© 2017 by Amanda Perin Marcon e Bianca Pinto Vieira

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torais.

Marcon, Amanda Perin; Vieira, Bianca Pinto.
Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande.
Amanda Perin Marcon; Bianca Pinto Vieira - 1ª
ed., Florianópolis, SC, 2017.
138 p. / 21 cm

ISBN 978-85-923489-0-8.

Inclui referências
1. Zoologia. 2. Ornitologia. 3. Biologia da Conser-
vação. 4. Divulgação Científica. 5. Educação Ambien-
tal. I. Marcon, Amanda Perin. II. Vieira, Bianca Pin-
to. III. Guia de aves do Parque Ecológico do Córrego
Grande.

Capa: Bianca Vieira & Paul Jerem

Revisão: Daiana Constantino

Design e diagramação: Pectem
Amanda Perin Marcon
Bianca Pinto Vieira

AVES DO PARQUE ECOLÓGICO
DO CÓRREGO GRANDE

Primeira Edição

Florianópolis

Edição do Autor

2017
Aos apaixonados pela vida, que seus corações sigam sempre verdes.
A.P.M.

Aos que são capazes de perceber que a nossa qualidade de vida de-
pende de uma rede de ideias, ações e ambientes colaborativos.
B.P.V.
PREFÁCIO

D esde a década de 1990, muitos ornitó-
logos têm se esforçado para apresentar a
Os textos foram desenvolvidos para o con-
texto do Parque Ecológico do Córrego Gran-
riqueza de aves presente no Brasil, tanto de de. Desta forma, em outros contextos, as
forma científica quanto popular. Com a ex- espécies podem apresentar informações
pansão de ferramentas digitais e ampla di- diferentes das descritos aqui. Também vale
vulgação de métodos de levantamento de notar que os nomes comuns foram escolhi-
fauna, a quantidade de informação sobre as dos conforme uso na cultura florianopolita-
aves brasileiras deu impulso para diversos na.
trabalhos na Ornitologia. Listas e guias têm
sido elaborados com o auxílio de diversas Como qualquer outra lista, estas informa-
fontes de informação, recolhidas não somen- ções não são estáticas. Aves possuem gran-
te por pesquisadores em campo como tam- de capacidade de deslocamento. Elas colo-
bém por observadores de aves e entusiastas nizam, abandonam ou apenas passam por
da natureza que divulgam seus achados em diferentes áreas. Como consequência, o
sites e grupos de discussão na internet. número de espécies reconhecidas altera
conforme intervalo de anos considerados,
Na região da Grande Florianópolis, vários paisagens investigadas, condições climáti-
esforços foram realizados a partir de 2010 cas, oscilações ambientais, esforços de bus-
para listar a riqueza de aves e, assim, auxili- ca, métodos utilizados, experiência do ob-
ar o processo de gestão e manejo de áreas servador e uma boa dose de sorte no regis-
verdes e protegidas. Listas de aves para Uni- tro de aves raras e vagantes. No entanto,
dades de Conservação Federais da Ilha de mesmo com as variações, as listagens e
Santa Catarina e região foram cientificamen- guias são extremamente úteis por apresenta-
te publicadas e estão abertas para consulta rem de forma clara a riqueza geralmente
da população. Tais listas podem ser encon- observada na região. As listas permitem
tradas conforme informações disponíveis nas verificar a presença de espécies interessantes
referências de Vieira et al. 2014 e 2015, para conservação, economia e conscientiza-
Vieira 2016 e Müller & Vieira 2016. ção da população sobre a importância das
áreas naturais não somente para a existên-
O presente livro é o primeiro produto publi- cia das aves, como também para um melhor
cado desta iniciativa visando o público em planejamento urbano e melhoria da nossa
geral. A obra apresenta as espécies de aves qualidade de vida ao interagirmos com elas.
em uma área verde importante para a Gran-
de Florianópolis de forma simples e ilustrati- Esperamos que este trabalho auxilie e inspire
va. Ainda assim, não perde o toque científico a criação de mais ações, redes e produtos
por conter características para identificação de valorização da biodiversidade brasileira,
das aves e informações baseadas em artigos manejo de áreas verdes urbanas e, princi-
e trabalhos desenvolvidos no Brasil e exterior. palmente, na gestão do Parque Ecológico do
Córrego Grande.
As fichas das espécies apresentam setas para
facilitar a observação de características im-
portantes na identificação de espécies, sexo e Profa. Dra. Bianca Pinto Vieira
idade. Sempre que possível, apresentamos o Universidade de Glasgow (Reino Unido)
máximo de fotografias representando as
diferenças mencionadas no texto.
AGRADECIMENTOS

A gradecemos à Pectem Technology pelo apoio no desenvolvimento deste livro.
Também à Fundação do Meio Ambiente de Florianópolis (FLORAM) e à Universidade
de Glasgow pelo apoio na pesquisa sobre as aves do Parque.

A semente deste trabalho surgiu em um Curso de Captura Anilhamento de Aves,
ministrado por Bianca P. Vieira e Andrei L. Roos, no Parque Ecológico do Córrego
Grande em 2015. Desta forma, agradecemos a todos os participantes (Andrei L.
Roos, Rafael Meurer, Cecilia G. Pereira, Iohranna H. Müller, Jóice E. Klug, Gabriela
F. Dri, Tonny M. O. Júnior, Edson A. P. Júnior, Clarissa de O. Santos, Jocelim L.
Costa, Ludemila M. Souza, Suzana P. Martins, Adriana D. Nunes, Vanessa M. Nunes,
Fernanda M. Abbud e Luthiana C. dos Santos) pelas trocas de experiência e ótimos
momentos compartilhados.

Além das fotografias e ilustrações das autoras, muitas imagens foram gentilmente
cedidas por diversas pessoas sem prejuízo de uso em outros materiais ou mídias. Aos
autores das fotografias, nosso agradecimento mais uma vez!

Autores das fotografias: André L. Wittmann, André Mendonça, Aureo Guaitolini,
Carlos O. Gussoni, Carmen L. Bays, Ciro Couto, Cláudia Brasileiro, Claudio Longo,
Claudio Morais, Daniel Souza, Eden Fontes, Eduardo S. Rodrigues, Elpidio Lima, Enio
R. d’Ávila, Fábio A. F. Jacomassa, Francielly Reis, Geiser Trivelato, Gesiel S. Diniz,
Glauco Tonello, Herculano B. Neto, Ivan Sazima, Ivo Kindel, João V. Andriola, Jones
Battistella, Jorge C. S. Neto, José Cristovão, Leonardo Casadei, Lucia Calvet, Lucia-
no C. Alves, Luciano M. Cunha, Luiz C. C. Ribenboim, Maiara Vissoto, Maria T. Jucá,
Mario S. Arias, Martinho Rau, Miguel A. Biz, Miguel N. Neto, Miguel C. Neto, Paulo
F. Bertagnolli, Paulo Guerra, Paulo Lahr, Paulo S. C. Vale, Pedro C. Lima, Pedro F.
Sessegolo, Rodolfo S. Freitas, Rodrigo Conte, Rodrigo Y. Castro, Thais R. S. Hudler,
Thiado Filadelfo, Tiago F. Steffen, Tiago J. Cadorin, Valdir F. Paulete, Valéria C. B.
Vieira, Vilde Florencio e Wanielli Pascoal.
SUMÁRIO

AS AVES 8 anu-branco - Guira guira 48
corujinha-do-sul - Megascops 49
AS AVES NOS PARQUES URBANOS 10 sanctaecatarinae
coruja-orelhuda - Asio stygius 50
MIGRAÇÕES EM ÁREAS URBANAS 11 urutau - Nyctibius griseus 51
bacurau-tesoura - Hydropsalis 52
OBSERVAÇÃO DE AVES EM ÁREAS 13 torquata
URBANAS taperuçu-de-coleira - Streptoprocne 53
zonaris
O PARQUE ECOLÓGICO DO 17 andorinhão-do-temporal - 54
CÓRREGO GRANDE Chaetura meridionalis
beija-flor-tesoura - Eupetomena 55
FICHAS INFORMATIVAS macroura
asa-de-seda - Amazonetta 19 beija-flor-preto - Florisuga fusca 56
brasiliensis beija-flor-de-fronte-violeta - 57
aracuã - Ortalis squamata 20 Thalurania glaucopis
mergulhão - Nannopterum 21 beija-flor-de-papo-branco - 58
brasilianus Leucochloris albicollis
socozinho - Butorides striata 22 beija-flor-de-garganta-verde - 59
garça-vaqueira - Bubulcus ibis 23 Amazilia fimbriata
garça-moura - Ardea cocoi 24 martim-pescador-grande - 60
garça-branca - Ardea alba 25 Megaceryle torquata
maria-faceira - Syrigma sibilatrix 26 tucano-de-bico-verde - Ramphastos 61
garça-branca-pequena - Egretta 27 dicolorus
thula pica-pau-anão - Picumnus 62
garça-azul - Egretta caerulea 28 temminckii
tapicuru - Phimosus infuscatus 29 pica-pau-verde - Veniliornis 63
urubu-vermelho - Cathartes aura 30 spilogaster
urubu - Coragyps atratus 31 pica-pau-do-campo - Colaptes 64
gavião-tesoura - Elanoides forficatus 32 campestris
gaviãozinho - Accipiter striatus 33 pica-pau-amarelo - Celeus 65
gavião-carijó - Rupornis magnirostris 34 flavescens
gavião-de-cauda-curta - Buteo 35 carcará - Caracara plancus 66
brachyurus carrapateiro - Milvago chimachima 67
três-potes - Aramides cajaneus 36 chimango - Milvago chimango 68
saracura - Aramides saracura 37 periquitão - Psittacara 69
galinha-d’água - Gallinula galeata 38 leucophthalmus
quero-quero - Vanellus chilensis 39 tiriba - Pyrrhura frontalis 70
rolinha - Columbina talpacoti 40 periquito-verde - Brotogeris tirica 71
pombo - Columba livia 41 papagaio - Amazona aestiva 72
asa-branca - Patagioenas picazuro 42 choquinha-lisa - Dysithamnus 73
pomba-galega - Patagioenas 43 mentalis
cayennensis papa-formiga-da-grota - 74
pupu - Leptotila verreauxi 44 Myrmoderus squamosus
gemedeira - Leptotila rufaxilla 45 galinha-do-mato - Formicarius 75
alma-de-gato - Piaya cayana 46 colma
anu-preto - Crotophaga ani 47 joão-de-barro - Furnarius rufus 76
SUMÁRIO

anambé-branco - Tityra inquisitor 77 saíra-viúva - Pipraeidea 115
cabeçudo - Leptopogon 78 melanonota
amaurocephalus saíra-sete-cores - Tangara seledon 116
risadinha - Camptostoma obsoletum 79 sanhaço-cinzento - Tangara sayaca 117
guaracava - Elaenia flavogaster 80 sanhaço-de-encontro-azul - 118
tuque - Elaenia parvirostris 81 Tangara cyanoptera
alegrinho - Serpophaga subcristata 82 sanhaço-do-coqueiro - Tangara 119
capitão-de-saíra - Attila rufus 83 palmarum
irrê - Myiarchus swainsoni 84 canarinho - Sicalis flaveola 120
bem-te-vi - Pitangus sulphuratus 85 saíra-de-papo-preto - Hemithraupis 121
suiriri-cavaleiro - Machetornis rixosa 86 guira
bem-te-vi-rajado - Myiodynastes 87 saíra-ferrugem - Hemithraupis 122
maculatus ruficapilla
bentevizinho - Myiozetetes similis 88 tico-tico-rei - Coryphospingus 123
suiriri - Tyrannus melancholicus 89 cucullatus
tesourinha - Tyrannus savana 90 tiê-preto - Tachyphonus coronatus 124
mosqueteiro-listrado - Empidonomus 91 saí-andorinha - Tersina viridis 125
varius saí-de-pernas-pretas - Dacnis 126
príncipe - Pyrocephalus rubinus 92 nigripes
papa-moscas-cinzento - Contopus 93 saí-azul - Dacnis cayana 127
cinereus cambacica - Coereba flaveola 128
juruviara - Vireo chivi 94 coleirinho - Sporophila caerulescens 129
gralha-azul - Cyanocorax caeruleus 95 tiê-de-bando - Habia rubica 130
andorinha-pequena-de-casa - 96 gaturamo - Euphonia violacea 131
Pygochelidon cyanoleuca bico-de-lacre - Estrilda astrild 132
andorinha-serradora - Stelgidopteryx 97 pardal - Passer domesticus 133
ruficollis
andorinha-do-campo - Progne 98 REFERÊNCIAS 134
tapera
andorinha-grande - Progne chalybea 99
andorinha-de-sobre-branco - 100
Tachycineta leucorrhoa
corruíra - Troglodytes musculus 101
sabiá-una - Turdus flavipes 102
sabiá-barranco - Turdus leucomelas 103
sabiá-laranjeira - Turdus rufiventris 104
sabiá-poca - Turdus amaurochalinus 105
sabiá-ferreiro - Turdus subalaris 106
sabiá-coleira - Turdus albicollis 107
sabiá-do-campo - Mimus saturninus 108
tico-tico - Zonotrichia capensis 109
mariquita - Setophaga pitiayumi 110
pia-cobra - Geothlypis aequinoctialis 111
pula-pula - Basileuterus culicivorus 112
encontro - Icterus pyrrhopterus 113
pássaro-preto - Molothrus 114
bonariensis
Marcon & Vieira

AS AVES

D escobertas da década de 2010 posicio-
nam as aves como pertencentes ao grupo
quais se inflam com o ar vindo da respira-
ção dos pulmões.

dos dinossauros. Foi uma revolução na pale- Cada espécie de ave possui pelo menos
ontologia verificar que a maioria dos dinos- uma característica única que a diferencia
sauros já possuía penas. Mas, o primeiro das outras, a ponto de dificultar a reprodu-
responsável por tão incrível baque na reali- ção com indivíduos que não possuam a
dade científica foi Achaeopteryx lithographica mesma particularidade.
já em 1861. O fóssil desse pequeno e esguio
dinossauro Theropoda preservou nítidas Algumas aves possuem cristas, outras têm
marcas de penas em seus braços, pernas e as penas do ombro coloridas, ou ainda
na longa cauda. Outros fósseis mais antigos possuem cantos com notas únicas. Desta
com penas foram encontrados posteriormen- forma, a identificação das espécies propor-
te e virou consenso que as aves não evoluí- ciona diversos elementos para uma ativida-
ram dos dinossauros, mas são os próprios, de prazerosa de curiosidade e observação,
fazendo parte do grupo Theropoda. como um quebra-cabeça natural. Não é à
toa que a observação e identificação de
Estima-se que as penas tenham surgido co- aves é tida como uma atividade que me-
mo uma adaptação para manter a tempera- lhora a memória, concentração e atenção
tura corporal e para comunicação em mo- a detalhes.
mentos, por exemplo, de defesa territorial e
rituais de acasalamento. Com o tempo, as A característica que mais chama a atenção
penas também foram selecionadas conforme nas aves é a pena. A composição de que-
facilitavam o deslocamento de voo. Além das ratina torna as penas resistentes e flexíveis
penas, o voo é facilitado por ossos pneumáti- para manobras rápidas durante o voo.
cos (porosos) mais leves que os nossos e por Diferentes penas desempenham funções
sacos aéreos espalhados pelo corpo, os diversas em cada parte do corpo.

crista/topete (píleo)
supercílio
cabeça
testa nuca
bico
costas
dorso
garganta
penas do ombro
peito (coberteiras)
barriga
penas da asa
(rêmiges: primárias -
Ilustração: Amanda P. Marcon

ventre exteriores; secundárias
- medianas; terciárias -
pernas interiores)

penas da cauda
(retrizes)
PARTES DA PLUMAGEM

8
Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

As penas de voo se concentram na cauda e Os bicos das aves também
nas asas. As penas da asa (rêmiges) são são compostos por queratina
firmes e longas, com eixo central mais próxi- e utilizados como forma de
mo a uma das bordas, conferindo maior diferenciar as aves. Além da
aerodinâmica. alimentação, outras funções
do bico incluem defesa,
As penas da cauda (retrizes) também são controle térmico e arruma-
firmes e normalmente alongadas, mas com a ção das penas.
raque no exato centro para o equilíbrio de
voo. Em algumas aves, como arapaçus e Por muito tempo, acreditou-
pica-paus, as penas da cauda possuem se que os bicos representas-
adaptações para escalada, com pontas mais sem a dieta da ave. Hoje,
afiladas e raque reforçada e com gancho na sabe-se que o bico represen-
ponta. ta um conjunto de fatores,
incluindo dieta, estratégia de
As penas corporais (plumas) são geralmente captura do alimento e tipo
curtas e maleáveis. Uma maior densidade de de ambiente que ocupam.
plumas também protege as aves de grandes
impactos. As plumas possuem base emplu- Por exemplo, aves que co-
mada e mantêm a temperatura do corpo. mem insetos no ar possuem
bico mais largo do que aves
Algumas aves possuem penas adaptadas, que comem insetos no tron-
como cerdas e penas ornamentais. Geral- co de árvores. Aves que
mente próximas ao bico, as cerdas auxiliam
comem peixes em água
a percepção de movimento e captura da
salgada possuem um tubo
presa. Já as penas ornamentais, como penas
nasal para expelir sal que as
filamentosas do tipo egreta nas garças, têm
aves que comem peixes em
papel importante na reprodução.
água doce não possuem.

Por outro lado, tanto as aves
que comem carcaças, preci-
sando quebrar ossos e rasgar
músculos, quanto as aves
que comem frutos, precisan-
do descascá-los ou quebrar
as sementes, possuem bicos
fortes e curvos.

rêmige retriz pluma

cerdas

TIPOS DE PENA

Ilustrações: Amanda P. Marcon

9
Marcon & Vieira

AS AVES NOS PARQUES URBANOS

A urbanização modifica ambientes natu-
rais com o corte de vegetação e a construção
A arborização das cidades ajuda na conser-
vação das aves e aumenta a qualidade de
vida da população. A presença das espécies
de estruturas de concreto e metal. A altera- nos parques depende da estrutura da vege-
ção da paisagem cria novos ambientes tam- tação, tamanho e idade do parque, grau de
bém para fauna e flora, selecionadas confor- urbanização e disponibilidade de recursos.
me capacidade de adaptação.
Em geral, aves onívoras são favorecidas pelo
Entre os animais silvestres que habitam ambi- aumento do grau de urbanização enquanto
entes urbanos, as aves são as mais facilmen- espécies granívoras são influenciadas pela
te observadas. Pardais cantam pela manhã, vegetação. A riqueza de aves insetívoras
pombas ocupam as praças, quero-queros depende da presença de árvores de porte
fazem ninhos em campos de futebol, bem-te- mais alto. E o volume de plantas exóticas e
vis cantam nos fios de luz, joões-de-barro construções ajudam a explicar a presença de
constroem ninhos nos semáforos e gaviões aves introduzidas.
pairam pelo céu nas rodovias e cidades.
A manutenção dos serviços ecológicos pres-
Há muitas espécies nas cidades brasileiras, tados pelos parques urbanos a aves e pesso-
mas ainda é forte a pressão sobre as aves as também depende do nosso cuidado.
que dependem das matas, como tucanos, Coloque resíduos plásticos, vidros e papeis
saíras e saracuras. A presença de áreas ver- nas lixeiras ou leve para casa onde possa
des nas cidades serve como refúgio para descartar tudo de forma adequada.
estas aves. A vegetação nativa em parques e
áreas verdes fornece alimentação, abrigo e É importante que as trilhas e o chão da mata
condições para reprodução. mantenham folhas secas, galhos, sementes,
frutas e cogumelos. Esses elementos ajudam
Parques isolados nas cidades se tornam ilhas na ciclagem de nutrientes do solo e devem
de vegetação e possuem baixa diversidade ser mantidos mesmo que tenham insetos e
genética. Para evitar o isolamento genético, é outros bichos. As folhas devem ser apenas
importante haver corredores ecológicos, ou parcialmente retiradas quando houver exces-
seja, conexões entre áreas verdes, como ruas so nas áreas de passagem. Assim, o parque
e jardins arborizados e Áreas de Preservação será sempre um local rico em espécies e
Permanente. ideal para se visitar.
Carmen Bays

saí-de-pernas-pretas macho adulto

10
Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

MIGRAÇÕES EM ÁREAS URBANAS

Amanda Marcon
tesourinha adulto

M igração é o deslocamento sazonal de
uma população de um local para outro. A
- Dispersiva: população tem alta fidelidade a
um local reprodutivo, mas com locais não-
migração é diferente de: reprodutivos que variam a cada migração
(ou vice-versa).
- Dispersão e expansão territorial: indivíduos
estabelecem uma nova população residente - Parcial: uma parte da população tem movi-
em local diferente da origem, podendo ex- mentos migratórios estabelecidos enquanto
pandir a distribuição da espécie. a outra parte é residente.

- Vagância: indivíduos isolados são registra- - Irruptiva: a quantidade de indivíduos na
dos eventualmente fora da distribuição da população que migra e a distância percorri-
espécie. da por eles varia a cada ano dependendo
da disponibilidade sazonal de recursos.
- Nomadismo: população muda o local de
residência conforme a disponibilidade de Quanto à distância, a migração pode ser:
recursos sem um padrão sazonal definido.
- Transcontinental: atravessam continentes
- Movimento diário (ou movimento pendular): da origem até o destino.
população deixa um local de descanso para
outro de forrageio, retornando no mesmo - Latitudinal: atravessam distâncias Norte-Sul
dia. menores.

- Longitudinal: atravessam distâncias Leste-
Quanto ao destino, a migração pode ser: Oeste menores (muito comum nos polos).

- Clássica: população tem alta fidelidade a - Altitudinal: deixam grandes altitudes para
um local reprodutivo e um não-reprodutivo. partes baixas (e vice-versa).

11
Marcon & Vieira

A migração é impulsionada pela disponibili- Tal ambiente favorece o estabelecimento de
dade sazonal de recursos alimentares e re- espécies migratórias de áreas abertas ou
produtivos, bem como pelo risco de preda- semiabertas, como príncipes e andorinhas.
ção e competição associados. Os principais
fatores ambientais que afetam as migrações Por outro lado, o ambiente impede a chega-
são mudanças de temperatura, ciclos de da de aves migratórias florestais e, por isso,
chuvas e direção e intensidade dos ventos. a importância de parques urbanos e áreas
verdes como refúgios para estas espécies, a
Aves possuem um componente genético que exemplo de alguns beija-flores, tucanos,
afeta a direção percorrida nos movimentos gralhas e urutaus, que são espécies migrató-
migratórios. Atualmente, acredita-se que a rias parciais altitudinais no contexto catari-
migração é mais antiga na linhagem das nense.
aves, sendo o sedentarismo uma característi-
ca mais recente. Os materiais que utilizamos nas construções
das cidades, bem como seu planejamento e
A cidade exerce forças seletivas sobre as aves densidade em determinadas áreas alteram
migratórias, como (1) a alteração de pontos as condições climáticas locais. Devido à
de referência utilizados; (2) a substituição de impermeabilização do solo e à altura dos
ambientes naturais para migradores flores- prédios, em geral, cidades possuem maior
tais e costeiros; (3) a criação de novos ambi- temperatura, menos ventos e mais chuvas.
entes para migradores de áreas abertas; e Assim, aves que migram devido a uma que-
(4) o favorecimento da sedentarização de da de temperatura podem prolongar a esta-
algumas espécies. dia e até mesmo se tornarem sedentárias
nas cidades.
Aves migratórias utilizam um conjunto de
sentidos e memória para mapear suas rotas É incrível pensar que a forma como planeja-
e destinos. Muitas pessoas também usam mos nossas casas, jardins e a cidade influ-
elementos da paisagem como senso de dire- enciam na sobrevivência, comportamento e
ção, noção espacial e memória geográfica. até mesmo na migração e evolução das
Aves usam técnicas similares para se locali- aves, atuando como forças de seleção de
zar e, ao mudarmos a paisagem, também indivíduos, populações e espécies.
mudamos seus pontos de referência. Sabe
quando você visita uma cidade pela segunda
ou terceira vez e se perde porque alguma
Amanda Marcon

coisa mudou?

Em termos ecológicos, o ambiente urbano é
muito similar aos desertos rochosos e monta-
nhas áridas, com prédios
análogos a formações
rochosas, poucas
árvores, alguns
campos e poucas
fontes de água
disponíveis.

andorinha-pequena-de-casa

12
Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

OBSERVAÇÃO DE AVES EM ÁREAS URBANAS

A

Thais Hudler
ntigamente, o “passarinheiro” era o
caçador ou gaioleiro. Com o tempo, a caça
e captura das aves foram substituídas por
uma atividade muito mais prazerosa, a foto-
grafia e observação de aves.

Também conhecida como birdwatching ou
birding, a observação de aves é uma ativida-
de de lazer que movimenta cerca de US$ 20
bilhões de dólares por ano, sendo US$ 40
milhões de dólares no comércio local, só nos
Estados Unidos. O Brasil, com toda a sua
biodiversidade em áreas selvagens e urba-
nas, possui enorme potencial de mercado
para a atividade. observadores de aves

A essência da observação de aves está na
admiração das aves, seus comportamentos e portanto não persiga ou agrida estes ani-
interações com o ambiente. Muitos observa- mais. Use botas de cano alto ou sapatos
dores fazem anotações e produzem listas, fechados com perneiras. Se você quiser
fotografias, vídeos e áudios das aves que incrementar a observação das aves, alguns
encontram. equipamentos podem ajudar:

Não é necessário ir muito longe para encon- Binóculos, monóculos e telescópios: Há
trar aves. Você pode realizar observações em vários modelos e tamanhos. Equipamentos
sua própria residência e pela cidade. De com lentes de plástico possuem baixa quali-
pombos e pardais a falcões e gralhas, é dade se comparados a lentes de vidro. Há
possível observar aves em voo, alimentando- dois números nas especificações, por exem-
se e interagindo em todo lugar. plo, 8x35 ou 10x40. O primeiro número
representa a amplificação. Em 8x35, o obje-
Para melhor apreciar a observação, alguns to aparecerá 8x mais perto, enquanto em
cuidados são necessários. Avise a alguém 10x40, aparecerá 10x mais perto. Já o se-
para onde você irá e quando retornará. Se o gundo número representa o diâmetro da
local de observação for em mata isolada, é lente, de 35 mm e 40 mm. Quanto maior a
sempre bom saber onde fica o posto de saú- amplificação, mais difícil será manter o foco,
de ou hospital mais próximos. Carregue para objetos em movimento principalmente,
consigo os números da polícia, bombeiros e como aves na mata. Lentes com alta amplifi-
ambulância. Não se esqueça de levar água cação (≥10) necessitam de apoio, como
sem gás, sucos naturais ou isotônicos. tripés, e são melhores para áreas abertas,
como campos, praias e mar. Quanto maior
Proteja-se do sol com protetor solar, chapéu a lente (≥40), mais luz entrará em seus
e calça. Picadas de insetos podem ser evita- olhos, sendo importante para condições
das com roupas compridas ou repelente. Se escuras, como florestas ou crepúsculo. Al-
estiver em áreas de mata, tenha cuidado com guns equipamentos possuem lentes à prova
animais peçonhentos. Eles atacam apenas se d’água, resistentes à água, contra neblina e
forem pisoteadas ou sentirem-se ameaçados, com proteção UV.

13
Marcon & Vieira

Câmeras fotográficas: Fotografar, gravar ou Guia de campo: Leve consigo, ou tenha em
filmar pode ser muito agradável e útil. Câ- sua prateleira, guias de campo digitais ou
meras compactas, semiprofissionais ou pro- impressos com as espécies da região. Esses
fissionais podem ser utilizadas de acordo materiais listam as características de cada
com suas necessidades. A primeira opção de espécie, seus comportamentos e onde habi-
máquina mencionada é leve e simples, po- tam, além de informar quais espécies você
rém, com limitações de zoom e velocidade poderá encontrar no local.
de disparo. A segunda alternativa oferece
mais velocidade e zoom intermediários. Já o Outros equipamentos: Pode ser útil carregar
equipamento profissional garante a vanta- uma lanterna para focagens noturnas, bús-
gem de lentes intercambiáveis, ou seja, você sola, GPS, bloco para anotações e lápis.
pode utilizar mais ou menos zoom, velocida- Leve equipamentos adequados para cada
de e estabilidade conforme as suas necessi- local de observação. É necessário ter itens
dades e orçamento. No entanto, pode ser de primeiros socorros e sobrevivência na
pesado para carregar. Muitos observadores selva se for observar aves em florestas. Já
preferem também smartphones para fotogra- aves em ambientes urbanos podem ser ob-
fias, vídeos e gravações. servadas muitas vezes apenas com um
smartphone em mãos.
Digiscoping é uma técnica que acopla
binóculos, monóculos ou telescópios a Dicas para observação
câmeras para aumentar o zoom e regis-
trar aves em longa distância. A qualidade Aves diurnas são geralmente mais ativas
da imagem depende dos equipamentos. no início da manhã e no final da tarde.

Muitas aves de rapina são observadas
Gravador: Muitas vezes não é possível visua- entre 11:00 e 15:00, horário de calor em
lizar a ave, mas através de seu som fica fácil que se formam as térmicas, que são for-
identificá-la. Pode-se gravar o canto com a mações circulares de vento causadas pela
própria câmera, um smartphone ou gravado- diferença de temperatura quente perto do
res profissionais. Gravadores para captar solo e fria em maiores altitudes.
frequências baixas são úteis quando a ave
está distante. Aves noturnas são encontradas do crepús-
culo até a madrugada. Estude os locais e
Acessórios, como microfones, parábolas e horários mais prováveis para encontrá-
caixas amplificadoras, melhoram a qualida- las. Também podem ser vistas de dia, mas
de do som. Microfones e parábolas amplifi- evite perturbá-las enquanto descansam.
cam a captura do som e diminuem o ruído
(ex. vento, carros, pessoas caminhando ou Aves aquáticas possuem maior relação
conversando). Já a caixa amplificadora tem com a dinâmica das águas do que o
um alto-falante para reproduzir o som e um horário de observação.
amplificador para aumentar o volume.
Aves limnícolas e paludícolas, que vivem
em espelhos d’água e banhados, apare-
Playback é a reprodução de um som por cem com maior frequência em lagos e
poucos minutos e com intervalos entre as áreas alagadas após períodos de chuva.
repetições para atrair as aves. Cada som
resulta em respostas diferentes. Deve-se Aves costeiras são observadas em maré
conhecer os contextos das vocalizações baixa nas praias, planícies de maré e
para escolher os sons adequados. Evita-se estuários tanto de dia quanto de noite. Já
o playback na época reprodutiva, durante durante a maré alta, concentram-se em
a demarcação territorial e quando há bancos de areia, ilhas, costões e até mes-
indicativos de ninhos e filhotes por perto. mo em galhos à beira d’água.

14
Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

Apesar de aves urbanas estarem acostuma- Abrigos de observação podem ser acompa-
das com a presença humana, a grande mai- nhados de poleiros e alimentos para atrair
oria fica desconfortável e foge quando uma as aves.
pessoa se aproxima demais.
O melhor comedouro para aves terrestres é
Seja sempre cauteloso, um jardim. Plantar árvores frutíferas atrai
movimente-se lentamente, diversas espécies. Mesmo que o espaço não
sem fazer barulho ou falar permita árvores, arbustos e vasos com plan-
alto. Evite caminhar direta- tas são bons atrativos.
mente na direção da ave. Cami-
nhe lentamente em parábola Se não tiver plantas frutíferas, faça um co-
com passos curtos e pausados medouro e coloque diariamente alimentos
para aumentar as chances de naturais, como frutas, grãos e folhas. Nunca
aproximação da ave. dê pães, bolos, bolachas e outras massas,
pois esse tipo de alimento pode causar da-
Use roupas discretas em tons do nos sérios à saúde da ave.
ambiente de observação. As aves
possuem uma distância de fuga Adicione uma tigela com água para que
conforme a aproximação das pes- elas bebam e se banhem. Você também
soas. Em geral, essa distância pode usar bebedouros. A água deve
varia conforme espécie, comporta- ser trocada todos os dias e o recipi-
mento, ambiente e condição cli- ente deve ser limpo sem de-
mática (como chuva e vento). tergente, apenas esfregando
para retirar o limo. Se você
Observe sinais de comportamento não tiver tempo para a
nas aves para determinar qual é a limpeza diária, opte
distância de aproximação adequada. por retirar o bebe-
A ave será menos afetada pela sua douro ou tigela e
presença e você poderá observá-la recolocá-los quan-
por mais tempo. Entre os sinais, do puder mantê-
estão: los.

