbem a epoca do aparocimento de oxigénio na almostera e © aparecimento dos metazoirios « sia evohigho recente, Introdugdo. Uma Vista Panonimica sobre a Estmunura, Puncdes e Beoluctio das Céltas “lagoas" Essa massa liquida, chamada de ealdo primordial, era rics em moléculas inorganicas e continha em solugao os gases ‘que constitnfam a atmosfera, Sob a aco do calor e da radiagao ulteavioleta, vindos do Sol, ¢ de descargas elétricas, oriundas das. empestades, entiio muito frequentes, as moléculas dissolvidas. ‘no caldo primordial combinaram-se quimicamente para consti- ‘ufrem 0s primeiros compostos contendo carbono. Substincias relativamente complexas como protefiase écidos aucléicos, que, nas condigbes terrestres atuais,s6 se formam pela agio das las ow por sintese nos laboratdrios quimicos, teriam aparecido. espontaneamente, ao acaso. Esse tipo de sintese, realizada sem a participagdo de seres vivos, & denominada prebistica, ¢ jé foi demonstrado experimentalmente que ela & possivel (Fig. 1-11). ‘Oaciimulo gradual dos compastos de carbone foi fayorecido por tues circunstanciay; (1) a enorme extensdo da Terra, com grande variedade de nichos, onde provavelmente ocorreu « formagao de ‘moléculas que foram mantidas prOximas umas das outras e, cer~ tamente, diferentes das existentes em outros locais; (2) 0 longo Fig. 1.11 Aparelho criado por Staley L. Miler para demvonstrar sintese de substincias ormnicas, sem partcipagao de seres vivos ese pré-bictca), nas condigdes da atmostera terete hid cer- ca de 4 bilhoes de anos. © aparsiho continha vapor d'agua, pro- ‘eniente do aquecimento do balto inferior, Pela xneiza superior ‘equerds, introduiaarse, aa coluna, metano, aménia, bidrogenio f gis cathénico, Ad pascar pelo balto superior direito, a mistura fra submetide a cenielhas eleiricas, A muistura tornava-se liquida no condensador e era recolhida pel fomeirs inferior. Observou se que esse liquide contiaa substinelas orginicas diversas, inelo- sive aminadcidos. oy tempo, cerca de 2 bilhes de anos, ptfodo em que ocorreu a sin- tese prebidtica no caldo primordial (3) a auséncia de ox nio na atmosfera, jd mencionada, ¢ importante porque assim as ‘moléeulas ncoformadas nao foram logo destruidas por oxida- (0, Na atmostera atual da Terra asintese do tipo prebistico impossivel provsvel que, no caldo primordial, tenham surgido polime- ros de aminodcidos ede nucleotideos, formando-se assim as pri- inelras molsevlas de protefnas e de deidos nucléicos. Todavia, Somente dcidos nucléicos so capazes de autoduplicagao, ea ‘demonstragio experimental recente de que em laborstério mo- Ikculas de RNA simples sio eapaves de evoluir para moiéculas mais complexas, sem auxslio de proteinas enzimiicas, faz su- porque a evolugéo comegou com moléculas de RNA. Como ser Yisto adiante, no Cap. 3, © RNA pode ter atividade enzimtic, Dropriedade que ja se pensou ser exclusiva das proteins. Apa- Tecidas as primeins moléculas de RNA com capacidade de se ‘mulliplicarem e de evolu, estava inieiado © camino para as primeinas vélulas. Porém, cru necessirio que o sistema autoca- Talkin ficasse isolado, para que as moléculas nfo se dispersas- sem me Iiguide prebistico, Provavelmente ao acaso formparum: se moléculas de fosfolipiios que, espontaneamente, consttui- ram as primeiras bieamadas fosfolipidica, e estas podem ter tenvolto conjunios de moléculas de fidosribonucléics, nucleo- {ideos, proteinas e outras moléculas. Estava, assim, constituida {primeira célula, com sua membrana fosfolipidica. Os fosfoi- pidios sao moléculas alongadas, com uma cubeca hidrofitica ¢ das cadeias hidrofébicas. Quando estio dissolvidas em gua, sss moléculas de fosfolipidios se prendem por interagio hidrof®- bica de sss eadcias ¢ eonstituem bicamadas espontaneamente, sem necessidade de energia (v. Cap. 5). (Os dados hoje disponiveis permitem supor que, em seguida 40 acido sibonuciéico (RINA), deve ter surgido 0 écido desoxir- ribonuctéico (DNA), formado pela polimerizaco de nucleotideos Sobre ium molde (fenplate) de RNA, e 0s dois tipos de écidos imcléicos passaram a determinar os tipos de proteinas a serem, sintetizadas. Considerando a enorme variedade de proteinas ce- Tulares formadas por 20-mondmeros diferentes (os 20 amino cidos),€ pouco provavel que todas as proteinas se tenham for- mado por acaso, A sinese das proteinas deve ter sido dirigida pelos dcidos naciéicos, com climinago das protenas initeis pelo préprio processo evolutivo. ‘Erazodvel supor que primeira célula que surgiu era strutu- ralmente simples, certameate uma procarionte helerotrfica e também, que essa célula foi precedida por agregados de RNA, DNA e proteinas, envoltos por bicamada de fsfolipidios. Esses _agregados continiaram.o processo evotutivo iniciado pelas mo- Ieculas de RNA. cderam origem as primeiras células, que devern ter sido procariontes estruturalmente simples. ‘Como esss primeira células procariontes eram heterotricas «¢.portinto, incapazes de sintetizar composts ricos em energia {alimentos), 0 processo evolurive teria si interrompico pelo esgotamento das compostos de earbono formados pelo processo rebistico, nos ichos onde surgiram as eétlas primordia. Essas primeiras eélulas, além de procariontes ¢ heterotfiess, exam também anaerGbias, pois no existia oxigtnio na stmosfera, Te- Tia sido diffi sustentar processo evolutivo das clas prim tivas se elas tivessem permanceido dependentes, para sua nut 40, das motéeulas energétiens formadas por sntese prebstica tno caldo primordial ‘A manutengao da vida na Terra dependeu, eno, do aparcci- mento das primeiras eélulas autotréticns, ou seje, eapazes de — | 12 Biologia Celular e Molecular dts procaronte Fig. 1.12 Desenho mostrindo como, provavelmente, apareceram os compantimentos intracelulates, por invaginagies da ervago de que as membranas intracelulares t€m consituiglo molecular muito semelhante pliasmatica, Essa hipétese € apoiada peta obs 1 da membrana plasmatica sintetizar moléculas complexas.a partir de substiincias muito sim- ‘solar. Admite-se que tenha surgido, em células procariontes, um sistema capaz de utilizar a energia do Sol € farmazend-la em ligagdes quimicas, sitetizando assim alimen- tos ¢ liberando oxigénio. Esse novo tipo celular seria provavel ‘mente muito semelhante ou, talvez, igual As algas azuis ou cia- ve sio bactérias ainda hoje existentes. Iniciow-se, as- sim, a fotossintese, que ocorreu gragas ao aparecimento, nas e&- lulas, de certos pigmentos, dos quais o mais comum é a clorofi- Ja (pigmento de cor verde), que capta as radiagoes azul e ver~ mmetha da luz do Sol, utiizando sua energia para ativar proces- sox sintéticns. ‘Ooxigenio liberado pela fotossfntese realizada pelas bactéri- ‘4 autotrficas foi-se acumulando na atmosfera. Isto veio a pro- duzir grandes alteragdes na atmosfera, pois as moléculas de oxi- genio (O,) foram-se difundindo para as alturas mais elevadas, ‘onde se romperam sob agio da radiagZo ultraviolet, originando ‘Mtomos de oxigénio (0), muitos dos quais se recombinaram para formar azénio (O,), que tem grande capacidade de absorver 0 tuliravioleta. Desse modo, formou-se, pouco a pouco, umia camada de oz6nio que protege a superficie da Terra contra a radiagao uravioleta, mas que é