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ORCI S TD. Yeciag 7 Educagao estéti arte e cultura do cotidiano Marly Ribeiro Meira A edueazdo do oar no enting dos ates Apresentacio Ese lexi traz uma reflexdo sobre a dimensin exttica do co "hecimento em arte e sobre arte, com questdes que vincuam ate, educagio e ctu, [No momento aual em que estamos vvendo, as ofertas cult ris so generosas em termos estos. Mutt dese eure entra na escola naiveridamente para chocar-e e interagir com a cl que alse produ e repro, Oestético surge, tuslente, como wma importante categoria de andlse pora a pesuisa em Arte, mas também par a ens de ‘Sociologia, Antropolena, Semstien Iso € recente, porque a > {étca, como uma drea especica de eonherimento, fl ammo da Posofia que aparece torsamente na histria da cultura oo dental. E desde que apareceu, como reflexBo especie solve a ate a belera, if fot causondo confits, pertubagées na order racinalstavigente. so porque toute consiga a gusto isica como uma hetmengutica de construgia coletva. A racionalidade ue sstenia 0 mito & pautada no paradona etre o ineligvel e 0 saivel, ena possible dessa ordem ser patil saciimen | fe. Demado semelhante, no fazer da trl. a plasiedade se con | aura a ptr de elementos que s80 materia eimateriai, con Jando sensibiknde e formas de pensamento que se ajisiem 20 Fregime do imaginstlo, A plasticdade, nas artes, exige ume corporetade, uma forma, vam pensar estruturador tm fer mos de expeciiagao e um pensamento de temporalidade que Dermnitam resolver © prablema das metamorfoses. Mas a plasticdade, nas artes, também estévinculaca@ questbes ce sgn fcagio iadas ao homem e suas interagSes com o func. En ie 125 «do cotdano. A percepcto mica & esenciolmente pista, Analice Dutra Pillar (mg) ‘qunntosnbol, a pase coniguase como angi, ine om pinordal constundo-e come una tera realade nem Sttjetin nem ebjeha, mas mnagina A forms plies artes, insinradora de um mundo e, como. mito, dpende de que ca ‘upto a ate, a consi como mage, epundo sls Pros Sanficadoe, inhi oct ‘Se kvarmos em conta que o sibico pee manesar se s+ rmulaneamente por imagens © por pales, ie eanlém na ‘Basldede rgaizadra ue fe & een, eno, as rma de Conhecimera qe ele posta sb tanto oie de eoraca 0 Certal quanto vale @ pensamento vss, uso wneado 20 “SSeal tome se questo de vsilesde, tipo de contests Sire a conarode ctra, altilnd eos ncn. Pelemos age teng como coreg, aprender eens como Isso seine ir das sgulcages regas pare estess eferese 8 inaprar ou conducir'o mundo para dente, como Ieper, ‘rorouamento,espanto, pela rear eneconada qu ee mi {Spasame, como imagen feidoton Masha, emir, oa gn feaebo para a experencla etn e ena relerese 8 formas de Sentimonto par seem commparinades. O saber do corso da trio lceinn & asl qe responce 4 anima mundi E es thm do mundondo responde ao ar qndo ele nSofor igo Por todo 0 ser do suet visor 7 Osos dos eins comespondia ania munch dost por Marlo Fino. A concepgio gega de percep, cla a provera do recerbecnet de am que cinco tem alma pate, ar, Tnsnato ape de provocar uma recprocade ae no se ‘perched Proncar era a fungi da deusa Afro, desa do Ehor e da beleca gros. A belma se toma comin (cosmos {ono de les) quando exe orem do mundo & dseraiaes, CGovencantada a tansmua-seem simula, ovses converse fr roprsniage desert ew sem um sent dco et co iva intone som compfomelinerto com a ordam ‘oun! ertirios S30 afirmatvas, totam jsf a menncla € os ‘eles deat “Aviso de mando grega que nos