- levantar a cabeça e olhar para quem Comedouros e
se aproxima; bebedouros em
- esticar as asas e pernas; local sombreado
- vocalizar; e são mais atrati-
- caminhar ou pular para mais longe. vos. Eles devem
ficar longe de
Ao notar qualquer destes sinais, pare a vidros e outras
aproximação, volte lentamente alguns me- superfícies refle-
tros e espere a ave voltar ao comportamento toras que pos-
anterior a sua aproximação. sam causar
acidentes para
Alguns observadores usam camuflagem para as aves.
facilitar a observação. Além das roupas com
estampas camufladas, pode-se construir Aves podem
abrigos ou usar cobertores adaptados com demorar a
vegetação. aparecer, mas
acostumarão
Em ambientes aquáticos, pode-se camuflar com o local se o alimento
um barco para esconder o e a água forem renova-
equipamento de observação. dos todos os dias.
Bianca Vieira

15
Marcon & Vieira
Ilustração: Bianca Vieira

Aves criadas por humanos desde filhote podem sofrer imprinting, ou seja, agem como huma-
nos e têm comportamentos de fala, alimentam-se junto à mesa, tocam instrumentos, pedem
carinho a pessoas, etc. Se a ave sofre imprinting, ela se recusa a ir embora quando é solta.
Em alguns casos, tem dificuldade de interagir com outras aves silvestres. A recuperação e
reintrodução de aves que sofreram imprinting exige ajuda profissional especializada.

16
Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

O PARQUE ECOLÓGICO DO CÓRREGO GRANDE

O Parque Ecológico do Córrego Grande,
ou Parque Ecológico Municipal Prof. Davi
O Parque Ecológico do Córrego Grande
possui 115 espécies de aves identificadas até
Ferreira Lima, possui cerca de 22 hectares. o momento, as quais são apresentadas neste
Era um sítio que, por volta de 1940, foi ad- guia. Entre estas espécies, 95 são recorren-
quirido pelo governo e transformado em tes e 20 são registros isolados.
plantação de pinus e eucalipto. Somente em
1991, o terreno foi designado ao antigo IBDF Há um total de 20 aves endêmicas do bioma
(hoje IBAMA) e, depois, cedido ao município. Mata Atlântica, como a aracuã (Ortalis
squamata), o saí-de-pernas-pretas (Dacnis
Com o tempo, houve substituição dos pinus e nigripes) e o tiê-preto (Tachyphonus corona-
eucaliptos por vegetação nativa do bioma tus). Entre as aves aquáticas que ocupam as
Mata Atlântica. A vegetação do local passou áreas úmidas (lagos, córregos e banhados),
a se enquadrar como floresta Atlântica em o Parque possui asas-de-seda (Amazonetta
estágio secundário de desenvolvimento. Em brasiliensis), biguás (Nannopterum brasili-
2001, o Parque foi aberto para visitação. anus), galinhas-d'água (Gallinula galeata),
saracuras (Aramides cajaneus), tapicurus
Nas trilhas e pistas de caminhada, há muitas (Phimosus infuscatus) e garças (Ardeidae).
saracuras e aracuãs. Nos lagos, são comuns
as garças, tapicurus e biguás. Além das aves, Outras aves em destaque são as rapinas,
o Parque tem jacarés-de-papo-amarelo como corujas (Megascops sanctaecatarinae
(Caiman latirostris), teiús (Salvator merianae), e Asio stygius), gaviões (Elanoides forficatus,
saguis (Callithrix penicillata e Callithrix jac- Rupornis magnirostris, Accipiter striatus e
chus) e gambás (Didelphis aurita e Didelphis Buteo brachyurus) e urubus (Coragyps atra-
albiventris). tus e Cathartes aura).

João Andriola

periquitão

17
Marcon & Vieira

Bianca Vieira
taperuçu-de-coleira-branca

O Parque abriga 27 espécies de aves migra- na primeira quinzena de outubro.
tórias. No contexto catarinense, o beija-flor-
de-papo-branco (Leucochloris albicollis), a Boa parte destas espécies migra para repro-
gralha-azul (Cyanocorax caeruleus), o sabiá- duzir no Parque e voltam para regiões próxi-
ferreiro (Turdus subalaris), o sabiá-de-coleira mas à linha do Equador para realizar a
(Turdus albicollis), a saíra-sete-cores (Tangara troca de penas e passar o inverno.
seledon), a saíra-viúva (Pipraeidea melano-
nota), o saí-andorinha (Tersina viridis) e a Ainda duas espécies de guaracava (Elaenia
saíra-ferrugem (Hemithraupis guira) são aves flavogaster e Elaenia parvirostris) e o urutau
migratórias altitudinais que deixam a Serra (Nyctibius griseus) possuem padrões de
Catarinense no inverno para ocupar as regi- migração pouco estudados na região.
ões baixas, incluindo o Parque Ecológico do
Córrego Grande. O Parque Ecológico do Córrego Grande está
integrado à paisagem urbana da região
Já outras 16 espécies, entre andorinhas, central de Florianópolis como um refúgio
papa-moscas, a juruviara e o gavião-tesoura florestal e trampolim (stepping stone) entre o
(Streptoprocne zonaris, Chaetura meridiona- Manguezal do Itacorubi e a Mata Atlântica
lis, Pygochelidon cyanoleuca, Stelgidopteryx do Maciço da Costeira.
ruficollis, Tachycineta leucorrhoa, Progne
tapera e Pro. chalybea, Myiarchus swainsoni, A presença deste parque na cidade
Myiodynastes maculatus, Myiozetetes similis, agrega valor ao território, aumenta a
Tyrannus melancholicus, Tyr. savana, Empi- qualidade de vida da população e ga-
donomus varius, Pyrocephalus rubinus, Vireo
rante a conservação da biodiversidade.
chivi e Elanoides forficatus), são migratórias
latitudinais, cruzando quilômetros de Norte a
Sul para ocupar o Parque entre primavera e Locais como o Parque Ecológico do Córrego
outono. Grande demonstram a necessidade de se
incluir o quesito de integração entre a cida-
Algumas espécies possuem datas de migra- de e a paisagem natural do entorno como
ção bastante precisas. É o caso do suiriri (Tyr. fator fundamental do planejamento urbano.
melancholicus), que chega em Florianópolis

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

MARRECOS (ANATIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

asa-de-seda - Amazonetta brasiliensis
filhote

Maiara Vissoto
fêmea
macho

Amanda Marcon
Amanda Marcon

Bianca Vieira
macho com coberteiras
em muda expõe as
penas iridescentes

Outros nomes: marrequinha-da-Patagônia, Ocorrência no Brasil: Todo o país.
ananaí, pé-vermelho, paturi.
Alimentação: Algas, plantas, pequenos pei-
Características: Solitária, em casais ou ban- xes e invertebrados.
dos. Tem 35-40 cm de comprimento. Pluma-
gem castanha, com pontos escuros no pesco- Reprodução: Outono. Os ninhos de grave-
ço, peito e asas. Bochechas e laterais do tos, vegetação e plumas são escondidos
pescoço bege. Penas primárias iridescentes, próximos às áreas úmidas. Põe de seis a 14
assumindo tons entre verde e azul conforme ovos de coloração azul-esverdeada. Incuba-
a luminosidade, com borda escura. Penas ção por cerca de 25 dias. Ambos os pais
secundárias possuem pontas brancas até as cuidam dos ovos e filhotes. Os filhotes são
terciárias, que são completamente brancas. nidífugos, ou seja, saem do ovo prontos
Pés palmados e pernas avermelhados. O para caminhar ou nadar.
jovem é semelhante ao adulto, mas ainda
com alguma coloração escura de filhote. Os No parque: Eventualmente nos lagos.
filhotes têm coloração preta mesclada com
amarelo e listra escura característica atraves- Curiosidades
sando os olhos.
Troca todas as rêmiges juntas, tendo o voo
Dimorfismo sexual: Macho com bico averme- debilitado e ficando mais tempo escondi-
lhado, cabeça e pescoço com manchas mais da para evitar predadores.
castanhos e asas com iridescência mais forte.
Fêmea com bico cinza-escuro, mancha clara O bando voa em forma da letra V. Ao se
acima do bico e sobrancelha branca. cansar, o líder cede o lugar para a próxi-
ma ave e vai para o final da fila. As trocas
Ambiente: Áreas úmidas, como brejos, ba- de posição se repetem até o pouso. Assim,
nhados, lagoas e açudes. o bando se comunica e economiza ener-
gia quebrando a resistência do ar.

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Marcon & Vieira

ARACUÃS (CRACIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

aracuã - Ortalis squamata
Jones Battistella

Bianca Vieira
jovem
adulto

Outros nomes: aracuã-escamoso, aracuã- Ocorrência no Brasil: Do sul do Rio Grande
escamado, chachalaca, jacuzinho. do Sul até o norte de São Paulo, acompa-
nhando a porção leste da Mata Atlântica.
Características: Em bandos. Tem 50-55 cm
de comprimento. Plumagem com coloração Reprodução: Nidifica em árvores, construin-
castanha com garganta, pescoço e peito do um ninho de galhos e folhas. Põe de dois
pretos. Escamados esbranquiçados no pesco- a quatro ovos alongados e brancos com
ço e peito. Cauda longa de penas ferrugí- manchas amareladas. Incubação por cerca
neas. Possui uma máscara de pele escura ao de 27 dias. Os pais cuidam dos filhotes e,
redor dos olhos castanhos, partindo do bico. muitas vezes, vivem em bandos familiares.
Bico e patas cinza-azuladas. O jovem tem
plumagem castanha-clara e marcas menos No parque: Presente nas florestas e bordas
definidas, que escurece com a idade. O filho- de mata o ano todo.
te tem plumagem ferrugínea, cabeça esbran-
quiçada e baixo-ventre claro.
Curiosidades
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido. Espécie endêmica da Mata Atlântica.

Ambiente: Áreas arborizadas. São territoriais e vocalizam logo cedo para
demarcar território.
Alimentação: Frutos nativos, como embaúba,
pitanga, cocão e palmeira-juçara, ou exóti- O adulto abriga o filhote embaixo de suas
cos como abacate, banana e mamão. Tam- asas durante períodos de descanso.
bém sementes, folhas, flores e botões de
flores. Aracuãs são dispersores muito impor-
tantes para a regeneração das matas.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

BIGUÁS (PHALACROCORACIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

Bianca Vieira
mergulhão - Nannopterum brasilianus

jovem

adultos em plumagem
não-reprodutiva

Amanda Marcon
Bianca Vieira

adulto em pluma-
gem reprodutiva jovem

Outros nomes: biguá, imbiuá, miuá, pata- Ocorrência no Brasil: Todo o país.
d’água.
Reprodução: A plumagem ganha coloração
Características: Em bandos. Tem 58-73 cm mais intensa, com penas brancas na cabeça
de comprimento e até 1 m de envergadura. e pescoço. São monogâmicos, com ritual de
Plumagem preta. Pescoço longo. Olhos azuis. cortejo complexo. Nidificam em colônias
Pele no entorno do bico amarelada. Bico sobre arbustos e árvores. A fêmea constrói
superior escuro e inferior amarelado com ninhos com os gravetos trazidos pelo macho
ponta levemente encurvada. Pés escuros e em local escolhido por ele. Fazem a postura
palmados. Jovem de plumagem castanha de até quatro ovos azuis-claros. Incubação
clara, olhos acastanhados e bico amarelado por cerca de 25 dias. Os pais cuidam dos
com estrias escuras. A plumagem do jovem ovos e filhotes. Os filhotes se tornam inde-
vai escurecendo até a idade adulta. pendentes com 12 semanas de vida.

Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- No parque: Presente nos lagos o ano todo,
no evidente conhecido. porém mais indivíduos durante primavera e
verão.
Ambiente: Aquático, de áreas marinhas a
lagos e rios.
Curiosidades
Alimentação: Peixes, pequenos crustáceos,
Suas penas são pouco impermeáveis,
girinos e artrópodes aquáticos. Captura o
facilitando o mergulho, mas dificultando o
alimento em mergulho que pode chegar a
controle térmico. Por isso, biguás abrem
até 45 segundos de duração.
as asas para secagem com frequência.

Pouco se sabe sobre seus movimentos.
Algumas populações são migratórias e
outras, residentes.

21
Marcon & Vieira

GARÇAS E SOCÓS (ARDEIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

socozinho - Butorides striata

adulto

jovem
Bianca Vieira

Bianca Vieira
ninho com
filhotes
Amanda Marcon

Outros nomes: socó, socoí, socó-tripa. Ocorrência no Brasil: Todo o país.

Características: Solitária, em pequenos ban- Alimentação: Crustáceos, insetos, peixes,
dos e com outras espécies de garças. Tem 35 anfíbios, répteis e pequenos mamíferos.
-48 cm de comprimento. Adulto de pluma-
gem cinza clara, com rajados na asa. Pesco- Reprodução: Ninhos feitos de gravetos, iso-
ço com estrias castanhas e brancas. Topo da lados em galhos de árvores ou arbustos. A
cabeça cinza-escuro e pele facial amarelada. formação de colônias é rara. Põe de dois a
Bico superior escuro e inferior amarelados. quatro ovos azuis-esverdeados. Incubação
Pernas alaranjados, com dedos longos e por cerca de 20 dias.
finos. O jovem é amarronzado, com face,
pescoço e asas mais estriados, além de bico No parque: Presente nos lagos o ano todo.
e pernas mais claros. Os filhotes possuem
plumas acinzentadas, olhos esverdeados
contornados por pele amarela, pernas e pés Curiosidades
alaranjados e bico alaranjado com a ponta
escurecida. Alguns indivíduos pescam utilizando iscas
de folhas, galhos, restos de peixes, penas
Dimorfismo sexual: Macho um pouco maior e insetos para atrair a presa.
e com cores mais vibrantes do que a fêmea.
Em ambientes urbanos, pode usar peda-
Ambiente: Ambientes aquáticos. Ocultam-se ços de pão e até plástico como isca.
na vegetação das margens de corpos d’á-
gua. Enquanto a isca flutua, o socozinho per-
manece a espreita e ataca movendo a
cabeça como um arpão.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

GARÇAS E SOCÓS (ARDEIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

garça-vaqueira - Bubulcus ibis adulto em
plumagem
não-
reprodutiva

fêmea em pluma-
gem reprodutiva

Aureo Guaitolini
Amanda Marcon

macho em pluma-
gem reprodutiva

Outros nomes: garça-boiadeira, garça- Ocorrência no Brasil: Todo o país.
boieira, cunacoi, cupara.
Reprodução: A plumagem reprodutiva é
Características: Em bandos. Garça de 46-56 caracterizada por peito, costas e chapéu
cm de comprimento e 88-96 cm de enverga- alaranjados, com egretas (penas filamento-
dura. Seus olhos e a pele facial são amare- sas ornamentais) bem desenvolvidas. No
los. Em plumagem não-reprodutiva, o corpo auge do período reprodutivo, a base do bico
é totalmente branco, bico amarelo e pernas se torna mais escura, em tom que varia de
escuras. O jovem tem plumagem branca e amarelo intenso a avermelhado. Nidifica em
bico e pernas escuros. Diferencia de garça- colônias nos galhos de árvores e arbustos.
branca-pequena (Egretta thula) pela espessu- O macho recolhe os galhos e a fêmea cons-
ra mais grossa do bico e coloração uniforme trói o ninho. Põe de quatro a cinco ovos
dos pés e pernas. branco-esverdeados. Incubação por cerca
de 30 dias. Ambos os pais incubam os ovos
Dimorfismo sexual: Macho um pouco maior e cuidam dos filhotes.
do que a fêmea. As egretas (penas filamento-
sas ornamentais) do macho são maiores do No parque: Raramente nos gramados.
que as da fêmea durante o período reprodu-
tivo.
Curiosidades
Ambiente: Áreas abertas em geral, sendo
Espécie vinda da África, com primeiro
mais comum próximo a áreas úmidas.
registro nas Guianas em 1877. Por volta
de 1933, estabeleceu população e expan-
Alimentação: Invertebrados, lagartos e anfí-
diu território pelas Américas. O primeiro
bios. Frequentemente, segue grandes mamí-
registro no Brasil foi em 1964, quando
feros atrás de invertebrados.
expandiu território de norte a sul pelo
interior e, posteriormente, pelo litoral até
Fernando de Noronha em 1985.

23
Marcon & Vieira

GARÇAS E SOCÓS (ARDEIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

garça-moura - Ardea cocoi

fêmea em
plumagem
reprodutiva

Amanda Marcon
macho em
plumagem
Bianca Vieira

não-
reprodutiva
jovem
Valéria Vieira

Outros nomes: garça-morena, garça-parda, Ocorrência no Brasil: Todo o país.
joão-grande, maguari, socó-grande.
Reprodução: De janeiro a outubro. A pluma-
Características: Solitária ou com outras gar- gem fica mais vibrante, especialmente na
ças durante a alimentação. Tem 95-127 cm cabeça. As egretas (penas filamentosas or-
de comprimento e até 1,8 m de envergadu- namentais) tornam-se mais longas e escu-
ra. Plumagem dorsal acinzentada e ventral ras. O peito se torna mais esbranquiçado. O
branca com detalhes escuros. Asa e topo da bico fica inteiramente amarelo-alaranjado.
cabeça cinza-escuros. Os olhos são amarela- Nidifica em colônias em árvores altas. Os
dos e contornados por pele facial acinzenta- ninhais podem ser mistos com outras espé-
da. O bico acinzentado na base e em tons cies. Colocam até seis ovos de cor azulada.
amarelos, com manchas alaranjados, até a Incubação por cerca de 25 dias. Ambos os
ponta. Pernas longas acinzentadas. Jovem pais cuidam dos ovos e filhotes.
com plumagem fosca, pescoço acinzentado,
pernas mais claras e bico mais escuro. No parque: Presente nos lagos o ano todo.

Dimorfismo sexual: Macho um pouco maior
e com bico mais comprido que a fêmea. Curiosidades

Ambiente: Margens de corpos d’água e bre- É a maior garça do Brasil.
jos.
Por ser maior, captura presas em locais
Alimentação: Crustáceos, insetos, peixes, mais fundos do que as outras garças.
anfíbios, répteis e pequenos mamíferos. Es-
pera imóvel pela presa e ataca lançando a É encontrada em bandos apenas na épo-
cabeça como um arpão. ca reprodutiva.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

GARÇAS E SOCÓS (ARDEIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

garça-branca - Ardea alba adulto

jovem

jovem

fêmea
macho

Amanda Marcon
Bianca Vieira

Outros nomes: garça, garça-branca-grande. Ocorrência no Brasil: Todo o país.

Características: Solitária, em bandos ou com Reprodução: A pele facial assume tons mais
outras garças. Garça com 80-104 cm de vibrantes, o bico superior se torna escuro e
comprimento e 1,4-1,7 m de envergadura. as egretas (penas filamentosas ornamentais)
Plumagem branca. Pescoço longo, assumin- ficam mais longas e emplumadas. Nidifica
do posição de “S” quando em descanso. em colônias, com grandes ninhos de grave-
Olhos e pele facial amarelados. Detalhe azul to. As colônias podem ser mistas com outras
-esverdeado abaixo do olho. Bico amarelo- garças. Põe de dois a três ovos esbranquiça-
alaranjado. Longas pernas pretas. O jovem é dos. Incubação por cerca de 25 dias. Ambos
menor que o adulto e diferencia da garça- os pais cuidam dos ovos e filhotes. Os filho-
vaqueira (Bubulcus ibis) por ter uma crista tes frequentemente competem entre si por
branca e pernas pretas. alimento.

Dimorfismo sexual: Macho um pouco maior
e com bico mais comprido que a fêmea. Curiosidades

Ambiente: Áreas úmidas, como brejos, lago- Forma bandos, inclusive com outras espé-
as e açudes. cies, em locais de alimento abundante.

Alimentação: Crustáceos, insetos, peixes, Depois da reprodução, parte da popula-
anfíbios, répteis e pequenos mamíferos. Es- ção dispersa em massa para outros locais.
pera imóvel pela presa e ataca lançando a
cabeça como um arpão. Pode utilizar iscas Algumas populações são migratórias par-
para atrair as presas. ciais conforme ciclos de chuvas.

No parque: Presente nos lagos o ano todo.

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Marcon & Vieira

GARÇAS E SOCÓS (ARDEIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

maria-faceira - Syrigma sibilatrix

adulto

Amanda Marcon
Outros nomes: garça-faceira, coaracimimbi. Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste, Centro-
Oeste e pequena parte do Norte e Nordeste.
Características: Solitária, em pares ou ban-
dos. Garça com 50-64 cm de comprimento. Alimentação: Artrópodes, anfíbios, répteis e
Mais colorida do que as outras garças, com pequenos mamíferos. Também pesca em
dorso, asas, cauda e topo da cabeça acin- áreas alagadas rasas.
zentados. O pescoço longo é de tom creme e
torna-se mais escurecido no peito, clareando Reprodução: De setembro a dezembro. O
novamente na região da barriga. Bochechas casal constrói junto o ninho de gravetos nas
e coberteiras são amarelo-queimadas. Apre- árvores e reveza no cuidado dos filhotes.
senta egretas (penas filamentosas ornamen- Põe de um a quatro ovos cinza-esverdeados
tais) marcadas na cabeça, com as superiores com manchas amarronzadas. Incubação por
sendo acinzentadas de pontas creme e as cerca de 25 dias. Ambos os pais cuidam dos
inferiores inteiramente de cor creme. Olhos ovos e filhotes.
azulados contornados por pele igualmente
azul celeste. O bico é rosado e com ponta
preta. Pernas são escuros. Jovem mais fosco Curiosidades
e amarronzado, com pescoço estriado.
O canto melódico lembra um carro ou um
Dimorfismo sexual: Macho um pouco maior apito, sendo chamada de garça-
do que a fêmea. assobiadora no inglês (Whistling Heron).

Ambiente: Campos úmidos e áreas secas Possui voo diferente das outras garças,
próximas a corpos d’água. com batida de asas mais rápida e curta.

No parque: Raramente encontrada nos gra- Seu recorde é de 273 batidas de asa por
mados. minuto.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

GARÇAS E SOCÓS (ARDEIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

garça-branca-pequena - Egretta thula

Ivo Kindel

filhote

Amanda Marcon
Amanda Marcon

jovem adulto

Outros nomes: garça-pequena, chinelos-de- Ocorrência no Brasil: Áreas úmidas em todo
ouro, garcinha, garcinha-branca. o país.

Características: Solitária, em pares ou ban- Reprodução: Primavera e verão. A pele faci-
dos. Garça com 47-68 cm de comprimento e al e os pés assumem tons mais alaranjados
84-91 cm de envergadura. Plumagem bran- e as egretas (penas filamentosas ornamen-
ca, com egretas (penas filamentosas orna- tais) da cabeça, pescoço e dorso ficam mais
mentais) na cabeça, pescoço e dorso. Parte evidentes. Reproduz em colônias, podendo
anterior das pernas de coloração preta e ser mistas com outras garças. O casal cons-
posterior amarela forte. Pele facial, olhos e trói ninho de gravetos em árvores próximas
pés em tom amarelo forte. Bico preto. Jovem a corpos d’água. Põe de dois a sete ovos
com olho amarelo claro, bico superior acin- esverdeados. Incubação por cerca de 25
zentado, pele facial esverdeada e pernas dias. Ambos os pais cuidam dos filhotes até
foscas com manchas amareladas. Filhote 30 dias, quando deixam o ninho.
com plumas brancas e bico e patas escuros.

Dimorfismo sexual: Macho um pouco maior
Curiosidades
que a fêmea.
Alguns a confundem com filhotes da garça
Ambiente: Áreas úmidas.
-branca-grande (Ardea alba), indivíduos
em plumagem não-reprodutiva de garça-
Alimentação: Moluscos, insetos, crustáceos,
vaqueira (Bubulcus ibis) ou jovens de gar-
peixes, anfíbios e répteis. É ativa na caça,
ça-azul (Egretta caerulea). As quatro espé-
correndo atrás de suas presas. Também revi-
cies são diferenciadas pelo tamanho e
ra o lodo com os pés em busca de presas.
pelos padrões de coloração do bico, das
pernas e dos pés.
No parque: Presente nos lagos o ano todo.

27
Marcon & Vieira

GARÇAS E SOCÓS (ARDEIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

Bianca Vieira
jovem
garça-azul - Egretta caerulea

filhotes

jovem
Mário Arias

Bianca Vieira

Bianca Vieira
adulto

Outros nomes: garça-cinzenta, garça- Ocorrência no Brasil: Todo o litoral, Panta-
morena. nal, Bacia Amazônica e áreas úmidas do
Sudeste e Centro-Oeste.
Características: Solitária ou em bandos, in-
clusive com outras garças. Tem 51-76 cm de Reprodução: A coloração da cabeça e a
comprimento e 95-106 cm de envergadura. ponta do bico passam a azul-escuro, as
Adulto azul-acinzentado, com manchas arro- egretas ficam mais escuras e longas e as
xeadas na cabeça e no pescoço. Tem egretas pernas se tornam quase pretas. O macho
(penas filamentosas ornamentais) escuras na estabelece território e constrói uma platafor-
cabeça, peito e costas. Olhos claros e pele ma de gravetos para o ninho. O casal termi-
facial azul. Bico roliço azul com a ponta na a construção do ninho juntos, com a
escura. Pernas azul-esverdeadas. Jovem de fêmea adicionando outros gravetos coleta-
coloração branca, pernas esverdeadas, pele dos pelo macho. Põe de dois a cinco ovos
facial cinza-azuladas mais opacas e olhos azulados. Incubação por cerca de 23 dias.
amarelos. Conforme a idade, as penas en- Os filhotes deixam o ninho com 40-50 dias
tram em muda e passa a ter coloração de de vida e continuam sendo alimentados por
adulto. Nessa transição, é comum encontrar mais algumas semanas.
indivíduos jovens brancos pintados de azul.
Filhotes com plumas brancas, patas escuras e No parque: Presente nos lagos apenas parte
bico azul-esverdeado. do dia. Habitam os manguezais próximos do
Itacorubi, Pirajubaé e Saco Grande.
Dimorfismo sexual: Macho um pouco maior
que a fêmea.
Curiosidades
Ambiente: Áreas úmidas. Mais comum em
regiões litorâneas. Procura presas tanto ativamente quanto
imóvel à espreita. Territoriais, é comum ver
Alimentação: Peixes, girinos, caranguejos, indivíduos mais velhos expulsando os mais
camarões e outros pequenos invertebrados. jovens das áreas de alimentação.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

TAPICURUS (THRESKIORNITHIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

tapicuru - Phimosus infuscatus

Bianca Vieira
jovem
em voo
Amanda Marcon

Amanda Marcon

adulto

Outros nomes: chapéu-velho, maçarico-de- Ocorrência no Brasil: Áreas abertas e úmi-
cara-pelada, maçarico-do-banhado, maçari- das, exceto nos rios da Amazônia.
co-preto, tapicuru-de-cara-pelada.
Reprodução: O casal constrói o ninho com
Características: Solitária ou em bandos. Íbis gravetos em árvores. Põe de dois a quatro
com 46-54 cm de comprimento. Plumagem ovos azulados com pintas amarronzadas.
preta e iridescente, reluzindo tons de verde e Incubação por cerca de 25 dias. Ambos os
azul conforme a luz. O bico é longo e curvo pais cuidam dos ovos e filhotes.
para baixo e amarelo-alaranjado. Tem a pele
facial rosada e olhos castanhos. As pernas e No parque: Presente nos lagos o ano todo.
pés são igualmente rosados. Em voo, a per- Na primavera, há ninhos nas árvores das
na não passa da cauda. Jovem mais fosco e margens dos lagos.
com alguns rajados, bem como bico curto e
pele facial escuros.
Curiosidades
Dimorfismo sexual: A proporção do bico em
relação ao corpo é maior no macho do que No Brasil, era limitada ao estado do Rio
na fêmea. Grande do Sul. Por volta de 2003, chegou
ao estado de Santa Catarina. Esta ave teve
Ambiente: Áreas úmidas, como campos ala- uma grande expansão territorial e, após
gados, lamaçais e corpos d’água rasos. 2007, dominou o estado catarinense e
continuou a expandir para o norte. Em
Alimentação: Algas, biofilme, crustáceos, 2017, já ocupava até regiões da Amazô-
moluscos e insetos. nia. Tornou-se uma espécie muito comum
na Ilha de Santa Catarina.

29
Marcon & Vieira

URUBUS (CATHARTIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

urubu-vermelho - Cathartes aura
Tiago Steffen

jovem

Amanda Marcon
em voo
Bianca Vieira

adulto

Outros nomes: urubu-grande, urubu-de- Ocorrência no Brasil: Todo o país.
cabeça-vermelha.
Alimentação: Matéria em decomposição.
Características: Solitária ou entre outras aves Tem o olfato mais apurado entre os urubus,
de rapina. Urubu de 62-81 cm de compri- encontrando carniças há quilômetros. Às
mento e 1,6-1,8 m de envergadura. Pluma- vezes, captura pequenos artrópodes e verte-
gem preta, com penas da asa e da cauda brados vivos. Infelizmente, sofrem atropela-
branco-acinzentadas. A cauda é longa e com mento ao pousarem nas rodovias para co-
formato arredondado. A cabeça não possui mer animais atropelados.
penas e exibe a pele avermelhada. Há mar-
cas pretas ao redor dos olhos azulados. Nu- Reprodução: O casal nidifica no solo, rochas
ca com faixa de pele clara exposta. O bico é ou ocos de árvores, sempre bem protegidos
amarelo-esbranquiçado. As pernas e pés são pela vegetação. Põe até dois ovos brancos
rosados. O jovem possui a pele da cabeça e elípticos. Incubação por cerca de 40 dias.
o bico escuros, mudando de cor conforme Os filhotes são cuidados por ambos os pais
entram na idade adulta. O filhote possui até aprenderem a voar.
cabeça preta desnuda e plumas brancas que
mudam para penas escuras conforme cresce.
Curiosidades
Dimorfismo sexual: Fêmea um pouco maior
que o macho. Como outros urubus, são decompositores
importantes para a limpeza do ambiente.
Ambiente: Áreas abertas ou bordas de mata.
Seu sistema imunológico e suco gástrico
No parque: Presente o ano todo, em voo neutralizam patógenos das carcaças. Tam-
principalmente. bém a cabeça sem penas mantém a higie-
ne quando se alimenta.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

URUBUS (CATHARTIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

em voo
urubu - Coragyps atratus
Amanda Marcon

ovo

Amanda Marcon
Amanda Marcon
Claudio Moraes

filhotes adulto

Outros nomes: urubu-de-cabeça-preta, uru- Ocorrência no Brasil: Todo o país.
bu-preto, corvo.
Alimentação: Matéria em decomposição,
Características: Solitária ou entre outros uru- pequenos vertebrados e artrópodes. Sem
bus. Urubu de 56-74 cm de comprimento e olfato aguçado, mas com excelente visão.
1,3-1,6 m de envergadura. Plumagem preta. Infelizmente, sofrem atropelamento ao pou-
Sete últimas primárias esbranquiçadas. Cau- sarem nas rodovias para comer animais
da mais curta e reta. Cabeça e pescoço sem atropelados.
penas. Olhos castanhos. Ponta do bico, per-
nas e pés esbranquiçados. O jovem tem bico Reprodução: Nidifica em cavidades em ár-
todo preto e mais penas na cabeça. Todavia, vores ou pedras. Põe até dois ovos alonga-
a nossa percepção da quantidade de penas dos de coloração esbranquiçada, podendo
na cabeça pode ser enganada quando indi- ou não apresentar manchas escuras. Incuba-
víduos encolhem o pescoço. Conforme cres- ção por cerca de 40 dias. É comum que um
ce, as plumas amareladas do filhote mudam dos pais permaneça de guarda do lado de
para penas escuras. fora do ninho enquanto o outro sai à procu-
ra de alimento. Ambos os pais cuidam dos
Dimorfismo sexual: Fêmea um pouco maior ovos e filhotes.
que o macho.
Curiosidades
Ambiente: Áreas abertas. Em áreas urbanas,
é comum em locais de descarte de resíduos.
Como outros urubus, realizam allopreen-
ing, cuidando das penas de outras aves
No parque: Presente o ano todo, em voo
com o bico.
principalmente.
Não possuem glândulas de suor e resfri-
am o corpo abrindo o bico e defecando
nas próprias patas.