transparente aos comprimentos de onda O inicio da fotossintese e as modificagbes da atmosfera fo- ram de grande importdncia para a evolugdo das eélulas e das cute eucaronte formas de vida hoje existentes na Terra. Gragas & fotossintese surgiu 0 oxigénio na atmosfera, ¢ isto permitiu 6 aparecimento de eslulas aer6bias, ao mesmo tempo que criou uma cobertura protetora de ozénio nas camadas superiores da atmosfera. As bbactéras anaerobias ficaram restritas a nichos especiais, onde nao existe oxigénio, Supée-se que o passo seguinte no proceso evalutivo, depois das células procariontes autotr6ficas, tenha sido 0 aparecimen- to das células eucationtes. Tudo indica que as células eucarion- tes, earacterizadas por seu elaborado sistema de membranas, se tenham originado a partir de procariontes, por invaginagées da membrana plasmatica, que foi puxada por protefnas contrateis previamente aparecidas no citoplasma (ver adiante, neste capi- {lo}. Essa hip6tese a pela observagdo de que as mem- branas intracelulares mantém aproximadamente a mesma assi- ‘metria que existe na membrana plasmética, A face das membra- nas infernas que estd em contato com o eitosol (mattiz citoplas- Itica) assemelha-se & sua equivalente na membrana plasmati- 2, € © mesmo acontece com a face voltada para o interior dos compartimentos intracelulares, que tem semelhanga com a face ‘externa da membrana plasmatica (Fig. 1.12). Ha evidéncias sugestivas de que as organelas envolvidas nas transformagdes energéticas,cloroplastese mitoctindrias, derivam de bactérias que foram fagocitadas, escaparam dos mecanismos de digestio intracelular e se estabeleceram como simbiontes nas Iniroducito: Uma Vista Pa ccélulas eueariontes hospedeiras, criando um relacionamento mu- tamente benéfico ¢ que se tomnou irreversivel, com 0 passar dos anos (Fig, 1.13), devido a mutagées ocorridas no simbionte. Den- ‘reas numerosas evidéncias a favor desta hipstese, pode-se citar 0 fato de que mitocOndriase cloroplasios possuem DNA cuja cadeia circular, como nas bactérias. Estas organelas possuem membra- ra dupla, sendo a membrana interna muito semelhante, em sua ‘composigao, as membranas bacterianas, enquanto a membrana ‘externa, que seria a parede do vuetolo fagocttico, assemelha-se ‘membrana das células eucariontes hospedeiras. Além disso, simbiose entre baetéras e células eucariontes continua acontecen- do, senda intimeros os casos atvalmente existentes (Fig. 1.14), ‘Ao longo da evolugao, tanto as mitocdndrias como os cloro- plastos foram perdendo seu genoma para o niclco da eélula hos- pedeira, ese tomaram dependentes do DNA dos cromosomas das células hospedeiras, A maior parte das proteinas das mitocon- drias e das cloroplastos sio codificadas por RNA mensageiro proveniente do nicleo celular, sintetizadas nos polirribosomas ‘da matrz,citoplasmatica e, depois, transferidas para dentro das imitocdndias e cloroplastos, anordmsica sobre a Estrutuna, Funcées e Reolugao das Céiutas 13 Como terlam surgido as células eucariontes? ‘O aparecimento das células eucariontes, durante 0 Jento pro- -cesso evolutive, éum axpecto de dificil elucidayio, prineipalmen- fe porque nifo existem hoje células intermedirias entre procari- ontes ¢ cueariontes, 0 que facilitaria a elucidagao dessa modifi- cago evolativa. ‘Parece claro que, embora as mitocOndrias e os cloroplastos scjam derivados de eélulas procationtes,¢ dificil imaginar a for~ magio de uma célula eucarionte pela simples unio entre das. ccéulas procariontes tipicas. Uma delas deve ter sofrido modifi- ccagdes evolutivas que no foram conservadas nas eshulas pro- cariontes atuais. E possivel que as oélulas eucariontes tenham evoluido gradualmente, na seqiéncia exposta a seguir (Fis, 1.15), ‘Uma eéluta procarionte heterotréfica € anaerobia, jé com 0 sistema DNA RNA-> Proteina funcionando (1), tenia perdi- do a parede celular (2) ¢ aos poucos aumentaria de tamanho © lapresentaria invaginagSes na membrana plasmatica. Admite-se ‘que, nessas reentrancias, se acumularam enzimas digestivas que acivias exmtves anaerbis, ‘com membna ® Caps (Can eucarionte aera Cua prs anaerbia ‘agootanta Becta aera n bac 1, de algum modo, escap mente e's com as células hospecleiras, que assim se tomaram ae beram proteeio ¢ alimentagao em sua nova localizagio no ckoplasma da cétula hospedeira Fig. 1.13 Desenho esquematico mostrunclo a teoria da origem terlam fagocitaco bactérias aerdbias. E acters aera (onstage estore) Bretia aero, asema capsua econdre, an menbrana cup ‘tema de organ basen © J oxtera do onger cella ‘Armenorara badorans pssou 3 formar obras, as sas rmiboorsae seriana das mitocOndrias. Gélulas eucarionies anacrdbias, primsivas, param 4 digestio intracclular e estabeleceram inter-relagees mote rébias, Ao inesmo tempo, as bactéras, ene outas vantages, rece 14 Biologia Getutare Molecular ig. 1.14 Tsta figura most que o tipo de simbose que teria aco frigem ans clocoplastos ¢ mitocdndrias existe atualmente , por- tanto, poderia tet ocorrido no passado, O deseaho mostra 6 pro. foroane Myxotricha paradoxa, um parasta intestinal dos cupins Por si proprio, esse protozvitio & quase imével. Sua mobiuidacle € devida a milhares de bactéras ciiadas de forma alongada que se inscrem na superficie do prosozosieio, Alem destas bactétias mo Ves simbiontes da superficie, a Myxviricha possi outeas bacté- sas simbiontes, tanto na superficie como em seu interior (Basea «do em trabalho de L. Margulis.) ppermitiram uma melhor digestio das particulas de alimentos (3). Entgo, algumas invaginagOes se desprenderam da membrana, formando vesiculas membranosas que deram origem ao siste~ ima lisosémico, as vesfculas precursoras do reticulo endoplas- Iético, ¢ levaram para a parte profunda da célula o DNA que estava preso i membrana plasmatica (4). Com 0 aparecimento de oxigénio na atmostera, devido as bactérias fotossintéticas, devem ter surgido os peroxisomas (5), defendendo as células Contra a ago deletéria de radicais livres contendo oxigénio, Houye um aumento de DNA, paralelo a erescente complexida de celular, ¢ este DNA, constituido de longas ftas, foi concen- trado em cromosomas, que foram segregados dentro do niicleo Gelimitado pelo envoltorio nuclear formado & partir de material ‘membranoso vindo da superlicie celular. Houve também um de= senvolvimento do citoesqueleto, com 0 aparecimento de micro~ ‘tibulos ¢ aumento na quantidade de microfilamentos. A medi- dda que 4 concentragao de oxigénio foi lentamente aumentande na atmosfera, as clulas que incorporaram procariontes aersbi- 0s predominaram, por selego natural, por duas rtzGes: a respi- ‘ago aerbica € muito mais eficiente e, além disso, gasta oxi- genio, diminuindo @ formagao intracelular de ra contendo oxigénio. A endobiose (simbiose intracelular) de pro- cariontes acrdbicos deu origem as mitocéndrias (6), organelas com duas membranas, a interna da bactéria precursora e a ex- tema da eélula eucarionte que estava em formagao. Provavel- mente, os cloroplastos originaram-se de maneira semelhante, também por endobiose, porém de baciérias fotossintéticas. Ao Tongo da evolugio, houve transferéncia da parte do genoma dos cloroplastos e mitocdndrias para os nicleos celulares. Mas os slicoso-6- {osfalo-+ ADP deve ser chamada AP: hexose-fasfotransferase Estima denominagdo indica mais precisamente a ago da enzi- ama que transfvic um prupo fostato do ATP para uma hexose (Fig 511) Todavia, anomenclatura internacional ¢ pouco usada na pri- tice porque as enzimas recebem desigmagiies muito longas, em mpargio com seus nonmes coriqueitos A atividade enzimatica é muito sensivet 4 aco de diversos fatores ‘Acetil-coensima A sintetas, caroxilase do piravato ‘oem energia Oeefeito da temperatura tem grande importdncia prética, uma, vez que o frio deprime @ atividude enzimstica, retardando os processos de lise celular e a deterioragio de amostras de teci- dos, sangue, urina etc, uilizadas em exames de luboratorio, No transplante de érgfios, 6 comum o uso de temperaturas buixas para melhor preservagio dos tecidos a serem transplantados, ‘Temperaturas muito baixas obtidas geralmente com o uso de nivogénio liquide (ponto de ebuligao ~195,8°C) szo utilizadas de rotina na preservacao de culturas de tecidos, amostras de tecidos para posterior andlise biogufmica, sementes de plantas, esperma- toaéides para inseminacio artificial e embeiSes para transplant 1. Inibicdo competitiva. Quando uma substancia resistente ago enzimiica, porém de molécula muito parecida coma do ssubstrato da enzima, se fixa nos centros ativos da molécula en- imatica, diz-se que a inibicao é competitiva. Nesse caso, 0 ini bidor compete com o substrato pars se localizar no centto at vo, €0 grau de inibi¢a0 ¢ influenciado pela concentraco do subs- trato. Quanto maior a concentragao do substeato, menor serd. a probabilidade de 0 inibidor chocar-se com as moléculas da en- ima © ocupar seus centros ativos. 2. Inibiedo néo-competitiva. Este tipo de inibigio nao &afe- ‘ado pela concentragao do substrato, dependendo exclusivamente dda concentrasiio do inibider. O caso mais lreqiiente de inibicao nio-competitiva é representado pela combinagio reversivel de metas pesados comos grupos —SH da moléculs enzimética. Isto altera a forma tridimensional da molScula da enzima e impede sua atividade. Ocorre também inibigdio néo-competitiva quando aenzima precisa de certos fons ¢ estes so removidos da sok (Gio. Por exemplo, as enzimas que necessitam de Mg” sio inibi- das pelo EDTA (etilenodiaminotetracetato de s6dio), pois este composto forma um complexo com cations divalentes ¢, desse modo, remove o My? da solugio. A inibi sive pela digo de csitions Mg?" A.sividade das enzimas, muito sensivel a diversos agentes ‘inicose fisicos, 6 capar de ser ind de varias maneiras. A igi pode ser competitiva ov nlio-competitiva Fie os fores que afetam a atividade enzimittca, chamasn Aatengio a temperatura, concentracio do substrato e presen de avadores on inibidores que alteram a velocidade de atua- ods eazimes Para aumentar sua eficiéncia, as enzimas se agrupam em complexos ou se prendem a membranas Na eélula viva, a maioria das enzimais funciona em sequen: de modo que 6 produto resultante da ago de uma endima & 48 Biologia Getular e Molecular Asenoinatiostato q i, a Compare da on sbaraios ome q : Fig. 3.11 Combinagio reversivel ent ox substratos €0 centro ative dh envima. Demonstra-se também a acao enzimatica (ATP + gl cose + ADP + glicose-6-fosfat, Esta figunsilusta a importancia da estrutura tridimensional de uma proteina (enzima) para sua a vidade biologica. F necessario que 0 substrato se encaixe na mo: Iécula enzimatica para que a enzima atve, © substrato para a enzima seguinte. Esse conjunta de enzimas trabalhando em cooperagiio 6 denominado eadeia enzimatica, Um sistema muito eficiente e freqiiente ni presentado pelos complexos de moléculas enzimittieas, Aqui, todas as enzimas da cadeia se associam para formar um conjun- to de moléculas que se mantém unidas por forgas quimicas fra- cas (estrutura protéica quaterndria), Na célula da levedura, por exemplo, as enzimas que sintetizam dcidos graxos a parti de equenas moléculas formam uma cadeia que consiste em sete ‘enzimas que se associam para formar um complexo multien; indtico. As reag0es processam-se em seqléncia e as moléculas intermediarias mantém-se presas ao complexo até a formagio da molécula do dcido graxo. Isso torna 0 sistema mais rapido, pois os substratos nao precisam deslocar-se muito de uma enzi- ‘ma para outra, ‘Outro complexo enzimstico bem estudado € o da desidroge- hase do piravato. No mictosc6pio eletrdnico, o complexo enzi- mitico da desidrogenase do piruvato mostra aspecto poligdrico, foi sugerido um modelo segundo o qual suas enzimas devers star organizadas (Fig. 3.12). As cadeias enzimaticas mais bem organizadas e, pottanto, mais cficientes sdo as que estio ligadas a membranas, como, por exer- plo, acadeia das enzimas respirat6rias (transportadoras de elérons) ‘que esto presas & membrana interna das mitocOndrias. Nestes ca S0s nflo hé separacio entre molécula enzimiitica e molécula estu- ‘ural, pois as diferentes proteinas so, ao mesmo tempo, parte da ‘membrana e também dotadas de aividade enzimétic As cadeias enzimdticas funcionam sob regulagao Muitas cadcias enziméticas so auto-reguldveis, sobretdo pelo efeito do produto final da cadeia sobre a primeira end ma da seqiiéncia, Por exemplo, a L-treonina é transformada em [L-isolencina através de uma cadeia de cinco enzimas (Fig. 3.13), ‘A primeira enzima desta cadeia (EI) é a L-treonina-desaminase, ‘cuja atividade é diminufda ou suprimida pela L-isoleucina, Des: te modo, a falta de L-isoleucina provoca o funcionamento da cadeia em toda a sua intensidade, enguanto 0 excesso de L-isoleucina faz a eadeia diminuir de ritmo, ou mesmo parar a pprodugdo de mais L-isoleucina, Assim sendo, a concentragao desse aminodcido na célula permanece dentro dos limites nor- mais, Este tipo de controle & conhecido como retroinibigio ou inibiedo alostériea. A enzima sensfvel a este tipo de controle — ‘no exemplo dado, a L-treonina-desaminase —chama-se enzima reguladora, ¢ a substincia inibidora — no caso a L-isoleucina —€ conhecida como efetor ou modulador. [Na regulagio alostérica, o efetor combina-se com a enzima em um local diferente do centro ativo e denominado centro alostérico. Em conseqiténcia, ocorre uma modificagao no cen- tro ativo da enzima, cujaatividade catalitica éinibida (Fig. 3.14). ‘Além da regulagdo alostérica tipica ja descrita, as enzimas sio reguladas por outros mecanismos. Porexemplo, nas enzimas que possuem mais de um centto ativo a unizo do substrato a um de- Tes pode aumentar a afinidade dos outros pelo substrato, acele- rundo assim a atividade enzimatica. Isoenzimas sao moléculas ligeiramente diferentes da mesma enzima Certas enzimas existem sob formas moleculares ligeiramen- te distintas nos diversos tecidos, ou na mesma célula de deter- minada espécie animal, Nesses casos, a molécula da enzima é ‘constituida por cadeias polipeptidicas (mondmeros) diferentes, ragrupadas em proporgdes variaveis. As diferengas de atividade centre as enzimas so consequéncia das diversas proporgdes dos rmonémeros em suas moléculas, As enzimas de uma mesma es- pécie animal que atacam © mesmo substrato mas que exibem diferengas na atividade, no pH 6timo de ago, na mobilidade eletroforética ou outras, so chamadas isoenzimas, ‘Bases Macromoleculares da