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Aiden etal Swart all “Tigi "Tid wig ‘Maaderadty wed ie fui vty Poe Toms Talend i Gaueiva Lars Laue Capa Harti Martine Sune Mall tradi Toe Tin eS (vores treo Red Dew 00 ttp. 29m Istivsrom ue-8 Teuulugio des‘ eatin sf alia Stuart Haw A IDENTIDADE CULTURAL NA POS~MODERNIDADE Tradu¢éo: Tomaz Tadeu da Silva Guacira Lopes Louro 11° edicao 1), Norte/Su! ALBIA editors / ids direitos ettorais dpa (Gakigo Penal, art, Ite $$:1.ei 6.895 de 1712/1980) Catan apmeensderinenizanien (Lei 9.610798, Lei dos Diveitos 4 arts. 111-124 126), Direitos esters 3 DP&A EDITORA Russ Jeaquim Silva, 98,2 andar Lapa 20241-110~ Ito de Janeito ~ BJ — IKASLL lin, (21)2282,1768 Endenego cltrénicn: dpa Gidpa.combr ‘Sto: wget una Improsce no Bese 2006 SUMARIO 1. AeNTIDADE Em QuEsTAG, O7 Trés concepgoes de identidade. O caréter da mudanca no modemidade tardia ‘O que eslé em jogo na questdo das identidades? 2. NASCIMENTO E MORTE DO SUIEITO MODERNO, 23 Descentrando 0 sujeito. 3. AS CULTURAS NACIONAIS COMO COMUNIDADES IMAGINADAS, 47 Norrando a nagéo: uma comunidade imaginade, Desconsiruindo a “cultura nacional”: identidade @ diferanca. 4, Giopauzagio, 67 Compresséo espaco-fempo e identidade. Em diregdo a0 pos-moderno global? 5. O GLOBAL, 0 LOCAL E © RETORNO DA ETNIA, 77 The Rest in the West. A dialética das identidades. 6. FUNDAMENTALISMO, DIASPORA E HIBRIDISMO 91 REFERENCIAS pIBLIOGRAFICAS, 99 1 A IDENTIDADE EM QUESTAO questio da identidade esti sendo extensamente discutida na teoria social. Emesséncia, 0 argumento é o seguinte: as yelhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram © mundo social, esto em declinio, fazendo surgir novas identidades e fragmentando 6 individu modemo, até aqui visto como um sujeito unificado. A assim chamada “crise de jidentidade” & vista como parte de um processo mais amplo de mudanea, que esta deslocando as esiruturas © processos centrais das sociedades modernas ¢ abalando os quadros de referencia _que davam aosindividuos uma ancoragem estivel ‘no mundo social. 0 prupésito deste livro explorer algumas das questies sobre a identidade cultural na modemidade tardia e avaliar se existe wma “crise de identidade”, em que consiste essa crise © em que direeZo ela esté indo. O livre se volta para quesibes como: Que pretendemos dizer com “crise deidemidace”? Que acontecimentos recentes nas __ sociedacles modernas precipitaram essa crise? Que formas ela toma? Quais sao suas conseqiténcias potenciais? A primeira parte do livro (caps. 1-2) 7 ‘Atopumonoe cucuant na rér-woneenioane ‘ida com mudangas nos conceitos de identidade © de sajeito. A segunda parte (caps. 3-6) descnvolve esse argumento com relacilo a identidades culturais— aqueles aspectos de noasas icentidacles que strgem de nosso “pertencimento” a eulturas Eimicas, raciais, lingiisticas, religiosas e, acima de tudo, nacionais. Este livro é escrito a partir de uma posi basicamente simpdtica & thease de ee ‘identidades modernas esto sendo “descentradas™ io deslradas ou fragmentades. Seu propésito € 0 de explorar esta afirmacao, ver implica, quoliietla e diseuur quals podem sen Sas provaveis conseytiducias. Ao desenvolver 0 argumento, intreduzo certas complexidades « cxamino alguns aspectos contraditérios que a nogiia de “descentragio”, em sua forma mais simplificada, desconsidera, Lino eitseaientemente, a8 formulaydes deste iro so provisérias © abertas & coniestago. A opiniao dentro da comunidade sociolégica esta ainda profundamente dividida quanto 1 essos assuntos. As tendéncias sio demasiadamente recentese ambigues. O préprio conceito como qual estamos Tidando, “entidade”,& demasiadamente complexo, muito pouco desenvolvico e muito pouco compreendido na ciéncia social cavtempectnes ed ser definitivamente posto a prova. Como acome com muitos outros fendmenos socials, & im, possivel ofrecer afirmagées conclusivas ou ase Wage hn Arcewnonoe on Questo _seguros sobre as aleyagiies # proposigdes tebricas que sido sendo apresentadas. Deve-se ter isso ‘em mente ao se ler o restante do livro. Para aquelevas tebricosias que acreditam que as identidades modernas esto entrando em colapso, o argumento se desenvolve da seguinte forma. Um tipo diferente de mudaaca estrutural “esti transformando as sociedades modernas no final do século XX. Isso esté fragmentando as ppaisagens culturais cle classe, genera, sexualidade, etnia, raga ¢ nacionalidade, que, no pasado, nos tinham fornecide sélidas localizacdes como individuos soviais. Estas transformagbes estio também mudando nossus identidades. pessoais, abalando aidéia que temos de nés préprios como sujeltos integrados. Esta perda de um “sentido de si” ostivel é chamada, algumas vozes, de deslocamento ou descentracao do sujeito, Esse duplo deslocamento — descentragao dosindividuos tanto de sew lugar no mundo social ¢ cultural quanto de si mesmos ~ constitui uma “crise de identidade” para o individuo. Como observa 0 ertico cultural Kobena Mercer, “a identidade somente se torna uma questo quando esta em crise, quando algo que se supie como fixo, cocrente ¢ estivel € deslocado pela experiéncia da diivida ¢ da incerteza” (Mercer, 1990, p. 43). Bisses processos de mudanea, tomados em conjunto, representam um pro transformegao tao fundamental ¢ alsran rotons cuUURAL na rOr-noDsentnine somos compslides a perguntar se no 6 a prépri ars a pripria amodemidade que estisendo iransformada. Extelers {erescenia una nova dimensto a ese aumento & firmagao de que naquilo que & deserito, algumas ‘Yezes, como nosso mundo péx.moderno, nés aomos também “ps” rolatvamente a qualquer concepeo essoncialista ou fina deidentidade — algo que, desde © Tuinismo, se supe definir © proprio nicleo ou ia de nosso ser ¢ Fundam entar: ii d c farulamentar nossa exish como sujetos humans. A fim de employ care alitmacdo, devo examinar primeiramente as ier do ideniidade ¢ o carder da mudaniga na modernidade tardia, Trés concepeées de identidade _ Para os propésitos desta exposizzo, distinguivei és concepgdes muito diferentes de ‘lontidade, a saber, aseoncepbes do identidale 4) sujeito do Tani ©) sujeito pis-mederno, © sujeito do Muminismo estava baseado numa concepgia da pessoa humana como um individuo totalmente centrado, unificada, dotado das eapacidades de razao, de conscignciae de aga, cujo “centro” consistia num niieleo interior, que emergiu pela primeira vez quando o sujeito nasein 10 A roenoa06 on OUEST com ele se desenvalvia, ainda que permanecendo ‘essencialmente o mesino ~ continuo ou “idntico” ele — 20 longo da existéncia do individuo. O centro ‘essencial do cu cra a identidade: de uma pessoa. Direi mais sobre isto em seguida, mas pode-se ver _que essa cra uma concepedio muito “individualista” “do sujcito c de sua identidade (na vordade, a lentidacle dele: ja que o sujeito do Tluminismo era ‘usualmente descrito como masculino). A nogiio de sujeito sociolégico refletia a erescente complexidade do mundo moderno ¢ a -consciéncia dle que este niicleo interior do sujeito nfo eraautinomo eaulo-suficiento, mas era formado nna relagtio com “outras pessoas importantes para “ele”, que meciiavam parao sujeito os valores, sentidos “e smbolos — a cultura ~ dos mundos que eleicla habitava. GLL Mead, C.11, Cooley eos interacionistas simbélicos so as figuras-chave na sociologia que elaboraram esta concepgiio “interativa” da ‘identidade ¢ do eu. De acordo com essa visdo, que se lornow a concepcSo socioléaicacissica da questo, a identidade ¢ formada na “interac30” entre o eu € a sociedade. O sujeito ainda tm um micleo ow esséncia interior que ¢ 0 “ou real”, mas este & formado e modificado num dialogo continuo com os ‘mundos culturais “exteriores” e as identidades que “esses mundos oferevem. A identidade, nessa concepetlo sociologica, _ preenche o espago entre o “interior” ¢ o “exterior”— “entre o mundo pessoal ¢ 0 mundo piblico. 0 feto u ‘Aloeinen0e cUvuEAL Na rox-oceamoase de que projetamos a “nés Proprios” nessas identidades culturais, a0 mesmo tempo que intemalizamos seus si ficacos @ valores, tornando- 05 “parte de nés”, contribui para alinhar nesses sentimentas subjetives com os lugares chjetvostyte coupainios no mundo social e cultural. A identidude, entio, costura (ou, para usar mma mnetafora médica, “sutura”) o sujeito & estratura. Kstabiliza tanto os Sujeitos quanto os mundos cullurais que eles habitam, tornando ambes reciprocamonte mais unificados e prediztveis, Atgumenta-se, entreianto, que sdo exatamente ossas cols que agora esto “tnuclanclo”. Osujeito, Previamente vivido como tendo uma identidade unificada © estavel, est se tomando fragmentado; vomposte néo de uma dnica, mus de varias i les, ulpumas veves contraditérias ou nio- resolvidas. Comespondentemente, as identiddes, ue compunham as paisagens sociais “Id fora” © que asseguravam nossu conformidude subjetiva com as “necessidades” objetivas da culture, esto entrando em eolapso, como resultado de mudancas estiuturais ¢ institueionais. O peépiio Processo de identificacao, através di qual nos Prujelamos em nossas identidades cullurais, tornou-se mais provisrio, varidvel ¢ problematico. Esso proresso preduzo sujeitn pés-moerno, conceptualizada como néo tencio uma idemticlade fixa, essoncial ou permanente. A identidade 12 Arwemonse ox auerio -se uma “celebragio mével”: formada Frsformada calinunmente cn lag i ors quais somos represeiitadlos ou interpelados 1 " jstemas cultursis que: nos receiam (Hall, 1987). finida historicamente, ¢ nto print i ¢ identidades diferentes em dliferer edor de um “cu” coerente. Dentro de nbs hit identidades conteuditsrias, empurranlo cm diferentes iregBes, de tal muwlo que nossas edentifieages esto _sendo continuamente deslocadas. Se sentimos que temos uma ental ufeada desde orice hlGa morte é apenss porque construfmos uma tee “estéria sobre nds mesmos ou uma conforiadora “parrativa do eu” (veja Hall, 1990), A ideniidade -plenumente unificuda, completa, sogura ecourente & ‘uma fantasia. Ao invés disso, & medida em que os "sistemas de significagio ¢ representaco cultural se. n; somos confrontados por uma -multiplicidade desconcertante € vambiante de jdentidades possiveis, com cada uma das quais Bones nos identificar ~ av menos jporariamente, Deveese ter em mente que as trés goncepsdes de sujeito-acima sie, em alguma inedida, simplificagdes. No desenvolvimento do Argumento, elis se tornardo mais complexas qualificadas. Nao obstante, elas se prestam como de apoio para desenvolver 0 argumento Feral eater 13 Arwtrrionot eurusa. na res-mootsanaot O cardter da muda modernidade tardig Um outro as : specto desta questa ‘densidad esti rluionado ao cater da macs 2amedernidade tard; em particular, proceso le mudanga conhecido como “plobalizugdu” eee, acto subre a identidade cultural, a . mudanga na i nt medernidade tardia tem um cariter mune * disse sobre a madernidade: soterreae mine Soon pee ach code neck caer 90 stl sedesnanclaio ar. (Maro Fal, As soviedades moder as la definicdo, sociedades do mudancy caer “éplla © permanente, Hsta &x principal distiny gntre as soviedades “tradicionais” ¢ xe modernas”, Anthony Giddens argumenta quer ‘as seciedades tracicionsis, opaysada & yencradlo os simbolos sao ralorizads porque cantém ¢ Gerpetuam a experiéncia de perayses. A wadigie a nelo de lidar com o tempo @ » expoyo, ido qualquer atividade on experitners particular na continuidace do passailo, presente nte, ” A tomoaue ww avest#o por sna ver, so estrataratdos reeorrentes (Giddens, 1990, fe ature 08 a A modernidade, em contrasts, nio & lefinida apenascomo a experiéncia de convivéncia a mudanga ripida, abrangente © continua, ‘mas é uma forma altamente reflexiva de vida, na qual: a8 prices sociais so canstantemente examrinadas reformadas & tue das informagaes reeehidas sobre aguclas préprias praticas. clterando, assim, constitutivamente, seu cardter(ibid., pp. 37-8) Giddens cita, em particular, 0 ritmo e 0 aleance da mudanga ~ A medida om que éreas iferentes do globo so postas em interconexzo “uumas com 28 outras, ondas de transformagzo social fingem virtualmento toda a superficie da terra” — € anatureza das instituigdes modernas (Giddens, 1990, p. 6). Fssas diltimas ou sao radicalmente novus, em comparacio com as sociedudes tradicionais (por exemplo, o estaco-nacao ow a ‘mercantilizagao de produtos ¢ o trabalho assalariado), ou (@m uma enganosa continuidade ‘com as formas anteriores (por exemplo, a cidade), mas sio organizadas em torno de principios bastante: diferentes. Mais importantes sfio as transformagdes do tempo e do espago e o que ele chama de “desulojamento do sistema social” - a “extraciio” das relagéies sociais dos contexto: locals de interacio ¢ sua reestraturagaa a0 longo de 15 A tobsnonoe cuuentna r5-Mostsnanane escalas indefinidas de espago-tempo” (ib 21). Veremos todos esses temas mi ee Entretanto, o pomto i Entei, one sl gae gostaria de enfatizar inédita, de todos os fipos tradicionais de ‘ew social, Tanto om extensi nee 0 2 maioria das mud: aracteristicas don periods ameriorea, No face fetes cl seram paras Cae reonexdo social que cubrem 0 globerg fermos de intensidade, elas lteraramyalyumus ns eatactenstces mais intinas: pessoaisde mee coisa etidiana (Giddens, 2900, ps 21). rovesso semim de rupluras © frigmemaggoe Internas no sea puéprio erin” (1969, p19) Ernest Laclau (1990) usa 0 concoito de jieslocamento”. Uma esiriura deslocada € inela eujo centro € deslocado, nko send substitu por