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Formadora: Fátima Guimarães

O termo "tempos livres" aponta para uma
predominância da escolha das crianças, o que
significa, que lhes deverão ser oferecidas
possibilidades diversificadas de opção.
Esta é também uma caraterística que, como vimos,
deverá estar subjacente à animação sócio-educativa.

em que as crianças têm liberdade de escolha. sem estarem aborrecidas à espera que as venham buscar. Por outro lado. mesmo que haja possibilidade de escolha. mas não estão entregues a si próprias. pela ambiguidade que está ligada a uma perspectiva de "tempos livres". para dar mais força à dinâmica – "à alma" – que deve marcar este tempo.Se as atividades de "tempos livres" e de "animação sócio-educativa"têm caraterísticas comuns. porquê ter escolhido esta última designação? Por um lado. em que. . não são uma opção das crianças. em que podem descansar.

os interesses das crianças. tendo em conta o contexto. É importante alertar os pais para que não tenham tendência a multiplicar este tipo de atividades.A organização e disponibilização deste tipo de atividades deve merecer uma cuidadosa reflexão. colaborando com eles para que as crianças sejam consultadas na decisão. . as possibilidades existentes em cada comunidade e as opiniões dos pais.

Espaço Tempo Que espaço? Que horário? Como está organizado? Como se distribui ao Qual o contributo das crianças? longo da semana e de cada dia? Quando se prepara? Organização da Animação Sócio- Educativa Grupo Materiais Quantas crianças? Com que idade? Que materiais? Quantos adultos? Que equipamento? Com que formação? Que utilização dos materiais? Que critérios de Que critérios para a escolha formação do grupo? de materiais e equipamento? .

Espaço  Mudança de espaço físico  Sempre que possível o espaço exterior é o privilegiado  Ludotecas  Ginásios  Associações  Passeios  Etc… .

instrumentos feitos pelas crianças  Colchões. bolas. arcos  Cordas  Panos coloridos  Trapalhadas  Etc… .Materiais  Livros  Jogos  Brinquedos  Música.

Grupo  Máximo 25 /adulto  Idades diferentes  As crianças têm oportunidade de escolher com querem brincar .

Tempo  Ajustar os horários de acordo com as necessidades dos pais  Aos seus horários e locais de trabalho  Variável e flexível .

. nem sempre são tidos em conta quando se organizam tempos de animação sócio-educativa ou de ATL. verificou que. embora os desejos das crianças fossem facilmente contemplados. Um estudo realizado em Portugal junto de crianças em idade pré-escolar e de 1.º ciclo.

“Apanhar pedrinhas.“Brincar. Brincar bem. jogar à bola e à apanhada. ver os bonecos da televisão. gosto de ir até à praia”. “Brincar.“Brincar. coisas da natureza para fazer colecções”. saltar à corda”.  . brincar.“Fazer barro.“Jogar ao jogo do computador”..“Gosto de estar com os meus pais e com os avós”. fazer desenhos.  . fazer papel”.. gosto de queijo e de manteiga”. à perguntou o que gostariam de fazer ao fim da tarde:  .  . Respostas dadas por crianças.  . Brincar até ao céu” . ver livros.  . bichos.“Brincar com os carros..  ..

nem se lhes pergunta o que querem fazer. É mais importante o prazer de estar e conviver do que a preocupação com o desenvolvimento e aprendizagem. Organizar este tempo em função das crianças será. a condição mais importante para garantir um atendimento de qualidade no tempo de animação sócio-educativa.  As atividades de animação sócio – educativa/ tempos livres têm como grande objetivo o fruir. Actividades de animação sócio-educativa/ tempos livres  Nem sempre estas oportunidades são oferecidas às crianças. por ventura. . Nestas atividades é muito mais importante o grau de envolvimento e satisfação das crianças do que a existência de um produto.

Actividades de animação sócio-educativa/ tempos livres  Uma vez que estas atividades têm sobretudo um cariz socializante. .jogar às cartas. . há que permitir trocas activas inter .contar histórias (para um grande ou pequeno grupo) . criando grupos de idades diferentes).jogos tradicionais.fazer roupas para bonecas. .grupos (por exemplo. . . das mais variadas formas: .dançar.cantar. reagrupando os grupos por horas de saída.  É desejável incentivar a vinda de pessoas da família e da comunidade que queiram partilhar este tempo de convívio.

costura. .jardinagem. . pipocas).a existência de um dia de "ida ao cinema” (escolhe-se o vídeo.danças tradicionais. .pequenos passeios.Actividades de animação sócio-educativa/ tempos livres  A animação sócio – educativa/ tempos livres pode permitir o desenvolvimento de experiências não contempladas no currículo. . mas igualmente estimulantes: . . intervalo. . há bilhetes.visitas aos vizinhos.