lgouotermo ast, ra primouiaiente plata, a ponte do noo de pensamento ede 126 A educago do olhar no ensina das artes conhecimento, nasa flosola, liar Ha e imager numa mesma tals semana, Nesta perspective, 0 sentimento estética para © ‘pow grego era um fator de plitaago,além de umn compenente | ico da formagao do indivduo. O Sigeifeado do termo esttico, ra un origem, era sentir com, cu sel, seri junto cam os outros, | ov lara sensovadade a0 sentimento, No século XVI, quorlo "Baumgarten resgotouo term grego, fol para nomear ura conhe- timento obscuro, vido da sensorial, certamente que un ¢o becimento aca, em relagio & razbo liga. Esta visio ainda subsist para grande parte das pessoas. Laentavelmente ainda & vio que predomina nas ecole. [Nas ates, alm de um pensamento exitico, hd estates dlfereneiadas que posssltam manter a clogo entre o seat @ © Inteigivel,podendo a énfase rear com mais inensicade nan ‘ou noxto pl. Susan Sontag (1987:207 nos mora que no ha lite para esta énfase,o que efit esabelecor front que 60 que nto € arte, Die | fitness stam detimenedespetay seiner ‘el ba of serine a oan les Ts eae | Seah Gnohe geranium aterueedionsmente {pg elle nr shine psn steps, iro, to ab sence Ba miu na ia Ocest Michel Naot (1996) nae citcament o papel do ett ona taeda. Ele nite, com sens qu psec da ae, daa si atren amiga © compa, pos moan poe fever 0 proprio qusra de cosas er qu € ern boo pecs, Antal prolleraio de imagers ess gerara renes lenmas de soceleaan,reaondo aire No coldano, de afleso, oesigtca€ primordia. Ele & qu suctena ojo dis apna, o or costume, as Panes 2 altos owns, o dae ee, Palo eteca vise wos Gio, 3 ogo cam Ao consi de sues fontmenos soe tis oesteo el prenindo nova ores de cletulengie, por Stilitando a socialidade estrutural, a 127 Analice tra Pil (Org) ‘Ao mesmo tempo que ito acenlece espontanearnente, pela rb dinimica ctu, formas de dominagaoastutamente apro- Triamso dor cédigos das formas de sedugso e percepco para Impor uma ordem ieoliaica por estralégns sul, fazendo com «qe til sein polartaado para 0 consumo, para o eoonémico para as converinclas dos poderes que els sustentam. ‘O rind Inaginal € causa eleito de uma subjetiidade de ‘asta que est coniaminando progreslvamente todos 9 domin- ‘asda via soil. Esse mundo tem um esti e tem formas. forma {formants transforma se em forg ita afva Maffsol. Neste ‘onlexto aparecem como de extreme importancla as mediagbes, ( farer, os sberes, on smbalos ea interaro dos indvduos & que producem culfre. Ac interagSes mea » estutura material ‘lap um estilo & hist aos acantecmenlos, 808 fats, 20s ma tos dewitere convive, Mae els dependem de saberes emodos de ‘er para ue haja maior consciéeia sobre as experéncas. nesta ‘ultia hibrida que se pode realizar un trabalho de meviago cult ral na exera do extleo. Repensaro alance e o signfcado da stviade atten e o campo epistemalégico e relaconal da est- a implica consieraro que € necessro, para que a experignca tstatna so, ao mesmo tempo, um fator de enero, sentiment, € rum nivel ma complexo, rellexso, tanto sobre a ate, como Sobre ava 'A posite de reconhecer 0s fotos estéicos, em arte ou 1 colkiane, e poder xentifiearndes, extrfturas consti, ele rons de sensbiae que se coraplementer com nformagies e ‘itrios de ands historien e culial, parece ser um modo de fazer cutura e preci um ethos signa em termos cura ‘hia de que se pode construlr um conhecimento sobre arte ‘mto antiga, mas, Ho sulo XVID, ela se tornou dominante n= oso, No