Constituicao Celular 49 © I — tos costars 16 [IE - Provee cencarortase (BY = Ue evi roncaann Fig. £12 Modelo do complexo enzi Umexemplo bem estudado é a isoenzima desidrogenase do fcidoKitico, No rato, a molécula é constituida por quatro ca- ‘ins olipeptidcas (mondmeros), de dois tipos diferentes, imados Me H. Conforme a proporgao desses doi ‘existem cinco desidrogenases do feido léctico, cujas moléculas podem ser assim representadas: 18, 4cadeias M (MH) 28, 3cadeias M+ 1 cadeia H (MH) 3% 2cadeias M+ 2 (LH) 4% 1 cadeia M + 3 cadeias H (MH) 5%, dcadcias H MH) Essascinco desidrogenases licticas foram isoladas em forma furs. Todas atacam 0 mesmo substrato (icido Kictico), porém 0 fzem em yelocidades diferentes. Portanto, do ponto de vista Fioléico, «principal distingéo entre as isoenzimas é o grau de alividade de cada uma. Tt demonstrado que existe um gene que determina a seqQign- ‘ide aminodcidos do monémero Me outro que determina a do thonimero H. Conforme a maior ou menor atvidade de cada um “Gestesgenes,haveri maior produgio do mRNA para M ou para H “eespolribosomas produzirio diferentes quantidades de Me H. co da desidrogenase do piravato, Cada esfera colorida representa uma molécula enzimétien ‘Como estes mondmeros se unem espontaneaments a acaso, para constiuiras enzimas, as proporgdes de M e de H vio depender da atividade daqueles genes. Trata-e de um controle génico, pelo qual allerando as proporgbes des mondmeros produzidos (cadeias pli peptidicas), os genes influcm na estrutura quaterstia das pro nas ¢ podem modular sua atividade enzimitica Os 20 aminodcidos possibilitam a construcao de enorme variedade de moléculas protéicas, com funcoes diversificadas As proteinas sio 0s componentes quimicos mais diversiticados dda célula, porserem consttuidas de 20/aminoscides diferentes. Esta diversificagao estrutural se reflete nas suas mltiplas fungdes bio- légicas (Tabela 3.4), pois, dos componentes macromoleculares das Célula, sto os mais polifuncionais. Algm da atividade enzimética, as protefnas tém importante fungdo estrutural (nos filamentos in- {ermediirios, microfilamentos e microtGbulos), informacion (10s hhormOnios protéicas) no movimento das células (exemplifcado pela 50 Biologia celular Molecular oH, HOOK i HONE, coo# se ENZIMA 1 1 | ewzima s poise [eszimas ig, 3.13 Rey sransior ‘mata em L-soleucina através de uma eadeia de cinco enzies ‘Mas a primeira encima desta cadeia ¢ insbica peli Lisoleucin Assim, 0 excesso de Lisoleucina Hlogucta e sua falta estimula « ‘inves’ desse aminodeido, atividade motora do complexo actina-miosina) , finalmente, uma ‘pequena importncia como fonte energética. A quase-totaidade da ‘energia consumida pelas eélulas é fornecida pelas moléculas de lipidios e hideatos de carbono, Actdos nucléicos sao polimeros de nucleotideos Os fcidos nueléicos sao constituidos pela polimerizacao de unidades chamadas nueleotideos, Cada nucleotides contém residuos de uma mokcula d fosférico, uma de pentose e uma de base pirica ou pi (Fig. 3.15), As bases paricas mais encontradas nos deidos nucléicos sao a adenina e a guanina (Figs. 3.15 e 3.16), em geral designadas pelas iniciais A e G, respectivamente. As principais bases pirimidicas so a timina, a eitosina e a uracila (Fig. 3.16), de- signadas pelas letras T, Ce U. ‘Algmi dos polimeros de nucleotides, que constituem as mo- Iéculas dos acidos nucléicos, as vélulas eontem quantidades re- lativamente grandes de nucleotfueos livres, desempenhando so- bretudo as funges de coenzimas, Enna Sosioo Traalgso ‘leatanoa \ ® | Fig. 3.14 Rewlacio slosérica. a fixagto do modulador no centny alostgrico modifict 9 centro ativo, impede a fisagio do substrata fe inibe a acio envimtiea Por hidrdlise parcial € possivel retirar o radical fosfato dos nucleotideos. Aparccementio compostos denominados nucleo- sideos, constituidos por uma pentose e uma base parien ou pirimidica Fig, 3.17). o1 on—p—o— a, Fig. 3:15 Nucleotidcos clo RNA e do DNA. As hases diferentes (ura cil Gimina) esio assinaladas. No earhono 2a desoxithose pos sui um tomo cle oxigénio a menos (observar os retingulos cir). I 1owso. Ry TORE - 51 axes Macromolecilares da Constvuigao Celular Fig. 3.16 Componenes dos deidas nucleicos (RNA @ DNA). Os dcidos nucléicas so moléculas informacionais que con. Arolam os pracessos hisicos do metabolismo celular, a sintese de acromoléeulas, a diferenciago celular e a transmissio do pa- Iriminio genético de uma eshula para as snas descendentes, ‘Cada molécula de aida nucléico contém pelo menos uma ccudcia de nucleotideos (polinucleotideo), formada por ligacdes digser-fosfato entre os carbonos 3"e 5'da pentose, de acordo vom, foque mostra a Fig. 3.18, Distinguem-se dois tipos de écidos nuclsicos: o desoxirribox auclgico ou DNA ¢ 0 ribonueléico ou RNA. No DNA. a pento- seencontrada & 2 desoxirribose, ¢ as bases sio adenina, guanina, citosinae timing. No RNA, a pentose € ribose, e existe uridina em spbstituicZo A timina; as outras bases so comuns aos dois tipos de dcidos nucléicos (Tabela 3. O DNA 6 0 reposit6rio da informagao genética ¢ a transmite para as células-filhas 0 cido desoxirribonuciéico ou DNA é 6 responsive! pelo amazenamento etransmissdo da informagtio genética. E encon- ‘sudo principalmente nos cromosomas e, em pequenas quantida- des, nas mitocndrias e nos cloroplastos. Nos cromosomas dus ceslulas eucariontes, o DNA esté associado a proteinas bisicas, principalmente histonas. A molécula de DNA consiste em duas cadeias de nucleati- 4deos dispostas em hélice em tomno de um eixo. O passo destas hoes 6 dirigido no sentido da esquerda para adireita (Figs, 3.19 3.20), A diregio das ligagdes 3’ 5' digster-fosfato de uma ca- edo A da outra eadeia, como mostra a Fig. ‘que essax cadcias so antiparalelas, Em fangao des- te fato, em cada extremidade da molécula, uma das cadeias polinucleoticicas termina em 3’¢ a outca em 5 (Fig. 3.19). ‘As hases puiicas e pirimidicas de cada cadeia polinueleotili- ‘asiiuam-se dentro da hélice dupla, em planos paralelos entre t perpendiculares 20 eixo da hélice, como se fossem degraus de uma escads. Em cada plano ou degrau da escada, a base de uma | ‘cadeia forma par com a base da cadeia complementar. Devido as dimenstes das moléculas das bases, o pareamento s6 tem lu- ‘gar entre a timing e a adenina, ow entre a guaniua e a citosina, das cadeias complementares. Partanto, considerando-se os dais polinucleotideos que constituem a molécula de DNA, as bases estdo sempre pareadas na sequéncia T-A ou G-C. Isto explica a existéncia, no DNA, de nimero igual de moléculas de T'e A, assim como de Ge C. ‘Na hélice dupla, as bases unem-se através de pontes de hidro- ‘génio (Fig. 3,19), principais responsiveis pela estabilidude dh hélice. Quando as ponies de hidrogénio sio rompidas — por ‘exemple, pelo aquecimento do DNA em solugio—. 