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NBR-8681/84

AÇÕES E SEGURANÇA NAS


ESTRUTURAS

1. DEFINIÇÕES
1.1. Estados limites de uma estrutura
Estados a partir dos quais a estrutura apresenta desempenho inadequado às
finalidade da construção.
1.1.1. Estados limites últimos
Estados que pela sua simples ocorrência determinam a paralisação, no
todo ou em parte, do uso da construção.
1.1.2. Estados limites de utilização
Estados que pela sua ocorrência, repetição ou duração causam efeitos
estruturais que não respeitem as condições para o uso normal da
construção, ou que são indícios de comprometimento da durabilidade da
estrutura.
1.2. Ações
Ações são as causas que provocam esforços ou deformações nas estruturas. Do
ponto de vista prático, as forças e as deformações impostas pelas ações são
consideradas como se fossem as próprias ações. As deformações impostas
são por vezes designadas por ações indiretas e as forças por ações diretas.
1.2.1. Ações permanentes
Ações permanentes são as que ocorrem com valores constantes ou de
pequena variação em torno de sua média, durante praticamente toda a
vida da construção. A variabilidade das ações permanentes é medida num
conjunto de construções análogas.
1.2.2. Ações variáveis
Ações variáveis são as que ocorrem com valores que apresentam
variações significativas em torno de sua média, durante a vida da
construção.
Cargas acidentais são ações variáveis que atuam nas construções em
função de seu uso (pessoas, mobiliário, veículos, materiais diversos, etc.).
1.2.3. Ações excepcionais
Ações excepcionais são as que tem duração extremamente curta e
muito baixa probabilidade de ocorrência durante a vida da
construção, mas que devem ser consideradas nos projetos de
determinadas estruturas.
2. ESTADOS LIMITES
2.1. Estados limites últimos
Os estados limites últimos são caracterizados por:
a. perda de equilíbrio, global ou parcial, admitida a estrutura como corpo rígido;

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b. ruptura ou deformação plástica excessiva dos materiais;
c. transformação da estrutura, no todo ou em parte, em sistema hipostático;
d. instabilidade por deformação; e
e. instabilidade dinâmica.
2.2. Estados limites de utilização
2.2.1. Caracterização do estados limites de utilização
Os estados limites de utilização são caracterizados por:
a. danos ligeiros ou localizados, que comprometam o aspecto estético
da construção ou a durabilidade da estrutura;
b. deformações excessivas, que afetem a utilização normal da
construção ou seu aspecto estético; e
c. vibrações de amplitude excessiva.
2.2.2. Combinações de ações
2.2.2.1. Combinações quase-permanentes
Combinações que podem atuar durante grande parte do período
de vida da estrutura, da ordem da metade deste período.
2.2.2.2. Combinações freqüentes
Combinações que se repetem muitas vezes durante o período
de vida da estrutura, da ordem de 10 5 vezes em 50 anos, ou que
tenham duração total igual a uma parte não desprezível desse
período, da ordem de 5%.
2.2.2.3. Combinações raras
Combinações que podem atuar no máximo algumas horas
durante o período de vida da estrutura.
3. AÇÕES
3.1. Classificação
3.1.1. Ações permanentes
3.1.1.1. Ações permanentes diretas
Consideram-se ações permanentes diretas os pesos próprios
dos elementos da construção, incluindo o peso próprio da
estrutura e de todos os elementos construtivos permanentes, os
pesos dos equipamentos fixos e os empuxos devidos ao
peso próprio de terras não removíveis e de outras ações
permanentes sobre elas aplicadas.
Em casos particulares, os empuxos hidrostáticos também
podem ser considerados como permanentes.
3.1.1.2. Ações permanentes indiretas
Consideram-se como ações permanentes indiretas a protensão,
os recalques de apoio e a retração dos materiais.

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3.1.2. Ações variáveis
Consideram-se como ações variáveis as cargas acidentais das
construções, bem como efeitos, tais como forças de frenação, de impacto e
centrífugas, os efeitos do vento, das variações da temperatura, do atrito
nos aparelhos de apoio e, em geral, as pressões hidrostáticas e
hidrodinâmicas. Em função de sua probabilidade de ocorrência durante a
vida da construção, as ações variáveis são classificadas em normais ou
especiais.
3.1.2.1. Ações variáveis normais
Ações variáveis com probabilidade de ocorrência
suficientemente grande para que sejam obrigatoriamente
consideradas no projeto das estruturas de um dado tipo de
construção.
3.1.2.2. Ações variáveis especiais
Nas estruturas em que devam ser consideradas certas ações
especiais como ações sísmicas ou cargas acidentais de
natureza ou de intensidade especiais, elas também devem ser
admitidas como ações variáveis.
As combinações de ações em que comparecem ações especiais
devem ser especificamente definidas para as situações
especiais consideradas.
3.1.3. Ações excepcionais
Consideram-se como excepcional as ações decorrentes de causas tais
como explosões, choques de veículos, incêndios, enchentes ou
sismos excepcionais. Os incêndios, ao invés de serem tratados como
causa de ações excepcionais, também podem ser levados em conta por
meio de uma redução da resistência dos materiais constitutivos da
estrutura.
3.2. Valores representativos das ações
As ações são quantificadas por seus valores representativos, que podem ser
valores característicos, valores característicos nominais, valores reduzidos de
combinação, valores convencionais excepcionais, valores reduzidos de utilização e
valores raros de utilização.
3.2.1. Valores representativos para estados limites últimos
3.2.1.1. Valores característicos
Os valores característicos Fk das ações são definidos em
função da variabilidade de suas intensidades.
Consideram-se um período convencional de referência de
50 anos.
Os valores característicos das ações variáveis, estabelecidos
por consenso e indicados em normas específicas, correspondem
a valores que têm de 25% a 35% de probabilidade de serem
ultrapassados no sentido desfavorável, durante um período
de 50 anos.
Os valores característicos das ações permanentes
correspondem à variabilidade existente num conjunto de
estruturas análogas.
Para as ações permanentes que produzam efeitos
desfavoráveis na estrutura, o valor característico corresponde