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Marcon & Vieira

GAVIÕES (ACCIPITRIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

gavião-tesoura - Elanoides forficatus

Amanda Marcon
adulto

Outros nomes: gavião-das-taperas, itapema, Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
tesourão. Pampa gaúcho.

Características: Solitária, em pares ou ban- Reprodução: Primavera e verão. Costuma
dos. Gavião com 52-66 cm de comprimento ser monogâmico. Cortejam com movimentos
e 1,2-1,3 m de envergadura. Plumagem complexos em voo e o macho oferecendo
branca, com costas cinza-chumbo. A cauda, alimento à fêmea. Nidifica em colônias, na
o dorso das asas e os ombros são pretos. copa das árvores, camuflando a estrutura
Cauda com penas externas mais longas do entre os galhos e folhas da árvore. O ninho
que as restantes, lembrando uma tesoura é feito com gravetos e musgos. Põe de dois
quando aberta. Olhos castanhos. As pernas a três ovos brancos. Incubação por cerca de
são curtas e de cor acinzentada, assim como 30 dias. Ambos os pais cuidam dos ovos e
o bico e a pele facial. Jovem semelhante, filhotes.
mas com estrias amarelas no peito.
No parque: Casais nidificam nas matas
Dimorfismo sexual: Fêmea um pouco maior próximas e sobrevoam o parque em busca
que o macho. de alimento na primavera e verão.

Ambiente: Florestas. Visualizado planando
pelas cidades, se próximas à mata principal- Curiosidades
mente.
Espécie migratória transcontinental, passa
Alimentação: Aves, lagartos, anfíbios, peque- o outono e inverno na América do Norte.
nos mamíferos e artrópodes. Muitas vezes,
come em pleno voo. Como outras rapinas, sofre mobbing, ou
seja, são atacados por outras aves em
pleno voo.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

GAVIÕES (ACCIPITRIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

gaviãozinho - Accipiter striatus

Amanda Marcon
em voo
Amanda Marcon

Amanda Marcon

adulto - costas

adulto - frente

Outros nomes: gavião-miúdo, tauató-miúdo. Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste, Centro-
Oeste e partes do Norte e Nordeste.
Características: Solitária. Tem 23-35 cm de
comprimento. Plumagem dorsal castanho- Alimentação: Aves, até maiores que 35 cm.
acinzentada e ventral branca. O peito é claro Empoleira-se em galhos e aguarda até o
e estriado horizontalmente. Bochechas e aparecimento da presa, dando voos rápidos
coxas são castanho-alaranjadas. Pele facial e e silenciosos para apanhá-la. Suas asas
olhos são amarelo-escuros. Pernas são ama- arredondadas e cauda quadrada o auxiliam
relo-claros. Em voo, tem silhueta longa e a manobrar por entre os galhos durante a
esguia, além de asas estriadas e cauda cinza caçada.
com bandas pretas. O jovem é mais fosco e
apresenta o peito mais estriado, bem como Reprodução: O ninho de gravetos é feito
uma leve sobrancelha branca. pelo casal. Põe de três a cinco ovos esbran-
quiçados com muitas ou poucas manchas
Dimorfismo sexual: Macho levemente menor castanhas. Incubação por cerca de 33 dias.
do que a fêmea. A fêmea incuba os ovos durante as primei-
ras semanas enquanto o macho a alimenta.
Ambiente: Florestas. Pode ser observado Mais tarde, ambos os pais incubam os ovos
sobrevoando áreas abertas. e cuidam dos filhotes.

No parque: Eventualmente em voo ou pousa-
do em árvores altas, como pinus e eucalip- Curiosidades
tos.
As populações do Brasil são residentes
enquanto que as populações na América
do Norte são migratórias.

33
Marcon & Vieira

GAVIÕES (ACCIPITRIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

gavião-carijó - Rupornis magnirostris

Amanda Marcon
Pedro Lima

jovem
filhote

Amanda Marcon
adulto

Outros nomes: papa-pinto, anajé, indaié, Ocorrência no Brasil: Todo o país.
gavião-pinhé.
Alimentação: Artrópodes e lagartos, poden-
Características: Solitária. Gavião com 33-41 do também predar aves e pequenos mamí-
cm de comprimento. Dorso castanho e ventre feros, como roedores e morcegos. Pode
claro estriado, dependendo da subespécie, permanecer um longo tempo no mesmo
com marcas cinza-ferrugíneas ou castanho- poleiro, aguardando a presa.
acanelados. Possui estriados horizontais na
barriga e verticais no peito. Pele facial, Reprodução: O casal costuma voar junto e
olhos, narinas, pernas e pés são amarelados, vocalizar em dueto. Constrói o ninho com
enquanto que o bico é acinzentado. Em voo, gravetos e folhas no topo de árvores altas.
tem uma mancha castanha nas primárias e Põe dois ovos brancos, que podem ou não
três bandas escuras horizontais na cauda. O ser manchados. A fêmea incuba os ovos por
jovem tem a cabeça mais clara e o estriado 30 dias, sendo alimentada pelo macho.
vertical mais alongado no peito. Os filhotes Ambos os pais cuidam dos filhotes.
têm plumagem castanho-esbranquiçada, que
vai escurecendo conforme crescem. No parque: Em voo ou pousado em árvores
e postes o ano todo.
Dimorfismo sexual: O macho é menor do
que a fêmea.
Curiosidades
Ambiente: Comum em borda de matas e
ambientes abertos. Raro em florestas densas. São capazes de voar por entre locais es-
Visto sobrevoando cidades. treitos sem se chocarem contra os objetos.
Encolhem as asas no momento exato e
usam as pernas como alavanca para lan-
çarem entre aberturas na vegetação.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

GAVIÕES (ACCIPITRIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

gavião-de-cauda-curta - Buteo brachyurus

jovem
morfo
claro
Amanda Marcon

adulto

Eden Fontes
morfo
adulto escuro
Carmen Bays

morfo
claro

Outros nomes: gavião-de-rabo-curto, búteo. Ocorrência no Brasil: Todo o país.

Características: Solitária, em casais ou com Dimorfismo sexual: O macho é um pouco
outras aves de rapina. Gavião com 37-46 menor do que a fêmea.
cm de comprimento e 83-103 cm de enver-
gadura. Possui dois morfos, ambos presentes Ambiente: Bordas de mata.
na Ilha de Santa Catarina, ainda que o mor-
fo claro seja mais frequente, inclusive no Alimentação: Aves, répteis, lagartos, anfí-
Parque Ecológico do Córrego Grande. bios, pequenos mamíferos e artrópodes. Dá
rasantes nas copas das árvores.
Morfo claro: Dorso castanho-escuro e uma
borda cinza-escura nas asas e cauda, que se Reprodução: O macho exibe movimentos
dilui em barras brancas até o interior das aéreos complexos e vocalizações. O casal
asas e ventre brancos. A cauda tem duas constrói o ninho com gravetos em topos de
barras bem escurecidas na ponta. A cabeça árvores. Põe dois ovos manchados. Incuba-
cinza escura possui pescoço branco, bico ção por cerca de 40 dias. O macho é o
acinzentado com ponta mais escurecida e responsável por alimentar os filhotes, que
olhos castanho-escuros. A pele facial, pernas abandonam o ninho em até cinco semanas.
e pés são amarelo-alaranjados. O jovem tem
plumagem mais castanha e amarelada, com No parque: Casais que nidificam nas matas
uma sobrancelha branca bem marcada. O próximas são vistos em voo.
filhote nasce branco e vai ganhando as tona-
lidades escuras conforme cresce.
Curiosidades
Morfo escuro: Tem ventre, interior das asas e
pescoço castanho-escuros como o dorso. O O morfo escuro lembra muito um urubu e,
jovem pode ser todo escuro ou ter pequenas por isso, muitas vezes passa despercebido
manchas claras no corpo. voando entre outras aves de rapina.

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Marcon & Vieira

SARACURAS (RALLIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

Glauco Tonello
três-potes - Aramides cajaneus
Glauco Tonello

Eduardo Rodrigues
filhote
adulto jovem

Outros nomes: saracura-três-potes, saracura- Ocorrência no Brasil: Todo o país.
do-brejo, sericoia e beccaccia.
Alimentação: Folhas, frutos, sementes, inver-
Características: Solitária ou em bandos. Ave tebrados e até pequenos vertebrados, como
com 33-40 cm de comprimento. O dorso é peixes e cobras-d’água. Cisca e revira a
castanho próximo à cauda e muda para serapilheira.
cinza-azulado no pescoço, peito e cabeça. A
cabeça ainda apresenta coroa castanha. As Reprodução: As pernas ficam mais intensas.
penas da cauda são escuras. O ventre é Monogâmica. O casal constrói o ninho com
castanho-arruivado, sendo esta a característi- gravetos e serapilheira no solo, escondido
ca mais marcante para diferenciá-la da sara- na vegetação e próximo às margens do
cura (Aramides saracura). Os olhos, pernas e corpo d’água. Põe de três a sete ovos bran-
pés são vermelhos. O bico tem a base ama- cos, que podem ter manchas amarronzadas.
rela e a ponta verde-clara. A garganta pode Incubação por cerca de 20 dias. Os pais
apresentar cor esbranquiçada. Quando abre revezam a incubação em turnos de seis a
as asas, é possível ver penas castanhas com oito horas. Ambos cuidam dos filhotes.
rajados escuros nas axilas. O jovem é mais
fosco e tem olhos castanhos, pernas mais No parque: Comum em todas as trilhas o
claras e o bico escurecido. Os filhotes são ano todo.
castanho-escuros com a testa levemente
avermelhada e têm pernas e bico escuros.
Curiosidades
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido. Inspirou a música “O Cantar da Saracura”
de Tonico & Tinoco.
Ambiente: Áreas úmidas, próximas a corpos
d’água e com vegetação adensada. Costuma fugir correndo e dando voos
curtos e desajeitados.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

SARACURAS (RALLIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

saracura - Aramides saracura

Vilde Florêncio
Amanda Marcon

filhote
adulto

Outros nomes: saracura-do-mato, siricoia. Ocorrência no Brasil: Sul e Sudeste, acom-
panhando a Mata Atlântica.
Características: Solitária ou em bandos. Ave
com 34-37 cm de comprimento. Semelhante Reprodução: Pernas ficam bem avermelha-
à três-potes (Aramides cajaneus), mas com dos, assim como os olhos. O casal constrói
peito inteiramente cinza-azulado e o dorso o ninho com gravetos em árvores, bem es-
castanho. Pernas, pés e olhos avermelhados. condido entre as folhas. Põe de cinco a seis
O bico é amarelo na base, tornando-se mais ovos brancos. Incubação por cerca de 20
esverdeado da metade para a ponta. As dias. Ambos os pais cuidam dos ovos e fi-
penas da cauda são escuras. O jovem é lhotes.
semelhante, porém apresenta coloração mais
fosca, patas claras, olhos castanhos e bico No parque: Rara no parque, mas comum
com tons escuros. Os filhotes são escuros, nas matas do entorno.
com bico curto e pernas pretos.

Dimorfismo sexual: A fêmea é levemente
Curiosidades
maior do que o macho.
Espécie endêmica da Mata Atlântica.
Ambiente: Ocupa tanto ambientes úmidos
quanto secos, preferindo matas adensadas.
É uma das poucas saracuras que pode ser
encontrada em ambientes secos.
Alimentação: Invertebrados, frutos, folhas,
pequenos mamíferos, anfíbios e suas deso-
Vocalizam mais ao amanhecer e crepúscu-
vas, répteis e peixes.
lo para delimitar os territórios.

37
Marcon & Vieira

SARACURAS (RALLIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

galinha-d’água - Gallinula galeata

filhote

adulto
Amanda Marcon

Amanda Marcon
jovens

Outros nomes: frango-d’água, galinhola, Ocorrência no Brasil: Todo o país.
jaçanã-galo.
Reprodução: Primavera e verão. Pode for-
Características: Solitária ou em bandos. Ave mar um casal, uma fêmea para dois machos
com 35-36 cm de comprimento e 53 cm de ou duas fêmeas para um macho. Constrói o
envergadura. Corpo cinza-azulado, mais ninho em forma de plataforma ou tigela na
escurecido na região da cabeça. Apresenta água, vegetação ou arbustos até 8 m do
uma linha branca entre as penas ventral e da solo. Utiliza folhas e gravetos. Põe de um a
asa. As asas possuem ponta acastanhada. As sete ovos de cor clara. Incubação por cerca
penas da cauda são intercaladas em branco, de 20 dias. Pode deixar ovos em ninhos de
preto e branco. Destaca-se a pele vermelha outros casais.
que vai da metade do bico amarelo até o
escudo da testa. Pernas são amarelo- No parque: Ocasionalmente nos lagos e
esverdeados, com três dedos longos e um córregos.
curto. Na parte superior das pernas, há uma
faixa alaranjada. O jovem é todo cinza-claro
com o escudo alaranjado e as patas mais
Curiosidades
claras. O filhote tem plumas escuras, com o
bico alaranjado e o topo da cabeça sem
Ao verem serpentes pequenas, realizam
penas.
perseguições sem atacá-las. Não se sabe
se o comportamento é por curiosidade,
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
prevenção por haver filhotes perto ou para
no evidente conhecido.
se alimentarem de invertebrados revirados
na passagem destas serpentes.
Ambiente: Corpos d’água, como banhados,
lagoas e lagos.
Podem formar grupos de até 30 indivíduos
para procurar alimento no inverno.
Alimentação: Folhas, algas e brotos, mas
também artrópodes e pequenos vertebrados.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

BATUÍRAS (CHARADRIIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

quero-quero - Vanellus chilensis

Bianca Vieira
Amanda Marcon

jovem

ovos

Bianca Vieira
Amanda Marcon

esporão
Bianca Vieira
filhote adulto

Amanda Marcon adulto abrigando filhote

Outros nomes: abibe, tero, tero-tero, téu-téu. Ocorrência no Brasil: Todo o país.

Características: Em casais, famílias ou ban- Alimentação: Invertebrados, pequenos pei-
dos. Ave com 32-38 cm de comprimento. xes e biofilme.
Possui dorso marrom-acinzentado e barriga
branca com uma mancha preta. Também Reprodução: O casal constrói o ninho no
tem uma mancha preta da testa ao papo. A solo, organizando a vegetação. Põe até
cabeça tem um penacho de duas a cinco quatro ovos alongados de cor cinza-
penas escuras. As penas da ponta da asa amarelada e com muitas pintas preto-
são pretas e as do ombro são iridescentes, azuladas. Os filhotes são nidífugos. Ambos
em tons azul-esverdeado e castanho- os pais cuidam dos filhotes.
dourado. Quando abre as asas, pode-se
visualizar uma faixa branca. Tem esporão No parque: Eventualmente nos campos.
ósseo de cor rosada no ombro. A cauda é
branca com a ponta preta. Pernas, pés e
olhos são vermelhos. O bico é avermelhado Curiosidades
com a ponta escura. O jovem possui esporão
mais arredondado, mancha da testa pintada Territorial, vocaliza quando há intrusos. Se
e dorso do corpo e das asas pintado. O há filhotes ou ovos, os pais vocalizam,
filhote tem plumas sarapintadas, ventre bran- exibem os esporões, dão voos rasantes e
co e patas escuras. fingem-se de machucados para atrair a
atenção do invasor.
Dimorfismo sexual: O macho é levemente
maior do que a fêmea. Se ameaçado, o filhote se finge de morto.

Ambiente: Áreas abertas úmidas ou próximas No frio ou na chuva, os filhotes abrigam-
a corpos d’água. se nas asas dos pais.

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Marcon & Vieira

POMBOS (COLUMBIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

rolinha - Columbina talpacoti

macho
Amanda Marcon

Amanda Marcon
jovem fêmea

Outros nomes: pomba-rola, pombinha, Ocorrência no Brasil: Todo o país.
pombinha-roxa, rolinha-caldo-de-feijão,
rolinha-roxa. Reprodução: O ano todo. Na corte de aca-
salamento, o macho estufa o peito e eriça as
Características: Solitária, em pares ou ban- penas, batendo as asas acima das costas, e
dos. Pomba com 14-18 cm de comprimento. seguindo a fêmea com pequenos saltos.
Amarronzada, possui cabeça e pescoço de Após algum tempo de cortejo, a fêmea esco-
coloração mais clara que o restante do cor- lhe entre aceitar a corte ou negar, voando
po. Olhos avermelhados e um conjunto de para local distante ou atacando o macho. O
pintas pretas na asa, que podem ou não casal constrói o ninho em formato de tigela
formar linhas. O jovem tem a coloração mais e defende o território de outras aves. Põe até
fosca, olhos amendoados e poucas penas no dois ovos. Incubação por cerca de 15 dias.
contorno do bico; além de comissura labial Após duas semanas, os filhotes abandonam
(protuberância na base do bico) escura, exi- o ninho e o casal inicia nova postura.
bindo pele facial escurecida.
No parque: Em todo o parque o ano todo.
Dimorfismo sexual: O macho é mais robusto
e de plumagem castanho-avermelhada, com
o topo da cabeça cinza-azulado e pernas Curiosidades
rosadas escuras. A fêmea apresenta colora-
ção castanha-clara, cabeça acinzentado e Por serem pequenas e vistas com outras
pernas rosadas claras. espécies, são confundidas como sendo
filhotes de outras pombas.
Ambiente: Áreas abertas.
Em disputas territoriais ou por alimento,
Alimentação: Grãos. Cisca o solo em busca perseguem o adversário com uma asa
do alimento. erguida e a abaixam em um “tapa” quan-
do próximas o suficiente do alvo.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

POMBOS (COLUMBIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

Luciano Alves
pombo - Columba livia

filhotes
Leonardo Casadei

Bianca Vieira
macho fêmea

Outros nomes: pombo-doméstico, pomba-da Ocorrência no Brasil: Todo o país.
-paz, pomba-de-casa, pombo-comum, pom-
bo-correio, pombo-das-rochas, pombo- Alimentação: Grãos e frutos. Cisca o solo
europeu. em busca do alimento.

Características: Solitária, em grupos familia- Reprodução: Na corte, o macho faz diversas
res e bandos. Pombo com 31-34 cm de com- reverências à fêmea, estufa o peito e bate as
primento. Plumagem muito variada devido asas no dorso e lateral do corpo. O casal
ao processo de domesticação. Há padrões limpa as penas um do outro e também se
mais comuns, como os pombos completa ou oferece alimento. Constrói ninhos em colô-
parcialmente brancos e os acinzentados, de nias nas cavidades de formações rochosas
pescoço iridescente e asas cinza-claro com altas ou construções. Põe até dois ovos.
riscas pretas. Mesclas de cor são comuns. Incubação por cerca de 20 dias. Ambos os
Igualmente, a cor dos olhos varia entre ver- pais cuidam dos ovos e filhotes, que, em
melho, alaranjado, castanho e preto. Bico pouco tempo, passam a conviver com o
geralmente escuro. Pernas geralmente aver- resto do bando.
melhados.
No parque: Em todo o parque o ano todo.
Dimorfismo sexual: O macho é levemente
maior e mais robusto do que a fêmea.
Curiosidades
Ambiente: Áreas abertas próximas a roche-
dos. Em espaços urbanos, busca praças Espécie trazida da Europa e África durante
próximas a prédios e outras construções. a colonização para ser utilizada como
meio de comunicação, levando mensa-
gens amarradas à pata ou ao corpo.

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Marcon & Vieira

POMBOS (COLUMBIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

asa-branca - Patagioenas picazuro

filhote
adulto

Aureo Guaitolini
ninho

Outros nomes: pomba-carijó, pombão, pom- Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
ba-trocal, pombo-do-ar. Amazônia.

Características: Solitária ou em bandos. Pom- Reprodução: O casal constrói um ninho de
bo com 34-36 cm de comprimento. Pluma- gravetos nas árvores. Normalmente, põe
gem cinza-arroxeada ou cinza-rosada. As apenas um ovo branco. Incubação por cerca
asas são acinzentadas, com dorso escamado de 20 dias.
e laterais azuladas, apresentando uma faixa
branca mais larga na borda. Pele facial aver- No parque: Ocasionalmente na copa das
melhada. Nuca e laterais do pescoço com árvores ou sobrevoando a área.
mancha azulada escamada. Olhos e pernas
avermelhados. Bico esbranquiçado. O jovem
possui plumagem cinza-arroxeada sem esca- Curiosidades
mado no pescoço, olhos castanhos, bico
escuro e pernas acinzentadas. Filhote fosco e Um trecho e o título da música “Asa Bran-
com escamas pouco visíveis, além de pele ca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira,
facial escura, bico e patas escuros. foi inspirado nesta ave.

Dimorfismo sexual: A fêmea é levemente Além de seu canto normal, emite um cha-
mais pálida que o macho. mado de alerta que se assemelha a um
latido.
Ambiente: Florestas.
Pode fazer pequenas migrações com ou-
Alimentação: Grãos e frutos. Procura por seu tros pombos.
alimento no solo. Frequenta plantações após
a colheita e pode percorrer grandes distân-
cias para se alimentar.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

POMBOS (COLUMBIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

pomba-galega - Patagioenas cayennensis
Pedro Lima

filhote

André Mendonça
adulto

Outros nomes: pocaçu, pomba-dourada, Ocorrência no Brasil: Todo o país.
pomba-gemedeira, pomba-saleira, pomba-
santa-cruz, zuleica. Ambiente: Encontrada tanto em pequenos
fragmentos de mata quanto em capoeiras,
Características: Solitária, mas em bandos inclusive parques urbanos arborizados. Mais
fora da época reprodutiva. Pombo com 25- numerosa ao longo de rios.
26 cm de comprimento. Possui coloração
avermelhada na testa, peito e pescoço. Barri- Alimentação: Grãos e frutos. Revira o solo e
ga acinzentada. A bochecha é acinzentada e as folhas com o bico.
a nuca apresenta iridescência com tons de
verde. O dorso das asas é avermelhado, Reprodução: De setembro a dezembro. Os
passando a cinza-escuro nas pontas. A cau- machos disputam entre si pela atenção da
da é acinzentada com a ponta branca. As fêmea. Costumam ser monogâmicos. Cons-
pernas são rosadas e os olhos, avermelha- trói ninhos rústicos de gravetos. Põe até dois
dos. O jovem é fosco e tem bico e patas ovos brancos. Incubação por cerca de 20
escuros. O filhote tem bico e patas escuros, dias.
além de plumas amareladas que, conforme
cresce, são trocadas por plumagem acinzen- No parque: Ocasionalmente na copa das
tada. árvores ou sobrevoando a área.

Dimorfismo sexual: A fêmea é levemente
mais pálida que o macho.

43
Marcon & Vieira

POMBOS (COLUMBIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

pupu - Leptotila verreauxi
Amanda Marcon

ovos
Amanda Marcon

Enio d’Ávila
filhotes adulto

Outros nomes: juriti, pomba-do-mato, pom- Ocorrência no Brasil: Todo o país.
ba-pupu, juriti-pupu.
Alimentação: Grãos e frutos. Revira o solo
Características: Solitária. Pombo com 23-29 com o bico.
cm de comprimento. Muito semelhante à
gemedeira (Leptotila rufaxilla), diferenciando- Reprodução: O casal constrói um grande
se pelo azul do topo da cabeça, que vai até ninho com gravetos. Põe até dois ovos bran-
abaixo da nuca. Todavia, há variação na co-azulados. Incubação por cerca de 20
intensidade desta mancha conforme distribui- dias.
ção geográfica. Plumagem dorsal em tons
castanho-escuros. A barriga é cinza- No parque: Comum nas matas o ano todo.
esbranquiçada. O peito é cinza-azulado ou
cinza-rosado dependendo do indivíduo. A
pele facial varia de cinza a avermelhada. Em Curiosidades
voo, nota-se o interior das asas bem casta-
nho-avermelhado, com as pontas escuras. Arisca, é mais ouvida do que vista. Seu
Bico escuro. Pernas avermelhadas. O jovem é canto é um característico “pu puuu” repeti-
castanho, com olhos igualmente castanhos e do a cada 10 segundos.
pernas cinza-rosadas. Os filhotes nascem
com plumas amarelas e, conforme crescem, Cedo da manhã, costuma sair para áreas
assumem coloração acinzentada. abertas e trilhas para procurar alimentos.

Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- Foge caminhando e dando pulos, voando
no evidente conhecido. apenas quando necessário.

Ambiente: Florestas, tanto de pequenos frag-
mentos de mata quanto em áreas bem con-
servadas.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

POMBOS (COLUMBIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

gemedeira - Leptotila rufaxilla

Bianca Vieira
João Andriola

detalhe da face e
adulto membrana nictitante

Outros nomes: juriti-de-testa-branca, juriti- Ocorrência no Brasil: Todo o país.
gemedeira, pomba-chorona, pomba-
gemedeira, roncadeira. Ambiente: Florestas, tanto de pequenos
fragmentos de mata quanto em áreas bem
Características: Geralmente solitária. Pombo conservadas. Comum perto d’água e no sub
com 26-28 cm de comprimento. Muito seme- -bosque. Quase não sai para áreas abertas.
lhante à pupu (Leptotila verreauxi), diferenci-
ando-se pela coloração acinzentada clara Alimentação: Grãos e frutos. Revira o solo
uniforme que vai da testa até apenas a meta- com o bico.
de da cabeça. Corpo cinza-rosado. Costas e
asas em tons castanhos. Interior das asas Reprodução: O casal constrói um ninho
castanho-avermelhado, visível em voo. Olhos rústico com gravetos, geralmente em galhos
escuros, mas com variação entre indivíduos. de baixa altura e sempre bem protegidos do
Bico escuro. Pernas avermelhadas. Entre o alto por folhas. Pode nidificar no topo de
bico e os olhos, há uma risca avermelhada. xaxins. Põe até dois ovos brancos. Incubação
O jovem é cinza, com olhos escuros e pernas por cerca de 20 dias.
rosadas. Os filhotes nascem com plumas
amareladas e, conforme crescem, ficam No parque: Comum nas matas o ano todo.
castanhos com pintas alaranjadas nas asas.
Curiosidades
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido.
Arisca, é mais ouvida do que vista. Seu
canto é um característico “pu” repetido a
cada 5 segundos.

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Marcon & Vieira

CUCOS (CUCULIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

alma-de-gato - Piaya cayana

Amanda Marcon
Paulo Vale

adulto
jovem

Outros nomes: picumã, atibaçu, atingaçu, Ocorrência no Brasil: Todo o país.
chincoã, esquilo-vermelho, pássaro-cuco,
pataca, rabilonga, rabo-de-escrivão, tingua- Reprodução: Na primavera, quando vocaliza
çu, urraca. mais intensamente. O casal constrói um
ninho em formato de tigela. Põe de três a
Características: Solitária ou em pares na seis ovos. Incubação por cerca de 15 dias.
época reprodutiva. Ave com longa cauda e Ambos os pais cuidam dos ovos e dos filho-
40-50 cm de comprimento. Plumagem casta- tes.
nho-avermelhada, pescoço mais claro e peito
e ventre acinzentados. A cauda tem as duas No parque: Comum nas matas o ano todo.
penas centrais castanho-avermelhadas e as
restantes escuras com a ponta branca. Olhos
vermelhos, bico amarelo e pés escuros. Jo- Curiosidades
vem mais opaco, com olhos castanhos, bico
acinzentado e cauda mais curta. Frequentemente come lagartas, inclusive
urticantes, que engole de uma só vez.
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido. Quando ameaçado, solta as penas da
cauda.
Ambiente: Florestas com sub-bosque, bordas
de mata e parques urbanos arborizados. Pula de galho em galho, em voos curtos e
planados.
Alimentação: Artrópodes, frutos, ovos e pe-
quenos vertebrados. Seu canto lembra o miado de um gato.
Consegue imitar o som de outras aves,
como o bem-te-vi (Pitangus sulphuratus).

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

CUCOS (CUCULIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

anu-preto - Crotophaga ani

Luciano Cunha
Amanda Marcon

jovem
adultos

Outros nomes: anu-pequeno, anuzinho. Ocorrência no Brasil: Todo o país.

Características: Muito sociável, permanece Reprodução: O macho realiza uma dança
em família ou bandos dividindo o mesmo no solo. Depois de formado o casal, as
território durante o ano todo. Tem 34-35 cm fêmeas podem ou não se associar a outros
de comprimento. Pernas e plumagem pretas, casais do bando e criar um ninho coletivo.
com leves rajados castanhos ou acinzentados Também machos e jovens auxiliam no cuida-
na região do pescoço, peito e nuca. O bico é do dos novos filhotes. Os ninhos de gravetos
escuro e alto, com uma elevação ligada à e folhas têm formato de taça, são volumosos
testa. A cauda é longa e arredondada. Jo- e ficam escondidos na vegetação. Cada
vem com cauda mais curta e sem a elevação casal faz uma postura de quatro a sete ovos
do bico. azuis-esverdeados cobertos por uma cama-
da calcária para aumentar a proteção. Incu-
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- bam por cerca de 15 dias. O filhote deixa o
no evidente conhecido. ninho ainda incapaz de voar e acompanha
o bando pulando nos galhos e pelo solo.
Ambiente: Áreas abertas com arvoretas e
arbustos. Também pode ser avistado em No parque: Comum nas áreas abertas e
bordas de mata. bordas de mata o ano todo.

Alimentação: Artrópodes, ovos, pequenos
vertebrados, frutos e até peixes de água rasa. Curiosidades
Faz caças coletivas, o grupo se espalha e fica
imóvel e atento ao ambiente. Ao surgir uma Seu corpo exala um odor forte que pode
presa potencial, o indivíduo mais próximo ser sentido à distância.
fica encarregado pela captura.
Para esquentar-se em clima frio, o bando
agrupa-se em fileiras ou amontoado.

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Marcon & Vieira

CUCOS (CUCULIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

anu-branco - Guira guira
Miguel C. Neto

ovos
Amanda Marcon

Rodrigo Conte
jovem adultos

Outros nomes: anu, gralha-branca, pelincho, Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
piririgua, rabo-de-palha. florestas densas.

Características: Muito sociável, permanece Reprodução: A postura pode ser em ninhos
em família ou bandos. Tem 36-42 cm de individuais ou coletivos. Muitas vezes, a
comprimento. Plumagem dorsal das asas é fêmea joga os ovos dos outros casais fora
preta com estrias amareladas. Costas bran- para pôr os seus. Como o cuco-europeu
cas e cauda escura com a ponta branca. No (Cuculus canorus), pode parasitar os ninhos
lado ventral, a cauda é barrada horizontal- de outras aves. Põe de quatro a sete ovos
mente em bege, preto e branco. A cabeça e esverdeados e cobertos por uma camada
o peito têm cor bege-amarelada com estrias calcária mais grossa. É comum que os filho-
escuras. Tem uma crista amarelo-queimado tes empurrem os irmãos do ninho para re-
no topo da cabeça. Pele facial e olhos ama- duzir a competição por alimento. A frequên-
relos e pernas escuras. O bico é amarelo cia de abandono do ninho e filhotes pelos
com ponta alaranjada. O jovem apresenta a pais é alta. O filhote deixa o ninho ainda
coloração do adulto, entretanto, com o bico incapaz de voar, acompanhando o grupo
e olhos escuros e cauda mais curta. pelos galhos e pelo solo.

Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- No parque: Comum nas áreas abertas e
no evidente conhecido. bordas de mata o ano todo.

Ambiente: Áreas abertas arborizadas e ar-
bustos próximos. Curiosidades

Alimentação: Artrópodes, ovos, pequenos Para se esquentar, o bando se agrupa em
vertebrados, bagas, coquinhos, sementes e fileiras. Há casos de frio extremo em que
alguns frutos. Ocorre canibalismo de filhotes. as aves das pontas na fileira morrem por
Regurgita pelotas, assim como as aves de hipotermia.
rapina e aves marinhas.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

CORUJAS (STRIGIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

corujinha-do-sul - Megascops sanctaecatarinae

filhote
João Andriola

Carmen Bays
adulto morfo adulto morfo adulto morfo
castanho cinza ruivo
Carmen Bays

Outros nomes: corujinha-de-orelha, coruja- Ocorrência no Brasil: Rio Grande do Sul,
de-orelha. Santa Catarina e sul do Paraná.

Características: Noturna. Solitária ou em Ambiente: Florestas e áreas semiabertas de
pares na época reprodutiva. Coruja com 24- capoeira.
27 cm de comprimento. Plumagem castanha
e com ventre rajado. Mais escura no dorso Alimentação: Artrópodes, pequenos mamífe-
do que no ventre, o peito apresenta finos ros, aves e outros pequenos vertebrados.
barrados como gotas castanhas-escuras. A
borda do disco facial é contornada de penas Reprodução: De agosto a setembro. Nidifi-
pretas. Os olhos podem ser amarelos ou cam em cavidades, também usando ninhos
castanhos. O topo da cabeça é ornamentado abandonados de pica-paus. A fêmea incuba
com penas que lembram duas orelhas, po- até dois ovos, enquanto é alimentada pelo
dendo estar eretas ou prostradas. Possui três macho. Os filhotes são cuidados pelo casal
morfos, que variam apenas na tonalidade da até deixarem o ninho, mas ainda assim
plumagem: castanho, cinza e ruivo. O jovem acompanham os pais por mais algum tem-
é mais rajado, geralmente acinzentado e po.
com as penas ornamentais no topo da cabe-
ça pouco desenvolvidas. Filhotes possuem No parque: Há um casal que habita o par-
plumas castanhas e estriadas por todo o que pelo menos desde 2014.
corpo. É parecida com outras corujas de
mesmo gênero. A corujinha-do-sul costuma
ter as gotas ventrais mais finas do que as Curiosidades
outras espécies.
Na Grécia, as corujas são símbolo da
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- sabedoria. Assim como outras corujas,
no evidente conhecido. possuem visão binocular e podem girar o
pescoço em cerca de 270º.

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Marcon & Vieira

CORUJAS (STRIGIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

coruja-orelhuda - Asio stygius
Gesiel Diniz

Amanda Marcon
filhote adulto

Outros nomes: mocho. Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e Centro-
Oeste, com alguns registros no Norte.
Características: Noturna. Solitária ou em
pares na época reprodutiva. Tem 38-46 cm Alimentação: Pequenos mamíferos, aves e
de comprimento e plumagem escura. Pluma- outros pequenos vertebrados, além de inver-
gem dorsal castanha-escura. Ao abrir as tebrados ocasionalmente. Pode predar a
asas, nota-se uma plumagem creme com corujinha-do-sul. Caça investindo na presa a
barras acastanhadas. Apresenta duas penas partir de um poleiro alto. Territorial, elege
ornamentais eretas no topo da cabeça, lem- amplas áreas de caça, que pode dividir com
brando chifres ou orelhas. O peito, ventre e seu par.
interior da cauda são estriados em creme,
branco e preto. Estrias mais grossas contor- Reprodução: Durante a primavera. O casal
nam o pescoço. O disco facial possui deta- vocaliza junto e próximo do ninho. Usa ni-
lhes em branco que lembram um losango, nhos abandonados de aves de grande porte
contornando os olhos amarelos e o bico e, ocasionalmente, depressões rasas no
escuro. Possui supercílio pálido. Jovem mais solo. Põe até dois ovos brancos.
opaco, com barrados cinzentos. Os filhotes
são esbranquiçados e mesclados com penas
Curiosidades
pretas, além de face em tom escuro.
Ergue as “orelhas” quando algo chama
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
sua atenção. Quando está tranquila, as
no evidente conhecido.
“orelhas” ficam abaixadas. Assim como as
outras corujas, possui um disco facial de
Ambiente: Florestas, bordas de mata e áreas
penas adaptadas para amplificar a fre-
abertas.
quência do som. Os ouvidos estão em
alturas diferentes no crânio. O disco facial
No parque: Eventualmente no topo das em-
e os ouvidos assimétricos facilitam a audi-
baúbas.
ção e triangulação do objeto.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

URUTAUS (NYCTIBIIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

urutau - Nyctibius griseus
Amanda Marcon

Amanda Marcon
adulto filhote

Outros nomes: chora-lua, mãe-da-lua, uru- Ocorrência no Brasil: Todo o país.
tágua.
Reprodução: Usa a cavidade do poleiro
Características: Noturna. Solitária. Tem 33- como ninho. Põe um único ovo branco com
38 cm de comprimento e plumagem marrom poucas manchas castanhas. Incuba por
-acinzentada com estrias pretas no dorso e cerca de 30 dias. Os filhotes ficam no ninho
ventre, bem como barrados nas asas e cau- por cerca de 60 dias.
da. A cauda possui penas largas. Olhos
amarelos e pálpebras superiores com fendas No parque: Comum nas matas durante
que permitem enxergar mesmo de olhos primavera e verão, havendo um registro
fechados. Penas eriçadas na sobrancelha. isolado no inverno (BPV: 25/julho/2014).
Possui membrana nictitante, que protege e
lubrifica sem bloquear totalmente a visão. O
entorno do bico largo e curto é coberto de Curiosidades
cerdas. Possui três morfos, que variam ape-
nas na tonalidade da plumagem: castanho, Migratório parcial. Algumas populações
cinzento e ruivo. O jovem é esbranquiçado e reproduzem no Sul do Brasil na primavera
rajado, com olhos mais claros. e verão e passam o inverno em outras
regiões.
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido. Há crenças ligadas ao canto alto e choro-
so.
Ambiente: Florestas, bordas de mata e áreas
abertas. De dia, camufla-se em troncos de A plumagem camuflada e posição estática
árvore ou estacas de madeira. lembra um toco de árvore.

Alimentação: Insetos, como grandes maripo- Confiam na camuflagem a ponto de não
sas e vagalumes que captura em voo. se intimidar com a aproximação humana.

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Marcon & Vieira

BACURAUS (CAPRIMULGIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

bacurau-tesoura - Hydropsalis torquata
Carlos Gussoni

filhotes

Amanda Marcon
João Andriola

macho fêmea

Outros nomes: bacurau-de-colar, curiango, Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
curiango-tesoura. Amazônia.

Características: Noturna. Solitária ou em Ambiente: Bordas de mata e áreas abertas.
bandos. Tem 25-30 cm de comprimento sem
a cauda. O macho pode atingir até 60 cm Alimentação: Insetos que captura em voo.
com a cauda. Plumagem predominantemen-
te castanha, com muitos rajados. Há um Reprodução: Não faz ninhos. Põe até dois
colar de penas alaranjadas na nuca e lateral ovos brancos com pintas azuladas camufla-
do pescoço, bem como pontilhado branco dos na vegetação do solo. Ambos os pais
característico no dorso das asas. Possui mem- incubam os ovos e cuidam dos filhotes.
brana nictitante, que protege e lubrifica sem
bloquear totalmente a visão. Jovem seme- No parque: Encontrado na pista de cami-
lhante, com cauda curta e menos alaranjado nhada e campos durante a noite.
na nuca. Os filhotes com plumas branco-
amarelados e poucas pintas escuras.
Curiosidades
Dimorfismo sexual: O macho possui cauda
com duas longas penas na lateral, lembran- Seu canto é um piado curto, lembrando o
do uma tesoura quando aberta. Essas penas cricrilar de algum inseto.
maiores têm 27-36 cm de comprimento. A
fêmea possui cauda curta, sendo confundida Confia na plumagem camuflada e não
com outras espécies de bacuraus. levanta voo até que o invasor esteja a
quase 2 m de distância.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

ANDORINHÕES (APODIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

taperuçu-de-coleira - Streptoprocne zonaris
Bianca Vieira

em voo

Geiser Trivelato
adultos

Outros nomes: taperuçu-de-coleira-branca, Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste, Centro-
andorinhão, andorinhão-de-coleira. Oeste e parte do Norte.

Características: Em bandos. Tem 20-22 cm Reprodução: Primavera e verão. O ninho
de comprimento e 48-53 cm de envergadu- tem formato de tigela arredondada, gruda-
ra. Completamente escuro, exceto pela gros- do nos paredões rochosos, grutas ou até em
sa coleira de penas brancas que circunda construções humanas. O casal constrói o
completamente o pescoço sem falhas. O ninho utilizando gravetos, musgos e pedras
dorso e penas da asa são mais acinzentados. para estrutura e barro e saliva para arga-
No jovem, a coleira é branca na nuca e es- massa. Põe até três ovos brancos e elípticos.
camada no papo. Os filhotes deixam o ninho com cerca de 50
dias. Ambos os pais incubam os ovos e cri-
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- am os filhotes.
no evidente conhecido.
Curiosidades
Ambiente: Formações rochosas, como pare-
dões e cânions. Também ocupa cidades.
Possui populações residentes e migratórias
altitudinais e latitudinais. Algumas popula-
Alimentação: Insetos que captura em voo.
ções reproduzem no sul do Brasil na pri-
Costuma caçar longe do seu dormitório.
mavera e verão e passam o inverno em
outras regiões.
No parque: Eventualmente visto em voo.
Alcança velocidades de até 100 km/h em
voo.

Pernoita em colônias, agarrado às rochas
dos paredões.

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Marcon & Vieira

ANDORINHÕES (APODIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

andorinhão-do-temporal - Chaetura meridionalis
adulto
Amanda Marcon

em voo

Rodolfo Freitas
filhotes

Outros nomes: andorinhão, taperuçu. Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste, Centro-
Oeste e Nordeste.
Características: Em bandos. Tem 11-13 cm
de comprimento. É escuro, em tons de cinza- Reprodução: Primavera e verão. Nidifica em
pardo, com a garganta e o baixo dorso mais paredões, atrás de cortinas d’água, e no
claros do que o restante do corpo. Sua cauda interior de chaminés. Ninho triangular feito
é curta e apresenta as pontas das penas com gravetos e saliva. O ninho é grudado
enrijecidas que auxiliam na fixação nas ro- em superfície vertical. Põe até quatro ovos
chas. Jovem cinza-escuro. Filhote com plu- brancos e elípticos. Assim que começam a
mas cinza-médio e comissura labial emplumar, os filhotes deixam o ninho e
(protuberância na base do bico) clara. agarram-se nas paredes do entorno.

Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido. Curiosidades

Ambiente: Áreas abertas e copa de ambien- Migratória, chega aos bandos na região
tes florestais. Sul pelos meses de agosto e setembro,
permanecendo até meados de março.
Alimentação: Insetos que captura em voo. O Passa o outono e inverno no norte da
voo tem batidas de asa tão rápidas e com América do Sul.
pequenos mergulhos para caçar insetos que
é confundido com morcegos. Também canta bastante ao voar e sua
vocalização lembra a dos morcegos.
No parque: Eventualmente visto sobrevoando
o parque em bandos.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

BEIJA-FLORES (TROCHILIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

beija-flor-tesoura - Eupetomena macroura

Herculano Neto
filhote
Amanda Marcon

Amanda Marcon
jovem adulto

Outros nomes: agulhão, beija-flor-rabo-de- Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
tesoura, colibri, tesourão. Pampa gaúcho.

Características: Solitária ou em pares apenas Alimentação: Insetos que captura em voo e
no acasalamento. É uma das maiores espé- néctar das flores. Atraído por flores brancas,
cies de beija-flor, medindo 14-18 cm de amarelas e vermelhas. Ao se alimentar do
comprimento. Plumagem verde-esmeralda, néctar, esbarra no pólen e acaba por polini-
com cabeça, pescoço e peito azuis. As asas e zar outras flores.
cauda são escuras, com tom acastanhado. O
bico longo é escuro e praticamente reto. As Reprodução: O macho inicia a corte pairan-
penas das pernas e a região logo atrás dos do em frente à fêmea, que depois o acom-
olhos são brancas. A cauda tem penas lon- panha em manobras aéreas. Como outros
gas e azul-metálicas, como uma tesoura beija-flores, é poligínico (várias fêmeas para
quando aberta. O jovem é semelhante tem um macho). O ninho fica em galhos e tem
cauda mais curta e cabeça com tons acasta- formato de tigela, sendo feito de musgos,
nhados. Os filhotes têm bico claro e marca líquens e outros materiais vegetais macios,
branca ao redor dos olhos. Pode ter manchas aderidos com teias de aranha. Põe até três
temporárias e artificiais brancas ou amarela- ovos brancos. Incubação por cerca de 15
das por esbarrar no pólen. dias. A fêmea é responsável pela construção
do ninho, incubação e cuidado dos filhotes.
Dimorfismo sexual: A fêmea é mais fosca e
levemente menor do que o macho.
Curiosidades
Ambiente: Comum em áreas abertas, bordas
de mata e jardins.
Territorial, emite uma sequência de piados
de alerta para espantar os invasores, per-
No parque: Encontrado nos jardins, sendo
seguindo-os para fora do domínio.
mais ativo na primavera.

55
Marcon & Vieira

BEIJA-FLORES (TROCHILIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

Maria Jucá
beija-flor-preto - Florisuga fusca

ninho

Amanda Marcon
Bianca Vieira

adulto

jovem

Outros nomes: beija-flor-preto-e-branco, Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e parte do
colibri. Centro-Oeste e Nordeste, acompanhando a
Mata Atlântica.
Características: Solitária ou em pares apenas
no acasalamento. Tem 12-13 cm de compri- Alimentação: Insetos que captura em voo e
mento e plumagem preta. Ventre com man- néctar das flores. Ao se alimentar do néctar,
cha branca abaixo das asas que se estende esbarra no pólen e acaba por polinizar ou-
pelas laterais até as patas, ventre e cauda. A tras flores.
cauda é branca com pontas pretas. Há iri-
descência esverdeada nos ombros. O bico é Reprodução: O casal em corte voa alto e
longo, reto e escuro, com leve curvatura para para no ar, um de frente para o outro. Poste-
baixo do bico superior. No jovem, há faixa riormente, ambos pousam, esticam as asas
maxilar acanelada e penas ferrugíneas espa- e copulam. Como outros beija-flores, é poli-
lhadas pela cabeça e dorso, sendo a cor gínico (várias fêmeas para um macho). O
preta mais fosca. Pode ter manchas temporá- ninho fica em cima de folhas largas e tem
rias e artificiais brancas ou amareladas por formato de tigela. O ninho é feito de teias
esbarrar no pólen. de aranha e paineiras. Põe até dois ovos
brancos. Incubação por cerca de 15 dias. A
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- fêmea é responsável pela construção do
no evidente conhecido. ninho, incubação e cuidado dos filhotes.

Ambiente: Encontrados em bordas de mata,
jardins e capoeiras, preferindo copas de Curiosidades
árvores altas.
Espécie endêmica da Mata Atlântica.
No parque: Encontrado nos jardins durante a
primavera. Territorial, observa a movimentação dos
beija-flores de um poleiro no alto.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

BEIJA-FLORES (TROCHILIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

beija-flor-de-fronte-violeta - Thalurania glaucopis

Amanda Marcon
João Andriola

fêmea macho

Outros nomes: beija-flor-de-testa-roxa, coli- Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e parte do
bri, tesoura-de-fronte-violeta. Centro-Oeste e Nordeste, acompanhando a
Mata Atlântica.
Características: Solitária ou em pares apenas
no acasalamento. Tem 8-11 cm de compri- Ambiente: Florestas pouco adensadas, capo-
mento. Plumagem dorsal esverdeada e topo eiras e jardins arborizados.
da cabeça azul-metálico. Uma listra escura
liga os olhos ao bico longo e reto. Patas e Alimentação: Insetos que captura em voo e
bico escuros. O jovem é semelhante à fêmea, néctar das flores. Ao se alimentar do néctar,
e o jovem macho ganha manchas esverdea- esbarra no pólen e acaba por polinizar ou-
das no peito ao longo do crescimento. tras flores.

Dimorfismo sexual: O macho tem a maior Reprodução: O macho executa voos nupci-
parte do corpo verde-esmeralda, exceto pela ais exibindo a plumagem em frente à fêmea,
cauda, asas, e topo da cabeça, que são azuis que permanece pousada. Como outros beija
-metálicos e refletem coloração violeta con- -flores, é poligínico (várias fêmeas para um
forme a luz. A cauda do macho é mais longa macho). O ninho fica em galhos de árvores
do que a da fêmea. A fêmea é levemente e tem formato de tigela, sendo feito com
menor, com ombro e dorso de cor verde- musgos, paineiras e teias de aranha. Põe até
esmeralda, mas pescoço e ventre acinzenta- dois ovos brancos. A fêmea é responsável
dos. A fêmea possui cauda com ponta bran- pela construção do ninho, incubação e cui-
ca. O topo da cabeça é mais opaco que o do dado dos filhotes.
macho.

No parque: Nas matas, sendo mais ativo na Curiosidades
primavera e verão.
Espécie endêmica da Mata Atlântica.

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Marcon & Vieira

BEIJA-FLORES (TROCHILIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

beija-flor-de-papo-branco - Leucochloris albicollis
Rodrigo Castro

Amanda Marcon
ninho adulto

Outros nomes: papo-branco. Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e parte do
Centro-Oeste, acompanhando a Mata
Características: Solitária ou em pares apenas Atlântica.
no acasalamento. Tem 10-11 cm de compri-
mento, com plumagem verde-escura. O Reprodução: Como outros beija-flores, é
papo e a barriga são brancos, divididos por poligínico (várias fêmeas para um macho).
uma faixa verde horizontal bem definida. O ninho, em forquilhas, tem formato de
Asas e cauda escuras, sendo que a cauda tigela e é feito com musgos, líquens e teias
tem pontas brancas. O bico é longo e reto, de aranha. Põe até dois ovos brancos. A
com coloração escura na parte superior e fêmea é responsável pela construção do
avermelhada seguida de uma ponta escura ninho, incubação e cuidado dos filhotes.
na parte inferior. No jovem, a separação das
partes brancas é menos evidente e a faixa No parque: Encontrado nas matas durante o
verde mais opaca. O jovem também tem inverno.
penas ferrugíneas pelo dorso e cabeça. Pode
ter manchas temporárias e artificiais brancas
ou amareladas por esbarrar no pólen. Curiosidades

Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- Espécie endêmica da Mata Atlântica.
no evidente conhecido.
Algumas populações são migratórias alti-
Ambiente: Florestas pouco densas, capoeiras tudinais no Sul e Sudeste, indo para o
e jardins. litoral no inverno.

Alimentação: Insetos que captura em voo e Como outros beija-flores, entra em torpor
néctar das flores. Ao se alimentar do néctar, durante o frio, diminuindo a temperatura
esbarra no pólen e acaba por polinizar ou- do corpo e as batidas cardíacas.
tras flores.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

BEIJA-FLORES (TROCHILIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

beija-flor-de-garganta-verde - Amazilia fimbriata
Bianca Vieira

filhotes

Amanda Marcon
Ciro Couto

jovens
fêmea macho
Bianca Vieira

Outros nomes: colibri, cuitelinho, beija-flor. Ocorrência no Brasil: Do litoral norte do Rio
Grande do Sul ao Paraná, Sudeste, Centro-
Características: Solitária ou em pares apenas Oeste, Norte e Nordeste.
no acasalamento. Tem 8-12 cm de compri-
mento. Plumagem esverdeada e iridescente. Reprodução: Como outros beija-flores, é
O ventre e peito são brancos, afunilando na poligínico (várias fêmeas para um macho).
garganta verde. As asas e cauda são escu- O ninho, geralmente em forquilhas, tem
ras. O bico é longo, reto, preto por cima e formato de tigela e fica a até 2,5 m do chão.
levemente avermelhado por baixo. O jovem Responsável pela construção que leva cerca
possui plumagem ventral mais cinza- de 15 dias, a fêmea utiliza musgos, líquens,
acastanhada do que branca. O filhote nasce teias de aranha e fios de seda. Põe até dois
cego e nu, com algumas plumas alaranja- ovos brancos. Incubação por cerca de 15
das. Pode ter manchas temporárias e artifici- dias. A fêmea também é responsável pelo
ais brancas ou amareladas por esbarrar no cuidado dos filhotes e limpeza do ninho. Os
pólen. filhotes defecam para fora do ninho e aju-
dam na limpeza. Filhotes ficam 94% do
Dimorfismo sexual: A fêmea tem a faixa tempo parados e são alimentados por um
branca da garganta até o ventre, plumagem total de 5 minutos entre 7 e 9 horas da ma-
mais opaca e ponta da cauda com borda nhã. Deixam o ninho com cerca de 30 dias
cinza-esverdeada. O macho tem a faixa e acompanham a mãe por cerca de 15 dias.
branca do peito até o ventre, plumagem
mais brilhante e cauda escura. No parque: Nas matas, sendo mais ativo na
primavera e verão.
Ambiente: Florestas e jardins.
Curiosidades
Alimentação: Insetos que captura em voo e
néctar das flores. Ao se alimentar do néctar,
Territoriais, demarcam e defendem gran-
esbarra no pólen e acaba por polinizar ou-
des áreas.
tras flores.

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Marcon & Vieira

MARTINS (ALCEDINIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

martim-pescador-grande - Megaceryle torquata
Amanda Marcon

Paulo Lahr
macho fêmea

Outros nomes: ariramba-grande, guarda-rio, Ocorrência no Brasil: Todo o país.
martim-grande, papa-peixe, pescador.
Dimorfismo sexual: O macho tem uma faixa
Características: Solitária ou em casais na verde azulada interrompida no peito, que
época reprodutiva. O maior dos martins, tem pode ser ocultada pela organização das
39-42 cm de comprimento. Plumagem dorsal penas, seguido por ventre ferrugíneo até a
cinza-esverdeada e ventral ferrugínea. Dorso base das pernas, onde se torna branco. O
das asas e cauda pintado de branco. O bico lado interno das asas é branco, podendo ou
é longo, reto, forte, com base clara e ponta não apresentar riscas avermelhadas. A fê-
escura. As pernas são curtas e escuras. Possui mea tem uma larga faixa verde azulada e
membrana nictitante. A jovem fêmea é seme- branca abaixo do pescoço, seguida por
lhante à adulta, porém com faixa do peito ventre castanho-escuro. O lado interno das
mais acinzentada. O jovem macho é seme- asas é ferrugíneo.
lhante à fêmea, porém com a faixa verde e
branca do peito menor e manchas ferrugí- Reprodução: O casal constrói o ninho em
neas que se expandem com a idade. Os barrancos. O ninho é uma cavidade com
filhotes são cegos, possuem um calo no pé e entrada de até 2 m de comprimento. Põe até
o bico superior maior do que o inferior. seis ovos brancos. Incubação por cerca de
20 dias. Os filhotes deixam o ninho com
Ambiente: Áreas úmidas. Selecionam ambi- cerca de 30 dias. Ambos os pais incubam os
entes com barrancos amplos na margem e ovos e cuidam dos filhotes.
boa arborização ou mata ciliar próxima.
No parque: Nos lagos o ano todo.
Alimentação: Peixes, anfíbios, crustáceos,
serpentes aquáticas e artrópodes. Ao flagrar Curiosidades
a presa, atira-se na água como uma flecha
para captura com o bico. Regurgitam pelotas Podem pairar sobre a água por alguns
com o que não conseguem digerir. segundos antes de atacar a presa.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

TUCANOS (RAMPHASTIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

tucano-de-bico-verde - Ramphastos dicolorus
André Wittmann

Amanda Marcon
filhote

Amanda Marcon
fêmea macho

Outros nomes: tucano-de-papo-amarelo, Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e parte do
tucano-de-peito-vermelho. Centro-Oeste e Nordeste, acompanhando a
Mata Atlântica.
Características: Solitárias, em casais ou ban-
dos. Tem 42-48 cm de comprimento. Pluma- Reprodução: Na corte, o casal vocaliza in-
gem dorsal preta e ventral vermelha, com tensamente, cuida mutuamente das penas e
garganta e peito amarelos. Bico grande, defende o território. Nidifica em cavidades
grosso e curvado, inteiramente amarelo- que encontra na floresta. Se necessário, o
esverdeado, mas com base preta e borda macho alarga a cavidade. Põe até cinco
serrilhada contornada por uma linha em tons ovos. Incubação por cerca de 15 dias. Com
mais avermelhados. O serrilhado do bico cerca de 40 dias, os filhotes saem do ninho.
pode se desgastar com a idade. Os olhos
são amarelo-esverdeados e contornados por
pele azulada e avermelhada. O jovem tem a
pele contornando o olho mais opaca e o bico Curiosidades
amarelo-claro, sem manchas ou serrilhados.
Espécie endêmica da Mata Atlântica e
Dimorfismo sexual: A fêmea possui bico mais bioindicadora de qualidade ambiental
curto que o do macho. por ser sensível a alterações e precisar de
árvores grossas para o ninho.
Ambiente: Florestas. Pode aparecer em locais
arborizados nas cidades para se alimentar. O bico vascularizado e formado por tecido
esponjoso com câmaras de ar ajuda na
Alimentação: Frutos, artrópodes, ovos e pe- regulação térmica. Usam o bico na sele-
quenos vertebrados. São importantes disper- ção do parceiro e defesa de território.
sores de sementes.
São vítimas do tráfico de animais e mor-
No parque: Comum no entorno e ocasional rem facilmente por maus-tratos e estresse.
nas matas do parque.

61
Marcon & Vieira

PICA-PAUS (PICIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

pica-pau-anão - Picumnus temminckii
João Andriola

Bianca Vieira
fêmea macho

Outros nomes: pica-pau-anão-de-coleira, Ocorrência no Brasil: Sul e parte do Sudeste.
pica-pau-anão-de-pescoço-castanho, pica-
pauzinho-de-coleira. Alimentação: Artrópodes e larvas. Pendura-
se nos galhos e troncos, muitas vezes de
Características: Solitária, em pares ou ban- barriga para cima, enquanto busca o ali-
dos. Tem 9-10 cm de comprimento. Pluma- mento em troncos e ramos.
gem dorsal castanha, com mancha acinzen-
tada próxima a cauda, e ventral listrada em Reprodução: Nidifica em ocos não muito
branco e preto. Asas e cauda são amarron- altos. Põe de dois a quatro ovos incubados
zadas. Testa, nuca e pescoço são castanhos. pela fêmea enquanto o macho a alimenta e
A cabeça tem um chapéu preto com pintas defende o território. Incubação por cerca de
brancas. O bico é curto, pontudo, claro na 15 dias.
base e escuro em cima e na ponta. As pernas
são escuras. O jovem é igual ao adulto. No parque: Comum nas matas o ano todo.

Dimorfismo sexual: O macho possui uma Curiosidades
mancha vermelha na testa, ausente na fê-
mea. Espécie endêmica da Mata Atlântica.

Ambiente: Florestas, sub-bosque e estrato Por seu tamanho diminuto, não utiliza a
médio, e parques urbanos bem arborizados cauda como apoio quando escala o tron-
principalmente. co das árvores.

Seu canto é um trinado longo que lembra
um grilo.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

PICA-PAUS (PICIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

pica-pau-verde - Veniliornis spilogaster

Amanda Marcon
Amanda Marcon

macho fêmea

Outros nomes: pica-pauzinho-verde-carijó, Ocorrência no Brasil: Sul e parte do Sudeste.
pica-pau-de-barriga-pintada.
Reprodução: Primavera e verão. Como ou-
Características: Solitária ou em pares. Tem tros pica-paus, nidifica em ocos que escava
16-19 cm de comprimento e plumagem no tronco das árvores. Por necessitarem de
olivácea. Apresenta manchas mais esverdea- árvores grandes e antigas para suas cavida-
das sarapintando todo o corpo, tornando-se des, encontram grandes problemas para
linhas contínuas no dorso e asas. Possui duas procriar em ambientes degradados. Põe de
faixas brancas acima e abaixo dos olhos um a dois ovos. Incubação por cerca de 15
partindo do bico até a nuca. A bochecha é dias. Ambos os pais cuidam dos ovos e fi-
escura e o peito tem pintas esbranquiçadas. lhotes. Torna-se muito territorial quando está
As penas da cauda são barradas intercalan- com filhotes. Assim como outros pica-paus,
do o verde-amarelo com tons mais escuros. fazem a limpeza constante do ninho, retiran-
Quando abertas, nota-se que as penas da do fezes e restos de alimentos.
asa possuem várias manchas brancas em
suas laterais. O bico é forte e escuro. O jo- No parque: Ocasional nas matas.
vem é igual ao adulto.

Dimorfismo sexual: O macho possui o topo Curiosidades
da cabeça vermelho com manchas pretas,
enquanto a fêmea tem o topo da cabeça Espécie endêmica da Mata Atlântica.
verde-oliva com manchas pretas.
Durante a noite, costuma dormir em cavi-
Ambiente: Florestas e parques urbanos arbo- dades.
rizados.
Como outros pica-paus, bica madeiras
Alimentação: Larvas de insetos das cascas grossas sem sofrer danos, pois seu crânio
das árvores e frutos. é adaptado para absorver o impacto sem
danificar o cérebro.

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Marcon & Vieira

PICA-PAUS (PICIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

pica-pau-do-campo - Colaptes campestris
Amanda Marcon

C. c. campestris
fêmea
Amanda Marcon

Amanda Marcon
C. c. campestroides C. c. campestroides
macho fêmea

Outros nomes: bico-chã-chã, chã-chã, pica- Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
chan-chan, pica-pau-campestre. Amazônia.

Características: Solitária, em pares ou em Ambiente: Áreas abertas.
pequenos bandos. Tem 28-31 cm de compri-
mento. Plumagem dorsal amarronzada com Alimentação: Insetívoro, alimenta-se mais no
manchas claras, mas com costas inferior chão do que nas árvores, revirando o solo
branca, e ventral branca com pontos pretos. com o bico.
Peito, pescoço e lateral da cabeça são ama-
relos. O topo da cabeça e a nuca são pretos. Reprodução: Faz cavidades com entradas
Há uma risca escura nas bochechas. O bico pequenas, preferindo superfícies inclinadas
é longo, forte e escuro. As penas das asas que o protejam da entrada de água da chu-
têm barras claras e raques amarelas, melhor va. Põe até cinco ovos, que são incubados
visualizadas em voo. A cauda apresenta pelo casal. Incubação por cerca de 15 dias.
penas da borda escuras e centrais barradas. Os filhotes são cegos ao nascerem.
Há duas subespécies em Santa Catarina:
Colaptes campestris campestroides apresenta No parque: Encontrado nas áreas abertas o
a garganta branca e C. c. campestris, apre- ano todo.
senta a garganta preta. Há cruzamento entre
as subespécies, sendo comuns casais mistos.
O jovem é igual ao adulto. Aves que se ali- Curiosidades
mentam em locais de terra vermelha podem
ter coloração temporária e artificial mais O canto é estridente e agudo, lembrando
forte. uma risada.