0s dois fi- Tamentos polinucleotidicos da hélive sofrem desnaturagio, sepa rando-se; quando baixa a temperatura, eles se unem novainente. ‘A desnaturago pelo rompimento dus pontes de hidrogénio pode ser completa ou parcial (Fig. 3.21). Esta desnaruragio acorre mais cedo nas lizagoes AT, que tém duas pontes de hidrozénio, sendo as ligagbes CG mais resistentes, pois t@m 1 pontes de hidrosénio (Fig, 3.19), A desnaturagio pareial permite «ident ficagio das zonas ricas em AT e das zonas ricas em CG, sendo estes diltimos segments mats resistentes desnaturagao. Em Fig. 3.17 Hstrutura molecular dos micleosideos. No exemplo, © nucleosideo constituido pela adenina combinada 2 desoxienbose, ui 52 Btologia Celular e Molecular Tabela 3.3 Caracteristcas dos principais tipos de deidos nueléicas DNA IRNA mRNA FRNA COMPONENTES. | deido fostories esoxizibose, adenina, uanina.citosinaetimina | uracil, tm Inetileosi slneti- gua ido lostirico, ribose deni, guunina, ctosina, ra psevdo-uraiio, cidofonf6rico, ribose, ‘adenina, guanina, etosing uracil sido Tosfrico rinose, sina, guanin, cuosna euraaiia ‘comnda todo o Tunctomamento duceluls teansaste 2 iaformasio ‘genctica para ws outrae eluas FUNCOES ‘ransporta os aminaicidos unuado 6 seu antiesdon a0 ‘don do mRNA: Setermina a nosigin dos faminockdos nas proetnas ‘combina se com 0 mensigero, para formar (% polribosomas | através da sequéncia de suas ases, determina Posigso dos aeninoeidos as protelnas LOCALIZAGAO_ | micleo is célutos ‘cucariontes; nucleside tds procariontes imitocdndrias © Soroplastos alguns weus princpaimente no ‘Stoplasma: meave fquanidade no micleo pincipalmente no citoplasms; menor (quantidade no nicleo princinalmente na ‘ctoplasma: menor fquantidade no nucleo TAMANHO DA MOLECULA ‘mui grande: dif! de sdoterininit 25.000 a 30,000 cons depends do tamanh da protefna que codiica Yenavel entre 3 = 10 eae felice —fileme dopa re eo simples, em tihasomas tamanbe: ‘élulas eucariontes, 2.3 nm (§i'S) lous procartontes LS nm (70 8) filament simples moléculas simples de DNA, como as dos bacteriétagos, esta nica possibilita alocalizagio de zonas com diferentes freqiénci- 1s de micleotidens ao longo do filamenta de DNA, ‘Ao longo da molécula de DNA, a distineia entre as bases é de 0,34 nm, e cada volta completa da hélice eontém 10 nucleo tédeos (Fig, 3.20). A hélice dupla tem um diametro de 2 nm & sua superficie mostra dois sulcos, um dos quais mais acentuado que 0 outro. As bases (hidrofhicas) situam-se dentro da hélice, eos rest ‘duos de desoxirribose (hidrofilicos) e de dcido fosforice (ioni- zado hidrofilico) localizam-se na periferia, em contato com a ‘gua intracelalar. Ao lado das pontes de hidrogénio que repre- sentam o clemento principal de unio entre os dois filamentos polinucleotidicos da hélice dupla, a interagao hidrofobies das bases pareadas contribui para manter aestabilidade da hélice de DNA. Os grupos fosforicos, ionizados negativamente, permi- {em ao dcido desoxirribonucléico combinar-se com proteinas bé- sicas, isto 6, cartegadas positivamente, ou com oultras moléeu- las eletricamente positivas Devido & sua fragilidade e enorme comprimento, tem sido ffeil determinar o tamanho exato das moléculas de DNA. Sabe- se, por exemplo, que a molécula de DNA do bacterisfago lamb. dda, que infecta a bactéria Escherichia coli, tem um peso de 32 miles de daltons © comprimento de 17.2 um. Na Escherichia coli, 6 cromosoma é uma molécula de DNA, com comprimento de 1,2. mm e peso molecular de 2.800.000.000 de daltons. O RNA transfere a informagito genética do DNA para as proteinas Ao contrario do DNA, cuja molécula quase sempre é forma: {da por duas cadeias polinucteotidicas, a molécula de RNA é um filamento tinico, e s6 existe excepcionalmente, sob a forma de’ filamentos duplos complementares. Nos dois casos, as excegies so cncontradas nos virus: alguns tém DNA em filamenta Uni 0, enquanto outros tém RNA em eadeia dupla complementar ‘Dos pontos de vista funcional e estrutural, distinguem-se rés variedades principais de dcido ribonucléico: 1. RNA de transferéneia ou tRNA; 2. RNA mensageiro, abreviadamente mRNA; ¢ 3. RNA ribosdmico ou sRNA. RNA de transferéncia Dos ts tipos de deidos ribonueléicos, o tRNA é 0 que pos- sui moléculas menores, Estas sto constituidas de 75 a 90 nucleo. tideos e t8m peso molecular compreendido entre 23,000 ¢ 30.000 daltons.\Sua fungto ¢ transferir os aminodcidos para as posigdes, ccorretas nas cadcias polipeptidicas em formagio nos comple- xos de ribosomas ¢ RNA mensageiro (polirribosomas). Para sto, ‘@4RNA possui a propriedade de se combinar com aminodcidos atone Fig, 3.18 Polinucleorideo do DNA © capaz de reconhecer determinados locais da molécula do JnRNA constituidos por uma seqiiéneia de trés bases. Bstas se- ‘lncas,tpicas para cada aminoscido, sio denominadas eédlon {v. Cap. 9). A seqiéncia de trés bases na molécula do RNA ‘uerconhece ocadon chama-se antieédon (Fig. 3.22). Paracada aminofeido existe pelo menos um «RNA. Amoléeula do 1RNA & umn filamento com uma extremidade ‘emminando sempre pela sequéncia CCA, isto €, pelo deido ade- tileo (A) prevedido de duas mokéculas de acide citidiico (C) ‘Gragasa um processo enzimtico que consome energia libera- Aaporhicrlise de AP (v. Cap. 4), uma hidroxila do Seido adent- liodaenremidade CCA €esterificada por um L-aminodcido, for- tmando-seassim uma molécula de Aei-4tRNA, A encima catlisa- dhradesta esteriticaedo €especifica para cada aminosicido. A mo- Jéculado RNA possui uma regido que-é reconhecida pela enzima, ‘deste modo, cada aminoscido €ligado ao seu tRNA. Devido 8s pontes de hidrozénio que se estabelecem entré as, Stas fases, dos 0s tRNAs apresentam segmentos das molecu lusformados por uma hetice dupa, A representacio plana, esque- nics, da morula do RNA (Fig, 322) tem oaspeciode win folha detievo, qual mostra anticécion em um de seus lades. ‘Bases Macromolecutares da Consitacicao Celular $3, Agi das bases adenina, guanina, ctosinae uracil, comumen- te encontradas no RNA, o RNA contém outras buses que nfo ape receut nos outros tipos de sicido ribonueléico (Tabela 3.3) Ente esas bases tpicas do tRNA, estio, por exemplo, a hipoxantina e ameiletosina. O iRNA possui ainda ido ribotimidiico, ue & _ummucleotideo constitu por deidotostrico, ribose etimina, base geralmente encomtadano DNA. Além disso, otRNA apresenta em sus molécula 6 acida psewdo-uridilico, que difere do deido urigi- Jico comum porapresentar a ribose igada.o carbon 5 a ra nao ao nitrog2nio 3, como é habitnal Fig, 223). Em conclusio, vé-se que 0 RNA possui uma série de caracteristicas que o dife- ‘enciam dos outros tipos de RIA, ficilitando a sua iéentificagae. ‘As regiges do (RNA que contém as bases nio-habituais [al- \e7 sejam importantes para determinar o formato da moléculs, fois nestas egies nfo se formam pontes de hidroynio entre as bases (Fig. 3.22) ‘Os tRNAs 80 iniialmente sintetizados sobre os flamentos de DNA, como moléculas maiores que passam por un processamen- 1w Gplicing) tormando-se menores, antes de miararem para o cito- plasma, Este processamento do tRNA consist na temioga0 de de~ ‘erminados pedagos da moléeula maior e sokdagem dos fragmen- tos que vio consttuir a molécula final do tRNA. F um processo semelhante ao que seré desertoadiant, neste capfulo, ao se exa- rminaro mRNA, onde o assunto tem sido mais estudado. Fig. 3.19 Pequena parte de uma molécull de DNA mosteando 0 seranjo antiparilelo dos polinucleckideos. Enine Ve A existe das ponies de hidrogénio e, entre Ge G, ts. fl ul) 54 Biologia Geluiar ¢ Moteclar Fig. 3.20 Fsquema da estrutura em heli fosfato © 8, desoxiribose. RNA