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ao quantil de 95% da respectiva distribuição de probabilidade
(valor característico superior).
Para as ações permanentes que produzam efeitos
favoráveis na estrutura, o valor característico corresponde ao
quantil de 5% da respectiva distribuição de probabilidade (valor
característico inferior).
3.2.1.2. Valores característicos nominais
Para as ações que não tenham sua variabilidade
adequadamente expressa por distribuição de probabilidade, os
valores característicos Fk são substituídos por valores nominais
convenientemente escolhidos.
Para ações que tenham baixa variabilidade, diferido muito pouco
entre si os valores característicos superior e inferior, adotam-se
como característicos os valores médios das respectivas
distribuições.
3.2.1.3. Valores reduzidos de combinação
Os valores reduzidos de combinação são determinados a
partir dos valores característicos pela expressão ψ 0 Fk e são
empregados nas condições de segurança relativas a estados
limites últimos, quando existem ações variáveis de diferentes
natureza.
Os valores ψ 0 Fk levam em conta que é muito baixa a
probabilidade de ocorrência simultânea dos valores
característicos de duas ou mais ações variáveis de natureza
diferentes.
Ao invés de serem adotados diferentes valores de ψ 0 em
função das ações que vão atuar simultaneamente, por
simplicidade, admite- se um único valor ψ 0 para cada ação a
ser considerada no projeto.
Nos casos particulares em que sejam consideradas ações que
atuem simultaneamente com ações de período da atuação
extremamente curto, adotam-se para ψ 0 os mesmos valores
especificados para os coeficientes ψ 2.
3.2.1.4. Valores convencionais excepcionais
Valores convencionais excepcionais são valores arbitrados para
as ações excepcionais. Estes valores devem ser estabelecidos
por consenso entre o proprietário da construção e as
autoridades governamentais que nela tenham interesse.
3.2.2. Valores representativos para estados limites de utilização
3.2.2.1. Valores reduzidos de utilização
Os valores reduzidos de utilização, para a verificação da
segurança em relação a estados limites de utilização, são
determinados a partir dos valores característicos pelas
expressões:
ψ 1 Fk para ações que se repetem muitas vezes, e
ψ 2 Fk para ações de longa duração.
Os valores reduzidos das ações variáveis:
ψ 1 Fk são designados por valores freqüentes; e
ψ 2 Fk são designados por valores quase- permanentes.

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3.2.2.2. Valores raros de utilização,
Os valores raros de utilização quantificam as ações que podem
acarretar estados limites de utilização, mesmo que atuem com
duração muito curta.
3.3. Valores de cálculo das ações
Os valores de cálculo Fd das ações são obtidos a partir dos valores
representativos, multiplicando-se pelos respectivos coeficientes de ponderação
γ f.
3.3.1. Coeficientes de ponderação para os estados limites últimos
Quando se consideram estados limites últimos, os coeficientes γ f de
ponderação das ações podem ser considerados como o produto de dois
outros γ f1 e γ f3 (o coeficiente de combinação ψ 0 faz o papel do
terceiro coeficiente, que seria indicado por γ f2). O coeficiente parcial
γ f1 leva em conta a variabilidade das ações e o coeficiente γ f3
considera os possíveis erros de avaliação dos efeitos das ações, seja
por problemas construtivos, seja por deficiência do método de cálculo
empregado. O desdobramento do coeficiente de segurança γ f em
coeficientes parciais permite que os valores gerais especificados para γ f
possam ser discriminados em função de peculiaridades dos diferentes tipos
de estruturas e de materiais de construção considerados.
Tendo em vista as diversas ações levadas em conta no projeto, o índice do
coeficiente γ f pode ser alterado para identificar a ação considerada,
resultando os símbolos:
γ g para ações permanentes;
γ q para ações diretas variáveis;
γ p para protensão; e
γ ε para deformações impostas (ações indiretas).
3.3.2. Coeficientes de ponderação para os estados limites de utilização
Quando se consideram estados limites de utilização, os coeficientes de
ponderação das ações são tomados com valor γ f = 1,0, salvo exigência
em contrário, expressa em norma especial.
4. AÇÕES - TIPOS DE CARREGAMENTO E CRITÉRIOS DE COMBINAÇÃO
Um tipo de carregamento é especificado pelo conjunto das ações que têm probabilidade
não desprezível de atuarem simultaneamente sobre uma estrutura, durante um período
de tempo preestabelecido.
Em cada tipo de carregamento as ações devem ser combinadas de diferentes maneiras,
a fim de que possam ser determinados os efeitos mais desfavoráveis para a estrutura.
Devem ser estabelecidas tantas combinações de ações quantas sejam
necessárias para que a segurança seja verificada em relação a todos os possíveis
estados limites da estrutura.
4.1. Tipos de carregamento
Os tipos de carregamento podem ser de longa duração ou transitórios, conforme
seu tempo de duração.
4.1.1. Carregamento normal
O carregamento normal decorre do uso previsto para a construção e
sempre deve ser considerado na verificação da segurança, tanto em
relação ao estados limites últimos quanto em relação a estados limites
de utilização.