outo, mas por “uma plurals de-centros de poder", As sociedad modernay menta lau, ndo (8 nenhum principio lets ak ap Snleo 6 nav se desemolvem de acorto. com obramento de uma anica “causa” ou “lei”, 16 ee Atoemoaae eu cusstio iciedade no 6, como os socidlogos pensaram -vezes, tn todo unificado e hem delimitado, it totalidade, produzindo-se através de yudangas evolucionarias a partir de si mesma, 10 o desenvolvimento de uma flor a partir de bulbo, Ela esté constantemente sendo lescentrada” ou deslocada por forgas fora de si esa. ‘As sociedades da modernidade tardia, gumenta cle, se caracterizadas pela Adiforenga”; elas so atravessadas por diferentes, ¢ antagonismos sociais que produzem uma ‘yariedade de diferentes “posigdes de sujeito” “isto 6, idontidades — para os individuos, Se tais -sociedades nao se desintegram totalmente nao é porque elas sio unificadas, mas porque seus diferentes clementos ¢ identidades porlem, sob certas cirounsténcias, ser conjumtamente articulados. Mas essa articulaco & sempre parcial: a estrutura da identidade pormanece aberta. Sem isso, argumenta Laclau, no haveria nenhuma historia. Esta é uma concepedo de identidade muito diferente c muito mais perturbadora provieéria doque as duas anteriores. Entretanto, argument Laclau, isso n&o deveria nos desencorsjar: 0 deslocamento tom caracteristicas positivas. Ble desarticula as identidades estiveis do passado, mas também ubre a possibilidade de novas 7 ‘Atornrionos curses. na 188-mopmunane a agen # erlagio de nova identidades, Predluetio de noves sujeites co que ele chana ile cmpesigéa da estrstura em iorno de pontos hnodais purticulares dle articulagao”, feaeere culares dearticalacdo” (Laclau, 1990, Giddens, Harvey lens, Harvey e Lavclau oferecen leit um tanto diferentes ds naturess da meelog mundo pés-moderno, aa descontinuicade, ado mas suas énfases na ha hagmentagéo, na ruplura ¢ Tinka comun, mpacto da mudan iporfinen conhecida Iga contemy como “globalizagan”. © que esté em 1 jogo na questo las identidades? ‘hieons abatra g ftU! 0 argumentos parceom bastante fame ae dar alguma idéia de como eles aplicam a uma sitiagto conersta ete gan ne ‘em jogo” nessas eontesia tiittee 4 identidedo e mudanga, rere entice: He que ilustra as fragnentagio ou Em a va! 190 ene Dresiente american, eso por restaurar uma ior conservadora na Suprema Corte americnns encaminhou a indicagiio de Clarence Thomar um juiz negro de visies politicas eames . 18 Atonrmonocem questi julgamento de Bush, 08 eleitores brancos (que preconesilos em relacdo a um juiz clnente apoiaram Thomas porque de 8 eleitores negros (que as liberais em questoes de raga) 1as porque ele era negro. Em 0 presidente estava “jogando 0 jogo das lenticlades”. Durante’as “audiéneias” em torno da indicagio, no Sendo, o juiz'Thomas foi acusado de assédio sexual por uma mulher negra, Anita “Hill, uma ex-colega de Thomas. As aud cauearam um esodndalo piblico & polarizara sociedade americana. Alguns negtos zpoiaram Thomas, bascados na questio da raga; outros se opuseran a ele, tomando como base a questo sexual. As mulheres negras estavam divi dependendo de qual identidade prevalecia: sua identidade como negra ou sun identidade como mulher. Os homens negros também estavam dividides, dependendo de qual {ator prevaleeia: seu scaismo ou sett liberalismo. Os homens braneos estavam divididos, dependendo, nao apenas de sua politica, mas da forma come eles se identificavam com respeito ao racieme © a0 sexismo, Ax mulheres conservadoras brancas apoiayaen Thomas, nio apenas com base em sua inclinagie politica, mas também por causa de sun opesicdo ao feminismo. As feministas brancas, W Avmtnrogoe cULUeAL Na 13-nopemioaDe que freqiientemente tinham posicdes mais Prosressistas na questo da niga, se opunhom Thomas tendo como hase a questa seal Eos Yer que o juiz Thomas era un meinbio da’ elite desc c Anita Hil, Gpocado legals ieilente, una fanciondra subaltema,estavain ernjogm essen ‘mgumentos, umbém questies de chasesocinl, AA questo da culpa ou da inocéncia do juin Homas nifo estd em discussio aquis o que cota em discussdo é 0 “Jono de identidades’ conseqiléncias politicas. Considere soguinies elementos: * Asidentidades cram contraditérias, Elasse cnvzayem ou se “deslocavam” mutuamente, + As contradigées aluavam tanto fora, na Sociedade, atravessando grupos politices estabelecidos, quanto “dentro” di cabega de cada individ * Nenluma identidade singular — por exemple, de classe social — podia alinhee lodas as diferentes identidades com ina jidentidadle mestea” Gnica, abrangente, pa qual se pudesse, cle forma segura, basear uma politica. As pessous ne eniificam mais scus interesses sociais exclusivamente ¢m termos de elasses ¢ classe nao pode servir como um dispesitive discursivo ou uma categoria mobilizadore através da qual todes os variados intcvexses todas as variedos e suas MOS os 20 ‘Aioeenoancem questi identidades das pessoas possam ser conciliadas ¢ representadas, : De formacreseente pases paitcns . 7 mundo modeme siio fraturadas dessa forma por identificagdes Seale te antes ~ advindas, especialmente, epee da “identidade mestra” da classe c da emergéncia de set idades, pertencentes 2 nova base ca definida pelos novos movimentos jis: 0 feminismo, as lutas negras, os mentos de libertaglo nacional, os ntos antinucleares ¢ ecoldgicos ferver, 1990). ie |uea identdade muda de aoarde com a forma como o sujeito é interpelad : ow representado, a identificagzo nao automatica, mas pode ee ganhits ou perdida. Ela tormowse politizada. Ess iocease €, as vezes, descrito como constituindo uma mudanga de snail iss de identidade (de classe) para uma pé de diferenca Posso agora esquematizar, de forma breve, estante do ivr, Em primeiro Tugar, vow como o canes deena mudou do core Tigado a0 sujeito do Pier pore ts one ‘iglégicn ¢, depois, para o do sujei ae Em rape © livro exploraré aquele 2 22 A voriosot cutusas a rOe-mooemnane aspecto da identidade cultural m a moderna que & ona através do pertencimento a mah GES facional e coma os processos de mudanga ~ uma mudanga que efotua um deslocamento compreen-didos no conceito de *; , am eee cw conecite de ‘globalizagao NASCIMENTO E MORTE DO SUJEITO MODERNO este capitulo farei um eshogo da descrigio, J \ J iciteporalauns tedricos comtemporaneos, das prineipais mudangas na forma pela i conceptnalizados no pensamento moderno. Meu objetivo & tacar 0s estdgios através dos quais uma versio particular do “eujeito humano” — com certas vapacidades hhumanas fixas e um sentimento estivel de sua propria identidade e lugar na ordem das coisas ~ emergiu peli pri vex na idade moderna; como cle se tornou “centrado”, nos discursos € ‘praticas que moldaram as sociedades modemas; como adquiriu uma definigto mais sociolbgiea ou interativa; e como ele esti sendo “clescentrado” na modernidade tardia. 