mensageiro ‘OmRNA é sintetizado nos cromosomas, como os demais RNAS da oélula, e representa a transcrico de um segmento de uma das cadias dahstice de DNA. Note-Se que, durante asintese domRNA,, 6 filamentos de um segmento da molécula de DNA separam-se temporariamente, O peso molecular domRNA variade acordo com, ‘ tamanho da molécula protéica que ele vai codificar no citoplas- ‘ma. Eyidentemente, a molécula de mRNA é bem maior do que a de proteine por ele formada, porque sio necessérias trés nucleo eos para codificar um aminogcido, Além disso, muitas protefnas io sintetizadas com um segmento extra, formado por virios ami nodcidos que sio removidos no acabamento final da proteina, Por isso, o peso molecular dos mRNAs é da ordem de centenas © até milhares de daltons. Nas céhulas procariontes, as moléculas de mRNA podem ser ainda maiores, porque, nas bactérias, uma lon- ga molécula de mRNA pode ser traduzidi a partir de locas dife- renies, originando mais de uma proteina, conforme o local do mRNA onde a traducdo teve inicio, Cada molécala de mRNA tem um prolongamento (tai!) de poli-A que é adicionado ainda no interior do nucleo celular, as- sim que a molécula de mRNA € transcrita, por uma enzima que nao requer molde (‘emplate) de DNA. Portanto, este sezmento do mRNA nio esté codificado no DNA. Na outa extremidade do mRNA (extcemidade 5'), um pequeno capuz. (cap) micle- otidico € adicionado por outras enzimas. ‘05 mRNAS citoplasméticos derivam de precursores nuclea- res conhecidos como hnRNAs (heterogenous RNAS), assim cha- upla do DNA, segundo Watson ¢ Crick. A, adenina; T,timina; C, citosina; 6, guanina, aan Zam :ados por apresentarem grande heterogencidade nos pesos mo- leculares € na composigao de mucleotideos. A maioria dos hnRNAs tem molécalas enormes, com até 50.000 nucleotidecs, Estas moléculas sfo partidas no nicleo, de modo ordenado. Cer- tos pedagos sao removidos eas extremidades dos senmentos que codificam proteinas se soldam (splicing), formando-se a molé- cula aeabada de mRNA, que migra pare o citoplasma. Fica claro do exposto que, nas eélulas eucariontes, o DNA que transcreve os mRNAs ¢ constituido por partes que vao sertrato- zidas em proteinas, denominadas €xons, ¢ em partes que spends separam os éxons. Estas partes “silenciosas” si denominadas {introns (v. Cap. 9) Portanto, o DNA inicialmente transereve uma molécula enor- ime de hnRNA da qual os segmentos sem significado para a sin- {ese protéica sao removidos, ocorrendo enti a soldagem preci sa dos segmentos que levam a codificagio para um tipo de mo- \écula protéica e, assim, fica formada uma molécula de mRNA. Todavia, alguns genes nao possuem introns ¢ as moléculas de mRNA se formam diretamente do DNA, sem passar pela fase de hnRNA. {ntrons e hnRNA s6 foram encontrados em eétulas eucarion- tes, sendo muito pouco provavel que existam nas procariontes, RNA ribosomico ORNA ribosémica é muito mais abundante do que os outras dois tipos de RNA, constituindo 80% do RNA celular. Existe combinado com proteinas, formand particulas facilmente vist- 55 Iases Macromoleculares da Constiecdo Celular ig 3.21 Desnaturacac parcial da molécula de DNA do bacterifago 7. 4 separacao dos seu 36 polimcleotidicas & mais precoce ‘0s Segmentes com ahundncia de ligacdes AT (setas). Micrograia eletrinica, (Vollenweider, 11)... M. Sogo andT. Koller. Proc. Nat ‘Aca Sci USA, 7288, 1975, Reproduzido com permissa0,) ‘is aomicroscdpio eletrdnico-¢ denominadas ribosomas. Quan- opresosa filsmentos de RINA mensageiro, os ribosomas lor- mmamospoliribasomas(Fig, 3.24), onde tem lugar a sintese de protinas. Eristem nas céiulas dois tipos de ribosomas que se distingucm Por seus cxeficientes de sedimentagio determinados na ultra- ‘enya eexpresos em tnidades S ou Svedhery. Os ribosornas ‘souls procariontestém coeficiente de sedimentacao de 70 ¢ So menores do que os ribosomas das eélulas eucariontes, cujo ‘efit de sedimmenao € de 80'S. Amos os ipos deribosomas sdo formados por duas subunidatles, uma maior €outra menor, com ccaracteristicas funcionais e estruturas diferentes. ‘As subunidades se prendem de modo reversivel no inicio da siniese da molécula proigiea, separando-se quando 2 protcina esti terminada, A subunidade maior dos ribosomas das células ‘eucariontes contém ts tipos de RNA, com sedimentacdo de 28. 8, 58 $e 5 8, e.a dos ribosomas das procariontes possui dois tipos de RNA, um de 23 $e outta de $ S. A subunidade menor presenta apenas um tipo de RNA: 18 S nas células eueationtes e 16 S nas procariontes, 56 Biologia Celular e Molectelar Tabela 3.4 Principals funedes celulares das moléculas — estas aparecem, na ordiem crescente de su diversidade funcional Tipo de mokécula Acido nucléico (DNA e RNA) __Lipk Polissacarideo Proveina Gmw de diversidude funcional 1 3 4 informacion cnergica erergtcn enzimirica " estat esta strata FUNCORS informacion Snformacionat informacion ttovimentaioc eneretca Os ribosomas das mitocdndrias e dos cloroplastos sto iguais aos das células procariontes, dudo que apéia a intenpretagio de (que estas duas organelas transdutoras de energia se originaram, ide bactérias que se tornaram simbiontes das c¢lulas eucariontes Corea de 50 variedades de proteinas foram identificadas nos ribosomas e eonstituem aproximadamente a metade da massa destes corpisculos. A basofilia citoplasmiética demonstrével pelos corantes basi cose removivel pela ribonuclease deve-se aos ribosomss. Estes io particularmeme abundantes nas oélulas que sintetizam des quantidades de proteinas, as quais tém o citoplasma fa ‘mente bassfilo, O RNA pode ter acdo enzimatica Emalguns casos, o RNA tem agio catalitica, stands como cenzima. A atividade catalitica do RNA foi descobera ao se 4 I ¢ | gone lea ya Gang ie ue id bing. Va Bae I sie, cag —a— Anny { Anny I amg Pants, i u ham x ye ‘amiooaon Fig. 3.22 Feiruiura do RNA de transferénesa para 0 mG — N-2-metilguanosina; dhU — N-é-dtidrouridina; omG dimmetiladenessini, Sn mminodcido tirosina, Além das bases habituais, este RNA contém as segues bases O-metilguanosing; dmG ~ 2' * sfauccolna, fesatlletanolamina, fostatii- fesatitenaine, espectivamente _Ascélulas dos vegetais nto possuem colesterol, que ¢ entdo iuido por outros esterdis, enominados coletivamente de is. esenga de Tongascadcias hidrofSbicas nos lipidios € de Jimportincia bioldgica, pois slo elas que possiilitam a jo hidrofébica responsavel pela associ de lipidios rmaraicamada ipfiea das membranas celulares. A fi- integrais das membranas ¢ devida 8 intera- eseshiofsbicas das moléculss dessa protefnas com is es membranas. A interaco hidrofobica também € ro transporte d lipids no plasma, Por exemplo, os cream pesos a uma regio hidrofobica da superti- ula de albumin, que é solivel em égua. ém menor diversidade funcional do que as protet- sacarideos. Tém principalmente fungiio energética ¢ Sos atvidade informacional & restrita 2 alguns hor- rides, Bases Macromolecslares da Constituigdo Celular 59 Fig. 3.27 Poninula da molgeula de esfingomictina Os polissacartdeos formam reservas nutritivas e unemvse a proteinas para formar glicoproteinas (fungdo enzimética e esirutural) e glicosaminoglicanas (funcao estrutural) (0s polissacarfdeos sio polimeros de