Dimorfismo sexual: A risca na bochecha é Territoriais, muitas vezes são vistos brigan-
vermelha no macho e de tons claros na fê- do com seu próprio reflexo.
mea.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

PICA-PAUS (PICIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

pica-pau-amarelo - Celeus flavescens
Amanda Marcon

Vilde Florêncio
macho fêmea

Outros nomes: pica-pau-de-cabeça-amarela, Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e parte do
cabeça-de-velho, joão-velho, pica-pau-de- Centro-Oeste e sul do Nordeste.
topete-amarelo, pica-pau-topetudo.
Reprodução: Os machos disputam a aten-
Características: Solitária ou em pares. Tem ção da fêmea em perseguições ao redor das
27-30 cm de comprimento. Plumagem do árvores, abrindo o bico e levantando a ca-
corpo preta, com ventre liso e dorso sarapin- beça. O casal constrói a cavidade, preferin-
tado de branco-amarelado. Cabeça amarela do árvores secas. Põe até quatro ovos, que
com longo topete. A coxa é amarelada. Bico são incubados por ambos os pais. Incuba-
e pernas são escuros. ção por cerca de 20 dias. Quando os filho-
tes deixam o ninho, acompanham os pais
Dimorfismo sexual: O macho apresenta uma por algum tempo antes de tornarem-se inde-
faixa vermelha na bochecha, enquanto que a pendentes.
fêmea possui uma faixa preta desbotada.
No parque: Encontrado nas matas o ano
Ambiente: Florestas e parques urbanos bem inteiro.
arborizados.

Alimentação: Insetos e larvas do tronco das Curiosidades
árvores ou do solo. Também se alimenta de
frutos e néctar de algumas flores, podendo Exala um forte cheiro que lembra a resina
agir como polinizador. de árvores.

Assim como outros pica-paus, usam dife-
rentes ritmos de batida. Para alimentação,
o tamborilar é devagar. Para atrair parcei-
ros, comunicar-se ou demarcar território,
o ritmo é acelerado.

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Marcon & Vieira

FALCÕES (FALCONIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

carcará - Caracara plancus

Amanda Marcon
em voo
Amanda Marcon

Amanda Marcon
jovem adulto

Outros nomes: caracará, carancho, gavião- Ocorrência no Brasil: Todo o país.
calçudo, gavião-de-queimada.
Alimentação: Invertebrados, ovos e filhotes
Características: Solitária ou em pequenos de aves, répteis, anfíbios, pequenos mamífe-
bandos. É um grande falcão de 51-64 cm de ros, frutos, sementes e restos de alimento
comprimento e 1,2-1,3 m de envergadura. humano. Procura presas em queimadas.
Plumagem dorsal escura e estriada e ventral Segue urubus por carniça e escava a terra
escura lisa. O pescoço é bege e o peito inicia atrás de invertebrados.
com estrias leves que se intensificam até a
barriga. Asas são castanhas e listradas, com Reprodução: O casal constrói um ninho
uma mancha branca características na ponta grande com gravetos. É comum encontrar
das asas, que terminam em preto. A cauda é ninhos nas bainhas de folhas de palmeiras.
branca com leves estrias, terminando em Também pode usar ninhos abandonados de
uma grande barra escura. O topo da cabeça outras aves grandes. Põe até quatro ovos,
é preto. Os olhos são castanhos. Bico azula- que variam em tons castanhos e brancos e
do contornado por pele avermelhada. Pernas possuem manchas avermelhadas. Incubação
amareladas. O jovem é mais castanho e tem por cerca de 30 dias. Ambos os pais incu-
estrias amarronzadas mais grossas no pesco- bam e cuidam dos filhotes. Os jovens acom-
ço, além da pele facial mais rosada e pernas panham os pais por até 60 dias.
brancas. Em locais de terra vermelha, têm
cor temporária e artificial mais forte.
Curiosidades
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido. Quando estressados, a pele facial muda
para um amarelo vivo.
Ambiente: Áreas abertas.
Faz allopreening entre si e com urubus.
No parque: Eventualmente nas áreas abertas
ou sobrevoando a região. Costuma sofrer mobbing por outras aves.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

FALCÕES (FALCONIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

carrapateiro - Milvago chimachima
Amanda Marcon

jovem

macho

Francielly Reis
Bianca Vieira

filhotes
fêmea em voo Amanda Marcon

Outros nomes: chima-chima, caracará- Ocorrência no Brasil: Todo o país.
branco, carapinhé, chimango-branco, gavião
-carrapateiro. Ambiente: Áreas abertas.

Características: Solitária ou em pares. Tem Alimentação: Artrópodes, pequenos verte-
40-45 cm de comprimento e 74-95 cm de brados, ovos, frutos e carniças. Acompanha
envergadura. Plumagem da cabeça e ventre o gado, cavalos e capivaras para se alimen-
bege e dorso e asa castanho-escuros, além tar de insetos, carrapatos e outros parasitas.
de cauda bege com ponta escura. As asas Aves que se alimentam em locais de terra
possuem uma borda escura e uma mancha vermelha podem ter coloração temporária e
branca atravessa a base das últimas seis artificial mais forte.
primárias. Possui supercílio preto. O bico e
patas são azuis-acinzentadas. O jovem tem Reprodução: O casal constrói seu ninho com
plumagem escura, com grossas estrias casta- gravetos em árvores altas, como as palmei-
nhas pelo corpo, dando a impressão de que ras. Põe de cinco a sete ovos pardos com
é outra espécie. Os filhotes têm plumagem manchas avermelhadas. A fêmea incuba os
amarelo-clara, levemente mais escura na ovos, sendo alimentada pelo macho. Incu-
cabeça, face nua e branca e bico e patas bação por cerca de 20 dias. Ambos os pais
amarelados. cuidam dos filhotes.

Dimorfismo sexual: A fêmea é maior do que
o macho e apresenta a pele nua da face de Curiosidades
cor rosada, quase branca. O macho tem a
pele nua da face em tons alaranjados. Seu som é semelhante ao do gavião-carijó
(Rupornis magnirostris), porém mais ana-
No parque: Encontrado nas áreas abertas ou salado e com a nota final mais longa.
em voo o ano todo.
Costuma sofrer mobbing por outras aves.

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Marcon & Vieira

FALCÕES (FALCONIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

chimango - Milvago chimango

Amanda Marcon
Amanda Marcon

Amanda Marcon
filhote

macho fêmea

Outros nomes: caracaraí, chimango-do- Ocorrência no Brasil: Sul e parte do Sudeste
campo, gavião-chimango. e Centro-Oeste.

Características: Solitária, em pares ou ban- Reprodução: De setembro a dezembro. O
dos. Tem 37-43 cm de comprimento e enver- casal constrói um ninho grande e enovelado
gadura de 80-99 cm. Tem plumagem mar- de galhos, na copa das árvores. Pode ser
rom, com finas estrias mais escuras e rajados individual ou coletivo. Muitas vezes, um
claros percorrendo todo o corpo. Plumagem ajeita o material no ninho enquanto o outro
dorsal escura e cauda clara com a ponta sai à procura de mais gravetos. Põe até três
escura. Ao abrir as asas, nota-se uma gran- ovos marrons e sarapintados. A fêmea incu-
de mancha clara na ponta. Pode-se ver uma ba os ovos por cerca de 30 dias. Ambos os
mancha clara abaixo do ombro quando as pais cuidam dos filhotes, que deixam o ni-
asas estão fechadas. Possui supercílio escuro. nho após cerca de 30 dias e convivem perto
O jovem é semelhante, mas com as pernas e dos pais por um tempo.
pele facial azuladas. Os filhotes têm plumas
amareladas e a face branca, com alguma No parque: Encontrado nas áreas abertas
plumagem escura; além de pernas azuladas. ou em voo o ano todo.

Dimorfismo sexual: A fêmea é maior do que
o macho, tem a pele nua da face e as pernas Curiosidades
rosadas. O macho tem a pele nua da face
em tons avermelhados e as pernas amarelas. O casal disputa território com gaviões com
acrobacias em voo e vocalizações. Atacam
Ambiente: Áreas abertas. intrusos com rasantes e pousam por perto
vocalizando intensamente.
Alimentação: Artrópodes, pequenos vertebra-
dos, ovos, frutos e carniças. Lembram-se de pessoas específicas, mes-
mo que troquem de roupa ou usem cha-
péu.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

PAPAGAIOS (PSITTACIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

periquitão - Psittacara leucophthalmus
em voo
Valdir Paulete

filhotes

Paulo Guerra
João Andriola

adulto

Outros nomes: araguarí, aratinga, aratinga- Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
de-bando, aruaí, guira-juba, maracanã, Nordeste.
maracanã-malhada, perequitão-maracanã.
Reprodução: Usa cavidades naturais em
Características: Em bandos. Periquito com 32 árvores, paredões, barrancos em beiras de
-35 cm de comprimento. Plumagem verde. rios ou estradas e até mesmo em telhados.
Os ombros são vermelhos e há algumas Para maior proteção, é discreto quando
penas igualmente vermelhas na lateral do entra e sai do ninho, voando sem vocalizar e
pescoço. Pele facial branca. Bico forte e curvo pousando em galhos próximos, onde aguar-
alaranjado. Pernas escuras. Em voo, o interi- da até poder entrar. Põe até três ovos bran-
or da cauda e asas são amarelos, sendo que cos. Assim como outros psitacídeos, os filho-
as asas possuem uma mancha vermelha. No tes nascem cegos. Ambos os pais cuidam
jovem, os tons vermelhos são inexistentes. dos filhotes.
Filhotes têm plumas acinzentadas e bico
rosado, trocando primeiramente as penas da
cauda, asa e cabeça. Curiosidades

Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- O bando pernoita junto, normalmente em
no evidente conhecido. paredões.

Ambiente: Bordas de mata e áreas abertas. Como outros psitacídeos, possuem o pala-
dar muito apurado, com até 400 papilas
Alimentação: Frutos, sementes e até mesmo gustativas espalhadas por toda a língua.
botões florais.
Vítima do tráfico ilegal de animais silves-
No parque: Raramente no parque. tres, morrem por estresse e os poucos que
sobrevivem sofrem subnutrição.

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Marcon & Vieira

PAPAGAIOS (PSITTACIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

tiriba - Pyrrhura frontalis
Amanda Marcon

adulto

Outros nomes: periquito, tiriba-de-cauda- Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e parte do
vermelha, tiriba-de-testa-vermelha, tiribinha, Centro-Oeste e Nordeste, acompanhando a
tiriva. Mata Atlântica.

Características: Em bandos. Tem 24-28 cm Reprodução: Monogâmico, o casal fica junto
de comprimento. Plumagem dorsal verde- durante a vida toda. Nidifica em cavidades
escura. Peito e pescoço amarelados com prontas. Põe de quatro a seis ovos, que são
escamas escuras e barriga vermelha, muitas incubados pela fêmea. Incubação com cerca
vezes em formato de coração. As primárias de 30 dias. Os filhotes deixam o ninho com
da ponta são azuis e cauda tem a base verde cerca de 40 dias. O macho alimenta os
passando ao vermelho até a ponta. Boche- filhotes com maior frequência.
cha acastanhada e olhos castanhos contor-
nados por pele nua e branca. Possui uma No parque: Frequente nas matas durante o
máscara escura ao redor dos olhos e bico. A inverno.
testa vermelha é característica da espécie. O
bico forte e curvo é preto, com pele das nari-
nas esbranquiçada. As pernas são pretas. Curiosidades
Jovem semelhante, mas com poucas esca-
mas. Espécie endêmica da Mata Atlântica.

Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- Atinge a idade adulta com 4 anos de ida-
no evidente conhecido. de.

Ambiente: Florestas e áreas urbanas arbori- Se, por ventura, um dos indivíduos no
zadas. casal morre, o outro não mais acasalará.

Alimentação: Frutos, sementes e botões flo-
rais.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

PAPAGAIOS (PSITTACIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

periquito-verde - Brotogeris tirica
Cláudia Brasileiro

adultos

Outros nomes: periquito, periquito-rico, peri- Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e parte do
quito-tirica, tiririca. Centro-Oeste e Nordeste, acompanhando a
Mata Atlântica.
Características: Em bandos ou casais. Tem
20-23 cm de comprimento. Plumagem verde, Reprodução: Nidifica em cavidades de árvo-
mais escura no dorso e levemente amarelada res, cupinzeiros arborícolas e telhados. Põe
no ventre e nas laterais da cabeça. O ombro de três a seis ovos. Incubação por cerca de
e o interior das asas são amarelos. A nuca 25 dias. Os filhotes deixam o ninho com
tem reflexos azulados e o bico e os pés são cerca de 50 dias. Ambos os pais incubam os
claros. Os olhos são contornados por pele ovos e cuidam dos filhotes.
nua branca. Jovem totalmente verde, de bico
escuro e cauda mais curta. No parque: Raro nas matas e arbustos.

Dimorfismo sexual: O macho é levemente
mais robusto que a fêmea. Curiosidades

Ambiente: Florestas e áreas abertas, incluin- Espécie endêmica da Mata Atlântica.
do áreas urbanas arborizadas.
Atinge a idade adulta com 2 anos de ida-
Alimentação: Frutos, sementes, botões florais de.
e insetos.
Podem viver até os 20 anos de idade.

71
Marcon & Vieira

PAPAGAIOS (PSITTACIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

papagaio - Amazona aestiva

adulto
Amanda Marcon

Thiago Filadelfo
filhotes

Outros nomes: curau, papagaio-de-fronte- Ocorrência no Brasil: Historicamente, ocor-
azul, papagaio-louro, rico. ria do extremo norte do Paraná até a região
Centro-Oeste e Nordeste. Após os anos
Características: Em casais que se agrupam 2000s, passa a ocorrer também em Santa
em bandos. Tem 35-37 cm de comprimento Catarina e Rio Grande do Sul.
e plumagem verde. Nota-se uma mancha
vermelha no centro inferior das asas, com as Reprodução: De setembro a março. São
pontas sendo azuis escuras. A cauda tem o monogâmicos. Usa cavidades em rochas,
centro verde e a ponta amarelada. O contor- árvores ou barrancos. Põe de três a seis
no dos olhos e do topo da cabeça é amarelo ovos, que são incubados pelo casal. Incuba-
e as bochechas e testa são azuis. Bico e pa- ção por cerca de 30 dias. Os filhotes ficam
tas são escuros. O jovem tem olhos castanho no ninho por até 60 dias.
-escuros e plumagem com menos tons de
vermelho e amarelo, podendo ter a cabeça
toda verde. Curiosidades

Dimorfismo sexual: Machos possuem olhos Vítima do tráfico de animais silvestres.
mais alaranjados e as fêmeas, castanho-
claros. A população da região de Florianópolis é
composta por animais que fugiram do
Ambiente: Florestas e áreas urbanas arbori- cativeiro, ou foram soltos, e formaram
zadas. bandos.

Alimentação: Frutos e sementes. Leva de 2 a 5 anos para atingir a idade
adulta.
No parque: Encontrado nas matas ou em
voo o ano inteiro. Vivem até cerca de 50 anos de idade.

72
Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

CHOCAS (THAMNOPHILIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

Leonardo Casadei
choquinha-lisa - Dysithamnus mentalis

fêmea
João Andriola

Elpidio Lima
macho ninho

Outros nomes: choquinha, samoco, xorró-de Ocorrência no Brasil: Todo o país.
-rabo-curto.
Reprodução: O casal constrói um ninho
Características: Em pares ou bandos mistos. suspenso entre uma forquilha. O ninho em
Tem 10-13 cm de comprimento, corpo roliço formato de xícara é formado por gravetos e
e cauda curta. Plumagem dorsal acanelada, musgos. Põe até dois ovos brancos sarapin-
ombro mais escuro, peito amarelo e cabeça tados de marrom. Incubação por cerca de
e pescoço acinzentados. Tem papo branco, 15 dias. O filhote deixa o ninho com 9 dias.
mancha escura atrás dos olhos e duas linhas Ambos os pais incubam os ovos e cuidam
de pintas brancas na asa (nem sempre visí- dos filhotes.
veis). O bico é escuro com a base clara. O
jovem é pardo, com bico escuro e comissura No parque: Encontrado nas matas o ano
labial (protuberância na base do bico) rosa- inteiro.
da.

Dimorfismo sexual: Macho com o topo da
cabeça e dorso mais escuros, bem como Curiosidades
mancha atrás dos olhos mais forte. A fêmea
tem o topo da cabeça ruivo e tons mais opa- Curiosa, não se intimida com a aproxima-
cos. ção humana.

Ambiente: Florestas e capoeiras.

Alimentação: Insetos que captura nos galhos
das árvores.

73
Marcon & Vieira

CHOCAS (THAMNOPHILIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

Paulo Bertagnolli
papa-formiga-da-grota - Myrmoderus squamosus
Miguel N. Neto

Miguel Biz
filhote fêmea
macho

Outros nomes: formigueiro-assobiador, papa Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e parte do
-formiga-de-grota. Centro-Oeste e Nordeste, acompanhando a
Mata Atlântica.
Características: Solitária, em pares ou ban-
dos mistos. Tem 14-15 cm de comprimento, Alimentação: Insetos de folhiço e, principal-
corpo roliço e cauda longa. Plumagem dor- mente, revelados pelas formigas-correição.
sal ferrugínea e ventral bege-acinzentada. A As carreiras de formigas-correição são vora-
cauda é inteiramente castanha. Tem sobran- zes e espantam os insetos dos arredores
celha branca bem evidente. O ombro é pre- quando passam. O papa-formiga-da-grota
to, com duas ou três linhas de pintas bran- aproveita para capturar os insetos revelados
cas. O bico é escuro e levemente curvado na passagem das formigas.
para baixo. As pernas são claras. O jovem se
assemelha à fêmea. Os filhotes têm a cabeça Reprodução: Pouco se sabe sobre. Constrói
e peito escuros, que clareiam conforme cres- ninhos perto do solo. O ninho tem formato
cem, e comissura labial (protuberância na de copo e fica apoiado em galhos. Utiliza
base do bico) amarela. gravetos e hastes vegetais. Põe até dois
ovos.
Dimorfismo sexual: O macho tem a face e
garganta completamente pretas, além de
ventre liso e peito escamado de preto e bran-
co. A fêmea tem uma mancha desbotada Curiosidades
escura atrás dos olhos, garganta cinza e
peito e ventre lisos e claros. Espécie endêmica da Mata Atlântica.

Ambiente: Florestas úmidas. Acompanha bandos mistos dentro de seu
território.
No parque: Encontrado nas matas o ano
inteiro. Emite sons altos quando ameaçado.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

GALINHAS-DO-MATO (FORMICARIIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

galinha-do-mato - Formicarius colma
Tiago Cadorin

ninho

Carmen Bays
adulto

Outros nomes: pinto-do-mato-coroado. Ocorrência no Brasil: Do litoral do norte do
Rio Grande do Sul até Pernambuco, Amazô-
Características: Solitária ou em bandos mis- nia e Tocantins.
tos. Tem 18 cm de comprimento e plumagem
escura. Plumagem dorsal castanha e ventral Reprodução: Pode nidificar em ocos de árvo-
acinzentada, mais clara perto das pernas. res ou diretamente no solo. O ninho em
Nota-se uma faixa castanha no interior das formato de tigela é construído com galhos e
asas. A cauda é castanha, com a ponta pre- outros materiais secos. Põe até dois ovos
ta. Cabeça, nuca e ombro são castanho- brancos com poucas manchas mais escuras.
ferrugem. Testa, face e garganta são pretas, Ambos os pais são responsáveis por incubar
com a bochecha e o peito levemente mais e cuidar dos filhotes.
claros. Os olhos são circundados por pele
nua cinza. Bico escuro. Pernas claras. Jovem No parque: Encontrado nas matas o ano
mais pardo. inteiro.

Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido. Curiosidades

Ambiente: Florestas úmidas com sub-bosque. Bioindicador de qualidade ambiental devi-
do à sensibilidade a alterações no ambi-
Alimentação: Insetos que cisca no folhiço e ente.
revelados pelas formigas-correição. As car-
reiras de formigas-correição são vorazes e Juntam-se a bandos mistos de outras aves
espantam os insetos dos arredores quando insetívoras para seguir as formigas-
passam. A galinha-do-mato aproveita para correição.
capturar os insetos revelados na passagem
das formigas. O canto é marcante e preenche a floresta,
sendo mais ouvido do que visto.

75
Marcon & Vieira

JOÕES-DE-BARRO (FURNARIIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

Amanda Marcon
joão-de-barro - Furnarius rufus
Amanda Marcon

ninho

José Cristovão
jovem filhote
adulto

Outros nomes: amassa-barro, barreiro, for- Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste, Centro-
neiro, joana-de-barro, maria-barreira, maria Oeste, Nordeste e parte do Norte.
-de-barro, oleiro.
Reprodução: Primavera e verão. Territoriais e
Características: Aos pares ou famílias. Cami- monogâmicos. Muitas vezes, o casal perma-
nha mais ao invés de saltar, movimentando o nece junto pela vida toda. O casal leva até
pescoço para frente e para trás. Tem 16-23 30 dias para construir o ninho feito de bar-
cm de comprimento. Plumagem amarronza- ro, palha, esterco e areia. Feito em lugares
da, com dorso ferrugíneo e peito cor de cre- altos, como postes e edificações, o ninho
me. A cauda é avermelhada e o lado ventral tem duas câmaras (entrada e incubadora)
das asas apresenta uma faixa amarelada e separadas por uma parede para proteção e
pontas escurecidas. A garganta é branca, os regulação térmica. Põe de dois a quatro
olhos são avermelhados e o supercílio é ovos. Incubação por cerca de 15 dias. Os
claro. O bico é escuro, mas com base clara. filhotes deixam o ninho com cerca de 25
As pernas são escuras. O jovem tem olhos dias. Ambos os pais incubam os ovos e cui-
mais castanhos e plumagem mais fosca. dam dos filhotes, que ficam no território dos
pais por até 6 meses.
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido.
Curiosidades
Ambiente: Áreas abertas.
Muitas aves, lagartos, anfíbios e pequenos
Alimentação: Insetos de folhas no solo e mamíferos aproveitam seus ninhos aban-
sobre troncos. Em cidades, também se ali- donados.
mentando de restos de comida humana.
Não nidifica no mesmo ninho duas tem-
No parque: Encontrado nas áreas abertas o poradas seguidas, podendo construir um
ano inteiro. novo ao lado ou até mesmo em cima do
original.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

ANAMBÉS (TITYRIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

anambé-branco - Tityra inquisitor

Luiz Ribenboim
Martinho Rau

macho fêmea

Outros nomes: anambé-branco-de-bochecha Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
-parda, anambézinho, araponguinha, canji- extremo Sul e extremo Nordeste.
ca.
Alimentação: Insetos que captura no dossel.
Características: Solitária ou em bandos mis- Pode complementar a dieta com frutos.
tos. Tem 17-20 cm de comprimento. A maior
parte da plumagem é clara, com peito e Reprodução: De julho a dezembro. Usa ocos
ventre brancos e dorso acinzentado. Topo da de árvores no alto das árvores. Forra o inte-
cabeça e nuca pretos, assim como a lateral rior do oco com folhas e galhos. Põe até
da asa e a ponta da cauda. O interior das dois ovos. Pode abandonar o ninho se hou-
asas é branco. Tem bico grosso e pernas ver muita movimentação humana no entor-
escuros. O jovem é similar à fêmea, mas de no. Ambos os pais cuidam dos filhotes.
tons mais foscos.
No parque: Raro nas matas.
Dimorfismo sexual: O macho tem face e
bochechas completamente pretas, bem como
garganta branca e costas prateadas. A fê- Curiosidades
mea tem face e bochechas avermelhadas,
testa e garganta castanho-alaranjadas e Seu som é um grasnado, normalmente
costas com leves estriados escuros. emitido durante o voo.

Ambiente: Florestas e bordas de mata. Cos-
tuma pousar no dossel, em galhos expostos.

77
Marcon & Vieira

CABEÇUDOS (RHYNCHOCYCLIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

cabeçudo - Leptopogon amaurocephalus
Ivan Sazima

ninho

Lucia Calvet
adulto

Outros nomes: abre-cabeçudo, papa-mosca- Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
de-capuz. Amazônia e Pampa gaúcho.

Características: Solitária, em pares ou ban- Alimentação: Insetos que captura em voo.
dos mistos. Tem 13-14 cm de comprimento. Não costuma retornar ao mesmo poleiro de
Roliço, de cabeça grande, plumagem dorsal onde saiu.
mais esverdeada do que o peito e ventral em
tons amarelados. A face e a garganta são Reprodução: Seu ninho é uma união com-
cinza-esbranquiçadas. O ombro é escuro pacta de galhos, materiais vegetais e fila-
com duas linhas compostas por pintas ferru- mentos de cogumelos, assumindo o formato
gíneas. As penas da ponta das asas e da de uma massa grande e arredondada. O
cauda são verde-amarelas mescladas de ninho fica pendurado nos galhos das árvo-
preto. O topo da cabeça e a nuca são ferru- res ou prostrado em barrancos, com uma
gíneos. Tem uma linha curva escura atrás dos entrada lateral. Leva cerca de 30 dias na
olhos que lembra uma orelha. O bico e as construção do ninho. Põe até três ovos. Am-
pernas são escuros. Jovem com tons mais bos os pais cuidam dos filhotes.
uniformes e sem grandes diferenças entre o
tom oliva e o amarelo. No jovem, podem No parque: Encontrado nas matas o ano
faltar as cores ferrugíneas da cabeça e da inteiro.
asa, bem como o ombro escuro.

Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- Curiosidades
no evidente conhecido.
Pousa ereto em galhos expostos nas tri-
Ambiente: Florestas com sub-bosque ou lhas, recolhendo a cauda e parecendo ter
árvores baixas. a cabeça desproporcionalmente maior do
que o corpo.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

PAPA-MOSCAS (TYRANNIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

risadinha - Camptostoma obsoletum

Wanielli Pascoal
Amanda Marcon

ninho
adulto

Outros nomes: assovia-cachorro, papa- Ocorrência no Brasil: Todo o país.
mosquito.
Ambiente: Bordas de mata e áreas abertas.
Características: Solitária ou em pares. Tem 9- Em áreas urbanas, ocupa áreas arborizadas.
10 cm de comprimento. Plumagem dorsal
verde-oliva logo após a muda, mas que vai Alimentação: Insetos que captura em peque-
acinzentando conforme as penas desgastam. nos voos. Também pode alimentar-se de
Há duas linhas ferrugíneas no ombro, que frutos.
desbotam com o tempo e tornam-se amare-
ladas. Asa e cauda castanhas. As penas da Reprodução: Provavelmente de julho a de-
asa têm bordas amareladas. Peito claro, zembro. O ninho é arredondado, comprido
puxando para o amarelo ao chegar ao ven- e com uma entrada lateral que fica preso
tre, podendo ser mais acinzentado depen- aos ramos de árvores. É feito com galhos,
dendo da idade das penas. Tem uma crista musgos, líquens, filamentos de cogumelos e
de penas brancas e curtas, que pode erguer fibras. Põe até três ovos brancos com man-
ou não. Nuca, cabeça e garganta acinzenta- chas marrons na base.
das. Papo e sobrancelha claros. Fraca risca
escura cruzando os olhos, que são contorna- No parque: Encontrado nas áreas abertas e
dos por pele branca. Jovem com plumagem bordas de mata o ano inteiro.
pouco olivácea. Difere do alegrinho
(Serpophaga subcristata), principalmente, por
ter o bico escuro com tons rosados na parte
Curiosidades
inferior.
Salta muito de galho em galho.
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido.
Seu canto lembra uma risada e costuma
vocalizar do amanhecer ao escurecer.

79
Marcon & Vieira

PAPA-MOSCAS (TYRANNIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

guaracava - Elaenia flavogaster
Carmen Bays

adulto

Outros nomes: cucuruta, guaracava-de- Ocorrência no Brasil: Todo o país exceto
barriga-amarela, maria-é-dia. florestas da Amazônia.

Características: Solitária ou em casal. Tem 16 Reprodução: De julho a novembro. O casal
-17 cm de comprimento, sendo uma das canta em dueto, respondendo rapidamente
maiores guaracavas. Seu dorso é oliváceo e aos chamados do parceiro. Constrói o ninho
o ventre, amarelado. As asas são castanhas, preso à forquilha de algum galho. Camufla-
com duas faixas horizontais de pintas claras do e em formato de tigela, o ninho é feito de
no ombro. Cauda relativamente longa e musgo, folhas, líquens, raízes, penas e ou-
castanha. Cabeça e peito acinzentados, gar- tros materiais. Põe até dois ovos beges sara-
ganta branca. Crista desenvolvida de penas pintados de vermelho. A incubação leva
brancas, que pode erguer ou não. Olhos cerca de 15 dias. Ambos os pais cuidam dos
contornados por pele branca e bico escuro ovos e filhotes.
com parte inferior rosada. Pernas escuras.
Jovem com plumagem mais opaca. No parque: Encontrada nas áreas abertas e
bordas de mata entre primavera e verão.
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido.
Curiosidades
Ambiente: Bordas de mata ou áreas abertas.
Emite um som rouco que lembra um apito
Alimentação: Insetos e frutos. Persegue artró- de escola de samba.
podes entre galhos e pelo ar. É uma das
dispersoras da erva-de-passarinho. Pouco se sabe sobre seus padrões de mo-
vimentação. Acredita-se que seja migrató-
ria na região de Florianópolis, onde apa-
rece em quantidade entre primavera e
verão.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

PAPA-MOSCAS (TYRANNIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

tuque - Elaenia parvirostris
Amanda Marcon

adulto

Outros nomes: tuque-pium, guaracava-de- Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
bico-curto, guaracava-de-bico-pequeno, extremo Nordeste.
guaracava-verde.
Reprodução: Durante primavera e verão. O
Características: Solitária. Tem 13-14 cm de casal canta em duetos. Constrói o ninho
comprimento. Tem plumagem dorsal esver- preso à forquilha de algum galho. Camufla-
deada, podendo assumir tons castanhos do e em formato de tigela, o ninho é feito de
dependendo da luminosidade, e ventral musgos, folhas, líquens, raízes, penas e
amarelada. Garganta e peito acinzentados. outros materiais. Põe até dois ovos brancos
As primárias são escuras com as laterais com pintas acastanhadas na base. Incuba-
amareladas. Tem duas ou três faixas horizon- ção por cerca de 15 dias. Filhotes deixam o
tais de pintas claras no ombro. Cabeça olivá- ninho com cerca de 30 dias.
cea e olhos contornados por pele clara. Cris-
ta curta de penas brancas, que pode erguer No parque: Encontrada nas áreas abertas e
ou não. Bico curto, escuro por cima e rosado bordas de mata entre primavera e verão.
por baixo. Pernas escuras. Jovem com plu-
magem mais opaca.
Curiosidades
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido. Migratório, reproduz no Sul do Brasil du-
rante primavera e verão e migra para a
Ambiente: Bordas de mata ou áreas abertas. Amazônia no outono e inverno.

Alimentação: Insetos e frutos. Persegue artró- Sua vocalização é bastante variada, de
podes entre galhos e pelo ar. É um dos dis- trinados roucos a breves chamados.
persores da erva-de-passarinho.

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Marcon & Vieira

PAPA-MOSCAS (TYRANNIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

alegrinho - Serpophaga subcristata
Elpidio Lima

ninho

Amanda Marcon
adulto

Outros nomes: alegrinho-do-leste, papa- Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste, Nordeste
mosquito. e partes do Centro-Oeste e do Norte.

Características: Solitária. Tem 11 cm de com- Alimentação: Insetos que captura entre os
primento. Plumagem dorsal olivácea, mais galhos ou dando pequenos voos de um
escura nas asas, e ventral amarelada. Asas poleiro baixo.
com bordas das penas amareladas e duas
faixas horizontais de pintas amarelas no Reprodução: Pouco se sabe sobre sua repro-
ombro. Cauda relativamente longa, oliva e dução. O ninho é construído pelo casal com
mais escura na ponta. Cabeça, nuca e peito galhos, penas, folhas, líquens e outros mate-
acinzentados. A crista branca está quase riais. Tem formato de tigela, geralmente em
sempre erguida. Garganta e sobrancelha forquilhas baixas. Põe até dois ovos brancos.
brancas. Fina listra escura cortando os olhos.
Tem o bico completamente escuro. Pernas No parque: Eventualmente nas áreas aber-
escuras. Jovem com plumagem mais opaca. tas e bordas de mata.
Filhote com cauda menor e comissura labial
(protuberância na base do bico) amarela
discreta. Curiosidades

Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- Parcialmente migratório, pouco se sabe
no evidente conhecido. sobre seus movimentos.