0 foco principal deste capitulo 6 conceitual, centrande-se em cancepeaes mutanies do sujcito humane, visto como uma figura discursiva, euja forma unificada ¢ identidade racional eram pressupostes tanto pelos discursos do pensamento modemo quanto pelos processos que moldaram a modernidade, sondo: Ihes essenciais. 23 Arpueoane cua Naris-nooesunaot Teniar mapear a historia da nogda desujeito moderno & um exercicio extremaments dilfell. A idéia de que as identidades cram plenamonte unificadas e enerentes © que agora se tornaram totalmente deslocadas & uma forma altamente simplista de contar a estéria do sujeito moderne, Bua adoto aqui como um dispositiva que tems propOsio exclusive de uma exposigdio conveniente, Mesmo aqueles que subscrevem inteiramente 4 nocio de um descentramento da identidade nao 4 sustentariam nessa forma simolificada, Deverse ter essa qualificagio em mente ao ler este eapitul, Entetento, esta formuluedo simples tem Hantagem de me possbilitar (no breve espaco deste Tivro) eshogar um quacko eprosimado de come, de acordo com os proponenies da visho de deseentramento, a conceptualizagio do sujeito moderno mudou em srés pontos estratégicos, durante 2 modernidade. Exsas mudangas sublinham a afirmagio basica de que as conceptualizaedes do sujeito mudam e, portanto, tem uma histéria. Uma vez que o sujeito moderne gmergiu num momento particular (sou _pascimento") ¢ tem uma histna, segue-se que ele também pode mudar e, de fato, sob coves rounstincias, podemos mesmo contemplar sus “morte”, igors um lugar-comum dizer que a época moderna fez surgir uma forma nova e decisiva de individualism, uw» centro da qual erigit-se uma 24 [Nascaientos Nom bo Uren MODERN ova concepgie do sujcite individual ¢ sua identi ignil s tempos pré- iddentidade. Isto ndo significa quenos 3 modernos as pessoas nfo eram individues mas que a individualidade era tanto “vivida™ quanto “conceptualizada” de forma diferente, As transformacdes associades 4 modernidade eo ian doen applon eden ic 2 acreditava que ‘radigoes nas estruturas. Antes se aered essas cram divinamente estabelecidas: nao estavam sujeitas, portanto, a mudangas fundamentais. O status, a clasiicagio ¢ aposigio de uma pessoa na “grande cadeia do ser” — a ordem secular ¢ divina das coisas ~ predominavam sobre qualquer sentimento de que a pessoa fosse um individuo soberano. Q nascimento do “individuo soberano”, entre o Humanismo Renascentista do séeulo XVI e o Tuminismo do século XVI, representou uma ruptura importante com pessado. Alguns argumentam que ele foi 0 motor que eolovou tedo 0 sistema social da *modernidade” em movimento. Raymond Williams observa que a histiria moderna do sujeito individual reine dois significados distitos: por um lado, o eujeto & “indivisivel” ~ uma entidade que & unificada no seu proprio interior e nao pode ser dividida além Sa cas Nal ete de ois istintiva, tinica” (veja Williams, © é “singular, distntiva, inion” (veja Wi $976: pp. 138-5: verbete “individual”). Muitos movimentos importantes no pensamenlo © na 25 COS contro vo estutes Socata ‘Atoevronorcurueat ns 93¢-uopemeoAoe cultura ocidentais coniribuiram para a emergéneia dessa nova concepgio: a Reforma eo Protestantismo, que libertaram a consei@ncin individual das insituigdes religiosas cla Tgncja v a expuseram diretamente aos olhos de Deus. o Humanismo Renascentista, que colocou o Homem (ic) no centro do universo: as revolucoes cientiicas, que couferiram ao Homem a facaldade os capacidades para inquirir, investigar e decifrar os mistérios da Natureza; 0 Huminismo, centrado na imagem do omem racional, cientifico, Tibertado do dogma e da intolerdincia, ¢ diante do qual se estendlia a totalidade la hiséxia humana, ara ser compreendida ¢ dominada. Grande parte da historia da filosofia ecidental consiste de reflexdes ou refinamentos dessa concepeio «la sujeito, seus poceres e sss capacidades. Uma figura importante, que deu a essa concepedo sua formulacao priméria, foi @ filésofo francés Rend Descartes (1596-1650). Algumas vezes visto como o ‘pai da Filosofia moderna", Descartes foi um matematico o ientista, o fundador da geometria analitica e da ica, ¢ (oi profundamente influenciado pela “nova sienela” do séaulo XVI. le foi atingido pela profanda divide que se seguin ao deslocamonte de Dens do centro do universo, Ho Sato de que ¢ sujeito moderno “nascen” no meio da divida ¢ do ceticismo metaticico nos faz lembrar que ele ‘nunea fo\estabelecido e unificado como essa Sarma 26 erové-lo parece sugerir (veja Forester, Best Deane: scron cs casas com Deus so torné-lo o Primeiro Movimentador de toda criug dai em diante, ele explicou o resto do mundo material inteiramente em termos mecanicus © ‘matematicos. Deseartes postulou duas substancias dinsnts ~ a subeténca capil (aii) 0 « substinsia pensane (ment). Ele refealizon, asim, aquele grande dualisno entre a “mente a “matéria” que tem alligido « Filosofa desde ontéo. As coisas devem ser explicadas, ele scrediara, por uma reducao aos seus elementos esserician’ d quantidade maim de elementos e, em iltima anlise, aos seus clementos irredutiveis. No ceniro da “mente” ele eolocou o sujeito individual, constituido por sua capacidade para raciocinar € pensar. “Cogito, ergo sum” era a palavra de ordem de Descartes: “Penso, logo existo” (énfase minha). Desde entdo, esta concepsao do sujeito racional, pensante ¢ consciente, situado no centro do conhecimento, tem sido conhecida como o “sujeito cartesiano Outra contribuigao erttica foi feita por John Locke, o qual, em seur Ensaio sobre a compreensav humana, definia 0 individuo em termos da “mesmidade (sameness) de um ser racional” — isto 6, uma identidade que permanecia a mesma e que era continua com seu sujeito: “a ientidade dla pessoa aleanga a cxata extensio em que sua 27 ‘A opinoane cums naPas-woneRonase cin pode ir para tris, para qualquer ago Su Pensamento passado” (Locke, 1967, pp. 212 213). Esta figara (ou dispositive conceitual) ~ 9 “individuo soberano” — esid inseriia em cada umn dos processos ¢ priticas centrais que fizerain mundo moderno, Ele (sic) cra 0 “sujoito” da modemidade em dois sentidos: a origem ou “sujeito” da razio, do conhecimenio ¢ da pratica; © aquele que sofria as conseqiléncias dessas Préticas — aquele que estava “sujeitado” a elas Weja Foucault, 1986 ¢ também Penguin Dictionary of Suciology: verhete “subject”, Algumas pessoas tém questionada so 0 capitalismo realmente exigia uma coneepeio de individuo soberano desse tipo (Abercrombie et alli, 1986). Entrewnto, a emergéncia de uma concepcio mais individualista do eujeito & amplamente