monossacarfdeos. HA polissacarideos com moléculas lineares, enquanto outros tém moléoulas ramificadas. A molécula de alguns polissacarideos € ‘constituida pela repetiséo de um tinico tipo de monossacarideo. Sio 0s polissacarideos simples ou homopolimeros. Por exem- plo, o amido co glicogénio sto polimeros simples de D-stico- Se eno contém outro tipo de molécula. Os polissacarfdeos com- plexos {heteropolimeros), constitufdos por mais de um tipo de monossacarideo, sio menos freqlientes nas células, porém al- uns sao biologicamente muito importantes. ‘Os polissacarfdeos encontram-se associados & superficie ex- terna da membrana celular, desempenhando papel estrutural e informacional. Sao encontrados também como reserva nuriti= va, que a célula utiliza quando hi necessidade metabstica lll 60 Biologia Celular e Moleciutar Menon ae - q a é i | ba, | d | 4 bu, i bx, I i oi te Me i Fig. 3.28 Fsemula da molécula dle um glicolipiio. Polissacarideos de reserva. Os polissacarideos de reserva so ‘ glicagénio nas células animais e 0 amido na célula das plan- ‘as; ambos slo polimeros da D-glicose. pou 1 Lenyou HO" Fig, 3.30 Formula da molécula do colesterol, A parte i molécila € comum a todos os estex6is. Glicogénio. O slicoxénio ocorre no citoplasma das eélula a ‘mais sob a forma de granulos, com diimetro de 15 a 30 nm, salmente dispostos em aglomerados (Fig. 1.12). Os grimulos slicogénia, além do polissacarideo, contém proteinas, inchs ‘yeas enzimas responsdveis pels sintese e despolimerizagio alicogénio. ‘A Deglicose recebida em excesso pela cétula € adicionada, proceso enzimstico, as extremidades da molécula de glicog no. Nos momentos de necessidade, também por atividade ena ‘matica, libertam-se moléculas de D-glicose, que serio utilizads para os processos metablicos da célula. Algumas células, coma as do figado, langam glicose no sangue, para manter estavel 4 ‘oncentragao desse agiicar no plasma sanguneo, o que € de grat de importaneia para as fungies dos diversos tecidos do compo. A molécula de gliconénio tem dimensdes variéveise & mui to ramificada em todas as diregoes do espago. A Fig. 3.31 63 sua representagio esquemitica, em duas dimensbes. ‘Amido. Ao contrétio da cétula animal, que armazena glist génio, a célula vegetal tem amido como reserva energética. 0 amido € composto de dois tipos de moléeulas: a amilose, un polimero linear, ¢ a amilopectina, um polimero ramiticalo, ambos esses polimeras constituidos por unidades de glicose. Polissacartéeos estruturais e informacionais. Além dos polissacarideos de reserva nutrtiva (glicogénio e amido), asc& fulas sintetizam outros polissacarideos que se prendem a super: ficie celular, onde desempenham diversas fungbes,servindo. em alguns casos, como elementos de sustentagio. Combinados con proteins, esses polissacarideos fazem parte do slicocélive das células animais, da parede das e&lulas hacterianas e da parede ddas células das plantas. A maioria dos polissucarideos estrutt- ris e informacionais s30 heteropolimeros. Devido 2 sua com> plewidade, a esteutura de muitos dees nao foi ainda elucidads, De um modo geral, podem ser divididos em dois grandes ero pos: as glicasaminoglieanas, que se ligam a proteinas para for mar as proteoglicanas, e as glicoproteinas, cuja estrutura ge: ral sera explicada no Cap, 12. A Tabela 34 da uma visao geral dda diversidade funcional ¢estrutural dos principais componen tes macromoleculares das células. Os polissacarideos tém fun Bes energéticas, estruturais e informacionais (glicocélice, hor ‘una vor, Cada eireulo representa um residuo de glicose. Sumario Exist, nas céiulas, preponderancia absoluta das compostos Aecarhono, embora eles sejam extremamente raros na ttosfera (orayateresre). Isto sugere que as primeiras eélulas foram fnstituidas com estes compostos e que esia selecto foi trans- iid ds célclas seguintes, durante 0 processo evolutive. AS fingtes vais dependem da presenca de macromoléculas poli- Iaiias de compastos de carbono, Essex polimeros sto const ules pela associacdo, em mimero varidvel, de unidades ou monimeros, gte podem ser iguais, nos homopolimetos, como ‘oglicogéio, on diferentes, nas heteropolimeros, como 0s det stucléicos. Os hiopolimeros mais importantes sao as prote- tas, formadas por aminodcidos, os polissacarideos constitut- thsdemonossccarideos eos dcidos nucléicos formas por rie dleotideos. £ ito comum a associacdo de macromolécutas ‘pra formar complexos como lipoprotetas, licoprotetnas, pro- Hoilcanas e necleoproteinas (dcidos nuciéices e proteinas). Aarsciayia entre gua e vido é bem conhecida, ¢ toda cé- abviomente rica em dgua. A molécula de dua é um dipo- Tcomimacxirenidade eletricamente mais negativa (mais rica jelérons) do que a outra. Por suas propriedades, as moté- de gua influem poderosamente nos processos metaboli- Jendo papel iambém na configuracdo espacial das macro- clas, portato, na atividade funcional destas Asproseinas tim papel encimético e participam da estrutw das novimentos celulares. O papel das dcidos nucléicos € ents informoconal: constituem ox genes € $40 res Fig 3.31 Fsquema plano da mokécula de glicogénio que, na realidade, ramifia-se emt toasts diregdes do espago, como os gathos de o1 Bases Macromoleculares da Consttuigao Celular ponsévets pela expressdo da informacado neles contida. Excep~ Cionalmente, o RNA pode ser atividade enzimetica, Os liptdios estdo presentes em todas ax membranas celulares, onde tem ‘papel estrutural, e, como depédsitos citoplasméticos, represen tam também reserva mutritiva que é metabolizada para fornes cer energia para a célula, Os polissacarideos em combinado ‘com proteincs tém papel estratural. lsoladamente so encor trados sob a forma de amido nas célutas vegerais e de glicoy nio nas células animais, representando importante material cenergético. Bibliografia ARMSTRONG, F.B, Biochemistry, 30.04, Oxford Univ. Pres, 1989 RF Proicins, Sef Am, 253(4:88, 1985, GILBERT, W. The RNA world, Nasu, 3192618, 1986. GUERRIER-TAKADA, C. and ALTMAN, S. Catalytic activity ofan RNA molecule prepated by transcription in vito. Science, 225285, 1985. LEHNINGER, A.L. Biochemistry: The Molecular Basis of Cell Sire: ture and Function, 24d ef, Worth Pub... 1982. LEHNINGER, AL, NELSON, DL, and COX. MM. Principles of Biockemstrs: 2nd ed. Worth Pub.. 1993. MeGILVERY, RW. and GOLDSTEIN, G. Biochemisty: A fascionat Approach. dnded. Saunders, 1979. MILDYAN. A.S. Mechanists of enzyme action. Ang, Re. Biochem 432357, 1974, MURRAY, RK. etal Harper's Biochemistry. 22nd ed. Appleton & Lange, 1990. 62 Biologia Celular ¢ Molectlar PERUTZ, M. Proiein Siructure: New Approaches to Disease and The: ‘apy. Freeman. 1992, SCHWEIGGER, 1.G. (ed) Inemotional Cli Biolory. Springer-Ver 1981 SIGMAN, DS. and MOSER, G. Chemical studies of enzyme active sites. Ann. Rev. Biochem, 44889, 1978 STRYER, L. Biocheisry. 3rd ed, Freeman, 1988. TANFORD, C. The hydrophobic effect and the organization of living tiatter.Seience, 200:1012, 1978, VOET, D. and VOET, JG. Biochemisiry. 