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24º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental

VII-018 - DISTRIBUIÇÃO DA MORTALIDADE POR MALFORMAÇÕES


CONGÊNITAS EM ESTADOS DA REGIÃO CENTRO-SUL DO BRASIL

Ana Maria Almeida Rosa


Engenheira Ambiental diplomada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Mestranda – Curso de
Mestrado em Tecnologias Ambientais/CCET/UFMS
Karina Venuto de Souza
Estudante de Graduação em Engenheira Ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Katriny Dangui Michelle
Estudante de Graduação em Engenheira Ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Orlando Pissuto Trevisan
Engenheiro Ambiental diplomado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Mestrando – Curso de
Mestrado em Tecnologias Ambientais/CCET/UFMS
Sônia Corina Hess (1)
Engenheira Química, Doutora em Química Orgânica (UFSC), Coordenadora do Curso de Graduação em
Engenharia Ambiental e professora do Curso de Mestrado em Tecnologias Ambientais da Universidade
Federal de Mato Grosso do Sul,

Endereço(1): DHT/CCET/UFMS, CP 549, CEP 79070-900, Campo Grande/MS, fone 67 3345 7254, fax 67
3345 7499, email schess@nin.ufms.br

RESUMO
Estudos indicam que as causas da mortalidade infantil não estão mais relacionadas apenas com doenças
infecciosas. No ano de 2004, os defeitos congênitos, no Brasil, corresponderam à segunda causa de morte para
crianças com menos de 01 ano de idade. Além da parcela genética, a ocorrência de malformações congênitas
pode estar relacionada à exposição da criança, ainda antes do nascimento, ou mesmo, de seus pais, a
substâncias tóxicas. Considerando a importância dos fatores ambientais no nascimento de crianças portadoras
de malformações, o objetivo do presente trabalho foi investigar-se a distribuição espacial das taxas relativas de
mortalidade por malformações congênitas em crianças menores de 01 ano, nas microrregiões dos Estados de
MS, MT, GO, DF, MG, SP, PR, SC, e RS e, a partir deste estudo, identificar as áreas de maior risco, que
deverão ser posteriormente investigadas.

PALAVRAS-CHAVE: Malformações congênitas, Incerteza, Mortalidade, Análise temporal, Métodos


bayesianos.

INTRODUÇÃO
A taxa de mortalidade infantil vem sendo utilizada como referência para a avaliação de fatores como
qualidade e acesso aos serviços de saúde, condições sócio-econômicas da população, entre outros. Estudos
indicam que as causas da mortalidade infantil não estão mais relacionadas apenas com doenças infecciosas.
No ano de 2004, os defeitos congênitos, no Brasil, corresponderam à segunda causa de morte para crianças
com menos de 01 ano de idade (Axelrod et al, 2001; Ministério da Saúde, 2006). Além da parcela genética, a
ocorrência de malformações congênitas pode estar relacionada à exposição da criança, ainda antes do
nascimento, ou mesmo, de seus pais, a substâncias tóxicas, como pesticidas, solventes, aditivos presentes em
plásticos (ftalatos, entre outros), produtos de limpeza, emissões gasosas provenientes de veículos a diesel,
entre outras (Axelrod et al, 2001). Considerando a importância dos fatores ambientais no nascimento de
crianças portadoras de malformações, o objetivo do presente trabalho é investigar a distribuição espacial das
taxas relativas de mortalidade por malformações congênitas em crianças menores de 01 ano, nas microrregiões
dos Estados de MS, MT, GO, DF, MG, SP, PR, SC, e RS e, a partir deste estudo, identificar as áreas de maior
risco, que deverão ser posteriormente investigadas.

Foram analisadas a variação geográfica e as tendências temporais da mortalidade por malformações


congênitas nas microrregiões dos Estados localizados nas regiões sul, sudeste e centro-oeste do Brasil, no
período de 2000 a 2004.

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O método estatístico bayesiano é útil na análise de dados distribuídos espacialmente, uma vez que minimiza os
erros quando avalia-se a distribuição de doenças raras em regiões de população pequena, ao considerar os
efeitos das vizinhanças de cada sub-unidade (Castro et al, 2004; Santos et al, 2005). Este método estatístico,
integrado a sistemas de informação geográfica, como o software de criação nacional TerraView 3.0.3 utilizado
neste artigo, estão na vanguarda nos estudos de padrão espacial de risco em populações humanas.

METODOLOGIA UTILIZADA
No presente trabalho, empregou-se metodologia semelhante àquela descrita na literatura (Castro et al, 2004;
Santos et al, 2005). Os dados da mortalidade (população) e da mortalidade por malformações congênitas
(casos) foram obtidos a partir do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde
(Ministério da Saúde, 2006), para cada microrregião dos Estados de MS, MT, GO, DF, MG, SP, PR, SC, e
RS, segundo local de residência do indivíduo, faixa etária menor que 01 ano, sexos masculino e feminino, no
período de 2000 a 2004. Os dados foram avaliados de acordo com o método estatístico bayesiano,
empregando-se o software TerraViewPlus 3.03, disponível em http://www.dpi.inpe.br/terraview/index.php.