aceita. Raymond Williams sintetizou essa imersdio do sujeito modern nas priticas ¢ Aiscursos da modernidade na seguinte passagen: A emergtacia de nocdes de inditidualidad, ne sentido mederno, pede serrelaciemada 30 celapso i orem social, econtnien e religisa medieval. No movimento geral cortra o feulalismo houve tums ova fnfase na exls\encia pessoal da homem, arimae além de seu lugar e san funeso nama sida sociedace hierérquiea, House una énfase similar, no Protestamisino, na relagio direta ¢ individual do homer com Deus, em oposighs evta relagio modiada pela Tgneja. Mas fol sh an Fal dy séeulo XVI € no século XVIII que urn 28 [NascanenTo€ NORTE 90 SUIETO MODERNO svi ndadetliee, na Liga ona Motomstion, postion a ineutidade maior (ef. 1s Sone etn yr a ag calegorias (especialmente eategarias coletivas) sen terterianddlioearanses partn Bh Luminisme seguiu principalmente este modelo. € tigen comes com ti ee Wigan wos uek ond Glarus trai, como en bes, por ene Ww consentimento, on pela aova versdo da lei saieah, mb peptamciae lbargl Na ‘eo ssca,o conércio er deserito wrasés de win ue que supunka individuos separados que imei prope dco len Je partic entrar cm rags evonieas Me oc ibetesa Ne ston atliats inlegise sepnidoscalelavan as coneqiéncas desta ov Gequela esd ite cles pdortam emp (Williams, 1976, pp.135-6), i i éeulo XVII, Ainda era possivel, no sécule imaginar os grandes procestos da vida moderna © cn sstando centrados no. indivicluo “sujeito-da- 0", Mus A medida em que as sociedades Iodernas se trmavam mis complesas, elas i is coletiva © social. As adquiriam uma forma mais ° teorias clissicns liberais de govemo, bascadas nos direitos € consentimento individuais, foram obrigades a dar conta das estruturas do ‘estado- nagio ¢ das grandes massus que fuze uma cmocracia modema. As|eis eissieas da econo politiea, da pmpriedade, do contrato eda troca tina dealunr depois da industrializaggo, entre as grandes 29 AIDINTDADE CUTURAL NAPOS-noDEROACE Formugoes de elusse do capitalismo moderno. Ocmpreencledor individacl du Riqueca das ‘aches de Adain Smith oumesino 20 cupital de Nave fo lo nos eonglomerados empresa economia moderna. O eidudia individual torneen, S¢ entedido nas maquinarias huroerdticas administrativas do estado modemo. Emergiu, entio, riais da tna concepgao maissoeial ‘lo sujeito, © individuo passou a ser visto como mais localizado ¢ “definido” no interior deasas sandes estruturas e formagdes sustentadoras de seciedade moderna. Dois importantes eventos contribufram para articular (im conjunto, amplo de fundamenios conceptuais para modemo. O primeity foi a biologia darwi Sujeito humano foi *biolagizide” — a tava ‘uma base na Natureza e a mente um “fi 40 desenvolvimento fis ndamento” cw do cérebro human, O segundo evento foi o sungimento ciéneias sociais, Entretante, as tr ransform: isso pis om acai foram desiguais: + Oindividuo soberano”, com ss sums (dele) vontedes, necessidades, desejos ¢ interesses, permaneoeu a figura central lanto nos discmsos da economia moderna quanto nos da lei moderna. O dualism tipico do pensiamente cartesiano foiinstitucionalizaclo nu divisio das ciéneine sociais entre a psicolagia o a» untae ages que 30 tii area Drocessos ments mouse o objeto d estudo especial e privilegiado da psicologia. A sociologia, entretanto, fornecou fee erica do “neviduaiomo ricona sje eartesano, Leealizu o individuo em processes de grupo © nas norm San eee @ qualquer contrato entre sujeitos inclividuais, Em consequéncia, desenvelveu uma explieagto altemativa do modo como 03 individuos sio formadlos subjetivamente através de sua participagdie em relagBes sociais mais amplas: e, inversamente, do modo como os processos ¢ as estruluras sio sustentados pelos payéis que os incividuos neles desempenham. Essa “intemalizacio” do exterior no sujeita, ¢ essa “externalizacdo” do interior, dla ago no mundo social (como diseu antes), eanstinem a deseo ssiolgics peeae aes Oa Cp fat abrrido ass G, H Mead! 6 osintraionstessimbolios alae visio radicalmente interat iva deste pedoesra, A integral do individ ms sociedade nha sido uma preseupag de Jongs dala da sociologia. ‘Tedricos como Citic andan peolmeteae eons a1 Altberoxo# CULTURAL Ws Y6s-nooeaonDE 40 modo como o “eu” é apresentado em diferentes situagdes sociais, e como os conflites entre estes diferentes. paptis sotiais so negociados. Em um nivel mais macrossoriolégice, Parsons estudou o ‘ajuste” ou complementaridade entre *o eu” osistema social. Néo obstante. criticos alegariam que a sociologia convencional mantivera algo do duslismo de Descartes, especialmente em sua tendéncia para construir o problema como uma relacio entre duas entidades gonectudas mas separadas: aqui, o individuo e a sociedado”, __ Este modelo sociclagico intorativo, sacred estivel entre “interior” ¢ “exterior”, + em grande parte, um pro rimeira molade do séelo XX, unde wee assumem sua forma disciplinar atwal. Entrotante, exalamente no mesmo perfodo, um quadro mais Perturbade © perturbador do sujeito ¢ da identidade estava comegando a emergir dos ‘movimentos estéticos ¢ inteloctucis associaelo com © surgimento do Modernismo, com sust Encontramos, aqui, a fi i ; * aqui, a figura do indivi isolado, exilado ou alienado, colocado ae Fanovde fundo da multidio ou da metrépole anGnima e impessoal. Excmplos disso incluem a 32 Nascuivro Eom 90 sustt@ MODIINO ora deseriyiio do pocta Baudelaire cm “Pintor da vida modema”, que ergue sua casa “no corago ‘tinico da multidio, em meio ao ir e vir dos movimentos, cm meio ao fugidio & ao infinit que “se torna um tnico corpo com a multidao”, entra na multido “como se fosse um imenso reservatério de energin elétrien”; o laneur (ou 0 vagabundo), que vagueia entre as novas arearlas: das Iojas, observando o passageiro espeticulo da metrépole, que Walter Benjamin celebrou no seu ensaio sobre a Paris de Baudelaire, ¢ cuja contrapartida na modernidade tardia é, provavelmente, o turista (ef. Urry, 1990); “K", a vitima anénima, conftontado por uma burocracia sem rosto, na novela de Kafka, O Processo; ¢ aquela lego dle figuras alienadas da literatura e da eritica social do séeulo XX que visavam representar a igneia singular da modernidade. Vari dessas “inslancias exemplares da modernidade”, como as chama Frisby, povoam as piiginas dos principals teéricas sociais de virada do século, como George Simmel, Alfred Schutz e Siegfried Kracauer (lados os quais tentaram captirar as caracteristicas essenciais da modemidade em ensaios famosos, tais como The Stranger ou Outsider) (veja Frisby, 1985, p.109). Estas imagons mostraram-se proféticas do que itia acontecer ao sujeito cartesiano € ao sujeito sociolégico na modemidade tardia. 