Ambiente: Bordas de mata e áreas abertas. Em disputas territoriais, posiciona-se na
frente do oponente, inclina-se para frente
e sacode asas e cauda, produzindo um
zumbido.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

PAPA-MOSCAS (TYRANNIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

capitão-de-saíra - Attila rufus

Carmen Bays

adulto

Outros nomes: tingua-açu, tinguaçu, tiguaçu- Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e parte do
de-cabeça-cinza. Nordeste, acompanhando a porção leste da
Mata Atlântica.
Características: Solitária, em pares ou ban-
dos mistos. Tem 20-21 cm de comprimento. Ambiente: Florestas e bordas de mata. Co-
Corpo com plumagem ferrugínea e peito de mum no estrato médio e copa das árvores.
tom alaranjado mais escurecido. As asas são
mais escuras, com lateral acastanhada. A Reprodução: Pouco se sabe sobre. Constrói
cauda é mais alaranjada do que o resto do um ninho volumoso com galhos, líquens e
corpo. Cabeça, nuca e garganta são cinzen- outros materiais. O ninho é oculto em cavi-
tas. Garganta com estriados mais claros. O dades de barrancos ou na vegetação, como
bico é alongado e forte, com leve gancho atrás de bromélias ou samambaias.
para baixo na ponta. Há variação na cor do
bico, com alguns mais escuros e outros cla- No parque: Eventualmente nas matas.
ros. As pernas são escuras. Jovem mais opa-
co. Filhotes mais acinzentados no peito e
dorso, com tons mais amarelados do que Curiosidades
alaranjados.
Espécie endêmica da Mata Atlântica.
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido. É bioindicador de qualidade das florestas,
pois não é encontrado em fragmentos
Alimentação: Artrópodes, frutos e pequenos pequenos ou muito isolados.
vertebrados, como pererecas arborícolas.
Pode predar animais de tamanho igual ou Apesar de se juntar a bandos mistos para
um pouco maior que o seu. forragear no inverno, não é uma espécie
muito comum nestes.

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Marcon & Vieira

PAPA-MOSCAS (TYRANNIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

irrê - Myiarchus swainsoni
Amanda Marcon

adulto

Outros nomes: irré, maria-irré. Ocorrência no Brasil: Todo o país.

Características: Solitária ou em pares na Alimentação: Artrópodes, que captura em
época reprodutiva. Tem 19-21 cm de compri- pleno voo, e frutos.
mento. Plumagem dorsal cinza-olivácea,
podendo parecer acastanhada conforme Reprodução: De agosto a dezembro. O
luminosidade, e ventral amarelada. Asas ninho fica no interior de ocos, como cavida-
mais escuras, com duas faixas de pintas no des abandonadas de pica-paus. O fundo do
ombro de cor ferrugínea. Cauda relativa- ninho é forrado com musgos e outros mate-
mente alongada e castanha. Garganta e riais maleáveis. Põe até três ovos. Ambos os
peito acinzentados. Penas da cabeça quase pais incubam os ovos e cuidam dos filhotes.
sempre eriçadas, dando a impressão de que
a cabeça é desproporcional ao corpo. O bico No parque: Encontrado nas áreas abertas e
é escuro e alaranjado por dentro. As pernas bordas de mata durante primavera e verão.
são escuras. Jovem mais pardacento. Filhotes
mais foscos e com cauda curta, faltando os
tons ferrugíneos dos adultos. Curiosidades

Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- Migratório, nidifica na região Sul entre
no evidente conhecido. primavera e verão.

Ambiente: Bordas de mata e áreas abertas. Vocaliza do início da manhã até o começo
da noite.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

PAPA-MOSCAS (TYRANNIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

Bianca Vieira
bem-te-vi - Pitangus sulphuratus
Bianca Vieira

ninho

jovem

Amanda Marcon
Bianca Vieira

filhote adulto

Outros nomes: bem-te-vi-de-coroa, chama- Ocorrência no Brasil: Todo o país.
chuva.
Ambiente: Bordas de mata e áreas abertas.
Características: Solitária, em pares ou grupos
familiares. Tem 20-23 cm de comprimento. Reprodução: O ninho é um aglomerado
Ventre de plumagem amarela e dorso, asas e esférico no alto das árvores. Utiliza gravetos,
costas de plumagem castanha uniforme. As musgos, penas e outros materiais. Em áreas
penas das asas e da cauda são contornadas urbanas, utiliza plásticos, cadarços, nylon e
por um tom ferrugíneo. Garganta e alto do outros resíduos humanos para estrutura e
peito brancos. Cabeça preta com uma faixa decoração do ninho. Põe até quatro ovos de
branca contornando acima dos olhos e testa cor creme, com poucas pintas escuras. Incu-
até a nuca. Crista desenvolvida de penas bação por cerca de 20 dias. Ambos os pais
amarelas, erguida durante a corte ou em cuidam dos ovos e filhotes. Se houver muita
situações de estresse. Bico forte e escuro, perturbação no local do ninho, podem mu-
com uma pequena ponta curvada para bai- dá-lo de lugar.
xo. Pernas escuras. Jovem semelhante, mas
com ventre mais claro e resquício da comis- No parque: Em todo o parque o ano inteiro.
sura labial (protuberância na base do bico)
amarela. Filhote com cauda e asa menores,
bico amarelo com manchas pretas e comis- Curiosidades
sura labial (protuberância na base do bico)
amarela bem evidente. Territorial, disputa até com seu próprio
reflexo e pratica mobbing com possíveis
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- predadores, na época reprodutiva princi-
no evidente conhecido. palmente.

Alimentação: Artrópodes, frutos, ovos e pe- Além do canto “bem-te-vi”, tem chamados
quenos vertebrados. chorosos “nheee” que lembram o som do
apito de bonecos de borracha.

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Marcon & Vieira

PAPA-MOSCAS (TYRANNIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

suiriri-cavaleiro - Machetornis rixosa

Amanda Marcon
adulto - dorso
Bianca Vieira

Amanda Marcon
ninho

adulto - ventre

Outros nomes: bem-te-vi-do-gado, cavaleiro, Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
maria-cavaleira, monta-cavalo, siriri, siriri- Amazônia.
cavaleiro.
Reprodução: Nidifica em cavidades não
Características: Solitária, em pares ou ban- muito altas e constrói um forro de gravetos
dos. Tem 18-19 cm de comprimento. Pluma- dentro delas. Eventualmente, ocupa ninhos
gem dorsal olivácea e ventral amarelada. de joão-de-barro. Põe até quatro ovos bran-
Asas e caudas acastanhadas. Peito esbran- cos com muitas ou poucas manchas casta-
quiçado e cabeça acinzentada. Crista alaran- nho-avermelhadas. Incubação por cerca de
jada eriçada apenas na corte ou em situa- 15 dias. Os filhotes deixam o ninho com
ções de estresse, como disputas territoriais. cerca de 15 dias. Após saírem do ninho,
Fraca listra escurecida atravessando do bico acompanham os pais por algum tempo.
até atrás dos olhos. Bico fino e escuro. Pernas
relativamente longas e escuras. Olhos casta- No parque: Encontrado nas áreas abertas.
nho-avermelhados. Jovem em tons mais
claros, com a parte branca do peito maior e
a castanha dorsal mais ferrugínea.
Curiosidades
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido. Não é migratório, porém mais indivíduos
ativos são encontrados na primavera e
Ambiente: Áreas abertas. verão no Sul do Brasil.
Alimentação: Artrópodes. Costuma bater a Ataca predadores que se aproximem de
presa contra superfícies firmes. Caminha seu ninho dando fortes golpeadas em
muito pelo solo. Segue grandes animais para pleno voo (mobbing).
capturar os insetos espantados na passagem.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

PAPA-MOSCAS (TYRANNIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

bem-te-vi-rajado - Myiodynastes maculatus
Amanda Marcon

adulto

Outros nomes: soluço. Ocorrência no Brasil: Todo o país.

Características: Solitária ou em pares. Tem Reprodução: Entre julho e agosto, inicia a
19-23 cm de comprimento. Robusto como o nidificação em cavidades, como cupinzeiros
bem-te-vi (Pitangus sulphuratus), tem pluma- arborícolas, ninhos abandonados de pica-
gem dorsal castanha-escura rajada de bran- paus e de outras aves. A fêmea preenche a
co e ventral clara com pintas castanha- cavidade com materiais vegetais maleáveis,
escuras. Asa e cauda castanha-escuras com sendo responsável por incubar os ovos. Põe
bordas ferrugíneas. Tem duas faixas de pin- até quatro ovos. Incubação de cerca de 15
tas claras no ombro. Nuca rajada e cabeça dias. Ambos os pais cuidam dos filhotes, que
preta com um supercílio branco da testa até deixam o ninho com cerca de 20 dias.
a nuca e outra faixa branca que parte do
bico até a nuca. Tem uma crista amarela, No parque: Encontrado nas matas na pri-
eriçada apenas na corte ou em situações de mavera e verão.
estresse, como disputas territoriais. Bico escu-
ro com a base rosada e pequeno gancho
para baixo na ponta. Pernas escuras. Jovem Curiosidades
semelhante, mas com o bico mais encurtado.
Migratório, reproduz no Sul do Brasil du-
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- rante primavera e verão e migra para a
no evidente conhecido. Amazônia no outono e inverno.
Ambiente: Florestas, bordas de mata e áreas A vocalização é um chamado curto e ana-
urbanas arborizadas. salado, geralmente mais longo e canoro
no começo da manhã.
Alimentação: Artrópodes e frutos. Costuma
bater os artrópodes contra superfícies firmes
ou sacudi-los no ar.

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Marcon & Vieira

PAPA-MOSCAS (TYRANNIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

bentevizinho - Myiozetetes similis

Paulo Bertagnolli
Fábio Jacomassa

adulto - dorso
adulto - ventre

Outros nomes: bentevizinho-de-penacho- Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
vermelho, bentevizinho-de-topete-vermelho. Centro-Oeste, partes do Norte e extremo
Sul.
Características: Em pares ou pequenos gru-
pos familiares. Tem 16-18 cm de compri- Reprodução: Primavera. Constrói um ninho
mento. Pássaro similar ao bem-te-vi, porém arredondado, com entrada lateral. Utiliza
menor e de bico mais curto. Plumagem dor- gravetos, líquens, penas e outros materiais.
sal castanha e ventral amarela. Asas e cauda É geralmente colocado em forquilhas, próxi-
castanhas e com as penas contornadas por mo à água ou a formigueiros, vespeiros e
tom ferrugíneo. Garganta branca e nuca colmeias, garantindo maior proteção. Põe
castanho-olivácea. Cabeça preta com faixa até três ovos claros sarapintados de casta-
branca da testa até a nuca, onde interrompe. nho. Incubação por cerca de 20 dias. Os
Tem uma crista laranja-avermelhada, eriçada filhotes deixam o ninho com cerca de 20
apenas na corte ou em situações de estresse, dias.
como disputas territoriais. Olhos claros. Bico
e patas escuros. O jovem é mais pardo. No parque: Encontrado nas áreas abertas
durante primavera e verão.
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido.
Curiosidades
Ambiente: Bordas de mata e áreas abertas.
Migratório parcial, tem populações que
reproduzem na região sul do Brasil duran-
Alimentação: Artrópodes e frutos. Costuma
te primavera e verão; e migram para
bater os artrópodes contra superfícies firmes
outras regiões no outono e inverno.
ou sacudi-los no ar.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

PAPA-MOSCAS (TYRANNIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

suiriri - Tyrannus melancholicus

Amanda Marcon
Amanda Marcon

adulto - dorso
adulto - ventre

Outros nomes: bem-te-vi-falso, siriri. Ocorrência no Brasil: Todo o país.

Características: Solitária ou em casais. Tem Reprodução: De outubro a janeiro. Os ca-
18-24 cm de comprimento. Plumagem dorsal sais são territoriais e as disputas entre casais
cinza-acastanhada e ventral amarela. Asas e são frequentes. Em Florianópolis, os casais
cauda da mesma cor dorsal. Tem leves esca- possuem territórios com cerca de 3 ha. O
mados ferrugíneos no ombro. Peito amarelo- casal constrói ninhos em formato de tigela
acinzentado, garganta clara e cabeça cinza com gravetos, folhas, penas e outros materi-
escura. Máscara escura nos olhos. Crista ais que encontram. Põe até três ovos claros
alaranjada, eriçada apenas na corte ou situ- manchados de castanho. Ambos os pais os
ações de estresse, como disputas territoriais. incubam e cuidam dos filhotes e da limpeza
O bico escuro é largo na base e vai afilando do ninho.
até um leve gancho para baixo na ponta.
Pernas escuras. Jovem mais claro, com mais
branco na garganta e testa, interior do bico Curiosidades
alaranjado, cauda mais curta e tons ferrugí-
neos mais fortes no escamado do ombro. Os Migratório parcial, tem populações que
filhotes têm plumagem amarelada. reproduzem no sul do Brasil durante pri-
mavera e verão e migram para a Amazô-
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- nia no outono e inverno.
no evidente conhecido.
Em Florianópolis, chega entre a primeira
Ambiente: Áreas abertas. (anos regulares) e a segunda (anos de El
Niño) semana de outubro, partindo pela
Alimentação: Artrópodes e frutos. Bate contra primeira semana de abril.
superfícies e sacode os artrópodes.
Alguns indivíduos podem ficar durante o
No parque: Encontrado nas áreas abertas inverno (overstaging).
durante primavera e verão.

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Marcon & Vieira

PAPA-MOSCAS (TYRANNIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

Bianca Vieira
tesourinha - Tyrannus savana

fêmea jovem
Amanda Marcon

macho

Amanda Marcon
Bianca Vieira

filhote
fêmea no ninho filhote

Outros nomes: tesoura, tesoureira, tesouri- Ocorrência no Brasil: Todo o país.
nha-do-campo.
Reprodução: De outubro a fevereiro. Cons-
Características: Aos pares ou em bandos. trói ninhos em formato de tigela com galhos,
Fêmea com 28-30 cm e macho com 38-40 musgos, líquens, penas e outros materiais,
cm de comprimento. Plumagem dorsal cinza geralmente em forquilhas. Põe até três ovos.
e ventral branca. Cabeça, asas, cauda e bico Incubação por cerca de 15 dias. Ambos os
pretos. A cauda tem longas penas, de duas a pais cuidam dos ovos e filhotes. Filhotes
três vezes mais longa do que o corpo em deixam o ninho com 15 dias e acompanham
machos, e parece uma tesoura quando aber- os pais por um tempo.
ta. As duas penas mais longas da cauda têm
a lateral externa branca. Tem uma crista No parque: Encontrado nas áreas abertas
branca, eriçada apenas na corte ou em situa- durante primavera e verão.
ções de estresse, como disputas territoriais. O
jovem tem asas castanhas com algumas
manchas ferrugíneas. O filhote tem pluma-
gem mais fosca e pintas castanhas, comissu- Curiosidades
ra labial (protuberância na base do bico)
rosada e bico e cauda curtos. Migratório, reproduz no Sul do Brasil du-
rante primavera e verão; e migra para o
Dimorfismo sexual: A cauda do macho pode Centro-Oeste, Nordeste e Norte durante
ser até 10 cm mais longa do que a da fê- outono e inverno.
mea.
Há também populações residentes na
Ambiente: Áreas abertas. América do Norte e parcialmente migrató-
rias na América Central.
Alimentação: Artrópodes e frutos. Persegue
os insetos no ar.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

PAPA-MOSCAS (TYRANNIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

mosqueteiro-listrado - Empidonomus varius

Amanda Marcon
Amanda Marcon

adulto - ventre adulto - dorso

Outros nomes: bem-te-vizinho, bem-te- Ocorrência no Brasil: Todo o país.
vizinho-listrado.
Ambiente: Bordas de mata e áreas abertas.
Características: Solitária ou em pares. Tem
18-19 cm de comprimento. Parecida com o Alimentação: Artrópodes e frutos. Captura o
bem-te-vi-rajado, porém com bico mais curto alimento em pleno ar.
e menos rajada. Plumagem dorsal castanha,
com leves rajados claros, e ventral cinza- Reprodução: De outubro a fevereiro. Cons-
amarelada, com manchas castanhas pouco trói o ninho em formato de tigela, com gra-
definidas. Asas castanhas com interior ama- vetos, fibras e outros materiais. Põe até qua-
relado e primárias com bordas brancas. tro ovos brancos manchados de castanho. A
Penas da cauda castanhas com borda ferru- fêmea incuba os ovos por cerca de 15 dias.
gínea. Nuca rajada e cabeça preta com um Ambos os pais alimentam os filhotes.
supercílio branco da testa até a nuca e outra
faixa branca que parte do bico até a nuca. No parque: Encontrado nas áreas abertas e
Faixa escura, que pode ser esmaecida, nas bordas de mata durante primavera e verão.
laterais da garganta branca. Tem uma crista
amarela, eriçada apenas na corte ou em
situações de estresse, como disputas territori- Curiosidades
ais. Bico preto, curto e fino na ponta. Pernas
escuras. Jovem semelhante, mas com resquí- Migratório, reproduz no Sul do Brasil du-
cio de comissura labial (protuberância na rante primavera e verão; e migra para a
base do bico) amarela. Os filhotes têm a Amazônia durante outono e inverno.
cauda curta e aparência despenteada.
Há populações residentes em outras regi-
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- ões do Brasil.
no evidente conhecido.

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Marcon & Vieira

PAPA-MOSCAS (TYRANNIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

príncipe - Pyrocephalus rubinus

Carmen Bays
Carmen Bays

fêmea macho jovem

Outros nomes: papa-moscas-vermelho, san- Ocorrência no Brasil: Ocorre em todo o
gue-de-boi, verão. Brasil, exceto Nordeste.

Características: Solitária ou em pares. Tem Reprodução: Primavera e verão. O macho
13-14 cm de comprimento. Bico curto e escu- muda as penas vermelho-acastanhadas
ro, assim como as pernas. Plumagem dorsal para um vermelho vibrante, que exibe pai-
escura e ventral avermelhada. Asas com rando no ar enquanto vocaliza. O casal
escamados e cauda relativamente alongada constrói um ninho em formato de tigela,
e escura. O jovem é semelhante à fêmea. com musgos, gravetos, penas, líquens e
Jovens machos começam a trocar de pluma- outros materiais. O ninho geralmente fica na
gem com a idade, apresentando rajados forquilha de arbustos, não muito alto. Põe
avermelhados. Os filhotes têm plumagem até cinco ovos brancos com manchas escu-
escura. ras na ponta. Ambos os pais incubam os
ovos e cuidam dos filhotes.
Dimorfismo sexual: Macho com dorso e más-
cara escuros, bem como ventre e topo da No parque: Encontrado nas áreas abertas e
cabeça vermelhos. Na época de descanso bordas de mata durante primavera e verão.
reprodutivo, as cores são menos chamativas
e mais acastanhadas. Fêmea com dorso
castanho e ventre mais claro com estriados
escuros. Penas marrom-alaranjadas abaixo Curiosidades
da cauda e logo após as pernas. Fina listra
preta apagada passando pelos olhos. Migratório, reproduz no Sul do Brasil du-
rante primavera e verão; e migra para a
Ambiente: Áreas abertas. Amazônia por volta de abril, onde passa o
outono e inverno.
Alimentação: Insetos.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

PAPA-MOSCAS (TYRANNIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

papa-moscas-cinzento - Contopus cinereus

Paulo Bertagnolli
Carmen Bays

jovem adulto

Outros nomes: piuí-cinza Ocorrência no Brasil: Do norte do Rio Gran-
de do Sul ao Nordeste, além do Centro-
Características: Solitária ou em bandos mis- Oeste e partes do Norte.
tos. Tem 13-14 cm de comprimento. Pluma-
gem dorsal oliva-acinzentada e ventral ama- Alimentação: Insetos, que captura em pleno
relada. As asas são mais escuras e apresen- voo.
tam duas linhas de pintas claras no ombro. A
cauda é relativamente longa. Pode ou não Reprodução: Primavera e verão. Constrói
eriçar uma pequena crista acinzentada. Gar- ninhos pequenos em formato de tigela na
ganta branca e bochecha mais escura, com forquilha de árvores e arbustos não muito
uma risca clara passando pelos olhos. Bico altos. Utiliza líquens, gravetos, musgos,
fino, com o superior escuro e o inferior ala- filamentos de cogumelos Marasmius e outros
ranjado com ponta escura. Pernas escuras. materiais. Põe até três ovos de cor creme
Jovem mais claro, com as manchas da asa com manchas amarronzadas na base. Incu-
bem definidas e algumas pintas brancas na bação por cerca de 15 dias realizada pela
cabeça e peito. fêmea, que é alimentada pelo macho nesse
período. Os filhotes são cuidados por ambos
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- os pais.
no evidente conhecido.
No parque: Raramente nas áreas abertas e
Ambiente: Bordas de mata, no estrato médio topo das árvores.
ou dossel. Em áreas urbanas, é encontrado
em ambientes arborizados.

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Marcon & Vieira

JURUVIARAS (VIREONIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

juruviara - Vireo chivi

adulto

Bianca Vieira
detalhe da asa

detalhe da cauda
Amanda Marcon

Bianca Vieira
filhote

Outros nomes: jiruviara, juruvira. Ocorrência no Brasil: Todo o país.

Características: Solitária. Tem 13-15 cm de Reprodução: Primavera e verão. O ninho é
comprimento. Plumagem dorsal amarelo- pequeno, de parede fina, em formato de
olivácea e ventral branca-acinzentada. Cau- tigela e, geralmente, localizado em forqui-
da e asas escuras, com bordas amarelo- lhas de árvores. Constrói o ninho com gra-
oliváceas. Cabeça com topo cinza-azulado e vetos, musgos, líquens e outros materiais.
faixa preta e branca acima do olho. Também Põe até três ovos brancos sarapintados de
uma faixa preta atravessa os olhos casta- manchas escuras. A fêmea incuba os ovos
nhos. Bico cinza-prateado com a base mais por cerca de 15 dias. Ambos os pais cuidam
escura, relativamente alongado, fino e com dos filhotes, que os seguem por mais um
leve gancho para baixo na ponta. Jovem tempo após deixarem o ninho.
mais fosco. Filhote mais fosco, com ventre
branco, cauda curta e comissura labial
(protuberância na base do bico) amarela. Curiosidades
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- Migratório, chega à região Sul em meados
no evidente conhecido. de setembro e permanece até março.
Passa o outono e inverno no norte da
Ambiente: Bordas de mata e ambientes arbo- América do Sul.
rizados. Rara no interior de florestas densas.
São muito musicais, com cantos diferentes,
Alimentação: Insetos e frutos. frequentes e repetitivos. Pode-se interpre-
tar uma parte do canto como “tchau-
No parque: Encontrado nas matas na prima- tchau”.
vera e verão.
É mais ouvida do que vista.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

GRALHAS (CORVIDAE)

Conservação: Quase Ameaçada

gralha-azul - Cyanocorax caeruleus
Amanda Marcon

adulto

Outros nomes: corvo-azul, gralha. Ocorrência no Brasil: Sul e sul do Sudeste.

Características: Em bandos. Tem 38-40 cm Reprodução: De outubro a março. Os ni-
de comprimento. Plumagem azul intensa. nhos ficam nas copas das árvores, preferen-
Cabeça, garganta e peito pretos. Penas da cialmente araucárias. O ninho é grande,
cauda e da asa pretas internamente e azula- largo, em formato de taça e feito com gra-
das externamente. Tem um tufo de pequenas vetos, penas e outros materiais. Põe até
penas pretas acima do bico. O bico é grosso quatro ovos esverdeados sarapintados com
e escuro, como as pernas. O jovem tem a manchas claras. Incubação por cerca de 15
mancha preta da cabeça acinzentada, além dias. Tem reprodução cooperativa, na qual
de resquício da comissura labial os membros do bando se auxiliam na cons-
(protuberância na base do bico) amarela. Os trução dos ninhos, incubação dos ovos,
filhotes possuem cauda mais curta e comissu- cuidado dos filhotes e vigilância dos ninhos.
ra labial amarela bem evidente. Os filhotes
não têm o tufo de penas acima do bico.
Curiosidades
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
Espécie endêmica da Mata Atlântica, é
no evidente conhecido.
uma das principais dispersoras da araucá-
ria (Araucaria angustifolia). Derruba pi-
Ambiente: Florestas, bordas de mata e áreas
nhões ao revirar as pinhas e pode enterrá-
abertas. Em cidades, ocorre perto de áreas
los para se alimentar depois, com chance
arborizadas.
de que brotem antes de consumi-las.
Alimentação: Invertebrados, frutos, sementes,
Em Santa Catarina, parte da população é
ovos e pequenos vertebrados.
migratória altitudinal e passa o outono e
inverno no litoral.
No parque: Encontrado nas matas durante
outono e inverno.
Os bandos têm hierarquias e formam clãs.

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Marcon & Vieira

ANDORINHAS (HIRUNDINIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

andorinha-pequena-de-casa - Pygochelidon cyanoleuca
Amanda Marcon

filhote

Amanda Marcon
adulto

Outros nomes: andorinha-pequena. Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e Nordes-
te, com alguns registros no Centro-Oeste e
Características: Em bandos ou com outras Norte.
andorinhas. Tem 12-13 cm de comprimento,
sendo a menor andorinha do Brasil. Pluma- Reprodução: De setembro a fevereiro. Nidifi-
gem dorsal azul-metálica e ventral branca. ca em rochedos, barrancos e cavidades em
Tem a região entre as patas e a cauda de cor construções (ex. telhados). O casal escolhe a
azul-escura, característica única da espécie. cavidade e constrói o ninho em formato de
As penas da cauda bifurcada e da asa são tigela. O ninho é feito de galhos, penas,
pretas. Apresenta uma faixa preta cortando barro e outros materiais. Põe até cinco ovos
os olhos. Bico curto, largo e escuro. Pernas brancos. A fêmea incuba os ovos enquanto é
escuras. Jovem similar, mas em tons acinzen- alimentada pelo macho. Ambos os pais
tados e com mancha cor de creme no peito. cuidam dos filhotes, que os seguem até
Filhote acinzentado, com o bico amarelado integrarem o bando.
de ponta preta e comissura labial
(protuberância na base do bico) amarela
bem evidente. Curiosidades

Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- Migratória, reproduz no Sul do Brasil e
no evidente conhecido. Argentina durante primavera e verão.
Migra para o Sudeste e Nordeste no outo-
Ambiente: Áreas abertas. no e inverno.

Alimentação: Insetos. Algumas populações podem permanecer
na região Sul durante o inverno
No parque: Encontrado nas áreas abertas ou (overstaging).
em voo na primavera e verão.
Vocaliza mais nas revoadas do início e
final do dia. Pernoita em cavidades.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

ANDORINHAS (HIRUNDINIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

andorinha-serradora - Stelgidopteryx ruficollis
Amanda Marcon

adulto

Outros nomes: andorinha-serradora-do-sul. Ocorrência no Brasil: Todo o país.

Características: Solitária, em casais, bandos Reprodução: Primavera e verão. Nidifica em
ou com outras andorinhas. Tem 13-14 cm de cavidades próximos a corpos d’água. Os
comprimento. Plumagem dorsal marrom- ninhos podem ser isolados ou colônias com
escura e cinza-claro acima da cauda. Gar- um casal por cavidade. O casal preenche a
ganta alaranjada e peito castanho-claro, cavidade com folhas, galhos, penas e outros
desbotando conforme desce pelo ventre. materiais. O casal costuma pernoitar em
Cabeça, asas e cauda bifurcada marrom- cavidades. Põe até seis ovos brancos. Incu-
escuras. Pode ter alguns barrados claros na bação por cerca de 15 dias. A fêmea incuba
asa. Tem uma mancha escura nos olhos, os ovos. Ambos os pais cuidam dos filhotes,
atingindo o bico, que é curto, largo e preto. que os seguem até integrarem o bando.
Pernas escuras. Jovem mais claro com a
mancha alaranjada da garganta mais fosca
e espalhada pelo peito. Filhote com ventre
Curiosidades
alaranjado, cauda curta e comissura labial
(protuberância na base do bico) amarela.
Migratória, reproduz no Sul do Brasil,
Uruguai, nordeste da Argentina e parte do
Dimorfismo sexual: Macho um pouco maior
Paraguai durante primavera e verão. Mi-
que a fêmea.
gra para o norte da América do Sul e sul
da América Central durante outono e
Ambiente: Áreas abertas, principalmente, se
inverno.
próximas a corpos d’água.
O bando faz revoadas e vocaliza mais no
Alimentação: Insetos.
início e final do dia.
No parque: Nas áreas abertas ou em voo na
Vive até 6 anos de idade.
primavera e verão.

97
Marcon & Vieira

ANDORINHAS (HIRUNDINIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

andorinha-do-campo - Progne tapera
Amanda Marcon

adulto

Outros nomes: andorinha, major, taperá, Ocorrência no Brasil: Todo o país.
tapéra.
Reprodução: Em ambiente natural, nidifica
Características: Em bandos grandes ou com em rochedos, paredões, atrás de cachoeiras
outras andorinhas. Tem 16-18 cm de compri- e barrancos. Nas cidades, em cavidades que
mento. Plumagem dorsal castanha-clara, encontra nas casas, como abaixo do telha-
sem reflexos azulados, e ventral branca. Peito do. Eventualmente, ocupa ninhos abandona-
castanho-claro com uma listra de tamanho dos de joão-de-barro. Forra a cavidade com
variável que, geralmente, desce até a barri- folhas, galhos e outros materiais. O casal
ga. Pode ter manchas claras pelo corpo. A costuma pernoitar junto na cavidade. Põe
cauda é relativamente longa, escura e bifur- até cinco ovos brancos. Ambos os pais cui-
cada. A face é mais escurecida do que o dam dos filhotes, que os seguem até integra-
restante da cabeça. O bico é curto e escuro, rem o bando para migrar.
da cor das pernas. O jovem tem plumagem
mais escamada e comissura labial
(protuberância na base do bico) amarela.
Curiosidades
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido. Migratória, reproduz no Sul do Brasil,
Uruguai, nordeste da Argentina e parte do
Ambiente: Áreas abertas. Paraguai durante primavera e verão. Mi-
gra para o norte da América do Sul e
Alimentação: Insetos. América Central por volta de abril, onde
passa o outono e inverno.
No parque: Eventualmente nas áreas abertas
ou em voo na primavera e verão. O bando faz revoadas com intensa vocali-
zação no início e final do dia.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

ANDORINHAS (HIRUNDINIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

andorinha-grande - Progne chalybea
Amanda Marcon

adulto

Outros nomes: andorinha-doméstica-grande, Ocorrência no Brasil: Todo o país.
andorinha-grande-de-casa, andorinha-
mestre, taperá. Reprodução: No ambiente natural, nidifica
em rochedos e paredões. Em cidades, ocupa
Características: Em bandos grandes ou com cavidades em telhados. Também pode usar
outras andorinhas. Tem 16-18 cm de compri- ninhos abandonados de joão-de-barro.
mento. Plumagem dorsal em tons azul- Forra a cavidade com penas, esterco, grave-
metálicos, mesmo quando na sombra, e tos, folhas e outros materiais. Põe até cinco
ventral branca. Cabeça, asas e cauda bifur- ovos brancos. A fêmea incuba os ovos. Am-
cada são escuras. Normalmente, garganta e bos os pais cuidam dos filhotes, que os se-
peito brancos, com manchas escuras. Bico guem até integrarem o bando para migrar.
largo, curto e escuro. Perna escura com tom
rosado. Jovens de cor azul fosca.