platonsin, a estéica er uma vie para eleva da tlrma. © senfimento de beleza finha © poder de predspor a0 co ‘hocimento da verdade © do bem. O exercico do amor que 2 beleza pda star, tina © poder de trantiguarormundo para hhomem, As quolro figuras da beleza patriea eran a corpo, © tora,» intelctel ¢ a Heal. Para Kan, 0 sentimento esta hrarinonizaaentendimento e ennginagdo. Kant foi o primeira a splice abelea 8 Iigca ea Vga a beleza, As esléicasKenkstas 128 A educa do oar no ensine das ares ‘alirmam a trnscendéncia da subjetidade e dio énfase as inter Dretagées sobre a arte, enquanto que as fenomenclceas Fundam uma ontologi esttcae analisam como se prodzo esti rom fenomeno perceptive interativo. Jt os estébeascrticas questo: nama relagao entre a arte ea socledade, especialmente sistema se produgto ‘A relaao flosfiae ate se repse, hol, corn urgéncia, agore ‘no campo da atcagio e da cults. Nossostculoasste 8 deo ‘ada dos beolutos Cents, tebicos,dscurivos, que N80 tm mais argumentos pare justicar valores esustentay o ser Go ho mem ¢ o santido do humano. A histérinencarrzou-se de nostay| (0s eles da centfiidade desiada para o consume o forte mento dos poderes de dominacao e exclisio. Ea storia tans bbim revelou 0s desvios estticos praticados pela sociedade, que derramou, na cultura, objetos © eventos onde o anisien mt woz € alrelado a fins merarenteutititios, os negocios © 0s consumo. A semalhanca da racionaidodeinsinumental, consti se, hoje, a exislencin de uma sensibilizacao instrumental Gesconeciada de uma dca existenciale poll, “Ten Eagleton (1990: 7}mapeia a atmosfera esttica do sécu lo XVll em dante, dizendo ara nt, ste gnu promenade cong ere 4 Noten ¢ a nade Hegel date oe a ‘opode cs sn cs, ers he dean im to e ‘glo tro. Astra pro Kiegiol dee ecm ont ae ‘Sines rashes cen a gy mun daa de dm perros cnn st a Scherer © Marti ree combrame com» cofaae ee de Peon etre de Hedange rnin mar spc (rsh etinds, enerto © lgado Go arama, eo {nes tro, dein teu png arco pert rn vl, ua corre Je perareno materia, Nos de. ,, tits cntanpernos sce amas, oles es moe, nels yroe sr acatecor cane pains See © 1 Campenas sacral cpa on Por que o pensamonto esti despertou, nos imo se los, tanta poles tetrica? 129 Avalice Dutra Pill (Ora) Tgleton arma qpe o interest pela esttica & porque ea fl came raveallade etiiana, 20 mest tempo qus tax ara 28 aitaedoes teens a complexidoe do reundo da vi, porae f= ero dein e vote entre o discurso e 2 pric, revelando comes ae consti’ 0 imaginéra e a percepgso dos homens nas Sins vibes de mand, ‘G que a rele conterpordnea poe em discussbo & 0 prt> prio. sada Ge estlica, a tlantes ene 0 artistico © 0 er Fsteo, em razao da presenca rasa de manfetogies esis ric, Nas marcas do vse, € possvel ver 08 efeitos dos fopedes cultura ‘A expan de ssternas sméllcos keonogricos, a presen dda manene no roticinnd, froueram consigo grandes controwtrs= oe Mao as par a calur, mas especismente param eucego, Em Teygeo dos ncwos meios de comunicarao e a informitica, 2 ee tang etme novos foes, fetuardose OS espacos, Fae eee roy nowns allernstvas curs pare além de esto Tia toro ae cosas reazado pol estitica fenamenolgca, deseurrse um nove rnd no cofidiano, percebexse que vier etingur earather, cna, itera, com bese muma esta Que ‘a como os induosconponiica seus senimentos, 848 52 Tones scene co ea cnselénea poltica que orienta sua vida ‘Ntrvés desta etn, hi uma educacio subjacente sobre 0 ver © ‘D imoginéro heteroaéneo que os obras