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4.1.2. Carregamento especial
Um carregamento especial decorre da atuação de ações variáveis de
natureza ou intensidade especiais, cujos efeitos superam em intensidade
os efeitos produzidos pelas ações consideradas no carregamento normal.
Os carregamentos especiais são transitórios, com duração muito
pequena em relação ao período de referência da estrutura. Os
carregamentos especiais são em geral considerados apenas na
verificação da segurança em relação aos estados limites últimos, não
se observando as exigências referentes aos estados limites de utilização. A
cada carregamento especial, corresponde uma única combinação última
especial de ações. Em casos particulares, pode ser necessário considerar
o carregamento especial na verificação da segurança em relação aos
estados limites de utilização.
4.1.3. Carregamento de construção
O carregamento de construção é considerado apenas nas estruturas em
que haja risco de ocorrência de estados limites, já durante a fase de
construção. O carregamento de construção é transitório e sua duração
deve ser definida em cada caso particular. Devem ser consideradas tantas
combinações de ações quantas sejam necessárias para a verificação das
condições de segurança em relação a todos os estados limites que são de
temer durante a fase de construção.
4.1.4. Carregamento excepcional
Um carregamento excepcional decorre da atuação de ações excepcionais
que podem provocar efeitos catastróficos. Os carregamentos
excepcionais somente devem ser considerados no projeto de estruturas de
determinados tipos de construção, para os quais a ocorrência de ações
excepcionais não possa ser desprezada e que, além disso, na concepção
estrutural, não possam ser tomadas mediadas que anulem ou atenuem a
gravidade das conseqüências dos efeitos dessa ações. O carregamento
excepcional e transitório, com duração muito curta. Com um
carregamento de tipo excepcional considera- se apenas a verificação
da segurança em relação a estados limites últimos, através de uma
única combinação última excepcional de ações.
4.2. Critério de combinação das ações
Para a verificação da segurança em relação aos possíveis estados limites, para
tipo de carregamento devem ser consideradas todas as combinações de ações que
possam acarretar os efeitos mais desfavoráveis nas seções criticas da estrutura.
As ações permanentes são consideradas em sua totalidade. Das ações variáveis,
são consideradas apenas as parcelas que produzam efeitos desfavoráveis para a
segurança.
Ações variáveis móveis devem ser consideradas em suas posições mais
desfavoráveis para a segurança.
4.2.1. Critérios para combinação última
4.2.1.1. Ações permanentes
As ações permanentes devem figurar em todas as combinações
de ações.
4.2.1.2. Ações variáveis nas combinações últimas normais
Em cada combinação última, uma das ações variáveis é
considerada como principal, admitindo-se que ela atue com
seu valor característico Fk; as demais ações variáveis são

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consideradas como secundárias, admitindo-se que elas atuem
com seus valores reduzidos de combinação ψ 0 Fk.
4.2.1.3. Ações variáveis nas combinações últimas especiais
Nas combinações últimas especiais, quando existirem, a ação
variável especial deve ser considerada com seu valor
representativo e as demais ações variáveis devem ser
consideradas com valores correspondentes a uma probabilidade
não desprezível de atuação simultânea com a ação especial.
4.2.1.4. Ações variáveis nas combinações últimas excepcionais
Nas combinações últimas excepcionais, quando existirem, a
ação excepcional deve ser considerada com seu valor
representativo e as demais ações variáveis devem ser
consideradas com valores correspondentes a uma grande
probabilidade de atuação simultânea com a ação variável
excepcional.
5. CONDIÇÕES DE SEGURANÇA
5.1. Condições usuais relativas aos estados limites últimos
Quando a segurança é verificada isoladamente em relação a cada um dos esforços
atuantes (momento fletor, força normal, momento torçor e força cortante), as
condições de segurança tomam a forma simplificada:
Rd ≥ Sd
onde Rd corresponde aos valores de cálculo dos esforços resistentes e S d
corresponde aos valores de cálculo dos esforços atuantes.
Para a determinação de Sd, em geral, é considerado apenas o carregamento
normal, salvo indicação em contrário, expressa em norma relativa ao tipo de
construção e de material empregado, ou por exigência do proprietário da obra ou
das autoridades governamentais nela interessadas.
Se o cálculo do esforço atuante for feito em regime elástico linear (elástico ou
pseudo-elástico), o coeficiente γ f poderá ser aplicado tanto à ação característica
quanto diretamente ao esforço característico:
Sd = S(γ f Fk) γ f aplicado diretamente sobre a ação característica Fk
ou
Sd = γ f Sk γ f aplicado diretamente sobre a solicitação característica Sk,
sendo Sk = S(Fk)
Se o cálculo do esforço atuante for feito por processo não linear, o coeficiente γ f
será aplicado à ação característica:
Sd = S(γ f Fk)
Diz-se que há não linearidade geométrica quando o comportamento estrutural
deixa de ser linear em virtude da alteração da geometria do sistema.
Quando for considerada a não linearidade geométrica, o coeficiente γ f pode ser
desdobrado em seus coeficientes parciais, aplicando-se o coeficiente γ f3 à
solicitação calculada com a ação característica multiplicada por γ f1 ψ 0:
Sd = γ f3 S(γ f1 ψ 0 Fk)
5.2. Condições usuais relativas aos estados limites de utilização
As condições usuais de verificação da segurança relativas aos estados limites de
utilização são expressas por desigualdades do tipo:

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Sd ≥ Slim
onde Sd corresponde aos valores de cálculo dos efeitos estruturais de interesse
calculados com γ f = 1,0, e Slim corresponde aos valores adotados para esses
efeitos (Slim representa valores de flechas limites, aberturas máximas de fissuras
em peças concreto, etc.)
5.3. Combinações últimas das ações
5.3.1. Definições
5.3.1.1. Coeficientes de ponderação para ações permanentes
Os coeficientes de ponderação γ g das ações permanentes
majoram os valores representativos das ações permanentes
que provocam efeitos desfavoráveis e minoram os valores
representativos daquelas que provocam efeitos favoráveis para
a segurança da estrutura.
Para uma dada ação permanente, todas as suas parcelas
são ponderadas pelo mesmo coeficiente γ g, não se
admitindo que algumas de suas partes possam ser
majoradas e outras minoradas.
Para os materiais sólidos que possam provocar empuxos, a
componente vertical é considerada como uma ação e a
horizontal como outra ação, independente da primeira.
5.3.1.2. Coeficientes de ponderação para ações variáveis
Os coeficientes de ponderação γ q das ações variáveis
majoram os valores representativos das ações variáveis que
provocam efeitos desfavoráveis para a segurança da estrutura.
As ações variáveis que provocam efeitos favoráveis não
são consideradas na combinação de ações, admitindo-se que
sobre a estrutura atuem apenas parcelas de ações variáveis que
produzam efeitos desfavoráveis.
As ações variáveis que tenham parcelas favoráveis e
desfavoráveis, que fisicamente não possam atuar
separadamente, devem ser consideradas conjuntamente como
uma ação única.
5.3.1.3. Coeficientes de ponderação para ações excepcionais
Os coeficientes de ponderação γ f relativo à ação excepcional
que figura nas combinações últimas excepcionais, salvo
indicação em contrário, expressa em norma relativa ao tipo de
construção e de material considerados, deve ser tomado com o
valor básico, ou seja γ f = 1,0.
5.3.1.4. Fatores de combinação
Os valores do fator de combinação ψ 0 para as combinações
últimas são aplicáveis para as ações usualmente consideradas
nas estruturas da Engenharia Civil, salvo indicação em contrário,
expressa em norma relativa ao tipo de construção e de material
considerado.
5.3.1.5. Ações permanentes de grande variabilidade
As ações permanentes de grande variabilidade correspondem
àquelas em que o peso próprio da estrutura não supera em
75% a totalidade dos pesos permanentes (peso próprio da
estrutura, peso dos elementos construtivos permanentes não

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estruturais e peso dos equipamentos fixos, todos considerados
globalmente).
5.3.1.6. Ações permanentes de pequena variabilidade
As ações permanentes de pequena variabilidade correspondem
àquelas em que o peso próprio da estrutura supera em 75% a
totalidade dos pesos permanentes (peso próprio da estrutura,
peso dos elementos construtivos permanentes não estruturais e
peso dos equipamentos fixos, todos considerados globalmente).
5.3.2. Combinações últimas normais
m  n 
Fd = ∑γgi FGi ,k + γq FQ1,k + ∑Ψ0 j FQj ,k 
i =1 
 j =2 

Fd valor de cálculo resultante da combinação das ações
γ gi coeficiente de ponderação para ações permanentes
FGi,k valor característico das ações permanentes
γ q coeficiente de ponderação para ações variáveis
FQ1,k valor característico da ação variável considerada como
principal
ψ 0j fator de combinação
FQj,k valor característico das ações variáveis
Em casos especiais devem ser consideradas duas combinações:
a. primeiro, admite-se que as ações permanentes sejam
desfavoráveis a segurança;
b. depois, admite-se que as ações permanentes sejam
favoráveis a segurança.
Na tabela seguinte são apresentados os valores correspondentes aos
coeficientes de ponderação γ g, γ ε e γ q.

efeitos efeitos
ações/efeitos
desfavoráveis favoráveis
ações permanentes de grande
γ g = 1,4 γ g = 0,9
variabilidade
ações permanentes de pequena
γ g = 1,3 γ g = 1,0
variabilidade
efeitos de recalques de apoio e retração
γ ε = 1,2 γ ε = 1,0
dos materiais (ação permanente indireta)
ações variáveis em geral, incluída as
γ q = 1,4
cargas acidentais móveis
efeitos de temperatura
γ ε = 1,2
(ação variável)

Nas tabela seguinte são apresentados os valores do fator de combinação


ψ 0.

ações em geral
variações uniforme de temperatura em relação á média
ψ 0 = 0,6
anual local
pressão dinâmica do
ψ 0 = 0,4
vento nas estruturas em geral
pressão dinâmica do vento nas estruturas em que a ação ψ 0 = 0,6
variável principal tem pequena variabilidade durante

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grandes intervalos de tempo (exemplo: edifícios de
habitação)

cargas acidentais dos edifícios


locais em que não há predominância de pesos de
equipamentos que permanecem fixos por longos períodos ψ 0 = 0,4
de tempo, nem de elevadas concentrações de pessoas
locais em que há predominância de pesos de
equipamentos que permanecem fixos por longos períodos ψ 0 = 0,7
de tempo, ou de elevadas concentrações de pessoas
bibliotecas, arquivos,
ψ 0 = 0,8
oficinas, e garagens