. . .conversas com os amigos.jogos.ou simplesmente estarem entregues aos seus próprios pensamentos. . sem caráter obrigatório. .construções. permitindo às crianças envolverem-se em outras atividades que lhes dêem maior satisfação e que sejam por elas livremente escolhidas: .Actividades de animação sócio-educativa/ tempos livres  Tudo isto.leituras.

cada técnico terá a sua. Existem definições como:  planear é definir com clareza o que se pretende da criança. prever algumas estratégias e selecionar recursos/materiais auxiliares.  é uma atividade que consiste em definir e sequenciar os objectivos. determinar processos para avaliar se eles foram bem conseguidos. ou do grupo. . Planificação Não existe uma definição única para planificação.

atendam à diversidade das situações e aos diferentes pontos de partida das crianças. para além disso. Isso pressupõe prever atividades que apresentem os conteúdos de forma a tornarem-se significativos e funcionais para as crianças. que sejam desafiantes e lhes provoquem conflitos cognitivos. na perspetiva construtivista a planificação passa pela criação de ambientes estimulantes que propiciem atividades que não são à partida previsíveis e que. ajudando-os a desenvolver competências de aprender a aprender”. .

se assim não fosse os educadores e professores não se debruçariam sobre esta tarefa há tantos anos. pelo contrário. Privilegiando as relações pessoais entre todos os membros do grupo (grupo e técnico). . deverá ser uma previsão do que se pretende fazer. material de apoio e essencialmente o contributo das crianças. fazendo com que as crianças se sintam como uma peça fundamental e imprescindível para o todo. Porque é que se planifica? Planificar é muito importante. A planificação não deve ser rígida. tendo em conta as atividades.

para perceberem melhor o “caminho” que estão a trilhar. refletir sobre os conteúdos. pois é uma forma de organizar o seu trabalho.  o educador ou técnico.  os pais. para perceberem melhor porque é que os filhos aprendem determinados conteúdos e desta forma poderem acompanhá-los melhor e participar mais conscientemente na vida escolar. Para quem se planifica? Planifica-se para:  as crianças. para que elas próprias possam saber o que estão a fazer e porquê. métodos. . materiais. expetativas e competências a desenvolver nas crianças. ou seja.

e para cada grupo em particular. após se conhecer as crianças. Os diferentes tipos de planificação Planificação a longo prazo Este tipo de planificação faz-se no começo do ano e tem como principal objetivo selecionar e distribuir os conteúdos. As opções que se fazem a este nível vão sofrer ajustamentos ao longo do ano. é a partir da avaliação que o educador ou técnico faz das necessidades de cada grupo. . Pois. que pode intervir diretamente sobre elas.

. Para planificar é necessário interligar objectivos. Planificações a médio prazo Designa-se por planificação a médio prazo os planos de um período. a motivação das crianças. os instrumentos de avaliação. entre outros. É também necessário equacionar os materiais necessários de forma mais concreta. conteúdos e atividades.

Normalmente. os passos e atividades específicas preconizadas para as crianças. . as técnicas motivacionais a serem exploradas. estes planos esquematizam o conteúdo. os materiais necessários e os processos de avaliação. Planificações a curto prazo/ planos de actividades Estes planos são aqueles a que o educador e técnico disponibiliza mais atenção.

Objetivos específicos. . isto é. que podem ser atingidos das mais variadas formas. Objectivos Os objetivos relativamente podem-se distinguir em : Objetivos gerais/ metas ou finalidades educativas. dizem respeito a objetivos muito gerais. representam aprendizagens mais simples. susceptíveis de serem adquiridas a curto prazo e mais concretas. Um objetivo específico pode ser enunciado em termos comportamentais. indica um comportamento observável que o aluno deve revelar.

. nos recursos. técnicas/meios/atividades. É fundamental que o educador já tenha traçado os objetivos. No decorrer da atividade poderemos fazer reajustamentos e adaptações. no lugar. nos meios. mas para tal o educador/técnico já deve ter pensado nos conteúdos. No final avalia-se para poder voltar a planificar. nos intervenientes (idade da criança). e no tempo. É durante a atividade que o educador/técnico observa a criança e faz registos. Da Planificação à Acção Tudo o que é planificado será agora desenvolvido.

. mas sim flexível. pois cada caso é um caso. se isso se revelar uma mais valia para o processo de construção de conhecimento por parte das crianças. Não se pode considerar um modelo certo em detrimento de um errado. . alterar os planos. em que o educador/técnico não se deve limitar àquilo que planeou. uma planificação nunca pode ser rígida. também por isso. e pode até fazer sentido usar simultaneamente mais do que um tipo de planificação.Pretende-se que a planificação seja um meio.Deve-se sempre avaliar e. . Serve para refletir sobre as melhores formas de trabalhar com as crianças. o que resulta com um determinado grupo pode não funcionar com outro. Em suma. . mas não deve ser diretivo. não um fim em si mesmo..É um vector orientador da acção..