de arte apreserm poems Saginio mdlhol eoketvo 0 tabslar, 2 configiar Flees athes que podem ser transpostas para o dada, Fepmisiente porque fornecer ila perguntas sobre # me Tho ova de se prticar a interatiadade istica. Poelerd comenta que 2 magineyao sib teve pouce honee, fora da arte, ora rewoar sua veriadeira face 18 ness SRehuagho. © erpiveco dessa clizag30, afima Becheord, fi ter Siests recontuir os proceseosimaginallos com rears el rn Tprnnat & preclso que 0 hornem soo se cO}oco na aS para compreerd fs, i ee, ras para arimaos, dar {he arimo, ume aim afetva. Sugere qe posizmoso eoilane re nian a aigamia da id, faz © anor crescer eset ener iv edaladona das interes humans. Par ee grado ob ae arene de como dele nas acercammos.Eucare sensible € 130 ‘A educa do thar no ensin das ares poder encontar os mos para identifiar«extair das coisas su05 Feder Erecolocar a céncia no seu garde insitumento da flict (dade humana. Antes de expicar, temos que aprender 0. seni IMesma tendo invertdo a lorma ocidental de abordar a magia tho, Bachelad eeparave 0 lmagindro em dos regimes, um diumo Sure noturo. Dizi gue 0 espito centiic (dixro) dovers Tote contra as imagens, ae metaforas, as analogies, uma vez ave (Gas oxen ume forte sedagio. Tronsfere para a fiosofia © 08 Geese trebabo notumne com as imagens, dizendo que 2 possia & Aino melafsice instntanea. Para ele, nas artes plstieas, a mao {ele, a ndo eradora, Ince, sona seus propris sonhos, escepan do Stina da uso, enfrentando os desafios do mundo concteto, Imvodh pela vonlade de poser e pelo poder da vonade, tendo por tinamsemo essencial a maginoga0. ‘Atushnente na Estetice, como carnpo de estos, se recone eo mnmento de conexin deta com ura obra de arte corso ma Efutonclaexteicn urdomentle findedora de outas formas de crpenencia, A edmnirarao requercond;6es de preparecSo que 0 “rtonem 28 do simples contato sensorial, Requercetas aprendiza (gens que possam lranscender estos elementores de apropris See: in ima empaiz, ewotvmento emocional profundo. A tien orienta 0 sentido das praticas e das formulagiesteoress fob oertvio de sentido, dos afetos, ds vinculos, alam das _Jorns e valoraio e senso que o contato com as obras exe ‘Sesalo da Edueagao Esti é fazer com que nate deine de ser urna dsilinn do cucu e se trne algo incorporado & vila Ga sito, que o log burar 0 presenga da ate como uma neces Sidade e um prover, como ugSo ov como prodcSo, porave em ins a ate promone a expenniciacradora do sensbiacho. "Arnage, sje da arte ou da cultura, € um testemurho ano polégice, Por son nature e polo mado como permite interacbes, Pro formas de comunicagdo que podem, nfo, corresponds Prenverieniossimbics, tras incersemiticas entre sje, Coneluio de sentios esignficadoscoltvos. Mas, para cue ea {Tadurn inlores humance, precisa contostuazarse nn vido desses felon, tomar-se mediadora enlre © seu imaginério eo agin Feel com algo incerido na sua clara, na sun vila, E preciso Mee ce tabathe sobre a imagem como um valor e ume forma de 131 ‘Analice Dutra Pill (Ore) conhecimenio, unindo © eogaitivo a0 afetivoe ambos 8s formas vinculares de communhso com a cultura, para que a sensibiidade Otlente um agi eriadare transformador COatual pensamento estitico que ests senda gestado& sube fanclainente intereiscipinar, pols ope na interface ene ate, telucagio e cura, As vias teorias, s ptoposas pedis, 0$ projtes altenatos, bm como inieatine pecs einstiitonas, foo lermulnnd, a pr dos fae, decaf peste ca ‘A conscencla