Dimorfismo sexual: A fêmea é mais opaca Curiosidades
que o macho.
Migratória, reproduz no Sul do Brasil,
Ambiente: Áreas abertas. Uruguai, nordeste da Argentina e parte do
Paraguai durante primavera e verão. Mi-
Alimentação: Insetos. gra para o norte da América do Sul e
América Central por volta de abril, onde
No parque: Encontrado nas áreas abertas ou passa o outono e inverno.
em voo na primavera e verão.
Alguns indivíduos permanecem do Sul
durante o inverno (overstaging).

O bando faz revoadas com intensa vocali-
zação no início e final do dia.

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Marcon & Vieira

ANDORINHAS (HIRUNDINIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

andorinha-de-sobre-branco - Tachycineta leucorrhoa

Bianca Vieira
em voo
Amanda Marcon

adulto

Outros nomes: andorinha-de-dorso-branco, Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste, Centro-
andorinha-de-testa-branca. Oeste e parte do Nordeste.

Características: Em bandos ou com outras Reprodução: Em ambiente natural, nidifica
andorinhas. Tem 13-14 cm de comprimento. em rochedos, paredões, atrás de cachoeiras
Plumagem dorsal azul-metálica, com uma e barrancos. Nas cidades, em cavidades que
faixa branca acima da cauda, e ventral bran- encontra nas casas, como abaixo do telha-
ca. Penas da cauda e da asa mais escuras. do. Forra a cavidade com folhas, galhos e
Há uma larga faixa azul escura do bico até a outros materiais. O casal costuma pernoitar
nuca, passando pelos olhos. Testa com uma junto na cavidade. Põe até cinco ovos bran-
fina faixa branca seguindo até os olhos. Essa cos. Ambos os pais incubam os ovos e cui-
faixa pode ser amarelada em alguns indiví- dam dos filhotes, que os seguem até integra-
duos. O branco da garganta vai até quase a rem o bando para migrar.
nuca. O bico é curto e escuro, do mesmo
tom das pernas. O jovem é semelhante,
porém cinza-acastanhado ao invés de azul. Curiosidades

Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- Migratória parcial, reproduz no Sul do
no evidente conhecido. Brasil, Uruguai, e Argentina e parte do
Paraguai durante primavera e verão. Mi-
Ambiente: Áreas abertas e bordas de mata. gra para as regiões Centro-Oeste e Nor-
deste, além de Bolívia e Peru durante outo-
Alimentação: Insetos. no e inverno. Outras populações no Brasil
são residentes.
No parque: Eventualmente nas áreas abertas
ou em voo na primavera e verão. O bando faz revoadas com intensa vocali-
zação no início e final do dia.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

ROUXINÓIS (TROGLODYTIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

corruíra - Troglodytes musculus
Amanda Marcon

Amanda Marcon
filhotes

adulto

Outros nomes: cambaxirra, correte, curreca, Ocorrência no Brasil: Todo o país.
carriça.
Reprodução: Primavera. Nidifica em cavida-
Características: Solitária, em pares ou peque- des, desde ocos de árvores e ninhos aban-
nos grupos familiares. Tem 11-12 cm de donados até em locais inusitados como
comprimento, corpo pequeno e roliço. Plu- sapatos abandonados, telefones públicos e
magem castanha com parte dorsal inferior tratores. Forra o ninho com gravetos, penas,
ferrugínea. Asa e cauda castanha-escuras folhas e outros materiais. Em áreas urbanas,
barradas. Garganta bege. O bico é alonga- adorna o ninho com plásticos, metais, pa-
do e fino, mais escuro na parte superior e nos, bitucas de cigarro e outros objetos. Põe
amarelado na inferior. Pernas escuras com até seis ovos avermelhados sarapintados de
um tom rosado. Filhote semelhante, mas com cores ferrugíneas mais escuras e manchas
a cauda mais curta e comissura labial acinzentadas. Ambos os pais incubam os
(protuberância na base do bico) amarelada. ovos por até 15 dias. Os filhotes saem do
ninho com cerca de 30 dias e acompanham
Dimorfismo sexual: A fêmea tem o bico leve- os pais por algum tempo. Muitas vezes, a
mente mais curto que o macho. família pernoita em cavidades que não são
o ninho original por vários dias seguidos.
Ambiente: Áreas abertas e bordas de mata.

Alimentação: Artrópodes. Aves que se ali-
Curiosidades
mentam em locais de terra vermelha podem
ter coloração temporária e artificial mais
Parente do rouxinol-europeu, tem diversas
forte.
vocalizações, incluindo um canto bastante
elaborado.
No parque: Encontrado nas matas o ano
inteiro.

101
Marcon & Vieira

SABIÁS (TURDIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

sabiá-una - Turdus flavipes
Claudio Longo

Jorge Neto
macho fêmea

Outros nomes: sabiá-da-mata, sabiá-preto. Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e Nordes-
te, acompanhando a Mata Atlântica.
Características: Solitária ou em pares. Tem
20-22 cm de comprimento. Possui contorno Reprodução: Primavera. O casal constrói o
ocular de pele amarela. Fêmea jovem igual à ninho raso em formato de tigela utilizando
adulta e macho jovem semelhante à fêmea, gravetos, folhas e outros materiais. Põe até
mas com o peito, a cabeça e as costas sara- três ovos esverdeados com manchas ferrugí-
pintados de cores ferrugíneas. Vai escurecen- neas. A fêmea incuba os ovos por até 15
do com a idade, conforme faz a muda das dias. Ambos os pais cuidam dos filhotes, que
penas. os seguem por algum tempo após deixarem
o ninho. O casal pode ter até quatro ninha-
Dimorfismo sexual: Macho com cabeça, das por temporada.
nuca, garganta, peito, asas e cauda pretos.
Costas e ventre acinzentados. Bico e pernas
bem amarelos. A fêmea é castanha, sendo o
Curiosidades
dorso mais escuro do que o peito e o ventre.
Pode ter escamados escuros na garganta e
Migratória irruptiva, parece seguir a frutifi-
no peito. O bico é escurecido e as pernas,
cação da palmeira-juçara. Começa a ser
amareladas.
avistado na serra catarinense em meados
de abril e maio.
Ambiente: Florestas e bordas de mata.
Canta muito na copa das árvores e imita
Alimentação: Invertebrados e frutos.
outras aves.
No parque: Eventualmente nas matas, de
passagem, durante o inverno.

102
Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

SABIÁS (TURDIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

sabiá-barranco - Turdus leucomelas
Bianca Vieira

Amanda Marcon
ninho

jovem

Amanda Marcon
Bianca Vieira

filhote adulto

Outros nomes: capoeirão, sabiá-branco, Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
sabiá-barranqueira, sabiá-de-cabeça-cinza, Amazônia.
sabiá-de-peito-branco, sabiá-pardo.
Alimentação: Invertebrados, frutos e peque-
Características: Solitária ou em pares. Tem nos répteis.
23-27 cm de comprimento. Plumagem aca-
nelada, com barriga um pouco mais clara e Reprodução: De agosto a dezembro. Au-
garganta clara e estriada. Asas e cauda fer- menta a intensidade de cantos elaborados.
rugíneas. De asas abertas, veem-se as axilas O casal constrói o ninho em formato de
alaranjadas e primárias escurecidas. Olhos tigela com gravetos, folhas, líquens, barro e
avermelhados. Pele do contorno ocular escu- outros materiais. Põe até quatro ovos azula-
ra e sem máscara preta nos olhos. Bico ene- dos sarapintados de marrom. Incubação de
grecido na base e levemente mais claro na cerca de 15 dias. Os filhotes deixam o ninho
ponta. As pernas são oliva-acinzentadas. O com cerca de 20 dias. Ambos os pais cui-
jovem tem estriados na cabeça, peito e ven- dam dos filhotes, que os seguem por algum
tre; além de pintas ferrugíneas nas asas, bico tempo. O casal pode ter até quatro ninha-
e pernas claros e resquícios da comissura das por temporada.
labial (protuberância na base do bico) ama-
rela. O filhote tem ventre claro com pintas No parque: Eventualmente nas bordas das
castanhas e a comissura labial mais evidente. matas.

Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido. Curiosidades

Ambiente: Bordas de mata. Territorial, costuma brigar com o próprio
reflexo.

103
Marcon & Vieira

SABIÁS (TURDIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

sabiá-laranjeira - Turdus rufiventris

Amanda Marcon
adulto jovem
Amanda Marcon

filhote

Outros nomes: sabiá-cavalo, sabiá-coca, Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
sabiá-de-barriga-vermelha, sabiá-de-papo- Nordeste e parte do Centro-Oeste.
roxo, sabiá-do-peito-roxo, sabiá-gongá,
sabiá-piranga, sabiá-ponga. Reprodução: De agosto a janeiro. Os cantos
são mais intensos nessa época. O ninho é
Características: Solitária ou em pares. Tem construído pelo casal em formato de tigela
23-25 cm de comprimento. Plumagem dorsal nas forquilhas de árvores não muito altas ou
castanha-escura e ventral alaranjada. A em superfícies firmes. Utiliza gravetos, talos
garganta é branca com estriados castanhos. de flores, folhas, barro e outros materiais.
O peito mescla o branco da garganta com o São territoriais e, caso haja muita movimen-
castanho dorsal e o tom alaranjado ventral. tação próxima ao local do ninho, podem
Olhos castanhos contornados por pele bem abandoná-lo. Põe até quatro ovos azulados
amarela. Bico escuro com tom amarelo na com pintas castanhas. Incubação de cerca
extremidade. As pernas são acinzentadas. O de 15 dias. Os filhotes deixam o ninho com
jovem tem peito e ventre sarapintados de cerca de 20 dias. Ambos os pais cuidam dos
castanho, além de bico mais amarelado com filhotes, que os seguem por algum tempo. O
resquício da comissura labial (protuberância casal pode ter até três ninhadas por tempo-
na base do bico) amarela. Filhotes possuem rada.
cauda curta, bico claro e comissura labial
mais evidente. No parque: Encontrado nas áreas abertas e
bordas das matas o ano inteiro.
Dimorfismo sexual: A fêmea tem plumagem
mais pálida.
Curiosidades
Ambiente: Áreas abertas e bordas de mata.
Quando jovem, aprende o canto convi-
Alimentação: Invertebrados e frutos. vendo com os pais, mas pode ser influen-
ciado por outras aves e ter seu canto simi-
lar ao delas.

104
Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

SABIÁS (TURDIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

sabiá-poca - Turdus amaurochalinus

Amanda Marcon
adulto - plumagem
não-reprodutiva
Amanda Marcon

Amanda Marcon
filhote
adulto - plumagem
reprodutiva

Outros nomes: sabiá-bico-de-louça, sabiá- Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
bico-de-osso, sabiá-de-bico-amarelo, sabiá- florestas da Amazônia.
de-peito-branco.
Reprodução: De agosto a dezembro. O bico
Características: Solitária ou em pares. Tem de ambos se torna inteiramente amarelo-
22-25 cm de comprimento, corpo robusto. vivo, sendo mais intenso no macho. O casal
Plumagem dorsal castanha e ventral predo- constrói um ninho em formato de tigela,
minantemente prateada. Possui uma máscara geralmente em forquilhas de árvores ou em
escura ao redor dos olhos, que segue até o superfícies firmes. Utiliza galhos, hastes,
bico. A garganta é branca com estriados folhas, musgos, barro e outros materiais.
castanho-escuros. Bico amarelo com tons Põe até cinco ovos azulados, sarapintados
enegrecidos. As pernas são castanho- de castanho. Incubação de cerca de 10 dias.
acinzentadas. O jovem é mais claro, com o Os filhotes deixam o ninho com cerca de 12
bico escuro, máscara preta pouco evidente, dias. Ambos os pais cuidam dos filhotes, que
dorso sarapintado e peito e ventre claros os seguem por algum tempo.
sarapintados de castanho-ferrugíneo. O
filhote tem cauda curta e comissura labial No parque: Encontrado nas áreas abertas e
(protuberância na base do bico) mais eviden- bordas das matas o ano inteiro.
te.

Dimorfismo sexual: O bico do macho é mais Curiosidades
amarelo do que o da fêmea na época de
reprodução. Migratório parcial, é residente no Sul,
Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, mas
Ambiente: Áreas abertas e bordas de mata. migratório no Nordeste e Norte.

Alimentação: Invertebrados e frutos. Quando empoleirado, balança a cauda
frequentemente, mais do que os outros
sabiás.

105
Marcon & Vieira

SABIÁS (TURDIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

sabiá-ferreiro - Turdus subalaris

Bianca Vieira
filhote
Eden Fontes

macho

Outros nomes: amola-faca, ferreirinho, sabiá Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e parte do
-azulina, sabiá-campainha, sabiá-cinza. Norte e do Nordeste.

Características: Solitária, em pares ou ban- Reprodução: De outubro a janeiro. Os can-
dos. Tem 15-17 cm de comprimento, corpo tos são mais intensos nessa época. O ninho
delgado. Plumagem dorsal acinzentada e é feito em forquilha e ocos de árvores com
ventral em tons brancos. Sem mancha escura sombra. O ninho em formato de tigela é
entre os olhos e o bico. Garganta clara com construído pelo casal com gravetos, musgos,
estrias escuras. Pernas amareladas. Jovem folhas e outros materiais. Põe até quatro
um pouco mais escuro que a fêmea e com ovos azuis com manchas amarronzadas.
bico e patas escuras. Filhote com ventre Incubação de cerca de 15 dias. Ambos os
branco pintado de castanho e dourado, pin- pais cuidam dos filhotes, que os seguem por
tas nos ombros, cauda curta, bico escuro e algum tempo.
comissura labial (protuberância na base do
bico) amarela.
Curiosidades
Dimorfismo sexual: O macho tem plumagem
cinza-prateada e pele amarela circulando o Espécie endêmica da Mata Atlântica. Mi-
olho bem visível. Também tem bico amarelo gratório, reproduz no Sul durante prima-
intenso. A fêmea tem plumagem cinza- vera e verão e passa o inverno nas regiões
acastanhada e pele amarela mais pálida e Sudeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil.
discreta circulando o olho. O bico da fêmea Usa fragmentos florestais, como o Parque
é escuro, com base amarelada. do Córrego Grande, como ponto de para-
da durante a migração (stopping over
Ambiente: Florestas ou bordas de mata. site).
Alimentação: Invertebrados e frutos. Sua vocalização principal é alta e aguda,
lembrando a batida entre dois metais.
No parque: Raramente (de passagem) nas
matas no inverno.
106
Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

SABIÁS (TURDIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

sabiá-coleira - Turdus albicollis
Amanda Marcon

adulto

Outros nomes: caraxué-coleira, sabiá-de- Ocorrência no Brasil: Todo o país.
colar, sabiá-de-garganta-branca, sabiá-de-
pescoço-branco. Reprodução: De setembro a dezembro. O
macho canta para demarcar território e
Características: Solitária ou em pares. Tem atrair a fêmea. O casal constrói o ninho em
20-26 cm de comprimento. Plumagem dorsal formato de tigela com galhos, ramos, hastes
castanha-escura e ventral clara. Laterais do florais, folhas, barro e outros materiais,
corpo e interior das asas alaranjados. Cabe- normalmente na forquilha das árvores. Põe
ça acinzentada e asas oliváceas. Garganta até três ovos azulados, sarapintados de
branca com rajados castanhos e uma faixa marrom. Incubação de cerca de 15 dias.
horizontal branca. Olhos castanhos contor- Ambos os pais cuidam dos filhotes, que os
nados por pele amarelada. O bico superior é seguem por algum tempo. O casal pode ter
escuro e o inferior é amarelo com a ponta até três ninhadas por temporada.
escura. As pernas são claras. Jovem com
peito sarapintado de castanho e asas tam- No parque: Eventualmente nas matas no
bém com algumas manchas ferrugíneas. inverno.
Filhote com cauda curta, bico mais escuro e
comissura labial (protuberância na base do
bico) amarela. Curiosidades

Dimorfismo sexual: A fêmea é levemente Migratório altitudinal em Santa Catarina,
maior. reproduz na serra na primavera e verão e
migra para as terras mais baixas do litoral
Ambiente: Florestas e bordas de mata. no inverno.

Alimentação: Invertebrados e frutos. Podem
seguir formigas-correição para capturar
insetos que fogem delas.

107
Marcon & Vieira

CALHANDRAS (MIMIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

sabiá-do-campo - Mimus saturninus
filhote

Amanda Marcon
Amanda Marcon

adulto

Outros nomes: calhandra, papa-sebo, sabiá- Ocorrência no Brasil: Todo o país.
conga, sabiá-branco.
Alimentação: Artrópodes e frutos. Já foi
Características: Solitária, em pares ou grupos registrada a predação de alguns répteis.
familiares. Tem 23-26 cm de comprimento.
Plumagem dorsal castanho-acinzentada, Reprodução: De julho a dezembro. Vocaliza
mais clara nas costas, e ventral bege. Asas mais frequentemente. O ninho em formato
escuras, com duas ou três listras de pintas de tigela é escondido dentro de arbustos.
brancas nos ombros. O contorno das penas Utiliza gravetos, penas e outros materiais.
da asa é branco. A cauda é longa, castanha São territoriais e os casais disputam território
escura, com a ponta das penas externas de quando vivem em grupo. Põe até quatro
cor branca. O topo da cabeça é mais escuro, ovos esverdeados com manchas ferrugíneas.
com sobrancelha clara bem nítida e uma Incubação em torno de 15 dias. Alguns
listra enegrecida pelos olhos. Olhos casta- membros mais jovens do bando podem
nhos, claros ou amarelos. O bico é fino e auxiliar nos cuidados dos ovos e filhotes. Os
levemente curvado para baixo na ponta. Bico filhotes abandonam o ninho com cerca de
e pernas escuros. O jovem tem manchas 15 dias.
ferrugíneas na asa, os olhos castanhos e o
peito sarapintado de marrom. Filhotes têm No parque: Eventualmente nas áreas aber-
cauda curta, bico e pernas mais claros e tas.
comissura labial (protuberância na base do
bico) amarela. Aves que se alimentam em Curiosidades
locais de terra vermelha podem ter coloração
temporária e artificial mais forte. Quando pousa, joga a cauda para cima
do corpo para equilibrar-se.
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido. O nome Mimus remete à sua capacidade
de imitar o canto de outras aves.
Ambiente: Áreas abertas.

108
Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

TICO-TICOS (PASSERELLIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

tico-tico - Zonotrichia capensis
Amanda Marcon

Amanda Marcon
ovos
jovem
Amanda Marcon

adulto

Outros nomes: gitica, ticão, tio-tio, titiquinha. Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
Amazônia.
Características: Em pares, bandos e bandos
mistos. Tem 11-13 cm de comprimento. Plu- Reprodução: Primavera e verão. Constrói o
magem dorsal castanha e ventral acinzenta- ninho em formato de tigela protegido nos
da. Asas rajadas de preto, com duas faixas arbustos baixos, arvoretas, vasos de flores e
de pintas brancas. Cauda é castanha com até árvores de natal. Utiliza gravetos, mus-
manchas pretas. Cabeça cinza com quatro gos, líquens, penas e outros materiais. Põe
listras pretas saindo do bico, sendo duas em até cinco ovos pequenos, amarelo-
direção ao topo da cabeça e duas laterais. esverdeados e com muitas pintas ferrugí-
Pescoço castanho e papo branco com duas neas. Incubação por cerca de 15 dias. O
marcas negras. Os olhos são contornados filhote deixa o ninho com cerca de 20 dias,
por uma fina pele esbranquiçada. Bico acin- mas continua seguindo os pais.
zentado, com a base mais clara. Pernas rosa-
claro. O jovem é pardacento, com o peito No parque: Encontrado nas matas o ano
sarapintado de escuro e comissura labial inteiro.
(protuberância na base do bico) clara. Aves
que se alimentam em locais de terra verme- Curiosidades
lha podem ter coloração temporária e artifici-
al mais forte. Ninho constantemente parasitado pelo
pássaro-preto (Molothrus bonariensis).
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido. Tem um canto elaborado, mas emite mais
frequentemente uma sequência de chama-
Ambiente: Áreas abertas e bordas de mata. dos curtos “tik” que originou seu nome.

Alimentação: Grãos, sementes, frutos e artró- Territorial, costuma brigar com o próprio
podes. reflexo.

109
Marcon & Vieira

PULA-PULAS (PARULIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

Amanda Marcon
mariquita - Setophaga pitiayumi

filhote

Amanda Marcon
Amanda Marcon

fêmea macho

Outros nomes: mariquita-do-sul. Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
Amazônia.
Características: Solitária, em pares ou ban-
dos mistos. Tem 10-11 cm de comprimento. Reprodução: De agosto a dezembro. Cons-
Plumagem dorsal azul-escura, com costas trói o ninho com musgos, líquens, galhos,
esverdeadas, e ventral amarela, com mancha hastes de bromélias e outros materiais. O
branca entre as patas e a cauda. Asas e ninho tem formato de cesto e é feito entre-
cauda azuis, com bordas pretas. As asas têm meio a vegetação ou até em grandes bro-
algumas pintas brancas no ombro. Máscara mélias. Põe até quatro ovos amarelados
preta que vai entre os olhos e o bico. O bico sarapintados de roxo. A fêmea constrói o
é curto, escuro na parte superior e amarelo ninho e incuba os ovos. O macho vigia a
na parte inferior. As pernas são claras. O região do ninho. Ambos os pais cuidam dos
jovem é acinzentado com manchas amarelas filhotes e defendem o território.
no ventre e azuladas no dorso. O filhote é
acinzentado, com comissura labial No parque: Encontrado nas bordas de mata
(protuberância na base do bico) amarela. e jardins o ano inteiro.

Dimorfismo sexual: A máscara escura do Curiosidades
macho é mais intensa e larga do que a da
fêmea. Residente no Brasil, porém migratória na
América Central.
Ambiente: Bordas de mata e áreas abertas
arborizadas. Se a ninhada falha, faz nova postura em
10 dias.
Alimentação: Artrópodes, frutos e néctar de
algumas flores, como o ipê-amarelo. Também se alimenta em bebedouros para
beija-flores.

110
Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

PULA-PULAS (PARULIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

pia-cobra - Geothlypis aequinoctialis

Amanda Marcon
Amanda Marcon

macho fêmea

Outros nomes: canário-sapé, pia-cobra-do- Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
sul. Amazônia.

Características: Solitária ou em pares. Tem Reprodução: Primavera e verão. O canto e a
13-14 cm de comprimento. Plumagem dorsal movimentação de indivíduos são mais inten-
amarelo-esverdeada, mais escurecida nas sos durante a reprodução. O casal constrói
asas, e ventral amarela intensa. A cauda é um ninho fundo, em formato de tigela, com
relativamente alongada e, geralmente, man- folhas, junco, galhos, raízes e outros materi-
tida erguida. O bico é acinzentado, com a ais. Põe até quatro ovos brancos com várias
base mais clara. As pernas são alaranjadas. manchas avermelhadas em uma das extre-
O jovem se assemelha à fêmea, sendo que o midades. Os filhotes seguem os pais por um
macho jovem vai alterando a cor da face tempo até o outono.
conforme cresce.
No parque: Encontrado nas bordas de mata
Dimorfismo sexual: O macho tem a cabeça e jardins o ano inteiro.
acinzentada e uma larga máscara preta que
vai da testa à bochecha, passando pelos
olhos. A fêmea tem a cabeça amarelo- Curiosidades
esverdeada, sem máscara.
Tem populações em Florianópolis com
Ambiente: Áreas abertas e bordas de mata, proporção de um macho para cada uma
geralmente próximas a corpos d’água. fêmea.

Alimentação: Insetos. Machos e fêmeas pesam apenas 12 gra-
mas em média.

111
Marcon & Vieira

PULA-PULAS (PARULIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

pula-pula - Basileuterus culicivorus
Amanda Marcon

adulto

Outros nomes: pula-pula-coroado, sebinho. Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
Amazônia.
Características: Em pares, grupos familiares
ou bandos mistos. Tem 12-13 cm de compri- Alimentação: Insetos, frutos e sementes.
mento. Plumagem dorsal olivácea, mais Pode compor bandos mistos quando procura
escura nas asas, e ventral amarela viva. A alimento.
cauda escura é relativamente comprida e,
geralmente, mantida erguida. A ponta das Reprodução: Primavera e verão. Territorial,
asas ultrapassa levemente o corpo. Cabeça agita bastante a cauda em sinal de alerta. O
cinza-esbranquiçada, com duas listras escu- ninho em formato de tigela é feito próximo
ras no topo da cabeça. Ainda passando ao solo ou no chão. Utiliza gravetos, capins
pelos olhos há uma risca enegrecida e des- e outros materiais macios. Põe até quatro
botada, evidenciando uma sobrancelha ovos brancos com muitas manchas e pintas
branca. Crista cinza-avermelhada que se ferrugíneas e azuladas em uma das extremi-
eriça apenas quando em corte ou em situa- dades. Incubação por cerca de 10 dias. A
ções de estresse. Bico escuro. Pernas alaran- fêmea incuba os ovos.
jadas. Jovem mais pardacento. O filhote é
amarronzado, mais escuro no dorso. No parque: Encontrado nas matas o ano
inteiro.
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido.
Curiosidades
Ambiente: Bordas de mata e áreas abertas
arborizadas. Bastante ativo, pula de galho em galho,
geralmente agitando as asas e levantando
a cauda para se equilibrar.

112
Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

CHOPINS (ICTERIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

encontro - Icterus pyrrhopterus
Amanda Marcon

macho fêmea

Outros nomes: gorricho, primavera, rouxinol- Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
da-Amazônia, soldado, xexéu-de-banana, Norte.
xexéu-soldado.
Reprodução: Primavera e verão. O casal
Características: Solitária, em casal ou ban- constrói o ninho em formato de bolsa, que
dos. Tem 20-21 cm de comprimento. Pluma- fica dependurado na vegetação. Utiliza
gem preta, exceto pelo ombro castanho- gravetos e filamentos de cogumelos Maras-
amarelado. Cauda relativamente longa. mius e Marasmiellus. Põe até quatro ovos
Olhos castanhos. Bico afinado e escuro. brancos sarapintados de castanho. Ambos
Jovem mais fosco. Filhotes com cauda mais os pais cuidam dos ovos e filhotes. O casal
curta, o ombro mais escurecido e comissura tem apenas uma ninhada por temporada.
labial (protuberância na base do bico) ama-
rela. No parque: Encontrado nas matas o ano
inteiro.
Dimorfismo sexual: Macho mais brilhante,
com mancha castanha-amarelada mais clara
e expandida pelo ombro. Fêmea mais opaca, Curiosidades
com mancha castanha-amarelada escura e
mais restrita no ombro. Costuma agitar a cauda para cima e para
baixo enquanto vocaliza. Pode imitar o
Ambiente: Bordas de mata e áreas abertas som de outras aves.
arborizadas.
Durante a maior parte do tempo emite
Alimentação: Artrópodes, frutos e néctar. chamados roucos e curtos.

Pode visitar bebedouros de beija-flores.

113
Marcon & Vieira

CHOPINS (ICTERIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

pássaro-preto - Molothrus bonariensis

Amanda Marcon
filhote
Amanda Marcon

Amanda Marcon
macho fêmea

Outros nomes: azulão, azulego, chopim, Ocorrência no Brasil: Todo o país.
chupim, chupim-vira-bosta, vira-bosta, cupi-
do, engana-tico, gaudério. Reprodução (continuação): Vocalizam com
um trinado ascendente característico. É uma
Características: Em pequenos ou grandes ave parasita de ninhos. Invade o ninho de
bandos. Tem 17-21 cm de comprimento. outras aves para colocar seus ovos. Espalha
Plumagem escura. Bico grosso, alto e afilado de um a dois ovos por ninho. Põe até cinco
na extremidade. Pernas pretas. O jovem é ovos branco-azulados com muitas ou pou-
mais opaco. O filhote é preto-fosco e tem cas manchas castanhas. Até o momento, 55
comissura labial (protuberância na base do espécies já foram listadas como hospedeiras
bico) clara. dos ovos do pássaro-preto. A frequência de
parasitismo no ninho do tico-tico
Dimorfismo sexual: O macho tem iridescên- (Zonotrichia capensis) é maior devido à
cia azul-marinho mais clara nas asas e escu- sincronia dos períodos reprodutivos. A incu-
ra na face, além de bico levemente mais bação dura cerca de 12 dias. Ao abandonar
comprido. A fêmea é opaca. o ninho, o filhote segue os pais adotivos por
até 15 dias. O filhote é geralmente maior do
Ambiente: Áreas abertas. que os do hospedeiro, necessitando de mais
alimento e levando outras aves a ajudar o
Alimentação: Sementes, artrópodes e frutos. casal adotivo a alimentá-lo.
Revira o estrume de grandes mamíferos atrás
de artrópodes.
Curiosidades
No parque: Nas áreas abertas o ano inteiro.
Pode imitar o som da ave que o criou.
Reprodução: De julho a dezembro. Os ma- Ocupando o ninho de outras aves, faz o
chos disputam caminhando contra o oponen- controle populacional destas.
te com a cabeça erguida e o peito inflado.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

SAÍRAS (THRAUPIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

saíra-viúva - Pipraeidea melanonota
Amanda Marcon

Daniel Souza
macho fêmea

Outros nomes: saíra-de-máscara, viuvinha. Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
Norte e partes do Centro-Oeste e do Nor-
Características: Solitária, em casais ou ban- deste.
dos mistos. Tem 14-15 cm de comprimento.
Plumagem dorsal azul-celeste e ventral ama- Reprodução: Primavera e verão. O casal
relo-queimada. Apresenta uma máscara constrói um ninho em formato de tigela
preta e larga que vai da testa até a boche- entre plantas epífitas em árvores de grandes
cha. Olhos castanhos. Bico levemente alto e alturas. Utiliza musgos, gravetos, palha e
com um gancho para baixo na ponta. Pernas outros materiais. Põe até quatro ovos. Os
acinzentadas. Jovem semelhante à fêmea. filhotes deixam o ninho e acompanham os
pais durante um tempo.
Dimorfismo sexual: O macho tem plumagem
com coloração mais intensa. A fêmea tem No parque: Eventualmente nas matas no
plumagem mais fosca, com dorso em tom inverno.
acastanhado.

Ambiente: Bordas de mata e áreas urbanas Curiosidades
arborizadas.
Migratório parcial, tem populações migra-
Alimentação: Frutos e artrópodes. Dá peque- tórias altitudinais e latitudinais. Em Santa
nos voos para capturar insetos em pleno ar. Catarina, deixa a serra no inverno em
direção às áreas litorâneas.

115
Marcon & Vieira

SAÍRAS (THRAUPIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

saíra-sete-cores - Tangara seledon

Amanda Marcon
Amanda Marcon

adulto - dorso

adulto - ventre

Outros nomes: saíra-de-bando. Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e Nordes-
te, acompanhando a porção leste da Mata
Características: Em casais, bandos ou ban- Atlântica.
dos mistos. Tem 13-14 cm de comprimento.
Plumagem colorida, com costas inferiores de Reprodução: De novembro a fevereiro. Mo-
cor alaranjada. Costas superiores, pescoço e nogâmico. O casal constrói o ninho em
contorno do bico pretos, assim como as pon- formato de tigela, bem camuflado na vege-
tas das penas da asa e da cauda. Cabeça e tação. Utiliza musgos, líquens, gravetos e
peito azul-esverdeados, ventre azul-turquesa outros materiais. Põe até quatro ovos branco
e ombro azul-anil. Colar esverdeado, mais -rosados com algumas manchas mais escu-
largo na nuca. Verde levemente mais escuro recidas. Incubação por cerca de 15 dias. O
nas asas, na região logo acima da cauda e filhote deixa o ninho com cerca de 20 dias.
no ventre inferior. Bico, olhos e pernas escu- Ambos os pais incubam os ovos e cuidam
ros. Jovem mais esverdeado, com os tons dos filhotes. Os filhotes deixam o ninho e
escuros mais foscos. acompanham os pais durante um tempo.

Dimorfismo sexual: Fêmea de plumagem No parque: Raramente nas matas durante o
levemente mais fosca que o macho. inverno.