33 ALbomnA0e cumin ta noe-nooeuwonoe Descentrando 0 sujeito Aquelas pessoas que sustentam que as identidades modemas esto sendo fragmentadas Argumentam que que acontecen a concepeao do sujeito moderno, na modemidude tar foi simplesmente sua desagregitao, mus seu deslocamento, Klas descrevem esse deslocamento através de uma série de rupturas nos discursos do conhecimento moderno. Nesta segio, furci um rapido esboco de cinco grandes avancos na tearia social e nas ciéncias humanas ocorrides no Pensamento, no periodo da modornidade tardin (a segunda metade do séeulo XX), ou quo sobre cle tiveram seu principal impacto, e cujo maier efcito, argumenta-se, foi o descentramento final do sujeito cartesiano. A primeira descentracaa importante refere- as wadigoes do pensamento marxisia. Os esoritos de Marx portoncem, naturalmente, as séeulo XIX € no a0 séewlo XX, Mas um dos odes pelos quais seu trabalho foi redescoherte ¢ reinterprotado na década de sessenta foi 4 luz da sua alirmagto de que os “homens (sic) fazen a hist6ria, mas apenas sob as condigSes que lhes sio dadas”. Seus novos intézpretes leram isso no sentido de que os individues nto poderiam de nenhuma forma ser os “autores” ou os ayentes da histdria, uma vez que oles podiam agit apenas com base em condiges histéricas eriadas por 34 ee Nascimento E NORTE 90 SURITO NOSERNO ‘outros ¢ sob as quuis elos nasceram, ae of recursos materiais e de cultura que thes foram fomecidos por geragbes anteriores, Eles argumentavam que o marxismo, corretumerto ententido,desloeara qualquer nogio de agéncia individual. O estruturlists marssta Louis Althusser (1918-1989) (ver Penguin Dictionary of Soilogy: verbo “Althaees”) afiman que, a colca as elasbessoiis (todos deproduso, exploragto da forga de wabalho, os circuits do capital) e ato uma nogdo sbstrata de homem no centro de seu sista tdrco, Marx deslocou duas proposigdes-chave da filosofia jema: ra ruins exdncl urea hhomem; + que essa esséncia & 0 atributo de “cada individuo singular”, o qual ¢ sew sujeito real: ass dos posts so complementnes © inde Ms sues ©sua uid jvitar a esséncia do Sr Haro !acnganico de pestleos, Ele expaion ta calegonas esdfews de suo do enplsn, ‘a esecia ideal, de twdos os dominios em au clos Gham reinado de forma suprema. Nao apenas da economia poliea(eeiedo do mito do homo economicns, ino & do individvo, com Tua ees rida, end Ja ccna eldsieay, nf apna ea Mantas nd spams sda ea (jag da 35 ‘A opsmenoe cutunns Nas MODERMOADE ‘ca kantiana}; mas também da prépria osetia tlie, 1966p. 200) Ms om Essa “revolugdo tedrica total” fei, 6 ébvio, fortemente contostada por muitos tebricos humanistas que dio maiur peso, na explicaczo histérica, a agéneia humana. Nio precisamos diseutir aqui se Althusser cstava total ou parcialmente certo, ou inteiramente errado. 0 fato € que, embora sew trabalho tenha sido amplamonte criticado, sou “anti-humanismo teérico” (isto ¢, um modo de pensar oposto as teorias que derivam seu racioefnio de alguma nogio ile essGncia universal de Homem, slojada em cada sujeito individual) teve um impacto onsierdvel sobre muitos ramos do pensamento modderno. O segundo dos grandes “descentramentos” no pensamento ocidenial do séeulo XX vem da descoberta do inconsciente por Freud. A teria de Freud de que nossus identidades, nossa sexualidade ¢ a estrutura de nossos desojes s80 formadas com hase em pracessos. psiquicos ¢ simbélicos do inconscienie, que funciona de acordo com uma “légics” muito diferente daguela da Razio, arrasa com o conceilo do sujeito cognoscente c racional provido de uma identidade fixae unificada ~ 0 “penso, logo exis”, do sujeito de Descartes. Fste aspecto do trabalho de Freud tem tidy também um profundo impacto sobre o pensamento mederno nas tas fltimas décadas, 36 [Nascent moxre 09 suntro maoEENO A Teitura que pensadores ps Jacques Lucan, fazem de Freud é que a do eu comointeiro eunificado é alzo que a crianga aprende apenas gradualmente, parcialmente, © com grande dificuldade. Ela nao se desenvolve naturalmente a partir do interior do micleo do serda crianga, mas ¢ formada em relagio com os ‘outros; especialmente nas complexas negoci psiquicas inconscientes, na primeira infancia, entre a crianga ¢ as poderosas fantasias que ela tem de suas figuras paternas e maternas, Naquilo que Lacan chama de “fase do espelho”, a erianca que nao est ainda coordenada ¢ nso possui qqalqiter autosimagem como uma pessoa “inteira”, se ¥6 ou se “imagina” a si propria refletida - seja Literalmente, no espelho, soja figurativamente, tio “ospelho” do ollir do outro ~ como uma “pessoa inteira” (Lacan, 1977). (Alias, Althusser tomou essa metdfora emprestada de Lacan, ao tentar descrever a operagio da ideologia). Isto esté proximo, de certa forma, da concepeio do “espelho”, de Mead ¢ Cocley, do eu interativa; exceto que para eles a socializaeiio é uma questo de aprendizagem conseiente, enquanto que para Freud, a subjetividade é o produto de processos psiquicos inconscientes. A formagiia do eu no “olliar” do Outro, de acordo com Lacan, inicia a relacio da erianga com 03 sistemas simbdlicos fora dela mesma e 6, assim, 0 momento da sua entrada nos varivs a7 Albemnaoe comuiat narse-nopemeoae sisters de representaezo simbliea —ineluindo a lingua, a cultura eu diferenga cexual, Os sentimentos contraditérios e nio-resolvidos que acompanham essa dificil entrada (o sontmern, dividido entre amor © ddio pelo pad, o conting entre odescjo de agradar eo impulso para jeline 2 inde, a diviséo do ew entre suas partes "hoa? n wna", a negacao de sua parte masculine on fominina, ¢ assim por diante), que sto aspecios. chave da “formagio inconseionte do sujute” 2 que deisam o sujeto “dividido”, permanecem coms 4 pessea por toda a vida, Entetanto, ember sujeilo esteja sempre partido ou dividide, ele ‘encia sua prépria identidade como se ela ¢ativesse round e“resolvida, cu unficada ors resultado da fantasia de si mesmo vomo ona pessoa" unificada que ele formon ns fase de esl, Hass, de acardo com este tipo de pensamento psicanalitice, & a origem conteadit6ri; da Sdeuidagers eee Assim, a identidade Tormado, a0 longo do tempo, através le procesene incor s¢ ientes, € nfo algo inalo, exi lente na. consciéncia no momento do nascimento, Fuiste sempre algo “imaginsrio" ou fantasiado sobre eng Unidad, Bla permanece sempre incomplen ecrd sempre “em processo”, sempre “send forma” As partes “femininas” do on maseuling, por exemplo, que so negadas, permanceem vom ele © encontram expressio inconsciente em muitas realmente algo 38 ee _Nascane e wonte 00 sustro MOSER formas nao reconhecidas, na vida adulta, Assim, em vez de falar da identidade como uma coi acabada, deveriamos falar do idemtificagao, ¢ vi Ja como um proceso em andamento. A