ptca de que preckamos legrar ate, eda «0 © eal, nos faz pereeber que tambirn ¢ yrecso crae uma proposta que priovize as necesslades de nosso povo, que and, pimeiramente, a clases populares que so a maior do contin gente que Kreienta noses excalas ‘O'sujetaenirenta, hej, no cotlano, uma verdad epo pia coolio e da pulsio de ter que fer com o.ohar A economia, trarsfonada em senieraen, foment uma hnetrofia da otra, masacta © imagindio através de contin colonizages ini Em tal contexto, to o que & vise! & potealamente politico, fein, como tontraparte, ua eis © uma ecologa de sl dade. Esta ca plea olhor,eseolher,ceciminer, apronriarse © revilizar imagens que se ajvstem & plaricidade do sujelto, & Phstickade socal, dentro de uma perspectivn de conbecimento sual. A ethicagso do olhar torna:se entao um imperatvo, wma forma de humanicag e de cut, 0 que representa um disposi wo para a eiladanin. Essa edcacao demanda compar ii gees do cotana a stuns estéticos sobre ate e cura, Mas sdemanda, acina de tudo, 0 resgate da arte do fase, que 6, igual mente, uma arte da inter, rama dada matersiendee nun ado campo semantic, “Michal de Certeau, hs irios anos, vem pesquisando 0 que le chama as artes do fore, Para cle, ate € rnancira de fazer, prticas ‘ue revel medos de pensar e sent, inelsoclvels de modos de tusar. Nos ineracbes eotiianas, as aries do fer esta bgadas 8 Sobrevivines, « processos de simbolzagSo, crdrontos com os ppoderes dominantes, modallza;es de comportment, formas de onvivencia, experéncias de fugao e prazer. Diane det grande aimee ce ofertas visual, performtins f expetacuiares na socedade, a escola encontra-se em desvanta 132 ‘A educa do ohar no enting das ores sem, pois os chamados auiares de ensino audiosvals, a comu- ‘icogSo corporal do professor, sua retrica, no conwencem. smundo da escola & um mundo einea, paraco ¢ passvo. As ima gens, na escola, 0 manipuladas como se lossem neuirase no fensias,alem de sarem mal aprovsitads em termos de possi dade edicavo. Néo se prepara o professor para desemperios ‘comunieatvose expressos 20 nivel do desalo do ensino e das cians aus, nose prepara o profess, sobvetielo, para dao 927 com o mundo através de um unveso imaginal. ‘AsrogSes dearte e estéic tradiconalmente pratcadas, quan do no aricuiadas com um projet histrien defiido, proche lum estado de allenarao e projetam a aul no wicuo Eat que ee Insere a pris estetice come posshilidade de recolocagio 80 car po episiemoligico da arte. arbeubdo eam a ttalase conereta| ‘pe define e sustenta 9 estéico como stata estutial e moda ‘e toda eonsnucso hurnana. No estica encontrse 8 posi {ada percaber e pensar sobre til aqua que qualia a exper fn hunana, porque esa qualificagbo & o read ca interac de todas as eapacdades humanas para salogar com 0 Tei. O| mio ambiente, qualficado pela experiineieestitien, deh de ser uma simples materiadade,convertendo-se num potencile diver sticado unvero de rags sigriiativas. Sem a metiagio esta, a relagSo envetwora © prética, ‘conoxio enire os conhecimenios que emenam do fazer artisico © ‘os conhecimentos que emanam do mundo da are, ia desarteula- a, O exerceio pln da cultura exge uma intragio entre est a, 68a e politica, em todos os campos do saber, ‘0 emocionamento primorial Neurobilegistas, como Maturann e Dams, ressltam ain pottincia das emogdes, da sensbiidode, pa resgatar 0 sentido i cultura e das interages, coma dimensées fundamentals para tonstrucaa do canheeiment das intragbes estieas © ios