cargas móveis e seus efeitos dinâmicos

pontes de pedestres ψ 0 = 0,4

pontes rodoviárias ψ 0 = 0,7

pontes ferroviárias (ferrovias não especializadas) ψ 0 = 0,8

É importante observar que a equação das combinações últimas normais


não faz referência ao coeficiente de ponderação γ ε , embora na tabela
"ações/efeitos" ele apareça como igual a 1,2, tanto para os efeitos de
recalque de apoio e retração (ação permanente indireta), quanto para os
efeitos de temperatura (ação variável). No caso da ação permanente
indireta (recalques e retração) o índice "ε " pode ser entendido como parte
do índice "g" das ações permanentes. Neste caso a expressão das
combinações últimas normais assumiria a expressão:
m  n  p
Fd = ∑γ gi FGi ,k + γ q FQ1,k + ∑Ψ0 j FQj ,k  + ∑γ εu FGεu,k
i=1 
 j=2 
 u=1
Fd valor de cálculo resultante da combinação das ações
γ gi coeficiente de ponderação para ações permanentes
FGi,k valor característico das ações permanentes
γ q coeficiente de ponderação para ações variáveis
FQ1,k valor característico da ação variável considerada como
principal
ψ 0j fator de combinação
FQj,k valor característico das ações variáveis
γ εu coeficiente de ponderação para ações permanentes indiretas
FGε u,k valor característico das ações permanentes indiretas
No que se refere aos efeitos de temperatura, há duas possibilidades de
interpretação da Norma:
a. incorporar estes efeitos junto às ações variáveis, como parte de
efeitos combinados (neste caso vale ψ 0 = 0,6 da tabela "ações
em geral", sendo ignorado o valor γ ε = 1,2 da tabela
"ações/efeitos"); ou
b. incorporar estes efeitos junto às ações permanentes indiretas,
considerando recalques de apoio, retração de materiais e
variação de temperatura como ações indiretas,

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independentemente de serem permanentes ou variáveis (neste
caso vale γ ε = 1,2 da tabela "ações/efeitos", sendo ignorado o
valor ψ 0 = 0,6 da tabela "ações em geral").
Conforme visto em 3.2.1.c, "ao invés de serem adotados diferentes valores
de ψ 0 em função das ações que vão atuar simultaneamente, por
simplicidade, admite-se um único valor ψ 0 para cada ação a ser
considerada no projeto". Esta simplificação foi adotada pela NBR-6118,
item 5.4.2.1 Estado limite último:
"Será considerado o mais desfavorável dos seguintes valores de cálculo da
solicitação:
Sd = 1,4Sgk + 1,4Sqk + 1,2Sε k
Sd = 0,9Sgk + 1,4Sqk + 1,2Sε k

No caso de estruturas de edifícios, pode ser considerada apenas a


primeira destas expressões.
Quando existirem ações acidentais de diferentes origens, com pouca
probabilidade de ocorrência simultânea, que causem solicitações Sqk1 ≥
Sqk2 ≥ Sqk3 ....., poderá Sqk nas expressões anteriores ser substituída por:
Sqk1 + 0,8(Sqk2 + Sqk3 + .....)"
Desta forma a solicitação de cálculo da NBR-6118, resultaria:
Sd = 1,4Sgk + 1,4[Sqk1 +0,8(Sqk2 + Sqk3 + .....)] + 1,2Sε k
Sd = 0,9Sgk + 1,4[Sqk1 +0,8(Sqk2 + Sqk3 + .....)] + 1,2Sε k

O valor 0,8 da expressão acima corresponde ao maior valor possível para o


fator de combinação ψ 0 mostrado na tabela "cargas acidentais dos
edifícios".
Pelo exposto, uma estrutura de edifício de habitação sujeita a cargas
permanentes (peso próprio da estrutura + paredes) e cargas variáveis
(cargas acidentais da NBR-6120 + vento da NBR-6123) teria sua
solicitação de cálculo dada por:
a. NBR-6118, equação geral
Sd = 1,4Sgk + 1,4(Sqk,acid + Sqk,vento)
b. NBR-6118, considerando Sqk,acid > Sqk,vento
Sd = 1,4Sgk + 1,4(Sqk,acid + 0,8Sqk,vento)
c. NBR-8681, considerando ψ 0 = 0,6
Sd = 1,4Sgk + 1,4(Sqk,acid + 0,6Sqk,vento)
5.3.3. Combinações últimas especiais ou de construção
m  n 
Fd = ∑γgi FGi ,k + γq FQ1,k + ∑Ψ0 j,ef FQj ,k 
i =1 
 j =2 

Fd valor de cálculo resultante da combinação das ações
γ gi coeficiente de ponderação para ações permanentes
FGi,k valor característico das ações permanentes
γ q coeficiente de ponderação para ações variáveis
FQ1,k valor característico da ação variável considerada como
principal para a situação transitória considerada
ψ 0j,ef fator de combinação efetivo de cada uma das variáveis que
podem agir concomitantemente coma a ação principal FQ1,
durante a situação transitória

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FQj,k valor característico das ações variáveis
Em casos especiais devem se consideradas duas combinações:
a. primeiro, admite-se que as ações permanentes sejam
desfavoráveis a segurança;
b. depois, admite-se que as ações permanentes sejam
favoráveis a segurança.
Na tabela seguinte são apresentados os valores correspondentes aos
coeficientes de ponderação γ g, γ ε e γ q.

efeitos efeitos
ações/efeitos
desfavoráveis favoráveis
ações permanentes de grande
γ g = 1,3 γ g = 0,9
variabilidade
ações permanentes de pequena
γ g = 1,2 γ g = 1,0
variabilidade
efeitos de recalques de apoio e retração
γ ε = 1,2 γ ε = 1,0
dos materiais (ação permanente indireta)
ações variáveis em geral, incluída as
γ q = 1,2
cargas acidentais móveis
efeitos de temperatura
γ ε = 1,0
(ação variável)

O fator ψ 0j,ef é igual ao fator ψ 0j adotado nas combinações normais (item


5.3.2) salvo quando a ação principal FQ1 tiver um tempo de atuação muito
pequeno, caso em que ψ 0j,ef pode ser tomado com o correspondente ψ 2j
(item 5.4.5).
5.3.4. Combinações últimas excepcionais
m n
Fd = ∑γgi FGi ,k +FQ,exc + γq ∑Ψ0 j,ef FQj ,k
i =1 j =1

Fd valor de cálculo resultante da combinação das ações


γ gi coeficiente de ponderação para ações permanentes
FGi,k valor característico das ações permanentes
FQ,exc valor característico da ação transitória excepcional
γ q coeficiente de ponderação para ações variáveis
ψ 0j,ef fator de combinação efetivo de cada uma das variáveis que
podem agir concomitantemente coma a ação transitória
excepcional FQ,exc
FQj,k valor característico das ações variáveis
Em casos especiais devem se consideradas duas combinações:
a. primeiro, admite-se que as ações permanentes sejam
desfavoráveis a segurança;
b. depois, admite-se que as ações permanentes sejam
favoráveis a segurança.
Na tabela seguinte são apresentados os valores correspondentes aos
coeficientes de ponderação γ g, γ ε e γ q.