identidlacle surge ndo tanto da plenitude da identidade que jd esté dentro de és como individuos, mas de tna falta de inwirexa que &“proenchida” a partir de nosso evterior, pelas formas através clas quais nés imaginamos ser yistos por outros. Psicanaliticamente, nos continuames buscando a “identidade” e construindo hiografias que tecem as diferentes partes de nossos cus divididos numa unidade porque procuramos recapturar esse prazer fantasiado da plonitude. De nove, o trabalho de Freud ¢ 0 de pensadores psicanaliticos como Lacan, que © Iéem dessa forma, \@m sido bastante questionados. Par definigio, os processos inconscientes nto podem ser facilmente vistos ou exarinados. Eles tém que ser inferidos pelas claboradas téenieas peicanalitieas da reconstrugio ¢ da interpretagio € nfo sfio facilmente suscetfveis a “prova”, Nao obstante, seu impacto geral sobre as form: modernas de peasamento lem sido muito considerivel. Grande parte do pensamento moderno sobrea vida subjetiva e psiquica é “pd freudiana”, no sentide de que toma.o trabalho de Freud sobre o inconsciente como certo ¢ dado, mesmo que rejeite algumas clo suas hipéteses especificas. Outra vez, podemos avaliar @ ano 39 Atonosns cumuan na és ncoeeniaA0e que essa forma de pensamento causa a nogies {que véem o sujeito racional e a identidade como fixos © estdveis, diva que n6s nie somos, em nenhum sentido, os “antores” das afirmagies que fazcimon ou dos significados que expressamos na lingua, Néx podemos utilizar a lingua para produzis significados apenas nos posicionando no interior das regras da lingua e dos sistemas Ge significa de nose cultura. A lingua 6 um sistema sucial ¢ do um sistema individual. Ela preexiste a nos, ‘Nao podemes, em qualquer sentido simples, ser seus autores, Falar uma lingua no significa apenas InpEnsser nosaos pensamentos mus tries € ‘origina; significa também ativar a imensa gan de signiticados que jé esto embutidos em nossa Tingua em nossos istomas cullurais : ____ Além disso, os signifieados das palavras no io fixos, num relagdo um-n-um com os objictos ou eventos no mundo existente fora da lingua. O Significado surge nas relagdes de similaridade @ diferenga que as palavras tm com outras palavras ho inlerior do cédigo da lingua. Nés sabemos o tue 6a "rite" porque olando é0 "dia". Observe se @ unalogia que existe aqui entre lingua © identidads. Ku sci quem “ca” sou em relacio com ‘© outro” (por exemplo, minha mae) que eu nay 40 [Nasco mo8re co Sutfo WODERNO posso sor. Como diria Lacan, aidentidade, como 6 inconsciente, “est estruturada como a lingua”. O que modernos filésofos da linguagem ~ como Facques Derrida, indluenciados por Saussure e pela “virada lingiiistca” — argumentam é que, apesar de seus melhores esforzos, ofa falante individual nao pode, nunca, fixar © significado de uma forma. final, incluindlo o significado de sua identidade. ‘As palavras sfo “multimoduladas”, Elas sempre carregam ecos de outros significados que elas colocam em movimento, apesar de nossos melhores esforgos para cerrar o significado. Nossas irmagoes sdo baseadas em proposighes ¢ premissas das quais nés nio temos conscidneia, mas que slo, por assim dizer, conduzidas na corrente sangilinea de nossa lingua. Tudo que dizemos tem um “antes” ¢ um “depois” — uma “margem” na qual outtras pessoas podem escrever. O significado é inerentemente instavel: ele procura, © fechamento (a identidade), mas ele é constantemente perturhado (pela ciferenca). Fle esta constantemente escapulindo de nds. Existem sempre sigaifieados suplementares sabre os qusis nfo temos qualquer controle, que surgir3o ¢ subvertero nossas tentativas para eriar mundos fixos e estiveis (veja Derrida, 1981). © quarto descentramento principal da identidade ¢ do sujeto ocorre no trabalho do filésofo ¢ historiador francés Michel Foucault. Numa série de ostudos, Foucault produziu uma a1 ‘Atoempace cisunai a rée-moneenionoe espécie de “genezlogia do sujeito modemo”. Foucault destaca um novo tipo de poder, que cle chama de “poder disciplinar”, que se deadobra a0 longo do século XIX, chegando ao seu desenvalvimento méximo no inicio do presente século. 0 poder disciplinar esté preocupado, em primeiro lugar, com a regula, a vigilincie & © governo da espécie humana ou de populacées inteiras €. em segundo lugar, do individuo e do corpo, Seus locais sdo aquelas novas instituicées que se desenvolveram ao longo do século XIX ¢ que “policiam” e disciplinam as populages modernas oficinas, quarts, escolas, prises, hoopitais, clinicas € assim por diante (veja, por exemplo, Histéria da foucura, O nascimento da clinica e Vigiar e punis). 0 objetivo do “poder disciplinar” consiste em manter “as vidas, as atividades, o trabalho, as infelicidade ¢ 08 prazeres do inividuo”, assim como sua sade fisica ¢ moral, suas préticas sexuais ¢ sua vida familiar, aob estrito controle ¢ disciplina, com base no poder dos regimes administrativos, do conhecimento especializado dos profissionais e no vonhecimento fornecida Pelas “disciplinas™ das Ciéacius Sociais. Seu objetivo basico consiste em produzir “am ser humano que possa ser tratado como um corpo décil” (Dreyfus ¢ Rabinow, 1982, », 135). O que & particularmente interessante, do ponto de vista da histiria do sujcito moderna, & ‘que, embora o poder disciplinar de Foucault soja 42 [Nascutento E NORTE B9 SUIITO HOSEN instituigde letivas ¢ de © produto das novas instituigdes coletiv, Fronde cscale da tiodersidade. tardia, suas téenicas envolvem uma aplicagio do poder e do saber que “individualiza” ainda mais o sujeito o envolve mais intensamente seu corpo: Num regime disciplinar, # individualizacdo ¢ Ahscondente, Aas dane iain constant, todas aquelas pessoas sujetas «0 costae ‘sio individualizalas... O poder nio spn va nda rs cmp da observagio, mas também fixa aquela ind ojesiva na cama da csr, Un imenso e meticuloso aparato documento torna- poder [nas sociedades modernas|. Essa acumulagao de documentagao individual num ordenamonty aistomitica torn “possivel a riedigéo de fonémenos globais, a doscrigio de srupos, a caracterizagte de fatos coletvos, © céleulo de distiincias entre 05 individuas, sia isvibuigfo numa dada populagSo" (Dreyfas © Rabinow, 1982, p. 159, eilando Foucauk), Nao 6 necessiirio accitar cada detalhe da descrigio que Foucault faz do earster abrangente dos “regimes disciplinares” do moderno re administrativo para compreender 0 paradexo de que, quanto mis cletiva ¢ organizada a nalurena Has insoles da inleraldad. tas, nae @ isolamento, a vigilincia ¢ individualizagio do jeito individual. 