coma vida, Diz Matrana (1996.244), xmas went une: gare Scones, 9 dose all ctamon Se sous 8 run que 8 M0 133 Analee Dutra Pillar Org.) ‘yer naa sper Jl code tas cons pos epi ‘ares depender dc masvor don Bld tae cs Vd lo. ei heroin ta i se a de ae ‘ues sve bs ones envela eocan raom, ee {voir mano uc eth lo tpn ya, ge ‘esol ref oe el moto ur post ane over dl oe. O pensormentoesttco, na verdade, procura formas de ago e telago que encamem esse emocionar dento de uma dem, um cosmos, una esti de sont dinhmica que poseaconkagar a varias feta das imagens que brotam do Pegi humana © qe se nectar estruturalmarte com o mundo imaginal da rea ‘dace do visto, O emocionamento vil tenta sempre relazer sua tmais verdadeia expentnela ontologis, dos olhos nos olbos Esta imagem memorSuel é» metAfora que mals reveao sentanen to vido como reciprocal entee dibs pessoss, Um olhar que susteta outro har & profadamente enwokente, denso, vido ‘como prova de erpatla espa Neste momento, a imagem do ‘outro ede um mesmo se funda na imagem comin gue ambos parthiam. Para olhar 0 mundo com reaprocidade, no enantio, & preciso imaginar que ee tambon nos ofa, © que fem ua alma, ‘que atraws de imagens podemosrelaciopar nos afetvamente, cons ‘iuir parcerias, nteraées infensas com ee. Quand # questo da reciprocidade em nel coetvo torna-se complera, 0 hamem srventa atifiios para elsboragbes sempre “emis mats complexas, de mov a poder ample a recproctin de para formas de comuiaco corn grupos maiores, bem como estender 9 momento do elagdo para formas male duadouras, In ventando para sso libs espaciae, sistemas fquratos que poe ‘Sun superar a elemeridade do instante, do cicunstanetal, ‘Asafa tecnologias da para e da age subtitrari esque a pintua ea iteratua exexcem anteriormente, Grorde parte do reaismo narrative e usual de um certo academseno va 20, hoje, € melhor execulado pela fotografia e 0 cinema. Eles *stabilzam um referente e o organizam segundo um sentido recor "hecivel,repetinda a sintaxe ea léxta.qae oct sua decfacto por um nimere maior de pessoas e mas rapidamente Estas etn tires da imager animes teenicamente mialipicam com mis 134 A etucogte de otha no eneino dao facade os fantasmas da realidad eos efeitos de comunicagio| ‘ue 0 dinamismo do presente requer. ‘Ao contro do que se pensa, os melos tecnicos no so uma. ameaga, nem tum substitute para'a arte e a Iteatura. Coninia Sendo fancio do poeta, do artista desalar esses nowos reios & aproveltar uns potencakidaes, O artista, di Lyotard (1995), ets Sempre repropono a arte de cantare de pina. ‘Na media em que a qiestio ds beeza tanto quanto 0 sent do da arte, hoje, mals qientinea se coloca coma um campo _nioléico e epstereléaic, apresentam para todas as mediagoes lun questionsmento fundamental ~o de penser seriamente no tipo de juzoesttco que podera jusiica a relagao entre beleza, © verde a forma pela qual ela est sondo proposta, ‘Aposuisa artista e esttca no pode mater se arelacs 20 mercado e 2 pola eltral dominant, nem submmeterse sre ras do jogo da cienthidde racional. Exite uma racionaliiae estética, um pensamanto esétlea gle & preeko reconhecer, ree ‘guar, em formas de especiidace, porque ee &,talvez, oso ‘ina garanti cclgien ce mantero mundo em formas de nterac3o| Jumanamenie sustentives. Porque repse sempre ¢ de diferente ‘manera a indagacao erica, o lime do corpo, 0 paradoxo da fintude, da contingénea, do relacional O artista estré sempre & procure de formas que permitam apreender e compreender