Os resultados da análise bayesiana obtidos para cada microrregião, referentes aos anos de 2000 a 2004, foram
divididos pela razão entre o número total de mortes por malformações congênitas/número total de mortes, para
cada ano, de toda a região sob análise. Os valores resultantes foram tratados por regressão linear, projetando-
se a situação de cada microrregião para o ano de 2002. Para cada sexo foram elaborados mapas temáticos
(Figuras 01 e 02), indicando-se os resultados obtidos, na forma de diferentes legendas, de acordo com a taxa
relativa da mortalidade (SMR), comparada com a razão global. As regiões com SMR maior do que 150 (em
preto no mapa) tiveram as taxas relativas de mortalidade, pelo menos, 50% acima da média global.

Também foi importante avaliar-se, empregando-se a mesma metodologia, os dados do SIM relativos á causa
de morte descrita como “Sinais, Sintomas e Achados Anormais em Exames Clínicos e Laboratoriais”. A
indefinição das reais causas das mortes incluídas neste capítulo do SIM são prejudiciais à análise que se
pretende realizar, uma vez que, dentre estas mortes, podem constar casos mal diagnosticados de malformações
congênitas ou outras doenças possivelmente associadas a fatores ambientais. Portanto, no presente trabalho,
optou-se por descrever como incertezas do método as mortes atribuídas a estas causas.

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Figura 01 e 02 – SMR do sexo masculino para a mortalidade por “malformações congênitas e


incerteza”.

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Figura 03 e 04 – SMR do sexo feminino para a mortalidade por “malformações congênitas e incerteza”.

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RESULTADOS OBTIDOS – CONCLUSÕES/RECOMENDAÇÕES


Na Figura 01 e 02 são apresentados os mapas obtidos para o sexo masculino, faixa etária menor de 01 ano,
relativos à projeção para o ano de 2002 das SMR para malformações congênitas e, também, para os “Sinais,
Sintomas e Achados Anormais em Exames Clínicos e Laboratoriais”, considerados como “incertezas”. Na
Figura 03 e 04 são apresentados os mesmos resultados, para o sexo feminino.

Para ambos os sexos, os Estados de MT, MS e RS apresentaram valores de SMR para “incertezas”
relativamente baixos, quando comparados com microrregiões dos Estados de GO, MG, SP, PR e SC. Nas
microrregiões com SMR elevado para “incertezas”, é possível que o número de mortes por malformações
congênitas tenha sido subnotificado, prejudicando a análise dos fatores ambientais de risco presentes em tais
localidades.

Ao comparar-se as Figuras 01, 02 e 03, 04, percebe-se que as microrregiões com SMR mais elevadas para
malformações congênitas não são coincidentes para os sexos masculino e feminino. Por exemplo, no Estado
do RS, a SMR para malformações congênitas é baixa em todas as microrregiões, para o sexo feminino,
enquanto que, para o sexo masculino, no mesmo Estado, muitas microrregiões têm SMR maior do que 100.
Espera-se que os dados apresentados no presente trabalho possam servir de base para estudos futuros, visando
a investigação de possíveis fatores de risco para malformações congênitas presentes no ambiente,
principalmente, nas microrregiões que apresentaram as maiores SMR

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. AXELROD, D.; DAVIS, D. L.; HAJEK, R. A.; JONES, L. A. It’s time to rethink dose: the case for
combining cancer and birth and developmental defects. Environmental Health Perspectives. V. 109, p.
A.246 - A.249, 2001.
2. CASTRO, M. S. M.; VIEIRA, V. A.; ASSUNÇÃO, R. M. Padrões espaço temporais da mortalidade
por câncer de pulmão no Sul do Brasil. Revista Brasileira de Epidemiologia. V. 7, p. 131-143, 2004.
Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rbepid/v7n2/10.pdf, acessado em 2006.
3. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de informação sobre mortalidade. Disponível em
(http://w3.datasus.gov.br/datasus/datasus.php?area=359A1B378C5D0E0F359G22H0I1Jd5L25M0N&VIn
clude=../site/infsaude.php&VObj=http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sim/cnv/obt), acessado
em 2006.
4. SANTOS, A. E.; RODRIGUES, A. L.; LOPES, D. L. Aplicações de estimadores bayesianos empíricos
para a análise espacial de taxas de mortalidade. VII Geoinfo. Campos do Jordão, 2005. Disponível em
http://geoinfo.info/geoinfo2005/papers/P63.PDF, acessado em 2006.

APOIO: CNPq, SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE/MS, PROPP/UFMS, FUNDECT

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