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efeitos efeitos
ações/efeitos
desfavoráveis favoráveis
ações permanentes de grande
γ g = 1,2 γ g = 0,9
variabilidade
ações permanentes de pequena
γ g = 1,1 γ g = 1,0
variabilidade
efeitos de recalques de apoio e retração
γ ε = 0,0 γ ε = 0,0
dos materiais (ação permanente indireta)
ações variáveis em geral, incluída as
γ q = 1,0
cargas acidentais móveis
efeitos de temperatura
γ ε = 0,0
(ação variável)

O fator ψ 0j,ef é igual ao fator ψ 0j adotado nas combinações normais (item


5.3.2) salvo quando a ação transitória excepcional FQ,exc tiver um tempo de
atuação muito pequeno, caso em que ψ 0j,ef pode ser tomado com o
correspondente ψ 2j (item 5.4.5).
5.3.5. Alteração dos coeficientes de ponderação
5.3.5.1. Comportamento com não linearidade geométrica
Para efeitos desfavoráveis, os valores do coeficiente de
ponderação γ f para as combinações normais e para as
combinações especiais ou de construção podem ser
desdobrados no produto dos coeficientes γ f1 e γ f3. Neste caso,
deve manter-se γ f3 ≥ 1,1.
5.3.5.2. Ações com distribuição truncada
Nos casos em que a ação atuante tenha distribuição de
probabilidade truncada, em virtude de arranjos físicos que
efetivamente impeçam o aumento significativo da intensidade da
ação atuante acima do valor representativo adotado, permite-se
tomar o valor γ f = γ f1 γ f3, com γ f3 ≥ 1,1 e γ f1 coerente com a
variabilidade efetiva da ação considerada.
5.3.6. Coeficientes de ajustamento
Em casos especiais, considerados em normas correspondentes a
determinados tipos de construção, podem ser alterados os coeficientes
de ponderação das ações de valor γ f ≥ 1,0 multiplicando os valores usuais
por coeficientes de ajustamento γ n dados por
γ n =γ n1 γ n2

γ n1 ≤ 1,2 em função da ductilidade de uma eventual ruína


γ n2 ≤ 1,2 em função da gravidade das conseqüências de uma
eventual ruína
5.4. Combinações de utilização das ações
Nas combinações de utilização são considerados todas as ações permanentes,
inclusive as deformações impostas permanentes, e as ações variáveis
correspondentes a cada um dos tipos de combinações.

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5.4.1. Definições
5.4.1.1. Fatores de utilização para combinações de grande
freqüência
Os valores do fator de utilização ψ 1 para as combinações
freqüentes são aplicáveis para as ações usualmente
consideradas nas estruturas da Engenharia Civil, salvo indicação
em contrário, expressa em norma relativa ao tipo de construção
e de material considerado.
5.4.1.2. Fatores de utilização para combinações quase-permanentes
Os valores do fator de utilização ψ 2 para as combinações
quase-permanentes são aplicáveis para as ações usualmente
consideradas nas estruturas da Engenharia Civil, salvo indicação
em contrário, expressa em norma relativa ao tipo de construção
e de material considerado.
5.4.2. Combinações quase-permanentes de utilização
Nas combinações quase-permanentes de utilização, todas as ações
variáveis são consideradas com seus valores quase-permanentes ψ 2 FQk:
m n
Fd,uti = ∑FGi ,k + ∑Ψ2 j FQj ,k
i =1 j =1

Fd,uti valor de cálculo resultante da combinação das ações


FGi,k valor característico das ações permanentes
ψ 2j fator de combinação quase-permanente
FQj,k valor característico das ações variáveis
5.4.3. Combinações freqüentes de utilização
Nas combinações freqüentes de utilização, a ação variável principal FQ1 é
tomada com seu valor freqüente ψ 1 FQ1,k e todas as demais ações variáveis
são tomadas com seus valores quase-permanentes ψ 2 FQk:
m n
Fd,uti = ∑FGi ,k + Ψ1 FQ1,k + ∑Ψ2 j FQj ,k
i =1 j =2

Fd,uti valor de cálculo resultante da combinação das ações


FGi,k valor característico das ações permanentes
ψ1 fator de combinação freqüente da ação principal
FQ1,k valor característico da ação variável principal
ψ 2j fator de combinação quase-permanente
FQj,k valor característico das ações variáveis
5.4.4. Combinações raras de utilização
Nas combinações raras de utilização, a ação variável principal F Q1 é
tomada com seu valor característico FQ1,k e todas as demais ações
variáveis são tomadas com seus valores freqüentes ψ 1 FQk:
m n
Fd,uti = ∑FGi ,k +FQ1,k + ∑Ψ1j FQj ,k
i =1 j =2

Fd,uti valor de cálculo resultante da combinação das ações


FGi,k valor característico das ações permanentes
ψ1 fator de combinação freqüente da ação principal
FQ1,k valor característico da ação variável principal
ψ 2j fator de combinação quase-permanente
FQj,k valor característico das ações variáveis