esse eonhecimento tito que a ovdem dltea do murs the apresenta vwnoer as inersBes que acuta the expe, quondo se mascara de ratueza, de miquina social manejada por controle remoto. O 6 rhecimenio thio surge das interagdes, do corpora apo com a8 Imaléris que permanentemeste desaliam o imaginsria para baa Thas memories, para tensées erSileas © enconttos exraorinros O estético na educagio ‘Assim como ltalo Calne, Paulo Frere (1997) reconece que 2 cau exige um othar dens, inferso, coraloso, podtico, 20 mesma lempo que amoroio, especiaimente quando esse ola & rmullifocade desde um grupo socal. Frere nos ensinou que 0 oar ‘do menino que ht derito de tedos nés nunca pode ser enc, Porque & desde o simples, © popula adversdade, que se pode 135 ‘Avot Dutra ila 05g) \venciaro sentido do humano. © olhar enitesustos pede ret procidates, paes e generosas parcerias soli “Tao grandes transformacées sci clas desafian a r= flexdo extétca, no sentido de pensar a insergbo da arte do ext co neste processo. A presenga de um mundo imeginl se constitu ‘indo ma sociedate, 0 fato deo esttico represenaro vniverso das Smagens cue adjetva qualfativamente tudo © que se apresenta ‘0 olhar cram a demanda de uma eduagSo vel e sua configu ‘0 dentro dos cuneulesescolares como uma fea expecion © fundamental de conhecimente, [Nao ¢ mais possvel pensar muna educagéo para a cid ia, muto menos nume edeagio que aesuna 8 fungao de cons em 9 garantia de wma ediragSe estético val. A ica, as apes co estos, 9 contextunzagSoe Ft ‘ra eteteas dependem da poreepca eta do conse ima Sintra sobre © senido dessa relagia, A posslldade de pensar, ani inter enter por meio de imagens garane a condties estas estruturadoras para se constr lormos de aprendiza 12m. conhecimento, eomunicagdo que sejam itinscas 3 vn gu Talia. As intenengSes soca e culturals demarviam conherimen- to estétco que permite resolver problomatcas relat senso ‘dae, a cratividade, mas denteo de formas de conscncin de ‘2480, gesto, performance que possam produ as transtormagées| fe a huraniade como um todo requ. NBo basta, simplesrren te, saber eitar imagens ou jogaralateramente com formas vis 2s, sem contextuaizstas mum processo mais amp de istildade estetca, oc exige um oar onde o emocionamento estes sem pre presente. Eltar ou vir magens com sentido e fra & rt la, subjacente 9 esse fazer, um pensamento figratio eseencal ‘ae possiia dardhes uma esraturagio, mobilise interna ¢ ex fem, bem como 0 provsionamento de emogses bilza), fim de vinbizarestados de nernfluencag 30. Astiar a forcaemocional da imagem @ uma experiencia que ‘professor pode encontrar, de preferénea, dictamente na igho da arte, mas. quarvlo hs correspondénciag etéioae ere arte © vicla, Sem uma mediagao conscientee cempetente, ern riel de ensibieagso, ra parle do etvendar de arte, 0 dig iio profundo coma ate nip acontece, nem siplanta as formas de Feira mais supers. 136 A eduesto do char no ensno ds ores © papel poltco do professor como urn metiador esti de endo de sua conscincia sobre as questbesfundarnentais que nas ‘artes se raczom como elementos senses. forma, a plastine, as cores, ns textures, as corbinagies que resutan das interacts ‘em uma sigificag3o que se expeime dretamente para o corp 9 sensibiidade, © universe do emaginiro, onde a palawa dice com A magem admires intorcambs, lea reperecie, Ge modo elo «indie, no plane dos valores e das atitudes.Pouco adants, para esse professor, estar infermada sobre essa cu agucla mettle,