Ambiente: Florestas e áreas urbanas bem
arborizadas.
Curiosidades
Alimentação: Frutas, bagas de bromélia,
Espécie endêmica da Mata Atlântica.
artrópodes e néctar.
Migratório altitudinal, deixa a serra catari-
No parque: Raramente nas matas durante o
nense no inverno em direção às áreas
inverno.
litorâneas.

116
Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

SAÍRAS (THRAUPIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

sanhaço-cinzento - Tangara sayaca
Amanda Marcon

Amanda Marcon
adulto - ventre adulto - dorso

Outros nomes: saíra-cinza, sanhaço-da- Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
amoreira, sanhaço, sanhaçu-do-mamoeiro. Amazônia.

Características: Solitária, em casais, bandos Reprodução: Primavera e verão. O casal
ou bandos mistos. Tem 16-17 cm de compri- constrói um ninho em formato de tigela não
mento. Plumagem azul-acinzentada unifor- muito longe do solo e escondido nas forqui-
me, sendo mais clara no ventre. Ombro lhas nas árvores. Utiliza gravetos, raízes,
acinzentado. Cauda e asa com tons azulados musgos e até mesmo lã. Põe até três ovos
mais fortes nas pontas e com bordas pretas. brancos com muitas ou poucas pintas escu-
As penas da asa podem parecer esverdeadas ras. Incubação por cerca de 15 dias. Ambos
conforme a luz. Bico cinza claro com as late- os pais incubam os ovos e cuidam dos filho-
rais escuras. Filhote com cauda mais curta, tes. Os filhotes deixam o ninho com cerca de
tons mais opacos e comissura labial 20 dias e acompanham os pais durante um
(protuberância na base do bico) clara. tempo.

Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido. Curiosidades

Ambiente: Bordas de mata e áreas abertas Migratório dispersivo parcial, com algu-
arborizadas. mas populações do Sul deslocando-se
para áreas com maior disponibilidade de
Alimentação: Frutos e artrópodes. alimento no inverno.

No parque: Encontrado nas áreas abertas e São territoriais e, próximo da época repro-
bordas das matas todo o ano. dutiva, brigam entre si e até com outras
espécies.

117
Marcon & Vieira

SAÍRAS (THRAUPIDAE)

Conservação: Quase Ameaçada

sanhaço-de-encontro-azul - Tangara cyanoptera
Bianca Vieira

adulto

Outros nomes: saíra-de-encontro-azul. Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e Nordes-
te, acompanhando a porção leste da Mata
Características: Solitária, em casais, bandos Atlântica.
ou bandos mistos. Tem 16-18 cm de compri-
mento. Plumagem dorsal azulada e ventral Reprodução: Primavera e verão. O casal
acinzentada. O tom azul fica ainda mais constrói o ninho em formato de tigela na
forte nas asas e na cauda, que também têm forquilha de árvores, escondido na vegeta-
as pontas das penas pretas. Cabeça acinzen- ção, raramente a grandes alturas. Utiliza
tada, com máscara escura desbotada em ramos, galhos, líquens, raízes e outros mate-
frente aos olhos. Ombro azul-celeste. Algu- riais. Põe até três ovos branco-esverdeados
mas vezes o azul do ombro pode estar oculto com muitas ou poucas pintas escuras. Incu-
por outras penas ou em muda. Bico e pernas bação por cerca de 15 dias. O filhote deixa
escuros. O jovem é mais opaco. o ninho com cerca de 20 dias. Ambos os
pais incubam os ovos e cuidam dos filhotes,
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- que os acompanham durante um tempo
no evidente conhecido. após deixarem o ninho.

Ambiente: Florestas úmidas, bordas de mata
e áreas urbanas bem arborizadas. Curiosidades

Alimentação: Frutos e artrópodes. Espécie endêmica da Mata Atlântica.

No parque: Encontrado nas matas. Associa-se a bandos mistos para aumen-
tar as chances de alimentação quando a
comida é escassa.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

SAÍRAS (THRAUPIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

sanhaço-do-coqueiro - Tangara palmarum
Bianca Vieira

adulto

Outros nomes: saíra-do-coqueiro. Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
Pampa gaúcho.
Características: Solitária, em casais, peque-
nos grupos ou em bandos mistos. Tem 17-18 Reprodução: Primavera e verão. Canta com
cm de comprimento. Plumagem verde- mais frequência e tem mais atividade. O
acastanhada. Penas da asa e da cauda de casal constrói um ninho em formato de tige-
cor castanha. Mancha acinzentada em frente la, sempre bem ocultado pela vegetação.
aos olhos. Larga faixa amarelo-clara na Utiliza gravetos, musgo, fibras e outros ma-
lateral da asa. Bico e pernas escuros. Jovem teriais. Põe até cinco ovos de cores claras
mais claro. com muitas manchas escuras. Incubação por
cerca de 15 dias. O filhote deixa o ninho
Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter- com cerca de 20 dias. Ambos os pais incu-
no evidente conhecido. bam os ovos e cuidam dos filhotes. Os filho-
tes deixam o ninho e acompanham os pais
Ambiente: Florestas úmidas, bordas de mata durante um tempo.
e áreas urbanas bem arborizadas.

Alimentação: Frutos, artrópodes e néctar. Curiosidades

No parque: Encontrado nas bordas de mata Pernoita em palmeiras, onde também
o ano inteiro. pode aninhar.

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Marcon & Vieira

SAÍRAS (THRAUPIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

canarinho - Sicalis flaveola

Amanda Marcon
jovem
Amanda Marcon

Amanda Marcon
macho fêmea

Outros nomes: amarelinho, cabeça-de-fogo, Ocorrência no Brasil: Todo o país.
canarinho-da-terra, canário-da-terra, caná-
rio-da-telha. Reprodução: Primavera e verão. Na corte, o
macho canta e dança no chão, vibrando as
Características: Solitária, em casais, bandos asas e erguendo a cauda, ao entorno da
ou bandos mistos. Tem 13-15 cm de compri- fêmea. O casal constrói o ninho em formato
mento. Plumagem clara com rajados escuros. de tigela dentro de uma cavidade, como
Ponta das asas e da cauda acastanhadas. ocos de árvores, telhados, e ninhos abando-
Bico curto, alto, largo e acinzentado. Pernas nados de joão-de-barro. Utiliza galhos,
claras. Jovem semelhante à fêmea. O macho líquens, musgos, penas e outros materiais.
jovem tem plumagem mesclada de amarelo. Põe até sete ovos brancos, bastante man-
chados de marrom. Incubação por cerca de
Dimorfismo sexual: O macho é todo ama- 15 dias. Filhotes deixam o ninho com cerca
relo, com o topo da cabeça alaranjado. de 20 dias. Ambos os pais cuidam dos filho-
Dorso e peito amarelo-oliváceos. A fêmea é tes por cerca de 10 dias.
castanho-acinzentada e, eventualmente,
amarelo-clara. Inteiramente rajada na cabe-
ça, peito e ventre. A garganta e o ventre são Curiosidades
mais esbranquiçados.
Enquanto procuram por comida, os indiví-
Ambiente: Áreas abertas. duos no grupo revezam a vigilância.

Alimentação: Grãos e, eventualmente, artró- O macho jovem começa a cantar com
podes. cerca de 6 meses de idade.

No parque: Encontrado nas áreas abertas o Adquire a plumagem adulta com 2 ou 3
ano inteiro. anos.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

SAÍRAS (THRAUPIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

saíra-de-papo-preto - Hemithraupis guira
Amanda Marcon

João Andriola
fêmea macho

Outros nomes: pintassilgo-de-papo-preto. Ocorrência no Brasil: Sul, Centro-Oeste,
Nordeste e partes do Norte e Sudeste.
Características: Em bandos ou bandos mis-
tos. Tem 13 cm de comprimento. Plumagem Alimentação: Frutos, artrópodes e néctar.
dorsal e abaixo da cauda amarelo-oliváceas
e ventral acinzentada. Asas e cauda amarelo Reprodução: Pouco se sabe sobre sua repro-
-oliváceas mais escurecidas e com manchas dução. O macho tem plumagem com cores
pretas. Bico fino e alongado, com parte su- mais intensas. O casal constrói um ninho
perior escura e inferior alaranjada. Macho simples em formato de tigela escondido na
jovem pode ter manchas conforme muda de vegetação e em grandes alturas. Utiliza
plumagem. Filhote semelhante à fêmea. gravetos, líquens, musgos e outros materiais.
Põe até quatro ovos brancos sarapintados de
Dimorfismo sexual: O macho tem uma más- cores ferrugíneas.
cara preta entre os olhos, bochechas e gar-
ganta que é circundada por faixa amarela e No parque: Raro nas matas entre primavera
segue até o colar alaranjado do peito. Logo e verão.
acima da cauda há uma faixa amarela, se-
guida por uma grande mancha alaranjada.
A fêmea é amarelo-olivácea, com plumagem Curiosidades
mais clara na face, garganta e peito. Tem
uma fina linha olivácea atravessando os Espécie endêmica da Mata Atlântica.
olhos.
Migratório altitudinal parcial, com algu-
Ambiente: Florestas e áreas urbanas arbori- mas populações deixando a serra catari-
zadas. nense em direção às áreas litorâneas no
inverno.

121
Marcon & Vieira

SAÍRAS (THRAUPIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

saíra-ferrugem - Hemithraupis ruficapilla
Pedro Sessegolo

Carmen Bays
fêmea macho

Outros nomes: chama-bando, pintassilgo- Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e Nordes-
amarelo, figuinha-amarela, saíra-da-mata. te, acompanhando a porção leste da Mata
Atlântica.
Características: Solitária, em casais, bandos
ou bandos mistos. Tem 13-14 cm de compri- Alimentação: Frutos, artrópodes e néctar.
mento. Plumagem dorsal e abaixo da cauda
amarelo-oliváceas e ventral acinzentada. Reprodução: Pouco conhecida. O casal
Asas e cauda amarelo-oliváceas mais escure- constrói o ninho em forma de tigela pendu-
cidas e com manchas pretas. Bico fino e rado nas árvores e com material que retiram
alongado, com parte superior escura e inferi- das proximidades. Entretanto, também há
or alaranjada. O macho jovem pode ter relatos de uma fêmea levando material para
manchas conforme muda de plumagem. o interior de uma cavidade.
Filhote semelhante à fêmea.
No parque: Raro nas matas entre primavera
Dimorfismo sexual: O macho tem a cabeça e verão.
castanho-avermelhada e a lateral da nuca
amarelada conectando-se ao peito alaranja-
do. A fêmea é amarelo-olivácea, mais clara Curiosidades
na face e garganta. O peito também é deste
tom. Uma fina linha olivácea atravessa os Espécie endêmica da Mata Atlântica.
olhos.
Os registros da espécie no sul de Santa
Ambiente: Florestas e áreas urbanas bem Catarina e Rio Grande do Sul são da dé-
arborizadas. cada de 2000s e indicam uma expansão
territorial.

122
Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

SAÍRAS (THRAUPIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

tico-tico-rei - Coryphospingus cucullatus
Amanda Marcon

Amanda Marcon
macho fêmea

Outros nomes: foguinho, sangue-de-boi, tico Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e Centro-
-fogo, tico-tico-pimenta, tico-tico-vermelho. Oeste. Tem uma população isolada no extre-
mo Norte.
Características: Solitária, em casais ou ban-
dos mistos. Tem 13-14 cm de comprimento. Reprodução: Primavera e verão. O casal
Plumagem dorsal castanho-avermelhada. constrói um ninho em formato de tigela em
Pele nua branca contornando os olhos casta- arbustos e árvores baixas. Utiliza galhos,
nhos. Bico alto, grosso na base, afilando na líquens, penas e outros materiais. Põe até
extremidade, escuro por cima e claro por cinco ovos branco-azulados. Incubação por
baixo. Pernas acinzentadas. Macho jovem cerca de 10 dias. Ambos os pais incubam os
com manchas avermelhadas conforme cres- ovos e cuidam dos filhotes. Os filhotes dei-
ce. Filhote semelhante à fêmea. xam o ninho com cerca de 12 dias e acom-
panham os pais durante um tempo. Pode ter
Dimorfismo sexual: O macho é mais averme- até três ninhadas por temporada.
lhado, especialmente no peito, ventre e aci-
ma da cauda. Tem crista escarlate com late-
rais escuras, que ergue durante o canto ou Curiosidades
em situações de estresse. A fêmea é ferrugí-
nea, com tons mais escuros no peito, ventre e Seu primeiro registro em Florianópolis foi
acima da cauda. Tem um topete baixo e no Ribeirão da Ilha em 2001. Na década
discreto, da mesma cor do corpo. seguinte, foi encontrado no Parque do
Córrego Grande e a Estação de Carijós,
Ambiente: Florestas e áreas arborizadas. indicando uma expansão pela ilha.

Alimentação: Artrópodes, sementes, brotos e Os machos sofrem com o tráfico de ani-
frutos. mais silvestres.

No parque: Eventualmente nas matas. Os jovens estão aptos a reproduzir com
10 meses de idade.

123
Marcon & Vieira

SAÍRAS (THRAUPIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

tiê-preto - Tachyphonus coronatus
Amanda Marcon

Amanda Marcon
macho fêmea

Outros nomes: azulão, cháu, chepe, gurundi, Ocorrência no Brasil: Sul e Sudeste.
tiê-coroado, tiê-de-coroa.
Reprodução: Primavera e verão. O macho
Características: Solitária, em casais, bandos exibe a crista e ergue as asas para delimitar
ou bandos mistos. Tem 16-18 cm de compri- seu território e atrair a fêmea. O casal cons-
mento. Olhos castanho-escuros. Bico alto, trói um ninho em formato de tigela não
alongado, grosso na base, afilado na ponta muito longe do solo. Utiliza ramos, galhos,
e escuro com a base da parte inferior mais penas, musgos e outros materiais entrelaça-
clara. Pernas cinzentas. O jovem macho dos firmemente. Põe até quatro ovos branco
ganha manchas pretas conforme cresce. -rosados, com muitas manchas em tons
Filhote semelhante à fêmea. avermelhados ou mais escuros na base.
Incubação por cerca de 15 dias. Os filhotes
Dimorfismo sexual: O macho tem plumagem deixam o ninho com cerca de 10 dias. Am-
preta brilhante, com uma linha branca no bos os pais cuidam dos filhotes.
ombro, que pode ou não ser visível. O interi-
or da asa é branco. Tem crista vermelha. A No parque: Encontrado nas matas o ano
fêmea tem plumagem castanho-alaranjada, todo.
mais ferrugínea nas asas e cauda.

Ambiente: Florestas, bordas de mata e áreas Curiosidades
urbanas bem arborizadas.
Espécie endêmica da Mata Atlântica.
Alimentação: Artrópodes, frutos, brotos e
sementes. Territorial, briga até com o próprio reflexo.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

SAÍRAS (THRAUPIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

saí-andorinha - Tersina viridis
Amanda Marcon

João Andriola
macho fêmea

Outros nomes: azulão, sairão, sanhaço-do- Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
barranco. Pampa gaúcho.

Características: Em bandos ou bandos mis- Reprodução: Primavera e verão. O casal
tos. Tem 14-16 cm de comprimento. Pluma- reprodutor se isola do bando e escava cavi-
gem ventral clara, com estriados horizontais dades em barrancos e troncos, podendo
nas laterais. Olhos castanho-avermelhados. utilizar cavidades já existentes. A fêmea
Ponta das penas da asa e da cauda de cor constrói o ninho dentro da cavidade, utili-
preta. Bico curto, achatado e acinzentado. zando gravetos, ramos, folhas, penas e
Pernas escuras. Jovem macho com cores outros materiais. Põe até três ovos. A incuba-
mescladas de verde e azul. Filhote semelhan- ção dura cerca de 15 dias. A fêmea incuba
te à fêmea. os ovos e cuida dos filhotes. O macho vigia
a família, sempre alerta no exterior da cavi-
Dimorfismo sexual: O macho tem plumagem dade. Os filhotes deixam o ninho com cerca
azul-turquesa, mais clara na cabeça e no de 25 dias e passam a acompanhar os pais
peito. O ventre é branco, com estriado preto. até integrarem o bando.
Testa, contorno dos olhos e garganta pretos.
A fêmea tem plumagem de cor verde-musgo,
mais clara na cabeça e no peito. O ventre é
verde-amarelo, com estriado verde. A face é Curiosidades
acinzentada.
Pouco se sabe sobre seus movimentos,
Ambiente: Florestas e áreas urbanas bem mas acredita-se que seja migratória altitu-
arborizadas. dinal ou irruptiva na região Sul.

Alimentação: Insetos e frutos. Os bandos são, em sua maioria, compos-
tos por mais fêmeas e jovens do que ma-
No parque: Eventualmente nas matas duran- chos adultos.
te a primavera e verão.

125
Marcon & Vieira

SAÍRAS (THRAUPIDAE)

Conservação: Quase Ameaçada

saí-de-pernas-pretas - Dacnis nigripes
Carmen Bays

Carmen Bays
macho fêmea

Outros nomes: saí-de-perna-preta, saí-azul- Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e Nordes-
de-pés-pretos. te, exceto Rio Grande do Sul, acompanhan-
do a porção leste da Mata Atlântica.
Características: Solitária ou em casais. Tem
11-12 cm de comprimento. Penas da ponta Ambiente: Florestas e áreas urbanas bem
das asas e da cauda de cor escura. Máscara arborizadas.
escura nos olhos e testa. Bico afilado e escu-
ro, levemente encurvado para baixo. Pernas Alimentação: Frutos, artrópodes e néctar.
pretas características. O jovem macho gradu-
almente ganha tom mais azulado. Filhote Reprodução: De outubro a fevereiro. Os
semelhante à fêmea. casais podem construir ninhos próximos uns
dos outros. O casal confecciona o ninho em
Dimorfismo sexual: O macho é azul-escuro formato de bolsa, pendurado nos galhos
na cabeça, peito, ventre, ombros e logo aci- das árvores. Utiliza musgos e líquens. Põe
ma da cauda. A máscara da face é bem até três ovos. Ambos os pais cuidam dos
definida. A garganta é preta e tem uma filhotes. Pode ter até duas ninhadas por
grande mancha triangular preta nas costas, temporada.
entre as asas. A fêmea possui plumagem
dorsal cinza-olivácea e ventral mais verde- No parque: Eventualmente nas matas.
amarela. Apenas a cabeça e a região logo
acima da cauda são azuis, mas opacas. Tem
uma mancha azul-esverdeada nos ombros. A Curiosidades
máscara escura é menos demarcada e a
mancha triangular entre as asas tem cor Endêmica da Mata Atlântica.
marrom-olivácea.
Mais ativo nas primeiras horas da manhã.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

SAÍRAS (THRAUPIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

saí-azul - Dacnis cayana

João Andriola
Carmen Bays

fêmea macho

Outros nomes: azulego, saí-bico-fino, saí- Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
bicudo, saíra-de-bico-fino. Pampa gaúcho.

Características: Em casais, bandos ou ban- Ambiente: Florestas e áreas urbanas bem
dos mistos. Tem 11-12 cm de comprimento. arborizadas.
Penas da ponta das asas e da cauda de cor
escura. Máscara escura nos olhos e testa. Alimentação: Frutos, artrópodes e néctar.
Olhos castanho-avermelhados. Bico afilado,
escuro com a base rosada, levemente encur- Reprodução: Primavera e verão. A fêmea
vado para baixo. Pernas rosadas. O jovem constrói um ninho em formato de tigela
macho gradualmente ganha tom mais azula- escondido na vegetação. Utiliza ramos,
do. Filhote semelhante à fêmea. galhos, raízes e outros materiais. O macho
vigia a região durante a construção do ni-
Dimorfismo sexual: O macho é azul-escuro nho. Põe até três ovos esbranquiçados sara-
na cabeça, peito, ventre, ombros e logo aci- pintados de castanho. Incubação realizada
ma da cauda. A máscara da face é bem pela fêmea enquanto o macho a alimenta.
definida. A garganta é preta e tem uma Ambos os pais incubam os ovos e cuidam
grande mancha triangular preta nas costas, dos filhotes. Os filhotes deixam o ninho com
entre as asas. A fêmea tem plumagem verde- cerca de 15 dias e acompanham os pais
clara, com dorso mais escuro e uma mancha durante um tempo.
triangular olivácea pouco evidente entre as
asas. Plumagem ventral amarelada e gar- No parque: Encontrado nas matas o ano
ganta acinzentada. A cabeça é de tom azul inteiro.
desbotado, com uma sutil máscara mais
escura entre olhos e testa. O ombro é de
mesmo tom de azul da cabeça. O bico é Curiosidades
mais claro do que o do macho.
Atinge a idade adulta com 12 meses.

127
Marcon & Vieira

SAÍRAS (THRAUPIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

cambacica - Coereba flaveola
Amanda Marcon

adulto

Outros nomes: saí-banana, chupa-mel, mari- Ocorrência no Brasil: Todo o país.
quita, papa-banana, saí, sebinho.
Reprodução: O ano todo. O ninho é esféri-
Características: Em casais, bandos ou ban- co, de paredes compactas e grossas, bem
dos mistos. Tem 10-11 cm de comprimento, como entrada lateral pequena bem protegi-
roliça e de cauda curta. Plumagem dorsal da. O casal constrói um novo ninho para
cinza-olivácea, mais escura no topo da cabe- cada ninhada. Utiliza gravetos, hastes, fo-
ça, e ventral amarela, com região abaixo da lhas, líquens e outros materiais. Põe até três
cauda mais clara. Sobrancelha branca com- ovos esbranquiçados sarapintados de mar-
prida, descendo até a nuca. Garganta cin- rom. Ovos incubados pela fêmea por cerca
zenta. Bico afilado, encurvado para baixo, de 13 dias. Filhotes deixam o ninho em até
escuro e com base rosada. Pernas escuras. O 20 dias.
jovem tem as cores mais opacas e menos
destacadas. Filhote opaco e com comissura No parque: Encontrado nas bordas de mata
labial (protuberância na base do bico) clara. e jardins o ano inteiro.

Dimorfismo sexual: Não há dimorfismo exter-
no evidente conhecido. Curiosidades

Ambiente: Florestas, bordas de mata e áreas Constrói um ninho mais achatado e frouxo
abertas com árvores ou arbustos. destinado apenas para pernoitar.

Alimentação: Frutos, artrópodes e néctar. Territorial, disputa e briga com oponentes
e até com outras aves.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

SAÍRAS (THRAUPIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

Amanda Marcon
coleirinho - Sporophila caerulescens
Amanda Marcon

ovos fêmea

Amanda Marcon
Amanda Marcon

jovem
filhote macho
Amanda Marcon

Outros nomes: coleirinha, coleiro, papa- Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
capim, papa-capim-de-coleira. extremo Norte e Nordeste.

Características: Solitária, em casais, peque- Reprodução: Primavera e verão. O casal
nos grupos ou em bandos mistos. Tem 10-12 isola-se do bando e constrói um ninho pe-
cm de comprimento. Bico grosso, alto e cur- queno, em formato de taça entre os galhos
to. A cor do bico é amarelo-clara nos ma- de uma forquilha não muito longe do solo.
chos e amarelo-escura nas fêmeas. Pernas Utiliza raízes, hastes e outros materiais. Põe
escuras. O jovem macho ganha manchas até dois ovos brancos sarapintados de ferru-
escuras na plumagem e o bico se torna ama- gíneo, com maior concentração de pintas na
relado com o tempo. Filhote semelhante à base. Incubação por cerca de 15 dias reali-
fêmea e com a cauda curta. zada pela fêmea. O filhote deixa o ninho
com cerca de 15 dias. Pode ter até quatro
Dimorfismo sexual: O macho tem plumagem ninhadas por temporada.
dorsal cinza, com asas e cauda castanha-
escuras, e ventral branco-acinzentada. Man- No parque: Raramente nas áreas abertas.
cha preta na testa. Garganta preta contorna-
da por uma listra branca. Peito com colar
escuro. A fêmea tem plumagem dorsal ama- Curiosidades
relo-queimada, com asas e cauda mais cas-
tanhas, e ventral mais clara. Migratório parcial, há algumas popula-
ções que se deslocam para a região Sul
Ambiente: Áreas abertas. do país no verão.

Alimentação: Grãos e alguns frutos. Vítima do tráfico de animais silvestres.

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Marcon & Vieira

TIÊS (CARDINALIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

tiê-de-bando - Habia rubica
Carmen Bays

Bianca Vieira
macho fêmea

Outros nomes: tchá-tchá-tchá, tiê-da-mata, Ocorrência no Brasil: Em três regiões distin-
tiê-do-Mato-Grosso. tas (1) do Sul ao Sudeste; (2) no Nordeste; e
(3) do Norte ao Centro-Oeste.
Características: Em casais, grupos familiares
ou bandos mistos. Tem 17-19 cm de compri- Reprodução: Primavera. Ninho em formato
mento. Bico escuro, grosso, alto e forte, afi- de tigela em arbustos. O casal constrói o
nando na extremidade. Pernas rosadas. Cau- ninho com gravetos, ramos, hastes, raízes,
da alongada. Jovem semelhante à fêmea. O filamentos de cogumelos Marasmius e outros
jovem macho tem tonalidade mais averme- materiais. Põe até três ovos esbranquiçados
lhada. com manchas ferrugíneas mais concentra-
das na base. A fêmea incuba os ovos. Am-
Dimorfismo sexual: O macho tem plumagem bos os pais cuidam dos filhotes. Pode ter até
vermelho-escura, com ventre mais claro. Na duas ninhadas por temporada.
cabeça, há uma faixa escarlate. A fêmea é
castanho-amarelada, mais clara no ventre e No parque: Eventualmente nas matas.
com as pontas das asas e da cauda em tons
oliváceos. Apresenta uma fina faixa amarela-
da no topo da cabeça. Curiosidades
Ambiente: Sub-bosque de florestas. Emite fortes chamados de alerta quando
se sente ameaçado.
Alimentação: Grãos, artrópodes e alguns
frutos pequenos. Geralmente, há mais fêmeas do que ma-
chos nos grupos familiares.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

GATURAMOS (FRINGILLIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

gaturamo - Euphonia violacea
Bianca Vieira

Bianca Vieira
macho fêmea

Outros nomes: bonito-lindo, tem-tem-de- Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
estrela, tem-tem-verdadeiro. Pampa gaúcho, Cerrado nordestino e flores-
tas da Amazônia.
Características: Em pares, em bandos ou
bandos mistos. Tem 10-12 cm de compri- Reprodução: Primavera. Ninho em cavida-
mento, corpo roliço e cauda curta. Bico pe- des naturais, em troncos principalmente.
queno, grosso, superior escuro e inferior Forra o fundo com gravetos, hastes, raízes,
prateado. As pernas são acinzentadas. Jo- filamentos de cogumelos Marasmius e outros
vem semelhante à fêmea. Jovem macho materiais. Põe até quatro ovos brancos sara-
apresenta manchas por alterar a plumagem pintados de ferrugíneo. A fêmea incuba os
conforme cresce. ovos por cerca de 15 dias. Ambos os pais
cuidam dos filhotes. Pode ter até quatro
Dimorfismo sexual: O macho tem plumagem ninhadas por temporada.
ventral amarela intensa e dorsal azul-
marinho, mais escura na cabeça, ponta das No parque: Eventualmente nas matas o ano
asas e cauda. Asas com uma faixa azul-anil, inteiro.
observada melhor em voo. As penas das
extremidades da cauda são brancas. Gar-
ganta e testa amarelas-alaranjadas. A fêmea Curiosidades
é olivácea no dorso e amarelo-oliváceo na
testa, peito e ventre. As penas da ponta das Atinge a idade adulta com cerca de um
asas e da cauda são mais enegrecidas. ano.

Ambiente: Florestas, bordas de mata e locais Devido à alimentação a base de frutos
urbanos bem arborizados. macios, tem a moela reduzida.

Alimentação: Frutos e artrópodes. Capaz de imitar perfeitamente o canto de
outras aves.

131
Marcon & Vieira

BICOS-DE-LACRE (ESTRILDIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

bico-de-lacre - Estrilda astrild

Bianca Vieira
filhote
Bianca Vieira

adulto

Outros nomes: bico-de-lata, biquinho-de- Ocorrência no Brasil: Sul, Sudeste e Nordes-
lacre. te, com alguns registros no Norte a partir de
1990.
Características: Em bandos. Tem 9-13 cm de
comprimento. Plumagem dorsal marrom- Reprodução: Monogâmico, o macho corteja
clara e ventral clara com degradê averme- a fêmea cantando e mostrando sua pluma-
lhado. Estriado no dorso e ventre. Asas e gem. O casal constrói um ninho grande e
cauda mais escurecidas. Máscara vermelha esférico, com uma abertura em formato de
atravessando os olhos. Garganta branca, tubo na lateral. Utiliza gravetos, penas, ra-
única parte sem estriados. Bico grosso, alto e mos e outros materiais. Põe até seis ovos
vermelho-alaranjado brilhante. Pernas escu- brancos. Incubação por cerca de 12 dias.
ras. Filhote com o bico escuro e grande co- Ambos os pais incubam os ovos e cuidam
missura labial (protuberância na base do dos filhotes.
bico) branco-azulada.
No parque: Eventualmente nas áreas aber-
Dimorfismo sexual: O macho tem a região tas.
logo abaixo da cauda mais escura do que a
fêmea.
Curiosidades
Ambiente: Áreas abertas.
Espécie originária da África, era estimação
Alimentação: Grãos, de gramíneas exóticas da nobreza de Portugal que chegaram ao
da África principalmente. Brasil no final do século XIX. Escapou das
gaiolas e espalhou-se pelo país.

As comissuras labiais dos filhotes ficam
brilhantes no interior escuro do ninho e
auxiliam os pais a localizarem-nos.

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Aves do Parque Ecológico do Córrego Grande

PARDAIS (PASSERIDAE)

Conservação: Pouco preocupante

pardal - Passer domesticus

Amanda Marcon
Amanda Marcon

macho fêmea

Outros nomes: pardal-comum, pardoca Ocorrência no Brasil: Todo o país, exceto
(fêmea) e pardaloca (fêmea). florestas densas.

Características: Em bandos. Tem 16-18 cm Ambiente: Áreas abertas.
de comprimento. Plumagem dorsal castanha,
com rajados escuros nas costas, asas e cau- Alimentação: Grãos, folhas, frutos, botões
da. Asas com uma listra branca horizontal. florais, artrópodes e restos de alimento hu-
Fino colar claro, muitas vezes imperceptível. mano.
Bico grosso, alto, afilado na ponta e escuro.
Pernas claras. Jovem semelhante à fêmea, Reprodução: O ano todo. Nidifica em cavi-
sendo o jovem macho com leve mancha dades de formações rochosas, telhados,
preta desbotada no peito. Filhote semelhante construções. Também em ninhos abandona-
à fêmea, mas com comissura labial dos de joão-de-barro. O macho constrói
(protuberância na base do bico) amarela. ninho arredondado e com entrada lateral.
Aves que se alimentam em locais de terra Utiliza galhos, penas, fibras e até resíduos,
vermelha podem ter coloração temporária e como plásticos e cadarços. Põe até quatro
artificial mais forte. ovos cinzentos sarapintados de castanho.
Incubação por cerca de 15 dias. Ambos os
Dimorfismo sexual: O macho tem lateral da pais incubam os ovos e cuidam dos filhotes.
cabeça de cor castanho-avermelhada, topo
acinzentado e pequena mancha branca após No parque: Nas áreas abertas o ano inteiro.
o olho. Máscara preta dos olhos ao bico,
descendo até a garganta e ligando-se no
peito em uma grande mancha. Bochechas, Curiosidades
peito e ventre cinzentos. Bico preto. A fêmea
tem plumagem dorsal parda e ventral mais Espécie nativa do Velho Mundo, foi intro-
clara. Tem uma faixa de cor amarelo- duzido no Brasil por volta de 1903.
queimado logo atrás dos olhos até a nuca.
Bico mais claro que o do macho. Territoriais e agressivos com outras aves.

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