0 quimo descentramenty que = proponentes dessa posicao citam € o impacto do su 43 Avonmpace cUUURA Ka ros-nooeantonoe feministio, tanto como uma critica tedriea quanto como um movimento social. O feminismo fax parte daquele grupo de “novos movimentos sociais”, que emergiram durante os anos sessenta (0 grande mareo da modornidade tardia), juntamente: com as revoltas estudantis, og movimentos juvenis contraculturais c antibelicistas, as ataspelos direitos tivis, os movimentos revoluciondrios do “Tereeiro Mundo”, os movimentos pel paz ¢ tudo aquile que esti assoriado com “1968”, Oqueé importante teter sobre esse momento histérico 6 qu + Esses movimentos se opunham tanto a politica liberal capitalista do Ocidente quanto a politica “estalinista” do Oriente, + Eles afirmayam tanto as dimensdes “subjetivas” quanto as dimensoes “objetivas * da politica. + Eles suspeitavam de todas as formas burocréticas dle organizagdo e favorecian @ espontancidade © os atos do vontade politica, + Como argumentado anteriormente, todos esses movimentos tinham usa Onfase uma forma cultural fortes, Fles abragaram © “teatro” da revolueao. + Eles refletiam o enfraquecimento ou o fim da classe politica e das organizagées Politicas de massa com ela associadss, bem como sua fragmentacaa em yérivs @ separados movimentos sociais, + Cada movimento apelava para a identidade social de seus sustentadores. Assim, 0 feminismo apelava as mulheres, a politica sexual aos gays ¢ lésbieas, as hutas raciais 08 negtus, 0 movimento antibelicista aos pacifistas, ¢ assim por diante. Isso constitu © nascimento histérico do que veio 1 ser conhecido como a politica de identidade ~ ‘uma identidade para cada movimento. ‘Mas o feminismo teve também uma relagao is direta com 0 descontramento conceitual do artesiano e sociolégico: aaa fle questionou a cassia distingko entre “deatro” ¢ © “fora”, 0 “privado” e “piblico”. 0 slogan do feminismo era: “o pessoal & politica”. + Ele abriu, portanto, pera a con eee litica, arenas inteiramente novas de vida Social: familia, asexualidade, o trabalho doméstico, a divisio doméstica do wabalhe, o cuidado com as criangas, ete. + Fletambém enfatizou, come uma questio polltica ¢ social, @ tema de forma como somos formados ¢ produzidos como sujeitos gencrificados. Isto é, ele politizow a subjetividade, a idemtidade e o processo de idemtificago (como homensimulheres, maes/pais, fithos/filhas). + Aquila quecomegou como um movimento irigido A contestacao da posicde sucial das ‘ago 45 ‘Aoovnosoe cususat ia ros-oneanioaos es expandiu-se para incluir a Jormacao (las identidades sexuais ¢ de género. * 0 feminismo questiono a nog de que 6s homens ¢ as mulheres exam parte da mesma identidade, a “Fi manidade”, substiuindos pela quesitéo da. diferonen seruel. Neste capitulo, tentei, pois, mapear as mmudang2s conceiiuais atavis das quais, de acortlo com alguns teéricos, 0 “sujeito” do Tuminismo, visto como tendo uma identidade fina ¢ estavel, foi descentrado, resultando nas identidades abertas, contraditérias, inacabaclas, fragmentadan, do sujeito pés-moderno, Descrevi isso através de cinco descentramentos. De cem-me lembrar outra Yor que muitas pessoas no aceitain as implicaghes Coneeitunis ¢intelectusisresses desenvolvimentos do Pensamento moderns, Entretanto, pouces negariam agora seus oleitus profundamente desestabilizadores sobre asideias da modomicide tardia e, partivularmente, sobre a forma come o sujeito ¢ a questio da idemtidade ano conceptualizados, 46 3 (AS CULTURAS NACIONAIS COMO COMUNIDADES IMAGINADAS quais os conceitos de sujeito ¢ identidade da modemidade tardia e dapés-nodemnidal emergiram, pons nemrps ean ste “sujeito fragmentado” 6 colocad tonnes ems etd ere A ene cultural particular com a qual estou preocupade € aidentidacle nacional (embora outros aspectos estejam ai implicados). 0 que est acomtecendo ad identidade cultural na aa il soi? specificamentc, enmo as identidades culiu dls cg dontaadisoy seen pa procosse de globaliaagio? Tess 16 mudangas coneeptuais pelos indy modemo, as culturas nacionais scemos se constituem em uma das principais fontes de identidade cultural. Ao nos definirmos, algumas vezes dizemos ee ingleses ou galeses ou indianos ou jamaicanos. (lh imenles ao lice then estcions falando de forma metaférica. esas identidades néo estio literalmente impressas em nossos genes. Entretento, nés efetivamente pensamus nels como sefossem parte: de nessa nalureza essencial. 47 ‘Acomosoe cususa. na rés-moesnoane 0 filésofo conservador . Far tsat eonservador Roger Serdion argument A condigio de hotem (si 10 (rc) exiges que o indie embura exis ¢ aa coin sim ser wsdacns ng isso somente porque: Wentficur a si none ‘ede primefranaure we le Sociedade, grupo, aval jae a nto dara nen et reuihewe cna a Se _— Emest Gell Jiberal, também de idemific, experimentari um profund Sperimentarit un profiad sen aetedita que sem um sentimente $40 nacional o sujeito moderne fiment di A en hone em un nag itnnews Grae) tant nae modern Um homem deve te od die rth" nt poner dv ens sists alo sei veld, as que nee Gee xireeer mt ctiemete vertludeiw 6, de f i tum aspeeto, talvez a mais centeal, do | sli hvac. Tore nagtontoc eee inerente da humanidadle, mas aparece, a " como tol (Cellner, 1988, p. 6). ae O angumento que estarei con ‘que, na verdade, ts ide xo coisas com as quis n formadas © ira ato represeatagin, rei considerando aqui Widades navionais: mio Tuas nfs nace, mts sio ransformadas no interior da N68 86 sabemos » que sign 48 A CULTURAS NACIONAIS COMO COMUNOADES GRAD inglas” devido ao modo como a “inglesidade” (Englishess) veio a ser representads — como um conjunto de significades ~ pela cultura nacional inglosa. Sogue-se que a nagio ndo é apenas uma eutidade polftica mas algo que produz sentides— tum sistema de representacdo culiural, As pessoas ndo ado apenas cidadaos/as legais de uma nagio; elas participam da idéia da nacio tal como representada em sus culura nacional, Uma nagita uma comunidade simbélica ¢ ¢ iss que explica scu “poder para gerar um sentimento de identidade e lealdade” (Schwarz, 1986, p.106). s culturas nacionais sdo uma forma distintivamente moderna, A lealdade © a que, numa era pré-moderna ou em sociedades mais tradicionais, eram dadas a tribo, a6 povo, a religido © A rogi8o, foram transferidas, gradualmente, nas sociedades ocidentais, & cultura diferengas regionais e étnicas foram gradualmente sendo colocadas, de forma subordinada, sob aquilo que Cellner chama de “teto politico” do estada-nacao, que se tornou, assim, uma fonte poderosa de signifieados para as identidades culturais modlernas. A formagio de uma cultura nacional contribuin para criar padres de alfabetizagio universais, generalizou uma Gnica Ingua vernacular como o moio dominante de comunieacio em toda a nacao, criow uma culture Hhomogenea ¢ manteve instituigves culturais 49