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5.4.5. Valores de ψ 1 e ψ 2

ações em geral ψ 1 ψ 2

variações uniforme de temperatura em relação á média


0,5 0,3
anual local
pressão dinâmica do
0,2 0,0
vento nas estruturas em geral
pressão dinâmica do vento nas estruturas em que a ação
variável principal tem pequena variabilidade durante
0,2 0,0
grandes intervalos de tempo (exemplo: edifícios de
habitação)

cargas acidentais dos edifícios ψ 1 ψ 2

locais em que não há predominância de pesos de


equipamentos que permanecem fixos por longos períodos 0,3 0,2
de tempo, nem de elevadas concentrações de pessoas
locais em que há predominância de pesos de
equipamentos que permanecem fixos por longos períodos 0,6 0,4
de tempo, ou de elevadas concentrações de pessoas
bibliotecas, arquivos,
0,7 0,6
oficinas, e garagens

cargas móveis e seus efeitos dinâmicos ψ 1 ψ 2

pontes de pedestres 0,3 0,2(a)

pontes rodoviárias 0,4 0,2(a)

pontes ferroviárias (ferrovias não especializadas) 0,6 0,4(a)


(A)
Admite-se ψ 2 = 0,0 quando a ação variável principal corresponde a
um efeito sísmico
A NBR-6118, item 5.4.2.2 não faz referência as combinações
quase-permanentes, freqüentes ou raras de utilização apregoadas pela
NBR-8681. Diz a NBR-6118:
"Em geral, deverá ser considerada a solicitação de cálculo:
Sd = Sgk + χ Sqk + Sε k

Existindo ações acidentais de diferentes origens com pouca probabilidade


de ocorrência simultânea, poderá a solicitação de cálculo ser considerada
com a seguinte expressão:
Sd = Sgk + χ [Sqk1 + 0,8(Sqk2 + Sqk3 + .....)] + Sε k

O valor do coeficiente χ será 0,7 para as estruturas de edifícios e 0,5 para


as demais. Em gera, não é necessário considerar a ação do vento nos
estados limites de utilização (χ = 0,0)."
O valor χ = 0,7 da NBR-6116 corresponde a ψ 1 = 0,7 das combinações
freqüentes (máximo valor) para cargas acidentais de edifícios da
NBR-8681.
Convém lembrar, ainda, que a NBR-6118, no que se refere a estados
limites de utilização (item 4.2) faz referência a estado de formação de

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fissuras, estado de fissuração inaceitável, estado de deformação
excessiva, ações de curta duração, ações de longa duração, flechas
quando atuarem todas as ações, deslocamento causado por cargas
acidentais, etc.. As definições, para estados limites de utilização, da
NBR-6118 não se enquadram de modo claro nas definições da NBR-8681.
A publicação "Estado Limite de Utilização, Escola de Engenharia de São
Carlos, Ana Maria S. Brandão e Libânio M. Pinheiro" define as seguintes
situações:
a. Estado de formação de fissuras
Considerar a combinação rara de utilização, na qual a ação variável
é tomada com seu valor característico:
Fd,rara = Fg,k + Fq,k
Fd,rara valor raro das ações de serviço
Fg,k valor característico das ações permanentes
Fq,k valor característico das ações variáveis
b. Estado de fissuração inaceitável
Considerar a combinação freqüente de utilização, na qual a ação
variável é tomada com seu valor freqüente:
Fd,freq = Fg,k + ψ 1Fq,k
Fd,freq valor freqüente das ações de serviço
Fg,k valor característico das ações permanentes
ψ1 fator de utilização para combinações freqüentes
Fq,k valor característico das ações variáveis
O fator ψ 1 para valores para valores freqüentes das ações vale 0,3
para edifícios em geral.
c. Estado de deformação excessiva
Considerar a combinação quase- permanente de utilização, na qual
a ação variável é tomada com seu valor quase-permanente:
Fd,qp = Fg,k + ψ 2Fq,k
Fd,qp valor quase-permanente das ações de serviço
Fg,k valor característico das ações permanentes
ψ2 fator de utilização para combinações
quase-permanentes
Fq,k valor característico das ações variáveis
O fator ψ 2 para valores para valores quase-permanente das ações
vale 0,2 para edifícios em geral.
5.5. Condições de segurança relativas à perda de equilíbrio como corpo rígido
Os estados limites últimos de perda de equilíbrio, considera a estrutura como um
corpo rígido, não dependem da resistência dos materiais empregados e
correspondem ao início da movimentação de estrutura como um corpo rígido.
As condições de segurança relativas aos estados limites últimos de perda de
equilíbrio são expressas por desigualdades do tipo:
Ssd ≥ Snd
ou
S(Fsd) ≥ S(Fnd)
Ssd valor de cálculo dos esforços estabilizantes
Snd valor de cálculo dos esforços não estabilizantes
Fsd valor de cálculo das ações estabilizantes