2nd ed, John Wiley, 1995, ZAUG, A.J. snd CECH, TR. The intervening sequence RNA of Teirahy- ‘ment isan enzyme. Science, 231:470, 1986, Transformacao e Armazenamento de Energia Roretro + Para realizar suas atividades, as células utilizam a energia acumulada nas ligagbes quimicas dos alimentos, + As células que contém clorefila (vegetais, alguns protistas, raras bactértas) usam a energia da lux para simtetizar moléculas de mutrientes (fotossintese). + As moléculas de adenosina-rrifosfato (ATP) posswem ligagdes quimicas muito ricas em energia + Aenzima ATPase é abundante nas células. Esta enzima rompe a molécula de ATP, liberando ‘energia e originando ADP e Pi (fosfato inorgdnico). + ATP 6 a principal fonte imediata de energia nas céhlas. + A transferéncia de energsa dos nultrientes para o ATP pode ser fetta pela fermentacao (anaerdbia), ‘mas este processo retira apenas pequena parte da energia dos mutrientes + As mitocéndrias possuem a maguinaria para a fosforilacdo oxidativa (aerobia), muito eficiente ma transferéncia de energia dos nutrientes para ATP. + A energia dos nutrientes 6 utilizada para gerar um gradiente de protons (H*) entre as duas membranas mitocondriats, esse gradtente produz um fluo de protons, cuja energia forma ATP a partir de ADP (eorla quimiosmética). + Cada mitocindrla contém algsmns filamentos circulares de DNA em bélice dupla, que codificams algumas protefnas mitocondriais + 0 DNA da mitocéndria 6 muito compacto, ndo contém introns e caracteriza-se por taxa de mutapao mutio alta (5.a 10 vezes maior do que a do DNA nuclear). + Océdigo genético do DINA das mitoctndrias 6 diferente, ¢ a beranca mitocondrial é puramente materna, + 05 nibosomas @.0 DNA das mitocindrias sito parecidos com os das bactérias, _Admite-se que, durante a evolucito das cétulas, as mitocéndrias se orjginaram de bactorias tendassimbiontes que, no processo evolutivo, transfertram parte de seus genes para o niicteo da céisla hoxpedetra. nn ae ee ((—“=*#E 64 Biologia Celular e Molecitar AAs clulas eucariontes revelain uma série de caraeteriticas funcionais comms a todas elas, como, por exemplo, capacidade de muktiplicagéo, de movimentagio, iritabilidade, condugao de impulsos e secrogzo, Todas as células apresentam essas ativida. des, com maior ou menor intensidade, de acordo com suas ca_ Tacteristicas especiais. As células musculares, por exempla, em ccapacidade de contragao altamente desenvolvida, mas frat, ot nenhuma, eapacidade secretora, 14 as eélulas glandulares apre- sentarn intensa atividade secretora, mas quase nenhuma ativid de motora. Porém, todas as células precisam de energia para re alizar suas atividades bisicas e especializadas. A energia utilizada pelas células eueariontes, tanto animais ‘como vegelais, provém da ruptura gradual de ligagdes covalen- {es de moléeulas de compostos orginicos ricos em energia. Na célula vegetal, esses compostos so sintetizados com a enetgia resultante da transformacio de energia solar em energia quimi «ea durante 0 processo de fotossintese (photan, luz, e sintesis,sin- ese). Na fotossintese, gragas ao pigmento clorofila, processa-se ‘acumulagio da energta solar sob a forma de ligagses quimicas ‘nos hidratos de carbono, principalmente hexoses, que se polime- ‘izam para formar amido. As hexoses originadas na fotossintese Sto fonte de energia e, também, de carbono em condigoes de ser Utifzado para a sintese de diversas macromoléculas orginicas, As células, porém, no usam diretamente a energia liberada dos hidratos de carbono e gorduras, mas se utilizam de um com posto intermediario, a adenosina-trifostato (ATP), geralmente produrido gragas 8 energia contida nas moléculas de glicose e de acidos graxos, (Os dcides graxos s20, do ponto de vista quantitativo, uma fonte ‘energstica muito mais importante do que os carboidatos, pois, peso ‘peso, rendem muito mais energia do que o glicosénio dos tect, dos. Enguanto uma molécula-grama de glicose gera 48 molZculay_ agramade ATP, uma de écido pulmitico gera 126 mokéculas-grama de ATP. Um homem adulto tem energia depositada em gliengénio suficiente para apenas um dia, mas suficiente gordura para um més OTP, cuja formula estd representada na Fig, 4.1, tem duas ligagdes ricas em energia (representadas pelo sinal ~); quando ‘uma delas se rompe, libera aproximadamente 10. ‘molécula-grama. Geralmente, apenas un segundo a equagio ATP — ADP + Pi + energia (Pi significa fosfato inorginico, e ADP, adenosina-difostato), © citoptasma contém energia acumulada nos depésitos de moléculas de tiacilelicerideos (gorduras neutras), de moléculas de glicogénio-, também, sob a forma de compostosintermedidtios (tictaboitos) ricos em energia, dos quais o principal é 0 ATP. Os triacilglicerideos ¢ o glicogénio representam actimulo de eneryia sob forma estivel e concentrada, mas dificilmente acessivel, 20 NH, ie Tlaetony ios ec erate 6 6 Fig. 4.1 Fonmula do uitosfito de adenosina, abreviadamente cha: mado ATP. O simbolo ~ indica as ligagdes quimicas que s20 mui to rieas em energia asso que 0 ATP & um composto instével, que nie contém ener= Bia tio concentrada, mas facilmente utilizivel porque aenzima que Tompe a molécula de ATP (ATPase) é muito abundante na célula, A decomposigzo da glieose em agua e gis carbénico, que ocorre durante @ respiragdo eclular, rende 690 Keal/mol, enquanta a hi drotise das dus ligagdes ricas em energia do ATP rende somente 20 keal/mol. Hidratos de carbono e gorduras podem ser compara. dos « dinhiro no banco, e ATP a dinheiro no bolso. De fato, 0 dinheiro depositado no banco é estavel (teoricamente, 2 roubo ou perdas)¢ pode ser ‘dinheiro do bolso (ATP) tidades limitadas, mas é faciimente acess ‘A queima da glicose libera unia quantidade cesta de energia ¢ ‘consame oxigénio, O resultado dessa operagao, que pode ser realizada num aparctho chamado calorimetro, produ calor (690 Keal/mol), gua e wis carbénico, segundo a equacao: CH LO, + 6¢ 6CO, + 6H.0 + calor (energia) Essa combustio da glicose é, porém, um processo violento que levao calorimetro rapidamente a alta lemperaturas. Se isso cor. resse dentro de uma célula, ela se queimatia instantaneamente. Percebe-se, portanto, par que, para retirar a energia ds mutrica- 'es, acéula desenvolveu um sistema que os oxida lentamente, ibe rando energia gradualmente, ¢ prxtuzindo Sguae CO.. A esse pro- eso, chiainonrserespiragio celular coube os génios de Lavolsier ¢ Laplace definie a respiragio como “um tipo de combust Tenia, mas nao obstante inteiramente andloga a do cai AS eélulas utilizam dois mecanismos para retirar energia dos hnutrientes: a glic6lise anaerébia c « fosforilacao oxidativa, A glicélise anaerobia produz apenas 2 moles de ATP por cada mol de glicose ‘Vabela 4.1 Composto Keal/mol Piroresfato 60 Acetilooentima A 63 Adenosina-difosfato (ADP) 63 Acctilfostato 87 S-fosforilcocnzima A 90 Fosfocreatina 98 Adenosina-trifostato (ATP) 100 Glicerifostato 113 Fosfoenolpinussta 124 Acetiladenilto Bo. 180 Adenosina-fosfossulfto A glicdlise anaerdbia ¢ 0 processo pelo qual uma seqiiéneia de aproximadamente 11 enzimas do citosot ou matriz eitoplas- :tica promovem uma série de transformagdes graduais noma ‘molécula de glicose, sem consumo de oxigénio, produzindo ‘duis molécolas de piruvato e liberando energia que € armaze nada em duas moléculas de ATP. O ATP se forma a partir do. ADP e do fostato inorgénico (Pi) existentes no citosol, segun- doa equagio: 2 ADP + 2 Pi+ energia da glicose + 2 ATP.