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Fnd valor de cálculo das ações não estabilizantes
Os valores de Fnd e Fsd são determinados pelas mesmas regras de combinações de
ações indicadas em 5.3 (combinações últimas das ações). Os coeficientes de
ponderação γ (γ g, γ q e γ ε ) a empregar devem ser convenientemente
justificados. As condições de segurança podem ser expressas simbolicamente por:
S(γ gs Gsk) ≥ S(γ gn Gnk + γ q Qnk)
γ gscoeficiente de ponderação correspondente à ação permanente
estabilizante
Gsk ação permanente estabilizante
γ gn coeficiente de ponderação correspondente à ação permanente não
estabilizante
Gnk ação permanente não estabilizante
γ q coeficiente de ponderação correspondente à ação variável não
estabilizante
Qnk ação variável não estabilizante
As ações permanentes estabilizantes Gs, as ações permanentes não estabilizantes
Gn e as ações variáveis não estabilizantes Qn devem ser determinadas, para cada
tipo de carregamento, de acordo com as regras definidas em 5.3 (combinações
últimas das ações).
Como regra geral devem ser tomadas somente as ações variáveis não
estabilizantes.
5.6. Estados limites de perda de equilíbrio das fundações
Os estados limites últimos de perda de equilíbrio das fundações são em geral
idealizações simplificadas de estados limites últimos de natureza mais complexa.
Estes estados limites são decorrentes de modos de ruptura com superfícies de
fratura pré-determinadas e podem ser assimilados a estados limites de perda de
equilíbrio, pela consideração do esforço resistente Rd como um esforço
estabilizante. As condições de segurança têm, nestes casos, a forma simbólica
seguinte:
S(Fsd) + S(Rd) ≥ S(Fnd)
Fsd valor de cálculo das ações estabilizantes
Rd valor de cálculo do esforço resistente
Fnd valor de cálculo das ações não estabilizantes
6. RESISTÊNCIAS
6.1. Resistência dos materiais
A resistência é a aptidão da matéria de suportar tensões. Do ponto de vista prático,
a medida dessa aptidão é considerada com a própria resistência. A resistência é
determinada convencionalmente pela máxima tensão que pode ser aplicada a
corpo-de-prova do material considerado, até o aparecimento de fenômenos
particulares de comportamento além dos quais há restrições de emprego do
material em elementos estruturais. De modo geral estes fenômenos são de ruptura
ou deformação específica excessiva. Para cada material particular, as normas
correspondentes devem especificar quais os fenômenos que permitem determinar
as resistências.
6.2. Valores representativos
6.2.1. Resistência média
A resistência média fm é dada pela média aritmética das resistências dos
elementos que compõem o lote considerado de material.

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6.2.2. Resistência característica
Os valores característicos fk das resistências são os que, num lote de
material, têm uma determinada probabilidade de serem ultrapassados, no
sentido desfavorável para a segurança. Usualmente é de interesse a
resistência característica inferior fk,inf, cujo valor é menor que a
resistência média fm, embora por vezes haja interesse na resistência
característica superior fk,sup, cujo valor é maior que fm.
6.2.3. Resistência característica inferior
A resistência característica inferior fk,inf é admitida como sendo o valor que
tem apenas 5% de probabilidade de não ser atingido pelos elementos
de um dado lote de material.
6.2.4. Escolha do valor representativo
Salvo exigência expressa em norma referente a determinado material ou
tipo de construção, o valor representativo deve ser tomado como o da
resistência característica inferior, sempre que a segurança dependa das
porções menos resistentes do material da estrutura. O valor representativo
pode ser tomado como o da resistência média, quando a segurança é
condicionada pela soma das resistências de muitas porções do material da
estrutura, sem que cada uma delas individualmente tenha influência
determinante.
6.3. Valores de cálculo
6.3.1. Resistência de cálculo
A resistência de cálculo fd é dada por:
fk
fd =
γm
fd resistência de cálculo
fk resistência característica
γ m coeficiente de ponderação das resistências
O coeficiente de ponderação das resistências é dado por:
γ m =γ m1 γ m2 γ m3

γ m1 leva em conta a variabilidade da resistência efetiva,


transformando a resistência característica num valor extremo de
menor probabilidade de ocorrência
γ m2 considera as diferenças entre a resistência efetiva do material da
estrutura e a resistência medida convencionalmente em
corpos-de-prova padronizados
γ m3 considera as incertezas existentes na determinação das
solicitações resistentes, seja em decorrência dos métodos
construtivos seja em virtude do método do cálculo empregado
6.3.2. Tensões últimas resistentes
As tensões últimas resistentes σ u ou τ u são estabelecidas para a
determinação das solicitações resistentes que não dependam diretamente
das resistências medidas convencionalmente em ensaios de
corpos-de-prova padronizados dos materiais empregados. Os valores de
σ u ou τ u são estabelecidos, em cada caso particular, a partir das teorias
de resistência dos elementos estruturais considerados.

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6.3.3. Coeficientes de ajustamento
Em casos especiais, considerados em normas correspondentes a
determinados tipos de construção, podem ser alterados os coeficientes
de ponderação das resistências multiplicando os valores usuais por
coeficientes de ajustamento γ n dados por
γ n =γ n1 γ n2

γ n1 ≤ 1,2 em função da ductilidade de uma eventual ruína


γ n2 ≤ 1,2 em função da gravidade das conseqüências de uma
eventual ruína
7. VERIFICAÇÃO DA SEGURANÇA
A segurança das estruturas deve ser verificada em relação a todos os possíveis estados
que são admitidos como limites para a estrutura considerada.
A segurança contra os estados limites é verificada tanto pelo respeito às condições
analíticas quanto pela obediência às condições construtivas.
7.1. Verificação das condições analíticas
Verifica-se a segurança por meio da comparação dos valores que certos
parâmetros tomam na análise estrutural, quando na estrutura atuam as ações a
que ela está sujeita, quantificadas e combinadas de acordo com as regras
estabelecidas por esta Norma, com os valores que estes mesmos parâmetros
tomam quando ser manifestam os estados limites considerados. As variáveis
empregadas como parâmetros para estabelecimento das condições de segurança
são de três natureza:
a. ações;
b. esforços internos (solicitações, esforços solicitantes, tensões); e
c. efeitos estruturais (deformações, deslocamentos, abertura de fissuras).
7.2. Verificação das condições construtivas
Verificam-se as condições de segurança em relação aos possíveis estados limites
pelo atendimento das exigências construtivas incluídas nas diversas normas
referentes às estruturas feitas com os materiais de construção considerados.

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